Universidade Tecnológica Federal do Paraná ‐ UTFPR Programa de Pós‐Graduação em Ensino de Ciência e Tecnologia ‐ PPGECT ApráticadeEducaçãoAmbientalescolare percepçõesambientaisdosalunoseminstituições doEnsinoMédio Celso Aparecido Polinarski Eliana de Almeida Mira de Bona Resumo A crescente degradação do meio ambiente tornou‐se um dos maiores desafios da humanidade. Diante desta realidade, buscamos analisar como as escolas praticam Educação Ambiental e como os alunos a compreendem. Foram realizadas visitas a diferentes instituições de ensino: pública e privada, na cidade de Medianeira‐Pr, selecionaram‐se as quatro Instituições (A, B, C e D) que apresentavam algum tipo de trabalho envolvendo a temática Educação Ambiental, realizou‐se entrevistas com a coordenação de cada escola e aplicaram‐se questionários aos alunos. Verifica‐se uma maior efetivação da prática de EA no colégio A, seguido pelos colégios B e D. Entretanto, denota‐se que quando a EA é acrescentada como mais uma disciplina dentro da estrutura curricular ou esta restrita à Biologia também pode produzir resultados, como no colégio C. Há entre um colégio e outro diversidade de opiniões acerca da EA que está relacionada com a diferença do meio que envolve cada participante da pesquisa. Palavras‐chave: Meio ambiente, formação escolar, Educação Ambiental. Abstract The practice of environmental education and environmental perceptions of school students in institutions of secondary education II Simpósio Nacional de Ensino de Ciência e Tecnologia 07 a 09 de outubro de 2010 ISSN: 2178‐6135 Artigo número: 156 Universidade Tecnológica Federal do Paraná ‐ UTFPR Programa de Pós‐Graduação em Ensino de Ciência e Tecnologia ‐ PPGECT The growing environmental degradation has become one of the greatest challenges facing humanity. Given this reality, we analyze how schools practice environmental education and how students understand it. Visits were made to different educational institutions: public and private, in the city of Medianeira‐Pr, we selected the four institutions (A, B, C and D) that had some kind of work involving the theme Environmental Education, held interviews with the coordination of each school and have applied questionnaires to students. There is a greater realization of the practice of EA in the college, followed by colleges B and D. However, indicates that when EA is added as another discipline within the curriculum structure or is restricted to biology can also produce results, like in college C. For between one and another college diversity of views on the EA which is related to the difference of the means which involves each participant research. Keywords: Environment, schooling, Environmental education. II Simpósio Nacional de Ensino de Ciência e Tecnologia 07 a 09 de outubro de 2010 ISSN: 2178‐6135 Artigo número: 156 Universidade Tecnológica Federal do Paraná ‐ UTFPR Programa de Pós‐Graduação em Ensino de Ciência e Tecnologia ‐ PPGECT EducaçãoAmbientaleinserçãonaeducação Os PCN propõem a manutenção das disciplinas consideradas fundamentais para o conhecimento dos saberes acumulados socialmente e inserem questões urgentes que devem necessariamente ser tratadas de maneira transversalizada como a violência, a saúde, o uso dos recursos naturais e os preconceitos. Esta abordagem foi proposta devido à complexidade inerente a esses temas que faz com que nenhuma das áreas disciplinares, isoladamente, seja suficiente para abordá‐los (BRASIL, 1997). Quanto à abordagem do tema Meio Ambiente no ensino fundamental os PCN trazem como função principal “a contribuição para a formação de cidadãos conscientes, aptos para decidirem e atuarem na realidade sócio‐ambiental de um modo comprometido com a vida, com o bem estar de cada um e da sociedade, local e global” (BRASIL, 1997). Sabemos que para elaborar atitudes de conservação do meio ambiente é necessário, antes de tudo, compreender o complexo ambiental. Por isso, os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN’s) destacam o Meio Ambiente como um tema transversal. Como justificado pelos próprios PCN’s, a complexidade da natureza exige uma abordagem sistêmica para seu estudo, isto é, um trabalho de síntese, com os diversos componentes vistos como um todo, partes de um sistema maior, bem como em suas correlações e interações com os demais componentes e aspectos (BRASIL, 2001). Essa proposta metodológica traz, em si, embutida a perspectiva da interdisciplinaridade que, segundo Guarim (2002), resulta de um conjunto de atitudes inter‐relacionadas, buscando o entendimento comum de um determinado processo, com colaboração e participação de especialistas de diversas áreas do conhecimento. Contudo se observa uma forte tendência em considerar a Educação Ambiental como conteúdo integrado as ciências físicas e biológicas, o que imprime em seu conteúdo um enfoque totalmente naturalista ao contrário da maioria das propostas de interdisciplinaridade que não se realizam na prática, devido a carência de pessoal qualificado, aliada a inexistência de metodologia e material apropriado ao tratamento do tema (OLIVEIRA, 2000). II Simpósio Nacional de Ensino de Ciência e Tecnologia 07 a 09 de outubro de 2010 ISSN: 2178‐6135 Artigo número: 156 Universidade Tecnológica Federal do Paraná ‐ UTFPR Programa de Pós‐Graduação em Ensino de Ciência e Tecnologia ‐ PPGECT Algumas escolas adotam a Educação Ambiental como uma disciplina específica no currículo, ou incluída dentro das ciências físicas e biológicas. No entanto, contesta‐se essa metodologia considerando que contribui para estabelecer uma visão fragmentada da realidade, desvinculando a Educação Ambiental das outras disciplinas. Segundo Guimarães (2005), o porquê de a Educação Ambiental se colocar a margem e não conseguir penetrar no sistema é a falta de relações no ambiente escolar, na interação entre diferentes atores conduzida por um sujeito, os educadores. A ausência de critica a um discurso e a uma racionalidade fragmentários que desagregam e rompem laços ‐ traduzidos por uma visão de mundo cientificista, antropocentrista, individualista, consumista – pode vir a comprometer o exercício pleno de uma cidadania ativa de educadores e educandos, característica que funda e dá sustentação a uma Educação Ambiental critica. (GUIMARÃES, 2005, p.49). Quanto à formação do professor, o que se observa na maioria dos cursos técnicos e de exatas é a presença de disciplinas da área humana e social, pouco ou inexistente nos seus currículos o que não lhes dá condições de pensar em um ensino voltado as discussões sociais. Contudo não podemos esperar que haja uma mudança revolucionária na educação, na formação de professores, nem que a postura da sociedade mude para que esse projeto possa se tornar realidade. Temos como alternativa à Educação Ambiental trabalhada como disciplina a parte. Seja de forma individual ou não, a Educação Ambiental é indispensável para se conseguir conhecer valores e aplicar maneiras sustentáveis de interação sociedade‐natureza. Estudos a respeito de percepção e cognição ambientais são uma forma de conhecer e avaliar as relações ser humano‐meio ambiente e podem apresentar caminhos e/ou soluções para as situações de conflito de interesses e as práticas de uso e exploração da Natureza pela sociedade (LIMA, 2007). Compreender como o sujeito percebe o Meio Ambiente propicia a formulação de propostas metodológicas mais eficientes e direcionadas. Buscando analisar como as escolas praticam Educação Ambiental e como os alunos a compreendem nos sistemas educacionais, verifica‐se mais claramente as relações entre o sujeito e o Meio Ambiente. Com esta pesquisa buscamos analisar como as escolas praticam Educação Ambiental e como os alunos a compreendem. Além disso, verificar que tipo de abordagem, nos sistemas educacionais, pode apontar mais claramente as relações entre o sujeito e o Meio Ambiente. II Simpósio Nacional de Ensino de Ciência e Tecnologia 07 a 09 de outubro de 2010 ISSN: 2178‐6135 Artigo número: 156 Universidade Tecnológica Federal do Paraná ‐ UTFPR Programa de Pós‐Graduação em Ensino de Ciência e Tecnologia ‐ PPGECT Desenvolvimentodapesquisa Inicialmente foram realizadas visitas a cinco diferentes instituições de ensino médio: pública e privada, existentes na cidade de Medianeira‐PR, para verificar se os mesmos trabalham Educação Ambiental, e como esta temática é desenvolvida. Através destas visitas selecionaram‐se as quatro Instituições de Ensino pública e privada que apresentavam algum tipo de trabalho envolvendo a temática Educação Ambiental e que se dispôs a participar do trabalho de pesquisa. Uma das instituições não se dispunha afirmando não trabalhar Educação Ambiental. Para verificar a metodologia utilizada no desenvolvimento dos trabalhos em questão, foi realizada uma entrevista estruturada com um roteiro previamente estabelecido com a coordenação pedagógica de cada escola, sendo que uma das instituições apresenta curso técnico, nesta entrevistou‐se a coordenadora do curso. As entrevistas foram gravadas com equipamento de áudio e posteriormente transcritas para melhor obtenção dos dados com intuito de organizar o perfil de cada instituição adequadamente. Para comparar a percepção dos alunos em Educação Ambiental com a metodologia trabalhada em cada instituição foram aplicados questionários constituídos de questões fechadas de múltipla escolha com uma série de respostas possíveis. Estas questões tratam das dimensões dos problemas que envolvem recursos naturais e as relações com as atividades humanas. Para todos os participantes da pesquisa registrou‐se seu consentimento livre e esclarecido (Clotet et al.,2000), como orienta o Decreto nº 4.339 da Política Nacional de Biodoversidade, Diretriz nº 2 (XII), de 22 de agosto de 2002. Em cada instituição de Ensino Médio regular foram escolhidas turmas de forma aleatória, ou seja, aquelas que estavam disponíveis para poder aplicar os questionários, uma de cada série (1ª, 2ª e 3ª) no período matutino. Na instituição com cursos técnicos buscou‐se aplicar os questionários nas turmas que já haviam finalizado alguma disciplina com Educação Ambiental trabalhada a parte das outras do plano de ensino, ficando distribuídos da seguinte forma: 1º ano do curso Técnico em Saúde e Segurança no Trabalho e 2º e 3º ano de Técnico em Química. Foram aplicados 10 questionários em cada turma de cada série envolvendo 1ª, 2ª, e 3ª série do ensino médio ou técnico, somando um total de 30 questionários aplicados em cada colégio. Nem todos os alunos de cada turma responderam, eles foram estimulados a se comprometer com a pesquisa e apenas 10 daqueles que se propuseram, receberam. Retornaram ao todo apenas 50 questionários. II Simpósio Nacional de Ensino de Ciência e Tecnologia 07 a 09 de outubro de 2010 ISSN: 2178‐6135 Artigo número: 156 Universidade Tecnológica Federal do Paraná ‐ UTFPR Programa de Pós‐Graduação em Ensino de Ciência e Tecnologia ‐ PPGECT As instituições pesquisadas foram identificadas como A, B, C e D, respeitando as normas estabelecidas para estruturação deste trabalho. Conforme segue: ‐ O colégio A, Colégio Estadual com Ensino Fundamental e Médio e ainda possui os Cursos Técnicos em Administração e Magistério; ‐ Colégio B, Instituição de Ensino particular trabalha a Educação Ambiental desde o maternal (séries iniciais) ao Ensino Fundamental e Médio; ‐ Colégio C, Colégio Estadual que também ministra aulas no Ensino Fundamental e Médio; ‐ Instituição D, Universidade Federal que possui além dos cursos de Graduação, também os cursos de Educação Básica, que compreendem os cursos Técnico em Química e Técnico em Saúde e Segurança no Trabalho. Para a tabulação dos dados não houve classificação de certas ou erradas para as questões, pois eram todas afirmativas havendo várias respostas para as perguntas. As alternativas foram contabilizadas através do número de vezes que foram assinaladas, posteriormente representadas em tabelas com valores percentuais. Como houve uma diferença no número de questionários respondidos de uma instituição para outra, os resultados foram expressos em porcentagem e organizados em tabelas para melhor visualização das concepções dos alunos em determinada questão. Perfildasinstituiçõesdeensino COLÉGIO A No colégio A, localizado na parte central da cidade, a entrevista foi realizada com a coordenadora pedagógica. Neste colégio trabalham atualmente cerca de 70 professores e possui em torno de 1600 alunos, os quais moram aos arredores da mesma, ou seja, residem no centro da cidade ou bairros próximos. Segundo a entrevistada existem algumas atividades desenvolvidas neste colégio que se direcionam a temática de Educação Ambiental desta pesquisa. No início de cada ano são formadas comissões na qual cada um dos professores se enquadra em algum dos projetos do colégio. Os professores que assumem determinado projeto ficam responsáveis quanto à data de aplicação e toda realização do mesmo. Normalmente são desenvolvidos os seguintes projetos: II Simpósio Nacional de Ensino de Ciência e Tecnologia 07 a 09 de outubro de 2010 ISSN: 2178‐6135 Artigo número: 156 Universidade Tecnológica Federal do Paraná ‐ UTFPR Programa de Pós‐Graduação em Ensino de Ciência e Tecnologia ‐ PPGECT ‐ Fórum da semana do meio ambiente: todos os alunos participam, reunindo os principais problemas da escola, segundo a pedagoga, esta também seria uma forma de analisar problemas ambientais internos, e foram levantadas algumas soluções como organizar a separação do lixo, já que se iniciou a coleta seletiva por parte da prefeitura municipal. ‐O “Em busca do verde”: professores de várias disciplinas participam com alunos das sétimas e oitavas séries para fazer caminhadas, conhecer áreas rurais e realizarem diversas atividades como entrevista com moradores das comunidades, dança, teatro, brincadeiras e são incentivados com premiações e participação em várias disciplinas. ‐ Visitas aos bairros: para que os alunos montem painéis para os murais da escola e façam apresentações sobre as diversidades culturais, étnicas, econômicas e de problemas ambientais. ‐ Projeto “Conhecendo o Paraná” com as sétimas séries do ensino fundamental. ‐ Viagens a Minas Gerais: as turmas dos segundos anos do ensino médio. ‐ Rua do recreio: o magistério trabalha com a com as 5ª séries. ‐ Educação fiscal: trabalhado com alunos do Ensino Fundamental pelo Curso Técnico de Administração. ‐ Visitas técnicas: professores levam os alunos para comunidades ou instituições, como exemplo para as reservas indígenas trabalhando questões culturais. No momento o colégio realiza trabalhos com as zeladoras: “elas começaram a deixar as folhas na horta, pois, até então queimar as folhas para as zeladoras era o certo. Percebemos que trabalhávamos com os alunos e as zeladoras continuavam com o outro lado”. As zeladoras que cuidam da separação e destinação do lixo. Não se sabe se todos os alunos colaboram, colocando o lixo na lixeira certa, mas o lixo é separado e vendido pelas zeladoras. Segundo a coordenadora estão tentando implantar cisternas para captar água da chuva para lavar as calçadas, mas, o projeto ainda está no papel. Faltam espaços para que se tenha área arborizada e se faça trabalhos de educação ambiental nos espaços do colégio. A escola possui uma horta pequena, sob os cuidados das zeladoras. Trabalhos de jardinagem são realizados por projetos que vem sendo mantidos de longo tempo. A coordenação procura em cada reunião motivar os professores para que realizem trabalhos fora da escola para que as metas sejam cumpridas, mas são enfrentadas dificuldades, tanto financeira como a falta de tempo para a realização dos projetos. A coordenadora enfatiza, II Simpósio Nacional de Ensino de Ciência e Tecnologia 07 a 09 de outubro de 2010 ISSN: 2178‐6135 Artigo número: 156 Universidade Tecnológica Federal do Paraná ‐ UTFPR Programa de Pós‐Graduação em Ensino de Ciência e Tecnologia ‐ PPGECT ainda, que eles não seguem mais aos PCN´s nacionais, mas sim aos programas propostos pela SEED (Secretaria Estadual de Educação). COLÉGIO B Este colégio inclui desde séries iniciais até o Ensino Médio. São no total 357 alunos, sendo 174 no Ensino Fundamental e Médio. O colégio possui ao todo 40 professores, 29 trabalham apenas com ensino Fundamental e Médio. Trata‐se de um colégio particular localizado no centro do município. Quando se fala em Educação Ambiental a idéia inicial que surge são sobre os diversos projetos que o colégio realiza como “Projeto meio ambiente e cidadania”, que envolve os alunos, os professores e as famílias, e é desenvolvido ao longo de todo o ano. Esses projetos geralmente são trabalhados nas disciplinas de ciências e geografia. Segundo a professora pedagoga entrevistada os professores estão mais próximos dos alunos de 1ª a 4ª série do Ensino Fundamental, mas esta integração não ocorre nas outras séries como deveria, ou como seria previsto nos planejamentos. Quando o assunto é a transdiciplinaridade a professora diz: “Muitas vezes não ocorre, fica só no papel. É bonito o termo transdiciplinaridade, você trata, mas quando você vai ter a prática, não ocorre como gostaria que fosse”. Falta de tempo e mobilidade de professores que residem fora do município, são as principais dificuldades encontradas pelas escolas para estar reunindo os professores nos projetos e tendo um maior envolvimento de todos. Os trabalhos são divididos por áreas para os professores, os projetos de cada área vão para os planejamentos, mas conforme diz a professora entrevistada: a cada ano é feito elaboração de projetos na semana pedagógica, realimentado, mas, nem sempre dá totalmente certo. A escola possui uma horta que é trabalhada com alunos de 1ª a 4ª das séries iniciais. Este ano houve troca de árvores das calçadas realizadas com a participação dos alunos do Ensino Fundamental. Visitas a sítios das comunidades do interior do município são realizadas com diversas turmas para conhecer a realidade desses locais, os problemas envolvidos com a agricultura, as reservas, etc. II Simpósio Nacional de Ensino de Ciência e Tecnologia 07 a 09 de outubro de 2010 ISSN: 2178‐6135 Artigo número: 156 Universidade Tecnológica Federal do Paraná ‐ UTFPR Programa de Pós‐Graduação em Ensino de Ciência e Tecnologia ‐ PPGECT A escola também faz visitas a universidades e nascentes de rios do município. Além do que, alunos de Ensino Fundamental e Médio fazem trabalhos de limpeza dos rios na semana de meio ambiente. Quanto ao lixo da escola, é feito separação do lixo reciclável, para ser recolhido pela coleta seletiva do lixo do município duas vezes por semana. COLÉGIO C A pesquisa neste colégio, também foi realizada com a coordenadora pedagógica. No total 37 professores atuam neste colégio. 550 alunos estão matriculados neste colégio localizado na periferia da cidade, sendo que em torno de 30% destes residem na zona rural e 70% residem no mesmo bairro que o colégio foi implantado. Segundo a entrevistada, a questão ambiental é trabalhada na escola no decorrer do ano inserido nas disciplinas, ela diz: “Não existe dia específico para parar e fazer aplicação do projeto como acontece em muitas escolas”. Os professores são motivados a trabalhar em suas aulas, mas, não são chamados fora do horário para realização do projeto. O tema educação ambiental é trabalhado nas disciplinas de ciências e geografia. Para a entrevistada, fazer projetos como plantar árvores, não leva a lugar algum e que o verdadeiro aprendizado se faz nas salas de aula. O colégio é novo e não possui áreas arborizadas, somente uma horta, a qual é cuidada pelas zeladoras. A escola não trabalha com os alunos a coleta seletiva e também não faz a separação do lixo para coleta. Apenas vendem o papel quando acumula uma grande quantidade em pouco tempo. COLÉGIO D A entrevista nesta instituição foi realizada com a coordenadora dos cursos técnicos (nível básico). A instituição tem ao todo 140 professores e 1500 alunos, destes últimos em torno de 350 estão no Ensino Médio ou Técnico. A maioria dos alunos é de cidades da região Oeste do Estado. II Simpósio Nacional de Ensino de Ciência e Tecnologia 07 a 09 de outubro de 2010 ISSN: 2178‐6135 Artigo número: 156 Universidade Tecnológica Federal do Paraná ‐ UTFPR Programa de Pós‐Graduação em Ensino de Ciência e Tecnologia ‐ PPGECT Os alunos, funcionários e professores já trabalham durante anos a questão de separação e reciclagem do lixo, que faz parte dos projetos de preservação do ambiente interno. A instituição é federal e utiliza para a limpeza uma equipe de mulheres de uma empresa terceirizada, as quais separam todo o resíduo reciclável e elas mesmas vendem e recebem o dinheiro como um incentivo para estarem auxiliando o trabalho de coleta seletiva dos resíduos. Alguns outros projetos são desenvolvidos como: “Cultivando água boa”, em parceria com a Itaipu; Revitalização do rio Alegria; e vários projetos envolvendo os colégios municipais. Em torno de 30 a 35 professores estão envolvidos nos projetos incluindo funcionários técnicos administrativos. Os alunos do curso de Gestão Ambiental envolvem os demais Cursos Técnicos e o Ensino Médio em seus projetos de Educação Ambiental, principalmente os trabalhos na comunidade. Existem várias disciplinas específicas nas ementas do Ensino Médio e dos Cursos Técnicos que trabalham Educação Ambiental. No ensino médio tem a disciplina saúde e meio ambiente. Nos Cursos Técnicos há disciplinas de controle de poluição ambiental e meio ambiente, além de diversas disciplinas que trabalham a Educação Ambiental tais qual a qualidade de vida, saúde e segurança, agentes químicos e físicos, química, português, etc.. Segundo a entrevistada, todas as disciplinas influenciam direta ou indiretamente para Educação Ambiental dos alunos. Para a professora, a principal dificuldade para se trabalhar projetos de educação ambiental talvez seja conseguir reunir todos, principalmente os técnicos administrativos devido a ocupação com suas atividades do trabalho na instituição. Mas, quando esse objetivo é alcançado todas essas dificuldades se diluem. Nesta instituição não há área arborizada, apenas algumas cortinas de árvores. Há hortas que já foram utilizadas por diversos professores para trabalhos de pesquisa, mas, no momento não estão sendo utilizadas. Os mananciais de água da cidade (rio Ouro Monte, rio Ocoí e rio Alegria), são utilizados para visitas de estudo, bem como os lagos de captação dos frigoríficos. Estas saídas são relacionadas com os conteúdos trabalhados nas disciplinas e são feitas por professores das disciplinas de controle e poluição ambiental, meio ambiente e biologia. Os professores são responsáveis por marcar os horários de visita e levar os alunos até estes locais. Nas reuniões gerais o tema meio ambiente sempre entra em pauta: “Alunos e principalmente professores, que devem dar exemplo, devem cuidar do meio ambiente, por que se deve começar aqui”, diz a professora entrevistada. II Simpósio Nacional de Ensino de Ciência e Tecnologia 07 a 09 de outubro de 2010 ISSN: 2178‐6135 Artigo número: 156 Universidade Tecnológica Federal do Paraná ‐ UTFPR Programa de Pós‐Graduação em Ensino de Ciência e Tecnologia ‐ PPGECT Considerações sobre as predisposições ao trabalho com projetosambientais O Ministério de Educação e Cultura (MEC) adotou os temas transversais como assuntos que devem perpassar por todas as áreas tradicionais (geografia, história, matemática, etc.) do Ensino Básico. Essa prática depende das ações cotidianas de implementação do tema, assim os projetos se tornam ferramentas que ampliam as possibilidades de interação entre as disciplinas e a Educação Ambiental passa a ser um eixo integrador entre elas. Nos colégios A, B e D, é comum a preocupação em trabalhar em conjunto, em forma de projetos e trabalhos integrados. Sauvé (1997) citando Maya (1993) diz que a educação inicia‐se através das experiências comunitárias e da pesquisa pelas possíveis soluções dos problemas significante. No colégio C, nos deparamos com uma aversão ao que diz respeito a qualquer trabalho realizado fora da sala de aula. Porém a entrevistada ressalta que os temas são abordados nas disciplinas de Biologia e Geografia. Conforme os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio (1999), o exemplo do projeto é interessante para mostrar que a interdisciplinaridade não dilui as disciplinas, e sim mantém sua individualidade. Mas, integra as disciplinas a partir das múltiplas causas ou fatores que intervêm sobre a realidade e trabalha todas as linguagens necessárias para a constituição dos conhecimentos, comunicação e negociação de significados e registro sistemático dos resultados. Trabalhos práticos para a compreensão da proposta ambiental seriam uma das formas mais importantes de contextualizar os conteúdos, da experiência curricular no ensino médio, de acordo com as diretrizes traçadas pela LDB em seus Artigos 35 e 36. A lei reconhece que, nas sociedades contemporâneas, todos, independentemente de sua origem ou destino sócio‐ profissional, devem ser educados na perspectiva do trabalho enquanto uma das principais atividades humanas, e entre outros fatores, enquanto espaço de exercício de cidadania (BRASIL, 1999, p.92). Ainda conforme os PCN’s, trabalhar um projeto de tratamento de água ou do lixo na escola, são formas de se trabalhar os conteúdos das Ciências Naturais no contexto da cidadania. II Simpósio Nacional de Ensino de Ciência e Tecnologia 07 a 09 de outubro de 2010 ISSN: 2178‐6135 Artigo número: 156 Universidade Tecnológica Federal do Paraná ‐ UTFPR Programa de Pós‐Graduação em Ensino de Ciência e Tecnologia ‐ PPGECT Verifica‐se também nos colégios que os trabalhos voltam‐se para a formação de uma consciência conservacionista. Visto que, relacionada o meio ambiente com aspectos naturalistas, que considera o espaço natural fora do meio humano. A falta de tempo para estar reunindo os professores nos projetos e tendo um maior envolvimento de todos é um dos problemas a ser enfrentado, além do que o preparo dos professores para a prática é de fundamental importância, mas ainda não é uma realidade na maioria das escolas. Percepçãodosalunosdascondiçõesedosproblemassócio‐ ambientais. Das quatro instituições de ensino da cidade de Medianeira, onde a proposta da presente pesquisa foi trabalhada, não houve grande envolvimento dos alunos com a pesquisa, ou seja, houve retorno de menos de 55% dos questionários em todas as escolas. Através dos dados apresentados, verifica‐se que houve uma maior participação da escola estadual A, tendo 53,33% devolvidos; em segundo lugar, a escola particular B com 50%; em terceiro o colégio estadual C 30% de questionários devolvidos e em último a instituição federal D, somente 26,6% de questionários respondidos. O baixo índice de participação apresentado se deve principalmente ao fato de que a maioria dos alunos, por se tratar de menores de idade, deveria levar para casa o questionário para que um responsável assinasse por eles o termo de compromisso para o Comitê de Ética. Sendo assim eles eram recolhidos alguns dias após a aplicação. Poucos lembraram ou se preocuparam em retorná‐lo e mesmo com insistentes visitas as salas de aulas, tornando pequena a amostragem de alunos em cada colégio. Representação das respostas dos alunos quanto à existência de problemas ambientais na cidade de Medianeira. Na tabela 1 revela‐se o conhecimento que os alunos têm em relação aos problemas ambientais existentes na cidade de Medianeira. II Simpósio Nacional de Ensino de Ciência e Tecnologia 07 a 09 de outubro de 2010 ISSN: 2178‐6135 Artigo número: 156 Universidade Tecnológica Federal do Paraná ‐ UTFPR Programa de Pós‐Graduação em Ensino de Ciência e Tecnologia ‐ PPGECT Tabela 1 ‐ Resposta dos alunos sobre a existência de problemas ambientais na cidade de Medianeira Respostas Colégio Colégio Colégio Colégio A B C D Sim existem 100% 80% 100% 71,5% Não sei 0% 16% 0% 28,5% Não existem 0% 4% 0% 0% Dados da pesquisa 2008 Com essa questão pode‐se verificar como os sujeitos da pesquisa percebem e avaliam os problemas. Observando a tabela 1, verifica‐se que 20% dos alunos do colégio B não percebem nenhum problema ambiental na cidade de Medianeira. O maior índice dos que responderam não saber da existência de problemas ambientais cabe ao colégio D, porém, deve‐se lembrar que os alunos envolvidos nesta pesquisa moram também próximos ao município, áreas rurais e vilarejos, e não propriamente nele, e, portanto, levados a esta alternativa. Contudo a maioria dos alunos percebe a existência dos problemas ambientais do município (todos os alunos dos colégios A e C envolvidos na pesquisa). Tozoni‐Reis (2004) define o meio ambiente sendo também a rua, a casa, a escola, a qualidade do ar, a qualidade de vida das pessoas e que nesse estudo pode‐se experimentar a vivência refletida sobre a realidade. Estudos a respeito de percepção e cognição ambientais é uma forma de conhecer e avaliar as relações ser humano‐meio ambiente e podem apresentar caminhos e/ou soluções. Através de dados preliminares com grupos de alunos das mesmas escolas, elaborou‐se um conjunto de categorias que tornou possível agrupar essa relação de problemas em uma questão fechada (Tabela 2). Como exemplo a alternativa “falta de planejamento urbano” foi agrupada utilizando‐se de termos como “construção de casas em locais inadequados” e “favelas”. II Simpósio Nacional de Ensino de Ciência e Tecnologia 07 a 09 de outubro de 2010 ISSN: 2178‐6135 Artigo número: 156 Universidade Tecnológica Federal do Paraná ‐ UTFPR Programa de Pós‐Graduação em Ensino de Ciência e Tecnologia ‐ PPGECT Tabela 2 ‐ Problemas ambientais apontados pelos alunos e a porcentagem de vezes que os problemas foram citados Problema ambiental Colégio A Colégio B Colégio C Colégio D 88% 60% 50% 43% pavimentação 12% 73% 75% 43% Rios poluídos 12% 53% 100% 43% Pobreza 44% 53% 38% 14% Falta de água 50% 7% 38% 57% Poluição sonora 50% 20% 25% 29% 38% 7% 50% 14% saneamento básico 69% 27% 25% 14% Poluição do ar 43% 13% 13% 43% urbano 56% 33% 13% 14% Queimadas 25% 13% 13% 43% Desmatamentos 44% 13% 25% 14% Erosão do solo 44% 7% 0% 14% 25% 0% 12% 14% 43% 27% 34% 29% Falta de cuidado com o lixo Ruas sem Descaso com os animais Falta de Falta de planejamento Assoreamento dos rios Média de fatores citados II Simpósio Nacional de Ensino de Ciência e Tecnologia 07 a 09 de outubro de 2010 ISSN: 2178‐6135 Artigo número: 156 Universidade Tecnológica Federal do Paraná ‐ UTFPR Programa de Pós‐Graduação em Ensino de Ciência e Tecnologia ‐ PPGECT Com a análise dos fatores assinalados pelos alunos de cada colégio consegue‐se verificar um maior número de alunos que percebem os problemas ambientais no colégio A, dado a média de fatores citados corresponderem a 43% (Tabela 2). Dentre os problemas ambientais, o que está em concordância entre todos os colégios é a “falta de cuidado com o lixo”, sendo mais apontado pelo colégio A. O trabalho com a separação do lixo vem sendo implantado pelo município nos últimos dois anos e requer também a colaboração das escolas para maior concretização, o que se tem confirmado na prática dos colégios A, B e D, além dos trabalhos realizados nas outras escolas municipais. A importância igualmente atribuída à questão das “Ruas sem pavimentação” pelos colégios B e C é um fator interessante, pois, o colégio C está localizado em um bairro desprovido de pavimentação na maioria das ruas e explica a resposta dos alunos deste colégio. Contudo no colégio B os entornos são totalmente pavimentados e seus alunos tratam o assunto com importância. As campanhas eleitorais enfatizam o problema da falta de pavimentação nesta época, tal informação pode ter alcançado os alunos também. Outro item que mereceu grande atenção foram os “Rios poluídos”, entre os alunos do colégio C, fator que também pode estar relacionado aos trabalhos em projetos do município como a “Revitalização do Rio Alegria”, que tem sido bastante divulgado na escola possibilitando aos alunos conhecer o principal manancial do município, que tem sido bastante afetado pela ocupação urbana ao seu redor. No colégio D, 57% dos alunos assinalaram o item “Falta de água”. Essa instituição tem essa temática relacionada a vários trabalhos que envolvem a proteção das águas nos mananciais do município. A diversidade de opiniões acerca da Educação Ambiental está relacionada com a diferença do meio que envolve cada participante da pesquisa. Mandel (1992), citada por Layrargues (2000), entende que é necessária a identificação dos elementos determinantes dos comportamentos dos indivíduos diante da questão ambiental, o que compreende vários fatores: as características do problema – como as suas consequências de curto ou longo prazo, os seus impactos perceptíveis ou imperceptíveis, duráveis ou temporários, reversíveis ou irreversíveis ‐, o perfil individual do sujeito – como os seus valores, idade, sexo, classe social, escolaridade –, e o contexto cultural onde ele se insere, uma vez que a conjunção desses fatores determinará o quanto o indivíduo pode sentir‐se afetado pelo problema ambiental. II Simpósio Nacional de Ensino de Ciência e Tecnologia 07 a 09 de outubro de 2010 ISSN: 2178‐6135 Artigo número: 156 Universidade Tecnológica Federal do Paraná ‐ UTFPR Programa de Pós‐Graduação em Ensino de Ciência e Tecnologia ‐ PPGECT Meios ou instrumentos de informação sobre educação ambiental utilizados pelos alunos A Educação Ambiental é um tema tratado, recentemente, com maior interesse nos colégios, porém pouco se tem apresentado de objetivo e metodologias de ação estabelecidas e implantadas nas escolas. Os problemas são debatidos em várias áreas ligadas à comunicação e à educação. A generalidade de informações transmitidas por veículos de comunicação em massa como o rádio, internet e a televisão impede a Educação Ambiental de ser vista como prática efetiva para o meio ambiente. Por isso a importância de saber o que os alunos pensam sobre o ambiente, problemas ambientais e quais as fontes de informação utilizadas para adquirir conhecimento sobre o ambiente. Com relação às fontes de informação sobre temas ambientais que os alunos possuem os resultados mostraram diferenças significativas entre um colégio e outro pesquisado, conforme apresentado na tabela 3. Tabela 3 ‐ Meios ou instrumentos de informação sobre educação ambiental utilizados pelos alunos Respostas Colégio A Colégio B Colégio C Colégio D Televisão 87% 80% 100% 71% Professor 44% 73% 62% 85% Jornais 50% 60% 62% 43% Internet 50% 53% 50% 85% Rádio 44% 27% 75% 14% Revistas 37% 47% 25% 43% Livros 19% 13% 25% 28% 7% 12% 0% Outras fontes 12% No item Professor, apenas no colégio D, o professor teve maior importância do que a televisão como veículo de informação. Comparando com a metodologia utilizada pelo colégio, pode‐se levantar a hipótese de que num trabalho efetivo de educação ambiental, através das disciplinas específicas, esse tema acaba sendo lembrado dos trabalhos em sala de aula. II Simpósio Nacional de Ensino de Ciência e Tecnologia 07 a 09 de outubro de 2010 ISSN: 2178‐6135 Artigo número: 156 Universidade Tecnológica Federal do Paraná ‐ UTFPR Programa de Pós‐Graduação em Ensino de Ciência e Tecnologia ‐ PPGECT Somente na instituição D, a internet foi mais apontada do que televisão, igualmente ao item professor. Esse recurso é mais acessível a estes pesquisados, pois, possuem laboratórios de informática com acesso livre aos alunos. No item Revistas essa diferença se deu no colégio C, com menor número em relação aos demais (25%). Deve‐se ressaltar que se trata de um colégio novo, sete anos de funcionamento, em verificação a biblioteca destaca‐se a falta de exemplares que trabalhem a temática em questão. Além do que, o padrão de estudantes deste colégio é de 30% da área rural e o restante, moradores das periferias da cidade, fator que explica o destaque no número de alunos que utilizam a televisão e o rádio como fonte de informação. Relacionando esse fato com a questão anterior, pode‐se dizer que as freqüências locais de rádio e rede de televisão são importantes instrumentos para se conhecer a realidade local, além do que, o maior contato com os meios de produção agropecuária e das condições sócio‐ ambientais das periferias pode estar associado com uma visão sistêmica dos problemas ambientais. Segundo Ruscheinsky (2002), o meio de vida urbana faz com que percamos o contato físico com o ambiente natural. A terceirização dos alimentos nos distância dos meios de produção como a agricultura e a pecuária e dessa mesma forma perdemos o contato com as fontes primordiais da criação (elementos da natureza). Essa perda de contato acarreta para os nossos tempos o empobrecimento das raízes do nosso imaginário e meios indiretos de comunicação como a televisão, os vídeos, as redes de computadores podem passar a ser meios ou instrumentos capazes de gerar imagens e fatos‐ ideologicamente selecionados – que podem vir povoar o nosso imaginário. No item Livros, (tabela 3) o colégio que obteve mais discrepância no resultado em relação aos outros foi o colégio B, sendo que deve ser observado que este colégio utiliza sistemas de apostilas, podendo não ter sido considerado. Segundo Franco (1982), citado por Martins e Guimarães (2002), o único livro que grande parte da população brasileira conhece é o escolar didático, terminado o período escolar, o indivíduo perde o contato com a leitura. Os que citaram outros instrumentos de informação referiram‐se a cursos extra classe e pessoas que sabem sobre o assunto como amigos ou pessoas da família. Os resultados revelam a importância de analisarmos como os meios de comunicação social influenciam a representação de ambiente de alunos e professores. Acreditamos que por II Simpósio Nacional de Ensino de Ciência e Tecnologia 07 a 09 de outubro de 2010 ISSN: 2178‐6135 Artigo número: 156 Universidade Tecnológica Federal do Paraná ‐ UTFPR Programa de Pós‐Graduação em Ensino de Ciência e Tecnologia ‐ PPGECT meio dessa análise é possível conseguir compreender o que os meios de comunicação social representam para alunos, e como incluí‐los na metodologia de trabalho em educação ambiental. Consideraçõesfinais No que concerne à prática da Educação Ambiental verifica‐se uma maior efetivação no colégio A, seguido pelos colégios B e D. Trabalhos práticos para a compreensão da proposta ambiental seriam uma das formas mais importantes de contextualizar os conteúdos, da experiência curricular no ensino médio, de acordo com as diretrizes traçadas pela LDB em seus Artigos 35 e 36. Nestes colégios é comum a preocupação em se trabalhar em conjunto na forma de trabalhos integrados entre as disciplinas e, no caso do colégio D, ainda verificamos a existência de trabalhos que envolvem a comunidade, levando a uma sensibilização para o trabalho de Educação Ambiental. Não sabemos se a construção de conhecimento e habilidades que levem a atitudes voltadas para a conservação do meio ambiente está sendo efetivada, pois não analisamos o comportamento dos alunos, mas somente a sua percepção e cognição dos problemas ambientais. Apesar da teoria geralmente não refletir na prática, a educação ambiental contribui para a formação de cidadãos conscientes. Conclui‐se que a temática Educação Ambiental trabalhada nas instituições de Ensino Médio e Técnico na cidade de Medianeira – PR, exceto pela instituição federal D, não adotam mais as propostas dos PCNs, pois seguem a proposta de trabalho curricular fixadas pela Secretaria de Educação da Rede de Ensino Estadual, mesmo assim procuram trabalhar visualizando a transversalidade disciplinar nos colégios A, B e D. O colégio C afirma trabalhar educação ambiental somente em sala de aula e nas disciplinas de Biologia e Geografia. Onde a Educação Ambiental é desenvolvida como uma prática, os resultados são mais expressivos, como o colégio A. Entretanto denota‐se que quando a Educação Ambiental é acrescentada como mais uma disciplina dentro da estrutura curricular ou esta restrita à Biologia ou à Geografia são formas utilizadas para se trabalhar educação ambiental quando se tem poucos professores preparados ou dispostos a realizar um trabalho transdisciplinar, mas que também pode produzir resultados, como exemplo verifica‐se o colégio C. A diversidade de opiniões acerca da Educação Ambiental está, além de tudo, relacionada com a diferença do meio que envolve cada participante da pesquisa. Os valores, classe social, II Simpósio Nacional de Ensino de Ciência e Tecnologia 07 a 09 de outubro de 2010 ISSN: 2178‐6135 Artigo número: 156 Universidade Tecnológica Federal do Paraná ‐ UTFPR Programa de Pós‐Graduação em Ensino de Ciência e Tecnologia ‐ PPGECT escolaridade, idade e sexo podem determinar o quanto o indivíduo pode sentir‐se afetado pelo problema ambiental. No colégio C, localizado em um bairro pobre, verifica‐se uma participação na pesquisa tão efetiva quanto ao colégio A, que embora seja Estadual concentra um público estudantil mais privilegiado quanto à renda e a localização da moradia. Os levantamentos sobre as percepções de educação ambiental podem ser utilizados para se aplicar ações mais direcionadas a cada grupo específico. Porém para alcançar resultados de significância ao trabalho com a Educação Ambiental, necessita‐se de um envolvimento não apenas de recursos humanos, mas também de estrutura política e social. Referências BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais ‐ apresentação dos temas transversais: ciências naturais. Ministério da Educação. Secretaria da Educação Fundamental. Brasília : MEC/ SEF, 1997. BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais ‐ apresentação dos temas transversais: ética. Ministério da Educação. Secretaria da Educação Fundamental. 3ª ed. – Brasília: A secretaria, 2001. GUARIM, V. L. M. dos S. 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II Simpósio Nacional de Ensino de Ciência e Tecnologia 07 a 09 de outubro de 2010 ISSN: 2178‐6135 Artigo número: 156 Universidade Tecnológica Federal do Paraná ‐ UTFPR Programa de Pós‐Graduação em Ensino de Ciência e Tecnologia ‐ PPGECT SILVA, E. L. da; MENEZES, E. M. Metodologia da pesquisa e elaboração de dissertação. – 3ª Ed.rev. atual ‐ Florianópolis: Laboratório de Ensino a Distância da UFSC, 2001.121p. TOZONI‐REIS, M. F. de C. Educação ambiental: natureza, razão e história. Campinas: Autores Associados, 2004. Celso Aparecido Polinarski. Universidade Estadual do Oeste do Paraná –Campus Cascavel. Professor do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde. Doutorando do Programa de Pós‐ Graduação em Educação para o Ensino de Ciências e a Matemática da Universidade Estadual de Maringá. [email protected] Eliana de Almeida Mira De Bona. Discente do curso de Pós Graduação Scrictu Sensu – Nível Mestrado Conservação e Manejo de Recursos Naturais, bolsista CAPES. [email protected] II Simpósio Nacional de Ensino de Ciência e Tecnologia 07 a 09 de outubro de 2010 ISSN: 2178‐6135 Artigo número: 156