O curso
Este curso reúne muito do conhecimento teórico e prático acumulado em anos de torneios
e vôos de cross.
A proposta do curso é passar uma visão diferente da atmosfera , menos teórica e mais
prática , onde vocês passem a enxergar alguns efeitos que façam diferença na hora de
tomar decisões e amplie seu prazer de voar.
Só o fato de sabermos que certos efeitos existem, nos fará pensar , e com isto poderemos
evoluir no que mais gostamos de fazer.
Infelizmente a evolução é lenta , e seu conhecimento só se consolidará com o tempo de
vôo, horas voadas, locais e condições diferentes que encontrarem.
O pouso
Como nossa meta é voar distâncias cada vez maiores, vamos dificilmente pousar em locais
conhecidos, portanto devemos saber de algumas coisas:
Se você se machucar no pouso num local como Ceará, tenha um seguro de saúde muito
bom e se prepare para andar horas de carro até o hospital mais próximo.
Ou seja , não vale a pena se expor a uma situação de risco pôr alguns quilômetros ou alguns
pontos a mais.
Sempre gostamos de pousar perto de alguma casa ou estrada ou lugar plano, lembre-se que
estes são os locais prediletos da companhia elétrica para passar fios.
Evite pousar em vales, pois pode encontrar venturi ou fios altos difíceis de se ver.
Capriche no pouso, como se quisesse demonstrar em um filme para alunos.
Tire os óculos quando pousar a tarde.
Não esqueça de reportar o seu local de pouso para o resgate ainda em vôo.
Tenha uma boa antena de ganho.
Gosto de pousar no topo de morrotes , o vento é mais limpo, menor a chance de ter fios,
mais fácil de falar no rádio.
Porque ser rápido.
Normalmente o nosso vôo acaba porque não se tem mais térmicas, ou seja, o dia acabouse. Assim, para poder fazer grandes distancias é muito importante ser rápido.
Competições medem velocidade .
1
Considerações sobre a atmosfera e as térmicas
Muitas vezes quando voamos sofremos alguns efeitos que não compreendemos, e isto nos
deixam completamente perdidos. Por isso comecei a pesquisar e observar alguns
fenômenos que poderão auxiliar nesta melhor visualização .
Para melhor entender a atmosfera , nós temos que ter em mente que o tempo que as coisas
acontecem são muito diferentes. Os acontecimentos são muito mais lentos do que
conseguimos enxergar,e um dos grandes macetes é passar a ver a atmosfera como se fosse
uma câmera acelerada, onde poderíamos ver claramente a formação das nuvens, as regiões
de buracos azuis se movendo, as nuvens de alta altitude se deslocando.
Para ter esta visão uso uma técnica , que consiste em tirar fotos mentais das nuvens, da
condição para onde quero ir e de onde vim, assim posso comparar mais facilmente os
“quadros” e julgar a melhor rota e a evolução da condição .
Muito importante também é de tentar ver os movimentos do ar da atmosfera.
Normalmente achamos que o ar é meio independente, mas na verdade é muito conectado,
quando uma térmica descola do chão, ela está influenciando uma grande região próxima,
causando descendentes, ventos e turbulência que pode iniciar uma grande reação em cadeia
e mudar muito a condição local.
Tente imaginar uma térmica subindo, algo com cerca de 200 m de diâmetro e 400 metros
de altura. Isto dá 80 Toneladas de ar !! Imagine o efeito que causará toda esta massa se
deslocando. Imagine este volume tomando conta do ar que esta subindo e o ar que esta
caindo, parece uma grande confusão, porem possui certos padrões que podemos tentar
visualizar .
Quando conseguir visualizar estes movimentos estará entendendo melhor a atmosfera e
voando melhor.
Um exercício legal de ser feito é observar riachos. Vendo os movimentos da água ou
pequenas poças depois de movimentadas, observando os redemoinhos, as convergências e
como uma perturbação se propaga por muito tempo e atinge toda a área . Depois imagine o
ar se comportando similarmente, claro que numa escala de tempo e proporção muito
maiores.
Efeitos e propriedades do ar que devemos prestar mais atenção
Massa
Viscosidade
Aderência ao solo
Elasticidade
Efeito “tampão” das camadas superiores
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Devemos ter estes efeitos/ propriedades sempre em mente para podermos enxergar as
“montanhas” invisíveis que lutamos para seguir , estas montanhas são as grande regiões de
descendentes e as regiões de ascendentes.
Quero dizer com isto que na atmosfera se formam estas regiões , que vêm da interação dos
ventos , do relevo e de todas as propriedades da atmosfera ou seja teremos grandes
movimentos ascendentes e logo depois movimentos descendentes. O ar será difícil de
começar a se movimentar e também será difícil de fazê-lo parar, ou seja, tem uma grande
inércia. Os efeitos se propagarão, refletindo no solo ou em montanhas.
Seguir estas regiões, saber onde elas estão para cruzá-las mais eficientemente será um
grande salto na sua qualidade de vôo.
Quanto ao efeito tampão, quero dizer que o ar acima das térmicas, pode funcionar como
uma tampa, um bloqueio para as térmicas, e quando este bloqueio é rompido fica o “furo”
nas camadas superiores. Este furo se move bastante, levado pelos ventos, e aumenta ou
diminui de tamanho, dependendo da intensidade da térmica, ou seja, o ciclo da térmica .
Do lado de trás deste furo, em relação ao vento, se forma uma esteira de turbulência
causada pelo rotor da própria térmica, por bolhas arrancadas da térmica e por pequenas
térmicas atraídas por reste rotor.
O momento de formação do furo, sua maturidade e seu colapso são fases muito diferentes
e, assim sendo, devem ser tratados de maneiras diferentes para sermos mais eficientes na
térmica.
Esta esteira de perturbação será um ótimo indicador de onde estará a próxima térmica e
formando as cloud streams
Térmicas
A forma das térmicas
Como podemos render mais numa térmica? Considerando que não existem diferenças de
equipamento, quem rende mais é normalmente quem tem a térmica mais bem visualizada,
sabendo para onde ela esta indo, por onde virá a nova bolha, ou seja, como se manter no ar
até o próximo ciclo e, quando cair da térmica, voltar rapidamente para o centro mais forte.
Para render mais nestas condições é super importante ter uma boa visualização da térmica ,
com isto usar um correto método de centragem para cada tipo de térmica e situação e usar
toda a informação que o GPS possa te dar.
Em térmicas fáceis, todos sobem por igual, até sacos de lixo. Em condições mais difíceis
que temos de ser bons !!!
A forma que a térmica se apresenta varia muito com sua intensidade e a força do vento,
podendo ir de colunas bem comportadas, passando por bolhas rolantes e ate as “ondas”
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Uma térmica possui basicamente três fases básicas: sua formação, maturidade e colapso.
Estas fases podem alternar-se numa mesma térmica. Isto acontecerá quando ela encontrar
uma inversão ou um cisalhamento. Por isso, é super importante identificar estes fenômenos
quando acontecem.
Em cada fase da térmica ela apresenta uma forma básica. Na fase de formação, as bolhas
pequenas se tendem a agrupar rolando e com derivadas não muito definidas; Na fase de
consolidação, a derivada é mais continua, sendo mais fácil a centralização, principalmente
com o GPS; Na fase em que ela se dissipa, se mande !!!! A não ser que tenha um bom
motivo para ficar no zerinho derivado.
É difícil generalizar como é a forma de uma térmica, como ela sobe, onde é mais forte e
quando vai parar ou ficar mais forte, portanto não desanime, é ruim para todos !!!!
Para se ter um bom rendimento numa térmica é preciso muita experiência para se adaptar
as suas manhas, uma das maneiras mais práticas é se usar a técnica dos urubus, a regra da
inclinação e o GPS .
Em condições muito especiais, como pouco ou nenhum vento, sem a presença de inversões,
com energia necessária disponível e o gradiente adiabático normal, teremos térmicas bem
comportadas, na forma clássica que conhecemos, que é de uma bela coluna praticamente
uniforme, porem, até mesmo nestas condições esta térmica apresentara ciclos.
Acontece que quando temos todos estes fatores influenciando a térmica , teremos formas
nada tradicionais que precisamos visualizar para melhor aproveitarmos esta ascendente.
Em geral, o que acontecerá será a inclinação da coluna e um arrancamento de parte das
bolhas formando uma trilha de turbulência, com ventos fortes e uma potência da térmica
menor, teremos bolhas individuais .
Em alguns momentos especiais da térmica, como o nascimento ou quando se encontra com
alguma inversão, teremos alguns efeitos específicos, dependendo dos fatores citados acima.
Algumas das formas de térmicas que consigo generalizar são
Forma de arvore:
Com raízes, tronco e sendo a copa da arvore a nuvem. Esta é uma visão simplista e
tradicional que ocorre somente quando a potência da térmica é grande em relação ao
vento.
Forma de cortina ( linhas de perturbação ) .
Forma básica para quase todas elas. A cortina ou linha de turbulência se forma com o
arrancamento de bolhas da coluna principal e pela diferença de intensidade da térmica, os
ciclos . Isto provocará uma inclinação variável da térmica , esta térmica então ficará quase
vertical , no momento de maior intensidade , até ter uma grande inclinação , no momento
de menor intensidade.
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Forma de bolhas:
As bolhas ocorrem em dias onde a potência ( Energia própria + Gradiente térmico ) da
térmica é pequena em relação ao vento. E como se o vento partisse as colunas e não
permitisse que as bolhas se unissem para formar as colunas .
Muitas vezes temos uma mistura de bolhas , e a forma de cortina
Forma de onda:
Ocorre a baixas e medias altitudes, quando temos uma grande energia acumulada perto do
solo e o vento é muito forte , em um momento onde este sistema fica instável , ele começa
a subir e forma como se fosse uma montanha , porem de ar , subindo e forçando o vento
forte a passar sobre a térmica .Este sistema entra em colapso em um dado momento , com
o vento cortando a onda e formando bolhas que derivam bastante , isto ocorre muito no
Ceará , logo na decolagem .
Muitas destas formas estão presentes numa mesma térmica. Ela vai mudando de forma de
acordo com as variações de direção de vento, inversões, altura, presença de outras térmicas
próximas, ciclos etc. ..
Cada uma delas se comporta de uma maneira peculiar, e para termos melhor rendimento
temos de nos comportar de maneiras diferentes.
Muito importante é que alguns padrões tendem a se repetir, pôr exemplo:
As inversões, ou seja, o ponto onde a térmica se quebra.
A tendência de se perder a térmica, contra , a favor, ou lateralmente em relação ao vento.
Neste caso, muita atenção com os ciclos, que vão ajudar a definir esta tendência .
A intensidade da térmica
O tamanho das bolhas , colunas ou qualquer outra forma identificada.
Ou seja, adapte seu método de centragem constantemente de acordo com a
condição.
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Forma padrão de uma térmica , com inversão e sem vento
Inversão
Colunas formadas por
bolhas grandes e
alongadas , estas
bolhas tem a
tendência de mudar de
posição , exigindo
uma centragem
constante .
Perfil da térmica
sem vento
Bolhas girando e
convergindo
Inversões e cisalhamento
Uma inversão é a mudança do fator de resfriamento do ar em relação ao aumento da
altitude. Normalmente, o ar resfria-se a uma taxa de 1 grau a cada 100 metros ( D.A.L.R. ),
quando esta taxa muda , ao ponto da temperatura até esquentar com uma maior altitude,
dizemos que estamos tendo uma inversão térmica. Praticamente o que sentimos é uma
perda de força da ascendente, podendo esta quebrar-se e parar de subir ou ir subindo bem
lentamente.
Algumas vezes conseguimos ultrapassar a inversão e continuar subindo, porem devemos
avaliar se será mais vantajoso aproveitar a fase “doce” da térmica
As vezes podemos identificar a inversão como uma faixa nebulosa a uma certa altitude.
Quando estamos subindo numa termal e sentimos que em um certo momento ela parece se
esfacelar. Pode não ser uma inversão e sim uma camada de cisalhamento, ou seja, uma
camada onde o vento está mudando de direção.
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Devemos ficar muito atentos a este tipo de efeito, pois podemos ter grandes variações de
direção, ou ter uma faixa de convergência; com isto podemos ser muito mais eficientes.
Há ocasiões onde existem várias zonas onde a razão de resfriamento do ar muda , assim
como a direção do vento. Algumas destas zonas estão abaixo de uma certa altitude, o
importante é tentar não ficar abaixo desta faixa .
Um fato interessante é que, por causa de um destes efeitos descritos acima , temos térmicas
que não saem do chão e sim de uma certa altitude. Então muito importante é escolher uma
melhor faixa de altitude para se trabalhar .
Centragem
O mais importante é que em cada região, em cada dia ou hora , existem padrões de
térmicas que se repetem. Identificar o padrão da térmica onde você está é importantíssimo
, e para cada um destes padrões temos de ter estratégias especificas para poder subir mais
eficientemente.
Pôr exemplo, girar rapidamente a favor do vento ou rápido contra o vento, passar pelo
primeiro miolo e enroscar no segundo, derivar mais ou menos , rodar em apenas meia
térmica, forçar para um dos lados da térmica etc..
Duas regras principais para subir muito rápido: faca um mapa mental da térmica , usando
referências geográficas, gps e o vario para saber exatamente onde esta e qual a taxa de
subida da térmica; e lembre-se de sempre pesquisar , sempre procure para onde a térmica
foi , e onde está o centro mais forte , não ache que você é um gênio , que centrou
rapidamente e esta tudo bem .
Sobe mais rápido quem se adapta constantemente as mudanças da térmica, quem acha o
miolo quando ele muda de lugar , todos sobem muito bem em térmicas grandes e definidas .
Princípios básicos
0
O ideal é que já tenha um padrão aproximado da estrutura da térmica , que para
determinar, você voou nos dias anteriores , observou outros voadores e decolou cedo para
testar a condição , já feito isto fica muito mais fácil centrar.
1
Encontrou sinal da térmica, tenha em mente o tamanho da área de perturbação ,
deixe penetrar na melhor parte ,gire contra o vento , se trombar diretamente numa parte
forte , gire no sentido contrário da tendência provocada pela térmica , mantenha se dentro
da termal, fique girando , mentalize o tamanho do miolo, sua intensidade, e sua
localização, usando referências geográficas e GPS.
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Pesquisa do centro, do tamanho e da deriva da térmica, fazendo um 270º + 360º ,
dependendo
do padrão da região , não vale a pena pesquisar.
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Otimização da taxa de subida usando regra da inclinação , tática do urubu e gps.
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4
Repetir fases anteriores e :
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Determinar a parte “doce” da térmica , em função dos dias anteriores , de outros
voadores , e da sua taxa de subida. Neste ponto sempre pense em Mc Ready e speed to
fly.
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Hora de sair da térmica
A quinta e a sexta fase têm de ser usadas em todas as fases da térmica e quando
possível nas transições , observando outros voadores.
Lembre-se que para ser eficiente numa térmica é muito importante que você seja suave
dentro dela, o ideal aerodinâmicamente é que você mantenha uma inclinação o tempo todo ,
porém isto é muito difícil. Tente achar um ponto ideal entre correções, sua taxa de subida
e a procura de um centro melhor .
Tudo isto tem de ser feito de olhos bem abertos pois se ver alguém subido mais que você,
não hesite em abandonar sua termal , pôr mais forte que ela seja.
Os padrões de uma térmica se repetem, como tempo do ciclo, local do gatilho, altura da
base ,intensidade, lado melhor, tamanho e forma.
As térmicas na maioria das vezes são cíclicas , isto significa que você pode estar fazendo
tudo certo mas no momento errado, muita atenção nos ciclos.
Regra da inclinação
Lembrem-se que trabalhamos com uma grande defasagem entre nosso comando e a reação da vela, portanto
pense sempre alguns segundos antes do seu comando.
Taxa de subida aumenta , então diminua a inclinação da curva.
Taxa de subida diminui, então aumente a inclinação da curva.
A
B
F
C
H
E
G
D
A Entrada na térmica com tendência , girar para
esquerda.
B Aumentou taxa de subida, diminuir inclinação.
C Diminuiu taxa de subida , aumentar inclinação.
D Igual a 2.
E Diminuir mais ainda a inclinação .
F Igual a 2.
G Igual a 3.
H Manter inclinação, está centralizado.
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Métodos de centragem usando o GPS
O GPS foi uma das invenções que mais me auxiliaram no vôo , a ponto de que se me
perguntassem qual aparelho eu escolheria como mais importante , seria o GPS. Neste
tópico falarei apenas de métodos de Centragem usando este aparelho , mais à frente
veremos outros usos.
Quando estiver voando , é imprescindível que voe com o GPS no modo de gravação de
trilha no automático , e visualizando a tela , num tal ponto que consiga ver pelo menos
umas cinco voltas que você traçou na térmica, estas trilhas que deixamos , mostram vários
detalhes da térmica que nos auxiliam muito , que são :
Cizalhamento e diferentes direções de vento nas camadas e em diferentes regiões
Bolhas se unindo
Inversões
Térmica se dispersando (ciclo acabando)
Térmica aumentando de intensidade (ciclo iniciando)
Melhores rotas para cruzar linhas
Como voltar para a térmica .
Centragem
Para centrar usando o GPS, o principal fator é ver as trilhas em que se está voando , e
tentar supor como será o padrão destas trilhas. Obtendo este padrão , basta seguí-lo.
Porque os urubus voam tão bem ?
Os urubus são voadores locais, ou seja voam muito naquela mesma área ,então conhecem muito bem as
térmicas residentes.
Eles são extremamente observadores , eles usam os outros voadores e urubus como seu vario, ou seja se ligue
nos outros.
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O primeiro Salto
A ligação entre as térmicas e os caminhos do céu
Estruturas de grupo, hexagonais ou linhas ?
Um dos pontos muito importantes para o vôo é identificar as estruturas das formações do
local onde está e estar sincronizado com estas estruturas , ou seja estar no ciclo correto
Existem dias onde o padrão das nuvens é formado pôr células de três , quatro, cinco ou seis
lados , como se fosse uma colmeia de abelhas , este padrão é pouco comum, normalmente
acontece em dias com pouco vento , e onde o relevo não é acidentado.
O tamanho destas células pode ser de um a cinco quilômetros, os vértices são as regiões
que provavelmente estão as térmicas , e as linhas que unem os vértices são linhas de
ascendente e convergência ou descendente e divergência de ventos .
A melhor estratégia nestes dias é ficar muito ligado nos ciclos para não cair em alguma
armadilha , ou seja estar no meio de um local onde terá que andar com vento muito lateral
para chegar na próxima térmica e fugir do ralo que se meteu, os ciclos nas células não são
todos iguais , um lado pode estar formando e o outro dissipando, ocorre uma troca de
energia entre os lados das células, uma das coisas mais importantes é ficar ligado nestes
ciclos olhando a formação das nuvens , se elas estão aumentando , diminuindo ou
estagnadas.
Mesmo estas estruturas possuem alguns alinhamentos , tente enxerga-los e bolar a melhor
rota.O vôo nestas condições exige varias mudanças de rota e é muito tático , como se fosse
um jogo de xadrez
Quanto mais forte o vento , a tendência das células é se alongar ,rompendo as ligações
perpendiculares formando linhas.
Formando
Dissipando
Melhor rota
provável
Vento
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As linhas
No meu ver , as linhas são predominantes em relação às células , principalmente porque
voamos em regiões com vento, porem em locais sem vento vemos os padrões de células
algumas vezes predominarem principalmente se o relevo for plano e não tivermos
influência de frentes , nuvens altas , CBs etc.. Ou seja , formas exagonais são raras.
Existem trilhas bem definidas no céu, isto é uma das coisas mais importantes para se ter
bom rendimento nas tiradas e ser um bom achador de térmicas. Para isso tenha
consciência que existem estes caminhos e esteja concentrado para não se perder nestas
trilhas.
Devemos ver as térmicas como uma grande perturbação que se propaga com o vento, esta
perturbação atrai e deforma as outras perturbações para si , quando está dissipando afasta
estas perturbações de si , provocando convergências que resultam em prováveis gatilhos, e
regiões de alta sustentação, ou baixa descendência.
Voando no Ceará era possível ver e confirmar como estas deformações eram importantes,
através das distorções das fumaças das fogueiras
Uma maneira de se determinar se estamos numa linha de influencia da térmica, é sentindo a
turbulência. Normalmente esta turbulência tem uma baixa taxa de descendência ou uma
pequena ascendência, normalmente nestas linhas é onde as novas térmicas passarão.
Para seguir estas linhas uso uma técnica que chamo de S , fico saindo da linha de
perturbação propositadamente , para cada lado dela , fazendo um S . Assim consigo ter
noção da sua dimensão construir um bom mapa mental da região e assim sentir a linha da
térmica.
Tenha em mente que estas linhas , são mais definidas em médias altitudes.
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Perto de uma base, se não tiver influência de uma estrada de nuvens, atrás dela ocorrerá
fortes descendentes, que as vezes vale a pena contornar.
É imprescindível ficar atento a taxa de queda indicada no vario, principalmente quando ele
não está soando pois nestas horas pode se estar numa descendente e não saber.
Nestes casos imagine que entre as linhas de sustentação, existem as linhas de descendentes,
então para sair destes locais deve-se andar cerca de 90º com o vento até encontrar uma
região de menor descendência; talvez uma região de turbulência indique esta área.
Para melhor varrer uma área a fim de localizarem térmicas, é claro que quando não temos
um gatilho muito claro, devemos voar fazendo um ângulo com o vento, de acordo com o
desespero , este angulo vai até 90º , assim voaremos até achar uma destas linhas de
melhor sustentação ou turbulência .
Quando estiver no topo de uma térmica , muito importante é notar se esta termal está
conectada ou não numa linha; se estiver , siga esta linha , se não estiver, tente contornar a
descendente da termal.
Normalmente o efeito de linha é mais notado a médias altitudes e com ventos. E quando
o vento está muito fraco , temos principalmente grandes colunas como região de
perturbação.
descendente
Gatilhos
Linhas de sustentação
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Quase sempre o caminho mais rápido para chegar ao seu objetivo não é em linha reta,
apesar de ser o mais curto, pois desta maneira poderemos cair em várias regiões de
descendentes. Para ser mais eficiente nestes casos, é preciso fazer o vôo em zig-zag,
contra ou a favor do vento.
Vento
Gol
Gatilhos
O Segundo Salto
Rotor , Vento e convergências como principais gatilhos.
Sempre pense numa térmica como a interação entre a fonte de energia e um
gatilho, os dois estão intimamente ligados .
O gatilho será a fonte de energia com ventos fracos à médios ( depende da fonte de energia
), isto é , cerca de 15 Km/h.
Com ventos mais fortes , o gatilho será uma convergência ou um rotor próximo
O Rotor de uma térmica funciona como um grande gatilho possivelmente pôr funcionar
como um furo nas camadas de ar .
A força de inércia do vento é muitas vezes mais forte que o “empuxo” causado pelo
aquecimento do ar, ou seja, procure como gatilho um local onde tenha convergência de
massas de ar.
Tente observar vales onde o vento seja obrigado à contorná-los e se encontrar novamente
com o vento principal, isto é um grande gatilho.
Um tipo de convergência que não estamos habituados à enxergar, é a causada pela massa
de ar que caiu depois que uma térmica perdeu sua força. Tente enxergar onde esta massa
de ar vai cair. Provavelmente será daí que sairá a próxima térmica; para isto tente ver o
lado da nuvem que está caindo, o topo dela é um ótimo indicador da descendente e da
próxima termal.
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Muitas vezes o ar quente escorre até encontrar um bom gatilho; até o calor de uma
queimada faz isto.
Quando se deparar com uma grade “panela”, tente descobrir pôr onde o ar frio está
entrando; o gatilho provavelmente estará aí.
Uma região alagada, como um brejo é um ótimo gerador de térmicas , porem normalmente
falta um gatilho, procure pôr um, pensando no vento como gatilho.
Com vento mais forte (acima de 15 km/h) costumo procurar mais no rotor, principalmente
se o sol está batendo neste lado , isto acontece muito no Ceará, onde voamos de leste para
oeste.
Devemos tomar muito cuidado com fortes turbulências encontradas no rotor, pois
normalmente elas são mais poderosas que a habilidade de qualquer um de nós!
Muito importante também é prestar atenção no lado da montanha que está sendo insolado,
pois isto pode mudar todas estas regras.
Um efeito importante que deve ser usado, é o efeito de vale no final da tarde , onde o ar frio
desce pelas encostas de um vale e gera uma convergência no seu centro.
As convergências causadas por encontros de massas de ar ou mudanças na direção do
vento, são muito úteis, mas difíceis de se identificar e de permanecer dentro delas. Uma
maneira é sempre tentar cair da convergência para um dos lados, assim você saberá para
que lado procurar ela de novo.
Principais fontes de Energia
Esta tabela serve de potenciais fonte de energia , 10 é o máximo , use o bom senso relação
as cores destas fontes , ângulo de inclinação em relação ao sol , e instabilidade do dia .
Não se esqueça da interação entre varias destas fontes e os gatilhos .
Fogueiras grandes , como canavial florestas .. 10 ( atenção )
Dust devil 9
Usinas e fabricas 8
Transformação de fase da água de vapor para liquido (nuvens ativas) 8
Montanhas com pedras viradas para o sol 8
Convergências de massas de ar 7
Arado ensolarado 7
Cidades . 6
Umidade no solo 5
Lago 5
Periferia das sombras 5
Brejos 5
Plantações no final da tarde 4
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Fontes térmicas para serem usadas no fim do dia
Existem algumas estruturas ou materiais que acumulam mais calor , pôr exemplo cidades,
retêm mais ar aquecido entre as casas e prédios e suas faces são verticais , ou seja aquecem
relativamente mais a tarde , este calor será desprendido até mais tarde , logo que a
atmosfera começar a esfriar , isto acontecera também com plantações mais altas , como
milho e pode acontecer com um grupo de árvores mais isoladas.
O granito é outro exemplo destas fontes tardias de calor que podemos aproveitara no fim do
dia.
Neste caso e assim como outros devemos pensar na condutividade do calor no material em
questão , pôr exemplo a humidade e um grande condutor de calor e normalmente campos
mais úmidos são melhores fontes de térmicas
O terceiro salto
Os ciclos
Para se conseguir avaliar um ciclo é preciso uma observação com um tempo relativamente
longo, no mínimo de algumas horas, o ideal é que se faça esta avaliação alguns dias antes
da competição, pois os ciclos tendem a se repetir , pelo menos um pouco.
Uma correta avaliação dos ciclos significa cerca de 50% do seu vôo, esta avaliação é a
parte que considero mais complexa no vôo.
Dependendo da região que estamos, podemos ter diversos ciclos diferentes; podemos ter
ciclos pela manhã, pela tarde , ciclos que se interrompem logo no início da tarde , ciclos
durante o dia todo , ciclos que só começam à tarde, ou seja uma loucura.
Os ciclos, também não são uniformes em toda uma região , eles muitas vezes se
apresentam como uma faixa, ou região que se movimenta , a qual devemos fazer de tudo
para estar dentro.
A observação da formação das nuvens e da taxa de subida dos outros voadores é o principal
fator para saber se um ciclo está começando ou acabando, muito importante é não ficar
parado quando um bom ciclo começa. Tente andar junto com ele; se o movimento deste
ciclo for muito rápido , tente se adiantar o máximo que puder , para quando ele passar você
conseguir estar o mais à frente e o mais alto possível, para esperar outro ciclo.
A sua velocidade em vôo depende destes ciclos, quando estiver numa fase onde tudo
parece subir, esta é a hora de ser rápido, pise fundo e ande, quando tudo está mais lento, é a
hora de tentar se manter no ar e esperar outro ciclo.
Quando se faz uma avaliação de um ciclo e se define que é a hora de se fazer uma transição
, tome muito cuidado com o tempo que levará para chegar na próxima termal , pois este
pode ser o tempo para o ciclo acabar e você ficar na roubada.
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Muito interessante é a forma na qual se apresenta o perfil de uma térmica em função do
vento e do ciclo.
Com a mentalização deste perfil, podemos definir se devemos procurar o miolo da térmica
a favor ou contra o vento.
Em T1 , o ciclo esta acabando, em T2 aumentando.
Perfil de térmicas
T1
Vento
T2
Movimento do centro
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A linguagem das nuvens
As nuvens escrevem no céu como será o dia de vôo , sua intensidade, seus ciclos e outras
informações; entendermos esta linguagem é imprescindível para voarmos bem.
Alguns detalhes que devemos observar nas nuvens são :
- O mais importante ao observar uma nuvem, é fazer isto com uma boa antecedência, isto
é , enquanto estiver termalizando , olhar para frente e identificar se a nuvem que está
pensando em ir está aumentando ou não , somente isto já significa que não será pego de
surpresa, ao ver aquela nuvem linda desaparecer enquanto estiver indo abraça- lá.
-
Forma da base
côncava :
Ascendência
convexa :
Descendência.
Altura do topo, muito alta , provável chupada , cuidado para não entubar ou ter que
sair
numa rota ruim para fugir da termal forte.
Base Inclinada, escolha a parte mais alta ( nem sempre ) .
Nuvem bem definida, provável atividade.
Nuvem descabelada, se dissipando.
Buracos na nuvem indicam que ela está se dissipando, isto começa pelo topo.
O topo dissipa primeiro que a base , preste atenção !!
Normalmente um lado da nuvem esta dissipando e o outro formando.
Procure entrar em baixo da parte mais alta da nuvem, ou da linha que corta a parte mais
alta desta nuvem, pois o topo pode estar sofrendo uma torção por causa do vento.
Normalmente o lado bom da nuvem é o lado do vento, mas isto pode mudar com o cair
da tarde, o importante é que normalmente num mesmo dia ou às vezes durante todo um
torneio, o lado bom da nuvem e o padrão durante o dia se repetem.
Muito importante é ver o alinhamento das nuvens, para isto uma boa maneira é se
observar as sombras, pois quando estiver muito próximo de uma nuvem, você não
conseguirá enxergar muito longe ( ou nada ) , dificultando sua escolha da rota.
Uma sombra , dependendo do lugar e da hora, define claramente o gatilho, veja de
onde saiu a termal, avalie a distância e veja se dá para chegar lá ou não.
Tente observar para onde a nuvem está derivando, para não entrar numa região onde a
sombra da nuvem está caminhando e sim para a região onde o sol está entrando
principalmente quando estiver baixo.
Observar a velocidade de formação da nuvem é importantíssimo para ter boas
informações sobre os ciclos, e assim saber a hora de esperar ou de tirar.
A cor da nuvem pode indicar a sua maturidade, muito escura pode estar perto de
chover ou se dissipar , porém o ângulo que o sol incide sobre ela pode mudar sua cor e
te enganar.
O topo da nuvem, branco e brilhante indica alta atividade.
Quando chegar perto da base da nuvem , tente observar atentamente onde ela está se
formando ou onde está sem atividade, isto indica ascendentes e descendentes.
Fique muito atento em dias fracos , pois nestes dias se tiver formações elas serão
rápidas , mas nos mostram gatilhos e o alinhamento provável das outras termais.
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Técnicas de vôo , campeonatos
Para ter sucesso no vôo , assim como em quase todos os esportes
você tem de :
Estar bem tecnicamente, mentalmente, fisicamente e ter um equipamento
compatível com o que deseja. Descubra seu ponto fraco e trabalhe nele.
Planejamento a longo prazo.
- Treine em várias condições diferentes
- Simule provas
- Compita com pessoas do seu nível ou melhores.
- Treine analisar os mapas da região.
- Não seja dependente dos instrumentos ( vario e GPS ) , voe sem eles quando tiver
oportunidade.
- Aprenda como ser tático numa competição e conheça bem o regulamento.
- Aprenda como ser malicioso numa competição. ( explico mais a frente )
- Conheça muito bem seu equipamento, tanto eletrônico como a selete e o
parapente; evite mudar algo antes da competição.
- Teste tudo antes da competição, dias antes e no dia anterior à prova ( linhas,
cheque vela, acelerador, roldanas, vario e gps, baterias, waipoints )
- Seja metódico com seu equipamento para não esquecer nada ( tudo sempre no
mesmo lugar, como óculos, baterias, rádio, etc. )
- Esteja atualizado com o seu equipamento, dentro do que você espera na
competição.
- A interação entre os pilotos é a melhor escola que existe , participe de todos os
torneios possíveis.
- Voe sempre, mesmo lift, para ter mais intimidade com seu equipamento.
Alguns métodos de treinamento
Simule provas , escolhendo pilões , horários e um gol.
Escolha um coelho, no caso o pior do grupo para sair na frente e o melhor do grupo saindo
atrás, quem chegar primeiro ou gol é o ganhador .
Provas curtas são muito interessantes para desenvolver velocidade.
Ponha limite máximo de altitude , também é muito interessante em bons dias para ser
rápido.
Provas de pilões próximos , mas sem limite de quantidade de vezes que tem de fazê los ,
funciona como provas de cross , porem no mesmo local , isto é muito bom para entender
ciclos , conhecer bem o local e técnicas de centragem pôr gps .
Triângulos são também muito bons para aprender sobre ciclos e treinar rotas em função das
estruturas de grupo.
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Quando estiver voando com alguém mais , faça escolhas diferentes de seu parceiro ,para ter
certeza das decisões e para testar diferentes áreas , pôr exemplo, durante o vôo em dupla,
cada momento uma das pessoas tem o direito de escolher uma rota, e o outro
obrigatoriamente escolhera outra.
Sucesso e Risco
O risco essencial para termos algum sucesso , se você for extremamente cauteloso ,
dificilmente terá uma performance boa , assim como se for extremamente ousado não terá
bons resultados , porém o equilíbrio correto entre o risco e o sucesso dependerá também
das condições do dia , dias mais fáceis permitem um maior risco enquanto dias mais
difíceis raramente terá um bom resultado quem assume riscos.
De maneira geral tente ser de conservativo a ousado para ter melhores resultados.
Gostaria de enfatizar que o risco neste caso é o de se fazer uma prova ruim , ou seja nada a
ver com segurança do piloto.
Piloto A , sempre de base em base , aproveitando tudo da térmica, muito lento e só voa se
orientando por outros .
Piloto B , dispensa as térmicas mais fracas ,sabe otimizar sua velocidade de vôo , ‘e
otimista , assume certos riscos , sabe voar na frente .
Piloto C, não suporta ver ninguém na sua frente , impaciente e quase nunca chega numa
base , na duvida acelera quase tudo e corre muito
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Sucesso
A
B
A Piloto cauteloso
B Piloto moderado
C Agressivo
C
A
A
X Risco
B
C
2
B
C
1 Prova ou condição fácil
2 Moderada
3 Difícil
Seja seu próprio técnico
Escreva suas impressões do vôo numa caderneta
Escreva detalhes do vôo
Escreva o que achou de certo e de errado no seu vôo
Use um programa para analisar seu vôo .
Converse com outras pessoas os detalhes táticos e técnicos do seu vôo.
Leia sobre vôo de outras modalidades como planador e asas.
.
Aspectos mentais
Seja sempre muito otimista.
O gol como o nome diz, é seu objetivo, porém para chegar lá, deve se passar pôr vários
degraus, deve-se passar pôr pequenos objetivos , indo bem em todos os detalhes .
Pôr exemplo: decolar bem, escolher bem a hora de decolar, se concentrar na térmica,
otimizar a velocidade de vôo, ou seja pequenos detalhes que culminam no gol.
Aceitar a derrota, pois infelizmente apenas um pode ser o vencedor , tenha serenidade
nestes momentos, não deixando o nível de ansiedade aumentar. ( ver regulamento, pontos,
descartes )
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Aprenda com cada derrota, elas ensinam mais que as vitórias.
Tenha fé
Para ter sempre um nível alto de concentração é muito importante manter seu cérebro
bem , para isto necessitamos de água e açúcar principalmente, então nunca se desidrate ou
passe fome voando.
Depois de tomar muita água , é inevitável ter de ir ou banheiro , e para não desconcentrar ,
costumo usar em vôos longos um sistema para urinar chamado uripen, que é o mesmo para
quem tem incontinência urinária.
Um bom vôo é resultado de pequenos passos que o compõem, concentre-se nos detalhes de
seu vôo.
O medo é muito importante , pois ele ajuda na sua concentração, nos reflexos, e na
velocidade de pensamento.
Se você tem medo de menos , fica desatento e muito ousado, pondo sua segurança em risco
, não rendendo tudo que pode.
Se tem muito medo, fica bloqueado, congelado .
Rendimento X Stress
A
B
A Prova complexa
B Prova simples
O gráfico pode ser interpretado também como rendimento pôr stress, e seu pico se tenderá
mais para esquerda , ou seja terá um rendimento maior com um nível menor de stress com
provas mais complexas e para direita com provas mais simples.
Mais estressado você :
Processa menos informação
Demora mais a tomar decisões.
Pode ficar agressivo, assumir riscos perigosos e ficar infantil.
Esquecer coisas básicas .
A melhor maneira de não esquentar é simplesmente aproveitar muito o vôo , lembrar que
acima de tudo você gosta muito de fazer isto , e fazer um pouco de meditação.
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O equilíbrio entre conhecimento e habilidade é uma das
chaves do sucesso em vôo.
Não se intimide na presença de voadores melhores que você, não perca seu poder de
decisão pôr achar que os outros tomam decisões melhores que você.
Num dos itens acima foi dito como é importante a preparação do material e a checagem do
equipamento, mentalmente isto também e muito importante , pois sua cabeça fica livre
para se preparar para decolar e para analisar a condição de vôo e a hora de decolagem; e
mentalmente falando, isto o deixará mais tranqüilo pois saberá que está tudo certo e
checado.
Neste esporte não tente se superar o tempo todo, se agir desta maneira, é provável que
você não irá muito longe.
Harmonia deve ser seu lema, harmonia entre conhecimento e habilidade .
Tenha a serenidade de saber que está dando tudo de si, aplicando sua experiência com sua
habilidade ao máximo. Se não ganhar é porque ainda não é a sua hora, faça um
planejamento mais longo, para se desenvolver com sabedoria. A experiência é a palavra
chave para se voar bem, e ter experiência é a soma de tempo de vôo, horas voadas , locais
voados e torneios nos quais esteve presente.
Táticas
Uma pessoa inteligente aprende com os próprios erros,
um gênio aprende com o erro dos outros !!
Aprenda ao máximo com os outros pilotos, escutando o que eles tem a dizer, pergunte suas
táticas , técnicas e como tomam decisões.
Fique ligado nos erros dos outros pilotos, aprenda com eles, observe tudo a seu redor.
Conheça os seus possíveis adversários, veja qual a vela que usam e lembre-se delas em vôo
, saiba a carga de peso com que eles voam.
Sabendo a vela, veja as qualidades e defeitos da mesma, tente jogar com isto. Pôr
exemplo se seu adversário está leve, você sabe que terá mais velocidade que seu oponente;
e contra o vento você terá vantagem. Se estiver nesta situação tente tirar proveito disto,
para quando a situação se inverter, você ter mais chance.
Saiba que lado eles preferem enroscar, para enroscar sempre para o outro lado.
Note que quase sempre os pilotos de ponta decolam muito cedo, uma conta fácil é de se
estimar uma velocidade média baixa até o start, cerca de 15 a 20 Km/h; daí estimar
quanto tempo antes deve-se decolar para pegar o start abrindo. Não dê mole logo no início
da prova.
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Normalmente não se deve querer correr demais no início de uma prova, acelere do meio
para frente dela.
Se ainda não tem experiência em torneios, não se envergonhe de colar nos favoritos.
Chegue sempre muito cedo na rampa, para pegar um bom lugar para decolar, para se
concentrar, observar os ciclos e meditar muito bem sobre a prova.
Blefe.
Quando tirar na frente, e o resto do pelotão não veio , você pode tentar blefar numa bolha
pequena , soltando o acelerador rapidamente e enroscando como se fosse numa termal
forte, isto pode atraí-los, e consequentemente o ajudarão mapeando a região.
Tente blefar ou máximo para confundir seu adversário, mesmo que não tenha certeza de
uma decisão faça parecer que tem.
Tente fazer seu adversário esvaziar o lastro numa condição que não seja necessário , as
vezes jogar um pouco de água fora para que ele veja pode funcionar.
Como dominar um pelotão ou seu oponente
Quando estiver pôr cima, mantenha seu oponente numa distância em que ele o siga, isto é,
cerca de 80 metros. Nesta distância você conseguirá manter uma margem para garantir que
irá ganhar. Se tirar muito antes, vocês se desconectarão, permitindo que tenham condições
diferentes de vôo , dando chance para o azar e estimulando seu oponente.
Quando estiver tentando fugir de alguém ou um pelotão, tente sair da térmica antes que eles
cheguem na sua bolha , isto costuma dificultar que achem a termal que você estava.
Caso alguém esteja usando esta tática contra você, tente marcar uma referência no relevo,
vendo o alinhamento com alguma montanha pôr exemplo; assim terá uma maior chance de
achar a térmica onde estavam.
Se puder saia da térmica fora do alinhamento dela, dando até umas voltas fora do centro,
isto dificultará em muito seus oponentes acharem a térmica onde estava.
Ex.
Térmica
Térmica
falsa
Se você está num pelotão e quer começar a fugir dele; dependendo do grupo , tente rodar
um pouco“fora de centro” da termal, atraindo-os. Quando ver que eles rodaram somente
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meia volta dentro da térmica rode na centragem correta novamente, isto começa a deixar
os menos atentos para baixo.
Se conseguir enganar seu oponente no pilão, pôr exemplo indo para um pilão errado, ou
espremendo ele para fora do setor, isto pode funcionar para atrasá–lo.
No pilão , ser for uma prova de ida e volta, e se o seu adversário não estiver atento , pode
ser que consiga arrastá-lo para longe do pilão , dependendo da deriva da térmica.
Se for passar seu oponente tente fazer de uma maneira que dificulte que ele o veja, pôr
exemplo bem alinhado
Tente desconcentrar seu oponente na térmica invertendo o sentido de giro, porém muito
cuidado para não fazer nada desleal ou que obrigue seu competidor à mudar seu curso
original .
Quando estiver numa térmica e seu oponente chegar na mesma altura que você, tente fazêlo escapar da térmica, rodando o mais aberto possível ou rodando fora do centro para atraílo para a descendente.
Se impor na térmica é importante para não deixar seu adversário tomar conta dela; isto
significa que deve mostrar que o espaço que ocupa é seu , e que você não abrirá mão dele.
Uma maneira de se livrar de alguém que esteja mais baixo é saindo da térmica a uma
altura que seja difícil para seu oponente chegar na próxima térmica, ou seja bloqueado pôr
alguma montanha.
Raramente volte para pegar uma térmica, sempre olhe para frente, seguindo seu objetivo.
Na maioria das vezes vale muito mais a pena tentar achar uma térmica a frente do que
tentar voltar, entrando na descendente e chegando muito abaixo dos outros, isto só não é
válido se você está muito baixo para ir para qualquer outro lugar.
Você se acha uma tartaruga ?
A hora de sair de uma térmica é um grande passo para fazer de você um piloto veloz, não
perca tempo dando voltas inúteis decidindo para onde ir ou esperando alguém subir na sua
frente, a hora de decidir sua rota é durante a sua subida na térmica.
Se você se acha lento, o mais comum é que você demora muito para abandonar uma
térmica e seguir para a próxima.
Algumas das maneiras de você saber se já passou a hora de sair da sua termal são:
- Você esta próximo da base e sua taxa de subida diminuiu.
- Já tem altura para chegar na térmica da frente e esta térmica esta mais forte que a sua
- Sua taxa de subida começa a diminuir ou a térmica começa a falhar e você já esta
numa altura razoável para fazer uma transição.
Seus oponentes começam a te alcançar, vindo pôr baixo na térmica.
O ciclo começa a melhorar e você pode se adiantar.
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Se você ainda se acha muito lento e nota que está sempre mais baixo que os demais é
provável que você não esteja prestando a atenção necessária nas linhas de melhor
sustentação que descrevi acima. Seguindo estas linhas você se tornará um bom “achador ”
de térmicas , será bem mais rápido e se manterá mais alto.
Vôo em grupo; como expandir suas possibilidades.
Existe uma grande diferença entre estar com um pelotão ou ser parte de um .
Uma pessoa quando voa não participando das decisões ou ajudando o pelotão , ela
atrapalha o grupo e consequentemente se atrapalha, atrasando a velocidade de todos e
influenciando os pilotos menos experientes, fazendo deste pelotão muito lento. É
importante identificar isto quando acontecer, pois nestes casos, um piloto só poderá andar
mais rápido que todo o grupo.
Como estar com seu grupo
-
Tente sempre chegar pôr cima de seus parceiros
Tente sair para a próxima térmica no máximo uma volta depois que os outros.
Quando estiver na transição procure fazer uma varredura, abrindo o máximo que puder,
mantendo uma distância que dê para você chegar não mais do que cinqüenta metros
abaixo dos outros.
Voe lado a lado com seus parceiros, nem a frente nem atrás. ( desde que seja um bom
grupo )
Uma dica: quanto mais longe você enxergar uma pessoa subindo mais lentamente ela
parecerá estar subindo, e mais forte pode ser a térmica.
Uso do G.P.S. e Vario.
O GPS é um aparelho poderoso que nos dá diversas informações além da posição e
distância do seu objetivo.
Exemplos de como usar o gps:
-
Usar a tela onde mostra a trilha deixada pôr você, para visualizar as térmicas, sabendo
em que direção estão derivando e a que velocidade.
Voltar para a termal; normalmente quando perdemos a térmica nós a procuramos à
favor ou contra o vento; o lado dependerá do dia e do ciclo, e este efeito tende a se
repetir nos próximos dias.
Saber sua velocidade em relação ao solo. ( vento contra ou a favor )
Estimar o tempo que levará para chegar no starting gate, usando o e.t.a.
Se der problema no seu vario, poderá ter uma noção razoável de sua altura pelo gps (
12 ou superior )
Estimar a altura que chegará num pilão ou gol.
Visualizar o setor FAI num pilão
Visualizar os novos setores circulares dos pilões e do start.
Orientação em nuvens.
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Speed to fly , Uso do acelerador e a otimização do seu vôo
Primeiramente devemos conhecer o que é a curva polar de um parapente .
Polar sem vento
Com vento contra
Vento a favor
Vento lateral
Com descendente
Com ascendente
Com mais lastro
Agora que conhece a sua polar , poderá determinar as velocidades ótimas para cada
condição citada acima.
Infelizmente existem grandes distorções se rendimento causadas por turbulência ,
instabilidades da atmosfera e o grupo que esta voando , que dificultarão o uso mais
eficiente do seu equipamento de vôo.
Uso do lastro.
De maneira geral , usa-se mais lastro quando :
Mais forte as térmicas
Menor a distancia entre elas
Provas mais fáceis.
Grandes pernas contra o vento .
Quando quer mais estabilidade.
O Lastro tem uma importância técnica grande para nós, porem muito importante também é
estar se sentindo bem com seu equipamento , não adianta estar com o peso ideal para a
condição do dia e não conseguir pilotar por causa do incomodo do lastro.
Mc Ready. Como ser mais eficiente em Vôo
Para ser o mais eficiente possível voando , os conceitos de otimização de sua velocidade de
transição e da sua taxa de subida são muito importantes , e é exatamente isto que o conceito
de Mac. Ready faz.
Este conceito tenta sempre estimar a intensidade da térmica que você irá encontrar , e de
maneira geral, quanto mais forte esta térmica , mais rápido temos de chegar lá.
Praticamente, os equipamentos que nós dispomos para indicar a melhor velocidade de vôo
,não funcionam muito bem , então de maneira geral , tente estimar a taxa de subida do dia
, quanto mais forte as térmicas, mais rápido tem de se voar , e muito importante é não
perder tempo numa térmica fraca, abandonando ela logo que possível.
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Em resumo:
Quase nunca use 100 % do acelerador a não ser que tenha uma boa razão, pois
qualquer colapso lhe trará problemas e o rendimento normal das velas cai muito.
A favor do vento com térmica forte à frente
Fracas à frente
Sem térmica
80 % do máximo
30 %
10 % (Speed to fly)
Contra o vento , fraco a médio, com térmica forte a frente
80 % do máximo
Fraca a frente
Sem térmica
60 %
30 %
Normalmente, ande sempre acelerado.
Quanto mais forte o vento contra mais tem de acelerar
Quanto mais forte a térmica a frente mais tem de acelerar.
Quanto mais forte a descendente mais tem de acelerar
Cuidado para não levar uma grande fechada
Regras básicas para XC
Esteja preparado mentalmente para voar muito .
Esteja preparado fisicamente para um vôo muito longo, por exemplo:
- Exercícios físicos e muito vôo para adaptar o corpo
- Use Uripen
- Muita água , hidrate-se. Gosto de misturar Red Bull com água ,me da energia e
estimula ,muito bom para concentração
- Comida , leve sempre algo de absorção rápida .
Planeje a rota , com algumas variações
Voe o mais que der, não se preocupe demais com a velocidade , tente ficar no ar ate
escurecer .
Na media vale muito a pena manter- se alto o tempo todo .
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Determinar as linhas e segui-las e muito importante em XC
Relaxe e aproveite o vôo
Não se preocupe com o resgate , ele que tem de se preocupar com você
Pouse sempre em segurança , não vale a pena arriscar por alguns km a mais , ainda mais se
você ignorou o resgate como disse.
Use uma boa antena de ganho
Voe com o vento totalmente de cauda .
Adapte sua velocidade de vôo de acordo com a condição
Para ter sucesso
Você tem de estar bem preparado
Tecnicamente
Fisicamente
Mentalmente
E ter um bom equipamento.
Ache o seu ponto fraco e trabalhe nele.
Você verá o resultado !
Bons Vôos
Frank Thomas Brown
Vice-campeão mundial 2003,
Terceiro lugar no Circuito mundial 2004 PWC .
Tetra Campeão Brasileiro
Recordista XC 338 km , Quixadá 2002 .
Tetra Campeão X- Ceará 2000, 2001, 2002 , 2003
Tri Campeão CBP....
Bibliografia :
Helmut Reichmann , Cross Country Soaring
Rich Pfeifer, Hang Gliding Acording Pfeifer.
C. E. Wallington, Meteorology for Glider Pilots.
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