152 LAVAGEM DAS MÃOS NO CONTROLE DA INFECÇÃO HOSPITALAR: um estudo sobre a execução da técnica LAUDERING OF THE HANDS IN THE CONTROL OF THE HOSPITAL INFECTION: a study on the execution of the technique Fernanda Mendes Santos Discente do Curso de Enfermagem do Centro Universitário do Leste de Minas Gerais – Unileste MG. [email protected] Virgínia Maria da Silva Gonçalves Enfermeira.Mestre em Saúde e Meio Ambiente.Especialista em Administração Hospitalar Docente do Centro Universitário do Leste de Minas Gerais – Unileste MG RESUMO A lavagem das mãos é uma ação simples e importante na prevenção da infecção nosocomial. Estudos apontam as mãos dos profissionais como reservatório de patógenos capazes de tornarem-se grandes vilões para o paciente e para os trabalhadores, além de acarretar sofrimentos e gastos para o sistema de saúde. Apesar de todas as evidências mostrarem a importância das mãos na cadeia de transmissão das infecções hospitalares e os efeitos dos procedimentos de higienização na diminuição destas taxas, muitos profissionais têm uma atitude passiva diante do problema. Este estudo objetivou observar a técnica de lavagem das mãos na rotina dos trabalhadores da saúde e conhecer a importância desta ação para os mesmos. O estudo foi realizado em uma Unidade de Clínica Médica e Cirúrgica de um Hospital em Minas Gerais, tendo como população alvo a equipe de enfermagem, fisioterapeuta e médicos. Entre os profissionais observados, os auxiliares e técnicos de enfermagem representaram 63,2% do total de avaliados sendo o restante constituído por 21% de médicos, 10,5% enfermeiros e 5,3% fisioterapeutas. Apesar da disponibilidade dos produtos para a lavagem das mãos e a existência de cartazes divulgando todas as etapas da técnica, os profissionais não realizaram o procedimento conforme as recomendações, evidenciando a necessidade da implementação de atividades ludo - pedagógicas e motivação para intensificar a adesão dos profissionais a esta ação tão simples e grandiosa. PALAVRAS-CHAVE: Lavagem de mãos. Infecção Hospitalar. Profissionais da Saúde. ABSTRACT The laundering of the hands is an action simple and important in the prevention of the nosocomial infection. Studies point the hands of the professionals as reservoir of parasites capable to become great villains for the patient and the workers, beyond causing sufferings and expenses for the health system. Although all the evidences to show to the importance of the hands in the chain of transmission of the hospital infections and the effect of the procedures of hygienic cleaning in the reduction this taxes, many professionals ahead have a passive attitude of the problem. During the research it was observed the technique of laundering of the hands in the routine of the workers of the health and knew the importance of the laundering of the hands for the same ones. The study was realized through in a Unit of Medical and Surgical Clinic of a Hospital in Minas Gerais, having as white population the team of nursing, physiotherapist and doctors. Between the observed professionals, the assistant and technician of nursing had represented 63.2% of the total of evaluated, being the remain consisting of 21% of doctors, 10.5% nurses and 5.3% physiotherapists. Although the availability of the products for the laundering of the hands and the existence of posters divulging all the stages of the technique, the professionals had not carried through in agreement procedure the recommendations evidencing the necessity of the implementation of ludo - pedagogical activities and motivation to intensify the adhesion of the professionals to this so simple and huge action. KEY WORDS: Laundering of hands. Hospital infection. Professionals of the Health. Revista Enfermagem Integrada – Ipatinga: Unileste-MG-V.2-N.1-Jul./Ago. 2009 153 INTRODUÇÃO No Brasil, estima-se que três a 15% dos pacientes sob hospitalização adquirem infecção hospitalar e que, destes, cinco a 12% morrem em consequência da mesma. Estudos acerca dos processos de disseminação dos patógenos apontam as mãos dos profissionais da saúde como reservatório de microrganismos responsáveis pela infecção cruzada (SCHEIDT; CARVALHO, 2006; VERONESI, 2005). A prática de lavagem das mãos foi recomendada há 140 anos por Semmelweis (1818 – 1865) sendo considerado hoje o "pai do controle de infecções" comprovando a importância da lavagem das mãos na prevenção da febre puerperal, sendo suas descobertas fundamentais para essa temática (DRIGALSKI, 1964). Segundo Tortora (2002), a descoberta da técnica anti-séptica teve como base os estudos de Pasteur, e demonstraram que os microrganismos podem estar presentes na matéria não-viva, sobre sólidos, líquidos e no ar. Em 1860, Joseph Lister, um cirurgião europeu, aplicou a teoria do germe da doença citava que os microrganismos têm certa ligação específica com seus hospedeiros, para seus procedimentos médicos. Ele tinha ciência das técnicas utilizadas por Semmelweis e dos trabalhos de Pasteur, associando micróbios às doenças animais bem como conhecia o poder bactericida do fenol. Então Lister começou a tratar ferimentos cirúrgicos com essa solução, reduzindo a incidência de infecções e mortes naquela época. A lavagem das mãos é uma prática de assepsia simples que continua sendo a principal forma de prevenir e controlar as infecções, sem ônus significativos para as instituições, além de gerar benefícios extensíveis àqueles envolvidos no processo de cuidado, devendo configurar-se como um hábito que todos os profissionais de saúde devem realizar antes e depois de qualquer procedimento, seja ele invasivo ou não (GENZ, 1998; TIMBY, 1996). A importância da lavagem das mãos no controle da transmissão de infecção nosocomial, segundo Santos (2000 apud MENDONÇA, 2003), é baseada na capacidade delas abrigarem microrganismos e de transferi-los de uma superfície para outra, por contato direto, pele com pele, ou indireto, através de objetos. As infecções nos serviços de saúde ameaçam tanto os pacientes quanto os profissionais e podem ocasionar sofrimentos e gastos excessivos para o sistema de saúde. Ainda, podem implicar em processos e indenizações judiciais, nos casos comprovados de negligência durante a assistência prestada. O controle de infecções nestes serviços, incluindo as práticas da higienização das mãos, além de atender as exigências legais e éticas, concorre também para melhoria da qualidade no atendimento e assistência ao paciente. Os benefícios destas práticas são inquestionáveis, desde a redução da morbidade e mortalidade dos pacientes até a diminuição de custos associados ao tratamento dos quadros infecciosos (BRASIL, 2007). Embora sejam empreendidos significativos esforços para que se reduza o índice de contaminação em hospitais, os mesmos ainda configuram-se como importantes reservatórios de uma diversidade de patógenos. A razão para tal reside no fato de que os microrganismos da flora normal dos humanos são oportunistas, sendo, Revista Enfermagem Integrada – Ipatinga: Unileste-MG-V.2-N.1-Jul./Ago. 2009 154 portanto nocivos para pacientes hospitalizados. Os microrganismos oportunistas não causam infecções em pessoas sadias, mas têm a capacidade de desencadear reações adversas em humanos imunocomprometidos (MARANGONI; SCHECHTER 1994). No Brasil, o controle de infecções hospitalares começou a ser aprimorado por meio da Portaria 196/83 do Ministério da Saúde e delineado pela Lei 9431/97, que obriga os hospitais a manterem um Programa de Infecções Hospitalares (PCIH) e criarem uma Comissão de Controle de Infecções Hospitalares (CCIH). O Programa de Controle de Infecção Hospitalar foi revogado e substituído pela Portaria MS 930/92. Atualmente, está em vigor a Portaria 2616/98, que revogou a Portaria anterior (BRASIL, 2003). A legislação brasileira, por meio da RDC 50/2002, estabelece as ações mínimas a serem desenvolvidas com vistas a redução da incidência das infecções relacionadas a assistência a saúde e as normas e projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde. Esses instrumentos normativos reforçam o papel da lavagem das mãos como ação mais importante na prevenção e controle das infecções em serviços de saúde. A Organização Mundial de Saúde (OMS), por meio da Aliança Mundial para a Segurança do Paciente, também tem dedicado esforços na preparação de diretrizes e estratégias de implantação de medidas visando a adesão a prática de lavagem das mãos (BRASIL, 2007). Como no século passado, os profissionais de saúde ainda necessitam serem lembrados constantemente de lavar suas mãos durante o contato com o paciente (VERONESI, 2005). Além da longa jornada de trabalho, a equipe de saúde multiprofissional normalmente apresenta também um grande volume de atividades a serem realizadas. Assim não é incomum observar a realização da técnica de lavagem das mãos de forma rápida e desatenta, o que pode aumentar a incidência no quadro de infecções hospitalares, principalmente para os profissionais que prestam atendimento a pacientes mais vulneráveis. Entendendo a importância da lavagem das mãos e a complexidade que a realização incorreta ou a não realização da mesma traz como implicações para as instituições, profissionais e pacientes o estudo teve por objetivo caracterizar o perfil dos profissionais que lidam diretamente com os pacientes em clínica, observar a técnica de lavagem das mãos na rotina da equipe multiprofissional e conhecer a importância da lavagem das mãos para os mesmos. MÉTODOS O estudo foi desenvolvido e fundamentado em uma abordagem quantiqualitativa, descritiva, que utilizou a observação e o registro e a análise dos fenômenos. Realizado em uma Unidade de Clínica Médica e Cirúrgica de um Hospital de média complexidade da Região do Vale do Aço, Minas Gerais, tendo como participantes 19 profissionais dentre eles, a equipe de enfermagem, fisioterapeutas e médicos que estavam fazendo atividade laboral durante a coleta de dados. A metodologia adotada foi através da observação sistematizada da técnica realizada pela equipe multiprofissional antes e depois dos procedimentos realizados. Revista Enfermagem Integrada – Ipatinga: Unileste-MG-V.2-N.1-Jul./Ago. 2009 155 O critério de inclusão dos sujeitos de observação deste estudo residiu na condição dos mesmos estabelecerem contato direto com o paciente ou com os dispositivos utilizados em seu processo de cuidado. Os registros das observações foram feitos a partir de uma Lista de Procedimentos para Lavagem das mãos adaptado Mendonça et al (2003). Para a caracterização da amostra foi aplicado um questionário diretivo. De acordo com o que foi estabelecido pela instituição para a realização da pesquisa, a coleta de dados ocorreu em um período de 4 dias observando profissionais distintos em uma média de três horas de observação nos turnos alternados em quatro manhãs e duas tardes. O período de observação compreendeu no horário de 10:00 às 13:00 e 13:30 às 16:30, entendendo serem estes os horários em que foram realizados maior número de procedimentos. Os dados foram submetidos à porcentagem simples. A fase de análise foi operacionalizada em três etapas: ordenação, classificação e análise. De acordo com a Resolução nº 196 de 10 de outubro de 1996, em respeito aos preceitos éticos da pesquisa com seres humanos cabe registrar que antes de iniciar a coleta de dados foi solicitado para que os participantes assinassem o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido autorizando a observação dos mesmos, portanto os participantes sabiam que estavam sendo observados e poderiam deixar de participar da pesquisa quando assim desejasse (BRASIL, 1996). Concomitantemente, o pesquisador firmou o termo de Compromisso Ético de Sigilo e Anonimato com a instituição. RESULTADOS Foram observados 19 profissionais de diferentes categorias e houve 46 lavagens das mãos, conforme apresentado na Tabela 1. A ala de clínica médica é composta por nove enfermarias, onde trabalham 16 técnicos de enfermagem alternando em turnos de 12 horas, mais dois auxiliares de enfermagem com jornada de 40 horas semanais. A presença da equipe médica ocorre somente para visitas, tornando o momento de observação infrequente. Conforme descrito na TAB. 1 foi observado 19 profissionais de diferentes categorias que realizaram 46 lavagens de mãos. TABELA 1. Distribuição do número de observações de lavagem de mãos realizada por diferentes categorias Minas Gerais, 2008. Categoria Profissional Nº % Nº de % lavagem de mãos Médico Téc./Aux. Enf. 4 21% 6 13,1% 12 63,2% 34 73,9% Enfermeiro 2 10,5% 2 4,3% Fisioterapeuta 1 5,3% 4 8,7% 19 100% 46 100% TOTAL Revista Enfermagem Integrada – Ipatinga: Unileste-MG-V.2-N.1-Jul./Ago. 2009 156 Entre os profissionais observados, os auxiliares e técnicos de enfermagem representaram 63,2% do total de avaliados sendo o restante constituído por 21% de médicos, 10,5% enfermeiros e 5,3% fisioterapeutas. Os técnicos e auxiliares de enfermagem compreendem a maioria e consequentemente, representaram o maior percentual de profissionais observados. Além disso, estes profissionais permanecem fixos no setor realizando procedimentos invasivos e mantém maior contato com o paciente necessitando realizar mais vezes a técnica de lavagem de mãos (73,9%). Os enfermeiros não são setorizados, isto é, cada turno é coordenado por dois enfermeiros em todo o hospital, por isso, no período em que estavam presentes, realizaram a técnica (4,3%). O fisioterapeuta atende à demanda do hospital, sendo perceptível que sua presença na unidade é agendada de acordo com a necessidade. A presença dos médicos no posto de enfermagem acontece na maioria dos casos para as visitas, portanto o número de lavagens observadas representou 13,1% de acordo com o número de médicos analisados. Além da frequência de lavagem das mãos, analisou-se também a técnica quanto ao cumprimento de todas as suas etapas, segundo o Manual de Higienização das mãos em Serviço de Saúde (BRASIL, 2007). Entre os profissionais observados, nenhum realizou a técnica conforme preconiza o manual Segurança do Paciente: Higienização das mãos (BRASIL, 2007). Conforme as observações realizadas, durante a fase de preparo, não foi observado quanto à retirada de adornos como pulseiras, jóias e relógios. Segundo a pesquisa de Scheidt e Carvalho (2006) realizada no Instituto Fernandes Figueira no Rio de Janeiro, houve a inobservância da retirada de adornos em 84% da amostra estudada. O uso destes acessórios pelos profissionais de saúde durante a assistência permite a continuidade da flora residente nestes, facilitando a dispersão de alguns microrganismos, aumentando os índices de infecções e dificultando o serviço das comissões. Esfregar unhas, dedos e punhos houve adesão de 47,8% dos participantes analisados. Deste percentual, ressalta-se que os técnicos e auxiliares de enfermagem representaram 35,3% da amostra, realizando a fricção dos dedos, incluindo as unhas e punhos, conforme recomenda os especialistas, enquanto as outras categorias não realizaram tal ação. Quanto à última etapa da técnica, a categoria de técnicos de enfermagem e enfermeiros mostra que estes realizaram o mais próximo da técnica correta utilizando o papel toalha após a secagem das mãos como barreira no fechamento da torneira, evitando a recontaminação, de acordo com as recomendações técnicas. Os enfermeiros realizaram este procedimento em 100% das observações, os técnicos 64,7%, o fisioterapeuta 25% e os médicos não o fizeram. De acordo com a pesquisa de Mendonça et al. (2003) ocorrida em uma UTI neonatal de um hospital público de Goiânia, os profissionais que mais lavaram as mãos de acordo com a técnica recomendada, foram auxiliares e técnicos de enfermagem (84,6%). Em outra pesquisa realizada por Neves (2006) também em uma UTI neonatal de Goiânia, mostra que as categorias de nível superior obtiveram maior adesão à higienização das mãos enquanto o nível técnico teve uma baixa adesão no cumprimento de todas as etapas. Revista Enfermagem Integrada – Ipatinga: Unileste-MG-V.2-N.1-Jul./Ago. 2009 157 O importante é que todos os profissionais estejam em sintonia com suas atitudes, pois se uma equipe realiza todos os procedimentos de forma correta e outra não o faz, o trabalho que a comissão de controle preconiza não tem valor usual. Assim como a pesquisa de Mendonça et al. (2003) e Neves (2003), observou-se que na clínica médica e cirúrgica do serviço em estudo a categoria de enfermeiros apresentou a maior adesão ao cumprimento da maioria das etapas da técnica e diferente dos dados encontrados por Neves (2003) onde os técnicos de enfermagem representaram a segunda categoria com maior cumprimento de todas as etapas da técnica. A TAB. 2 representa a distribuição do número de lavagem das mãos por categoria profissional seguindo a norma técnica preconizada pelo Manual de Higienização das mãos em Serviço de Saúde. A técnica correta conforme este manual é constituída por onze etapas que se realizada criteriosamente consegue-se remover microrganismos da flora transitória das mãos impedindo uma nova proliferação. Observa-se então que na TAB 2, foram divididos critérios de quantidade de etapas não cumpridas, já que 100% da amostra não realizou a lavagem de forma correta. TABELA 2. Distribuição do número de lavagem das mãos por categoria profissional seguindo a norma da técnica preconizada. Minas Gerais, 2008. Categoria Profissional Deixou de Deixou de Deixou de TOTAL de cumprir uma cumprir duas ou cumprir mais de observações etapa três etapas três etapas Médico 0 2 (33,3%) 4 (66,7%) 6 2 (5,9%) 20 (58,8%) 12 (35,3%) 34 Enfermeiro 0 2 (100%) 0 2 Fisioterapeuta 0 1 (25%) 3 (75%) 4 TOTAL 2 25 19 Téc./Aux. Enfermagem 46 Os enfermeiros, por não estarem fixos nos setores, foram pouco observados, porém, quando presentes, não realizaram aproximadamente toda a técnica, deixando de cumprir duas ou três etapas, tornando por isso importantes veículos de infecção cruzada. Como os auxiliares e técnicos de enfermagem são a maioria, foram mais observados, e de acordo com o manual 5,9% deixou de cumprir uma etapa como friccionar o polegar; 58,8% deixaram de cumprir duas ou três etapas como friccionar polegar, unhas e extremidades dos dedos, procedimentos de muita importância, pois a microbiota transitória e residente estão mais presentes nas unhas; 35,3% dos técnicos de enfermagem deixaram de realizar mais de três etapas como, além dos acima citados não friccionaram espaços interdigitais e não fecharam a torneira com o papel toalha. Em relação ao número de médicos observados, em duas observações 33,3% deixou de cumprir duas ou três etapas e em quatro observações 66,7% deixou de cumprir mais de três etapas, mostrando também que nenhum dos médicos utilizou o papel toalha para o fechamento da torneira. Revista Enfermagem Integrada – Ipatinga: Unileste-MG-V.2-N.1-Jul./Ago. 2009 158 O fisioterapeuta realizou durante a pesquisa quatro lavagens de mãos; em 25% destas o profissional deixou de cumprir duas ou três etapas; e em 75% o mesmo deixou de cumprir mais de três etapas. Observa-se, portanto que o não cumprimento de todas as etapas para realização da técnica não garante a eficácia do procedimento, mantendo provavelmente colonização de microrganismos nas mãos desses profissionais. Estudos sobre a lavagem das mãos avaliam que a adesão dos profissionais quanto à prática de forma constante e correta na rotina diária ainda é insuficiente (BRASIL, 2007). O Manual Lavar as Mãos redigido pelo Ministério da Saúde (BRASIL, 1989) recomenda aos profissionais de Saúde que o tempo mínimo para a realização da técnica é de aproximadamente 15 segundos. A TAB. 3 representa o tempo gasto para a realização da técnica de lavagem de mãos pelos profissionais observados. TABELA 3. Distribuição do tempo em segundos dispendidos na lavagem das mãos conforme a categoria profissional. Minas Gerais, 2008. Tempo para De 0 a 10 seg. De 10 a 20 seg. De 20 a 30 seg. Total de lavagens realização da Técnica Médico 2 3 1 6 14 17 3 34 Enfermeiro 0 1 1 2 Fisioterapeuta 3 1 0 4 19 22 5 46 Téc./Aux.Enf. TOTAL Entre os profissionais que realizaram a técnica observou-se que o tempo gasto por 47,8% foi entre 10 a 20 segundos atendendo a recomendação do manual como tempo médio para lavagem de mãos. Sendo que a maioria foi feita pelos auxiliares e técnicos de enfermagem. Observou–se também que 41,3% dos profissionais realizaram a técnica em um tempo menor que o recomendado, sendo a mesma não realizada corretamente. Verifica-se que apesar da não realização de todas as etapas da técnica, o tempo gasto por 58,7% dos observados foi adequado. Estudos sobre o tempo utilizado durante a técnica segundo Mendonça et al. (2003), mostraram que auxiliares e técnicos de enfermagem foram as categorias que mais se adequaram ao tempo preconizado pelo Ministério da Saúde. A higienização das mãos deve ser realizada antes e depois de qualquer procedimento, seja ele invasivo ou não. Verificou-se em quais momentos ocorreu lavagem das mãos sendo eles divididos em procedimentos invasivos e não invasivos. A TAB. 4 demonstra os procedimentos invasivos e não invasivos que foram realizados pelos profissionais analisados e que tiveram adesão dos profissionais antes e depois da realização dos mesmos. Revista Enfermagem Integrada – Ipatinga: Unileste-MG-V.2-N.1-Jul./Ago. 2009 159 Tabela 4. Distribuição de quantidade de lavagem de mãos de acordo com os procedimentos realizados por categoria profissional. Minas Gerais, 2008. Procedimentos Invasivos Não Invasivos Geral - 44,4% Entrar/Sair da Unidade - 55,6% Atendimento Fisioterapia - 100% Antes/Após punção Venosa 66,7% - Antes/depois preparo Medicamento 33,3% - Outros (glicemia capilar, sondagens nasogástrica e nasoentérica e drenagem de feridas) 100% - Dos procedimentos não invasivos, a adesão dos profissionais para atividades como arrumação e desinfecção do leito, mudança de decúbito do paciente e admissão apresentou uma adesão de lavagem de mãos em 44,4% dos avaliados, o procedimento de entrar e sair da unidade apresentou uma adesão dos profissionais de 55,6% após essa atividade. As manobras de fisioterapia representadas pelos profissionais específicos apresentaram uma adesão de 100% da lavagem de mãos tanto antes como depois do procedimento. Antes e depois da punção venosa foram observadas seis higienizações das mãos que representaram (66,7%) e no preparo de medicamentos (33,3%) representados pelos técnicos e auxiliares de enfermagem. Os demais procedimentos invasivos representados pelas sondagens nasoentérica, nasogástrica, glicemia capilar, drenagem de feridas e curativos foram observados seis lavagens de mãos em que 33,3% foram realizados pelos médicos, 16,7% pelo enfermeiro e 50% pelos técnicos e auxiliares de enfermagem. Esses resultados insatisfatórios são importantes, pois os procedimentos invasivos são as principais causas de infecções hospitalares, e a lavagem das mãos para realização destes processos é indispensável na rotina assistencial. No questionamento sobre a importância da lavagem das mãos para os profissionais observados, todos afirmaram que a técnica é essencial para evitar infecção cruzada, ou seja, previne a transmissão de patógenos do cuidador para o paciente e vice-versa. Observa-se que, apesar de não terem realizado toda a técnica de forma correta, os profissionais sabem da importância que a mesma representa. Em relação ao tempo de serviço na unidade, 26,3% trabalha na instituição entre dois a cinco anos, 21,5% trabalham de 10 a 35 anos e 52,2% trabalha há menos de um ano. A representação por tempo de serviço de 47,8% demonstra que mesmo estando atuando na instituição há mais de dois anos, estes profissionais ainda mantêm hábitos inadequados como esquecimento de algumas etapas da técnica. Observa-se que o menor tempo de serviço está representado por técnicos e auxiliares de enfermagem. Isto está explicado pela demissão em massa realizada pelo hospital no ano anterior e sua retomada com o recurso do Ministério da Saúde (Pró-Saúde) investindo em melhorias onde reativou a internação e ampliou sua capacidade de atendimentos, justificando o tempo curto de trabalho principalmente Revista Enfermagem Integrada – Ipatinga: Unileste-MG-V.2-N.1-Jul./Ago. 2009 160 dos técnicos que foram recentemente contratados. O menor tempo atuando na atividade pode ser representado por profissionais que não receberam adequadamente as orientações sobre lavagem de mãos. CONCLUSÃO Apesar da disponibilidade dos equipamentos e produtos para a lavagem das mãos e a existência de cartazes mostrando todas as etapas do processo da lavagem das mãos, os profissionais não realizaram o procedimento conforme as recomendações da técnica. Embora o número de participantes desta pesquisa tenha sido restrito, os resultados indicam a necessidade de se investir em programas de treinamento visando assim a motivar a adesão da lavagem de mãos entre os profissionais. As campanhas e programas de treinamentos devem estender-se para todos os participantes da equipe, especialmente para aqueles que desenvolvem atividades de menor frequência nas unidades de atendimento. O conhecimento sobre a lavagem das mãos foi considerado importante por todos, mas, no entanto na prática ela não é utilizada ou quando o é, não ocorre de forma adequada. REFERÊNCIAS BRASIL. Higienização das mãos em Serviço de Saúde. Brasília, DF. 2007. 52 p. Disponível em <http://www.anvisa.gov.br/hotsite/higienizacao_maos/manual_integra. pdf.> Acesso em: 05 ago. 2008. BRASIL. Ministério da Saúde. Centro de Vigilância Sanitária. Lavar as mãos: Manual para Profissionais de Saúde. Brasília, DF. 1989. 39 p. 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Lavagem das mãos: adesão dos profissionais de saúde em uma unidade de terapia intensiva neonatal. Acta Scientiarum. Health Sciences. Maringá, v. 25, n.2, p. 147, 2003. Disponível em: < http://www.cepis.opsoms.org/bvsacd/cd49/lavagem.pdf >. Acesso em: 02 ago. 2008. NEVES, Zilah Cândida Pereira das, et al. Higienização das mãos: O impacto de estratégias de incentivo à adesão entre os profissionais de saúde de uma unidade de Terapia Intensiva Neonatal. Rev. Latino-am Enfermagem. São Paulo, v.14, n.4, jul/ago, 2006. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rlae/v14n4/pt_v14n4a12.pdf>. Acesso em: 02 ago 2008. SCHEIDT, Kátia Liberato Sales e CARVALHO, Manoel de. Avaliação prática da lavagem das mãos pelos profissionais de saúde em atividades lúdico-educativas. Rev. enferm. UERJ, v. 14, p.221, jun.2006. Disponível em: http://www.portalbvsenf.eerp.usp.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010435522006000200011&lng=pt&nrm=iso. Acesso em: 02 ago. 2008. TIMBY, Bárbara K. Conceitos e Habilidades Fundamentais no Atendimento de Enfermagem. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 1996. p. 429. TORTORA, Gerard J.; et al. Microbiologia. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2002. p. 409. VERONESI, Ricardo. Tratado de Infectologia. 3. ed. São Paulo: Atheneu. v. 2., 2005. p. 1819. Revista Enfermagem Integrada – Ipatinga: Unileste-MG-V.2-N.1-Jul./Ago. 2009 162 APÊNDICE Lista de Procedimentos para lavagem das mãos 1.0 – Data:____/____/____ 1.1 – Categoria profissional: (1) Médico (2) Téc./Aux. de Enfermagem (3) Enfermeiro (4) Fisioterapeuta ITEM OBSERVADO 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Categoria Profissional Técnica de lavagem das mãos 1. Retirou jóias, pulseiras e relógios para lavar as mãos: 2. Possui unhas curtas: 3. Palma a palma : 4. Palma com dorso: 5. Espaços interdigitais: 6. Polegar : 7. Unhas e extremidades dos dedos 8. Punhos 9. Fechou a torneira com papel toalha 10. O tempo gasto na execução da lavagem das mãos (1) De 00 a 10 segundos (2) De 10 a 20 segundos (3) De 20 a 30 segundos (4) Mais de 30 segundos Momento/situações em que se lava as mãos: 11. Ao entrar na unidade 12. Ao sair da unidade 13. Para a realização de cuidados não invasivos 14. Antes do preparo de medicamentos 15. Após preparo de medicação 16. Antes de punção venosa 17. Após punção venosa 18. Antes da realização de fisioterapia: 19. Após fisioterapia 20. Outros: Fonte: Adaptado de LAVAGEM DAS MÃOS, Acta Scientiarum Health Sciences Maringá, v. 25, no. 2, p. 147-153, 2003. Revista Enfermagem Integrada – Ipatinga: Unileste-MG-V.2-N.1-Jul./Ago. 2009 11 163 APÊNDICE – CARACTERIZAÇÃO DA AMOSTRA 1. Qual é a sua formação acadêmica? _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ 2. Há quanto tempo trabalha nesta unidade? _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ 3. Qual é a importância da lavagem das mãos para você? _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ Revista Enfermagem Integrada – Ipatinga: Unileste-MG-V.2-N.1-Jul./Ago. 2009