P UBLICAÇÃO ERIÓDICA Editorial Edição Impressa Periódica N.º 1 Abril, 2010 RELAÇÕES – PÚBLICAS E ÉTICA: 32 ANOS DO “CÓDIGO DE LISBOA” Há 32 anos atrás, no dia 16 de Abril de 1978, era assinado na cidade de Lisboa, em assembleia-geral da Confédération Européen dês Relations Publiques (CERP), o Código Europeu de Conduta Profissional de Relações Públicas, mais conhecido por "Código de Lisboa". Este Código reunia um conjunto de padrões éticos e valores que caracterizavam, e ainda caracterizam, a essência da actividade de Relações-Públicas. A comemoração do Código de Lisboa é, do meu ponto de vista, o momento ideal para o lançamento da primeira edição da Publicação Periódica do Núcleo de Estudantes de Relações Públicas. Sentida a nível geral a necessidade de se comemorar um dia tão importante para todos os profissionais de Relações Públicas, dado que se trata do código de ética que rege esta profissão, na Universidade dos Açores, sentiu-se a necessidade de realçar, junto dos aspirantes a RP, a importância da área que escolheram como base da sua formação. Com os limitados recursos que temos à disposição mas com a imensa vontade de pôr em prática os conhecimentos já adquiridos nesta tão nobre casa, utilizar-se-á a mais importante ferramenta utilizada pelas Relações Públicas para promover o curso: a comunicação. Com o objectivo de regulamentar o comportamento ético, as associações profissionais de Relações-Públicas têm vindo a estabelecer e a promover Códigos Éticos e de Conduta Profissional. Estes códigos apelam às boas práticas profissionais e abonam pela verdade, pelo diálogo e pelo interesse público como valores centrais da profissão. Assim, as Relações-Públicas regem -se por códigos deontológicos muito específicos que consubstanciam a seriedade e rectidão. À semelhança do Código Internacional de Ética de Relações Públicas, mais conhecido por "Código de Atenas" (primeiro código deontológico para a profissão de Relações Públicas - assinado a 11 de Maio de 1965, em Atenas), também no “Código de Lisboa”, o respeito pelos princípios morais é apresentado como obrigação profissional. O relações-públicas deve respeitar a dignidade e os direitos humanos, enquadrados pela "Declaração Universal dos Direitos do Homem", em particular a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa. Aliados a estes princípios, juntam-se outros valores fundamentais, que demonstram bem o perfil e o carácter do profissional de Relações-Públicas: a honestidade, integridade intelectual, diálogo, lealdade e transparência, bem como os padrões de comportamento e de conduta com a entidade patronal ou o seu cliente e também à relação que estabelece com os colegas de profissão. As Relações-Públicas e a Ética são indissociáveis e todos os profissionais desta nobre actividade deverão ter em conta o “Código de Lisboa” e o “Código de Atenas” como ferramentas de auto-educação. Nos dias que correm, as empresas têm uma enorme responsabilidade e um compromisso para com a sociedade e para com os seus funcionários, e para vencerem necessitam de pessoas capazes de promover a boa imagem institucional, elevando a confiança, a reputação e a credibilidade junto da opinião pública. Para este sucesso, a questão da ética é crucial e a aposta em profissionais de Relações-Públicas será uma "jogada" muito inteligente. Pela Presidente da Comissão Coordenadora Marta Soares Rui Veloso Docente do Curso de Relações Públicas e Comunicação Departamento de Línguas e Literaturas Modernas da Universidade dos Açores Em Effective Public Relations, definem-se as Relações Públicas como uma função da administração distinta, que ajuda a estabelecer e manter linhas mútuas de comunicação, entendimento, aceitação e cooperação entre a organização e os seus públicos; envolve a gestão de problemas ou temas importantes; ajuda a administração a manter-se informada sobre a opinião pública e pronta a responder perante ela; define e sublinha a responsabilidade da administração em servir o interesse do público; ajuda a administração a ficar a par da mudança e a usá-la, serve como um mecanismo de aviso prévio para antecipar modas; usa a pesquisa e uma comunicação racional, sã e ética como ferramentas principais SENTIMENTO DE PERTENÇA Às Relações Públicas estão associados alguns valores que definem e diferenciam este dos demais, enquanto profissional com relevância social. Assim, congratulo o dinamismo e o entusiasmo com que a actual direcção do NURP-UAc preconiza com o desenvolvimento das suas linhas de actuação. Também, exalto que a existência de uma organização só é relevante quando os indivíduos que beneficiam com a defesa desses interesses vestem a camisola e nutrem o sentimento de pertença para com a profissão que escolheram, a entidade a que fazem parte e, essencialmente, para com as suas opções e posturas pessoais e profissionais. Está mais do que na altura em que juntos exaltar a profissão que todos nós escolhemos, enquanto futuros talentos para o mercado de trabalho. Juntos teremos impacto, unidos faremos sucesso e motivados construiremos um império. O império em que todos viveremos numa realidade em que as Relações Públicas serão reconhecidas e a nossa carreira contribuirá para o desenvolvimento socio-económico da Região. Contudo, para alcançarmos este feito, internamente, deve-se consciencializar que o dinamismo e a união devem ser uma constante, enquanto discentes da área. Estes são quem podem ajudar a “arrumar a casa”. Depois, e no mundo do trabalho deveremos continuar a fortalecer a diferenciação dos profissionais de RP. Saúdo a pró-actividade , ao dinamismo e ao espírito de iniciativa que o RP detém, bem como ao sucesso que os alunos de RPC e o seu núcleo farão, enquanto discentes de uma das áreas mais activas de todas as profissões. Sejam apaixonantes quanto à vossa opção profissional, mas sejam audazes na exaltação da mesma. E como a ARPA surge para dar continuidade e difundir a relevância social das RP, eis que termino com o nosso slogan característico da nossa importância, pois as pessoas são importantes e a primeira prioridade. Sejam únicos. As Relações Públicas são Capital. João Figueiredo Presidente da Associação das Relações Públicas dos Açores “A prática das relações públicas é o esforço, planificado e sustentado, para estabelecer e manter a boa vontade e compreensão mútuas entre uma organização e o seu público.” Institute of Public Relations Sabia que… … São João Baptista é o patrono dos profissionais de Relações Públicas? Cada grupo profissional geralmente possui um patrono representado por um santo que teve a mesma arte ou ofício. Foi este santo que anunciou a chegada de Jesus Cristo à Terra assim como a sua missão, declarando-se como o seu porta-voz. Nas suas falas bíblicas pode constatar-se que recorre constantemente ao uso da verdade na procura de pontes de entendimento entre os homens e Deus. Mesmo que o conceito de Patrono não se possa aplicar na íntegra a S. João Baptista, em 1990, um grupo de relacionadores de públicos visitou o Papa João Paulo II, para lhe entregarem o prémio “Relações Públicas de Ouro”. O Pontífice mencionou aquele santo como o patrono ideal dos que se dedicam a esta profissão, tendo mais tarde confirmado S. João Baptista como patrono dos profissionais de Relações Públicas. ACORDO ORTOGRÁFICO – SABEM QUE OS CORRUTOS PRATICAM A CORRUÇÃO E QUE SÃO MUITOS OS CORRUTORES? Entre as Bases mais polémicas do Acordo Ortográfico encontrase a Base IV com o título “Das sequências consonânticas”. Esta Base divide-se em dois pontos. No ponto 1. lê-se: “O c, com valor de oclusiva velar, das sequências interiores cc (segundo c com valor de sibilante), cç, e ct, e o p das sequências interiores pc (c com valor de sibilante), pç e pt ora se conservam, ora se eliminam.” No final da leitura deste ponto, logo o leitor se questiona sobre quais os casos em que se mantém as consoantes c e p, e quais aqueles em que se eliminam, procurando ele próprio descortinar quais as razões subjacentes à retirada destas consoantes de umas palavras e à sua manutenção noutras. Atendendo a que o Acordo segue o princípio fonético, isto é, aproxima a ortografia do modo como se pronunciam as palavras, e apesar de a imagem gráfica de algumas poder ferir a maneira como cada um está habituado a escrever essas mesmas palavras, quem continue a leitura das alíneas a) e b) do ponto 1. entrevê o princípio fonético como razão para a alteração de algumas grafias. Assim, na alínea a) indica-se que as consoantes c e p se mantêm “nos casos em que são invariavelmente proferidos nas pronúncias cultas da língua”, como nos exemplos: compacto, convicção, convicto, ficção, friccionar, pacto, pictural, adepto, apto, díptico, erupção, eucalipto, inepto, núpcias, rapto. Página 3 CURIOSIDADES 10 “MANDAMENTOS” PARA FALAR BEM EM PÚBLICO 1-Não tente excluir o medo. Tenha consciência da sua existência e prepare-se para enfrentá-lo. 2-Conheça bem o tema em questão para uma maior segurança na apresentação. 3-Planifique as ideias a apresentar. 4-Pratique, nem que seja na frente de um espelho, ou graNa alínea b) somos informados de que as consoantes c e p se eliminam “nos casos ve-se para detectar erros. em que são invariavelmente [mudas] nas pronúncias cultas da língua”. Veja-se a nova grafia de ação, acionar, afetivo, aflição, aflito, ato, coleção, coletivo, direção, diretor, 5-.Sempre que estiver em exato, objeção, adoção, adotar, batizar, Egito, ótimo. grupo seja participativo, pois Efectivamente em nenhuma destas palavras pronunciamos o c ou o p com que agoajudar-lhe-á a perder o medo ra as escrevemos, havendo portanto coerência quanto ao princípio fonético. Porém, se de falar em público. em alguns casos a ausência do c ou do p não perturba a leitura ou a escrita das palavras, outros há que, para além de ferirem a imagem gráfica que temos da palavra, vêm criar falsas homonímias. Por exemplo, ao vermos ato neste conjunto, percebemos que se tra- 6-Explore as suas qualidata do nome acto, mas fora deste contexto pensaríamos imediatamente na forma verbal des: boa projecção de voz, postura correcta, ser dinâmido verbo atar, na 1.ª pessoa do singular do presente do indicativo (eu ato). co, vocabulário diversificaA leitura da alínea c) já nos deixa mais incomodados com a visualização da possi- do. bilidade de, no futuro, num mesmo texto podermos encontrar um número elevado de palavras escritas de duas formas, se quem tiver escrito o texto não se impuser uma 7-Tenha em atenção a dicopção prévia. Na alínea c) pode ler-se o seguinte: “Conservam-se ou eliminam-se, ção. facultativamente, quando se proferem numa pronúncia culta, quer geral, quer restritamente, ou então quando oscilam entre a prolação e o emudecimento”. Com esta regra 8-Fale a uma velocidade de do facultativamente e da pronúncia culta tanto geral, como a nível de grupos restritos, acordo com o tema e/ou connem que seja de duas pessoas no limite, passa-se a ter a possibilidade de escrever: texto que está a explicar. aspecto e aspeto, cacto e cato, caracteres e carateres, dicção e dição, facto e fato, sector e setor, ceptro e cetro, concepção e conceção, corrupto e corruto, recepção e rece9-Seja expressivo sem exageção. ros, pois ajudará ao entendiComentem-se apenas alguns destes casos: dicção deveria pertencer ao grupo de mento do assunto, prenderá a palavras constantes da alínea a), pois parece-nos necessário questionar a possibilidade atenção e evitará a monotode dição numa pronúncia culta mesmo restrita; de maior infelicidade consideramos a nia. imagem gráfica de corruto, corrução e corrutor. Quanto a cacto e cato, Francisco Álvaro Gomes, em O Acordo Ortográfico, aduz 10-Demonstre tranquilidade. dois argumentos que o levam a considerar a grafia em alternativa cato uma decisão Assim transmite credibilidamenos feliz. Um dos argumentos é o facto de provocar convergência com a 1.ª pessoa de ao ouvinte, facilitando o do singular do presente do indicativo do verbo catar (eu cato). processo de comunicação e entendimento. O segundo argumento assenta na comparação com a grafia de cacto em mais de quinze línguas, em que em todas se mantém o c ou k. Eis algumas: francês cactus; alemão der Kaktus; romeno cactus; espanhol cactus; português (Brasil) cacto; português (Portugal) cacto. Um alarme e um sobressalto sobrevêm ao lermos a alínea d) “Quando, nas sequências mpc, mpç e mpt se eliminar o p de acordo com o determinado nos parágrafos precedentes [alíneas a), b) e c)], o m passa a n, escrevendo-se, respectivamente, nc, nç e nt”. Logo ficamos a pensar que vamos ter que escrever suntuoso e, pior, provocar a sua pronúncia de sumptuoso para suntuoso. Felizmente, ao olhar para os exemplos podemos respirar com alguma tranquilidade, pois apercebemo-nos de que a conjunção e entre os exemplos indica-nos que a escrita com ou sem p nas ditas sequências é facultativa, o que houve foi um esquecimento do advérbio facultativamente na redacção da alínea d). Então podemos continuar descansados, podemos continuar a escrever sumptuoso e se quisermos também podemos escrever suntuoso. O mesmo acontece com as palavras assumpção e assunção, assumptível e assuntível, peremptório e perentório, sumptuosidade e suntuosidade. O ponto 2. também nos deixa perplexos, na medida em que aplica a facultatividade a casos de difícil aceitação pela pronúncia culta, mesmo em grupos restritivíssimos. Nesse ponto lê-se: “Conservam-se ou eliminam-se, facultativamente, quando se proferem numa pronúncia culta, quer geral, quer restritamente, ou então quando oscilam entre a prolação e o emudecimento: o b da sequência bd, em súbdito [súbdito e súdito]; o b da sequência bt, em subtil [subtil e sutil] e seus derivados; o g da sequência gd, em amígdala [amígdala e amídala], amigdalácea [amigdalácea e amidalácea], amigdalar [amigdalar e amidalar], amigdalato [amigdalato e amidalato], amigdalite [amigdalite e amidalite], amigdalóide [amigdalóide e amidalóide], amigdalopatia [amidalopatia], amigdalotomia [amigdalotomia e amidalotomia]; o m da sequência mn, em amnistia [amnistia e anistia], amnistiar [amnistiar e anistiar], indemne [indemne e indene], indemnidade [indemnidade e indenidade], indemnizar [indemnizar e indenizar], omnímodo [omnímodo e onímodo], omnipotente [omnipotente e onipotente], omnisciente [omnisciente e onisciente], etc.; o t da sequência tm, em aritmética [aritmética e arimética] e aritmético [aritmético e arimético]. Se lermos a sequência das formas alternativas em voz alta, visualizando a sua grafia, ficamos com a certeza de que o ponto 2. da Base IV é de grande infelicidade e que as supressões aí enunciadas, embora facultativas, não deveriam constar do Acordo. A possibilidade da queda do t em aritmética só pode deixar entrever maus presságios para o ensino da matemática. Por algum motivo, da redacção deste ponto não constam os exemplos com as grafias facultativas, o que nos pode levar a pensar que os próprios proponentes do Acordo sentiram algum incómodo com palavras como amídala, anistia, anistiar, onipotente ou onisciente. Com a Base IV impede-se o Acordo Ortográfico de atingir o seu principal objectivo: legislam-se as grafias duplas, ou seja, continuará a haver uma longa lista de palavras escritas de duas diferentes maneiras e criam-se verdadeiras aberrações, retirando a essência a algumas palavras. Quem poderá doravante levar a sério a luta contra os corrutos, a corrução e os corrutores? Helena Mateus Montenegro Doutorada em Linguística Portuguesa RUBRICA BOM PORTUGUÊS Calçar ou vestir luvas? Devemos dizer calçar as luvas. Esta escolha verbal está relacionada com o facto de usarmos o verbo calçar quando queremos dizer que “vestimos” os membros inferiores. Como as mãos também são membros, embora superiores, por analogia empregamos o mesmo verbo. Assim, dizemos: - Calçar os sapatos - Calçar as meias - Calçar as luvas Onde ou aonde? Podem usar-se as duas formas. · Onde: aparece em verbos estáticos ou dinâmicos que pedem preposição em. Ex. Onde ficou o menino? (Quem fica, fica “em” algum lugar) Onde andavam as crianças? (Quem anda, anda “em” algum lugar) · Aonde: emprega-se exclusivamente em verbos de movimento que pedem preposição “a”. Note-se que a própria palavra já começa com “a”. Ex. Aonde foram os meninos? (Quem vai, vai “a” algum lugar) Aonde chegaram os meninos? (Quem chega, chega “a” algum lugar) Obs. Por onde passearam? / De onde vieram? / Para onde foram? Neste caso, nunca use “aonde”, pois antes de “onde” já tem uma preposição. Ficha Técnica Propriedade: NURP-Uaç Coordenação: Equipa de trabalho do NURP-UAç Colaboradores: Helena Montenegro, João Figueiredo, Rui Veloso. Concepção gráfica: Marciano Lima