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O risco do Paraná e os riscos do anacronismo.
Paulo Cesar Braga PACHECO*
*Arquiteto pelo Curso de Arquitetura e Urbanismo da UFPR, 1981/ Mestre (PROPAR/ FA UFRGS,
2004), filação: Moacyr Pacheco Júnior e Carmen Braga Pacheco
Rua Atílio Bório nº 721, Casa 03, Alto da XV, Curitiba, PR.
[email protected]
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Resumo
A arquitetura moderna realizada por um grupo de arquitetos de Curitiba, ao longo das décadas de 1960 a
1980, por uma série de razões, não teve o devido reconhecimento de sua importância na formação das
bases do movimento brutalista no Brasil. Mesmo mais de quatro décadas após suas primeiras obras
exemplares esse grupo continua taxado como uma versão posterior e acrítica de seus pares paulistas. Este
texto pretende demonstrar a arbitrariedade e o anacronismo dessa versão oficial da história da arquitetura
moderna brasileira.
Palavras-Chave: Arquitetura Moderna pós- Brasília; Grupo do Paraná; Escola Paulista; Arquitetura
Brutalista Paulista.
Abstract
Modern architecture by a group from Curitiba, over the decades from 1960 to 1980, for different reasons,
not received due recognition of its importance in forming the foundations of the Brutalist movement in
Brazil. Even more than four decades after its first exemplary works that group still rated as a later version
and uncritical of that architecture in São Paulo. This paper aims to demonstrate the arbitrariness and the
anachronism of this official version of the history of Brazilian modern architecture.
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1. O Grupo do Paraná e seu deslocamento histórico1
Importantes aspectos da arquitetura moderna ocorridos após a fundação de Brasília
foram, por muito tempo, relegados a uma espécie de limbo crítico, ou ainda, ao simples
esquecimento. Há quem justifique esse desinteresse2, surgido em meados da década de
1980, como decorrência de uma natural saturação em relação a essa arquitetura, que
teve por última trincheira o Brutalismo Paulista3.
Esta lacuna histórica, porém, vem sendo rapidamente revertida, uma vez que o período
que engloba as décadas de 1960 e 1970 tem recebido especial atenção dos estudiosos
nos últimos anos.
Embora pertença a um passado não tão longínquo e mesmo após as recentes pesquisas
realizadas, este período da arquitetura brasileira ainda mantém aspectos obscuros e
misteriosos.
Parte disso se verifica em função de antigas hipóteses terem sido aceitas como versões
definitivas dos fatos, sem as devidas confirmações. Acabam assim por gerar verdades
não questionadas e mitos assumidos.
Algo nesse sentido está acontecendo à arquitetura moderna paranaense ocorrida naquele
período, produção intimamente ligada à arquitetura da Escola Paulista, esta última já
cristalizada como um dos principais capítulos da arquitetura brasileira.
Também reconhecida como arquitetura do Grupo do Paraná, foi classificada pela crítica
vigente como produção tributária da Escola Paulista, ou seja: derivada dessa.
Em contraposição à ampla literatura existente sobre o assunto, este texto defende
persistir aí, mesmo após quatro décadas desde o surgimento das primeiras obras, um
grave anacronismo: a produção do Grupo do Paraná tem sua origem simultânea à dos
paulistanos e, portanto, não pode ser classificado como seu descendente, como vem
sendo postulado, mas como irmãos.
Pode-se afirmar ainda que, embora a arquitetura desses dois grupos tenha sido gerada
sobre premissas semelhantes, condição que lhes confere grande proximidade e
1
Este artigo nasce como decorrência das pesquisas elaboradas por esse autor em sua Tese de Doutorado
junto ao PROPAR/ Faculdade de Arquitetura da UFGS (trabalho que deve passar por banca final em
março de 2011): A Arquitetura do Grupo do Paraná 1957-1980.
2
A chegada do pós-modernismo no Brasil, no início da década de 1980, coincide com a crise
internacional do petróleo e, portanto, com uma das mais graves crises econômicas sofridas pelo país. No
início dessa década também se observa o retorno do país ao regime democrático. O pós-modernismo
como corrente internacional, entretanto, iniciara-se na Europa ainda em meados da década de 1960 e,
tinha por base rever os princípios e dogmas da arquitetura moderna. A corrente brutalista e o urbanismo
da Carta de Atenas foram suas principais vítimas.
3
FUÃO, Fernado Freitas. “Brutalismo, a última trincheira do movimento moderno”. In: portal Vitruvius,
arquitextos 007, texto especial 036-dezembro de 2000.
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familiaridade, há também independência. Isso pode ser especialmente verificado nas
distintas soluções encontradas por ambos para os mesmos problemas, especialmente no
que se refere aos programas para edifícios de escritórios sob entidades únicas e para os
pavilhões.
2. O arco cronológico vigente e o espaço destinado aos paranaenses.
De acordo com Ruth Verde Zein, a Arquitetura Paulista Brutalista nasce em torno de
um pequeno grupo de arquitetos ligados às faculdades de arquitetura FAU USP e
Mackenzie, a partir da segunda metade da década de 1950 (Fase de Emergência),
cristalizando-se ainda na primeira metade da década de 1960 (Fase de Consolidação).
Dissemina-se para outras partes do país em finais da segunda metade da década de
1960, momento em que também se confirma sua condição de “Escola” (Fase de
Difusão). A expansão da influência desta nova escola brasileira seria especialmente
percebida a partir do início dos anos 1970, década em que se verificam altas taxas de
crescimento econômico no País, denominada por “Milagre Brasileiro” (Fase de
Exacerbação). A popularização desenfreada, porém, resultaria numa arquitetura bastante
distante dos rigores buscados pelos arquitetos ligados ao surgimento da Escola Paulista,
conduzindo-a, desde meados dos anos 1970, a um inequívoco processo de decadência
(Fase de Esgotamento).
Nessa cronologia a arquitetura paranaense comparece em finais da “Fase de Difusão” e
expansão do Brutalismo Paulista, ocorrida em torno da virada da década de 1960. Nesse
período se verifica a premiação do projeto de Paulo Mendes da Rocha e equipe para o
Pavilhão do Brasil na Feira Internacional de Osaka 4 , no Japão (1969)5 , escolha que
chancelaria essa arquitetura como hegemônica no país, condição antes consagrada à
arquitetura da escola carioca:
(...) Ao mesmo tempo, inicia-se a franca expansão da influência do brutalismo paulista no
panorama nacional brasileiro, podendo-se detectar como signo desse espraiamento, em fins
daquela década, ao menos alguns indicadores: tais como, por exemplo, as primeiras realizações do
grupo de arquitetos curitibanos também brutalistas (talvez por serem na maioria paulistas
imigrados, mas já desenvolvendo algumas características próprias que os diferenciam do grupo
paulista)6.
Portanto, segundo essa cronologia, que, de forma geral oficializa o pensamento de toda
uma época, a produção de cunho brutalista ocorrida em Curitiba surgiria a partir do final
da década de 1960.
4
Zein, Ruth Verde. A Arquitetura da Escola Paulista Brutalista: 1953-1973. P.152.
A equipe curitibana constituída por Alfred Willer, José Sanchotene e Oscar Mueller obteria nesse
mesmo concurso o 3º prêmio.
6
Zein, Ruth Verde. A Arquitetura da Escola Paulista Brutalista: 1953-1973. P.179.
5
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As primeiras ações, no entanto, não surgem no final da década de 1960, mas em seu
início7. Outro aspecto discutível está na afirmação, que traduz o senso comum sobre o
tema, de que este grupo se fazia por maioria de imigrados paulistas. Embora não se
negue aqui a fundamental importância dos quatro arquitetos vindos de São Paulo8 ao
longo da década de 1960, que constituiriam parte do núcleo duro daquela produção
arquitetônica, não se pode menosprezar a atuação de personagens vindos de outros
centros do Brasil e, especialmente, dos jovens arquitetos da casa, oriundos das primeiras
turmas graduadas no CAU UFPR9. De modo evidente, estes oxigenarão as proposições
iniciais trazidas pelos mestres imigrados. Zein, no entanto, acerta ao afirmar que desde
o final da década de 1960 já se percebiam características próprias entre paulistas e
paranaenses.
3. O Grupo do Paraná
Entende-se por Grupo do Paraná o pequeno número de arquitetos que se organizou em
torno do recém criado Curso de Arquitetura e Urbanismo da UFPR, o primeiro da
cidade, fundado em 1962 como um braço das engenharias politécnicas. Para fazê-lo
funcionar, a cidade até então desprovida de arquitetos foi obrigada a importar
professores de centros mais desenvolvidos como: Belo Horizonte10, Rio de Janeiro11,
São Paulo 12 e Porto Alegre 13 . Juntamente com os profissionais locais acabariam por
7
Verifica-se ainda que a formação profissional de parte importante desses arquitetos ocorre desde meados
da década de 1950, em parceria com arquitetos que conformariam o núcleo do Brutalismo Paulista. A
primeira obra sob nítidas características brutalistas em Curitiba ocorre em 1962. Trata-se da sede do Santa
Mônica Clube de Campo, projetado por Luiz Forte Netto, José Maria Gandolfi e Francisco Moreira.
Infelizmente apenas parte do complkexo de edifícios seria executado.
8
Luiz Forte Netto, José Maria Gandolfi, Roberto Luiz Gandolfi e Joel Ramalho Júnior
9
Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Paraná.
10
José Marcos Loureiro Prado (1931-2010), juntamente com Armando de Oliveira Strambi (1937-), vêm
de Belo Horizonte no início da década de 1960 para ajudarem a organizar o novo Curso de Arquitetura e
Urbanismo da UFPR, permanecendo nesta escola como professores. Haviam se formado arquitetos pela
Escola de Arquitetura da UFMG. Ambos formarão equipes de projeto juntamente aos arquitetos locais,
ex-alunos das primeiras turmas daquela escola. Marcos Prado realizará alguns importantes projetos
juntamente com Jaime Lerner e Domingos Bongestabs.
11
Do Rio de Janeiro viria o casal de arquitetos Amir Fernandes (1934-) e Marlene Fernandes (1935-),
formados pela Faculdade Nacional de Arquitetura da Universidade do Brasil. Ambos chegam a Curitiba
em 1963, ficando responsáveis pela disciplina Teoria de Arquitetura. Cyro Illídio Corrêa de Oliveira Lyra
(1938-), graduado em 1962 pela mesma universidade carioca, chega a Curitiba um ano depois para
assumir a disciplina Arquitetura no Brasil. Também do Rio de Janeiro viria José Genuíno de Oliveira
(1931-), formado pela ENBA em meados dos anos 1950. Genuíno ministraria a disciplina de Desenho
Arquitetônico.
12
Dos quatro arquitetos vindos de São Paulo, três deles atuariam como professores daquele curso: Luiz
Forte Netto, o primeiro a chegar ainda em 1961, Roberto Luiz Gandolfi, a partir de meados da década de
1960 e Joel Ramalho Jr., que inicia suas atividades junto ao CAU UFPR, em 1970. Todos ministrariam
disciplinas ligadas à prática do projeto de arquitetura. Forte Netto, por diversas vezes, atuaria também
como diretor e coordenador.
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constituir uma escola de arquitetura poliédrica e bastante afastada dos ranços
academicistas, já que nasce inteiramente adaptada ao novo currículo que tinha por base
adequar-se aos ensinamentos da arquitetura moderna14.
Da química surgida entre os poucos profissionais imigrados e os primeiros grupos de
recém formados estabelece-se um profícuo campo de ações que reverberaria não apenas
no ensino, mas especialmente na área de projeto de edifícios15. A cidade de Curitiba
que, então passava por um período de forte crescimento econômico e populacional, em
curto espaço de tempo se transformaria em canteiro de obras modernas segundo uma
expressão ainda desconhecida dos moradores16.
A face mais visível desse intenso envolvimento, porém, ficaria por conta das conquistas
em concursos nacionais de arquitetura17, ao longo das décadas de 1960 a 198018. Foram
13
De Porto Alegre veio o arquiteto Leo Grossman (1932-1989), formado na Faculdade de Arquitetura da
UFRGS. Grossman recém havia concluído sua pós-graduação no Illinois Institute of Tecnology (IIT), em
Chicago, onde obtivera aulas diretamente com Mies van der Rohe. Bastante experiente, o arquiteto
realizara importantes obras em Porto Alegre, entre estas o Edifício Gustavo Ioshpe (1955).
14
O Curso de Arquitetura da UFPR toma por base a estrutura curricular elaborada por Vilanova Artigas
para a FAU USP, desde finais da década de 1950. “Em 1962, a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da
Universidade de São Paulo e a Faculdade de Arquitetura da Universidade do Rio Grande do Sul
implantavam seus novos currículos, produtos desses anos de discussões. As propostas foram capitaneadas
pelos mais importantes líderes regionais: no Sul, por Demétrio Ribeiro e Edgar Graef (que, todavia, nesse
ano já estaria engajado na organização do curso de arquitetura da Universidade de Brasília); em São
Paulo Vilanova Artigas. Há de se constatar que essas duas faculdades- fermentando desde os anos 1950tiveram fundamental relevância nos anos 1960-1970: a de Porto Alegre, pela formação de profissionais
que se engajaram no ensino, na teorização, e se deslocaram pelo país nessa peregrinação; a de São Paulo,
também de formação de teóricos mas, sobretudo, pelo desenvolvimento da prática de uma arquitetura
com características peculiares, ao ponto de ser qualificada como ‘escola’.” Citado por SEGAWA, Hugo.
In: Arquiteturas do Brasil, 1900-1990. P.146.
15
Note-se que a primeira turma do curso, então denominada de Turma Especial, constituiu-se de
profissionais já graduados em busca de refazer suas carreiras, uma vez que engenharia civil era a única
faculdade que se dispunha na cidade até então, na área de projetos. Alguns destes, “arquitetos
autodidatas” já apresentavam grande experiência.
16
Lembre-se que até então não existiam arquitetos atuantes na cidade e a profissão era basicamente
exercida por engenheiros locais, ou por esporádicas encomendas a renomados arquitetos do Rio de
Janeiro ou São Paulo.
17
PACHECO, Paulo Cesar B. O Risco do Paraná e os Concursos Nacionais de arquitetura: 1962-1981.
18
. Entre os mais de 30 primeiros prêmios destacam-se: o Monumento à Fundação de Goiânia (1964); o
Hotel de Turismo em Juazeiro, na Bahia (1969) e a sede do BNDE de Brasília (1973). No Estado de São
Paulo venceriam os concursos para: o Teatro Municipal de Campinas (1966); a sede do SBPC (1978); a
sede da Terrafoto (1979); o Paço Municipal e Centro Cívico de Votorantim (1987) e a sede do SENAR,
em Ribeirão Preto (1996). Resultariam em obra construída os seguintes projetos originados de concurso:
o Santa Mônica Clube de Campo, em Quatro Barras (1962); a sede do Departamento Federal de
Segurança Pública, em Brasília (1967); a sede do IPE, em Curitiba (1967); a sede da Petrobrás do Rio de
Janeiro (1968); o Banco do Brasil de Caxias do Sul (1970); o Estádio de Futebol do Pinheirão, em
Curitiba (1970); a sede do BNDES do Rio de Janeiro (1974); o Anexo da Assembléia Legislativa do
Estado do Paraná, também em Curitiba (1976); e o Centro de Convenções de Pernambuco (1978),
edificado em ampla área situada entre Olinda e Recife. Em concursos internacionais obteriam uma
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cerca de uma centena de premiações que acabariam por resultar em importantes obras
pelo Brasil19.
A conclusão das torres das sedes da Petrobrás (1968) e do BNDES (1974), na primeira
metade da década de 1970, ambas resultadas de concursos nacionais, cristalizaria a
mística do “Grupo do Paraná”, denominação utilizada pela crítica especializada para
descrever aquela insistente e variada produção e as formas de reunião apresentadas
pelos seus autores20.
Deve-se aqui destacar a agressiva participação dos quatro imigrados de São Paulo, no
transcorrer dos anos 1960, portadores de uma considerável experiência prática,
conceitos éticos e uma rigorosa forma de entender a arquitetura brasileira: Luiz Forte
Netto (1935-); José Maria Gandolfi (1933-); Roberto Luiz Gandolfi (1936-) e Joel
Ramalho Júnior (1934-). 21 Pode-se inferir que as sementes da nova arquitetura
brutalista, então em franco processo de gestação na cidade de São Paulo, também
faziam parte dessa bagagem.
No entanto, a idéia de grupo e de transferência de conhecimento específico para as
novas gerações não ficariam completas sem a presença dos jovens arquitetos locais
graduados nas primeiras turmas do CAU UFPR, entre estes: Alfred Willer (1931-),
Lubomir Ficinski Dunin (1929-), Jaime Lerner (1937-), Domingos Bongestabs (1941-),
importante participação na concorrência para a sede da Peugeot, em Buenos Aires (1962) e um 2º lugar
no Complexo Turístico de San Sebastián, na Espanha (1965), promovido pelo grupo empresarial Euro
Kursaal.
19
Outro aspecto da produção daqueles arquitetos pode ser observado na área de planejamento urbano,
com destaque para o desenvolvimento e implantação do Plano Diretor de Curitiba, surgido de um
concurso nacional ocorrido em 1964/1965. A originalidade das soluções e a rápida implantação do plano
ao longo da década de 1970 chamariam atenção de renomados urbanistas internacionais.
20
Como não poderia deixar de ser, este fenômeno vindo de uma cidade sem qualquer tradição no ensino
da arquitetura e não pertencente aos grandes centros urbanos do Brasil causaria certa estranheza perante o
meio profissional e renderia aos arquitetos de Curitiba alcunhas pejorativas como “concurseiros” e “papa
concursos”. Houve mesmo quem aventasse a existência de fórmulas mágicas para ganhar concursos ou,
ainda, uma possível aliança entre aqueles arquitetos e o governo militar. Este cenário todo contribuiria
apenas para tumultuar ainda mais aqueles acontecimentos, afastando-os irremediavelmente das
verdadeiras razões de suas origens e motivos.
21
Todos haviam se formado na Faculdade de Arquitetura da Universidade Presbiteriana Mackenzie, ainda
em finais da década de 1950. Além de terem por professores nomes como: Cristiano Stocler das Neves,
Franz Heep e Roberto Zucolo, conviveram de perto com uma das mais talentosas gerações de arquitetos
brasileiros, entre estes: Jorge Wilheim, Fábio Penteado, Paulo Mendes da Rocha, Carlos Millan e Pedro
Paulo de Mello Saraiva. Desde os últimos anos da escola participavam de concursos de arquitetura em
colaboração com equipes chefiadas por Mello Saraiva, Penteado e Kneese de Mello. Com os dois últimos
chegariam a constituir sociedades importantes, como a realizada entre Eduardo Kneese de Mello e Joel
Ramalho Júnior, com escritório situado junto à sede do IAB SP, edifício onde se encontravam os
escritórios de Vilanova Artigas e Paulo Mendes da Rocha. Foram também freqüentes as reuniões
ocorridas sob acaloradas discussões entre participantes como Rino Levi e Artigas.
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Vicente de Castro (1943-), Abrão Assad (1940-), José Sanchotene (1943-) e Leonardo
Oba (1949-).
4. As características da arquitetura do Grupo do Paraná
A arquitetura do Grupo do Paraná gerou edifícios destinados aos mais variados
programas solucionados por evidentes estruturas em concreto aparente, resolvidos
segundo formas cúbicas, compactas, pesadas e pouco transparentes22.
Havia, em essência, uma postura ética ao definir os sistemas estruturais e os materiais
de construção. Em outras palavras, a estrutura deveria revelar a honestidade 23 da
solução empregada, e os materiais de construção, por sua vez, deveriam transparecer a
verdade de sua natureza, sem disfarces ou recobrimentos, permanecendo crus, como por
exemplo: o concreto aparente e os tijolos a vista24.
No entanto, a busca por estratégias que resultem em ampla flexibilidade ao programa,
seja no que se refere: aos usos internos; à possibilidade de construção em partes; ou a
ampliações futuras, é o que mais diferencia essa arquitetura25.
Em contraposição aos paulistas, que preferem soluções em monobloco, os paranaenses
lançam mão, com frequência, de esquemas sistêmicos gerados por malhas regulares
expansíveis. A solução final do edifício, portanto, nasce como um falso monobloco, ou,
ainda, como uma somatória de fragmentos regulares organizados por malhas estruturais
22
Os sistemas estruturais eram aplicados no sentido de buscar ampla flexibilidade funcional interna, por
meio de soluções que reduzissem ou evitassem a necessidade de apoios intermediários. As plantas, por
sua vez, apresentavam organizações simples e limpas, lançadas sobre eixos modulares ou tramas
reguladoras. Os cortes, por outro lado, mostravam-se complexos não apenas na forma do edifício adaptarse ao terreno, mas também no modo de proporcionar espaços internos, incluindo com freqüência
desníveis e amplos vazios verticais. Preferencialmente planas e desenhadas de modo a gerar amplos
balanços, as coberturas também poderiam assumir expressivas formas sob lajes plissadas ou de finas
casas de concreto. A técnica construtiva era apurada e complexa e, nesse sentido, aproximava essa
arquitetura das noções estratégicas da engenharia, incluindo construção em série e possibilidades de préfabricação.
23
A noção de honestidade, aplicada às estruturas, sejam estas em concreto aparente, aço ou madeira,
ocorria mediante a exposição de elementos como vigas, lajes, pilares, treliças e pórticos, externamente ao
corpo do edifício, como exoesqueletos. A estrutura do edifício, portanto, frequentemente conformava uma
moldura tectônica em torno do espaço interno livre.
24
Ainda no que se refere a essa noção de ética na arquitetura, percebe-se que certas partes funcionais do
edifício, como circulações verticais, passarelas, escadas ou blocos de serviços de apoio, também eram
expostos, como se a ensinar ao usuário por onde e de que modo o programa foi resolvido. Elementos
construtivos secundários como gárgulas, receptáculos, parapeitos, caixas d’água e escadas de apoio,
geralmente confeccionados em concreto aparente, também eram mantidos expostos.
25
Os edifícios em monoblocos sob prismas regulares, horizontais ou verticais, tipologia amplamente
adotada pela Escola Paulista, aceita bem apenas a flexibilidade de seus espaços internos. No entanto,
devido à rigidez formal, qualquer anexo ou subtração de partes colocaria a perder o rigor de suas
proporções.
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costuradas por linhas de circulação. Nos dois casos, sob perímetro contido ou sob a
forma aberta, a presença dos espaços vazios é tão importante quanto a dos espaços
cheios. Note-se que os paranaenses adotaram essas estratégias tanto para torres como
para pavilhões26.
5. A evolução do Grupo do Paraná e a subdivisão em fases
A arquitetura do Grupo do Paraná descreve um clássico arco evolutivo semelhante ao
verificado na Arquitetura Brutalista Paulista: surgimento no início dos anos 1960, auge
no início dos anos 1970 e esgotamento nos anos 1980. Uma análise mais profunda
revela nesse ciclo quatro fases distintas: Fase de Preparação (1957 a 1961); Fase de
Emergência (1962-1967); Fase de Cristalização (1968 a 1972)27 e Fase de Dispersão
(1973 a 1980)28. Para os objetivos desse trabalho interessam as obras das duas primeiras
fases, em especial as da Fase de Emergência, a primeira a ocorrer diretamente na cidade
de Curitiba.
A Fase de Preparação abriga o período em que os precursores daquele movimento ainda
residiam em suas cidades de origem e, portanto concluem seus estudos e iniciam suas
carreiras profissionais29.
26
Assim, os edifícios: sede da Peugeot (195), em Buenos Aires; da Biblioteca Central da Bahia (1968),
em Salvador; sede da Petrobras (1968), no Rio de Janeiro, sede do BNDE (1973), em Brasília e da
Habitação Popular do Brás (1989), em São Paulo, exemplificam o primeiro grupo de soluções, enquanto
os pavilhões: Centro de Convenções e Exposições de Pernambuco (1977), em Recife, sede da Terrafoto
(1979), em Embú/SP; sede do SESC (1985), de Nova Iguaçú; do Centro Cívico e Paço Municipal de
Votorantim (1987), de Votorantim, representam o segundo grupo.
27
Fase de Cristalização (1968-1972): período de muitas vitórias em concursos e de expressivas
construções sob os mais distintos programas, em Curitiba. Inicia-se, portanto, com o 1º prêmio na 2ª fase
do concurso Petrobrás. Percebe-se aqui, em pé de igualdade aos mestres imigrados, uma expressiva
participação dos jovens arquitetos já graduados no CAU UFPR.
28
Fase de Dispersão (1973-1980): o aumento no número de obras e de escritórios de projeto na cidade
resulta numa maior pulverização das soluções e linguagens aplicadas. Verifica-se ainda não só o
desmanche da sociedade Forte & Gandolfi, mas também o fim das associações entre os quatro paulistas
para participar de concursos de arquitetura, como haviam feito desde os tempos do Mackenzie. O
concurso para a sede do BNDE DF (1973) ilustra essa cisão. Cristaliza-se a importância de nomes como
José Sanchotene e Leonardo Oba.
29
Entre os projetos e obras ocorridos nessa fase, destacam-se:
a)
Concurso Nacional para o Plano Piloto de Brasília (1957), Rio de Janeiro, autores: Pedro Paulo
de Mello Saraiva e Júlio Neves; colaboradores: José Maria Gandolfi; Luiz Forte Netto; Maurício Tuck
Schneider e Arthur de Moraes Cesar.
b)
2º prêmio no concurso para o Ginásio do Clube Atlético Paulistano (1958), São Paulo; autores:
Pedro Paulo de Mello Saraiva e Júlio Neves; colaboradores: José Maria Gandolfi; Luiz Forte Netto.
c)
1º prêmio concurso Sociedade Harmonia de Tênis (1959), São Paulo: Fábio Penteado, José
Maria Gandolfi e Luiz Forte Netto.
d)
Projeto Centro Comercial Praia de Belas (1960), Porto Alegre: Leo Grossman.
e)
Conjunto Residencial Cidade Universitária da USP, CRUSP (1961): Eduardo Kneese de Mello,
Joel Ramalho Júnior e Sidney de Oliveira.
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A Fase de Emergência inicia-se não apenas com a criação do CAU UFPR (1962), mas
também com o 1º prêmio conquistado por Forte e Gandolfi no concurso para a sede do
Santa Mônica Clube de Campo (1962)30 que, embora parcialmente construído, detém a
primeira concepção sob a arquitetura brutalista da cidade31.
A Casa José de Freitas Neto (1962)32, dos mesmos autores, inaugura uma nova proposta
de moradia para a família classe média curitibana33.
Seria, porém, com as casas: Mário Petrelli (1964)34; Ayrton Araújo (1965)35; Guido
Weber (1965) 36 e Jacks Zitronemblatt (1965) 37 , que muitas das premissas daquela
arquitetura se cristalizariam de forma mais evidente.
Em 1965 o grupo constituído por Forte Netto, irmãos Gandolfi, Jaime Lerner e Lubomir
Ficinski Dunin conquistaria o 2º prêmio no concurso internacional para o Complexo
Turístico Euro Kursaal, na cidade de San Sebastián, na Espanha, sendo posteriormente
contratados para desenvolver uma segunda proposta para o mesmo programa 38 . O
Condomínio Mateus Leme (1964) 39 ; a Casa Virgil Trifan (1966) 40 e o Conjunto
Residencial Silva Jardim (1967) 41 , de Jaime Lerner, Rafael Dely e Domingos
f)
2º prêmio concurso Assembléia Legislativa de São Paulo (1961), São Paulo: Eduardo Kneese de
Mello, Joel Ramalho Jr., Francisco Petracco, José Maria Gandolfi e Luiz Forte Netto.
g)
Edifício Renato da Fonseca (1961), São Paulo: Eduardo Kneese de Mello e Joel Ramalho Jr.
30
Concurso fechado para a sede do Santa Mônica Clube de Campo (1962), Quatro Barras: 1º prêmio:
Luiz Forte Netto, José Maria Gandolfi e Francisco Moreira.
31
Trata-se de um pavilhão bastante alongado estruturado por pórticos planos e paralelos em concreto
aparente. A proposta se resolve mediante um recinto elevado destinado a atividades mais privativas e
protegidas, condição que permite um piso térreo bastante livre e transparente.
32
A primeira casa projetada por Luiz Forte Netto, José Maria Gandolfi e Francisco Moreira foi para o
engenheiro calculista José de Freitas Neto, um dos sócios diretores da TESC, empresa que calcularia a
maioria das estruturas dos projetos do escritório Forte & Gandolfi, nas décadas seguintes.
33
Também surge de solução estrutural sob pórticos planos e paralelos rigidamente modulados que se
prolongam além do limite da cobertura, de modo a encampar jardim lateral e proporcionar, por meio de
pérgulas, um micro-clima mais adequado. Nesta casa, que faz certa referência a Casa Baeta (1956), de
Artigas e Cascaldi, grande parte dos materiais aplicados comparece sem revestimentos, como as lajes
mistas e os muros de pedra.
34
Casa Mário Petrelli (1964), Curitiba: Luiz Forte Netto, José Maria Gandolfi, Francisco Moreira e
Roberto Luiz Gandolfi, que recém havia chegado à Curitiba.
35
Casa Ayrton Araújo (1965), Curitiba: Luiz Forte Netto, José Maria Gandolfi e Roberto Luiz Gandolfi.
36
No mesmo ano de 1965, Luiz Forte Netto e José Maria Gandolfi projetaram duas casas para Guido
Weber, sendo uma delas construída em Curitiba e outra no balneário Caiobá, no litoral paranaense.
37
Casa Jacks Zitronemblatt (1965), Curitiba: Luiz Forte Netto, José Maria Gandolfi e Roberto Luiz
Gandolfi.
38
Do projeto inicial, que se apresenta segundo a solução “torre e embasamento”, destaca-se o corpo baixo
de edifício, estruturado por pórticos bi-apoiados, em concreto aparente, elaborados de modo a conformar
amplos balanços laterais que recobrem as áreas comerciais existentes nas ruas de acesso.
39
Condomínio Mateus Leme (1964), Curitiba: Jaime Lerner e Rafael Deli.
40
Casa Virgil Trifan (1966), Curitiba: Jaime Lerner e Domingos Bongestabs.
41
Conjunto Residencial Silva Jardim (1967), Curitiba: Jaime Lerner e Domingos Bongestabs.
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Bongestabs, vêm confirmar a importância da nova geração de arquitetos curitibanos, já
graduados pelo CAU UFPR.
A sede social do Clube Curitibano (1966)42, composta por um grande edifício em tronco
de cone recoberto por uma fina laje plissada em concreto aparente e o elíptico ginásio
de esportes do Círculo Militar (1966)43, conformado por uma plataforma elevada em
concreto aparente recoberta por uma esbelta treliça espacial metálica, confirmam a
potência daquela arquitetura.
O edifício sede da Telepar (1966), de Lubomir Ficinski Dunin, que também faz coautoria com Roberto Gandolfi no 1º prêmio conquistado no concurso nacional para o
Teatro Municipal de Campinas (1966), reafirma que aquele grupo não se constituía
apenas por paulistas imigrados.
Essa fase finaliza com a equipe curitibana entre as cinco classificadas para a 2º parte do
concurso da sede da Petrobrás, no Rio de Janeiro, em 1967, projeto que traria novas
dimensões àqueles acontecimentos.
Assim como em São Paulo, as residências para a classe média e as sedes de clubes
sociais também seriam utilizados como um laboratório de pesquisas. Para os
curitibanos, no entanto, as maiores experiências viriam dos concursos de arquitetura que
agiriam como verdadeiro campo aberto de soluções.
José Sanchotene, que desde seus tempos de estudante do CAU UFPR trabalhara no
escritório Forte & Gandolfi, passa a se destacar, juntamente com as equipes que
organiza, na Fase de Cristalização (1968-1972)44.
Leonardo Oba, que trabalhara no escritório de Sanchotene, passa a se destacar a partir
do concurso para a sede do BNDE DF, em 1973, ou seja, na Fase de Dispersão (19731980)45.
42
Sede Social do Clube Curitibano (1966), Curitiba: Luiz Forte Netto, José Maria Gandolfi, Roberto Luiz
Gandolfi e Vicente de Castro.
43
Ginásio Esportivo do Círculo Militar (1966), Curitiba: Luiz Forte Netto, José Maria Gandolfi, Roberto
Luiz Gandolfi e Vicente de Castro.
44
Em 1967 José Hermeto Palma Sanchotene inicia sociedade com Roberto Luiz Gandolfi, que se
prolonga até finais de 1968. Neste período se classificam entre os cinco finalistas do concurso nacional
para a sede da Petrobrás, no Rio de Janeiro (1967). Em 1968 conquistam o 3º prêmio no concurso
nacional para a sede da Biblioteca central da Bahia. Em 1969 Sanchotene constitui sociedade com Alfred
Willer e Oscar Mueller. Neste mesmo ano vencem o concurso para o Hotel de Turismo em Juazeiro, na
Bahia. Neste mesmo ano ficam com o 3º lugar no concurso para o Pavilhão de Exposições do Brasil na
Expo 70, em Osaka, no Japão. Em 1970 vencem o concurso nacional para o Estádio de Futebol do Paraná
(Pinheirão). Em 1973, juntamente com o escritório de Joel ramalho Jr. e Leonardo Oba, acrescidos ainda
de Ariel Stelle e Rubens Sanchotene, vencem o concurso nacional para a sede do BNDE DF. Em 1978,
juntamente com Oscar Mueller e Eídio Werka, conquistam o 1º prêmio no concurso para a sede do SBPC,
em São Paulo.
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6. Conclusão
Defende-se aqui a revisão de parte específica da histórica da arquitetura de cunho
brutalista no Brasil. Não se trata apenas de uma simples correção desta ou daquela data,
mas do reconhecimento da importância de um fenômeno localizado fora do eixo
cultural Rio de Janeiro- São Paulo.
A arquitetura do Grupo do Paraná não se apresenta como algo fortuito, vacilante, de
curta duração ou surgida por geração espontânea. Trata-se de uma produção consistente
e coerente ocorrida ao longo das décadas de 1960 a 1980, representada por centenas de
edifícios sob os mais distintos programas.
Busca respostas aos problemas e necessidades sociais existentes no país e se desenvolve
em função de soluções articuladas pelo espírito de seu tempo. Embora alinhada à
expressão brutalista, apresenta-se distinta e mais aberta que seus pares paulistas, uma
vez que se utiliza de soluções presentes em correntes e grupos internacionais como o
Archigram, o Metabolismo Japonês e o Estruturalismo Holandês.
Não reconhecê-la é amputar parte importante da essência intelectual de uma região e,
por que não dizer, mascarar os verdadeiros aspectos da cultura de um país.
45
Além de importante participação nos dois projetos para o edifício sede do BNDE (1973 e 1974),
Leonardo Oba, juntamente com Joel Ramalho Jr. e Guilherme Zamoner vencem o concurso regional para
o Anexo da Assembléia Legislativa do Paraná, em 1976. Em 1977 os três conquistam o 1º lugar no
concurso para o Centro de Convenções e Exposições do Pernambuco. Em 1979 o grupo vence o concurso
para a sede da Terrafoto, em Embú, SP. Oba voltaria ainda a conquistar o 1º prêmio nos concurso para o
Paço Municipal e Centro Cívico de Votorantim/ SP, em 1987, dois anos após o 2º lugar no concurso para
o SESC de Nova Iguaçú, no Rio de Janeiro.
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Fig.1(esq.): Ed. sede da Petrobrás, RJ, 1968 (Foto: cedida por Roberto Luiz Gandolfi)
Fig.2(dir.): Ed. sede BNDES, RJ, 1974 (corte representativo)
Fig.3(esq.): Ed. BNDE DF, 1973, vista da maquete (Foto cedida por Leonardo Oba)
Fig.4(dir.): Ed. BNDE DF, 1973, plantas tipo (desenhos cedidos por Salvador Gnoato)
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Fig.5: Ed. sede Terrafoto, SP, 1979, vista da maquete (foto: Leonardo Oba)
Fig.6: Santa Mônica Clube de Campo, 1962, foto da maquete (J. M. Gandolfi).
Fig.7: Casa José de Freitas Neto, 1962, vista externa (Foto: J. M. Gandolfi).
Fig.8: Casa José de Freitas Neto, 1962, vista interna (Foto: J. M. Gandolfi).
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Fig.9: Casa Mário Petrelli, Curitiba, 1964, vista externa (Foto: J. M. Gandolfi).
Fig.10: Casa Ayrton Araújo, Curitiba, 1965, vista externa (Foto: J. M. Gandolfi).
Fig.11: Casa Guido Weber, Curitiba, 1965, vista externa (Foto: J. M. Gandolfi).
Fig.12: Casa Guido Weber, Caiobá, 1965, vista externa (Foto: J. M. Gandolfi).
Fig.13: 2º concurso Euro Kursaal, 1965, vista da maquete (Foto: J. M. Gandolfi).
Fig.14: Condomínio Mateus Lemer, 1964, Curitiba,vista externa (Foto: Alberto Xavier).
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Fig.15: Casa Virgil Trifan, 1966, vista externa (Foto: Alberto Xavier).
Fig.16: Conjunto Residencial Silva Jardim, 1967, Curitiba, vista externa (Foto: Alberto Xavier).
Fig.17: Sede Social Clube Curitibano, 1966, vista aérea (Foto: Alberto Xavier).
Fig.18: Ginásio de esportes Círculo Militar, 1966, vista externa (Foto: Alberto Xavier).
Fig.19: 1º prêmio Teatro de Campinas, 1966, vista maquete (Foto: Roberto Gandolfi).
Fig.21: Ed. sede Telepar, 1966, vista externa (Foto: Alberto Xavier).
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Fig.20: Estação Rebaixadora da Copel, 1969, Leo Grossman e Winston Ramalho,
vista externa (Foto: Alberto Xavier).
Fig.21: 1º prêmio concurso Estádio do Paraná, 1970, Sanchotene, Willer e Mueller.
vista maquete (Foto: José Sanchotene).
Fig.22: 1º prêmio concurso Centro de Convenções de Pernambuco, 1977, Oba e Zamoner (foto: Oba).
7. Referências
PACHECO, Paulo Cesar B. 2004. O risco do Paraná e os concursos nacionais de
arquitetura: 1962-1981. [Dissertação de mestrado]. Porto Alegre: Faculdade de
Arquitetura da UFRGS, PROPAR.
PACHECO, Paulo Cesar B. 2004. A arquitetura do Grupo do Paraná: 1957-1980.
[Tese de doutoramento]. Porto Alegre: Faculdade de Arquitetura da UFRGS, PROPAR.
(Em andamento)
ZEIN, Ruth Verde. A arquitetura da Escola Paulista Brutalista 1953-1973. [Tese de
Doutoramento]. Porto Alegre: Faculdade de Arquitetura da UFRGS, PROPAR.
FUÃO, Fernado Freitas. “Brutalismo, a última trincheira do movimento moderno”. In:
portal Vitruvius. Arquitextos 007, texto especial 036-dezembro de 2000.
XAVIER, Alberto. Arquitetura moderna em Curitiba. São Paulo: Pini, 1986.
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O risco do Paraná e os riscos do anacronismo.