KEILA NUNES PURIFICAÇÃO INTERAÇÕES ENTRE AVES FRUGÍVORAS E PLANTAS: UM ESTUDO COMPARATIVO EM FORMAÇÕES SAVÂNICAS E FLORESTAIS DO CERRADO NOVA XAVANTINA MATO GROSSO – BRASIL 2013 ii KEILA NUNES PURIFICAÇÃO INTERAÇÕES ENTRE AVES FRUGÍVORAS E PLANTAS: UM ESTUDO COMPARATIVO EM FORMAÇÕES SAVÂNICAS E FLORESTAIS DO CERRADO Dissertação apresentada ao Programa de Pósgraduação em Ecologia e Conservação da Universidade do Estado de Mato Grosso como requisito parcial à obtenção do título de Mestre. Orientador: Dr. Fernando Pedroni Coorientadora: Dra. Márcia Cristina Pascotto NOVA XAVANTINA MATO GROSSO – BRASIL 2013 iii 598.2:557.7 P985i Purificação, Keila Nunes Interações entre aves frugívoras e plantas: um estudo comparativo em formações savânicas e florestais do Cerrado. /Keila Nunes Purificação. Nova Xavantina: 2013. X. 58 p. : Il.: 30 cm. Orientador: Fernando Pedroni. Coorientadora: Márcia Cristina Pascotto. Dissertação (mestrado) – Universidade de Estado do Mato Grosso, Programa de Pós-graduação em Ecologia e Conservação, Nova Xavantina, 2013. 1. Aves frugívoras - Savana Neotropical . 2. Aves e plantas – Interações. I. Título. CDU: 595.79:591.557.7 Ficha catalográfica elaborada pela bibliotecária Nilva Pereira Silva, CRB – 860, Universidade Federal de Mato Grosso, Campus Universitário do Araguaia, Pontal do Araguaia. iv INTERAÇÕES ENTRE AVES FRUGÍVORAS E PLANTAS: UM ESTUDO COMPARATIVO EM FORMAÇÕES SAVÂNICAS E FLORESTAIS DO CERRADO Keila Nunes Purificação Dissertação apresentada ao Programa de Pós-graduação em Ecologia e Conservação da Universidade do Estado de Mato Grosso como requisito parcial à obtenção do título de Mestre. APROVADA em 26 de Julho de 2013, pela BANCA EXAMINADORA: _____________________________________________ Dr. Fernando Pedroni Universidade Federal de Mato Grosso - UFMT Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde Orientador _____________________________________________ Dra. Márcia Cristina Pascotto Universidade Federal de Mato Grosso - UFMT Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde Coorientadora – Membro Titular _____________________________________________ Dr. Rudi Ricardo Laps Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – UFMS Centro de Ciências Biológicas e da Saúde Membro Titular _____________________________________________ Dr. Dilermando Pereira Lima Junior Universidade Federal de Mato Grosso - UFMT Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde Membro Suplente v Parque Estadual da Serra Azul, Barra do Garças, Mato Grosso, Brasil (Foto: K. N. Purificação) “Parece que não há mais tempo para o Cerrado. Mas no Cerrado há um tempo para tudo: há tempo de seca e tempo de chuva; há tempo de flor e tempo de fruto; há tempo de folhas e tempo de galhos; há tempo de colorido e tempo sem cor. Infelizmente ainda não sabemos quando será o tempo de conservação, até hoje só conhecemos tempo de destruição.” (Verônica Theulen & Reuber Brandão) vi Aos meus pais, Carlito e Valdivina, dedico. vii AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente e sempre aos meus pais, Carlito e Valdivina. Palavras jamais expressariam meu eterno agradecimento pelo amor, dedicação, apoio e incentivo. Obrigado por tudo, principalmente pelo exemplo de bondade e amor incondicional. Ao Programa de Pós-graduação em Ecologia e Conservação e a Universidade do Estado de Mato Grosso pela oportunidade. À Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (SEMA-MT) por autorizar a pesquisa no Parque Estadual da Serra Azul. As minhas inseparáveis companheiras de campo, Jessiane Mayara N. Pereira e Naftali A. Lima e a toda equipe do Laboratório de Ornitologia (UFMT/CUA): Aline Guiaro, Fabiana Mendonça, Fernanda Nardes, Francielly Borges, Lorena Castilho, Hugo Brito, Márcia Pascotto e Rosangela Müller. Obrigado pela ajuda, aprendizados, risadas... Sobretudo pela amizade e por permitirem-me fazer parte da „Família Ornito‟. À CAPES pelo suporte financeiro, por meio da concessão da bolsa de estudos. Ao meu orientador, Dr. Fernando Pedroni, pela orientação e valiosos ensinamentos. Obrigado! A minha coorientadora, Dra. Márcia Cristina Pascotto, pela orientação, paciência, oportunidades oferecidas, confiança e incentivo. E, sobretudo por ter me apresentado (lá em 2008) os seres mais encantadores, as aves. Ao projeto SISBIOTA/Rede ComCerrado (Proc. CNPq 563134/2010-0) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso – FAPEMAT (Proc. 873/2006 e Proc. 738702/2008). Ao Programa de Apoio à Pós-graduação (PROAP/CAPES e PROCAD/CAPES Projeto nº 109/2007) pelo apoio financeiro. À Universidade Federal de Mato Grosso-UFMT, pelo apoio logístico às coletas de campo. Aos motoristas da UFMT, “seu” Eurípedes, Cedilson e ao amigo e quase ornitólogo Elismar Cavalcante por iniciarem o trabalho mais cedo levando-nos a campo. Ao Henrique A. Mews pelo carinho, apoio, incentivo, sugestões... Obrigado por me amar e me fazer feliz! Aos meus irmãos, Deon e Maísa, pela paciência, amizade e compreensão. Amo vocês! viii Aos professores Eddie Lenza, Paulo Brando, Ben Hur Marimon, Leandro Juen, Beatriz Schwantes Marimon, César Melo, Carla Galbiati e Evandson Silva que muito contribuíram com minha formação acadêmica durante o mestrado. Ao Dr. Dilermando P. Lima Junior, Dra. Márcia Cristina Pascotto e Dr. Rudi Ricardo Laps pela contribuição neste trabalho. Ao Leandro Maracahipes e Maryland Sanchez pelo auxílio na identificação de algumas espécies de plantas. Ao Renato Goldenberg pela identificação de Miconia staminea e Miconia macrothyrsa. À melhor turma de mestrado de todos os tempos: a minha! Obrigado pelo companheirismo, pelas madrugadas de estudo e conversas descontraídas, enfim, pelos maravilhosos momentos que passamos juntos. Muito obrigado pela amizade de vocês, em especial Adriana Mohr e Ana Cristina! A todos os brasileiros, por financiarem meus estudos por meio desta instituição pública de ensino. Aos meus tios, tias, primos, primas e avó pela confiança, amor e incentivo. A todas às pessoas que contribuíram direto ou indiretamente ao longo dessa jornada com palavras amigas e de incentivo. Muito obrigada! ix SUMÁRIO RESUMO .................................................................................................................................. X ABSTRACT ............................................................................................................................. XI INTRODUÇÃO GERAL ............................................................................................................... 1 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .............................................................................................. 2 FORMATAÇÃO ......................................................................................................................... 6 ARTIGO I .............................................................................................................................. 7 INTERAÇÕES ENTRE AVES FRUGÍVORAS E PLANTAS EM FORMAÇÕES SAVÂNICAS E FLORESTAIS DO CERRADO ................................................................. 7 RESUMO ......................................................................................................................... 8 ABSTRACT ...................................................................................................................... 9 INTRODUÇÃO ................................................................................................................ 10 MATERIAL E MÉTODOS ................................................................................................ 12 RESULTADOS ................................................................................................................ 15 DISCUSSÃO ................................................................................................................... 18 AGRADECIMENTOS ....................................................................................................... 22 LITERATURA CITADA ................................................................................................... 22 ARTIGO II ........................................................................................................................... 30 COMO ESTÃO ORGANIZADAS AS REDES DE INTERAÇÕES ENTRE AVES FRUGÍVORAS E PLANTAS NO CERRADO?.................................................................. 30 RESUMO ....................................................................................................................... 31 ABSTRACT . .................................................................................................................. 32 INTRODUÇÃO ................................................................................................................ 33 MÉTODOS ..................................................................................................................... 34 RESULTADOS ................................................................................................................ 37 DISCUSSÃO ................................................................................................................... 42 AGRADECIMENTOS ....................................................................................................... 43 LITERATURA CITADA ................................................................................................... 44 CONCLUSÕES GERAIS ............................................................................................................ 47 APÊNDICES ........................................................................................................................... 48 ANEXOS ................................................................................................................................ 58 x RESUMO: A dispersão de sementes é uma importante interação mutualística entre animais frugívoros e plantas. A frugivoria é o primeiro passo para estudar essa relação. Neste contexto, identificamos as interações existentes entre aves frugívoras e plantas em formações savânicas e florestais do Cerrado, avaliamos a potencialidade de dispersão de sementes pelas aves e verificamos como estão distribuídos os registros de alimentação, interações e composição de espécies de aves frugívoras entre as duas formações vegetacionais considerando estações seca e chuvosa. Por fim, geramos redes de interações e comparamos a estrutura das mesmas entre formações savânicas e florestais e quanto à presença/ausência de aves migratórias. Realizamos amostragens entre agosto/2009 e outubro/2010 e entre novembro/2011 e agosto/2012 por meio de transectos e observações focais. Registramos 44 espécies de plantas e 60 espécies de aves e um total de 348 registros de alimentação e 187 interações. A maioria das espécies potencialmente dispersoras foi aves generalistas, mas que apresentaram alta potencialidade de dispersão de sementes. Do total de registros de alimentação, 70% foram observados nas florestas e a maioria (73%) durante a estação seca (χ2=39,529; gl=1; p<0,001). Quanto às interações, mesmo que cerca de 70% destas foram registradas em formações florestais e durante a estação seca (75%), essa diferença não foi significativa (χ2=15,975; gl=1; p=0,06). A composição de espécies de aves diferiu entre formações savânicas e florestais (ANOSIM, R = 0,238; p < 0,001) e entre as estações seca e chuvosa (ANOSIM, R = 0,223; p < 0,001). A rede de interações apresentou padrão fortemente aninhado (N = 0,914; p < 0,001) e quando consideradas independentemente, florestas apresentaram-se aninhadas (N = 0,891; p < 0,001) e savanas não foram significativamente aninhadas (N = 0,813; p = 0,137). Savanas foram mais suscetíveis à perda de interações com a exclusão de espécies migratórias e as florestas destacaram-se na manutenção e estabilidade das redes de interações no Cerrado. Dessa forma, sugerimos que a manutenção de florestas em ecossistemas predominantemente savânicos como o Cerrado é extremamente importante para a avifauna frugívora e para as interações frugívoro-planta. PALAVRAS-CHAVE: Frugivoria, savana neotropical, aninhamento, variação sazonal. xi ABSTRACT: Seed dispersal is an important mutualistic interaction between frugivores and plants. The frugivory is the first step to study this relationship. In this context, we identified the interactions between frugivorous birds and plants in the forest and savanna formations of Cerrado, the potential of seed dispersal by birds was evaluated and checked how the feeding records are distributed, the interactions and species composition of frugivorous birds between the two vegetation formations considering dry and wet seasons. Finally, interaction nets were generated and compared their structure between savanna and forest formations and the presence/absence of migratory birds. Samplings were conducted between August/2009 and October/2010 and between November/2011 and August/2012 through transects and focal observations. We recorded 44 species of plants and 60 species of birds and a total of 348 feeding records and 187 interactions. Most potential seed-disperser species was generalist birds, but showed high potential for seed dispersal. Of total feeding records, 70% were observed in forests and the majority (73%) during the dry season (χ2 = 39.529, df = 1, p <0.001). Regarding interactions, even though about 70% of these were recorded in the forest and during the dry season (75%), this difference was not significant (χ2 = 15.975, df = 1, p = .06). The composition of bird species differed between forest and savanna formations (ANOSIM, R = 0.238, p < 0.001) and between the dry and rainy seasons (ANOSIM, R = 0.223, p < 0.001). The networks of interactions showed strongly nested pattern (N = 0.914, p < 0.001) and when taken independently, forests were nested (N = 0.891, p < 0.001) and savannas were not significantly nested (N = 0.813, p = 0.137). Savannas were more susceptible to loss of interactions with the exclusion of migratory species and forests stood out in the maintenance and stability of net of interactions in the Cerrado. Thus, it is suggested that forests maintenance in predominantly savanna ecosystems, such as the Cerrado, is extremely important for frugivorous birds and frugivore-plant interactions. KEY WORKS: Frugivory, neotropical savanna, nestedness, seasonal variation. 1 INTRODUÇÃO GERAL Animais frugívoros são fundamentais na dinâmica populacional de plantas e, sobretudo na dinâmica de comunidades em todo o planeta (FORGET et al. 2011).Uma grande proporção de plantas tropicais depende de animais vertebrados para a dispersão de suas sementes. Do mesmo modo, muitas espécies de aves e mamíferos utilizam frutos em suas dietas (HOWE 1979). Nessa relação, os animais recebem o retorno nutricional e as plantas têm seus diásporos dispersos (SNOW 1981). As interações mutualísticas entre frugívoros e plantas constituem um processo fundamental na dispersão de sementes (JORDANO 1987). Dentre os animais frugívoros, as aves figuram entre os mais importantes dispersores de sementes (JORDANO 1994). É também o grupo mais estudado quanto à frugivoria e dispersão de sementes (PIZO & GALETTI 2010), de modo que praticamente todo o arcabouço teórico sobre frugivoria têm esse grupo como objeto de estudo (SILVA & GALETTI 2002). De acordo com FORGET et al. (2011) estudos sobre frugivoria e dispersão de sementes foi o tema mais abordado em trabalhos científicos sobre biologia geral na última década. No entanto, muitas informações ainda necessitam ser acrescidas para melhor entendimento das interações entre frugívoros e frutos (PIZO & GALETTI 2010). Os padrões de interações observados em redes de interações mutualísticas têm sido uma das abordagens recentes na tentativa de elucidar a estrutura das interações ecológicas (BASCOMPTE et al. 2003, LEWINSOHN et al. 2006, JORDANO et al. 2003, BASCOMPTE & JORDANO 2007, GUIMARÃES et al. 2006). Tais padrões podem revelar importantes informações sobre a estrutura da comunidade e das interações existentes (LEWINSOHN et al. 2006). A estrutura interconectada de interações mutualísticas pode ser representada através de redes de interações, em que os pontos representam as espécies de uma dada comunidade e as linhas representam as interações (JORDANO et al. 2003). O Brasil está entre os países com mais pesquisadores cujos estudos estão voltados para frugivoria e dispersão de sementes (SILVA & GALETTI 2002). No entanto, a quase totalidade desses estudos está voltada para as relações frugívoro-fruto na Mata Atlântica (GALETTI & PIZO 1996, SILVA et al. 2002, PIZO et al. 2002, PIZO 2004, ALMEIDA-NETO et al. 2008, GALETTI et al. 2013). O Cerrado, assim como a Mata Atlântica, é um dos ecossistemas mais ameaçados do planeta (MYERS et al. 2000). O avanço da agricultura mecanizada e da pecuária extensiva tem levado à perda acelerada da cobertura vegetal 2 nativa e causado fragmentação da paisagem, o que implica diretamente na perda da biodiversidade (SILVA et al. 2006). A avifauna do Cerrado com 837 espécies registradas corresponde a 47% das espécies de aves registradas no Brasil (MYERS et al. 2000, CBRO 2011), o que torna o Cerrado o terceiro bioma mais rico em espécies do país (MARINI & GARCIA 2005). Em relação aos estudos relacionados à frugivoria e dispersão de sementes por aves, poucos são os trabalhos desenvolvidos sobre o tema no Cerrado (FRANCISCO & GALETTI 2001, 2002, CAZETTA et al. 2002, MELO et al. 2003, FAUSTINO & MACHADO 2006, PASCOTTO et al. 2012, MARUYAMA et al. 2013). Destes, a maioria foi conduzido em formações florestais e baseado em observações com apenas uma espécie de planta como recurso para várias espécies de aves. Além disso, a maioria trata-se de estudos realizados na região sudeste do país, na periferia do Cerrado, enquanto a porção central do bioma ainda encontra-se menos estudada. Diante da carência de informações sobre as relações entre aves frugívoras e plantas no Cerrado, conduzimos este estudo com intuito de descrever como estão estruturadas as interações existentes entre aves frugívoras e plantas em formações savânicas e florestais do Cerrado. Primeiramente procuramos identificar as espécies envolvidas nas interações e a potencialidade de dispersão de sementes das mesmas e, com base no índice de importância (MURRAY 2000), avaliamos a importância das mesmas dentro da comunidade. Avaliamos também como estão distribuídos os registros de alimentação, interações e a composição das aves frugívoras entre savanas e florestas considerando estações seca e chuvosa. Por fim, geramos redes de interações comparando a estrutura das mesmas entre formações savânicas e florestais e quanto à presença/ausência de aves migratórias. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALMEIDA-NETO, M., F. CAMPASSI, M. GALETTI, P. JORDANO & A. OLIVEIRA-FILHO. 2008. Vertebrate dispersal syndromes along the Atlantic Forest: broad-scale patterns and macroecological correlates. Global Ecology and Biogeography 17: 503-513. BASCOMPTE, J., P. JORDANO, J. MELIÁN & J. M. OLESEN. 2003. The nested assembly of plant-animal mutualistic networks. PNAS 100:9383-9387. CAZETTA, E., RUBIM, P., LUNARDI, V. O., FRANCISCO, M. R. & GALETTI, M. 2002. Frugivoria e dispersão de sementes de Talauma ovata (Magnoliaceae) no sudeste brasileiro. Ararajuba 10: 199-206. 3 COMITÊ BRASILEIRO DE REGISTROS ORNITOLÓGICOS - CBRO. 2011. Lista das aves do Brasil. 10ª ed. Available at: http://www.cbro.org.br/CBRO/pdf/AvesBrasil2011.pdf. Accessed: 26/10/2012. FAUSTINO, T. C & C. G. MACHADO. 2006. Frugivoria por aves em uma área de campo rupestre na Chapada Diamantina, BA. Revista Brasileira de Ornitologia 14: 137143. FORGET, P. M., P. JORDANO, J. E. LAMBERT, K. BÖHNING-GAESE, A. TRAVESET & S. J. WRIGHT. 2011. Frugivores and seed dispersal (1985-2010; the „seeds‟ dispersed, established and matured. Acta Oecologica 37: 517-520. FRANCISCO, M. R. & M. GALETTI. 2001. Frugivoria e dispersão de sementes de Rapanea lancifolia (Myrsinaceae) por aves numa área de cerrado do Estado de São Paulo, sudeste do Brasil. Ararajuba 9: 13-19. FRANCISCO, M. R. & M. GALETTI. 2002. Aves como potenciais dispersores de sementes de Ocotea pulchella Mart. (Lauraceae) numa área de vegetação de cerrado do sudeste brasileiro. Revista Brasileira de Botânica 25: 11-17. GALETTI, M. & M. A. PIZO. 1996. Fruit eating by birds in a forest fragment in southeastern Brazil. Ararajuba 4:71-79. GALETTI, M. R. GUEVARA, M. C. CÔRTES, R. FADINI, S. VON MATTER, A. B. LEITE, F. LABECCA, T. RIBEIRO, C. S. CARVALHO, R. G. COLLEVATTI, M. M. PIRES, P. R. GUIMARÃES JR, P. H. BRANCALION, M. C. RIBEIRO & P. JORDANO. 2013. Functional extinction of birds drives rapid evolution changes in seed size. Science 340: 10861090. GUIMARÃES, P. 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BORGES, P. A. SILVA, K. C. BURNS & C. MELO. 2013. Avian frugivory in Miconia (Melastomataceae): contrasting fruiting times promote habitat complementary between savanna and palm swamp. Journal of Tropical Ecology 29: 99-109. MELO, C., E. C. BENTO & P. E. OLIVEIRA. 2003. Frugivory and dispersal of Faramea cyanea (Rubiaceae) in cerrado woody plant formations. Brazilian Journal of Biology 63: 75-82. doi: dx.doi.org/10.1590/S0101-81752008000400013. MURRAY, K. G. 2000. The importance of different bird species as seed dispersers, p. 294-295 In NADKARNI, N. M. & N. T. WHEELWRIGHT (Eds.) Monteverde: ecology and conservation of a tropical cloud forest. New York, Oxford University Press, 573p. MYERS N., R. A. MITTERMEIER, C. G. MITTERMEIER, G. A. F. FONSECA. & J. KENT. 2000. Biodiversity hotspots for conservation priorities. Nature 403: 853-858. PASCOTTO, M. C., H. T. CATEN & J. P. F. OLIVEIRA. 2012. Birds as potential seed dispersers of Curatella americana L. in the Brazilian Cerrado. Ornitologia Neotropical 23: 583-593. PIZO, M. A. & M. GALETTI. 2010. Métodos e perspectivas do estudo da frugivoria e dispersão de sementes por aves. Pp. 492-504 In ACCORDI, I., F. C. STRAUBE & S. VON MATTER (Org.). Ornitologia e conservação: ciência aplicada, técnicas de pesquisa e levantamento. Rio de Janeiro, Technical Books, 516p. PIZO, M. A. 2004. Frugivory and habitat use by fruit-eating birds in a fragmented landscape of southeast Brazil. Ornitologia Neotropical 15: 117–126. PIZO, M. A., W. R. SILVA, M. GALETTI & R. R. LAPS. 2002. Frugivory in cotingas of the Atlantic Forest of southeast Brazil. Ararajuba 10: 177-185. SILVA, J. F., M. R. FARIÑAS, J. M. FELFILI & C. A. KLINK. 2006. Spatial heterogeneity, land use and conservation in the cerrado region of Brazil. Journal of Biogeography 33: 536-548. SILVA, W. & M. GALETTI. 2002. Prefácio: edição especial sobre frugivoria e dispersão de sementes por aves. Ararajuba 10: 173-173. 5 SILVA, W. R., P. MARCO JR, E. HASUI & V. S. M. GOMES. 2002. Patterns of fruitfrugivore interactions in two Atlantic forest bird communities of south-eastern Brazil: implications for conservation, p. 423-436 In LEVEY, D. J., W. R. SILVA & M, GALETTI (Eds). Seed dispersal and frugivory: ecology, evolution and conservation. CABI Publising, Oxon, 516p. SNOW, D. W. 1981. Tropical frugivorous birds and their food plants: a world survey. Biotropica 13: 1-14. 6 FORMATAÇÃO A presente dissertação, intitulada “Interações entre aves frugívoras e plantas: um estudo comparativo em formações savânicas e florestais do Cerrado” está dividida em dois artigos científicos. Este estudo é o primeiro desenvolvido no bioma Cerrado abordando a frugivoria por aves em nível de comunidade. No primeiro artigo, intitulado “Interações entre aves frugívoras e plantas em formações savânicas e florestais do Cerrado” avaliamos a potencialidade de dispersão de sementes pelas aves em formações savânicas e florestais no Cerrado e identificamos, por meio de um índice de importância, as espécies de aves e de plantas mais importantes na comunidade. A partir do número de registros de alimentação, do número de interações e da composição de espécies de aves frugívoras verificamos se formações savânicas e florestais apresentam diferenças entre si. Além disso, observamos se houve variação nesses parâmetros entre as estações seca e chuvosa. No segundo artigo, intitulado “Como estão organizadas as redes de interações entre aves frugívoras e plantas no Cerrado?” avaliamos a organização das redes de interações entre aves frugívoras e plantas comparando a estrutura da rede de interações entre formações savânicas e florestais e quanto à presença/ausência de aves migratórias. Primeiramente, a formatação dos dois artigos segue as normas do Programa de Pós-graduação em Ecologia e Conservação (Times New Roman 12; título da sessão em versalete e negrito; espaçamento 1,5; margens em 2,5 cm). No entanto, a formatação geral do primeiro artigo, incluindo referências bibliográficas, encontra-se nas normas da revista científica Zoologia, disponível no Anexo 1. O segundo artigo foi elaborado segundo as normas da revista Journal of Tropical Ecology, disponíveis no Anexo 2. 7 ARTIGO I INTERAÇÕES ENTRE AVES FRUGÍVORAS E PLANTAS EM FORMAÇÕES SAVÂNICAS E FLORESTAIS DO CERRADO Será submetido à Revista Zoologia (Anexo 1) 8 RESUMO: Registramos interações entre aves frugívoras e plantas no Cerrado e avaliamos o papel e a importância das aves como dispersoras de sementes. Observamos como números de registros de alimentação e de interações e composição de espécies de aves se distribuem entre formações savânicas e florestais e entre as estações seca e chuvosa. Realizamos amostragens entre agosto/2009 e outubro/2010 e entre novembro/2011 e agosto/2012 por meio de transecções e observações focais. Observamos 348 registros de alimentação e 187 interações envolvendo 44 espécies de plantas e 60 espécies de aves. A maioria dos registros de alimentação foi observada nas florestas e durante a estação seca (χ2=39,529; gl=1; p<0,001). Já em relação ao número de interações não encontramos diferença significativa (χ2=15,975; gl=1; p=0,06) entre as duas formações vegetacionais e entre as estações. A composição de espécies de aves diferiu entre formações savânicas e florestais (ANOSIM, R = 0,238; p < 0,001) e entre as estações seca e chuvosa (ANOSIM, R = 0,223; p < 0,001). A maioria das espécies potencialmente dispersoras foi aves generalistas que ocupam preferencialmente florestas durante a estação seca. Durante a estação seca há aumento de registros de alimentação nas formações florestais, indicativo de que as aves usam estes locais como área de forrageio nesse período. Sugerimos que a manutenção de florestas em ecossistemas predominantemente savânicos como o Cerrado é extremamente importante para a avifauna frugívora e para as interações frugívoro-planta. PALAVRAS-CHAVE: Dispersão neotropical, sazonalidade. de sementes, interações mutualísticas, savana 9 ABSTRACT: Interactions between frugivorous birds and plants in the Cerrado were recorded and the role and importance of birds as seed dispersers was evaluated. How the feeding record numbers of and interactions and bird species composition are distributed between forest and savanna formations and between the dry and rainy seasons were also observed. Samplings were conducted between August/2009 and October/2010 and between November/2011 and August/2012 through transects and focal observations. We observed 348 feeding records and 187 interactions involving 44 plant species and 60 species of birds. Most feeding records was observed in forests and during dry season (χ2 = 39.529, df = 1, p <0.001). Regarding the number of interactions, there was no significant difference (χ2 = 15.975, df = 1, p = 0.06) between the two vegetation formations and between seasons. The composition of bird species differed between forest and savanna formations (ANOSIM, R = 0.238, p < 0.001) and between the dry and rainy seasons (ANOSIM, R = 0.223, p < 0.001). Most potential seed disperser species was generalist birds preferentially occupying forests during the dry season. During the dry season there are increased feeding records in the forest formations, indicating that birds use these sites as foraging area during this period. We suggest that maintaining forests in predominantly savanna ecosystems, such as the Cerrado, is extremely important for frugivorous birds and plant-frugivore interactions. KEY WORDS: Mutualistic interactions, neotropical savanna, seasonality, seed dispersal. 10 INTRODUÇÃO A dispersão de sementes por frugívoros consiste em uma das principais interações positivas entre plantas e animais. As plantas se beneficiam da dispersão de seus diásporos para longe de plantas parentais, pela redução da competição e predação (HOWE & SMALLWOOD 1982), além do aumento do fluxo gênico entre populações. Em contrapartida, animais que consomem frutos recebem retorno nutricional (HOWE & PRIMACK 1975, SNOW 1981). As aves se destacam como dispersoras de sementes devido à alta abundância e frequência com que se alimentam de frutos e à elevada capacidade de deslocamento entre ambientes (JORDANO 1994). Aves frugívoras representam 56% das famílias de Aves do planeta e em florestas neotropicais de 25 a 30% da avifauna inclui frutos na dieta (PIZO & GALETTI 2010). Segundo JORDANO (1987), as interações entre plantas frutíferas e aves frugívoras numa comunidade definem um padrão formado por poucas espécies de aves que interagem com muitas espécies de plantas e poucas plantas que interagem com muitas aves. Isso torna a dependência entre espécies de aves e de plantas essencial para a estabilidade dos processos ecológicos de uma comunidade (FADINI & DE MARCO JR 2004). Estudos de frugivoria por aves são relativamente bem relatados em florestas tropicais (e.g. SNOW 1981, JORDANO 1987, GALETTI & PIZO 1996, MEDELLÍN & GAONA 1999, SILVA & TABARELLI 2000, BASCOMPTE et al. 2003, SARACCO et al. 2005, GALETTI et al. 2013). Estima-se que 50 a 90% das espécies arbóreas de florestas tropicais produzem frutos zoocóricos (HOWE & SMALLWOOD 1982, JORDANO 1993). Em contrapartida, nas savanas tropicais, apesar da extensa distribuição geográfica e da rica biodiversidade, poucos estudos abordaram a frugivoria e dispersão de sementes por aves (e.g. DEAN et al. 1999, HOVESTADT et al. 1999, WÜTHERICH et al. 2001, FAUSTINO & MACHADO 2006, CHRISTIANINI & OLIVEIRA 2010, MARUYAMA et al. 2013). As savanas são definidas principalmente pela sazonalidade climática e regime de fogo, sendo a vegetação caracterizada por um estrato herbáceo dominado por gramíneas e um estrato arbustivo arbóreo descontínuo (SCARPE 1992). O Cerrado brasileiro, a maior savana do planeta, é representado por um mosaico de coberturas fitofisionômicas, tais como Campos, Cerrado Sentido Restrito, Florestas Semideciduais e Matas de Galeria (SILVA & BATES 2002, SILVA et al. 2006). O clima é representado por duas estações bem definidas (uma quente e úmida e outra fria e seca), devido às mudanças na temperatura e precipitação ao longo do ano (EITEN 1972). 11 Com cerca de 12.000 espécies de plantas catalogadas (MENDONÇA et al. 2008) e 837 espécies de aves (MYERS et al. 2000), estima-se que cerca da metade das espécies de plantas no Cerrado necessitam de animais para a dispersão de suas sementes, sendo as aves o principal grupo de dispersores (GOTTSBERGER & SILBERBAUER-GOTTSBERGER 1983, PINHEIRO & RIBEIRO 2001, KUHLMANN 2012). A proporção de espécies de plantas zoocóricas é elevada tanto em fitofisionomias savânicas quanto florestais do Cerrado. No Cerrado Sentido Restrito do Brasil Central, por exemplo, a proporção de espécies de plantas zoocóricas variou de 51 a 68% (VIEIRA et al. 2002). Já nas Matas de Galeria do Centro e Sudeste do Brasil de 63 a 89% das plantas possuem dispersão zoocórica e, destas, mais da metade é ornitocórica (PINHEIRO & RIBEIRO 2001, MOTTA-JUNIOR & LOMBARDI 2002). A produção de frutos da maioria das espécies zoocóricas de Cerrado Sentido Restrito segue padrão sazonal, com pico de maturação de frutos na estação chuvosa (SILBERBAUER-GOTTSBERGER 2001, LENZA & KLINK 2006, PIRANI et al. 2009, CAMARGO et al. 2013). O mesmo padrão foi observado em Matas de Galeria (OLIVEIRA & DE PAULA 2001). No entanto, a maturação dos frutos das espécies mais abundantes nas duas fitofisionomias ocorre na estação seca (GOUVEIA & FELFILI 1998). Sabendo que a dispersão de sementes é um importante processo ecológico que atua na manutenção da diversidade e a frugivoria é o primeiro passo para estudar esse evento (CORDEIRO & HOWE 2001), nossos objetivos foram (i) identificar as interações existentes entre aves frugívoras e plantas e as espécies mais importantes na comunidade (importância sensu MURRAY 2000) e (ii) avaliar a potencialidade de dispersão de sementes, número de registros de alimentação, número de interações e composição de espécies de aves frugívoras em formações savânicas e florestais do Cerrado considerando as estações seca e chuvosa. Testamos a hipótese de que formações florestais apresentam maiores números de registros de alimentação e de interações, já que é nas florestas que está concentrada a maioria das espécies de plantas zoocóricas do Cerrado (PINHEIRO & RIBEIRO 2001, KUHLMANN 2012) e que os valores de registros de alimentação e de interações apresentam-se mais altos durante a estação chuvosa, uma vez que no Cerrado há maior disponibilidade de frutos maduros nesse período (SILBERBAUER-GOTTSBERGER 2001, LENZA & KLINK 2006, CAMARGO et al. 2013, PIRANI et al. 2009). Nossa segunda hipótese é que a composição de espécies de aves frugívoras não apresenta diferença entre formações savânicas e florestais e nem entre as 12 estações seca e chuvosa, já que maioria das espécies de aves do Cerrado ocorre nas duas formações vegetacionais (SILVA 1997, BAGNO & MARINHO-FILHO 2001). MATERIAL E MÉTODOS Área de estudo - Realizamos o estudo no Parque Estadual da Serra Azul (15º52‟S e 51º16‟W), localizado no município de Barra do Garças, região do Vale do Araguaia, leste do estado de Mato Grosso. Com área de cerca de 11.000 ha, é uma importante Unidade de Conservação no Cerrado e apresenta diversas fitofisionomias típicas desse bioma, incluindo formações savânicas e florestais. Possui altitudes médias entre 600 e 700 m e solos classificados como Latossolo Vermelho-Amarelo distrófico de textura argilosa (PIRANI et al. 2009, SANCHEZ & PEDRONI 2011). O clima da região, de acordo com a classificação de Köppen, é do tipo Aw, com clima quente e úmido e duas estações bem definidas, verão chuvoso (outubro a março) e inverno seco (abril a setembro). A temperatura média anual é de 25,5ºC e a precipitação média anual é de 1.528 mm (PIRANI et al. 2009). Coleta dos dados - Realizamos as amostragens entre agosto de 2009 e outubro de 2010 (1º período) e entre novembro de 2011 e agosto de 2012 (2º período). No primeiro período utilizamos quatro trilhas pré-estabelecidas de aproximadamente 2 km de extensão cada, das quais duas percorriam formações savânicas (Cerrado Rupestre e Cerrado Típico) e duas percorriam formações florestais (Mata de Galeria e Mata Semidecídua). No segundo período, amostramos as trilhas do módulo do projeto SISBIOTA da Rede ComCerrado, estabelecidas no PESA. O módulo de amostragem segue o modelo RAPELD (MAGNUSSON et al. 2005), em que duas trilhas paralelas de 5 km cada e distantes 1 km uma da outra passam por diferentes fitofisionomias do Cerrado, como Cerrado Ralo, Cerrado Típico, Mata Semidecídua e Mata de Galeria (sensu RIBEIRO & WALTER 2008). Para o registro das interações utilizamos o método do transecto linear (BIBBY et al. 2000) com adaptações para estudos de frugivoria (PIZO & GALETTI 2010). Adicionalmente ao método do transecto, realizamos observações focais em doze espécies de plantas, escolhidas principalmente devido à grande produção individual de frutos e da fácil visualização da copa (Byrsonima sericea DC. – Malpighiaceae, Cecropia pachystachya Trécul – Urticaceae, Copaifera langsdorffii Desf. – Fabaceae, Lasiacis ligulata Hitchc. & Chase – Poaceae, Miconia staminea (Desr.) DC. – Melastomataceae, Myrcia multiflora (Lam.) DC. – Myrtaceae, Myrsine umbellata Mart. 13 – Primulaceae, Norantea guianensins Aubl. – Marcgraviaceae, Rudgea viburnoides (Cham.) Benth. – Rubiaceae, Schefflera morototoni (Aubl.) Maguire et al. – Araliaceae, Xylopia aromatica (Lam.) Mart. e Xylopia sericea A. St.-Hil. – Annonaceae). Observações focais na mesma planta foram realizadas em dias não consecutivos, tendo em média três observadores por amostragem. Realizamos três horas de observações focais para cada espécie de planta e consideramos apenas as observações completas, nas quais um frugívoro foi observado desde sua chegada à planta até sua saída sem ser perdido de vista durante toda a visita (SILVA et al. 2002). Cada vez que observamos o consumo de frutos por aves anotamos um registro de alimentação, que independe da quantidade de frutos consumidos e da duração da visita. No caso de bandos de aves que forragearam ao mesmo tempo em uma mesma planta, consideramos o consumo de fruto por cada indivíduo do bando como um registro de alimentação (PIZO & GALETTI 2010). Registros de alimentação feitos por uma espécie de ave em uma espécie de planta correspondem a uma interação. Dessa forma, uma interação indicou que uma determinada espécie de ave consumiu frutos de uma determinada espécie de planta, independentemente da quantidade de registros de alimentação realizados. Para cada registro de alimentação observado anotamos a espécie de ave consumidora, a espécie vegetal cujos frutos foram consumidos, a fitofisionomia e a data em que o registro foi feito. Avaliamos também o modo de consumo dos frutos pelas aves, incluindo a porção consumida dos frutos (polpa, arilo, semente, e/ou fruto inteiro) e seu estado de maturação. Aves observadas consumindo diásporos inteiros ou levandoos para longe da planta-mãe foram consideradas potenciais dispersoras de sementes. As espécies que consumiram frutos imaturos ou que trituraram as sementes foram consideradas predadoras de sementes (HOWE & ESTABROOK 1977, HOWE & SMALLWOOD 1982, MOERMOND & DENSLOW 1985). No primeiro período realizamos visitas semanais ao campo, de modo que cada fitofisionomia foi amostrada ao menos uma vez por mês pelo método de transecto. No segundo período realizamos duas a três visitas semanais ao campo, de modo que cada fitofisionomia também fosse amostrada ao menos uma vez por mês pelo método de transecto, com o cuidado de que o número de amostragens em formações savânicas e florestais fosse o mais parecido possível. Realizamos as amostragens entre as seis e às 13 horas, o que totalizou esforço amostral de 284 horas entre os métodos de transecto (248 horas) e focal (36 horas). 14 Consideramos uma ave frugívora de acordo com os critérios de MOERMOND & DENSLOW (1985), segundo os quais uma ave frugívora é aquela que inclui frutos na dieta ao menos durante alguma estação ou fase da vida, e não aquelas que se alimentam exclusivamente de frutos. Para a separação dessas aves frugívoras em guildas alimentares utilizamos os critérios adotados por VIEIRA et al. (2013) para a avifauna do PESA. Quanto à classificação e nomenclatura taxonômica das espécies de aves seguimos a proposta do COMITÊ BRASILEIRO DE REGISTROS ORNITOLÓGICOS (CBRO 2011) e para as espécies de plantas seguimos a LISTA DE ESPÉCIES DA FLORA DO BRASIL (2013). Análise dos dados - Calculamos o índice de importância (I) para cada espécie de ave considerada potencial dispersora de sementes. Esse índice indica a contribuição de uma espécie de ave em relação às demais espécies de aves para cada uma das plantas com as quais ela interagiu. Ele é caracterizado por dar peso às espécies com muitas interações e, que dentre estas, haja muitas interações exclusivas (MURRAY 2000). É dado pela seguinte fórmula: Ij = [(Cij/Ti)/S] em que Ti é o número total de espécies de aves que se alimentaram dos frutos da planta i, S é o número total de espécies de plantas amostradas, Cij é igual a 1 se a espécie de ave j consumiu os frutos da espécie de planta i ou 0 se não consumiu. O valor de I varia entre 0 e 1, sendo 0 para espécies de aves que não interagiram com nenhuma planta e 1 para as que consumiram frutos de todas as plantas contidas na amostra. Utilizamos o mesmo índice para o cálculo das espécies de plantas cujos frutos foram consumidos pelas aves. Nesse caso, i correspondeu à espécie de ave e j à espécie de planta. Utilizamos o teste qui-quadrado (χ2) por meio de tabelas de contingência (ZAR 1999) para testarmos nossa primeira hipótese, ou seja, para verificar se formações florestais apresentam números mais elevados de registros de alimentação e de interações (consumiu/não consumiu) do que formações savânicas e para verificar como esses valores se distribuem entre as estações seca e chuvosa. Para comparar a composição de espécies de aves frugívoras entre as formações savânicas e florestais e entre as estações seca e chuvosa (segunda hipótese) utilizamos a análise multivariada de similaridade (ANOSIM) (CLARKE & GREEN 1988) empregando o coeficiente de similaridade de Jaccard. A significância do teste (p) foi obtida após 9.999 permutações e correção sequencial de Bonferroni (LEGENDRE & LEGENDRE 1998). Realizamos as análises no programa R versão 2.13.0 (R DEVELOPMENT CORE TEAM 2011). 15 RESULTADOS Observamos 348 registros de alimentação (média de 1,22 registros/hora) e 187 interações envolvendo 44 espécies de plantas (26 famílias) e 60 espécies de aves (20 famílias). Das 60 espécies de aves que observamos consumindo frutos, 47 pertencem à ordem Passeriformes, estando distribuídas em 13 famílias. Destas, as mais representadas em número de espécies foram Thraupidae (16) e Tyrannidae (11). Entre as nãoPasseriformes (13 espécies), a família Psittacidae foi a mais bem representada (5 espécies) (Figura 1A). As famílias de plantas com maior riqueza de espécies foram Myrtaceae (4), Melastomataceae (3) e Malpighiaceae (3) (Figura 1B) (Apêndice 1). Rutaceae Primulaceae Myristicaceae Marcgraviaceae Malvaceae Loranthaceae Ebenaceae Combretaceae Caryocaraceae Boraginaceae Arecaceae Araliaceae Anacardiaceae Urticaceae Sapindaceae Moraceae Meliaceae Lauraceae Dilleniaceae Annonaceae Rubiaceae Poaceae Fabaceae Malpighiaceae Melastomataceae Myrtaceae A B Famílias de aves Famílias de plantas Fringillidae Cardinalidae Coerebidae Mimidae Momotidae Trogonidae Columbidae Cracidae Corvidae Icteridae Vireonidae Pipridae Picidae Emberizidae Ramphastidae Tityridae Turdidae Psittacidae Tyrannidae Thraupidae 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 0 1 2 3 4 5 Número de espécies Figura 1. Riqueza específica das famílias de aves (A) e de plantas (B) que apresentaram interações em eventos de frugivoria no PESA, Mato Grosso, Brasil. As espécies de aves que interagiram com maior número de plantas foram Turdus leucomelas Vieillot, 1818 (15 interações) e Dacnis cayana (Linnaeus, 1766) (12), seguidas por Tangara cayana (Linnaeus, 1766) (9) e Cyanocorax cyanopogon (Wied, 1821) (9). Considerando apenas formações florestais, Turdus leucomelas (n = 12), Dacnis cayana (n = 8) e Saltator maximus (Statius Muller, 1776) (n = 8) foram as espécies de aves que interagiram com o maior número de espécies de plantas. Nas formações savânicas destacaram-se Dacnis cayana e Tangara sayaca (Linnaeus, 1766) 16 com cinco interações cada e Hemithraupis guira (Linnaeus, 1766) e Elaenia chiriquensis Lawrence, 1865, ambas com quatro interações. As espécies de plantas que interagiram com maior número de espécies de aves foram Miconia staminea (23 interações), Cecropia pachystachya (12) e Dilodendron bipinnatum Radlk. (12). Nas formações florestais, 35% do total de interações nas florestas foram observadas em Miconia staminea (n = 23), Dilodendron bipinnatum (n = 12) e Schefflera morototoni (n = 10). Já nas formações savânicas, cerca de 40% das interações concentraram-se em Cecropia pachystachya (9 interações), Curatella americana L. (9) e Copaifera langsdorffii (7). Em relação ao índice de importância, Turdus leucomelas (I = 0,107), Cyanocorax cyanopogon (I = 0,066) e Trogon curucui Linnaeus, 1766 (I = 0,054) foram as espécies de aves mais importantes em toda a comunidade (Figura 2 A). As espécies de aves mais importantes nas florestas foram Turdus leucomelas (I = 0,116), Trogon curucui (I = 0,078) e Saltator maximus (I = 0,071). Nas formações savânicas, Volatinia jacarina (Linnaeus, 1766) (I = 0,080), Turdus leucomelas (I = 0,065), Tangara sayaca (I = 0,065) e Myiodynastes maculatus (Statius Muller, 1776) (I = 0,065) foram as espécies de aves com maiores índices de importância. Entre as plantas, Miconia staminea (I = 0,162), Cecropia pachystachya (I = 0,083) e Rudgea viburnoides (I = 0,063) foram as mais importantes na comunidade (Figura 2 B). Nas formações florestais, entre as plantas destacaram-se Miconia staminea (I = 0,255), Rudgea viburnoides (I = 0,089) e Xylopia sericea (I = 0,084). Nas formações savânicas Cecropia pachystachya (I = 0,170), Curatella americana (I = 0,165) e Copaifera langsdorffii (I = 111) foram as mais importantes. Dentre as interações observadas, 77% apresentaram potencialidade de dispersão. Das 60 espécies de aves, 49 (82%) foram consideradas potenciais dispersoras de todas as espécies de plantas com as quais interagiram. Espécies predadoras de sementes, representadas principalmente por espécies de aves da família Psittacidae, totalizaram 12% das espécies observadas. Além dos psitacídeos, apenas Cyclarhis gujanensis (Gmelin, 1789), Nemosia pileata (Boddaert, 1783), Neothraupis fasciata (Lichtenstein, 1823), Tersina viridis (Illiger, 1811), Zonotrichia capensis (Statius Muller, 1776) e Gnorimopsar chopi (Vieillot, 1819) não foram consideradas potenciais dispersoras de nenhuma espécie de planta (Apêndice 1). Nove espécies de plantas não tiveram sementes dispersas por nenhuma espécie de ave. Destas, quatro [Brosimum gaudichaudii Trécul, Caryocar brasiliense Cambess., 17 Cordia sellowiana Cham. e Pseudobombax tomentosum (Mart. & Zucc.)] tiveram sementes trituradas por psitacídeos. Somadas à essas espécies, Mezilaurus crassiramea (Meisn.) Taub. ex Mez e Indeterminada 1 tiveram seus frutos consumidos apenas na fase imatura. Em Buchenavia tomentosa Eichler, Diospyros brasiliensis Mart. ex Miq. e Mangifera indica L. observamos apenas o Espécies de aves consumo de polpa (Apêndice 1). 0,00 Espécies de plantas A Tityra semifasciata (7) Tangara sayaca (6) Volatinia jacarina (3) Saltator maximus (8) Ramphastos vitellinus (5) Myiodynastes maculatus (8) Dacnis cayana (12) Trogon curucui (4) Cyanocorax cyanopogon (10) Turdus leucomelas (15) 0,02 0,04 0,06 0,08 0,10 0,12 B Cabralea canjerana (6) Xylopia sericea (7) Dilodendron bipinnatum (12) Schefflera morototoni (10) Cupania vernalis (8) Copaifera langsdorffii (9) Curatella americana (9) Rudgea viburnoides (8) Cecropia pachystachya (12) Miconia staminea (23) 0,00 0,02 0,04 0,06 0,08 0,10 0,12 0,14 0,16 0,18 Índice de importância Figura 2. Índices de importância das dez espécies de aves (A) e de plantas (B) que apresentaram valores mais altos no PESA, Mato Grosso, Brasil. O número de interações observadas está apresentado entre parênteses. A maioria dos registros de alimentação (70% do total) foi registrada nas formações florestais e durante a estação seca (73%) (χ2 = 39,529; gl= 1; p < 0,001). Em 18 relação ao número de interações (consumiu/não consumiu), cerca de 70% destas foram registradas nas formações florestais e também durante a estação seca (75%). No entanto, não foi significativo (χ2 = 15,975; gl = 1; p = 0,06). Do total de aves frugívoras registradas, 75% ocorreram em formações florestais e a proporção em savanas foi de 52%, de tal forma que a composição de espécies de aves frugívoras diferiu entre as duas formações vegetacionais (ANOSIM, R = 0,238; p < 0,001). A composição de espécies de aves também apresentou diferença entre as estações (ANOSIM, R = 0,223; p < 0,001). Cerca de 80% das espécies foram registradas durante a estação seca, enquanto aproximadamente 50% foram registradas cosumindo frutos na estação chuvosa. Vinte e nove espécies de aves foram registradas exclusivamente consumindo frutos nas formações florestais, 15 foram exclusivas em formações savânicas e 16 foram compartilhadas nos dois ambientes (Apêndice 1). DISCUSSÃO Espécies de aves das famílias Thraupidae e Tyrannidae (Passeriformes) apresentaram-se como as principais espécies potencialmente dispersoras de sementes. Em estudos de frugivoria realizados no Cerrado (FRANCISCO & GALETTI 2001, 2002, CAZETTA et al. 2002, MELO et al. 2003, MARCONDES-MACHADO & ROSA 2005, PASCOTTO 2006, 2007, FRANCISCO et al. 2007, CHRISTIANINI & OLIVEIRA 2009, ALLENSPACH & DIAS 2012, PASCOTTO et al. 2012, MARUYAMA et al. 2013), espécies das referidas famílias também se destacaram como as principais potencias dispersoras de sementes, com destaque para Tangara sayaca, Tangara cayana (Thraupidae), Pitangus sulphuratus (Linnaeus, 1766) e Myiodynastes maculatus (Tyrannidae) como as espécies mais frequentemente registradas. Espécies da família Thraupidae apresentam relevante importância na dispersão de sementes no Cerrado, assim como em toda a região Neotropical (SNOW & SNOW 1971). Segundo FRANCISCO & GALETTI (2002), traupídeos destacam-se principalmente na dispersão de sementes de plantas com frutos pequenos (<0,4 cm). No caso de frutos maiores, a dispersão é comprometida devido às sementes caírem sob as plantas parentais (LEVEY 1987, SICK 1997, FRANCISCO & GALETTI 2002). Apesar da importância dos traupídeos como potenciais dispersores de sementes nesse estudo, observamos que no caso de sementes maiores (> 0,5 cm, observação pessoal), a potencialidade de dispersão de sementes realmente foi comprometida, ratificando FRANCISCO & GALETTI (2002). Traupídeos apresentaram-se menos eficientes também 19 em relação à dispersão de sementes ariladas (Apêndice 1). De acordo com SICK (1997), espécies desse grupo comumente consomem somente o arilo e descartam as sementes sob a planta. Já os tiranídeos, conhecidos por apresentarem dieta predominantemente insetívora, incluem muitas espécies com dieta mista à base de insetos e frutos (SIGRIST 2009). Alguns estudos têm mostrado que espécies que utilizam frutos para complementar a dieta, como no caso dessa família, têm se destacado como principais dispersores em formações florestais (MELO et al. 2003, PASCOTTO 2006, 2007) e savânicas (FAUSTINO & MACHADO 2006, PASCOTTO et al. 2012, MARUYAMA et al. 2013) no Cerrado. Geralmente, espécies de aves de dieta pouco especializada também não possuem especificidade de habitat, o que as tornam importantes também na dispersão de sementes entre diferentes ambientes (MELO et al. 2003). Dessa forma, em ambientes caracterizados por um mosaico de tipos vegetacionais, como o Cerrado (SILVA & BATES 2002), frugívoros oportunistas são extremamente importantes quanto a potencialidade de dispersão de sementes, pelo menos em relação à plantas pouco especializadas e ao componente quantitativo (SCHUPP 1993). No entanto, cabe investigar o tratamento dado às sementes depois de ingeridas por essas aves. Entre as plantas, Miconia staminea e Cecropia pachystachya destacaram-se como as mais importantes. Estas espécies são caracterizadas por apresentarem grande produção de frutos e sementes pequenas (KUHLMANN 2012). Assim como a maioria das espécies de plantas observadas, estas se enquadram no modelo de baixo investimento (HOWE & SMALLWOOD 1982). Nesse modelo as plantas produzem grande quantidade de frutos pouco nutritivos e sementes pequenas, atraindo variedade de aves oportunistas dispostas a usufruir de um recurso superabundante, mas pouco nutritivo. Com base nas espécies de aves observadas consumindo frutos (Apêndice 1) podemos sugerir que nossos resultados se ajustam fortemente a esse modelo, uma vez que a maioria das interações foi realizada por frugívoros oportunistas. Constatamos que 82% das espécies das aves frugívoras foram consideradas potenciais dispersoras de sementes. Isso já era esperado, pois no Cerrado brasileiro a ornitocoria apresenta-se como a principal síndrome de dispersão de sementes de espécies arbóreas, tanto em ambientes florestais como em ambientes savânicos (GOTTSBERGER & SILBERBAUER-GOTTSBERGER 1983, PINHEIRO & RIBEIRO 2001). Dentre as espécies de aves que não atuaram como dispersoras de sementes destacaramse as espécies da família Psittacidae, amplamente conhecidas como predadoras de 20 sementes, que são comumente trituradas quando ingeridas (SICK 1997). Plantas com frutos maiores (> 2,5 cm), como Buchenavia tomentosa e Diospyros brasiliensis, foram visitadas apenas por consumidores de polpa ou predadores de sementes (Apêndice 1). Ao analisarmos registros de alimentação, número de interações e composição de espécies de aves frugívoras observamos que números mais elevados foram obtidos em áreas florestais, ratificando nossas hipóteses. Estudo recente realizado por KUHLMANN (2012) na porção central do Cerrado com 150 espécies de plantas com frutos atrativos para a fauna, aponta que cerca de 80% foram dispersas por aves e cerca de 60% ocorreram em áreas florestais. A dispersão por animais em ambientes florestais é mais vantajosa para plantas do que a dispersão por processos abióticos, uma vez que animais, sobretudo as aves, são mais propensos a dispersarem as sementes à distâncias mais longas (HOVESTADT et al. 1999). KUHLMANN (2012) afirma que a maturação dos frutos da maioria das plantas frutíferas do Cerrado ocorre predominantemente na estação chuvosa. Resultado semelhante foi encontrado por OLIVEIRA & DE PAULA (1998), que apontaram que a maturação dos frutos da maioria das espécies zoocóricas de Matas de Galeria no Brasil Central ocorreu na estação chuvosa. O mesmo foi observado nas formações savânicas (SILBERBAUER-GOTTSBERGER 2001, LENZA & KLINK 2006, CAMARGO et al. 2013, PIRANI et al. 2009). A partir dessas informações sobre fenologia da frutificação, esperávamos encontrar maiores registros de alimentação e de interações durante a estação chuvosa, uma vez que, segundo os autores citados acima, nesse período há mais frutos maduros. No entanto, a nossa hipótese não foi confirmada. Acreditamos que o elevado número de registros de alimentação e de interações durante a estação seca esteja relacionado à alta produção de frutos de espécies como Rudgea viburnoides, Schefflera morototoni e Miconia staminea. Espécies desses três gêneros, segundo SNOW (1981), são importantíssimas na dieta de aves frugívoras na região Neotropical, pois seus frutos são consumidos por frugívoros especialistas e generalistas. Primeiramente, as três espécies possuem frutos pequenos (< que 1 cm), o que possibilita o consumo por frugívoros de todos os tamanhos. Rudgea viburnoides e Miconia staminea pertencem a duas das mais importantes famílias de plantas para aves frugívoras tropicais (Rubiaceae e Melastomataceae, respectivamente) e, como apresentam frutos suculentos são apreciados por uma gama de frugívoros, especialmente os de pequeno porte que alimentam nos estratos mais baixos da vegetação (SNOW 1981, MARUYAMA et al. 2013). Por outro lado, Schefflera morototoni 21 possui fruto rico em lipídios e proteínas (SNOW 1971), mas que também atrai uma grande variedade de frugívoros, desde os de pequeno aos de grande porte (SARACCO et al. 2005, PURIFICAÇÃO et al., no prelo). Destacamos também que espécies muito abundantes como Turdus leucomelas, que sozinha foi responsável por 25% dos registros de alimentação, possa ter influenciado o elevado número de registros de alimentação nas florestas durante a estação seca, o que justificaria não termos encontrado diferença na matriz qualitativa de interações. Dessa forma, destacamos que é importante considerar a abundância de frugívoros, assim como o número de registros de alimentação, e não somente a presença/ausência das interações. Durante a seca, por exemplo, nas áreas florestais o número de registros de alimentação de Turdus leucomelas foi maior em cerca de 90% em relação à estação chuvosa. A maioria das espécies registradas nas florestas também teve aumento notável de registros de alimentação na estação seca. Isso pode ser devido às variações temporais e espaciais dos recursos alimentares, como menor abundância de invertebrados e frutos maduros em áreas abertas no período seco (MACEDO 2002). Tais fatores são extremamente importantes e podem influenciar movimentações das aves entre habitas florestais e savânicos. Observamos que a composição de aves frugívoras difere entre formações savânicas e florestais, resultado contrário à nossa hipótese, já que de acordo com BAGNO & MARINHO-FILHO (2001), a maioria das espécies da avifauna do Cerrado ocorre tanto em formações savânicas quanto nas florestais. No entanto, isso parece não se aplicar quando consideramos apenas a avifauna frugívora (VIEIRA et al. 2013), provavelmente devido à dependência de frugívoros obrigatórios [por exemplo, Ramphastos vitellinus Lichtenstein, 1823 e Antilophia galeata (Lichtenstein, 1823)] à ambientes florestais. Com base na composição da avifauna frugívora (Apêndice 1), observamos que aproximadamente 80% das espécies de aves registradas não possuem dieta baseada em frutos, apenas complementam a dieta com esse tipo de recurso. Assim, acreditamos que durante a estação seca, período em que há redução de outros itens alimentares [como pequenos artrópodes (MACEDO 2002, MANHÃES 2003)], há aumento de consumo de frutos. Além do mais, em situações de déficit hídrico, consumir frutos torna-se uma das principais maneiras de adquirir água (ARGEL-DE-OLIVEIRA 1998). Sendo assim, espécies que normalmente não consomem frutos passam a utilizar esse recurso na estação seca, o 22 que pode explicar o aumento de registros de alimentação e de interações durante esse período. Nossos resultados sugerem que há um deslocamento de espécies de aves frugívoras e principalmente de indivíduos entre formações savânicas e florestais em resposta às flutuações dos recursos alimentares, que são influenciados pela marcante sazonalidade climática do Cerrado (MACEDO 2002, MANHÃES 2003). Estudos futuros avaliando flutuações temporais e espaciais na composição e abundância das espécies de aves nas distintas formações vegetacionais do Cerrado, assim como da disponibilidade de recursos alimentares, poderão complementar e reforçar nossos resultados. No entanto, temos fortes evidências de que as áreas florestais representam uma área de forrageamento para a avifauna frugívora durante a estação seca. Dessa forma, a manutenção de áreas florestais em ecossistemas predominantemente savânicos como o Cerrado é extremamente importante para a avifauna frugívora e, consequentemente, garante a manutenção das interações frugívoro-planta. AGRADECIMENTOS À SEMA-MT pela autorização da pesquisa no Parque Estadual da Serra Azul. A CAPES pela concessão de bolsa de estudos à K. N. Purificação. Ao projeto SISBIOTA/Rede ComCerrado (Proc. CNPq 563134/2010-0). A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso – FAPEMAT (Proc. 873/2006 e Proc. 738702/2008). Aos colegas do Laboratório de Ornitologia UFMT/CUA, especialmente à Jessiane M. N. Pereira e à Naftali A. Lima pela ajuda durante os trabalhos de campo. Ao Leandro Maracahipes e a Maryland Sanchez pelo auxílio na identificação de algumas espécies de plantas. Ao Renato Goldenberg pela identificação de Miconia staminea e Miconia macrothyrsa. Ao Dilermando P. Lima Junior e ao Rudi Ricardo Laps pelas valiosas sugestões. LITERATURA CITADA ALLENSPACH, N. & M. M. DIAS. 2012. Frugivory by birds on Miconia albicans (Melastomataceae), in a fragment of cerrado in São Carlos, southeastern Brazil. Brazilian Journal of Biology 72: 407-413. ARGEL-DE-OLIVEIRA, M. M. 1998. Aves que plantam: frugivoria e dispersão de sementes por aves. Centro de Estudos Ornitológicos 13: 9-21. 23 BAGNO, M. A. & J. MARINHO-FILHO. 2001. A avifauna do Distrito Federal: uso de ambientes abertos e florestais e ameaças, p. 493-528. In RIBEIRO, J. F., C. E. L. FONSECA & J. C. SOUSA-SILVA (Eds.). Cerrado: caracterização e recuperação de Matas de Galeria. Planaltina, Embrapa Cerrados, 899 p. BASCOMPTE, J., P. JORDANO, J. MELIÁN & J. M. OLESEN. 2003. The nested assembly of plant-animal mutualistic networks. PNAS 100: 9383-9387. doi: 10.1073/pnas.1633576100. BIBBY, C. J., N. D. BURGESS, D. A. HILL & S. H. MUSTOE. 2000. Bird census techniques. 2 ed. London, Academic Press, 302 p. CAMARGO, M. G. G., E. CAZETTA, H. M. SCHAEFER & L. P. C. 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Registramos interações de frugivoria por aves em formações savânicas e florestais no Cerrado e avaliamos a organização das redes de interações comparando estrutura da rede entre as duas formações vegetacionais e quanto à presença/ausência de aves migratórias. Registramos 54 espécies de aves frugívoras e 41 de plantas, com conectância de C = 8,13%. Florestas apresentaram maior riqueza de espécies de aves do que savanas (t = -2,430; gl = 40; p = 0,019). A riqueza de plantas não diferiu nas duas formações (t = - 0,939; gl = 41; p = 0,353). A rede de interações apresentou padrão fortemente aninhado (N = 0,914; p < 0,001) e quando consideradas independentemente, florestas apresentaram-se aninhadas (N = 0,891; p < 0,001) e savanas não foram significativamente aninhadas (N = 0,813; p = 0,137). Isso mostra que a complexidade das interações diminui com a redução de espécies na rede. A riqueza de aves (χ2 = 0,024; gl = 1; p = 0,019) e de plantas (χ2 = 0,004; gl = 1; p = 0,949) não diferiram ao compararmos a rede antes e depois da exclusão das espécies migratórias. No entanto, savanas foram mais suscetíveis à perda de interações e as florestas destacaram-se na manutenção e estabilidade das redes de interações no Cerrado. PALAVRAS-CHAVE: frugivoria. Aninhamento, aves migratórias, interações mutualísticas, 32 ABSTRACT: The structure of interaction networks is an important tool to understand interactions between plants and animals. Frugivory interactions by birds were record in forest and savanna formations of Cerrado and the organization of interaction networks wasp performed by comparing the network structure between the two vegetation formations and the presence/absence of migratory birds. We recorded 54 species of frugivorous birds and 41 plants with connectance of C = 8.13%. Forests had higher species richness of birds than savannas (t = -2.430, df = 40, p = 0.019). The richness of plants did not differ in both formations (t = - 0.939, df = 41, p = 0.353). The network of interactions showed strongly nestedness pattern (N = 0.914, p < 0.001) and when taken independently, forests were nestedness (N = 0.891, p < 0.001) and savannas were not significantly nested (N = 0.813, p = 0.137). This shows that the complexity of the interactions decreases with the reduction of species in the network. The richness of birds (χ2 = 0.024, df = 1, p = 0.019) and plants (χ2 = 0.004, df = 1, p = 0.949) did not differ when comparing the network before and after the exclusion of migratory species. However, savannas were more susceptible to loss of interactions and forests stood out in the maintenance and stability of nets of interactions in the Cerrado. KEY WORDS: Frugivory, migratory birds, mutualistic interactions, nestedness. 33 INTRODUÇÃO Em ambientes naturais, diversas espécies interagem entre si e isso gera redes complexas de interações, as quais podem ser antagônicas ou mutualísticas (Lewinsohn et al. 2006). Em ecologia, redes de interações têm sido utilizadas para investigar a estrutura de diversos tipos de interações envolvendo animais e plantas, tais como frugivoria e dispersão de sementes (Bascompte et al. 2003 Menke et al. 2012) e polinização (Bascompte et al. 2003, Memmott et al. 2004, Lara-Rodríguez et al. 2012). As redes de interações mutualísticas constituem importante ferramenta para detectar padrões de organização das interações em comunidades ecológicas (Jordano et al. 2003, Lewinsohn et al. 2006). Dois tipos principais de padrões têm sido encontrados em redes de interações mutualísticas entre aves frugívoras e plantas: o aninhado e o compartimentado. O padrão mais comum é o aninhado. As redes aninhadas são caracterizadas por um grupo de espécies generalistas que interagem entre si, espécies especialistas que frequentemente interagem com espécies generalistas e ausência de interações entre espécies especialistas (Bascompte et al. 2003). Por outro lado numa rede compartimentada, grupos de espécies são conectados entre si e existem poucas interações entre os grupos formando compartimentos (Prado & Lewinsohn 2004). Dentre as diversas formas de interações mutualísticas, a dispersão de sementes por animais consiste em uma das principais interações envolvendo plantas frutíferas e animais frugívoros (Howe & Smallwood 1982). A frugivoria é amplamente distribuída no grupo das aves, de modo que, entre os animais, as aves são claramente os agentes mais eficientes na dispersão de sementes das angiospermas (Jordano 1994). A grande diversidade de espécies, abundância e variedade de famílias de Aves certamente é um dos fatores que torna esse grupo tão diferenciado como dispersores de sementes (Fleming & Kress 2011). Diversos estudos têm investigado a interação entre aves frugívoras e plantas em várias regiões do planeta (Fleming 2005, Fadini & De Marco Jr. 2004, Morales & Vázquez 2008, Bascompte et al. 2003, Carnicer et al. 2009, Menke et al. 2012, Schleuning et al. 2011). Tais estudos têm revelado que as interações entre aves frugívoras e plantas são constituídas, em sua maioria, por associações entre espécies generalistas que interagem entre si. No entanto, até o momento nenhum estudo investigou como estão estruturadas as redes de interações de plantas e aves frugívoras no bioma Cerrado, onde as aves apresentam-se como importantes dispersoras de 34 sementes (Kuhlmann 2012, Gottsberger & Silberbauer-Gottsberger 1983, Pinheiro & Ribeiro 2001). Nesse sentido, registramos as interações de frugivoria por aves em formações savânicas e florestais de uma área do Cerrado com a finalidade de responder as seguintes perguntas: (i) como está organizada a rede de interações de aves frugívoras e plantas no Cerrado? (ii) A rede de interações nas formações florestais do Cerrado apresenta padrão mais aninhado do que nas formações savânicas, já que florestas compõem ambientes mais complexos que savanas? Neste contexto, esperamos que: (i) a rede de interações entre aves frugívoras e plantas no Cerrado apresente padrão altamente aninhado, como comumente encontrado em outros ambientes tropicais (Bascompte et al. 2003, Guimarães et al. 2006); (ii) formações florestais apresentem padrão mais aninhado do que formações savânicas, uma vez que em comunidades mais complexas, onde mais interações são possíveis, o aninhamento tende a ser mais alto (Bascompte et al. 2003). Posteriormente, comparamos a estrutura da rede de interações quanto à presença/ausência de espécies de aves migratórias para responder a seguinte questão: na ausência de espécies de aves migratórias, há mudanças na estrutura da rede de interações? MÉTODOS Área de estudo Conduzimos o estudo no Parque Estadual da Serra Azul - PESA (15º52‟S e 51º16‟W), localizado no município de Barra do Garças, região leste do estado de Mato Grosso. O PESA possui área de aproximadamente 11.000 hectares e altitudes médias entre 600 e 700 m (Pirani et al. 2009). A vegetação do PESA é típica do bioma Cerrado e apresenta mosaico vegetacional que inclui formações savânicas e florestais (Sanchez & Pedroni 2011), o que o torna uma área representativa da vegetação do Cerrado. O clima da região é do tipo Aw, (classificação de Köppen), com clima quente e úmido e duas estações bem definidas, verão chuvoso (outubro a março) e inverno seco (abril a setembro). A temperatura média anual é de 25,5ºC e a precipitação média anual é de 1.528 mm (Pirani et al. 2009). Coleta dos dados Realizamos as amostragens em dois períodos: 1º período entre agosto de 2009 e outubro de 2010; 2º período entre novembro de 2011 e agosto de 2012. No primeiro período utilizamos quatro trilhas pré-estabelecidas de aproximadamente 2 km de 35 extensão cada, das quais duas percorriam formações savânicas (Cerrado Rupestre e Cerrado Típico) e duas percorriam formações florestais (Mata de Galeria e Mata Semidecídua) (sensu Ribeiro & Walter 2008). No segundo período, realizamos amostragens nas trilhas do módulo do projeto SISBIOTA da Rede ComCerrado, também estabelecidas no PESA. O módulo de amostragem seguiu o modelo RAPELD (Magnusson et al. 2005), no qual duas trilhas paralelas de 5 km cada e distantes 1 km uma da outra atravessam diferentes fitofisionomias do Cerrado, como Cerrado Ralo, Cerrado Típico, Mata Semidecídua e Mata de Galeria. Para o registro das interações, utilizamos o método do transecto linear (Bibby et al. 2000) com adaptações para estudos de frugivoria (Galetti & Pizo 1996, Pizo & Galetti 2010). Adicionalmente, utilizamos o método focal (Pizo & Galetti 2010). Realizamos observações focais em doze espécies de plantas, Byrsonima sericea DC. (Malpighiaceae), Cecropia pachystachya Trécul (Urticaceae), Copaifera langsdorffii Desf. (Fabaceae), Lasiacis ligulata Hitchc. & Chase (Poaceae), Miconia staminea (Desr.) DC. (Melastomataceae), Myrcia multiflora (Lam.) DC. (Myrtaceae), Myrsine umbellata Mart. (Primulaceae), Norantea guianensins Aubl. (Marcgraviaceae), Rudgea viburnoides (Cham.) Benth. (Rubiaceae), Schefflera morototoni (Aubl.) Maguire et al. (Araliaceae), Xylopia aromatica (Lam.) Mart. e Xylopia sericea A. St.-Hil. (Annonaceae), selecionadas principalmente devido à grande produção individual de frutos e da fácil visualização da copa. Observações focais na mesma planta foram realizadas entre as seis e às 13 horas em dias não consecutivos, o que totalizou esforço amostral de 284 horas divididas pelos métodos de transecto (248 horas) e focal (36 horas). Limitamos as observações focais para período máximo de três horas para cada espécie de planta e consideramos apenas as observações completas, nas quais um frugívoro foi observado desde sua chegada à planta até sua saída sem ser perdido de vista (Silva et al. 2002). Realizamos número mais semelhante possível de amostragens em formações savânicas e florestais. Consideramos uma interação quando uma determinada espécie de ave consumiu frutos de uma determinada espécie de planta, independentemente da quantidade de registros de alimentação observados e/ou de frutos consumidos. Espécies que consumiram frutos imaturos ou que trituraram as sementes foram consideradas predadoras de sementes (Howe & Smallwood 1982) e não foram incluídas nas análises. Para a classificação dos frugívoros seguimos os critérios adotados por Moermond & Denslow (1985), na qual uma ave frugívora é aquela que inclui frutos na dieta ao 36 menos durante alguma estação ou fase da vida e não somente as aves que se alimentam exclusivamente de frutos. Quanto à classificação e nomenclatura taxonômica das espécies de aves, seguimos a proposta do Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos (CBRO 2011) e para as espécies de plantas seguimos a Lista de Espécies da Flora do Brasil (2013). Caracterização das redes Organizamos os dados em uma matriz qualitativa (matriz binária de presença/ausência), na qual espécies de plantas foram representadas em linhas e as aves frugívoras em colunas. Nessa matriz, um elemento aij é 1 se a planta i interage com a ave frugívora j ou 0 se não interage (Bascompte et al. 2003). O aninhamento é um padrão comumente encontrado em redes de interações mutualísticas (Bascompte et al. 2003, Guimarães et al. 2006, Jordano et al. 2003, Memmott et al. 2004). Medimos o aninhamento com a fórmula definida por Bascompte et al. (2003): N = (100 – T)/100 onde N é o grau de aninhamento, com valores que variam de 0 a 1 (aninhamento máximo) e T é a temperatura da rede, com valores que variam de 0º a 100° (Atmar & Patterson 1993). Calculamos a temperatura utilizando o programa Nestedness Temperature Calculador, o qual utiliza o modelo nulo de que cada cédula da matriz de interação tem a mesma probabilidade de ser ocupada (Atmar & Patterson 1993,1995). Calculamos também a conectância (C) entre aves e plantas, que corresponde à fração dos registros de todas as interações possíveis de ocorrer (Jordano 1987), por meio da seguinte fórmula: C(%) = Ix100/(F x P) onde I = número de interações observadas, F = número de espécies frugívoras e P = número de plantas, em que (FxP) = número total de interações possíveis de ocorrer. Para analisarmos como a rede de interações entre aves frugívoras e plantas responde à perda de espécies, utilizamos como modelo as espécies migratórias que ocorrem no PESA. Removemos aves migratórias da matriz e avaliamos o efeito na rede como um todo e em seguida consideramos formações savânicas e florestais independentemente e avaliamos como cada ambiente responde à perda de aves frugívoras. Geramos as redes no programa R versão 2.13.0 (R Development Core Team 2011) com uso dos pacotes bipartite (Dormann et al. 2009), sna (Carter 2010) e igraph (Csardi & Nepusz 2006). 37 Análise dos dados Utilizamos o teste t para verificar se existem diferenças na riqueza de espécies de aves frugívoras e de plantas registradas entre as formações savânicas e florestais. Para tanto, consideramos cada amostragem como uma unidade amostral. O teste de quiquadrado (χ2) por meio de tabela de contingência foi empregado para verificar se existem diferenças na riqueza de espécies de aves e plantas antes e após a exclusão de aves migratórias da rede de interações (Zar 1999). Em todas as análises adotamos significância de p < 0,05. Realizamos as análises no programa R versão 2.13.0 (R Development Core Team 2011). RESULTADOS Registramos 54 espécies de aves frugívoras e 41 espécies de plantas. Em média, as formações florestais (média ± desvio padrão: 4,87 espécies ± 2,99) apresentaram maior riqueza de espécies de aves por amostragem do que formações savânicas (2,94 espécies ± 1,76) (t = -2,430; gl = 40; p = 0,019). Por outro lado, o número médio de plantas por amostragem não foi diferente entre formações florestais (1,84 ± 1,11) e savânicas (1,54 ± 0,97) (t = - 0,939; gl = 41; p = 0,353) (Tabela 1). No total registramos 95 espécies na rede de interações entre aves frugívoras e plantas do Cerrado, o que gerou baixa conectância (C = 8,13%), ou seja, das 2.214 interações possíveis, registramos 180. A conectância calculada nas florestas foi 10,18% (n = 72 espécies) e nas formações savânicas foi 12,2% (n = 43 espécies). A rede de interações entre aves frugívoras e plantas no PESA apresentou padrão fortemente aninhado (N = 0,914; p < 0,001; Figura 1A). Quando consideramos apenas formações florestais, observamos o mesmo padrão de aninhamento (N = 0,891; p < 0,001; Figura 1B). Quanto às formações savânicas, o padrão observado não foi significativamente aninhado (N = 0,813; p = 0,137; Figura 1C). Tais resultados mostraram que a complexidade das interações diminui com a redução de espécies na rede (Figura 2). Cerca de 60% das interações ficaram concentradas em 10 espécies de plantas, dentre as quais Miconia staminea apresentou mais interações (espécie mais generalista). Já em relação às aves, 10 espécies foram responsáveis por cerca de 50% das interações (Tabela 2) e Turdus leucomelas foi a espécie com mais interações. A média de interações para as espécies de plantas foi de 4,39. Quanto às aves, foi 3,33 interações por espécie. 38 Figura 1. Redes de interações mutualísticas entre aves frugívoras (retângulos vermelhos) e plantas (retângulos azuis) em formações savânicas e florestais concomitantemente (A), apenas em formações florestais (B) e apenas em formações savânicas (C) do Cerrado no PESA, Mato Grosso, Brasil. 39 Tabela 1. Valores de riqueza de espécies de aves e de plantas (S), número de interações, conectância (C, %), aninhamento (N) e significância observados para a rede de interações em formações savânicas e florestais no Cerrado, com e sem a presença de aves migrantes. Formação vegetal S S Nº. de aves plantas interações C N Significância Com migrantes Savanas 26 17 55 12,2 0,813 p = 0,137 Florestas 43 29 127 10,18 0,891 p < 0,001 54 41 180 8,13 0,914 p < 0,001 Savanas + Florestas Sem migrantes Savanas 22 15 44 13,33 0,795 p = 0,178 Florestas 36 29 106 10,15 0,884 p < 0,001 46 40 149 8,09 0,918 p < 0,001 Savanas + Florestas Savanas+Florestas Florestas Savanas Figura 2. Representação gráfica da rede de interações entre aves frugívoras (quadrados azuis) e plantas (círculos vermelhos) em formações savânicas e florestais no PESA, Mato Grosso, Brasil. 40 Tabela 2. Dez principais espécies de plantas (em termos de número de interações) e de aves na rede de interações de aves frugívoras e plantas no Cerrado e porcentagem de interações em relação à rede. S Espécies registradas em formações savânicas; F Espécies registradas em formações florestais. Espécies de plantas Miconia staminea (Desr.) DC.F Cecropia pachystachya Trécul (Urticaceae)SF Dilodendron bipinnatum Radlk. (Sapindaceae)F Byrsonima sericea DC. (Malpighiaceae)SF Schefflera morototoni (Aubl.) Maguire et al. (Araliaceae)F Copaifera langsdorffii Desf. (Fabaceae)SF Curatella americana L. (Dilleniaceae)S Rudgea viburnoides (Cham.) Benth (Rubiaceae)F Cupania vernalis Cambess. (Sapindaceae)F Xylopia aromatica (Lam.) Mart. (Annonaceae)F Total Interações (%) 12,8 6,6 6,7 5,5 5,5 5,0 4,4 4,4 4,4 3,9 59,2 Espécie de aves Turdus leucomelas Vieillot, 1818SF Dacnis cayana (Linnaeus, 1766)SF Cyanocorax cyanopogon (Wied, 1821)SF Tangara cayana (Linnaeus, 1766)SF Saltator maximus (Statius Muller, 1776)F Hemithraupis guira (Linnaeus, 1766)SF Myiodynastes maculatus (Statius Muller, 1776)SF Tityra semifasciata (Spix, 1825)F Tangara sayaca (Linnaeus, 1766)SF Elaenia chiriquensis Lawrence, 1865SF Total Interações (%) 8,3 6,7 5,0 5,0 4,4 4,4 4,4 3,9 3,3 3,3 48,9 41 A exclusão de espécies migratórias (Tabela 3) da rede de interações revelou, de forma geral, padrões semelhantes aos demais aspectos observados (Tabela 1). Espécies migratórias representaram 17,2% das interações e Myiodynastes maculatus teve o maior número de interações dentro desse grupo (n = 8; 4,4% do total de interações). Tabela 3. Espécies de aves migratórias registradas na rede interações de aves frugívoras e plantas em formações savânicas e florestais no PESA, Mato Grosso, Brasil e porcentagem de interações na rede. S Espécies registradas em formações savânicas; F Espécies registradas em formações florestais. Interações Espécies (%) Myiodynastes maculatus (Statius Muller, 1776)SF 4,4 Elaenia chiriquensis Lawrence, 1865SF 3,3 Vireo olivaceus (Linnaeus, 1766)F 2,2 Turdus subalaris (Seebohm, 1887)F 1,7 Turdus albicollis Vieillot, 1818 F 1,7 Volatinia jacarina (Linnaeus, 1766)S 1,7 Empidonomus varius (Vieillot, 1818)F 1,1 Turdus amaurochalinus Cabanis, 1850SF 1,1 Total 17,2 Após a exclusão das oito espécies migratórias foram perdidas 31 interações e a rede geral tornou-se pouco mais aninhada (N = 0,918; p < 0,001; C = 8,09). No entanto, ao compararmos as formações vegetacionais independentemente, ambas apresentaramse menos aninhadas (Tabela 1; Figura 3). Nas formações florestais (N = 0,884; p < 0,001; C = 10,15), foram perdidas 21 interações. Dentre as espécies migratórias, apenas Volatinia jacarina não foi registrada nas florestas, o que resultou na redução de sete espécies de aves nesses ambientes. No entanto, nenhuma espécie de planta perdeu todas as aves potenciais dispersoras. Quanto às savanas (N = 0,795; p = 0,178; C = 13,33), registramos 11 interações a menos. Duas espécies de plantas perderam todos os potenciais dispersores com a retirada de quatro espécies de aves migratórias. No entanto, não observamos diferenças na riqueza de espécies de aves (χ2 = 0,024; gl = 1; p = 0,877) e nem na riqueza de 42 espécies de plantas (χ2 = 0,004; gl = 1; p = 0,949) ao compararmos a rede antes e depois da exclusão das espécies migratórias. Savanas+Florestas Florestas Savanas Figura 3. Representação gráfica da rede de interações entre aves frugívoras (quadrados azuis) e plantas (círculos vermelhos) em formações savânicas e florestais no PESA, Mato Grosso, Brasil após a exclusão de espécies migratórias. DISCUSSÃO Nossos resultados demonstraram que a rede de interações entre aves frugívoras e plantas no Cerrado apresentou padrão fortemente aninhado. O aninhamento é comumente encontrado em redes de interações mutualísticas entre aves frugívoras e plantas em regiões tropicais (Bascompte et al. 2003, Menke et al. 2012). No entanto, conforme observado por Bascompte et al. (2003), o aninhamento não significativo é mais comumente observado em redes com poucas espécies (< 30 espécies) e em ambientes menos complexos (regiões temperadas). Nossos resultados corroboram tais informações, uma vez que em formações savânicas o aninhamento não foi significativo, confirmando que sistemas menos complexos e mais pobres em espécies apresentam aninhamentos mais baixos (Bascompte et al. 2003, Guimarães et al. 2006). A menor riqueza de espécies em formações savânicas refletiu-se também nos valores de conectância. Observamos que conforme o número de espécies na rede diminuiu, aumentaram os valores de conectância. Isso se enquadra aos padrões gerais observados na região Neotropical. Comunidades complexas como florestas tropicais, que abrigam muitas espécies de aves e de plantas, são caracterizadas por apresentarem muitas interações e baixa conectância (Jordano 1987, Bascompte et al. 2003), já que à medida que mais espécies são adicionadas na rede de interações os valores de 43 conectância são reduzidos (Jordano 1987, Olesen & Jordano 2002, Lara-Rodríguez et al. 2012). Ao compararmos as redes de formações savânicas e florestais, observamos que a rede das florestas apresentou-se mais aninhada e mais conectada (Figura 1B e Figura 2). Já é conhecido que redes aninhadas são mais estáveis em relação à extinção local de espécies, devido à expressiva conectividade envolvendo espécies generalistas (Menke et al. 2012). Em uma rede aninhada, na qual muitas espécies estão conectadas entre si, se alguma interação é excluída, possibilidades de interações alternativas garantem a estabilidade da comunidade, inclusive de espécies mais raras (Bascompte & Jordano 2007, Bascompte et al. 2003). A exclusão de espécies migratórias da rede de interações das formações florestais, por exemplo, não deixou nenhuma espécie de planta sem ao menos uma espécie de ave como potencial dispersora de sementes. No entanto, nas formações savânicas, houve perda de duas espécies de plantas e aumento de interações exclusivas (Figura 2). Isso demonstra que em sistemas menos aninhados a extinção de uma dada espécie pode implicar no status de conservação de outras espécies. Nosso estudo preenche uma lacuna quanto aos padrões de interações entre aves frugívoras e plantas no Cerrado e representa um passo inédito na tentativa de descrição das redes de interação do bioma. Com isso, confirmamos a ideia inicial de que redes de interações no Cerrado apresentam padrões semelhantes aos encontrados em outras regiões tropicais (Bascompte et al. 2003, Guimarães et al. 2006, Menke et al. 2012). Conforme destacado por Guimarães et al. (2006), observamos que a riqueza de espécies é um importante fator que influencia padrões aninhados. Neste estudo, destacamos a importância de formações florestais na manutenção e estabilidade das redes de interações no Cerrado e a maior fragilidade quanto à perda de interações em formações savânicas. No entanto, estudos futuros que avaliem o efeito de atributos de aves frugívoras e de plantas podem acrescentar importantes informações na estrutura de redes de interações no Cerrado. AGRADECIMENTOS À SEMA-MT pela autorização da pesquisa no Parque Estadual da Serra Azul. A CAPES pela concessão de bolsa de estudos à K. N. Purificação. Ao projeto SISBIOTA/Rede ComCerrado (Proc. CNPq 563134/2010-0). A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso – FAPEMAT (Proc. 873/2006 e Proc. 738702/2008). Aos colegas do Laboratório de Ornitologia UFMT/CUA, especialmente 44 à Jessiane M. N. Pereira e à Naftali A. Lima pela ajuda durante os trabalhos de campo. Ao Leandro Maracahipes e a Maryland Sanchez pelo auxílio na identificação de algumas espécies de plantas. Ao Renato Goldenberg pela identificação de Miconia staminea. Ao Dilermando P. Lima Junior pelas valiosas sugestões e ao Henrique A. Mews pela leitura crítica e sugestões. LITERATURA CITADA ATMAR, W. & PATTERSON, B. D. 1993. 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No entanto, essas espécies apresentaram alta potencialidade quanto á dispersão de sementes, evidenciando que as interações entre aves frugívoras e plantas estão estáveis. Durante a estação seca, observamos um aumento expressivo de registros de alimentação e de interações nas florestas. Diante disso, acreditamos que há um deslocamento de espécies de aves frugívoras e principalmente de indivíduos entre formações savânicas e florestais em resposta às flutuações dos recursos alimentares. Diante da maior complexidade estrutural das florestas, esses ambientes aparentemente representam um refúgio para a avifauna frugívora durante a estação seca. Destacamos também a importância das florestas na manutenção e estabilidade das redes de interações e a maior fragilidade à perda de interações em ambientes menos complexos, como as savanas. 48 APÊNDICE Apêndice I. Espécies de aves observadas consumindo frutos durante 284 horas de observações em formações savânicas e florestais no Parque Estadual da Serra Azul, município de Barra do Garças, Mato Grosso, Brasil. 1Potencialidade de dispersão: (PD) Potencial dispersor, (ND) Não dispersor. 2Dieta (Vieira et al. 2013): (Fru) Frugívora, (Oni) Onívora, (Ins) Insetívora, (Nec) Nectarívora, (Gra) Granívora. 3Formação vegetal: (F) Florestal, (S) Savânica.4Estação: (S) Seca, (C) Chuvosa. *Espécie trituradora de sementes.§Espécie observada carregando o fruto com o bico/artelhos. Aves Cracidae Penelope superciliaris Temminck, 1815 Columbidae Patagioenas speciosa (Gmelin, 1789) Plantas Trogonidae Trogon curucui Linnaeus, 1766 Dieta2 Veg3 Est4 Porção consumida5 Rudgea viburnoides (Cham.) Benth (Rubiaceae) PD Fru F S Fruto inteiro Schefflera morototoni (Aubl.) Maguire et al. (Araliaceae) PD Fru F S Fruto inteiro Indeterminada 1 ND F C Fruto imaturo Psittacidae Ara chloropterus Gray, 1859 Caryocar brasiliense Cambess. (Caryocaraceae) Diopsittaca nobilis (Linnaeus, 1758) Cordia sellowiana Cham. (Boraginaceae) Aratinga leucophthalma (Statius Muller, 1776) Cordia sellowiana Cham. (Boraginaceae) Aratinga aurea (Gmelin, 1788) Brotogeris chiriri (Vieillot, 1818) PD/ND1 ND ND ND Fru Fru Fru S F S S C C Polpa/Semente* Polpa/Semente* Polpa/Semente* Brosimum gaudichaudii Trécul (Moraceae) Brosimum gaudichaudii Trécul (Moraceae) Pseudobombax tomentosum (Mart. & Zucc.) A.Robyns (Malvaceae) ND ND ND Fru Fru S S F S S S Polpa/Semente* Polpa/Semente* Polpa/Semente* Byrsonima sp. (Malpighiaceae) PD Oni F C Fruto inteiro 49 Aves Momotidae Momotus momota (Linnaeus, 1766) Ramphastidae Ramphastos toco Statius Muller, 1776 Ramphastos vitellinus Lichtenstein, 1823 Picidae Celeus flavescens (Gmelin, 1788) Dryocopus lineatus (Linnaeus, 1766) Pipridae Pipra fasciicauda Hellmayr, 1906 Antilophia galeata (Lichtenstein, 1823) Tityridae Tityra inquisitor (Lichtenstein, 1823) Tityra semifasciata (Spix, 1825) Plantas F F F C S S Porção consumida5 Fruto inteiro Semente Semente Oni F F S S Semente Semente Fru Fru S F F S S C Polpa/Semente Fruto inteiro Fruto inteiro F F F C C S Polpa/Semente Fruto inteiro Fruto inteiro Ins F F S S S C Semente Semente Fruto inteiro PD PD Fru Fru F F S S Fruto inteiro Fruto inteiro PD PD ND Ins Ins F F F S C S Fruto inteiro Fruto inteiro Arilo PD/ND1 Dieta2 Veg3 Est4 Byrsonima sericea DC. (Malpighiaceae) Dilodendron bipinnatum Radlk. (Sapindaceae) Guarea guidonia (L.) Sleumer (Meliaceae) PD PD PD Cabralea canjerana (Vell.) Mart. (Meliaceae) Xylopia aromatica (Lam.) Mart. (Annonaceae) PD PD Cecropia pachystachya Trécul (Urticaceae) Calyptranthescf. lucida Mart. ex DC. (Myrtaceae) Campomanesia eugenioides (Cambess.) D.Legrand ex Landrum (Myrtaceae) Cecropia pachystachya Trécul (Urticaceae) Ocotea corymbosa (Meisn.) Mez (Lauraceae) Myrsine umbellata Mart. (Primulaceae) PD PD PD Xylopia aromatica (Lam.) Mart. (Annonaceae) Xylopia sericea A.St.-Hil. (Annonaceae) Myrcia multiflora (Lam.) DC. (Myrtaceae) PD PD PD Ins Miconia staminea (Desr.) DC. (Melastomataceae) Rudgea viburnoides (Cham.) Benth (Rubiaceae) Rudgea viburnoides (Cham.) Benth (Rubiaceae) Byrsonima sericea DC. (Malpighiaceae) Dilodendron bipinnatum Radlk. (Sapindaceae) PD PD PD 50 Aves Pachyramphus viridis (Vieillot, 1816) Tyrannidae Camptostoma obsoletum (Temminck, 1824) Elaenia flavogaster (Thunberg, 1822) Elaenia mesoleuca (Deppe, 1830) Elaenia chiriquensis Lawrence, 1865 Myiarchus swainsoni Cabanis & Heine, 1859 Sirystes sibilator (Vieillot, 1818) Pitangus sulphuratus (Linnaeus, 1766) Miconia staminea (Desr.) DC. (Melastomataceae) Ocotea corymbosa (Meisn.) Mez (Lauraceae) Schefflera morototoni (Aubl.) Maguire et al. (Araliaceae) PD PD PD F F F S C S Porção consumida5 Fruto inteiro Fruto inteiro Fruto inteiro Virola sebifera Aubl. (Myristicaceae) Xylopia aromatica (Lam.) Mart. (Annonaceae) Miconia staminea (Desr.) DC. (Melastomataceae) PD PD PD F F F S S S Semente/Arilo Semente Fruto inteiro Miconia staminea (Desr.) DC. (Melastomataceae) Byrsonima pachyphylla A.Juss. (Malpighiaceae) Miconia staminea (Desr.) DC. (Melastomataceae) Xylopia aromatica (Lam.) Mart. (Annonaceae) Xylopia sericea A.St.-Hil. (Annonaceae) Brosimum gaudichaudii Trécul (Moraceae) Byrsonima pachyphylla A.Juss. (Malpighiaceae) Byrsonima sericea DC. (Malpighiaceae) Cupania vernalis Cambess. (Sapindaceae) Miconia albicans (Sw.) Triana (Melastomataceae) Miconia staminea (Desr.) DC. (Melastomataceae) Cabralea canjerana (Vell.) Mart. (Meliaceae) Dilodendron bipinnatum Radlk. (Sapindaceae) Miconia staminea (Desr.) DC. (Melastomataceae) Virola sebifera Aubl. (Myristicaceae) Cabralea canjerana (Vell.) Mart. (Meliaceae) Copaifera langsdorffii Desf. (Fabaceae) PD PD PD PD PD ND PD PD ND ND PD PD ND PD PD PD PD F S F S F S S S F S F F F F F F F S S S S S S S C S S S S S S S S S Fruto inteiro Fruto inteiro Fruto inteiro Semente Semente Polpa Fruto inteiro Fruto inteiro Arilo Fruto imaturo Fruto inteiro Semente Arilo Fruto inteiro Semente/Arilo Semente Semente/Arilo Plantas PD/ND1 Dieta2 Veg3 Est4 Oni Ins Oni Oni Oni Ins Ins Oni 51 Aves Plantas Myiodynastes maculatus (Statius Muller, 1776) Byrsonima sericea DC. (Malpighiaceae) Megarynchus pitangua (Linnaeus, 1766) Empidonomus varius (Vieillot, 1818) Cnemotriccus fuscatus (Wied, 1831) Vireonidae Cyclarhis gujanensis (Gmelin, 1789) Vireo olivaceus (Linnaeus, 1766) Corvidae Cyanocorax cyanopogon (Wied, 1821) PD/ND1 PD C Porção consumida5 Fruto inteiro F F F/S F S S F F F S F F F F S S S S S S C S C S C S S Fruto inteiro Semente Semente/Arilo Semente/Arilo Semente/Arilo Semente/Arilo Arilo Fruto inteiro Semente Semente/Arilo Fruto inteiro Fruto inteiro Fruto inteiro Fruto inteiro Dieta2 Veg3 Est4 Oni F Byrsonima sp. (Malpighiaceae) Cabralea canjerana (Vell.) Mart. (Meliaceae) Copaifera langsdorffii Desf. (Fabaceae) Cupania vernalis Cambess. (Sapindaceae) Curatella americana L. (Dilleniaceae) Davilla elliptica A.St.-Hil. (Dilleniaceae) Dilodendron bipinnatum Radlk. (Sapindaceae) Byrsonima sp. (Malpighiaceae) Cabralea canjerana (Vell.) Mart. (Meliaceae) Curatella americana L. (Dilleniaceae) Miconia staminea (Desr.) DC. (Melastomataceae) Byrsonima sericea DC. (Malpighiaceae) Miconia staminea (Desr.) DC. (Melastomataceae) Miconia staminea (Desr.) DC. (Melastomataceae) PD PD PD PD PD PD ND PD PD PD PD PD PD PD Cupania vernalis Cambess. (Sapindaceae) Cupania vernalis Cambess. (Sapindaceae) Dilodendron bipinnatum Radlk. (Sapindaceae) Miconia staminea (Desr.) DC. (Melastomataceae) Zanthoxylum rhoifolium Lam. (Rutaceae) ND PD ND PD PD Ins Oni F F F F F S S S S S Arilo Semente/Arilo Arilo Fruto inteiro Semente Acrocomia aculeata (Jacq.) Lodd. ex Mart. (Arecaceae) Buchenavia tomentosa Eichler (Combretaceae) PD§ Oni F C Polpa S S Polpa ND Oni Ins Ins 52 Aves Turdidae Turdus leucomelas Vieillot, 1818 Copaifera langsdorffii Desf. (Fabaceae) Diospyros brasiliensis Mart. ex Miq. (Ebenaceae) Mangifera indica L. (Anacardiaceae) Miconia albicans (Sw.) Triana (Melastomataceae) Miconia macrothyrsa Benth. (Melastomataceae) Tocoyena formosa (Cham. & Schltdl.) K.Schum. (Rubiaceae) Virola sebifera Aubl. (Myristicaceae) PD ND ND PD PD PD S F F F F S S S C C S S Porção consumida5 Semente/Arilo Polpa Polpa Fruto inteiro Fruto inteiro Semente/Polpa PD F S Semente/Arilo Byrsonima sericea DC. (Malpighiaceae) Cabralea canjerana (Vell.) Mart. (Meliaceae) Calyptranthescf. lucida Mart. ex DC. (Myrtaceae) Cecropia pachystachya Trécul (Urticaceae) Copaifera langsdorffii Desf. (Fabaceae) Lasiacis ligulata Hitchc. & Chase (Poaceae) Miconia macrothyrsa Benth. (Melastomataceae) Miconia staminea (Desr.) DC. (Melastomataceae) Myrcia tomentosa (Aubl.) DC. (Myrtaceae) Indeterminada 2 Rudgea viburnoides (Cham.) Benth (Rubiaceae) Schefflera morototoni (Aubl.) Maguire et al. (Araliaceae) PD PD PD PD PD PD PD PD PD PD PD PD F F F S S F F F S F F F C S S C/S S S S S C S S S Fruto inteiro Semente Fruto inteiro Polpa/Semente Semente/Arilo Fruto inteiro Fruto inteiro Fruto inteiro Fruto inteiro Fruto inteiro Fruto inteiro Fruto inteiro Xylopia aromatica (Lam.) Mart. (Annonaceae) Xylopia sericea A.St.-Hil. (Annonaceae) Zanthoxylum rhoifolium Lam. (Rutaceae) PD PD PD F F F S S S Semente Semente Semente Plantas PD/ND1 Dieta2 Veg3 Est4 Oni 53 Turdus amaurochalinus Cabanis, 1850 Copaifera langsdorffii Desf. (Fabaceae) Schefflera morototoni (Aubl.) Maguire et al. (Araliaceae) PD PD Oni S F S S Porção consumida5 Semente/Arilo Fruto inteiro Turdus subalaris (Seebohm, 1887) Cupania vernalis Cambess. (Sapindaceae) Dilodendron bipinnatum Radlk. (Sapindaceae) Schefflera morototoni (Aubl.) Maguire et al. (Araliaceae) PD ND PD Oni F F F S S S Semente/Arilo Arilo Fruto inteiro Turdus albicollis Vieillot, 1818 Myrsine umbellata Mart. (Primulaceae) Rudgea viburnoides (Cham.) Benth (Rubiaceae) Schefflera morototoni (Aubl.) Maguire et al. (Araliaceae) PD PD PD Oni F F F S S S Fruto inteiro Fruto inteiro Fruto inteiro Copaifera langsdorffii Desf. (Fabaceae) PD Oni S S Semente/Arilo Cecropia pachystachya Trécul (Urticaceae) PD Nec S S Polpa/Semente Byrsonima sericea DC. (Malpighiaceae) Cecropia pachystachya Trécul (Urticaceae) Dilodendron bipinnatum Radlk. (Sapindaceae) Lasiacis ligulata Hitchc. & Chase (Poaceae) Miconia staminea (Desr.) DC. (Melastomataceae) Pterodon pubescens (Benth.) Benth. (Fabaceae) Rudgea viburnoides (Cham.) Benth (Rubiaceae) Schefflera morototoni (Aubl.) Maguire et al. (Araliaceae) PD PD ND PD PD PD PD PD Oni F F F F F F F F C S S S S S S S Fruto inteiro Polpa/Semente Arilo Fruto inteiro Fruto inteiro Semente Fruto inteiro Fruto inteiro Aves Mimidae Mimus saturninus (Lichtenstein, 1823) Coerebidae Coereba flaveola (Linnaeus, 1758) Thraupidae Saltator maximus (Statius Muller, 1776) Plantas PD/ND1 Dieta2 Veg3 Est4 54 Aves Saltator similis d'Orbigny & Lafresnaye, 1837 Nemosia pileata (Boddaert, 1783) Tachyphonus rufus (Boddaert, 1783) Ramphocelus carbo (Pallas, 1764) Lanio cristatus (Linnaeus, 1766) Lanio penicillatus (Spix, 1825) Tangara sayaca (Linnaeus, 1766) Plantas PD/ND1 Cupania vernalis Cambess. (Sapindaceae) PD Miconia staminea (Desr.) DC. (Melastomataceae) Zanthoxylum rhoifolium Lam. (Rutaceae) Copaifera langsdorffii Desf. (Fabaceae) Davilla elliptica A.St.-Hil. (Dilleniaceae) Dilodendron bipinnatum Radlk. (Sapindaceae) Byrsonima pachyphylla A.Juss. (Malpighiaceae) Cecropia pachystachya Trécul (Urticaceae) Dilodendron bipinnatum Radlk. (Sapindaceae) Miconia staminea (Desr.) DC. (Melastomataceae) Rudgea viburnoides (Cham.) Benth (Rubiaceae) Cupania vernalis Cambess. (Sapindaceae) Miconia staminea (Desr.) DC. (Melastomataceae) Xylopia aromatica (Lam.) Mart. (Annonaceae) Miconia staminea (Desr.) DC. (Melastomataceae) Byrsonima sericea DC. (Malpighiaceae) Cupania vernalis Cambess. (Sapindaceae) Dilodendron bipinnatum Radlk. (Sapindaceae) Miconia staminea (Desr.) DC. (Melastomataceae) Brosimum gaudichaudii Trécul (Moraceae) Cecropia pachystachya Trécul (Urticaceae) Copaifera langsdorffii Desf. (Fabaceae) Norantea guianensis Aubl. (Marcgraviaceae) Psittacanthus robustus (Mart.) Mart. (Loranthaceae) PD PD ND ND ND PD PD ND PD PD ND PD PD PD PD ND ND PD ND PD ND PD PD F S Porção consumida5 Semente/Arilo F F F S F S S F F F F F F F F F F F S S S S S S S S S S S S S S S S S S S C S S S S S S C S Fruto inteiro Semente Arilo Arilo Arilo Fruto inteiro Polpa/Semente Arilo Fruto inteiro Fruto inteiro Arilo Fruto inteiro Semente Fruto inteiro Fruto inteiro Arilo Arilo Fruto inteiro Polpa Polpa/Semente Arilo Polpa/Semente Fruto inteiro Dieta2 Veg3 Est4 Oni Oni Oni Oni Oni Fru Oni 55 Aves Tangara palmarum (Wied, 1823) Tangara cyanicollis (d'Orbigny & Lafresnaye, 1837) Tangara cayana (Linnaeus, 1766) Neothraupis fasciata (Lichtenstein, 1823) Tersina viridis (Illiger, 1811) Dacnis cayana (Linnaeus, 1766) Plantas Oni F S F S C/S S Porção consumida5 Semente Fruto inteiro Fruto inteiro PD Fru F C Fruto inteiro PD Oni F C Fruto inteiro F S S F F S F F S S S S S C S S Polpa/Semente Arilo Arilo Fruto inteiro Fruto imaturo Polpa/Semente Fruto inteiro Fruto inteiro S S F S F F S S S C C/S S S C Polpa Arilo Fruto inteiro Semente/Arilo Arilo Fruto inteiro Fruto imaturo F S Fruto inteiro PD/ND1 Xylopia sericea A.St.-Hil. (Annonaceae) Miconia albicans (Sw.) Triana (Melastomataceae) Schefflera morototoni (Aubl.) Maguire et al. (Araliaceae) PD PD PD Miconia staminea (Desr.) DC. (Melastomataceae) Campomanesia eugenioides (Cambess.) D.Legrand ex Landrum (Myrtaceae) Cecropia pachystachya Trécul (Urticaceae) Copaifera langsdorffii Desf. (Fabaceae) Davilla elliptica A.St.-Hil. (Dilleniaceae) Miconia staminea (Desr.) DC. (Melastomataceae) Indeterminada 2 Norantea guianensis Aubl. (Marcgraviaceae) Rudgea viburnoides (Cham.) Benth (Rubiaceae) Schefflera morototoni (Aubl.) Maguire et al. (Araliaceae) Byrsonima pachyphylla A.Juss. (Malpighiaceae) Davilla elliptica A.St.-Hil. (Dilleniaceae) Byrsonima sericea DC. (Malpighiaceae) Curatella americana L. (Dilleniaceae) Dilodendron bipinnatum Radlk. (Sapindaceae) Ficus sp. (Moraceae) Mezilaurus crassiramea (Meisn.) Taub. ex Mez (Lauraceae) Miconia staminea (Desr.) DC. (Melastomataceae) Dieta2 Veg3 Est4 PD ND ND PD ND PD PD PD ND ND PD PD ND PD ND PD Oni Oni Oni 56 Aves Cyanerpes cyaneus (Linnaeus, 1766) Hemithraupis guira (Linnaeus, 1766) Emberizidae Zonotrichia capensis (Statius Muller, 1776) Volatinia jacarina (Linnaeus, 1766) Norantea guianensis Aubl. (Marcgraviaceae) Psittacanthus robustus (Mart.) Mart. (Loranthaceae) Schefflera morototoni (Aubl.) Maguire et al. (Araliaceae) PD ND PD S S F C C S Porção consumida5 Polpa/Semente Fruto imaturo Fruto inteiro Xylopia aromatica (Lam.) Mart. (Annonaceae) Xylopia sericea A.St.-Hil. (Annonaceae) Zanthoxylum rhoifolium Lam. (Rutaceae) Curatella americana L. (Dilleniaceae) Miconia staminea (Desr.) DC. (Melastomataceae) Norantea guianensis Aubl. (Marcgraviaceae) Xylopia sericea A.St.-Hil. (Annonaceae) Byrsonima pachyphylla A.Juss. (Malpighiaceae) Byrsonima sericea DC. (Malpighiaceae) Cecropia pachystachya Trécul (Urticaceae) Curatella americana L. (Dilleniaceae) Dilodendron bipinnatum Radlk. (Sapindaceae) Mezilaurus crassiramea (Meisn.) Taub. ex Mez (Lauraceae) Miconia staminea (Desr.) DC. (Melastomataceae) Xylopia sericea A.St.-Hil. (Annonaceae) PD PD PD PD PD PD PD PD PD PD ND ND ND F/S F F S F S F S F S S F S C/S S S C/S S C S S C S C/S S C Semente Semente Semente Semente/Arilo Fruto inteiro Polpa/Semente Semente Fruto inteiro Fruto inteiro Polpa/Semente Arilo Arilo Fruto imaturo F F S S Fruto inteiro Semente Curatella americana L. (Dilleniaceae) Brachiaria sp. (Poaceae) Curatella americana L. (Dilleniaceae) Miconia albicans (Sw.) Triana (Melastomataceae) ND PD ND PD S S S S S C C/S C Fruto imaturo Semente Arilo Fruto inteiro Plantas PD/ND1 Dieta2 Veg3 Est4 Fru Oni PD PD Gra Gra 57 Aves Cardinalidae Piranga flava (Vieillot, 1822) Icteridae Icterus pyrrhopterus (Vieillot, 1819) Gnorimopsar chopi (Vieillot, 1819) Fringillidae Euphonia chlorotica (Linnaeus, 1766) Plantas PD/ND1 Dieta2 Veg3 Est4 Porção consumida5 Cecropia pachystachya Trécul (Urticaceae) Curatella americana L. (Dilleniaceae) PD PD Oni S S S C Polpa/Semente Semente/Arilo Cecropia pachystachya Trécul (Urticaceae) Curatella americana L. (Dilleniaceae) PD ND Oni Oni S S S S Polpa/Semente Arilo Cecropia pachystachya Trécul (Urticaceae) Norantea guianensis Aubl. (Marcgraviaceae) PD PD Oni S S S C Polpa/Semente Polpa/Semente 58 ANEXOS Anexo 1. Endereço eletrônico para acesso às normas da revista científica Zoologia. http://www.scielo.br/revistas/zool/iinstruc.htm#002 Anexo 2. Endereço eletrônico para acesso às normas da revista científica Journal of Tropical Ecology. http://journals.cambridge.org/action/displayJournal?jid=TRO