Norte Ciência, vol. 3, n. 1, p. 70- 168 (2012)
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ,
GEOCIÊNCIAS E RECORDAÇÕES
Maria Gil L. Maltez
“A grandeza de uma profissão é talvez, antes de tudo,
unir os homens; só há um luxo verdadeiro, o das
relações humanas”. (Saint – Exupery, Terra dos Homens).
INTRODUÇÃO
No início deste ano, resolvi olhar algumas pastas que guardei durante quarenta anos com
alguns documentos, papéis e fotos. Ao revê-los, senti saudade de pessoas, acontecimentos e
lugares, em especial de Belém do Pará. Senti saudade de como eu era no tempo em que fui
para lá: curiosa, estudiosa, alegre, com muitos projetos e uma vida toda pela frente. No
entanto, muito ingênua...
Decidi então, escrever estas reminiscências da época em que trabalhei na Universidade
Federal do Pará - UFPA, em particular do período entre 1972 e 1976 quando se deu a
implantação e desenvolvimento do Programa de Pesquisa e Pós-Graduação em Geofísica
(PPPG/Geofísica), atual Instituto de Geociências (IG). O foco destas recordações é o grupo de
pesquisadores com o qual convivi e o contexto da política científica brasileira na época, que
era determinada pelo Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq).
A história do grupo de pesquisadores que implantou o PPPG/Geofísica é interessante e
exemplar: partindo das idéias, orientação e perseverança de dois professores paraenses, Carlos
Alberto Dias e José Maria Filardo Bassalo, diversos estudantes saíram de Belém na década de
1960 em busca de conhecimento na área de Geologia e Geofísica e, após uma longa aventura
pessoal, retornaram, a partir de 1972, para concretizar seus ideais, na forma de implantação do
primeiro curso de Pós-Graduação Stricto Sensu da Universidade Federal do Pará. (Almeida,
Ruy G. C., 2006).
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Para aquela aventura contribuíram vários fatores:
O primeiro é que na década de 1960, em nosso país, se acreditava existir um elevado
potencial de riquezas minerais na região amazônica, mesmo que isso fosse desmentido por
trabalhos de pesquisadores estrangeiros. Esse fato despertou o interesse, em Belém, de se
fazer mais pesquisas, com profissionais da própria região e contribuir para o esclarecimento
da questão. (Almeida, Ruy G. C., 2006); (Macambira, J.B. et al, 2007- pg.193 ).
No entanto, havia deficiência de profissionais especializados nas áreas de física e geologia na
região e a UFPA não dispunha de número suficiente de professores nessas áreas que
pudessem formar pessoal qualificado.
Nesse contexto, não era possível propor um projeto na área de recursos minerais para a
Amazônia com pessoal da região.
Assim sendo, os professores Dias e Bassalo decidiram que a primeira etapa a ser vencida para
resolver o problema seria selecionar e enviar estudantes paraenses para outros locais do país
onde pudessem contar com mais recursos materiais e humanos para sua formação e com seu
retorno, preencher aquela lacuna. Para isso, os referidos professores se empenharam para
conseguir bolsas de estudo junto a órgãos governamentais como, por exemplo, a antiga Spvea
– Superitendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia.
A partir daí, cada um dos estudantes selecionados viveu uma história pessoal, na busca de
conhecimento e, mesmo dispersos em certos momentos, guardaram o sentimento de pertencer
àquele grupo e seus ideais. Isso foi fundamental para que, a partir de 1972, retornassem à
Belém para implantar o primeiro curso de Pós Graduação Stricto Sensu da Universidade
Federal do Pará, o que contribuiu para a difusão da ciência nessa região do país e a formação
de pessoal especializado na área de Geociências. (Villas, R.N.N. et al,1985); (Macambira, J.
B. et al.,2007); (Gouvêa, J.L., 2000).
Outro fator se refere ao contexto nacional. Podemos constatar no trabalho “50 Anos do
CNPq” (Shoso, M. 2002), que desde o ano de 1956, quando Aldo Weber Vieira da Rosa era
presidente do CNPq e Antonio Moreira Couceiro diretor executivo, vem à tona a idéia de que
para se fazer ciência no Brasil era necessário dar ênfase à formação de mais técnicos, mestres
e doutores e que para formá-los existiam as Universidades. A montagem de uma rede de
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pesquisa significativa seria o maior incentivo para atrair bons professores e alunos motivados
para a Universidade.
Durante a década de 1960 o tema de como desenvolver a ciência e a tecnologia no Brasil foi
debatido no CNPq e foi cada vez mais valorizado, na medida em que aumentava no governo a
consciência de que isso era fundamental para o progresso do país.
Muitas iniciativas foram tomadas nesse sentido, principalmente entre 1964 e 1970, por
Antonio Moreira Couceiro, então presidente do CNPq, tais como:
1964 - Criação do Fundo de Desenvolvimento Técnico-Científico (Funtec) do BNDE; Lei nº
4533 que mantém o CNPq e amplia sua competência, cabendo-lhe a responsabilidade de
formular a política científica e tecnológica no país (08/12); Lei nº 4345 que possibilita a
adoção de tempo integral e a criação da carreira de pesquisador.
1967 - Plano Estratégico de Desenvolvimento (PED), que prevê o Plano Básico da Pesquisa
Científica e Tecnológica e o início da Operação Retorno de cientistas brasileiros.
1969 - Instituição do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
(FNDCT).
1968 – 1972 - Plano Quinquenal para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico.
Em 1968 não havia uma política científica estabelecida no Brasil.
De acordo com o pensamento do então presidente do CNPq, Antonio M. Couceiro, não era
possível estabelecer, naquele momento, uma política científica em termos definitivos para o
país por causa da falta de tradição em muitos setores da pesquisa assim como, de recursos
humanos qualificados.
Foi então elaborado pelo CNPq, um Plano Quinquenal de Pesquisas (1968-1972). A partir
dessa experiência, seriam estabelecidas as bases de um programa de desenvolvimento
científico brasileiro.
Um dos objetivos desse Plano era triplicar, em cinco anos, o numero de cientistas e
engenheiros altamente qualificados no país por meio de cursos de Pós-Graduação. Antonio
72
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Couceiro tinha convicção de que o fator mais importante para a pesquisa científica era a
disponibilidade de pessoal qualificado e que o problema essencial da ciência e tecnologia no
país era a insuficiência do número de pesquisadores competentes. O Plano Quinquenal
também previa criar centros de pesquisa nas escolas, Universidades e nos cursos de
engenharia para que o ensino se aproximasse cada vez mais da pesquisa prática.
O desenvolvimento de um programa de pesquisa científica no Brasil dependeria, então, dos
cursos de Pós Graduação das Universidades brasileiras, que deveriam ter um padrão de ensino
e pesquisa elevados.
Estas, no entanto, tinham enormes deficiências materiais e humanas e não havia recursos
financeiros suficientes para atender todas ao mesmo tempo. Para atingir mais rapidamente as
metas almejadas de qualidade, o CNPq pensou na estratégia de selecionar primeiramente os
melhores centros universitários do país e dirigir para eles seus maiores recursos de modo que,
com esse esforço, atingissem o nível desejado.
Esses centros foram escolhidos com base em informações confidenciais colhidas em todo o
país, selecionando cada setor de atividade. Os critérios utilizados para escolher os mais
representativos eram o número de pesquisadores especializados trabalhando em Regime de
Dedicação Exclusiva (RDE) e relativamente bem equipados. Esses centros, em cada um
desses setores, seriam considerados nos cinco anos seguintes, pontos de excelência do país e
deveriam servir para a criação de cursos de Pós-Graduação. Entre eles estavam a Faculdade
Nacional de Filosofia (FNF), atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a
Universidade de São Paulo (USP).
As Universidades beneficiadas inicialmente assumiriam com o CNPq e com as outras
universidades o compromisso de ajudá-las para que, em um segundo momento, todas
chegassem ao mesmo nível.
Foi esse ambiente favorável que facilitou a ida dos membros do grupo do Pará para a FNF e
USP a fim de cursarem a Graduação. Na sua volta à Belém o grupo contou com a colaboração
do CNPq. (Anexos 1e 2).
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1. MEU ENCONTRO COM O GRUPO DO PARÁ
Nasci em Araraquara, no interior do Estado de São Paulo, em 1940. Fiz ali o curso “primário”
no Grupo Escolar Antonio J. de Carvalho, além do “ginásio” e “científico” no Instituto de
Educação Bento de Abreu. Cursei Matemática na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de
Rio Claro - FFCL, atual Unesp (Anexos 3, 4 e 5).
Em seguida, decidi fazer Pós-Graduação em Matemática, objetivando o Mestrado e a carreira
universitária. Essa decisão foi influenciada por meus primos, doutores em Física, Yvonne e
Sergio Mascarenhas, pioneiros do Instituto de Física e Química da USP de São Carlos; de
Zoraide e Carlos Alfredo Arguello, pioneiros do Instituto de Física da Unicamp, assim como
de Doracy Primerano e seu marido Carlos, que trabalharam como professores na Unicamp e
depois se transferiram para os Estados Unidos.
Em janeiro de 1965, mudei - me para São Paulo, sozinha, o que era inusitado para uma
mulher do interior de São Paulo naquela época. Tinha sido aluna do professor Jacy Monteiro
na disciplina de Álgebra Linear em Rio Claro, na FFCL, com a qual ele colaborou no início
de seu funcionamento. Por intermédio de Mario Tourasse, meu professor na mesma
Universidade, o prof. Jacy me aceitou como sua orientanda e pude me inscrever na PósGraduação em Matemática da Universidade de São Paulo – USP. Fui, então, morar no
CRUSP – Conjunto Residencial da USP.
Logo que cheguei ao CRUSP, conheci Herberto Maltez e começamos a namorar. Aos poucos,
fui conhecendo sua história e a ligação com o grupo de Belém do Pará. Herberto foi um dos
alunos selecionados pelo prof. Bassalo e partiu, em 1964, para o Rio de Janeiro estudar Física
na Faculdade Nacional de Filosofia - FNF, atual UFRJ. Viajou para lá em companhia de
Manuel Gabriel Siqueira Guerreiro, que também fazia parte do grupo selecionado.
Herberto me contou que eles se emocionaram ao serem recebidos na FNF por um “comitê de
recepção” de alunos, do qual participava Natanael R. da Silva, de quem se tornaram amigos.
Na Faculdade foram apoiados, pessoal e pedagogicamente, pelos professores Horacio Macedo
e sua esposa Anita, Jayme Tiomno e Elisa Frota Pessoa, o que foi muito importante para eles.
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Nessa época, Gabriel conheceu Sonia Dias Cavalcante, que fazia Meteorologia na mesma
Faculdade. Anos depois eles se casaram e ela também participou da implantação do PPPG em
Geociências da UFPA.
No período em que permaneceu no Rio de Janeiro, Herberto morou em uma “república” de
estudantes, no bairro de Fátima, junto com o José S. Lourenço, José Ricardo Santos, Marcelo
O. C. Gomes, Carlos Lima, Gabriel Guerreiro, Olivar A. L. de Lima, Netuno R.N.N. Villas.
Adalberto C. Dias e Haroldo da S. Sá também ficavam lá esporadicamente. Foram dias
difíceis do ponto de vista econômico, para todos, pois as bolsas de estudo que recebiam mal
dava para as despesas básicas.
Em 1964, a situação política no Brasil era bastante conturbada, com muitas manifestações de
protesto, passeatas, em especial no Rio de Janeiro, o que repercutiu na Universidade,
ocasionando a saída de muitos professores e alunos. Alguns deles se dirigiram para a recémfundada Universidade de Brasília (UNB) e outros para São Paulo. Herberto, Lourenço,
Ricardo e Gabriel vieram para a USP em São Paulo, onde eu estudava e os conheci no
começo de 1965, pois também foram morar no CRUSP. Lembro-me que Lourenço era
reservado; Gabriel e Ricardo bem comunicativos, sendo o Gabriel mais alegre.
Foi também no CRUSP, em 1968, que conheci o professor J.M.F. Bassalo e Marcelo Gomes.
Este que se tornou professor do Instituto de Física da USP.
Reencontramos o Bassalo, anos depois, em Belém. A afinidade de posições em muitos questionamentos no
âmbito da Universidade nos aproximou. Seu jeito irreverente, sua obstinação em querer ver o ambiente
educacional e de pesquisa da UFPA progredirem, seu senso de justiça, seu humor que transformava os
freqüentes contatos nos corredores da UFPA em momentos especiais, sua inteligência e seu grande coração
despertaram, da nossa parte, uma grande amizade por ele. Essa amizade foi estendida para a Célia, sua mulher.
Entre 1965 e 1968, objetivando o Mestrado, fiz disciplinas da Pós-Graduação em Matemática
e dei aulas de “matemática moderna” com a equipe do professor Scipione de Piero Neto na
Escola Experimental do Segundo Grau da USP.
Nessa ocasião, com a chegada de um computador IBM-1130 na escola Politécnica, foram
oferecidos cursos de computação para os alunos da Pós-Graduação em Matemática. Fiz o de
“Computadores/Computação” e “Linguagem Fortran”. A partir daí passei a trabalhar na área
da Computação, como se dizia na época.
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Nesse período, em consequência da situação política vigente após o golpe militar, muitos
professores saíram do país, desfalcando as Universidades, inclusive a USP.
Os componentes do grupo do Pará eram considerados “subversivos”, o que implicava em
inúmeras dificuldades naqueles tempos... Por esse motivo e também porque eu e Herberto
queríamos fazer o Mestrado no exterior, o padre francês Jean de Miribel, da Paróquia Nossa
Senhora dos Pobres, localizada perto do CRUSP e Raphael Thiberian, físico nuclear e adido
cultural da França no Brasil, com os quais tínhamos laços de amizade, nos incentivaram fazer
Pós-Graduação na França. Eles ajudaram na escolha de uma instituição para nos receber e na
obtenção de uma bolsa de estudos do CIES (Centre International des Étudiants Stagières) para
o Herberto. Como o seu valor era insuficiente para a manutenção de um casal, a FAPESPFundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo a complementou.
2. PARIS (FRANÇA) – PERÍODO DE ESTUDOS
Herberto e eu viajamos para a França em setembro de 1968. Foi minha primeira viagem de
avião e para um país estrangeiro. Estava apreensiva, com receio de não dar conta da nova
situação, mas a expectativa de conhecer coisas novas me entusiasmava.
As experiências que vivi nos primeiros dias que cheguei à Paris são inesquecíveis... Tudo era muito diferente do
que estava acostumada.
O pessoal do CIES havia dito que nos esperariam no aeroporto. Como isso não aconteceu, foi uma verdadeira
maratona até conseguirmos que eles nos indicassem, por telefone, um local para nos hospedar. Enfim, fomos
enviados para um hotel na Place Clichy. Muito cansados, depois da longa viagem e com uma bagagem não
desprezível, chegamos ao hotel e então soubemos que o prédio não tinha elevador... Quando finalmente, depois
de subir uma escada em caracol, atingimos o quarto andar onde íamos ficar, demorou um bom tempo para
descobrir que o banheiro ficava disfarçado no vão da escada, além de que o local onde ficava a ducha era
fechado com chave. Para usá-la era preciso pagar por uma autorização e o tempo no chuveiro era contado e
curto.
Na manhã seguinte à chegada, saímos para conhecer a Place Clichy. Era um local alegre, fazia um friozinho
gostoso e naquele dia havia uma feira no local. Procuramos o famoso cabaret “Moulin Rouge”. Tinha visto fotos
e lido sobre sua história. Quando o encontrei, pela aparência da parte externa do prédio, parecia meio
abandonado...
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Na feira compramos dois quilos de ameixa, fruta que na época quase não existia no Brasil. Voltamos para o
hotel, comemos muita ameixa até chegar a hora de ir ao CIES para receber instruções, como previa a bolsa de
estudos do Herberto. Lá chegando ele foi informado que deveria comparecer no Instituto Francês do Petróleo
(IFP), situado em Rueil-Malmaison na manhã seguinte. Não foi fácil por causa do efeito das ameixas...
Em 1969, fiz no Departamento de Matemática Aplicada do IFP, os cursos de Informática
Geral e Programação, com o professor J. Vignes e um curso de francês para estrangeiros. Em
seguida, fiz um estágio de seis meses, com M. La Porte, chefe do Departamento, ocasião em
que trabalhei com interpretação gravimétrica pelo computador, cálculo das anomalias
regionais e residuais em rede hexagonal e campo criado por uma estrutura definida. (Anexo
6).
Herberto fez todas as disciplinas do curso de Engenharia de Petróleo/opção Geologia e
Geofísica e monografia de conclusão de curso; sua aprovação permitiu obter o diploma de
Engenheiro nessa especialidade.
Nessa época, reencontramos o Pe. Jean de Miribel em Paris. Ele, gentilmente, nos apresentou a diversos amigos
seus, que nos receberam amigavelmente e nos orientaram na fase de adaptação à cidade. A convivência com eles
e suas famílias possibilitou conhecermos melhor a língua francesa e a França, país que, com o tempo, passamos a
amar. De modo especial, a amizade com Pierre Léna e sua esposa Martine foi marcante, por tudo que nos
ensinaram e pelos momentos felizes que nos proporcionaram. Pierre se tornou um astrofísico renomado e hoje
pertence à Academia de Ciências do Instituto da França. Temos por eles um enorme carinho e saudade.
Com a finalidade de preparar uma tese de mestrado, ao terminar o estágio no Instituto Francês
de Petróleo procurei, na Universidade Paris VI, o professor Louis Cagniard, renomado
cientista, inventor do Método Magnético-Telúrico de Prospecção Geofísica (Cagniard
L.,1953). Ele, analisando tanto as disciplinas que eu havia feito na Pós-Graduação da USP
quanto os cursos e estágio no Instituto Francês de Petróleo, me aceitou no Laboratório de
Geofísica Aplicada, do qual era o diretor, para preparar uma tese a fim de obter o DESDiplôme d’Études Supérieures (Anexo 7- Pg. 1-2). Obtive então, uma bolsa de estudos por
dois anos do Ministère des Affaires Étrangers. (Anexo 8).
Foi no Centro de Informática daquele laboratório que iniciei minhas atividades de pesquisa,
com a equipe do prof. Pham Van Nhoc, designado para ser meu orientador.
Tive então oportunidade de trabalhar com Métodos de Tratamento e Interpretação de Dados
Geofísicos pelo Computador. Entre 1970 e 1972 preparei a tese intitulada “Étude d’um type
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de filtre numérique: le filtre de Gauss e exemple de son application dans l’analyse des
enregistrements de la marée gravimétrique à Garchy” (Estudo de um tipo de filtro
numérico: o filtro de Gauss e exemplo de sua aplicação na análise de registros da maré
gravimétrica em Garchy), com a qual obtive a equivalência com o Mestrado no Brasil.
Defendi a referida tese na Universidade de Paris VI em abril de 1972, no mesmo dia que
Herberto defendeu a sua tese de Doutorado, intitulada “Étude des anomalies des temps de
propagation sismique em France” (Estudo das anomalias dos tempos de propagação sísmica
na França). Ele preparou a tese na École Normale Supérieure, sob orientação do professor
Yves Rocard, diretor do Laboratoire de Physique e do professor Pierre Mechler, com o auxílio
da FAPESP - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo.
3. REENCONTRO COM O GRUPO DO PARÁ
Poucos dias antes da defesa das teses acima mencionadas recebemos, em Paris, a visita do
professor Carlos Alberto Dias, que tinha obtido o PhD pela Universidade de Berkeley-EUA
em 1968 e estava trabalhando na Universidade Federal da Bahia–UFBA.
Ele nos procurou porque Herberto pertencia ao grupo de estudantes selecionados para se
qualificar e retornar à Belém e porque teve conhecimento que estávamos em vias de defender
nossas teses na área de Geofísica.
Soubemos então que em 1968, ao voltar dos Estados Unidos após o Doutorado, Dias tentou
colocar em prática o antigo projeto do grupo e implantar, na Universidade Federal do Pará o
primeiro curso de pós- graduação Stricto Sensu na área de Geociências, mas que por motivos
políticos isso não foi possível. Ele foi então desenvolver o projeto na Universidade Federal da
Bahia – UFBA.
No entanto, o recém-nomeado reitor da UFPA, Aloysio da Costa Chaves, apoiava o seu
projeto, assim como o CNPq, pois ele estava de acordo com as suas diretrizes de formação de
pessoal científico qualificado e desenvolvimento da pesquisa científica no Brasil. Desse
modo, ele propôs que voltássemos ao Brasil para compor o quadro de professores na UFPA.
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Naquele momento estávamos nos preparando para ir trabalhar no Canadá, onde tínhamos uma
proposta de emprego na área de Geofísica.
No entanto, após refletir, Herberto achou que para ele seria mais gratificante voltar à sua terra
retomando os objetivos pelos quais saíra de Belém para estudar.
Ele sempre foi muito idealista e concordava com o Dias, entre outras coisas, que as reservas
minerais da Amazônia deveriam ser utilizadas para a melhoria da qualidade de vida de seu
povo e que, para atingir esse objetivo, era necessário participar do processo de pesquisa,
exploração e utilização dos recursos a serem encontrados. Contar com uma Pós-Graduação de
bom nível na própria região para formar profissionais qualificados facilitaria muito as coisas.
Foi assim que voltamos para o Brasil em maio de 1972. Trabalhamos até o inicio de setembro
na Universidade Federal da Bahia, onde o professor Dias era coordenador do PPPG/Geofísica,
preparando o retorno à Belém. Nessa ocasião reencontramos José S. Lourenço, recémchegado dos EUA, onde obteve o PhD pela Universidade de Berkeley. Ele tinha iniciado com
Dias os preparativos para aquele retorno. Ali conheci outros integrantes do grupo: Antonio
Gomes de Oliveira, Sergio Guerreiro, Olivar Antonio Lima de Lima, Adalberto de Costa
Dias, entre outros professores da Universidade.
Para não desfalcar o PPPG/Geofísica da UFBA, naquele momento não era possível que todo
grupo retornasse à Belém. Foi então decidido que Herberto, Antonio, eu e Lourenço, este
designado para ser o coordenador dos trabalhos na UFPA, seriamos os primeiros a voltar.
4. RETORNO À BELÉM- IMPLANTAÇÃO DA PÓS- GRADUAÇÃO
Assim, em setembro de 1972, Antonio Gomes de Oliveira, Herberto e eu chegamos à Belém;
viajamos no mesmo avião. Lourenço tinha ido antes. O trabalho deveria começar conosco
enquanto se aguardava a chegada de outros professores.
Tenho uma viva lembrança do dia em que cheguei à Belém. Tudo era novidade para mim... Era verão e nunca
esqueci a emoção que senti, um misto de surpresa, admiração, alegria e bem estar ao ver pela primeira vez, à
tarde, na varanda da casa dos pais do Lourenço, em frente à Praça da Bandeira, a chuva intensa, porém rápida e
com hora marcada, típica da região.
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Foi um privilégio conhecer aquela região maravilhosa, com tanta gente boa, interessante, inteligente, criativa e
solidária. Tenho saudade de tudo. Da comida deliciosa, dos sorvetes com sabores regionais e do Ver-o-Peso.
Belém e seus arredores ofereciam muitas opções de lazer tornando a vida agradável em especial para quem tinha
crianças. Gostava de andar com elas pelas ruas da Cidade Velha, visitar o Forte do Castelo e depois almoçar no
seu restaurante ou levá-las ao bosque Rodrigues Alves e o Museu Emílio Goeldi. Nesses passeios, em que
víamos as construções antigas, coleções científicas variadas, floresta nativa, ou experimentávamos comidas
regionais, conversávamos sobre história, arte, ciência e gastronomia. Também gostava de ver o pôr do sol na
“escadinha”, no cais do porto. Os eventos no Clube Assembléia Paraense, associação da qual o tio-avô do
Herberto, Ágido Maltez, foi um dos fundadores, eram muito agradáveis, tanto os da sede campestre como da
social, na Av. Presidente Vargas. As praias de Mosqueiro, Outeiro, Salinas e a Ilha do Marajó proporcionavam
momentos de descontração assim como as festas do Círio de Nazaré, do Natal, dos aniversários e outras
comemorações. A cada um desses lugares ou eventos associo pessoas amigas.
O “campus” da UFPA tinha sido construído recentemente, com arquitetura adaptada às
condições ambientais da região e por isso bastante comentado. Achei bonito aquele espaço,
com muita vegetação e a baia do Guajará em frente...
A UFPA tinha reservado algumas salas para os professores recém chegados no prédio das
Ciências Exatas e Naturais a fim de darmos inicio aos trabalhos visando à implantação do
primeiro curso de Pós–Graduação da Universidade. O Reitor Aloysio Chaves emitiu, então, a
Portaria- nº 812/72, lotando Lourenço e Herberto no Departamento de Geologia, Antonio no
de Física e eu, no de Matemática, oficializando assim, nossa presença na Universidade.
(Anexo 1)
Do meu ponto de vista, naqueles dias, em relação ao grupo, havia uma alegria no ar;
achávamos que estávamos fazendo algo relevante, tínhamos consciência que para estarmos ali
muitas pessoas tinham sonhado, trabalhado, lutado, colaborado e se mobilizado. Por outro
lado, cada integrante sentia alegria por razões de nível pessoal. Naquele momento eu estava
feliz por estar, como queria, trabalhando em uma Universidade, tendo oportunidade de
repassar o que havia aprendido em longos anos de estudo e prática e poder continuar
estudando, pesquisando e preparar o Doutorado...
Aquele foi um tempo de muito trabalho, tanto em grupo, por meio de reuniões, como
individualmente...
Decidiu-se por oferecer três linhas de pesquisa na Pós-Graduação em Geociências: Geofísica,
Geologia e Geoquímica, em função dos professores disponíveis com Doutorado e Mestrado.
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Aos poucos foram sendo incorporados ao Programa, professores da própria universidade
como Waterloo Napoleão de Lima, Agostinho Ribeiro Santos, José Gouvêa Luiz e outros do
próprio grupo como José Haroldo da Silva Sá, Gabriel e Sonia Guerreiro, Netuno R. R. Villas,
Ricardo Santos, Ellen Cutrim, tendo previsão para contratação de mais pesquisadores
brasileiros e estrangeiros. O professor J. M. Bassalo, do Departamento de Física, participou
desde o início do projeto de implantação do PPPG em Geofísica e colaborou para o seu
sucesso de várias maneiras, inclusive dando aulas no mesmo. (Almeida, Ruy G.G., 2006),
(Villas, R.N.N.e Al, 1985).
Cada uma das especialidades foi organizada com suas disciplinas; foram selecionados para
cursar a Pós-Graduação, tanto alunos recém-formados quanto professores da própria
Universidade e profissionais de outras instituições que tinham interesse no Mestrado.
Lembro-me de José Jerônimo de Alencar Alves, Nélio R. M. da Fonseca, Lindalva do Carmo
Ferreira, Carmelina N. Kobayashi, Jorge W. D. Leão, Rui dos Santos Barbosa, Brígida R. P.
da Rocha, P. da Costa Sucasas Jr...
Com o objetivo de obter recursos para formar uma Biblioteca especializada, adquirir
equipamentos e obter bolsas para os alunos do Mestrado, cada professor:
- organizou listas de livros e revistas correspondendo aos trabalhos de pesquisa e de ensino
que iriam desenvolver,
- preparou uma lista de equipamentos necessários às suas pesquisas, os quais seriam usados
também para fins didáticos.
- elaborou projeto de pesquisa ou aperfeiçoou outros que já tinham sido desenvolvidos por
outras instituições. Nesse contexto, Herberto e eu preparamos o projeto “Avaliação e
Utilização dos Recursos Hídricos da Ilha de Marajó”, cujo objetivo era dar continuidade aos
estudos realizados pelo IDESP, cujos resultados tomamos conhecimento em 1972, por meio
de um relatório publicado pela Universidade de Strasbourg - França. O referido projeto ficou
sob a responsabilidade do Herberto, com minha colaboração e de alunos da Pós-Graduação.
Apesar de participarmos dele apenas na sua fase inicial, os conhecimentos adquiridos de uma
forma geral e principalmente nos trabalhos de campo feitos na época, foram úteis para o
desenvolvimento de trabalhos posteriores.
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Os alunos da Pós-Graduação, por sua vez, deveriam participar desses diferentes projetos de
pesquisa de acordo com seu interesse, objetivando suas dissertações de Mestrado.
Ao lado desse imenso trabalho, cada professor preparou os cursos que deveriam ministrar
tanto na Pós como na Graduação, em alguns casos preparando apostilas e notas de aula para
os alunos (Maltez, M.G.L., 1973); (Maltez, M.G.L. e H.G.T., 1974).
O primeiro curso de Pós-Graduação foi oferecido em 1973. Uma cópia do “folder” de
divulgação das informações sobre ele, como Instalações; Corpo Docente; Admissão e
Matrícula; Bolsa e Disciplinas Oferecidas; é mostrada no Anexo 9.
Esse trabalho enorme, feito em curto espaço de tempo, foi realizado com o apoio da
administração superior da UFPA e do CNPq (Anexos 1 e 2).
No período inicial da instalação do grupo e criação da Pós-Graduação, havia integração entre
os seus membros e o trabalho se dava harmoniosamente.
Com o passar do tempo, devido à personalidade, objetivos, vocação e desejos de cada
membro do grupo ser diferentes, surgiram divergências e alguns conflitos, quebrando a
harmonia e tornando a convivência entre alguns membros, diferente do que tinha sido
anteriormente.
No livro “Criatividade e Grupos Criativos”, Domenico de MASI, apresenta um estudo sobre o
assunto. Entre outros temas ele aborda a formação de grupos em torno de um projeto, seus
problemas e conflitos (Masi, D. de. 2005).
Quanto ao Programa de Pesquisa e Pós Graduação em Geofísica, ele foi se consolidando e
com o passar do tempo, cada membro do grupo, de acordo com suas diferenças individuais ou
necessidades do momento, dedicou-se a fazer o que tinha mais aptidão e interesse, seja na
área acadêmica, administrativa ou política, em geral, com bastante sucesso.
Deram prioridade à área administrativa os professores Dias, Lourenço, Antonio Gomes e
Netuno.
O
primeiro
ocupou
diversos cargos administrativos;
os outros foram,
respectivamente, Reitor, Diretor da Fadesp e Pró-Reitor de Administração da UFPA.
Dedicaram-se preferencialmente ao ensino e pesquisa, os professores Bassalo, Haroldo Sá (se
transferiu para a UFBA), Sonia Guerreiro, Ricardo, Herberto e eu mesma; Gabriel Guerreiro
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foi deputado federal e várias vezes deputado estadual além de ocupar cargos em secretarias de
governo, sempre se dedicando aos temas relacionados à Geologia e Meio Ambiente.
A caracterização das causas que determinaram nosso afastamento da coordenação do
Programa de Geofísica, o que se deu aos poucos, e a explicação para que alguns
relacionamentos de longa data e ideais comuns terem sido afetados, como foi o caso para
Lourenço e Antonio Gomes, não é evidente. Esse afastamento não foi indiferente para nós e
teve implicações no nosso trabalho, pois acarretou um desconforto para continuar fazer parte
do PPPG/Geofísica, e não podíamos nos transferir para outro Departamento da Universidade
porque dependíamos, para dar continuidade ao trabalho de campo de nossa pesquisa, dos seus
equipamentos e outros itens materiais, que tínhamos ajudado a adquirir por meio de projetos
ou por fazermos parte da Instituição. Depois de tanto tempo, lembro-me mais da atmosfera da
época do que dos acontecimentos em si.
Estávamos na era militar, em que a liberdade de expressão era limitada e o diálogo não era
moda.
Como já foi mencionado, o projeto do grupo tinha uma visão ampla, abrangendo a formação
de profissionais competentes para participar da pesquisa e exploração dos recursos minerais
da região amazônica como também influenciar politicamente para que isso fosse aproveitado
pela sociedade local.
Concretizar esses objetivos a partir da Universidade implicava em modificar o cenário nela
vigente, introduzindo novos valores e modo de trabalhar. Entre esses valores estava a
exigência de que os professores deveriam ter o Doutorado ou Mestrado e os que não o
tivessem, se propusessem a obtê-lo; deveriam trabalhar em tempo integral e assim se dedicar
totalmente ao ensino, pesquisa e extensão e também, se interessar pelos problemas da
comunidade, tentando solucioná-los, dentro das finalidades da Universidade. Somente
ocupando cargos administrativos de poder decisório, seria possível realizar essa mudança de
mentalidade.
Nesse caminho surgiram conflitos de interesse entre os professores recém-chegados, que
tinham titulação acadêmica maior e os que estavam estabelecidos na UFPA. Entre estes, havia
alguns que tinham sido professores ou tinham laços de amizade com Herberto, e por isso,
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algumas vezes ele divergia do modo como o grupo encaminhava os procedimentos para a
instalação do novo modelo, o que era caracterizado como incompatibilidade.
Naquela época, víamos também um conflito no fato de alguns membros do grupo, que
procuraram qualificação acadêmica com intenção de se dedicar ao ensino e pesquisa, se
envolver prioritariamente com administração.
Considerando os objetivos do grupo de um lado e a falta de alternativa ou a vocação de alguns
professores de outro, expressar opiniões desse tipo era inconveniente e provocava desconforto
e animosidade.
Desse modo, pequenas divergências ou opiniões diferentes se transformaram em grandes
problemas... Na Foto1 vemos membros do grupo, nessa época, durante uma reunião na nossa
casa da Alameda Moça Bonita nº 31, em Ananindeua.
Foto 1. Em pé: Antonio, Lourenço, Sonia, Gabriel, Haroldo, Ricardo, Adalberto e Andrei.
Agachados: Sergio, Herberto, Olivar, Dias, Carlos Alberto e Marcelo.
(Reunião na casa da Maria e Herberto na Al. Moça Bonita, 31. (1974).
Herberto, na época de implantação da Pós-Graduação, além de dar aulas na Pós e na
Graduação e coordenar projeto de pesquisa, exerceu cargos administrativos.
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O reitor Aloysio Chaves o nomeou chefe do Serviço de Computação e Estatística – SECOM –
(1972-1973), enquanto se aguardava a chegada do pessoal do próprio SECOM que tinha ido
fazer o Mestrado fora de Belém. Nesse período estavam sendo elaborados no computador
IBM-1130, os Sistemas de Controle Acadêmico e Folha de Pagamento (Prado, A.C.J., 1997).
Ele foi também chefe do Departamento de Geologia (1973-1975).
No entanto, tanto ele como eu, sentia que o nosso maior compromisso era acadêmico. O que
sempre nos motivou foi a curiosidade intelectual. Desse modo, aos poucos, com a chegada de
equipamentos, fomos nos dedicando cada vez mais ao ensino (Anexo 9, 10 e 10a) e ao
desenvolvimento do projeto de pesquisa, elaborado por nós, ”Estudo das Águas
Subterrâneas de Belém e Adjacências”. (Anexos 11 e 12).
O referido projeto tinha como objetivo um trabalho pioneiro na região, que envolvia desde as
condições climáticas, balanço hídrico do solo, aqüíferos freáticos e água subterrânea
profunda. Enfim, acompanhar o percurso da água da atmosfera à rede hidrográfica e os
aqüíferos.
Fomos os primeiros pesquisadores a fazer um estudo com aquela amplitude e metodologia
sobre os aqüíferos e as águas superficiais de Belém e adjacências. (Anexo 13).
Nesse período, ministrei na Pós-Graduação as disciplinas “Técnicas de Computação
Aplicadas ao Processamento de Dados Geofísicos” (1973) e “Métodos de Matemática
Avançada” (1974) e na Graduação, “Cálculo Numérico” e “Introdução à Ciência dos
Computadores” (Anexos 10 e 11).
Os trabalhos administrativos que desempenhei naquele período eram secundários. Por
exemplo, fiz parte do Colegiado do Curso de Pós–Graduação do PPPG/Geofísica e de Bancas
Examinadoras para ingresso ou progressão funcional de professores na Universidade;
coordenei equipes como aquela responsável pela reestruturação da disciplina Cálculo
Numérico do Departamento de Matemática (1973), entre outras atividades (Anexos 14, 15,
16, 17 e 18).
Motivada pela importância do projeto acima citado, trabalhei intensamente entre 1973 e 1976
com objetivo de obter dados de campo, bibliográfico e de laboratório, os quais foram
utilizados posteriormente na minha tese de Doutorado. Tudo foi feito com muita dificuldade
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entre outras coisas, devido às deficiências estruturais comuns quando se trata de pesquisa no
Brasil. Por exemplo: por não contar com meio de transporte no PPPG/Geofísica para o
deslocamento dos equipamentos e pessoal até a área de pesquisa, Herberto e eu compramos,
com dinheiro pessoal, uma “Kombi” VW, amarela, como ficou conhecida, para suprir essa
necessidade. (Foto 2).
Foto 2. Herberto, Técnicos e Kombi Amarela. 1975/1976
Na pesquisa de campo, utilizamos os métodos de prospecção sísmica e resistividade elétrica,
assim como perfuração e perfilagem de poços, além das observações de campo. Coletamos
também água para análises, tanto de poços como de superfície. Fotos 3, 4, 5 e 6.
Para esse trabalho contamos com a preciosa ajuda de técnicos, pagos com verba do projeto,
que íamos formando no decorrer do mesmo. Alguns deles estão na Foto 7.
Mais tarde, alguns deles trabalharam na Pós-Graduação. Foi importante também a
colaboração do técnico Manoel Magalhães, oriundo da Cosanpa, especialista em análises
físicas, químicas e bacteriológicas de água e que fez a maioria das análises de água do nosso
projeto. Depois de algum tempo ele prestou e passou em um concurso para a UFPA (Foto 6).
Fiz pessoalmente as análises granulométricas no laboratório da sedimentologia da USP e o
Nélio Fonseca contribuiu para a manutenção dos equipamentos.
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Foto3: Maria. Sondagem: Eletro- resistividade. 1975/1976.
Foto 4: Herberto. Prospecção sísmica. 1975/1976.
Fotos 5 e 6: Herberto, Maria e Manoel Magalhães coletando água para análise e medindo o nível da água. 1975/1976
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Foto 7: Herberto e técnicos em trabalho de campo. 1975/1976.
Além desses dados, utilizei no desenvolvimento da pesquisa, resultados obtidos por projetos
da Petrobrás, Codem, Cosanpa, Sudam, Ipean, Dnaee, Embrapa, Inpe, Projeto Radam, assim
como, dados brutos, como amostras de calha e fragmentos de testemunho de poços perfurados
pela Petrobrás. Esses órgãos do governo forneceram o material indispensável para a pesquisa
como mapas, imagens aéreas, de satélite e de radar, perfis litológicos e geofísicos de poços
profundos, série longa de dados climatológicos, entre outros.
O nosso relacionamento com os representantes daquelas entidades foi uma experiência
gratificante. Eles eram competentes, interessados pelas pesquisas e tinham consciência da
necessidade de colaboração entre os diferentes órgãos do governo (nem sempre evidente
naquela época); aprendi muito com eles.
Por isso, nossos sempre renovados agradecimentos ao Ruy Pereira Bahia, Agostinho
Linhares, Stélio Souza, Otávio Costa, Von Grap, Norival Moraes, Wadyr Homci, Jorge
Derenji, Tatiana de Abreu Sá, Therezinha X. Bastos, Luis Alberto Vieira Dias.
Nesse período estudamos a consistência dos dados levantados e obtivemos resultados
preliminares.
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5. TOULOUSE (FRANÇA): DOUTORADO E VOLTA À BELÉM
Em 1976, ao ser aceita para fazer o doutorado no exterior, liberada pela UFPA e o Ministério
da Educação, voltei para a França, dentro do projeto da CAPES de incentivo ao
aperfeiçoamento de professores.
Nesse contexto, entre o final de 1976 e abril de 1980, desenvolvi um trabalho de pesquisa em
conjunto com Herberto no “Centre d’Étude et Aménagement des Ressources Naturelles”
(Centro de Estudos e Gerenciamento de Recursos Naturais) do Laboratório de Geologia e
Geocronologia da Universidade Paul Sabatier de Toulouse.
Nosso projeto consistiu em propor a gestão contínua, eficaz e ecologicamente sustentável da
região de Belém e Adjacências com relação aos seus recursos hídricos.
Com esse objetivo estudamos os dados climatológicos, geofísicos e hidrológicos (superficial e
subterrâneo) coletados naquela região para avaliar os recursos da rede hidrográfica e seus
aqüíferos, tanto do ponto de vista quantitativo como qualitativo e usamos os resultados para
propor seu gerenciamento integrado.
As pesquisas focalizaram a capital do Estado do Pará e arredores, mas devido sua localização
geográfica e sua geologia, constituem uma referencia privilegiada para o conhecimento da
bacia hidrológica amazônica.
Nesse período me dediquei particularmente à informatização dos dados coletados em Belém e
desenvolvi vários programas para um minicomputador (Hewlett Packard, System 45), que
permitiram analisá-los e interpretá-los com maior eficiência e rapidez. Naquela época não era
usual utilizar o computador nas ciências naturais, porém o tratamento informático de dados
começava a se mostrar cada vez mais imprescindível nos trabalhos científicos.
Assim, foram estudados dados climáticos regionais de 12 anos, disponíveis na época da
pesquisa, em 1978. A estação meteorológica do IPEAN iniciou a coleta e registro de valores
confiáveis em 01 de janeiro de 1967.
O estudo permitiu caracterizar um ano climatológico médio, por meio de seus principais
parâmetros ( pluviometria, temperatura, umidade relativa do ar, duração da insolação, direção
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e intensidade do vento) e por sua evolução. Além disso, ele permitiu caracterizar o
microclima da região.
A evapotranspiração potencial (ETP) é importante parâmetro do balanço hídrico regional.
Fizemos o seu cálculo para um ano médio, segundo os métodos de Thorthwaite, Turc,
Penman e Bouchet e comparamos as curvas de evolução tomando como referencia o método
de Penman, que envolve o maior número de parâmetros climáticos. Os resultados permitiram
dizer que, para a região de Belém o método de Turc, apesar de mais simples, fornece
excelente aproximação. O método de Bouchet, mais expeditivo, é aplicável com a condição
de se escolher constantes diferentes das preconizadas e o de Thorthwaite dependendo apenas
da temperatura média do ar, não tem interesse maior em relação aos outros métodos.
Foi feito uma modelização do sistema hidrológico regional e em particular o regime do rio
Capim e Guamá, este usado para abastecimento da cidade, mas que do ponto de vista da
qualidade da água, já apresentava indícios elevados de poluição.
Quanto ao estudo das águas subterrâneas, partimos de dados das pesquisas da Petrobras e
outras empresas, assim como, de trabalhos feitos na Amazônia por diversos naturalistas e
geólogos (brasileiros e estrangeiros). O ponto comum de interesse é a caracterização
geológica da região.
Esses dados permitiram vislumbrar, num contexto global, a rede hidrográfica da Amazônia e
seus aquíferos e dizer que a região apresenta aquíferos profundos, de natureza confinada,
pertencente à era secundária, do período cretácio superior (maestrichtien) de 65-70 milhões de
anos.
Sendo essa bacia constituída de um complexo pacote de rochas sedimentares de
predominância arenosa, com solo coberto de exuberante floresta tropical e elevada
pluviosidade, seu corpo hídrico provavelmente deve ser de origem meteórica (ao contrário de
água fóssil) e com direção de fluxo para o oceano Atlântico. A aplicação da hidrologia
isotópica poderá esclarecer questões importantes sobre fonte de alimentação, taxa de
renovação da água e sua velocidade de escoamento.
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A constituição geológica dos aquíferos que estudamos (até poucas centenas de metros) foi
determinada por uma síntese de dados (informações litológicas de amostras de calha e
geofísica de poço) de perfurações já existentes e feitas dentro do nosso projeto.
Identificamos, em um contexto argilo-arenoso, pertencente ao quaternário (aluviões, etc.) e
terciário
(pós-barreiras,
barreiras
e
formação
pirabas),
horizontes
favoráveis ao
armazenamento e liberação de água. Esses aquíferos são de natureza livre, semi-livre e
confinado. Foi observado que melhores aquíferos são encontrados em formações mais
profundas.
A aplicação de métodos geofísicos leves, ainda que tenha sido delicado por causa da
heterogeneidade das camadas geológicas, produziu resultados interessantes.
Assim, o método de sísmica de refração permitiu identificar as camadas geológicas
superficiais; avaliar a porosidade dos aluviões saturados não argilosos e evidenciar o nível de
água do lençol freático. As avaliações da porosidade, usando formalismo matemático
apropriado foram corroboradas pelos resultados da análise granulométrica feita com amostras
de sedimentos.
A interpretação das curvas de sondagens elétricas (SEV) foi feita em um minicomputador
com saída gráfica e permitiu comparar curvas experimentais interpretadas pelo método de
Cagniard a uma curva teórica estabelecida segundo o cálculo de Gosh.
Considerando os resultados obtidos por esse método geofísico estabeleceu-se uma cartografia
da resistência transversal do aquífero superior que pode ser correlacionado com as variações
da transmissividade; estudou-se também a influencia da química das águas sobre a
resistividade aparente e a caracterização das regiões onde a cobertura pode servir de proteção
aos lençóis de água.
Medidas do nível de água do lençol freático, durante o período de estiagem, permitiram
elaborar um mapa definindo o movimento da água naquele reservatório.
Foi feito um estudo das características hidrodinâmicas (transmissividade T, coeficiente de
armazenamento S e permeabilidade K) dos aquíferos, que determinam a capacidade de
produção de água. Ele nos levou a entrever uma possibilidade de exploração programável, no
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que se refere à implantação da rede de poços a serem perfurados, levando-se em conta a
capacidade dos reservatórios.
O estudo físico-químico e bacteriológico das águas superficiais e subterrâneas, que
determinam a sua qualidade, foi em seguida abordado. Os resultados foram usados para o
gerenciamento dos aquíferos tendo em vista sua destinação, seja doméstica, para a agricultura
ou industrial.
Calculou-se também o balanço hídrico regional, que exprime a quantificação do ciclo da
água e determina a fração da água da chuva que sobra depois da evaporação e destinada à rede
hidrográfica e à infiltração através do solo.
Considerando todos os estudos expostos anteriormente fornecemos subsídios para uma
política de gestão que permita o uso e proteção dos recursos hídricos da região estudada.
O conjunto desses resultados foram apresentados por mim e Herberto na tese intitulada,
“Évaluation des Ressourses en Eaux en Vue de l’Amenagement de la Région de BelémBrésil” (Avaliação dos Recursos Hidrogeológicos da Região de Belém- Brasil, objetivando
seu gerenciamento), e defendida em junho de 1980 quando obtivemos o Doctorat D’État,
maior título acadêmico francês na época (Anexos 19 e 20).
Para a realização desse trabalho foi imprescindível a colaboração dos professores e
orientadores Yves Gourinard,
diretor do Laboratório,
e
Bernard
Donville,
que
disponibilizaram recursos materiais e acompanharam o seu desenvolvimento dando preciosas
sugestões e ensinamentos.
Por outro lado, Yves Bandet, pesquisador do laboratório, colaborou com a redação da tese,
corrigindo o francês e dando oportunas sugestões.
As fotos 8 e 8.1 mostram a sala onde ficávamos na Universidade Paul Sabatier e o
minicomputador Hewlett Packard, System 45, com o qual trabalhamos nessa época e a Foto
9, um almoço com Yves Bandet e família.
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Foto 8: Herberto. Sala de trabalho.
Universidade Paul SabatierToulouse- França. 1978.
Foto8.1: Maria. Sala de trabalho no
minicomputador. Universidade Paul SabatierToulouse- França. 1978.
Foto 9: Almoço na casa de Yves Bandet.
Da esquerda para direita, Maria Maltez;
esposa do Bandet; Bandet e seus filhos.
Toulouse- França. 1979.
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Logo após a defesa da tese em junho de 1980, voltamos à Belém.
Como é de praxe, depositamos exemplares da tese na Biblioteca do Programa de Pesquisa e
Pós-Graduação em Geofísica, assim como na Biblioteca Central da UFPA. Anexamos a elas
os pareceres de três membros da Banca Examinadora, nos quais eles resumem e analisam o
seu conteúdo (Anexos 21, 22, 23 e 24).
Publicamos também seus resultados em revistas científicas, Congressos e seus Anais. (ver
Bibliografia).
Sobre o tema, Herberto sugeriu e orientou trabalhos de pesquisa para alunos da Graduação do
curso de Geologia dos quais se destacam o de Conclusão de Curso (TCC) de ( Bahia, M.P.,
1986); e os de Iniciação Cientifica de (Bastos, R.G.P.,1991) e (Souza, P.G.N., 1991).
Pelo interesse que os resultados da nossa pesquisa representavam para a região, Herberto e eu
os divulgamos, por meio de uma série de artigos, no principal jornal da cidade, “O Liberal ”
(Maltez, H. G. T.; Maltez, M.G.L., 1982 – 1992).
Eles foram publicados aos domingos em cadernos privilegiados do jornal, com “chamada” na
primeira página.
Os artigos fizeram sucesso, sendo comentados tanto na universidade como na imprensa e na
sociedade em geral. Por isso, participamos de mesas redondas, entrevistas e outros eventos
sobre o tema, o que nos levou a receber o premio e troféu, ”O Muiraquitã/ mérito
pesquisa”. (Anexo 25).
Com certeza, essa pesquisa, pela sua repercussão, inspirou outras, feitas posteriormente na
UFPA.
6. O Departamento de Informática e Estatística
Enquanto eu fazia o Doutorado na França fui transferida para o recém criado Departamento
de Informática e Estatística do Centro de Ciências Exatas e Naturais, em Regime de Tempo
Integral e Dedicação Exclusiva (RETIDE), deixando o PPPG/Geofísica.
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O professor Arnaldo Prado, em seu livro “O Processo de Informatização da UFPA” faz um
histórico da referida criação. (Prado, C.P.J. ; Vol. 1-1997).
Quando voltei do Doutorado em 1980, a Universidade/SECOM tinha acabado de adquirir o
computador DEC10 para executar os trabalhos de administração, ensino e pesquisa. Naquela
época, o Departamento de Informática tinha um número pequeno de professores em relação as
suas necessidades, apenas três com tempo integral, dos quais dois doutores; o material
didático também ficava muito a desejar.
No entanto, o ambiente ali era acolhedor e apesar das deficiências materiais e de pessoal,
realizei um trabalho interessante no seu conjunto. Considerando-se as dificuldades da época,
penso que os resultados obtidos foram relevantes, seja na pesquisa, no ensino (lecionei as
disciplinas “Introdução a Ciência dos Computadores” e “Cálculo Numérico”), na orientação a
“Trabalhos de Conclusão de Curso”, Iniciação Científica, Especialização e Mestrado, assim
como, em iniciativas relacionadas a assuntos científicos.
Para superar as deficiências materiais e humanas do momento, procurei trabalhar em
colaboração com algumas instituições científicas da região e de fora dela, como por exemplo,
a Embrapa, Sudam, Inpe e USP, além de outros departamentos da própria UFPA.
Desse modo, por alguns anos, trabalhei em equipe com pesquisadores de instituições
diferentes entre si, tais como, Tatiana Diniz e Terezinha Bastos da Embrapa-Cpatu e Daniel
Cardon da Orstom.
Nesse contexto, participei do projeto de pesquisa “Sistema de Informações Geoambientais
(SISGEO)” da Embrapa - Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias - no
desenvolvimento do módulo para armazenamento e recuperação de dados agroclimatológicos
(SISCLIMA). O módulo tinha como finalidade a realização automática das operações mais
comuns em
agroclimatologia
(impressão de boletins meteorológicos,
cálculo
da
evapotranpiração, etc.) a partir de dados brutos coletados em estações meteorológicas. Ele
permitia uma verificação pormenorizada da consistência dos dados captados, as devidas
correções e produzia um arquivo operacional de dados elaborados diariamente.
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Resultados do projeto SISCLIMA foram publicados na revista especializada Hydrologie
Continentale”(Paris, 1987), nos Anais do Congresso Nacional de Agrometeorologia (Belém,
1987) e nos Anais do Primeiro Simpósio do Trópico Umido (Belém, 1984).
Foram também apresentados em Congressos no Brasil, como os acima citados e no exterior
como “Journées de l’ORSTON” (Paris,1985).
Estes e outros trabalhos, realizados em parceria com o Daniel Cardon, Tatiana Dinis e
Terezinha Bastos podem ser encontrados na Bibliografia.
Por outro lado, utilizando dados climatológicos obtidos pela Embrapa, foi feito um estudo
com vistas a obter a evolução mensal e os valores extremos dos parâmetros estudados assim
como a distribuição por classe de valores assumidos por esses parâmetros. Esse estudo foi
publicado no livro “14 Anos de Medidas Meteorológicas em Belém. ( Ver bibliografia).
Para dar continuidade à linha de pesquisa definida no projeto “Estudo das águas subterrâneas
de Belém e adjacências” (1975), cujos resultados levaram ao meu Doutorado, apresentei ao
Departamento de Informática, o projeto “Tratamento e interpretação de dados
hidrológicos apoiados pelo computador”, cujos objetivos eram: 1) adaptar os programas
realizados em minicomputador na França, para o DEC- 10 da UFPA, 2) desenvolver novos
programas de interesse para a continuidade dos estudos hidrológicos na região, 3) Manter
atualizado o Banco de Dados, 4) Formar pessoal especializado.
O projeto foi aprovado pelo CONSEP e dele participaram alunos de Iniciação Científica e
Graduação. No seu desenvolvimento foram realizados diversos estudos, apresentados em
Relatórios, Livro, em Anais e Resumos de Congressos e Simpósios, assim como em TCCs Trabalhos de Conclusão de Curso. (ver Bibliografia).
Desse tempo, lembro-me do convívio agradável e enriquecedor com meus colegas do
Departamento de Informática: Inácio Gabriel Kouri Neto, A.B.C. Sampaio (dividíamos a sala
de trabalho), Jorge Filgueiras, Arnaldo Prado, Luis P. Malcher, Antonio Lacerda, Antonio
Moraes Filho, Pedro Leon Rosa Filho, Conceição F. de Melo, Mara Lucia C. da Silva,
Constância da S. Santos, José Maria Bitar, Orlando Pinho, Reginaldo de Araujo, Alfredo
Braga Furtado, Rolf Erichsen, Adagenor Lobato, Orivaldo Tavares, Eraldo dos Santos e
Helena Garcia. Todos empenhados na evolução e melhoria do novo Departamento.
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Sou grata a eles pela cordialidade e por terem me apoiado sempre que apresentei algum
projeto ao Departamento.
Com relação a atividades relacionadas a assuntos científicos, foi nesse período que:
Em agosto de 1982, os professores Waterloo Napoleão de Lima, José Maria Filardo Bassalo,
Paulo Alencar de Tarso, Herberto Gomes Tocantins Maltez e eu, fundamos a Academia
Paraense de Ciências (APACi) (Anexo 26), da qual fui secretária até 2009, quando ela foi
recriada e mudou a sigla para APC; hoje a entidade é presidida com competência e dedicação,
pelo professor Bassalo.
Por outro lado, entre 10/82 a 06/83 fui membro da Comissão Executiva local da SBPCSociedade para o Progresso da Ciência - para preparação do 35º Congresso dessa sociedade
em Belém- PA.
Durante o congresso da SBPC em Belém-PA, entre 06 e 13 de julho de 1983 participei da
discussão sobre “ Comunidade Científica na Amazônia” ( Foto 10).
Foto 10. Da esquerda para a direita: Tatiana de Abreu Sá, J.M.F. Bassalo,
Therezinha Gueiros, Samuel Sá e Maria Maltez.
No período de 11/83 a 08/84 fui membro da Diretoria Técnica da Comissão organizadora do
1º Simpósio de Informática da Amazônia.
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Em 21/11/1983 participei como expositora no Encontro “Pesquisa e Pós-Graduação em
Debate” na UFPA e apresentei os projetos de pesquisa que desenvolvia no Departamento de
Informática.
Em 1983, fui membro da comissão Especial para elaboração do anteprojeto de criação do
curso de Pós–Graduação em nível de Mestrado, nas áreas integradas de Matemática, Física,
Química e Informática da UFPA (Anexo 27 ).
Em 1985, participei da Comissão Organizadora do Simpósio sobre a história da ciência e
tecnologia no Pará.
Em 1986 e 1987, fui responsável pelo Laboratório de Microinformática do CCEN da UFPA.
Em 1992, participei como Presidente, da comissão encarregada de apresentar o Relatório
Final da Criação do Curso de Mestrado em Informática (Anexo 28).
No decorrer de 1987, por ocasião da disputa eleitoral ao Governo Estadual, os professores da
UFPA, Therezinha Gueiros e Amílcar Tupiassu eram os coordenadores da campanha do
candidato Hélio Gueiros.
Por causa da amizade com Almicar Tupiassu, que tinha sido seu professor no Colégio Paes de
Carvalho, Herberto foi convidado para participar do grupo de campanha. Nessa ocasião ele
sugeriu a criação de uma Secretaria do Meio Ambiente, caso o candidato ganhasse a eleição.
Amilcar, então, pediu ao Herberto que reunisse pessoas interessadas em estudar o assunto, o
que foi feito. Depois de diversas reuniões, das quais participaram Igrejas, H.L.S. ; Dourado,
M.C.O.C. e eu, foi elaborado o documento intitulado “A questão ambiental no Estado do
Pará, Subsídios para uma Política Estadual de Meio Ambiente, Proposta para Criação
de um Órgão Estadual de Meio Ambiente”, publicado em 1987 pela coordenação da
campanha. No entanto, Hélio Gueiros após vencer a eleição, achou que a referida Secretaria
não devia ser logo criada, o que só aconteceu anos depois.
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7. PARIS (FRANÇA): PÓS-DOUTORADO E VOLTA À BELÉM
Em outubro de 1987, com auxílio da CAPES e liberação da UFPA, retornei à França para
fazer o Pós-Doutorado, ocasião em que trabalhei com Computação Gráfica, especialidade que
tinha se desenvolvido bastante, tanto no que se refere ao hardware como ao software. Nesse
período, conversei com o professor J.M.Drappier do ENSTA sobre a possibilidade de um
intercambio com a UFPA, o que ele achou viável (Anexo 29).
Quando voltei ao Brasil, em fevereiro de 1989, não pude concretizar esse intercambio por
diversas razões de caráter administrativo. No entanto, o Departamento de Informática e
SECOM tinham crescido e contavam com melhorias na parte de equipamentos para fins
didáticos, como por exemplo, sala com microcomputadores.
Então, elaborei e coordenei o Curso de Especialização em Computação Gráfica, que foi
aprovado pela CAPES e CONSEP. Ele foi importante e inovador na época, pois essa área
estava em plena evolução e começavam a ser difundido as primeiras ferramentas de Projeto e
Fabricação Auxiliados por Computador (Prado, A. C. J. - Vol.2, pg. 70-73, 2001).
O Anexo 30 (pag. 0 - 3) mostra documentos relativos ao curso e o Anexo 30 (pag. 4), o
“folder” distribuído na época com informações sobre ele.
Para a concretização do referido curso, devido à falta de professores disponíveis no
Departamento de Informática para ministrar as aulas, procurei a colaboração de professores
do Departamento de Matemática e do Centro Tecnológico da UFPA e também da USP, INPE
e UNICAMP.
Assim, colaboraram com o Curso de Especialização, por meio de aulas e sugestões, os
professores da UFPA, Hermínio Simões Gomes (Dr), que foi seu vice-coordenador e Manoel
Ribeiro Filho (Ms). Ministraram algumas disciplinas, os professores Antonio Benedito
Sampaio (PhD), Lindalva da Costa Teixeira (Ms), Mara Lucia C. da Silva (Esp) e Paulo
Augusto dos Santos (Ms). Os professores convidados Elisabetta Romano e Flavio S. Rosa da
USP; Leo Pini Magalhães da UNICAMP; Luis Alberto Vieira Dias e Eni Alvim de Oliveira
do INPE deram uma preciosa colaboração lecionando algumas disciplinas.
Vieira Dias, ao voltar para São José dos Campos após ter ministrado um excelente curso,
enviou para mim uma carta muito gentil (Anexo 34).
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Durante a estadia dos professores que vieram de fora para ministrar disciplinas na Especialização eu aproveitava
os intervalos entre as aulas para que eles conhecessem Belém e sua cultura. Nesse sentido, lembro-me do
convite que o professor Antonio Lacerda do DI fez, por meu intermédio, à um professor visitante para
compartilhar de uma comemoração familiar em sua casa, que ficava em uma charmosa pequena rua, e da qual
participaram seus vizinhos.
Em outra ocasião o professor Antonio Morais, também do DI, convidou para uma confraternização em sua casa
para a qual acabava de se mudar.
Nos dois casos passamos momentos alegres e marcantes.
Não posso deixar de lembrar que para
realizar o Curso de Especialização em
Computação Gráfica foi fundamental o
apoio dos professores A.B.C. Sampaio, que
me estimulou a elaborá-lo, de Jorge Garcia
Filgueiras, coordenador do Departamento de
Informática, que o acolheu e ajudou de
diversas formas durante a sua realização.
Foto 11: Aula Inaugural do 1º curso de
Especialização em Computação Gráfica. Sentados: Maria Maltez, Arnaldo Prado, Camilo Viana, Antonio
Tobias. Em pé: Inácio Kouri. 1991.
Por outro lado, no SECOM, Antonio Tobias Silveira (diretor); Mariangela da Penha Monteiro
Lopes (assistência ao usuário); todo o pessoal técnico e Carlos Brilhante (assistente
administrativo), contribuíram para o sucesso do curso. Sou grata também ao professor
Arnaldo Prado, então Pró- Reitor de Planejamento, pela atenção que deu à minha iniciativa.
O curso, sob minha coordenação, teve duas versões entre 1990 e 1993, quando me aposentei
(Anexos 29, 30, 32 e 33 pag 1-3); (Prado, A. C. J.,Vol.2, pag. 70-73, 2001).
As Fotos 11, 12, 13, 14, 15, 16,17 e 18, mostram alguns momentos dessa época.
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Foto 12: Aula Inaugural do curso de Especialização em
Computação Gráfica. Sentados: Alunos e na prieira fila,
da esquerda para direita, Camilo Viana, Antonio Gomes,
Maria Maltez, Mara Lucia, Herminio Gomes.
Em pé: Arnaldo Prado. 1991.
Esquerda: Foto13. Aula Inaugural do curso de Especialização em Computação Gráfica. Sentados: Alunos,
Prof. Herminio e em pé, Maria. Direita: Foto 14. Alunos e na primeira fila, da esquerda para direita, os
professores Maria Maltez, Antonio Gomes, Camilo Viana, Inácio Kouri e Antonio Tobias. 1991.
Foto 15: Especialização em Computação Gráfica.
Aula do prof. Leo Pini Magalhães.1992
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Foto 16. Curso de Especialização em Computação Gráfica. Aula do prof. Flávio S. Rosa. 1992.
Foto 17. Intervalo de aula. Curso de Especialização em Computação Gráfica. Da direita para esquerda,
Professora Elisabetta Romano, Maria Maltez e Sylvia Tocantins. 1991.
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Foto 18. Confraternização - Curso de Especialização em Computação Gráfica. Da esquerda para direita:
Inacio Kouri, Mara Lucia e Alfredo B. Furtado. 1991.
Paralelamente, submeti ao Departamento de Informática, o projeto de pesquisa “Computação
Gráfica”, cujo objetivo era a formação de pessoal apto a compreender, avaliar e utilizar os
sistemas de Computação Gráfica existentes no mercado, assim como dar uma formação básica
aos que desejassem conceber novos sistemas.
Ele foi aprovado pelo DI em 09/02/90, pelo Conselho de Centro em 14/12/90 e pelo Consep
em 25/02/91 (Anexo 31 pag. 1-7).
Posteriormente, Manoel Ribeiro, Hermínio S. Gomes e eu, elaboramos o projeto “SIMOSO –
Sistema de Modelamento de Sólidos”, como extensão daquele projeto. Aprovado pelo
CONSEP, ele serviu de base para o desenvolvimento de monografias de alunos do curso de
Especialização, da Iniciação Científica e da tese de Mestrado de Manoel Ribeiro, da qual fui
orientadora.
Nesse período, na Iniciação Científica, fui orientadora dos alunos Alessandra Fontel Pompeu,
Cleidson, Dilma Farias Viana e Mario Antonio Vieira, Nelson Veiga (bolsistas do CNPq),
Cirney Ricardo J.B. Carneiro e Rafael (bolsistas do PIPES) e Antonio Brito e Gilmar
(bolsistas da UFPA). Na Especialização orientei as monografias de término de curso de Max
Antony Lopes Andrade, Raymundo Nonato da S. Souza, Roberto Gomes Carneiro e Nelma
Gomes de Almeida, Simone Garçon e Nelson Veiga (bolsistas da CAPES).
Entre esses alunos, os que ficaram mais próximos foram Simone Garçon, que não concluiu a
Especialização porque foi aceita para o Mestrado no Paraná e Nelson Veiga, que foi meu
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aluno na Graduação, Iniciação Científica e Especialização. Ele fez posteriormente o Mestrado
e Doutorado na UNB e gentilmente me convidou para fazer parte da Banca Examinadora da
defesa de sua tese de Doutorado. Os demais alunos, de acordo com a UFPA continuaram
trabalhando na área.
O projeto SIMOSO tinha como objetivo a definição e implantação de um sistema de
modelamento de sólidos com disponibilidade para gerar imagens realistas, curvas e
superfícies usando-se Splines, Bezier, Coons e um Banco de Imagens; formar pessoal
especializado a partir do seu desenvolvimento, em especial os alunos da Especialização e
Iniciação Científica.
Por ser um sistema grande, ele foi realizado em módulos. Cada módulo ficou sob a
responsabilidade de um pesquisador/autor do projeto que o coordenava e realizava as
pesquisas sob sua responsabilidade sem, porém, perder de vista a integração de seus trabalhos
para obter o resultado final.
Assim, Manoel Ribeiro foi responsável pelo módulo “Sistema de Síntese de Imagens”,
Hermínio, por “Modelização de Curvas e Superfícies” e eu, por “Banco de Dados não
convencionais/Banco de Imagens”.
As monografias realizadas pelos alunos de Especialização em Computação Gráfica dentro do
SIMOSO foram apresentadas à comunidade em Simpósios como o VII SEPAI – VII
Simpósio Paraense de Informática, em abril de 1993. Do mesmo modo, isso foi feito para os
alunos de Iniciação Científica, na Semana de Iniciação Científica da UFPA em março do
mesmo ano. Manoel Ribeiro, que trabalhou muito no projeto, fez o Mestrado sobre os estudos
realizados por meio dele.
Da minha parte sempre que tive oportunidade apresentei à comunidade os trabalhos realizados
no DI, fossem aqueles sob minha responsabilidade como aqueles dos quais participei. Assim,
no VII SEPAI, entre 20/05/91 e 24/05/91, além de apresentar trabalhos em andamento ou
concluídos, ministrei o curso Introdução à Computação Gráfica.
Em 1992 recebi o Diploma em Comemoração ao 10º Aniversário da SUCESU – Sociedade
dos Usuários de Informática e Telecomunicações do Pará, por serviços prestados à
associação.
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Ao me aposentar, em abril de 1993, após morar muitos anos fora de São Paulo, senti
necessidade de voltar para conviver mais com minha família, inclusive com minha filha, que
morava lá. Minha primeira neta estava para nascer e eu não queria perder a oportunidade de
participar desse acontecimento novo para mim que era ser avó.
Já reinstalada, depois de algum tempo, apareceu oportunidade de participar de alguns
projetos, na USP e na Universidade Anhembi-Morumbi.
Na USP, nessa época de transição foi muito importante o apoio que recebi do professor Flavio
S. Rosa, que me convidou para fazer parte da equipe do seu projeto “Campus USP / São
Paulo” (Rosa, F. S.; Maltez, M.G.L., 1996); (Rosa, F. S.; Maltez, M.G.L.,et al.,1994).
Na Universidade Anhembi-Morumbi, colaborei com a implantação do curso de PósGraduação em Informação e Educação, com nível de Mestrado. Ali, entre ensino e outras
atividades, elaborei e desenvolvi um projeto de pesquisa na área de Softwares Educacionais,
que resultou em 7 teses de Mestrado (Foto 19). Resultados publicados nessa época são
apresentados na Bibliografia.
Foto 19: Defesa de tese. Mestrado de uma
de
minhas
alunas
(Satiko).
Banca
Examinadora da esquerda para a direita:
Profs. Drs. Danilo Da Cás, Maria Maltez e
Moyses Szjnbok. Universidade Anhembi Morumbi – São Paulo-SP. 1999.
Desse modo, depois de viver e trabalhar em diversos lugares por um longo período retornei
para São Paulo onde moro até hoje.
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CONCLUSÃO
No próximo ano, em 2012, completará 40 anos que cheguei à Belém para participar de um
momento importante para a Universidade Federal do Pará, que foi a implantação do seu
primeiro curso de Pós-Graduação Lato Sensu: o Programa de Pesquisa e Pós-Graduação em
Geofísica – PPPG/Geofísica. Isso se deu a partir de um projeto concebido e colocado em
prática pelos professores C. A. Dias e J. M. F. Bassalo desde a década de 1960.
O PPPG/ Geofísica foi um marco para o início de pesquisas acadêmicas e modernização da
Universidade Federal do Pará.
Após a fase de implantação, graças ao trabalho dos coordenadores que se sucederam, dos seus
professores e pesquisadores, ele evoluiu e se transformou; tem uma história de lutas, sucessos
e adversidades, em que predominou o sucesso.
Ele formou um número expressivo de Mestres e Doutores assim como desenvolveu
importantes projetos de pesquisa que contribuíram para o melhor conhecimento da região
amazônica. Os profissionais por ele formados atuam em universidades, no mercado de
trabalho regional e nacional assim como na política. Possui hoje Biblioteca especializada
equivalente às dos melhores centros de pesquisa, além de Laboratórios modernos como o de
Tratamento de Imagens e de Radioisótopos, importantes para a pesquisa em Ciências da
Terra. Continua sendo, ainda hoje, um referencial para a região.
Assim, pode-se dizer que o projeto dos professores Dias e Bassalo, ao encontrar ressonância
com os ideais de alguns estudantes, foi concretizado.
Penso que cabe aqui as palavras do professor Landi: (Landi, F.R., 2002).
“Desbravar uma terra é tão difícil quanto cultivá-la. Recordar essas lutas é alimentar o
orgulho e se preparar para não esmorecer no presente e no futuro”.
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Para terminar, desejo que a história do “grupo do Pará” inspire os jovens de hoje a olhar ao
seu redor, observando as necessidades de suas comunidades, para conceberem projetos
inovadores visando sua melhoria, mesmo sabendo que para concretizá-los é preciso trabalhar
muito, perseverar, contar com muito apoio e ter paciência, porque nada acontece de um dia
para outro.
No nosso país, apesar de esforços realizados, persistem problemas sociais crônicos em
especial os relativos à qualidade na educação e à pesquisa científica, áreas primordiais para o
estabelecimento de uma sociedade avançada e justa. Sou, porém, otimista e mesmo
constatando muitos problemas, acredito que conseguiremos superá-los.
No entanto, para se concretizar uma idéia é, na maioria das vezes, preciso trabalhar em grupo.
Este é um aspecto que deve ser destacado, pois muitos projetos são prejudicados devido a
conflitos entre os participantes. O ser humano é complexo, e sempre haverá possibilidade de
conflitos quando pessoas são colocadas lado a lado para alcançar um objetivo. O assunto é
importante e há muitos estudos sobre ele, como os realizados por Domenico de Masi.
Experiências de convivência em grupo estão sendo feitas há muitos anos pelas ecovilas, que
procuram novos modos de convivência e cujos resultados podem ser encontrados em sites na
internet. Ainda precisamos encontrar um caminho para uma convivência harmoniosa e
pacífica dentro da diversidade.
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AGRADECIMENTOS
Ao professor Dr. Gildo Magalhães dos Santos Filho, do Departamento de História da
Universidade de São Paulo, que me permitiu frequentar o seu excelente curso de Historia da
Ciência, indicou bibliografia usada neste trabalho, deu sugestões e incentivou- me a escrevêlo,
Ao “grupo do Pará”, por meio do qual conheci, morei e trabalhei em Belém e onde fui muito
feliz,
Aos colegas da Universidade Federal do Pará, em particular aos dos Departamentos de
Informática e Matemática (como eram chamados na época em que fiz parte deles),
Aos alunos queridos,
Aos colegas que se tornaram amigos próximos, aos quais muito devo: J. M. F. Bassalo e
Célia, Waterloo Napoleão de Lima e Gloria, Artemidoro Cabral de Melo e Maria Helena,
Rosiris Fonseca dos Santos, Rui dos Santos Barbosa, Paulo de Tarso Alencar, Leopoldino S.
Ferreira, Edna e José Carlos Castro, Manoel Leite Carneiro, Odete C. Santos, Orlando Moura
e Yeda , Haroldo Sá e Ester , A.B.C. Sampaio, Jorge G. Filgueiras, José Carlos Raimundo,
Conceição F. de Melo, Antonio Lacerda Lima, Antonio Moraes da Silveira, Herminio Simões
Gomes, Manoel Ribeiro Filho, Nelson Veiga, Yvone Tupiassu, Ricardo dos Santos, Daniel
Cardon, e Cláudio Sá Leal, falecido prematuramente, redator-chefe do Jornal O Liberal, que
acolheu nossos artigos e nos estimulou a escrevê-los...
À família do Herberto, que me recebeu tão bem e me fez conhecer melhor a região de Belém,
Aos meus pais (falecidos), meus irmãos Marta e Aníbal, meu cunhado José Fernando, meus
sobrinhos Vera, Roberto José, Fernanda Beatriz, Fernando Luis, Renata e Gerson, sempre
presentes e dando apoio incondicional,
A toda minha querida família,
Aos nossos amados filhos, Helena e Rafael e netos Cecília, Lucas e Janaína,
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Ao Herberto, meu companheiro de toda uma vida e meu amigo de todas as horas,
A todos vocês, que durante a convivência me deram alegria de viver e hoje dão sentido
ao meu passado, meus sinceros agradecimentos.
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- Poluição das águas que abastecem Belém. 27/04/83.
- Salinização das águas de Belém. 23/11/1983.
- Substâncias orgânicas na água, fator de sua degradação. 20/06/1984.
- Efeitos da barragem de Tucurui em Belém. 15/07/1984.
- Fechamento da barragem de Tucurui e a invasão oceânica. 01/09/1984.
- Meio Ambiente: preservação e educação ambiental. 11/11/1984.
- Origens e riscos da poluição do solo. 20/07/1985. 21/07/1985.
- O lixo de Belém: implicações ecológicas. 28/07/1985.
-A questão do amianto: descoberta do problema. 04/08/198.
- A questão do amianto; usos e inconvenientes. 11/08/1985.
- Meio ambiente: espaços para o lazer. 18/08/1985.
- A questão do amianto: repercussões. 25/08/1985.
- O Partido Verde é viável no Brasil? 01/09/1985.
- Sensoriamento Remoto e controle ambiental. 08/09/1985.
- Agricultura ecológica: solução para os países pobres. 15/09/1985.
-Exploração dos oceanos. 22/09/ 1985.
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- Poluição dos rios pelo mercúrio. 29/09/1985.
- A questão do amianto. Possibilidades de substituição. 06/10/1985.
- Mineração e Ecologia. 13/10/1985.
- A importação de alimentos contaminados. 19/10/1986.
- Saúde e condições ambientais. 26/10/1986.
- Como está a questão do amianto? 02/11/1986.
- Amianto: Saúde e Condição de trabalho. 16/11/1986.
- Manipulação genética: bem ou mal para a humanidade?23/11/1986.
- O desmatamento da Amazônia; relação clima x vegetação. 07/12/1986.
- Usina de lixo de Belém: mais um componente de degradação das águas. 04/12/1987.
- Inconveniência da área escolhida para a usina de lixo de Belém. 10/12/1987.
- A controvertida teoria da memória da água. 11/03/1990.
- Irradiação de alimentos: risco para a saúde? 15/09/ 1991.
- Água ruim abastece Belém. 22/11/1992.
- Derivados de Petróleo contaminam águas. 29/11/1993.
- Belém desperdiça dinheiro com adutoras. 28/05/1995.
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SIGLAS UTILIZADAS NO TEXTO
Nota: As siglas usadas são da época a que se referem os acontecimentos.
APC
Academia Paraense de Ciências
CIES
Centre International des Étudiants Stagières
CNPq
Conselho Nacional de Pesquisas
Codem
Companhia de Desenvolvimento Metropolitano
COSANPA
Companhia de Saneamento e Águas do Pará
CRUSP
Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo
DI
Departamento de Informática
Dnaee
Departamento Nacional de Águas e Esgoto
Embrapa
Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias
ENSTA
École Nationale Supérieur des Téchniques Avancées
FADESP
Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa do Estado do
Pará
FAPESP
Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo
FNF
Faculdade Nacional de Filosofia
Idesp
Instituto de Desenvolvimento Social do Pará
IFP
Institut Français du Pétrole
IG
Instituto de Geociências
INPE
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais
Ipean
Instituto de Pesquisas Agropecuárias do Norte
Petrobras
Petróleo Brasileiro
PPPG/Geofísica
Programa de Pesquisa e Pós – Graduação em Geofísica
PIPES
Programa de Iniciação à Pesquisa
Radam
Radar na Amazônia
SECOM
Serviço de Computação
SUDAM
Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia
UFBA
Universidade da Bahia
UFPA
Universidade Federal do Pará
UNB
Universidade de Brasília
UNICAMP
Universidade de Campinas
USP
Universidade de São Paulo
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