Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica Dissertação de Mestrado INFLUÊNCIA DA FORÇA NA SOLDAGEM DE TOPO POR RESISTÊNCIA DO AÇO INOXIDÁVEL AISI 409 Pedro Paiva Brito Belo Horizonte 2007 Pedro Paiva Brito INFLUÊNCIA DA FORÇA NA SOLDAGEM DE TOPO POR RESISTÊNCIA DO AÇO INOXIDÁVEL AISI 409 Dissertação apresentada ao Departamento de Engenharia Mecânica como parte dos requisitos para obtenção do título de Mestre em Ciências em Engenharia Mecânica. Orientador: José Rubens Gonçalves Carneiro Belo Horizonte 2007 Pedro Paiva Brito Influência da Força na Soldagem de Topo por Resistência do Aço Inoxidável AISI 409 Dissertação apresentada ao Departamento de Engenharia Mecânica como parte dos requisitos para obtenção do título de Mestre em Ciências em Engenharia Mecânica. Belo Horizonte, 2007. José Rubens Gonçalves Carneiro (Orientador) – PUC Minas Paulo César de Matos Rodrigues (Examinador Externo) – UFMG Denilson Laudares Rodrigues (Examinador Interno) – PUC Minas Aos meus pais, meus maiores mestres. AGRADECIMENTOS Ao meu orientador José Rubens pelo aprendizado e pelo incomparável zelo dispensado a esse trabalho. Ao meu amigo e mestre Attenister Tarcísio Rêgo e meu grande amigo Tarcísio Flávio Umbelino Rêgo, pelo comprometimento e incansável apoio, sem o qual esse trabalho jamais se teria realizado. Aos meus pais e meu irmão Francisco pelo apoio, especialmente na parte final desse trabalho. À minha namorada, Esther de Magalhães Correia, pela compreensão nos momentos de ausência e por me haver apoiado em tudo, desde o início. Aos funcionários da PUC, que grande auxílio técnico prestaram: Ivan José Santanta, Vinícius Maia de Sá e Carlos Eduardo dos Santos. À Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais pela bolsa de estudos. À Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais pela concessão dos laboratórios e equipamentos. RESUMO O presente trabalho tem como objetivo o estudo da influência da força na soldagem de topo por resistência do aço inoxidável ferrítico AISI 409. Os testes de soldagem foram realizados em chapas com 1,6 mm de espessura. A força de soldagem foi aplicada sobre os corpos-de-prova com um cilindro pneumático acionado com diferentes pressões. O valor da força foi medido durante todo o processo com uma célula de carga ligada a um sistema de aquisição de dados. A resistência de contato e a temperatura das chapas também foram monitoradas durante o processo. Graças à metodologia empregada, foi possível avaliar o impacto da força de soldagem nos demais parâmetros do processo. Verificou-se que a força apresenta uma correlação positiva com a taxa de variação resistência dinâmica. Os corpos-de-prova soldados foram submetidos à análise de microestrutra onde se observou que, na presença de força, ocorre diminuição de inclusões e óxidos na região da solda. Palavras-chave: Soldagem por resistência, AISI 409, força de soldagem, resistência dinâmica. ABSTRACT The present works aims at assessing the influence of the force applied to the resistance butt welding of AISI 409 ferritic stainless steels. The welding experiments were performed on plates with 1,6 mm thickness. The welding force was applied using a pneumatic piston which was used with different pressure settings. The value of the applied force was measured during the experiments with a strain-gage based force cell connected to a data acquisition system. The dynamic resistance of the weld and the specimens’ temperature were also monitored during the tests. The methodology adopted in this work allowed for the evaluation of the impact of the welding force on the remaining process parameters. It was verified that the force has a positive correlation with the rate of change of the dynamic resistance. The welded specimens were analyzed using optical microscopy and it was verified that when force is applied, the quantity of irregularities and impurities present in the faying interface is lessened. Keywords: Resistance welding, AISI 409, welding force, dynamic resistance. LISTA DE FIGURAS FIGURA 2.1 Aço inoxidável ferrítico sem corrosão intergranular ..........................25 FIGURA 2.2 Corrosão intergranular em aço inoxidável ferrítico............................25 FIGURA 2.3 Crescimento de grão na soldagem do aço AISI 430.........................27 FIGURA 2.4 Principais processos de soldagem por resistência ...........................29 FIGURA 2.5 Representação dos principais componentes de um transformador monofásico ...........................................................................................................31 FIGURA 2.6 Resistências do circuito de soldagem na soldagem de topo por resistência ...........................................................................................................34 FIGURA 2.7 Resistência de contato em função da temperatura e da pressão para aço carbono...........................................................................................................38 FIGURA 2.8 Resistência de contato em função da temperatura e da pressão para aço inoxidável AISI 304.........................................................................................38 FIGURA 2.9 Evolução da força de soldagem em equipamentos de diferente rigidez ...........................................................................................................40 FIGURA 2.10 Evolução da força na soldagem por pontos....................................41 FIGURA 3.1 Dimensões em milímetros dos corpos-de-prova utilizados nos experimentos.........................................................................................................42 FIGURA 3.2 Diagrama de blocos dos equipamentos utilizados nos testes de soldagem ...........................................................................................................43 FIGURA 3.3 Máquina soldagem modificada para soldagem de topo de chapas ..45 FIGURA 3.4 Fotografia mostrando a atual condição da máquna de soldagem ....46 FIGURA 3.5 Circuito equivalente da máqiuna de soldagem .................................47 FIGURA 3.6 Ligação entre o contator da máquina de soldagem e o sistema de controle ...........................................................................................................47 FIGURA 3.7 Transformador auxiliar de pré-aquecimento montado na máquina de soldagem ...........................................................................................................48 FIGURA 3.8 Ligação dos relés que acionam o pré-aquecimento..........................49 FIGURA 3.9 Fotografia da montagem do pistão pneumático na máquina de soldagem ...........................................................................................................50 FIGURA 3.10 Pontos de injeção de nitrogênio na máquina de soldagem.............51 FIGURA 3.11 Diagrama esquemática da ligação do cilindro de gás com o sistema de controle ...........................................................................................................52 FIGURA 3.12 Tela principal do programa de computador utilizado nos testes .....53 FIGURA 3.13 Desenhos indicando as dimensões da célula de carga (a) e (b) e sua forma geral (c) ................................................................................................55 FIGURA 3.14 Circuito eletrônico dos amplificadores de sinal utilizados ...............56 FIGURA 3.15 Circuito usado na medição da corrente de soldagem .....................57 FIGURA 3.16 Circuito usado na medição da tensão de soldagem .......................58 FIGURA 4.1 Curva de Calibração dos termopares em função do sinal de tensão amplificado ...........................................................................................................64 FIGURA 4.2 Evolução da temperatura para o tempo de soldagem de 1s, com préaquecimento..........................................................................................................65 FIGURA 4.3 Curva de calibração da célula de carga............................................66 FIGURA 4.4 Evolução da força durante a soldagem, com tempo de soldagem de 1,5s, sem pré-aquecimento e força aplicada de 300N ..........................................67 FIGURA 4.5 Dados correspondentes ao sinal de tensão adquirido durante a soldagem, com tempo de soldagem de 1s e força de 600N .................................68 FIGURA 4.6 Dados correspondentes ao sinal de corrente adquirido durante a soldagem, com tempo de soldagem de 1s e força de 600N .................................69 FIGURA 4.7 Relação de fases entre os sinais de corrente e tensão ....................70 FIGURA 4.8 Corrente eficaz de soldagem, comparada com o valor realmente medido ...........................................................................................................70 FIGURA 4.9 Tensão eficaz de soldagem, comparada com o valor realmente medido ...........................................................................................................71 FIGURA 4.10 Evolução da resistência dinâmica, para o tempo de soldagem de 1s, sem pré-aquecimento e sem força aplicada ....................................................72 FIGURA 4.11 Evolução da resistência dinâmica, para o tempo de soldagem de 1s, sem pré-aquecimento e com força aplicada de 300N .....................................73 FIGURA 4.12 Evolução da resistência dinâmica, para o tempo de soldagem de 1s, sem pré-aquecimento e com força aplicada de 600N .....................................73 FIGURA 4.13 Evolução da resistência dinâmica, para o tempo de soldagem de 1s, com pré-aquecimento e sem aplicação de força .............................................75 FIGURA 4.14 Evolução da resistência dinâmica, para o tempo de soldagem de 1s, com pré-aquecimento e com força aplicada de 300N .....................................75 FIGURA 4.15 Evolução da resistência dinâmica, para o tempo de soldagem de 1s, com pré-aquecimento e com força aplicada de 600N .....................................76 FIGURA 4.16 Evolução da resistência dinâmica, para o tempo de soldagem de 2s, sem pré-aquecimento e com força aplicada de 600N .....................................77 FIGURA 4.17 Corpo-de-prova submetido à soldagem por 3s, com força aplicada de 600N sem pré-aquecimento .............................................................................78 FIGURA 4.18 Evolução da resistência dinâmica para o tempo de soldagem de 3s, sem pré-aquecimento e força aplicada de 600N ...................................................78 FIGURA 4.19: Evolução da força durante a soldagem para o tempo de soldagem de 3s, força aplicada de 600N, sem pré-aquecimento ..........................................79 FIGURA 4.20: Corpo-de-prova submetido à soldagem por 3s, com força aplicada de 300N sem pré-aquecimento .............................................................................80 FIGURA 4.21: Evolução da resistência dinâmica para o tempo de soldagem de 3s, sem pré-aquecimento e força aplicada de 300N. ..................................................80 FIGURA 4.22: Evolução da força durante a soldagem para o tempo de soldagem de 3s, força aplicada de 300N, sem pré-aquecimento ..........................................81 FIGURA 4.23: Corpo-de-prova submetido à soldagem por 3s, sem força aplicada e sem pré-aquecimento.........................................................................................82 FIGURA 4.24: Evolução da resistência dinâmica para o tempo de soldagem de 3s, sem força aplicada e sem pré-aquecimento..........................................................83 FIGURA 4.25: Evolução da resistência dinâmica média em função do tempo de soldagem para as forças aplicadas de 0, 300 e 600N...........................................84 FIGURA 4.26: Evolução da resistência dinâmica para o tempo de soldagem de 3s, sem força aplicada e sem pré-aquecimento..........................................................85 FIGURA 4.27: Evolução da resistência dinâmica para o tempo de soldagem de 3s, sem força aplicada e sem pré-aquecimento..........................................................88 LISTA DE TABELAS TABELA 2.1 Composição química média de alguns aços inoxidáveis ferríticos ...21 TABELA 3.1 Parâmetros dos ensaios realizados..................................................62 TABELA 4.1Composição química do aço utilizado nos experimentos ..................63 TABELA 4.2 Valores médios de resistência dinâmica e os respectivos desviopadrão ...........................................................................................................72 NOMENCLATURA A – área de um condutor (m2); E – energia de soldagem (J); G – ganho de um amplificador de sinal (depende); I – corrente elétrica (A); I1 – corrente no enrolamento primário de um transformador (A); I2 – corrente no enrolamento secundário de um transformador (A); Is – corrente de soldagem (A); L – comprimento de um condutor (m); n – número de pontos tomados para o cálculo do valor eficaz (adimensional); N1 – número de espiras do enrolamento primário de um transformador (adimensional) N2 – número de espiras do enrolamento secundário de um transformador (adimensional) Q – calor gerado durante a soldagem (J); R – resistência elétrica de um condutor qualquer (Ω); R1 e R2 – resistências elétricas dos corpos-de-prova (Ω); RC – resistência de contato entre os corpos-de-prova (Ω); RCE – resistência de contato entre eletrodo e peça (Ω); RE – resistência elétrica dos eletrodos (Ω); RG – resistência de ganho em um circuito amplificador (Ω); Ri – resistência elétrica em um ponto qualquer do circuito de soldagem (Ω); ts – tempo de soldagem (s); V – queda de tensão sobre um condutor qualquer (V); V1– tensão no enrolamento primário de um transformador (V); V2 – tensão no enrolamento secundário de um transformador (V); XE – valor eficaz de uma grandeza qualquer (depende); Xi – valor de uma determinada grandeza qualquer (depende); η − rendimento do processo de soldagem (adimensional); ρ - resistividade elétrica de um material (Ω x m); SUMÁRIO CAPÍTULO 1 INTRODUÇÃO ............................................................. 15 1.1 JUSTIFICATIVA....................................................................................15 1.2 OBJETIVOS .........................................................................................17 1.3 ESTADO DA ARTE ..............................................................................18 CAPITULO 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA........................................ 19 2.1 AÇOS INOXIDÁVEIS............................................................................19 2.2 AÇOS INOXIDÁVEIS FERRÍTICOS .....................................................21 2.2.1 Soldabilidade dos Aços Inoxidáveis Ferríticos ...............................23 2.3 SOLDAGEM POR RESISTÊNCIA........................................................28 2.3.1 Resistência Dinâmica.....................................................................33 2.3.2 Força de Soldagem........................................................................39 CAPITULO 3 METODOLOGIA EXPERIMENTAL ............................. 42 3.1 MATERIAIS ..........................................................................................42 3.2 MONTAGEM EXPERIMENTAL ............................................................42 3.3 SISTEMA DE SOLDAGEM...................................................................44 3.3.1 Máquina de Soldagem...............................................................44 3.3.2 Transformador de Pré-Aquecimento..........................................48 3.3.3 Pistão Pneumático.....................................................................49 3.3.4 Cilindro de Gás Nitrogênio.........................................................51 3.4 SISTEMA DE CONTROLE ...................................................................52 3.4.1 Sistema de Aquisição de Dados ................................................52 3.4.2 Aquisição do Sinal de Força ......................................................54 3.4.3 Aquisição dos Sinais de Corrente e Tensão de Soldagem........56 3.4.4 Aquisição do Sinal de Temperatura...........................................59 3.5 ENSAIO METALOGRÁFICO DOS CORPOS-DE-PROVA ...................60 3.6 PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL....................................................61 CAPITULO 4 DISCUSSÃO DE RESULTADOS ................................ 63 4.1 ANÁLISE QUÍMICA ..............................................................................63 4.2 CALIBRAÇÃO DOS SENSORES .........................................................64 4.2.1 Calibração dos Termopares ......................................................64 4.2.2 Calibração da Célula de Carga..................................................66 4.3 CORRENTE E TENSÃO DE SOLDAGEM ...........................................68 4.4 RESISTÊNCIA DINÂMICA ...................................................................71 4.5 ANÁLISE METALOGRÁFICA ...............................................................84 CAPITULO 5 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES ...................... 91 5.1 CONCLUSÕES.....................................................................................91 5.2 SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS....................................92 CAPITULO 6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS............................ 93 15 1 INTRODUÇÃO 1.1 JUSTIFICATIVA Um sistema de exaustão automotivo moderno típico pode ser dividido em duas partes, conhecidas como extremidades quente e fria. A extremidade quente inicia-se diretamente na saída dos gases do motor, compreendendo o coletor, o tubo primário e o catalisador. Em sistemas de exaustão mais elaborados existe, também, uma junta flexível que tem a função de absorver vibrações do motor, que poderiam provocar danos ao sistema. A extremidade fria inicia-se logo após o catalisador, consistindo-se principalmente do tubo intermediário, do abafador e do tubo secundário. Os sistemas de exaustão com catalisadores geralmente trabalham em temperaturas mais altas que os sem catalisadores e requerem materiais com maior resistência a altas temperaturas e à corrosão, como os aços inoxidáveis. Os aços inoxidáveis são utilizados com mais freqüência nas peças que estão entre o catalisador e o motor, uma vez que qualquer processo de corrosão que se inicie antes do catalisador pode gerar resíduos que ficarão aderidos na superfície do corpo catalítico e diminuir a eficiência da catálise. Automóveis mais sofisticados utilizam na extremidade quente peças de aço inoxidável revestidas com liga alumínio-silício (93% Al – 7% Si), sendo que a função básica do revestimento é manter o apelo visual do produto, pois o aço inoxidável, com apenas alguns dias de serviço no 16 sistema de exaustão, adquire coloração escura, sem, contudo, prejuízo de suas qualidades metalúrgicas (Baptista, 2002). Em muitos projetos os aços inoxidáveis são utilizados, também, na extremidade fria, porém, para carros mais populares, é comum a utilização de aço baixo carbono revestido com a mesma liga alumínio-silício (93% Al – 7% Si). Alguns projetos optam, inclusive, por montar as peças internas em aço inoxidável e por revesti-las externamente com o aço aluminizado, reduzindo assim o custo que seria de uma peça com a espessura total em inoxidável. Os veículos movidos a álcool e diesel, conforme as leis brasileiras atuais, prescindem de catalisadores em seus sistemas de exaustão, praticamente não utilizando aço inoxidável em seu projeto, sendo, por esta razão, excluídos deste estudo. Os aços inoxidáveis ferríticos com baixos teores de cromo atendem às exigências da aplicação de resistência à corrosão, desempenho em alta temperatura e boa tenacidade para serem conformados na configuração de tubos. Os tubos de um sistema de exaustão são fabricados através do processo de soldagem por indução de alta freqüência que, devido à sua alta produtividade, permite um custo reduzido do produto. A soldagem por indução de alta freqüência é um processo de soldagem por deformação pertencente ao segmento de soldagem por resistência, que utiliza o calor gerado na interface dos materiais pela passagem de um fluxo de corrente elétrica (efeito Joule) simultaneamente com a aplicação de pressão (CARY, 1998; WRIGHT, 2002; MARTIN, 1971 e RUDD, 1957). Os equipamentos de soldagem por indução de alta freqüência possuem, em geral, um alto índice de automatização e são caracterizados por serem equipamentos compactos e de alto valor agregado (AWS, 1991). No entanto, a alta 17 produtividade desse equipamento torna-o inadequado para a realização de testes de simulação, uma vez que acarreta desperdício elevado de matéria-prima, aumentando o custo dos ensaios. Santana et al (2002) buscaram o desenvolvimento de um equipamento utilizando uma máquina de soldagem por pontos, para simular o processo de soldagem por indução de alta freqüência industrial. Observou-se a necessidade de quantificação de parâmetros do processo no equipamento desenvolvido, para propiciar maior flexibilidade e reprodutibilidade dos resultados industriais. Dentre os parâmetros, pode ser citada a força de soldagem como um dos mais importantes com impacto na resistência dinâmica e na expulsão de material oxidado originário no processo de soldagem, o que motivou a realização do presente trabalho. 1.2 OBJETIVOS - Dar continuidade à instrumentação do equipamento de soldagem, realizada em trabalhos anteriores, incluindo a medição de força aplicada sobre os corpos-deprova; - Automatização do equipamento para o controle dos seguintes parâmetros do processo: tempo de soldagem, de pré-aquecimento e de injeção de gás de proteção. - Estudo do efeito da força de soldagem na resistência dinâmica com e sem pré-aquecimento da junta. 18 1.3 ESTADO DA ARTE A tendência dos estudos mais recentes sobre soldagem por resistência é o desenvolvimento de modelos matemáticos capazes de prever propriedades mecânicas de materiais soldados, bem como fornecer indicativos sobre a qualidade das soldas obtidas com base em simulações computacionais (VITEK, ISKANDER e OBLOW, 2000; IRVING, 1997; CHEN et al, 1997). Com o objetivo de se verificar os modelos empregados, o monitoramento dos parâmetros do processo de soldagem, com especial atenção para a força de soldagem e resistência dinâmica é de grande importância (SONG, ZHANG e BAY, 2005; CHO e RHEE, 2002; CHIEN e KANNATEY-ASIBU, 2002). Considerável esforço tem sido empreendido na criação de modelos matemáticos em elementos finitos capazes de descrever o comportamento dessas variáveis com o objetivo realizar previsões com relação às propriedades mecânicas do material soldado (HOU et al, 2006; CHENG e ZHOU, 2003; NA e PARK, 1996). Modelos matemáticos baseados em redes neurais também têm sido desenvolvidos com base na resistência dinâmica com o objetivo de se criar mecanismos de avaliação da qualidade das soldas produzidas (CHO e RHEE, 2002). 19 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 2.1 AÇOS INOXIDÁVEIS Os aços inoxidáveis são um grupo especial de ligas Fe-C desenvolvidas para resistir à corrosão. O campo de aplicação para aços inoxidáveis é vasto e envolve situações onde é necessário haver resistência à corrosão, em altas e baixas temperaturas, resistência à tração, ductilidade e em locais onde é necessário haver higiene e limpeza, como, por exemplo, em cozinhas, hospitais e fábricas de processamento de alimentos. O principal elemento de liga é o cromo, que é, também, o responsável por conferir a propriedade de resistência à corrosão. Em geral, a quantidade de cromo necessária para atingir esse fim é de aproximadamente 11%. Outros elementos, com destaque para níquel, molibdênio, titânio, silício e nióbio são adicionados ao material com vistas em se obter propriedades mecânicas adequadas às aplicações específicas. O níquel, além de melhorar as propriedades mecânicas dos aços inoxidáveis, melhora sua resistência à corrosão em soluções neutras de cloretos e ácidos de baixa capacidade de oxidação. O molibdênio aumenta a faixa de passividade dos aços inoxidáveis e melhora sua resistência à corrosão em ácidos sulfúricos e soluções neutras de cloretos. O titânio e o nióbio são acrescentados com o objetivo de evitar a precipitação de carbonetos de cromo no material, que ocorre em determinadas condições de temperatura. O silício, assim como o alumínio, aumenta a resistência à oxidação do aço em temperaturas elevadas. 20 Os aços inoxidáveis se dividem, de acordo com sua estrutura cristalina, nos seguintes grupos principais: - Austeníticos: são o tipo mais comum de aço inoxidável. A quantidade máxima de carbono nesses aços é 0,15% e a quantidade mínima de cromo é 16%. Os elementos utilizados para estabilização da austenita são o níquel e o manganês; - Ferríticos: os aços inoxidáveis ferríticos usualmente contêm entre 10,5 e 30% de cromo e possuem elevada resistência à corrosão; - Martensíticos: os aços inoxidáveis martensíticos contêm geralmente entre 12 e 14% de cromo. Outros elementos de liga comuns são o molibdênio e o níquel. O teor de carbono presente nesses aços varia entre 0,1 a 1%. - Duplex: esses aços possuem uma microestrutura mista de austenita e ferrita. Os aços inoxidáveis duplex possuem elevada quantidade de cromo (entre 18 e 28%) e uma quantidade moderada de níquel (entre 4,5 e 8%), o que é insuficiente para gerar uma estrutura completamente austenítica. A resistência à corrosão depende da passividade do aço, que é a propriedade do material se manter inalterado no meio circunvizinho. Nos aços inoxidáveis, a proteção contra corrosão é obtida na presença de oxigênio, com a formação de uma camada passiva de óxido de cromo na superfície do material. Contudo, de acordo com o meio no qual o aço está inserido, é possível tal camada não se forme. São especialmente nocivos os ambientes que contêm cloretos, pois esses competem com o oxigênio em sua reação para formação do óxido de cromo. Além disso, utilização de processos de fabricação que envolvem grandes mudanças de temperatura na peça, como é o caso da soldagem, causa mudanças microestruturais no material que podem alterar significativamente a estabilidade da camada passiva e, por conseguinte, o comportamento o aço em frente à corrosão. 21 2.2 AÇOS INOXIDÁVEIS FERRÍTICOS Aços inoxidáveis ferríticos são ligas Fe-C que contém de 10,5 a 25%Cr em solução sólida, em uma matriz ferrítica. Em baixas temperaturas, devido à sua pequena solubilidade na ferrita, os elementos intersticiais (carbono e nitrogênio) permanecem, em sua maior parte, na forma de precipitados de carbonetos, como (Cr,Fe)7C3 e (Cr,Fe)23C6. Elementos de liga usualmente encontrados nesses aços inoxidáveis são: alumínio, molibdênio e silício (GUIMARÃES e MEI, 2004). A Tabela 2.1. mostra a composição química de alguns tipos comuns de aços inoxidáveis ferríticos. TABELA 2.1 Composição química média de alguns aços inoxidáveis ferríticos AISI C Cr Ni Mo N Outros 405 0,08 11,5-14,5 - - - 0,10 a 0,30%Al 409 0,08 10,5-11,75 0,5 - - 6 x (%C) até 0,75%Ti 430 0,12 16-18 - - - - 439 0,12 16-18 - 0,75-1,2 - 6 x (%C) até 0,75%Ti 0,025 [0,20+4(C+N)] até 0,80% (Ti 444 0,025 17,5-19,5 1,01 1,75-2,5 +Nb) Fonte: Baptista, 2002 O cromo é um elemento alfagênio, isto é, estabiliza a ferrita (fase-α), e sua presença tende a reduzir ou suprimir completamente o campo de existência da 22 austenita (fase-γ), de acordo com o seu teor presente no aço. Devido a essa característica, a faixa de temperatura em que há formação de austenita diminui rapidamente para teores de cromo superiores a 7% e, para teores acima de 13%, a austenita não mais se forma (MODENESI, 2001). Contudo, com a presença de elementos gamagênios (estabilizadores da fase-γ), principalmente carbono e nitrogênio, ocorre expansão do campo de existência da austenita. Portanto, de acordo com o balanço entre as quantidades de elementos gamagênios e alfagênios presentes, pode haver transformação parcial de ferrita em austenita em altas temperaturas (900 a 1200oC), mesmo em aços inoxidáveis ferríticos cujo conteúdo de cromo é superior a 13% (MODENESI, 2001). A presença de austenita em temperatura elevadas leva à formação de martensita nos contornos de grão quando o material é resfriado, o que acarreta em aumento da dureza e perda de ductilidade do material. É possível obter aços inoxidáveis completamente não transformáveis (chamados aços estabilizados), em que não há transformação ferrita-austenita, ao se adicionar pequenas quantidades (inferiores a 1%) de nióbio e titânio. Nos aços estabilizados, os carbonetos e nitretos de cromo são substituídos por carbonitretos de nióbio, Nb(C,N), ou de titânio Ti(C,N) (MODENESI, 2001). Esses precipitados são mais estáveis que os de cromo, o que ocasiona uma redução no teor de carbono e nitrogênio em solução sólida, levando, por conseguinte, à diminuição ou eliminação do campo de existência da austenita (FUJITA et al, 1996; MODENESI, 2001). Havendo eliminação completa da transformação ferrita-austenita, o aço não mais pode ser endurecido por têmpera. Outras formas de estabilização também são possíveis. Recentemente, Cavazos (2006) propôs a estabilização de um aço inoxidável ferrítico utilizando 23 adições de titânio e zircônio. Além disso, em alguns aços inoxidáveis ferríticos, como o AISI 439, mostrado na Tabela 2.1., se utiliza apenas o titânio como estabilizante. Entretanto, ao se substituir uma parcela do titânio adicionado por nióbio obtém-se melhoria nas propriedades mecânicas do material (FUJITA et al, 1996; MODENESI, 2001). O aço AISI 409 fabricado no Brasil e no Japão, por exemplo, possui adição de nióbio para estabilização da ferrita (BATISTA, 2002). É importante observar, no entanto, que a adição em excesso de elementos estabilizantes possui impacto negativo na tenacidade do material, devido à formação de fases intermetálicas. Uma tendência mundial na fabricação de aços inoxidáveis ferríticos é a redução dos teores de carbono e nitrogênio, visando o aumento da tenacidade dos aços. Quanto maior o teor desses elementos, maior a quantidade de carbonetos precipitados nos contornos de grão em temperaturas mais baixas (BATISTA, 2002). 2.2.1 Soldabilidade dos Aços Inoxidáveis Ferríticos Segundo a American Welding Society (1991) a soldabilidade pode ser definida como “a capacidade de um material ser soldado nas condições de fabricação impostas por uma estrutura específica projetada de forma adequada e de se comportar adequadamente em serviço”. Embora a maioria das ligas metálicas possa ser soldada, dificuldades surgem em casos particulares, de acordo com o tipo de processo de soldagem utilizado e as características de mircoestrutura e composição química do material. Um dos problemas associados à soldagem de aços inoxidáveis ferríticos é a perda de resistência à corrosão, notadamente, a 24 sensibilização à corrosão intergranular (CAVAZOS 2006; NISHIMOTO, 1999; GOOCH, 1996). Os problemas de sensibilização à corrosão intergranular se iniciam durante o resfriamento após aquecimento acima de cerca de 925ºC (NISHIMOTO, 1999). Nessa temperatura, ocorre precipitação de carbonetos de cromo nos contornos de grão, o que provoca a diminuição da quantidade de cromo presente nos contornos de grão e reduz, conseqüentemente, a resistência à corrosão do material nesses locais. Em tal condição, diz-se que o aço está sensibilizado à corrosão intergranular e pode haver corrosão localizada nos contornos de grão, ou nas regiões imediatamente adjacentes a estes. A corrosão ocorre por ataque preferencial nas regiões onde houve perda de cromo. Usualmente, o ataque progride ao longo de uma trajetória estreita nos contornos de grão e, em casos mais severos, grãos inteiros podem ser deslocados devido à completa deterioração dos contornos. Na soldagem, a sensibilização à corrosão intergranular em aços inoxidáveis ferríticos ocorre principalmente na zona fundida e na zona termicamente afetada (ZTA), já que nesses locais se atingem temperaturas suficientemente elevadas para promover a precipitação de carbonetos de cromo (NISHIMOTO, 1999). As Figuras 2.1 e 2.2 são apresentadas com o objetivo de se visualizar o impacto da corrosão intergranular na microestrutura de um aço inoxidável ferrítico no estado recozido. Na Figura 2.1, mostra-se uma região do aço que não sofreu ataque e na Figura 2.2, mostra-se uma outra região do mesmo aço que sofreu corrosão intergranular. O aço das Figuras 2.1 e 2.2 foi estabilizado com titânio e zircônio, e possui 12,12% de cromo. As imagens foram obtidas em microscópio eletrônico de varredura (CAVAZOS, 2006). 25 Figura 2.1: Aço inoxidável ferrítico sem corrosão intergranular Fonte: Cavazos, 2006 Figura 2.2: Corrosão intergranular em aço inoxidável ferrítico Fonte: Cavazos, 2006 26 A sensibilização à corrosão intergranular é mais pronunciada em aços com teor de carbono elevado, pois a quantidade de precipitados de cromo formados durante o aquecimento depende da quantidade de carbono presente no material (GUIMARÃES e MEI, 2006). Contudo, a redução na quantidade de carbono, por si só, não se mostra eficaz na diminuição do problema. Conforme menciona Kou (1987), mesmo aços com teor de carbono de apenas 0,009% são susceptíveis à corrosão intergranular na soldagem. Uma solução é apontada por Uhlig (1971), que aponta que recozimento pós-soldagem entre temperaturas de 650 e 815oC facilita a difusão de átomos de cromo para a região de baixo-cromo adjacente aos precipitados de carbonetos de cromo auxiliando, pois, o restabelecimento de uma composição uniforme de cromo. Como conseqüência, tem-se uma ZTA resistente à corrosão intergranular. A estabilização dos elementos intersticiais, por intermédio da adição de elementos estabilizadores como titânio e nióbio é uma medida eficaz para se evitar a sensibilização à corrosão intergranular, pois tais elementos formam carbonetos e nitretos mais estáveis que os precipitados formados com o cromo (CAVAZOS, 2006; NISHIMOTO, 1999; GOOCH, 1996). Os aços inoxidáveis ferríticos apresentam, também, sérios problemas de perda de ductilidade e tenacidade na região da solda devido à formação de uma granulação grosseira, à precipitação de carbonetos e nitretos, e, eventualmente, à formação de uma rede de martensita nos contornos de grão. A fragilização da solda em aços inoxidáveis ferríticos é, em geral, mais pronunciada em aços com teor de cromo elevado e maiores teores de intersticiais. Os aços inoxidáveis ferríticos são susceptíveis a crescimento de grão quando aquecidos em temperaturas elevadas (acima de 1200oC). Em tal situação, o aço 27 inoxidável ferrítico tende a apresentar uma estrutura monofásica completamente ferrítica, o que favorece a dissolução dos carbonetos de cromo. O efeito combinado da ausência de partículas capazes de fixar os contornos de grão com a elevada mobilidade atômica da estrutura ferrítica possibilita crescimento de grão extremamente rápido na soldagem (CARY, 1998; MODENESI, 2001). O aumento do tamanho do grão provoca o aumento da temperatura de transição dúctil-frágil do material, reduzindo sua tenacidade (MODENESI, 2001; MEYER e DU TOIT, 2001). Na Figura 2.3, mostra-se o crescimento de grão (mais pronunciado na região da solda) no aço inoxidável ferrítico AISI 430 após soldagem a Laser (BAYRAKTAR, MOIRON e KAPLAN, 2006). Figura 2.3: Crescimento de grão na soldagem do aço AISI 430 Fonte: Bayraktar, Moiron e Kaplan, 2006. 28 Quanto maior o tempo em que o aço permanece acima da temperatura de dissolução dos carbonetos e carbonitretos precipitados nos contornos de grão, maior é o crescimento de grão ferrítico (NARITA et al, 1975). Assim, uma forma de se evitar o aumento do tamanho de grão é diminuir a energia de soldagem empregada (EASTERLING, 1992). Segundo Gooch (1996) e Meyer e du Toit (2001), o crescimento de grão ferrítico pode ser inibido com o aumento da quantidade de austenita formada nos contornos de grão a temperaturas elevadas, o que pode ser conseguido com a injeção de gás nitrogênio durante a soldagem. Gooch (1996) aponta ainda que a presença de martensita, formada a partir da austenita durante o resfriamento, pode ser benéfica do ponto de vista da resistência à corrosão, pois nos aços completamente ferríticos, o problema de sensibilização à corrosão intergranular é agravado devido ao crescimento de grão. A estabilização do aço empregando titânio e nióbio também reduz o crescimento de grão em aços inoxidáveis ferríticos, devido à maior estabilidade dos carbonitretos formados por esses elementos em relação aos formados com cromo (MODENESI, 2001; BAYRAKTAR, MOIRON e KAPLAN, 2006). 2.3 SOLDAGEM POR RESISTÊNCIA A classificação “soldagem por resistência" compreende um grupo de processos de soldagem nos quais a união de peças metálicas é produzida em superfícies sobrepostas ou em contato topo a topo pelo calor gerado na junta através da resistência à passagem de uma corrente elétrica (efeito Joule) e pela 29 aplicação de pressão. Em algumas situações pode haver certa quantidade de fusão na interface. Existem quatro tipos principais de processos de soldagem por resistência (MODENESI E MARQUES, 2000) que são: soldagem por pontos, soldagem por costura, soldagem de projeção e soldagem de topo por resistência. Os processos são ilustrados na Figura 2.4. (a) (b) (c) (d) Figura 2.4: Principais processos de soldagem por resistência Fonte: Modenesi e Marques, 2000 30 A soldagem por pontos é utilizada para se obter a união de chapas sobrepostas. São utilizados eletrodos (geralmente de cobre) para fazer circular a corrente elétrica através das peças. Os eletrodos possuem a função adicional de aplicar força nas chapas. O processo de soldagem por projeção é similar ao processo de soldagem por pontos, com a diferença que, na soldagem por projeção, a geometria das peças é de tal forma que permite a formação de pontos de solda em locais previamente especificados. Na soldagem por costura, se utilizam eletrodos cilíndricos que giram sobre a superfície das peças. A corrente é aplicada na forma de pulsos de modo que ao final do processo seja formada uma linha de solda. Na soldagem de topo por resistência as peças a serem soldadas não se encontram sobrepostas, como acontece com os três processos descritos acima. As duas peças são colocadas em contato topo a topo e pressionadas uma contra a outra. Com a passagem da corrente de soldagem ocorre aquecimento das peças e redução da resistência mecânica do material. Como resultado, a região sofre deformação plástica, o que leva à formação de uma rebarba lateral entre as peças para onde as impurezas da região da junta tendem a migrar. Nesse processo, é fundamental que exista um contato uniforme entre as superfícies da peça para garantir uma união livre de descontinuidades (MODENESI e MARQUES, 2000). A maioria dos equipamentos utilizados nos processos de soldagem por resistência é formada por um transformador, que permite a obtenção das correntes elétricas elevadas necessárias à soldagem. O funcionamento do transformador é baseado em fenômenos de mútua indução presentes entre dois circuitos isolados eletricamente, porém conectados magneticamente. A Figura 2.5 mostra um transformador monofásico composto de dois enrolamentos, chamados primário e secundário, que possuem um número distinto de espiras. 31 Figura 2.5: Representação dos principais componentes de um transformador monofásico Fonte: Martignoni, 1973 Ao se aplicar uma determinada tensão alternada V1 no primário, ocorrerá a indução de uma tensão no secundário, resultante da ação do campo magnético φ, igual a V2. De modo análogo, surgem, também, correntes elétricas I1 e I2. O enrolamento primário é aquele que está ligado à alimentação. Em uma máquina de soldagem, portanto, a solda ocorre no circuito secundário do transformador. A magnitude da tensão ou da corrente induzida no secundário depende da relação de espiras de cada enrolamento. Matematicamente, é possível representar as relações entre tensão, corrente e número de espeiras nos enrolamentos primário e secundário na forma da Equação 2.1: I1 V2 N2 ≈ ≈ I2 V1 N1 onde: I1 é a corrente primária (A); I2 é a corrente secundária (A); (2.1) 32 V1 é a tensão primária (V); V2 é a tensão secundária (V); N2 é o número de espiras do enrolamento secundário; N1 é o número de espiras do enrolamento primário; A quantidade total de energia em forma de calor gerada durante a soldagem em um dado ponto do circuito secundário é dada pela potência elétrica dissipada no ponto considerado multiplicada pelo tempo de atuação da corrente. A Equação 2.2 expressa essa relação: ts E = ∫ Ri ⋅ I2sdt (2.2) 0 onde: E é a energia empregada (J); ts é o tempo de soldagem (s); Ri é a resistência elétrica em um ponto qualquer do circuito secundário do equipamento de soldagem (Ω); Is é a corrente elétrica de soldagem (A); Freqüentemente, adiciona-se um fator responsável pelas perdas de calor. Desse modo, tem-se: ts Q = η ∫ R i ⋅ I2s dt 0 onde: Q é a energia empregada efetivamente transformada em calor (J); η é o rendimento do processo; ts é o tempo de soldagem (s); (2.3) 33 Ri é a resistência elétrica em um ponto qualquer do circuito secundário do equipamento de soldagem (Ω); Is é a corrente elétrica de soldagem (A); A análise das Equações 2.2 e 2.3 mostra que o calor dissipado na junta aumenta com o quadrado da corrente. Isto quer dizer que, se houver variações na corrente, deverá haver grandes mudanças no tempo gasto pelo processo, já que a resistência elétrica do circuito secundário, apesar de variável, é uma característica do equipamento, dos materiais, das superfícies de contato entre as peças e da temperatura, e dificilmente pode ser controlada durante o processo. Observa-se, por outro lado, que tempos curtos requerem uma corrente elevada. A combinação de tempo reduzido com corrente elevada pode produzir efeitos indesejados na solda, como, por exemplo, fusão superficial e deterioração dos eletrodos. Dois fatores que geram variações nos valores da corrente são: flutuações na tensão de alimentação da máquina e variações na impedância do circuito secundário em máquinas de corrente alternada. As variações de impedância são causadas por mudanças na geometria do circuito ou pela introdução de massas variadas de material magnético no circuito secundário (AWS, 1991). 2.3.1 Resistência Dinâmica O circuito secundário (ou circuito de soldagem) de uma máquina de soldagem pode ser entendido, sob o ponto de vista elétrico, de maneira simplificada, como um 34 conjunto de resistências elétricas ligadas em série e a resistência dinâmica é definida como a soma algébrica dessas resistências. Na Figura 2.6, mostra-se esquematicamente, uma porção do circuito secundário de uma máquina de soldagem por resistência de topo. Figura 2.6: Resistências do circuito de soldagem na soldagem de topo por resistência Fonte: Próprio trabalho Como se pode perceber, os eletrodos e os materiais a serem soldados são formados pelas seguintes componentes resistivas: - resistência elétrica dos eletrodos (RE); - resistência elétrica de contato entre os eletrodos e a peça (RCE); - resistência elétrica dos corpos-de-prova (R1 e R2); - resistência elétrica de contato entre os corpos-de-prova (RC); De acordo com as Equações 2.2 e 2.3, a quantidade de calor gerada durante a soldagem depende diretamente da resistência elétrica de cada ponto. Em geral, a 35 resistência dos eletrodos é desprezível, uma vez que os materiais de que são feitos (como o cobre, por exemplo) possuem resistividade elétrica muito baixa. A magnitude da resistência de contato entre os eletrodos e a peça depende da condição da superfície do eletrodo e do metal de base, do tamanho e da forma da face do eletrodo e da força aplicada no eletrodo. Tal resistência elétrica é apreciável e constitui um parâmetro importante para o estudo de desgaste dos eletrodos (SONG, ZHANG e BAY, 2005). Contudo, essa região do circuito secundário não atinge, em geral, temperaturas elevadas, devido à dissipação de calor por condução através dos eletrodos, que são formados por materiais que possuem elevada condutividade térmica (AWS, 1991; BASTIAN, 1976). A resistência dos corpos-de-prova depende de sua geometria e de sua resistividade elétrica. Matematicamente, essa resistência é expressa pela Eq. (2.4): RCP = ρ L A (2.4) onde: RCP é a resistência elétrica dos corpos-de-prova (Ω); ρ é a resistividade elétrica do material (Ω x m); L é o comprimento do material em que há fluxo de corrente (m); A é a área do material atravessada pelo fluxo de corrente (m2). O local de união entre os dois materiais é o ponto de maior resistência do circuito de soldagem e, conseqüêntemente, o ponto onde se atingem as mais altas temperaturas durante a soldagem. O valor resistência de contato (e, conseqüentemente, a resistência dinâmica) varia em larga escala durante a soldagem e é influenciado por diversos fatores, tais como: tipo de material soldado, pressão, temperatura, acabamento superficial, entre outros. Por essas razões, a resistência de contato é considerada um dos parâmetros críticos nos processos de 36 soldagem por resistência. De fato, grande esforço tem sido empreendido por parte dos pesquisadores ao longo dos anos com o objetivo de monitorar esse parâmetro durante a soldagem e estudar o impacto causado pelas variações na resistência de contato na qualidade final da solda (SONG, ZHANG e BAY, 2005; CHIEN e KANNATEY-ASIBU, 2002; CHOO e RHEE, 2002; NA e PARK, 1996). O aumento da resistência na interface entre dois materiais se deve ao efeito de constrição da corrente elétrica na interface dos materiais. Segundo Udin (1954) quando as superfícies de dois metais são colocadas em contato, a área real de contato, formada pela deformação das microrugosidades que compõem cada uma das superfícies, é muito menor (aproximadamente de 5%) que a área de contato aparente, desde que a pressão externa exercida sobre a interface esteja abaixo do limite de escoamento do material. Quando dois materiais em contato são percorridos por uma corrente elétrica, as linhas de fluxo se separam na interface e a condução da corrente se dá apenas nos poucos pontos onde há, efetivamente, contato entre uma peça e outra. Essa constrição do fluxo de corrente elétrica se traduz em um aumento da resistência elétrica na interface. Além disso, resistência elétrica torna-se maior na interface devido à presença de camadas de materiais de baixa condutividade elétrica, como filmes de óxidos, óleo, vapor d’água e outras impurezas (SONG, ZHANG e BAY, 2005). A resistência de contato pode ser determinada indiretamente durante a soldagem com a medição da corrente e tensão de soldagem (FONSECA e BRACARENSE, 1999; CHIEN e KANNATAY-ASIBU, 2002; SONG, ZHANG e BAY, 2005). Se forem conhecidos esses parâmetros, a resistência pode ser calculada pela Lei de Ohm, como mostra a Eq. (2.5): R= V I (2.5) 37 onde: R é a resistência de um condutor qualquer (Ω); V é a queda de tensão sobre o condutor (V); I é a corrente que atravessa o condutor (A). Fonseca e Bracarense (1999) realizaram testes de soldagem por pontos com o objetivo de medir a resistência dinâmica. A metodologia empregada envolveu a medição da corrente e tensão de soldagem e o cálculo foi feito utilizando-se os valores de pico destas variáveis. Outros autores realizaram o cálculo da resistência dinâmica a partir dos valores eficazes da corrente e da tensão (CHO e RHEE, 2002; SONG, ZHANG e BAY, 2005). Outra maneira de se obter a resistência dinâmica consiste em se tomar os valores eficazes de corrente e tensão e então aplicar a Lei de Ohm. Esse procedimento foi adotado por Song, Zhang e Bay (2005), que comparou a evolução da resistência dinâmica com respeito à força de soldagem e à temperatura durante a soldagem de topo por resistência de aço carbono e aço inoxidável austenítico 304. O comportamento da resistência dinâmica observado é mostrado nas Figuras 2.7 e 2.8. Como se pode perceber, a resistência de contato (e, conseqüentemente, a resistência dinâmica) varia em larga escala durante a soldagem. Essa variação é atribuída a uma série de fatores (MACHADO, 2000; FONSECA E BRACARENSE, 1999), cujo comportamento durante a soldagem se explica a seguir: A resistência de contato inicial é sempre elevada, devido à presença de elementos contaminantes na interface entre os materiais. Com a passagem de corrente elétrica, ocorre aquecimento localizado na região do contato entre as peças, o que ocasiona a quebra dos contaminantes e redução na resistência de contato. 38 Figura 2.7: Resistência dinâmica em função da pressão e da temperatura para aço carbono. (Nota: os autores utilizaram o termo “Resistência de Contato” ao invés de “Resistência Dinâmica” no gráfico. Apesar da imprecisão, manteve-se o termo originalmente empregado.) Fonte: Song, Zhang e Bay, 2005 Figura 2.8: Resistência de contato em função da pressão e da temperatura para aço AISI 304 (Nota: os autores utilizaram o termo “Resistência de Contato” ao invés de “Resistência Dinâmica” no gráfico. Apesar da imprecisão, manteve-se o termo originalmente empregado.) Fonte: Song, Zhang e Bay, 2005 39 O aumento da temperatura leva ao aumento da resistividade elétrica do material e, por conseguinte, da resistência dinâmica. A resistência continua a se elevar com a temperatura até que haja suficiente perda da resistência mecânica do material para provocar a quebra das asperezas superficiais das peças. Nos gráficos das Figuras 2.7 e 2.8, essa temperatura é de aproximadamente 400ºC. A eliminação das microrugosidades faz com que a área efetiva de fluxo de corrente aumente e a resistência de contato experimenta nova queda. O valor da resistência atinge um ponto de máximo local quando a área efetiva de contato é suficientemente grande para compensar o aumento de resistividade do material. A partir desse ponto, a resistência de contato cai até que a solda esteja completa e o seu valor mínimo é atingido. 2.3.2 – Força de Soldagem Conforme mencionado anteriormente, os processos de soldagem por resistência sâo caracterizados pela aplicação de uma pressão na união dos materiais a serem soldados, além da aplicação da corrente de soldagem. Esta força é chamade “Força de Soldagem”, embora seja comum que haja aplicação de força antes e depois do processo. A força de soldagem é um parâmetro importante para a soldagem por resistência, uma vez que ela afeta diretamente a resistência de contato entre os materiais (SONG, ZHANG e BAY, 2005). 40 A força de soldagem, geralmente expressa na forma de um valor estático, varia dinamicamente durante o processo e é afetada por características mecânicas do equipamento (atrito entre os eletrodos e a peça e inércia das partes móveis da máquina), bem como pelo campo eletro-magnético formado durante a soldagem. Tang et al (2003) aponta que a força cresce durante a soldgem, devido à expansão térmica sofrida pelo material. Assim, em sistemas de maior rigidez, observa-se um maior aumento da força em relação a sistemas menos rígidos. Tal comportamento pode ser comprovado nos gráficos comparativos da Figura 2.9 (TANG et al, 2000), onde é mostrada a variação da força de soldagem com o tempo em equipamentos de diferentes características mecânicas. As leituras foram feitas em máquinas de soldagem por pontos. Figura 2.9: Evolução da força de solagem em equipamentos de diferente rigidez Fonte: Tang et al, 2000 41 É apontado ainda que a força atinge um ponto de máximo logo após a aplicação da corrente de soldagem (TANG et al, 2000; CHIEN e KANNATAY-ASIBU, 2002). Os gráficos da Figura 2.10, obtidos na soldagem por pontos de chapas de aço galvanizado com 0,8 mm de espessura evidenciam este fato. Uma queda no valor da força pode ser observada após pouco menos de 0,15 s de passagem de corrente, foi explicada pela perda da rigidez dos materiais soldados, que a esta altura já estariam suficientemente aquecidos para que houvesse deformação. Figura 2.10: Evolução da força na soldagem por pontos. Fonte: Chien e Kannatay-Asibu, 2002 Obeserva-se, pois, que a medição da força durante a soldagem constitui um importante parâmetro para a avaliação dos processos de soldagem por resistência e também da vida útil de eletrodos e performance dos equipamentos empregados (TANG et al, 2003; CHO e RHEE, 2003). Contudo, a medição da força em tais condições encontra algumas dificuldades experimentais. Chien e Kannatay-Asibu (2002) e Fonseca e Bracarense (1999) utilizaram transdutores de força construídos a partir de extesômetros para medir a força durante a soldagem. Transdutores piezoelétricos também podem ser utilizados, mas possuem a desvantagem de serem afetados pelo elevado campo magnético gerado pelas máquinas de soldagem. 42 3 METODOLOGIA EXPERIMENTAL 3.1 MATERIAIS Os corpos-de-prova utilizados nos experimentos, mostrados na Figura 3.1, foram confeccionados a partir de chapas de aço inoxidável ferrítico AISI 409. A preparação dos corpos-de-prova para a soldagem foi feita através de corte e, em seguida, fresagem das superfícies. Figura 3.1: Dimensões em milímetros dos corpos-de-prova utilizados nos experimentos Fonte: Próprio trabalho 3.2 MONTAGEM EXPERIMENTAL Com o intuito de melhor apresentar as características dos equipamentos utilizados, bem como ilustrar as ligações presentes entre eles, criou-se o diagrama de blocos da Figura 3.2 que mostra, esquematicamente, a configuração geral de todo o aparato experimental utilizado nesse trabalho. 43 Como se pode apreender a partir da Figura 3.2, os aparelhos utilizados nos testes foram divididos em dois sistemas maiores, que são o sistema de soldagem e o sistema de controle. São partes do sistema de soldagem, além da máquina de soldagem, os equipamentos acessórios que somam funcionalidade à máquina. Os elementos deste sistema são: máquina de soldagem, transformador auxiliar, pistão pneumático e cilindro de gás nitrogênio. O sistema de controle, responsável por realizar as leituras de dados dos sensores e controlar o funcionamento dos equipamentos que compõem o sistema de soldagem, é formado pelos seguintes componentes: placa de aquisição de dados, computador, sensores diversos, amplificadores de sinal e relés. Figura 3.2: Diagrama de blocos dos equipamentos utilizados nos testes de soldagem Fonte: Próprio trabalho 44 3.3 SISTEMA DE SOLDAGEM 3.3.1 Máquina de Soldagem A máquina utilizada na soldagem foi modificada a partir de uma máquina de soldagem por pontos, marca Gregori, com potência de 15KVA, alimentada por tensão alternada de 220V e 60Hz. Em trabalho anterior, Santana (2003) realizou as adaptações necessárias na máquina para permitir a soldagem de topo de chapas. Em trabalho subseqüente (A. RÊGO, 2004) foi feita a instrumentação da máquina de soldagem, o que permitiu a monitoração de diversos parâmetros do processo, tais como: temperatura, tensão e corrente de soldagem e tempo de soldagem. Posteriormente, R. Rêgo (2005) desenvolveu um sistema de pré-aquecimento e controle de pressão do gás de proteção usado na soldagem. Na Figura 3.3 é mostrada uma fotografia da máquina, onde podem ser vistas parte das modificações produzidas nos dois primeiros trabalhos citados acima (SANTANA, 2003 e A. RÊGO, 2004). Um dos problemas encontrados nos trabalhos anteriores (SANTANA, 2003; A. RÊGO, 2004; R. RÊGO 2005) foi a falta de rigidez nos eletrodos da máquina, o que limitou a aplicação de força de soldagem durante os ensaios. Face a essa dificuldade, foi construída uma estrutura suporte onde se apóiam os eletrodos e o pistão pneumático responsável pela aplicação de força nos corpos-de-prova. A máquina, no estado em que foi utilizada nos experimentos, é mostrada na fotografia da Figura 3.4. 45 Figura 3.3: Máquina de soldagem modificada para soldagem de topo de chapas Fonte: Rêgo, 2004 46 Figura 3.4: Fotografia mostrando a atual condição da máquina de soldagem Fonte: Próprio trabalho A máquina de soldagem é, essencialmente, um transformador monofásico dotado de 4 diferentes derivações (taps 1, 2, 3 e 4). Ao se trocar as derivações, altera-se a relação de espiras entre os enrolamentos primário e secundário do transformador da máquina, o que permite a variação da corrente e tensão de soldagem. Se as perdas de potência entre os enrolamentos primário e secundário do transformador da máquina de soldagem forem desprezadas, é possível representála, do ponto de vista elétrico, como mostrado na Figura 3.5 (A. RÊGO, 2004). 47 Figura 3.5: Circuito equivalente da máquina de soldagem Fonte: A. Rêgo, 2004 A máquina possui um contator, que pode ser ativado eletricamente utilizandose um relé auxiliar. Dessa maneira, é possível ligar e desligar a máquina automaticamente, controlando-se o tempo de soldagem. A ligação realizada para permitir tal operação é mostrada no diagrama da Figura 3.6. Figura 3.6: Ligação entre o contator da máquina de soldagem e o sistema de controle Fonte: Próprio trabalho 48 3.3.2 Transformador de Pré-Aquecimento O transformador auxiliar de pré-aquecimento foi utilizado pela primeira vez no trabalho de R. Rêgo (2005), que realizou pré-aquecimento nos corpos-de-prova até temperaturas de aproximadamente 200oC (R. RÊGO, 2005). A sua montagem na máquina é mostrada na Figura 3.7. O acionamento do transformador auxiliar é feito com o comando de 2 relés, ligados de acordo com o diagrama elétrico mostrado na Figura 3.8. O pré-aquecimento é ativado quando se fecha o contato do relé 02 e se abre o contato do relé 03. Para desativar o pré-aquecimento, abre-se o contato do relé 02 e fecha-se o contato do relé 03, o que retira a alimentação do transformador e deixa o seu enrolamento primário em curto-circuito. Figura 3.7: Transformador auxiliar de pré-aquecimento montado na máquina de soldagem Fonte: R. Rêgo, 2005 49 Figura 3.8: Ligação dos relés que acionam o pré-aquecimento Fonte: R. Rêgo, 2005 3.3.3 Pistão Pneumático A função do pistão pneumático é aplicar força sobre os corpos-de-prova antes e durante a soldagem. Na Figura 3.9 é mostrada uma fotografia da montagem do pistão na máquina, onde se identifica a linha de atuação da força. O cilindro é operado manualmente: acionando-se um botão, o ar comprimido é direcionado ao pistão fazendo-o avançar. 50 Figura 3.9: Fotografia da montagem do pistão pneumático na máquina de soldagem Fonte: Próprio trabalho Uma válvula reguladora de pressão, instalada junto à linha de ar comprimido que alimenta o pistão pneumático permitiu o controle da força aplicada sobre os corpos-de-prova. A aplicação de força foi feita de acordo com 2 diferentes níveis de pressão (1 e 2bar). As forças resultantes, para cada pressão aplicada foram de, respectivamente, 300N e 600N. 51 3.3.4 Cilindro de Gás Nitrogênio A função do cilindro de gás nitrogênio é criar uma atmosfera de proteção durante a soldagem. Tanto a pressão como a vazão do gás injetados nos corpos-deprova podem ser medidos usando-se um manômetro e um medidor de vazão, instalados na saída do cilindro. Na fotografia da Figura 3.10 são mostrados os pontos de injeção do gás nos corpos-de-prova. A saída de gás do cilindro está ligada a uma válvula solenóide, que é controlada por um relé ligado ao sistema de controle. Na Figura 3.11 apresenta-se, sob a forma de diagrama, a ligação entre o cilindro e o restante do sistema. Figura 3.10: Pontos de injeção de nitrogênio na máquina de soldagem Fonte: Próprio trabalho 52 Figura 3.11: Diagrama esquemático da ligação do cilindro de gás com o sistema de controle Fonte: Próprio trabalho 3.4 SISTEMA DE CONTROLE 3.4.1 Sistema de Aquisição de Dados O sistema de aquisição de dados utilizado anteriormente (A. RÊGO, 2004; R. RÊGO, 2005) consistiu de uma placa de aquisição de dados de marca Advantech, modelo PCL-718, ligada a um computador. Um programa desenvolvido especialmente para a placa de aquisição de dados utilizada era responsável por fazer o controle da soldagem e monitorar as condições do processo. O mesmo sistema foi utilizado no presente trabalho. As principais caracterísitcas da placa de aquisição de dados são: - Freqüência de aquisição de dados por canal: 1kHz 53 - Resolução: 12bits - Faixa de aquisição: -5V a +5V Com uma freqüência de aquisição máxima de 1kHz, é possível obter leituras das mais importantes variáveis do processo de soldagem, que são: temperatura, força, corrente e tensão de soldagem, uma vez que, a maior freqüência esperada é de 60Hz (proveniente dos sinais de corrente e tensão). Observa-se ainda que a resolução de 12bits conjugada com uma escala que varia de -5V a +5V implica que a menor tensão percebida pela placa de aquisição de dados é igual a 2mV, aproximadamente. Na Figura 3.12 é mostrada a tela principal do programa, onde se podem identificar os parâmetros a serem controlados durante os testes. Figura 3.12: Tela principal do programa de computador utilizado nos testes Fonte: R. Rêgo, 2005 Através do programa, foi possível realizar o ajuste do tempo de soldagem, tempo de pré-aquecimento, tempo de injeção de gás e da freqüência de 54 amostragem da placa de aquisição de dados. O tempo de atuação da força também pode ser controlado automaticamente usando-se o programa. Contudo, tal funcionalidade não foi colocada em prática devido à falta de um atuador eletromecânico apropriado para o pistão pneumático. As leituras obtidas na placa de aquisição de dados são armazenados pelo programa em formato tabular, o que permitiu a visualização e tratamento dos dados em programas de uso comum como o Microsoft Excel e o Microcal Origin. 3.4.2 Aquisição do Sinal de Força A força aplicada durante a soldagem foi medida com uma célula de carga construída especialmente para esse trabalho, com capacidade máxima de 5000N. A célula de carga é alimentada com uma tensão contínua igual a 2 V e foi construída em aço ABNT 1045. As dimensões da célula de carga e sua forma geral são mostradas nas Figuras 3.13 (a), (b) e (c). A força é determinada indiretamente por meio da deformação medida por um extensômetro colado na célula de carga. A célula de carga foi calibrada em uma máquina de tração marca Instron, no laboratório de ensaios mecânicos do Centro de Desenvolvimento de Tecnologia Nuclear (CDTN) em uma faixa de 0 a 1960 N. Os sinais de tensão gerados pela célula de carga (entre 1 e 3 mV, aproximadamente) são da mesma ordem de grandeza que a resolução da placa de aquisição de dados (próxima a 2 mV), de forma que a aquisição direta da leitura da 55 célula de carga é inviável. Para contornar esse problema, foram utilizados amplificadores de sinal com amplificação igual a 1000. (a) (b) (c) Figura 3.13: Desenhos indicando as dimesões da célula de carga (a) e (b) e sua forma geral (c) Fonte: Próprio trabalho 56 O elemento central do circuito dos amplificadores (mostrado na Figura 3.14) é o amplificador diferencial INA118. O resistor denominado RG é responsável por ajustar o ganho do amplificador, que varia entre 2 e 10000, de acordo com a Equação 3.1: G = 1+ 50000 RG (3.1) onde: G é o ganho (adimensional); RG é o valor resistência de controle (Ω). Figura 3.14: Circuito eletrônico dos amplificadores de sinal utilizados Fonte: Próprio trabalho A tensão gerada pela célula de carga foi medida manualmente antes dos ensaios e automaticamente, pela placa de aquisição de dados, durante os mesmos. 3.4.3 Aquisição dos Sinais de Corrente e Tensão de Soldagem Os valores de tensão e corrente de soldagem foram medidos no circuito secundário da máquina de soldagem. Ambos sinais são alternados com freqüência 57 de 60Hz. Para a medição da corrente de soldagem, foi utilizado um shunt resistivo, de resistência elétrica igual a 0,00005Ω (precisão de 1%), instalado em série com o circuito secundário do equipamento. Dessa maneira, garante-se que a corrente que circula através dos corpos-de-prova é idêntica àquela que atravessa o instrumento de medição. Com o intuito de evitar danos ao sistema de aquisição de dados, oriundos de eventuais flutuações na tensão de soldagem, o sinal medido foi isolado magneticamente do circuito de medição. O circuito de medição da corrente de soldagem é mostrado na Figura 3.15. A partir da relação de transformação do transformador utilizado para isolar o sinal medido da placa de aquisição de dados e da resistência do shunt, foi possível calcular a relação entre o valor do sinal obtido pela placa de aquisição de dados e o valor real da corrente de soldagem. Figura 3.15: Circuito usado na medição da corrente de soldagem Fonte: Próprio trabalho A tensão de soldagem foi medida na interface entre os corpos-de-prova e os eletrodos. Na Figura 3.16 é mostrado o esquema do circuito elétrico empregado da 58 tensão de soldagem. Como se pode perceber, o sinal correspondente à tensão de soldagem também foi isolado magneticamente da placa de aquisição de dados. Aqui, a relação entre o sinal medido pela placa de aquisição de dados e o valor da tensão de soldagem é dado simplesmente pela relação de transformação do transformador utilizado para isolamento magnético entre os circuitos de soldagem e de medição. Figura 3.16: Circuito usado na medição da tensão de soldagem Fonte: Próprio trabalho A partir dos dados de corrente e tensão de soldagem, foi possível calcular a resistência dinâmica durante todo o processo. O método escolhido para realizar esse cálculo foi utilizar os valores eficazes da corrente e tensão secundárias da máquina de soldagem. A obtenção do valor eficaz de qualquer grandeza é dada pela Equação 3.2: 1 n 2 XE = ∑ Xi n i =0 (3.2) 59 onde: XE é o valor eficaz da grandeza; n é o número de pontos considerados; Xi é o valor da grandeza em cada um dos pontos. A resistência dinâmica é obtida, então, com a aplicação da Lei de Ohm (mostrada na Equação 3.3): V = R ⋅I (3.3) onde: V é a queda de tensão (V); R é a resistência elétrica (Ω); I é a corrente elétrica (A). 3.4.4 Aquisição do Sinal de Temperatura A temperatura dos corpos-de-prova foi medida com termopares tipo K (Cromel-Alumel), que são capazes de medir temperaturas entre 0 e 1260ºC com erro de ±2,2ºC. Os termopares possuem 0,8mm de diâmetro e foram unidos aos corposde-prova, à distância de 3mm da linha de soldagem, utilizando-se descarga capacitiva. O sinal gerado pelos termopares foi amplificado com ganho igual 50 em um circuito semelhante ao utilizado para amplificação do sinal gerado pela célula de carga. A calibração foi realizada por comparação entre os sinais gerados pelos termopares, já amplificados, com as leituras de temperatura retiradas de um forno Lavoisier no intervalo 175o a 950o (R. RÊGO, 2005). 60 3.5 ENSAIO METALOGRÁFICO DOS CORPOS-DE-PROVA Para avaliação das modificações introduzidas na microestrutura em decorrência da soldagem, foram realizadas análises metalográficas na ZTA e metal base dos corpos-de-prova soldados. Primeiramente, foi realizado o corte dos corposde-prova seguido do embutimento dos mesmos em baquelite. Foram realizados ensaios de polarização potenciodinâmica no Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN) com o objetivo de verificar os limites ideais de potencial e densidade de corrente para ataque químico. Os ensaios eletroquímicos foram realizados à temperatura ambiente (aproximadamente 26oC), baseados na norma ASTM G5-94 (ASTM, 1996). O aparelho utilizado foi um potenciostato AUTOLAB, modelo PGSTAT 20, sendo utilizados um eletrodo auxiliar de platina, o eletrodo de trabalho (amostra de aço inoxidável AISI 409) e eletrodo de referência Ag/AgCl. O ácido utilizado para ataque da superfície das amostras foi o ácido oxálico (C2H2O4.2H2O) 10% e as amostras foram previamente lixadas com lixa 600 e polidas até 1μm em pasta de diamante. O procedimento para o ataque químico das amostras é descrito abaixo: - A amostra foi desengordurada e lavada com água destilada; - O potencial em circuito aberto foi registrado após 55 min de imersão na solução; - Em seguida, iniciou-se a varredura de potencial em uma faixa a partir de 150mV abaixo do potencial de circuito aberto até +2,0V acima do potencial de circuito aberto. A taxa de varredura foi de 1mV/s. 61 - O software GPES versão 4.4 foi utilizado para a obtenção da curva de potencial em função do logaritmo da densidade da corrente; - As amostras foram observadas e fotografadas em microscópio óptico. De acordo com as condições apresentadas, o potencial de circuito aberto obtido foi de 85mV. A partir desses resultados, foram feitas modificações na máquina de ataque eletrolítico marca Metapolyt com o intuito de implementar a preparação e o ataque químico na PUC-MG. 3.6 PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL O estudo da soldagem por resistência do aço inoxidável AISI 409 envolveu uma série de testes. Nos experimentos, dois parâmetros do processo (força e tempo de soldagem) foram variados e a influência destes nas demais variáveis foram avaliadas. Os tempos de soldagem foram de 1, 1,5 e 2s e a força aplicada foi de 0, 300 e 600N. Os testes foram realizados à temperatura ambiente e com préaquecimento até 150oC. Em todos os testes realizados, gás nitrogênio foi injetado a uma vazão de 30l/min nos corpos-de-prova. Na Tabela 3.1 são apresentados os diferentes ensaios realizados, com os respectivos parâmetros. Testes com tempo de soldagem de 0,5s e 3s também foram realizados. Entretanto, verificou-se que, no primeiro caso, o tempo de soldagem foi insuficiente e, no segundo, muito grande, havendo fusão excessiva de material na interface. 62 TABELA 3.1 Parâmetros dos Ensaios Realizados Ensaio Tempo de soldagem Força Pré- Tempo de gás N2 (no) (s) (N) aquecimento (s) 01 1 600 Não 15 02 1 300 Não 15 03 1 0 não 15 04 1 600 sim 15 05 1 300 sim 15 06 1 0 sim 15 07 1,5 600 não 15 08 1,5 300 não 15 09 1,5 0 não 15 10 1,5 600 sim 15 11 1,5 300 sim 15 12 1,5 0 sim 15 13 2 600 não 15 14 2 300 não 15 15 2 0 não 15 16 2 600 sim 15 17 2 300 sim 15 18 2 0 sim 15 Fonte: Próprio trabalho 63 4 DISCUSSÃO DE RESULTADOS 4.1 ANÁLISE QUÍMICA A composição química aço AISI 409 usado nos ensaios foi determinada por meio de espectrometria ótica de emissão, em equipamento modelo SRS3000. O resultado da análise química é mostrado na Tabela 4.1. TABELA 4.1 Composição química do aço utilizado nos experimentos C (ppm) %Mn %Si 70 0,13 %P %S %Cr %Ni %Ti %Nb 0,46 0,027 0,001 11,26 0,18 0,161 0,016 N (ppm) 66 Fonte: Próprio trabalho Observa-se que o teor de elementos gamagênios (C e N) é baixo. A baixa concentração desses elementos, aliada ao elevado teor de Cr presente no aço faz com que a microestrutura do material seja completamente ferrítica. Pode-se perceber, também, que se trata de um aço duplamente estabilizado, com Ti e Nb, o que elimina a transformação ferrita-austenita em temperaturas elevadas. Os elementos Ti e Nb (além do V) possuem ainda o papel adicional de formar carbonetos. 64 4.2 CALIBRAÇÃO DOS SENSORES 4.2.1 Calibração dos Termopares A curva de calibração obtida, no intervalo de temperaturas entre 100oC e 900oC, é mostrada na Figura 4.1. Figura 4.1: Curva de Calibração dos termopares em função do sinal de tensão amplificado Fonte: R. Rêgo, 2005 A Equação 4.1, que resultou do ajuste linear entre os pontos medidos da curva de calibração, foi usada para obtenção da temperatura medida pelo termopar em função do valor de tensão medido pelo sistema: y = 240,98 + 89,21 onde: y representa o valor de temperatura (oC); (4.1) 65 x representa o valor de tensão adquirido pelo sistema (V); A Figura 4.2 mostra o perfil de temperaturas, para os 3 valores de força aplicada, obtido para um teste realizado com pré-aquecimento. Como se pode perceber, a temperatura de pré-aquecimento é de aproximadamente 120ºC. Observa-se, no entanto, que o controle de pré-aquecimento não é feito por temperatura e sim, por tempo. No caso do gráfico apresentado na Figura 4.2, bem como em todas as demais situações em que esse recurso foi utilizado, o tempo de pré-aquecimento foi igual a 3s. Figura 4.2: Evolução da temperatura para o tempo de soldagem de 1s, com pré-aquecimento. Fonte: Presente trabalho As temperaturas foram medidas à distância de 3mm da linha de soldagem. Embora a localização ideal para o termopar seja sobre a linha de soldagem, tal configuração provou ser de difícil implementação prática uma vez que durante a 66 soldagem há deformação dos corpos-de-prova na interface e, freqüentemente, perda do ponto de fixação do termopar. 4.2.2 Calibração da Célula de Carga A curva de calibração é mostrada no gráfico da Figura 4.3, onde se comparam os valores de tensão (em mV) gerados pela célula de carga testada com os valores de força (em kN) fornecidos pela máquina de tração. Figura 4.3: Curva de calibração da célula de carga Fonte: Centro de Desenvolvimento de Tecnologia Nuclear (CDTN) O ajuste linear entre as duas grandezas resultou na Equação 4.2: y = 0,988 + 6,425 × 10−4 x (4.2) 67 onde: x representa o valor de força (N); y representa a leitura da célula de carga (mV); A Figura 4.4 apresenta a evolução do sinal de força com o tempo, medido durante a soldagem realizada sem pré-aquecimento, com força de 300N e tempo de soldagem igual a 1,5s. Como se pode perceber, a força aplicada cresce durante a soldagem, e o valor de referência citado igual a 300N é, na verdade, apenas o valor da força inicial. Esse aumento ocorre porque, à medida que os corpos-de-prova se aquecem, ocorre expansão térmica do material gerando compressão adicional na célula de carga. Figura 4.4: Evolução da força durante a soldagem, com tempo de soldagem de 1,5s, sem préaquecimento e força aplicada de 300N Fonte: Presente trabalho 68 4.3 CORRENTE E TENSÃO DE SOLDAGEM Com o objetivo de facilitar o entendimento do tratamento dado às leituras de corrente e tensão de soldagem, apresenta-se, nas Figuras 4.5 e 4.6, os sinais adquiridos que representam essas grandezas. O teste escolhido para exemplificar o procedimento a ser descrito foi realizado sem pré-aquecimento, com força aplicada de 600N e tempo de soldagem de 1s. Os dados mostrados nas Figuras 4.5 e 4.6 são os sinais brutos (em volts) coletados pela placa de aquisição de dados. Figura 4.5: Dados correspondentes ao sinal de tensão adquirido durante a soldagem, com tempo de soldagem de 1s e força de 600N Fonte: Presente trabalho 69 Figura 4.6: Dados correspondentes ao sinal de corrente adquirido durante a soldagem, com tempo de soldagem de 1s e força de 600N Fonte: Presente trabalho Não se espera que haja diferença de fases entre o sinal de corrente e tensão pois o circuito de soldagem é constitui, do ponto de vista elétrico, uma carga puramente resistiva, de tal forma que a resistência dinâmica é calculada aplicandose, diretamente, a lei de Ohm. De fato, pode-se observar que corrente e tensão encontram-se em fase no gráfico da Figura 4.7 (os sinais estão invertidos devido à troca de polaridade dos cabos de ligação). Para a realização do cálculo da resistência dinâmica, foram tomados os valores eficazes de tensão e corrente, obtidos por meio da Equação 3.2. A corrente eficaz é mostrada no gráfico da Figura 4.8 e a tensão eficaz no gráfico da Figura 4.9. Nos gráficos, pode-se perceber que os valores RMS, tanto da tensão como da corrente, caem após pouco menos de 1s (antes do desligamento da máquina). Isso se deve ao fato de que cada valor eficaz é calculado para um conjunto de pontos medidos. Assim, o valor eficaz é subestimado 70 devido à inclusão, no cálculo, de valores correspondentes ao tempo em que a máquina está desligada. Figura 4.7: Relação de fases entre tesão e corrente Fonte: Presente trabalho Figura 4.8: Corrente eficaz de soldagem, comparada com o valor realmente medido Fonte: Presente trabalho 71 Figura 4.9: Tensão eficaz de soldagem, comparada com o valor realmente medido Fonte: Presente trabalho 4.4 RESISTÊNCIA DINÂMICA Os resultados de resistência dinâmica para o tempo de soldagem de 1s, sem pré-aquecimento, são mostrados nas Figuras 4.10, 4.11, 4.12. A resistência média e a taxa de variação da resistência com o tempo estão indicadas em cada gráfico. As resistências dinâmicas médias obtidas em cada caso com os respectivos desviopadrão são mostrados na Tabela 4.2. 72 TABELA 4.2 Composição química do aço utilizado nos experimentos Força (N) Resistência media (mΩ) Desvio padrão (mΩ) 0 0,639 0,011 300 0,667 0,021 600 0,633 0,025 Fonte: Próprio trabalho Figura 4.10: Evolução da resistência dinâmica, para o tempo de soldagem de 1s, sem préaquecimento e sem força aplicada Fonte: Presente trabalho 73 Figura 4.11: Evolução da resistência dinâmica, para o tempo de soldagem de 1s, sem préaquecimento e com força aplicada de 300N Fonte: Presente trabalho Figura 4.12: Evolução da resistência dinâmica, para o tempo de soldagem de 1s, sem préaquecimento e com força aplicada de 600N Fonte: Presente trabalho 74 Como se pode perceber, a menor resistência dinâmica média ocorreu para o caso em que houve maior força aplicada, conforme esperado (TANG et al, 2000; CHIEN e KANNATAY-ASIBU, 2002). Entretanto, a resistência dinâmica média para o ensaio realizado sem carga (Figura 4.10) foi menor do que no ensaio realizado com força aplicada de 300N (Figura 4.11). O valor inicial da resistência dinâmica é muito próximo em todos os casos (0,64mΩ, 0,63mΩ e 0,61mΩ para, respectivamente, forças aplicadas iguais a 0, 300N e 600N). A maior resistência média observada no ensaio em que se aplicou 300N se justifica, portanto, pelo crescimento da resistência dinâmica durante a soldagem, oriundo do aumento da temperatura das chapas e, conseqüentemente, aumento da resistividade do material. Observa-se ainda que, em todas as situações onde há força aplicada, a taxa de variação da resistência dinâmica é maior do que quando não há força aplicada. Os valores iniciais de resistência dinâmica foram medidos à temperatura ambiente para os três corpos-de-prova, com as cargas de 600, 300 e 0N. Entretanto, havendo pré-aquecimento das chapas, observa-se que há variação dos valores iniciais de resistência dinâmica de acordo com a força aplicada. As Figuras 4.13, 4.14 e 4.15 mostram a evolução da resistência dinâmica em função do tempo de soldagem para amostras pré-aquecidas em 100oC. Os valores iniciais de resistência dinâmica foram, aproximadamente, de: 0,77mΩ (600N), 0,95mΩ (300N) e 0,98 (0N). Tal comportamento sugere que, para forças de até 600N, a temperatura exerce mais influência sobre a resistência dinâmica do que a força aplicada. 75 Figura 4.13: Evolução da resistência dinâmica, para o tempo de soldagem de 1s, com préaquecimento e sem aplicação de força Fonte: Presente trabalho Figura 4.14: Evolução da resistência dinâmica, para o tempo de soldagem de 1s, com préaquecimento e com força aplicada de 300N Fonte: Presente trabalho 76 Figura 4.15: Evolução da resistência dinâmica, para o tempo de soldagem de 1s, com préaquecimento e com força aplicada de 600N Fonte: Presente trabalho Para maiores tempos de soldagem, o comportamento da resistência dinâmica difere do apresentada até aqui. A Figura 4.16 mostra a evolução da resistência dinâmica para o tempo de soldagem de 2s, força aplicada de 600N, sem préaquecimento. O valor inicial da resistência dinâmica (RA) foi de 0,78mΩ. Nos primeiros instantes da soldagem, provavelmente devido à oxidação do material há uma elevação da resistência dinâmica. Posteriormente, ocorre quebra dos óxidos presentes nas superfícies das peças pela ação da força aplicada, com decréscimo da resistência dinâmica (RB). Com o aquecimento das chapas, a resistividade elétrica de ambos materiais sobe o que eleva a resistência dinâmica do sistema até o valor de 0,79mΩ (RC). Em seguida, ocorre a deformação das chapas na zona de união com queda da resistência dinâmica até o valor de 0,51mΩ (RD). 77 Figura 4.16: Evolução da resistência dinâmica, para o tempo de soldagem de 2s, sem préaquecimento e com força aplicada de 600N Fonte: Presente trabalho O mesmo comportamento foi evidenciado para tempos de soldagem de 3s em que houve aplicação de força. Nas Figuras 4.17 e 4.18, mostra-se, respectivamente, a evolução da resistência dinâmica e a fotografia evidenciando dobramento das chapas para tempo de soldagem de 3s com aplicação de força igual a 600N. Como se pode notar o aumento da área de contato que ocorre em virtude do dobramento das chapas se reflete no comportamento da resistência dinâmica, que apresenta uma queda logo após 4s. A deformação sofrida pelas chapas também é evidenciada na Figura 4.19, que mostra o gráfico da evolução da força com tempo, durante a soldagem. A queda observada no valor da força logo após o tempo de 5s ocorre quando o material cede à aplicação de força e deforma, produzindo movimentação do sistema de garras. 78 Figura 4.17: Corpo-de-prova submetido à soldagem por 3s, com força aplicada de 600N sem pré-aquecimento. Fonte: Presente trabalho Figura 4.18: Evolução da resistência dinâmica para o tempo de soldagem de 3s, sem préaquecimento e força aplicada de 600N. Fonte: Presente trabalho 79 Figura 4.19: Evolução da força durante a soldagem para o tempo de soldagem de 3s, força aplicada de 600N, sem pré-aquecimento. Fonte: Presente trabalho O mesmo efeito foi observado para o tempo de soldagem de 3s, porém com força aplicada de 300N. Para ilustrar esse fenômeno são apresentadas nas Figuras 4.20, 4.21 e 4.22, respectivamente, a fotografia do corpo-de-prova deformado, a evolução da resistência dinâmica e a evolução da força aplicada. 80 Figura 4.20: Corpo-de-prova submetido à soldagem por 3s, com força aplicada de 300N sem pré-aquecimento. Fonte: Presente trabalho Figura 4.21: Evolução da resistência dinâmica para o tempo de soldagem de 3s, sem préaquecimento e força aplicada de 300N. Fonte: Presente trabalho 81 Figura 4.22: Evolução da força durante a soldagem para o tempo de soldagem de 3s, força aplicada de 300N, sem pré-aquecimento. Fonte: Presente trabalho O dobramento das chapas fez com que e a união não ocorresse entre as superfícies de contato originais. Esse problema é atribuído à falta de rigidez do sistema de garras da máquina de soldagem que é incapaz de prover um alinhamento perfeito entre as amostras quando há força aplicada. Devido a essas limitações, estabelece-se que, para as condições desse trabalho, não se deve ultrapassar o tempo de soldagem de 2s. Um segundo problema identificado na soldagem é mostrado na Figura 4.23, que mostra os corpos-de-prova soldados com tempo de 3s, sem aplicação de força e sem pré-aquecimento. Nesse caso a expansão do material na junta, na ausência de uma força de compressão que levasse os corpos-de-prova a permanecerem em contato, levou à expulsão de material da linha de soldagem com rompimento dos corpos-de-prova. Tal efeito pode ser observado na curva de resistência dinâmica 82 (mostrada na Figura 4.24) que apresenta um crescimento que tende ao infinito no final da soldagem. Esse crescimento ocorre pois, com a separação dos materiais, não mais há circulação de corrente elétrica. Figura 4.23: Corpo-de-prova submetido à soldagem por 3s, sem força aplicada e sem préaquecimento. Fonte: Presente trabalho 83 Figura 4.24: Evolução da resistência dinâmica para o tempo de soldagem de 3s, sem força aplicada e sem pré-aquecimento Fonte: Presente trabalho A Figura 4.25 relaciona os resultados de resistência dinâmica e força aplicada obtidos para os diversos tempos de soldagem empregados. A tendência observada na Figura 4.25 é que, com o aumento dos tempos de soldagem empregados, a resistência dinâmica média se torne menor. Nos casos em que houve aplicação de força, com tempos maiores de soldagem (3s), a diminuição se justifica devido à queda da resistência ao final do processo. 84 Figura 4.25: Evolução da resistência dinâmica média em função do tempo de soldagem para as forças aplicadas de 0, 300 e 600N Fonte: Presente trabalho 4.5 ANÁLISE METALOGRÁFICA A Figuras 4.26 (a), (b) e (c) mostram a macroestrutura de uma junta soldada com pré-aquecimento, sem força aplicada, com tempo de soldagem de 1s. A Figura 4.26 (a) mostra que a linha de soldagem, na sua quase totalidade, não apresentou perfeita união, e, também, irregularidade na linha de soldagem ao longo do comprimento. 85 Figura 4.26 (a): Macrografia de uma junta soldada com pré-aquecimento, sem força aplicada e tempo de soldagem de 1s. Ampliação: 100X. Fonte: Presente trabalho A Figura 4.26 (b) apresenta detalhe da figura anterior onde se observa a presença de material oxidado material oxidado e, também, possivelmente, cristal de inclusão não metálica. 86 Material oxidado Inclusão não metálica Figura 4.26 (b): Macrografia de uma junta soldada com pré-aquecimento, sem força aplicada e tempo de soldagem de 1s. Ampliação: 200X. Fonte: Presente trabalho A Figura 4.26 (c) mostra região com união perfeita e, também, irregularidades no processo de junção. Não se constatou estrutura de material fundido e, parece que houve algum crescimento de grão próximo à região de contato. É interessante notar que na Figura 4.26 (c) se comprova que a soldagem ocorre por deformação. Havendo fusão, espera-se que haja nucleação de novos grãos na linha de soldagem com estrutura colunar, como pode ser observado na Figura 2.3, que mostra a zona fundida de um aço inoxidável ferrítico submetido à soldagem por laser. Na soldagem 87 empregada no presente trabalho, tal fenômeno não se observa uma vez que os grãos adjacentes à linha de soldagem possuem o mesmo aspecto dos grãos do metal base. Figura 4.26 (c): Macrografia de uma junta soldada com pré-aquecimento, sem força aplicada e tempo de soldagem de 1s. Ampliação: 500X. Fonte: Presente trabalho As Figura 4.27 (a), (b) e (c) mostram a macroestrutura de uma junta soldada com pré-aquecimento, força aplicada de 300N e tempo de soldagem de 1s. A Figura 4.27(a) mostra que houve redução na presença de óxido com o aumento da força 88 aplicada. Além disso, observa-se que houve acréscimo da região de caldeamento entre os corpos-de-prova. Figura 4.27 (a): Macrografia de uma junta soldada com pré-aquecimento, com força aplicada de 300N e tempo de soldagem de 1s. Ampliação: 100X. Fonte: Presente trabalho A Figura 4.27 (b) mostra detalhe da figura anterior na região de caldeamento. Com a aplicação de força, as irregularidades na linha de soldagem diminuem. 89 Figura 4.27 (b): Macrografia de uma junta soldada com pré-aquecimento, com força aplicada de 300N e tempo de soldagem de 1s. Ampliação: 200X. Fonte: Presente trabalho A Figura 4.27(c) mostra a microestrutura do metal base para a solda da Figura 4.27. 90 Figura 4.27: Macrografia do metal base de uma junta soldada com pré-aquecimento, com força aplicada de 300N e tempo de soldagem de 1s. Ampliação: 200X. Fonte: Presente trabalho 91 5 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES 5.1 CONCLUSÕES As principais conclusões realizadas no decorrer do trabalho foram: 1. À temperatura ambiente, ao se aplicar força em uma faixa de 0 a 600N não há variação da resistência de contato na soldagem do aço inoxidável AISI 409. 2. A influência da temperatura de pré-aquecimento sobre o valor inicial da resistência dinâmica é maior do que a influência de forças aplicadas de até 600N. 3. O aumento da força aplicada durante a soldagem acarreta em um aumento da taxa de variação da resistência dinâmica. 4. A resistência dinâmica é um fator importante para o controle de qualidade da solda. 5. O aumento da força aplicada favorece a eliminação de irregularidades na linha soldada, bem como a diminuição de material oxidado entre as superfícies de contato das peças. 6. Para o aparato experimental utilizado, com força aplicada de até 600N, o tempo de soldagem deve situar-se entre 1 e 2s. 92 5.2 SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS 1. Realizar modificações estruturais na máquina de soldagem com o objetivo de aumentar a rigidez do sistema e evitar problemas de dobramento das chapas durante a soldagem. 2. Realizar medições de temperatura na linha de soldagem. 3. Caracterizar as inclusões e os óxidos que se formam na interface entre os corpos-de-prova, identificados com microscopia óptica. 4. Estudar a soldabilidade de diferentes materiais. 93 6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS American Welding Society, 1991, Welding Handbook – Welding Processes, 8ed., Miami, American Welding Society. Baptista, Manuel N., 2002, Simulação da Soldagem por ERW de Tubos de Aço Inoxidável Ferrítico AISI para Sistemas de Exaustão Automotivos, Dissertação de Mestrado, Pós-Graduação em Engenharia Mecânica, USP, SP, Brasil. Bastian, B. J., W, 1976, Welding and Brazing of Carbon Steels Book 3 – Resistance Welding, 1ed., New York, American Society for Metals. Bayraktar, E., Moiron J. e Kaplan, D., 2006, “Effect of welding conditions on the formability characteristics of thin steel sheets: Mechanical and metallurgical effects”, Journal of Materials Processing Technology, vol. 175, pág. 20-26. Cary, Howard B., 1998, Modern Welding Technology, 4ed., New Jersey, Prentice Hall. Cavazos, J. 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