2 Política Panorama político O Estado do Maranhão - São Luís, 18 de novembro de 2012 - domingo Ilimar Franco No pelourinho O relator da CPI do Cachoeira, Odair Cunha (PT-MG), vai pedir o indiciamento do governador Marconi Perillo (PSDB-GO); do prefeito de Palmas, Raul Filho (ex-PT); e, do deputado Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO), por envolvimento nas atividades criminosas do contraventor Carlos Cachoeira. O relatório será lido na terça-feira, e alguns membros da CPI já tiveram acesso às suas conclusões. A polêmica: Roberto Gurgel Mesmo pressionado por setores do PT, Odair Cunha não vai incluir no relatório um pedido de investigação sobre o procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Pesa sobre este o fato de não ter denunciado o ex-senador Demóstenes Torres (ex-DEM) ao receber a Operação Vegas. Integrantes da CPI, ouvidos pelo relator, disseram que derrubariam proposta com esse fim. Avaliam que Gurgel agiu para que a Polícia Federal delimitasse o tamanho da infiltração em seus quadros da organização de Cachoeira. Cunha, que não quer ser acusado de fazer um relatório partidário, também não pretende servir de instrumento de retaliação por causa do mensalão. “Pela primeira vez, na história das CPIs, todos os sigilos bancários quebrados serão encaminhados para o Ministério Público” Miro Teixeira, Deputado federal (PDT-RJ) e integrante da CPI do Cachoeira É cada um por si André Coelho/31-10-2012 O PT não vai liderar campanha para arrecadar fundos a fim de que os condenados no mensalão paguem as multas. A cúpula petista avalia que as multas criaram a possibilidade de solidariedade que não existiria se a pena fosse apenas de prisão. Partidos já começam a se organizar, visando às eleições para o governo Governo e oposição rearticulam alianças e discutem nomes para a sucessão da governadora Roseana Sarney, mesmo faltando quase dois anos para o pleito Gilberto Léda Da editoria de Política P ouco mais de um mês após as eleições municipais – e menos de trinta dias depois do 2° turno em São Luís –, as lideranças dos principais partidos que dão sustentação aos grupos que podem disputar a eleição para o Governo do Estado, em 2014, já começam a se movimentar de olho na corrida eleitoral estadual. Entre os governistas, a prioridade é manter a coalizão que garantiu a reeleição de Roseana Sarney (PMDB) em 2010, para garantir que a peemedebista consiga fazer o sucessor. Na oposição, atualmente comandada pelo PCdoB, o objetivo é possibilitar ao presidente da Embratur, Flávio Dino, visibilidade suficiente nos próximos dois anos. Esses dois grupos seriam os principais a concorrer ao governo, mas a renúncia de Paulo Matos à presidência do PPS, na última quarta-feira, inseriu a deputada estadual Eliziane Gama (PPS), que agora comanda a legenda, naturalmente como 3ª via no processo eleitoral - embora nem ela, nem qualquer outro membro do partido cite nomes para entrar na dis- puta. Defendem apenas alternativa viável a governo e oposição. O racha que separou Flávio Dino e o ex-governador José Reinaldo Tavares (PSB) – ainda que aparentemente só momentaneamente – a derrota de João Castelo em São Luís e a disposição do seu partido, o PSDB, de atuar como protagonista em 2014, também reforçam a ideia. Definição – No caso do PMDB e do grupo comandado pela governadora Roseana, há que se definir primeiro o candidato. Logo após as eleições, ela reuniu um grupo de secretários, apresentou um balanço das eleições, e avaliou pesquisas eleitorais que identificaram os rumos tomados pelo eleitor. Mas a decisão ficará para depois, como garante, por exemplo, o secretário-chefe da Casa Civil, Luis Fernando Silva, ele próprio um dos “candidatáveis” governistas – além dos ministros Edison Lobão (Minas e Energia) e Gastão Vieira (Turismo). Para Silva, a única decisão,até agora, é a de que o grupo marchará unido. “Em 2014, o grupo estará unido em torno de um candidato. E tem mais uma: aqueles que acham que o grupo tem mais de um candidato podem ter a cer- Sala de redação A bancada aliada na CPI do Cachoeira rechaçou toda proposta, como o indiciamento do diretor de "Veja" em Brasília, Policarpo Junior, que sugerisse limitar a liberdade de imprensa. Por isso, a despeito do desejo de muitos petistas, Odair Cunha (na foto) não o fará. Mas seu relatório vai dedicar farto espaço ao debate do trabalho do jornalismo investigativo. Em busca do prestígio perdido Candidato a presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDBRN) pretende criar um conselho de notáveis, para que a Casa volte a ser um centro de debates relevantes. A Câmara perdeu esta condição desde que ACM presidiu o Senado. Concessionários x empresários O anúncio do programa de concessão dos portos travou por uma disputa entre concessionários e empresários. Estes querem que portos privados não operem sob a condição de embarcar 51% de carga própria, como é hoje. Os concessionários são contra porque vão perder dinheiro. Na versão mais atual, o governo vai renovar os contratos de 68 portos pelo tempo de origem da concessão. Colocar a reforma política na rua Os defensores da reforma política não acreditam mais que o Congresso a faça. Por isso, pretendem iniciar, em 2013, uma campanha de assinaturas na sociedade, a exemplo da mobilização que levou à aprovação da Lei da Ficha Limpa. O poste do Aécio Corre entre os petistas mineiros que o senador Aécio Neves (PSDB), candidato a presidente, elege até um poste para suceder Antonio Anastasia (MG). Explicam: "Aécio encarna a utopia de que Minas voltará ao centro do poder". zzz A CPI DO CACHOEIRA está verificando 1.300 pessoas físicas e jurídicas que receberam dinheiro do esquema Delta/Cachoeira em período eleitoral. Com Simone Iglesias, sucursais e correspondentes [email protected] Projeto de terceira via pode provocar racha entre os oposicionistas PPS, PSDB, PR e PP já trabalham outra forma de contrapor o governo sem a chamada esquerda A reação do deputado federal Simplício Araújo e do deputado estadual Othelino Neto, ambos do PPS, ao anúncio da renúncia de Paulo Matos à presidência do Diretório Estadual do partido no Maranhão, é sintomática do impacto que a proposta de construção de uma terceira via nas eleições de 2014 – com um nome que, teoricamente, poderia estar aliado ao projeto de eleição de Flávio Dino – causou na oposição. Os dois parlamentares eram os principais defensores, dentro do PPS, da tese de que a sigla deveria compor a coligação que elegeu prefeito o petecista Edivaldo Holanda Júnior. Mas foram voto vencido, e Eliziane Gama, que agora comanda o partido, acabou sendo candidata a prefeita de São Luís. Simplício e Othelino classificaram como “golpe” a movimentação que levou Gama à presidência do partido. Mesmo sem que tenham sido citados nomes para representar a terceira via, ambos assumiram que é a parlamentar a escolhida e também criticaram essa pretensão. “ O debate sobre a terceira via não é do PPS. É um clamor popular. Todos querem uma alternativa diferenciada. Ninguém quer mais essa dicotomia” Eliziane Gama, deputada estadual “Uma defesa antecipada da propalada terceira via para as eleições 2014, com candidatura da deputada Elisiane Gama ao Governo do Estado, em nome da qual se fez o movimento de renúncia, é em verdade um golpe ao quadro do partido, pois nenhuma tratativa nesse sentido foi realizada nas instancias adequadas”, declararam. Já Eliziane Gama, que não se quer colocar de antemão como candidata representante dessa alternativa de poder, propõe, contudo, que o projeto seja de viabilização de uma candidatura própria, mas discutida com mais partidos, para garantir mais tempo de TV e maior força eleitoral. “Uma candidatura majoritária não se faz apenas com uma vontade individual. São necessárias várias forças, várias frentes, que nós iniciamos e vamos continuar debatendo de forma que seja um projeto forte, um projeto coletivo, envolvendo a sociedade civil organizada. Vamos procurar outros partidos, porque a campanha majoritária ela é muito complicada quando você faz apenas com um partido”, disse. Ela lembra da experiência da candidatura à Prefeitura de São Luís, quando chegou ao terceiro lugar no 1° turno, mesmo com apenas pouco mais de um minuto de tempo na propaganda eleitoral gratuita. teza de que o grupo só terá um. Além disso, quem achar que pode ser e for preterido não vai assumir uma postura dissidente. Ao contrário, vai apoiar o indicado”, declarou, no início do mês, em entrevista à Rádio Mirante AM. Segundo ele, o ideal agora é ampliar o apoio aos prefeitos, reforçar a presença do governo no interior, principalmente com ações de combate à pobreza, e esperar que, naturalmente, as parcerias institucionais se traduzam em apoio político em 2014. Luis Fernando acredita que assim mesmo prefeitos que não fazem parte da base roseanista, podem compor na disputa estadual. Ele contabiliza pelo menos 181 que podem trabalhar em parceria com o Palácio dos Leões nos próximos anos. “Se somadas as situações desse tipo [com aliados mesmo em partidos de oposição], a gente chega a 181 municípios onde o prefeito é, de alguma forma, aliado ao grupo que está no governo. Essa avaliação é altamente positiva: e garante, em primeiro lugar, que a ação do governo estará facilitada nesses municípios e, a partir daí, com uma ação administrativa eficiente, surge, em 2014, a possibilidade de alguma aliança política”, completou. Oposição busca se fortalecer A direção do PCdoB já traçou as estratégias que balizarão os primeiros passos do partido em 2013. Reunidos em plenária na terça-feira da semana passada, dia 13, os comunistas avaliaram o resultado da eleição em todo o estado – o mais expressivo em São Luís, onde ajudaram a eleger Edivaldo Holanda Júnior (PTC) – e decidiram reforçar a presença da legenda na capital. O objetivo é manter a realização de plenárias ao longo do ano e viabilizar a instalação de comitês distritais em diferentes bairros. O aparelhamento da candidatura do presidente da Embratur, Flávio Dino, via Prefeitura de São Luís, é a estratégia velada. Se a Prefeitura for bem avaliada nos próximos dois anos, ele pode ir bem nas urnas. “Vencemos a eleição contra duas máquinas poderosas, a do estado e da prefeitura”, afirmou o presidente municipal do PCdoB e coordenador-geral da campanha de Edivaldo Holanda Júnior, Márcio Jerry.