RELATÓRIO SEMESTRAL DE RENDA FIXA
Número 11
Segundo Semestre de 2009
AINT/DEMEX
AF/DEFIX
BNDES
Chefe AF/DEFIX:
Chefe AINT/DEMEX:
Thiago Rabelo Pereira
André Luiz Carvalhal da Silva
Gerentes:
Ramon Stubert Aymore
Luanda Pereira Antunes
Economistas:
Daniel Bregman
Felipe Turatto Baptista
Engenheiro:
Marcio Alexandre Nunes Henriques
Fechamento: 01/04/2010
Dados até: 31/12/2009
AF/DEFIX – AINT/DEMEX
Índice
Apresentação e Sumário
2
1) Mercado de Captações Internacionais Latino-Americanas
3
1.1) Títulos Brasileiros
1.2) Títulos dos Demais Países Latino-Americanos e do Caribe
1.3) Operações de Administração de Dívida Externa
1.4) Empréstimos Sindicalizados em Mercado
1.5) Principais Alterações na Legislação Brasileira sobre Captações Internacionais
3
8
15
15
16
2) Mercado Doméstico Brasileiro de Dívida Corporativa
17
2.1) Debêntures
2.1.1) Mercado Primário
2.1.2) Mercado Secundário
2.2) Notas Promissórias
2.3) Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC)
2.4) Outros títulos corporativos de renda fixa
2.5) Resumo das Ofertas Registradas na CVM
2.6) Resumo das Ofertas Não Registradas na CVM
2.7) Desenvolvimentos Institucionais em Operações de Renda Fixa
17
17
21
22
25
27
28
29
30
Anexos
32
Base de Dados da AF/DEFIX, elaborada a partir das seguintes fontes:
ANDIMA - Associação Nacional das Instituições do Mercado Financeiro (www.andima.com.br);
Banco Central do Brasil (www.bcb.gov.br);
BIS – Bank for International Settlements (www.bis.org);
Bloomberg;
Bolsa de Valores de São Paulo (www.bovespa.com.br);
CETIP Câmara de Liquidação e Custódia (www.cetip.com.br);
Comissão de Valores Mobiliários (www.cvm.gov.br);
International Finance Review;
Tesouro Nacional (www.tesouro.fazenda.gov.br);
Uqbar Educação e Informação Financeira Avançada Ltda (www.uqbar.com.br);
Periódicos Diversos - Financial Times, The Economist, Valor Econômico, entre outros.
1
AF/DEFIX – AINT/DEMEX
Apresentação e Sumário
O relatório apresenta as principais características dos mercados de renda fixa doméstico e
internacional para emissores brasileiros no segundo semestre de 2009. O documento divide-se em
duas seções. Na primeira, são examinados os principais acontecimentos e cifras no que diz
respeito às emissões externas brasileiras, tanto soberanas quanto não-soberanas. Já na segunda
seção, acompanha-se o mercado doméstico de dívida corporativa e seus instrumentos: debêntures,
FIDC, notas promissórias e outros.
Sobre as emissões externas, deve-se destacar que o volume captado no semestre (20,652
bilhões) foi bem superior ao verificado no semestre anterior (6,135 bilhões). O expressivo
volume consolidou a recuperação do apetite por risco Brasil no mercado internacional –
lembrando que o mercado se fechou aos emissores brasileiros no segundo semestre de 2008. O
destaque do semestre foi a operação de US$ 4 bilhões da Petrobras, mas emissores de diferentes
níveis de risco de crédito acessaram o mercado em 25 operações, todas denominadas em dólares
norte-americanos. Em 2009, o prazo médio das operações brasileiras foi de 12,7 anos. Os demais
países latino-americanos (exceto a Venezuela) captaram US$ 26,67 bilhões, com destaque para
as operações mexicanas, especialmente da estatal PEMEX.
As emissões de debêntures confirmaram a trajetória de recuperação e atingiram o
montante de R$ 18,21 bilhões no semestre, crescimento de 124,2%. Deste total, R$ 6,56 bilhões
foram registradas na CVM. O volume total emitido de notas promissórias somou R$ 5,16
bilhões, um aumento de 18,5% em relação ao montante de R$ 4,35 bilhões registrados no
semestre anterior. Já as emissões não registradas na CVM, emitidas ao amparo da Instrução CVM
n° 476 alcançaram R$ 10,7 bilhões, levando o volume total de volta para a casa dos R$ 15
bilhões.
As emissões de debêntures apresentaram um aumento na maturidade ponderada pelo
volume, 4,34 anos frente aos 3,99 anos no semestre anterior. O prazo médio das emissões pela
Instrução CVM nº 400 subiu de 2,48 anos para 4,38 anos. Entre as notas promissórias, por sua
vez, o prazo médio ponderado pelo volume das emissões continuou declinando entre as
operações registradas, devido ao grande volume de operações de 180 dias que tinham por
objetivo servir de empréstimos-ponte até a realização de operações de debêntures; entretanto, o
prazo médio aumentou para as operações dispensadas de registro.
Por fim, os registros públicos de emissões de FIDCs totalizaram cerca de R$ 6,75 bilhões
no semestre, acréscimo de 265,4% vis-à-vis o primeiro semestre de 2009.
2
AF/DEFIX – AINT/DEMEX
1) Mercado de Captações Internacionais Latino-Americanas
1.1) Títulos Brasileiros
O segundo semestre de 2009 foi marcado pela veloz recuperação do apetite dos investidores
por papéis brasileiros, em contraste com o segundo semestre de 2008, período em que o mercado
se fechou para os emissores emergentes. As emissões de títulos externos do Brasil (incluindo as
realizadas por subsidiárias offshore) totalizaram US$ 20,652 bilhões no segundo semestre de
2009, o maior volume semestral de emissões brasileiras verificado na década. O volume total das
emissões de 2009 foi de US$ 26,787 bilhões. Os gráficos a seguir apresentam a evolução do
volume total de emissões brasileiras no mercado externo por ano e por semestre1.
Emissões Brasileiras de Bônus Internacionais
2001 - 2009
30.000
26.787
23.047
US$ milhões
25.000
20.000
18.041
17.759
19.404
15.232
13.839
15.000
8.972
10.000
7.520
5.000
0
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
Ano de Emissão
Emissões Brasileiras Semestrais de Bônus Internacionais
1°sem 2004 - 2°sem 2009
25.000
20.652
US$ milhões
20.000
15.000
10.000
5.000
12.103
6.713
8.519 7.937
10.343
9.822
7.385
7.301
6.135
3.496
135
0
2004-I 2004-II 2005-I 2005-II 2006-I 2006-II 2007-I 2007-II 2008-I 2008-II 2009-I 2009-II
Semestre da Emissão
1
Não está considerada em 2005 a operação de troca do C-Bond por um novo título no valor de US$ 4,5 bilhões, por
não se tratar de entrada nova de recursos, e sim troca.
3
AF/DEFIX – AINT/DEMEX
O primeiro semestre de 2009 foi marcado pelo retorno de emissores com baixo risco de
crédito. A emissão da República em janeiro de 2009 reabriu o mercado de bônus brasileiros. A
Petrobrás e o BNDES também realizaram operações. Poucas empresas com risco de crédito mais
alto acessaram o mercado, e apenas nove operações foram realizadas. Já o segundo semestre foi
marcado pelo retorno de emissores com diferentes perfis – alguns com baixo risco de crédito,
como a Vale, a Eletrobrás e o Banco do Brasil, mas muitos de risco mais elevado. No total, 25
operações foram realizadas.
Um indicador muito utilizado de percepção do risco de um país no mercado internacional é o
seu credit default swap (CDS). Esse instrumento funciona como um seguro no mercado de
títulos: caso o emissor de determinado papel (a República do Brasil, por exemplo) entre em
default, o vendedor do CDS desse emissor deverá arcar com o pagamento do principal e dos juros
ao comprador. O preço do CDS do Brasil, portanto, é um indicador de percepção de risco do país
no mercado internacional.
10.000
450
9.000
400
8.000
350
7.000
300
6.000
250
5.000
200
4.000
150
3.000
2.000
100
1.000
50
0
CDS - spread sobre a Libor (bps)
Vol. - US$ milhões
CDS Brasil 5 anos e volume mensal 2009
0
jan
fev
mar abr mai
jun
Volume
jul
ago
set
out
nov dez
CDS
Após a elevação nos dois primeiros meses de 2009, o CDS do Brasil de cinco anos (o mais
líquido desses instrumentos) apresentou uma queda acentuada e contínua entre março e agosto e
seu spread se estabilizou entre 100 e 150 bps sobre a Libor desde então. Este nível de percepção
de risco-país certamente influenciou as decisões de lançamento de títulos externos das empresas
brasileiras, especialmente no segundo semestre. O gráfico abaixo apresenta o volume mensal das
operações em 2009.
As operações no mercado de capitais internacional se intensificaram a partir de julho. Devese destacar que historicamente o volume das operações é baixo em agosto, devido às férias de
verão no Hemisfério Norte, e que o número de outubro foi muito influenciado pela operação de
US$ 4 bilhões da Petrobras no mês. As principais características das emissões soberanas e
corporativas serão detalhadas nos parágrafos seguintes.
4
AF/DEFIX – AINT/DEMEX
No primeiro semestre, a República do Brasil realizou duas operações – o lançamento e a
reabertura de seu novo benchmark de 10 anos (Brazil 2019N). A primeira operação ocorreu em
janeiro e marcou o retorno das emissões brasileiras no mercado internacional2.
A República realizou outras três operações no segundo semestre, que apresentaram volume
total de US$ 2,325 bilhões. Em julho, a República reabriu seu título com vencimento em 2037
(Brazil 2037), colocando mais US$ 525 milhões em mercado com yield de 6,45% a.a. e spread
sobre as Treasuries de 195 bps. Em setembro, um pouco depois de alcançar o “status” de grau de
investimento pelas três principais agências de rating, a República retornou ao mercado com o
lançamento de um novo benchmark de trinta anos (Brazil 2041), que apresentou volume de US$
1,275 milhões em mercado, com yield de 5,80% a.a. e spread sobre as Treasuries de 175 bps.
Já em dezembro, a República voltou a realizar operações de dez anos, com a segunda
reabertura do Brazil 2019N. O volume da operação foi de US$ 525 milhões, o yield de 4,75% a.a.
e spread sobre as Treasuries de 114 bps. Com as três operações de 2009, o Brazil 2019N
apresenta volume total de US$ 2,3 bilhões em mercado.
Com as cinco operações do ano, o Tesouro Nacional cumpriu um dos objetivos expressos em
seu Plano Anual de Financiamento de 2009, criar e aperfeiçoar benchmarks de 10 e 30 anos. O
documento ressaltou a prioridade por emissões qualitativas, dada a reduzida necessidade de
financiamento externo em 2009. O Plano Anual de Financiamento de 2010 apresenta essas
mesmas diretrizes para a dívida externa.
O volume total de emissões soberanas no semestre, US$ 2,325 bilhões, foi muito superior ao
verificado nos semestres anteriores. No entanto, este valor ainda está um pouco abaixo do volume
médio verificado desde o retorno da República ao mercado após o Plano Brady, em 1995, dada a
menor necessidade de financiamento externo no período recente. O gráfico abaixo apresenta as
emissões soberanas desde 1995.
Emissões Semestrais Externas da República do Brasil
1°sem 1995 - 2°sem 2009
8.000
7.000
US$ milhões
6.000
5.000
4.000
Média do período
3.000
2.000
1.000
1995-I
1995-II
1996-I
1996-II
1997-I
1997-II
1998-I
1998-II
1999-I
1999-II
2000-I
2000-II
2001-I
2001-II
2002-I
2002-II
2003-I
2003-II
2004-I
2004-II
2005-I
2005-II
2006-I
2006-II
2007-I
2007-II
2008-I
2008-II
2009-I
2009-II
-
2
Como ressaltado no Relatório Semestral de Renda Fixa n. 10, dificilmente as empresas brasileiras acessariam o
mercado externo antes de uma emissão da República.
5
AF/DEFIX – AINT/DEMEX
As emissões não-soberanas totalizaram US$ 17,6 bilhões no segundo semestre, volume
que supera o verificado tanto no primeiro semestre de 2009 (US$ 4,4 bilhões) quanto em
qualquer semestre anterior. Foram 22 emissões não-soberanas no período, todas denominadas em
dólares e com a presença de empresas de diferentes setores e níveis de classificação de risco3.
A Petrobras foi responsável por 29,8% deste volume, com US$ 5,25 bilhões lançados no
semestre. A empresa reabriu seu título com vencimento em 2019 em julho, com uma emissão de
US$ 1,25 bilhão, yield de 6,875% a.a. e spread sobre as Treasuries de 332 bps. Já em outubro, a
Petrobras realizou uma operação de US$ 4 bilhões (o maior volume emitido em uma operação
brasileira), sendo US$ 2,5 bilhões com vencimento em 2020 e yield de 5,875% a.a. e US$ 1,5
bilhão com vencimento em 2040 e yield de 7% a.a.
A Vale acessou o mercado pela primeira vez após a quebra da Lehman Brothers. Foram
três operações: (i) US$ 942 milhões num título conversível em ações em julho; (ii) US$ 1 bilhão
com yield de 5,858% a.a. e vencimento em 2019; (iii) US$ 1 bilhão, com yield de 6,99% e
vencimento em 2039. Deve-se destacar que apenas a Vale, a Petrobras e a República realizaram
operações com prazo próximo a 30 anos neste semestre.
A maioria das operações corporativas apresentou prazo próximo a dez anos. Este foi o caso
da Eletrobrás, que após quase quatro anos de ausência também retornou ao mercado com uma
operação de US$ 1 bilhão, yield de 7% a.a. em julho do ano passado. Ainda entre as operações de
10 anos, a CSN, cuja última operação ocorrera em 2005, lançou um título de US$ 750 milhões e
yield de 6,875% a.a. e o Grupo Votorantim emitiu US$ 1 bilhão a 6,75% a.a. em setembro.
Outubro também foi um mês movimentado, com muitas operações de 10 anos: a Embraer
lançou US$ 500 milhões, com yield de 6,5% a.a., a Odebrecht – que já havia acessado o
mercado no primeiro semestre – também emitiu US$ 500 milhões a 7,377% a.a., e a TAM
realizou uma operação com volume de US$ 300 milhões e yield de 9,742% a.a.
Ainda em outrubro, a Fibria (empresa resultante da fusão entre VCP e Aracruz) colocou
US$ 1 bilhão em mercado, com uma taxa de 9,375% a.a. e a Net emitiu US$ 350 milhões com
yield de 7,625% a.a. Já em novembro, a Gerdau realizou uma operação de dez anos, com volume
de US$ 1,25 bilhão e yield de 7,25%.
Entre as empresas, apenas a Cosan realizou uma emissão com prazo de cinco anos no
segundo semestre. A emissão, que ocorreu em agosto, apresentou volume de US$ 350 milhões e
yield de 9,85% a.a.
As operações que apresentam volumes baixos e prazos mais curtos são muito comuns entre
os bancos médios, que voltaram a utilizar com mais freqüência o mercado internacional como
fonte de recursos4. Foram três operações com prazo de três anos: (i) o Banco Cruzeiro do Sul
emitiu títulos com volume de US$ 175 milhões e yield de 8,674% a.a.; (ii) o Banco
Panamericano realizou uma operação de US$ 200 milhões e yield de 7,25% a.a.; (iii) o Paraná
Banco colocou US$ 100 milhões em mercado, com yield de 7,749% a.a.
3
Muitas empresas que estavam afastadas desse mercado voltaram a acessa-lo. Eletrobrás, Embraer, CSN, Cosan e
Net).
4
Foram apenas duas operações de bancos médios no primeiro semestre: a do BES em maio (US$ 150 milhões) e do
Banco Cruzeiro do Sul em junho (US$ 60 milhões).
6
AF/DEFIX – AINT/DEMEX
Cabe frisar que uma característica comum dessas emissões foi a elevada demanda de
investidores apresentada nos livros das operações, deixando claro o apetite por risco Brasil.
Os bancos também voltaram a realizar operações de dívida subordinada. Como os bancos
são autorizados a utilizar os recursos captados para aumentar seu capital regulatório, essas
operações permitem que eles aumentem sua alavancagem. No entanto, os investidores assumem
alguns riscos adicionais nessas operações5, por isso a remuneração por eles exigida costuma ser
mais alta.
O Bradesco foi o primeiro banco brasileiro a realizar uma emissão de dívida subordinada
após a quebra da Lehman Brothers com uma operação com volume de US$ 750 milhões, prazo
de 10 anos e yield de 6,75% em setembro. Os recursos dessa operação aumentaram o capital nível
2 do banco.
Já o Banco do Brasil realizou uma operação enquadrada como capital nível 1 em outubro.
O volume da operação foi de US$ 1,5 bilhão e o yield de 8,5% e spread sobre as Treasuries de
518,8 bps. O bond é perpétuo, ou seja, não tem uma data de vencimento definida. No entanto, há
uma opção de call que permite ao Banco do Brasil resgatar o título em 2020. Caso essa opção não
seja exercida, o spread sobre as Treasuries aumenta 50%, ou seja, vai a 778,2 bps.
Outras duas operações de dívida subordinada foram realizadas em outubro: o Banco BMG
lançou US$ 300 mil, com yield de 9,95% a.a. e prazo de dez anos e o Banco Fibra emitiu um
título com volume de US$ 110 milhões, yield de 8,5% a.a. e prazo de sete anos. As duas
operações incrementaram o capital nível 2 das instituições.
Prazos
O prazo médio das emissões externas brasileiras aumentou neste ano, após dois anos seguidos
de queda6. Em 2009 o prazo médio foi de 12,7 anos, contra 7,1 em 2008. O gráfico abaixo
apresenta o prazo médio das emissões externas brasileiras de 2001 a 2009.
Prazo Médio das Emissões Externas Brasileiras
2001-2009
Prazo Médio (em anos)
14
10
8
12,9
10,5
12
12,7
10,3
10,6
7,4
6
6,3
7,1
6,3
4
2
0
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
5
Em algumas operações o banco que emite os títulos não é obrigado a pagar o coupon de juros nos anos em que não
distribui dividendos
6
Para as emissões perpétuas em anos anteriores, considerou-se o prazo de 5 anos (opção de recompra pelo emissor).
O mesmo critério foi utilizado na operação do Banco do Brasil neste semestre (prazo de 11 anos).
7
AF/DEFIX – AINT/DEMEX
As operações com prazo de trinta anos da República, da Petrobrás e da Vale corresponderam
a 16,1% do volume de emissões e foram fundamentais para a acentuada elevação do prazo médio
em 20097. Deve-se destacar que não houve nenhuma emissão com prazo de trinta anos em 2008.
Outra razão para o aumento do prazo médio das operações de 2009 foi a maior participação
das emissões de empresas em relação ao setor financeiro. As operações do setor financeiro, que
normalmente apresentam prazos curtos, não apresentaram o mesmo vigor do período anterior à
crise. Já as empresas brasileiras acessaram o mercado externo com muita freqüência em 2009,
com operações que normalmente apresentavam volumes altos e prazo de dez anos.
Moedas
Todas as emissões brasileiras no semestre foram denominadas em dólares norte-americanos.
Deve-se destacar que as emissões em reais foram muito freqüentes até meados de 2007, porém
elas cessaram após o início da crise financeira internacional.
1.2) Títulos dos Demais Países Latino-Americanos e do Caribe
O volume das emissões dos demais países latino-americanos (inclusive organismos
multilaterais) seguiu uma trajetória similar ao brasileiro nos últimos semestres – queda a partir do
segundo semestre de 2007 e retorno do patamar verificado antes da crise no segundo semestre de
2009. O gráfico abaixo ilustra a evolução semestral das emissões latino-americanas (excetuando
Brasil) no mercado externo.
Emissões Semestrais Latino-Americanas no Mercado Externo
35
31,66
30,46
US$ bilhões
30
25
20
18,29
15,20
15
10,57
12,13
10,00
10
3,74
5
-
2006 - I
2006 - II
2007 - I
2007 - II
2008 - I
2008 - II
2009 - I
2009 - II
Semestre da emissão
7
As operações de trinta anos da República apresentaram volume de US$ 525 milhões e US$ 1,275 bilhão, o volume
da emissão da Petrobras foi de US$ 1,5 bilhão e o da Vale US$ 1 bilhão.
8
AF/DEFIX – AINT/DEMEX
Cabe frisar que estas informações estão contaminadas pelas emissões da República da
Venezuela e da PDVSA destinadas aos investidores locais. Ao se retirar estas operações da
análise, tem-se uma perspectiva mais realista do mercado de bonds para países emergentes latinoamericanos.
Emissão Latino-Americana no Mercado Externo sem Emissões Venezuelanas
30,00
26,67
22,96
US$ bilhões
25,00
20,00
18,29
15,20
15,00
12,13
8,97
10,00
6,00
3,74
5,00
-
2006 - I
2006 - II
2007 - I
2007 - II
2008 - I
2008 - II
2009 - I
2009 - II
Semestre da Emissão
Com a exclusão das emissões venezuelanas destinadas aos investidores locais, chega-se ao
volume total de US$ 26,67 bilhões no segundo semestre, ante US$ 12,13 bilhões no primeiro. O
volume do segundo semestre já superou o verificado no primeiro semestre de 2007, período
anterior à crise dos créditos hipotecários nos Estados Unidos.
Assim como no caso brasileiro, a rápida recuperação do volume de emissões do segundo
semestre de 2008 para o segundo semestre de 2009 chama a atenção. O mercado se fechou às
emissões latino-americanas após a quebra da Lehman Brothers e foi reaberto apenas com a
emissão do México em dezembro de 2008. Ao longo de 2009 o apetite por risco retornou: as
emissões de governos e empresas com baixo risco de crédito predominaram no primeiro
semestre, no entanto uma grande diversidade de emissores (inclusive alguns com pior
classificação de risco) acessarou o mercado ao longo do segundo semestre.
O volume total das operações de emissores latino-americanos apresentou um grande aumento
em relação ao primeiro semestre devido à presença:
- dos grandes emissores soberanos e corporativos da região, que já haviam acessado o
mercado no primeiro semestre, e realizaram operações com altos volumes no segundo;
- dos emissores corporativos – especialmente os mexicanos – que estiveram ausentes no
primeiro semestre. Muitos desses emissores apresentam elevado risco de crédito;
- dos soberanos que não haviam acessado o mercado no primeiro semestre, como o governo
do Uruguai e de alguns países da América Central.
Apesar do apetite de risco verificado, a grande maioria das operações do semestre foi
denominada em dólares norte-americanos, fato que contrasta com a realidade verificada antes da
crise internacional, quando uma boa variedade de moedas era utilizada. Além disso, as operações
de 2009 apresentaram volumes sensivelmente maiores do que os verificados antes da crise
9
AF/DEFIX – AINT/DEMEX
internacional, fato que pode indicar uma preferência dos investidores por liquidez, já que durante
a crise muitos sofreram pela impossibilidade de se desfazer dos papéis por absoluta falta de
liquidez.
O gráfico abaixo apresenta a composição das operações externas da América Latina
(excluindo o Brasil) ao longo de 2009. Houve predomínio das emissões soberanas (52,6%).
Composição das Emissões Externas Latino-Americanas
por Tipo de Emissor - 2009
Multilaterais
5,5%
Corporativo
41,9%
Soberano
52,6%
O México, tradicionalmente o maior emissor dentre os demais países latino-americanos
no mercado internacional, captou US$ 13,36 bilhões, volume muito superior ao registrado nos
últimos semestres (inclusive nos anteriores à crise internacional). Este volume representou 41,7%
das emissões da América Latina no semestre8. O semestre marcou o retorno dos emissores
mexicanos com maior risco de crédito ao mercado internacional: 22 emissores diferentes
acessaram o mercado externo no segundo semestre, contra apenas três no primeiro9.
A República do México acessou novamente o mercado de dólares norte-americanos em
setembro, com uma operação com duas tranches – dez e trinta anos – que apresentou volume
total de US$ 1,75 bilhão. Já em dezembro, a República voltou a emitir samurai bonds (títulos
externos denominados em ienes no mercado japonês) depois de nove anos, numa operação que
contou com a garantia do Japan Bank for International Cooperation (JBIC). O volume
equivalente em dólares foi de US$ 1,68 bilhão.
Já a estatal petrolífera PEMEX foi novamente o emissor com maior volume individual no
México no semestre, com o equivalente a US$ 3,609 bilhões em operações denominadas em três
moedas: dólares, euros e francos suíços. A operação de dólares foi a segunda da estatal no ano e
apresentou volume de US$ 1,5 bilhão. Já as operações em euros e francos suíços foram as
primeiras realizadas por emissores latino-americanos nessas moedas após a crise internacional. A
PEMEX realizou um private placement em euros (com volume de € 200 milhões) em agosto e
acessou novamente esse mercado com uma emissão benchmark (€ 1 bilhão) em outubro. A
operação em francos suíços foi realizada em setembro e apresentou volume equivalente a US$
362,18 milhões.
8
As emissões brasileiras não são consideradas nesse cálculo.
Além da República do México e a PEMEX, emissores que captam no mercado internacional com muita freqüência
- apenas a Kansas City Southern Mexico acessou o mercado no primeiro semestre.
9
10
AF/DEFIX – AINT/DEMEX
A CEMEX, que também acessa o mercado externo com freqüência, retornou ao mercado
internacional em dezembro, com o lançamento simultâneo de uma operação em dólares (volume
de US$ 1,25 bilhão) e em euros (€ 350 milhões). A empresa mexicana não acessava o mercado
internacional desde meados de 2007.
As demais emissões mexicanas foram denominadas em dólares. Dentre elas, destacam-se a
operação de trinta anos do Grupo Televisa (volume de US$ 600 milhões) e as de dez anos da
America Movil (US$ 750 milhões) e da TELMEX (US$ 500 milhões).
A volume total das emissões colombianas no semestre foi de US$ 3,95 bilhões. Novamente a
República da Colômbia foi responsável pelo volume mais alto do país, com uma operação em
dólares, com volume de US$ 1 bilhão e prazo de 30 anos e uma operação em ienes com volume
equivalente a US$ 503,8 milhões de dólares. Assim como a operação da República do México,
essa operação foi garantida pelo JBIC.
Três empresas colombianas acessaram o mercado internacional neste semestre: a Ecopetrol
emitiu US$ 1,5 bilhão com prazo de dez anos, as Empresas Publicas de Medelín realizaram
uma operação de US$ 500 milhões e prazo de dez anos e a Pacific Rubiale realizou uma
operação de US$ 450 milhões e prazo de sete anos.
Em julho, a República do Peru reabriu um título de 20 anos emitido em 2005, com prazo
restante de 16 anos. O volume da operação foi de US$ 1 bilhão. Houve três operações
corporativas peruanas no semestre, todas com volumes baixos. Dentre elas, destaca-se a do
Banco del Crédito del Perú (BCP), que realizou uma operação de dívida subordinada (capital
nível 1) e híbrida: nos primeiros dez anos a taxa de juros é fixa, há uma cláusula de call no
décimo ano e uma taxa flutuante nos anos seguintes. A cada dez anos há uma cláusula de call e o
título vence somente em 2069.
Novamente a República do Chile não acessou o mercado10 e todas as emissões do país no
semestre foram corporativas. Essas emissões apresentaram volumes relativamente baixos: com
sua operação de US$ 800 milhões e prazo de três anos o Banco Santander Chile foi responsável
pelo maior volume numa operação. A Celulosa Arauco e as Inversiones CMPC realizaram
operações com volume de US$ 500 milhões e prazo de dez anos.
A República do Uruguai voltou a acessar o mercado internacional com uma emissão de US$
500 milhões com yield de 6,875% a.a. e prazo de 16 anos11. Pela primeira vez após a crise
internacional houve uma emissão argentina, da companhia Arcos Dorados (volume de US$ 450
milhões, yield de 7,7% a.a. e prazo de dez anos).
As emissões de países da América Central foram particularmente relevantes no semestre. A
República do Panamá lançou um título de US$ 1 bilhão com vencimento em 2020 e a empresa
jamaicana Digicel realizou sua terceira operação no ano. Já a República de El Salvador, os
governos das Ilhas Cayman e das Bahamas e a empresa Petroleum of Trinidad Tobago
realizaram suas primeiras operações desde a quebra da Lehman Brothers.
10
11
A República do Chile não acessa o mercado internacional desde janeiro de 2004.
A operação anterior da República do Uruguai havia sido em junho de 2007.
11
AF/DEFIX – AINT/DEMEX
O semestre marcou ainda a forte presença de organismos multilaterais da região no mercado
internacional, com volume equivalente a US$ 1,493 bilhão, o maior para esses emissores desde o
primeiro semestre de 2007. Dois organismos emitiram em dólares norte-americanos, o Central
American Bank of Economic Integration (CABEI) e Caribean Development Bank
realizaram operações de US$ 500 milhões e US$ 120 milhões respectivamente.
Já o Banco Inter-Americano de Desenvolvimento (BID) realizou operações denominadas
em reais brasileiros e pesos mexicanos. Essas operações apresentaram volumes bem mais baixos
que as operações em dólares norte-americanos dos demais organismos.
O gráfico abaixo ilustra a participação dos países latino-americanos (exclusive Brasil) no volume
total das emissões do primeiro semestre de 2009. O México foi o responsável pelo volume mais
alto, seguido pela Colômbia, pelo Peru e pelo Chile.
Composição das Emissões Externas Latino-Americanas (exceto o Brasil)
por País de Emissão - 2°sem 2009
Peru
9,8%
Chile
8,8%
Jamaica Panamá
3,2%
4,9%
México
41,7%
Multilaterais
12,0%
Colômbia
19,6%
Considerando as operações brasileiras, chegamos aos seguintes percentuais:
Composição das Emissões Externas Latino-Americanas (incluindo o Brasil)
por País de Emissão - 2°sem 2009
Colômbia
8,2%
Multilaterais
3% Panamá
Peru
Chile
2,1%
2,9%
4,2%
Brasil
43,1%
Outros
9,1%
México
27,9%
12
AF/DEFIX – AINT/DEMEX
O Brasil foi o país que mais emitiu na América Latina no semestre, com 43,1% do total,
seguido pelo México e pela Colômbia, com 27,9% e 8,2% respectivamente.
A tabela abaixo apresenta um resumo das emissões de títulos latino-americanos no mercado
internacional.
Emissões de Títulos no Mercado Internacional – América Latina
Rating Soberano Atual12
Risco-país (bps)13
CDS Spread (bps)15
Emissões 2009 – US$ Bi
Emissões 2008 – US$ Bi
Prazo Médio 2009 – Anos
Issue Yield Médio 200916
Principal Emissor 2009
(% do país)
No Emissores – 2009
Brasil
México
Venezuela
Argentina
Chile
Colômbia
Peru
Uruguai
Baa3/BBB192
122
26,0
7,5
12,7
6,4%
Baa1/BBB
164
134
17,1
6,6
10,0
5,9%
B2/BB1017
1110
6,4
4,6
10,2
3,0%
B3/B660
922
0,5
0,1
10,0
7,8%
A1/A+
N.D.14
69
3,1
0,1
8,4
5,6%
Ba1/BBB196
144
6,0
1,1
13,4
7,0%
Baa3/BBB165
122
2,5
17,2
7,1%
Ba3/BB
N.D.
N.D.
0,5
16,0
6,9%
Petrobras
(25,95%)
PEMEX
(36,47%)
República
(71,80%)
Santander
(25,84%)
Tesouro
(58,84%)
Tesouro
(79,33%)
República
(100%)
22
15
2
Arc.
Dorados
(100%)
1
8
4
4
1
Moedas
O dólar segue como a principal moeda utilizada nas operações de dívida latino-americanas
(excluindo o Brasil), com 83,2% do volume total de emissões. Entre as demais moedas, o
destaque ficou com as emissões da PEMEX e CEMEX em euros e as emissões soberanas do
México e da Colômbia em ienes (com garantia do JBIC).
As emissões de Inca Bonds – títulos ou obrigações de dívida colocadas por emissores
estrangeiros no mercado peruano – muito freqüentes até meados de 2008, cessaram após a quebra
do Lehman Brothers. A última operação em sol peruano foi da empresa de Bermudas Inkia
Energy, em agosto de 2008. O gráfico a seguir apresenta a distribuição do volume emitido em
cada moeda.
12
De acordo com as agências Moody´s e S&P, respectivamente, para dívidas de longo prazo em moeda estrangeira.
Os níveis mínimos para investment grade são Baa3 e BBB-.
13
Indica o spread em pontos (isto é, taxa de juros multiplicada por 100) de uma cesta de títulos soberanos do país
calculado sobre títulos do Tesouro dos EUA de prazos equivalentes. Fonte: índice EMBI do JP Morgan, 31/12/2009.
14
Não disponível.
15
Mede o custo (em pontos acima da curva de juros de swap) pela contratação de uma operação de derivativo de
crédito semelhante a um seguro contra a inadimplência de um determinado agente (no caso, os Tesouros de cada país
em suas emissões externas). Utilizaram-se dados para o prazo de 5 anos. Data: 30/06/2009.
16
Os yields médios iniciais consideram apenas as emissões externas em dólares, por ser a principal moeda nas
emissões. Apesar de referirem-se à mesma moeda, as comparações destas taxas entre os países devem ser
relativizadas por diversos fatores, como o prazo das emissões e a própria caracterização do risco dos emissores de
cada país.
13
AF/DEFIX – AINT/DEMEX
Abertura das Emissões Latino-Americanas por Moeda
2°sem 2009
Francos
Pesos
Suíços
Reais
Mexicanos
1%
Brasileiros
<1%
2%
Ienes
7%
Dólares norteamericanos
83%
Euros
7%
No segundo semestre de 2009, somando-se todas as emissões em moedas latino-americanas,
seja por emissores destes países ou de outras regiões, nos mais variados mercados, atinge-se
volume próximo a US$ 1,937 bilhões, volume bem acima dos US$ 230 milhões do primeiro
semestre. Esse montante chegou a alcançar US$ 10 bilhões antes da crise financeira. Entre os
emissores, destacam-se organismos internacionais como o BID, o IFC, o KfW e o BIRD. O
gráfico abaixo ilustra o volume das emissões em moedas latino-americanas em todas as regiões e
para todos os tipos de emissores.
Emissões Totais em Moedas
Latino-Americanas - 2°sem 2009
Peso mexicano
15,4%
Peso colombiano
4,0%
Real brasileiro
80,6%
14
AF/DEFIX – AINT/DEMEX
1.3) Operações de Administração de Dívida Externa
O Tesouro Brasileiro mantém um programa permanente de recompra de papéis da dívida
externa para a retirada de pontos menos líquidos – e com preços distorcidos – da curva soberana e
a consolidação de benchmarks.
O governo da Argentina permanece ausente do mercado internacional desde que decretou o
default da dívida externa em 2002. O país realizou uma oferta de recompra dos títulos em default
em 2005, mas ainda não propôs nenhuma oferta aos investidores que não aceitaram os termos
propostos. O valor de face dos títulos em default é de cerca de US$ 20 bilhões.
Em dezembro, o governo do Equador recomprou US$ 55 milhões dos seus títulos em default
com vencimento em 2012 e 2030. O governo equatoriano decretou o default desses dois títulos
no fim de 2008 e recomprou parte dos títulos no primeiro semestre de 2009. O Equador não
decretou o default de seus títulos com vencimento em 2015.
1.4) Empréstimos Sindicalizados em Mercado
Após a quebra da Lehman Brothers, os grandes bancos reduziram drasticamente o volume de
empréstimos destinados à América Latina. Neste contexto de pouca liquidez, os organismos
multilaterais e as agências governamentais passaram a desempenhar um papel determinante nas
concessões de empréstimos externos pelos grandes bancos, especialmente através dos chamados
A/B loans17. A captação via empréstimos com seguro de crédito também foi muito utilizada18.
Entretanto, com a sensível melhora dos balanços dos bancos, os empréstimos concedidos
diretamente se tornaram mais freqüentes nesse semestre. Grandes empresas brasileiras captaram
via empréstimos, dentre as quais se destacam:
•
Grupo Votorantim (julho); transação com volume de US$ 350 milhões e prazo de
três anos. O empréstimo ocorreu na modalidade pré-pagamento de exportação e seis
bancos formaram o club deal (BNP Paribas, HSBC, Citi, WestLB, Santander e Bank
of America).
•
Odebrecht Óleo e Gás (outubro): o volume da operação foi de US$ 1,5 bilhão e o
prazo de dez anos. O club deal contou com 12 bancos e agências como a coreana
Kexim e a norueguesa Giek também participaram da operação.
•
Cosan (novembro): empréstimo na modalidade pré-pagamento de exportação com
volume de US$ 100 milhões e prazo de três anos. O Banco Espírito Santo liderou a
operação.
•
Vale (novembro): empréstimo de bancos japoneses com volume de US$ 300 milhões
e garantido pela NEXI.
17
O Relatório Semestral de Renda Fixa n. 10, do primeiro semestre de 2009, apresenta mais detalhes dos A/B loans.
Entidades como a japonesa NEXI são muito atuantes neste mercado. Deve-se destacar que os projetos financiados
geralmente devem obedecer aos interesses dos países de origem das seguradoras.
18
15
AF/DEFIX – AINT/DEMEX
1.5) Principais Alterações na Legislação Brasileira sobre Captações Internacionais
Em dezembro de 2009, o Conselho Monetário Nacional (CMN) emitiu a Circular 3.474 e
passou a exigir que os bancos informem ao Banco Central suas posições de derivativos no
exterior. Com a nova regulamentação, o Banco Central amplia o monitoramento de riscos
relacionados às operações com derivativos.
16
AF/DEFIX – AINT/DEMEX
2) Mercado Doméstico Brasileiro de Dívida Corporativa
2.1) Debêntures
2.1.1) Mercado Primário
O segundo semestre de 2009 confirmou a trajetória de recuperação do mercado de
debêntures, iniciada no primeiro semestre. A melhoria do cenário macroeconômico trouxe de
volta emissores que buscavam fontes de financiamento com prazos mais longos, em detrimento
de instrumentos de curto prazo. O volume total emitido de debêntures registradas na CVM no
segundo semestre de 2009 foi de R$ 6,56 bilhões, 45% superior ao primeiro semestre do ano. Se
considerarmos as emissões pela Instrução CVM nº 476, o montante total no semestre atinge R$
18,21 bilhões, e o crescimento é de 124,2%, quando calculado sobre o volume de emissões no
primeiro semestre segundo o mesmo critério.
Por conta do recolhimento de depósito compulsório sobre recursos captados por
sociedades de arrendamento mercantil, não houve colocação deste setor no ano. O CDI continuou
sendo o principal indexador das emissões primárias de debêntures, contribuindo com 81,1% das
colocações no período. Porém, vale ressaltar a participação do IPCA que representou 8,7% do
volume total, contribuindo para o alongamento dos prazos. O gráfico abaixo apresenta o volume
das emissões públicas de debêntures ao longo dos últimos semestres.
Emissões Públicas de Debêntures: Volume Emitido
120%
60.000
55.000
100%
50.000
R$ milhões
40.000
80%
35.000
60%
30.000
25.000
20.000
40%
% das emissões em CDI
45.000
15.000
10.000
20%
5.000
-II
20
09
-I
20
09
-II
20
08
-I
20
08
-II
20
07
-I
20
07
-II
20
06
-I
20
06
20
05
20
05
-II
0%
-I
0
As emissões do período se concentraram nos meses de julho, agosto, outubro e dezembro,
sendo que dezembro concentrou 43,8% do volume total das emissões no semestre. O gráfico a
seguir ilustra a concentração das emissões ao longo do período estudado.
17
AF/DEFIX – AINT/DEMEX
Emissões de Debêntures no 2º semestre de 2009
9.000
R$ milhões
8.000
7.000
6.000
5.000
4.000
3.000
2.000
1.000
-
Julho
Agosto
Setembro
Debêntures Inst. CVM 400
Outubro
Novembro
Dezembro
Debêntures Inst. CVM 476
O número de emissões em relação ao semestre anterior cresceu consideravelmente. Das
operações registradas de acordo com a Instrução CVM nº 400, o número de emissões passou de 6
no primeiro semestre de 2009 para 26 no segundo semestre. Estas emissões se distribuíram por
14 emissores e as principais foram:
Bradespar (R$ 800 milhões), colocadas em julho, em duas séries, uma ao custo
de 105% do CDI e vencimento em junho de 2010 e a outra a 108% do CDI e
vencimento em junho de 2011;
Grupo CPFL (R$ 782,25 milhões), colocadas também em julho, em três séries,
cada uma emitida por uma empresa do grupo e todas com vencimento em julho de
2011: CPFL Geração de Energia, R$ 425,25 milhões ao custo de 109,8% do CDI,
CPFL Cia Paulista de Força e Luz, R$ 175 milhões ao custo de 110,3% do CDI e
Rio Grande Energia, R$ 185 milhões ao custo de 110,3% do CDI;
CCR (R$ 598,16 milhões), emitidas em duas tranches, também em julho. A
primeira de R$ 448,16 milhões, pagando 112% do CDI e com vencimento em
agosto de 2012 e a segunda de R$ 150 milhões, ao custo de IPCA + 7,5% com
vencimento em agosto de 2014 (primeira emissão em IPCA no ano);
Vivo Participações (R$ 810 milhões), emitidas em outubro, em três tranches,
todas com vencimento em outubro de 2019. A primeira de R$ 98 milhões pagando
108% do CDI com repactuação em outubro de 2012, a segunda de R$ 640
milhões pagando 112% do CDI e repactuação em outubro de 2013 e a terceira de
R$ 72 milhões ao custo de IPCA + 7% e com repactuação em outubro de 2014;
BNDESPAR (R$ 1,25 bilhão), colocadas em dezembro, em duas séries, uma de
R$ 640 milhões com remuneração pré-fixada de 12,74% e vencimento em janeiro
de 2013 e a outra de R$ 610 milhões com remuneração de IPCA + 7,08% e
vencimento em janeiro de 2015;
Ecorodovias (R$ 600 milhões), colocadas em dezembro, em três séries. A
primeira de R$ 460,75 milhões ao custo de DI + 1,50% com vencimento em maio
de 2013 e as outras duas de R$ 69,625 milhões cada, ao custo de IPCA + 8,75% e
uma com vencimento em maio de 2015 e a outra em novembro de 2015.
18
AF/DEFIX – AINT/DEMEX
No que diz respeito às operações ao amparo da Instrução CVM nº 476, o número de
emissões passou de 12, no semestre anterior, para 48, neste semestre. O número de emissores
atingiu o total de 38 e as principais emissões não registradas foram:
TAM (R$ 600 milhões), colocadas em julho, ao custo de 126,5% do CDI e
vencimento em julho de 2013;
INBEV Participações (R$ 2 bilhões), colocadas em agosto, ao custo de 114% do
CDI e vencimento em agosto de 2012;
Odebrecht (R$ 600 milhões), emitidas em outubro, ao custo de TR + 8,16% e
vencimento em outubro de 2014;
Concessionária do Rodoanel (R$ 750 milhões), emitidas em outubro em duas
séries, uma de R$ 37,5 milhões e a outra de R$ 712,5 milhões, ambas ao custo de
117,5% do CDI e vencimento em novembro de 2012;
Camargo Corrêa (R$ 1 bilhão), colocadas em duas séries em dezembro, a
primeira de R$ 300 milhões ao custo de 110% do CDI e vencimento em dezembro
de 2012 e a segunda de R$ 700 milhões ao custo de 114% do CDI e vencimento
em dezembro de 2014;
Votorantim Cimentos (R$ 1 bilhão), emitidas em dezembro em duas séries de
R$ 500 milhões cada, a primeira pagando 110,2% do CDI e a segunda 112,65%
do CDI, ambas com vencimento em dezembro de 2019;
Camargo Corrêa Desenvolvimento Imobiliário (R$ 400 milhões), colocadas
em dezembro, com remuneração de DI + 2% e vencimento em dezembro de 2012;
Pão de Açúcar (R$ 500 milhões), colocadas em dezembro pagando 109,5% do
CDI e vencimento em dezembro de 2014.
Os vencimentos das emissões concentraram-se em 2011, 2012 e 2014 e apresentaram uma
maturidade ponderada pelo volume de 4,34 anos, comprovando o alongamento dos prazos que
atingiram no semestre anterior a média de 3,99 anos. Se analisarmos os prazos apenas das
emissões pela Instrução CVM nº 400, a média subiu de 2,48 anos no primeiro semestre para 4,38
anos no segundo semestre. O gráfico a seguir ilustra esta dinâmica.
Prazo Médio Ponderado pelo Volume - Debêntures
8
7
6
Anos
5
4
3
2
1
0
2005-I
2005-II
2006-I
2006-II
Debêntures Inst.CVM 400
2007-I
2007-II
2008-I
2008-II
2009-I
2009-II
Debêntures Inst.CVM 400 + Inst.CVM 476
19
AF/DEFIX – AINT/DEMEX
A informação da decomposição da demanda por debêntures por perfil de investidor só
está disponível para as emissões pela Instrução CVM nº 400 (aproximadamente 36% do volume
total emitido). No universo destas emissões, é possível perceber que os investidores de varejo
permaneceram interessados neste tipo de aplicação, assim como no primeiro semestre. A
participação deste grupo atingiu 6,55% do volume total emitido no segundo semestre, o que
representa uma redução em comparação ao primeiro semestre, quando atingiu 20,42%.
Entretanto, o primeiro semestre registrou poucas emissões e estas coincidentemente possuíam
apelo para o varejo (Bradespar e Telemar, esta a maior emissão do ano), ao passo que o número
de emissões no segundo semestre foi significativamente superior e registrou diversas ofertas com
participação do varejo (Bradespar, Light, CPFL, CCR, Coelce, Vivo, BNDESPAR e Ampla). Os
bancos coordenadores participaram em 9,64% do volume emitido e, apesar deste número
representar um crescimento em relação ao semestre anterior, ainda se encontra abaixo da média
dos últimos anos (superior a 24%). Os fundos de pensão e as seguradoras voltaram a ter sua
participação em torno de 11% (depois de ter, no primeiro semestre, participado com 6,7%), o que
está em linha com sua participação nos últimos 2 anos (2007 e 2008). Por sua vez, as assets
continuaram sendo os principais subscritores com uma parcela de 61,96% do total, registrando
crescimento em relação aos 43,41% do semestre anterior. O gráfico abaixo apresenta a abertura
de subscrição de debêntures por classe de investidores no primeiro semestre de 2009. Os 10,68%
incorporados à fatia “outros” correspondem notadamente a tesourarias de bancos não
coordenadores. A decomposição representa apenas a participação dos investidores em emissões
registradas, para as quais este tipo de informação está.
Abertura da Subscrição das Ofertas Públicas de Debêntures
2º Sem 2009 - Exclui Leasings
Assets
61,96%
Outros
10,68%
Varejo
6,55% Coordenadores
9,64%
Fdos Pensão /
Seguradoras
11,31%
Em relação à destinação dos recursos captados via debêntures no período pelas empresas
que optaram por registrar as emissões na CVM de acordo com a Instrução CVM nº 400 (para as
quais existe este tipo de informação disponível), estes foram predominantemente utilizados no
alongamento de dívidas, seja através do resgate de instrumentos de curto prazo (notas
promissórias) ou do pagamento de séries de debêntures vincendas.
20
AF/DEFIX – AINT/DEMEX
2.1.2) Mercado Secundário
O mercado secundário local de debêntures, de forma geral, ainda apresenta baixa liquidez.
Estas negociações são majoritariamente concentradas na CETIP, que funciona principalmente
como ambiente de registro e liquidação (contra pagamento), mas não de negociação propriamente
dita19, já que a maioria de seus negócios registrados se dá sob a forma de balcão e não em
ambiente de bolsa (que, eventualmente, também tem uma contraparte central garantidora),
impossibilitando a interferência de outros agentes no fechamento dos negócios.
O estoque de debêntures depositado na CETIP fechou o segundo semestre de 2009 um
pouco acima de R$ 282 bilhões, um crescimento de 7,77% em relação ao semestre anterior. A
soma do volume semestral de negócios recuou de R$ 52,1 bilhões no primeiro semestre de 2009
para R$ 34,5 bilhões neste semestre. A média diária simples das negociações secundárias atingiu
R$ 272 milhões20 no período, 36% inferior ao semestre anterior. A média simples do giro diário
(calculado pelo volume negociado dividido pelo volume em estoque) apresentou redução de
0,17% para 0,10%. Deve-se ressaltar que este volume inclui negócios entre instituições de um
mesmo conglomerado (por exemplo, entre fundos de uma mesma administradora de recursos),
não tendo sido possível obter apenas as negociações com efetiva independência entre as partes. O
gráfico abaixo apresenta o volume e o giro médio (volume negociado/estoque) diário das
debêntures negociadas no mercado secundário.
CETIP: Volume e Giro Diários de Debêntures (Média Simples)
450
0,20%
R$ milhões
350
0,15%
300
250
0,10%
200
150
0,05%
100
Giro Médio Diário (%)
400
50
0
0,00%
2005-I 2005-II 2006-I 2006-II 2007-I 2007-II 2008-I 2008-II 2009-I 2009-II
Volume diário negociado
Giro Diário
19
Apesar da CetipNet ser uma plataforma eletrônica que oferece a possibilidade de se fecharem on-line transações
com debêntures (e outros títulos), suas cotações eletrônicas são mais utilizadas como referências de preço. Os
negócios são majoritariamente firmados de forma tradicional (por telefone) e depois registrados e liquidados no
ambiente CETIP.
20
Este número não leva em conta as operações compromissadas com debêntures, apenas os negócios definitivos.
21
AF/DEFIX – AINT/DEMEX
Já a BovespaFix, plataforma eletrônica de negociação e registro que utiliza a CBLC
(Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia) como clearing, registra menor número de
negociações. As operações cursadas neste ambiente caracterizam-se por mecanismos de pregão
eletrônico, com ampla visibilidade das negociações e possibilidade de interferência no negócio
por qualquer agente cadastrado mediante instalação de leilão pela Bovespa, caso alguma ordem
seja lançada fora de determinado “túnel” de preços. Embora esteja prevista a possibilidade de
liquidação multilateral líquida com a CBLC como contraparte garantidora, as negociações com
debêntures na BovespaFix acabam apresentando, de forma geral, o mesmo mecanismo de
liquidação que a CETIP (operação-a-operação, com entrega mediante pagamento).
Entre 1º de julho e 31 de dezembro de 2009, foram realizados na BovespaFix negócios com
31.199 debêntures somando um volume financeiro total de R$ 103,6 milhões, representando um
pequeno decréscimo em termos de número de papéis negociados, mas um aumento de 31,1% em
termos de volume financeiro em relação ao semestre anterior. Neste semestre, as negociações
com as debêntures da BNDESPAR representaram 54,3% da quantidade de negócios e 18,2%
do volume financeiro. Os papéis emitidos pela BNDESPAR, que contam com formadores de
mercado, foram negociados na maior parte dos dias úteis ao longo do segundo semestre de 2009.
As séries de debêntures emitidas em dezembro de 2009 já apresentaram negócios no mercado
secundário a partir do dia seguinte ao da definição de suas remunerações.
Com o intuito de prover uma referência de preços para as debêntures e conferir maior
transparência nos negócios praticados em balcão, a ANDIMA publica preços indicativos de um
conjunto de 101 debêntures (atualmente) coletados junto a mais de 20 instituições financeiras. As
séries em IPCA emitidas em 2006 e 2007 fazem parte deste grupo de referência.
2.2) Notas Promissórias
O mercado de notas promissórias voltou a aquecer depois de um semestre fraco, em que
os principais emissores se voltaram para o mercado de papéis mais longos, como as debêntures e
os títulos no mercado externo. Este movimento concentrou-se majoritariamente nas emissões
com esforços restritos, sob o amparo da Instrução CVM 476.
Daquelas ofertas de notas promissórias que efetuaram o registro na CVM no segundo
semestre de 2009, o volume total emitido somou R$ 5,16 bilhões, um aumento de 18,5% em
relação ao montante de R$ 4,35 bilhões registrados no semestre anterior. Já as emissões não
registradas na CVM alcançaram R$ 10,7 bilhões, levando o volume total de volta para a casa dos
R$ 15 bilhões, como pode ser visto no gráfico abaixo. No período analisado, o número de
operações registradas diminuiu de 28 para apenas 7 operações. Por sua vez, o número de
operações emitidas sob o amparo da Instrução CVM nº 476 aumentou de 12 para 36. O gráfico a
seguir mostra o movimento no mercado de notas promissórias.
22
AF/DEFIX – AINT/DEMEX
Emissões de Notas Promissórias
40
35
30
12.000
25
9.000
20
15
6.000
10
3.000
Nº de Operações
R$ Milhões
15.000
5
0
-
2006-I
2006-II
NP Financeira
Total
2007-I
2007-II
2008-I
2008-II
NP Não Financeira
Nº de Operações Registradas
2009-I
2009-II
NP Inst. CVM 476
Nº de Operações Não Registradas
O prazo médio ponderado pelo volume das emissões continuou declinando entre as
operações registradas, devido ao grande volume de operações de 180 dias que tinham por
objetivo servir de empréstimos-ponte até a realização de operações de debêntures; entretanto, o
prazo médio aumentou para as operações dispensadas de registro. O gráfico a seguir apresenta o
prazo médio ponderado para as emissões de notas promissórias.
Prazo Médio Ponderado pelo Volume - Notas Promissórias
400
350
300
Dias
250
200
150
100
50
-
2006-I
2006-II
2007-I
NP's Registradas
2007-II
2008-I
NP's Inst. CVM 476
2008-II
2009-I
2009-II
Prazo Combinado
As principais emissões registradas no período foram:
•
•
•
Votorantim Finanças S.A. (R$ 1,05 bilhão): a 109% do DI, vencimento em 180
dias. A primeira emissão registrada do semestre, 100% destinada ao pagamento de
obrigações financeiras decorrentes da 4ª emissão de NP da companhia;
Ecorodovias Concessões e Serviços S.A. (R$ 398 milhões): a CDI + 4,5% e
vencimento em 180 dias. A operação realizada em agosto foi 100% destinada ao
pagamento das NP da 2ª emissão da Primav Ecorodovias S.A.;
Cemig Geração e Transmissão S.A. (R$ 2,7 bilhões): a 113% do CDI e
vencimento em 180 dias. Operação realizada no início de outubro. Recursos
23
AF/DEFIX – AINT/DEMEX
•
destinados a: 1ª opção - TAESA para que esta adquira ações da Terna e realize Oferta
Pública de aquisição de Ações (OPA) da Terna detidas por acionistas minoritários; 2ª
opção - TAESA para que esta adquira ações da Terna, realize a OPA e também para
recomposição de caixa da emissora;
Terna Participaçoes S/A (R$ 550 milhões): emitida em meados de outubro, a 113%
do CDI e prazo de 360 dias. Recursos destinados ao pagamento do Contrato de
Mútuo celebrado entre a companhia e sua controladora, ao pagamento dos custos
decorrentes da presente emissão e, se houvesse saldo remanescente, a capital de giro;
As principais emissões não registradas no período foram:
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
Vivo Participações (R$ 500 milhões): a 115% do DI, vencimento em 90 dias,
quarta emissão pública do semestre. Os recursos foram utilizados para pagamento do
valor de principal das notas promissórias comerciais da Companhia emitidas em julho
de 2008;
Telemar Norte Leste (R$ 3,6 bilhões): a CDI + 1,6% e vencimento em 360 dias. A
operação foi realizada no final de julho;
Concessionária Auto Raposo Tavares (R$ 400 milhões): a operação ocorreu em
setembro, a 129% do CDI e teve prazo de 180 dias;
Megapar (R$ 430 milhões): emitida em setembro, a 126% do CDI e prazo de 180
dias;
Iochpe Maxion (R$ 330 milhões): emitida em setembro, a DI + 2% e prazo de 180
dias;
Concessionária do Rodoanel Oeste (R$ 500 milhões): emitida em duas séries, a
primeira de R$ 475 milhões e a segunda de R$ 25 milhões, ambas em novembro, com
prazo de 180 dias e remuneração de 108% do DI;
Sabesp (R$ 900 milhões): a primeira emissão do movimentado mês de dezembro, a
DI + 3,5% e prazo de 180 dias;
Amil Participações (R$ 300 milhões): emitida em dezembro, a 110% do DI e prazo
de 360 dias;
Ecorodovias Concessões e Serviços (R$ 368 milhões): emitida em dezembro, a DI
+ 4,5% e prazo de apenas 30 dias;
Conc. Rodovias Ayrton Senna e Carvalho Pinto (R$ 350 milhões): também
emitida em dezembro, a DI + 3,25%, o prazo não foi divulgado;
Natura (R$ 350 milhões): emitida em dezembro, a 106% do DI e prazo de 180 dias;
Votorantim Finanças (R$ 500 milhões): emitida em dezembro, a 109% do DI e
prazo de 360 dias;
Localiza Rent a Car (R$ 200 milhões): emitida em dezembro, a 105,4% do DI e
prazo de 180 dias.
24
AF/DEFIX – AINT/DEMEX
2.3) Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs)
Volume de Emissões de FIDCs
7.000
R$ milhões
6.000
5.000
4.000
3.000
2.000
1.000
0
2006-I
2006-II
2007-I
2007-II
Cotas Seniores
2008-I
2008-II
2009-I
2009-II
Cotas Subordinadas
Os registros públicos de emissões de FIDCs totalizaram cerca de R$ 6,75 bilhões no
semestre, distribuídos em 22 operações, o que representa um acréscimo de 265,4% vis-à-vis o
primeiro semestre de 2009 (R$ 1,85 bilhão). Como pode ser visto no gráfico acima, este aumento
ocorreu de forma mais acentuada nas emissões de cotas subordinadas, que atingiram um
montante de R$ 973,9 milhões vis-à-vis o montante de apenas R$ 96 milhões do semestre
anterior. O volume de cotas seniores emitidas foi da ordem de R$ 5,89 bilhões, o que representa
um aumento de 227% vis-à-vis o semestre anterior. O estoque total de FIDC registrado na CETIP
recuou 1,78%, indo de R$ 9,34 bilhões em 30 de junho de 2009 para R$ 9,18 bilhões em 31 de
dezembro de 2009.
Número de Operações e Prazo Médio FIDCs
50
14
12
10
30
8
20
6
Anos
N° operações
40
4
10
2
0
0
2006-I
2006-II
2007-I
2007-II
2008-I
Número de Operações
2008-II
2009-I
2009-II
Prazo Médio
O prazo médio ponderado das operações voltou a aumentar, depois de um semestre de
recuo, indo de um patamar de 5,8 para 10,6 anos, conforme o gráfico acima.
Em termos de indexador, entre as operações cuja informação está disponível, somente três
operações não foram atreladas ao CDI no semestre: FIDC CEEE IV-D (R$ 137 milhões), FIDC
Setransp (R$ 149 milhões) e QT IPCA FIDC Juros Real (R$ 500 milhões), todas elas indexadas
ao IPCA.
25
AF/DEFIX – AINT/DEMEX
No que concerne ao risco de crédito, os recebíveis multiclasses e comerciais perderam
espaço relativo para os financeiros. Estes responderam por 78,6% dos recebíveis de FIDCs,
enquanto os comerciais e multiclasses corresponderam a 9,8% e 9,4% respectivamente,
aumentando a tendência de concentração que se observou no semestre anterior.
O aumento relativo (e em valores absolutos) dos fundos com recebíveis financeiros
deveu-se principalmente por conta de três grandes operações:, Crédito Corporativo Brasil (R$
2,88 bilhões), Ourinvest Suppliercard (R$ 1,53 bilhão) e BV Financeira - FIDC III (R$ 500
milhões). O total de operações com recebíveis financeiros atingiu o montante de R$ 5,3 bilhões,
os recebíveis comerciais ficaram pouco acima de R$ 660 milhões e as operações de FIDC com
recebíveis multiclasses, que podem utilizar créditos de diversos cedentes de diferentes segmentos,
totalizaram R$ 632,5 milhões.
Em relação ao mercado secundário, as cotas de FIDCs são ativos que podem ser
negociados nos sistemas CETIP e BovespaFix. O volume negociado na CETIP no segundo
semestre de 2009 totalizou R$ 1,46 bilhão, um aumento de aproximadamente 59% em relação ao
período anterior. Na BovespaFix, o volume negociado no primeiro semestre de 2009 alcançou R$
87,35 milhões, aumento de quase 68%, ensaiando uma recuperação após a queda acentuada
registrada no semestre anterior. O gráfico seguinte apresenta o volume negociado no mercado
secundário21.
Negociação Secundária de Cotas de FIDCs
BovespaFix e Cetip
3.000
900
R$ Milhões
700
2.000
600
500
1.500
400
1.000
300
No. Negócios
800
2.500
200
500
100
-
0
2006-I
2006-II
Volume Bovespafix
2007-I
2007-II
Volume Cetip
2008-I
2008-II
2009-I
Negócios Bovespafix
2009-II
Negócios Cetip
Todas as informações relativas a FIDCs apresentadas até aqui referem-se a emissões
registradas na CVM, para as quais existe uma maior gama de informações disponíveis. No
semestre, houve apenas três operações de FIDC ao amparo da Instrução CVM nº 476, duas em
julho, FIDC NP Recuperare e Logística FIDC - Crédito Imobiliário, nos valores de R$ 6 milhões
e R$ 15 milhões respectivamente, e uma em dezembro, Pão de Açúcar FIDC, no valor de R$
49,6 milhões.
21
Todas as negociações foram liquidadas de forma bruta (sem a CBLC como contraparte).
26
AF/DEFIX – AINT/DEMEX
2.4) Outros títulos corporativos de renda fixa
As operações de securitização doméstica de ativos imobiliários, estruturadas por meio de
Certificados de Recebíveis Imobiliários, mantêm-se como um mercado de volumes menores
que os FIDCs. Os CRIs são títulos de renda fixa emitidos por empresas abertas denominadas
companhias securitizadoras. Estas companhias utilizam o chamado Regime Fiduciário (uma só
companhia pode realizar várias emissões ao longo de sua existência, segregando ativos e
patrimônio de tal forma que investidores em um determinado lote não têm direitos sobre os ativos
referentes aos outros papéis), acarretando economia de custos na medida em que não é necessário
abrir uma empresa para cada emissão nem há contaminação de uma operação pelos riscos das
demais. Este ativo conta ainda com incentivo tributário, uma vez que há, desde 2005, isenção de
imposto de renda sobre os seus rendimentos auferidos por pessoas físicas. Foram registradas na
CVM 20 ofertas de CRIs ao longo do segundo semestre de 2009, totalizando R$ 622 milhões, o
que significou um aumento de 3,5% em relação ao semestre anterior, quando foram registradas
16 ofertas, totalizando R$ 601 milhões. As ofertas dispensadas de registro na CVM diminuíram
de R$ 926 milhões para R$ 128 milhões, distribuídas por 4 operações; no entanto, as operações
emitidas sob o amparo da Instrução CVM nº 476 aumentaram de R$ 138 milhões para R$ 794
milhões. Os gráficos a seguir ilustram o comportamento do segmento desde 2006.
Volume de Emissões de CRIs
2.500
R$ milhões
2.000
1.500
1.000
500
0
2006-I
2006-II
Registradas
2007-I
2007-II
2008-I
2008-II
2009-I
Dispensa de Registro
2009-II
Esforços Restritos
Número de Operações de CRIs
60
# de operações
50
40
30
20
10
0
2006-I
2006-II
Registradas
2007-I
2007-II
2008-I
Dispensa de Registro
2008-II
2009-I
2009-II
Esforços Restritos
27
AF/DEFIX – AINT/DEMEX
As Cotas de Fundos Imobiliários, que também gozam de isenção de imposto de renda
sobre os rendimentos para pessoas físicas, somaram mais de R$ 2,6 bilhões, de julho a dezembro
de 2009, em 15 operações registradas como oferta primária e duas operações registradas como
oferta secundária. Este valor representou um aumento de 1053% em relação aos R$ 221 milhões
registrados na CVM no primeiro semestre de 2009.
O volume de emissões dos Certificados Audiovisuais aumentou 50% atingindo um
montante de quase R$ 75 milhões, distribuídos em 62 operações. Já as Cotas de Funcine, outro
papel específico da cadeia do cinema, somaram R$ 170 milhões, divididas em 5 operações, vis-àvis os R$ 20 milhões captados no período anterior com este papel.
2.5) Resumo das Ofertas Registradas na CVM
Apresenta-se, em seguida, a abertura de todas as ofertas públicas primárias registradas na
CVM no segundo semestre de 200922, tendo sido incluídos instrumentos de renda fixa e de renda
variável, regulados pela autarquia.
Volume de Emissões Registradas na CVM
2º Sem 2009
Ações
28%
Outros
5%
CRI
1%
FIP
8%
Notas
Promissórias
9%
Cert. Depósito
Ações
25%
Debêntures
12%
FIDC
12%
Volume de Emissões Registradas na CVM
1º Sem 2009
Debêntures
30%
Notas
Promissórias
29%
Outros
2%
Ações
4% CRI
4%
FIDC
12%
FIP
19%
Em termos de volume total das emissões registradas, houve um aumento de 269,5% no
segundo semestre de 2009, totalizando R$ 55,4 bilhões, frente a R$ 15 bilhões no primeiro
semestre de 2009.
No tocante à sua composição, as emissões de debêntures e notas promissórias
responderam neste semestre por apenas 21% das colocações, enquanto que as emissões de ações
foram aquelas que registraram a maior elevação, representando 28% do total. Nota-se que a
emissão de Certificados de Depósito de Ações (BDR’s) do Banco Santander Brasil no valor de
R$ 14,1 bilhões foi responsável individualmente por 25% do total de emissões registradas no
22
Foram excluídas as ofertas dispensadas de registro.
28
AF/DEFIX – AINT/DEMEX
semestre. Estes números demonstram que o mercado de ações vem retomando sua importância
junto aos investidores. O segundo semestre de 2009 consolidou definitivamente o processo de
alongamento de prazos, com a colocação de 15 séries de debêntures em contraste a 7 de notas
promissórias. Em termos de volume, esta diferença não foi tão expressiva em virtude de uma
emissão de notas da CEMIG que isoladamente colocou R$ 2,7 bilhões, equivalente a mais de
52% do volume total de notas do semestre. Os custos para emissores de boa qualidade de crédito
parecem ter retornado aos níveis pré-crise, mas os investidores ainda parecem cautelosos com
emissores não tão bem avaliados, exigindo ainda remunerações mínimas acima daquelas do
período pré-crise.
2.6) Resumo das Ofertas Não Registradas na CVM
A Instrução CVM nº 476, introduzida em janeiro de 2009, permitiu que emissores de
diferentes tipos de valores mobiliários de renda fixa não mais necessitassem obter registro junto
àquele órgão para estes instrumentos. O segundo semestre de 2009 representou a consolidação
desta modalidade de emissão, com o volume total atingindo R$ 23,2 bilhões, 284% superior ao
volume de operações não registradas no semestre anterior e 24% superior ao volume de
operações registradas no segundo semestre (considerando valores mobiliários da mesma
natureza). Apesar de emissões ao amparo desta instrução estarem dispensadas de diversas
exigências relativas à publicidade de informações, ainda assim é possível traçar um panorama
destas a partir de informações de entidades participantes do mercado.
Volume de Emissões Não Registradas na CVM
2º Sem 2009
Debêntures
51%
CRI
3%
Volume de Emissões Não Registradas na CVM
1º Sem 2009
FIDC
0%
Debêntures
60%
Notas
Promissórias
46%
CRI
2%
FIDC
4%
Notas
Promissórias
34%
Em termos de composição, as emissões de debêntures e notas promissórias responderam
pela quase totalidade das colocações no período (97%), com o restante distribuído entre pequenas
operações de CRIs e FIDCs.
29
AF/DEFIX – AINT/DEMEX
2.7) Desenvolvimentos Institucionais em Operações de Renda Fixa
Agosto: Lei 12.024/09
No dia 28 de agosto, foi publicada a lei 12.024/09 que, dentre outras coisas, prevê que os
rendimentos auferidos pelos Fundos de Investimento Imobiliários (FIIs) em aplicações em CRIs,
Letras Hipotecárias, LCIs e em outros FIIs (desde que as quotas dos FIIs sejam negociadas em
bolsa de valores ou no mercado de balcão organizado) não estão sujeitos à incidência de IRF.
Setembro: Resolução CMN 3.792
No dia 24 de setembro, o Conselho Monetário Nacional (CMN) publicou a Resolução
3.792 que revoga a 3.456 e define as novas diretrizes para entidades fechadas de previdência
complementar. Por meio desta Resolução, os fundos de pensão poderão adquirir ativos nas
chamadas ofertas de esforço restrito (que seguem a Instrução 476 da CVM). A nova Resolução
diz que os fundos de pensão devem adquirir títulos que observem as normas estabelecidas pelo
Banco Central e pela CVM, enquanto a antiga definia que as fundações só poderiam participar de
ofertas registradas na CVM. Além disso, o CMN também autorizou o aumento dos limites de
investimento dos fundos de pensão em renda variável (de 50% para 70%) e de empréstimos e
financiamentos a participantes dos fundos (de 10% para 15%). Os novos limites poderão reduzir
a participação da renda fixa na carteira dos fundos de pensão.
Novembro: Instituição de IOF sobre aplicações de renda fixa provenientes do exterior
No dia 19, o governo instituiu a cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF)
nas aplicações em renda fixa ou ações provenientes do exterior. A alíquota é de 2% e não foi
aplicada a investimentos externos diretos (IED).
Dezembro: Instrução CVM 480
No dia 7 de dezembro, a CVM editou a Instrução 480. Esta estabelece as regras de
registro de emissores de valores mobiliários admitidos à negociação em mercados
regulamentados, bem como o regime informacional a que tais emissores estão sujeitos e substitui
a Instrução CVM 202, de 6 de dezembro de 1993. Dentre os principais objetivos da instrução
destacam-se:
i) criar categorias de emissores de acordo com os tipos de valores mobiliários admitidos à
negociação. Inclusive, ela admite a emissão de notas promissórias comerciais para distribuição ou
negociação pública por empresas limitadas.
ii) estabelecer regimes de prestação de informações adequados a cada uma das categorias criadas;
iii) consolidar as regras que tratam de registro de emissor de valores mobiliários, de modo que os
procedimentos de registro, suspensão e cancelamento sejam adequados a cada categoria de
emissor;
iv) melhorar a qualidade e apresentação das informações periódicas prestadas por emissores de
valores mobiliários, para facilitar o entendimento de tais informações por parte do investidor;
30
AF/DEFIX – AINT/DEMEX
v) tornar possível que determinados emissores, desde que atendam a certos pré-requisitos, tenham
seus pedidos de registro de ofertas de distribuição aprovados com maior celeridade; e
vi) mudar os critérios que determinam como um emissor é considerado estrangeiro.
Dezembro: Medida Provisória 472, criação das Letras Financeiras
Em 15 de dezembro de 2009, foi editada a medida provisória 472, que criou dois novos
títulos de crédito que podem ser emitidos por instituições financeiras: a Letra Financeira e o
Certificado de Operações estruturadas. A Letra Financeira (“LF”) será um instrumento de dívida
subordinada, ou seja, em caso de liquidação do banco, os detentores das letras só teriam
preferência de recebimento em relação aos próprios acionistas, e será utilizada pelas instituições
financeiras emissoras para captar recursos de prazos mais longos do que os captados via CDB. A
definição das formas de remuneração bem como do prazo de vencimento destes títulos,
respeitado o limite mínimo de um ano, e demais características do papel caberá ao Conselho
Monetário Nacional. O Certificado de Operações Estruturadas terá todas as suas características
especificadas em regulamento da CVM.
Editais de audiência pública:
A CVM colocou em audiência pública minuta de Instrução para novos procedimentos
simplificados de registros de ofertas públicas no país. Prevê-se a dispensa de registro na autarquia
para determinadas emissões cuja colocação seja estritamente junto a investidores qualificados,
sem material publicitário. A minuta contempla ofertas de notas comerciais, CCBs, cotas de
fundos fechados, CRIs e debêntures simples, por parte de empresas de capital aberto ou fechado.
A oferta deve ser restrita a no máximo 20 investidores qualificados (pessoas físicas ou jurídicas),
com aplicação mínima de R$ 1 milhão e restrição à negociação secundária nos primeiros 90 dias.
A proposta é inspirada nas chamadas ofertas 144A previstas na legislação norte-americana e em
regulamentos similares de diversos outros mercados.
A CVM também colocou em audiência pública minuta de instrução e de respectiva nota
explicativa que estabelecem normas contábeis aplicáveis aos fundos de investimento em direitos
creditórios (FIDC) e aos fundos de investimento em direitos creditórios não padronizados (FIDC
- NP).
31
AF/DEFIX – AINT/DEMEX
ANEXOS
Emissões de Títulos Internacionais por Emissores Brasileiros
VOLUMES
Ano
2004
2005
2006
2007
2008
2009
Em US$ Milhões
TOTAL Empresas Bancos
15.232,2 4.899,4
4.612,1
17.758,7 4.399,2
5.382,4
19.404,2 11.004,0
3.641,3
1.865,9
13.838,6 9.089,6
7.520,0
3.125,0
3.870,0
26.787,0 18.342,0
4.345,0
Tesouro
5.720,7
7.977,1
4.758,9
2.883,1
525,0
4.100,0
% Moeda
JPY
Européias
0%
13%
0%
6%
2%
4%
0%
0%
0%
0%
0%
0%
US$
85%
77%
85%
77%
100%
100%
R$
2%
17%
9%
23%
0%
0%
PRAZOS MÉDIOS (em anos)
Ano
2004
2005
2006
2007
2008
2009
TOTAL
10,5
10,6
12,9
10,4
7,1
9,4
Empresas
9,7
8,6
13,1
8,1
9,2
12,1
Bancos
5,8
4,8
5,6
5,5
5,2
9,2
Tesouro
15,0
15,6
18,2
20,6
8,7
18,9
Empresas
8,4%
8,9%
7,7%
7,8%
7,6%
7,5%
Bancos
6,8%
9,6%
8,9%
6,2%
6,8%
4,8%
Tesouro
8,8%
9,1%
8,4%
8,5%
5,3%
5,8%
TAXAS MÉDIAS DE EMISSÃO (totais)
Ano
2004
2005
2006
2007
2008
2009
TOTAL
8,1%
9,2%
8,1%
7,7%
7,1%
6,8%
*médias de todas emissões em todas as moedas. Especialmente para o Tesouro, o peso dos juros nominais das emissões em reais
influencia a taxa média.
Emissões Públicas de Debêntures
Ano
2004
2005
2006
2007
2008
2009*
Ano
2004
2005
2006
2007
2008
2009*
TOTAL R$ Milhões
9.669,5
42.088,9
69.516,6
46.125,7
37.588,0
26.334,0
Operações
38
45
47
44
25
66
Prazo Médio
5,5 anos
11,8 anos
12,9 anos
12,4 anos
16,3 anos
4,3 anos
Leasings R$ Milhões
150,0
30.470,0
46.980,0
35.255,0
31.150,0
0,0
% em CDI
70%
92%
98%
93%
96%
81,1%
Empresas R$ Milhões
9.519,5
11.618,9
22.536,6
10.870,7
6.438,0
26.334,0
% em IGP-M
25%
3%
1%
1%
0%
0,1%
% em Outros
5%
5%
1%
6%
4%
18,8%
*inclui emissões pela Instrução CVM nº 476
32
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