Revista Educare ISEIB - Montes Claros - MG v. 1 2005 O ENSINO DE MÚSICA EM ESCOLAS PÚBLICAS: CONTRIBUIÇÕES DA EDUCAÇÃO MUSICAL PARA O DESENVOLVIMENTO DOS ALUNOS NA ESCOLA REGULAR Vivian Silva Dupin * RESUMO: Este artigo trata de reflexões resultantes da pesquisa que empreendi em 2003, cujo campo investigativo foi o ensino de música em escolas públicas nos anos iniciais do ensino fundamental. Propus verificar as principais contribuições da educação musical para o desenvolvimento dos alunos na escola regular. No texto são discutidos alguns fatos encontrados nas escolas, especialmente na infância, onde observamos o desenvolvimento emocional e social. PALAVRAS-CHAVE: Música, Educação, Infância, Arte e Desenvolvimento Humano. Sabemos que a humanidade passa por várias mudanças no decorrer dos anos. Essas mudanças estão ligadas ao processo do desenvolvimento e de modo específico, a globalização. Sofremos influências de todas as raças, de todos os lugares do mundo. Como nosso enfoque é a música, não podemos deixar de destacar a diversidade musical existente em nosso planeta. A música retrata através dos sons as diferenças culturais de um povo. Assim, devido à variedade cultural e musical existentes no mundo, sentimos a necessidade de centralizar nossa pesquisa em uma etapa da vida humana. Onde selecionamos a infância, devido às grandes contribuições que a música proporciona nesta etapa da vida, onde as crianças estão em pleno desenvolvimento do campo emocional, psico-motor e cognitivo. Portanto podemos afirmar que, não temos a pretensão de resolver todos os problemas encontrados nas aulas de música em escolas públicas, especificamente nos anos iniciais do ensino fundamental onde aprofundaremos. Mas sim, destacar a importância da educação musical no processo de formação do indivíduo. As crianças que têm aulas de música na infância, não sentem dificuldade na assimilação das demais disciplinas e formam cidadãos mais conscientes dos seus deveres dentro da sociedade. *Vivian Silva Dupim, graduada em Artes com Licenciatura plena em Música, Pós-graduanda em Docência do Ensino Superior e Supervisão Escolar com Ênfase em Educação Especial e Inclusiva pela Faculdade de Educação Ibituruna. Texto extraído da Monografia de Graduação: Contribuições da Música para o desenvolvimento educacional dos alunos matriculados do 1 e 2 ciclos do ensino fundamental de escolas públicas de Montes Claros – MG, concluída em 2003 pela Unimontes . 1 Revista Educare ISEIB - Montes Claros - MG v. 1 2005 Sendo indivíduos mais flexíveis, são aceitos com maior facilidade pelo mercado de trabalho e são mais estruturados emocionalmente. A criança desde o útero materno sofre influências musicais distintas, estando exposta ao ambiente musical freqüentado pelos pais e pela sociedade a que ela pertence. Portanto, desde antes do nascimento do bebê os pais necessitam se conscientizarem do seu papel na formação deste ser humano. Não podendo esquecer que a música contribui para o desenvolvimento emocional, psico-motor, cognitivo e intelectual do indivíduo. Dessa forma a seleção de um repertório musical adequado e variado para a audição de pais e bebê é de extrema significância para processo de gestação, facilitando mais tarde, o desenvolvimento de um ser humano integrado, sensível e consciente do seu papel na sociedade. “Para que o cérebro desenvolva todo o seu potencial, são necessários estímulos, agindo diretamente em suas centrais de comunicação. Na infância, em especial, este conjunto de estímulos proporcionam o desenvolvimento das fibras nervosas capazes de ativar o cérebro e dotá-lo de habilidades”. (A Importância da Música para as Crianças, 2002. Pág 16) De acordo com esta idéia, podemos afirmar que a música é fundamental no desenvolvimento infantil. Quanto mais cedo a criança iniciar o seu contato com o mundo Musical mais tempo ela terá para desenvolver suas habilidades, formando assim cidadãos mais preparados no campo racional, sentimental e intelectual. Nessa perspectiva, uma criança quando submetida a audição de uma peça de Mozart, Handel, dentre outros, produz uma riqueza inquestionável de gemidos e pequenos gritos que poderiam, na concepção atual serem concebidos como música. A partir da introdução dos gravadores e demais instrumentos tecnológicos, por volta de 1950, estudiosos detectaram que os sons produzidos ainda no processo de formação da criança, dentro do útero, não deveriam ser considerados simplesmente como meros ruídos como se pensava anteriormente. Assim, uma criança estaria expressando, através dos sons, suas sensações de emoção, angústia, desprezo, ansiedade e demais sentimentos. Essa visão, que concebe a música de forma mais abrangente proporcionou, segundo Delalande (1999), possibilidade de comparação entre a produção sonora de uma criança de 08 meses com uma peça de música concreta, como por exemplo, uma obra do compositor Pierre Henry, gravado em disco, onde ele retrata o ranger de uma porta, o 2 Revista Educare ISEIB - Montes Claros - MG v. 1 2005 empurrar de uma cadeira, o estalar de um dedo como uma criação musical. Logo assim, antes mesmo de aprender a falar e entrar em contato com o mundo, a criança retrata suas perspectivas e medos através dos sons, uma produção própria, particular, mas, de certa forma, imitativa, dos sons do mundo de fora do seu universo. Tal idéia também é defendida por Suzuki (1994), para ele a criança aprende através do processo da imitação, principalmente de seus pais. Sendo assim, a criança ainda no útero materno, já utiliza os sons como forma de expressão e comunicação, sendo este processo ainda mais significativo na fase infantil. Podemos dessa forma afirmar que é imprescindível o papel dos pais e de todos envolvidos no processo de formação de uma criança, pois a partir de um contato sólido e integrado com a música o desenvolvimento humano de um bebê pode se concretizar de forma adequada e completa. Podemos assim concluir que a música desde o início da formação humana se mostra fundamental para o processo de criação da auto-expressão e autoconfiança, mesmo antes do nascimento da criança. Ainda nesta óptica podemos conceber que a música vai ser importante na medida que proporciona ao ser humano seu desenvolvimento emocional e racional, não esquecendo que através da Arte, e mais especificamente da música, o homem pode desenvolver a criatividade, muitas vezes “não” aceita pelo mundo racionalista. Segundo Duarte Júnior (1994), alguns cientistas e matemáticos vêem a imaginação como um fruto da alienação mental humana, seus conceitos e fórmulas são elaborados sobre o concreto, não aceitando o abstrato produzido pela imaginação e criação. Assim, para os adeptos dessa visão, a Arte seria um simples passa tempo no qual o homem esconde da realidade proporcionada pelo mundo atual. Sobre o ponto de vista racional a Arte realmente leva o homem a submeter suas fantasias, seus problemas, suas vivências de mundo e perspectivas para as criações musicais. Sendo que, em momento algum ele está fugindo deles, a Arte não funciona como válvula de escape, pelo contrário, ela denúncia e relata cruelmente a realidade vivida. O exemplo claro deste fato, foi o exílio de vários compositores e intérpretes no Período Militar, onde através das Canções de Protesto eles demonstravam suas insatisfações com os governantes daquela época. A Arte proporciona a liberdade de expressão e não a alienação mental. Pensando sobre ponto de vista emocional, a racionalidade proposta pelos cientistas e matemática aqui 3 Revista Educare ISEIB - Montes Claros - MG v. 1 2005 serve simplesmente como forma de ponte cronológica entre homem-pensamento-criação. Através das fórmulas, das descobertas científicas e tecnológicas os “pensadores racionais” marcam os séculos e a história. Mas só conseguem registrá-los e mostrá-los para todas as camadas sociais com os movimentos artísticos. Como a Revolta da Vacina (1904), cuja razão principal foi às condições de miséria que as elites dominantes impunham a população, como formas de protesto utilizaram faixas e músicas. Até hoje em campanhas preventivas a música é utilizada como forma de manipulação da massa popular. Portanto, acreditamos que a música deve ser pensada como um dos fatores fundamentais para desenvolvimento cognitivo, emocional e intelectual do ser humano. Esta grande significância da música na vida do ser humano, só é possível devido a sua grande riqueza, tanto em termos teóricos quanto interpretativos. Até mesmo por que a humanidade está em constante mudança e tudo que não se mostra qualitativo, rapidamente é abolido e esquecido. Assim a música possui várias formas de linguagem, podendo ser apropriada e executada de formas distintas em lugares e contextos variados. Dentro da música podemos utilizar várias formas de expressão, pois, no Brasil, podemos encontrar estilos distintos e variados. Cada povo traz uma enorme variedade na bagagem cultural sendo que não é possível estabelecer uma regra única para a experiência musical. Uma fonte comercial utilizada atualmente na nossa realidade advém das chamadas músicas-comerciais que são produzidas com um único objetivo: as vendas, são exploradas em todas as rádios retratando temas banais e fúteis sendo rapidamente esquecidas pela massa popular. Tem um caráter apelativo e possuem alguma coreografia. O que exemplifica o fato relatado acima é a execução de uma obra-musical por dois grupos diferentes: profissionais e autodidatas. O primeiro, devido ao grau de escolaridade (teoria) e o segundo a sua vivência de mundo e tradição cultural (prática) faram apresentações diferenciadas. O que se faz notável é a interação entre os dois grupos: em o estudo de uma peça ou em uma apresentação, os dois vivem o duplo momento. Como também pode o primeiro simplesmente executar uma partitura e sair de cena ou o segundo não lê se quer uma cifra, mas sentir a emoção proporcionada pela execução. Os dois estão vivenciando e produzindo música. 4 Revista Educare ISEIB - Montes Claros - MG v. 1 2005 Dessa forma a música é importante essencialmente para o ser humano não como formadora exclusiva de artistas, mas sim como elemento essencial da vida que possibilita ao homem um maior desenvolvimento do seu mundo emocional e racional. Para Duarte Júnior (1994) a primeira função cognitiva, ou pedagógica, da Arte: apresenta nos eventos pertinentes a esfera dos sentimentos, que não são acessíveis ao pensamento discursivo. Através da Arte somos levados a conhecer nossas experiências vividas que escapam a linearidade da linguagem. A Arte utilizada como forma de expressão dos nossos sentimentos, desejos, fantasias, medos que são produzidos e guardados pelo nosso cérebro vindo a manifestar quando sentimos algo que nos lembre aquele momento guardado e catalogado, que geralmente são as sensações de prazer ou medos (traumas). Por conseguinte podemos afirmar que, a música é elemento fundamental que não pode ser abolida da formação sentimental e cognitiva na vida de uma criança. A liberdade de expressão proporcionada pela Arte de um modo geral arrasta multidões de executantes e admiradores de todas as idades, raças e classes sociais. Sendo democrática, percebemos que não existe uma música, mas sim, várias músicas, que proporcionam ao ser humano as mais diferenciadas e ricas experiências de expressão e resignificação da vida. Sendo a infância o enfoque de nossa pesquisa, concordamos com Delalande (1999), que nesta fase a criança passa por três categorias de condutas de produção sonora, são elas: as condutas de exploração, de expressão e de construção. Não esquecendo em nenhum momento da importância dos pais no processo da criação e dos educadores quando chegar o período educacional. A Conduta de Exploração: é a primeira fase da infância em que a criança passa a explorar o universo sonoro. O exemplo disso é a batida da mão na madeira do berço, o ranger das unhas na madeira ou em um brinquedo, entre outros fatores. Aos 03 anos a criança passa a perceber uma pequena variação do timbre sonoro: ao brincar com um pequeno tubo que fazia muito barulho aberto, fechando um pouco sua cavidade o barulho reduziria. Já entre os 04 e 05 anos o processo mais viável e rápido é o da repetição. O que se faz notável neste período é a participação dos pais e educadores quando a criança já está 5 Revista Educare ISEIB - Montes Claros - MG v. 1 2005 fazendo parte do meio-educacional. Os pais devem não só estimular a repetição como também incentivar seus filhos a criarem. Já o educador deve catalisar as informações passadas em casa e dar continuidade ao processo, ajudando na construção e elaboração de idéias, através das brincadeiras de roda utilizando nelas pequenos exercícios rítmicos, algumas encenações teatrais, desenhos criados em papel ou modulados em argila. Ao educador cabe incentivar o fazer-criativo. O que podemos observar é que através das brincadeiras de roda nos deparamos com um fato muito comum e notável por muitos: a entonação. Muitas vezes ela está relacionada com o lado afetivo. A criança canta com o seu lado emocional, se ela está bem emocionalmente sua voz sobressai canta alto e em bom som, se está abalada emocionalmente quando vai a apresentação sua voz não é ouvida. Entramos assim na segunda fase da criança no meio musical. A Conduta de Expressão: na qual a criança é no meio-artístico o reflexo do seu lado emocional, só começa a separar o lado afetivo do interpretativo aos 07 anos. Antes desta idade ela é conduzida pelo seu lado emocional. Uma cena de violência é retratada pela criança com uma voz gritada e com tapas e agressões aos seus colegas, muitas vezes é o reflexo do que ele presencia em família, em brincadeiras de grupo nas ruas entre amigos ou mesmo nos meios de comunicação. Se ela interpreta uma peça calma seu corpo e conduzido por movimentos leves e tranqüilos, se interpreta um momento tenso em determinado trecho seus olhos ficam espantados, suas mãos agitadas, pernas trêmulas e a voz nervosa. A Conduta de Construção: nesta terceira etapa observamos que o fazer criativo citado na primeira etapa como estimulação, agora aparece como produto final. Por volta dos 10 anos os alunos estão preparados para produzirem suas próprias interpretações e criações, não encontrando dificuldade, mas ao contrário um grande prazer, como em organizar seu grupo de trabalho como em compor elementos sonoros que eles reuniram. Com a orientação do educador eles criam com o conhecimento adquirido através das brincadeiras de roda, audição de peças folclóricas-infantis, exercícios rítmicos e expressão corporal seu produto final, muitos até com instrumentos inventados por eles mesmos. Através de pequenas Oficinas os educadores preparam os alunos para confeccionarem seus próprios instrumentos, utilizando caixas de sapato, 6 Revista Educare ISEIB - Montes Claros - MG v. 1 2005 garrafas plásticas, tampas de panela e uma variedade enorme de sucatas. Agora eles vão organizar seus pensamentos e conhecimentos básicos de musicalização infantil, se tiverem passado corretamente pelas três fases, e produzirem um final satisfatório se a turma toda tiver disposição e demonstrar interesse pelo conteúdo proposto. Segundo Delalande (1999), muitos alunos, principalmente os de escolas públicas, não demonstram muito interesse pelo processo de criação preferem fazer uma paródia ou se distanciarem do produto final. Se a criança dominar estas três formas de condutas, aprofundando nos estudos musicais, ela estará no caminho certo para ser um músico qualificado e um cidadão consciente, equilibrado, tanto no lado racional quanto no afetivo. Até por que os grandes concertistas de um modo geral iniciam sua vida musical na infância. Segundo uma pesquisa realizada e publicada no livro A Importância da Música para as crianças: ”Quanto mais nova a criança aprender a tocar um instrumento mais córtex ele dedicou para tocá-lo. Aulas de Música na infância realmente fazem o cérebro crescer. Pesquisadores alemães descobriram que a área do cérebro utilizada para analisar tons musicais é, em média 25% maior nos músicos. Quanto mais cedo começar o treino musical, maior será a área do cérebro. Crianças que estudam música saem-se melhor na escola e na vida”. (págs 20 e 21). Educação Musical infantil em Escolas Públicas: Histórico e Perspectivas. Reconhecendo a importância da música para o desenvolvimento infantil, nos ateremos nesse capítulo a discutir e analisar aspectos históricos do ensino de música no Brasil, dando ênfase aos processos educacionais nas escolas públicas, principalmente na fase de escolarização infantil. Objetivamos, assim apontar como, no desenvolvimento histórico brasileiro, se estabeleceram propostas de educação musical infantil e como isto tem refletido nas práticas contemporâneas de ensino de música para crianças. A primeira noção de educação destinada ao desenvolvimento infantil foi no período da Revolução Industrial, onde Pestalozzi desenvolveu um programa voltado para a educação, higiene e alimentação das crianças. Pois nesta fase histórica seus pais realizavam jornadas exaustivas nas fábricas. Pestalozzi alojava as crianças em 7 Revista Educare ISEIB - Montes Claros - MG v. 1 2005 “Kindergarten”, que segundo Beyer (1998) desfrutavam de noções básicas de educação e tinham a música como um dos elementos para despertar a sensibilidade estética ampliando e desenvolvendo seus conhecimentos. No Brasil, foi com a Abolição de escravatura que surgem as primeiras crianças de rua. São filhos dos negros que sem lugar para morar e comer se vêem obrigados a se alojarem nas ruas. Logo surge um importante e lamentável fato na história da humanidade brasileira. Hoje milhões delas vivem nas ruas onde se prostituem e se transformam em usuários de drogas, sustentando quase em 60% o tráfico de droga do país, dividindo-se entre vendedores e usuários. Percebemos que com a utilização da educação musical infantil aplicada através de palestras, apresentações e aulas em praças públicas, instituições ou mesmo nas salas de aula, com educadores ou membros da sociedade que tenham embasamentos teóricos para relatarem o tema proposto, através da valorização da criança como ser humano, desenvolvendo temas educativos e utilizando a música como meio de comunicação. Podemos reduzir ou mesmo “erradicar” este fato deprimente na sociedade brasileira. Estas crianças quando freqüentam as instituições, participam de atividades artísticas que utilizam a música como veículo condutor no resgate da auto-estima, principalmente daquelas carentes. As instituições citadas acima surgem no Brasil por volta de 1820 como uma tentativa de equacionar o número de crianças existentes nas ruas. O que percebemos que não funcionou de forma adequada. Relata Beyer (1998), nesse período a infância não tem o seu valor reconhecido, parece mais uma punição e não um direito para as crianças. Nesta fase a música aparece como atividade enriquecedora dos valores femininos, pois as moças de família deveriam ser prendadas. Nasce aqui uma música voltada para a classe dominante. Surgindo também os primeiros conservatórios de música que ampliariam os conhecimentos das classes mais favorecidas economicamente. Enquanto na Europa a música já se firmava nos currículos escolares, no Brasil era voltada para as classes mais favorecidas. O modernismo foi um dos mais importantes movimentos da Arte no Brasil, marcando significativamente o cenário artístico do país. Esse movimento teve como ponto fundamental, a “Semana da Arte Moderna” que aconteceu no Teatro Municipal de 8 Revista Educare ISEIB - Montes Claros - MG v. 1 2005 São Paulo no ano de 1922. Suas propostas fazem parte da vida dos artistas contemporâneos, até os dias atuais. Podemos perceber que nos anos anteriores a Semana da Arte Moderna, a música popular brasileira não era valorizada. Segundo Travassos (2000), vários compositores usavam pseudônimos para protegerem a integridade do seu nome. Pois a sociedade conhecia o gênero erudito como predominante, as músicas populares eram consideradas vulgares e quem as compunham não tinham reconhecimento e respeito, ficando impossibilitados de se destacarem no cenário artístico e erudito. Somente Pixinguinha e Donga tiveram coragem de mostrar as raízes da música brasileira usando o próprio nome e gravando o primeiro samba. Registrando seus nomes na história e sendo reconhecidos como pioneiros no cenário popular. A partir da Semana da Arte Moderna, acompanhou-se uma abertura crescente para as novas expressões artísticas brasileiras. Em música, cresce tanto o estilo erudito como o popular, as crescentes mudanças são inquestionáveis e notáveis, um novo mundo de ritmo, sons, técnicas e composições até chegarmos hoje na imensa riqueza musical brasileira. Não podemos deixar de ressaltar a importância de Mário de Andrade nesse movimento, que embora fosse escritor, publicou grandes obras literárias divulgando a música e a cultura brasileira. No âmbito educacional na primeira metade do séc XX, as disciplinas de Desenho, Trabalhos Manuais, Música e Canto-Orfeônico fazem parte dos programas das escolas primárias e secundárias, a figura do educador funcionava com um exemplo a ser seguido e imitado. O que se avaliava era a qualificação do trabalho, não utilizando as técnicas como ponto primordial no desenvolvimento do conteúdo proposto, pois nem os educadores se mostravam aptos para dominá-las. O Teatro e a Dança funcionavam somente como atividades comemorativas, nas festas das mães, pais, páscoa, natal e todos os outros eventos que tivessem caráter festivo. O ensino de música sente a necessidade de se firmar como disciplina no meio educacional. Fazendo parte durante muito tempo do caráter festivo como o teatro e a dança percebemos uma grande lacuna no desenvolvimento da sensibilidade infantil, neste período, que pode ser trabalhado e explorado no processo de musicalização infantil. A falta de material adequado associado a vários outros fatores, muitas vezes funcionava 9 Revista Educare ISEIB - Montes Claros - MG v. 1 2005 como uma espécie de barreira entre criança, sensibilidade e educador. O que até hoje não deixa de ser um fator negativo devido ao baixo poder aquisitivo dos professores e o alto custo das obras, em especial as mais completas. A Arte, no Brasil, sempre esteve ligada a lutas e manifestações populares, existindo mesmo que de forma contraditória um forte elo entre o ensino de música e políticas governamentais. Mas foi nos anos 30 no governo de Getúlio Vargas através do decreto da lei (n.o 19.890 de 31 de abril, art 30) que as aulas de música passaram a ser obrigatórias para todos os níveis de ensino. O que distanciou a música nas escolas do fazer-criativo. Até mesmo por que no governo de Vargas só poderiam veicular as músicas que apresentassem os feitos políticos do governo e exaltassem as belezas naturais do Brasil. Foi aqui que Ary Barroso compôs “Aquarela do Brasil”, uma canção cujo tema central é a exaltação da natureza brasileira. No campo educacional musical a necessidade se concretiza através do compositor Villa-Lobos, que segundo Emerlinda A. Paz (2000) depois de haver se consagrado nos grandes centros culturais do mundo, retorna ao Brasil para se ocupar de uma grande e importante tarefa: a implantação do Canto Orfeônico na educação musical. Através do decreto citado acima, Villa-Lobos recebe a indicação para as funções do orientador de música e Canto Orfeônico no Distrito Federal. Villa-Lobos cria cursos para a capacitação dos professores, biblioteca de música nas escolas, publicação de livros, peças teatrais “educativas” entre outras criações é importante ressaltar o SEMA, Superintendência de Educação Musical e Artística. O Canto Orfeônico espalhou pelo país trazendo uma idéia de civismo. Que mais tarde é substituído pela educação musical, criada pelas Leis de Diretrizes e Bases de 1961 (PCN, 1997). Nota-se que, até então a forma utilizada pelos educadores era o da imitação em todas as áreas artísticas. Com o passar dos anos as novas idéias foram surgindo e o ensino da Arte foi sendo repensado e voltado para o desenvolvimento natural da criança, valorizando suas formas de expressão e de compreensão do mundo. Agora o que deve ser valorizado é o desenvolvimento do aluno e sua criação. 10 Revista Educare ISEIB - Montes Claros - MG v. 1 2005 Pensando assim, os educadores começaram a se prepararem teoricamente e as aulas de artes plásticas, educação musical, teatro e dança tiveram um novo sentido no meio educacional e na sociedade. O educador musical deve incentivar o aluno a improvisar, criar e principalmente valorizar sua auto-expressão. Buscando, assim, a sensibilidade, a imaginação e o desenvolvimento cognitivo de suas habilidades psico-motoras. “Em 1971, pela Lei de Diretrizes e Bases Nacional, a Arte é incluída no currículo escolar com o titulo de Educação Artística, mas é considerada Atividade Educativa e não disciplina”. (Parâmetros Curriculares Nacionais – pág.28) O que pareceu um progresso é o inicio de um caos. Com a implantação da nova Lei percebemos que ocorre o desaparecimento das aulas de música nas escolas curriculares. Sendo assim não existiria mais a aula de música e conseqüentemente o educador musical com habilitação específica desapareceria. Como conseqüência deste fato surge então a figura do professor polivalente (o mesmo professor administraria aulas de plásticas, teatro e música), educadores mal qualificados, entrando nas salas e resistindo ao tempo e a novas propostas de inovação, provocando ao longo dos anos a decadência do ensino artístico e a alienação dos alunos. Uma conseqüência grave foi à descontinuidade das aulas, provocando uma queda no rendimento dos alunos e conteúdos propostos. Já no ponto de vista organizacional, a conseqüência a ser destacada foi o papel “periférico” das aulas de música nos currículos, devido ao pequeno número de aulas dedicadas a este conteúdo e o descaso com que a disciplina é retratada. Percebemos que os educadores não se mostravam aptos didaticamente para ministrarem as aulas, com isso os alunos não se interessavam pelo conteúdo provocando a decadência da música no ensino educacional. Passaram-se 80 anos e a Arte não tem seu valor reconhecido dentro da sociedade. Continua a assumir o papel decorativo e festivo dentro de algumas instituições. 11 Revista Educare ISEIB - Montes Claros - MG v. 1 2005 Nas salas de aula os professores atuam em todas as áreas artísticas, independentes de sua formação e habilitação. Comprovando mais uma vez a decadência do ensino musical. No meio educacional percebemos que não existe o número adequado de especialistas na área musical. Logo assim, as aulas de música são ministradas por professores polivalentes e profissionais atuantes em outras áreas. Nos anos 80, surge o movimento da Arte-Educação, uma tentativa de conscientizar, orientar e organizar os educadores da área artística. Verifica-se, até hoje, que são promovidos congressos e seminários numa tentativa de equacionar a alienação cultural dos educadores. Favorecendo, assim, os alunos e mais tarde a sociedade. “Com a Lei n. 9.394/96, revogando as disposições anteriores a Arte é considerada obrigatória na Educação básica. O ensino da Arte constituirá componente curricular obrigatório, nos diversos níveis da Educação básica, de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos (ART. 26 º parágrafo 2 )”. (Parâmetros Curriculares Nacionais -pág 30) Podemos perceber que existe uma grande necessidade, por parte dos educadores musicais, de aproximarem dos professores do ciclo básico. Para estudiosos da educação musical, como Souza; Hentschke; Oliveira; Del Bem; Mateiro (2002), detecta-se esta busca uma vez que o professor especialista em música, por várias razões, está cada vez menos presente nas escolas. Pode-se afirmar uma nova orientação da área que inclui tanto o professor especialista como o de séries iniciais que trabalha com música. Essa orientação é, uma solução emergencial, diante do escasso número de professores especialistas em música atuando nas escolas. A situação da aula de música nas escolas brasileiras tem se mostrado cada dia mais crítica, a escassez afirmada acima é notável em todos os meios educacionais que envolvem a música, como disciplina. Mas um fato que nos incomoda é que a grande massa artística recém graduada não está atuando no mercado de trabalho como gostariam e existe uma grande escassez na área escolar. Será que estes profissionais estão qualificados profissionalmente para atenderem a exigência do mercado de trabalho atual? 12 Revista Educare ISEIB - Montes Claros - MG v. 1 2005 É um questionamento indispensável, que nos mostra através da solução emergencial (a necessidade de duplicidade entre o professor de séries e o especialista) e da escassez de profissionais nas aulas de música nas escolas, que vários professores recém graduados no Brasil não estão preparados profissionalmente e que a música não tem o seu devido valor. Segundo Kraemer (2000), a música só conseguirá se firmar no meio educacional quando se unir aos campos da estética, sociologia, psicologia e pedagogia dentre outras. Os fatores de crise da aula de música na escola, depois da predominância do canto orfeônico durante algumas décadas fazem surgir novas experimentações e uma necessidade de conceber a educação musical como uma nova ciência do conhecimento. Assim, mais tarde a Educação Artística passa a ser chamada de Arte sendo incluída no currículo como área e dividida. A figura do professor polivalente não se faz mais obrigatória, cada educador especializa em sua habilidade artística. “Após muitos debates e manifestações de educadores, a atual legislação educacional brasileira reconhece a importância da Arte na formação e desenvolvimento de crianças e jovens, incluindo-a como componente curricular obrigatório da educação básica. No ensino fundamental a Arte passa a vigorar como área de conhecimento e trabalhado com as várias linguagens, visando a formação artística e estética dos alunos. A área de Arte, assim constituída, refere-se as linguagens artísticas, como as Artes Visuais, a Música, o Teatro e a Dança.” (Trecho extraído do Texto: Arte no Ensino Fundamental). Percebemos que mesmo com todas as mudanças causadas pelo tempo e pela necessidade de desenvolvimento da sociedade. Em pleno século XXI, encontramos educadores cedendo os horários de Arte para reposição de matérias como: matemática, física, historia e todos os outros. O Sistema Educacional Artístico Brasileiro não tem seu os devidos reconhecimentos, são educadores mal qualificados que desvalorizam a Arte de um país tão rico culturalmente, deturpando a sociedade e os seus valores emocionais. No campo musical infantil vários foram os progressos registrados ao longo da história. Mas observamos que o sistema educacional artístico ainda é falho e muitas vezes esbarra em regras criadas pelos meios institucionais. O educador muitas vezes não possue 13 Revista Educare ISEIB - Montes Claros - MG v. 1 2005 a qualificação profissional exigida pelo mercado de trabalho, dificultando a sua entrada no meio educacional e provocando o declínio da Arte. O ensino de música nas escolas públicas: uma reflexão sobre as contribuições da música para o desenvolvimento educacional dos alunos. “Um grupo de pré-escolares na Califórnia teve aulas de piano uma vez por semana, enquanto outros membros da classe tiveram treinamento em computadores, e um terceiro grupo não teve nenhuma instrução especial. Os pianistas iniciantes tiveram notas 34% superiores as dos outros grupos, nos testes destinados a medir a capacidade de raciocínio tempero-espacial características requeridas para matemática, xadrez, ciências e engenharia. É interessante observar que as crianças que aprenderam computador não tiveram notas mais altas do que aquelas que não haviam recebido nenhuma instrução especial”.(A Importância da Música para as Crianças, 2002pág.18). Com base nesta afirmação, observamos a importância do ensino de música dentro das escolas, principalmente no ciclo básico. É extremamente absurdo querer abolíla do currículo escolar. Vários foram os progressos registrados ao longo dos anos pelas crianças que tiveram a disciplina como forma de educação. Ao aprender Arte na escola, o jovem poderá integrar os múltiplos sentidos presentes na dimensão do concreto e do virtual, do sonho e da realidade. Tal integração é fundamental na construção da identidade e da consciência do jovem, que poderá assim compreender melhor sua inserção e participação na sociedade, tornando indivíduos menos violentos e conscientes do seu verdadeiro papel no mundo. Outro fator significativo é que jovens que tiveram aulas de música desde a infância tem menos disposição para engajar no mundo das drogas e possui maior habilidade para aprender matemática e ciências. Logo sentirão menos dificuldades para se adequarem ao mundo atual e ao mercado de trabalho, pois são cidadãos mais flexíveis e aptos as mudanças. A música educa o intelecto, formando indivíduos dotados culturalmente. O Brasil, pais de uma enorme diversidade cultural devido às várias raças que contribuem para nossa formação musical tanto na colonização como na globalização. Só fará parte do 14 Revista Educare ISEIB - Montes Claros - MG v. 1 2005 primeiro mundo quando investir em educação e valorizar sua riqueza cultural, acabando assim, com a alienação e o analfabetismo. Um povo preparado culturalmente e com níveis superiores em educação, são cidadãos conscientes e dotados de inteligência. O submundo não conhece a educação como deveria e tampouco sua cultura, que é passada de pai para filho baseado nos modelos arcaico, vivem como escravos mentais e são facilmente manipulados. A música é retratada como um ritual festivo, sendo utilizada nas comemorações e celebrações. O aluno desenvolve sua cultura de Arte fazendo, conhecendo e apreciando produções artísticas, que são ações que integram o perceber, o pensar, o aprender, o recordar, o imaginar, o sentir, o expressar, o comunicar. A realização de trabalhos pessoais, assim como a apreciação de seus trabalhos, os dos colegas e a produção de artistas, se dá mediante a elaboração de idéias, sensações, hipóteses e esquemas pessoais que o aluno vai estruturando e transformando, ao interagir com os diversos conteúdos de Arte manifestados nesse processo dialógico. Não desvalorizando as demais disciplinas, mas reconhecendo a arte como um todo, ela se faz tão importante quanto o português, a matemática, química, física e outros, devendo ser valorizada, apreciada e estudada. Através da música, principalmente quando ensinada nos ciclos fundamentais a criança desenvolve a imaginação, a sensibilidade, as habilidades cognitivas e psico-motoras. No Brasil encontramos uma enorme variedade cultural, o que possibilita a melhor exploração das inúmeras formas de linguagens musicais como fonte de aprendizado, não podendo a educação musical ser ensinada do mesmo modo em todas as escolas. Até por que, cada individuo traz em sua bagagem genética uma diversidade cultural, que varia dentro do mesmo estado, onde sofre influências dos africanos, europeus e indígenas. O lundu, por exemplo, é um estilo musical trazido pelos negros africanos e propagado nas senzalas, como formas de dança eram utilizadas as umbigadas. Já o maxixe traz em sua formação a influência européia, não sendo este estilo bem aceito pelas comunidades religiosas, devido ao seu requebrado exagerado. Se tornado sensual e afrontando a moral e os bons costumes daquela época. A modinha foi um estilo trazido pelos portugueses. Conseqüentemente novos gêneros foram surgindo, como o choro, o samba e os demais estilos que conhecemos. Não tenho a pretensão de retratar neste breve 15 Revista Educare ISEIB - Montes Claros - MG v. 1 2005 parágrafo a história dos gêneros musicais. Pretendemos sim, ajudar os educadores a entenderem o seu papel no contexto educacional. Pois, não é possível estabelecer um programa único para se ensinar música, cada criança traz de casa uma vivência cultural diferente das demais é preciso detectá-la e expandir seu horizonte com informações adequadas e significativas. Ao educador cabe, estabelecer um propósito como produto final, mas buscá-lo de diferentes maneiras, respeitando a individualidade de cada um. Sendo assim, mesmo com todas as descobertas o mundo musical espera e garante a chegada de novos compositores e estudantes de música proporcionando a eles variadas sensações e saciando a escassez do mercado de trabalho profissional dentro das escolas. Pois segundo Jussamara (2002), existe uma grande escassez dentro da escola de professores de música especializados. As maiorias das aulas são ministradas por professores regentes. A LDB 9.394/96, vigente atualmente, concebe a área de artes como disciplina obrigatória nos diversos níveis de educação básica (BRASIL, 1996). Mas tanto a 5692/71 como 9.394/96 não estabelecem uma autonomia para a música dentro da escola, principalmente nos anos iniciais do ensino fundamental, onde as aulas de Arte são ministradas pelo professor regente da turma e não por um professor específico da área. Para Penna (2001), os PCNS trazem no documentado para 1º e 2º ciclos propostas específicas para o ensino da música que, mesmo apresentando alguns problemas, proporcionaram o contato dos profissionais, atuantes nesta etapa da educação escolar, com questões referentes à educação musical na escola. Percebemos que mesmo com todas as tentativas governamentais e revolucionárias, a Arte não é reconhecida no meio educacional, principalmente nos anos iniciais do ensino fundamental, precisando ser repensada e valorizada. Sua importância discutida ao longo dessa pesquisa se faz notável para o desenvolvimento das habilidades. Os educadores musicais precisam se qualificar profissionalmente para garantirem a expansão da música no meio educacional. Conseqüentemente diminuindo a escassez da área musical nas escolas. Entender e estudar a Arte é reconhecer o verdadeiro valor do ser humano, submetendo-o a experimentação de suas emoções, sentimentos, desejos e fantasias. 16 Revista Educare ISEIB - Montes Claros - MG v. 1 2005 Ajudando a formar um mundo menos violento e mais crítico, fortalecendo a idéia de coletividade e o bem comum. Não podemos extinguir o ser humano do meio escolar, logo, não podemos extinguir a música dos currículos escolares, desta forma, estaríamos privando o ser humano de seu desenvolvimento emocional, psico-motor e cognitivo. Referências Bibliográficas ABEMÚSICA. A Importância da Música para as Crianças. São Paulo: 2002. ANAIS DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DA MÚSICA. VII Encontro Anual da Associação Brasileira de Educação Musical. Curitiba: Outubro de 1999. BEYER, Ester. 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