XXIV Encontro Nac. de Eng. de Produção - Florianópolis, SC, Brasil, 03 a 05 de nov de 2004
Estrutura e crescimento da agroindústria de carne bovina no
Estado do Pará
Marcos Antônio Souza dos Santos (IESAM) [email protected]
Resumo
O trabalho analisa a estrutura e o crescimento da agroindústria de carne bovina no Estado
do Pará. Atualmente essa agroindústria é comporta por 15 empresas. O volume de abate da
agroindústria evoluiu a uma taxa de 22,19%aa nos últimos sete anos impulsionado pela
expansão do rebanho, da base agroindustrial e do mercado consumidor. A Taxa de
Concentração de Mercado – TCM e o Índice de Herfindahl-Hirschman – IHH revelam que
essa agroindústria apresenta uma tendência de redução do nível de concentração. O nível
médio de ociosidade operacional é de 38,43%. Nos próximos dois ou três anos a capacidade
total de abate deverá ser ampliada em 925 mil cab./ano, passando do atual 1,889 milhão
cab./ano para 2,815 milhões de cab./ano tendo em vista os onze novos empreendimentos que
estão em fase de implantação.
Palavras chave: Agronegócio, Organização industrial, Carne bovina.
1. Introdução
No Estado do Pará a pecuária se constitui num dos segmentos de maior envergadura do
agronegócio sendo responsável por 11,75% do Produto Interno Bruto – PIB do setor
agropecuário (BANCO DA AMAZÔNIA, 2003). Estimativas recentes do Instituto de
Pesquisa Econômica Aplicada - IPEA (2003), mostram que o valor do estoque bovino do
Estado é da ordem R$ 7,9 bilhões. Em termos de geração de emprego responde por 19,89%
do pessoal ocupado na agropecuária (SANTANA e AMIN, 2002).
Atualmente, o estado detém o sétimo maior rebanho bovino do país cujas estimativas oficiais
superam 12 milhões de cabeças (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E
ESTATÍSTICA - IBGE, 2003). Ao longo dos últimos 12 anos, tem evoluído a uma taxa de
4,43% ao ano, crescimento sobejamente superior ao do rebanho nacional que foi da ordem de
1,32% ao ano. Dentro do Estado a maior parcela do rebanho está concentrada nas regiões
Sudeste e Sudoeste Paraense que representam 67,53 e 13,08% do total, respectivamente
(IBGE, 2003).
Nos últimos anos, além da expansão do rebanho também tem ocorrido o adensamento da
cadeia produtiva por meio da instalação de diversas agroindústrias de abate e processamento.
Hoje, o Estado do Pará já dispõe do nono parque agroindustrial de abate e processamento de
carne bovina contando com 15 agroindústrias e com uma série de iniciativas empresariais em
curso que, no curto e médio prazos, devem ampliar substancialmente o número de
empreendimentos e a capacidade agregada de abate.
Diante desse contexto e considerando a importância econômica dessa agroindústria, que gera
anualmente um PIB superior a R$ 106 milhões para o Estado torna-se importante analisar as
suas características estruturais e avaliar o seu padrão de crescimento. Especificamente
pretende-se: a) determinar os indicadores de concentração de mercado para as empresas da
agroindústria de carne bovina no Estado do Pará; b) avaliar o padrão de crescimento dos
abates oficiais e c) determinar o nível de ociosidade operacional da agroindústria.
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2. Metodologia
Nos estudos de Organização industrial (OI) as estimativas de indicadores de concentração
estão diretamente ligadas à noção de estrutura de mercado e concorrência (SCHMIDT e
LIMA, 2002). Também permitem, quando apresentadas em séries temporais, avaliar o
processo de evolução ou de reestruturação de indústrias.
Inúmeras têm sido as tentativas de quantificar a concentração. Dos vários métodos existentes,
neste trabalho, serão utilizados dois, que ainda hoje são largamente empregados (FERGUSON
e FERGUSON, 1994; SHY, 1996 e KUPFER e HASENCLEVER, 2002): a Taxa de
Concentração de Mercado (TCM) e o Índice de Herfindahl-Hirschman (IHH).
A TCM é classificada como um índice de concentração parcial visto que relaciona apenas as
parcelas de mercados das empresas líderes. O IHH, por outro lado, é um índice sumário, pois
inclui todas as empresas no cálculo, independente do tamanho.
A determinação de tais indicadores é feita da seguinte maneira:
− Taxa de Concentração de Mercado (TCM)
Byrns e Stone (1996) definem a TCM como a porcentagem de vendas, empregados, valor
adicionado ou produção, em relação ao total da indústria, atribuído as quatro ou oito maiores
empresas da indústria, muito embora qualquer número de empresas possa ser adotado para
efeito de cálculo. Em síntese, representa o somatório do market share das maiores empresas.
Neste trabalho a TCM bem como o IHH foram determinados a partir do volume total de
abates das empresas da agroindústria de carne bovina do Estado do Pará.
Considerando n o número de empresas na agroindústria, Q o volume total de abates da
agroindústria, e qi a parcela de abates da i-ésima empresa, i (i = 1, 2, 3,..., n), tem-se que:
Q =
n
∑
q
i=1
(1)
i
O market share (MSi) que mede a parcela atribuída à empresa i é dado por:
MS i = (100 × q i ) / Q
(2)
Note-se que 0 ≤ MSi ≤ 100 e que Σ MSi = 100. A fórmula matemática da taxa de
concentração de mercado é dada por:
TCM
=
n
∑
MS
i =1
(3)
i
em que MSi é a participação no total de abates da i-ésima empresa; para n = 5; MS1 >
MS2,...,> MS5.
− Índice de Herfindahl-Hirschman (IHH)
O Índice de Herfindahl-Hirschman (IHH) é dado pela seguinte expressão:
IHH =
n
∑ MS
i =1
2
i
(4)
Ao se elevar ao quadrado o market share, o IHH atribui maior peso às empresas maiores.
Assim, verifica-se que o IHH diminui quando o número de empresas numa indústria aumenta
ou quando o tamanho das empresas torna-se mais uniforme, ou seja, o IHH capta as
diferenças escondidas pela TCM, quando estas são empregadas isoladamente. Segundo este
índice, o mercado não será concentrado quando o valor do IHH estiver abaixo de 1.000 e
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como altamente concentrado quando atingir valor superior a 1.800. Quando se situar no
intervalo entre 1.000 e 1.800 a concentração é considerada baixa.
− Taxa de crescimento
O cálculo das taxas de crescimento foi efetuado por meio da seguinte regressão geral:
Y it = ln a i + b i T + e t
(5)
em que:
Y it = é o logaritmo natural do volume de abates de bovinos no Estado do Pará, no ano t;
T = é uma variável tendência, assumindo os seguintes valores (T = 0, para 1996, ...., T = 6,
para 2002);
a i = parâmetro que representa o volume médio de abates;
b i = é o logaritmo natural da taxa geométrica de crescimento (1 + i). A taxa de crescimento
é obtida do seguinte modo: i = ant ln bi − 1 ; e
e t = é o termo de erro aleatório.
− Determinação do nível de ociosidade operacional da agroindústria
A formula empregada para o cálculo do nível de ociosidade operacional da agroindústria de
carne bovina foi a seguinte:
N
o


= 1 −



n
∑
VA
i
∑
CT
i
i =1
n
i =1


 × 100



(6)
em que:
N o = é o nível de ociosidade operacional da agroindústria de carne bovina no Estado do Pará,
expressa em termos percentuais;
VA i = é o volume de abate anual, em cabeças, da i-ésima empresa;
CT i = é a capacidade total de abate anual, em cabeças, da i-ésima empresa.
Os dados utilizados na pesquisa foram disponibilizados em dezembro de 2003 pela Agência
de Defesa Agropecuária do Estado do Pará – ADEPARÁ e pela Delegacia Federal de
Agricultura no Estado do Pará – DFA/PA, do Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento – MAPA.
3. Resultados e discussão
3.1 Estrutura da agroindústria de carne bovina no Brasil
No Brasil, o abate e processamento de carne bovina são controlados nas três esferas do
Governo (Federal, Estadual e Municipal). No âmbito do Governo Federal o controle é
executado pelo Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal - DIPOA do
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - MAPA, que é responsável pelos abates
do Sistema de Inspeção Federal - SIF. Nos diferentes Estados, existem os Sistemas de
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Inspeção Estadual – SIE, modo geral, administrados pelas Secretarias de Agricultura e/ou de
Produção.
Numa perspectiva técnica e empresarial são estes estabelecimentos que representam a
agroindústria de carne bovina do país, sendo que aqueles com registro SIF produzem para os
mercados nacional e internacional e os com registro SIE para o atendimento do consumo
interno nos próprios Estados. Também existem, em grande proporção nos pequenos
municípios do país, os abatedouros de prefeituras ou de particulares que atendem demanda
local. Em 2002, segundo dados do IBGE (2003), este conjunto de estabelecimentos abateram
cerca de 11,6 milhões de cabeças.
Atualmente, a base agroindustrial de abate e processamento de carne bovina do Brasil,
particularmente a do Sistema de Inspeção Federal - SIF, é composta por 349 empresas,
conforme apresentado na Tabela 1. As regiões que apresentam maior destaque são o Sudeste,
Sul e Centro-Oeste que, em conjunto, são responsáveis por 85,10% do total do Brasil. A
Região Norte também já passa a ocupar lugar de destaque representando 8,6% do total, sendo
que os Estados do Pará e Rondônia já detém o nono maior parque frigorífico de bovinos do
País, com 10 empresas registradas no SIF cada um.
Regiões/Estados
NORTE
Acre
Amazonas
Pará
Rondônia
Tocantins
NORDESTE
Alagoas
Bahia
Maranhão
Paraíba
Pernambuco
Rio Grande do Norte
Sergipe
CENTRO-OESTE
Goiás
Mato Grosso
Mato Grosso do Sul
SUDESTE
Espírito Santo
Minas Gerais
Rio de Janeiro
São Paulo
SUL
Paraná
Rio Grande do Sul
Santa Catarina
TOTAL
Nº empresas
30
2
1
10
10
7
22
2
5
6
1
5
2
1
93
32
24
37
106
5
40
3
58
98
41
31
26
349
%
8,60
0,57
0,29
2,87
2,87
2,01
6,30
0,57
1,43
1,72
0,29
1,43
0,57
0,29
26,65
9,17
6,88
10,60
30,37
1,43
11,46
0,86
16,62
28,08
11,75
8,88
7,45
100,00
Fonte: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, 2003.
Nota (*): Nos Estados do Amapá, Ceará, Piauí, Roraima e no Distrito Federal não existem frigoríficos com
registro no Sistema de Inspeção Federal - SIF.
Tabela 1 – Distribuição do número de empresas de abate e processamento de carne bovina por Região e Estado
com registro no Sistema de Inspeção Federal, Brasil –2003.
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3.2 Crescimento e estrutura da agroindústria de carne bovina no Estado do Pará
A agroindústria de abate e processamento de carne bovina do Estado do Pará vem passando por um
intenso processo de crescimento ao longo dos últimos dez anos, particularmente a partir de meados
da década de 1990, conforme ilustrado na Figura 1.
15
10
5
0
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
TOTAL
9
9
8
12
13
12
15
SIE
6
6
4
6
6
5
5
SIF
3
3
4
6
7
7
10
Figura 1. Evolução do número de empresas de abate e frigorificação de carne bovina no Estado do Pará, 1996-2002.
Fonte: ADEPARÁ e DFA/PA, 2003.
Em 1996, existiam 9 unidades em operação e, atualmente, esse contingente é composto por 15
empresas, sendo 10 registradas no Serviço de Inspeção Federal - SIF do Ministério da Agricultura,
Pecuária e Abastecimento – MAPA e 5 no Serviço de Inspeção Estadual - SIE, o que representou
uma expansão de 66,67% no período. Este conjunto de empresas totaliza uma capacidade de abate
de 1,889 milhão de cabeças/ano.
Esta expansão tem refletido no crescimento significativo dos abates. No período 1996/2002 o
volume total de abates no Estado evoluiu a uma taxa de 22,19% ao ano, ou seja, mais que triplicou.
Os abates do sistema SIF é que garantiram esse desempenho visto que cresceram a uma taxa de
28,75% ano (Tabela 2).
Ano
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
1996-2002
Teste t
Abates do Sistema de
Abates do Sistema de
Inspeção Federal - SIF
Inspeção Estadual - SIE
134.301
210.742
130.501
312.010
131.628
418.843
130.271
590.563
145.459
685.719
146.481
817.405
166.716
995.289
Taxa de Crescimento (% ao ano)
3,56**
28,75*
3,33
13,16
Abate total
345.043
442.511
550.471
720.834
831.178
963.886
1.162.005
22,19*
20,89
Fonte: Elaborado a partir de dados da ADEPARÁ e DFA/PA, 2003.
Nota: * e ** indicam significância ao nível de 1 e 5% de probabilidade de erro.
Tabela 2 - Evolução do abate de bovinos no Estado do Pará, 1996-2002.
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Os resultados da Tabela 3, mostram a evolução dos indicadores de concentração de mercado da
agroindústria de carne bovina do Estado do Pará. A Taxa de Concentração de Mercado (TCM)
indica que, em média, no período 1996-2002, as cinco maiores empresas detiveram 77,32% dos
abates. É perceptível uma tendência de redução da TCM, visto que, em 1996, era da ordem de
81,46% e, em 2002, atingiu um patamar de 69,49.
Ano
TCM das 5
IHH
maiores empresas
1996
81,46
2.101,79
1997
88,59
2.095,54
1998
85,34
1.934,39
1999
77,42
1.434,46
2000
70,15
1.210,23
2001
68,77
1.157,58
2002
69,49
1.134,62
Média
77,32
1.581,23
Fonte: Elaborado a partir de dados da ADEPARÁ e DFA/PA, 2003.
Tabela 3 - Evolução dos Indicadores de concentração de mercado na
agroindústria de carne bovina do Estado do Pará, 1996-2002.
Na análise do IHH também constata-se a tendência de redução da concentração de mercado. Em
1996 essa agroindústria enquadrava-se na categoria de altamente concentrada tendo em vista que o
IHH era de 2.101,79. A partir de então a entrada novas empresas têm contribuído para reduzir a
magnitude do IHH e a concentração dos abates, sendo que em 2002 o IHH atingiu o patamar de
1.134,62. A média do período, 1.581,23, indica que atualmente essa agroindústria já apresenta baixa
concentração (1.000 < IHH < 1.800).
3.3 Nível de ociosidade operacional
Em temos espaciais as empresas estão concentradas no Sudoeste e Sudeste Paraense. Também está
prevista a entrada de novos empreendimentos que, nos próximos dois anos, permitirá a ampliação
da capacidade de abate em mais 925 mil cabeças/ano, passando do atual 1,889 milhão de
cabeças/ano para 2,815 milhões de cabeças/ano.
Neste ponto é importante avaliar qual o nível de ociosidade operacional dessa agroindústria no
Estado do Pará. Essa é uma informação de fundamental importância, pois além de se constituir num
indicador de desempenho do setor, permite ilações acerca das ameaças e oportunidades a serem
enfrentadas pelos potenciais entrantes.
As estimativas foram obtidas considerando a média de operação/empresa de 25 dias/mês, levando
em consideração o volume de abates e a capacidade agregada do conjunto de empresas. O resultados
estão desagregados para os sistemas SIE e SIF agregados para a totalidade da agroindústria,
conforme ilustrado na Figura 2.
Nos dois últimos anos, os estabelecimentos com inspeção estadual, operaram com nível de
ociosidade superior a 50%. Os dos sistema SIF, por sua vez, oscilaram entre 46,57%, em 2001, e
34,95%, em 2002. Em termos agregados essa agroindústria opera atualmente com um nível de
ociosidade de 38,43% (Base: 2002).
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5 9 ,1 7 %
65
5 3 ,2 6
Nível de Ociosidade Operacional (%)
55
4 8 ,9 7 %
4 6 ,5 7 %
3 8 ,4 3 %
45
3 4 ,9 5 %
35
25
15
5
-5
S IF
S IE
T o ta l
2001
4 6 ,5 7
5 9 ,1 7
4 8 ,9 7
2002
3 4 ,9 5
5 3 ,2 6
3 8 ,4 3
Figura 2. Nível de Ociosidade Operacional (%) da agroindústria de abate e frigorificação de carne bovina no
Estado do Pará, 2001-2002.
Fonte: Elaborado a partir de dados da ADEPARÁ e DFA/PA, 2003.
No sentido de atribuir maior visibilidade aos resultados foi efetuada uma estratificação das
empresas em função do nível de ociosidade, conforme apresentado na Tabela 4.
Nível de ociosidade operacional (%)
0 < 10%
Nº empresas *
Localização (Municípios)
3
Castanhal, Redenção e Xinguara
10 < 20%
1
20 < 50%
4
Xinguara
Castanhal, Santa Isabel do Pará,
Paragominas e Santana do Araguaia
Acima de 50%
7
Castanhal, Marabá, Eldorado dos Carajás,
Rio Maria, Altamira, Belém
TOTAL
15
Fonte: Elaborado a partir de dados da ADEPARÁ e DFA/PA, 2003.
Nota (*): Envolve os frigoríficos com registro SIF e SIE.
Tabela 4 – Estratificação da capacidade ociosa da agroindústria de abate e processamento de carne
bovina no Estado do Pará, 2002.
Pelo que se observa 26,67% dos frigoríficos estão operando com capacidade ociosa inferior a
20%, estando localizados nos municípios de Castanhal, Redenção e Xinguara. No estrato de
20 até 50% de ociosidade, estão incluídas outras quatro empresas dos municípios de Santa
Isabel do Pará, Castanhal, Paragominas e Santana do Araguaia.
Merece destaque o fato de que sete empresas (46,67% do total) operaram, em 2002, com
ociosidade superior a 50%, destas, três iniciaram suas atividades no final do ano e são
empreendimentos que encontram-se em fase de maturação e que, portanto, ainda não
potencializaram o uso de suas instalações. É importante destacar que a maior parcela destes
empreendimentos está localizada em municípios do Sudeste e Sudoeste Paraense.
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4. Conclusões
No Estado do Pará a agroindústria de carne bovina vem passando por um intenso processo de
crescimento. No período 1996/2002 o número de empresas passou de 9, em 1996, para 15 em
2002. Os abates de animais evoluiram a uma taxa de 22,19 ao ano. Nos próximos dois anos
este número deverá ser ampliado para 25 empresas, considerando os 11 empreendimentos que
estão em fase de implantação no Estado.
Este padrão de crescimento tem sido motivado pela disponibilidade de bovinos prontos para o
abate e, especialmente, por um cenário de expansão do consumo nos mercados nacional e
internacional. O consumo mundial deverá crescer nos próximos anos devido ao aumento na
demanda em países em desenvolvimento particularmente no continente Asiático com
destaque para a China, Coréia do Sul, Taiwan, Filipinas e Japão. Na União Européia também
existe expectativa de acesso aos mercados, sobretudo para a carne brasileira produzida a
pasto, desde que atendidos os pré-requisitos relativos às questões sanitárias. Na América
Latina, espera-se incrementos no consumo per capita no México e no Brasil, sendo que no
Brasil a expectativa é de que até 2010 o consumo per capita atinja o patamar de 49
kg/hab./ano.
Independente deste cenário mais amplo, outros dois fatores são fundamentais no tocante ao
setor no Estado do Pará. Primeiramente, deve-se levar em conta que o acesso a estes mercados
depende diretamente da obtenção da certificação que leve o Estado do Pará ao status de área
livre de febre aftosa com vacinação uma vez que muitos países importadores adotam políticas
extremamente rigorosas quanto às exportações oriundas de países nos quais a febre aftosa
afeta o rebanho.
Em segundo lugar, vale mencionar que a partir da inserção nestes mercados os
empreendimentos localizados no Estado passam a enfrentar uma concorrência mais ampla
desta feita não apenas dos frigoríficos instalados no próprio estado, mas, também, dos
empreendimentos de outras unidades da federação o que enseja um maior acirramento da
concorrência. As habilidades gerenciais, as relações com clientes e fornecedores, as
estratégias empresariais, qualidade e informações de mercados são fundamentais para garantir
o sucesso do empreendimento.
Referências
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BYRNS, R.T.; STONE, G.W. Microeconomia. São Paulo: Makron Books, 1996.
FERGUSON, P.R., FERGUSON, G.J. Industrial Economics: issue and perspectives. New York: University
Press, 1994. 309 p.
IBGE. Banco de dados agregados. Disponível em: <http://www.sidra.ibge.gov.br. Acesso em 27 ago. 2003.
IPEA. Contribuição ao desenvolvimento dos principais arranjos produtivos locais potenciais da Amazônia
Legal. Brasília: BASA/IPEA/ANPEC, 2002. (Sumário Executivo)
KUPFER, D., HASENCLEVER, L. Economia industrial: fundamentos teóricos e práticos no Brasil. Rio de
Janeiro: Campus. 2002. 640 p.
MAPA. Informações Estatísticas sobre Abate e Processamento de Carne Bovina no Estado do Pará.
Belém: MAPA/DFA, 2003. 5p.
SANTANA, A.C., AMIN, M.M. Cadeias produtivas e oportunidades de negócio na Amazônia. Belém:
UNAMA, 2002. 454 p.
SCHMIDT, C.A.J., LIMA, M.A. Índices de concentração. Rio de Janeiro: MF/Secretaria de Acompanhamento
Econômico – SEAE, 2002. 8p.
SECRETARIA ESPECIAL DE PRODUÇÃO. Relatórios do Sistema de Inspeção Estadual – SIE. Belém:
SEPRO/ADEPARÁ, 2003. 9p.
SHY, O. Industrial organization: theory and applications. London: The MIT Press, 1996. 466p.
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