XIII SILUBESA - Simpósio Luso-Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental VI-032 – ESTRATÉGIAS PARA O CONTROLE DE EMISSÕES GASOSAS DA FROTA DE ÔNIBUS URBANOS DO MUNICÍPIO DO NATAL - RN Jean Leite Tavares(1) Engenheiro Civil e Mestre em Engenharia Civil com concentração em Engenharia Sanitária pela Universidade Federal da Paraíba – Campus II de Campina Grande. Engenheiro Sanitarista da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo do Município do Natal e Consultor Ambiental. Jéferson Teixeira Dantas Economista pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte e Coordenador do Projeto Despoluir da FETRONOR. Eduardo de Brito Nogueira Engenheiro Civil pela Escola de Engenharia de São Carlos e Especialista em Geoprocessamento pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Chefe da Supervisão Geral de Fiscalização Ambiental da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo do Município do Natal e Consultor Ambiental. Danilo Luiz Magalhães Ferraz Tecnólogo Ambiental pelo Centro Federal de Educação Tecnológica do Rio Grande do Norte e Técnico da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo do Município do Natal. Caroline Gabriela Bezerra de Moura Técnica Ambiental pelo Centro Federal de Educação Tecnológica do Rio Grande do Norte e Técnica da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo do Município do Natal. Endereço(1): Rua General Glicério, 246 – Bairro Ribeira – Natal - RN - CEP: 59012-100 - Brasil - Tel: (84) 8867 9184 - e-mail: [email protected] RESUMO A poluição do ar nos centros urbanos afeta diretamente a saúde da população como também tem fortes interferências nos aspectos ambientais locais, regionais e globais. A implantação de alternativas de gestão desta problemática deve ser incentivada nos municípios, devendo para isso, considerar suas particularidades. Este trabalho traz algumas das iniciativas adotadas no município do Natal – RN na tentativa de gerenciar e controlar a poluição atmosférica proveniente dos veículos, notadamente os ônibus urbanos cuja frota, em Natal, é abastecida 100% por diesel. São apresentados resultados que mostram haver uma melhora gradativa nos índices da qualidade das emissões veiculares originadas dos ônibus, estes resultados obtidos junto ao Programa Economizar / Despoluir da CNT/FETRONOR e ao Projeto “Ar Puro” da SEMURB comprovam a importância de deve haver parcerias entre o setores público e privado visando uma maior eficiência dos programas de controle da poluição. Estes, por sua vez devem manter uma sinergia com outros fatores, como a redução dos custos com combustíveis, por exemplo. A mescla de ferramentas mais acessíveis como o Uso da Escala Ringelman e de maior avanço tecnológico como o uso do opacímetro, permitem estabelecer metas de controle para se atingir valores considerados satisfatórios nas ações fiscalizatórias, educativas e preventivas junto às empresas de ônibus. Outro resultado indireto é a inclusão de novos parceiros às iniciativas locais. Estas ações integradas resultam em ganhos qualitativos e quantitativos, como é o exemplo da aquisição de novos equipamentos, tecnologias e treinamento de pessoal. PALAVRAS-CHAVE: Poluição do ar, emissões veiculares, ônibus urbanos, estratégias de controle. ABES – Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental 1 XIII SILUBESA - Simpósio Luso-Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental INTRODUÇÃO Atualmente o município do Natal passa por um período de crescimento populacional significativo. Fatores como a estabilidade econômica e as inúmeras belezas naturais vêm atraindo o interesse de pessoas dos mais diversos estados brasileiros e inclusive de outros países. Grande parte desse contingente estabelece residência na capital potiguar. Uma conseqüência natural deste processo é o crescimento do contingente da frota veicular no município, atrelado a este vem o aumento das queixas relacionadas à poluição do ar originada dos veículos. Uma das principais conseqüências do desenvolvimento urbano é a possibilidade da deterioração da qualidade do ar nas grandes cidades. Para o município do Natal, esta situação assume um caráter mais sensível, pois o mesmo é conhecido mundialmente por apresentar uma ótima qualidade do ar, sendo inclusive um dos fatores que contribuem para o desenvolvimento do turismo local. A poluição atmosférica pode gerar sérios agravos à saúde da população, não somente relacionados ao trato respiratório, mas também a doenças cardíacas, neurológicas e alguns tipos de câncer (MARTINS, 2004). Outros problemas relacionados à poluição atmosférica são os danos ambientais de escala local, regional e global (inversões térmicas, efeito estufa, diminuição da camada de ozônio). Também há danos ao patrimônio público e cultural, principalmente causados e pela ação dos subprodutos gerados a partir dos chamados poluentes primários, é de conhecimento notório as conseqüências da chamada “chuva ácida”, por exemplo. As fontes de poluição atmosférica podem ser classificadas segundo sua mobilidade em fixas e móveis. As primeiras se referem às indústrias ou atividades exercidas em um local determinado, às segundas se referem principalmente aos automóveis. BRITO (2005) destaca a poluição veicular em Natal, seus estudos informam que a frota de veículos no município de Natal cresceu a uma taxa média de 6% de 1995 a 2005. Assim, um programa mais global de controle e monitoramento da qualidade do ar no município deve, necessariamente, envolver ações voltadas para combater as emissões gasosas de origem veicular, principalmente dos veículos movidos a diesel. Um dos principais grupos a serem trabalhados no combate às emissões atmosféricas é aquele formado pelas empresas de transporte urbano. A ação junto às empresas recebeu o vital apoio da Federação de Transportes Públicos do Nordeste (FETRONOR) que, desde 1997, vem desenvolvendo, em diversos estados do nordeste, ações visando a economia de combustíveis e consequentemente a diminuição das emissões veiculares nocivas à atmosfera. O transcorrer do chamado “Projeto Ar Puro” foi acompanhado com a inclusão de novos parceiros, destacando-se além da atuação da Secretaria Municipal de Trânsito e Transporte (STTU), o Ministério Público Estadual, o Centro Federal de Educação Tecnológica do Rio Grande do Norte, a Secretaria Municipal de Saúde e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (núcleo de Natal). ABES – Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental 2 XIII SILUBESA - Simpósio Luso-Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental MATERIAIS E MÉTODOS Área de Estudo O município do Natal está situado na região Nordeste do Brasil, na porção leste do Estado do Rio Grande do Norte, está inserido em uma região metropolitana com uma população de aproximadamente 1 milhão de habitantes. A Cidade de Natal está localizada no litoral oriental do nordeste brasileiro, situando-se a 5°45’54’’ de latitude sul e 35°12’05’’ de longitude oeste com posição intertropical no hemisfério sul. O clima em Natal é o Tropical Litorâneo Úmido, trata-se de um clima controlado, principalmente, pela massa tropical atlântica (mta). Segundo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE, 2006), o clima da região é classificado como quente e úmido e é caracterizado por apresentar alta umidade relativa do ar, radiação intensa, temperaturas do ar elevadas, possuindo duas épocas características anuais: outubro a março e abril a setembro. O primeiro período caracteriza-se por temperaturas mais elevadas, umidades relativas mais baixas, velocidades dos ventos relativamente menores em determinados horários, com predominância sudeste e pequenas variações na direção leste-nordeste. O segundo período é caracterizado por temperaturas mais amenas, umidades relativas mais altas (período chuvoso), velocidades dos ventos mais elevadas e com predominância também no quadrante sudeste, com variações sul-sudoeste, principalmente nas primeiras horas do dia. As temperaturas do ar em Natal/RN são elevadas durante todo o ano. A temperatura média anual é de 26,6 o C, com pequena variação ao longo do ano, com uma amplitude de aproximadamente 2,6 oC. A precipitação média em Natal para o período 1984 - 2000 foi de 1648,6 mm, com um coeficiente de variação (CV) relativamente baixo, de 28 %. A menor precipitação anual, de 858,2 mm, ocorreu em 1989 e a maior, de 2.438 mm, em 1986, segundo o INPE. A insolação e nebulosidade estão inversamente relacionadas, pois quanto maior a incidência de nuvens menor é a quantidade de energia luminosa que atinge a superfície do solo. ABES – Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental 3 XIII SILUBESA - Simpósio Luso-Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental A nebulosidade média anual do município de Natal é alta ao longo de todo o ano, com uma média anual de 55% do céu coberto por nuvens. As maiores nebulosidades precedem e coincidem com os períodos de maiores precipitações. A insolação média de Natal está em torno de 2700 horas anuais, o que equivale a 7,4 horas diárias, em média, de luz do sol incidindo sobre o solo. A variação das médias ao longo do ano é bastante acentuada, passando de uma média mínima mensal de 5,7 horas/dia em abril, a uma média máxima de 9,3 horas/dia em outubro. A quantidade de radiação solar global que atinge a região é bastante elevada. A média anual é da ordem de 1,2 cal/cm2.min, com os menores valores ocorrendo de maio a outubro e os maiores de março a abril. A média anual da região está em torno de 77%. Apesar da pequena variação de umidade ao longo do ano, os meses mais úmidos, com umidade relativa entre 80 e 82% vão de abril a julho, e os meses mais secos, setembro e outubro apresentam umidade relativa média entre 71 e 72%. Os ventos são um importante elemento climático que carregam umidade, secura, frio e calor, interferindo sobre a ionização da atmosfera, temperatura, umidade e nebulosidade, não só pela sua direção, mas também por sua força, freqüência e velocidade. Também desempenham papel importante no local, uma vez que refletem na morfologia superficial dos depósitos eólicos recentes e no alinhamento aerodinâmico da vegetação. Além desse fato são responsáveis pela formação de uma brisa que proporciona um melhor conforto térmico e uma autodepuração atmosférica. Predominam ventos de sudeste, correspondente a direção SE-NW. Estes ventos assumem velocidades com valores médios de 4 Km/h, sendo os meses que registram maior velocidade: fevereiro, agosto, setembro, outubro e novembro e os meses de menor velocidade dos ventos: abril, junho e julho. Metodologias de atuação Para aferira a cor das emissões atmosféricas provenientes dos veículos movidos a diesel, foi utilizada inicialmente, a Escala Ringelmann, a Figura 2 a seguir apresenta um modelo da referida escala. Por não ter amparo normativo e não ser aceita pelo novo Código de Trânsito Brasileiro, o uso da referida escala está sujeito a ser legalmente ineficaz. A alternativa correta, tanto por motivos legais como da boa técnica, para aferir as emissões veiculares é através do uso dos equipamentos denominados opacímetros. A Figura 3 a seguir apresenta este equipamento. A Lei Federal 9.503 de 23/09/97, que institui o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), em seu artigo 104 determina que “os veículos em circulação terão suas condições de segurança, de controle de emissão de gases poluentes e de ruídos, avaliados mediante inspeção, que será obrigatória, na forma e periodicidade estabelecidas pelo Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN), para os itens de segurança e pelo CONAMA, para emissão de gases poluentes e ruídos”. O artigo 131 do mesmo Código, em seu § 3º, determina que “ao licenciar o veículo, o proprietário deverá comprovar sua aprovação nas inspeções de segurança veicular e de controle de emissões de gases poluentes e de ruídos”. Metodologia do uso da Escala Ringelmann A técnica de utilização da escala consiste em observar através da mesma, a uma distância de 10 a 15 metros, a emissão dos escapamentos dos veículos. O nível 1, com densidade máxima de 20% é tido como o ideal quando se aplica este método. Como pôde ser visto na Figura 2, a Escala Ringelmann apresenta 5 níveis de coloração, que variam do cinza claro ao escuro mais compacto. Quando a emissão veicular apresenta coloração mais escura do que a indicada pelo Nível 2, caracteriza-se a necessidade de correções no sistema de queima do combustível do veículo. ABES – Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental 4 XIII SILUBESA - Simpósio Luso-Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental Figura 2: Escala Ringelmann Enquanto a equipe de fiscais fazia a avaliação, um funcionário da empresa se encarregava de efetuar as acelerações necessáriaso. Era solicitado que fossem efetuadas 10 acelerações. A forma de acelerar consistia em uma aceleração prolongada de 5 segundos, uma desaceleração de 10 segundos e outra aceleração de 5 segundos. As duas primeiras emissões eram descartadas, pois em algumas situações há acúmulo de material particulado na tubulação do escapamento, falseando os resultados destas duas primeiras emissões. O membro da equipe, fiscal ou estagiário que sustentava o quadro branco estava protegido com máscara especial com proteção contra os poluentes gasosos e contra danos aos olhos como apresentado na Figura 3. Figura 3 – Equipe averiguando a emissão dos ônibus nas garagens das empresas Durante a vistoria são coletadas as seguintes informações: Nome da empresa, Número do Veículo, Linha, Placa, Classificação segundo a Escala Ringelmann e o Ano do veículo. A operação Ar Puro pode ser dividida em duas fases: Versão 2006 que teve início em 03 de junho de 2006 e término em 22 de julho de 2006, quando foram feitas 8 vistorias e a versão 2007 com vistorias entre os dias 26 de maio de 2007 a 07 de julho de 2007. Por motivos externos s A seguir é apresentado um fluxograma simplificado das ações desta supervisão visando a execução desta primeira fase da Operação Ar Puro junto às empresas de ônibus. ABES – Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental 5 XIII SILUBESA - Simpósio Luso-Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental Figura 4 – Fluxograma simplificado do procedimento operacional da Operação Ar Puro Contato Inicial Houve emissões acima do Nível 2 ou foi reprovado Comunicado formal Não houve emissões acima do Nível 2 ou foi aprovado Vistoria nas garagens Notificação para providências Apresentação do Laudo da FETRONOR para todos os veículos reprovados Nota parabenizando a empresa Apresentação do Laudo da FETRONOR para parte dos veículos reprovados Não atendimento à notificação Aplicação de Auto de Infração Vistoria concluída Nova Notificação para providências Metodologia do uso do Opacímetro A técnica do uso do opacímetro tem, entre outras vantagens, a de eliminar quase que totalmente a interferência da subjetividade do técnico operador do equipamento. A leitura da opacidade é feita internamente ao equipamento e apenas o resultado é apresentado através de uma impressão. A Figura 5 a seguir apresenta o equipamento opacímetro. Pode-se verificar as suas partes integrantes com destaque para a sonda a ser introduzida no interior do escapamento. Figura 5: Opacímetro Digital ABES – Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental 6 XIII SILUBESA - Simpósio Luso-Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental O uso do opacímetro se baseia na avaliação da opacidade da fumaça emitida pelos escapamentos dos veículos. Sua utilização tem amparo legal na Resolução 251/1999 do Conselho Nacional de Meio Ambiente e nas Normas NBR 12.897 e NBR 13037da Associação Brasileira de Normas Técnicas. A utilização do equipamento é regulada por um dispositivo indicador de aceleração e os resultados são apresentados a partir da impressão dos mesmos (Figura 6). Figura 6: Leitura do resultado da opacidade média do veículo RESULTADOS Resultados do Projeto Economizar/Despoluir coordenado pela FETRONOR O programa Economizar, uma iniciativa inicialmente da Petrobrás em conjunto com as entidades que formam a Confederação Nacional dos Transportes, a partir de 2007 passou a se chamar Despoluir, no Rio Grande do Norte e em outros estados nordestinos, a coordenação da Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Nordeste (FETRONOR). A Figura 7 a seguir apresenta os resultados obtidos em 10 anos de atuação do Programa Economizar / Despoluir nos Estados do Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas. Figura 7: Variação anual global dos níveis de opacidade nos Estados atendidos pela FETRONOR (RN, PbB, PE e Al) 100% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% 1997 1998 1999 BOM 2000 2001 REGULAR 2002 RUIM 2003 2004 2005 2006 MUITO RUIM Fonte: FETRONOR ABES – Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental 7 XIII SILUBESA - Simpósio Luso-Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental A Figura 8 apresenta a evolução do projeto Economizar / Despoluir junto às empresas de ônibus exclusivamente no Estado do Rio Grande do Norte. Figura 8: Variação anual dos níveis de opacidade no Rio Grande do Norte 100% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% 1997 1998 1999 BOM 2000 2001 REGULAR 2002 RUIM 2003 2004 2005 2006 MUITO RUIM Fonte: FETRONOR Os dados apresentados nas Figuras 7 e 8 refletem a melhoria na qualidade das emissões veiculares originadas a partir dos ônibus urbanos. Salienta-se que apesar dos bons resultados há grande perspectiva de avanço dos mesmos com a adesão de novas empresas ao referido programa. Em Natal, atualmente 8 empresas estão cadastradas junto ao projeto Despoluir. Algumas destas foram induzidas pela ação fiscalizatória da SEMURB a adotar medidas preventivas e corretivas no sentido de melhorar os níveis das emissões dos seus veículos. Resultados da Operação Ar Puro da SEMURB Reiniciada em 2006, após 7 anos paralisada, esta Operação teve como objetivo primeiro averiguar, através de um método empírico da Escala Ringelman, que avalia a cor da emissão do escapamento de veículos movidos a diesel. A operação Ar puro foi desenvolvida em parceria com a Secretaria Municipal de Trânsito e Transporte do Município do Natal (STTU), FETRONOR entre outros parceiros. Na primeira fase os veículos eram vistoriados apenas nas garagens dos ônibus. Foram desenvolvidas análises baseadas nos índices de ocupação urbana e de concentração de empresas visando identificar as principais rotas de ônibus. As Figuras 9 e 10 a seguir indicam a variação por bairro, destes índices. ABES – Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental 8 XIII SILUBESA - Simpósio Luso-Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental Figura 9: Densidade Demográfica por bairros do Natal Fonte: SEMURB Figura 10: Densidade da Atividade Empresarial por bairros do Natal Fonte: SEMURB A observação das figuras 9 e 10 indica que há um fluxo da população residente, principalmente na zona norte do município, para os bairros da zona centro-sul onde estão concentradas a grande parte das empresas. Estes resultados também se refletem no fluxo veicular, notadamente dos ônibus urbanos, principal meio de transporte da massa operária. Baseando-se nestes dados, foram realizadas ações experimentais fiscalizatórias (Ver Figura 11 a seguir) nas principais vias de circulação que interligam as zonas norte e sul. Figura 11: Ação nas principais vias da rota norte – sul do Natal Como principal vertente da Operação Ar puro pode se destacar a fiscalização junto às garangens das empresas de ônibus. A seguir são apresentados os resultados obtidos com esta prática. A Figura 12 a seguir apresenta os resultados obtidos durante a primeira fase da operação ar puro, ocorrida no ano de 2006. Foram avaliados 135 veículos dos quais cerca de 32,5% apresentaram emissões com cor acima do estipulado como permitido pelo método da Escala Ringelmann. ABES – Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental 9 XIII SILUBESA - Simpósio Luso-Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental Figura 12 – Resultados da Operação Ar – Versão 2006 – Usando Escala Ringelmann Veículos com emissão acima de 2 Veículos com emissão correta 100 2 Número de veículos Vistoriados 3 90% 3 80% 4 16 70% 60% 16 50% CONCLUSÕES 24 40% 12 10 17 10 Com30% base no trabalho realizado, concluiu-se que: 6 11 20% Na ETA Morrinhos, o cloreto férrico pode ser mais eficiente do que o sulfato de alumínio devido aos elevados 10% valores de alcalinidade e pH; 1 0% Reunidas A Riograndense B Via sul C Guanabara D s N.Sra. E Conceição Cidade das F Dunas Oceano G Santa Maria H Vale salientar que a aplicação desta metodologia tem interferência direta das questões ambientais, de chuva, direção e velocidade dos ventos, entre outros fatores. A procura por uma metodologia mais adequada levou a SEMURB à parceria com a FETRONOR que, como já mostrado anteriormente, possuía uma longa experiência na avaliação das emissões veiculares. No entanto, a ação da FETRONOR não era fiscalizatória. Assim, a parceria com a SEMURB também trouxe como efeito positivo a adesão de outras empresas que não faziam parte do Programa Economizar. A Figura 13 a seguir apresenta os resultados obtidos durante a segunda fase da Operação Ar Puro. Figura 13 – Resultados da Operação Ar – Versão 2007 – Usando Opacímetro Veículos reprovados Veículos aprovados Número de veículos Vistoriados 100 1 90% 2 4 80% 70% 60% 50% 13 15 40% 13 10 30% 19 20% 10% 0% Reunidas A s Riograndense B Via sul C Guanabara D N.Sra. E Conceição Cidade das F Dunas Oceano G Santa Maria H Apesar das falhas ocorridas durante a segunda fase, quando apenas 77 veículos foram vistoriados e apenas 5 empresas fiscalizadas e também devendo-se considerar as diferentes metodologias empregadas durante as duas fases da operação ar puro, pode-se observar que percentualmente houve uma melhora substancial nos resultados de 2006 para 2007. ABES – Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental 10 XIII SILUBESA - Simpósio Luso-Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental Os resultados obtidos indicam que apenas 10% dos veículos vistoriados foram considerados reprovados quando se utilizou a metodologia do opacímetro. CONCLUSÕES Com o desenvolvimento das ações da Operação Ar Puro e sua divulgação na imprensa, novos parceiros foram se agregando à operação, destacando-se a parceria com o Centro Federal de Ensino Tecnológico (CEFET) e da FETRONOR. Este último surgiu com a possibilidade de um convênio com a Prefeitura de Natal, visando uma parceria técnica. Como um dos resultados da Operação Ar Puro ocorreu uma maior adesão das empresas de ônibus a um programa da Federação das Empresas de Transporte Urbano do Rio Grande do Norte (FETRONOR) que visava inicialmente uma maior eficiência no consumo de combustíveis, mas que também se mostrou eficiente no controle de emissões veículos movidos a diesel. Com o desenvolvimento das ações, novas parcerias surgem, daí pode-se vislumbrar atualmente a ação conjunta dos seguintes órgãos: - SEMURB; - IDEMA; - DETRAN - RN; - STTU - Polícia Rodoviária Federal – para auxiliar no monitoramento dos veículos que circulam nas vias federais. - CEFET; - FETRONOR; - Ministério Público Estadual. A última ação conjunta dos órgãos supracitados, destacadamente o Ministério Público Estadual, resultou na aquisição de 02 novos opacímetros de última geração. Estes foram adquiridos através de uma compensação ambiental. Espera-se que a superação das dificuldades iniciais e a aquisição destes novos equipamentos permitam o desenvolvimento de ações mais freqüentes e com resultados mais expressivos, inclusive com ações nas vias públicas mais movimentadas do município. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1.BRITO, H. P. DE - ANÁLISE DAS EMISSÕES ATMOSFÉRICAS GERADAS POR VEÍCULOS AUTOMOTORES EM NATAL – RN [ Dissertação de Mestrado] – UFRN, 2005. 2.MARTINS, A. P. C. DE S – ESTRATÉGIAS PARA A ELABORAÇÃO DE UM PLANO DE MONITORAMENTO DA QUALIDADE DO AR PARA A REGIÃO METROPOLITANA DE NATAL – RN. [ Dissertação de Mestrado] – UFRN, 2004. 3.INPE – Natal. [Consultado em 2006-11-01]. Disponível em www:<URL:http://www.inpe.br> 4.SEMURB – Mapas temáticos. Natal. www:<URL:http://www.natal.rn.gov.br/semurb> [Consultado em ABES – Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental 2008-01-08]. Disponível em 11