1 UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ INSTITUTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS PROGRAMA INCUBADORA TECNOLÓGICA DE COOPERATIVAS POPULARES E EMPREENDIMENTOS SOLIDÁRIOS – ITCPES/ICSA GRUPO DE PESQUISA TRABALHO E DESENVOLVIMENTO DA AMAZÔNIA Relatório Analítico TERRITÓRIO NORDESTE PARAENSE Desenvolvimento Sustentável e Gestão Estratégica dos Territórios Rurais no Estado do Pará BELÉM-PA 2011 2 UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ INSTITUTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS PROGRAMA INCUBADORA TECNOLÓGICA DE COOPERATIVAS POPULARES E EMPREENDIMENTOS SOLIDÁRIOS – ITCPES/ICSA DIRETÓRIO DE PESQUISA TRABALHO E DESENVOLVIMENTO DA AMAZÔNIA Equipe de Pesquisa e Extensão do Território Nordeste Paraense Maria José de Souza Barbosa Coordenadora Geral do projeto Adebaro Alves dos Reis Wanderlino Demetrio Castro de Andrade Professores Colaboradores Alanne Barbosa Maciel Técnica da Célula de Acompanhamento e Informação Valéria Farias de Almeida William Costa Silva Apoio Técnico da Célula de Acompanhamento e Informação Géssica Rafaela Guimarães Nunes Wilk Cardoso Cruz Bolsistas de Iniciação Científica CNPq 3 SUMÁRIO Apresentação .................................................................................................................. 4 1. Território Nordeste Paraense ..................................................................................... 8 1.1 História e Demografia .............................................................................................. 8 1.2 Infraestrutura, Economia e Estrutura Fundiária ..................................................... 13 1.3 Situação Fundiária e Ambiental ............................................................................. 17 1.4 Político-Institucional .............................................................................................. 19 1.5 Cultura .................................................................................................................... 20 2. Identidade ................................................................................................................. 21 3. Capacidades Institucionais ....................................................................................... 30 4. Gestão do Colegiado ................................................................................................ 32 5. Avaliação de Projetos .............................................................................................. 44 6. Índice de Condições de Vida – ICV ........................................................................ 45 7. Análise Integradora de Indicadores e Contexto ....................................................... 52 8. Pospostas e Ações para o Território ......................................................................... 62 Referências Bibliográficas ............................................................................................ 64 ANEXO: Validação de Instrumentos e Procedimentos ................................................ 65 4 APRESENTAÇÃO O presente relatório traz uma análise das atividades de pesquisa e extensão com foco nos processos demandados pela implantação da Célula de Acompanhamento e Informação, tendo em vista apoiar o Programa Desenvolvimento Sustentável de Territórios Rurais – PDSTR, da Secretaria de Desenvolvimento Territorial – SDT do Ministério do Desenvolvimento Agrário – MDA. Neste sentido, as ações de acompanhamento e levantamento de dados tiveram como perspectiva o conhecimento da realidade do Território Nordeste Paraense, com base na percepção dos sujeitos, mas também com observações sobre as possibilidades de promoção de programas e projetos voltados ao desenvolvimento rural e à gestão estratégica dos territórios rurais. O Programa Nacional de Desenvolvimento Sustentável de Territórios Rurais tem por objetivo promover o planejamento, a implementação e a autogestão do processo de desenvolvimento sustentável dos territórios rurais, o fortalecimento e a dinamização da sua economia, a partir dos eixos estratégicos: gestão social dos territórios; fortalecimento do capital social; dinamização das economias; e articulação interinstitucional. Neste sentido, o Colegiado de Desenvolvimento Territorial visa atender demandas de uma gestão dos territórios a fim de constituir processos coordenados de uma agenda pública de desenvolvimento territorial, cujos elementos centrais estão na participação dos sujeitos protagonistas e a proposição de um conjunto de infraestruturas e de serviços coletivos de uso comum. Assim, as redes técnicas, políticas, econômicas e institucionais podem potencializar as ações necessárias ao desenvolvimento territorial. Nos espaços de compartilhamento do poder e de responsabilidade das entidades e sujeitos para a execução das ações a partir das capacidades locais com base nas identidades e no controle social para a gestão do Plano Territorial de Desenvolvimento Rural Sustentável – PTDRS. O Território do Nordeste Paraense1 possui 734.545 habitantes, sendo 381.193 residentes na zona urbana e 353.352 na zona rural (Cf. TERRITÓRIOS DA CIDADANIA, 2009), o qual tem passado por um intenso processo de substituição da agricultura familiar pela produção mecanizada para a implantação de 1 O Território do Nordeste Paraense é composto pelos municípios: Abel Figueiredo, Aurora do Pará, Bujaru, Cachoeira do Piriá, Capitão Poço, Concórdia do Pará, Dom Eliseu, Garrafão do Norte, Ipixuna do Pará, Irituia, Mãe do Rio, Nova Esperança do Piriá, Ourém, Paragominas, Rondon do Pará, Santa Luzia do Pará, São Domingos do Capim, São Miguel do Guamá, Tomé-Açu e Ulianópolis. 5 pastagens de gado (bovino, caprino, ovino, soja, equino, muares e extração de minérios). O perfil do território é heterogêneo e guarda relação com os diferentes movimentos históricos dos fluxos migratórios, cuja origem está na colonização do século XVI, mas que se alterou profundamente dos anos 60 aos anos 80 do século passado, em face aos processos recentes e diferenciados de penetração do capital, os quais impactaram as relações sócio-ambientais, particularmente, relacionados às estruturas agrícolas e extrativistas modernas, frontalmente opostas às formas rudimentares de um modo de vida articulado ao mundo rural. A produção mecanizada e os grandes projetos de extração mínero-metalúrgica e agro-pastoris, incentivadas pelo estado autoritário, faz parte desse movimento de substituição das práticas socioeconômicas endógenas, por àquelas da agricultura mecanizada. As bases exógenas desses projetos levaram à expulsão de populações tradicionais, os quais passaram a não ter mais acesso aos recursos naturais superabundantes, potencializadores de suas dinâmicas de valorização da vida, ocasionando ainda um intenso êxodo rural e a devastação de recursos naturais biodiversos. Hoje um dos maiores problemas deste território é o desmatamento devido às áreas de pastagens que se concentram nesta região. Os programas governamentais de desenvolvimento executados nos últimos 40 anos são os determinantes centrais desse processo. O lastro desse movimento paradoxal é a fome e outras consequências, como a violência no campo, devido à grilagem de terra, a pobreza e a miséria. Portanto, o enfrentamento das questões ensejadas por esse movimento exige o redirecionamento das políticas públicas voltadas ao uso da terra e a readequação nas áreas já exploradas. Neste contexto, os instrumentos do desenvolvimento territorial associados à gestão estratégica buscam estruturar o reordenamento desses espaços, a partir de uma concepção articulada aos sujeitos protagonistas locais, a fim de que possam indicar estratégias de desenvolvimento articuladas à produção agrícola, à pecuária, ao comércio, aos serviços, às indústrias e as reservas ambientais sob complexas redes de relação articuladas à interdependência dos sistemas de uso da terra como condição essencial ao desenvolvimento territorial. Os movimentos sociais, particularmente, aqueles da agricultura familiar têm se organizado para reduzir os efeitos dos movimentos centrípetos de desordem e de catástrofes ambientais que demandam o redirecionamento das políticas públicas, do 6 crédito articulado, particularmente, ao processo produtivo no meio rural. Nesta direção, o debate e as ações concretas sobre o desenvolvimento territorial rural têm se mostrado como uma perspectiva em face da crise do padrão histórico de financiamento do Estado. No entanto, a demanda por um conjunto de infraestrutura e de serviços coletivos mostra que esta é uma realidade que se traduz nos baixos índices das potencialidades de uma ação mais efetiva nas localidades, pois a falta destes reflete nas condições de vida nas culturas e modos de vida endógenos. Torna-se, portanto, um desafio a implantação das políticas sob a abordagem territorial em face dos privilégios de determinadas forças no espaço de decisão intrínseco à lógica das vantagens comparativas e de diferenciais de produtividade, os quais geram uma hierarquia na oferta de investimentos, acelerando processos de desigualdades regionais e territoriais. Essa problemática ganha maiores dimensões no regime de acumulação flexível que insere essa realidade a uma dinâmica divisão nacional e internacional do trabalho, de modo paradoxal: de um lado, o território é estratégico para o fornecimento de matérias-primas, como uma fronteira aberta a ser explorada e, por outro, como reserva da biodiversidade. Neste sentido, o debate em torno do desenvolvimento territorial tem sido articulado à gestão estratégica apoiada nas experiências concretas do protagonismo dos sujeitos locais, na negociação com os formuladores e gestores de políticas públicas sob proposições que passam a incorporar o conceito de território como estratégia, de promoção de políticas públicas de múltiplas dimensões, em face da crítica do modelo e da noção de desenvolvimento centrado nas dinâmicas exógenas. A emergência do debate sobre o desenvolvimento territorial no âmbito da pesquisa acadêmica e nas formulações de diretrizes de organismos governamentais e não governamentais parecem se coadunar com a necessidade de enfrentamento das realidades objetivas e subjetivas, estabelecidas a partir de critérios acadêmicas, quando se trata da pesquisa científica, a fim de analisar, em primeira escala, a concepção de políticas para a promoção do território, tendo em vista abranger aspectos econômicos, sociais, culturais e ambientais. Com base nesses pressupostos o relatório é constituído em duas partes: a primeira foi realizada com base em dados secundários, obtidos em órgãos estatísticos oficiais IBGE, CNM, FAMEP, IDESP, MDA, SEIR, MIRPAS, CNPM, AMUNEPE, EMBRAPA, dentre outros, e; informações primárias coletadas a partir dos seguintes questionários: Q1, Q2, Q3 e Q4, os quais buscaram apreender as capacidades 7 institucionais, identidade territorial, acompanhamento da gestão dos colegiados e os índices de condições de vida, bem como, os indicadores do desenvolvimento sustentável, sob a orientação da SDT. Na primeira seção procurou-se sintetizar os principais aspectos relacionados à história, a cultura e a sociedade local dos municípios que compõem o Território do Nordeste Paraense, a partir de um cenário que possa identificar um panorama geral sobre dados demográficos (área geográfica, população total, densidade demográfica, índice de urbanização), socioeconômicos e culturais, a fim de contextualizar a realidade dos municípios, e ainda seus recursos naturais, vegetação, solo, clima, ecossistemas, recursos hídricos e minerais, os passivos ambientais e os projetos em andamento para minimizá-los. Na segunda analisam-se os dados obtidos com base nos questionários aplicados, no entanto, trata-se de um relatório preliminar, na medida em que será complementado com dados da próxima pesquisa, a fim de se realizar um comparativo com os dados e informações coletadas. 8 1. O Território Nordeste Paraense Fonte: SIT/MDA, 2012. Nesta seção procurou-se sintetizar os principais aspectos identitários do Território Nordeste Paraense, relacionados à história, à cultura e aos dados demográficos (área geográfica, população total e densidade demográfica), que caracterizam a sociedade local dos municípios que o compõem, a fim de contextualizar suas realidades específicas e do conjunto dos municípios, seus recursos naturais, vegetação, solo, clima, ecossistemas, recursos hídricos e minerais, os passivos ambientais e os projetos em andamento. 1. História e Demografia Nos vinte municípios que integram o Território Nordeste Paraense, citamos como mais antigos e de grande destaque os municípios de Ourém, fundado em 1727, e de São Domingos do Capim, criado em 1755, a partir do desmembramento destas duas municipalidades que passaram a surgir outros municípios que hoje compõem o Território. 9 Podemos, portanto, identificar dois grandes ciclos de ocupação territorial, um que remonta aos tempos de colonização portuguesa, quando surgiram os primeiros municípios, os quais decorreram das expedições dos portugueses ao longo dos Rios Guamá e Capim, com situados nas regiões de integração estaduais Rio Caeté e Guamá, e na região de integração do Rio Capim, com expedições ao Rio Acará; o segundo ciclo de ocupação ocorreu com a construção das grandes rodovias que cortaram o Território nas décadas de 60 e 70, como a BR-010 (Belém-Brasília), a BR-316 (Pará-Maranhão) e a BR-222 (que liga a BR-010 a Marabá), pois com essas grandes obras, houve um fluxo migratório de outros Estados ao longo das rodovias, onde acabaram surgindo pequenas vilas que deram origem aos atuais municípios. Nesse sentido, ainda em decorrência do primeiro fluxo migratório, apontamos o surgimento das cidades de São Miguel do Guamá, no ano de 1833, Irituia, em 1867 que se originaram do desmembramento da cidade de Ourém, Bujaru em 1943 e Tomé-Açu em 1959, ambas desmembradas do município de Acará. Já no segundo fluxo migratório, temos a fundação das cidades de Capitão Poço em 1961, do desmembramento de Ourém, Paragominas em 1965 a partir da construção da BR-010 e do desmembramento dos municípios de São Domingos do Capim e Viseu; em 1982 surge a cidade de Rondon do Pará, desmembrada do município de São Domingos do Capim; Concórdia do Pará, fundada em 1988, assim como Garrafão do Norte e Mãe do Rio, porém o primeiro surgiu a partir do desmembramento do município de Bujaru, o segundo do parcelamento de Ourém e o terceiro a partir do desmembramento de Irituia. Ainda na década de 80, no ano de 1989, é reconhecido como município Dom Eliseu, que na verdade surgiu ainda em decorrência da Rodovia Belém-Brasília, na década de 60, e da que hoje denomina-se BR-222, que liga a BR-010 a Marabá. Na década de 90 surgiram os demais municípios que compõem o Território Nordeste Paraense como: Abel Figueiredo, Aurora do Pará, Ipixuna do Pará, Nova Esperançado Piriá, Santa Luzia do Pará e Ulianópolis, todos em 1991, e o município de Cachoeira do Piriá que consegue sua emancipação, no ano de 1995, após a realização de um plebiscito, em onde a população decidiu que a sede ficaria no antigo assentamento de Cachoeira do Piriá, fundado ao longo da BR-316. Portanto esses dois grandes movimentos de constituição do Território Nordeste do Pará estão implicados por processos distintos, o primeiro com a expansão territorial europeia para a "constituição do Novo Mundo" e, o segundo, devido à implantação dos 10 projetos desenvolvimentistas iniciados na década de 50 e 60 e continuados na década de 70 e 80 do século passado, sob a matriz da ideologia da integração nacional. Quadro 1: Síntese dos Dados Demográficos dos Municípios do Território do Nordeste Paraense Total da Total da Área Total da População População 2010 Territorial População Rural (Km²) Municípios Homens Mulheres Urbana Abel 614,269 3.542 3.250 6.046 746 6.792 Figueiredo Densidade Demográfica (hab/ Km²) 11,04 Aurora do Pará 13.630 12.949 8.174 18.405 26.579 1811,820 14,65 Bujaru 13.338 12.362 8.099 17.601 25.700 1005,163 25,56 Cachoeira do 13.710 12.766 5.523 20.953 26.476 20461,961 10,77 Piriá Capitão Poço 26.618 25.281 21.447 30.452 51.899 2899,540 17,90 14.591 13.630 15.091 13.130 28.221 690,944 40,84 Dom Eliseu 26.629 24.689 32.517 18.801 51.318 5268,794 9,74 Garrafão do 13.112 11.939 8.614 16.437 25.051 1599,021 15,66 Norte Ipixuna do 26.944 24.439 12.228 39.155 51.383 5215,533 9,84 Pará Irituia 16.288 15.094 6.509 24.873 31.382 1379,356 22,74 Mãe do Rio 13.741 14.151 23.036 4.856 27.892 469,489 59,43 10.645 9.514 7.972 12.187 20.159 2809,610 7,17 8.440 7.856 7.438 8.858 16.296 562,385 29 49.263 48.525 76.478 21.310 97.788 19341,858 5,06 24.276 22.698 34.704 12.270 46.974 8246,426 5,70 9.882 9.540 8.691 10.731 19.422 1356,118 14,32 15.738 14.089 6.599 23.228 29.827 1677,252 17,79 25.996 25.531 31.852 19.675 51.527 1110,168 46,45 Tomé-Açu 29.327 27.187 31.646 24.868 56.514 5145,338 10,98 Ulianópolis 22.208 21.137 28.529 14.816 43.345 5088,447 8,52 377.918 356.627 381.193 353.352 734.545 86753,492 383,16 Concórdia do Pará Nova Esperança do Ourém Piriá Paragominas Rondon do Pará Santa Luzia do Pará São Domingos do Capim São Miguel do Guamá Pará Fonte: Elaboração da Equipe com base nos dados do IBGE, 2010. Os dados demográficos do Território Nordeste Paraense, de acordo com o Censo 2010, do IBGE, mostram que este hoje conta com uma população total de 734.545 habitantes, distribuídos em uma extensão geográfica de 86.753,492 Km², aglutinando municípios de três principais regiões de integração do Estado do Pará: parte da região Guamá, toda a região Rio Capim e parte da região Rio Caeté. 11 Assim, o TENEPA é habitado principalmente por agricultores, de acordo com o PTDRS, do TENEPA de 2006, sejam eles descapitalizados, em transição ou consolidados. São eles: agricultores (as) familiares, agroextrativistas, pescadores artesanais, artesãos, assalariados rurais, quilombolas, grupos indígenas; localizados a maioria em lotes individuais, em lotes familiares ou arrendados, em projetos de assentamentos; estabelecimentos de pequeno e médio porte (agricultura familiar), com uma produção destinada, primordialmente, aos mercados locais, regionais e nacionais. (PTDRS, 2006) Com base nestes elementos, busca-se entender as problemáticas da agricultura familiar no Território, destacando-se os problemas decorrentes da estrutura agrária, dos projetos de assentamento de reforma agrária e das políticas públicas desenvolvidas no território. IDH do Território Nordeste Paraense Municípios IDH Municipal IDH Longevidade IDH Educação IDH Renda Abel Figueiredo 0,703 0,709 0,749 0,653 Aurora do Pará 0,618 0,707 0,631 0,516 Bujaru 0,659 0,732 0,761 0,483 Cachoeira do Piriá 0,551 0,661 0,558 0,433 Capitão Poço 0,615 0,655 0,662 0,529 Concórdia do Pará 0,659 0,744 0,732 0,502 Dom Eliseu 0,665 0,664 0,726 0,604 Garrafão do Norte 0,578 0,637 0,613 0,485 Ipixuna do Pará 0,622 0,743 0,633 0,490 Irituia 0,674 0,689 0,768 0,565 Mãe do Rio 0,697 0,750 0,769 0,573 Nova Esperança do Piriá 0,598 0,684 0,595 0,516 Ourém 0,668 0,738 0,744 0,524 Paragominas 0,690 0,679 0,766 0,626 Rondon do Pará 0,685 0,696 0,743 0,617 Santa Luzia do Pará 0,594 0,637 0,675 0,469 São Domingos do Capim 0,625 0,707 0,684 0,483 São Miguel do Guamá 0,670 0,669 0,766 0,576 Tomé-Açu 0,676 0,684 0,743 0,600 Ulianópolis 0,688 0,676 0,709 0,679 Pará 12 Fonte: Elaboração da equipe a partir de dados do IDESP, 2000. Os programas de transferência de renda, principalmente, o Programa Bolsa Família, e as estruturas de apoio social à população têm sido importantes no contexto territorial, uma vez que possibilitou às famílias do Território perceberem uma melhoria em suas condições de renda e, consequentemente, de vida. Transferência de Renda através do Bolsa Família e Sistema de Assistência Social Estimativa de Famílias Estimativa Bolsa Pobres – de Famílias Família – Bolsa Pobres – Número de Família CadUnico Famílias (PNAD (PNAD Municípios atendidas 2006) 2006) CRAS CREAS Índice de Desenvolvimento Familiar ( IDF) Abel Figueiredo 715 611 1030 0,54 1 Aurora do Pará 2849 2420 3555 0,49 1 1 Bujaru 3200 2679 3841 0,50 1 1 Cachoeira do Piriá 2530 2188 3079 0,47 1 1 Capitão Poço 7624 6393 9075 0,51 1 1 Concórdia do Pará 2833 2474 3599 0,50 1 1 Dom Eliseu 4236 3676 5977 0,54 2 1 Garrafão do Norte 3381 2898 4168 0,46 1 Ipixuna do Pará 4173 4097 6057 0,51 1 1 Irituia 3480 2928 4547 0,49 2 1 Mãe do Rio 2911 2504 4094 0,52 1 1 Nova Esperança do Piriá 2933 3010 4074 0,48 1 1 Ourém 1970 1675 2555 0,52 2 10117 9917 15312 0,54 2 Rondon do Pará 4618 4318 6851 0,55 2 Santa Luzia do Pará 2548 1966 2967 0,49 1 São Domingos do Capim 3462 2914 4170 0,48 1 1 São Miguel do Guamá 5582 4762 7333 0,49 2 1 Tomé-Açu 6197 5311 7835 0,50 1 1 Ulianópolis 3337 3625 5394 0,50 1 1 Paragominas Pará Fonte: Elaboração da equipe a partir de dados da PNAD, 2006 e do Programa Bolsa Família, 2010. A formação étnica predominante no Território tem caracterização indígena e portuguesa, com forte influência da cultura nordestina e ainda alguns remanescentes de quilombolas, em decorrência do fluxo migratório na década de setenta a partir da construção das rodovias Belém-Brasília (BR 010) e da Pará-Maranhão (BR 316), as quais se tornaram as principais rodovias que atravessam os municípios da região e que 1 13 contribuíram para o surgimento de uma nova dinâmica espacial, com novas atividades econômicas, e para o deslocamento da população e a implantação de serviços, bem como, de melhoria na infraestrutura e logística. 2. Infraestrutura, Economia e Estrutura Fundiária O Território Nordeste Paraense apresenta uma densa malha rodoviária, tendo como eixos principais as rodovias BR-316 (Pará – Maranhão), BR-010 (Belém-Brasília) e a BR-222, e eixos secundários, com várias rodovias estaduais, como a PA-252, PA253, PA-140, entre outras. Com relação aos serviços básicos existentes no Território, temos a situação apresentada na tabela a seguir: Saneamento Básico no Território – Abastecimento por Água Municípios Rede Pública Poço Outros Abel Figueiredo 77,51% 20,24% 2,25% Aurora do Pará 47,01% 50,56% 2,44% Bujaru 34,27% 52,49% 13,24% Cachoeira do Piriá 21,26% 76,68% 2,05% Capitão Poço 60,27% 36,65% 3,08% Concórdia do Pará 10,37% 85,67% 3,96% Dom Eliseu 76,23% 17,26% 6,51% Garrafão do Norte 16,21% 81,96% 1,83% Ipixuna do Pará 60,95% 33,20% 5,85% Irituia 42,89% 50,81% 6,30% Mãe do Rio 10,39% 86,85% 2,76% 0,74% 94,11% 5,15% Ourém 33,26% 64,15% 2,59% Paragominas 47,59% 49,45% 2,96% Rondon do Pará 49,39% 34,40% 16,21% Santa Luzia do Pará 10,20% 87,65% 2,15% São Domingos do Capim 43,27% 47,43% 9,30% São Miguel do Guamá 36,16% 55,44% 8,40% Tomé-Açu 50,98% 43,78% 5,23% Ulianópolis 26,40% 71,68% 1,90% Pará 42,04% 52,52% 5,44% Nova Esperança do Piriá Fonte: Elaboração da equipe a partir de dados do Ministério da Saúde - Sistema de Informação de Atenção Básica – SIAB, 2010. 14 Saneamento Básico – Instalação Sanitária Municípios Rede de Esgoto Fossa Céu Aberto Abel Figueiredo 0,16% 93,02% 6,82% Aurora do Pará 0,10% 82,02% 17,88% Bujaru 1,73% 64,30% 33,97% Cachoeira do Piriá 0,24% 53,18% 46,58% Capitão Poço 4,42% 77,59% 17,99% Concórdia do Pará 0,63% 43,23% 56,14% Dom Eliseu 7,59% 85,37% 7,05% Garrafão do Norte 0,46% 91,33% 8,20% 17,84% 67,33% 14,83% 0,94% 78,83% 20,23% 89,24% 10,76% Ipixuna do Pará Irituia Mãe do Rio Nova Esperança do Piriá 0,47% 64,24% 35,30% Ourém 3,75% 90,78% 5,46% Paragominas 2,88% 89,58% 7,53% 3,05% 72,85% 24,10% Santa Luzia do Pará 1,12% 74,32% 24,57% São Domingos do Capim 0,94% 52,84% 46,22% São Miguel do Guamá 4,23% 67,17% 28,60% Tomé-Açu 0,95% 80,71% 18,34% Ulianópolis 1,44% 93,85% 4,69% 3,07% 77,44% Fonte: Elaboração da equipe com base nos dados do Ministério da Saúde Sistema de Informação de Atenção Básica – SIAB, 2010. 19,48% Rondon do Pará Pará A infraestrutura existente no TR, principalmente com relação à sua malha rodoviária e sua bacia hidroviária, facilita o escoamento dos produtos do TR, dá-se destaque, com base em dados fornecidos pela SEIR, às seguintes atividades econômicas: pesca, agricultura, fruticultura, cadeia produtiva da mandioca, feijão-caupi, mineração, turismo, pecuária, produção de leite e derivados, assim como, chamado cultivo florestal e indústria cerâmica (SEIR, 2011). 15 Dados sobre mineração. Municípios Ouro Bauxita Caulim Abel Figueiredo Aurora do Pará Bujaru Cachoeira do Piriá X Capitão Poço Concórdia do Pará Dom Eliseu Garrafão do Norte x Ipixuna do Pará Irituia x Mãe do Rio Nova Esperança do Piriá Ourém x Paragominas x Rondon do Pará Santa Luzia do Pará São Domingos do Capim x São Miguel do Guamá Tomé-Açu Ulianópolis x Pará Fonte: Elaboração da equipe a partir de dados do Zoneamento Ecológico Econômico – Diagnóstico Socioeconômico – Pará Rural – Governo do Pará – 2010 É válido ressaltar que além dos programas de transferência de renda como o Bolsa Família, há outros programas que vêm atuando na região de maneira significativa, com a finalidade de potencializar suas capacidades, como, por exemplo, o Programa de Aceleração do Crescimento – PAC, uma parceria entre o governo federal e o governo do Pará, que tem como objetivo atender alguns dos municípios do TENEPA, nas áreas de saneamento, esgotamento sanitário, abastecimento de água, habitação e melhoria sanitárias em domicílios. Outro programa que também têm trazido muitos benefícios à população do Território é o Programa Luz para Todos, que leva energia elétrica a diversas comunidades ao longo de toda região, conforme demonstram os dados da tabela a seguir: 16 Municípios Energia Elétrica (ligações) Abel Figueiredo 2042 Aurora do Pará 2550 Bujaru 1933 Cachoeira do Piriá 3111 Capitão Poço Concórdia do Pará Dom Eliseu 12855 6370 10834 Garrafão do Norte 5325 Ipixuna do Pará Irituia 5123 7612 Mãe do Rio 9049 Nova Esperança do Piriá Ourém Paragominas 2243 4972 28895 Rondon do Pará 11633 Santa Luzia do Pará 4984 São Domingos do Capim 4307 São Miguel do Guamá 12083 Tomé-Açu 14092 Ulianópolis 4969 Pará Fonte: Elaboração da equipe a partir de dados da Rede Celpa, 2010. O Programa Territórios da Cidadania, o qual está intimamente ligado ao trabalho das Células de Acompanhamento e Informação dos Territórios, como, muitas vezes, desconhecida pelo Colegiado de Desenvolvimento Territorial, mas sempre que se fala em Território da Cidadania Nordeste Paraense, há a vinculação com a estrutura colegiada que ora acompanhamos. É um grande pacto que une ações de diferentes ministérios do governo federal, integrando ainda os governos estadual e municipais do Território, no sentido de promover o desenvolvimento territorial, através de uma organização sustentável da produção, da promoção da regularização fundiária, dos direitos sociais e de inclusão social, além de ações que visam desenvolver a infraestrutura, a saúde, a educação e a cultura. Nesse sentido, os Planos Territoriais de Desenvolvimento Regional Sustentável (PDRS), um pacto entre governos (federal, estadual e municipal) e representantes da sociedade civil (associações, sindicatos, universidades e ONG’s principalmente) no 17 Território assume importância, uma vez que, através desse acordo, ficam definidas quais ações de desenvolvimento territorial serão empreendidas de maneira articulada, a fim de atender às perspectivas dos entes pactuantes em curto, médio e longo prazo, a partir de temas como: ordenamento territorial, regularização fundiária e gestão ambiental; fomento às atividades produtivas sustentáveis; inclusão social e cidadania e infraestrutura para o desenvolvimento (SEIR, 2011). Há que se citar ainda o Programa “Pará Terra de Direitos” iniciado na gestão estadual de 2007-2010 e continuado na atual gestão do estado, o que promove ações de incentivo à justiça social, educação, cultura, saúde, segurança pública, desenvolvimento sustentável, assentamentos rurais e inovação tecnológica. De acordo com o PTDRS do TENEPA, elaborado no ano de 2006, quando este ainda contava com apenas quinze municípios, economicamente, estes entes governamentais dependiam principalmente do repasse de verbas, pelos governos estadual e federal, com poucos conseguindo sobreviver de arrecadações próprias, como os municípios de Ipixuna do Pará e Paragominas que recebem royalties por conta da exploração de minérios em seu subsolo. Mesmo na atualidade, com os demais cinco municípios que passaram a compor o Território, a dependência do repasse dos entes maiores continua. 1.3 Situação Fundiária e Ambiental A situação fundiária do TENEPA é um dos principais motivos dos conflitos existentes na região. Assim, na atualidade, de acordo com a relação de projetos de assentamento disponibilizadas no site do Incra em 29.09.2011 (de acordo com o site a lista de projetos é alimentada quinzenalmente), o território conta com mais de sessenta projetos de assentamento, em quatro modalidades definidas pelo INCRA: sessenta PA – Projeto de Assentamento Federal distribuídos nas cidades de Aurora do Pará, Bujaru, Cachoeira do Piriá, Capitão Poço, Concórdia do Pará, Dom Eliseu, Ipixuna do Pará, Nova Esperança do Piriá, Paragominas, Santa Luzia do Pará, São Domingos do Capim, Tomé-Açu e Ulianópolis; um PCA – Projeto de Assentamento Casulo no município de Dom Eliseu; um PAE – Projeto de Assentamento Agroextrativista Federal em Bujaru; e três Projetos de Assentamento Estadual na cidade de Bujaru. 18 O desmatamento na região é outra questão preocupante, posto que em março de 2010 do desmatamento ocorrido em toda Amazônia Legal, 45% se deu no Pará, dentre os quais o município de Rondon do Pará ocupa o 8º lugar e Tomé-Açu o 9º lugar no ranking de municípios que mais desmataram, de acordo com relatórios divulgados pelo Imazon, conforme figura abaixo: Em março de 2010, as florestas degradadas, ou seja, as florestas intensamente exploradas pela atividade madeireira e/ou atingidas por queimadas na Amazônia Legal somaram 220 quilômetros quadrados. Desse total, (87%) ocorreu no Pará. Participação (%) dos Estados da Amazônia Legal no desmatamento e na degradação de março de 2010 Fonte: Imazon/SAD, março de 2010. 19 1.4 Político-Institucional A organização político-institucional do Território é constituída tanto pelos representantes dos governos federais, quanto estaduais, municipais por representantes de instituições da sociedade civil que atuam na região. Três dos vinte municípios são geridos por mulheres (Capitão Poço, Rondon do Pará e São Miguel do Guamá), onde duas (Rondon do Pará e São Miguel do Guamá) chegaram à administração municipal apenas no segundo semestre de 2010, porque seus antecessores tiveram seus mandatos cassados. Destacamos aqui o trabalho desenvolvido por algumas prefeituras do Nordeste Paraense, através, principalmente, de suas secretarias municipais de agricultura e meio ambiente que, em alguns casos, têm envidado esforços no apoio direto e até fomentando as ações dos agricultores, por exemplo, Concórdia do Pará, Tomé-Açu e Paragominas, dentre outras, além da atuação dos Conselhos Municipais de Desenvolvimento Rural Sustentável. Temos ainda a atuação da Secretaria de Estado de Agricultura – SAGRI, inclusive com relação à captação de recursos para o Território, uma vez que muitos municípios estão em situação de inadimplência e ficam impedidos de receber recursos advindos do governo federal. Outras grandes parceiras estatais dentro do Território são a Empresa Estadual de Assistência Técnica e Extensão Rural do Pará – EMATER, o Instituto de Terras do Pará – ITERPA, a Agência de Defesa Agropecuária do Pará – ADEPARÁ. Já com relação às organizações da sociedade civil, destacamos a atuação do Instituto Popular Amazônico – IPA, Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural Sustentável da Amazônia – IDAM, Instituto de Desenvolvimento e Assistência Técnica da Amazônia – IDATAM, Cooperativa de Prestação de Serviços em Apoio ao Desenvolvimento Rural Sustentável – COODERSUS, Federação dos Trabalhadores na Agricultura – FETAGRI, Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar – FETRAF, Rede Capim de Economia Solidária, bem como, os – Sindicatos de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais – STTR’s de todos os municípios, movimentos sociais, aos quais damos destaque ao Movimento de Articulação Rural e Urbana – MARU e ao Movimento de Mulheres do Nordeste Paraense – MMNEPA, e ainda as associações das comunidades indígenas, quilombolas e ainda das pequenas comunidades de agricultores de algumas localidades pertencentes a municípios do território. 20 Entretanto, podemos perceber ao longo desse primeiro ano de pesquisa que embora o Território conte com essas instituições, muitas vezes estas, não participam dos eventos agendados pelo Colegiado ou mesmo os representantes que comparecem às reuniões não são os mesmos que começaram o acompanhamento do trabalho, o que dificulta que se faça um trabalho mais consistente na região. 1.5 Cultura Podemos apontar que os festejos vinculados à religiosidade local ainda têm grande predominância e importância no TENEPA. Destes, destacamos os Círios em homenagem a Nossa Senhora de Nazaré, que acontecem a partir da segunda quinzena de outubro, após o Círio de Nazaré, na Capital do Pará, bem como, as festas dos padroeiros de cada município. Como exemplos dessas festas religiosas, citamos a festa de São Miguel Arcanjo, no mês de setembro em São Miguel do Guamá, a festa de Santo Antônio Maria Zacarias, em Capitão Poço, a de São Pedro, em Concórdia do Pará, dentre outras. Além das festas religiosas, há ainda municípios que preparam grandes festas durante o carnaval e a quadra junina, tendo como tradição no primeiro às festas nos blocos carnavalescos e em algumas cidades os desfiles de fantasias; e no segundo a tradição das quadrilhas, dos bois-bumbás e dos cordões de pássaros, como nos municípios de Capitão Poço, Ourém, São Miguel do Guamá, Mãe do Rio, Tomé-Açu, entre outros. Em Irituia, merecem destaque as danças de carimbó, o cordão da bicharada e a folia dos santos. Em Tomé-Açu, além da tradicional quadra junina, no mês de junho também ocorre a Undokai, uma espécie de gincana com várias modalidades que foi trazida pelos imigrantes japoneses que ocuparam a região. É válido lembrar que no município de São Domingos do Capim ocorre o Surf da Pororoca, um fenômeno natural que acontece nos rios da Amazônia e que a cada ano atrai mais surfistas, vindos de vários estados brasileiros e até de outros países para tal competição. Alguns municípios têm feiras culturais que movimentam as cidades. Nessas oportunidades, muitas vezes, são realizados concursos e exposição de poesias e de músicas locais, como em Irituia, Capitão Poço, Ourém, Mãe do Rio e Concórdia do Pará. Sem deixar de mencionar que municípios como Paragominas, Tomé-Açu, Dom 21 Eliseu, Ipixuna do Pará e Mãe do Rio já possuem tradicionais Feiras de Exposição Agropecuária, que movimentam negócios com outros municípios do Território, do Estado e até de outros Estados da federação. Em Ulianópolis, ganha destaque a Agrofest Milho, uma festividade que vem se tornando um grande evento a cada ano, desde que foi iniciada em 2001. O artesanato regional é outro fator interessante, como os quadros esculpidos em madeira, em Capitão Poço; as taças e copos produzidos através do aproveitamento de garrafas, em Irituia; o artesanato de utilitários como tijolos, telhas, bolsas, esteiras, redes de pesca, cortinas, almofadas, tapetes e camisas de pagão (recém-nascidos) em Ourém; já os artesãos de Paragominas se utilizam da madeira, da linha e do sisal, como matérias-primas na produção de móveis rústicos, entalhes e vasilhas utilitárias; o artesanato decorativo de São Domingos do Capim, representado por peças como árvores de Natal, bordados, crochê, tricô, tecelagem, confecções de flores vasos e pinturas; em São Miguel do Guamá, o artesanato se caracteriza pela produção de cerâmica, abanos, peneiras e tipitis; e em Tomé-Açu o artesanato que se destaca é a produção de chapéus e balaios de palha, estátuas e jarros de madeira. 2. Identidade Imagem: Aplicação do Q4 – ICV em São Miguel do Guamá. 22 Para compreender os dados relativos aos indicadores sobre a identidade do Território do Nordeste Paraense, é preciso voltar-se a antigos dilemas da Amazônia e a seus novos desafios. Uma região pautada por contínuos processos de expansão da economia capitalista, na medida em que é considerada como fronteira de recursos a ser explorada em face de suas riquezas naturais. A partir da década de 60, com a construção da rodovia federal BR-310, BelémBrasília, que corta o território e lhe caracteriza de modo hegemônico, a partir de um intenso movimento migratório de penetração comparável ao da economia da borracha dos anos 40, quando houve um grande êxodo rural das chamadas populações tradicionais (indígenas, quilombolas, ribeirinhas), destituídas da posse da terra, na medida em se estendia o eixo rodoviário, cuja dimensão e repercussão desse processo foi a expropriação e destituição da propriedade natural fato este ainda pouco estudado. Hoje, esse território passa a ser novamente impactado pela expansão do agronegócio representado pela soja, pela extensão das pastagens de gado, pela agricultura mecanizada e pela extração de minério, a partir de um contraditório movimento de expansão de políticas neodesenvolvimentistas, em pleno processo de democratização e de territorialização das políticas sociais. Um paradoxo que mostra sua face no ressurgimento de grandes infraestruturas que ameaçam novamente as culturas endógenas, como as da agricultura familiar, sob as vestes de um governo popular, quando há abertura histórica propícia à construção de instrumentos de planejamento de desenvolvimento local/regional em busca de possíveis soluções para as problemáticas decorrentes das desigualdades regionais e subregionais. Quando os instrumentos do planejamento são formulados com base em mecanismos de consultas públicas, a exemplo, do Desenvolvimento Territorial Rural Sustentável, do Zoneamento Ecológico-Econômico, do Desenvolvimento Sustentável, dentre outros, que tem como retórica dar conta de demandas historicamente postergadas à promessa de um progresso vindouro, um devir de modernização em regiões consideradas atrasadas. Na realidade, as estruturas locais são centradas na economia de subsistência, de base familiar eou comunitária, onde a produção de excedente ou mesmo a monocultura não tem espaço, mas que exigem acesso a condições reais para o desenvolvimento de suas realidades locais sob as centralidades de seus sujeitos protagonistas. 23 Neste sentido, o que se reivindica hoje, diferentemente do planejamento centralizado e de decisões tomadas em gabinetes fechados da burocracia autoritária do governo central, é o desenvolvimento com base nas atividades já existentes, na medida em que as populações locais passam a demandar estratégias em relação ao uso do solo diversificado (espaço de produção e reprodução), a fim de fixar suas identidades culturais. Seus diversos usos exigem decisão daqueles que são impactados e não somente a participação formal em relação aos recursos predeterminados, com ações pensadas de formas exógenas para resolver problemas supostamente regional, o que é tomado como algo não desejável. Portanto, há a reivindicação da cidadania produtiva (de coisas e de sentido) e não da cidadania participativa, em que os locais cumprem formalidades dos novos instrumentos dos métodos de planejamentos, ou seja, se exige serviços de uso comum em sinergia com seus modos de vida (educação do campo, da floresta das águas etc.), diferentemente dos que foram e são historicamente centrados nas dinâmicas urbanas, base territorial do desenvolvimento industrial, na medida em que são implantados nas metrópoles e grandes cidades, ou mesmo, com referência a estes espaços. Neste sentido, se observa três grandes movimentos que estão interligados por dinâmicas essenciais, as quais precisam ser consideradas na redefinição das políticas públicas pensadas sob a percepção das sociedades locais, em contexto amazônico, a fim de mitigar, no mínimo, os impactos das intervenções desenvolvimentistas do passado e das novas políticas traçadas pela aceleração do crescimento: 1) As ondas desenvolvimentistas, do passado, são reconfiguradas pelo neodesenvolvimentismo, do presente, na medida em que antigas práticas passam a ser revestidas de novas modelagens cuja dinâmica de constituição dos espaços rurais e urbanos, no estado do Pará, 13 PIB do Brasil, tem problemas de primeira ordem, como os ambientais e territoriais, que repercutem em reivindicações como a constituição de dois novos estados (Tapajós e Carajás), em que seus sujeitos principais são as oligarquias locais e novos atores como os sojeiros, os madeireiros, os fazendeiros, entre outros. O Território do Nordeste Paraense é o mais antigo e o mais devastado, na medida em que está situado no arco do suposto desenvolvimento, iniciado com as transformações dos anos 60. Sua antropização pode ser observada, a partir do desmatamento para a construção da rodovia Belém-Brasília, mas que abriu espaço para grandes áreas de pastagens e de produção de gado. Mas recente nos anos 2000, a 24 penetração da soja e do minério, concentradas em municípios mais próximos ao sudoeste do Pará como Paragominas e Dom Eliseu, mas também no município mais antigo deste Território, ou seja, Ourém (com a extração de minério). Uma realidade cuja origem está nas políticas de incentivos e isenções fiscais. Neste sentido, a retomada dos grandes projetos econômicos vem re-escalonando o uso do solo, na perspectiva desse suposto desenvolvimento que, ao invés de desconcentrar os serviços de uso comum, estão irradiando e difundindo vetores econômicos ultrapassados, com a reconcentração de serviços nas cidades médias, como Paragominas, no Nordeste do Pará; Marabá, no Sudoeste, e; Santarém, no Oeste do Pará. O processo de urbanização acelerada para dar suporte aos enclaves econômicos não promoveu melhoria de condições de vida das populações locais, ao contrário, passou a existir a pobreza lá onde ela não existia. As populações tradicionais que tinham seus modos de vida articulados à floresta, sob outra lógica econômica e outros padrões de sociabilidade foram expropriadas de seus territórios para serem reterritorializadas nas periferias das cidades, agora sob processos de risco e vulnerabilidades sociais devido à quebra de seus vínculos identitários, que foram completamente desmontados. Imagem: Domicílio onde foi aplicado o Q4 – ICV em zona periurbana do município de Garrafão do Norte, demonstrando as condições de vida de pessoas que vivem próximas (menos de 2km) do centro urbano. 25 2) A cidade de Belém, capital do estado, ainda hoje sobredetermina os processos de controle e centralização das decisões que pesam sobre essas localidades em estreita relação com os "novos sujeitos" do neodesenvolvimentismo. Portanto, os esforços para a descentralização e a territorialização das políticas públicas, particularmente, pela estruturação de territórios da cidadania, não são estruturados na mesma proporção dos impactos sociais da retomada dessa nova onda de crescimento sob a base do Programa de Aceleração do Crescimento, que tampouco dá respostas aos questionamentos das problemáticas locais e, ao mesmo tempo, globais, como os danos do neodesenvolvimentismo. A desconcentração de bens e serviços coletivos de Belém é extremamente lenta e não chega as mais longínquas localidades, portanto, não garante a universalização, em curto prazo, tornando dramática a vida nessas comunidades que são novamente pressionadas por processos e demandas dos novos eixos e setores nacionais estratégicos, e que se tratam de setores muito específicos, como das mineradoras e do agronegócio, na contra face das demandas da agricultura familiar, esta última com baixa capacidade de penetração nas estruturas de decisão, seja em âmbito local, regional e federal. 3) O terceiro decorre do fato das pequenas e médias cidades estarem no centro de uma nova urbanização acelerada devido aos impactos da retomada dos grandes projetos em seus territórios. A opção pelos grandes investimentos (minerais, agroextativistas, portos, ferrovias etc.) busca atender setores que historicamente geraram acumulação de riqueza e concentração de renda em poucas mãos. Neste campo, a justificativa para o tão propalado emprego em torno dos mesmos mostra-se bastante fragilizada, à medida que os empregos são temporários e não se traduzem em melhoria de condições de vida para todos, particularmente, quando a mão-obra permanente é circunscrita por dinâmicas específicas do terciário avançado e não mais do terciário tradicional. No lugar do assalariamento canônico vê-se proliferar às margens dos grandes empreendimentos e dos centros urbanos, o trabalho informal, a mendicância, a prostituição de jovens, dentre outros fenômenos que se restringiam aos grandes centros urbanos, pois as formas de remuneração quando existentes se dão por empreitadas ou produção ou mesmo por formas de “trabalho escravo”, além de contratos de trabalho precarizados. 26 Imagem: Casa construída por/para trabalhadores temporários de uma serraria dentro de uma área de assentamento no município de Paragominas. O novo regime de acumulação flexível é cada vez mais presente, cuja característica é difícil separar a prestação do serviço do indivíduo que a executa, uma nova exigência de qualificação profissional, vinculada as qualidades sociais das pessoas. Um atributo que mostra a fragilidade dos territórios rurais, onde a condição de vida têm traços vinculados à economia de subsistência, distanciadas do acesso dos novos suportes do desenvolvimento (BOUTANG, 1998; LAZZARATO, 1994). É sob esta nova determinação do trabalho que se precisa modelar as ações de políticas públicas em consonância com as potencialidade locais, seus atores sociais. O que significa elevar as capacidades e habilidades de trabalho para redimensionar as práticas sócio-produtivas locais sem a perda de seus laços identitários, isto é, a relação com a natureza, sua base de produção. A relação estreita da cidade com o seu campo é outra coisa que precisa ser redimensionada, a fim de estruturar políticas públicas de educação do campo e de geração de trabalho e renda ancorada nas dinâmicas produtivas locais associadas a serviços públicos essenciais (educação, saúde, saneamento, habitação), na medida em que a concorrência, no lugar da complementaridade, entre estes dois espaços. 27 No quadro de incertezas, é necessário adotar medidas em estreita relação com as experiências concretas de vida nas localidades; qualquer outra opção mostra-se em si uma tomada de decisão exógena, cujos danos já se conhece bem. Neste âmbito, a crise das instituições financeiras mostra o grau de insegurança do sistema do capitalista e de suas soluções que repercutem na precarização das formas de vida conquistadas na longa luta da classe trabalhadora, portanto, a crise não é do emprego em si e nem do trabalho, mas de um modo de inclusão que se caracterizava por uma integração social de tipo “pleno emprego fordista”. Assim, por mais que se obtenha níveis de crescimento e de emprego não se alcançará maior patamar de integração social COCCO; BARBOSA, 2007). Hoje, a mão-de-obra complexa tem sua composição técnica e político-subjetiva expressa pelo trabalho imaterial, isto é, o trabalho que produz o conteúdo informacional e cultural das mercadorias (LAZARRATO, 1994). Neste contexto, o trabalho está relacionado a dois aspectos distintos: de um lado, mostra-se a partir do “conteúdo informacional” da mercadoria, seja nas indústrias, seja nos setores terciários. As habilidades são direta e crescentemente determinadas pela cibernética e controle computacional, sob níveis de comunicação horizontal e vertical; de outro lado, as atividades relacionadas ao trabalho imaterial que produz o “conteúdo cultural” das mercadorias é realizado pelo envolvimento de uma série de atividades até recentemente não reconhecidas como “trabalho”, mas sim como padrões culturais e artísticos (modas, preferências, normas de consumo) e, mais estrategicamente, opinião pública (Idem, 1994). A mão-de-obra do trabalhado simples, atraída para as novas fronteiras do “desenvolvimento”, é quase incapaz de alavancar processos independentes de organização e de melhoria de condições de vida a patamar aceitável, a não ser quando há uma mobilização dos territórios produtivos dos quais fazem parte, devido à elevação de níveis de cidadania. Na esteira das cadeias produtivas das commodities, num primeiro momento, ou seja, na implantação de grandes obras de infraestrutura há formas de trabalho por contratos temporários, precarizados, terceirizados e mais tarde há formas de trabalho compulsório e de “trabalho escravo”. Assim, quando se consegue fugir destas teias migram para as periferias urbanas e passam a pressionar o conjunto da sociedade local, haja vista não terem mais a promessa das oportunidades de emprego nos serviços do comércio e nas repartições públicas, cada vez mais estruturadas sob a lógica 28 informacional, restando-lhes condições de vida submetidas a situações de vulnerabilidades e de violência. Nestes espaços crescem o trabalho informal sob diversas configurações, além da formação de coletivos de trabalho, cujo código tem se constituído na trajetória da economia solidária, a contra face de uma travessia de crise que desemboca na necessidade de constituir nova organização jurídica do trabalho, a fim de dar conta de processos de emancipação, mas também da flexibilização sob a lógica do mercado. Aparecem ainda concepções conservadoras em torno do controle dos fluxos migratórios, ou seja, das entradas e saídas de pessoas nas novas fronteiras determinadas pelos grandes investimentos, ao invés de se valorizar esse segmento social que trás na “bagagem”, sonhos de vida melhores, um forte mobilizador de condições inovadoras, mas também de aventura, uma potencialidade dinâmica para o desenvolvimento local sob a base da economia difusa. Alterar o trajeto das “novas formas” de trabalho e de assalariamento, cada vez mais integradas a processos aviltantes, torna-se essencial nas zonas de fronteiras, por se constituir como fonte essencial da riqueza e centro nevrálgico do poder, sob a mais valia absoluta. Assim, é necessário entender as profundas mudanças na relação entre trabalho e capital para enxergar as novas contradições no centro da sociedade atual e, consequentemente, da Amazônia, a fim de criar estratégias de democratização das condições do desenvolvimento, em que a cidadania é o núcleo central da produção de novas realidades, porque potencializa não somente a composição, mas também a própria condição de organização da produção. Para pensar e propor alternativas à sustentabilidade das municipalidades do Território do Nordeste do Pará, ou seja, seus espaços rurais e urbanos é preciso sair das clivagens trabalho/emprego, particularmente, onde nunca houve o desenvolvimento da relação salarial, é preciso ainda ir além dos enigmas do subdesenvolvimento e do crescimento que caracterizam o Brasil e, em particular, a Amazônia (COCCO; BARBOSA, 2007). Hoje a mobilização produtiva dos territórios insere o Brasil e a Amazônia no front das tendências mais avançadas, ou seja, no deslocamento paradigmático que não respeita nenhum estágio “progressivo”, nenhuma linearidade (Idem, 2007). A Amazônia é um território atravessado por temas locais e globais, visto que na virada da sociedade pós-industrial o capitalismo das redes possibilita novos desafios e novas oportunidades, para além da destruição e devastação da natureza e sua gente. No dizer de Viveiros de 29 Castro, para o bem ou para o mal o futuro virou Brasil e o Brasil virou Amazônia, o que a coloca no epicentro do planeta, como já afirmava Euclides da Cunha em 1904, mais cedo ou mais tarde na Amazônia se concentrará a civilização do globo (Idem, 2007). Esses eixos precisam ser observados para superar os índices de pobreza e caos na trajetória do desenvolvimento da Amazônia. Os quais exigem uma intensa oferta de um conjunto de políticas públicas voltadas à formação da bacia de trabalho local, em primeiro lugar a universalização da educação (nos três níveis: fundamental, médio e superior) associados à pesquisa aplicada às dinâmicas produtivas locais, tendo em vista que esse é o maior bloqueio ao próprio desenvolvimento da região. Hoje é a cidadania, ou seja, o acesso aos serviços coletivos que possibilitam a própria inserção sócio-produtiva. Assim, apontamos algumas lacunas que implicam na fragilidade para a constituição do desenvolvimento dos Territórios do Pará, como podemos identificar abaixo: Analisar a identidade como fator de coesão social no território exige a investigação dos elementos que o aglutinam a fim de saber se de fato determinam sua fronteira. Neste território observa-se que há uma heterogeneidade marcada por microespaços completamente diferenciados, econômica, política e culturalmente, como aquelas relacionadas às dinâmicas da agricultura familiar, o agronegócio e a indústria do minério que tem se expandido na região do Nordeste Paraense. Fonte: SGE, 2011. O indicador identitário de caracterização do TENEPA, segundo a percepção dos entrevistados é a agricultura familiar, no entanto, esses traços vêm se alterando fundamentalmente pelo agronegócio, como dito anteriormente e pela expansão da indústria mineral. Os dados gerados pelo sistema mostram que os membros da Plenária 30 do CODETER do TR percebem a agricultura familiar com (87%), seguido por fortes características ambientais (79,7%), outro indicador médio alto, que diz respeito à participação política (77,8%) e a influência da economia da região (76,5%), ao mesmo tempo em que caracterizam a pobreza, problemas e conflitos sociais (75,2%) como outros fatores que destacam a identidade, segundo a percepção dos habitantes entrevistados no TR. Os fatores colonização/ocupação (73,9%) e etnia (73,6%), embora apresentem um nível médio alto, como os demais, ficam nos últimos lugares enquanto fatores identitários, o que pode demonstrar um desconhecimento da história local por parte dos entrevistados, ou mesmo uma falta de entendimento do que sejam estes fatores, uma vez que, conforme expusemos anteriormente, a forma de colonização e ocupação do TR deu-se por dois momentos de colonização/ocupação da região: à época das expedições colonizadoras pelo circuito dos principais rios da região desde o século XVII e, no século XX, com a construção das grandes rodovias que cortam o TR e de projetos minerais e agropecuários. 3. Capacidades Institucionais Imagem: Aplicação do Q1 – Capacidades Institucionais junto à Prefeitura de Mãe do Rio (PA). 31 O Índice de Capacidades Institucionais, construído a partir de dados provenientes das estruturas mencionadas pelas prefeituras municipais, combinadas com uma análise das entidades-membros do Colegiado Territorial, a respeito do trabalho que este vem realizando ao longo de seus anos de atuação no Nordeste Paraense, mostrando que, na visão de ambos entrevistados, a gestão é considerada médio alta. Isto indica que segundo os sujeitos entrevistados a organização político-institucional existente na região e os recursos de suporte para o desenvolvimento estão colocados à disposição das estruturas organizacionais, para a gestão das políticas públicas e da execução dos projetos de desenvolvimento voltados para o território. A gestão é mostrada de maneira mediana (cerca de 67%). Esta percepção não corresponde aos indicadores socioeconômicos, do IDH e dos resultados no que tange à política de desenvolvimento rural sustentável pensada e planejada para o TR. Fonte: SGE, 2011. Os indicadores apontam a infraestrutura institucional com um nível médio alto (62,5%) existente no TR, bem como, dos mecanismos de solução de conflitos vêm se mostrando de forma mediana (55%), o que poderia indicar que, embora os serviços institucionais disponíveis estejam em um nível médio baixo (29,4%), a articulação entre os instrumentos de gestão municipais (43,8%) e os mencionados mecanismos de solução de conflitos tem se mostrado eficientes na construção de espaços de diálogo no TR, apoiando as iniciativas comunitárias nas diversas dimensões pesquisadas (ambiental, social, cultural, produtiva etc.). Isto pode indicar que, pelo fato de ser uma das regiões de colonização mais antigas, onde os conflitos fundiários, de certa forma, estão “assentados”. 32 4. Gestão do Colegiado Imagem: Plenária de construção do PTDRS do TENEPA realizada em Ipixuna do Pará Os dados referentes ao Acompanhamento da Gestão dos Colegiados Territoriais foram obtidos a partir dos questionários aplicados a 35 entidades-membros da Plenária do CODETER. É válido ressaltar que atualmente existem 43 entidades-membros cadastradas no SGE, embora haja uma lista no TENEPA que indica uma Plenária composta por 157 entidades. Ao longo deste ano de pesquisa, acompanhamos o esforço do Núcleo Diretivo para o recadastramento das entidades-membros, a fim de que possam regularizar a participação de seus representantes, titular e suplente, nas Plenárias. Entretanto, poucos foram os que cumpriram a chamada, embora continuassem participando das mesmas, o que indica a informalidade neste território, portanto, das votações e decisões tomadas nas reuniões, uma vez que muitas entidades podem levar mais de dois representantes e ter sua proposta votada e aprovada em detrimento de uma que está oficialmente cadastrada e com os seus dois representantes presentes, na medida em que não há o controle do processo de participação. 33 Ante os dados divergentes entre as informações constantes no SGE e na lista repassada à equipe da CAI, pelo Núcleo Diretivo do CODETER, o Comitê de Acompanhamento e Avaliação do Projeto, formado por representantes das três entidades envolvidas no processo, quais sejam UFPA, TENEPA e SDT/MDA, decidiuse que a equipe deveria entrevistar as entidades indicadas no sistema e no decorrer da pesquisa, as demais que estivessem na lista do CODETER. Assim, foram entrevistadas somente as 35 entidades. Algumas que estão no SGE e outras que fazem parte da lista do CODETER, que segue em anexo. Fonte: SGE, 2011. No gráfico acima, pode-se observar que a maioria dos entrevistados (51,43%) sabe da existência da figura do assessor técnico do Colegiado, entretanto, um grande número de entrevistados, ou seja, (49,57%) desconhece o trabalho do assessor técnico ou a existência deste cargo de apoio ao trabalho do Colegiado. Embora o técnico que auxilia o CODETER, na mobilização e articulação das entidades-membros que compõem a Plenária serve de elo e animador do processo de funcionamento das ações que perpassam pelo CODETER. Destaca-se que no TENEPA o fato do assessor técnico ter pedido demissão no mês de janeiro e não ter sido contratado um substituto, pode ter contribuído na resposta de que não existia um assessor técnico que apoiasse de forma permanente, uma vez que o cargo não está ocupado, o que aparece na resposta dos entrevistados. 34 Fonte: SGE, 2011. O gráfico aponta que embora a maioria dos entrevistados tenha afirmado existir um assessor técnico no Território (não se aplica a 57,14%), os que afirmaram que esse assessor não existe, em sua maioria, desconhece que haver outro técnico presta assessoramento ao CODETER (28,57%). Já (5,71%) afirmaram que na falta desse assessor técnico do Território, há o apoio de um técnico do governo federal, estadual ou de outra instituição (talvez algum técnico pertencente às entidades da sociedade civil que participam do CODETER), e apenas (2,86%) afirma que esse apoio técnico é exercido por um técnico do governo municipal. Fonte: SGE, 2011. No gráfico acima destacamos que o meio mais utilizado para selecionar e eleger membros para participar do TENEPA é o convite direto às organizações selecionadas 35 (82,86%), sendo seguido pelo convite pessoal (54,29%) e pela convocatória aberta para eleição de representantes (51,43%). O destaque que se faz aqui diz respeito ao percentual indicado pela resposta Outros (5,71%), pois os comentários realizados pelas entidades que responderam tal item indicava que, em alguns casos, o Núcleo Diretivo do TENEPA é quem escolhe as entidades que fazem parte da Plenária, sem aprovação desta, indicando haver uma minoria que decide pela maioria. Entretanto, analisando o Regimento Interno do TENEPA vê-se que a forma de seleção e eleição das entidades-membros para compor a Plenária não é esclarecida. Fonte: SGE, 2011. No gráfico acima podemos observar que a maioria das pessoas entrevistadas (31,43%) não sabe quantas reuniões formais o CODETER realizou desde a sua constituição no ano de 2003, enquanto (25,71%) das entidades que afirmam que o Colegiado já realizou mais de vinte reuniões, desde a sua fundação. Tal divergência de informações faz-nos refletir a respeito da participação efetiva das entidades-membros entrevistadas nos trabalhos ordinários do CODETER, dados os altos percentuais de respostas com situações extremas em termos das hipóteses de resposta: o não saber quantas reuniões ocorreu e a afirmação de que houve mais de vinte reuniões desde a constituição. O que observamos durante as entrevistas foi que para conseguir responder a questão em comento, os entrevistados acabam por vinculá-la com perguntas seguintes como: com que frequência a Plenária se reúne e em que ano o Colegiado foi criado. Segundo eles, após responder as mencionadas perguntas, ficava mais fácil calcular quantas reuniões ocorreram ao longo dos oito anos de trabalho do CODETER. 36 Fonte: SGE, 2011. Nesse contexto, tem-se que a maioria dos entrevistados do CODETER se reúne num intervalo entre três a quatro meses (37,14%), seguido daqueles que identificam uma frequência com intervalos superiores há seis meses (28,57%), significando que a Plenária se reúne uma vez ao ano. Neste item é válido destacar que alguns representantes das entidades entrevistadas não participaram das plenárias de construção, discussão e revisão do PTDRS, ocorridas em 2011. Eles reclamaram que a distância entre os municípios do Território, a logística para o deslocamento, a falta de antecedência dos convites para as reuniões e a falta de recursos para deslocamento e hospedagem acabam interferindo no andamento dos trabalhos e na participação dos representantes das entidades em todas as reuniões, principalmente dos municípios mais distantes. Aqui se recorda que no tocante à realização das plenárias do PTDRS, de início, e com vistas a aumentar a participação das entidades-membros nas discussões para a revisão do Plano, o Território foi dividido em 4 regionais para facilitar o deslocamento dos representantes dos municípios mais próximos às cidades-sede de cada regional. No entanto, por conta do alto custo que estas oficinas teriam e do prazo para entrega do Plano, a redução das oficinas apenas a duas cidades-sede apresentou-se como melhor solução para as entidades organizadoras e alguns municípios questionaram a logística dos municípios escolhidos para cada reunião, tendo em vista a dinâmica de deslocamento para as cidades-sede dos eventos. 37 Fonte: SGE, 2011. Com base nos dados observa-se que os governos municipais são os que possuem menor capacidade de decisão no CODETER (cerca de 2,52 na escala de 1 a 5) e tal fato pode ocorrer devido a estes entes, na grande maioria das reuniões, não enviar representantes. O gráfico demonstra ainda que os entes com maior poder de decisão no CODETER são as associações e sindicatos (cerca de 4,15 na escala), seguidos pelos movimentos sociais (4 pontos na escala) e pelos representantes da agricultura familiar e governo federal (cerca de 3,8 na escala). Um fato interessante apontado no gráfico consiste na alta capacidade de decisão dos entrevistados com relação aos representantes do governo federal, pois o representante mais ativo deste ente seria a Embrapa, que em um quadro comparativo, na opinião dos entrevistados, acaba por ter um peso igual ao de todos os representantes de agricultores familiares. Cabe analisar o entendimento das entidades-membros com relação à atuação dos Articuladores Territoriais, representantes da SDT/MDA, no processo de discussão das políticas territoriais, pois o alto poder de decisão indicado pelos entrevistados pode estar vinculando às orientações destes sujeitos que são interpretadas como decisões a serem tomadas pela Plenária. Outro dado interessante e ser ressaltado é poder de decisão que os representantes de universidades têm na Plenária Territorial, a partir da visão dos entrevistados (3 na escala), na medida que estes têm uma participação maior que a dos governos municipais, quando, na verdade, atualmente, não existem universidades participando como entidades-membros do TENEPA. Mais uma vez, como o ocorrido em relação à 38 participação do Articulador Territorial, o resultado obtido mostra que há uma confusão no entendimento da participação da Célula, nas discussões da política territorial, sendo esta vista como entidade-membro, quando é apenas parceira com o objetivo de apoiar as discussões no âmbito do Território. Fonte: SGE, 2011. Deve-se entender o sentido que foi atribuído ao termo comunidade na questão levantada: o sentido de comunidade leva em consideração a sociedade como um todo ou apenas as comunidades que têm representantes no CODETER? Superada essa dúvida temos que a comunicação pessoal foi indicada como o meio mais utilizado pelo TENEPA para informar suas ações e decisões à comunidade (82,86%), seguido pela comunicação através de parceiros da sociedade civil (80%) e pelos parceiros de entidades governamentais (68,57%). Nos dados gerados pelo sistema, a partir da visão dos entrevistados, surpreendeu-nos a importância dada à internet (60%) uma vez que o acesso à internet em alguns municípios é difícil e poucas pessoas conseguem ter acesso a este tipo de comunicação. Entretanto, este meio tomou grande proporção por ser considerado mais acessível aos representantes das comunidades, que acabam por repassar através da comunicação pessoal às informações que recebem virtualmente. 39 Fonte: SGE, 2011. As temáticas mais comentadas no âmbito do CODETER são projetos (4,70 na escala), seguidos por reforma agrária (4,3) e planejamento (cerca de 4,2). As outras temáticas mais comentadas obedecem à seguinte ordem: meio ambiente e gênero, raça e etnia, ambas com (4,15); infraestrutura e cidadania; educação; desenvolvimento agropecuário e assuntos políticos; controle social; cultura; saúde; justiça; segurança; e lazer. Fonte: SGE, 2011. O gráfico acima indica que os entrevistados avaliam que a baixa participação dos produtores (4,65 na escala) no CODETER é prejudicial ao desempenho deste que a pouca participação dos gestores públicos no processo e a baixa capacidade técnica de avaliação de projetos (ambos com 4,5 na escala). A alta rotatividade dos membros do Colegiado também prejudica quando o mesmo não é escutado em outras instâncias (ambos com 4,4 na escala). 40 Já a influência política no trabalho do Colegiado (cerca de 4,35) fica quase no mesmo patamar dos membros do CODETER, quando estes não representam os interesses das entidades às quais representam (4,3). Pode-se perceber que os gestores públicos raramente se fazem presentes (com exceção dos escritórios locais da EMATER e da EMBRAPA), o está refletido nos dados sobre o não acompanhamento destes aos trabalhos do Colegiado, ao longo deste primeiro ciclo de pesquisas, ou seja, tanto durante as Plenárias do Colegiado, quanto nas reuniões dos Núcleos Técnico e Diretivo, nas discussões do Território e por isso os produtores acabam por ter uma importância maior no contexto do Colegiado. Fonte: SGE, 2011. Do gráfico, no que tange à elaboração do diagnóstico territorial, o Colegiado é percebido como tendo participado mais da concepção e elaboração (77,14%) e das oficinas de discussão para a formação deste (71,43%), que propriamente na revisão dos dados (62,86%). É válido destacar que 17,14% dos entrevistados não têm conhecimento dos diagnósticos que foram realizados na região, em 2006 e 2011, o que mais uma vez nos remete a verificar se essas entidades realmente participam da gestão do Colegiado e, no caso negativo, quais fatores têm sido determinantes para a sua não participação. 41 Fonte: SGE, 2011. Embora a maioria dos entrevistados tenha conhecimento a respeito da construção de uma visão de futuro para o Território (77,14%) surpreende-nos quando se constata que (22,86%) desconhece a existência (11,43%) que responde não saber se há e (11,43%) que afirmou que o território não possui visão de futuro, quando na verdade, essa foi elaborada desde o PTDRS de 2006. A maioria dos entrevistados tem conhecimento sobre a visão de futuro para o Território, afirmando que o Colegiado participou mais de duas oficinas de discussão para a formação dessa visão de longo prazo (74,29%) e da sua concepção e elaboração (71,43%), que na sua revisão (57,14%) neste ano de 2011. Conforme indica o gráfico abaixo: Fonte: SGE, 2011. 42 Fonte: SGE, 2011. Com relação ao PTDRS os entrevistados perceberam que o Colegiado mais participou das oficinas de discussão para a formação deste (71,43%) que propriamente na sua concepção e elaboração (68,57%) e na sua revisão em 2011 (65,71%). Fonte: SGE, 2011. Pode-se verificar no gráfico acima que a grande maioria dos entrevistados aponta que as decisões tomadas no Colegiado levam em consideração a opinião da maioria das pessoas presentes, seja utilizando instrumentos de votação por maioria simples (94,29%), seja através de acordos por consenso (77,14%). Entretanto, um grande percentual aponta que há ainda uma articulação entre grupos ou blocos de interesse (80%) e um percentual significativo destaca que os membros do colegiado defendem seus próprios projetos e iniciativas (65,71%) sem 43 pensar no TR como um todo. Destaca-se ainda que (51,43%) avalia, opina mas não decide. Fonte: SGE, 2011. Com relação aos projetos que são aprovados no Território, temos que (88,57%) dos entrevistados afirma serem selecionados e priorizados com base em critérios estabelecidos, enquanto para (80%) os projetos de desenvolvimento territorial são realizados a partir de uma análise de viabilidade técnica e de uma avaliação interna de mérito feita pelo Colegiado. Destaca-se que (51,43%) dos entrevistados afirmam que ao se elaborar um projeto para o território, há uma disponibilização de técnicos das áreas envolvidas com o mesmo, sem, entretanto, dizer quem disponibiliza estes técnicos. Fonte: SGE, 2011. Com relação à formação recebida pelos membros do Colegiado ao longo deste oito anos de atuação no Território, e de acordo com a história de participação de cada 44 entidade entrevistada, tem-se que as temáticas mais trabalhadas em capacitações com os membros foram, na ordem seguinte: desenvolvimento territorial e planejamento participativo; elaboração de projeto e organização; elaboração de planos de desenvolvimento; planejamento estratégico e controle social. Também foram trabalhados temas como monitoramento e avaliação, enquanto gestão de conflitos, pois (50%) dos entrevistados tem passado por este tipo de capacitação, indicando que essas temáticas têm sido mais trabalhadas. Destaca-se ainda que (20%) dos entrevistados afirmou não saber em que áreas os membros do colegiado tiveram treinamento. 5. Avaliação de Projetos A avaliação de projetos não foi realizada no Território, uma vez que o único projeto de investimento a ser avaliado foi a compra de um caminhão com o objetivo de contribuir na produção indígena, com a implantação de uma unidade de beneficiamento de açaí e duas beneficiadoras de farinha de mandioca, nas aldeias Cajueiro e Tecorral, entretanto, conforme contato com o senhor Marcos Amaral, Secretário de Agricultura de Paragominas, embora as obras dos mencionados empreendimentos econômicos estivessem concluídas e todo o equipamento comprado e no local, os mesmos ainda não estão funcionando por falta de energia elétrica nos locais. A solicitação para o fornecimento de energia elétrica, mas até o momento não foi implantada. No último contato com a Secretaria de Agricultura, na terceira semana de agosto, a Rede Celpa ainda não havia realizado a ligação da mesma. O Manual de Avaliação de Projetos do SGE, na página 2, parágrafo 3º determina: Ressalta-se, que para efeito de Avaliação de Projetos, são analisados os empreendimentos econômicos (casa de farinha, casa de mel, entre outros) e ou sócio-culturais (centro comunitário, escola família rural, entre outros) previstos como metas dos projetos que já foram concluídos. Outras metas podem prever obras de infraestrutura, máquina e equipamentos, porém não são objetos de avaliação no questionário apresentado neste manual. Portanto, como o mencionado projeto de compra do caminhão constitui uma meta complementar dos empreendimentos econômicos que ainda não estão concluídos nem funcionando, entendemos que o Q5 - Avaliação de Projetos de Desenvolvimento não devia ser aplicada neste primeiro ciclo de pesquisas. 45 6. Índice de Condições de Vida – ICV A pesquisa do Índice de Condições de Vida – ICV, que se passa a analisar, foi realizada nos meses de janeiro e de junho a agosto de 2011, com objetivo de identificar a percepção de pescadores, ribeirinhos, quilombolas, agricultores familiares entre outros agentes sobre suas condições de vida, nas amostras sorteadas pela SDT/MDA, em dez dos vinte municípios que compõem o TR, quais sejam: Aurora do Pará, Capitão Poço, Garrafão do Norte, Ipixuna do Pará, Irituia, Mãe do Rio, Paragominas, Santa Luzia do Pará, São Domingos do Capim e São Miguel do Guamá. Nos municípios de Ipixuna do Pará e Santa Luzia do Pará, a equipe não conseguiu concluir a pesquisa apenas na amostra por conta da escassez de domicílios para atingir a cota obrigatória de famílias de agricultores familiares, por isso, continuamos a aplicação dos questionários nas áreas de substituição até a conclusão da mesma, ainda obedecendo ao espaçamento entre domicílios obrigatório. Dos 270 entrevistados, (60%) eram agricultores familiares, (12,6%) representantes de produtores não familiar, o que representou (68,5%) da amostra com 46 agentes que possuíam algum tipo de produção e, 31,5% da amostra apresenta-se como indivíduos sem qualquer produção. Amostra Agricultura Familiar Produção não Familiar Freq. 151 34 % 55,9 12,6 Com Produção 185 68,5 Sem Produção 85 31,5 270 100,0 Total Fonte: Elaboração da equipe com base nos dados SGE, 2011. Fonte: SGE, 2011. O Índice de Condições de Vida (ICV) do público rural, para o Nordeste Paraense, considerando as percepções dos 270 entrevistados, apresentou mensuração de 0,527, caracterizado como nível médio (entre 0,40 e 0,60), segundo a escala definida pelo SGE/CAI, do Território Nordeste Paraense – PA. Na composição do ICV, seguindo a metodologia aplicada, as instâncias de agrupamento dos dados representaram dimensões definidas como: os Fatores de Desenvolvimento, que atingiram o índice de 0,476 (Médio); as Características do Desenvolvimento com 0,501 (também Médio), sendo que para essas duas dimensões compreende-se o conjunto da amostra Com Produção familiar e não familiar; e os Efeitos do Desenvolvimento, com índice de 0,629 (médio alto), dos quais se agregam as informações do conjunto da amostra dos Sem Produção. 47 Fonte: SGE, 2011. Dentre os componentes do Índice relacionado com os Fatores de Desenvolvimento, destaca-se positivamente o componente de Condições de Moradia, com índice de 0,616 considerado Médio Alto (na escala de 0,60 a 0,80), em que (11,4%) dos entrevistados, os quais declararam condição ótima, (37,8%) condição boa e (41,1%) condição regular. Na realidade, o geral é uma condição de moradia regular, em que muitas habitações são constituídas com piso de “chão batido”, contudo, as indicações para a existência de infraestrutura básica (energia elétrica, água nas casas, fogão à gás, geladeira e telefone) foram boas, com aproximadamente (50% a 90%) das respostas, apenas os itens de banheiro e computador tiveram baixíssima representação, (35% e 1,08%) respectivamente. Também positivamente, porém numa condição de índice médio (na escala de 0,40 a 0,60), dispuseram-se os fatores de Números de Famílias Trabalhando, Mão de Obra Familiar, Área Utilizada, Escolaridade e Acesso aos Mercados. Basicamente estes são fatores de produção ligados diretamente ao trabalho e que foram consideradas como adequadas para o Território, numa percepção de regular para boa. Como percepções negativas estão o Acesso à Assistência Técnica com 0,216, o Acesso ao Crédito com 0,284, a Presença de Instituições com 0,355 e os Programas do Governo com 0,373, todos em níveis de indicadores médio baixo na escala de 0,2 a 0,4. De (50% a 70%) dos entrevistados consideram que esses fatores estão em posição péssima ou ruim de desempenho. Tanto o Acesso à Assistência Técnica e ao Crédito, quanto a Presença de Instituições e de Programas de Governo os entrevistados se referem às dimensões da atuação das políticas públicas, de suas aplicações, e, especificamente, a fatores relacionados à criação de um campo institucional que pode favorecer a competitividade (por exemplo, a redução dos custos de transação e produção), a inovação, a agregação de valor, o direcionamento e regulação da produção, a mercados e etc. Contudo, é 48 evidente que há uma percepção geral dos entrevistados de que as políticas públicas ligadas à promoção dos fatores do desenvolvimento (significativamente os inquiridos na pesquisa) ainda têm pouca eficácia. Levanta-se para aprofundamento em novos estudos a questão da baixa integração das políticas públicas no Território. Entre as diversas esferas de governo e instituições governamentais presentes, como também, e em consequência, do pouco poder deliberativo do colegiado do Território, ou de suas ações deslocadas dos interesses de suas bases sociais, afetando a governabilidade, na medida em que as suas decisões se transformem em decisões resolutivas reais. A determinação das políticas públicas relacionada aos fatores pesquisados, a fim de que possam ser executadas efetivamente de forma integrada e interrelacionada àquelas decisões (COSTA e ANDRADE, 2008). Fonte: SGE, 2011. Dentre os componentes do Índice relacionados com as Características do Desenvolvimento, destacam-se de forma positiva os índices de Conservação das Fontes de Água, com classificação médio alto de 0,666; bem como, os índices de Preservação da Vegetação Nativa e Conservação da Área de Produção: Solo, com avaliação média de 0,600 e 0,588, respectivamente. Essa mesma avaliação também se deu para os fatores de Produtividade do Trabalho, da Terra e Diversificação da Produção Agrícola, com índices médios de 0,461, 0,536, 0,405. Estas características do desenvolvimento se devem principalmente pela forte presença da agricultura familiar na região e por suas especificidades de produção e utilização dos recursos naturais disponíveis e de forma diversa, bem como, de sua racionalidade expressa na relação de produção e consumo desenvolvidas ainda com grande capacidade de endogenização da renda, de acordo com seus índices de 49 aglomeração em que as retenções da renda são maiores que os transbordamentos para outras regiões (ANDRADE, 2009). As análises de Costa (2004) e Andrade (2009), para o Nordeste Paraense, também corroboram as características referidas acima. De acordo com dados do Censo Demográfico do IBGE (1996), dos 82.269 estabelecimentos rurais existentes na região geopolítica do Nordeste Paraense, (99%) eram estabelecimentos rurais pertencentes à forma de produção da agricultura familiar e apenas (1%) representava os estabelecimentos patronais, sendo que o Valor Bruto da Produção (VBP) de base agrária, por Contas Sociais Ascendentes, na matriz de insumo-produto, de R$ 3,6 bilhões de reais, em 2005, (23%) constitui-se pelo VBP da Agricultura Familiar e (11%) pelo VBP da Produção Patronal. O VBP da agricultura familiar, que foi de R$ 832,52 milhões, apresentou uma relação com sua Demanda Intermediária (DI) em torno de (17%), frente a uma relação de (54%) da Produção Patronal, o que significa, a favor da agricultura familiar uma menor pressão por utilização de insumos, em especial químicos e agrotóxicos; e, por outro lado, pela forma de incorporação dos recursos naturais das capoeiras e florestas como meios integrados aos seus sistemas de produção, que permitem redirecionar ou contrabalançar os impactos degradantes da atividade agrícola, caracteristicamente, como definido por Costa (2004) na utilização da capoeira valor e da capoeira reserva (ou em repouso), no sentido de rotação das áreas de mata secundária e pela diversidade com que é empregada na produção enquanto capital ou matéria prima. No conjunto, os índices de Conservação dos recursos naturais sugerem grande oportunidade para o desenvolvimento de um padrão de produção agrária com sustentabilidade socioambiental, baseada na pequena produção familiar; o que tenciona pela proposição de novos estudos que permitam a continuidade dessas avaliações em suas dimensões micro e macro e das formas de evolução dessas oportunidades. Tabela de Valores Absolutos do VBP, do VA e da DI, da Forma de Produção Camponesa, 1995-2005, a Preços Constantes de 2005, em R$ 1.000.000. Preços de 2005 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 VBP Camponês 710,41 805,00 583,25 635,59 655,72 666,76 791,15 809,25 835,48 768,30 832,52 VA Camponês 613,79 680,65 487,28 534,65 544,12 551,05 655,34 671,30 683,31 620,70 677,17 96,62 124,35 95,97 100,93 111,60 115,71 135,81 137,95 152,17 147,60 155,35 DI Fonte: (ANDRADE, 2009). Dados do IBGE, Censo Agropecuário (1995/1996), Pesquisa Agrícola Municipal – PAM, (1995/2005), Pesquisa de Campo. IGPM-FGV como deflator dos valores absolutos entre 2005/1995. 50 120% 100% 80% 60% 40% 20% 0% 1995 1996 1997 1998 VBP 1999 2000 2001 2002 VA/VBP - Mark-up 2003 2004 2005 DI/VBP Gráfico da Relação do VBP VA e da DI Camponês, 1995-2005, do Nordeste Paraense, a Preços Constantes de 2005 (ANDRADE, 2009). Os índices de percepção das características do desenvolvimento para a Renda Familiar e para a Diversificação nas Fontes da Renda apresentaram considerações em nível Médio Baixo, com indicações de 0,382 e 0,365, respectivamente. Aproximadamente (80%) dos entrevistados declararam percepções de regular a condições péssimas de renda. Para os agentes representantes do conjunto Com Produção, isso significa, ainda, baixos níveis de geração de renda, em especial, pela grande predominância da agricultura familiar (56% da amostra) que, geralmente, apresentam cadeias produtivas de seus produtos de forma incompleta, com baixos níveis de agregação de valor, além de perder a oportunidade de geração de novos empregos locais para os setores da indústria e comércio, em especial, para o conjunto dos Sem Produção que, na amostra, representou (31,48%) dos entrevistados e que necessariamente dependem de novos postos de ocupação local. Esses indicadores são corroborados pelas avaliações do Comércio no Território que, para a Intervenção dos Intermediários, das Condições para Compra de Insumos e de Venda dos Produtos, em que os maiores percentuais de percepção representaram indicações de condições Mais para Ruim. Fica ainda perceptível, pelas indicações que a agricultura familiar, no Território, ainda apresenta subordinação real à ação dos intermediários, do capital mercantil, em que os produtores ainda se apresentam como tomadores de preço, em circunstâncias de dependência para o próprio financiamento da produção, em muitos casos. 51 Fonte: SGE, 2011. Neste conjunto de índices incorporam-se, além das respostas dos Com Produção, as indicações dos Sem produção, parte da amostra dos que vivem de outras rendas. O Índice geral dos Efeitos do Desenvolvimento ficou em 0,629, considerado Médio Alto. Dentre os componentes do Índice relacionados com os Efeitos do Desenvolvimento, destaca-se a Permanência dos Familiares no Domicílio com 0,874, considerado índice Alto (na escala de 0,80 a 1,00), com (92,6%) dos entrevistados que consideram Ótimo ou Bom para a condição de permanência. A Participação em Organizações Comunitárias (0,658), em Atividades Culturais (0,627), as Condições de Alimentação e Nutrição (0,611) e a Situação Econômica (0,639) foram consideradas em nível Médio Alto. Em torno de (60%) das respostas percebem as situações entre Ótimo e Bom, contudo, considerou-se regular, com (43,7% e 41,8%) das respostas, para as Condições de Alimentação e de Saúde; e (30% e 30,7%), para a Participação Política e Situação Ambiental. Observa-se que, mesmo com a inclusão dos que vivem de outras rendas, sem produção, não se alterou os resultados do ICV representados exclusivamente daqueles com produção agrícola familiar e não familiar, ou seja, daqueles que vivem o dilema entre a decisão de ampliação da potência e sacrifício do trabalho para ampliação ou não de sua condição de consumo, ou mudança de seu sistema de produção (novos investimentos), ou incremento de novas demandas, como é o caso do agricultor familiar quando decide investir na educação dos filhos em regiões metropolitanas, por exemplo. Dessa forma, estariam as percepções dos efeitos do desenvolvimento desassociadas das percepções de seus fatores de promoção, do que seria esperado como ideal para um processo de desenvolvimento com sustentabilidade? Estariam ainda dissociados dos fatores de mão de obra familiar e número de famílias trabalhando, ou das baixas percepções do campo institucional em relação a aplicação de políticas 52 públicas de crédito e assistência técnica? Questões que requerem aprofundamento das pesquisas. Um dos elementos indicativos desta aparente dissociação estaria na Permanência dos Familiares no Domicílio (com indicação alta entre 0,8 e 1,0) sob as percepções dos efeitos do desenvolvimento em níveis médio alto, aparentemente sem correspondência aos fatores que o promove - este estabelecido em nível médio (0,476)? Há a evidência de que as populações rurais do Território apresentam baixos níveis de migração urbana, mesmo em condições de crise econômica como a apresentada pelo Nordeste Paraense em anos passados (no período de 1995 a 2004) (ANDRADE, 2009). Nesse sentido, é possível que prevaleça a tradição pelo sentido de natividade? Ou que as disposições em recursos naturais do território têm acomodado qualquer que sejam as dinâmicas demográficas de crescimento da população frente às condições restritivas de crise econômica passada ou mesmo frente à expansão recente do emprego na Região Metropolitana de Belém, em especial na construção civil e nos serviços? Tais disposições estariam garantidas pelo autoconsumo dadas às reservas disponíveis ao extrativismo? Ou ainda, estariam as transferências de renda dos programas de governo (tipo bolsa família) reforçando tal permanência, acomodando as migrações, influenciando os efeitos do desenvolvimento para além do que seria esperado ou como consequência de seus fatores de promoção, portanto, reforçando a dissociação entre fatores e efeitos do desenvolvimento? São questões que propõem novos estudos. Quando se observou de forma destacada cada conjunto da amostra, tanto os Com Produção, quanto especificamente a Agricultura Familiar ou o conjunto dos Sem Produção, o comportamento dos índices nas três dimensões foram praticamente o mesmo do conjunto geral da amostra, conforme analisado acima, ressalvadas pequenas variações, mas que sempre estão próximo ao limite dos intervalos das escalas. 7. Análise Integradora de Indicadores e Contexto Percebe-se que os indicadores de desenvolvimento sustentável são considerados críticos no Território do Nordeste Paraense e, para não nos perdermos no labirinto dos dados exclusivos da percepção dos entrevistados, foi necessário estabelecer alguns fios condutores. Teria sido mais fácil reduzir esses fios a princípios oriundos dos próprios 53 dados, independentemente da subjetividade dos pesquisadores, que assim ficariam menos expostos às críticas dos leitores. No entanto, é válido destacar que a própria definição dos fios condutores da análise integradora representa uma combinação de forte empatia com as análises heterodoxas em oposição a uma ortodoxia que frequentemente se satisfaz com uma moldura distanciada da análise do cotidiano, dos sujeitos reais, para colocar, de modo maravilhado, a segurança de uma armadura intermediária entre um objeto e um método. Os dados do Território Nordeste do Pará mostram que há a necessidade de se distanciar das ações do desenvolvimento enquanto articuladoras das potencialidades sócio-produtivas e político-culturais das populações locais implicadas ao território; até mesmo porque as delimitações das fronteiras que constituem o referido Território trazem em si complicações implícitas à heterogeneidade das dinâmicas dos diferentes municípios. As microrregiões têm contradições e conflitos colocados por atores como fazendeiros, madeireiros, agricultores familiares, populações indígenas, populações quilombolas e mineradoras. Assim, para fortalecer as relações da agricultura familiar, combinada aos sujeitos das populações tradicionais há a necessidade de um intenso processo de difusão da agroecologia, do manejo florestal madeireiro e não madeireiro, a fim de desenvolver as cadeias produtivas da fruticultura, da apicultura, do aproveitamento das reservas extrativistas, entre outras que possam favorecer esses sujeitos na contraface do processo de expansão do agronegócio e da indústria mineradora. Para tanto, a introdução de escolas profissionalizantes no nível técnico e no nível superior é essencial. Outro elemento importante para a compreensão do Território, do ponto de vista de sua integração diz respeito ao aprofundamento da análise sobre as políticas de transferências de renda e dos programas de governo (tipo Bolsa Família, BPC, PAA), tendo em vista conhecer se estes têm reforçado a permanência no campo, acomodando as migrações ou influenciando nos efeitos do desenvolvimento. Também é importante saber se suas consequências, em termos de promoção, tem reforçado a dissociação entre os fatores e efeitos do desenvolvimento. Portanto, o conhecimento das políticas públicas relacionadas aos fatores pesquisados podem efetivamente favorecer uma ação integradora e interrelacionada às decisões com perspectivas de transformação das situações de vulnerabilidades sociais 54 identificadas no Território. Assim, suscitamos algumas questões que podem contribuir para a compreensão do Território, mas que exigem estudos mais aprofundados: A pesquisa realizada mostra uma baixa integração entre as diversas esferas de governo, suas redes técnicas e institucionais nos processos de implantação ou implementação das políticas públicas no Território. O Colegiado do Território tem pouco poder deliberativo e baixa capilaridade, além da questão da legitimidade e da confiança, para ser efetivamente um instrumento de referência na execução das ações de transformação. Paradoxalmente esse descrédito está relacionado à falta de efetividades das ações e à baixa capacidade de execução, à burocratização, para a consolidação das políticas de cunho territoriais, tendo em vista que suas ações são deslocadas dos interesses de suas bases sociais, e ações essas que contribuem para sua própria governabilidade. No conjunto, os índices de Conservação dos recursos naturais sugerem grande oportunidade para o desenvolvimento de um padrão de produção agrária com sustentabilidade socioambiental, baseada na pequena produção familiar, o que tenciona pela proposição de novos estudos que permitam a continuidade dessas avaliações em suas dimensões micro e macro e das formas de evolução dessas oportunidades. No entanto, o que se observa para além dos índices relacionados à percepção dos entrevistados, é uma transformação da identidade deste Território, dada a ampliação dos interesses do agronegócio. Há evidência de que as populações rurais do Território apresentam baixos níveis de migração urbana, mesmo em condições de crise econômica como a apresentada pelo Nordeste Paraense em anos passados (no período de 1995 a 2004) (ANDRADE, 2009). A disposição de recursos naturais do território parece ter acomodado as dinâmicas demográficas de crescimento da população frente às condições restritivas de crise econômica passada ou mesmo frente à expansão recente do emprego na Região Metropolitana de Belém. Nosso segundo “fio de Ariadne” refere-se à necessidade de uma análise mais rigorosa das condições de desenvolvimento do Território, e de como se constitui o engajamento do trabalho no território, não basta ter a posse da terra, mesmo que sob 55 formas precárias, é necessário colocar um termo em relação às próprias políticas sociais, que hoje são essenciais a própria condição do desenvolvimento; sem educação de qualidade não há qualquer proposição capaz de elevar as condições de vida relacionadas a bacia do trabalho e, em consequência, a melhoria das condições de vida e de inserção sócio-produtiva; é necessário cercar os termos que entram nesta relação e que dão origem à elevação dos indicadores socioeconômicos e, mais ainda, os termos que tem gerado os conflitos aí situados. O terceiro fio condutor é metodológico: consiste mais em possibilitar a inserção mais efetiva, em face das tarefas e atividades em que estão envolvidos os pesquisadores e que tem a ver com a “produtividade” desde a perspectiva do trabalho de campo até o tempo para as análises da base de dados obtidas sobre a realidade do que habitualmente acontece no Território. Esta última visão parece ser retro-teleológica e falsamente dinâmica, na medida em que os recursos necessários para a permanência no Território não corresponde o orçamento do projeto. Apresenta, sobretudo, o inconveniente de privilegiar de modo sistêmico o ponto de vista dos dados secundários, estabelecidos por critérios muitas vezes extremamente abstratos. Desta visada de perspectiva surgem subsídios que possibilitam a renovação de alguns elementos vistos de forma acessória sobre a dinâmica territorial, e a introdução da política sob o paradigma da abordagem do território, sob esses princípios, que ainda está em condição embrionária. Qual a utilidade da concepção de território para à política de desenvolvimento na contenção do movimento neodesenvolvimentista que se articula fortemente à trajetória já percorrida da acumulação capitalista sob a base da grande fábrica? Não haveria aí uma exasperação romântica, a antítese de uma relação dialética do território, no seio da qual persiste técnicas de planejamento de submissão ao externo e ao exógeno, subsumido ao movimento de desenvolvimento industrial ao invés da política territorial, suas técnicas e suas forças produtivas em contraposição à industrialização pelo alto? É certo que para Zenão, a aprendizagem se faz no movimento do próprio fazer, fazendo. No término das descobertas, os pesquisadores podem contribuir para a validação ou não de nossas conclusões. Mas é certo que a “aventura” de introduzir a política da Secretaria de Desenvolvimento Territorial é uma passagem que precisa ser experimentada e sistematizada em seu percurso, a fim de avaliar os fios invisíveis das amarras que encontramos para construir um mapa capaz de, no mínimo, contribuir para uma chegada 56 distinta da trajetória encontrada. Então, abatamos de vez nossos postulados e certezas com base nos parcos resultados até agora analisados. A análise de longa duração exige a retomada da via exit (a resposta por defecção), que não pode ser entendida apenas pela regra prioritária da via voice (tomada da palavra), como se refere O. Hirschman isto porque a reforma agrária e associada às políticas de formação e fomento à agricultura familiar constitui um problema histórico central na longa trajetória histórica do desenvolvimento, particularmente quando se refere a uma inovação dada pela política territorial, em contraposição ao processo de acumulação capitalista em regiões de fronteira. Toda a história da constituição da agricultura familiar está relacionada ao processo de fuga e posse precária, o que precisa ser relida sob uma difícil análise que procura entender a ruptura desta constituição material central no grande capital. As ações do desenvolvimento territorial precisam ser encontradas a partir do conhecimento das redes técnicas, políticas, econômicas, sociais e culturais na constituição das dinâmicas territoriais e do trabalho livre, apoiadas nas pequenas estruturas fundiárias e nas formas de associação dos trabalhadores, um domínio ainda amplamente virgem, portanto, um território a ser conquistado contínua e sistematicamente. Um aspecto de caráter crucial do subdesenvolvimento depende do fato de que as políticas sociais de valorização do trabalho vivo estiveram historicamente localizadas nas cidades, portanto, um caminho que precisa ser ultrapassado. E nesse sentido as políticas territoriais são um grande contributo. As formas autoritárias do passado (recente no Brasil) têm ressonância e ecoam essencialmente nas políticas econômicas, sejam as de caráter neodesenvolvimentistas, sejam as de caráter monetaristas, em que o tratamento das externalidades negativas são constantemente postergadas, na medida em que os custos de instalação das grandes infraestruturas são efetivados de forma prioritária, em detrimento da qualificação da força de trabalho humana, gerando o chamado “apagão” de mão-de-obra, hoje tão propagada como uma externalidade negativa para a ancoragem de uma possível ampliação da escala de produção e melhoria, um mecanismo condicionado por relações extremamente complexas. As instituições, regras e agentes desses processos são claramente identificáveis e suas relações são definidas sob uma economia de escala em contraposição a economia da agricultura familiar efetivada sob a ausência de bens e serviços, como custos de produção, reprodução, crédito, armazenamento e de reposição. 57 Neste sentido, a pesquisa das relações e redes de constituição das dinâmicas territoriais exige um alargamento sistemático com fulcro na produção material, portanto, como “fato social total” a là Mauss, transbordando a esfera monetária e mercantil, para atingir as relações de reciprocidade, intercâmbio entre os sujeitos em interação ou mesmo em confronto. Trata-se, portanto da complexidade material dos eventos e acontecimentos revestidos das estruturas e conjunturas imbricadas no tempo e no espaço. As transformações que tocam a produção material (implicadas pelas relações de trabalho, educação, produção, comercialização, financiamento dentre outros), que operam em todas as dobras e nervuras desta complexidade. A análise dos processos e das relações socioeconômicas sob o paradigma da grande indústria não empreende nem na história nem na economia um único modelo de desenvolvimento e nem uma única racionalidade. Nestes termos as noções de externalidade e de oportunismo ex post dos sujeitos podem ser resignificadas para além daquelas compreendidas por Marshall. Por exemplo, a chamada Escola Sociológica Francesa (Lefebvre, Topalov, Lojikine, Preteceille, embora tratando do urbano) parece contribuir para a explicação do paradoxo da análise econômica sob múltiplas determinações e interações, particularmente, com ênfase nas contradições entre capital e trabalho, a qual tratava das totalidades sociais. Embora, sob outra perspectiva, a análise das externalidades positivas ou negativas pode contribuir para a identificação das infraestruturas e serviços de uso comum, além das relações de interação entre os sujeitos que agem na diversidade dos efeitos e que produzem novos efeitos não remunerados monetariamente. Neste termo, os indicadores quanto à necessidade de uma Gestão Estratégica e integradora do Território precisa enfrentar uma complexa e densa estrutura amalgamada na riqueza das relações múltiplas que constituem e podem ou não potencializar as externalidades positivas e/ou negativas. Assim, a análise fechada não dá conta dessas relações reais. A penúria das ações fragmentadas e pontuais que se dão ainda de forma setorizada sob a desordem das políticas sociais nos territórios rurais geram processos de pauperização e proletarização, bem como, a evidência do “trabalho escravo” como mecanismo de ligação entre o Território do Nordeste Paraense na estruturação das empresas-rede conectadas pela economia-mundo. Nestes termos, a noção de externalidade resignificada recupera os elos da economia naquilo que uma visão muito estreitamente monetária e mercantil obscurece 58 em face da complexidade de sua constituição real. A qual é impregnada pela interdependência entre os fenômenos e as estruturas estendidas no âmbito maior e abstrato da luta de classes em nível transecular operadas na sociedade global. As noções de O. Williamson sobre o oportunismo ex post dos agentes e da especificidade dos ativos são ampliadas na medida em que apontam, de um lado, que os agentes não se limitam as formas de troca e nem e de contratos que somente lhes sejam mais favorável. As relações decorrem de formas de transação, modificação de regras, procedimentos e outras incitadas pelos problemas espaço-temporais. Pode-se, portanto, depreender do exame histórico do Território, ainda que de forma rudimentar, a necessidade de operação de ações de curto e de longo prazo, em relação à implantação de bens e serviços coletivos de uso comum é, certamente, uma via a fim de potencializar os elementos estratégicos sob as novas estruturas civis e institucionais dadas pela política territorial, a qual ainda precisa ser consolidada. Neste sentido, pode-se efetivamente alterar o IDS que é considerado um Nível Crítico com 0,360 (entre 0,20 e 0,40). Quanto à sua composição, o Indicador Ambiental é o mais elevado com 0,614, considerado Nível Estável na escala de 0,60 a 0,80, e, em seguida, o Indicador Político-Institucional com 0,435, os índices Cultural e Social ambos com 0,403, considerados de Nível Instável (entre 0,40 e 0,60), enquanto o Demográfico com 0,294 e o Econômico com 0,228 são considerados de Nível Crítico. Fonte: SGE, 2011. 59 Fonte: SGE, 2011. Os Indicadores que mais influenciam o índice Político-Institucional observase a partir de uma elevada dependência de transferências intergovernamentais da União com 0,672 caracterizando-o em Nível Estável (entre 0,60 e 0,80) e do reduzido número médio de Conselhos Municipais com 0,262, Nível Crítico. Fonte: SGE, 2011. Quanto aos Indicadores que mais influenciam os índices Culturais, destaca-se o Nível Instável da Gestão Municipal e do Fortalecimento Institucional para cultura e Nível Crítico para InfraEstrutura de Recursos Humanos e da Ação Cultural. Fonte: SGE, 2011. No caso dos indicadores Sociais, os índices que mais influenciam para sua instabilidade foram o reduzido número de leitos hospitalares com 0,011 (condição de colapso da saúde), situação que é contraditória às percepções quanto aos efeitos do desenvolvimento apresentados na amostra pesquisa. 60 Também o nível instável dos homicídios com 0,480 em que a situação de elevada violência, além de serem instáveis as condições de longevidade, educação, e das famílias atendidas por transferência de benefícios sociais, sendo nesse caso, a melhor condição dentre todos, com 0,593, demonstra dependência de repasse de recursos de programas governamentais quase estável, por sentido do desenvolvimento, aumentar o número da população que potencialmente escapa da linha de pobreza. O benéfico porém é aumentar o número da população que apenas se torna dependente dessa transferência não contribui para sua sustentabilidade. Fonte: SGE, 2011. Quanto aos Indicadores que mais influenciam o índice Econômico, o Gini Renda de 0,005, apresenta relação positiva para o desenvolvimento indicando baixa concentração, favorecendo a sustentabilidade; contudo, as exportações, o rendimento agrícola e a agricultura familiar apresentam condição desfavorável a sustentabilidade, com níveis de colapso. Entretanto, supõe-se questionável o índice para a relação entre o número de estabelecimentos da agricultura familiar em razão ao número dos estabelecimentos patronais. O índice Agricultura Familiar por ser, geralmente, uma relação favorável ao número de estabelecimentos familiar em detrimento dos patronais. Todavia, o IDH renda e a Participação da Agricultura no PIB têm relações desfavoráveis ao sistema do território. Fonte: SGE, 2011. 61 Dos Indicadores que mais influenciam o índice Ambiental destaca-se a área utilizada com 0,925 uma condição excessivamente desfavorável à sustentabilidade segundo a metodologia, por outro lado, a área de matas e florestas com 0,303 tem contribuição favorável em pequena proporção, mas com capacidade para garantir que o indicador de sustentabilidade seja de 0,614, já que o indicador área de unidade de conservação é nulo. Fonte: SGE, 2011. Quanto aos Indicadores que mais influenciam o índice Demográfico, a taxa de urbanização é de 0,331, ou seja, cerca de aproximadamente (67%) da população vice em áreas rurais, a razão entre população masculina e feminina com 0,542. Assim, fortalecer as políticas dos territórios rurais é uma exigência a partir de diferentes dimensões, sob processos de constituição de ações intersetoriais, na medida em que, apesar dos discursos, estas ainda ocorrem de forma isolada e dispersa. A possibilidade de ruptura dessa cultura política com a difusão da política territorial, fazendo emergir, no plano socioeconômico, a inclusão dos processos de mobilização das dinâmicas locais, a fim de romper com as formas de organização centralizada. Assim, observa-se que há uma resistência de determinadas organizações e das estruturas dos governos (em suas três esferas), contraditoriamente, por entenderem que há uma redução de suas funções executivas. Portanto, é necessário implementar políticas sociais para a melhoria das condições efetivas da bacia de trabalho em articulação com a reorganização das políticas públicas de assistência associada à transferência de renda, como já fora utilizada pela Inglaterra na transição da economia agrária para a economia industrial (em que as instituições de caridade privadas ou públicas evoluem com diversas leis sobre os pobres na Inglaterra até 1836, e, em particular, a Speenhamland), que ilustra bem essa discussão, visando atender determinadas funções, com possibilidade de valorização do trabalho da agricultura familiar e suas ramificações. 62 8. Propostas e Ações para o Território Para que haja a potencialização das ações no TENEPA, é necessário o estabelecimento de fluxos contínuos associados à intersetorialização das políticas públicas no Território como condição necessária e vital para a ampliação da sua mobilidade produtiva, uma dificuldade, particular, devido à execução de ações desarticuladas, burocráticas e postergadas nas três esferas de governo. No entanto, a sociedade do conhecimento e o capitalismo de redes exigem a rapidez dos fluxos operados on line e a flexibilidade a fim de atender as dinâmicas particulares. Assim, cada vez que se refreiam os processos de implantação das ações e projetos nos Territórios desmobilizam-se as forças sociais imbrincadas ao tecido construído pelos diferentes sujeitos que constroem o desenvolvimento territorial, freando-se ainda a capacidade de constituição de formas de vida cívica e potencialmente democráticas. O acesso a políticas públicas é condição da cidadania produtiva, que se constitui para além da participação, na medida em que se produzem coisas e sentidos da própria vida. A institucionalização das políticas públicas e o domínio dos papéis que possibilitam a consolidação dos efeitos de sua alocação garantem a realocação dos eixos norteadores do desenvolvimento rural, organizados sob a reconversão das externalidades negativas, fazendo gerar um conjunto de externalidades positivas para o conjunto de agentes que operam as transformações sociais do Território. Os diversos investimentos institucionais na contracorrente do pensamento único, do mercado como regulador da sociedade e da constituição permanente de um sistema de regras – para a consolidação do Território. Os investimentos em ações dos agentes, evitando as incertezas inerentes à relação de internalização dos resultados incontestáveis de um quadro constitucional que garanta a redução das desigualdades, a partir da mobilidade das forças que operam a oposição ao poder centralizado do Estado. Analisando os indicadores e índices que evidenciam o limite das ações de desenvolvimento do Território as quais precisam alinhavar os fios condutores a fim de se buscar saídas do circuito tautológico das ações de desenvolvimento desconectada da constituição real da bacia de trabalho da agricultura familiar, a qual se encontra com baixa capacidade de internalização das externalidades positivas em face da conjuntura político-econômica do estado brasileiro. 63 Segundo, poderíamos perguntar Mutatis mutandis, como superar as formas de vida gestada na contramão nas políticas de valorização do trabalho vivo. A invenção das políticas públicas via exit é mais potente do que a via voice, dada à necessidade de redefinição das políticas territoriais, as quais correspondem a um movimento profundo que exige cooperação entre os sujeitos coletivos e o trabalho da pesquisa engajada, a fim de garantir a reinvenção da política ante a constatação das limitações efetivas das ações de políticas públicas fragmentadas e dispersas. Os mecanismos de representação, muitas vezes, recusam a cooperação social em nível amplo na contra face da competição que despotencializam a palavra (voice), fundada em uma igualdade não existente pela formalização constitucional. Mais do que uma regra ou conjunto de regras trata-se de construir uma meta-regra, isto é, a produção de uma regra que possibilite a defecção das práticas formalistas, pois na dissidência pode se encontrar a passagem de ações fragmentadas a novas formas de cooperação social sob a dinâmica intersetorialização das políticas, uma fronteira já pensada sob a abertura democrática, mas ainda não estruturadora de novas institucionalidades, como mecanismo de mudança dos processos de implementação de políticas públicas de corte territorial. A mobilidade produtiva dos territórios é essencial e o Colegiado do Território pode se constituir como um mecanismo de operação das mudanças de regras para a valorização da bacia do trabalho vivo existente no Território. A terra, o trabalho, o emprego, dentre outros, são peças centrais do dispositivo que pode potencializar a política do desenvolvimento territorial. A nossa surpresa não foi descobrir que as fronteiras estão abertas, mas que é necessário aprofundar o conhecimento sobre as redes sociais, econômicas e culturais como suporte da mobilização produtiva para a constituição dessa nova institucionalidade sob processos formais e informais inscritos no Território, a fim de operar sob o chamado “oportunismo” dos sujeitos agentes da agricultura familiar em todas as suas formas (ex ante, ex post), a fim de endogeneizar suas potencialidades em face das externalidades negativas e alterar a dinâmica dos sujeitos e do poder público para fazer avançar as externalidades positivas sob proposição do desenvolvimento territorial e contrabalançar os efeitos destes no conjunto do Território do Nordeste Paraense. Neste sentido, os itens seguintes precisam ser priorizados: Garantir a ampliação das metas de qualificação da força de trabalho humana em nível técnico e superior; 64 Aprofundar as pesquisas em relação aos efeitos das políticas e projetos de cunho territorial e de transferência de renda; Garantir a continuidade das ações sem interrupção, como condição de legitimidade e confiança relativas às ações do Colegiado e, ao mesmo tempo, potencializar as ações do desenvolvimento Territorial; Garantir ainda a intersetorialização das políticas públicas desenvolvidas no Território. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS COSTA, F. de A. Path dependency e a transformação agrária do bioma amazônico: o sentido econômico das capoeiras para o desenvolvimento sustentável. Novos Cadernos do NAEA. Belém: NAEA; UFPA, v.7, n. 2, dez. 2004. COSTA, F. de A.; ANDRADE, W. D. C. As Políticas para a Promoção de Arranjos Produtivos Locais no Brasil: o caso do Estado do Pará. Rio de Janeiro. UFRJ, 2006. ANDRADE, W. D. C de. Evolução Agrária do Nordeste Paraense por Contas Sociais Ascendentes: a inclusão das redes mercantis de insumos nos processos metodológicos e o cálculo dos níveis de endogenização. 2009. Belém: UFPANAEA. (Tese Doutorado em Desenvolvimento Sustentável do Trópico Úmido) BRASIL, Governo do. Plano Territorial de Desenvolvimento Rural Sustentável – PTDRS do Território Nordeste Paraense. Ministério do Desenvolvimento Agrário – MDA, 2006. 65 ANEXO: Validação de Instrumentos e Procedimentos Com o objetivo de ajudar na aplicação dos instrumentos nos próximos ciclos de pesquisa e pelas próximas Células de Acompanhamento e Informação, fazemos as seguintes sugestões em cada um dos instrumentos utilizados pela equipe. 1. Sistema de Gestão Estratégica De maneira geral, pedimos que, por mais que, dos dados preenchidos no Sistema de Gestão Estratégica não sejam utilizados nos cálculos dos índices ou na configuração dos gráficos do Q3 – Acompanhamento da Gestão dos Colegiados Territoriais, todas as perguntas foram preenchidas ou as anotações feitas na opção de resposta Outros, sejam disponibilizadas pel SGE para comentários das Universidades, para que todos os dados sejam disponibilizados e não apenas que influenciaram nos cálculos, pois para os pesquisadores, todos os dados merecem ser divulgados e objeto de análise. As ferramentas Cronograma de Atividades e Sair do Sistema continuam dando problema, a primeira na hora de exclusão de dados alimentados de maneira incorreta e a segunda porque o sistema fica carregando por muitos minutos e a saída do sistema nunca se dá, só quando fechamos a janela que estava sendo utilizada. 2. Questionário de Capacidades Institucionais – Q1 P8 – A opção de resposta “Outro” não aparece alimentada no sistema quando visualizamos o questionário antes de confirmar o envio para a base de dados. Entendemos que é muito interessante a análise das respostas dadas pelos entrevistados, embora não tenham tanta aplicabilidade no cálculo dos índices. Assim, as universidades não teriam que montar suas próprias bases de dados e todos teriam acesso à completude da pesquisa. P12 – Ficou duvidoso o sentido de quais tipos de organizações são consideradas públicas e/ou privadas. P14 – A expressão “sistema de informação digital” na pergunta poderia ser simplificado para algo como banco de dados ou planilhas com as informações, que têm a mesma finalidade. 66 P15 – Não nas opções de resposta a opção de não haver meio de divulgação das informações. P17 – Geralmente quem detinha as informações referentes a essa questão eram as secretarias municipais de meio ambiente e nem sempre era possível à equipe conversar com uma equipe multidisciplinar para responder a todas as questões. P19 – Os entrevistados comumente ficavam em dúvida se os conflitos suscitados na questão são de natureza agrária ou em geral? Seria interessante ainda incluir o Ministério Público como um dos entes acionados em momentos de conflitos, pois no TENEPA é muito frequente que ele participe na gestão dos momentos de crise. P21 – Fora muito citados como opção de lazer nas cidades as orlas municipais, as praças centrais e os ginásios municipais. Talvez fosse interessante adicionálos como estruturas utilizadas para as atividades culturais das cidades. E no tocante à opção de respostas “parques”, estes abarcam todo e qualquer tipo de parque? Como o de diversões, os de exposições e os ambientais? P26 – Nas opções de resposta, os produtores aparecem de maneira geral, sem divisão sobre que modalidade de produção representam, seja de base familiar ou o consolidado de altos vultos financeiros. P27 – Na resposta sim admitia-se as secretarias apenas com a nomenclatura e finalidade única de planejamento? Pois houve casos de secretarias de administração e planejamento e consideramos a resposta como sim. 3. Questionário de Identidade Territorial – Q2 Metodologia do questionário muito cansativa. A todo momento tínhamos que ficar repetindo a questão para cada fator a ser pontuado na escala de 1 a 5 e os entrevistados tinham a impressão de estar respondendo às mesmas perguntas, embora o objetivo de cada pergunta, o seu referencial, fosse diverso. Daí, percebemos que muitas respostas (notas) se repetiram para assuntos ou termos de referência diferentes. P9 – Pergunta ambígua. O que se entende é que a resposta pode ser válida tanto para uma situação real de como as entidades vem participando do Colegiado quanto para uma situação ideal de participação de cada uma das entidades 67 pesquisadas, da importância destas no debate, embora elas efetivamente não participem. P10 e P11 – Para pessoas que não lidam com projetos, parece que ambas são a mesma pergunta. P13 – Muitos tinham conhecimento a respeito de seu município ou micro-região, então enfrentaram dificuldade para ver o território como um todo e responder a pergunta.