GESTÃO ESTRATÉGICA DE PESSOAS NO TERCEIRO SETOR: O CASO DA NOVA IGREJA Bruno Feder Antonio Döhler Projeto de Graduação apresentado ao Curso de Engenharia de Produção da Escola Politécnica, Universidade Federal do Rio de Janeiro, como parte dos requisitos necessários à obtenção do título de Engenheiro. Orientadora: Maria Alice Ferruccio da Rocha, D. Sc Rio de Janeiro Maio de 2015 i GESTÃO ESTRATÉGICA DE PESSOAS NO TERCEIRO SETOR: O CASO DA NOVA IGREJA Bruno Feder Antonio Döhler PROJETO DE GRADUAÇÃO SUBMETIDO AO CORPO DOCENTE DO CURSO DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO DA ESCOLA POLITÉCNICA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO COMO PARTE DOS REQUISITOS NECESSÁRIOS PARA A OBTENÇÃO DO GRAU DE ENGENHEIRO DE PRODUÇÃO. Examinado por: ________________________________________________ Prof. Maria Alice Ferruccio da Rocha ________________________________________________ Prof. Samuel Jurkiewicz ________________________________________________ Prof. Roberto Ivo da Rocha Lima Filho RIO DE JANEIRO, RJ - BRASIL Maio de 2015 ii Döhler, Bruno Feder Antonio Gestão Estratégica de Pessoas no Terceiro Setor: O caso da NOVA Igreja / Bruno Feder Antonio Döhler – Rio de Janeiro: UFRJ/ Escola Politécnica, 2015. XI, 60 p.: il.; 29,7 cm. Orientador: Maria Alice Ferruccio Projeto de Graduação – UFRJ/ Escola Politécnica/ Curso de Engenharia de Produção, 2015. Referências Bibliográficas: p. 49-52. 1. Megaigrejas. 2. Estratégia. 3. Recursos Humanos. I. Ferruccio, Maria Alice II. Universidade Federal do Rio de Janeiro, Escola Politécnica, Curso de Engenharia de Produção. III. Titulo. iii AGRADECIMENTO Em primeiro lugar gostaria agradecer a Deus pois sem Ele nada faria sentido. Ele é tudo em mim. Este trabalho é dedicado a Ele. Agradeço aos meus heróis: Marcelo e Mariza Döhler, que jamais pouparam esforços para me colocar onde estou hoje. Vocês são os meus maiores exemplos. Minha irmã, Thais, que entre brigas e brincadeiras sempre torceu por mim. Amo vocês. À Thamy que sempre esteve do meu lado e foi meu porto seguro durante esta etapa. Colheremos juntos os frutos deste trabalho. Te amo. Aos meus avôs e avós, tios e tias, primos e primas, agradeço o apoio de vocês durante todos os anos de faculdade. À Prof. Maria Alice, que aceitou me orientar neste projeto. Ao Pr. Maurício Fragale, Mauricinho Fragale, Pr. Jorge Daltro e Timóteo Gomes que de alguma forma me ajudaram durante o estudo de campo. Aos meus queridos amigos-irmãos Thiago, Renan, Wash, Keta, Garcia e Leal, obrigado pelo apoio. Meus companheiros ritmistas João e Tico, vocês me inspiram todo dia a seguir meu propósito. Seus conselhos foram preciosos na execução deste trabalho. Obrigado por tudo. Agradeço aos meus companheiros de Fundão, desde o Básico até os últimos períodos da Produção, por tornarem minhas semanas mais agradáveis. Sem vocês essa jornada chamada Universidade teria sido muito mais difícil. Thanks to Ps. Tim Douglass who helped me start this project. Your leadership ahead of Hillsong Melbourne is inspiring. To Jeremy, Josh, Nicole and Grace who gave me full support during my time in Australia. iv “So, what do you think? With God on our side like this, how can we lose? If God didn’t hesitate to put everything on the line for us, embracing our condition and exposing himself to the worst by sending his own Son, is there anything else he wouldn’t gladly and freely do for us?” (Romanos 8.31-32 MSG) v Resumo do Projeto de Graduação apresentado à Escola Politécnica/ UFRJ como parte dos requisitos necessários para a obtenção do grau de Engenheiro de Produção. Gestão Estratégica de Pessoas no Terceiro Setor: O Caso da Nova Igreja Bruno Feder Antonio Döhler Maio/2015 Orientadora: Maria Alice Ferruccio da Rocha Curso: Engenharia de Produção O surgimento de megaigrejas durante as últimas décadas tem criado uma demanda pela profissionalização do modelo de gestão em vigor nas igrejas. A principal característica das megaigrejas é a frequência semanal superior a duas mil pessoas (modelo norte-americano). Em função disso, as atividades regulares da igreja, intensivas em capital humano, se tornam mais complexas. Por conseguinte, surge no setor a carência por um modelo de gestão estratégica de recursos humanos – ambos funcionários e voluntários. Ao longo do trabalho é estudado o caso da NOVA Igreja, uma megaigreja dentro dos padrões brasileiros, com o objetivo de melhor entender a base de recursos humanos que compões o corpo funcional da igreja. Ademais, o estudo propõe um modelo de estrutura dos recursos humanos que auxiliem nos processos de gestão e desenvolvimento de pessoas. Palavras-chave: Recursos Humanos, Estratégia, Igreja vi Abstract of Undergraduate Project presented to POLI/UFRJ as a partial fulfillment of the requirements for the degree of Industrial Engineer. Strategic Human Resources Management in the third sector: The case of Nova Church Bruno Feder Antonio Döhler May/2015 Advisor: Maria Alice Ferruccio da Rocha Course: Industrial Engineering The emergence of mega-churches in recent decades has created a demand for professionalization on the management model applied in churches. Mega-churches’ main characteristic is the two thousand plus weekly attendance (US standard). Because of this, church’s ordinary activities, which are intensive in human capital, have become more complex. Therefore, a need for strategic human recourses – both employees and volunteers – management model has risen in the sector. Throughout the document it is studied the case of NOVA Church, a mega-church according to the Brazilian standards, in order to better understand the human recourses base that form the church’s functional body. Moreover, the document presents a human recourses structure model to help in both processes of managing and developing people. Keywords: Human Resources, Strategy, Church vii LISTA DE SIGLAS Asbepe – Associação Beneficente Projeto Elikya CEO – Chief Executive Officer COO – Chief Operating Officer GRH – Gestão de Recursos Humanos RH – Recursos Humanos Unimelb – The Universityof Melbourne UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro viii LISTA DE QUADROS Quadro 1 – Síntese das Hipóteses.................................................................................................... 3 Quadro 2 – Fases da Pesquisa Exploratória..................................................................................... 4 Quadro 3 - Definição de Megaigreja nível Brasil.......................................................................... 24 Quadro 4 – Mapeamento dos funcionários da NOVA Igreja ........................................................ 25 Quadro 5 – Frequência/Voluntários para o culto de 19h30, 28/12/14........................................... 31 Quadro 6 – Frequência/Voluntários para os cultos de 17h30 e 19h30, 28/12/14 .......................... 32 Quadro 7 – Síntese dos resultados obtidos .................................................................................... 48 Quadro 8 – Mapeamento dos voluntários da NOVA Igreja .......................................................... 53 LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Frequência Média 28/09/14 a 28/12/14 ....................................................................... 23 ix LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Definição de uma megaigreja ......................................................................................... 2 Figura 2 - Interfaces críticas de uma organização sem fins lucrativos ............................................ 6 Figura 3 - Gap salarial entre organizações com fins lucrativos e sem fins lucrativos ..................... 8 Figura 4 - Motivações ao voluntariado ............................................................................................ 9 Figura 5 - Papel do funcionários na posse de uma organização sem fins lucrativos ..................... 10 Figura 6 – Framework analítico de GRH ...................................................................................... 12 Figura 7 - Hillsong Church Australia Hills Campus ..................................................................... 15 Figura 8 - Pr. Brian e Bobbie Houston .......................................................................................... 15 Figura 9 – Ilustração dos efeitos da razão frequência/voluntários ................................................ 19 Figura 10 – Organograma da Regra da Mão Aberta ..................................................................... 20 Figura 12 – Localização NOVA Igreja.......................................................................................... 22 Figura 13 – Frequência Total de 28/09/14 a 28/12/14................................................................... 23 Figura 14 –Relação familiar entre funcionários da NOVA (1/3) .................................................. 26 Figura 15 – Relação familiar entre funcionários da NOVA (2/3) ................................................. 26 Figura 16 – Relação familiar entre funcionários da NOVA (3/3) ................................................. 27 Figura 17 – Percentual de participação por gênero ....................................................................... 28 Figura 18 – Distribuição do número de voluntários x valor estratégico ....................................... 29 Figura 19 – Distribuição das posições de voluntariado preenchidas x valor estratégico x gênero 30 Figura 20 – Valor estratégico médio x gênero .............................................................................. 31 Figura 21 – Cruz de RH para uma megaigreja .............................................................................. 36 Figura 22 - Benefícios de desenvolver um voluntário ................................................................... 38 Figura 23 - Benefícios da participação de consultores .................................................................. 39 Figura 24 – Da esquerda para a direita: Jay-Z, Kevin Durant e Carl Lentz .................................. 41 Figura 25 – Da esquerda para a direita: Kevin Durant, Tysson Chandler (jogador da NBA), Justin Bieber e Carl Lentz ........................................................................................................................ 41 Figura 26 – Cruz de RH para a NOVA Igreja ............................................................................... 43 Figura 27 – Plano de ação para a NOVA Igreja ............................................................................ 44 x SUMÁRIO INTRODUÇÃO ........................................................................................................................... 1 1 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ..................................................................................... 6 1.1 MODELO ANALÍTICO DE RIDDER E MCCANDLESS .............................................. 11 1.1.1 Administrative HRM ......................................................................................................... 13 1.1.2 Motivational HRM ............................................................................................................ 13 1.1.3 Values-driven HRM .......................................................................................................... 13 1.1.4 Strategic HRM .................................................................................................................. 13 1.2 ESTADO DA ARTE EM GESTÃO DE MEGAIGREJAS – O CASO DA HILLSONG CHURCH ........................................................................................................................... 14 1.2.1 Hillsong ServiceDashboard .............................................................................................. 16 1.2.2 A Regra da Mão Aberta .................................................................................................. 19 2 ESTUDO DE CASO: NOVA IGREJA ........................................................................... 21 2.1 FREQUÊNCIA .................................................................................................................. 22 2.2 MAPEAMENTO DOS FUNCIONÁRIOS DA NOVA IGREJA ..................................... 25 2.3 MAPEAMENTO DOS VOLUNTÁRIOS DA NOVA IGREJA ....................................... 27 2.3.1 Razão Frequência/Voluntários ....................................................................................... 31 2.4 O CASO DA RC ................................................................................................................ 32 2.5 O CASO DA MP ............................................................................................................... 33 2.6 O CASO DO RL ................................................................................................................ 33 2.7 O CASO DO JG ................................................................................................................. 34 2.8 ANÁLISE DA ESTRUTURA ATUAL ............................................................................ 34 3 A CRUZ DE RH PARA UMA MEGAIGREJA ............................................................ 36 3.1 FUNCIONÁRIOS .............................................................................................................. 36 3.2 VOLUNTÁRIOS ............................................................................................................... 37 3.3 CONSULTORES ............................................................................................................... 38 3.3.1 O caso de Pr. Carl Lentz e Kevin Durant ...................................................................... 39 3.4 A CRUZ DE RH PARA A NOVA IGREJA ..................................................................... 42 3.4.1 Plano de Ação para a Nova igreja .................................................................................. 43 xi CONCLUSÃO ........................................................................................................................... 46 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................................... 49 APÊNDICE A ............................................................................................................................ 53 1 INTRODUÇÃO A motivação para o desenvolvimento deste projeto de graduação é fruto da experiência recente de seu autor na Hillsong Church Melbourne entre o segundo semestre de 2013 e o primeiro semestre de 2014 quando em intercâmbio acadêmico pelo programa Ciências sem Fronteiras na The University of Melbourne (Unimelb), Austrália. Soma-se a isso um histórico familiar de pastores e o envolvimento pessoal do autor em igrejas, que reforçaram o interesse pelo tema e proporcionaram condições adequadas para um estudo detalhado destas instituições. A oportunidade de envolvimento na Hillsong Church Melbourne e, principalmente, a presença no evento Bootcamp realizado pela Hillsong Leadership Network no dia 04 de Julho de 2014 permitiram ao autor comparar a estrutura empregada atualmente nas igrejas no Brasil com o que considera o Estado da Arte da organização de uma igreja. Diferentemente do que acontece na Igreja Católica Apostólica Romana, por exemplo, onde os membros do clérigo devem ser graduados em um seminário (Optatam Totius, 1965), nas igrejas protestantes brasileiras não existe uma exigência mínima para ordenação aos cargos pastorais. Uma boa prática realizada em algumas igrejas é exigir-se que seus pastores sejam formados em, pelo menos, um curso básico de teologia, que, em alguns casos, é disponibilizado pela própria igreja ou pela convenção em que a igreja está afiliada. Por este motivo, muitos pastores desconhecem os conceitos básicos de gestão. Em decorrência disto, o autor questiona: quão eficiente é a estrutura utilizada pelas megaigrejas no Brasil, sobretudo no tocante à gestão de recursos humanos? Segundo Goh (2008, p.284), “megaigrejas” são igrejas não-católicas que foram fundadas recentemente – em geral a partir da década de 1980 – e que tenham frequência semanal superior a duas mil pessoas (Figura 1). Kroll (2003) ressalta outra característica das megaigrejas ao redor do mundo que parece fazer alusão ao questionamento acima: a (crescente) semelhança com o mundo corporativo. O artigo “Jesus, CEO” (2005), publicado pela revista norte-americana The Economist, afirma que algumas megaigrejas nos Estados Unidos já estão nomeando seus funcionários sêniores de Chief Executive Officers (CEOs) e Chief Operating Officers (COOs). O artigo ainda pergunta, em tom de brincadeira, quão longe estaríamos de um “Chief Theological Officers”. 2 Figura 1 - Definição de uma megaigreja Fonte: Autoria própria No entanto, como a própria Kroll (2003, p.3) lembra, estas mesmas igrejas, que cada vez mais se espelham no mundo corporativo, ainda mantém um “exército de não remunerados e leais voluntários” como base de suas operações. Informação que, em uma primeira análise, sugere a contradição de um mundo corporativo fundamentado no trabalho voluntário. Dito isto, foi proposta uma análise da gestão de recursos humanos (GRH) – voluntários e funcionários – em uma megaigreja no Rio de Janeiro. O objetivo geral deste estudo é entender e desenhar o perfil dos seus recursos humanos. O autor acredita os funcionários da igreja possuem características restritas e mantém barreiras que dificultam (ou até impedem) novos entrantes. Além disso, o autor acredita que o oposto aconteça com o grupo de voluntários. Os objetivos específicos residem em, primeiramente, propor um framework que permita classificar cada recurso humano de acordo com o seu valor estratégico dentro da organização. O autor acredita que existam três grupos fundamentais de recursos dentro de uma igreja: os funcionários, topo da pirâmide; os voluntários, base da pirâmide; e um grupo intermediário de alto valor estratégico, mas mal explorado dentro da instituição. Em seguida, tem-se por objetivo específico deste projeto de graduação avaliar quantitativamente e qualitativamente a estrutura atual e, se comprovada sua ineficiência, sugerir um plano de ação para seu melhoramento. Portanto, são dados como hipóteses neste documento os itens que se seguem no Quadro 1. Objetivos Gerais 3 i. Os funcionários da megaigreja em estudo possuem um perfil bem definido; ii. Existem barreiras que dificultam (ou impedem) novos entrantes no corpo de funcionários da megaigreja em estudo; iii. Os voluntários da megaigreja em estudo não possuem características semelhantes; iv. Não existem barreiras para novos entrantes no grupo de voluntários da megaigreja Objetivos Específico em estudo; v. Existe um terceiro grupo de recursos humanos de alto valor estratégico, mas mal explorado dentro da megaigreja em estudo; vi. É possível desenvolver um framework que permita classificar os recursos humanos de acordo com seu valor estratégico dentro da megaigreja em estudo; vii. O modelo atual empregados na megaigreja em estudo é ineficiente. Quadro 1 – Síntese das Hipóteses Fonte: Autoria própria A metodologia adotada para o desenvolvimento deste projeto de graduação foi dividida em duas fases. Durante a primeira fase o autor adotou uma abordagem de pesquisa bibliográfica sobre GRH em organizações sem fins lucrativos. Além disso, o autor buscou o Estado da Arte na área de GRH em megaigrejas. Para tal, o autor se reuniu com Pr. Tim Douglass, lead pastor na Hillsong Church Melbourne, no dia 27 de Maio de 2014 a fim de aprofundar seu entendimento em como a megaigreja australiana está estruturada. A pesquisa bibliográfica limitou-se ao universo das instituições sem fins lucrativos. Além disso, as informações de cunho teológicas decorrentes da entrevista com o Pr. Tim Douglass foram consideradas como um pressuposto da Hillsong Church Melbourne e não foram questionadas ao longo deste documento. Durante a segunda fase, adotou-se a pesquisa exploratória do tipo estudo de caso qualitativo na NOVA Igreja da Barra da Tijuca, referida neste documento como NOVA, por meio de coleta de dados estatísticos, entrevistas e observação direta extensiva. O estudo de caso se 4 limitou a abordagem gerencial da igreja. Toda e qualquer informação de cunho teológico foiconsiderada como um pressuposto da NOVA e não foi questionada ao longo deste documento. Ao decorrer do estudo, não foram abordadas questões financeiras e jurídicas. Esta fase foi dividia nas seguintes etapas exposta no Quadro 2: i. Coleta de dados gerais da NOVA para comprovar sua categorização como Fases uma megaigreja; ii. Mapeamento dos funcionários da NOVA Igreja; iii. Mapeamento dos voluntários da NOVA Igreja; iv. Análise dos dados obtidos; v. Coleta de dados para a avaliação quantitativa do modelo empregado atualmente; vi. Entrevistas com a liderança para avaliação qualitativa do modelo empregado atualmente; vii. Análise dos dados obtidos; viii. Sugestão do plano de ação Quadro 2 – Fases da Pesquisa Exploratória Fonte: Autoria Própria Este projeto de graduação contribui cientificamente ao campo de gestão de recursos humanos ao explorar um ambiente notadamente reconhecido pelo seu afastamento do mundo científico. Além disso, o estudo contribui como ferramenta de exposição dos conceitos da gestão de recursos humanos para um grupo sem expertise na área, mas dependente dela. Ou seja, o autor acredita que está operando nas fronteiras do conhecimento da gestão de recursos humanos e ajudando a pulverizar o conhecimento científico. 5 No capítulo 1 apresenta-se a fundamentação teórica da gestão de recursos humanos no mundo sem fins lucrativos. Ainda no mesmo capítulo, dá-se foco ao ambiente das megaigrejas, através do estudo do caso da Hillsong Church. No capítulo 2 explora-se a estrutura utilizada no Brasil a partir do estudo de caso na NOVA Igreja da Barra da Tijuca. No começo do capítulo a igreja é apresentada e discute-se sua categorização como uma megaigreja. Em seguida, apresenta-se e analisa-se os dados coletados durante as etapas ii e iii. Depois, é feita uma análise da estrutura atual, baseada nos dados coletados nas etapas v e vi. Por fim, no capítulo 3 propõe-se um framework de categorização dos recursos humanos da NOVA em função do seu valor estratégico para a organização. Em seguida, com base na aplicação deste framework na igreja, desenha-se um plano de ação. 6 1 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA “O mundo das organizações sem fins lucrativos tem se tornado cada vez mais complexo” (OSTER, 1995, p. V, tradução do autor). Atualmente, essas organizações não devem apenas reagir a maior desregulamentação e a maior competição, mas também há um aumento na demanda pelo provisionamento de serviços de utilidade pública que devem ser atendidos com cada vez menos apoio financeiro das partes públicas e privadas (CUNNINGHAM, 2001). Por este motivo, a fim de angariar fundos que viabilizem seu trabalho, necessitam provar dia após dia sua legitimidade aos olhos das diversas partes interessadas: doadores, clientes, membros e o próprio governo (RIDDER e MCCANDLESS, 2010). A Figura 2 ilustra estas interfaces críticas. Com o desafio proposto de se tornarem mais eficazes e eficientes, organizações sem fins lucrativos têm incorporado práticas do mundo pró-lucro. (PARRY et al, 2005). Clientes Governo Organização Doadores Membros Figura 2 - Interfaces críticas de uma organização sem fins lucrativos Fonte: Autoria própria Neste cenário, a Gestão de Recursos Humanos (GRH) – onde “recursos humanos” obtém seu sentido mais abrangente, incluindo funcionários e voluntários – atua de forma crítica no 7 desenvolvimento das boas práticas de gestão (RIDDER e MCCANDLESS, 2010). Segundo Beer et al (1984), citado por Cuskelly et al (2006), a quem se creditam terem iniciado as discussões a respeito da valorização do recurso humano, postularam que uma política em favor do empregador impacta o comprometimento do empregado e a convergência entre os seus interesses particulares e os objetivos da empresa. Se baseando nisto, Cuskelly et al (2006) sugerem que a GRH pode ser usada não apenas para aprimorar a eficácia do empregado, mas também para tornar as organizações mais eficazes e eficientes. Akingbola (2006) vai mais adiante em dizer que GRH não é apenas uma boa prática para organizações sem fins lucrativos, mas que a necessidade por um GRH bem estruturado e estratégico se tornou mais importante que nunca. O autor da Universidade de Toronto justifica sua afirmação baseando-se em três perspectivas. A primeira é que para organizações deste tipo não é possível substituir os recursos humanos por investimentos em capital físico. De fato, um dos marcos dessas instituições é a intensidade o capital humano (OSTER, 1995). Não são poucos os casos em que os funcionários, ou até mesmo os voluntários, são a personificação do serviço prestado pela organização (AKINGBOLA, 2006). Um exemplo ilustrativo desta perspectiva são os Alunos Contadores de Histórias, um grupo de discentes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) que vai aos hospitais entreter crianças em tratamento médico através de livros e histórias. Neste caso, o voluntário é o próprio entretenimento e sua substituição por um capital físico, digamos uma televisão, anula a proposta de valor da organização. A segunda é que, no ambiente sem fins lucrativos, mais que em qualquer outro tipo de corporação, os recursos humanos são atraídos e se mantém motivados por fatores subjetivos, tais como acreditar na missão da organização ou pela oportunidade de pôr em prática valores próprios (AKINGBOLA, 2006). Segundo a pesquisa feita por Preston (1983), citada em Oster (1995, p. 66, tradução do autor), sobre as diferenças salariais entre o mundo sem fins lucrativos e o mundo com fins lucrativos, conclui-se que “empregos sem fins lucrativos não apenas pagam menos para empregados com características semelhantes (gênero, idade, experiência, educação), mas oferecem menos benefícios”. Preston (1983) argumenta que essa diferença se dá em parte pelo desejo dessa mão de obra de “doar” parte de seu salário em favor da causa pela qual a organização está lutando (Figura 3). Se, somada a essa associação houver valores ideológicos, estes trabalhadores se tornam mais dispostos a receber menores salários (OSTER, 1995). Um 8 ponto interessante da pesquisa de Preston (1983) é que a diferença salarial entre homens e mulheres era menor no setor sem fins lucrativo comparado com os demais. Figura 3 - Gap salarial entre organizações com fins lucrativos e sem fins lucrativos Fonte: Autoria própria Weisbrod e Manchik (1987), no entanto, acreditam que as conclusões de Preston não são válidas para todos aqueles envolvidos no setor. Segundo eles, existem, na verdade, dois tipos de razões pelas quais pessoas se envolvem em organizações sem fins lucrativos. Algumas são motivadas pela missão da organização e têm pretensões de ajuda-las a completar seus objetivos. A estes, Weisbrod e Manchik atribuíram a razão “consumo”, à medida que eles estão apenas consumindo da oportunidade dada pela organização, como se não esperasse nada além disso. Por outro lado, outros são motivados por razões de “investimentos”, ou seja, a expectativa de que os esforços empregados nessas organizações aumentem suas experiências e habilidades de forma que eles possam “performar” melhor em suas carreiras no segundo setor. De modo geral, Weisbrod e Manchik (1987) afirmam que os recursos humanos nas organizações sem fins lucrativos têm as duas razões, sendo uns mais altruístas e menos egoístas e outros mais egoístas e menos altruístas. A Figura 4 a seguir ilustra o pensamento de Weisbrod e Manchik. 9 Figura 4 - Motivações ao voluntariado Fonte: Autoria própria As duas perspectivas até então citadas são cruciais no recrutamento e motivação dos empregados e voluntários. Já a terceira amplia o entendimento e as responsabilidades dos recursos humanos no ambiente sem fim lucrativo. Segundo Akingbola (2006), devido a necessidade pela prestação de serviços, sobre o qual existe uma cobrança cada vez mais profissional, e as exigências de prestação de contas originadas das mudanças recentes no setor, os empregados e voluntários se tornaram peças críticas na estratégia de organizações desse gênero. Oster (1995) lembra que, ao contrário do mundo corporativo, onde existe uma clara definição sobre a posse do empreendimento, organizações sem fins lucrativos carecem dessa definição. Ao se considerar uma ONG que presta serviços humanitários, por exemplo, essa entidade é como um bem comum a sociedade que usufrui de seus serviços. Embora existam diretores e coordenadores, a figura do acionista, ou sócio, é vaga. Ver Figura 5. 10 Figura 5 - Papel do funcionários na posse de uma organização sem fins lucrativos Fonte: Autoria própria Nesse contexto, os voluntários assumem um papel ainda mais estratégico. Uma vez que organizações sem fins lucrativos não distribuem ou devolvem os lucros que geram aos acionistas ou diretores, elas são capazes de encaminhar este excedente da receita para aumentar sua base de recursos. Semelhantemente, a participação de voluntários cria uma vantagem competitiva de custo no mercado de trabalho e aumenta a qualidade e diversidade no conjunto de recursos humanos. (AKINGBOLA, 2012, p. 220, tradução do autor) Organizações sem fins lucrativos são, em geral, instituições profissionais dirigidas por especialista na área de atuação e onde os recursos humanos também são ligados à área, ao invés de profissionais capacitados para gestão (OSTER, 1995). Por exemplo, a ONG Associação Beneficente Projeto Elikya – Asbepe foi criada em Setembro de 2005 pela missionária evangélica Andréia Siqueira Paula, que atua até os dias de hoje como presidente da organização (ASBEPE, 2014). A Asbepe tem por principal missão “promover o resgate da cidadania, da ética e da cultura, através da inclusão Sócio Educacional [...]” (ASBEPE, 2014)1. Uma análise no corpo de funcionários e voluntários da ONG revela que os envolvidos têm ou expertise na área de educação (professoras, pedagogas, donos de colégios particulares), ou são pessoas afeitas ao tema e que se voluntariam nas atividades educacionais da organização. No entanto, não há no corpo de recursos humanos desta instituição a figura de um engenheiro de produção ou um administrador. Este problema, identificado há muito por Sharon Oster, corrobora a importância estratégica dos voluntários dentro desse setor. A disponibilidade financeira para investir em 1 http://www.projetoelikya.com.br/ acessado em 14/12/2014. 11 funcionários capacitados para os diferentes exercícios da organização agrega uma vantagem imperativamente competitiva à instituição. Com isso, o processo de recrutamento de voluntários passa a ser uma atividade chave dentro da organização. E, talvez mais importante, deixa a posição passiva – de quem espera por candidatos – e assume uma posição ativa. Wilson e Musick (2007) afirmam que há duas razões que sustentam esta afirmação. A primeira é que muitas pessoas não se voluntariam se não forem convidadas a se voluntariar. Estudos realizados no Canadá mostraram que aproximadamente um terço dos canadenses dizemterem se tornado voluntários a partir do pedido de alguém (HALL et al., 2001 apud WILSON e MUSICK, 2007). A segunda razão pela qual o recrutamento de voluntários é chave dentro de organizações deste tipo é que nenhuma organização, ou indivíduo, está disposto a gastar seu tempo e recursos tentando recrutar pessoas que não estão dispostas ao serviço. Portanto, faz-se necessário definir um público alvo para a seleção (WILSON e MUSICK, 2007). Do trabalho de Wilson e Musick concluiu-seque atrair voluntários demanda esforço. Dos trabalhos de Oster concluiu-se que há uma carência de profissionais especialistas nas áreas de gestão. Ou seja, recrutamento e seleção dentro de organizações sem fins lucrativos são atividades críticas à medida que há escassez de profissionais capacitados em GRH trabalhando no setor. Estas conclusões corroboram a importância de uma GRH estratégica e bem estruturada proposta por Akingbola (2006), citada anteriormente. 1.1 MODELO ANALÍTICO DE RIDDER E MCCANDLESS Ridder e McCandless (2010) propõem um modelo analítico de GRH para organizações sem fins lucrativos que leva em consideraçãoa deficiência de uma boa base de RH intrínseca ao setor. O framework é baseado em três suposições. A primeira enfatiza que a arquitetura da GRH nestas organizações varia de acordo com sua orientação estratégica e sua base de RH. No que se refere à orientação estratégica, a arquitetura da GRH é apresentada nas formas de valores, missão e objetivos traçados pela diretoria. Ou seja, as práticas de RH são escolhidas de forma sinérgica a visão e aos valores da organização. Em relação a base de RH, a arquitetura da GRH é moldada 12 pelas necessidades e motivações dos recursos humanos em oferta no setor (RIDDER e MCCANDLESS, 2010). A segunda suposição de Ridder e McCandless (2010) é que organizações sem fins lucrativos são caracterizadas pelos diferentes valores, missão e visão, mas também pelas suas diferenças em relação a base de RH. Como resultado, umas podem ter um foco maior na arquitetura da GRH que outras, variando em função das conexões entre as estratégias de RH e os valores e a missão da organização. A terceira suposição questiona a inter-relação entre a orientação estratégica e a base de RH dado que ambas são diferenciadas em duas dimensões distintas, podendo variar em altamente focada ou pouco focada. No caso em que elas fossem mutuamente exclusivas, a organização focaria única e exclusivamente em uma em detrimento da outra. Os autores,contudo,argumentam a favor da terceira suposição, afirmando que a relação entre estas duas dimensões pode variar em intensidade, mas sempre deverá existir (RIDDER e MCCANDLESS, 2010). Em função da variação entre a intensidade com a qual a orientação estratégica e a base de RH se relacionam, Ridder e McCandless (2010) distinguiram quatro tipos diferentes de GRH: administrative, motivational, strategic e values-driven. Estestipos estão distribuídos conforme mostra a Figura 6 abaixo. Figura 6 – Framework analítico de GRH Fonte: RIDDER e MCCANDLESS, 2010, p. 134 13 1.1.1 Administrative HRM Este tipo de arquitetura de GRH acontece quando o foco em ambas as variáveis, orientação estratégica e base de RH, é baixo. É caracterizada como administrative HRM as organizações sem fins lucrativos que carecem de perspectivas futuras e não são capazes ou não desejam investir no potencial de seus funcionários. Pesquisas citadas por Parry et al. (2005), indicam que este é o tipo mais bem estabelecido entre as organizações do setor. 1.1.2 Motivational HRM Este tipo de arquitetura de GRH aparece quando há pouco foco na orientação estratégica, mas há grande ênfase na base de RH. No motivational HRM as práticas de GRH objetivam desenvolver e fortalecer as conexões dos recursos humanos com a missão e as características chaves da organização. Neste cenário, percebe uma maior tendência as iniciativas não-monetárias e um grande comprometimento do funcionário/voluntário pela causa. 1.1.3 Values-driven HRM Este tipo de arquitetura de GRH acontece quando o foco em ambas as variáveis, orientação estratégica e base de RH, é alto. Neste cenário as organizações não são apenas dirigidas por sua missão, mas também pelas qualidades ímpares de seus recursos humanos. Se baseando nestas qualidades, organizações sem fins lucrativos conseguem desenvolver uma estratégia clara e convincente que a coloca em uma posição mais confortável para concorrer com organizações com fins lucrativos (FRUMKIN e ANDRE-CLARK, 2000 apud RIDDER e MCCANDLESS, 2010). No values-driven HRM as instituições investem em desenvolver as capacidades dos funcionários e mantém em foco seus recursos humanos durante o processo de tomada de decisão como meio de alcançar seus objetivos. 1.1.4 Strategic HRM Este tipo de arquitetura de GRH é caracterizada por ser altamente focada na orientação estratégica em detrimento da base de RH. O termo strategic HRM se dá em função da forma com 14 que a organização se apoia nos seus objetivos estratégicos. Estes, derivados de sua missão e seus valores. Pesquisas empíricas apontam que organizações que sofram diretamente com as variações nas demandas de mercado – organizações com alta dependência financeira, por exemplo – em geral adotam este tipo de GRH (ALARISTA e ARROWSMITH, 2004). Para lidar com essas pressões financeiras e por demandas de profissionalização, organização comunitárias e religiosas tendem a reduzir staff, aumentando a carga de trabalho e aumentando a confiança – e dependência – nos voluntários (ALEXANDER, NANK e STIVERS, 1999). Este tipo de arquitetura, que segundo Alexander, Nank e Stivers (1999), é o mais comum em instituições religiosas, de certa forma conclui o que foi exposto neste capítulo. O aumento da complexidade do mundo sem fins lucrativos, identificado por Oster (1995), aumentou, segundo Ridder e McCandless (2010), as pressões externas sobre as organizações. Essas, por conseguinte, voltam suas atenções aos seus objetivos estratégicos e tendem a diminuir a folha de pagamento. O que gera um aumento da carga de trabalho, da demanda por profissionais mais qualificados e, portanto, como afirma Cuskelly et al (2006), torna a etapa de seleção altamente estratégica. Ao mesmo tempo, se faz crucial que haja uma base de voluntários que suportem um staff enxuto. Como diz Akingbola (2012), essa base possibilita a organização investir em funcionários e ter uma vantagem estratégica sobre as demais e se sustentar em um meio cada dia mais complexo. 1.2 ESTADO DA ARTE EM GESTÃO DE MEGAIGREJAS – O CASO DA HILLSONG CHURCH Até então, foi feita uma revisão bibliográfica sobre o mundo sem fins lucrativos como um todo. Neste documento, porém, o tema será limitado apenas ao mundo das megaigrejas. Em função da escassez de material acadêmico sobre este tema, será estudado o caso da Hillsong Church como Estado da Arte em Gestão de Megaigrejas. A Figura 7 traz a foto da igreja central, o Hills Campus, e a Figura 8 mostra os pastores sêniores Brian e Bobbie Houston. 15 Figura 7 - Hillsong Church Australia Hills Campus Fonte: Disponível em <http://www.brazilaustralia.com/wpcontent/uploads/2009/04/14600321_40hillsongchurchnewconventioncentre.jpg>. Acessado em 16/05/2015. Figura 8 - Pr. Brian e Bobbie Houston Fonte: Disponível em <http://images.christianpost.com/full/70925/brian-c-houston-and-bobbie-houston-founding-pastors-ofhillsong-church-appear-in-a-photo-shared-on-facebook-in-march-2014.jpg>. Acessado em 16/05/2015 16 Em 1978, os pastores neozelandeses Brian e Bobbie Houston fundaram a igreja Assembly Of God Sydney Christian Life Centre. Em 1983, com o objetivo de suprir uma necessidade da região noroeste da cidade, Pr. Brian e Bobbie Houston decidiram começar uma nova igreja em Liverpool, a qual foi dada o nome de Hills Christian Life Centre (CONNELL, 2005). Hoje, mais de 30 anos depois, a Hills Christian Life Centre, conhecida como Hillsong Church, coordena 52 cultos semanalmente (HILLSONG LEADERSHIP NETWORK, 2015) com uma frequência média de 31.400 pessoas (HILLSONG CHURCH, 2013) e está presente em 11 países (HILLSONG CHURCH, 2015a) – com planos de abrir igrejas na Argentina e Brasil em 2015 e 2016, respectivamente (HILLSONG CHURCH, 2015b). Após 30 anos de existência, a igreja lançou, em 2014, o projeto “Pioneer again” (em português, “Pioneiros de novo”) cujo objetivo é manter a posição de referência pelos próximos 30 anos (HILLSONG CHURCH, 2014). Em 2012, os pastores Tim e Nicolah Douglass foram enviados a cidade de Melbourne, Victoria, Austrália, com a missão de iniciar um novo campus (HILLSONG CHURCH, 2012). A igreja em Melbourne, desde então, têm crescido exponencialmente. Em 2013, foram inauguradas três novas localidades: Hillsong Melbourne East, Hillsong Melbourne West e Hillsong Melbourne Greater West. Todas sob a supervisão do Pr. Tim Douglass (HILLSONG CHURCH, 2013). Foi na Hillsong Church Melbourne que o autor teve a oportunidade de se reunir com o Pr. Tim Douglass e se aprofundar no modelo de gestão da megaigreja australiana. O tamanho da Hillsong e sua complexidade levaram o Lead Pastor da Hillsong Church Australia, Pr. Joel A’Bell a desenvolver, em 2013, um modelo próprio de gestão: o Hillsong Service Dashboard (HILLSONG LEADERSHIP NETWORK, 2015). 1.2.1 Hillsong Service Dashboard Um carro, especialmente quando novo, vem acompanhado de um manual do proprietário. Este manual, em geral, fica guardado no porta-luvas. Não se espera que você dirija o seu carro por uma via expressa com o manual aberto no colo. Porque você irá sofrer um acidente. [...] Você também não olha fixamente para o painel do carro, ou também irá sofrer um acidente. O painel do carro foi desenvolvido para ter alguns poucos instrumentos e para que você o veja apenas de relance (HILLSONG LEADERSHIP NETWORK, 2015, tradução do autor). 17 Esta analogia utilizada Pr. Joel A’Bell, define o conceito por trás dos indicadores utilizados pela igreja. Ele acredita que é possível resumir e planejar estrategicamente toda a atividade semanal de uma igreja com base em cinco indicadores. São eles: % Weekend Attendance, % Green Traffic Lights (Week 1), % Connect Group Weekend Attendance, Giving Per Person Per Week e Weekend Volunteers Ratio. Estes índices são explicados a seguir. 1.2.1.1 % Weekend Attendance Este indicador é utilizado para medir o crescimento da igreja em número de pessoas por final de semana entre um ano e outro. O resultado é obtido pela razão entre a frequência total daquele final de semana e a frequência total do final de semana equivalente do ano anterior. Com isso, garante-se que os efeitos das sazonalidades sejam diminuídos. A Hillsong objetiva manter este indicador em 7%. 1.2.1.2 % Green Traffic Lights (Week 1) No sistema atual, a equipe de voluntários se encarrega de pegar os contatos dos visitantes, alimentar o banco de dados com as informações e, dentro de 7 dias, fazer um novo contato com este visitante. A este processo se dá o nome de follow-up. Segundo A’BELL (informação verbal) 2 , se houver sucesso ao contatar este visitante dentro da janela de uma semana, a probabilidade de ele(a) voltar na semana seguinte é de 47%, contra 25% caso não haja sucesso. Com isto em mente, a Hillsong desenvolveu uma metodologia de acompanhamento dos follow-ups. Os casos em que houve sucesso são marcados com um sinal verde. Os casos em que tentou-se o contato, mas sem sucesso, são marcados de amarelo. E, os casos em que não houve sequer tentativa de contato são marcados com um sinal vermelho. A Hillsong espera que 50% do todos os visitantes sejam marcados com sinais verdes ao final de uma semana. 2 A’BELL, Joel. Hillsong Leadership Network Bootcamp. Hillsong Conference 2015: Sydney, Austrália, 04 de Julho de 2014. 18 1.2.1.3 % Connect Group Weekend Attendance Os Connect Groups são grupos de dez pessoas que se reúnem durante a semana fora da igreja. A’Bell (informação verbal)3 afirma que eles são a estrutura chave da igreja local. Com base neles, a igreja espera desenvolver os princípios bíblicos de comunhão e comunidade. Um jargão regularmente utilizado é que a Hillsong “não quer ser uma multidão, mas uma família”. A’Bell (informação verbal)4 reforça a importância dos Connect Group ao afirmar que a boa gestão deles impactará diretamente a frequência semanal e a quantidade de voluntários. Espera-se que a quantidade de Connect Groups seja igual a 10% da frequência semanal. Ou seja, em uma igreja com 100 pessoas, deverão haver 10 Connect Groups. 1.2.1.4 Giving Per Person Per Week Este indicador mede os dízimos e ofertas semanais divididos pela frequência. A Hillsong postulou um objetivo de AUD 20,00 / pessoa-semana. A’Bell (informação verbal)5, no entanto, afirma que poderá haver uma calibragem neste número a medida que mais igrejas adotem este modelo. 1.2.1.5 Weekend Volunteers Ratio Este indicador mede quantas pessoas foram a igreja em um final de semana específico para cada voluntário em serviço. Estudos realizados pela própria igreja apontaram que, independente do país ou do tamanho da igreja, a razão entre frequência e número de voluntários estava sempre contida no intervalo entre 6 e 9. Com isso em mente, a Hillsong definiu um objetivo de manter a razão em 7/1 (HILLSONG LEADERSHIP NETWORK, 2015). Este último indicador se torna mais estratégico a medida que se entende o papel dos voluntários no crescimento da igreja. Pr. Joel A’Bell ilustra esta situação da seguinte forma: uma igreja de 200 pessoas tem uma meta de crescer para 500 pessoas. Existem, então, duas opções. A primeira, é encontrar e convencer 300 desconhecidos a se juntar a sua igreja. A segunda, 3 A’BELL, Joel. Hillsong Leadership Network Bootcamp. Hillsong Conference 2015: Sydney, Austrália, 04 de Julho de 2014. 4 Ibid. 5 Ibid. 19 entendendo a ideia por trás deste indicador, é encontrar e desenvolver 43 voluntários que já façam parte da sua igreja. Para cada 1 novo voluntário, espera-se que cheguem 7 novas pessoas. Portanto, com 43 novos voluntários, esperam-se 301 novos integrantes (HILLSONG LEADERSHIP NETWORK, 2015). A Figura 9 ilustra o exemplo de A’Bell. Figura 9 – Ilustração dos efeitos da razão frequência/voluntários Fonte: Autoria própria Este indicador corrobora a importância estratégica dada aos voluntários por Akingbola (2012) e a importância do processo de recrutamento de voluntários defendido por Wilson e Musick (2007). 1.2.2 A Regra da Mão Aberta Estes voluntários devem ser discipulados e desenvolvidos a fim de que se tornem multiplicadores (HILLSONG LEADERSHIP NETWORK, 2015). Com isso em mente, Pr. Joel A’Bell instituiu a “Regra da Mãe Aberta”. A “Regra da Mão Aberta” diz que um líder deve ser responsável direto por única e exclusivamente cinco pessoas (DOUGLASS, 2014). De forma que o organograma de uma igreja Hillsong típica se pareça com a Figura 10 abaixo. Acredita-se que com este modelo o desenvolvimento do voluntários seja acelerado garantindo o crescimento sustentável. 20 As consequências deste modelo é que para cada voluntário que assume uma posição de liderança, surgem cinco posições vagas abaixo dele. O que configura, então, um potencial de crescimento na base de voluntários. Figura 10 – Organograma da Regra da Mão Aberta Fonte: Autoria própria Esta organização fomenta a proximidade entre líder e liderado e, por conseguinte, acelera o desenvolvimento do voluntário (DOUGLASS, 2014). Do modelo utilizado pela Hillsong, pode-se perceber que, conforme Alexander, Nank e Stivers (1999) haviam previsto, a Hillsong é altamente dependente da sua base de voluntários. 21 2 ESTUDO DE CASO: NOVA IGREJA Figura 11 - Logo NOVA Igreja Fonte: Disponível em < http://i1.wp.com/novaig.com.br/wp-content/uploads/2015/03/novaigreja-logo.png?resize=165%2C67>. Acessado em 04/06/2015. Em 1995, Pr. Maurício e Denise Fragale se mudaram com seus três filhos, Marcelle, Maurício e Bernardo para a África do Sul, onde assumiriam o cargo de Pastores Sêniores de uma igreja local. Foi no mesmo ano que ambos ingressaram na Rhema Bible Training College (FRAGALE, 2015). Em 1998, Pr. Fragale decidiu voltar ao Brasil com o sonho de montar uma escola semelhante a Rhema e começar uma igreja no bairro da Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. Foi esse sonho que deu origem a Escola Cristã de Liderança Atos 1 e, alguns anos depois, em 2001, a Igreja de Nova Vida (INV) da Barra da Tijuca (FRAGALE, 2015). Nos três anos entre sua volta e o começo da igreja, Pr. Fragale e sua família se envolveram na INV de Bonsucesso. Foi lá que surgiu a oportunidade de iniciar o sonhado trabalho na Barra da Tijuca. Durante o primeiro mês, a INV da Barra da Tijuca alugou um salão na Union Church. Dali, mudaram para uma casa de festas na Av. Sernambetiba, onde ficaram por três anos (FRAGALE, 2015). Em 2004, em função do seu crescimento e das limitações físicas da casa de festa, a igreja se mudou para o prédio em que ocupa até hoje na Av. das Américas 10.300, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, RJ (Figura 12). Foi em 2011 que a INV Barra da Tijuca decidiu se desligar das Igrejas de Nova Vida e mudar de nome para NOVA Igreja da Barra da Tijuca (NOVA) (FRAGALE, 2015). Atualmente, a NOVA tem 11 ministérios diferentes, conta com 19 pastores associados – alguns ativos e envolvidos nas atividades da igreja, outros inativos – e seus encontros acontecem às Quintas-Feiras 20h; Sábados 20h e Domingos 09h, 10h30, 17h30 e 19h30. 22 Figura 12 – Localização NOVA Igreja Fonte: Disponível em: <https://www.google.com/maps/place/Nova+Igreja/@-23.0008591,43.4183626,14z/data=!4m2!3m1!1s0x0:0x4ef202a53be9425f?hl=en-US.>. Acessado em 22/04/2015. 2.1 FREQUÊNCIA Durante o último semestre de 2014 fez-se a contagem de frequência para todos os cultos da igreja. Foi utilizada uma metodologia de setorizar a igreja em quatro partes e conta-las separadamente, sempre após 30 minutos de começada a pregação. Foram contados apenas os cultos de domingo – os cultos de quinta-feira e sábado não foram contados por restrições do autor – e a contagem foi limitada a área principal do templo, de forma que as pessoas no prédio anexo, área dedicada às crianças e à equipe de Produção, não foram consideradas. O gráfico a seguir (Figura 13) apresenta os resultado obtidos. 23 1.328 1.163 21-dez 14-dez 28-dez 1.057 931 7-dez 30-nov 23-nov 16-nov 9-nov 1.031 1.023 1.040 1.028 989 2-nov 918 26-out 1.030 19-out 1.094 12-out 1.002 5-out 28-set 1.114 Figura 13 – Frequência Total de 28/09/14 a 28/12/14 Fonte: Autoria própria A Tabela 1 abaixo apresenta as frequências médias observadas por culto e total. Tabela 1 – Frequência Média 28/09/14 a 28/12/14 Culto Frequência Média 8h30 107 10h30 305 17h30 268 19h30 373 Total 1.053 Fonte: Autoria própria Notas importantes: Dia 26/10/14 – Eleições para Presidente e Governador. Dia 21/12/14 – Especial de Natal nos cultos da noite. Dia 28/12/14 – Queda de energia pela manhã e especial de fim de ano nos cultos da noite. 24 É importante diferenciar o contexto no qual a definição de megaigreja é feito para o contexto brasileiro. Os Estados Unidos, de onde este termo tem origem, é um país que tem sua origem no império britânico e, por isso, herda a religião cristã protestante como parte de sua cultura. Em função disso, o tamanho médio de uma igreja norte-americana é de 185 pessoas (BELL, 2013). Já o Brasil, em função da colonização portuguesa, herdou a cultura católica. Além disso, sofreu grande influência das religiões africanas durante o período de escravidão. O tamanho médio de uma igreja brasileira é de 70 pessoas (IEMIF, 2014). Com isso, para este documento, será definida como megaigreja uma igreja com frequência superior a mil pessoas, a metade da definição norte-americana. O Quadro 3 abaixo resume o que foi exposto. Quadro 3 - Definição de Megaigreja nível Brasil Fonte: Autoria própria Portanto, dado os valores obtidos com as contagens do cultos, a NOVA Igreja pode ser enquadrada como megaigreja. 25 2.2 MAPEAMENTO DOS FUNCIONÁRIOS DA NOVA IGREJA A igreja tem 18 funcionários. O Quadro 4 consolida o mapeamento dos funcionários da NOVA igreja. As pessoas serão representadas por suas iniciais. Os nomes foram preservados por questão de confidencialidade. Os funcionários WD e VP são part-time. O primeiro faz a interface com a empresa contratada para operar e fazer a manutenção dos equipamentos de iluminação. Além disso, serve como co-líder no ministério de jovens, a Vibe. O segundo opera o som para todos os encontros da igreja e para as aulas da Escola Atos 1. # Nome Departamento 1 MF Pastor(a) Sênior 2 DF Pastor(a) Sênior ; Mulheres 3 BG Pastor(a) ; Casais 4 SG Pastor(a) ; Casais 5 JD Pastor(a) ; Administrativo 6 DB Administrativo 7 MF Produção ; Vibe 8 SG Produção ; Música.Vibe 9 AR Suporte Técnico 10 AR Produção 11 JC Produção 12 WD Iluminação ; Vibe 13 VP Som 14 L Manutenção e Limpeza 15 CN Manutenção e Limpeza 16 L Manutenção e Limpeza 17 V Manutenção e Limpeza 18 F Manutenção e Limpeza Quadro 4 – Mapeamento dos funcionários da NOVA Igreja Fonte: Autoria própria 26 É relevante apontar que dentre os 18 funcionários da igreja, 8 têm algum tipo de relação familiar com outro funcionário. As Figuras 14 a 16 mostram estas relações. Figura 14 –Relação familiar entre funcionários da NOVA (1/3) Fonte: Autoria Própria Neste primeiro caso, os Pastores MF e DF, casados, trabalham na igreja junto ao seu filho, MF. Figura 15 – Relação familiar entre funcionários da NOVA (2/3) Fonte: Autoria própria 27 O caso dos pastores BG e SG, também casados, é semelhante ao anterior. Ambos são funcionários da igreja ao lado de uma de suas filhas, SG. Figura 16 – Relação familiar entre funcionários da NOVA (3/3) Fonte: Autoria própria Por fim, AR divide sua sala de trabalho na igreja com seu filho, AR. 2.3 MAPEAMENTO DOS VOLUNTÁRIOS DA NOVA IGREJA A igreja conta com 411 voluntários distribuídos nos 11 departamentos. Durante o processo de pesquisa exploratória o autor se reuniu com os líderes dos ministérios listados na pesquisa. Nestas reuniões, foram atribuídos valores estratégicos entre 1 e 5 para cada voluntário. Os critérios usados foram: 1. Hierarquia dentro do ministérios (Ex: Coordenadores da GN, ministros das equipes de música, diretores de culto da Recepção); 2. Experiência dentro daquele ministério e dentro da igreja; 3. Experiência profissional; 4. Frequência nas escalas. 28 O Apêndice A apresenta a consolidação do mapeamento dos voluntários da NOVA. Percebeu-se aproximadamente duas vezes mais participação das mulheres que dos homens. Dos 411 voluntários, 264 são do sexo feminino e 147 do sexo masculino. A Figura 17 a seguir ilustra esta relação em números percentuais. 36% Homens Mulheres 64% Figura 17 – Percentual de participação por gênero Fonte: Autoria própria Para a análise dos voluntários em termos de valor estratégico, foram repetidos os recursos que apoiavam mais de uma área. Fez-se isso uma vez que o mesmo voluntário pode ser mais ou menos importante em um ministério em comparação a outro. Por isso, o universo que dá origem as análises a seguir não é de 411 voluntários diferentes, mas de 526 posições de voluntariado preenchidas. A Figura 18 resume a distribuição destes por nota de valor estratégico. Número de Posições de Voluntariado Preenchidas 29 300 250 200 150 100 50 0 1 2 3 Valor Estratégico 4 5 Figura 18 – Distribuição do número de voluntários x valor estratégico Fonte: Autoria própria A igreja apresentou uma base de 361 vagas ocupadas, aproximadamente 70%, com notas 1 ou 2. Uma possível explicação, sugerida por Fragale (2015), foi o recente boom de frequentadores que a igreja experimentou. Por isso, existe um grupo restrito de pessoas (30%) que serviam como voluntários antes do boom e que hoje foram “empurradas” para as posições de liderança ou são tratadas como pessoas de confiança da mesma. Olhando os números de vagas ocupadas por gêneros (Figura 19), percebemos que para ambos os casos há uma curva decrescente a medida que o valor estratégico aumenta. 30 Figura– Distribuição das posições de voluntariado preenchidas x valor estratégico x gênero Número de Posições de Voluntariado Preenchidas 180 160 140 120 100 Mulheres 80 Homens 60 40 20 0 1 2 3 Valor Estratégico 4 5 Figura 19 – Distribuição das posições de voluntariado preenchidas x valor estratégico x gênero Fonte: Autoria própria Como mostra a Figura 20, ambos os gêneros apresentam aproximadamente o mesmo valor estratégico médio. Esse comportamento semelhante entro os dois gêneros corrobora as descobertas de Preston (1983) sobre a diminuição do gap de salários – aqui representados por posições de liderança – entre homens e mulheres. 31 Valor Estratégico Médio 5,0 4,0 3,0 2,0 1,0 0,0 Mulheres Homens Gênero Figura 20 – Valor estratégico médio x gênero Fonte: Autoria própria 2.3.1 Razão Frequência/Voluntários Uma vez mapeados todos os voluntários da igreja, é interessante colocar estes números em perspectiva com os números de frequência. A razão arbitrada como ideal pela Hillsong Leadership Network é de 7/1 – sete pessoas para um voluntário. Quanto menor a razão, melhor. Analisando apenas o culto de 19h30 do dia 28/12/14, contou-se como mostra o Quadro 5. Frequência 473 Voluntários 57 Razão 8/1 Quadro 5 – Frequência/Voluntários para o culto de 19h30, 28/12/14 Fonte: Autoria própria Considerando que os mesmo voluntários de 19h30 serviram no culto de 17h30, o valor real para frequência deve ser a soma dos dois cultos, como mostra o Quadro 6. 32 Frequência 769 Voluntários 57 Razão 13/1 Quadro 6 – Frequência/Voluntários para os cultos de 17h30 e 19h30, 28/12/14 Fonte: Autoria própria Tendo em vista o resultado do Quadro 6 é seguro afirma que, embora 411 voluntários seja um número expressivo em um universo de 1.053 pessoas em média por domingo, esse estoque de recursos humanos não está sendo bem utilizado. 2.4 O CASO DA RC RC é membra da NOVA Igreja, porém não se voluntaria nos departamentos em atividade na igreja. RC tem experiência profissional com produção de megaeventos, como Rock in Rio Lisboa e Rock in Rio Madrid. Embora RC não atue ativamente no dia a dia da igreja, ela assumiu papel chave em dois eventos na igreja: o lançamento do CD “Solo da Graça” e a Conferência Crescendo em Fé. O CD “Solo da Graça” foi o primeiro álbum na Nova Music, ministério de música da NOVA. Para o lançamento, foi programado um evento no Teatro Bradesco, com capacidade de aproximadamente mil pessoas. A igreja nunca havia feito um evento desta magnitude e não havia ninguém entre os funcionários e voluntários com experiência nesta área. Foi então que RC foi convidada para apoiar a produção do evento. Ela aceitou e coordenou a produção do evento como voluntária, ou seja, sem ser remunerada. Alguns meses depois, entre 20 e 25 de Agosto de 2014, a igreja sediou a Conferência Crescendo em Fé, evento realizado pela Escola Cristã de Liderança Atos 1. Embora sediar uma conferência – especificamente esta conferência – não fosse novidade para a igreja, a duração do evento era inédito para a NOVA. Do dia 18, sábado, ao dia 26, domingo, haveria culto todos os dias. Para uma instituição altamente dependente de voluntários, uma cenário como este se mostrou desafiador. Mais uma vez, a igreja recorreu a ajuda experiente de RC para apoiar a coordenação do evento. 33 Estes dois eventos mostram que, embora não apareça no mapeamento de voluntários, RC é um recurso humano da igreja e, portanto, deveria ser categorizada como tal. 2.5 O CASO DA MP MP também é membra na NOVA e também não serve como voluntária nas atividades diárias da igreja. MP é formada em Letras, ex-professora de inglês, que decidiu seguir seu sonho de sercabelereira, obtendo reconhecimentono seu ramo de atuação. Como diz em seu site, a hair stylist “ocupa o cargo de Caracterizadora Titular do programa Encontro com Fátima Bernardes.” (MELISSA PALADINO, 2015)6, onde é responsável por “embelezar” a apresentadora e seus convidados. MP também ministra cursos, palestras e workshops sobre o assunto. Assim como RC, MP participou ativamente no lançamento do CD “Solo da Graça”. Ela foi responsável por “embelezar” os músicos e toda equipe que serviria na recepção do evento. Da mesma forma, MP serviu no especial de Natal maquiando os cantores, a banda e o coral. Também é uma das principais apoiadoras da Cia. do Invisível, ministério de teatro da NOVA. Em todos os espetáculos – frequência anual – MP é responsável pela caracterização dos atores. Nos moldes em que a igreja funciona atualmente, nem sequer haveria espaço para que MP servisse como voluntária exercendo o que faz de melhor. Mesmo assim, é seguro afirmar que MP seja um recurso humano da igreja. 2.6 O CASO DO RL Assim como as duas antes dele, RL também é membro na NOVA. Formado em Business TV e Cinema pela Fundação Getúlio Vargas e Produção Audiovisual na New York Film Academy, Estados Unidos, RL trabalha com edição e produção de fotos e vídeo e é sócio de um estúdio de fotografia e filmagem chamado XHB. Além disso, RL faz alguns projetos como roteirista, produtor e editor freelancer para o canal OFF. No ano de 2015, a igreja decidiu realizar um especial durante a Páscoa. A ideia era ter encontros de Quinta-Feira a Domingo para esclarecer o que foi chamado de “O Verdadeiro Significado”. Para cada dia foi planejado um vídeo de abertura. 6 http://www.melissapaladino.com.br/melissa-paladino/ acessado em 22/04/2015. 34 Chegando próximo ao evento, a equipe de Produção da igreja chegou a conclusão que não seria capaz de produzir e editar todos os vídeos a tempo. Foi então que RL foi convidado para ajudar. Ele dedicou três dias da sua semana como voluntário da equipe de Produção e assumiu a produção e edição dos vídeos da Páscoa. Por limitações de horário, RL não pode servir como voluntário da igreja. No entanto, ele deve, sim, ser visto como um recurso humano disponível para apoiar em situações extraordinárias. 2.7 O CASO DO JG Por fim, veremos o caso de JG, outro membro na NOVA que não apareceu no mapeamento dos voluntários. JG trabalhar na Globosat construindo infraestruturas de web para transmissão de vídeos, live broadcasting e compactação e transmissão de vídeos em plataformas mobile. Em 2014, a equipe de Produção decidiu investir no sistema de transmissão dos cultos. Foram compradas duas câmeras high-definition, uma mesa de corte e um sistema de som profissionais. Foi quando JG pôde se envolver na igreja. Em função de seu contrato com a Globosat, JG tem pouca disponibilidade de horário para se envolver em um ministérios da igreja. Mas, durante os primeiros meses depois da introdução da nova tecnologia, JG dedicou suas Quintas-Feiras livres para dar suporte técnico a igreja e treinamento a equipe de voluntários que operaria as novas câmeras e as mesas de corte e som. Ainda que com diversas restrições de horário, JG é, sim, um recurso humano altamente estratégico dentro de uma igreja que quer investir cada vez mais em melhorar a transmissão ao vivo de seus encontros. 2.8 ANÁLISE DA ESTRUTURA ATUAL A igreja apresenta um corpo de funcionários enxuto: apenas 18 funcionários. Pode ser percebida uma tendência ao nepotismo: 44% dos funcionários tem algum tipo de ligação familiar com outro funcionário. Isto aponta para uma barreira em potencial que pode dificultar novos entrantes. Além disso, todos os funcionários foram contratados de dentro da comunidade da igreja. Outro ponto que sugere uma barreira em potencial para novos entrantes. 35 Foram contados 411 voluntários nos 11 ministérios oferecidos pela igreja. Percebeu-se uma participação feminina próxima a dois terços do total de voluntários. Apesar disso, não há evidências de discriminação em termos de valor estratégico por gênero. Ambos apresentaram valor estratégico médio semelhantes: 2,1 para as mulheres e 2,2 para os homens. Não se percebeu nada que pudesse sugerir uma barreira para novos entrantes. Pelo contrário, em um universo de mais de 1.000 pessoas por domingo, 39% serve como voluntário em algum departamento. Este número sugere, na verdade, um incentivo ao voluntariado. A razão voluntário/funcionário é 23/1, ou seja, para cada funcionário a igreja conta com o apoio de 23 voluntários. A discrepância significativa entres estes dois números corrobora a afirmação de Alexander, Nank e Stivers (1999) sobre o strategic HRM de Ridder e McCandless (2010): organizações religiosas tendem a reduzir staff e compensar esta diminuição se alavancando com o aumentona base de voluntários. Existe um terceiro grupo que parece surgir ao olhar os caso de RC, MP, RL e JG. É um grupo que ocupa uma área cinzenta. Não se encaixa na definição de um voluntário e, muito menos, na de um funcionário. São pessoas de atuação pontual em momentos críticos ou situações que demandem conhecimento e experiência específicos. Em um paralelo com o mundo corporativo, é como se estes fossem consultores da igreja. São chamados para ocupar um cargo de alta especialização, exercendo uma atividade pré-acordada por um tempo pré-definido. Em uma igreja com frequência superior a 1.000 pessoas por final de semana este grupo certamente apresentará um mix de recursos que podem apoiar em atividades pontuais da igreja, como a produção e lançamento de um CD, a produção de uma conferência, a construção e mudança para um novo espaço, aumentar a zona de influência a grupos mais fechados (artistas, empresários, atletas, etc) e outros. Em outras palavras, se devidamente gerido, este grupo apresentará um valor estratégico inestimável para igreja. Qualitativamente, o modelo atual parece estar funcionando sem problemas. Durante as reuniões com o líderes de cada ministério, não houveram críticas ao formato utilizado atualmente. A principal preocupação levantada por eles foram: assiduidade às escalas e pontualidade. Quantitativamente, o modelo apresenta oportunidades para melhorias. Embora haja uma oferta grande de voluntários, a razão frequência/voluntários esta muito acima – 13/1 – do target definido pela Hillsong Leadership Network de 7/1. No capítulo 3 será proposto um plano de ação para a NOVA Igreja. 36 3 A CRUZ DE RHPARA UMA MEGAIGREJA Tendo em vista a análise feita anteriormente, proponho o framework (Figura 21) a seguir: Figura 21 – Cruz de RH para uma megaigreja Fonte: Autoria própria 3.1 FUNCIONÁRIOS Os funcionários são os recursos mais estratégicos dentro da igreja. Em função das incertezas da receita – a instituição depende do dinheiro que entra via dízimos e ofertas – é necessário manter os custos com folha salarial controlados. Como discutido anteriormente, estas incertezas são o motivo pelo qual organizações religiosas tendem a utilizar uma arquitetura de GRH do tipo strategic (ALARISTA e ARROWSMITH, 2004), ou seja, uma arquitetura cujo foco está mais em sua orientação estratégica que em desenvolver suas base de RH (RIDDER e MCCANDLESS, 2010). Portanto, quanto menor a equipe, melhor. 37 Também é importante salientar que por ser uma equipe enxuta, funcionários não podem ser entendidos como commodities. Ou seja, geralmente são pessoas escolhidas de dentro da própria comunidade e aumentar o giro de folha pode comprometer a imagem da igreja para os demais membros. 3.2 VOLUNTÁRIOS Como argumentam Alexander, Nank e Stivers (1999), a redução do staff implica em a igreja se alavancar com uma base expressivamente maior de voluntários. Kroll (2003) os define como um leal e não remunerado exército. A máxima é: quanto mais, melhor. Apesar de ter muita oferta, os voluntários não devem ser entendidos como “substituíveis”. Ainda que não tenha o mesmo valor estratégico para a organização, um voluntário pode ser desenvolvidos e capacitados para ocupar as partes de cima do framework ou até se tornar um funcionário no médio/longo prazo. A medida que eles “sobem”, deixam espaço nas partes mais baixas para novos voluntários. Se considerarmos que este voluntários que “sobe” irá ocupar uma posição de liderança, pela Regra da Mão Aberta, este tem o potencial de criar cinco novas vagas na base do framework. Da Weekend Volunteers Ratio sabe-se que com o acréscimo de um voluntário é possível aumentar a frequência semanal em aproximadamente 7 pessoas. Portanto, no limite, cada voluntário que “sobe” em valor estratégico têm a capacidade de adicionar 35 pessoas a igreja. A Figura 22 ilustra os benefícios de se desenvolver um voluntários. 38 Figura 22 - Benefícios de desenvolver um voluntário Fonte: Autoria própria 3.3 CONSULTORES São definidos como consultores aquele recursos que não se encaixam nas definições de funcionário ou voluntário, mas que dão apoio pontual às atividades da igreja. Este grupo se destaca por alto conhecimento e experiência técnica ou influência em “nichos de mercado” de interesse da igreja. Em geral, apresentam restrições para servir. A disponibilidade de tempo sendo o mais frequente dentre eles. A importância deste é permitir que a igreja aumente sua alavancagem na relação voluntários/funcionários. No limite em que exauriu-se todos os perfis capazes de se voluntariar em todos os ministérios possíveis, os consultores permitem que a igreja aumente sua base de voluntários por um período de tempo t qualquer. Além disso, se recorrente – como no caso da MP – a igreja pode se beneficiar com esse consultor tal qual se beneficia com um voluntário. Ou seja, da Weekend Volunteers Ratio, assim como o acréscimo de um voluntário cria um potencial de aumento da frequência semanal em 7 39 pessoas, a utilização frequente do mesmo consultor tem a capacidade de criar um potencial proporcional. A Figura 23 ilustra os benefícios da participação dos consultores. Figura 23 - Benefícios da participação de consultores Fonte: Autoria própria 3.3.1 O caso de Pr. Carl Lentz e Kevin Durant Pr. Carl Lentz é o lead pastor da Hillsong New York. Fundada em 2010, a igreja yankee cresceu, em três anos, de algumas poucas famílias para mais de cinco mil pessoas (CHAFKIN, 2014). Chamado de Joel Osteen hipster7 (ESQUIRE, 2014), o “ministro de trinta e poucos anos, fã de hip-hop e tatuado” (CHAFKIN, 2014) tem atraído a atenção da mídia por sua influência entre as celebridades. Justin Bieber, Vanessa Hudges e o jogador da NBA, Kevin Durant, são apenas alguns exemplos (FRIEDMAN, 2014). Em 2014, foi listado pelo site ESQUIRE (2014) como umas das 37 pessoas com menos de 35 anos que estão mudando o mundo. 7 Referência a Joel Osteen, pastor sênior da Lakewood Church, em Houston, Texas. Considerada a maior igreja dos Estados Unidos pela Outreach Magazine (2013) com 43.500 membros, Joel Osteen ganhou notoriedade quando, em 2005, a igreja se mudou para o antigo estádio do time de basquete profissional Houston Rockets, o Compaq Center (NBC NEWS, 2005) 40 Aos 27 anos, Kevin Durant está na lista dos melhores jogadores de basquete da história. Jogador do Oklahoma City Thunder desde 2007, quando foi “draftado” para a liga profissional norte-americana, foi nomeado o jogador mais valioso (MVP – Most Valuable Player) da temporada 2013-2014 (NBA, 2015). Conheceu Lentz quando foi jogar contra o New York Knicks em 2013 (ZWERLING, 2015). Durant não tem a disponibilidade para servir na Hillsong NYC como voluntário. Em primeiro lugar, mora em Oklahoma. Em segundo, a agenda de jogos da NBA não permite que se comprometa como voluntário. Durant também não pode ser contratado como funcionário, uma vez que tem contrato com a franquia dos Thunders. Mesmo assim, como mostra ZWERLING (2015), Durant apoia as atividades da Hillsong NYC de, pelo menos, três formas: I. Durant atua como uma ponte entre Lentz e outros jogadores da NBA. Dessa forma, Durant ajuda a Hillsong NYC a entrar em um nicho onde poucas igrejas tem acesso; II. Durant atua como propaganda da Hillsong NYC para outras celebridades. As Figuras 24 e 25 mostram a dupla Lentz e Durant com o rapper Jay-Z e o cantor Justin Bieber, respectivamente. Mais uma vez, o jogador ajuda a igreja a expandir suas atividades para um “oceano azul”. 41 Figura 24 – Da esquerda para a direita: Jay-Z, Kevin Durant e Carl Lentz Fonte: Disponível em: <http://images.christianpost.com/full/61652/jay-z-kevin-durant-pastor-carl-lentz.jpg>. Acessado em: 23/04/2015. Figura 25 – Da esquerda para a direita: Kevin Durant, Tysson Chandler (jogador da NBA), Justin Bieber e Carl Lentz Fonte: Disponível em: <http://images.christianpost.com/full/65198/justin-bieber-shared-a-photo-on-instagram-of-him-chillingwith-tyson-candler-kevin-durant-and-carl-lentz.jpg>. Acessado em: 23/04/2015. 42 III. Durant ajuda nos trabalhos sociais da igreja. Toda vez que ele [Lentz] vai orar por alguém no hospital, Durant sempre – mesmo quando ele está prestes a entrar na quadra – manda uma mensagem de texto dizendo: “Hey, cara, aqui é o Kevin Durant. Carl me disse que você está passando por uma situação difícil. Mantenha sua cabeça erguida. Com amor” (ZWERLING, 2015, p. 16, tradução do autor). Com isso, pode-se argumentar que Durant seja um recurso humano da Hillsong NYC. Não podendo ser enquadrado nas categorias tradicionais – voluntários e funcionários – Kevin Durant é um exemplo de alguém que ocupa a área cinzenta de Consultores. Além disso, corrobora o potencial estratégico que este grupo pode ter para a organização. 3.4 A CRUZ DE RH PARA A NOVA IGREJA Com os dados obtidos no mapeamento (capítulo 2) é possível montar a Cruz de RH para a NOVA Igreja. Esta está ilustrada na Figura 26. 43 Figura 26 – Cruz de RH para a NOVA Igreja Fonte: Autoria própria 3.4.1 Plano de Ação para a Nova igreja Na análise da estrutura atual, foi identificado um oportunidade de melhor o índice de frequência/voluntário. Utilizaremos o framework proposto anteriormente para propor um plano de ação para a NOVA a fim de que eles otimizem a utilização dos recursos disponíveis na igreja e acelere seu crescimento. A Figura 27 resume o plano, que passará por 6 passos. 44 Passo 1: Revisão das escalas Passo 2: Definição de um "plano de carreira" para o voluntários chaves Passo 3: Expansão da base de voluntários Passo 4: Mapeamento de potenciais consultores Passo 5: Desenvolvimento de uma estratégia para utilização dos consultores mapeados Passo 6: Avaliação 360º Figura 27 – Plano de ação para a NOVA Igreja Fonte: Autoria própria 3.4.1.1 Passo 1: Revisão das escalas A NOVA conta com uma base expressiva de voluntários. Ainda sim, apresenta uma razão frequência/voluntário 6 pontos acima do benchmark. Como uma medida de curto prazo, sugerese revisar as escalas dos ministérios de forma a aumentar a quantidade de voluntários servindo por domingo e poder diminuir este índice de 13/1 para, pelo menos, 7/1. 3.4.1.2 Passo 2: Definição de um “plano de carreira” para o voluntários chaves Como discutido na seção 3.2, o desenvolvimento de um voluntário garante a igreja um potencial de crescimento de em aproximadamente 35 pessoas (dada uma razão de 1 voluntários para 7 pessoas). Neste momento, propõe-se focar nos voluntários que apresentaram maiores notas de valor estratégico na etapa do mapeamento e escrever, em conjunto com a liderança, um plano de desenvolvimento de curto, médio e longo prazo. Espera-se com isso aumentar a sensação do funcionário de estar recebendo algo em troca da igreja. Na terminologia adotada por Weisbrod e Manchik (1987), o objetivo é investir n a razão “investimento” e, com isso, criar uma situação de ganha-ganha onde o voluntário se sente mais motivado e a igreja criar potencial de crescimento. 45 3.4.1.3 Passo 3: Expansão da base de voluntários Com a revisão das escalas, é possível que haja um aumento na carga de trabalho para os voluntários atuais. Para compensar este aumento, deverá haver um investimento em aumentar a base total de voluntários. Para este passo, propõe-se utilizar a estratégia apontada por Wilson e Musick (2007): 1. Definir um público alvo 2. Convidar pessoas que se encaixem no perfil pré-definido Ao mesmo tempo, sugere-se buscar novas oportunidades de voluntariado na igreja. Seja aos domingos ou não. Aumentar os limites da área de atuação como voluntário dará mais margem a igreja para procurar novos entrantes. 3.4.1.4 Passo 4: Mapeamento de potenciais consultores Como foi apontado neste documento, os consultores são um grupo de inestimável valor estratégico. Sugere-se então criar um bando de dados com os perfis de potenciais consultores, divididos em suas respectivas áreas de atuação. A medida que novas pessoas forem sendo adicionadas a comunidade, este banco deverá ser atualizado. Fazendo isto, a igreja poderá otimizar a gestão de todos os seus recursos humanos. 3.4.1.5 Passo 5: Desenvolvimento de uma estratégia para os consultores mapeados Dado o mapeamento acima, cabe a liderança da igreja desenvolver estratégias para utilização destes recursos, como: criação de novos ministérios, desenvolvimentos de novas frentes de trabalho, investimentos em capital (broadcasting, som, estrutura), etc. 3.4.1.6 Passo 6: Avaliação 360º Por fim, é proposta uma avaliação do tipo 360º. Ou seja, não apenas os voluntários e consultores serão avaliados, mas as lideranças – pastores inclusos – deverão ser avaliados. Com isso, espera-se avaliar as mudanças feitas e criar possibilidade para desenvolvimento futuro. 46 CONCLUSÃO O universo das organizações sem fins lucrativos está se tornando cada dia mais complexo. Como tal, a Igreja se vê em uma posição onde há uma constante pressão por profissionalização. É cada vez mais latente a cobrança da sociedade por prestação de contas, em especial no que diz respeito a finanças. Foi com base neste contexto que realizou-se o presente estudo. A Hillsong Church se destaca como referencia neste setor. Em especial através da Hillsong Leadership Network. O Hillsong Service Dashboard e a Regra da Mão aberta são o que há de estado da arte sobre gestão de igrejas. Focando apenas na GRH, a razão frequência/voluntários é um indicador altamente estratégico e que pode ser melhor explorado dentro das igrejas. A NOVA Igreja apresentou uma estrutura de GRH sólida. Das 1.053 pessoas que frequentam a igreja semanalmente, 411 são voluntárias em alguma área. Ou seja, existe o aproveitamento de 39% deste “estoque” de recursos humanos. Além disso, a igreja opera com uma folha enxuta, apenas 18 funcionários. De forma que para cada CLTista a igreja conta com 23 voluntários. A essa razão demos o nome de alavancagem. Apesar da igreja ter apresentado uma boa base de RH, a estrutura mostrou-se subutilizada. A razão frequência/voluntários da NOVA Igreja é uma dia qualquer foi de 13/1 (considerando que a mesma equipe servisse em dois cultos diferentes) comparado com a meta de 7/1. A fim de reverter isso, foi proposto um plano de ação para a NOVA Igreja no capítulo 4 do projeto de graduação. Durante o trabalho fez-se o mapeamento de todos os recursos humanos da igreja. O mapeamento dos funcionários não apontou um padrão de perfil bem definido, além de que todos são membros da igreja. Notou-se uma leve tendência ao nepotismo. Dentre os 18 funcionários mapeados, 44% tem algum tipo de ligação familiar com outro funcionário. Estas duas características apenas sugerem uma barreira para novos entrantes, uma vez não tenha sido observado durante o estudo ou tenha chegado ao conhecimento do autor a utilização delas na escolha de um candidato em detrimento de outro. O mapeamento dos voluntários foi feito em parceria com os líderes dos ministérios. As equipes apontaram a participação maior das mulheres. Cerca de duas vezes mais que os homens. Ao mesmo tempo, como já havia apontado Preston (1983) em sua pesquisa sobreo gap de salários no terceiro setor, percebeu-se plane paridade entre homens e mulheres quanto ao valor 47 estratégico do voluntário. Ao contrário do que aconteceu no mapeamento dos funcionários, não se percebeu nada que sugerisse barreiras contra novos entrantes. Pelo contrário, as evidências sugerem que há incentivos para que o máximo de pessoas sirva como voluntário. Os objetivos gerais foram em parte atingidos. A primeira hipótese que assumia existir um perfil bem definido para os funcionários foi provada falsa. Para a segunda hipótese, não há evidências que sustentem a existência clara de barreiras que dificultam (ou impedem) novos entrantes. Por isso, esta hipótese também foi considerada falsa. As hipóteses 3 e 4, que dizem respeito ao corpo de voluntários foram provadas verdadeiras: os perfis de voluntários são heterogêneos e não há barreiras contra novos entrantes. A partir do mapeamento, identificou-se um terceiro grupo de pessoas que não se encaixavam nos perfis de voluntários ou funcionários. A este foi dado o nome de Consultores. São recursos com baixa disponibilidade para servir nos moldes convencionais, mas que podem apoiar pontualmente nas atividades da igreja em função do conhecimento técnico sobre a atividade ou experiência na área. Através de pequenos estudos de casos, percebeu-se o alto valor estratégico deste grupo e como ele pode ser utilizado dentro da estrutura atual. Com base nos três grandes grupos: funcionários, voluntários e consultores, foi proposto um framework que possibilitasse a classificação de todos os recursos humanos e funcionasse como ferramenta de apoio da liderança na gestão deste recursos. Foi a partir deste framework que foi desenhado um plano de ação de 5 estágios para a NOVA Igreja, visando o curto, médio e longo prazo. O entendimento deste grupo apontou um gap na estrutura atual. Embora este modelo seja o mais comum entre as igrejas, não é o mais eficiente. A gestão estratégica dos voluntários e, sobretudo, a gestão dos consultores permitirão a igreja se alavancar cada vez mais. O crescimento da base de voluntários e a atuação dos consultores terão impactos diretos nos números de frequência. Da mesma forma, com base no conceito por trás da razão frequência/voluntários e o modelo de liderança aplicado com a Regra da Mão Aberta, o desenvolvimento de um voluntário, ou seja, leva-lo da base do framework – baixo valor estratégico – para posições de liderança – alto valor estratégico – criam um potencial de aumento de 35 pessoas na frequência. Nesta dimensão, a estrutura atual se apresentou ineficaz. 48 Os objetivos específicos foram todos atingidos: existe um terceiro grupo de recursos humanos de alto valor estratégico e mal explorado, é possível desenvolver um framework e o modelo atual empregado em megaigrejas se mostrou ineficiente. O quadro 7 abaixo resume os resultados obtidos durante a pesquisa. I. Os funcionários da megaigreja em estudo possuem um perfil Falso Objetivos Gerais bem definido; II. Existem barreiras que dificultam (ou impedem) novos Falso entrantes no corpo de funcionários da megaigreja em estudo; III. Os voluntários da megaigreja em estudo não possuem Verdadeiro características semelhantes; IV. Não existem barreiras para novos entrantes no grupo de Verdadeiro voluntários da megaigreja em estudo; Objetivos Específicos V. Existe um terceiro grupo de recursos humanos de alto valor Verdadeiro estratégico, mas mal explorado dentro da megaigreja em estudo; VI. É possível desenvolver um framework que permita Verdadeiro classificar os recursos humanos de acordo com seu valor estratégico dentro da megaigreja em estudo; VII. O modelo atual empregado na megaigreja em estudo é Verdadeiro ineficiente. Quadro 7 – Síntese dos resultados obtidos Fonte: Autoria própria Este estudo se limitou ao ambiente de uma megaigreja. Para futuras pesquisas, sugere-se aumentar os limites da discussão a todo o mundo sem fins lucrativos ou até ao mundo corporativo. Sugere-se explorar a aplicação do framework aqui proposto em outras situações, sejam outras igrejas ou empresas, a fim de que seja criticado e aperfeiçoado. Por fim, espera-se que o conteúdo apresentado neste projeto de graduação ajude igrejas a otimizar a GRH, desenvolver seus voluntários, permitir que todos, independente de suas restrições, tenham espaço e chance de servir e criar potencial para crescimento. 49 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AKINGBOLA, Kunle. Strategy and HRM in nonprofit organizations: evidence from Canada. International Journal of Human Resource Management,v.17,n.10, p.1707-1726. 2006. AKINGBOLA, Kunle. A Model of Strategic Nonprofit Human Resource Management. VOLUNTAS: InternationalJournalofVoluntaryandNonprofitOrganizations,v.24,n.1, p.214220. 2012. ALARISTA, J. e ARROWSMITH, J. Managing employee commitment in the not-for-profit sector. Personnel Review, v.33, n.5, p.536-548. 2004. ALEXANDER, J., NANK, R. e STIVERS, C. 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Nome AF AF AM AF AR AR AS A AR AR AP AE AE AE AF AF AR AL AM AV A AV AC AR AS AA AS AS AB AB AB AC Gênero M M M F M M M F F F F F F F M M M F F M F F F M M F F F F F F F Ministério GN.Hlera Recepção Recepção Recepção Broadcasting Música.Igreja Recepção GN.PassosFirmes GN.Berçario Recepção Recepção Cia do Invisível GN.Epa GN.Hlera Broadcasting Vibe.Ambiente Broadcasting Recepção GN.PassosFirmes Recepção GN.Berçario Cia do Invisível GN.Berçario Broadcasting Vibe.Comunicação GN.Berçario GN.Berçario Vibe.Comunicação Projetos Sociais GN.Sementinha Recepção Música.Igreja Valor Estratégico 3 1 1 1 3 1 4 1 3 1 1 5 4 2 1 5 2 1 5 1 2 4 1 1 5 1 1 5 3 2 4 1 Quadro 8 – Mapeamento dos voluntários da NOVA Igreja Fonte: Autoria própria 54 Nome AC AC AJ AL AL AR AV AA AM AM AM AS AS AS AS AR AB AC AF AF AA AB AB B BC BC BC BM B BF BF BH BS BL BL BG BG BG Gênero F F F F F F M M M M M M F F F F F F F F F F F F F F F F F M M F F M M F F F Ministério Música.GN GN.PassosFirmes GN.Sementinha GN.Amigos GN.QuintaFeira GN.Berçario Recepção Recepção Música.GN Música.Igreja Música.Vibe Música.GN GN.QuintaFeira Recepção GN.Berçario Recepção GN.Sementinha Recepção.Vibe GN.Sementinha Recepção Cia do Invisível GN.Berçario Recepção GN.Sementinha Música.GN Música.Igreja Recepção.Vibe Recepção GN.Berçario Música.Igreja Música.Vibe Recepção GN.Sementinha Música.Igreja Música.Vibe Música.GN Música.Igreja Música.Vibe Valor Estratégico 1 1 1 3 5 2 1 1 2 2 3 1 3 4 5 2 2 1 2 2 5 1 1 1 4 2 2 1 1 4 5 1 1 2 1 4 2 3 Quadro 8 – Mapeamento dos voluntários da NOVA Igreja (cont.) Fonte: Autoria própria 55 Nome BG BM BM BD BD BO B CV CV CV CV CM CK CK CB CB CB CC CF CF CL CV CF CL CL CL CZ CB CP CT CT CA CZ CO CM CM CB CV Gênero F F F M M F F M M M M M F F F F F F F F F F M M M M F F F F F F F F F F F F Ministério Recepção.Vibe Música.Igreja GN.Berçario GN.Zoe Vibe.Pregação Recepção GN.Hlera Cia do Invisível Música.GN Música.Vibe Recepção.Vibe Broadcasting Música.Igreja Música.Vibe GN.Sementinha Recepção GN.TribodoLeão Recepção Cia do Invisível Música.Igreja GN.Amigos GN.Sementinha GN.Sementinha Música.Igreja NovaMente Pastor(a) Recepção GN.PassosFirmes GN.PassosFirmes GN.CentroOperacional Recepção Recepção Música.Igreja Recepção GN.PassosFirmes Vibe.Ambiente GN.Hlera Recepção Valor Estratégico 4 1 1 2 5 1 1 3 3 1 5 1 3 4 1 1 5 3 1 1 3 2 1 1 5 5 5 1 1 4 3 1 5 1 1 5 1 1 Quadro 8 – Mapeamento dos voluntários da NOVA Igreja (cont.) Fonte: Autoria própria 56 Nome CM CC CG CL DB DG DM DP DA DS DL DP DR DM DM DM DL DL DB DN DN DM DP DB EF EA EC ER EB EM ÉP EC EM ER ER EZ EZ ÉC Gênero F M F F F M M M F F F F F F F F F F M F F F F F M M M F F F F F F M M M M M Ministério GN.Sementinha Broadcasting GN.PassosFirmes GN.Berçario GN.Sementinha Cia do Invisível GN.Zoe GN.Epa GN.TribodoLeão Cia do Invisível Música.Vibe GN.Sementinha GN.Berçario GN.CentroOperacional GN.Sementinha Recepção GN.Epa GN.QuintaFeira Fotografia Música.GN Música.Igreja GN.Berçario GN.Berçario GN.PassosFirmes GN.TribodoLeão Música.Igreja Recepção Música.Igreja Recepção GN.Sementinha Música.Igreja GN.Sementinha GN.CentroOperacional Música.Vibe Recepção.Vibe Broadcasting Música.Igreja GN.Zoe Valor Estratégico 3 1 3 1 1 1 1 2 4 2 1 1 2 3 1 1 2 2 5 1 1 2 2 1 2 5 1 1 1 1 1 2 3 2 1 2 1 1 Quadro 8 – Mapeamento dos voluntários da NOVA Igreja (cont.) Fonte: Autoria própria 57 Nome ÉC EC EM ER ÉS EF FP FA F FV FS FV FF FR FG FB FB FB FB FB FS GK GK GK GM GM GM GN GR GX GM GB GC GD GF GG GA GR Gênero M M F M F F F M M F F F M M F F M M M M M M M M M M M M M F M F F F F F M M Ministério Recepção Música.Igreja GN.Berçario GN.TribodoLeão Música.Igreja Recepção GN.Berçario Recepção GN.Hlera Recepção Recepção.Vibe Música.Igreja Recepção Recepção Recepção.Vibe GN.Berçario GN.CentroOperacional Música.Vibe Música.Igreja Música.GN Recepção Música.GN Música.Igreja Música.Vibe Música.GN Música.Igreja Música.Vibe Música.GN Broadcasting Recepção GN.Hlera Fotografia GN.Berçario GN.CentroOperacional GN.Amigos GN.Hlera Recepção.Vibe GN.Zoe Valor Estratégico 2 1 1 2 3 2 2 1 1 1 1 1 1 1 1 2 4 1 1 2 1 4 3 3 1 3 4 4 3 1 2 2 3 5 2 5 1 2 Quadro 8 – Mapeamento dos voluntários da NOVA Igreja (cont.) Fonte: Autoria própria 58 Nome GR GC HF HB HS HR HS IG IG IS IS IS IP IJ IC IC IG IC IX IG JD JD JX JM JM JC JM J JB JB JC JD JE JE JE JE JF JF Gênero M M M F F F M M M M M M F F M M F F F F F F F F F F F M M M M M M M M M M M Ministério Recepção Nova Criativa Música.Igreja GN.Sementinha Cia do Invisível Música.Igreja Música.Igreja Música.GN Música.Igreja GN.Epa Música.GN Recepção Recepção Recepção Música.Igreja Música.Vibe Recepção Recepção.Vibe Recepção.Vibe GN.Berçario GN.Epa GN.CentroOperacional Recepção Música.GN Recepção GN.Berçario Música.Igreja GN.TribodoLeão Recepção Recepção Música.Igreja Homens Música.GN Música.Igreja Música.Vibe Vibe.Pregação Música.Igreja Música.Vibe Valor Estratégico 4 5 1 2 1 1 1 1 1 2 1 1 1 2 4 4 1 1 1 2 3 3 1 5 2 1 1 1 1 1 2 5 5 4 5 5 2 2 Quadro 8 – Mapeamento dos voluntários da NOVA Igreja (cont.) Fonte: Autoria própria 59 Nome JK JK JM JR JS JG JF JH JM JM JM JM JF JF JP JP JM JK J JB JB JL JM JM JO JR JL JS JS JD JS JS KB KB KA KC KM KL Gênero M M M M M M M M M M M F F F M M F F F F F F F F F F F M M F F F F F F F F F Ministério Música.Igreja Música.Vibe Recepção GN.TribodoLeão Música.Igreja Recepção Broadcasting Recepção GN.PassosFirmes Pastor(a) Recepção GN.Zoe Cia do Invisível Música.Igreja GN.Amigos Música.Igreja Recepção Recepção.Vibe GN.Amigos Broadcasting Música.Vibe GN.CentroOperacional GN.TribodoLeão GN.PassosFirmes Recepção Recepção.Vibe Recepção Música.Igreja Música.Vibe Recepção GN.Berçario Recepção Cia do Invisível GN.Epa Recepção GN.Berçario GN.Hlera GN.Berçario Valor Estratégico 3 2 1 1 1 1 3 1 1 5 5 1 1 1 4 1 1 1 5 3 1 3 1 2 1 1 1 1 1 1 1 2 2 5 1 1 4 1 Quadro 8 – Mapeamento dos voluntários da NOVA Igreja (cont.) Fonte: Autoria própria 60 Nome KM KB KL KC LG LM LR LR Ld LP LS LS L LJ LR LM LB LF LF LF LF LF LM LT LT LV LR LS LL LL LS LS LV LV LS LF LA LS Gênero F F F F F M M M M M M F F F F F M M M M M M M M M M M F F F F F F F F M F F Ministério Recepção Música.Igreja GN.Amigos Música.Igreja Recepção.Vibe Jovens+ Música.Igreja Vibe.Comunicação GN.Zoe Recepção Recepção Música.GN GN.PassosFirmes GN.Sementinha Recepção.Vibe Recepção Música.GN Música.GN Recepção.Vibe GN.Amigos Cia do Invisível Recepção.Vibe Música.Igreja Música.Igreja Música.Vibe Música.GN Recepção.Vibe Recepção NovaMente Pastor(a) GN.QuintaFeira Recepção Recepção Recepção GN.CentroOperacional Recepção Recepção.Vibe Recepção Valor Estratégico 1 1 1 1 1 5 2 3 1 1 1 1 2 1 1 1 1 2 1 2 2 4 1 1 1 1 1 2 5 5 2 2 1 1 3 2 1 1 Quadro 8 – Mapeamento dos voluntários da NOVA Igreja (cont.) Fonte: Autoria própria 61 Nome LR MB MX MA MA ME ML MM MF MF MB MQ MQ MR MS MC MV ML MS MS MS ML MH MV MB MS MS MS MM MP MS MV MF MG MF MB MK MS Gênero F M F M M F F F F F M M M M M F F M M M M M M M M F F F F F F F F F F F F F Ministério GN.TribodoLeão Recepção.Vibe Recepção Música.Igreja Pastor(a) GN.Amigos Música.GN GN.Berçario GN.Berçario Música.Igreja Música.Igreja Música.Igreja Música.Igreja Recepção Música.Igreja Pastor(a) GN.CentroOperacional Recepção Recepção Recepção GN.Zoe Música.Igreja Recepção Recepção Recepção Cia do Invisível Música.GN Música.Igreja GN.CentroOperacional Cia do Invisível GN.Berçario Recepção Cia do Invisível Recepção.Vibe GN.Berçario GN.PassosFirmes Cia do Invisível GN.Berçario Valor Estratégico 1 1 1 1 5 1 1 1 2 1 1 1 1 1 3 5 4 1 1 4 5 1 1 4 1 1 1 2 3 1 1 1 3 1 1 1 1 2 Quadro 8 – Mapeamento dos voluntários da NOVA Igreja (cont.) Fonte: Autoria própria 62 Nome MS MR MA MA MA MG MG MM MM MM MM MM MP MB MF MF MF MV MC MG MS MS MB MM MM ML MC MC MT NR NR NP NP N NF NK NM NK Gênero M F F F F M M M M M M M M F F F F F F F F F F F F M M M F F F F F F F F F F Ministério Recepção GN.Berçario GN.PassosFirmes Projetos Sociais GN.QuintaFeira GN.TribodoLeão Recepção.Vibe Música.Igreja Música.Vibe Música.GN Música.GN Música.Vibe Recepção.Vibe Recepção Música.Igreja Música.Vibe Vibe Recepção.Vibe GN.Epa GN.TribodoLeão Recepção Música.Igreja GN.Berçario Jovens+ Música.Igreja Música.Vibe GN.Amigos Música.Igreja GN.Berçario GN.Hlera Recepção GN.Amigos Música.Igreja GN.Sementinha Recepção.Vibe GN Recepção GN.Zoe Valor Estratégico 1 2 4 5 3 4 4 2 2 2 2 1 1 2 2 4 5 1 1 5 2 1 2 5 1 3 1 1 2 5 4 1 1 1 1 5 2 5 Quadro 8 – Mapeamento dos voluntários da NOVA Igreja (cont.) Fonte: Autoria própria 63 Nome NM NS OC PB PF PF PF PG PG PI PM PM PS PD PD PC PC PP PS PA PC PR PG PQ PQ PS PL RB RF RJ RJ RL RM RP RB RR RR R Gênero F F M F F F F F F F F F F M M F F F F M M M M M M M F M M M M M M M F F F F Ministério GN.CentroOperacional GN.Berçario Recepção GN.Berçario Recepção.Vibe GN.QuintaFeira Recepção GN.Amigos Recepção Música.Igreja GN.TribodoLeão Música.Igreja GN.Sementinha Música.Igreja Música.Vibe GN.PassosFirmes GN.Berçario Música.Igreja Recepção Recepção GN.Zoe Pastor(a) Música.Igreja Música.GN Música.Vibe Música.Vibe GN.PassosFirmes Broadcasting Recepção.Vibe Recepção.Vibe Broadcasting GN.Epa Recepção.Vibe Música.Vibe GN.TribodoLeão GN.Zoe Recepção.Vibe GN.Berçario Valor Estratégico 3 1 4 2 1 2 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 5 1 2 1 2 1 3 1 1 2 1 1 1 1 3 4 4 Quadro 8 – Mapeamento dos voluntários da NOVA Igreja (cont.) Fonte: Autoria própria 64 Nome RC RR RR RM RM RS RS RG RG RA R R RG RG RC R RM RQ RR RS RG RB RK RM RM R RF RN RP RP RG RS RS RS RS RR RC RD Gênero F F F M M F F F F F F F F M M M M M M M M M M M M F F F F F F M M M M F F F Ministério Recepção Broadcasting Recepção.Vibe Música.Igreja Música.Vibe Recepção Recepção GN.Hlera GN.QuintaFeira Recepção GN.CentroOperacional GN.Sementinha Recepção Recepção GN.Sementinha GN.QuintaFeira Música.Igreja Recepção Recepção Música.Igreja Música.Igreja Recepção.Vibe Música.GN Espaço Transformação Recepção GN.Berçario Recepção Música.Igreja Recepção GN.PassosFirmes Recepção Recepção Música.GN Música.Igreja Vibe.Comunicação Recepção GN.Zoe Recepção Valor Estratégico 3 2 2 3 4 1 1 4 4 1 3 3 1 1 1 1 3 2 2 1 1 1 2 5 4 4 1 1 1 2 4 1 2 1 2 1 1 1 Quadro 8 – Mapeamento dos voluntários da NOVA Igreja (cont.) Fonte: Autoria própria 65 Nome SL SO SR S SC SL SS SS SM S SV SS SS SS SS SF SL SS SF SS SS SP SG SZ SN SP SP SS TA TV TC TB TB TM TS TM TL TM Gênero F F F F F F F F F M M F F M M M F F F F F F F F F F F F F F F F F F F F F F Ministério GN.Sementinha Recepção Recepção GN.QuintaFeira Recepção Recepção Recepção GN.CentroOperacional GN.TribodoLeão GN.Sementinha Recepção Recepção GN.Zoe Música.Igreja Música.Vibe Recepção GN.Berçario Recepção GN.Sementinha GN.Hlera Recepção Recepção Recepção.Vibe GN.PassosFirmes GN.Berçario GN.PassosFirmes GN.PassosFirmes GN.Amigos Cia do Invisível GN.PassosFirmes GN.Sementinha GN.CentroOperacional GN.QuintaFeira Música.Igreja Música.Igreja GN.Hlera GN.PassosFirmes Recepção Valor Estratégico 1 1 1 1 2 2 1 3 1 1 1 4 5 3 3 1 5 2 2 2 2 3 2 1 1 1 1 1 1 1 5 5 4 1 1 1 1 1 Quadro 8 – Mapeamento dos voluntários da NOVA Igreja (cont.) Fonte: Autoria própria 66 Nome TP TP TE TR TR TR TR TG TG TG TB ÚM VS VO VO VL VN VV VS VB VP VP VP VR VM VM VA VH VH VH WG WF WG Y YS ZP ZP ZM Gênero F F M M M M M M M M M F M F F F F F M F M M M M F F F F F F M M M F F F F F Ministério GN.PassosFirmes Vibe.Pregação GN.Amigos Música.GN Música.Igreja Música.Vibe Recepção.Vibe Broadcasting GN.Zoe Música.Igreja Recepção GN.Amigos Música.Igreja GN.CentroOperacional Música.Igreja GN.Amigos GN.Berçario Recepção Música.Igreja GN.CentroOperacional Cia do Invisível GN.Epa Vibe.Comunicação Música.GN Recepção.Vibe Recepção GN.Amigos Música.Igreja Música.Vibe Vibe Música.Igreja Broadcasting Recepção GN.Berçario Música.GN Recepção GN.PassosFirmes Recepção Valor Estratégico 4 5 1 3 2 3 2 5 3 3 4 2 4 4 1 3 4 4 1 3 3 4 5 1 1 1 1 5 5 5 1 5 4 2 1 4 5 2 Quadro 8 – Mapeamento dos voluntários da NOVA Igreja (cont.) Fonte: Autoria própria