UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E DA TERRA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM QUÍMICA CARACTERIZAÇÃO DE RESÍDUO SÓLIDO FORMADO EM BIODIESEL DE SEBO BOVINO Paulo Roberto Pivesso _______________________________________ Tese de Doutorado Natal/RN, junho de 2011 Paulo Roberto Pivesso CARACTERIZAÇÃO DE RESÍDUO SÓLIDO FORMADO EM BIODIESEL DE SEBO BOVINO Tese submetida ao Programa de Pós-Graduação em Química da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, como requisito para a obtenção do título de Doutor em Química. Orientador: Prof. Dr. Valter José Fernandes Jr Natal ± RN 2011 Divisão de Serviços Técnicos Catalogação da Publicação na Fonte. UFRN / Biblioteca Setorial de Química Pivesso, Paulo Roberto. Caracterização de resíduo sólido formado em biodiesel de sebo bovino / Paulo Roberto Pivesso. Natal, RN, 2011 200 f. Orientador: Valter José Fernandes Jr. Tese (Doutorado em Química) - Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Centro de Ciências Exatas e da Terra. Programa de Pós-Graduação em Química. 1. Combustíveis naturais ± Tese. 2. Biodiesel de sebo bovino ± Tese. 3. Precipitado em biodiesel ± Tese. 4. Monoacilgliceróis ± Tese. 5. Monopalmitina ± Tese. 6. Estabilidade à oxidação ± Tese. I.Fernandes Jr., Valter José. II. Universidade Federal do Rio Grande do Norte. IV. Título. RN/UFRN/BSE- Química CDU 662.6(043) Aos meus pais Antônio Paulo e Enide, à minha esposa Jaqueline e ao meu filho Lucas. AGRADECIMENTOS Ao professor Dr. Valter José Fernandes Jr pelo convite para o desenvolvimento deste trabalho, incentivo, orientação segura e sobre tudo pelo seu carisma e simplicidade, atributos de um grande líder. A Sra Rosângela Moreira, Superintendente de Biocombustíveis e Qualidade de Produtos da ANP, e ao Sr. Edmilson Raldenes, respectivo Assessor de Superintendente, pela amizade, confiança e incentivo à realização deste projeto. Ao professor Dr. Antônio Souza de Araújo pelas sugestões e apoio técnico durante os trabalhos realizados no Laboratório de Catálise e Petroquímica. Ao professor Dr. Robson Afonso do Departamento de Química da Universidade Federal de Ouro Preto e seu orientando Júlio César, que possibilitaram a realização das análises de cromatografia líquida e espectrometria de massas no Laboratório da UFOP. A Sra Edjane Pelicano que auxiliou na realização das análises de termogravimetria. Aos professores Dr. José Antônio de Moura, Dra. Amanda Gondim e Dra. Regina Delgado pela amizade, apoio e auxílio dispensados durante a realização deste trabalho. Aos professores Dr. Luiz Stragevitch e Dr. Glauber José Turolla Fernandes pelas sugestões apresentadas para melhor aproveitamento desta tese. Aos colegas do Laboratório de Catálise e Petroquímica e do Laboratório de Combustíveis da UFRN pelo apoio, companheirismo e dedicação dispensada durante o doutorado. Aos colegas do Laboratório de Análises Especiais do Centro de Pesquisas e Análises Tecnológicas da ANP, que não mediram esforços para auxiliar-me na realização das análises. A minha família, em particular minha esposa Jaqueline, que em todos os momentos de dificuldade me proporcionaram confiança e carinho para que eu pudesse concluir meu doutorado. RESUMO A produção de biodiesel aumentou na última década em função dos benefícios associados a este combustível, incluindo renovabilidade, matérias-primas nacionais, menor toxicidade e biodegradabilidade. Desde 2008, o uso do sebo bovino como matéria-prima na produção de biodiesel no Brasil tem aumentado em importância, representando a segunda fonte de produção, depois da soja No entanto, o desempenho do biodiesel em condições de clima frio é pior que do óleo diesel devido à ocorrência de materiais insolúveis a baixas temperaturas, acelerando o entupimento de filtros e injetores de motores de veículos. Estudos têm sido realizados acerca do biodiesel de sebo bovino, em sua maioria relacionados às propriedades de estabilidade térmica e oxidativa; no entanto, poucos abordam a natureza do precipitado formado e sua influência na qualidade do biodiesel. Pesquisas sugerem que a causa da deposição esteja relacionada à natureza de ésteres saturados, sendo os monoacilgliceróis prováveis agentes indutores. Este trabalho apresenta os níveis de mono-, di- e triacilgliceróis, a estabilidade à oxidação e o ponto de entupimento de filtro a frio (PEFF) de amostras de biodiesel de sebo bovino de dois produtores comerciais, avaliados por um período de 12 meses. Amostras de precipitados filtrados foram analisadas pelas técnicas comparativas de CG-DIC, CLAE-UV/VIS, CLAE-MS-IT-TOF e TG para verificar a composição, utilizando monopalmitina e monoestearina como padrões de referência. Verificou-se que a formação de precipitado reduziu os níveis de monoacilgliceróis no biodiesel de sebo bovino. Os resultados cromatográficos confirmaram a natureza do precipitado como monoacilgliceróis saturados, com predominância de monoestearina e monopalmitina como segundo componente majoritário. Além disso, a análise de TG do precipitado resultou perfil de decomposição térmica semelhante ao dos padrões de referência. O depósito formado não afetou a estabilidade à oxidação do biodiesel de sebo bovino e a característica de PEFF em misturas até B60. No entanto, a presença de ferro reduziu significativamente a estabilidade à oxidação do biodiesel. Palavras±chave: Biodiesel de sebo bovino. Precipitado em Monoacilgliceróis. Monopalmitina. Monoestearina. Estabilidade à oxidação. biodiesel. ABSTRACT Biodiesel production has increased over the last decade because of the benefits associated with this fuel, including renewability, domestic feedstock, lower toxicity, and biodegradability. From 2008, the use of beef tallow as a feedstock for biodiesel production in Brazil has increased in significance, representing the second largest source of biodiesel, after soybeans. However, the performance of biodiesel in cold weather conditions is worse than diesel because of deposition of insoluble at low temperatures, accelerating the plugging of fuel filters and injectors of the vehicle engine. Studies have been conducted on beef tallow biodiesel, mostly related to the properties of thermal and oxidative stability. However, few studies have described the nature of the precipitate formed and its influence on product quality. Research suggests that the cause of deposition is related to the nature of saturated esters and monoacylglycerols as inducing agents. This study monitored the levels of mono-, diand triacylglycerols, the oxidation stability and the cold filter plugging point (CFPP) in beef tallow biodiesel samples from two commercial producers in Brazil for a period of twelve months. Filtered precipitates were analyzed by comparative techniques of GCFID, HPLC-UV/VIS, HPLC-MS-IT-TOF and TG to verify the nature, using monopalmitin and monostearin as reference standards. The formation of precipitate reduced the levels of monoacylglycerols in the beef tallow biodiesel. GC-FID and LCMS-IT-TOF results confirmed the nature of the deposit as saturated monoacylglycerols, predominantly monostearin and monopalmitin as the second major component. Moreover the TG analysis of the residue indicated similar thermal decomposition of the reference standards. The precipitate did not affect the oxidation stability of beef tallow biodiesel and the CFPP characteristic of blends up B60. However, the presence of iron reduced significantly the oxidation stability of biodiesel. Keywords: Beef tallow biodiesel. Precipitate into biodiesel. Monoacylglycerols. Monopalmitin. Monostearin. Oxidation stability. LISTA DE FIGURAS Figura 3.1 Reação de transesterificação de 1 mol de triacilgliceróis com 3 mols de álcool para a produção de 3 mols biodiesel e 1 mol de glicerol ............... 32 Figura 3.2 Mecanismo da reação de transesterificação de triacilgliceróis para a produção de biodiesel .............................................................................. 34 Figura 3.3 Mecanismo da reação de saponificação de triacilgliceróis ....................... 34 Figura 3.4 Matérias-primas utilizadas na produção de biodiesel no Brasil ................ 37 Figura 3.5 Matérias-primas utilizadas na produção de biodiesel no Brasil por região geográfica ..................................................................................... 38 Figura 3.6 Exemplos de ácidos graxos de ocorrência no sebo bovino ...................... 39 Figura 3.7 Preços dos óleos vegetais e do sebo bovino no Brasil ............................ 44 Figura 3.8 Evidências decorrentes da formação de depósitos no biodiesel: (a) entupimento em tubulação de usina produtora de biodiesel; (b) depósitos em fundo de tanque de armazenamento de biodiesel. ............ 49 Figura 3.9 Exemplos de esteril-glicosídeos de ocorrência em biodiesel de origem vegetal...................................................................................................... 51 Figura 3.10 Esquema de análise da estabilidade à oxidação (Rancimat) ................... 54 Figura 3.11 Curva característica de estabilidade à oxidação gerada pelo método Rancimat .................................................................................................. 54 Figura 3.12 Processo de partição de uma amostra por cromatografia ........................ 56 Figura 3.13 Preenchimento de FE líquida em uma coluna cromatográfica ................. 57 Figura 3.14 Absorção ou partição do analito em uma FE líquida ................................ 57 Figura 3.15 Adsorção do analito em uma FE sólida .................................................... 57 Figura 3.16 Cromatograma da análise de uma amostra de biodiesel ......................... 58 Figura 3.17 Esquema de funcionamento de um cromatógrafo a gás .......................... 59 Figura 3.18 Esquema de funcionamento de um detector de ionização de chama ...... 60 Figura 3.19 Desenho das unidades fundamentais de um espectrômetro de massas da marca Shimadzu, modelo MS-IT-TOF................................................. 63 Figura 3.20 Esquema de nebulização de fonte por electrospray ................................ 64 Figura 3.21 Módulos principais de um sistema TG Mettler Toledo.............................. 70 Figura 3.22 Esquema do forno de uma termobalança Mettler Toledo......................... 70 Figura 4.1 Coleta de biodiesel de sebo bovino.......................................................... 72 Figura 4.2 Fracionamento do biodiesel de sebo bovino ............................................ 74 Figura 4.3 Equipamento utilizado na análise de estabilidade à oxidação ................. 79 Figura 4.4 Equipamento utilizado para PEFF, marca ISL, modelo FPP 5G .............. 80 Figura 4.5 Cromatograma de uma amostra de biodiesel de sebo bovino ................. 84 Figura 4.6 Cromatógrafo a gás utilizado na determinação dos teores de acilgliceróis ............................................................................................... 85 Figura 4.7 CLAE-UV/VIS utilizado na determinação dos componentes do precipitado de biodiesel de sebo bovino .................................................. 87 Figura 4.8 Sistema LC-MS-IT-TOF Shimadzu para identificação dos componentes do precipitado de biodiesel de sebo bovino ............................................. 87 Figura 4.9 Termobalança Mettler Toledo TGA/SDTA±851 utilizada na análise termogravimétrica do precipitado de biodiesel de sebo bovino ................ 89 Figura 5.1 Foto de precipitado em biodiesel de sebo bovino mantido na condição A de armazenamento ± simulação de verão ............................................ 99 Figura 5.2 Foto de precipitado em biodiesel de sebo bovino mantido na condição B de armazenamento ± simulação de inverno ......................................... 101 Figura 5.3 Foto do biodiesel de sebo bovino após filtração do precipitado na condição A, para 1 mês e 12 meses de armazenamento ........................ 104 Figura 5.4 Foto do biodiesel de sebo bovino após 30 dias da filtração do precipitado na condição B, para 1 mês de armazenamento .................... 105 Figura 5.5 Gráficos de estabilidade à oxidação das amostras de biodiesel de sebo bovino fracionadas em função da condição e do tempo de armazenamento, antes e após filtração do precipitado, (a) produtor X e (b) produtor Z ........................................................................................... 108 Figura 5.6 Curvas de PEFF de misturas de óleo diesel e biodiesel de sebo bovino do produtor X, mantido na condição A de armazenamento, antes (a) e após (b) filtração do precipitado ............................................................... 115 Figura 5.7 Curvas de PEFF de misturas de óleo diesel e biodiesel de sebo bovino do produtor X, mantido na condição B de armazenamento, antes (a) e após (b) filtração do precipitado ............................................................... 116 Figura 5.8 Curvas de PEFF de misturas de óleo diesel e biodiesel de sebo bovino do produtor X, mantido na condição C de armazenamento, antes (a) e após (b) filtração do precipitado ............................................................... 117 Figura 5.9 Curvas de PEFF de misturas de óleo diesel e biodiesel de sebo bovino do produtor X, mantido na condição D de armazenamento, antes (a) e após (b) filtração do precipitado ............................................................... 118 Figura 5.10 Curvas de PEFF de misturas de óleo diesel e biodiesel de sebo bovino do produtor X, mantido na condição E de armazenamento, antes (a) e após (b) filtração do precipitado ............................................................... 119 Figura 5.11 Curvas de PEFF de misturas de óleo diesel e biodiesel de sebo bovino do produtor Z, mantido na condição A de armazenamento, antes (a) e após (b) filtração do precipitado ............................................................... 123 Figura 5.12 Curvas de PEFF de misturas de óleo diesel e biodiesel de sebo bovino do produtor Z, mantido na condição B de armazenamento, antes (a) e após (b) filtração do precipitado ............................................................... 124 Figura 5.13 Curvas de PEFF de misturas de óleo diesel e biodiesel de sebo bovino do produtor Z, mantido na condição C de armazenamento, antes (a) e após (b) filtração do precipitado ............................................................... 125 Figura 5.14 Curvas de PEFF de misturas de óleo diesel e biodiesel de sebo bovino do produtor Z, mantido na condição D de armazenamento, antes (a) e após (b) filtração do precipitado ............................................................... 126 Figura 5.15 Curvas de PEFF de misturas de óleo diesel e biodiesel de sebo bovino do produtor Z, mantido na condição E de armazenamento, antes (a) e após (b) filtração do precipitado ............................................................... 127 Figura 5.16 Teores de monoacilgliceróis do biodiesel de sebo bovino do produtor X, antes (a) e após (b) filtração do precipitado ............................................. 132 Figura 5.17 Teores de diacilgliceróis do biodiesel de sebo bovino do produtor X, antes (a) e após (b) filtração do precipitado ............................................. 133 Figura 5.18 Teores de triacilgliceróis do biodiesel de sebo bovino do produtor X, antes (a) e após (b) filtração do precipitado ............................................. 134 Figura 5.19 Teores de monoacilgliceróis do biodiesel de sebo bovino do produtor Z, antes (a) e após (b) filtração do precipitado ............................................. 137 Figura 5.20 Teores de diacilgliceróis do biodiesel de sebo bovino do produtor Z, antes (a) e após (b) filtração do precipitado ............................................. 138 Figura 5.21 Teores de triacilgliceróis do biodiesel de sebo bovino do produtor Z, antes (a) e após (b) filtração do precipitado ............................................. 139 Figura 5.22 Cromatogramas CG-DIC das amostras: (a) biodiesel de sebo bovino, (b) padrões monopalmitina e monoestearina e precipitados filtrados do produtor X, referentes à simulação de verão (condição A) nos períodos de armazenamento de 1, 3 e 12 meses, (c) X.1.A, (d) X.3.A e (e) X.5.A . 142 Figura 5.23 Cromatogramas CG-DIC das amostras: (a) biodiesel de sebo bovino, (b) padrões monopalmitina e monoestearina e precipitados filtrados do produtor Z, referentes à simulação de verão (condição A) nos períodos de armazenamento de 1, 3 e 12 meses, (c) Z.1.A, (d) Z.3.A e (e) Z.5.A.. 144 Figura 5.24 Cromatograma CLAE-UV/VIS do padrão monopalmitina ......................... 148 Figura 5.25 Cromatograma CLAE-UV/VIS do padrão monoestearina ........................ 148 Figura 5.26 Cromatograma CLAE-UV/VIS do precipitado X.1.A, simulação de verão do produtor X com 1 mês de armazenamento ......................................... 149 Figura 5.27 Cromatograma CLAE-UV/VIS do precipitado X.5.A, simulação de verão do produtor X com 12 meses de armazenamento ................................... 149 Figura 5.28 Cromatograma CLAE-UV/VIS do precipitado Z.1.A, simulação de verão do produtor Z com 1 mês de armazenamento ......................................... 150 Figura 5.29 Cromatograma CLAE-UV/VIS do precipitado Z.5.A, simulação de verão do produtor Z com 12 meses de armazenamento .................................... 150 Figura 5.30 Estrutura química: (a) monopalmitina e (b) monoestearina ...................... 151 Figura 5.31 Cromatograma (a) padrão monopalmitina e respectivos espectros de massas (b) no modo positivo e (c) no modo negativo de ionização ......... 152 Figura 5.32 Cromatograma (a) padrão monoestearina e respectivos espectros de massas (b) no modo positivo e (c) no modo negativo de ionização ......... 153 Figura 5.33 Espectro de massas no modo positivo do precipitado X.1.A.................... 154 Figura 5.34 Espectro de massas no modo positivo do precipitado X.5.A.................... 156 Figura 5.35 Espectro de massas no modo positivo do precipitado Z.1.A .................... 157 Figura 5.36 Espectro de massas no modo positivo do precipitado Z.5.A .................... 159 Figura 5.37 Sobreposição das curvas termogravimétricas do biodiesel de sebo bovino e dos precipitados filtrados das amostras provenientes do produtor X, referentes à simulação de verão (condição A) nos meses de armazenamento avaliados (1, 2, 3, 6 e 12 meses): (a) TG e (b) DTG.......................................................................................................... 163 Figura 5.38 Sobreposição das curvas termogravimétricas do biodiesel de sebo bovino e dos precipitados filtrados das amostras provenientes do produtor X, referentes à simulação das diferentes condições (A, B, C e D) e tempo de 1 mês de armazenamento: (a) TG e (b) DTG. .................. 164 Figura 5.39 Sobreposição das curvas termogravimétricas do biodiesel de sebo bovino e dos precipitados filtrados das amostras provenientes do produtor Z, referentes à simulação de verão (condição A) nos meses de armazenamento avaliados (1, 2, 3, 6 e 12 meses): (a) TG e (b) DTG ..... 165 Figura 5.40 Sobreposição das curvas termogravimétricas do biodiesel de sebo bovino e dos precipitados filtrados das amostras provenientes do produtor Z, referentes à simulação das diferentes condições (A, B, C e D) e tempo de 1 mês de armazenamento: (a) TG e (b) DTG ................... 166 Figura 5.41 Sobreposição das curvas termogravimétricas dos padrões monopalmitina, monoestearina e precipitados X.1.A e Z.1.A: (a) TG e (b) DTG. ................................................................................................... 167 LISTA DE TABELAS Tabela 3.1 Variação do teor de ácidos graxos no sebo bovino .................................. 40 Tabela 3.2 Especificações internacionais do sebo bovino ......................................... 40 Tabela 3.3 Abundância relativa dos isótopos de elementos ...................................... 66 Tabela 3.4 Massa atômica dos isótopos de elementos comuns ................................ 67 Tabela 4.1 Parâmetros de processo do biodiesel de sebo bovino ............................. 73 Tabela 4.2 Fracionamento do biodiesel de sebo bovino do produtor X ..................... 75 Tabela 4.3 Fracionamento do biodiesel de sebo bovino do produtor Z...................... 76 Tabela 5.1 Caracterização das amostras de biodiesel de sebo bovino coletadas do produtor X e do produtor Z ....................................................................... 92 Tabela 5.2 Estabilidade à oxidação (Rancimat) das amostras de biodiesel de sebo bovino fracionadas em função da condição e do tempo de armazenamento, antes e após filtração do precipitado ............................ 107 Tabela 5.3 PEFF de misturas de óleo diesel e B100 de sebo do produtor X, condição A, antes e após filtração do precipitado .................................... 112 Tabela 5.4 PEFF de misturas de óleo diesel e B100 de sebo do produtor X, condição B, antes e após filtração do precipitado .................................... 113 Tabela 5.5 PEFF de misturas de óleo diesel e B100 de sebo do produtor X, condição C, antes e após filtração do precipitado .................................... 113 Tabela 5.6 PEFF de misturas de óleo diesel e B100 de sebo do produtor X, condição D, antes e após filtração do precipitado .................................... 114 Tabela 5.7 PEFF de misturas de óleo diesel e B100 de sebo do produtor X, condição E, antes e após filtração do precipitado .................................... 114 Tabela 5.8 PEFF de misturas de óleo diesel e B100 de sebo do produtor Z, condição A, antes e após filtração do precipitado .................................... 120 Tabela 5.9 PEFF de misturas de óleo diesel e B100 de sebo do produtor Z, condição B, antes e após filtração do precipitado .................................... 120 Tabela 5.10 PEFF de misturas de óleo diesel e B100 de sebo do produtor Z, condição C, antes e após filtração do precipitado .................................... 121 Tabela 5.11 PEFF de misturas de óleo diesel e B100 de sebo do produtor Z, condição D, antes e após filtração do precipitado .................................... 121 Tabela 5.12 PEFF de misturas de óleo diesel e B100 de sebo do produtor Z, condição E, antes e após filtração do precipitado .................................... 122 Tabela 5.13 Teores de acilgliceróis por CG-DIC das amostras de biodiesel de sebo bovino fracionadas em função da condição e do tempo de armazenamento, antes e após filtração do precipitado, do produtor X: (a) mono-, (b) di- e (c) triacilgliceróis ........................................................ 130 Tabela 5.14 Teores de acilgliceróis por CG-DIC das amostras de biodiesel de sebo bovino fracionadas em função da condição e do tempo de armazenamento, antes e após filtração do precipitado, do produtor Z: (a) mono-, (b) di- e (c) triacilgliceróis ........................................................ 135 Tabela 5.15 Percentuais de monoacilgliceróis presentes nos precipitados, analisados por CG-DIC ............................................................................ 141 Tabela 5.16 Tabela de massas referente à análise do precipitado X.1.A .................... 154 Tabela 5.17 Tabela de massas referente à análise do precipitado X.5.A .................... 156 Tabela 5.18 Tabela de massas referente à análise do precipitado Z.1.A .................... 157 Tabela 5.19 Tabela de massas referente à análise do precipitado Z.5.A .................... 159 Tabela 5.20 Faixas de temperatura e correspondentes perdas de massa das TG/DTG das amostras do produtor X....................................................... 161 Tabela 5.21 Faixas de temperatura e correspondentes perdas de massa das TG/DTG das amostras do produtor Z ....................................................... 162 Tabela 5.22 Faixas de temperatura e correspondentes perdas de massa das TG/DTG dos padrões monopalmitina e monoestearina ........................... 162 Tabela 5.23 Valores médios das perdas de massa dos precipitados analisados ........ 162 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ABNT ± Associação Brasileira de Normas Técnicas. ANP ± Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. AOCS ± American Oil Chemists Society. ASTM ± American Society for Testing and Materials. B100 ± Biodiesel puro. BNDES ± Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. Bx ± Mistura de biodiesel em óleo diesel em x % em volume. CEN ± Comité Européen de Normalisation. CFPP ± Cold filter plugging point. CG ± Cromatografia a gás. CLAE ± Cromatografia líquida de alta eficiência. CNPE ± Conselho Nacional de Política Energética. Commodity ± Termo de língua inglesa que, como o seu plural commodities, significa mercadoria, é utilizado nas transações comerciais de produtos de origem primária nas bolsas de mercadorias. CPT ± Centro de Pesquisas e Análises Tecnológicas da ANP. CRM ± Charge residue model. DIC ± Detector de ionização de chama. DTG ± Derivative thermogravimetry (derivada da curva de termogravimetria). EM ± Espectrômetro de massas. Embrapa ± Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. ESI ± Electrospray ionization. FE ± Fase estacionária. FM ± Fase móvel. ICTAC ± International Confederation for Thermal Analysis and Calorimetry. IEM ± Ion evaporation model. ISO ± International Organization for Standardization. IT ± Ion trap. KNN ± K nearest neighbor classification. LII ± Límpido e isento de impurezas. LTFT ± Low temperature flow test. MME ± Ministério de Minas e Energia. MSTFA ± N-Metil-N-trimetilsililtrifluoroacetamida. NIST ± National Institute of Standards and Technology. OVEG ± Programa Nacional de Energia de Óleos Vegetais. PCA ± Principal component analysis. PEAD ± High density polyethylene. PEFF ± Ponto de entupimento de filtro a frio. Petrobras ± Sociedade de Economia Mista Petróleo Brasileiro S.A.. PLS ± Partial least square. PNPB ± Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel. Pró-Álcool ± Programa Nacional do Álcool. Pró-Óleo ± Programa Nacional de Óleos Vegetais. ROM ± Read only memory. SGs ± Esteril-glicosídeos. Terbras ± Terminal de Distribuição da Petrobras, Brasília/DF. TFBT ± Teste de fluxo de baixa temperatura. TG ± Termogravimetria. TOF ± Time of flight. TR ± Tempo de retenção. UFOP ± Universidade Federal de Ouro Preto/MG. UFRN ± Universidade Federal do Rio Grande do Norte/RN. UV/VIS ± Ultravioleta/visível. Vial ± Frasco de cromatografia gasosa (termo em inglês). SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................... 19 2 OBJETIVOS ............................................................................................................... 23 2.1 OBJETIVO GERAL ................................................................................................. 24 2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS ................................................................................... 24 3 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ................................................................................. 25 3.1 BIODIESEL NO BRASIL ......................................................................................... 26 3.1.1 Implementação do Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel ..... 27 3.1.2 Comercialização ................................................................................................. 29 3.1.3 Leilões Públicos ................................................................................................. 30 3.1.4 Tecnologia de Produção .................................................................................... 31 3.1.5 Matérias-Primas .................................................................................................. 35 3.1.6 Biodiesel de Sebo Bovino ................................................................................. 39 3.2 QUALIDADE DO BIODIESEL ................................................................................. 45 3.2.1 Especificação Brasileira .................................................................................... 45 3.2.2 Cuidados com o Biodiesel................................................................................. 45 3.2.3 Ocorrência de Depósitos no Biodiesel ............................................................. 47 3.3 ANÁLISE INSTRUMENTAL .................................................................................... 52 3.3.1 Estabilidade à Oxidação .................................................................................... 53 3.3.2 Ponto de Entupimento de Filtro a Frio ............................................................. 55 3.3.3 Técnicas Cromatográficas................................................................................. 56 3.3.3.1 Cromatografia a Gás ......................................................................................... 59 3.3.3.2 Cromatografia Líquida de Alta Eficiência Acoplada a Espectrômetro de Massas ............................................................................................................. 61 3.3.4 Análise Térmica .................................................................................................. 68 3.3.4.1 Termogravimetria .............................................................................................. 68 4 METODOLOGIA ........................................................................................................ 71 4.1 COLETA E FRACIONAMENTO DO BIODIESEL DE SEBO BOVINO .................... 72 4.1.1 Coleta do Biodiesel de Sebo Bovino ................................................................ 72 4.1.2 Fracionamento do Biodiesel de Sebo Bovino ................................................. 73 4.2 ANÁLISES ............................................................................................................... 77 4.2.1 Caracterização do Biodiesel de Sebo Bovino Conforme Regulamento Técnico ANP Nº 1/2008 ..................................................................................... 77 4.2.2 Aspecto do Precipitado de Biodiesel de Sebo Bovino ................................... 77 4.2.3 Análises Físico-Químicas das Amostras Fracionadas do Biodiesel de Sebo Bovino ...................................................................................................... 78 4.2.3.1 Estabilidade à Oxidação .................................................................................... 78 4.2.3.2 Ponto de Entupimento de Filtro a Frio ............................................................... 79 4.2.4 Natureza do Precipitado de Biodiesel de Sebo Bovino .................................. 80 4.2.4.1 Teores de Acilgliceróis por Cromatografia a Gás .............................................. 81 4.2.4.1.1 Mono-, Di- e Triacilgliceróis no Biodesel de Sebo Bovino ....................... 81 4.2.4.1.2 Monoacilgliceróis no Precipitado ............................................................... 85 4.2.4.2 Análise do Precipitado por Cromatografia Líquida de Alta Eficiência com Detector de Ultravioleta/Visível e Acoplada a Espectrômetro de Massas ........ 86 4.2.4.3 Termogravimetria .............................................................................................. 88 5 RESULTADOS E DISCUSSÃO ................................................................................. 90 5.1 VERIFICAÇÃO DA QUALIDADE DO BIODIESEL DE SEBO BOVINO .................. 91 5.2 ASPECTO DO PRECIPITADO DE BIODIESEL DE SEBO BOVINO ...................... 98 5.3 INFLUÊNCIA DO PRECIPITADO NA ESTABILIDADE À OXIDAÇÃO E PROPRIEDADE DE ENTUPIMENTO DO BIODIESEL DE SEBO BOVINO ........... 106 5.3.1 Estabilidade à Oxidação do Biodiesel de Sebo Bovino Contendo Precipitado ........................................................................................................ 106 5.3.2 Ponto de Entupimento de Filtro a Frio de Misturas de Óleo Diesel e Biodiesel de Sebo Bovino Contendo Precipitado .......................................... 112 5.4 AVALIAÇÃO DA COMPOSIÇÃO DO PRECIPITADO DE BIODIESEL DE SEBO BOVINO .................................................................................................................. 129 5.4.1 Análise por Cromatografia a Gás ...................................................................... 130 5.4.1.1 Mono-, Di- e Triacilgliceróis no Biodiesel de Sebo Bovino ................................ 130 5.4.1.2 Monoacilgliceróis no Precipitado de Biodiesel de Sebo Bovino ........................ 141 5.4.2 Análise por Cromatografia Líquida de Alta Eficiência com Detector de Ultravioleta/Visível e Acoplada a Espectrômetro de Massas........................ 147 5.4.2.1 Determinação por CLAE-UV/VIS ....................................................................... 147 5.4.2.2 Determinação por CLAE-EM-IT-TOF ................................................................ 152 5.4.3 Análise Termogravimétrica ............................................................................... 160 6 CONCLUSÕES E SUGESTÕES PARA FUTUROS TRABALHOS ........................... 170 6.1 CONCLUSÕES ....................................................................................................... 171 6.2 SUGESTÕES PARA FUTUROS TRABALHOS ...................................................... 173 REFERÊNCIAS ............................................................................................................. 174 ANEXOS ....................................................................................................................... 184 ANEXO I Resolução ANP N° 7, de 19 de março de 2008, que especifica o biodiesel comercializado em território nacional ........................................................... 185 ANEXO II Resolução ANP N° 31, de 21 de outubro de 2008, que estabelece os requisitos para cadastramento de laboratórios e instituições interessados em realizar ensaios em biodiesel, destinado à comercialização no território nacional ........................................................................................................ 195 1 INTRODUÇÃO INTRODUÇÃO 20 1 INTRODUÇÃO O biodiesel surgiu mundialmente como uma alternativa promissora aos combustíveis fósseis. O caráter renovável e menos poluente que o óleo diesel fez do produto uma importante fonte de energia em longo prazo (BIODIESELBR, 2011). Nos anos 90, o processo de industrialização do biodiesel consolidou-se na Europa, tornando-se o principal mercado produtor e consumidor de biodiesel puro ou em mistura com o óleo diesel. A Alemanha se tornou o maior produtor de biodiesel do mundo, a partir do óleo de canola, com adoção de políticas de isenção de tributos na produção, o que permitiu maior acessibilidade e viabilidade econômica (DANTAS, 2006; SANTOS, 2008). O Brasil seguiu a tendência mundial do uso de biodiesel como combustível automotivo. O governo lançou em dezembro de 2004 o Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel, PNPB. Em janeiro de 2005 foi sancionada a Lei N° 11.097, que dispõe sobre a introdução do biodiesel na matriz energética brasileira (BRASIL, 2005). No panorama mundial, o Brasil se tornou o quarto maior produtor de biodiesel em 2008, atrás da Alemanha, Estados Unidos e França. Em 2009, subiu para terceiro produtor mundial, após Alemanha e Estados Unidos, e em 2010 ficou como o segundo produtor mundial, atrás somente da Alemanha (EMBRAPA, 2010). Apesar da utilização de diferentes matérias-primas de origem vegetal ter tido tímida representação na produção do biodiesel nacional, fomentado pelo governo por meio de agricultura familiar como meta de inclusão social, a expansão comercial do biodiesel consolidou-se pelo uso da soja, proveniente, majoritariamente, dos grandes oligopólios agrícolas. A partir de 2008, a utilização de sebo bovino na produção de biodiesel foi expressiva, tornando-se a segunda matéria-prima depois da soja, respondendo por mais de 20% do combustível ofertado nos leilões promovidos pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis ± ANP, visto que o Brasil detém o segundo maior rebanho de bovinos do mundo, ficando atrás apenas da Índia (ANPSPP, 2009; MGN, 2010). Este fato permite que o país seja grande provedor de sebo bovino para a produção de biodiesel, o que apresenta importante componente ambiental, uma vez que pode evitar o destino impróprio desse resíduo e minimizar os impactos negativos ao meio ambiente. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso INTRODUÇÃO 21 O crescimento da procura pelo sebo bovino foi um impulso extra para os pecuaristas, que tiveram a chance de somar ao preço final dos negócios algo que muitas vezes chegava a ser considerado um mero rejeito. Na Região Sudeste, onde concentra a maior produção de sebo bovino, a comercialização de biodiesel de sebo superou 50% em volume do montante ofertado, conforme dados da ANP, referência junho de 2011 (ANP-SPP, 2011). No controle de qualidade do biodiesel, a ocorrência de deposição de sólidos, principalmente quando exposto à baixa temperatura (TANG et al., 2008), vem trazendo preocupação para os segmentos de produção e distribuição, uma vez que sua ocorrência pode influenciar na qualidade do produto, como também interferir na logística de produção e armazenamento até sua comercialização ao consumidor final, como mistura com óleo diesel. A formação de material sólido no biodiesel de sebo bovino, evidenciado com maior incidência em relação ao de origem vegetal, tem despertado interesse na área técnico-comercial pela sua importância na participação da produção de biodiesel no Brasil. A presente pesquisa investigou a formação e a natureza de precipitado oriundo do biodiesel de sebo bovino, simulando diferentes condições ambientais e tempos de armazenamento. Foram coletadas amostras diretamente de produtores nacionais de biodiesel de sebo bovino e monitorou a formação de material sólido desde o produto recém-produzido até um período de 12 meses de armazenamento. Este trabalho relata, por meio de registro fotográfico, a evolução da formação de material sólido no biodiesel de sebo bovino, onde se pôde constatar que a aglomeração das partículas ocorreu naturalmente, em estágio curto, a partir de uma névoa fina, preponderantemente, no primeiro mês de armazenamento. A precipitação completou-se de forma espontânea e irreversível, não ocorrendo nova precipitação após filtração do resíduo sólido, mesmo resfriando o biodiesel de sebo bovino a 10°C e elevação a 25°C. Tais observações poderão contribuir para que estudos relativos ao pré-tratamento da matéria-prima e/ou purificação do biodiesel possam ser avaliados. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso INTRODUÇÃO 22 Neste trabalho investigou-se, também, a influência da presença do precipitado na estabilidade do biodiesel de sebo bovino e na qualidade de suas misturas com óleo diesel a baixa temperatura. Isto em vista de informação do setor de distribuição acerca da formação de depósitos no biodiesel, refletindo, inclusive, na queda da participação do sebo bovino como matéria-prima dos níveis de 20% nos anos de 2008 e 2009 para 13% do combustível produzido em 2010 e 2011, conciliado com a redução do preço da soja (ANP-SPP, 2009; ANP-SPP, 2011). Porém, os resultados obtidos demonstraram que o precipitado não interferiu na propriedade de estabilidade do combustível e que a própria natureza do biodiesel de sebo bovino (alquil ésteres de ácidos graxos de cadeias longas saturadas) induziu ao processo de solidificação do produto a baixa temperatura, atuando negativamente na qualidade de ponto de entupimento de filtro a frio (PEFF) em misturas elevadas com óleo diesel. Constatou-se que o precipitado não interferiu no PEFF especificado pela ANP em mistura B5, atualmente utilizada no mercado de combustíveis. Este trabalho demonstrou, também, que o contato com ferro acelerou significativamente a oxidação do biodiesel de sebo bovino, inclusive no primeiro mês de armazenamento. Com relação à natureza do precipitado, foi demonstrado por meio de diferentes técnicas de identificação que os monoacilgliceróis saturados monopalmitina e monoestearina são os componentes preponderantes de sua composição. Diante das constatações apresentadas, acredita-se que este trabalho contribuirá para o desenvolvimento de soluções que elevem a estatística da produção de biodiesel oriundo de sebo bovino, considerando a grande oferta desta matéria-prima no mercado brasileiro e a manutenção da qualidade do biodiesel, estratégicos para a continuidade da geração de energia mais limpa e destino sustentável de rejeitos prejudiciais ao meio ambiente. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 2 OBJETIVOS OBJETIVOS 24 2 OBJETIVOS 2.1 OBJETIVO GERAL O objetivo geral foi investigar a composição do precipitado oriundo de biodiesel de sebo bovino, como também avaliar sua influência na estabilidade à oxidação e propriedade de entupimento de filtro a frio em misturas com óleo diesel, considerando diferentes produtores, condições e tempos de armazenamento. 2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS Os objetivos específicos foram: x Coletar amostras de biodiesel de sebo bovino de diferentes produtores; x Verificar a qualidade do biodiesel de sebo bovino de acordo com o Regulamento Técnico ANP N° 1/2008, parte integrante da Resolução ANP N° 7/2008, que especifica o biodiesel comercializado em todo território nacional; x Realizar registro fotográfico do precipitado formado no biodiesel de sebo bovino em diferentes condições e tempos de armazenamento; x Determinar a estabilidade à oxidação do biodiesel de sebo bovino e o ponto de entupimento de filtro a frio de suas misturas com óleo diesel, antes e após a filtração do precipitado formado, nas diferentes condições e tempos de armazenamento; x Determinar os teores de monoacilgliceróis, diacilgliceróis e triacilgliceróis no biodiesel de sebo bovino por cromatografia a gás; x Investigar a composição do precipitado por cromatografia a gás e cromatografia líquida de alta eficiência acoplada a espectrômetro de massas; x Estudar a estabilidade térmica do precipitado por termogravimetria. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 3 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 26 3 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 3.1 BIODIESEL NO BRASIL Em 1859 havia sido descoberto petróleo na Pensilvânia (EUA), tendo sido utilizado, principalmente, na produção de querosene para iluminação. O desenvolvimento da tecnologia para obtenção de derivados de petróleo fez com que os preços dos combustíveis fósseis ficassem muito mais baixo que dos óleos vegetais e a tecnologia nas indústrias automotivas foram se desenvolvendo para utilização desses produtos. O primeiro choque do petróleo, em 1973, marcou o fim da era do combustível abundante e barato. A partir daí, novas alternativas de combustíveis foram testadas em todo o mundo (KNOTHE et al., 2008). No Brasil, já havia estudos para a utilização de etanol hidratado como combustível alternativo e etanol anidro em misturas com a gasolina. Em 1975 foi criado o Pró-Álcool, que objetivava o desenvolvimento de tecnologia para fabricação de etanol, com o propósito de reduzir a dependência do país em petróleo importado (BRASIL, 1975). Entre 1981 e começo de 1983 houve nova alta nos preços do petróleo, o segundo choque do petróleo. O caráter finito das reservas e a ameaça de novas altas nos preços exigiam que fossem desenvolvidas tecnologias mais econômicas. Conciliado com a pressão de ambientalistas por combustíveis menos poluentes e renováveis, os biocombustíveis foram inseridos definitivamente na matriz energética mundial (ANTOLIN et al, 2002; FUKUDA et al., 2001; RINALDI et al., 2007). Biocombustível é o combustível líquido ou gasoso para transportes produzido a partir da biomassa, um produto renovável. Entende-se como biomassa a fração biodegradável de produtos e resíduos provenientes da agropecuária (origem vegetal ou animal), da silvicultura e das indústrias conexas, bem como a fração biodegradável dos resíduos industriais e urbanos. São classificados como biocombustíveis o biodiesel, o biogás e o etanol, dentre outros (KNOTHE et al., 2008). Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 27 No Brasil, além da criação do Pró-Álcool, sigla como modelo de inserir biocombustíveis em sua matriz energética, o Governo Federal, em 1975, sob a coordenação do Ministério da Agricultura, criou o Pró-Óleo ± Plano de Produção de Óleos Vegetais para Fins Energéticos, o que resultou na Resolução N° 07/1980 do Conselho Nacional de Energia, o qual nunca foi, de fato, implantado (FEAGRI, 2002). Entre os principais objetivos do Pró-Óleo, pretendia-se substituir o óleo diesel por óleos vegetais em mistura de até 30%, além de incentivar as pesquisas tecnológicas para promover a produção de óleos vegetais em diferentes regiões do país e buscar a total substituição do diesel por óleos vegetais (BIODIESELBR, 2009). Anos mais tarde (1983) foi lançado o Programa de Óleos Vegetais (OVEG), também pelo Governo Federal, voltado especificamente para a comprovação técnica do uso de óleos vegetais em motores do ciclo diesel, o qual contou com a participação de institutos de pesquisas, indústrias automobilísticas, fabricantes de peças e produtores de lubrificantes e combustíveis (SOBER, 2009); porém, não alcançando o êxito esperado. Somente no final dos anos 90, depois de reconhecida a viabilidade econômica do uso de biodiesel como combustível em âmbito mundial, o Brasil adotou a estratégia de inseri-lo em sua matriz energética de maneira sólida. Com condições climáticas e geográficas ideais para a produção em larga escala e opção de grande diversidade de matérias-primas, principalmente de origem vegetal, o Brasil poderia se tornar grande produtor de biodiesel e potencial gerador de energia renovável. 3.1.1 Implementação do Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel O Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB) é um programa do governo brasileiro estabelecido para introduzir o biodiesel na matriz energética brasileira, com enfoque na inclusão social e no desenvolvimento regional, via geração de emprego e renda (BIODIESEL, 2011). O Programa foi lançado em 06 de dezembro de 2004, após a formação do Grupo de Trabalho Interministerial, por meio de Decreto da Casa Civil, de 02 de julho de 2003. Neste período, o governo criou, também, um Grupo Gestor Biodiesel, com a função de detalhar o plano de trabalho do PNPB, contando com a participação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis ± ANP, BNDES, Petrobras, Embrapa, entre outras instituições. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 28 Cabe ressaltar que, dentre os motivos que levaram à constituição do Grupo de Trabalho, destacaram-se a necessidade de coordenação e direcionamento das várias decisões a serem tomadas, de se estabelecer ações que favorecessem a balança comercial e de utilização do biodiesel como vetor de crescimento econômico, geração de empregos e desenvolvimento do país. Este grupo analisou não só a viabilidade de utilização do biodiesel como fonte alternativa de energia, como também propôs ações direcionadas à sua produção. Coube à ANP estabelecer o arcabouço regulatório, importante para a regulação e fiscalização da cadeia de abastecimento, incluindo o controle de qualidade, armazenamento, transporte, distribuição e comercialização do biodiesel. A Medida Provisória N° 214, de 13 de setembro de 2004, ampliou a competência da ANP, alterando o caput e o Inciso XVI do Art. 8°, que trata da finalidade da ANP na Lei N° 9.478/1997 (BRASIL, 1997) e conferiu à Agência atribuições para regular o mercado de biodiesel. A citada medida tornou possível a publicação oficial do arcabouço regulatório do biodiesel. A Lei N° 11.097 de 2005 (BRASIL, 2005), que encampou a Medida Provisória N° 214/2004, acrescentou o Inciso XII no Art. 1° da Lei N° 9.478/1997, incluindo como um dos objetivos das políticas nacionais para o aproveitamento racional das fontes de energia: incrementar, em bases econômicas, sociais e ambientais, a participação do biodiesel na matriz energética nacional. O Art. 2° fixou o percentual mínimo obrigatório de adição de biodiesel ao óleo diesel comercializado ao consumidor final, em todo território nacional, em um prazo de 8 anos, iniciando com o uso de 2% a partir de janeiro de 2008. Desta forma, foi proposto um cronograma de inserção do biodiesel, sendo que para o período de 2005 a 2007, estipulou-se a adição de 2% de biodiesel ao diesel mineral em caráter de autorização, com 3 capacidade autorizada de 840 mil m por ano. De janeiro a junho de 2008, este 3 índice se tornou obrigatório, com capacidade autorizada de 1 milhão m por ano. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 29 Com a publicação da Resolução CNPE N° 2/2008, o governo antecipou o prazo para alteração do percentual mínimo de adição de biodiesel ao diesel, estabelecendo adição obrigatória de 3% a partir de julho de 2008, pulando para 4% a partir de julho de 2009, antecipando a expectativa prevista somente para 2012. A partir de janeiro de 2010, o percentual de biodiesel ao diesel foi estabelecido para 3 5%, com capacidade autorizada de 2,4 milhões m por ano, antecipando novamente a expectativa de alteração para somente em 2013 (CNPE, 2009; EMBRAPA, 2010). A ANP passou a regular a qualidade do biodiesel por meio da Resolução ANP N° 42/2004, substituída pela Resolução ANP N° 7/2008 (ANP, 2008) que manteve a denominação de biodiesel puro como B100, definindo-o como ³XP combustível composto de alquil ésteres de ácidos graxos de cadeia longa, derivados de óleos YHJHWDLV RX GH JRUGXUDV DQLPDLV´ e especificou o B100 para compor o diesel Bx (ANEXO I). 3.1.2 Comercialização O modelo de abastecimento do biodiesel seguiu a logística estabelecida para o óleo diesel. O produtor de biodiesel pôde comercializar seu produto no mercado internacional, via exportação, ou internamente, com o distribuidor de combustíveis ou a refinaria, autorizados pela ANP para realizar a mistura de biodiesel e óleo diesel, para compor o diesel Bx, conforme legislação vigente. Segundo o modelo adotado para o abastecimento do mercado, a distribuidora entrega aos postos revendedores o diesel Bx no teor obrigatório. O controle de qualidade do combustível no posto revendedor segue os padrões estabelecidos pela ANP, além do controle adotado pela distribuidora à qual o posto está vinculado. Programas de monitoramento de qualidade podem ser adotados, os quais incluem coletas de amostras para análise em laboratórios próprios ou contratados. Em caso de não-conformidade, são adotadas providências para que o produto não seja comercializado e que as causas da alteração sejam identificadas. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 30 3.1.3 Leilões Públicos Em 2005, foi publicada a Resolução CNPE N° 3 (CNPE, 2005) que autorizou a ANP a determinar as regras para que os produtores e importadores de óleo diesel adquirissem o biodiesel produzido por produtores detentores do selo Combustível Social. A referida determinação obedeceu ao limite máximo de 2% em volume da demanda nacional de óleo diesel. O governo brasileiro, por meio do Ministério de Minas e Energia (MME), estabeleceu as diretrizes para a realização dos leilões públicos de aquisição de biodiesel e a ANP, por sua parte, publicou regulamentos acerca de regras gerais para a participação nestes leilões. Até dezembro de 2010 foram promovidos vinte leilões de biodiesel para o atendimento do mercado nacional. É a ANP que estabelece o preço máximo de referência de cada leilão, sendo que no da 20ª edição 3 o preço de referência foi de R$ 2,32 por litro para os 600 mil m oferecidos (PARANAONLINE, 2011). De forma geral, a ANP atua como facilitadora para que o negócio se efetive, não participando da comercialização. Com o intuito de fomentar o PNPB, os leilões têm por finalidade aproximar produtores de compradores, além de estimular esse mercado. Os primeiros leilões buscaram estimular os investimentos em toda a cadeia de produção, promover a participação combinada da agricultura familiar e do agronegócio e garantir a oferta de biodiesel necessária para compor a mistura B2, antes de janeiro de 2008, quando passaria a ser compulsória. No pólo dos arrematantes, participaram produtores e importadores de óleo diesel na proporção de sua participação média no mercado. Para cada leilão, publica-se um edital com regras específicas. Essas regras mudaram com a evolução natural deste mercado, sendo que nos primeiros editais foram mais brandas que as atuais, de forma a garantir a regularidade das entregas e a qualidade do produto. Houve uma grande preocupação no sentido de que os produtores de biodiesel, vencedores dos leilões, tivessem condições reais de suprir o mercado com quantidade e qualidade suficientes. Entendeu-se que as novas restrições impostas não seriam problema considerando o número de produtores atualmente autorizados, bem como a capacidade total instalada hoje no país para a produção de biodiesel. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 31 Passados seis anos de implantação da introdução do biodiesel na matriz energética, até dezembro de 2010 o país computou 66 usinas produtoras de biodiesel autorizadas segundo a Resolução ANP N° 25/2008 (ANP, 2008), com capacidade autorizada em torno de 5,9 milhões m 3 por ano, apresentando predominância da rota metílica e com 70% das usinas nas Regiões Centro-Oeste e Sudeste, 30 e 14 unidades, respectivamente (ANP, 2010). 3.1.4 Tecnologia de Produção A definição de biodiesel citada na Resolução ANP N° 7/2008 estabelece a reação de transesterificação como o processo de conversão de óleos e gorduras de origem vegetal ou animal em biodiesel, apesar de existirem processos alternativos para a gradual substituição do óleo diesel pela transformação destas matériasprimas, tais como os produtos de esterificação, pirólise/craqueamento ou hidrocraqueamento de triacilgliceróis, semelhantes aos produtos obtidos no craqueamento do petróleo (SUAREZ et al., 2007). A transesterificação pode ser definida como uma reação em que um éster é transformado em outro de cadeia menor. A reação ocorre em três etapas seqüenciais, sendo que inicialmente moléculas de triacilgliceróis (óleo vegetal ou gordura animal) são convertidas em diacilgliceróis, depois em monoacilgliceróis e, finalmente, em glicerol na presença de álcool, que é considerado o agente de transesterificação, e catalisador, geralmente alcalino. O metanol e etanol são os agentes de transesterificação mais empregados no processo. A cada etapa reacional é produzido um mol de éster de ácido graxo de cadeia longa, biodiesel (DARNOKO et al., 2000). Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA A Figura 3.1 apresenta 32 um esquema simplificado da reação de transesterificação. Figura 3.1-Reação de transesterificação de 1 mol de triacilgliceróis com 3 mols de álcool para a produção de 3 mols de biodiesel e 1 mol de glicerol. Triacilglicerol Álcool Ésteres Glicerol R JUXSRDOTXLODGHFDGHLDORQJD5¶ &+3- ou CH3CH2No Brasil, a utilização de etanol na produção de biodiesel pode ser atrativa do ponto de vista ambiental, uma vez que este álcool é produzido a partir de fonte renovável e, ao contrário do metanol, possui menor grau de toxicidade. Embora haja disponibilidade do etanol no Brasil, ao governo não cabe recomendar rotas tecnológicas porque essas devem ser adaptadas a cada realidade. Das 66 usinas autorizadas pela ANP, até dezembro de 2010, 61 usinas (92% do total) produzem biodiesel utilizando o metanol. A preferência pelo uso deste álcool no processo de transesterificação advém de diversos fatores. O metanol é predominantemente utilizado em todo mundo para a produção de biodiesel, com tecnologia conhecida e comprovada. Seu custo é mais baixo que o etanol, cuja oferta no país está sujeita à demanda de açúcar no mercado internacional. O metanol, por ser isento de água, possibilita melhor rendimento de biodiesel no processo de transesterificação. Rendimentos máximos são atingidos quando o álcool é livre de umidade e a quantidade de ácidos graxos livres no óleo vegetal ou na gordura animal é inferior a 0,5% (FREEDMAN et al., 1984). Além do mais, por possuir cadeia hidrocarbônica mais curta e maior polaridade, o metanol possibilita melhor separação entre os ésteres e o glicerol no processo de produção. O uso de etanol implica maior controle do conteúdo de umidade, assim como no óleo vegetal ou na gordura animal utilizados como matérias-primas, pois caso contrário a separação do glicerol será mais difícil (FREEDMAN et al., 1984; HATEKEAMA; QUINN, 1994; CONCEIÇÃO et al., 2005). Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 33 No cenário nacional, a rota etílica evolui ainda muito tímida, havendo necessidade de incentivo institucional para que esforços entre governo e setor privado avancem no aprimoramento desta tecnologia. Apoiada pela grande disseminação do plantio de cana por todo o território nacional, a utilização do etanol permite vantagem no diferencial de frete até as unidades de produção de biodiesel versus o abastecimento de metanol, que é geralmente obtido de derivados do petróleo, apesar da competição do etanol para uso como combustível automotivo. No entanto, o metanol também pode ser produzido a partir da biomassa, fazendo a vantagem ecológica do etanol desaparecer (REVISTABIODIESEL, 2008). Na produção do biodiesel, a presença de um catalisador (ácido ou base) acelera consideravelmente a conversão, como também contribui para aumentar o rendimento da mesma (GERIS et al., 2008). A catálise homogênea em meio alcalino é a rota tecnológica predominante (MA et al., 1998; ZAGONEL; RAMOS, 2001; RAMOS, 2003). Os hidróxidos de sódio (NaOH) e potássio (KOH) são mais comumente empregados na transesterificação, sendo que o KOH é o mais consumido na aplicação industrial. Sharma e Singh (2008) reportaram em seu trabalho que o rendimento do NaOH é melhor que do KOH quanto ao tempo de dissolução com o álcool. No entanto, durante a separação do produto final do glicerol, o KOH apresentou melhor desempenho de processo. O emprego de NaOH ou de KOH como catalisador exige certos controles de processo necessários para que não haja formação de co-produtos indesejáveis que não o biodiesel. A matéria-prima utilizada deve apresentar baixa acidez (< 1 mg KOH g-1 de amostra) para evitar o consumo improdutivo de álcalis e a subseqüente formação de sabões. Uma desvantagem adicional desta rota tecnológica é a formação de água no meio reacional, decorrente da pré-solubilização dos hidróxidos no álcool para a produção do alcóxido correspondente, que atua como o verdadeiro catalisador da transesterificação (Figura 3.2). A presença de água favorece, inevitavelmente, a saponificação dos triacilgliceróis paralelamente à sua conversão em ésteres, gerando dificuldades de purificação, formação de emulsões e perda de rendimento (Figura 3.3). Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 34 Figura 3.2-Mecanismo da reação de transesterificação de triacilgliceróis para a produção de biodiesel. 5¶ JUXSRDOTXLODGHFDGHLDORQJD5´¶ &+3- ou CH3CH2- Figura 3.3-Mecanismo da reação de saponificação de triacilgliceróis. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 35 Após a reação de transesterificação, a fase mais pesada do biodiesel é composta de glicerol bruto impregnado dos excessos utilizados do álcool, de água e de impurezas inerentes ao óleo. A fase menos densa é constituída de uma mistura de ésteres metílicos e/ou etílicos, conforme a natureza do álcool originalmente adotado, também impregnado de excessos reacionais de álcool e de impurezas do óleo (ALBUQUERQUE, 2006). Os ésteres resultantes (biodiesel) devem ser separados do glicerol, dos reagentes em excesso e do catalisador da reação. Esta etapa de processo pode ser feita em 2 passos. Primeiro, separa-se o glicerol via decantação ou centrifugação. Seguidamente eliminam-se os sabões, restos de catalisador e de metanol/etanol por um processo de lavagem com água e borbulhação ou utilização de silicato de magnésio, requerendo este último uma filtragem, ou por destilação, que dispensa o uso de produtos químicos para promover a purificação. O glicerol formado é praticamente imiscível no biodiesel, reduzindo fortemente a extensão da reação reversa. A imiscibilidade do glicerol no biodiesel é um fator que favorece o rendimento da reação; entretanto, a possibilidade de formação de emulsões estáveis, em certos casos, pode exigir um longo período de repouso para separação das fases de biodiesel e glicerol (KNOTHE et al., 2008). 3.1.5 Matérias-Primas Empregar uma única matéria-prima para produzir biodiesel num país com a diversidade do Brasil seria um grande equívoco. O objetivo do governo com a implantação do PNPB foi promover a inclusão social com a perspectiva de explorar as regiões mais carentes do país, em especial o semi-árido, por meio do cultivo da mamona, e a Região Norte com a extração do óleo de palma. O governo considerou todas as matérias-primas e rotas tecnológicas candidatas em potencial, a depender das decisões empresariais, do mercado e da rentabilidade dos diferentes projetos. Estimulou as alternativas que poderiam contribuir para gerar empregos e renda, ou seja, promover a inclusão social. Porém, a soja foi a matéria-prima mais utilizada na produção do biodiesel, tanto diretamente, como mediante a utilização dos resíduos da fabricação de óleo e torta, sobretudo nas regiões com maior aptidão para o desenvolvimento dessa cultura: Sul, Sudeste e Centro-oeste (BIODIESEL, 2011). Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 36 Em 2010, o Brasil foi o segundo maior produtor mundial de soja, atrás dos Estados Unidos (NFTALLIANCE, 2010). As vantagens que consolidam a soja como principal matéria-prima para a produção do biodiesel brasileiro são: vasta extensão do território nacional, grandes áreas de plantio e produção totalmente mecanizada (tecnologia dominada pelo produtor rural, desde a seleção da semente ao armazenamento do grão), menores custos de logística para transporte ao produtor de biodiesel (usinas instaladas próximas aos produtores rurais), tecnologia conhecida de extração e refino do óleo. Um aspecto atraente sobre o uso de óleos refinados como matéria-prima predominante para a produção de biodiesel é a facilidade com que são convertidos em ésteres alquílicos simples (biodiesel) por transesterificação química (KNOTHE et al., 2008). Freedman et al. (1984 e 1986) publicaram artigos em que caracterizaram a obtenção de biodiesel por meio de óleo refinado, que é rapidamente catalisada sob condições suaves pelo hidróxido de sódio ou metóxido de sódio dissolvido em álcool. Segundo levantamento estatístico da ANP, em 2010 a soja correspondeu por 80% das matérias-primas empregadas na produção de biodiesel no Brasil. A segunda matéria-prima empregada no Brasil para o biodiesel é o sebo bovino, que se tornou expressiva nos volumes comercializados, principalmente a partir do segundo semestre de 2008, com maior representação nas Regiões Sul e Sudeste, correspondendo em torno de 15% e 67% do volume produzido, respectivamente. Em geral, a participação do sebo bovino como matéria-prima na produção nacional foi em média 22% em 2008, equivalendo aproximadamente 230.000 m3 (ANP-SSP, 2009). Os dados da ANP apontaram que até junho de 2011 houve decréscimo da participação do sebo bovino na indústria do biodiesel, em torno de 13% do total da matéria-prima utilizada, ocasionada pela produção e comercialização de misturas com outras matérias-primas, preferencialmente a soja, em função de problemas de qualidade relativos à formação de sólidos no biodiesel de sebo bovino como também da redução sazonal do preço da soja. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 37 De acordo com o anuário estatístico da ANP de junho de 2011, excluindo a soja (84%) e o sebo bovino (13%), os 3% restantes corresponderam ao uso de óleo de algodão e de outros materiais graxos (óleo de fritura usado, gordura de porco e gordura de frango). A Figura 3.4 apresenta a distribuição das matérias-primas utilizadas na produção de biodiesel no Brasil e a Figura 3.5 por região geográfica (ANP-SPP, 2011). Como estimativa futura, o Brasil deve manter a soja como matéria-prima majoritária, permanecendo por, pelo menos, 85% da produção de biodiesel, com elevação do volume de soja destinada ao biodiesel dos atuais 5 a 6 milhões de toneladas para 14 milhões de toneladas em 2015. Em 2010, o Brasil produziu perto de 70 milhões de toneladas de soja, mas pode crescer sem nenhum esforço para 90 milhões de toneladas até 2015. Depois da soja, estimam-se como principais 3 matérias-primas o óleo de palma (com 150 mil m produzidos), de algodão (com 90 3 3 3 mil m ) e de mamona (com 75 mil m ). Outros 100 mil m serão produzidos a partir de sebo bovino, pinhão-manso e amendoim (PORTALDOAGRONEGÓCIO, 2008; BIODIESELBR, 2010). Figura 3.4-Matérias-primas utilizadas na produção de biodiesel no Brasil. Referência junho 2011 (ANP-SPP, 2011). Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Figura 3.5-Matérias-primas utilizadas na produção de biodiesel no Brasil por região geográfica. Referência junho 2011 (ANP-SPP, 2011). Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 38 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 39 3.1.6 Biodiesel de Sebo Bovino O sebo bovino é uma gordura de origem animal que se apresenta pastosa à temperatura ambiente, de cor esbranquiçada com odor característico. Pode ser extraído de qualquer parte do animal. Quimicamente as gorduras são sintetizadas pela união de três ácidos graxos a uma molécula de glicerol, formando um triéster, conhecido como triacilglicerol. O sebo bovino é constituído de triacilgliceróis que tem na sua composição ácidos graxos típicos. Zheng e Hanna (2002) analisaram por cromatografia a gás a composição do sebo bovino e constataram que os constituintes majoritários são os ácidos graxos palmítico, esteárico e oléico. A Figura 3.6 apresenta exemplos dos principais ácidos graxos encontrados no sebo bovino. As Tabelas 3.1 e 3.2 apresentam a variação do teor de ácidos graxos e as especificações internacionais do sebo bovino, conforme a Physical and Chemical Characteristics of Oils, Fats and Waxes (catálogo da American Oil Chemists Society, AOCS). Figura 3.6-Exemplos de ácidos graxos de ocorrência no sebo bovino. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 40 Tabela 3.1-Variação do teor de ácidos graxos no sebo bovino. Ácidos Graxos Estrutura (%) Ácido Mirístico C14:0 1,0 - 6,0 Ácido Palmítico C16:0 20,0 - 37,0 Ácido Palmitoléico C16:1 1,0 - 9,0 Ácido Margárico C17:0 1,0 - 3,0 Ácido Esteárico C18:0 25,0 - 40,0 Ácido Oléico (Ômega 9) C18:1 31,0 - 50,0 Ácido Linoléico (Ômega 6) C18:2 1,0 - 5,0 Fonte: A.O.C.S. = American Oil Chemists Society. Tabela 3.2-Especificações internacionais do sebo bovino. Especificações A.O.C.S. Massa específica (25°C) 0,903 ± 0,907 g cm-³ Índice de refração (40°C) 1,450 ± 1,458 Índice de iodo 33 ± 47 g I2 100 g-1 Índice de saponificação 190 ± 200 mg KOH g-1 Matéria insaponificável < 0,5% Ponto de fusão (1 atm) 45 ± 48°C Fonte: A.O.C.S. = American Oil Chemists Society. A principal utilização do sebo bovino é na fabricação de sabão. O sebo também pode ser utilizado na fabricação de ração, na produção de lubrificantes, uso veterinário e conservação de couro, entre outros (CAMPESTRE, 2011). O primeiro biodiesel produzido a partir de sebo bovino foi na Itália (BIODIESELBR, 2006). A partir de 2006, o uso do sebo bovino na produção de biodiesel no Brasil adquiriu importância comercial por meio de investimentos de potenciais produtores de biodiesel, sendo que a Petrobras foi uma das empresas pioneiras, que procurou trabalhar em conjunto com empresas privadas e universidades para obtenção de produto que se enquadrasse nas especificações da ANP (BIODIESELBR, 2006). Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 41 O sebo bovino exige um tratamento diferenciado de óleos vegetais. É uma matéria-prima que tem particularidades quanto a recebimento, tratamento e manuseio. Uma usina que está preparada para trabalhar somente com óleos vegetais deve adequar-se ao utilizar o sebo. O investimento em instalações industriais nesse caso é mais alto (BIODIESELREVISTA, 2008). Para ser utilizado na produção de biodiesel, o sebo deve estar líquido. Seu transporte até a usina de biodiesel deve possuir sistema de aquecimento adequado, pois a 45°C o sebo já apresenta fase sólida. O ponto de congelamento do sebo puro é de aproximadamente 12°C (SBRT, 2006). As empresas que produzem biodiesel normalmente exigem de seus fornecedores o sebo nas condições ideais de processo, cujos tratamentos são realizados em graxarias (REVISTABIODIESEL, 2005). O sebo deve ser pré-tratado para que a reação de transesterificação alcance a maior taxa de conversão possível durante a transformação em biodiesel. A matéria-prima passa por processos de desumidificação e neutralização para atingir o mínimo de umidade e acidez. A desumidificação é realizada por secagem. A neutralização realizada, geralmente, com solução alcalina de hidróxido de sódio ou de potássio, ocorrendo a saponificação dos ácidos graxos livres presentes no sebo e formando uma borra que posteriormente é separada. Muitos estudos são encontrados na literatura acerca da transesterificação do sebo bovino na produção de biodiesel. Muniyappa et al. (1996) estudaram a transesterificação do sebo bovino utilizando metanol e hidróxido de sódio como catalisador. Os ensaios foram monitorados por meio da técnica de cromatografia líquida e os resultados revelaram que a máxima conversão dos triacilgliceróis foi alcançada em um processo de uma única etapa, baixa concentração de catalisador e tempo de reação de 1 hora e meia. Tashtoush et al. (2004) estudaram a conversão de gordura de animal em biodiesel. Observaram que as características físico-químicas do biodiesel de sebo bovino aproximaram-se mais das do diesel fóssil em comparação às do biodiesel obtido de óleos vegetais. Realizaram reações de transesterificação com sebo bovino em diversas condições de processo. As principais variáveis monitoradas foram: temperatura de reação, razão molar álcool/óleo, tipo de álcool e de catalisador. A rota etílica apresentou melhor conversão do que a metílica, visto que o etanol Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 42 apresentou menor viscosidade em todos os níveis. Observaram que em 2 horas de reação e temperatura de 50°C a conversão do sebo bovino em biodiesel foi elevada. Delgado (2008) estudou a reação de transesterificação do sebo bovino por meio da rota metílica e posterior avaliação da conformidade quanto à regulamentação da ANP. Verificou que apesar da acidez elevada da matéria-prima, da necessidade de aquecimento do meio reacional e do aumento da concentração de catalisador, a metanólise do sebo bovino apresentou boa viabilidade técnica e fácil operação, com produção de biodiesel especificado pela ANP. As curvas de termogravimetria (TG) do biodiesel metílico do sebo bovino apresentaram apenas uma etapa de decomposição térmica. Quanto à estabilidade térmica, o sebo bovino permaneceu estável até 199°C e o biodiesel metílico até 119°C. Muscelli (2009) sintetizou novos catalisadores zeolíticos e utilizou na reação de transesterificação do sebo bovino. Foi verificado que houve produção de biodiesel; porém, estudos mais sistemáticos desses catalisadores devem ser explorados variando as condições reacionais, tais: tipo de álcool (metanol e etanol), temperatura, tempo de reação e diferentes relações álcool/gordura animal para obtenção de melhor conversão em biodiesel. Mansini et al. (2007) estudaram diferentes catalisadores para a transesterificação do sebo bovino e mostraram que NaOH e KOH não são tão efetivos em rota etílica. Demonstraram que o uso da sílica (SiO 2) associado com NaOH como catalisador misto na reação de transesterificação etílica do sebo bovino resultou em conversão com menor tempo e bons rendimentos. O uso da sílica como catalisador pode ser interessante pela facilidade de manuseio e a insolubilidade do catalisador no meio reacional, permitindo avaliar formas alternativas de catálise de transesterificação etílica, que podem vir a ser mais econômicas e viáveis para o uso em grande escala de produção de biodiesel a partir de gorduras saturadas ou insaturadas. Atualmente o sebo bovino consolidou-se em segundo lugar em importância para a produção de biodiesel nacional, após a soja. A posição do Brasil como detentor do segundo rebanho bovino no mundo alavancou a entrada do sebo bovino como alternativa para a produção de biodiesel. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 43 O crescimento da procura pelo sebo foi um impulso extra para os pecuaristas que tiveram a chance de somar ao preço final dos negócios algo que muitas vezes chegava a ser considerado um mero rejeito. Até hoje, o sebo era considerado um subproduto do boi, que servia principalmente para a indústria alimentícia e para a indústria de cosméticos, em especial de sabões. A oferta de sebo bovino no mercado nacional sempre foi muito além da demanda requerida pelas indústrias. A vantagem econômica varia de acordo com o mercado, ou seja, quando o consumo de carne aumenta, há um excedente de sebo, o que diminui os preços. Assim, a maioria das empresas que produzem biodiesel trabalha em duas linhas: com o sebo e suas misturas com óleo vegetal. Devido ao sebo bovino não ter uma demanda competitiva de mercado, como a soja, que é uma commodity, seu preço está aquém dos preços das outras matérias-primas utilizadas na produção do biodiesel, tornando-se atualmente a alternativa mais barata (Figura 3.7) (ANP-SPP, 2011). Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Figura 3.7-Preços dos óleos vegetais e do sebo bovino no Brasil. Referência junho 2011 (ANP-SPP, 2011). Preço dos Óleos Vegetais e do Sebo Bovino ± Maio de 2011 Preço dos Óleos Vegetais e do Sebo Bovino nos Últimos 12 Meses Preço dos Óleos Vegetais e do Sebo Bovino nos Últimos 10 Anos Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 44 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 45 3.2 QUALIDADE DO BIODIESEL 3.2.1 Especificação Brasileira A especificação do biodiesel destina-se a garantir a sua qualidade e é pressuposto para se ter um produto adequado ao uso. Assegurar um combustível de qualidade, garantir os direitos dos consumidores e preservar o meio ambiente são os focos principais na preocupação com as especificações do biodiesel. No Brasil, a especificação do biodiesel é regulamentada pela ANP, que controla os padrões de qualidade e estabelece as normas de referências. Biodiesel produzido a partir de óleos vegetais ou de gorduras animais deve atender às especificações descritas no Regulamento Técnico ANP N° 1/2008, parte integrante da Resolução ANP N° 7, de 19 de março de 2008, que estabelece a regulamentação técnica do biodiesel a ser comercializado pelos diversos agentes econômicos autorizados em todo território nacional (ANEXO I). A determinação das características do biodiesel é feita mediante o emprego das normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), das normas internacionais American Society for Testing and Materials (ASTM), da International Organization for Standardization (ISO) e do Comité Européen de Normalisation (CEN). 3.2.2 Cuidados com o Biodiesel O biodiesel (B100) tem características de solvente mais potente do que diesel comum e cuidados devem ser tomados na sua utilização. Se utilizado sem a mistura com óleo diesel pode limpar componentes do sistema de armazenamento e abastecimento do veículo e entupir filtros e outras peças com a sujeira desprendida. Misturas de B20 ou maiores podem atacar borrachas e plásticos ou reagir com metais com os quais têm contato. Para estas concentrações é recomendado que somente Teflon, Viton, plásticos fluoratinados e o Nylon sejam utilizados nas instalações em motores e que o produto não tenha contato com qualquer peça feita de latão, bronze, cobre, chumbo ou zinco (METALSINTER, 2010). Desta forma, adaptações em motores a diesel devem ser feitas para a utilização de B100 ou misturas elevadas. Atualmente, o uso do B5 no Brasil não necessita nenhuma adaptação ao motor. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 46 O biodiesel normalmente tem uma viscosidade mais alta do que óleo diesel. Dependendo da mistura utilizada ou das matérias-primas usadas na sua produção, a viscosidade do combustível pode ficar fora dos limites recomendados para uso em motores a diesel sem as modificações apropriadas. O biodiesel de óleo de mamona, por exemplo, tem uma viscosidade de 13,75 mm² s-1, mais do que o dobro do máximo permitido para o diesel vendido para consumo, que é de 5,5 mm² s-1 (METALSINTER, 2010). O biodiesel também deve ser verificado visualmente (deve estar limpo e claro) e passar por uma checagem periódica durante a estocagem para assegurar que não sofreu deterioração ou contaminação com água. O biodiesel é altamente higroscópico, podendo conter até aproximadamente 1500 ppm (0,15% massa) de água em solução, enquanto o óleo diesel tem somente até 100 ppm (0,01% massa) (METALSINTER, 2010). Como a quantidade de água que o biodiesel pode manter em solução é sensível à temperatura, este combustível pode exibir tendência à formação de gotículas ou água em emulsão mais facilmente que o diesel, o que pode ser prejudicial ao funcionamento do motor bem como causar reações adversas durante a sua estocagem. O fato de ser higroscópico, o biodiesel está sujeito à contaminação microbiana. Os microorganismos que estão presentes no meio ambiente (ar e água, principalmente) entram em contato com o combustível, que o utilizam como ambiente de crescimento e alimento. Desta forma, se reproduzem e geram dejetos que resultam em uma biomassa ácida e mal cheirosa, extremamente corrosiva. Em alguns casos, dependendo das condições de temperatura e umidade, o produto se degrada em pouco tempo de armazenamento. No inverno isto piora com as baixas temperaturas que trazem umidade e a possibilidade de congelamento agrava a situação. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 47 Em todas as etapas de armazenagem, transporte e distribuição, as condições devem ser controladas com a preocupação de retirada de água e filtragens constantes. Os produtores e transportadoras devem cuidar dos tanques e filtros, efetuando drenagens habituais e manutenção permanente. Diminuir estoques reduz a oxidação e deterioração do biodiesel. Uma das formas de minimizar estes efeitos é o emprego de aditivos, o que minimiza os processos de deterioração e oxidação. O biodiesel é suscetível à oxidação quando exposto ao ar e este processo de degradação afeta a qualidade do combustível. O processo de oxidação do biodiesel depende da natureza dos ácidos graxos utilizados na sua produção, do grau de insaturação dos ésteres que o compõem, do processo de obtenção adotado, da umidade e da luz. Dentro as implicações negativas da oxidação do biodiesel podem ser destacadas o aumento da viscosidade, a elevação de acidez, capaz de gerar processos corrosivos abióticos e a formação de goma e compostos poliméricos indesejáveis (FERRARI et al., 2005). O monitoramento da estabilidade oxidativa do biodiesel é de fundamental importância para seu controle de qualidade, principalmente no que diz respeito ao seu armazenamento. Outra característica peculiar do comportamento da estabilidade do biodiesel é a deposição de sólidos quando exposto à baixa temperatura (TANG et al., 2008). Em geral, o precipitado, que pode apresentar-se em forma sólida ou coloidal, está relacionado com o grau de saturação dos ésteres de ácidos graxos e pode ser redissolvido quando aquecido ou mantido em temperatura ambiente (PFALZGRAF et al., 2007). Dependendo da matéria-prima, alguns tipos de biodiesel necessitam de aditivos para aumentar a estabilidade oxidativa ou para conter a cristalização pelo frio, até em um país tropical como o Brasil. 3.2.3 Ocorrência de Depósitos no Biodiesel Na última década foram significativas as inovações tecnológicas acerca das adaptações e otimizações de processos de transesterificação para obtenção de melhor rendimento e qualidade do biodiesel, visando menor redução dos teores de acilgliceróis presentes nos ésteres transesterificados e obtenção de glicerol de alta pureza como subproduto (FANGRUI et al., 1999). Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 48 O controle de qualidade do biodiesel exige atenção acerca de fatores que possam comprometer sua estabilidade. Atualmente, um dos problemas que está mobilizando o mercado de biodiesel é a deposição de material sólido verificado, principalmente, durante o armazenamento. O aparecimento de depósitos no biodiesel não é novo, mas preocupa por afetar toda a logística de transporte e de distribuição, sendo registrado mesmo sob o esforço de diversificação das matérias-primas. Preocupa também porque há relatos desta ocorrência em locais não necessariamente conhecidos pelas baixas temperaturas (países de clima temperado), onde são mais freqüentes. Neste sentido, o Brasil possui vantagem climática, mas não fica imune destas ocorrências em função da natureza de insolvência do precipitado em temperatura ambiente, o que pode comprometer a qualidade, mesmo em misturas de Bx (MONYEM et al., 1999; MITTELBACH et al., 2001; DUNN, 2002; BIODIESELBR, abril-2011). A ANP recebeu relatos de cristalização (como é mencionado pelo mercado) do biodiesel, por exemplo, em pleno verão do Rio de Janeiro. Apesar de esta agência reguladora estabelecer o controle de qualidade do biodiesel por meio de regulamentação específica, distribuidoras de combustíveis questionam junto à ANP acerca da qualidade de lotes de biodiesel adquiridos em leilões para a produção do B5, devido à presença de material sólido e cujos certificados de qualidade confirmam a conformidade com os parâmetros estabelecidos por lei. É fato que o produto deva sair do produtor com qualidade comprovada. Porém, constata-se presença de depósitos durante a operação de distribuição e preparação da mistura B5. A Figura 3.8 apresenta evidências de entupimentos causados pela sedimentação de sólidos provenientes do biodiesel em tubulações de transferências e tanques de armazenamento em usina produtora de biodiesel. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 49 Figura 3.8-Evidências decorrentes da formação de depósitos no biodiesel: (a) entupimento em tubulação de usina produtora de biodiesel; (b) depósitos em fundo de tanque de armazenamento de biodiesel (a) (b) Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 50 A precipitação de material sólido no biodiesel pode iniciar no decorrer do tempo, após a transesterificação, induzida por componentes aceleradores da cristalização, presentes em menores concentrações (TANG, SALLEY; NG, 2008). Pesquisas com biodiesel de origem vegetal sugerem a presença de esteróis livres, esteril-ésteres, esteril-glicosídeos e esteril-glicosídeos esterificados como indutores destes depósitos (HUDSON et al., 2001; JONKER et al., 1985). No caso do biodiesel de sebo bovino, a deposição de material sólido ocorre com mais facilidade devido à natureza preponderante de ésteres saturados. Poucas são as investigações acerca da formação e estabilidade do precipitado no biodiesel de sebo bovino. Pesquisa realizada no Centro de Pesquisas e Análises Tecnológicas (CPT) da ANP, em outubro de 2008, com uso da cromatografia a gás na caracterização do precipitado de biodiesel de sebo bovino sugeriu compostos de ésteres do próprio biodiesel; porém, com alto teor de monoacilgliceróis de cadeia saturada, que provavelmente causam a precipitação em uma cinética lenta, espontânea e irreversível (PACHECO; VINHADO, 2008). Há necessidade de utilização de mais recursos científicos para avaliar a cinética de formação e estabilidade destes depósitos. Artigos científicos contemplam a caracterização e estabilidade dos componentes sólidos em biodiesel, e em sua maioria, de origem vegetal. Lee et al. (2007) descrevem que esteril-glicosídeos (SGs) ocorrem naturalmente em óleos e gorduras vegetais e que durante o processo de transesterificação são convertidos em SGs nonacilados e que podem induzir à floculação de materiais sólidos em biodiesel e suas misturas. Devido aos SGs possuírem pontos de fusão em torno de 240°C, se tornam insolúveis em biodiesel ou diesel, ficando dispersos como partículas finas. Wilharm (2008) identificou alguns componentes dos esteril-glicosídeos (SGs) por cromatografia a gás acoplada a espectrômetro de massa, em estudo de verificação de entupimento de filtros em motores de veículos abastecidos com misturas de Bx. Foram identificados quatro tipos de SGs em altas concentrações em biodiesel de origem vegetal: brassicasteril-glicosídeo, estimasteril-glicosídeo, campesteril-glicosídeo e sitosteril-glicosídeo (Figura 3.9). Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 51 Figura 3.9-Exemplos de esteril-glicosídeos de ocorrência em biodiesel de origem vegetal. Brassicasteril-glicosídeo Estimasteril-glicosídeo Campesteril-glicosídeo Sitosteril-glicosídeo Moreau et al. (2008) relatam que os precipitados de esteril-glicosídeos podem ser quantificados por cromatografia líquida, mas o limite de detecção é de 100 ppm. Bondioli et al. (2008) descrevem que esteril-glicosídeos (SGs) em biodiesel podem ser quantificados por cromatografia a gás. O método requer pré-tratamento com metanólise ácida, que rompe as ligações glicosídicas dos SGs e permite a quantificação pela concentração dos esteróis livres na amostra. Verifica-se, também, que a natureza do precipitado está relacionada com o tipo de matéria-prima, do pré-tratamento aplicado ao óleo vegetal e da tecnologia de produção do biodiesel, podendo induzir a resultados contraditórios (TANG et al., 2008; VAN HOED et al., 2008). Com relação ao sebo, encontram-se estudos focados para a avaliação de parâmetros de especificação do biodiesel, em especial as propriedades relacionadas com a estabilidade térmica e oxidativa. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 52 Moura et al. (2006) relatam, após caracterização de amostras de biodiesel de sebo bovino, elevado teor de ésteres em sua composição, relacionado com as altas temperaturas aplicadas na produção do biodiesel por utilizar matéria-prima sólida, o sebo. Não se investigou a caracterização de precipitado no produto final. Portanto, cabe estender os estudos para obtenção de dados mais consistentes acerca do resíduo sólido de biodiesel de sebo bovino, a fim de buscar resultados que possam informar à comunidade científica e contribuir como referência para o segmento produtor de biodiesel. Tais informações poderão auxiliar em melhorias nas operações de produção que minimizem a formação dos agentes indutores de precipitação ou mantenham a qualidade do biodiesel nos procedimentos de armazenamento e distribuição por meio da remoção do material sólido em estágio inicial de formação. 3.3 ANÁLISE INSTRUMENTAL O atual conceito da química analítica identifica o emprego de novas técnicas de separação e determinação de espécies químicas como métodos de análise instrumental (BACCAN et al., 1988). Seu crescimento tecnólogico foi favorecido pelo avanço da automação, dos dispositivos eletrônicos e dos computadores. A maioria dos equipamentos analíticos modernos possuem ou estão conectados a um ou mais dispositivos eletrônicos sofisticados capazes de detectar e registrar dados relativos aos analitos. Os dispositivos são amplificadores, circuitos integrados, microprocessadores ou mesmo computadores, o que permite melhor controle dos dados e confiabilidade dos resultados. Neste contexto, é de fundamental importância a aplicação de métodos validados e padronizados, conforme critérios estabelecidos e reconhecidos internacionalmente (ALBANO et al., 2009). A validação de um método analítico deve garantir, através de estudos experimentais, que o mesmo atenda às exigências das aplicações analíticas, assegurando a confiabilidade dos resultados. Desse modo, é importante ressaltar que todos os equipamentos e materiais devem apresentar-se devidamente calibrados e os analistas dever ser qualificados e adequadamente treinados. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 53 3.3.1 Estabilidade à Oxidação A estabilidade à oxidação (ou oxidativa) do biodiesel é um dos parâmetros analíticos de relevância a ser controlado para garantir sua qualidade, principalmente no que tange ao armazenamento e distribuição. Em Resumo, esta medição avalia a resistência do biodiesel à oxidação sob condições definidas, que promovem o envelhecimento acelerado da amostra até alcançar o ponto em que o grau de oxidação aumenta abruptamente, chamado Período de Indução, expresso em horas (TAN et al., 2002). Assim, pode-se estimar o tempo de estocagem do biodiesel, verificado a temperatura ambiente por extrapolação. A ANP estabelece na especificação do biodiesel o limite mínimo de 6 horas para a estabilidade à oxidação a 110°C, empregando o método europeu EN 14112 (2003), conhecido como método Rancimat. O ensaio consiste em manter a amostra a um fluxo de ar purificado (10 L h-1) a temperatura de 110°C. O fluxo de ar é transferido por um tubo de vidro através da amostra aquecida e é seqüencialmente borbulhado para outro vaso contendo água deionizada. Os produtos voláteis resultantes da reação de oxidação do biodiesel são transportados para a água deionizada (Figura 3.10). À medida que a produção dos compostos de oxidação é intensificada ocorre o aumento da condutividade da água. Em determinado momento processa um súbito incremento da condutividade, decorrente do rápido aumento da taxa de oxidação, do índice de peróxidos, da absorção de oxigênio e da formação de voláteis (DE MAN et al., 1984). Nesta fase registra-se o Período de Indução (aumento súbito da oxidação) por meio de uma curva característica de estabilidade à oxidação, gerada pelo equipamento Rancimat (Figura 3.11). Na 1a fase do ensaio de estabilidade à oxidação, a formação de peróxidos (radicais livres) e as reações são lentas. Na 2ª fase, ocorre a formação de radicais de cadeias curtas, cetonas, aldeídos, ácidos carboxílicos voláteis e ácidos de pesos moleculares mais elevados e a reação é rápida, visivelmente observada na curva característica do método. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Figura 3.10-Esquema de análise da estabilidade à oxidação (Rancimat). Figura 3.11-Curva característica de estabilidade à oxidação gerada pelo método Rancimat. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 54 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 55 3.3.2 Ponto de Entupimento de Filtro a Frio Quando biodiesel é resfriado abaixo de uma certa faixa de temperatura, algumas moléculas agregam-se e formam cristais. O combustível começa a apresentar-se turvo à medida que os cristais se tornam maiores do que um quarto do comprimento de onda da luz visível ± este é o fenômeno descrito como ponto de névoa ou ponto de turbidez (DE SOUZA et al., 2009). Nas temperaturas abaixo do ponto de névoa, o crescimento cristalino e a aglomeração continuam até que os cristais fiquem grandes o suficiente para restringir ou impedir o fluxo livre do combustível em tubulações e filtros, inclusive de motores. Em geral, cristais com tamanhos de partículas que excedam 10 ȝP restringem o fluxo nos filtros (DUNN, 1999). Este fenômeno pode causar problemas de armazenamento e na partida do motor ou no seu desempenho (KNOTHE et al., 2008). Existem métodos analíticos desenvolvidos para predizer o limite de operação do combustível à baixa temperatura. O teste de fluxo de baixa temperatura ± TFBT (em inglês, low temperature flow test, LTFT) é usualmente aplicado na América do Norte e o ponto de entupimento de filtro a frio ± PEFF (em inglês, cold filter plugging point, CFPP) é especificado na Europa, Ásia, África e América do Sul (DUNN, 1999; KNOTHE, 2005). Este método foi validado e publicado pela American Society for Testing and Materials como ASTM D6371 (2010). O método se baseia em aspirar 45 mL de amostra em uma pipeta através de um filtro de malha de 45 ȝP, a intervalos de 1°C, utilizando uma bomba de vácuo controlada a 200 mm H2O. Com o resfriamento da amostra há um aumento da formação de cristais. A temperatura na qual a amostra deixa de fluir pelo filtro dentro de 1 minuto ou não retorna ao jarro de teste indica o ponto de entupimento de filtro a frio. A detecção é realizada por infravermelho, sendo que nos equipamentos mais modernos o vácuo é controlado eletronicamente, podendo ajustar o nível de 150 a 300 mm H2O e programação de limpeza automática do sistema após cada ensaio. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 56 No Brasil, a ANP especifica o PEFF 19°C máximo no biodiesel, sendo importante parâmetro de controle da qualidade do combustível em procedimentos de armazenamento e de distribuição, principalmente nas Regiões Sul e Sudeste, onde as temperaturas de inverno são mais rigorosas. A temperatura na qual biodiesel puro (B100) começa a solidificar varia significativamente e depende da mistura de ésteres e do tipo de matéria-prima utilizada na produção. Por exemplo, o biodiesel produzido a partir de semente de canola começa a solidificar a aproximadamente -10°C. Biodiesel produzido a partir de sebo bovino tende a solidificar abaixo de 16°C. Atualmente, o mercado apresenta uma série de aditivos disponíveis com a finalidade de diminuir o PEFF de biodiesel puro. Operação no inverno é também possível por meio de mistura de biodiesel com óleo diesel (SPEIGHT, 2008). 3.3.3 Técnicas Cromatográficas O princípio básico da cromatografia compreende a separação de misturas por interação diferencial dos seus componentes entre uma fase estacionária (FE) e uma fase móvel (FM) (OHLWEILER, 1981; GROB, 1995), Figura 3.12. Figura 3.12-Processo de partição de uma amostra por cromatografia. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 57 A FE é depositada no interior de um tubo, identificado como coluna cromatográfica. A FE é classificada como: x FE líquida: material depositado sobre a superfície de um sólido poroso inerte (coluna empacotada) ou de tubo fino de material inerte (coluna capilar), Figura 3.13. Exemplos de materiais que constituem FE líquida são: poliglicóis, parafinas apolares, poliésteres, silicones, entre outros. O fenômeno físico-químico responsável pela interação da amostra (analito) com a FE líquida é a absorção ou partição, Figura 3.14; x FE sólida: coluna recheada com material finamente granulado (empacotada) ou depositado sobre a superfície interna do tubo (capilar). A FE sólida é constituída por sólidos finamente granulados e de grandes áreas superficiais. Exemplos: polímeros porosos (copolímero estireno-divinilbenzeno, polióxido de difenileno) e sólidos inorgânicos, tais como carvão ativado grafitizado, alumina, argila microporosa (peneira molecular), etc. O fenômeno físico-químico responsável pela interação amostra (analito) e FE sólida é a adsorção, Figura 3.15. Figura 3.13-Preenchimento de FE líquida em uma coluna cromatográfica. Figura 3.14-Absorção ou partição do analito em uma FE líquida. Figura 3.15-Adsorção do analito em uma FE sólida. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 58 As características de uma FE ideal são: x ampla faixa de temperatura de uso, o que permite maior flexibilidade na otimização da separação; x boa estabilidade química e térmica, resultando maior durabilidade da coluna; x viscosidade baixa, pois as colunas mais eficientes possuem menor resistência à transferência do analito entre fases; x disponível em elevado grau de pureza. A fase móvel (FM) empregada em cromatografia não deve interagir com a amostra; apenas a carrega através da coluna. A FM é, por definição, fluida, de maneira que se pode utilizar um gás ou um líquido e esta distinção classifica a cromatografia em: x cromatografia líquida de alta eficiência (CLAE): FM líquida; x cromatografia a gás (CG): FM gasosa, sendo que a FE pode ser líquida (cromatografia gás-líquido) ou sólida (cromatografia gás-sólido). O gás utilizado deve ser compatível com o detector. Os gases de arraste usualmente utilizados são: hélio, nitrogênio, hidrogênio e misturas de gases especiais. A análise cromatográfica se processa introduzindo a amostra em uma das extremidades da coluna e a FM é bombeada continuamente a uma velocidade constante. Com o passar da FM, as substâncias começam a migrar de acordo com as interações de suas propriedades físico±químicas com as da FM e as da FE. Na outra extremidade da coluna instala-se um monitor que detecta as substâncias separadas e transmite para um registrador sinal proporcional a sua concentração. O gráfico obtido é definido como cromatograma, Figura 3.16. Figura 3.16-Cromatograma da análise de uma amostra de biodiesel. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 59 3.3.3.1 Cromatografia a Gás A cromatografia a gás (CG) caracteriza-se por trabalhar com FM gasosa. A Figura 3.17 apresenta um esquema de funcionamento de um cromatógrafo a gás. Figura 3.17-Esquema de funcionamento de um cromatógrafo a gás. Os modernos equipamentos apresentam configurações totalmente automáticas quanto aos controles de vazão, pressão e temperatura. Injetores e detectores também foram aperfeiçoados pelo uso de materiais mais resistentes e inertes, permitindo melhor desempenho do cromatógrafo. O equipamento pode trabalhar com diferentes tipos de detectores, dependendo da especificidade da amostra. Um dos detectores mais utilizado é o de ionização de chama (DIC), Figura 3.18. Seu funcionamento corresponde na queima do efluente proveniente da coluna, misturado com hidrogênio e ar, produzindo uma chama (2100°C) que tem energia suficiente para ionizar as moléculas do soluto que tenham potenciais de ionização baixos, formando um plasma. As espécies iônicas produzidas são coletadas por eletrodos e a corrente elétrica resultante é amplificada e enviada para o sistema de registro. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 60 Figura 3.18-Esquema de funcionamento de um detector de ionização de chama. No controle de qualidade do biodiesel, a CG-DIC é amplamente utilizada para avaliar o percentual de conversão da reação de transesterificação por meio da determinação do teor de ésteres, como também dos teores de contaminantes do biodiesel: álcool (metanol ou etanol), glicerol livre e total, monoacilgliceróis, diacilgliceróis e triacilgliceróis. Para cada uma destas determinações há normas validadas e adotadas na especificação do biodiesel. Wawrzyniak et al. (2005) validaram um método de determinação de biodiesel em óleo diesel por meio da determinação dos ésteres utilizando a técnica de CG. A ANP estabelece métodos por CG-DIC na especificação do biodiesel que contemplam tanto a pureza do B100, por meio do teor de ésteres, como também de contaminantes que possam interferir em sua qualidade como combustível. As análises cromatográficas são realizadas pela aplicação de normas nacionais (ABNT) e internacionais (ASTM e EN), sendo que para uma determinada característica há alternativa de mais de uma norma, conforme descrito no Regulamento Técnico ANP N° 1/2008, parte integrante da Resolução ANP N° 7/2008, que estabelece a regulamentação técnica do biodiesel a ser comercializado pelos diversos agentes econômicos autorizados em todo território nacional (ANEXO I). Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 61 A norma ASTM D6584 (2010), utilizada para determinação de glicerol livre e total, monoacilgliceróis, diacilgliceróis e triacilgliceróis, foi aplicada neste estudo para avaliar a qualidade do biodiesel de sebo bovino como também a natureza do seu resíduo sólido. O método estabelece o uso de CG-DIC equipado com injetor oncolumn, que permite entrada direta da amostra na coluna cromatográfica e acompanha a programação de temperatura do forno, minimizando decomposição de compostos termicamente instáveis. Plank e Lorbeer (1995) estudaram a precisão e automação do método quanto à preparação de padrões e amostras para controle de qualidade do biodiesel. 3.3.3.2 Cromatografia Líquida de Alta Eficiência Acoplada a Espectrômetro de Massas A cromatografia líquida de alta eficiência (CLAE) possui imensa aplicabilidade em diversos ramos da indústria e da ciência, com vantagens analíticas, tais como: alto poder de resolução, separações rápidas, monitoramento contínuo do eluente, excelente precisão e exatidão com a mesma coluna e automação analítica e no tratamento de dados. Além disto, em comparação com a cromatografia a gás (CG), a CLAE tem a vantagem de não se limitar a amostras voláteis e/ou termicamente estáveis e dispor de grande variedade de fases móveis e estacionárias. Esta técnica tem se mostrado adequada a trabalhos envolvendo compostos de elevada viscosidade como os óleos vegetais, comparativamente a outros tipos de cromatografia como a gasosa. Exemplo prático é a análise de triacilgliceróis por CG, sendo que problemas relacionados à contaminação do injetor e detector têm sido relatados em razão da alta viscosidade destes compostos. Já a análise de monoacilgliceróis e diacilgliceróis por CG é pouco conveniente uma vez que necessita de prévia derivatização dos grupos hidroxilas livres por silanização (GOH, 1985; PLANK; LORBEER, 1995) ou acetilação (LECHNER et al., 1997), o que não é necessário na análise por CLAE. Brandão et al. (2009) propuseram estudo utilizando CLAE em fase reversa com detecção ultravioleta associada a métodos multivariados para a identificação e quantificação de óleos e gorduras vegetais adulterantes em óleo diesel. Dois métodos foram construídos: um baseado na análise de componentes principais (em inglês, principal component analysis, PCA), classificação por k-ésimo vizinho mais Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 62 próximo (em inglês, k nearest neighbor classification, KNN) e regressão univariada, aplicável a um único tipo de adulterante no diesel, e outro baseado em regressão por mínimos quadrados parciais (em inglês, partial least square, PLS), para casos dos adulterantes serem misturas de até três tipos de óleos e gorduras. Holcapek et al. (1999) estudaram a utilização de CLAE em fase reversa para a determinação de compostos que ocorrem durante a produção de biodiesel de óleo de canola. Monoacilgliceróis, diacilgliceróis e triacilgliceróis, ésteres metílicos de ácidos oléico, linoléico e linolênico e ácidos graxos livres foram separados por CLAE usando um gradiente linear combinado de solução aquosa-orgânica e não-aquosa como fases móveis, com tempo de análise de 25 minutos. Outro método com uma fase aquosa não-linear móvel foi utilizado para o monitoramento rápido da conversão de triacilgliceróis de óleo de colza para biodiesel e quantificação dos triacilgliceróis residuais. A sensibilidade e a linearidade dos vários modos de detecção foram comparadas. Os compostos de amostras individuais foram identificados por CLAE acoplado a espectrômetro de massas (EM) com ionização no modo positivo. A cromatografia líquida acoplada a espectrômetro de massas (CLAE-EM) é, sem dúvida, uma das ferramentas analíticas mais poderosas da atualidade para determinação de compostos orgânicos. Esta permite que composto pré-separados sejam identificados e quantificados com alto grau de seletividade e sensibilidade. Os compostos eletricamente carregados, ou íons, são selecionados e medidos de acordo com a razão massa carga-1 (m z-1), resultados da ação de campos elétricos ou magnéticos gerados na região do analisador do equipamento que, comumente, pode estar disposto em diferentes configurações. Neste trabalho foi utilizado um sistema conforme apresentado na Figura 3.19, constituído de uma fonte de ionização, na qual são gerados os íons na fase gasosa, um analisador e um detector. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 63 Figura 3.19-Desenho das unidades fundamentais de um espectrômetro de massas da marca Shimadzu, modelo MS-IT-TOF. Fonte de Ionização (Electrospray) Ion Trap (IT) Interface (CDL - Curved Desolvation Line) Time- of ±Flight (TOF) Octapolo Lentes Focalizadoras Detector A sensibilidade do método analítico utilizado está diretamente ligada à ionização do analito na interface entre o CLAE e o espectrômetro de massas. Neste caso, a fonte de ionização é por electrospray. O processo de ionização por electrospray (em inglês, electrospray ionization, ESI) se dá pela passagem de um líquido através de um capilar de metal extremamente fino, onde é empregada uma alta tensão (tipicamente 3 a 4 kV para a produção de íons positivos, e ligeiramente menores - 2,5 a -3,5 kV e de carga oposta para a produção de íons negativos), com formação de microgotas altamente carregadas. A nebulização ou secagem da solução é facilitada pela ajuda de um gás nebulizador, normalmente o nitrogênio. Na medida em que o solvente se evapora, a densidade de carga da superfície da molécula aumenta até que as forças repulsivas de Coulomb entre as cargas superficiais exceder as tensões superficiais, levando assim a divisões consecutivas da microgota inicial (ARDREY, 2003), como descrito na Figura 3.20. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 64 Figura 3.20-Esquema de nebulização de fonte por electrospray. Este processo se torna contínuo, onde ocorrerá uma nova divisão e assim sucessivamente, até que cada gota conterá apenas moléculas que reterão parte da carga inicial, ou seja, irão formar íons protonados (M + H)+ ou íons desprotonados (M - H)- (ARDREY, 2003). O electrospray se tornou a técnica de ionização mais importante em sistemas de CLAE-EM, pois permitiu a formação de moléculas carregadas (íons) em pressão atmosférica e em altos fluxos a partir de compostos polares e pouco voláteis presentes na fase líquida. Sua importância para a análise de moléculas biológicas, em especial os peptídeos, foi reconhecida e seu inventor John Fen (2002) foi agraciado pelo seu trabalho em CLAE-EM e em outras técnicas com o prêmio Nobel de Química em 2002. Os fatores que podem influenciar a etapa de ionização em experimentos de CLAE-EM são o tamanho das gotas inicialmente produzidas e a taxa de fluxo de líquido. Quanto menor a gota produzida maior será a dessolvatação possibilitando assim maior eficiência na produção de moléculas com carga, por isso a necessidade de uma fase móvel com baixa tensão superficial e baixa viscosidade. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 65 Por sua vez, a taxa de fluxo de líquido no sistema de CLAE é fundamental para o desempenho tanto da cromatografia como da espectrometria de massas, onde a vazão afeta a distribuição do tamanho das gotículas formadas durante o processo de ionização (nem todas as gotículas são do mesmo tamanho) e, conseqüentemente, o número de cargas em cada gota (ARDREY, 2003). Além disto, a composição da fase móvel em experimentos onde se usam gradientes de solventes é determinante na eficiência da ionização. Existem duas teorias principais que podem explicar a produção de íons na fase gasosa durante a ionização por electrospray. O modelo de carga residual (em inglês, charge residue model, CRM) sugere que as gotículas geradas pelo electrospray passam por ciclos de evaporação e fissão que levam a gotículas ainda menores que contém em média um íon do analito. Os íons são formados na fase gasosa posteriormente à evaporação das moléculas de solvente, deixando o analito com as cargas que a gotícula carregava. Já o modelo de evaporação do íon (em inglês, ion evaporation model, IEM) sugere que a diminuição da gotícula leva ao aumento do campo elétrico na superfície, tornando-se grande o suficiente para assistir a dessorção de íons solvatados. Com isto o íon do analito sai da superfície da gota e é ejetado na fase gasosa. Embora não haja nenhuma prova científica definitiva, existem várias evidências indiretas de que íons menores são formados pelo modelo de evaporação de íons (IEM), enquanto que os íons maiores são formados pelo modelo de carga residual (CRM). Entre as maneiras utilizadas para compensar o efeito matriz em CLAE-EM, pode-se citar (i) técnicas de clean up da amostra, (ii) uso de padrão interno deuterado, (iii) preparo das soluções analíticas no extrato da matriz, (iv) uso de analitos protetores (ARDREY, 2003). A alta resolução e exatidão de massas apresentada pelo espectrômetro da marca Shimadzu, modelo MS-IT-TOF (Figura 3.19) é devido justamente à união dessas duas tecnologias, ion trap (IT) e time of flight (TOF), e pelo controle interno de temperatura do equipamento, o que garante uma distância de vôo (TOF em inglês) e uma voltagem aceleradora de íons altamente estáveis, podendo assim atingir altos níveis de estabilidade de massa. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 66 O CLAE-EM-IT-TOF (em inglês, LC-MS-IT-TOF) permite a identificação dos íons moleculares sem haver a necessidade de análise de fragmentação (MS 1, MS2, etc) para se obter a confirmação das estruturas moleculares. Além do que, a massa de um determinado íon molecular é a soma das massas unitárias dos seus isótopos mais abundantes, e também das espécies moleculares que contém isótopos menos abundantes que dão origem aos isotopólogos, dependendo do número de cargas (M+1, M+2, etc). As Tabelas 3.3 e 3.4 mostram, respectivamente, a abundância relativa dos isótopos de elementos mais comuns e as massas exatas dos isótopos. Tabela 3.3-Abundância relativa dos isótopos de elementos. Elementos Isótopo Abundância Relativa Isótopo Abundância Relativa Isótopo Abundância Relativa Carbono 12 C 100 13 C 1,11 - - Hidrogênio 1 H 100 2 H 0,016 - - Nitrogênio 14 N 100 15 N 0,38 - - Oxigênio 16 O 100 17 O 0,04 18 Flúor 19 F 100 - Silício 28 Si 100 Fósforo 31 100 - Enxofre 32 S 100 33 Cloro 35 Cl 100 Bromo 79 Br Iodo 127 P I 29 Si 5,1 - O 30 Si - 0,2 3,35 - 0,78 34 S 4,4 - - 37 Cl 32,5 100 - - 81 Br 98 100 - - S - - Fonte: LCMS Solutions, Banco de Dados do NIST. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 67 Tabela 3.4-Massa atômica dos isótopos de elementos comuns. Elemento Hidrogênio - Massa Média (g mol-1) 1,00794 - Nuclídeo 1 Massa Atômica (g mol-1) H 1,00783 2 2,01410 D( H) 12,01115 12 12,00000 - 13 13,00336 14,0067 14 14,0031 - 15 N 15,0001 15,9994 16 O 15,9949 - - 17 16,9991 - - 18 17,9992 Flúor 18,9984 19 F 18,9984 Silício 28,0855 28 Si 27,9769 - - 29 28,9765 - - 30 29,9738 Fósforo 30,9738 31 30,9738 Enxofre 32,0660 32 31,9721 - - 33 32,9715 - - 34 S 33,9679 35,4527 35 Cl 34,9689 - 37 Cl 36,9659 79,9094 79 Br 78,9183 - 81 80,9163 Carbono Nitrogênio Oxigênio Cloro Bromo Iodo 126,9045 C C N O O Si Si P S S Br 127 I 126,9045 Fonte: LCMS Solutions, Banco de Dados do NIST. O CLAE-EM-IT-TOF foi utilizado neste estudo como técnica para confirmar os componentes preponderantes da composição do resíduo sólido de biodiesel de sebo bovino. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 68 3.3.4 Análise Térmica A análise térmica consiste em um grupo de técnicas nas quais as propriedades físicas e/ou químicas de uma substância são medidas em função da temperatura, enquanto a substância é submetida a um programa controlado de temperatura, numa atmosfera específica, segundo definição da International Confederation for Thermal Analysis and Calorimetry (ICTAC). Esta técnica é utilizada para a medição de decomposição térmica (determinação de umidade, de voláteis, de resíduo e teor de cinzas), oxidação térmica, cinética de reação, diagrama de fases, determinação de calor específico, determinação de transição vítrea, de fusão, tempo de armazenamento, entre outros. A análise térmica utiliza, geralmente, pequena quantidade de amostra, não necessita de preparação da amostra e apresenta resultados rápidos e precisos; contudo, é uma técnica destrutiva, o que não desfavorece sua aplicação para controle de qualidade e pesquisas científicas, atualmente em crescente evolução (MOTHÉ; AZEVEDO, 2002). 3.3.4.1 Termogravimetria A termogravimetria (TG) é amplamente utilizada para a verificação da estabilidade térmica de um material, em atmosfera e temperatura controladas. Empregou-se esta técnica para a avaliação da decomposição térmica de resíduo sólido oriundo de biodiesel de sebo bovino. O princípio baseia-se na obtenção de uma curva termogravimétrica, conhecida como curva TG, plotando-se a massa ou o percentual de massa decomposta (eixo Y) versus temperatura ou tempo (eixo X). A amostra é acondicionada em recipiente colocado em uma balança analítica, em atmosfera controlada, e efetua-se o aquecimento contínuo e programado do ambiente. Ao sofrer degradação, a amostra perde massa, sob a forma de produtos voláteis, e o sensor registra a correspondente perda de massa, que é ilustrada pela curva de decomposição térmica (curva TG) (LUCAS, 2001; HAINES, 1995). Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 69 A termogravimetria permite obter a primeira derivada da curva TG, denominada curva DTG, que possibilita visualizar o início e final de cada etapa de perda de massa, indicando a faixa de temperatura onde ocorre uma determinada reação de decomposição (WENDLANDT, 1986). O instrumental para análise termogravimétrica compreende os seguintes módulos (TURI, 1981): x termobalança: pode trabalhar na faixa de pesagem entre 1 e 100 mg, sendo que os modelos mais utilizados são configurados para a faixa entre 5 e 20 mg. A termobalança é característica por apresentar o suporte da amostra dentro do forno do equipamento termogravimétrico e o restante do seu corpo fica isolado termicamente do forno; x forno: pode trabalhar na faixa de temperatura de ambiente a 1500°C, com velocidade de aquecimento desde um pouco maior que zero até 200°C min-1. O forno é purgado com nitrogênio ou argônio para evitar a oxidação da amostra durante a análise. Outros gases podem ser utilizados, conforme as condições analíticas adotadas. A temperatura é registrada utilizando um termopar próximo ao recipiente da amostra. Porém, essa temperatura não é a temperatura real da amostra, em função do termopar não estar em contato direto com a mesma. Contudo, caso o fizesse, poderia haver decomposição catalítica, contaminação e erro na massa resultante da amostra durante a realização da análise. Para equalizar este desvio entre temperatura registrada e real da amostra, os modernos analisadores dispõem de um controle automatizado que compara a tensão de saída do termopar com uma tensão apresentada em uma tabela de temperatura que fica armazenada na memória do equipamento (em inglês, read only memory, ROM). A estação de dados programa a diferença de temperatura entre o termopar e a temperatura especificada na memória ROM, para ajustar a voltagem do aquecedor, de maneira a atingir uma concordância satisfatória entre as temperaturas programada e da amostra. A temperatura registrada em uma curva torna-se idealmente a temperatura real da amostra; x sistema de purga de gás: o forno é purgado constantemente para manter um ambiente inerte durante a análise ou simular uma condição de ensaio em atmosfera reativa. Os gases comumente utilizados são: nitrogênio, argônio, lítio, ar sintético, oxigênio e hidrogênio (diluído). Há equipamentos configurados para Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 70 operar com troca de gás de purga durante a análise, permitindo simular diferentes condições ambientais para uma mesma amostra; x estação de dados: responsável pelo controle do equipamento, do registro e tratamento dos dados obtidos nas análises. A estação de dados compreende o sistema controlador automatizado do equipamento, o qual é operado por um microcomputador. As Figuras 3.21 e 3.22 apresentam detalhes da termobalança, marca Mettler Toledo, utilizada neste trabalho para análises termogravimétricas. Figura 3.21-Módulos principais de um sistema TG Mettler Toledo. Figura 3.22-Esquema do forno de uma termobalança Mettler Toledo. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 4 METODOLOGIA METODOLOGIA 72 4 METODOLOGIA 4.1 COLETA E FRACIONAMENTO DO BIODIESEL DE SEBO BOVINO Foram coletadas amostras de biodiesel de sebo bovino de dois produtores nacionais e, posteriormente, foram fracionadas para simular diferentes condições e tempos de armazenamento. 4.1.1 Coleta do Biodiesel de Sebo Bovino Coletou-se 30 L de biodiesel de sebo bovino fresco (recém-produzido) de cada produtor, identificados como produtor X e produtor Z. A coleta foi realizada em ponto de amostragem na área de produção, antes de escoar para tanque de armazenamento, para evitar contaminação com lote anterior, Figura 4.1. Ambos os produtores utilizaram a rota metílica na produção de biodiesel de sebo bovino, conforme informações fornecidas de parâmetros de processo, Tabela 4.1. Figura 4.1-Coleta de biodiesel de sebo bovino. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso METODOLOGIA 73 Tabela 4.1-Parâmetros de processo do biodiesel de sebo bovino. Parâmetro de Processo Capacidade de produção (m3 dia-1) Tipo de processo Rota do processo Catalisador Matéria-prima Origem do sebo bovino Pré-tratamento do sebo Tipo de reator Temperatura de transesterificação Separação do glicerol Separação do metanol Separação da umidade Tempo máximo de estocagem do biodiesel Produtor X Produtor Z 825 750 contínuo (eventualmente batelada) contínuo metílica metílica metilato de sódio metilato de sódio (30% em vol. de metanol) (30% em vol. de metanol) sebo bovino sebo bovino nacional importado (Austrália) deacidificação / deacidificação / separação de ácidos separação de ácidos graxos graxos 3 reatores em série 2 reatores em série 60°C 60°C decantação decantação destilação destilação (vaso flash sob vácuo) (vaso flash sob vácuo) centrifugação / destilação centrifugação / destilação (vaso flash sob vácuo) (vaso flash sob vácuo) 45 dias 30 ias 4.1.2 Fracionamento do Biodiesel de Sebo Bovino O biodiesel de sebo bovino de cada produtor foi fracionado em frascos de polietileno de alta densidade (em inglês, high density polyethylene, HDPE) de 1 litro, para simular diferentes condições e tempos de armazenamento, Figura 4.2. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso METODOLOGIA 74 O fracionamento do biodiesel de sebo bovino foi realizado no Centro de Pesquisas e Análises Tecnológicas da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis ± CPT/ANP, sediado em Brasília/DF. Figura 4.2-Fracionamento do biodiesel de sebo bovino. As Tabelas 4.2 e 4.3 identificam as amostras fracionadas do produtor X e do produtor Z, respectivamente. Os códigos numéricos das tabelas referem-se ao tempo de armazenamento (1 = 1 mês, 2 = 2 meses, 3 = 3 meses, 4 = 6 meses e 5 = 12 meses) e os códigos alfabéticos simulam condições ambientais de tanques de armazenamento, a saber: x Condição A: amostra a temperatura ambiente (25°C) ± simulação de verão; x Condição B: amostra com variação de temperatura (3 dias 25°C e 3 dias 10°C, alternados) ± simulação de inverno; x Condição C: amostra a temperatura ambiente (25°C) e adição de 0,2% em volume de precipitado de sebo bovino (coletado em tanque do produtor Z) ± simulação de fundo de tanque contaminado com resíduo sólido de biodiesel de sebo bovino de lote anterior; x Condição D: amostra a temperatura ambiente (25°C) e adição de 1% em volume de biodiesel de soja (produtor nacional) ± simulação de fundo de tanque contaminado com biodiesel de origem vegetal; x Condição E: amostra a temperatura ambiente (25°C) e adição de 0,01% em massa de lã de ferro comercial ± simulação de tanque contendo ferro. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso (0,01% massa) T. amb. (25°C), lã de ferro soja (1% volume, 10 mL L-1) T. amb. (25°C), biodiesel de (0,2% volume, 2 mL L-1) de biodiesel de sebo bovino T. amb. (25°C), resíduo sólido 3 dias 10°C, alternados 3 dias T. amb. (25°C), X.1.E X.1.D X.1.C X.1.B 3 meses Código 3 6 meses Código 4 X.2.E X.2.D X.2.C X.2.B X.2.A X.3.E X.3.D X.3.C X.3.B X.3.A X.4.E X.4.D X.4.C X.4.B X.4.A Identificação da Amostra Fracionada 2 meses Código 2 Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso E D C B T. ambiente (25°C) X.1.A Descrição da Condição de Armazenamento A 1 mês Armazenamento Condição de Armazenamento Código 1 Amostras Fracionadas a partir de 30 L de Biodiesel de Sebo Bovino do Produtor X Tabela 4.2 Fracionamento do biodiesel de sebo bovino do produtor X. Tempo de METODOLOGIA X.5.E X.5.D X.5.C X.5.B X.5.A 12 meses Código 5 75 (0,01% massa) T. amb. (25°C), lã de ferro soja (1% volume, 10 mL L-1) T. amb. (25°C), biodiesel de (0,2% volume, 2 mL L-1) de biodiesel de sebo bovino T. amb. (25°C), resíduo sólido 3 dias 10°C, alternados 3 dias T. amb. (25°C), Z.1.E Z.1.D Z.1.C Z.1.B 3 meses Código 3 6 meses Código 4 Z.2.E Z.2.D Z.2.C Z.2.B Z.2.A Z.3.E Z.3.D Z.3.C Z.3.B Z.3.A Z.4.E Z.4.D Z.4.C Z.4.B Z.4.A Identificação da Amostra Fracionada 2 meses Código 2 Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso E D C B T. ambiente (25°C) Z.1.A Descrição da Condição de Armazenamento A 1 mês Armazenamento Condição de Armazenamento Código 1 Amostras Fracionadas a partir de 30 L de Biodiesel de Sebo Bovino do Produtor Z Tabela 4.3 Fracionamento do biodiesel de sebo bovino do produtor Z. Tempo de METODOLOGIA Z.5.E Z.5.D Z.5.C Z.5.B Z.5.A 12 meses Código 5 76 METODOLOGIA 77 4.2 ANÁLISES Foram realizadas análises de caracterização das amostras fracionadas de biodiesel de sebo bovino e dos precipitados formados. Os resultados apresentados neste trabalho corresponderam à média de, pelo menos, duas medições (duplicata), que se mantiveram dentro dos limites de repetibilidade estabelecidos pelos métodos e técnicas analíticas utilizados. 4.2.1 Caracterização do Biodiesel de Sebo Bovino Conforme Regulamento Técnico ANP N° 1/2008 As análises físico-químicas do biodiesel de sebo bovino foram realizadas no laboratório do produtor X e do produtor Z, respectivamente, para verificar a qualidade das amostras como produtos especificados pela ANP. Ambos os laboratórios são autorizados a realizarem análises de biodiesel conforme critérios estabelecidos na Resolução ANP N° 31/2008 (ANEXO II). As determinações das características do biodiesel foram feitas mediante o emprego das normas descritas na Resolução ANP N° 7/2008 (ANEXO I). 4.2.2 Aspecto do Precipitado de Biodiesel de Sebo Bovino Foi realizado o registro fotográfico do precipitado formado na amostra fracionada de biodiesel de sebo bovino, considerando-se a correspondente condição e o tempo de armazenamento. O registro fotográfico concentrou-se no aspecto do biodiesel antes, após a filtração e do precipitado filtrado. Foi realizada a filtração sob vácuo do precipitado, utilizando papel de filtro marca Whatman, modelo 5 Qualitative 12,5 cm. O precipitado foi seco a temperatura ambiente (25°C) no próprio papel de filtro, em dessecador por 30 dias e sem alcance da luz, para assegurar a mínima volatilização de seus componentes. Após a secagem, o precipitado foi transferido para frasco de vidro com tampa rosqueável e identificado. Este trabalho foi realizado no CPT/ANP, sediado em Brasília/DF. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso METODOLOGIA 78 4.2.3 Análises Físico-Químicas das Amostras Fracionadas do Biodiesel de Sebo Bovino Para cada mês de armazenamento, determinou-se a estabilidade à oxidação das amostras fracionadas do biodiesel de sebo bovino do produtor X e do produtor Z e o ponto de entupimento de filtro a frio em misturas com óleo diesel, antes e após a filtração do precipitado, para avaliar sua influência na qualidade dos resultados obtidos. Estas análises foram realizadas no CPT/ANP, sediado em Brasília/DF. 4.2.3.1 Estabilidade à Oxidação Determinou-se a estabilidade à oxidação de acordo com a norma EN 14112, especificada pela ANP, das amostras de biodiesel de sebo bovino fracionadas em função da condição e do tempo de armazenamento, antes e após a filtração do precipitado. Utilizou equipamento marca Metrohm, modelo Rancimat 743, Figura 4.3. A análise se resume em pesar (3,00 ± 0,01) g de amostra, aquecer a 110°C com fluxo constante de ar de (10 ± 1,0) L h-1, de forma que os produtos de oxidação sejam arrastados para uma célula contendo 50 mL de água destilada (com condutividade menor que 5 µS cm-1), onde está imerso um eletrodo que mede a variação de condutividade. O equipamento opera automaticamente e a análise é finalizada quando a condutividade atinge usualmente 200 µS cm-1. O resultado é expresso em tempo (h) medido para que a condutividade atinja 100% da escala do equipamento, que corresponde ao valor da estabilidade à oxidação da amostra. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso METODOLOGIA 79 Figura 4.3-Equipamento utilizado na análise de estabilidade à oxidação. 4.2.3.2 Ponto de Entupimento de Filtro a Frio Foram preparadas misturas de B0, B3, B4, B5, B10, B20, B50, B60, B80 e B100 de cada amostra de biodiesel de sebo bovino fracionado, antes e após a filtração do precipitado, com óleo diesel coletado do Terminal de Distribuição da Petrobras ± Terbras, em Brasília. Para a preparação da mistura biodiesel de sebo bovino/óleo diesel utilizou balão volumétrico de 100 mL e pipeta de vidro graduada de 25 mL. Determinou o PEFF de cada mistura Bx considerando o procedimento descrito na norma ASTM D6371. Foi omitida a etapa do método que estabelece filtração prévia da amostra a ser analisada. Isto para verificar se o precipitado presente no biodiesel interfere no resultado da análise. Desta forma, efetuou a agitação do biodiesel de sebo bovino fracionado antes de preparar a correspondente mistura Bx a fim de obter amostra representativa, ou seja, com a presença do precipitado formado. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso METODOLOGIA 80 O método compreende em resfriar a amostra em velocidade controlada e passagem em uma malha metálica de 45 µm, sob vácuo de 0,0194 atm (aproximadamente 200 mm H2O), em intervalos de 1°C. O resultado é expresso como a temperatura correspondente ao tempo excedente de 1 minuto para passagem da amostra no filtro (malha). Utilizou equipamento marca ISL, modelo FPP 5G, Figura 4.4. Figura 4.4-Equipamento utilizado para PEFF, marca ISL, modelo FPP 5G. 4.2.4 Natureza do Precipitado de Biodiesel de Sebo Bovino Foram determinados os teores de acilgliceróis nas amostras de biodiesel de sebo bovino fresco (recém-produzido) e nas amostras fracionadas, contendo precipitado e após sua remoção por filtração. A análise foi realizada por cromatografia a gás com detecção de ionização de chama (CG-DIC) com a finalidade de verificar possível variação da concentração de mono-, di- e triacilgliceróis no biodiesel de sebo bovino durante a precipitação de material sólido. Neste estudo foi utilizado um cromatógrafo a gás instalado no CPT/ANP, sediado em Brasília/DF. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 81 METODOLOGIA O precipitado filtrado do biodiesel de sebo bovino foi analisado também por CG-DIC, mesmo equipamento instalado no CPT/ANP, e por cromatografia líquida de alta eficiência com detector de ultravioleta/visível (CLAE-UV/VIS) e acoplada a espectrômetro de massas, tipo CLAE-EM-IT-TOF, em equipamento instalado no Departamento de Química da Universidade Federal de Ouro Preto ± UFOP/MG. Foram utilizados padrões dos monoacilgliceróis monopalmitina e monoestearina para verificar os constituintes majoritários do precipitado. A análise por CG-DIC comparou o perfil cromatográfico do precipitado com os perfis dos padrões e posterior quantificação do percentual de monoacilgliceróis na amostra. A técnica de CLAE-EM-IT-TOF foi utilizada por permitir boa eluição a baixas temperaturas, evitando a degradação térmica de compostos presentes na amostra. O detector de massas foi utilizado por trabalhar com alta resolução, permitindo inequívoca determinação de fórmula ou íon molecular da amostra. Curvas termogravimétricas foram obtidas para verificar o perfil da decomposição térmica do precipitado com os perfis do biodiesel de sebo bovino e dos padrões de monopalmitina e monoestearina. Utilizou termobalança instalada no Laboratório de Catálise e Petroquímica do Instituto de Química da UFRN. 4.2.4.1 Teores de Acilgliceróis por Cromatografia a Gás 4.2.4.1.1 Mono-, Di- e Triacilgliceróis no Biodiesel de Sebo Bovino Avaliou-se os teores de mono-, di- e triacilgliceróis nas amostras de biodiesel fresco (recém-produzido) e de biodiesel fracionado mantido nas diferentes condições e tempos de armazenamento, antes e após a filtração do precipitado formado, para verificar se há relação da variação de acilgliceróis no sobrenadante em função da formação do depósito, em especial os monoacilgliceróis, considerando um estudo realizado no CPT/ANP que sugeriu a predominância destes na composição do precipitado (PACHECO; VINHADO, 2008). A análise foi realizada por cromatografia a gás com detecção de ionização de chama (CG-DIC), de acordo com a norma ASTM D6584. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 82 METODOLOGIA Foram aplicadas as seguintes condições cromatográficas: x Coluna capilar de sílica fundida, fase estacionária 95% dimetilpolisiloxano e 5% fenilmetilpolisiloxano, para alta temperatura (exemplo DB-5HT), dimensões 30 m x 0,25 mm x 0,1 Pm; x Injetor tipo on-column; x Volume de injeção: 0,5 PL; x Gás de arraste: hélio; x Fluxo na coluna: 3 mL min-1, modo constant flow; x Temperatura do detector: 380°C; x Vazão de hidrogênio no detector: 45 mL min-1; x Vazão de ar sintético no detector: 450 mL min-1; x Vazão de nitrogênio no detector + coluna: 45 mL min-1; x Forno: Taxa Temperatura Tempo (°C min-1) (°C) (min) - 50 1 15 180 0 7 230 0 30 380 10 A identificação dos acilgliceróis foi realizada por comparação com os tempos de retenção dos padrões de referência monooleína, dioleína e trioleína, utilizados na elaboração da curva analítica, conforme procedimento descrito na norma. Utilizou-se tricaprina como padrão interno para quantificar mono-, di- e triacilgliceróis. O método estabelece proceder a silanização (substituição do grupo hidroxila) da amostra com N-Metil-N-trimetilsililtrifluoroacetamida (MSTFA) para obtenção de derivado com menor ponto de ebulição e permitir melhor separação dos componentes na coluna cromatográfica. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 83 METODOLOGIA Em um frasco de 20 mL pesou-se cerca de 100 mg do biodiesel de sebo bovino em balança analítica de resolução 0,1 mg. Em seguida, adicionou-se 100 PL de butanotriol, 100 PL de tricaprina (padrão interno dos acilgliceróis) e 100 PL do reagente derivatizante MSTFA. Após breve agitação da mistura, o frasco foi lacrado e deixou-se reagir por aproximadamente 20 minutos. Em seguida, o frasco foi aberto e adicionou-se 8 mL de heptano. A solução foi transferida para um frasco de cromatografia gasosa (em inglês, vial) antes da injeção no cromatógrafo, procedendo-se, em seguida, a análise. Após obtenção do cromatograma, foi calculada a área de cada composto a partir da integração dos picos de mono-, di-, triacilgliceróis e tricaprina (padrão interno). A partir da área, da massa da amostra, da massa do padrão interno e dos coeficientes angular e linear da curva analítica de cada componente, calculou-se as concentrações dos compostos presentes pela equação 4.1: Glic ª mPI 2 º§ ª Aglic º · ª100 º « »¨¨ « » bglic ¸¸ « » «¬ a glic »¼© ¬ API 2 ¼ ¹¬ m ¼ (4.1) onde: Glic é o teor de mono-, ou di- ou triacilgliceróis, expresso em fração mássica (% massa); Aglic é a área de mono-, ou di- ou triacilgliceróis; API2 é a área da tricaprina; mPI2 é a massa da tricaprina; m é a massa da amostra; aglic é o coeficiente angular da curva analítica de mono-, ou di- ou triacilgliceróis; bglic é o coeficiente linear da curva analítica de mono-, ou di- ou triacilgliceróis. A Figura 4.5 apresenta típico cromatograma do biodiesel de sebo bovino, obtido conforme o método descrito. Neste estudo foi utilizado cromatógrafo a gás da marca Agilent, modelo 6890N, Figura 4.6. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 5 5.488 butanotriol (pad int 1) ester C16:0 9.416 10 9.837 10.870 ester C18:0 11.339 12.5 11.963 12.198 esteres C20:0 e C20:1 13.914 ester C22:0 monopalmitina 14.656 15 15.690 16.405 16.578 ester C24:0 monooleina, monolinoleina e monolinolenina 16.135 monoestearina 17.5 ester C24:0 tricaprina (pad int 2) 20.578 20.833 22.770 23.210 triacilglicerois 22.5 22.405 diacilglicerois 20 20.289 19.212 Figura 4.5-Cromatograma de uma amostra de biodiesel de sebo bovino. 7.5 ester C14:0 FID1 A, (11_07_08\11_07_01 2011-07-08 17-30-04\F1931_11_2.D) 2.5 glicerol esteres C18:1, C18:2 e C18:3 METODOLOGIA Norm. 350 300 250 200 150 100 50 0 Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 4.759 min 84 METODOLOGIA 85 Figura 4.6-Cromatógrafo a gás utilizado na determinação dos teores de acilgliceróis. 4.2.4.1.2 Monoacilgliceróis no Precipitado O precipitado filtrado foi analisado por CG-DIC aplicando a mesma metodologia descrita no item 4.2.4.1.1 (norma ASTM D6584). Pesou-se 2 mg de resíduo sólido e utilizou piridina para dissolução (200 PL). Foram selecionados resíduos sólidos representativos do início, meio e final do presente estudo, além dos padrões monopalmitina e monoestearina, utilizados para confirmar a presença destes monoacilgliceróis nas amostras analisadas: x precipitado filtrado das amostras X.1.A, X.3.A e X.5.A (produtor X) e das amostras Z.1.A, Z.3.A e Z.5.A (produtor Z) correspondentes a simulação de verão (condição A) com 1, 3 e 12 meses de armazenamento, respectivamente; x padrão de monopalmitina, marca AccuStandard, código GS-015N, lote 15588; x padrão de monoestearina, marca AccuStandard, código GS-018N, lote 15391. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 86 METODOLOGIA 4.2.4.2 Análise do Precipitado por Cromatografia Líquida de Alta Eficiência com Detector de Ultravioleta/Visível e Acoplada a Espectrômetro de Massas Para a separação cromatográfica utilizou cromatógrafo líquido da marca Shimadzu, modelo LC 20A, Figura 4.7, equipado com detector de ultravioleta/visível (UV/VIS) de arranjo de diodos SPD-M20A da marca Shimadzu, tendo como referência os estudos de Holcapek et al. (1999), nas seguintes condições: x coluna C18, nas dimensões 150 mm x 2 mm x 3,1 µm; x volume de injeção: 10 µL; x amostrador automático em fluxo de 1,000 mL min-1; x fase móvel metanol (fase móvel A) e propanol/hexano 5:4 em volume (fase móvel B); x gradiente de 0% de B até 50% de B em 20 minutos, seguido de aumento imediato para 100% de B em 0,5 minutos, mantendo por 4,5 minutos. Em seguida, diminuição para 0% de B em 0,5 minutos, mantendo por 4,5 minutos, resultando tempo total da análise de 30 minutos; x temperatura do forno: 40°C; x leitura no detector UV/VIS na faixa de comprimento de onda entre 190800 nm. As análises foram realizadas no comprimento de onda de 205 nm. A detecção pelo espectrômetro de massas foi realizada pelo modelo LC-MSIT-TOF (inclui CLAE), da marca Shimadzu, Figura 4.8, nas condições: x fluxo de amostras no espectrômetro de massa de 0,2000 µL min-1; x realizado scan entre as faixas de massa de 100-1000. Condições para o electrospray: x fluxo do gás de nebulização de 1,5 L min-1; x temperatura do bloco e interface (CDL) 200°C; x pressão do gás de secagem (drying gas) 100 kPa; x voltagem ESI + 4,5 kV e ESI ± 3,5 kV; x voltagem do detector: 1.80 kV; x tempo de acumulação dos íons no octapolo de 50 ms. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso METODOLOGIA 87 Figura 4.7-CLAE-UV/VIS utilizado na determinação dos componentes do precipitado de biodiesel de sebo bovino. Figura 4.8-Sistema LC-MS-IT-TOF Shimadzu para identificação dos componentes do precipitado de biodiesel de sebo bovino. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 88 METODOLOGIA Para a caracterização do precipitado foram selecionadas amostras representativas do início e final do presente estudo, além dos padrões monopalmitina e monoestearina: x referente ao produtor X: precipitado filtrado das amostras X.1.A e X.5.A, correspondentes a simulação de verão com 1 e 12 meses de armazenamento, respectivamente; x referente ao produtor Z: precipitado filtrado das amostras Z.1.A e Z.5.A, correspondentes a simulação de verão com 1 e 12 meses de armazenamento, respectivamente; x padrão de monopalmitina, marca AccuStandard, código GS-015N, lote 15588; x padrão de monoestearina, marca AccuStandard, código GS-018N, lote 15391. 4.2.4.3 Termogravimetria As análises termogravimétricas foram realizadas em uma termobalança Mettler Toledo, modelo TGA/SDTA±851, Figura 4.9, com variação de temperatura de 30°C a 600ºC e razão de aquecimento de 10°C min-1 sob atmosfera de hélio, com vazão de 25 mL min-1 utilizando cadinho de alumina de 900 µL e massa de amostra de aproximadamente 60 mg. Na pesagem de padrões foi utilizada massa mais reduzida, aproximadamente 10 mg. As curvas TG/DTG obtidas permitiram avaliar os eventos de perdas de massa característicos de cada amostra analisada, para a razão de aquecimento programada. Foram selecionadas as seguintes amostras: x referente ao produtor X: biodiesel de sebo bovino fresco, precipitado filtrado das amostras X.1.A, X.2.A, X.3.A, X.4.A e X.5.A, correspondentes a simulação de verão (condição A) nos meses de armazenamento avaliados (1, 2, 3, 6 e 12 meses) e precipitado filtrado das amostras X.1.B, X.1.C e X.1.D, correspondentes a simulação das diferentes condições e no tempo de 1 mês de armazenamento; Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 89 METODOLOGIA x referente ao produtor Z: biodiesel de sebo bovino fresco, precipitado filtrado das amostras Z.1.A, Z.2.A, Z.3.A, Z.4.A e Z.5.A, correspondentes a simulação de verão (condição A) nos meses de armazenamento avaliados (1, 2, 3, 6 e 12 meses) e precipitado filtrado das amostras Z.1.B, Z.1.C e Z.1.D, correspondentes a simulação das diferentes condições e no tempo de 1 mês de armazenamento; x padrão de monopalmitina, marca AccuStandard, código GS-015N, lote 15588; x padrão de monoestearina, marca AccuStandard, código GS-018N, lote 15391. Figura 4.9-Termobalança Mettler Toledo TGA/SDTA±851 utilizada na análise termogravimétrica do precipitado de biodiesel de sebo bovino. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 5 RESULTADOS E DISCUSSÃO RESULTADOS E DISCUSSÃO 91 5 RESULTADOS E DISCUSSÃO 5.1 VERIFICAÇÃO DA QUALIDADE DO BIODIESEL DE SEBO BOVINO A Tabela 5.1 apresenta os resultados dos ensaios físico-químicos constantes no Regulamento Técnico ANP N° 1/2008, parte integrante da Resolução ANP N° 7/2008, que especifica o biodiesel comercializado em território nacional (ANEXO I), das amostras de biodiesel de sebo bovino coletadas do produtor X e do produtor Z. A verificação dos parâmetros de especificação foi realizada para comprovar a conformidade com a regulamentação técnica brasileira e proceder aos devidos fracionamento e armazenamento no período de estudo estabelecido (de 1 a 12 meses). Durante a coleta do biodiesel de sebo bovino, conforme descrito no item 4.1.1, o químico responsável pelo controle de qualidade de cada produtor acompanhou o procedimento e retirou uma fração do volume coletado, suficiente para realizar análises de caracterização em laboratório próprio autorizado pela ANP, garantindo a representatividade do lote amostrado. Os resultados foram enviados posteriormente, encontrando-se dentro das especificações da ANP para os dois produtores. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 92 RESULTADOS E DISCUSSÃO Tabela 5.1-Caracterização das amostras de biodiesel de sebo bovino coletadas do produtor X e do produtor Z. Produtor Característica Aspecto Massa específica a 20°C Unidade Limite - Método X Z ABNT / NBR ASTM D EN / ISO LII LII LII - - - 850-900 870 871 7148 (X) 1298 (Z) - -1 3,0-6,0 4,1 4,4 10441 (X) 445 (Z) - -1 500 356 260 - 6304 (X) EN ISO 12937 (Z) -1 - kg m ³ Viscosidade cinemática a 40°C Mm² s Teor de água, máx. mg kg Contaminação total, máx. mg kg 24 23 22 - - EN ISO 12662 Ponto de fulgor, mín. °C 100,0 166,0 144,0 14598 - - Teor de éster, mín. % massa 96,5 96,8 97,6 - - EN 14103 Resíduo de carbono % massa 0,050 0,030 0,010 - 4530 - Cinzas sulfatadas, máx. % massa 0,020 0,008 0,010 - 874 - -1 50 1 5 - 5453 - -1 5 3 1 - - EN 14108 (X) EN 14538 (Z) -1 5 1 1 - - EN 14538 -1 mg kg 10 8 2 - 4951 (X) EN 14107 (Z) Corrosividade ao cobre, 3 h a 50°C, máx. - 1 1 1 - 130 - Ponto de entupimento de filtro a frio, máx. °C 19 13 12 - 6371 - 0,50 0,48 0,17 14448 (X) 664 (Z) - Enxofre total, máx. mg kg Sódio + Potássio, máx. mg kg Cálcio + Magnésio, máx. mg kg Fósforo, máx. Índice de acidez, máx. mg KOH g -1 Glicerol livre, máx. % massa 0,02 0,02 0,01 - 6584 - Glicerol total, máx. % massa 0,25 0,07 0,18 - 6584 - Monoacilgliceróis % massa anotar 0,55 0,56 - 6584 - Diacilgliceróis % massa anotar 0,06 0,14 - 6584 - Triacilgliceróis % massa anotar 0,49 0,20 - 6584 - Metanol ou etanol, máx. % massa 0,20 0,12 0,08 - - EN 14110 Estabilidade à oxidação a 110°C, mín. h 6 13 14 - - EN 14112 LII Límpido e isento de impurezas; (X) método especificado pela ANP utilizado pelo produtor X; (Z) método especificado pela ANP utilizado pelo produtor Z. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso RESULTADOS E DISCUSSÃO 93 Os resultados demonstraram que as amostras de biodiesel de sebo bovino apresentaram-se conformes com a regulamentação técnica da ANP; portanto, aptas a serem utilizadas como combustíveis. Para muitos parâmetros analisados os resultados foram parecidos, evidenciando processos de produção similares. Observou-se que: x aspecto ± ambos os produtores apresentaram resultados especificados pela ANP, reportado como LII = límpido e isento de impurezas. É um teste que permite que se tenha uma rápida indicação visual da qualidade e até mesmo identificar uma contaminação do produto. O biodiesel deve apresentar-se límpido e isento de materiais em suspensão como poeira, ferrugem, água, etc. Estes contaminantes, quando presentes, podem reduzir a vida útil do filtro do veículo e equipamentos e prejudicar o funcionamento do motor. Não sendo observada a presença de água livre ou de materiais sólidos e estando o produto límpido, considera-se aprovado neste teste; x massa específica a 20°C ± os produtores apresentaram resultados praticamente iguais. Os motores são projetados para operar com combustíveis em uma determinada faixa de densidade, tendo em vista que a bomba injetora dosa o volume injetado. Variação na densidade leva a uma significativa variação na massa de combustível injetada, impossibilitando a obtenção de uma mistura ar/combustível balanceada. Desta forma, o biodiesel deve ter uma densidade compatível com a do óleo diesel, quando se mistura ambos os produtos, de modo a possibilitar homogeneização plena destas misturas; x viscosidade cinemática a 40°C ± os produtores X e Z apresentaram resultados praticamente iguais e dentro da especificação da ANP. A viscosidade cinemática do biodiesel é maior do que do óleo diesel, e em alguns casos a baixas temperaturas torna-se muito viscoso, ou mesmo sólido. Alta viscosidade afeta a fluxo de volume e característica de pulverização na injeção do motor, e em baixas temperaturas pode comprometer a integridade mecânica dos sistemas de acionamento da bomba de injeção (quando usado como B100); Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso RESULTADOS E DISCUSSÃO x 94 teor de água ± o produtor X apresentou quantidade maior em seu produto, mas dentro do limite especificado. A água é introduzida no biodiesel durante a etapa de lavagem final no processo de produção e é removida por evaporação forçada ou destilação. No entanto, teor de água baixo não garante que o biodiesel deva atender esta especificação durante a combustão. Como é um produto higroscópico, absorve água em uma concentração de até 1000 ppm durante armazenamento, podendo ocorrer que o limite de solubilidade seja ultrapassado (cerca de 1500 ppm de água em biodiesel contendo 0,2% massa de metanol), havendo separação da água dentro do tanque de armazenamento, necessitando remoção da fase inferior (MITTELBACH et al., 2004). Água livre no biodiesel promove, também, crescimento biológico, podendo causar obstrução de filtro e linha de combustível. Além disso, elevado nível pode induzir a reações de hidrólise, em parte, a conversão de biodiesel em ácidos graxos livres, podendo degenerar filtro de combustível e corrosão do sistema de injeção; x contaminação total ± os dois produtores apresentaram resultados praticamente iguais. Esta análise é definida como a quantidade de material insolúvel retido após filtração de uma amostra de biodiesel, sob condições padronizadas; x ponto de fulgor ± o produtor Z apresentou resultado mais baixo; porém, os dois produtores atingiram valores acima do limite mínimo especificado. O ponto de fulgor é uma medida de inflamabilidade do combustível e, portanto, um critério importante na segurança, transporte e armazenamento. Sabe-se que o ponto de fulgor do óleo diesel é menor que do biodiesel e; portanto, no quesito segurança o biodiesel leva vantagem. O ponto de fulgor do biodiesel puro é consideravelmente superior ao limite fixado, mas pode diminuir rapidamente com o aumento da quantidade de álcool residual. Como estes dois aspectos são estritamente correlacionados, esta medida pode ser usada como indicativo da presença de álcool (metanol ou etanol) no biodiesel; Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 95 RESULTADOS E DISCUSSÃO x teor de éster ± ambos os produtores X e Z apresentaram resultados acima do limite mínimo especificado pela ANP. Este parâmetro é importante para a determinação da presença de contaminante orgânico no biodiesel. Valor abaixo do limite especificado pode provir de condições inadequadas de reação ou de componentes indesejáveis na matéria-prima, tais como esteróis, álcool residual, acilgliceróis parciais e glicerol. Como a maioria destes compostos é removida durante a destilação do produto final, ésteres metílicos transesterificados destilados apresentam maior teor de éster do que os não destilados (MITTELBACH; ENELSBERGER, 1999); x resíduo de carbono ± o resultado do produtor X foi três vezes maior que o encontrado do produtor Z; contudo, estando dentro da especificação da ANP. Este parâmetro é definido como a quantidade de matéria carbonácea obtida após evaporação e pirólise de uma amostra de biodiesel em condições específicas, medindo a tendência de uma amostra de produzir depósitos em componentes do motor, especialmente em bicos injetores e no interior da câmara de combustão. É considerado controle essencial na qualidade do biodiesel, pois se correlaciona com as quantidades de acilgliceróis, ácidos graxos livres, sabões e resíduos de catalisador ou contaminantes no biodiesel (MITTELBACH et al., 2004). Este parâmetro é influenciado também por concentrações elevadas de ésteres poliinsaturados e polímeros, indutores da formação de goma e coque em combustível (MITTELBACH; ENELSBERGER, 1999); x cinzas sulfatadas ± os resultados foram praticamente iguais, de modo que as amostras apresentaram pequena quantidade de contaminantes inorgânicos, como os sólidos abrasivos e resíduo de catalisador. Estes compostos são oxidados durante o processo de combustão, formando depósito em filtro e no motor, prejudicando o desempenho do veículo (MITTELBACH et al., 2004); x enxofre total ± ambos os produtores apresentaram teor de enxofre significativamente abaixo do limite máximo especificado pela ANP. Combustíveis com alto teor de enxofre têm sido associados com impactos negativos à saúde e ao meio ambiente. Causam, também, o desgaste do motor e reduz a eficiência e vida útil de sistemas catalíticos. Portanto, a adoção de metas para a sua redução é um importante facilitador para a introdução de tecnologias avançadas em engenharia de motor e de sistemas de controle de emissões; Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 96 RESULTADOS E DISCUSSÃO x metais ± sódio + potássio (alcalinos) e cálcio + magnésio (alcalino-terrosos). O conteúdo de metais alcalinos do produtor X foi três vezes que o encontrado do produtor Z e para os alcalino-terrosos as quantidades foram iguais. Contudo, ambos os produtores apresentaram teores de metais dentro dos limites especificados. Os íons metálicos são introduzidos no biodiesel durante o processo de produção, a partir de resíduo de catalisador e água de lavagem. Sódio e potássio estão associados com a formação de cinzas no motor e sabões de cálcio são responsáveis pelo entupimento da bomba de injeção (MITTELBACH et al., 2004). Estes compostos compõem os contaminantes inorgânicos, controlados também pelo teor de cinzas sulfatadas; x fósforo ± o teor apresentado pelo produtor X foi quatro vezes maior que o do produtor Z, mas dentro do limite especificado. Fósforo em biodiesel é decorrente de fosfolipídios (origem animal ou vegetal) e sais inorgânicos (óleo de fritura usado) contidos na matéria-prima, podendo agir como envenenador do sistema catalítico de emissões do veículo, reduzindo sua vida útil; x corrosividade ao cobre ± ambos os produtores atingiram a especificação. Este parâmetro caracteriza a tendência do combustível em provocar a corrosão de cobre, zinco e peças de bronze no motor e no tanque de armazenamento. A corrosão pode ser induzida por compostos de enxofre e ácidos presentes no biodiesel, de modo que a especificação da ANP mantém controle destes parâmetros também. Uma tira de cobre é imersa em biodiesel e aquecida a 50°C por três horas. Em seguida, compara-se com tiras-padrões para determinar o grau de corrosão; x ponto de entupimento de filtro a frio ± os produtores X e Z apresentaram resultados praticamente iguais e dentro da especificação da ANP. O comportamento do biodiesel em baixa temperatura é um importante critério de qualidade, pois pode ocorrer a solidificação parcial ou total do combustível causando problemas no armazenamento, na transferência e no motor. O ponto de entupimento de filtro a frio do biodiesel depende de sua composição, com tendência desfavorável à baixa temperatura os produtos cujas composições predominam ésteres saturados de cadeia longa (biodiesel de sebo bovino, por exemplo); Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 97 RESULTADOS E DISCUSSÃO x índice de acidez ± o resultado do produtor X foi quase três vezes maior que o encontrado no produtor Z. Este parâmetro mede o conteúdo de ácidos graxos livres contidos em biodiesel recém-produzido ou de ácidos graxos livres e de decomposição em amostras mais velhas. Se ácidos minerais são utilizados no processo de produção, também são mensurados como índice de acidez. A medida depende do tipo de matéria-prima e do seu grau de refinamento. A acidez pode, também, ser gerada durante o processo de produção do biodiesel. O parâmetro caracteriza o grau de envelhecimento do combustível durante o armazenamento, uma vez que aumenta gradualmente devido à degradação do biodiesel. A acidez elevada causa corrosão e formação de depósitos no motor, sendo que os ácidos graxos livres e ácidos carboxílicos são menos agressivos que os ácidos minerais (CVENGROS et al., 2006). É expresso em mg de KOH necessários para neutralizar 1 g de biodiesel; x glicerol livre ± o valor encontrado pelo produtor X foi o dobro do produtor Z e correspondeu ao limite máximo especificado. O teor elevado de glicerol livre pode advir da ineficiência da etapa de separação ou lavagem do biodiesel no processo produtivo, ocasionando formação de fundo de tanque no armazenamento ou no próprio tanque de combustível do veículo, atraindo outros componentes polares como a água, monoacilgliceróis e sabões. Estes podem penetrar no filtro de combustível e causar danos ao sistema de injeção. Alto nível de glicerol livre pode também causar coque no injetor (MITTELBACH et al., 2004); x glicerol total ± o resultado do produtor Z foi o dobro do encontrado do produtor X; porém, dentro da especificação da ANP. Este parâmetro corresponde à soma das concentrações de glicerol livre e glicerol ligado na forma de mono-, di- e triacilgliceróis. A concentração depende da eficiência do processo. Combustível fora da especificação torna-se passível de formação de coque, causando depósitos em bicos injetores, pistões e válvulas (MITTELBACH et al., 2004); Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso RESULTADOS E DISCUSSÃO x 98 mono-, di- e triacilgliceróis ± os produtores X e Z apresentaram resultados similares para mono-, sendo que para di- e triacilgliceróis o produtor X apresentou metade e o dobro do produtor Z, respectivamente. A especificação da ANP não estabelece limites para estes parâmetros. O Regulamento Técnico ANP N° 1/2008 estabelece que estas características devem ser analisadas em conjunto com as demais da especificação a cada trimestre civil. Em comum com a concentração de glicerol livre, a quantidade de acilgliceróis depende da eficiência do processo. Biodiesel fora da especificação para este parâmetro está propenso a formação de depósitos em bicos injetores, pistões e válvulas (MITTELBACH et al., 2004); x metanol ou etanol ± ambos os produtores apresentaram teores de metanol próximos e abaixo do limite máximo especificado. Teor elevado pode causar corrosão em componentes do motor, baixa lubricidade do combustível e efeitos adversos em injetores devido a sua alta volatilidade. Tanto o metanol quanto o etanol afetam o ponto de fulgor do biodiesel, diminuindo a temperatura de inflamabilidade; x estabilidade à oxidação a 110°C ± os produtores X e Z apresentaram resultados praticamente iguais e dentro da especificação da ANP. Devido à sua composição química, biodiesel é mais suscetível à degradação oxidativa do que o óleo diesel. Isto é verdadeiro para combustíveis com altos teores de diinsaturados e ésteres mais elevados, com grupos metilenos adjacentes à ligação dupla (BOUAID et al., 2007). Os hidroperóxidos formados podem polimerizar-se com outros radicais para formar gomas insolúveis, associadas a depósitos no motor (MITTELBACH; GANGL, 2001). Aditivos antioxidantes podem ser adicionados para garantir mais estabilidade ao combustível. 5.2 ASPECTO DO PRECIPITADO DE BIODIESEL DE SEBO BOVINO As Figuras 5.1 e 5.2 apresentam o registro fotográfico da formação de precipitado nas condições de simulação de verão (condição A) e de inverno (condição B) para os meses de armazenamento estudados, respectivamente. As demais condições C, D e E também apresentaram precipitados com aspectos idênticos aos obtidos da Condição A. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 99 RESULTADOS E DISCUSSÃO Figura 5.1-Foto de precipitado formado em biodiesel de sebo bovino mantido na condição A de armazenamento ± simulação de verão. Tempo de Armazenamento Produtor X Produtor Z Amostra X.1.A Amostra Z.1.A Amostra X.2.A Amostra Z.2.A Biodiesel fresco 1 mês 2 meses Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 100 RESULTADOS E DISCUSSÃO 3 meses Amostra X.3.A Amostra Z.3.A Amostra X.4.A Amostra Z.4.A Amostra X.5.A Amostra Z.5.A 6 meses 12 meses Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 101 RESULTADOS E DISCUSSÃO Figura 5.2-Foto de precipitado formado em biodiesel de sebo bovino mantido na condição B de armazenamento ± simulação de inverno. Tempo de Armazenamento Produtor X Produtor Z Amostra X.1.B Amostra Z.1.B Amostra X.2.B Amostra Z.2.B Biodiesel fresco 1 mês 2 meses Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 102 RESULTADOS E DISCUSSÃO 3 meses Amostra X.3.B Amostra Z.3.B Amostra X.4.B Amostra Z.4.B Amostra X.5.B Amostra Z.5.B 6 meses 12 meses Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso RESULTADOS E DISCUSSÃO 103 A avaliação visual demonstrou que: x todas as amostras apresentaram formação de precipitado, independente da condição e do tempo de armazenamento; x a aglomeração da partícula inicia-se por uma névoa fina, tornando-se maior com o passar do tempo, com exceção do precipitado obtido na condição B (3 dias 25°C e 3 dias 10°C, alternados), cujo aspecto foi finamente dividido nos 12 meses estudados. Nesta condição de simulação de inverno o biodiesel de sebo bovino solidificou a 10°C, retornando ao estado líquido a 25°C. A diminuição da temperatura acelerou o processo de precipitação e alterou o aspecto do precipitado; x a quantidade de precipitado não variou significativamente em função do tempo de armazenamento; x não houve formação de mais precipitado no biodiesel de sebo bovino após a filtração do depósito inicial. A Figura 5.3 apresenta o registro fotográfico do biodiesel de sebo bovino filtrado da condição A (simulação de verão). Observouse que após 30 dias da filtração do precipitado, o biodiesel de sebo bovino manteve-se límpido. Mesma constatação foi verificada para as demais condições C, D e E, inclusive a condição B (simulação de inverno), cujo biodiesel de sebo bovino filtrado e resfriado a 10°C manteve-se límpido e isento de precipitado após elevação a 25°C, Figura 5.4. Portanto, a precipitação completa-se de forma espontânea, não se visualizando mais formação após filtração do depósito inicial. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 104 RESULTADOS E DISCUSSÃO Figura 5.3-Foto do biodiesel de sebo bovino após filtração do precipitado na condição A, para 1 mês e 12 meses de armazenamento. Tempo de Etapa de Armazenamento Tratamento Produtor X Produtor Z Amostra X.1.A Amostra Z.1.A Amostra X.5.A Amostra Z.5.A biodiesel de sebo bovino antes da filtração 1 mês precipitado filtrado biodiesel de sebo bovino 30 dias após filtração do precipitado biodiesel de sebo bovino antes da filtração 12 meses precipitado filtrado biodiesel de sebo bovino 30 dias após filtração do precipitado Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 105 RESULTADOS E DISCUSSÃO Figura 5.4-Foto do biodiesel de sebo bovino após 30 dias da filtração do precipitado na condição B, para 1 mês de armazenamento. Tempo de Etapa de Armazenamento Tratamento Produtor X Produtor Z Amostra X.1.B Amostra Z.1.B biodiesel de sebo bovino 30 dias após filtração do precipitado biodiesel de 1 mês sebo bovino resfriado a 10°C biodiesel de sebo bovino após elevação da temperatura a 25°C Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso RESULTADOS E DISCUSSÃO 106 5.3 INFLUÊNCIA DO PRECIPITADO NA ESTABILIDADE À OXIDAÇÃO E PROPRIEDADE DE ENTUPIMENTO DO BIODIESEL DE SEBO BOVINO Os resultados das propriedades de estabilidade à oxidação e do ponto de entupimento de filtro a frio (PEFF) demonstraram que a presença de depósitos nas amostras de biodiesel de sebo bovino, acondicionadas em diferentes ambientes e tempos de armazenamento, não interferiram na qualidade do biodiesel acerca dos referidos limites especificados pela ANP. Pôde-se observar que a influência do agente contaminante colocado em contato com o biodiesel afetou significativamente sua qualidade. Foi o que ocorreu com amostra mantida na condição E de armazenamento, temperatura ambiente (25°C) e adição de 0,01% em massa de lã de ferro comercial, que reduziu expressivamente a estabilidade à oxidação do biodiesel de sebo bovino, independente do tempo de armazenamento e da presença do precipitado na amostra. Com relação ao ponto de entupimento de filtro a frio, verificou-se que as misturas de B0 até B60 resultaram curvas de PEFF próximas, demonstrando que o biodiesel de sebo bovino solidifica durante seu resfriamento. A condição B (simulação de inverno) apresentou resultados de PEFF mais altos para misturas >B60, em função da presença de precipitado com aspecto finamente dividido, acelerando o processo de entupimento no ensaio realizado. 5.3.1 Estabilidade à Oxidação do Biodiesel de Sebo Bovino Contendo Precipitado A Tabela 5.2 e Figura 5.5 apresentam os resultados e respectivos gráficos de estabilidade à oxidação (Rancimat) das amostras de biodiesel de sebo bovino fracionadas em função da condição e do tempo de armazenamento, antes e após a filtração do precipitado, (a) produtor X e (b) produtor Z. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 107 RESULTADOS E DISCUSSÃO Tabela 5.2-Estabilidade à oxidação (Rancimat) das amostras de biodiesel de sebo bovino fracionadas em função da condição e do tempo de armazenamento, antes e após filtração do precipitado. Produtor X Amostra B100 fresco 1 mês 2 meses 3 meses 6 meses 12 meses B100 fresco 13 - - - - - A - 11 13 12 12 11 A filtrado - 8 10 9 10 10 B - 10 10 12 11 9 B filtrado - 7 7 9 9 9 C - 11 10 12 12 12 C filtrado - 8 9 11 11 11 D - 10 12 12 13 10 D filtrado - 6 10 10 10 9 E - 4 4 3 3 2 E filtrado - 2 3 3 3 2 Produtor Z Amostra B100 fresco 1 mês 2 meses 3 meses 6 meses 12 meses B100 fresco 14 - - - - - A - 13 13 12 11 10 A filtrado - 11 11 12 10 8 B - 13 12 12 10 9 B filtrado - 10 10 11 10 7 C - 13 14 13 10 10 C filtrado - 10 11 13 11 9 D - 14 13 13 11 11 D filtrado - 11 12 13 11 9 E - 5 4 4 3 2 E filtrado - 3 3 3 3 2 Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 108 RESULTADOS E DISCUSSÃO horas Figura 5.5-Gráficos de estabilidade à oxidação das amostras de biodiesel de sebo bovino fracionadas em função da condição e do tempo de armazenamento, antes e após filtração do precipitado, (a) produtor X e (b) produtor Z. 14 12 10 8 6 4 2 0 B100 fresco A A filt. B B filt. C C filt. D D filt. E E filt. condição de estocagem B100 fresco 1 mês 2 meses 3 meses 6 meses 12 meses horas (a) 16 14 12 10 8 6 4 2 0 B100 fresco A A filt. B B filt. C C filt. D D filt. E E filt. condição de estocagem B100 fresco 1 mês 2 meses 3 meses 6 meses 12 meses (b) Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 109 RESULTADOS E DISCUSSÃO Considerando-se as condições e tempos de armazenamento estudados, constatou-se que: x o precipitado, praticamente, não alterou a estabilidade à oxidação do biodiesel de sebo bovino, independentemente de seu aspecto, partículas aglomeradas (simulação de verão) ou partículas finamente divididas (simulação de inverno). Este fato sugere que a predominância de cadeias parafínicas na composição do precipitado resulte condição de estabilidade reacional em contato com o ar (oxigênio), mesmo em temperaturas elevadas, suficiente para que não haja reações de oxidação envolvendo cadeias hidrocarbônicas saturadas, observando-se mesmo comportamento de estabilidade que do biodiesel de sebo bovino no período de, pelo menos, os 12 meses monitorados; x todas as amostras apresentaram estabilidade à oxidação dentro do limite especificado pela ANP (6 horas), independente da condição e do tempo de armazenamento, com exceção das amostras mantidas na condição E (contato com ferro); x a presença de ferro reduziu significativamente a estabilidade à oxidação do biodiesel de sebo bovino, resultando produto fora de especificação da ANP em todos os meses de armazenamento avaliados. Enquanto o resultado médio foi de 12 horas para as condições A, B, C e D, a condição E resultou média de 4 horas, ou seja, decréscimo de três vezes para se atingir o Período de Indução (aumento súbito da oxidação); x a verificação da condição E de armazenamento, que referiu-se em manter o biodiesel de sebo bovino em contato com 0,01% massa (100 ppm) de lã de ferro, indicou que o ferro pode induzir a reações de oxidação do biodiesel de sebo bovino quando em contato com o oxigênio do ar. O metal age no estado de oxidação dos componentes do biodiesel, principalmente quando colocado em condição acelerada de aquecimento, induzindo a formação de peróxidos e radicais livres, que se decompõem rapidamente em temperaturas elevadas, havendo consumo considerável de oxigênio do ambiente e conseqüente redução do tempo de estabilidade medido no referido ensaio Rancimat. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 110 RESULTADOS E DISCUSSÃO As prováveis reações que podem ocorrer quando biodiesel em contato com ferro e ar (oxigênio), são interações dos hidrocarbonetos (RH), resultando radicais alquila (R) induzidos pela presença do ferro, conforme: 4Fe(s) 3O 2 o 2Fe O 2 3 (5.1) RH Fe 3 o R x Fe 2 H (5.2) 2O 2H o O H O 2 2 2 2 (5.3) Fe2 H O o Fe3 OH OHx 2 2 (5.4) O H O o O OH OHx 2 2 2 2 (5.5) Ocorre a oxidação do ferro em contato com oxigênio (reação 5.1, óxidoredução), o que induz a formação de radicais alquila (R) (reação 5.2). A presença do metal induz, também, a formação de peróxidos (H2O2) e radicais livres (OH) (reações 5.3 a 5.5) (SYKES, 1969). A importância dessas reações depende da natureza do substrato e das condições prevalecentes no sistema. Os radicais alquila gerados (R) agem como iniciadores, dando continuidade à reação em cadeia com o oxigênio, formando radicais peróxidos (ROO ) (reação 5.6). Rx O o ROOx 2 (5.6) Os radicais peróxidos (ROO) reagem com os hidrocarbonetos (RH), resultando outros radicais alquila (R) e hidroperóxidos (ROOH) (reação 5.7). ROOx RH o ROOH Rx (5.7) Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 111 RESULTADOS E DISCUSSÃO Reações de decomposição de hidroperóxidos podem ocorrer com formação de radicais peróxidos (ROO) ou hidróxi (HO), além de radicais alcoóxi (RO) (reações 5.8 e 5.9). Os radicais peróxidos (ROO) gerados também são fontes de radicais alcoóxi (RO) (reação 5.10) (LODWICK, 1964, PEREIRA, 2003). 2ROOH o ROx ROOx H O 2 (5.8) ROOH o ROx HOx (5.9) 2ROOx o 2ROx O (5.10) 2 Outras reações podem se processar como conseqüência da decomposição dos hidroperóxidos e de seus radicais (reações 5.11, 5.12 e 5.13). ROx RH o ROH Rx (5.11) ROx C (5.12) C o ROC Cx (5.13) HOx RH o Rx H O 2 As diversas classes de produtos de oxidação (óxidos, peróxidos, alcoóis, cetonas, ácidos, aldeídos, etc) gerados nas reações de adição e ruptura dos radicais livres, participam de etapas posteriores de propagação como complexos intermediários, tornando seus mecanismos de reação bastante complexos. Os produtos finais resultantes da oxidação podem constituir moléculas de grandes cadeias carbônicas ramificadas com altos pontos de ebulição, sendo difíceis de evaporarem, com tendência de se precipitarem, separando do combustível (borra pesada) (reação 5.14). ROOH nRCOOH l [ROOH..... nRCOOH] o ROx HOx nRCOOH (5.14) Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso RESULTADOS E DISCUSSÃO 112 5.3.2 Ponto de Entupimento de Filtro a Frio de Misturas de Óleo Diesel e Biodiesel de Sebo Bovino Contendo Precipitado As Tabelas 5.3 a 5.7 e Figuras 5.6 a 5.10 apresentam os resultados e respectivas curvas de ponto de entupimento de filtro a frio de misturas de óleo diesel e biodiesel de sebo bovino do produtor X. As Tabelas 5.8 a 5.12 e Figuras 5.11 a 5.15 referem-se aos resultados e respectivos gráficos provenientes do produtor Z. Com relação aos resultados das Tabelas 5.7 e 5.12, não foi realizado o estudo de PEFF na condição E (simulação de tanque contendo ferro) nos tempos de armazenamento de 6 e 12 meses devido à constatação de que a presença de ferro resultou biodiesel de sebo bovino fora de especificação da ANP quanto à estabilidade à oxidação, restringindo-se a análise de PEFF somente nos tempos de 1, 2 e 3 meses de armazenamento. Tabela 5.3-PEFF de misturas de óleo diesel e B100 de sebo do produtor X, condição A, antes e após filtração do precipitado. PEFF de Bx de Sebo do Produtor X, Condição A, Antes da Filtração do Precipitado, °C Amostra B100 fresco 1 mês 2 meses 3 meses 6 meses 12 meses B0 0 1 1 1 1 1 B3 0 0 0 1 1 1 B4 0 0 0 1 1 1 B5 0 0 0 1 1 1 B10 -1 -1 0 1 1 1 B20 0 1 1 1 1 1 B50 5 10 7 4 7 5 B60 6 11 7 7 7 7 B80 10 11 10 8 8 9 B100 13 14 21 12 13 12 PEFF de Bx de Sebo do Produtor X, Condição A, Após Filtração do Precipitado, °C Amostra B100 fresco 1 mês 2 meses 3 meses 6 meses 12 meses B0 0 1 1 1 1 1 B3 0 0 1 1 1 1 B4 0 0 1 1 1 1 B5 0 0 1 1 1 1 B10 -1 0 1 1 1 1 B20 0 0 1 1 1 1 B50 5 9 7 4 7 5 B60 6 11 8 5 7 6 B80 10 13 9 8 7 8 B100 13 17 15 12 12 12 Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso RESULTADOS E DISCUSSÃO 113 Tabela 5.4-PEFF de misturas de óleo diesel e B100 de sebo do produtor X, condição B, antes e após filtração do precipitado. PEFF de Bx de Sebo do Produtor X, Condição B, Antes da Filtração do Precipitado, °C Amostra B100 fresco 1 mês 2 meses 3 meses 6 meses 12 meses B0 0 1 1 1 1 1 B3 0 0 0 1 1 1 B4 0 0 0 1 1 1 B5 0 0 0 1 1 1 B10 -1 0 0 1 1 1 B20 0 1 5 3 1 4 B50 5 14 15 16 17 19 B60 6 14 21 21 21 23 B80 10 18 21 22 21 24 B100 13 23 21 24 23 25 PEFF de Bx de Sebo do Produtor X, Condição B, Após Filtração do Precipitado, °C Amostra B100 fresco 1 mês 2 meses 3 meses 6 meses 12 meses B0 0 1 1 1 1 1 B3 0 1 1 1 1 1 B4 0 1 1 1 1 1 B5 0 1 1 1 1 1 B10 -1 1 1 1 1 1 B20 0 3 5 1 1 2 B50 5 9 9 8 9 16 B60 6 9 10 9 15 21 B80 10 10 21 13 19 24 B100 13 18 21 24 22 25 Tabela 5.5-PEFF de misturas de óleo diesel e B100 de sebo do produtor X, condição C, antes e após filtração do precipitado. PEFF de Bx de Sebo do Produtor X, Condição C, Antes da Filtração do Precipitado, °C Amostra B100 fresco 1 mês 2 meses 3 meses 6 meses 12 meses B0 0 1 1 1 1 1 B3 0 0 0 1 1 1 B4 0 0 0 1 1 1 B5 0 0 0 1 1 1 B10 -1 0 1 1 1 1 B20 0 1 1 1 1 1 B50 5 8 9 6 11 9 B60 6 10 11 8 12 9 B80 10 11 15 10 13 10 B100 13 14 23 12 23 13 PEFF de Bx de Sebo do Produtor X, Condição C, Após Filtração do Precipitado, °C Amostra B100 fresco 1 mês 2 meses 3 meses 6 meses 12 meses B0 0 1 1 1 1 1 B3 0 1 1 1 1 1 B4 0 1 1 1 1 1 B5 0 1 1 1 1 1 B10 -1 1 1 1 1 1 B20 0 2 3 1 1 1 B50 5 8 8 4 6 8 B60 6 9 9 5 5 4 B80 10 11 11 8 10 8 B100 13 14 14 12 12 11 Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso RESULTADOS E DISCUSSÃO 114 Tabela 5.6-PEFF de misturas de óleo diesel e B100 de sebo do produtor X, condição D, antes e após filtração do precipitado. PEFF de Bx de Sebo do Produtor X, Condição D, Antes da Filtração do Precipitado, °C Amostra B100 fresco 1 mês 2 meses 3 meses 6 meses 12 meses B0 0 1 1 1 1 1 B3 0 0 1 1 1 1 B4 0 0 1 1 1 1 B5 0 0 1 1 1 1 B10 -1 0 1 1 1 1 B20 0 0 3 1 1 1 B50 5 8 8 4 6 8 B60 6 10 9 5 5 4 B80 10 12 11 8 10 8 B100 13 14 14 12 12 11 PEFF de Bx de Sebo do Produtor X, Condição D, Após Filtração do Precipitado, °C Amostra B100 fresco 1 mês 2 meses 3 meses 6 meses 12 meses B0 0 1 1 1 1 1 B3 0 1 1 1 1 1 B4 0 1 1 1 1 1 B5 0 1 1 1 1 1 B10 -1 0 1 1 1 1 B20 0 7 1 1 1 1 B50 5 8 8 6 6 4 B60 6 9 9 7 5 6 B80 10 12 11 8 10 10 B100 13 12 13 13 13 14 Tabela 5.7-PEFF de misturas de óleo diesel e B100 de sebo do produtor X, condição E, antes e após filtração do precipitado. PEFF de Bx de Sebo do Produtor X, Condição E, Antes da Filtração do Precipitado, °C Amostra B100 fresco 1 mês 2 meses 3 meses 6 meses 12 meses B0 0 1 1 1 n.a. n.a. B3 0 0 1 1 n.a. n.a. B4 0 0 1 1 n.a. n.a. B5 0 0 1 1 n.a. n.a. B10 -1 0 1 1 n.a. n.a. B20 0 1 1 1 n.a. n.a. B50 5 4 2 4 n.a. n.a. B60 6 6 4 6 n.a. n.a. B80 10 14 8 10 n.a. n.a. B100 13 16 13 18 n.a. n.a. PEFF de Bx de Sebo do Produtor X, Condição E, Após Filtração do Precipitado, °C Amostra B100 fresco 1 mês 2 meses 3 meses 6 meses 12 meses B0 0 1 1 1 n.a. n.a. B3 0 1 1 1 n.a. n.a. B4 0 1 1 1 n.a. n.a. B5 0 1 0 1 n.a. n.a. B10 -1 1 0 1 n.a. n.a. B20 0 6 1 1 n.a. n.a. B50 5 9 9 10 n.a. n.a. B60 6 10 10 11 n.a. n.a. B80 10 14 13 11 n.a. n.a. B100 13 13 15 16 n.a. n.a. n.a. não analisado. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 115 RESULTADOS E DISCUSSÃO PEFF (°C) Figura 5.6-Curvas de PEFF de misturas de óleo diesel e biodiesel de sebo bovino do produtor X, mantido na condição A de armazenamento, antes (a) e após (b) filtração do precipitado. 30 24 18 12 6 0 -6 B0 B3 B4 B5 B10 B20 B50 B60 B80 B100 % em volume de biodiesel no diesel B100 fresco B100 fresco 1 mês 1 mês 2 meses 2 meses 3 meses 3 meses 6 meses 6 meses 12 meses 12 meses PEFF (°C) (a) 30 24 18 12 6 0 -6 B0 B3 B4 B5 B10 B20 B50 B60 B80 B100 % em volume de biodiesel no diesel B100 fresco B100 fresco 1 mês 1 mês 2 meses 2 meses 3 meses 3 meses 6 meses 6 meses 12 meses 12 meses (b) Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 116 RESULTADOS E DISCUSSÃO PEFF (°C) Figura 5.7-Curvas de PEFF de misturas de óleo diesel e biodiesel de sebo bovino do produtor X, mantido na condição B de armazenamento, antes (a) e após (b) filtração do precipitado. 30 24 18 12 6 0 -6 B0 B3 B4 B5 B10 B20 B50 B60 B80 B100 % em volume de biodiesel no diesel B100 fresco B100 fresco 1 mês 1 mês 2 meses 2 meses 3 meses 3 meses 6 meses 6 meses 12 meses 12 meses PEFF (°C) (a) 30 24 18 12 6 0 -6 B0 B3 B4 B5 B10 B20 B50 B60 B80 B100 % em volume de biodiesel no diesel B100 fresco B100 fresco 1 mês 1 mês 2 meses 2 meses 3 meses 3 meses 6 meses 6 meses 12 meses 12 meses (b) Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 117 RESULTADOS E DISCUSSÃO PEFF (°C) Figura 5.8-Curvas de PEFF de misturas de óleo diesel e biodiesel de sebo bovino do produtor X, mantido na condição C de armazenamento, antes (a) e após (b) filtração do precipitado. 30 24 18 12 6 0 -6 B0 B3 B4 B5 B10 B20 B50 B60 B80 B100 % em volume de biodiesel no diesel B100 fresco B100 fresco 1 mês 1 mês 2 meses 2 meses 3 meses 3 meses 6 meses 6 meses 12 meses 12 meses PEFF (°C) (a) 30 24 18 12 6 0 -6 B0 B3 B4 B5 B10 B20 B50 B60 B80 B100 % em volume de biodiesel no diesel B100 fresco B100 fresco 1 mês 1 mês 2 meses 2 meses 3 meses 3 meses 6 meses 6 meses 12 meses 12 meses (b) Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 118 RESULTADOS E DISCUSSÃO PEFF (°C) Figura 5.9-Curvas de PEFF de misturas de óleo diesel e biodiesel de sebo bovino do produtor X, mantido na condição D de armazenamento, antes (a) e após (b) filtração do precipitado. 30 24 18 12 6 0 -6 B0 B3 B4 B5 B10 B20 B50 B60 B80 B100 % em volume de biodiesel no diesel B100 fresco B100 fresco 1 mês 1 mês 2 meses 2 meses 3 meses 3 meses 6 meses 6 meses 12 meses 12 meses PEFF (°C) (a) 30 24 18 12 6 0 -6 B0 B3 B4 B5 B10 B20 B50 B60 B80 B100 % em volume de biodiesel no diesel B100 fresco B100 fresco 1 mês 1 mês 2 meses 2 meses 3 meses 3 meses 6 meses 6 meses 12 meses 12 meses (b) Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 119 RESULTADOS E DISCUSSÃO PEFF (°C) Figura 5.10-Curvas de PEFF de misturas de óleo diesel e biodiesel de sebo bovino do produtor X, mantido na condição E de armazenamento, antes (a) e após (b) filtração do precipitado. 30 24 18 12 6 0 -6 B0 B3 B4 B5 B10 B20 B50 B60 B80 B100 % em volume de biodiesel no diesel B100 fresco 12 meses 1 mês B100 fresco 2 meses 1 mês 3 meses 2 meses 6 meses 3 meses PEFF (°C) (a) 30 24 18 12 6 0 -6 B0 B3 B4 B5 B10 B20 B50 B60 B80 B100 % em volume de biodiesel no diesel B100 fresco 12 meses 1 mês B100 fresco 2 meses 1 mês 3 meses 2 meses 6 meses 3 meses (b) Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso RESULTADOS E DISCUSSÃO 120 Tabela 5.8-PEFF de misturas de óleo diesel e B100 de sebo do produtor Z, condição A, antes e após filtração do precipitado. PEFF de Bx de Sebo do Produtor Z, Condição A, Antes da Filtração do Precipitado, °C Amostra B100 fresco 1 mês 2 meses 3 meses 6 meses 12 meses B0 1 1 1 1 1 1 B3 0 0 0 0 1 1 B4 1 1 0 0 1 1 B5 1 1 0 0 1 1 B10 1 1 0 0 1 1 B20 1 1 1 0 1 1 B50 1 2 2 4 5 5 B60 4 4 5 5 7 8 B80 8 9 8 8 8 9 B100 12 13 12 12 13 13 PEFF de Bx de Sebo do Produtor Z, Condição A, Após Filtração do Precipitado, °C Amostra B100 fresco 1 mês 2 meses 3 meses 6 meses 12 meses B0 1 1 1 1 1 1 B3 0 1 0 0 0 1 B4 1 1 0 0 0 1 B5 1 1 0 0 1 1 B10 1 1 0 0 1 1 B20 1 1 1 1 1 4 B50 1 1 1 4 5 7 B60 4 4 4 5 7 9 B80 8 8 8 9 9 11 B100 12 12 12 12 13 14 Tabela 5.9 PEFF de misturas de óleo diesel e B100 de sebo do produtor Z, condição B, antes e após filtração do precipitado. PEFF de Bx de Sebo do Produtor Z, Condição B, Antes da Filtração do Precipitado, °C Amostra B100 fresco 1 mês 2 meses 3 meses 6 meses 12 meses B0 1 1 1 1 1 1 B3 0 0 0 0 1 1 B4 1 0 0 0 1 1 B5 1 0 0 0 1 1 B10 1 0 0 0 1 1 B20 1 3 1 3 4 4 B50 1 10 8 12 9 10 B60 4 12 9 14 12 12 B80 8 16 18 16 16 18 B100 12 22 23 21 22 24 PEFF de Bx de Sebo do Produtor Z, Condição B, Após Filtração do Precipitado, °C Amostra B100 fresco 1 mês 2 meses 3 meses 6 meses 12 meses B0 1 1 1 1 1 1 B3 0 1 0 0 1 1 B4 1 1 0 1 1 1 B5 1 1 0 1 1 1 B10 1 1 0 1 1 1 B20 1 2 1 2 1 3 B50 1 9 8 10 8 9 B60 4 10 10 12 10 10 B80 8 14 16 16 15 16 B100 12 20 21 20 21 19 Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso RESULTADOS E DISCUSSÃO 121 Tabela 5.10-PEFF de misturas de óleo diesel e B100 de sebo do produtor Z, condição C, antes e após filtração do precipitado. PEFF de Bx de Sebo do Produtor Z, Condição C, Antes da Filtração do Precipitado, °C Amostra B100 fresco 1 mês 2 meses 3 meses 6 meses 12 meses B0 1 1 1 1 1 1 B3 0 0 0 0 1 1 B4 1 0 0 0 1 1 B5 1 0 0 0 1 1 B10 1 0 0 0 1 1 B20 1 1 1 0 1 4 B50 1 3 2 2 5 7 B60 4 4 4 4 9 10 B80 8 9 8 8 10 10 B100 12 12 12 12 13 13 PEFF de Bx de Sebo do Produtor Z, Condição C, Após Filtração do Precipitado, °C Amostra B100 fresco 1 mês 2 meses 3 meses 6 meses 12 meses B0 1 1 1 1 1 1 B3 0 0 0 1 1 1 B4 1 0 0 1 1 1 B5 1 0 0 1 1 1 B10 1 0 0 1 1 1 B20 1 1 1 1 1 4 B50 1 1 4 5 5 5 B60 4 4 5 7 5 5 B80 8 8 8 10 12 8 B100 12 12 12 12 13 12 Tabela 5.11-PEFF de misturas de óleo diesel e B100 de sebo do produtor Z, condição D, antes e após filtração do precipitado. PEFF de Bx de Sebo do Produtor Z, Condição D, Antes da Filtração do Precipitado, °C Amostra B100 fresco 1 mês 2 meses 3 meses 6 meses 12 meses B0 1 1 1 1 1 1 B3 0 0 0 0 1 1 B4 1 0 0 0 0 1 B5 1 0 0 0 0 1 B10 1 1 0 0 1 1 B20 1 1 1 1 1 1 B50 1 6 3 3 3 5 B60 4 8 4 4 5 7 B80 8 8 8 7 8 10 B100 12 12 12 12 12 13 PEFF de Bx de Sebo do Produtor Z, Condição D, Após Filtração do Precipitado, °C Amostra B100 fresco 1 mês 2 meses 3 meses 6 meses 12 meses B0 1 1 1 0 1 1 B3 0 1 0 0 1 1 B4 1 1 0 0 0 1 B5 1 1 0 0 0 1 B10 1 1 0 0 1 1 B20 1 1 0 1 1 1 B50 1 1 1 3 3 4 B60 4 4 3 4 4 5 B80 8 8 8 6 8 9 B100 12 12 12 13 13 15 Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso RESULTADOS E DISCUSSÃO Tabela 5.12 122 PEFF de misturas de óleo diesel e B100 de sebo do produtor Z, condição E, antes e após filtração do precipitado. PEFF de Bx de Sebo do Produtor Z, Condição E, Antes da Filtração do Precipitado, °C Amostra B100 fresco 1 mês 2 meses 3 meses 6 meses 12 meses B0 1 1 1 1 n.a. n.a. B3 0 1 0 0 n.a. n.a. B4 1 1 0 0 n.a. n.a. B5 1 1 0 0 n.a. n.a. B10 1 1 0 0 n.a. n.a. B20 1 1 1 0 n.a. n.a. B50 1 3 3 3 n.a. n.a. B60 4 4 4 4 n.a. n.a. B80 8 9 8 9 n.a. n.a. B100 12 12 12 12 n.a. n.a. PEFF de Bx de Sebo do Produtor Z, Condição E, Após Filtração do Precipitado, °C Amostra B100 fresco 1 mês 2 meses 3 meses 6 meses 12 meses B0 1 1 1 0 n.a. n.a. B3 0 1 0 0 n.a. n.a. B4 1 1 0 0 n.a. n.a. B5 1 1 0 0 n.a. n.a. B10 1 1 0 0 n.a. n.a. B20 1 1 0 0 n.a. n.a. B50 1 1 1 4 n.a. n.a. B60 4 6 4 5 n.a. n.a. B80 8 8 8 9 n.a. n.a. B100 12 12 12 12 n.a. n.a. n.a. não analisado. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 123 RESULTADOS E DISCUSSÃO PEFF (°C) Figura 5.11-Curvas de PEFF de misturas de óleo diesel e biodiesel de sebo bovino do produtor Z, mantido na condição A de armazenamento, antes (a) e após (b) filtração do precipitado. 30 24 18 12 6 0 -6 B0 B3 B4 B5 B10 B20 B50 B60 B80 B100 % em volume de biodiesel no diesel B100 fresco B100 fresco 1 mês 1 mês 2 meses 2 meses 3 meses 3 meses 6 meses 6 meses 12 meses 12 meses PEFF (°C) (a) 30 24 18 12 6 0 -6 B0 B3 B4 B5 B10 B20 B50 B60 B80 B100 % em volume de biodiesel no diesel B100 fresco B100 fresco 1 mês 1 mês 2 meses 2 meses 3 meses 3 meses 6 meses 6 meses 12 meses 12 meses (b) Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 124 RESULTADOS E DISCUSSÃO PEFF (°C) Figura 5.12-Curvas de PEFF de misturas de óleo diesel e biodiesel de sebo bovino do produtor Z, mantido na condição B de armazenamento, antes (a) e após (b) filtração do precipitado. 30 24 18 12 6 0 -6 B0 B3 B4 B5 B10 B20 B50 B60 B80 B100 % em volume de biodiesel no diesel B100 fresco B100 fresco 1 mês 1 mês 2 meses 2 meses 3 meses 3 meses 6 meses 6 meses 12 meses 12 meses PEFF (°C) (a) 30 24 18 12 6 0 -6 B0 B3 B4 B5 B10 B20 B50 B60 B80 B100 % em volume de biodiesel no diesel B100 fresco B100 fresco 1 mês 1 mês 2 meses 2 meses 3 meses 3 meses 6 meses 6 meses 12 meses 12 meses (b) Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 125 RESULTADOS E DISCUSSÃO PEFF (°C) Figura 5.13-Curvas de PEFF de misturas de óleo diesel e biodiesel de sebo bovino do produtor Z, mantido na condição C de armazenamento, antes (a) e após (b) filtração do precipitado. 30 24 18 12 6 0 -6 B0 B3 B4 B5 B10 B20 B50 B60 B80 B100 % em volume de biodiesel no diesel B100 fresco B100 fresco 1 mês 1 mês 2 meses 2 meses 3 meses 3 meses 6 meses 6 meses 12 meses 12 meses PEFF (°C) (a) 30 24 18 12 6 0 -6 B0 B3 B4 B5 B10 B20 B50 B60 B80 B100 % em volume de biodiesel no diesel B100 fresco B100 fresco 1 mês 1 mês 2 meses 2 meses 3 meses 3 meses 6 meses 6 meses 12 meses 12 meses (b) Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 126 RESULTADOS E DISCUSSÃO PEFF (°C) Figura 5.14-Curvas de PEFF de misturas de óleo diesel e biodiesel de sebo bovino do produtor Z, mantido na condição D de armazenamento, antes (a) e após (b) filtração do precipitado. 30 24 18 12 6 0 -6 B0 B3 B4 B5 B10 B20 B50 B60 B80 B100 % em volume de biodiesel no diesel B100 fresco B100 fresco 1 mês 1 mês 2 meses 2 meses 3 meses 3 meses 6 meses 6 meses 12 meses 12 meses PEFF (°C) (a) 30 24 18 12 6 0 -6 B0 B3 B4 B5 B10 B20 B50 B60 B80 B100 % em volume de biodiesel no diesel B100 fresco B100 fresco 1 mês 1 mês 2 meses 2 meses 3 meses 3 meses 6 meses 6 meses 12 meses 12 meses (b) Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 127 RESULTADOS E DISCUSSÃO PEFF (°C) Figura 5.15-Curvas de PEFF de misturas de óleo diesel e biodiesel de sebo bovino do produtor Z, mantido na condição E de armazenamento, antes (a) e após (b) filtração do precipitado. 30 24 18 12 6 0 -6 B0 B3 B4 B5 B10 B20 B50 B60 B80 B100 % em volume de biodiesel no diesel B100 fresco 12 meses 1 mês B100 fresco 2 meses 1 mês 3 meses 2 meses 6 meses 3 meses PEFF (°C) (a) 30 24 18 12 6 0 -6 B0 B3 B4 B5 B10 B20 B50 B60 B80 B100 % em volume de biodiesel no diesel B100 fresco 12 meses 1 mês B100 fresco 2 meses 1 mês 3 meses 2 meses 6 meses 3 meses (b) Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso RESULTADOS E DISCUSSÃO 128 O limite máximo de PEFF especificado pela ANP é de 19°C, válido para as regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Bahia, devendo ser anotado para as demais regiões do Brasil. A ANP estabelece que o biodiesel possa ser entregue com temperaturas superiores ao limite supramencionado, caso haja acordo entre as partes envolvidas. Desta forma, considerando os resultados obtidos e o limite de referência da ANP, pôde-se constatar: x todas as amostras apresentaram resultados especificados, independente do produtor, da condição e do tempo de armazenamento, antes e após filtração do precipitado, com exceção da condição B (simulação de inverno) para misturas >B60 até B100 do produtor X e para B100 do produtor Z; x considerando-se cada condição de armazenamento estudada (A, B, C, D e E), o precipitado não alterou os resultados (valores praticamente iguais de PEFF antes e após filtração do depósito); x o resultado médio de PEFF foi de 1°C para misturas B20 para todas as condições estudadas, com exceção da condição B, cujo valor médio foi de 4°C. Conforme o registro fotográfico da Figura 5.2, a condição B induz a formação de material sólido finamente dividido, o que dificulta sua retenção durante processo de remoção por filtração, com passagem do precipitado fino no biodiesel filtrado, resultando aceleração do entupimento do filtro e conseqüente aumento do PEFF. Observou-se que para as misturas de óleo diesel e biodiesel de sebo bovino mantido na condição B, os resultados de PEFF foram em torno de 2 vezes que os obtidos para as demais condições estudadas. A média geral encontrada para B100 foi de 14°C, enquanto para a condição B foi de 24°C; x quanto mais finamente dividido o precipitado no biodiesel de sebo bovino, mais elevado se torna o resultado de PEFF; x em geral, observou-se que quanto maior o percentual de biodiesel de sebo bovino no óleo diesel há correspondente elevação do valor de PEFF, sendo que para misturas >B60 este aumento torna-se mais significativo, contribuído pela própria natureza do biodiesel de sebo, que solidifica em baixas temperaturas (Figura 5.4) antes que a presença do depósito interfira nos resultados de PEFF. Com a gradativa redução de temperatura, ésteres metílicos saturados presentes no biodiesel de sebo bovino sofrem nucleação e formam cristais parafínicos suspensos em fase líquida, que tendem a crescer com decréscimos ainda Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso RESULTADOS E DISCUSSÃO 129 maiores da temperatura. A manutenção da temperatura ambiente baixa permite que os cristais maiores fundem-se uns aos outros e formem aglomerados, impedindo o escoamento livre do fluido. O abaixamento da temperatura causa a formação de estruturas cristalinas em que moléculas parafínicas de cadeia longa encontram-se arranjadas paralelamente, alinhando-se umas às outras. Forças intermoleculares muito fracas entre os terminais das cadeias hidrocarbônicas polares permitem que haja maior interação entre as cadeias parafínicas apolares, resultando na formação de lamelas planares de grandes dimensões. Grupos funcionais grandes ou volumosos podem contribuir para a aglomeração de núcleos cristalinos, promovendo empacotamentos mais estáveis a baixas temperaturas e, conseqüentemente, a aceleração da cristalização do biodiesel de sebo bovino, comprometendo o espaçamento lamelar entre moléculas individuais. 5.4 AVALIAÇÃO DA COMPOSIÇÃO DO PRECIPITADO DE BIODIESEL DE SEBO BOVINO O resultado da análise por cromatografia a gás com detecção de ionização de chama (CG-DIC) do biodiesel de sebo bovino (sobrenadante) indicou que houve redução do teor de mono- e aumento dos teores de di- e triacilgliceróis, independente do produtor, da condição e do tempo de armazenamento, antes e após filtração do precipitado, relativo aos teores iniciais de acilgliceróis do biodiesel fresco (recém-produzido). Tais resultados são inovadores e podem contribuir para uma avaliação mais detalhada acerca do comportamento de equilíbrio dos teores de acilgliceróis em biodiesel de sebo bovino em função do tempo de envelhecimento. As análises do precipitado por CG-DIC e por cromatografia líquida, tanto CLAE-UV/VIS como CLAE-EM-IT-TOF, e termogravimetria (TG) comprovaram preponderância dos acilgliceróis monopalmitina e monoestearina na composição do resíduo sólido. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 130 RESULTADOS E DISCUSSÃO 5.4.1 Análise por Cromatografia a Gás 5.4.1.1 Mono-, Di- e Triacilgliceróis no Biodiesel de Sebo Bovino A Tabela 5.13 e Figuras 5.16 a 5.18 apresentam os resultados e representações gráficas de teores de mono-, di- e triacilgliceróis do produtor X, respectivamente. A Tabela 5.14 e Figuras 5.19 a 5.21 referem-se às amostras do produtor Z. Tabela 5.13-Teores de acilgliceróis por CG-DIC das amostras de biodiesel de sebo bovino fracionadas em função da condição e do tempo de armazenamento, antes e após filtração do precipitado, do produtor X: (a) mono-, (b) di- e (c) triacilgliceróis. Produtor X ± Teor de Monoacilgliceróis (% massa) Amostra B100 fresco 1 mês 2 meses 3 meses 6 meses 12 meses B100 fresco 0,56 - - - - - A - 0,51 0,53 0,51 0,51 0,53 A filtrado - 0,52 0,47 0,49 0,48 0,47 B - 0,50 0,49 0,49 0,51 0,50 B filtrado - 0,49 0,48 0,50 0,51 0,47 C - 0,52 0,49 0,51 0,52 0,51 C filtrado - 0,52 0,48 0,54 0,52 0,50 D - 0,51 0,49 0,52 0,52 0,51 D filtrado - 0,50 0,48 0,54 0,51 0,49 E - 0,52 0,50 0,52 0,52 0,50 E filtrado - 0,53 0,48 0,52 0,51 0,49 Média (% massa) 0,51 (a) Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 131 RESULTADOS E DISCUSSÃO Produtor X ± Teor de Diacilgliceróis (% massa) Amostra B100 fresco 1 mês 2 meses 3 meses 6 meses 12 meses B100 fresco 0,06 - - - - - A - 0,07 0,08 0,09 0,08 0,09 A filtrado - 0,07 0,08 0,09 0,08 0,09 B - 0,07 0,08 0,09 0,08 0,08 B filtrado - 0,07 0,08 0,09 0,08 0,08 C - 0,07 0,08 0,09 0,09 0,08 C filtrado - 0,07 0,08 0,09 0,07 0,07 D - 0,07 0,09 0,09 0,08 0,07 D filtrado - 0,07 0,08 0,09 0,08 0,07 E - 0,07 0,08 0,09 0,08 0,08 E filtrado - 0,07 0,08 0,09 0,07 0,08 Média (% massa) 0,08 (b) Produtor X ± Teor de Triacilgliceróis (% massa) Amostra B100 fresco 1 mês 2 meses 3 meses 6 meses 12 meses B100 fresco 0,47 - - - - - A - 0,54 0,51 0,52 0,51 0,52 A filtrado - 0,52 0,53 0,50 0,51 0,50 B - 0,55 0,54 0,48 0,51 0,49 B filtrado - 0,48 0,55 0,50 0,50 0,50 C - 0,49 0,54 0,49 0,52 0,49 C filtrado - 0,49 0,54 0,52 0,50 0,51 D - 0,49 0,54 0,51 0,52 0,51 D filtrado - 0,49 0,54 0,48 0,51 0,50 E - 0,47 0,54 0,49 0,53 0,52 E filtrado - 0,51 0,54 0,51 0,51 0,49 Média (% massa) 0,50 (c) Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 132 RESULTADOS E DISCUSSÃO monoacilgliceróis ( %m) Figura 5.16-Teores de monoacilgliceróis do biodiesel de sebo bovino do produtor X, antes (a) e após (b) filtração do precipitado. 0,60 0,55 0,50 0,45 0,40 0,35 0,30 B100 fresco A B C D E condição de armazenamento 1 mês 2 meses 3 meses 6 meses 12 meses monoacilgliceróis %m (a) 0,60 0,55 0,50 0,45 0,40 0,35 0,30 B100 fresco A B C D E condição de armazenamento 1 mês 2 meses 3 meses 6 meses 12 meses (b) Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 133 RESULTADOS E DISCUSSÃO diacilgliceróis ( % m) Figura 5.17-Teores de diacilgliceróis do biodiesel de sebo bovino do produtor X, antes (a) e após (b) filtração do precipitado. 0,12 0,10 0,08 0,06 0,04 B100 fresco A B C D E condição de armazenamento 1 mês 2 meses 3 meses 6 meses 12 meses diacilgliceróis ( % m) (a) 0,12 0,10 0,08 0,06 0,04 B100 fresco A B C D E condição de armazenamento 1 mês 2 meses 3 meses 6 meses 12 meses (b) Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 134 RESULTADOS E DISCUSSÃO triacilgliceróis ( % m) Figura 5.18-Teores de triacilgliceróis do biodiesel de sebo bovino do produtor X, antes (a) e após (b) filtração do precipitado. 0,60 0,55 0,50 0,45 0,40 0,35 0,30 B100 fresco A B C D E condição de armazenamento 1 mês 2 meses 3 meses 6 meses 12 meses triacilgliceróis ( % m) (a) 0,60 0,55 0,50 0,45 0,40 0,35 0,30 B100 fresco A B C D E condição de armazenamento 1 mês 2 meses 3 meses 6 meses 12 meses (b) Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 135 RESULTADOS E DISCUSSÃO Tabela 5.14-Teores de acilgliceróis por CG-DIC das amostras de biodiesel de sebo bovino fracionadas em função da condição e do tempo de armazenamento, antes e após filtração do precipitado, do produtor Z: (a) mono-, (b) di- e (c) triacilgliceróis. Produtor Z ± Teor de Monoacilgliceróis (% massa) Amostra B100 fresco 1 mês 2 meses 3 meses 6 meses 12 meses B100 fresco 0,54 - - - - - A - 0,48 0,42 0,44 0,46 0,44 A filtrado - 0,47 0,44 0,46 0,44 0,44 B - 0,54 0,46 0,44 0,46 0,52 B filtrado - 0,43 0,41 0,44 0,44 0,44 C - 0,48 0,40 0,42 0,44 0,45 C filtrado - 0,46 0,43 0,42 0,46 0,42 D - 0,43 0,41 0,40 0,44 0,50 D filtrado - 0,43 0,43 0,42 0,43 0,48 E - 0,44 0,42 0,44 0,42 0,46 E filtrado - 0,43 0,42 0,43 0,46 0,44 Média (% massa) 0,44 (a) Produtor Z ± Teor de Diacilgliceróis (% massa) Amostra B100 fresco 1 mês 2 meses 3 meses 6 meses 12 meses B100 fresco 0,12 - - - - - A - 0,15 0,15 0,17 0,15 0,15 A filtrado - 0,17 0,16 0,17 0,17 0,15 B - 0,17 0,17 0,17 0,15 0,14 B filtrado - 0,16 0,15 0,14 0,15 0,17 C - 0,17 0,17 0,15 0,14 0,16 C filtrado - 0,17 0,17 0,17 0,15 0,16 D - 0,14 0,16 0,15 0,17 0,15 D filtrado - 0,16 0,17 0,16 0,15 0,16 E - 0,17 0,17 0,15 0,15 0,16 E filtrado - 0,18 0,17 0,17 0,17 0,17 Média (% massa) 0,16 (b) Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 136 RESULTADOS E DISCUSSÃO Produtor Z ± Teor de Triacilgliceróis (% massa) Amostra B100 fresco 1 mês 2 meses 3 meses 6 meses 12 meses B100 fresco 0,26 - - - - - A - 0,40 0,50 0,40 0,40 0,50 A filtrado - 0,50 0,50 0,50 0,40 0,50 B - 0,50 0,50 0,50 0,40 0,50 B filtrado - 0,50 0,50 0,40 0,50 0,40 C - 0,40 0,50 0,50 0,40 0,40 C filtrado - 0,40 0,50 0,40 0,50 0,40 D - 0,40 0,50 0,40 0,50 0,50 D filtrado - 0,30 0,50 0,40 0,40 0,50 E - 0,50 0,50 0,40 0,50 0,40 E filtrado - 0,50 0,50 0,50 0,50 0,50 Média (% massa) 0,46 (c) Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 137 RESULTADOS E DISCUSSÃO monoacilgliceróis ( % m) Figura 5.19-Teores de monoacilgliceróis do biodiesel de sebo bovino do produtor Z, antes (a) e após (b) filtração do precipitado. 0,60 0,55 0,50 0,45 0,40 0,35 0,30 B100 fresco A B C D E condição de armazenamento 1 mês 2 meses 3 meses 6 meses 12 meses monoacilgliceróis ( % m) (a) 0,60 0,55 0,50 0,45 0,40 0,35 0,30 B100 fresco A B C D E condição de armazenamento 1 mês 2 meses 3 meses 6 meses 12 meses (b) Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 138 RESULTADOS E DISCUSSÃO diacilgliceróis ( % m) Figura 5.20-Teores de diacilgliceróis do biodiesel de sebo bovino do produtor Z, antes (a) e após (b) filtração do precipitado. 0,20 0,18 0,16 0,14 0,12 0,10 B100 fresco 1 mês A B 2 meses C 3 meses D E condição de armazenamento 6 meses 12 meses diacilgliceróis ( % m) (a) 0,20 0,18 0,16 0,14 0,12 0,10 B100 fresco A B C D E condição de armazenamento 1 mês 2 meses 3 meses 6 meses 12 meses (b) Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 139 RESULTADOS E DISCUSSÃO triacilgliceróis ( % m) Figura 5.21-Teores de triacilgliceróis do biodiesel de sebo bovino do produtor Z, antes (a) e após (b) filtração do precipitado. 0,60 0,55 0,50 0,45 0,40 0,35 0,30 0,25 0,20 0,15 0,10 B100 fresco A B C D E condição de armazenamento 1 mês 2 meses 3 meses 6 meses 12 meses triacilgliceróis ( % m) (a) 0,60 0,55 0,50 0,45 0,40 0,35 0,30 0,25 0,20 0,15 0,10 B100 fresco 1 mês A 2 meses B C 3 meses D E condição de armazenamento 6 meses 12 meses (b) Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 140 RESULTADOS E DISCUSSÃO A ANP não limita os teores de mono-, di- e triacilgliceróis na especificação do biodiesel; porém, estabelece que sejam informados pelo produtor a cada trimestre civil. A concentração de acilgliceróis no biodiesel está diretamente relacionada com o tipo de matéria-prima e o processo de produção utilizado. Com relação aos resultados obtidos, verificou-se que: x os teores de mono-, di- e triacilgliceróis no biodiesel de sebo bovino, antes e após filtração do precipitado, praticamente não alteraram no período de 1 a 12 meses de armazenamento, independente da condição estudada, com exceção do B100 fresco (recém-produzido); x a manutenção dos mesmos níveis de teores de mono-, di- e triacilgliceróis no biodiesel de sebo bovino, após transcorrido 12 meses de armazenamento, sugere estabilidade química dos acilgliceróis solubilizados no biodiesel, mesmo após a formação do depósito; x cada produtor apresentou perfil característico de teores de mono-, di- e triacilgliceróis no biodiesel de sebo bovino fresco, a saber: 0,56, 0,06 e 0,47 % massa (produtor X) e 0,54, 0,12 e 0,26 % massa (produtor Z), respectivamente. Os teores médios de mono-, di- e triacilgliceróis, considerando-se todas as condições (A, B, C, D e E) e tempos de armazenamento (1 a 12 meses), foram: 0,51, 0,08 e 0,50 % massa (produtor X) e 0,44, 0,16 e 0,46 % massa (produtor Z), respectivamente. Comparando-se os teores de acilgliceróis do biodiesel de sebo bovino fresco e médios, verificou-se que houve redução de mono- e aumento de di- e triacilgliceróis no sobrenadante, independente da presença ou não do precipitado (após filtração); x os teores de acilgliceróis encontrados no B100 fresco e após o primeiro mês de armazenamento, considerado o período preponderante para a nucleação e aglomeração do material sólido, sugere que a deposição influenciou na concentração final de acilgliceróis no sobrenadante, de maneira que monoacilgliceróis precipitaram mais que os di- e triacilgliceróis presentes no biodiesel de sebo bovino, o que corrobora com o estudo realizado no CPT/ANP acerca da composição do precipitado de biodiesel de sebo bovino (PACHECO; VINHADO, 2008), sendo que este equilíbrio permaneceu estável por todo o tempo de armazenamento estudado (até 12 meses). Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 141 RESULTADOS E DISCUSSÃO 5.4.1.2 Monoacilgliceróis no Precipitado de Biodiesel de Sebo Bovino A Tabela 5.15 apresenta os percentuais de monoacilgliceróis, diferenciados por monopalmitina, monoestearina e outros insaturados, presentes nos resíduos sólidos analisados por CG-DIC. As Figuras 5.22 e 5.23 apresentam os correspondentes cromatogramas. Tabela 5.15-Percentuais de monoacilgliceróis presentes nos precipitados, analisados por CG-DIC. Produtor X ± Teor de Monoacilgliceróis (% massa) Precipitado Monopalmitina Monoestearina Monoacilgliceróis Insaturados X.1.A 20,3 23,1 0,17 X.3.A 25,7 27,8 0,27 X.5.A 24,4 26,2 0,34 Produtor Z ± Teor de Monoacilgliceróis (% massa) Z.1.A 23,2 26,1 0,29 Z.3.A 20,0 21,7 0,23 Z.5.A 20,0 21,8 0,23 Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 142 RESULTADOS E DISCUSSÃO Figura 5.22-Cromatogramas CG-DIC das amostras: (a) biodiesel de sebo bovino, (b) padrões monopalmitina e monoestearina e precipitados filtrados do produtor X, referentes à simulação de verão (condição A) nos períodos de armazenamento de 1, 3 e 12 meses, (c) X.1.A, (d) X.3.A e (e) X.5.A. (a) (b) Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 143 RESULTADOS E DISCUSSÃO (c) (d) (e) Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 144 RESULTADOS E DISCUSSÃO Figura 5.23-Cromatogramas CG-DIC das amostras: (a) biodiesel de sebo bovino, (b) padrões monopalmitina e monoestearina e precipitados filtrados do produtor Z, referentes à simulação de verão (condição A) nos períodos de armazenamento de 1, 3 e 12 meses, (c) Z.1.A, (d) Z.3.A e (e) Z.5.A. (a) (b) Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 145 RESULTADOS E DISCUSSÃO (c) (d) (e) Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 146 RESULTADOS E DISCUSSÃO A análise dos resultados demonstrou que: x os tempos de retenção (TR) referentes aos picos cromatográficos da monopalmitina e da monoestearina foram 16,25 e 17,74 minutos, respectivamente, para todos os precipitados analisados provenientes dos produtores X e Z, além do biodiesel de sebo bovino. Estes TR foram os mesmos obtidos pelos padrões monopalmitina e monoestearina utilizados como referências, Figuras 5.22 (b) e 5.23 (b), evidenciando preponderância destes compostos na massa dos resíduos sólidos. Verificou-se, também, que outros monoacilgliceróis insaturados presentes no biodiesel de sebo bovino, com TR típico de 17,58 minutos para a monooleína, Figura 5.22 (a), não foram encontrados nos precipitados, inclusive, também, di- e triacilgliceróis (TR 21,03 a 21,25 e 22,16 a 22,5 minutos, respectivamente) observados no biodiesel de sebo bovino; x o precipitado é constituído preponderantemente de monoacilgliceróis saturados monopalmitina e monoestearina, cerca de 50% da massa bruta, e pequena quantidade de outros monoacilgliceróis insaturados (< 0,4% massa), além do biodiesel residual não evaporado, massa restante, independente do produtor e do tempo de armazenamento; x a quantidade de monoestearina é superior cerca de 9%, em média, da quantidade de monopalmitina constituinte do precipitado; x não foram detectados di- e triacilgliceróis no precipitado; x desconsiderando o biodiesel de sebo bovino não evaporado da amostra, podese afirmar que o precipitado é constituído exclusivamente de monopalmitina e monoestearina. Além do mais, a proximidade de seus percentuais na composição do resíduo nos diferentes tempos de armazenamento sugere que a precipitação ocorre em estágio curto e irreversível, pela nucleação e aglomeração dos monoacilgliceróis saturados do biodiesel de sebo bovino, com preponderância do ciclo de precipitação no primeiro mês de armazenamento. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso RESULTADOS E DISCUSSÃO 147 5.4.2 Análise por Cromatografia Líquida de Alta Eficiência com Detector de Ultravioleta/Visível e Acoplada a Espectrômetro de Massas A técnica de detecção por CLAE-EM-IT-TOF, além do CLAE-UV/VIS, foi aplicada para melhor esclarecer as constatações resultantes das análises por CGDIC quanto à composição do precipitado de biodiesel de sebo bovino. Desta forma, foram utilizados como referências padrões de monopalmitina e monoestearina. A aplicação da cromatografia líquida (CLAE) acoplada ao espectrômetro de massas, tipo EM-IT-TOF, permitiu separação e identificação de moléculas presentes na amostra em condição de temperatura suficiente para minimizar sua decomposição térmica e identificação inequívoca dos componentes de interesse pela medição do peso molecular com precisão de 3-4 casas decimais. 5.4.2.1 Determinação por CLAE-UV/VIS As análises foram realizadas utilizando detector de ultravioleta/visível (UV/VIS) no comprimento de onda de 205 nm. As Figuras 5.24 a 5.29 apresentam os cromatogramas dos padrões de monopalmitina e monoestearina e dos precipitados filtrados das amostras X.1.A, X.5.A, Z.1.A e Z.5.A, representativas do início e final do presente estudo, relativas ao produtor X e produtor Z, respectivamente. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso RESULTADOS E DISCUSSÃO Figura 5.24-Cromatograma CLAE-UV/VIS do padrão monopalmitina. Figura 5.25-Cromatograma CLAE-UV/VIS do padrão monoestearina. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 148 RESULTADOS E DISCUSSÃO Figura 5.26-Cromatograma CLAE-UV/VIS do precipitado X.1.A, simulação de verão do produtor X com 1 mês de armazenamento. Figura 5.27-Cromatograma CLAE-UV/VIS do precipitado X.5.A, simulação de verão do produtor X com 12 meses de armazenamento. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 149 RESULTADOS E DISCUSSÃO Figura 5.28-Cromatograma CLAE-UV/VIS do precipitado Z.1.A, simulação de verão do produtor Z com 1 mês de armazenamento. Figura 5.29-Cromatograma CLAE-UV/VIS do precipitado Z.5.A, simulação de verão do produtor Z com 12 meses de armazenamento. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 150 151 RESULTADOS E DISCUSSÃO Observando os espectros de CLAE-UV/VIS, verificou-se que: x as amostras de precipitados apresentaram perfis cromatográficos iguais aos dos padrões de referência selecionados, com picos característicos nos tempos de retenção entre 0,5 a 0,7 minutos, indicando significativa presença de monopalmitina e monoestearina em suas composições; x os espectros dos precipitados X.5.A e Z.5.A (condição A, após 12 meses de armazenamento) indicaram picos cromatográficos semelhantes aos dos precipitados X.1.A e Z.1.A (condição A, após 1 mês de armazenamento); porém, com abundâncias maiores, caracterizando maior quantidade de material detectado por CLAE-UV/VIS. Isto sugere a presença de componentes do biodiesel de sebo bovino nos resíduos sólidos, induzidos à precipitação durante o período prolongado de armazenamento, provavelmente ésteres metílicos de ácidos graxos ou derivados, visto que os resultados obtidos por CG-DIC demonstraram que não houve variação significativa dos teores de monoacilgliceróis e ausência de di- e triacilgliceróis nos resíduos analisados durante os 12 meses de monitoramento. A estrutura química de monoacilgliceróis saturados, a exemplo da monopalmitina e monoestearina, confere interações moleculares planares, com caráter apolar (cadeia parafínica) e polar (radical acila) na mesma molécula (Figura 5.30). Este tipo de arranjo cristalino permite maior grau de liberdade para que moléculas com afinidades químicas se aglomerem aos núcleos em formação, compondo o material sólido depositado. Figura 5.30-Estrutura química: (a) monopalmitina e (b) monoestearina. cadeia parafínica ± radical cadeia parafínica ± radical C16:0 acila C18:0 acila (apolar) (polar) (apolar) (polar) (a) (b) Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 152 RESULTADOS E DISCUSSÃO 5.4.2.2 Determinação por CLAE-EM-IT-TOF As Figuras 5.31 e 5.32 apresentam os cromatogramas e os respectivos espectros de massas no modo positivo e no modo negativo de ionização dos padrões de monopalmitina e monoestearina, utilizados como referências para identificação dos componentes majoritários do precipitado de biodiesel de sebo bovino. Figura 5.31-Cromatograma (a) padrão monopalmitina e respectivos espectros de massas (b) no modo positivo e (c) no modo negativo de ionização. (a) Inten.(x1,000,000) 7.5 353.2682(1) 5.0 2.5 0.0 100 200 300 400 500 600 700 800 600 700 800 900 m/z (b) Inten.(x1,000,000) 255.2358(1) 5.0 2.5 110.9792 427.1921(1) 0.0 100 200 300 400 500 900 m/z (c) Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 153 RESULTADOS E DISCUSSÃO O íon apresentado com relação m z-1 de 353.2682 representa a molécula de monopalmitina com aduto de sódio [C19H38O4+Na+], detectado no modo positivo de ionização do espectrômetro de massas. A formação deste aduto deve-se em função da presença de cátion sódio no sistema. Da mesma forma, o íon apresentado com relação m z-1 de 255.2358 representa a molécula deprotonada do ácido palmítico (C16H32O2 ± H)-, detectado no modo negativo de ionização do massas. Figura 5.32-Cromatograma (a) padrão monoestearina e respectivos espectros de massas (b) no modo positivo e (c) no modo negativo de ionização. (a) Inten.(x1,000,000) 7.5 381.2996(1) 5.0 2.5 0.0 100 200 300 400 500 600 700 600 700 800 900 m/z (b) Inten.(x1,000,000) 283.2672(1) 5.0 2.5 110.9795 284.2696(1) 0.0 100 200 300 393.2803(1) 400 500 800 900 m/z (c) Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 154 RESULTADOS E DISCUSSÃO O íon apresentado com relação m z-1 de 381.2996 representa a molécula de monoestearina com aduto de sódio [C21H42O4+Na+], detectado no modo positivo de ionização, e o íon apresentado com relação m z-1 de 283.2672 representa a molécula deprotonada do ácido esteárico (C18H36O2 ± H)-, detectado no modo negativo de ionização. A Figura 5.33 mostra o espectro de massas no modo positivo de ionização referente à análise do precipitado X.1.A e a Tabela 5.16 apresenta as massas referentes e suas intensidades absolutas e relativas. Figura 5.33-Espectro de massas no modo positivo do precipitado X.1.A. Inten.(x100,000) 2.0 284.3322 100.0772 381.2941 340.3587 1.5 1.0 209.1090 0.5 283.2210 0.0 100 200 300 573.5350(1) 433.3318(1) 400 500 600 700 800 900 m/z Tabela 5.16-Tabela de massas referente à análise do precipitado X.1.A. Relação m z-1 Intensidade Absoluta Intensidade Relativa 195.0969 38892 20.57 209.1090 51644 27.32 284.3322 189057 100.00 285.3355 29191 15.44 296.3334 52349 27.69 311.2630 154343 81.64 312.3053 90248 47.74 313.2794 45003 23.80 340.3587 117176 61.98 341.3616 27391 14.49 349.2274 16169 8.55 351.2480 33959 17.96 353.2531 13688 7.24 365.2308 55189 29.19 367.2430 21389 11.31 381.2941 147692 78.12 Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 155 RESULTADOS E DISCUSSÃO 382.2990 29443 15.57 519.3680 34918 18.47 520.3750 9751 5.16 559.5203 27186 14.38 573.5350 38810 20.53 574.5401 14616 7.73 601.5669 24841 13.14 611.5524 9766 5.17 613.5687 23419 12.39 615.5818 11256 5.95 627.5649 13709 7.25 629.5905 32506 17.19 630.5997 11348 6.00 641.5950 20017 10.59 643.6046 12300 6.51 657.6298 17507 9.26 659.4924 10628 5.62 661.5033 10633 5.62 675.4842 18360 9.71 677.4963 12780 6.76 691.4787 15415 8.15 Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 156 RESULTADOS E DISCUSSÃO A Figura 5.34 mostra o espectro de massas no modo positivo de ionização referente à análise do precipitado X.5.A e a Tabela 5.17 apresenta as massas referentes e suas intensidades absolutas e relativas. Figura 5.34-Espectro de massas no modo positivo do precipitado X.5.A. Inten.(x1,000,000) 2.0 381.2990(1) 1.0 284.3325 0.0 100 200 300 573.5356(1) 400 500 600 700 800 900 m/z Tabela 5.17-Tabela de massas referente à análise do precipitado X.5.A. Relação m z-1 Intensidade Absoluta Intensidade Relativa 296.3327 119929 8.87 324.3638 120169 8.89 349.2340 94958 7.02 353.2675 321489 23.78 354.2715 74744 5.53 362.3405 137138 10.14 367.2993 84187 6.23 381.2990 1352002 100.00 382.3026 320655 23.72 395.2917 74034 5.48 573.5356 74600 5.52 Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 157 RESULTADOS E DISCUSSÃO A Figura 5.35 mostra o espectro de massas no modo positivo de ionização referente à análise do precipitado Z.1.A e a Tabela 5.18 apresenta as massas referentes e suas intensidades absolutas e relativas. Figura 5.35-Espectro de massas no modo positivo do precipitado Z.1.A. Tabela 5.18-Tabela de massas referente à análise do precipitado Z.1.A. Relação m z-1 Intensidade Absoluta Intensidade Relativa 181.0869 22842 12.41 195.0956 61351 33.32 196.1069 9309 5.06 209.1081 43212 23.47 284.3315 178270 96.82 285.3344 27191 14.77 311.2625 128223 69.64 312.2607 22409 12.17 313.2727 20338 11.05 323.2203 15884 8.63 327.2210 19486 10.58 347.2173 23204 12.60 349.2293 31295 17.00 351.2476 50878 27.63 353.2615 55939 30.38 363.2109 10848 5.89 365.2293 81071 44.03 366.2332 13852 7.52 367.2425 29086 15.80 369.2369 11147 6.05 379.2209 18868 10.25 Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 158 RESULTADOS E DISCUSSÃO 381.2935 184116 100.00 382.2987 35169 19.10 383.2450 26537 14.41 395.2379 12966 7.04 397.2360 19743 10.72 433.3301 13280 7.21 435.3454 18047 9.80 447.3458 16155 8.77 461.3603 23447 12.73 475.3748 29654 16.11 477.3504 9776 5.31 491.3540 14460 7.85 493.3539 17493 9.50 505.3533 31738 17.24 507.3554 20735 11.26 519.3657 48439 26.31 520.3714 13665 7.42 521.3613 27285 14.82 523.3567 17198 9.34 535.3623 27772 15.08 537.3664 22670 12.31 549.3597 9229 5.01 551.3600 12381 6.72 557.4446 14072 7.64 565.3747 10223 5.55 579.3862 15037 8.17 589.4812 13756 7.47 617.5144 11692 6.35 633.4731 13306 7.23 659.4883 13561 7.37 661.5039 53259 28.93 662.5069 17207 9.35 663.5133 18255 9.91 Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 159 RESULTADOS E DISCUSSÃO 675.4831 21100 11.46 677.4957 23969 13.02 691.4777 11356 6.17 A Figura 5.36 mostra o espectro de massas no modo positivo de ionização referente à análise do precipitado Z.5.A e a Tabela 5.19 apresenta as massas referentes e suas intensidades absolutas e relativas. Figura 5.36-Espectro de massas no modo positivo do resíduo Z.5.A. Inten.(x1,000,000) 381.2985(1) 1.5 1.0 284.3318 353.2676(1) 0.5 131.0335 0.0 100 200 300 400 500 600 700 800 900 m/z Tabela 5.19-Tabela de massas referente à análise do precipitado Z.5.A. Relação m z-1 Intensidade Absoluta Intensidade Relativa 284.3318 426728 26.83 285.3349 84940 5.34 353.2676 298015 18.74 367.3017 102916 6.47 381.2985 1590358 100.00 382.3021 369909 23.26 Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 160 RESULTADOS E DISCUSSÃO Observando os espectros de massas das Figuras 5.33 a 5.36 e respectivas Tabelas 5.16 a 5.19, verificou-se: x presença de monoestearina [C21H42O4+Na+] majoritária em todos os precipitados analisados, com relação m z-1 aproximada de 381 (linha azul da tabela de massa); x presença de monopalmitina [C19H38O4+Na+], relação m z-1 aproximada de 353 (linha vermelha da tabela de massa); porém, em menor quantidade que a monoestearina em todos os precipitados analisados (intensidade absoluta mais baixa), corroborando com os resultados obtidos nas análises por CG-FID (item 5.4.1.2); x formação de outros íons identificados com relação m z-1 aproximada de 347, 349 e 351, provenientes de moléculas de monopalmitina com 3, 2 e 1 insaturação, respectivamente (349.2274 e 351.2480 na Tabela 5.16; 349.2340 na Tabela 5.17 e 347.2173, 349.2293 e 351.2476 na Tabela 5.18); x além da produção dos monoacilgliceróis monopalmitina e monoestearina, os precipitados apresentaram presença de outros compostos, tais como monoacilgliceróis insaturados e residual de biodiesel de sebo bovino não evaporado (ésteres metílicos de ácidos graxos). 5.4.3 Análise Termogravimétrica As curvas TG/DTG possibilitaram a verificação das temperaturas de perdas de massa dos precipitados das amostras de biodiesel de sebo bovino provenientes dos produtores X e Z, representativas do início até o final do presente estudo, conforme descrito no item 4.2.4.3. Não foi analisado o precipitado filtrado da condição E de ambos os produtores devido às referidas amostras de biodiesel de sebo bovino terem apresentado resultados de estabilidade à oxidação fora da especificação da ANP no período de 1 a 12 meses de armazenamento em contato com ferro metálico. Os materiais foram aquecidos na faixa de temperatura de 30°C a 600°C em razão de aquecimento de 10°C min-1, sob atmosfera de hélio, com vazão de 25 mL min-1. As Figuras 5.37 e 5.38 apresentam as curvas TG/DTG dos precipitados e biodiesel de sebo bovino do produtor X, enquanto as Figuras 5.39 e 5.40 referem-se às amostras similares provenientes do produtor Z. A Figura 5.41 apresenta as Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 161 RESULTADOS E DISCUSSÃO curvas TG/DTG dos precipitados X.1.A e Z.1.A (condição A e 1 mês de armazenamento) comparadas com as dos padrões monopalmitina e monoestearina. Os percentuais de perdas de massa e das massas residuais obtidas estão apresentados nas Tabelas 5.20 a 5.23. A análise das curvas demonstrou que houve perdas de massa durante toda a faixa de temperatura programada. Foram observadas 2 etapas com perdas de massa nas análises dos precipitados e dos padrões monopalmitina e monoestearina e apenas 1 etapa com perda de massa nas análises das amostras de biodiesel de sebo bovino, de ambos os produtores X e Z, nas condições de aquecimento programadas. Os perfis das curvas TG/DTG dos precipitados demonstraram o mesmo comportamento de perda de massa, independente do produtor, da condição e do tempo de armazenamento. Tabela 5.20-Faixas de temperatura e correspondentes perdas de massa das TG/DTG das amostras do produtor X. Amostra Temperatura (°C) Perda de Massa (%) Massa Analisada Etapa Etapa Residual (Produtor X) 1 2 1 2 (%) B100 fresco 73 ± 370 - 99,2 - 0,8 Precipitado X.1.A 77 ± 341 341 ± 469 71,9 26,0 2,1 Precipitado X.2.A 68 ± 356 356 ± 473 73,0 25,9 1,1 Precipitado X.3.A 77 ± 356 356 ± 463 75,7 22,9 1,4 Precipitado X.4.A 77 ± 356 356 ± 466 83,8 15,5 0,7 Precipitado X.5.A 83 ± 356 356 ± 461 81,0 17,9 1,1 Precipitado X.1.B 80 ± 345 345 ± 473 71,5 26,6 1,9 Precipitado X.1.C 76 ± 357 357 ± 474 85,8 13,2 1,0 Precipitado X.1.D 73 ± 354 354 ± 460 83,4 15,2 1,4 Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 162 RESULTADOS E DISCUSSÃO Tabela 5.21-Faixas de temperatura e correspondentes perdas de massa das TG/DTG das amostras do produtor Z. Amostra Temperatura (°C) Perda de Massa (%) Massa Analisada Etapa Etapa Residual (Produtor Z) 1 2 1 2 (%) B100 fresco 73 ± 307 - 98,9 - 1,1 Precipitado Z.1.A 79 ± 354 354 ± 483 79,0 20,0 1,0 Precipitado Z.2.A 90 ± 340 340 ± 439 74,7 24,7 0,6 Precipitado Z.3.A 73 ± 337 337 ± 441 77,0 22,6 0,4 Precipitado Z.4.A 76 ± 335 335 ± 452 72,0 26,6 1,4 Precipitado Z.5.A 90 ± 332 332 ± 450 70,9 28,0 1,1 Precipitado Z.1.B 77 ± 329 329 ± 482 67,9 31,5 0,6 Precipitado Z.1.C 79 ± 350 350 ± 441 73,6 24,7 1,8 Precipitado Z.1.D 79 ± 342 342 ± 460 72,3 26,3 1,4 Tabela 5.22-Faixas de temperatura e correspondentes perdas de massa das TG/DTG dos padrões monopalmitina e monoestearina. Amostra Temperatura (°C) Perda de Massa (%) Massa Analisada Etapa Etapa Residual (Padrão) 1 2 1 2 (%) Monopalmitina 151 ± 335 335 ± 450 77,1 22,1 0,8 Monoestearina 172 ± 345 345 ± 464 64,0 34,1 1,9 Tabela 5.23-Valores médios das perdas de massa dos precipitados analisados. Precipitado de Biodiesel de Sebo Bovino Temperatura (°C) Perda de Massa Média Massa (mínima ± máxima) (%) Residual Etapa Etapa Média 1 2 1 2 (%) Produtor X 68 ± 357 341 ± 474 78,3 20,4 1,3 Produtor Z 73 ± 354 329 ± 483 73,4 25,6 1,1 75,9 23,0 1,2 Média (%) Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 163 RESULTADOS E DISCUSSÃO Figura 5.37-Sobreposição das curvas termogravimétricas do biodiesel de sebo bovino e dos precipitados filtrados das amostras provenientes do produtor X, referentes à simulação de verão (condição A) nos meses de armazenamento avaliados (1, 2, 3, 6 e 12 meses): (a) TG e (b) DTG. Perda de Massa (%) 100 B100 fresco X precipitado X.1.A precipitado X.2.A precipitado X.3.A precipitado X.4.A precipitado X.5.A 80 60 40 20 0 0 100 200 300 400 500 600 Temperatura (ºC) (a) 0,002 0,000 -0,002 1/ºC -0,004 -0,006 B100 fresco X precipitado X.1.A precipitado X.2.A precipitado X.3.A precipitado X.4.A precipitado X.5.A -0,008 -0,010 -0,012 -0,014 -0,016 0 100 200 300 400 500 600 Temperatura (ºC) (b) Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 164 RESULTADOS E DISCUSSÃO Figura 5.38-Sobreposição das curvas termogravimétricas do biodiesel de sebo bovino e dos precipitados filtrados das amostras provenientes do produtor X, referentes à simulação das diferentes condições (A, B, C e D) e tempo de 1 mês de armazenamento: (a) TG e (b) DTG. Perda de Massa (%) 100 B100 fresco X precipitado X.1.A precipitado X.1.B precipitado X.1.C precipitado X.1.D 80 60 40 20 0 0 100 200 300 Temperatura (ºC) 400 500 600 (a) 0,002 0,000 -0,002 -0,004 1/ºC -0,006 B100 fresco X precipitado X.1.A precipitado X.1.B precipitado X.1.C precipitado X.1.D -0,008 -0,010 -0,012 -0,014 -0,016 0 100 200 300 400 500 600 Temperatura (ºC) (b) Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 165 RESULTADOS E DISCUSSÃO Figura 5.39-Sobreposição das curvas termogravimétricas do biodiesel de sebo bovino e dos precipitados filtrados das amostras provenientes do produtor Z, referentes à simulação de verão (condição A) nos meses de armazenamento avaliados (1, 2, 3, 6 e 12 meses): (a) TG e (b) DTG. Perda de Massa (%) 100 B100 fresco Z precipitado Z.1.A precipitado Z.2.A precipitado Z.3.A precipitado Z.4.A precipitado Z.5.A 80 60 40 20 0 0 100 200 300 Temperatura (ºC) 400 500 600 (a) 0,002 0,000 -0,002 1/ºC -0,004 -0,006 -0,008 B100 fresco Z precipitado Z.1.A precipitado Z.2.A precipitado Z.3.A precipitado Z.4.A precipitado Z.5.A -0,010 -0,012 -0,014 -0,016 0 100 200 300 400 500 600 Temperatura (ºC) (b) Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 166 RESULTADOS E DISCUSSÃO Figura 5.40-Sobreposição das curvas termogravimétricas do biodiesel de sebo bovino e dos precipitados filtrados das amostras provenientes do produtor Z, referentes à simulação das diferentes condições (A, B, C e D) e tempo de 1 mês de armazenamento: (a) TG e (b) DTG. Perda de Massa (%) 100 B100 fresco Z precipitado Z.1.A precipitado Z.1.B precipitado Z.1.C precipitado Z.1.D 80 60 40 20 0 0 100 200 300 400 500 600 Temperatura (ºC) (a) 0,002 0,000 -0,002 -0,004 1/ºC -0,006 -0,008 B100 fresco Z precipitado Z.1.A precipitado Z.1.B precipitado Z.1.C precipitado Z.1.D -0,010 -0,012 -0,014 -0,016 0 100 200 300 400 500 600 Temperatura (ºC) (b) Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 167 RESULTADOS E DISCUSSÃO Figura 5.41-Sobreposição das curvas termogravimétricas dos padrões monopalmitina, monoestearina e precipitados X.1.A e Z.1.A: (a) TG e (b) DTG. 120 Perda de Massa (%) 100 padrão monopalmitina padrão monoestearina precipitado X.1.A precipitado Z.1.A 80 60 40 20 0 0 100 200 300 Temperatura (ºC) 400 500 600 (a) 0,002 0,000 1/ºC -0,002 -0,004 -0,006 -0,008 padrão monopalmitina padrão monoestearina precipitado X.1.A precipitado Z.1.A -0,010 -0,012 0 100 200 300 400 500 600 Temperatura (ºC) (b) Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso RESULTADOS E DISCUSSÃO 168 A análise dos resultados demonstrou que: x os precipitados possuem a mesma composição química por apresentarem perfis termogravimétricos similares, independente do produtor, do tempo (Figuras 5.37 e 5.39) e da condição (Figuras 5.38 e 5.40) de armazenamento; x os precipitados apresentaram em torno de 76% e 23% de material estável até 357°C e 483°C, respectivamente, permanecendo aproximadamente 1% de massa residual, Tabela 5.23. Este perfil assemelhou-se aos dos padrões utilizados; x os precipitados apresentaram perdas de massa dentro das faixas de temperaturas dos padrões monopalmitina e monoestearina (Figura 5.41), evidenciando a presença predominante destes monoacilgliceróis em suas composições; x de acordo com Frömming e Szejtli (1993), o perfil termogravimétrico da monopalmitina é caracterizado por 2 etapas com perdas de massa, sendo a primeira devido à volatilização do monoacilglicerol e a segunda à decomposição de complexo formado pelas moléculas da monopalmitina quando submetidas a altas temperaturas. Por analogia, a ocorrência de 2 etapas de perdas de massa dos precipitados corresponde, primeiramente, à volatilização/evaporação dos compostos preponderantes, monopalmitina e monoestearina, além do residual de biodiesel de sebo bovino não evaporado. A etapa 2 corresponde à pirólise de produtos originados da complexação e polimerização dos constituintes do precipitado, caracterizados por possuir cadeias carbônicas mais pesadas e grupamentos acila e carboxila provenientes do biodiesel. O percentual de massa residual obtido refere-se ao coque oriundo do resíduo submetido a altas temperaturas; x a única etapa de perda de massa observada nas amostras do biodiesel de sebo bovino é característica, majoritariamente, da volatilização/evaporação de ésteres metílicos, correspondendo em 99,2% para o produtor X (Figura 5.37) e 98,9% para o produtor Z (Figura 5.39) de material estável a temperaturas até 370°C. As massas residuais obtidas no final das análises termogravimétricas foram praticamente iguais, 0,8% para produtor X e 1,1% para produtor Z, indicando amostras com composições similares; Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso RESULTADOS E DISCUSSÃO x 169 os resultados de TG/DTG corroboraram com os obtidos por CG-DIC, CLAEUV/VIS e CLAE-EM-IT-TOF de que o precipitado de biodiesel de sebo bovino é composto preponderantemente de monopalmitina e monoestearina. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 6 CONCLUSÕES E SUGESTÕES PARA FUTUROS TRABALHOS 171 CONCLUSÕES E SUGESTÕES PARA FUTUROS TRABALHOS 6 CONCLUSÕES E SUGESTÕES PARA FUTUROS TRABALHOS 6.1 CONCLUSÕES x Os biodieseis de sebo bovino apresentaram-se conformes com a especificação da ANP; x Todas as amostras fracionadas apresentaram formação de precipitado, independente do produtor, da condição e do tempo de armazenamento; x A quantidade de precipitado não variou durante os 12 meses de armazenamento, naturalmente, sendo em que estágio a aglomeração curto, a partir das partículas de uma ocorreu névoa fina, preponderantemente, no primeiro mês de armazenamento; x O biodiesel de sebo bovino solidificou a 10°C, retornando ao estado líquido a 25°C; x A temperatura baixa acelerou a precipitação, com formação de depósito finamente dividido; x A precipitação completou-se de forma espontânea, não ocorrendo nova precipitação após filtração do depósito inicial, mesmo resfriando o biodiesel de sebo bovino a 10°C e elevação a 25°C; x O precipitado não alterou a estabilidade à oxidação, cujos resultados apresentaram-se conformes com a especificação da ANP nos 12 meses de armazenamento, com exceção das amostras em contato com ferro (condição E), que reduziu significativamente a estabilidade do biodiesel de sebo bovino, suficiente para deixar fora de especificação no primeiro mês de armazenamento; x O precipitado não alterou o PEFF, cujos resultados apresentaram-se conformes com a especificação da ANP em todas as misturas Bx nos 12 meses de armazenamento, com exceção da condição B (simulação de inverno), que resultou, em média, PEFF fora de especificação para misturas >B60. Em geral, observou-se solidificação do Bx em baixas temperaturas antes que o precipitado influenciasse no PEFF; Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 172 CONCLUSÕES E SUGESTÕES PARA FUTUROS TRABALHOS x Houve redução de mono- e aumento de di- e triacilgliceróis no biodiesel de sebo bovino (sobrenadante) após a formação do precipitado, sendo mantidos, praticamente, os mesmos teores nos 12 meses de armazenamento, demonstrando que a natureza do precipitado origina da nucleação de monoacilgliceróis saturados, majoritariamente, no primeiro mês de armazenamento; x Resultados de CG-DIC, CLAE-UV/VIS, CLAE-EM-IT-TOF e TG demonstraram que o precipitado preponderantemente de de biodiesel de monoestearina sebo e bovino é monopalmitina. constituído Não foram detectados di- e triacilgliceróis no precipitado; x Na decomposição térmica, o precipitado apresentou duas etapas de perdas de massa: a primeira, principal, referente à volatilização dos monoacilgliceróis saturados monopalmitina e monoestearina, e a segunda correspondente à pirólise de produtos originados da complexação e polimerização dos constituintes do precipitado; x O biodiesel de sebo bovino apresentou uma única etapa de perda de massa referente à decomposição de ésteres metílicos; x As constatações observadas neste trabalho poderão auxiliar no estabelecimento de limites de especificação para monoacilgliceróis em biodiesel por parte de órgão regulador, como também para que a área científica e produtores de biodiesel verifiquem a possibilidade de redução destes teores, particularmente, provenientes de sebo bovino, considerando as comprovações acerca dos estágios de precipitação e a não incidência de formação de material sólido após remoção do precipitado inicial. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso CONCLUSÕES E SUGESTÕES PARA FUTUROS TRABALHOS 173 6.2 SUGESTÕES PARA FUTUROS TRABALHOS x Estudar a formação de depósito e sua influência na qualidade de biodiesel oriundo de outras matérias-primas tipicamente utilizadas no Brasil; x Estudar a influência da qualidade do sebo bovino na formação de material sólido em biodiesel correspondente (variáveis como pH, teor de ácidos graxos livres, presença de impurezas sólidas, entre outros parâmetros); x Estudar a viabilidade de remoção de precipitado em biodiesel de sebo bovino, avaliando extrapolação em processo de produção, tais como aplicação de resfriamento controlado (conhecido operacionalmente como winterização), utilização de agentes químicos aceleradores de floculação e precipitação, aditivos inibidores de precipitação, tipos de meios filtrantes, entre outros procedimentos operacionais; x Estudar mecanismos de processos que possibilitem operação comercial de transferência e armazenamento de biodiesel de sebo bovino especificado, com possibilidade de garantir a ausência de qualquer material sólido no combustível até o consumidor final; x Estudar mecanismos de controle do teor de monoacilgliceróis em reação de transesterificação do sebo bovino e em outras matérias-primas; x Realizar levantamento estatístico do perfil de teores de acilgliceróis de biodieseis produzidos por diferentes matérias-primas nacionais. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso REFERÊNCIAS REFERÊNCIAS 175 REFERÊNCIAS ALBANO, F.; RAYA-RODRIGUES, M.. Validação e garantia da qualidade de ensaios laboratoriais ± guia prático. Rede Metrológica do RS, Porto Alegre, 2009. ALBURQUERQUE, G. A.. Obtenção e caracterização físico-química do biodiesel de canola (brassica napus). 2006. 100f. Dissertação (Mestrado em Química) ± Programa de Pós-Graduação em Química, Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2006. AMERICAN SOCIETY FOR TESTING AND MATERIALS. Standard Test Method for Cold Filter Plugging Point of Diesel and Heating Fuels. ASTM D6371, 2010. AMERICAN SOCIETY FOR TESTING AND MATERIALS. Standard Test Method for Determination of Total Monogliceride, Total Digliceride, Total Trigliceride, and Free and Total Glycerin in B-100 Biodiesel Methyl Esters by Gas Chromatography. ASTM D 6584, 2010. AGÊNCIA NACIONAL DO PETRÓLEO, GÁS NATURAL E BIOCOMBUSTÍVEIS ± ANP. 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Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso ANEXOS 185 ANEXOS ANEXO I Resolução ANP N° 7, de 19 de março de 2008, que especifica o biodiesel comercializado em território nacional. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso AGÊNCIA NACIONAL DO PETRÓLEO, GÁS NATURAL E BIOCOMBUSTÍVEIS RESOLUÇÃO ANP Nº 7, DE 19.3.2008 - DOU 20.3.2008 O DIRETOR-GERAL da AGÊNCIA NACIONAL DO PETRÓLEO, GÁS NATURAL E BIOCOMBUSTÍVEIS ± ANP, no uso de suas atribuições, Considerando o disposto no inciso I, art. 8º da Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997, alterada pela Lei nº 11.097, de 13 de janeiro de 2005 e com base na Resolução de Diretoria nº 207, de 19 de março de 2008, Considerando o interesse para o País em apresentar sucedâneos para o óleo diesel; Considerando a Lei nº 11.097 de 13 de janeiro de 2005, que define o biodiesel como um combustível para uso em motores a combustão interna com ignição por compressão, renovável e biodegradável, derivado de óleos vegetais ou de gorduras animais, que possa substituir parcial ou totalmente o óleo diesel de origem fóssil; Considerando as diretrizes emanadas pelo Conselho Nacional de Política Energética ± CNPE, quanto à produção e ao percentual de biodiesel na mistura óleo diesel/biodiesel a ser comercializado; e Considerando a necessidade de estabelecer as normas e especificações do combustível para proteger os consumidores, resolve: Art. 1º Fica estabelecida no Regulamento Técnico ANP, parte integrante desta Resolução, a especificação do biodiesel a ser comercializado pelos diversos agentes econômicos autorizados em todo o território nacional. Parágrafo único. O biodiesel deverá ser adicionado ao óleo diesel na proporção de 5%, em volume, a partir de 1º de janeiro de 2010. Art. 2º Para efeitos desta Resolução, define-se: I ± biodiesel ± B100 ± combustível composto de alquil ésteres de ácidos graxos de cadeia longa, derivados de óleos vegetais ou de gorduras animais conforme a especificação contida no Regulamento Técnico, parte integrante desta Resolução; II ± mistura óleo diesel/biodiesel ± BX ± combustível comercial composto de (100-X)% em volume de óleo diesel, conforme especificação da ANP, e X% em volume do biodiesel, que deverá atender à regulamentação vigente; III ± mistura autorizada óleo diesel/biodiesel ± combustível composto de biodiesel e óleo diesel em proporção definida quando da autorização concedida para uso experimental ou para uso específico conforme legislação específica; IV ± produtor de biodiesel ± pessoa jurídica autorizada pela ANP para a produção de biodiesel; V ± distribuidor ± pessoa jurídica autorizada pela ANP para o exercício da atividade de distribuição de combustíveis líquidos derivados de petróleo, álcool combustível, biodiesel, mistura óleo diesel/biodiesel especificada ou autorizada pela ANP e outros combustíveis automotivos; VI ± batelada ± quantidade segregada de produto em um único tanque que possa ser caracterizada por um "Certificado da Qualidade". Art. 3º O biodiesel só poderá ser comercializado pelos Produtores, Importadores e Exportadores de biodiesel, Distribuidores e Refinarias autorizadas pela ANP. § 1º Somente os Distribuidores e as Refinarias autorizados pela ANP poderão proceder mistura óleo diesel/biodiesel para efetivar sua comercialização. § 2º É vedada a comercialização do biodiesel diretamente de produtores, importadores ou exportadores a revendedores. Art. 4º Os Produtores e Importadores de biodiesel deverão manter sob sua guarda, pelo prazo mínimo de 2 (dois) meses a contar da data da comercialização do produto, uma amostra-testemunha, de 1 (um) litro, referente à batelada do produto comercializado, armazenado em embalagem apropriada de 1 (um) litro de capacidade, fechada com batoque e tampa plástica com lacre, que deixe evidências em caso de violação, mantida em local protegido de luminosidade e acompanhada de Certificado da Qualidade. § 1º O Certificado da Qualidade deverá indicar a data de produção, as matérias-primas utilizadas para obtenção do biodiesel, suas respectivas proporções e observar todos os itens da especificação constante do Regulamento Técnico, bem como ser firmado pelo responsável técnico pelas análises laboratoriais efetivadas, com a indicação legível de seu nome e número da inscrição no órgão de classe. § 2º O produto somente poderá ser liberado para a comercialização após a sua certificação, com a emissão do respectivo Certificado da Qualidade, que deverá acompanhar o produto. § 3º Após a data de análise de controle de qualidade da amostra, constante do Certificado da Qualidade, se o produto não for comercializado no prazo máximo de 1 (um) mês, deverá ser novamente analisada a massa específica a 20ºC. Caso a diferença encontrada com relação à massa específica a 20ºC do Certificado da Qualidade seja inferior a 3,0 kg/m3, deverão ser novamente avaliadas o teor de água, o índice de acidez e a estabilidade à oxidação a 110ºC. Caso a diferença seja superior a 3,0 kg/m3, deverá ser realizada a recertificação completa segundo esta Resolução. § 4º As análises constantes do Certificado da Qualidade só poderão ser realizadas em laboratório próprio do produtor ou contratado, os quais deverão ser cadastrados pela ANP conforme Resolução ANP n° 31 de 21 de outubro de 2008. § 5º (Revogado). § 6º No caso de certificação do biodiesel utilizando laboratório próprio e contratado, o Produtor deverá emitir Certificado da Qualidade único, agrupando todos os resultados que tenha recebido do laboratório cadastrado pela ANP. Esse Certificado deverá indicar o laboratório responsável por cada ensaio. § 7º A amostra-testemunha e seu Certificado da Qualidade deverão ficar à disposição da ANP para qualquer verificação julgada necessária, pelo prazo mínimo de 2 meses e 12 meses, respectivamente. § 8º Os Produtores deverão enviar à ANP, até o 15º (décimo quinto) dia do mês, os dados de qualidade constantes dos Certificados da Qualidade, emitidos no mês anterior, com a devida indicação do material graxo e álcool usados para a produção do biodiesel certificado. § 9º Os Produtores deverão enviar à ANP, até 15 (quinze) dias após o final de cada trimestre civil, os resultados de uma análise completa (considerando todas as características e métodos da especificação) de uma amostra do biodiesel comercializado no trimestre correspondente e, em caso de nesse período haver mudança de tipo de matéria-prima, o produtor deverá analisar um número de amostras correspondente ao número de tipos de matérias-primas utilizadas. § 10. Os dados de qualidade mencionados nos parágrafos oitavo e nono deste artigo deverão ser encaminhados, em formato eletrônico, seguindo os modelos disponíveis no sítio da ANP, para o endereço: [email protected]. § 11. A ANP poderá cancelar o cadastro de laboratório indicado pelo Produtor, quando da detecção de não-conformidade quanto ao processo de certificação de biodiesel. Art. 5º A documentação fiscal, referente às operações de comercialização e de transferência de biodiesel realizadas pelos Produtores e Importadores de biodiesel, deverá ser acompanhada de cópia legível do respectivo Certificado da Qualidade, atestando que o produto comercializado atende à especificação estabelecida no Regulamento Técnico. Parágrafo único. No caso de cópia emitida eletronicamente, deverão estar indicados, na cópia, o nome e o número da inscrição no órgão de classe do responsável técnico pelas análises laboratoriais efetivadas. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso Art. 6º A ANP poderá, a qualquer tempo, submeter os Produtores e Importadores de biodiesel, bem como os laboratórios contratados à inspeção técnica de qualidade sobre os procedimentos e equipamentos de medição que tenham impacto sobre a qualidade e a confiabilidade dos serviços de que trata esta Resolução, bem como coletar amostra de biodiesel para análise em laboratórios contratados. § 1º Esta inspeção técnica poderá ser executada diretamente pela ANP com apoio de entidade contratada ou órgão competente sobre os procedimentos e equipamentos de medição que tenham impacto na qualidade e confiabilidade das atividades de que trata esta Resolução. § 2º O produtor ou laboratório cadastrado na ANP ficará obrigado a apresentar documentação comprobatória das atividades envolvidas no controle de qualidade do biodiesel, caso seja solicitado. Art. 7º É proibida adição ao biodiesel de: corante em qualquer etapa e quaisquer substâncias que alterem a qualidade do biodiesel na etapa de distribuição. Art. 8º A adição de aditivos ao biodiesel na fase de produção deve ser informada no Certificado da Qualidade, cabendo classificar o tipo. Art. 9º O não atendimento ao estabelecido na presente Resolução sujeita os infratores às sanções administrativas previstas na Lei nº 9.847, de 26 de outubro de 1999, alterada pela Lei nº 11.097, de 13 de janeiro de 2005, e no Decreto nº 2.953, de 28 de janeiro de 1999, sem prejuízo das penalidades de natureza civil e penal. Art. 10. Os casos não contemplados nesta Resolução serão analisados pela Diretoria da ANP. Art. 11. Fica concedido, aos produtores e importadores de biodiesel, o prazo máximo de até 30 de junho de 2008 para atendimento ao disposto no Regulamento Técnico anexo a esta Resolução, período no qual poderão ainda atender à especificação constante da Resolução ANP nº 42, de 24 de novembro 2004. Art. 12. Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 13. Fica revogada a Resolução ANP nº 42, de 24 de novembro 2004, observados os termos do art. 11 desta Resolução. HAROLDO BORGES RODRIGUES LIMA ANEXO REGULAMENTO TÉCNICO ANP Nº 1/2008 1. Objetivo Este Regulamento Técnico aplica-se ao biodiesel, de origem nacional ou importada, a ser comercializado em território nacional adicionado na proporção prevista na legislação aplicável ao óleo diesel conforme a especificação em vigor, e em misturas específicas autorizadas pela ANP. 2. Normas Aplicáveis A determinação das características do biodiesel será feita mediante o emprego das normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), das normas internacionais "American Society for Testing and Materials" (ASTM), da "International Organization for Standardization" (ISO) e do "Comité Européen de Normalisation" (CEN). Os dados de incerteza, repetitividade e reprodutibilidade fornecidos nos métodos relacionados neste Regulamento devem ser usados somente como guia para aceitação das determinações em duplicata do ensaio e não devem ser considerados como tolerância aplicada aos limites especificados neste Regulamento. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso A análise do produto deverá ser realizada em uma amostra representativa do mesmo obtida segundo métodos ABNT NBR 14883 ± Petróleo e produtos de petróleo ± Amostragem manual ou ASTM D 4057 ± Prática para Amostragem de Petróleo e Produtos Líquidos de Petróleo (Practice for Manual Sampling of Petroleum and Petroleum Products) ou ISO 5555 (Animal and vegetable fats and oils ± Sampling). As características constantes da Tabela de Especificação deverão ser determinadas de acordo com a publicação mais recente dos seguintes métodos de ensaio: 2.1. Métodos ABNT MÉTODO TÍTULO NBR 6294 Óleos lubrificantes e aditivos - Determinação de cinza sulfatada NBR 7148 Petróleo e produtos de petróleo - Determinação da massa específica, densidade relativa e ºAPI - Método do densímetro NBR 10441 Produtos de petróleo - Líquidos transparentes e opacos - Determinação da viscosidade cinemática e cálculo da viscosidade dinâmica NBR 14065 Destilados de petróleo e óleos viscosos - Determinação da massa específica e da densidade relativa pelo densímetro digital. NBR 14359 Produtos de petróleo - Determinação da corrosividade - método da lâmina de cobre NBR 14448 Produtos de petróleo - Determinação do índice de acidez pelo método de titulação potenciométrica NBR 14598 Produtos de petróleo - Determinação do Ponto de Fulgor pelo aparelho de vaso fechado Pensky-Martens NBR 14747 Óleo Diesel - Determinação do ponto de entupimento de filtro a frio NBR 15341 Biodiesel - Determinação de glicerina livre em biodiesel de mamona por cromatografia em fase gasosa NBR 15342 Biodiesel - Determinação de monoglicerídeos, diglicerídeos em biodiesel de mamona por cromatografia em fase gasosa NBR 15343 Biodiesel - Determinação da concentração de metanol e/ou etanol por cromatografia gasosa NBR 15344 Biodiesel - Determinação de glicerina total e do teor de triglicerídeos em biodiesel de mamona NBR 15553 Produtos derivados de óleos e gorduras - Ésteres metílicos/etílicos de ácidos graxos - Determinação dos teores de cálcio, magnésio, sódio, fósforo e potássio por espectrometria de emissão ótica com plasma indutivamente acoplado (ICPOES) NBR 15554 Produtos derivados de óleos e gorduras - Ésteres metílicos/etílicos de ácidos graxos - Determinação do teor de sódio por espectrometria de absorção atômica NBR 15555 Produtos derivados de óleos e gorduras - Ésteres metílicos/etílicos de ácidos graxos - Determinação do teor de potássio por espectrometria de absorção atômica NBR 15556 Produtos derivados de óleos e gorduras - Ésteres metílicos/etílicos de ácidos graxos - Determinação de sódio, potássio, magnésio e cálcio por espectrometria de absorção atômica Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso NBR 15586 Produtos de petróleo - Determinação de microrresíduo de carbono NBR 15764 Biodiesel - Determinação do teor total de ésteres por cromatografia em fase gasosa NBR 15771 Biodiesel - Determinação de glicerina livre - Método Volumétrico 2.2. Métodos ASTM MÉTODO TÍTULO ASTM D93 Flash Point by Pensky-Martens Closed Cup Tester ASTM D130 Detection of Copper Corrosion from Petroleum Products by the Copper Strip Tarnish Test ASTM D445 Kinematic Viscosity of Transparent and Opaque Liquids (and the Calculation of Dynamic Viscosity) ASTM D613 Cetane Number of Diesel Fuel Oil ASTM D664 Acid Number of Petroleum Products by Potentiometric Titration ASTM D874 Sulfated Ash from Lubricating Oils and Additives ASTM D1298 Density, Relative Density (Specific Gravity) or API Gravity of Crude Petroleum and Liquid Petroleum Products by Hydrometer ASTM D4052 Density and Relative Density of Liquids by Digital Density Meter ASTM D4530 Determination of Carbon Residue (Micro Method) ASTM D4951 Determination of Additive Elements in Lubricating Oils by Inductively Coupled Plasma Atomic Emission Spectrometry ASTM D5453 Total Sulfur in Light Hydrocarbons, Motor Fuels and Oils by Ultraviolet Fluorescence ASTM D6304 Test Method for Determination of Water in Petroleum Products, Lubricating Oils, and Additives by Coulometric Karl Fisher Titration ASTM D6371 Cold Filter Plugging Point of Diesel and Heating Fuels ASTM D6584 Determination of Free and Total Glycerine in Biodiesel Methyl Esters by Gas Chromatography ASTM D6890 Determination of Ignition Delay and Derived Cetane Number (DCN) of Diesel Fuel Oils by Combustion in a Constant Volume Chamber Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 2.3. Métodos EN/ ISO MÉTODO TÍTULO EN 116 Determination of Cold Filter Plugging Point EN ISO 2160 Petroleum Products ± Corrosiveness to copper ± Copper strip test EN ISO 3104 Petroleum Products ± Transparent and opaque liquids ± Determination of kinematic viscosity and calculation of dynamic viscosity EN ISO 3675 Crude petroleum and liquid petroleum products ± Laboratory determination of density ± Hydrometer method EN ISO 3679 Determination of flash point ± Rapid equilibrium closed cup method EN ISO 3987 Petroleum Products ± Lubricating oils and additives ± Determination of sulfated ash EN ISO 5165 Diesel fuels ± Determination of the ignition quality of diesel fuels ± Cetane engine EN 10370 Petroleum Products ± Determination of carbon residue ± Micro Method EN ISO 12185 Crude petroleum and liquid petroleum products. Oscillating U-tube EN ISO 12662 Liquid Petroleum Products ± Determination of contamination in middle distillates EN ISO 12937 Petroleum Products ± Determination of water ± Coulometric Karl Fischer Titration EN 14103 Fat and oil derivatives ± Fatty acid methyl esters (FAME) ± Determination of ester and linolenic acid methyl ester contents EN 14104 Fat and oil derivatives ± Fatty acid methyl esters (FAME) ± Determination of acid value EN 14105 Fat and oil derivatives ± Fatty acid methyl esters (FAME) ± Determination of free and total glycerol and mono-, di- and triglyceride content ± (Reference Method) EN 14106 Fat and oil derivatives ± Fatty acid methyl esters (FAME) ± Determination of free glycerol content EN 14107 Fat and oil derivatives ± Fatty acid methyl esters (FAME) ± Determination of phosphorous content by inductively coupled plasma (ICP) emission spectrometry EN 14108 Fat and oil derivatives ± Fatty acid methyl esters (FAME) ± Determination of sodium content by atomic absorption spectrometry EN 14109 Fat and oil derivatives ± Fatty acid methyl esters (FAME) ± Determination of potassium content by atomic absorption spectrometry EN 14110 Fat and oil derivatives ± Fatty acid methyl esters (FAME) ± Determination of methanol content EN 14111 Fat and oil derivatives ± Fatty acid methyl esters (FAME) ± Determination of iodine value EN 14112 Fat and oil derivatives ± Fatty acid methyl esters (FAME) ± Determination of oxidation stability (accelerated oxidation test) Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso EN 14538 Fat and oil derivatives ± Fatty acid methyl esters (FAME) ± Determination of Ca, K, Mg and Na content by optical emission spectral analysis with inductively coupled plasma (ICP-OES) EN ISO 20846 Petroleum Products ± Determination of low sulfur content ± Ultraviolet fluorescence method EN ISO 20884 Petroleum Products ± Determination of sulfur content of automotive fuels ± Wavelength- dispersive X-ray fluorescence spectrometry Tabela I: Especificação do Biodiesel CARACTERÍSTICA Aspecto UNIDADE LIMITE - LII (1) MÉTODO ABNT NBR ASTM D EN/ISO - - - Massa específica a 20°C kg/m³ 850-900 7148 14065 1298 4052 EN ISO 3675 EN ISO 12185 Viscosidade cinemática a 40°C Mm²/s 3,0-6,0 10441 445 EN ISO 3104 Teor de água, máx. (2) mg/kg 500 - 6304 EN ISO 12937 Contaminação total, máx. mg/kg 24 - - EN ISO 12662 Ponto de fulgor, mín. (3) °C 100,0 14598 93 EN ISO 3679 Teor de éster, mín. % massa 96,5 15764 - EN 14103 Resíduo de carbono (4) % massa 0,050 15586 4530 - Cinzas sulfatadas, máx. % massa 0,020 6294 874 EN ISO 3987 5453 EN ISO 20846 EN ISO 20884 Enxofre total, máx. mg/kg 50 - - EN 14108 EN 14109 EN 14538 - EN 14538 Sódio + Potássio, máx. mg/kg 5 15554 15555 15553 15556 Cálcio + Magnésio, máx. mg/kg 5 15553 15556 Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso mg/kg 10 15553 4951 EN 14107 Corrosividade ao cobre, 3h a 50°C, máx. - 1 14359 130 EN ISO 2160 Número de cetano (5) - Anotar - 613 6890 (6) EN ISO 5165 Ponto de entupimento de filtro a frio, máx. °C 19 (7) 14747 6371 EN 116 0,50 14448 - 664 - EN 14104 (8) Fósforo, máx. Índice de acidez, máx. Glicerol livre, máx. Glicerol total, máx. mg KOH/g % massa % massa 0,02 15341 15771 - 6584 (8) - EN 14105 (8) EN 14106 (8) 0,25 15344 - 6584 (8) - EN 14105 (10) Mono-, di-, triacilglicerol (5) % massa Anotar 15342 15344 6584 (8) EN 14105 (8) Metanol ou etanol, máx. % massa 0,20 15343 - EN 14110 Índice de iodo (5) g/100g Anotar - - EN 14111 Estabilidade à oxidação a 110°C, mín. (2) h 6 - - EN 14112 (8) Nota: (1) Límpido e isento de impurezas com anotação da temperatura de ensaio. (2) O limite indicado deve ser atendido na certificação do biodiesel pelo produtor ou importador. (3) Quando a análise de ponto de fulgor resultar em valor superior a 130°C, fica dispensada a análise de teor de metanol ou etanol. (4) O resíduo deve ser avaliado em 100% da amostra. (5) Estas características devem ser analisadas em conjunto com as demais constantes da tabela de especificação a cada trimestre civil. Os resultados devem ser enviados pelo produtor de biodiesel à ANP, tomando uma amostra do biodiesel comercializado no trimestre e, em caso de neste período haver mudança de tipo de matéria-prima, o produtor deverá analisar número de amostras correspondente ao número de tipos de matérias-primas utilizadas. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso (6) Poderá ser utilizado como método alternativo o método ASTM D6890 para número de cetano. (7) O limite máximo de 19°C é válido para as regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Bahia, devendo ser anotado para as demais regiões. O biodiesel poderá ser entregue com temperaturas superiores ao limite supramencionado, caso haja acordo entre as partes envolvidas. Os métodos de análise indicados não podem ser empregados para biodiesel oriundo apenas de mamona. (8) Os métodos referenciados demandam validação para as matérias-primas não previstas no método e rota de produção etílica. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso 195 Anexos ANEXO II Resolução ANP N° 31, de 21 de outubro de 2008, que estabelece os requisitos para cadastramento de laboratórios e instituições interessados em realizar ensaios em biodiesel, destinado à comercialização no território nacional. Caracterização de Resíduo Sólido Formado em Biodiesel de Sebo Bovino ± Paulo Roberto Pivesso AGÊNCIA NACIONAL DO PETRÓLEO, GÁS NATURAL E BIOCOMBUSTÍVEIS RESOLUÇÃO ANP Nº 31, DE 21.10.2008 - DOU 22.10.2008 O DIRETOR-GERAL da AGÊNCIA NACIONAL DO PETRÓLEO, GÁS NATURAL E BIOCOMBUSTÍVEIS - ANP, no uso de suas atribuições, considerando o disposto no inciso I, art. 8º da Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997, alterada pela Lei nº 11.097, de 13 de janeiro de 2005 e com base na Resolução de Diretoria nº 759, de 14 de outubro de 2008, Considerando o disposto na Lei nº 11.097, de 13.01.2005, que introduz o biodiesel na matriz energética brasileira; Considerando que, nos termos do art. 8º, XVIII, da Lei nº 9.478/1997, todo biodiesel comercializado no país deve atender à especificação estabelecida em regulamentação vigente da ANP; Considerando que a Resolução ANP nº 7 de 19.03.2008, determina que os laboratórios que realizam ensaios físico-químicos para emissão do Certificado da Qualidade de biodiesel deverão ser cadastrados junto à ANP; Considerando a necessidade de se conferir maior confiabilidade aos resultados dos ensaios físico-químicos, bem como, divulgar ao mercado os laboratórios e as instituições aptos a realizar ensaios em biodiesel; e Considerando a necessidade de estabelecer regras e procedimentos claros para o cadastramento dos laboratórios e instituições interessados, resolve: Art. 1º Ficam estabelecidos requisitos para cadastramento de laboratórios e instituições interessados em realizar ensaios em biodiesel, destinado à comercialização no território nacional. Art. 2º Os laboratórios ou instituições interessados em cadastrar-se junto à ANP deverão comprovar, por meio de documentação, o atendimento aos seguintes requisitos: I - dispor de todos os equipamentos, padrões e reagentes exigidos pelas normas previstas na especificação vigente, para os ensaios pretendidos. II - possuir um plano de calibração dos equipamentos que podem afetar a exatidão ou incerteza dos resultados, considerando as instruções dos fabricantes dos equipamentos, bem como das normas de ensaio utilizadas. III - dispor de material de consumo e reagentes necessários aos ensaios com pureza adequada e dentro dos prazos de validade. IV - apresentar condições ambientais que não invalidem os resultados ou afetem, adversamente, a qualidade requerida de qualquer medição. V - dispor ou ter acesso às normas e, quando aplicável, aos seus respectivos documentos de referência, nas suas últimas versões. VI - comprovar que o laboratório contratado possui registro no Conselho Regional de Química de sua região. VII - comprovar que todos os analistas, responsáveis pelos ensaios pretendidos, são capacitados para tal e possuem o devido registro no órgão de classe. VIII - dispor de procedimentos escritos e sistema de controle de revisão dos mesmos, com os devidos registros, e divulgação ao pessoal diretamente envolvido com sua execução. IX - dispor de procedimento que garanta a rastreabilidade entre as amostras recebidas e os respectivos Boletins de Análise. § 1º A capacitação prevista no inciso VII deste artigo será aferida pela apresentação de certificados de treinamentos (internos ou externos) nos ensaios pretendidos para o cadastro. § 2º No caso de haver armazenamento de amostras, deverão ser observadas as condições de armazenamento que não alterem as características físico-químicas do produto e, quando aplicável, deverão ser atendidos os requisitos de armazenamento das normas de ensaios. § 3º Quando o laboratório também for responsável pela amostragem, deverá possuir procedimento documentado de tal atividade. § 4º Todos os requisitos estabelecidos neste artigo deverão ser comprovados quando da realização de vistoria técnica pela ANP. § 5º Durante a vistoria técnica, serão avaliadas as condições e locais de instalação dos equipamentos utilizados nos ensaios, para fins de emissão do Boletim de Análise. Art. 3º A solicitação de cadastro deverá ser feita por meio do preenchimento e envio à ANP do formulário anexo à presente Resolução, acompanhado da documentação requerida no art. 2º. Art. 4º O laboratório deverá indicar, junto à ANP, um representante técnico, bem como seu substituto. § 1º O representante, ou seu substituto, responderá pelos resultados dos ensaios físicoquímicos, devendo ser capaz de demonstrar conhecimentos técnicos sobre os procedimentos realizados no laboratório. § 2º Os dados do representante, e de seu substituto, deverão ser informados à ANP por meio do formulário ANEXO à presente Resolução. Art. 5º O Boletim de Análise emitido pelo laboratório ou instituição cadastrada deverá apresentar o nome, número de inscrição no órgão de classe e assinatura do responsável, designado para tal, e diretamente envolvido com a realização dos ensaios. Parágrafo único. O Boletim de Análise, quando emitido eletronicamente, deverá ser assinado digitalmente por um Certificado Digital ICP-Brasil válido, de titularidade do responsável. Art. 6º Os ensaios deverão ser realizados estritamente conforme as normas previstas na especificação vigente. Parágrafo único. Os procedimentos previstos no inciso VIII do art. 2º da presente Resolução não deverão ser distintos ou contrários a essas normas. Art. 7º O Boletim de Análise deverá ter controle de numeração e arquivamento. Art. 8º A ANP realizará vistoria no laboratório ou instituição requerente do cadastro para confirmação das informações prestadas por meio do Formulário de Solicitação e Alteração de Cadastro para Laboratório e Instituições que Analisam Biodiesel, constante no ANEXO e da documentação encaminhada. § 1º A data para a realização da vistoria prevista no caput será previamente acordada entre representantes da ANP e dos laboratórios ou instituições interessados e, posteriormente, confirmada por meio de Ofício expedido pela ANP. § 2º Qualquer alteração na data agendada para a vistoria, quando a pedido do laboratório ou instituição interessada, deverá ser solicitada por escrito, no mínimo, 5 (cinco) dias antes da data acordada. § 3º Quando da vistoria, deverão estar presentes o representante técnico indicado, nos termos do art. 4º, ou na sua falta o seu substituto, além de analistas capazes de realizar todos os ensaios constantes do formulário de cadastro. § 4º Durante a vistoria, poderá ser solicitado que uma amostra de biodiesel, escolhida pelo representante da ANP, seja analisada em sua presença com o objetivo de averiguar o atendimento aos requisitos constantes da presente Resolução. § 5º A conclusão da vistoria não implica a aprovação do cadastro. Art. 9º A ANP informará por meio de Oficio, no prazo máximo de 45 (quarenta e cinco) dias após a realização da vistoria, o resultado do processo de cadastramento e habilitação que poderá ser: Aprovado, Aprovado com observações ou Reprovado. § 1º O laboratório poderá ser aprovado para um número de ensaios inferior ao indicado no Formulário de Solicitação e Alteração de Cadastro para Laboratório e Instituições que Analisam Biodiesel. § 2º O laboratório, ou instituição, aprovado com observações, somente será considerado habilitado a realizar os ensaios nos quais foi avaliado pela ANP após o atendimento às pendências verificadas quando da vistoria técnica, sendo a habilitação conferida por meio de Ofício. § 3º Caso o laboratório ou instituição vistoriado seja reprovado, os motivos da reprovação serão detalhados, sendo possível nova requisição de cadastramento, a partir de 60 dias da data de recebimento do Ofício mencionado no caput deste artigo. § 4º Laboratórios aprovados para um número inferior de ensaios àqueles constantes da solicitação de cadastro, poderão submeter-se às mesmas regras previstas no parágrafo anterior. § 5º No caso de novo pedido, poderão ser suprimidas etapas do processo de cadastramento, cuja avaliação pela ANP na primeira vistoria tenha sido favorável. § 6º Após vistoria, persistindo os motivos da reprovação, um novo pedido de cadastramento somente será aceito a partir de 1 (um) ano da data de recebimento do Ofício mencionado no caput deste artigo. Art. 10. A ANP divulgará em seu sítio na Internet a lista de laboratórios cadastrados e respectivos ensaios habilitados, bem como informações de contato. Parágrafo único. Ensaios que não tenham sido incluídos no cadastro, não terão valor para emissão do Certificado da Qualidade, definido na Resolução ANP nº 7/2008. Art. 11. O cadastro junto à ANP terá validade de 12 (doze) meses. § 1º Os laboratórios e instituições que desejarem renovar seus cadastros deverão solicitá-lo, por meio do preenchimento e envio do formulário constante no ANEXO, no prazo de 60 dias antes do fim da validade prevista no caput deste artigo. § 2º Os requisitos de renovação do cadastramento são os mesmos previstos para o primeiro cadastramento. § 3º A ANP poderá suprimir algumas das etapas atendidas quando do primeiro cadastramento. Art. 12. A solicitação de alteração de qualquer dado cadastral, inclusive para inclusão de novas metodologias e/ou ensaios, deverá ser realizada por meio do preenchimento e envio do formulário de cadastro, constante no ANEXO. Parágrafo único. O pedido de inclusão de novos ensaios somente poderá ser feito 6 meses após a data da concessão do primeiro cadastramento ou da última renovação. Art. 13. A ANP não se responsabilizará pelos custos que os laboratórios ou instituições interessados venham a ter com o processo de cadastramento, inclusive com a realização dos ensaios previstos no art. 8º, § 4º da presente Resolução. Art. 14. A ANP poderá, a qualquer tempo, submeter os laboratórios e instituições cadastrados à inspeção técnica de qualidade, a ser executada por seu corpo técnico ou por entidades credenciadas pelo INMETRO, sobre os procedimentos e equipamentos de medição que tenham impacto sobre a qualidade e a confiabilidade dos serviços de que trata esta Resolução. Art. 15. A ANP poderá cancelar o cadastro ou habilitação de ensaio de qualquer laboratório ou instituição, caso seja comprovado o não atendimento às disposições previstas na presente Resolução, assegurados a ampla defesa e o contraditório. Art. 16. O não atendimento ao estabelecido na presente Resolução sujeita os infratores às sanções administrativas previstas na Lei nº 9.847, de 26 de outubro de 1999, alterada pela Lei nº 11.097, de 13 de janeiro de 2005, e no Decreto nº 2.953, de 28 de janeiro de 1999, sem prejuízo das penalidades de natureza civil e penal. Art. 17. Os casos não contemplados nesta Resolução serão analisados pela Diretoria da ANP. Art. 18. A ANP exigirá, a partir de 2013, que os laboratórios e instituições que realizam ensaios de Certificação de Biodiesel sejam Acreditados, de acordo com a norma NBR ISO IEC 17025. Art. 19. Fica concedido o prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias, a contar da data de publicação da presente Resolução, para atendimento às novas disposições. Art. 20. Fica alterado o art. 4º, § 4º da Resolução ANP nº 7 de 19 de março de 2008, que passará a ter a seguinte redação: ³$UW § 4º As análises constantes do Certificado da Qualidade só poderão ser realizadas em laboratório próprio do produtor ou contratado, os quais deverão ser cadastrados pela ANP FRQIRUPH5HVROXomRQGHGHRXWXEURGH´ Art. 21. Fica revogado o art. 4º, § 5º da Resolução ANP nº 7 de 19 de março de 2008. Art. 22. Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. HAROLDO BORGES RODRIGUES LIMA ANEXO A FORMULÁRIO DE SOLICITAÇÃO, ALTERAÇÃO E RENOVAÇÃO DE CADASTRO PARA LABORATÓRIOS E INSTITUIÇÕES QUE ANALISAM BIODIESEL Cadastramento Alteração de Cadastro Renovação de Cadastro Nº do Cadastro Identificação do laboratório Nome da empresa (firma, razão social ou denominação) Título do Laboratório (nome fantasia) Endereço do laboratório Logradouro (rua, avenida, etc.) Número Bairro/Distrito CEP Município UF Inscrição estadual Inscrição CNPJ Complemento Identificação do representante do laboratório junto à ANP Nome Nº de inscrição no órgão de classe Telefone: Fax Nome do substituto Nº de inscrição no órgão de classe Telefone: Fax Endereço de e-mail sim não Endereço de e-mail Dados de qualidade gerais O laboratório dispõe de Acreditação em Sistema da Qualidade? Qual(is) é(são) o(s) sistema(s)? (Informar órgão Acreditador) Em caso de Acreditação pela NBR ISO/EN 17025, informar quais ensaios fazem parte do escopo Dados dos ensaios a serem cadastrados Ensaio Método(s) (ABNT, ASTM, etc.) ANEXOS (Anexar cópias da documentação prevista no art. 2º e comprovantes de Acreditação, caso existam) _______________________________ Assinatura do representante Nome Cargo Este formulário, devidamente preenchido, deverá ser enviado para o endereço: Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis SGAN 603, Módulo H CEP 70830-902 ± Brasília/DF