1 UNESP Faculdade de Engenharia do Campus de Guaratinguetá Guaratinguetá 2012 LUIZ FÁBIO DOS SANTOS VIEIRA “COMPORTAMENTO MECÂNICO DO AÇO AISI 4340 REVESTIDO COM WC-CrC-Ni; WC-10Ni; Ni-20Cr; Ni-Cr-B-Si-Fe; Cr3C2NiCr PELO PROCESSO HVOF”. Tese apresentada à Faculdade de Engenharia do Campus de Guaratinguetá, Universidade Estadual Paulista, para a obtenção do título de Doutor em Engenharia Mecânica na área de Materiais. Orientador: Prof. Dr. Herman Jacobus Cornelis Voorwald Coorientador: Profa. Dra. Maria Odila Hilário Cioffi Guaratinguetá, 03 de Fevereiro de 2012. V658c Vieira, Luiz Fábio dos Santos Comportamento mecânico do aço AISI 4340 revestido com WC-CrCNi; WC-10Ni; Ni-20Cr; Ni-Cr-B-Si-Fe; Cr3C2-NiCr pelo processo HVOF / Luiz Fábio dos Santos Vieira - Guaratinguetá : [s.n.], 2012. 164 f. : il. Bibliografia: f. 157-164 Tese (doutorado) – Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Engenharia de Guaratinguetá, 2012. Orientador: Prof. Dr Herman Jacobus Cornelis Voorwald Coorientadora: Profª Drª Maria Odila Hilário Cioffi 1. Fadiga 2. Cromo I. Título CDU 620.178.3(043) DADOS CURRICULARES LUIZ FÁBIO DOS SANTOS VIEIRA NASCIMENTO 04.07.1965 – GUARATINGUETÁ / SP FILIAÇÃO Francisco Vieira Paula Ribeiro dos Santos Vieira 1981/1985 Curso de Graduação em Engenharia Mecânica Faculdade de Engenharia do Campus de Guaratinguetá da Universidade Estadual Paulista. 1988/2002 Curso de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica, nível de Mestrado, na Faculdade de Engenharia do Campus de Guaratinguetá da Universidade Estadual Paulista. Curso de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica, nível de Doutorado, na Faculdade de Engenharia do Campus de Guaratinguetá da Universidade Estadual Paulista. 2008 / 2012 Ao meu pai Francisco, inspiração e exemplo de luta e dedicação; aos meus queridos filhos, Luiz Henrique, Luiz Guilherme, Ana Luiza e Luiz Gabriel, pelo apoio e compreensão; a minha querida esposa Ana Paula, pelo amor, incentivo e compreensão. A Deus e minha mãe Paula, saudades! AGRADECIMENTOS Eu agradeço a Deus pela sua graça, proteção, minha vida, inteligência, saúde e força, e por todas as pessoas que colocou ao meu lado; ao meu orientador e guia Herman Jacobus Cornelis Voorwald, que me inspirou, ensinou e motivou desde os tempos do colégio a amar e viver a pesquisa científica, a trabalhar em equipe, e buscar o mais alto grau do conhecimento; à orientadora Maria Odila Hilário Cioffi, pelo exemplo de dedicação e motivação, sempre atenciosa e com uma palavra de incentivo e amizade; à minha querida família, pelo apoio, inspiração e incentivo; ao COO da Behr Brasil Fernando de Campos, pelo seu incentivo, disponibilização de horas de trabalho, inspiração e motivação a buscar sempre a melhoria contínua em todos os aspectos da vida; a Midori Yoshikawa Pitanga Costa, pela ajuda, amizade, incentivo, paciência e exemplo de parceria e dedicação às pessoas, estudo, família, enfim à vida; aos meus amigos, do Grupo de Materiais Aeronáuticos da Faculdade de Engenharia de Guaratinguetá, muito obrigado; aos alunos colaboradores deste trabalho, Rafael Bonora, Gilson Junior, Pedro Oliveira, Felipe Gonçalves, Renan Tavares, Felipe Barros, desejo muito sucesso e prosperidade no caminhar profissional; ao técnico do Departamento de Materiais e Tecnologia – FEG/UNESP - Manoel Francisco dos Santos Filho, pelo apoio e dedicação, principalmente em inúmeros finais de semana, nos diversos testes e ensaios do trabalho; ao INPE, na pessoa de Maria Lucia Brison de Mattos, pelas microscopias eletrônicas de varredura, e por todo aprendizado adquirido, graças a sua disponibilidade e dedicação; à ELEB, ao Engenheiro Sandro Diniz de Oliveira; aos amigos Marcos Dantas, Marcos Azevedo e Regiane Chagas da Behr, pela ajuda, incentivo e a realização dos ensaios de corrosão em névoa salina; à FAPESP, pelo apoio financeiro deste trabalho. Este trabalho contou com apoio da FAPESP: Projeto de auxílio pesquisa FAPESP n° 2006/03570-9 intitulado: “Comportamento em fadiga do aço AISI 4340 revestido com WC-10Ni, Ni-Cr-B-SiFe, Ni-20Cr, Cr3C2-Nicr e WC-CrC-Ni pelo processo HVOF”. “Grande é o Senhor sumamente louvável, Insondável é a sua grandeza. Cada geração apregoa à outra as vossas obras, E proclama o vosso poder. Elas falam do brilho esplendoroso de vossa majestade, E publicam as vossas maravilhas” SL 144 / v3 a 6 VIEIRA, L.F.S. “Comportamento mecânico do aço AISI 4340 com 50 HRc revestido com WC-CrC-Ni; WC-10Ni; Ni-20Cr; Ni-Cr-B-Si-Fe; Cr3C2-NiCr; aplicados pelo processo HVOF” Tese (Doutorado em Engenharia Mecânica) – Faculdade de Engenharia de Guaratinguetá, Universidade Estadual Paulista, Guaratinguetá, 2012. RESUMO O aço AISI 4340 tem sido utilizado largamente devido as suas propriedades físicas, químicas, mecânicas e resistência à fadiga, atendendo ao rigoroso e crescente aumento das exigências para aplicações na engenharia. Revestimentos superficiais são aplicados objetivando proteção contra corrosão e desgaste, por exemplo, a eletrodeposição de Cromo, pois apresenta resistência à corrosão, alta dureza, resistência ao desgaste abrasivo e adesivo, soldabilidade e baixo coeficiente de atrito. Por outro lado, microtrincas derivadas da camada de Cromo diminuem a resistência à fadiga, com isso o componente é submetido ao tratamento superficial para deformação plástica, shot peening, criando tensões residuais compressivas na superfície, que retardam ou eliminam a propagação de trincas, tendendo a aumentar sua vida em fadiga. Entretanto, durante o processo de deposição do Cromo duro é liberada uma substância cancerígena, o Cromo hexavalente. Por essa razão, estuda-se a substituição do Cromo por outros revestimentos que apresentem propriedades mecânicas similares, mas que não tenham restrições ambientais. O processo HVOF (High-Velocity-Oxigen-Fuel) para deposição de revestimentos alternativos, como carbeto de tungstênio, é considerado uma técnica promissora, pois fornece alta dureza e boa resistência ao desgaste e uma menor redução da resistência à fadiga do substrato quando comparado à redução fornecida pelo revestimento de Cromo duro aplicado ao aço AISI 4340. Portanto, o objetivo deste estudo é avaliar o comportamento mecânico do aço AISI 4340 com alta resistência mecânica (50 HRC), revestido com WC-CrC-Ni, WC-10Ni, Ni-20Cr, Ni-Cr-B-SiFe, e Cr3C2-NiCr, depositados através do processo HVOF; revestimentos alternativos à camada de Cromo duro. Os dados de fadiga axial são representados por curvas ı x N e a análise de fraturas são realizadas utilizando a técnica de microscopia eletrônica de varredura. Análise de tensões residuais, testes de corrosão e desgastes são utilizados para completar o estudo. Ocorre redução da resistência à fadiga do aço AISI 4340 para todos os recobrimentos (máx. 20%) a base do processo HVOF, porém menos significativa que a influência do Cromo duro (-57%) em 106 ciclos. Os tratamentos com Cr3C2NiCr e Ni-20 Cr pelo processo HVOF são tratamentos alternativos para a proteção do aço AISI 4340 com 50 HRc. PALAVRAS-CHAVE: Aço AISI 4340, HVOF, Cromo, Shot peening, Tensão residual, Fadiga. VIEIRA, L.F.S. Evaluation of Mechanical characteristics of AISI 4340 steel 50 HRc covered by WC-CrC-Ni; WC-10Ni; Ni-20Cr; Ni-Cr-B-Si-Fe; Cr3C2-NiCr; HVOF process “- Thesis (Doctorate in Mechanical Engineering) - Faculdade de Engenharia de Guaratinguetá, Universidade Estadual Paulista, Guaratinguetá, 2012”. ABSTRACT AISI 4340 steel is being used in the aeronautical industry because its good physical, chemical, mechanical and fatigue properties. Chromium coatings are used in applications to guarantee protection against wear and corrosion, combined with chemical resistance and good lubricity. The reduction in the fatigue strength of base material and since this technology presents detrimental environmental and health effects, resulted in the search on coatings viewed as being capable of replacing hard chrome plating. Thermally sprayed HVOF coatings are being considered to replace galvanic chromium deposits in industrial applications with comparable performance for wear and corrosion resistance. With respect to fatigue life, the HVOF technique induces tensile residual stress on the interface. In this case, the initiation and propagation phases of fatigue process are accelerated because the coating; on the other hand, compressive residual stresses close to the surface increases fatigue life. The technique to improve the coated materials fatigue strength is the shot peening process, which induces compressive residual stress in the surface, which delay nucleation and propagation process In the present research is verified the influence of WC-CrC-Ni; WC-10Ni; Ni-20Cr; Ni-Cr-B-Si-Fe; Cr3C2-NiCr HVOF process, coated high strength AISI 4340 with and without shot peening on the axial fatigue strength, in comparison with EHC. Corrosion resistance is also conducted by salt spray tests. S-N curves are obtained in axial fatigue tests. In order to study the influence of residual stresses on fatigue life, the stress field is measured by X-ray tensometry. Scanning electron microscopy and optical metallographic are used to investigate the fatigue source appearance. Experimental data show lower axial fatigue resistance for HVOF coated specimens in comparison to base material. Significant reduction in the fatigue strength of AISI 4340 steel associated with Electroplated Hard Chromium. Shot peening is an alternative to increase fatigue strength of AISI 4340 steel. Wear resistance is investigated too. There is a reduction of fatigue strength of AISI 4340 for all HVOF coatings (max. 20%), but less significant than the influence of electrolytic hard chromium (-57%) in 106 cycles. Treatments with Cr3C2-NiCr and Ni-20 Cr by the HVOF process are alternative treatments for the protection of AISI 4340 steel with 50 HRc. KEYWORDS: HVOF process, Shot peening, Residual stress; AISI 4340 Steel; Fatigue, Chromium. LISTA DE FIGURAS FIGURA 2.1 – Efeito do shot peening na superfície metálica. ................................ 27 FIGURA 2.2 – Equipamento para determinação do parâmetro Almen .................. 28 FIGURA 2.3 – Microtrincas na superfície do recobrimento de Cromo duro ......... 31 FIGURA 2.4 – Sistema de aspersão térmica por HVOF .......................................... 32 FIGURA 2.5 – Formação da camada durante a aspersão térmica............................ 33 FIGURA 2.6 – Carregamento cíclico com amplitude constante .............................. 41 FIGURA 2.7 – Curva S-N - Influência do Cromo eletrodepositado na resistência à fadiga em flexão rotativa do aço AISI 4340: R = 1.0 .......................................... 42 FIGURA 2.8 – Aspecto macroscópico de uma superfície de fratura por fadiga .... 46 FIGURA 2.9 – Influência do carregamento na geometria dos escorregamentos na superfície do material ............................................................................................... 47 FIGURA 2.10 – Representação esquemática da propagação de uma trinca por fadiga em metais policristalinos .............................................................................. 48 FIGURA 2.11 – Fractografia da estria de fadiga na liga de alumínio forjado ......... 49 Figura 2.12 – Representação fraturas de fadiga do ponto de vista microscópico .... 50 FIGURA 2.13 – Processo de transferência de metal devido à adesão ..................... 52 FIGURA 2.14 – Desgaste abrasivo .......................................................................... 53 FIGURA 2.15 – Balanço entre desgaste corrosivo e oxidativo ............................... 54 FIGURA 3.1 – Representação esquemática dos tratamentos térmicos de têmpera e revenimento para obter-se dureza de 49 HRc a 53 HRc .......................................... 55 FIGURA 3.2 – Instron 8801 ..................................................................................... 58 FIGURA 3.3 – Corpo de prova de tração ................................................................. 59 FIGURA 3.4 – Microdurômetro ............................................................................... 60 FIGURA 3.5 – Equipamento portátil para analise de tensões residuais .................. 61 FIGURA 3.6 – Corpo de prova de fadiga axial ........................................................ 62 FIGURA 3.7 – Equipamento para ensaios tribológicos ........................................... 64 FIGURA 3.8 – Corpos de prova para o ensaio pino-disco ....................................... 64 FIGURA 3.9 – Equipamento para ensaio de corrosão em névoa salina .................. 65 FIGURA 4.3.1 – Microestrutura do aço 4340 temperado e revenido 500x ............. 67 FIGURA 4.3.2 – Microestrutura do aço 4340 temperado e revenido 1.000x .......... 67 FIGURA 4.4.1– Distribuição das tensões em relação à profundidade MB e MB + SP ........................................................................................................ 69 FIGURA 4.4.2 – Perfil de microdureza do metal base. 100g .................................. 70 FIGURA 4.4.3a – Superfície de fratura corpo de prova submetido à fadiga axial .. 71 FIGURA 4.4.3b – Apresenta a origem da propagação de trinca originada em inclusão sub-superficial ............................................................................................ 71 FIGURA 4.4.4 – Apresenta a origem da frente de propagação de trinca ................ 71 FIGURA 4.4.5 – Apresenta a análise de EDS na inclusão sub-superficial .............. 72 FIGURA 4.4.6 – Apresenta a microestrutura na região oposta ao início da Propagação da trinca – ver dimples e microporos .................................................... 73 FIGURA 4.4.7a – Superfície fratura do corpo de prova submetido à fadiga axial .. 74 FIGURA 4.4.7b – Apresenta a origem da propagação de trinca originada em Inclusão sub-superficial ............................................................................................ 74 FIGURA 4.4.8 – Apresenta a origem da propagação de trinca originada em inclusão sub-superficial ............................................................................................ 74 FIGURA 4.5.1 – Perfil de Tensões residuais na superfície do metal base .............. 77 FIGURA 4.5.2 – Perfil microdureza aço AISI 4340 revestido com Cromo duro .... 78 FIGURA 4.5.3a – Superfície de fraturado corpo de prova submetido à fadiga axial - Metal base com shot peening + Cromo duro ......................................................... 79 FIGURA 4.5.3b – Apresenta o início da frente de propagação de trinca – Metal base com shot peening + Cromo duro ............................................................ 79 FIGURA 4.5.4 – Apresenta o início da frente de propagação de trinca com maior aumento - Metal base com shot peening + Cromo duro.......................................... 79 FIGURA 4.5.5 – Apresenta o início da frente de propagação de trinca – Metal base com shot peening + Cromo duro ............................................................ 80 FIGURA 4.5.6 –Apresenta as microtrincas na camada de cromo – Metal base com shot peening + Cromo duro ............................................................ 80 FIGURA 4.6.1A – Curva SxN para o aço AISI 4340 revestido com WC-CrC-Ni .. 82 Figura 4.6.1B – Análise da perda em fadiga por número de ciclos. ........................ 82 FIGURA 4.6.2 – Distribuição das tensões em relação à profundidade WC-CrC-Ni e SP WC-CrC-Ni ................................................................................. 85 FIGURA 4.6.3 – Perfil microdureza aço AISI 4340 revestido com WC-CrC-Ni ... 86 FIGURA 4.6.4 – Apresenta o início da frente de propagação da trinca -Tensão de 950 MPa - Metal base sem shot peening + WC-CrC-Ni .......................................... 88 FIGURA 4.6.5 – Apresenta o início da frente de propagação da trinca – Tensão de 950 MPa - Metal base sem shot peening + WC-CrC-Ni ........................ 88 FIGURA 4.6.6 – Apresenta o início da frente de propagação da trinca – Tensão de 950 MPa - Metal base sem shot peening + WC-CrC-Ni ........................ 89 FIGURA 4.6.7 – Apresenta o início da frente de propagação da trinca – Tensão de 950 MPa - Metal base com shot peening + WC-CrC-Ni ....................... 90 FIGURA 4.6.8 – Apresenta o início da frente de propagação da trinca. – Tensão de 950 MPa – Metal base com shot peening + WC-CrC-Ni ....................... 91 FIGURA 4.6.9 – Apresenta o início da segunda frente de propagação da trinca. Tensão de 950 MPa. Metal base com shot peening + WC-CrC-Ni. ........................ 91 FIGURA 4.7.1A – Curva SxN para o aço AISI 4340 revestido com WC-10Ni ...... 93 FIGURA 4.7.1B – Distribuição das tensões em relação à profundidade ................ 93 FIGURA 4.7.2 – Distribuição das tensões em relação à profundidade – WC-10Ni e SP + WC-10Ni ...................................................................................... 96 FIGURA 4.7.3 – Perfil de microdureza aço AISI 4340 revestido com WC-10Ni ... 97 FIGURA 4.7.4a – Superfície de fraturado corpo de prova submetido à fadiga axial. -Tensão de 950 MPa – Metal base sem shot peening + WC-10Ni ................. 98 FIGURA 4.7.4b – Apresenta o início da propagação de trinca. - Tensão de 950 MPa - Metal base sem shot peening + WC-10Ni .............................................. 98 FIGURA 4.7.5 – Apresenta o início da propagação de trinca. -Tensão de 950 MPa.Metal base sem shot peening + WC-10Ni ................................................................ 99 FIGURA 4.7.6a – Superfície de fraturado corpo de prova submetido à fadiga axial. Tensão de 950 MPa – Metal base com shot peening + WC-10Ni ........................... 100 FIGURA 4.7.6b – Superfície de fraturado corpo de prova submetido à fadiga axial. Tensão de 950 MPa – Metal base com shot peening + WC-10Ni ........................... 100 FIGURA 4.7.7 – Apresenta o início da propagação de trinca. - Tensão de 950 MPa – Metal base com shot peening + WC-10Ni ............................................. 100 FIGURA 4.7.8 – Apresenta o início da segunda frente de propagação da trinca. Tensão de 950 MPa - Metal base com shot peening + WC-10Ni ............................ 100 FIGURA 4.8.1A – Curva SxN para o aço AISI 4340 revestido com Ni-20Cr ........ 102 FIGURA 4.8.1B – Distribuição das tensões em relação à profundidade ................ 102 FIGURA 4.8.2 – Distribuição das tensões em relação à profundidade – Ni-20Cr e SP+ Ni-20Cr ........................................................................................... 105 FIGURA 4.8.3 – Perfil microdureza aço AISI 4340 revestido com Ni-20Cr .......... 106 FIGURA 4.8.4a – Superfície de fraturado corpo de prova submetido à fadiga axial. - Tensão de 1.200 MPa – Metal base sem shot peening + Ni-20Cr ............... 107 FIGURA 4.8.4b – Superfície de fraturado corpo de prova submetido à fadiga axial. - Tensão de 1.200 MPa – Metal base sem shot peening + Ni-20Cr ............... 107 FIGURA 4.8.5 – Apresenta a microestrutura na interface substrato e recobrimento. 160 micros - Tensão de 1.200 MPa. - Metal base sem shot peening + Ni-20Cr ..... 108 FIGURA 4.8.6a – Superfície de fraturado corpo de prova submetido à fadiga axial. -Tensão de 950 MPa – Metal base com shot peening + Ni-20Cr ................... 109 FIGURA 4.8.6b – Superfície de fraturado corpo de prova submetido à fadiga axial. - Tensão de 950 MPa – Metal base com shot peening + Ni-20Cr .................. 109 FIGURA 4.8.7 – Apresenta o início da frente de propagação da trinca. Tensão de 950 MPa - Metal base com shot peening + Ni-20Cr .............................. 109 FIGURA 4.9.1A – Curva SxN aço AISI 4340 revestido com Ni-Cr-B-Si-Fe ......... 111 FIGURA 4.9.1B – Distribuição das tensões em relação à profundidade ................ 111 FIGURA 4.9.2 – Distribuição das tensões em relação à profundidade – Ni-Cr-B-Si-Fe e SP + Ni-Cr-B-Si-Fe ...................................................................... 114 FIGURA 4.9.3 – Perfil de microdureza aço AISI 4340 com Ni-Cr-B-Si-Fe ........... 115 FIGURA 4.9.4a – Superfície de fraturado corpo de prova submetido à fadiga axial. Tensão de 700 MPa – Metal base sem shot peening + Ni-Cr-B-Si-Fe .................... 117 FIGURA 4.9.4b – Superfície de fraturado corpo de prova submetido à fadiga axial. Tensão de 700 MPa – Metal base sem shot peening + Ni-Cr-B-Si-Fe .................... 117 FIGURA 4.9.5 – Apresenta o início da frente de propagação da trinca. - Tensão de 700 MP - Metal base sem shot peening + Ni-Cr-B-Si-Fe ........................................ 117 FIGURA 4.9.6 – Apresenta o início da segunda frente de propagação da trinca. Tensão de 700 MPa - Metal base sem shot peening + Ni-Cr-B-Si-Fe ..................... 118 FIGURA 4.9.7a – Superfície de fraturado corpo de prova submetido à fadiga axial. -Tensão de 950 MPa – Metal base com shot peening + Ni-Cr-B-Si-Fe ......... 118 FIGURA 4.9.7b – Superfície de fraturado corpo de prova submetido à fadiga axial. -Tensão de 950 MPa – Metal base com shot peening + Ni-Cr-B-Si-Fe ......... 118 FIGURA 4.9.8 – Apresenta o início da frente de propagação da trinca. Espessura camada: 350 μm – Tensão 950 MPa - MB com shot peening + Ni-Cr-B-Si-Fe. ..... 119 FIGURA 4.10.1A – Curva SxN aço AISI 4340 revestido com Cr3C2-NiCr ............ 121 FIGURA 4.10.1B – Distribuição das tensões em relação à profundidade .............. 121 FIGURA 4.10.2 – Distribuição das tensões em relação à profundidade Cr3C2-NiCr e SP + Cr3C2-NiCr ................................................................................ 123 FIGURA 4.10.3 – Perfil de microdureza do aço AISI 4340 revestido com Cr3C2-NiCr............................................................................................................... 124 FIGURA 4.10.4 – Superfície de fratura do corpo de prova submetido à fadiga axial. - Tensão de 950 MPa – Metal base sem shot peening + Cr3C2-NiCr ............. 126 FIGURA 4.10.5 – Superfície de fratura do corpo de prova submetido à fadiga axial. - Tensão de 950 MPa – Metal base sem shot peening + Cr3C2-NiCr ............. 126 FIGURA 4.10.6 – Superfície de fraturado corpo de prova submetido à fadiga axial. - Tensão de 950 MPa – Metal base com shot peening + Cr3C2-NiCr ............ 127 FIGURA 4.10.7 – Apresenta o início da frente de propagação da trinca. 200μm. Tensão de 950 MPa - Metal base com shot peening + Cr3C2-NiCr ......................... 128 FIGURA 4.11.1 – Perda de volume acumulada para a liga bronze-alumínio 630 e o aço AISI 4340 .............................................................................................. 129 FIGURA 4.11.2 – Morfologia na trilha do disco de aço AISI 4340 e no pino bronzealumínio 630 após ensaio de desgaste ...................................................................... 130 FIGURA 4.11.3 – Perda de volume acumulada para a liga bronze-alumínio 630 e o Cromo duro .................................................................................................. 132 FIGURA 4.11.4 – Morfologia na trilha do disco revestido com Cromo duro e no pino bronze-alumínio 630 após ensaio de desgaste............................................. 133 FIGURA 4.11.5 – Perda de volume acumulada para a liga Bronze-alumínio 630 e o WC-CrC-Ni.................................................................................................. 135 FIGURA 4.11.6 – Morfologia na trilha e fora da trilha do disco revestido com WC-CrC-Ni e no pino bronze-alumínio 630 após ensaio de desgaste ..................... 136 FIGURA 4.11.7 – Perda de volume acumulada para a liga bronze-alumínio 630 e o WC-10Ni ...................................................................................................... 138 FIGURA 4.11.8 – Morfologia na trilha do disco revestido com WC-10Ni e no pino bronze-alumínio 630 após ensaio de desgaste............................................. 139 FIGURA 4.11.9 – Perda de volume acumulada para a liga bronze-alumínio 630 e o Ni-20Cr ........................................................................................................ 140 FIGURA 4.11.10 – Morfologia na trilha do disco revestido com Ni-20Cr e no pino bronze-alumínio 630 após ensaio de desgaste ......................................................... 141 FIGURA 4.11.11 – Perda de volume acumulada para a liga Bronze-alumínio 630 e o Ni-Cr-B-Si-Fe .............................................................................................. 143 FIGURA 4.11.12 – Morfologia na trilha e fora da trilha do disco revestido com Ni-Cr-B-Si-Fe e no pino bronze-alumínio 630 após ensaio de desgaste ................ 144 FIGURA 4.11.13 – Perda de volume acumulada para a liga Bronze-alumínio 630 e o Cr3C2-NiCr ................................................................................................... 146 FIGURA 4.11.14 – Morfologia na trilha do disco revestido com Cr3C2-NiCr e no pino bronze-alumínio 630 após ensaio de desgaste............................................. 147 FIGURA 4.11.15 – Gráfico de dispersão para comparativo dos resultados do ensaio de fadiga axial .......................................................................................... 150 Figura 4.11.16 – Tabela comparativa do ensaio de desgaste ................................... 152 Figura 4.11.17 – Quadro conclusivo ........................................................................ 154 LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Terminologia e relação entre os parâmetros de carregamento cíclico de fadiga....41 Tabela 2 -- Tabela 2 - Grupos de corpo de prova para obter as curvas S-N. .......................... 62 Tabela 3 - Grupos de corpo de prova para ensaio de desgaste ................................................. 63 Tabela 4 – Composição quimica do aço AISI 4340 ............................................................... 66 Tabela 5 – Propriedades mecânicas do aço AISI 4340 ............................................................ 66 Tabela 6 – Resultados do ensaio de fadiga axial para o aço AISI 4340 com e sem shot peening e EHC ............................................................................................................................... 75 Tabela 7 – Resultados do ensaio de fadiga axial para o recobrimento WC-CrC- Ni ............. 81 Tabela 7A – Resultados e razão média do número de ciclos para a falha do aço AISI 4340 com e sem SP revestido com WC-CrC-Ni ...................................................................... 84 Tabela 7B – Comparação da resistência a fadiga para alto ciclo (107 ciclos) .......................... 84 Tabela 8 – Resultados do ensaio de fadiga axial para o recobrimento WC-10Ni ................... 92 Tabela 8A – Resultados e razão média do número de ciclos para a falha do aço AISI 4340 com e sem SP revestido com WC-10Ni........................................................................... 95 Tabela 8B – Comparação da resistência a fadiga para alto ciclo (107 ciclos) .......................... 95 Tabela 9 – Resultados do ensaio de fadiga axial para o recobrimento Ni-20Cr ................... 101 Tabela 9A – Resultados e razão média do número de ciclos para a falha do aço AISI 4340 com e sem SP revestido com Ni-20Cr ........................................................................... 104 Tabela 9B – Comparação da resistência a fadiga para alto ciclo (107 ciclos) ........................ 104 Tabela 10 – Resultados ensaio de fadiga axial para o recobrimento Ni-Cr-B-Si-Fe ............ 110 Tabela 10A – Resultados e razão média do número de ciclos para a falha do aço AISI 4340 com e sem SP revestido com Ni-Cr-B-Si-Fe ................................................................. 113 Tabela 10B – Comparação da resistência a fadiga para alto ciclo (107 ciclos) ...................... 113 Tabela 11 – Resultados do ensaio de fadiga axial para o recobrimento Cr3-C2-NiCr ........... 120 Tabela 11A – Resultados e razão média do número de ciclos para a falha do aço AISI 4340 com e sem tratamento de SP revestido com Cr3-C2-NiCr 122 Tabela 11B – Comparação da resistência a fadiga para alto ciclo (107 ciclos) .................... 123 Tabela 12 – Composição química da liga bronze Aluminio 630 ........................................... 128 Tabela 13 – Apresenta os resultados da inspeção visual após o respectivo tempo de exposição na câmara de salt-spray .................................................................................................. 148 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ABNT ASTM HVOF MEV SEM SE BSE MB CCC HC SP HV HRc EHC EDS Associação Brasileira de Normas Técnicas American Society for Testing and Materials High Velocity Oxigen Fuel Microscopia Eletrônica de Varredura Scanning Electron Microscope Imagens obtidas por elétrons secundários Imagens obtidas por elétrons retro espalhados Metal base Estrutura cúbica de corpo centrado Estrutura hexagonal compacta Shot peening Dureza Vickers Dureza Rockwell C Electroplated Hard Chromium Energy-Dispersive X-ray Spectroscopy LISTA DE SÍMBOLOS V W L ımáx ımín ǻı ım ıa R g l V m s h min Volume de desgaste Força normal Distância de deslizamento em desgaste Tensão máxima Tensão mínima Intervalo de tensão Tensão média Amplitude de tensão Razão de carga Tensão de escoamento Tensão de ruptura Módulo de elasticidade longitudinal Tensão máxima Número de ciclos Corrente elétrica Unidade de peso Unidade de volume Velocidade de deslizamento Unidade de medida Unidade de tempo Unidade de tempo Unidade de tempo rpm Velocidade angular ıe ırupt E S N A m3 N m MPa MPa MPa MPa MPa MPa MPa GPa MPa Ampére gramas litro m/s metro segundo hora minuto rotação por minuto SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ............................................................................................ 21 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ..................................................................... 24 2.1 Materiais para componentes estruturais aeronáuticos e automotivos........ 24 2.2 Tensões residuais ....................................................................................... 25 2.3 Shot peening ............................................................................................... 26 2.4 Cromo duro ................................................................................................ 29 2.4.1 Eletrodeposição do Cromo duro ............................................................. 29 2.5. Processo HVOF (High Velocity Oxygen Fuel): ....................................... 32 2.6. Fadiga........................................................................................................ 35 2.6.1 Histórico.................................................................................................. 37 2.6.2 Ensaios de fadiga .................................................................................... 39 2.6.3 Mecanismo da fratura por fadiga ............................................................ 43 2.7. Desgaste .................................................................................................... 51 2.7.1 Conceitos de desgaste ............................................................................. 51 2.7.2 Tipos de desgaste .................................................................................... 52 3 MATERIAIS E MÉTODOS ....................................................................... 55 3.1 Análise Química ....................................................................................... 55 3.2 Tratamento Térmico ................................................................................. 55 3.3 Tratamentos Superficiais ........................................................................... 56 3.3.1 Shot peening ............................................................................................ 56 3.3.2 Eletrodeposição de Cromo ...................................................................... 56 3.3.3 Processo HVOF ...................................................................................... 56 3.4. Ensaios e análises...................................................................................... 58 3.4.1 Ensaio de tração ...................................................................................... 58 3.4.2 Microscopia óptica.................................................................................. 59 3.4.3 Ensaio de microindentação ..................................................................... 60 3.4.4 Análise de tensão residual ...................................................................... 60 3.4.5 Ensaios de fadiga .................................................................................... 61 3.4.6 Microscopia Eletrônica de Varredura ..................................................... 63 3.4.7 Ensaios de desgaste................................................................................. 63 3.4.8. Ensaio de corrosão em névoa salina ...................................................... 65 4 RESULTADOS E DISCUSSÕES .............................................................. 66 4.1 Análise Química ........................................................................................ 66 4.2 Propriedades mecânicas ............................................................................. 66 4.3 Análise metalográfica ................................................................................ 67 4.4 Análise do metal base ............................................................................... 68 4.4.1 Metal base – Resultados do ensaio de fadiga ......................................... 68 4.4.2 Metal base - Resultados do ensaio de tensões residuais ......................... 69 4.4.3 Metal base – Resultados do ensaio de microindentação......................... 70 4.4.4 Metal base - Resultados: análise pela técnica de MEV .......................... 70 4.5 Recobrimento por Cromo duro ............................................................... 75 4.5.1 Cromo duro – Resultados do ensaio de fadiga ...................................... 75 4.5.2 Cromo duro – Resultados do ensaio de tensão residual ......................... 76 4.5.3 Cromo duro – Resultados do ensaio de microindentação....................... 77 4.5.4 Cromo duro - Resultados: análise pela técnica MEV ............................. 78 4.6 Recobrimento WC-CrC-Ni ...................................................................... 81 4.6.1 WC-CrC-Ni – Resultados do ensaio de fadiga ....................................... 81 4.6.2 WC-CrC-Ni – Resultados do ensaio de tensões residuais ...................... 85 4.6.3 WC-CrC-Ni - Resultados do ensaio de microindentação ....................... 86 4.6.4 WC-CrC-Ni - Resultados: análise pela técnica MEV ............................ 87 4.7 Recobrimento WC-10Ni ............................................................................ 92 4.7.1 WC-10Ni – Resultados do ensaio de fadiga ........................................... 92 4.7.2 WC-10Ni – Resultados do ensaio de tensões residuais .......................... 96 4.7.3 WC-10Ni - Resultados do ensaio de microindentação ........................... 97 4.7.4 WC-10Ni - Resultados: análise pela técnica MEV ................................ 98 4.8 Recobrimento Ni-20Cr .............................................................................. 101 4.8.1 Ni-20Cr – Resultados do ensaio de fadiga ............................................. 101 4.8.2 Ni-20Cr – Resultados do ensaio de tensões residuais ............................ 105 4.8.3 Ni-20Cr Resultados do ensaio de microindentação ................................ 106 4.8.4 Ni-20Cr - Resultados: análise pela técnica MEV ................................... 106 4.9 Recobrimento Ni-Cr-B-Si-Fe .................................................................... 110 4.9.1 Ni-Cr-B-Si-Fe – Resultados do ensaio de fadiga .................................. 110 4.9.2 Ni-Cr-B-Si-Fe – Resultados do ensaio de tensões residuais .................. 114 4.9.3 Ni-Cr-B-Si-Fe - Resultados do ensaio de microindentação ................... 115 4.9.4 Ni-Cr-B-Si-Fe - Resultados: análise pela técnica MEV ......................... 116 4.10 Recobrimento Cr3-C2-NiCr ...................................................................... 119 4.10.1 Cr3-C2-NiCr – Resultados do ensaio de fadiga ..................................... 119 4.10.2 Cr3-C2-NiCr – Resultados do ensaio de tensões residuais .................... 123 4.10.3 Cr3-C2-NiCr – Resultados do ensaio de microindentação .................... 124 4.10.4 Cr3-C2-NiCr - Resultados: análise pela técnica MEV .......................... 125 4.11 Ensaio de desgaste .................................................................................. 128 4.11.1 Materiais ............................................................................................... 128 4.11.2: Aço 4340 x bronze-alumínio 630 ........................................................ 129 4.11.3: Aço 4340 revestido com Cromo duro x bronze-alumínio 630 ............ 131 4.11.4: Aço 4340 revestido com WC-CrC-Ni x bronze-alumínio 630 ............ 134 4.11.5: Aço 4340 revestido com WC-10Ni x bronze-alumínio 630 ................ 137 4.11.6: Aço 4340 revestido com Ni-20 Cr x bronze-alumínio 630 ................. 140 4.11.7: Aço 4340 revestido com Ni-Cr-B-Si-Fe x bronze-alumínio 630 ........ 142 4.11.8: Aço 4340 revestido com Cr3C2-NiCr x bronze-alumínio 630 ............. 145 4.12 Ensaio de corrosão em névoa salina ....................................................... 148 4.13 Escolha do melhor recobrimento ............................................................ 149 5. Conclusões ................................................................................................... 155 6. Sugestões para trabalhos futuros ................................................................. 156 7. Bibliografia .................................................................................................. 157 Anexo 1 Fotos das amostras expostas em Salt-spray. 21 INTRODUÇÃO O aço baixa liga AISI 4340 tem sido largamente utilizado em componentes estruturais devido a (i) alta resistência mecânica, podendo resistir a diversas solicitações estáticas, (ii) boa resistência a fadiga, podendo trabalhar em solicitações dinâmicas, (iii) boa resistência ao desgaste, atendendo ao rigoroso e crescente aumento das exigências para aplicações na engenharia. No entanto, apresenta baixa resistência à corrosão, sendo necessária a aplicação de revestimentos superficiais objetivando proteção contra corrosão e desgaste, por exemplo, a eletrodeposição de Cromo, pois apresenta resistência à corrosão, alta dureza, resistência ao desgaste abrasivo e adesivo, soldabilidade e baixo coeficiente de atrito. O material objeto deste estudo é o aço AISI 4340 tratado para a condição de 52 HRc, revestido por Cromo duro para aplicação em pinos de articulação e eixos da roda em trem de pouso de aeronaves de tamanho médio de uso civil. Amplamente estudado, o revestimento de Cromo duro gera microtrincas na camada de Cromo, que diminuem a resistência à fadiga do substrato. Assim o prétratamento superficial de shot peening é aplicado na superfície do substrato para criar uma deformação plástica, e gerar tensões residuais compressivas na superfície, que retardam ou eliminam a propagação de trincas, tendendo a aumentar sua vida em fadiga. Com a crescente preocupação dos órgãos governamentais e não governamentais com relação ao meio ambiente, empresas e entidades civis estão conduzindo projetos que objetivam substituir processos eletrolíticos de recobrimento superficiais potencialmente contaminantes (como é o caso do Cromo duro) por outros que forneçam as mesmas características de resistência sem, no entanto, agredirem o homem e o ambiente. O processo HVOF (High-Velocity-Oxigen-Fuel) para deposição de revestimentos alternativos, como carbeto de tungstênio, é considerado uma técnica promissora, pois fornece alta dureza e boa resistência ao desgaste e uma menor redução da resistência à fadiga do substrato quando comparado à redução fornecida pelo revestimento de Cromo duro aplicado ao aço AISI 4340. 22 1.1 OBJETIVO DO TRABALHO: O objetivo principal deste trabalho é estudar a influência dos revestimentos por aspersão térmica, WC-CrC-Ni; WC-10Ni; Ni-20Cr; Ni-Cr-B-Si-Fe; Cr3C2-NiCr pelo processo HVOF, no aço AISI 4340 com alta resistência mecânica (50 HRC), com espessura de camada depositada de 150 μm, e verificar as tensões residuais induzidas e a eficiência dos revestimentos quanto à resistência à fadiga comparativamente com o metal base e o aço AISI 4340 eletrodepositado com o Cromo duro. O comportamento em fadiga é obtido em fadiga axial, levantando suas respectivas curvas de Wöhler (ı x N). O objetivo secundário é analisar o comportamento destes revestimentos no aço AISI 4340 relativos à corrosão e abrasão. Os ensaios de corrosão e desgaste completam as informações obtidas a respeito dos diversos revestimentos pesquisados. Análises pela técnica de microscopia ótica e microscopia eletrônica de varredura são utilizadas para avaliar a origem da trinca de fadiga, a microestrutura típica, os prováveis efeitos de aquecimento, nível de porosidade, possíveis trincas, espessura da camada de revestimento, integridade da linha de interface revestimento / substrato e inclusões devido ao jateamento com óxido de alumina, antes da aplicação do revestimento. Este projeto de pesquisa para uma tese de doutorado objetiva um conhecimento mais amplo de outros revestimentos que possam substituir o Cromo em aplicações onde fadiga, corrosão e desgaste são parâmetros de projeto. A vantagem dos recobrimentos alternativos em estudo a base de recobrimento pelo processo HVOF, pois sendo um processo de deposição que gera tensões residuais de compressão no substrato, interfere positivamente na resistência a fadiga. A intenção de se empregar outros pós está associada à determinação dos melhores parâmetros que resultem em melhoria nas resistências à fadiga, corrosão e abrasão que estão naturalmente correlacionadas às características dos pós, espessura da camada de revestimento e nível de tensões residuais induzidas, conforme sugestões de trabalhos futuros listadas por Souza no ano de 2002. 23 1.2 CONTRIBUIÇÃO DO TEMA: Os processos de recobrimento à base HVOF possuem forte aspecto tecnológico, e têm sido estudados intensivamente nos últimos anos, principalmente como processo alternativo aos processos de revestimento eletrolíticos como o Cromo duro. É de grande importância social, pois precisam ser estudadas alternativas as substâncias proibidas, como Cromo, Cádmio, Chumbo. Este projeto de pesquisa fornece resultados tecnológicos e científicos bastante interessantes para a comunidade industrial e científica brasileira. A indústria aeroespacial já vem utilizando revestimentos por aspersão térmica em aplicações hidráulicas, e tem muito interesse em trabalhos com alto teor prático como este que está proposto. Os revestimentos a serem avaliados a base de carbeto de tungstênio e carbeto de Cromo aplicados pelo processo HVOF são opções a serem avaliadas, pois são elementos disponíveis e em comercialização pelos fabricantes de equipamentos de processos de plasma. Portanto, é muito importante a pesquisa de revestimentos alternativos em aços para a indústria aeronáutica, procurando sempre alternativas tecnológicas que atendam aos requisitos de qualificação e homologação dos produtos de uso aeroespacial. 24 2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 2.1. MATERIAIS PARA COMPONENTES ESTRUTURAIS AERONÁUTICOS E AUTOMOTIVOS A indústria aeronáutica tem procurado nas últimas décadas o desenvolvimento de materiais para vencer seus principais desafios: baixo peso, velocidade e baixo consumo. As pesquisas foram direcionadas a partes específicas de cada aeronave buscando uma maior eficiência do uso dos materiais e suas ligas. Os aços de baixa liga e novas ligas de alumínio foram exaustivamente estudadas constituindo grande parte das estruturas aeronáuticas. Dentre as partes de uma aeronave, os trens de pouso demandam importantes pesquisas, pois envolvem operações de aterrissagem e decolagem, estando submetidos a altas cargas de serviço em ambientes corrosivos e agressivos (VOORWALD, 2002). O aço AISI 4340 é um aço de baixa liga contendo níquel, Cromo e molibdênio, tratável termicamente e largamente utilizado na indústria aeronáutica e automotiva para fabricação de componentes estruturais devido às suas propriedades mecânicas, com alta resistência à ruptura e dureza. Apresenta uma boa resistência à fadiga e bom desempenho quando submetido a carregamentos cíclicos. Porém apresenta baixa resistência a corrosão (TORRES, VOORWALD, 2002). O revestimento de Cromo duro eletrodepositado é um revestimento usualmente utilizado para proteção à corrosão e desgaste, apresentando altos níveis de dureza, e baixo coeficiente de atrito para aplicações aeroespaciais, automotivas e petroquímicas. A dureza do Cromo é da ordem de 70 HRc ou 1.000 HV (VASCONCELOS, 1992). Uma característica significativa do Cromo eletrodepositado é a alta tensão residual interna originada da decomposição de Cromos híbridos (Cromo alfa + Cromo beta) durante o processo de eletrodeposição (NOGUEIRA, 2003). Sob condições de fadiga, essas microtrincas propagam-se através do material base diminuindo a resistência do componente. Portanto, deve ser considerado o uso de métodos eficientes para aumentar a vida em fadiga (NASCIMENTO, 2001). Durante o processo de eletrodeposição do Cromo duro, vários elementos químicos são envolvidos, entre estes o Cromo hexavalente que é uma substância 25 cancerígena, e obviamente nociva à saúde humana. Por essa razão, estuda-se a substituição do Cromo por outros revestimentos que apresentem propriedades mecânicas similares, mas que não tenham restrições ambientais e que preservem a saúde humana. Pesquisas desenvolvidas mostraram que o uso de revestimentos com materiais como Cromo, Níquel e carbeto de tungstênio permitem uma melhor eficiência a corrosão e maior resistência ao desgaste (NASCIMENTO, 2001). O processo HVOF (High-Velocity-Oxigen-Fuel) para deposição de revestimentos alternativos, como carbeto de tungstênio, é considerado uma técnica promissora, pois fornece alta dureza e boa resistência ao desgaste e uma mais baixa redução da resistência à fadiga do substrato quando comparado à redução fornecida pelo revestimento de Cromo duro aplicado ao aço AISI 4340 (NASCIMENTO, 2001). 2.2. TENSÕES RESIDUAIS Tensões residuais são tensões que estão em equilíbrio nos materiais, em condições de temperatura uniforme e sem carregamento externo. Sendo autobalanceadas, fazem com que o momento resultante e a força resultante produzidos tendam a zero (BONORA, 2011). Em geral, são fenômenos que ocorrem em materiais e componentes mecânicos durante os muitos processos de manufatura ou fabricação e também por ação química (BONORA, 2011): Deformação plástica ou conformação, incluindo laminação, extrusão, flexão, forjamento, shot peening e bombardeamento a laser; Durante processos de fabricação, tais como soldagem, usinagem, fundição, conformação, etc; Durante tratamentos térmicos e termomecânicos, incluindo têmpera, tratamento térmico a plasma e laser, nitretação ou uma combinação desses tratamentos; Ataques químicos (corrosão), oxidação (corrosão atmosférica), usinagem química, tratamentos superficiais e eletrodeposição. 26 Sabe-se que as tensões residuais exercem uma importante influência na vida em fadiga em um material. A formação de uma tensão residual de compressão é provavelmente o método mais eficiente de aumentar o desempenho em fadiga. Atualmente, sabe-se que as tensões residuais têm um papel importante na iniciação e crescimento de trincas por fadiga, e podem afetar em muito a vida ou a geometria de uma trinca de fadiga e o estado de tensão local. Próximo à superfície, é um fator importante para nuclear pequenas trincas de fadiga. O principal método comercial de se introduzir tensões residuais compressivas na superfície é pelo processo de shot peening. Em aços de alta resistência mecânica, as tensões residuais superficiais de tração ou compressão são importantes fatores de influência na vida em fadiga. Tensões residuais de tração tendem a reduzir a resistência à fadiga e tensões residuais de compressão tendem a aumentá-la, observando-se que dessa forma as tensões residuais têm uma importante participação na nucleação e crescimento de trincas por fadiga (TORRES, VOORWALD, 2002). Atualmente a mais conceituada referência sobre técnica de medições de tensões residuais é o Handbook of Measurements of Residual Stresses. As principais técnicas de medição de tensões residuais são: Destrutivas: furo-cego, remoção de camadas, seccionamento Não-destrutivas: difração de raios-X, difração de nêutrons, ultrasônico, método magnético, etc. 2.3. SHOT PEENING É um processo de tratamento superficial a frio onde pequenas esferas são jateadas contra uma superfície induzindo tensões de compressão e elevada densidade de discordâncias conforme apresentado na Figura 2.1. Durante o processo, a colisão das granalhas sobre a superfície alvo causa deformações plásticas localizadas e um encruamento na camada superficial. Abaixo da superfície, o material procura restaurar a sua forma original, produzindo um hemisfério de elevadas tensões residuais compressivas ao redor das microcavidades, conforme está representado na Figura 2.1. 27 O campo residual compressivo retarda a nucleação e propagação de trincas, até mesmo com trincas pré-existentes, desde que estejam dentro da zona compressiva. O shot peening promove modificações superficiais que elevam a resistência à fadiga, pois geram uma uniformização das tensões residuais nas primeiras camadas do material e da rugosidade (TORRES, 2002; MEO; VIGNJEVIC, 2003; CARVALHO; VOORWALD, 2007). Figura 2.1 - Efeito do shot peening na superfície metálica (METAL IMPROVEMENT COMPANY, 2011). O processo de shot peening é largamente empregado com uma série de objetivos: aumento da resistência à fadiga, uniformização de tensões nas camadas superficiais, compactação da estrutura cristalina para aumentar a resistência à oxidação, ao atrito e eliminar porosidades, obtenção de rugosidades controladas para reter lubrificação, fixar desmoldantes, etc. (WANG; 1998). A unidade de medida utilizada para a intensidade do bombardeamento é definida 28 como intensidade Almen. O método consiste no bombardeamento de uma placa de aço padronizada, o aço mola SAE 1070. O impacto das esferas induz tensões residuais nas placas, que se deformam, formando um pequeno arco. Medindo-se a flecha do arco formado, e com a ajuda de uma tabela padronizada, obtém-se a intensidade Almen expressa em termos da deformação da placa. As dimensões da placa são normalizadas e a variação da espessura indica os três tipos de intensidade Almen: N, A e C. A diferença de cada placa está na sua espessura. Os parâmetros que podem influenciar a intensidade de peening são: tamanho, formato, velocidade e dureza da esfera; propriedades do componente a ser jateado (dureza, resistência mecânica), cobertura de bombardeamento e outros fatores, como temperatura, tempo de tratamento e ângulo de impacto (SOCIETY OF AUTOMOTIVE ENGINEERS norma SAE-AMS-S-13165). A Figura 2.2 ilustra o equipamento utilizado para a determinação do parâmetro Almen. Figura 2.2 - Equipamento para determinação do parâmetro Almen. 29 2.4 CROMO DURO O Cromo é encontrado na natureza no minério cromita: FeCr2O4. Seu número de oxidação pode variar de +I a +VI, sendo o íon Cromo II o mais redutor, o Cromo III o mais estável, Cromo VI o mais oxidante. O Cromo é inerte em baixas temperaturas, porque é protegido por uma película de óxido que favorece sua resistência à corrosão. É um metal que dissolve em ácido clorídrico e sulfúrico e não é atacado por ácido nítrico (NOGUEIRA, 2003). O uso mais importante do Cromo é a produção de aços especiais, mas atualmente, é muito empregado como metal para revestimento, devido às seguintes características: 1. Resistência ao desgaste: é uma das qualidades mais apreciáveis do Cromo duro. 2. Resistência à corrosão: o Cromo é resistente à corrosão, protegendo eficazmente o metal, que atinge um potencial eletroquímico no valor de um metal nobre. 3. Resistência ao risco: esta propriedade está mais ligada com o aspecto da dureza do Cromo. 4. Elevada dureza superficial sem gerar tensões: a dureza é uma das mais importantes características do Cromo, pois fornece resistência ao desgaste e ao risco. Na prática, o Cromo duro apresenta uma dureza média de 70 HRC, equivalente a 1.000 HV (VASCONCELOS, 1992). 2.4.1 ELETRODEPOSIÇÃO DO CROMO DURO As camadas de Cromo duro são produzidas por eletrodeposição de Cromo metálico a partir de soluções eletrolíticas especiais, sob condições controladas de temperatura, concentração e eletricidade. O resultado é uma camada com excelentes propriedades de dureza, adesão e resistência (NOGUEIRA, 2003). O processo industrial de aplicação do Cromo resultou dos trabalhos desenvolvidos por Fink e Eldridge em 1923 e 1924. O banho de Cromo duro utiliza 30 basicamente trióxido de Cromo e catalisador, geralmente ácido sulfúrico. Também são utilizados outros catalisadores à base de ácidos ou sais de flúor. A voltagem requerida varia de 4 a 10V, dependendo das condições operacionais. Os melhores rendimentos registrados para o banho variam na faixa de 200 a 400g/l de ácido crômico (NOGUEIRA, 2003). A velocidade de deposição gira em trono de 25 μm/h quando se utilizam densidades de corrente de 31 A/dm2 à temperatura de 50o a 55o C. A estrutura cristalina do depósito de Cromo duro é formada por hidretos de Cromo de composição variada. Esses hidretos podem ser eletrodepositados em estrutura tipo HC (Cr2H para CrH) ou CCC (CrH para CrH2). A formação dos hidretos hexagonais é favorecida normalmente em condições abaixo das condições estabelecidas durante a deposição. A estrutura normal do Cromo metal é CCC, e é particularmente formada a partir de soluções a quente. A decomposição da estrutura hexagonal ou hidretos de Cromo de estrutura HC para CCC pode envolver uma redução de volume do depósito acima de 15%. Devido a essa redução de volume no plano cristalino próximo ao metal base, o surgimento de trincas partindo da interface para a superfície é considerada normal. A estrutura CCC é denominada Cromo alfa, e a HC é denominada Cromo beta (NOGUEIRA, 2003). As teorias sobre tensões internas do depósito de Cromo duro indicam que as trincas resultam dos excessos de tensões internas que exercem forças coesivas no metal, geradas a partir da formação e decomposição de hidretos de Cromo. Várias camadas de Cromo ainda mantêm trincas e tensões internas no recobrimento. Essas tensões internas do recobrimento podem se transferir para o metal base a partir destas microtrincas (NOGUEIRA, 2003). A espessura das camadas de Cromo pode variar entre 0.003 mm a 0.3 mm, dependendo de sua aplicação. Em casos especiais podem-se aplicar espessuras de camadas maiores, mas devem ser analisadas questões econômicas e técnicas. . 31 Na Figura 2.3 é apresentado um exemplo da superfície do Cromo duro onde percebe-se as microtrincas que ocorrem no recobrimento. Figura 2.3 Microtrincas na superfície do recobrimento de Cromo duro. Aumento 200X. (a) convencional; (b) Corrente reversa acelerada de 15a 30 A/dm2 por 30 s. (NASCIMENTO, 2001). É possível observar uma redução significativa da resistência à fadiga do aço AISI 4340 eletrodepositado com Cromo duro, em relação ao material base sem revestimento. Vários são os fatores que causam essa queda da resistência à fadiga após a eletrodeposição do Cromo duro, sendo a mais significativa as microtrincas inerentes 32 ao Cromo duro eletrodepositado, a espessura do eletrodepósito, o método de deposição e a adesão do Cromo ao material base (SOUZA, 2002). Recentemente inúmeras pesquisas estão sendo realizadas para identificar possíveis alternativas para o uso do Cromo, pois as agências reguladoras aumentaram a restrição de manipulação, armazenamento e descarte de resíduos do Cromo devido à presença do Cromo hexavalente, elemento cancerígeno inerente ao processo (KO LEEG, 1996). 2.5 PROCESSO HVOF (HIGH VELOCITY OXYGEN FUEL) O processo HVOF é um processo de deposição por aspersão térmica: o material de recobrimento é fundido por uma fonte de calor, e atomizado, atinge a superfície a ser recoberta a alta temperatura e elevada velocidade. É utilizado para aplicação de revestimentos metálicos e cerâmicos por spray (Figura 2.4). Nesse método, o gás combustível mistura-se com o oxigênio na parte frontal da pistola e a mistura resultante é projetada do injetor e ionizada no exterior da pistola. Essa ignição dá origem a uma chama posicionada ao redor do jato de material de adição, que é propulsionado sob a forma de pó, aquecido e projetado em grande velocidade contra a superfície alvo, aproximadamente 2.000 m/s (FEDRIZZI et al., 2004, SOUZA, NEVILLE, 2007). Figura 2.4. - Sistema de aspersão térmica por HVOF (SOUZA, NEVILLE, 2007). 33 O material de adição não se funde completamente, permanecendo em um estado pastoso o suficiente para garantir a aderência ao material base. Essa técnica permite também retrabalhos em superfícies que sofreram desgastes para readquirir dimensões originais. Cada camada aplicada do material de aspersão une-se tenazmente à camada previamente depositada, como no desenho esquemático da Figura 2.5. O processo continua até que seja alcançada a espessura desejada (BOLELLI et al., 2006). O processo HVOF representa o aprimoramento dos processos de aspersão térmica sem superaquecer as partículas aspergidas, o qual é um fenômeno indesejado por reduzir a resistência ao desgaste dos materiais em aspersão. O processo proporciona o aumento da velocidade de aspersão para 2.000 m/s (representa o dobro da velocidade atingida no processo de aspersão por plasma), produzindo revestimentos mais densos, com menor quantidade de óxido, fato desejável por influir positivamente na vida em fadiga e resistência a corrosão (BOLELLI et al., 2007). b Processos de Aspersão térmica Chama: pó Chama: arame/cordão Chama: HVOF Detonação Arco Elétrico Plasma: baixa energia Plasma: alta energia Cold spray Velocidade (m/s) 0 200 400 600 800 1.000 1.200 Figura 2.5 - Formação da camada durante a aspersão térmica: (a) uma partícula lançada ao alvo; (b) resultando em ilhas no revestimento. É formada camada com a presença de poros, óxidos e partículas não fundidas. 34 Os compostos metálico-cerâmicos aplicados por HVOF foram desenvolvidos para prevenir o desgaste do material base e se tornar uma alternativa ecologicamente viável aos processos químicos de eletrodeposição (VOORWALD et al., 2005; SAHRAOUI et al, 2008; ESPALLARGAS et al., 2008). Pesquisas recentes investigam a proteção ao desgaste do processo de aspersão térmica. Revestimentos cerâmicos depositados por aspersão térmica a plasma são comparados com WC-17%Co e WC-10%Co-4%Cr depositados por HVOF e com o Cromo duro convencional. Os revestimentos por HVOF apresentam maior tenacidade devido à matriz metálica formada durante a deposição. No ensaio pino-disco, a formação de um filme fino por deformação plástica localizada é uma propriedade determinante que confere aos carbetos uma resistência ao desgaste superior ao Cromo e aos revestimentos cerâmicos (BOLELLI et al., 2006). Analisando seis composições de carbetos depositadas por HVOF e aspersão por plasma e ainda o Cromo duro, Wank e colaboradores (2006) concluem que a solução ótima de um revestimento depende do seu sistema tribológico. Em desgaste abrasivo a seco o WC-10Co-4Cr apresenta melhor desempenho que o Cromo duro e os demais revestimentos HVOF, mas, para ensaios de desgaste a seco com carga oscilatória, o Cromo duro é mais eficiente. As partículas injetadas nas pistolas HVOF também influenciam no comportamento em desgaste. Os revestimentos CrC-NiCr com aglomerados reduzidos apresentam melhor desempenho mecânico e tribológico quando comparados ao Cromo duro (PICAS et al, 2006). A alta resistência à corrosão do Cromo duro também precisa ser considerada no estudo da sua substituição. Essa característica é atribuída a uma forte película passivada na sua superfície, que não se mantém na ausência de oxigênio (NOGUEIRA, 2003). Bolelli e colaboradores (2006) investigaram a resistência à corrosão de algumas composições do carbeto de tungstênio em diferentes meios corrosivos. Em uma solução de HCl, o WC-10%Co-4%Cr apresenta maior resistência à corrosão que o Cromo duro, pois nesse meio aparecem pittings de corrosão inerentes à película passivada. Já em banho de HNO3, um ambiente altamente oxidante, a película passivada garante ao Cromo duro um desempenho muito melhor que o dos carbetos de 35 tungstênio. A proteção à corrosão dos revestimentos por HVOF está associada à presença de níquel ou Cromo na composição dos carbetos. A presença desses elementos produz uma proteção à corrosão igual ou até melhor que o Cromo duro (KHALED; YILBAS, 2007; CHIDAMBARAM et al, 2004; BOLELLI et al., 2006). O processo HVOF de aspersão térmica produz tensões residuais internas compressivas dentro do substrato induzidas pela deformação da superfície, neutralizando as tensões residuais de tração da camada do recobrimento, que ocorrem devido à contração por solidificação da partícula quando atinge a superfície. Em geral, o revestimento por aspersão térmica tem altas tensões internas de tração que surgem por sua contração ou encolhimento causados pelo esfriamento rápido e solidificação das partículas quando golpeiam a superfície. Essas tensões de tração na camada geram tensões compressivas na superfície do substrato (SOUZA, 2002). Porém, há uma redução na resistência à fadiga do aço, apesar das tensões residuais compressivas induzidas pelo processo. Isso se deve à alta densidade de poros e inclusões de óxido na camada que comumente se forma durante o processo (SOUZA, 2002). A aspersão térmica geralmente é feita em atmosfera não controlada; podendo acontecer interações químicas, principalmente oxidação que pode ser evidente na microestrutura da camada, como inclusões de óxido em contornos de grão. Essas inclusões na interface das camadas são possíveis locais de nucleação/iniciação de trincas (SOUZA, 2002). 2.6 FADIGA De acordo com a norma American Society for Testing and Materials - ASTM, o termo fadiga refere-se a um “processo progressivo da alteração estrutural localizada e permanente que ocorre em um material submetido a condições que produzem tensões e deformações flutuantes em alguns pontos, e que culmina em trincas ou na fratura completa após um número suficiente de flutuações” (PADILHA, 2004). 36 É o fenômeno que ocorre a um material quando sujeito a um carregamento fixo ou variável, por um determinado tempo e caracteriza-se pelo seu rompimento a uma tensão inferior àquela necessária para que haja a fratura do material devido à aplicação de uma carga estática. É, portanto, um problema que afeta qualquer componente submetido a solicitação dinâmica. Para iniciar a aplicação de um material é preciso investigar exaustivamente o comportamento de suas propriedades mecânicas sob as solicitações requeridas em campo. O processo de dano e falha de componentes devido a carregamentos cíclicos é denominado fadiga. A previsão da vida em fadiga é a área da engenharia mais abordada na elaboração de componentes aeronáuticos (VOORWALD et al., 2007). A indústria aeronáutica estuda vida em fadiga por meio de três filosofias de projeto: vida segura, falha segura e tolerância ao dano (SOUZA, 2002). Na filosofia vida segura, considera-se que cada componente ou conjunto terá uma vida útil baseada em uma probabilidade aceitável de falha em um dado nível de tensão. Após esse período pré-determinado, os componentes são substituídos. Para a previsão de resistência à fadiga, o cálculo é baseado em curvas de Wöhler e a regra de Miner é geralmente utilizada para prever a vida em carregamentos com amplitudes variáveis. A característica principal da “falha segura” é a redundância, de forma que, ainda que ocorra a rápida propagação de uma trinca, a estrutura permanece intacta e retém uma adequada capacidade de continuar a suportar carregamento. Na filosofia “tolerância ao dano”, analisa-se a integridade da estrutura pela velocidade de crescimento de trinca, para garantir a durabilidade esperada no projeto e manutenção. Os três princípios fundamentais desse projeto admitem que: 4 Existe uma trinca mínima quando o componente é posto em funcionamento; 4 A trinca irá crescer de uma maneira previamente estudada; 4 Existem dados baseados nos critérios de tolerância à fratura para garantir que o crescimento da trinca não causará a fratura catastrófica na vida projetada ou no intervalo de inspeção (SOUZA, 2002). 37 2.6.1 HISTÓRICO Historicamente a análise de fenômenos da fadiga iniciou com os trabalhos pioneiros de Wöehler sobre as falhas repentinas que ocorriam nos eixos dos vagões das estradas de ferro alemãs, isto na segunda metade do século XIX. Wöehler foi o primeiro que apontou para a importância da amplitude das tensões cíclicas sobre a vida de fadiga, bem como para o efeito de pequenos raios de concordância no fundo de entalhes, que levam a uma falha prematura. A partir desses estudos iniciais, o problema da fadiga passou a ser estudado de uma forma exaustiva, por pesquisadores de todo o mundo, por meio de ensaios realizados com os mais diversos tipos de corpos de prova e de carregamento. A grande maioria dos ensaios estava voltada para o extremo da curva de fadiga correspondente ao regime de alto número de ciclos para falha. Verificou-se que, além do efeito do entalhe, outros fatores influem na resistência à fadiga de componentes mecânicos, passando-se assim a coletar dados experimentais sobre estes efeitos e colocá-los sob a forma de fatores de correção empíricos. Nessa etapa do desenvolvimento do estudo da fadiga vários aspectos causavam controvérsias, não havendo uma explicação correta. Assim, apenas com a sofisticação dos métodos de ensaio e de análise dos resultados é que foi possível resolver vários aspectos duvidosos, que exigiam hipóteses e modelos, às vezes pouco lógicos para explicar certos efeitos verificados na prática, como o efeito de tamanho, do tipo de carga, sensibilidade ao entalhe, e outros mais. O processo da análise de fadiga convencional, ou clássico, é baseado no conceito da tensão limite de fadiga, usando as tensões nominais que atuam na seção crítica como a indicação do nível de solicitação que atua no material. Sobre a tensão limite de fadiga para um corpo de prova liso são adicionados os efeitos de concentração de tensão, sensibilidade ao entalhe, tamanho, acabamento superficial, tipo de carregamento, etc., para afinal obter-se a tensão limite de fadiga para o componente. Devido ao grande número de variáveis envolvidas, existe uma grande dispersão nos resultados de ensaios de fadiga e isto leva a uma imprecisão na sua análise, que se reflete sobre a previsão de vida do componente mecânico. 38 A análise do fenômeno de fadiga pelas tensões que atuam no material é aplicável quando o nível de deformação plástica induzida é baixo, ou seja, quando a vida é relativamente elevada. No caso em que as deformações plásticas crescem, é mais difícil relacionar a vida com o nível de tensão, principalmente se o material não possui um encruamento apreciável. É lógico que, se o material sofre uma deformação cíclica mais elevada, a vida de fadiga fica reduzida, embora a tensão ficasse de acordo com o modelo adotado, constante (Rosa, 2002). A maior diferença entre a análise de fadiga convencional, ou clássica, baseada no conceito da tensão limite de fadiga e o processo baseado na curva İ - N, é que neste a solicitação no material é fornecida em termos da deformação que o material sofre, e não da tensão. A importância desta diferença é claramente verificada no caso de um componente estrutural com uma descontinuidade geométrica. O efeito de uma descontinuidade deste tipo é o aumento da magnitude das tensões na sua proximidade. Este aumento localizado de tensões pode fazer com que, nesta região, o material sofra deformações plásticas. Em outras palavras, quando o componente estrutural é controlado por tensões, decorrentes das cargas externas, (forças, momentos) as zonas plásticas confinadas ficam controladas por deformações. O comportamento do material nas zonas confinadas pode ser comparado com o comportamento de um corpo de prova ensaiado com controle de deformação. Em vista do exposto, para prever os efeitos de pontos de concentração de tensão no comportamento à fadiga de componentes estruturais, as deformações que atuam na zona plástica confinada podem ser simuladas pelo ensaio de corpos de prova de pequenas dimensões, de seção uniforme, em condições de deformação controlada. Se a deformação cíclica que age no ponto mais solicitado do componente for a mesma que age no corpo de prova, a vida de nucleação do componente será a mesma que a vida do corpo de prova, pois neste o período de propagação é extremamente pequeno. Assim, conhecendo a dependência da deformação sobre a vida, para o material em questão, é possível prever a vida do componente estrutural, desde que se tenha conhecimento da deformação que age no ponto mais solicitado. Uma conseqüência da análise plástica é a possibilidade de se considerar o desenvolvimento, no interior do material, de um estado de tensões residuais, que pode 39 alterar sensivelmente o seu comportamento à fadiga. Essas tensões residuais, em geral, desenvolvem-se quando existe um gradiente de tensões ao longo da seção e, em algum ponto, o limite elástico é ultrapassado. Quando a distribuição de tensões na seção é uniforme, a ocorrência de tensões residuais é possível se o material é solicitado por um carregamento onde são impostas deformações, como no caso de tensões térmicas. Devido ao efeito de encruamento cíclico que alguns materiais apresentam e ao efeito de amolecimento cíclico de outros, um comportamento inicialmente elástico pode se transformar, após um número de ciclos suficientes, em um comportamento plástico. Assim, para solicitações cíclicas, o limite elástico, ou, mais usualmente, a tensão limite de escoamento, obtido em um ensaio estático de tração, possui pouco significado, já que o material pode encruar ou amolecer ao longo da vida. Um valor mais significativo é o limite de escoamento de uma curva tensão-deformação cíclico, obtido para o material em uma situação já estabilizada (Rosa, 2002). 2.6.2 ENSAIOS DE FADIGA Os primeiros ensaios de fadiga para pesquisar a resistência a carregamentos cíclicos foram feitos com corpos de prova de seção circular, submetidos a esforços de flexão e postos a girar. Contando-se o número de rotações até a ruptura do corpo de prova, se obtém o número de ciclos que o material suportou até a falha, correspondente ao nível de tensão cíclica atuante. Nesse tipo de ensaio, embora a carga seja constante, a tensão varia senoidalmente com o tempo, devido à rotação do corpo de prova. Em outras situações a tensão varia ciclicamente sobre um valor de tensão média que não é zero, fazendo com que a alternância não seja simétrica, conforme ilustra a Figura 2.6. Isso faz com que seja necessário considerar não só a influência da amplitude da tensão alternante, como também a intensidade da tensão média sobre a resistência à fadiga. A nomenclatura adotada para identificar as tensões atuantes neste caso está ilustrada na Tabela 1. Nos ensaios de flexão rotativa o material é solicitado por uma tensão cíclica alternante, com tensão média nula. Nesse ensaio, um corpo de prova é posto a girar, submetido a um momento fletor constante, o que faz com que cada ponto do material, 40 devido à rotação, tenha o seu nível de tensão variando senoidalmente. O corpo de prova assim permanece até que venha a romper. Novos corpos de prova são ensaiados, com diferentes intensidades de carregamento, permitindo uma avaliação do efeito do nível do carregamento cíclico sobre a vida à fadiga do material em questão. Os resultados desses ensaios são usualmente apresentados na forma gráfica, de valores da tensão alternada aplicada contra o número de ciclos da vida, conforme ilustrado na Figura 2.7, conhecida por curva S-N. A Figura 2.7 mostra tensão máxima x vida em flexão rotativa, (onde ımáx = ıa, pois ım = 0 e R= 1,0). Uma característica importante, e que deve ser levada em consideração em todo e qualquer problema relacionado com fadiga, é a grande dispersão de resultados existente, principalmente para vidas superiores a 104 ciclos. Isso se deve ao processo de nucleação, que fica bastante influenciado pelas heterogeneidades metalúrgicas, que são aleatoriamente dispersas pelo volume do material. Outros tipos de ensaios realizados são os de tração-compressão, torção cíclica ou de flexão plana. Atualmente, a tendência é de usar predominantemente testes axiais, de tração-compressão. Alguns ensaios são realizados com o uso de carregamentos combinados, ou seja, tração-flexão, tração-torção, flexão-torção, entre outras combinações. O estudo da fadiga é feito tomando por base os dados obtidos com ensaios de tração-compressão, com controle de carga na região a alto ciclo e com controle de deformação na região a baixo ciclo. Os equipamentos de ensaio são na sua grande maioria máquinas eletro-hidráulico servocontroladas, com realimentação do sinal de controle e possibilidade de medida de várias grandezas simultaneamente. Nos ensaios com controle de deformação as curvas são de İa (componente dinâmica da deformação) contra N ou de ǻİ, faixa de variação da deformação, contra a vida N. A Tabela 1 apresenta a terminologia usada, a definição e as relações entre os parâmetros para um carregamento cíclico de amplitude constante, conforme ilustrado na Figura 2.6 (PADILHA, 2004). 41 Tabela. 1 - Terminologia, definição e relação entre os parâmetros de um carregamento cíclico de fadiga (PADILHA, 2004). 7(50,12/2*,$ IJPi[ IJPtQ IJP IJD ¨IJ 5 . '(),1,d®2 7HQVmRPi[LPD 0DLRUWHQVmRGRFLFOR 7HQVmRPtQLPD 0HQRUWHQVmRGRFLFOR 7HQVmRPpGLD 0pGLDGDVWHQV}HV 7HQVmRDOWHUQDGD &RPSRQHQWHYDULiYHOGDWHQVmR $PSOLWXGHGDVWHQV}HV 'LIHUHQoDGDVWHQV}HVHPPyGXOR 5D]mRGDVWHQV}HV 5D]mRHQWUHDWHQVmRPtQLPDHPi[LPD &RQVWkQFLDGHFDUJD 5D]mRHQWUHDVWHQV}HVPi[LPDHPpGLD Figura 2.6 – Carregamento cíclico com amplitude constante 5(/$d®2 ıP ıPi[ıPtQ ıD ıPi[±ıPtQ ¨ı ıPi[±ıPtQ $ 5 ıPtQıPi[ . ıPi[ıP 42 As curvas S-N são plotadas para amplitudes de tensões constantes, cujos valores estão abaixo do limite elástico do material. O número de ciclos N é considerado como sendo o número de ciclos de tensão necessários para causar a fratura completa do corpo de prova ou da peça. A tensão na qual a curva se mantém na horizontal é um importante parâmetro conhecido como limite de resistência à fadiga. Esse limite é característico de algumas ligas ferrosas, por exemplo, o aço, e ligas a base de titânio, e representa um valor máximo de tensão no qual o material não sofrerá fratura por fadiga, ou seja, abaixo desta tensão não é possível romper o material, não importando o número de ciclos (SCHIJVE, 2003). Tensão máxima (MPa) 1400 4340:52HRc 52(140 µm) 1200 1000 800 600 400 3 10 4 10 5 10 6 10 7 10 Ciclos Figura 2. 7 - Curva S-N - Influência do Cromo eletrodepositado na resistência à fadiga em flexão rotativa do aço AISI 4340: R = 1,0 (VOORWALD et al., 2007). Para N=107 ciclos, considera-se vida infinita para os metais ferrosos. Os metais não ferrosos, por exemplo, ligas à base de alumínio cobre e magnésio, em geral não apresentam um patamar do limite de fadiga. Com isso, a falha por fadiga irá sempre ocorrer para essas ligas, independente da intensidade da tensão. Para esses materiais, a propriedade de fadiga ou a resposta do material submetido a esse tipo de solicitação é 43 especificada como uma resistência à fadiga, que corresponde ao valor da tensão para a qual a falha por fadiga não irá ocorrer em um determinado número pré-estabelecido de ciclos, que no caso dessas ligas é da ordem de 108 ciclos (BONORA, 2011). Para ensaios de fadiga em corpos de prova polidos, com solicitação axial de amplitude constante, o limite superior da região de baixo ciclo varia de 102 a 105 ciclos. Segundo Dieter e Willens (1983), a região de fadiga de baixo ciclo corresponde a N < 104 ciclos (SOUZA, 2002). Não existe um consenso na literatura sobre um valor fixo para o número de ciclos na curva S-N, que separa nitidamente a região que corresponde à fadiga de alto ciclo da região de baixo ciclo. O número de ciclos que distingue uma região da outra depende da resistência e da ductilidade do material (DIETER, 1984). Segundo Dieter, o número de alto ciclo corresponde a N > 105 ciclos. Para Willens (1983), fadiga de alto ciclo corresponde a N > 104 ciclos. Nestas condições e, até mesmo para número de ciclos abaixo da faixa de 104 a 105 ciclos, a tensão é considerada elástica, porém, o material sofre deformações plásticas localizadas (SOUZA, 2002). Neste estudo, para efeito de comparações entre os recobrimentos e o Cromo duro, adotam-se os seguintes valores para fadiga: alto ciclo para N=106 ciclos; médio ciclo, para N=105 ciclos; e baixo ciclo, para N=104 ciclos. 2.6 3 MECANISMO DA FRATURA POR FADIGA Os fatores considerados causadores da fratura por fadiga (CALLISTER, 2002): Deformação plástica Carregamentos que produzem tensões de tração suficientemente altas; Variações ou flutuações da tensão de tração suficientemente grande; Número de ciclos ou tempo de atuação da carga suficientemente longo. Trincas de fadiga iniciam-se sob ação de tensões cíclicas e se propagam sob ação de tensões de tração. Tensões de compressão não causam fratura por fadiga (SOUZA, 1982). Além dos fatores considerados causadores da fratura por fadiga, existem os fatores que aceleram o processo, tais como (SOUZA, 1982): 44 Concentradores de tensões geométricos (macroscópicos) e metalúrgicos (microscópicos); Corrosão; Temperatura; Sobrecargas; Acabamento superficial. Os materiais de engenharia possuem defeitos que concentram tensões, intensificam as deformações nessas regiões, atingindo muitas vezes valores suficientes para deformar plasticamente o material nesses locais (ZANGRANDI, 2004). A fratura por fadiga é um processo que se desenvolve basicamente em três estágios (SOUZA, 1982): Estágio I – Iniciação ou nucleação de microtrincas O estágio I do processo de fratura por fadiga corresponde à fase inicial da formação de trincas. Tem como características principais os seguintes aspectos: Não é visível a olho nu e nem perceptível na superfície de fratura; Uma microtrinca nucleada em condição estável começa a se propagar de forma muito lenta ao longo dos planos cristalográficos orientados a 45° com a direção da tensão de tração. Nos metais policristalinos, a propagação ocorre ao longo dos planos com elevadas tensões de cisalhamento; Em geral, nunca se propagam a distâncias que vão além de duas a cinco vezes o diâmetro dos grãos em torno da sua origem; A taxa de propagação da trinca nesse estágio é da ordem de angstroms por ciclo e a duração desse estágio pode representar de zero até 90% da vida da peça ou do componente, dependendo do nível de tensão e das características do material; A presença de concentradores de tensões diminui sensivelmente a duração desse estágio; O estágio I corresponde, em resumo, à fase de alterações microestruturais localizadas, progressivas e em geral permanentes, que levam ao aparecimento de pequenas microtrincas, que se propagam a distâncias muito pequenas e seguindo direções bem definidas. 45 Estágio II – Crescimento ou propagação estável de trincas O estágio II do processo de fratura por fadiga corresponde à fase de propagação estável da trinca. Tem como características principais os seguintes aspectos: • enquanto no estágio I a propagação das microtrincas ocorre ao longo de planos cristalográficos bem definidos, que correspondem aos planos de escorregamento orientados a 45° em relação à direção da tensão de tração, no estágio II a direção de crescimento da trinca passa a ser normal a direção da tensão de tração; • O estágio II é sempre visível a olho nu e pode representar a maior área da superfície de fratura, ainda que não represente necessariamente a maior vida em fadiga; • A taxa de propagação da trinca nesse estágio é da ordem de micrometros por ciclo; • A propagação da trinca independe da orientação dos grãos, uma vez que a propagação é preferencialmente transgranular; • Nesse estágio são formadas as estrias de fadiga para materiais dúcteis. Estágio III – fratura súbita final da seção remanescente O estágio III de propagação da trinca corresponde à fratura brusca final, de aspecto frágil (macroscopicamente), caracterizado por uma região rugosa e áspera na superfície de fratura. Ocorre quando a área resistente do corpo de prova ou da peça não suporta mais a tensão do ciclo e se rompe. Em escala macroscópica, a fratura por fadiga apresenta o aspecto de uma fratura frágil, sem mostrar deformações plásticas na região da fratura (SOUZA, 1982). A Figura 2.8 ilustra esquematicamente o aspecto de uma superfície de fratura por fadiga. A superfície de fratura por fadiga é facilmente reconhecida pelo seu aspecto característico, que apresenta sempre duas regiões distintas: uma região lisa, que apresenta um aspecto polido e brilhante que corresponde ao estágio de propagação estável da trinca e uma região rugosa, que apresenta um aspecto escuro e rugoso, que corresponde ao estágio de propagação instável da trinca, até o momento em que a área resistente não suporta mais o esforço aplicado e ocorre a fratura final (ZANGRANDI, 2004). 46 Como a trinca se propaga lentamente desde a nucleação até atingir o tamanho crítico, as superfícies fraturadas se atritam a medida que o material é deformado em sentidos opostos em cada ciclo de tensão, devido ao movimento de abertura e fechamento da ponta da trinca, sob a ação das tensões de tração e compressão, respectivamente. Os aspectos característicos do estágio I de nucleação da trinca não são observados na superfície de fratura (ZANGRANDI, 2004; CALLISTER, 2002). Figura 2.8 - Aspecto macroscópico de uma superfície de fratura por fadiga (SOUZA, 1982). Geralmente, marcas com a forma de conchas concêntricas, denominadas marcas de praia, estão presentes na região lisa da superfície de fratura. As marcas de praia apresentam-se como ressaltos e expandem-se a partir do local de início da trinca, indicando a sua direção de propagação. As marcas de praia, quando presentes na superfície de fratura são visíveis a olho nu. A presença de marcas de praia na superfície de fratura por fadiga pode significar três fatos, ou seja, variação na amplitude das tensões, variação na frequência das tensões durante a propagação da trinca e ou a oxidação da superfície de fratura, no caso de solicitações intermitentes, 47 durante os períodos de paradas ou interrupções (SOUZA, 1982; CALLISTER, 2002). A proporção entre o tamanho da região lisa para o tamanho da região rugosa em uma superfície de fratura por fadiga serve como um indicativo do valor da tensão máxima do ciclo. À medida que a intensidade da tensão máxima do ciclo aumenta, o tamanho da região lisa diminui e o tamanho da região rugosa aumenta e vice-versa. À medida que a tensão máxima do ciclo diminui, a superfície correspondente à região lisa aumenta e o tamanho da região rugosa diminui, indicando que uma pequena área resistente ainda foi capaz de resistir à tensão atuante antes da fratura (CAMARGO, 1995). A propagação de uma trinca por fadiga em escala microscópica apresenta alguns aspectos principais, que caracterizam cada um dos três estágios (CAMARGO, 1995). A Figura 2.9 ilustra esquematicamente a propagação de uma trinca por fadiga em escala microscópica. As trincas por fadiga em materiais metálicos podem começar em inclusões superficiais e sub-superficiais, riscos, contornos de grão e alterações de seção. Como pode ser visto na Figura 2.9, o início das microtrincas ocorre em bandas de escorregamento normais à superfície do material, que se movimentam por intrusões e extrusões num mecanismo de deformação plástica localizada (SOUZA, 2002). Superfície metálica Superfície metálica Carregamento estático Carregamento dinâmico Figura 2.9 – Influência do carregamento na geometria dos escorregamentos na superfície do material (adaptado do GROSS, LAMPMAN, 1996). A reversibilidade do movimento de bandas de escorregamento não ocorre por duas razões: 1) nem todas as discordâncias retornam à posição inicial após o endurecimento 48 por deformação cíclica, 2) um incremento de escorregamento exposto ao ambiente não inerte pode interagir quimicamente, criando finas camadas oxidas no novo material exposto ou por adsorção química dos átomos do ambiente. Dessa forma entende-se que o início da trinca é um fenômeno superficial (GROSS, LAMPMAN, 1996). A propagação da microtrinca não ocorre necessariamente ao longo do plano cristalográfico, sendo dependente de estrutura cristalina, tamanho e textura do grão, e dos obstáculos à movimentação de discordâncias. Depois de iniciado, o processo de propagação estável da trinca divide-se em dois estágios de crescimento, esquematizados na Figura 2.10 (GROSS; LAMPMAN, 1996). No estágio I, a zona plástica da ponta da trinca é confinada em alguns grãos. O crescimento ocorre predominantemente em cisalhamento simples, na direção do primeiro sistema de escorregamento. Neste estágio, a aparência da superfície de fratura é plana e serrilhada. Figura 2.10 - Representação esquemática da propagação de uma trinca por fadiga em metais policristalinos (adaptado de GROSS, LAMPMAN, 1996). 49 Com o aumento da zona plástica na ponta da trinca, o fluxo da trinca passa a se alternar em dois sistemas de escorregamento, denominado estágio II, que apresenta um caminho de trinca perpendicular à tensão aplicada (GROSS; LAMPMAN, 1996). No estágio II, ligas metálicas dúcteis formam estriais de fadiga por um mecanismo repetitivo de abaulamento plástico e afilamento na ponta da trinca. As estrias representam o avanço da trinca em cada ciclo de carregamento. A Figura 2.11 apresenta a fractografia obtida por microscopia eletrônica de varredura, onde se observam estrias de fadiga em uma liga de alumínio forjado. Figura 2.11 - Fractografia da estria de fadiga na liga de alumínio forjado (ASM, 2002). Após as duas etapas de crescimento (estágio I e II), o componente não suportará mais o carregamento aplicado, e a trinca se propagará de forma instável levando à ruptura final (ZANGRANDI, 2004). Do ponto de vista microscópico, a fratura final poderá ser: alveolar (dimples), clivagem, quase clivagem e intergranular. A fratura é do tipo alveolar quando são formadas microcavidades a partir de vazios, inclusões ou partículas de segunda fase. A 50 fratura por clivagem ocorre por separação direta ao longo de planos cristalográficos, onde ocorrem fratura transgranular, pouca ou nenhuma deformação plástica e aparência lisa e plana. A fratura pode ser caracterizada como quase clivagem quando ocorre certa indefinição dos planos de clivagem. Esse tipo de fratura é encontrado em aços temperados e revenidos e pode haver ocorrência casual de alvéolos entre os supostos planos de clivagem. Já na fratura intergranular, a trinca segue os contornos de grão. Isso ocorre quando os contornos são mais frágeis que a rede cristalina. A Figura 2.12 ilustra os tipos de fratura do ponto de vista microscópico (JOGI et AL, 2008). (a) (b) (c) (d) Figura 2.12 - Representação de fraturas de fadiga do ponto de vista microscópico: (a) alveolar; (b) clivagem; (c) quase clivagem; (d) intergranular (CALLISTER, 2002; ASM, 2002). 51 2.7 DESGASTE 2.7.1. CONCEITOS DE DESGASTE O estudo de desgaste nos materiais está vinculado à Tribologia cujo significado, usualmente aceito pela ASME, é referido à ciência que estuda as superfícies interagindo em movimento relativo e suas relações microestruturais [ASM , v.18]. Os conceitos de desgaste aceitos pela ASME são: Desgaste é o dano de uma superfície sólida, geralmente envolvendo perda progressiva de material, devido ao movimento relativo entre aquela superfície e uma substância ou substâncias em contato com ela. Desgaste é a perda progressiva de substância da superfície operacional de um corpo que acontece como resultado de movimento relativo à superfície. Deve ser observado que a primeira definição não excluiria necessariamente o desgaste, no qual o material de superfície pode ser deslocado, mas não removido. No entanto, a segunda definição exige remoção da substância para ser considerado desgaste. Às vezes, o dano de superfícies pode não envolver remoção de material [ASM, v.18]. Uma variedade de parâmetros influencia os mecanismos de desgaste, e os principais são: - parâmetro de material: composição, tamanho de grão, modulo de elasticidade, condutividade térmica, dureza, etc. - parâmetros de projetos: forma, carregamento, tipo de movimento, aspereza, vibração, número de ciclos, etc. - parâmetros de meio-ambiente: temperatura, contaminação, umidade, atmosfera, etc. - parâmetros de lubrificação: tipo de lubrificante, estabilidade do lubrificante, tipo de fluido, modo de lubrificação, etc. - presença ou ausência de desgaste interno. Estes parâmetros são aplicados a ambos os membros de contato de desgaste. 52 2.7.2. TIPOS DE DESGASTE O processo de desgaste pode ser classificado pelo movimento que ocorre entre os pares, sendo sua classificação usual segundo o mecanismo de desgaste. Os principais mecanismos observados no desgaste de superfícies são: i - desgaste abrasivo; ii - desgaste adesivo; iii - desgaste erosivo. O desgaste adesivo é considerado a forma mais severa de desgaste envolvendo altas taxas de desgaste e elevado coeficiente de atrito. A alta pressão de contato entre as rugosidades da superfície resulta em deformação plástica, adesão e consequentemente, a formação de junções localizadas. Durante o deslizamento a ruptura dessas junções causa a transferência de material, da superfície mais fraca para a mais resistente, conforme a Figura 2.13. Figura 2. 13 - Processo de transferência de metal devido à adesão (COSTA, 2009). A formação das juntas adesivas depende das propriedades físicas e mecânicas dos materiais em contato, do modo e valor de carregamento, e da rugosidade da superfície. A transferência progressiva de material por meio das juntas adesivas dar-seá até que a camada formada se desprenda e forme uma partícula. A presença de ambos 53 os materiais sob contato na partícula formada é o que diferencia o mecanismo de desgaste adesivo dos demais (COSTA, 2009). O desgaste abrasivo consiste na remoção ou deslocamento de material pelo deslizamento de partículas rígidas e pode ser classificado como dois corpos ou três corpos, conforme o esquema apresentado na Figura 2.14. Na abrasão de dois corpos, a partícula presa ao corpo de maior dureza move-se arrancando material do corpo de menor dureza. Na abrasão de três corpos, partículas de alta dureza agem como elementos interfaciais entre o corpo sólido e sua contraparte. O desgaste abrasivo de três corpos é menos severo, pois devido às variações no ângulo de ataque, apenas uma pequena parte das partículas causa desgaste. (a) (b) Figura 2.14 - Desgaste abrasivo: (a) 2 corpos, (b) 3 corpos. Diferentes processos físicos podem ocorrer no desgaste abrasivo, como fratura e sulcamento, dependendo dos materiais envolvidos, da abrasividade das partículas e do ângulo de ataque. A resistência ao desgaste abrasivo é relacionada à dureza dos materiais envolvidos. Materiais mais duros têm menor taxa de desgaste abrasivo que materiais mais moles. Entretanto, a fragilidade acentuada pode levar a um desgaste acentuado por fratura e arrancamento de camadas superficiais, como é o caso dos materiais cerâmicos. Considerando que a fragilidade do material geralmente aumenta com o aumento da dureza, existe um limite de melhoria da resistência à abrasão por aumento da dureza superficial (COSTA 2009). O desgaste corrosivo é caracterizado pelo atrito de duas superfícies em contato, que reagem com o ambiente. Quando o meio se torna reativo pela presença do 54 oxigênio, o mecanismo também é conhecido por desgaste oxidativo. O processo se desenvolve pela contínua formação e remoção de camadas nas superfícies em contato. Na presença de um ambiente reativo, é formado um filme protetor que reduz o contato metálico das superfícies. A quebra e remoção desse filme forma detritos não-metálicos que podem atacar abrasivamente as superfícies em contato, expondo-as ao ambiente corrosivo. Nova película se forma e a perda de massa é causada pela repetida ocorrência desse processo (COSTA 2009). A composição de lubrificantes em sistemas tribológicos precisa ser otimizada para se obter um balanço entre o desgaste adesivo e corrosivo, como mostrado na Figura 2.15. Figura 2.15 - Balanço entre desgaste corrosivo e oxidativo (COSTA 2009). O desgaste raramente é catastrófico, mas reduz a eficiência em serviço podendo: • Alterar as dimensões dos componentes causando vibração e desalinhamento, alterando, como consequência, a distribuição de forças; • Iniciar trincas superficiais perto da região sob tensão que podem levar à fratura do componente; • Gerar detritos, particularmente em sistemas tribológicos com pouca folga, podendo ser mais sério do que alterações dimensionais. 55 3. MATERIAIS E MÉTODOS 3.1 ANÁLISE QUÍMICA A análise química foi realizada pela técnica de Espectroscopia de Emissão Atômica (AES) para se verificar se a composição química estava de acordo com o especificado para aço AISI 4340 (AMS 6414). 3.2 TRATAMENTO TÉRMICO O tratamento térmico foi realizado conforme prescrita na norma MIL – H – 6875, onde a têmpera foi realizada em um forno de atmosfera controlada a uma temperatura de 830°C, permanecendo por um tempo de 45 minutos, resfriados em óleo a uma temperatura de 20°C. O tratamento de duplo revenimento foi realizado em forno ao ar, após 30 minutos do final da têmpera. Os corpos de prova permaneceram a uma temperatura de 230°C por um tempo de 4 horas, depois foram resfriados ao ar, sendo novamente levados a uma temperatura de 230°C por um tempo de 4 horas e depois resfriados ao ar. A representação esquemática dos tratamentos térmicos está indicada na Figura 3.1. O objetivo do tratamento térmico é a obtenção de uma dureza entre 49 HRc e 53 HRc no material base. Figura 3.1 - Representação esquemática dos tratamentos térmicos de têmpera e revenimento para obter-se dureza de 49 HRc a 53 HRc (MIL H 6875). 56 3.3 TRATAMENTOS SUPERFICIAIS 3.3.1 SHOT PEENING Os parâmetros de shot peening utilizados foram: intensidade de 0,008 A, fluxo de saída de 3 kg, velocidade de 250 mm/min., distância de 200 mm, rotação de 30 RPM e cobertura de 200%. Foi utilizada uma esfera de aço S230 (ǚ de 0.7 mm). O processo foi realizado em um equipamento de jateamento a ar de acordo com a norma SAE-AMS-S-13165. As amostras tratadas apresentam uma rugosidade superficial de 1,08 ± 0,14 ȝm. Nas amostras revestidas por HVOF, o processo foi efetuado antes do jateamento com alumina. Foi utilizada a intensidade de 0,008 A, pois conforme estudo de Torres (2002) esta faixa de intensidade foi a que apresentou os melhores resultados em vida em fadiga em flexão rotativa, em aço AISI 4340 com 50 HRc. 3.3.2 ELETRODEPOSIÇÃO DE CROMO A eletrodeposição convencional de Cromo duro foi realizada em uma solução de ácido crômico com 250 g/l de CrO3 e 2,5 g/l de H2SO4, a 50-55 °C, com densidade de 31 a 46 A/ dm2, e velocidade de deposição igual a 25 µm/h. Foi utilizado um banho com um simples catalisador com base em sulfato. Depois da deposição da camada de Cromo, os corpos de prova foram submetidas a um tratamento de desidrogenação, para evitar a fragilização por hidrogênio, a 190°C por 8 horas. 3.3.3 PROCESSO HVOF As características principais dos revestimentos escolhidos para esse trabalho são: • WC-CrC-Ni: composição química: 20% Cr, 6% Ni, 5,8% C, W restante; alta resistência à corrosão; alta resistência química; excelentes propriedades de desgaste; empregável até 760°C; 57 • WC-10Ni: composição química: 10,5% Ni, 3,6% C, W restante; melhor resistência à corrosão que WC-Co; excelentes propriedades de desgaste em baixas temperaturas; pode ser utilizado em temperaturas até 480°C; • Ni-20Cr: composição química: 20% Cr, Ni restante; boa resistência à corrosão e a oxidação até 980°C; revestimento liso e brilhante; exibe boas características de adesão; bom para reparos; • Ni-Cr-B-Si-Fe: composição química: 14,5% Cr, 4,5% Fe, 4,5% Si, 3,2% B, Ni restante; boas propriedades de corrosão e desgaste; pode ser utilizado em temperaturas até 815°C; baixa dureza quando comparada com WC-Co; • Cr3C2-NiCr: composição química: 10%C, 21%Ni, 69%Cr; boa resistência ao desgaste e a erosão em altas temperaturas; pode ser utilizado em temperaturas ate 850°C; possui melhor resistência à oxidação que WC-Co; Os revestimentos foram aplicados pela empresa privada Praxair com um sistema HVOF, no qual foi utilizada a composição de pó específica para cada caso, resultando numa espessura de aproximadamente 150 μm com rugosidade superficial de aproximadamente Ra = 2,7 ȝm. As amostras revestidas foram previamente tratadas com um jateamento de alumina de 90 mesh para aumentar a adesão. Os parâmetros de processo utilizados foram: Processo: TAFA JP 5000; Pressão de oxigênio: 9,4 – 10,1 bar (136–146 psi); Combustível: querosene; Pressão de combustível: 7,8 – 8,6 bar (114–124 psi); Pressão de suprimento do pó: 0,2 – 0,4 bar (3–6 psi); Distância da pistola: 300 mm; Temperatura máxima no substrato: 170o C. 58 3.4. ENSAIOS E ANÁLISES 3.4.1 ENSAIO DE TRAÇÃO Os ensaios de tração foram realizados no Departamento de Materiais e Tecnologia na FEG/UNESP, em um equipamento servo-hidráulico da marca INSTRON modelo 8801 (Figura 3.2) adquirida durante a realização do projeto FAPESP- 99/06549-5. Os parâmetros de ensaio e o desenho dos corpos de prova (Figura 3.3) foram estabelecidos conforme a norma ASTM E8 / 2008. A partir desses ensaios foi determinada a resistência mecânica do aço AISI 4340. Figura 3.2 - Instron 8801 59 Figura 3.3 - Corpo de prova de tração (ASTM E8 / 2008) 3.4.2. MICROSCOPIA ÓTICA Os ensaios por microscopia óptica foram realizados no Departamento de Materiais e Tecnologia na FEG/UNESP do campus de Guaratinguetá no LAIMat, Laboratório de Análise de Imagens [ processo FAPESP 97/06287-5], ao qual pertence o microscópio Nikon EPIPHOT 200. As imagens obtidas foram tratadas pelo software de domínio público Image J. As etapas para preparação das amostras para microdureza e microscopia óptica foram as seguintes: corte, embutimento, lixamento, polimento e ataque químico. As amostras foram embutidas em baquelite de base epóxi para a proteção das bordas dos revestimentos. O lixamento do material base teve a seguinte seqüência de granulometria: 100, 220, 320, 400, 600, 1.000 e 1.200. O polimento foi realizado em uma politriz automática da marca Polipan utilizando como lubrificante uma solução coloidal composta de 260ml de OP-S (suspensão), 40ml de H2O2 30%, 1 ml de HNO3 e 0.5 ml de HF. O ataque químico é realizado somente para revelar ou realçar detalhes da microestrutura. A amostra foi imersa em uma solução ácida composta de 45 ml de H2O Deionizada, + HNO3 + HF, por um intervalo de tempo de 25 s. Após a realização do ataque químico, a amostra foi lavada com água destilada por um período de 5 minutos. 60 3.4.3 ENSAIO DE MICROINDENTAÇÃO Foram realizados ensaios de microindentação (HV), sendo 10 medidas para os materiais como recebidos, com carga de 50 gf aplicada durante 15s. Os ensaios foram realizados conforme a norma ASTM E 384, no Departamento de Materiais na FEG/UNESP, em um equipamento Shimadzu, modelo HV-2T adquirido pelo projeto FAPESP 2006/03570-9 (Figura 3.4). Figura 3.4 - Microdurômetro 3.4.4 ANÁLISE DE TENSÃO RESIDUAL A técnica utilizada neste trabalho é a difração de raios X, sendo necessários a remoção do recobrimento HVOF e Cromo do metal base através de processo químico. As medições do valor absoluto das tensões residuais foram realizadas utilizando equipamento RAYSTRESS®, em diferentes profundidades dos corpos de prova (com e sem shot-peening). Precisão da medição do valor absoluto da tensão: ±10 MPa. 61 Figura 3.5 - Equipamento portátil para analise de tensões RAYSTRESS®. (1) Unidade de controle com fonte de alta tensão, que permite monitoramento e o ajuste do nível de potência de alimentação do tubo de raios X; (2) – Fonte de alta tensão e tubo de raios X; (3) – O suporte magnético permite instalar o equipamento diretamente na peça analisada e ajustar o equipamento na posição de exposição; (4) – Colimador com cassete para filme de raios X. 3.4.5 ENSAIOS DE FADIGA Os ensaios de fadiga axial foram realizados em máquina Instron 8801 (Figura 3.2), conforme a norma ASTM E 466. Foi utilizado um carregamento senoidal de amplitude constante com controle de carga, frequência de 20 Hz e razão de carregamento R = 0,1, à temperatura ambiente. Foi considerada como limite de resistência à fadiga a fratura dos corpos de prova ou a vida acima de 106 ciclos. Foram preparados treze grupos de corpos de prova de fadiga listados na Tabela 2, e fabricados de acordo com a Figura 3.6, para a obtenção das curvas S-N dos ensaios de fadiga axial. 62 Tabela 2 - Grupos de corpo de prova para obter as curvas S-N. Metal Base MB + shot peening Revestimento Grupo 1 Aço 4340 -- -- Grupo 2 Aço 4340 SP -- Grupo 3 Aço 4340 SP Cromo duro Grupo 4 Aço 4340 -- WC-CrC-Ni Grupo 5 Aço 4340 SP WC-CrC-Ni Grupo 6 Aço 4340 -- WC-10Ni Grupo 7 Aço 4340 SP WC-10Ni Grupo 8 Aço 4340 -- Ni-20Cr Grupo 9 Aço 4340 SP Ni-20Cr Grupo 10 Aço 4340 -- Ni-Cr-B-Si-Fe Grupo 11 Aço 4340 SP Ni-Cr-B-Si-Fe Grupo 12 Aço 4340 -- Cr3C2-NiCr Grupo 13 Aço 4340 SP Cr3C2-NiCr Figura 3.6- Corpo de prova de fadiga axial 63 3.4.6 MICROSCOPIA ELETRÔNICA DE VARREDURA As superfícies dos corpos de prova fraturados foram analisadas no microscópio eletrônico de varredura JEOL JSM 5310, disponível no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE – São José dos Campos. Nesse equipamento também foram realizadas as análises de espectroscopia dispersiva (EDS) para identificar a composição dos revestimentos e das ligas estudadas. 3.4.7 ENSAIOS DE DESGASTE Os ensaios de desgaste por deslizamento foram realizados no Laboratório de Desgastes do Departamento de Materiais e Tecnologia da FEG-UNESP (Figura 3.7) no Tribômetro de configuração tipo pino-disco, com a metodologia direcionada pela norma ASTM G 99. O pino metálico foi usinado a partir da liga bronze-alumínio 630 e os discos obtidos do aço AISI 4340 na condição material base e com os revestimentos descritos na Tabela 3 e na Figura 3.8. Tabela 3 - Grupos de corpo de prova para ensaio de desgaste. Par tribológico Disco Pino Metal base Revestimento Material Par 1 Aço 4340 -- Bronze Al 630 Par 2 Aço 4340 Cromo duro Bronze Al 630 Par 3 Aço 4340 WC-CrC-Ni Bronze Al 630 Par 4 Aço 4340 WC-10Ni Bronze Al 630 Par 5 Aço 4340 Ni-20Cr Bronze Al 630 Par 6 Aço 4340 Ni-Cr-B-Si-Fe Bronze Al 630 Par 7 Aço 4340 Cr3C2-NiCr Bronze Al 630 A velocidade de deslizamento (v) do par tribológico foi de 0.5 m/s. Foi aplicada 64 sobre o pino uma força normal de 5,0 N, correspondente ao peso da haste de fixação do pino sem pesos adicionais. Os ensaios foram realizados à temperatura ambiente, sem lubrificação e sem controle de umidade. Os parâmetros levantados nos ensaios foram a medição da perda de massa do pino metálico e do disco utilizando uma balança analítica. A cada 500 m de percurso, os corpos de prova foram limpos em banho ultrasônico e pesados. O percurso total para cada par tribológico foi de 2.000 m. Figura 3.7 - Equipamento para ensaios tribológicos Figura 3.8 - Corpos de prova para o ensaio pino-disco 65 3.4.8 ENSAIO DE CORROSÃO EM NÉVOA SALINA Dois corpos de prova para cada revestimento estudado foram submetidos ao ensaio de corrosão em névoa salina com duração de 1.000 h, no equipamento Corrotest, modelo USC-MP-02/2001 de marca Bass de propriedade da empresa Behr Brasil Ltda. Apresentado na Figura 3.9, seguindo os procedimentos da norma ASTM B 117. Os parâmetros de ensaio adotados foram: Ì Solução aquosa 5% em peso de NaCl quimicamente puro, isento de iodo; Ì Temperatura do saturador de 35 a 45ºC; Ì Pressão do saturador de 0,7 – 1,7 bar (10 a 25 psi); Ì Temperatura no interior da câmara de 33 a 36ºC; Ì Coletado de 1 a 2 mL/h; Ì pH do coletado de 6,5 a 7,2. Figura 3.9 - Equipamento para ensaio de corrosão em névoa salina. 66 4. RESULTADOS E DISCUSSÕES 4.1 ANÁLISE QUÍMICA: A composição química do aço AISI 4340 está de acordo com o especificado pela norma AMS 6414 para o aço AISI 4340 conforme apresentada na Tabela 4. Tabela 4. – Composição química do aço AISI 4340. Elemento % C Mn Cr Ni Mo Si S P Especificado (*) 0,380,43 0,600,80 0,700,90 1,652,00 0,200,30 0,20 – 0,35 0,25 máx. 0,035 máx Encontrado 0,42 0,63 0,83 1,80 0,22 0,19 0,008 0,016 (*) ref. AMS 6414. 4.2 PROPRIEDADES MECÂNICAS: As propriedades mecânicas do aço AISI 4340 temperado e revenido para 50 HRc encontram-se na Tabela 5, e estão de acordo com o esperado na norma AMS 6414 para o tratamento térmico de tempera seguida de duplo revenimento a que foram submetidas as amostras do aço AISI 4340. Tabela 5. – Propriedades mecânicas do aço AISI 4340 Propriedades mecânicas AISI 4340 Especificado Mínimo AlSI 4340 Encontrado Dureza [HRc] 50 50 / 52 Limite de resistência à tração [MPa] 1.793 1.950 Limite de escoamento a 0,2% [MPa] 1.496 1.515 Alongamento [%] 10 10 67 4.3 ANÁLISE METALOGRÁFICA Trata-se de martensita revenida conforme comparação com a ASM Handbook v.7 em conformidade a microestrutura esperada para o tratamento térmico de têmpera seguida de duplo revenimento, aplicado às amostras do aço AISI 4340. No exame visual com ampliação de 1.000 vezes, não são encontrados traços de bainita e nem de austenita retida. Figura 4.3.1 – Microestrutura do aço AISI 4340 temperado e revenido: Martensita revenida. – 500X. - Ataque Nital 2% (ASM Handbook v. 7). Figura 4.3.2 – Microestrutura do aço 4340 temperado e revenido: Martensita revenida. – 1.000X. Ataque Nital 2% (ASM Handbook v. 7). 68 4.4 ANÀLISE DO METAL BASE 4.4.1 METAL BASE – Resultados do ensaio de fadiga Os resultados do teste de fadiga axial para aço AISI 4340, com e sem shot peening são representados na Tabela 6, onde os resultados experimentais mostram que a resistência à fadiga axial foi estudada na faixa de tensão de 1.200 MPa e 935 MPa. Para os corpos de prova com shot peening a resistência à fadiga axial foi obtida em variação de tensão de 1.415 MPa e 1.100 MPa. N1 representa o valor médio dos resultados de fadiga axial para aço AISI 4340, N2 representa o valor médio dos resultados para o aço AISI 4340 +SP, e Nc representa o valor médio dos resultados do aço AISI 4340 +SP + EHC. Mesmo sabendo que o objetivo deste estudo não era estabelecer o limite de fadiga, pode-se notar uma tendência de 935 MPa para aço AISI 4340 sem shot peening e 1.100 MPa para o aço AISI 4340 +SP para 106 ciclos. Para aço AISI 4340, diminuindo a tensão aplicada, pode-se observar um aumento da razão entre o desvio padrão e a média do número de ciclos até a falha DP/N1, 0,44, 0,47 e 1,09 para 1.125, 1.000 e 950 MPa, respectivamente. Considerando que os valores mais baixos indicam menor índice de dispersão em dados experimentais, ocorre maior dispersão dos resultados para tensões mais baixas, ou seja, em alto ciclo. A mesma tendência é observada para o aço AISI 4340 + SP, onde diminuindo a tensão aplicada, aumenta-se a taxa DP/N2, 0,18, 0,33 para 1.200 e 1.150 MPa, respectivamente. Podese notar também, que a razão DP/N2 representa valores inferiores a DP/N1, mostrando que o processo de shot-peening reduz a dispersão natural dos dados em ensaios de fadiga axial. Conforme indicado na Tabela 6, o processo de shot peening é eficaz para aumentar o limite de resistência à fadiga do metal base. Se comparado a relação N2/N1, diminuindo a tensão aplicada, pode-se observar um aumento na proporção, 3,07, 3,25 e 26,6 para 1.200 MPa, 1.150 MPa e 1.125 MPa, respectivamente, o que significa que o processo de shot peening tem mais influência sobre a fadiga de alto ciclo. Este aumenta o limite de resistência à fadiga axial de 935 MPa para 1.100 MPa (17,6%) para 106 ciclos. As tensões residuais compressivas na superfície e no interior do substrato, tal como apresentado na Figura 4.4.1 para o aço AISI 4340 + SP de -330 MPa na superfície do substrato com o máximo de -630 MPa a 0,10 milímetros de 69 profundidade, desempenha um papel importante para evitar ou retardar a nucleação de trincas de fadiga e sua propagação. 4.4.2 METAL BASE - Resultado do ensaio de tensões residuais Na Figura 4.4.1 é apresentado o perfil de tensões residuais na superfície do metal base, onde se conclui que o processo de produção do material base sem shot peening e os processos de fabricação aplicados sobre os corpos-de-prova induzem tensões residuais de tração, na superfície de +100 MPa, atingindo +80 MPa a uma profundidade de 0,10 mm e tendendo a zero em uma profundidade de 0,20 mm. Com relação ao material base tratado pelo shot peening, conclui-se que ele não só neutraliza as tensões residuais trativas induzidas no processo de fabricação como gera tensões residuais compressivas nas camadas superficiais até uma profundidade de aproximadamente 0,20 mm. A tensão residual na superfície é de -330 MPa, e sua maior intensidade medida, -600 MPa, a uma profundidade de 0,10 mm. Mesmo em profundidades maiores, como a 0,20 mm da superfície, a tensão residual é compressiva, de -200 MPa. Essas tensões compressivas são as responsáveis pelo incremento na resistência a fadiga axial de +17,6% com relação ao metal base. Torres (2002) encontrou tensões residuais de até -900 MPa na superfície ao estudar o aço AISI 4340 com as mesmas características mecânicas, processado na mesma faixa de intensidade de shot-peening. Figura 4.4.1 - Distribuição das tensões em relação à profundidade – MB e SP + MB. 70 4.4.3 METAL BASE: Resultados do ensaio de microindentação A Figura 4.4.2 apresenta o perfil de microdureza do aço AISI 4340 e evidência a uniformidade do tratamento térmico, onde não há descarbonetação superficial e também diferenças nos valores de microdureza, devido a diferentes velocidades de resfriamento das amostras. A média de todos os valores coletados é de 49,8 HRc. Figura 4.4.2 – Perfil dos valores de microdureza do metal base. 100g. 4.4.4 METAL BASE - Resultados da análise em microscópio eletrônico de varredura As superfícies de fratura do aço AISI 4340 nas condições metal base e metal base tratado com shot peening podem ser visualizadas nas Figuras 4.4.3 a 4.4.8. Nas Figuras 4.4.3b e 4.4.4 é possível verificar a nucleação da trinca originada em inclusão sub-superficial, como pode ser visto pela seta amarela. Observa-se a presença dos elementos Fe, Cr, O, C na inclusão, elementos químicos normais para esse tipo de aço baixa liga, conforme análise por EDS apresentada na Figura 4.4.5. A falha de fadiga ocorre para o aço AISI 4340 sem tratamento superficial prévio de shot peening com nucleação em inclusão sub-superficial. Na ausência de inclusão, provavelmente a trinca iniciaria a partir da superfície do material. Em materiais sem shot peening é natural que a mesma se inicie na superfície, que é a região de maior tensão devido às características das solicitações 71 axiais do ensaio. Figura 4.4.3a. Superfície de fratura do corpo de Figura 4.4.3b Superfície de fratura do corpo de prova submetido à fadiga axial. prova submetido à fadiga axial. Metal base sem shot peening Metal base sem shot peening Aumento 30x. Aumento 200x. Figura 4.4.4 - Apresenta a origem da frente de propagação de trinca originada em inclusão sub-superficial. Metal base sem shot peening - Aumento 1.000x. 72 Figura 4.4.5 - Apresenta a análise de EDS na inclusão sub-superficial. Elementos encontrados: Fe, Cr, O, C. Metal base sem shot peening - Aumento 1.000x. 73 Na Figura 4.4.6 pode ser observada a presença de dimples, característica de uma fratura dúctil para um aço de alta resistência mecânica. É importante ressaltar os dimples (identificados por setas amarelas) e com algumas facetas (identificadas por setas brancas) presentes no material na região de fratura final. Figura 4.4.6 - Apresenta a microestrutura na região oposta ao início da propagação da trinca – Observar dimples e microporos. Metal base sem shot peening - Aumento 3.500x. Nas Figuras 4.4.7 e 4.4.8 são apresentadas a superfície de fratura dos corpos de prova da liga AISI 4340 com tratamento de shot peening. É possível notar uma inclusão sub-superficial, responsável pelo aparecimento de uma frente de propagação de trinca. A falha de fadiga ocorre para o aço AISI 4340 com tratamento superficial prévio de shot peening com nucleação em inclusão sub-superficial. 74 Figura 4.4.7a. Superfície de fraturado corpo de Figura 4.4.7b. Apresenta a origem da prova submetido à fadiga axial. propagação de trinca originada em inclusão sub- Metal base com shot peening Aumento 30x. superficial. Metal base com shot peening Aumento 350x. Figura 4.4.8 - Apresenta a origem da propagação de trinca originada em inclusão sub-superficial. Metal base com shot peening - Aumento 1.000x. 75 4.5 RECOBRIMENTO CROMO DURO – 4.5.1 CROMO DURO - Resultado ensaio de fadiga: A Tabela 6 apresenta os resultados do teste de fadiga axial para aço AISI 4340, com e sem shot peening, e revestido por Cromo duro. Tabela 6 –Resultados do ensaio de fadiga axial para o aço AISI 4340 com e sem SP e EHC. AISI 4340 Shot peened AISI 4340+ Cromo Duro Shot peened AISI 4340 Tensão N N1 (MPa) (ciclos) (ciclos) 1.415 - 1.200 23337 DP DP/ N1 N N2 (ciclos) (ciclos) - - - 22718 23337 - - DP DP/ N2 N2/N1 22718 - - - 71747 12925 0,18 3,07 92175 30519 0,33 3,25 812825 - - 26,60 - - - - Nc Nc/N1 (ciclos) 77790 56907 8843 0,38 20959 0,10 80545 127507 1150 44673 11959 28316 23132 0,82 102393 55184 83615 1125 1.100 39939 21175 - 30557 13268 0,44 - - - 44698 21083 0,47 206975 226956 1,09 298715 - - - - 812825 106 106 64043 1.000 22226 47826 107243 653456 950 122543 82703 48084 227823 945 935 298715 106 106 850 19018 700 119227 500 263846 450 106 Onde: N1 é o valor médio dos resultados de fadiga axial para aço AISI 4340; N2 é o valor médio dos resultados de fadiga axial para o aço AISI 4340 + SP; NC é o valor médio dos resultados de fadiga axial para o aço AISI 4340 + SP + Cromo duro; 76 DP é o desvio padrão. A Tabela 6 mostra que o revestimento de Cromo duro eletrodepositado (EHC) reduz significativamente a resistência à fadiga do aço AISI 4340. Essa tendência pode ser observada para todos os níveis de tensão. Comparando-se a relação Nc/N1, diminuindo a tensão aplicada, pode-se observar uma diminuição na razão, 0,38 e 0,10 para 1.200 e 950 MPa, respectivamente, o que significa maior influência sobre a fadiga para ciclos mais elevados. Calculando-se a relação Nc/N2 tem-se 0,12, para 1.200 MPa. Isso significa que EHC tem influência negativa sobre a fadiga axial, apesar do processo de shot peening apresentar tensões residuais compressivas de -300 MPa na interface revestimento / substrato. Em alto ciclo a redução na resistência à fadiga causada por revestimento EHC é de 57%, redução de 1.100 a 475 MPa, em comparação com o metal base BM + SP para 106 ciclos. Há vários fatores que causam esta diminuição da resistência à fadiga após o Cromo duro eletrodepositado, tais como microfissuras inerentes à EHC, espessura dos eletrodepósitos, método de deposição e aderência EHC ao material base. As microtrincas presentes ao longo do revestimento de Cromo aconteceram devido à alta resistência mecânica e tensões residuais no revestimento que influenciam o comportamento em fadiga de substrato revestido. Atribuí-se às microfissuras, o processo de aliviar as altas tensões residuais nos revestimentos (NOGUEIRA, 2003). 4.5.2 CROMO DURO – Resultados do ensaio de tensão residual Quanto às tensões residuais, percebe-se que tem o perfil compressivo na superfície de interface de -300 MPa para a espessura de revestimento de 150 μm, devido a dois fatores principais: tensões trativas no recobrimento de Cromo, e tensões residuais induzidas pelo prévio tratamento superficial de shot peening. Voorwald em 2007 encontrou valores de até +1.000 MPa. Estas tensões residuais de tração na camada de Cromo são explicadas de acordo com a teoria que atribui principalmente sua origem às inclusões de gases codepositados com o Cromo. A maior densidade de microtrincas implica em maiores alívios das tensões residuais de tração. No entanto, o revestimento com Cromo duro possui tensões residuais muito altas mesmo após o processo de alívio por ocorrência 77 de microtrincas quando a resistência mecânica da camada é excedida, durante o processo de eletrodeposição. Tensão residual, 400 300 200 100 0 0,00 -100 -200 0,05 0,10 0,15 0,20 0,25 Profundidade, mm Cr com shot - Interface Figura 4.5.1 – Perfil de tensões residuais na superfície do metal base 4.5.3 CROMO DURO – Resultados dos ensaios de microindentação A Figura 4.5.2 apresenta o perfil de microdureza do aço AISI 4340 revestido pelo Cromo duro, onde pode-se observar uma boa regularidade nas medidas de microdureza na camada de Cromo duro e ao penetrar o aço em direção ao seu interior. O levantamento da microdureza com 100 g de carga indica valores para revestimentos com Cromo duro de 950 HV, espessura de 150 μm, e conforme esperado não há influência do recobrimento e do processo de eletrodeposição na microdureza do substrato, pois não há variação a partir da superfície do metal base. Sabe-se, por estudos anteriores que existe uma correlação entre a densidade de microtrincas e a microdureza (NASCIMENTO, 2001). Souza (2002) encontrou valores 78 de microdureza no Cromo duro na ordem de 870 HV com 300 g de carga Figura 4.5.2 – Perfil de microdureza do Cromo duro sobre o metal base. 100g 4.5.4 CROMO DURO - Resultado da análise em microscópio eletrônico de varredura Nas Figuras 4.5.3 a 4.5.6 são apresentadas as superfícies de fratura dos corpos de prova da liga AISI 4340 com tratamento de shot peening e recobrimento de Cromo duro. Nas Figuras 4.5.3b e 4.5.4 podem ser observados o início da frente de propagação da trinca originada na camada de Cromo e sua migração à interface metal base / Cromo. Este fenômeno pode ser atribuído à alta tensão residual interna, densidade de microtrincas e forte adesão na interface substrato / recobrimento (SOUZA, 2005). Não ocorreu o descolamento da camada de Cromo na interface substrato / recobrimento mostrando que há uma boa preparação da superfície antes do recobrimento. Nas Figuras 4.5.4 e 4.5.5 podem ser observadas que o início da frente de propagação da trinca ocorre na camada de Cromo, migra para a interface recobrimento / substrato, e propaga-se ao longo do substrato da superfície para o interior. Este mecanismo apresenta tendência compatível e esperada para este tipo de recobrimento. 79 Na Figura 4.5.6, com aumento de 500x, percebe-se as microtrincas na camada de Cromo, o início da frente de propagação, seu deslocamento em direção à interface e a migração para o interior do substrato. Figura 4.5.3a. Superfície de fratura do corpo de prova submetido à fadiga axial. Tensão de 950 MPa – falha com 20.959 ciclos. Metal base com shot peening + Cromo duro - Aumento 15x. Figura 4.5.3b. Apresenta o início da frente de propagação de trinca. Tensão de 950 MPa – 20.959 ciclos. Metal base com shot peening + Cromo duro - Aumento 100x. Figura 4.5.4 - Apresenta o início da frente de propagação de trinca com maior aumento. Observar que não há descolamento na interface recobrimento / substrato. Metal base com shot peening + Cromo duro - Aumento 200x. 80 Figura 4.5 5 - Apresenta o início da frente de propagação de trinca. Observar que não há descolamento na interface recobrimento / substrato. Espessura da camada = 150 μm Metal base com shot peening + Cromo duro - Aumento 100x. Figura 4.5 6 - Apresenta as microtrincas na camada de cromo. Observar que não há descolamento na interface recobrimento / substrato. Metal base com shot peening + Cromo duro - Aumento 500x. 81 4.6 RECOBRIMENTO WC-CRC-Ni 4.6.1 WC-CrC-Ni - Resultados do ensaio de fadiga Os resultados de fadiga axial do aço AISI 4340 com recobrimento WC-CrC-Ni utilizados nesse projeto estão apresentados na Tabela 7 e Figura 4.6.1. Tabela 7 – Resultados do ensaio de fadiga axial para o recobrimento WC-CrC- Ni. AISI 4340 + WC-CrC-Ni Shot peened AISI 4340 + WC-CrC-Ni Tensã o(MPa) N (ciclos) N3 (ciclos) DP DP/N3 N (ciclos) N4 (ciclos) DP DP/N4 N4/N3 1.200 6732 7646 - - 8450 8450 - - 1,10 44144 21915 0,50 56049 18724 0,33 1,27 103510 39592 0,38 1,22 693276 531261 0,77 4,48 - - - - - - - - - - - - - - 8559 1.000 28648 59640 50207 950 95008 157427 69 289 42809 60853 84836 54434 0,64 110599 139079 36700 79829 900 154873 106 154873 10 6 409278 850 148117 290376 220318 164041 0,74 106 106 33500 800 106 750 106 - - - Onde: N3 é o valor médio dos resultados de fadiga axial para aço AISI 4340 revestido com WCCrC-Ni; N4 é o valor médio dos resultados de fadiga axial para aço para o aço AISI 4340 + SP e revestido com WC-CrC-Ni; DP é o desvio padrão. 82 Ͳϰй Ͳϭϱй Ͳ ϱϳ й Ͳϯй Ͳϱй Ͳ ϰϬ й Ͳϯй Ͳϰй нϭϴй нϭϴй нϭϴй Ͳ ϮϮй Figura 4.6.1A – Curvas SxN para o aço AISI 4340 revestido com WC-CrC-Ni. 2 Figura 4.6.1B – Análise da perda em fadiga por número de ciclos. . 83 A Tabela 7 mostra os dados experimentais de WC-CrC-Ni aplicado pelo processo HVOF. Observa-se também que com a diminuição da tensão aplicada, a razão DP/N3 aumenta de 0,50, 0,64 e 0,74 para 1.000, 950 e 850 MPa respectivamente, o que significa maior influência sobre à fadiga para ciclos mais elevados. Considerando que os valores mais baixos indicam menor índice de dispersão em dados experimentais, ocorre maior dispersão dos resultados para tensões mais baixas, ou seja, em alto ciclo. A mesma tendência é observada para o aço AISI 4340 + SP + WC-CrC-Ni, diminuindo a tensão aplicada, aumenta-se a taxa DP/N4, 0,33, 0,38 e 0,77 para 1.000, 950 e 900 MPa, respectivamente. Pode-se notar também, que a razão DP/N4 representa valores inferiores a DP/N3, mostrando que o processo de shotpeening reduz a dispersão natural dos dados em ensaios de fadiga axial. Para a fadiga de alto ciclo, observa-se uma tendência a 800 MPa para aço AISI 4340 sem shot peening e 850 MPa para o aço AISI 4340 +SP ambos com WC-CrC-Ni. Na figura 4.6.1B observa-se que há um ganho de 18% no nível de tensão para o metal base com SP (setas laranja); perdas de -57% para 106, -40% para 105, e -22% para 104 ciclos, para o metal base + SP + Cromo duro (setas verdes); perda de -15% para 106, -5,0% para 105, e -3,8% para 104 ciclos, para o metal base + WC-CrC-Ni (setas azuis); e perda de -4,0% para 106, -3,0% para 105, e -3,0% para 104 ciclos, para o metal base + SP + WC-CrC-Ni (setas vermelhas). A Tabela 7A mostra diversas comparações para entender melhor o efeito de WCCrC-Ni aplicado pelo processo de revestimento HVOF. Pode-se observar a redução na resistência à fadiga axial para todos os níveis de tensão quando se compara N3 / N1, com resultados negativos: -67,2% para 1.200 MPa, -1,9% para 1.000 MPa e -60,0% para 950 MPa. Para as amostras com shot peening aconteceu também a redução de resistência à fadiga axial, N4/N1 com redução de -53,8% para 1.200 MPa, -50% para 950 MPa, e -30,7% para 900 MPa, o que significa que há influência negativa em fadiga axial devido ao revestimento de WC-CrC-Ni, e que há maior influência em corpos de prova sem shot peening. Tensões residuais de -60 MPa na interface revestimento / substrato devido ao processo de shot peening não são eficazes para restaurar a resistência à fadiga ao nível do metal base. 84 Tabela 7A - – Resultados e razão média do número de ciclos para a falha do aço AISI 4340 com e sem SP revestido com WC-CrC-Ni. N1 N2 N3 N4 4340 4340+ shot peening 4340+WCCrC-Ni 4340+shot peening + WC-CrC-Ni Ciclos Tensãos (MPa) (%) (%) (%) (%) (%) N2 N4 N3 N4 N4 N1 N3 N1 N2 N1 1.200 23337 71747 7646 8450 +207 +10,5 -67,2 -88,2 -53,8 1150 28316 92175 - - +225 - - - - 1125 30557 812825 - - +2560 - - - - 1.100 - 106 - - - - - - - 1.000 44698 - 44144 56049 - +26,7 -01,9 -94,4 +25,0 950 206975 - 84836 103510 - +22,1 -60,0 -90,0 -50,0 945 298715 - - - - - - - - 935 106 - - - - - - - - 900 - - 154873 693276 - +347 - - -30,7 850 - - 220318 106 - +353 - - - 800 - - 106 - - - - - - Na Tabela 7B, para fadiga de alto ciclo, há redução de -14,4% da resistência à fadiga axial (de 935 MPa a 800 MPa) em relação ao metal base sem shot peening. Há também uma redução de -18,2% na resistência à fadiga (de 1.100 MPa a 900 MPa) nesse processo HVOF aplicado no metal base com shot peening. Considerando-se o processo de shot peening antes do revestimento WC-CrC-Ni, há um aumento no limite de resistência à fadiga em 12,5%, mas mesmo assim, há redução de -3,8% na resistência à fadiga em comparação com o nível de metal base (de 935 a 900 MPa). Tabela 7B – Comparação da resistência a fadiga para alto ciclo (106 ciclos). Para 4340 (935MPa) 4340 (935 MPa) De ļ 4340 +shot peening (1.100 MPa) 4340+ WC-CrCNi (800 MPa) 4340+ shot peening+ WC-CrC-Ni (900 MPa) +17,6% -14,4% -3,8% 4340 +shot peening (1.100 MPa) ļ -27,3% -18,2% 4340+ WC-CrC-Ni (800 MPa) - ļ +12,5% 4340+ shot peening+ WC-CrC- Ni (900 MPa) - - ļ 85 4.6.2 WC-CrC-Ni - Resultado ensaio de tensões residuais De acordo com a Figura 4.6.2, o perfil das tensões residuais no substrato varia de +100 MPa na superfície de interface recobrimento/substrato para compressão a uma profundidade de 0,12 mm. O recobrimento não foi suficiente para gerar tensões compressivas na superfície do substrato. Souza (2002) encontrou que as tensões residuais através da espessura iniciam-se trativas próximo à superfície do revestimento, mudando para compressivas ainda no interior dos mesmos, chegando a uma tensão máxima compressiva próxima à interface do revestimento com o substrato, mas ainda dentro da camada dos revestimentos. Entrando no material base, as tensões tomadas próximas à interface eram compressivas, mudando para trativas no interior do mesmo numa distância aproximadamente igual à distância em que as tensões trativas da superfície do revestimento mudam para compressivas no revestimento. Figura 4.6.2 - Distribuição das tensões em relação à profundidade – WC-CrC-Ni e SP + WC-CrC-Ni. No substrato tratado previamente com shot peening, as tensões residuais atingem -60 MPa. Neste caso, o recobrimento WC-CrC-Ni pelo processo HVOF, precedido do pré-tratamento de shot peening, mantém as tensões internas compressivas dentro do substrato, influenciando positivamente na resistência a fadiga 86 que passa de 800 a 900 MPa a 106 ciclos (+12,5%). Este fato foi completamente alinhado com o esperado onde as máximas tensões residuais compressivas ocorreram próximas à interface revestimento/substrato. 4.6.3 WC-CrC-Ni – Resultados do ensaio de microindentação Figura 4.6.3 – Perfil dos valores de microdureza do aço AISI 4340 revestido com WCCrC-Ni. 100g. Pela Figura 4.6.3, nota-se que a espessura do revestimento é de aproximadamente 0,15 mm (150 μm), sendo que a dureza média encontrada no revestimento é de 1.250 HV. Percorrendo uma profundidade maior que 0,15 mm, observa-se que a dureza do metal base, conforme esperado, não é alterada pelo processo de deposição do revestimento (HVOF), permanecendo em torno de 600 HV. A elevada dureza no recobrimento está associada à presença do WC, que apresenta elevada dureza superficial. Percebe-se que não há influência do recobrimento no perfil de microdureza no substrato, pois não ocorre variação na microestrutura nesta região. 87 No parágrafo 4.13, ao final deste trabalho, apresenta-se uma comparação entre todos os resultados do ensaio de microindentação, sempre observando e utilizando como referência o resultado do Cromo duro que é de 950 HV. 4.6.4 WC-CrC-Ni - Resultado da análise em microscópio eletrônico de varredura Nas Figuras 4.6.4 a 4.6.9, apresentam-se a micrografia da superfície de fratura dos corpos de prova de aço AISI 4340, com e sem tratamento prévio de shot peening e recobrimento de WC-CrC-Ni fraturados em fadiga axial. Na Figura 4.6.5 na linha da interface deste revestimento com o material base, observa-se certa irregularidade devido ao processo de jateamento com alumina. Esse processo retém pequenas inclusões de alumina que podem ser vistas na micrografia. Essas inclusões podem também ser óxidos impregnados pelo próprio processo que é conduzido em ar. A literatura apresenta relatos referentes à redução da resistência à fadiga de amostras com jateamento abrasivo, considerando a alumina retida na interface do revestimento com o substrato, que se tornam concentradores de tensão e induzem a nucleação de trincas por fadiga. Esse efeito claramente neutraliza as tensões residuais compressivas produzidas pelo processo de jateamento abrasivo e pelo processo HVOF de deposição na superfície do material. Na Figura 4.6.6 percebe-se que a nucleação e o início da frente de propagação da trinca ocorrem no recobrimento, propaga-se em direção à interface recobrimento / substrato, em seguida há a penetração na superfície do substrato. A nucleação e propagação das trincas nesse recobrimento ocorrem de acordo com o comportamento esperado para o processo HVOF. 88 Figura 4.6.4 - Apresenta o início da frente de propagação da trinca. Tensão de 950 MPa. Metal base sem shot peening + WC CrC Ni - Aumento 200x. Figura 4.6.5 - Apresenta o início da frente de propagação da trinca ocorrida em inclusão de Al2O3. Tensão de 950 MPa. Metal base sem shot peening + WC CrC Ni - Aumento 750x. 89 Nas Figuras 4.6.7, 4.6.8 e 4.6.9, percebe-se que a nucleação e início da frente de propagação da trinca ocorrem no recobrimento, propaga em direção a interface recobrimento / substrato, percorre a interface substrato e recobrimento, em seguida há a penetração na superfície do substrato. O pré-tratamento de shot peening funciona como uma barreira durante a propagação da trinca, pois retarda a sua penetração no substrato, como pode ser verificado nos resultados do ensaio de fadiga onde a resistência à fadiga passa de 800 para 900 MPa (+12,5%) a 106 ciclos. Figura 4.6.6 - Apresenta o início da frente de propagação da trinca. Observar que as microtrincas correm lateralmente - Tensão de 950 MPa. Metal base sem shot peening + WC CrC Ni - Aumento 2.000x. 90 A nucleação e propagação das trincas neste recobrimento, o retardo na propagação na interface devido ao shot peening (aumento na resistência a fadiga de +12,5% a 106 ciclos), ocorrem de acordo com o comportamento esperado para o processo HVOF com tratamento prévio de shot peening. Figura 4.6.7 - Apresenta o início da frente de propagação da trinca. Tensão de 950 MPa – falha com 60.853 ciclos. Metal base com shot peening + WC CrC Ni - Aumento 200x. 91 Figura 4.6.8 - Apresenta o início da frente de propagação da trinca. Tensão de 950 MPa – falha com 60.853 ciclos. Metal base com shot-peening + WC CrC Ni - Aumento 750x. Figura 4.6.9 - Apresenta o início da segunda frente de propagação da trinca. Tensão de 950 MPa – falha com 60.853 ciclos. Metal base com shot peening + WC CrC Ni - Aumento 2.000x. 92 4.7 RECOBRIMENTO WC-10Ni 4.7.1 - WC-10Ni – Resultados do ensaio de fadiga Os resultados de fadiga axial do aço AISI4340 com recobrimento de WC-10Ni utilizados nesse projeto estão apresentados na Tabela 8 e Figura 4.7.1. Tabela 8- – Resultados do ensaio de fadiga axial para o recobrimento WC-10Ni AISI 4340 + WC-10Ni Shot peened AISI 4340 + WC-10Ni Tensão (MPa) N (ciclos) N5 (ciclos) DP DP/ N5 N (ciclos) N6 (ciclos) DP DP/N6 N6/N 5 1.200 2394 17467 36740 2394 - - 10601 - - 4,43 27103 13628 0,50 10601 28229 46797 42955 53436 86528 36603 45876 46870 78325 47062 61368 247336 91894 106142 63665 37513 13129 0,35 1,38 60973 22743 0,37 3,12 51918 18201 0,35 1,43 54215 10115 0,19 - 127259 81974 0,65 - 1.000 950 18346 20780 19563 1721 0,09 900 19780 43011 45817 36202 14291 0,40 875 - - - - 865 - - - - 67169 26402 0,40 106 106 - - - - 709721 238606 0,34 - - - - - - - - - - - - - 97625 50746 53137 541001 878441 106 106 850 800 750 Onde: N5 é o valor médio dos resultados de fadiga axial para o aço AISI 4340 revestido com WC10Ni; N6 é o valor médio dos resultados de fadiga axial para o aço AISI 4340 +SP e revestido com WC-10Ni; DP é o desvio padrão. Na Tabela 8 observa-se uma tendência para a resistência à fadiga de 750 MPa para aço AISI 4340 sem shot peening, e 850 MPa para o aço AISI 4340 + SP revestido com WC-10Ni. Comparando-se as Tabelas 6 e 8, pode-se ver que o desvio padrão DP é inferior na Tabela 8, o que significa que, para o AISI 4340 revestido com WC-10Ni, 93 ocorre menor dispersão nos dados experimentais, em comparação ao aço AISI4340. A mesma tendência é observada para o aço AISI 4340 +SP revestido com WC-10Ni. Pode-se verificar também que, com a diminuição da tensão aplicada, a razão DP/N5 é aproximadamente estável em torno de 0,40, e DP/N6 em torno de 0,35, sendo que a razão média DP/N6 apresenta valores inferiores a DP/N5, mostrando que o processo de shot-peening reduz a dispersão natural dos dados do ensaio de fadiga axial. Para a fadiga de alto ciclo, observa-se uma tendência a 750 MPa para aço AISI 4340 sem shot peening e 850 MPa para o aço AISI 4340 +SP ambos com WC-10Ni. ͲϮϬй ͲϭϬй Ͳ ϱϳ й Ͳϳй Ͳϯй Ͳ ϰϬ й Ͳϯй Ͳϴй нϭϴй нϭϴй нϭϴй Ͳ ϮϮй Figura 4.7.1A – Curvas SxN para o aço AISI 4340 revestido com WC-10Ni. 3 Figura 4.7.1B – Análise da perda em fadiga por número de ciclos.. 94 Na figura 4.7.1B observa-se que há um ganho de 18% no nível de tensão para o metal base com SP (setas laranja); perdas de -57% para 106, -40% para 105, e -22% para 104 ciclos, para o metal base + SP + Cromo duro (setas verdes); perda de -20% para 106, -7,0% para 105, e -8,0% para 104 ciclos, para o metal base + WC-10Ni (setas azuis); e perda de -9,1% para 106, -3,0% para 105, e -3,0% para 104 ciclos, para o metal base + SP + WC-10Ni (setas vermelhas). A Tabela 8A mostra diversas comparações para entender melhor o efeito de WC10Ni aplicado pelo processo de revestimento HVOF. Pode-se observar a redução na resistência à fadiga axial para todos os níveis de tensão quando se compara N5 / N1, com resultados negativos: -89,7% para 1.200 MPa, -39,3% para 1.000 MPa e -90,6% para 950 MPa. Para as amostras com shot peening acontece também a redução de resistência à fadiga axial, N6/N1 com redução de -54,5% para 1.200 MPa, -16% para 1.000 MPa, e -69,5% para 950 MPa, o que significa que há influência negativa em fadiga axial devido ao revestimento de WC-10Ni, e que há maior influência em corpos de prova sem shot peening. Tensões residuais de -350 MPa na interface revestimento / substrato devido ao processo de shot peening não são eficazes para restaurar a resistência à fadiga ao nível do metal base. Na Tabela 8B, para fadiga de alto ciclo, há redução de -19,8% da resistência à fadiga axial (de 935 MPa a 750 MPa) em relação ao metal base sem shot peening. Comparando-se o processo HVOF no metal base com shot peening, há também uma redução de -22,7% na resistência à fadiga (de 1.100 MPa a 850 MPa). Considerandose o processo de shot peening antes do revestimento WC-10Ni, esse aumenta o limite de resistência à fadiga em 13,3%, mas mesmo assim, há redução de -9,1% na resistência à fadiga em comparação com o nível de metal base. Um papel importante é desempenhado pela superposição das tensões residuais de compressão causada pelo processo de usinagem, revestimento HVOF e processo de shot peening. Tensões residuais de -350 MPa na interface revestimento / substrato são encontradas nas amostras com SP. Deve ser considerado também o valor elevado de dureza do revestimento que é de 1.450 HV. 95 Tabela 8A - Resultados e razão média do número de ciclos para a falha do aço AISI4340 com e sem SP revestido com WC-10Ni. N1 N2 N5 N6 (%) (%) (%) (%) (%) 4340 4340+ shot peening 4340+WC10Ni 4340+shot peening WC10Ni N2 N6 N5 N6 N6 N1 N5 N1 N2 N1 1.200 1150 23337 28316 71747 92175 2394 - 10601 - +342 - -89,7 - -85,2 - -54,5 - - - - - 37513 +207 +225 +256 0 - 1125 30557 812825 - - 1.100 1.000 44698 20697 5 29871 5 106 - 106 - 27103 +38,4 -39,3 - -16,0 - 19563 60973 - +212 -90,6 - -69,5 - - - - - - - - - 36202 67169 709721 106 51918 54215 127259 106 - - +43,4 - - - - Ciclos Tensão (MPa) 950 945 935 900 875 865 850 800 750 Tabela 8B - Comparação da resistência à fadiga para alto ciclo (106 ciclos). Para De 4340 (935 MPa) 4340 +shot peening (1.100 MPa) 4340+ WC10Ni (750 MPa) 4340+ shot peening+ WC-10Ni (850 MPa) 4340 (935 MPa) ļ +17,6% -19,8% -9,1% 4340 +shot peening (1.100 MPa) - ļ -31,8% -22,7% - - ļ +13,3% - - - ļ 4340+WC-10Ni (750 MPa) 4340+ shot peening+WC-10Ni (850 MPa) 96 4.7.2 - WC-10Ni - Resultado ensaio de Tensões residuais: De acordo com a Figura 4.7.2, o perfil das tensões residuais no substrato é de +25 MPa (metal base sem shot peening) na superfície de interface recobrimento/substrato tendendo a zero a uma profundidade de 0,15 mm. Esse recobrimento não foi suficiente para gerar tensões compressivas na superfície do substrato, fato similar ao que ocorre no recobrimento WC-CrC-Ni. 200 Tensão Residual MPa 100 0 0,00 -100 0,05 0,10 0,15 0,20 Profundidade mm -200 -300 -400 WC-10Ni sem shot peening WC-10Ni com shot peening Figura 4.7.2 - Distribuição das tensões em relação à profundidade WC-10Ni e SP + WC-10Ni. No substrato tratado previamente com shot peening as tensões residuais atingem -360 MPa. Nesse caso, o recobrimento WC-10Ni pelo processo HVOF, precedido do pré-tratamento de shot peening, mantém as tensões internas compressivas dentro do substrato, influenciando positivamente na resistência a fadiga que passa de 750 a 850 MPa a 106 ciclos (+13,3%). Este fato também foi completamente alinhado com o esperado, onde as máximas tensões residuais compressivas ocorrem próximas à interface revestimento/substrato. 97 4.7.3- WC-10Ni – Resultados do ensaio de microindentação A Figura 4.7.3 mostra o perfil de microdureza do aço AISI 4340 revestido com WC-10Ni e verifica-se que a espessura do revestimento é de aproximadamente 0,14 mm (140 μm). O valor de microdureza do revestimento é superior ao revestimento de WC-CrC-Ni, alcançando em torno de 1.450 HV. Também é possível verificar que a deposição do revestimento não altera a microdureza do material base, sendo uma característica do processo de deposição via HVOF. A elevada dureza no recobrimento está associada à presença do WC. Percebe-se que não ocorre influência do recobrimento no perfil de microdureza no substrato, pois não ocorre variação na microestrutura nessa região. Figura 4.7.3 – Perfil dos valores de microdureza do aço AISI 4340 revestido com WC-10Ni. 100g. 98 4.7.4 - WC-10Ni - Resultado da análise em microscópio eletrônico de varredura Nas Figuras 4.7.4 a 4.7.5 apresentam-se a superfície de fratura dos corpos de prova da liga AISI 4340 sem tratamento prévio de shot peening e recobrimento de WC-10Ni. Nas Figuras 4.7.4b e 4.7.5 percebe-se que a nucleação e início da frente de propagação da trinca ocorrem no recobrimento, propaga-se em direção à interface recobrimento / substrato, em seguida há a penetração na superfície do substrato passando através da interface. O recobrimento WC-10Ni segue a mesma tendência que os demais recobrimentos. A nucleação da trinca ocorre no recobrimento devido às tensões trativas, propaga-se no sentido da interface recobrimento / substrato, em seguida, propaga-se no substrato no sentido da superfície para o interior (Figuras 4.7.4 e 4.7.5). Figura 4.7.4a. Superfície de fraturado corpo de prova submetido à fadiga axial. Figura 4.7.4b. Apresenta o início da propagação de trinca. Tensão de 950 MPa – falha com 18.346 ciclos. Tensão de 950 MPa – falha com 18.346 ciclos. Metal base sem shot peening + WC-10Ni Aumento 30x. Metal base sem shot peening + WC-10Ni Aumento 200x. 99 Nas Figuras 4.7.6 a 4.7.8 são apresentadas as superfícies de fratura dos corpos de prova da liga AISI 4340 com tratamento prévio de shot peening e recobrimento de WC-10Ni. Nas Figuras 4.7.6b e 4.7.7 percebe-se que a nucleação e início da frente de propagação da trinca ocorrem no recobrimento, propaga-se em direção à interface recobrimento / substrato, percorre a interface substrato e recobrimento, em seguida há a penetração na superfície do substrato. O pré-tratamento de shot peening retarda a penetração da trinca no substrato, pois recupera a resistência a fadiga de 750 a 850 MPa a 106 ciclos (+13,3%). Figura 4.7.5 - Apresenta o início da propagação de trinca. Tensão de 950 MPa. Metal base sem shot peening + WC-10Ni- Aumento 1.000x. O recobrimento WC-10Ni com tratamento prévio de shot peening segue a mesma tendência que os demais recobrimentos. A nucleação da trinca ocorre no recobrimento devido às tensões trativas, propaga-se no sentido da interface recobrimento / substrato, em seguida, propaga-se no substrato no sentido da superfície para o interior (Figuras 4.7.6b e 4.7.7). Há um descolamento da camada na região da Figura 4.7.8, provavelmente devido à fratura catastrófica na região. 100 Figura 4.7.6a. Superfície de fraturado corpo de prova submetido à fadiga axial. Tensão de 950 MPa – falha com 53.436 ciclos. Metal base com shot peening + WC-10Ni Aumento 30x. Figura 4.7.6b. Apresenta o início da propagação de trinca. Tensão de 950 MPa – falha com 53.436 ciclos Metal base com shot peening + WC-10Ni - Aumento 200x. Figura 4.7.7 Apresenta início da propagação da trinca. . Tensão de 950 MPa . Metal base com shot peening + WC-10Ni Aumento 1.000x. Figura 4.7.8. Apresenta o início da segunda frente de propagação de trinca. Observar trinca na interface substrato / revestimento. Tensão de 950 MPa. Metal base com shot peening + WC-10Ni - Aumento 100x. 101 4.8 RECOBRIMENTO NI-20CR 4.8.1 - Ni-20Cr – Resultados do ensaio de fadiga axial Os resultados de fadiga axial do aço AISI 4340 com recobrimento de Ni-20Cr utilizados nesse projeto estão apresentados na Tabela 9 e Figura 4.8.1. A Tabela 9 mostra os dados experimentais de Ni-20Cr aplicado pelo processo HVOF. Observa-se uma tendência para a resistência a fadiga de 800 MPa para aço AISI 4340 sem shot peening e 850 MPa para o aço AISI 4340 +SP revestido com Ni-20Cr. Comparando-se as Tabelas 6 e 9, pode-se ver que o desvio padrão DP é inferior na Tabela 9, o que significa que o aço AISI 4340 revestido com Ni-20Cr apresenta menor dispersão nos dados experimentais em comparação ao aço AISI 4340. A mesma tendência é observada para o AISI 4340 + SP e revestido com Ni-20Cr. Nas Tabelas 8 e 9, pode-se ver que o desvio padrão DP é inferior na Tabela 8 para ambas as condições com e sem shot peening, o que significa, o aço AISI 4340 revestido com Ni-20Cr apresenta maior dispersão nos dados experimentais em comparação ao revestido com WC-10Ni, provavelmente devido a uma maior influência na resistência a fadiga axial para o WC-10Ni em comparação ao Ni-20Cr. Para o aço AISI 4340 +SP e revestido com Ni-20Cr no nível de tensão de 1.000 MPa não foi considerada a análise do DP (0,89) porque este representa dispersão muito elevada para este nível de tensão. Tabela 9 – Resultados do ensaio de fadiga axial para o recobrimento Ni-20Cr. Tensão (MPa) 1.200 1.000 950 900 850 800 750 AISI 4340 + Ni-20Cr N N7 DP (ciclos) (ciclos) 11594 63712 82402 52009 24445 35.681 29073 112919 470000 18659 259951 541122 191452 106 DP/ N7 11594 - - 73057 13215 0,18 37378 13860 0,37 178120 189594 1,06 366287 247254 0,68 106 - - - Shot peened AISI 4340 + Ni-20Cr N8 DP N (ciclos) (ciclos) 5989 68.935 15106 17539 172631 103129 144.536 539411 96443 106 106 106 - DP/ N8 N8/N 7 5989 - - 0,52 33860 30400 0,89 0,46 140099 34962 0,25 3,75 545285 451807 0,83 3,06 - - - - - - - - 102 Onde: N7 é o valor médio dos resultados de fadiga axial para aço AISI 4340 revestido com Ni-20Cr; N8 é o valor médio dos resultados de fadiga axial para aço para o aço AISI 4340 + SP e revestido com Ni-20Cr; DP é o desvio padrão. 4 Figura 4.8.1B – Análise da perda em fadiga por número de ciclos. ͲϭϬй Ͳϭϱй Ͳ ϱϳ й Ͳϯй Ͳϯй Ͳ ϰϬ й Ͳϯй Ͳϯй нϭϴй нϭϴй нϭϴй Ͳ ϮϮй Figura 4.8.1A – Curva SxN para o aço AISI 4340 revestido com Ni-20Cr. 103 Na figura 4.8.1B observa-se que há um ganho de 18% no nível de tensão para o metal base com SP (setas laranja); perdas de -57% para 106, -40% para 105, e -22% para 104 ciclos, para o metal base + SP + Cromo duro (setas verdes); perda de -14,4% para 106, -3,0% para 105, e -3,0% para 104 ciclos, para o metal base + Ni-20Cr (setas azuis); e perda de -9,1% para 106, -3,0% para 105, e -3,0% para 104 ciclos, para o metal base + SP + Ni-20Cr (setas vermelhas). A Tabela 9A mostra diversas comparações para entender melhor o efeito do Ni20Cr aplicado pelo processo HVOF. Pode-se observar a redução na resistência à fadiga axial para todos os níveis de tensão quando se compara N7 / N1, com resultados negativos: -50,3% para 1.200 MPa, 63,4% para 1.000 MPa , e -82,0% para 950 MPa. Para as amostras com shot peening acontece também a redução de resistência à fadiga axial, N8/N1 com redução de -74,4% para 1.200 MPa, -25% para 1.000 MPa, e -32,4% para 950 MPa. Não é considerado o nível de tensão de 1.000 MPa devido a alta variação nos resultados. Verifica-se que há influência negativa na resistência à fadiga axial devido ao revestimento Ni-20Cr, sendo a maior influência em amostras sem shot peening. Tensões residuais de -250 MPa na interface revestimento / substrato devido ao processo de shot peening não são eficazes para restaurar a resistência à fadiga ao nível do metal base. Na Tabela 9B, para fadiga de alto ciclo há redução de 14,4% para a resistência à fadiga axial (de 935 MPa a 800 MPa) em relação ao metal base sem shot peening. No metal base com shot peening, há também uma redução de 22,7% na resistência à fadiga (de 1.100 MPa a 850 MPa). Considerando-se o processo de shot peening antes do processo HVOF de recobrimento Ni-20Cr, este aumenta em +6,3% a resistência à fadiga. Entretanto, mesmo assim, há redução de -9,1% na resistência à fadiga em comparação com o nível de metal base. 104 Tabela 9A - Resultados e razão média do número de ciclos para a falha do aço AISI 4340 com e sem SP revestido com Ni-20Cr. N1 N2 N7 N8 4340 4340+ shot peening 4340+Ni20Cr 4340+shot peening + Ni20Cr 23337 28316 30557 44698 206975 298715 106 - 71747 92175 812825 106 - 11594 73057 37378 178120 366287 106 5989 33860 140089 545285 106 - Ciclos Tensão (MPa) 1.200 1150 1125 1.100 1.000 950 945 935 900 850 800 (%) (%) (%) (%) (%) N2 N8 N7 N8 N8 N1 N7 N1 N2 N1 +207 +225 +2560 - -49,0 -53,7 +274 +206 +173 - -50,3 +63,4 -82,0 - -91,7 - -74,4 -25,0 -32,4 - Tabela 9B - Comparação da resistência a fadiga para alto ciclo (106 ciclos). Para De 4340 (935 MPa) 4340 +shot peening (1.100 MPa) 4340+ Ni-20Cr 4340+ shot peening+ (800 MPa) Ni-20Cr (850 MPa) 4340 (935 MPa) ļ +17,6% -14,4% -9,1% 4340 +shot peening (1.100 MPa) - ļ -27,3% -22,7% - ļ +6,3% - - ļ 4340+Ni-20Cr (800 MPa) 4340+ shot peening+Ni-20Cr (850 MPa) 105 4.8.2 - Ni-20Cr – Resultados do ensaio de Tensões residuais De acordo com a Figura 4.8.2, o perfil das tensões residuais no substrato varia de -250 MPa na superfície de interface recobrimento/substrato tendendo a zero a uma profundidade de 0,15 mm, para o recobrimento de Ni-20Cr com e sem tratamento prévio de shot peening. Essas tensões são compressivas até a profundidade de 0,15mm. Neste caso, o recobrimento Ni-20Cr pelo processo HVOF produz tensões internas compressivas dentro do substrato, comportamento esperado e relatado por Souza (2002), que encontrou as tensões residuais através da espessura trativas próximo à superfície do revestimento, mudando para compressivas ainda no interior dos mesmos, chegando a uma tensão máxima compressiva próximo à interface do revestimento com o substrato, mas ainda dentro da camada dos revestimentos. As tensões internas compressivas dentro do substrato influenciam positivamente na resistência à fadiga que passa de 800 a 850 MPa a 106 ciclos (+6,3%). Figura 4.8.2 - Distribuição das tensões em relação à profundidade – Ni-20Cr e SP+ Ni-20Cr. 106 4.8.3 - Ni-20Cr – Resultados do ensaio de microindentação A Figura 4.8.3 mostra o perfil dos valores de microdureza do aço AISI 4340 revestido com Ni-20Cr, onde se observa que a espessura do revestimento é de aproximadamente de 0,15 mm (150 μm), O valor de sua microdureza é inferior quando comparada aos outros revestimentos, principalmente devido a ausência do carbeto de tungstênio (WC). A microdureza média desse revestimento é de 900 HV, valor similar ao recobrimento de Cromo. Também é possível verificar que a deposição do revestimento não altera a microdureza do material base, sendo uma característica do processo de deposição via HVOF. Percebe-se que não ocorre influência do recobrimento no perfil de microdureza 1200 MB + Ni-20Cr 1000 Microdureza (HV) Microdureza HV no substrato, pois não ocorre variação na microestrutura nesta região. 800 600 400 200 0 0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 Distância (mm) Figura 4.8.3 – Perfil de microdureza do aço AISI 4340 revestido com Ni-20Cr. 100g. 4.8.4 - Ni-20Cr- Resultado da análise em microscópio eletrônico de varredura Nas Figuras 4.8.4 e 4.8.5 são apresentadas a superfície de fratura dos corpos de prova da liga AISI 4340 sem tratamento prévio de shot peening e recobrimento de Ni20Cr. Na Figura 4.8.4b percebe-se que a nucleação e o início da frente de propagação da trinca ocorrem no recobrimento, propaga-se em direção à interface recobrimento / 107 substrato, em seguida há a penetração na superfície do substrato. A Figura 4.8.5 apresenta a microestrutura na interface substrato e recobrimento onde se percebe que o recobrimento solta no contorno do substrato, provavelmente devido ás altas tensões na interface recobrimento / substrato, ocorrendo seu desprendimento durante a fratura catastrófica na região. O recobrimento Ni-20Cr sem tratamento prévio de shot peening segue a mesma tendência que os demais recobrimentos. A nucleação da trinca ocorre no recobrimento devido às tensões trativas no recobrimento, propaga-se no sentido da interface recobrimento / substrato, em seguida propaga-se no substrato no sentido da superfície para o interior. Figura 4.8.4a. Superfície de fraturado corpo de Figura 4.8.4b. Apresenta a origem da frente prova submetido à fadiga axial. de propagação de trinca. Tensão: 1.200 MPa – falha com 11.594 ciclos. Tensão: 1.200 MPa – falha com 11.594 ciclos. Metal base sem shot peening + Ni-20Cr Metal base sem shot peening + Ni-20Cr Aumento: 30x. Aumento 750x. 108 Nas Figuras 4.8.6 e 4.8.7 são apresentadas as superfícies de fratura dos corpos de prova da liga AISI 4340 com tratamento prévio de shot peening e recobrimento de Ni20Cr. A Figura 4.8.6b apresenta a nucleação e o início da frente de propagação da trinca que ocorre no recobrimento, propaga-se em direção à interface recobrimento / substrato, percorre a interface do recobrimento / substrato apresentando microtrincas. Em seguida, a frente penetra a superfície do substrato em direção ao seu interior. Na interface percebe-se que o tratamento de shot peening funciona como uma barreira a propagação da trinca, pois a trinca caminha pela interface, sendo que este fato pode ser constatado nos resultados do ensaio de fadiga axial, pois a resistência á fadiga aumenta de 800 a 850 MPa (+6,3%). Figura 4.8.5 - Apresenta a microestrutura na interface substrato/recobrimento. Observar que o recobrimento solta de todo o contorno do substrato. Espessura do recobrimento: 160 μm - Tensão de 1.200 MPa. Metal base sem shot peening + Ni-20Cr- Aumento 350x. 109 Figura 4.8.6a. Superfície de fratura do corpo de Figura 4.8.6b. Superfície de fratura do corpo de prova prova submetido à fadiga axial. submetido à fadiga axial. Tensão de 950 MPa – falha com 144.536 ciclos. Tensão de 950 MPa – falha com 144.536 ciclos. Metal base com shot peening + Ni-20Cr- Metal base com shot peening + Ni-20Cr Aumento: 30x. Aumento: 200x. Figura 4.8.7 - Apresenta o início da frente de propagação da trinca. Observar a trinca na interface substrato e revestimento. Tensão de 950 MPa. Metal base com shot peening + Ni-20Cr - Aumento 750x. 110 4.9 RECOBRIMENTO Ni-Cr-B-Si-Fe 4.9 1 Ni-Cr-B-Si-Fe – Resultados do ensaio de fadiga Os resultados de fadiga axial do aço AISI 4340 com recobrimento de Ni-Cr-BSi-Fe utilizados nesse projeto estão apresentados na Tabela 10 e Figura 4.9.1. A Tabela 10 mostra os dados experimentais de Ni-Cr-B-Si-Fe aplicado pelo processo HVOF. Observa-se uma tendência para a resistência à fadiga de 450 MPa para aço AISI 4340 sem shot peening e 700 MPa para o aço AISI 4340 +SP revestido com NiCr-B-Si-Fe. Comparando-se as Tabelas 6 e 10, pode-se ver que o desvio padrão DP é inferior na Tabela 10, o que significa para o AISI 4340 revestido com Ni-Cr-B-Si-Fe apresenta menor dispersão nos dados experimentais em comparação ao aço AISI 4340. Tabela 10 – Resultados do ensaio de fadiga axial para o recobrimento Ni-Cr-B-Si-Fe. Tensão (MPa) 1.200 1.000 950 900 850 800 700 500 450 AISI 4340 + Ni-Cr-B-Si-Fe DP/ N N9 DP N9 (ciclos) (ciclos) 3330 10322 8305 20892 26813 29.839 10687 25103 56900 12244 14230 25538 58751 22047 21365 50185 129496 61981 106 3330 - - Shot peened AISI 4340 + Ni-Cr-B-Si-Fe DP/ N10 DP N (ciclos) N10 (ciclos) 2486 2486 - - N10 / N9 0,75 9314 1426 0,15 15907 15907 25848 4551 0,18 16552 106 508276 695403 1,37 19,66 26234 21441 0,82 420057 511252 1,22 16,01 19884 7996 0,40 34054 21391 0,63 50185 - - 95739 47740 0,50 34544 225626 106 271449 106 1,70 271449 - - 13,65 - - - - 106 - - 19,92 10,44 106 Onde: N9 é o valor médio dos resultados de fadiga axial para o aço AISI 4340 revestido com Ni-Cr-B-Si-Fe; N10 é o valor médio dos resultados de fadiga axial para o aço AISI 4340 +SP e revestido com Ni-CrB-Si-Fe; DP é o desvio padrão. 111 Nas Tabelas 8 e 10, pode-se ver que o desvio padrão DP é inferior na Tabela 8 para ambas as condições com e sem shot peening, o que significa que o aço AISI 4340 revestido com Ni-Cr-B-Si-Fe apresenta maior dispersão nos dados experimentais em comparação ao revestido com WC-10Ni provavelmente devido a uma maior espessura de camada deste recobrimento, implicando em uma maior influência na resistência à fadiga axial do recobrimento Ni-Cr-B-Si-Fe em comparação ao WC-10Ni. Ͳ Ϯϱй ͲϱϮй Ͳ ϱϳ й Ͳϴй Ͳ ϮϮй нϭϴй нϭϴй Ͳ ϰϬ й Ͳϭϳй Ͳϱй нϭϴй Ͳ ϮϮй Figura 4.9.1A– Curvas SxN para o aço AISI 4340 revestido com Ni-Cr-B-Si-Fe. 5 Figura 4.9.1B – Análise da perda em fadiga por número de ciclos. 112 Na figura 4.9.1B observa-se que há um ganho de 18% no nível de tensão para o metal base com SP (setas laranja); perdas de -57% para 106, -40% para 105, e -22% para 104 ciclos, para o metal base + SP + Cromo duro (setas verdes); perda de -52% para 106, -22,0% para 105, e -17,0% para 104 ciclos, para o metal base + Ni-Cr-B-Si-Fe (setas azuis); e perda de -25,2% para 106, -8,0% para 105, e -5,0% para 104 ciclos, para o metal base + SP + Ni-Cr-B-Si-Fe (setas vermelhas). A Tabela 10A mostra diversas comparações para entender melhor o efeito do Ni-Cr-B-Si-Fe aplicado pelo processo HVOF. Pode-se observar a redução na resistência à fadiga axial para todos os níveis de tensão quando se compara N9 / N1, com resultados negativos: -85,8% para 1.200 MPa, -80,2% para 1.000 MPa , -87,50% para 950 MPa e -97,4 para 900 MPa. Para as amostras com shot peening acontece também a redução de resistência à fadiga axial, N10/N1 com redução de -89,4% para 1.200 MPa e -64,5% para 1.000 MPa. Verifica-se que há influência negativa na resistência à fadiga axial devido ao revestimento Ni-Cr-B-Si-Fe, sendo maior influência em amostras sem shot peening. Tensões residuais de -400 MPa na interface revestimento / substrato devido ao processo de shot peening não são eficazes para restaurar a resistência à fadiga ao nível do metal base. Na Tabela 10B, para fadiga de alto ciclo há redução de -52% para a resistência à fadiga axial (de 935 MPa a 450 MPa) em relação ao metal base sem shot peening. No metal base com shot peening, há também uma redução de -36,4% na resistência à fadiga (de 1.100 MPa a 700 MPa). O pré-tratamento de shot peening influenca de maneira positiva a resistência a fadiga em todos os níveis de tensão. Ele não é suficiente para recuperar a resistência à fadiga do metal base original que é de 935 MPa. Há redução da vida em fadiga deste recobrimento, 700 MPa (-36,4%) e 450 MPa (-52,0%) para 106 ciclos, valor bem similar a redução que ocorre devido ao recobrimento de Cromo duro, que atingiu a 475 MPa. Os dados experimentais deste recobrimento indicam que há redução da resistência à fadiga do aço AISI 4340. É o recobrimento que mais influiu negativamente na vida em fadiga do aço AISI 4340, provavelmente devido à espessura da camada do recobrimento acima do valor de 150 μm conforme especificado, fato 113 alinhado com estudo do Bolelli (2009), que avalia a influência da espessura da camada nas características mecânicas do substrato. Tabela 10A - Resultados e razão média do número de ciclos para a falha do aço AISI 4340 com e sem SP revestido com Ni-Cr-B-Si-Fe. N1 N2 N9 N10 (%) (%) (%) (%) (%) 4340+ NiCr-B-Si-Fe 4340+shot peening + Ni-Cr-B-SiFe N2 N10 N9 N10 N10 4340 4340+ shot peening N1 N9 N1 N2 N1 71747 92175 812825 106 - 3330 9314 25848 26234 19884 34054 50185 95739 106 2486 15907 508276 420057 271449 106 +207 +225 +2560 - -25,4 +70,7 +1866 +1501 +1265 - -85,8 -80,2 -87,5 -97,4 - -96,5 -98,5 - -89,4 -64,5 +145 - Ciclos Tensão (MPa) 1.200 1150 1125 1.100 1.000 950 945 935 900 850 800 700 500 450 23337 28316 30557 44698 206975 298715 106 - Tabela 10B - Comparação da resistência a fadiga para alto ciclo (106 ciclos). Para De 4340 (935 MPa) 4340 +shot peening (1.100 MPa) 4340+ shot 4340+ Ni-Cr-B- peening+ Si-Fe (450 Ni-Cr-B-Si-Fe MPa) (700 MPa) 4340 (935 MPa) ļ +17,6% -52,0% -25,2% 4340 +shot peening (1.100 MPa) - ļ -59,1% -36,4% - - ļ +55,0% - - - ļ 4340+ Ni-Cr-BSi-Fe(450 MPa) 4340+ shot peening+ Ni-CrB-Si-Fe (700 MPa) 114 4.9 2 Ni-Cr-B-Si-Fe – Resultados do ensaio de Tensões residuais De acordo com a Figura 4.9.2 o perfil das tensões residuais no substrato na superfície de interface recobrimento/substrato varia de +100 MPa na superfície de interface recobrimento/substrato para próximo de zero a uma profundidade de 0,15 mm. Este recobrimento não foi suficiente para gerar tensões compressivas na superfície, provavelmente devido a espessura muito grande da camada (300 μm). Para o substrato tratado previamente com shot peening, o perfil de tensão residual apresenta uma compressão de – 380 MPa na superfície tendendo a zero a uma profundidade de 0,10mm. Neste caso o recobrimento Ni-Cr-B-Si-Fe pelo processo HVOF, precedido do pré-tratamento de shot peening, mantém as tensões internas compressivas dentro do substrato, influenciando positivamente na resistência à fadiga, que passa de 450 a 700 MPa a 106 ciclos (+55%). Este fato está completamente alinhado com o esperado, onde as máximas tensões residuais compressivas ocorrem próximas à interface revestimento/substrato. Figura 4.9.2 - Distribuição das tensões em relação à profundidade – Ni-Cr-B-Si-Fe e SP + Ni-Cr-B-Si-Fe. 115 4.9 3 Ni-Cr-B-Si-Fe – Resultados do ensaio de microindentação A Figura 4.9.3 mostra o perfil de microdureza do aço AISI 4340 revestido com Ni-Cr-B-Si-Fe, onde se observa que a espessura do revestimento é de aproximadamente de 0,30 mm (300 μm), sendo que esse revestimento apresenta a maior espessura dentre todos os outros. A microdureza média do revestimento é aproximadamente 950 HV, valor muito próximo ao recobrimento de Cromo. Esse revestimento também apresenta comportamento similar ao Ni-20Cr, com microdureza inferior quando comparada aos outros revestimentos, principalmente devido a ausência do carbeto de tungstênio (WC) de elevada dureza. Também é possível verificar que a deposição do revestimento não altera a microdureza do material base, sendo uma característica do processo de deposição via HVOF. 1200 MB + Ni-Cr-B-Si-Fe Dureza (HV) 1000 800 600 400 200 0 0 0,2 0,4 0,6 0,8 Distância (mm) . Figura 4.9.3 – Perfil de microdureza do aço AISI 4340 revestido com Ni-Cr-B-Si-Fe. 100g. 116 Percebe-se que não ocorre influência do recobrimento no perfil de microdureza no substrato, pois não ocorre variação na microestrutura nesta região. 4.9 4 Ni-Cr-B-Si-Fe - Resultado da análise em microscópio eletrônico de varredura Nas Figuras 4.9.4 a 4.9.8 são apresentadas a superfície de fratura dos corpos de prova da liga AISI 4340, com e sem tratamento prévio de shot peening e recobrimento de Ni-Cr-B-Si-Fe. As Figuras 4.9.4b e 4.9.5 apresentam o início da frente de propagação da trinca originada no recobrimento. Em seguida, na superfície do corpo de prova observa-se que as microtrincas correm na direção central e que ocorre descolamento do recobrimento e substrato. Nas Figuras de 4.9.5 a 4.9.8 pode-se observar que ocorre o descolamento entre o recobrimento e o substrato, provavelmente devido à elevada tensão na interface substrato recobrimento devido à elevada espessura da camada que é de 300 μm. Nas amostras com tratamento prévio de shot peening ocorre o descolamento do recobrimento, mantendo a mesma tendência que o recobrimento sem este tratamento prévio. O pré-tratamento de shot peening retarda a frente da propagação de trinca, mas não é suficiente para impedir seu deslocamento em direção ao interior do metal base (Vide Figuras 4.9.7b e 4.9.8), mas influencia positivamente na resistência à fadiga, que passa de 450 a 700 MPa a 106 ciclos (+55,0%). 117 Figura 4.9.4a. Superfície de fratura do corpo de Figura 4.9.4b. Superfície de fratura do corpo de prova submetido à fadiga axial. prova submetido à fadiga axial. Tensão de 700 MPa – falha com 50.185 ciclos. Tensão de 700 MPa – falha com 50.185 ciclos. Metal base sem shot peening + Ni-Cr-B-Si-Fe Metal base sem shot peening + Ni-Cr-B-Si-Fe Aumento: 200x. Aumento: 30x. Figura 4.9.5 - Apresenta o início da frente de propagação da trinca. Observar trinca na interface substrato e revestimento. Tensão de 700 MPa. Metal base sem shot peening + Ni-Cr-B-Si-Fe. Aumento 750x. 118 Figura 4.9.6 - Apresenta o início da segunda frente de propagação da trinca. Observar trinca na interface substrato e revestimento. Tensão de 700 MPa. Metal base sem shot peening + Ni-Cr-B-Si-Fe - Aumento 100x. Figura 4.9.7a. Superfície de fratura do corpo de Figura 4.9.7b. Superfície de fratura do corpo de prova submetido à fadiga axial. prova submetido à fadiga axial. Tensão de 950 MPa – falha com 16.552 ciclos. Tensão de 950 MPa – falha com 16.552 ciclos. Metal base com shot peening + Ni-Cr-B-Si-Fe. Metal base com shot peening + Ni-Cr-B-Si-Fe. Aumento: 30x. Aumento: 150x. 119 Figura 4.9.8 - . Apresenta o início da frente de propagação da trinca. Observar que ocorre deslocamento da camada de revestimento. Espessura da camada: 350 μm - Tensão de 950 MPa. Metal base com shot peening + Ni-Cr-B-Si-Fe - Aumento 750x. 4.10 RECOBRIMENTO Cr3-C2-NiCr 4.10.1 Cr3-C2-NiCr – Resultados do ensaio de fadiga Os resultados de fadiga axial do aço AISI 4340 com recobrimento de Cr3-C2NiCr, utilizados nesse projeto, estão apresentados na Tabela 11 e Figura 4.10.1. A Tabela 11 mostra os dados experimentais de Cr3-C2-NiCr aplicado pelo processo HVOF. Observa-se uma tendência para a resistência à fadiga de 750 MPa para aço AISI 4340 sem shot peening e 850 MPa para o aço AISI 4340 +SP revestido com Cr3C2-NiCr. Comparando-se as Tabelas 6 e 11, pode-se observar que o desvio padrão DP é inferior na Tabela 11, o que significa que para o aço AISI 4340 revestido com Cr3C2-NiCr apresenta menor dispersão nos dados experimentais em comparação ao aço AISI 4340. A Tabela 11A mostra diversas comparações para entender melhor o efeito do Cr3-C2-NiCr aplicado pelo processo HVOF. Pode-se observar a redução na resistência à fadiga axial para todos os níveis de tensão quando se compara N11/N1, com resultados negativos: -58,5% para 1.200 MPa, -72,7% para 1.000 MPa , -82,7% para 950 MPa, -84,8 para 900 MPa e -84,5% para 850 MPa. Para as amostras com shot peening acontece também a redução de resistência à fadiga axial, N12/N1 com 120 redução de -14,1% para 1.200 MPa e +46,6 para 1.000 MPa. Verifica-se que há influência negativa na resistência à fadiga axial devido ao revestimento Cr3-C2-NiCr, sendo a maior influência em amostras sem shot peening. Tensões residuais de -100 MPa na interface revestimento / substrato devido ao processo de shot peening não são eficazes para restaurar a resistência à fadiga ao nível do metal base. Tabela 11 – Resultados do ensaio de fadiga axial para o recobrimento Cr3-C2-NiCr. AISI 4340 + Cr3-C2-NiCr Tensão N N11 DP (ciclos) (MPa) (ciclos) 1.200 9691 9691 11141 1.000 12240 1554 13338 975 Shot peened AISI 4340 + Cr3-C2-NiCr DP/ N12 DP / N (ciclos) DP N12 (ciclos) N11 20083 20083 73777 0,13 65569 11609 0,18 57360 55671 216292 102851 81114 0,79 34731 104710 106 420119 504440 1,20 0,03 177756 82601 33373 382395 536342 1,40 0,43 113412 106 N12 / N11 2,07 5,35 950 34974 36700 35837 1220 900 197807 106321 152064 64690 155770 166286 1,07 106 106- - - 6,42 123018 123445 1,00 - - - - - 106- - - - - - - - 850 800 750 50540 147279 31879 393281 210307 35729 106 11,72 2,51 Onde: N11 é o valor médio dos resultados de fadiga axial para o aço AISI 4340 revestido com Cr3C2-NiCr; N12 é o valor médio dos resultados de fadiga axial para o aço AISI 4340 +SP e revestido com Cr3-C2-NiCr; DP é o desvio padrão. 121 Ͳ ϮϬй Ͳ ϭϬй Ͳ ϱϳ й Ͳ ϴй ͲϮй нϭϴй нϭϴй Ͳ ϰϬ й Ͳϭϯй Ͳϭй нϭϴй Ͳ ϮϮй Figura 4.10.1 – Curvas SxN para o aço AISI 4340 revestido com Cr3C2-NiCr.. 6 . Figura 4.10.1B – Análise da perda em fadiga por número de ciclos. Na figura 4.10.1B observa-se que há um ganho de 18% no nível de tensão para o metal base com SP (setas laranja); perdas de -57% para 106, -40% para 105, e -22% para 104 ciclos, para o metal base + SP + Cromo duro (setas verdes); perda de -19,8% 122 para 106, -8,0% para 105, e -13,0% para 104 ciclos, para o metal base + Cr3-C2-NiCr (setas azuis); e perda de -9,10% para 106, -2,0% para 105, e -1,0% para 104 ciclos, para o metal base + SP + Cr3-C2-NiCr (setas vermelhas). Na Tabela 11B, para fadiga de alto ciclo, há redução de -19,8% para a resistência à fadiga axial (de 935 MPa a 750 MPa) em relação ao metal base sem shot peening. No metal base com shot peening, há também uma redução de -22,7% na resistência à fadiga (de 1.100 MPa a 850 MPa). O pré-tratamento de shot peening influencia de maneira positiva a resistência à fadiga em todos os níveis de tensão. Ele não é suficiente para recuperar a resistência à fadiga do metal base original, que é de 935 MPa. Tabela 11A - Resultados e razão média do número de ciclos para a falha do aço AISI 4340 com e sem SP revestido com Cr3-C2-NiCr. N1 N2 N11 N12 4340 4340+ shot peening 4340+ Cr3C2-NiCr 4340+shot peening + Cr3-C2-NiCr 23337 28316 30557 44698 71747 92175 812825 106 - 9691 12240 206975 298715 106 - - 35837 152064 155770 123018 106 Ciclos Tensão (MPa) 1.200 1150 1125 1.100 1.000 975 950 945 935 900 850 800 750 20083 65569 102851 420119 382395 106 - (%) (%) (%) (%) (%) N2 N12 N11 N12 N12 N1 N11 N1 N2 N1 +207 +225 +2560 - +107 +435 -58.5 -72,7 -14,1 +46,6 - +1072 +151 +541 - -82,7 -84,8 -84,5 - -72,1 -93,5 -89,8 - +102 - Há redução da vida em fadiga deste recobrimento: 850 MPa (-22,7%) e 750 MPa (-19,8%), valor inferior à redução que ocorre devido ao recobrimento de Cromo duro, que atinge 475 MPa (-57%) para 106 ciclos. Este recobrimento tem uma influência na resistência à fadiga similar aos demais recobrimentos, salvo o Ni-Cr-B-Si-Fe que apresenta maior influência. 123 Tabela 11B - Comparação da resistência a fadiga para alto ciclo (106 ciclos). Para De 4340 (935 MPa) 4340 +shot peening (1.100 MPa) 4340+ Cr3-C2NiCr (750 MPa) 4340+ shot peening+ Cr3-C2-NiCr (850 MPa) 4340 (935 MPa) ļ +17.6% -19,8% -9,1% 4340 +shot peening (1.100 MPa) - ļ -31,8% -22,7% - - ļ +13,3% - - - ļ 4340+ Cr3-C2NiCr(750 MPa) 4340+ shot peening+ Cr3-C2NiCr (850 MPa) 4.10.2 Cr3-C2-NiCr – Resultados do ensaio de tensões residuais De acordo com a Figura 4.10.2 o perfil das tensões residuais no substrato na superfície de interface recobrimento/substrato varia de -100 MPa na superfície de interface recobrimento/substrato para próximo de zero uma profundidade de 0,05 mm. O processo de recobrimento HVOF de Cr3C2-NiCr é capaz de induzir tensões compressivas na superfície do metal base. Tensão residual, MPa 500 400 300 200 100 0 0,00 -100 -200 0,05 0,10 0,15 0,20 0,25 Profundidade, mm Cr3C2-NiCr sem shot peening Cr3C2-NiCr com shot peening Figura 4.10.2 - Distribuição das tensões em relação à profundidade - Cr3C2-NiCr e SP + Cr3C2-NiCr. 124 Devido a problemas durante o ensaio, não se dispõe do perfil de tensões residuais para o substrato tratado previamente com shot peening. Mas pelos resultados do ensaio de fadiga, pode-se concluir que este segue a mesma tendência dos outros recobrimentos, com tensões de compressão na interface recobrimento/substrato influenciando positivamente no ensaio de fadiga axial, que passa de 750 a 850 MPa a 106 ciclos (+13,3%). 4.10.3 Cr3-C2-NiCr – Resultados do ensaio de microindentação A Figura 4.10.3 mostra o perfil de microdureza do aço AISI 4340 revestido com Cr3C2-NiCr, onde é possível identificar que a espessura desse revestimento com aproximadamente 0,17 mm (170 μm). A microdureza desse revestimento é de aproximadamente 1.150 HV. Dos revestimentos que não contêm WC em sua composição, esse revestimento de Cr3C2-NiCr é o que mais se aproxima em valores de dureza com os revestimentos à base de WC, principalmente devido à presença do Cr3C2. 1400 MB + Cr3C2-NiCr 1200 Microdureza (HV) 1000 800 600 400 200 0 0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 Distância (mm) Figura 4.10.3 – Perfil de microdureza do aço AISI 4340 revestido com Cr3C2-NiCr. 100g. 125 Também é possível verificar que a deposição do revestimento não altera a microdureza do material base, sendo uma característica do processo de deposição via HVOF. Percebe-se que não ocorre influência do recobrimento no perfil de microdureza no substrato, pois não há variação na microestrutura nesta região. 4.10.4 Cr3-C2-NiCr - Resultados da análise em microscópio eletrônico de varredura Nas Figuras 4.10.4 a 4.10.7 são apresentadas as superfícies de fratura dos corpos de prova da liga AISI 4340 com e sem tratamento prévio de shot peening e recobrimento de Cr3-C2-Ni-Cr. Nas Figuras 4.10.4 e 4.10.5 percebe-se que a nucleação e o início da frente de propagação da trinca ocorrem no recobrimento, propaga-se em direção à interface recobrimento / substrato. Em seguida há a penetração na superfície do substrato. A Figura 4.10.6 apresenta a microestrutura na interface substrato e recobrimento onde se percebe que o recobrimento solta no contorno do substrato nesta região, provavelmente devido às elevadas tensões na interface substrato/recobrimento e ocorre durante a fratura catastrófica na região. O recobrimento Cr3-C2-Ni-Cr sem tratamento prévio de shot peening segue a mesma tendência que os demais recobrimentos, sendo que a nucleação da trinca ocorre no recobrimento devido às elevadas tensões trativas, propaga-se no sentido da interface recobrimento / substrato. Em seguida, propaga-se no substrato no sentido da superfície para o interior. As Figuras 4 10.4 e 4.10.5 apresentam o início da frente de propagação da trinca originada na superfície do corpo de prova, onde se pode observar que as microtrincas correm na direção central do corpo de prova, e que ocorre descolamento do recobrimento e substrato. 126 Figura 4.10.4. Superfície de fratura do corpo de prova submetido à fadiga axial. Tensão de 950 MPa – falha com 34.794 ciclos. Metal base sem shot-peening + Cr3-C2-Ni-Cr - Aumento: 200x. Figura 4.10.5 - Apresenta o início da frente de propagação da trinca. Observar que ocorre deslocamento da camada de revestimento. Espessura da camada: 180 μm. Tensão de 950 MPa. Metal base sem shot-peening + Cr3-C2-Ni-Cr Aumento 750x. 127 Nas Figuras 4.10.6 e 4.10.7 são apresentadas as superfícies de fratura dos corpos de prova da liga AISI 4340 com tratamento prévio de shot peening e recobrimento de Cr3-C2-Ni-Cr. Nota-se a nucleação e o início da frente de propagação da trinca que ocorre no recobrimento, propaga-se em direção à interface recobrimento / substrato, percorre a interface do recobrimento / substrato apresentando microtrincas. Em seguida, a frente de propagação penetra a superfície do substrato. Se for comparado com o ensaio de fadiga, percebe-se que o tratamento de shot peening funciona com uma barreira à propagação da trinca, pois a resistência à fadiga aumenta de 750 a 850 MPa (+13,3%). Figura 4.10.6 Superfície de fratura do corpo de prova submetido à fadiga axial. Tensão de 950 MPa – falha com 216.292 ciclos. Metal base com shot-peening + Cr3-C2-Ni-Cr Aumento: 200x. 128 Figura 4.10.7 Apresenta o início da frente de propagação da trinca. Observar que ocorre deslocamento da camada de revestimento. Espessura da camada: 200 μm Tensão de 950 MPa. Metal base com shot-peening + Cr3-C2-Ni-Cr - Aumento 750x. 4.11 ENSAIO DE DESGASTE 4.11.1 Materiais Bronze-Alumínio 630 A composição química da liga bronze-alumínio 630 é definida pela norma ASTM B150/150M-03, os valores especificados estão apresentados na Tabela 12. Tabela 12. - Composição química da liga bronze-alumínio 630. Elemento % peso Especificado Al 9,011,0 Cu e Ag Remanescente Fe Ni e Co 2,0- 4,0 4,0 5,5 Mg Si Sn Zn máx máx máx máx 1,5% 0,25% 0,2% 0,3% 129 4.11.2: Aço AISI 4340 x bronze-alumínio 630 A Figura 4.11.1 representa a perda de material durante o ensaio de desgaste, onde o par pino/disco é uma liga de bronze-alumínio 630 e aço AISI 4340, respectivamente. Pode-se observar que o pino bronze-alumínio 630 perde uma quantidade de massa insignificante de aproximadamente 0,34% de sua massa inicial (minicial = 9,32 g), reduzindo seu volume final após o ensaio em aproximadamente 0,0037 cm3 (Vinicial = 1,0976 cm3). Já para o disco de aço AISI 4340, nota-se que não há perda de massa (minicial = 203,08 g), pelo contrário, a massa final do disco é praticamente a mesma do início do ensaio (o disco ganha aproximadamente 0,0007% de massa). Em volume, representa-se um ganho de aproximadamente 0,0002 cm3 com relação ao volume inicial (Vinicial =25,8698 cm3). Essa perda de massa mais evidente no pino de bronze-alumínio 630 com relação ao disco de aço AISI 4340 se dá pelo fato do material do pino apresentar uma resistência mecânica bem menor que ao aço AISI 4340. Para efeito de comparação, a tensão de ruptura da liga bronze-alumínio 630 é de aproximadamente 517 MPa e a tensão de ruptura do aço AISI 4340, neste caso é de 1.950 MPa. Figura 4.11.1 - Perda de volume acumulada para a liga bronze-alumínio 630 e o aço AISI 4340. 130 A Figura 4.11.2 representa a morfologia do desgaste na trilha formada pelo pino de bronze-alumínio 630 no disco de aço AISI 4340. (a) (b) (c) d) (e) (f) Figura 4.11.2 – Morfologia na trilha do disco de aço AISI 4340 e no pino bronze-alumínio 630 após ensaio de desgaste. (a) Disco: 100x – SE; (b) Disco: 500x – SE; (c) Disco: 1.000x – SE; (d) Disco: 1.000x – SE; (e) Pino: 500x – SE; (f) Pino: 500x – BSE. 131 A partir das Figuras 4.11.2a e 4.11.2b é possível verificar a trilha provocada pelo pino após o ensaio de desgaste. As Figuras 4.11.2c e 4.11.2d evidenciam a transferência de material do pino para o disco. Por meio de análise por EDS comprova-se que os planos superiores das Figuras 4.11.2c e 4.11.2d (em relevo) no disco são materiais provenientes do pino bronze-alumínio 630: 81,69% em peso Cu. Pela análise de EDS do pino bronze-alumínio 630 ensaiado com o disco de aço AISI 4340, evidencia-se que também há transferência de material do disco para o pino, 0,05%Cr e 3,05%C em peso. Somente pela análise das Figuras 4.11.2f e 4.11.2e não é possível visualizar essa transferência de material do disco para o pino, mesmo utilizando imagens de elétrons secundários e retroespalhados. Os resultados demonstram que o mecanismo de desgaste, para o par - pino de bronze-alumínio 630 e disco de aço AISI 4340, é o mecanismo de desgaste adesivo. 4.11.3: Aço AISI 4340 revestido com Cromo duro x bronze-alumínio 630 A Figura 4.11.3 representa a perda de material durante o ensaio de desgaste, onde o par pino/disco é uma liga de bronze-alumínio 630 e aço AISI 4340 revestido com Cromo duro, respectivamente. Pode-se observar que o pino bronze-alumínio 630 perde uma quantidade de massa de aproximadamente 1,05% de sua massa inicial (minicial = 9,42 g), reduzindo seu volume final após o ensaio em aproximadamente 0,0117 cm3 (Vinicial = 1,1084 cm3). Já para o disco de aço AISI 4340, revestido com Cromo duro, nota-se que praticamente não há perda de massa (minicial = 216,43 g), onde a massa final do disco é praticamente a mesma do início do ensaio (o disco perde aproximadamente 0,002% de massa). Em volume, isso representa uma perda de aproximadamente 0,0005 cm3 com relação ao seu volume inicial (Vinicial = 27,5703 cm3). Essa perda de massa mais evidente no pino de bronze-alumínio 630 com relação ao disco de aço AISI 4340 revestido com Cromo duro se dá pelo fato do material do pino apresentar uma resistência mecânica bem menor que o revestimento de Cromo 132 duro. Para efeito de comparação, a microdureza do revestimento de Cromo duro é da ordem de 950 HV e a microdureza da liga bronze-alumínio 630 é 250 HV. Figura 4.11.3 - Perda de volume acumulada para a liga bronze-alumínio 630 e o Cromo duro. 133 A Figura 4.11.4 representa a morfologia do desgaste na trilha formada pelo pino de bronze-alumínio 630 no disco de aço AISI 4340 revestido com Cromo duro. (b) (a) (c) (e) (d) (f) Figura 4.11.4 – Morfologia na trilha do disco revestido com Cromo duro e no pino bronze-alumínio 630 após ensaio de desgaste. (a) Disco: 100x – SE; (b) Disco: 500x – SE; (c) Disco: 500x – SE; (d) Disco: 1.000x – SE; (e) Pino: 500x – SE; (f) Pino: 500x – BSE. 134 A Figura 4.11.4a ilustra a trilha do ensaio de desgaste onde é possível visualizar partículas do revestimento de Cromo duro. Essas partículas são extremamente duras, pois são partículas 100% de Cromo. Já as Figuras 4.11.4b, 4.11.4c e 4.11.4d destacam claramente a adesão do material do pino nas partículas de Cromo. Este fato é comprovado pelas análises por EDS, onde para o disco na trilha de ensaio encontra-se 44,09% de Cu. Fora da trilha não há evidência de Cu. Diferente do que ocorre com o disco revestido com Cromo duro, o pino bronzealumínio 630 sofre ranhuras provocadas pelo disco revestido com Cromo duro, como pode ser observado nas Figuras 4.11.4e e 4.11.4f. Por essas imagens não é possível afirmar uma transferência do material do disco para o pino, porém com a EDS do pino ensaiado, percebe-se que há transferência de material do disco para o pino. Os resultados demonstram que o mecanismo de desgaste neste caso é o mecanismo de desgaste abrasivo/adesivo. 4.11.4: Aço AISI 4340 revestido com WC-CrC-Ni x bronze-alumínio 630 A Figura 4.11.5 representa a perda de material durante o ensaio de desgaste, onde o par pino/disco é uma liga de bronze-alumínio 630 e aço AISI 4340 revestido com WC-CrC-Ni, respectivamente. Pode-se observar que o pino bronze-alumínio 630 perde uma quantidade de massa de aproximadamente 1,47% de sua massa inicial (minicial = 9,47 g), reduzindo seu volume final após o ensaio em aproximadamente 0,0164 cm3 (Vinicial = 1,1146 cm3). Já para o disco de aço AISI 4340 revestido com WC-CrC-Ni, nota-se uma perda de massa insignificante de aproximadamente 0,004% de sua massa inicial (minicial = 218,54 g). Em volume, isso representa uma perda de aproximadamente 0,0010 cm3 com relação ao seu volume inicial (Vinicial = 27,8397 cm3). Essa perda de massa mais evidente no pino de bronze-alumínio 630 com relação ao disco de aço AISI 4340 revestido com WC-CrC-Ni se dá pelo fato do material do pino apresentar uma resistência mecânica bem menor que o revestimento de WC-CrCNi, além de o revestimento apresentar um grau de porosidade elevado devido ao seu 135 processo de deposição. Para efeito de comparação, a microdureza do revestimento de WC-CrC-Ni é da ordem de 1.250 HV e a microdureza da liga bronze-alumínio 630 é 250 HV. Figura 4.11.5 - Perda de volume acumulada para a liga bronze-alumínio 630 e o WC-CrC-Ni. A Figura 4.11.6 representa a morfologia do desgaste na trilha e fora da trilha formada pelo pino de bronze-alumínio 630 no disco de aço AISI 4340 revestido com WC-CrC-Ni. As Figuras 4.11.6a e 4.11.6c ilustram uma parte do disco onde o ensaio de desgaste não é realizado, ou seja, é a ilustração fora da trilha do ensaio. Já as Figuras 4.11.6b e 4.11.6d ilustram a trilha do ensaio de desgaste. Tanto fora da trilha como na trilha, não são identificadas deformações plásticas, ranhuras e nem fraturas no revestimento. Nas Figuras 4.11.6b e 4.11.6d, existem regiões mais escuras do que a matriz do revestimento de WC-CrC-Ni, indicando a presença de um material que não é característico do revestimento. Sendo assim, há transferência de material do pino para o disco, e isso é comprovado pela análise de EDS, na qual para o disco na trilha de ensaio é encontrado 86,09% em peso de Cu, e fora da trilha não há evidência de Cu. Portanto, trata-se de desgaste adesivo. 136 (a) (b) (c) (d) (e) (f) Figura 4.11.6 – Morfologia na trilha e fora da trilha do disco revestido com WC-CrC-Ni e no pino bronze-alumínio 630 após ensaio de desgaste. (a) Disco: fora da trilha - 100x – SE; (b) Disco: na trilha - 100x – SE; (c) Disco: fora da trilha - 1.000x – SE; (d) Disco: na trilha - 1.000x – SE; (e) Pino: 500x – SE; (f) Pino: 500x – BSE. 137 Nas Figuras 4.11.6e e 4.11.6f, ficam evidenciadas ranhuras no pino bronzealumínio 630, pois a presença das partículas duras de WC favorece o mecanismo de desgaste abrasivo do pino. Também ocorre no pino o mecanismo de desgaste adesivo, como apresenta a EDS do pino bronze-alumínio 630 ensaiado, com porcentagens de 1,29%C e 0,51%W em peso na sua superfície. Com relação à característica do desgaste este é o par que apresenta o pior comportamento, pois é o que tem maior desgaste no pino, principalmente devido a elevada rugosidade e dureza deste recobrimento. 4.11.5: Aço AISI 4340 revestido com WC-10Ni x bronze-alumínio 630 A Figura 4.11.7 representa a perda de material durante o ensaio de desgaste, onde o par pino/disco é uma liga de bronze-alumínio 630 e aço AISI 4340 revestido com WC-10Ni, respectivamente. Pode-se observar que o pino bronze-alumínio 630 perde uma quantidade de massa de aproximadamente 0,84% de sua massa inicial (minicial = 9,61 g), reduzindo seu volume final após o ensaio em aproximadamente 0,0095 cm3 (Vinicial = 1,1306 cm3). Já para o disco de aço AISI 4340 revestido com WC-10Ni, nota-se uma perda de massa mais acentuada com relação aos outros discos revestidos anteriormente onde o disco perde aproximadamente 0,01% de massa (minicial = 218,08 g). Em volume, isso representa uma perda de aproximadamente 0,0031 cm3 com relação ao seu volume inicial (Vinicial = 27,7809 cm3). Essa perda de massa mais evidente no pino de bronze-alumínio 630 com relação ao disco de aço AISI 4340 revestido com WC-10Ni se dá pelo fato do material do pino apresentar uma resistência mecânica bem menor ao revestimento de WC-10Ni, além de o revestimento apresentar uma rugosidade elevada devido às porosidades decorrentes do processo de deposição. Para efeito de comparação, a microdureza do revestimento de WC-10Ni é da ordem de 1.450 HV e a microdureza da liga bronzealumínio 630 é 250 HV. 138 Figura 4.11.7 - Perda de volume acumulada para a liga Bronze-alumínio 630 e o WC10Ni. A Figura 4.11.8 representa a morfologia do desgaste na trilha formada pelo pino de bronze-alumínio 630 no disco de aço AISI 4340 revestido com WC-10Ni. (a) (b) 139 (c) (d) Figura 4.11.8 – Morfologia na trilha do disco revestido com WC-10Ni e no pino bronzealumínio 630 após ensaio de desgaste: (a) Disco: 100x – SE; (b) Disco: 1.000x – SE; (c) Pino: 500x – SE; (d) Pino: 500x – BSE. Na Figura 4.11.8a é possível visualizar um revestimento sem deformações plásticas, sem ranhuras e sem fraturas. Identifica-se como região mais clara a matriz (revestimento) e a região mais escura, o material transferido do pino bronze-alumínio 630 para o disco revestido com WC-10Ni. A Figura 4.11.8b mostra mais claramente a distinção entre matriz e o material do pino. Com análise de EDS é possível identificar o material do pino 74,49% em peso Cu aderido no revestimento. Com isso, pode-se afirmar que o mecanismo de desgaste é adesivo. As Figuras 4.11.8c e 4.11.8d correspondem ao pino bronze-alumínio ensaiado. Com a análise de EDS do pino bronze-alumínio 630 é possível identificar em sua superfície 0,42%W e 1,91%C, em peso. Não há evidências de deformações plásticas e ranhuras no pino. O mecanismo de desgaste do pino também é adesivo. 140 4.11.6: Aço AISI 4340 revestido com Ni-20 Cr x bronze-alumínio 630 A Figura 4.11.9 representa a perda de material durante o ensaio de desgaste. Pode-se observar que o pino perde uma quantidade de massa de aproximadamente 0,42% de sua massa inicial (minicial = 9,58 g), reduzindo seu volume final após o ensaio em aproximadamente 0,0047 cm3 (Vinicial = 1,1270 cm3). Já para o disco, nota-se uma perda de massa insignificante de aproximadamente 0,0009% de sua massa inicial (minicial = 214,69 g). Em volume, isso representa uma perda de aproximadamente 0,0002 cm3 com relação ao seu volume inicial (Vinicial = 27,3494 cm3). Essa perda de massa mais evidente no pino com relação ao disco ocorre devido ao material do pino apresentar uma resistência mecânica bem menor que o revestimento de Ni-20Cr, além de o revestimento apresentar uma rugosidade elevada devido ao seu processo de deposição. Para efeito de comparação, a microdureza do revestimento de Ni-20Cr é da ordem de 900 HV e a microdureza da liga bronzealumínio 630 é 250 HV. Figura 4.11.9 - Perda de volume acumulada para a liga Bronze-alumínio 630 e o Ni-20Cr. 141 A Figura 4.11.10 representa a morfologia do desgaste na trilha formada pelo pino de bronze-alumínio 630 no disco de aço AISI 4340 revestido com Ni-20Cr. (a) (c) (e) (b) (d) (f) Figura 4.11.10 – Morfologia na trilha do disco revestido com Ni-20Cr e no pino bronze-alumínio 630 após ensaio de desgaste: (a) Disco: 100x – SE (escala da imagem igual a 200 ȝm); (b) Disco: 500x – SE; (c) Disco: 1.000x – SE; (d) Disco: 1.000x – BSE; (e) Pino: 500x – SE; (f) Pino: 500x – BSE. 142 Nas Figuras 4.11.10a, 4.11.10b e 4.11.10c, é possível visualizar duas partes distintas: uma região mais clara toda rugosa e uma região mais escura lisa. Isso ocorre porque a rugosidade do disco estava muito elevada para ser realizado o ensaio de desgaste. Esse disco é lixado e polido com o intuito de diminuir sua rugosidade superficial; porém, como a deposição via HVOF não é muito homogênea, partículas do composto Ni-20Cr ficam salientes e são aplainadas. Os resultados das análises de EDS demonstram um valor de 64,79% em peso Cu deixado na trilha de ensaio. Na região rugosa, tanto para a trilha de desgaste quanto fora dela, a análise de EDS revela partículas de Silício e Carbono oriundas do processo de lixamento. Ainda nas imagens das Figuras 4.11.10a, 4.11.10b e 4.11.10c, nota-se que o principal mecanismo de desgaste novamente é adesivo, pois na matriz do revestimento não há fraturas que evidenciem um mecanismo abrasivo. As Figuras 4.11.10e e 4.11.10f correspondem ao pino de bronze-alumínio ensaiado. Com a análise de EDS do pino bronze-alumínio 630 é possível identificar em sua matriz, pequenos aumentos na porcentagem em peso do Fe, Ni e Cr. Existem leves ranhuras no pino, mas isso não é suficiente para afirmar que o mecanismo de desgaste no pino é abrasivo. Como há uma pequena interação do material do disco com o pino, o mecanismo de desgaste do pino também é adesivo. Com relação à característica do desgaste, este é o par que apresenta o melhor comportamento, pois é o de menor desgaste tanto no recobrimento quanto no pino. 4.11.7: Aço AISI 4340 revestido com Ni-Cr-B-Si-Fe x bronze-alumínio 630 A Figura 4.11.11 representa a perda de material durante o ensaio de desgaste, onde o par pino/disco é uma liga de bronze-alumínio 630 e aço AISI 4340 revestido com Ni-Cr-B-Si-Fe, respectivamente. Pode-se observar que o pino bronze-alumínio 630 perde uma quantidade de massa de aproximadamente 0,70% de sua massa inicial (minicial = 9,48 g), reduzindo seu volume final após o ensaio em aproximadamente 0,0078 cm3 (Vinicial = 1,1148 cm3). Já para o disco de aço AISI 4340 revestido com Ni- 143 Cr-B-Si-Fe, nota-se um ganho de massa insignificante de aproximadamente 0,0004% de sua massa inicial (minicial = 213,33 g). Em volume, isso representa um ligeiro ganho de aproximadamente 0,0001 cm3 com relação ao seu volume inicial (Vinicial = 27,1754 cm3). Essa perda de massa mais acentuada do pino de bronze-alumínio 630 com relação ao disco de aço AISI 4340 revestido com Ni-Cr-B-Si-Fe, e ocorre devido ao material do pino apresentar uma resistência mecânica bem menor que o revestimento de Ni-Cr-B-Si-Fe, além do revestimento apresentar um grau de rugosidade elevado devido ao seu processo de deposição. Para efeito de comparação, a microdureza do revestimento de Ni-Cr-B-Si-Fe é da ordem de 950 HV e a microdureza da liga bronzealumínio 630 é 250 HV. Figura 4.11.11 - Perda de volume acumulada para a liga bronze-alumínio 630 e o Ni-Cr-B-SiFe. A Figura 4.11.12 representa a morfologia do desgaste na trilha e fora da trilha formada pelo pino de bronze-alumínio 630 no disco de aço AISI 4340 revestido com Ni-Cr-B-Si-Fe. 144 (a) (b) (c) (d) (e) Figura 4.11.12 – Morfologia na trilha e fora da trilha do disco revestido com Ni-Cr-B-Si-Fe e no pino bronze-alumínio 630 após ensaio de desgaste. (a) Disco: na trilha - 100x – SE; (b) Disco: na trilha – 1.000x – SE; (c) Disco: fora da trilha – 1.000x – SE; (d) Pino: 500x – SE; (e) Pino: 500x–BSE. 145 Nas Figuras 4.11.12a e 4.11.12b, é possível visualizar duas partes distintas: uma região mais clara toda rugosa e uma região mais escura lisa. A região mais clara corresponde ao revestimento de Ni-Cr-B-Si-Fe. A região mais escura e de aspecto liso corresponde à adesão de material proveniente do pino de desgaste. Pode-se afirmar isso de duas maneiras: comparando as imagens 4.11.12b e 4.11.12c, sendo que a Figura 4.11.12c corresponde à superfície do revestimento fora da trilha do ensaio de desgaste e analisando a EDS da trilha de desgaste no disco com 72,86% em peso de Cu. Com a análise das imagens, afirma-se que o mecanismo de desgaste para esse par pino/disco é adesivo. As Figuras 4.11.12d e 4.11.12f correspondem ao pino de bronze-alumínio 630 ensaiado. Nota-se uma mancha escura no centro dessas imagens, e através da EDS desse pino, verifica-se que há uma pequena transferência de material do disco para o pino. Neste caso trata-se de desgaste adesivo. Na EDS da trilha de ensaio (região clara rugosa) e na EDS fora da trilha de ensaio verifica-se uma quantidade significativa de silício. Esse silício é oriundo do processo de lixamento que o disco é submetido, pois o mesmo apresentava um grau de rugosidade muito elevado para a realização do ensaio de desgaste. 4.11.8: Aço AISI 4340 revestido com Cr3C2-NiCr x bronze-alumínio 630 A Figura 4.11.13 representa a perda de material durante o ensaio de desgaste. Observa-se que o pino perde uma quantidade de massa de aproximadamente 0,87% de sua massa inicial (minicial = 9,60 g), reduzindo seu volume final após o ensaio em aproximadamente 0,0098 cm3 (Vinicial = 1,1289 cm3). Já para o disco, nota-se um ganho de massa insignificante, de aproximadamente 0,0009% da massa inicial (minicial = 213,02 g). Em volume, isso representa um ligeiro ganho de aproximadamente 0,0002 cm3 com relação ao seu volume inicial (Vinicial = 27,1357 cm3). Essa perda de massa mais acentuada do pino com relação ao disco ocorre, pois o material do pino apresenta uma resistência mecânica bem menor que o revestimento de 146 Cr3C2-NiCr, além de o revestimento apresentar um grau de rugosidade elevado devido ao seu processo de deposição. Para efeito de comparação, a microdureza do revestimento de Cr3C2-NiCr é da ordem de 1.150 HV e a microdureza da liga bronzealumínio 630 é 250 HV. Figura 4.11.13 - Perda de volume acumulada para a liga Bronze-alumínio 630 e o Cr3C2-NiCr. A Figura 4.11.14 representa a morfologia do desgaste na trilha e fora da trilha formada pelo pino de bronze-alumínio 630 no disco de aço AISI 4340 revestido com Cr3C2-NiCr. A partir das Figuras 4.11.14a e 4.11.14b, é possível verificar uma região clara com aspecto rugoso e alguns pontos escuros de aspectos mais lisos. A região clara corresponde à matriz do revestimento, com seu aspecto característico devido ao processo de deposição do HVOF. Já a região escura, mostra claramente a adesão de um material que não é característico da matriz do revestimento. Esse material é transferido do pino para o disco no momento do ensaio de desgaste, caracterizando assim, o mecanismo de desgaste como sendo adesivo. A análise da EDS da trilha de desgaste, 76,84% em peso Cu, comprova o que mostram as imagens 4.11.14a e 4.11.14b. 147 As Figuras 4.11.14c e 4.11.14d correspondem ao pino de bronze-alumínio 630 ensaiado. Não é possível identificar transferência de material do disco para o pino apenas com essas imagens, mesmo sendo imagens de elétrons secundários e retroespalhados. Com a análise da EDS do pino ensaiado, constata-se que o pino agrega a sua composição padrão, um pequeno aumento nas porcentagens de ferro, níquel, cromo e carbono. Neste caso trata-se de desgaste adesivo. (a) (b) (c) (d) Figura 4.11.14 – Morfologia na trilha do disco revestido com Cr3C2-NiCr e no pino bronze-alumínio 630 após ensaio de desgaste: (a) Disco: 100x – SE (escala da imagem igual a 200 ȝm); (b) Disco: 1.000x – SE; (c) Pino: 500x – SE; (d) Pino: 500x – BSE. A Figura 4.11.16 facilita a visualização e as conclusões quanto ao desgaste, e percebe-se que o melhor desempenho é do aço AISI 4340 + Ni 20 Cr, pois apresenta o menor desgaste do pino e do disco. 148 Os revestimentos que apresentam maior desgaste, tanto no disco como no pino, são os tratamentos à base de WC (vide Figura 4.11.16), devido ao fato do recobrimento a base de WC apresentar elevada dureza 1.250 a 1.450 HV e rugosidade superficial ligeiramente maior que os demais recobrimentos, conforme pode ser visto nas Figuras 4.11.6 e 4.11.8. 4.12 ENSAIO DE CORROSÃO EM NÉVOA SALINA Os resultados do teste de corrosão, de acordo com a norma ASTM B117 para o aço AISI 4340 revestido pelo processo HVOF por WC-CrC-Ni, WC-10Ni, Ni-20Cr, Ni-Cr-B-Si-Fe e Cr3C2-NiCr, encontram-se na Tabela 13. Os registros fotográficos das inspeções visuais estão apresentadas no anexo 1. O objetivo á ser alcançado pelos tratamentos superficiais em estudo é o de resistir por mais de 480 h, pois é o período de tempo que o Cromo duro resiste ao ser submetido ao teste de salt-spray, sem alteração superficial. Tabela 13 - Apresenta os resultados da inspeção visual após o respectivo tempo de exposição na câmara de salt-spray. Avaliação visual Tempo de exposição na câmara em horas Material Aço 4340 revestido com 72 120 168 360 480 Metal base Corrosão superficial Corrosão superficial Corrosão superficial Corrosão superficial Cromo duro Sem alterações Sem alterações Sem alterações Sem alterações Corrosão superficial Leve corrosão superficial WC-CrC-Ni Sem alterações Sem alterações Sem alterações Sem alterações Sem alterações WC 10Ni Sem alterações Leve corrosão superficial Corrosão superficial Corrosão superficial Corrosão superficial Ni-20 Cr Sem alterações Sem alterações Sem alterações Sem alterações Sem alterações Ni-Cr-B-SiFe Sem alterações Sem alterações Leve corrosão superficial Corrosão superficial Corrosão superficial Cr3C2-NiCr Sem alterações Sem alterações Sem alterações Sem alterações Sem alterações 149 Pode-se observar no anexo 1 que os tratamentos são efetivos na proteção contra a corrosão, exceto no caso do WC-10Ni e Ni-Cr-B-Si-Fe. Estes apresentam início de corrosão superficial após 120 e 168 h respectivamente, de exposição ao teste. Os tratamentos que contém Cromo e Níquel na composição do recobrimento são bastante efetivos na proteção contra a corrosão; porém, para os recobrimentos a base de WC somente a presença do Níquel não é tão eficaz como se pode observar para o recobrimento WC-10Ni. A presença do Cromo é mandatória para se aumentar a resistência à corrosão (reportar-se ao resultado do WC-CrC-Ni que resiste a 480 h de exposição). Quanto ao recobrimento Ni-Cr-B-Si-Fe considera-se a presença do Fe e Si como os causadores da diminuição da resistência à corrosão. Os mecanismos de envolvidos durante o processo de corrosão são: (i) para o Cromo duro a penetração eletrolítica e ataque a superfície do substrato, deve-se à presença das trincas na camada de Cromo, (ii) para os recobrimentos a base do processo HVOF, os poros e macrodefeitos gerados durante o processo de spray são os responsáveis pelo ataque ao substrato. (Guilemany, 2006). 4.13 ESCOLHA DO MELHOR RECOBRIMENTO A seleção do recobrimento que poderá ser utilizado em substituição ao Cromo duro para aplicações em aço AISI 4340 com 1950 MPa (50 HRc), é discutida em quatro critérios: Critério de resistência à fadiga: se considerados como pior desempenho valores menores que a resistência do Cromo para 106 ciclos (475 MPa), e melhor desempenho valores maiores, em seqüencia do pior para o melhor tem-se: Ni-Cr-B-Si-Fe (450 MPa), WC-10Ni (850 MPa), Cr3C2-NiCr (850 MPa), Ni-20Cr (850 MPa), WC-CrC-Ni (900 MPa) para 106 ciclos com tratamento prévio de shot peening. Para o metal base aço AISI 4340 com 50 HRc, encontra-se neste estudo o limite de resistência à fadiga axial para R=0,1 de 935 MPa.. Do Metals Handbook tem-se que o limite de resistência à fadiga deste material é de 125 KSI para R=0,2 e 106 ciclos, equivalente a 862 MPa. 150 Na prática quando não se tem os valores do limite de resistência a fadiga para um recobrimento, é utilizado para fins de cálculos de solicitações dinâmicas o valor de 33% do valor da tensão de escoamento, sendo neste caso equivalente a 500 MPa. Figura 4.11.15 – Gráfico de dispersão para comparativo dos resultados do ensaio de fadiga axial. Ao inserir todos os resultados em um gráfico de dispersão, pode-se observar em conjunto alguns resultados: Para o metal base, o processo de shot peening aumenta o limite de resistência à fadiga em todos os níveis de tensão, principalmente em alto ciclo. Torres estudando este mesmo material com as mesmas características mecânicas em flexão rotativa encontrou uma maior influência em médio e alto ciclo. Todos os recobrimentos interferem de maneira negativa no limite de resistência à fadiga, principalmente em fadiga de alto ciclo. Este resultado está de acordo com os resultados encontrados por Nascimento (2001) e Voorwald (2005). O recobrimento de Ni-Cr-B-Si-Fe apresenta maior influência principalmente devido a espessura da camada maior que os outros recobrimentos. O decréscimo no limite de resistência à fadiga devido ao Cromo eletrodepositado é maior que os recobrimentos à base de HVOF. Este resultado está de acordo com resultados encontrados por Voorwald (2005). 151 O material base eletrodepositado com Cromo duro apresenta uma redução significativa na resistência à fadiga axial, associada à densidade de microtrincas, às altas tensões residuais internas de tração e à forte adesão da interface revestimento/substrato, que permitem o crescimento da trinca da camada atravessando a interface em direção ao material base. Souza (2002) ao ensaiar em fadiga axial o aço AISI 4340 nas mesmas características mecânicas encontra uma queda acentuada na resistência à fadiga ao comparar o revestimento de Cromo duro eletrodepositado com o material base. O efeito na fadiga axial, de todos os revestimentos estudados no aço AISI 4340 com 50 HRC com e sem shot peening é o de reduzir a resistência à fadiga do material base. Souza ao estudar o efeito na fadiga axial, dos revestimentos de WC-10Co-4Cr no aço em 50 HRC de diferentes fabricantes, com e sem shot peening, encontrou aplicações onde considera que não há influência na resistência à fadiga do material base, enquanto que em outros considera uma influência negativa. Conclui que este desempenho pode estar relacionado às velocidades das partículas e do gás da máquina de deposição de HVOF, atingindo as tensões residuais compressivas ideais ou ótimas para recuperar a diminuição da resistência à fadiga ocasionada pela deposição de uma camada de revestimento no material base. Para todos os recobrimentos, o processo de shot peening aumenta ligeiramente o limite de resistência a fadiga, sendo a maior influência em fadiga de alto ciclo. Este fato deve-se provavelmente à superposição das tensões residuais compressivas induzidas pelo shot peening e pelo processo HVOF no aço AISI 4340 com 50 HRc, recuperando a sua vida em fadiga, mas não suficiente para atingir a resistência a fadiga axial do metal base. Souza (2002) estudando outros recobrimentos aplicados no aço AISI 4340 com 50 HRc pelo processo HVOF, não considera uma influência significativa a aplicação do shot peening na recuperação da resistência à fadiga axial Ao aplicar-se um intervalo de segurança de 90%, pode-se chegar a mesma conclusão que Souza, ou seja, não é necessária a aplicação do SP como pré-tratamento a estes recobrimentos a base HVOF. Mas neste estudo como se trata de aplicação de recobrimentos em materiais de uso aeronáutico, é recomendável agir do lado da 152 segurança, mesmo com o apelo dos custos, e aplicar o pré-tratamento de shot peening em todos os recobrimentos HVOF. Critério Desgaste: se considerados como pior desempenho os valores de desgaste maiores que o desgaste do Cromo versus bronze (disco com Cromo 0,0005 cm3 versus pino de bronze com 0,0117 cm3 em volume), e melhor desempenho valores de desgaste menores, em seqüencia do pior para o melhor tem: WC-CrC-Ni (disco com 0,0010 cm3 versus pino de bronze com 0,0164 cm3 em volume), Cr3C2-NiCr (disco com 0,0002 cm3 versus pino de bronze com 0,0098 cm3 em volume), WC-10Ni (disco com 0,0031 cm3 versus pino de bronze com 0,0095 cm3 em volume), Ni-Cr-BSi-Fe (disco com 0,0001 cm3 versus pino de bronze com 0,0078 cm3 em volume), Ni20Cr (disco com 0,0002 cm3 versus pino de bronze com 0,0047 cm3 em volume). Perda de Volume (cm3) para os seguintes pares tribológicos: Percurso (m) Disco Aço 4340 Pino Disco Pino Disco Pino Disco Pino Disco Pino Disco Pino Disco Pino Aço Aço Aço Aço 4340 Aço Aço 4340 4340 4340 + + 4340 + 4340 Bronze Bronze Bronze Bronze + Bronze Bronze +Ni- Bronze Cromo WCCr3C2+ NiWCCr-Bduro CrCNiCr 20Cr 10Ni Si-Fe Ni 250 0,0001 0,0005 0,0002 0,0022 ,0004 0,0040 0,0001 0,0012 ,0001 0,0019 ,0015 0,0000 ,0004 0,0015 750 0,0001 0,0012 0,0003 0,0050 0,0008 0,0077 0,0001 0,0040 0,0005 0,004 0,0013 0,0002 0,0001 0,0032 1.250 0,0002 0,0020 0,0004 0,0074 ,0010 0,0108 0,0002 0,0055 ,0033 0,0060 ,0010 0,0016 ,0001 0,0047 1750 0,0002 0,0029 0,0005 0,0098 ,0010 0,0138 0,0002 0,0077 ,0035 0,0079 ,0001 0,0032 ,0003 0,0064 2250 0,0002 0,0037 0,0005 0,0117 0,0010 0,0164 0,0002 0,0098 0,0031 0,0095 0,0002 0,0047 0,0001 0,0078 Figura 4.11.16 – Tabela comparativa do ensaio de desgaste 153 Critério resistência a corrosão: se considerado como pior desempenho se o recobrimento resistiu menor tempo de exposição ao teste de salt-spray que o Cromo (480 horas) sem sofrer alterações superficiais, e melhor desempenho o recobrimento que resistiu maior tempo de exposição ao teste. Em seqüência do pior para o melhor tem: WC-10Ni (120 horas), Ni-Cr-B-Si-Fe (168 horas), WC-CrC-Ni (480 horas), Cr3C2-NiCr (900 horas), Ni-20Cr (1.000 horas), (vide Tabela 13). Critério microdureza: se considerado como pior desempenho valores menores que a microdureza do Cromo (950 HV), e melhor desempenho valores maiores, em sequencia do pior para o melhor tem-se: Ni-20Cr (900 HV), Ni-Cr-B-Si-Fe (950 HV), Cr3C2-NiCr (1.150 HV), WC-CrC-Ni (1.250 HV), WC-10Ni (1.450 HV), (vide Figura 4.11.17). Resumo de todos os critérios: Comparando-se os desempenhos dos recobrimentos HVOF sobre o aço AISI 4340, utilizando o Cromo duro como referência, na Figura 4.11.17 foi colocado em destaque o recobrimento de Cr3C2-NiCr (em azul), e o Ni-20Cr (na cor verde), os quais superam em todos os critérios a referência, sendo tratamentos alternativos para a proteção do aço AISI 4340 com 50 HRc. 154 '(6(03(1+2 3,25 0LFURGXUH]D 1L&U :&1L 1L&U%6L)H Figura 4.11.17 – Quadro conclusivo. Cromo duro 1L&U%6L)H )DGLJD &U&1L&U 1L&U%6L)H :&&U&1L 'HVJDVWH &RUURVmR 0(/+25 &U&1L&U :&1L :&&U&1L :&&U&1L :&1L :&1L 1L&U%6L)H &U&1L&U &U&1L&U 1L&U 1L&U :&&U&1L 1L&U 155 5 CONCLUSÕES Com base nos dados apresentados conclui-se que: 1. Os tratamentos com Cr3C2-NiCr e Ni-20 Cr apresentam desempenho superior em comparação ao recobrimento de Cromo duro na temperatura ambiente em todos os aspectos analisados. Portanto, podem ser tratamentos alternativos para a proteção do aço AISI 4340 com 50 HRc. 2. Os resultados experimentais indicam uma redução significativa da resistência à fadiga do aço AISI 4340 que recebeu a camada de Cromo duro, em até 57% para 106 ciclos.. 3. Ocorre redução da resistência à fadiga do aço AISI 4340 para todos os recobrimentos a base do processo HVOF, porém menos significativa que a influência do Cromo duro. A redução máxima é de 20% em alto ciclo. 4. O pré-tratamento de shot peening no material base revestido por HVOF recupera parcialmente a resistência em fadiga do aço AISI 4340, em relação à condição revestida por HVOF sem shot peening, comprovando que a nucleação e a propagação de trincas por fadiga podem ser retardadas pelo efeito dos campos residuais compressivos. 5. Todos os revestimentos testados em fadiga axial, com o pré-tratamento de shot peening, apresentam valores maiores de resistência à fadiga a 106 ciclos em comparação ao Cromo duro (revestimentos WC-CrC-Ni 900 MPa, Ni-20Cr 850 MPa, Cr3C2-NiCr 850 MPa, WC-10Ni 850 MPa e Ni-Cr-B-Si-Fe 700 MPa). 6. O efeito das tensões residuais compressivas obtidas pelo tratamento de shot peening e pelo processo HVOF retardam a propagação da trinca abaixo da interface revestimento/substrato. 7. Os ensaios de desgaste caracterizam um mecanismo predominante de desgaste adesivo nos discos revestidos por HVOF. 156 8. Os pares tribológicos que apresentam, no teste a seco, menores perdas de desgaste em comparação ao Cromo duro são o pino de bronze-alumínio 630 com o disco de aço AISI 4340 revestido com Ni-20Cr, Ni-Cr-B-Si-Fe, WC10Ni, Cr3C2-NiCr. Já o par tribológico que apresenta a maior perda de desgaste em comparação ao Cromo duro é o pino de bronze-alumínio 630 com o disco de aço AISI 4340 revestido com WC-CrC-Ni. 9. Os ensaios de corrosão mostram que revestimentos com Cromo em sua composição (Ni-20Cr, Cr3C2-NiCr, WC-CrC-Ni) resistem mais tempo à exposição em névoa salina. 10. Nenhuma modificação na microestrutura do metal base é observada devido ao processo de deposição HVOF e também para o revestimento de Cromo duro. 11. O processo de shot-peening e também os recobrimentos a base de HVOF reduzem a dispersão natural dos dados experimentais dos ensaios de fadiga axial. 6 - SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS Em face aos resultados obtidos e às conclusões deste trabalho, o autor coloca as seguintes sugestões para pesquisas futuras: 1. Estudar alternativas de processos de recobrimento, que não seja através de HVOF, para substituição dos tratamentos eletrolíticos no aço AISI 4340. 2. Concentrar os estudos nos recobrimentos de Cr3C2-NiCr e Ni-20 Cr, e 2.1 Estudar o efeito na vida em fadiga utilizando-se ensaio de flexão rotativa, ou diferentes razões de efeito de concentração de tensão “R”. 2.2 Estudar a influência da temperatura no comportamento dos recobrimentos; 2.3 Analisar a influência de outros meios ácidos (Ex. HCl) ou meios oxidantes (ex. HNO3) na resistência a corrosão dos recobrimentos; 2.4 Testar a influência da espessura da camada de recobrimento pelo processo HVOF no comportamento mecânico do aço AISI 4340; 2.5 Estudar a influência da carga e da velocidade aplicadas, e a presença de lubrificação durante os ensaios tribológicos dos revestimentos estudados. 157 7 . BIBLIOGRAFIA AEROSPACE SPECIFICATION METALS. - AMS 6414 - Steel Bars, Forgings, and Tubing, 0.80Cr 1.8Ni 0.25Mo (0.38-0.43C) Vacuum Consumable Electrode Remelted. AMERICAN SOCIETY FOR METALS INTERNATIONAL ASM Handbook, Properties and Selection: Irons, Steels, and High-Performance Alloys. V. 1. AMERICAN SOCIETY FOR METALS INTERNATIONAL. ASM Handbook: Atlas of Microstructures of Industrial Alloys. Materials Park, OH: ASM. V.07. AMERICAN SOCIETY FOR METALS INTERNATIONAL. ASM Handbook: Materials characterization Park, OH: ASM, 2002. V.10. AMERICAN SOCIETY FOR METALS INTERNATIONAL. ASM Handbook: Fractography. Materials Park, OH: ASM, 2002. V.12, 517p. AMERICAN SOCIETY FOR METALS INTERNATIONA. ASM Handbook: Friction, lubrification and wear technology. Materials Park, OH: ASM, 1995. V 18. AMERICAN SOCIETY FOR TESTING AND MATERIALS. ASTM B 117. Standard Practice for Operating Salt Spray (Fog) Apparatus. ASTM International, Pennsylvania, 2007. 10p. AMERICAN SOCIETY FOR TESTING AND MATERIALS. ASTM B150/B150M03. Standard Specification for Aluminum Bronze Rod, Bar, and Shapes. ASTM International, Pennsylvania, 2003. 6p. AMERICAN SOCIETY FOR TESTING AND MATERIALS. ASTM E 466. Standard Practice for Conducting Force Controlled Constant Amplitude Axial Fatigue Tests of Metallic Materials. ASTM International, Pennsylvania, 2007. 5p. AMERICAN SOCIETY FOR TESTING AND MATERIALS. ASTM E 8/E 8M. Standard Test Methods for Tension Testing of Metallic Materials. ASTM International, Pennsylvania, 2008. 25p. 158 AMERICAN SOCIETY FOR TESTING AND MATERIALS. ASTM E384-08. Standard Test Method for Microindentation Hardness of Materials. ASTM International, Pennsylvania, 2008. 33p. AMERICAN SOCIETY FOR TESTING AND MATERIALS. ASTM G99-05. Standard Test Method for Wear Testing with a Pin-on-Disk Apparatus. ASTM International, Pennsylvania, 2005. 5p. ASKELAND, D. R.; PHULÉ, P. Ciência e Engenharia dos Materiais. 1.ed. São Paulo: Cengage Learning, 2008, 594p. BERGER L.M., K. LIPP, J. SPATZIERA, J. BRETSCHNEIDERA. Dependence of the rolling contact fatigue of HVOF-sprayed WC–17%Co hardmetal coatings on substrate hardness. Wear 271 (2011) 2080– 2088 BOLELLI, G., GIOVANARDI, R. Corrosion resistance of HVOF-sprayed coatings for hard chrome replacement. Corrosion Science, v.48, n.11, p.3375-3397, Nov. 2006. BOLELLI, G., CANNILLO, V. LUSVARGHI, L., MONTORSI, M., MANTINI, F. P., BARLETTA, M. Microstructural and tribological comparison of HVOF-sprayed and post-treated M-Mo-Cr-Si (M = Co, Ni) alloy coatings Wear, v.263, p.1397-1416, 2007. BOLELLI, G.; LUSVARGHI; L.; BARLETTA, M. HVOF-sprayed WC–CoCr coatings on Al alloy: Effect of the coating thickness on the tribological properties. Wear, v. 267, n. 5-8, p. 944-953, Jun 2009. BONORA R. G., Voorwald, H. J. C, Cioffi M. O. Fadiga e corrosão do aço inoxidável custom 465 de aplicação aeronáutica Tese de dissertação de Mestrado em Engenharia Mecânica na Área de Materiais. - Faculdade de Engenharia de Guaratinguetá, Universidade Estadual Paulista. 2011. 159 B.V. L’vov, Fifty years of atomic absorption spectrometry; Journal of. Analytical. Chemistry, (2005) 60: 382–392. CALLISTER, W. D. Jr. Ciência e Engenharia de Materiais: uma introdução. 5ed, Rio de Janeiro, LTC. 2002. CAMARGO, J. A. M. Propagação de Trinca por Fadiga na Liga de Alumínio 7475-T761 Submetida a Carregamento de Amplitude Constante e Variável. 1995. Dissertação (Mestrado em Engenharia Mecânica) - Faculdade de Engenharia do Campus de Guaratinguetá, Universidade Estadual Paulista. Guaratinguetá, 1995. CAMARGO, J. A. M.; Voorwald, H.J.C.; Cioffi, M. O. H; Costa, M. Y. P. Coating residual stress effects on fatigue performance of 7050-T7451 aluminum alloy. Surface and Coatings Technology, v.201, n.24, p.9448-9455, April. 2007. CARVALHO, A.L.M.; VOORWALD, H.J.C. Influence of shot peening and hard chromium electroplating on the fatigue strength of 7050-T7451 aluminum alloy. International Journal of Fatigue, v.29, n.7, p.1282-1291, Jul. 2007. CHIDAMBARAM, D.; CLAYTON, C. R.; DORFMAN, M. R. Evaluation of the electrochemical behavior of HVOF-sprayed alloy coatings. Surface and Coatings Technology, v.176, p. 307-317, 2004. COSTA, M.Y.P Fadiga em Titânio aeronáutico revestido por PVD. Tese doutorado em Engenharia Mecânica na área de Materiais. - Faculdade de Engenharia do Campus de Guaratinguetá, Universidade Estadual Paulista. 2009. 123 f. DIETER, G. E. Fatigue of Metals. In: Mechanical Metallurgy. 2. ed. McGraw Hill. 1984, p.403-450. DOWLING, N. E. Mechanical behavior of materials. 3.ed. New Jersey: PrenticeHall, 2007, 773p. 160 ESPALLARGAS, N.; BERGET, J.; GUILEMANY, J.M.; BENEDETTI, A.V.; SUEGAMA, P.H. Cr3C2–NiCr and WC–Ni thermal spray coatings as alternatives to hard chromium for erosion–corrosion resistance. Surface and Coatings Technology, v.202, n.8, p.1405-1417, Jan. 2008. FEDRIZZI, L., ROSSI,S., CRISTEL, R. AND BONORA, P. L. Corrosion and wear behavior of HVOF cermets coatings used to replace hard chromium. Eletroquímica Acta, v.49, n.17-18, p.2803-2814, Jul. 2004. GUILEMANY J.M, ESPALLARGAS N, BENEDETTI A.V.; SUEGAMA P.H. Comparative study of Cr3C2–NiCr coatings obtained by HVOF and hard chromium coatings Corrosion Science 48 (2006) 2998–3013. GROSS, T.S.; LAMPMAN, S. Micro mechanisms of Monotonic and Cyclic Crack Growth. In: AMERICAN SOCIETY FOR METALS INTERNATIONAL. ASM Handbook. Materials Park, OH: ASM, 1996. v.19, 42-60. IBRAHIM, A. AND BERNDT, C.C. Fatigue and deformation of HVOF sprayed WCCo coatings and hard chrome plating. Materials Science and Engineering: A, v.456, n.1-2, p.114-119, May 2007. JOGI, B. F.; BRAHMANKAR, P. K.; NANDA, V. S.; PRASAD, R. C. Some studies on fatigue crack growth rate of aluminum. Journal of Materials Processing technology, v. 20, p. 380-384, 2008. KHALED, M. M.; YILBAS, B. S. Corrosion properties of HVOF-coated steel in simulated concrete pore electrolyte and concentrated chloride environments. Surface & Coatings Technology, v.202, p.433-438, 2007. K.O. LEGG, M. GRAHAN, P. CHANGE, The replacement of electroplating Surface and Coatings Technology 81 (1996) 99, 105. 161 L.-M. BERGER, K. Lipp, J. Spatziera, J. Bretschneidera. Dependence of the rolling contact fatigue of HVOF-sprayed WC–17%Co hardmetal coatings on substrate hardness. Wear 271 (2011) 2080– 2088. MEO, M.; VIGNJEVIC, R. Finite element analysis of residual stress induced by shot peening process. Advances in Engineering Software, v.34, n.9, p.569-575, Sept. 2003. METAL IMPROVEMENT COMPANY. Disponível em: <http://www.metalimprovement.com/shot_peening. php>. Acesso em: 18 Fev. 2011. MILITARY SPECIFICATION - MIL H 6875 Heat Treatment of STEEL Raw Materials – 1999. NASCIMENTO, M. P.; SOUZA, R. C.; PIGATIN, W. L.; VOORWALD, H. J. C. Effects of surface treatments on the fatigue strength of AISI 4340 aeronautical steel. International Journal of Fatigue, v.23, n.7, p.607-618, Aug. 2001. NASCIMENTO, M.P. Determinação da vida em fadiga do aço AISI 4340 revestido com Cromo duro sobre níquel químico. 1999. 158 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia Mecânica) - Faculdade de Engenharia do Campus de Guaratinguetá, Universidade Estadual Paulista, Guaratinguetá, 1999. . NASCIMENTO, M. P., R.C. SOUZA, Effects of tungsten carbide thermal spray coating by HP/HVOF and hard chromium electroplating on AISI 4340 high strength steel. Surface and Coatings Technology. V. 138 (2001), p 113-124. NOGUEIRA, J.C., Resistência mecânica do aço AMS 6414 (aço AISI 4340) após desidrogenação em forno convencional, quando protegido com Cromo duro e cádmio LHE. Tese de Mestrado em Ciências na área de Física e Química dos Materiais Aeroespaciais. – Instituto Tecnológico de Aeronáutica, São José dos Campos, SP, 2003. 162 PADILHA, R. Q. Influência na vida em fadiga da espessura das camadas de níquel e Cromo duro em aço AISI 4340. 2004. 176f. Tese (Doutorado em Engenharia Mecânica) - Faculdade de Engenharia do Campus de Guaratinguetá, Universidade Estadual Paulista. Guaratinguetá, 2004. PICAS, J.A.; FORN, A.; MATTHÄUS, G. HVOF coatings as an alternative to hard chrome for pistons and valves. Wear, v.261, p.477- 484, 2006. RENAN T. RUY, Análise do comportamento em desgaste do aço AISI 4340 revestido com WC-10Ni e Ni-Cr-B-Si-Fe pelo processo HVOF. 2010. Monografia em engenharia mecânica - Faculdade de Engenharia de Guaratinguetá, UNESP. ROSA E., Análise de Resistência Mecânica – Mecânica da fratura e Fatiga. Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, Outubro de 2002.. SAHRAOUI, T.; FENINECHE, N.; MONTAVON, G.; CODDET, C. Alternative to chromium: characteristics and wear behavior of HVOF coatings for gas turbine shafts repair (heavy-duty). Journal of Materials Process Tech., v.152, n.1, p.43-55, Oct. 2004. SAHRAOUI, T.; GUESSASMA, S.; FENINECHE, N.E. Friction moment prediction of HVOF coatings and Electroplated Hard Chromium. MATERIALS LETTERS, V.62, N.3, P.473-477, Feb. 2008. SCHIJVE, J. Fatigue of structures and materials in the 20th century and the state of the art. International Journal of Fatigue, v.25, n.8, p.679-702, Aug. 2003. SIDHU Hazoor S., Buta S.Sidhu, S.Prakash. Wear characteristics of Cr3C2–NiCr and WC–Co coatings deposited by LPG fueled HVOF. Tribology International 43 (2010) 887–890. SOCIETY OF AUTOMOTIVE ENGINEERS. AMS-S-13165: Shot Peening of Metal Parts. SAE internacional, Pensilvânia 1997. 26p. 163 SOUZA, S. A. Ensaios Mecânicos de Materiais Metálicos. 5ª ed., Ed. Edgard Blücher, 1982. SOUZA, R. C. Estudo do comportamento em fadiga do aço AISI 4340 revestido com WC-12Co, WC-17Co, WC-10Co-4Cr, CrC-25Ni-Cr e WC-10 Ni pelo sistema HVOF/HP. 2002. 111f. Tese (Doutorado em Engenharia de Materiais) - Faculdade de Engenharia Química de Lorena, Lorena, 2002. SOUZA, V.A.D., NEVILLE, A. Aspects of microstructure on the synergy and overall material loss of thermal spray coatings in erosion-corrosion environments. Wear, v. 263, p.339-346, 2007. SURESH, S. Fatigue of Materials. 2.ed. Cambridge : Cambridge University Press, 1998, 679p. TORRES, M. A. S.; VOORWALD, H. J. C. An evaluation of shot peening, residual stress and stress relaxation on the fatigue life of AISI 4340 steel. - International Journal of Fatigue, v.24, n.8, p.877-886, Aug. 2002. VASCONCELOS, S. M. B., Estudo da influência dos tratamentos superficiais de Cromo duro e níquel químico na vida em fadiga do aço de alta resistência, AISI 4340, Trabalho Final de Graduação. Escola de Engenharia Industrial, E. E. I, São José dos Campos/ SP, 1992. VERDON, C.; KARIMI, A.; MARTIN, J.-L. A study of high velocity oxy-fuel thermally sprayed tungsten carbide based coatings. Part 1: Microstructures. Materials Science and Engineering. v.246, p.11-24, 1998. VICENZI J, Villanova DL, Lime MD, Takimi AS, Marques CM, Bergmann CP. HVOF-coatings against high temperature erosion (300 °C) by coal fly ash in thermoelectric power plant. Material & Design (2006); 27: 236-42. 164 VOORWALD, H.J.C.; PADILHA, R.; COSTA, M.Y.P; PIGATIN, W.L.; CIOFFI, M.O.H. Effect of electroless nickel interlayer on the fatigue strength of chromium electroplated AISI 4340 steel. International Journal of Fatigue, v.29, n.4, p. 695704, Abr. 2007. VOORWALD, H.J.C.; SOUZA, R.C.; PIGATIN, W.L.; CIOFFI, M.O.H. Evaluation of WC-17Co and WC-10Co-4Cr thermal spray coatings by HVOF on the fatigue and corrosion strength of AISI 4340 steel. Surface and Coatings Technology, v.190, n.23, p.155-164, Jan. 2005. ZANGRANDI, A. Fadiga dos Materiais Metálicos. 1. Ed. Guaratinguetá: UNESP, 2004. 39p. WANG, S.; YAO, M.; WANG, R. Fatigue limits of shot peened metals. Materials Processing Technology. v. 73, p. 57-63, 1998. WANK, A.; WIELAGE, B.; POKHMURSKA, H.; FRIESEN, E.; REISEL, G. Comparison of hardmetal and hard chromium coatings under different tribological conditions. Surface and Coatings Technology, v.201, n.5, p. 1975-1980, Oct. 2006. WEBSTER, G. A.; EZEILO, A. N. Residual stress distributions and their influence on fatigue lifetimes. International Journal of Fatigue, v. 23, suppl. 1, p. S375-S383, 2001. ANEXO 1: Fotos retiradas das amostras nos respectivos tempo de exposição em câmara de salt-spray Exposição [Horas] Metal base Metal base + Cromo Duro Metal base + WCCrC-Ni Metal base + WC 10Ni Metal base + Ni-20 Cr Metal base + Ni-Cr-BSi-Fe Metal base + Cr3C2NiCr 120 168 360 480 1000