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LAVAGEM DAS MÃOS NO CONTROLE DA INFECÇÃO HOSPITALAR: um
estudo sobre a execução da técnica
LAUDERING OF THE HANDS IN THE CONTROL OF THE HOSPITAL INFECTION:
a study on the execution of the technique
Fernanda Mendes Santos
Discente do Curso de Enfermagem do Centro Universitário do Leste de Minas Gerais – Unileste MG.
[email protected]
Virgínia Maria da Silva Gonçalves
Enfermeira.Mestre em Saúde e Meio Ambiente.Especialista em Administração Hospitalar Docente do
Centro Universitário do Leste de Minas Gerais – Unileste MG
RESUMO
A lavagem das mãos é uma ação simples e importante na prevenção da infecção nosocomial.
Estudos apontam as mãos dos profissionais como reservatório de patógenos capazes de tornarem-se
grandes vilões para o paciente e para os trabalhadores, além de acarretar sofrimentos e gastos para
o sistema de saúde. Apesar de todas as evidências mostrarem a importância das mãos na cadeia de
transmissão das infecções hospitalares e os efeitos dos procedimentos de higienização na diminuição
destas taxas, muitos profissionais têm uma atitude passiva diante do problema. Este estudo objetivou
observar a técnica de lavagem das mãos na rotina dos trabalhadores da saúde e conhecer a
importância desta ação para os mesmos. O estudo foi realizado em uma Unidade de Clínica Médica e
Cirúrgica de um Hospital em Minas Gerais, tendo como população alvo a equipe de enfermagem,
fisioterapeuta e médicos. Entre os profissionais observados, os auxiliares e técnicos de enfermagem
representaram 63,2% do total de avaliados sendo o restante constituído por 21% de médicos, 10,5%
enfermeiros e 5,3% fisioterapeutas. Apesar da disponibilidade dos produtos para a lavagem das mãos
e a existência de cartazes divulgando todas as etapas da técnica, os profissionais não realizaram o
procedimento conforme as recomendações, evidenciando a necessidade da implementação de
atividades ludo - pedagógicas e motivação para intensificar a adesão dos profissionais a esta ação
tão simples e grandiosa.
PALAVRAS-CHAVE: Lavagem de mãos. Infecção Hospitalar. Profissionais da Saúde.
ABSTRACT
The laundering of the hands is an action simple and important in the prevention of the nosocomial
infection. Studies point the hands of the professionals as reservoir of parasites capable to become
great villains for the patient and the workers, beyond causing sufferings and expenses for the health
system. Although all the evidences to show to the importance of the hands in the chain of transmission
of the hospital infections and the effect of the procedures of hygienic cleaning in the reduction this
taxes, many professionals ahead have a passive attitude of the problem. During the research it was
observed the technique of laundering of the hands in the routine of the workers of the health and knew
the importance of the laundering of the hands for the same ones. The study was realized through in a
Unit of Medical and Surgical Clinic of a Hospital in Minas Gerais, having as white population the team
of nursing, physiotherapist and doctors. Between the observed professionals, the assistant and
technician of nursing had represented 63.2% of the total of evaluated, being the remain consisting of
21% of doctors, 10.5% nurses and 5.3% physiotherapists. Although the availability of the products for
the laundering of the hands and the existence of posters divulging all the stages of the technique, the
professionals had not carried through in agreement procedure the recommendations evidencing the
necessity of the implementation of ludo - pedagogical activities and motivation to intensify the
adhesion of the professionals to this so simple and huge action.
KEY WORDS: Laundering of hands. Hospital infection. Professionals of the Health.
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INTRODUÇÃO
No Brasil, estima-se que três a 15% dos pacientes sob hospitalização adquirem
infecção hospitalar e que, destes, cinco a 12% morrem em consequência da mesma.
Estudos acerca dos processos de disseminação dos patógenos apontam as mãos
dos profissionais da saúde como reservatório de microrganismos responsáveis pela
infecção cruzada (SCHEIDT; CARVALHO, 2006; VERONESI, 2005).
A prática de lavagem das mãos foi recomendada há 140 anos por Semmelweis
(1818 – 1865) sendo considerado hoje o "pai do controle de infecções" comprovando
a importância da lavagem das mãos na prevenção da febre puerperal, sendo suas
descobertas fundamentais para essa temática (DRIGALSKI, 1964).
Segundo Tortora (2002), a descoberta da técnica anti-séptica teve como base os
estudos de Pasteur, e demonstraram que os microrganismos podem estar presentes
na matéria não-viva, sobre sólidos, líquidos e no ar. Em 1860, Joseph Lister, um
cirurgião europeu, aplicou a teoria do germe da doença citava que os
microrganismos têm certa ligação específica com seus hospedeiros, para seus
procedimentos médicos. Ele tinha ciência das técnicas utilizadas por Semmelweis e
dos trabalhos de Pasteur, associando micróbios às doenças animais bem como
conhecia o poder bactericida do fenol. Então Lister começou a tratar ferimentos
cirúrgicos com essa solução, reduzindo a incidência de infecções e mortes naquela
época.
A lavagem das mãos é uma prática de assepsia simples que continua sendo a
principal forma de prevenir e controlar as infecções, sem ônus significativos para as
instituições, além de gerar benefícios extensíveis àqueles envolvidos no processo de
cuidado, devendo configurar-se como um hábito que todos os profissionais de saúde
devem realizar antes e depois de qualquer procedimento, seja ele invasivo ou não
(GENZ, 1998; TIMBY, 1996).
A importância da lavagem das mãos no controle da transmissão de infecção
nosocomial, segundo Santos (2000 apud MENDONÇA, 2003), é baseada na
capacidade delas abrigarem microrganismos e de transferi-los de uma superfície
para outra, por contato direto, pele com pele, ou indireto, através de objetos.
As infecções nos serviços de saúde ameaçam tanto os pacientes quanto os
profissionais e podem ocasionar sofrimentos e gastos excessivos para o sistema de
saúde. Ainda, podem implicar em processos e indenizações judiciais, nos casos
comprovados de negligência durante a assistência prestada. O controle de infecções
nestes serviços, incluindo as práticas da higienização das mãos, além de atender as
exigências legais e éticas, concorre também para melhoria da qualidade no
atendimento e assistência ao paciente. Os benefícios destas práticas são
inquestionáveis, desde a redução da morbidade e mortalidade dos pacientes até a
diminuição de custos associados ao tratamento dos quadros infecciosos (BRASIL,
2007).
Embora sejam empreendidos significativos esforços para que se reduza o índice
de contaminação em hospitais, os mesmos ainda configuram-se como importantes
reservatórios de uma diversidade de patógenos. A razão para tal reside no fato de
que os microrganismos da flora normal dos humanos são oportunistas, sendo,
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portanto nocivos para pacientes hospitalizados. Os microrganismos oportunistas não
causam infecções em pessoas sadias, mas têm a capacidade de desencadear
reações adversas em humanos imunocomprometidos (MARANGONI; SCHECHTER
1994).
No Brasil, o controle de infecções hospitalares começou a ser aprimorado por
meio da Portaria 196/83 do Ministério da Saúde e delineado pela Lei 9431/97, que
obriga os hospitais a manterem um Programa de Infecções Hospitalares (PCIH) e
criarem uma Comissão de Controle de Infecções Hospitalares (CCIH). O Programa
de Controle de Infecção Hospitalar foi revogado e substituído pela Portaria MS
930/92. Atualmente, está em vigor a Portaria 2616/98, que revogou a Portaria
anterior (BRASIL, 2003).
A legislação brasileira, por meio da RDC 50/2002, estabelece as ações mínimas
a serem desenvolvidas com vistas a redução da incidência das infecções
relacionadas a assistência a saúde e as normas e projetos físicos de
estabelecimentos assistenciais de saúde. Esses instrumentos normativos reforçam o
papel da lavagem das mãos como ação mais importante na prevenção e controle
das infecções em serviços de saúde. A Organização Mundial de Saúde (OMS), por
meio da Aliança Mundial para a Segurança do Paciente, também tem dedicado
esforços na preparação de diretrizes e estratégias de implantação de medidas
visando a adesão a prática de lavagem das mãos (BRASIL, 2007).
Como no século passado, os profissionais de saúde ainda necessitam serem
lembrados constantemente de lavar suas mãos durante o contato com o paciente
(VERONESI, 2005).
Além da longa jornada de trabalho, a equipe de saúde multiprofissional
normalmente apresenta também um grande volume de atividades a serem
realizadas. Assim não é incomum observar a realização da técnica de lavagem das
mãos de forma rápida e desatenta, o que pode aumentar a incidência no quadro de
infecções hospitalares, principalmente para os profissionais que prestam
atendimento a pacientes mais vulneráveis.
Entendendo a importância da lavagem das mãos e a complexidade que a
realização incorreta ou a não realização da mesma traz como implicações para as
instituições, profissionais e pacientes o estudo teve por objetivo caracterizar o perfil
dos profissionais que lidam diretamente com os pacientes em clínica, observar a
técnica de lavagem das mãos na rotina da equipe multiprofissional e conhecer a
importância da lavagem das mãos para os mesmos.
MÉTODOS
O estudo foi desenvolvido e fundamentado em uma abordagem quantiqualitativa, descritiva, que utilizou a observação e o registro e a análise dos
fenômenos.
Realizado em uma Unidade de Clínica Médica e Cirúrgica de um Hospital de
média complexidade da Região do Vale do Aço, Minas Gerais, tendo como
participantes 19 profissionais dentre eles, a equipe de enfermagem, fisioterapeutas e
médicos que estavam fazendo atividade laboral durante a coleta de dados.
A metodologia adotada foi através da observação sistematizada da técnica
realizada pela equipe multiprofissional antes e depois dos procedimentos realizados.
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O critério de inclusão dos sujeitos de observação deste estudo residiu na
condição dos mesmos estabelecerem contato direto com o paciente ou com os
dispositivos utilizados em seu processo de cuidado.
Os registros das observações foram feitos a partir de uma Lista de
Procedimentos para Lavagem das mãos adaptado Mendonça et al (2003). Para a
caracterização da amostra foi aplicado um questionário diretivo.
De acordo com o que foi estabelecido pela instituição para a realização da
pesquisa, a coleta de dados ocorreu em um período de 4 dias observando
profissionais distintos em uma média de três horas de observação nos turnos
alternados em quatro manhãs e duas tardes. O período de observação
compreendeu no horário de 10:00 às 13:00 e 13:30 às 16:30, entendendo serem
estes os horários em que foram realizados maior número de procedimentos.
Os dados foram submetidos à porcentagem simples. A fase de análise foi
operacionalizada em três etapas: ordenação, classificação e análise.
De acordo com a Resolução nº 196 de 10 de outubro de 1996, em respeito aos
preceitos éticos da pesquisa com seres humanos cabe registrar que antes de iniciar
a coleta de dados foi solicitado para que os participantes assinassem o Termo de
Consentimento Livre e Esclarecido autorizando a observação dos mesmos, portanto
os participantes sabiam que estavam sendo observados e poderiam deixar de
participar
da
pesquisa
quando
assim
desejasse
(BRASIL,
1996).
Concomitantemente, o pesquisador firmou o termo de Compromisso Ético de Sigilo
e Anonimato com a instituição.
RESULTADOS
Foram observados 19 profissionais de diferentes categorias e houve 46
lavagens das mãos, conforme apresentado na Tabela 1.
A ala de clínica médica é composta por nove enfermarias, onde trabalham 16
técnicos de enfermagem alternando em turnos de 12 horas, mais dois auxiliares de
enfermagem com jornada de 40 horas semanais. A presença da equipe médica
ocorre somente para visitas, tornando o momento de observação infrequente.
Conforme descrito na TAB. 1 foi observado 19 profissionais de diferentes
categorias que realizaram 46 lavagens de mãos.
TABELA 1. Distribuição do número de observações de lavagem de mãos realizada por diferentes
categorias Minas Gerais, 2008.
Categoria Profissional
Nº
%
Nº de
%
lavagem de mãos
Médico
Téc./Aux. Enf.
4
21%
6
13,1%
12
63,2%
34
73,9%
Enfermeiro
2
10,5%
2
4,3%
Fisioterapeuta
1
5,3%
4
8,7%
19
100%
46
100%
TOTAL
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Entre os profissionais observados, os auxiliares e técnicos de enfermagem
representaram 63,2% do total de avaliados sendo o restante constituído por 21% de
médicos, 10,5% enfermeiros e 5,3% fisioterapeutas.
Os técnicos e auxiliares de enfermagem compreendem a maioria e
consequentemente, representaram o maior percentual de profissionais observados.
Além disso, estes profissionais permanecem fixos no setor realizando procedimentos
invasivos e mantém maior contato com o paciente necessitando realizar mais vezes
a técnica de lavagem de mãos (73,9%). Os enfermeiros não são setorizados, isto é,
cada turno é coordenado por dois enfermeiros em todo o hospital, por isso, no
período em que estavam presentes, realizaram a técnica (4,3%). O fisioterapeuta
atende à demanda do hospital, sendo perceptível que sua presença na unidade é
agendada de acordo com a necessidade. A presença dos médicos no posto de
enfermagem acontece na maioria dos casos para as visitas, portanto o número de
lavagens observadas representou 13,1% de acordo com o número de médicos
analisados.
Além da frequência de lavagem das mãos, analisou-se também a técnica quanto
ao cumprimento de todas as suas etapas, segundo o Manual de Higienização das
mãos em Serviço de Saúde (BRASIL, 2007).
Entre os profissionais observados, nenhum realizou a técnica conforme
preconiza o manual Segurança do Paciente: Higienização das mãos (BRASIL,
2007).
Conforme as observações realizadas, durante a fase de preparo, não foi
observado quanto à retirada de adornos como pulseiras, jóias e relógios.
Segundo a pesquisa de Scheidt e Carvalho (2006) realizada no Instituto
Fernandes Figueira no Rio de Janeiro, houve a inobservância da retirada de adornos
em 84% da amostra estudada. O uso destes acessórios pelos profissionais de saúde
durante a assistência permite a continuidade da flora residente nestes, facilitando a
dispersão de alguns microrganismos, aumentando os índices de infecções e
dificultando o serviço das comissões.
Esfregar unhas, dedos e punhos houve adesão de 47,8% dos participantes
analisados. Deste percentual, ressalta-se que os técnicos e auxiliares de
enfermagem representaram 35,3% da amostra, realizando a fricção dos dedos,
incluindo as unhas e punhos, conforme recomenda os especialistas, enquanto as
outras categorias não realizaram tal ação.
Quanto à última etapa da técnica, a categoria de técnicos de enfermagem e
enfermeiros mostra que estes realizaram o mais próximo da técnica correta
utilizando o papel toalha após a secagem das mãos como barreira no fechamento da
torneira, evitando a recontaminação, de acordo com as recomendações técnicas. Os
enfermeiros realizaram este procedimento em 100% das observações, os técnicos
64,7%, o fisioterapeuta 25% e os médicos não o fizeram.
De acordo com a pesquisa de Mendonça et al. (2003) ocorrida em uma UTI
neonatal de um hospital público de Goiânia, os profissionais que mais lavaram as
mãos de acordo com a técnica recomendada, foram auxiliares e técnicos de
enfermagem (84,6%).
Em outra pesquisa realizada por Neves (2006) também em uma UTI neonatal de
Goiânia, mostra que as categorias de nível superior obtiveram maior adesão à
higienização das mãos enquanto o nível técnico teve uma baixa adesão no
cumprimento de todas as etapas.
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O importante é que todos os profissionais estejam em sintonia com suas
atitudes, pois se uma equipe realiza todos os procedimentos de forma correta e
outra não o faz, o trabalho que a comissão de controle preconiza não tem valor
usual.
Assim como a pesquisa de Mendonça et al. (2003) e Neves (2003), observou-se
que na clínica médica e cirúrgica do serviço em estudo a categoria de enfermeiros
apresentou a maior adesão ao cumprimento da maioria das etapas da técnica e
diferente dos dados encontrados por Neves (2003) onde os técnicos de enfermagem
representaram a segunda categoria com maior cumprimento de todas as etapas da
técnica.
A TAB. 2 representa a distribuição do número de lavagem das mãos por
categoria profissional seguindo a norma técnica preconizada pelo Manual de
Higienização das mãos em Serviço de Saúde. A técnica correta conforme este
manual é constituída por onze etapas que se realizada criteriosamente consegue-se
remover microrganismos da flora transitória das mãos impedindo uma nova
proliferação. Observa-se então que na TAB 2, foram divididos critérios de
quantidade de etapas não cumpridas, já que 100% da amostra não realizou a
lavagem de forma correta.
TABELA 2. Distribuição do número de lavagem das mãos por categoria profissional seguindo a norma
da técnica preconizada. Minas Gerais, 2008.
Categoria Profissional
Deixou de
Deixou de
Deixou de
TOTAL de
cumprir uma
cumprir duas ou
cumprir mais de
observações
etapa
três etapas
três etapas
Médico
0
2 (33,3%)
4 (66,7%)
6
2 (5,9%)
20 (58,8%)
12 (35,3%)
34
Enfermeiro
0
2 (100%)
0
2
Fisioterapeuta
0
1 (25%)
3 (75%)
4
TOTAL
2
25
19
Téc./Aux. Enfermagem
46
Os enfermeiros, por não estarem fixos nos setores, foram pouco observados,
porém, quando presentes, não realizaram aproximadamente toda a técnica,
deixando de cumprir duas ou três etapas, tornando por isso importantes veículos de
infecção cruzada. Como os auxiliares e técnicos de enfermagem são a maioria,
foram mais observados, e de acordo com o manual 5,9% deixou de cumprir uma
etapa como friccionar o polegar; 58,8% deixaram de cumprir duas ou três etapas
como friccionar polegar, unhas e extremidades dos dedos, procedimentos de muita
importância, pois a microbiota transitória e residente estão mais presentes nas
unhas; 35,3% dos técnicos de enfermagem deixaram de realizar mais de três etapas
como, além dos acima citados não friccionaram espaços interdigitais e não fecharam
a torneira com o papel toalha.
Em relação ao número de médicos observados, em duas observações 33,3%
deixou de cumprir duas ou três etapas e em quatro observações 66,7% deixou de
cumprir mais de três etapas, mostrando também que nenhum dos médicos utilizou o
papel toalha para o fechamento da torneira.
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O fisioterapeuta realizou durante a pesquisa quatro lavagens de mãos; em 25%
destas o profissional deixou de cumprir duas ou três etapas; e em 75% o mesmo
deixou de cumprir mais de três etapas. Observa-se, portanto que o não cumprimento
de todas as etapas para realização da técnica não garante a eficácia do
procedimento, mantendo provavelmente colonização de microrganismos nas mãos
desses profissionais.
Estudos sobre a lavagem das mãos avaliam que a adesão dos profissionais
quanto à prática de forma constante e correta na rotina diária ainda é insuficiente
(BRASIL, 2007).
O Manual Lavar as Mãos redigido pelo Ministério da Saúde (BRASIL, 1989)
recomenda aos profissionais de Saúde que o tempo mínimo para a realização da
técnica é de aproximadamente 15 segundos.
A TAB. 3 representa o tempo gasto para a realização da técnica de lavagem de
mãos pelos profissionais observados.
TABELA 3. Distribuição do tempo em segundos dispendidos na lavagem das mãos conforme a
categoria profissional. Minas Gerais, 2008.
Tempo para
De 0 a 10 seg.
De 10 a 20 seg.
De 20 a 30 seg.
Total de lavagens
realização
da Técnica
Médico
2
3
1
6
14
17
3
34
Enfermeiro
0
1
1
2
Fisioterapeuta
3
1
0
4
19
22
5
46
Téc./Aux.Enf.
TOTAL
Entre os profissionais que realizaram a técnica observou-se que o tempo gasto
por 47,8% foi entre 10 a 20 segundos atendendo a recomendação do manual como
tempo médio para lavagem de mãos. Sendo que a maioria foi feita pelos auxiliares e
técnicos de enfermagem. Observou–se também que 41,3% dos profissionais
realizaram a técnica em um tempo menor que o recomendado, sendo a mesma não
realizada corretamente. Verifica-se que apesar da não realização de todas as etapas
da técnica, o tempo gasto por 58,7% dos observados foi adequado.
Estudos sobre o tempo utilizado durante a técnica segundo Mendonça et al.
(2003), mostraram que auxiliares e técnicos de enfermagem foram as categorias que
mais se adequaram ao tempo preconizado pelo Ministério da Saúde.
A higienização das mãos deve ser realizada antes e depois de qualquer
procedimento, seja ele invasivo ou não. Verificou-se em quais momentos ocorreu
lavagem das mãos sendo eles divididos em procedimentos invasivos e não
invasivos.
A TAB. 4 demonstra os procedimentos invasivos e não invasivos que foram
realizados pelos profissionais analisados e que tiveram adesão dos profissionais
antes e depois da realização dos mesmos.
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Tabela 4. Distribuição de quantidade de lavagem de mãos de acordo com os procedimentos
realizados por categoria profissional. Minas Gerais, 2008.
Procedimentos
Invasivos
Não Invasivos
Geral
-
44,4%
Entrar/Sair da Unidade
-
55,6%
Atendimento Fisioterapia
-
100%
Antes/Após punção Venosa
66,7%
-
Antes/depois preparo Medicamento
33,3%
-
Outros (glicemia capilar, sondagens
nasogástrica e nasoentérica e drenagem
de feridas)
100%
-
Dos procedimentos não invasivos, a adesão dos profissionais para atividades
como arrumação e desinfecção do leito, mudança de decúbito do paciente e
admissão apresentou uma adesão de lavagem de mãos em 44,4% dos avaliados, o
procedimento de entrar e sair da unidade apresentou uma adesão dos profissionais
de 55,6% após essa atividade. As manobras de fisioterapia representadas pelos
profissionais específicos apresentaram uma adesão de 100% da lavagem de mãos
tanto antes como depois do procedimento.
Antes e depois da punção venosa foram observadas seis higienizações das
mãos que representaram (66,7%) e no preparo de medicamentos (33,3%)
representados pelos técnicos e auxiliares de enfermagem. Os demais
procedimentos invasivos representados pelas sondagens nasoentérica,
nasogástrica, glicemia capilar, drenagem de feridas e curativos foram observados
seis lavagens de mãos em que 33,3% foram realizados pelos médicos, 16,7% pelo
enfermeiro e 50% pelos técnicos e auxiliares de enfermagem. Esses resultados
insatisfatórios são importantes, pois os procedimentos invasivos são as principais
causas de infecções hospitalares, e a lavagem das mãos para realização destes
processos é indispensável na rotina assistencial.
No questionamento sobre a importância da lavagem das mãos para os
profissionais observados, todos afirmaram que a técnica é essencial para evitar
infecção cruzada, ou seja, previne a transmissão de patógenos do cuidador para o
paciente e vice-versa. Observa-se que, apesar de não terem realizado toda a técnica
de forma correta, os profissionais sabem da importância que a mesma representa.
Em relação ao tempo de serviço na unidade, 26,3% trabalha na instituição entre
dois a cinco anos, 21,5% trabalham de 10 a 35 anos e 52,2% trabalha há menos de
um ano. A representação por tempo de serviço de 47,8% demonstra que mesmo
estando atuando na instituição há mais de dois anos, estes profissionais ainda
mantêm hábitos inadequados como esquecimento de algumas etapas da técnica.
Observa-se que o menor tempo de serviço está representado por técnicos e
auxiliares de enfermagem. Isto está explicado pela demissão em massa realizada
pelo hospital no ano anterior e sua retomada com o recurso do Ministério da Saúde
(Pró-Saúde) investindo em melhorias onde reativou a internação e ampliou sua
capacidade de atendimentos, justificando o tempo curto de trabalho principalmente
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dos técnicos que foram recentemente contratados. O menor tempo atuando na
atividade pode ser representado por profissionais que não receberam
adequadamente as orientações sobre lavagem de mãos.
CONCLUSÃO
Apesar da disponibilidade dos equipamentos e produtos para a lavagem das
mãos e a existência de cartazes mostrando todas as etapas do processo da
lavagem das mãos, os profissionais não realizaram o procedimento conforme as
recomendações da técnica.
Embora o número de participantes desta pesquisa tenha sido restrito, os
resultados indicam a necessidade de se investir em programas de treinamento
visando assim a motivar a adesão da lavagem de mãos entre os profissionais. As
campanhas e programas de treinamentos devem estender-se para todos os
participantes da equipe, especialmente para aqueles que desenvolvem atividades de
menor frequência nas unidades de atendimento.
O conhecimento sobre a lavagem das mãos foi considerado importante por
todos, mas, no entanto na prática ela não é utilizada ou quando o é, não ocorre de
forma adequada.
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Revista Enfermagem Integrada – Ipatinga: Unileste-MG-V.2-N.1-Jul./Ago. 2009
162
APÊNDICE
Lista de Procedimentos para lavagem das mãos
1.0 – Data:____/____/____
1.1 – Categoria profissional:
(1) Médico
(2) Téc./Aux. de Enfermagem
(3) Enfermeiro
(4) Fisioterapeuta
ITEM OBSERVADO
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Categoria Profissional
Técnica de lavagem das mãos
1. Retirou jóias, pulseiras e relógios para lavar as
mãos:
2. Possui unhas curtas:
3. Palma a palma :
4. Palma com dorso:
5. Espaços interdigitais:
6. Polegar :
7. Unhas e extremidades dos dedos
8. Punhos
9. Fechou a torneira com papel toalha
10. O tempo gasto na execução da lavagem das
mãos
(1) De 00 a 10 segundos (2) De 10 a 20
segundos
(3) De 20 a 30 segundos (4) Mais de 30
segundos
Momento/situações em que se lava as mãos:
11. Ao entrar na unidade
12. Ao sair da unidade
13. Para a realização de cuidados não invasivos
14. Antes do preparo de medicamentos
15. Após preparo de medicação
16. Antes de punção venosa
17. Após punção venosa
18. Antes da realização de fisioterapia:
19. Após fisioterapia
20. Outros:
Fonte: Adaptado de LAVAGEM DAS MÃOS, Acta Scientiarum Health Sciences Maringá, v. 25, no. 2,
p. 147-153, 2003.
Revista Enfermagem Integrada – Ipatinga: Unileste-MG-V.2-N.1-Jul./Ago. 2009
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APÊNDICE – CARACTERIZAÇÃO DA AMOSTRA
1. Qual é a sua formação acadêmica?
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2. Há quanto tempo trabalha nesta unidade?
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3. Qual é a importância da lavagem das mãos para você?
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Revista Enfermagem Integrada – Ipatinga: Unileste-MG-V.2-N.1-Jul./Ago. 2009
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LAVAGEM DAS MÃOS NO CONTROLE DA INFECÇÃO