A DEMOGRAFIA ESCRAVA EM PIRANGA (1840-1888): APONTAMENTOS PARA O ESTUDO DA FAMÍLIA ESCRAVA Guilherme Augusto do Nascimento e Silva – UFSJi NO BRASIL, OS ESTUDOS HISTORIOGRÁFICOS RELATIVOS À FAMÍLIA, TANTO SOBRE O PERÍODO COLONIAL QUANTO IMPERIAL, HÁ ALGUMAS DÉCADAS MUDARAM O SEU VIÉS ANALÍTICO E METODOLÓGICO. NO ESCOPO DESSAS MUDANÇAS LANÇOU-SE LUZ, POR CONSEGUINTE, SOBRE A CONSTITUIÇÃO DAS FAMÍLIAS ESCRAVAS, TEMÁTICA QUE FORA ATÉ MEADOS DA DÉCADA DE 1970 DESPREZADA PELOS HISTORIADORES. O TEMA, NOS DIAS DE HOJE, JÁ ESTÁ BASTANTE DIFUNDIDO E HÁ ESTUDOS SOBRE A FAMÍLIA ESCRAVA PARA DIVERSAS REGIÕES BRASILEIRAS. DESTA FORMA, ESTUDAR AS DIVERSAS CARACTERÍSTICAS DAS POPULAÇÕES ESCRAVAS, SUAS RELAÇÕES COM SEUS SENHORES E ENTRE SI MESMOS, TORNOU-SE UM TEMA PROMISSOR, PRINCIPALMENTE COM A UTILIZAÇÃO CADA VEZ MAIS SISTEMATIZADA DE FONTES PASSÍVEIS DE SERIAÇÃO COMO OS INVENTÁRIOS POST-MORTEM. UM NÚMERO EXPRESSIVO DESTE CORPI DOCUMENTAL AJUDA SIGNIFICATIVAMENTE A ANÁLISE DO HISTORIADOR SOBRE ASPECTOS OS MAIS VARIADOS NO QUE DIZ RESPEITO À VIDA COTIDIANA DOS CATIVOS, COMO É O CASO DO ESTUDO SOBRE A FAMÍLIA ESCRAVA, NA MEDIDA EM QUE TRAÇA QUADROS QUANTITATIVOS E QUALITATIVOS DOS PERÍODOS TRATADOS. NESTA PERSPECTIVA, PRETENDEMOS APRESENTAR OS RESULTADOS PARCIAIS DA ANÁLISE QUANTITATIVA DA DEMOGRAFIA DA ESCRAVIDÃO NA VILA DE PIRANGA ENTRE 1840 E 1888, A PARTIR DA UTILIZAÇÃO DE UMA AMOSTRA PRELIMINAR DE 81 INVENTÁRIOS POSTMORTEM ARQUIVADOS NO FÓRUM DE PIRANGA. CREMOS QUE O ENTENDIMENTO DA DEMOGRAFIA ESCRAVA DO TERMO DE PIRANGA – ESTRUTURA DE POSSE, ORIGEM DOS ESCRAVOS, ÍNDICE DE MASCULINIDADE, IDADE DA ESCRAVARIA, ETC. – É DE EXTREMA IMPORTÂNCIA – E O PONTO DE PARTIDA – PARA A CONSTRUÇÃO DE UMA ANÁLISE SOBRE AS RELAÇÕES FAMILIARES DOS ESCRAVOS, POIS NOS FORNECE UM QUADRO GERAL DA SITUAÇÃO DA ESCRAVARIA DA REGIÃO. Palavras-chave: Demografia Histórica; Família Escrava; Inventários Post-mortem. Introdução No Brasil, os estudos historiográficos relativos à família, tanto sobre o período colonial quanto imperial, há algumas décadas mudaram o seu viés analítico e metodológico (FARIA, in: CARDOSO & VAINFAS, 1997). No escopo dessas mudanças lançou-se luz, por conseguinte, sobre a constituição das famílias escravas, temática que fora até meados da década de 1970 desprezada pelos historiadores. Segundo Guedes, i Licenciado em História pela Universidade Federal de Viçosa e Mestrando em História pela Universidade Federal de São João del Rei. Projeto de mestrado financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES/DS). 1 o que provavelmente mais contribuiu para os estudos sobre escravidão – e família escrava em especial – foi a mudança de perspectiva acerca dos escravos, que deixaram de ser encarados como moribundos políticos e culturais. Transitou-se de uma visão dicotômica sobre os escravos – vítima ou herói – para outra que destaca suas possibilidades de negociação e de ação, não obstante as imensas vicissitudes da vida em escravidão. (GUEDES, 2008, p. 127) Em consonância com este contexto, houve, na década seguinte, uma proliferação de importantes estudos acerca da família escrava, os quais ressaltaram, por exemplo, a importância da formação de famílias como elemento estratégico de resistência ao cativeiro. Algumas obras se tornaram referência sobre o tema, dentre as quais se destacam as de Robert Slenes e de Manolo Florentino e José Roberto Góes (SLENES, 1999; FLORENTINO & GÓES, 1997). O tema, nos dias de hoje, já está bastante difundido e há estudos sobre a família escrava para diversas regiões brasileiras. Minas Gerais está inserida neste quadro, com produções historiográficas principalmente para as regiões de Mariana, São João del Rei e Zona da Mata, importantes regiões da província nos séculos XVIII e XIX. Este trabalho visa somar-se a estes esforços historiográficos. Nesse sentido, pretendemos proceder a uma análise da família escrava na Vila de Piranga, entre 1840 e 1888. Importante centro minerador e de expansão agrária durante o século XVIII, Piranga foi relativamente negligenciada pela historiografia. Em meados da década de 1840 ascendeu à categoria de vila e, concomitantemente, foi instituída sua própria comarca. A importância da Vila para a província mineira é igualmente demonstrada por meio de uma economia escravista amplamente diversificada e dinâmica, com produção de açúcar e cachaça, e de outros gêneros alimentícios voltados para a subsistência e para o atendimento do mercado interno, além de uma sólida proto-indústria têxtil. A despeito da idéia de decadência propalada pela antiga historiografia, essa assertiva vem corroborar a visão de dinamicidade econômica das Minas após o fim do ciclo minerador. Em meio a este novo quadro interpretativo, destaca-se a pesquisa de Roberto Borges Martins, que demonstrou, através de um sólido banco de dados, que a província de Minas Gerais possuía o maior plantel escravo do Império. Este autor argumenta que entre 1808 e 1872, “a população escrava de Minas cresceu a uma taxa cerca de duas vezes e meia maior que a média nacional e o seu aumento absoluto foi igualado apenas pelo Rio de Janeiro.” (MARTINS, 1983, P. 187). Desta forma, estudar as diversas características das populações escravas, suas relações com seus senhores e entre si mesmos, tornou-se um tema promissor, principalmente com a utilização cada vez mais sistematizada de fontes passíveis de seriação como os inventários post-mortem e os registros eclesiásticos. Um número expressivo deste 2 corpi documental ajuda significativamente a análise do historiador sobre aspectos os mais variados no que diz respeito à vida cotidiana dos cativos, como é o caso da análise sobre a família escrava, na medida em que traça quadros quantitativos e qualitativos dos períodos estudados. O período delimitado é marcado por mudanças significativas relativas à escravidão no Brasil. As leis promulgadas neste período foram decisivas para a derrocada do sistema escravista. O fim do tráfico internacional em 1850, passando pela lei do ventre livre e dos sexagenários, culminou, por fim, com a abolição em 1888. Além destas leis, houve a que proibia a separação de famílias escravas por vendas, doações ou partilhas e a criação do Fundo de Emancipação de escravos, que colocava as famílias no topo da lista de beneficiados. A partir deste contexto – apoiando-nos em um arcabouço documental composto pelos inventários post-mortem e pelos registros eclesiásticos –, pretendemos compreender como se deu a formação das famílias escravas em Piranga e de que modo os escravos desta localidade, em suas múltiplas relações sociais, traçaram estratégias as mais diversas, no sentido de forjarem para si melhores condições de existência. Assim sendo, aprofundaremos nossa análise nas questões da reprodução natural, estabilidade das famílias e significados do compadrio. Mas estas são questões a serem respondidas em outra oportunidade. O objetivo deste artigo é o de esboçar os traços demográficos referentes à população cativa do termo de Piranga a partir da análise de 81 inventários post-mortem compreendidos entre os anos de 1840 e 1888. A partir de métodos de demografia histórica, tentaremos compreender a estruturação da população escrava da vila, ressaltando a proporção entre os sexos, as faixas etárias, os índices de masculinidade, a origem dos cativos, o estado conjugal e estrutura de posse dos plantéis. Cremos que o entendimento da estrutura demográfica da localidade é de extrema importância – e o ponto de partida – para a construção de uma análise sobre as relações familiares dos escravos, pois nos fornece um quadro geral da situação da escravaria da região. Procedimentos Metodológicos e Fontes Os inventários trabalhados estão arquivados no Fórum da cidade de Piranga. Este mantém um acervo documental de valor inestimável referente ao século XIX, principalmente à sua segunda metade, na medida em que Piranga se transformou em vila e comarca em 3 meados da década de 1840. Todos os documentos produzidos desde então pelo Poder Judiciário referentes à região estão arquivados neste Fórum. Os inventários são fontes privilegiadas para o estudo de diversas dimensões da vida cotidiana, válidas para a história econômica, social e da família. E entre todas as possibilidades de emprego destas fontes, há a da história da família escrava. Na medida em que os inventários possuem uma descrição detalhada dos bens do falecido, encontramos o registro de todos os escravos do eventual proprietário no momento de sua morte, com seus nomes, idades, nacionalidade, origem e preços, além do estado civil, registro mais importante para nossa pesquisa. Podemos encontrar dados complementares sobre os escravos nos testamentos e nos registros de matricula de escravos – estes a partir de 1872 –, quando estão traslados no inventário, e dependendo de como o processo transcorre, mais informações podem ser acrescentadas. Levando em consideração que o recorte cronológico deste trabalho é extenso, será necessário dividir os dados obtidos por decênios. Desta maneira, teremos cinco decênios a serem analisados: 1840-50, 1850-60, 1860-70, 1870-80 e, finalmente, 1880-88. Por enquanto, de inventários que compreendem o período delimitado, temos apenas 81 fichados. Para um estudo demográfico, temos a consciência de que ainda não se trata de uma amostra significativa para tirar conclusões consistentes, mas acreditamos que os dados levantados até agora podem já apontar caminhos a seguir referentes ao estudo da escravidão em Piranga. Para além do tratamento demográfico das fontes, será necessário também promover alguns estudos de casos, pois a análise qualitativa traz contribuições importantes à pesquisa. Neste sentido, Cristiany Miranda Rocha argumenta que Atualmente, a existência da família escrava já não é mais uma hipótese a ser comprovada, e sim uma realidade a ser mais bem estudada e conhecida. Nesse sentido, tornam-se necessários outros métodos de investigação que permitam observar o tema por outros ângulos, em busca de aspectos e problemas que não são visíveis na maioria das análises demográficas. A nossa proposta, então, é a de um ajuste no foco de observação, trocando-se as lentes de amplo alcance por aquelas que possibilitem uma visão mais restrita e intensiva. (ROCHA, 2004, p. 16) Nossa intenção, seguindo esta proposição, é se utilizar de inventários que contenham casos significativos de famílias escravas e fazer uma análise mais detida dos mesmos, acompanhando famílias ao longo do tempo, para podermos contornar o problema metodológico da imagem estática das famílias dada pelos inventários. Não apenas o acompanhamento de famílias desfaz este “retrato”, mas também o cruzamento de fontes. Este método é importante para que possamos obter um quadro mais 4 completo e consistente dos casamentos entre escravos no período estudado. Os testamentos e matrículas de escravos de 1872 são importantíssimos neste trabalho, pois trazem informações valiosas. Os registros paroquiais, notadamente os registros de batismos e de casamentos, também podem trazer inúmeras contribuições em cruzamento com os inventários. Novamente, Rocha nos ajuda nesta questão ao dizer que a avaliação de escravos presente nos inventários traz uma imagem congelada que fixa num dado momento o ciclo de vida dessas famílias, como se elas não tivessem nem passado nem futuro. Por isso partimos para os assentos de batismos e casamentos, o que nos permitiria reencontrar aquelas famílias em outros momentos de sua existência. Dessa forma, esses registros paroquiais nos ajudariam a conferir um relevante movimento àquelas “fotografias” fornecidas pelo inventário, na medida em que eles estenderiam o tempo de observação do ciclo de vida familiar dos cativos.(ROCHA, 2004, p. 93) Florentino e Góes também discorrem sobre as contribuições do cruzamento documental: “Em realidade, como o universo de inventários revela apenas parte das relações familiares estabelecidas no interior de um dado plantel, somente o cruzamento desta fonte com outras pode ajudar a superar tal limitação” (FLORENTINO & GÓES, 1997, p. 94). Podemos concluir, portanto, que o amplo cruzamento de fontes é essencial para uma pesquisa com famílias escravas, na medida em que umas superam deficiências de outras, possibilitando um acesso maior às relações parentais entre os escravos. A família escrava na historiográfica Os estudos historiográficos relativos à Província de Minas Gerais no século XIX há vários anos colocaram por terra a teoria segundo a qual a economia local entrou em decadência após o fim do ciclo minerador. A interpretação da decadência mineira estava pautada em clássicos como os de Celso Furtado e Caio Prado Junior (FURTADO, 1989; PRADO JR., 1989). Neste quadro, a discussão acerca da economia escravista mineira no século XIX sofre uma grande reformulação a partir do trabalho pioneiro de Roberto Martins (MARTINS, 1983), que, contra um consenso historiográfico previamente estabelecido, mostra que Minas foi uma grande importadora de escravos até a proibição do tráfico atlântico e, a partir disso, se manteve como um dos lugares de destino do tráfico interprovincial. Os estudos de Robert Slenes e Douglas Libby (SLENES, 1988; LIBBY, 1988) seguiram esta vertente, demonstrando a importância do mercado interno para o dinamismo econômico da província, 5 baseada em atividades agrícolas, mineradoras e proto-industriais. Economia esta que se distanciava, deste modo, dos setores agro-exportadores. Esta nova visão sobre a província no século XIX permitiu que outros estudos sobre o período emergissem, sobretudo a partir do viés metodológico da história demográfica, utilizando fontes como as listas nominativas, os registros paroquiais e os inventários postmortem, enfocando as atividades econômicas, a estrutura da posse de escravos e a história social e da família. Vê-se, pois, que esta nova noção sobre a economia mineira durante o século XIX se relaciona intimamente com a história da escravidão na província e, conseqüentemente, com a história da família escrava, posto que os escravos constituíam força de trabalho preponderante para o desenvolvimento desta economia. Na questão estritamente relacionada com a história da família escrava, podemos indicar que a grande mudança ocorrida na historiografia relativa a este tema transcorreu no início dos anos 1980, com a emergência de teses que revisaram os estereótipos do escravismo, como a promiscuidade entre escravos e a inexistência de famílias entre os mesmos. Tendo em conta a historiografia tradicional, citemos os exemplos de Gilberto Freyre e Florestan Fernandes. Para Gilberto Freyre, a família colonial era essencialmente patriarcal e extensiva. “Nas casas-grandes, filhos dos senhores viviam com suas famílias. Escravos, agregados e, mesmo, sitiantes proprietários se colocavam sob as vistas e ordens dos patriarcas onipresentes”. (QUEIROZ in FREITAS, 1998, p. 104) A família colonial concebida desta forma relegava àqueles que não compunham a casa-grande a desorganização familiar, a promiscuidade e a sujeição aos ricos patriarcas. “Portanto, inexiste em seu trabalho uma delimitação clara entre família branca e família negra. As duas parecem misturar-se e fundir-se em uma só, tendo como referencial a fazenda monocultura”. (ROCHA, 2004, p. 23) Já Para Florestan Fernandes tanto a continuidade dos laços de linhagem africanos, quanto a formação de famílias nucleares no Brasil inexistiram. O regime escravocrata subjugava os negros africanos, impedindo-os de recriar sua identidade e cultura. Desta maneira, os senhores vedaram todas as formas de solidariedades que pudessem existir entre cativos. Segundo este autor, a destruição de laços familiares era essencialmente importante para manter a escravidão, “criando escravos anônimos, sem capacidade política e que, conseqüentemente, os senhores podiam viver sossegados”. (SLENES & FARIA, 1998, P. 25) Fernandes, juntamente com Emilia Viotti da Costa e Roger Bastide, foram os principais representantes da chamada “Escola Paulista de Sociologia”, pautada em estudos 6 que buscavam “ressaltar os conflitos inerentes à sociedade escravista, que tornaria impossível a convivência harmoniosa e até mesmo pacífica entre senhores e escravos”. (ROCHA, 2004, P. 25) Neste sentido, as condições do cativeiro teriam impossibilitado a existência de famílias entre os escravos brasileiros. Na década de 1970, o surgimento da temática relativa à família escrava na historiografia norte-americana (GUTMAM, 1976; GENOVESE, 1998), teve forte influência nos trabalhos brasileiros que entraram na esteira da revisão historiográfica da década subsequente. Estes se beneficiaram, concomitantemente, da “revolução documental”, na qual novos corpora documentais, passíveis de seriação, começaram a ser sistematicamente utilizados a partir de técnicas de demografia história. Em resposta às teorizações gerais sobre o sistema escravista, cuja base documental raramente ou nunca permitiu uma aproximação da vida familiar e conjugal dos cativos, a análise demográfica apresentou as evidências empíricas que permitiram um novo olhar sobre o tema e as fontes. (ROCHA, 2004, P. 38) Segundo Graça Filho, “atualmente, a relevância da família escrava na historiografia brasileira se relaciona às estratégias de forjar redes de solidariedade e resistência no cativeiro”. (GRAÇA FILHO, 2007, p. 185) Assim, a família escrava impunha limites à ação dos senhores, que se deparavam com a oposição dos laços conjugais e de solidariedade comunitária. Três obras se destacam neste debate. Hebe Maria Mattos de Castro, por exemplo, mostra em Das Cores do Silêncio (CASTRO, 1998) que havia dificuldades de constituição destas redes de solidariedade por conta do consentimento de pequenos privilégios por parte dos senhores aos casais de escravos. Heloísa Maria Teixeira afirma que para esta autora, Havia, então, duas situações dentro de um mesmo plantel: a comunidade escrava que, quanto mais aprofundava suas relações familiares, mais acesso obtinha a espaços econômicos e familiares de autonomia; e os cativos recém-chegados, vítimas dos aspectos mais rígidos e violentos do escravismo. (TEIXEIRA, 2001, p. 93) Por sua vez, Florentino e Góes caracterizam os casamentos como instrumentos pacificadores das senzalas. Assim, “o casamentos entre escravos serviria de controle senhorial e, por outro lado, minoraria as agruras da instituição escravocrata”. (GRAÇA FILHO, 2007, p. 186) Para estes autores, os escravos estavam fadados a procurar instituir a paz. E fizeram-no, constante e paulatinamente, mediante a criação e a recriação de laços diversos, os de parentesco inclusive. Os cativos faziam e refaziam o parentesco, enquanto o mercado produzia e produzia mais uma vez o estrangeiro. (FLORENTINO & GÓES, 1997, p. 36) 7 Robert Slenes discorda, em certo sentido, com os autores acima, pois acredita que o fortalecimento dos laços comunitários poderia trazer insegurança ao sistema escravista. Teixeira complementa afirmando que para Slenes, a família contribuiu decisivamente para a criação de uma “comunidade” escrava, unida em torno de experiências, valores e memórias compartilhados. Nesse sentido, a família escrava minava constantemente a hegemonia dos senhores, criando condições para a subversão e a rebelião. (TEIXEIRA, 2001, p. 96) Sobre o debate historiográfico acerca da família escrava e da comunidade cativa, a mesma autora conclui que: Divergências à parte, o fato é que todos os autores mencionados assumem a família como condição primeira para a construção da comunidade escrava. Além disso, as três obras destacadas discutem temas que, nos trabalhos futuros sobre o assunto, deveriam ser tratados em conjunto pois acabam se completando. Assim, a questão da autonomia como aproximação da liberdade, discutida por Mattos, poderia interagir com a ideia de cooperação entre os membros da comunidade, que Florentino e Góes chamaram de paz nas senzalas, tendo como pano de fundo a memória e a cultura africanas na construção de uma identidade e da socialização entre os escravos, destacada por Slenes. (TEIXEIRA, 2001, p. 96) Demografia escrava em Piranga Enfim chegamos à parte essencial do artigo, de análise dos dados por nós quantificados a partir dos inventários trabalhados. Retomando o que expomos no anteriormente, salientamos a pequena quantidade documental analisada, em relação aos objetivos pretendidos. Em relação às análises de demografia histórica existente, 81 inventários é uma soma baixa. Mas que, em certo sentido, não deixa de ser válida para uma pesquisa em seus estágios iniciais, podendo nos apontar os caminhos analíticos a serem seguidos. Assim sendo, pretendemos proceder abaixo à análise dos aspectos essenciais de um trabalho de demografia histórica da escravidão, quais sejam: a origem dos escravos e sua procedência africana; as estruturas de posse, etária e sexual; e a quantidade de relações de parentesco existente nas escravarias piranguenses. Como já foi dito, por questões metodológicas, para a melhor visualização e entendimento dos dados coligidos, dividiremos os mesmos por décadas. Dos 81 inventários1, compreendidos entre os anos de 1840 e 1888, 64 são de proprietários de escravos. Ou seja, de todos os homens e mulheres de Piranga inventariados durante este período, 79% deles tinham pelo menos um escravo no momento de sua morte. Se excluirmos da análise os inventários da década de 1880, período no qual a escravidão estava em seus últimos suspiros, encontramos a marca de 88% de inventariados proprietários de 8 escravos. Estes dados demonstram o grande apego à escravidão existente no Termo de Piranga, constatação que vai de encontro com os estudos sobre escravidão nas Minas do século XIX. Seguindo, desta maneira, a linha de análise, vamos nos ocupar agora de compreender a estrutura de posse de escravos destes 64 proprietários. Somados os escravos de todos estes senhores, obtemos um total de 551. A média encontrada é de 8,6 escravos por senhor, número bastante significativo para uma localidade com produção agrícola voltada predominantemente para a subsistência, com alguns traços de produção de açúcar, cachaça e milho. Mas esta é a média de todos os proprietários, sem distinção temporal ou de posse. Como nos mostra o Quadro 1, há diferenças significativas na estrutura de posse das diferentes faixas de proprietários2 nas décadas analisadas. Na médias das cinco décadas analisadas, percebemos a grande maioria formada pelos pequenos proprietários de escravos. Os senhores escravistas que possuíam entre 1 e 10 escravos compreendiam quase 72% de todos os proprietários da localidade. Em todos os períodos, formaram sempre a maioria dos senhores. No período em que tinham o menor numero de representantes (década de 1850), estes senhores compreendiam 63,2% de todos os proprietários. Por outro lado, nunca possuíram grande número de escravos. A média de posse destes pequenos proprietários é de 4,4 escravos para cada. Um número pequeno de escravos, se comparado aos grandes senhores; mas com certeza esses poucos escravos faziam muita diferença na lavoura destes pequenos agricultores, em sua labuta diária a terra para o sustento da família e no abastecimento de gêneros alimentícios para a região. Desta forma, percebemos que houve variações importantes na estrutura de posse destes senhores. Na década de 1880, por exemplo, eles possuem maioria dos escravos, perfazendo o total de 60%. Mas nas quatro primeiras décadas suas posses variaram entre 29,7 e 44,4%. As médias propriedades (11 a 20 escravos) foram as que tiveram maior oscilação no tempo. Na década de 1860 eles formaram apenas 9,1% dos proprietários, com a posse de 17,5% dos escravos do período3. Na média, eles formam 17,2% de todos os proprietários, tendo a posse de 27,4% de todos os escravos. Em números totais, notamos que os pequenos senhores possuíram mais escravos que os médios, mas se levarmos em conta a porcentagem da posse, percebemos o quanto os médios eram superiores aos pequenos. Enquanto estes possuíam 4,4 escravos em média, aqueles possuíam 13,7 escravos cada. 9 Quadro 1 Estrutura de posse 1 a 10 1840-49 1850-59 1860-69 1870-79 1880-88 Total Srs. 13 12 9 7 5 46 11 a 20 Mais de 21 TS* TE % Escravos % Srs. % Escravos % Srs. % Escravos % 72,2 56 35,7 3 16,7 44 28 2 11,1 57 36,3 18 157 63,2 58 33,2 5 26,3 66 37,7 2 10,5 51 29,1 19 175 81,8 28 44,4 1 9,1 11 17,5 1 9,1 24 38,1 11 63 70 33 29,7 1 10 12 10,8 2 20 66 59,5 10 111 83,3 27 60 1 16,7 18 40 0 0 0 0 6 45 71,9 202 36,7 11 17,2 151 27,4 7 10,9 198 35,9 64 551 * TS: Total de senhores; TE: Total de escravos. Já nas grandes propriedades, o quadro é o inverso do referente às pequenas. Na média, 10,9% de senhores com mais de 21 escravos, possuindo 35,9% dos mesmos. Ou seja, uma pequena minoria de senhores possui mais de um terço de todos os escravos da localidade. Se excluirmos na análise a década de 1880, que não possui grandes proprietários, a posse salta para 39,1% de escravos. Em se tratando da média de escravos, os senhores desta faixa de posse possuíam 28,2 escravos cada um. Número significativo, demonstrando que estes senhores possuíam propriedades com relevante produção agrária, mormente açúcar e cachaça, pois a maioria dos inventários deste grupo descreve engenhos e alambiques. Nota-se grande variação na posse dos escravos nas quatro décadas, oscilando entre 29,1 e 59,5% Percebe-se, deste modo, que a propriedade escrava era bem disseminada entre a população, com vários senhores possuindo apenas um escravo, tendo por outro lado senhores com até 39 escravos. Neste sentido, a posse também era muito concentrada, nas mãos de poucos. Em relação à naturalidade escrava, percebemos a esmagadora maioria de escravos nascidos no Brasil. E não poderia ser diferente, já que nosso recorte cronológico abarca quase que totalmente o período no qual o tráfico de cativos tinha sido proibido. Desta maneira, percebemos, no Quadro 2, que os escravos nativos, ou crioulos, são 72,8% de todos os escravos quantificados, enquanto que os africanos perfazem apenas 15,1% deste total. Temos ainda uma parcela de escravos, 12,1%, que não foram identificados nos inventários, problema recorrente neste tipo de fonte. Nota-se, gradualmente, que – excetuando-se a década de 1880, na qual todos os escravos são identificados como nativos – a falta de identificação vai aumentando com passar do tempo, talvez porque já existiam poucos escravos africanos e assim os escrivães não se importavam mais em discriminar escravos que eram todos nascidos no Brasil. 10 Quadro 2 Naturalidade Escrava 1840-49 1850-59 1860-69 1870-79 1880-88 Total Nativo 92 119 47 70 45 373 % Africano 58,6 50 68 45 74,6 9 63 4 100 0 72,8 108 % Sem Id. % Total 31,9 15 9,5 157 25,7 11 6,3 175 14,3 7 11,1 63 3,6 37 33,4 111 0 0 0 45 15,1 70 12,1 551 É evidente, também, o gradual desaparecimento dos africanos nas descrições. Na década de 1840 – tempo de vigência do tráfico atlântico – temos 31,9% dos escravos de origem africana. Números que sugerem a preferência dos senhores piranguenses pela reprodução natural em detrimento da reposição de escravos pelo tráfico. Posteriormente, tentaremos responder a esta questão, no sentido de esclarecer se estes senhores fizeram uma escolha consciente pela reprodução natural das escravarias, ou se era apenas a falta de capital que os impediam de obter mais escravos via tráfico atlântico. Quanto à procedência africana dos escravos que tiveram a origem descrita, nos restringiremos às duas primeiras décadas analisadas, de 1840 e 1850. Justamente porque nas décadas subseqüentes nas quais apareciam na descrição escravos africanos, estes eram apontados apenas como “De Nação”, sem especificar suas origens. Mas com os dados que temos, podemos tirar informações importantes. Podemos perceber, no Quadro 3, que a esmagadora maioria dos escravos com procedência africana conhecida provieram do CentroOeste Africano, corroborando, deste modo as constatações da historiografia sobre a procedência dos escravos do Sudeste brasileiro. Marcos Ferreira de Andrade nos mostra que: Segundo Waldemar de Almeida Barbosa, nas primeiras décadas do século XVIII, houve uma importação, em larga escala, de escravos da África Ocidental para Minas, definidos genericamente como “negros mina”. Estudos recentes têm demonstrado que, desde a segunda metade dos setecentos, ocorreu uma mudança na rota do tráfico, passando a predominar os escravos oriundos do centro-oeste africano, em especial os angola. (ANDRADE, 2008, p. 272) Quadro 3 Procedência Africana Conhecida 1840-49 1850-59 Total % Centro-Oeste Africano 28 22 50 84,7 Africa Ocidental 2 5 7 11,9 Africa Oriental 1 1 2 3,4 Total 31 28 59 100 11 Desta forma, constata-se que praticamente 85% dos escravos com a origem identificada nos inventários provinham do Centro-Oeste Africano, seguida pelos escravos da África Ocidental com 11,9%, tendo por ultimo os da África Oriental, com 3,4% do total. Os escravos da África central eram representados pelos Benguela, Congo, Angola, Cassange, Cabinda e Monjolo. Os da Ocidental eram os Mina e os da Oriental os escravos Moçambique. No que diz respeito à estrutura sexual das escravarias de Piranga, ou seja, sua separação entre escravos do sexo masculino e feminino, notamos uma constância nos números no decorrer dos anos, mesmo diferenciando a análise por faixas de posse. No geral, a média é de cerca de 60% de escravos homens nos plantéis (Ver Quadro 4). Assim, constatamos que não há uma diferença muito grande entre homens e mulheres, apesar de se tratar ainda de uma diferença significativa entre os sexos. Se se tratasse de uma sociedade dependente do tráfico de almas para a reposição da mão de obra escrava, estes números poderiam ser muito mais elevados. No quadro, o que mais chama nossa atenção é o equilíbrio entre os sexos na ultima década do sistema escravista, momento em que não mais encontramos, como já foi visto, africanos entre os escravos, demonstrando a capacidade que os nascimentos tem de corrigir as diferenças proporcionais entre os sexos. Quadro 4 Estrutura sexual por faixa de posse 0 a 10 H 1840-49 1850-59 1860-69 1870-79 1880-88 Total 36 34 17 23 13 123 M 20 24 11 10 14 79 11 a 20 Mais de 21 Total %H H M %H H M %H H M %H 64 27 17 61 33 24 57,9 96 61 61,1 59 37 29 56 32 19 62,7 103 72 58,9 61 7 4 64 14 10 58,3 38 25 60,3 70 7 5 58 39 27 59,1 69 42 62,2 48 10 8 56 0 0 0 23 22 51,1 61 88 63 58 118 80 59,6 329 222 58,7 A estrutura etária da escravaria nos ajuda a entender estes números e também nos aponta perspectivas sobre a estruturação e importância da família escrava para os proprietários. No Quadro 5, podemos observar que na década de 1870, os escravos de 0 a 14 anos correspondiam 35,1% de todos os escravos compilados neste período, demonstrando uma alta taxa de nascimentos dentro das propriedades, levando assim, a uma melhor proporção entre os sexos na década seguinte. Na média geral, 30,2% dos 551 escravos quantificados tinham entre 0 e 14 anos, média significativa, demonstrando que os senhores utilizavam a família escrava como 12 estratégia para a reposição de escravos via reprodução natural. Notamos que, afora a década de 1880, há um aumento crescente através das décadas da porcentagem de crianças compondo as escravarias. Na década de 1840, por exemplo, percebemos que há apenas 26,1% de crianças, contra 32,6% já na década seguinte. Tal desproporção pode ser sugerida por Piranga ainda importam muitos escravos, fazendo a taxa de nascimentos permanecer baixa. Quadro 5 1840-49 1850-59 1860-69 1870-79 1880-88 Total 0 a 14 41 57 22 39 10 169 % 26,1 32,6 35 35,1 22,2 30,2 Estrutura etária 15 a 44 % Mais de 45 67 42,7 21 73 41,7 23 31 49,2 6 37 33,3 10 20 44,5 6 228 42,3 66 % Sem id. % Total 13,4 28 17,8 157 13,1 22 12,6 175 9,5 4 6,3 63 9,1 25 22,5 111 13,3 9 20 45 11,7 88 15,8 551 Ressaltando novamente os problemas decorrentes das fontes, notamos o grande percentual de escravos sem identificação da idade, principalmente nas décadas de 1870 e 1850. Afora isso, notamos uma constância nos dados referentes aos adultos, com um média de 42,3% de escravos entre 15 e 44 anos; e também em relação aos idosos, que tiveram uma média de 11,7%. As décadas de 1850 a 1870 são as mais significativas em relação aos nascimentos de escravos. Nestas três décadas, as crianças representaram respectivamente 32,6; 35 e 35,1%. Números bastante reveladores, principalmente para o caso da década de 1860, na qual apenas 6,3% dos escravos não tiveram suas idades descritas. Sobre as famílias escravas especificamente, não poderemos fazer inferências muito profundas, pois em razão da metodologia aplicada aos inventários até agora, pouco podemos saber acerca das relações familiares entre os escravos de Piranga. O Quadros 6 mostra parte dos dados que conseguimos coligir por enquanto. No que diz respeito às relações familiares descritas nos inventários (escravos casados, mães solteiras e crianças com pais conhecidos), encontramos 132 referencias no total. Ou seja, 24% dos escravos tiveram algum tipo de relação familiar descrita nos inventários. O Quadro 6 nos mostra que a maioria destas relações parentais se constituíram nas grandes escravarias, demonstrando, concomitantemente, que nas grandes propriedades estas relações se criavam mais facilmente devido ao maior números de escravos convivendo num 13 mesmo local; e também nos mostra que os grandes proprietários incentivavam a formação destas famílias, em razão de seus interesses econômicos. Quadro 6 Relações parentais e estrutura de posse 1840-49 1850-59 1860-69 1870-79 1880-88 Total 1 a 10 11 a 20 Mais de 21 Total 5 8 22 35 6 6 0 12 0 2 4 6 13 4 36 53 16 10 0 26 40 30 62 132 É interessante notar também que as pequenas propriedades formaram mais laços de parentesco do que as médias. Este aspecto tem que ser melhor observado a partir de uma análise mais apurada, se se persistirem estes dados quando de um levantamento sistemático de algumas centenas de inventários. Houve poucas referências a escravos casados, em todas as décadas estudadas. Apenas 31 foram descritos como casados, ou seja, apenas 5,6% de todos os escravos inventariados. Mas estes números não nos tiram a certeza da importância da família escrava tanto para escravos quanto para senhores. Pois além de existirem muitos casamentos consensuais apenas, também existia a falta de zelo no momento de confecção da descrição dos bens inventariados. Acreditamos que, principalmente a partir do cruzamento de dados com as fontes eclesiásticas, poderemos construir um quadro mais consistente e aproximado da composição das famílias de escravos da Vila de Piranga e, deste modo, procedermos a uma análise sistemática das relações travadas por senhores e escravos no dia-a-dia das lavouras. Os primeiros buscando manter e ampliar seu controle sobre os últimos, enquanto estes buscavam maior autonomia em relação aos primeiros. Era a partir da constituição destas estratégias de ambas as partes que se constituía a vida no cativeiro. Bibliografia ANDRADE, Marcos Ferreira de. Elites regionais e a formação do Estado imperial brasileiro – Minas Gerais – Campanha da Princese (1799-1850). Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 2008. CARDOSO, C. F. & Vainfas, R. (orgs.). Domínios da historia: ensaios de teoria e metodologia. Rio de Janeiro: Campus, 1997. 14 CASTRO, Hebe Maria Mattos de. Das cores do silêncio. 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Reprodução e famílias escravas em Mariana 1850-1888. Dissertação (Mestrado em História) Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, Universidade de São Paulo, 2001. 1 Todos os inventários utilizados nesta pesquisa estão arquivados no Fórum da cidade de Piranga, Minas Gerais. Acerca da estrutura de posse, seguimos os critérios utilizados por Roberto Guedes em Egressos do Cativeiro, dividindo as escravarias entre pequenas (1 a 10 escravos), médias (11 a 20), e grandes (Mais de 20). GUEDES, 2008. 3 Temos que levar em consideração que esta década teve o menor número de escravos compilados, apenas 63 para 11 inventários. Acreditamos que os números obtidos para a referida década não condizem com a realidade da época, considerando-se os dados obtidos para as décadas anteriores e a década posterior. 2 15