Ata da Reunião Ordinária do Conselho Municipal de Cultura Aos quinze dias do mês de dezembro de dois mil e quatorze, às 19h30 min, foi realizada reunião ordinária do Conselho Municipal de Cultura de Niterói – com pauta única sobre o carnaval de 2015 – no Centro Cultural Paschoal Carlos Magno, Icaraí, Niterói, RJ. Às 20h, instalou-se reunião com quórum, e a presidência da sessão foi exercida pelo Presidente Conselheiro Leonardo Simões. No Ponto I (aprovação da ata anterior): O conselheiro Elizeu (mestre Zezeu) solicitou que, quando mencionado em ata, seja utilizado Mestre Zezeu entre parênteses. No Ponto II, o presidente iniciou sua fala com uma breve avaliação sobre a função do Conselho e mencionou a Conferência de Cultura, além de justificar ofício enviado à NELTUR. No Ponto III, expediente, a pauta foi única: carnaval 2015. O conselheiro Renan Gomes abriu a discussão mencionando que a ausência da NELTUR em uma conversa junto ao Conselho trouxe a necessidade de que se conversasse com os que trabalham com esses festejos em Niterói. O conselheiro José Cícero comentou que a falta de resposta da Neltur demonstra que o Conselho deveria compor uma comissão formada por conselheiros para que se reunissem com a Neltur e essa questão fosse debatida. Jair Ribeiro, diretor social da união social dos blocos carnavalescos de Niterói, iniciou sua fala agradecendo ao Conselho de Cultura o interesse acerca do carnaval em Niterói e o convite feito aos responsáveis pelos movimentos de blocos em Niterói. Sua posição é contra o fato de a preparação do carnaval estar apenas sob responsabilidade da Neltur. Criticou a pouca sinalização dada sobre o tema carnaval em 2015, além de também criticar a falta de uma localização própria para acontecimento do carnaval, comentou o sambódromo carioca e a falta de algo assim em Niterói e manifestou sua insatisfação quanto à realização do carnaval niteroiense na rua da Conceição e, menos ainda, Amaral Peixoto. O conselheiro Renato Cruz indagou sobre a verba sinalizada pela Neltur para as agremiações (R$ 1.800.000 para 32 agremiações). A conselheira Mariana Tauil questionou se haveria interesse em alguma outra rua para desfiles dos blocos, ao que Jair respondeu que sim, embora tenha comentado sobre a impossibilidade, devido a alguns projetos já separados para essas rusa. Fernando Paulino, dirigente do sindicato dos jornalistas e presidente do bloco Pauta Quente esclareceu sobre a verba pública liberada e comentou sobre a discrepância nas informações quanto aos diferentes dados passados acerca da verba liberada, além de citar o atraso na liberação da verba pública para a preparação do carnaval. Criticou a abordagem que trata o carnaval como uma ocorrência turística e disse que a festa deveria ser tratada pela Secretaria de Cultura, já que não se trata de turismo, o festejo, mas de uma manifestação da cultura. Também criticou a ideia da Neltur de que alguns blocos se fundissem, ratificou a falta de identidade cultural que isso acarretaria aos blocos envolvidos. Comentou que o poder público, atrasando sua participação, inibe a preparação do carnaval pelos blocos, uma vez que demora a manifestar-se quanto à sua participação na realização dos desfiles. Trouxe à tona a falta de transparência na atuação da Câmara, preferindo alguns líderes dos blocos em detrimento de outros. Encerrou sua fala destacando que o carnaval é maior que a rua da Conceição e, novamente, não uma festa turística, mas cultural, criticou outras inibições ao carnaval de rua, citando algumas impossibilidades por parte do governo. O Presidente Leonardo Simões citou a permanência percebida sobre o carnaval tratado como um evento, ainda não como uma manifestação cultural. A conselheira Rita Diir iniciou sua fala relembrando sua experiência com o carnaval independente e de rua e comentou a tentativa de revitalização desse carnaval de rua em regiões como o Centro de Niterói, onde esse formato de carnaval é menos difundido. Citou a liga de que faz parte e relembrou os pontos originados das necessidades para realização do carnaval. Citou os blocos de carnaval relacionados à liga e comentou seu encontro com a representante do presidente da Neltur. Mencionou a presença de um representante da secretaria de cultura na Neltur e reforçou a importância disso para tentativa de modificar o perfil desse carnaval em Niterói. Comentou a participação que gostaria de ver por parte de representantes da cultura, do Conselho, dos movimentos sociais, etc na tentativa de fazer com que o carnaval não fosse visto como um evento. Sugeriu a necessidade de se pensar um novo carnaval para a cidade junto à Neltur. Citou-se a quantidade de 14.777 pessoas envolvidas com o carnaval, além de mais de 40.000 pessoas envolvidas direta/indiretamente com o carnaval. Sobre a participação popular no carnaval, o conselheiro Renan Gomes iniciou sua fala comentando a necessidade de que se instigue a participação da população e destacou que o carnaval é um assunto realmente da alçada da secretaria de cultura. Ratificou que, de forma coletiva, precisa-se pensar o carnaval que se quer em Niterói e fortalecer a participação popular nele. Criticou a prefeitura por aprovar um processo de revitalização do centro, mas por deixar de lado a preparação do carnaval. Jonathan Anjo, presidente da escola de samba Sabiá, iniciou sua fala comentando a revitalização de sua escola de samba e destacou que isso acompanhou a revitalização do carnaval em Niterói. Comentou que uma escola de samba é algo ativo durante todo o ano e que entende os 4 dias de carnaval como culminância do preparo de todo um ano de planejamento, reforçou a ideia do carnaval como uma manifestação cultural e exemplificou isso com a atuação dos sambas-enredo e das escolas de samba como projetos sociais de revitalização e edificação públicas. Criticando a Neltur pela forma como ela trata o carnaval, relembrou a importância familiar e cultural com que se deve ver o carnaval. Comentou da comissão instituída pelo prefeito e de como ela, apesar de eficaz quanto à sua formação (membros de variados segmentos), nunca apareceu em reuniões/discussões. Anjo também comentou que o carnaval não pode ser encarado como um evento, mas como algo a transformar esse âmbito social da cidade. Citou o dia nacional do samba e de como nenhuma escola de samba de Niterói foi citada quando desse dia. Sua fala reforçou que o carnaval é, de fato, uma manifestação capaz de, pela cultura, transformar uma realidade. José Cícero comentou que o que se espera do carnaval é grande em sua impossibilidade de não acontecer, devido a um suposto acomodamento visto em algumas escolas, sobre isso, também sugeriu que há grande necessidade de maior foco das escolas em cobrar do governo numa escala geral, não específica, nem apenas para o bem de sua própria escola. Sobre a posição do governo, também comentou o desinteresse para realizar esse carnaval que se espera que aconteça, que uma mobilização deveria acontecer por parte dos blocos propriamente ditos. Insistiu que deve se avançar nessa discussão de mudança de foco do carnaval (de turístico para cultural/de Neltur para Secretaria de Cultura) e que seria interessante que o Conselho apoiasse e acompanhasse essa evolução. O presidente comentou que, embora o carnaval seja encarado como evento específico, seria momento oportuno agora, o de seguir contra essas distorções. O conselheiro Elizeu (Mestre Zezeu) parabenizou a fala dos representantes dos blocos e se disponibilizou enquanto câmara de Movimentos Sociais para apoiar e auxiliar na solução dessa questão cultura/evento. Márcio Marins, diretor da folia do Viradouro, reiterou a importância do carnaval na formação da comunidade e dos membros dela, mencionou o encontro das realidades "carnaval/violência" e como a participação ativa dos blocos em comunidades é capaz de transformá-las. Sua fala corroborou a ideia de que, se o carnaval de Niterói continuar sob alçada da Neltur, não mudará em nada, além de citar a necessidade de uma mobilização de maiores meios para promoção do carnaval na cidade, principalmente o midiático. O presidente citou a formatação do carnaval de Niterói vista no tratamento dado pela Neltur como um déficit na gestão de um evento. A conselheira Mariana Tauil destacou a esperança que, como conselheira, tem sobre as melhorias no formato de carnaval da cidade, além de propor envio para secretaria executiva de uma proposta de mídia para o carnaval, para que se tenha acesso a informações sobre os preparativos e eventos relativos ao carnaval. (contato com assessoria executiva). O conselheiro Renato propôs a criação de uma política pública de cultura para o carnaval; além de também propor envio de uma sugestão à Neltur, secretaria de cultura, FAN, liga dos blocos, e, quanto à sociedade civil, o Conselho de Cultura presentes. Categorizou o carnaval em três segmentos: o carnaval turístico, o carnaval popular e o carnaval de embaixadores (as grandes escolas). Pediu que constasse em ata que lamenta a ausência da Secretaria de Cultura em uma reunião com essa temática de pauta única. Citou mais uma vez a manipulação feita por vereadores quanto à verba liberada para o carnaval, ao que Jair Ribeiro mencionou como exemplo o carnaval de Campos e Macaé, que acontecem um mês, meio mês depois da liberação de verbas para o carnaval carioca. O presidente mencionou que a subordinação ao modelo de carnaval carioca tem influência dessa abordagem turística que se faz ao carnaval, ainda citou a Neltur, sendo o alvo de conversação para uma solução, sugerindo que o que deve ser frisado nesse diálogo não é que a proposta seja retirar a gestão da Neltur, mas, sim, destacar que se quer tratar do carnaval como um evento turístico, com um fundamento cultural. O presidente da União das Escolas de Samba de Blocos Carnavalescos de Niterói, André Nogueira, destacou mais uma vez o quão necessário é que o carnaval niteroiense seja tratado tão-somente com um escopo cultural. O Conselho votou nas seguintes propostas: Proposta do conselheiro José Cícero de criação de uma comissão para discussão junto à Neltur e à comissão: proposta aprovada, e a comissão foi formada pelos conselheiros Renan Gomes, Rita Diir, Felipe Ribeiro e Elizeu dos Santos (Mestre Zezeu). Leonardo Simões – Presidente Victor De Wolf – Secretário Executivo Conselheiros(as) titulares presentes: Leonardo Simões (Artes Cênicas); Mariana Tauil (Artes Plásticas); Renan Gomes (Música); Nívea Pessoa (Dança); Elizeu dos Santos Felipe (Movimentos Sociais); José Cícero do Nascimento (Setor Empresarial); Conselheiros suplentes presentes com ausência do titular: Antonio Paiva (Cinema e Vídeo) Felipe Ribeiro de Carvalho (Instituições de Ensino Superior); Rita Diir; Conselheiros suplentes presentes sem direito a voto: Patrícia Freire (Artes Plásticas); Décio Marins (Dança); Renato Cruz (Setor Empresarial)