Capa.indd 1 31/10/2007 17:35:55 Expediente 04 Entrevista Mercado Imobiliário: apesar da retomada, ainda falta moradia Publicação Oficial do Instituto de Engenharia Av. Dr. Dante Pazzanese, 120 - Vila Mariana São Paulo - SP - 04012-180 - www.ie.org.br 21 Cultura Alfredo Volpi por Ladi Biezus Presidente Edemar de Souza Amorim Vice-presidente de Administração e Finanças Camil Eid Vice-presidente de Atividades Técnicas Paulo Ferreira Vice-presidente de Relações Externas Ozires Silva Vice-presidente de Assuntos Internos e Associativos Dario Rais Lopes Vice-presidente de Administração da Sede de Campo Permínio Alves Maia de Amorim Neto Conselho Editorial Presidente: Edemar de Souza Amorim Francisco Christovam João Ernesto Figueiredo Roberto Kochen Victor Brecheret Filho 16 Notícias da Engenharia a Jornalista Responsável Viviane Nunes - MTb: 41.631 Redação Av. Dr. Dante Pazzanese, 120 - Vila Mariana São Paulo - SP - 04012-180 Tel.: (11) 5574-7766 - Ramal: 210 / 209 E-mail: [email protected] Publicidade (11) 5574-7766 Estrada de Ferro Madeira Mamoré A mais trágica obra da Engenharia no Brasil. Diagramação / Projeto Alexandre Mazega (Just Layout) João Vitor / Rodrigo / Flávio (Just Layout) Textos: Viviane Nunes e Fernanda Nagatomi É permitido o uso de reportagens do Jornal do Instituto de Engenharia, desde que citada a fonte e comunicado à redação. Os artigos publicados com assinatura não traduzem necessariamente a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. Indice38.indd d 2 PRESIDENTE 03 12 TÉCNICO ARBITRAGEM 08 14 DIREITO LEITOR 07 ARBITRAGEM 08 INTERNET 09 OPINIÃO 10 15 ECONOMIA 20 CURSOS 22 ACONTECE 23 CRÔNICA Palavras do Presidente Os custos da submissão Foto: Ricardo Reis da técnica Engº. Edemar de Souza Amorim Presidente do Instituto de Engenharia N em bem esfriaram as discussões sobre o acidente do Metrô de São Paulo e as obras retomaram seu ritmo, outro acidente ocupa as manchetes dos jornais. A gravidade dos fatos, apesar de não envolver vidas desta vez, não é menor, muito pelo contrário, evidencia algo que é dito há muito tempo sem que nada seja feito. A engenharia brasileira, a despeito de todos os avanços propiciados pela tecnologia, está regredindo. A culpa disto, apesar das justificativas bem redigidas e embasadas, é de todos e o motivo é um só, o desrespeito à técnica na busca pelo custo mais baixo. O governo, com sua legislação falha, não têm condições, nem competência para gerir processos licitatórios realmente seletivos, que impeçam empresas desqualificadas técnica e financeiramente de conquistar contratos de obras. O mesmo governo, em sua política errática de gestão de pessoal, afastou ao longo dos anos os melhores quadros técnicos, privilegiando indicações políticas e servidores de baixo custo, todos com pouca experiência e conhecimento limitado. As empresas, segundo os conceitos de administração, buscam obcecadamente o custo mínimo, usando técnicas de otimização e gestão de recursos humanos e equações matemáticas que não consideram variáveis como: Curva de aprendizado, experiência acumulada ou capacidade de identificação e solução de problemas. Ou seja, contribuições previdenciárias, salários nominais, horas extras e indenizações trabalhistas são os fatores que definem quem serão os responsáveis pelos mais importantes projetos e obras brasileiras. As Universidades, transformadas em máquinas de produção de diplomas, sem qualquer comprometimento com a formação dos jovens, vem criando especializações mercadologicamente segmentadas, sem sequer transmitir os conhecimentos básicos que sustentam os cursos criados. Critérios fundamentais para a formação de um engenheiro, como grade curricular, carga horária, conteúdo programático, são manipulados pelas instituições, com o objetivo único de lotar as salas de aula. O governo, novamente, faz vista grossa autorizando cursos por critérios no mínimo incompreensíveis. Mas as leis da natureza, diferente daquelas elaboradas pelo homem, não podem ser desafiadas sem punição. Um túnel mal construído desaba. Um prédio, um carro ou um circuito mal projetado não cumprem seus papeis com a precisão desejada, necessitando correção ou substituição, gerando custos muitas vezes superiores àqueles cortados do salário de um engenheiro mais experiente. A sociedade brasileira precisa aprender a respeitar e remunerar adequadamente o conhecimento técnico. O jeitinho brasileiro há muito excedeu sua competência e não pode (nem deve), ser aplicado a qualquer situação, sob pena de nos remeter ao passado, desperdiçando, em duas gerações, tudo aquilo que levamos séculos para construir. Por isso o Instituto de Engenharia, nos dias 8 e 9 de novembro, realizará o evento Reconstruindo a Engenharia Brasileira, num passo fundamental para assegurar à sociedade brasileira que sua engenharia não será abandonada. Que grandes acidentes são acontecimentos pontuais e extraordinários, que a boa técnica não será submissa à má gestão. Participar é obrigação de todos. IE Instituto de Engenharia U outubro 2007 U nº 38 Presidente.indd dd 3 3 30/ 0/10/ 0/2 /2007 18:43: :43:0 01 Entrevista Mercado Imobiliário: apesar da retomada, ainda falta moradia O atual presidente do Secovi – Sindicato da Habitação, João Crestana, concedeu entrevista ao Jornal do Instituto de Engenharia. Durante a conversa, ele fez comentários sobre o sistema de financiamento da casa própria no Brasil e a falta de moradia para a população de baixa renda “Quem ganha um salário mínimo vai precisar de mais subsídio” do Instituto de Engenha? Jornal ria - Como o senhor explica a retomada imobiliária? João Crestana a - O mercado imobiliário ficou durante uns 20, 25 anos acompanhando toda a instabilidade política e monetária do país. Permaneceu bastante estagnado. Não teve crescimento, mas sim uma diminuição muito grande por várias razões, entre elas: credibilidade e falta de recursos. Os compradores tinham medo de entrar em qualquer compra longo prazo. A retomada aconteceu porque chegamos a um nível que correspondia a metade do nível dos anos 80, com o agravante de que a nossa população era metade de hoje. Em uma conta mais grosseira, proporcionalmente à população do nosso país, a atividade do mercado imobiliário está de um quarto a um terço a mais do que era nos anos 80. As razões são a estabilidade da moeda e a estabilidade política do país. Uma nação sem estes dois ele- 4 Entrevista.indd dd 4 mentos não chega a lugar nenhum. Há uma liquidez internacional fabulosa, fazendo com que ocorra uma concorrência muito saudável entre agentes financeiros, que oferecem uma série de benefícios para o movimento no mercado imobiliário. Nos últimos 15 anos, houve um esforço muito grande para estabelecer um marco institucional para o mercado imobiliário brasileiro, que começou com o Sistema Financeiro Imobiliário. Depois apareceram outras instituições favoráveis ao mercado imobiliário. A retomada é muito sadia, gradual, sustentável e está aí para ficar durante alguns anos. do Instituto de Enge? Jornal nharia – Mesmo com esta retomada, ainda há um déficit de moradia. Por quê? João Crestana a – A retomada se deve a uma concorrência muito salutar entre bancos. Para atender às classes alta, média, média alta quem financia a compra são os bancos através da poupança (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo - SBPE). Isto tem um custo razoavelmente caro, de 6% a 7%. Quem tem um salário bom pode pagar por uma casa própria. O topo da pirâmide está sendo atendido: classes alta, média, média alta e o topinho da classe média baixa começa a ser atingido, porque há liquidez, concorrência, os juros diminuem, os prazos aumentam. Para se ter uma idéia, este sistema, em 2003, financiou R$ 2,5 bilhões no Brasil para habitações. Em 2007 será cerca de R$ 17 bilhões. do Instituto de Enge? Jornal nharia – Ainda assim é muito complicado comprar uma casa financiada. João Crestana a – Ainda há burocracia. O público que se encaixa acima da metade da pirâmide tem dificuldades. Mas já está melhorando. Essa burocracia é problemática, mas está sendo trabalhada e indo por um bom caminho. Da metade para baixo da pirâmide, a poupança não consegue atender, pois é muito cara (6% a 7%). É necessário que haja dinheiro barato. Quem ganha um salário mínimo, não pode pagar parcela nenhuma, vai ter que comprar uma casa total- Instituto de Engenharia U outubro 2007 U nº 38 31/10/2007 31/10/2 1/10/ 0/2 /200 00 17:42:53 Entrevista Foto: SECOVI “ Não vamos resolver o déficit pintando palafita e arrumando barraco de favela. Tem que ter produção de grandes conjuntos, feitos por planejadores, pela engenharia nacional, que pode atuar formalmente pagando e gerando empregos, garantindo e dando dignidade. “ João Crestana Presidente mente subsidiada pelo governo ou quase totalmente subsidiada pelo governo. Falta subsídio. Quem ganha um salário mínimo vai precisar de mais subsídio; quem ganha três, quatro, cinco, também vai precisar. Uma família que ganha em torno de R$ 1,5 mil, tem dificuldades para conseguir o financiamento. E eu defendo que o dinheiro deva ser dado na mão da mulher, pois é ela quem deve administrá-lo para a compra da casa, pois tem mais discernimento do que é prioritário para a família. Mas subsídio não é suficiente para isto e o país não tem como financiar para toda esta metade da pirâmide para baixo. E nem precisa, pois o topinho da classe média baixa, precisa de um financiamento mais baixo. Quem ganha cinco salários mínimos, tem uma renda considerável. Para este tipo de comprador, o necessário é um financiamento do Fundo de Garantia, que não é da Caixa Econômica Federal, pois ela não é dona. Os donos são os trabalhadores. Então temos um recurso mais barato, pois paga-se apenas 3%. Assim: na base da pirâmide é quase somente subsídio, no meio subsídio mais financiamento barato e na parte de cima, o SBPE. Veja só: o meio funciona mais ou menos bem. A parte de baixo funciona muito mal. do Instituto de Engenha? Jornal ria - Por que esta parte mais baixa funciona mal? João Crestana - Porque faltam algumas coisas. Primeiro, subsídio. Segundo, operação do FGTS. do Instituto de Engenha? Jornal ria – Quem daria o subsidio? João Crestana – Pode ser a União, o Estado e os Municípios. do Instituto de Engenha? Jornal ria – Mas há condições de oferecer subsídios? João Crestana – Se conseguir R$ 10 bilhões por anos significa um terço da CPMF. Ou se levar a CPMF de 0,38% para 0,13%, dá três por cento das despesas do país. Com isto e mais a política do Fundo de Garantia, em oito ou dez anos acabaria o déficit habitacional no Brasil inteiro. Para um país como o Brasil não é nada. do Instituto de Engenha? Jornal ria – E o déficit habitacional é de quanto? João Crestana – Oito milhões de residências em todo o país. Se multiplicar por R$ 30 mil, dá R$ 240 bilhões. Se dividir por 10 anos, dá R$ 24 bilhões por ano, o necessário para Instituto de Engenharia U outubro 2007 U nº 38 Entrevista.indd 5 5 31/10/2007 17:42:56 Entrevista acabar com o déficit. do Instituto de Engenha? Jornal ria – O que falta para resolver tudo isto? Vontade política? João Crestana – Resolver a questão do subsídio governamental. Algo não pontual, mas uma política de oito anos de subsídio. Durante os próximos anos, o governo tem que declarar que vai fazer isto. Segundo, uma política de modernização de cooperação do FGTS, que passa pela desconcentração. Hoje, as pessoas confundem Fundo de Garantia com Caixa Econômica. Temos que falar sempre que Fundo de Garantia é dos trabalhadores, da sociedade. A Caixa Econômica foi guindada, em 85, quando o BHN não era mais um gestor. Existe uma falácia neste país, entre certos agentes, se dizendo donos de alguns recursos. O dono do FGTS, que é o trabalhador, tem que saber como operar este dinheiro e não o governo. Existe por Lei, um conselho curador do Fundo de Garantia, que é muito competente, muito eficaz e que atravessou problemas por causa de planos heterodoxos do passado. O fundo curador é formado hoje pela iniciativa privada, pelo poder público e pela sociedade civil. Quem aplica o dinheiro do Fundo de Garantia? Uma série de bancos tem poder legal para aplicá-lo, pois a lei permite. Mas no meio do caminho, há um agente operador, que é a Caixa Econômica Federal, que se transforma em um funil dos recursos distribuídos pelo conselho curador do FGTS, para um banco só, que é a Caixa Econômica Federal. Os bancos quando financiam o topo da pirâmide, tiram os recursos do SBPE. Há necessidade também de desoneração tributária. Quando uma pessoa vai comprar uma casa de 50 mil reais, paga 48% de impostos. Isto é um absurdo. Achamos que deve ser estabelecida uma valorização da produção formal. Tem que colocar na cabeça dos formuladores de política deste país, que não vamos resolver o déficit pintando palafita e arrumando barraco de 6 Entrevista.indd 6 favela. Tem que ter produção de grandes conjuntos, feitos por planejadores, pela engenharia nacional, que pode atuar formalmente pagando e gerando empregos, garantindo e dando dignidade. e 10 anos o problema estará resolvido, falando modestamente. Se quiser ser um pouco mais rápido, é preciso ser um pouco mais agressivo. Isto é sem atrapalhar o fluxo financeiro. do Instituto de Engenha? Jornal ria – Por exemplo, os projetos do Instituto de Engenha? Jornal ria – Existem outras fontes de habitacionais como o Cingapura? João Crestana - Era uma produção formal. O projeto do Gato também era. Cada governo cria algo pontual e são melhores do que uma pintura de palafita. Fazer puxadinhos não é solução. É informalidade, gerando o que o país não precisa. O país precisa de impostos bons, dignidade e produção feita com técnica e qualidade. Também é importantíssimo falar de uma legislação urbana que favoreça. A da cidade de São Paulo é perversa, danosa e inconsistente. A Lei de Zoneamento de São Paulo e o Plano Diretor de São Paulo são muito ruins. Foram aprovados de uma maneira equivocada, em 2004 o primeiro e em 2002 o segundo. São inconsistentes, confusos, excessivamente restritivos, foi um gesso para a cidade, que significa a saída da atividade imobiliária de São Paulo. Não favorece a criação de HIS. E têm muitas cidades que querem copiar daqui, para aplicar em seus municípios. Nós alertamos para não fazerem isto. financiamento? João Crestana – Não podemos esquecer aquele fundozinho que as pessoas têm como carro, moto entre outros, para complementar a compra da casa. Outro ponto: as empresas estão capitalizadas. Cerca de 25 empresas abriram seu capital e trouxeram para o Brasil quase R$ 20 bilhões. A fonte está aí e parte será aplicada na habitação popular. Fundos internacionais podem investir em Habitação de Interesse Social. Os próprios bancos podem trazer do exterior dinheiro para este fim, através de instrumentos, tais como a securitização, que nada mais é do que um desconto de duplicata. Outra fonte muito importante são os fundos de pensão, que têm cerca de R$ 300 bilhões, as seguradoras devem ter mais de R$ 100 bilhões. do Instituto de Engenha? Jornal ria - Em sendo aprovada uma legislação adequada, em quanto tempo o senhor acha que acaba o problema de falta de moradia? João Crestana – Hoje se aplica menos de R$ 7 bilhões. A disponibilidade, para habitação, no Fundo de Garantia, é de R$ 55 bilhões, que estão parados. O governo vê que está sobrando o dinheiro do FGTS então financia portos, usina atômicas, PAC. Para tal fim, que se pegue o dinheiro do BNDES, da CPMF ou de qualquer outro lugar. O FGTS é para habitação e saneamento. Se aplicar R$ 20 milhões por anos do FGTS e R$ 10 milhões de subsídio, acredito que entre 8 do Instituto de Engenha? Jornal ria - E o plano diretor da cidade de São Paulo? João Crestana – Em 2002 foi aprovado o plano diretor da cidade de São Paulo. Em 2004, no último minuto, foi aprovada a lei de zoneamento. Esta lei, com muita oposição do setor que enxerga pra frente, pois sabe quais são as conseqüências para esta cidade, foi aprovada. Nós podemos mitigar alguns problemas sérios dentro da lei. É inconsistente, restrita, é complexa a tal ponto que os funcionários públicos encarregados de aprovar uma planta têm dificuldades para trabalhar. Há regiões inteiras da cidade de São Paulo que são omissas, são chamadas de buraco negro, pois não têm legislação correta. No nosso ponto de vista, esta lei deveria ser jogada fora e feita outra. Mas é difícil e drástico. Há necessidades de reformas conscientes e profunIE das, não superficiais. Instituto de Engenharia U outubro 2007 U nº 38 31/10/2007 17:42:56 Leitor Formação de Engenheiros Argumentos Você tem toda a razão. Em todos os segmentos da sociedade brasileira consciente encontra-se a enorme preocupação em relação ao futuro do nosso país. Consta que a China está produzindo 300 mil engenheiros por ano. No Brasil também consta que não formamos mais que uns 20 mil! Como vamos acompanhar essa avalanche de progresso que empolga o mundo, cada vez mais global e competitivo? Os nossos concorrentes não estão mais nas nossas esquinas! Será que não entendemos isso e começamos a mudar? Ozires Silva Congratulo-me com o presidente do Instituto de Engenharia pela visão e pela consistência de argumentos. Felizmente o Brasil ainda tem homens que pensam e sabem o que falam. Parabéns, Edemar de Souza Amorim. Luiz Mario Rocha de Assis Moura Formação de Engenheiros II Achei muito oportuno, e suas colocações foram muito felizes. Concordo integralmente com seu posicionamento e até ousaria acrescentar que, em função das gerações perdidas por você mencionadas, é urgente e imperioso que invistamos na formação dos jovens engenheiros que além da boa formação básica escolar, necessitam de uma formação profissional que só é adquirida dentro das empresas, atuando diretamente na atividade fim com o suporte e a supervisão dos engenheiros experientes. Edilberto Maurer Presidente do Comitê Brasileiro de Barragens Produto versus Serviço Tecnicamente falando sob o enfoque da Qualidade, existe uma diferença fundamental entre um produto e um serviço. Enquanto que o produto é um bem tangível e, como tal, as suas qualidades podem ser verificadas no próprio produto, o serviço é um bem intangível e possui poucas qualidades incorporadas. Daí o erro em querer usar o mesmo critério (pregão eletrônico) para ambos. Carlos César Micalli Cantu Visão Certeira Congratulo-me com sua visão certeira sobre os caminhos da Engenharia Brasileira em sua penúltima circular. Grande visão e ótima alfinetada no nosso governo, que parece querer transformar o país numa verdadeira garapa. Fuad João Chacur (Repúdio ao Pregão Eletrônico para Serviços de Engenharia) Instituto de Engenharia U outubro 2007 U nº 38 Leitor.indd 7 7 31/10/2007 17:41:00 Arbitragem Diferenças entre conciliador, mediador e árbitro 8 Foto: Arquivo Pessoal O s meios alternativos de soluções de controvérsias são utilizados em direitos disponíveis, entre partes, que primam pela autonomia da vontade e boa- fé. Os principais profissionais que atuam neste segmento são: mediador, conciliador e árbitro. O mediador aproxima as partes para que elas negociem diretamente a solução desejada de sua divergência. Não precisa ser um especialista na matéria controversa, entretanto um perfil que saiba escutar as partes para absorver quais são as expectativas a serem atendidas, sem, contudo se manifestar sobre a solução técnica ou jurídica, que poderia satisfazê-las, pois sua função basicamente é restabelecer o diálogo, unindo os objetivos comuns. A mediação é indicada quando se trata de um conflito entre partes que têm ou tiveram algum interesse ou relação comercial, social ou familiar, onde a preservação das relações tem relevância e a solução para pacificação plena do conflito se dá com mais eficiência a partir da identificação e satisfação dos interesses e das necessidades envolvidas. O conciliador utiliza as mesmas técnicas da mediação, entretanto o conciliador deve ser especialista, ou seja, entender da matéria objeto do conflito para negociar conjuntamente com as partes, aproximando-as e sugerindo opções se for o caso. As partes não precisam prever contratualmente a atuação de um conciliador, nem tão pouco, são obrigadas a aceitar a proposta conciliatória, porém uma vez acordado a conciliação gerará um título executivo extrajudicial, conforr me preceitua o art. 584 do Código de Processo Civil, que deve ser cumprido, pois em caso de descumprimento o ju- Suely de Camargo “A sentença arbitral tem força de sentença judicial” diciário pode atuar. A conciliação é indicada entre partes que não têm nenhum interesse comum, e sua eficácia é diretamente proporcional ao interesse dos envolvidos na resolução do impasse. A arbitragem é prevista legalmente pela Lei 9.307/96, e pode ser estabelecida de duas maneiras: (1) antes do litígio, através da inserção prévia no contrato comercial de cláusula compromissória, no qual as partes nomeiam árbitro (s) no próprio contrato ou em apartado, que atuará em caso de qualquer discórdia para a solução do conflito e (2) depois de instaurado o conflito, em queren- do utilizar-se da arbitragem, podem as partes optarem pela solução arbitral por meio de compromisso arbitral. Os procedimentos arbitrais podem ser previstos na cláusula compromissória ou compromisso arbitral, indicando a Câmara de Arbitragem que será utilizada. A sentença arbitral tem força de sentença judicial, cujo cumprimento é obrigatório nos termos da lei, pois gera um título executivo irrecorrível. O judiciário não atua sobre as sentenças de mérito, que são soberanas, conforme preceitua o art.267, II do Código de Processo Civil, que extinguirá qualquer ação sem julgamento de mérito em que se tenha convencionado a arbitragem para resolução do conflito. Entretanto, pode se provocado para julgar prováveis nulidades procedimentais. A principal vantagem deste método é que o árbitro é um especialista (s), que normalmente goza de confiança entre as partes e atuará como juiz examinando a matéria tecnicamente sob a luz do direito ou eqüidade, com base nos princípios gerais do Direito, ou nas regras internacionais do comércio. A sentença arbitral não precisa ser homologada no judiciário para gerar efeitos, entretanto, a sentença estrangeira requer essa providência. A arbitragem é estatisticamente é muito eficaz, por causa do cumprimento espontâneo, uma vez que as partes escolheram este método a fim de evitar os processos judiciais. Os métodos de solução pacífica de controvérsias são céleres, com um custo/benefício que vale a pena o inIE vestimento. Suely de Carmago Coordenadora da Comissão do Meio Ambiente artificial industrial – OAB/SP Instituto de Engenharia U outubro 2007 U nº 38 Arbitragem37.indd 7.indd d 8 30/10/2007 30/10/20 0/10/ 0/2 /200 0 18:58:32 Internet A Privacidade e a Nova Identidade Digital Foto: Arquivo Pessoal P oucos são os que ainda não tiveram a curiosidade de pesquisar seu próprio nome no Google. Menos ainda são aqueles que não se surpreenderam com os resultados encontrados e com o detalhamento das inforr mações apresentadas. As reações são variadas, sendo a curiosidade e o interesse as mais comuns e compreensíveis, afinal não é todo dia que percebemos quão públicas nossas vidas estão se tornando. Porém uma grande parcela não aceita esta exposição, acreditando ser a privacidade um direito de fácil preservação na era da informação. Ora, se hoje, quando conectamo-nos à Internet toda a vez que precisamos de uma informação, de um endereço a uma tese de doutorado, porque não imaginar que isto possa ser feito para encontrar pessoas? Mais ainda, por que não imaginar num futuro próximo uma ferr ramenta de pesquisa on-line que informe, além do conhecimento técnico procurado, as pessoas que o detém, oferecendo uma forr ma de contatá-las? O futuro do Google, e dos buscadores de uma forma geral, será aliar o “know-how” com o “know who” , somando o “quem” ao “que”, “como”, “quando” e “porque”. Olhando do ponto de vista do detentor de um determinado conhecimento, uma experiência profissional, que custaram o investimento de muito dinheiro além de anos de estudo e trabalho. Responda sinceramente: Como você se sentiria se alguém, na busca deste conhecimento, seja por necessidade acadêmica ou de negócio, encontrasse seu nome (ou de sua empresa) na Internet como referência e pudesse contatá-lo e, no desenrolar do relacionamento, contratá-lo? E se não encontrar e contratar outro Engº. Antonio Carlos Amorim MSc. “Hoje, não ser listado no Google, é não existir digitalmente” profissional mais acessível? A construção de uma Identidade Digital é, antes de mais nada, uma necessidade. Pois os mecanismos de busca são uma realidade e seu uso só tende a se difundir, substituindo a mídia tradicional na divulgação de trabalhos e currículos. Há pouco tempo atrás jornais e revistas publicaram o uso, por parte de recrutadores, do Orkut na seleção de candidatos a uma vaga de emprego. Participar de comunidades do tipo “Detesto acordar cedo” e “Odeio meu chefe” passou a ser fator de eliminação de pretendentes. A verdade, ofuscada pelas queixas de invasão de privacidade, é que estes candidatos mereciam ser eliminados por serem descuidados com sua imagem pessoal. Participar de uma comunidade incorreta é o equivalente digital de ir a uma entrevista de emprego de bermudas e Havaianas, simplesmente inconcebível. Hoje, não ser listado no Google, é não existir digitalmente. Pior, significa não ter produzido nada de importância suficiente para ser notado na Internet. Para um recrutador ou para um potencial cliente é razão de sobra para procurar outra pessoa. Ficam então duas opções, lançar âncora no passado e queixar-se da falta de controle sobre o que o mundo diz a seu respeito, ou dedicar-se com afinco na construção de sua identidade digital. Participando das redes sociais certas, publicando seus trabalhos na internet, criando um site ou blog próprio, fornecendo as informações públicas adequadas e, acima de tudo, estabelecendo uma rotina de verificação dos mecanismos de buscas. A Rede da Engenharia no PEABIRUS, em seu papel de articular a engenharia e estabelecer o relacionamento entre engenheiros, numa iniciativa pioneira, abriu as páginas dos perfis dos membros para a construção desta identidade digital, consolidando num único ponto os links para as informações pessoais e profissionais disponíveis na Internet. Pois, num futuro breve, os cartões de visita terão somente uma linha de endereço. Aquela que começa com www. IE Engº. Antonio Carlos Amorim MSc. Engenheiro Civil e mestre em Administração de Empresas pelo Mackenzie, MBA em Finanças pelo IBMEC e pós-graduado em Marketing pela ESPM, é consultor e articulador de Redes Sociais na Internet, mediador da Rede da Engenharia. Contato: [email protected] Instituto de Engenharia U outubro 2007 U nº 38 Internet.indd 9 9 31/10/2007 31/10/ 0/2 /20 0 12:01:21 Opinião Protocolo de Kyoto e Mecanismo de Desenvolvimento Limpo 10 Opniao38.indd dd 10 Foto: Arquivo Pessoal O Protocolo de Kyoto, considerado um dos mais ousados e importantes compromissos de preservação ambiental, é um instrumento jurídico internacional vinculado à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, negociado e firmado na cidade japonesa de Kyoto, em 1997, que entrou em vigor em 16/02/2005. Tal compromisso impõe metas aos países desenvolvidos (do chamado Anexo I) para que a média de emissões dos gases de efeito estufa - GEE (dióxido de carbono, metano, óxido nitroso e outros) sejam reduzidas em 5,2% das emissões registradas em 1990, para o período de 2008 e 2012. Os países em desenvolvimento ainda não possuem metas, mas deverão tê-las a partir de 2012, quando da vigência do segundo período de compromisso. Dentro do Protocolo foram criados mecanismos para a redução dos GEE Gases Causadores do Efeito Estufa: (I) o Comércio de Emissões (Emission Trade - ET T) que possibilita aos países do Anexo I comercializar parte de redução de suas emissões através da compra de “folgas” existentes; (II) a Implementação Conjunta - Joint Implementation (JI) possibilita a um país do Anexo I receber Unidades de Emissão Reduzida (UER) ao ajudar a desenvolver projetos que provoquem redução de emissão em outro país também do Anexo I, de forma suplementar as suas ações domésticas; e (III) o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo - MDL (Clean Development Mechanism - CDM) objetiva o financiamento de projetos que visem à redução dos GEE nos países do não Anexo I ao desenvolverem e implementarem atividades aprovadas de Redução desses gases. Assim, os países do Anexo I podem utilizar as Certificados de Emissões Renata Franco de Paula Moreno “As conseqüências do aquecimento global já estão afetando a Política Mundial e o comércio entre as nações” Reduzidas de projetos aprovados como parcela do compromisso que lhes compete. Têm, portanto, o objetivo de buscar a mitigação de emissões de GEE em países em desenvolvimento, na forma de sumidouros, investimentos em tecnologias mais limpas, eficiência energética e fontes alternativas de energia. O cumprimento do Protocolo, principalmente para este primeiro período (2008-2012), dependerá da boa vontade dos países e eventualmente de um sentimento de constrangimento ao adotar políticas contrárias ao esforço mundial contra o aquecimento global. Recentemente, paises como a Alemanha propuseram a criação de uma Taxa Aduaneira Climática que deverá ser imposta aos países que não lutarem contra as mudanças climáticas. A proposta consiste em taxar e encarecer o preço dos produtos de países que não respeitam a natureza e o meio ambiente. Sem adentrar na controvérsia quanto a competência internacional da Alemanha e da UE para propor tal medida, a questão é que as conseqüências do aquecimento global já estão afetando a Política Mundial e o comércio entre as nações. Importante ressaltar, ainda, que o Brasil, pelas suas condições naturais e seu caráter inovador nato, é um forte candidato a hospedar significativa parte dos projetos de MDL, beneficiando-se com a remessa de recursos financeiros e transferência tecnológica. Para tanto, é necessário uma melhor estruturação interna dos órgãos de governo e uma maior agilidade na análise para aprovação dos projetos. Caso isto não ocorra, o país, além de andar na contramão da tendência mundial, perderá significativos investimentos que poderiam representar uma melhora na qualidade de vida, uma maior eficiência ambiental e o conseqüente desenIE volvimento do país. Renata Franco de Paula Gonçalves ç Moreno Coordenadora da Área Ambiental do Emereciano, Baggio e Associados - Advogados Instituto de Engenharia U outubro 2007 U nº 38 31/10/2007 12:07:02 31/ :07:02 02 Opinião Protocolo de Quioto Foto: Ricardo Reis A s Mudanças Climáticas são freqüentemente entendidas como um fenômeno capaz de desestabilizar a vida como a conhecemos. Os efeitos do aquecimento global são hoje uma realidade, e já desestabilizam tanto micro climas (aumento da temperatura nos grandes centros urbanos, seca na Amazônia, incremento do número de intensidade de furacões) quanto o macro clima, (aumento do nível do mar). Com o objetivo de estabilizar os efeitos dos Gases causadores do Efeito Estufa (GEE), criou-se em 1992, a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, que deu origem às Conferências anuais das Partes (copas), que culminaram no ano de 1997, na assinatura por diversos países, do Protocolo de Quioto. Este documento estabelece a redução das emissões de dióxido de carbono (CO2), gás correspondente a 76% do total das emissões relacionadas ao aquecimento global, e outros gases do efeito estufa, nos países industrializados. Os signatários se comprometeram a reduzir o conjunto de suas emissões em 5,2%, comparados aos níveis de 1990. As reduções seriam feitas em cotas diferenciadas de até 8%, entre 2008 e 2012, pelos países listados no Anexo 12. Uma importante característica do protocolo é o conceito de ‘’responsabilidade comum, porém diferenciada’’, através da qual se entende que todos os países possuem responsabilidade no combate ao processo de aquecimento global, entretanto, aqueles que historicamente mais contribuíram para o acúmulo de gases na atmosfera (ou seja, os países industrializados) têm obriga- Marco Antonio Fujihara “Existem projetos MDL nas mais diversas áreas” ção maior de reduzir suas emissões. Isto implica que apenas os países ditos “desenvolvidos”, denominados Países do Anexo 1, possuem obrigações de reduções de emissões. Países em desenvolvimento, dentre os quais, Brasil, Índia e China, grandes emissores de GEE, integram o protocolo, mas não possuem metas de reduções, ao menos no Primeiro Período de comprometimento. O acordo, ratificado por 141 países, entrou em vigor em 16 de fevereiro de 2005, 90 dias após o processamento dos documentos da adesão da Rússia junto à Organiza- ção das Nações Unidas (ONU). Apesar de não integrar a lista de países do Anexo I, o Brasil possui uma importante função a desempenhar no contexto dos Mecanismos de Flexibilização propostos pelo Protocolo, em especial, através do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). O MDL é o mecanismo através do qual, países não listados no Anexo 1, participam do Protocolo de Quioto. Mais especificamente, por meio da implantação de atividades de projeto que reduzem os níveis de emissões de GEE ou através de atividades de seqüestro de carbono, gerando Reduções Certificadas de Emissões (RCEs). As RCEs são utilizadas/compradas por países do Anexo 1 para cumprirem suas cotas de emissões. Existem projetos MDL nas mais diversas áreas, com destaque para energias renováveis (hidrelétrica, eólica, solar, geotérmica, biomassa), eficiência energética, cogeração, substituição do uso de combustíveis fósseis, aproveitamento de gases de aterro sanitário e manejo de resíduos de animais. O Mecanismo de Desenvolvimento Limpo foi instituído pelo artigo 12 do Protocolo de Quioto, e regulamentado pelo Acordo de Marrakesh, firmado em novembro de 2001 durante a Sétima Sessão da Conferência das Partes (COP 7), além das deliberações periódicas do Comitê Executivo de MDL. Os projetos elaborados no âmbito do MDL devem promover a redução de emissões e/ou seqüestro de carbono de forma efetiva e comprovada, expondo claramente suas atividades, características do projeto, custos, riscos e transparência em IE relação às partes envolvidas. Marco Antonio Fujihara Responsável pela Divisão Sustentabilitas (Sustentabilidade Empresarial) do Instituto Totum. Instituto de Engenharia U outubro 2007 U nº 38 Opniao38.indd Opnia ao 11 11 31/10/2007 31/10/2 1/10/ 0/2 /20 0 12:07:05 Técnico Agência da Bacia do Alto Tietê, braço executivo do Comitê, única instância com visão metropolitana nesse imenso cipoal de entidades setoriais que atuam nessa importante região do Estado, cada uma voltada exclusivamente para os seus próprios interesses e objetivos, está praticamente desativada há 14 meses. O objetivo dessa agência é a operacionalização do gerenciamento dos recursos hídricos da bacia. Esse gerenciamento é essencialmente participativo, pois conta com órgãos do Governo do Estado, com as prefeituras e com as entidades da sociedade civil, parte do planejamento da bacia e se propõe a promover ampla articulação daquele imenso cipoal de entidades setoriais acima referidas, com o objetivo de tentar a desejada integração entre as diversas políticas públicas envolvidas em benefício de um desenvolvimento mais organizado da região/bacia e em conseqüência melhor qualidade de vida para os seus habitantes. Tendo tido a honra de presidi-la desde setembro de 2002, precisei deixá-la em maio de 2006, no meio desse trabalho, mas não imaginava que ele pudesse ser interrompido durante tanto tempo. Para dar uma idéia dos prejuízos que essa paralisação está causando ao gerenciamento da água nessa bacia, destaco que em maio de 2006 estavam em curso, dentre outros: UÊ iÃiÛÛiÌÊ `iÊ iÃÌÀ>Ìj}> para superar dois problemas financeiros da Agência, um passivo a descoberto do balanço de 2005 e a difícil situação de caixa gerada pelo não-pagamento das últimas contribuições mensais pela Secretaria do Verde e do Meio Ambiente do muni- Foto: Viviane Nunes Desativação da Agência da Bacia do Alto Tietê A 12 Tecnico38.indd dd 12 Engº. Julio Cerqueira César Neto cípio da Capital. UÊ ÌÀ>ÌÊ µÕiÊ >ÃÃ>ÃÊ VÊ > FUSP – Fundação Universidade de São Paulo - para atualização do Plano da Bacia com prazo de conclusão para 31/07/2006. UÊ ÛiÀÃ>ÃÊ «ÀÛ`kV>ÃÊ «>À>Ê Û>bilizar o início da cobrança pelo uso da água. UÊ"ÕÌÀ>ÃÊ«ÀÛ`kV>ÃÊ«>À>Ê«>tação da Gerência Regional no Guarapiranga para o cumprimento da lei 12233 de proteção do manancial; já havia sido inclusive proposto o nome do gerente. UÊi``>ÃÊ`iÊ>«ÊDÃÊÕÌÀ>ÃʵÕ>tro sub-bacias para a conclusão dos ÀiëiVÌÛÃÊ **½ÃÊ qÊ *>ÃÊ `iÊ isenvolvimento e Proteção Ambiental. UÊ *ÀÛ`kV>ÃÊ «>À>Ê >Ê Ài}Õ>itação da lei 9146/95 – Compensação Financeira aos municípios que abrigam mananciais. UÊ ÛiÀÃ>ÃÊ i``>ÃÊ «>À>Ê i rar a qualidade das águas dos rios: revisão do Projeto Tietê, introdução de parâmetros de qualidade nas decisões sobre a operação das estruturas hidráulicas existentes, superação de dificuldades que impedem >Ê V i}>`>Ê `iÊ iÃ}ÌÃÊ >ÃÊ /½ÃÊ qÊ Estações de Tratamento de Esgotos; recuperação, na medida do possível, do sistema de esgotos separador absoluto. UÊ ,iÌ>`>Ê `Ê *>Ê `iÊ >VÀdrenagem. UÊ "ÀiÌ>XKÊ >Ê **Ê `Ê /iÌk Cabeceiras para garantir a vazão de restrição na barragem da Penha de 500 m³/s, além da proteção dos 5 mananciais. UÊÛiÀÃ>ÃÊ«ÀÛ`kV>ÃÊ«>À>Êplantação do Projeto Poço Legal – ordenamento do uso do manancial subterrâneo. UÊ ÀÌVÕ>XKÊ iÌÀiÊ À}KÃÊ `Ê Estado e prefeituras para o estabelecimento de programas permanentes de controle da erosão e desassoreamento. UÊXªiÃÊÕÌÊ>Ê->Liëʫ>À>ÊVÕÃKÊÊÃiÕÊ*>ÊÀiÌÀÊ`iÊL>ÃÌicimento de água de um manancial de grande porte. UÊXªiÃÊÕÌÊDÃÊ«ÀiviÌÕÀ>ÃÊ«ÀVÕrando integrar os respectivos planos diretores. UÊ*>ÀÌV«>XKÊ>ÊÀiÛÃKÊ`Ê*ÌÕÊ – Plano Integrado de Transportes Urbanos. UÊ *>ÀÌV«>XKÊ Ê ViV>iÌÊ ambiental das obras do trecho sul do Rodoanel. Espero que possam ser superadas as dificuldades que estejam impedindo a retomada desses importanIE tes trabalhos. Engº. Julio Cerqueira César Neto Membro do Instituto de Engenharia Instituto de Engenharia U outubro 2007 U nº 38 31/10/2007 31/10/2 1/10/ 0/2 /200 00 10:40:52 Técnico Foto: Claudio Silva Qualidade da infra-estrutura e dos serviços A iniciativa privada é obrigada a responder pelos bens e serviços oferecidos, seja para não prejudicar a marca, seja por obrigação legal. Na sua maior parte os compromissos são de curto prazo, com pequena porcentagem, no caso de equipamentos especiais, de prazos maiores. No caso dos serviços públicos cujos efeitos se refletem no curto, médio e longo prazo, isto é, são importantes durante o desenvolvimento da vida e do futuro do país, não existe controle de atendimento da demanda e da qualidade. Estamos assistindo a “apagões” em todos os setores: Educação, Saúde, Segurança, Transportes, etc., prejudicando o crescimento econômico e a distribuição de riqueza. Porque não podemos ter serviços públicos como os paises desenvolvidos, isto é, com a qualidade necessária? Não consta que as Associações de Profissionais e Conselhos responsáveis pela fiscalização do exercício profissional estejam discutindo as causas da incompetência generalizada das organizações públicas visando o cumprimento dos objetivos pelas mesmas. Engº. Darcy de Almeida Creio que a sociedade civil tem condições, através das Associações de Profissionais, Empresariais e Conselhos Profissionais, de definir as deficiências e causas das mesmas nos Serviços Públicos, de estabelecer alianças que possibilitem mobilizar o legislativo no aperfeiçoamento legal necessário e o executivo no cumprimento das Leis. O “patrimônialismo” é uma herança colonial, qualquer esforço de ruptura com a tradição representa mudança de cultura que requer esforço constante no longo prazo, o que pode ser confirmado pelo exemplo dos paises desenvolvidos. A Engenharia é fundamental no planejamento e implementação da Infra-Estrutura, é necessário que as Associações, representando os Profissionais e Empresas, e os Conselhos de Engenharia se unam em torno de sugestões visando a eficácia e eficiência das organizações governamentais na definição de Planos e implementação de Empreendimentos de Infra-Estrutura que atendam a demanda do país. A imprensa tem frequentemente apontado os problemas, mas a sociedade civil, que paga a conta, tem se mantido indiferente. Os problemas de Infra-Estrutura do país somente serão resolvidos com a participação IE ativa da sociedade civil! Engº. Darcy de Almeida Engenheiro civil e associado do Instituto de Engenharia. Instituto de Engenharia U outubro 2007 U nº 38 Tecnico38.indd Tecn ecnic ic 13 3 13 31/10/2007 31/10/2 1/10/ 0/2 /2007 0 10:40:54 4 Direito As concessões comuns e as PPPs 14 Direito38.indd d 14 Foto: Reinaldo Meneguim C om a realização das licitações para concessão das rodovias federais e com as que sucederão para a concessão de rodovias estaduais, é oportuno estabelecer parâmetros para identificarmos qual modalidade pode ser considerada a mais apropriada para os contratos de concessão, as concessões comuns ou as Parcerias Público-Privadas – PPP. A Lei n° 11.079 de 2004, define a PPP como o contrato administrativo de concessão, na modalidade patrocinada ou administrativa. Na primeira haverá uma tarifa cobrada dos usuários e uma contraprestação pecuniária do parceiro público ao parceiro privado – ex: construções e operações de rodovias e ferrovias. Já na outra o concessionário receberá integralmente a sua contraprestação pelo serviço, direta ou indiretamente prestado à administração pública – ex: construção e gestão de hospitais, presídios e escolas. A principal utilização deste modelo consiste no investimento no setor de infra-estrutura, por, justamente, dirigirse a grandes projetos – o valor da PPP nunca poderá ser inferior a R$ 20 milhões – gerando o desenvolvimento de novas oportunidades de negócio para o setor privado e um meio de administrar a falta de recursos por parte do Estado, atraindo novos investidores, captando recursos e solucionando problemas estruturais. As PPPs diferenciam-se quanto à sua forma de pagamento e instrumento de financiamento e liquidação de débitos, sendo que não só a remuneração do setor privado se dará principalmente após a conclusão da Fernando Henrique Cunha obra, como mais mecanismos de financiamento e liquidação de obrigações estarão disponíveis às empresas participantes. Há mais garantias oferecidas no regime PPP em comparação às concessões, seja quantitativa ou qualitativamente, como a vinculação de receitas, a instituição ou utilização de fundos especiais, seguro-garantia, garantias prestadas por fundo garantidor ou empresa estatal criada para essa finalidade, garantias prestadas por organismos internacionais ou instituições financeiras não-estatais, entre outras permitidas por lei. Estas garantias fazem com que o particular tenha acesso a melhores linhas de financiamento, reduzindo seus custos e favorecendo a implementação de projetos. A lei criou uma série de regras especiais em relação às dívidas do Estado com o parceiro privado. Em primeiro lugar, a Lei permite a resolu- ção de disputas mediante arbitragem, não sendo necessário que a lide seja levada ao judiciário, esquivando-se da morosidade do judiciário. Prevê, consecutivamente, uma série de garantias que o Estado deve outorgar em benefício do particular, além das garantias de execução contratual, desde que previstas no edital. Como forma de evitar que a execução dessas garantias fique sujeita à regra constitucional do precatório, a União constituiu um Fundo Garantidor de Parcerias Público-Privadas (FGP), de natureza privada e com patrimônio separado dos seus cotistas (União, autarquias e Fundações), administrado por instituição financeira controlada pela União e constituído por bens e direitos integralizados para garantir o cumprimento das obrigações assumidas em virtude do contrato de PPP. Em caso de inadimplência, o particular poderá acionar diretamente a garantia dada pelo FGP para satisfazer a dívida. O leilão de rodovias federais, ocorrido no começo de outubro, foi feito por concessão comum por tratar-se de rodovias de significativo tráfego e importância para o setor de logística e transportes nacional. Entretanto, tal modalidade não seria interessante se o objeto de concessão fossem rodovias de menor porte e de menos tráfego, uma vez que reduzida a expectativa de retorno financeiro. Analogicamente, sem a concessão, o Estado não possui recursos para efetuar melhorias nestas rodovias. E é justamente neste contexto que a PPP aparece IE como uma ótima alternativa. Fernando Henrique Cunha Coordenador da Área de Engenharia, Construção, Infra-estrutura e Projetos de Emereciano, Baggio e Associados - Advogados Instituto de Engenharia U outubro 2007 U nº 38 31/10/2007 31/10/200 0/2 0/ /200 10:42:38 Economia Foto: Arquivo Pessoal A experiência da CPMF A CPMF é um dos mais polêmicos tributos instituídos no Brasil. Começou a ser discutido no âmbito da proposta de criação do Imposto Único em janeiro de 1990 e, no ano seguinte, o governo Collor criou a Comissão Ary Osvaldo Mattos Filho, composta por notáveis tributaristas, que endossou a implantação de um tributo sobre movimentação bancária com o intuito de financiar a seguridade social. Em 1992 o governo Itamar Franco, cujo ministro da Fazenda era Fernando Henrique Cardoso, instituiu o IPMF, que teve vigência entre agosto de 1993 e dezembro de 1994. Em 1996, já como presidente da República, Fernando Henrique criou a CPMF, que perdura até hoje. Apesar de toda a polêmica jurídica e econômica que a cercou, essa nova espécie tributária vem se mostrando um dos mais robustos e produtivos tributos em uso no país. Ainda que perdure com a nomenclatura de “provisória” essa forma de tributação vem se consolidando como um imposto que, ao sofrer constantes aperfeiçoamentos, deverá tornar-se um componente permanente no sistema tributário brasileiro. Apesar de não ser uma experiência pioneira (existe na Austrália e Argentina desde os anos 80), a aplicação de um imposto sobre movimentação financeira no Brasil se notabilizou por duas características em seu processo de implantação: a primeira, altamente negativa, é ter sido utilizado como um imposto a mais no rol de tributos em uso no país, descaracterizando a intenção original Marcos Cintra “Não importa se a maioria dos países não utiliza um imposto como a CPMF” de seus defensores de ser um tributo único. Como disse Roberto Campos “o uso do imposto sobre movimentação bancária só seria revolucionário se o imposto fosse único, e não um imposto a mais”; em segundo lugar, e essa é uma observação positiva, a experiência brasileira se tornou a mais ampla, duradoura e abrangente aplicação dessa nova espécie tributária no mundo. Pelo êxito de sua instituição, a tributação das movimentações bancárias vem sendo observada com interesse por tributaristas em vários países, uma vez que, dentre outras qualidades, ela se revelou como uma forma barata de cobrar imposto e é quase impossível de ser sonegada. Políticos, economistas e tributaristas de boa estirpe no Brasil e no mundo apóiam impostos sobre transações bancárias e os recomendam em seus trabalhos e estudos. Entre os economistas, James Tobin (Prêmio Nobel), Rudiger Dornbusch, Roberto Campos, Maria da Conceição Tavares e o ex-secretário da Receita Federal Everardo Maciel. Entre os políticos, Flávio Rocha, Luiz Roberto Ponte (autor de emenda de grande popularidade no Congresso), Luiz Carlos Hauly (autor de outra respeitada proposta), Paulo Octávio e Jefferson Peres, dentre inúmeros outros. Não importa se a maioria dos países não utiliza um imposto como a CPMF. É possível que não tenham atingido as mesmas condições materiais para desenvolvê-la, como generalizada desmonetização e sofisticada informatização bancária. A CPMF é um imposto moderno, produto da era da informática, e sua futura utilização em outras economias é uma questão de tempo. Marcos Cintra Cavalcanti de Albuquerque Doutor em Economia pela Universidade Harvard (EUA), professor titular e vice-presidente da Fundação Getulio Vargas. Internet: www.marcoscintra.org / E-mail - [email protected] Instituto de Engenharia U outubro 2007 U nº 38 Economia38.indd .indd 15 15 31/10/2007 31/10/ 0/2 /20 0 12:05:31 Notícias da Engenharia Estrada de Ferro Madeira M Fotos A mais trágica obra da Engenharia n Navios cargueiros atracados no cais de Porto Velho (1909-1910) 16 Instituto de Engenharia U outubro 2007 U nº 38 Engenharia.indd ndd 16 31/10/2007 17:34:30 31/10/ 4:3 :30 0 Notícias da Engenharia Estrada de Ferro Madeira Mamoré foi concluída em 1912, às vésperas da Primeira Guerra Mundial, no início da crise bru utal que se abateu sobre a borracha a brasileira, a partir da entrada em pro odução em larga escala dos seringais plantados na Malásia. Estes faore es e seus desdobramentos tiveram ortte impacto na economia e na geogra afia mundial. Tiraram toda e qualque er possibilidade de viabilização do empreendimento após sua concluão o. Com milhões de libras gastas e m milhares de trabalhadores mortos, a fe errovia operou por pouco tempo e sem mpre deficitária até o sucateamento fifinal em 1971. Concebida em meados do século XIX como um projeto boliviano de acesso ao exterior, através dos rios navegáveis da Bacia Amazônica, pretendia escoar a produção mineral e natural de toda a região central da América Latina. Este projeto encontrava dois grandes obstáculos: a transposição dos saltos e cachoeiras do Rio Madeira até atingir a rede navegável da bacia amazônica e a selva amazônica. A Bolívia, ao conquistar a sua independência, separando-se do Território do Alto Peru ficou sem saída para o mar. Suas opções eram somente através dos Andes utilizando precários caminhos e portos de outros países, o que implicava em longas distâncias e alto custo de transporte para o seu comércio exterior. No Brasil também a Província de Mato Grosso se beneficiaria com uma saída direta e independente, uma vez que o Rio Madeira corre inteiramente em território brasileiro. Com estes fundamentos, Brasil e Bolívia resolveram em 1867 buscar uma solução para esta saída por meio de uma ferrovia ou outro meio que evitasse as cachoeiras. O Rio Madeira é formado no coração da América do Sul pela junção do Rio Beni com o Rio Mamoré, que correm em território boliviano e que vem das encostas dos Andes. O Mamoré encontra-se com o Rio Guaporé, que nasce no Planalto Central Brasileiro, formando o Rio Madeira, o qual percorrendo cerca de 400 km desce até a cota dos rios amazônicos. Nesta descida encontram-se grandes os A a Mamoré Fotos: Dana Merrill, do livro Ferrovia Madeira Mamoré Trilhos e Sonho a no Brasil obstáculos, saltos, corredeiras e cachoeiras, que impedem a navegação fluvial. Ao atingir Porto Velho, o rio torna-se novamente navegável, alcançando-se as cidades de Manaus e Belém, e mais adiante, o Oceano Atlântico. Na ocasião em que foi cogitada a estrada, a extração de látex dos seringais nativos estava no auge e a Região Amazônica vivia o enorme surto de riqueza propiciado pela borracha. A ferrovia projetada visava, então, fazer o transporte desta produção até onde pudesse ser embarcada. Os volumes então produzidos justificavam o empreendimento. A região era altamente insalubre, os regimes de chuvas torrenciais típicos e as inúmeras tribos de índios nem sempre amistosos aliavam-se para fazer da obra uma verdadeira epopéia. Com o Tratado de 1867 entre o Brasil e a Bolívia, iniciam-se os levantamentos. Várias foram as soluções técnicas propostas, havendo inclusive sugestão para implantação de planos inclinados nos quais as embarcações venceriam os desníveis sendo transportadas pelas margens em vagões correndo sobre trilhos. A partir do Tratado, a iniciativa ficou com a Bolívia que buscou um empreendedor americano, o Coronel George Church, quem fundou para a obra, a National Bolivian Navigation Company. Com a garantia do governo boliviano, foram captados os empréstimos iniciais e como a ferrovia seria inteiramente realizada em território brasileiro, esta companhia conseguiu do governo brasileiro em 1870 a concessão de 50 anos para a sua construção e operação exclusiva, agora com o nome de Madeira and Mamoré Railway. Este ato também concedia à empresa extensas áreas de terras ao longo da ferrovia para sua exploração, principalmente extração do látex. Por interferência dos banqueiros britânicos, foi então contratada para a obra a empresa inglesa Public Works e os trabalhos iniciaram-se em 1872. A distância de qualquer centro civilizado, a insalubridade da região, a falta de trabalhadores capacitados, as enormes dificuldades geológicas e topográficas do local e a inexeqüibilidade do projeto contratado levaram a Public Works a logo rescindir o contrato e iniciar um processo judicial Instituto de Engenharia U outubro 2007 U nº 36 Engenharia.indd Engen ngen 17 7 17 31/10/2007 31/10/2 0/2 0/ /20 0 17:34:37 Notícias da Engenharia para ressarcimento de imensos prejuízos. Esta rescisão causou pânico na Bolsa de Londres, com os títulos da Madeira Mamoré caindo drasticamente, o que afetou a Bolívia, garantidora dos financiamentos. Outras empresas foram contratadas e também não conseguiram realizar a obra, resultando em mais atrasos, prejuízos e novas demandas judiciais. Em 1874, o governo brasileiro assume o empreendimento e entra na obra, aportando recursos e garantindo mais empréstimos. Nestas alturas, em função da complexidade do projeto, do imbróglio judicial e internacional envolvendo a Bolívia, os banqueiros e os empreiteiros ingleses se retiram do empreendimento. A Madeira and Mamoré Railway passa a buscar capitais e empreiteiros nos Estados Unidos e contrata a P&T Collins. Com esta empresa, repete-se Trajeto das estrada de ferro 18 o problema. As doenças tropicais não poupam nenhum trabalhador. Estes se revoltam e desertam. O dinheiro não chega, e a empresa não recebe os pagamentos devidos. Os processos judiciais complicam-se na Inglaterra. A empresa construtora P&T Collins quebra, e com ela o empreendedor Coronel Church. A Bolívia entra em guerra com o Chile, e como resultado se vê privada de qualquer saída para o mar, agravando-se as tensões regionais. O Brasil, em sua ação diplomática busca atrair o interesse da Bolívia para a saída atlântica via Madeira Mamoré, e em 1882 ambos os países assinam novo Tratado de Comércio e Navegação pelo Amazonas. O reinício das obras causa desencontros e discussões técnicas que ficaram famosas. São os choques entre a Comissão Morsing e a Comissão Pinkas que divergiam asperamente quanto ao traçado e custos, e que acabaram envolvendo o próprio Imperador D. Pedro II e o Clube de Engenharia do Rio de Janeiro. Foram discussões públicas e apaixonadas e que ficaram famosas, prolongando-se por vários anos. Neste ínterim, a concessão vigente caducou e o Império caiu, surgindo no Brasil o regime republicano. Na passagem do século XX aconteceram os incidentes entre Brasil e Bolívia em torno do Acre e que viriam a ser resolvidos de forma diplomática pelo Tratado de Petrópolis, no qual o Brasil se obrigava a construir como compensação uma ferrovia que transpusesse os saltos e cachoeiras do Rio Madeira e criasse para a Bolívia a tão desejada saída para o mar. Especificava para a ferrovia o ponto de partida na cidade de Guajará Mirim às margens do Rio Mamoré até o porto de Santo Antônio no rio Madeira. O percurso teria cerca de 380 quilômetros. Foi, então, realizada concorrência pública para o empreendimento, que acabou sendo entregue à Brazil Railways e Port of Pará, através da subsidiária Madeira Mamoré Railway Company. Estas empresas eram de propriedade de Percival Farquhar, extraordinário empreendedor e do qual há pouco registro na história recente do Brasil. Nesta ocasião já controlava entre outros negócios o Porto do Pará, a Estrada de Ferro Sorocabana, a ligação ferroviária São Paulo - Rio Grande do Sul o Porto do Rio de Janeiro, o Porto do Rio Grande, a Light Rio, o sistema de bondes do Rio de Janeiro e de São Paulo e imensos interesses em criação de gado e frigoríficos, exploração e exportação de madeira. O porte de seus empreendimentos e sua capacidade de levantar recursos junto aos bancos europeus permitira a ele aceitar o desafio de construir a ferrovia e pretender com ela controlar a exploração e transporte da borracha da região. Com os recursos mobilizados junto à banca européia e arregimentando trabalhadores no mundo todo, os trabalhos se reiniciaram, sendo executados pela própria Madeira Mamoré Railway e gerenciados pela May, Jerkill & Randolph. A selva impiedosa continuava a cobrar seu tributo. Os trabalhado- Instituto de Engenharia U outubro 2007 U nº 38 Engenharia.indd 18 31/10/2007 17:34:38 Notícias da Engenharia res não sobreviviam a semanas ou meses de trabalho apesar dos esforços para combater as doenças tropicais. Pouco se sabia sobre estas moléstias. Um hospital foi implantado junto aos escritórios da obra, e vários médicos acompanhavam as frentes de trabalho, e até o eminente sanitarista brasileiro Oswaldo Cruz lá esteve tentando equacionar o problema. A malária, a febre amarela, o impaludismo, a beribéri e a disenteria fizeram sua parte. A empresa “importava” cerca de 3 mil a 4,5 mil trabalhadores por ano, e que agüentavam no máximo um ano de contrato. Muitos morreram antes, apesar de todos os esforços. Finalmente, em maio de1910, foi inaugurado o primeiro trecho e, em 1912, a ferrovia foi completada, justamente quando começa a chegar ao mercado a produção das seringueiras da Malásia, causando a derrocada do período de ouro da região amazônica. A ferrovia que tinha como finalidade principal escoar a produção dos seringais amazônicos ficou subitamente sem função. E seu empreendedor e concessionário, que detinha entre outros negócios a concessão para exploração de extensas áreas de terra às margens da ferrovia, viu-se às voltas com as tensões que Deslizamento de trilhos provocado por chuvas (1909-1910) desembocaram na Primeira Guerra Mundial e que lhe cortaram os acessos aos financiamentos europeus, acarretando a quebra do conjunto de empreendimentos no Brasil. Como a ferrovia foi contratada sem nenhum conhecimento do local, das condições sanitárias, e sem um traçado definitivo, os valores iniciais Ponte sobre o rio Jaci-Paraná (1909-1910) mostraram-se irreais e muito subestimados. Assim que ficou pronta a estrada e desaparecida a miragem da borracha, a concessionária submeteu os pleitos para recebimento dos ressarcimentos que achava a que tinha direito, iniciando assim uma discussão que atingiu todos os escalões e que perdurou por vários anos, tendo o governo atendido ao fim, apenas parte dos valores. A esta altura, com a crise da borracha atingindo seu auge e com a Primeira Guerra Mundial devastando a Europa, o seu grande empreendedor vai à falência, com os bancos internacionais assumindo a Madeira Mamoré Railway, que opera precariamente até 1934, quando o governo federal vê-se obrigado a assumir concessão após acordo com os credores. A esta altura já não restava para a estrada, a menor viabilidade econômica. Com a chegada das estradas de rodagem à região e a opção do país pelas rodovias a Estrada de Ferro Madeira Mamoré, que tantas vidas e recursos custou, é desativada em 1971, sendo a sucata de seu desmanche transportada por via rodoviária até uma siderúrgica no IE Estado de São Paulo. Victor Brecheret Filho Instituto de Engenharia U outubro 2007 U nº 36 Engenharia.indd 19 19 31/10/2007 17:34:40 Informe-se Cursos GEOSSINTÉTICOS – CONCEITOS, APLICAÇÕES, ALUGUEL IMOBILIÁRIO NOÇÕES DE DIMENSIONAMENTO E TÉCNICAS De 28 a 30 de novembro, das 18h30 às 22h30. Os instru- DE INSTALAÇÃO tores serão Luiz Auricchio, engenheiro civil, perito e dou- Dia 7 de novembro, das 8h às 18h. O objetivo será trans- tor pela Universidade de São Paulo; e Angelo Carbone, mitir informações e conhecimentos básicos sobre os geos- advogado especialista em Direito Imobiliário. Associa- sintéticos, preparando o participante para desenvolver ativi- dos – R$ 210. 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Não-associado-R$ 360. cas sobre manifestação de patologias em sistemas prediais hidráulico-sanitários e de gás combustível e suas causas, visando à prevenção de falhas e adoção de medi- Mais informações sobre os cursos com Roseli Coimbra pelo tel. (11) 5574-7766 – r. 214, pelo e-mail [email protected] ou acesse www.ie.org.br. das adequadas de reparos. O instrutor será o eng. Sérgio Gnípper. Associados – R$ 450. Não-associados – R$ 600. Palestras CONCRETO A NOVA CONFIGURAÇÃO GLOBAL FRENTE AOS PARADIGMAS SOCIOAMBIENTAIS: OPORTUNIDADES E DESAFIOS PARA O MERCADO DAS CONSTRUÇÕES SUSTENTÁVEIS Dia 7 de novembro, das 19h às 22h. Os palestrantes serão Marilena Lavorato, especialista em Gestão Ambiental, em Gestão Estratégica de Negócios, e Cristina Gailey, especialista em Educação Ambiental. O eng. Egydio Hervé Neto, com formação em Auditoria e Sistemas da Qualidade pelo Inmetro, especialista e consultor em Qualidade e Tecnologia do Concreto, ministrará dois cursos: CONTROLE TECNOLÓGICO DO CONCRETO Dia 22 de novembro, das 8h às 18h. A finalidade será mostrar o procedimento correto do manuseio do concreto, de acordo com as normas em vigor. Associados – R$ 180. Não-associados – R$ 240. DURABILIDADE DAS ESTRUTURAS DE CONCRETO Dia 13 de dezembro, das 8h às 18h. Serão apresentados os mecanismos causadores das patologias e os COMPLEXO VIÁRIO REAL PARQUE Dia 8 de novembro, às 20h30. O palestrante será o Catão Francisco Ribeiro, engenheiro civil formado pela USP, pós-graduado em Pontes também pela USP. Foram convidados para participar da palestra os engenheiros Leonardo Pedro Lorenzo, Heitor Afonso Nogueira Neto e Antranig Muradian e o arquiteto João Valente. conceitos de “como projetar” o material concreto para as modernas condições. Associados – R$ 180. Não-associados – R$ 240. 20 Cursos38.indd dd 20 Inscrições gratuitas pelo tel. (11) 5574-7766 - r. 220 ou pelo e-mail [email protected]. Instituto de Engenharia U outubro 2007 U nº 38 31/10/2007 31/10/200 0/2 0/ /200 12:48:39 Cultura C onhecido como pintor das bandeirinhas, Alfredo Volpi (1896-1988) coleciona fãs por suas formas simples e pela opção de destacar as cores em suas obras. Um dos admiradores do pintor é o engenheiro Ladi Biezus, membro do Conselho de Administração da Logos Engenharia - um grande amigo de Volpi. “A maior admiração é pela pessoa mais do que pelo trabalho. Volpi foi uma grande figura humana, uma grande pessoa.” Da pintura do artista, Biezus destaca quatro características. A primeira é a coerência de sua obra. “Todas as obras dele estão interligadas com uma certa lógica. Isso é o que me fascina. Está tudo entrelaçado como numa cadeia. O mais importante é que não era um ato voluntário, era uma dádiva do inconsciente dele.” A segunda qualidade é o do processo criativo, que vai do complexo para o simples. “Em uma paisagem com árvores, casas e pessoas. Num primeiro momento, ele elimina as pessoas, é uma simplificação. Num segundo momento, ele elimina as árvores, ficam só as casas, as ruas. Num terceiro momento, ele elimina a perspectiva e as ruas, ficam só as fachadas. Num quarto momento, ele pega só elementos, uma janela e uma porta.” Para o engenheiro, Volpi era o mais brasileiro de todo os pintores. “Embora ele tenha nascido na Itália, ele não renegou nada do caráter italiano dele. Ele era italiano. Entretanto, ele é o mais brasileiro dos pintores porque captava o colorido brasileiro. Cada terra tem o seu colorido, ele captou o colorido do Brasil, captou a luz do Brasil. Cada lugar tem uma luz diferente, e ele captou a luz do Brasil.” A quarta característica é a importância que ele dava as cores. “Volpi usava formas muito simples, exatamente para não haver uma competição com as cores. Para ele, a cor era mais im- portante do que o assunto.” Segundo Biezus, para um pintor, a cor é essencial, é parte central da pintura. “Volpi colocava uma cor na tela, olhava, esperava alguns dias. Depois ele olhava de novo e colocava mais uma cor. Ele ia colocando cor após cor como se fosse um tijolo em cima do outro.” No início de sua carreira, o artista usava tinta a óleo. Posteriormente começou a utilizar a têmpera com ovo – técnica anterior a pintura a óleo. O engenheiro lembra que a preparação era feita com um ovo inteiro, uma proporção de água, uma resina importada e um pouco de óleo de cravo como conservante. O pintor usava pigmentos coloridos e terra natural, que muitas vezes eram trazidas por seus amigos. Biezus recorda que várias vezes trouxe terra de outros lugares para que ele pudesse empregála em suas pinturas. Além das bandeirinhas, Volpi pintou paisagens, casarios, fachadas, elementos geométricos e náuticos, santos, reIE tratos e marinhas. FernadagtNom i Foto: Fernanda Nagatomi Alfredo Volpi por Ladi Biezus Ladi Biezus, grande admirador de Volpi Manejo e Gestão de Resíduos da Construção Civil Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental, do Ministério das Cidades Ministério do Meio Ambiente Caixa Econômica Federal C++ para Universitários Lincoln César Zamboni Sergio Vicente D. Pamboukian Edson A. R. Barros Editora Páginas e Letras – 2006 398 páginas R$ 84,50 Este encarte de dois volumes tem como objetivos difundir informações sobre o tema e conscientizar da grave problemática quanto à gestão integrada dos resíduos de construção e demolição (RCD) no país e do desafio colocado no equacionamento dos problemas ao poder público municipal, aos geradores, aos transportadores e à sociedade como um todo. Esta obra aborda as linguagens C e C++ com enfoque científico e destina-se aos estudantes dos cursos da área de ciências exatas. Os capítulos foram elaborados de forma didática e são ricos em exemplos e ilustrações explicativas, proporcionando ao leitor uma evolução progressiva no estudo das técnicas de programação. Instituto de Engenharia U outubro 2007 U nº 38 Cultura.indd 21 21 31/10/2007 31/10/ 0/2 /2 17:44:52 52 01 02 03 04 06 05 08 07 1 - Marcel Mendes, diretor da Escola de Engenharia Mackenzie e Camil Eid, vice-presidente do Institiuto de Engenharia (de costas). 2 - Josilene Ferrer, secretária executiva do Programa de Mudanças Climáticas do Estado de São Paulo (Cetesb) e Edemar de Souza Amorim, presidente do Instituto de Engenharia. 3 - Gylvan Meira Filho, consultor e membro do IPCC; Marco Antônio Fujihara Instituto Tutom; Edemar de Souza Amorim; Marcos Moliterno, diretor do Instituto de Engenharia. 22 dd 22 Instituto de Engenharia U outubro 2007 U nº 38 4 - Jonh Henry e Henry Jonh Roemro Sanson; Mirian e Antônio Calafiori Neto; Dona Lili e Alberto de Campos Borges; Paulo Alcides Andrade, Arthur Luiz e Denize Camargo Pitta, Edemar de Souza Amorim e Denise Paquale Amorim. Paulo Alcides Andrade, Gabriel Oliva Feitosa, Camil Eid, Archimedes de Barros Pimentel,Toninho Paiva, Alyr Dória, Socrate Mattoli, Oswaldo José Stecca, Olyntho Muniz Dantas, Claudia de Carvalho Alves e Getulio Hanashiro. 5 - Renata Franco de Paula Gonçalves Moreno, advogada especializada em Meio-Ambiente do escritório Emerenciano, Baggio e Associados Advogados e Bruno Maier, administrador de empresas e responsável pela área Comercial da Eco Security. 7 - Na Porta do Instituto de Engenharia: Socrate Mattoli, Abrahão Yazigi Neto, Paulo Alcides Andrade,Conrado de Carvalho Alves, Gabriel Oliva Feitosa, Olyntho Muniz Dantas, Archimedes de Barros Pimentel, Alyr Doria. 6 - No salão nobre (da esquerda para a direita): João Ernesto Figueiredo, Eduardo Serpa Albuquerque, 8 - Eleições de 1975 - Zico, Bernardino Pimentel Mendes; Jan Arpad Mihalic; Olavo Setúbal; José Carlos Figueiredo Ferraz e Maria Noronha. Fotos: Arquivo Instituto de Engenharia e Ricardo Reis Acontece Crônica Como deixei de fingir que gostava de futebol e redescobri as tardes de domingo A Foto: www.paradox.com história de todos – e de cada um – de nós, pode ser separada em ciclos de tempo bem definidos. Vivemos um ciclo infantil, quando olhávamos apenas o próprio umbigo, em um mundo quase sem maldade, quase sem malícia. Vivemos um ciclo juvenil, quando começamos a nos preocupar com os umbigos alheios, aprendemos a marcar diferenças. Éramos, então, um bando de carneiros: os mesmos gestos, gostos, gastos, desgostos. Tudo que nos denunciasse como rebanho era pretexto para a exclusão do bando. A uniformidade da colméia era o que pensávamos ser garantia de diferenciação. Vivemos hoje o ciclo do circo: ora palhaços, ora equilibristas, ora domadores, ora leões. Não o percebemos, mas a lona delimita sempre nosso limite de ação e nosso alcance de visão. E o futebol? Futebol foi o instrumento dos ritos de passagem entre os ciclos. Quando nosso umbigo nos era o limite do universo, brincávamos com tudo o que fosse de brincar. E, em minha cidade, não se brincava de jogar futebol. Ali, todas as ruas eram ladeiras: de leste para oeste, de sul para norte. E futebol não nos fazia falta: jogava-se béti, pulava-se carniça, jogava-se bilóca e se andava de bicicleta. O futebol veio com o tempo do umbigo dos outros. Trouxe a maldade e a malícia das diferenças entre cada um e entre todos os outros. Futebol, assim nos ensinavam, era um esporte masculino. Portanto, ou se jogava, e se era macho, ou não se jogava e não se era da colméia. O teste era definitivo. Exigia-se, em acordo tácito de nossos pais, que se ostentasse, de vez em quando, uma contusão, roupas enlameadas, algum empurra-empurrra e até bofetões. Parafraseando Huizinga, (“no jogo, aceita-se um trapaceiro, mas nunca um desmancha prazeres”) aceitavase quem jogasse mal, mas perdão não havia para quem recusasse a participar. Se, para se ser um dos zangões da colméia, era preciso jogar futebol, eu tinha problemas. Eu nunca tinha jogado e não sabia jogar. De tudo, o pior era o suplício da escolha: quem jogava bem, era disputado e virava “atacante”. Quem não jogava bem, mas era do tipo encorpado, chegado a distribuir, sem piedade, botinadas, empurrões e trombadas, era béque (zagueiro), tendo, por função única, impedir que a bola chegasse à grande área, não importando o que tivesse que ser feito aos atacantes. Sobrávamos, os que não sabiam jogar e não tinham nem a corpulência nem a brutalidade dos béques. Por isso fui sempre goleiro, a mais odiada posição do time. Se o time ganhasse, a glória era dos atacantes, se perdesse, a culpa era minha. A alternativa ao campo de futebol eram as quadras de vôlei: jogo sem contato físico, não era necessário encarar o branco do olho dos adversários, não era necessário chegar-se ao “chega pra lá” e não se maltratava a bola – tratada com uma delicadeza quase sensual. Era considerado e carimbado como jogo de “frescos”. Era preferível não fazer esporte a se ter de optar pelo vôlei. Fui um entediado e descontente goleiro até que se deu o caso do Bronze, o melhor atacante do colégio. A ele ninguém segurava nos ataques, ninguém lhe vazava as defesas; era uma barreira sólida, um tanque, qualquer que fosse a direção de suas jogadas. Daí, o apelido de Bronze, o identificavam a uma muralha metálica. Foi um escândalo quando se soube que o Bronze era “fresco”. A notícia correu em água morro abaixo, em fogo morro acima. Foi o que bastou: ali, naquele colégio, o futebol desmoronou como padrão de macheza, houve até machões de carteirinha a elogiar, nas quadras de voley, as violentas cortadas do Mirim. Alvíssaras! Em meio aos comentários maldosos sobre o Bronze, eu já me permitia insinuar “quem será o próximo?”. Pude então dispensar, sem constrangimentos, os intermináveis e insuportáveis noventa minutos de agônico plantão no retângulo das traves. Nunca mais joguei futebol, ainda que, durante algum tempo fingisse algum interesse pelo jogo, sempre repetindo, por vingança íntima, que “futebol não tem lógica”. Não sei o que foi feito do Bronze, nem o seu nome verdadeiro me ficou na memória. Devo-lhe um reconhecido agradecimento – que, por precaução, nunca lho externei – o ter desmoralizado a imagem masculina do futebol e me ter devolvido as tardes ensolaradas IE dos domingos goianos. Reginaldo Assis edaPiva Instituto de Engenharia U outubro 2007 U nº 38 Cronica38.indd dd 23 23 31/10/2007 10:57:03 10:57: :57:03 03 Anuncio.indd 24 31/10/2007 10:57:29