FEDERAÇÃO ESPÍRITA DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO
Departamento de Infância e Juventude
TÉCNICAS DE DINÂMICA DE GRUPO
Considerações Gerais
O homem é o único ser que desenvolve formas para resolver problemas, que elabora concepções
sobre o mundo, que tem senso estético e habilidades artísticas, enfim, que cria cultura. É preciso garantir
a cada elemento das novas gerações o acesso à herança cultural, por meio de uma metodologia adequada,
para favorecer o aprimoramento da vida em sociedade.
Na visão espírita, o homem é um ser em evolução, um Espírito encarnado com potenciais a
desenvolver e imperfeições a corrigir. Os estímulos do meio são recursos valiosos para despertar
habilidades adormecidas e frear impulsos inadequados. Considerando os ensinos Espíritas, portanto,
compreendemos que Espíritos em evolução renascem na Terra com o objetivo de conquistar mais amplos
conhecimentos, sobretudo sobre si mesmos, para ampliar a consciência e desenvolver seu potencial. A
vinculação ao grupo familiar e à sociedade obedece a leis precisas que regem o mundo moral. Essa
vinculação aos grupos é estratégia da natureza, para garantir o progresso. O homem não se aprimora no
isolamento.
Sabemos também que a fase infantil é a mais propícia à ação dos educadores, por isso é
imprescindível aproveitar todos os momentos dessa fase, para gerar os estímulos corretos ao
aprimoramento do Espírito. A escola de evangelização pode favorecer o desenvolvimento do indivíduo,
principalmente porque coloca a criança em contato com o Mestre dos mestres, Jesus.
A reflexão sobre isso nos leva à seguinte pergunta: - Considerando os aspectos da vinculação do
indivíduo com seus semelhantes, como deve a escola de Evangelização atuar? Se o valor e a dificuldade
do intercâmbio cultural num grupo se baseiam, com efeito, na colocação do indivíduo diante de pontos de
vista diferentes dos seus, será preciso auxiliá-lo a adaptar-se a uma organização grupal.
A estruturação do pensamento em agrupamentos permite que cada indivíduo adote múltiplos
pontos de vista. A criança raciocina com mais lógica quando discute com outra, pois, frente ao
companheiro, a primeira coisa que procura é evitar a contradição. Por outro lado, a objetividade, o desejo
de comprovação, a necessidade de dar sentido às palavras e às ideias são não só obrigações sociais, como
também condições do pensamento operatório. Durante os períodos formativos do desenvolvimento do
pensamento infantil, a lógica é uma espécie de moral do pensamento, imposta e sancionada pelos outros.
Propor que a criança trabalhe em grupo, pode levá-la a entender que, ante algo objetivo, podemse adotar diferentes pontos de vista, que tais pontos de vista são, no entanto, correlatos, e que as diversas
observações extraídas não são contraditórias, mas complementares. Constata-se que a criança que
intercambia em grupo suas ideias tende a organizar de maneira operatória seu próprio pensamento ou, em
outras palavras, o grupo favorece o desenvolvimento do chamado pensamento operatório.
Os contatos sociais da criança desempenham, por conseguinte, um papel de grande importância
em seu desenvolvimento intelectual. “(...) é o choque de nosso pensamento com o dos outros que produz
em nós a dúvida e a necessidade de provar. Sem os outros, as decepções da experiência nos levariam a
uma supercompensação da imaginação e ao delírio. Constantemente nasce dentro de nós um semnúmero de ideias falsas, de extravagâncias, de utopias, de explicações místicas, de suspeitas, de
megalomanias, que sucumbem ao contato com os outros. (...) o pensamento mórbido se origina
justamente da incapacidade de determinado indivíduo curvar-se aos hábitos sociais de pensamento. A
linguagem e o raciocínio discursivo são um produto das trocas individuais. Quando um indivíduo não
pode inserir seu pensamento íntimo e sua afetividade nesse esquema, quando ele renuncia a pensar
socialmente, o próprio fato desse isolamento retira do pensamento sua estrutura lógica.”1
Há indivíduos que, por falta de treinamento na época oportuna, não conseguem superar o
egocentrismo infantil e continuam, na fase adulta, egocêntricos em sua maneira de pensar. São pessoas
que interpõem entre si e o real um mundo imaginário ou místico, e relacionam tudo a esse ponto de vista
individual. A criança que assimilou apenas hábitos e instituições egocêntricos não é capaz de
compreender pontos de vista diferentes dos seus, e, por isso, é intelectualmente inapta para a cooperação e
o trabalho em conjunto.
Apresentamos aqui algumas técnicas que poderão auxiliar o Evangelizador no desafio de estar
diante de um grupo de crianças, com um tempo, ainda que reduzido, para produzir a aproximação desse
ser com o Evangelho de Jesus, mediante uma metodologia que favoreça a interação dos indivíduos
vinculados à mesma classe.
1
Dinâmica de Grupo, 1.6.3 – A escola do pensamento.
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Para conhecer melhor sua classe:
1) Teste de relacionamento – mede o volume da expansão social
Instruções: escreva o nome de todas as pessoas de quem se lembre, por ter falado alguma vez no
centro espírita. Se não se lembra do nome, escreva o apelido ou descreva a pessoa de tal forma
que ela possa ser reconhecida. Não cite as pessoas que moram perto de sua casa.
2) Teste sociométrico - identifica líderes, isolados e rejeitados; possibilita a organização mais
produtiva dos grupos; permite melhor aproveitamento dos elementos da turma; quebra
estruturas de subgrupos que dificultam o trabalho; evita a formação de grupos de raça, sexo
e nível sócio-econômico; coloca à vista os átomos sociais.
Instruções: providencie o material necessário: papel e lápis. Formule perguntas: Ao lado de
quem você gostaria de sentar-se na classe? (pode indicar quantos quiser); quem você não
gostaria que se sentasse perto de você? (pode indicar quantos quiser); com quem você gostaria de
fazer um trabalho? Num passeio, quem escolheria para acompanhá-lo? Que pessoa de sua
família você escolheria para orienta-lo sobre sexo, namoro e profissão?
Cuidados: antes de aplicar o teste, motive a classe; não permita conversa durante o teste; não
divulgue os resultados; inclua em sua biblioteca alguma obra sobre Psicologia Social e Dinâmica
de Grupo, para consultas.
Elabore o gráfico com os átomos sociais de cada evangelizando.
Observe as representações sociométricas:
Triângulo – homem ▲
Círculo – mulher Ο
Seta de linha contínua – escolha →
Seta de linha tracejada – rejeição ----→
Seta dupla de linha contínua – escolha mútua ↔
Seta dupla de linha tracejada – rejeição mútua ←---→
Quadro para análise dos indivíduos:
A – Positivo: o indivíduo escolhe outra(s) pessoa(s)
B – Negativo: não escolhe ninguém
C – Isolado: não escolhe e não é escolhido
D – Extrovertido: escolhe pessoas de grupos distintos do seu
E – Introvertido: escolhe apenas pessoas de seu grupo
F – Atraente: recebe muitas escolhas
G – Rejeitado: é objeto de muitas rejeições
H – Indiferente: não manifesta reação aos que são atraídos, nem aos que o rejeitam.
Melhorando a Comunicação no Grupo
Comunicar consiste em tornar comuns elementos de apreciação das coisas, das pessoas, das
situações que umas e outras abranjam. Pessoas em comunicação tendem a formar grupos solidários. A
comunicação é fator de sobrevivência dos grupos.
O estudo da comunicação tem por objetivo descobrir algo sobre o motivo do comportamento
humano e a possibilidade de fazer as pessoas viverem juntas, serem mais felizes e atuarem de forma
produtiva. A comunicação é satisfatória sempre que os participantes do grupo apreendem precisamente os
pensamentos uns dos outros, ainda que não haja concordância.
Dirigir as relações interpessoais num grupo é um desafio. O evangelizador deve ser um bom
observador, para perceber os momentos difíceis para tentar solucionar problemas como o silêncio
prolongado, a tagarelice imoderada e a agressividade, que são fatores que dificultam a interação. O
esforço deve ser constante no sentido de garantir participação franca, amistosa, inteligente e equilibrada
dos evangelizandos.
Problemas e possíveis soluções:
Os que não participam – fazer-lhe perguntas diretas (não perguntar o que eles não saberão
responder); descobrir habilidades e valorizá-las.
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A tagarelice imoderada – ocupar a criança com uma atividade desafiadora; propor um minuto de
silêncio; usar a música para despertar o interesse em ouvir.
Conduta agressiva – descobrir as causas da agressividade, conversar em particular, visitar o
ambiente familiar.
Características dos grupos e sua evolução nas idades
Crianças de até 5 anos preferem trabalhar individualmente;
Crianças de 5 a 7 anos – trabalho em duplas;
A partir dos 7 anos – jogos em pequenos grupos; pequenas dramatizações; jogos de mesa.
A partir dos 9 anos – jogos coletivos com regras de organização: clubes de recortes de papel,
linguagem secreta, conversas sobre temas de interesse dessa idade.
A partir dos 11 anos – atividades de discussão em grupo com papeis definidos
Técnicas de Discussão em Grupos
1 - MESA REDONDA
Um grupo de pessoas especializadas em determinado assunto apresenta e debate pontos de vista
divergentes ou contraditórios sobre um mesmo tema. Visa a dar ao auditório a oportunidade de conhecer
o que pensam técnicos ou especialistas sobre um assunto controvertido.
Participantes: coordenador ou moderador
especialistas (de 3 a 6)
equipe de síntese
público
2 - PAINEL
Reúnem-se várias pessoas para expor suas idéias sobre determinado assunto ante um auditório. No painel,
a conversação é basicamente informal, os membros não atuam como oradores, não expõem.
Participantes: coordenador ou moderador
painelistas (de 3 a 5)
equipe de síntese
público
3 - FÓRUM DE DEBATES
Uma reunião de grupo na qual todos têm oportunidade de participar. É organizada com a finalidade de
debater um tema ou problema determinado. Pode acontecer após a projeção de um filme cinematográfico,
de uma representação teatral, de uma palestra ou atividade de grupo. Permite a informalidade na
expressão de idéias ou opiniões de todos os integrantes do grupo. As participações são espontâneas.
Possibilita um levantamento rápido de opiniões.
Participantes: coordenador ou moderador
grupo de síntese
público-participante
4 - GVGO ou PAINEL O.V.
É uma técnica que aprimora os hábitos de indução e reflexão, constituindo importante instrumento para a
discussão de temas comunitários ou de treinamento. Consiste na apresentação de uma situação-problema
com orientação para sua resolução (livros de consulta). Dá-se um tempo para preparação. Divide-se o
grupão em dois grupos e formam-se dois círculos concêntricos. O grupo do centro debate o problema e
suas possíveis soluções; o grupo de fora observa. Depois de um tempo mínimo de quinze minutos,
alternam-se os grupos: os elementos do grupo externo passam para o círculo interno e os elementos do
grupo interno passam para o círculo externo. Repete-se o debate, os observadores serão agora
verbalizadores e aproveitarão as conclusões do primeiro grupo para prosseguir na análise da questão.
Participantes: coordenador ou moderador
grupo de síntese
público-participante
5 - SIMPÓSIO
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É uma técnica que possibilita a apresentação de diferentes ângulos ou aspectos de um assunto. Exige um
coordenador bem preparado. O tema é dividido em partes e os participantes são reunidos em grupos com
a incumbência de pesquisar cada uma dessas partes. Cada grupo escolhe um relator. Após a preparação da
pesquisa, cada relator apresenta ao grupão os resultados do estudo do tema. O coordenador, após a
apresentação dos relatores, fará o fechamento, destacando as idéias mais importantes.
Participantes: coordenador ou moderador
simposistas
equipe de síntese
6 - PAINEL COM ESPECIALISTAS
É uma técnica que permite a observação de um tema abrangente que deve ser observado por diferentes
ângulos. O coordenador faz uma exposição inicial, referindo-se ao tema que deve ser analisado. Cada
especialista apresentará sua análise, segundo seu ponto de observação.
Participantes: coordenador ou moderador
painelistas (de 3 a 5)
público.
7 – DEBATES INFORMAIS
É uma reunião de pessoas que se interessa pelo mesmo tipo de trabalho. A técnica possibilita a discussão
das dificuldades que surgem no desenvolvimento das atividades pertinentes a esse trabalho, para que se
possa elaborar um plano de ação mais adequado à obtenção dos objetivos colimados.
Participantes: coordenador ou moderador
público-participante
equipe de síntese
8 – AUDIÊNCIA OU COMISSÃO
Interrogatório de um ou mais indivíduos por várias pessoas, a fim de obter informações de peritos em
benefício do grupo.
Participantes:
Consultores, peritos ou técnicos;
Comissão de interrogadores;
Equipe de síntese;
Público.
9 – SEMINÁRIO
Reunião que tem a finalidade de investigar ou estudar um tema em reuniões de trabalho previamente
planejadas. Os membros não recebem informações já elaboradas, mas pesquisam por seus próprios meios
em colaboração recíproca. É um grupo de trabalho verdadeiramente ativo.
Participantes:
Diretor;
Organizador;
Coordenador;
Seminaristas (5 a 12).
10 - FORUM
Reunião de grupo da qual todos os presentes têm oportunidade de participar, com a finalidade de debater
um tema ou problema determinado. É utilizado após a apresentação de um filme, de uma peça teatral ou
de uma palestra.
Participantes:
Coordenador, diretor ou moderador;
Grupo de síntese;
Público.
11 - “BRAINSTORMING”
Reunião com a finalidade de encontrar idéias ou soluções novas. O grupo de ter como objetivo produzir o
maior número de idéias possíveis sobre um problema particular.
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Participantes: (8 a 12 pessoas)
Animador;
Observadores.
12 - ESTUDO DE CASOS
Reunião para analisar objetivamente uma situação real investigada. O caso relatado permite ampla análise
e intercâmbio de idéias. O tempo pode variar de acordo com a complexidade do assunto.
Participantes:
Coordenador;
Público.
13 - “WORKSHOP”
Pequenos grupos de pessoas que trabalham em vários tipos de projetos, que incluem aprendizagem e
prática de certa matéria ou ofício. Também chamado oficina ou laboratório.
Participantes:
Coordenador;
Público.
Etapas de uma Aula Dinâmica
O conhecimento deve ser vivido com alegria e prazer. A brincadeira para as crianças é
como a respiração, é fundamental. Brincando, ela conhece o próprio corpo e compreende
o mundo. E o que não se pode esquecer no brincar é a fantasia. Como diz Paulo Freire:
“Viajando pela fantasia a criança vai longe. Conhece coisas que nós adultos já vivemos e
esquecemos.” Ela precisa de liberdade para criar uma história e brincar.
Primeira etapa: A prece
Iniciar sempre por uma prece
Observar a respiração - ensinar respirar fundo - prender a respiração – soltar, conectar com a
pineal (olhar um ponto fixo no alto e fechar os olhos vagarosamente)
Segunda etapa:
Repetir frases de apoio à auto-estima: Eu sou filho de Deus! Sou forte, sou inteligente, sou
capaz! Etc.
Terceira etapa:
Exercícios ativos (cantar, pular, subir, descer, movimentos de braços, pernas e equilíbrio: teatro,
dramatizações, jograis)
Quarta etapa:
Exercícios moderados (poesias, raikais, desenhos, colagens, pinturas, etc.)
Quinta etapa:
Exercícios calmos: relaxamentos, alongamentos, etc.
Última etapa:
Avaliação.
Conexão com a dimensão espiritual: Prece de encerramento.
Recado para finalizar:
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Evangelizador, lembre-se de que a ação que você exerce sobre esses pequeninos, no encontro
semanal que a casa espírita propicia, pode levá-los a adotarem um papel ativo e inteligente na formulação
da vida nos grupos a que ele se vincula, por isso, reflita sobre o conselho de Bezerra de Menezes
(psicografia de Divaldo Franco):
“É notório que a especialidade da tarefa não se compraz com improvisações descabidas, tão logo
a experiência aponte o melhor e mais rendoso, razão pela qual os servidores integrados na evangelização
devem buscar, continuamente, a atualização de conteúdos e procedimentos didático-pedagógicos, visando
a um melhor rendimento, em face da economia da vida na trajetória da existência, considerando-se que,
de fato, os tempos são chegados...”
Obras consultadas:
MINICUCCI, Agostinho. Dinâmica de Grupo. 1a ed. São Paulo: Atlas, 1982.
MINICUCCI, Agostinho. Dinâmica de Grupo na Escola. 3a edição. Melhoramentos - São Paulo, 1975.
PEREIRA. Sandra Maria Borba. Reflexões Pedagógicas à Luz do Evangelho. 1ª ed. Paraná: FEP, 2009.
SOUZA, Dalva Silva. Os Caminhos da Liberdade. 1ª ed. Vitória: Feees, 2001.
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