ANÁLISE FITOQUÍMICA DAS FOLHAS E DOS GALHOS DE JUSTICIA SP. DANIELI URACH MONTEIRO ([email protected]) / Farmácia/UFSM, Santa Maria,RS THIELE FACCIM DE BRUM ([email protected]) / Farmácia/UFSM, Santa Maria, RS AMANDA LUANA FORBRIG FROEDER ([email protected]) / Farmácia/UFSM, Santa Maria, RS MARINA ZADRA ([email protected]) / Farmácia/UFSM, Santa Maria,RS MARIANA PIANA ([email protected]) / Farmácia/UFSM, Santa Maria,RS ALINE AUGUSTI BOLIGON ([email protected]) / Farmácia/UFSM, Santa Maria,RS JANAÍNA KIELING FROHLICH ([email protected]) / Farmácia/UFSM, Santa Maria,RS MARGARETH LINDE ATHAYDE ([email protected]) / Farmácia/UFSM, Santa Maria,RS Palavras-Chave: JUSTICIA SP.,GAIANA, FOLHAS, GALHOS, ANÁLISE FITOQUÍMICA INTRODUÇÃO Como a maior parte da flora é ainda desconhecida do ponto de vista químico, bem como o saber tradicional associado à flora útil, predominantemente em países em desenvolvimento, a perda da biodiversidade e o acelerado processo de mudança cultural acrescentam um senso de urgência em garantir o registro desse saber, inclusive para uso científico. O gênero Justicia sp., conhecido popularmente como gaiana na região de Santiago, pertence à família Acanthaceae que consiste de cerca de 229 gêneros e 3.450 espécies predominantemente tropicais. O macerado das suas folhas é utilizado com a finalidade antiinflamatória em feridas, picadas de inseto, hematomas, dentre outros. OBJETIVO O presente trabalho teve por objetivo a realização de um perfil farmacognóstico dos extratos das folhas e dos galhos de Justicia sp. em diferentes solventes. METODOLOGIA As folhas e os galhos de Justicia sp. foram coletadas no município de Santiago, RS, Brasil, em abril de 2010. O material testemunho está depositado no herbário do Departamento de Biologia da UFSM catalogado sob o número de registro SMBD 12.442. As folhas secas (268,92 g de pó) e os galhos secos (562,684 g de pó) foram macerados com etanol (70%). Uma parte do extrato etanólico foi reservada e a outra parte foi evaporada para remoção do etanol obtendo-se o extrato aquoso. Para a análise fitoquímica o extrato aquoso e o extrato etanólico das folhas e dos galhos foram submetidos a uma série de reações de caracterização, para o extrato aquoso realizou-se as seguintes reações: heterosídeos antociânicos (cores diferentes pela variação do pH), heterosídeos cianogênicos (reação de ácido sulfúrico e papel picro-sódico), amino-grupos (nebulização com ninhidrina) e ácidos voláteis (variação do pH após fervura); para o extrato hidroalcóolico foram: fenóis e taninos (reação com cloreto férrico), antonianinas, antocianidinas e flavonoides (presença de coloração em pH 3, 8,5 e 11), leucoantocianidinas, catequinas e flavonas (coloração da amostra alcalinizada e acidificada após aquecimento), flavonóis, flavanonas, flavanonóis e xantonas (reação com magnésio granulado com ácido clorídrico), esteroides e triterpenoides (extração com clorofórmio, anidrido acético e ácido sulfúrico), catequinas (reação com ácido clorídrico e aquecimento), resinas (formação de precipitado através da extração de resíduo sólido com etanol), heterosídeos cardioativos (teste de Kedde e LiebermannBuchard), fenóis com posição orto e meta livres (reativo de Liebermann), fenóis com a posição para livre (reativo de Millon), cumarinas (extração com éter e câmara de luz ultravioleta), ácidos orgânicos (extração com éter e determinação do pH) e fenóis (reação de precipitação com cloreto férrico), segundo metodologias descritas em publicações especializadas. RESULTADOS Os resultados da triagem fitoquímica das folhas de Justicia sp. indicaram a presença de triterpenoides (esteroides livres), heterosídeos cardioativos, fenóis com posição orto e meta livres, cumarinas, ácidos orgânicos e fenóis. Foram observados testes negativos para os demais. Para os galhos, foram encontrados resultados positivos para amino-grupos, antonianinas, antocianidinas e flavonóides, triterpenoides (esteróides livres), catequinas, fenóis com posição orto e meta livres, fenóis com a posição para livre, cumarinas, ácidos orgânicos e fenóis e resultados negativos para o restante. Vale ressaltar que os resultados negativos não implicam necessariamente na sua ausência, sendo possível que a quantidade dos mesmos esteja pequena para ser detectada. Os resultados indicam a presença de metabólitos secundários que podem estar relacionados à sua ação no tratamento de diversas patologias. Conforme descrito por Simões e colaboradores (2010), esses metabólitos podem estar relacionados com diversas atividades biológicas, como por exemplo, compostos fenólicos têm sido relatados como antioxidantes e anti-inflamatórios. Os heterosídeos cardioativos como hipotensores, triterpenos e esteroides atuam como anti-inflamatórios e hormonais, as cumarinas como anticoagulante, relaxante vascular, hipolipidêmica e hipotensora. Pode-se observar que os metabólitos secundários encontrados nas folhas podem ser diferentes daqueles presentes nos galhos e o mesmo composto pode ocorrer em diferentes concentrações, dependendo do órgão vegetal em que se encontra. CONCLUSÃO A determinação do perfil fitoquímico de Justicia sp. dos extratos aquoso e hidroalcóolico mostrou-se diferente para as duas partes da planta. Dessa forma, os farmacógenos encontrados neste estudo acenam para várias possibilidades terapêuticas o que servirá de apoio para direcionar os estudos a fim de se especificar ainda mais o conhecimento sobre essa espécie, uma vez que os dados sobre a planta ainda são escassos. REFERÊNCIAS: CECHINEL FILHO, Valdir. YUNES, Rosendo ; Estratégias para a obtenção de compostos farmacologicamente ativos a partir de plantas medicinais: conceitos sobre modificação estrutural para otimização da atividade.; Química Nova; v.21; 21-29; 1998. MATOS, Francisco José de Abreu; Introdução à fitoquímica experimental; Fortaleza; Editora da UFC; 2009. SIMÕES,Cláudia Maria de Oliveira. SCHENKEL, Eloir Paulo. GOSMANN, Grace. MELLO, Joao Carlos Palazzo de. MENTZ, Lilian Auler. PETROVICK, Pedro Ros.; FARMACOGNOSIA: da planta ao medicamento ; Porto Alegre/Florianópolis; EDITORA DA UFSC; 1999. Moreira, E.A.; Contribuição para o estudo fitoquímico de Lobelia hassleri A. ZAHLB e Lobelia stellfeldii R. Braga; Tribuna Farmacêutica ; v.5; 13-39; 1979.