1 UNIVERSIDADE NOVE DE JULHO – UNINOVE PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO A INFLUÊNCIA DE PESQUISADORES DO STRICTO SENSU EM ADMINISTRAÇÃO NA LEGITIMAÇÃO DO CONHECIMENTO EM SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL Celso Machado Júnior SÃO PAULO 2012 2 CELSO MACHADO JÚNIOR A INFLUÊNCIA DE PESQUISADORES DO STRICTO SENSU EM ADMINISTRAÇÃO NA LEGITIMAÇÃO DO CONHECIMENTO EM SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade Nove de Julho – UNINOVE, como requisito parcial para obtenção do grau de Doutor em Administração. Orientadora: Profa. Dra. Maria Tereza Saraiva de Souza São Paulo 2012 3 A INFLUÊNCIA DE PESQUISADORES DO STRICTO SENSU EM ADMINISTRAÇÃO NA LEGITIMAÇÃO DO CONHECIMENTO EM SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL Por Celso Machado Júnior Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade Nove de Julho – UNINOVE, como requisito parcial para obtenção do grau de Doutor em Administração, sendo a banca examinadora formada por: _________________________________________________________________ Presidente: Prof. Dra. Maria Tereza Saraiva de Souza, Doutora – Orientadora, Universidade Nove de Julho - UNINOVE/PPGA _________________________________________________________________ Membro externo: Profa. Dra. Silvana Anita Walter Universidade Regional de Blumenau - FURB _________________________________________________________________ Membro externo: Prof. Dr. Wilson Aparecido Costa de Amorim Universidade Municipal de São Caetano do Sul – USCS _________________________________________________________________ Membro interno: Prof. Dr. Pedro Luiz Côrtes Universidade Nove de Julho – UNINOVE/PPGA _________________________________________________________________ Membro interno: Prof. Dr. Reed Elliot Nelson Universidade Nove de Julho – UNINOVE/PPGA São Paulo, 5 de dezembro de 2012. 4 Aos meus pais, que forjaram meu caráter; a minha esposa, parceira de todas as aventuras; aos meus filhos Yuri Tobias e Kim Emanuel, inspiração para as minhas superações; aos meus amigos que me apoiaram em todos os momentos desta jornada. 5 AGRADECIMENTOS A orientadora Professora Dra. Maria Tereza Saraiva de Souza, pela amizade, pelas revisões minuciosas, pelas recomendações na delimitação do escopo de estudo e pela confiança durante todo do processo de desenvolvimento desta tese. A Universidade Nove de Julho UNINOVE, pela concessão da bolsa de estudo, durante a realização do Curso de Doutorado. Esta condição gerou a oportunidade de desenvolver esta tese. Como parte do agradecimento a esta instituição destaca-se a oferta de todas as condições necessárias para o desenvolvimento do Doutorado, tanto no que diz respeito às instalações quanto ao seu corpo docente. A CAPES que por intermédio do projeto Pró-administração, possibilitou o levantamento do banco de dados utilizado para o desenvolvimento das pesquisas. Aos colegas do grupo de pesquisa em sustentabilidade ambiental William Nunes da Silva, Iara Regina dos Santos Parisotto e Heloísa Helena Marques da Silva que compartilharam o processo de construção do banco de dados do Pró-administração, sem os quais não seria possível esta pesquisa. Aos professores Dr. Dirceu da Silva, Dr. Edmilson de Oliveira Lima, Dr. Leonel Cezar Rodrigues, Dr. Milton Campanário, Dra. Nildes Raimunda Pitombo Leite e Dr. André Luiz Fischer, entre outros, que no transcorrer das disciplinas me transmitiram conhecimentos e a confiança necessária para a conclusão da minha tese. Aos membros da minha banca de qualificação e de avaliação os professores Dra. Silvana Anita Walter, Dr. Wilson Aparecido Costa de Amorim, Dr. Reed Elliot Nelson e Dr. Pedro Côrtes pela valiosa colaboração, que resultou em significativos benefícios para a minha tese. A Maria Aparecida Furlaneto, pela minuciosa revisão e colaboração para o entendimento da obra de Berger e Luckmann. Ao professor Leonel Mazzali meu orientador no mestrado, pelo incentivo para realizar o Doutorado, e pela valiosa colaboração na execução desta tese. A todos os colegas e amigos, pela troca de conhecimentos, pelas contribuições e pelo incentivo, essenciais para a concretização desta árdua e prazerosa tarefa de produção científica. A minha esposa, Cristiane Jaciara Furlaneto, pelo apoio, estímulo e compreensão demonstrados durante as intermináveis noites, finais de semana e feriados de trabalho, e pela grande contribuição na finalização da tese. 6 RESUMO A sustentabilidade ambiental na sociedade se caracteriza como um campo científico emergente e dinâmico na geração de conhecimento. O conhecimento é interpretado como um processo social que necessita ser legitimado pela sociedade para ser validado e aceito. Assim, o presente estudo possui o objetivo principal de analisar a contribuição do Stricto Sensu em administração na legitimação do conhecimento em sustentabilidade ambiental e as características principais dos agentes envolvidos. O quadro de referência teórico se apoia na abordagem da sociologia do conhecimento de Berger e Luckmann (2008) associada às teorias dos estudos bibliométricos e das análises de redes sociais. O delineamento do estudo enquadra-se na categoria de pesquisa descritiva que utiliza as seguintes técnicas: o data mining que é quantitativo e a análise de redes sociais que é quantitativa e qualitativa, caracterizando-se desta forma como pesquisa de métodos mistos. A pesquisa utilizou duas fontes de dados. A primeira é a do projeto Pró-administração com os dados das teses e dissertações defendidas nos programas de pós-graduação em administração no Brasil no período de 1998 a 2009. A segunda se constitui no referencial teórico de 47 teses e dissertações de sustentabilidade ambiental defendidas no Stricto Sensu de administração no período de 2007 a 2009. No período de 1998 a 2009 um total de 295 professores do Stricto Sensu em administração realizaram orientações na área de sustentabilidade ambiental. A colaboração destes pesquisadores se aproxima da Lei de Lotka, na qual os cinco pesquisadores mais prolíficos reponderam pela orientação de 15% de todas as pesquisas, enquanto 208 pesquisadores realizaram apenas uma orientação em sustentabilidade ambiental. As Instituições de Ensino Superior - IESs de formação dos pesquisadores se aproxima da Lei de Bradford, estabelecendo três grupos de importância na formação de doutores egressos que desenvolvem orientações no campo de pesquisa. O núcleo principal é constituído pela Universidade de São Paulo USP e pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo FGV/SP responsáveis pela formação de 35% dos pesquisadores. A análise da estrutura de colaboração gerada a partir dos laços de participação mostrou que o arranjo social formado pelos participantes das bancas de doutorado e mestrado se configura uma rede social do tipo twomode formada por 947 atores que com 1284 laços de relacionamento. Estes atores estão distribuídos em três arranjos sociais principais e a ocorrência de algumas bancas isoladas. A análise de nove teses e 38 dissertações de sustentabilidade ambiental no Stricto Sensu em administração revelou um total de 4852 citações, sendo 1360 voltadas para este campo de pesquisa. Com base na abordagem de Berger e Luckmann (2008) identificou-se a legitimação do conhecimento em sustentabilidade ambiental na obra dos seguintes autores atuantes no Stricto Sensu em administração: José Carlos Barbieri, Luis Felipe Machado do Nascimento, Hans Michael Van Bellen, Jacques Demajorovic e Ícaro Aronovich da Cunha. O modelo de análise do processo de legitimação e institucionalização do conhecimento, proposto por este estudo, e que incorpora a abordagem de Berger e Luckmann (2008) a bibliometria e a análise de redes sociais se mostrou adequado à finalidade que se destinava. Palavras-chave: Sustentabilidade Ambiental. Ensino e Pesquisa em Administração. Institucionalização do Conhecimento. Análise de Redes Sociais. Data Mining. 7 ABSTRACT Environmental sustainability in society is characterized as a dynamic and emerging scientific field in knowledge generation. Knowledge is interpreted as a social process that needs to be legitimized by society as a whole to be validated and accepted. Thus, the present study has the main objective to analyze the contribution of Stricto Sensu in administration in the legitimating of knowledge in environmental sustainability. The theoretical framework is based on the approach of the sociology of knowledge of Berger and Luckmann (2008) associated with the theories of bibliometric studies and analysis of social networks. The study design fits the category of descriptive research that uses the following techniques: the data mining that is a quantitative and analysis of social networks that is both quantitative and qualitative, characterizing this study how mixed methods research. The research used two data sources. The first is from the project Pro-administration with data from theses and dissertations in graduate programs in business administration in Brazil from 1998 to 2009. The second constitutes the referential utilized in 47 theses and dissertations defended in environmental sustainability Stricto Sensu of period from 2007 to 2009. In the period 1998 to 2009 a total of 295 teachers in Stricto Sensu administration made leading in the area of environmental sustainability. A collaboration of researchers approaches the Lotka's Law, in which the five most prolific researchers are responsible by 15% of all searches leading, while 208 researchers conducted only one orientation on environmental sustainability. The Higher Education Institutions training of researchers approaching Bradford's Law, establishing three important groups of doctors in training graduates who develop leading in the search field. The core consists of the University of São Paulo USP and the Foundation Getúlio Vargas in São Paulo FGV / SP responsible for training 35% of the researchers. Analysis of the structure of collaboration generated from the bonds of participation showed that the social arrangement formed by participants of doctoral and masters stalls set up a social network type two-mode consists of 947 actors with 1284 ties of relationship. These actors are divided into three main social arrangements and the occurrence of some isolated stalls. The analysis of nine theses and 38 dissertations in environmental sustainability in Stricto Sensu in administration revealed a total of 4852 citations, 1360 being devoted to this field of research. Based on the typology of Berger and Luckmann (2008) identified the legitimation of knowledge on environmental sustainability in the work of the following authors working in Stricto Sensu in administration: Jose Carlos Barbieri, Luis Felipe Machado Nascimento, Hans Michael Van Bellen, Jacques Demajorovic and Ícaro Aronovich da Cunha. The analysis model of the process of legitimization and institutionalization of knowledge, proposed by this study, and that incorporates the type of Berger and Luckmann (2008) bibliometrics and social network analysis proved suitable for the purpose it was intended. Keywords: Environmental Sustainability. Teaching and Research in Management. Institutionalization of Knowledge. Social Network Analysis. Data Mining. 8 LISTA DE FIGURAS Figura 1. Evolução do volume total de teses e dissertações e da sustentabilidade ambiental de 1998 a 2009...................................................................................................... 17 Figura 2 - As influências filosóficas sobre as teorias sociais e individuais de aprendizagem........................................................................................................................ 31 Figura 3 - Ciclo simples e ciclo duplo de aprendizagem...................................................... 34 Figura 4 - Espiral do conhecimento...................................................................................... 37 Figura 5 - Espiral de criação do conhecimento organizacional............................................ 37 Figura 6 - Dinâmica do processo de aprendizagem.............................................................. 45 Figura 7 - Origem da ordem institucional............................................................................. 52 Figura 8 - As principais Leis da Bibliometria........................................................................ 72 Figura 9 - Diagrama da inter-relação entre as quatro técnicas.............................................. 80 Figura 10 - Origem da Análise de Redes Sociais.................................................................. 82 Figura 11 - Mapa de orientação conceitual: modo de gerenciamento e formação de elos.... 90 Figura 12 - Cronologia de redes de colaboração científica................................................... 93 Figura 13 – Interpretação e representação da abordagem de Berger e Luckmann (2008) associada com o campo científico, com a bibliometria e com a análise de redes sociais......109 Figura 14 - Relação dos objetivos e respectivas técnicas de pesquisa.................................. 115 Figura 15 - Estratégia de pesquisa explanatória sequencial.................................................. 116 Figura 16 - Encadeamento das etapas desenvolvidas nesta pesquisa.................................. 117 Figura 17 - Passos do processo de KDD............................................................................... 119 Figura 18 - Tela do corpo docente disponibilizado pela Capes............................................. 124 Figura 19 - Fluxo de trabalho dos pesquisadores no levantamento de dados........................125 Figura 20 - Relação das IESs em que os orientadores obtiveram o doutorado..................... 142 Figura 21 - Ano de obtenção do doutorado pelo orientador em Stricto Sensu de administração......................................................................................................................... 146 Figura 22 - Dependência administrativa das IESs................................................................. 150 Figura 23 - Distribuição das teses e dissertações de sustentabilidade ambiental por região geográfica do Brasil de 1998 a 2009.......................................................................... 151 Figura 24 - Distribuição das teses e dissertações de sustentabilidade ambiental por estado do Brasil de 1998 a 2009............................................................................................ 152 Figura 25 - Distribuição dos trabalhos sobre sustentabilidade ambiental por categorias do Stricto Sensu de 1998 a 2009........................................................................................... 153 Figura 26 – Rede de cooperação entre os membros das bancas de doutorado e de mestrado de sustentabilidade ambiental em administração no período de 1998 a 2009...... 155 Figura 27 – Rede de cooperação entre os membros das bancas de doutorado e de mestrado de sustentabilidade ambiental em administração no período de 1998 a 2009 que apresentam mais de nove laços de relacionamento.........................................................156 Figura 28 - Aplicação da Lei de Bradford considerando apenas uma IES na condição no primeiro núcleo de análise (Zona 1). ....................................................................................183 Figura 29 – Aplicação da Lei de Bradford considerando duas IESs na condição no primeiro núcleo de análise (Zona 1)...................................................................................... 183 Figura 30 – Aplicação do modelo de análise proposto pelo estudo.......................................198 9 LISTA DE QUADROS Quadro 1 - Síntese do referencial teórico.............................................................................. 29 Quadro 2 - Pontos de destaque dos autores abordados no Referencial Teórico................... 42 Quadro 3 - Os quatro processos e três níveis de ocorrência da aprendizagem e sua renovação nas organizações.................................................................................................. 43 Quadro 4 - Leis da Bibliometria............................................................................................ 73 Quadro 5 - Tipologia para definição e classificação da bibliometria, cienciometria, informetria e webometria...................................................................................................... 79 Quadro 6 - Conceitos utilizados na Análise de Redes Sociais – ARS.................................. 86 Quadro 7 - Conceitos dos principais itens da abordagem de Berger e Luckmann e Berger e Berger.................................................................................................................................. 96 Quadro 8 - Relação dos anos em que o CAPES disponibiliza informações, divididos em triênios................................................................................................................................... 120 Quadro 9 - Relação das Instituições de Ensino Superior pesquisadas.................................. 122 Quadro 10 - Categorias de palavras....................................................................................... 127 Quadro 11 – Relação das 47 teses e dissertações em sustentabilidade ambiental que compõem a amostra de análise das citações utilizadas nas referências bibliográficas.......... 164 10 LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Relação dos pesquisadores mais prolíficos na orientação e a centralidade na estrutura de colaboração a partir dos laços e participação em bancas examinadoras do doutorado e do mestrado....................................................................................................... 132 Tabela 2 – Principais professores orientadores e o quantitativo daqueles que tiveram menor participação nas pesquisas em sustentabilidade ambiental no Stricto Sensu de administração de 1998 a 2009............................................................................................... 138 Tabela 3 – Área de formação dos orientadores no Stricto Sensu em administração............. 145 Tabela 4 – Relação das teses e dissertações em sustentabilidade ambiental por Instituição de Ensino Superior IES de 1998 a 2009.............................................................. 148 Tabela 5 – Relação da centralidade dos 25 principais pesquisadores orientadores de aluno de doutorado ou mestrado de sustentabilidade ambiental em administração no período de 1998 a 2009......................................................................................................... 157 Tabela 6 – Medidas de coesão da rede de pesquisadores orientadores em sustentabilidade ambiental em administração no período de 1998 a 2009........................... 162 Tabela 7 – Distribuição das citações de teses e dissertações por categorias......................... 166 Tabela 8 – Autores mais citados em teses e dissertações de sustentabilidade ambiental distribuídos por IESs em que a pesquisa foi......................................................................... 167 Tabela 9 – Relação dos pesquisadores que citaram Ignacy Sachs........................................ 169 Tabela 10 – Relação dos pesquisadores que citaram José Carlos Barbieri............................170 Tabela 11 – Relação dos pesquisadores que citaram João Eduardo Prudêncio Tinoco....... 171 Tabela 12 – Relação dos pesquisadores que citaram Luis Felipe M. do Nascimento.......... 172 Tabela 13 – Relação dos pesquisadores que citaram Hans Michael Van Bellen...................173 Tabela 14 – Relação dos pesquisadores que citaram Fernando Alves de Almeida............... 174 Tabela 15 – Relação dos pesquisadores que citaram Denis Donaire.................................... 175 Tabela 16 – Relação dos pesquisadores que citaram Elio Takeshi Takeshy Tachizawa...... 176 Tabela 17 – Relação dos pesquisadores que citaram José Célio Silveira Andrade............... 177 Tabela 18 – Relação dos pesquisadores que citaram Tânia Nunes da Silva......................... 177 Tabela 19 – Relação dos pesquisadores que citaram Eugenio Ávila Pedrozo...................... 178 Tabela 20 – Aplicação das leis da bibliometria..................................................................... 180 11 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas ARS - Análise de Redes Sociais ou Análise Sociométrica CAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior CIS - Centro de Estudos Informétricos COP - Conferência das Partes da Organização das Nações Unidas sobre Mudança Climática DDT - Dicloro-Difenil-Tricloroetano EBA - Economia Baseada na Aprendizagem EBC - Economia Baseada no Conhecimento IES - Instituição de Ensino Superior INSNA - International Network for Social Netwok Analisys (Rede Internacional de ARS) ISI - Institut for Scientific Information (Instituto de Informação Científica) KDD - Knowledge Discovery in Databases (Descoberta de Conhecimento em base de dados) SA - Sustentabilidade Ambiental URL - Uniform Resource Lacators (Localizadores de Recursos Uniformes) WIF - Web Impact Factor (Fator de Impacto da Webometria) 12 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO................................................................................................................. 13 1.1 Objetivo da pesquisa....................................................................................................... 20 1.2 Objetivos específicos....................................................................................................... 21 1.3 Justificativa e relevância do estudo.................................................................................. 22 1.4 Estrutura do Trabalho....................................................................................................... 26 2 REVISÃO TEÓRICA........................................................................................................ 28 2.1 A caracterização da pesquisa do conhecimento frente às teorias adotadas na Administração....................................................................................................................... 30 2.2 As dimensões epistemológica e ontológica do conhecimento........................................ 32 2.3 A sociologia do conhecimento......................................................................................... 47 2.4 A interpretação da socialização do conhecimento pela bibliometria e suas técnicas derivadas................................................................................................................................ 66 2.5 O conhecimento no contexto da rede social.................................................................... 81 2.6 A sociologia do conhecimento como base teórica para as pesquisas bibliometricas e de Análises de Redes Sociais – ARS.................................................................................. 94 2.7 Modelo conceitual de análise.......................................................................................... 108 3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS....................................................................... 113 3.1 Delineamento e pressupostos da pesquisa....................................................................... 113 3.2 Abordagem quantitativa dos pesquisadores e IESs......................................................... 118 3.3 Abordagem da Análise das Redes Sociais – ARS........................................................... 130 3.4 Abordagem quantitativa das citações.............................................................................. 133 4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS.............................................................. 136 4.1 Métricas dos orientadores e das instituições de ensino superior IESs que desenvolveram pesquisas em sustentabilidade ambiental..................................................... 136 4.2 Análise de redes expressas sob a forma de estruturas de colaboração geradas a partir de laços de participação em bancas de defesa de tese e dissertação no Stricto Sensu...................................................................................................................................... 154 4.3 Análise bibliométrica de citações das teses e dissertações na identificação da legitimação do conhecimento em sustentabilidade ambiental.............................................. 163 5 DISCUSSÃO DOS RESULTADOS ANALISADOS........................................................179 5.1 Perfil dos professores orientadores e das IESs que desenvolveram pesquisas em sustentabilidade ambiental.................................................................................................... 179 5.2 A rede social de colaboração, e a centralidade dos principais atores.............................. 188 5.3 A legitimação e a institucionalização do conhecimento em sustentabilidade ambiental............................................................................................................................... 192 6 CONCLUSÃO.................................................................................................................... 201 REFERÊNCIAS.....................................................................................................................208 APÊNDICES..........................................................................................................................223 Apêndice A – Relação dos 295 professores que realizaram orientação de tese ou dissertação em sustentabilidade ambiental............................................................................ 223 13 1 INTRODUÇÃO O livro “Primavera Silenciosa” (Silent Spring) de Rachel Carson (1962) se constitui em um importante marco do processo de consciência ambiental. Após identificar os efeitos nocivos da utilização do pesticida DDT (sigla de Dicloro-Difenil-Tricloroetano), tanto na destruição de espécies de insetos quanto na sua acumulação nos tecidos gordurosos dos animais, inclusive do homem, a pesquisadora tenta, sem êxito, publicar suas descobertas em revistas científicas. Frente a esta dificuldade, resolve então publicar o livro Primavera Silenciosa, no qual além de expor os perigos do DDT, questiona a adequação de se utilizar essa tecnologia. A importância deste livro se deve à inserção da sustentabilidade ambiental como uma temática de atenção da sociedade, que identifica a vulnerabilidade da natureza à intervenção humana. Na conferência de Estocolmo, realizada em 1972, inicia-se o processo de discussão da questão ambiental em escala global e com desdobramentos para seus principais atores: sociedade, governos e empresas. Deste evento, emerge o entendimento de que os países necessitam tratar questões como o estabelecimento de legislação voltada à demanda ambiental, à educação ambiental de seus cidadãos, à incorporação da gestão ambiental nas estruturas empresariais, além de outras. Autores como Seiffert (2005) e Barbieri (2011) destacam as três últimas décadas do século XX como um período de intenso debate dos aspectos ambientais. Estes eventos produziram importantes avanços para a sociedade como a Agenda 21, com programas e políticas de preservação do meio ambiente, e o Protocolo de Kyoto, que se constitui em um tratado internacional com compromissos para a redução da emissão dos gases que agravam o efeito estufa. A emissão de gases é considerada, de acordo com a maioria das investigações científicas, como causa do aquecimento global. Esse conjunto de fatores levou as empresas a incluir a sustentabilidade ambiental nas ações e decisões organizacionais (SEIFFERT, 2005). Estes eventos se inserem em um conjunto de encontros denominados Conferência das Partes da ONU sobre Mudança Climática – COP, que tem por objetivo reunir os representantes dos países e da sociedade, de forma organizada, para debater princípios e metas de um acordo internacional sobre mudanças climáticas. A inclusão da sustentabilidade ambiental na sociedade demanda a geração de novos conhecimentos que atendam aos desafios que surgem. Neste contexto, o conhecimento originado pode ser resultante tanto de uma ação individual quanto de um processo organizacional e social. O novo conhecimento possibilita ao indivíduo, à organização ou ao 14 grupo social avançar para além do que já é experimentado, de forma a estender ou transformar o conhecimento socialmente compartilhado. O novo saber gerado seja por meio da investigação científica, do trabalho artístico, do jornalismo investigativo, da experiência pessoal, e até mesmo por acidente, possibilita o desenvolvimento do indivíduo, das organizações e da sociedade em geral (ALLERT, 2004). No mesmo período surgem as teorias econômicas que apresentam a perspectiva do conhecimento como principal elemento da chamada sociedade da informação, que se insere no contexto da Economia Baseada no Conhecimento – EBC, conforme apontado por Dahlman (2002) e Castells (2007) ou no da Economia Baseada na Aprendizagem – EBA, conforme apontado por Foray e Ludavall (1996). Sob esta perspectiva, o conhecimento se constituiu no elemento nuclear da economia, substituindo a terra e a indústria como principal componente do sistema capitalista. A produção de conhecimento e a sua distribuição se consubstanciam no esforço de redução das desigualdades sociais, e como pedra angular no processo de consolidação desta nova concepção de sociedade, envolta na economia baseada no conhecimento. Neste cenário, o conhecimento cumpre papel essencial tanto para a acumulação econômica quanto para o funcionamento do próprio Estado e da sociedade. O processo de mudança social coexiste com possibilidades e desafios de desenvolvimento que surgem das transformações imateriais que influenciam tanto na produção material quanto na produção de intangíveis (MACIEL, 2001). Esta nova realidade econômica se caracteriza pelo desenvolvimento de novas tecnologias e mudanças contínuas, que alteram a realidade empresarial para uma maior dependência da educação das sociedades. A capacidade de aprender e os processos de aprendizagem são apontados como importantes fatores desta nova forma de economia (LENHARI; QUADROS, 2002). Como apontado por Bengtsson (2002), o cerne da economia do conhecimento se apoia no volume, na natureza e na direção da produção do conhecimento, na sua disseminação e no seu uso. O âmago da estrutura desta nova economia se estabelece nas relações da sociedade, posicionando a sociologia do conhecimento como um importante referencial teórico para entendimento deste fenômeno. Assim, dentro do contexto da economia baseada no conhecimento, origina-se a sustentabilidade ambiental que, em um processo de contínua evolução, abarca as organizações, o poder público e a sociedade em geral. Dentre os arranjos sociais existentes, as Universidades ou Instituições de Ensino Superior (IES) se apresentam relevantes para desenvolverem estudos que analisam a dimensão social (BIDWELL, 2006). A importância das IESs no processo de desenvolvimento intelectual formal da sociedade se submete a ações 15 de controle de suas funções e atividades por parte dos governos nacionais, inclusive as de pesquisa formalizada nos programas de pós-graduação Stricto Sensu (MELLO et al., 2010). Por se tratar de uma pesquisa contextualizada no Stricto Sensu em administração, o conceito de sustentabilidade ambiental, adotado neste trabalho, se aproxima da abordagem de gestão ambiental empresarial apresentada por Barbieri (2011). Tal aproximação conceitual decorre do posicionamento da gestão ambiental empresarial a um conjunto de iniciativas voltadas ao atendimento de qualquer tipo de problema ambiental. Segundo Barbieri (2011), no atual contexto, todos os setores da sociedade abarcam a questão ambiental. O autor posiciona a gestão ambiental em três dimensões: o espaço físico, os temas/variáveis ambientais e as instituições envolvidas. Para o autor, estas dimensões possuem associação à dimensão filosófica “que trata da visão de mundo e da relação entre o ser humano e a natureza” (BARBIERI, 2011, p. 27). Tal cenário estabelece um contexto de questionamentos e disputas que para serem esclarecidos envolvem o entendimento das relações e interações entre os seres vivos e destes com o ambiente em que vivem. Souza et al. (2011b) desenvolveu uma pesquisa que identificou 26 categorias de palavras-chave em estudos do Stricto Sensu em administração, que se caracterizam como componentes que edificam a sustentabilidade ambiental. Vale destacar que estas palavras-chave são apresentadas no terceiro capítulo deste estudo. A abordagem de sustentabilidade ambiental se insere no conceito de campo de Bourdieu (2006), que o aborda dentro do contexto de poder e como uma variável central envolta na luta de interesses. Segundo Bourdieu (1992), o campo se configura a partir de relações entre posições definidas e determinantes para os ocupantes, agentes ou instituições. Estas posições envolvem tanto a relação de dominação e subordinação quanto à aquisição de recursos expressos de diversas formas e normalmente denominado como capital. Nesse sentido, é necessário considerar o valor que os outros atores atribuem a este capital específico (capital simbólico). Surge, assim, o conceito de espaço social caracterizado por um intrincado conjunto de campos disputando a própria representação no mundo social (BOURDIEU, 2006). Na proposição de Bourdieu (2006), o capital simbólico possibilita a alguns atores o poder simbólico que possui potencial para configurar o habitus do campo. O habitus se caracteriza como uma estrutura que provê as regras práticas que edificam o arcabouço social e pauta as ações dos agentes. Nesse sentido, para Bourdieu (2006), cada campo é detentor de um conjunto de práticas, normas, valores, estilos, gostos e restrições que estabelecem o habitus que configura as condições sociais. 16 Para Bourdieu (1983), as relações de poder e conflitos decorrentes das ações que os atores realizam no esforço de se fazer prevalecer a sua visão no campo, também são comuns aos campos científicos. Para o autor, o raciocínio aplicável ao campo é passível de reprodução para o campo científico, é “um campo social como outro qualquer, com suas relações de força e monopólio, suas lutas e estratégias, seus interesses e lucros” (BOURDIEU, 1983, p. 128). Tal abordagem configura o campo como um corpo de conhecimento em contínua construção, que se apoia em pesquisas empreendidas para responder os problemas que se estabelecem. Vale destacar que Walter et al. (2009) posicionam a pesquisa da produção científica como instrumento do conhecimento que pode ser circunscrito à totalidade dos atores relevantes e à respectiva rede de relacionamentos estruturada. A área acadêmica desempenha importante papel no processo de produção e disseminação de conhecimento nesta conjuntura social que se estabelece. Segundo Saraiva e Carrieri (2009), uma maior contribuição da área acadêmica pode ser observada pelo crescimento do número de programas de pós-graduação no Brasil, pelo aumento de pesquisadores em decorrência do próprio aumento de programas, e pela pressão exercida por órgãos reguladores e de fomento à pesquisa. O exposto evidencia que o aumento de oferta de curso de pós-graduação não está desassociado da respectiva qualidade envolvida no processo, fato este, materializado nos requisitos dos órgãos reguladores e de fomento à pesquisa. Para Mello et al. (2010), as atividades de pesquisa e ensino, que os programas de pós-graduação desenvolvem, são interpretadas como uma função legítima e socialmente reconhecida, sancionadas assim a um forte condicionamento legal e burocrático. Segundo estes autores, alguns países instituem um corpo especializado para desempenhar as atividades de avaliação dos programas de pós-graduação. No Brasil esta atividade fica a cargo da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES órgão vinculado ao Ministério da Educação. Estudo desenvolvido por Souza et al. (2011b) aponta sensível crescimento no número de teses e dissertações na área de administração no período de 1998 a 2009. O estudo indica que as pesquisas em sustentabilidade ambiental apresentaram um discreto aumento de participação, sendo que nos últimos quatro anos de levantamento apresentam valores superiores ao da média geral. A Figura 1 apresenta a evolução do volume total de teses e dissertações, e o desempenho quantitativo e percentual (em relação ao total) da pesquisa em sustentabilidade ambiental. 17 10000 1000 100 10 1 Total geral (∑ 13.656) Dimensão Ambiental e Socioambiental (∑ 529) Percentagem (média 3,9%) Figura 1. Evolução do volume total de teses e dissertações e da sustentabilidade ambiental de 1998 a 2009 Fonte: Souza et al. (2011b) Nota: o eixo das ordenadas esta formatado em escala logarítmica O curso de pós-graduação Stricto Sensu apresenta-se assim como uma importante fonte de geração de conhecimento para atender as emergentes demandas das organizações e da sociedade. O curso de administração, por sua vez, destina-se a preparar os profissionais que atuaram no desenvolvimento das atividades das organizações, de forma alinhada ao modelo de gestão adotado. Assim, a organização social que incorpora o modelo de gestão ambiental, demandará indivíduos capacitados a executarem suas atividades ponderando os respectivos impactos sobre o ambiente e a sociedade. Apesar da importância do Stricto Sensu para o ensino e a pesquisa, os processos de avaliação de pesquisadores e os programas de pós-graduação promovidos pela CAPES depositam maior ênfase na produção de artigos científicos. Nesse contexto, o professor do Stricto Sensu necessita de publicações em periódicos para atender a pontuação necessária e assegurar a sua permanência no programa. Assim, as demais atribuições como desenvolver atividades de extensão, atuar junto a periódico como editor, atuar como membro de Comitês Editoriais ou como avaliador, organizar eventos nacionais e internacionais, atuar nos congressos como avaliador de artigos, colaborar com outras instituições de ensino superior, assumir cargos administrativos, desenvolver produção técnica e tecnológica, participar de bancas de dissertação ou tese, realizar a orientação dos alunos, entre outras, ficam relegadas a 18 um foco secundário de atenção (NASCIMENTO, 2010). Tal cenário desperta atenção para estudos que contemplem atividades relevantes aos programas de Stricto Sensu que, diferentemente da produção de artigos científicos, não possuem impacto relevante na avaliação do pesquisador. Dentre o rol de responsabilidades associadas à atividade de professor do Stricto Sensu a orientação dos alunos se estabelece como elemento de interesse desta pesquisa. Vale destacar, que a defesa da proposição desenvolvida junto a uma Banca Avaliadora se estabelece como final do processo de orientação. Importante destacar que Fleury (2003) aponta que grande parte da produção acadêmica se origina das pesquisas desenvolvidas durante o processo de orientação, de trabalhos de disciplinas de pós-graduação, ou ainda, de projetos entre professores da mesma instituição. Destarte, pesquisa desenvolvida por Moretti e Campanário (2009) aponta que muitas relações iniciadas da atividade de orientação se repetem na geração de produção acadêmica, reforçando, assim, a importância de análises que se concentrem na relação de orientação dos alunos do Stricto Sensu. A análise do trabalho de pesquisa desenvolvido entre o orientado e o orientador é realizada pela Banca Avaliadora. Nesse contexto, a Banca Avaliadora se revela como um importante componente no processo de qualificação da pesquisa desenvolvida, possuindo, inclusive, a prerrogativa de desaprovar a pesquisa e não outorgar o título de doutor ou de mestre. A composição da Banca de Avaliação proporciona tanto o estabelecimento de novos contatos quanto a manutenção de relacionamentos existentes. Esta composição em comunidades científicas pode estabelecer redes de relacionamento passíveis de análise e identificação de colégios invisíveis e das comunidades de práticas. O estudo desenvolvido por Molina, Muñoz e Domenech (2002), apoiado na metodologia de Análise de Redes de Relacionamento (ARS) permitiu identificar que as redes de coautoria se constituem em uma abordagem que possibilita estudar as comunidades científicas e seus colégios invisíveis. Os autores destacam ainda que estudos de comunidades científicas e colégios invisíveis devem ser associados a outros agrupamentos, e citam como exemplos: número de teses orientadas, participação em congressos, participação em grupos de pesquisa, entre outros. A divulgação dos trabalhos científicos à comunidade se beneficia de vários tipos de veículos e que podem ser divididos em dois grupos: literatura branca e literatura cinzenta. Conforme aponta Población (1992), a origem de diferenciação da literatura em cores está relacionada a aspectos voltados ao armazenamento e à recuperação. A literatura branca, constituída de livros e artigos científicos, se apresenta com padrões formais de armazenamento e recuperação o que viabiliza maior facilidade de localização e obtenção por 19 qualquer indivíduo interessado. A literatura cinzenta, por sua vez, constituída de teses, dissertações, comunicações em eventos, relatórios técnicos e outros de divulgação restrita, por não serem publicadas e distribuídas por meio de canais normais do parque editorial, apresentam maior dificuldade de acesso face às particularidades de armazenamento e recuperação de cada um destes documentos (CHILLAG, 1985). Población (1992) destaca que a diferenciação em cores não estabelece nenhum tipo de conotação que vincule imprecisão ou inconsistência da informação contida no documento. A autora apresenta pesquisas que revelam que 90% das informações obtidas no desenvolvimento de estudos em ciências sociais se baseiam na chamada literatura cinzenta. Para Población (1992) tal cenário manifesta a importância de estudos referentes à produção e a avaliação do uso deste tipo de literatura. Côrtes (2006) destaca que o emprego das novas tecnologias de informação e, principalmente, da internet está facilitando o acesso aos mais variados tipos de documentos, caracterizando assim esta distinção entre literatura branca e cinzenta como de importância menor. As características de armazenamento e recuperação inerentes aos artigos científicos (que os posicionam como literatura branca) se estabelecem como fatores que potencializam a sua utilização para o desenvolvimento de estudos bibliométricos e de análise de redes sociais. No entanto, este tipo de literatura apresenta limites para o autor se expressar. Pode-se citar, como exemplos desta limitação, a revista Estudos Avançados (ISSN 0103-4014, USP, impressa, extrato Qualis A2) que possui o limite de 15 laudas, a revista Gestão & Produção (ISSN 0104530X, UFSCAR, impressa, estrato Qualis A2) que possui o limite de 22 laudas com espaçamento de um e meio e a revista de Administração Pública (ISSN 0034-7612, FGV, impressa, extrato Qualis A2) que possui o limite de 40 laudas com espaçamento duplo. As referidas revistas apresentam parâmetros comuns para publicações na área de administração. Assim, a delimitação na quantidade de laudas pode se estabelecer como um fator de limitação para o pesquisador desenvolver o referencial teórico e, como consequência, restringir a abrangência desta parte do artigo científico. As teses e dissertações, ao contrário dos artigos científicos, não possuem limitação na quantidade de laudas, condição esta que favorece o autor a realizar uma revisão teórica mais abrangente. Tanto os artigos científicos quanto as teses e dissertações compartilham uma base comum de levantamento teórico, pautado entre outros documentos pelos artigos científicos, livros, teses e dissertações. Vale destacar que o rigor e os padrões da pesquisa, imputados pelas normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), sejam para a produção de artigos científicos, sejam para a elaboração de teses e dissertações, permanece o mesmo. Sob esse aspecto, as teses e dissertações, apesar da classificação como literatura cinzenta, se 20 apresentam como componentes favoráveis à busca do conhecimento legitimado pelas pesquisas desenvolvidas na academia, pois não apresentam restrições na quantidade de laudas. Assim, na contextura de entendimento do conhecimento da sustentabilidade ambiental, emerge a seguinte questão desta pesquisa: As redes de relacionamento dos pesquisadores em sustentabilidade ambiental do Stricto Sensu em administração no Brasil colaboram na edificação da legitimação do conhecimento deste campo científico? Para atender a esta questão de pesquisa, o estudo estabelece um objetivo principal apoiado por objetivos específicos, como mostrado nos itens a seguir. 1.1 OBJETIVO DA PESQUISA O objetivo geral do estudo é analisar a contribuição do Stricto Sensu em administração na legitimação do conhecimento em sustentabilidade ambiental e as características principais dos agentes envolvidos. A busca pelo cumprimento desse objetivo se apoiou inicialmente na coleta de elementos de um banco de dados que contém informações sobre as teses e dissertações em Administração defendidas no período de 1998 a 2009, particularmente sobre os trabalhos defendidos em sustentabilidade ambiental. O banco de dados faz parte do projeto Próadministração - Os desafios do ensino de inovação e sustentabilidade no Brasil: avaliação e proposição de ações para a capacitação docente (CAMPANÁRIO, 2008). O referido projeto é financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). A construção do banco de dados do Pró-administração resultante do trabalho desenvolvido pelo grupo de pesquisa, pertencente à primeira fase quantitativa da pesquisa. Vale destacar que este banco de dados se estabelece como uma importante colaboração para o desenvolvimento de futuras pesquisas que retrataram, em grande parte, o desempenho do Stricto Sensu em administração no Brasil. O banco de dados do Pró-administração disponibiliza informações referentes às bancas de avaliação de teses e dissertações na qual se assentam as pesquisas deste estudo. A banca de avaliação de teses e dissertações é um instrumento destinado a verificar a adequação da pesquisa desenvolvida pelos alunos do Stricto Sensu e, mediante esta adequação, outorgar o título de doutor ou de mestre. Neste sentido, os membros da banca podem possuir conhecimento sobre o tema em análise para que possam tanto executar uma correta avaliação 21 quanto possíveis colaborações. O evento da banca de avaliação torna-se, portanto, um local de discussão de um campo de conhecimento por pesquisadores da área, potencializando assim possíveis sinergias colaborativas. 1.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS a) identificar o perfil dos professores orientadores e das IESs que desenvolveram pesquisas em sustentabilidade ambiental no Stricto Sensu em administração, por meio das teses e dissertações apresentadas. b) identificar a existência de uma rede social de colaboração, e a centralidade dos principais atores, em sustentabilidade ambiental no Stricto Sensu, originária da composição dos orientadores e membros convidados das bancas de avaliação de teses e dissertações. c) analisar se os membros da rede social definida pelas bancas de avaliação compartilham uma base comum de conhecimento em sustentabilidade ambiental por meio de um recorte nas teses e dissertações apresentadas de 2007 a 2009. Apesar de não se posicionar como objetivo específico, este estudo estabeleceu a proposição de um modelo teórico para a análise da legitimação do conhecimento segundo a abordagem de Berger e Luckmann (2008). O modelo proposto incorporou ainda o conceito da bibliometria e da análise de redes sociais à abordagem da sociologia do conhecimento de Berger e Luckmann (2008). Apesar da aplicação deste modelo, neste estudo, se destinar ao entendimento da sustentabilidade ambiental, a sua configuração possibilita a aplicação em outros campos científicos. O modelo desenvolvido neste estudo se apoiou na tese que as atividades do Stricto Sensu em administração, por intermédio do processo de orientação, do conteúdo das teses e dissertações e das redes sociais de colaboração que se formam a partir das bancas examinadoras, se estabelecem como um componente que possibilita a identificação do conhecimento legitimado em sustentabilidade ambiental. Frente aos objetivos propostos por esta investigação se estabelece a hipótese, que a rede social de pesquisadores do Stricto Sensu em administração contribui para um referencial comum da sustentabilidade ambiental institucionalizado e legitimado segundo a abordagem da sociologia do conhecimento de Berger e Luckmann (2008). Este presuposto possibilita, 22 portanto, delinear o núcleo da tese proposta por este estudo e responder a questão de pesquisa apresentada. 1.3 JUSTIFICATIVA E RELEVÂNCIA DO ESTUDO A sociologia do conhecimento, abordada por Berger e Luckmann (2008), é utilizada como referencial teórico na interpretação de fenômenos que se desenvolvem na sociedade. A apresentação inicial desta abordagem ocorreu em 1967 e, desde então, é empregada em vários estudos. Apesar da ampla utilização da obra destes autores ela apresenta-se modesta na área de estudos da produção científica. Os estudos que utilizam estes autores se restringem a apontar pontos da sua obra e não prospectam a abordagem que desenvolveram. Vale destacar que se observa uma concentração de citações sobre estes autores nas áreas de sociologia e em estudos religiosos. Esta retrospectiva, de baixa penetração na produção científica, está associada ao fato dos autores se dedicarem aos processos de legitimação do primeiro nível – relacionados ao dia a dia das pessoas – e empregar contextos relacionados à área religiosa. Assim, este estudo emprega este referencial com o propósito de congregar os referidos autores no campo de pesquisa da produção científica. Imbuído nesta determinação o estudo apresenta uma seção no referencial teórico que destaca a perspectiva dos autores ambientada para a ótica do campo da produção científica. Esta iniciativa suplanta o caráter religioso e enfatiza a legitimação do segundo nível, aplicável ao interesse desta pesquisa. A utilização da abordagem de Berger e Luckmann (2008) nos estudos da produção científica se apresenta como uma alternativa ou como uma possibilidade de combinação, aos autores que tratam tanto da temática de institucionalização quanto da temática da sociologia do conhecimento. Dentre os autores da teoria institucional se destacam, Zucker (1977), Meyer e Rowan, (1977); DiMaggio e Powell, (1983, 1991); Scott, (1995, 2001). Estes autores, em maior ou menor intensidade, abordam a teoria institucional inserida no contexto das organizações e o ambiente em que se inserem apesar de apresentar uma tendência de maior atenção aos aspectos voltados à sociologia, conforme aponta DiMaggio e Powell (1991). Na perspectiva da sociologia do conhecimento destacam-se as contribuições de Merton (1970) e Bourdieu (1991). Assim, na abordagem de Berger e Luckmann (2008) pode se consubstanciar a proposta destes autores nos estudos da produção científica ampliando o contexto teórico. Essa linha de atuação da pesquisa contempla a possibilidade de identificar a existência de um corpo de conhecimento de sustentabilidade ambiental legitimado. Vale destacar, que a 23 abordagem elaborada por esta pesquisa estabelece uma linha de análise aplicável a qualquer área de pesquisa do conhecimento, não se restringindo a este estudo em particular. Os estudos que se baseiam no levantamento de trabalhos científicos, em sua grande maioria, partem do pressuposto que as redes de pesquisa exercem grande influência no processo de disseminação da informação, mas não apontam o referencial teórico que justifica tal afirmação. Vale destacar a afirmação apresentada por Carvalho, Goulart e Amantino-deAndrade (2005), que propõe a atividade científica, materializada na produção científica, como meio de legitimação dos atores no campo científico. Afirmação esta, posteriormente interpretada por Martins, Csillag e Pereira (2009, p. 3) que adicionaram que a “competência científica confere a capacidade de se falar e agir de forma legítima por meio da produção científica, pela qual os autores estão engajados em impor o valor do seu conhecimento e a sua autoridade como produtores de tal conhecimento”. Os autores empregam esta afirmação no encadeamento de uma reflexão do campo científico como um constructo social. Apesar da correção das afirmações dos autores, a abordagem se caracteriza como extremamente simplista e aberta a equívocos por expressar os efeitos e não as causas abarcadas no processo de legitimação. Na proposta de Berger e Luckmann (2008) o conhecimento inicialmente é institucionalizado em um grupo que interpreta as afirmações do autor como factíveis e plausível, e com a transmissão deste para demais gerações ocorre o processo de legitimação. Na perspectiva destes autores não é a forma de falar, de agir e da autoridade do autor que legitima o valor do conhecimento, mas sim a interpretação como factível e plausível às afirmações resultantes de suas pesquisas por um grupo social. Berger e Luckmann (2008) expandem esta perspectiva para outros aspectos que envolvem o processo de institucionalização e legitimação do conhecimento. Frente às lacunas de argumentação e entendimento dos processos de institucionalização e legitimação do conhecimento, este estudo apresenta a abordagem de Berger e Luckmann (2008) como um referencial teórico a ser utilizado na análise de estudos científicos. A adequação desta perspectiva se materializa ainda na figura do especialista (pesquisador) como elemento central nos processos de análise da disseminação da informação e do conhecimento. Estudos que utilizam metodologias que empregam a bibliometria e a Análise de Redes Sociais – ARS no estabelecimento do conceito de mapas sociobibliométricos, apontam a complementaridade destas duas técnicas. Esta abordagem é explicitada e utilizada no estudo desenvolvido por Mahlck e Persson (2000) que analisou a rede de coautoria em duas universidades suecas. O presente estudo se diferencia desta abordagem comum aos estudos de 24 ARS ao utilizar a técnica do data mining ao invés da bibliometria. Apesar das técnicas se basearem em princípios matemáticos comuns, o data mining segundo Grossman et al. (2002), possibilita identificar padrões, associações, mudanças, anomalias e estruturas estatísticas e eventos em um conjunto de dados. Apesar desta opção metodológica, os conceitos referentes aos estudos bibliométricos são objetos de estudo nesta pesquisa, pois na análise de dados busca-se identificar os pontos adjacentes destas técnicas e a possibilidade de utilizar as Leis da bibliometria em estudos de data mining. Assim, a utilização do data mining, em complementaridade com ARS, e a verificação da adequação desta técnica como alternativa aos estudos bibliométricos se constitui em abordagem diferenciada do conceito de mapas sociobibliométricos. A banca de avaliação de teses e dissertações se enquadra no conceito de colégios invisíveis conforme proposição de Crane (1972). Segundo a autora, os colégios invisíveis se caracterizam por sua alta produtividade, pelo compartilhamento de prioridades de pesquisa, por treinar estudantes e por produzir e monitorar o conhecimento em seu campo, condições estas comuns às bancas de avaliação. Adicionalmente, conforme apontam às pesquisas de Newman (2001b), a colaboração entre cientistas é potencialmente mais frequente na presença de um intermediário comum. Segundo o autor, a apresentação de um cientista a outro pode ser um importante mecanismo no desenvolvimento da comunidade científica. Nesse contexto, as bancas de avaliação se constituem em importante fator de aproximação de pesquisadores. Ao constituir como foco de atenção as redes de relacionamento, que se estabelecem no contexto das bancas de avaliação, este estudo aborda um grupo social pouco discutido nas pesquisas científicas. Ao estabelecer as bancas de avaliação, como unidade de análise desta pesquisa, almeja-se despertar maior atenção para este colégio invisível, desencadeando assim outros estudos sobre esta temática. Vale destacar que esta pesquisa não identificou na literatura estudos baseados nas relações provenientes das bancas de avaliação, estabelecendose assim uma abordagem diferenciada. A perspectiva de estabelecer a pesquisa com base nas relações das bancas de avaliação é singular, no entanto, insere-se no âmbito de estudos voltados para o entendimento de campos científicos. Estudos estes que empregam a bibliometria e/ou a ARS, na análise de citações, coautoria, co-citação ou co-ocorrência de palavras, a partir da publicação em congressos e periódicos científicos. Sob esse aspecto vale destacar os trabalhos de Siqueira (1988) e Machado-da-Silva, Cunha e Amboni (1990), voltados à análise da produção científica brasileira na área de organizações, e as abrangentes pesquisas de Bertero, Caldas e 25 Wood Jr. (1998, 1999), Wood Jr. e Paula (2002) e Fleury (2003) na análise do campo de administração. Vale destacar ainda, os trabalhos desenvolvidos em áreas de afinidade desta pesquisa. Na área de organizações os estudos desenvolvidos por Bertero e Keinert (1994), Vergara e Carvalho (1995), Vergara e Pinto (2000, 2001), Rodrigues e Carrieri (2001), Mac-Allister (2002), Mariz et al. (2004). Na área de sistemas de informação por Hoppen (1998), Hoppen e Meireles (2005), Lunardi, Rios e Maçada (2005). Na área de Administração Pública e Gestão Social por Keinert (2000), Pacheco (2003) e Hocayden-da-Silva, Rossoni, Ferreira Júnior (2008). Na área de Administração da Ciência e Tecnologia por Rossoni, Ferreira Júnior e Hocayden-da-Silva (2006). No tema responsabilidade social por Freire et al. (2008) e no tema responsabilidade social empresarial por Moretti e Campanário (2009). Na área de dimensão ambiental e sustentabilidade por Rosa e Ensslin (2007); Sgarbi et al. (2008); Gallon et al. (2008); Jabbour, Santos e Barbieri (2008); Leal, Shibao e Moori (2009); Souza et al. (2011a) e Souza et al. (2011b). No campo de sustentabilidade ambiental, no qual este estudo se insere, destaca-se a pesquisa de Jabbour, Santos e Barbieri (2008) que indica que a produção acadêmica brasileira em sustentabilidade ambiental empresarial se inicia a partir da década de 1990, em sintonia com a produção científica internacional. No contexto nacional destacaram-se os pesquisadores Donaire (1994) e Maimon (1996), enquanto no contexto internacional o destaque foi para Hunt e Auster (1990) e Porter e Linde (1995). A proximidade de período dos trabalhos nas esferas nacional e internacional indica a simultaneidade de interesse pela pesquisa na área de sustentabilidade ambiental. No entanto, no período da pesquisa desenvolvida por Jabbour, Santos e Barbieri (2008), que vai de 1996 a 2005, observou-se que a produção acadêmica sobre esse campo de pesquisa foi difusa e modesta. O estudo identificou apenas 41 artigos em uma amostra de 1785 - sobre este campo de pesquisa, que resultou em uma participação de 2,3% em relação ao total. Vale destacar que a pesquisa compreendeu seis revistas nacionais de prestigio. A pesquisa aponta como principais autores de sustentabilidade ambiental os pesquisadores: José Carlos Barbieri, Luis Felipe Machado do Nascimento, Carmem Silva Sanches e José Célio Andrade que reponderam por aproximadamente 32% da produção acadêmica examinada. Os resultados da pesquisa mostraram a concentração das pesquisas em apenas cinco instituições de ensino, Fundação Getúlio Vargas de São Paulo FGV/SP, Universidade de São Paulo USP, Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRGS, Universidade Federal da Bahia EFBA e Universidade Federal de Santa Catarina UFSC, responsáveis por 60% da produção observada. A pesquisa concluiu que o baixo 26 volume de publicação associada à restrita diversidade de autores são preocupantes por limitar a massa crítica em sustentabilidade ambiental. A pesquisa desenvolvida por Souza et al. (2011a) aponta que grande parte dos artigos em sustentabilidade ambiental se concentram em cinco revistas, a saber: Gestão & Produção (G&P), Revista de Administração Pública (RAP), Revista Eletrônica de Administração (REAd), Cadernos EBAPE e a Revista Produção. Outra descoberta importante da pesquisa é que o estudo em sustentabilidade permeia vários temas de interesse, a saber: Gestão Ambiental, Gestão de Resíduos, Sistema de Gestão Ambiental, Marketing Verde, Energias Alternativas, Inovação Ambiental e Cadeia de Suprimentos Verde, Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, Produção Mais Limpa, Recursos Naturais, Ecoturismo, Sustentabilidade Empresarial, Agricultura e Meio Ambiente, Contabilidade Ambiental e Conflitos Ambientais, apresentados em ordem decrescente. Alinha-se assim por meio deste estudo, um contexto em que o entendimento da sustentabilidade ambiental está em um crescente interesse dos pesquisadores da área, que buscam identificar a participação do Stricto Sensu em administração neste processo. 1.4 ESTRUTURA DO TRABALHO Esta tese se estrutura em seis capítulos, incluindo esta introdução que apresenta à questão de pesquisa, o objetivo geral e específicos, a hipótese da pesquisa, a justificativa e a estrutura de pesquisa. Esta introdução foi estruturada de forma a incorporar importantes conceitos teóricos aplicáveis ao desenvolvimento da pesquisa. Alguns destes conceitos são resgatados posteriormente na discussão dos dados. O segundo capítulo contempla os principais conceitos e teorias pertinentes ao constructo desta tese. Inicialmente ocorre a caracterização da pesquisa do conhecimento frente às teorias adotadas na Administração, e na sequência apresenta-se a proposta de autores que discutem as dimensões epistemológica e ontológica do conhecimento estabelecendo assim um nexo do conhecimento do indivíduo e do conhecimento socializado que é abordado na obra de Berger e Luckmann (2008). Neste capítulo a sociologia do conhecimento, proposta por Berger e Luckmann (2008), é analisada com a finalidade de utilizar os conceitos de institucionalização e legitimação do conhecimento no campo da produção científica. Na sequência as técnicas de bibliometria e 27 suas derivações e a Análise de Redes Sociais são apresentadas e posteriormente consubstanciadas a abordagem de Berger e Luckmann (2008). Este trabalho se abstém de realizar uma contextualização inicial da obra de Berger e Luckmann (2008) no campo da sociologia do conhecimento e da ciência, face à identificação de tal esforço por Guarido-Filho (2008). A ampliação de outros autores que tratam do tema ou o aprofundamento desta contextualização resultaria em modestos avanços. No entanto, na seção 2.6 desta pesquisa, a abordagem de Berger e Luckmann (2008) é confrontada com pontos concordantes e discordantes de outros autores da área, estabelecendo assim um quadro teórico que contextualiza a obra dos autores. Adicionalmente, a seção 2.6 desenvolve reflexões que inserem os estudos bibliométricos e a ARS como técnicas úteis para identificar os processos de institucionalização e legitimação do conhecimento. No final deste capítulo é apresentada uma proposta de modelo conceitual de análise, composta da abordagem de Berger e Luckmann (2008) adicionada da utilização da bibliometria e da análise de redes sociais como técnicas que possibilitam identificar o processo de institucionalização e legitimação do conhecimento. No capítulo três, os procedimentos metodológicos são explicitados, com detalhamento das particularidades de cada etapa da pesquisa, incluindo a delimitação do universo, a coleta, o tratamento e a análise dos dados. O quarto capítulo se destina a apresentar os resultados da pesquisa. Este capítulo foi estruturado de forma a apresentar os dados que auxiliam a responder os objetivos estabelecidos e na mesma sequência de apresentação das técnicas propostas nos procedimentos metodológicos. A discussão dos dados, frente ao referencial teórico levantado, ocorre no quinto capítulo desta tese. E, finalmente, no sexto capítulo são apresentadas as conclusões obtidas nesta pesquisa. 28 2 REVISÃO TEÓRICA Este capítulo teórico está subdividido em sete seções que elencam o quadro teórico no qual a pesquisa se insere. Trata a abordagem de Berger e Luckmann (2008) em profundidade, a fim de utilizá-la como um “fio condutor” que se inter-relaciona com as demais teorias. Esta perspectiva possibilita a interpretação de aspectos intrínsecos das teorias segundo, a abordagem de Berger e Luckmann (2008), estabelecendo uma narrativa de coesão das teorias apresentadas. As técnicas bibliométrica, cienciométrica, informétrica e webométrica são apresentadas de forma pragmática, possibilitando ao leitor o entendimento da sua natureza, bem como o seu potencial de aplicação. A Análise das Redes Sociais – ARS trata tanto das definições concernentes a esta técnica, quanto de questões como a compatibilidade individual e a imposição do contexto coletivo sobre o indivíduo, a influência do grupo sobre o indivíduo e deste para com o grupo. A existência de diversidades é interpretada como um fato normal aos grupos e que deve ser objeto de interpretação dos estudos que abordam esta temática. O Quadro 1 apresenta uma síntese das seções constantes no referencial teórico. 29 Seção Abordagem Objetivo envolvido Autores Caracterização Aprendizagem organizacional Introdutória Apresenta conceitos de aprendizagem do indivíduo e das organizações. O conhecimento como uma atividade nata do indivíduo é apresentado. Introdução do capítulo Introdução da temática no contexto das organizações Stahl (2003), Allert (2004) Argyris e Schön (1978, 1996), Argyris (2000), Nonaka e Takeuchi (1997), Kolb (1997), Kim (1997) e Senge (2006) e Abbad e Borges-Andrade (2004). Abordagem de Berger e Luckmann Análise da sociologia do conhecimento na perspectiva de estudo do campo da Produção Científica. Analisar se os membros da rede social definida pelas bancas de avaliação compartilham uma base comum de conhecimento em sustentabilidade ambiental por meio de um recorte nas teses e dissertações apresentadas de 2007 a 2009. Berger e Luckmann (2008). Técnicas de socialização do conhecimento O emprego das técnicas de bibliometria, informetria, cienciometria e webometria no auxílio de entendimento do desenvolvimento de um campo do saber. O data mining como técnica de identificação de padrões em banco de dados. Compatibilidade individual e a imposição do contexto coletivo sobre o indivíduo e respectiva influência tanto do grupo sobre o indivíduo quanto deste para com o grupo. Identificar o perfil dos professores orientadores e das IESs que desenvolveram pesquisas em sustentabilidade ambiental no Stricto Sensu em administração, por meio das teses e dissertações apresentadas. King (1987), Pao (1989), McGrath (1989), Glanzel e Schoepflin (1993), MaciasChapula (1998), Wormell (1998), Vanti (2002), Tsay e Yang (2005) e Guedes e Borschiver (2005). Fayyad et al. (1996), King (2003). Wasserman e Faust (1994), Freeman (1996), Watts (1999), Scott (2000), Marcon e Moinet (2000), Newman (2001a, b, c), Balestrin (2005), Hannesman (2008), Rossoni e Guarido-Filho (2009) e Marteleto (2010). Merton (1970), Bourdieu (1995), Durkheim (1999), Camic (2001), GuaridoFilho (2008), Moura (2009) Análise das Redes Sociais – ARS Reflexão dos interrelacionamentos da sociologia do conhecimento A sociologia do conhecimento como suporte teórico para estudos das técnicas de socialização do conhecimento e Análise de Rede Social. Modelo Sintetizar os principais Conceitual de pontos da abordagem de Análise Berger e Luckmann (2008). Quadro 1 - Síntese do referencial teórico Fonte: elaborada pelo autor Identificar a existência de uma rede social de colaboração, e a centralidade dos principais atores, em sustentabilidade ambiental no Stricto Sensu, originária da composição dos orientadores e membros convidados das bancas de avaliação de teses e dissertações. Analisar se os membros da rede social definida pelas bancas de avaliação compartilham uma base comum de conhecimento em sustentabilidade ambiental por meio de um recorte nas teses e dissertações apresentadas de 2007 a 2009. Apresentar o modelo conceitual que será utilizado na pesquisa Berger e Luckmann (2008). Na sequência são apresentadas as seções com o conteúdo teórico desenvolvido para esta pesquisa. 30 2.1 A CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA DO CONHECIMENTO FRENTE ÀS TEORIAS ADOTADAS NA ADMINISTRAÇÃO. O conhecimento como uma atividade nata do indivíduo é apresentado por autores das diferentes áreas de pesquisa que abarcam este estudo. Nos estudos de administração, autores como Argyris e Schön (1978, 1996), Argyris (2000), Nonaka e Takeuchi (1997), Kolb (1997), Kim (1997) e Senge (2006) e Abbad e Borges-Andrade (2004) também partem desta perspectiva para o desenvolvimento de estudos sobre a aprendizagem nos grupos sociais e organizações. O desafio de normalização das diversas teorias, princípios e paradigmas da aprendizagem e de instrução deve ponderar a contribuição de quaisquer conceitos de aprendizagem que se apresente. Tal cenário significa que nenhuma teoria de aprendizagem em particular se constitui em padrão, no entanto, as teorias e modelos de referência devem permitir a descrição de qualquer processo de aprendizagem ou modelo de instrução (ALLERT, 2004). As teorias de aprendizagem comumente se apresentam referenciadas como cognitivista, construtivista ou behaviorista. Esta classificação por tipologia reflete padrões de investigação na psicologia voltados ao entendimento e explicação da aprendizagem humana. Esta taxonomia apresenta dificuldades de aplicação em estudos voltados para os projetos de aprendizagem que possuem peculiaridades que inviabilizam uma classificação isenta de equívocos. Allert (2004) argumenta que as teorias de aprendizagem behaviorista, cognitivista e construtivista disponibilizam um quadro útil para a investigação da aprendizagem humana e que auxilia no desenvolvimento de teorias e princípios da aprendizagem e instrução. No entanto, o autor afirma que estas teorias não se prestam diretamente a uma pedagogia concreta. Lave e Wenger (1990) destacam que nos estudos voltados à organização, a investigação se assenta, na maioria das vezes, em um construtivismo social e ou na teoria da aprendizagem situacional. Na teoria construtivista social a construção do conhecimento decorre da interação das pessoas com um contexto social, nessa abordagem o conhecimento é dinâmico, relacional e baseado na ação humana. Para Von Krogh et al. (2000) o conhecimento está distribuído tanto para os indivíduos quanto para o meio que os envolve, e a aprendizagem decorre das relações e redes de atividades que se desenvolvem. A aprendizagem se apresenta dependente de um ambiente propício ao contexto tecnológico e social, no qual os indivíduos estabelecem relacionamentos, compartilham o 31 conhecimento com os grupos aos quais estão inseridos, desenvolvendo reflexões que influenciaram tanto o indivíduo quanto o grupo (NONAKA; KONNO, 1998). Nonaka e Takeuchi (1997) apresentam o conhecimento nas formas de tácito e explícito e passíveis de transferência e disponibilização, no nível individual e coletivo, por meio de processos de externalização, socialização, combinação e internalização. Esta pesquisa se insere no estudo da produção científica, não objetivando o levantamento da abordagem do conhecimento em todas as áreas da ciência. No entanto, Stahl (2003) apresenta de forma gráfica, na Figura 2, o desenvolvimento cronológico do conhecimento tanto no nível individual quanto social. Apesar da Figura 2 desconsiderar a contribuição dos filósofos gregos, se constitui em interessante esboço dos fundamentos epistemológicos e teóricos de modelos de aprendizagem e abordagens pedagógicas. Vale destacar ainda que os conceitos esboçados na Figura 2 possuem a finalidade de ilustrar a grande diversidade envolvida no campo da aprendizagem e não a de estabelecer um quadro totalitário das teorias desenvolvidas. Quando da elaboração da figura, o autor apresentava a visão educacional como de interesse de análise de dados quantitativos. Figura 2 - As influências filosóficas sobre as teorias sociais e individuais de aprendizagem Fonte: Adaptado de Stahl (2003). A pesquisa sobre a criação do conhecimento em administração se caracteriza por uma recente mudança epistemológica na qual o interesse sobre a perspectiva do conhecimento socialmente construído se sobrepõe sobre a perspectiva individual e cognitiva 32 (HEMETSBERGER; REINHARDT, 2006). A perspectiva do conhecimento construído de forma socializada se insere no contexto das organizações. A necessidade de melhor compreensão das organizações, e dos fenômenos que potencializam seu desempenho, envolve o conhecimento produzido e utilizado em seu interior. A seção seguinte trata das dimensões epistemológica - conhecimento individual, e ontológica - conhecimento coletivo. 2.2 AS DIMENSÕES EPISTEMOLÓGICA E ONTOLÓGICA DO CONHECIMENTO Apesar de esta pesquisa ter sua atenção voltada para o conhecimento, ela estabelece uma introdução teórica que se origina na aprendizagem. Tal opção se justifica em função da necessidade de se estabelecer a aprendizagem como etapa envolvida no processo de desenvolvimento do conhecimento. No entanto, a pesquisa não possui a concepção de identificar o processo de aprendizado envolvido na geração do conhecimento científico. O quadro teórico da aprendizagem, estabelecido no contexto da administração, apresenta conceitos que incorporam as esferas do indivíduo, do grupo e da organização. Nesse quadro teórico, para efeito deste estudo, se destacam as tipologias de autores seminais, como: Argyris e Schön (1978, 1996), Argyris (1999, 2000), Kolb (1984) Nonaka e Takeuchi (1997), Kim (1997) e Senge (2006). No contexto nacional se destaca o trabalho de Abbad e BorgesAndrade (2004). Estas tipologias se configuram como uma parcela do contexto da área, e que, neste estudo, atuam como base de sustentação, mas que não esgotam as discussões do tema. Os parágrafos subsequentes destinam-se a um sucinto relato teórico sobre os principais pontos dos estudos destes autores em suas abordagens sobre aprendizagem. A Teoria da Ação proposta por Argyris e Schön (1978, 1996) e Argyris (2000) se constitui em um dos estudos seminais de aprendizagem organizacional. A perspectiva dos autores é que o indivíduo apresenta de forma intrínseca uma espécie de “programa” que atua como guia de ação em diferentes situações. Nesta perspectiva, o indivíduo não tem a necessidade de constantemente reaprender suas atividades diárias. Os autores ponderam a necessidade de o indivíduo enlaçar a aprendizagem do grupo social com o pensamento e a ação de seus participantes. Esta tipologia pressupõe que o fenômeno da transposição da aprendizagem do nível individual para o grupo social possui intima conexão, pois um não acontece sem o outro. 33 A abordagem propõe também a existência de duas formas básicas de se aprender. A primeira ocorre quando um erro é detectado e corrigido sem o questionamento ou alteração dos valores subjacentes ao sistema, ou seja, as teorias em uso. Nessas condições, tem-se a aprendizagem de ciclo simples que “ocorre quando acertos são criados, ou quando erros são corrigidos mudando somente a ação” (ARGYRIS, 1999, p. 68). Portanto, existe um único laço de feedback, que surge como consequência do questionamento ao não atendimento das expectativas vigentes. Apesar da alteração das estratégias da ação, o conjunto de normas e valores do indivíduo e do grupo social permanecem inalterados (ARGYRIS; SCHÖN, 1996). Já a aprendizagem de ciclo duplo envolve a mudança dos valores da teoria em uso, bem como das respectivas estratégias e pressupostos. Na aprendizagem de ciclo duplo há dois laços de feedback que conectam os efeitos observados da ação com as estratégias e valores subjacentes a essa ação. É passível de observação do laço duplo de aprendizagem tanto no nível individual, quando o questionamento provoca mudança nos valores das teorias em uso nos indivíduos, quanto no nível do grupo social, quando os questionamentos sobre os interesses envolvidos levam à mudança nas teorias em uso do grupo social em sua totalidade (ARGYRIS; SCHÖN, 1996). Segundo Argyris (2000), a aprendizagem de ciclo duplo acontece quando os erros detectados, ou aprendizado originado, são corrigidos a luz do exame e da alteração das variáveis governantes e, somente depois dessa análise, muda-se, então, a ação. A aprendizagem de ciclo simples se mostra apropriada para a rotina e para os aspectos repetitivos, pois está fortemente pautada na execução das atividades diárias. Esse tipo de aprendizagem é sustentada pelas rotinas individuais e dos grupos sociais. A aprendizagem de ciclo duplo se apresenta relevante nos aspectos complexos e não programáveis, pois busca mudanças mais profundas ao questionar os princípios vigentes. Para que essa aprendizagem aconteça é necessário que o indivíduo se desprenda do raciocínio defensivo, pois ele pode bloquear o aprendizado, isto mesmo em indivíduos comprometidos com o grupo social. Argyris e Schön (1996) desenvolvem a noção de aprendizagem como um processo fundamentalmente social quando abordam a aprendizagem organizacional e, ainda, ao relacionarem a aprendizagem ao contexto da cultura da organização. As alterações estruturais da organização, associadas à implantação de novas práticas, não resultam apenas das habilidades e do conhecimento dos funcionários (indivíduo), mas também das melhorias e inovações na organização (grupo social). Nesse contexto, o conceito de aprendizagem de circuito duplo conceitua a relação entrelaçada de aprendizagem individual e organizacional (grupo social). 34 Desenvolve-se uma adaptação mútua do indivíduo e do grupo social. As atividades sucessivamente desenvolvidas pelo indivíduo abrem espaço para alterações na cultura social. Nesse contexto, a aprendizagem individual ocorre de forma mais rápida que a mudança da cultura geral que a incorpora. No entanto, estudos recentes mostram que mesmo mudanças mais substanciais são absorvidas em menor espaço de tempo por culturas acostumadas ao dinâmico processo de atualização do conhecimento. A agilidade no processo de aprendizagem do grupo social requer processo permanente de aprendizagem e evolui mais lentamente do que a individual (OERTER, 1994). Assim, o conceito de ciclo duplo de aprendizagem possibilita de forma mediada a reflexão individual e coletiva, por meio da dinâmica das interrelações, a aprendizagem decorre da própria produção individual, ou de sua reprodução pelo grupo. A Figura 3 mostra a tipologia de ciclo único e ciclo duplo de aprendizagem proposto por Argyris e Schön (1978). Valores fundamentais Ações Enganos ou Erros Ciclo Simples de Aprendizagem Ciclo Duplo de Aprendizagem Figura 3 - Ciclo simples e ciclo duplo de aprendizagem Fonte: elaborado a partir de dados coletados de Argyris e Schön (1978) Prosseguindo com as abordagens de autores, Kolb (1984) apresenta a teoria da aprendizagem experimental, que define a aprendizagem como um processo pelo qual o conhecimento é criado por intermédio da transformação da experiência. A tipologia desenvolvida por Kolb (1997) se apoia em duas dimensões fundamentais e determinantes do processo de aprendizagem: a que vai da experiência concreta para a conceituação abstrata e a que tem a experimentação ativa de um lado e a observação de outro. Estas dimensões estão sancionadas à existência de quatro tipos de habilidades no indivíduo: habilidades de experiência concreta - atendendo a complexidade afetiva; habilidades de observação reflexiva - relacionada à complexidade perceptual; habilidades de conceituação abstrata - na complexidade simbólica; e habilidades de experimentação ativa - compreendida na complexidade comportamental. 35 Segundo o autor, o processo de aprendizagem se desenvolve em três fases: aquisição, especialização e integração. A aquisição, que vai da infância à adolescência é a fase do desenvolvimento das habilidades e estruturas cognitivas básicas. Na fase da especialização há o alcance do senso de individualidade, da competência adaptativa e da autoestima baseada em reconhecimento e recompensa. Na fase da integração tem-se o conflito entre a individualidade da especialização e a coletividade atingindo-se, assim, a maior maturação no processo de aprendizagem. Destarte, a influência do nível individual da aprendizagem sobre o nível organizacional (grupo social) decorre da impossibilidade de se criar conhecimento sem os indivíduos e a interação entre eles. A aprendizagem individual se contextualiza como mola propulsora no processo que possibilita que a organização (grupo social) aprenda e se modifique. Essa abordagem enfatiza o papel central da experiência na aprendizagem individual. A aprendizagem pode ser compreendida como “o processo pelo qual o conhecimento é criado através da transformação da experiência” (KOLB, 1984, p.38). O pressuposto teórico é de que as ideias não são elementos imutáveis do pensamento, ao contrário, elas são formadas e reformuladas pela experiência. Para Kolb (1984) os resultados da aprendizagem procedem de registros históricos de interpretações dos acontecimentos passados e, portanto, não representam o conhecimento do futuro. A experiência vivenciada pelos aprendizes possibilita que o conhecimento apreendido seja continuamente testado. Nesse contexto, o conhecimento é mediado pela interação entre a expectativa do resultado e a própria experiência em si. Portanto, se a nova experiência do indivíduo não transgredir a expectativa de resultado, ela não se torna valiosa para a aprendizagem, pois não há nada de novo a ser aprendido, ou seja, mantém-se o status quo do indivíduo. Sob este aspecto, a aprendizagem é entendida como um contínuo processo de reaprendizagem, pois para considerarmos que ocorreu aprendizagem, os aprendizes estarão sempre reconstruindo e trazendo novos significados às experiências que vivenciam. A aprendizagem é tipificada como um processo ativo de interação que envolve tanto o indivíduo quanto o ambiente e pode ocorrer a todo instante da sua vida, pois está presente em todos os momentos da experiência humana. O conhecimento, por sua vez, é o resultado das transações entre essas experiências subjetivas e objetivas, o que o leva a propor que a “aprendizagem é o processo de criação do conhecimento” (KOLB, 1984, p.36). Na trajetória de abordagem das tipologias de aprendizagem destaca-se a tipologia de Nonaka e Takeuchi (1997) que fundamentaram o processo de criação do conhecimento organizacional (grupo social) em duas dimensões – epistemológica e ontológica – que se articulam pelo processo de conversão do conhecimento e pelas condições capacitadoras. Essas 36 dimensões envolvem o conhecimento tácito, apoiado na estrutura cognitiva do indivíduo que se expande através da interação social. Tal abordagem traduz o aprender como uma experiência única e individual, em que a aprendizagem ocorre na recriação do ser e do mundo que o cerca, por meio do processo de conversão do conhecimento. A tipologia apresentada pelos autores tem em seu cerne a distinção entre o conhecimento tácito e o explícito. O processo de conversão do conhecimento envolve a interação do conhecimento tácito e do conhecimento explícito, gerando quatro diferentes processos. Socialização - tácito em tácito - é definida como a transferência do conhecimento obtido de forma tácita nesta concepção, ou seja, sem a explicitação do mesmo. A Externalização - tácito em explícito - é a transformação do conhecimento obtido de forma tácita em conhecimento explícito, cuja conversão tem como base o diálogo ou a reflexão contínua. Na dificuldade de se expressar o conhecimento obtido utiliza-se normalmente o recurso da metáfora e/ou analogia. Combinação - explícito em explícito - envolve a junção de conjuntos diferentes de conhecimento explícito utilizando-se de métodos analíticos, tais como: documentos, reuniões, bancos de dados e redes de computadores. A combinação de conhecimentos destaca-se quando da utilização de grandes bancos de dados do computador. A disponibilidade de dados sobre o que se está analisando possibilita estabelecer relações que revelam oportunidades de interação. A Internalização - explícito em tácito - constitui-se na incorporação do conhecimento explícito no conhecimento tácito. A internalização tem importante papel no processo de socializar na organização (grupo social) o conhecimento tácito adquirido. Neste sentido, o conhecimento tácito é convertido em conhecimento explícito e será disseminado pela organização (grupo social) por meio de documentos, manuais ou relatos orais, possibilitando que todos os indivíduos envolvidos internalizem o conhecimento, que retorna à sua forma tácita. A Figura 4 mostra a composição do processo de conversão do conhecimento pelas diferentes interações do conhecimento tácito e explícito, em que ao mesmo tempo em que os modos de conversão de conhecimento são vivenciados pelo indivíduo, se constituem em mecanismos de articulação do conhecimento na organização (grupo social) segundo a abordagem de Nonaka e Takeuchi, (1997). O conhecimento é caracterizado como um processo dinâmico e eminentemente social. 37 Diálogo Socialização Externalização Associação do conhecimento explicito Construção do campo Combinação Internalização Aprender fazendo Figura 4 - Espiral do conhecimento Fonte: Nonaka e Takeuchi, (1997, p. 80). As condições organizacionais capacitadoras – intenção, flutuação ou caos, autonomia, redundância e variedade de requisitos – permitem que os quatro modos de conversão sejam transformados em uma espiral do conhecimento. Esse processo ocorre em cinco fases – compartilhamento do conhecimento tácito, criação de conceitos, justificação de conceitos, construção de um arquétipo e difusão interativa do conhecimento, gerando uma segunda espiral, que, combinada à primeira potencializa o processo de inovação nas organizações, conforme mostra a Figura 5. Dimensão epistemológica Conhecimento explícito Conhecimento tácito Externalização Combinação Socialização Internalização Individual Grupo Organização Nível do conhecimento Interorganização Figura 5 - Espiral de criação do conhecimento organizacional. Fonte: Nonaka e Takeuchi, (1997, p. 82). Dimensão ontológica 38 Os autores apontam que as organizações mobilizam o conhecimento tácito criado e acumulado no nível individual de forma a constituir o conhecimento organizacional. Esta proposição denota a necessidade de agentes que facilitem a mobilização do conhecimento entre os indivíduos. A organização como agente possui recursos e ferramentas para desenvolver este processo, condição esta que pode ser assumida por diferentes agentes da sociedade, tais como: universidades, centro de pesquisas, instituições de classes, etc. Estes agentes, com igual ou menor planejamento e disponibilidade de ferramentas, também exercem o papel de facilitadores de mobilização do conhecimento. A criação do conhecimento, conforme entendida pela tipologia de Nonaka e Takeuchi (1997), supõe um processo de aprendizagem individual em que o aprendizado seja resultado de reflexão, de criatividade e do questionamento. Para os autores, o conhecimento organizacional (grupo social) deve ser entendido como uma iniciativa do indivíduo e da interação deste com o grupo. O novo conhecimento originado será utilizado em outras partes da organização, a partir do seu compartilhamento. Este processo se repetirá tantas vezes quantas forem necessárias, estabelecendo assim um ciclo contínuo que sustenta o desenvolvimento organizacional (grupo social). Em consonância aos autores anteriormente citados, Kim (1997) também sugere que as organizações aprendem por intermédio de seus indivíduos. Para o autor, compreender o processo da aprendizagem individual é fundamental para entender a aprendizagem no nível organizacional (grupo social). O autor desenvolve a perspectiva de conjugação entre a aprendizagem individual e a organizacional por intermédio de um modelo integrado, identificado como OADI-SMM (termo em inglês para: observa, acessa, desenha, implementa – modelos mentais compartilhados). Nesta perspectiva, o enlace entre a aprendizagem individual e a organizacional decorre dos modelos mentais individuais e compartilhados. Para o autor, isso acontece porque o pensamento elaborado nesses mapas mentais repercute no modo como as pessoas e as organizações definem suas ações e estratégias em relação ao contexto em que estão inseridas. Para entender o processo existente entre aprendizagem individual e organizacional, o autor destaca o papel da aprendizagem individual e da memória, especificando os mecanismos de transferência entre aprendizagem individual e organizacional. A transferência se estabelece como elemento central da aprendizagem social, pois é a partir deste evento que a aprendizagem individual inicia o processo de incorporação na memória e nas estruturas sociais. 39 Segundo a proposta do modelo OADI - observa-acessa-desenha-implementa - as pessoas acessam suas experiências, consciente ou inconscientemente, pela reflexão de suas observações. A partir destas observações, as pessoas estão capacitadas a construírem conceitos abstratos com potencial para responder às avaliações executadas na etapa anterior e adicionalmente buscam validar esses conceitos por meio da implantação no mundo concreto. Sob este aspecto a implantação possibilita vivenciar novas experiências concretas que, por sua vez, potencializa o início de um novo ciclo, e assim sucessivamente de forma continuada. O autor explicita como o ciclo do modelo OADI auxilia na compreensão da aprendizagem, e posiciona a memória com a função de enlaçamento da aprendizagem individual com a organizacional. Dessa forma, a aprendizagem se relaciona com a aquisição, enquanto a memória se relaciona com a retenção do que é adquirido pelo indivíduo e pelas organizações. No entanto, o autor destaca a dificuldade de separação dos conceitos, em face da grande inter-relação entre os mesmos. Como elemento colaborativo, para interpretar os processos inter-relacionados de aprendizagem e memorização, torna-se interessante consubstanciar as abordagens de Kim (1997) com o conceito de modelos mentais de Senge (2006). Segundo este autor, o conceito de modelos mentais se baseia em imagens internas, profundamente armazenadas, que as pessoas possuem sobre como o mundo funciona. As imagens internas influenciam as ações do indivíduo, pois estão relacionadas à forma pelo qual ele interpreta o mundo. Sob este aspecto, os modelos mentais proveem o contexto a ser utilizado na interpretação da informação existente, determinando a relevância, ou não, da informação para o indivíduo. Ao mesmo tempo em que auxilia na interpretação do mundo que os indivíduos percebem, atua como elemento de restrição à compreensão para fatos novos, a fim de que estes façam sentido dentro dos modelos mentais que eles possuem. Vale destacar que os modelos mentais possuem uma grande amplitude, desde generalizações simples até teorias complexas, se constituídos em ativos que moldam a forma do indivíduo agir. Segundo Kim (1997), o indivíduo interpreta os fatos como verdadeiros até que sejam indagados, confrontados, questionados ou até que eles não estejam mais adequados aos resultados esperados, em conformidade com os modelos mentais existentes. Nessas condições, o enlaçamento entre a aprendizagem individual e a organizacional, na teoria OADI, acontece por compartilhamento dos modelos mentais. Portanto, são os modelos mentais compartilhados que tornam o resto da memória organizacional útil, pois: “sem esses modelos mentais, que incluem todas as interconexões sutis entre os vários membros, uma organização será incapacitada tanto no aprendizado quanto na ação” (KIM, 1997, p. 45). A 40 explicitação e o compartilhamento dos modelos mentais pelo grupo aumentam a respectiva base de significado compartilhado dentro da organização. Kim (1997) vê a aprendizagem organizacional em dois passos simultâneos: a operacionalização efetiva da ação permitindo que se aprenda o “como”, enquanto a reflexão sobre isso possibilite o “por que”, pela observação e formação dos conceitos. Em sua proposta de modelo integrado de aprendizagem organizacional, os modelos mentais dos indivíduos são como codificações das mudanças vivenciadas ao longo do tempo, e a aprendizagem individual (AI) ocorrida afeta a Aprendizagem Organizacional (AO), influenciando os modelos mentais compartilhados. Analisando outra tipologia, temos a proposta de Abbad e Borges-Andrade (2004) na qual o conceito de aprendizagem “é um processo psicológico essencial para a sobrevivência dos seres humanos no decorrer de todo o seu desenvolvimento” (ABBAD; BORGESANDRADE, 2004, p. 237). Na construção desta tipologia, os autores analisam as contribuições anteriores e ratificam que apesar de identificarem que a aprendizagem ocorre no comportamento do indivíduo, ela está condicionada à interação deste com um contexto. Segundo os autores, o contexto exerce uma forte influência no aprendizado, pois mesmo as atividades mais simples e repetitivas estão inseridas em ambientes complexos. Os autores descrevem o processo de aprendizagem como caracterizado pela aquisição, retenção, generalização e transferência de conhecimento. Os processos mentais desenvolvidos pelo indivíduo, no contexto em que se insere, possibilitam a aquisição de conhecimentos, habilidades e atitudes – CHA que, por sua vez, o auxiliam a superar suas deficiências de desempenho no trabalho. No modelo dos autores citados, o processo de transferência do conhecimento, que é a possibilidade de aplicação dos CHAs adquiridos pelos indivíduos, possui variação de sentido: lateral e vertical e de direção: positiva e negativa. A transferência de conhecimento com variação de sentido apresenta inicialmente a transferência lateral que acontece quando o conhecimento adquirido e retido é generalizado para ações da mesma complexidade. Caracteriza-se, assim, como um processo de aprendizagem mais simples e que possibilita aprendizagens mais complexas. Nesta condição, o indivíduo pode executar atividades ainda não aprendidas, mas passíveis de execução por associação a atividades que sabe executar. Por sua vez, a aprendizagem vertical se caracteriza por possibilitar ao indivíduo, a partir de capacidades mais simples, adquirir capacidades mais complexas. Dessa forma, o indivíduo pode, ao longo do tempo, desenvolver-se com a aplicação do conhecimento existente. 41 Quanto à direção de transferência de conhecimento ela pode ser positiva, quando o aprendizado facilita o desempenho do indivíduo na atividade de transferência e negativa, quando dificulta seu desempenho. Exemplificando esta abordagem, a aprendizagem de uma linguagem de programação pode facilitar a aprendizagem de outras linguagens (transferência positiva), no entanto pode implicar em maior dificuldade de aprendizagem de outras linguagens (transferência negativa). A transferência de conhecimento é ampliada pelos autores com a inclusão dos conceitos de generalização e de manutenção ou retenção dos conhecimentos aprendidos no longo prazo. A generalização está relacionada ao grau de aplicação dos CHAs em situações diferentes àquelas em que ocorreu a aquisição. Enquanto isso, a manutenção ou retenção se caracteriza como intervalo de tempo em que os CHAs continuam a ser utilizadas no trabalho. Segundo Abbad e Borges-Andrade (2004), para o êxito desse processo, ou seja, para o desempenho competente do indivíduo, é necessária a interação de três elementos: o “poder fazer” (condições do meio em que se esta inserido), “o saber fazer/saber ser” (CHAs) e o “querer fazer” (motivações, aspirações, metas). O desenvolvimento do segundo está diretamente relacionado ao primeiro e ao terceiro. O “poder fazer” está situado nos contextos organizacionais que apoiam a aquisição, a retenção e a transferência no processo de aprendizagem, propiciando um ambiente favorável a esse fenômeno. O “querer fazer” relaciona-se diretamente com as características individuais que compõem seu grau de motivação, de auto-eficácia, de comprometimento afetivo com a organização e de seu reconhecimento sobre o locus de controle do processo: se é externo, fora do seu controle pessoal, ou interno, sob seu próprio controle. O resgate teórico realizado demonstrou a existência de vários autores pesquisando o processo de aprendizagem do indivíduo dentro do contexto da organização (grupo social) e a posterior disseminação deste. Frente à diversidade de autores estudados o Quadro 2 apresenta uma síntese de suas respectivas abordagens. 42 Autor Argyris e Schön (1978; 1996; 1999; 2000) Kolb (1984; 1997) Teoria apresentada e principais tópicos Aprendizagem de ciclo simples: Não implica mudanças paradigmáticas de valores, crenças e pressupostos dos agentes. Apropriada para a rotina e para os aspectos repetitivos, pois está pautada na execução das atividades diárias. Aprendizagem de ciclo duplo: Há mudança de forma paradigmática dos modelos mentais, valores, crenças, pressupostos fundamentais e estratégias de ação. A aprendizagem de ciclo duplo se apresenta relevante nos aspectos complexos e não programáveis. Aprendizagem como processo ativo pelo qual o conhecimento é criado por intermédio da transformação da experiência que envolve a interação do indivíduo com o ambiente. O conhecimento é mediado pela interação entre a expectativa do resultado e a própria experiência em si. Aborda duas dimensões do processo de aprendizagem: da experiência concreta à conceituação abstrata e da experimentação ativa à observação. O processo de aprendizagem ocorre em três estágios: aquisição, especialização e integração. Nonaka Interação entre conhecimento tácito e conhecimento explícito em quatro processos: socialização, e externalização, combinação e internalização. Takeuchi O aprendizado individual como resultado de reflexão, de criatividade e de questionamento. O (1997) indivíduo é a fonte de criação do conhecimento tácito, gerado a partir da sua interação com o ambiente no processo de solução dos problemas. Kim Destaca o papel da aprendizagem individual e da memória nos mecanismos de transferência entre o (1997) indivíduo e o grupo social. O indivíduo aprende, consciente ou inconscientemente, pela reflexão de suas observações. O modelo OADI de aprendizagem é descrito por quatro processos: observaracessar-desenhar-implementar. A aprendizagem acontece quando há indagação, confrontação dos fatos com os modelos mentais existentes. A memória desempenha o papel de enlaçamento da aprendizagem individual com a organizacional. Senge Propõe o conceito de modelos mentais que se baseia em imagens internas, profundamente (2006) armazenadas, que as pessoas possuem sobre como o mundo funciona. Os modelos mentais auxiliam tanto a dar sentido ao mundo que os indivíduos percebem, quanto para restringir a compreensão dos indivíduos para fatos novos. Abbad e O processo de aprendizagem é caracterizado pela aquisição, manutenção, transferência e Borges- generalização de conhecimento, de forma associada às habilidades e as atitudes pelo indivíduo no Andrade processo de superação de suas deficiências de desempenho no trabalho. (2004) O modelo de processamento de informações apresenta o aprendiz em seu ambiente, que fornece estímulos absorvidos pelo indivíduo que utiliza seus mecanismos sensoriais, suas memórias de curto e longo prazo para gerar uma resposta ao ambiente. Apresentam as taxionomias de Bloom: aprendizagem cognitiva, afetiva e psicomotora, e de Gagné: habilidade motora, habilidade intelectuais, habilidade de informação verbal, estratégia cognitiva e atitudes. Quadro 2 - Pontos de destaque dos autores abordados no Referencial Teórico Fonte: Elaborado pelo próprio autor De certo, o resgate teórico não contemplou todos os autores atuantes nesta temática, mas constitui um conjunto teórico, que possibilita o desenvolvimento de um cenário que suporta o interesse em desenvolver pesquisas na área da produção científica, voltadas para o entendimento tanto do processo socialização quanto o de disseminação do conhecimento. Nesta tese, o entendimento da socialização do conhecimento é destinado ao contexto da produção científica e não ao organizacional. No entanto, como as organizações se configuram como grupos sociais formais é possível a sua aplicação em estudos futuros desta área do conhecimento. Adicionalmente, vale destacar que o universo de estudo envolve a produção científica voltada à sustentabilidade ambiental, que por sua vez também é contemplada em pesquisas que abarcam a temática organizacional. 43 Os autores abordados no processo de aprendizagem individual Argyris e Schön (1978, 1996), Argyris (1999; 2000), Kolb (1984; 1997) Nonaka e Takeuchi (1997), Kim (1997), Senge (2006) e Abbad e Borges-Andrade (2004) apresentam a perspectiva do conhecimento nas dimensões epistemológica e ontológica. Contexto este que abarca o compartilhamento do conhecimento pelo grupo social. No entanto, neste estudo a sociologia do conhecimento se estabelece como base do referencial teórico que sustenta a discussão dos resultados. Apesar dos autores voltados ao estudo da construção da aprendizagem organizacional não apresentarem consenso sobre como o processo se desenvolve, eles posicionam a possibilidade da institucionalização do conhecimento somente dentro do nível organizacional. Apesar de os autores abordados na aprendizagem individual, e destacados no parágrafo anterior, se incluírem neste rol, o quadro teórico apresentado por Crossan et al. (1999) se constitui em um dos referenciais desta proposta. Para Crossan et al. (1999) a aprendizagem ocorre nos três níveis: individual, grupal e organizacional, por intermédio de (sub) processos intitulados: Intuição, Interpretação, Integração e Institucionalização, que compõem o processo de aprendizado denominado, os 4I´s do processo de aprendizagem organizacional. No nível individual ocorre à intuição e a interpretação, no nível grupal ocorre à interpretação e a integração e no nível organizacional ocorre à integração e a institucionalização. O Quadro 3 mostra os quatro processos e os três níveis de ocorrência da aprendizagem e sua renovação nas organizações. Nível Processo Individual Intuição Interpretação Grupos Integração Organização Institucionalização Inputs/Resultados Experiências Imagens Metáforas Linguagem Mapa cognitivo Conversa/diálogo Entendimento compartilhado Ajuste mútuo Sistemas interativos Rotinas Sistemas de diagnostico Regras e procedimentos Quadro 3 - Os quatro processos e três níveis de ocorrência da aprendizagem e sua renovação nas organizações. Fonte: elaborado a partir de dados coletados de Crossan et al., 1999. Os autores apresentam as seguintes características para os processos. A Intuição ocorre apenas no nível individual como resultado de experiências e imagens retidas na memória do indivíduo. A expertise de uma pessoa pode ser considerada como a capacidade de inconscientemente identificar padrões que, no passado, lhe permitiram entender e agir perante 44 uma determinada situação. Nas organizações, além da intuição do indivíduo em elaborar um novo saber, é necessária a intuição de um empreendedor que desenvolverá a capacidade da instituição em tirar proveito comercial da intuição inicial. A Interpretação, por sua vez, consiste no esforço de explicar uma ideia, a outros ou a si mesmo, por meio de palavras e/ou ações. Neste processo, os indivíduos desenvolvem mapas cognitivos sobre os diversos domínios em que operam. A interpretação pode ocorrer no nível individual (contar a história a si mesmo) ou no nível grupal no qual o resultado (diálogo) fica potencializado ao envolver mais indivíduos. A essência do processo de Integração é a expansão do saber para um contexto de compartilhamento coerente pelos membros do grupo. O desenvolvimento de um saber compartilhado inclui a tomada de ações conjuntas por meio de mútuas concessões resultando na construção de uma ação coletiva e coerente. A linguagem desenvolvida por meio das conversas e diálogos (contexto) das comunidades de prática, bem como as narrativas, consiste em ferramentas auxiliares ao processo de integração. A Institucionalização, segundo os autores, ocorre apenas no nível organizacional por meio da formalização do saber. Como as organizações são mais do que simplesmente uma coleção de indivíduos, a aprendizagem que ocorre na organização é maior que o simples somatório da aprendizagem de seus membros. A organização possui a intenção de se capacitar a ter continuidade satisfatória de suas atividades mesmo com a perda de um de seus elementos. Dessa forma, as organizações necessitam serem capazes de incorporar a aprendizagem efetuada nos seus sistemas, estruturas, estratégias, rotinas, etc. A aprendizagem institucional não consegue acompanhar a velocidade da que ocorre no indivíduo e no grupo. Os autores pontuam o aprendizado como um processo dinâmico ao longo do tempo. Entre os diferentes níveis – individual, grupal e organizacional – originam ainda tensões entre o novo conhecimento obtido (feed-forward) e o conhecimento já consagrado em outros processos de aprendizagem (feed-back). Pelo processo de feed-forward as novas ideias e ações seguem do indivíduo para o grupo ou organização, enquanto no processo de feed-back o aprendizado da organização ou do grupo vai em direção ao indivíduo. A Figura 6 mostra a dinâmica do processo de aprendizagem. 45 Indivíduo Grupo Organização Intuição I Interpretação Indivíduo G Grupo Integração O Organização Institucionalização Figura 6 - Dinâmica do processo de aprendizagem. Fonte: Adaptado de Crossan et al. 1999 (p. 532). No processo de feed-forward as novas ideias e ações ascendem do indivíduo para o grupo e para a organização. Ao mesmo tempo, o que já foi apreendido e institucionalizado na organização realimenta os grupos e os indivíduos. Estes processos de interação evidenciam dois aspectos importantes: a interpretação-integração (feed-forward) e institucionalizarintuição (feed-back). O movimento de interpretação para a integração (feed-forward) requer uma mudança da aprendizagem individual para a aprendizagem entre os grupos e a organização. Demanda que o indivíduo construa e integre mapas cognitivos do novo saber que, por sua vez, são compartilhados pelos membros do grupo. O indivíduo precisa ser capaz de se comunicar de forma a transpor seu mapa cognitivo, que se caracteriza por ser tácito, para o grupo. Esta ação exige do indivíduo o processo de articular ideias e conceitos (POLANYI, 1967). A articulação dos mapas cognitivos individuais no compartilhamento com o grupo se constitui em um desafio a ser superado. A ação de explicitar algo não é suficiente para garantir o seu compartilhamento pelo grupo, pois os indivíduos apresentam mapas cognitivos que atuam como filtro para o novo conhecimento. A compreensão compartilhada é observável quando se 46 identifica ações coerentes do grupo, que experimentam e validam o novo conhecimento, que passa então a ser reconhecido (CROSSAN et al., 1999). A interação que ocorre entre a institucionalização e a intuição (feed-back) envolve a necessidade de o indivíduo destruir conhecimento prévio para assimilar o novo, o que agrega alta dificuldade ao processo. A lógica e a linguagem compartilhada pelo grupo ou pela organização se constituem em ativos que edificam barreiras físicas e cognitivas para a mudança. O desafio consiste em não deixar que o feed-back coíba o desenvolvimento do feedforward (CROSSAN et al., 1999). A tipologia apresentada por Crossan et al. (1999), do quadro de aprendizagem organizacional dos 4I´s, se constitui em uma proposta de conectar a aprendizagem do indivíduo com a organização. A aprendizagem se estabelece como um processo de mão dupla, que se origina no indivíduo pela intuição e interpretação e se legitima no grupo por meio da interpretação coletiva e sequencial integração (feed-forward). O aprendizado institucionalizado pelo grupo retorna para os indivíduos que o absorvem por meio da intuição e interpretação. No contexto organizacional temos a institucionalização da aprendizagem, que consiste na legitimação do conhecimento no ambiente da organização. Nesse contexto, a aprendizagem organizacional é entendida como um processo de mudança no pensamento e nas ações, que impacta em possíveis inovações. Esta abordagem dos processos de legitimação e institucionalização apresenta pontos que divergem da proposta da sociologia do conhecimento de Berger e Luckmann (2008), apresentada na seção que se segue. A principal divergência destes autores se localiza na possibilidade de institucionalização do conhecimento no nível grupal, e não somente no organizacional. Neste sentido, a proposta de Berger e Luckmann (2008) se apresenta mais adequada para a análise do conhecimento apresentado na produção científica que se compõe em grupos sociais e não em organizações. Vale destacar, que a abordagem de Berger e Luckmann (2008) também se apresenta adequada para os estudos organizacionais, mas que, no entanto não se configuram como fenômeno de análise desta pesquisa. 47 2.3 A SOCIOLOGIA DO CONHECIMENTO Dentro da sociologia, um dos pontos de destaque consiste na abordagem da sociologia do conhecimento, com ênfase na proposta por Berger e Luckmann (2008), que aprofunda o entendimento pelo qual a realidade social é socialmente construída. Para Dubar (2005), o conceito de socialização de Berger e Luckmann se origina na psicologia social de George Herbert Mead, que define e analisa a socialização como a construção da identidade do indivíduo, por meio da interação (comunicação) com outros dentro do conjunto da sociedade. Em estudo desenvolvido por Daniel-Júnior (2007), a sociologia do conhecimento proposta por Berger e Luckmann não se fundamenta apenas na psicologia social de Mead, mas também nas concepções ontológico-epistemológicas da Fenomenologia de Alfred Schutz e do pensamento sociológico de Émile Durkheim e Max Weber. A abordagem de Berger e Luckmann (2008) posiciona o indivíduo como elemento principal no processo de desenvolvimento do conhecimento individual e social, tal como é abordada pelos autores do conhecimento organizacional apresentados até o momento, Argyris e Schön (1978, 1996), Argyris (1999, 2000), Kolb (1984, 1997) Nonaka e Takeuchi (1997), Kim (1997), Senge (2006), Abbad e Borges-Andrade (2004) e Crossan et al. (1999). “A autoprodução do homem é sempre e necessariamente um empreendimento social” (BERGER; LUCKMANN, 2008, p. 75). No entanto, os autores estabelecem a distinção entre a constituição biológica (indivíduo) e o homem (sujeito) conforme proposição de Althusser (1985). O indivíduo se constitui apenas em uma “abstração” e um “recurso” que mediante a um processo de interiorização (internalização) dos significados sociais se torna um homem. De acordo com os autores, o processo de desenvolvimento do ser humano está relacionado ao ambiente natural em particular que se correlaciona e sujeito a uma ordem cultural e social específica. Nas palavras de Berger e Luckmann “a forma específica em que esta humanização se molda é determinada por essas formações socioculturais e são relativas às suas numerosas variações” (BERGER; LUCKMANN, 2008, p. 72). Emerge, assim, o conceito de ordem social como produto humano no curso do seu processo de compartilhamento com a sociedade a que pertence. Logo, a ordem social não pertence à natureza, mas é um produto da atividade humana. A exteriorização do ser humano é apontada por Berger e Luckmann (2008) como uma necessidade antropológica na qual o ser humano, de forma progressiva e continuada, transmite aos demais a sua produção. Berger e Luckmann (2008) em sua obra utilizam a expressão indivíduo como sinônimo de sujeito, logo, para efeito desta pesquisa, empregaremos também o termo indivíduo com tal concepção. 48 Como já referenciado na seção anterior, a abordagem de Berger e Luckmann (2008) se distância dos autores do conhecimento organizacional apresentados neste estudo. Estes autores interpretam a possibilidade da institucionalização do conhecimento apenas dentro do contexto das organizações. Para Berger e Luckmann (2008), a institucionalização ocorre dentro do conceito de “instituições sociais”, que contém as organizações, no entanto, não se limitam a apenas este universo, nem se definem como único elemento. Para Berger e Berger (1977), a instituição se configura como um padrão compartilhado de ações cotidianas em esferas da vida social específicas. A transmissão do padrão ao longo do tempo, de geração para geração, estabelece a constituição das instituições. Sob este aspecto, as instituições se configuram como um conjunto articulado de ideias, normas, valores e sentimentos, socialmente estabelecidos, que orientem a ação em campos específicos da conduta humana. (Dentre os campos de conduta humana podemos citar: a comunicação, as relações sociais e a relação com a natureza, entre outros). Berger e Berger (1977, p. 193) definem “a instituição como um padrão de controle, ou seja, uma programação da conduta individual imposta pela sociedade”. Segundo Berger e Luckmann (2008), a repetição de uma mesma atividade tende a estabelecer um padrão de ação que pode ser apreendido e reproduzido por outros. Esta repetição possibilita a formação do hábito que fornece direção e especialização para o homem realizar suas atividades, de forma a não necessitar definir as ações envolvidas nos eventos rotineiros. A formação do hábito se torna um pré-requisito do processo de institucionalização de um único indivíduo ou um grupo social. Para os autores “estes processos de formação de hábitos precedem toda institucionalização. Assim, eles podem ser aplicados a um hipotético indivíduo solitário, destacado de qualquer interação social” (BERGER; LUCKMANN, 2008, p. 78), o que caracteriza a institucionalização fora do entendimento organizacional e, ainda, como uma possibilidade individual, mesmo que teórica. Portanto, a formação do hábito pelo ser humano possibilita o estabelecimento de sua institucionalização. Nesse contexto, é necessário que os indivíduos envolvidos compartilhem o caráter típico das ações. Assim, um conjunto de atores exercendo ações típicas e de rotina caracterizam uma tipificação que, por sua vez, estabelece uma instituição. A institucionalização ocorre sempre que há uma tipificação recíproca de ações habituais por tipos de atores. Dito de maneira diferente qualquer uma dessas tipificações é uma instituição. O que deve ser acentuado é a reciprocidade das tipificações institucionais e o caráter típico não somente das ações, mas também dos atores nas instituições. As tipificações das ações habituais que constituem as instituições são sempre partilhadas. São 49 acessíveis a todos os membros do grupo social particular em questão, e à própria instituição tipifica os atores individuais assim como as ações individuais. (BERGER; LUCKMANN, 2008, p. 79). A compreensão de uma instituição envolve o entendimento do processo histórico que a originou e o padrão de conduta determinante. Este padrão de conduta estabelece o perfil controlador inerente à institucionalização que, juntamente com os mecanismos de sanção, constituem o sistema de controle social. Esse sistema pode ser primário ou secundário. O controle social primário se caracteriza como aquele que envolve as atividades diárias do indivíduo. Segundo Berger e Luckmann (2008, p. 80), “o controle social primário é dado pela existência de uma instituição como tal. Dizer que um segmento da atividade humana foi institucionalizado já é dizer que este segmento da atividade humana foi submetido ao controle social”. O controle social secundário decorre dos processos que se desenvolvem de forma complementar as atividades diárias (controle social primário) do indivíduo. Para Berger e Luckmann (2008), o estabelecimento de uma rotina possibilita a divisão das atividades entre os membros de um grupo social abrindo-se, assim, espaço para o surgimento de inovações. Desta forma, a divisão do trabalho e as inovações constituem-se em componentes que fomentam novos hábitos e que, por sua vez, constroem um mundo social baseado em uma ordem social em expansão. Quando um indivíduo observa uma condição de repetição de ações desenvolvidas por outro, que caminha para se tornar um hábito desenvolve inicialmente um protocolo de tipificação da sua parte. Caso as ações em repetição sejam importantes para as duas partes e se insiram em uma situação social duradoura surge à possibilidade de se estabelecer uma tipificação recíproca. Dessa forma, os hábitos e as tipificações desses indivíduos que, até o momento, eram circunscritos a uma atividade específica tornam-se instituições históricas. Segundo Berger e Luckmann (2008), quando as formações estabelecem a historicidade tem-se o surgimento ou o aperfeiçoamento de uma qualidade, até então incipiente, entre os atores que desencadearam a tipificação compartilhada de uma conduta. “Esta qualidade é a objetividade.” (BERGER; LUCKMANN, 2008, p. 84). Diante dessa objetividade temos uma instituição que influência de forma coerciva os demais indivíduos. Nas palavras dos autores “experimentam-se as instituições como se possuísse realidade própria, realidade com a qual os indivíduos se defrontam na condição de fato exterior e coercivo.” (BERGER; LUCKMANN, 2008, p. 84). Na medida em que a objetividade evolui do grupo inicial, que se apresenta de forma mais tênue, para um agrupamento maior de indivíduos, a objetividade do mundo institucional 50 apresenta-se mais rígida a todos. Nessa condição, temos um mundo real mais consciente e, consequentemente, mais difícil de ser alterado. Desta maneira, como mundo objetivo, as formações sociais são passíveis de transmissão a um novo agrupamento ou geração. No entanto, destaca-se também o poder coercivo estabelecido, no qual o indivíduo é inserido em um contexto que deve ser apreendido como único e verdadeiro. A exteriorização da produção, pelo homem, é uma atividade que adquire o caráter de objetividade e entendida como um processo denominado de objetivação. Assim, a relação entre o homem, o produtor e o mundo social estabelece uma ligação de reciprocidade das partes, na qual a exteriorização e a objetivação são componentes de um contínuo processo dialético. Processo este marcado pela discussão, contraposição e contradição de ideias que caminham para o estabelecimento de um consenso socialmente aceito. O estabelecimento de um consenso é caracterizado pela interiorização da objetivação pelos indivíduos pertencentes a este mundo social. Surge, assim, a Legitimação que é a transmissão do mundo institucional de uma geração para outra. Nesse contexto, o padrão de controle estabelecido por uma geração é incorporado pela geração seguinte, somado à possibilidade de explicação e justificação. A realidade da sociedade torna-se cada vez mais compacta no curso de sua transmissão. A disseminação desta realidade pode restringir a possibilidade de acesso ao significado original das instituições, pelo não compartilhamento da memória original. Nesse contexto, Berger e Luckmann (2008) destacam a importância das fórmulas legitimadoras. “Torna-se, por conseguinte, necessário interpretar para eles este significado em várias fórmulas legitimadoras. Estas terão de ser consistentes e amplas no que se refere à ordem institucional, a fim de levarem à convicção a nova geração.” (BERGER; LUCKMANN, 2008, p. 88). O resultado da atividade deve ser disponibilizado a todos os componentes do grupo social expandindo-se, assim, a ordem institucional e estabelecendo um “correspondente manto de legitimações, que estende sobre si uma cobertura protetora de interpretações cognoscitivas e normativas.” (BERGER; LUCKMANN, 2008, p. 88). As novas gerações apreendem esta legitimação concomitante ao processo em que se a socializa na ordem institucional. Os indivíduos podem apresentar restrições para aceitar a ação de institucionalização da sociedade a que pertencem, em grande parte, por não terem participado do seu processo de estabelecimento. Diante desta possibilidade de desvio, as instituições exercem autoridade (ação coerciva) sobre o indivíduo, a fim de garantir a aceitação de suas definições sem a possibilidade de redefinição das mesmas, garantindo, assim, a sua legitimação. (BERGER; LUCKMANN, 2008) 51 Para Berger e Berger (1977, p. 193), “a linguagem é uma instituição”. Os autores apontam ainda a linguagem como a primeira instituição a qual o indivíduo se incorpora e, ainda, se constitui na instituição fundamental da sociedade. Cumpre ressaltar, que os referidos autores apresentam a família de forma compartilhada como a primeira instituição. Esta interpretação distância o entendimento da instituição formulada pela sociologia do conhecimento daquela formulada pelos autores do conhecimento organizacional, apresentados anteriormente. Segundo Berger e Luckmann (2008), as legitimações possuem na linguagem tanto o elemento de elaboração quanto o de disseminação. A linguagem possibilita a integração funcional ou lógica dos hábitos ou da institucionalização a ser difundida para os indivíduos ou coletividades. Nas palavras dos autores, “a lógica atribuída à ordem social faz parte do acervo socialmente disponível do conhecimento, tomado como natural e certo.” (BERGER; LUCKMANN, 2008, p. 92). O indivíduo estará bem socializado na medida em que possuir “conhecimento” do mundo social em que se insere, de forma a entender como as instituições funcionam e se integram. Os significados não são particularizados, mas socialmente articulados e compartilhados. “A integração de uma ordem institucional só pode ser entendida em termos de conhecimento que seus membros têm dela, segue-se que a análise de tal conhecimento será essencial para a análise da ordem institucional em questão.” (BERGER; LUCKMANN, 2008, p. 92). O conhecimento se apresenta em dois níveis: primário e secundário. O primário relaciona-se com o pré-teórico, que se constitui na instituição de um conjunto de conhecimentos que estabelecem as regras básicas de conduta entendidas como adequadas pela sociedade. Nesta situação, o conhecimento é objetivado pela sociedade, na qual desvios são considerados afastamento da realidade. Sua principal característica se constitui na estrutura básica na qual se assentam os futuros conhecimentos, denominados secundários. O conhecimento primário “objetiva este mundo por meio da linguagem e do aparelho cognoscitivo baseado na linguagem, isto é, ordena-o em objetos que serão apreendidos como realidade e, em seguida, interiorizados como verdade objetivamente válida no curso da socialização” (BERGER; LUCKMANN, 2008, p. 94). Este trabalho estabelece, como foco de atenção, o conhecimento do nível secundário, ou seja, o conhecimento que foi socialmente produzido e objetivado com referência a uma atividade não rotineira. As experiências que ficam retidas no indivíduo são consideradas sedimentadas e, assim, consolidam a apreensão do conhecimento. No contexto da sociedade, a sedimentação é 52 social na medida em que se pode repetir a objetivação das experiências compartilhadas por meio da linguagem assumindo o status de “base e instrumento de acervo coletivo do conhecimento” (BERGER; LUCKMANN, 2008, p. 96). Assim, a linguagem é que possibilita a objetivação de novas experiências, que se consubstanciam ao estoque de conhecimento existente. Sob esse aspecto, a linguagem permite as sedimentações coletivas de forma coerente, sem a necessidade de reconstrução do processo original. Tanto o conhecimento quanto a sua transmissão, decorrem dos significados objetivados na atividade institucional. A transmissão do conhecimento está subjugada a um aparelho social, que se traduz na relação de transmissor e de receptor. O transmissor do conhecimento, dentro do contexto das instituições, está envolvido em um conjunto de procedimentos de controle e de legitimação que estabelece uma coerência lógica, típica de cada instituição. Esta coerência lógica pode encontrar dificuldades de legitimação, em decorrência de conflitos ou de competições dos indivíduos envolvidos e/ou de socialização provenientes da dificuldade de interiorização de sucessivos e concomitantes significados sociais. As ações de um indivíduo e de outros, que compõem uma rede de socialização de forma tipificada, possibilitam originar uma ordem institucional. Nesse sentido, observa-se entre os envolvidos: a) finalidade específica; b) fases de desempenho entrelaçadas; c) ações especificas tipificadas e d) formas de ação tipificadas (BERGER; LUCKMANN, 2008). Tal configuração faz com que qualquer ator desta rede social repita determinada ação tipificada, desde que haja um sentido objetivo da mesma. A Figura 7 mostra esta sequência de atividades que origina a ordem institucional. - Finalidade específica, - Fases entrelaçadas de desempenho, - Tipificação de ações específica. - Tipificação na forma de ação. Tipificação dos desempenhos de um indivíduo e ou de um conjunto de indivíduos. Origem da ORDEM INSTITUCIONAL Figura 7 - Origem da ordem institucional Fonte: Elaborada com base na obra de Berger e Luckmann (2008). 53 Dentro de uma ordem institucional, uma determinada ação, bem como o seu sentido, pode ser apreendida por qualquer indivíduo pertencente à sua rede social. Assim, a execução desta ação decorre de ações objetivas, conhecidas e passiveis de repetição por qualquer ator desta rede social. Para Berger e Luckmann (2008), após a realização de uma ação, o indivíduo deve ainda desenvolver uma reflexão sobre a mesma, a fim de estabelecer a sua interiorização, o “eu individual”, no entanto, de forma distinta do “eu social”. Destacando a narrativa dos autores “o ator identifica-se com as tipificações da conduta in actu socialmente objetivadas, mas restabelece a distância com relação a elas quando reflete posteriormente sobre sua conduta” (BERGER; LUCKMANN, 2008, p. 102). Emana assim o conceito de papéis, que é a atuação de atores junto ao acervo objetivado de conhecimentos, comum a uma rede social. Os papéis protagonizados pelos indivíduos estabelecem uma tipologia. Condição esta, necessária para a institucionalização da conduta, pois as instituições apropriam-se da experiência do indivíduo, por meio dos papéis que desempenham. O mundo social objetivado, e acessível a qualquer sociedade, se constitui das experiências individuais desenvolvidas no contexto de papéis de uma instituição. Assim, por meio da interiorização de um papel, o indivíduo estabelece a sua realidade e a sua participação no mundo social. Os papéis desempenhados pelos atores representam a própria ordem institucional, pois possibilitam a continuidade das instituições por meio do desenvolvimento de suas experiências reais. Segundo Berger e Luckmann (2008), os papéis exercem ainda a importante função social de integrar as diversas instituições em um mundo dotado de sentido. Estabelece, assim, a condição de aparelho legitimador da sociedade. Cada papel impõe a possibilidade de adentrar em uma parcela específica do acervo total de conhecimento possuído pela sociedade. Dentre os papéis de uma instituição, para efeitos deste estudo, destaca-se o de mediador do acervo comum de conhecimento de setores específicos. Ao assumir este papel, o indivíduo é inserido em um conhecimento específico socialmente objetivado. Vale destacar que este acervo encontra-se estruturado para destacar a sua relevância, que pode ser tanto do conhecimento geral quanto do conhecimento relevante para papéis particulares. Nas palavras dos autores, “a distribuição social do conhecimento acarreta uma dicotomização no que se refere à importância geral e à importância para papéis específicos.” (BERGER; LUCKMANN, 2008, p. 107). Destarte, a sociedade se organiza de forma a possibilitar que certos atores possam se dedicar a atividades específicas, a fim de acumular e produzir conhecimentos especializados. Portanto, estes atores especialistas 54 posicionam-se na condição de gerenciadores deste conhecimento. Os autores destacam que “Em todos esses casos os especialistas tornam-se administradores dos setores do cabedal do conhecimento que lhes foi socialmente atribuído” (BERGER; LUCKMANN, 2008, p. 108). O reconhecimento de que os especialistas são detentores de conhecimentos específicos possibilita que qualquer membro da sociedade possa recorrer a estes quando da necessidade. Os especialistas incorporam assim a função de auxiliar os leigos a entenderem o conhecimento específico. A relação dos papéis desempenhados e o conhecimento configuram-se como fundamentais tanto na perspectiva de representação da ordem institucional - mediando conjuntos de conhecimentos institucionalmente objetivados - quanto na qual cada papel é veículo de um determinado conhecimento. O desenvolvimento das atividades especializadas conduz tanto à especialização quanto à segmentação do estoque comum de conhecimento. Em decorrência da segmentação emana o contexto de prestígio social dos especialistas, que justifica o fato dos atores com melhor reconhecimento possuírem maior probabilidade de institucionalizar seu conhecimento. A institucionalização de um conhecimento pode apresentar uma extensão mais vasta ou mais estreita das suas estruturas importantes. O compartilhamento de forma generalizada pela sociedade de estruturas importantes indica uma ampla institucionalização do conhecimento, ao passo que, um limitado compartilhamento aponta para uma restrita institucionalização. Berger e Luckmann (2008) afirmam que a institucionalização total, na qual todos os problemas e respectivas soluções são comuns e sociologicamente objetivados, além de ter todas as ações sociais institucionalizadas, é passível conceitualmente. No entanto, não há evidências de tal fenômeno na história da sociedade. Assim a institucionalização total não é um fenômeno a ser esperado ou perseguido no contexto da sociedade. Ainda, segundo os autores, o desenvolvimento da sociedade aumenta a sua complexidade, distanciando-a mais da possibilidade da institucionalização total. A sociedade disponibiliza o acervo de conhecimento, porém a extensão e a atualização deste são particulares a cada indivíduo. O indivíduo tem à sua disposição o sentido objetivo da ordem institucional, admitido como natural e certo, entretanto ele pode apresentar dificuldades de interiorização dos significados. A dificuldade se origina na consciência reflexiva de cada indivíduo, condicionada à sua lógica e experiência de institucionalização. Nesse sentido, é possível entender e aceitar a coexistência de processos institucionais distintos, sem a integração total pela sociedade (BERGER; LUCKMANN, 2008). 55 A segmentação da ordem institucional e a contínua geração e distribuição do conhecimento determinam o desafio de estabelecer significados integradores que abarquem a sociedade e ofertem um contexto de sentido objetivo para a experiência e o conhecimento social do indivíduo. Este cenário apresenta ainda o desafio de legitimação institucional entre os diferentes tipos de atores que, por vezes, podem estar em conflito de interesses (BERGER; LUCKMANN, 2008). A segmentação social possibilita o estabelecimento de subuniversos de significação socialmente separados, nos quais o desenvolvimento de um determinado conhecimento específico desenvolvido pode-se tornar obscuro na comparação com o acervo comum de conhecimento. Os subuniversos de significados podem se originar de diferentes arranjos sociais, tais como: sexo, idade, escola de pensamento, formação na graduação, IES de formação, etc. A continuidade do subuniverso está associada a um grupo social que irá assegurar a sua existência e a manutenção do significado em questão, principalmente nas ocasiões em que se estabelecer conflito com a produção de outros especialistas. Berger e Luckmann (2008, p. 118) apontam que “estes conflitos sociais traduzem-se facilmente em conflitos entre escolas rivais de pensamento, cada qual procurando estabelecer-se e desacreditar, quando não liquidar, o corpo de conhecimento competidor”. No entanto, os autores destacam que um corpo de conhecimento (universo científico de significação) pode atingir um determinado grau de autonomia, que se desassocie do grupo social que o originou, possibilitando assim, inclusive, uma ação de retorno sobre o grupo social que o estabeleceu. Nas palavras dos autores, “a relação entre o conhecimento e sua base social é dialética, isto é, o conhecimento é um produto social e o conhecimento é um fator na transformação social” (BERGER; LUCKMANN, 2008, p. 118). Na medida em que se aumenta a quantidade de subuniversos existentes, associados ainda ao respectivo avanço da autonomia de cada um deles, emana respectivamente a dificuldade nos processos de legitimação. Esta dificuldade de legitimação é constatada entre leigos de um universo científico de significação, tanto por não conhecerem todas as opções existentes, quanto por não compreenderem efetivamente qual deve adotar. Para os já iniciados o desafio consiste na sua permanência dentro do universo científico de significação, pois a troca deste por outro emergente pode comprometer a legitimação do primeiro. Uma singularidade deste processo de legitimação se observa em determinados subuniversos científicos de significação nos quais os leigos, impedidos de entrar, admitem a sua legitimidade e concedem aos especialistas privilégios e reconhecimento sociais. Berger e Luckmann (2008) exemplificam esta situação apontando a profissão do médico, que se 56 recobre de símbolos de poder e de mistérios, materializados nas vestimentas e na linguagem utilizadas. Tal contexto, naturalmente legitima a atividade do médico e mantém fora deste subuniverso científico de significado o leigo, que, por sua vez, reconhece e aceita a exclusividade do conhecimento a este pequeno número de especialistas. A variação de velocidade dos processos desenvolvidos pelas instituições e pelos subuniversos científicos de significação irá influenciar na maior ou menor dificuldade de implementação da legitimação global da ordem institucional, e das legitimações específicas de determinadas instituições e subuniversos. Como exemplo desta situação é possível identificar a coexistência de organizações poluidoras, sem preocupação com o meio ambiente, convivendo em sociedades que incorporam empresas engajadas na causa ambiental. Destacase que, em sociedades que apresentem grande variabilidade de comportamento, a atividade de legitimação torna-se mais árdua para os seus especialistas. Outra singularidade a ser considerada é a reificação, em que a sociedade não se distingue mais como fonte de criação de determinado conhecimento. A sociedade não reconhece que originou determinado conhecimento, atribui a sua origem a algo especial, portanto, ele não está sujeito a alterações. O dogma - ponto fundamental e indiscutível de uma crença religiosa – é um bom exemplo, pois os religiosos não aceitam discutir os fundamentos de suas religiões, argumentando que estes são um pronunciamento divino, no entanto, a sua origem está relacionada ao próprio homem. Assim, um fenômeno humano é entendido como se fosse uma coisa não humana. Na perspectiva de Berger e Luckmann (2008, p. 123), “é possível dizer que a reificação constitui o grau extremo do processo de objetivação, pelo qual o mundo objetivado perde a inteligibilidade que possui como empreendimento humano e fixase como uma facticidade não humana, não-humanizável, inerte.” A legitimação de novos conhecimentos torna-se particularmente mais difícil em subuniversos reificados. Segundo os autores, em subuniversos reificados, é necessário desenvolver uma desreificação, atribuindo às instituições uma natureza ontológica, autônoma em relação à atividade e à significação humana. O conceito de legitimação é melhor contextualizado no processo de objetivação dos novos significados de ´segunda ordem`, tornando objetivamente acessível e subjetivamente plausível as objetivações de ´primeira ordem`. As objetivações de ´primeira ordem` envolvem as atividades desenvolvidas no dia a dia do indivíduo, realizadas de forma automática, ao passo que, as de ´segunda ordem` envolvem as atividades complementares e que não são desenvolvidas de forma automática. Assim, a legitimação se processa no indivíduo por meio da aceitação como razoável do novo significado a que está sendo apresentado. Berger e 57 Luckmann (2008) não inferem sobre os fatores envolvidos no processo de legitimação, no entanto, posicionam que a ´integração` das ordens se constitui em componente de motivação à legitimação. Nas palavras dos autores: A integração e, correlativamente, a questão da plausibilidade subjetiva referem-se a dois níveis. O primeiro a totalidade da ordem institucional deveria ter sentido simultaneamente para os participantes de diferentes processos institucionais. A questão da plausibilidade refere-se aqui ao reconhecimento subjetivo de um sentido global ´por trás` dos motivos do indivíduo e de seus semelhantes, motivos predominantes no que diz respeito à situação, mas parcialmente institucionalizados [...]. Em segundo lugar, a totalidade do indivíduo, a sucessiva passagem pelas várias ordens de uma ordem institucional, deve ser tornada subjetivamente significativa. Em outras palavras, a biografia individual em suas várias fases sucessivas, institucionalmente pré-definidas, deve ser dotada de sentido que torne a totalidade subjetivamente plausível (BERGER; LUCKMANN, 2008, p. 127). Apesar da importância do indivíduo em admitir como razoável o corpo de conhecimento para realizar a sua internalização, a legitimação não se constitui obrigatoriamente na fase inicial da institucionalização. A institucionalização pode se apresentar para o indivíduo de forma simples, como um fato desobrigado da necessidade de desenvolver o exercício de verificar a sua razoabilidade. Nessa situação, o indivíduo tem a percepção de ser um fato evidente, logo, a incorporação ocorre sem a necessidade da legitimação. Vale destacar que tal fenômeno é possível nas objetivações de ´primeira ordem`. Para Berger e Luckmann (2008), a necessidade de legitimação origina-se quando as objetivações de ordem institucional necessitam ser transmitidas de uma geração para outra. A transição do corpo de conhecimento de uma geração para outra, envolve a transmissão das objetivações de ordem institucional a indivíduos que não possuem a memória e os hábitos originais, e que só realizam a incorporação do novo conhecimento, se o identificarem como plausível. Dessa forma, se a harmonia histórica e biográfica do indivíduo é rompida, para restaurá-la, são necessárias explicações e justificativas dos elementos da tradição institucional. Destacando a narrativa dos autores, “tornando assim inteligíveis ambos os aspectos dessa unidade, é preciso haver explicações e justificativas dos elementos salientes da tradição institucional. A legitimação é este processo de ´explicação` e ´justificação`”. (BERGER; LUCKMANN, 2008, p. 128). Um aspecto importante da legitimação é que ela não se restringe à transmissão de valores, pois ao justificar uma ordem institucional, ela envolve também a transmissão do conhecimento. A legitimação não apenas aponta para o indivíduo que ação deve realizar, em 58 detrimento de outras, mas avança no sentido de justificar por que ´as coisas são o que são`. Nesse sentido, o conhecimento antecede os valores na legitimação das instituições. Assim, “a legitimação justifica a ordem institucional, dando dignidade normativa a seus imperativos práticos”. (BERGER e LUCKMANN, 2008, p. 128). Segundo Berger e Luckmann (2008), a legitimação pode ocorrer em diferentes níveis de análise, a saber: No primeiro nível, recebe a denominação de legitimação incipiente, por se manifestar assim que o sistema de objetivações linguísticas da experiência humana começa a ser transmitido. Este fenômeno é comum ao questionamento da criança ´- por que devo fazer isso?` que é atendido com a resposta ´- é assim que se faz as coisas`, No segundo nível, a legitimação se caracteriza por apresentar as proposições teóricas de forma rudimentar, as significações objetivas são articuladas por esquemas explicativos diretamente relacionados às ações concretas. Os provérbios, os ditos populares e as lendas pertencem e exemplificam a este nível de legitimação. No terceiro nível, a legitimação abarca as teorias explícitas de determinado setor institucional. Estas teorias resultam da legitimação de um amplo corpo de conhecimento, desenvolvido por especialistas, que, por sua vez, recorrem a procedimentos de iniciação formalizados para realizar a transmissão. Nesse contexto, a legitimação expande da aplicação prática para ´teoria pura`, adquirindo autonomia perante seu grupo de criação. Os autores propõem que, “a esfera das legitimações começa a atingir um grau de autonomia em relação às instituições legitimadas e, finalmente, pode gerar seus próprios procedimentos institucionais” (BERGER; LUCKMANN, 2008, p. 130). Vale destacar, para efeitos deste estudo, que este é o nível no qual os especialistas atuam para legitimar o corpo de conhecimento desenvolvido por suas pesquisas. Esta legitimação pode encontrar maior ou menor resistência para se efetivar, mediante a existência de um corpo de conhecimento já legitimado. Segundo Berger e Luckmann (2008, p. 131) “e o corpo de ´cientistas` pode estabelecer seus próprios processos institucionais em oposição às instituições que a ´ciência` tinha originariamente por função legitimar.” Os universos simbólicos constituem o quarto e último nível da legitimação. Vale destacar que o processo simbólico está relacionado à significação de diferentes realidades, não pertencentes às do cotidiano. Os diferentes corpos de tradição teórica, que integram as áreas de significação e abarcam a ordem institucional, estabelecem uma totalidade simbólica. Assim, a legitimação se processa por meio de totalidades simbólicas, não passiveis de experimentação na vida cotidiana, distinguindo-se do terceiro nível de legitimação, que se 59 restringe a um setor institucional. Para os autores (BERGER; LUCKMANN, 2008, p. 131), “Este nível de legitimação distingue-se ainda do precedente pela extensão da integração dotada de sentido”. Sob esse aspecto, no quarto nível de legitimação há a integração de todos os setores da ordem institucional, estabelecendo um universo de sentido, no qual “toda a experiência humana pode agora ser concebida como se efetuando no interior dele” (BERGER; LUCKMANN, 2008, p. 132). Emana, assim, a concepção do universo simbólico, como matriz de todos os significados, socialmente objetivados e subjetivamente reais. O indivíduo identifica a sua existência como pertencente a este contexto, pois todas as situações da sua vida cotidiana são abarcadas pelo universo simbólico. O conjunto de teorias legitimadoras existentes se estabelece como integrantes deste todo, edificado por um conjunto de ordens institucionais. Os autores destacam que “a cristalização dos universos simbólicos segue os processos [...] de objetivação, sedimentação e acumulação do conhecimento. Isto é, os universos simbólicos são produtos sociais que têm uma história” (BERGER; LUCKMANN, 2008, p. 133). Para Berger e Luckmann (2008), os universos simbólicos realizam a legitimação da biografia individual e da ordem institucional de forma semelhante, se apoiado em um processo organizado e ordenado. Sob esse aspecto, o universo simbólico disponibiliza a hierarquia de realidades, que subsidiaram a apreensão subjetiva do novo conhecimento pelo indivíduo, de forma inteligível e menos assustadora. Assim, o universo simbólico realiza a legitimação final da ordem institucional, constituindo um conjunto integrado de significados, mesmo para os setores discrepantes da vida cotidiana. Como exemplo, as discrepâncias entre o significado de desempenhar o papel de cientista pesquisador e o de desempenhar o papel de gestor de um negócio podem ser integradas de forma harmônica na execução das atividades diárias do indivíduo. Os autores detalham que, “o universo simbólico ordena e, por isso mesmo, legitima os papéis cotidianos, as prioridades e os procedimentos operatórios, colocando-os sub specie universi, isto é, no contexto do quadro de referência mais geral concebível” (BERGER; LUCKMANN, 2008, p. 136). A integração da morte, na realidade da existência social, tem grande importância para qualquer ordem institucional. A legitimação da morte é um importante componente do universo simbólico, pois é por meio dela que o indivíduo se capacita a continuar vivendo na sociedade e encarar sua própria morte, sem paralisar o contínuo cumprimento das rotinas da vida cotidiana. De forma similar, a legitimação da morte de outros significados possibilita a continuidade do universo simbólico, o desempenho das atividades rotineiras, sem a 60 paralisação do indivíduo frente à substituição (morte) de uma ordem institucional. Isto se torna possível frente à aceitação, pelo indivíduo, da morte como um fato normal. O sentido de pertencimento, dos membros de uma sociedade, a um universo simbólico dotado de sentido, decorre de uma unidade cronológica coletiva coerente, que inclui passado, presente e futuro. O compartilhamento de uma memória socializada pelos indivíduos estabelece um passado comum, ao passo que, um conjunto comum de referências possibilita que cada indivíduo projete suas ações no futuro. Sob esse aspecto, o universo simbólico se constitui no âmago de associação entre os antecessores e os predecessores ultrapassando o sentido da existência individual. O universo simbólico se origina da objetivação social dos processos de reflexão subjetiva, logo, dentro da perspectiva cognoscitiva, o universo simbólico é teórico. É no universo simbólico que deve ocorrer à legitimação da ordem institucional, na medida em que esta estabeleça um todo dotado de sentido. Podem surgir problemas que afetem a ordem institucional e, neste caso, esta deve estabelecer teorias, a fim de atender a um novo contexto. Caso não ocorram alterações teóricas não se observa a necessidade de uma nova legitimação no universo simbólico. Por exemplo, a criação de um novo departamento em uma empresa necessita ser legitimada dentro da organização, a fim de estabelecer um corpo de conhecimento que direcione as interações com as demais partes desta estrutura. A possibilidade de refletir de forma sistêmica a natureza do universo simbólico decorre da objetivação inicial do pensamento teórico. A legitimação, em um estágio mais simples ou mais complexo no contexto do universo simbólico, é entendida como um mecanismo de manutenção deste. Sob este aspecto, Berger e Luckmann (2008) indicam que há vários níveis de legitimação, que vão do pré-teórico de significados institucionais até o que abarca a totalidade do universo, este denominado de segundo grau. Os autores, no entanto, destacam que a legitimação do universo simbólico, ao contrário da legitimação da ordem institucional, não vai até o nível pré-teórico. Nas palavras dos autores: Há vários níveis da legitimação dos universos simbólicos, assim como há da legitimação das instituições, exceto que dos primeiros não se pode dizer que desçam ao nível pré-teórico, pela razão evidente de que o universo simbólico é por si mesmo um fenômeno teórico e se conserva como tal mesmo quando admitido ingenuamente (BERGER; LUCKMANN, 2008, p. 143). Para Berger e Luckmann (2008), um universo simbólico isento de problemas tem a capacidade de se auto-legitimar, diante da facticidade da sua existência objetiva na sociedade em questão. No entanto, os autores reconhecem que não há sociedade harmônica em perfeito 61 funcionamento, e que todo universo simbólico é originalmente problemático, demandando assim, para sua manutenção, a legitimação das ordens sociais. Dentro do universo simbólico podem existir indivíduos que o concebam de maneira distinta, originando-se, assim, variações de interpretação. Quando estas variações de interpretação começam a serem partilhadas por um conjunto de indivíduos, emerge a objetivação de uma nova realidade que irá desafiar a realidade do universo simbólico constituído. Este conjunto de indivíduos torna-se uma ameaça tanto ao universo simbólico, quanto à ordem institucional legitimada pelo universo simbólico em questão. Tal cenário imputa ao universo simbólico a necessidade de reprimir esta ameaça. A legitimação desta repressão desencadeia a atuação de mecanismos conceituais que atuam de forma a preservar o status quo do universo frente ao desafio estabelecido. Segundo Berger e Luckmann (2008), estes mecanismos conceituais de defesa atuam como componentes de modificação e legitimação do universo simbólico vigente. O mecanismo conceitual de conservação do universo é um produto da atividade social e deve apresentar as melhores razões possíveis, a fim de afirmar a sua superioridade. Sociedades distintas podem estabelecer um confronto de seus universos simbólicos específicos. Neste confronto, cada sociedade possui o objetivo de estabelecer seu universo simbólico sobre o da adversária. Berger e Luckmann (2008) destacam que em paridade, ou proximidade de plausibilidade intrínseca, o êxito do universo simbólico está menos associado ao contexto teórico, e mais dependente do poder de seus legitimadores. Os autores destacam ainda, que as legitimações decorrentes de conservação do universo simbólico envolvem a integração teórica das legitimações de várias instituições que se rivalizaram neste processo. A mitologia, a teologia, a filosofia e a ciência são apresentadas como um ordenamento de mecanismos conceituais de conservação de universos simbólicos, por Berger e Luckmann (2008). Este trabalho não possui a proposta de realizar exame detalhado destes diferentes mecanismos conceituais de conservação de universo simbólico. Vale destacar que os referidos autores também se abstêm desta prerrogativa. No entanto, algumas observações sobre os mecanismos conceituais de conservação, utilizados pela ciência, são de interesse para este trabalho. A ciência moderna apresenta-se como um mecanismo extremamente desenvolvido de conservação do universo simbólico e, como tal, pertencente a uma minoria de especialistas. Tal cenário implica em um corpo de conhecimento que se afasta do conhecimento comum da sociedade, em parte caracterizado pelos aspectos sagrados pertencentes a outros mecanismos conceituais de conservação. No entanto, a sociedade reconhece o conhecimento como 62 legitimado, bem como os especialistas responsáveis pela manutenção do universo simbólico. “o membro ´leigo` da sociedade não sabe mais como tem de manter conceitualmente seu universo, embora, evidentemente, ainda saiba quem são aqueles que presume ser os especialistas da conservação do universo” (BERGER; LUCKMANN, 2008, p. 152). A terapêutica e a aniquilação, que se apresentam como duas aplicações do mecanismo conceitual de conservação do universo, merecem destaque. A terapêutica utiliza o mecanismo conceitual para evitar que os indivíduos pertencentes a um universo simbólico migrem para outro. A terapêutica atua nos desvios das definições que se originam no interior do universo simbólico, por meio de um corpo de conhecimento, cria um mecanismo conceitual para explicar esses desvios e mantém a realidade que está ameaçada. Esse corpo de conhecimento, composto de um aparelho de diagnóstico, uma teoria dissidente e um sistema conceitual, estabelece o aparelho legitimador que evita a dissidência do indivíduo. A interiorização deste corpo de conhecimento, desenvolvido pelo especialista, desempenhará um efeito terapêutico no componente dissidente. “A terapêutica eficaz estabelece uma simetria entre o mecanismo conceitual e sua apropriação subjetiva pela consciência do indivíduo” (BERGER; LUCKMANN, 2008, p. 155). A aniquilação utiliza o mecanismo conceitual para liquidar tudo que se situa fora do universo simbólico de uma sociedade. A aniquilação também é considerada como legitimação negativa. Em um indivíduo ou grupo estranhos a uma dada sociedade, não passiveis da terapêutica, a aniquilação atua de forma a negar todo e qualquer fenômeno ou interpretação de fenômeno destoante ao universo simbólico da sociedade em questão. A atribuição de um contexto ontológico inferior é o recurso empregado para neutralizar os destoantes do universo simbólico. Outro recurso utilizado pela aniquilação é a explicação das definições dissidentes, empregando conceitos contidos no universo simbólico da sociedade que está sendo desafiada. Portanto, as concepções dissidentes são transmutadas para a sutil posição de reforço do universo simbólico e não mais como desafiadoras. O entendimento do universo simbólico, construído e constantemente alterado por uma sociedade, envolve a compreensão do arranjo social dos definidores que fazem a sua definição e o da evolução dos conceitos que construíram esta realidade “do abstrato ´o que?` ao sociologicamente concreto ´Quem diz?`” (BERGER; LUCKMANN, 2008, p. 157). Assim, a divisão do trabalho de forma organizada possibilita a especialização de corpos de conhecimento. Os especialistas dos novos corpos de conhecimento que se estabelecem, atuam com a pretensão de se consolidarem de forma hegemônica no universo simbólico. A aspiração destes 63 especialistas é saber o significado último do que todo mundo sabe e faz, e não o todo. Para Berger e Luckmann (2008), deste estágio de desenvolvimento do conhecimento emerge a teoria pura e o fortalecimento das ações institucionalizadas que, por consequência, são legitimadas. Neste contexto, as ações que se tornaram rotineiras e institucionalizadas possuem uma restrita flexibilidade a alterações, com tendência a se perdurar ao longo do tempo, salvo venham a se tornar problemáticas para a sociedade. Assim, muitas ações são rotineiramente desempenhadas não pelo bom resultado obtido, mas sim por serem interpretadas como certas pela sociedade. Segundo Berger e Luckmann (2008), quanto mais abstrata é a institucionalização, menor é a probabilidade de se alterar em decorrência de exigências da realidade do dia a dia. No entanto, surge outro aspecto importante, quanto maior é a abstração de um símbolo, maior é o seu distanciamento da vida cotidiana, logo, a sua sustentação é mais dependente do suporte social do que do suporte empírico. Nas palavras dos autores, “as teorias são convincentes porque dão resultado, isto é, dão resultado no sentido de se tornarem conhecimento padrão e considerado certo na sociedade em questão” (BERGER; LUCKMANN, 2008, p. 161). Os especialistas que atuam em tempo integral na legitimação do universo estão sujeitos a conflitos com os profissionais que atuam na área. Segundo Berger e Luckmann (2008), os profissionais da área provavelmente se incomodam com a pretensão dos especialistas em conhecer, de forma mais ampla e plena - que eles próprios - a totalidade das atividades por eles desenvolvidas e que desempenham de forma corriqueira. Vale destacar que o conflito pode se estabelecer entre os próprios profissionais da área, no entanto, nesta situação a prova prática atua como componente para dirimir o conflito. Os conflitos que se estabelecem, sejam entre os especialistas ou destes para com os profissionais da área, dependem de uma base social e seu respectivo desenvolvimento. Assim, as rivalidades se desenvolvem no campo das sociedades e suas respectivas bases teóricas. O embate irá privilegiar a teoria que se apresentar com maior aplicabilidade aos interesses sociais do grupo que a hospedou, e não em função de suas qualidades intrínsecas. Conforme proposição de Berger e Luckmann (2008, p. 162), “Definições rivais da sociedade são decididas, assim, na esfera dos interesses sociais rivais, e essa rivalidade por sua vez ´se traduz` em termos teóricos”. O campo de competição, que incorpora tanto o contexto teórico quanto o prático entre os grupos de especialistas, apresenta grande variabilidade histórica. Contudo, Berger e Luckmann (2008), apresentam algumas características peculiares sem, no entanto, estabelecer 64 uma tipologia específica. A primeira característica consiste no monopólio efetivo das definições da realidade em uma sociedade. Nesta abordagem, uma única tradição simbólica mantém o universo em questão, estabelecendo, assim, uma estrutura única de poder aos seus especialistas. É possível a existência de outras tradições teóricas, no entanto, estas não possuem força suficiente para se consolidarem, ou então, são incorporadas pela tradição teórica dominante, que se diferencia e evolui da condição inicial. As situações monopolistas partem do pressuposto de uma estrutura social estável, e inibidora de mudanças. A associação de um monopólio particular de definição da realidade e de um interesse concreto de poder é denominada ideologia (BERGER; LUCKMANN, 2008). A possibilidade de obter vantagem de uma determinada definição da realidade estimula determinados grupos sociais a aderirem a uma ideologia. Uma importante característica da ideologia é sua capacidade de gerar solidariedade, que se constitui em um importante componente para obtenção de êxito dos grupos sociais que se defrontam com um conflito. Para Berger e Luckmann (2008), os elementos teóricos não são condicionantes exclusivos para a adoção de uma ideologia, esta pode ser adotada por circunstâncias casuais. Como exemplo os autores apontam, para a lacuna de entendimento, sobre a adoção do cristianismo na época de Constantino, estar mais associada aos interesses políticos da classe dominante ou aos elementos intrínsecos desta definição de realidade. Vale destacar, que pela natureza do tema, os autores apresentam este exemplo não como uma assertiva, mas como uma ilustração para o leitor sobre a possibilidade de adesão a uma ideologia por motivos distintos à sua definição de realidade. As ideologias apresentam um conjunto de elementos, dentre os quais pode haver partes desvinculadas aos interesses legitimados, no entanto, são admitidos pelo grupo face à condição de acolhimento estabelecida pela ideologia. Tal contexto pode levar os especialistas a discussões periféricas e que se abstraem do núcleo central de legitimação. As sociedades pluralistas, de forma antagônica ao monopólio, apresentam no núcleo, um universo comum compartilhado por todos, e na periferia, a coexistência de diferentes universos parciais em estado de acomodação pelos distintos grupos sociais. A tolerância e a cooperação estabelecem um estado subliminar para o conflito entre duas definições de realidade rivais. Vale destacar, que no esforço de legitimação, o pluralismo possibilita aos membros da sociedade a comparação entre corpos de conhecimento tradicionais e legitimados com novos corpos de conhecimento, estabelecendo-se, assim, um ambiente favorável à inovação. Nas palavras dos autores, “O pluralismo encoraja tanto o cepticismo quanto a 65 inovação, sendo assim eminentemente subversivo da realidade admitida como certa do status quo tradicional” (BERGER; LUCKMANN, 2008, p. 169). A sociedade pluralista comporta um tipo peculiar de especialista: o intelectual, que se estabelece como um perito de uma especialidade não desejada pela sociedade como um todo. Assim, o intelectual se configura como um elemento marginal da sociedade, cujo conhecimento se distância do conhecimento entendido como socialmente aceito “sua marginalidade social exprime a falta de integração teórica no universo da sociedade a que pertence” (BERGER; LUCKMANN, 2008, p. 169). O intelectual se acomoda em um vazio institucional, ou ainda objetivado em uma subsociedade de pares, que possui viabilidade de existência, mediante a tolerância dos aspectos organizacionais da sociedade mais ampla que se insere. O intelectual se acomoda em subsociedades, mediante a sua não aceitação em sociedades maiores, que o identificam como uma ameaça tanto à ordem institucional quanto ao universo simbólico. Berger e Luckmann (2008) apontam, em sua obra, a importância do indivíduo na legitimação das instituições e dos universos simbólicos, que devem ocorrer no contexto das sociedades e de seus respectivos interesses. As teorias emanam como fruto do processo de legitimação e pertencentes ao contexto histórico de uma sociedade. Em um contexto de retroalimentação, as teorias desenvolvidas tanto legitimam as instituições sociais existentes como também possuem potencial para confirmar as instituições sociais que as originaram, ratificando assim a sua legitimidade. Os especialistas que desenvolvem a legitimação podem se originar tanto da condição de justificadores dos fenômenos que ocorrem nas instituições sociais quanto de fenômenos que emergem em contraposição ao status quo. As transformações sociais se desenvolvem num contínuo processo de entendimento da realidade e de suas contradições compreendidas no curso do desenvolvimento histórico. Estas contradições se refletem em uma disputa em que a vencedora irá moldar o universo simbólico. Assim, o núcleo da proposta dos autores é que a sociedade se compõe de universos simbólicos que foram legitimados como produto da ação de indivíduos e de suas interações com o mundo real. Nas seções seguintes são apresentados conceitos e técnicas que posteriormente serão analisadas a luz da abordagem da sociologia do conhecimento proposta por Berger e Luckmann (2008) e expressas no final deste capítulo. 66 2.4 A INTERPRETAÇÃO DA SOCIALIZAÇÃO DO CONHECIMENTO PELA BIBLIOMETRIA E SUAS TÉCNICAS DERIVADAS A compreensão de um determinado ramo de conhecimento permite notabilizar para a sociedade como este campo de saber está se desenvolvendo e a sua concepção estrutural para auxiliar na solução dos problemas que se apresentam. A possibilidade de visualizar a produção científica estratificada constitui-se assim em um grande benefício para a sociedade. Vários autores apresentam a importância da perspectiva de se analisar a produção científica. Oliveira et al. (1992) propõem que a produtividade científica se constitua em um dos elementos da política nacional de ensino e pesquisa, face à aplicabilidade de se diagnosticar as reais potencialidades de instituições e de grupos de pesquisa. Para Spinak (1998), indicadores cienciométricos se constituem em um importante instrumento de verificação da contribuição para a Ciência e a Tecnologia e, por conseguinte, da inovação de uma determinada região. Da década de 1980 até a década de 2000, tanto no cenário internacional quanto no cenário nacional, se destacam trabalhos imbuídos em apresentar e em delimitar os termos que envolvem os métodos utilizados para dimensionar a produção científica. Este estudo salienta no contexto internacional, King (1987), Pao (1989), McGrath (1989) e Glanzel e Schoepflin (1993). No cenário nacional, Macias-Chapula (1998), Wormell (1998) e Vanti (2002). O universo de autores que abordam esta temática supera em muito a estes citados, no entanto, os mesmos constituem-se em uma amostra representativa. A convergência dos conceitos expostos se apresenta tanto no sentido quanto na perspectiva. Vale destacar que as áreas de Medicina, Marketing, Administração, Contabilidade, Ciência da Computação, entre outras, se destacam como prolíficas pesquisadoras e usuárias destes conceitos. Os termos bibliometria, cienciometria, informetria, e mais recentemente a webometria, apresentam conceitos que afluem para pontos em comum, no entanto, revelam diferenças de amplitude e de especificidade. Nesse sentido faz-se necessário apresentar sucintamente suas principais características. Pritchard (1969) é apontado como o proponente da expressão bibliometria em substituição ao termo “bibliografia estatística” apresentado inicialmente em 1922 por Edward Wyndham Hulme. Vale destacar que Hulme introduzia esta abordagem com base no estudo de Cole e Eales de 1917, que desenvolvia análise estatística de uma bibliografia de Anatomia Comparada (SENGUPTA, 1992). Pritchard (1969, p. 348) define a bibliometria como “a aplicação da matemática e métodos estatísticos para livros e outros meios de comunicação”. Para Macias-Chapula (1998, p. 134) “a bibliometria é o estudo dos aspectos quantitativos da 67 produção, disseminação e uso da informação registrada”. Para Wormell (1998, p. 210) “a bibliometria se refere a uma variedade de regularidades tomadas de diferentes campos, exibindo uma variedade de formas”. Estas definições posicionam a bibliometria como um estudo quantitativo que objetiva identificar características comuns entre os artigos. Características estas que podem ser o nome do autor, palavras comuns do título, palavraschave, entre outras. Assim, padrões de frequência de citação – fator de impacto das revistas – é uma derivação da bibliometria originalmente concebida. Para Pao (1989), o trabalho original de Pritchard se destaca por apontar a literatura como ingrediente chave no processo de comunicação do conhecimento. Assim, estudos que analisam estatisticamente características de publicações (autores, palavras-chave, etc.) buscam quantificar, descrever e prognosticar o processo de comunicação escrita. Os estudos de frequência da comunicação, escrita ao longo do tempo, identificaram modelos de comportamento que se estabeleceram em padrões de análise de dados. Estes padrões se instituíram em princípios de comportamento, a saber: Lei de Lotka, Lei de Brandford, Lei de Zipf, entre outros. Vale destacar que a utilização destas Leis se sujeita ao objetivo estabelecido no estudo, que por sua vez pode empregar um ou mais princípios. A Lei de Lotka (1926) ou Lei do Quadrado Inverso propõe que um número restrito de pesquisadores produz muito em determinada área de conhecimento, enquanto um grande volume de pesquisadores produz pouco. Lotka estudou os autores presentes no Chemical Abstracts, entre 1909 e 1916, e identificou que grande parte da produção científica é produzida por poucos autores. A produção deste número reduzido de autores se iguala em quantidade ao desempenho de muitos autores que possuem baixo volume de publicação. A representação deste princípio pode ser expressa matematicamente como o número de autores que publica n (n é igual à quantidade de artigos) artigos é igual a 1/n 2 dos autores que publicam somente um artigo. Exemplificando: em determinada área de conhecimento a quantidade de autores que publicam dois artigos é igual a ¼ do número de autores que publicam um artigo. Para os autores que publicam três artigos correspondem a 1/9 dos que produziram somente um artigo. Nesta concepção, a Lei estabelece que um campo seja mais produtivo, quanto mais artigos seus autores produzirem no decorrer da carreira. Como consequência da Lei de Lotka, aproximadamente 60% dos autores de um campo produz somente um artigo em toda a sua vida acadêmica (CHUNG; COX, 1990, ALVARADO, 2002). Vale destacar que Voos (1974) aponta que Price em sua obra “Little Science, Big Science” pondera que para as ciências em geral, o número de autores decresce ao inverso do cubo (1/n3), ou seja, possui um decréscimo mais acentuado que o proposto pela Lei de Lotka. 68 Para Rousseau e Rousseau (2000), a Lei de Lotka se configura como uma power law que estabelece uma escala exponencial inversa entre o número de artigos por autor. No campo de estudo em que foi realizada a pesquisa de Lotka, o padrão das publicações em Química e Física internacionais aderiu a uma power law de expoente 2. O valor obtido neste estudo foi adotado como referência para a avaliação da produtividade das áreas acadêmicas. Aquelas que apresentam um coeficiente superior a dois são menos produtivas do que o padrão internacional, ao passo que as áreas acadêmicas que apresentam valor menor que dois são mais produtivas. O presente estudo não desenvolverá aprofundamento da abordagem da Lei de Lotka, no entanto, a fórmula e as variáveis envolvidas neste processo podem ser observadas no estudo de Rossoni e Hocayen-da-Silva (2009) que apresenta o modelo genérico de Lotka. Como exemplo de estudos que utilizaram a Lei de Lotka expõe-se os seguintes artigos: Alvarado (2002) desenvolveu estudo para identificar a Lei de Lotka em artigos publicados em revistas e trabalhos apresentados em congressos nacionais, em dez diferentes campos da literatura. O estudo demonstrou que alguns campos de literatura não se ajustaram a Lei de Lotka. Alvarado (2002) apresenta também uma relevante revisão da Lei de Lotka. Condição esta, também observada no estudo de Bufrem e Prates (2005) voltado a investigar a literatura da Ciência da Informação. Moretti e Campanário (2009) desenvolveram estudo sobre o estado da arte das publicações brasileiras na área de Responsabilidade Social Empresarial (RSE), pesquisando a produção desta área nos anais do EnANPAD entre 1997 e 2007. O resultado do estudo mostra que dentro do escopo das obras citadas não se observa a aderência a Lei de Lotka. Rossoni e Hocayen-da-Silva (2009) realizaram estudo que resultou em um quadro geral da produção científica em administração da informação, com dados obtidos a partir dos artigos publicados nos anais do EnANPAD entre 2001 e 2006. O estudo demonstrou que o aumento de cooperação entre os pesquisadores na área não refletiu em maior produtividade, pois a área apresentou escore menor que o da Lei de Lotka. Em outro estudo, Alvarado (2009) identificou que o crescimento da literatura de 1922 a 2003 foi exponencial, com taxa média de crescimento de 7,5% ao ano e taxa de duplicação a cada 9,6 anos. O desempenho dos autores foi bastante similar, com taxa média de crescimento de 7,3% ao ano e taxa de duplicação a cada 10 anos. Como observado, nos estudos referenciados, há casos em que não se verificou a validade da Lei de Lotka. Nesse sentido, alguns autores apresentam críticas a este princípio. Rao (1986) crítica a Lei, argumentando que as bases de dados utilizadas na sua elaboração 69 foram pouco potentes e ainda que, na ocasião, não se aplicou estudos estatísticos para sua validação. Nesse contexto, se desenvolveram estudos a fim de aprimorar a Lei de Lotka. Dentre os estudos destaca-se o de Price (1976) que, por meio de pesquisas desenvolvidas entre 1965 e 1971, concluiu que 1/3 da literatura é produzida por menos de 1/10 dos autores mais produtivos. Price (1976) formulou ainda a Lei do elitismo - o número de membros da elite corresponde à raiz quadrada do número total de autores, e que a metade do total da produção é considerada o critério para se saber se a elite é produtiva ou não. A Lei de Bradford ou Lei da Dispersão, que incide sobre conjunto de periódicos, surgiu de pesquisas médicas conduzidas por Hill Bradford e outros médicos do conselho de pesquisas médicas americano. A proposição do estudo era a de identificar a extensão de publicação de artigos científicos de um assunto específico, em revistas especializadas daquele tema. Os dados coletados mostraram a existência de um pequeno núcleo de periódicos que aborda o assunto de maneira mais extensiva, e uma vasta região periférica dividida em zonas. Nestas zonas observa-se o aumento do número de periódicos que reduzem a produtividade de publicação de artigos do respectivo assunto. Assim, a Lei de Bradford possibilita estimar o grau de relevância de periódicos que atuam em áreas do conhecimento específicas. Periódicos com maior publicação de artigos sobre determinado assunto tendem a estabelecer um núcleo supostamente de qualidade superior e maior relevância nesta área do conhecimento. Segundo esse princípio, os artigos iniciais de um determinado assunto são submetidos a um número restrito de periódicos. A aceitação e publicação destes artigos incentivam outros autores deste assunto a encaminhar seus artigos para estes periódicos. Concomitante outros periódicos observam o crescimento do assunto e iniciam a publicação de artigos sobre a temática. Com o aumento de interesse sobre o assunto e seu respectivo desenvolvimento, torna-se possível o estabelecimento de um núcleo de periódicos mais produtivos nessa área. Neste contexto, constitui-se um conjunto de três zonas, cada qual com um terço do total dos artigos relevantes, estabelecendo-se assim três zonas. A primeira zona contém um pequeno número de periódicos altamente produtivos, a segunda contém um número maior de periódicos menos produtivos, enquanto a terceira inclui um volume ainda maior de periódicos com reduzida produtividade sobre o assunto. Este padrão de comportamento justificava a dificuldade de se processar a cobertura completa de um assunto. Devido ao grande número de periódicos em zonas mais externas, Bradford constatou que mais da metade do total dos artigos úteis de um assunto não constavam nos serviços de indexação e resumo. 70 A Lei de Bradford enuncia que a ordenação decrescente de produtividade de artigos de determinado assunto nos periódicos científicos possibilitara o estabelecimento de agrupamentos divididos de forma exponencial. O número de revistas em cada grupo será proporcional a 1: n: n2. Assim, através da medição da produtividade das revistas, é possível estabelecer o núcleo e as áreas de dispersão sobre determinado assunto em um mesmo conjunto de revistas. Vickery (apud Araujo, 2006) propõe que para determinados assuntos pode-se estabelecer um número de zonas maior que três, a fim de possibilitar melhor visualização da dispersão dos artigos pelos periódicos. Vale destacar que Araujo (2006) desenvolveu estudo apresentando a evolução da bibliometria, com detalhamento histórico de importantes contribuições para seus princípios. Tsay e Yang (2005) realizaram um estudo de revisão da teoria da Lei de Bradford e apontaram a sua importância dentro do contexto da medicina. Estes autores evidenciam a posição de Doll, Peto e Clarke (1999), que a bibliometria, por meio da Lei de Bradford, estabelece o conceito da chamada “medicina baseada em evidências”. Segundo os autores, este conceito tem se estabelecido como uma mudança de paradigma na abordagem da tomada de decisão clínica. Além da aplicação na área médica, Guedes e Borschiver (2005) apontam a utilidade da Lei de Bradford no processo de aquisição e descarte de periódicos, lastreado na gestão da informação e do conhecimento científico e tecnológico. Os autores evidenciam que o processo de investigação desenvolvido por pesquisadores também se beneficia deste princípio, pois pesquisando em uma pequena base de revistas especializadas sobre um tema é possível identificar uma quantidade significativa de artigos sobre o assunto de interesse. Fora deste núcleo de revistas especializadas, o pesquisador deverá consultar um volume muito maior de revistas para encontrar a mesma quantidade de artigos deste assunto. Como exemplo de estudos que utilizaram a Lei de Bradford expõe-se os seguintes artigos. Primeiro o estudo desenvolvido por Tsay e Yang (2005) apresenta um conjunto de gráficos e tabelas que representam bem a Lei de Bradford. Este estudo mostra uma dispersão da Lei de Bradford identificando 42 revistas como núcleo de publicação de estudos bibliográficos de medicina. Em seguida Singh, Ahmad e Nazim (2008) que desenvolveram estudo bibliométrico da produção científica da planta Embelia ribes e identificaram que a publicação em revistas obedece à distribuição da Lei de Bradford. O estudo aponta ainda que a maioria dos artigos envolveu a colaboração de dois ou três coautores, no entanto, o padrão identificado não se enquadra na Lei de Lotka, já relatada. 71 A Lei de Zipf ou Lei do Mínimo Esforço consiste em medir a frequência do aparecimento das palavras em vários textos, gerando uma lista ordenada de termos de uma determinada disciplina ou assunto. As pesquisas de Zipf identificaram que em um texto, suficientemente longo, a frequência de ocorrência de uma palavra possui vinculação em relação a sua posição em uma lista ordenada pela constância de ocorrência. Desta forma, a palavra mais frequente ocorrerá cerca de duas vezes mais que a segunda palavra mais frequente e três vezes mais do que a terceira palavra mais frequente. A elaboração da lista de ocorrência é fundamental para o desenvolvimento da análise, a posição que dada palavra assume nesta lista é nomeada de rank. Outra constatação decorrente dos estudos de Zipf é que o produto da ordem de série ou rank (r) de uma palavra, pela frequência de sua ocorrência (f) se aproxima de uma constante (c). A fórmula possui o seguinte enunciado: r x f = c, é identificada como a primeira Lei de Zipf. Vale destacar que, apesar da elegância e simplicidade, esta fórmula se aplica apenas para as palavras de alta ocorrência. (PAO, 1978). Emana desta concepção o princípio do menor esforço, que identifica uma economia do uso de palavras. O uso restrito de palavras limita a sua dispersão, assim uma mesma palavra será utilizada várias vezes no texto. Para Araújo (2006), as palavras mais utilizadas apontam o assunto tratado pelo documento, e que o emprego de uma alta diversidade de palavras pelo autor do documento inviabilizaria a aplicação desta Lei. As palavras com baixa frequência de ocorrência no texto são analisadas pela segunda Lei de Zipf, também conhecida como Lei de Zipf-Booth. O princípio da segunda Lei de Zipf observa que se distanciando das palavras com alta frequência de repetição surge uma zona de palavras com a mesma frequência de repetição. Pao (1978), recorrendo a hipóteses propostas por Goffman, infere que esta zona comporta palavras de maior conteúdo semântico (termos de indexação, descritores ou palavras-chave) de um dado texto. A pesquisa de Guedes e Borschiver (2005) apresenta as fórmulas que fundamentam as Leis de Zipf bem como aprofunda reflexões sobre o ponto de transição de Goffman, que concentra as palavras de alto conteúdo semântico. Como exemplo de estudos que utilizaram a Lei de Zipf destaca-se novamente o artigo desenvolvido por Tsay e Yang (2005) que além da Lei de Bradford desenvolve pesquisas utilizando a Lei de Zipf. Muitos dos estudos de bibliometria pautam-se assim na Lei de Lotka, na Lei de Bradford e na Lei de Zipf que podem ser utilizadas individualmente ou ainda combinadas. A Figura 8 representa a bibliometria e as suas principais Leis. 72 Bibliometria Lei de Bradford Lei de Lotka Lei de Zipf Periódicos Autores Palavras Figura 8 - As principais Leis da Bibliometria Fonte: adaptado de Guedes e Borschiver (2005) As Leis apresentadas, até o momento neste estudo, não são as únicas utilizadas nos estudos bibliométricos. Como este estudo não se propõe ao aprofundamento das Leis utilizadas na Bibliometria, o Quadro 4 apresenta as Leis da bibliometria (as discutidas até o momento e as que estão apenas sendo referenciadas) destacando o foco de atuação e principais aplicações. Adicionalmente, o Quadro 4 apresenta pesquisa desenvolvida no site http://www.springerlink.com/ - que possui importantes revistas da área - mostrando a quantidade de estudos referentes a cada um dos textos. Vale destacar que a pesquisa se desenvolveu utilizando os termos em inglês. A quantidade de estudos apontados nas respectivas Leis e princípios deve ser interpretada apenas como uma referência da utilização destas. Utilizou-se como motor de busca a SpringerLink, por utilizar como base de pesquisa importantes revistas da área com a Scientometrics, além de revistas de outras áreas que também desenvolveram estudos em bibliometria. Destarte, alguns estudos podem utilizar mais de uma Lei, sendo contabilizados assim em mais de uma vez. 73 Leis e Princípios Foco de estudo Principais aplicações Lei de Bradford Periódicos Lei de Lotka Autores Leis de Zipf Palavras Ponto de Transição (T) de Goffman Transition Point Goffman Colégios Invisíveis Invisible Colleges Fator de Imediatismo ou de Impacto Factor Immediacy or Factor Impact Palavras Indexação automática de artigos científicos e tecnológicos. 695 Citações Identificação da elite de pesquisadores, em dada área do conhecimento. 95(*3) Citações Estimar o grau de relevância de artigos, cientistas e periódicos científicos, em determinada área do conhecimento. 1.554 (*2 *3) Estimar o grau de relevância de periódicos, em dada área do conhecimento. Estimar o grau de relevância de autores, em dada área do conhecimento. Indexação automática de artigos científicos e tecnológicos. Quantidade de estudos localizados 30.891 2.744 3.469 2.972 (*1) Acoplamento Bibliográfico Bibliographic coupling Co-citação Co-citation Citações Estimar o grau de ligação de dois ou mais artigos. 577 Citações Estimar o grau de ligação de dois ou mais artigos. 767 Obsolescência da Literatura Obsolescence of Literature Vida-média Half-life Citações Estimar o declínio da literatura de determinada área do conhecimento. 1.587 Citações Estimar a vida-média de uma unidade da literatura de dada área do conhecimento. 44 (*3) Teoria Epidêmica de Goffman Epidemic Theory of Goffman Citações Estimar a razão de crescimento e declínio de determinada área do conhecimento. Lei do Elitismo Law of Elitism Citações Estimar a o tamanho da elite de determinada população de autores. 1.228 Frente de Pesquisa Front of Research Citações Identificação de um padrão de relação múltipla entre autores que se citam. 305 (*3) 149 Demanda Composição, ampliação e redução de acervos. 24 (*3) de informação Quadro 4 - Leis da Bibliometria. Fonte: Adaptado de Guedes e Borschiver (2005) e dados do site springerlink (2011) Notas: *1- valor encontrado para Fator de Imediatismo *2- valor encontrado para Fator de Impacto – este valor deve ser interpretado com resalvas, pois apesar de apontar os valores referentes a fator de impacto para revistas contempla também outros termos que envolvem a palavra Impacto. *3- Ao termo em pesquisa foi acrescida a palavra bibliométricos com o objetivo de selecionar apenas os estudos desta área. Lei dos 80/20 Law 80/20 O Quadro 4 mostra um predomínio de estudos utilizando a Lei de Bradford e, na sequência, as Leis de Zipf, Fator de imediatismo/impacto e Lei de Lotka. Esta constatação 74 aponta um maior interesse para pesquisas de periódicos em relação a palavras e autores respectivamente. A Cienciometria se inicia com a utilização de métodos quantitativos em estudos que abordavam a história da ciência e o progresso tecnológico (EGGHE apud SPINAK, 1996). Sob esse aspecto, as primeiras definições contextualizam a cienciometria como a mensuração do processo informativo. Vale destacar que o termo “informativo” para Spinak (1996) designa uma disciplina do conhecimento imbuída em compreender a estrutura e as propriedades da informação científica, bem como as Leis envolvidas no processo de comunicação. A publicação da revista Scientometrics em 1977 foi a responsável pela consolidação do termo cienciometria. A publicação da Scientometrics ocorre originalmente na Hungria, no entanto, atualmente a publicação da revista ocorre na Holanda (TAGUE-SUTCKIFFE, 1992) O interesse da área acadêmica na cienciometria está associado à venda da base de dados do Institut for Scientific Information – ISI, para diferentes instituições na década de 1980. O banco de dados do ISI se constituiu em importante ferramenta de apoio a elaboração de políticas científicas em face da possibilidade da quantificação do conhecimento. Como destaque histórico lembra-se que Eugene Garfield fundou o ISI na Filadélfia (EUA) apoiado no desenvolvimento de um sistema de indexação de literatura científica, que se baseava na análise de citações utilizadas dentro de um determinado trabalho. Segundo Wormell (1998), os objetivos iniciais de Garfield era melhorar o processo de recuperação da informação científica e estabelecer uma alternativa à análise de artigos científicos, até então baseada na linguística e na indexação. A insatisfação geral com os serviços de indexação e resumos organizados a partir das disciplinas tradicionais foi o fator motivador de Garfield. Vale destacar que, atualmente, o ISI se constitui em importante fonte de dados para pesquisas desta área (VANTI, 2002). Dentre as definições de cienciometria, este estudo apresenta a de Macias-Chapula (1998) que, por sua vez, está intimamente ligada à proposta de TagueSutckiffe (1992). Cienciometria é o estudo dos aspectos quantitativos da ciência enquanto uma disciplina ou atividade econômica. A cienciometria é um segmento da sociologia da ciência, sendo aplicada no desenvolvimento de políticas científicas. Envolve estudos quantitativos das atividades científicas, incluindo a publicação e, portanto, sobrepondo-se à bibliometria (MACIAS-CHAPULA, 1998, p. 134). 75 Sob esse aspecto, a cienciometria é um instrumento útil para projetar o crescimento de determinado ramo do conhecimento, por meio de indicadores quantitativos aplicados na análise de publicações. Van Raan (1997) aponta a cienciometria como ferramenta que visa o avanço do conhecimento, se utilizando de estudos quantitativos aplicáveis nas ciências e na tecnologia, tanto de forma individualizada quanto integrada. A cienciometria prolonga-se ainda na busca de inter-relação da ciência e tecnologia com as questões sociais e políticas. O autor afirma que os métodos utilizados se caracterizam por possuírem um caráter multidisciplinar que incorpora: a estatística, modelos sociológicos, pesquisas e métodos psicológicos de entrevista, informática, filosofia da ciência, linguística entre outros. A abordagem do autor afere à cienciometria a reputação de importante ferramenta de integração entre a ciência e a tecnologia. Com a finalidade de estabelecer pragmática diferenciação entre a bibliometria e a cienciometria, Spinak (1998) apresenta a seguinte abordagem. Tradução própria: A bibliometria estuda a organização dos setores científicos e tecnológicos a partir de fontes bibliográficas e patentes para identificar os atores, suas relações e suas tendências. A cienciometria por outro lado se encarrega de avaliar a produção científica mediante indicadores numéricos de publicações, patentes, etc. A bibliometria é o dimensionamento da literatura, dos documentos e de outros meios de comunicação, enquanto a cienciometria se relaciona com a produtividade e o valor científico (SPINAK, 1998, p. 143). Desta forma, enquanto a bibliometria se relaciona ao dimensionamento das fontes bibliográficas, a cienciometria se expande para além desta concepção, analisando o desenvolvimento e a política científica dentro de contexto econômico e social. No escopo de aplicações da cienciometria encontramos utilidades, tais como: i) determinar estratégicas tecnologias utilizadas por empresas concorrentes por meio das patentes registradas, ii) identificar as especialidades científicas úteis às tecnologias da organização, iii) detectar pesquisas acadêmicas com potencial de se transformarem em inovações para o mercado (CALLON et al., 1995). No âmbito acadêmico encontra-se aplicação para: a) identificar o desempenho científico de pesquisadores, b) fator de determinação da alocação de recursos financeiros em pesquisas, e c) estudo do desempenho comparativo de nações. (VANTI, 2002). O termo informetria é apresentado pela primeira vez em 1979 por Otto Nacke diretor do Institut für Informetrie, sediado em Bielferd na Alemanha. No entanto, a sua consolidação ocorreu em 1989 no Encontro Internacional de Bibliometria que passou a se chamar 76 Conferência Internacional de Bibliometria, Cienciometria e Informetria (BROOKES, 1990; TAGUE-SUTCKIFFE, 1992; VANTI, 2002). A informetria se apresenta com maior amplitude de alcance que a bibliometria e a cienciometria, pois enquanto estas se limitam às pesquisas científicas, a informetria abarca dados de outras fontes e grupos sociais além dos científicos. Abaixo temos a definição de Tague-Sutckiffe (1992) glosada por Macias-Chapula (1998). Informetria é o estudo dos aspectos quantitativos da informação em qualquer formato, e não apenas registros catalográficos ou bibliografias, referente a qualquer grupo social, e não apenas aos cientistas. A informetria pode incorporar, utilizar e ampliar os muitos estudos de avaliação da informação que estão fora dos limites tanto da bibliometria como da cienciometria (MACIAS-CHAPULA, 1998, p.135). O universo de objetos de análise e atores alvos dos estudos de informetria é o que a distância dos estudos bibliométricos e cienciométricos. A informetria não se serve apenas da informação registrada, pois incorpora também os processos de comunicação informal, incluindo a fala. Outra característica de distinção é incorporar as necessidades de informação de grupos sociais distintos aos dos cientistas e pesquisadores (TAGUE-SUTCKIFFE, 1992). Os indicadores informétricos, por sua vez, apresentam novas possibilidades para aqueles que desejam explorar as bases de dados como um instrumento de análise. Esta condição decorre da possibilidade de aplicar os indicadores informétricos na avaliação do desempenho de pesquisas via recuperação da informação e levantamento dos resultados das buscas e a sua combinação com outras informações. Destarte, tem-se a melhora da própria recuperação dos dados, a eficiência no acesso à informação e ainda a economia de tempo no processo de busca. O entendimento das propriedades quantitativas da informação contidas nos sistemas da distribuição dos termos, usados nas buscas e da frequência de ocorrência dos termos em uma base de dados, possibilita estabelecer correlações probabilísticas entre frequência de uso e de ocorrência de termos que permitam melhorar, sensivelmente, o desempenho do sistema de recuperação. Assim, o sistema tem a possibilidade de seguir o modelo de recuperação de informação se melhor adaptado às necessidades do usuário. Com o advento de criação da World Wide Web (ou simplesmente Web ou também apresentada como www pode ser traduzida como Rede de Alcance Mundial) e as respectivas vantagens originadas, tais como: utilização por uma grande quantidade de usuários, aplicável a qualquer segmento da sociedade, conteúdo variado que incorpora textos, vídeos, sons e figuras, se estabeleceu uma nova fonte de dados para o desenvolvimento de pesquisas. 77 Para Cronin e McKim (1996), a Web se apresenta como um importante meio de comunicação e pesquisa para a academia, que por sua vez amplia os estudos quantitativos neste ambiente. Segundo Almind e Ingwersen (1997) esta nova fonte de possibilidades de pesquisas informétricas se insere em um contexto no qual emana uma nova área de pesquisa a webometria ou webometrics. Assim, os autores posicionam a webometria como a aplicação de métodos informétricos à Web. O termo webometria também pode ser identificado na literatura como cybermetrics, em uma referência direta a revista que se especializou na publicação deste campo de pesquisa. A cybermetrics, que é acessível apenas no formato eletrônico (http://www.cindoc.csic.es/cybermetrics), se propõe a ofertar informações científicas referente a métricas de fluxo de informação na Web (SMITH, 1999). Dentre as possibilidades de aplicação de estudos webométricos Almind e Ingrwersen (1997) apontam, como exemplo, a frequência de distribuição das páginas no cyberespaço que possibilita comparar a presença de vários países na rede. Esta métrica envolve o dimensionamento de páginas pessoais, comerciais e institucionais. Os autores apontam uma variada gama de possibilidades de pesquisas pela webometria, tais como: a) domínios como ´.edu` e ´.com`, entre outros, que se configuram como espaços que favorecem pesquisas para medir o peso de determinado setor na Web, seja publico ou privado; b) classificações de home pages pessoais, institucionais ou organizacionais; c) classificação home pages ad hoc ou sobre uma matéria definida ; d) classificação de páginas de apontamento de documentos ou de índices – que disponibilizam hyperlinks; e) página recurso que disponibiliza dados na forma de texto, e/ou som, e/ou imagem. Os estudos podem ser tanto de perfil transversal quanto longitudinal, neste caso com a finalidade de identificar a evolução do objeto de estudo. A webometria por ter a sua base de dados obtidas a partir de informações da internet, e não de suportes eletrônicos ou impressos comuns dos estudos da cienciometria se apresenta como um processo mais amplo de pesquisa. Vale destacar como exemplo: os estudos em que o pesquisador utiliza artigos de revistas eletrônicas obtidas pela internet são caracterizados como cienciométricos, no entanto, os estudos quantificando determinado assunto nos portais de pesquisa e/ou a posição de determinado assunto na Web são caracterizados como webométricos. No entanto, Smith (1999) indica haver uma aproximação no emprego das técnicas destes processos de pesquisa, pois o processo de investigação de links, desenvolvido pela webometria se apresenta de forma análoga a uma pesquisa na base de dados de citação do ISI, desenvolvido no contexto da cienciometria. 78 Os motores de busca se caracterizam como instrumento de pesquisa da webometria fundamentalmente pela capacidade de trabalhar com grandes volumes de dados. Nesse sentido vale destacar o Google, o Google Acadêmico, o Alta Vista, o Yahoo, o Hotbot, entre outros. A qualidade em destaque dos motores de busca é a possibilidade de contabilizar o total de páginas em um espaço – o termo espaço está ligado ao domínio de um país ou assunto/instituição de interesse (SMITH, 1999). Vale destacar que a ausência de protocolos específicos que disciplinem: a inclusão, a exclusão, a recuperação da informação e aspectos sociais e culturais, que limitam ou favoreçam a disponibilização de um determinado tema na web, se estabelecem como uma limitação deste tipo de pesquisa. Os estudos de webometria apresentam limitações que devem ser consideradas tanto no momento de planejamento da pesquisa quanto na etapa de divulgação dos dados obtidos. Destaca-se como fatores que contribuem de forma restritiva às pesquisas baseadas na webometria: a possibilidade de descontinuidade de operação de sites, e a alteração de conteúdo dos mesmos, fatores estes que se configuram como uma fragilidade do Web Impact Factor – WIF (Fator de Impacto da Webometria). Ingwersen (1998) aponta que estas variáveis podem comprometer o valor do WIF ao longo do tempo, bem como inviabilizar o desenvolvimento de estudos retrospectivos. Bar-Ilan (1999) salienta que a Web é suscetível a muita variação, com o constante aparecimento e extinção de documentos, páginas e sites, que não são incorporados de imediato pelos motores de busca. Este atraso dificulta o processo de análise e de indexação destas páginas na Web. Os fatores restritivos ao desenvolvimento da pesquisa webométrica apresentados, bem como a não possibilidade de quantificar a sua extensão, lançam sobre este tipo de estudo restrições de confiabilidade que devem ser apresentados e destacados pelos pesquisadores que a desenvolvem. Com a finalidade de estabelecer um sucinto comparativo o Quadro 5 apresenta as características e respectivas distinções entre a bibliometria, cienciometria, informetria e webometria. 79 Tipologia Bibliometria Cienciometria Informetria Webometria Objeto de Estudo Livros, documentos, revistas, artigos, autores, usuários. Disciplinas, assunto, áreas e campos científicos e tecnológicos. Patentes, dissertações e teses. Palavras, documentos, bases de dados. Sítios na WWW (URL, título, tipo, domínio, tamanho e links), motores de busca. Variáveis Número de empréstimos (circulação) e de citações, frequência de extensão de frases etc. Fatores que diferenciam as subdisciplinas. Revistas, autores, documentos. Como os cientistas se comunicam. Difere da cienciometria no propósito das variáveis; por exemplo, medir a recuperação, a relevância, a renovação etc. Número de páginas por sítio, n° de links por sítio, n° de links que remetem a um mesmo sítio, n° de sítios recuperados. Métodos Ranking, frequência e, distribuição. Análise de conjunto e de correspondência, concorrência de termos, expressões, palavras-chave, etc.. Modelo vetor-espaço modelos booleanos de recuperação, modelos probabilísticos; linguagem de processamento, abordagens baseadas no conhecimento, tesauros. Fator de Impacto da Web (FIW), densidade dos links, situações, estratégias de busca. Objetivos Alocar recursos: tempo, dinheiro etc. Identificar domínios de interesse. Os assuntos estão concentrados. Compreender como e quanto os cientistas se comunicam. Melhorar a eficiência da recuperação da informação, identificar estruturas e relações dentro dos diversos sistemas de informação. Avaliar o sucesso de determinados sítios, detectar a presença de países, instituições e pesquisadores na rede dos motores de busca na recuperação das informações. Quadro 5 – Tipologia para definição e classificação da bibliometria, cienciometria, informetria e webometria. Fonte: adaptado de McGrath (apud Macias-Chapula, 1998 e Vanti (2002). Complementando o empenho de diferenciar as respectivas técnicas de pesquisa adicionada da intenção de mostrar as inter-relações, a Figura 9 mostra a visualização gráfica sobre esta temática. 80 A – Bibliometria B – Cienciometria C – Informetria D - Webometria Figura 9 - Diagrama da inter-relação entre as quatro técnicas. Fonte: Vanti (2002, p. 161). O uso de técnicas bibliométricas, inicialmente concebido para atuar no ambiente restrito da biblioteconomia, se expandiu para um novo contexto. Atualmente, a sua aplicação pode ser encontrada em várias áreas do conhecimento, com propostas diferentes às originais. As técnicas bibliométricas permitem realizar o mapeamento da informação de interesse do pesquisador facilitando a atividade a ser empreendida por este. Como virtude possibilita ainda avaliar a produtividade e a qualidade da pesquisa dos cientistas, mediante ao dimensionamento do volume de publicações e citações. No setor de negócios se introduz a possibilidade de mapear o avanço tecnológico dos concorrentes e da academia, influindo diretamente no planejamento e nas ações a serem desenvolvidas. As técnicas de bibliometria, cienciometria, informetria e webometria possuem diferenças de escopo de atuação e de concepção de coleta de dados, no entanto, a base de todas se fundamenta nos princípios apresentados na bibliometria. No outro extremo a informetria se posiciona como um “guarda-chuva” para a bibliometria e a cienciometria. Assim, o responsável pela condução da pesquisa deve discernir qual das técnicas a se utilizar, mediante ao universo de possibilidades disponíveis, cada uma com sua aplicabilidade. 81 2.5 O CONHECIMENTO NO CONTEXTO DA REDE SOCIAL As redes sociais se apresentam como um tema atual na área de sociologia, e cujo objetivo principal se manifesta no desafio de compreender a complexidade da vida social. As redes sociais se propõem a responder a questionamentos da sociedade civil, possibilitando a promoção de políticas de inserção e participação social. No entanto, a utilização de estudos baseados em redes sociais também se ajusta às demandas dos negócios, da tecnologia, das pesquisas, além de outras acepções intelectuais. O emprego inicial de técnicas de rede social está associado ao psicólogo Jacob L. Moreno que em 1934, publicou trabalhos que estudavam como se conectavam as pessoas que pertenciam a um grupo, identificando a eventual posição de centralidade de um dos membros em relação aos demais. Estes estudos já ofereciam formas gráficas destinadas à compreensão da estrutura grupal, também conhecidas como sociogramas. Outros pesquisadores empregaram, de forma embrionária, a perspectiva de redes - principalmente no contexto das interações das crianças no ambiente escolar, no entanto os estudos de Moreno se destacam pela abordagem e apresentação dos resultados posicionando-os assim como referência (FREEMAN, 1996; HANNESMAN, 2008). Segundo Scott (2000), o atual conhecimento de Análise de Redes Sociais (ARS) possui três correntes contributivas: a teoria da Gestalt, a Escola de Harvard e a Escola de Manchester, conforme mostra a Figura 10. 82 Escola Antropológica Teoria da Gestalt Sociometria (Moreno) Dinâmica de Grupo Escola de Harvard (Warner, Mayo) Escola de Manchester (Gluckman) Teoria Matricial (Homans) Barnes, Bott, Nadel Teoria dos Grafos Mitchell Estruturalistas de Harvard Análise de Redes Sociais Figura 10 - Origem da Análise de Redes Sociais Fonte: adaptado de Scott (2000, p. 8) A primeira corrente de ARS, da qual Moreno é um representante, volta-se para as análises sociométricas em pequenos grupos. Esta corrente originou muitas técnicas, como a teoria dos grafos – parte da matemática que utiliza representações gráficas na solução de problemas complexos. A ascendência desta corrente está associada à emigração de um grupo de alemães para os Estados Unidos na década de 1930. Sob a influência da teoria da “Gestalt”, este grupo desenvolveu pesquisas com psicologia cognitiva e social em fábricas e comunidades, enfatizando a estrutura de grupos. A teoria de “Gestalt”, de forma bastante simplista, pode ser apresentada pelo conceito que o todo é mais do que simplesmente o somatório das partes. Os estudos desenvolvidos por pesquisadores de Harward, também na década de 1930, que investigavam os padrões das relações interpessoais e a formação de subgrupos (cliques), compõem a segunda corrente contributiva da ARS. Scott (2000) aponta as pesquisas de Warner e Mayo desenvolvidas em unidades fabris e comunidades, como proeminentes desta escola. O estudo realizado por Mayo na fábrica “Hawthorne” é um exemplo de pesquisa em que grupos de indivíduos estão integrados por meio de relações informais, mesmo em ambientes de relações formais como as empresas. Ainda, segundo Scott (2000), os trabalhos desenvolvidos por Homans, centrados no conceito que as atividades humanas induzem as 83 pessoas à interação, que variam segundo a: frequência, duração e direção, estabelecem a base de sustentação dos sentimentos desenvolvidos pelas pessoas. Também está associada à Homans a utilização de matrizes, ao invés dos grafos, para representar as relações dos grupos sociais. Este recurso foi muito útil no início dos estudos sociométricos na década de 1940, período em que não se dispunha dos atuais recursos da informática, e ainda como alternativa para os pesquisadores que apresentam dificuldades em trabalhar com grafos. A terceira corrente está associada aos antropólogos de Manchester, que edificaram uma abordagem apoiada nas duas correntes anteriores. Apesar da influência dos conceitos anteriores esta abordagem enfatiza a análise dos conflitos e contradições, ao invés da integração e coesão, característicos das outras proposições. Esta abordagem foi empregada tanto no estudo de sociedades tribais africanas, como em momento posterior em pequenas cidades rurais da Inglaterra. O objeto rede social vem ao encontro de uma demanda pragmática da teoria social, principalmente no que tange às metodologias de intervenção social. Neste sentido, Martins (2004) desenvolve reflexões da obra de autores da área de sociologia contextualizadas às redes sociais. Alguns pontos destacados por Martins (2004) são de importância para o escopo deste estudo. Em particular, as considerações de Emile Durkheim que também influenciam parte da abordagem de Berger e Luckmann (2008), referencial teórico desta pesquisa. Vale destacar que o estudo desenvolvido por Martins (2004) inclui ainda considerações sobre Marcel Mauss e Norbert Elias que complementam a proposição de Durkheim. O cerne da teoria da rede social consiste no exame da compatibilidade entre a liberdade individual e a imposição do contexto coletivo sobre o indivíduo. Para Martins (2004) as relações sociais influenciam a conduta de um indivíduo, no entanto, apesar desta força coerciva, este possui o arbítrio de realizar as escolhas que reflitam seu interesse pessoal. Neste contexto, extremos tais como: obrigação ou liberdade, interesse ou desinteresse, objetividade ou subjetividade, entre outros, não se apresentam como elementos contraditórios, mas como expressões polares de uma realidade social complexa. As dualidades apresentadas são interpretadas como uma realidade social, que se insere em um universo em constante alteração e que apresenta momentos da vida social que oscilam de homogêneos a caóticos. Tal dinamismo da vida social impacta na teoria das redes sociais e nas metodologias utilizadas em suas pesquisas. Segundo Martins (2004), as pesquisas estáticas que mostram as ações individuais e coletivas devem conviver com as incertezas estatísticas resultantes da ambivalência e da descontinuidade peculiares a vida social e que escapam da aleatoriedade. 84 Nesse contexto, as análises desenvolvidas pelas redes sociais não devem se restringir ao exame dos extremos, mas a toda realidade da vida social. Os estudos sociais se defrontam com a necessidade de entendimento de contrastes marcantes. Bauman (1995) aponta que a desordem social não se configura como uma adversidade a ser sobrepujada em benefício da afirmação da “ordem social”. A coexistência de diferentes ordens sociais e culturais deve ser acatada pelo todo, apesar das dificuldades implícitas nesta convivência de desiguais. Nesse sentido, Melucci (1994) destaca que os atuais movimentos sociais não se apoiam nos atores, mas sim nas redes constituídas de pequenos grupos que compartilham experiências e inovações culturais. Para Martins (2004), a abordagem de Durkheim que contempla o todo sem contestar o valor do individual se estabelece como um importante contraponto à dualidade clássica do indivíduo versus a sociedade. Na abordagem de Durkheim (1999), a totalidade se estabelece como elemento nuclear da sociedade, no entanto o todo é interpretado como a composição de partes distintas. Segundo Martins (2004), o fundador da sociologia francesa não renega o papel do indivíduo na sociedade no estabelecimento de um saber sociológico. Assim, a abordagem de Durkheim (1999) se caracteriza por ser persuasiva e conter a virtude de explicar os fundamentos teóricos das redes sociais, retratando as preocupações com a questão do indivíduo e da existência de um objeto próprio à sociologia. A proposição do ´fato social` como norma coletiva e coerciva sobre o indivíduo não suprime a ´consciência individual` na qual cada um, a seu modo próprio, interpreta e se comporta na sociedade. Este contexto se insere na distinção da sociologia para com a psicologia. A abordagem de Durkheim (1999) possui o mérito de distinguir a existência de uma classe de fenômeno denominada sociais, dos fenômenos denominados psicológicos, estabelecendo assim a necessidade de uma separação teórica e metodológica nos estudos destes fenômenos. O desenvolvimento deste estudo posiciona a contribuição de Durkheim como relevante para a compreensão complexa das redes sociais, haja vista que integra a ideia de totalidade e de que o todo, por sua vez, é proeminente em relação às partes. A composição de redes é caracterizada pela formação de grupos, evidenciando assim a necessidade de delimitar esta abordagem. Para Wagner III e Hollenbeck (1999, p. 210) grupo é “um conjunto de duas ou mais pessoas que interagem entre si de tal forma que cada um influência e é influenciado pelas outras”. Bowditch e Buono (2004) avançam no entendimento apontando que o grupo consiste de duas ou mais pessoas que interagem de forma psicologicamente conscientes, umas das outras, na busca de uma meta comum, não se restringindo a um simples ajuntamento de pessoas. Robbins (2005) delineia o grupo como a 85 junção de dois ou mais indivíduos interdependentes e interativos unidos por um objetivo comum. Para este autor os grupos podem ser formais – definidos e regidos pela estrutura de uma organização, ou informais – originados por alianças derivadas de contato social sem vínculo com a estrutura formal das organizações. Ainda, segundo este autor, os grupos informais podem se divididos em grupos de interesse – nos quais os componentes possuem interesses comuns – e grupos de amizade – onde as pessoas compartilham algumas características. Para efeito deste estudo as definições acima apresentadas se configuram como adequadas a concepção da Análise de Redes Sociais. Vale destacar a importância da existência de interação entre os atores das redes apontada nas três definições acima, assim, o indivíduo pode ser considerado pertencente a uma rede se ele interagir com os demais membros dessa rede. Os estudos sociais com destaque para os grupos, que se estabelecem em redes de relacionamento são possíveis por meio da técnica de Análise Sociométrica ou Análise de Redes Sociais – ARS. Cross, Parker e Borgatti (2000) apontam que esta técnica destina-se a compreender como se desenvolve o processo de troca de informação que ocorre no interior da rede e possibilita identificar e visualizar a tipologia do arranjo em rede, e em certo grau dimensionar as interações que nelas ocorrem. Estes autores consideram a ARS um importante instrumento no estudo de relacionamentos que favorecem o compartilhamento da informação e do conhecimento, além de reconhecer indicadores de padrões de relacionamentos que aprimoram a cooperação. Para Meneses e Sarriera (2005), em uma abordagem generalista, o foco de estudo das redes sociais não é o comportamento nem o estado de uma pessoa, família, grupo, organização comunidade ou sociedade. O objeto de estudo na ARS são as interações e as inter-relações dos nós da rede, bem como os vínculos estabelecidos entre estes. Molina e Aguilar (2004) apontam que as redes sociais expressam o mundo em constante alteração e que, por consequência, de difícil entendimento. Os autores destacam ainda que há infinitas possibilidades de composição de redes sociais, que no entanto possuem em comum um conjunto de pessoas (ou organizações ou outras entidades sociais) em seu núcleo. Este agrupamento está conectado por relacionamentos sociais, motivados pela amizade e/ou por relações de trabalho e/ou compartilhamento de informações, passíveis de observar por meio das ligações estabelecidas, que continuamente moldam a estrutura social. Segundo Marteleto (2001), a ARS se constitui em um novo paradigma na pesquisa sobre a estrutura social. Esta técnica destina-se a estudar como os comportamentos ou as opiniões dos indivíduos dependem das estruturas nas quais eles se inserem, identificando as 86 relações dos indivíduos por meio das interações existentes. A estrutura da rede é abarcada por relacionamentos, limitações, escolhas, orientações, comportamentos e opiniões que influenciam o indivíduo. Nesse contexto de análise os atributos individuais, tais como: classe social, idade, gênero, entre outros, não são considerados. Para Meneghelli (2009), a teoria da ARS é um conjunto de métodos de estudo dos grupos sociais, que utiliza os recursos da matemática de medir as relações, laços e interações sociais, como componentes da estrutura social. Há vários aspectos na ARS que possibilitam diferentes níveis de entendimento sobre os atores em análise. Na sequência apresentam-se alguns conceitos basais para o desenvolvimento de estudos em rede. Vale destacar que muitos dos termos foram empregados no texto e, em alguns casos, como objeto de discussão sob a perspectiva de vários autores. No entanto, para efeito metodológico, as definições a seguir se caracterizam como um componente voltado a agilizar o entendimento do leitor na seção de análise dos dados. Vale destacar que vários autores apresentam explanações com diferentes abordagens sobre a ARS. No processo de elaboração deste estudo, observou-se a proposição dos seguintes autores: Freeman (1980), Wasserman; Faust (1994), Pao (1989), Scott (2000), Moody (2004), Tomaél e Marteleto (2006), Balancieri (2010). O Quadro 6 apresenta de forma sucinta conceitos utilizados na ARS. Item Ator Nós Relação Laço Relacional Díade Tríade Grupo Conceito É entidade social que possui ligações em rede, se caracterizando como indivíduos, grupos, organizações, países e outros (WASSERMAN; FAUST, 1994). Correspondem a cada autor que colabora em pelo menos um dos itens de uma rede. Os nós podem ser pessoas, organizações, organismos, entre outros. (WASSERMAN; FAUST, 1994). Coleção de laços entre membros de um grupo. As relações podem ser de diferentes tipos, tais como: a amizade entre duas crianças em uma escola, a atividade de profissionais dentro de organizações, as exportações entre dois países, entre outras. Um mesmo conjunto de atores pode ser objeto de análise de diferentes tipos de relações: como exemplo em uma empresa, podem-se confrontar as relações funcionais como as relações de amizade entre os trabalhadores (WASSERMAN; FAUST, 1994). É a ligação estabelecida entre um par de atores que estão ligados entre si. Há diversos tipos de laços, tais como: transferência de recursos entre empresas, a escolha de um amigo, o envio de um e-mail, uma relação formal, entre outros (WASSERMAN; FAUST, 1994). Um laço entre atores possui duas características: o conteúdo que indica o tipo de relação, que pode incluir informação e fluxo de recursos, conselho ou amizade; e a forma que indica a intensidade da relação. É uma ligação ou um relacionamento entre dois atores. É uma propriedade relacionada a um par de atores, não pertencendo isoladamente a cada ator. Uma grande quantidade de ARS se preocupa com o relacionamento em si, trata assim a díade como unidade de análise (WASSERMAN; FAUST, 1994). É um conjunto de três atores e os possíveis laços entre eles. A análise das tríades se destaca por revelar o peso e o valor entre as relações dos integrantes (WASSERMAN; FAUST, 1994). É a coleção de todos os atores da rede social que possuem laços mensuráveis. Configura-se assim como o conjunto de todos os atores definidos por critérios conceituais, teóricos ou empíricos. Os estudos de ARS podem analisar um ou mais grupos (WASSERMAN; FAUST, 1994). (continua na página seguinte) 87 Centralida de Rede Social Rede twomode Estrutura da Rede Social Dinâmica do Relaciona mento entre os Pesquisad ores Coesão Estrutural Identifica os atores "mais importantes" em uma rede social. Quanto mais central é um ator em uma rede maior é a sua importância. Assim, a centralidade pode ser vista como uma propriedade dos atores de uma rede (WASSERMAN; FAUST, 1994, SCOTT, 2000). Existem diferentes medidas de centralidade, variando entre o local e o global. Um ator é localmente central quando apresenta um grande número de conexões com outros atores. No contexto global, um ator é central se possuir uma posição significantemente estratégica na rede como um todo (SCOTT, 2000). A centralidade dos atores em uma rede é comumente apresentada de forma individual ou combinando as seguintes dimensões: centralidade de grau – degree; centralidade de proximidade closeness; centralidade de intermediação – betweennes; e centralidade de informação – information. (WASSERMAN; FAUST, 1994, SCOTT, 2000, TOMAÉL; MARTELETO, 2006). - Centralidade de grau (degree) é a resultante do número de laços que um ator possui com outros atores em uma rede (WASSERMAN; FAUST, 1994). O grau de centralidade de um ator é obtido pela divisão do número de laços existentes pelo número de laços possíveis na rede. Exemplo: em uma rede com dez atores (tamanho da rede) cada ator pode ter, no máximo, nove laços. A centralidade de grau considera os relacionamentos adjacentes, assim esta medida revela somente a centralidade local dos atores (SCOTT, 2000). - Centralidade de proximidade (closeness) é baseada na proximidade ou distância de um ator em relação aos outros atores em uma rede. Ela é obtida por meio da soma das distâncias geodésicas de um ator em relação a todos os outros atores (WASSERMAN; FAUST, 1994, SCOTT, 2000). Esta centralidade é indicada para revelar a centralidade global dos atores (SCOTT, 2000). - Centralidade de intermediação (betweenness) é a interação entre atores não adjacentes, é dependente de outros atores, que podem ter algum controle sobre essas interações. Um ator é considerado intermediário se ele liga vários outros atores que não se conectam diretamente. (WASSERMAN; FAUST, 1994, SCOTT, 2000). A centralidade de intermediação aborda o controle que os atores intermediários possuem sobre aqueles atores que dependem localmente desse intermediário (FREEMAN, 1980). - Centralidade da informação (information) - é baseada no conceito de informação, e se compõe de uma combinação que analisa todos os caminhos existentes entre os atores. Para cada percurso analisado considera-se a informação contida no caminho correspondente (GÓMES et al., 2003, TOMAÉL; MARTELETO, 2006). É o conjunto finito de atores e suas respectivas relações (WASSERMAN; FAUST, 1994). A rede social é composta por um conjunto de relações entre atores. Matriz Bipartide ou rede two-mode – é utilizada nos casos em que há mais de um conjunto de atores. Nesta configuração cada conjunto de ator se posiciona em um dos eixos da matriz de relacionamento (WASSERMAN; FAUST, 1994). A natureza dos dois grupos de atores até pode ser o mesmo, no entanto os papéis desempenhados são distintos. Constitui-se no relacionamento entre entidades sociais, suas características e implicações para os que participam desses relacionamentos (WASSERMAN; FAUST, 1994). A operacionalização desta parte da pesquisa se desenvolveu a partir da análise dos elementos estruturais da rede (tamanho, densidade e componentes) e das posições dos pesquisadores na rede (centralidade e coesão). Esta dinâmica está relacionada ao desenvolvimento de redes de relacionamento em um dado espaço de tempo representadas sob a forma de mudanças na estrutura de relações (WASSERMAN; FAUST, 1994, MOODY, 2004). Neste trabalho, será operacionalizada com base na avaliação longitudinal - 4 triênios de análise do CAPES - dos indicadores estruturais (tamanho, densidade e componentes) e posicionais dos pesquisadores na rede (centralidade e coesão). A coesão indica o grau de concentração de atores por meio de relações em uma rede social. A coesão é obtida por meio de algum tipo de medida de agrupamento que define a natureza e o diâmetro dos grupos (MOODY; WHITE, 2003). Small O small worlds se apresenta como uma configuração de rede, na qual o nível de agrupamento Worlds local entre os atores é alto, mas a distância média entre os atores é pequena (WATTS; (mundos STROGATZ, 1998). Assim, para avaliar a presença dessa configuração nos resultados desta pequenos) pesquisa, se avaliará se a densidade global da rede é baixa, se a distância média entre os atores não é grande e, finalmente, se o coeficiente de agrupamento é alto. Quadro 6 - Conceitos utilizados na Análise de Redes Sociais (ARS). Fonte: Elaborado pelo próprio autor. 88 Os conceitos apresentados representam uma fração do total de possibilidades de variáveis passíveis de obtenção nos estudos de ARS, no entanto expressam o ponto nuclear das pesquisas nesta área e com potencial de utilização nesta pesquisa. A incorporação do conceito de small worlds se insere no contexto em que a ARS possui limitações no dimensionamento do aumento da coesão e do grau de abertura de grupos para novos laços. Segundo Watts (1999), as análises se restringiam aos arranjos locais. Esta barreira foi superada mediante ao desenvolvimento de medidas de avaliação de small worlds por Watts e Strogatz (1998). Estes autores se fundamentam na perspectiva que os autores estão agrupados localmente (coeficiente de agrupamento) e, ao mesmo tempo, necessitam de poucos contatos para ligar-se a qualquer um dos membros pertencentes a outras redes (distância média). Assim, o conceito de small worlds propõe que um indivíduo pode acessar a outro indivíduo qualquer a partir de seus relacionamentos. Milgram (1967) sugeriu que com apenas seis “passos” seria possível alcançar qualquer cidadão americano dentro dos Estados Unidos. A abordagem desenvolvida propõe que apesar do número limitado de relacionamentos que cada indivíduo possui - de origem: familiar, afetiva ou profissional - estes podem possibilitar por meio de seus contatos o acesso a uma gama maior de outros indivíduos. Para Granovetter (1973) os grupos sociais possuem abertura de relacionamentos, o que possibilita um aumento exponencial de possibilidades de contatos, conformando o acesso à informação, ao conhecimento e a influência. Dessa forma acessando indiretamente os contatos cultivados pelo seu círculo de relacionamento, e assim sucessivamente, é possível alcançar qualquer indivíduo. Emana desta possibilidade de alcançar a qualquer indivíduo, se apoiado na rede de relacionamento de pouco intermediários, a expressão small worlds (LAZZARINI, 2007). Para Wasserman e Faust (1994) quando se desenvolve ARS busca-se identificar grupos de atores coesos com laços de relacionamento que se caracterizam pela força, intensidade e frequência. Segundo Scott (2000) esta busca se justifica, em função destes grupos desenvolverem normas, valores, orientações e subculturas próprios. Rossoni e Guarido-Filho (2009) acrescentam que a coesão do grupo estabelece a base para um vigoroso desenvolvimento da solidariedade, da identidade e da conduta coletiva entre os atores dentro do grupo no comparativo com os indivíduos externos a este arranjo. No entanto, os atores da rede também podem pertencer a outros grupos e, por consequência, estabelecer a comunicação entre estes. No conceito de small worlds esta situação expressa o caminho de acesso de indivíduos de um grupo para com outros, que se denomina no estudo de redes como 89 laço fraco, caracterizando-se também como componente de conexão entre os grupos, conforme proposição de Granovetter (1973) ou ainda como buraco estrutural conforme proposição de Burt (1992). Nesse caso, Marteleto (2001) aponta que um indivíduo pode estabelecer ligações fracas nas redes em que participa, no entanto sua posição pode se destacar no papel de intermediador de informações. Segundo Uzzi e Spiro (2005), na perspectiva do small worlds o processo de desenvolvimento científico se assenta em grupos de pesquisa que atuam com interfaces de relacionamento, e não de forma entrópica. Para estes autores em small worlds, coexistem ligações com outras áreas provendo informação não redundante, com um nível de coesão necessário para que as atividades se tornem familiares entre os membros. O conceito de small worlds estabelece assim um contíguo teórico para a ARS. Para Watts e Strogatz (1998), quando surge um forte agrupamento de atores em uma rede bem disseminada, em concomitância de relações destes atores junto a atores externos, por meio de um pequeno número de intermediários observamos a ocorrência do conceito de small worlds. Segundo Rossoni e Hocayen-da-Silva (2008), enquanto nas redes aleatórias a distância entre os nós aumenta na medida em que aumenta o tamanho da rede, no small worlds a distância entre os nós apresenta pouca variação, apesar do aumento da rede. Esta afirmação ratifica a proposição inicial de Watts e Strogatz (1998) na qual ponderam que no small worlds o crescimento de nós não é acompanhado pelo aumento da distância média entre eles. Giddens (1989) destaca que na dinâmica de small worlds os atores isolados tem a possibilidade de reproduzir a estrutura comum minimizando a possibilidade de rupturas abruptas no arranjo social, possibilitando que estruturas institucionais mais amplas atuem no nível local. O “mapa de orientação conceitual” constitui-se de uma proposta desenvolvida por Marcon e Moinet (2000) com a finalidade de facilitar a compreensão da diversidade de tipologias de redes. Apesar da perspectiva organizacional dos autores, o modelo se apresenta com um contorno adequado para a compreensão da diversidade de composição das redes de relacionamento. A Figura 11 desenvolvida por Balestrin propõe a divisão da estrutura das redes em quatro quadrantes. 90 HIERARQUIA (rede vertical) CONTRATO (rede formal) CONIVÊNCIA (rede informal) COOPERAÇÃO (rede horizontal) Figura 11 - Mapa de orientação conceitual: modo de gerenciamento e formação de elos. Fonte: Balestrin (2005, p. 28). O posicionamento dos atores e seus elos de relacionamento, em um dos quadrantes do “mapa de orientação conceitual”, explicitam a natureza e a estrutura da rede social. Cada um dos quadrantes do “mapa de orientação conceitual” caracteriza um tipo particular de rede social que varia das informais de um grupo de amigos às interorganizacionais baseadas em acordos jurídicos. O “mapa de orientação conceitual” pode ser utilizado para análise de redes nos mais variados modelos de agrupamentos sociais. No campo da pesquisa, a proposição do “mapa de orientação conceitual” pode ser modelado com as seguintes características. Redes verticais: na dimensão da hierarquia, as pesquisas são desenvolvidas em uma estrutura hierárquica, como por exemplo, nas empresas com produtos de alta tecnologia, diferentes unidades desenvolvem conhecimentos específicos que, posteriormente associados, resultam no produto final. Redes Horizontais: na dimensão da cooperação, os centros de pesquisa ou pesquisadores mantém a individualidade na condução das pesquisas, no entanto, compartilham conhecimento no propósito de superar as limitações existentes. Redes formais: na dimensão da formalidade, a relação entre os atores (centros de pesquisa ou pesquisadores) está pautada em contratos com regras de conduta. Como exemplo, cita-se as pesquisas encomendadas por empresas junto aos pesquisadores, em que elas fornecem os recursos necessários para o desenvolvimento da pesquisa, mediante a regras que os pesquisadores devem satisfazer requisitos, tais como: confidencialidade e prazo de execução. Redes informais: na dimensão da conivência, os pesquisadores atuam de forma informal, e o apoio mútuo destina-se ao desenvolvimento do conhecimento (MARCON; MOINET, 2000). 91 Como os estudos de Marcon e Moinet (2000) são voltados para a estrutura organizacional, a exemplificação de seu trabalho está voltada para este universo de estudos. Nesse sentido, os autores apresentam as seguintes características para os quadrantes do “mapa de orientação conceitual: Redes verticais: dimensão da hierarquia. Nesta concepção, as redes se caracterizam por possuirem uma clara estrutura hierárquica. Como exemplo, os autores citam as distribuidoras de alimentos e bancos que possuem estruturas divididas em Matriz, regionais, filiais com o objetivo de se aproximar dos clientes. Redes Horizontais: dimensão da cooperação. As redes de cooperação entre empresas se caracterizam pela manutenção da indivudualidade de cada uma das organizações participantes em composição com um objetivo comum na qual compartilham determinadas ações. Como exemplo, cita-se os consórcios de compras e as associações de profissionais. Redes formais: dimensão contratual. Para Knorringa e Meyer-Stamer (1999) nesta concepção as redes são formalizadas por contratos que estabelecem regras de conduta entre os atores, tais como: consórcios de exportação e franquias. Neste modelo as redes são fortemente formalizadas. Redes informais: dimensão da conivência. Um objetivo comum aglutina um conjunto de atores que se unem de forma informal, ou seja, sem a necessidade de contratos regimentais. Nesta concepção, os atores são livres para entrar e sair das redes. O “mapa de orientação conceitual” possibilita uma infinidade de estruturas para as redes, nas quais as variáveis hierarquia-cooperação e formalidade-informalidade estabeleceram as relações e o grau de solenidade entre os atores das redes. Vale destacar que a base de relacionamento dos atores pode variar de um esteio informal entre os atores (como exemplo: relações de amizade, afinidade, parentesco) a relações formalmente estabelecidas e mediadas por contratos (como exemplo: contratos jurídicos entre empresas, instituições, centros de pesquisa, ou ainda, contratos de trabalho de funcionários com seus respectivos empregadores). Rossoni e Guarido-Filho (2009) em estudo de redes de coautoria entre pesquisadores nos programas de pós-graduação no Brasil ponderam que a perspectiva de que a prática da ciência está imersa em um conjunto de relações que não se restringem ao contexto imediato do pesquisador expandindo-se a interesses mais abrangentes. Esta perspectiva se apoia na condicionante de que a atividade científica se desenvolve como ação coletiva e não como resultante de esforço isolado de um indivíduo, na qual a coesão e a proximidade entre pesquisadores se revelam como recursos para a construção do conhecimento. Apesar de os autores se fundamentarem em Barabasi (2005) e Lee e Bozeman (2005), a premissa desta proposição se apoia na perspectiva apresentada por Durkheim. Esta concepção se acentua 92 quando destacam a afirmação de Moody (2004) que cientistas pertencentes a uma rede de cooperação exercem mútua influência por meio do compartilhamento de perspectivas e métodos de pesquisa. O estudo de Rossoni e Guarido-Filho (2009) se baseia na possibilidade de configurações do tipo small worlds (mundos pequenos) e respectivas ligações preferenciais e associações entre produtividade e centralidade dos programas de pós-graduação. Beaver e Rosen (1978) apontam que estudos colaborativos abarcando pesquisadores de diferentes países é um fenômeno identificado no século XIX, mostrando assim a longevidade de esforços colaborativos em pesquisas científicas. Destaca-se que a colaboração científica possui a faculdade de ser uma ação cooperativa que apreende metas, planejamento e coordenação para a obtenção de resultados ou produtos – em muitos casos expressos em trabalhos científicos – em que o mérito é compartilhado entre os participantes. Neste cenário, a colaboração científica se constitui em base contributiva para a maximização do potencial da produção científica. (WEISZ; ROCO, 1996). No comparativo dos estudos desenvolvidos em redes científicas em relação aos empreendidos de forma isolada, Weisz e Roco (1996) observam uma ampliação de repertório de abordagens e ferramentas utilizadas e o incremento criativo dos pesquisadores em decorrência da troca de informações que se processa no interior da rede. As pesquisas em redes passaram por estágios evolutivos. Balancieri (2004) realizou um retrospectivo dos principais pontos observados a partir da década de 1960 e que estão expressos na Figura 12. 93 Década de 1960 - Inicio dos estudos; - Início das formas colaborativas; - Identificação dos "Colégios invisíveis”; - Maioria das publicações em coautorias; - Co-autoria entre orientador e orientado; - Teoria de "Mundos pequenos"; - "Seis graus de separação”. Década de 1970 - Áreas do conhecimento estabelecidas, quais, e por que; - Comparação entre as áreas de conhecimento; - Identificação dos pesquisadores, instituições e países emergentes; - Os “Colégios Invisíveis" possuem alta produtividade; - Fortalecimento da co-autoria. Década de 1980 - Questionamento quanto à definição de colaboração; - Diferenças na forma de qualificar os colaboradores; - Influência de artigos com maior número de co-autores; - Contagem de coautorias com média mais exata; - Fatores determinantes para a colaboração científica. Década de 1990 - Colaborações internacionais versus colaborações nacionais; - Fase pré Web as colaborações decrescem com a distância geográfica; - Comparação dos trabalhos teóricos com os experimentais; - Visão dos diferentes níveis de colaboração; - Junção de várias áreas para entendimento das relações das redes. Figura 12 - Cronologia de redes de colaboração científica. Fonte: Adaptado de Balancieri (2004). A Figura 12 possibilita a visualização de importantes componentes no estudo das redes científicas, bem como o momento em que se iniciaram os estudos de determinadas características destas configurações. Os eventos de importância para este estudo estão apresentados junto às respectivas seções teóricas, não demandando neste instante a necessidade de maior aprofundamento destes elementos. Vale destacar que Balancieri et al. (2005) desenvolvem estudo teórico em que apontam os principais autores envolvidos nestes eventos. A ARS se caracteriza como um campo de pesquisa em expansão em diversas áreas do saber. No tocante as pesquisas empreendidas, vale destacar Newman (2001b) que desenvolveu um dos primeiros estudos abordando a estrutura de relações entre pesquisadores no campo científico. Estes estudos iniciais estavam voltados ao campo das ciências físicas e naturais, (BARABASI et al., 2002; NEWMAN, 2001b; 2004), e se observa a incorporação desta metodologia em outras áreas das ciências, tais como: na sociologia (MOODY, 2004), na pesquisa digital (LIU et al., 2005), e nos estudos organizacionais e de estratégia (ROSSONI; MACHADO-DA-SILVA, 2007). Os resultados observados nestes estudos convergem para o entendimento da tendência de conexão direta ou indireta dos atores de determinado campo 94 científico. Barabasi et al. (2002) atentam para a característica de escolhas preferenciais pelos cientistas, no qual os autores com maior número de colaboradores tendem a atrair cada vez mais colaboradores. Rossoni e Hocayen-da-Silva (2008) destacam que outro ponto de convergência destes estudos foi identificar uma estrutura de relacionamento com uma configuração de small worlds nas diferentes disciplinas abordadas. A seção seguinte retoma a abordagem de Berguer e Luckmann (2008) que se posiciona como um “fio condutor” das inter-relações com as demais teorias abordadas neste capítulo. 2.6 A SOCIOLOGIA DO CONHECIMENTO COMO BASE TEÓRICA PARA AS PESQUISAS BIBLIOMÉTRICAS E DE ANÁLISES DE REDES SOCIAIS - ARS. A sociologia do conhecimento é definida por Camic (2001) como o somatório de proposições teóricas e estudos empíricos que tratam do relacionamento de processos e produtos da cognição humana em associação com os fatores socioculturais. Adicionalmente, o autor aponta que a sociologia do conhecimento possui a atribuição de tratar as origens e transformações de uma ampla gama de produtos e processos intelectuais. Como exemplo destas formas de manifestações, destacam-se as ideias, as ideologias, as ciências, as teorias, as visões de mundo, as doutrinas políticas ou religiosas, as crenças morais, as filosóficas e éticas, as normas sociais, as práticas do conhecimento cotidiano, os discursos, entre outras. A abordagem de Berger e Luckmann (2008) para a sociologia do conhecimento se insere em um quadro teórico estabelecido com importantes colaborações. A obra de Scheler e Manheim está associada à sociologia tradicional do conhecimento, segundo Swidler e Arditi (1994). Para estes autores, a abordagem de Scheler e Manheim apresenta a fragilidade de não tratar como a posição social do indivíduo e dos grupos moldam o conhecimento. Segundo estes autores, o enfoque desta abordagem residia nos sistemas formais de ideia, em particular para as políticas de intelectuais e visões de mundo. Merton (1970) é um autor que aparece com destaque nos estudos da área da sociologia do conhecimento. O autor critica a obra de Berger e Luckmann (2008) por estes terem negligenciado a análise focada na relação entre os tipos de conhecimento e as bases socioculturais. Como o foco de atenção deste estudo é a utilização da abordagem de Berger e Luckmann (2008) nas pesquisas de bibliometria e de análise de redes sociais, tal exame decorrerá das ponderações desenvolvidas no estudo da obra dos autores e ainda adicionada da colaboração dos demais autores da área. Merton (1970) desenvolve esta análise tratando os 95 tópicos como esferas de produções mentais e bases existenciais. Segundo Camic (2001), o trabalho desenvolvido por Merton resultou em um corpo próprio de conhecimento originando a sociologia da ciência. Nesses termos, pode-se interpretar a sociologia da ciência como um importante subcampo da sociologia do conhecimento (KURZMAN,1994). Para Guarido-Filho (2008), a abordagem de Merton apoia-se na institucionalização de dimensões normativas, responsáveis por delinear a conduta do cientista. A obra de Merton (1970) é relevante nos estudos da sociologia do conhecimento, assim quando apropriado e oportuno, este estudo apresenta pontos desta abordagem. Nesse sentido vale destacar a proposição de ethos científico, que define valores e normas consideradas obrigatórias para o homem de ciência. Tal proposição justapõe as normas de ciência e o sistema de recompensas que norteiam o comportamento dos cientistas. No arcabouço de pesquisadores da sociologia do conhecimento identifica-se ainda Knorr-Cetina (obra: The manufacture of Knnowledge de 1981) que, em artigos de 1977 a 1981, apresentou uma abordagem que se aproxima da teoria construtivista. O cerne destas pesquisas foi, a partir de experiências realizadas em laboratórios científicos, conhecer a gênese do conhecimento científico, apoiando-se para tanto no processo de produção envolvido nesta dinâmica (HOCHMAN, 1994). Ainda, segundo Hochman (1994), a pesquisa desenvolvida por Knorr-Cetina aponta para a viabilidade de a atividade científica ser interpretada como uma progressiva aplicação daquilo que funciona mediante a utilização do que foi adequado no passado e interpretado como plausível de funcionamento. Na concepção da autora, a observação direta das práticas científicas laboratoriais possibilita aproximar da condição real àquilo que se passa dentro de um laboratório, sem a perda de detalhes cotidianos que normalmente ocorrem nas publicações formais. Segundo Rodrigues (2005), uma proposição diferenciada da obra de Knorr-Cetina (1981) consiste no aspecto que o papel fundamental da produção científica não reside na teoria ou no método científico, mas sim no contexto em que se desenvolve o trabalho científico. Tal posição decorre do entendimento de que os produtos gerados em laboratório são elaborados de maneira instrumental admitindo contingência e circunstâncias intrínsecas, e não resultantes de aspectos factuais do rigor científico. Em seus estudos, Moura (2009) apresenta dois pontos que merecem destaque. O primeiro está ligado ao dinamismo da área de sociologia do conhecimento, para tanto recorre a Rodrigues-Júnior (2002) que apresenta uma denominação mais ampla e integradora do estudo da sociologia do conhecimento e da sociologia da ciência – a Sociologia do Conhecimento Científico. Segundo Rodrigues-Júnior (2002), esta área se destina a estudar 96 tanto os aspectos estruturais que abarcam as diversas influências dos fatores sociais e cognitivos no domínio das organizações científicas, quanto às questões concernentes à origem e à legitimação do conhecimento científico. O segundo aspecto relaciona-se à crítica de que os estudos da sociologia da ciência não possibilitam identificar os efeitos sociais da ciência, apesar da sua importância na identificação, descrição e medição da própria ciência. Moura (2009) apoia tal afirmação nos estudos de Bem-David (1975) que ressalta o grande volume e a alta difusão dos efeitos sociais da ciência tornam inviáveis as tentativas de analisá-los de forma individualizada. A ação da ciência sobre as instituições sociais é tão profunda e duradoura, que a distinção do que é resultante da sua atuação é praticamente impossível. Segundo Bem-David (1975), tal cenário imputou aos sociólogos o esforço de solucionar o que era exequível, se distanciando do que aparentava ser impossível de ser solucionado. As reflexões de Moura (2009) estabelecem oportunidades e desafios a serem superados nos estudos do conhecimento e da ciência. No contexto do contínuo desenvolvimento da área, que inclui a alteração de sua denominação, a atualização de interpretações e foco de atenção, se estabelece a oportunidade de estudar os autores seminais permitindo o seu emprego quando aplicável. Como etapa subsequente à contextualização de Berger e Luckmann (2008), que ocorreu na seção 2.3, e que incorpora a sociologia do conhecimento, esta seção se propõe a delinear esta abordagem como base teórica dos estudos que incorporam a bibliometria, a cienciometria e a análise de redes sociais. O Quadro 7 apresenta os conceitos dos principais itens da abordagem dos referidos autores estabelecendo-se assim como um elemento de apoio para a interpretação do texto desta seção. Item Conceito Objetividade As ações repetidas que se tornam um hábito e estabelecem um protocolo de tipificação possibilitando o compartilhamento por mais de um indivíduo, possibilitam a constituição de uma tipificação recíproca. Em uma situação social duradoura estas ações tornam-se instituições históricas possibilitando o surgimento ou o aperfeiçoamento de uma qualidade, até então incipiente, entre os atores que desencadearam a tipificação recíproca de uma conduta. Esta qualidade é a objetividade. Na condição de mundo objetivo, as formações sociais são passíveis de transmissão a um novo agrupamento ou geração. Tanto o conhecimento quanto a sua transmissão decorrem dos significados objetivados na atividade institucional. Objetivação A exteriorização da produção, pelo homem, é uma atividade que adquiri o caráter de objetividade é entendida como um processo denominado de objetivação. Assim, a relação entre o homem, o produtor e o mundo social estabelece uma ligação de reciprocidade das partes, no qual a exteriorização e a objetivação são componentes de um contínuo processo de discussão, contraposição e contradição de ideias que caminham para o estabelecimento de um consenso socialmente aceito. (continua na página seguinte) 97 Linguagem No contexto da sociedade, a sedimentação é social na medida em que se pode repetir a objetivação das experiências compartilhadas por meio da linguagem que assume o status de base e instrumento do acervo coletivo do conhecimento. A linguagem é que possibilita a objetivação de novas experiências, que se consubstanciam ao estoque de conhecimento existente. Sob esse aspecto, a linguagem permite as sedimentações coletivas de forma coerente, sem a necessidade de reconstrução do processo original. A linguagem é elemento de elaboração e de disseminação nos processos de legitimação. Para Berger e Berger (1977, p. 193), “a linguagem é uma instituição”. Instituição A formação do hábito pelo ser humano possibilita o estabelecimento de sua institucionalização. Para tanto é necessário que os indivíduos envolvidos compartilhem o caráter típico das ações. Um conjunto de atores exercendo ações típicas e de rotina caracterizam uma tipificação que, por sua vez, estabelece uma instituição. A compreensão de uma instituição envolve o entendimento do processo histórico que a originou e o padrão de conduta determinante nas “instituições sociais”. Este padrão de conduta estabelece o perfil controlador inerente à institucionalização que, juntamente com os mecanismos de sanção, constituem o sistema de controle social. A transmissão do padrão ao longo do tempo, de geração para geração, estabelece a constituição das instituições. Assim as instituições se configuram como um conjunto articulado de ideias, normas, valores e sentimentos, socialmente estabelecidos que orientam as ações em campos específicos da conduta humana. Berger e Berger (1977, p. 193) definem “a instituição como um padrão de controle, ou seja, uma programação da conduta individual imposta pela sociedade”. Institucionalização A repetição de uma mesma atividade tende a estabelecer um padrão de ação que pode ser apreendido e reproduzido por outros. Esta repetição possibilita a formação do hábito que fornece direção e especialização para o homem realizar suas atividades, de forma a não necessitar definir as ações envolvidas nos eventos rotineiros. A formação do hábito se torna um prérequisito do processo de institucionalização de um único indivíduo ou um grupo social. Papéis A atuação de atores junto ao acervo objetivado de conhecimentos, comum a uma rede social, se desenvolve por meio dos papéis que exercem. Os papéis protagonizados pelos indivíduos estabelecem uma tipologia. Condição esta, necessária para a institucionalização da conduta, pois as instituições apropriam-se da experiência do indivíduo, por meio dos papéis que desempenham. Para Berger e Luckmann (2008), os papéis exercem ainda a importante função social de integrar as diversas instituições em um mundo dotado de sentido assumindo assim a condição de aparelho legitimador da sociedade. Legitimação A Legitimação é a transmissão do mundo institucional de uma geração para outra. Nesse contexto, o padrão de controle estabelecido por uma geração é incorporado pela geração seguinte, frente à possibilidade de explicação e justificação. Para Berger e Luckmann (2008, p.28) a “legitimação é este processo de explicação e justificação”. A necessidade de legitimação origina-se quando as objetivações de ordem institucional necessitam ser transmitidas de uma geração para outra. Um aspecto importante da legitimação é que ela não se restringe à transmissão de valores, pois ao justificar uma ordem institucional, ela envolve também a transmissão do conhecimento. Em muitos casos a legitimação se processa por meio de totalidades simbólicas, não passiveis de experimentação na vida cotidiana. As teorias emanam como fruto do processo de legitimação e pertencentes ao contexto histórico de uma sociedade. As novas gerações apreendem esta legitimação concomitante ao processo que a socializa na ordem institucional. A importância do indivíduo (e seu respectivo papel) na legitimação das instituições e dos universos simbólicos ocorre no contexto das sociedades e de seus respectivos interesses. (continua na página seguinte) 98 Ordem institucional As ações de um indivíduo e de outros que compõem um conjunto social de forma tipificada possibilitam originar uma ordem institucional. Observa-se entre os envolvidos: finalidade específica, fases de desempenho entrelaçadas, ações específicas tipificadas e formas de ação tipificadas. Tal configuração faz com que qualquer ator desta rede social repita determinada ação tipificada, desde que haja um sentido objetivo da mesma. Dentro de uma ordem institucional, uma determinada ação, bem como o seu sentido, pode ser apreendida por qualquer indivíduo pertencente à sua base social. A execução de uma ação decorre de ações objetivas, conhecidas e passiveis de repetição por qualquer ator desta rede social. A sociedade disponibiliza o acervo completo de conhecimento, porém a extensão e a atualização deste são particulares a cada indivíduo. O indivíduo tem à sua disposição o sentido objetivo da ordem institucional, admitido como natural e certo, entretanto ele pode apresentar dificuldades de interiorização dos significados. A dificuldade se origina na consciência reflexiva de cada indivíduo, condicionada a sua lógica e experiência de institucionalização. Assim é possível entender e aceitar a coexistência de processos institucionais distintos sem a integração total pela sociedade. O conjunto de teorias legitimadoras existentes se estabelece como integrantes deste mundo, no qual o universo simbólico inclui a ordem institucional. Universo simbólico A concepção do universo simbólico emana como a matriz de todos os significados, socialmente objetivados e subjetivamente reais. O indivíduo identifica a sua existência como pertencente a este universo, pois todas as situações da sua vida cotidiana são abarcadas pelo universo simbólico. O conjunto de teorias legitimadoras existentes se estabelece como integrantes deste mundo, no qual o universo inclui a ordem institucional. A consolidação dos universos simbólicos demanda os processos de objetivação, de sedimentação e de acumulação do conhecimento, caracterizando-se assim como um produto social que têm uma história. O universo simbólico se origina da objetivação social dos processos de reflexão subjetiva, logo, dentro da perspectiva cognoscitiva, o universo simbólico é teórico. É no universo simbólico que deve ocorrer à legitimação da ordem institucional, na medida em que esta estabeleça um todo dotado de sentido. Os universos simbólicos realizam a legitimação da biografia individual e da ordem institucional de forma semelhante, se apoiado em um processo organizado e ordenado. O universo simbólico disponibiliza a hierarquia de realidades, que subsidiaram a apreensão subjetiva de um novo conhecimento pelo indivíduo. Dentro do universo simbólico podem existir indivíduos que o concebam de maneira distinta, originando-se, assim, variações de interpretação. Quando estas variações de interpretação começam a serem partilhadas por um conjunto de indivíduos, emerge a objetivação de uma nova realidade que irá desafiar a realidade do universo simbólico constituído. Reificação A reificação ocorre quando a sociedade não se distingue mais como fonte de criação de determinado conhecimento, atribui a sua origem a algo especial, portanto não passível de alterações. Quadro 7 - Conceitos dos principais itens da abordagem de Berger e Luckmann e Berger e Berger Fonte: elaborado pelo autor com base na abordagem de Berger e Luckmann (2008). Berger e Luckmann (2008) propõem o universo simbólico como domínio de sentidos que incorpora as experiências humanas de forma a possibilitar a entender o significado do mundo real. O universo simbólico se estabelece como a totalidade de todos os significados socialmente objetivados e subjetivamente reais. O universo simbólico possui a qualidade de possibilitar ao indivíduo o entendimento de todos os fatos que ocorrem na sua vida cotidiana. Apesar de o universo simbólico possibilitar a cada indivíduo o entendimento da sua realidade, ele é construído socialmente e está atrelado à história que envolve a edificação deste grupo social. Nesta acepção cada sociedade possui o seu universo simbólico. O universo simbólico é um todo formado por partes denominadas ordem institucional, cada qual com seu conjunto de sentidos e destinada a dar significado a um campo da vida 99 humana. Nesse contexto, a ordem institucional se estabelece como elemento de construção do universo simbólico e, por conseguinte, demanda deste a necessidade de institucionalização e de legitimação. Tal interpretação estabelece a ordem institucional como o elemento de análise para entendimento do universo simbólico. Para o desenvolvimento deste estudo, vale ressalvar que Berger e Luckmann (2008) estabelecem dois planos de ordem institucional: primeira ordem e segunda ordem. No primeiro plano (primeira ordem) encontram-se as objetivações decorrentes das ações desempenhadas de forma corriqueira e que não demandam do indivíduo a necessidade de verificar a sua razoabilidade para ser incorporada, pois as interpreta como evidentes. No entanto, nas do segundo plano (segunda ordem), as objetivações precisam se apresentar factíveis e razoáveis para serem incorporadas pelo indivíduo. Este estudo tem como objeto de atenção as objetivações de segunda ordem que necessitam de um corpo teórico que embase a ordem institucional. A abordagem de ordem institucional de Berger e Luckmann (2008) se aproxima da proposição de campo apresentada por Bourdieu (1995). Para este autor, o campo é um segmento relativamente autônomo do arranjo social maior, tal como o campo econômico e o campo religioso, entre outros. No entanto, cada campo social - condição que incorpora o campo científico - possui regras e padrões próprios de conduta, desencadeando assim relações peculiares de força e de luta de interesses. Nesse sentido, Bourdieu (1991) considera o campo um sistema objetivo de relações regido por nexos de poder pautados pela distribuição de capital político e científico, em grande parte, decorrente de disputas precedentes. Nesses termos, observa-se à aproximação destas proposições com a abordagem de Berger e Luckmann (2008) que posiciona a ordem institucional como um processo histórico da sociedade vinculado aos processos de institucionalização e legitimação, que por sua vez podem estar associados a disputas de supremacia. Bourdieu (1991) propõe que a disputa política, que se desenvolve sobre a propriedade científica, incorpora ainda a questão epistemológica do significado e da natureza das descobertas científicas. Tal acepção configura o campo científico como uma arena de disputas, na qual os cientistas pleiteiam o monopólio da autoridade e da competência científica. Para Santos Júnior (2000) os consumidores/clientes do campo são os próprios pares/concorrentes do produtor do conhecimento. Nesse contexto, temos a configuração da importância do arranjo social que estrutura e sustenta o campo científico e a dependência deste para com os demais campos científicos. A proposta de Berger e Luckmann (2008) para a ordem institucional apresenta similaridades a este significado. Para os autores, a legitimação de uma ordem institucional se insere em uma conjuntura de conflitos e competições cujos 100 autores pleiteiam a prevalência de suas proposições. A abordagem de Berger e Luckmann (2008) estabelece uma perspectiva indissociável entre o arranjo social e o indivíduo, pois posiciona que sociedades distintas podem estabelecer confrontos de seus universos, de tal forma que a sociedade vencedora impõe seu universo sobre a sociedade adversária, inserindo assim as disputas na esfera das sociedades. No entanto, os autores também afirmam que os papéis desempenhados pelos atores representam a própria ordem institucional. Assim, apesar das disputas ocorrerem no âmbito dos arranjos sociais, ela se desenvolve por meio dos papéis desempenhados pelos atores no arranjo social. Berger e Luckmann (2008) asseveram a importância do papel do ator na disputa, ao afirmarem que o êxito do universo simbólico está mais dependente do poder de seus legitimadores do que da plausibilidade intrínseca da teoria apresentada, isto, obviamente, em uma situação de paridade entre as partes. Outro ponto de convergência, entre a abordagem de Berger e Luckmann (2008) e a ARS, pode ser observado na afirmação de Wasserman e Faust (1994) que indica a adequação desta técnica na busca de grupos de autores coesos caracterizados pela força, intensidade e frequência do relacionamento. Nesse sentido, Marteleto (2001) expande as relações ao apontar esta técnica como adequada ao entendimento da influência da estrutura social no comportamento e nas opiniões dos indivíduos. Para a autora, a ARS revela ainda as relações dos indivíduos por meio dos sistemas de interações que se estabelece no interior do grupo social. Adicionalmente, Meneghelli (2009) afirma que os recursos matemáticos empregados na ARS se destinam a medir as relações, os laços e as interações sociais que estruturam a rede social, retomando as afirmações de Wasserman e Faust (1994). Tal contexto, na abordagem de Berger e Luckmann (2008), posiciona a ARS como um componente passível de utilização para identificar os atores e seus respectivos papéis nos processos de institucionalização e legitimação do conhecimento. Vale destacar que para os autores as ações de um indivíduo e de outros que compõem uma rede de socialização de forma tipificada possibilitam originar uma ordem institucional. Outras vertentes a se considerarem como técnicas nos estudos de sociologia do conhecimento são bibliometria e cienciometria. Estas técnicas partem de um denominador comum que é a frequência de ocorrência de aspectos importantes da produção científica. Ao longo dos anos, os pesquisadores da técnica da bibliometria foram observando padrões de comportamento que possibilitavam o estabelecimento de Leis, que demonstravam aspectos de determinadas áreas do conhecimento. A cienciometria é apresentada por Spinak (1996), como uma disciplina do conhecimento voltada ao entendimento da estrutura e das propriedades da informação 101 científica, de forma a projetar, por meio de indicadores quantitativos, o crescimento de determinado ramo do conhecimento. Para efeito deste estudo, a cienciometria se distingue da bibliometria por estabelecer como objeto de estudo: disciplinas, assunto, área e campos científicos e tecnológicos, patentes, dissertações e teses, ao passo que, a bibliometria estabelece como objeto de estudo: livros, documentos, revistas, artigos, autores e usuários. A utilização da bibliometria e da cienciometria apresenta-se particularmente útil aos estudos da sociologia do conhecimento, no tocante a identificar os papéis desempenhados pelos atores de um arranjo social (rede social). Para Berger e Luckmann (2008), a atuação de atores junto ao acervo objetivado de conhecimentos está estruturada segundo o papel de atuação na rede social. Os papéis protagonizados pelos indivíduos estabelecem a tipologia necessária à institucionalização da conduta, pois as instituições apropriam-se da experiência do indivíduo, por meio dos papéis que estes desempenham. Dentre os papéis desempenhados em uma instituição, o de mediador do acervo comum de conhecimento de setores específicos se destaca por tornar-se administrador do cabedal do conhecimento que lhe foi socialmente atribuído. Tal posição, tem importância por ser o referencial ao qual a sociedade irá recorrer quando da necessidade de entender um conhecimento específico da área. A relação dos papéis desempenhados e o conhecimento configuram-se como fundamentais tanto na perspectiva de representação da ordem institucional - mediando conjuntos de conhecimentos institucionalmente objetivados - quanto na qual cada papel é veículo de um determinado conhecimento. A abordagem de Berger e Luckmann (2008) se beneficia dos estudos de bibliometria e de cienciometria na medida em que estes, ao apontarem os principais autores de um campo científico, também estão expressando de forma análoga, os autores que ocupam o papel de mediador do acervo comum de conhecimento que, conforme já abordado, representam a própria ordem institucional. Estas técnicas não revelam em si o conhecimento, mas sim os autores que conformam a ordem institucional e que possibilitam a continuidade das instituições por meio do desenvolvimento de suas experiências reais. Para os autores, os papéis são responsáveis por integrar as diversas instituições, estabelecendo um universo simbólico dotado de sentido. Estabelece, assim, a condição de aparelho legitimador da sociedade. A concepção da ciência como instituição social desperta o interesse em diagnosticar a dinâmica social que estrutura a comunidade científica. Sob as análises desenvolvidas nesta esfera de interesse, destacam-se os estudos desenvolvidos por Merton (1968; 1988) que, dentre muitas contribuições apresentadas, propõe o Efeito Mateus. O Efeito Mateus se insere 102 na discussão de valores da ciência. Para o entendimento do Efeito Mateus torna-se necessário a elaboração de um pequeno preâmbulo que destaca a importância atribuída por Merton (1957) à originalidade e à sua respectiva posição como valor soberano da ciência, sobretudo por configurar seu próprio avanço. Tal contexto revela um ponto de interesse dos cientistas, o sistema de reconhecimento e recompensas, sejam estas materiais ou simbólicas. Para o autor o sistema de recompensas e de reconhecimento da ciência se constitui em uma instituição social, e se por um lado resguarda a primazia sobre a originalidade, por outro demanda a necessidade de universalização do conhecimento, para possibilitar a sua validade e a sua legitimidade. Assim, tanto a propriedade científica como o sistema de recompensas decorrem das relações interativas dos cientistas que resultaram no reconhecimento social do conhecimento. Sob esse aspecto o conhecimento é disponibilizado ao público que tem livre utilização sobre o mesmo (MERTON, 1988). Quanto mais o conhecimento for utilizado por outros cientistas, mais os pares reconhecem a contribuição proporcionada pelo trabalho realizado, afirmando assim a propriedade intelectual. Para Berger e Luckmann (2008), somente com o processo de universalização do conhecimento se constrói as bases que potencializam os processos de institucionalização e legitimação do conhecimento. Envolve nesse processo a legitimação da própria ordem institucional e, em última estância, do universo simbólico. Apesar do enfoque de Merton (1957; 1988) se voltar para o sistema de recompensas o de Berger e Luckmann (2008) para a institucionalização da ordem institucional, observa-se similaridade entre as abordagens destes autores, na ênfase a socialização do conhecimento. Segundo Merton (1968; 1988), o Efeito Mateus decorre do sistema de reconhecimento de valores e de recompensas que moldam as posições sociais dos cientistas no campo científico, com reflexos no próprio sistema de comunicação. O Efeito Mateus consiste na atribuição desproporcional de reconhecimento para os cientistas com algum grau de reputação no campo científico em relação a aqueles que ainda não alcançaram tal patamar. Tal perspectiva se enquadra na máxima do senso comum: “mais para quem tem mais, menos para quem tem menos”. Para o autor, esse efeito envolve o padrão de atribuição de crédito do trabalho científico comumente observável nos casos de coautoria (colaboração de trabalhos) e de comunicação simultânea de estudos similares, desenvolvidos de forma independentemente entre si. Nestas situações, de forma injustificada, o campo científico reconhece e valoriza os cientistas que desfrutam de maior prestígio no campo científico, proporcionando a estes uma vantagem acumulativa de oportunidades, recompensas simbólicas e materiais e, em alguns casos, envolvendo até as instituições que os pesquisadores possuem vínculos. 103 Apesar da possibilidade da discussão dos aspectos éticos desta dinâmica do campo científico, o Efeito Mateus atua de forma a dar maior visibilidade para os autores de destaque de uma determinada ordem institucional, reforçando assim a proposição de Berger e Luckmann (2008) da importância do papel dos especialistas. Tal dinâmica social em parte é justificada por Berger e Luckmann (2008) ao afirmarem que os papéis desempenhados pelos autores representam a própria ordem institucional. Nesta perspectiva, uma maior atribuição de reconhecimento aos autores mais conhecidos - ação esta desenvolvida pelos seus pares - tem a finalidade de reforçar a própria institucionalização da ordem institucional pelo grupo social que a suporta. Reforçando o propósito desta seção, vale destacar que as técnicas de ARS, de bibliometria, de cienciometria, de data mining, entre outras, se apresentam como adequadas para o entendimento dos contornos de determinada ordem institucional ou campo científico. Como limitação da análise cienciométrica, identificam-se aspectos operacionais relacionados à confiabilidade, a completude da base de dados e as possíveis restrições associadas aos procedimentos quantitativos. Em suas pesquisas, Merton (1988) apontou a obliteração e as citações parciais, como fenômenos que podem interferir nos estudos cienciométricos e por abrangência nos de ARS. A obliteração se relaciona a incorporação de ideias, métodos ou achados ao contexto de conhecimento aceito e difundido em um campo, relegando a fonte original à condição de conhecimento tácito, ou seja, senso comum, e como tal desobrigado de ser citada a autoria (MERTON, 1988). Este procedimento estabelece a tendência dos estudos citarem a literatura mais recente em detrimento das fontes originais, estabelecendo lacunas de reconhecimento da ciência. Segundo Merton (1988), tal prática possibilita que obras e autores de maior relevância em um campo científico sejam menos citados ao longo do tempo, comprometendo assim as análises de citação. Como alternativa metodológica à análise histórica da citação, Garfield (2004) propõe utilizar algoritmos para rastrear a cronologia das relações de citação, estabelecendo assim o seu histórico e a sua genealogia. Vale destacar que a aplicação de algoritmos nas pesquisas em banco de dados é uma técnica comum do data mining. Adicionalmente, Guarido-Filho (2008) aponta que pesquisas longitudinais de citação e o mapeamento genealógico das ideias comuns da cienciometria possuem potencial emprego na análise dos fenômenos ligados a obliteração. Analisando os efeitos da obliteração, e a possibilidade de ocorrência deste fenômeno, se estabelece o questionamento a respeito da efetividade dos estudos que envolvem medidas de impacto de artigos e periódicos, ou seja, uma possível contradição entre obliteração e medida de impacto. Sob esse aspecto Guarido-Filho (2008), recorrendo a Mane e Borner 104 (2004), reflete que os trabalhos mais citados são aqueles de maior impacto, e que o longo prazo envolvido no processo de análise, aceite e publicação de um artigo científico tende a minimizar ou até anular os efeitos da obliteração. Sob esta perspectiva torna-se interessante resgatar as reflexões de Merton (1988) e Hopcroft et al., (2004), de que apenas um reduzido número de artigos é efetivamente citado de forma significativa nas obras de uma área, estabelecendo-se assim uma estrutura central. Estas reflexões estabelecem o questionamento da real influência da obliteração no sistema de citação de uma área. Com relação às citações parciais, retornamos ao conceito do Efeito Mateus, por se observar, conforme aponta Merton (1995), a atribuição de maior mérito para o autor que não é necessariamente o efetivo responsável pelo trabalho. Tal conduta, por desconsiderar as características formais de autoria, pode impactar em desvios ou perda de informação, comprometendo as análises cienciométricas. Para Bourdieu (2006), o campo científico possui assimetrias que influenciam a distribuição desigual de recursos e de poder, favorecendo a aqueles que detém o conhecimento legitimado. Neste contexto, as citações parciais estão mais ligadas às relações de poder exercida pelos autores que se destacam em determinada área, do que a outras possíveis causas. Vale destacar que, para Bourdieu (2006), o campo científico se configura como um campo de embates dos cientistas na busca do monopólio da autoridade e da competência científica. As análises contributivas de Merton (1988, 1995) demonstram a importância e as limitações do sistema de autoria e de citação da produção científica, que devem ser consideradas, quando do desenvolvimento de estudos cienciométricos. Para o autor, tal cenário não limita a utilização desta técnica no contexto de pesquisas contributivas para a sociologia do conhecimento. Berger e Luckmann (2008) envolvem esta questão no contexto dos papéis. Para os autores, todo conjunto social possui o papel do mediador do acervo comum de conhecimento e, nesta condição, é habitual que haja um fluxo maior de importância para este papel. Adicionalmente, posicionam que a sociedade reconhece tanto o conhecimento como legitimado quanto os especialistas responsáveis pela manutenção deste universo simbólico, por meio da ordem institucional (campo científico). Dentro do contexto, dos embates que envolvem a manutenção do universo simbólico, os autores apontam os mecanismos conceituais de terapêutica e de aniquilação como recursos habitualmente utilizados na conservação do universo simbólico. A terapêutica se aplica para evitar que os indivíduos pertencentes a um universo simbólico se desloquem para outro. Quando se identifica no interior do universo simbólico desvios de definições, que ameaçam a manutenção do conhecimento legitimado, acende um 105 mecanismo conceitual para explicar esses desvios e manter a realidade que está ameaçada. O corpo de conhecimento desenvolvido neste processo, pelo especialista, exercerá efeito terapêutico nos componentes dissidentes, assegurando o pertencimento destes no universo simbólico (BERGER; LUCKMANN, 2008). A aniquilação utiliza o mecanismo conceitual para liquidar tudo que se situa fora do universo simbólico de uma sociedade, e por esta razão não sensível à terapêutica. A aniquilação nega todo e qualquer fenômeno discordante ao universo simbólico, atribuindo a este um contexto ontológico inferior, ou empregando definições próprias para explicar as definições dissidentes. Nesta situação, as concepções dissidentes são transmutadas para a sutil posição de reforço do universo simbólico, e não mais como desafiadoras. A proposição da terapêutica e da aniquilação por Berger e Luckmann (2008) contextualiza as disputas da ordem institucional (campo científico) como ações sociais, apesar de serem travadas por indivíduos. Neste sentido, a maior atribuição de poder e reconhecimento, via sistema de autoria e de citação da produção científica aos pesquisadores mais proeminentes de uma ordem institucional, tem a função de garantir o conhecimento legitimado da própria sociedade, justificando-se assim esta prática (BERGER; LUCKMANN, 2008). Nesta perspectiva os estudos de bibliometria, cienciometria e ARS possuem validade por possibilitarem identificar os autores responsáveis pelo cabedal de conhecimento de uma ordem institucional. Adicionalmente, o emprego destas técnicas pode possibilitar identificar os mecanismos conceituais de terapêutica e de aniquilação propostos pelos autores. Vale destacar, que o núcleo da teoria da rede social consiste na análise da compatibilidade entre liberdade individual e a imposição da conjuntura coletiva sobre o indivíduo. Segundo Martins (2004), a conduta de um indivíduo está sob a influência das relações sociais que ele possui, no entanto, apesar desta força coerciva, ele possui o arbítrio de realizar as escolhas que reflitam seu interesse pessoal. Desta forma, os estudos de ARS auxiliam a identificar a atuação de cientistas frente aos arranjos sociais a que pertence. Segundo Van Raan (1997), a compreensão de processos e de estruturas cognitivas e socio-organizacionais do campo científico (ordem institucional) e o seu respectivo desenvolvimento aproximam os estudos bibliométricos e cienciométricos da sociologia do conhecimento. Tal perspectiva fornece instrumental para estudar uma ordem institucional a partir de técnicas de análise, tais como: citações; coautoria, co-citação ou co-ocorrência de palavras – co-words. Recurso este utilizado para mapear o campo científico (ordem institucional) e obter informações que possibilitem a compreensão de sua estrutura social e 106 intelectual. Para Merton (1988), no meio científico a atribuição da autenticidade de determinada colaboração para a construção do conhecimento está associada ao reconhecimento compartilhado pelos pares. Condição esta, que determina a necessidade de tornar público o conhecimento. Assim, para que o cientista reivindique a autoria de sua colaboração é necessário que divulgue sua produção nos meios de comunicação acadêmicos, especialmente nas publicações. O exercício de relatar as citações e as referências expressa publicamente à propriedade intelectual da fonte, possibilitando ao longo do tempo que as considerações expressas por esta fonte sejam reconhecidas (GUARIDO-FILHO, 2008). Segundo Small (2004), quando os cientistas adotam uma literatura como base de seus estudos, eles estão estabelecendo as estruturas de suas comunidades. Ainda, segundo este autor, os cientistas estão envoltos no contínuo processo de interpretar e adaptar os conhecimentos do campo científico, a partir do conhecimento já institucionalizado e legitimado. Nesse sentido, Small (2004) e Cronin (2004) explanam que ao realizar as citações, os autores estão declarando o entendimento das bases às quais se atribuíram o reconhecimento e as recompensas do campo científico e não somente construindo e atribuindo significado ao texto. Esse contexto reputa as citações e as referências, tanto à condição de elemento indicativo de prestígio ao pesquisador quanto de estruturação do agrupamento social que delineiam o campo científico (ordem institucional). Dessa forma, retomamos a proposição da importância dos papéis (desempenhado pelos pesquisadores de um agrupamento social) estabelecidos por Berger e Luckmann (2008) na institucionalização e legitimação da ordem social. O estudo desenvolvido por Newman (2001a), que aborda as redes de coautorias evidenciou a constituição de redes na configuração de mundo pequeno (small-world). Nesse estudo é possível observar que dois cientistas escolhidos ao acaso se distanciam entre si, por um pequeno número de passos (curta distância geodésica, cerca de cinco ou seis passos), a existência de clusters (as bases possuem um componente ou subconjunto, que comporta entre 50% e 80% dos autores, no geral as conexões advém de autores intermediários), e observou o aumento da probabilidade de colaboração entre dois autores se estes participarem de uma tríade (existir outro pesquisador colaborando com os dois autores). Adicionalmente, o estudo revela que as áreas pesquisadas apresentaram comportamentos diferenciados de tamanho de rede, formação de tríades e de clusters. Uma importante contribuição do estudo, desenvolvido por Newman (2001a), foi identificar que a ciência funciona bem quando a comunidade de pesquisadores é densamente conectada. 107 Outro estudo a se destacar foi desenvolvido por Molina, Muñoz e Domenech (2002) que pesquisaram a estrutura de coautorias a partir de três pesquisadores de diferentes áreas. Este estudo possibilitou aos seus autores identificar que as redes de coautoria se configuram como uma abordagem passível de se utilizar nos estudos de comunidades científicas e seus colégios invisíveis. Os autores propõem inclusive ampliar esta abordagem para o estudo de número de teses orientadas, participações em congressos, participação em grupos de pesquisa, além de outras possibilidades. Vale destacar o estudo de Mahlck e Persson (2000) que posiciona a complementaridade das metodologias de ARS e bibliometria. A pesquisa destes autores aponta, nos departamentos das instituições de pesquisa, a presença de poucos autores respondendo por uma parcela significativa da produção no departamento, e que diferentes grupos de pesquisa estavam se organizando em clusters. Observou-se ainda uma maior cooperação entre os autores pertencentes aos clusters, e pouca colaboração entre os diferentes grupos de pesquisa. As metodologias de bibliometria, cienciometria e ARS se estabelecem como uma técnica que possibilita levantar o mapa sociobibliométrico de determinado campo de conhecimento (ordem institucional) no qual é possível desenvolver estudos que busquem identificar o conhecimento legitimado. Esta abordagem incorpora ainda o data mining como técnica estatística com significativa semelhança a bibliometria e a cienciometria. Desta forma, torna-se possível identificar a rede social que atua em determinada ordem institucional, e que suporta a institucionalização e a legitimação do conhecimento, conforme abordagem de Berger e Luckmann (2008). Um ponto a se destacar na abordagem de Berger e Luckmann (2008) é o de identificar a linguagem como uma instituição fundamental da sociedade. Nos processos de legitimação, a linguagem se constitui em elemento de elaboração e de disseminação do conhecimento. A linguagem possibilita que o novo conhecimento estabelecido seja externalizado pelo indivíduo produtor e, posteriormente, internalizado pelo mundo social, constituindo uma ligação de reciprocidade entre as partes. Assim, é a linguagem que possibilita a objetivação de novas experiências, que se integrarão ao estoque de conhecimento existente. A linguagem permite as sedimentações coletivas de forma coerente, sem a necessidade de reconstrução do processo original. Na esfera da produção científica, o processo de transmissão do conhecimento objetivado pela linguagem possui uma estrutura básica, com protocolo de tipificação, que possibilita o compartilhamento do conhecimento. Nesse sentido, este estudo identificou 25 108 normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) que tratam de assuntos relacionados à institucionalização da linguagem envolvida na publicação científica, como exemplo: a NBR 6022 Informação e documentação – Artigo em publicação periódica científica impressa – Apresentação, NBR 6023 Informação e documentação – Referências – Elaboração, NBR 6024 Informação e documentação – Numeração progressiva das seções de um documento escrito – Apresentação, NBR 6028 Informação e documentação – Resumo – Apresentação, NBR 6032 Abreviação de títulos de periódicos e publicações seriadas, NBR 6034 Informação e documentação – Índice – Apresentação, NBR 10520 Informação e documentação – Citação em documentos – Apresentação, NBR 10719 Apresentação de relatórios técnico-científicos e NBR 14724 Informação e documentação – Trabalhos acadêmicos – Apresentação. Destarte, Curty e Boccato (2005) apontam a adequação de consultar as seguintes normas durante a elaboração de um artigo científico: NBR 6022, NBR 6023, NBR 6024, NBR 6028, NBR 6032 e NBR 10520. Na seção seguinte é apresentado o modelo conceitual de análise. 2.7 MODELO CONCEITUAL DE ANÁLISE Os artigos científicos e as teses e dissertações se configuram como linguagem que expressa à objetivação de descobertas científicas e que compõe o processo de legitimação do conhecimento científico. Os artigos científicos, as teses e as dissertações estão subjugados ao aparelho social que rege as relações de transmissor e receptor na esfera científica, e que atua de forma coerciva evitando desvios. Portanto, os estudos realizados em artigos, teses e dissertações se configuram por utilizarem como base de pesquisa a linguagem, por conseguinte, uma instituição que por ser amplamente aceita e possuir histórico de aceitação por várias gerações se configura como legitimada, segundo a perspectiva de Berger e Luckmann (2008). Assim, as pesquisas que utilizam a ARS, a bibliometria, a cienciometria e o data mining se amparam em uma base institucional e legitimada, assegurando confiabilidade aos resultados obtidos e viabiliza-se, desta forma, a condução desta pesquisa que se baseia em teses e dissertações e não em artigos científicos, como usualmente ocorre nos estudos da área. A perspectiva de identificar o estágio de desenvolvimento do corpo teórico da sustentabilidade ambiental demanda deste trabalho a adoção de uma abordagem teórica que contenha os elementos necessários para a interpretação dos processos de institucionalização e 109 de legitimação do conhecimento. Nesse contexto, a perspectiva da institucionalização e legitimação do conhecimento é identificada como resultante da interação social e se configura como elemento nuclear deste trabalho. A análise a se desenvolver neste estudo se apoia em um Modelo Conceitual que se fundamenta na abordagem de Berger e Luckmann (2008) e que esta materializada na Figura 13. Este modelo expressa a abordagem dos autores e a interface com os seguintes conceitos. O campo que envolve: Merton (1970), Bourdieu (1995). Os estudos bibliométricos que abarca os seguintes autores King (1987), Pao (1989), McGrath (1989), Glanzel e Schoepflin (1993), Macias-Chapula (1998), Wormell (1998), Vanti (2002), Tsay e Yang (2005) e Guedes e Borschiver (2005). E a Análise de Redes Sociais – ARS segundo a abordagem de Wasserman e Faust (1994), Freeman (1996), Watts (1999), Scott (2000), Marcon e Moinet (2000), Newman (2001), Balestrin (2005), Hannesman (2008), Rossoni e Guarido-Filho (2009) e Marteleto (2010). A obra e a literatura que trata da abordagem de Berger e Luckmann (2008) não apresenta uma representação esquemática do conceito da sociologia do conhecimento. Aproveitando a lacuna, esta pesquisa propõe uma sinopse, por meio de um modelo conceitual de análise, que incorpora ainda a interação com os conceitos referentes ao campo científico a bibliometria e a ARS. As linhas pontilhadas em destaque apresentam o recorte da pesquisa que esta fundamentada neste modelo, como mostra a representação gráfica na Figura 13. Campo Científico Objetividade Instituição Objetivação Institucionalização Bibliometria e ARS Legitimação Ordem Institucional Reificação Universo Simbólico Linguagem Papéis Figura 13 – Interpretação e representação da abordagem de Berger e Luckmann (2008) associada com o campo, com a bibliometria e com a análise de redes sociais. Fonte: elaborado pelo autor a partir da obra de Berger e Luckmann (2008). 110 A representação gráfica da Figura 13 apresenta a sequência das etapas da sociologia do conhecimento conforme a abordagem de Berger e Luckmann (2008). Os processos de objetivação, institucionalização e legitimação envolvem a consolidação do conhecimento, que por sua vez resultam na ordem institucional que tipifica as ações de um grupo social. A objetivação é resultante da exteriorização da produção do homem que adquiri o caráter de objetividade (exemplo: artigo científico, tese e dissertação). A institucionalização consiste no compartilhamento, por um grupo social, de um conjunto de ideias, normas, valores e sentimentos, estabelecendo assim uma instituição (exemplo: citação de um autor). A legitimação consiste na transmissão do mundo institucional de uma geração a outra e envolve a explicação e justificação e valores e conhecimento. A ordem institucional se origina das ações de um indivíduo e de outros que compõem um conjunto social de forma tipificada (exemplos de ordem institucional: a gestão ambiental, a sustentabilidade, a teoria organizacional). A concepção do universo simbólico emana como a matriz de todos os significados, socialmente objetivados e subjetivamente reais. O indivíduo identifica a sua existência como pertencente a este universo, pois todas as situações da sua vida cotidiana são abarcadas pelo universo simbólico. É onde ocorre a legitimação da ordem institucional. A reificação ocorre quando a sociedade não se distingue mais como fonte de criação de determinado conhecimento, atribui a sua origem a algo especial não passível de alterações. A linguagem assume a condição de base e instrumento do acervo coletivo do conhecimento. A linguagem é que possibilita a objetivação (exemplo: artigo científico, tese e dissertação). A atuação de atores junto ao acervo objetivado de conhecimentos, comum a uma rede social, se desenvolve por meio dos papéis que exercem. As instituições apropriam-se da experiência do indivíduo, por meio dos papéis que desempenham e que adicionalmente atuam na função social de integrar as diversas instituições em um mundo dotado de sentido assumindo assim a condição de aparelho legitimador da sociedade (exemplo: pesquisador, autor de artigo científico). A bibliometria (e a cienciometria) e a análise de redes sociais atuam como ferramentas na estrutura da sociologia do conhecimento para identificar os pesquisadores (que ocupam papéis) por meio de suas publicações (linguagem que possibilita a objetivação) possibilitando assim o levantamento do campo científico. Campo científico que resulta da institucionalização e legitimação do conhecimento estabelecendo a ordem institucional. 111 Este estudo estabelece como foco de atenção a construção do conhecimento resultante da atividade científica do meio acadêmico. Conhecimento este, normalmente objetivado por meio de publicações acadêmicas que possuem os artigos como elementos de maior destaque. Apesar de prevalecerem os estudos baseados em artigos, esta pesquisa estabelece como unidade de análise a produção acadêmica expressa nas teses e dissertações da área de administração. Vale destacar que muito do conhecimento resultante do processo de elaboração das teses e dissertações é posteriormente divulgado na forma de artigo científico. Apesar do entendimento de que o conhecimento se origina da ação do indivíduo, este fenômeno epistemológico não é objeto de atenção deste estudo. Nesses termos, este estudo se estrutura no entendimento, que a construção do conhecimento é um processo contínuo que envolve a dinâmica epistêmica e a social. Tal posicionamento configura a ciência como um fenômeno social e o conhecimento produzido, como fruto de arranjos sociais que se estabelecem em torno de um interesse comum, e passível de ser explicado socialmente. O estudo da socialização do conhecimento, nesta pesquisa, se caracteriza pela investigação das interações sociais no processo de construção do conhecimento expressa pela sua institucionalização e legitimação. A interpretação do conhecimento como um fenômeno social e, por conseguinte o conhecimento científico se identifica como um pressuposto deste trabalho. A proposição da sociologia do conhecimento de Berger e Luckmann (2008) vai ao encontro desta perspectiva. Dessa forma, o mapeamento das redes sociais de pesquisadores e os papéis que estes ocupam tornam-se o núcleo e o objeto para o reconhecimento da ordem institucional (campo científico) de pesquisa para identificar o conhecimento legitimado. Freeman (1996) e Hannesman (2008) apontam que os estudos iniciais de ARS desenvolvidos por Moreno demonstravam como as pessoas pertencentes a um grupo se conectavam, identificando ainda a eventual posição de centralidade de um dos membros em relação aos demais. Estes estudos se apoiavam nas formas gráficas para a compreensão da estrutura grupal, também conhecidos como sociogramas. Conforme aponta Meneses e Sarriera (2005), a ARS possibilita identificar as interações, as inter-relações dos nós da rede e os vínculos estabelecidos entre os atores. Tal propriedade corrobora com os estudos da sociologia do conhecimento na medida em que possibilita revelar os papéis desempenhados pelos atores. A proposição de Cross, Parker e Borgatti (2000) também estabelece uma tangência entre a ARS e a sociologia do conhecimento. Para estes autores, a ARS é um instrumento que além de favorecer o estudo de relacionamentos contributivos ao compartilhamento da informação e do conhecimento, estabelece indicadores que demonstram o fortalecimento da cooperação resultante dos 112 relacionamentos. Tal proposição se insere no contexto de identificação dos protagonistas dos processos de institucionalização e legitimação do conhecimento abordado por Berger e Luckmann (2008). Nesse sentido, o presente estudo, ao verificar a formação das redes estabelecidas a partir da participação em bancas de defesa de teses e de dissertações, se ajusta também a proposição dos autores (MOLINA; MUÑOZ; DOMENECH, 2002). O desenvolvimento das duas últimas seções mostrou-se bastante desafiador e motivador, caracterizando-se pelas constantes reflexões integradoras dos termos abordados. Reflexões estas com potencial de continuar a influir no desenvolvimento de pesquisas futuras. Vale destacar, que as possibilidades estabelecidas pelos temas são muito amplas o que inviabiliza o entendimento de um estágio em que se esgotem todas as configurações envolvidas. Tal cenário estabelece a condição de um tema ainda não esgotado, mas com potencial de evolução em pesquisas futuras. Este capítulo estabeleceu um corpo teórico e um modelo de interpretação do campo científico desenvolvido a partir da abordagem de Berger e Luckmann (2008) que incorpora a bibliometria, a cienciometria, o data mining e a análise de redes sociais. Este corpo teórico apoiou a discussão dos dados da pesquisa e que são apresentados no capítulo seguinte. 113 3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Este capítulo apresenta os procedimentos metodológicos no contexto das estratégias de pesquisa, nos métodos e nas técnicas a serem empregados e no atendimento do objetivo geral deste estudo que é analisar a contribuição do Stricto Sensu em administração na legitimação do conhecimento em sustentabilidade ambiental e as características principais dos agentes envolvidos. As seções que se seguem detalham os métodos e técnicas adotados, que viabilizaram o presente trabalho. Inicialmente se discute o delineamento e os pressupostos da pesquisa. Descreve-se depois a pesquisa a ser desenvolvida, indicando a abordagem quantitativa que se configura como principal linha de investigação e a abordagem qualitativa estabelecida em decorrência da utilização da análise de redes sociais. 3.1 DELINEAMENTO E PRESSUPOSTOS DA PESQUISA A natureza do conhecimento é objeto de estudo de diferentes disciplinas. Dentre as abordagens do tema se destacam as realizadas pela Filosofia, Sociologia, Psicologia, Economia e Educação. A Administração passou a incorporar a temática do conhecimento em seu campo de estudo, com teorias que abordam cultura organizacional, processo de mudança, gestão estratégica, desenvolvimento de competências, entre outros tópicos. Nesse contexto a vertente da sociologia do conhecimento será utilizada para o desenvolvimento deste estudo, no entanto, estabelecendo adjacências com o campo de conhecimento da administração que contém a área de concentração que suporta esta pesquisa. A pesquisa se pauta nas atividades resultantes do processo de desenvolvimento das teses e dissertações pelos pesquisadores junto a seus orientadores, assumindo assim a condição de pesquisa compartilhada pelas partes. Sob este aspecto, tanto o orientado, quanto o orientador atuam na definição da teoria básica que sustentara a pesquisa, estabelecendo o arcabouço teórico e os autores de referência. A análise das teses e dissertações possibilita desta forma, identificar o posicionamento do orientado e do orientador com relação ao referencial teórico utilizado no estudo. Este enquadramento possibilita o desenvolvimento desta pesquisa que investiga a sustentabilidade ambiental a partir da análise dos trabalhos que expressam a pesquisa desenvolvida. 114 Esta pesquisa se desenvolve em um continuo processo de investigação, que apresenta diferentes abordagens metodológicas intrinsecamente complementares, com predomínio de técnicas quantitativas, mas que, no entanto possui a análise de redes sociais que se estabelece como quantitativa e qualitativa. Esta diversidade metodológica se faz necessária tanto para o atendimento do objetivo geral, que se caracteriza pela amplitude da abordagem, quanto aos objetivos específicos, componentes necessários ao desenvolvimento do estudo. Os estudos que combinam diferentes métodos são denominados como abordagem de métodos mistos por Creswell (2007). O autor destaca que este procedimento se ajusta a necessidade do pesquisador trabalhar com dados e análises complexas. A distinção entre as pesquisas quantitativa e qualitativa nem sempre se apresenta de forma clara, como observam EasterbySmith et al. (1999). Frente à abrangência da pesquisa emana a determinação de realizar a classificação dos seus objetivos. Selltiz et al. (1987) classificam os objetivos das pesquisas em três grupos: estudos exploratórios, estudos descritivos e estudos que verificam hipóteses causais, estes também denominados como estudos explicativos por Gil (2008). Nesse contexto, a pesquisa se classifica como descritiva. O objetivo principal se caracteriza como uma pesquisa baseada na análise de documentos - teses e dissertações da sustentabilidade ambiental - voltada a estabelecer uma aproximação inicial sobre a legitimação do conhecimento neste campo científico. No âmbito dos objetivos específicos a pesquisa se caracteriza pela observação, análise, classificação e interpretação dos dados, que possibilitam o desenvolvimento do objetivo principal. Os objetivos específicos desta pesquisa possuem técnicas de pesquisa que se ajustam ao desafio estabelecido. A conclusão de uma fase da pesquisa fornece os subsídios necessários, tanto para responder a pergunta proposta pelo objetivo quanto auxiliar o desenvolvimento da etapa seguinte. Tal configuração estabelece uma coesão de encadeamento, tanto dos objetivos específicos propostos, quanto das técnicas utilizadas na pesquisa, resultando em uma estrutura harmônica e robusta. Assim, o delineamento da pesquisa, apresenta os objetivos propostos com as técnicas empregadas. A Figura 14 apresenta a relação das técnicas utilizadas para o atendimento de cada um dos objetivos específicos. 115 a) Identificar o perfil dos professores orientadores e das IESs que desenvolveram pesquisas em sustentabilidade ambiental no Stricto Sensu em administração por meio das teses e dissertações apresentadas. Data Mining Análise de Redes Sociais Data Mining b) Identificar a existência de uma rede social de colaboração, e a centralidade dos principais atores, em sustentabilidade ambiental no Stricto Sensu originária da composição dos orientadores e membros convidados das bancas de avaliação de teses e dissertações. c) Identificar se as teses e dissertações em sustentabilidade ambiental compartilham uma base comum de citações que possibilite a identificação do processo de legitimação do conhecimento deste campo científico. O objetivo geral do estudo é analisar a contribuição do Stricto Sensu em administração na legitimação do conhecimento em sustentabilidade ambiental e as características principais dos agentes envolvidos. Figura 14 - Relação dos objetivos e respectivas técnicas de pesquisa Fonte: Próprio autor Para Creswell (2007), uma maneira de distinguir entre os diferentes enfoques quantitativo, qualitativo ou misto - é pela adequação das estratégias de investigação, que por sua vez, possuem inúmeras técnicas que podem ser utilizadas separadamente, ou juntas, assumindo assim uma perspectiva mista. O processo de consubstanciar a técnica quantitativa e qualitativa em uma mesma pesquisa é apontado como tendência nas investigações sociais, frente à possibilidade de somar as vantagens de cada uma das técnicas. Sampieri et al. (2006) mostram que a combinação das técnicas quantitativa e qualitativa favorece o desenvolvimento do conhecimento e a elaboração de teorias. Adicionalmente, Creswell (2007) aponta a adequação do método misto para as pesquisas envolvidas na necessidade tanto de explorar quanto de explicar os fenômenos em estudo. Para efeito de desenvolvimento desta pesquisa se faz necessária à utilização do método misto, por demandar inicialmente o entendimento da construção do campo para na sequência o conhecimento legitimado. Dentre as estratégias passíveis de utilização, este estudo adota uma combinação de estratégias a exploratória sequencial e a aninhada concomitante. Esta combinação de estratégias se faz necessário, pois há três etapas sequências de investigação quantitativa, no entanto a etapa central possui de forma aninhada uma investigação qualitativa. Segundo Creswell (2007) a estratégia aninhada concomitante é adequada para os casos em que a coleta dos dados quantitativos e qualitativos se processa de forma simultânea. Nesta pesquisa a simultaneidade de coleta e análise de dados ocorre quando se aplica a análise de redes sociais. 116 A Figura 15 apresenta a estratégia de pesquisa que combina as estratégias exploratória sequencial e a aninhada de forma concomitante. QUANTITATIVO QUALITATIVO QUANTITATIVO QUANTITATIVO Coleta de dados Quantitativos Análise de dados Quantitativos Coleta de dados Qualitativos e Quantitativo ss Análise de dados Qualitativos e Quantitativo s Coleta de dados Quantitativos Análise de dados Quantitativos Interpretação de toda a análise Figura 15 - Estratégia de pesquisa explanatória sequencial Fonte: adaptado de Creswell, 2007, pg. 216 Este pesquisa utilizará duas técnicas: o Data Mining, a Análise de Redes Sociais – ARS, e novamente o data Mining. Na abordagem quantitativa a técnica utilizada é o Data Mining. Conforme abordado por Meneses e Sarriera (2005), a Análise de Redes Sociais – ARS possui tanto um contorno qualitativo na observação da estrutura das redes quanto quantitativo na descrição das funções implícitas da rede social e caracterização dos vínculos que a moldam. Neste estudo, a ARS se posiciona entre os estudos quantitativos e se estabelece como elemento de transição e integração. Creswell (2007) indica a adequação de se apresentar o modelo gráfico da estratégia do projeto de pesquisa a se desenvolver. Diante deste cenário, a Figura 16 apresenta de forma gráfica o encadeamento das etapas a serem realizadas nesta pesquisa. 117 Pesquisa Quantitativa Grupo de pesquisadores extraído do banco de dados de teses e dissertações da CAPES Início da pesquisa quantitativa de pesquisadores e IESs Banco de dados do Próadministração Verificação dos dados de interesse da pesquisa Universo de pesquisa: teses e dissertações da dimensão ambiental da sustentabilidade Levantamento dos dados de interesse: características do orientador e da IES. Pesquisas Quantitativa e Qualitativa Análise dos dados quantitativos Desenvolver ARS Estruturas Pesquisa Quantitativa Desenvolver ARS Funções e vínculos Início da Início da pesquisa pesquisaanálise qualitativa: quantitativa de conteúdo Referências das teses e dissertações Levantamento dos dados nas Definição do referências das teses e Levantamento sujeito de dissertações emdos dados pesquisa sustentabilidade ambiental Fim Conclusões, limitações e propostas de estudos futuros Análise Análise dos dos dados dados qualitativos quantitativos Integração dosdos dados Integração quantitativos dadoscom os qualitativos Figura 16 - Encadeamento das etapas desenvolvidas nesta pesquisa. Fonte: Próprio autor (2012). A primeira fase quantitativa desta pesquisa se insere dentro do projeto: os desafios do ensino de inovação e sustentabilidade no Brasil: avaliação e proposição de ações para a capacitação docente. Projeto este, financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES, por intermédio do programa de apoio ao ensino e à pesquisa científica em administração - edital Pró-administração 09/2008 (CAMPANÁRIO, 2008). Tal construção de pesquisa se enquadra dentro do objetivo estabelecido no projeto do Pró-administração: O objetivo geral da presente proposta é subsidiar o desenvolvimento das capacitações docentes para o ensino de pós-graduação e graduação em administração, com foco na área de gestão disciplinar em “inovação”, por meio da formação de uma rede de instituições com competência relevante no 118 tema e com capacidade de multiplicar no Brasil os conhecimentos alcançados. [...] Como consequência deste objetivo decorre as atividades de mapeamento das demandas das empresas e da sociedade por esta capacitação de gestão em contraste com as ofertas dos cursos de graduação e pós-graduação de IES brasileiras, buscando identificar inconsistências e propor medidas que contribuam para a capacitação docente e o incremento de qualidade do ensino da inovação e sustentabilidade nos cursos de graduação e pósgraduação em Administração. (CAMPANÁRIO, 2008). Parte dos dados originados no banco de dados desenvolvido dentro do projeto Próadministração foi analisada estatisticamente, em um primeiro momento. Esta análise possibilitou a estratificação dos dados de interesse desta pesquisa, atendendo parcialmente ao objetivo geral por meio de objetivos específicos estabelecidos. Em um segundo momento se desenvolverá o restante da pesquisa quantitativa em documentos delineados pela pesquisa. O detalhamento dos procedimentos metodológicos das etapas desta pesquisa é apresentado nas próximas seções. 3.2 ABORDAGEM QUANTITATIVA DOS PESQUISADORES E IESs Para atingir o objetivo específico de identificar o perfil dos professores orientadores e das IESs que desenvolveram pesquisas em sustentabilidade ambiental no Stricto Sensu em administração por meio das teses e dissertações apresentadas se utiliza a técnica de data mining. A pesquisa quantitativa vem da tradição das ciências naturais, cujas variáveis observadas são poucas, objetivas e medidas em escalas numéricas. Para Richardson (1999), a pesquisa quantitativa caracteriza-se pela quantificação da coleta de informações, e pelo emprego de técnicas estatísticas no tratamento dos dados, de forma independente à sua complexidade. Dentre os recursos estatísticos disponíveis optou-se pela adoção do data mining (mineração ou garimpagem de dados) que é uma técnica utilizada para a realização do Knowledge Discovery in Databases – KDD (Descoberta de Conhecimento em base de dados). Fayyad et al. (1996) apontam o processo KDD como um eficiente recurso para a obtenção de conhecimento em base de dados, no qual o data mining se caracteriza como a sua principal etapa. O autor apresenta a definição de data mining mais empregada na literatura “o processo não-trivial de identificar, em dados, padrões válidos, novos, potencialmente úteis e 119 ultimamente compreensíveis.” (FAYYAD, 1996, p. 4). Segundo o autor, o termo data mining é comumente utilizado por estatísticos, analistas de dados e pela comunidade de MIS (Management Information Systems), enquanto o KDD é utilizado pelos pesquisadores que estudam Inteligência Artificial e Machine Learning. Várias etapas compõem o data mining, que por sua vez se inicia na seleção das bases de dados sobre as quais será realizado o processamento, até a comunicação do conhecimento gerado pelo pesquisador. Tipificando o processo pode-se classificar o conjunto de etapas envolvidas em três grandes grupos: pré-processamento, aplicação de um algoritmo de data mining e pós-processamento (MICHALSKI; KAUFMAN, 1999). A construção do banco de dados do Pró-administração seguiu o sequenciamento típico das etapas para a construção de um banco de dados que será submetido ao data mining, conforme a proposição de Fayyad et al. (1996) mostrado, na Figura 17. Figura 17 - Passos do processo de KDD. Fonte: Adaptado de Fayyad et al. (1996). O primeiro passo do processo consiste em gerar os dados que serão utilizados na pesquisa, que para efeito deste estudo se incidiu na construção de um banco de dados com as teses e dissertações defendidas em administração no período de 1998 a 2009. Este banco de dados possibilitou a análises do campo científico e a compreensão do desenvolvimento de conhecimento na área. 120 O Pró-administração assenta suas pesquisas nos dados no portal da CAPES (2011b). A opção de utilizar o portal da CAPES (2011b) como a principal base de obtenção dos dados se justifica, tanto por ser uma fonte de fácil acesso aos interessados, quanto de qualidade crível, haja vista que é disponibilizada pela agência oficial de informação de pessoal de nível superior. O portal da CAPES (2010d) apresenta todos os programas de Stricto Sensu aprovados e recomendados. Sendo que destes, o objeto de levantamento segue a seguinte classificação: i) a grande área de avaliação - é a de Ciências Sociais aplicadas; ii) a área de avaliação - é a de Administração (Administração, Ciências Contábeis e Turismo); e III) das Instituições de Ensino Superior – IESs disponíveis - coletou-se os dados dos cursos ofertados na área de Administração e Gestão com suas respectivas variáveis. Nesse sentido, os dados de Ciências Contábeis, Contabilidade e Turismo não foram coletados. O levantamento de dados abarcou o desempenho das IESs no período de 1998 a 2009, que por sua vez se constituem em quatro triênios de análise, conforme mostra a Quadro 8. O levantamento se inicia a partir de 1998, data em que foram disponibilizados os dados pelo portal e se encerra em 2009, que é justamente o ano que antecedeu o período de levantamento dos dados. Triênio 1º. 2º. 3º. 4º. Anos: 1998, 1999 e 2000 2001, 2002 e 2003 2004, 2005 e 2006 2007, 2008 e 2009 Quadro 8 - Relação dos anos em que o CAPES disponibiliza informações, divididos em triênios. Fonte: Elaborado pelo autor com base nas informações disponibilizadas pela CAPES. A CAPES disponibiliza as informações pertinentes às IESs posteriores ao processo de recomendação e reconhecimento, desta forma, os dados contidos no banco de dados também refletem esta condição. Os trabalhos realizados nas IESs anteriores à recomendação e reconhecimento, apesar de possuírem potencial de pertencerem à área de interesse das pesquisas desenvolvidas pelo Pró-administração, não foram incluídos no universo de pesquisa, porque não estão disponíveis no site da CAPES. Vale destacar que até o mês de outubro de 2012 os dados disponibilizados pela CAPES em seu portal contemplavam somente até o ano de 2009, ou seja, não foram disponibilizados os cadernos dos anos de 2010 e 2011. A coleta de dados envolveu um período de sete meses, que se iniciou em agosto de 2010 e se encerrou em fevereiro de 2011. A coleta de dados foi realizada por alguns dos 121 pesquisadores do Grupo de Pesquisa do CNPQ, Gestão Social e Ambiental, da área de sustentabilidade do Programa de Mestrado e Doutorado em Administração – PMDA da Universidade Nove de Julho – UNINOVE, composto pelo professor orientador do programa, dois alunos de doutorado, um aluno de mestrado e dois alunos de iniciação científica. O primeiro passo foi obter as informações das instituições de Ensino Superior (IES) que possuíam cursos recomendados e reconhecidos durante o período de levantamento de 1998 a 2009, disponíveis no portal do CAPES no ano de 2010 e nas páginas introdutórias do portal da CAPES (2010c). Os cadernos de indicadores das IESs que perderam a recomendação e o reconhecimento, em anos anteriores foram, retirados da área de cursos recomendados do portal da CAPES. No entanto, a obtenção dos dados foi possível, acessando os cadernos de indicadores via opção “Avaliação – caderno de indicadores” do portal do CAPES. As IESs e a respectiva data da perda de recomendação e reconhecimento foram: a) Mestrado Profissional em Gestão Empresarial da Fundação Getúlio Vargas FGV/RJ com quatro dissertações entre 1999 e 2000; b) Mestrado em Administração da Universidade Estadual do Ceará UECE com 24 dissertações entre 1999 e 2000; c) Mestrado em Administração da Universidade Federal de Alagoas UFAL com 27 dissertações entre 1998 e 2000; d) Mestrado em Administração da Universidade Metodista de São Paulo UMESP com 37 dissertações entre 1998 e 2000; e) Mestrado Profissional em Administração da Faculdade Cenecista de Varginha /MG FACECA (CNEC - Campanha Nacional de Escolas da Comunidade - MG) com 60 dissertações entre 2002 e 2003; f) Mestrado Profissional em Gestão de Políticas Públicas da Fundação Joaquim Nabuco/PE FJN com 16 dissertações entre 2002 e 2003; g) Mestrado em Administração da Universidade Cidade de São Paulo/SP UNICID com 11 dissertações entre 2002 e 2003; h) Mestrado em Administração do Centro Universitário de Franca (Faculdade de Ciências Econômicas Administrativas e Contábeis de Franca) UniFACEF com 26 dissertações entre 2001 e 2003; i) Mestrado em Administração de Empresas do Centro Universitário de Franca UniFACEF com 85 dissertações entre 2001 e 2003; e j) Mestrado em Administração do Centro Universitário Salesiano de São Paulo UNISAL com 13 dissertações entre 2006 e 2008. Vale destacar que as IESs Centro Universitário UNIEURO e a Universidade Católica de Santos UNISANTOS perderam a recomendação e reconhecimento no ano de 2010. No entanto, seus dados foram obtidos em condição normal, pois os cadernos de indicadores estavam disponíveis na fase de levantamentos. O Quadro 9 mostra a relação das instituições que compõem o banco de dados do Próadministração, bem como a nota obtida no triênio que se encerrou em 2009. Vale destacar que 122 adicionalmente o Quadro 9 apresenta a sigla de cada uma das IESs. Desta forma, este estudo faz a opção de referenciar as IESs pela sua sigla, a utilização do nome completo será adotada UF PROGRAMA Mestrado Doutorado Mest. Prof. quando se desejar destacar a mesma. Universidade Federal Fluminense RJ Administração 3 - - Universidade Metodista de Piracicaba SP Administração - 4 - UFBA Universidade Federal da Bahia BA Administração 4 4 - UFBA Universidade Federal da Bahia BA Administração - - 4 Universidade Salvador BA Administração 3 - - UECE Universidade Estadual do Ceará CE Administração 3 - - UNB Universidade de Brasília DF Administração 5 5 - Sigla IES UFF UNIMEP UNIFACS Nome da IES NOTA UNB Universidade de Brasília DF Administração - - 3 UFES Universidade Federal do Espírito Santo ES Administração 3 - - UFMG Universidade Federal de Minas Gerais MG Administração 6 6 - Universidade Federal de Viçosa MG Administração 3 - - Universidade Federal de Lavras Universidade Federal de Uberlândia MG Administração MG Administração 4 4 3 - - PUC/MG Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais MG Administração - 5 PUC/MG Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais MG Administração 4 4 - Centro Universitário Una MG Administração - - 3 Universidade FUMEC MG Administração 3 3 - FEAD Fac. de Estudos Administrativos de Minas Gerais MG Administração - - 3 FCHPL Faculdade de Ciências Humanas de Pedro Leopoldo MG Administração - - 3 Faculdade Novos Horizontes MG Administração 3 - - Fundação Univ. Federal de Mato Grosso do Sul MS Administração 3 - - Universidade da Amazônia / PA PA Administração 3 - - UFPB Universidade Federal da Paraíba / João Pessoa PB Administração 4 - - UFPE Universidade Federal de Pernambuco PE Administração 5 5 - UFPE Universidade Federal de Pernambuco PE Administração - - 3 UFPR Universidade Federal do Paraná PR Administração 4 4 - UEL Universidade Estadual de Londrina PR Administração 3 - - Pontifícia Universidade Católica do Paraná PR Administração 5 5 - UEM Universidade Estadual de Maringá PR Administração 4 - - UEM Universidade Estadual de Maringá PR Administração 3 - - Universidade Positivo PR Administração 4 4 - Universidade Federal do Rio de Janeiro RJ Administração 5 5 - FGV/RJ Fundação Getúlio Vargas/RJ RJ Administração 5 5 - FGV/RJ Fundação Getúlio Vargas/RJ RJ Administração - - 4 IBMEC Faculdade de Economia e Finanças do IBMEC RJ (continua na página seguinte) Administração - - 4 UFV UFLA UFU UNA FUMEC FNH UFMS UNAMA PUC/PR UP UFRJ - 123 UNIGRANRIO Univ. do Grande Rio – Prof. Jose de Souza Herdy RJ Administração 4 - - Universidade Federal do Rio Grande do Norte RN Administração 4 4 - UNP Universidade Potiguar RN Administração - - 3 UNIR UFRN Universidade Federal de Rondônia RO Administração 3 - - UFRGS Universidade Federal do Rio Grande do Sul RS Administração 7 7 - UFRGS Universidade Federal do Rio Grande do Sul RS Administração - - 4 UFSM Universidade Federal de Santa Maria RS Administração 4 - - UFSM Universidade Federal de Santa Maria RS Administração - - 3 Universidade do Vale do Rio dos Sinos RS Administração 5 5 - Universidade de Caxias do Sul RS Administração 3 - - UNISC Universidade de Santa Cruz do Sul RS Administração - - 3 UFSC Universidade Federal de Santa Catarina SC Administração 4 4 - UDESC Universidade do Estado de Santa Catarina SC Administração - - 3 UDESC Universidade do Estado de Santa Catarina SC Administração 3 - - Universidade do Vale do Itajaí SC Administração 4 4 - Universidade Regional de Blumenau SC Administração 4 - - Universidade do Sul de Santa Catarina SC Administração 3 - - Universidade de São Paulo SP Administração 7 7 - PUC/SP Pontifícia Universidade Católica de São Paulo SP Administração 4 - - UNIMEP Universidade Metodista de Piracicaba SP Administração - - 4 UMESP Universidade Metodista de São Paulo SP Administração 3 - - Centro Universitário da FEI SP Administração 4 4 - Universidade Paulista SP Administração 3 - - Universidade Nove de Julho SP Administração 5 5 - Universidade Municipal de São Caetano do Sul SP Administração 4 4 - Insper Instituto de Ensino e Pesquisa SP Administração - - 3 Escola Superior de Propaganda e Marketing SP 3 - - SP Administração Adm. das Micro e Peq. Empresas - - 3 CE Adm. de Empresas 4 4 - FUCAPE Universidade de Fortaleza Fundação Instituto Capixaba de Pesq. em Cont.Econ. e Finanças ES Adm. de Empresas 3 - - PUC-RIO Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro RJ Adm. de Empresas 5 5 - PUC-RIO Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro RJ Adm. de Empresas - 5 FGV/SP Fundação Getúlio Vargas/SP SP Adm. de Empresas 6 6 - FGV/SP Fundação Getúlio Vargas/SP SP Adm. de Empresas - - 5 Universidade Presbiteriana Mackenzie SP Adm de Empresas 5 5 - Universidade de São Paulo/ Ribeirão Preto SP 4 4 - UFC Universidade Federal do Ceará CE 3 - - UFC Universidade Federal do Ceará CE - - 3 UNESA Universidade Estácio de Sá RJ - - 4 UFRPE Universidade Federal Rural de Pernambuco PE Adm. de Organizações Administração e Controladoria Administração e Controladoria Administração e Desenv. Empresarial Administração e Desenvolvimento Rural 3 - - PUC/RS Pontifícia Univ. Católica do Rio Grande do Sul RS Adm e Negócios 5 - - PUC/RS Pontifícia Univ. Católica do Rio Grande do Sul RS Adm e Negócios - 4 - Fundação João Pinheiro (Escola de Governo) MG Adm. Pública 4 - - UNISINOS UCS UNIVALI FURB UNISUL USP FEI UNIP UNINOVE USCS INSPER ESPM FAC CAMP UNIFOR UPM USP/RP FJP Faculdade Campo Limpo Paulista (continua na página seguinte) - 124 FGV/SP Fundação Getúlio Vargas/SP SP Adm. Pública e Governo 5 5 - Universidade Federal de Santa Catarina SC Adm. Universitária - - 3 UNINOVE Universidade Nove de Julho SP Gestão de Projetos - - 3 FESP/UPE Fundação Universidade de Pernambuco PE Gestão do Des. Local Sustentável - - 3 Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro RJ Gestão e Est. em Negócios - - 3 Universidade do Vale do Rio dos Sinos Escola de Adm. de Empresas de São Paulo RS SP Gestão e Negócios Gestão e Pol. Públicas - - 4 4 UFPB Universidade Federal da Paraíba/João Pessoa PB Gestão Org. Aprendentes - - 3 FBV Faculdade Boa Viagem Univ. Reg. Integrada do Alto Uruguai e das Missões. PE - - 3 RS Gestão Empresarial Gestão Estrat. de Organizações - - 3 Fundação Getúlio Vargas/SP SP Gestão Internacional - - 3 Universidade Federal do Espírito Santo ES Gestão Pública - - 3 UFRN Universidade Federal do Rio Grande do Norte RN Quadro 9 – Relação das Instituições de Ensino Superior pesquisadas. Fonte: CAPES (2010d). Gestão Pública - - 3 UFSC UFRRJ UNISINOS EAESP/FV URI FGV/SP UFES O segundo passo se destinou a obter os dados referentes aos docentes dos programas, disponíveis no caderno de indicadores no arquivo Corpo Docente, Vínculo Formação – CD (CAPES, 2010a). O caderno de indicadores, CD - Corpo Docente, Vínculo Formação contém as informações relativas ao corpo docente das IESs, os dados são apresentados na seguinte sequência: [Nome docente]; [Categoria de enquadramento]; ... [Vínculo]: [Tipo (vínculo)]; [Ano início]; [Carga Horária]; ... [Titulação]: [Nível]; [Ano]; [Área]; [IES]; [Pais]; ... [Situação em outros programas]. Fonte: CAPES (2010a) A Figura 18 mostra como a tela da CAPES apresenta as informações Figura 18 - Tela do corpo docente disponibilizado pela Capes. Fonte: Capes (2010a) Estes dados estão contidos no banco de dados do Pró-administração, com exceção do nome da IES em que o docente do programa Stricto Sensu obteve a titulação no exterior, nesta situação aparece o país, no qual a instituição se localiza. 125 O terceiro passo, que consiste na obtenção dos dados dos trabalhos realizados, utilizou o arquivo teses e dissertações – TE (CAPES, 2010b). O caderno de indicadores, TE - Teses e Dissertações contêm as informações relativas aos trabalhos desenvolvidos pelos discentes das IES. Os dados são apresentados na seguinte sequência: [autor]: [título do trabalho]; [volumes]; [número de páginas]; [idioma]; [orientador1]; ...; [orientador n]; [área de concentração]; [linha de pesquisa]; [projeto de pesquisa]; [banca examinadora]; [financiador 1];...; [financiador n]. Fonte: CAPES (2010b) No entanto, o nome do autor da tese ou dissertação é apresentado na forma de “Nome em citações”, ou seja, o sobrenome e a inicial dos demais nomes. Assim, para a obtenção do nome completo dos envolvidos, se fez necessário realizar consulta ao banco de teses da CAPES (2011a). Com o título da tese ou dissertação é possível realizar pesquisa nos resumos, que fornece o nome completo do aluno, além de outras informações. Nas ocasiões em que se observou ausência de informações nos documentos da CAPES empregou-se pesquisa no currículo Lattes dos envolvidos. A Figura 19 apresenta o fluxo de coleta de dados utilizado pelos pesquisadores. Início Dados da instituição Portal da CAPES Dados do Docente Caderno de Indicadores CD Corpo Docente Dados do Trabalho Caderno de Indicadores TE Teses e Dissertações Nome completo do aluno no Portal Banco de Teses da CAPES Obteve todos os dados Não Verificar o Currículo Lattes Sim Fim Figura 19 - Fluxo de trabalho dos pesquisadores no levantamento de dados. Fonte: Próprio autor. 126 O banco de dados é composto de 35 campos, que por sua vez estruturam o conjunto de dados de interesse de pesquisa e que possibilitam o desenvolvimento de análises por meio do data mining. A qualidade dos dados obtidos está sancionada ao nível de ruído encontrado nos mesmos. Os ruídos podem prejudicar a modelagem que desenvolverá o padrão sob análise, prejudicando assim o entendimento esperado (CARVALHO et al., 2003). Os ruídos identificados podem ser sanados por meio da substituição manual do dado incorreto ou então pela sua eliminação, este processo é denominado de limpeza dos dados. A limpeza dos dados é desenvolvida por meio de um pré-processamento dos dados, a fim de ajustar aos algoritmos. Este desenvolvimento visa integrar os dados homogêneos, tratar as ausências de dados, eliminar registro redundante, corrigir problemas de tipagem, ajuste ou eliminação dos dados estranhos ou inconsistentes (CARVALHO et al., 2003). O préprocessamento desta pesquisa foi desenvolvido e os ruídos identificados estavam relacionados à ausência de informações. Como estratégia de pesquisa, os ruídos foram resolvidos por meio de novas pesquisas nos cadernos de indicadores da CAPES. Vale destacar que se observou variações de grafia na apresentação do nome dos envolvidos e que, por sua vez, foram corrigidas de maneira a estabelecer um padrão único. Esta conduta possibilitou, assim, a manutenção de todas as teses e dissertações no banco de dados, sem a perda de informação para as etapas seguintes. Após o desenvolvimento destas etapas, foi possível finalizar o banco de dados com todas as informações necessárias para a realização desta pesquisa. Vale destacar, que os dados coletados foram arquivados e encontram-se disponíveis para uso em uma planilha eletrônica. Para o desenvolvimento desta pesquisa em particular, foi necessário analisar as teses e dissertações, identificando e classificando aquelas que tratam da sustentabilidade ambiental. A análise e a classificação foram realizadas pelo pesquisador líder, do grupo de pesquisa do projeto Pró-administração, em colaboração com dois alunos de doutorado. O procedimento de análise dos dados iniciou com a leitura e classificação de 13959 títulos de teses e dissertações, buscando palavras-chave que tivessem relação à sustentabilidade ambiental. Dos 13959 foram encontrados 543 títulos nessa categoria (3,9%), sendo 365 na dimensão ambiental e 178 na dimensão socioambiental. O agrupamento da dimensão ambiental e socioambiental teve a finalidade de não deixar trabalhos da dimensão ambiental fora da análise, assim foram consideradas as teses e dissertações que abordassem também a dimensão ambiental concomitante a social. 127 Dessa forma, as palavras-chave foram classificadas em 26 categorias. Categorias estas que expressam os termos identificados no material pesquisado. De acordo com Bardin (2009, p.145), “as categorias são rubricas ou classes, as quais reúnem um grupo de elementos sob um título genérico, agrupamento esse efetuado em razão das características comuns destes elementos”. Essa categorização em palavras-chave foi resumida no Quadro 10. Vale destacar que este material já foi publicado por Souza et al. (2011b) em artigo que mostra o perfil geral das pesquisas em sustentabilidade ambiental. Nome da Categoria Análise de Riscos Ambientais Avaliação do Ciclo de Vida Cadeia de Suprimentos Verde Conflitos Socioambientais Contabilidade Socioambiental Desenvolvimento Sustentável Ecodesign Ecoeficiência Economia ambiental Educação Ambiental Energias Alternativas Gestão Ambiental Gestão de Resíduos Inovação ambiental Legislação Ambiental Marketing Verde Mecanismo de Desenvolvimento Limpo ONG ambiental Produção mais limpa Recursos Hídricos Recursos Florestais Palavras-chave Análise de riscos ambientais; Acidente ambiental; Dano ambiental. ACV; Análise do ciclo de vida; Avaliação do ciclo de vida. Cadeia de suprimento orgânico; Cadeia reversa; Compra verde; Logística ambiental; Logística reversa. Conflito ambiental; Conflito socioambiental. Contabilidade ambiental; Passivo ambiental. Agenda 21; Cidade sustentável; Crescimento sustentável; Desenvolvimento (local/municipal/regional/rural/econômico) sustentável; Ecodesenvolvimento; Footprint; Indicadores de desenvolvimento sustentável; Pegada ecológica; Sustentabilidade e Desenvolvimento. Ecodesign. Ecoeficiência; Eco-eficiência; Produtividade + Ambiental. Compensação ambiental; Externalidade ecológica; Valoração ambiental; Viabilidade ecológica. Educação ambiental Biocombustível; Biodiesel; Etanol; Energia Alternativa; Sucroalcooleiro; Desempenho ambiental; Gestão ambiental municipal; Gestão do meio ambiente; Governança ambiental; Impacto ambiental; Práticas ambientais; Responsabilidade ambiental; Sustentabilidade ambiental. Catador; Coletador de material; Coleta seletiva; Descarte; Gerenciamento /Gestão de resíduos (sólidos/ urbanos); Gestão de perdas; Lixo; Material (reaproveitável/ reciclável); Reaproveitamento; Reciclagem; Redução de desperdício. Inovação ambiental; Tecnologias + Meio Ambiente. ICMS Ecológico; Imposto verde; Jurídico-ambiental; Procedimento ambiental legal; licenciamento/ Regulamentação/Política (ambiental). Apelo/ Atributo (ecológico); Atitude + meio ambiente (Eco-atitude); Comportamento (ambiental/socioambiental); Consumidor ambiental; Consumo (consciente/ sustentável/ + Meio Ambiente); Decisão de compra ecológica; Discurso/ Percepção (ambiental); Marketing ambiental; Processo de compra + meio ambiente; Produto sustentável; Propaganda ecológica. (Certificado de) redução de emissão; MDL; Mercado de carbono; Mudanças climáticas; Protocolo de Kyoto. ONG Ambiental, Organização ambientalista, movimento ambientalista, ecologicamente correto. P+L; Produção mais limpa. Gestão de recursos hídricos. Desmatamento, Florestal, Preservação ambiental, Reserva extrativista. (continua na página seguinte) 128 Norma socioambiental; Gestão socioambiental; Incorporação de questões ambientais e sociais; Responsabilidade (social/ ambiental/socioambiental) Agricultura orgânica; Alimento orgânico; Produção de orgânicos; Produto orgânico; Selo verde. Rotulagem Ambiental Auditoria ambiental; Certificação ambiental; (Certificação) IS0 14001; SGA; Segurança e Meio Ambiente; Sistema de avaliação de segurança, saúde, meio Sistema de Gestão ambiente e qualidade (SASSMAQ); Sistemas de gestão integrados. Ambiental Índice de sustentabilidade; Negócio sustentável; Organização sustentável; Sustentabilidade Relatórios de sustentabilidade; Sustentabilidade corporativa. Empresarial Ecoturismo; Turismo ecológico; Turismo + ambiental. Turismo sustentável Quadro 10 - Categorias de palavras. Fonte: Souza et al. (2011b, p. 6) Responsabilidade Socioambiental Estas palavras-chave apresentam temas que podem estar de forma isolada ou combinada. Em alguns casos foi possível identificar ainda, que a abrangência de um tema possibilita incorporar outras temáticas. A análise das palavras-chave foi realizada em quatro etapas, a saber: na primeira análise originou as palavras-chave e as categorias; na segunda análise essas palavras-chave foram utilizadas como fonte de busca na planilha para encontrar trabalhos não identificados; na terceira análise realizou-se consultas em resumo e palavras-chave dos títulos que se apresentavam dúbios ou com multiplicidade de possibilidade de agrupamentos; e na quarta análise verificou-se a coerência dos agrupamentos das 26 categorias. As várias etapas de análise se justificaram pela necessidade de aumentar a acurácia dos dados. Conforme apontado no início desta seção, o processo de elaboração do banco de dados ocorreu utilizando-se as técnicas do data mining. A aplicação do data mining se justifica na tratativa de grandes volumes de dados, que apresentam restrições no uso das técnicas clássicas de análise, quando o pesquisador não é necessariamente um estatístico; e a intensificação do tráfego de dados (navegação na internet, catálogos online etc.) aumenta a possibilidade de acesso aos dados. Esta proposição se ajusta ao desenvolvimento desta pesquisa que possui um volume significativo de dados a serem manipulados. No data mining, a tarefa de mineração consiste na especificação do “que” se deseja buscar nos dados, quais as regularidades ou categorias de padrões a serem observadas e quais representam respectivamente informações úteis, ao passo que, a técnica de mineração se destina a especificar métodos que assegurem “como” identificar os padrões de interesse ao pesquisador. Nesse sentido as técnicas estatísticas e as de inteligência artificial se destacam no processo de mineração dos dados (AMO, 2003). Esta pesquisa utiliza o data mining na intenção de identificar padrões nas variáveis: orientador – os mais prolíficos na orientação, área e IES de formação e ano de titulação do doutorado. No tocante as IESs a pesquisa 129 investiga a produção em sustentabilidade de cada IES, a região e dependência administrativa. No entanto, como característica própria do data mining, este estudo esteve atento a outras variáveis envolvidas que pudessem ser de interesse para a melhor compreensão da área. Nesta pesquisa a análise dos dados se desenvolveu por meio da elaboração de algoritmos específicos ao atendimento do objetivo deste estudo. Como condição própria desta técnica se faz necessário processar a análise dos dados a fim de determinar quais devem ser objeto de maior investigação. Como os dados estão disponíveis em planilha eletrônica o algoritmo de pesquisa foi aplicado por meio do recurso da tabela dinâmica deste software. Para King (2003) a aplicação típica de data mining começa com um grande conjunto de dados e poucas definições. A maioria dos algoritmos trata os dados iniciais como uma “caixa-preta”, com nenhuma informação disponível sobre o que os dados descrevem, quais relações existem entre os dados e se contêm erros. Ao examinar os dados, um algoritmo pode explorar milhares de prováveis regras, utilizando diversas técnicas para escolher entre elas. Um algoritmo se caracteriza como um sequenciamento lógico de instruções na realização de uma tarefa e não representa, necessariamente, um programa de computador. O desenvolvimento de algoritmo no data mining destina-se a gerar informações de natureza estatística que permitam ao pesquisador reconhecer quão adequado e confiável é o conhecimento descoberto. O conhecimento gerado demanda o desenvolvimento de análises do pesquisador, a fim de verificar a sua coerência dentro do contexto que se insere o estudo. Os resultados estatísticos não devem ser divulgados sem esta prévia análise de coerência. Os algoritmos que foram desenvolvidos se destinavam a descoberta de padrões e regularidades nos dados na medida em que foram manipulados. Este desenvolvimento se distanciou da análise tradicional de dados, que estabelece suposições e formação de hipóteses que devem ser validadas pelos dados. Vale destacar, que Grossman et al. (2002) apontam que as técnicas do data mining não pressupõem o entendimento prévio de padrões ou relações entre os dados sob análise, haja vista que esta é uma atribuição desta técnica. Adicionalmente, Moxon (2009) aponta para a necessidade de uma exploração exaustiva dos dados, a fim de se revelar todas as possíveis relações existentes. Este estudo apresentou no primeiro capítulo a hipótese de explicação aos objetivos estabelecidos, no entanto, como próprio da técnica do data mining, pretendeu-se investigar todas as possíveis relações existentes entre os dados. Neste sentido, os resultados apontados e analisados no próximo capítulo se restringiram a resposta dos objetivos apresentados. Tal ação se destina a evitar a perda do foco da pesquisa. Para Decker e Focardi (1995), o data mining é uma metodologia que investiga a existência de uma descrição matemática ou lógica, eventualmente de natureza complexa, de 130 padrões e regularidades em um conjunto de dados. De forma análoga Grossman et al. (2002) definem o data mining como a manifestação de: padrões, associações, mudanças, anomalias e estruturas estatísticas e eventos em um conjunto de dados. Explorando mais a abordagem pragmática, King (2003) afirma que o data mining é uma maneira de buscar relações interessantes e ocultas em um grande conjunto de dados, como clustering (agrupamentos) e aproximações de funções. Assim, esta pesquisa estabeleceu a perspectiva de identificar padrões de comportamento mediante a análise das variáveis utilizando-se o data mining. Pesquisa desenvolvida por Quoniam et al. (2001) utilizou a técnica do data mining para análise de teses francesas que tratavam do assunto Brasil no período de 1969 a 1999. O estudo possibilitou a aplicação dos pressupostos da Lei de Zipf, classificando o tema segundo três possibilidades: trivial, interessante e ruído. Nesse sentido o estudo identificou os temas brasileiros que despertam maior interesse de pesquisas na França. Este estudo estabeleceu uma referência inicial da viabilidade de se utilizar o data mining como técnica de pesquisa neste estudo. 3.3 ABORDAGEM DA ANÁLISE DE REDES SOCIAIS - ARS Para atingir o objetivo específico de identificar a existência de uma rede social de colaboração, e a centralidade dos principais atores, em sustentabilidade ambiental no Stricto Sensu originária da composição dos orientadores e membros convidados das bancas de avaliação de teses e dissertações, se utilizou a técnica de Análise de Redes Sociais – ARS. Conforme já apontado por Meneses e Sarriera (2005) metodologicamente a pesquisa desenvolvida nas redes sociais apresenta dois focos de estudo. O primeiro envolve a observação da estrutura das redes, utilizando-se de um referencial metodológico gráfico e de caráter quantitativo na análise. O segundo destina-se a análise da funcionalidade das redes sociais. Esta concepção geralmente se baseia em metodologias qualitativas, e destina-se a descrever as funções implícitas da rede social, bem como caracterizar os vínculos que a moldam. Para efeito deste estudo se utilizou tanto a estrutura das redes por meio de gráficos quanto às funções implícitas nas redes sociais. Um importante marco na ARS foi à proposição de redes sob a perspectiva social elaborada por Newman (2000). Nesta abordagem, um conjunto de pessoas ou grupos que possuem algum tipo de conexão é denominado de “atores” e as respectivas conexões de “ligações”. Assim, o ator de uma rede possui a amplitude que varia de uma única pessoa a um grupo ou ainda uma empresa. Sob estas condições, uma ligação pode também variar, da 131 amizade entre duas pessoas, a uma colaboração de um membro comum entre dois grupos, ou ainda a um negócio entre duas empresas. Esta proposição expande as possibilidades de ARS possibilitando o desenvolvimento desta pesquisa que se baseia nas relações estabelecidas a partir da participação nas bancas teses e dissertações. A classificação das teses e dissertações, desenvolvida, pelo data mining, possibilitou identificar o material voltado à sustentabilidade ambiental, objeto de Análises de Redes Sociais – ARS. O desenvolvimento ARS foi realizado de forma a unificar as etapas quantitativas deste estudo. Os gráficos das redes sociais, parcela quantitativa da ARS, possibilitaram a observação da estrutura das redes. Como etapa posterior se processou a identificação das redes sociais e a caracterização de vínculos, parcela qualitativa da ARS. Esta ação visou não segmentar o entendimento originado da aplicação desta ferramenta, bem como harmonizar a transição de cada etapa da pesquisa. A ARS possibilita valioso entendimento sobre as redes em estudo. Segundo Wood et al. (1998) a proposta da Sociometria é atuar como técnica contributiva. Sob este aspecto, as técnicas empregadas na Sociometria podem contribuir no processo de identificação de grupos de pesquisa, pesquisadores líderes, temas preferenciais, organizações com maior ou menor potencial associativo, entre outras possibilidades. Dessa forma, a proposta de adotar a ARS neste estudo esteve voltada a identificar tanto grupos de pesquisa quanto pesquisadores líderes, aspectos estes importantes dentro da sociologia do conhecimento abordada por Berger e Luckmann (2008). O estudo buscou identificar a existência de redes sociais voltadas para a sustentabilidade ambiental, com base nas relações desenvolvidas dentro do contexto do Stricto Sensu. Este perfil de investigação contemplou os professores orientadores e os membros da banca de avaliação dos alunos de doutorado e de mestrado. Esta abordagem apresenta uma perspectiva diferenciada dos trabalhos de ARS, que possuem maior enfoque nas redes de produção científica expressa na forma de coautoria e citação. Com vistas a ampliar os resultados desta pesquisa inicialmente se realizou a ARS das 543 teses e dissertações da sustentabilidade ambiental e na sequência se processou a análise dos atores principais da rede. A partir dos resultados obtidos por meio da ARS da sustentabilidade ambiental, que apontaram a centralidade da rede e os respectivos nós, foi realizado um recorte focalizado nos atores principais. A Tabela 1 apresenta os atores mais prolíficos em orientação e a sua respectiva quantidade de laços de relacionamento. Vale destacar que se observa a 132 justaposição, pois os mais prolíficos também se apresentam mais laços de relacionamento. A ARS abordou os atores que se caracterizaram como centrais. A realização deste recorte se insere dentro da perspectiva da abordagem de Berger e Luckmann (2008) que indica que o especialista em um conhecimento representa a própria ordem institucional. Assim, a análise de citação utilizada pelo ator central na orientação das pesquisas em sustentabilidade ambiental possibilitou identificar o conhecimento legitimado neste campo científico. Nome Luis Felipe Machado do Nascimento Quantidade de teses e Quantidade de laços de dissertações em relacionamento decorrentes das sustentabilidade ambiental bancas de doutorado e de mestrado realizadas em sustentabilidade ambiental. 27 103 Pedro Carlos Schenini 18 51 Francisco Correia de Oliveira 12 29 José Antonio Puppim de Oliveira 12 33 Ícaro Aronovich da Cunha 12 26 Celso Funcia Lemme 9 24 José Carlos Barbieri 8 44 Robson Amâncio 8 18 Isak Kruglianskas 6 23 Wayne Thomas Enders 6 13 Tânia Nunes da Silva 6 22 Hans Michael Van Bellen 6 18 Maria Tereza Saraiva de Souza 6 18 Marco Antônio Silveira 6 12 Rolf Hermann Erdmann 5 12 José Célio Silveira Andrade 5 26 Sérgio Gozzi 4 12 Eugênio Ávila Pedrozo 4 30 Ely Laureano Paiva 4 14 Mozar José de Brito 4 10 João Eduardo Prudêncio Tinoco 4 11 Carlos Alberto Cioce Sampaio 4 10 Elaine Ferreira 4 13 George Gurgel de Oliveira 4 11 24 professores com 3 orientações 3 39 professores com 2 orientações 2 208 professores com 1 orientação 1 Tabela 1 – Relação dos pesquisadores mais prolíficos na orientação e a centralidade na estrutura de colaboração a partir dos laços e participação em bancas examinadoras do doutorado e do mestrado. Fonte: Dados da pesquisa A Tabela 1 apresenta os potenciais pesquisadores em sustentabilidade ambiental em função da quantidade de laços de relacionamento que possuem. No entanto, o critério de 133 definição de qual ator será investigado decorre da centralidade que possui, dado este obtido pela ARS. Tal critério, de definição esta intimamente ligada à abordagem de Berger e Luckmann (2008) que posiciona o conhecimento como um fenômeno social. As teses e dissertações do período de 2007 a 2009 (último triênio em que os dados estão disponíveis) dos pesquisadores com maior centralidade serão o objeto de pesquisa das citações realizadas. A análise das redes sociais – ARS será suportada pela utilização de recurso específico para esta atividade. O software a ser utilizado é o ‘UCINET 6’ (2002) que se constitui em uma ferramenta empregada para a análise de redes sociais e que possibilita a visualização das redes em estudo e fornece métricas que possibilitam o entendimento das redes sociais. O emprego deste software possibilita a integração das técnicas para análise e visualização de redes em uma mesma interface. Há vários aspectos na ARS que possibilitam diferentes níveis de entendimento sobre os atores em análise. Neste sentido, o Quadro 6 pertencente ao capítulo anterior apresenta conceitos basais para o desenvolvimento de estudo em rede desta pesquisa. A seção seguinte descreve a abordagem quantitativa de análise das citações realizadas em teses e dissertações em sustentabilidade ambiental no Stricto Sensu em administração. 3.4 ABORDAGEM QUANTITATIVA DAS CITAÇÕES Para atingir o objetivo específico de analisar se os membros da rede social definida pelas bancas de avaliação compartilham uma base comum de conhecimento em sustentabilidade ambiental por meio de um recorte nas teses e dissertações apresentadas de 2007 a 2009 se utilizará técnica do data mining, apresentada na segunda seção deste capítulo. Razão pela qual não se detalhará novamente as características desta técnica, voltando-se assim para a descrição de metodologia utilizada na coleta e análise dos dados. Com base nos dados do banco do Pró-administração foi possível identificar que no triênio de 2007 a 2009 ocorreram 229 estudos em sustentabilidade ambiental no Stricto Sensu em administração. Com base na abordagem de Berger e Luckmann (2008) que o especialista em um conhecimento representa a própria ordem institucional, a pesquisa se ateve aos pesquisadores mais prolíficos e centrais. Nesse sentido, a pesquisa se voltou para os orientadores que desenvolveram quatro ou mais trabalhos neste campo de pesquisa, pois se posicionam com uma produção que possibilita interpretá-los como maduros e que desenvolveram maior volume de reflexões do conhecimento a ser utilizado na pesquisa de seus orientados. Desta forma, temos um total de 49 estudos abarcados por esta pesquisa. Vale 134 destacar, que alguns pesquisadores identificados como prolíficos e apontados na Tabela 1 não realizaram orientações no período de 2007 a 2009 neste campo de pesquisa, a saber: Wayne Thomas Enders, Marco Antônio Silveira, Rolf Hermann Erdmann, Sérgio Gozzi, Ely Laureano Paiva e Carlos Alberto Cioce Sampaio. Mediante a identificação das teses e dissertações em sustentabilidade ambiental no Stricto Sensu em administração no período de 2007 a 2009 dos orientadores mais prolíficos se iniciou o processo de obtenção destes estudos. A coleta destes estudos foi possível por meio da obtenção do material no acervo de bibliotecas das respectivas IESs que desenvolveram a pesquisa. Dos 49 estudos identificados dois não foram passíveis de obtenção, a dissertação de Carlos Alberto Rodrigues Torres, com o título: Gestão Ambiental e resolução de conflitos: licenciamento de dutovias no litoral de São Paulo, e a dissertação de Claudia Rodrigues Cardoso, com o título: AGENDA 21 de Santos: contribuições à gestão sustentável dos recursos hídricos para uso urbano. Ambas as dissertações se desenvolveram na Universidade Católica de Santos UNISANTOS, sob a orientação do pesquisador Ícaro Aronovich da Cunha. A relação destes estudos esta no Quadro 11. Desta forma o universo de investigação nesta fase da pesquisa se configura em nove teses e 38 dissertações que tratam da sustentabilidade ambiental no Stricto Sensu em administração. Com a posse dos 47 estudos foi gerado um novo banco de dados em planilha do Excel. Este banco de dados possui cinco variáveis de pesquisa, o nome, o titulo da obra dos autores, nome do orientador, a IES de titulação do orientador e a IES em que se desenvolveu o estudo das teses e dissertações. Este levantamento originou um total de 4852 citações proporcionando assim uma média de 103 citações por estudo. O algoritmo utilizado para a pesquisa foi baseado nos autores e respectivas obras citadas e na sequência o nome do orientador que incorpora a referência, sua IES de atuação e sua IES de formação. Desta forma, os dados apoiados em tabelas que organizam o quadro de citação de um autor possibilitam identificar se o conhecimento apresentado por este pesquisador está legitimado ou institucionalizado. A abordagem de Berger e Luckmann (2008) destaca a importância do ator e do papel que ocupa no processo de legitimação. Sob esse aspecto a análise dos dados não foca atenção nas obras citadas, mas sim no autor citado. No entanto para evitar disfunções na interpretação dos dados verificou-se a pertinência das obras ao tema em estudo, e ainda se apresentou o título das obras envolvidas no processo de legitimação. 135 Estes conjuntos de fatores possibilitaram o desenvolvimento da presente pesquisa, atendendo aos objetivos estabelecidos, bem como a tentativa de elaborar o constructo final que represente uma proposição teórica ou uma teoria. A apresentação dos dados seguirá a mesma sequência delineada na metodologia. 136 4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS O estudo apresenta os resultados dispostos de forma a atender os objetivos específicos de pesquisa. Para cada um deles, se estabeleceu o delineamento metodológico com procedimentos específicos e ajustados aos desafios apresentados e que se encontram descritos no capítulo anterior. Esse capítulo está subdivido em três seções, a saber: a análise realizada pelo data mining, a análise de rede e novamente utiliza-se a técnica do data mining. Na primeira delas, o objetivo de investigação é atendido pelo uso do data mining na base de dados das teses e dissertações no Stricto Sensu em administração. A investigação compreende os pesquisadores orientadores e as respectivas IES, de formação e atuação. Na seção seguinte, o enfoque se desloca para a dimensão social, resultante da análise de redes expressas, sob a forma de estruturas de colaboração geradas, a partir de laços de participação em bancas de defesa de tese e dissertação de pós-graduação Stricto Sensu. Na última seção recorre-se novamente à técnica do data mining que analisa as citações bibliográficas das teses e dissertações de administração no campo da sustentabilidade ambiental. 4.1 MÉTRICAS DOS ORIENTADORES E DAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR IESs QUE DESENVOLVERAM PESQUISAS EM SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL A análise da métrica nas pesquisas em sustentabilidade ambiental estabeleceu como foco de atenção os pesquisadores que, ao longo do período investigado, contribuíram com o campo desenvolvendo pesquisas e junto a seus orientados produzindo teses e dissertações. Adicionalmente buscou-se identificar métricas das IESs envolvidas neste processo institucional. Vale destacar que se consideraram apenas as IESs que estão com seus programas de Stricto Sensu reconhecidos e recomendados pela CAPES, o Quadro 9 do capítulo anterior apresenta estas instituições. O levantamento de teses e dissertações em administração mostra que no período de 1998 a 2009 ocorreram 13959 estudos. Deste total, 543 estudos abordam a sustentabilidade ambiental, volume este que representa 3,9% do total. Vale destacar que estes valores são superiores ao encontrado por Souza et al. (2011b) e apresentados na Figura 1 por incorporar 137 303 dissertações em administração referentes à IESs que perderam o credenciamento e o reconhecimento junto ao CAPES no período, e apresentadas no item 3.2 da seção anterior. O desenvolvimento da pesquisa no contexto do Stricto Sensu apresenta a combinação de aspectos que envolvem tanto o orientado quanto o orientador. Neste sentido, este estudo apresenta inicialmente a relação dos professores orientadores que mais atuaram na pesquisa em sustentabilidade ambiental. A Tabela 2 mostra uma combinação dos principais professores orientadores com o quantitativo daqueles que tiveram menor participação nas pesquisas em sustentabilidade ambiental. 27 18 12 12 12 9 8 8 6 6 6 6 6 6 5 5 4 4 4 4 4 4 4 4 3 2 1 Pedro Carlos Schenini Francisco Correia de Oliveira José Antonio Puppim de Oliveira Ícaro Aronovich da Cunha Celso Funcia Lemme José Carlos Barbieri Robson Amâncio Isak Kruglianskas Wayne Thomas Enders Tânia Nunes da Silva Hans Michael Van Bellen Maria Tereza Saraiva de Souza Marco Antônio Silveira Rolf Hermann Erdmann José Célio Silveira Andrade Sérgio Gozzi Eugenio Ávila Pedrozo Ely Laureano Paiva Mozar José de Brito João Eduardo Prudêncio Tinoco Carlos Alberto Cioce Sampaio Elaine Ferreira George Gurgel de Oliveira 24 professores com 3 orientações 39 professores com 2 orientações 208 professores com 1 orientação 4 6 11 11 19 21 27 27 35 38 6 9 9 12 15 20 20 23 19 13 24 29 21 35 SA(1) Total Luis Felipe M. do Nascimento Nome Doutorado em Eng. Mecânica Proc. de Fabricação 100 Engenharia 66,7 Engenharia de Produção 36,4 Engenharia de Produção 36,4 Controladoria /Contabilidade 21,1 Administração 19,0 Administração 14,8 Doctorat En Gestion 14,8 Administração 14,3 Administração 13,2 Engenharia de Produção 100 66,7 Administração 66,7 Engenharia de Produção 50,0 Sociologia 40,0 Program in Geography 30,0 Administração 40,0 Ciências Sociais em Desenv. 34,8 Administração 47,4 Administração 92,3 Saúde Pública 50,0 Planejamento 41,4 Business Policy 85,7 Engenharia de Produção 77,1 Economia e Meio Ambiente % Quantidade de teses e dissertações UNICAMP (8) UFSC UFSC USP USP UFBA UNIVALI 1995 2000 1999 1996 FURB 2000 UFLA 1999 1995 1991 2000 1994 1999 2000 2002 1998 1978 1982 2000 1992 UNISANTOS(10) UNISINOS UFRGS França (9) UFRGS PUC/SP UFBA USP UFBA UFSC CNEC (11) UFSC UNINOVE UFSC UFRGS UFRN USP UFLA FGV/SP 2000 1996 UFRJ 2000 FGV/RJ 1980 1999 1995 sim não(35) sim (34) sim (33) não(32) não 4 LP 10 PP 5 PP e 2 LP 3 PP 1 PP 1 PP (31) 6 PP não(30) 10 PP e 5 LP 3 PP e 1 LP não(29) não(28) sim(27) não (26) não(25) 2 PP 5 PP e 3 LP (24) 6 PP sim(23) 10 PP e 1 LP 2 PP e 3 LP 3 PP e 2 LP 2 PP e 1 LP 1 LP 5 PP e 2 LP 3 PP sim(22) não (21) não(20) sim (19) não(18) sim (17) sim(16) sim (15) não 9 LP sim(13) (14) 10 PP e 1 LP sim(12) Tese na Aponta PP (2) Ano de área de ou LP (3) em titulação SA (1) SA (1) UNISANTOS(10) UNIFOR FGV/SP (5) UFSC UFRGS IES em que atua UNICAMP (8) UFSC USP EUA (7) USP UFRJ FGV/SP UFRJ USP EUA (6) Grã-Bretanha UFSC Alemanha (4) IES de obtenção do doutorado 138 Tabela 2 – Principais professores orientadores e o quantitativo daqueles que tiveram menor participação nas pesquisas em sustentabilidade ambiental no Stricto Sensu de administração de 1998 a 2009. Fonte: Dados da pesquisa 139 Notas: (1) Sustentabilidade Ambiental - SA, (2) Projeto de Pesquisa – PP, (3) Linha de Pesquisa – LP, (4) Universität Gesamthochschule Kassel, (5) University of Warwick - Grã-Bretanha, (6) Massachusetts Institute of Technology, (7) The University of Texas at Austin, (8) Universidade de Campinas – UNICAMP, (9) Institut National Polytechnique de Lorraine, (10) Universidade Católica de Santos – UNISANTOS, (11) Campanha Nacional de Escolas da Comunidade/MG – CNEC, (12) Título: Ökologisch orientierte Regionalentwicklungsplanung - Das Beispiel Jacuigebiet / Brasilien, tradução livre: Planejamento do desenvolvimento regional ecologicamente orientado - o caso Jacuigebiet / Brasil, (13) Título: Avaliação dos padrões de competitividade à luz do desenvolvimento sustentável: o caso da indústria Trombini papel e embalagens em Santa Catarina BR, (14) Título: Large sacele projects in Regional Development policies: the case of the Northeast Petrochemical Pole, tradução livre: Grandes projetos Sacele nas políticas de desenvolvimento regional: o caso do Polo Petroquímico do Nordeste, (15) Título: Implementing Environmental Policies in Developing Countries: Responding to the Environmental Impacts of Tourism Development by Creating Environmentally Protected Areas in Bahia, Brazil, tradução livre: Implementação de políticas ambientais nos países em desenvolvimento: Respondendo aos impactos ambientais do desenvolvimento do turismo, criando áreas de proteção ambiental na Bahia, Brasil, (16) Título: Sustentabilidade e Poder Local: a Experiência de Política Ambiental em São Sebastião, Costa Norte de São Paulo (1989 - 1992), (17) Título: Avaliação econômica de impactos ambientais no Brasil: da atividade acadêmica ao financiamento de longo prazo de projetos e empresas, (18) Título: A Inovação Tecnológica Industrial no Brasil - fatores que condicionam a sua intensidade, (19) Título: O uso de indicadores locais de desenvolvimento e a sustentabilidade da reforma agrária no cerrado do norte e noroeste de Minas Gerais, (20) Título: Efeito da Interação Organizacional na Eficácia do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Cativo, (21) Título: The Spatial Behavior of Low Income Urban Hospital Patients: A Case Study in Porto Alegre, Brazil, tradução livre: O Comportamento Espacial de Baixa Renda em Pacientes do Hospital Urbanos: Um Estudo de Caso em Porto Alegre, Brasil, (22) Título: Cooperativas: um instrumento de promoção da qualidade de vida, bem estar social e da preservação ambiental, face ao processo de globalização da economia, (23) Título: Indicadores de Sustentabilidade: Uma Análise Comparativa, (24) Título: Organização Sustentável: Indicadores setoriais dominantes para avaliação da sustentabilidade - Análise de um segmento do setor de alimentação, (25) Título: Modelo para Sistemas da Qualidade como Base da Estratégia Competitiva, (26) Título: Modelo organizativo para sistemas de planejamento e controle da produção, (27) Título: Conflito, Cooperação e Convenções: a dimensão políticoinstitucional das estratégias socioambientais da Aracruz Celulose S.A. (28) Título: Organização da Segurança do Trabalho: um confronto entre teoria e a realidade, (29) Título: Cadre Conceptuel en Gestion de Coopératives Agricoles: Une Analyse selon l'Economie des Concentions, la Systémique et la Complexité, tradução livre: Estrutura Conceitual para a Gestão de Cooperativas Agrícolas: Uma Análise dos Conceitos em Economia, em Sistemas e Complexidade, (30) Título: Conhecimento Organizacional e o Processo de Formulação de Estratégias de Produção, (31) Título: Mudança e cultura organizacional: A construção social de um novo modelo de gestão de P&D na EMBRAPA, (32) Título: Contribuição ao Estudo da Contabilidade Estratégica de Recursos Humanos, (33) Título: Uma proposta de um modelo de gestão organizacional estratégica para o desenvolvimento sustentável (SIGOS), (34) Título: Um modelo de implementação de desenvolvimento sustentável em cidades baseado nos atores sociais e verificação de sua aplicabilidade em São José, SC, (35) Título: A Trajetória da Petrobras, desafios atuais e o futuro. Os dados mostram os pesquisadores relacionados na Tabela 2, os mais prolíficos na pesquisa em sustentabilidade ambiental pelo critério de orientação no Stricto Sensu. O primeiro a apresentar tese com tema em sustentabilidade ambiental foi Luis Felipe Machado do Nascimento. Este pesquisador apresentou a tese “Ökologisch orientierte Regionalentwicklungsplanung - Das Beispiel Jacuigebiet/Brasilien” (tradução livre: Planejamento do desenvolvimento regional ecologicamente orientado - o caso Jacuigebiet/Brasil”, em 1995 na Universität Gesamthochschule Kassel – Alemanha, obtendo o título de doutor em Economia e Meio Ambiente. Após 1995 identificam-se apenas três pesquisadores, que obtiveram o título de doutor com teses não voltadas para a pesquisa ambiental, mas que atuam na área, a saber: João Eduardo Prudêncio Tinoco em 1996, Ely 140 Laureano Paiva em 1999 e Mozar José de Brito em 2000. No contexto geral, há 13 pesquisadores que obtiveram o título de doutor com teses voltadas ao tema sustentabilidade ambiental e 11 com temas outros. Tal cenário mostra um equilíbrio entre pesquisadores formados no tema ambiental e pesquisadores formados em outras áreas atuantes em pesquisas ambientais. Vale destacar que os pesquisadores formados em período anterior a 1995 e que estabeleceram linhas de pesquisa voltadas ao tema ambiental, podem ser interpretados como pioneiros deste campo de pesquisa no Brasil. O pesquisador Luis Felipe Machado do Nascimento se estabelece como o de maior volume de estudos no campo de pesquisa ambiental, com 27 (77,1%) trabalhos de um total de 35 que realizou. Este pesquisador iniciou as atividades do Stricto Sensu em 1997, mesmo ano em que teve a primeira orientação, concluída justamente no campo de sustentabilidade ambiental. O pesquisador Pedro Carlos Schenini aparece na segunda posição de maior volume de estudos no campo de pesquisa ambiental, foram 18 trabalhos (85,7%) de um total de 21 que realizou. Este pesquisador iniciou as atividades do Stricto Sensu em 2000, e no ano de 2001 teve a primeira orientação concluída, justamente no campo de sustentabilidade ambiental. O pesquisador Francisco Correia de Oliveira aparece na terceira posição de maior volume de estudos no campo de pesquisa ambiental, 12 trabalhos (41,4%) de um total de 29 que realizou. Este pesquisador iniciou as atividades do Stricto Sensu em 1998, e no ano de 2000 teve a primeira orientação concluída, justamente no campo de sustentabilidade ambiental. Também aparece na terceira posição de maior volume de estudos no campo de pesquisa ambiental o pesquisador José Antonio Puppim de Oliveira, com 12 trabalhos (50%) de um total de 24 que realizou. Este pesquisador iniciou as atividades do Stricto Sensu em 2000, e no ano de 2001 teve a primeira orientação, concluída justamente no campo de sustentabilidade ambiental. Outro pesquisador, Ícaro Aronovich da Cunha, também ocupa a terceira posição de maior volume de estudos no campo de pesquisa ambiental, são 12 trabalhos (92,3%) de um total de 23 que realizou. Este pesquisador iniciou as atividades do Stricto Sensu em 2001, e no ano de 2003 ocorreu à primeira orientação, concluída justamente no campo de sustentabilidade ambiental. O pesquisador Celso Funcia Lemme aparece na quarta posição de maior volume de estudos no campo de pesquisa ambiental, com nove trabalhos (47,4%) de um total de 19 que realizou. Este pesquisador iniciou as atividades do Stricto Sensu em 2000, no ano de 2001 teve a primeira orientação concluída e em 2003 a primeira orientação concluída no campo de sustentabilidade ambiental. O pesquisador José Carlos Barbieri aparece na quinta posição de maior volume de estudos no campo de pesquisa ambiental, com oito trabalhos (34,8%) de um total de 23 que realizou. Este pesquisador 141 iniciou as atividades na Fundação Getúlio Vargas FGV/SP em 1992, no ano de 1995 teve a primeira orientação concluída e em 1996 a primeira orientação concluída no campo de sustentabilidade ambiental. O pesquisador Robson Amâncio aparece também na quinta posição de maior volume de estudos no campo de pesquisa ambiental, com oito trabalhos (40%) de um total de 20 que realizou. Este pesquisador iniciou as atividades do Stricto Sensu em 1998, mesmo ano em que ocorreu a conclusão da primeira orientação. Concluiu a primeira orientação sustentabilidade ambiental em 2002. Vale destacar que este pesquisador obteve o título de doutor somente em 2000. Os demais pesquisadores apresentam seis ou menos orientações concluídas em sustentabilidade ambiental. Os pesquisadores que aparecem com maior volume de estudos no campo de pesquisa de sustentabilidade ambiental, apresentam respectivamente uma participação expressiva de interesse nesta área. Dos 24 pesquisadores analisados, somente seis apresentam índices inferiores a 30% de estudos em sustentabilidade ambiental, em relação ao total de pesquisas desenvolvidas. Estes estão posicionados da 15ª até a 20ª posição. A análise de Projeto de Pesquisa – PP e Linha de Pesquisa – LP dos pesquisadores, mencionados na Tabela 2, aponta que dos 24 professores orientadores analisados, apenas três não apresentam PP ou LP em sustentabilidade ambiental. Vale destacar que esta informação foi obtida mediante investigação desenvolvida nos respectivos currículos Lattes. Um aspecto a se levantar com relação aos 295 orientadores é a IES de obtenção do título de doutor. Vale destacar que o levantamento aborda nominativamente apenas as IESs brasileiras, as estrangeiras são categorizadas pelo país onde estão sediadas, como mostra a Figura 20. 142 80 76 70 60 50 40 30 28 24 23 21 20 20 10 9 9 7 5 5 5 3 3 3 2 2 2 2 2 1 1 1 19 8 6 3 2 1 1 1 0 Figura 20: Relação das IESs em que os orientadores obtiveram o doutorado Fonte: Dados da pesquisa. A Figura 20 distingue inicialmente a formação dos pesquisadores em dois grupos, os formados em IESs nacionais com 207 (70%) eventos e em IESs estrangeiras com 88 (30%) eventos. Apesar da predominância das IESs nacionais a formação de pesquisadores em instituições do exterior é expressiva, condição esta que possibilita uma significativa diversidade na formação dos professores orientadores que atuam no campo de pesquisa da sustentabilidade ambiental. Adicionalmente, a Figura 20 revela a Universidade de São Paulo USP como a IES com maior contribuição na formação de pesquisadores que atuam no Stricto Sensu em administração realizando orientação na área de sustentabilidade ambiental com um total de 76 (25,8%) egressos. A USP caracteriza-se, assim, como um importante centro de formação de pesquisadores em sustentabilidade ambiental, que obteve o reconhecimento e a recomendação do doutorado em administração pela CAPES em 1975, e apresentando já em 1998 duas dissertações no campo da sustentabilidade ambiental. Na sequência, aparecem outras instituições que contribuem para a formação destes pesquisadores, a saber: Fundação Getúlio Vargas/SP FGV/SP com 28 (9,5%) pesquisadores egressos, e reconhecimento e recomendação do doutorado pela CAPES em 1976 e 143 apresentado já em 1998 uma dissertação no campo da sustentabilidade ambiental. Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC com 21 (7,2%) pesquisadores, reconhecimento e recomendação do doutorado pela CAPES em 2008 e apresentando já em 1998 uma dissertação no campo da sustentabilidade ambiental. Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ com 20 (6,8%) pesquisadores, recomendação do doutorado pela CAPES em 1976 e apresentando somente em 2000 o primeiro trabalho em sustentabilidade ambiental, a tese do aluno Celso Funcia Lemme. Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG com sete (2,4%) pesquisadores, recomendação do doutorado pela CAPES em 1995 e apresentando já em 2000 uma dissertação no campo da sustentabilidade ambiental. Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRGS com cinco (1,4%) pesquisadores, recomendação do doutorado pela CAPES em 1994 e apresentando já em 1998 três dissertações no campo da sustentabilidade ambiental. Universidade Federal da Bahia UFBA com cinco (1,4%) pesquisadores, recomendação do doutorado pela CAPES em 1993 e apresentando já em 1999 uma dissertação no campo da sustentabilidade ambiental. Universidade Federal de Pernambuco – UFPE com cinco (1,4%) pesquisadores, recomendação do doutorado pela CAPES em 1993 e apresentando somente em 2003 uma dissertação no campo da sustentabilidade ambiental. As demais IES contribuem com a formação de três ou menos pesquisadores. Um importante detalhe revelado pela Figura 20 é que orientadores obtiveram o doutorado em IES que não possuem o programa de doutorado em administração. Tal condição é possível, pois muitos dos orientadores mesmo que atuando no Stricto Sensu de administração obtiveram o grau de doutor em programas de outras áreas do conhecimento. Incluem-se nesta situação as seguintes IESs: Universidade de Campinas – UNICAMP, Pontifícia Universidade Católica – PUC/SP, Universidade Federal Rural do Rio De Janeiro – UFRRJ, Universidade Federal do Ceará – UFC, Instituto universitário de Pesquisa do Rio de Janeiro – IUPERJ, Universidade Federal do Pará – UFPA e Universidade Federal de São Carlos – UFSCAR. Como exemplo destaca-se os orientadores que obtiveram doutorado na Universidade de Campinas – UNICAMP e que apresentam as seguintes áreas de formação: Áureo Eduardo Magalhães Ribeiro - doutorado em História, Amilcar Baiardi - doutorado em Ciências Humanas Economia, George Gurgel de Oliveira - doutorado em Engenharia, Maria Elisabete Pereira dos Santos - doutorado em Ciências Sociais, Renato Linhares de Assis doutorado em Economia Aplicada, Luis Paulo Bresciani - doutorado em Política Científica e Tecnológica, Abraham Benzaquen Sicsú - doutorado em Economia, Marco Antônio Silveira doutorado em Engenharia Mecânica Processos de Fabricação e Teresa Cristina Siqueira 144 Cerqueira - doutorado em Educação. Destaca-se ainda que a Universidade Federal de Santa Catarina UFSC obteve a recomendação do doutorado em administração somente em 2008, no entanto possui grande colaboração, originada do Stricto Sensu em Engenharia de Produção. Tal cenário mostra que os professores do Stricto Sensu em administração possuem diferentes áreas de formação. Assim, esta pesquisa investiga a área de formação dos orientadores que estão atuando no Stricto Sensu de administração. A Tabela 3 expõe este perfil de formação dos orientadores. Para facilitar a interpretação, a distribuição está disposta em categorias consonantes à proposição da CAPES, que aponta nove grandes áreas compostas por áreas de avaliação. Para este estudo criou-se mais uma grande área, a de administração. Esta ação destina-se a possibilitar a visualização distinta desta área em particular no contexto deste estudo. Para a análise, segundo os padrões da CAPES, basta apenas incluir esta área de avaliação dentro da grande área de ciências sociais aplicadas. Vale destacar, que as expressões “grande área” e “área de avaliação” são nomenclaturas da própria CAPES. A Tabela 3 reflete esta situação. 145 Grande Área de formação dos orientadores Ciências Agrárias Quantidade de orientadores que obtiveram doutorado nesta grande área. 0 Ciências Biológicas 1 (0,3%) Ciências da Saúde 2 (0,7%) Ciências Exatas e da Terra Ciências Humanas Ciências Sociais Aplicadas (sem a administração) Ciências Sociais Aplicadas (somente a Administração) Engenharias Linguística, Letras e Artes Multidisciplinar 5 (1,7%) 57 (19,3%) 49 (16,6%) 140 (47,5%) 40 (13,6%) 1(0,3%) Áreas de avaliação contidas nesta grande área Agronomia, Ciência e Tecnologia de Alimentos, Engenharia Agrícola, Medicina Veterinária, Recursos Florestais e Engenharia Florestal, Recursos Pesqueiros e Engenharia de Pesca e Zootecnia. Biofísica, Biologia Geral, Bioquímica, Botânica, Ecologia (Ecologia e Meio Ambiente), Farmacologia, Fisiologia, Genética, Imunologia, Microbiologia, Morfologia, Oceanografia, Parasitologia e Zoologia. Educação Física, Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia e Terapia Ocupacional (Educação Física), Fonoaudiologia (Educação Física), Medicina, Nutrição, Odontologia e Saúde Coletiva. Astronomia, Ciência da Computação, Física, Geociências, Matemática, Oceanografia, Probabilidade e Estatística e Química. Antropologia, Arqueologia, Ciência Política (Ciência Política e Relações Internacionais), Educação, Filosofia (Filosofia / Teologia: subcomissão Filosofia), Geografia, História, Psicologia, Sociologia e Teologia (Filosofia / Teologia: subcomissão Teologia). Arquitetura e Urbanismo, Ciência da Informação, Comunicação, Demografia, Desenho Industrial (Arquitetura e Urbanismo), Direito, Economia, Museológica, Planejamento Urbano e Regional, Serviço Social, Turismo (Administração, Ciências Contábeis e Turismo). Nota: A área de avaliação Administração (Administração, Ciências Contábeis e Turismo) esta indicada de forma separada na linha abaixo. Administração, Administração Pública, Administração de Setores Específicos, Mercadologia, Administração de Produção, Estratégia e Gestão da Produção, Sistemas Governamentais Comparados, Administração de Recursos Humanos, Gerência de Produção, Organização Industrial e Estudos Industriais, Logística e Análise Institucional. Engenharia Aeroespacial, Engenharia Biomédica, Engenharia Civil , Engenharia de Materiais e Metalúrgica, Engenharia de Minas, Engenharia de Produção, Engenharia de Transportes, Engenharia Elétrica, Engenharia Mecânica, Engenharia Naval e Oceânica, Engenharia Nuclear, Engenharia Química e Engenharia Sanitária. Artes (Artes / Música), Letras e Linguística. 0 Biotecnologia, Ensino (Ensino de Ciências e Matemática), Interdisciplinar e Materiais. Tabela 3 – Área de formação dos orientadores no Stricto Sensu em administração. Fonte: Dados da pesquisa. Nota: a classificação em grandes áreas e áreas de avaliação pode ser obtida no sitio da CAPES: www. http://conteudoweb.capes.gov.br/conteudoweb/ProjetoRelacaoCursosServlet?acao=pesquisarGrandeArea Os pesquisadores atuantes no Stricto Sensu de administração são oriundos de diversas grandes áreas de formação, a saber: ciências biológicas, ciências da saúde, ciências exatas e da terra, ciências humanas, ciências sociais aplicadas, engenharias e linguística, letras e artes. As grandes áreas que não apresentam pesquisadores, atuando em pesquisa de sustentabilidade ambiental no Stricto Sensu de administração, são a ciências agrárias e a multidisciplinar. Vale destacar que os pesquisadores com titulação de doutorado específica em administração representam praticamente a metade, com 140 (47,5%) dos eventos. Se incorporarmos estes doutores em administração a grande área a que pertencem, teremos 189 (63,9%) eventos em 146 ciências sociais aplicadas. Assim, apesar da diversidade observada, há uma significativa representação de doutores em administração e de ciências sociais aplicadas no Stricto Sensu de administração. A significativa colaboração de administradores pode ajudar na estruturação do campo de pesquisa de sustentabilidade ambiental do Stricto Sensu em administração. As grandes áreas de ciências humanas com 57 (19,3%) e de Engenharias com 40 (13,6%) também se destacam como colaborativas na formação de pesquisadores que atuam com pesquisas em sustentabilidade ambiental no Stricto Sensu de administração. A colaboração de pesquisadores originados de outras grandes áreas pode ser o esboço da interdisciplinaridade que o campo de pesquisa em sustentabilidade ambiental estabelece. Na grande área de ciências humanas podemos destacar a presença de titulados da área de sociologia e na grande área de engenharia, um importante conjunto de áreas de avaliação voltadas para o desenvolvimento tecnológico, que por sua vez devem incorporar o tema ambiental. A Figura 21 apresenta o ano de obtenção do título de doutor dos pesquisadores atuantes no Stricto Sensu de administração no campo de pesquisa de sustentabilidade ambiental. Como apresentado na Tabela 2, dentre os principais pesquisadores deste campo de pesquisa, o primeiro a obter o título de doutor com uma tese tratando da sustentabilidade ambiental foi Luis Felipe Machado do Nascimento em 1995. Dessa forma, grande parte dos pesquisadores atuantes em sustentabilidade ambiental, que obtiveram título de doutor em período antecedente a 1995, realizaram suas pesquisas de doutorado em campos diferentes da sustentabilidade ambiental. 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 80 86 53 23 7 11 21 14 Figura 21 - Ano de obtenção do doutorado pelo orientador em Stricto Sensu de administração. Fonte: Dados da pesquisa. 147 A Figura 21 revela que sete pesquisadores titulados em doutor, a partir de 1970, desenvolveram orientações no campo de pesquisa da sustentabilidade ambiental. Nos períodos compreendidos entre os anos de 1975 e 1989 observa-se crescimento na quantidade de pesquisadores formados atuando neste campo de pesquisa, mas ainda com valores totais baixos. O período de 1990 a 1994 registra um significativo acréscimo apresentando um total de 53 (18%) pesquisadores. O período de 1995 a 1999 também apresenta um acréscimo com um total de 80 (27%) pesquisadores. Vale destacar que só a partir de 1995 se observam os primeiros orientadores que obtiveram a titulação de doutor com temas voltados para a sustentabilidade ambiental. no período de 2000-2004 observa-se 86 (29%) ocorrências o maior contingente observado. O período de 2005 a 2009 apresenta valores discretos, no entanto, trata-se de pesquisadores que obtiveram a titulação e iniciaram as atividades de orientação justamente neste intervalo de tempo, condicionados assim a processo de admissão no Stricto Sensu e inicialização das atividades junto aos orientados. Fatores estes característicos do processo de iniciação do pesquisador na atividade. A apresentação e a análise dos dados determina o estabelecimento de métricas destinadas a identificar o perfil das Instituições de Ensino Superior – IES. A primeira métrica em análise é destinada a identificar as IESs, que apresentaram teses e ou dissertações em sustentabilidade ambiental associada à quantidade de estudos desenvolvidos nestas instituições. Os dados apontam que no período de 1998 a 2009 desenvolveu-se um total de 13959 teses e dissertações no Stricto Sensu de administração. A Tabela 4 apresenta a relação das 58 IESs nas quais se realizaram 543 estudos voltados à sustentabilidade ambiental. 148 Instituição de Ensino Superior IES UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina FGV/SP - Fundação Getúlio Vargas / São Paulo FGV/RJ - Fundação Getúlio Vargas / Rio de Janeiro USP - Universidade de São Paulo UFBA - Universidade Federal da Bahia UNISANTOS - Universidade Católica de Santos UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro UFLA - Universidade Federal de Lavras PUC/SP - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo UNIFOR - Universidade de Fortaleza UFRPE - Universidade Federal Rural de Pernambuco UFRN - Universidade Federal do Rio Grande do Norte PUC/RJ - Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro FURB - Universidade Regional de Blumenau FESP/UPE - Fundação Universidade de Pernambuco UNINOVE - Universidade Nove de Julho USP/RP - Universidade de São Paulo/ Ribeirão Preto IBMEC - Faculdade de Economia e Finanças do IBMEC CNEC - Campanha Nacional de Escolas da Comunidade UNESA - Universidade Estácio de Sá UNIVALI - Universidade do Vale do Itajaí UPM - Universidade Presbiteriana Mackenzie USCS - Universidade Municipal de São Caetano do Sul FEAD - Faculdade de Est. Administrativos de Minas Gerais UFPR - Universidade Federal do Paraná UNIR - Universidade Federal de Rondônia FCHPL - Faculdade de Ciências Humanas de Pedro Leopoldo PUC/PR - Pontifícia Universidade Católica do Paraná UFPB - Universidade Federal da Paraíba / João Pessoa UFRRJ - Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro UFU - Universidade Federal de Uberlândia UNIFACS - Universidade Salvador FJP - Fundação João Pinheiro (Escola de Governo) UDESC - Universidade do Estado de Santa Catarina UEM - Universidade Estadual de Maringá FJN - Fundação Joaquim Nabuco/PE UFPE - Universidade Federal de Pernambuco UNISINOS - Universidade do Vale do Rio dos Sinos FUMEC - Universidade FUMEC UCS - Universidade de Caxias do Sul UECE - Universidade Estadual do Ceará UFMG - Universidade Federal de Minas Gerais UNB - Universidade de Brasília UNIMEP - Universidade Metodista de Piracicaba FEI - Centro Universitário da FEI FNH - Faculdade Novos Horizontes UFES – Universidade Federal do Espírito Santo UMESP - Universidade Metodista de São Paulo UNIP - Universidade Paulista FBV - Faculdade Boa Viagem FUCAPE – Fund. Inst. Capixaba de Pesq. Cont. Econ. e Fin. PUC/MG - Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais UFAL - Universidade Federal de Alagoas UFV - Universidade Federal de Viçosa UNIGRANRIO – Univ. do Grande Rio/Prof. Jose de S. Herdy UNP - Universidade Potiguar UP - Universidade Positivo Teses e dissertações Total Em SA 1009 57 597 38 1170 30 631 28 872 24 529 23 99 22 578 20 251 18 540 17 200 17 54 14 190 13 501 12 239 11 14 10 123 10 89 10 519 9 60 8 211 8 84 8 285 8 128 8 339 7 319 7 41 7 322 6 182 6 266 6 282 6 68 6 161 6 276 5 49 5 159 5 16 4 293 4 170 4 103 3 44 3 62 3 355 3 207 3 144 3 21 2 133 2 81 2 108 2 40 2 64 1 16 1 189 1 27 1 34 1 14 1 29 1 69 1 % em relação ao total 10,5 7,0 5,5 5,2 4,4 4,2 4,1 3,7 3,3 3,1 3,1 2,6 2,4 2,2 2,0 1,8 1,8 1,8 1,7 1,473 1,473 1,473 1,473 1,473 1,289 1,289 1,289 1,105 1,105 1,105 1,105 1,105 1,105 0,921 0,921 0,921 0,737 0,737 0,737 0,552 0,552 0,552 0,552 0,552 0,552 0,368 0,368 0,368 0,368 0,368 0,184 0,184 0,184 0,184 0,184 0,184 0,184 0,184 Regime da IES Pública Pública Particular Particular Pública Pública Particular Pública Pública Particular Particular Pública Pública Particular Pública Pública Particular Pública Particular Particular Particular Particular Particular Pública Particular Pública Pública Particular Particular Pública Pública Pública Particular Pública Pública Pública Pública Pública Particular Particular Particular Pública Pública Pública Particular Particular Particular Pública Particular Particular Particular Particular Particular Pública Pública Particular Particular Particular Tabela 4: Relação das teses e dissertações em sustentabilidade ambiental por Instituição de Ensino Superior IES de 1998 a 2009. Fonte: Dados da pesquisa. Nota: SA = Sustentabilidade Ambiental. 149 Analisando o desempenho de pesquisas das IESs em sustentabilidade ambiental no período de 1998 e 2009 observa-se que a Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRGS apresenta o maior volume de teses e dissertações voltadas a este campo de pesquisa com 57 estudos que representa 10,8% do total produzido. A Universidade Federal de Santa Catarina UFSC, por sua vez, se posiciona em segundo lugar participando com 38 estudos que representam 7,0% do total produzido. Na sequência, as seguintes instituições também aparecem em destaque: Fundação Getúlio Vargas/SP com 30 estudos que representam 5,7% do total, Fundação Getúlio Vargas/RJ com 28 estudos que representam 5,5% do total, Universidade de São Paulo com 24 estudos que representam 4,5% do total, Universidade Federal da Bahia com 23 estudos que representam 4,3% do total, Universidade Católica de Santos com 22 estudos que representam 4,2% do total, Universidade Federal do Rio de Janeiro com 20 estudos que representam 3,8% do total e a Universidade Federal de Lavras com 18 estudos que representam 3,4% do total. Estas nove instituições respondem por 48% do total de estudos em sustentabilidade ambiental realizados no Stricto Sensu de administração, enquanto as outras 49 IESs participam com 52%. Desta forma, 15% das IES abarcam aproximadamente metade de toda a pesquisa em sustentabilidade ambiental desenvolvida no Stricto Sensu em administração. Analisando comparativamente o desempenho das pesquisas em sustentabilidade ambiental em relação ao total desenvolvido pelo Stricto Sensu em administração, dentro do contexto de cada IES, é possível identificar instituições com acentuada atenção a este campo de pesquisa. A Universidade Católica de Santos UNISANTOS é a que possui maior contribuição interna de teses e dissertações em sustentabilidade ambiental com uma participação de 22,2% em relação ao total produzido pela IES. Na sequência, aparecem a Universidade Federal de Lavras UFLA com 7,2%, a Universidade Federal de Santa Catarina UFSC com 6,2%, e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRGS com 5,6%. As demais IESs aparecem com uma contribuição interna de teses e dissertações em sustentabilidade ambiental com índices inferiores a 5% de participação. Tal cenário revela que tanto a Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRGS quanto a Universidade Federal de Santa Catarina UFSC possuem relevância na produção geral de teses e dissertações em sustentabilidade ambiental. Esta relevância se manifesta dentre outros fatores pelo fato de possuírem pesquisadores dedicados a este campo de pesquisa. Associando as informações da Tabela 4 que informa as IESs mais prolíferas com as disponibilizadas na Tabela 2 que informa os pesquisadores mais prolíficos é possível identificar o núcleo de pesquisa em sustentabilidade ambiental destas instituições. A 150 Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRGS possui três pesquisadores em seu núcleo de sustentabilidade ambiental, os professores: Luis Felipe Machado do Nascimento, Tânia Nunes da Silva e Eugenio Ávila Pedrozo. A Universidade Federal de Santa Catarina UFSC também possui três pesquisadores em seu núcleo de sustentabilidade ambiental, os professores: Pedro Carlos Schenini, Hans Michael Van Bellen e Rolf Hermann Erdmann. Outras IESs que também apresentaram núcleo de pesquisa são: Universidade Católica de Santos UNISANTOS com os professores: Ícaro Aronovich da Cunha e João Eduardo Prudêncio Tinoco, a Universidade Federal de Lavras UFLA com os professores: Robson Amâncio e Mozar José de Brito e a Universidade Federal da Bahia UFBA com os professores: José Célio Silveira Andrade e George Gurgel de Oliveira. Dentre as IESs mais prolíferas observa-se a existência de instituições que apresentam apenas um pesquisador na relação dos mais prolíficos na pesquisa em sustentabilidade ambiental. Na Fundação Getúlio Vargas / São Paulo FGV/SP o professor José Carlos Barbieri, na Fundação Getúlio Vargas / Rio de Janeiro FGV/RJ o professor José Antonio Puppim de Oliveira, na Universidade de São Paulo USP o professor Isak Kruglianskas, na Universidade Federal do Rio de Janeiro UFRJ o professor Celso Funcia Lemme, na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo PUC/SP o professor Sérgio Gozzi, na Universidade de Fortaleza UNIFOR o professor Francisco Correia de Oliveira, na Universidade Nove de Julho UNINOVE a professora Maria Tereza Saraiva de Souza. Tal constatação não monstra a inexistência de um núcleo de pesquisas em sustentabilidade ambiental nestas instituições, no entanto é possível identificar a concentração de pesquisa em um único professor orientador. A Tabela 4 possibilita ainda identificar a dependência administrativa das IESs. A Figura 22, expressa esta repartição de dependência administrativa. 314 - 58% Pública 229 - 42% Particular Figura 22 - Dependência administrativa das IESs Fonte: Dados da pesquisa. Nota: Dependência Administrativa Pública incorpora IES: Federal, Estadual e Municipal. 151 A Figura 22 expõe um contexto de prevalência das IESs públicas (58%) em relação às particulares (42%). Apesar da existência de superioridade das IESs públicas em relação às particulares é possível observar que a diferença entre elas é de 16 apenas pontos percentuais. Tal condição demonstra que as IESs de ambas as dependências administrativas possuem interesse na pesquisa em sustentabilidade ambiental. A Figura 23 apresenta a distribuição das teses e dissertações por região geográfica do Brasil. 10000 8721 3039 1947 Total teses e dissertações 1000 285 145 212 103 100 40 17,5% 10 4,8% 3,3% 5,3% 7 3 Teses e dissertações em sustentabilidade ambiental 1,4% 1 Sudeste Sul Nordeste Centro-Oeste Norte Percentagem sustentabilidade ambiental Figura 23 - Distribuição das teses e dissertações de sustentabilidade ambiental por região geográfica do Brasil de 1998 a 2009. Fonte: Dados da Pesquisa Nota: o eixo das ordenadas esta formatado em escala logarítmica A região Sudeste aparece com predomínio, tanto na produção total de teses e dissertações com 8721 estudos quanto na produção voltada para a sustentabilidade ambiental 285 (3,3%) estudos caracterizando-se como um grande polo de pesquisa em sustentabilidade ambiental com desempenho superior ao somatório das demais regiões (258). Na sequência, aparece respectivamente a região Sul com um total de 3039 estudos dos quais 145 (4,8%) estão voltados à sustentabilidade ambiental. A região Nordeste apresenta um total de 1947 estudos sendo que destes 103 (5,3%) estão voltados à sustentabilidade ambiental, a região Centro-Oeste com um total de 212 estudos sendo que destes três (1,4%) estão voltados à sustentabilidade ambiental e finalmente a região Norte com um total de 40 estudos sendo que destes sete (17,5%) estão voltados à sustentabilidade ambiental. 152 As regiões Nordeste (5,3%), Sul (4,8%) e Sudeste (3,3%) apresentam pouca discrepância, com um percentual muito próximo de teses e dissertações em sustentabilidade em relação ao total. A região Norte, com apenas sete dissertações defendidas neste campo de pesquisa apresenta um índice de 17,5%, valor este significativo. Esta prevalência mostra interesse de pesquisadores da região Norte em estudos em sustentabilidade ambiental. Em contrapartida, a região Centro-Oeste apresenta apenas três que resulta no índice de 1,4% dos trabalhos neste campo de pesquisa. Vale destacar que ambas as regiões possuem os biomas, Floresta Amazônica e Pantanal respectivamente os mais importantes de preservação ambiental do país, mas que, no entanto apresentam prioridades opostas no desenvolvimento de pesquisas que abarcam a sustentabilidade ambiental. A Figura 24 detalha o desempenho dos estados que compõem as regiões brasileiras, possibilitando assim a visualização de forma individualizada da contribuição de cada membro da união na pesquisa em sustentabilidade ambiental. Sudeste 138 Sul 120 100 Nordeste 84 80 60 64 60 33 19 3 7 3 62 40 20 Centro-Oeste 140 Norte 160 29 20 14 6 1 0 Figura 24 - Distribuição das teses e dissertações de sustentabilidade ambiental por estado do Brasil de 1998 a 2009. Fonte: Dados da Pesquisa O Estado de São Paulo se apresenta com a maior produção de pesquisas no Stricto Sensu em sustentabilidade ambiental, com 138 (25,4%) estudos, ou seja, um quarto de toda a produção brasileira. O estado do Rio de Janeiro surge na segunda posição com 84 (15,5%) dos estudos. A terceira e quarta posições são ocupadas pelo estado do Rio Grande do Sul com 64 (11,8%) estudos e Santa Catarina com 62 (11,4%) estudos respectivamente. A quinta posição 153 é do estado de Minas Gerais com 60 (11%) estudos. Os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Minas Gerais manifestam produção muito semelhante de sustentabilidade ambiental no Stricto Sensu, com participações entre 11% e 12%. Na região Nordeste três estados ocupam sequencialmente da sexta a oitava posições: Pernambuco contribui com 33 (6,1%), Bahia contribui com 29 (5,3%) e Ceará contribui com 20 (3,7%) dos estudos de sustentabilidade ambiental no Stricto Sensu em administração. Na sequência, aparecem os seguintes estados Paraná 19 (3,5%), Rio Grande do Norte 14 (2,6%), Rondônia sete (1,3%), Paraíba seis (1,1%), Distrito Federal e Espírito Santo três (0,6%) e Alagoas um (0,2%). Os dados mostram que na região Norte tem apenas a colaboração do estado de Rondônia e na região Centro-Oeste tem apenas a colaboração do Distrito Federal. A pós-graduação Stricto Sensu está dividida em três categorias: mestrado profissional, mestrado e doutorado. A Figura 25 mostra a distribuição das teses e dissertações nessas três categorias comparadas com o total de trabalhos defendidos no período analisado. 10000 9421 3517 Total teses e dissertações 1021 1000 398 109 100 10 Teses e dissertações em sustentabilidade ambiental 36 4,2% 3,1% 3,5% 1 Mestrado Mestrado Profissional Doutorado Percentagem em sustentabilidade ambiental Figura 25 - Distribuição dos trabalhos sobre sustentabilidade ambiental por categorias do Stricto Sensu de 1998 a 2009. Fonte: Dados da Pesquisa Nota: o eixo das ordenadas esta formatado em escala logarítmica Os dados revelam uma maior participação, em termos percentuais e absolutos, de dissertações provenientes de mestrado, 398 estudos, que representa uma participação de 4,2% do total de dissertações. As dissertações de mestrado profissional aparecem na sequência com 109 estudos, 3,1% do total e as teses de doutorado 36 estudos, 3,5% do total. Vale destacar que as pesquisas de mestrado em sustentabilidade ambiental (398) representam 154 aproximadamente o triplo do somatório do doutorado e do mestrado profissional (145). Também se observa esta proporção quando se compara o total de dissertações em mestrado profissional (109) em relação ao total de teses (36). Esta seção apresentou as características dos orientadores do Stricto Sensu em administração mais prolíficos detalhando a quantidade de orientações concluídas, a IES de formação, o ano e a área de obtenção do título de doutor. As análises abarcam ainda a interpretação do conjunto de 295 pesquisadores que realizaram orientações neste campo de pesquisa. Tal composição possibilita tanto a interpretação das características dos mais prolíficos quanto do conjunto de pesquisadores que compõem este campo de pesquisa. As análises apresentam o desempenho das IESs no desenvolvimento de estudos em sustentabilidade ambiental e as características segundo o regime de dependência administrativa, distribuição por região e estados, bem como a classificação por programas de doutorado, mestrado e mestrado profissional. A seção seguinte aborda as redes de colaboração expressas a partir de laços de participação em bancas de doutorado e de mestrado em administração, mostrando a rede social que incorpora os pesquisadores mais prolíficos analisados. 4.2 ANÁLISE DE REDES EXPRESSAS SOB A FORMA DE ESTRUTURAS DE COLABORAÇÃO GERADAS A PARTIR DE LAÇOS DE PARTICIPAÇÃO EM BANCAS DE DEFESA DE TESE E DISSERTAÇÃO NO STRICTO SENSU A análise da rede social expressa na forma de estruturas de colaboração geradas a partir de laços de participação de pesquisadores em bancas de defesa de teses e de dissertações no Stricto Sensu se apoia em rede two-mode, que apresenta como característica dois conjuntos de atores. O primeiro conjunto de atores é formado de 295 professores orientadores que desenvolveram as pesquisas junto a seus orientados. O segundo conjunto de atores é formado por 787 pesquisadores que foram convidados a participar das bancas de defesa de doutorado ou de mestrado. Como característica desta rede social, o ator que é professor orientador em uma banca pode aparecer como convidado em outra banca, ou seja, aparece nos dois eixos da matriz de análise. Os dados mostram que 135 atores se posicionam na situação de orientadores e também de membros convidados de banca, assim tem-se o total de 947 atores envolvidos nesta análise de rede social. 155 Considerando a totalidade de membros de bancas de doutorado e de mestrado que integralizam a população desta pesquisa, ilustra-se, na Figura 26 a rede de cooperação entre os atores ao longo do período de 1998 a 2009. TINOCO, J. E. P. ENDERS, W. T. CAMARA, M. R. G. FERREIRA, E. SCHENINI, P. C. SILVA, T. N. OLIVEIRA, J. A. P. ANDRADE, J. C. S. BELLEN, H. M. V. OLIVEIRA, G. G. ERDMANN, R. H. PAIVA, E. L. NASCIMENTO, L. F. M. MARCOVITCH, J. KRUGLIANSKAS, I. BARBIERI, J. C. SOUZA, M. T. S. LEMME, C. F. AMÂNCIO, R. OLIVEIRA, F. C. CUNHA, I. A. GOZZI, S. PEDROZO, E. A. MAZON, R. FRACASSO, E. M. Orientador Orientador Centralizado Membro Convidado Figura 26 – Rede de cooperação entre os membros das bancas de doutorado e de mestrado de sustentabilidade ambiental em administração no período de 1998 a 2009. Fonte: Dados da Pesquisa Notas: A Tabela 5 apresenta o nome completo dos principais pesquisadores desta rede. Simbologia utilizada: Circulo Vermelho = pesquisador participou da banca na condição de orientador Circulo Amarelo = pesquisador participou da banca na condição de orientador e apresenta-se central Quadrado azul = pesquisador participou da banca na condição de membro convidado A rede apresenta um extenso conjunto de atores fragmentados em três redes de destaque. Redes menores com até 15 atores foram omitidas da Figura 26. As três redes possuem relevante diferença na quantidade de atores. A rede que se configura no anel externo apresenta 162 pesquisadores orientadores e comporta 58% do total dos atores que colaboram participando das bancas de doutorado e de mestrado e, contém todos os atores principais. Enquanto as duas redes apresentadas ao centro possuem menor quantidade de atores. Uma das redes com 93 pesquisadores orientadores comporta 28% do total dos atores que colaboram participando das bancas de doutorado e mestrado a outra rede apresenta 20 pesquisadores orientadores localizados na região Nordeste e comporta 8% do total dos atores que colaboram participando das bancas de doutorado e mestrado, restando ainda 20 156 pesquisadores orientadores dispersos com 6% do total dos atores que colaboram participando das bancas de doutorado e de mestrado. Para possibilitar a visualização das redes se omitiu na Figura 26 o nome dos atores de forma geral só permanecendo o nome dos atores centrais destacados com uma cor diferente. Conforme informado trata-se de uma rede two-mode, com dois conjuntos de atores, neste sentido para facilitar à interpretação dos dados a posição de orientado foi alocada na parte externa das redes em vermelho, com exceção para os atores centrais, na cor amarela, enquanto a posição de membro convidado ficou na parte interna na cor azul. Em face da limitação de espaço para apresentação destacou-se os atores centrais apenas na posição de membro orientador do aluno nas bancas. Com a finalidade de possibilitar a interpretação e a análise dos membros centrais e suas interações, optou-se por exibir na Figura 27 apenas as redes que envolvem atores com mais de nove laços de relacionamento, tanto como membro de banca como orientador. Vale destacar que a conduta de estabelecer um ponto de corte na apresentação dos dados da rede social se assemelha a proposta adotada por Walter et al. (2009), que utilizou como critério as redes que envolviam mais de cinco atores. Orientador Membro Convidado Figura 27 – Rede de cooperação entre os membros das bancas de doutorado e de mestrado de sustentabilidade ambiental em administração no período de 1998 a 2009 que apresentam mais de nove laços de relacionamento. Fonte: Dados da Pesquisa. Notas: A Tabela 5 apresenta o nome completo dos principais pesquisadores desta rede 157 Para beneficio de interpretação dos resultados expressos na Figura 27, a Tabela 5 contém os 20 pesquisadores que possuem maior centralidade na rede de cooperação entre os membros das bancas de doutorado e de mestrado de sustentabilidade ambiental em administração, no período de 1998 a 2009. Todos os pesquisadores centrais referenciados na Tabela 5, também aparecem identificados na Figura 26. A Tabela 5 expressa na última coluna a quantidade de laços que cada pesquisador possui, integrando desta forma, tanto na participação como orientador de aluno que defende a tese ou dissertação (out degree - quantidade de laços que saem do ator) quanto na condição de membro convidado (in degree - quantidade de laços de que chegam ao ator). A Tabela 5 exibe as centralidades de grau, de proximidade e de intermediação do pesquisador na condição de orientador e na condição de membro convidado para a banca. Luis Felipe Machado do Nascimento 0.047 0.381 0.126 82 0.037 0.458 0.044 Pedro Carlos Schenini 0.025 0.249 0.035 42 0.024 0.372 0.045 José Antonio Puppim de Oliveira 0.029 0.288 0.056 24 0.017 0.518 0.045 José Carlos Barbieri 0.024 0.334 0.027 22 0.058 0.526 0.129 Francisco Correia de Oliveira 0.021 0.382 0.055 27 0.007 187,4 0.000 Isak Kruglianskas 0.016 0.367 0.052 15 0.027 0.491 0.090 Robson Amâncio 0.015 0.242 0.025 15 0.007 0.244 0.002 Eugênio Ávila Pedrozo 0.014 0.334 0.011 15 0.020 0.493 0.025 Ícaro Aronovich da Cunha. 0.014 0.342 0.045 23 0.007 0.419 0.001 Tânia Nunes da Silva 0.014 0.319 0.011 18 0.007 0.447 0.001 Hans Michael Van Bellen 0.014 0.245 0.020 13 0.014 0.305 0.007 Rolf Hermann Erdmann. 0.013 0.246 0.018 11 0.003 0.362 0.000 Celso Funcia Lemme 0.011 0.349 0.037 18 0.020 0.358 0.017 Maria Tereza Saraiva de Souza. 0.011 0.354 0.042 12 0.020 0.316 0.006 Rubens Mazon 0.011 0.317 0.018 10 0.007 0.420 0.003 Wayne Thomas Enders 0.011 0.221 0.019 12 0.003 0,263 0.000 José Célio Silveira Andrade 0.010 0.343 0.015 13 0,014 0,413 0,032 Ely Laureano Paiva 0.010 0.325 0.014 12 0.007 0.447 0.001 Elaine Ferreira 0.010 0.203 0.007 9 0.014 0.303 0.008 Jacques Marcovitch 0.010 0.314 0.043 8 0,007 0,240 0,003 George Gurgel de Oliveira 0,010 0,028 0,008 10 0,003 0,062 0 Sérgio Gozzi 0,009 0,278 0,017 8 0,010 0,339 0,003 Marcia Regina Gabardo Camara 0,009 0,282 0,025 9 0 0 0 Edi Madalena Fracasso 0,008 0,318 0,004 9 0,014 0,491 0,016 João Eduardo Prudêncio Tinoco 0,008 0,183 0,006 8 0,007 0,400 0 Tabela 5 - Relação da centralidade dos 25 principais pesquisadores orientadores de aluno mestrado de sustentabilidade ambiental em administração no período de 1998 a 2009. Fonte: Dados da pesquisa. Quantidade de laços In degree Betweenne Centralidade de intermediação Closeness centralidade de proximidade Membro Convidado Degree centralidade de grau Out degree Betweenne Centralidade de intermediação Closeness centralidade de proximidade Nome do pesquisador orientador de tese e dissertação Degree centralidade de grau Orientador (Membro Titular) 21 103 9 51 9 33 22 44 2 29 8 23 3 18 15 30 3 26 4 22 5 18 1 12 6 24 6 18 3 13 1 13 13 26 2 14 4 13 2 10 1 11 4 12 0 9 21 30 3 11 de doutorado ou 158 A análise associada das redes de colaboração, ilustradas nas Figuras 26 e 27, e das informações contidas na Tabela 5 sinaliza a existência de uma rede principal que contém todos os atores centrais. A Figura 27 mostra que a rede principal é coesa, no entanto na apresentação dos atores principais na Figura 26 esta mesma rede se apresentou fragmentada em duas partes principais. Esta fragmentação ocorre em função da omissão dos atores com menos de nove laços de relacionamento. Para efeito de análise deste estudo estas duas redes serão analisadas de forma distinta, apesar de se consubstanciarem em apenas uma rede. A primeira rede é formada pelos seguintes pesquisadores centrais: Luis Felipe Machado do Nascimento, José Carlos Barbieri, José Antonio Puppim de Oliveira, Eugênio Ávila Pedrozo, Francisco Correia de Oliveira, Ícaro Aronovich da Cunha, José Célio Silveira Andrade, Celso Funcia Lemme, Isak Kruglianskas, Tânia Nunes da Silva, Maria Tereza Saraiva de Souza, Ely Laureano Paiva Rubens Mazon, Edi Madalena Fracasso, João Eduardo Prudêncio Tinoco e Sérgio Gozzi. A segunda rede é formada pelos pesquisadores centrais: Pedro Carlos Schenini, Hans Michael Van Bellen, Elaine Ferreira e Rolf Hermann Erdmann. Dentre os 25 pesquisadores centrais apenas Robson Amâncio, Wayne Thomas Enders e Jacques Marcovitch não aparecem diretamente associados a estas redes principais. A Figura 27, expressa uma série de pesquisadores não associados a pontos da rede, tal condição resulta do fato destes pesquisadores possuírem mais de nove laços de relacionamento, no entanto não apresentam nesta condição laços diretos com os atores pertencentes às duas redes principais. A centralidade desses atores é apresentada a seguir utilizando-se os seguintes indicadores: Grau de centralidade (degree centrality) que é o número de linhas incidentes em um nó. Grau de proximidade do ator (closeness centrality) que dimensiona o quanto o nó que representa o ator está próximo de todos os demais nós da rede, é decorrente da soma das distâncias geodésicas do nó em relação a todos demais nós do grafo e depois invertido, pois quanto maior a distância menor a proximidade. Grau de intermediação (betweeness centrality) que analisa quanto um nó está no caminho geodésico entre outros nós. Adicionalmente apresentam-se as linhas de entrada (in-degree centrality) característica do ator na condição de convidado a participar de Banca e as linhas de saídas (out-degree centrality) característica do ator na condição de membro titular (orientador), que esta realizando o convite. Vale destacar que os cálculos do grau de proximidade e do grau de intermediação estão sujeitos a mesma condicionante do grau de centralidade, ou seja, pertencentes a uma rede two-mode com linhas de entrada e de saída, decorrentes da condição de orientador ou de convidado da banca pelo ator. 159 A Figura 27 e a Tabela 5 apresentam pesquisadores que se qualificam como atores centrais na rede, em face da centralidade que possuem na rede de relacionamentos. Dentre esses atores este estudo destaca os seguintes pesquisadores. O pesquisador Luis Felipe Machado do Nascimento (NASCIMENTO, L. F. M.) se posiciona como um ator central na rede, face ao número de laços que possui. Observa-se a existência de reciprocidade entre os pesquisadores que possuem laços de relacionamento com Luis Felipe Machado do Nascimento, pois dos seis atores mais convidados a participar de suas bancas, cinco retribuíram a ação convidando-o a participar de bancas de seus orientados. Tal conduta mostra reciprocidade das relações estabelecidas por este pesquisador. A centralidade de grau deste pesquisador como orientador é de 0,047, a maior da rede, e como participante de banca é de 0,037, a segunda maior da rede. Estes valores mostram que o pesquisador é localmente centralizado. A centralidade de proximidade como orientador é de 0,381, a segunda maior da rede, e como participante de banca é de 0,458, a terceira maior da rede. Estes valores mostram que o pesquisador é globalmente centralizado. A centralidade de intermediação como orientador é 0,126, a maior da rede, e como participante é de 0,044. Estes valores mostram que este pesquisador é importante na intermediação de atores locais. Tal cenário posiciona este pesquisador como central na rede, situação esta resultante dos 103 laços de relacionamento que possui. O pesquisador Pedro Carlos Schenini (SCHENINI, P. C.) se destaca como elemento central na segunda rede identificada na Figura 27. Apesar da maior quantidade de laços (42) serem na condição de orientador, na Figura 27 o destaque é na condição de convidado de banca, com quatro laços de relacionamento. Na condição de orientador apresenta dois laços, ambos em comum com a condição de convidado, mais precisamente com os pesquisadores Hans Michael Van Bellen e Gerson Rizzatti. A centralidade de grau deste pesquisador como orientador é de 0,025, a terceira maior da rede, e como participante de banca é de 0,024. Estes valores mostram que o pesquisador é localmente centralizado. A centralidade de proximidade como orientador é de 0,249, e como participante de banca é de 0,372. Estes valores mostram que o pesquisador possui centralidade global. A centralidade de intermediação como orientador é 0,035, e como participante é de 0,045, a terceira maior da rede. Estes valores mostram que o ator possui centralidade de intermediação para os atores locais. Tal cenário posiciona este pesquisador com centralidade de rede. O pesquisador José Antonio Puppim de Oliveira (OLIVEIRA, J. A. P.) apresenta mais laços na posição de orientador (24), no entanto a Figura 27 destaca a sua condição de convidado de banca, com quatro laços de relacionamento. A Figura 27 mostra que na 160 condição de orientador apresenta dois laços, sendo um em comum com a condição de convidado, mais precisamente com o pesquisador Celso Funcia Lemme. A centralidade de grau deste pesquisador como orientador é de 0,029, a segunda maior da rede, e como participante de banca é de 0,017. Estes valores mostram que o pesquisador é localmente centralizado. A centralidade de proximidade como orientador é de 0,288, e como participante de banca é de 0,518, a quarta maior da rede. Estes valores mostram que o pesquisador é globalmente centralizado. A centralidade de intermediação como orientador é 0,056, a segunda maior da rede, e como participante é de 0.045 a terceira maior da rede. Estes valores mostram que este pesquisador é importante na intermediação de atores locais. Tal cenário posiciona este pesquisador com centralidade na rede. O pesquisador José Carlos Barbieri (BARBIERI, J. C.) apresenta igualdade de laços como orientador (22) e como convidado, no entanto a Figura 27 destaca a condição de convidado de banca, com seis laços de relacionamento no total. Na condição de orientador apresenta três laços sendo que destes apenas um em comum com a condição de convidado, mais precisamente com a pesquisadora Gisela Black Taschner. A centralidade de grau deste pesquisador como orientador é de 0,024, e como participante de banca é de 0,058, a maior da rede. Estes valores mostram que o pesquisador é localmente centralizado. A centralidade de proximidade como orientador é de 0,334, e como participante de banca é de 0,526, a terceira maior da rede. Estes valores mostram que o pesquisador é globalmente centralizado. A centralidade de intermediação como orientador é 0,027, e como participante é de 0,129, a maior da rede. Estes valores mostram que os atores intermediários locais são dependentes deste pesquisador. Tal cenário posiciona este pesquisador com centralidade na rede, principalmente quando atua como convidado de banca. O pesquisador Francisco Correia de Oliveira (OLIVEIRA, F. C.) apresenta 27 laços de relacionamento como orientador e dois laços de relacionamento como convidado. A Figura 27 apresenta dois laços de relacionamento na condição de orientador. A centralidade de grau deste pesquisador como orientador é de 0,021, e como participante de banca é de 0,007. Estes valores mostram que o pesquisador possui centralidade local. A centralidade de proximidade como orientador é de 0,382, a maior da rede, e como participante de banca é de 187,4 tambem a maior da rede. Estes valores mostram que o pesquisador é globalmente centralizado, com destaque na condição de orientador, conforme expõe a Figura 27 que ilustra a importante ligação entre os pesquisadores José Antonio Puppim de Oliveira e José Carlos Barbieri. Nesta situação o ator se configura como uma lacuna estrutural, pois conecta grupos distintos de pesquisadores. A centralidade de intermediação como orientador é 0,055, a segunda maior da 161 rede, e como participante é de 0. Estes valores mostram que este pesquisador possui intermediação para os atores dele dependentes quando atua como orientador. Tal cenário posiciona este pesquisador como central na rede, com destaque para a condição de globalmente localizado. O pesquisador Isak Kruglianskas (KRUGLIANSKAS, I.) apresenta 15 laços como orientador e oito como convidado de banca. A Figura 27 destaca quatro laços de relacionamento como convidado e apenas um como orientador. A centralidade de grau deste pesquisador como orientador é de 0,016, e como participante de banca é de 0,027, a terceira maior da rede. Estes valores mostram que o pesquisador possui centralidade local. A centralidade de proximidade como orientador é de 0,367, a terceira maior da rede, e como participante de banca é de 0,491. Estes valores mostram o pesquisador globalmente centralizado. A centralidade de intermediação como orientador é 0,052, e como participante é de 0,090, a segunda maior da rede. Estes valores mostram que o pesquisador possui intermediação para os atores localmente dependentes. Tal cenário posiciona este pesquisador como central na rede, e que apesar de apresentar mais laços como orientador se destaca pela centralidade local e global atuando como convidado de banca. O pesquisador Eugênio Ávila Pedrozo (PEDROZO, E. A.) apresenta igualdade de laços como orientador (15) e como convidado, no entanto a Figura 27 destaca a condição de orientador, com quatro laços de relacionamento. A centralidade de grau deste pesquisador como orientador é de 0,014, e como participante de banca é de 0,020. Estes valores mostram que o pesquisador possui relativa centralidade local. A centralidade de proximidade como orientador é de 0,334, e como participante de banca é de 0,493, a terceira maior da rede. Estes valores mostram que o pesquisador é globalmente centralizado. A centralidade de intermediação como orientador é 0,011, e como participante é de 0,025. Estes valores mostram a intermediação para os atores localmente dependentes deste pesquisador. Tal cenário posiciona este pesquisador com centralidade na rede, principalmente quando atua como convidado de banca. O pesquisador Ícaro Aronovich da Cunha (CUNHA, I. A.) apresenta 23 laços como orientador e três como convidado de banca, situação esta destacada na Figura 27 que aponta laços de relacionamento como orientador com outros seis pesquisadores, e na posição de convidado somente dois laços de relacionamento. A centralidade de grau deste pesquisador como orientador é de 0,014, e como participante de banca é de 0,007. Estes valores mostram que o pesquisador possui centralidade local. A centralidade de proximidade como orientador é de 0,342, e como participante de banca é de 0,419. Estes valores mostram que o pesquisador 162 possui centralidade global. A centralidade de intermediação como orientador é 0,045, e como participante é de 0,001. Estes valores mostram que participando como orientador das bancas exerce intermediação com os atores localmente dependentes. Tal cenário posiciona este pesquisador com centralidade na rede, principalmente quando atua como orientador, apesar de apresentar apenas 26 laços de relacionamento. A Tabela 6 exibe medidas de coesão estabelecidas pela rede de colaboração formada pelos pesquisadores orientadores e membros convidados de banca no Stricto Sensu em administração no período de 1998 – 2009. Medidas de coesão Density Densidade Average Distance Distância Média Diameter Diâmetro 0.005 8.385 22.000 Tabela 6 – Medidas de coesão da rede de pesquisadores orientadores em sustentabilidade ambiental em administração no período de 1998 a 2009. Fonte: Dados da pesquisa A densidade de 0,005 (porcentagem das relações reais dentre as possibilidades de relações totais) da rede formada pelos pesquisadores se caracteriza como baixa densidade, frente aos limites de 1 que significa que todo integrante da rede tem acesso a qualquer outro e 0 ninguém tem contato (NELSON; VASCONCELLOS, 2007). Esta baixa densidade também pode ser observada na comparação dos 1284 laços existentes entre os 947 pesquisadores. A distância média que reflete o comprimento do percurso médio da rede é de 8,385 enquanto o valor do diâmetro que é a maior distância geodésica entre quaisquer pares de atores da rede é de 22. Esta seção apresentou a análise da rede social expressa na forma de estruturas de colaboração geradas a partir de laços de participação de pesquisadores em bancas de defesa de tese e dissertação no Stricto Sensu em administração. Os dados destacam os atores centrais na condição de orientadores de alunos que buscam a titulação de doutor ou mestre e dos membros convidados a participar das bancas. Os valores de centralidade de grau, de proximidade e de intermediação, dos 20 pesquisadores mais centrais foram apresentados, possibilitando a interpretação da respectiva relevância dentro deste campo de pesquisa. Esta seção apresenta ainda a densidade, distancia média e o diâmetro da rede que se formou. Na sequência são apresentados e analisados os dados voltados à identificação da legitimação do conhecimento. A análise a se desenvolver incorpora os pesquisadores prolíficos e que se apresentam centrais na rede de colaboração das bancas de doutorado e de mestrado em sustentabilidade ambiental na administração. 163 4.3 ANÁLISE BIBLIOMÉTRICA DE CITAÇÕES DAS TESES E DISSERTAÇÕES NA IDENTIFICAÇÃO DA LEGITIMAÇÃO DO CONHECIMENTO EM SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL Nesta seção são analisadas as obras e autores mais citados nas teses e dissertações sobre sustentabilidade ambiental. O critério utilizado para a escolha dessas teses e dissertações foram os trabalhos dos pesquisadores mais prolíficos em orientação na área, que realizaram quatro ou mais orientações no período de 1998 a 2009. As teses e dissertações escolhidas para analisar essas citações foram as do último triênio de dados disponibilizados pela CAPES, que compreende o período de 2007 a 2009. Essa escolha deve-se ao fato desses trabalhos serem os mais recentes e, consequentemente, espera-se encontrar obras mais atualizadas nas referências dessas teses e dissertações. Neste sentido, a Tabela 2 retrata os 24 pesquisadores que mais orientaram no período de 1998 a 2009. A delimitação destes pesquisadores como objeto de pesquisa tanto estabelece uma linha de coerência desta pesquisa, quanto também vai ao encontro da abordagem de Berger e Luckmann (2008) na qual se pressupõem que os pesquisadores assumam papeis que são apropriados pelas próprias instituições, destacando a importância social destes atores. Como resultante destes critérios de seleção identificou-se um conjunto de 49 teses e dissertações em sustentabilidade ambiental. O estudo utilizou 47 teses e dissertações, pois duas dissertações da Universidade Católica de Santos UNISANTOS não estão disponíveis para pesquisa. A relação destes trabalhos é apresentada no Quadro 11, e se compõem de nove teses, 35 dissertações e três dissertações de mestrado profissional. 164 Ano e Título 2007 Mestre 2007 Mestre 2007 Mestre 2007 Mestre 2007 Mestre 2007 Doutor 2007 Mestre 2007 Mestre 2007 Mestre 2007 Doutor 2007 Mestre 2007 Mestre IES e Nome do Orientador UNINOVE - Maria Tereza S. de Souza UFSC - Pedro C. Schenini FGV/SP - José Carlos Barbieri UNIVALI - Elaine Ferreira UNIFOR – Francisco C. de Oliveira UFBA - George Gurgel de Oliveira UFLA - Robson Amâncio UFSC - Pedro Carlos Schenini UFRGS - Eugênio Ávila Pedrozo UFRGS - Eugênio Ávila Pedrozo UNIVALI - Elaine Ferreira UFRGS - Tânia Nunes da Silva 2007 Mestre 2007 Mestre 2007 Mestre Prof. 2008 Mestre 2008 Mestre 2008 Mestre 2008 Mestre 2008 Mestre Prof. 2008 Doutor 2008 Mestre 2008 Mestre 2008 Mestre 2008 Mestre 2008 Doutor 2008 Mestre UFRJ - Celso Funcia Lemme UNINOVE - Maria Tereza S. de Souza FGV/RJ - José A. Puppim de Oliveira UNISANTOS João E. P. Tinoco UNISANTOS Ícaro A. da Cunha UFBA - José Célio S. Andrade UNISANTOS Icaro A. da Cunha FGV/RJ - José A. Puppim de Oliveira UFRGS - Luis F. M. do Nascimento UFRJ - Celso Funcia Lemme UFRJ - Celso Funcia Lemme UNISANTOS Icaro A. da Cunha UNIVALI - Elaine Ferreira FGV/SP - José Carlos Barbieri UFRGS - Luis F. M. do Nascimento Nome do aluno André Kenro Goto André Luiz M. da Rosa André Pereira de Carvalho Aparecido Parente Bleine Queiroz Caula Cleide M. da Santana Douglas de O. Botelho Fernando A. da Silva Lessandra S. Severo Luciano Barin Cruz Marlene Fernandes Natália A. Delgado Ano e Título do Trabalho A Contribuição da Logística Reversa na Gestão de Resíduos Sólidos: Uma Análise dos Canais Reversos de Pneumáticos A contribuição do MDL à promoção do desenvolvimento sustentável: um estudo empírico com os projetos aprovados no Brasil Rótulos ambientais orgânicos como ferramenta de acesso a mercados de países desenvolvidos Indicadores de sustentabilidade ambiental: Um estudo do Ecological Footprint Method do Município de Joinville - SC O presente trabalho estuda a construção da Agenda 21 Local nos municípios do Ceará, com ênfase na educação ambiental. Os Conflitos Ambientais na Teoria Social Contemporânea: a persp. tríade para análise do controle social dos transgênicos no Brasil ICMS-Ecológico como instrumento de política ambiental em Minas Gerais Medidas de adequação à legislação ambiental em organizações hoteleiras Evolução da Sustentabilidade no Processo Produtivo de Suínos da Cooperativa de Suinocultores de Encantado Ltda. - COSUEL Processo de Formação de Estratégias de Desenvolvimento Sustentável de Grupos Multinacionais Coleta seletiva de resíduos sólidos urbanos: um estudo da gestão dos programas de Florianópolis/SC, Belo Horizonte/MG e Londrina/PR. A Inovação sob a Perspectiva do Desenvolvimento Sustentável: os casos de uma cooperativa de laticínios Brasileira e de outra Francesa Índice de Sustentabilidade Empresarial da Bolsa de Valores de São Paulo Roberto Paulo (ISE-BOVESPA): exame da adequação como referência p/ Arcoverde aperfeiçoamento da gestão sustentável das emp. e p/ a formação de Barbosa carteiras de inv. orientadas por princ. de sustentabilidade corporativa Roberto Índice de Sustentabilidade Empresarial em Bolsas de Valores e a inf. Salgado Beato sobre a gestão ambiental das empresas: um estudo do ISE Bovespa Samuel Ramirez Inovações Tecnológicas que Contribuem para a Gestão Ambiental: O Corradi Estudo do Craqueamento Catalítico na Petrobrás Aguinaldo S. O Produto Pneu e sua Reciclabilidade:Resíduo Solido não Mulha Convencional Alípio Carlos A cultural Organizacional do Banco real como exemplo de práticas Tavares Labão globais em sustentabilidade Andréa C. Mecanismo de desenvolvimento limpo (MDL) : uma análise da Ventur regulação de conflitos socioambientais do Projeto Plantar Carlos M. Indústria do Petróleo e Sustentabilidade: A Gestão Ambiental da Chinen Refinaria de Cubatão Christine Jennifer Wight Cleber José Cunha Dutra Daniel Wajnberg Felipe Lima P. de Oliveira Jonatas de Pinho Vieira Mitigating Climate Change: An investigative look at Land Use, Land-use Change and Forestry under the Kyoto Protocol Bases Teóricas para a Concepção e a Gestão de Programas de Produção Mais Limpa Adequados a Grupos de Empresas Sustentabilidade nos bancos brasileiros: exame da div. do relac. entre iniciativas socioambientais e o desemp. financeiro corporativo Critério de Adicionalidade e Estimação de Custo de Capital Próprio em Projetos de MDL no Setor de Energia Renovável no Brasil Análise do Trabalho Portuário Avulso Sob a Ótica da Sustentabilidade Adaptação estratégica e gestão ambiental: um estudo das mudanças Jorge Cunha organizacionais em uma indústria de fundição Jorge Emanuel Normalização e barreiras não tarifárias: uma análise da influência das Reis Cajazeira normas sócio ambientais de gerenciamento no comércio internacional Lauro André Gestão dos resíduos sólidos urbanos com geração de energia: o Ribeiro projeto Ecoparque de Porto Alegre (continua na página seguinte) 165 2008 Doutor 2008 Mestre 2008 Mestre 2008 Mestre 2008 Mestre 2008 Mestre 2008 Mestre Prof. 2008 Mestre 2009 Mestre 2009 Mestre 2009 Mestre 2009 Doutor 2009 Doutor FGV/RJ - José A. P. Maria Scarlet Problematização do lixo e dos catadores: estudos de caso múltiplo de Oliveira do Carmo sobre políticas públicas sob uma perspectiva foucaultiana UFRGS - Tânia Gestão Ambiental em uma pequena empresa do setor químico: o caso Nunes da Silva Marta Krafta da Causticlor UFSC - Hans Patrícia C. P. Michael Van Bellen Guatimosim Consumo e meio ambiente: uma análise exploratória UFRGS - Tânia Práticas em Gestão Ambiental: diagnósticos de sistemas integrados Nunes da Silva Patrícia Fauth de terminação de suínos na Eleva Alimentos S.A UNISANTOS Ramon E. L. Análise econômica, financeira, social e ambiental de emp. brasileiras João E. P. Tinoco de Torres do setor siderúrgico de aços planos: período de 2002 a 2006 UFLA - Robson Raquel F. Gestão de resíduos sólidos no contexto da gestão ambiental Amâncio Vieira. municipal em Varginha: desafios e potencialidades FGV/RJ - José Governança de projetos de mecanismo de desenvolvimento limpoAntonio P. de Ricardo A. mdl no Brasil com apresentação do estudo de caso do projeto Oliveira Borges Silva Novagerar UNIFOR – FranRosany Correa Níveis taxonômicos de gestão ambiental - um estudo de caso nos cisco C. de Oliveira dos Santos equipamentos hoteleiros estabelecidos na APA delta do Parnaíba UNINOVE - Maria Edson Indicadores de sustentabilidade: um estudo da evidenciação de ações Tereza S. de Souza Kiqumoto ambientais em relatórios de sustentabilidade do setor bancário UNIFOR – FranFrancisco Análise da sustentabilidade do Biodiesel da Mamona no Semiárido cisco C. de Oliveira Alves Nordestino UFSC - Hans Henrique Movimento slow: uma análise sob a ótica dos enclaves do Michael Van Bellen Budal Arins ecodesenvolvimento USP - Isak Hermann Atila As boas práticas de gestão ambiental e a inf. no desemp. exportador: Kruglianskas Hrdlicka um estudo sobre as grandes empresas exportadoras brasileiras UFRGS - Luis F. Estratégia de Operações Sustentáveis – produção, suprimentos, M. do Nascimento Iuri Gavronski logística e engenharia alinhados com a sustentabilidade corporativa. UNISANTOS José Análise das informações de riscos empresariais e socioambientais de 2009 João Eduardo P. Romanucci empresas do setor de telecomunicações, listadas na Bovespa e na Mestre Tinoco Neto NYSE, no contexto da governança corporativa: estudo de caso 2009 UNIFOR – FranLauro Oliveira A logística reserva e o tratamento de pneus inservíveis no estado do Mestre cisco C. de Oliveira Viana Piauí 2009 UFRGS - Tânia Lílian C. Educação Ambiental no sistema de gestão ambiental da empresa: Doutor Nunes da Silva Giesta impacto no conhecimento denotado pelos trab. em suas ações 2009 UFRGS - Eugênio Luis Carlos Análise de uma cadeia de suprimentos orgânica orientada para o Mestre Ávila Pedrozo Zucatto desenvolvimento sustentável : uma visão complexa 2009 UFRGS - Antonio Manoela S. O Quadro Institucional do Biodiesel e suas implicações nas cadeias Mestre D. Padula dos Santos de suprimentos: um estudo múltiplo de casos no estado do RS.l 2009 UFRGS - Luis F. Marcelo C. Interações entre os elos de cadeias de valor - uma oportunidade de Doutor M. do Nascimento Nehme avaliação da sustentabilidade empresarial 2009 UFLA - Mozar José Samantha B. Mestre de Brito Oliveira. Gestão ambiental integrada: uma abordagem interpretativa Abaixo as Dissertações que não estavam disponíveis para pesquisa. 2007 Mestre 2009 Mestre UNISANTOS Icaro A. da Cunha UNISANTOS Icaro A. da Cunha Carlos Alberto R. Torres Claudia R. Cardoso Gestão Ambiental e resolução de conflitos: licenciamento de dutovias no litoral de São Paulo AGENDA 21 de Santos:contribuições à gestão sustentável dos recursos hídricos para uso urbano Quadro 11 – Relação das 47 teses e dissertações em sustentabilidade ambiental que compõem a amostra de análise das citações utilizadas nas referências bibliográficas. Fonte: dados da pesquisa A análise das 47 teses e dissertações revelou um total de 4852 citações estabelecendo uma média de 103 citações por estudo. As IESs que apresentaram estudos de sustentabilidade ambiental no período de 2007 a 2009 foram: Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro, Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, Universidade Federal da Bahia, Universidade Federal de Lavras, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Universidade Federal de Santa Catarina, Universidade de Fortaleza, Universidade 166 Nove de Julho, Universidade Católica de Santos, Universidade do Vale do Itajaí e Universidade de São Paulo. Estas citações se compõem conforme mostra a Tabela 7. Quantidade de citações realizadas Tema 58 (1,2%) Abordam diferentes normas técnicas 87 (1,8%) Referem-se a documentos ou informações de empresas privadas 145 (3,0%) Originárias de reportagens de revistas ou jornais não acadêmicos 307 (6,3%) Relacionadas à metodogia 864 (17,8%) Relacionadas a instituições tais como: confederação, federação, órgãos públicos, legislação, etc. 1360 (28,0%) Relacionadas a temas de sustentabilidade ambiental - 1029 citações de diferentes títulos - 331 ocorrências de repetição de citação 2031 (41,9%) Relacionadas a temas de diversas áreas do conhecimento 4852 citações Total Tabela 7 – Distribuição das citações de teses e dissertações por categorias. Fonte: dados da pesquisa Os dados revelam que apenas 1360 (28%) citações realizadas são referentes ao tema da sustentabilidade ambiental que resulta em uma média de 29 citações por tese e dissertação. A maior concentração 2031 (41,9%) citações está relacionada a outros temas. Vale destacar que nesta categoria de outros temas se observam assuntos relacionados ao objeto de estudo de cada pesquisa. Por exemplo, estudos de marketing verde incorporam citações sobre o marketing em geral, a logística reversa sobre a logística, etc. Nesta categoria observam-se ainda temas gerais voltados a empresas, como teoria organizacional, gestão do conhecimento etc. Dessa forma a análise das teses e dissertações revela a existência de uma variada bibliografia de diferentes campos de pesquisa. Para efeito deste estudo analisou-se apenas a literatura voltada para o campo de pesquisa da sustentabilidade ambiental. A Tabela 8 apresenta um extrato com a relação das citações com maior incidência, neste sentido devem apresentar oito ou mais citações. A Tabela 8 integra além dos autores mais citados, os pesquisadores de destaque na orientação de doutorado e de mestrado expressos na Tabela 2, e os mais centrados expressos na Tabela 5. Os autores mais citados e que não aparecem como orientadores de destaque na pesquisa em sustentabilidade ambiental foram identificados pelo sombreamento da linha. 1 José Carlos Barbieri 4 1 1 4 2 4 João Eduardo Prudêncio Tinoco 1 1 Luis Felipe M. do Nascimento 2 13 Hans Michael Van Bellen 4 8 2 4 1 17 1 1 5 3 2 1 Fernando Alves de Almeida 1 1 1 1 1 7 Denis Donaire 1 2 1 2 2 2 1 Elio T. Takeshy Tachizawa 1 3 1 3 3 1 José Célio Silveira Andrade 9 1 Total geral 9 USP UNIFOR 11 UNIVALI UFSC 1 UNISANTOS UFRGS 1 UNINOVE UFLA 2 UFRJ UFBA Ignacy Sachs Autores citados nas teses e dissertações FGV/RJ FGV/SP 167 35 2 24 1 19 1 17 1 17 12 1 12 12 1 11 Tânia Nunes da Silva 11 11 Eugenio Ávila Pedrozo 10 10 Craig R. Carter 10 10 Paulo Roberto Leite 1 3 Boaventura de Sousa Santos 4 José Eli da Veiga 2 2 2 1 1 Eduardo Viola 3 1 2 2 2 1 10 10 10 3 7 Ícaro Aronovich da Cunha Ely Laureano Paiva 6 1 1 9 1 9 2 9 4 8 5 Pedro Carlos Schenini 5 1 2 4 1 Maria Tereza Saraiva de Souza 5 1 1 Elaine Ferreira 4 2 1 Mozar José de Brito 3 2 3 3 1 3 1 Robson Amâncio 2 1 1 1 Isak Kruglianskas Rolf Hermann Erdmann 10 2 1 Douglas M. Lambert George Gurgel de Oliveira 1 10 Jacques Demajorovic Celso Funcia Lemme 3 4 Oliver E. Williamson José Antonio Puppim de Oliveira 2 1 1 1 1 1 Total geral 4 8 31 10 101 3 30 24 18 48 9 7 293 Tabela 8 – Autores mais citados em teses e dissertações de sustentabilidade ambiental distribuídos por IESs em que a pesquisa foi desenvolvida. Fonte: Dados da pesquisa. Nota: As IESs são apresentadas por siglas, o nome completo pode ser encontrado no Quadro 9. Conforme informado a Tabela 8 apresenta os autores com oito ou mais citações. Como mencionado à exceção se estabelece para os pesquisadores orientadores prolíficos e centrais nas redes de colaboração de participação em bancas. No entanto, vale destacar alguns autores com menor número de citações presente no referencial das teses e dissertações: 168 - Paul Hawken, Amory Lovins e Hunter Lovins com sete citações o livro “Capitalismo natural: criando a próxima revolução industrial. São Paulo: Cultrix, 1999”. - Dália Maimon com seis citações o livro “Passaporte verde: gestão ambiental e competitividade. Rio de Janeiro: Qualitymark, 1996”. - Dennis Meadows com seis citações o livro “Limites do crescimento: um relatório para o projeto do Clube de Roma sobre o dilema da humanidade. São Paulo: Perspectiva, 1973”. - Dale Rogers e Ronald Tibben-Lembke com cinco citações o livro “Going backwards: reverse logistics trends and practices. University of Nevada: Reno Center for Logistics Management, 1998”. - Carolyn P. Egri e Laerence T. Pinfield com cinco citações o capítulo de livro “As Organizações e a Biosfera: Ecologia e Meio Ambiente. In. HARDY, C.; CLEGG, S. R.; NORD, W. R. Handbook de Estudos Organizações. São Paulo: Editora Atlas, 1999”. - Thomas N. Gladwin, James J. Kennelly e Tara Shelomith Krause com cinco citações publicadas na The Academy of Management Review “ Shifting paradigms for sustainable development: implications for management theory and research, v. 20, n. 4, p. 874-907,1995”. - Paul Shrivastava três citações publicadas na Academy of Management Review: “The role of corporations in achieving ecological sustainability, v. 20, n. 4, 1995”. Os dados da tabela 8 mostram autores citados em várias pesquisas de diferentes IESs, e autores que estão com a citação concentrada em poucas IESs, revelando diferentes padrões de difusão. Dos 20 autores mais citados (mais de oito citações), nove estão dentre aqueles que esta pesquisa identificou como mais prolíficos na orientação e ou centrais nas redes de colaboração nas bancas de teses e dissertações. Desta forma tem-se um contingente de 11 autores que não se destacam na pesquisa em sustentabilidade ambiental no Stricto Sensu em administração. Nessa relação apareceram autores internacionais Ignacy Sachs e Oliver E. Williamson da área de economia e Craig R. Carter e Douglas M. Lambert da área de logística. Na sequência, os principais autores abordados na Tabela 8 são analisados individualmente. A primeira análise é referente às citações do autor Ignacy Sachs expressa na Tabela 9. Total geral UNISANTOS UNIFOR UFSC UFRGS UFLA 2 2 8 8 1 1 1 1 4 4 6 6 2 2 2 2 Mozar José de Brito – USP/Administração 1 1 Pedro Carlos Schenini – UFSC/Eng. Produção 5 Tânia Nunes da Silva – USP/Sociologia Total geral UNIVALI Elaine Ferreira - UFSC/Eng. Produção Eugênio Ávila Pedrozo França/Administração Francisco Correia de Oliveira - Grã-Bretanha /Administração George Gurgel de Oliveira – UNICAP/Engenharia Hans Michael Van Bellen – UFSC/Eng. Produção Ícaro Aronovich da Cunha – USP/Saúde Pública João Eduardo Prudêncio Tinoco – USP/Contralodoria e Contabilidade José Carlos Barbieri – FGV-SP/Administração UFBA Pesquisadores orientadores e respectiva IES/área de formação de obtenção do doutorado que citaram Ignacy Sachs FGV/SP 169 5 3 2 1 1 11 3 9 1 8 2 35 Tabela 9 – Relação dos pesquisadores que citaram Ignacy Sachs. Fonte: Dados da pesquisa. O autor Ignacy Sachs apresenta um total de 35 citações, diluídas em oito diferentes IESs por 11 diferentes pesquisadores. A maior incidência de citação ocorre na Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRGS com 11 ocorrências, sendo oito pelo pesquisador Eugênio Ávila Pedrozo e três pela pesquisadora Tânia Nunes da Silva. Na sequência, tem-se a Universidade Federal de Santa Catarina UFSC com nove ocorrências, sendo cinco pelo pesquisador Pedro Carlos Schenini e quatro pelo pesquisador Hans Michael Van Bellen. A Universidade Católica de Santos UNISANTOS apresenta oito ocorrências, sendo seis pelo pesquisador Ícaro Aronovich da Cunha e duas pelo pesquisador João Eduardo Prudêncio Tinoco. As demais citações ocorrem com uma frequência igual ou inferior a dois. As principais obras citadas de Ignacy Sachs foram: sete citações – “Ecodesenvolvimento: crescer sem destruir. Ed. Vértice. São Paulo, 1986”; sete citações – “Estratégias de transição para o século XXI - desenvolvimento e meio ambiente. São Paulo: Studio Nobel/Fundap, 1993”; seis citações – “Caminhos para o desenvolvimento sustentável. Rio de Janeiro: Garamond, 2000” e seis citações – “Desenvolvimento includente, sustentável e sustentado. Rio de Janeiro: Garamond, 2004”. As demais citações ocorrem com uma frequência igual ou inferior a dois. 170 O autor José Carlos Barbieri, da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo FGV/SP, Elaine Ferreira - UFSC/Eng. Produção Francisco Correia de Oliveira - GrãBretanha /Administração George Gurgel de Oliveira – UNICAP/Engenharia Ícaro Aronovich da Cunha – USP/Saúde Pública Isak Kruglianskas – USP/Administração João Eduardo Prudêncio Tinoco – USP/Contralodoria e Contabilidade José Carlos Barbieri – FGVSP/Administração Luis Felipe Machado do Nascimento – Alemanha/Economia e Meio Ambiente Maria Tereza Saraiva de Souza – FGV-SP/Administração Mozar José de Brito – USP/Administração Pedro Carlos Schenini – UFSC/Eng. Produção Tânia Nunes da Silva – USP/Sociologia Total geral 1 1 4 4 1 1 2 2 2 2 2 2 4 4 1 1 1 1 1 1 2 2 3 4 Total geral USP UNIVALI UNISANTOS UNINOVE UNIFOR UFSC UFRGS UFLA UFBA Pesquisadores orientadores e respectiva IES/área de formação de obtenção do doutorado que citaram José Carlos Barbieri FGV/SP aparece como o segundo mais citado. As citações estão expressas na Tabela 10. 1 1 4 3 2 4 1 4 1 2 24 Tabela 10 – Relação dos pesquisadores que citaram José Carlos Barbieri. Fonte: Dados da pesquisa. O autor José Carlos Barbieri apresenta um total de 24 citações, diluídas em dez diferentes IESs por 12 diferentes pesquisadores. Quatro IESs apresentam a incidência de quatro citações deste pesquisador, a saber: Fundação Getúlio Vargas de São Paulo com quatro ocorrências do próprio pesquisador José Carlos Barbieri; Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRGS com quatro ocorrências, sendo três pela pesquisadora Tânia Nunes da Silva e uma pelo pesquisador Luis Felipe Machado do Nascimento; Universidade de Fortaleza UNIFOR, pelo pesquisador Francisco Correia de Oliveira e Universidade Católica de Santos UNISANTOS, sendo duas pelo pesquisador Ícaro Aronovich da Cunha e duas pelo pesquisador João Eduardo Prudêncio Tinoco. As demais citações ocorrem com uma frequência igual ou inferior a dois. As principais obras citadas de José Carlos Barbieri foram: 171 15 citações – “Gestão Ambiental Empresarial. São Paulo: Editora Saraiva, 2004” e cinco citações “Desenvolvimento e meio ambiente: as estratégias de mudanças da Agenda 21. Petrópolis: Vozes, 1997”. As demais citações ocorrem com uma frequência igual ou inferior a dois O autor João Eduardo Prudêncio Tinoco da Universidade Católica de Santos UNISANTOS aparece como o terceiro mais citado, por três IESs e quatro pesquisadores, mostrando forte concentração, conforme aponta a Tabela 11. Pesquisadores orientadores e respectiva IES/área de formação de obtenção do doutorado que citaram João Eduardo Prudêncio Tinoco UFSC UNISANTOS Ícaro Aronovich da Cunha – USP/Saúde Pública USP 1 Isak Kruglianskas – USP/Administração João Eduardo Prudêncio Tinoco – USP/Contralodoria e Contabilidade Pedro Carlos Schenini – UFSC/Eng. Produção 1 Total geral 1 1 1 16 17 Total geral 1 16 1 1 19 Tabela 11 – Relação dos pesquisadores que citaram João Eduardo Prudêncio Tinoco. Fonte: Dados da pesquisa. Nas 19 citações do autor João Eduardo Prudêncio Tinoco observa-se que 16 são originárias de pesquisas desenvolvidas sob sua orientação na Universidade Católica de Santos UNISANTOS, na qual ainda se constata uma citação realizada pelo pesquisador Ícaro Aronovich da Cunha, na sequência, tem-se uma citação realizada pelo pesquisador Isak Kruglianskas da Universidade de São Paulo USP e uma citação realizada pelo pesquisador Pedro Carlos Schenini da Universidade federal de Santa Catarina UFSC. As principais obras citadas de João Eduardo Prudêncio Tinoco foram: quatro citações – “Contabilidade e gestão ambiental. São Paulo: Atlas, 2004” (neste caso em coautoria); três citações – “Balanço social: uma abordagem da transparência da responsabilidade pública das organizações. São Paulo: Atlas, 2001”. As demais citações ocorrem com uma frequência igual ou inferior a dois. Vale destacar que entre as citações observa-se a dissertação e a tese deste pesquisador O autor Luis Felipe Machado do Nascimento aparece como o quarto mais citado, por quatro IESs e seis pesquisadores, no entanto com uma forte concentração na Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRGS onde atua profissionalmente, conforme mostra a Tabela 12. 172 Pesquisadores orientadores e respectiva IES/área de formação de obtenção do doutorado que citaram Luis Felipe M. do Nascimento UFBA UFRGS Eugênio Ávila Pedrozo - França/Administração UFSC 2 1 2 Total geral 8 1 1 3 2 1 2 8 Tânia Nunes da Silva – USP/Sociologia Total geral 2 Isak Kruglianskas – USP/Administração José Célio Silveira Andrade - UFBA/Administração Luis Felipe Machado do Nascimento – Alemanha/Economia e Meio Ambiente Pedro Carlos Schenini – UFSC/Eng. Produção USP 13 3 1 1 17 Tabela 12 – Relação dos pesquisadores que citaram Luis Felipe Machado do Nascimento. Fonte: Dados da pesquisa. Nas 17 citações do autor Luis Felipe Machado do Nascimento observa-se que oito são originárias de pesquisas desenvolvidas sob sua orientação na Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRGS que conta ainda com três citações da pesquisadora Tânia Nunes da Silva e duas citações do pesquisador Eugênio Ávila Pedrozo. Na sequência, identificam-se duas citações realizadas pelo pesquisador José Célio Silveira Andrade da Universidade Federal da Bahia UFBA, e uma citação pelos pesquisadores Isak Kruglianskas da Universidade de São Paulo USP e Pedro Carlos Schenini da Universidade Federal de Santa Catarina UFSC. As principais obras citadas de Luis Felipe Machado do Nascimento foram: cinco citações – “Gestão socioambiental estratégica. São Paulo: Artmed, 2008”. (neste caso em coautoria); três citações – “Dimensões da inovação sob o paradigma do desenvolvimento sustentável. In: Anais EnANPAD: Curitiba, 2004”. As demais citações ocorrem com uma frequência igual ou inferior a dois. Vale destacar que entre as citações observa-se a dissertação e a tese deste pesquisador O autor Hans Michael Van Bellen, que atua na Universidade Federal de Santa Catarina UFSC, aparece também como o quarto mais citado com 17 ocorrências, conforme mostra a Tabela 13. Celso Funcia Lemme - UFRJ/Administração Elaine Ferreira - UFSC/Eng. Produção Eugênio Ávila Pedrozo - França/Administração Francisco Correia de Oliveira - Grã-Bretanha /Administração Hans Michael Van Bellen – UFSC/Eng. Produção Isak Kruglianskas – USP/Administração Luis Felipe Machado do Nascimento – Alemanha/Economia e Meio Ambiente Maria Tereza Saraiva de Souza – FGVSP/Administração Pedro Carlos Schenini – UFSC/Eng. Produção Total geral 1 1 1 1 1 1 3 3 2 1 3 4 Total geral USP UNIVALI UNINOVE UNIFOR UFSC UFRJ Pesquisadores orientadores e respectiva IES/área de formação de obtenção do doutorado que citaram Hans Michael Van Bellen UFRGS 173 2 1 3 1 3 5 3 2 2 2 3 17 1 1 Tabela 13 – Relação dos pesquisadores que citaram Hans Michael Van Bellen. Fonte: Dados da pesquisa. O autor Hans Michael Van Bellen apresenta um total de 17 citações diluídas em sete diferentes IESs por nove pesquisadores. A maior incidência de citação ocorre na Universidade Federal de Santa Catarina UFSC com cinco ocorrências, sendo três pelo pesquisador Pedro Carlos Schenini e duas pelo próprio pesquisador. Na sequência, tem-se a Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRGS com quatro ocorrências, sendo três pelo pesquisador Luis Felipe Machado do Nascimento e uma pelo pesquisador Eugênio Ávila Pedrozo. A Universidade de Fortaleza UNIFOR apresenta três ocorrências, ligadas ao pesquisador Francisco Correia de Oliveira. As demais citações ocorrem com uma frequência igual ou inferior a dois. As principais obras citadas de Hans Michael Van Bellen foram: 12 citações – “Indicadores de sustentabilidade: uma análise comparativa. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2005”, (título da própria tese de doutorado). As demais citações ocorrem com uma frequência igual ou inferior a dois. Vale destacar que entre as citações observa-se a tese deste pesquisador. O autor Fernando Alves de Almeida aparece como o quinto mais citado com 12 ocorrências, conforme mostra a Tabela 14. Francisco Correia de Oliveira - Grã-Bretanha /Administração 5 1 5 2 2 1 1 1 1 1 1 1 Total geral UNISANTOS 1 1 Maria Tereza Saraiva de Souza – FGV-SP/Administração Tânia Nunes da Silva – USP/Sociologia Total geral UNINOVE 1 Hans Michael Van Bellen – UFSC/Eng. Produção Ícaro Aronovich da Cunha – USP/Saúde Pública João Eduardo Prudêncio Tinoco – USP/Contralodoria e Contabilidade José Célio Silveira Andrade - UFBA/Administração UNIFOR UFSC UFRGS Pesquisadores orientadores e respectiva IES/área de formação de obtenção do doutorado que citaram Fernando Alves de Almeida UFBA 174 1 1 1 1 7 12 Tabela 14 – Relação dos pesquisadores que citaram Fernando Alves de Almeida. Fonte: Dados da pesquisa. O autor Fernando Alves de Almeida apresenta um total de 12 citações, diluídas em seis diferentes IESs por sete diferentes pesquisadores. A maior incidência de citações ocorre na Universidade Católica de Santos UNISANTOS com sete ocorrências, sendo cinco pelo pesquisador Ícaro Aronovich da Cunha e duas pelo pesquisador João Eduardo Prudêncio Tinoco. Na sequência, com uma citação, aparecem: a Universidade de Fortaleza UNIFOR – pesquisador Francisco Correia de Oliveira; Universidade Federal de Santa Catarina UFSC – pesquisador Hans Michael Van Bellen, Universidade Federal da Bahia UFBA – pesquisador José Célio Silveira Andrade, Universidade Nove de Julho UNINOVE pesquisadora Maria Tereza Saraiva de Souza e Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRGS a pesquisadora Tânia Nunes da Silva. A principal obra, com oito citações, de Fernando Alves de Almeida foi: “O bom negócio da sustentabilidade. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2002”. As demais citações ocorrem com uma frequência igual ou inferior a dois. O autor Denis Donaire aparece também como o quinto mais citado com 12 ocorrências, conforme mostra a Tabela 15. Elaine Ferreira - UFSC/Eng. Produção Francisco Correia de Oliveira - Grã-Bretanha /Administração George Gurgel de Oliveira – UNICAP/Engenharia 1 2 2 1 1 1 Isak Kruglianskas – USP/Administração João Eduardo Prudêncio Tinoco – USP/Contralodoria e Contabilidade Luis Felipe Machado do Nascimento – Alemanha/Economia e Meio Ambiente 1 1 1 1 2 2 1 1 Tânia Nunes da Silva – USP/Sociologia 1 1 2 1 1 1 Maria Tereza Saraiva de Souza – FGV-SP/Administração Pedro Carlos Schenini – UFSC/Eng. Produção Total geral USP 1 Ícaro Aronovich da Cunha – USP/Saúde Pública Total geral UNIVALI UNISANTOS UNINOVE UNIFOR UFSC UFRGS Pesquisadores orientadores e respectiva IES/área de formação de obtenção do doutorado que citaram Denis Donaire UFBA 175 1 1 2 2 2 1 1 12 Tabela 15 – Relação dos pesquisadores que citaram Denis Donaire. Fonte: Dados da pesquisa. O autor Denis Donaire apresenta um total de 12 citações, diluídas em oito diferentes IESs por dez pesquisadores. As obras deste autor não se apresentam localizadas, mas sim dispersas por vários pesquisadores e IESs. Com duas citações observam-se os seguintes pesquisadores: na Universidade de Fortaleza UNIFOR, o pesquisador Francisco Correia de Oliveira e na Universidade Nove de Julho UNINOVE, a pesquisadora Maria Tereza Saraiva de Souza. Com uma citação observam-se os seguintes pesquisadores: na Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRGS, os pesquisadores Luis Felipe Machado do Nascimento e Tânia Nunes da Silva, na Universidade Federal da Bahia UFBA, o pesquisador George Gurgel de Oliveira, na Universidade Federal de Santa Catarina UFSC, o pesquisador Pedro Carlos Schenini, na Universidade Católica de Santos UNISANTOS, os pesquisadores Ícaro Aronovich da Cunha e João Eduardo Prudêncio Tinoco, na Universidade do Vale do Itajaí UNIVALI, a pesquisadora Elaine Ferreira e na Universidade de São Paulo USP o pesquisador Isak Kruglianskas. A principal obra, com 11 citações, de Denis Donaire foi: “Gestão ambiental na empresa. São Paulo: Ed. Atlas, 1995”. E uma citação do artigo “Considerações sobre a influência da variável ambiental na empresa. Revista de Administração de Empresas RAE – SP, v. 34, n. 2, p. 68-77, 1994”. O autor Elio Takeshi Takeshy Tachizawa aparece também como o quinto mais citado com 12 ocorrências, conforme mostra a Tabela 16. Total geral UNISANTOS UNIFOR UFSC 1 1 3 3 1 1 Ícaro Aronovich da Cunha – USP/Saúde Pública João Eduardo Prudêncio Tinoco – USP/Contralodoria e Contabilidade Luis Felipe Machado do Nascimento – Alemanha/Economia e Meio Ambiente Pedro Carlos Schenini – UFSC/Eng. Produção 1 1 2 2 1 1 1 1 Tânia Nunes da Silva – USP/Sociologia Total geral UNIVALI Elaine Ferreira - UFSC/Eng. Produção Francisco Correia de Oliveira - Grã-Bretanha /Administração George Gurgel de Oliveira – UNICAP/Engenharia UFRGS Pesquisadores orientadores e respectiva IES/área de formação de obtenção do doutorado que citaram Elio Takeshi Takeshy Tachizawa UFBA 176 2 1 3 2 1 3 3 1 12 Tabela 16 – Relação dos pesquisadores que citaram Elio Takeshi Takeshy Tachizawa. Fonte: Dados da pesquisa. O autor Elio Takeshi Takeshy Tachizawa apresenta um total de 12 citações, diluídas em seis diferentes IESs por oito pesquisadores. As obras deste autor apresentam a seguinte dispersão. Com três citações observa-se o pesquisador Francisco Correia de Oliveira da Universidade de Fortaleza UNIFOR. Com duas citações os pesquisadores João Eduardo Prudêncio Tinoco da Universidade Católica de Santos UNISANTOS e a pesquisadora Tânia Nunes da Silva da Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRGS. Com uma citação aparecem os pesquisadores: George Gurgel de Oliveira da Universidade Federal da Bahia UFBA; Luis Felipe Machado do Nascimento da Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRGS; Pedro Carlos Schenini da Universidade Federal de Santa Catarina UFSC; Ícaro Aronovich da Cunha da Universidade Católica de Santos UNISANTOS e Elaine Ferreira da Universidade do Vale do Itajaí UNIVALI. A principal obra, com 11 citações, de Elio Takeshi Takeshy Tachizawa foi: “Gestão ambiental e responsabilidade social corporativa: estratégias de negócios focadas na realidade brasileira. 2 ed. São Paulo: Atlas, 2004”. As demais citações ocorrem com uma frequência igual ou inferior a dois. O autor José Célio Silveira Andrade, da Universidade Federal da Bahia UFBA aparece na sexta posição dos mais citados com 11 ocorrências, conforme mostra a Tabela 17. 177 Pesquisadores orientadores e respectiva IES/área de formação de obtenção do doutorado que citaram José Célio Silveira Andrade UFBA UFRGS UNIFOR Total geral Francisco Correia de Oliveira - Grã-Bretanha /Administração George Gurgel de Oliveira – UNICAP/Engenharia 1 2 1 2 José Célio Silveira Andrade - UFBA/Administração 7 7 Tânia Nunes da Silva – USP/Sociologia Total geral 1 9 1 1 1 11 Tabela 17 – Relação dos pesquisadores que citaram José Célio Silveira Andrade. Fonte: Dados da pesquisa. O autor José Célio Silveira Andrade apresenta um total de 11 citações, diluídas em três diferentes IESs por quatro pesquisadores. As obras deste autor apresentam a seguinte dispersão. Há uma concentração de citações na Universidade Federal da Bahia UFBA com nove referências do próprio autor e duas pelo pesquisador George Gurgel de Oliveira, na sequência, uma citação pela pesquisadora Tânia Nunes da Silva da Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRGS e uma pelo pesquisador Francisco Correia de Oliveira da Universidade de Fortaleza UNIFOR. A principal obra, com duas citações, de José Célio Silveira Andrade foi: “Conflito e cooperação: análise das estratégias socioambientais da Aracruz Celulose SA. Ilhéus: Editus, 2003” (neste caso em coautoria). As demais citações ocorrem apenas uma vez. A autora Tânia Nunes da Silva, da Universidade Federal do Rio Grande de Sul UFRGS, aparece também na sexta posição dos mais citados com 11 ocorrências, conforme mostra a Tabela 18. Pesquisadores orientadores e respectiva IES/área de formação de obtenção do doutorado que citaram Tânia Nunes da Silva UFRGS Eugênio Ávila Pedrozo - França/Administração 4 Luis Felipe Machado do Nascimento – Alemanha/Economia e Meio Ambiente 2 Tânia Nunes da Silva – USP/Sociologia 5 Total geral 11 Tabela 18 – Relação dos pesquisadores que citaram Tânia Nunes da Silva. Fonte: Dados da pesquisa. A autora Tânia Nunes da Silva apresenta um total de 11 citações concentradas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRGS, instituição a qual ela está vinculada, das quais cinco foram realizadas pela própria pesquisadora, quatro pelo pesquisador Eugênio Ávila Pedrozo e duas por Luis Felipe Machado do Nascimento. As principais obras, com duas citações, de Tânia Nunes da Silva foram publicadas na Revista eletrônica de administração. 178 Porto Alegre: “Cooperativas, proteção ambiental e sustentabilidade perspectiva econômica, v. 35, n. 47, 2000” e “O desenvolvimento sustentável, a abordagem sistêmica e as organizações, v. 6, n.18, dez. 2000”. (ambas em coautoria com o pesquisador Eugênio Ávila Pedrozo). As demais citações ocorrem apenas uma vez. O autor Eugênio Ávila Pedrozo, da Universidade Federal do Rio Grande de Sul UFRGS, aparece na sétima posição dos mais citados com 11 ocorrências, conforme mostra a Tabela 19. Pesquisadores orientadores e respectiva IES/área de formação de obtenção do doutorado que citaram Eugenio Ávila Pedrozo UFRGS Eugênio Ávila Pedrozo - França/Administração 5 Luis Felipe Machado do Nascimento – Alemanha/Economia e Meio Ambiente 2 Tânia Nunes da Silva – USP/Sociologia 3 Total geral 10 Tabela 19 – Relação dos pesquisadores que citaram Eugenio Ávila Pedrozo. Fonte: Dados da pesquisa. O autor Eugênio Ávila Pedrozo apresenta um total de 10 citações concentradas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRGS, das quais cinco foram realizadas pelo próprio pesquisador, três pela pesquisadora Tânia Nunes da Silva e duas por Luis Felipe Machado do Nascimento. A principal obra, com duas citações, de Eugênio Ávila Pedrozo foi publicada na Revista eletrônica de administração. Porto Alegre “O desenvolvimento sustentável, a abordagem sistêmica e as organizações, v. 6, n. 18, dez. 2000”. (em coautoria com a pesquisadora Tânia Nunes da Silva). As demais citações ocorrem apenas uma vez. Na sequência, os dados apresentados e analisados neste capítulo são incorporados aos apontamentos teóricos, realizados nos capítulos anteriores gerando as discussões desta pesquisa. Esta seção apresentou a análise das citações que ocorrem com maior frequência nas 47 teses e dissertações em sustentabilidade ambiental que foram apresentadas no período de 2007 a 2009. O levantamento indicou à existência de um total de 1360 citações voltadas a sustentabilidade ambiental em um universo de 4852 citações em 12 diferentes IESs. Verificou-se a distribuição das citações dos 20 autores mais citados, por IES e por pesquisador responsável pela orientação que esta realizando a citação. A distribuição obtida possibilita realizar os processos de institucionalização e legitimação segundo a abordagem de Berger e Luckmann (2008). O capítulo seguinte destina-se a realizar a análise e discussão dos dados apresentados neste capítulo. 179 5 DISCUSSÃO DOS RESULTADOS ANALISADOS Neste capítulo é realizada a análise dos resultados apresentados no capítulo anterior e a discussão destes frente ao referencial teórico construído para suportar a necessária contextualização reflexiva. A análise e discussão ocorrem seguindo o sequenciamento estabelecido pela apresentação e análise dos dados que, por sua vez, foi definido para atender aos objetivos específicos estabelecidos na pesquisa. Neste sentido, este capítulo se divide em três seções. Na primeira, analisa-se o perfil dos orientadores e o das IESs em sustentabilidade ambiental no Stricto Sensu em administração. Na segunda seção se discute a configuração de uma rede social de colaboração e a centralidade dos principais atores deste campo de pesquisa. Desenvolve-se, na terceira seção, a análise e discussão das citações mais frequentes nas teses e dissertações contextualizadas pelos professores mais prolíficos na orientação e sua centralidade na rede que se estabelece a partir das estruturas de colaboração geradas pelos laços de participação em bancas de doutorado e mestrado e, adicionalmente, a adequação do modelo baseado na abordagem de Berger e Luckmann (2008), proposto para identificar os processos de institucionalização e de legitimação do conhecimento. 5.1 PERFIL DOS PROFESSORES ORIENTADORES E DAS IESs QUE DESENVOLVERAM PESQUISAS EM SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL Frente aos dados dos pesquisadores orientadores de teses e dissertações e das IESs em que se desenvolveram os estudos, apresentados e analisados no capítulo anterior, esta seção discute o perfil observado no campo de pesquisa em sustentabilidade ambiental. O desenvolvimento das reflexões desenvolvidas recorre, para tanto, a uma aproximação do referencial teórico observado nas Leis da Bibliometria. Vale destacar que as Leis da Bibliometria foram estabelecidas originalmente para análise da literatura de artigos e livros, de campos científicos e nesse sentido, a utilização destas Leis para entendimento do perfil dos professores orientadores e das IESs se configura como uma abordagem diferenciada, e submetida a ressalvas de interpretação. A pesquisa mostra que, no período de 1998 a 2009, um total de 295 professores realizaram orientações de doutorado e de mestrado no Stricto Sensu em administração na área de sustentabilidade ambiental, e participaram de 543 pesquisas que resultou em uma média de 1,8 orientações por pesquisador. A análise dos dados revela que esta distribuição não é 180 uniforme. Observa-se um número restrito de pesquisadores com alta produção, contrastando com um grande número de pesquisadores produzindo pouco. Os cinco pesquisadores mais prolíficos são responsáveis por 81 pesquisas, que representa 15% do total. Expandindo a análise para os 24 pesquisadores mais prolíficos, expressos na Tabela 2, observa-se um total de 184 pesquisas, que representa 33,9%. Esta distribuição possibilita uma aproximação a abordagem da Lei de Lotka (LOTKA, 1926) que sugere que em muitas áreas do conhecimento é possível identificar o padrão de poucos pesquisadores com muita produção coexistindo com muitos pesquisadores com baixa produção. Os resultados, observados quanto aos pesquisadores orientadores, se aproximam da Lei de Lotka, provavelmente em decorrência do fato de muitas das pesquisas desenvolvidas serem, posteriormente, publicadas em periódicos. Desta forma, é possível interpretar, e estabelecer como factível, a similaridade de comportamento das orientações desenvolvidas e das publicações realizadas. As Leis da bibliometria apresentam um conjunto de coeficientes que possibilitam realizar uma interpretação do desempenho dos pesquisadores em determinado campo de pesquisa. A Tabela 20 apresenta alguns destes coeficientes. Lei da Bibliometria Lei de Lotka, Lotka (1926) Critério Lei de Lotka, Lotka (1926) Quantidade de autores que publicam três artigos é igual a 1/9 dos autores que publicam um artigo. Rousseau e Rousseau (2000) Lei de Lotka como uma Power Law. O expoente 2 é considerado como padrão de referência internacional de produtividade. Price (1976) Propõe que 1/3 da literatura seja resultante de 1/10 dos autores. Lei do Elitismo Price (1976) Quantidade de autores que publicam dois artigos é igual a ¼ dos autores que publicam um artigo. Dados da pesquisa (aproximação para desempenho dos orientadores). - 39 pesquisadores realizaram duas orientações. - 208 pesquisadores realizaram uma orientação. Razão = 39 = 1 . 208 5 - 24 pesquisadores realizaram três orientações. - 208 pesquisadores realizaram uma orientação. Razão = 24 = 1 . 208 9 - 24 pesquisadores realizaram três orientações. - 39 pesquisadores realizaram duas orientações. - 208 pesquisadores realizaram uma orientação Razão = 2 orientações = 39 = 1 = 1 . 1 orientação 208 5,3 2 2,4 Razão = 3 orientações = 24 = 1 = 1 . 1 orientação 208 8,7 3 2 Encontramos dois expoentes 2 e 2,4. 24 (8,2%) autores que realizaram quatro ou mais orientações respondem por 184 (33,9%) das teses e dissertações. Assim 1/12 dos orientadores respondem por 1/3 das teses e dissertações. Total de 295 pesquisadores. Elite = √ 295 Elite = 17 pesquisadores. Os 17 pesquisadores principais respondem por 156 (28,7%) orientações. O número de membros da elite corresponde à raiz quadrada do número total de autores e deve ser responsável por metade dos estudos. Tabela 20 – Aplicação das leis da bibliometria. Fonte: dados da pesquisa associado com as leis da bibliometria 181 Ainda, realizando uma aproximação de desempenho dos pesquisadores orientadores com a Lei de Lotka (LOTKA, 1926), expressa nos resultados da tabela 20, pode-se estabelecer as seguintes observações. Segundo a Lei de Lotka, a quantidade de autores que publicam dois artigos é igual a ¼ do número de autores que publicam um artigo. Para os valores encontrados nesta pesquisa, esta razão está mais próxima a 1/5. Ainda, seguindo a Lei de Lotka, a quantidade de autores que publicam três artigos corresponde a 1/9 do número de autores que publicam um artigo. Para os valores encontrados nesta pesquisa, esta razão está próxima de 1/9. Assim, apesar da não aderência completa ao principio da Lei de Lotka (LOTKA, 1926), é possível identificar a existência de proximidade. Rousseau e Rousseau (2000) quando analisam os artigos interpretam a Lei de Lotka como uma power law e propõe que o expoente 2 seja padrão de referência internacional da produtividade de uma área acadêmica. Nesse sentido, os dados obtidos nesta pesquisa indicam os valores de 2 e 2,4. Tal desempenho aponta que a pesquisa desenvolvida por teses e dissertações em sustentabilidade ambiental no Stricto Sensu em administração no Brasil se aproxima entre o padrão internacional e um pouco abaixo no comparativo com os artigos, segundo a proposta de Rousseau e Rousseau (2000). Com base na Lei de Lotka, os princípios utilizados para a análise da produtividade do campo de pesquisa em sustentabilidade ambiental das teses e dissertações se apresentaram em consonância com os estudos desenvolvidos nas pesquisas de Alvarado (2002), Bufrem e Prates (2005) e Moretti e Campanário (2009), apoiadas em artigos científicos. Dentre os estudos desenvolvidos, com a finalidade de aprimorar a Lei de Lotka, se destaca a abordagem de Price (1976) que propõe a relação de 1/3 da literatura ser resultante de 1/10 dos autores. É possível identificar nesta pesquisa, que os 24 pesquisadores que orientaram quatro ou mais teses e dissertações, são os responsáveis por 184 estudos, do total. Os dados apontam que 1/12 dos pesquisadores orientadores são responsáveis por 1/3 dos estudos de sustentabilidade ambiental no Stricto Sensu em administração. Desta forma, podese observar uma significativa proximidade do desempenho dos pesquisadores orientadores com a abordagem proposta por Price (1976). Segundo a Lei do Elitismo de Price (1976), o número de membros da elite, que corresponde à raiz quadrada do número total de autores, deve ser responsável por metade dos estudos. Os valores encontrados nesta pesquisa apontam que a elite dos orientadores mais prolíficos responde pela orientação de 28,7% estudos em sustentabilidade ambiental no Stricto Sensu em administração. Tal desempenho classifica a elite como não produtiva, pois a 182 produção dos pesquisadores da elite é inferior a 50% da produção da área, parâmetro este identificado como ponto de referência na definição da elite de Price (1976). Vale destacar que a proposição da Lei do Elitismo foi desenvolvida com base na análise de artigos acadêmicos, que não possuem limitações de produção, ao passo que o trabalho de orientação está sujeito à limitação de quantidade máxima de alunos pela CAPES. Desta forma, a classificação da produtividade da Lei do Elitismo deve ser utilizada com ressalvas quando aplicada na análise das atividades de orientação no Stricto Sensu. Adicionalmente, os dados mostram que 208 dos professores, que representam 70,5% do total, orientaram apenas uma tese ou dissertação, valor este que se aproxima das pesquisas de Chung e Cox (1990) e Alvarado (2002) que apontam a participação de 60% para os pesquisadores com apenas uma orientação. A Lei de Bradford é empregada nos estudos bibliométricos com a finalidade de estimar o grau de relevância de periódicos que atuam em áreas do conhecimento específicas. Neste estudo, a Lei de Bradford foi utilizada com a finalidade de aproximar a aplicação dos seus conceitos em relação às IESs. Tal aproximação objetivou analisar se IESs, com maior número egressos atuando no Stricto Sensu de administração, tendem a estabelecer um núcleo de relevância neste campo de pesquisa. Vale destacar que o interesse da pesquisa no egresso de doutorado que atua no Stricto Sensu se justifica por prospectar os pesquisadores ativos. A rede de IESs envolvidas na formação do pesquisador em sustentabilidade ambiental é estruturada por 21 IESs nacionais, que respondem pela formação de 70% dos pesquisadores, e por IESs sediadas em dez diferentes países, que respondem pela formação de 30% dos pesquisadores. Vale destacar que o estudo não quantificou nominativamente as IESs estrangeiras, apenas as qualificou em relação ao país em que está sediada. Logo, para efeito desta pesquisa, cada país foi identificado como entidade única de estudo. A proposta da Lei de Bradford propõe a divisão de periódicos - para efeito deste estudo são as IESs - em três zonas, cada qual com um terço do total da produção. Pela proposta da Lei de Bradford o núcleo de interesse de investigação pode ser obtido por meio da proporção 1: n: n2. A distribuição do número de IESs que formou os pesquisadores possibilita a elaboração de dois cenários muito próximos, mas que, no entanto demanda a necessidade de serem investigados a fim de possibilitar melhor compreensão dos resultados da pesquisa. Assim, a Figura 28 apresenta uma distribuição de Bradford considerando apenas uma IES na primeira zona, enquanto a Figura 29 apresenta uma distribuição de Bradford considerando duas IESs na primeira zona. 183 Zona 1 Zona 2 1 - IESs USP – 76 4 – IESs FGV/SP - 28 Grã-Bretanha – 24 EUA – 23 UFSC – 21 Zona 3 26 – IESs UFRJ – 20 UFRGS - 5 FGV/RJ – 2 França - 19 UFBA – 5 IUPERJ – 2 UNICAMP – 9 UFPE – 5 UFPA – 2 PUC/SP – 9 UFRRJ – 3 UNB – 2 Espanha – 8 PUC/RJ – 3 UFLA – 2 UFMG – 7 UFC – 3 Portugal - 2 Alemanha – 6 Canadá - 3 PUC/RGS – 1 UFPR – 1 UFSCAR – 1 Cuba – 1 Italia – 1 Polônia 1 Total de 76 (26%) Total de 96 (33%) Total de 123 (41%) pesquisadores formados dos pesquisadores dos pesquisadores formados formados Figura 28 – Aplicação da Lei de Bradford considerando apenas uma IES na condição no primeiro núcleo de análise (Zona 1). Zona 1 Zona 2 Zona 3 2 - IESs USP – 76 FGV/SP - 28 5 – IESs Grã-Bretanha – 24 EUA – 23 UFSC – 21 UFRJ – 20 França – 19 24 – IESs UNICAMP – 9 UFBA – 5 FGV/RJ – 2 PUC/RGS – 1 PUC/SP – 9 UFPE – 5 IUPERJ – 2 UFPR – 1 Espanha – 8 UFRRJ – 3 UFPA – 2 UFSCAR – 1 UFMG – 7 PUC/RJ – 3 UNB – 2 Cuba – 1 Alemanha – 6 UFC – 3 UFLA – 2 Italia – 1 UFRGS - 5 Canadá - 3 Portugal - 2 Polônia 1 Total de 84 (29%) pesquisadores formados Total de 104 Total de 107 (35%) dos (36%) dos pesquisadores pesquisadores formados formados Figura 29 – Aplicação da Lei de Bradford considerando duas IESs na condição no primeiro núcleo de análise (Zona 1). Nas propostas apresentadas nas Figuras 28 e 29 é possível identificar uma aproximação a Lei de Bradford. Considerando apenas a Universidade de São Paulo USP na Zona 1, tem-se quatro IESs na Zona 2 e 26 IESs na Zona 3. Tal distribuição não se enquadra na proporção 1: n: n2, no entanto, quando se considera a Universidade de São Paulo USP e a Fundação Getúlio Vargas na Zona 1, tem-se cinco IESs na Zona 2 e 24 IESs na Zona 3. Esta distribuição se enquadra na proporção 1: n: n2, pois temos uma relação próxima de 1: 5: 52. Aplicando os princípios da Lei de Bradford na análise do processo de formação dos pesquisadores orientadores que atuam no Stricto Sensu em administração, foi possível identificar um núcleo supostamente de qualidade superior e maior relevância nesta área de conhecimento constituído pela Universidade de São Paulo USP e Fundação Getúlio Vargas de São Paulo FGV/SP. As IESs posicionadas na Zona 2 que também se configuram como relevantes no processo de formação de pesquisadores orientadores que atuam no Stricto Sensu, se constituem de três países; Grã-Bretanha, Estados Unidos e França e duas IESs, Universidade Federal de Santa Catarina UFSC e Universidade Federal do Rio de Janeiro UFRJ. Esta configuração possibilita, por meio da Lei de Bradford, distinguir o desempenho 184 das IESs formadoras de pesquisadores no Stricto Sensu em administração em zonas de relevância, aproximando-se das investigações desenvolvidas em estudos bibliométricos em revistas, como os de Tsay e Yang (2005) e Singh, Ahmad e Nazim (2008). A análise das IESs que desenvolveram pesquisas de doutorado e de mestrado em sustentabilidade ambiental no período de 1998 a 2009, apresentadas na Tabela 4, possibilitou identificar que a Universidade de São Paulo USP, apesar de se configurar com a maior geradora de pesquisadores que atuam no Stricto Sensu de administração, não é a que produziu o maior volume de trabalhos, pois com 24 (4,4%) estudos ocupa apenas a quinta posição, sendo que destes estudos, nove foram de doutorado. Da mesma forma, a Fundação Getúlio Vargas FGV/SP ocupa a terceira posição das mais produtivas, com 30 (5,5%) estudos, sendo que destes estudos, dez foram de doutorado. Estes valores mostram que as maiores formadoras de pesquisadores em sustentabilidade ambiental, que atuam como orientadores no Stricto Sensu, não são as com maior volume de estudos na área. Em contrapartida, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRGS que se apresenta como a maior produtora em pesquisas de sustentabilidade ambiental com 57 (10,5%) estudos, nove dos quais em doutorado, aponta que apenas cinco pesquisadores se colocaram no Stricto Sensu e atuaram como orientadores na área de sustentabilidade ambiental. Em posição bastante singular encontra-se a Universidade Federal de Santa Catarina UFSC, que se posiciona como a segunda maior IES na pesquisa de sustentabilidade ambiental com 38 (7,0%) estudos e bem centralizada (Zona 2) na formação de 21 pesquisadores que atuam como orientadores no Stricto Sensu em administração. Valores estes que possibilitam notoriedade a instituição. No entanto, quando estes valores são associados ao fato desta IES ter obtido o reconhecimento e recomendação pela CAPES do doutorado em administração somente no ano de 2008, revelam certo descompasso estrutural. O reconhecimento da Universidade de São Paulo USP e da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo FGV/SP como importantes formadores de doutores, que posteriormente executaram orientação em sustentabilidade ambiental, identifica na pesquisa de Jabbour, Santos e Barbieri (2008) fatores que podem justificar esta posição. Segundo a pesquisa destes autores, as instituições com maior número de publicações em sustentabilidade ambiental foram na sequência: Fundação Getúlio Vargas de São Paulo FGV/SP, Universidade de São Paulo USP, Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRGS, Universidade Federal da Bahia UFBA e Universidade Federal de Santa Catarina UFSC, Assim as duas IESs que mais forneceram pesquisadores para o Stricto Sensu em administração também são as que possuem maior volume de publicações em periódicos. A Universidade de Santa Catarina UFSC que 185 aparece na Zona 2, ainda de destaque, também se posiciona com bom volume de publicações de artigos científicos. Estabelecendo como foco de análise as 543 teses e dissertações, os dados mostram que as IESs, nas quais se desenvolveram os estudos, apresentaram distribuições relevantes de discussão. As seis IESs que mais desenvolveram pesquisas em sustentabilidade ambiental foram: Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRGS, Universidade Federal de Santa Catarina UFSC, Fundação Getúlio Vargas de São Paulo FGV/SP, Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro FGV/RJ, Universidade de São Paulo USP e Universidade Federal da Bahia UFBA. O resultado das IESs mais prolíficas na formação de doutores e de mestres com temas de sustentabilidade ambiental se aproxima muito do encontrado por Jabbour, Santos e Barbieri (2008) - indicado no parágrafo anterior - que aponta as mais prolíficas na produção de artigos. A diferença entre as relações reside apenas no ordenamento em que se posicionam as IESs em cada um dos levantamentos e na não identificação da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro FGV/RJ, como prolífica. Desta forma, é possível inferir que o desenvolvimento de orientações no Stricto Sensu em administração da IES é componente que potencializa a publicação de artigos em sustentabilidade ambiental. Retornando à discussão da atuação dos egressos na pós-graduação foi possível observar uma dissonância na Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRGS. No comparativo das IESs com maior colocação de profissionais, atuando em orientação de sustentabilidade ambiental e as IESs mais prolíficas na formação de doutores e de mestres com estudos na área, a UFRGS, apesar de possuir o maior número de estudos neste campo de pesquisa, no período de 1998 a 2009 (ver Tabela 4), de possuir docentes prolíficos como Luis Felipe Machado Nascimento, Tânia Nunes da Silva e Eugênio Ávila Pedrozo e ainda ter o reconhecimento e a recomendação do doutorado desde 1994, com nota máxima de avaliação da CAPES no último triênio, possui uma baixa penetração de seus egressos no Stricto Sensu em administração, atuando neste campo de pesquisa. Tal desempenho pode ter na sua origem a alteração do interesse de área de pesquisa do egresso, e seu posicionamento profissional na graduação ou especialização. Independente da causa raiz desta dissonância, observada na UFRGS, o egresso desta instituição, mesmo não atuando no Stricto Sensu ou na pesquisa em sustentabilidade ambiental, se constitui em um importante recurso para o desenvolvimento da pesquisa na área. Adicionalmente há de se considerar o período em que as IESs possuem o reconhecimento e a recomendação do doutorado pela CAPES. A Universidade de São Paulo USP obteve a recomendação do doutorado em 1975 e a Fundação Getúlio Vargas de São 186 Paulo FGV/SP no ano de 1976. Estas IESs estabelecem uma anterioridade de quase 20 anos em relação à Universidade Federal do Rio Grande do Sul que obteve a recomendação do doutorado apenas em 1994. Sob esse aspecto é de se esperar que as IESs com maior tempo na formação de doutores apresentem um maior volume de pesquisadores atuando no Stricto Sensu no Brasil. Esta diferença de período de recomendação entre as Instituições, em parte, também pode justificar a baixa penetração do egresso do doutorado da UFRGS. A Universidade Federal de Santa Catarina UFSC estabelece um interessante contraponto a UFRGS, apesar de ter seu doutorado em administração reconhecido e recomendado pela CAPES somente em 2008, possui 21 egressos atuando no Stricto Sensu com pesquisas em sustentabilidade ambiental. Ocupa, assim, a terceira posição das IESs que formaram pesquisadores atuantes na orientação deste campo de pesquisa. A análise destes pesquisadores revelou que o programa de doutorado em Engenharia de Produção da UFSC se estabeleceu como um importante provedor de pesquisadores para a administração. Os pesquisadores Pedro Carlos Schenini, Hans Michael Van Bellen e Rolf Hermann Erdmann, identificados como os mais prolíficos na pesquisa em sustentabilidade ambiental na administração desta IES, obtiveram o título de doutor em Engenharia de Produção na UFSC. Tal desempenho pode ser empregado como um parâmetro para análise da produtividade científica, conforme propõe Oliveira et al. (1992), pois desenvolve um diagnóstico das reais potencialidades de instituições e grupos de pesquisa. O exame da dependência administrativa revela maior interesse das IESs públicas nas pesquisas em sustentabilidade ambiental, com uma contribuição de 58% dos estudos, enquanto as IESs particulares colaboraram com 42% dos estudos. Os dados apresentam uma diferença de 16% a mais para as IESs públicas mostrando, portando um maior interesse dessas instituições com esta dependência administrativa. A pesquisa em sustentabilidade ambiental se fez com maior presença nos programas de mestrado com 398 estudos que representa 4,2% do total, na sequência, o de mestrado profissional com 109 estudos que representa 3,1% do total e o de doutorado com 36 estudos que representa 3,5% do total. O destaque destes valores está na discreta quantidade de doutores formados em sustentabilidade ambiental na administração no período de 1998 a 2009, somente 36, que resulta em uma taxa de três pesquisadores ao ano. Estes valores apresentam-se modestos frente ao total de 86 pesquisadores atuantes no Stricto Sensu, que se titularam, no período de 2000 a 2004 (média de 17,2 formandos por ano), apresentados na Figura 21. Com esta taxa de doutorandos em sustentabilidade ambiental, a reposição dos pesquisadores orientadores levaria quase seis anos (86 pesquisadores atuantes entre 2000 e 187 2004, estabelece uma média de 17,2 formandos por ano, dividido por três que é a média de titulação doutores por ano é igual a 5,73 anos). Este baixo número de doutores se titulando em sustentabilidade ambiental na administração pode, em parte, justificar a penetração de doutores de outras áreas na orientação de pesquisas neste campo na administração. Este cenário pode apresentar alteração de perfil, caso uma parcela significativa dos 398 alunos de mestrado e os 109 alunos de mestrado profissional se propuserem a realizar o doutorado nesta área. Caso se observe este fenômeno, é possível estabelecer a expectativa de avanço no número de pesquisadores titulados em administração atuando na pesquisa em sustentabilidade ambiental no Stricto Sensu. Vale destacar que o primeiro pesquisador a obter a titulação com uma pesquisa em sustentabilidade ambiental, e que atua como orientador em administração foi Luis Felipe Machado do Nascimento, em 1995 na Alemanha, e já, no ano de 1996, observa-se a primeira ocorrência no Brasil, quando o pesquisador Ícaro Aronovich da Cunha obteve a titulação na Universidade de São Paulo USP. Esta seção discutiu o perfil dos pesquisadores orientadores de teses e dissertações em sustentabilidade na administração. As comparações teóricas foram subsidiadas pelas leis da bibliometria, com destaque para a Lei de Lotka. Sob este aspecto, foi possível identificar que a produção dos pesquisadores na orientação de teses e dissertações possui distribuição que se assemelha a de autores de artigos científicos. A discussão se expandiu na análise do perfil das IESs formadoras de pesquisadores orientadores no Stricto Sensu de administração. Para o desenvolvimento desta discussão também se apoiou nas leis da bibliometria, mais precisamente na Lei de Bradford que se mostrou adequada para mostrar uma aproximação do desempenho das IESs que se configuram em núcleos de formação, com as revistas de publicação científica que também se estabelecem como núcleos de pesquisa de determinadas áreas. A configuração dos dados coletados possibilitou o emprego da análise de redes sociais de colaboradores nas bancas de doutorado e de mestrado que, por sua vez, viabilizou a realização de constatações relevantes descritas na próxima seção. 188 5.2 A REDE SOCIAL DE COLABORAÇÃO E A CENTRALIDADE DOS PRINCIPAIS ATORES As informações disponibilizadas pelo banco de dados do Pró-administração possibilitaram a análise da rede social de cooperação, decorrente dos laços de participação nas bancas de doutorado e de mestrado do Stricto Sensu em administração. A análise da rede de colaboração estabeleceu foco de atenção na centralidade dos principais atores na condição de orientadores e de membros convidados. Conforme aponta a Figura 26, é possível afirmar a existência de três redes significativas de cooperação com laços de participação entre os membros das bancas de doutorado e de mestrado de sustentabilidade ambiental em administração com vários contrastes. Frente a este contexto, é possível identificar que apesar da ruptura da rede de colaboradores das bancas de doutorado e de mestrado, os atores se estabelecem como um colégio invisível, conforme proposição de Crane (1972). Na condição de colégio invisível, as bancas de doutorado e de mestrado configuram-se como um componente de intermediação e potencializam a colaboração entre os pesquisadores participantes, conforme proposição de Newman (2001b). Os resultados obtidos estabelecem aproximação aos encontrados por Molina, Muñoz e Domenech (2002), que identificaram nas redes de coautoria comunidades científicas que se configuravam em colégios invisíveis. Conforme apontado por Nelson e Vasconcelos (2007), a densidade relata o nível global de contatos estabelecidos em uma rede em um período determinado do tempo. Caso todos os membros da rede estabeleçam contatos mútuos a densidade é igual a 1, e na ausência de contatos a densidade é igual à zero. Segundo os autores, por definição, redes que têm densidade igual a 1 não contém partes diferenciadas, ao passo que redes de menor densidade podem expressar estruturas diferenciadas. Desta forma, apesar da rede em análise apresentar a densidade de 0,005, é possível identificar estruturas de interesse para esta pesquisa. Vale destacar que a configuração da rede possibilita o desenvolvimento de entendimentos que viabilizam a identificação de arranjos, conforme propõe Bauman (1995). A rede formada por um total de 947 atores, entre orientadores e convidados de banca, apresentou um total de 1284 laços, resultando na média de 1,35 laços por autor. O valor baixo, da media de laços por autor, em grande parte, pode ser explicado pela própria natureza das bancas que limita a um mínimo de dois convidados no mestrado e quatro convidados no doutorado. Os dados levantados monstraram que na maioria das vezes as bancas se compuseram desta quantidade mínima de participantes. Desta forma, é possível ponderar que 189 este índice tende a apresentar pouca variabilidade ao longo do tempo. Observa-se duas variáveis que podem influenciar a alteração deste valor, a primeira está relacionada à quantidade de ocorrências de bancas de doutorado e de mestrado, pois a quantidade de participantes em cada uma dessas bancas é diferente. A segunda variável é uma mudança no perfil do critério de escolha do membro convidado com o maior compartilhamento dos membros, pois, conforme o estudo identificou, 561 membros convidados participaram de apenas uma banca. Desta forma, caso se priorize o convite a atores que já participaram de bancas anteriores será possível observar uma elevação na média de participação por ator. O alto volume de membros convidados a participar em banca examinadora pode também ser indício da presença de pesquisadores não atuantes em sustentabilidade ambiental nas bancas desta área. Caso tal reflexão seja fato, evidencia-se a necessidade do estabelecimento do critério de identificar a atuação na área de sustentabilidade ambiental como um das variáveis no momento de se definir os membros a participar das bancas de doutorado e de mestrado em sustentabilidade ambiental. A Figura 27, que contém apenas os atores com mais de nove laços, apresentou duas redes principais. Vale destacar que estas redes possuem conexão conforme mostra a Figura 26, no entanto por atores com menos de nove laços, critério este utilizado para levantar o grafo da rede dos atores principais. Este resultado estabelece uma rede principal identificada como componente principal que contém 58% da rede, que se apresenta inferior ao de pesquisas bibliométricas, em artigos científicos, em áreas como a biologia, física e matemática no âmbito internacional em que o componente principal está entre 82% e 92% (NEWMAN, 2004). Conforme aponta Moody (2004), a centralidade de grau possibilita a interpretação de prestígio no campo científico, haja vista que alguns autores trabalham na obscuridade, enquanto outros, em menor volume, recebem um reconhecimento muito maior, resultando em uma grande concentração de reconhecimento pela colaboração em poucos autores. Para Moody (2004), a centralidade de alguns autores auxilia na interpretação do fato de alguns cientistas conseguirem rapidamente difundir suas ideias na comunidade acadêmica. Tal rapidez de difusão estaria associada ao fato de autores com muitos colaboradores serem os mais influentes. Sob esse aspecto a análise da centralidade dos orientadores e dos membros convidados a participarem das bancas se estabeleceu como uma oportunidade de interpretar o prestigio no campo científico segundo a realização de bancas de doutorado e de mestrado. Como a análise se processou por meio de uma rede two-mode, conforme já afirmado, temos duas posições de análise: a do pesquisador na condição de orientador, e na de membro 190 convidado a participar da banca examinadora. Nesse sentido a análise de centralidade se voltou para as duas posições. Para ambas as situações se processaram a verificação de centralidade segundo três variáveis: centralidade de grau, de proximidade e de intermediação. A Tabela 5 expõe estes valores de centralidade. Os seis pesquisadores mais centrais foram, Luis Felipe Machado do Nascimento, Pedro Carlos Schenini, José Carlos Barbieri, José Antonio Puppim de Oliveira, Francisco Correia de Oliveira, Isak Kruglianskas. Desta forma, é possível afirmar que as regiões Sudeste e Sul concentram os pesquisadores mais centrais em sustentabilidade ambiental, considerando a estrutura de colaboração gerada pelos laços de participação em bancas de doutorado e de mestrado. A rede de colaboração, com laços de participação dos pesquisadores em bancas examinadoras, possibilitou identificar a existência de atores centrais. Nesse contexto é possível presumir que estes pesquisadores possuam prestigio no campo científico. Tal posição vai ao encontro da proposta de Moody (2004), na qual a centralidade de grau possibilita a interpretação de prestígio no campo científico. O pesquisador Francisco Correia de Oliveira possui significativa centralidade, principalmente de proximidade na condição de convidado de banca com um valor de 187,4, que é significativamente superior aos demais da rede. A análise do valor de centralidade de proximidade e da estrutura da Figura 27 possibilitou identificar este ator como um buraco estrutural que, por intermédio de laços com os pesquisadores José Carlos Barbieri e José Antonio Puppim de Oliveira, conecta dois núcleos importantes de pesquisadores centrais. Segundo a abordagem de Burt (1992), o ator que se posiciona na condição buraco estrutural além de facilitar a proximidade entre os atores, possibilita que estes acessem outros grupos em que a informação não é redundante, potencializando a ampliação da criatividade por parte das pesquisas realizadas. Na perspectiva de Marteleto (2001), o ator nesta posição possui potencial para estabelecer o papel de intermediador de informações. Nesse contexto, apesar da significativa participação como orientador com 12 estudos desenvolvidos no Stricto Sensu, a sua relevância decorre dos convites recebidos para a participação em banca examinadora. A análise da rede social de colaboração dos membros das bancas de doutorado e de mestrado apresenta como atores principais os pesquisadores que também foram mais prolíficos na orientação de estudos na área. Desta forma, é possível afirmar que uma das variáveis que moldam este campo de pesquisa é a atividade de orientação de doutorado e de mestrado. A participação como convidado de banca examinadora se mostrou bastante dispersa, pois dos pesquisadores convidados observa-se que 561 atores participaram apenas uma vez e 132 atores participaram apenas duas vezes de bancas. Tal cenário mostra a 191 importância dos pesquisadores orientadores na estruturação desta rede social de colaboração. Esta posição é reforçada quando analisamos a rede de colaboração expressa na Figura 27 e identificamos, na lateral esquerda 28, pesquisadores orientadores que possuem mais de nove laços de relacionamento, no entanto não aparecem os membros de suas bancas, pois estes possuem poucos laços de relacionamento. Vale destacar que em decorrência da grande dispersão de membros convidados a participar das bancas examinadoras, os pesquisadores que mais participaram desta atividade se destacaram pela posição de centralidade, sendo estes atores também são centrais como orientadores. Em outras palavras, somente os pesquisadores com destaque na orientação possuem potencial para se destacar na condição de convidado de banca examinadora. Tal cenário pode ser um indicio de prestígio do pesquisador neste campo científico. Os atores que aparecem em bancas isoladas e mesmo na menor das redes identificadas se apresentam segregadas por região geográfica, variável esta que se estabelece como restrição para a integração dos colaboradores em uma única estrutura. As duas redes maiores apresentam um processo maior de integração de pesquisadores de diversas regiões do Brasil. A configuração de rede two-mode estabelece maior dificuldade para a análise do conceito de small worlds, pois distingue a atuação de um pesquisador para a posição de orientador e de membro convidado de banca. Esta distinção, apesar de auxiliar a identificar a importância do ator em cada função, restringe a possibilidade de análise como ator único. Esta abordagem influência os valores de densidade, coesão e diâmetro da rede, impactando diretamente na identificação da existência de small worlds. Desta forma Watts e Strogatz (1998), Uzzi e Spiro (2005) Lazzarini (2007) posicionam o conceito de small worlds como o agrupamento de atores em uma rede bem disseminada, em concomitância de relações destes atores junto a atores externos, por meio de um pequeno número de intermediários. Desta forma, pode-se afirmar a não existência de um small worlds na estrutura de colaboração gerada a partir dos laços de participação em bancas de doutorado e de mestrado. A estrutura de colaboração mostra a existência de três redes distintas e ainda a ocorrência de bancas isoladas na composição da colaboração em bancas de doutorado e de mestrado configurando a não existência do small worlds. Tal cenário se contrapõe com o conceito de Giddens (1989) no qual a dinâmica dos atores que reproduz a estrutura de small worlds não pode apresentar rupturas na estrutura de colaboração. No entanto, a rede de colaboração de pesquisadores em bancas de doutorado e de mestrado se insere na proposição de Rossoni e Guarido-Filho (2009) que, em estudo de redes de coautoria entre pesquisadores nos programas de pós-graduação no Brasil, identificou que a 192 relação entre os atores não é restrita ao contexto imediato, mas sim a interesses mais abrangentes. Sob esse aspecto, a rede de colaboração de pesquisadores em bancas examinadoras favorece tanto a ampliação de repertório de abordagens e ferramentas utilizadas nas pesquisas quanto à criatividade dos pesquisadores que trocam informações no interior da rede, conforme aponta estudo de Weisz e Roco (1996). Desta forma, a participação nas redes de colaboração com laços de relacionamento das bancas de doutorado e de mestrado se estabelece como um importante espaço para o fomento de futuras colaborações troca de experiências e importante recurso para a construção do conhecimento. Esta seção discutiu a rede de cooperação com laços de participação entre os membros das bancas de doutorado e de mestrado em sustentabilidade ambiental em administração que se estabelece como um colégio invisível composto de 947 atores que possuem 1284 laços de relacionamento. Observou-se a existência de três redes distintas e algumas bancas dispersas. A rede principal comporta 58% dos atores inclusive os 25 atores principais. Dessa forma este colégio invisível não se enquadra dentro do conceito de small worlds. A seção seguinte trata do processo de legitimação do conhecimento gerado nestas redes de colaboração, formadas pela configuração das bancas de defesa de dissertação de mestrado e de tese de doutorado. 5.3 A LEGITIMAÇÃO E A INSTITUCIONALIZAÇÃO DO CONHECIMENTO EM SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL Nesta seção se discute os dados obtidos no referencial bibliográfico das teses e dissertações em sustentabilidade ambiental da administração frente à abordagem da sociologia do conhecimento, proposta por Berger e Luckmann (2008). Com o propósito de estabelecer reflexões sobre a existência do processo de legitimação, ou não, do conhecimento em sustentabilidade ambiental no Stricto Sensu em administração. Nesse sentido, é retomado o modelo teórico proposto, a fim de determinar a sua adequação dentro do contexto que se estabeleceu neste estudo. A configuração dos dados coletados nas referências das teses e dissertações do período de 2007 a 2009 possibilitou realizar a análise da literatura utilizada, e a identificação do processo de institucionalização e legitimação do conhecimento em sustentabilidade ambiental. Conforme aponta Small (2008) o estudo da literatura possibilita o entendimento das estruturas das comunidades. A interpretação e a adaptação dos conhecimentos do campo científico 193 ocorre, a partir do conhecimento já institucionalizado e legitimado. Na sequência se desenvolve a discussão dos principais pontos desta investigação. A abordagem de Berger e Luckmann (2008) aponta como conhecimento legitimado aquele que é transmitido de uma geração para outra. No estudo de campo da ciência a interpretação de geração se aproxima do entendimento da utilização de valores e do conhecimento por um grupo diferente ao que o originou, e não associado unicamente ao fator tempo cronológico. Tal proposição se estabelece como plausível frente à argumentação dos autores que a legitimação ocorre diante da incorporação do conhecimento pela geração seguinte, mediante a possibilidade de explicação e justificação do novo. Este estudo apoiou-se na análise dos orientadores, e das respectivas IESs em que atuam, para estabelecer o conceito de geração. Nesta proposição a citação de um autor por diferentes pesquisadores orientadores, em diferentes IESs, se estabelece como evidência de que o conhecimento foi transmitido à outra geração. Nesse contexto, o estudo identificou os autores que possuem suas obras citadas em diferentes IESs por diferentes pesquisadores orientadores, a saber: Ignacy Sachs, José Carlos Barbieri, Luis Felipe Machado do Nascimento, Hans Michael Van Bellen, Fernando Alves de Almeida, Denis Donaire, Elio Takeshi T. Tachizawa, Paulo Roberto Leite, Boaventura de Souza Santos, José Eli da Veiga, Jacques Demajorovic, Eduardo Viola e Ícaro Aronovich da Cunha. Assim, o conhecimento objetivado por estes pesquisadores e disponibilizado para a sociedade pode ser interpretado como legitimado. Apesar de apresentarem um volume menor de citações os pesquisadores Jacques Demajorovic e Ícaro Aronovich da Cunha tiveram suas obras interpretadas como legitimadas por apresentarem relativa dispersão de suas citações. As nove citações de Jacques Demajorovic foram realizadas em IESs distintas a que atua e Ícaro Aronovich da Cunha apresentou 50% das citações em IESs distintas a de sua atuação. A relação originada a partir das teses e dissertações no período de 1998 a 2009 que aponta os autores que possuem conhecimento legitimado possibilita identificar dois pesquisadores que também se sobressaíram na publicação de artigos no período de 1996 a 2005, segundo o estudo de Jabbour, Santos e Barbieri (2008). Os pesquisadores José Carlos Barbieri e Luis Felipe Machado do Nascimento são apontados como destaque na publicação de artigo, condição esta que identifica a proximidade das citações realizadas nas teses e dissertações com a produção científica. No entanto, os autores internacionais Hunt e Auster (1990) e Porter e Linde (1995) destacados na pesquisa de Jabbour, Santos e Barbieri (2008) são citados apenas duas vezes cada um. Condição esta que estabelece um distanciamento das citações de teses e dissertações em relação às citações de artigo. 194 Adotando a abordagem de Berger e Luckmann (2008) foi possível identificar os autores que foram utilizados por várias gerações e como tal podem ser considerados legitimados. Este conjunto de conhecimento legitimado estrutura o que Berger e Luckmann (2008) apontam como ordem institucional. O estabelecimento desta ordem institucional possibilita que o conhecimento gerado por estes autores seja utilizado por qualquer ator que compõe a rede social, neste caso os pesquisadores em sustentabilidade ambiental. Ainda, segundo Berger e Luckmann (2008), a existência da ordem institucional está associada à concepção do universo simbólico que envolve os processos de objetivação, de sedimentação e de acumulação do conhecimento. Nesse sentido, é possível considerar que o conhecimento de sustentabilidade ambiental se caracteriza como um produto social, possuidor de uma história e incorporado ao universo simbólico, aceito assim de forma geral pela sociedade. A abordagem teórica desenvolvida identificou a proximidade de contextualização da ordem institucional de Berger e Luckmann (2008) com o campo científico apresentado por Bourdieu (1995). Analisando a sustentabilidade ambiental, inserida no conceito de campo científico de Bourdieu (1995), é possível identificar um grupo de pesquisadores, relativamente autônomos, que executam pesquisas e orientações no Stricto Sensu e que possuem o seu conhecimento sendo difundido. Desta forma, a sustentabilidade ambiental pode ser interpretada como um campo científico. Bourdieu (1995) aponta, ainda, a existência de disputas que envolvem a questão epistemológica do significado e da natureza das descobertas científicas. Frente ao conjunto de 1360 citações ocorridas nas teses e dissertações voltadas à sustentabilidade ambiental e a ocorrência de apenas 331 repetições foi possível inferir a existência de uma pequena elite de pesquisadores e um grande contingente de autores que buscam afirmar o resultado de suas pesquisas, configurando um campo aberto a disputas. O campo se caracteriza em consonância à abordagem de Santos Júnior (2000) no qual os consumidores/clientes do campo científico são os próprios pares/concorrentes do produto do conhecimento. Os resultados obtidos não apontam para o Efeito Mateus, proposto por Merto (1968, 1988), que atribui desproporcional reconhecimento para os cientistas com algum grau de reputação no campo científico em relação a aqueles que ainda não alcançaram este patamar. Mesmo os autores mais citados não estabelecem um predomínio desproporcional sobre os demais autores. Adicionalmente, os resultados não possibilitam identificar os fenômenos de terapêutica e de aniquilação, propostos por Berger e Luckmann (2008). Nesse sentido, vale destacar que a obra de Denis Donaire “Gestão ambiental na empresa” de 1995 foi citada no 195 trabalho de dez diferentes orientadores. Conforme estudo de Jabbour, Santos e Barbieri (2008) a obra de Denis Donaire se posiciona como uma das pioneiras no estudo da incorporação da sustentabilidade ambiental pelas empresas. Apesar da antiguidade da obra deste autor, e sua restrita atuação em sustentabilidade ambiental no Stricto Sensu em administração, ela continua a ser citada, denotando que obras mais recente não proporcionaram a obsolescência deste autor ou, ainda, a legitimação proporcionada não foi superada nas disputas que ocorrem no campo científico. Na perspectiva de Berger e Luckmann (2008) a institucionalização é um processo anterior à legitimação, no qual o ator ou um conjunto de atores exercem ações típicas estabelecendo uma instituição. No estudo de campo da ciência a interpretação de institucionalização ocorre quando se observa um ator, ou um grupo de atores próximos, realizar a citação de um mesmo autor pertencente a este arranjo social. Neste estudo, que se apoia na análise dos orientadores, e das respectivas IESs em que atuam, a institucionalização do conhecimento ocorre quando um autor é citado pelo próprio autor, ou por autores da mesma IES ou, ainda, por mais de uma IES, mas de forma discreta. Nesse sentido, o estudo identificou autores que possuem sua obra citada na própria IES ou ainda em outras IESs, mas de forma pontual com baixa penetração. Os autores identificados nesta situação foram: Celso Funcia Lemme, Elaine Ferreira, Ely Laureano Paiva, Eugenio Ávila Pedrozo, George Gurgel de Oliveira, Graig R. Carter, Isak Kruglianskas, João Eduardo Prudêncio Tinoco, José Antonio Puppim de Oliveira, José Célio Silveira Andrade, Maria Tereza Saraiva de Souza, Mozar José de Brito, Oliver E. Williamson, Pedro Carlos Schenini, Robson Amâncio, Rolf Hermann Erdmann e Tânia Nunes da Silva. A relação originada a partir das teses e dissertações no período de 1998 a 2009 aponta um autor que possui conhecimento institucionalizado por meio da publicação de artigo e que adicionalmente aparece na pesquisa das principais publicações de artigos no período de 1996 a 2005, segundo o estudo de Jabbour, Santos e Barbieri (2008). Assim, o pesquisador José Célio Silveira Andrade é apontado como destaque na publicação de artigo, segundo a pesquisa de Jabbour, Santos e Barbieri (2008), e também aparece no levantamento realizado por este estudo, condição esta que identifica a proximidade das citações realizadas nas teses e dissertações com a produção científica. Este autor pode vir a ter o conhecimento legitimado em função de um possível aumento de citações de suas obras em pesquisas desenvolvidas por alunos de outras IESs. A análise do processo de disseminação do conhecimento mostrou que a Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRGS se estabeleceu como um importante elemento no 196 processo de legitimação e institucionalização do conhecimento em sustentabilidade ambiental, pois foi a responsável por 101 citações observadas neste levantamento como legitimadas ou institucionalizadas. No segundo lugar aparece a Universidade Católica de Santos UNISANTOS com 48 citações e, no terceiro lugar, a Universidade Federal da Bahia UFBA com 31 citações. Estas IESs mostraram-se como importantes componentes do processo de institucionalização do conhecimento, destacando os estudos desenvolvidos por seus pesquisadores, e ainda, referenciando pesquisadores de outras IESs, colaborando assim para a legitimação do conhecimento. Para Berger e Luckmann (2008) a linguagem é uma instituição e tem a finalidade de repetir as objetivações das experiências compartilhadas. A linguagem é o elemento de elaboração e disseminação nos processos de legitimação. A análise das citações realizadas nas teses e dissertações revelou que o Livro foi a linguagem mais empregada nos casos em que se observou a legitimação. Tal cenário indica que o livro se sobrepõe aos artigos científicos nos processos de legitimação do conhecimento em sustentabilidade ambiental nas teses e dissertações. Nesse contexto, autores que objetivaram o conhecimento, mas não utilizaram o livro para sua difusão encontram dificuldades para legitimá-lo em outros grupos sociais de orientadores de doutorado e mestrado. A preferência por citação de livros e a baixa presença de artigos na legitimação do conhecimento em sustentabilidade em parte pode ser atribuída pelos resultados encontrados na pesquisa de Jabbour, Santos e Barbieri (2008). Para estes autores, tanto o reduzido número de artigos publicados quanto à falta de diversidade de autoria revelam uma concentração de massa crítica em sustentabilidade ambiental. Tal afirmação é suportada pelos autores mediante a identificação de apenas 41 artigos (2,3%) em sustentabilidade ambiental do total de 1785 artigos publicados nas revistas que analisaram. Estudos, como o desenvolvido por Souza et al. (2011a), mostram que cinco revistas concentram uma parcela significativa da publicação em sustentabilidade ambiental. Em face desta concentração o processo de pesquisa de material a ser utilizado nos estudos de doutorado e de mestrado em sustentabilidade ambiental deveria potencializar estas publicações e assim, impulsionar o processo de legitimação do conhecimento. A não ocorrência deste fenômeno de legitimação do conhecimento difundido por estas revistas pode ter na sua origem tanto o fator desconhecimento como o fator acomodação dos alunos do Stricto Sensu. Vale destacar assim que estudos como o de Jabbour, Santos e Barbieri (2008) e de Souza et al. (2011a) podem representar um componente de difusão da informação em sustentabilidade ambiental e assim potencializar a legitimação de pesquisas desenvolvidas e publicadas em periódicos. 197 Nascimento (2010) estabelece crítica à promoção de maior ênfase da CAPES a publicação de artigo dos pesquisadores e menor atenção às demais atividades executadas. Nesse contexto os pesquisadores do Stricto Sensu aparentam ainda não compartilharem este posicionamento de importância do artigo científico no momento de nortear seus orientados de qual literatura utilizar na elaboração de suas teses e dissertações. Os artigos científicos se estabelecem como uma literatura em constante atualização, de fácil acesso e bastante diversificada, o que deveria ser um atrativo a utilização em teses e dissertações. É fato que este estudo observou a citação de vários artigos nas teses e dissertações, no entanto, essas publicações têm baixo índice de repetição, condição esta que possibilita a sua institucionalização, mas não evidencia a legitimação do conhecimento nele objetivado. As Leis de Lotka (1926), de Price (1976) e de Bradford entre outras da bibliometria se mostraram adequadas, e um importante ferramental que viabiliza a utilização da abordagem de Berger e Luckmann (2008) no entendimento de uma área do conhecimento, também conhecida como ordem institucional ou ainda campo científico segundo Bourdieu (1991). A análise de redes sociais, conforme propõe Bauman (1995), não possui o propósito único de afirmar a “ordem social”, mas sim interpretar a coexistência de diferentes ordens institucionais. Ordem institucional que segundo Robbins (2005) se constitui de um grupo social que compartilham objetivos comuns e que apoiado na afirmação de Cross, Parker e Borgatti (2000) podem ter o relacionamento estudado a fim de identificar o compartilhamento da informação e do conhecimento. Compartilhamento este observável pelas interações e interrelações entre os atores, segundo Menesses e Sarriera (2005). Neste contexto a análise de redes sociais se estabelece como uma importante ferramenta para a interpretação dos processos de institucionalização e legitimação do conhecimento, conforme propõem Berger e Luckmann (2008). Desta forma, a abordagem de Berger e Luckmann (2008) pode se servir da bibliometria e da análise de redes sociais como ferramentas para identificar os processos de institucionalização e legitimação do conhecimento que propõe e, ao mesmo tempo, se apresentar como referencial teórico para o emprego destas ferramentas. As diferentes análises realizadas, utilizando-se diferentes técnicas, possibilitaram a identificação de uma convergência de informações. Os pesquisadores orientadores, mais prolíficos em sustentabilidade ambiental, se estabelecem também como atores centrais na rede de colaboração em bancas de doutorado e de mestrado e, adicionalmente, muitos aparecem como autores cujo conhecimento é legitimado ou institucionalizado por intermédio da citação nas teses e dissertações. Esse contexto se estabelece como uma possibilidade de 198 materialização da proposta conceitual de Berger e Luckmann (2008), expressa na Figura 12, do processo de legitimação do conhecimento e estabelecimento da ordem institucional. No arranjo social que constitui esta ordem institucional qualquer ator tem a possibilidade de referenciar o conhecimento legitimado de forma plausível e possibilitar sentido objetivo. Retornando ao modelo proposto por este estudo, expresso na Figura 12, é possível constatar que as técnicas de bibliometria e data mining se ajustam ao papel de identificar na linguagem (livros, artigos, teses, dissertações, entre outros) os autores que estão com obras institucionalizadas e legitimadas. De forma análoga, a análise de redes sociais possibilita identificar os atores que estabelecem arranjos sociais por meio das bancas examinadoras que suportam os processos de institucionalização e legitimação do conhecimento. Nesse sentido, a Figura 30 apresenta de forma esquemática o núcleo do modelo proposto com os respectivos resultados que apontam os atores centrais deste estudo. Vale destacar, que os demais elementos do modelo, apesar da relevância, não são apresentados nesta representação, por não se tratarem de objeto da presente investigação. Figura 30 – Aplicação do modelo de análise proposto pelo estudo Fonte: elaborado pelo autor, a partir da adaptação da obra de Berger e Luckmann (2008) 199 O modelo apresentado desenvolve uma análise da legitimação do conhecimento, a partir de uma parcela das atividades desenvolvidas pelos pesquisadores do Stricto Sensu, mais precisamente o resultado da orientação dos alunos, que se materializa nas teses e dissertações, e a rede social que se estabelece a partir das participações que analisam as pesquisas. No entanto, o modelo proposto pode suportar outras abordagens, como exemplo a publicação de artigos e relações de coautoria, sem a necessidade de ajustes ou alterações. Nesse sentido, a aplicação do modelo em um recorte das atividades analisa a legitimação decorrente desta atuação do pesquisador, assim outras formas de colaboração, como a de artigos, podem apontar outros processos de legitimação do conhecimento. De acordo com a proposição de Berger e Luckmann (2008), determinados atores desempenham papeis, cuja atuação possibilita que as instituições se apropriem de sua experiência individual, configurando-se assim como referências da área e cabedais do conhecimento. Dessa forma, segundo Berger e Luckmann (2008), a utilização de ferramentas estatísticas como a bibliometria ou o data mining e a análise de redes sociais possibilita a identificação dos conhecimentos institucionalizado e legitimado no campo científico. Nesse sentido, restringindo a análise aos pesquisadores atuantes no Stricto Sensu, é possível identificar José Carlos Barbieri, Luis Felipe Machado do Nascimento, Hans Michael Van Bellen, Jacques Demajorovich e Icaro Aronovich da Cunha, como referências da área e cabedais do conhecimento em sustentabilidade ambiental. Afirmação apoiada na perspectiva de possuírem obras citadas nas teses e dissertações e um arranjo social que suporta suas pesquisas e que se manifesta pelas bancas examinadoras. Ainda, recorrendo à proposição de Berger e Luckmann (2008), e restringindo a análise aos pesquisadores atuantes no Stricto Sensu, é possível identificar a institucionalização da produção de Celso Funcia Lemme, Elaine Ferreira, Ely Laureano Paiva, Eugênio Ávila Pedrozo, Isak Kruglianskas, João Eduardo Prudêncio Tinoco, José Antonio Puppim de Oliveira, José Célio Silveira Andrade, Maria Tereza Saraiva de Souza, Pedro Carlos Schenini, Robson Amâncio, Rolf Hermann Erdmann e Tânia Nunes da Silva. Vale destacar que esta perspectiva foi estabelecida com base nas citações e análises nas teses e dissertações, e caso a análise se expanda para o referencial dos artigos é passível de identificar que a obra de muito destes pesquisadores também já esteja legitimada. Esta seção discutiu o referencial teórico utilizado nas teses e dissertações em sustentabilidade ambiental na administração no período de 2007 a 2009 frente à abordagem da sociologia do conhecimento, proposta por Berger e Luckmann (2008). A adoção desta 200 abordagem permitiu identificar os autores que possuem a produção do conhecimento na condição de institucionalizado ou legitimado. Assim, o modelo de análise proposto foi confrontado com os dados empíricos e verificou-se que a abordagem de Berger e Luckmann (2008) é adequada para identificar a institucionalização e a legitimação do conhecimento. 201 6 CONCLUSÃO Este estudo objetivou analisar a contribuição do Stricto Sensu em administração na legitimação do conhecimento em sustentabilidade ambiental e as características principais dos agentes envolvidos. O desenvolvimento da pesquisa partiu da tese que as atividades do Stricto Sensu em administração, por intermédio do processo de orientação, do conteúdo das teses e dissertações e das redes sociais de colaboração que se forma a partir das bancas examinadoras, se estabelecem como um componente que possibilita a identificação do conhecimento legitimado em sustentabilidade ambiental. A elaboração deste estudo incorpora a aspiração de contribuir para o entendimento e o desenvolvimento da área de sustentabilidade ambiental, identificando os principais pesquisadores e Instituições de Ensino Superior IESs deste campo de pesquisa no Stricto Sensu em administração, as redes sociais de colaboração que se estabelecem a partir das bancas examinadoras, e o conhecimento legitimado pelas teses e dissertações na área. Objetivos específicos foram estabelecidos com a finalidade de constituir um contínuo de informações que possibilite, ao final deste estudo, responder a questão de pesquisa. O primeiro objetivo específico estabelecido foi identificar o perfil dos professores orientadores e das IESs que desenvolveram pesquisas em sustentabilidade ambiental no Stricto Sensu em administração, por meio das teses e dissertações apresentadas. No período de 1998 a 2009, que incorpora quatro triênios de avaliação do CAPES, um total de 295 professores do Stricto Sensu em administração realizaram orientações na área de sustentabilidade ambiental. A colaboração destes pesquisadores se aproxima da Lei de Lotka, na qual os cinco pesquisadores mais prolíficos reponderam pela orientação de 15% de todas as pesquisas, enquanto 208 pesquisadores que representam aproximadamente 70% do total realizaram apenas uma orientação em sustentabilidade ambiental. Os pesquisadores que realizaram orientações em sustentabilidade mostram aderência a este campo científico, pois dos 24 orientadores mais prolíficos, com quatro ou mais orientações na área, apenas três não apresentam Projeto ou Linha de Pesquisa em sustentabilidade ambiental. Considerando ainda os 24 orientadores mais prolíficos, é possível identificar que 50% deles obtiveram o título de doutorado, com teses que tratavam de sustentabilidade ambiental. Dentre os pesquisadores mais prolíficos, o primeiro a obter o título com uma tese na área foi o pesquisador Luis Felipe Machado do Nascimento em 1995, na Alemanha, e em IES brasileira foi o pesquisador Ícaro Aronovich da Cunha em 1996, na Universidade de São Paulo USP. 202 Pesquisadores que realizaram orientações em sustentabilidade ambiental apresentam grande diversidade na área de obtenção do título de doutor. Identificou-se que, 50% destes pesquisadores obtiveram a titulação na área de administração. Um conjunto de 21 Instituições de Ensino Superior, IESs brasileiras somadas às Instituições estrangeiras, agrupadas em dez países pelo critério de local em que estão sediadas, compõem o universo de instituições responsáveis pela formação dos doutores que desenvolveram orientações em sustentabilidade ambiental no Stricto Sensu. Este conjunto de IESs, que formaram pesquisadores com orientações em sustentabilidade ambiental, é passível de ser distribuído, mediante aproximação, a Lei de Bradford, em três zonas. A primeira zona, responsável pela formação de 35% dos pesquisadores, é composta pela Universidade de São Paulo USP e pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo FGV/SP. Estas IESs se posicionam como núcleo supostamente de qualidade superior e maior relevância nesta área de conhecimento. A segunda zona, responsável pela formação de 36% dos pesquisadores, é constituída de três países Grã-Bretanha, Estados Unidos e França e de duas IESs brasileiras a Universidade Federal de Santa Catarina UFSC e a Universidade Federal do Rio de Janeiro UFRJ. Estas instituições (cada país é analisado como uma instituição) também se configuram como relevantes no processo de formação de pesquisadores orientadores que atuam no Stricto Sensu. A terceira zona, responsável pela formação de 29% dos pesquisadores, é constituída por 17 IESs e sete países. Os pesquisadores que executaram orientações em 58 diferentes IESs contribuíram na elaboração de 543 estudos, distribuídos em 398 dissertações, 109 dissertações do mestrado profissional e 36 teses. As pesquisas em sustentabilidade ambiental ocorreram em maior volume nas instituições públicas com índice de desempenho de 58%, enquanto nas particulares este índice atingiu 42%. A região sudeste foi responsável por 52% de toda a produção em sustentabilidade ambiental, a região Sul por 27%, a região nordeste por 19% e as regiões Centro-Oeste e Norte juntas por 2%. Discriminando a produção de teses e de dissertações em sustentabilidade ambiental por estados pode-se identificar as seguintes participações: São Paulo 25%, Rio de Janeiro 15%, Rio Grande do Sul 12%, Santa Catarina 11%, Minas Gerais 11%, Pernambuco 6%, Bahia 5%, Ceará 4%, Paraná 4%, Rio grande do Norte 3%, Rondônia 1%, Paraíba 1% e Espírito Santo, Distrito Federal e Alagoas juntos 2%. O segundo objetivo específico estabelecido foi identificar a existência de uma rede social de colaboração, e a centralidade dos principais atores, em sustentabilidade ambiental no Stricto Sensu em administração, originária da composição dos orientadores e dos membros 203 convidados das bancas de avaliação de teses e de dissertações. No tocante a este objetivo podemos concluir os seguintes entendimentos. A análise de redes sociais mostrou que o arranjo social formado pelos participantes das bancas de doutorado e de mestrado se configura numa rede social de colaboração. A rede é formada por 295 professores orientadores e 787 pesquisadores convidados a participar das bancas. A configuração dos dados demandou a utilização de uma rede two-mode na qual cada um dos grupos referenciados se posiciona em um dos eixos da matriz. Sob este aspecto identificou-se 135 pesquisadores que aparecem em ambos os eixos. Desta forma, a rede social de colaboração em bancas examinadoras é composta de um total de 947 atores que estabelecem 1284 laços de relacionamento. A estrutura de colaboração, gerada a partir dos laços de participação nas bancas de doutorado e de mestrado, se mostrou fragmentada em três arranjos sociais principais e a ocorrência de algumas bancas isoladas. Foi possível identificar um arranjo social principal com 58% dos atores que incorporou todos os atores centrais. A análise da rede social indicou que os seis pesquisadores mais centrais foram: Luis Felipe Machado do Nascimento, Pedro Carlos Schenini, José Carlos Barbieri, José Antonio Puppim de Oliveira, Francisco Correia de Oliveira e Isak Kruglianskas. Estes atores apresentaram centralidade como orientador e ou como convidado a participar de banca. Na análise da rede formada pelos principais atores o pesquisador Francisco Correia de Oliveira se caracterizou como um buraco estrutural, estabelecendo laços de relacionamento com os pesquisadores José Carlos Barbieri e José Antonio Puppim de Oliveira. A posição de pesquisador que desenvolve a orientação dos estudos em sustentabilidade ambiental é o principal componente na estruturação da rede, no entanto os pesquisadores convidados a participar das bancas, quando estabelecem centralidade, realizam relevante função estrutural na rede. A configuração de rede two-mode estabeleceu restrições para identificar a existência do conceito de small worlds, em face da influência nos valores de densidade, coesão e diâmetro da rede. No entanto, a existência de três arranjos sociais principais caracterizou a não identificação deste colégio invisível como uma small world. Desta forma, com base nos laços de participação em bancas de teses e dissertações, não é possível acessar qualquer ator da rede. O terceiro objetivo específico estabelecido foi analisar se os membros da rede social definida pelas bancas de avaliação compartilham uma base comum de conhecimento em sustentabilidade ambiental por meio de um recorte nas teses e dissertações apresentadas de 2007 a 2009. 204 A análise de nove teses e 38 dissertações de sustentabilidade ambiental no Stricto Sensu em administração revelou um total de 4852 citações, sendo 1360 caracterizadas como originárias de 1029 publicações científicas em sustentabilidade ambiental. Com base na abordagem de Berger e Luckmann (2008) que aponta como conhecimento legitimado aquele que é transmitido de uma geração para outra, é possível interpretar que, no estudo de campo científico, o conceito de geração pode ser definido como a utilização de valores e de conhecimento por um grupo diferente ao que o originou. Sob esse aspecto, e estabelecendo como base secundária de análise as Instituições de Ensino Superior IES em que atuam, identificou-se o seguinte rol de autores, atuantes no Stricto Sensu, que possuem suas obras legitimadas: José Carlos Barbieri, Luis Felipe Machado do Nascimento, Hans Michael Van Bellen, Jacques Demajorovic e Ícaro Aronovich da Cunha. Segundo Berger e Luckmann (2008), este conjunto de autores e suas respectivas obras estabelecem a ordem institucional. Ordem institucional que possibilita, a qualquer ator que a compõe, utilizar este conhecimento com o entendimento de que ele pertence ao contexto histórico da sociedade que o originou e legitimou e compõe o universo simbólico, no qual as coisas fazem sentido. Neste contexto, a sustentabilidade ambiental está integrada a outras ordens institucionais que possibilitam o entendimento de mundo por qualquer pessoa. Considerando ainda a abordagem de Berger e Luckmann (2008), a institucionalização é um processo anterior à legitimação, e se observa quando um ator ou um grupo de atores próximos realizam a citação de um mesmo autor. Os autores, atuantes no Stricto Sensu, identificados nesta situação foram: Celso Funcia Lemme, Elaine Ferreira, Ely Laureano Paiva, Eugênio Ávila Pedrozo, Isak Kruglianskas, João Eduardo Prudêncio Tinoco, José Antonio Puppim de Oliveira, José Célio Silveira Andrade, Maria Tereza Saraiva de Souza, Pedro Carlos Schenini, Robson Amâncio, Rolf Hermann Erdmann e Tânia Nunes da Silva. Estes autores podem vir a ter o conhecimento legitimado em função de um possível aumento de citações de suas obras por grupos diferentes ao da IES a que estão vinculados. As IESs, Fundação Getúlio Vargas de São Paulo FGV/SP, Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRGS, Universidade Federal de Santa Catarina UFSC e Universidade Católica de Santos UNISANTOS se estabeleceram como importantes agentes no processo de legitimação e institucionalização do conhecimento. O modelo de análise do processo de institucionalização e legitimação do conhecimento, proposto por este estudo, e que incorpora a abordagem de Berger e Luckmann (2008), a bibliometria e a análise de redes sociais se mostrou adequado à finalidade que se destinava. Desta forma, este modelo pode ser empregado na análise de outros campos 205 científicos com a finalidade de se identificar o conhecimento legitimado e o conhecimento institucionalizado. O entendimento obtido nos objetivos específicos permite estabelecer a conclusão do objetivo geral de que o Stricto Sensu em administração contribui na legitimação do conhecimento em sustentabilidade ambiental. A colaboração do Stricto Sensu é observada na realização de pesquisas orientadas por pesquisadores que utilizam um referencial teórico, adequado aos propósitos que se estabelecem. A reprodução deste referencial em outras pesquisas, de diferentes orientadores em diferentes IESs, possibilita a institucionalização e a legitimação do conhecimento. Assim, o Stricto Sensu, por meio da orientação de pesquisas de doutorandos e de mestrandos, se associa a outros processos acadêmicos na legitimação do conhecimento em sustentabilidade ambiental. Tal perspectiva se estrutura na existência de um arranjo social que suporta o conhecimento desenvolvido nas pesquisas e que se manifesta pelas bancas examinadoras. O estudo desenvolvido se estabelece ainda dentro da proposta do projeto Próadministração, identificando parte do perfil do pesquisador e das Instituições de Ensino Superior IES atuantes no Stricto Sensu de administração e que desenvolvem pesquisas em sustentabilidade ambiental. Entendimento este que pode subsidiar o desenvolvimento de capacitações aos docentes do ensino de pós-graduação e graduação em sustentabilidade ambiental, além de ampliar o conhecimento da área. Desta forma, a pesquisa realizada pode contribuir com os objetivos do projeto Pró-administração. No tocante a linguagem identificada nas citações das teses e dissertações é possível apontar que o estabelecimento de uma prevalência de citações originadas de artigos científicos em relação às citações originadas de livros, fortaleceria as pesquisas desenvolvidas no Stricto Sensu. A utilização, nas teses e dissertações, de um maior volume de artigos científicos, mais recentes e de periódicos nacionais e internacionais de impacto, colaborariam de forma significativa na legitimação do conhecimento da área. Tal conduta traria maior dinamismo para este campo científico possibilitando agilidade no processo de substituição do conhecimento antigo, por um novo resultante das pesquisas originadas no Stricto Sensu fortalecendo, assim, o papel desempenhado pelos pesquisadores. Vale destacar que esta conduta se apresenta em sintonia com a ênfase que a CAPES estabelece a produção de artigos, no momento de analisar o desempenho do pesquisador. 206 A réplica desta pesquisa utilizando o modelo proposto e as técnicas de data mining e análise de redes sociais em outras áreas do conhecimento possibilitará a identificação de centros de excelência na formação de pesquisadores em áreas especificas. E desta forma a possibilidade de realizar o mapeamento de áreas de pesquisa e de conhecimento, segundo as IESs formadoras de pesquisadores que atuam no Stricto Sensu. Sob esse aspecto este estudo desenvolve a perspectiva de novos desafios para pesquisas futuras. Este estudo focou o processo de legitimação do conhecimento, desta forma recomenda-se que futuros estudos estabeleçam um recorte de investigação na etapa de objetivação. O aprofundamento desta etapa do processo de difusão do conhecimento possibilitaria identificar os procedimentos metodológicos, as abordagens teóricas, os temas predominantes, entre outras características, das pesquisas em sustentabilidade ambiental. Adicionalmente recomenda-se que estudos futuros utilizem uma abordagem qualitativa desenvolvendo uma investigação do conteúdo das teses e dissertações. Recomenda-se para futuros estudos a análise da evolução da estrutura de colaboração gerada pelos laços de participação, ao longo dos quatro triênios de análise. A compreensão do processo evolutório pode estabelecer um importante componente de entendimento do campo de pesquisa em sustentabilidade ambiental, caracterizando-se assim como uma investigação de interesse para esta área de pesquisa. O levantamento de dados realizado incorpora o período de 1998 a 2009, justamente o disponibilizado no site da CAPES, e se apresenta como um elemento limitante desta pesquisa. Dados anteriores a 1998 possibilitariam a identificação dos primeiros trabalhos desenvolvidos na área de sustentabilidade ambiental, bem como suas características, viabilizando assim identificar o gênesis da sustentabilidade ambiental no Stricto Sensu em administração. A limitação de obtenção dos dados após o ano de 2009 é resultante da não disponibilização dos dados na forma de cadernos de indicadores pela CAPES após este período. A ausência dos dados após 2009 não possibilita a esta pesquisa apresentar dados atualizados, bem como não reflete as movimentações de carreira empreendidas pelos pesquisadores no período. Vale destacar que investigações em outras bases de dados que possibilitassem o levantamento de dados no período anterior a 1998, associada a possível divulgação dos dados após 2009 pela CAPES, se estabelecem como uma oportunidade de novas pesquisas para atualizar e ampliar as informações deste estudo. Apesar dos dados possibilitarem uma maior investigação das dinâmicas que ocorrem nas relações sociais identificadas na rede de colaboração nas bancas de doutorado e de mestrado, a pesquisa investigou apenas os itens relevantes ao estabelecido pelo objetivo do 207 estudo. Informações como evolução das redes, existência de clicks, poderiam ser abordadas frente à disponibilidade dos dados. Assim, o não aprofundamento da análise das redes sociais dos pesquisadores participantes das bancas se estabelece como uma limitação deste estudo. Tal limitação, no entanto se configura como uma oportuna possibilidade de estudos futuros, pautados metodologicamente apenas da Análise de Redes Sociais. A pesquisa revela a importância da orientação das teses e dissertações para a estruturação da rede social de colaboração em sustentabilidade ambiental, no entanto não mostra que se esta atividade resulta em trabalhos posteriores de colaboração expressos na forma de artigos científicos. Deste contexto surge a possibilidade de novas pesquisas que identifiquem a existência, ou não, desta colaboração em decorrência da participação nas bancas examinadoras. Vale destacar que as análises desenvolvidas no presente estudo se constituem como elemento fundamental para o desenvolvimento desta pesquisa de colaboração. A conclusão desta tese é que as redes de colaboração formadas pelos programas de Stricto Sensu em administração contribuem para a institucionalização e legitimação do conhecimento em sustentabilidade ambiental. As técnicas de bibliometria e data mining se ajustam a função de identificar os autores que estão com obras institucionalizadas e legitimadas. A análise de redes sociais possibilita identificar os atores do Stricto Sensu que possuem obras citadas nas teses e dissertações e o arranjo social que suporta o processo de legitimação do conhecimento 208 REFERÊNCIAS ABBAD, G. S.; BORGES-ANDRADE, J. E. Aprendizagem humana em organizações de trabalho. In: ZANELLI, J. 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Abraham Benzaquen Sicsú Acyr Seleme Agrícola de Souza Bethlem Alba Regina Neves Ramos Alberto Borges Matias Alceu Salles Camargo Júnior Alceu Souza Alexandre Luzzi Las Casas Alfredo Rodrigues Leite da Silva Allan Claudius Queiroz Barbosa Almir Ferreira de Sousa Amilcar Baiardi Ana Cristina Fachinelli Ana Cristina Loureiro Alves Jurema Ana Lucia Malheiros Guedes André Gustavo Carvalho Machado André Lacombe Penna da Rocha André Luiz Silva Samartini Andrea Karla Pereira da Silva Andrea Paula Segatto Mendes Anete Alberton Ângela Maria Cavalcanti da Rocha Antônio Carlos Nogueira Antonio Domingos Padula Antonio Martinez Fandiño Antonio Vico Mañas Arilda Schmidt Godoy Arnaldo Freitas de Oliveira Junior Arnoldo José de Hoyos Guevara Augusto de Oliveira Monteiro Áureo Eduardo Magalhães Ribeiro Beate Frank Belmiro Valverde Jobim Castor Benny Kramer Costa Bianor Scelza Cavalcanti 224 Carla Regina Pasa Gómez Carlos Alberto Cioce Sampaio Carlos Alberto Gonçalves Carlos Olavo Quandt Carlos Osmar Bertero Carlos Ricardo Rossetto Carlos Roberto Sanchez Milani Carlos Wolowski Mussi Celso Cláudio de Hildebrand e Grisi Celso Funcia Lemme Christiane Girard Ferreira Nunes Christiane Itabaiana Romeo Christiane Kleinubing Godoi Cláudia Souza Passador Cláudio Antonio Pinheiro Machado Filho Claudio Roberto Contador Claudio Vilar Furtado Clerilei Aparecida Bier Clodoveu Augusto Davis Júnior Daniel Augusto Moreira Daniel Jardim Pardini Daniel Rodriguez de Carvalho Pinheiro Dante Pinheiro Martinelli Deborah Moraes Zouain Decio Zylbersztajn Denis Borenstein Denise Del Prá Netto Machado Denise Lima Fleck Dimária Silva e Meirelles Dinah dos Santos Tinoco Dirceu da Silva Eda Castro Lucas de Souza Edgard Monforte Merlo Edi Madalena Fracasso Edson Mário de Alcântara Eduardo Augusto Tomanik Eduardo De Camargo Oliva Eduardo Saliby Elaine Di Diego Antunes Elaine Ferreira Ely Laureano Paiva Emanuel Ferreira Leite Esperdito Pedro da Silva Eugênio Ávila Pedrozo Fábio José de Araújo Pedrosa Fauze Najib Mattar 225 Fernando de Souza Meirelles Fernando Guilherme Tenório Francisco Antônio Serralvo Francisco César Pinto da Fonseca Francisco Correia de Oliveira Gelson Silva Junquilho Genauto Carvalho de França Filho Geni Dorneles Valenti George Gurgel de Oliveira Georges Antônio Sebastião Pellerin da Silva Georgina Alves Vieira da Silva Geraldo Luciano Toledo Germano Mendes de Paula Gerson Rizzatti Gesinaldo Ataíde Cândido Gilberto Tadeu Shinyashiki Gino Giacomini Filho Gisela Black Taschner Guilherme Guimarães Santana Hans Michael Van Bellen Haroldo Clemente Giacometti Haroldo Cristovam Teixeira Leite Haroldo Guimarães Brasil Harvey José Santos Ribeiro Cosenza Heitor José Pereira Helena Ribeiro Sobral Hélène Bertrand Helio Janny Teixeira Henrique Luiz Corrêa Henrique Osvaldo Monteiro de Barros Horst Dieter Möller Ícaro Aronovich da Cunha Ilse Maria Beuren Isabella Francisca Freitas Gouveia de Vasconcelos Isaías de Carvalho Santos Neto Isak Kruglianskas Istvan Karoly Kasznar Izidoro Blikstein Jacques Marcovitch Jaime Evaldo Fensterseifer James Terence Coulter Wright Janaina Macke Janette Brunstein Jeroen Johannes Klink João Carlos da Cunha João Carlos Douat 226 João Eduardo Prudêncio Tinoco João Marcelo Crubellate João Mário Csillag Joel Souto Maior Filho Jomária Mata de Lima Alloufa Jose Antonio Gomes de Pinho José Antonio Puppim de Oliveira José Antônio Sousa Neto Jose Augusto Giesbrecht da Silveira José Carlos Barbieri José Célio Silveira Andrade José de Lima Albuquerque José Edmilson de Oliveira Cabral José Edson Lara José Erni Seibel José Ferreira Irmão José Francisco Salm José Geraldo Pereira Barbosa José Luiz Trinta José Nilson Reinert José Roberto Gomes da Silva José Roberto Ribas Jouliana Jordan Nohara Kárem Cristina de Sousa Ribeiro Kleber Fossati Figueiredo Ladislau Dowbor Léo Tadeu Robles Letícia Moreira Casotti Lilian Soares Outtes Wanderley Lucas Ayres Barreira de Campos Barros Luciano Antonio Prates Junqueira Luciel Henrique de Oliveira Lucila Maria de Souza Campos Luis Carlos Ferreira de Sousa Oliveira Luis Felipe Machado do Nascimento Luis Paulo Bresciani Luis Roque Klering Luiz Alberto Nascimento Campos Filho Luiz Antonio Slongo Luiz Carlos de Oliveira Lima Luiz Carlos Duclós Luiz Eduardo Teixeira Brandão Luiz Felipe Jacques da Motta Luiz Flávio Autran Monteiro Gomes Luiz Henrique de Barros Vilas Boas Luiz Márcio de Oliveira Assunção 227 Luiz Ricardo Mattos Teixeira Cavalcante Lydia Maria Pinto Brito Manoel Veras de Sousa Neto Marcelo Álvaro da Silva Macedo Marcelo Milano Falcão Vieira Márcia Regina Gabardo Câmara Marco Antônio Silveira Marco Aurélio Ruediger Marcos Affonso Ortiz Gomes Marcos Cortez Campomar Marcos Fava Neves Marcus Alban Suarez Maria Arlete Duarte de Araújo Maria Augusta Soares Machado Maria Cecília Coutinho de Arruda Maria Christina Siqueira de Souza Campos Maria Cristina Sanches Amorim Maria de Fátima Gomes da Silva Maria Elisabete Pereira dos Santos Maria Ester de Freitas Maria Ester Menegasso Maria Gracinda Carvalho Teixeira Maria Isolda Castelo Branco Bezerra de Meneses Maria Suzana de Souza Moura Maria Sylvia Macchione Saes Maria Tereza Saraiva de Souza Marialva Tomio Dreher Marie Anne Macadar Moron Marilene de Oliveira Ramos Múrias dos Santos Marília Novais da Mata Machado Mariluce Paes de Souza Mario Sacomano Neto Marisa Ignez dos Santos Rhoden Marta Ferreira Santos Farah Mauro Calixta Tavares Mauro Neves Garcia Mauro Suano Ribeiro Moisés Ari Zilber Mônica de Aguiar Mac-Allister da Silva Mozar José de Brito Múcio Tosta Gonçalves Nadia Kassouf Pizzinatto Neusa Maria Bastos Fernandes dos Santos Niédja Maria Galvão Araújo e Oliveira Onésimo de Oliveira Cardoso Osmar Siena 228 Otávio Próspero Sanchez Paulo Antonio Zawislak Paulo César de Sousa Batista Paulo Cesar Negreiros de Figueiredo Paulo Emílio Matos Martins Paulo Fernando Pinto Barcellos Paulo Henrique de Almeida Paulo Tromboni de Souza Nascimento Paulo Víctor Fleming Pedro Carlos Schenini Peter Kevin Spink Raimundo Eduardo Silveira Fontenele Raimundo Nonato Souza Silva Ralph Santos da Silva Raquel Cristina Radamés de Sá Rebecca Arkader Regina Silvia Viotto Monteiro Pacheco Renato de Oliveira Moraes Renato Linhares de Assis Renato Zancan Marchetti Reynaldo Maia Muniz Ricardo Carneiro Ricardo de Souza Sette Ricardo Pereira Câmara Leal Ricardo Pereira Reis Rivanda Meira Teixeira Roberto Carlos Bernardes Roberto Giro Moori Roberto Marcos da Silva Montezano Roberto Minadeo Roberto Moreno Moreira Robinson Moreira Tenório Robson Amâncio Rodolfo Araújo de Moraes Filho Rogério Hermida Quintella Rolf Hermann Erdmann Ronaldo Ronan Oleto Rosa Maria Fischer Rosinha da Silva Machado Carrion Rubens Mazon Samuel Façanha Câmara Sergio Feliciano Crispim Sérgio Fernando Loureiro Rezende Sérgio Gozzi Sérgio Henrique Arruda Cavalcante Forte Sergio Luiz do Amaral Moretti 229 Sérgio Neves Dantas Sergio Proença Leitão Sérgio Robert de Sant´Anna Sérgio Takahashi Sérvio Túlio Prado Júnior Silvana Prata Camargos Silvestre Prado de Souza Neto Silvia Novaes Zilber Silvio Popadiuk Solange Maria Pimenta Sônia Trigueiro de Almeida Sonia Valle Walter Borges de Oliveira Suzana Bierrenbach de Souza Santos Sylvia Constant Vergara Tales Wanderley Vital Tânia Maria Diederichs Fischer Tânia Nunes da Silva Telma Regina da Costa Guimarães Barbosa Teresa Cristina Siqueira Cerqueira Teresia Diana Lewe Van Aduard de Macedo-Soares Theophilo Alves de Souza Filho Valdir Machado Valadão Júnior Valeska Nahas Guimarães Valmíria Carolina Piccinini Waldyr Viegas de Oliveira Walter Fernando Araújo de Moraes Washington José de Souza Wayne Thomas Enders Zaki Akel Sobrinho Zila Pedroso Mesquita 230 Machado Júnior, Celso. A influência de pesquisadores do stricto sensu em administração na legitimação do conhecimento em sustentabilidade ambiental./ Celso Machado Júnior. 2012. 229 f. Tese (doutorado) – Universidade Nove de Julho - UNINOVE, São Paulo, 2012. Orientador (a): Profa. Dra. Maria Tereza Saraiva de Souza. 1. Sustentabilidade ambiental. 2. Gestão ambiental. 3. Ensino e Pesquisa em Administração. I. Souza, Maria Tereza Saraiva de. II. Título CDU 658