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Realmente, é um primor a obra que lhes
apresento. Trata-se de uma viagem no
tempo. No tempo da nossa cidade tão
amada, chamada de Feira. Minha Feira de
Santana!
Peço licença ao autor, Prof. Gama, para
colocar aqui dois trechos dessa obra
maravilhosa: o Prefácio, assinado por
Eduardo Kruschewsky e um resumo da
história da nossa Feira querida, do próprio
autor.
Espero que muitos outros possam se
deliciar com essa maravilhosa obra.
Salve, salve, Professor!
PREFÁCIO
Só iluminados como Raimundo Gama podem ter idéias como esta de contar a
história de sua cidade em cartões postais.
Antes desta investida, ele já havia lançado o "Memória Fotográfica de Feira de
Santa na" (foi o coordenador da equipe que produzi u aquela obra), em 1994.
Convidado pelo autor, foi com alegria e honra que aceitei a missão de escrever
este prefácio. Afinal, sou um poeta menor que foi premiado com a oportunidade
de apresentar o livro de um intelectual da monta de Gama ...
Jornalista, escritor, professor universitário, pesquisador, o nosso autor é uma
inteligência em constante ebulição: foi fundador de um dos mais importantes
órgãos de imprensa do interior da Bahia, o extinto Feira Hoje; da UEFS e,
depois, como presidente do Lions Club - Feira de Santana, fundou o Museu
Casa do Sertão, para ele, "um filho muito querido". Incansável, este homem,
que exerceu diversos cargos públicos inclusive o de Secretário Municipal, ainda
tem tempo e sensibilidade para nos fazer viajar, através de sua caneta, pelas
paragens do sertão baiano e, entre outras coisas, visitar a bela e misteriosa
Grécia, mostrada no seu livro sobre filosofia grega antiga. Agora, reconta a
história da Feira de Santana de maneira inédita.
Numa linguagem plenamente acessível, desprovida de empolações ou
esnobismos (dispensa o uso do dicionário), a cidade se descortina ante nossos
olhos, desde os seus primórdios, em 1615, quando ocorreu a concessão de
terras a Miguel Ferreira Feio, 4 léguas em quadra, entre os rios Pojuca,
Jacuípe e Subaé, pórtico do sertão, fundando-se o povoado de São José das
Itapororocas, hoje distrito de Maria Quitéria. Conta-nos ele: ocorreu a
ampliação, em 1619, com nova concessão de terras a João Peixoto Viegas que
aqui instalou currais nas terras da Casa da Ponte. Mais tarde, Viegas ampliaria
seu domínio comprando ao Juiz ordinário do Senado da Câmara de Salvador,
Bacharel João Lobo de Mesquita, outras glebas. Era uma vasta área,
compreendendo terras de Itapororocas, Jacuípe e Água Fria, anexada à
primeira que lhe foi concedida.
Graças ao relato desta inteligência clarividente, nos transportamos para beber
leite cru, servido em canecas de alumínios, junto aos currais; sentar ao pé das
fogueiras, nas noites encantadas do sertão, pitando o cigarrinho de fumo de
corda enrolado na palha seca de milho ou, ainda, fazer cara feia e cuspir no
chão ao tomar um gole curto da "branquinha" enquanto ouvimos, com os olhos
arregalados de medo e admiração, histórias de onças e jagunços contadas
pelos
peões.
As
terras
dos
Viegas
relata
Gama,
se
transformando em parada obrigatória para todos aqueles que, vindos do Norte,
se dirigiam ao porto de Cachoeira.
O feirense tem muito orgulho de ler e saber da sua historia e, desta vez, esta
história não e uma repetição das narrativas anteriores porque Gama depois de
localizar geograficamente a cidade, nos mostra como os bravos sertanejos
agruparam-se formando a hoje "Princesa do Sertão". São primeiras paginas
repletas de imagens escritas, como um aperitivo para os olhos ...
É ótimo rever a cidade nas paginas deste livro! E o li, em primeira mão, quando
ela ainda dormitava o sono que precede a ida para o mundo. Agora chega para
o grande público e - lhe asseguro! - lê-lo e vê-lo será como saborear um manjar
inigualável para os espíritos dos filhos desta "Terra formosa e bendita. Paraíso
com o nome de Feira", como bem disse Georgina Erismann.
Em sua segunda parte, bebi o néctar da beleza com os olhos! Foi uma festa
para minha alma de feirense ver desfilar os velhos casarios, suas ruas onde,
em cada esquina, podemos sentir os espectros dos seus filhos que se foram e
que a amavam tanto! Os postais contam para nossa visão uma cidade que, aos
poucos, se despede de alguns dos seus monumentos arquitetônicos,
sacrificado pela sanha desenfreada de uma coisa que se chama "progresso" e
de outra chamada "modernidade". Mas, nem tudo está perdido: Além de
guardá-Ios em nossa lembrança, vamos tê -los longe da destruição, de maneira
que nem a memória irá apagar: através dos postais de Gama.
Eis, pois, leitor, "Feira de Santana em Postais". Queria estar junto a vocês no
momento da leitura individual destas páginas impregnadas de amor filial para,
além de sentir orgulho da minha santa e adorada terrinha, comentarmos a
beleza do livro e me fosse possível dizer, os olhos brilhantes de satisfação:
"Este Gama é um formidável!...”
Deus lhe abençoe, meu professor, pela oferenda que você faz à sua gente!
Eduardo Kruschewsky'
FEIRA DE SANTANA
O município de Feira de Santana tem uma área de 1.363km 2, sua sede tem
122km2• Possui oito distritos: Maria Quitéria, Humildes, Jaíba, Jaguará, Bonfim
de Feira, Tiquaruçu, Governador João Durval Carneiro e Matinha.
De altitude, Feira de Santana está a 257 metros acima do nível do mar. A
latitude sul são 12° e 16' e a longitude oeste, 38° e 58'. A máxima pluviosidade
anual é de 1.595mm, média de 869mm e mínima de 444mm. O seu clima é
tropical, úmido e semi-árido, e a temperatura anual varia entre 160 e 38° C. A
vegetação é de mata, cerrado e caatinga. A sua geografia é composta também
de certas regiões xerófilas (quer dizer, uma vegetação seca com gramíneas e
arbustos). O relevo apresenta-se com planaltos e tabuleiros. Possui algumas
serras, a exemplo da Serra Grande, Cágados, São José, Caiçara e Agulhas.
A bacia hidrográfica é composta dos rios Subaé, Pojuca, Jacuípe e seus
diversos afluentes, como o Cavaco, Peixe e Calandro. Feira de Santana possui
ainda várias lagoas, destacando-se as seguintes: Prato Raso, Pindoba,
Salgada, Subaé e Lagoa Grande.
Distante de Salvador 108 km, situa-se na região norte do estado e destaca-se
como o mais importante entroncamento do Norte/Nordeste do País, por onde
passam rodovias federais, que são as BRs 101, 116 e 324, e as estaduais, as
BAs 084, 502 e 504.
O povoamento da região, onde mais tarde se constituiu o nosso município, teve
início entre 1619 e 1665, quando o colonizador e desbravador João Peixoto
Viegas se tornou proprietário de uma extensa área, onde acabou se
estabelecendo, pela configuração espacial de hoje, de Itapororocas e Jacuípe
até Água Fria. Assim, nessa época, identificamos os primórdios da população
da futura Feira de Santana.
Na realidade, a origem e a história de nosso município e seu povo têm um
começo estimado em 365 anos atrás. Foi nos campos de Itapororocas (mais
tarde, São José das Itapororocas e, hoje, Maria Quitéria) que nasceu o
povoado que depois se transformaria na atual Feira de Santa na, e não no Alto
da Boavista e nem nos Olhos d'Água. Como havia naquela região dificuldade
de água, segundo alguns, e também pelo fato de que passava próximo dali
uma grande população flutuante, como tropeiros e boiadeiros, assim a
população de Itapororocas foi se transferindo pouco a pouco para
a região dos Olhos d'Água e Alto da Boavista, nascendo assim a Feira que
conhecemos.
Até a data de hoje, nossa cidade teve as seguintes denominações: Arraial de
Santana da Feira (1819), Vila de Santana da Feira (1833), Comercial Cidade
de Feira de Santana (1873), Feira (1931) e, em 1938, o nome atual.
No início do século XVIII, à beira da antiga Estrada das Boiadas, passagem do
gado que vinha do Sertão para os mercados de Cachoeira, Santo Amaro e
Salvador, o casal Domingos Barbosa de Araújo e Ana Brandão construiu uma
pequena capela dedicada a Santa Ana (depois, apenas Santana) e a São
Domingos, em terras da fazenda Santana dos Olhos d'Água, de propriedade
deles.
O local acabou se tornando ponto de parada de boiadeiros, tropeiros e
viajantes, atraídos, sobretudo pelos mananciais de água existe ntes nas
proximidades. Foi o bastante para que surgisse, em pouco tempo e na área em
torno da capela, um pequeno comércio, dando início também a um vilarejo que
logo se tornou conhecido pela grande dimensão de sua feira de gado, a qual
atraía vendedores e compradores de vários pontos da província. Por volta de
1835 já se aglomeravam entre 3 mil e 4 mil pessoas às terças-feiras toda
semana. Mais tarde esta feira passou para as segundas.
À medida que o povoado crescia e se desenvolvia, aumentava também a feira
livre e a intensidade do comércio de gado. Em 18 de setembro de 1833
ocorreu a emancipação política: o povoado, já bastante desenvolvido, foi
elevado à categoria de vila - a Vila de Feira de Santana - e se tornou sede do
que viria a ser o município, separando-se, portanto, da Vila de Nossa Senhora
do Rosário do Porto de Cachoeira, hoje simplesmente Cachoeira. Quarenta
anos depois, em 16 de junho de 1873, a vila foi elevada à categoria de cidade,
com o nome de Comercial Cidade de Feira de Santa na.
Como vemos, são duas datas importantes, porém distintas.
Nosso município está comemorando mais de 174 anos de emancipação, uma
vez que esta foi consolidada, na verdade, com a instalação, a posse e o
juramento da Câmara Municipal da então nova Vila do Arraial de Santa Ana da
Feira. Para ela ficaram compreendidas as freguesias de São José das
Itapororocas, Santana do Camisão e Santíssimo Coração de Jesus de Pedrão.
A Lei Provincial de nº. 234, de 19 de março de 1846, criou a Freguesia de
Santana. Já a Lei Provincial de nº. 552, de 12 de junho de 1855, estabeleceu a
Comarca de Feira de Santana. E foi a Lei Provincial de nº. 1.320, de 16 de
junho de 1873, que elevou a Vila de Santa Ana à categoria de cidade.
Sobre a nomenclatura da época, até o ano de 1837 a Província da Bahia
somente tinha apenas uma cidade, que era a sua Capital, Salvador.
Posteriormente foram criadas as seguintes: Cachoeira, Santo Amara, Valença,
Nazaré, Maragogipe, Caravelas, Lençóis, Caetité, Barra do Rio Grande e a
própria Feira de Santana.
Até o início de 1938 as sedes municipais permaneceram como vilas. A partir do
dia 2 de março do mesmo ano, através do Decreto de nº. 311, do então
presidente
Getúlio Vargas, automaticamente todas as vilas passaram a ser cidades.
Está aí a origem da maior cidade do Interior da Bahia, marcada por dois
elementos que justificam e explicam o seu rápido crescimento e a dinâmica de
sua economia: a posição geográfica, a meio caminho entre a costa e o Interior,
e uma clara vocação para o comércio, pecuária e, a partir da década de 1970,
para a indústria.
De fato, nascida às margens da velha Estrada das Boiadas (na época, a mais
importante via de acesso aos pontos mais longínquos do Sertão, desde o
Recôncavo até as minas de salitre da região do São Francisco, incluindo as
fazendas situadas além dos limites do Velho Chico), a cidade acabou se
tornando o mais importante entroncamento rodoviário do Norte e do Nordeste
do País. O pequeno comércio em volta da capela de Santana se transformou
na grande feira livre que, por muitos anos, ocupou as principais ruas da cidade
e onde se vendia praticamente de tudo, atraindo gente de toda a região. Em 10
de janeiro de 1977 a feira como tal deixou de existir com a inauguração
do Centro de Abastecimento, sendo o prefeito da época o Dr. José Falcão da
Silva.
Indissoluvelmente ligada à vida de Feira de Santa na, a atividade comercial
marca o destino histórico da cidade, que continua sendo um ponto de
convergência de quantos passam por aqui para comprar e vender. É o
comércio a atividade que mais definiu a sua vocação - mesmo no tempo em
que a atividade agropastoril dominava a economia da Bahia. Feira de Santana
se destacou como o grande centro de comercialização de gado e dos mais
diversos produtos, escoadouro de grande parcela da produção pecuária e
agrícola de uma vasta região do Brasil.
Desde aquela época até hoje, assim caminha a cidade, dando saltos,
crescendo em todas as vertentes, contrariando os pessimistas, superando
crises, enfrentando desafios, transformada no grande centro distribuidor dos
produtos industrializados vindos de todos os pontos do país.
Se a velha feira livre foi tangida das ruas centrais, confinando feirantes,
produtores e distribuidores na área do Centro de Abastecimento, ela já havia
cumprido seu papel de elemento catalisador da formação de uma vasta rede de
estabelecimentos varejistas e atacadistas, em condições de atender das mais
singelas às mais sofisticadas demandas da população regional.
A partir dos anos 70, as atividades econômicas municipais - a essa altura
consolidadas como o mais importante centro econômico da Bahia, depois da
Capital - ampliaram-se com a instalação das primeiras fábricas de médio porte
e a implantação do Centro Industrial do Subaé (CIS), que hoje abriga empresas
importantes como Pirelli, Kaiser, Jossan, Química Geral do Nordeste, etc.
Paralelamente ocorreu uma expansão do setor de serviços, sobretudo nas
áreas da medicina e da educação. No primeiro caso, Feira é considerada o
mais importante pólo de medicina da Bahia, depois de Salvador, com hospitais,
clínicas e laboratórios dotados dos mais modernos equipamentos e com um
quadro numeroso de profissionais de alta credibilidade. No campo educacional,
o destaque é sua universidade, a Universidade Estadual de Feira de Santana
(UEFS), hoje apontada como uma instituição emergente, de grande conceito
acadêmico na região Nordeste.
O município possui hoje uma infra-estrutura de grande centro de negócios: bem
servido de estradas, transportes, telecomunicações, energia elétrica, água
encanada, educação, instituições de formação de mão-de-obra, equipamentos
de saúde, etc.
Como disse o sociólogo Gilberto Freyre, "o passado nunca foi, o passado
continua". Assim, um mero lançar de olhos sobre a cidade é suficiente para
comprovar seu grau de desenvolvimento. Um quadro certamente bem diferente
de quando o vilarejo de Santana dos Olhos d'Água foi visitado pelos
naturalistas alemães Von Spix e Von Martis, em 1819. Na época, os dois
naturalistas o descreveram como um "mísero povoado", certamente
impressionados com a pobreza das casas feitas de parede de varas traçadas e
enchimento de barro amassado, cobertas com capim-guiné ou folhas de
palmeira.
Hoje o município de Feira de Santana tem uma população de
aproximadamente 500 mil habitantes, segundo dados do IBGE (2005), e as
características de uma verdadeira metrópole regional: extensas e largas
avenidas arborizadas, ruas pavimentadas e dotadas de rede de drenagem para
águas pluviais e de esgoto sanitário, prédios imponentes, lojas sofisticadas e
um intenso movimento de pessoas e veículos.
Esse movimento, curiosamente, continua sendo maior nas segundas-feiras, dia
em que, mesmo após a extinção da antiga feira livre que ocupava vários
quilômetros de rua no Centro da cidade, o comércio local continua atraindo
milhares de pessoas dos municípios circunvizinhos. A segunda é o dia de
maior movimento comercial principalmente para a vasta rede de
estabelecimentos, que se concentram, sobretudo nas ruas Sales Barbosa,
Marechal Oeodoro, Conselheiro Franco, nas avenidas Senhor dos Passos,
Getúlio Vargas, Presidente Outra e João Ourval Carneiro e no Shopping
Iguatemi.
Uma característica marcante da cidade nos últimos anos foi a intensificação do
processo de verticalização das construções urbanas, com o surgimento de
numerosos edifícios, como resultado da crescente opção de parte da
população por um tipo de habitação que lhe assegura maior privacidade,
segurança e tranqüilidade.
A ciência demonstra que vivemos em um processo contínuo de transformação,
de crescimento. Não se constrói com omissão e pessimismo. Assim é, também,
uma cidade. Ela impulsiona sua população ao exercício da cidadania, e Feira
de Santana tem demonstrado que pulsa em direção a um grande
desenvolvimento.
Basta examinar os dados para comprovar que Feira de Santa na, apesar dos
pessimistas e de alguns poucos incrédulos, cresce e se desenvolve
continuamente. É evidente que esse crescimento e esse desenvolvimento
também deixam suas vítimas: aqueles que não conseguem se adaptar aos
tempos modernos, ao novo ritmo da cidade. Mas, de modo geral, não é tarefa
difícil encontrar empresas e empresários que têm demonstrado uma bemsucedida vocação para criar e construir. Empresas que surgem e se
consolidam, unindo seu sucesso e seu destino ao sucesso e ao destino da
própria cidade.
Assim tem sido e, certamente, torcemos para que continue dessa forma
indefinidamente, para o desenvolvimento da cidade e orgulho do povo feirense.
Gama, Raimundo - G 178f Feira de Santana em postais/ Raimundo Gama;
prefácio de Eduardo Kruschewsky. - Feira de Santana: s. edição, 2009.
242 p.: il.
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