Prof. Leonardo dos Santos UFES ‐ 2011 Universidade Federal do Espírito Santo Departamento de Ciências Fisiológicas FISIOLOGIA ‐ PSICOLOGIA NEROFISIOLOGIA Introdução ao sistema sensorial Receptores sensoriais Sensações somestésicas Prof. Leonardo dos Santos PERCEBEMOS O MUNDO PARA AGIR SOBRE ELE DIVISÃO SENSORIAL DIVISÃO EFETORA DIVISÃO DE PROCESSAMENTO E INTEGRAÇÃO DIVISÃO DE ARMAZENAMENTO DE INFORMAÇÕES Fisiologia ‐ Psicologia Prof. Leonardo dos Santos UFES ‐ 2011 O SISTEMA NERVOSO PODE SER COMPOSTO POR: ‐ ‐ ‐ ‐ DIVISÃO SENSORIAL DIVISÃO EFETORA DIVISÃO DE PROCESSAMENTO E INTEGRAÇÃO DIVISÃO DE ARMAZENAMENTO DE INFORMAÇÕES A maioria das atividades do sistema nervoso é iniciada pela experiência sensorial, emanada dos RECEPTORES SENSORIAIS. Essa experiência pode causar uma reação imediata, ou sua memória pode ser armazenada no cérebro para ajudar a determinar as reações corporais futuras O principal desafio de um organismo: Adaptar‐se ao ambiente em que vive Para tanto: Respostas reflexas Ajustes orgânicos específicos Comportamentos elaborados múltiplas ações planejadas e executadas simultaneamente A organização de tais ações depende de Informações provenientes do interior do próprio indivíduo ou do ambiente que o cerca Fisiologia ‐ Psicologia Prof. Leonardo dos Santos UFES ‐ 2011 SISTEMA SENSORIAL O conjunto constituído pelos SENSORES capazes de detectar essas informações, pelas VIAS por onde trafegarão essas informações, e pelos CIRCUITOS neurais responsáveis por seu processamento, é, didaticamente, denominado SISTEMA SENSORIAL Fisiologia ‐ Psicologia Prof. Leonardo dos Santos UFES ‐ 2011 MODALIDADES SENSORIAIS Exteroceptivas Visão Audição Gustação Olfato Tato‐pressão Temperatura Dor Equilíbrio Proprioceptivas Propriocepção Viscerais Interoceptivas Informação do meio externo Sentido visceral SNC Sensação Receptores Sensitivos Transdutores Energia do meio ambiente Fisiologia ‐ Psicologia Potencial receptor Potencial de ação Somáticas Prof. Leonardo dos Santos UFES ‐ 2011 De acordo com a modalidade do sentido ou sensação Fisiologia ‐ Psicologia Prof. Leonardo dos Santos UFES ‐ 2011 Limiar específico para cada receptor Receptores – terminações nervosas livres. Calor (30‐55oC) e Frio (10‐40oC) Exemplo de como um potencial receptor gera PA na fibra sensitiva: Fisiologia ‐ Psicologia Prof. Leonardo dos Santos Exemplo de como um potencial receptor gera PA na fibra sensitiva: Exemplo de como um potencial receptor gera PA na fibra sensitiva: Fisiologia ‐ Psicologia UFES ‐ 2011 Prof. Leonardo dos Santos Exemplo de como um potencial receptor gera PA na fibra sensitiva: Receptores ativados por deformação (ex.: tato) Receptores ativados por substância química (ex.: gustação) Receptores ativados por ondas eletromagnéticas (ex.: Luz) Fisiologia ‐ Psicologia UFES ‐ 2011 Prof. Leonardo dos Santos UFES ‐ 2011 Na+ Fisiologia ‐ Psicologia Prof. Leonardo dos Santos UFES ‐ 2011 Codificação da INTENSIDADE de um estímulo Número de receptores/fibras estimuladas + Frequência de estímulos Somação Espacial e Somação Temporal Transmissão da intensidade Fisiologia ‐ Psicologia Prof. Leonardo dos Santos UFES ‐ 2011 Somação Espacial: Transmissão da intensidade Número de receptores/fibras estimuladas Somação espacial Somação Temporal: Transmissão da intensidade Freqüência de estímulos Amplitude do potencial receptor é variável de acordo com a intensidade do estímulo sensorial Aumento na amplitude do potencial receptor Aumento na freq. de potenciais de ação Fisiologia ‐ Psicologia Prof. Leonardo dos Santos UFES ‐ 2011 Com início de um estímulo e continuação deste: Adaptação rápida Adaptação lenta Alguns receptores cutâneos se adaptam rapidamente à presença de estímulos inofensivos (roupa). Por isso não “sentimos” o contato do anel no dedo ou as roupas sobre o corpo Fisiologia ‐ Psicologia Prof. Leonardo dos Santos UFES ‐ 2011 Adaptação do potencial gerador para alguns receptores Lenta adaptação Receptores tônicos Rápida adaptação Receptores fásicos Como a dor é uma sensação que remete a danos no organismo ou estímulos potencialmente danosos, é interessante que os nociceptores (receptores de dor) não se adaptem, ou se adaptem muito lentamente, permanecendo com geração de impulsos elétricos enquanto tal estímulo persistir. Fisiologia ‐ Psicologia Prof. Leonardo dos Santos UFES ‐ 2011 VIAS SENSORIAIS Receptor fibra aferente córtex sensorial Unidade sensorial Æ fibra aferentes + receptores sensoriais que ela inerva Fisiologia ‐ Psicologia Prof. Leonardo dos Santos UFES ‐ 2011 Velocidade de transmissão das VIAS SENSORIAIS Exemplo: Exemplo: Fisiologia ‐ Psicologia Prof. Leonardo dos Santos A bainha de mielina e a espessura da fibra influenciam na velocidade VIAS SENSORIAIS Campo Receptivo É a porção do corpo ou região (superfície) da pela que contém receptores sensoriais inervados por uma mesma fibra sensorial. Conseqüentemente, esta via terminará num mesmo local no córtex sensorial. Quanto menor for o campo receptivo, mais precisa será a localização da sensação, e esta região do corpo terá maior representação cortical (área no córtex) Fisiologia ‐ Psicologia UFES ‐ 2011 Prof. Leonardo dos Santos UFES ‐ 2011 Campos Receptivos Maior detalhamento, pois cada pequena região da pele é percebida individualmente pelo cérebro Menor detalhamento sobre a localização do sentido, pois uma grande região é percebida como se fosse a mesma, pelo cérebro. Ou seja, vários pequenos campos de vários receptores são percebidos coletivamente. Estimando e comparando tamanho de campos receptivos Discriminação entre dois pontos Até 10 mm distancia O indivíduo distingue que são dois pontos < 10 mm distancia O indivíduo já não distingue que são dois pontos Qual ou quais lugares no nosso corpo temos os menores campos receptivos? Fisiologia ‐ Psicologia Prof. Leonardo dos Santos Luís Braille (1809‐1852) Inventor da leitura tátil UFES ‐ 2011 Escrita em relevo (0,04cm de largura x 0,06 de altura) para leitura tátil. - 63 sinais formados por pontos, a partir de um conjunto matricial. Distância mínima entre dois pontos: 2,5 mm Fisiologia ‐ Psicologia Prof. Leonardo dos Santos UFES ‐ 2011 Sensações somestésicas MEDULA ESPINHAL e TRONCO CEREBRAL PELE MÚSCULOS TENDÕES VÍSCERAS ESTÍMULO (ENERGIA) ‐ Somestesia Refere‐se a um conjunto de submodalidades (tátil, térmica e dolorosa) presentes na pele, mucosas e tecidos profundos. ‐ Propiocepção Responsável por prover o SNC sobre a posição e os movimentos do corpo à partir de informações provenientes das articulações, músculos, e sistema vestibular. ‐ Sentidos especiais Compreende visão, audição, olfação e gustação, relevantes na organização de diversos comportamentos, tais como afeto, luta/fuga, alimentação e reprodução. ‐ Interocepção Detecção de um número grande de variáveis relacionadas aos processos internos orgânicos (pressão arterial, osmolaridade, pH, oxigenio, etc). Fisiologia ‐ Psicologia Prof. Leonardo dos Santos UFES ‐ 2011 Sensações somestésicas MODELO GERAL DO SISTEMA SENSORIAL CÓRTEX SENSORIAL ↑ VIAS DE PROJEÇÃO ↑ RECEPTORES Sensações somestésicas Apesar dos detalhes da recepção sensorial diferirem para cada modalidade sensitiva, essas fases são comuns a todas as modalidades: 1‐ Transformação do estímulo em potenciais de ação. 2‐ Envio do sinal ao Sistema Nervoso Central (vias de projeção aferentes). 3‐ Integração e processamento de uma resposta à mensagem (com ou sem a percepção consciente da experiência ou da sensação). Fisiologia ‐ Psicologia Prof. Leonardo dos Santos UFES ‐ 2011 Sensações somestésicas O sistema sensorial tem uma organização comum: O neurônio que traz o potencial de ação gerado pelo receptor sensorial tem seu corpo no gânglio da raiz dorsal da medula Sensações somestésicas O sistema sensorial tem uma organização comum: Após adentrar na medula, o PA é transmitido a vias que vão ao tronco e são préprocessadas no tálamo e enviadas ao córtex sensitivo. Fisiologia ‐ Psicologia Prof. Leonardo dos Santos UFES ‐ 2011 Sensações somestésicas O sistema sensorial tem uma organização comum: As regiões do córtex sensorial é organizado hierarquicamente e topograficamente para cada região do corpo Sensações somestésicas CÓRTEX SENSORIAL A sensação despertada (modalidade e localização), depende da fibra, via e principalmente da região específica do cérebro que os impulsos nervosos gerados em um receptor ativam. As vias sensitivas são individualizadas até o córtex Se a via é estimulada em qualquer nível, a atividade é iniciada e a sensação pode ser percebida como proveniente parte do corpo relativa a esta via Fisiologia ‐ Psicologia Prof. Leonardo dos Santos UFES ‐ 2011 Sensações somestésicas CÓRTEX SENSORIAL Homúnculo Focalização, nitidez, Capacidade somestésica é proporcional à Área cortical destinada Sensações somestésicas Fisiologia ‐ Psicologia Prof. Leonardo dos Santos UFES ‐ 2011 Sensações somestésicas Somestesia Pode ser dividida em 3 subtipos ou modalidades: Sentidos mecanoceptivos (sensações táteis); Sentidos termoceptivos (sensações térmicas); Sentido da dor (nocicepção); Sensações somestésicas Sensações táteis (tato, pressão e vibração) São detectados pelo mesmo tipo de receptor Tato = receptores táteis da pele ou tecidos imediatamente abaixo da pele. Pressão = deformação de tecidos mais profundos; Vibração = sinais rapidamente repetitivos, dos receptores de adaptação rápida. Fisiologia ‐ Psicologia Prof. Leonardo dos Santos UFES ‐ 2011 Sensações somestésicas RECEPTORES TÁTEIS Tato Tato fino/leve Vibração Pressão contínua Pressão súbita Vibração Sensações somestésicas RECEPTORES TÁTEIS Fisiologia ‐ Psicologia Prof. Leonardo dos Santos UFES ‐ 2011 Sensações somestésicas VIAS SENSORIAIS Entram na medula espinhal pelas raízes dorsais dos nervos espinhais; Depois seguem basicamente dois sistemas (vias) de tráfego: Sensações somestésicas Córtex Tálamo Fisiologia ‐ Psicologia COLUNA DORSAL DA MEDULA COLUNA ANTERO‐LATERAL DA MEDULA Tato e pressão (Fina localização e julgamento de graduação, vibrações, etc.) Tato e pressão (localização grosseira) Cócega e prurido Sensações sexuais Prof. Leonardo dos Santos UFES ‐ 2011 Sensações somestésicas Sistema Coluna‐dorsal Ou Sistema Leminiscal ‐ Tato fino e propriocepção ‐ Fibras grandes, mielínicas, rápidas. ‐ Grande orientação espacial das fibras Sensações somestésicas Sistema Ântero‐lateral ‐ Tato grosseiro, temperatura e dor. ‐ Fibras menores e mielinizadas ‐ Menos rápidas. ‐ Menor orientação espacial das fibras Fisiologia ‐ Psicologia Prof. Leonardo dos Santos UFES ‐ 2011 Sensações somestésicas Sensação térmica (calor e frio) Somos sensíveis a uma faixa extremamente estreita de temperatura: Temp. extremas: transdução e propagação dos PA deprimidos, ou receptores são lesionados Sensações somestésicas \ Temperaturas extremas: Receptores de dor Receptores para frio: 5 a 40 oC. Atividade máxima em 25 oC Receptores para calor: 30 e 50 oC. Atividade máxima em 45 oC Conforto térmico = atividade de ambos é equivalente (32 e 36 oC) Fisiologia ‐ Psicologia Prof. Leonardo dos Santos UFES ‐ 2011 Sensações somestésicas A intensidade da sensação térmica depende da área e da freqüência de descargas dos receptores estimulados. A freq. de descarga depende não só da temperatura, mas também da taxa de variação desta temperatura = sensações aumentam com a rápida transmissão de calor. 24 oC Pele 24 oC “A placa de metal é mais fria” Sensações somestésicas Os receptores térmicos também podem ser ativados quimicamente Receptores para calor: podem ser ativados por vanilóides (ex.: capsaicina e piperina). Receptores para frio: Podem ser ativados por mentol e eucaliptol Fisiologia ‐ Psicologia Prof. Leonardo dos Santos UFES ‐ 2011 Sensações somestésicas Sensação térmica VIAS DE TRANSMISSÃO Utiliza o Sistema ântero‐lateral Sensações somestésicas Sensação dolorosa A modalidade sensorial dolorosa pode ser produzida por uma variedade de estímulos: Pressões mecânicas intensas Extremos de temperatura pH ácido Soluções hipertônicas Luz intensa Substâncias químicas Fisiologia ‐ Psicologia Prof. Leonardo dos Santos UFES ‐ 2011 DOR É COMPOSTA POR ASPECTOS : • SENSORIAIS (Dimensão sensitivo‐discriminativa) • EMOCIONAIS (Dimensão afetivo‐emocional) • CULTURAIS‐SOCIAIS (Dimensão cognitiva) A dor é uma experiência sensorial e emocional desagradável associada a lesões reais ou potenciais ao indivíduo (corpo ou mente) É SUBJETIVA Como todas as outras modalidades sensoriais pode ser modulada por uma enorme gama de experiências comportamentais, suprimindo ou magnificando a sua ocorrência. CADA INDIVÍDUO APRENDE A UTILIZAR ESTE TERMO ATRAVÉS DE SUAS EXPERIÊNCIAS. Fisiologia ‐ Psicologia Prof. Leonardo dos Santos UFES ‐ 2011 Dor x Nocicepção Nocicepção ‐ recepção no SNC dos sinais resultantes da ativação de receptores sensitivos especializados no provimento de informações sobre lesão tecidual. OBS.: Nem todos os estímulos nociceptivos que ativam receptores provocam necessariamente a experiência de dor. Dor ‐ sensação aversiva e desagradável, de desprazer, que pode ou não se originar em uma região específica do corpo. OBS.: Nem toda experiência de dor é necessariamente instigada por estímulos nociceptivos para o córtex somatosensorial. Sensações somestésicas Receptores da dor (nociceptores) Nociceptores são terminações livres, sem estruturas acessórias destinadas à transdução ou filtragem do estímulo, são os menos diferenciados dos receptores somáticos. Fisiologia ‐ Psicologia Prof. Leonardo dos Santos UFES ‐ 2011 Sensações somestésicas Vias de transmissão da dor Duas vias de transmissão para o sistema nervoso Nociceptores com fibras mielinizadas de médio diâmetro, que conduzem os potenciais a velocidade de 5‐30m/s. A ativação destes receptores é associada à dor aguda, rápida e bem localizada. Nociceptores ativados por diversos estímulos de alta intensidade com fibras de diâmetro pequeno, não mielinizadas e com baixa velocidade de condução 0,5‐2 m/s. Via relacionada à Dor lenta, prolongada e mal localizada. Sensações somestésicas As fibras aferentes primárias (provenientes dos nociceptores) Neurônios penetram pelo corno dorsal da medula Fisiologia ‐ Psicologia Prof. Leonardo dos Santos UFES ‐ 2011 Sensações somestésicas Terminam no córtex cerebral (córtex sensitivo) Espinoreticular Vias de transmissão da dor Sistema ântero‐lateral Espinotalâmica e no sistema límbico Espinomesencefálica Sensações somestésicas DOR REFERIDA No infarto do miocárdio (ataque cardíaco) o indivíduo sente dores no peito e também no braço e ombro esquerdo, e lado esquerdo do queixo. No apendicite rompido, e com peritonite, o indivíduo sendo dores na pele em volta da cicatriz umbilical. Fisiologia ‐ Psicologia Prof. Leonardo dos Santos UFES ‐ 2011 Sensações somestésicas DOR REFERIDA Aferências de ambas as localidades compartilham da mesma projeção ascendente para o córtex sensorial VIA AFERENTE TEGUMENTAR VIA AFERENTE VISCERAL VIA AFERENTE MÚSCULAR e ESQUELÉTICA Sensações somestésicas MECANISMO DA DOR REFERIDA VIA AFERENTE TEGUMENTAR VIA AFERENTE VISCERAL Fisiologia ‐ Psicologia VIA AFERENTE “comum” Prof. Leonardo dos Santos UFES ‐ 2011 Sensações somestésicas Síndrome do membro fantasma Na guerra civil americana, um soldado que teve suas duas pernas amputadas solicitavam que lhe fosse feita uma massagem na panturrilha da perna esquerda, pois sentia fortes cãibras. A sensação despertada (modalidade e localização), depende do estímulo cortical para tal sensação. A cadeia de transmissão para as sensações somáticas é composta por: Receptores, vias de projeção, e córtex somatosensorial. Cada uma das modalidades e localizações (através das vias) é individualizada até o córtex Se a via é estimulada em qualquer nível, a atividade é iniciada e a sensação pode ser percebida. Fisiologia ‐ Psicologia