Congresso Técnico Científico da Engenharia e da Agronomia
CONTECC’ 2015
Centro de Eventos do Ceará - Fortaleza - CE
15 a 18 de setembro de 2015
IDENTIFICAÇÃO PALINOLÓGICA DE FONTES FLORAIS DE TRÊS
MELIPONÁRIOS DO MUNICÍPIO DE PICUÍ, PARAÍBA
FRANCISCA LÍGIA AURÉLIO MESQUITA REIS¹, LUCIANA DE MACÊDO DANTAS², IGOR TORRES
REIS*³, PRISSANA LOUIS CORTÊS DANTAS4, VICENTE DE PAULA TEIXEIRA ROCHA5
1
Aluna do doutorado em construções rurais e ambiência, UFCG, Campina Grande-PB. Fone: (83) 99993-8153,
[email protected]
2
Técnica em Agroecologia, IFPB, Picuí-PB. E-mail: [email protected]
3
Aluno do doutorado em construções rurais e ambiência, UFCG, Campina Grande-PB. Fone: (83) 99993-8497,
[email protected]
4
Aluna de Agroecologia, IFPB, Picuí-PB. Fone: (84)99621-5577,
[email protected]
5
Aluno do mestrado em construções rurais e ambiência, UFCG, Campina Grande-PB. Fone: 2101-1449,
[email protected]
Apresentado no
Congresso Técnico Científico da Engenharia e da Agronomia - CONTECC’ 2015
15 a 18 de setembro de 2015 - Fortaleza-CE, Brasil
RESUMO: O trabalho foi realizado nos meses de abril e julho de 2013, em três meliponários situados
no município de Picuí, PB, com o objetivo de pesquisa a vegetação da Caatinga da área visando
identificar as plantas de interesse à meliponicultura. Para montagem do laminário de referência e
estudo taxonômico, foram coletados botões desenvolvidos diretamente da planta viva, confeccionado
exsicatas e para a montagem das lâminas de referência, o pólen foi fixado com gelatina glicerinada,
colocando-se a parafina para vedar a lamínula e não ocorrer o vazamento das amostras de pólen, sendo
confeccionadas duas lâminas para cada espécie vegetal. Para avaliar a participação das espécies
vegetais na composição da dieta de pólen das abelhas, foi realizado um estudo através do
procedimento de porcentagem simples conforme procedimentos metodológicos de Andrini &
Vasconcelos, (2012). Para analise e discussão dos resultados foi elaborado uma planilha e para
discussão utilizou-se a estatística descritiva. Observou-se que a participação da oferta de pólen em
todos os meliponários para a espécie jurema-preta (50,19%), sendo super-representada em relação às
espécies de mussambê (37,64%), mutre (9,03%) e outras espécies (3,14 Verificou-se a predominância
das espécies vegetais jurema-preta, mutre, mussambê na dieta do pólen das abelha.
PALAVRAS-CHAVE: abelha, pólen, produção
IDENTIFICATION OF THREE FLORAL SOURCES POLLEN MELIPONÁRIOS PICUI
THE MUNICIPALITY, PARAÍBA
ABSTRACT: The study was conducted in April and July 2013 in three meliponários located in the
municipality of Picuí, PB, in order to search the vegetation of the Caatinga area to identify the plants
of interest to beekeeping. To mount the reference slide collection and taxonomic study, developed
buds were collected directly from the living plant, and exsiccates made to mount the reference blades,
pollen was fixed with glycerinated gelatin, placing the paraffin to seal the coverslip not occur the leak
of pollen samples, and made two blades for each plant species. To assess the participation of plant
species in the composition of bee pollen diet, a study was conducted through the simple percentage of
procedure as methodological procedures andrini & Vasconcelos, (2012). For analysis and discussion
of results it was prepared to discuss a spreadsheet and used the descriptive statistics. It was observed
that the participation of pollen is available in all meliponários for Jurema species (50.19%), and overrepresented in relation to species mussambê (37.64%), mutre (9.03% ) and other species (3.14 There
was a predominance of plant species Jurema, mutre, mussambê in the bee pollen diet.
KEYWORDS: bee, pollen, production
INTRODUÇÃO
A palinologia é o estudo morfológico do pólen e do esporo do pólen, bem como sua dispersão
(Plá Júnior, 2006), e a oferta de pólen é fundamental para a apicultura. Entre os meliponíneos nativos
do Nordeste brasileiro, a abelha M. subnitida (Jandaíra), é uma das espécies mais indicadas para
criação racional com fins lucrativos na região semiárida da Paraíba, pela sua adaptação e por produzir
mel de excelente qualidade (Pereira et al., 2006). Segundo Reis (2009), a relação das abelhas com a
flora apícola é bem complexa, pois envolve diversos aspectos como a área de ação colonial, a
comunicação entre elas, o uso de fontes de alimentos, a localização e a coleta de pólen.
Portanto, é importante ampliar as pesquisas sobre a diversidade e distribuição de suas floradas,
o que servirá de subsídio para o aprimoramento das técnicas de manejo das colônias e para
planejamentos de reflorestamentos, buscando melhorias de pastagem melípona, otimizando e
incentivando o aproveitamento dos potenciais melíponas. Portanto o objetivo do trabalho foi objetivo
pesquisar a vegetação da Caatinga visando identificar as plantas de interesse à meliponicultura
MATERIAL E MÉTODOS
A pesquisa foi realizada entre os meses de abril e julho de 2013, em três meliponários situados
no município de Picuí, PB, no meliponário pertencente ao IFPB, Campus Picuí (S 06°30’ 28,9’’W
036° 21’ 38,8’’), no meliponário PIERRE (S 06° 30’ 21,4’’ W 036° 20’ 52,3’’) e no meliponário REIS
(S 06°30’ 15,8’’ W 036° 20’ 18,5’’). O município possui um clima quente, semiárido, apresentando
temperatura média anual de 26ºC e variações no verão, com máximas entre 28ºC e 30ºC. A
precipitação pluviométrica média anual é de 357,6mm, sendo mal distribuída ao longo do ano (AESA,
2011).
Para a coleta de dados, foram traçados transetos nos sentido dos quatros pontos cardiais no
entorno de cada meliponário, para posterior coleta de amostras vegetais e montagem das exsicatas, tais
amostras vegetais foram levadas ao laboratório de biologia IFPB e armazenadas para sua identificação
e determinação das espécies fornecedoras de pólen e néctar. Para identificação de fontes florais, foram
analisados os pólens obtidos em duas colônias do meliponário do IFPB (denominada de 1 e 2), cinco
do meliponário Reis (denominada de 3 a 7) e cinco do meliponário Pierre (denominada de 8 a 12), no
qual retiraram-se amostras de pólen.
Para a montagem do laminário de referência e estudo taxonômico, foram utilizados botões
desenvolvidos coletados diretamente da planta viva. O pólen foi fixado na lâmina com gelatina
glicerinada, colocando-se a parafina para vedar bem a lamínula para que não ocorrer vazamento, sendo
confeccionadas duas lâminas para cada espécie vegetal. A montagem da lâmina permanente baseou-se
no método de Erdtman adaptado por Reis (2009), no qual foi confeccionada a gelatina glicerinada
através da formulação: diluição de 5g de gelatina incolor e sem sabor em 20 ml de água quente,
acrescentando 30 cm3 de glicerina. Em seguida, recolheu-se o filtrado em placas de petri e, depois de
frio, foi guardado em geladeira.
As amostras de pólen foram preparadas de acordo com Reis (2009), depois de retirada da
refrigeração, permaneceram sob a bancada do laboratório até atingir a temperatura de 28°C. Logo
após, foi preparada as sub-amostras, coletando-se aleatoriamente 0.320g de pólen de cada uma delas.
As sub-amostras de pólen foram preparadas por meio de lavagem em álcool a 70%, utilizando um
misturador de soluções para homogeneização da substância, depois foram centrifugadas a 2.500 rpm
durante 5 minutos, a fim de reduzir as substâncias oleaginosas (pólen kit), logo após retirou o
sobrenadante e o resíduo foi centrifugado a 2.500 rpm com água destilada. Em seguida procedeu-se a
fixação dos grãos em gelatina glicerinada, e as lâminas foram vedadas, usando parafina e colocando as
lamínulas. Foi preparado duas lâminas para cada sub-amostra colhida (Figura 1).
As análises das amostras de pólen foram realizadas, através da identificação e contagem dos
grãos de pólen de cada lâmina. A identificação do material foi feita baseada nas características
morfológicas dos grãos, como: o tamanho, forma, tipo de abertura e exina. Através de comparações
com o laminário de referências, e com a bibliografia especializada Freitas (1991), identificou-se o
pólen em nível de espécie. A seguir, foi encontrado a frequência representativa das espécies, e seu
percentual de participação nas amostras, para tanto, foi contado a partir do primeiro canto superior de
cada campo lâmina, e por deslocamentos verticais, um mínimo de 200 grãos de pólens Reis (2009).
Figura 1. Confecção do laminário de referência do pólen.
Para avaliar a participação das espécies vegetais na composição da dieta de pólen das abelhas,
foi realizado um estudo através do procedimento de porcentagem simples conforme procedimentos
metodológicos de Andrini & Vasconcelos, (2012). Para analise e discussão dos resultados foi
elaborado uma planilha e para discussão utilizou-se a estatística descritiva.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Na área e período pesquisado foram catalogadas trinta e duas espécies vegetais em floração,
sendo 15 quinze herbáceas, quatro arbustivas e 13 treze espécies arbóreas (Figura 2). As principais
espécies vegetais que contribuíram para o fornecimento de pólen foram a Jurema-preta (M. tenuiflora),
Mussambê (C. spinosa) e Mutre (A. virgata).
O polén do meliponário IFPB apresentou espécies de jurema-preta, mussambê, mutre e um
tipo acaceae, o que classificou-se como polifloral. A espécie da jurema-preta se apresenta superrepresentada em todas as colônias, visto que a mesma é caracterizada por ofertar mais pólen do que
néctar.
Na oferta de pólen do meliponário REIS, a espécie de jurema-preta se apresentou superrepresentada apenas nas colônias 3 e 7 com uma grande predominância, sendo a espécie Mussambê
predominante nas colônias 4, 5 e 6.
O polén do meliponário PIERRE foi classificado como da espécie de jurema-preta e
apresentou uma elevada participação em todas as colônias, tornando super-representada em pólen com
relação às espécies como mussambê e que são sub-representadas em pólen. Reis (2009) analisando a
espécie jurema-preta observou que ela estendeu sua floração por vários meses, e que em seis meses,
correspondendo ao segundo semestre do ano, teve uma participação significativa, sendo no mês de
julho com 44,42% da dieta protéica, agosto com 59,94%, setembro com 30,38%, outubro com
20,36%, novembro com 38,08% e em dezembro com 12,72%, concluindo que é uma espécie
importante como fonte proteica na alimentação das abelhas no período de estiagem.
A participação da oferta por pólen em todos os meliponários apresentou a espécie juremapreta com uma maior participação (50,19%), sendo super-representada em relação às espécies de
mussambê (37,64%), mutre (9,03%) e outras espécies (3,14%) que são espécies sub-representadas
em ofertar pólen. Para Marques-Souza et al (2002), as abelhas conseguem selecionar as espécies
vegetais pela composição química e concentração de açúcares de seu néctar, o mesmo acontece com o
pólen, cujo valor nutritivo as abelhas conseguem diferenciar.
Figura 2: Principais espécies botânicas que contribuíram no fornecimento de pólen. Fig.A: Juremapreta(M. tenuiflora); fig.B: Mussambê (C. spinosa) e fig.C: Mutre (A. virgata).
CONCLUSÃO
A flora da Caatinga no município de Picuí contribui para dieta alimentar de abelhas
sem ferrão, mesmo em épocas de escassez hídrica. Verificou-se a predominância das espécies
vegetais jurema-preta, mutre, mussambê na dieta do pólen das abelha.
Portanto, torna-se importante o incentivo de produção de fontes poliníferas e melíferas
como: jurema-preta (M. tenuiflora), mutre (A. virgata) e musambê (C. spinosa) próximo aos
meliponários em questão, para aumentar a produção de mel e pólen.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AESA. Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba. Disponível em:
http://geo.aesa.pb.gov.br/.
ANDRINI, A.; VASCONCELOS, M. J. Praticando matemática. Editora do Brasil: São Paulo. p. 288,
2012.
FREITAS, B. M. Potencial da caatinga para produção de polen e nectar para exploração
apicola. Fortaleza: UFC/CCA. Curso de Pós-graduação em Zootecnia, 1991.140p.
(Dissertação de Mestrado).
MARQUES-SOUZA, A.C.; MIRANDA, I.P. A.; MOURA, C. O.; RABELO, A.; BARBOSA, E.M. .
Características morfológicas e bioquímicas do pólen coletado por cinco espécies de Meliponíneos
da Amazônia Central. Acta Amazonica, v. 32, n.2, p. 217-229, 2002.
PLÁ JUNIOR, M. A. Grãos de pólen: usos e aplicações. UBRA - Canoas. p. 24. 2006
PEREIRA D. S.; MEDEIROS P. V. Q.; GUERRA A. M. N. M.; SOUSA A. H.; MENEZES P. R.
Abelhas nativas encontradas em meliponários no oeste Potiguar-RN e proposições sobre seu
desaparecimento na natureza. Revista verde de agroecologia e desenvolvimento sustentável
Grupo verde de agricultura alternativa (gvaa), v.1, n.2, p. 54-65, 2006.
REIS, I. T. Flora de manutenção para Apis mellifera no município de Paramoti - Ceará - Brasil.
Dissertação (mestrado) - Universidade Federal do Ceará, Centro de Ciências Agrárias. Depto. de
Zootecnia, Fortaleza, 2009.
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IDENTIFICAÇÃO PALINOLÓGICA DE FONTES FLORAIS