UNIVERSIDADE UNIZAMBEZE Fundamentos de Combustão Aula 1 Prof. Jorge Nhambiu Aula 1. Tópicos Mecânica dos Fluídos: Introdução Pressão e suas formas de medição; Propriedades dos fluidos; Escoamento através de tubos. 2 Prof. Jorge Nhambiu Introdução Mecânica é a parte mais antiga da Física que lida com corpos estacionários e em movimento sob a influência de forças. O ramo da mecânica que lida com corpos parados chama-se estática enquanto o ramo da mecânica que lida com os corpos em movimento, dinâmica. A Mecânica de Fluídos é definida como a ciência que lida com fluídos parados (fluídos estáticos) e em movimento (fluídos dinâmicos) e a interacção de fluídos com sólidos ou outros fluídos nas suas fronteiras. A Mecânica de Fluídos é também considerada como Dinâmica de Fluídos considerando os fluídos parados como um caso especial de movimento com velocidade zero. 3 Prof. Jorge Nhambiu Fluído Um fluido é uma substância na forma gasosa ou líquida Qual a Diferença entre um sólido e um fluido? Sólido: pode resistir à deformação quando aplicada uma força. A tensão é proporcional à sua deformação Fluído: deforma continuamente sob uma força aplicada. A tensão é proporcional à velocidade de deformação. 4 Prof. Jorge Nhambiu Fluído A tensão é definida como a força por unidade de superfície. Componente normal: tensão normal Num fluido em repouso, a tensão normal é denominada pressão A componente tangencial: tensão de cisalhamento 5 Prof. Jorge Nhambiu Fluído Um líquido assume a forma do 6 Prof. Jorge Nhambiu recipiente no qual se encontra e forma uma superfície livre, na presença de gravidade Um gás expande-se até as paredes do recipiente no qual se encontra enchendo todo o espaço disponível. Os gases não formam uma superfície livre Gás e vapor são frequentemente utilizados como palavras sinónimas Fluído Arranjo das moléculas nas diferentes fases: a) As moléculas estão em relativamente posições fixas nos sólidos b) Grupos de moléculas movem-se em relação a outros no estado líquido c) As moléculas todas estão em movimento no estado gasoso 7 Prof. Jorge Nhambiu Aplicações da Mecânica dos Fluídos A Mecânica dos Fluídos é muito usada nas actividades diárias e no projecto de sistemas de engenharia modernos, desde os aspiradores de pó até aos aviões supersónicos. Daí a necessidade de se ter um bom entendimento dos princípios básicos desta ciência. 8 Prof. Jorge Nhambiu Aplicações da Mecânica dos Fluídos 9 Prof. Jorge Nhambiu Condição de não deslizamento: Condição de não deslizamento: Um fluido em contacto directo com um sólido para na superfície devido aos efeitos viscosos É responsável pela geração da tensão de cisalhamento superficial τw, e coeficiente de arrasto da superfície D = ∫τw dA, e do desenvolvimento da camada limite A propriedade do fluido responsável pela condição de não deslizamento é a viscosidade Condição de contorno importante na formulação de problema de valor inicial de fronteira problemas analíticos e de dinâmica de fluidos computacional 10 Prof. Jorge Nhambiu Classificação dos fluídos A classificação dos fluxos faz-se como uma ferramenta para fazer simplificações nas às equações governantes diferenciais parciais, que são conhecidas como as equações de NavierStokes: conservação da massa, conservação do momento 11 Prof. Jorge Nhambiu Regiões viscosas e inviscidas As regiões onde as forças de atrito são significativas são chamadas regiões viscosas. Elas encontramse geralmente perto de superfícies sólidas. As regiões onde as forças de atrito são pequenas em relação às de inercia ou a pressão são chamadas inviscidas. 12 Prof. Jorge Nhambiu Continuum Os átomos estão bastante espaçados na fase gasosa. No entanto, pode-se desconsiderar a natureza atómica de uma substância. Vê-lo como um substância contínua, homogéneo, sem furos, ou seja, um meio continuum. Isso nos permite tratar propriedades sem problemas variando somente as quantidades. Continuum é válido contando que o tamanho do sistema seja grande em comparação com a distância entre as moléculas. 13 Prof. Jorge Nhambiu Densidade e Gravidade Especifica A densidade é definida como a massa por unidade volume ρ = m/V. A densidade possui unidades de kg/m3 O volume específicos é definido como v = 1/ρ = V/m. Para um gás, densidade depende de temperatura e da pressão. A gravidade específica ou densidade relativa é definida como a relação entre a densidade de uma substância à densidade de alguma substância padrão a uma temperatura especificada (geralmente água a 4 ° C), ou seja, GE = ρ/ρH20. GE é uma grandeza adimensional. O peso específico é definido como o peso por unidade de volume, ou seja, ɣs = ρg onde g é a aceleração gravitacional. ɣs tem unidades de N/m3. 14 Prof. Jorge Nhambiu Densidade dos gases Ideais Equação de Estado: equação para relacionar a pressão, temperatura e densidade. A equação mais simples e mais conhecida do estado é a equação do gás ideal. P v = T R ou P = ρ R T Equação do gás ideal utilizada para a maioria dos gases. No entanto, gases densos como vapor de água e vapor refrigerante não devem ser tratados como gases ideais. 15 Prof. Jorge Nhambiu Pressão de Vapor e Cavitação A pressão de vapor Pv é definida como a pressão exercida pelo vapor em fase de equilíbrio no líquido a uma dada temperatura Se Pcai abaixo de Pv, líquido é vaporizado localmente, criando cavidades de vapor. As cavidades de vapor colapsam quando P local sobe acima de Pv. O colapso das cavidades é um processo violento que pode danificar a máquina. A cavitação é ruidosa e pode causar vibrações estruturais. 16 Prof. Jorge Nhambiu Energia e Calor Especifico A Energia Total E é composta de inúmeras formas: térmica, mecânica, cinética, potencial, eléctrica, magnética, química e nuclear. As unidades de energia são o joule (J) ou unidade térmica britânica (BTU). A energia microscópica: Energia interna u é para um fluido não fluente e é devida à actividade molecular. Entalpia h = u + Pv é considerada para um fluxo fluido e inclui fluxo de energia (Pv). Energia Macroscópica: Energia cinética energia ec = V2/2 Energia potencial ep = gz Na ausência de energia eléctrica, magnética, química e a energia nuclear, a energia total é efluente = h + V2/2+gz. 17 Prof. Jorge Nhambiu Coeficiente de Compressibilidade Como o volume de fluido altera-se com P e T? Os fluidos expandem quando T ↑ ou P ↓ Os fluidos contraem quando T ↓ ou P ↑ São necessárias propriedades do fluido que se relacionam com alterações de volume mudanças em P e T. Coeficiente de compressibilidade Coeficiente de expansão de volume Combinado efeitos de P e T podem ser escritas como 18 Prof. Jorge Nhambiu Viscosidade A viscosidade é uma propriedade que representa a resistência interna de um fluido ao movimento. A força que o fluxo de um fluido exerce sobre um corpo na direcção do escoamento é chamada força de arrasto, e a magnitude desta força depende, em parte da viscosidade. 19 Prof. Jorge Nhambiu Viscosidade Para se obter uma relação de viscosidade, considere-se uma camada de fluido entre duas grandes placas paralelas, separadas por uma distância ℓ A tensão de cisalhamento é definida como τ = F/A. Usando a condição de nãodeslizamento, u(0) = 0 e u(ℓ) = V, o perfil de velocidade e gradiente são u(y) = Vy/ℓ e du/dy = V/ℓ A tensão de cisalhamento para fluido Newtoniano é τ = µdu/dy µ é a viscosidade dinâmica e tem como unidades kg/mPa·s, ou poise. 20 Prof. Jorge Nhambiu Tensão Superficial As gotículas comportam-se como pequenos balões esféricos cheios de líquido e a superfície do líquido actua como uma membrana elástica esticada sob tensão. A força de tracção, que faz com que isto aconteça é devida à atracção entre as moléculas, chamadas de tensão superficial σs. A força atractiva na superfície das moléculas não é simétrica. As forças repulsivas do interior das moléculas fazem o líquido minimizar sua área superficial e ganhar uma forma esférica. 21 Prof. Jorge Nhambiu Efeito Capilar O efeito capilar é subida ou 22 Prof. Jorge Nhambiu descida de um líquido num tubo de pequeno diâmetro. A superfície curva livre no tubo é chamada menisco. A curva de menisco da água é virada para cima até porque a água é um líquido molhante. A curva do menisco do mercúrio é virada para baixo porque o mercúrio é um líquido não molhante. O equilíbrio de forças pode descrever a magnitude da ascensão capilar. Pressão A pressão é definida como a força normal exercida por um fluido por unidade de área. As unidades de pressão são N/m2, que é chamada Pascal (Pa). Como a unidade Pa é muito pequena para as pressões encontradas na prática, são comummente usados o hectopascal (1 kPa = 103 Pa) e o megapascal (1 MPa = 106 Pa). Outras unidades usadas são também o bar, atm, kgf/cm2, lbf/in2 = psi. 23 Prof. Jorge Nhambiu Pressões Absoluta, Manométrica e de Vácuo A pressão real num dado ponto é chamada a pressão absoluta. A maioria dos dispositivos de medição de pressão está calibrado para ler zero na atmosfera e, portanto, indicar a pressão manométrica, Pmanométrica = Pabs - Patm. A pressão abaixo da pressão atmosférica é chamada de pressão de vácuo, Pvac = Patm Pabs. 24 Prof. Jorge Nhambiu Pressões Absoluta, Manométrica e de Vácuo 25 Prof. Jorge Nhambiu Pressão num ponto A pressão em qualquer ponto de um fluido é a mesma em todas as direcções. A pressão tem magnitude, mas não tem uma direcção específica, portanto, é uma grandeza escalar. 26 Prof. Jorge Nhambiu Variação da Pressão com a profundidade Na presença de um campo gravitacional, a pressão aumenta com a profundidade, porque mais fluido encontra-se por cima em camadas mais profundas. Para obter uma relação de variação da pressão com a profundidade, considere o elemento rectangular: equilíbrio de força na direcção-z dá: ∑F z = maz = 0 P2 Δx − P1Δx − ρ g ΔxΔz = 0 dividindo por Δx e reorganizando obtém-se: ΔP = P2 − P1 = ρ g Δz = γ s Δz 27 Prof. Jorge Nhambiu Variação da Pressão com a profundidade Pressão em um fluido em repouso é independente da forma do recipiente. A pressão é a mesma em todos os pontos num plano horizontal de um determinado líquido. 28 Prof. Jorge Nhambiu Lei de Pascal A pressão aplicada a um fluido confinado aumenta a pressão em todo o mesmo valor. F1 F2 F2 A2 P1 = P2 → = → = A1 A2 F1 A1 Relação A2/A1 é chamado ideal vantagem mecânica 29 Prof. Jorge Nhambiu O Manómetro Uma alteração de elevação de Δz P1 = P2 P2 = Patm + ρ gh 30 Prof. Jorge Nhambiu num fluido em repouso corresponde à ΔP/ρg. Um dispositivo que se baseie neste principio é chamado manómetro. Um manómetro consiste num tubo em U contendo um ou mais fluidos como mercúrio, água, álcool ou óleo. Fluidos pesados como o mercúrio são usados se as diferenças de pressão forem grandes. Manómetro multifluído Para sistemas multi-fluido a alteracso de pressão em uma coluna de líquido de altura h é ΔP =ρgh. A pressão aumenta em baixo e diminui em cima. Dois pontos a mesma altura num fluido contínuo estão à mesma pressão. A pressão pode ser determinada pela adição e subtracção do termo ρgh. P2 + ρ1gh1 + ρ2 gh2 + ρ3 gh3 = P1 31 Prof. Jorge Nhambiu Medição da queda de pressão Manómetros são bem adequados para medir a queda de pressão em válvulas, tubulações, trocadores de calor, etc. A relação da queda de pressão P1-P2 é obtida, começando no ponto 1 e adicionando ou subtraindo o termo ρgh até chegar-se ao ponto 2. Se o líquido no tubo é um gás, r2 >> r1 e P1-P2 = ρgh 32 Prof. Jorge Nhambiu Estática dos Fluidos A Estática dos Fluídos lida com problemas associados a fluidos em repouso. Na estática dos fluidos, não há nenhum movimento relativo entre as camadas adjacentes de fluido. Portanto, não há nenhuma tensão de cisalhamento no fluido tentando deformá-lo. A única tensão num fluído estático é a tensão normal A tensão normal é devido à pressão A variação da pressão é devida apenas ao peso do fluido → a pressão só é relevante na presença de campos de gravitacionais. 33 Prof. Jorge Nhambiu Escoamentos Laminares em Tubos Diagrama livre de um elemento fluido de um corpo cilíndrico de raio r, espessura dr e de comprimento dx orientado axialmente, num tubo horizontal num fluxo constante plenamente desenvolvido. 34 Prof. Doutor Engº Jorge Nhambiu Escoamentos Laminares em Tubos O elemento do volume envolve somente a pressão e os efeitos viscosos, assim as forças da pressão e de corte devem balançar-se. O balanço da força no elemento do volume no sentido de fluxo dá: (2πrdrP )x − (2πrdrP )x+dx + (2πrdxτ )r − (2πrdxτ )r +dr =0 que indica que no fluxo plenamente desenvolvido num tubo, as forças viscosas e de pressão balançam-se. Dividindo por 2πdrdx e organizando, r Px + dx − Px (rτ )x + dx − (rτ )r + =0 dx dr calculando o limite quando dr e dx → 0 r dP d (rτ ) + =0 dx dr Substituindo τ = -µ(dV/dr) e organizando os termos tem-se: µ d ⎛ dV ⎞ dP r = ⎜ ⎟ r dr ⎝ dr ⎠ dx 35 Prof. Doutor Engº Jorge Nhambiu Escoamentos Laminares em Tubos Resolvendo a equação anterior e organizando os termos consegue-se: V (r ) = 1 ⎛ dP ⎞ ⎜ ⎟ + C1 ln r + C 2 4µ ⎝ dx ⎠ Aplicando as condições de contorno ∂V/∂r = 0 em r = 0 e V = 0 em r = R obtém-se: R 2 ⎛ dP ⎞⎛ r 2 ⎞ V (r ) = ⎜ ⎟⎜⎜1 − 2 ⎟⎟ 4µ ⎝ dx ⎠⎝ R ⎠ A velocidade média obtém-se da sua definição e fazendo a integração o que resulta em: 2 Vm = 2 R 36 − 2 R R 2 ⎛ dP ⎞⎛ r 2 ⎞ R 2 ⎛ dP ⎞ ∫0 Vrdr = R 2 ∫0 4µ ⎜⎝ dx ⎟⎠⎜⎜⎝1 − R 2 ⎟⎟⎠rdr = − 8µ ⎜⎝ dx ⎟⎠ R Prof. Doutor Engº Jorge Nhambiu Escoamentos Laminares em Tubos Combinando as duas últimas expressões o perfil de velocidades passa a ser: ⎛ r 2 ⎞ V (r ) = 2Vm ⎜⎜1 − 2 ⎟⎟ ⎝ R ⎠ A velocidade máxima ocorre na linha de simetria e é determinada pela equação anterior substituindo r = 0 Vmax = 2Vm Uma das grandezas de interesse na análise do escoamentos no interior de tubos são as perdas de pressão que estão directamente ligadas a potência de bombeamento. É de notar que dP/dx = constante ao longo do tubo e integrando desde x = 0 onde a pressão é P1 até x = L onde a pressão é P2 obtém-se: dP P2 − P1 ΔP = =− dx L L 37 Prof. Doutor Engº Jorge Nhambiu Perdas de Pressão A perda de pressão pode escrever-se como: Fluxo laminar 8µLV m 32 µLV m ΔP = = 2 R D2 Na prática torna-se conveniente expressar a perda de pressão para todos os tipos de fluxo como: L µVm2 ΔP = f D 2 Onde f é o coeficiente de fricção adimensional 38 Prof. Doutor Engº Jorge Nhambiu Perdas de Pressão A relação da perda de pressão é uma das mais conhecidas da mecânica dos fluidos, e é válida para fluxos laminares e turbulentos, em tubulações circulares e não circulares e para superfícies lisas ou rugosas. 39 Prof. Doutor Engº Jorge Nhambiu Perdas de Pressão O coeficiente de fricção f para um escoamento laminar plenamente desenvolvido num tubo de secção circular torna-se Tubo circular, laminar f = 64 µ 64 = ρDVm Re Conhecida a perda de carga , a potência de bombeamento é determinada de: W bomb = VΔP Onde V é o fluxo volumétrico do escoamento e expressa-se pela seguinte fórmula: 22 44 44 Δ PR π R Δ P π D ΔP 2 2 V = Vmed A = π R = = med cc 8µL 8µL 128µL Esta equação é conhecida como a Lei de Poiseuille 40 Prof. Doutor Engº Jorge Nhambiu Perdas de Pressão A potência de bombeamento para um sistema com fluxo laminar, pode ser reduzida em 16 vezes duplicando o diâmetro da tubulação. 41 Prof. Doutor Engº Jorge Nhambiu