GOVERNO DO DISTRITO FEDERAL RELATÓRIO DE IMPACTO AMBIENTAL COMPLEMENTAR DO ASSENTAMENTO RURAL MONJOLO Setembro de 2009 INSTITUIÇÕES PARTICIPANTES RIAC Assentamento Monjolo, setembro/2009 ii EQUIPE TÉCNICA SEAPA Alba Evangelista Ramos, Bióloga, Membro Titular Emirton de Araújo Carvalho, Téc. em Agropecuária, Membro Titular Germana Maria Cavalcanti Lemos Reis, Eng.ª Florestal Gilberto Cotta de Figueiredo, Engº Mecânico Júlio Otávio Costa Moretti, Eng.º Agrônomo Francisco Paulo R. de Jesus, Técnico de Desenv. e Fisc. Agropecuária SEDUMA Glauco Cezar de Souza Ferreira, Sociólogo, Membro Titular ADASA Diógenes Mortari, Geólogo , Membro Titular Roger Henrique de Oliveira Souza, Geólogo Thales Bueno Piva, Estagiário CAESB Raquel de Carvalho Brostel, Eng.ª Civil, Membro Titular CODEPLAN Emery Dulce Nogueira, Geógrafa, Membro Titular CODHAB Tatiana Mamede Salum Chaer, Arquiteta, Membro Titular Fabio Oliveira e Silva, Eng.º Florestal Juliana Borin Grapeggia Facó, Arquiteta Rafael Martins Mendes, Arquiteto Roxane Delgado Almeida, Economista, Membro Titular EMATER Eusângela Antônia da Costa, Eng.ª Agrônoma João Pires da Silva Filho, Téc. em Agropecuária, Membro Titular José Voltaire Brito Peixoto, Eng.º Agrônomo, Membro Titular RIAC Assentamento Monjolo, setembro/2009 iii Marcos de Lara Maia, Eng.º Agrônomo , Membro Titular Marcos Gabriel Durães Froes, Estagiário Roberto Guimarães Carneiro, Eng.º Agrônomo Sérgio Dias Orsi, Médico Veterinário Sumar Magalhães Ganem, Eng.º Agrônomo, Presidente do Grupo de Trabalho do Núcleo Rural Monojolo JBB Alex Alves Amorim, Gerente de Preservação do JBB Andre Alves Mato de Lima, Biólogo Fernado Afonso Nolli, Biólogo Michelini Carvalho-Silva, Bióloga João Bernardo de A. Bringel Junior Mariana Souza de Oliveira, Técnica de Herbário Roberto Cavalcanti Sampaio, Estagiário Augusto César Alencar Soares, Geógrafo Valdina Ferreira de Paiva, Técnica em Herbário Obs: Membro Titular: Nomeado pelo Decreto 30520/2009 GDF (Anexo 19) AGRADECIMENTOS À Secretaria de Segurança do Distrito Federal (Polícia Civil e Polícia Ambiental), aos pesquisadores do Herbário da Universidade de Brasília (UnB), Regina Célia de Oliveira e Cássia Beatriz Rodrigues Munhoz e da EMBRAPA Recursos Genéticos, Marcelo Fragomeni Simon, , aos técnicos da Gerência de Meio Ambiente da TERRACAP, Pedro Rafael Mandai e Nelson Alves Louzeiro Júnior; aos Analistas Ambientais do IBRAM; aos auxiliares e prestadores de serviços da EMATER/DF, Luiz Carlos da Silva, Jandira Martins Ramos, Martinho Lopes de Aráujo e Vera Lúcia Bispo Sousa e aos demais servidores do Governo do Distrito Federal que, direta ou indiretamente, contribuíram para a realização deste trabalho. RIAC Assentamento Monjolo, setembro/2009 iv SUMÁRIO 1. CONTEXTO DO PROJETO ................................................................................ 1 1.1 IDENTIFICAÇÃO DO EMPREEENDEDOR .......................................................... 1 1.2 CARACTERIZAÇÃO GERAL DO EMPREENDIMENTO .......................................... 1 1.3 OBJETIVOS DO EMPREENDIMENTO ................................................................ 3 2. CONTEXTUALIZAÇÃO...................................................................................... 3 3. ÁREA DE ATUAÇÃO DO PROJETO .................................................................... 8 3.1 LOCALIZAÇÃO DA ÁREA DO ASSENTAMENTO DA SEAPA .................................. 8 3.2 DELIMITAÇÃO DAS ÁREAS DE INFLUÊNCIA ..................................................... 9 3.3 CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA ........................................................................ 11 3.3.1 Considerações iniciais................................................................................................11 3.3.2 Meio Físico .................................................................................................................14 3.3.3 Meio Biótico ................................................................................................................49 3.3.4. Meio Antrópico ....................................................................................................... 144 4. ARCABOUÇO LEGAL ................................................................................... 183 5. PROGNÓSTICO AMBIENTAL ......................................................................... 197 6. ANÁLISE DOS IMPACTOS AMBIENTAIS .......................................................... 202 6.1 IMPACTOS AMBIENTAIS NO MEIO BIÓTICO .................................................. 205 6.2 IMPACTOS AMBIENTAIS NO MEIO FÍSICO ................................................... 206 6.3 IMPACTOS AMBIENTAIS NO MEIO ANTRÓPICO ........................................... 207 6.4 IMPACTOS AMBIENTAIS RELACIONADOS À INFRAESTRUTURA .................... 208 7. MITIGAÇÃO OU MAXIMIZAÇÃO DOS IMPACTOS GERADOS ................................. 209 7.1 MEDIDAS MITIGADORAS RELACIONADAS AO MEIO BIÓTICO ........................ 209 7.2 MEDIDAS MITIGADORAS RELACIONADAS AO MEIO FISÍCO .......................... 210 7.3 MEDIDAS MITIGADORAS RELACIONADAS AO MEIO ANTRÓPICO .................. 212 7.4 MEDIDAS MITIGADORAS RELACIONADAS À INFRAESTRUTURA .................... 213 8. PLANO DE ACOMPANHAMENTO E MONITORAMENTO AMBIENTAL ...................... 218 8.1 PROGRAMA DE MONITORAMENTO E FISCALIZAÇÃO .................................... 219 RIAC Assentamento Monjolo, setembro/2009 v 8.2 PROGRAMA DE CONTROLE DE EROSÃO .................................................... 222 8.3 PROGRAMA DE PAISAGISMO / RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS .... 223 8.4 PROGRAMA DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL E SANITÁRIA ................................. 224 9. VIABILIDADE SÓCIOECONÔMICA ..................................................................... 227 9.1 PERSPECTIVAS DE MERCADO .................................................................. 228 9.2 CONSUMO............................................................................................... 229 9.3 LOCAIS DE VENDA ................................................................................... 232 9.4 RENTABILIDADE ...................................................................................... 233 9.5 – ASPECTOS SOCIAIS ............................................................................... 240 9.5.1 IDCR dos 38 Proprietários – Comunidade do Monjolo ........................................... 241 10. AÇÕES COMPLEMENTARES .......................................................................... 327 10.1 REPOSIÇÃO FLORESTAL......................................................................... 327 10.2 RECURSOS HÍDRICOS ............................................................................ 327 10.3 EFLUENTES GERADOS ........................................................................... 328 11. CONSIDERAÇÕES FINAIS E RECOMENDAÇÕES .............................................. 328 11.1 RECOMENDAÇÕES GERAIS ..................................................................... 328 11.2 RECOMENDAÇÕES ESPECÍFICAS ............................................................ 329 12. BIBLIOGRAFIA.............................................................................................. 331 13. ANEXOS ...................................................................................................... 342 RELAÇÃO DE TABELAS Tabela 1. Susceptibilidade à erosão ..................................................................... 32 Tabela 2. Resumo das classes dos domínios, sistemas/subsistemas aquíferos do Distrito Federal com respectivas vazões médias ............................................. 41 Tabela 3. Locais de identificação e descrição fisionômica e amostragem 51 RIAC Assentamento Monjolo, setembro/2009 vi florística do Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, Distrito Federal ............ Tabela 4. Categorias de uso do solo na Área do Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, Distrito Federal ...................................................................... 84 Tabela 5. Espécies vegetais ocorrentes no Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, Distrito Federal ........................................................................................... 91 Tabela 6. Avifauna ................................................................................................. 119 Tabela 7. Herpetofauna encontrada com o uso do habitat ................................... 134 Tabela 8. Lista de provável ocorrência das espécies de mamíferos ..................... 139 Tabela 9. Quadro de Áreas ................................................................................... 176 Tabela 10. Resumo dos transferidos ..................................................................... 180 Tabela 11. Matriz de identificação de impactos para o Meio Biótico ..................... 198 Tabela 12. Matriz de identificação de impactos para o Meio Físico ...................... 199 Tabela 13. Matriz de identificação de impactos do Meio Antrópico ...................... 200 Tabela 14. Matriz de identificação de impactos da Infraestrutura ......................... 201 Tabela 15. Medidas mitigadoras ........................................................................... 215 Tabela 16. Consumo per capita dos principais produtos no DF ............................ 230 RELAÇÃO DE FIGURAS Figura 1. Núcleo Rural Monjolo e a cidade satélite de Recanto das Emas .......... 9 Figura 2. As AID E AII visualizando a hidrografia .................................................. 10 Figura 3. As AID E AII considerando a proximidade com os núcleos urbanos ..... 10 RIAC Assentamento Monjolo, setembro/2009 vii Figura 4. O vale do Córrego Monjolo através de uma tomada aérea ................... 11 Figuras 5 e 6. Ilustrações de veredas, muito presentes na área ........................... 13 Figura 7. Classes de Solos da área do assentamento com a nova malha fundiária proposta .................................................................................................. 13 Figuras 8 e 9 . Perfil de um Latossolo Vermelho (Acervo da Embrapa) e área de ocorrência no assentamento ............................................................................... 16 Figuras 10 e 11. Perfil de um cambissolo (Acervo da Embrapa Cerrados) e local de ocorrência de assentamento ............................................................................ 20 Figuras 12 e 13. Perfil de um Gleissolo Háplico (Acervo da Embrapa errados) e local de ocorrência no assentamento .................................................................... 21 Figuras 14 e 15. Perfil de Neossolo Quartzarênico (Acervo da Embrapa Cerrados) e local de ocorrência no assentamento ................................................ 23 Figura 16. Teores de matéria orgânica dos solos ................................................. 27 Figura 17. Capacidade de troca catiônica do solos ............................................... 28 Figura 18. Saturação de alumínio nas 03 amostras .............................................. 30 Figura 19. Saturação por bases dos solos ............................................................ 31 Figura 20. Teores de Fósforo dos solos amostrados ............................................ 31 Figura 21. Mapa geológico do Distrito Federal ...................................................... 34 Figura 22. Coluna estratigráfica com breve descrição litológica das unidades presentes na região do Distrito Federal ............................................................... 35 Figura 23. Geologia do Distrito Federal e a localização do assentamento ........... 37 Figura 24. Mapa de declividade do assentamento ................................................ 39 Figura 25. Mapa hidrogeológico do DF e a localização do assentamento .......... 40 Figura 26. Nova proposta de distribuição dos sistemas intergranulares freáticos (aquíferos porosos) do DF .................................................................................... 44 Figura 27 - Curva de disponibilidade do Córrego Monjolo – Fonte ADASA .......... 47 Figura 28. Mata de Galeria Não Inundável, Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF ............................................................................................................... 58 Figura 29. Mata de Galeria Não Inundável, Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF ............................................................................................................... 58 Figura 30. Mata de Galeria Inundável, Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF ............................................................................................................... 58 RIAC Assentamento Monjolo, setembro/2009 viii Figura 31. Mata de Galeria Inundável, Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF ............................................................................................................... 58 Figura 32. Transição do Cerrado Sentido Restrito Subtipo Rupestre para Mata de Galeria, Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF ................................ 59 Figura 33. Transição do Campo Limpo para Mata de Galeria, Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF ........................................................................... 59 Figura 34. Transição do Campo Limpo infestado por capim-braquiária (Brachiaria decumbens) para Mata de Galeria, Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF ........................................................................................................ 59 Figura 35. Transição do Campo Limpo com presença de Mimosa heringeri para Mata de Galeria, Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF ....................... 59 Figura 36. Interface da Mata de Galeria Inundável com Campo Limpo Úmido e Vereda, Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF ..................................... 60 Figura 37. Mata de Galeria Inundável do Córrego Monjolo, mistura fisionômica com Vereda e Campo Limpo, Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF ... 60 Figura 38. Indivíduos de buriti (Mauritia flexuosa Mart.) na Mata de Galeria do afluente leste do Córrego Monjolo, Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF 60 Figura 39. Indivíduo de xaxim (Cyathea villosa Humb. & Bonpl. ex Willd.) no interior da Mata de Galeria do afluente oeste do Córrego Monjolo, Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF ................................................... 60 Figura 40. Mata de Galeria com borda por samambaião (Pteridium aquilinum), capim-gordura (Melinis minutiflora) e Mimosa heringeri, Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF ......................................................................................... 61 Figura 41. Mata de Galeria borda antropizada, Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF ........................................................................................................ 61 Figura 42. Mata de Galeria perturbada por capim-gordura (Melinis minutiflora), Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF ................................................... 62 Figura 43. Desmatamento na borda da Mata de Galeria do afluente leste do Córrego Monjolo, Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF ...................... 62 Figura 44. Cerca de arame farpado atravessando a Mata de galeria do afluente oeste do Córrego Monjolo, Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF ....... 62 Figura 45. Cerca de arame liso atravessando a Mata de galeria do afluente oeste do Córrego Monjolo, Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF ....... 62 Figura 46. Mata de Galeria do afluente oeste do Córrego Monjolo, com sinais de assoreamento do curso d’água, Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF 63 Figura 47. Mata de Galeria do afluente oeste do Córrego Monjolo, com sinais de assoreamento do curso d’água, Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF 63 RIAC Assentamento Monjolo, setembro/2009 ix Figura 48. Cerrado Sentido Restrito subtipo Típico, Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF ......................................................................................... 65 Figura 49. Cerrado Sentido Restrito subtipo Típico, Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF ........................................................................................ 65 Figura 50. Cerrado Sentido Restrito subtipo Ralo, Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF ......................................................................................... 66 Figura 51. Cerrado Sentido Restrito subtipo Ralo, com presença de Mimosa heringeri, Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF ................................... 66 Figura 52. Cerrado Sentido Restrito subtipo Rupestre, Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF ......................................................................................... 67 Figura 53. Cerrado Sentido Restrito subtipo Rupestre, Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF ......................................................................................... 67 Figura 54. Inclusões de Vereda e nascentes no Cerrado Sentido Restrito subtipo Rupestre, Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF ...................... 67 Figura 55. Inclusões de Vereda e nascentes no Cerrado Sentido Restrito subtipo Rupestre, Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF ...................... 67 Figura 56. Cerrado Sentido Restrito subtipo Rupestre com braquiária e capimgordura, Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF .................................... 68 Figura 57. Cerrado Sentido Restrito subtipo Rupestre com população de Mimosa heringeri, Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF ..................... 68 Figura 58. Dasiphyllum latifolium (Gardner) Cabrera (Compositae ou Asteraceae) no Cerrado Sentido Restrito subtipo Rupestre no Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF ........................................................................... 68 Figura 59. Parque de Cerrado no Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF .......................................................................................................................... 69 Figura 60. Vereda próxima do pomar, na Etapa 1 do Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF ......................................................................................... 70 Figura 61. Vereda ocorrendo entre trechos da Mata de Galeria naturalmente interrompida, Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF ............................. 70 Figura 62. Encontro da Vereda com a Mata de Galeria e Campo Limpo Úmido, no vale do Córrego Monjolo, Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF ..... 71 Figura 63. Indivíduos floridos de Lobelia cf. brasiliensis A.O.S. Vieira & G.J.Shepherd em Vereda, Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF ........ 71 Figura 64. Poço escavado na Vereda próxima ao pomar da etapa 1, Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF ................................................... 72 Figura 65. Estrada ao lado da Vereda próxima ao pomar da etapa 1, Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF ................................................... 72 RIAC Assentamento Monjolo, setembro/2009 x Figura 66. Uso da Vereda e da Mata de Galeria como pasto para animais domésticos, Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF ............................... Figura 67. Contaminação do solo por excretas humanos e lixo em Campo Limpo Úmido que margeia a Vereda, Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF ............................................................................................................... 72 72 Figura 68. Indivíduo de buriti (Mauritia flexuosa Mart.) que sofreu anelamento da estipe, Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF .................................. 72 Figura 69. Pastagem margeando a Vereda, Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF ........................................................................................................ 72 Figura 70. Campo Sujo, Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF ............ 74 Figura 71. Campo Limpo em encosta, Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF ............................................................................................................... 75 Figura 72. Campo Limpo Úmido, nos fundos do lote nº 88 do Sr. Joaquim, Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF ................................................... 75 Figura 73. Campo Limpo Úmido, nos fundos do lote nº 88 do Sr. Joaquim, Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF ................................................... 75 Figura 74. Campo Limpo Úmido, limitando com o Cerrado Sentido Restrito subtipo Rupestre e com pastagem, Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF .......................................................................................................................... 76 Figura 75. Campo Limpo Úmido, limitando com o Cerrado Sentido Restrito subtipo Rupestre e com pastagem, Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF .......................................................................................................................... 76 Figura 76. Campo Limpo Úmido associado à Vereda, Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF ......................................................................................... 76 Figura 77. Campo Limpo Úmido, margeando a Mata de Galeria, Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF ........................................................................... 76 Figura 78. Capoeira de Trembleya parviflora (D. Don.) Cogn. e Baccharis sp., Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF ................................................... 79 Figura 79. Capoeira de Mimosa heringeri Barneby, Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF ......................................................................................... 79 Figura 80. Avanço de capim-braquiária na Vereda, Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF ......................................................................................... 80 Figura 81. Avanço do capim-braquiária sobre o Campo Limpo, Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF ........................................................................... 80 Figura 82. Rebrota de espécies do Cerrado Sentido Restrito no pasto, Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF ................................................... 80 RIAC Assentamento Monjolo, setembro/2009 xi Figura 83. Rebrota de espécies do Cerrado Sentido Restrito no pasto, Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF ................................................... Figura 84. Área agrícola, cultivo de mandioca, Recanto das Emas, DF ............... Figura 85. Pomar, Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF ..................... 80 81 81 Figura 86. Área em preparo para cultivo agrícola, Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF ......................................................................................... 82 Figura 87. Área desmatada ao lado da Vereda para construção de reservatório de água, Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF .................................... 82 Figura 88. Processo erosivo, Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF .... 82 Figura 89. Processo erosivo, Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF .... 82 Figura 90. Deposição de lixo na Vereda, Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF ............................................................................................................... 83 Figura 91. Entulhos na Mata de Galeria do Córrego Monjolo, Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF ........................................................................... 83 Figura 92. Ocorrência de incêndio florestal no Cerrado Sentido Restrito subtipo Rupestre, Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF .................................. 83 Figura 93. Queimada da pastagem, Assentamento Monjolo, Recanto das Emas, DF .......................................................................................................................... 83 Figura 94. Mapa de Vegetação e Uso do Solo do Assentamento Monjolo ........... 85 Figura 95. Localização dos Sistemas de Abastecimento de Água do DF ............ 146 Figura 96. Localização dos Sistemas de Abastecimento de Água por Poços ..... 147 Figura 97. Ligação de água na 1ª Etapa do Recanto do Monjolo ......................... 150 Figura 98. Ponto de uso de água na 1ª Etapa do Recanto do Monjolo ................ 150 Figura 99. Vista externa de banheiro químico instalado no local .......................... 155 Figura 100. Vista interna do banheiro químico sem limpeza e manutenção ......... 155 Figura 101.Disposição do escoamento superficial de Recanto das Emas próximo ao limite norte da área de estudo com início de processo erosivo .......... 158 Figura 102. Disposição do escoamento superficial de Recanto das Emas próximo ao limite norte da área de estudo ............................................................ 158 RIAC Assentamento Monjolo, setembro/2009 xii Figura 103. Disposição do escoamento superficial de Recanto das Emas na área de estudo, onde se observa o caminhamento da água e resíduos carreados ............................................................................................................... 158 Figura 104. Resíduos na boca de lobo localizada nas proximidades da área de estudo, prejudicando a coleta de escoamento superficial em Recanto das Emas 158 Figura 105. Sulcos formados pelo escoamento superficial ao longo da pista principal do empreendimento (1ª etapa) ............................................................... 159 Figura 106. Sulcos formados pelo escoamento superficial ao longo da pista principal do empreendimento (2ª etapa) ............................................................... 159 Figura 107. Processo erosivo às margens do Córrego Monjolo proveniente da drenagem da pista do empreendimento ................................................................ 160 Figura 108. Processo erosivo às margens do Córrego Monjolo e tubulações de drenagem possivelmente para construção de galeria ........................................... 160 Figura 109. Disposição de lixo e entulho nas proximidades da divisa com a área urbana de Recanto das Emas ............................................................................... 164 Figura 110. Disposição inadequada de resíduos domésticos na área do empreendimento .................................................................................................... 164 Figura 111.Uma das 26 casas em construção ...................................................... 168 Figura 112. Chácara cujo fundo está sobre APP .................................................. 168 Figura 113. Ocupação por barracos provisórios ................................................... 168 Figura 114. Ocupação por barracos provisórios ................................................... 168 Figura 115. Ocupação por barracos provisórios ................................................... 168 Figura 116. Uma das 26 casas em construção ..................................................... 168 Figura 117. Projeto implantado 169 Figura 118. Sobreposição das chácaras - A sobreposição das Áreas de Preservação Permanentes possibilitaram detectar quais as chácaras deveriam ser desconstituídas ................................................................................................ 171 Figura 119. Chácaras desconstituídas - Em destaque as chácaras que deverão ser desconstituídas. Suas áreas reconstituirão APP e Reserva Legal ................. 172 Figura 120. Chácaras que permanecem ............................................................... 173 Figura 121. Sistema viário - O acesso às chácaras 1, 2 e 3 se dará por via criada, paralela à Avenida Monjolo. O trecho previsto entre as chácaras 5 e 1 foi desconstituído ....................................................................................................... 174 RIAC Assentamento Monjolo, setembro/2009 xiii Figura 122. Sistema viário - Com a desconstituição da chácara 21, a via passa a ser lindeira às chácaras 20 e 35, evitando sobreposição com APP ................... 175 Figura 123. Sistema viário - 2ª etapa, com a desconstituição das chácaras 78, 89 e 90, a via passa a fazer divisa com chácaras 69 e 79, contornando a APP ... 175 Figura 124. Plano de ocupação ............................................................................. 177 Figura 125. Plano de relocação ............................................................................. 182 Figura 126. Diagrama demonstrativo dos impactos potenciais no assentamento 197 Figura 127. Demonstração gráfica das margens brutas de rentabilidade do ALFACE ................................................................................................................. 234 Figura 128. Demonstração gráfica das margens brutas de rentabilidade do ALHO ..................................................................................................................... 234 Figura 129. Demonstração gráfica das margens brutas de rentabilidade da BATATA ................................................................................................................. 235 Figura 130. Demonstração gráfica das margens brutas de rentabilidade da BETERRABA ......................................................................................................... 235 Figura 131. Demonstração gráfica das margens brutas de rentabilidade da CENOURA ............................................................................................................. 236 Figura 132. Demonstração gráfica das margens brutas de rentabilidade do PEPINO ................................................................................................................. 236 Figura 133. Demonstração gráfica das margens brutas de rentabilidade do QUIABO ................................................................................................................. 237 Figura 134. Demonstração gráfica das margens brutas de rentabilidade do REPOLHO ............................................................................................................. 237 Figura 135. Demonstração gráfica das margens brutas de rentabilidade do TOMATE ................................................................................................................ 238 Figura 136. Produção de Hortaliças minimamente processadas .......................... 239 SIGLAS E ABREVIATURAS ADASA – Agência Reguladora de Águas e Saneamento do Distrito Federal ANA – Agência Nacional de Águas RIAC Assentamento Monjolo, setembro/2009 xiv APA – Área de Proteção Ambiental APP – Área de Preservação Permanente ATER – Assistência Técnica e Extensão Rural CAESB – Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal CNRH – Conselho Nacional de Recursos Hídricos CODHAB – Companhia de Desenvolvimento Habitacional do Distrito Federal CONAMA – Conselho Nacional de Meio Ambiente DF – Distrito Federal DRS – Desenvolvimento Rural Sustentável EIA – Estudo de Impacto Ambiental EMATER – Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural EMBRAPA – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária GDF – Governo do Distrito Federal IBRAM – Instituto Brasília Ambiental IDH – Índice de Desenvolvimento Humano IDCR – Índice de Desenvolvimento Comunitário Rural IFET – Instituto Federal de Ensino Técnico JBB – Jardim Botânico de Brasília NOVACAP - Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil ONG – Organização Não Governamental PDR – Plano de Desenvolvimento Rural PGIRH – Plano de Gerenciamento Integrado dos Recursos Hídricos do Distrito Federal PIP – Plano Integrado da Propriedade PDMH – Plano de Desenvolvimento da Microbacia Hidrográfica PNMH – Programa Nacional de Microbacias Hidrográficas PRONAF – Programa Nacional de Agricultura Familiar RIDE - Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno RIMA – Relatório de Impacto ao Meio Ambiente RIAC – Relatório de Impacto Ambiental Complementar SEAPA – Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento SEBRAE – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas SEDUMA – Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente SEPLAG – Secretaria de Planejamento e Gestão TERRACAP - Companhia Imobiliária de Brasília UHG – Unidade Hidrográfica de Gerenciamento UnB - Universidade de Brasília RIAC Assentamento Monjolo, setembro/2009 xv RELATÓRIO DE IMPACTO AMBIENTAL COMPLEMENTAR – RIAC ASSENTAMENTO MONJOLO 1. CONTEXTO DO PROJETO 1.1 IDENTIFICAÇÃO DO EMPREEENDEDOR NOME ou Razão Social: Companhia Imobiliária de Brasília – Terracap ENDEREÇO: SAM Bloco F Edifício Sede Brasília-DF CNPJ: 00.359.877/0001-73 REPRESENTANTES LEGAIS: Antonio Raimundo Gomes Silva Filho CPF: 027.463.793-68 Luis Antônio Almeida Reis CPF: 154.287.101-87 1.2 CARACTERIZAÇÃO GERAL DO EMPREENDIMENTO NOME: Assentamento Rural no Núcleo Rural Monjolo (“Recanto do Monjolo”) AREA TOTAL: 355,144 ha ÁREA A SER PARCELADA: Chácaras 1,2,19 e 20 do Núcleo Rural Monjolo, localizado na RA XV – Recanto das Emas LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFICA: O Assentamento rural em questão está situado entre a cidade de Recanto das Emas e a DF 341, na divisa das Regiões Administrativas do Gama e do Recanto das Emas, coordenadas 15º55’53.69” S, 48º04’24.45” O (vide Fig. 1). BACIA HIDROGRÁFICA: Rio Paraná, Bacia do Ribeirão Ponte Alta, Microbacia Hidrográfica do Córrego Monjolo. ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL: APA do Planalto Central SITUAÇÃO FUNDIÁRIA: 1 RIAC Assentamento Monjolo, setembro/2009 De acordo com o Núcleo de Topografia (NUTOP) da TERRACAP, a situação fundiária da área objeto deste relatório, é descrita da seguinte forma: “ Localiza-se no Imóvel TAMANDUÁ, desmembrada do Município de LuziâniaGO e incorporada ao território do Distrito Federal, em TERRAS DESAPROPRIADAS, conforme a Escritura Pública de Desapropriação Amigável, do Cartório do 2º Ofício de Luziânia-GO, em 14.08.56, tendo como outorgantes desapropriados, EDMUNDO PEREIRA LIMA e sua mulher, ANTÔNIA CAMELO DE MENDONÇA e como outorgado desapropriante, o ESTADO DE GOIÁS, registrada no Cartório do 1º Ofício de Luziânia-GO, no Livro n.º 3-I, à fl.107, em 31.08.56, com ao n.º 9.252, transferida à União Federal, com simultânea incorporação ao patromônio da COMPANHIA URBANIZADORA DA NOVA CAPITAL DO BRASIL – NOVACAP, através da Escritura Pública de Transferência, lavrada no Cartório do 16º Ofício do Rio de Janeiro, em 18.02.57, à fl. 32vº do livro 1.006, transcrita no Cartório do 1º Ofício de Luziânia-GO, em 07.08.57, à fl. 173 do Livro nº 3-J, com o n.º 10.324, repetido do Cartório do 3º Ofício do Registro de Imóveis do Distrito Federal, Livro 2 – Registro Geral, na matrícula 90.976, com incorporação à COMPANHIA URBANIZADORA DA NOVA CAPITAL DO BRASIL – NOVACAP, conforme o registro R.1/90.976, incorporada ao patrimônio da COMPANHIA IMOBILIÁRIA DE BRASÍLIA – TERRACAP, conforme registro R.3/90.976. Esta matrícula até o seu registro R.4, foi repetida no Cartório do 5º Ofício do Registro de imóveis do Distrito Federal, Livro 2 – Registro Geral, com o n.º 4.714, permanecendo a incorporação ao patrimônio da TERRACAP, conforme a averbação Av.3/4.714. A outra parte, localiza-se no Imóvel GAMA, desmembrado do Município de Luziânia-GO e incorporada ao território do Distrito Federal, em TERRAS ADQUIRIDAS, de acordo com a Escritura Pública de Compra e Venda, lavrada no Cartório do 1º Ofício de Notas de Luziânia-GO, em 25.03.58, às fls. 73vº a 76, do Livro 74, tendo como outorgantes vendedores AGOSTINO DE ALMEIDA E SILVA e sua mulher ROGÉRIA TELES DA SILVA, e como autorgado o ESTADO DE GOIÁS, transcrita em 14.04.58, no Cartório do 1º Ofício de Luziânia-GO, as fl.127 do Livro 3-K, sob o n.º de ordem 11.033. Transferia a União Federal com simultânea incorporação a COMPANHIA 2 RIAC Assentamento Monjolo, setembro/2009 URBANIZADORA DA NOVA CAPITAL DO BRASIL – NOVACAP, através da Escritura Pública de Transferência, lavrada no Cartório do 1º Ofício de Notas do Rio de Janeiro, às fl. 84vº, do Livro n.º 1.290, em 24.02.58. Esclarecemos que da área total de 17.168,38 ha, objeto da transcrição n.º 11.085 acima referida, a COMPANHIA IMOBILIÁRIA DE BRASÍLIA – TERRACAP destacou duas áreas: a primeira, com 652,2811 ha, matriculada com o n.º 87.354 do Cartório do 1º Ofício do Registro de Imóveis do Distrito Federal no Livro 2 – Registro Geral (ver R.1/87.354) e a segunda, com 154,1983 ha, matriculada com o n.º 16.894 do Cartório do 4º Ofício do Registro de Imóveis do Distrito Federal no Livro 2 – Registro Geral (ver R.1/16.864). Quanto ao remanescente, não foi incorporado ao patrimônio da TERRACAP. As terras que foram ADQUIRIRAS ou DESAPROPRIADAS pela NOVACAP, são à medida que o caso requer, transferidas e incorporadas ao patrimônio da COMPANHIA IMOBILIÁRIA DE BRASÍLIA – TERRACAP, como sucessora na questão fundiária. “ 1.3 OBJETIVOS DO EMPREENDIMENTO • Assentamento Rural 2. CONTEXTUALIZAÇÃO O projeto de assentamento rural das chácaras 1,2,19 e 20 do Núcleo Rural Monjolo realizado pelo Governo do Distrito Federal, teve como objetivo o cumprimento de exigência da Licença de Instalação da Vila Estrutural, que determinou a retirada de chacareiros e moradores que ocupavam áreas ao longo do Córrego Cabeceira do Valo e outras próximas aos limites com o Parque Nacional de Brasília. A TERRACAP oficializou o pedido de licenciamento ambiental em janeiro de 2008 e transcorreram mais de 10 meses para que o IBAMA-DF se pronunciasse. Entretanto em virtude da urgência de realocação das famílias foi proposta pela CODHAB-DF a assinatura de um Termo de Ajustamento de 3 RIAC Assentamento Monjolo, setembro/2009 Conduta cuja minuta foi encaminhada ao IBAMA-DF em Agosto de 2008, o que não se concretizou devido à vacância do cargo de superintendente do IBAMA. Desde então o processo pouco evoluiu em termos práticos, até ser encaminhado ao IBRAM, em conseqüência do Decreto Citar da Presidência da República de 29 de abril de 2009 que transferiu a competência para realizar o licenciamento ambiental das atividades e empreendimentos na APA do Planalto Central para o órgão ambiental do Distrito Federal. Ao compreender que os reflexos negativos sob o ponto de vista social e ambiental fruto do atraso na realocação das famílias seriam expressivos, podendo haver inclusive agravamento de conflitos sociais, e também comprometer o projeto de urbanização da Vila Estrutural, o Governo do Distrito Federal empreendeu a realocação das famílias que desejaram se transferir imediatamente num total de 38 famílias. As famílias assentadas pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento - SEAPA foram remanejadas de chácaras, localizadas na Vila Estrutural, com a finalidade de dar continuidade ao processo de regularização e urbanização, iniciado em 2004, no âmbito do Projeto Integrado Vila Estrutural – PIVE que compreende ações de regularização fundiária e urbanística, implantação de infraestrutura urbana, ações de recuperação de áreas degradadas e ações sociais. Paralelamente, técnicos do IBRAM lotados na Superintendência de Gestão de Áreas Protegidas - SUGAP vinham desde setembro de 2008 realizando levantamento das condições ambientais da região, visando o atendimento ao Termo de Recomendação nº 04/2008, concernente à adequação do Licenciamento Ambiental do Parcelamento do Solo denominado “Quadras 900 do Recanto das Emas”, em curso desde 2003. O Termo buscava evitar impactos ambientais ao Córrego Monjolo e suas nascentes, bem como aos Núcleos Rurais adjacentes. 4 RIAC Assentamento Monjolo, setembro/2009 Em função das freqüentes visitas de campo por esses técnicos da SUGAP, foi observado que o assentamento em implantação não obedecia aos instrumentos legais existentes. Foi então solicitada a Superintendência de Licenciamento e Fiscalização Ambiental do IBRAM - SULFI, que apurasse a existência de licenciamento ambiental, e em 23.10.2008 aquela Superintendência promoveu vistoria na área, gerando o Parecer Técnico nº 505/2008 - DIFIS/SULFI/IBRAM datado de 29.10.2008. O parecer em questão conclui pelo encaminhamento do mesmo ao IBAMA, para adoção das medidas fiscais cabíveis, uma vez que o licenciamento até então era de competência daquele órgão. Como a implementação do assentamento prosseguia normalmente, em 27.02.2009 os técnicos da SUGAP também elaboram um novo Parecer Técnico nº 001/2009 – DICON/SUGAP/IBRAM, de 27 de fevereiro de 2009 onde a principal licenciamento recomendação ambiental do feita se assentamento relacionava rural, ao antes necessário de se dar prosseguimento à ocupação da área: “A SEAPA deverá adotar todas as providências necessárias para a obtenção das licenças ambientais, inclusive àquelas relacionadas aos remanejamentos de lotes, re-assentamento de chacareiros e recuperação de áreas degradadas, além de outras condicionantes que venham a ser estabelecidas pelo IBAMA e pelo IBRAM”. Face à continuidade de implantação do assentamento sem que houvesse manifestação quanto à comprovação do licenciamento ambiental, o IBRAM emitiu em 16 de abril de 2009 o Auto de Infração Ambiental nº 0209 em desfavor da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento SEAPA, “embargando as obras situadas nos lotes criados em área de preservação permanente e advertência para que estes lotes sejam desconstituídos e recuperadas as áreas atingidas”. Mesmo após tal embargo, as obras de implantação do assentamento continuaram o que gerou nova vistoria na área por técnicos do IBRAM e a emissão da Informação Técnica nº 032/2009 - DICON/SUGAP, relatando a 5 RIAC Assentamento Monjolo, setembro/2009 continuidade das obras com as seguintes RECOMENDAÇÕES E REITERAÇÕES: 1- Embargo imediato das construções em alvenaria até que se conclua o processo de licenciamento ambiental do Assentamento da SEAPA. 2- Assistência técnica para produção. Os chacareiros deverão ter assistência técnica da SEAPA e da EMATER, tanto no que se refere às técnicas de produção, especialmente em solos arenosos, quanto no que diz respeito à observação das normas ambientais. 3- Averbação da Reserva Legal e demarcação de APP do Assentamento. Os limites das áreas de Reserva Legal do Assentamento e as Áreas de Preservação Permanente – APP, após aprovação do órgão ambiental, deverão ser demarcados com marcos definitivos e informados a todos os chacareiros. 4- Assistência técnica para delimitação e recuperação de APP. A SEAPA e a EMATER deverão apoiar tecnicamente os chacareiros para que as áreas degradadas em APP sejam recuperadas. 5- Licenciamento Ambiental. A SEAPA deverá adotar todas as providências necessárias para a obtenção das licenças ambientais, inclusive àquelas relacionadas aos remanejamentos de lotes, re-assentamento de chacareiros e recuperação de áreas degradadas, além de outras condicionantes que venham a ser estabelecidas pelo IBAMA e pelo IBRAM. 6- Remanejamento dos lotes com inviabilidade ambiental. 6 RIAC Assentamento Monjolo, setembro/2009 Os lotes que tiverem parte predominante de suas áreas localizadas em APP deverão ser remanejados, para que os chacareiros não sofram prejuízos por impedimentos legais de cultivarem as suas propriedades. Os custos decorrentes de benfeitorias eventualmente já realizadas deverão ser indenizados aos chacareiros a serem remanejados, em função da responsabilidade do Poder Público de haver assentados as famílias sem o devido licenciamento ambiental. Ciente da necessidade do atendimento das solicitações em curso, o Governo do Distrito Federal, através da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente institui Grupo de Trabalho través da Portaria nº 47 de 12 de junho de 2.009 com a finalidade de estudar, avaliar e propor medida com vistas à regularização do assentamento Núcleo Rural Monjolo e propor soluções alternativas para o uso sustentável da água. Em virtude da continuidade das obras no assentamento N. R. Monjolo, o Superintendente da SULFI encaminhou ofício, datado em 16 de junho de 2009, solicitando a adoção das providencias cabíveis a Delegacia Especial do Meio Ambiente - DEMA e Subsecretaria de Defesa do Solo e da Água - SUDESA, ante o descumprimento do AI nº 0209. O fato foi também comunicado ao Presidente da Companhia de desenvolvimento Habitacional do DF - CODHAB, recomendando ainda, paralisação de quaisquer edificações no assentamento em questão. Ainda em 16 de junho de 2009, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios - MPDFT encaminhou ao Senhor Secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento e ao Senhor Diretor-Presidente da Companhia de Habitação do DF, a Recomendação nº 08/2009, concernente a imediata paralisação das obras de implantação do assentamento rural nas chácaras 1, 2, 19 e 20 do N. R. Monjolo. Em 17 de junho de 2009, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA realiza uma operação em todo o 7 RIAC Assentamento Monjolo, setembro/2009 assentamento, embargando e autuando todas as atividades pela falta do licenciamento ambiental. Não obstante os fatos acima relatados, em 19 de junho de 2009, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios - MPDFT moveu uma Ação Civil Pública contra a TERRACAP, NOVACAP e CODHAB, relativamente à suspensão das obras de implantação do assentamento rural no Núcleo Rural Monjolo. Em virtude da necessidade de dar maior agilidade ao processo de regularização do assentamento rural o Governo do Distrito Federal através do Decreto n.º 30.520, de 02 de julho de 2009, (Anexo I), constituiu o Grupo de Trabalho Interinstitucional e Multidisciplinar com a finalidade de realizar estudos e elaborar Relatório de Impacto Ambiental Complementar (RIAC), com vistas ao Licenciamento Ambiental da regularização do parcelamento rural existente na área. O Relatório ora apresentado segue Termo de Referência emitido pelo IBRAM, (Anexo II), órgão licenciador, conforme Decreto Presidencial de 29 de abril de 2009. As principais diretrizes do trabalho constituem-se: da delimitação de todas as Áreas de Preservação Permanentes (APP) e das Áreas de Reserva Legal; da detecção das ocupações indevidas para sua desconstituição, demolição e remoção; e, ainda, do entendimento da necessidade de promover a recuperação das APP degradadas e a sustentabilidade do projeto em suas principais dimensões, a saber: social, econômica, tecnológica e ambiental, e levantamentos dos impactos gerados e as medidas mitigadoras. Tais diretrizes encontram-se em total consonância com as recomendações presentes no Documento supracitado. 3. ÁREA DE ATUAÇÃO DO PROJETO 3.1 LOCALIZAÇÃO DA ÁREA DO ASSENTAMENTO DA SEAPA 8 RIAC Assentamento Monjolo, setembro/2009 O assentamento da SEAPA está localizado nas chácaras nº 01, 02, 19 e 20 do Núcleo Rural Monjolo, situado entre a cidade do Recanto das Emas e a DF 341, na divisa das Regiões Administrativas do Gama e do Recanto das Emas. A figura 1 ilustra a localização do Núcleo Rural Monjolo e no seu entorno a Região Administrativa do recanto das Emas. Figura 1. Núcleo Rural Monjolo e cidade satélite de Recanto das Emas 3.2 DELIMITAÇÃO DAS ÁREAS DE INFLUÊNCIA Tendo em vista o caráter multidisciplinar dos estudos ambientais para definir as áreas de influência é necessário avaliar as diferentes áreas de incidência dos impactos que possam ser gerados. Estas tiveram contornos distintos em função do enfoque e dos parâmetros adotados (físicos, bióticos ou antrópicos). 9 RIAC Assentamento Monjolo, setembro/2009 Para análise dos impactos gerados diretamente sobre o meio foi considerada a área onde haverá interferência direta em virtude das instalações e das atividades decorrentes da implantação do assentamento. Desta forma considerou-se toda a área da poligonal do assentamento (Etapas I e II) a área a ser parcelada totalizando 355,144 ha, conforme mapas em anexo. A área de influência indireta (AII) foi caracterizada como a área que abrange toda microbacia do Córrego Monjolo, inserida na unidade hidrográfica Alagado/Ponte Alta um dos formadores da Bacia Hidrográfica do Corumbá, do ponto de vista ambiental e em se tratando de sócio economia e áreas adjacentes à mesma. A figura 2 e 3 ilustram a AID e a AII. Figura 2. As AID E AII visualizando a hidrografia. 10 RIAC Assentamento Monjolo, setembro/2009 Figura 3. As AID E AII considerando a proximidade com os núcleos urbanos 3.3 CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA 3.3.1 Considerações iniciais A região do vale do Córrego Monjolo tem suas nascentes sobre a Região de Chapada da Contagem ocupando 2/3 do vale, nas áreas acima dos 1.000 m de altitude. A área em estudo, ao norte, faz limite com a malha urbana da Região Administrativa do Recanto das Emas RA- XV e ao sul com os Núcleos Rurais Casa Grande e Ponte Alta. A transição de relevos do tipo chapada para vale dissecado evidencia a fragilidade ambiental dessa região. Os usos na área podem acelerar os processos erosivos e de deposição. A Chapada da Contagem se apresenta acima dos 1.000m e a mais de 1.200m de altitude, abrangendo a maior parte da área estudo. A Região Dissecada de Vales está situada entre os 930m até 1.000m de altitude, abrangendo cerca da metade da extensão do Córrego Monjolo, dentro da área de estudo. Na Área de Estudo, a região de chapada apresenta declividades entre 0-10%, seguida de áreas com declividades de 10-30%, e as 11 RIAC Assentamento Monjolo, setembro/2009 áreas dissecadas de vale, com declividades acima dos 30%, ocupam a porção final do vale do Córrego Monjolo. A figura 4 ilustra parte do vale do Córrego Monjolo através de uma tomada aérea. Figura 4. O vale do Córrego Monjolo através de uma tomada aérea. A precipitação média de 1.500mm anuais, no DF, ocorre com variações de leste para oeste, respectivamente com médias de 1.200mm a 1.700mm. Na região do vale do Córrego Monjolo, ocorrem duas médias diferentes. A precipitação média de 1.550mm a 1.600mm, nas áreas mais altas, e de 1.600mm a 1.650mm, nas áreas mais baixas, configura a área de estudo como de chuvas mais intensas. Com área de drenagem superficial contribuinte de aproximadamente 34,35 Km², o Córrego Monjolo é tributário do Rio Ponte Alta, pela margem esquerda, a uma cota de 930 m. No seu trajeto de 10,46 Km, o Córrego Monjolo recebe tributários perenes e intermintentes, principalmente pela margem direita, devido ao relevo mais acidentado na chapada, que favorece a ocorrência de nascentes e a existência de manchas de gleissolos em áreas brejosas. O formato do Córrego Monjolo e a existência de tributários perenes se explicam pelo lineamento das fraturas nas formações geológicas dessa região. Na Área Dissecada de Vale, o relevo bastante acidentado formou uma rede de contribuintes perpendiculares, que coletam as águas pluviais direto para o 12 RIAC Assentamento Monjolo, setembro/2009 Córrego Monjolo. No entanto, existem nessa região do vale encaixado cursos d’água perenes que têm as nascentes em áreas de Veredas sobre a chapada. Os solos existentes e identificados pelo trabalho da EMBRAPA 1978, considerando que este foi elaborado na escala 1:100.000, constitui uma primeira aproximação, embora muito útil em determinados estudos, não atende a exigência do termo de referencia. Após avaliação em visita a campo, foi elaborado um mapa de solos na escala de 1:2000. A vegetação de mata margeando o Córrego Monjolo, na área mais plana abaixo das cachoeiras, também alterna trechos de Mata Ciliar e Mata de Galeria em função da largura do curso d’água até o encontro com o Rio Ponte Alta. As espécies arbóreas, arbustivas e herbáceas não constituem espécimes exclusivos, mas as matas de áreas mais planas a montante são mais largas e apresentam árvores de grande porte. A figura 04 ilustra esta importante formação vegetal presente no assentamento. As matas apresentam grande variação em sua composição florística em função do ambiente de ocorrência, principalmente em função do relevo e do tipo de solo. Em locais alagadiços, com ocorrência de gleissolos, a espécie emergente típica é o buriti, Mauritia flexuosa (Arecaceae), enquanto que várias outras espécies emergentes ocorrem nas matas bem drenadas. Há também diferenciação entre as floras das matas de galeria em solos distróficos e eutróficos. Algumas vezes encontra-se uma flora de mata de galeria ao longo dos cursos de água que evolui para matas mesofíticas que as circundam com uma transição pouco evidente. 13 RIAC Assentamento Monjolo, setembro/2009 Figuras 5 e 6. Ilustrações de veredas, muito presentes na área. As veredas são formações que ocorrem ao longo de cursos d’água, ou em áreas de nascentes, e são dominadas por espécies adaptadas para o desenvolvimento em solos permanentemente alagados. Podem apresentar desde fileiras de buritis e camada herbácea dominada por gramíneas e ciperáceas, até uma cobertura florestal densa, com altura média do dossel de 20 a 30m e alta densidade de indivíduos finos naquelas veredas em evolução para mata de galeria alagável. Muitas são as veredas encontradas no vale do Córrego Monjolo e algumas são incomuns por ocorrerem em terreno inclinado. 3.3.2 Meio Físico 3.3.2.1 A Pedologia Na Área A identificação das principais classes de solos existentes se baseou em levantamentos preexistentes e visita a campo para constatação e certificação. Considerando que houve uma nova classificação dos solos feita pela Embrapa Solos em 2006, cuja nomenclatura atenderá aos novos conceitos. No Distrito Federal ocorrem os típicos solos comumente encontrados na região dos cerrados brasileiros, com destaque para os latossolos, cambissolos, neossolos quartzarênicos, plintossolos, gleissolos, argissolos e nitossolos. 14 RIAC Assentamento Monjolo, setembro/2009 Os Latossolos ocupam cerca de 54% da área da área e ocorrem em regiões com relevo pouco movimentado, são caracterizados por solos antigos, espessos (comumente com mais de 10 metros de espessura), homogêneos e com difícil distinção entre os horizontes, em função do tipo de material parental podem apresentar textura argilosa, muito argilosa, arenosa ou franca argilosa. Cambissolos ocupam cerca de 32% da área do Distrito Federal e sempre são desenvolvidos em áreas com relevo movimentado, com declividades maiores que 15%, são solos jovens, rasos (espessura total inferior a 1 metro), comumente com pedregosidade, pouco permeáveis, com ampla contribuição de silte em sua composição textural e desenvolvido sobre rochas argilosas. Neossolo quartzarênico ocorre em pequenas manchas, sempre associadas a áreas de exposição de quartzitos do grupo paranoá são solos pouco profundos (em geral com menos de 2 metros de espessura), com rochosidade comum, alta permeabilidade, com menos de 15% de argila e presente em locais com restrita declividade, geralmente próximo às bordas de chapadas. Gleissolos apresentam deficiência de drenagem e por isso são encharcados e ricos em matéria orgânica, ocorrem exclusivamente junto aos cursos de drenagem superficiais, mais comumente em áreas de nascentes, como se tratam de áreas ambientalmente sensíveis, áreas de ocorrência de gleissolos não devem ser evitadas como para ocupações. A figura 7 abaixo demonstra as classes de solos existentes na área de influencia direta. 15 RIAC Assentamento Monjolo, setembro/2009 Figura 7. Classes de Solos da área do assentamento com a nova malha fundiária proposta 3.3.2.1.1 Principais Classes de Solos do Assentamento a) Latosssolos Atualmente denominados como Latossolos no 1º nível categórico, pelo novo Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (EMBRAPA, 2006). São solos não hidromórficos, com horizonte A moderado e horizonte B latossólico, textura argilosa ou média e ricos em sesquióxidos. São muito porosos, bastante permeáveis e de acentuadamente a fortemente drenados. Também são álicos e fortemente ácidos. Na área objeto do trabalho foram identificados os latossolos vermelho - amarelos, que são os outros solos de cores vermelhoamareladas e amarelo-avermelhada, que não se enquadram como latossolos brunos, amarelos ou vermelhos (Embrapa, 2006) 16 RIAC Assentamento Monjolo, setembro/2009 São formados pelo processo denominado latolização que consiste basicamente na remoção da sílica e das bases do perfil (Ca2+, Mg2+, K+ etc.), após transformação dos minerais primários constituintes. São definidas diferentes classes de latossolo, diferenciadas com base na combinação de características com teor de Fe2O3, cor do solo e relação Ki (SiO2/Al2O3). Apresentam teor de silte inferior a 20% e argila variando entre 15% e 80%. São solos com alta permeabilidade à água, podendo ser trabalhados em grande amplitude de umidade. Um fator limitante é a baixa fertilidade desses solos. Contudo, com aplicações adequadas de corretivos e fertilizantes, aliadas à época propícia de plantio de cultivares adaptadas, obtêm-se boas produções. Os Latossolos são solos minerais, não-hidromórficos, profundos (normalmente superiores a 2 m), horizontes B muito espessos (> 50 cm) com seqüência de horizontes A, B e C pouco diferenciados; as cores variam de vermelhas muito escuras a amareladas, geralmente escuras no A, vivas no B e mais claras no C. A sílica (Sio2) e as bases trocáveis (em particular Ca, Mg e K) são removidas do sistema, levando ao enriquecimento com óxidos de ferro e de alumínio que são agentes agregantes, dando à massa do solo aspecto maciço poroso; apresentam estrutura granular muito pequena; são macios quando secos e altamente friáveis quando úmidos. Figuras 8 e 9 . Perfil de um Latossolo Vermelho (Acervo da Embrapa) e área de ocorrência no assentamento. Os latossolos apresentam tendência a formar crostas superficiais, possivelmente, devido à floculação das argilas que passam a comportar-se 17 RIAC Assentamento Monjolo, setembro/2009 funcionalmente como silte e areia fina. A fração silte desempenha papel importante no encrostamento, o que pode ser evitado, mantendo-se o terreno com cobertura vegetal a maior parte do tempo, em especial, em áreas com pastagens. Os L Latossolos são muito intemperizados, com pequena reserva de nutrientes para as plantas, representados normalmente por sua baixa a média capacidade de troca de cátions. Mais de 95% dos latossolos são distróficos e ácidos, com pH entre 4,0 e 5,5 e teores de fósforo disponível extremamente baixos, quase sempre inferiores a 1 mg/dm³. Em geral, são solos com grandes problemas de fertilidade. A fração argila dos latossolos é composta principalmente por caulinita, óxidos de ferro (goethita e hematita) e óxidos de alumínio (gibbsita). Alguns latossolos, formados de rochas ricas em ferro, apresentam, na fração argila, a maghemita e, na fração areia, a magnetita e a ilmenita. A esses últimos, estão associados os elementos-traço (micronutrientes) como o cobre e o zinco, importantes para o desenvolvimento das plantas. Os latossolos são passíveis de utilização com culturas anuais, perenes, pastagens e reflorestamento. Normalmente, estão situados em relevo plano a suave-ondulado, com declividade que raramente ultrapassa 7%, o que facilita a mecanização. São profundos, porosos, bem drenados, bem permeáveis mesmo quando muito argilosos friáveis e de fácil preparo. Apesar do alto potencial para agropecuária, parte de sua área deve ser mantida com reserva para proteção da biodiversidade desses ambientes. Os latossolos de textura média, com teores elevados de areia, assemelham-se às Areias Quartzosas, sendo muito suscetíveis à erosão, requerendo tratos conservacionistas e manejo cuidadoso. A grande percolação de água no perfil desses solos, associada à baixa CTC, pode provocar lixiviação de nutrientes. Essa é uma das razões por que os sistemas irrigados devem ser dimensionados, levando-se em conta a textura do solo. Dessa forma, evitam-se problemas de perdas de solo e, conseqüentemente, de nutrientes. No caso de plantios de sequeiro, a baixa capacidade de armazenamento de água dos latossolos de textura média pode provocar grandes prejuízos no rendimento 18 RIAC Assentamento Monjolo, setembro/2009 das culturas, haja vista, a ocorrência de veranicos e o período seco pronunciado, característicos do Cerrado. Sistemas que preconizem a cobertura do solo e que melhorem os teores de matéria orgânica e o conseqüente aumento da retenção de umidade do solo devem ser adotados. Nos latossolos argilosos, o cuidado com a erosão não é menos importante. Depois do preparo para o plantio, o risco de erosão é muito grande, pois a chuva encontra o solo totalmente desprotegido. A estrutura forte, muito pequena e granular leva os latossolos argilosos a apresentar comportamento semelhante aos solos arenosos. Além disso, nos latossolos de textura argilosa a muito argilosa, quando intensamente mecanizados, a estrutura é destruída, levando à redução da porosidade do solo e conseqüente formação de uma camada compactada (20 a 30 cm), dificultando o enraizamento das plantas e a infiltração da água da chuva recebe doses excessivas de calcário, o que pode provocar dispersão da argila que por sua vez irá obstruir os poros do solo. A baixa CTC desses solos pode ser melhorada, adotando-se práticas de manejo que promovam a elevação dos teores de matéria orgânica do solo, uma vez que a CTC depende essencialmente dela. A técnica de plantio direto, associado à rotação de culturas, pode permitir a elevação desses teores. Os latossolos ocorrem, fundamentalmente, nas áreas mais planas e suavemente onduladas das Chapadas Elevadas e Bordas de Chapadas, tendo como materiais de origem as ardósias, os metarritmitos e quartzitos do Grupo Paranoá. São caracterizados pela presença de argila silto-arenosa, porosa, vermelha ou vermelho-amarelada, apresentando espessura bastante variável ao longo da área, associada à irregularidade da superfície de deposição (colúvios) ou maior espessura de regolito (residuais). A vegetação natural, quando ainda preservada, está associada geralmente ao Cerrado e Cerradão. O relevo geralmente é plano à suavemente ondulado e de grande continuidade. Sua ocorrência é mais expressiva nos compartimentos de Chapadas Elevadas e divisores em Planos Intermediários, sobre as rochas do Grupo Paranoá. 19 RIAC Assentamento Monjolo, setembro/2009 Algumas recomendações iniciais para o manejo desta classe de solos devem seguir alguns critérios, dentre os quais podemos destacar: • Fazer as correções do solo no que diz respeito à acidez, à saturação por alumínio e à baixa fertilidade; • Observar o teor de argila do latossolo; se estiver próximo do limite de 15%, cuidados especiais devem ser tomados com manejos muito intensivos, principalmente, em sistemas irrigados; • Manter o solo coberto a maior parte do tempo possível, especialmente, no início das chuvas. b) Cambissolo (Cb) Esta classe é constituída por solos pouco desenvolvidos, caracterizados por possuírem B câmbico, em que alguns minerais primários facilmente intemperizáveis ainda estão presentes. Os Cambissolos são encontrados nas áreas mais onduladas e escarpadas, nas transições dos pediplanos para os vales do sistema hidrográfico (Planos Intermediários), principalmente sobre as rochas do Grupo Araxá. Os Gleissolos ocorrem de forma mais esparsa e pontual, sempre ao longo das drenagens. O horizonte B incipiente (Bi) tem textura franco-arenosa ou mais argilosa, e o solum, geralmente, apresenta teores uniformes de argila, podendo ocorrer ligeiro decréscimo ou um pequeno incremento de argila do A para o Bi. A estrutura do horizonte Bi pode ser em blocos granular ou prismática, podendo ocorrer também solos com ausência de agregados (Embrapa, 2006) A vegetação associada geralmente é de Campo Limpo. Ocorre nos compartimentos Escarpas e Planos Intermediários, nas vertentes mais movimentadas (Martins, 1998 e 2000). As características básicas definidas para os horizontes B Câmbico que diferenciam do Latossólico são resumidas da seguinte forma: • Capacidade de troca catiônica, sem correção para o carbono, > 17 cmolc/kg de argila e /ou; 20 RIAC Assentamento Monjolo, setembro/2009 • 4% ou mais de minerais primários alteráveis ou 6% ou mais de muscovita determinados na fração areia , referidos à TFSA • Espessura sempre menor que 70 cm, sendo em média de 20 cm; • Relação Ki > 2,2 ; • Apresenta, em geral, textura mais grosseira; • Saprólito com maior espessura; • As transições entre os horizontes A, (B), C são claras e abruptas. • Relação silte/argila igual ou maior que 0,7 quando a textura for média sendo igual ou maior que 0,6 quando for argilosa ou muito argilosa; este critério é aplicado a solos em o material de origem é relacionado ao embasamento cristalino. Nas áreas dos Planos Intermediários (pediplanos), muitas vezes o horizonte B câmbico possui caráter petroplíntico e se desenvolveu sobre o material transportado lateralmente, oriundo das Chapadas Elevadas, principalmente dos horizontes ferruginosos, formando, desta forma, um horizonte B petroplíntico, composto basicamente por nódulos ferruginosos pseudomórficos, elipsoidais até subesféricos, com dimensões centimétricas, submersos em uma matriz fortemente argilosa, cuja mineralogia é dominada por gibbsita e goethita, sendo subsidiários caulinita e hematita. Figuras 10 e 11. Perfil (Acervo da Embrapa Cerrados) e local de ocorrência de assentamento 21 RIAC Assentamento Monjolo, setembro/2009 c) Gleissolos Os gleissolos incluem as classes anteriores Plintossolo, Gley Pouco Húmico, Gley Húmico e Hidromórfico Cinzento (EMBRAPA, 2006). Esses solos caracterizam-se por horizonte A bem desenvolvido e por apresentar processos de redução do Fe em ambientes com elevada atividade da água e baixa drenagem. As estruturas do horizonte E geralmente são maciças. O horizonte E da classe Plintossolo apresenta mosqueados e nódulos ferruginosos. A razão Ki geralmente é maior que 2,2 , em função da elevada atividade da sílica. Ocorrem em torno de drenagens e pequenos Córregos, associadas ao afloramento do lençol freático. Os relevos geralmente são planos a suave ondulados A vegetação de Matas de Galeria são típicas desse tipo de solo, como também em regiões de veredas. Figuras 12 e 13. Perfil de um Gleissolo Háplico (Acervo da Embrapa errados) e local de ocorrência São solos minerais, hidromórficos, apresentando horizontes A (mineral) ou H (orgânico), seguido de um horizonte de cor cinzento-olivácea, esverdeado ou azulado, chamado horizonte glei, resultado de modificações sofridas pelos óxidos de ferro existentes no solo (redução) em condições de encharcamento durante o ano todo ou parte dele. O horizonte glei pode começar a 40 cm da superfície. São solos mal drenados, podendo apresentar textura bastante variável ao longo do perfil. Podem apresentar tanto argila de baixa atividade, quanto de alta atividade, são solos pobres ou ricos em bases ou com teores de alumínio elevado. Como 22 RIAC Assentamento Monjolo, setembro/2009 estão localizados em baixadas, próximas às drenagens, suas características são influenciadas pela contribuição de partículas provenientes dos solos das posições mais altas e da água de drenagem, uma vez que são formados em áreas de recepção ou trânsito de produtos transportados. A maior limitação do ponto de vista do seu uso e manejo, está na presença de lençol freático elevado, com riscos de inundação, necessitando de drenagem para seu uso. Raramente apresentam fertilidade alta e a neutralização da acidez pela calagem é problemática, exigindo, muitas vezes, grandes quantidades de calcário. A textura ao longo do perfil deve ser observada, pois solos muito argilosos em subsuperfície podem apresentar sérios problemas quando drenados. À medida que esses solos secam, ficam endurecidos, prejudicando o desenvolvimento de raízes. Ciclos constantes de umedecimento e secagem podem provocar endurecimento irreversível do solo. Apresentam sérias limitações ao uso agrícola, principalmente, em relação à deficiência de oxigênio (pelo excesso de água), à baixa fertilidade e ao impedimento à mecanização. Por estarem em locais úmidos, conservadores de água, não se recomenda sua utilização para atividades agrícolas, principalmente, nas áreas que ainda estão intactas e nas nascentes dos cursos d água. O ambiente onde se encontram os gleissolos é muito importante do ponto de vista conservação do recurso água. A drenagem dessas áreas pode comprometer o reservatório hídrico da região, particularmente, nas áreas onde se utiliza irrigação de superfície. Os ambientes onde se encontram esses solos devem ser mantidos com o mínimo de interferência antrópica, uma vez que neles se concentram as reservas hídricas da Região do Cerrado. Cuidados com o assoreamento e a poluição dos cursos d água podem ser tomados, mas sempre que possível essas áreas devem ser protegidas, procurando-se opções menos agressivas ao ambiente. Manter esses ambientes, preferencialmente, como área de preservação. 23 RIAC Assentamento Monjolo, setembro/2009 Os Gleissolos estão localizados em áreas de várzeas normalmente com vegetação de vereda, campos higróficos ou hidrófilos, em relevo plano que permite o acúmulo de água durante todo o ano ou na maior parte dele. Podem ocorrer em cabeceiras de rios ou Córregos e também ao longo deles, estando sujeitos a inundações. O lençol freático quase sempre está próximo à superfície. d) Neossolos quartzarênicos Neossolos quartzarênicos são solos pouco desenvolvidos, profundos, originários de sedimentos areno-quartzosos não consolidados ou de arenitos. O teor de areia é em geral superior a 80% e o de argila inferior a 15%. A estrutura é muito fraca, pequena granular, encontrando-se geralmente sob a forma de grãos simples. Por se tratar de solos muito permeáveis e de estrutura muito frágil apresentam baixa capacidade de retenção de água e ao mesmo tempo elevada susceptibilidade à erosão. Figuras 14 e 15. Perfil de Neossolo Quartzarênico (Acervo da Embrapa Cerrados) e local de ocorrência no assentamento. 24 RIAC Assentamento Monjolo, setembro/2009 Esta classe é caracterizada por solos de baixa fertilidade natural, muito ácidos e com baixa porcentagem de matéria orgânica. Os valores da soma de bases, de saturação por bases e de sua capacidade de troca catiônica são geralmente muito baixos. Trata-se, portanto de solos bastante frágeis que requerem extremos cuidados quando incorporados ao processo produtivo. Em geral, são solos originados de depósitos arenosos, apresentando textura areia ou areia franca ao longo de pelo menos 2 m de profundidade. Esses solos são constituídos essencialmente de grãos de quartzo, sendo, por conseguinte, praticamente destituídos de minerais primários pouco resistentes ao intemperismo. Essa classe de solos abrange as Areias Quartzosas não-hidromórficas descoloridas, apresentando também coloração amarela ou vermelha. A granulometria da fração areia é variável e, em algumas situações, predominam diâmetros maiores e, em outras, menores. O teor máximo de argila chega a 15%, quando o silte está ausente. Os neossolos quartzarênicos são consideradas solos de baixa aptidão agrícola. O uso contínuo de culturas anuais pode levá-las rapidamente à degradação. Práticas de manejo que mantenham ou aumentem os teores de matéria orgânica podem reduzir esse problema. Culturas perenes, plantadas em áreas de neossolos quartzarênicos, requerem manejo adequado e cuidados intensivos no controle da erosão, da adubação (principalmente com N e K) e da irrigação, esta última, visando à economia de água. Caso contrário, há o depauperamento da lavoura, acarretando baixas produtividades. As áreas de neossolos quartzarênicos que ocorrem junto aos mananciais devem ser obrigatoriamente isoladas e mantidas para a preservação dos recursos hídricos, da flora e da fauna. O reflorestamento de áreas degradadas, sem finalidade comercial, é uma opção recomendável onde a regeneração da vegetação natural é lenta, entretanto, o reflorestamento comercial é uma 25 RIAC Assentamento Monjolo, setembro/2009 alternativa para as áreas mais afastadas dos mananciais e da rede de drenagem. Por serem muito arenosos, com baixa capacidade de agregação de partículas, condicionada pelos baixos teores de argila e de matéria orgânica, esses solos são muito suscetíveis à erosão. Quando ocupam as cabeceiras de drenagem, em geral, dão origem a grandes voçorocas. Tendo em vista a grande quantidade de areia, nesses solos, sobretudo naqueles em que a areia grossa predomina sobre a fina, há séria limitação quanto à capacidade de armazenamento de água disponível. Apesar de a adsorção de P ser pequena nesses solos, existem problemas sérios quanto à lixiviação de nitrogênio e à decomposição rápida da matéria orgânica. A lixiviação de nitratos e de sulfatos é intensa por causa da grande macroporisidade e da permeabilidade dos solos de textura arenosa. No Cerrado, os neossolos quartzarênicos estão relacionadas a depósitos arenosos de cobertura, normalmente em relevo plano ou suave-ondulado. Em relevo mais movimentado, esses solos não permanecem estáveis. Os solos são importantes do ponto de vista hidrogeológico, pois compõem os reservatórios de águas subterrâneas rasas e desempenham as funções filtro e reguladora dos aquíferos. 3.3.2.1.2 Análise das Propriedades Físicas e Químicas dos Solos Os solos da região dos Cerrados são naturalmente caracterizados por uma significativa pobreza química representada pela alta toxidez de alumínio, baixos teores de macro e micronutrientes, baixa atividade da matéria orgânica, e por baixos valores da capacidade de troca catiônica . Trata-se portanto de solos que necessitam de aportes de corretivos e fertilizantes para que possam ser incorporados ao processo produtivo. 26 RIAC Assentamento Monjolo, setembro/2009 Em que pese a sua pobreza química, estes solos apresentam, em geral, excelentes propriedades físicas em termos de textura, estrutura, estabilidade de agregados, densidades real e aparente, macro e microporosidade que aliadas ao relêvo predominantemente suave ondulado os coloca em situação privilegiada para as explorações agropecuária e silvicultural. Abaixo serão feitos comentários sobre os resultados de alguns parâmetros físicos e químicos obtidos nas análises de solo e as recomendações técnicas iniciais para que parte dos solos possam ser explorados economicamente dentro de uma perspectiva sustentável. a)Textura A textura do solo é definida como sendo a proporção relativa dos diferentes grupos de partículas primárias (Areia, Silte e Argila) nele existentes. O conhecimento da classe textural fornece uma série de informações sobre suas propriedades, tais como velocidade básica de infiltração de água, susceptibilidade à erosão, capacidade de armazenamento de água e ar e de fornecimento de nutrientes às plantas. Em linhas gerais os solos são classificados como arenosos se o teor de argila é inferior a 15%; textura média se o teor de argila está compreendido entre 15 e 35%; argiloso se o teor de argila está compreendido entre 35 e 60% e muito argiloso se o teor de argila for acima de 60 %. Os solos analizados o qual pode ser classificado como de textura variando de arenosa a média. Destaca-se que os teores obtidos nos horizontes superficiais indicam a predominância da textura média ,para os latossolos vermelho amarelo o que do ponto de vista de uso e manejo do solo para não implica em problemas físicos mais sérios, estando os mesmos aptos para o plantio sob este enfoque. Já os neossolos quartzarênicos apresentam teores de argila inferior a 15 % o que requer extremo cuidado no seu manejo, o qual deverá ser permanentemente receber doses de matéria orgânica. b) Matéria orgânica 27 RIAC Assentamento Monjolo, setembro/2009 A matéria orgânica destes solos antes de serem incorporados ao processo produtivo, apresenta geralmente baixa atividade o que pode ser constatado quando se verifica a sua baixa capacidade de troca catiônica. Neste caso a adoção de práticas de manejo dos solos como rotação de culturas, adubação verde e orgânica, a incorporação dos resíduos culturais e uso de arado de discos ou de aivecas e de grade niveladora para o preparo dos solos irá certamente contribuir para o incremento atividade da matéria orgânica e consequentemente para a manutenção do equilíbrio desejado. Especial atenção deverá ser dada no que se refere à adubação orgânica no plantio, visando um melhor aproveitamento da água e fertilizantes químicos adicionados nas culturas. Fontes de matéria orgânica com decomposição mais lenta como esterco bovino são mais indicadas. A figura 16 mostra o comportamento da matéria orgânica no perfil do solo. Pode-se observar que para todos os solos os valores da matéria orgânica decrescem à medida em que aumenta a profundidade. Esta é uma tendência compatível com os principais solos da região dos Cerrados. Os maiores teores encontrados na camada superficial (0-20cm) se explica pela maior deposição de resíduos vegetais bem como pela maior atividade dos agentes decompositores presentes nesta camada. Os teores variaram de 28,2 a 48,8 g/Kg, níveis considerados relativamente bons para solos dos Cerrados. A discrepância entre os valores da amostra 3 e os demais pode ser atribuída dentre outros à sua textura menos argilosa que implica em menor retenção de matéria orgânica e à ausência de práticas de correção de acidez e fósforo na mesma. 28 RIAC Assentamento Monjolo, setembro/2009 Figura 16. Teores de matéria orgânica dos solos amostrados. c) Capacidade de troca catiônica A capacidade de troca catiônica dos solos é um parâmetro químico obtido pela soma de bases e a acidez trocável cujos valores indicam o estágio de fertilidade dos solos. Nos solos da região dos Cerrados os valores da CTC são geralmente muito baixos sendo indicativo do seu alto grau de intemperização como também da baixa atividade da fração mineral como da orgânica sob condições naturais. Os resultados da análise química dos solos mostram que a sua capacidade de troca catiônica é muito baixa (Figura 17) e que a contribuição da acidez trocável predomina em relação às bases trocáveis em particular na amostra 03. Isto sugere de imediato a necessidade de correção da acidez através da calagem e movimentação do cálcio no perfil do solo através de gessagem. Nas áreas das amostras 1 e 2 a situação química é mais favorável nas camadas superiores em virtude da provável adição de calcário já realizada nestas áreas, entretanto quando se analisa os teores em profundidade verifica-se a necessidade de deslocamento do cálcio para as profundidades mais baixas o que pode ser feito através do uso do gesso agrícola, bem como o desencadeamento de práticas de manejo dos solos voltadas ao incremento da 29 RIAC Assentamento Monjolo, setembro/2009 atividade da matéria orgânica visando aumentar o número de cargas negativas do solo. Figura 17. Capacidade de troca catiônica dos solos amostrados . d) Saturação de alumínio A saturação de alumínio fornece um indicativo da intensidade dos teores deste elemento nos solos permitindo avaliar se a sua toxidez encontra-se em patamares que possam comprometer o desenvolvimento de culturas sensíveis ao mesmo. De acordo com Krampath (1967) a produção da maioria das plantas sensíveis ao alumínio decresce nos solos com mais de 20% de saturação de alumínio e que no nível de 40% a maioria das plantas cultivadas têm o seu desenvolvimento comprometido em função do desequilibrio entre a concentração de bases e alumínio. As áreas dos amostras 1 e 2 apresentam teores relativamente satisfatórios embora o ideal que a saturação por alumínio seja igual a 0, mesmo assim necessitam de corretivos. Indices apresentados na amostra 3 são extremamente alto considerado limitantes para o desenvolvimento do sistema radicular, caso não sejam aplicados corretivos. O que justifica ainda mais a necessidade da aplicação do gesso agrícola na área 30 RIAC Assentamento Monjolo, setembro/2009 Dentre as áreas analisadas, a da amostra 03 ao apresentar saturação de alumínio superior a 40%, forma uma barreira química que impede o desenvolvimento do sistema radicular de culturas de interesse comercial. Isto enfatiza a necessidade de calagem e de gessagem destes solos visando corrigir o pH, reduzir a saturação de Al, promover a disponibilização e deslocamento de outros nutrientes ao longo do perfil visando o maior desenvolvimento da cultura. A figura 18 mostra o comportamento dos solos quanto à saturação dos solos por alumínio. Figura 18. Saturação de alumínio nas 03 amostras e) Saturação por bases A porcentagem de saturação por bases é considerada um importante fator na produtividade do solo. Os valores da saturação por bases dão uma noção da reação do solo e da proporção de bases que nele ocorre. Um solo para oferecer um bom suprimento de nutrientes deve possuir uma alta saturação por bases. Dentre as áreas analisadas a da amostra 03 é que apresenta os menores teores de saturação por bases conforme pode ser verificado na figura 19, estando com saturação abaixo de 25% desde a camada superficial até nas 31 RIAC Assentamento Monjolo, setembro/2009 profundidades maiores que impede o desenvolvimento do sistema radicular. Isto reforça a necessidade de calagem e de gessagem destes solos. As áreas dos perfis 2 e 3 apresentam teores relativamente satisfatórios na camada superficial, entretanto em nível de subsuperfície a saturação de por bases naturalmente apresenta índices considerados baixos para um bom desenvolvimento do sistema radicular. Como a cultura a ser implantada explora um significativo volume de solo, recomenda-se que a correção da fertilidade seja feita ao longo do perfil. Figura 19. Saturação por bases dos solos amostrados. f) Fósforo Este é um elemento importante para o desenvolvimento das plantas em geral. Os teores existentes no solo de toda a área do projeto são extremamente baixos (1,7 – 2,2 ppm) que podem comprometer o crescimento e frutificação das plantas. Fontes de fósforo como superfosfato simples, termofosfato yoorin ou superfosfato triplo são as mais indicadas. A figura 20 demonstraTeores de Fósforo dos solos amostrados 32 RIAC Assentamento Monjolo, setembro/2009 Figura 20. Teores de Fósforo dos solos amostrados. 3.3.2.1.3 Susceptibilidade a Erosão Para a avaliação da susceptibilidade a erosão foram utilizados os seguintes parâmetros: tipo de solo, declividade e densidade da cobertura vegetal. Esses aspectos, sob ação do clima (pluviometria, temperatura, ventos) levam ao intemperismo, processo natural e harmônico de formação das paisagens. A análise desses parâmetros, nos tipos de solo que ocorrem na área de estudo, levou à identificação de 3 níveis de susceptibilidade à erosão, conforme demonstrado na tabela 01 e no mapa de susceptibilidade à erosão, em anexo. Tabela 1. Susceptibilidade à erosão. Tipo De Solo Latossolo Declividade <5% 5-10% >10% Cambissolo <5% Cobertura Vegetal Inexistente Rala Media Densa Inexistente Rala Media Densa Inexistente Rala Media Densa Inexistente Rala Susceptibilidade A Erosão Baixa Baixa Baixa Baixa Media Baixa Baixa Baixa Media Media Media Media Media Baixa 33 RIAC Assentamento Monjolo, setembro/2009 5-10% >10% Hidromorfico <5% 5-10% >10% Media Densa Inexistente Rala Media Densa Inexistente Rala Media Densa Inexistente Rala Media Densa Inexistente Rala Media Densa Inexistente Rala Media Densa Baixa Baixa Media Media Baixa Baixa Alta Alta Media Media Baixa Baixa Baixa Baixa Alta Alta Media Media Alta Alta Alta Alta Fonte: Riac do Polo Atacadista Como informação complementar à tabela acima pode-se afirmar que os neossolos quartzarênicos apresentam teores de areia acima de 80% e ocupam em torno de 15% da Região do Cerrado. São originados, principalmente, de arenitos ou sedimentos arenosos não consolidados, apresentam baixa fertilidade, são muitopermeáveis, mal estruturados e com limitações ao uso agrícola, pela baixa capacidade de retenção de água e alta suscetibilidade à erosão (Macedo, 1994). 3.3.2.2 Geologia O contexto geológico do Distrito Federal foi atualizado por Freitas-Silva & Campos (1998), as rochas que compõe a região são representadas por quartzitos puros, quartzitos micáceos, metarritimitos, ardósias, filitos, xistos e mármores, compondo um conjunto de matassedimentos de baixo grau de metamorfismo. Quatro unidades estratigráficas regionais incluindo os grupos Paranoá, Canastra, Araxá e Bambuí são reconhecidas no Distrito Federal (figuras 21 e 22). O grupo Paranoá ocupa 65% da área do Distrito Federal, sendo possível caracterizar sete unidades denominadas de Q2, S, A, R3, Q3, R4 e PPC (Faria, 34 RIAC Assentamento Monjolo, setembro/2009 1995), o grupo canastra ocupa 15% da área, distribuído na porção central e na região centro-norte do Distrito Federal é constituído essencialmente por filitos variados, os quais incluem clorita filitos, quartzo-sericita filitos e cloritacarbonato filitos, lentes decamétricas de mármores cinza-claro finos e além de quartzitos finos silicificados. O grupo araxá ocorre apenas na região sudoeste do Distrito Federal e ocupa 5% da área total do território é composto por muscovita xistos e ocorrências restritas de clorita xistos, quartzo-muscovita xistos, granada xistos e lentes de quartzitos micáceos, o grupo bambuí se distribui por 15% da área total do distrito federal, distribuído na região leste, e é composto por siltitos laminados, siltitos argilosos e de arcóseos. A evolução estrutural gerou um complexo de cavalgamentos/falhas reversas, foliações, lineações de estiramento e dobras com eixos ortogonais responsáveis pela formação de um típico padrão de domos e bacias como exemplificados pelos domos estruturais de Brasília, de Sobradinho e do Pipiripau. Como descrito por Freitas-Silva & Campos (1998), o padrão de fraturamento observado na região do Distrito Federal corresponde ao padrão de deformação típico da fase final da estruturação de orógenos que apresentam duas direções preferenciais, aproximadamente ortogonais entre si e que dominam as fontes de águas subterrâneas do aqüífero fraturado. Em afloramentos rochosos, o mesmo padrão de distribuição, direção e de densidade de fraturas é observado independentemente do tipo de rocha considerada o que é facilmente observado nas áreas de exposição rochosa são os seguintes contrastes na classificação das fraturas: 1) fraturas rugosas associadas a rochas mais rúpteis e fraturas lisas associadas a rochas mais plásticas; 2) fraturas com maior abertura associadas a rochas arenosas/carbonáticas; fraturas seladas associadas a rochas argilosas e 3) fraturas maiores sobre rochas mais arenosas, como quartzitos e metarritmitos arenosos. 35 RIAC Assentamento Monjolo, setembro/2009 Figura 21. Mapa geológico do Distrito Federal (fonte: Freitas-Silva & Campos, 1998). Figura 22. Coluna estratigráfica com breve descrição litológica das unidades presentes na região do Distrito Federal (fonte: Freitas-Silva & Campos, 1998). 36 RIAC Assentamento Monjolo, setembro/2009 Os sistemas de fraturas observadas no Distrito Federal apresentam uma ampla distribuição espacial, as direções de anisotropias controlam os grandes traços do padrão drenagem regional no distrito federal, com destaque para a rede que marca os quatro braços principais do lago paranoá. A assimetria de vales de drenagens que contêm solos rasos em uma das margens e solos profundos na outra margem, indicam um basculamento recente em blocos de falhas normais. Essa feição é particularmente comum nas drenagens que compõem a bacia do rio jardim na porção leste do distrito federal. 3.3.2.2.1Geologia local Dominada por rochas do grupo Paranoá, mais especificamente da subunidade R3/Q3, o vale do Córrego Monjolo nasce conforme a maioria dos cursos d’água da região, nas chapadas sustentadas por quartzitos. A área em tela está sobre rochas da subunidade R3/Q3, com presença marcante de quartzito, predominando o Q3, e com grande superfície intemperizada com formação de latossolo amarelo e principalmente de neossolo quartzarênico, próximo à borda da quebra de relevo rumo ao vale do Córrego Monjolo, conforme pode ser visualizado na figura 23. Figura 23. Geologia do Distrito Federal e a localização do assentamento. 37 RIAC Assentamento Monjolo, setembro/2009 3.3.2.3 Relevo O Distrito Federal está localizado no planalto central do Brasil, onde se localizam as cabeceiras de afluentes dos três maiores rios brasileiros – o Rio Maranhão (afluente do Rio Tocantins), o Rio Preto (afluente do Rio São Francisco) e os Rios São Bartolomeu e Descoberto (tributários da bacia do Rio Paraná).A classificação geomorfológica do território do Distrito Federal inclui segundo as propostas de Novaes Pinto (1994ab) e Martins & Baptista (1998), os compartimentos de chapada elevada, de dissecação intermediária, de vale dissecado, de rebordo e de escarpa. As chapadas ocupam áreas expressivas e apresentam padrão de relevo plano a suave ondulado e são cobertas por latossolos as áreas de dissecação intermediária são também cobertas por latossolos e apresentam relevo suave ondulado. Os vales dissecados apresentam relevo ondulado e são cobertos por solos rasos (principalmente cambissolos). Dentre os fatores responsáveis pela evolução morfodinâmica do Distrito Federal incluem tipos de rochas, clima, tipo de vegetação, evolução dos perfis de alteração, estruturação neotectônica, além da presença de couraças lateríticas. O substrato litológico apresenta um notável controle na compartimentação e evolução geomorfológica, as principais chapadas elevadas são controladas pela presença de rochas atribuídas às unidades arenosas r3 e q3, as áreas de dissecação intermediárias são controladas por rochas argilosas, enquanto os vales dissecados são condicionados por unidades muito impermeáveis, representadas por rochas dos grupos canastra, araxá e unidade psamo pelito carbonatada do grupo Paranoá. Os rebordos e escarpas são controlados pela região de transição ou contato brusco entre litologias com alto contraste de erodibilidade, portanto a geologia é o principal condicionante das variações de altitude, incisão de vales, densidade, forma da rede de drenagem e, principalmente, da evolução morfodinâmica e da paisagem atual do distrito federal. 38 RIAC Assentamento Monjolo, setembro/2009 O relevo apresenta importante controle hidrogeológico, uma vez que condiciona o potencial de recarga dos aquíferos e seu risco potencial de contaminação, nas áreas com solos espessos de baixas declividades o potencial de recarga pode ser da ordem de 50% do total da precipitação pluvial e as porções com relevo ondulado com altas declividades a recarga pode ser considerada nula. a) Relevo local É caracterizado por região de transição entre a borda da chapada e o vale do Ribeirão Ponte Alta, fortemente condicionado por fraturas que desenharam o vale, e sustentado em sua parte superior por quartzitos e carapaças lateríticas. Conforme descrito na parte do relevo regional esta característica local determinará a prática de recarga de aquíferos que deverá ser realizada nas áreas sustentadas do relevo evitando-se seu uso na região de maior inclinação. A figura 24 demonstra a declividade do local. Figura 24. Mapa de declividade do assentamento. 3.3.2.4 Hidrogeologia 39 RIAC Assentamento Monjolo, setembro/2009 O Distrito Federal está situado no limite entre as províncias hidrogeológicas do escudo central e do são francisco, em ambos casos a região é amplamente dominada por aquíferos fraturados e físsuro-cársticos recobertos por solos e rochas alteradas com características físicas e espessuras variáveis (que em conjunto compõem sistemas aquíferos intergranulares). O polígono do Distrito Federal está situado em um alto regional que não apresenta grandes drenagens superficiais, sendo um divisor natural de três grandes bacias hidrográficas. Por isso, as águas subterrâneas têm função estratégica na manutenção de vazões dos cursos superficiais e no abastecimento de núcleos rurais, urbanos e condomínios situados fora do sistema integrado de abastecimento da companhia de saneamento ambiental de Brasília – Caesb. As principais informações sobre a hidrogeologia do Distrito Federal estão disponíveis em Romano & Rosas (1970), Barros (1987 e 1994), Amore (1994), Mendonça (1993), Campos & Freitas-Silva (1998 e 1999), Zoby (1999), Campos & Tröger (2000), Souza (2001), Cadamuro (2002), Joko (2002), Moraes (2004), Campos (2004), PGIRH(2005) e Lousada (2005). No Distrito Federal, onde a geologia é caracterizada por rochas metamórficas, recobertas por espessos solos, podem ser diferenciados três grandes grupos de aquíferos, que correspondem à classificação maior dos reservatórios subterrâneos de água, domínio aqüífero intergranular, domínio aqüífero fraturado e domínio aqüífero físsuro-cárstico. A figura 25 ilustra a hidrogeologia do Distrito Federal e sobre a qual se encontra o assentamento. 40 RIAC Assentamento Monjolo, setembro/2009 Figura 25. Mapa hidrogeológico do Distrito Federal e a localização do assentamento No caso do Distrito Federal, onde há grande variação de tipos litológicos dentro das várias unidades litoestratigráficas, a caracterização mais precisa dos vários sistemas aquíferos requer a subdivisão em subsistemas, evidenciando a real diversificação dos domínios, sistema e subsistemas aquíferos, a tabela 2 mostra a sinopse do quadro hidrogeológico do Distrito Federal. As vazões dos poços tubulares variam desde zero (poços secos) até mais de 150 m3/h. A ampla variabilidade de potencial dos aquíferos é resposta da grande variação da geologia, tipos de solos e geomorfologia. a) Descrição dos aquíferos Domínio freático Os aquíferos do domínio freático são caracterizados pelos meios geológicos onde a porosidade é do tipo intergranular, ou seja, a água ocupa os poros entre os minerais constituintes do material geológico (rocha ou solo) no Distrito Federal esse domínio é essencialmente representado pelos solos e pelo manto de alteração das rochas. 41 RIAC Assentamento Monjolo, setembro/2009 A caracterização dos aquíferos desse domínio está vinculada a vários parâmetros, dos quais dois são destacados: a espessura saturada (b) e a condutividade hidráulica (k), sendo que ambas são diretamente controladas pela geologia e pela geomorfologia onde cada tipo de solo está inserido. Tabela 2 – Resumo da classificação dos domínios, sistemas/subsistemas aquíferos do Distrito Federal com respectivas vazões médias. Fonte: adaptado de Campos & Freitas-Silva, 1999. Domínio Sistema Subsistema P1 P2 Freático P3 Deverão ser definidos com o detalhamento da cartografia hidrogeológica. Vazão média (m³/h) Litológia/solo predominante < 0,8 Latossolos arenosos e neossolos quartzarênicos Latossolo argilosos < 0,5 Plintossolos argissolos e < 0,3 Cambissolo e neossolo litólico S/a 12,5 Metassiltitos A 4,5 Ardósias R3/q3 12,0 Quartzitos e metarritmitos arenosos R4 6,5 Metarritmitos argilosos Canastra F 7,5 Filitos micáceos Bambuí - 6,0 Siltitos e arcóseos Araxá - 3,5 Mica xistos Paranoá Ppc 9,0 Metassiltitos e lentes de mármores Canastra F/q/m 33,0 Calcifilitos, quartzitos e mármores P4 Paranoá Fraturado Físsurocárstico Fonte: adaptado de Campos & Freitas-Silva, 1999. 42 RIAC Assentamento Monjolo, setembro/2009 No Distrito Federal os aquíferos freáticos são compostos por meios geológicos não consolidados, com espessuras saturadas variando de poucos centímetros até 80 metros, com ampla predominância (> 60%) de espessuras entre 15 e 25 metros, grande extensão e continuidade lateral, heterogêneos e anisotrópicos, os aquíferos relacionados a esse domínio são classificados como aquíferos livres e/ou suspensos, com ampla continuidade lateral, compondo o sistema de águas subterrâneas rasas, esses aquíferos geralmente são aproveitados por poços rasos, sendo a altura do nível freático controlada pela hipsometria e por feições físicas gerais dos vários tipos de solo/manto de intemperismo. Como são aquíferos rasos e livres, são moderadamente susceptíveis à contaminação por agentes externos, sendo, em geral, isolados em sistemas de abastecimento público, os volumes de água captados pelos poços rasos são sempre inferiores a 800 l/h. Em função de parâmetros dimensionais (principalmente espessura saturada b e condutividade hidráulica k), esse domínio foi dividido em quatro sistemas denominados P1, P2, P3 e P4, os sistemas P1 e P2 são caracterizados por espessuras maiores que 20 metros e condutividades hidráulicas, respectivamente, alta (maior que 10-6 m/s) e moderada (da ordem de grandeza de 10-6 m/s). No sistema P3 as espessuras totais são reduzidas para menos de 10 metros e a condutividade hidráulica assume valores menores que 10-6 m/s, o sistema p4 caracteriza-se por pequenas espessuras (comumente menores que 1 metro, podendo alcançar 2,5 metros) e condutividade hidráulica muito baixa. Nesse sistema é comum a ausência de zona de saturação no domínio do saprolito, principalmente quando desenvolvidos sobre rochas argilosas. A cartografia para os aquíferos do domínio poroso, foi ser baseada nos grupos hidrológicos dos solos propostos por Gonçalves (2007). Neste caso foi utilizada uma ampla base de dados de ensaios de infiltração e a divisão dos sistemas leva em consideração o funcionamento hídrico dos solos conforme a teoria da curva-número desenvolvida pelo serviço de conservação dos solos dos estados unidos (Lombardi Neto 1989 e Sartori 2004). 43 RIAC Assentamento Monjolo, setembro/2009 A nova cartografia dos sistemas intergranulares freáticos está apresentada na figura 26, esse domínio aqüífero apresenta particularidades devido ao fato de incluir a transição entre a zona não saturada e a zona saturada do aqüífero, essa porção também inclui a região onde se originam os processos de recarga dos aquíferos (rasos e profundos) a partir da infiltração das águas de chuva, uma importância adicional desse domínio está vinculada à manutenção da perenidade de drenagens no período de recessão de chuvas. Figura 26. Nova proposta de distribuição dos sistemas intergranulares freáticos (aquíferos porosos) do Distrito Federal, essa proposta substitui a cartografia apresentada por Campos & Freitas-Silva, 1998. As zonas de descargas desse domínio estão relacionadas a fontes do tipo depressão ou contato, sendo que sua vazão média é controlada pelo tipo de regime de fluxo, as fontes relacionadas a fluxos regionais e intermediários apresentam vazões superiores a 2,0 litros por segundo, enquanto as de fluxo local mostram vazões reduzidas e com amplas variações sazonais, os aquíferos subjacentes, do domínio fraturado, também funcionam como importantes exutórios dos aquíferos do domínio poroso, pois são diretamente alimentados a partir da zona saturada contida nos solos e nas rochas alteradas. 44 RIAC Assentamento Monjolo, setembro/2009 Domínio fraturado Os aquíferos do domínio fraturado são caracterizados pelos meios rochosos, onde os espaços ocupados pela água são representados por descontinuidades planares, ou seja, planos de fraturas, microfraturas, diáclases, juntas, zonas de cisalhamento e falhas, como no Distrito Federal o substrato rochoso é representado por metassedimentos, os espaços intergranulares foram preenchidos durante a litificação e o metamorfismo. Dessa forma, os eventuais reservatórios existentes nas rochas proterozóicas estão inclusos dentro do domínio fraturado, onde os espaços armazenadores de água são classificados como porosidade secundária. Por estarem restritos a zonas que variam de alguns metros a centenas de metros, os aquíferos do domínio fraturado são livres ou confinados, de extensão lateral variável, fortemente anisotrópicos e heterogêneos, compondo o sistema de águas subterrâneas profundas, com raras exceções, esse domínio está limitado a profundidades pouco superiores a 250 metros, sendo que em profundidades maiores há uma tendência de fechamento dos planos de fraturas em virtude do aumento da pressão.Os parâmetros hidrodinâmicos são muito variáveis em função do tipo de rocha e, inclusive, variando significativamente em um mesmo tipo litológico, o principal fator que controla a condutividade hidráulica dos aquíferos desse domínio é a densidade das descontinuidades do corpo rochoso. Esses aquíferos são aproveitados a partir de poços tubulares profundos e apresentam vazões que variam de zero até valores superiores a 100 m3/h, sendo que a grande maioria dos poços apresenta entre 5 e 12 m3/h, a existência de poços secos é controlada pela variação da fração granulométrica, sendo que quanto maior a concentração de quartzitos menor a incidência de poços secos e quanto maior a presença de material argiloso (metassiltitos e ardósias) maior a ocorrência de poços secos ou de muito baixa vazão. A classificação desse domínio em quatro conjuntos distintos, denominados de sistemas aquíferos Paranoá, Canastra, Araxá e Bambuí é feita com base no conhecimento geológico, análise estatística dos dados de vazões e feições estruturais. O sistema Paranoá foi subdividido nos seguintes subsistemas: S/A, 45 RIAC Assentamento Monjolo, setembro/2009 A, R3/Q3 e R4, enquanto o sistema canastra é integrado pelo subsistema F As águas subterrâneas desse domínio apresentam exposição à contaminação atenuada, uma vez que os aquíferos do domínio intergranular sobrepostos funcionam como um filtro depurador natural, que age como um protetor da qualidade das águas mais profundas. A recarga dos aquíferos desse domínio se dá através do fluxo vertical e lateral de águas de infiltração a partir da precipitação pluviométrica, a morfologia da paisagem é um importante fator controlador das principais áreas de recarga regionais. 3.3.2.5 Recursos Hídricos O empreendimento está inserido na microbacia hidrográfica do Córrego Monjolo, unidade hidrográfica do Ribeirão Ponte Alta, componente da subbacia hidrográfica do Rio Corumbá. O Córrego Monjolo está localizado ao lado Sul da cidade do Recanto das Emas e ao norte do núcleo rural Casa Grande. Sua principal nascente está localizada próxima à confluência das rodovias DF-001 e DF-475, com cota aproximada de 1.200m. A bacia hidrográfica onde está inserido o empreendimento possui padrão controlado por estruturas planares recebendo diversos tributários com várias nascentes em vereda até seu encontro com o Ribeirão Ponte Alta. Este Ribeirão possui área de drenagem de aproximadamente 228,0Km2, recebe o Córrego do Monjolo pela margem esquerda, passando a ser denominado de Ribeirão Ponte Alta . O principal uso dos recursos hídricos superficiais na área em estudo é a diluição de efluentes, ou seja, lançamento de águas pluviais outras pequenas captações são feitas nos Córregos para usos diversos como irrigação, aqüicultura, indústria e criação de animais. A disponibilidade hídrica mínima medida no Ribeirão Ponte Alta é de 880 L/s equivalente à Q7,10 cuja contribuição referente ao Córrego Monjolo equivale a 159 L/s que comparado à demanda estimada para á área em torno de 37 L/s, é suficiente para o atendimento da demanda de produção 46 RIAC Assentamento Monjolo, setembro/2009 Curva de Disponibilidade x Demanda 900 Q 7,10 800 Q 90 700 600 Q méd mín 500 Q mín mín 400 300 Vazão Outorgável 200 Vazão Remanescente 100 Demanda Outorgada 0 JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ Figura 27 - Curva de disponibilidade do Córrego Monjolo – Fonte ADASA. Pela proximidade das nascentes do Córrego Monjolo e do recebimento de drenagem pluvial da cidade de Recanto das Emas, um controle do escoamento superficial bem realizado deverá ser previsto nos planos de controle ambiental e nos sistemas de infraestrutura. 3.3.2.5.1 Qualidade das águas A qualidade da água é representada por um conjunto de características, geralmente mensuráveis, de natureza química, física e biológica, as quais, mantidas dentro de certos limites estabelecidos pelos órgãos de controle ambiental, viabilizam determinado uso. O monitoramento da qualidade de água é fundamental para se acompanhar a evolução das condições de qualidade de água ao longo do tempo, utilizando parâmetros como cor, temperatura, turbidez, condutividade, alcalinidade, pH, DBO, DQO, fósforo total, nitrato, sódio, potássio, cloreto, sólidos totais em suspensão, amônia, coliformes, metais pesados, derivados de petróleo dentre outros. A qualidade da água deverá atender as classes de enquadramento definidas no plano de recursos hídricos do DF. No Distrito Federal, a rede de amostragem para o monitoramento da qualidade das águas é operada pela CAESB, ADASA e ANA, que efetua rotineiramente campanhas de coleta e análise de amostras. 47 RIAC Assentamento Monjolo, setembro/2009 Geralmente, esse acompanhamento sistemático visa a controlar a qualidade das águas captadas para o abastecimento público e o monitoramento dos corpos hídricos receptores de esgotos sanitários (CAESB), porém recentemente com a entrada em operação de pontos de monitoramento das duas últimas entidades, os corpos hídricos vêm sendo monitorados para a segurança da disponibilidade e controle de qualidade dos corpos de água do DF. Para segurança qualitativa e quantitativa dos recursos hídricos estes pontos de monitoramento e os monitoramentos esporádicos poderão ser utilizados para recomendação de enquadramento do uso de recursos hídricos do DF. Um dos pontos de monitoramento da CAESB em campanhas de 2001 e 2007 está localizado no Córrego Vargem da Bênção à montante da confluência com o Córrego Monjolo. Como o Córrego Monjolo recebe somente parte das águas pluviais de uma única cidade (Recanto das Emas) e sua declividade longitudinal é grande, os riscos de extravasamentos de sua calha principal são baixos. Entretanto uma exceção refere-se ao primeiro trecho do Córrego Monjolo, onde existem sérios riscos de extravasamentos, agravados com a previsão futura de implantação das Quadras Residenciais 900 de Recanto das Emas; As previsões/implantações de bacias de detenção nos lançamentos de drenagem pluviais de Recanto das Emas foram bastante positivos para os cursos d’água, pois reduziram as vazões de pico dos lançamentos de drenagem pluvial; Os bueiros/pontes existentes no Córrego Monjolo em especial a ligação entre a etapa 1 e 2 do Recanto do Monjolo deverá ser redimensionado, a partir dos lançamentos de drenagem pluvial para reduzir riscos de passagem de água por cima dos mesmos principalmente pela possibilidade de criação das quadras 900 de Recanto das Emas. Pontos de monitoramento no Córrego Monjolo deverão ser implementados em especial para controle do escoamento de drenagem pluvial dos lançamentos da NOVACAP. 48 RIAC Assentamento Monjolo, setembro/2009