Universidade Presbiteriana Mackenzie Centro de Ciências Sociais e Aplicadas Programa de Pós-Graduação em Ciências Contábeis Um Estudo sobre Controles Internos em Pequenas e Médias Empresas de TI. Carlos Cristiano Poltronieri São Paulo 2012 ii Carlos Cristiano Poltronieri Um Estudo sobre Controles Internos em Pequenas e Médias Empresas de TI. Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação em Ciências Contábeis da Universidade Presbiteriana Mackenzie para a obtenção do título de Mestre em Controladoria Empresarial. Orientador: Prof. Dr. Joshua Onome Imoniana São Paulo 2012 iii P779e Poltronieri, Carlos Cristiano Um estudo sobre controles internos em pequenas e médias empresas de TI / Carlos Cristiano Poltronieri - 2012. 88f. : il., 30 cm Dissertação (Mestrado em Ciências Contábeis) – Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2012. Orientação: Prof. Dr. Joshua Onome Imoniana Bibliografia: f. 65-70 1. Controles internos. 2. COSO. 3. Estruturas de controle. I. Título. CDD 658.151 iv Carlos Cristiano Poltronieri Um Estudo sobre Controles Internos em Pequenas e Médias Empresas de TI. Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação em Ciências Contábeis da Universidade Presbiteriana Mackenzie para a obtenção do título de Mestre em Controladoria Empresarial. Aprovado em BANCA EXAMINADORA Prof. Dr. Joshua Onome Imoniana – Orientador Universidade Presbiteriana Mackenzie Prof. Dr. Claudio Parisi Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado Prof. Dr. José Carlos Tiomatsu Oyadomari Universidade Presbiteriana Mackenzie v Reitor da Universidade Presbiteriana Mackenzie Professor Dr. Benedito Guimarães Aguiar Neto Decano de Pesquisa e Pós-Graduação Professor Dr. Moisés Ari Zilber Diretor do Centro de Ciências Sociais e Aplicadas Professor Dr. Sérgio Lex Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Ciências Contábeis Professora Dra. Maria Thereza Pompa Antunes vi “Provai, e vede que o SENHOR é bom; bem-aventurado o homem que nele se refugia.” Salmos 34:8 vii Dedico esse trabalho aos meus queridos pais e ao meu irmão. viii AGRADECIMENTOS O presente trabalho é resultado da busca incessante de conhecimento que objetiva agregar valor a minha jornada profissional e acadêmica. O desenvolvimento desse estudo ocorreu em uma fase da minha vida a qual muitas realizações ocorreram tanto pessoais, quanto profissionais, sendo que algumas pessoas foram muito importantes e contribuíram muito para tudo isso. Agradeço primeiramente a Deus, a nosso Senhor Jesus e a Nossa Senhora Auxiliadora pelas dádivas celestiais. Aos meus queridos pais, Carlos e Cristina, por tudo o que sou e por tudo o que me ensinaram e o que sempre me proporcionaram. Também, ao meu querido irmão Caio, pelo exemplo de pessoa que é para mim. Especial agradecimento também a Lucila. Aos meus amigos, colegas de graduação, mestrado e também da Consulcamp Auditoria, Rodrigo Romanato e Matheus Favarin. Iniciamos juntos uma jornada acadêmica e também profissional. Muitos foram os desafios, porém sempre enfrentados com muita seriedade, comprometimento e harmonia, o que fez com que se tornássemos eternos amigos. Sou eternamente grato aos sócios da Consulcamp Auditoria, meus professores da PUC-Campinas, Prof. Dr. Ricardo Lopes Cardoso, Prof. Dr. Marcos Francisco R. Sousa Prof. e Dr. Antonio Marcos Favarin, pelo apoio e pela oportunidade, aos meus estudos e ao meu desenvolvimento profissional. Não poderia me esquecer dos amigos Diego, Tiago e Wesley, todos colegas da Mackenzie e da Consulcamp Auditoria. Em especial, aos professores da Universidade Presbiteriana Mackenzie, meu orientador Prof. Dr. Joshua Onome Imoniana, pela paciência dispendida às diversas horas de orientação e dedicação ao desenvolvimento desse trabalho. Sou eternamente grato ao Prof. Dr. José Carlos Tiomatsu Oyadomari pelas sugestões, orientações e dedicação que teve comigo. Muito obrigado a todos. ix RESUMO O estudo objetivou investigar os controles internos nas pequenas e médias empresas de tecnologia da informação. Buscaram-se respostas quanto à indagação: Quão aderente é a estrutura conceitual proposta por COSO às pequenas e médias empresas de TI? Partiu-se de pressupostos presentes em pesquisas realizadas em outros países, as quais estudaram qualidade e efetividade dos controles internos. Adotando-se um enfoque qualitativo foram realizadas entrevistas com responsáveis pelas áreas financeiras de sete pequenas e médias empresas de tecnologia da informação, sendo que dessas, seis possuem auditoria externa independente. A metodologia da pesquisa utilizada é a análise de conteúdo, sendo operacionalizada através do NVIVO, versão 9. Os resultados apresentam onze categorias, dentre as oitenta e seis unidades de significado. A pesquisa sugere que a percepção dos responsáveis pelos controles internos em pequenas e médias empresas de TI como instrumentos ou processos operacionais, sendo que, em muitas situações o ambiente de controle, entre outros aspectos são deixados de lado. As empresas pesquisadas buscam conhecimento sobre o assunto em consultorias e na literatura. Dois dos aspectos apontam que uma estratégia prospectiva influenciam positivamente os controles internos, uma situação aplicável as empresa de TI tendo em vista a instabilidade de suas operações e os crescimentos existentes em curto espaço de tempo. Dentre os aspectos propostos por COSO, os aspectos relacionados com a atuação do conselho de administração, qualidades dos sistemas de informação, existência de auditoria interna, ainda estão em fase de aprimoramento ou mesmo, ainda inexistentes. Palavras Chaves: Controles internos, COSO, estruturas de controle. x ABSTRACT This study was aimed at investigating the internal controls in the Small and Medium-Size Enterprises (SMEs) of information technology. Responses were sought on: How adherent is the said SMEs to the conceptual framework proposed by COSO? Our assumptions were based on the studies conducted in other countries, which expatiated on the quality and effectiveness of internal controls. By adopting a qualitative method interviews were focus on those responsible financial statements of seven IT-Based SMEs in the region of Campinas. Of these, six had independent auditors. The research methodology used was content analysis, being operated through the Nvivo – Sofware for Qualitative Analysis, Version 9. The results show eleven categories, with eighty-six units of meaning. Research suggests that internal control is perceived by those responsible for financial statements in IT-Based SMEs as instruments or operational processes, and, in many situations the control environment, among other aspects are left aside. The surveyed companies are seeking knowledge on the subject in consulting and literature. Two aspects indicate that a forward-looking strategy positively affect internal controls, a situation applicable to IT company in view of the instability of its existing operations and growth in a short time. Concerning the aspects proposed by COSO, most of the SMEs are adherent to the framework, however, in respect to actions of the board of directors, quality of information systems, existence of internal audit, these are still in the process of improvement or even lacking. Key Words: Internal Control, COSO, Control Structure xi Lista de Quadros Quadro 1 Evolução Histórica dos Controles Internos nos Estados Unidos .............................. 11 Quadro 2 Conceitos de Controles Internos ............................................................................... 16 Quadro 3 Componentes da Estrutura de Controles Internos .................................................... 17 Quadro 4 Características das empresas entrevistadas............................................................... 31 Quadro 5 Características dos entrevistados. ............................................................................. 32 Quadro 6 Descrição das unidades de significado ..................................................................... 33 Quadro 7 Descrição das categorias e subcategorias ................................................................. 38 Quadro 8 Detalhamento da Categoria 01 – Conceito e Características dos Controles Internos .................................................................................................................................................. 39 Quadro 9 Detalhamento da Categoria 02 – Busca por Entendimento e Melhoria dos Controles Internos ..................................................................................................................................... 41 Quadro 10 Detalhamento da Categoria 03 – Influência aos Controles Internos ...................... 43 Quadro 11 Detalhamento da Categoria 04 – Demanda por Controles Internos ....................... 45 Quadro 12 Detalhamento da Categoria 5 - O Papel do ERP em Controles Internos ............... 46 Quadro 13 Detalhamento da Categoria 6 – Ambiente de Controle .......................................... 47 Quadro 14 Detalhamento da Categoria 7 – Avaliação de Riscos ............................................. 49 Quadro 15 Detalhamento da Categoria 8 – Atividades de Controle ........................................ 50 Quadro 16 Detalhamento da Categoria 9 – Informação e Comunicação ................................. 51 Quadro 17 Detalhamento da Categoria 10 – Controles Internos e Demonstrativos Contábeis 53 Quadro 18 Detalhamento da Categoria 11 – Monitoramento .................................................. 54 xii Lista de Figuras Figura 1 Papel dos controles internos dentro das organizações. ................................................ 8 Figura 2 Modelo da Pesquisa ................................................................................................... 25 Figura 3 Esquema Básico da Análise de Conteúdo .................................................................. 29 Figura 4 Unidades de significado e similaridade de palavras .................................................. 38 Figura 5 Pressuposto Sugerido Categoria 01 Conceito e Características dos Controles Internos .................................................................................................................................................. 56 Figura 6 Pressuposto Sugerido Categoria 02 Busca por Entendimento e Melhoria dos Controles Internos. ................................................................................................................... 56 Figura 7 Pressuposto Sugerido Categoria 03 Influências aos Controles Internos. ................... 57 Figura 8 Pressuposto Sugerido Categoria 04 Demanda por Controles Internos. ..................... 57 Figura 9 Pressuposto Sugerido 05 O Papel do ERP em Controles Internos. ........................... 57 Figura 10 Pressuposto Sugerido Categoria 06 Ambiente de Controle. .................................... 58 Figura 11 Pressuposto Sugerido Categoria 07 Avaliação de Riscos. ....................................... 58 Figura 12 Pressuposto Sugerido Categoria 08 Atividades de Controle. .................................. 59 Figura 13 Pressuposto Sugerido Categoria 09 Informação e Comunicação. ........................... 60 Figura 14 Pressuposto Sugerido Categoria 10 Controles Internos e Demonstrativos Contábeis. .................................................................................................................................................. 60 Figura 15 Pressuposto Sugerido Categoria 11 Monitoramento. ............................................... 61 Figura 16 Pressuposto Sugerido ............................................................................................... 62 xiii Lista de Tabelas Tabela 1 NÓS Comparados por número de itens codificados .................................................. 36 xiv Sumário 1. Introdução .............................................................................................................................. 1 1.1. Caracterização do Problema ................................................................................................ 3 1.2. Questão de Pesquisa ............................................................................................................ 5 1.3. Justificativas e Contribuições .............................................................................................. 6 1.4. Estrutura Geral da Pesquisa ................................................................................................. 7 1. Referencial Teórico................................................................................................................ 8 1.1. Conceitos e Importância de Controles Internos .................................................................. 8 1.2. Desenvolvimento dos Controles Internos .......................................................................... 10 1.3. Responsáveis pelos Controles Internos ............................................................................. 14 1.4. Estruturas Conceituais de Controles Internos ................................................................... 16 1.5. A Estrutura Conceitual Proposta por COSO (1994) ......................................................... 18 1.6. Pesquisas Empíricas sobre Controles Internos e COSO ................................................... 22 2. Procedimentos Metodológicos ............................................................................................. 24 2.1. Modelo da Pesquisa ........................................................................................................... 24 2.2. Método de Pesquisa ........................................................................................................... 25 2.2.1. Método Qualitativo ....................................................................................................... 26 2.3. Delimitação do Problema .................................................................................................. 26 2.4. População e Amostra ......................................................................................................... 26 2.5. Instrumentos de Coleta de Dados ...................................................................................... 27 2.6. Técnicas para a Análise dos Dados – Análise de Conteúdo.............................................. 28 2.6.1. Etapas da Análise de Conteúdo .................................................................................... 28 3. Análise dos Resultados e Discussões................................................................................... 31 3.1. Características das Empresas Entrevistadas e dos Entrevistados ...................................... 31 3.2. Definição das Unidades de Significado ............................................................................. 32 3.3. O Processo de Categorização das Unidades de Significado.............................................. 36 3.4. Categoria 1 – Conceito e Características dos Controles Internos...................................... 39 xv 3.5. Categoria 2 – Busca por Entendimento e Melhoria dos Controles Internos ..................... 41 3.6. Categoria 3 – Influências aos Controles Internos .............................................................. 42 3.7. Categoria 4 – Demanda por Controles Internos ................................................................ 45 3.8. Categoria 5 – O Papel do ERP em Controles Internos ...................................................... 45 3.9. Categoria 6 – Ambiente de Controle ................................................................................. 47 3.10. Categoria 7 – Avaliação de Riscos ............................................................................... 48 3.11. Categoria 8 – Atividades de Controle ........................................................................... 50 3.12. Categoria 9 – Informação e Comunicação.................................................................... 51 3.13. Categoria 10 – Controles Internos e Demonstrativos Contábeis .................................. 52 3.14. Categoria 11 - Monitoramento...................................................................................... 53 3.15. Pressupostos Sugerido pelo Estudo .............................................................................. 55 4. Considerações Finais ........................................................................................................... 63 5. Referências Bibliográficas e Bibliografia ............................................................................ 65 6. Apêndices............................................................................................................................. 71 6.1. Roteiro de Entrevistas ....................................................................................................... 71 1. Introdução A elaboração e apresentação de demonstrações financeiras estão intimamente relacionadas com aspectos não apenas intrínsecos às práticas contábeis, padrões de divulgação ou regulamentações contábeis vigentes em determinado pais, ou mesmo, vigentes internacionalmente, mas também, aos sistemas de controles internos empregados pelas organizações, os quais permitem a manutenção de instrumentos que reduzam riscos e ajudam as organizações a garantir a confiabilidade desses. (SPIRA e PAGE, 2003, p. 656). Dada a importância das demonstrações financeiras para os usuários de sua informação, Lehman (2010, p. 741) dispõe que o propósito de um sistema de controles internos é assegurar aos usuários a confiabilidade das informações existentes nos relatórios financeiros das organizações. Em uma linha semelhante, Kinney e Maher (1990, p. 1) destacam a importância dos controles internos para os investidores, para o governo e para a sociedade, haja vista que esses causam a confiabilidade dos relatórios corporativos, e na de organização das corporações. Destaca-se que no Brasil, não existem regulamentações especificas, tais como SOX1 ou COSO2 (1994), ou mesmo, estruturas de controles internos as quais devem ser aplicadas pelas organizações em geral. Exceto quanto às instituições financeiras, pois essas possuem regulamentação especifica por força da Resolução nº 2.554, de 24 de setembro de 1998, que dispõe sobre a implantação e implementação de sistema de controles internos pelas instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil. A definição de controles internos é bastante ampla, sendo que, o foco do presente trabalho será o estudo das características dos controles internos, bem como, as práticas de 1 SOX: Denominação da Lei Sarbanes – Oxley, aprovada pelo congresso dos Estados Unidos da América, em julho de 2002, em resposta ao aumento de escândalos contábeis naquele país. Os principais objetivos foram definir processos contábeis para empresas com capital aberto e assegurar a confiabilidade aos investidores. Em especial, a seção 404 que trata sobre controles internos. (SCALF, 2009) 2 COSO: Em 1992 foi criado nos Estados Unidos foi criado o intitulado Estrutura Integrada de Controles Internos (Internal Control Integrated Framework), pelo Comitê de Organizações Patrocinadoras (Committe of Sponsoring Organization)s da Comissão Treadway. Essa estrutura é um relatório guia para instituições em todo o mundo, e teve como objetivo estabelecer uma única definição de controles internos que atendesse a necessidade de diferentes interessados, sendo que, fizeram parte desse comitê representantes do AICPA, do American Accounting Association, do Institute of Internal Auditors e do Financial Executives Institute. Em 1994 o relatório foi atualizado, sendo a sua última versão. 1 complience3 empregadas atualmente em pequenas e médias empresas de Tecnologia da Informação, e avaliar qual a sua relação às estruturas de controles internos apresentadas em COSO (1994). A escolha por estudar pequenas e médias empresas de Tecnologia da Informação foi em função das próprias características e os possíveis latentes impactos em suas estruturas de controles internos, tais como: • Necessidade de se manter mão-de-obra altamente especializada, sendo que, esse é um dos maiores ativos das empresas de Tecnologia da Informação, ou seja, ativos intangíveis; • Alta necessidade de segurança da informação, seja pela manutenção de códigos fontes em desenvolvimentos internos de seus produtos, como também, pela segurança e confiabilidade dos desenvolvimentos de soluções por encomenda; • Exceto por uma das empresas, todas as demais são empresas que possuem auditoria externa independente de suas demonstrações financeiras; • Escassez de pesquisas relacionadas ao assunto, mesmo em empresas de outros segmentos. Por isso, o entendimento do funcionamento, das práticas dos sistemas de controles internos nessas realidades motiva a pesquisa, e qual a atual situação quando comparado com estruturas de controles internos utilizadas internacionalmente, como no caso em estudo, a de COSO (1994). Destaca-se a importância dessas empresas e a sua participação em relação a econômica do pais. De acordo com uma pesquisa realizada4 pela Brasscom, que é a Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação, o setor brasileiro de Tecnologia da Informação (TI) movimentou US$ 102,6 bilhões em 2011, o que representa crescimento de 11,3% em relação ao ano anterior, segundo estudo encomendado à consultoria International 3 Conforme Vieira (2007, p. 178) o termo complience pode ser traduzido como conformidade legal. É o ato de aderir aos dispositivos legais e regulamentares ou às políticas de gestão às quais a organização está submetida. 4 Brasscom é Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação. O resultado da pesquisa está disponível em: http://www.brasscom.org.br/brasscom/content/view/full/5398 2 Data Corporation (IDC). A pesquisa comprova, ainda, o peso significativo do setor na economia do País, com representação de 4,4% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2011. A Associação destaca que a importância para a competitividade e produtividade da economia nacional, sendo, que o mercado brasileiro de TI contribui para o aumento de eficiência dos mais diversos segmentos. Tradicionalmente, cresce a taxas que são pelo menos o dobro da expansão do PIB, com projeção de 9% para 2012. A maior fatia do faturamento de TI provém do segmento TI In-House (US$ 41,6 bilhões), que é a tecnologia desenvolvida pelo governo e por empresas de outros setores da economia. Hardware vem na segunda posição com grande expressão, US$ 29,9 bilhões. Em seguida, aparecem serviços (US$ 14,7 bilhões), software (US$ 6,18 bilhões) e BPO (US$ 5,6 bilhões). O estudo contempla apenas o mercado interno de TI, sem contabilizar exportações e operações internacionais. Adicionalmente, de acordo com uma pesquisa5 realizada pela KPMG Brasil, o setor de Tecnologia da Informação foi o setor que mais realizou fusões e aquisições no ano de 2011 no Brasil, liderando o ranking pelo 4° ano consecutivo. Somente o ano passado, foram concretizados 90 negócios envolvendo empresas do segmento, um aumento de 5,5% em relação ao ano anterior. Os dados constam em um levantamento realizado trimestralmente pela KPMG e que identifica as 42 áreas que mais realizaram transações no país. 1.1. Caracterização do Problema Ao longo da última década, em específico, questões relacionadas à governança corporativa, qualidade das informações, e consequentemente os controles internos vêm cumulativamente sendo colocados sobre discussão, tendo em vista os diversos fatos notórios, tais como, o aumento e desenvolvimento do mercado de capitais em países emergentes, os escândalos corporativos ocorridos nos Estados Unidos. Essas situações colocam à prova a fidedignidade dos relatórios e demais informações emitidas pelas corporações, os quais necessariamente estão suportados por controles internos. 5 Publicação disponível no site da KPMG Brasil, disponível no Press Release de 01.02.2012, em: http://www.kpmg.com/BR/PT/Estudos_Analises/artigosepublicacoes/Paginas/Release-TI-lidera-ranking-de-fusoes-aquisicoes.aspx 3 Nesse contexto, o entendimento sobre quais são os fatores e as dimensões, que operacionalmente, devem ser levadas em consideração no que tange a qualidade e funcionalidade de controles internos são colocadas sob avaliação, tanto para o momento de implementação, quanto para a avaliação periódica, por administradores e acionistas em especial. A qualidade e efetividade dos controles internos, além de ser um fator necessário à segurança e confiabilidade dos demonstrativos financeiros, é também, um dos mecanismos utilizados para a redução dos custos de agência, conforme estudado por Abdel-Khalik (1993, p.31). Determinadas características contingenciais, como estratégia e tamanho, sob a ótica da Teoria da Contingência6, afetam diretamente a estrutura de controles, com base em COSO (1994), e consequente impacto na sua efetividade, em relação à eficiência e efetividade das atividades, confiabilidade das informações e conformidade com leis e regulamentações. (JOPIKII, 2010, p.115) Ainda quanto em relação à qualidade e efetividade dos controles internos, existem pesquisas que sugerem que as empresas que implementaram ERP (Enterprise Resource Planning7), reportaram menos deficiências na efetividade de seus controles internos, os quais são base para seus demonstrativos financeiros. (MORRIS, 2011, p. 157) Rae e Subramaniam (2008, p.104) concluíram que para existir qualidade nos controles internos, três outros aspectos devem ser levados em consideração sendo: o ambiente ético corporativo, treinamento sobre gerenciamento de risco e atividades de auditoria interna. Como se observa, diversos aspectos podem impactar na determinação da qualidade e efetividade dos controles internos. Nesse sentido, o entendimento de características contingenciais, bem como, a utilização de instrumentos de controle como ERP, ou mesmo, a existência de uma relação de agência são variáveis determinantes. O padrão estrutural de controles tem se desenvolvido substancialmente a partir da estrutura conceitual de COSO 6 De acordo com Covaleski (1996, p. 2) a Teoria da Contingência é essencialmente uma perspectiva teórica sobre o comportamento organizacional que enfatiza como fatores contingentes, como a tecnologia e o ambiente os quais afetam a concepção e funcionamento das organizações. 7 Enterprise Resource Planning: em português, planejamento de recursos organizacionais. São sistemas organizacionais de informação que integram e automatizam processos de negócio em toda a cadeia de valor de uma entidade. O destinatário central de informações dos diversos processos de negócios é função da contabilidade. (Dorantes, et al. 2009, p. 4) 4 (1994), porém nem todas as variáveis de controle podem ser operacionalizadas, para todas as organizações, o que pode não implicar na inexistência de qualidade, ou mesmo, que o estágio de desenvolvimento seja precário, ou que, ainda esteja em uma fase incipiente. Apesar de o controle interno ser um fator essencial que afeta a empresa, as evidências do desempenho real de uma estrutura de controle interno no ambiente organizacional é quase inexistente, e o tema é relativamente inexplorado por pesquisadores, como observado por Kinney (2000, p. 88). 1.2. Questão de Pesquisa Um problema de pesquisa origina-se da inquietação, da dúvida, da hesitação, da perplexidade, da curiosidade sobre uma questão não resolvida (MARTINS; THEÓFILO, 2007, p.22). De acordo com Cooper e Schindler (2003, p. 74) deve se considerar a questão de pesquisa como sendo uma questão orientada para o fato e para a coleta de informações. Ainda, é a hipótese de escolha que melhor informa o objetivo do estudo de pesquisa. Tendo em vista o exposto, fica a seguinte questão de pesquisa a ser discutida neste estudo: Quão aderente é a estrutura conceitual proposta por COSO (1994) às pequenas e médias empresas de TI? Objetivos da Pesquisa O objetivo geral deve procurar dar uma visão geral do assunto de pesquisa, sendo onde se estabelece o que espera conseguir chegar com a sua investigação. (SILVA, 2003, p. 57). Levando em consideração as exposições anteriores, o objetivo geral desse trabalho é: • Entender como os controles internos funcionam na prática, e a sua aderência ou não a estrutura de controles internos proposta por COSO (1994). 5 De acordo com Santos e Parra (1999, p.210) o objetivo específico deve ser o ponto central dentro de um contexto geral, onde é desdobrado o objetivo geral em questões mais especificas. Sendo assim, levando em consideração o objetivo geral, tendo os seguintes objetivos específicos: • Conhecer a literatura sobre controles internos, e fatores determinantes de qualidade e efetividade, especificamente em relação ao seu papel sobre demonstrativos financeiros e compliance, tomando como base a estrutura conceitual proposta por COSO (1994); • Entender como os controles internos funcionam na prática levando em consideração a realidade brasileira, tomando como base o segmento de Tecnologia de Informação (TI), em específico, as pequenas e médias empresas; • Buscar entendimento sobre como os controles internos são aperfeiçoados, bem como, entender quais são os fatores indutores coercitivos e quais as influencias para isso, bem como, os aspectos facilitadores; A fim de responder o problema de pesquisa mencionado, bem como, atingir os objetivos propostos, o presente estudo emprega o método de pesquisa qualitativo, em algumas literaturas denominadas como pesquisa de paradigma fenomenológico, com a realização de entrevistas a pessoas chaves, utilizando-se de roteiro de entrevista previamente elaborado. 1.3. Justificativas e Contribuições As justificativas para a pesquisa se dividem em dois aspectos, sendo a relevância social e para o mercado em geral, e a relevância para academia, em específico para as matérias relacionadas à elaboração de demonstrativos financeiros, auditoria das demonstrações contábeis, controles internos, compliance, e governança corporativa. A relevância social e para o mercado em geral: o entendimento das deficiências, as causas e consequências e aprimoramentos necessários na estrutura de controles internos, beneficiará as organizações em geral, indicando possíveis caminhos para melhoria da qualidade e efetividade, se balizando por cada realidade. 6 A relevância para a academia: estudo contribui para o enriquecimento das matérias de controles internos nos campos da auditoria contábil independente, auditoria interna e governança corporativa, levando em consideração os aspectos relacionados à implementação, melhoria dos controles internos. No mesmo sentido, o atual estudo poderá ser utilizado em futuras pesquisas relacionadas aos assuntos abordados, podendo ser, então, um ponto de partida para outros estudos. 1.4.Estrutura Geral da Pesquisa Abaixo está o retrato da estrutura geral de desenvolvimento da pesquisa, sendo: 1) Introdução; 2) Revisão da literatura sobre controles internos; 3) Características das empresas de TI; 4) Procedimentos metodológicos adotados; 5) Apresentação e análise dos resultados; 6) Conclusões, limitações e sugestões para futuras pesquisas. 7 1. Referencial Teórico 1.1. Conceitos e Importância de Controles Internos O crescimento no tamanho das organizações, o aumento da complexidade dos processos organizacionais e a consequente necessidade de descentralização do poder decisório, faz com surja a necessidade de criação de mecanismos de prestação de contas e monitoramento das organizações, tanto para os proprietários quanto para partes relacionadas, incluindo os seus clientes, fornecedores e financiadores. (TENÓRIO, 2007, p. 17) Kinney e Maher (1990, p. 1) destacam a importância dos controles internos para os investidores, para o governo e para a sociedade, haja vista que esses causam a confiabilidade dos relatórios corporativos, e na própria organização das corporações. Em um esquema lógico, Kinney (2000, p. 85) ilustra o papel dos controles internos dentro da organização, como segue: Figura 1 Papel dos controles internos dentro das organizações. Fonte: Kynney (2000, p.85) A qualidade e efetividade dos controles internos, além de ser um fator necessário à segurança e confiabilidade dos demonstrativos financeiros, é também, um dos mecanismos utilizados para a redução dos custos de agência, conforme estudado por Abdel-Khalik (1993, p.31). 8 Lehman (2010, p. 741) dispõe que a finalidade de um forte sistema de controle interno é tranquilizar os usuários das informações, trazendo confiabilidade dos seus demonstrativos financeiros. Um sistema de controle interno fortalece a governança corporativa, permite que os objetivos de gestão sejam alcançados, e atenua o risco de fraude, aumentando a percepção dos funcionários sobre tal aspecto. O IBRACON, em uma publicação intitulada de Controles Internos Contábeis e Alguns Aspectos de Auditoria, em conjunto com o CRC – São Paulo, 5° Região, no ano de 2000, trataram controles internos como sendo todos os processos e rotinas, de natureza administrativa ou contábil, destinados a fazer com que na empresa: a) os colaboradores respeitem e adiram às politicas traçadas pela Alta Administração; b) os ativos tenham sua integridade protegida; e c) as operações sejam adequadamente registradas, e sua totalidade, nos registros contábeis e fidedignamente retratadas pelas demonstrações financeiras. De acordo com Almeida (2003, p.63) o controle interno representa em uma organização o conjunto de procedimentos, métodos ou rotinas com os objetivos de proteger os ativos, produzir dados contábeis confiáveis e ajudar a administração na condução ordenada dos negócios da empresa. Os sistemas de controles internos empregados pelas organizações devem permitir a manutenção de instrumentos que reduzam riscos e ajudam as organizações a garantir a confiabilidade de demonstrativos financeiros e a conformidade com leis e regulamentações. (SPIRA e PAGE, 2003, p. 656). Como se observa, não apenas a literatura nacional e publicação do órgão de classe dos auditores independentes no Brasil tratam sobre os propósitos dos controles internos, mas, sobretudo, dentre os seus vários objetivos, o principal e mais latente se dá em relação à fidedignidade e confiabilidade das demonstrações financeiras e a redução de riscos. Como proposto por Hightower (2009, p. 27), controles internos referem-se a um conjunto de atividades para guiar, gerenciar e regular para uma direção. São mais do que simples regras, pois envolvem os princípios, as crenças, os valores e a cultura de uma companhia. A definição de Hightower (2009, p.27) é bastante abrangente em sua definição de controles internos, porém, avaliando o aspecto mencionado em conjunto com as estruturas conceituais de controles internos, como COSO (1994) essas são convergentes. Pois de acordo com a referida estrutura, a base para controles internos é o ambiente onde a organização está 9 inserida aspectos relacionados a princípios, crenças e valores mencionados pelo autor ilustram os referidos aspectos. Para Zanette, Alberton e Dutra (2008) os controles internos podem ser caracterizados como administrativos e contábeis. Administrativos são os ligados à eficiência operacional e à obediência às diretrizes administrativas; contábeis, os que visam à proteção patrimonial e a qualidade da informação contábil. Tal classificação de certa forma pode ser tratada com uma mera diferenciação didática, tendo em vista que conforme colocado pelos outros autores, os controles internos impactam diretamente na informação contábil, e aspectos como cultura, diretrizes administrativas não podem ser tratados de forma isolada ou separadamente. 1.2. Desenvolvimento dos Controles Internos O pais em que mais se desenvolveu controles internos foi os Estados Unidos, haja vista, as características do mercado de ações nesse pais, e as consequentes regulamentações emitidas pelo Governo Americano e também pelos órgãos de classe. Boynton, Johnson e Kell (2002, p.319) destacam importância crescente dos controles internos, e se baseiam em uma publicação do Instituto Americano dos Contadores Públicos Certificados dos Estados Unidos (Institute of Certified Public Accountants AICPA) de 1947, que tratavam sobre a importância dos controles internos, em função da: a) extensão e o tamanho das entidades com finalidades lucrativas tinham se tornado tão complexa que a administração precisava recorrer a vários relatórios e analises para controlar eficazmente as operações; b) as conferências e revisões inerentes a um bom sistema de controles internos proporcionava proteção contra fraquezas humanas e reduziam a possibilidade de ocorrência de erros e irregularidades; c) dadas as limitações econômicas de seus honorários, era impraticável que a auditoria independente auditasse a maioria das companhias se não pudesse recorrer aos respectivos sistemas de controles internos. A matéria ganha cada vez mais significância, fazendo com que regulamentações sobre aplicação, bem como, relacionadas à auditoria e procedimentos aplicáveis sejam emitidas. Nos Estados Unidos diversos atos foram divulgados os quais fomentaram a necessidade, importância e obrigatoriedade dos controles internos, como segue: 10 Quadro 1 Evolução Histórica dos Controles Internos nos Estados Unidos Ano 1929 Instituto Documento Comitê de Reserva Federal e Instituo Publicação do documento denominado Americano dos Contadores. (Federal Relatórios Financeiros (Financial Reserve Board - American Institute Statements) Traz mais argumentos sobre 1933 of Accountants (AIA)) sobre controles internos. Congresso Americano Duas publicações Americano pelo Congresso determinavam a obrigatoriedade de emissão de relatórios e 1934 Congresso Americano da realização de auditoria independente para empresas com ações no mercado de valores mobiliários. 1936 Instituto Americano dos Contadores. Exame de Relatórios Financeiros por (American Institute of Accountants Auditores Independentes (Examination of (AIA)) Financial Statements by Independent Accountants): estabeleceu que a extensão do sistema de controle interno da empresa era fator determinante para os procedimentos de auditoria independente. 1939 Instituto Americano dos Contadores. Criação do Comitê de Princípios (American Institute of Accountants Contábeis e Comitê de Procedimentos de Auditoria: (AIA)) Responsabilidade pelo desenvolvimento de princípios contábeis e procedimentos de auditoria. 1948 Comitê de Princípios Contábeis e Relatório Comitê Auditoria de Procedimentos Especial sobre Controles de Internos (Special Report on Internal Control): Definições sobre controle interno, englobando o planejamento da organização e todos os seus métodos e técnicas de mensuração adotadas com o objetivo de salvaguardar os ativos, checar a acuracidade e confiabilidade dos dados contábeis, entre outros aspectos. 11 Ano Instituto 1958 Documento Comitê de Princípios Contábeis e Procedimento de Auditoria sobre o Escopo Comitê de Procedimentos de da Auditoria Revisão de Controles Internos. Statement on Audit Procedure (SAP) 29 – Scope of the Intedepedent Auditor’s Review on Internal Control: Cria a segregação entre controles contábeis e controles administrativos. 1972 Comitê de Princípios Contábeis e Procedimento de Auditoria – Relatório Comitê sobre Controles Internos. Statement on de Procedimentos de Auditoria Audit Procedure (SAP) 49 – Reports on Internal auditores Control. Requereu passassem a que publicar os um relatório sobre o controle interno das empresas auditadas. 1977 Instituto Americano dos Contadores Report of the Special Advisory Committee Públicos Certificados. on Institute of American Certified Public Internal Minaham Accounting Report. Control Guia – para gerenciamento e avaliação do controle Accountants (AICPA) interno e o seu monitoramento. 1988 1990 Comitê de Padrões de Auditoria. Guia de auditoria para SAS 55 (Audit Auditing Standards Board (ASB) Guide) Redefinição do termo de controles internos para estrutura de controle interno. Consideração da Estrutura de Controles Internos em uma Auditoria de Demonstração Contábil. 1992 e 1994 Committee Organization 1997 of of the Sponsoring Internal Control – Integrated Framework Treadway 1992 and Addendum 1994. Estrutura Commission - COSO integrada de controles internos. Auditing Standards Board (ASB) Guia de auditoria para SAS 82 – Considerações sobre fraudes em relatórios financeiros. 12 Ano 2001 e 2002 Instituto Lei Sarbanes - Oxley Documento A Lei Sarbanes Oxley Act (SOX), redigida pelos Senadores norte-americanos Paul S. Sarbanes e Michael G. Oxley, oficialmente intitulada como “uma lei para proteger o investidor aperfeiçoamento, da através precisão e do da confiabilidade dos relatórios corporativos, bem como, fazer com que as leis de segurança sejam seguidas” Fonte: Adaptado de Tenório (2007, p. 41 – 44) e Boynton, Johnson e Kell (2002, p.319 320). No Brasil, não existem regulamentações especificas, ou mesmo estruturas de controles internos as quais devem ser aplicadas pelas organizações em geral, exceto as instituições financeiras, pois essas possuem regulamentação especifica por força da Resolução nº. 2.554, de 24 de setembro de 1998, que dispõe sobre a implantação e implementação de sistema de controles internos pelas instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil. Não obstante, o setor público possui Res. CFC 1.135/08 aprova a NBC T 16.8, que dispõe sobre controles internos da seguinte maneira: Controle interno sob o enfoque contábil compreende o conjunto de recursos, métodos, procedimentos e processos adotados pela entidade do setor público, com a finalidade de: (a) salvaguardar os ativos e assegurar a veracidade dos componentes patrimoniais; (b) dar conformidade ao registro contábil em relação ao ato correspondente; (c) propiciar a obtenção de informação oportuna e adequada; (d) estimular adesão às normas e às diretrizes fixadas; (e) contribuir para a promoção da eficiência operacional da entidade; (f) auxiliar na prevenção de práticas ineficientes e antieconômicas, erros, fraudes, malversação, abusos, desvios e outras inadequações. Adicionalmente, o controle interno é classificado nas seguintes categorias de acordo com a norma: (a) operacional – relacionado às ações que propiciam o alcance dos objetivos da entidade; (b) contábil – relacionado à veracidade e à fidedignidade dos registros e das 13 demonstrações contábeis; (c) normativo – relacionado à observância da regulamentação pertinente. Por fim, a referida resolução, dispõe que a estrutura de controle interno compreende: ambiente de controle; mapeamento e avaliação de riscos; procedimentos de controle; informação e comunicação; e monitoramento. Com base nas disposições mencionadas pelos autores, e pelo texto da resolução, pode se observar que todo o conteúdo exposto leva em consideração, a estrutura conceitual proposta por COSO (1994), seja parcialmente, ou totalmente adotado, conforme a referida norma mencionada. Como se observa, no Brasil, as regulamentações específicas para controles internos existem apenas para instituições financeiras para o setor público. Os balizadores e a utilização, como mencionado, se baseiam em boas práticas de mercado, sendo que a qualidade está intimamente relacionada com fatores contingenciais, tais como: posição de mercado, poder acionário entre outros aspectos. 1.3. Responsáveis pelos Controles Internos Dada à importância dos controles internos, esses precisam ser implementados e mantidos, levando em consideração as características de cada tipo de organização, não existindo um modelo único ou padrão, mas aquele que seja mais aderente e que se cumpram os seus objetivos. A sua implementação e manutenção é de responsabilidade da administração das organizações, haja vista que, tais aspectos são em primeiro lugar de interesse desses, independente das relações de agência existentes. O Instituto Brasileiro de Governança Corporativa – IBGC (2010, p. 56) menciona quem é responsável pelos controles internos: O diretor-presidente, em conjunto com a Diretoria e auxiliado pelos demais órgãos de controle vinculados ao Conselho de Administração, e responsável pela elaboração e proposição para aprovação do Conselho de sistemas de controles internos. Esses sistemas são voltados a monitorar o cumprimento dos processos operacionais e financeiros, assim como os riscos de não conformidade. A eficácia desses controles deve ser revista, no 14 mínimo, anualmente. Os sistemas de controles internos deverão estimular que os órgãos da Administração encarregados de monitorar e fiscalizar adotem atitude preventiva, prospectiva e proativa na minimização e antecipação de riscos. (Grifo Nosso) Tal aspecto vai ao encontro com as disposições da Res. 1.203/09 do Conselho Federal de Contabilidade, aplicável aos trabalhos de auditoria das demonstrações contábeis no Brasil, a qual já está aderente às normas do IFAC, que dispõe o seguinte: Premissa, relativa às responsabilidades da administração e, quando apropriado, dos responsáveis pela governança, com base na qual a auditoria é conduzida – Que a administração e, quando apropriado, os responsáveis pela governança, tenham conhecimento e entendido que eles têm as seguintes responsabilidades, fundamentais para a condução da auditoria em conformidade com as normas de auditoria. Isto é, a responsabilidade: (i) pela elaboração das demonstrações contábeis em conformidade com a estrutura de relatório financeiro aplicável, incluindo quando relevante sua apresentação adequada; (ii) pelo controle interno que os administradores e, quando apropriado, os responsáveis pela governança, determinam ser necessário para permitir a elaboração de demonstrações contábeis que estejam livres de distorção relevante, independentemente se causada por fraude ou erro; (Grifo Nosso) Como mencionado, os controles internos são de responsabilidade dos administradores, e quando apropriado, pelos responsáveis pela governança corporativa da organização. 15 1.4. Estruturas Conceituais de Controles Internos Tendo em vista que em diversos países, assim como, no Brasil não existem normas específicas tratando como deve ser os sistemas de controles internos. Em alguns países determinadas estruturas padrões se desenvolveram como na Austrália, Canadá e Inglaterra. No quadro abaixo, são apresentadas algumas estruturas de controles internos, sendo elas: AS/NZS 4360 (Austrália e Nova Zelândia), COSO (Estados Unidos), COCO (Canadá), Turnbull Report (Inglaterra e Pais de Gales). Muitas das práticas adotadas pelas organizações se baseiam em conceitos transcritos nessas estruturas de controles internos. Apesar das convalescências de conceitos e objetivos, alguns aspectos se diferenciam. Inicialmente, apresentamos as definições de controles internos apresentadas por cada uma das estruturas. Quadro 2 Conceitos de Controles Internos Estrutura AS/NZS 4360 Conceito de Controles Internos A norma descreve sobre gestão de riscos e não apresenta uma definição específica para controle interno. COSO Controles internos é um processo operado pelo conselho de administração, pela administração e outras pessoas, desenhado para fornecer segurança razoável quanto à consecução de objetivos nas seguintes categorias, em resumo: (a)Eficácia e eficiência de operações; (b) Confiabilidade de informações financeiras; (c) Obediência às leis e regulamentos aplicáveis. COCO O controle envolve os recursos, sistemas, processos, planejamento, aprendizado contínuo, indicadores de performance e cultura organizacional, os quais devem atuar de maneira conjunta, possibilitando as pessoas a atingirem os objetivos da empresa. TURNBULL O sistema de controles internos de uma empresa tem um papel fundamental na gestão de riscos que são significativos para o cumprimento de seus objetivos de negócios. Um sistema de controle interno contribui para salvaguardar o investimento dos acionistas e os ativos da empresa. 16 Fonte: Adaptado de Fernandes, Heinzmann e Wienhage (2010) e COSO (1994), TURNBULL (2005) e COCO (1995). Como se observa, exceto pela estrutura AS/NZS 4360 (Austrália e Nova Zelândia), pois se trata especificamente sobre os aspectos relativos à gestão de riscos, tratando controles internos como parte integrante do conjunto, as demais estruturas abordam especificamente controles internos, como objetivo principal. Tratando-se de COSO (1994), COCO (1995) e TURNBULL (2005), ambos tratam de uma questão central, ampla, que é o atingimento dos objetivos de negócios da organização, sendo que, implicitamente, aspectos relativos à confiabilidade de informações financeiras, salvaguarda de investimento dos acionistas e ativos da empresa, apesar de mencionados por algumas estruturas estão intrínsecos ao objetivo principal comum a todos. Adicionalmente, avaliando a composição das estruturas, ou seja, os componentes dessa estrutura têm os seguintes aspectos: Quadro 3 Componentes da Estrutura de Controles Internos Estrutura AS/NZS 4360 Componentes da Estrutura de Controles Internos Etapas Gestão de Riscos: Comunicação; Estabelecer o contexto; Identificar o risco; Analisar o risco; Avaliar o risco; Tratar os Riscos; Monitorar. COSO O relatório determina vinte e seis princípios fundamentais associados a cinco componentes chaves de controles internos, sendo os seguintes, em resumo (1994, p.4): Ambiente de controle; Avaliação de riscos; Atividades de controle; Informação e comunicação; Monitoramento. COCO Propósito; Comprometimento; Capacidade; Monitoramento e Aprendizado. TURNBULL A estrutura de controles internos engloba as políticas, processos, tarefas, comportamentos. Fonte: Adaptado de Fernandes, Heinzmann e Wienhage (2010) e COSO (1994), TURNBULL (2005) e COCO (1995). 17 COSO (1994) apresenta sua base estrutural fundamentada em cinco componentes básicos, os quais em conjunto formam uma estrutura conceitual. Na mesma linha, COCO (1995) traz cinco conceitos fundamentais. TURNBULL (2005) não traz componentes ou conceitos fundamentais, mas o que deve englobar os controles internos. A estrutura AS/NZS 4360 (Austrália e Nova Zelândia), traz etapas de avaliação de risco, sendo que, para essa o controle interno passa a ser um instrumento para que se permita tal avaliação. Em resumo, tratando-se das diferenças e familiaridades das estruturas, a primeira, AS/NZS 4360, tendo como objetivo a avaliação de riscos. Enquanto que COSO (1994), está preocupado com o processo e os resultados relacionados a controles internos, focando em monitoramento, instrumentos de controle, qualidade da informação e ambiente de controle. COCO (1995) tem uma linha semelhante a COSO (1994), porém, com um enfoque muito maior na valorização de pessoas e comportamentos, que está intimamente relacionado a controles internos, porém, não em instrumentos e procedimentos de controle. Quanto a TURNBULL (2005) esse também valoriza os procedimentos e resultados, porém com enfoque aos diretores das empresas e a sua obrigação em relação aos controles internos. 1.5. A Estrutura Conceitual Proposta por COSO (1994) Diante dos objetivos e conceitos propostos por cada uma das estruturas, COSO (1994) é a que tem como objetivo final difundido, além de outros aspectos, a confiabilidade das informações financeiras. É sem dúvida, um dos maiores balizadores e instrumento institucionalizador de controles internos. A estrutura proposta por COSO (Committe of Sponsoring Organizations), Comitê de Organizações Patrocinadoras, da Comissão Treadway emitiu um relatório intitulado Internal Control Integrated Framework (Estrutura Integrada de Controles Internos), em 1992, sendo que, a versão inicial foi revisada em 1994. Fizeram parte desse comitê representantes do AICPA (American Institute of Certified Public Accountants) Instituto Americano dos Contadores Públicos Certificados, da Associação Americana de Contabilidade (American Accounting Association), do Instituto de Auditores Indenpendentes (Institute of Internal Auditors) e do Instituto de Executivos de Finanças (Financial Executives Institute). 18 Um dos principais objetivos foi estabelecer uma única definição de controles internos que atendesse a necessidade de diferentes interessados, e; fornecer um padrão contra o qual empresas e outras entidades pudessem avaliar seus sistemas de controles e determinar como poderiam aperfeiçoá-los. Adicionalmente, as principais normas e regulamentações sobre o assunto, remetem a estrutura conceitual proposta por COSO, como por exemplo, as que balizam o trabalho dos auditores independentes, emitidos pela IFAC (International Federation of Accountants) Federação Internacional de Contadores, convergentes no Brasil, pelas resoluções do Conselho Federal de Contabilidade. COSO (1994, p. 3) dispõe que controles internos é um processo operado pelo conselho de administração, pela administração e outras pessoas, desenhado para fornecer segurança razoável quanto à consecução de objetivos nas seguintes categorias, em resumo: (a)Eficácia e eficiência de operações; (b) Confiabilidade de informações financeiras; (c) Obediência às leis e regulamentos aplicáveis. A primeira categoria aborda os objetivos de uma entidade de negócio de base, incluindo o desempenho e as metas de rentabilidade e de salvaguarda dos recursos. O segundo refere-se à confiabilidade das demonstrações financeiras. O terceiro trata cumprir leis e regulamentos aos quais a entidade está sujeita. De acordo com COSO (1994, p. 4) o sistema de controle interno funciona em diferentes níveis de eficácia. O controle interno pode ser julgado eficaz em cada uma das três categorias, respectivamente, se o conselho de administração e gestão ter segurança de que: • A administração entende até que ponto os objetivos da entidade estão sendo alcançados; • As demonstrações financeiras publicadas estão sendo preparados de forma confiável; • As leis e regulamentos aplicáveis estão sendo cumpridos. Controle interno sendo um processo, sua eficácia é uma condição ou estado do processo em um ou mais pontos no tempo. O controle interno consiste em cinco componentes inter-relacionados. Estes são derivados a partir da forma de como a gestão administra um negócio, e estão integrados com o processo de gestão. Embora os componentes aplicáveis a todas as entidades, empresas de pequeno e médio porte podem implementá-los de forma diferente que as grandes. Seus controles podem ser menos formais e menos estruturados, mas 19 uma pequena empresa pode ainda ter um controle interno eficaz. O relatório determina vinte e seis princípios fundamentais associados a cinco componentes chaves de controles internos, sendo os seguintes, em resumo (1994, p.4-5): • Ambiente de controle: O ambiente de controle define o tom de uma organização, como influenciam e conscientizam o seu pessoal sobre controles. É a base para todos os outros componentes do controle interno, proporcionando disciplina e estrutura. Ambiente de controle inclui fatores relacionados à integridade, valores éticos e competência de pessoas da entidade; filosofia de gestão e estilo operacional, a forma como são atribuídas autoridade e responsabilidade, e organiza e desenvolve o seu povo, e a atenção e direção as diretrizes determinadas pelo conselho de administração; • Avaliação de Riscos: Cada entidade enfrenta uma série de riscos a partir de fontes externas e internas que deve ser avaliada. Uma condição prévia para avaliação de risco é o estabelecimento de objetivos, ligados a diferentes níveis e internamente consistente. Avaliação de risco é a identificação e análise dos riscos relevantes para a realização dos objetivos, formando uma base para determinar como os riscos devem ser geridos. A economia, aspectos regulatórios e as condições de funcionamento irão continuar a mudar, são necessários mecanismos para identificar e lidar com os riscos; • Atividades de controle: As atividades de controle são as políticas e procedimentos que ajudam a garantir as diretivas de gestão estão sendo realizadas. Eles ajudam a garantir que as ações necessárias sejam tomadas para enfrentar os riscos para a realização dos objetivos da entidade. As atividades de controle ocorrem em toda a organização, em todos os níveis e em todas as funções. Eles incluem uma gama de atividades tão diversas como as aprovações, autorizações, verificações, reconciliações, revisão de desempenho operacional, segurança de ativos e segregação de funções; • Informação e comunicação: A informação pertinente deve ser identificada, capturada e comunicada em forma e nos prazos que permitam com que as pessoas possam cumprir suas responsabilidades. Sistemas de informação produzem relatórios, contendo informações operacionais, financeira que o tornam possível executar e 20 controlar o negócio. Eles lidam não apenas com os dados gerados internamente, mas também informações sobre eventos externos. Uma comunicação eficaz também deve ocorrer em um sentido mais amplo. Todo o pessoal deve receber uma mensagem clara da gestão, a fim de compreender o seu próprio papel no sistema de controle interno, bem como a forma como as atividades se relacionam com o trabalho dos outros. Há também a necessidade de se existir uma comunicação eficaz com partes externas, como clientes, fornecedores, reguladores e acionistas; • Monitoramento: Sistemas de controles internos precisam ser monitorados. Um processo que avalie a qualidade do desempenho do sistema ao longo do tempo. Isto é realizado através das atividades de monitoramento. O monitoramento contínuo ocorre no decurso das operações. Ele inclui gestão regular e de supervisão das atividades e do pessoal. O alcance e a frequência das avaliações dependerão principalmente de uma avaliação dos riscos e a eficácia dos procedimentos de monitoramento em curso. Deficiências de controle interno devem ser relatadas imediatamente, e ser tratadas como assuntos sérios pela gestão. Há uma sinergia e articulação entre esses componentes, formando um sistema integrado que reage dinamicamente às mudanças nas condições. O sistema de controle interno está intimamente relacionado com as atividades operacionais da entidade. O controle interno é mais eficaz quando os controles são construídos como uma base da entidade e são uma parte da essência da empresa. Existe uma relação direta entre as três categorias de objetivos, que são o que uma entidade se esforça para alcançar, e os componentes, que representam o que é necessário para atingir os objetivos. Todos componentes são relevantes para cada categoria. Ao olhar para qualquer categoria, a eficácia e eficiência das operações, por exemplo, todos os cinco componentes devem estar presentes e funcionando efetivamente para que o controle interno sobre as operações seja eficaz. 21 1.6. Pesquisas Empíricas sobre Controles Internos e COSO Abdel-Khalik (1993, p.31) realizou um estudo nos Estados Unidos com objetivo explicar a motivação para os proprietários de empresas privadas, voluntariamente, exigir auditoria das demonstrações contábeis. A hipótese estudada é que o gerente ou proprietário procuram auditorias como um sistema de controle compensatório para a perda de controle e aumento da complexidade organizacional. Assim, a auditoria compensaria e ajudaria a mitigar tal perda de controle. A hipótese foi testada utilizando a informação para 103 empresas privadas, e foi concluída que a relação é positiva. Nesse estudo realizado por Abdel-Khalik (1993) um dos aspectos que se conclui é que um dos mecanismos utilizados para a redução dos custos de agência seria a implementação e melhoria de controles internos, sendo que tal fato contribui diretamente para o objetivo final da pesquisa que é busca de entendimento sobre a demanda por auditoria. Rae e Subramaniam (2008, p.104) realizaram uma pesquisa sobre qualidade nos procedimentos de controles internos, através de um levantamento de dados de 64 empresas australianas realizando uma análise de regressão múltipla. A pesquisa concluiu que para existir qualidade nos controles internos, três outros aspectos devem ser levados em consideração sendo: o ambiente ético corporativo, treinamento sobre gerenciamento de risco e atividades de auditoria interna. Jopikii (2010, p.115) realizou um estudo onde analisou características contingenciais que podem afetar a estrutura de controle interno e se resulta em uma avaliação mais favorável da eficácia de tais mecanismos. Embora os componentes de controle interno foram examinados individualmente na literatura de controle, o trabalho coloca o conceito de controle interno num contexto mais amplo. Os resultados, derivados de uma pesquisa realizada com 741 empresas finlandesas, apontam que uma estratégia prospectiva e a incerteza no ambiente são os itens que mais influenciam positivamente os controles internos. Ainda, quando se fala em qualidade e efetividade dos controles internos, existem pesquisas que sugerem que as empresas que implementaram ERP (Enterprise Resource Planning), no período de 1994 a 2003, as quais reportaram menos deficiências na efetividade de seus controles internos, os quais são base para seus demonstrativos financeiros. (MORRIS, 2011, p.157) 22 Diante dos estudos já realizados, alguns aspectos podem ser observados em relação a utilidade e qualidade dos controles internos: a) É um dos mecanismos utilizados para a redução dos custos de agência. Abdel-Khalik (1993); b) A qualidade dos controles internos está relacionada: o ambiente ético corporativo, treinamento sobre gerenciamento de risco e atividades de auditoria interna. Rae e Subramaniam (2008); c) Os fatores contingenciais estratégia e percepção sobre incerteza no ambiente tem relação direta com a estutura de controles internos, conforme estudado por Jopikii (2010); d) As empresas que implementaram ERP (Enterprise Resource Planning), sistemas integrados reportaram menos deficiência em controles internos no período de 1994 a 2003, de acordo com Morris (2011). 23 2. Procedimentos Metodológicos Nesse capitulo são apresentados os procedimentos metodológicos utilizados nesse trabalho os quais foram pertinentes, para obtenção dos resultados da presente pesquisa, a fim de cumprir os objetivos propostos. 2.1.Modelo da Pesquisa Tendo como fundamento o problema de pesquisa apresentado no presente estudo, bem como, a revisão bibliográfica realizada, o modelo foi orientado pela estrutura conceitual proposta por COSO (1994) e nos estudos já realizados que utilizaram a referida estrutura conceitual, avaliando qualidade e efetividade dos controles internos. Tomando como base os resultados das pesquisas realizadas por Abdel-Khalik (1993), Rae e Subramaniam (2008), Jopikii (2010), Morris (2011) e a própria estrutura conceitual proposta por COSO (1994), bem como, o documento denominado Internal Control – Integrated Framework, Evaluation Tools (1992). Esse último documento é um estudo complementar a estrutura conceitual e contém um conjunto de ferramentas que podem ser úteis na realização de uma avaliação do sistema de controles internos de uma entidade. Assim, tomando como base a literatura mencionada, sugeriu-se o modelo da pesquisa, avaliando os requisitos utilizados na estrutura conceitual, evaluation tools, e aqueles utilizados nas demais pesquisas realizadas e a sua relação com a realidade das pequenas e médias empresas de tecnologia da informação. Também, a fim de contextualizar e melhor entender a realidade a que as empresas pesquisadas estão inseridas, questões relacionadas à busca por conhecimento, fatores de influência em controles internos também foram inseridos. A partir da literatura existente, criou-se um modelo de, o qual pode ser observado na Figura 2. 24 Figura 2 Modelo da Pesquisa 2.2. Método de Pesquisa De acordo com Cooper e Shindler (2008) método científico são procedimentos disciplinados para gerar pesquisa de qualidade, incluindo observações direta de fenômenos: variáveis claramente definidas. Já para Richardson (2011), em uma linha semelhante, porém em sentido mais amplo, método em pesquisa significa a escolha de procedimentos sistemáticos para a descrição e explicação dos fenômenos. Ainda, de acordo com Richardson (2011), o método se divide em duas grandes linhas: o qualitativo e quantitativo. Os métodos indicados se diferenciam não só pela sistemática, mas também pela forma de abordagem do problema em estudo. De acordo com Collis e Hussey (2006), o polo qualitativo, também denominado de fenomenológico, se destaca por produzir dados qualitativos. Levando em consideração os aspectos mencionados, a metodologia é qualitativa, utilizando de pesquisa de campo, através de entrevistas, sendo de natureza exploratória, tendo em vista que há pouco conhecimento sobre o assunto e busca-se conhecer com maior profundidade. Objetiva-se reunir mais conhecimento e incorporar características não conhecidas anteriormente. 25 2.2.1. Método Qualitativo Collis e Hussey (2006) trazem que o método qualitativo, paradigma fenomenológico, tende a trazer dados e informações de alta validade, interessando-se pela geração de teorias sob o assunto em estudo. Uma das principais diferenças para o método qualitativo é por que esse emprega instrumentos estatísticos como base do processo de análise de um problema, de acordo com Richardson, 2011. 2.3. Delimitação do Problema Objetivando concluir positivamente com os resultados da pesquisa, respondendo aos problemas proposto, algumas delimitações são necessárias. Assim, nesse sentido, optou-se por estudar como os controles internos funcionam a luz de COSO (1994), levando em consideração a realidade brasileira, tomando como base as pequenas e médias empresas de Tecnologia de Informação (TI). Adicionalmente, buscar comparativos entre o atual estágio com outras realidades, haja vista as pesquisas existentes desenvolvidas em outros países. 2.4. População e Amostra Para Cooper e Shindler (2008) população representa a coleta total de elementos sobre os quais se quer fazer inferências. Para o mesmo autor, amostra se refere a um grupo de casos, respondentes ou registros incluídos como parte da população-alvo, cuidadosamente selecionado para representar aquela população. Já para Richardson (2011), população é o conjunto de elementos que possuem determinadas características, assim, fala-se de população ao se referir a todos os habitantes de determinado lugar. Assim, para a obtenção dos resultados da pesquisa, a população foi constituída de pequenas e médias empresas de Tecnologia da Informação, todos estabelecidos na região metropolitana de Campinas, no Estado de São Paulo, porém com abrangência nacional e internacional. 26 O parâmetro para classificação de empresas pequenas e médias levou em consideração aquele previsto na legislação societária brasileira, Lei 11.638/07, que define empresas de grande porte, ou seja, todas as empresas com receita bruta anual maior do que trezentos milhões de reais e ou ativos totais maiores do que duzentos e quarenta milhões de reais. Todas as empresas entrevistadas estão abaixo dessas características. A escolha por qual profissional entrevistar, foi em função da responsabilidade sobre controles internos nessas empresas. Assim foi escolhido o profissional responsável pela área administrativa financeira, sendo: Controllers, Diretores Financeiros, Gerentes Administrativos Financeiros. Com base na proposta do trabalho, e nos parâmetros apresentados, foram selecionadas sete empresas com as características mencionadas, sendo todas elas de atividades operacionais especificas semelhantes, sendo que, dessas seis empresas são auditadas por auditores externos independentes, e uma empresa não auditada. 2.5. Instrumentos de Coleta de Dados Dada à característica do presente trabalho, foram realizadas entrevistas tomando como base perguntas abertas e fechadas, se utilizando de um roteiro de entrevistas previamente elaborado. O roteiro de entrevista foi elaborado tomando pesquisas já realizadas em outros países mencionadas no referencial teórico. Adicionalmente, o roteiro foi pré-testado com o sócio de uma empresa de auditoria contábil independente, com vasta experiência em empresas de tecnologia da informação e também em controles internos. Tal procedimento seguiu a linha de Richardson (2011), que traz que alguns pesquisadores recomendam realizar o pré-teste, o qual consiste na aplicação prévia do instrumento a um número reduzido de elementos com as mesmas características da amostra sob avaliação. Após determinados ajustes, o roteiro que consta no Apêndice I, foi estruturado da seguinte maneira: a) quatro questões de caracterização da organização; b) duas questões de caracterização do respondente; c) treze perguntas abertas. 27 2.6. Técnicas para a Análise dos Dados – Análise de Conteúdo A técnica utilizada no presente estudo é a análise de conteúdo. De acordo com Collis e Hussey (2006) trazem que a análise de conteúdo e um método formal para análise de dados qualitativos. É basicamente associada a um método positivista, haja vista que é uma maneira de converter sistemicamente texto em variáveis numéricas para análise qualitativa dos dados. A análise de conteúdo é um conjunto de técnicas de análise das comunicações, se tratando de um método muito empírico, dependente do tipo de fala a que se dedica e do tipo de interpretação que se pretende como objetivo. BARDIN (2007) 2.6.1. Etapas da Análise de Conteúdo De acordo com Bardin (2007) a análise de conteúdo se divide bem três etapas, sendo: a) pré-análise; b) exploração do material, e; c) tratamento dos resultados e interpretação do material. O autor trata da seguinte maneira as fases: • Pré-Análise: é a fase de organização propriamente dita. Tem por objetivo organizar as ideias. Geralmente, possui três missões, ou seja: a escolha dos documentos, a formulação das hipóteses e dos objetivos e a elaboração de indicadores que fundamentem a interpretação final. • Exploração do Material: consiste na aplicação sistemática das decisões tomadas. Consiste em operações de codificação, decomposição ou enumeração, em função de regras previamente formuladas. De acordo com a referida autora a organização da codificação compreende três escolhas para a análise quantitativa e categorial: Recorte: escolha das unidades; Enumeração: escolha das regras de contagem; Classificação e Agregação: escolha das categorias. • Tratamento dos Resultados: Os resultados brutos são tratados de maneira a serem significativos e válidos, a fim de permitir estabelecer quadros de resultados, a fim de colocar em relevo as informações fornecidas pela análise. O procedimento adotado nessa pesquisa foi o de organizar o conteúdo a partir do tema em estudo, utilizando-se de um modelo aberto, sendo que as categorias foram sendo 28 construídas ao decorrer da análise de conteúdo realizado. Essa forma se justifica em função da natureza exploratória da pesquisa. A figura 4 trata como foi realizada a analise de conteúdo da presente pesquisa: Definição do Problema de Pesquisa e Objetivos Pesquisa de Campo Entrevistas Pré-Análise Organização e Análise. Leitura Flutuante Unidade de Significado Definição das Unidades de Significado Categorização Transformar as Unidade de Significado em Categorias Análise dos Resultados e Relações com os Atuais Estudos Figura 3 Esquema Básico da Análise de Conteúdo Fonte: Adaptado de Perez (2006) As entrevistas foram realizadas pelo próprio autor, sendo que todas foram gravadas em um equipamento de áudio. Posteriormente, o conteúdo foi transcrito em texto a fim de facilitar análise de conteúdo. Para a análise de conteúdo, foi adquirido software NVIVO versão 9, através de licença válida por um período de seis meses. 29 Lage (2011) dispõe que o NVIVO é um dos softwares mais utilizados no ambiente acadêmico brasileiro, tendo sido utilizado pelos centros de pesquisa das grandes universidades. 30 3. Análise dos Resultados e Discussões 3.1. Características das Empresas Entrevistadas e dos Entrevistados Para a execução da pesquisa, foram escolhidas sete empresas de pequeno e médio porte, sendo todas as empresas com receita bruta anual menor do que trezentos milhões de reais e ou ativos totais menores do que duzentos e quarenta milhões de reais. Das sete empresas, todas são auditadas, exceto uma. Abaixo se apresenta as características das empresas que foi elaborada através de classificações no NVIVO: Quadro 4 Características das empresas entrevistadas. Empresa com Entrevistado Auditoria Externa ICA01 CIF 02 ELD 03 DEX 04 SFY05 ASG06 MAT07 Sim Sim Sim Não Sim Sim Sim Empresa com Auditoria Interna Não Não Não Não Não Não Não Número de Funcionários 116 1200 600 100 450 60 260 Divulgação dos Demonstrativos Financeiros Não Sim Sim Não Sim Não Sim Administradores Diferentes dos Acionistas Não Não Sim Não Sim Sim Não Fonte: Própria pesquisa As classificações foram elaboradas levando em consideração os objetivos da pesquisa e os possíveis aspectos que possam ser significativos. A existência ou não de auditoria externa, bem como, a existência de administradores diferentes dos acionistas foi utilizada, seguindo a linha de Abdel-Khalik (1993) que dispõe que um dos mecanismos utilizados para a redução dos custos de agência seria a implementação e melhoria de controles internos e que um fator relacionado a isso seria a demanda por auditoria. O aspecto relacionado à auditoria interna se relaciona diretamente a qualidade dos controles internos conforme estudado por Rae e Subramaniam (2008). O fator número de funcionários se baseia na pesquisa desenvolvida por Jopikii (2010, p.115), sendo que esse foi uma das características contingenciais da pesquisa por ele realizada. 31 Abaixo as características dos entrevistados na pesquisa, sendo que todos esses são responsáveis diretos pela manutenção dos controles internos nas organizações pesquisadas. Quadro 5 Características dos entrevistados. Entrevistado Cargo do Entrevistado ICA01 CIF 02 ELD 03 DEX 04 SFY05 ASG06 MAT07 Controller Diretor Financeiro Diretor Financeiro Diretor Financeiro Diretor Financeiro Gerente Administrativo Financeiro Controller Tempo na Organização (Anos) 3 17 11 15 3,5 4 11 Escolaridade Pós- Gradução Pós- Gradução Pós- Gradução Pós- Gradução Pós- Gradução Pós- Gradução Pós- Gradução Área de Formação Administração Administração Contabilidade Administração Administração Estatitistica Administração Fonte: Própria pesquisa A divergência entre os cargos se dá em relação às politicas de recursos humanos utilizada em cada uma das organizações, tendo em vista que apesar das diferenças os entrevistados estão no maior estágio de reponsabilidade sobre o assunto em questão, sendo que todos possuem relação direta com o conselho de administração ou diretoria executiva, quando não integrante desses. 3.2. Definição das Unidades de Significado O inicio das análises começou com a pré-análise das entrevistas as quais foram todas importadas no NVIVO em formato de texto. Após essa fase, iniciou-se a fase denominada codificação, conforme Bardin (2011), que é o processo de organizar o material em unidades de registro, ou unidade de significado. No software NVIVO essas referidas unidades de significado são denominados de NÓS. Ainda, conforme Bardin (2011), a unidade de significado codificada corresponde ao segmento de conteúdo considerado unidade de base, o qual posteriormente foi categorizado. Dessa maneira, com base no conteúdo coletado, após conclusão da pró-análise, iniciaram-se o processo de codificar, ou atribuir os NÓS, conforme nomenclatura do NVIVO, sendo que após a conclusão das codificações constatou-se a existência de 86 unidades de significado, sendo as seguintes: 32 Quadro 6 Descrição das unidades de significado N° 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 De scrição da Unidade de Significado (NÓ ) Controles internos é o que excede a prática fiscal ou contábil Controles internos é o processo responsável por dar consistência e transparência Controles internos está relacionado ao resultado e a risco que impactam os acionistas Controles internos devem promover o equilibrio entre administradores e proprietários Controles internos devem ter um conjunto de processos e atividades Controles internos devem ser operacionais Importância da segurança dos códigos fontes Segurança em relação a qualidade dos serviços prestados Verificação das grandes contas contábeis Existência de politicas em relação a postura dos colaboradores No ERP se tem visibilidade financeira e das operações Processos de aprovação de despesas e de contratação Controles internos são suficiente as exigências do Conselho de Administração T reinamentos específicos externos sobre controles e processos internos Os acionistas se baseiam na informação do conselho de administração Os gerentes se reportam diretamente a uma diretoria executiva, mas não ao conselho Os gerentes são bastante adaptados a cultura da empresa Os gerentes são seguidores das normas e politicas da empresa Os gerentes trabalham há muito t empo na empresa Os gerentes não estão sobrecarregados O grande controlador das normas é o ERP A segurança dos dados pode ser melhorada com melhores sistemas e revisão de processos As empresas deveriam investir mais em controles internos Controles internos são necessários a prestação de contas Alçadas definidas no próprio ERP A geração de informações diretamente do ERP é mais segura Importância da integração com as auditorias externas Existência de auditoria externa mesmo sem obrigatoriedade Falta de informações no ERP está relacionado ao mau uso da ferramenta A existência de controles não implica a existência de procedimentos formais Divulgação de resultados com transparência a diversos públicos Controles internos precisam minimizar riscos e depois maximizar os lucros Comparação entre o budget e o realizado com instrumento de controle O ciclo de gastos com pessoal é importante nas empresas de T I Os procedimentos de reconciliação contábil são importantes e aumentam segurança das informações A análise de riscos é parte integrante do planejamento estratégico O ERP forncece dados mas não informações Os gerentes apresentam prestação de contas mensal aos diretores Um rodizio de pessoas na mesma função pode ajudar na melhoria dos processos Controles internos devem registrar aquilo que foi efetivamente realizado 33 N° 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 64 65 66 67 68 69 70 71 72 73 74 75 76 77 78 79 80 81 82 83 84 85 86 De scrição da Unidade de Significado (NÓ ) Verificação a consistência e realização receita e despesas Inexistência de um comitê de riscos mas pelo tamanho isso se tornou importante Conselho de administração formado por diretores envolvidos no processo A integração de dados entre as empresas de mais de um pais é custosa e não vulnerável Crescimento da empresa influência nos controles internos Os processos devem ser estruturados e depois os controles A realidade das empresa de T I não é estável o que impacta nos controles internos Adoção de cultura de melhoria contínua - lean manufacturing Os demonstrativos contábeis são consequencias do processo O controle interno é preventivo Disseminação as pessoas que existe controle O controle do fluxo de caixa da empresa é muito importante tendo em vista os possíveis reflexos e riscos Mudança periódica da auditoria externa independente Prestação de contas a funcionários e apresentação do planejamento estratégico Assinatura de um NDA na contratação dos colaboradores Certificações de qualidade exigem controles internos Diretoria executiva presta contas ao conselho mensalmente Os riscos são tratados através de provisão Os acionistas são pouco acompanhadores do processo e se concentram em aspectos estratégicos Monitoramento de atividades através de personal business IFRS e CPC ajudam a aumentar os controles internos Controles internos deve promover a confiabilidade e segurança das informações Procedimentos em relação as áreas operacionais Inexistência de procedimentos para a área financeira e administrativa A segregação de funções é fundamental em um sistema de controles internos Empresas menores a contabilidade só é utilizada para atender o fisco Participação em entidades de classe e grupos do setor Inexistência de comitês ou processos fomais de avaliação de riscos Os acionistas diretores se relacionam diretamente com os gerentes rapidez nas decisões A inexist ência de ERP é um problema para controles internos Procedimentos de verificação das boas práticas principalmente na área operacional Controles internos estão e não estão relacionados com demonstrativos financeiros Visão de que procedimentos não relacionados a área financeira não impactam os demonstrativos financeiros Controles financeiros são mais relacionados aos demonstrativos financeiros Fechamento contábil tempestivo Procedimentos formais e códigos de conduta são necessários e devem ser disseminados Forte acompanhamento do planejamento estratégico e das metas A melhor ferramenta de controle interno é o ERP Informações geradas de forma rárpida e tempestiva Busca de conhecimento em literatura e consultorias Importância da carta de recomendações da auditoria Cultura organizacional tem papel fundamental nos controles internos Concentração da avaliação de riscos na área administrativa financeira Empresas menores as aprovações estão concentradas na diretoria Um BI dentro do ERP gera informações e economiza tempo Preocupação maior com medidores de resultado do que com conformidade Fonte – Própria Pesquisa 34 Para a definição das unidades de significado, procurou-se descobrir os sentidos do que estava presente nas entrevistas, avaliando a frequência de suas aparições. Utilizando-se dos instrumentos de análise do NVIVO, verifica-se o número de referencias e de itens codificados em cada um dos NÓS (unidades de significado). Na tabela abaixo o resultado dessa análise: Nós (Unidade de Significado) Nós\\Um BI dentro do ERP gera informações e economiza tempo Nós\\A melhor ferramenta de controle interno é o ERP Nós\\Procedimentos formais e códigos de conduta são necessários e devem ser disseminados Nós\\Importância da carta de recomendações da auditoria Nós\\Busca de conhecimento em literatura e consultorias Nós\\Controles internos deve promover a confiabilidade e segurança das informações Nós\\Controles internos precisam minimizar riscos e depois maximizar os lucros Nós\\Cultura organizacional tem papel fundamental nos controles internos Nós\\O ERP forncece dados mas não informações Nós\\Os procedimentos de reconciliação contábil são importantes e aumentam segurança das informações Nós\\A segregação de funções é fundamental em um sistema de controles internos Nós\\Concentração da avaliação de riscos na área administrativa financeira Nós\\Conselho de administração formado por diretores envolvidos no processo Nós\\Controles internos devem registrar aquilo que foi efetivamente realizado Nós\\Empresas menores as aprovações estão concentradas na diretoria Nós\\O controle do fluxo de caixa da empresa é muito importante tendo em vista os possíveis reflexos e riscos Nós\\A inexistência de ERP é um problema para controles internos Nós\\Alçadas definidas no próprio ERP Nós\\Crescimento da empresa influência nos controles internos Nós\\Diretoria executiva presta contas ao conselho mensalmente Nós\\IFRS e CPC ajudam a aumentar os controles internos Nós\\Inexistência de comitês ou processos fomais de avaliação de riscos Nós\\Os acionistas diretores se relacionam diretamente com os gerentes rapidez nas decisões Nós\\Os acionistas são pouco acompanhadores do processo e se concentram em aspectos estratégicos Nós\\Participação em entidades de classe e grupos do setor Nós\\Procedimentos em relação as áreas operacionais Nós\\A existência de controles não implica a existência de procedimentos formais Nós\\A geração de informações diretamente do ERP é mais segura Nós\\As empresas deveriam investir mais em controles internos Nós\\Certificações de qualidade exigem controles internos Nós\\Comparação entre o budget e o realizado com instrumento de controle Nós\\Divulgação de resultados com transparência a diversos públicos Nós\\Existência de auditoria externa mesmo sem obrigatoriedade Nós\\Inexistência de um comitê de riscos mas pelo tamanho isso se tornou importante Nós\\Informações geradas de forma rárpida e tempestiva Nós\\Mudança periódica da auditoria externa independente Nós\\O ciclo de gastos com pessoal é importante nas empresas de TI Nós\\O grande controlador das normas é o ERP Nós\\Procedimentos de verificação das boas práticas principalmente na área operacional Nós\\Um rodizio de pessoas na mesma função pode ajudar na melhoria dos processos Nós\\Verificação a consistência e realização receita e despesas Nós\\A análise de riscos é parte integrante do planejamento estratégico Nós\\A integração de dados entre as empresas de mais de um pais é custosa e não vulnerável Nós\\A realidade das empresa de TI não é estável o que impacta nos controles internos Nós\\A segurança dos dados pode ser melhorada com melhores sistemas e revisão de processos Nós\\Adoção de cultura de melhoria contínua - lean manufacturing Nós\\Assinatura de um NDA na contratação dos colaboradores Nós\\Controles financeiros são mais relacionados aos demonstrativos financeiros Nós\\Controles internos devem promover o equilibrio entre administradores e proprietários Nós\\Controles internos devem ser operacionais Nós\\Controles internos devem ter um conjunto de processos e atividades Nós\\Controles internos é o processo responsável por dar consistência e transparência Nós\\Controles internos é o que excede a prática fiscal ou contábil Nós\\Controles internos está relacionado ao resultado e a risco que impactam os acionistas Nós\\Controles internos estão e não estão relacionados com demonstrativos financeiros Nós\\Controles internos são necessários a prestação de contas Nós\\Controles internos são suficiente as exigências do Conselho de Administração Nós\\Disseminação as pessoas que existe controle Nós\\Empresas menores a contabilidade só é utilizada para atender o fisco Número de referências de codificação 13 11 11 9 6 6 5 5 5 5 4 4 4 4 4 4 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 Número de itens codificados 7 7 6 6 4 3 2 3 3 1 3 3 3 3 3 2 1 2 3 3 2 3 3 3 2 3 1 2 1 2 2 2 1 1 1 2 1 1 2 1 2 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 35 Nós (Unidade de Significado) Nós\\Existência de politicas em relação a postura dos colaboradores Nós\\Falta de informações no ERP está relacionado ao mau uso da ferramenta Nós\\Fechamento contábil tempestivo Nós\\Forte acompanhamento do planejamento estratégico e das metas Nós\\Importância da integração com as auditorias externas Nós\\Importância da segurança dos códigos fontes Nós\\Inexistência de procedimentos para a área financeira e administrativa Nós\\Monitoramento de atividades através de personal business Nós\\No ERP se tem visibilidade financeira e das operações Nós\\O controle interno é preventivo Nós\\Os acionistas se baseiam na informação do conselho de administração Nós\\Os demonstrativos contábeis são consequencias do processo Nós\\Os gerentes apresentam prestação de contas mensal aos diretores Nós\\Os gerentes não estão sobrecarregados Nós\\Os gerentes são bastante adaptados a cultura da empresa Nós\\Os gerentes são seguidores das normas e politicas da empresa Nós\\Os gerentes se reportam diretamente a uma diretoria executiva, mas não ao conselho Nós\\Os gerentes trabalham há muito tempo na empresa Nós\\Os processos devem ser estruturados e depois os controles Nós\\Os riscos são tratados através de provisão Nós\\Preocupação maior com medidores de resultado do que com conformidade Nós\\Prestação de contas a funcionários e apresentação do planejamento estratégico Nós\\Processos de aprovação de despesas e de contratação Nós\\Segurança em relação a qualidade dos serviços prestados Nós\\Treinamentos específicos externos sobre controles e processos internos Nós\\Verificação das grandes contas contábeis Nós\\Visão de que procedimentos não relacionados a área financeira não impactam os demonstrativos financeiros Número de referências de codificação 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 Número de itens codificados 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 Tabela 1 NÓS Comparados por número de itens codificados Fonte – Própria Pesquisa 3.3. O Processo de Categorização das Unidades de Significado A categorização foi realizada tomando com base as unidades de significado encontradas, sendo que, as categorias não eram conhecidas previamente e resulta da classificação progressiva dos elementos. Como se utilizou a estrutura conceitual de COSO (1994), os princípios base de sua constituição foram levados em consideração no processo de categorização. Bardin (2011) dispõe que esse é o procedimento por “acervo”. O titulo de cada uma das categorias só foi intitulado ao final de toda a análise realizada, sendo que ocorreram diversas análises, agrupamentos e reagrupamentos para se conhecer as categorias encontradas. No processo de categorização, alguns princípios foram seguidos conforme Bardin (2011), ou seja, procurou-se manter a homogeneidade e uma pertinência no assunto escolhido, sempre observando o material escolhido presente no referencial teórico da presente pesquisa. O primeiro passo após a definição das unidades de significado foi uma primeira análise em relação aos NÓS gerados, verificando as unidades de significado e as similaridades de palavras presente em cada uma dessas. Essa análise ajuda no processo de definição das categorias, que foi o passo seguinte, ou seja, reagrupar segundo gênero (analogia). 36 37 Figura 4 Unidades de significado e similaridade de palavras Fonte - Própria Pesquisa Após a conclusão da análise de todas as unidades de significado, passamos ao processo de categorizar. Um dos balizadores que foram utilizados nessa fase do processo foi à própria estrutura conceitual proposta por COSO (1994), sendo que, aspectos relacionados a ambiente de controle, avaliação de riscos, atividades de controle, informação e comunicação e monitoramento foram levados em consideração no momento da categorização, tendo em vista o objetivo da pesquisa. Assim, após essa fase, resolve-se pelas seguintes categorias e subcategorias da pesquisa: Quadro 7 Descrição das categorias e subcategorias Categoria ou Subcategoria Categoria Subcategoria Categoria Categoria Categoria Categoria Categoria Categoria Categoria Categoria Categoria Categoria Descrição da Categoria e Subcategoria 1. Conceito e Caracteristicas dos Controles Internos 1.1. Objetivos e Propósitos de Controles Internos 2. Busca por Entendimento e Melhoria dos Controles Internos 3. Influências aos Controles Internos 4. Demanda por Controles Internos 5. O papel do ERP em Controles Internos 6. Ambiente de Controle 7. Avaliação de Riscos 8. Atividades de Controle 9. Informação e Comunicação 10. Controles Internos e Demonstrativos Contábeis 11. Monitoramento Fonte – Própria Pesquisa Como se observa, dentre as 11 categorias criadas, 6 se baseiam nos pilares da estrutura conceitual proposta por COSO (1994). Para a primeira categoria, decidiu-se utilizar uma subcategoria separando o conceito e característica dos objetivos e propósito dos controles internos, a fim de melhor apresentar e analisar os resultados. Para as demais, pela própria característica principal não foram criadas subcategorias. Na próxima seção apresenta-se a análise e interpretação dos resultados de cada uma dessas categorias. 38 3.4. Categoria 1 – Conceito e Características dos Controles Internos A primeira categoria definida foi o conceito e características dos controles internos, tendo como subcategoria os objetivos e propósitos de controles internos em empresas de tecnologia da informação. Nessa parte as unidades de significado foram agrupadas da seguinte maneira: Quadro 8 Detalhamento da Categoria 01 – Conceito e Características dos Controles Internos Categoria Unidades de Significado Subcategoria Unidades de Significado 1. Conceito e Caracteristicas dos Controles Internos Controles internos é o que excede a prática fiscal ou contábil Controles internos é o processo responsável por dar consistência e transparência Controles internos está relacionado ao resultado e a risco que impactam os acionistas O controle interno é preventivo 1.1. Objetivos e Propósitos de Controles Internos Controles internos devem ter um conjunto de processos e atividades Controles internos devem ser operacionais Controles internos precisam minimizar riscos e depois maximizar os lucros Controles internos são necessários a prestação de contas Controles internos deve promover a confiabilidade e segurança das informações Controles internos devem registrar aquilo que foi efetivamente realizado Controles internos estão e não estão relacionados com demonstrativos financeiros Controles internos devem promover o equilibrio entre administradores e proprietários Fonte – Própria Pesquisa COSO (1994) dispõe que controles internos é um processo operado pelo conselho de administração, pela administração e outras pessoas, desenhado para fornecer segurança razoável quanto à consecução de objetivos nas seguintes categorias, em resumo: (a)Eficácia e eficiência de operações; (b) Confiabilidade de informações financeiras; (c) Obediência às leis e regulamentos aplicáveis. Kinney e Maher (1990, p. 1) destacam a importância dos controles internos para os investidores, para o governo e para a sociedade, haja vista que esses causam a confiabilidade dos relatórios corporativos, e na própria organização das corporações. Levando-se em consideração os conceitos mencionados e aquilo que é entendimento traduzido nas unidades de significado, sugere-se que os conceitos mantidos pelos entrevistados vão ao encontro com as disposições da literatura. A fim de exemplificar, tomando como base a unidade de significado “Controles internos é o processo responsável a por dar consistência e transparência” e a unidade constante na subcategoria objetivos e propósitos de controles internos “Controles internos precisam minimizar riscos e depois 39 maximizar lucros”. Tais aspectos foram citados pelos seguintes entrevistados, da seguinte maneira: SFY 05 – Diretor Financeiro: Seria primeiro minimizar os riscos da companhia depois maximizar os lucros Controles internos que é a prevenção e mitigação dos riscos, Segundo ponto é com esses mesmos controles, verificar as possibilidades de aumento de ganho para a companhia. A maximização de resultados quer seja por alterações de processo interno ou até mesmo pela criação da visibilidade sobre novas oportunidades de negócios. ICA 01 – Controller: Minimização dos riscos, acredito que o objetivo maior mesmo é não expor a empresa a nenhum tipo de risco seja tributário, trabalhista este é o nosso maior objetivo hoje. Um dos pontos que se coloca é que diante das unidades de significado geradas, em alguns casos os controles internos são vistos como um artefato operacional, haja vista a unidade de significado “Controles internos devem registrar tudo aquilo que foi realizado”. Destaca-se que controles internos, de acordo com o mencionado anteriormente, é algo que não está relacionado apenas com aspectos operacionais ou instrumentos que causam segurança, tendo em vista a própria estrutura conceitual proposta por COSO (1994) que possui como pilar, por exemplo, o ambiente de controle, que é base para todos os outros componentes do controle, e esses estão relacionados as tratativas integridade, valores éticos e competência de pessoas da entidade; filosofia de gestão e estilo operacional, forma de atribuição de atribui autoridade e responsabilidade. Outro aspecto é o relacionamento de controles internos com os demonstrativos financeiros, onde na percepção dos entrevistados os controles internos em algumas situações têm como propósito apenas o fim de dar segurança e transparência as informações, conforme 40 mencionado pelo seguinte entrevistado: MAT 07 – Controller: Eu vejo os controles internos diretamente relacionados com os demonstrativos financeiros e controles internos que não estão indiretamente relacionados com os demonstrativos financeiros Os controles internos estão relacionados aos demonstrativos financeiros, de forma direta ou indireta, e a sua manutenção e integridade podem impacta-los por consequência de determinados aspectos operacionais, e não exclusivamente financeiros. De acordo com COSO (1994) um dos objetivos é a eficácia e eficiência de operações, tendo em vista que, se esses aspectos não forem observados impactam de forma indireta a elaboração dos demonstrativos financeiros. Outros aspectos se relacionam diretamente a sua elaboração, por isso que a estrutura conceitual relaciona e interliga pilares conceituais, tendo em vista à macro aplicabilidade dos conceitos. Assim, não apenas em termos de elaboração dos demonstrativos, mas seguridade das operações passa por controles internos em um ambiente muito mais amplo em que a organização está inserida. 3.5. Categoria 2 – Busca por Entendimento e Melhoria dos Controles Internos Um dos objetivos específicos da presente pesquisa foi entender como funciona a busca de conhecimento e entendimento sobre controles internos, bem como, por melhorias quanto a esse assunto. Dessa forma, com base nas unidades de significado, após a sua categorização essa foi a responsável por procurar buscar entendimento sobre esse aspecto. Quadro 9 Detalhamento da Categoria 02 – Busca por Entendimento e Melhoria dos Controles Internos Categoria Unidades de Significado 2. Busca por Entendimento e Melhoria dos Controles Internos Participação em entidades de classe e grupos do setor Treinamentos específicos externos sobre controles e processos internos Busca de conhecimento em literatura e consultorias Importância da integração com as auditorias externas Fonte – Própria Pesquisa 41 Dentre os aspectos mais citados que formaram a unidade de significado “Busca de conhecimento em literatura e consultorias”, essa foi a de maior predominância em todas as entrevistas realizadas. Apesar de existir a busca na literatura, dentre todos os participantes, apenas um deles possui conhecimento sobre as estruturas conceituais verificadas no referencial teórico da presente pesquisa. Um dos pontos interessantes é que dentre as sete empresas participantes, três participam do mesmo grupo de estudos, a qual objetiva a troca de conhecimento, disseminação de conteúdo entre outros aspectos. Abaixo o retrato da importância de tal aspecto em um relato de um dos entrevistados: ICA 01 – Controller: Legal, nós criamos recentemente um grupo das áreas financeiras de software aqui da região, onde participam em média oito empresas que se reúnem periodicamente para trocar experiências, então cada um fala como faz na empresa, é um grupo de trabalho para se ajudar, então pegamos empresas que são do mesmo negócio, identificamos quem eram os representantes financeiros e formamos um grupo de trabalho para repicar informações e experiências, então é uma ideia bem inovadora, já fizemos isso com essas mesmas empresas práticas de RH e agora grupo de finanças para nos ajudar nessas. Menos citado nas pesquisas, porém existente, as empresas possuem treinamentos externos específicos sobre controles e processos internos. Esse aspecto vai ao encontro com os resultados alcançados por Rae e Subramaniam (2008, p.104) onde foi concluído que para existir qualidade nos controles internos, três outros aspectos devem ser levados em consideração sendo: o ambiente ético corporativo, treinamento sobre gerenciamento de risco e atividades de auditoria interna. 3.6. Categoria 3 – Influências aos Controles Internos Tendo como um dos objetivos específicos entender quais são as influencias aos controles internos das pequenas e médias empresas de tecnologia da informação, avaliou-se 42 junto aos entrevistados tal aspecto, sendo que, a partir das unidades de significado foi possível a organização da referida categoria, formado da seguinte maneira: Quadro 10 Detalhamento da Categoria 03 – Influência aos Controles Internos Categoria Unidades de Significado 3. Influências aos Controles Internos IFRS e CPC ajudam a aumentar os controles internos Existência de auditoria externa mesmo sem obrigatoriedade Importância da carta de recomendações da auditoria O ciclo de gastos com pessoal é importante nas empresas de TI A segurança dos dados pode ser melhorada com melhores sistemas e revisão de processos Mudança periódica da auditoria externa independente Fonte – Própria Pesquisa Um dos aspectos encontrados foram à influência das novas normas contábeis vigentes no país, alterações trazidas pela Lei 11.638/07 e pronunciamentos contábeis convergentes as normas internacionais de contabilidade. As empresas pesquisadas tiveram que aprimorar seus controles internos com objetivo de se adequarem as novas regulamentações contábeis. Abaixo a citação um dos entrevistados que ilustram o mencionado: SFY 05 – Diretor Financeiro: Até com maior preocupação de adequação IFRS e outras normas internacionais... Na mesma categoria, uma forte influência mencionada é a existência de auditoria independente dos demonstrativos contábeis, em alguns casos, mesmo sem obrigatoriedade, e a existência de cartas de recomendação e integração entre a equipe interna voltada ao processo e empresa de auditoria. Tal aspecto vai ao encontro à pesquisa realizada por Abdel-Khalik (1993) um dos aspectos que se conclui é que as empresas tendem a buscar por auditoria para suprir uma deficiência em controles internos. Um ponto importante é que em função dos próprios procedimentos de auditoria, a sugestão e proposição de melhorias por uma empresa independente ajudam a ações internas, uma vez que dentre os procedimentos dos auditores esses devem percorrer os controles internos empregados pelas organizações. 43 ASG 06 – Gerente Administrativo Financeiro: Empresa que não precisa fazer auditoria não faz e nós optamos inclusive em fazer mais vezes ao longo do ano de tão importante que a administração, o presidente acharam, então concordamos que isso vai ajudar a melhorar e essa é a principal ferramenta que estamos para identificar pontos de melhoria e de erros que precisam ser consertados. Foi através da auditoria que nós passamos a notar a necessidade nos termos os procedimentos e não apenas os controles, a fragilidade nos controles foram detectadas muitos erros por depender muito das pessoas, então o principal foi a auditoria... SFY 05 – Diretor Financeiro: Cada ano nos temos além da questão do parecer com as notas explicativas, ganhamos também recommendation report ou control report ICA 01 – Controller: Pontos de auditoria que alertam, trabalham os pontos do nosso dia-a-dia e que ajudam bastante a melhorar, eu confio muito nessa parte, eu tenho auditoria com um grande parceiro e chama a atenção para alguns pontos que no dia-a-dia não olhamos, não por falta de conciliação ou algo do tipo, mas a auditoria devido a própria experiência dela por trabalhar com várias empresas alerta para alguns pontos que são importantes e as vezes passam despercebidos pela rotina. Por fim, um dos aspectos mencionados é a mudança periódica de auditoria, sendo que a todo ano, novas recomendações e novos pontos de melhoria são colocados, os quais ajudam a empresa a implementar e melhorar continuamente seus controles internos. Deve se destacar que nenhumas das empresas entrevistadas possuem auditoria interna, sendo que, tal ponto não vai ao encontro dos resultados propostos por Rae e Subramaniam (2008, p.104) que concluíram que para existir qualidade nos controles internos, a extensão da auditoria interna é um fator muito importante. 44 3.7. Categoria 4 – Demanda por Controles Internos Um dos aspectos relacionados na pesquisa foi à busca de entendimento sobre quais são as demandas por controles internos nas pequenas e médias empresas de tecnologia da informação. Esse aspecto está relacionado à posição de mercado ocupada por essas empresas e o contexto em que estão inseridas, conforme descrito no tópico 3 do presente estudo. Concluindo o levantamento das unidades de significado, e a sua classificação em categorias, teve-se a conclusão: Quadro 11 Detalhamento da Categoria 04 – Demanda por Controles Internos Categoria Unidades de Significado 4. Demanda por Controles Internos Crescimento da empresa influência nos controles internos A realidade das empresa de TI não é estável o que impacta nos controles internos A integração de dados entre as empresas de mais de um pais é custosa e não vulnerável Certificações de qualidade exigem controles internos As empresas deveriam investir mais em controles internos Fonte – Própria Pesquisa Dois dos aspectos encontrados vão ao encontro com os resultados apurados na pesquisa desenvolvida por Jopikii (2010, p.115) que apontam que uma estratégia prospectiva são os itens que mais influenciam positivamente os controles internos, uma situação aplicável as empresa de TI tendo em vista a instabilidade de suas operações e os crescimentos existentes em curto espaço de tempo, principalmente em empresas maiores. 3.8. Categoria 5 – O Papel do ERP em Controles Internos Dentre os resultados, uma das categorias desenvolvidas foi o papel do ERP em controles internos. Com base na categorização das unidades de significado, com a seguinte composição em relação a essa categoria: 45 Quadro 12 Detalhamento da Categoria 5 - O Papel do ERP em Controles Internos Categoria Unidades de Significado 5. O papel do ERP em Controles Internos A inexistência de ERP é um problema para controles internos No ERP se tem visibilidade financeira e das operações Falta de informações no ERP está relacionado ao mau uso da ferramenta Alçadas definidas no próprio ERP O grande controlador das normas é o ERP A melhor ferramenta de controle interno é o ERP O ERP fornece dados mas não informações Fonte – Própria Pesquisa Como se observa a existência de um ERP é um dos instrumentos mais importantes em controles internos. A sua inexistência é um problema a organização dos processos, alçadas, sendo que, no ERP se tem visibilidade das informações operacionais e financeiras. ASG 06 – Gerente Administrativo Financeiro: Eu trabalho com o ERP - Protheus. É minha maior e quase única ferramenta, uma coisa ou outra que não aprendemos ou que ainda não se adequou ao sistema que é o trabalho em função da auditoria que está sendo feita tira-se quase tudo do sistema, mas nós já usamos praticamente só o sistema. ICA 01 – Controller: O ERP ele é muito importante para toda empresa que é onde colocamos todas as informações, então é uma fonte de busca confiável, porque assim parte do princípio que estamos estruturando incluindo uma informação no sistema que foi conferida e analisada por mais de uma pessoa e uma vez que no ERP. A importância do ERP encontra suporte nos resultados da pesquisa realizada por Morris (2011, p. 157). Em sua pesquisa é sugerido que as empresas que implementaram ERP (Enterprise Resource Planning) reportaram menos deficiências na efetividade de seus controles internos. 46 3.9.Categoria 6 – Ambiente de Controle A categoria ambiente de controle foi sumarizada com base nas unidades de significado as quais relacionam práticas e aspectos condizentes ao ambiente organizacional, influências e outros aspectos que o compõe. Após as análises, a seguinte categoria, formada pelas seguintes unidades de significado: Quadro 13 Detalhamento da Categoria 6 – Ambiente de Controle Categoria Unidades de Significado 6. Ambiente de Controle Os acionistas se baseiam na informação do conselho de administração Os gerentes se reportam diretamente a uma diretoria executiva, mas não ao conselho Os gerentes são bastante adaptados a cultura da empresa Os gerentes são seguidores das normas e politicas da empresa Os gerentes trabalham há muito tempo na empresa Os gerentes não estão sobrecarregados Conselho de administração formado por diretores envolvidos no processo Disseminação as pessoas que existe controle Os acionistas são pouco acompanhadores do processo e se concentram em aspectos estratégicos Os acionistas diretores se relacionam diretamente com os gerentes rapidez nas decisões Controles internos são suficiente as exigências do Conselho de Administração Diretoria executiva presta contas ao conselho mensalmente Adoção de cultura de melhoria contínua - lean manufacturing Cultura organizacional tem papel fundamental nos controles internos Empresas menores as aprovações estão concentradas na diretoria Os gerentes apresentam prestação de contas mensal aos diretores A existência de controles não implica a existência de procedimentos formais Fonte – Própria Pesquisa Os aspectos mencionados que formam a referida categoria se relacionam a formação do ambiente organizacional. Tais aspectos, conforme COSO (1994) levam em consideração a atuação do conselho de administração, o conhecimento e experiência dos diretores, frequência e rapidez com que reuniões são realizadas entre o conselho de administração e os diretores financeiros e / ou contábeis, auditores internos e externos auditores, a existência ou não de Trotação excessivo de pessoas chaves. Ainda, de acordo com COSO (1994) o ambiente de controle define o tom de uma organização, influenciar a consciência controle do seu pessoal. É a base para todos os outros componentes do controle interno, proporcionando disciplina e estrutura. Ambiente de controle incluem fatores relacionados a integridade, valores éticos e competência de pessoas da entidade; filosofia de gestão e estilo operacional. Nos resultados da pesquisa, foi possível identificar que as pequenas e médias empresas, apenas aquelas com mais de quatrocentos funcionários possuem conselho de administração formal, sendo que, aquelas que possuem, os diretores envolvidos no processo 47 são parte integrante das atividades desses. Tal aspecto não vai ao encontro com as premissas previstas na estrutura conceitual, porém permite uma maior fluidez e rapidez nas informações. Outro aspecto, se refere a baixa rotação de pessoal nessas empresa, sendo que, daquelas entrevistadas, muito dos gerentes possuem mais de dez anos de trabalho na empresa, os quais estão acostumados a cultura organizacional. Tal aspecto vai ao encontro as premissa propostas pela estrutura. Destaca-se que as empresas com número inferior de quatrocentos colaboradores, as decisões e aprovações são concentradas nos acionistas e ou controladores. Abaixo os aspectos mencionados pelos dois entrevistados que retratam a importância da cultura organizacional: CIF 02– Diretor Financeiro: Desses fatores ditos, a cultura da empresa de melhoria contínua de transparência em problemas ajuda, uma vez que identificado algo e não ser mascarado pelas pessoas que fizeram, essa é uma cultura muito grande de melhoria, eu diria que em minha visão seria o principal fator de se evitar que aquilo volte a acontecer, eu não tenho histórico de fraude do ponto de vista empresarial, mas é praticamente nulo, falando de fraude. ELD 03– Diretor Financeiro: Não adianta ter SOX, CPC, publicar balanço se não tiver vontade política de quem quer se submeter não se podem misturar questões da empresa com vida pessoal, por mais que o capital seja do dono ele deve saber separar as coisas, essa é a minha recomendação para o Brasil em termos de controles internos, isso é muito ruim, frustra muito as pessoas que fazem parte de empresas dessa cultura. 3.10. Categoria 7 – Avaliação de Riscos A categoria relacionada a avaliação de riscos provem das unidades de significado as quais traduzem os aspectos relacionados a esse assunto, previsto nas entrevistas realizadas. A categoria 07 é formada pelas seguintes unidades de significados: 48 Quadro 14 Detalhamento da Categoria 7 – Avaliação de Riscos Categoria Unidades de Significado 7. Avaliação de Riscos O controle do fluxo de caixa da empresa é muito importante tendo em vista os possíveis reflexos e riscos Os riscos são tratados através de provisão Inexistência de comitês ou processos fomais de avaliação de riscos Concentração da avaliação de riscos na área administrativa financeira A análise de riscos é parte integrante do planejamento estratégico Inexistência de um comitê de riscos mas pelo tamanho isso se tornou importante Fonte – Própria Pesquisa Os resultados apontam que não existem comitês de riscos formalmente constituídos, ou mesmo, reuniões ou outros procedimentos formais que levem esse aspecto em consideração. As reuniões de planejamento estratégico anuais, os riscos internos e ou externos são abordados, porém de forma superficial. Tais aspectos são tratados no dia-dia por diretores ou mesmo, por acionistas. Abaixo o exemplo de um dos entrevistados: DEX 04 – Diretor Financeiro: Não temos gerentes que cuidam exclusivamente desses fatores, isso é feito no dia-a-dia empiricamente, então em relação aos riscos externos nós fazemos reuniões periodicamente analisando nossa performance, acompanhamento de mercado, das nossas vendas, com relação a regulamentação nós temos tanto a consultoria quanto nosso escritório de contabilidade que está sempre nos ajudando, temos uma assessoria jurídica que nos apoio isso, mas é no dia-a-dia, não temos um plano, um comitê de riscos e aliás nunca pensamos a respeito. Um aspecto que não vai ao encontro às disposições de COSO (1994) é a existência de procedimentos para avaliação de risco, que é a identificação e análise dos riscos relevantes para a realização dos objetivos, formando uma base para determinar como os riscos devem ser geridos. A economia, aspectos regulatórios e as condições de funcionamento irão continuar a mudar, são necessários mecanismos para identificar e lidar com os riscos específicos associados com a mudança. 49 3.11. Categoria 8 – Atividades de Controle De acordo com COSO (1994) as atividades de controle são as políticas e procedimentos que ajudam a garantir as diretivas de gestão estão sendo realizadas. As atividades de controle ocorrem em toda a organização, em todos os níveis e em todas as funções. Eles incluem uma gama de atividades tão diversas como as aprovações, autorizações, verificações, reconciliações, revisão de desempenho operacional, segurança de ativos e segregação de funções. Nesse contexto, sugere-se a seguinte categoria com base nas unidades de significado desenvolvidas: Quadro 15 Detalhamento da Categoria 8 – Atividades de Controle Categoria 8. Atividades de Controle Existência de politicas em relação a postura dos colaboradores Procedimentos formais e códigos de conduta são necessários e devem ser disseminados Procedimentos em relação as áreas operacionais Os processos devem ser estruturados e depois os controles Inexistência de procedimentos para a área financeira e administrativa Processos de aprovação de despesas e de contratação A segregação de funções é fundamental em um sistema de controles internos Verificação a consistência e realização receita e despesas Os procedimentos de reconciliação contábil são importantes e aumentam segurança das informações Verificação das grandes contas contábeis Comparação entre o budget e o realizado com instrumento de controle Um rodizio de pessoas na mesma função pode ajudar na melhoria dos processos Assinatura de um NDA na contratação dos colaboradores Unidades de Significado Fonte – Própria Pesquisa Levando em consideração as disposições de COSO (1994), os principais requisitos dispostos são preenchidos. Um dos itens mais citados e adotados são as politicas e procedimentos formalmente constituídos. Como exemplo, as menções dos seguintes entrevistados: ICA 01 – Controller: Temos algumas políticas que seguimos que são formalizadas e estão na nossa rede e nós temos também na intranet uma área ADM que é disponível para todos profissionais com algumas instruções e também tem uma área privada onde marcamos como as coisas são feitas, então supomos que 50 alguém sai de férias eu entro lá e sei como essa pessoa realiza sua função e passo para quem vai substituir, eu não preciso que essa pessoa treine outra antes de sair de férias, eu tenho tudo documentado na nossa intranet. CIF 02– Diretor Financeiro: Temos uma série de práticas na intranet, o funcionário que entra fica a par da política de segurança, do código de ética, mas é no dia-a-dia que se promove essa política de transparência, isso está escrito nos nossos propósitos, mas de certa forma isso é exigido de nossos funcionários para que eles tenham progressão de carreira. Na pesquisa, os resultados sugerem que, das empresas entrevistadas, essas possuem políticas e procedimentos adequados para cada uma das atividades chaves da entidade, o que engloba alçadas de aprovação entre outros aspectos requeridos por procedimentos e politicas. Adicionalmente, as empresas empregam rotinas de verificação periódica de grandes contas contábeis e o seu comportamento, a realização da receita e o registro de despesas. Adotam também segregação de atividades para aprovações de contas e saídas de recursos e até mesmo procedimentos de verificação entre as previsões financeiras e as realizadas. 3.12. Categoria 9 – Informação e Comunicação A categoria informação e comunicação está agrupando as unidades de significado que tratam sobre aspectos relacionados a qualidade da informação gerada e comunicação existente em relatórios financeiros e operacionais elaborados pela empresa. Quadro 16 Detalhamento da Categoria 9 – Informação e Comunicação Categoria Unidades de Significado 9. Informação e Comunicação Fechamento contábil tempestivo Um BI dentro do ERP gera informações e economiza tempo A geração de informações diretamente do ERP é mais segura Informações geradas de forma rárpida e tempestiva Fonte – Própria Pesquisa 51 Os resultados da pesquisa sugerem que a informação e comunicação está relacionadas com o fechamento dos demonstrativos contábeis tempestivos, a fim de manter e disponibilizar em um curto espaço de tempo informações a tomada de decisão aos administradores e a prestação de contas. Um ponto comum às empresas é que apenas duas delas desenvolveram um sistema de informação, denominado BI – business information dentro de seus sistemas de informação, o que ajuda a geração de relatórios gerenciais em formatos específicos, bem como, aumenta a segurança da geração das informações, tendo em vista a pouca interferência manual. Porém, aquelas empresas que não possuem um BI, tem isso como uma deficiência em seus sistemas de informação ERP, mencionam que uma melhoria que reduziria tempo e aumentaria a segurança das informações seria justamente a existência de um mecanismo como esse. CIF 02– Diretor Financeiro: Tem um sistema que eu construí de gestão empresarial como se fosse um BI, mas bem específico voltado para minha atividade de negócio, eu não havia encontrado nada no mercado que me atendesse então eu tive que criar um internamente, me ajuda muito na melhoria de informação que as informações geradas pelo ERP não me atende nessa parte gerencial e de gestão de negócios. Um aspecto que COSO (1994) propõe é existência de canais de comunicação para que as pessoas possam relatar suspeitas de irregularidade. Em nenhuma das entrevistas realizadas tal aspecto foi ponderado, sendo que, tal artefato é importante e faz parte de controles internos. 3.13. Categoria 10 – Controles Internos e Demonstrativos Contábeis Dentre as categorias, uma especifica foi atribuída tratando a relação dos controles internos e dos demonstrativos contábeis e como tais aspectos são tratados pelas empresas de tecnologia da informação. 52 Quadro 17 Detalhamento da Categoria 10 – Controles Internos e Demonstrativos Contábeis Categoria 10. Controles Internos e Demonstrativos Contábeis Controles financeiros são mais relacionados aos demonstrativos financeiros Divulgação de resultados com transparência a diversos públicos Empresas menores a contabilidade só é utilizada para atender o fisco Os demonstrativos contábeis são consequencias do processo Visão de que procedimentos não relacionados a área financeira não impactam os demonstrativos financeiros Unidades de Significado Fonte – Própria Pesquisa Conforme disposições de COSO (1994, p. 3) os controles internos possuem, dentre vários papéis manterem a confiabilidade de informações financeiras. Dentre as empresas pesquisadas, todas mantem contabilidade escriturada regularmente e passam por auditoria contábil independente, exceto uma das empresas. A exceção, ou seja, a empresa que não é auditada mantém contabilidade apenas para fins fiscais, sendo que não prove da contabilidade qualquer informação para fins gerenciais, ou qualquer prestação de contas. Adicionalmente, uma visão ponderada nas entrevistas é de que determinados controles não se relacionam diretamente a elaboração de demonstrativos contábeis, conforme relatado abaixo: MAT 07 – Controller: Um processo de formalização de contratos, por exemplo, que eu acredito que não está diretamente relacionado com os demonstrativos financeiros, isso porque mesmo que eu não tivesse esse processo não teria um impacto no demonstrativo financeiro. Exceto pela visão em relação a que podem existir determinados controles não impactantes as demonstrações contábeis, os demais aspectos vão ao encontro à literatura e as disposições propostas por COSO (1994). 3.14. Categoria 11 - Monitoramento As unidades de significado que formaram a última categoria gerada estão relacionadas aos aspectos relacionados ao monitoramento da regularidade do sistema de controle interno com base no exercício de suas atividades regulares. 53 Quadro 18 Detalhamento da Categoria 11 – Monitoramento Categoria Unidades de Significado 11. Monitoramento Segurança em relação a qualidade dos serviços prestados Importância da segurança dos códigos fontes Procedimentos de verificação das boas práticas principalmente na área operacional Monitoramento de atividades através de personal business Forte acompanhamento do planejamento estratégico e das metas Preocupação maior com medidores de resultado do que com conformidade Prestação de contas a funcionários e apresentação do planejamento estratégico Fonte – Própria Pesquisa De acordo com COSO (1994) dentre os aspectos de monitoramento estão a existência de auditoria interna e externa e a receptividade das criticas aos controles internos empregados pela administração. Adicionalmente, a existência de procedimentos de assinatura de formulários entre outros instrumentos os quais identificam as responsabilidades sobre determinado procedimento, ou controle interno empregado, bem como, a existência de mecanismos que capturam e reportam deficiências no sistema de controles internos. Os resultados da pesquisa vão ao encontro com um dos aspectos mencionados por COSO (1994), sendo a existência de auditoria externa e a receptividade de criticas em relação aos resultados por ela apontados. Adicionalmente, outros aspectos aplicados relacionados ao monitoramento estão o acompanhamento do planejamento estratégico e o seu acompanhamento e a qualidade dos serviços prestados como nas citações abaixo: MAT 07 – Controller: Principal influente da estruturação é através de acompanhamento de planejamento estratégico muito próximo, temos reuniões de planejamento estratégico, acompanhamento do que acontece em torno de a cada dois meses, para observar se aquela estratégia definida, se as ações estão sendo executado, o planejamento estratégico vira meta, do genérico para o específico, por exemplo, no planejamento estratégico eu tenho o objetivo de aumentar o faturamento, eu tenho que criar ações e isso torna meta de área, que vira meta de gestor e meta de colaborador e nós acompanhamos isso muito de perto e isso tem um peso na remuneração variável dos colaboradores, significando que está tudo bem amarrado, isso é um ponto 54 forte da..., planejamento estratégico na prática, no dia-a-dia ao e não de se ver de vez em quando sem saber se está atingindo as metas. ELD03 – Diretor Financeiro: Em uma reunião pelo menos duas vezes no ano, a organização se reúne com os funcionários e os principais executivos nós prestamos contas para a base, entra em reunião tem seção de perguntas, prestamos contas em relação ao que foi feito no ano anterior, o que está se planejando para frente e durante o ano o resultado do que estava sendo planejado se está sendo eficiente ou não ou se vai ter uma correção de acúmulo, isso no mínimo duas vezes no ano, em meados de março/ abril para prestar contas do exercício anterior e dizer como vai ser esse ano e em meados do meio do segundo semestre e variavelmente no final do ano vai acontecer uma reunião que é onde nós vamos fazer as premiações dos destaques que houveram. Dentre os aspectos propostos por COSO (1994) as práticas de monitoramento vão ao encontro às propostas da estrutura conceitual, exceto em relação à efetividade das atividades da auditoria interna, tendo em vista que nenhuma dessas empresas adotam tais praticas. 3.15. Pressupostos Sugerido pelo Estudo Tratando-se de uma pesquisa qualitativa exploratória, os resultados da pesquisa sugerem pressupostos os quais foram desenvolvidos a partir dos relacionamentos existentes nas categorias desenvolvidas. Levando em consideração a literatura apresentada e os resultados encontrados, pode-se concluir por relações positivas e negativas com base nas práticas adotadas pelas empresas pesquisadas e o que está previsto na estrutura conceitual proposta por COSO (1994) e demais pesquisas que se basearam o presente trabalhos. Em resumo, têm-se as seguintes categorias e pressupostos sugeridos: Categoria 01: Conceito e Características dos Controles Internos. Os controles internos não são apenas instrumentos ou processos operacionais, mas envolve aspectos relacionados às 55 tratativas integridade, valores éticos e competência de pessoas da entidade, filosofia de gestão e estilo operacional. A percepção dos gestores, entretanto, é que controles está muito mais ligado a aspectos e instrumentos operacionais financeiros. Figura 5 Pressuposto Sugerido Categoria 01 Conceito e Características dos Controles Internos Fonte: Própria Pesquisa Categoria 02: Busca por Entendimento e Melhoria dos Controles Internos. Um dos pontos interessantes é que dentre as sete empresas participantes, três participam do mesmo grupo de estudos, a qual objetiva a troca de conhecimento, porém, apenas um dos entrevistados possui conhecimento sobre as estruturas conceituais verificadas no referencial teórico da presente pesquisa. Figura 6 Pressuposto Sugerido Categoria 02 Busca por Entendimento e Melhoria dos Controles Internos. Fonte: Própria Pesquisa Categoria 03: Influências aos Controles Internos. Influências significativas causadas pelas novas normas contábeis vigentes no Brasil e também pela existência de auditoria externa. 56 Novas Normas Contábeis Auditoria Externa Qualidade dos Controles Internos Figura 7 Pressuposto Sugerido Categoria 03 Influências aos Controles Internos. Fonte: Própria Pesquisa Categoria 04: Demanda por Controles Internos. Estratégia prospectiva e a incerteza no ambiente são os itens que mais influenciam positivamente os controles internos, uma situação aplicável às empresa de TI tendo em vista a instabilidade de suas operações e os crescimentos existentes em curto espaço de tempo, principalmente em empresas maiores. Figura 8 Pressuposto Sugerido Categoria 04 Demanda por Controles Internos. Fonte: Própria Pesquisa Categoria 05: O Papel do ERP em Controles Internos. O maior instrumento de controle mencionado é a existência de um sistema integrado. Figura 9 Pressuposto Sugerido 05 O Papel do ERP em Controles Internos. Fonte: Própria Pesquisa 57 Categorias 06: Ambiente de Controle. Foi possível identificar que as pequenas e médias empresas, apenas aquelas com mais de quatrocentos funcionários possuem conselho de administração formal, sendo que, aquelas que possuem, os diretores envolvidos no processo são parte integrante das atividades desses. Outro aspecto, se refere à baixa rotação de pessoal nessas empresa, sendo que daquelas entrevistadas, muito dos gerentes possuem mais de dez anos de trabalho na empresa, os quais estão acostumados a cultura organizacional. Conselho ConselhoInformal Formal Qualidade Melhoria nos dosControles Controles Internos Ambiente de Controle Baixa Rotação de Pessoal Conhecimento da Cultura Qualidade dos Controles Internos Figura 10 Pressuposto Sugerido Categoria 06 Ambiente de Controle. Fonte: Própria Pesquisa Categoria 07: Avaliação de Riscos. Os resultados apontam que não existem comitês de riscos formalmente constituídos, ou mesmo, reuniões ou outros procedimentos formais que levem esse aspecto em consideração. Figura 11 Pressuposto Sugerido Categoria 07 Avaliação de Riscos. Fonte: Própria Pesquisa 58 Categoria 08: Atividades de Controle. Os resultados sugerem que, das empresas entrevistadas, essas possuem políticas e procedimentos adequados para cada uma das atividades chaves da entidade, o que engloba alçadas de aprovação entre outros aspectos requeridos por procedimentos e politicas. Existência empregam rotinas de verificação periódica de grandes contas contábeis e o seu comportamento, a realização da receita e o registro de despesas. Adotam também segregação de atividades para aprovações de contas e saídas de recursos e até mesmo procedimentos de verificação entre as previsões financeiras e as realizadas. Figura 12 Pressuposto Sugerido Categoria 08 Atividades de Controle. Fonte: Própria Pesquisa Categoria 09: Informação e Comunicação. Os resultados da pesquisa sugerem que a informação e comunicação estão relacionadas com o fechamento dos demonstrativos contábeis tempestivos, a fim de manter e disponibilizar em um curto espaço de tempo informações a tomada de decisão aos administradores e a prestação de contas. Um ponto comum às empresas é que apenas duas delas desenvolveram um sistema de informação, denominado BI – business information. 59 Figura 13 Pressuposto Sugerido Categoria 09 Informação e Comunicação. Fonte: Própria Pesquisa Categoria 10: Controles Internos e Demonstrativos Contábeis. Dentre as empresas pesquisadas, todas mantem contabilidade escriturada regularmente e passam por auditoria contábil independente, exceto uma das empresas. A exceção, ou seja, a empresa que não é auditada mantém contabilidade apenas para fins fiscais, sendo que não prove da contabilidade qualquer informação para fins gerenciais, ou qualquer prestação de contas e auditoria externa. Figura 14 Pressuposto Sugerido Categoria 10 Controles Internos e Demonstrativos Contábeis. Fonte: Própria Pesquisa Categoria 11: Monitoramento. A existência de auditoria externa e a receptividade de criticas em relação aos resultados por ela apontados. Adicionalmente, outros aspectos aplicados relacionados ao acompanhamento do planejamento estratégico e o seu acompanhamento e a qualidade dos serviços prestados. Atividades da auditoria interna, tendo em vista que nenhuma dessas empresas adota tais praticas. 60 Figura 15 Pressuposto Sugerido Categoria 11 Monitoramento. Fonte: Própria Pesquisa Levando em consideração as categorias e os pressupostos para cada uma delas, resume-se da seguinte maneira em um pressuposto único, considerando os interrelacionamentos entre esses. Os aspectos considerados nas categorias 01 Conceito e Caracteristicas dos Controles Internos, 02 Busca por Entendimento e Melhoria dos Controles Internos, 03 Influências aos Controles Internos, 04 Demanda por Controles Internos e 05 O papel do ERP em Controles Internos não foram levados em consideração no pressuposto final, tendo em vista que essas, por si só, já representam modelos únicos, independente dos seus possíveis inter-relacionamentos. 61 CAT 11: Monitoramento (Inexistência de Auditoria Interna) CAT 09: Informação e Comunicação. Carência de Sistemas de Informação CAT 08: Atividades de Controle (Vasta Gama de Instrumentos de Controle) Qualidade dos Controles Internos e Aderência a COSO CAT 06: Ambiente de Controle (Conselho de Administração Informal) CAT 11: Monitoramento Acompanhamento Planejamento Estratégico e Qualidade dos Serviços Prestados CAT 06: Ambiente de Controle (Baixa Rotação de Pessoal e Conhecimento da Cultura) CAT 07: Avaliação de Riscos. Inexistência de Procedimentos Formais Figura 16 Pressuposto Sugerido Fonte: Própria Pesquisa 62 4. Considerações Finais As conclusões visaram responder a questão de pesquisa elaborada e também aos objetivos que se pretendia investigar, que foram avaliar como os controles internos funcionam na prática, e a sua aderência ou não a estrutura de COSO, as influências, busca de conhecimento e um paralelo com outras realidades. Nesse sentido, relacionam-se as seguintes considerações finais resultantes do presente trabalho. A percepção dos responsáveis pelos controles internos em pequenas e médias empresas de TI é visto como instrumentos ou processos operacionais, que estão em muitas vezes relacionados apenas a área administrativa financeira e ou elaboração dos demonstrativos contábeis. Tal aspecto não vai ao encontro com o que a literatura dispõe, bem como, com o que as estruturas conceituais propõem, no caso COSO tendo em vista amplitude e o inter-relacionamento com outras áreas. O exemplo disso, é que um dos pilares da estrutura proposta por COSO o ambiente de controle, que é base para todos os outros componentes do controle, e esses estão relacionados às tratativas integridade, valores éticos e competência de pessoas da entidade, filosofia de gestão e estilo operacional. Todavia, foi possível constatar que as empresas buscam conhecimento sobre o assunto em consultorias e na literatura. Apesar de existir a busca na literatura, dentre todos os participantes, apenas um deles possui conhecimento sobre as estruturas conceituais verificadas no referencial teórico da presente pesquisa. Tal fato pode estar associado à falta de disseminação dos modelos estruturais de controles internos em empresas de tecnologia da informação. Tratando-se de aspectos que influenciam os controles internos, um aspecto colocado é em relação às novas normas contábeis vigentes no país, alterações trazidas pela Lei 11.638/07 e pronunciamentos contábeis convergentes as normas internacionais de contabilidade. As empresas pesquisadas tiveram que aprimorar seus controles internos com objetivo de se adequarem as novas regulamentações contábeis. Isso vem a soar como uma oportunidade de inovação dos controles internos, principalmente em aspectos relacionados aos sistemas de informação adotados pelas empresas, e sistemas integrados, ERP. Dois dos aspectos encontrados vão ao encontro com os resultados apurados na pesquisa desenvolvida por Jopikii que apontam que uma estratégia prospectiva e a incerteza no ambiente são os itens que mais influenciam positivamente os controles internos, uma 63 situação aplicável às empresa de TI tendo em vista a instabilidade de suas operações e os crescimentos existentes em curto espaço de tempo. Tratando-se de ambiente de controle, nos resultados da pesquisa, foi possível identificar que as pequenas e médias empresas, apenas aquelas com mais de quatrocentos funcionários possuem conselho de administração formal, sendo que, aquelas que possuem, os diretores envolvidos no processo são parte integrante das atividades desses. Tal aspecto não vai ao encontro com as premissas previstas na estrutura conceitual, apesar de permitir uma maior fluidez e rapidez nas informações. Por outro lado, a independência do conselho é um aspecto que se relaciona intimamente com o ambiente de controle que a empresa está inserida, fator base para toda e qualquer estrutura de controles internos. Em relação aos riscos, os resultados apontam que não existem comitês de riscos formalmente constituídos, ou mesmo, reuniões ou outros procedimentos formais que levem esse aspecto em consideração. As reuniões de planejamento estratégico anuais, os riscos internos e tais aspectos são tratados no dia-dia. A existência de aspectos mais formais e institucionalizados pode ajudar na mitigação de riscos internos e externos os quais podem impactar os negócios da empresa. Os demais requisitos propostos por COSO, atividade de controle, informação e comunicação e monitoramento são preenchidos, em aspectos conceituais macros, exceto pelas melhorias necessárias aos sistemas de informação, sendo que parte delas sanou tal problema com a implementação de um BI – business information, dentro de seus sistemas de informação, o que ajuda a geração de relatórios gerenciais em formatos específicos, em curto espaço de tempo. Além disso, nenhuma das empresas possui auditoria interna, que é um dos aspectos relacionados ao monitoramento dos sistemas de controles internos. Finalmente, como sugestão para futuras pesquisas, alguns aspectos podem ser investigados, tais como: quais os papéis de controles internos para sistemas de informação; a relação entre as novas normas contábeis vigentes no país, após a Lei 11.638/07 e os controles internos; escopo e extensão da auditoria interna e a importância para as pequenas e médias empresas. 64 5. Referências Bibliográficas e Bibliografia ABDEL-KHALIK, A. Rashad. Why do private companies demand auditing? A case for organizational loss of control. Journal of Accounting, Auditing & Finance. Vol. 8, p. 31-52, 1993. ALMEIDA, Marcelo Cavalcanti. Auditoria. 6 ed. São Paulo: Atlas, 2003. BANCO CENTRAL DO BRASIL. Resolução 2.554/98. Disponível em: http://www.cnb.org.br/CNBV/resolucoes/res2554-1998.htm consultada em 18 de abril de 2012. Acesso em: 18 de abril de 2012. BRASCON. Mercado brasileiro de Tecnologia da Informação cresce 11% e ultrapassa US$ 100 bilhões. Disponível em: http://www.brasscom.org.br/brasscom/content/view/full/5398 consultada em 18 de abril de 2012. Acesso em: 18 de abril de 2012. BARDIN, L. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 2007. BEUREN, Ilse Maria (Coord.). Como elaborar trabalhos monográficos em contabilidade. São Paulo: Atlas, 2008. BOYNTON, William C; JOHNSON, Raymond N.; KELL, Walter G. Auditoria. 7 ed. São Paulo: Atlas, 2002. COLLIS, Jill; HUSSEY, Roger. Pesquisa em Administração. 2 ed. São Paulo: Bookman, 2006. CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE – CFC. Normas Internacionais de Auditoria. São Paulo. Disponível em: 65 http://www.cfc.org.br/conteudo.aspx?codMenu=6Página consultada em 18 de abril de 2012. Acesso em: 18 de abril de 2012. COOPER, Donald, R.; SHINDLER, Pamela S. Métodos de Pesquisa em Administração. 7 ed. São Paulo: Bookman, 2008. COSO (1994), Internal Control – Integrated Framework. Committee of Sponsoring Organizations of the Treadway Commission, Jersey City, NJ. COCO (1995), Criteria Of Control Committee Of Canadian Institute Of Chartered Accountants. Canada. COVALESKI, Mark A; DIRSMITH, Mark W; SAMUEL, Sajay. Managerial accounting research: The contributions of organizational and sociological theories. Journal of Management Accounting Research, p. 1 -35, Vol. 8, 1996. DORANTES, Alberto A., LI, Chan, PETERS, Gary F. and RICHARDSON, Vernon J., The Effect of Enterprise Systems Implementations on the Firm Information Environment (December 21, 2009). Available at SSRN: http://ssrn.com/abstract=1526521 FERNANDES, Francisco Carlos; HEINZMANN, Ligia Maria; WIENHAGE, Paulo. Controles Internos: Comparativo entre Estruturas Padrões. In: 13º SEMEAD, Seminários em Administração, USP, Ensino e Pesquisa em Administração, São Paulo. Disponível em: www.ead.fea.usp.br/semead/13semead/resultado/.../536.pdf GODOI, Christiane Kleinunbing; BANDEIRA-DE-MELLO, Rodrigo; SILVA, Anielson Barbosa. Pesquisa Qualitativa em Estudos Organizacionais. 1 ed. São Paulo: Saraiva, 2007. 66 HIGHTOWER, Rose. Internal Controls Policies and Procedures. 1 ed. Estados Unidos: Wiley, 2009. IBGC – Instituto Brasileiro de Governança Corporativa. Código das melhores práticas de Governança Corporativa. 3 ed. São Paulo, 2004. IBRACON e CRC – SP. Controles Internos Contábeis e Alguns Aspectos de Auditoria. 1 ed. São Paulo, 2000. JOKIPII, ANNUKKA. Determinants and consequences of internal control in firms: a contingency theory based analysis. Journal of Management and Governance, p. 115 -144, Vol. 14, 2010. KINNEY JR, William R.; MAHER, Michael Wb. Assertions-Based Standards for Integrated Internal Control. Accounting Horizons, p. 1 – 8, Vol. 4, Dezembro de 1990. KINNEY JR, William R. Research Opportunities in Internal Control Quality and Quality Assurance. Auditing: A Journal of Practice and Theory, p. 83 – 90, Vol. 19, 2000. KPMG BRASIL. TI lidera ranking de fusões e aquisições no Brasil pelo 4° ano consecutivo. Disponível em: http://www.kpmg.com/BR/PT/Estudos_Analises/artigosepublicacoes/Paginas/Release-TI lidera-ranking-de-fusoes-aquisicoes.aspx consultada em 18 de abril de 2012. Acesso em: 18 de abril de 2012. LAGE, Maria Campos. Utilização do software NVivo em pesquisa qualitativa: uma experiência em EaD. ETD – Educ. Tem. Dig., Campinas, v.12, n.esp., p.198-226, mar. 2011. 67 LEHMANN, Constance M. Internal Controls: A Compendium of Short Cases. Issues in Accounting Education. P. 741 – 751, Vol. 5, n° 04, Novembro de 2010. LEI 11.638/07. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007- 2010/2007/lei/l11638.htm consultada em 18 de abril de 2012. Acesso em: 18 de abril de 2012. MARTINS, G.A.; THEOFILO, C.R. Metodologia da investigação cientifica para ciências sociais aplicadas. São Paulo: Atlas, 2007. MORRIS, John J. The Impact of Enterprise Resource Planning (ERP) Systems on the Effectiveness of Internal Controls over Financial Reporting. Journal of Information System, p. 129 -157, Vol. 25, n° 1, 2011. PEREZ, Gilberto. Adoção de Inovações Tecnológicas: Um estudo sobre o uso de sistemas de informação na área de saúde. Tese doutorado USP/FEA, 2006. RAE, Kirsty; SUBRAMANIAN, Nava. Quality of internal control procedures. Antecedents and moderating effect on organizational justice and employee fraud. Managerial Auditing Journal. Vol.23 No. 2, p. 104-124, 2008. RATCLIFFE, Thomas A.; LANDES, Charles A. Understanding Internal Control and Internal Control Services. Journal of Accountancy, New York, Setembro de 2009. Disponível em: http://www.journalofaccountancy.com/Issues/2009/Sep/White+Paper+Understanding+Interna l+Control+and+Internal+Control+Services.htm Acesso em: 20 de fevereiro de 2010. RICHARDSON, R. J. et al. Pesquisa Social: Métodos e técnicas. 3ª. Ed. São Paulo: Atlas, 2011. 68 SANTOS, J. A.; PARRA, D.F. Metodologia Científica: A construção do conhecimento. Rio de Janeiro: DP&A, 1999. SILVA, A. C. Riberio. Metodologia da Pesquisa Aplicada à Contabilidade. São Paulo: Atlas, 2003. SPIRA, Laura F.; PAGE, Michael. The Reinventation of Internal Control and the Changing Role of Internal Audit. Accounting, Auditing, & Accountability Journal. Vol.16 No. 4, p. 640-661, 2003. STANDARDS AUSTRALIA. Australian/New Zealand Standard. Risk Management: AS/NZS 4360:2004. 3 ed. Committee OB-007, 2004. Published by Standards Australia International Ltd, Sydney, AU. Disponível em: www.standards.org.au. Acesso em: 12 março 2012. SCALF, John. The effect of the Sarbanes-Oxley Act of 2002 on agency costs and firm transparency. 2009. Dissertação – Curso de Doutorado em Filosofia, Universidade de Chicago, 2009. ProQuest Dissertations and Theses. TENÓRIO, Juliane Gama. Controle interno: um estudo sobre sua participação na tomada de decisão de investimento no mercado de capitais brasileiro. Dissertação (Mestrado em Contabilidade e Controladoria) – Universidade de Brasília, Universidade Federal da Paraíba, Universidade Federal de Pernambuco e Universidade do Rio Grande do Norte, Recife, 2007. TURNBULL. Guidance on internal control: the turnbull guidance, 2005. VIEIRA, Sérgio Arnor. A auditoria e os sistemas de controles internos no Brasil: Antecedentes e evolução. Revista de Economia Mackenzie. Volume 5. p. 175-193, 2007. 69 ZANETTE, Maicon Anderson; ALBERTON, Luiz; DUTRA. Reflexões acerca das propostas metodológicas de controles internos. In: 4º CONGRESSO USP DE INICIAÇÃO CIENTIFICA, 2007, São Paulo. Disponível em: www.congressousp.fipecafi.org/artigos72007/402.pdf 70 6. Apêndices 6.1. Roteiro de Entrevistas Título do Trabalho: Um estudo sobre Controles Internos em Pequenas e Médias Empresas de TI. Esta pesquisa faz parte da Dissertação a ser apresentada ao Programa de Pós-Graduação Stricto-Sensu em Ciências Contábeis, Curso de Mestrado Profissional em Controladoria Empresarial da Universidade Presbiteriana Mackenzie, sob a orientação do Prof. Dr. Joshua Onome Imoniana. Agradeço a sua colaboração para a realização deste trabalho, cujo benefício será gerado a favor da atividade empresarial. Objetivo do Estudo Considerando a literatura sobre controles internos, bem como, estruturas de controle internacionalmente divulgadas, como a de COSO (1994), o objetivo será avaliar as praticas atualmente adotadas pelas pequenas e médias de empresas de TI, e como isso tem se desenvolvido e a sua aderência ou não ao que a literatura dispõe. Controles Internos Lehman (2010, p. 741) dispõe que o propósito de um sistema de controles internos é assegurar aos usuários a confiabilidade das informações existentes nos relatórios financeiros das organizações. Em uma linha semelhante, Kinney e Maher (1990, p. 1) destacam a importância dos controles internos para os investidores, para o governo e para a sociedade, haja vista que esses causam a confiabilidade dos relatórios corporativos, e na de organização das corporações. Processo de Entrevista A entrevista é composta por perguntas abertas e fechadas, de forma que o entrevistado possa fornecer informações relevantes sobre o objeto deste estudo. O questionário da entrevista aborda os seguintes tópicos: 71 • • • Aspectos práticos sobre controles internos; Quais as influências para aperfeiçoamento dos controles internos; Quais os fatores facilitadores dos controles internos. O tempo estimado de duração da entrevista é de 20’ a 30’. 1. PERGUNTAS FECHADAS A. CARACTERIZAÇÃO DA ORGANIZAÇÃO A1- Empresa com Auditoria Externa ( ) Empresa com Auditoria Interna ( ) A2- Número de Funcionários da Organização: .................................... A3 – Divulgação dos demonstrativos financeiros: ( ) Jornais ( ) Stakeholders ( ) Shareholders A4 – Os administradores são diferentes dos acionistas ( ) Sim ( ) Não B. CARACTERIZAÇÃO DO RESPONDENTE B1- Cargo: B2- Tempo na Organização: Graduação ( DESDE .................... B3- Escolaridade.: ) Especialização ( ) Mestrado ( ) Doutorado ( ). Área: Contabilidade Administração/Finança s Economia Outros 72 2. PERGUNTAS ABERTAS 1. Qual o seu entendimento sobre controles internos e a sua relação com a elaboração de demonstrativos financeiros? 2. O que você julga ser importante em termos de controles internos? Tais aspectos mencionados são atualmente adotados? 3. Quais os principais instrumentos de controles internos empregados atualmente? Poderia por gentileza, discorrer sobre esses? (Considere processos, procedimentos, instrumentos de controle, códigos de conduta, planos éticos, adequação da estrutura hierárquica, politicas e procedimentos formalizados, ERP). 4. Existem exemplos de situações que demonstrem a qualidade ou a fragilidade nos controles internos? 5. Como os controles internos são aperfeiçoados? Existe uma busca de conhecimento sobre o assunto? 6. Quais são os principais fatores que ajudam a melhoria dos controles internos e como esses influenciaram? Considere por exemplo: auditoria, conselho de administração, regulamentações especificas, cultura organizacional. 7. Como a empresa trata riscos atualmente? Sejam internos e ou externos? Como ocorre esse processo? 8. (Ambiente de Controle) Como é a atuação do conselho de administração? As decisões dos gerentes são questionadas? Considerar se os gerentes estão sobrecarregados, comprometimento e honestidade. 9. (Informação) Qual a sua opinião sobre o sistema de informação e comunicação da empresa? Os relatórios enviados a gerentes e dirigentes são espelham a realidade? 10. (Comunicação) Existe um controle ativo sobre como as pessoas devem obedecer às instruções de trabalho? São procedidas análises de indicadores não financeiros em bases anuais (satisfação de clientes, satisfação no trabalho)? 11. (Efetividade) Com um razoável maior esforço, a eficiência das operações pode ser melhorada? Atualmente existem problemas nas operações, os quais, se resolvidos, podem melhorar a qualidade do processamento informacional? 73 12. O Sr. (a) possui conhecimento sobre estruturas de controles internos, tais como COSO, CoCo, Turnbull? 13. O Sr. (a) gostaria de fazer alguma observação adicional relativa ao tema da pesquisa? 74