UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO A Importância da Visita Domiciliária de Enfermagem na Qualidade de Vida dos Doentes com Coxartrose submetidos a Artroplastia Total da Anca Dissertação de Mestrado em Enfermagem Comunitária António Manuel da Rocha Fonseca Pinto Orientador Professor Doutor Amâncio António de Sousa Carvalho Vila Real, 2013 Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro A Importância da Visita Domiciliária de Enfermagem na Qualidade de Vida dos Doentes com Coxartrose submetidos a Artroplastia Total da Anca Dissertação de Mestrado em Enfermagem Comunitária António Manuel da Rocha Fonseca Pinto Orientador Professor Doutor Amâncio António de Sousa Carvalho Vila Real, 2013 Este trabalho foi expressamente elaborado como dissertação original para efeito de obtenção do grau de Mestre em Enfermagem Comunitária, sendo apresentada na Universidade de Trás-osMontes e Alto Douro. iii “Somos aquilo que fazemos consistentemente. Assim, a excelência não é um acto, mas sim um hábito”. Aristóteles v À minha esposa e filho pelo incansável apoio, por terem suportado as minhas ausências e o meu stresse, pela compreensão, incentivo e confiança ao longo deste percurso. vii AGRADECIMENTOS Há alturas em que se torna importante expressar, por palavras, o quanto as pessoas significativas, que nos rodeiam, ajudam a ultrapassar os obstáculos, pelo que este espaço é dedicado àqueles que deram a sua contribuição para que esta dissertação de mestrado fosse realizada. Para todos eles se deixa aqui um agradecimento sincero. Assim, agradece-se ao Professor Doutor Amâncio Carvalho, orientador desta dissertação, pela orientação, amizade e incentivo constantes, pela confiança demonstrada, disponibilidade sempre presente, pela ajuda e por ter acreditado neste trabalho. Ao Centro Hospitalar Trás-os-Montes e Alto Douro e ao Serviço de Ortopedia, pela aceitação da realização do presente estudo. Aos utentes, que aceitaram participar neste estudo, no sentido de contribuírem para o conhecimento. Aos colegas de serviço, que colaboraram desde o primeiro dia, facilitando a frequência às aulas e o desenvolvimento do trabalho de campo. Aos Enfermeiros dos Centros de Saúde, que colaboraram na investigação, através da implementação do Programa de Intervenção e sem os quais não era possível a sua realização. A todos os que aqui ficaram anónimos e que direta ou indiretamente colaboraram neste estudo, desde a sua conceção até à sua realização, mais uma vez, uma profunda gratidão. ix RESUMO No decurso do envelhecimento populacional, e com o aumento das doenças crónicas, surge a coxartrose com indicação para artroplastia total da anca. Após a artroplastia total da anca, no seu regresso a casa, o utente apresenta-se ainda limitado nas suas atividades de vida diária, o que torna essencial a implementação de um programa de visita domiciliária de enfermagem, para promoção da saúde e melhoria da qualidade de vida destes utentes. Objetivo: O presente estudo teve como objetivo geral avaliar o efeito da visita domiciliária de enfermagem, na qualidade de vida dos utentes, submetidos a artroplastia total da anca. Metodologia: Trata-se de um estudo quasi-experimental não aleatório, com um grupo de controlo (GC) (n=23) e um grupo experimental (GE) (n=21) de utentes do Centro Hospitalar de Trás-osMontes e Alto Douro EPE, Unidade de Vila Real. Para avaliar a qualidade de vida foi aplicado o Questionário HOOS LK 2.0. A análise dos resultados foi realizada através do SPSS, recorrendo à estatística descritiva e inferencial. Considerou-se o nível de significância de 5%. Principais resultados: A média da pontuação dos domínios HOOS aumentou da Observação 1 para a Observação 2 nos dois grupos, de forma mais significativa no GE, sendo que relativamente ao domínio Qualidade de Vida, o GE teve uma média de 52,98 e o GC de 45,38 na O2. O cruzamento do domínio ADL com os fatores Programa de intervenção e a Situação conjugal revelou um efeito significativo da interação do programa de intervenção com a situação conjugal sobre o compósito multivariado (ADL O1 e ADL O2) (TP=0,227; F[2,37]=5,448; p=0,008; Potência=0,817). No cruzamento do domínio Sintomas e Atividades de Vida Diária com a variável Género, obtiveram-se diferenças estatísticas significativas (MANOVA e MW, p<0,05). O domínio Qualidade de Vida do HOOS apresenta correlação positiva (Pearson: r>0,600) com todos os outros domínios do HOOS na O2. Conclusões: O Programa de Visita Domiciliária teve um ligeiro efeito sobre os domínios do HOOS e, especificamente, sobre a Qualidade de Vida, que não foi estatisticamente significativo. Apesar do reduzido efeito que o Programa de Visita Domiciliária teve na melhoria da qualidade de vida, atendendo à importância que os utentes atribuíram à mesma, leva-nos a acreditar que esta é uma boa estratégia, sendo essencial a sua implementação a todos os utentes. Palavras-chave: Enfermagem, HOOS, coxartrose, qualidade de vida, visita domiciliária enfermagem. xi ABSTRACT During the population aging, and with the rising of the chronic diseases, arises the coxarthrosis with indication for total hip arthroplasty. After total hip arthroplasty, in his homecoming, the patient presents still limitations in his activity of daily activities, which makes it essential to implement a program of nursing home visiting, health promotion and improvement of life quality of these patients. Objective: This study aimed to evaluate the effect of nursing home visit, the quality of life of patient, undergoing total hip arthroplasty. Methodology: It is a quasi-experimental study non randomized, with a control group (GC) (n=23) and an experimental group (GE) (n=21) of patients from Centro Hospitalar de Trás-osMontes e Alto Douro EPE, Unidade de Vila Real. To evaluate the life quality was applied the HOOS LK 2.0 Questionnaire. The analysis of the results was performed with SPSS, using the descriptive and inferential statistics. with the significance rate established at 5%. Main results: The mean score of the HOOS domains increased from the Observation 1 to Observation 2, most significantly in GE, in which, related to the domain Quality of Life, GE had an average of 52.98 and GC 45.38 on O2. The intersection of the domain ADL with the Intervention Program and Marital Status factors, shown a significant effect from the interaction of Intervention Program with Marital Status about the multivariate composite (ADL O1 and ADL O2) (TP=0,227; F[2,37]=5,448; p=0,008; Power=0,817). At the intersection of the domain Symptoms and Activities of Daily Living with the variable Gender, were obtained statistically significant differences (MANOVA and MW, p <.05). The domain Quality of Life of HOOS presents positive correlation (Pearson: r>0,600) with all other domains from HOOS in O2. Conclusions: The Domiciliary Visit Program had a slight effect on the domains of the HOOS, specifically on the Quality of Life, which was not statistically significant. Despite the small effect that the Domiciliary Visit program had in improving the quality of life, given the importance that patients assigned to it, leads us to believe that this is a good strategy, being essential its implementation to all patients. Key-words: Nursing, HOOS, Coxarthrosis, Quality of Life, Nursing Domiciliary Visit xiii ÍNDICE PENSAMENTO................................................................................................................................ v DEDICATÓRIA ............................................................................................................................... vii AGRADECIMENTOS ....................................................................................................................... ix RESUMO ....................................................................................................................................... xi ABSTRACT .................................................................................................................................... xiii ÍNDICE DE FIGURAS ....................................................................................................................... xvii ÍNDICE DE TABELAS ...................................................................................................................... xix LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS............................................................................................... xxi INTRODUÇÃO ............................................................................................................................... 1 Parte I - ENQUADRAMENTO TEÓRICO ........................................................................................ 7 1. A OSTEOARTROSE ................................................................................................................... 8 1.1. Classificação da osteoartrose .......................................................................................... 9 1.2. Coxartrose ....................................................................................................................... 11 1.2.1. Tratamento ............................................................................................................. 14 1.2.2. Complicações ......................................................................................................... 21 1.2.3. Alterações no autocuidado ...................................................................................... 24 2. QUALIDADE DE VIDA ............................................................................................................... 30 2.1. Avaliação da qualidade de vida ...................................................................................... 36 2.2. Fatores influenciadores da qualidade de vida ................................................................ 40 3. VISITA DOMICILIÁRIA DE ENFERMAGEM................................................................................ 42 3.1. Tipos de visita domiciliária ............................................................................................. 47 3.2. A educação para a saúde em contexto de domicílio........................................................ 48 Parte II – ESTUDO EMPÍRICO ..................................................................................................... 59 1. METODOLOGIA ........................................................................................................................ 59 1.1 Desenho do estudo ............................................................................................................ 60 1.1.1. Programa de intervenção de enfermagem ................................................................ 63 1.2. Tipo de estudo ................................................................................................................. 67 1.3. População e amostra ....................................................................................................... 69 1.4. Variáveis .......................................................................................................................... 71 1.4.1. Operacionalização e categorização das variáveis ..................................................... 71 xv 1.5. Hipóteses .......................................................................................................................... 73 1.6. Instrumento de recolha de dados .................................................................................... 73 1.6.1. Pré-este ................................................................................................................... 77 1.7. Procedimento de recolha de dados.................................................................................. 78 1.8. Tratamento de dados....................................................................................................... 79 2. APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS ......................................................................................... 80 2.1. Caracterização sociodemográfica da amostra ................................................................ 81 2.2. Classificação do índice de massa corporal e da intensidade da dor ............................... 82 2.3. Satisfação com a visita domiciliária de enfermagem ...................................................... 84 2.4. Efeito do programa de intervenção sobre os domínios do questionário HOOS ............ 85 3. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS ................................................................................................. 100 3.1. Discussão das características da amostra ....................................................................... 100 3.2. Discussão acerca da classificação do índice de massa corporal e intensidade da dor.... 102 3.3. Discussão acerca da satisfação com a visita domiciliária de enfermagem ..................... 103 3.4. Discussão do efeito do programa de intervenção sobre os domínios do HOOS............. 103 CONCLUSÃO ................................................................................................................................ 107 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................................. 109 APÊNDICES .................................................................................................................................. 121 Apêndice A – Folheto “Cuidados a ter no domicílio com a prótese da anca” ................................. 123 Apêndice B – Flyer informativo sobre “Equipamentos adaptativos”.............................................. 127 Apêndice C – Questionário .......................................................................................................... 131 Apêndice D – Mini-Mental State Examination .............................................................................. 143 Apêndice E – Autorização dos autores para utilização do questionário HOOS LK 2.0 .................. 147 Apêndice F – Manual de Utilização do HOOS LK 2.0 .................................................................. 151 Apêndice G – Pedido de autorização à Comissão de Ética do CHTMAD, EPE ............................. 155 Apêndice H – Parecer da Comissão de Ética do CHTMAD, EPE.................................................. 159 Apêndice I – Termo de Consentimento Informado........................................................................ 163 xvi ÍNDICE DE FIGURAS Figura 1. OA da anca ................................................................................................................... 10 Figura 2. Radiografias de uma anca normal e de uma anca com OA ............................................. 12 Figura 3. Componentes de próteses da anca .................................................................................. 17 Figura 4. Artroplastia da anca ...................................................................................................... 18 Figura 5. Artroplastias de anca – Artroplastia total e Artroplastia parcial ...................................... 18 Figura 6. Radiografia de ATA ...................................................................................................... 19 Figura 7. Imagem de uma luxação de uma prótese total da anca ................................................... 23 Figura 8. Sistemas de enfermagem ............................................................................................... 26 Figura 9. Âmbitos da prática dos cuidados de saúde ..................................................................... 46 Figura 10. Sequência de ações que um enfermeiro segue quando desenvolve um programa educativo ..................................................................................................................... 50 Figura 11. Desenho do estudo ...................................................................................................... 61 Figura 12. Plano de análise das variáveis em estudo ..................................................................... 62 xvii ÍNDICE DE TABELAS Tabela 1. Primeira visita domiciliária de enfermagem................................................................... 65 Tabela 2. Segunda visita domiciliária de enfermagem................................................................... 66 Tabela 3. Operacionalização e categorização das variáveis ........................................................... 72 Tabela 4. Caracterização sociodemográfica de ambos os grupos (%) ............................................ 81 Tabela 5. Distribuição das classes do IMC e da Intensidade da dor nos dois grupos em análise e total da amostra na O1 (%) ........................................................................................ 82 Tabela 6. Distribuição das classes do IMC e da Intensidade da dor nos dois grupos em análise e total da amostra na O2 (%) ........................................................................................ 84 Tabela 7. Distribuição das respostas do GE quanto à VD e EpS .................................................... 85 Tabela 8. Distribuição das médias, mínimo e máximo dos domínios do HOOS por grupo e por observação................................................................................................................... 85 Tabela 9. Resultado dos testes estatísticos entre o domínio Dor do HOOS e as variáveis sociodemográficas nas duas observações ..................................................................... 87 Tabela 10. Estatística da MANOVA a 2 fatores entre a variável experimental e uma variável independente sobre o compósito Dor ........................................................................... 88 Tabela 11. Cruzamento do domínio Sintomas do HOOS com as variáveis sociodemográficas ....... 89 Tabela 12. Estatística da MANOVA a 2 fatores entre a variável experimental e uma variável independente sobre o compósito Sintomas ................................................................... 90 Tabela 13. Cruzamento do Domínio AVD do HOOS com as variáveis sociodemográficas ............ 91 Tabela 14. Estatística da MANOVA a 2 fatores entre a variável experimental e uma variável independente sobre o compósito AVD ......................................................................... 92 Tabela 15. Cruzamento do domínio ADL do HOOS com as variáveis sociodemográficas ............. 93 Tabela 16. Estatística da MANOVA a 2 fatores entre a variável experimental e uma variável independente sobre o compósito ADL .......................................................................... 94 Tabela 17. Cruzamento do domínio QV do HOOS com as variáveis sociodemográficas ............... 95 Tabela 18. Estatística da MANOVA a 2 fatores entre a variável experimental e uma variável independente sobre o compósito QV ............................................................................ 96 Tabela 19. Resultados dos testes estatísticos entre a variável O2 – O1 nos dois grupos em estudo .......................................................................................................................... 97 Tabela 20. Resultados das correlações entre a Idade e a Intensidade da dor com os diferentes domínios do HOOS nas duas observações .................................................................... 98 Tabela 21. Correlações entre os domínios da HOOS na O1........................................................... 99 Tabela 22. Correlações entre os domínios da HOOS na O2........................................................... 99 xix LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ACeS - Agrupamento de Centros de Saúde ADL - Atividades Desportivas e de Lazer AIVD - Atividades Instrumentais de Vida Diária ATA - Artroplastia Total da Anca ATQ - Artroplastia Total do Quadril AVD - Atividades de Vida Diária CHTMAD - Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro CIE - Conselho Internacional de Enfermeiras CIPE - Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem DGS - Direção-Geral da Saúde EPE - Empresa Pública Empresarial EpS - Educação para a Saúde EVA - Escala Visual Analógica GC - Grupo Controlo GC - Grupo Experimental GDG - Guideline Development Group HOOS - Hip Disability and Osteoarthritis Outcome Score HRQOL - Health Related Quality of Life IMC - Índice de Massa Corporal INE - Instituto Nacional de Estatística Kg - quilograma Kg/m2- quilograma por metro quadrado KW - Kruskall-Wallis m - metros MMSE - Mini-Mental State Examination MW - Mann-Whitney O1 - Observação 1 O2 - Observação 2 OA - Osteoartrose OMS - Organização Mundial de Saúde QV - Qualidade de vida QVRS - Qualidade de Vida Relacionada com a Saúde RPA - Registo Português de Artroplastia SAPE - Sistema de Apoio à Prática de Enfermagem xxi TVP - Trombose venosa profunda VD - Visita Domiciliária WHOQOL -World Health Organization Quality of Life WOMAC - Westerm Ontario and McMaster Universities xxii INTRODUÇÃO O envelhecimento da população é um fenómeno de amplitude mundial. A Organização Mundial de Saúde (OMS) prevê que em 2025 existam 1,2 biliões de pessoas com mais de 60 anos, sendo que os idosos com 80 ou mais anos, constituem o grupo etário com maior crescimento (OMS, 2001). Ainda de acordo com a mesma fonte, a maior parte dessas pessoas (aproximadamente 75%) vive nos países desenvolvidos. Atualmente, 19% da população portuguesa é idosa, verificando-se um crescimento de 9% para o grupo dos 30-69 anos e 26% para idades superiores a 69 anos. A população com mais de 70 anos representava 14% da população em 2011 (Instituto Nacional de Estatística [INE], 2012). Segundo resultados do censos de 2011, 50% da população com 65 ou mais anos refere algum tipo de incapacidade, nomeadamente em uma das Atividades de Vida Diária (AVDs), (andar, vestir-se, tomar banho, entre outras). Está reconhecido cientificamente que o envelhecimento da população acarreta novos desafios associados a esse período do ciclo de vida humana. O aumento da expectativa de vida possibilita que os indivíduos durem mais anos, no entanto torna-os mais suscetíveis ao aparecimento de alterações na saúde com maior incidência nas doenças crónicas e degenerativas. A Coxartrose surge como a doença mais mais comum dentro da osteoartrose (OA) com indicação na maioria das vezes de tratamento cirúrgico. Para Ribeiro e cols. (2010), a expressão “doenças crónicas” abrange uma grande variedade de quadros, sendo que na verdade este género de doenças têm de ser geridas em vez de curadas. As doenças crónicas incapacitantes abrangem hoje cerca de 40% a 45% do total das doenças sinalizadas no nosso país e a tendência é para que este número continue a crescer exponencialmente. As doenças articulares, nomeadamente a OA, a artrite reumatoide e a espondilartrite, constituem uma parte importante das patologias crónicas que afetam a população com mais de 65 anos de idade, embora se iniciem frequentemente em idades jovens (Direção-Geral da Saúde [DGS], 2004). 1 Introdução As doenças reumáticas podem definir-se como doenças e alterações funcionais do sistema musculosquelético de causa não traumática. A OA é uma doença reumática, progressiva e degenerativa que leva à cronicidade, que afeta aproximadamente um terço da população idosa nos Estados Unidos (Focht, 2006). Também Lund e cols. (2008) referem que aproximadamente 10% da população com mais de 65 anos de idade possui sintomas de OA, sendo que a nível radiológico possa estar presente em mais de metade desse grupo etário. A OA é responsável pela maioria das 168.000 artroplastias totais da anca (ATA), realizadas nos Estados Unidos por ano (Johanson, Cohen, Snyder, McKinley & Scott, 2009). Também Monaghan, Grant, Hing e Cusack (2012) referem que no Canadá, em 2008/2009, foram realizadas aproximadamente 24.253 ATA. Faustino (2002), refere que dados de nove estudos portugueses realizados entre 1976 e 2000 concluem que as doenças de origem reumática são a patologia crónica mais prevalente, representando 28% a 37% das patologias crónicas na população portuguesa. Ainda segundo o mesmo autor, cerca de 1/5 (20%) das consultas efetuadas por Clínicos Gerais devem-se a doenças de origem reumática, são a 2ª causa de gastos totais em medicamentos, a 1ª causa de períodos e do total de dias de baixa, a 1ª causa de IT/ID [incapacidade temporária/incapacidade definitiva] e em última análise a 1ª causa de reformas. A OA é uma doença com um importante impacto quer para a economia nacional quer para os próprios doentes. Na Alemanha, cerca de cinco milhões de pessoas sofrem de OA. É a mais prevalente doença músculo-esquelética e o seu impacto na morbilidade e mortalidade em países industrializados é quase tão grande quanto o impacto dos distúrbios respiratórios ou digestivos. As articulações do joelho e da anca são as mais comumente afetadas. Os dados de um estudo de coorte revelam que 36% da população americana com idade entre 45 e mais velhos apresenta sintomas de OA da anca, 28% desta população teve diagnóstico radiológico e 10% apresentava OA da anca sintomática (Krauss et al., 2011). A ATA, caracterizada pela substituição da articulação da anca, é um tratamento eficaz para doentes com OA da anca e para alguns casos de fraturas do colo do fémur. A população que mais beneficia com este tratamento é a população idosa, uma vez que as doenças articulares degenerativas, como a coxartrose e as fraturas do colo do fémur, têm maior prevalência nesta faixa etária (Pratt & Gray, 2003). A ATA é uma cirurgia de grande sucesso nos tempos atuais e com uma relação custobenefício no que diz respeito à diminuição da dor e défices funcionais em utentes com 2 Introdução coxartrose. Após a alta hospitalar, o utente submetido a ATA ainda apresenta limitações na realização das suas AVDs e, muitas vezes, ou por falta de tempo, de condições ou mesmo de conhecimentos, a família não tem condições de promover o apoio de que este utente necessita, pelo que a visita domiciliária (VD) por parte da enfermagem é de grande importância e necessária no auxílio que este utente necessita para o regresso a uma vida “normal”. A VD de enfermagem ao utente submetido a ATA permite uma intervenção contextualizada, tendo por base intervenções no âmbito do tratamento, promoção e educação para a saúde (EpS), prevenção de complicações, reabilitação de uma forma contínua e estruturada com o objetivo de promover a qualidade de vida (QV). Esta visita pode ter várias vertentes, como a higiene, a alimentação além de outras, como condições habitacionais com incidência para o uso de ajudas técnicas e prevenção de complicações com a ATA, a reabilitação física e o encaminhamento para a enfermagem de reabilitação. Os cuidados de enfermagem domiciliária baseiam-se essencialmente na EpS, procurando que esta contribua para a redução de custos relacionados com o aparecimento de complicações. A VD de enfermagem é um instrumento importante e muito utilizado no processo de EpS, no qual se estabelece um conjunto de saberes e práticas de enfermagem orientadas para a prevenção da doença e promoção da saúde. Dor e incapacidade funcional são os sintomas principais da coxartrose e estão relacionados com a degeneração da cartilagem articular, com aumento da rigidez articular e consequentemente com o arco de flexão, fraqueza muscular a que se associam fatores psicológicos, como a depressão. A diminuição da atividade física destes doentes afeta, à posteriori, as relações sociais e familiares, interrupção e aumento na dependência nas AVDs e possível diminuição da autoestima e da QV. O conceito de QV tem vindo a evoluir, e em particular a partir da década de 70, com o desenvolvimento de uma nova concetualização da saúde, que passa a centrar a sua atenção na saúde e não na doença, emergindo novas estratégias de intervenção e de avaliação em saúde e QV (Ribeiro, 1994). Na década de 80, a QV torna-se um conceito de interesse geral e baseado no censo comum. Ribeiro (1994) corrobora Shumaker e cols., quando refere que a QV é “satisfação individual e global com a vida, e a sensação geral, pessoal, de bem-estar” (p.183). Paúl e Fonseca (2001), referem que a abordagem da QV no domínio da saúde teve por base a mudança do modelo de abordagem das questões relacionadas com a saúde de uma forma 3 Introdução holística biopsicossocial e não segundo o modelo biomédico, advindo daí a necessidade e importância de não se avaliarem as intervenções de saúde exclusivamente do ponto de vista dos resultados, com base nos dados de mortalidade e morbilidade, mas a integrar-se nestes indicadores a melhoria do bem-estar geral, nomeadamente, no que respeita às doenças crónicas. As expressões QV e qualidade de vida relacionada com a saúde (QVRS) são expressões interdependentes, sendo que a QVRS é avaliada geralmente por medidas do domínio específico da saúde. Essa condição inclui vários aspetos como o nível de atividades diárias, nível de dor, vitalidade, entre outros aspetos e o objetivo das intervenções é a melhoria da QV das pessoas, e na aplicação da prática clínica, sendo considerado um conceito específico do sistema de cuidados de saúde (Ribeiro, 2002). O crescente desenvolvimento tecnológico da medicina e das ciências afins trouxe como uma consequência negativa a sua progressiva desumanização. Assim, a preocupação com o conceito de QV refere-se a um movimento dentro das ciências humanas e biológicas no sentido de valorizar parâmetros mais amplos que o controlo de sintomas, a diminuição da mortalidade ou o aumento da expectativa de vida (OMS, 1998). Em 1994, a World Health Organization Quality of Life (WHOQOL Group), definiu QV como “a perceção do indivíduo de sua posição na vida no contexto da cultura e sistema de valores nos quais ele vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações” (Fleck, 2008, p.25). A QV é um construto subjetivo que envolve a autoperceção, composto por múltiplas dimensões positivas, negativas e bidirecionais, como a função física e bem-estar emocional e social. A função cognitiva, função sexual, produtividade no trabalho, perceção de doença, dor, autoestima, imagem corporal e sono, são também importantes dimensões na avaliação da QV por parte dos indivíduos. Pela literatura e pelos estudos existentes na área, pode afirmar-se que a QV é um tema atual, pois é um processo dinâmico, multidimensional e subjetivo. No que se refere à área ortopédica e mais especificamente à artroplastia da anca indicada em casos de OA, observa-se um interesse crescente por pesquisas relacionadas à QV em doentes submetidos a ATA. No entanto, em Portugal ainda não existem muitos estudos que relacionem a coxartrose, a ATA, a VD de enfermagem e a QV, e tomando por base a prática diária como enfermeiro num serviço de ortopedia de um hospital, em que se lida diariamente com utentes submetidos 4 Introdução a ATA, considerou-se um tema pertinente e atual de pesquisa, procurando investigar e compreender de que forma a VD influencia a QV destes utentes. A preocupação do enfermeiro durante o internamento deve estar relacionada com a manutenção, a longevidade da prótese e a QV do indivíduo submetido a ATA que vai regressar brevemente ao seu domicílio, pelo que deverá desenvolver um plano de alta. O enfermeiro que exerce funções nos cuidados diferenciados deverá articular com o enfermeiro dos cuidados de saúde primários, transmitindo informações, que alertem o enfermeiro comunitário para a realização de uma VD que possa dar resposta à necessidade de alguns cuidados no domicílio por parte do utente submetido a ATA, nomeadamente, para diminuir o risco de aparecimento de complicações, como a falência de prótese da anca (luxação), infeção e tromboembolismo, e incrementar a autonomia na execução das AVDs e autocuidados. A satisfação dos utentes com os cuidados de enfermagem no domicílio pode ser considerada com um conceito multidimensional (satisfação com várias dimensões avaliadas de modos diferentes os utentes podem estar satisfeitos com um dado aspeto e não com outro), que passa pela avaliação global dos cuidados recebidos e pela reação a todos os aspetos que o utente considera relevantes. Um problema de investigação pode ser definido como “uma dificuldade, teórica ou prática, no conhecimento de alguma coisa de real importância, para a qual se deve encontrar uma solução” (Marconi & Lakatos, 1990, p.24). A temática da importância da VD a utentes com OA que foram submetidos a ATA afigurou-se pertinente e motivadora, por ser um assunto ainda não suficientemente estudado, e estar relacionado com o contexto da prestação de cuidados de enfermagem (serviço de ortopedia), e no contexto do mestrado em enfermagem comunitária. Sendo a ATA a melhor solução do ponto de vista médico como indicação para o tratamento da OA, cirurgia que no pós-operatório necessita de um acompanhamento próximo por parte da enfermagem domiciliária, o que poderá influenciar a QV. Emerge, assim, a seguinte questão que serve de linha orientadora deste percurso de investigação e que constitui a problemática: “Será que o acompanhamento por parte da enfermagem domiciliária após a alta hospitalar influencia a qualidade de vida dos doentes submetidos a Artroplastia Total da Anca no serviço de ortopedia, do Centro Hospitalar Trás-os-Montes e Alto Douro, EPE 5 Introdução (CHTMAD, EPE), submetidos a Artroplastia Total da Anca no período de setembro a dezembro de 2012”. Para tal, desenhou-se como objetivo geral: Avaliar o efeito da visita domiciliária de enfermagem, na qualidade de vida dos utentes, submetidos a Artroplastia Total da Anca. Para responder a esta questão foram delineados os seguintes objetivos específicos: a) Caracterizar os utentes submetidos a ATA do serviço de ortopedia do CHTMAD, EPE; Avaliar a dor e a QV antes e após a realização do programa de VD no grupo de controlo (GC) e no grupo experimental (GE); b) Comparar as dimensões da QV dos utentes do GC e do GE; c) Identificar quais os domínios da QV mais afetados no GC e no GE; d) Verificar se os fatores sexo, idade, estado civil, residência, condição perante o trabalho, escolaridade e o Índice de Massa Corporal (IMC) influenciam os domínios da escala HOOS (Hip Disability and Osteoarthritis Outcome Score); e) Verificar se a VD de enfermagem influencia a perceção do utente do utente submetido a ATA sobre a sua QV; f) verificar se existe diferença entre a média da pontuação da QV dos utentes do GP e do GE; g) verificar se existe relação entre a pontuação da dor e da QV. Como o investigador exerce a sua atividade profissional num dos serviços envolvidos neste estudo, é de todo pertinente a sua realização para poder melhorar os cuidados prestados a estes utentes. Perante os resultados obtidos na investigação poder-se-á implementar medidas que levem à melhoria da QV dos utentes. O presente trabalho foi estruturado em duas partes. Na parte I, foi efetuado um enquadramento teórico, segundo a visão dos diversos autores consultados, clarificando conceitos relativos ao problema em estudo. Abordam-se conceitos de coxartrose, QV e a necessidade da sua avaliação e ainda de cuidados domiciliários de enfermagem. De seguida na parte II, é realizada a apresentação do estudo empírico de carácter quase-experimental, aborda-se a metodologia a utilizar na concretização deste estudo, apresenta-se o desenho do estudo, descreve-se o tipo de estudo, a população e amostra, elaboram-se hipóteses, definemse variáveis, apresenta-se o instrumento de recolha de dados, descreve-se o procedimento de recolha de dados, faz-se a previsão do tratamento de dados e a apresentação e discussão de resultados. Por último, serão apresentadas as conclusões que emergiram do estudo. 6 PARTE I ENQUADRAMENTO TEÓRICO O suporte teórico resulta de uma boa revisão da literatura existente. Segundo Fortin, Côté e Filion (2009), a revisão da literatura é um processo que consiste em fazer um inventário e o exame crítico do conjunto de publicações pertinentes sobre um domínio de investigação. No decurso desta revisão, o investigador aprecia, em cada um dos documentos examinados, os conceitos em estudo, as relações teóricas estabelecidas, os métodos utilizados e os resultados obtidos. A síntese e o resumo destes documentos fornecem ao investigador a matéria essencial à concetualização da investigação. É na fase concetual que “…o investigador elabora conceitos, formula ideias e recolhe a informação sobre um tema preciso, com vista a chegar a uma conceção clara do problema“ (Fortin et al. 2009, p.49). A revisão bibliográfica para o conhecimento do estado de arte relacionado com a temática em questão foi realizada nas bases de dados do Repositório Científico de Acesso Aberto de Portugal (RCAAP), Literatura Internacional em Ciências da Saúde (MEDLINE), Literatura Latino-Americana e do Caribe em ciências da saúde (LILACS) e Scientific Electronic Library Online (SCIELO), Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), US National Library of Medicine (PubMed) e a Biblioteca do conhecimento online (b-on). Os descritores utilizados foram: Enfermagem, HOOS, coxartrose, qualidade de vida, visita domiciliária de enfermagem O enquadramento teórico do presente estudo versará, em primeiro lugar, uma abordagem sobre o conceito de OA, onde são referidos os sinais e sintomas da doença e as suas implicações na vida das pessoas, seguida da referência ao tratamento cirúrgico; depois uma abordagem à QV e à VD de enfermagem e a sua importância após o regresso a casa do utente, nas várias vertentes da atuação do enfermeiro. 7 Enquadramento Teórico 1. A OSTEOARTROSE O enfermeiro depara-se no seu dia-a-dia com cada vez mais idosos e, em consequência, utentes com alterações ao nível da mobilidade. Estas limitações resultam de uma limitação física do movimento pelo sedentarismo, até à imobilização total por problemas de saúde graves, nomeadamente, nas articulações, resultantes de fraturas ou por doença degenerativa e, em consequência, um aumento das dependências. A coxartrose é um exemplo de uma limitação física que provoca dificuldade na mobilização. As doenças reumáticas constituem uma das patologias mais prevalentes na humanidade, significativa fonte de dor e incapacidade temporária e definitiva (Faustino, 2002). A OA é a principal causa de incapacidade da pessoa idosa, sendo que neste grupo etário, esta está normalmente associada a outras doenças por vezes também incapacitantes, ficando afetadas articulações importantes para a funcionalidade como as da mão, a coluna vertebral, a anca, o joelho e o pé (DGS, 2004a). A sua prevalência aumenta com a idade, cerca de 7% entre pessoas de 65-70 anos e de 11,2% entre aqueles com idade superior a 80 anos apresentam sintomas de osteoartrite (Marx, Oliveira, Bellini & Ribeiro, 2006). É a doença degenerativa mais frequente ao nível da articulação da anca, sendo uma importante causa de incapacidade dos indivíduos portadores desta patologia e tem uma incidência mais elevada em mulheres com idades entre os 65 e os 75 anos de idade (Pinheira, 2009). Um recente estudo da OMS refere que a osteoartrite seria a quarta causa mais importante de incapacidade entre mulheres e a oitava entre homens (Jordan et al., 2003; Marx et al., 2006). Segundo o The Guideline Development Group, a OA é uma doença com uma grande incidência, que se estima afetar cerca de 10% da população mundial com mais de 60 anos (The National Collaborating Centre for Chronic Conditions, 2008). É uma importante causa de problemas relacionados com o sono, a depressão e a redução da QV, e é a patologia articular mais comum. Segundo a mesma fonte, a OA afeta predominantemente os idosos, e muitas vezes coexiste com outras condições associadas com o envelhecimento e obesidade, tais como a doença 8 Enquadramento Teórico cardiovascular e diabetes, assim como com problemas comuns sensoriais (visão deficiente) e psicossociais (ansiedade, depressão e isolamento social). Para Rampazo e D’Elboux (2010), “pacientes com OA da anca sofrem com a sucessiva piora da dor na anca devido à degeneração progressiva articular, o que gera um quadro de incapacidades físicas e, consequentemente, considerável alteração na sua qualidade de vida (QV)” (p.245). Para Mourade (1994), a artrose “…é uma doença progressiva que atinge, fundamentalmente, a cartilagem articular que é um tecido conjuntivo elástico que se encontra nas extremidades dos ossos que se articulam entre si, caracterizando-se pelo aparecimento de microfissuras, erosões superficiais irregulares e desgaste, fibrilação e perda de células” (p.98). Clinicamente, a sintomatologia associada à OA são a dor articular, a rigidez e a limitação da função. Camanho, Imamura e Arendt-Nielsen (2011), definem a OA como uma insuficiência da cartilagem articular decorrente de múltiplos fatores que podem ser mecânicos, genéticos, hormonais, ósseos e metabólicos, fatores estes que levam a um desequilíbrio entre a degradação e a síntese da cartilagem articular do osso subcondral. A artrose é, pois, o resultado da destruição progressiva dos tecidos que compõem a articulação, levando a uma instalação progressiva de deformação, limitação de movimentos e dor e consequente diminuição da QV. 1.1. Classificação da osteoartrose Pela literatura encontrada, são inúmeras as classificações de OA existentes, no entanto, uma das mais utilizadas nos diversos estudos é a adotada pelo Osteoarthritis Diagnostic Criteria Committee the American Rheumatism Association de 1983, que do ponto de vista etiológico as classifica em dois grandes grupos: Idiopática ou Primária e Secundária. As artroses podem ser classificadas em artroses primárias ou idiopáticas quando o agente determinante é desconhecido, resultante do desgaste articular sem causa evidente, podendo atingir mais de uma articulação, e artroses secundárias quando o agente causal é identificado, normalmente este tipo de artrose é monoarticular. As idiopáticas são consideradas mais comuns que as secundárias (Weinstein & Buckwalter, 2000). 9 Enquadramento Teórico A maior parte dos casos de artrose são classificados como idiopáticos e as formas de OA secundária podem agrupar-se em: i) Metabólicas e endócrinas, que incluem as doenças por deposição de cristais de cálcio, a ocronose, a acromegalia e a hemocromatose; ii) Anatómicas, que podem incluir as síndromes de hipermobilidade, os desvios axiais dos membros, as escolioses graves, as displasias epifisárias, a doença de Perthes, a luxação congénita da anca; iii) Traumáticas, desde traumatismos articulares agudos a traumatismos crónicos, ocupacionais ou desportivos, cirurgias como a meniscectomia. Segundo Serra (2001), a artrose idiopática ou primária, pode atingir, sem etiologia conhecida, mais de uma articulação e é responsável por mais de 70% dos casos, enquanto a artrose secundária é monoarticular e está relacionada com irregularidade da superfície articular resultante de fatores como traumatismos ou doença prévia. A OA envolve toda a estrutura articular (Figura 1), que abrange uma perda de hialina na cartilagem articular com alterações ósseas, desenvolvimento de osteófitos e posterior esclerose do osso. Os tecidos moles que se encontram na região da articulação também são afetados. O aspeto fundamental da OA é o progressivo estreitamento da cartilagem que termina na exposição do osso subcondral, associado a graves alterações estruturais ósseas, com grande formação de osteófitos (Weinstein & Buckwalter, 2000). Figura 1. OA da anca (http://www.netterimages.com/image/1866.htm) 10 Enquadramento Teórico A osteoartrite sintomática tem uma evolução progressiva que se inicia por dor articular, perda de força, incapacidade para a marcha e incapacidade funcional (Marx et al., 2006). Num inquérito realizado a 240 utentes com OA, 75% referiu a dor como o mais prevalente e o pior de todos os sinais e sintomas, seguido de incapacidade funcional e rigidez articular (Espanha, 1999). 1.2. Coxartrose Coxartrose é a nomenclatura que se atribui à OA da anca, sendo das doenças articulares degenerativas a mais frequente. Esta é uma doença mais ou menos incapacitante, dolorosa, que interfere não só com a atividade física dos indivíduos, mas influencia também esferas familiares, laborais, sociais e económicas. Para além de provocar incapacidade física também coloca os utentes numa dependência extrema em relação aos outros, para a concretização das atividades mais vulgares da vida diária e social (Palma, 1996, cit. por Floro, 2007). A coxartrose, considerada como uma das causas mais frequentes de incapacidade funcional, apresenta uma maior incidência na população ocidental, sendo mais rara na população asiática, o que poderá estar relacionado com posturas corporais (Serra, 2001). No que respeita aos hábitos posturais, o autor refere-se a um estudo realizado em 1973 por um grupo de investigadores, que verificaram a quase ausência de artrose da anca ou joelho em certos grupos étnicos da população chinesa de Hong Kong. Este fenómeno atinge uma percentagem relativamente elevada na população idosa, podendo contudo atingir indivíduos bastante novos, provocada por lesões prévias geralmente de causa traumática. A coxartrose é uma doença bastante incapacitante, pois além da dor e rigidez da articulação pode ter associada uma posição viciosa e sobretudo uma limitação marcante do movimento da anca. Na maior parte das vezes, existe uma deformação do acetábulo e da cabeça do fémur. As causas mais frequentes são a idade, o uso e desgaste excessivo da articulação, os traumatismos, bem como as patologias que lesionam as superfícies articulares, acelerando o processo de desgaste (necrose assética da anca), subluxação ou luxação congénita da anca ou ainda um desenvolvimento imperfeito da bacia (displasia), (Serra, 2001). 11 Enquadramento Teórico Do ponto de vista anatomopatológico, a coxartrose caracteriza-se pela perda da cartilagem articular da anca com reação subcondral variável, em consequência de traumatismo, infeção, hereditariedade ou simplesmente por razões idiopáticas. É um problema crescente em sociedades ocidentais e é uma das principais causas de morbilidade e inabilidade, especialmente entre as pessoas idosas. A prevalência varia entre 7% a 25% em adultos com 55 anos ou mais na população europeia (Dani & Azevedo 2006; Dutton, 2004). Espaço intra-articular normal Espaço intra-articular reduzido Protuberâncias ósseas Figura 2. Radiografias de uma anca normal e de uma anca com OA A sintomatologia mais frequente é o surgimento gradual de dor. De início, a dor está presente com o movimento, aumentando gradualmente de frequência e intensidade, até ao momento em que esta surge mesmo em repouso. Com o agravamento da doença, surge rigidez, deformidade, sinais inflamatórios, crepitação articular, limitação do movimento articular e claudicação na marcha. Existem vários estudos epidemiológicos que dizem que a artrose tem maior prevalência no homem do que na mulher até aos 45 anos de idade, aumentando de prevalência na mulher com o aumento da idade (Patrizzi, Vilaça, Takata & Trigueiro, 2004; Pineda, 2007; Serra, 2001). As manifestações clínicas da OA da anca prolongam-se normalmente por um período alargado de tempo. A dor pode estar presente de forma mais ou menos intensa, sendo normalmente o primeiro elemento a caracterizar a OA, mediante a sua localização ou topografia, intensidade, tipo, carácter, as circunstâncias do seu aparecimento, duração e horário, irradiação, relação com os movimentos e o repouso, além da resposta à terapêutica. A dor pode surgir de forma brusca, no caso de uma fratura traumática, ou ser gradual e insidiosa como acontece nas doenças articulares de tipo degenerativo como a coxartrose. 12 Enquadramento Teórico A deformidade da articulação pode ser estável ou progressiva, e é entendida como uma alteração da anatomia morfológica que pode levar a uma alteração da função articular. É o que acontece com a rigidez da anca que, se não for tratada, pode originar uma impotência funcional, traduzida pela impossibilidade total ou parcial de o utente mobilizar o membro inferior. A claudicação ou marcha anormal é a expressão da presença de um ou vários dos fenómenos descritos previamente. Assim, a claudicação está relacionada com a presença de dor, deformidade, impotência funcional ou mais que uma associada. Esta surge, pois, pela limitação da mobilidade e como defesa antiálgica por parte do indivíduo ao limitar a carga sobre o membro afetado. A incidência de OA da anca é maior nas mulheres do que homens. Dos doentes com idade superior a 30 anos, 10% a 15% são sintomáticos antes de completar 50 anos (Dani & Azevedo, 2006). Ainda segundo os mesmos autores, nos Estados Unidos da América o valor dos salários perdidos e o custo anual dos cuidados médicos doentes com coxartrose excederam 90 bilhões de dólares em 2000. Com o aumento da expectativa de vida, o grupo com idade maior que 65 anos representará 22% da população no ano de 2030, comparado com 12% em 1988. A dor é agravada pelo movimento articular e pelo esforço físico como a realização de tarefas pesadas, podendo aparecer também em repouso, o que perturba o sono. Este sintoma é inicialmente uma dor suavizada que se vai agravando com o agravamento da coxartrose. Esta é sentida inicialmente na virilha, podendo irradiar pela coxa até ao joelho. A dor é máxima no início da marcha, ao levantar-se de uma cadeira ou ao retomar a marcha. A perda da mobilidade é resultado da formação de osteófitos de que resulta alteração da forma das superfícies articulares. Com o agravar da limitação do movimento articular, alguns dos movimentos quotidianos tornam-se difíceis ou quase impossíveis. Surgem limitações nas AVDs, como por exemplo, o simples calçar de uma meia. Com a progressão da doença, a deformidade torna-se irredutível em flexão, adução e rotação externa. A sintomatologia tende a agravar-se de forma progressiva ao longo do tempo, até provocar uma dor intensa e potencializar a incapacidade funcional para as AVDs. Os movimentos são cada vez mais forçados e dolorosos. 13 Enquadramento Teórico Para o seu diagnóstico devem ser levadas em consideração não só os exames radiológicos, mas também as queixas referidas pelo doente, essencialmente no que respeita à sintomatologia (localização, duração e características da dor, e a amplitude articular). Quanto ao exame radiológico, pode observar-se diminuição do espaço intra-articular com tendência para a esclerose das superfícies óssea, podendo ainda verificar-se a formação de osteófitos. Indivíduos em estado de avançada OA da anca apresentam dificuldades em caminhar e o recurso à ATA é o meio para o alívio da dor e melhoria da mobilidade (Sliwinski & Sisto, 2006). 1.2.1. Tratamento O tratamento da OA da anca depende essencialmente da gravidade da situação. Esta pode ser conservadora (incruenta) ou cirúrgica (cruenta). O tratamento conservador é a primeira opção no tratamento da OA da anca, e deve ser equacionado antes da opção cirúrgica. Este inclui o uso de analgésicos, anti-inflamatórios, redução de peso e apoios de marcha (no lado oposto) diminuição de atividades físicas, sessões de fisioterapia para melhorar a amplitude articular e pode igualmente optar-se por uma cunha no sapato para compensar o encurtamento real e funcional. Este tipo de tratamento é, no entanto, apenas paliativo, pode aliviar alguns sintomas como a dor, mas não elimina o problema, o que provoca no dia-a-dia do individuo com OA uma alteração dos seus hábitos de vida, implicando, na maioria das vezes, um aumento da dependência de outrem na execução das AVDs e uma diminuição da QV. No entanto, é preferível deixar a coxartrose discreta sem tratamento. Quando o tratamento conservador (uso de analgésicos, anti-inflamatórios, fisioterapia, entre outros) não resulta num alívio da dor, fator que os limita até nas AVDs, a substituição da articulação por uma prótese torna-se no tratamento mais eficaz. Para Patrizzi e cols. (2004), “ o tratamento deve seguir de acordo com a gravidade do acometimento e com a expectativa do paciente. Deve ser multidisciplinar, buscando a melhora funcional, mecânica e clínica” (p.185). Nos casos de deterioração do estado clínico e aumento da idade, é aconselhada cirurgia ortopédica. Na cirurgia da anca pode estar indicada a osteotomia, mas a substituição total ou 14 Enquadramento Teórico parcial da articulação da anca é hoje em dia a mais utilizada no tratamento cirúrgico da coxartrose, com excelentes resultados em cerca de 90% dos casos (Serra, 2001). Também no tratamento cirúrgico, a substituição total da anca é de longe a que acolhe maior preferência nas guidelines internacionais. A substituição da anca ou ATA apresenta o maior desenvolvimento dentro das cirurgias ortopédicas nos últimos vinte anos, pela possibilidade de reconstrução de uma articulação através de implantação de uma prótese. Para Patrizzi e cols. (2004), na evolução das técnicas operatórias do aparelho locomotor, relacionadas com a OA, podem destacar-se as relacionadas com a ATA que, apesar de ser um procedimento cirúrgico radical (substituição total da articulação por uma prótese), esta melhora a QV dos indivíduos, proporcionando-lhes o regresso às suas AVDs e até mesmo às atividades laborais e sociais, entre outras. Artroplastia é o termo utilizado para classificar todo o tipo de cirurgia da qual resulta uma articulação artificial. Esta pretende restaurar ao máximo a integridade e restabelecer a funcionalidade da mesma (Harkess, 2006). Também Rampazo e D’Elboux (2010) referem que a ATA é o tratamento eficaz no tratamento da OA severa da anca e ainda em caso de fratura da anca. A ATA e um procedimento cirúrgico realizado com o objetivo principal de substituição das estruturas ósseas artríticas e articulares danificadas da articulação da anca. A substituição de uma articulação “natural” é realizada por materiais que atuarão para restabelecer a função anatómica da articulação coxofemoral. Esta cirurgia é geralmente indicada para os casos de degeneração da articulação coxo femoral relacionada como a artrite reumatoide, necrose avascular da cabeça femoral, artrose, fraturas, tumores ósseos. Outras patologias, como a espondilite anquilosante, luxação congénita da anca e doença de Legg-Perthes, podem também levar à necessidade de substituição parcial ou total da anca (Melo, 2009). A ATA, representa o maior progresso das cirurgias ortopédicas. A partir da década de 1960, tem sido tratamento revolucionário para doentes idosos com OA, apresentando bons resultados a longo prazo, estando hoje entre as cirurgias ortopédicas de maior sucesso. No entanto, este tipo de cirurgia não é indicado apenas em idosos, sendo que em indivíduos mais novos esta proporciona um incremento das atividades físicas e melhora a QV (Guimarães et al., 2010). 15 Enquadramento Teórico Gonçalves (2003), refere que a ATA está essencialmente indicada para indivíduos com mais de 60 anos com atividade física limitada. Apesar de indicada também em indivíduos jovens, esta não se mostra capaz de restaurar a articulação da anca para a prática de desportos violentos. É utilizada para o tratamento de artrose da anca após o tratamento conservador já não ser suficiente, e da qual se espera a irradicação da dor persistente e o aumento da capacidade funcional da anca e, consequentemente, da QV. Segundo o Registo Português de Artroplastia (RPA), em Portugal, realizam-se 3 279 ATA primárias (Ribeiro, 2011). A ATA é pois uma cirurgia que visa a restauração da mobilidade articular e a melhoria da funcionalidade muscular. Em resultado de todos estes pressupostos, a ATA tem como objetivo primordial restabelecer a função e melhorar a QV daquele indivíduo com deterioração marcante das suas AVDs, que deposita neste tipo de cirurgia o retorno ao seu modo de vida anteriormente deteriorado pela OA (Rampazo & D’Elboux, 2010). É necessário conhecer o histórico da artroplastia da anca para avaliar, não apenas o seu estado atual mas também o seu futuro. A cirurgia artroplástica da anca teve o seu início nos primórdios do século XX, com Sir Robert Jones, em 1912. Esta evoluiu como resultado de vários aperfeiçoamentos e foi com Thompsom e Moore que desenvolveram endopróteses com hastes metálicas para fixação esquelética. Em 1940, Smith-Petersen iniciou o desenvolvimento da artroplastia, apenas da componente da cabeça femoral, ou seja, artroplastia parcial, o que não promovia o alívio da dor, que é um dos principais sintomas, uma vez que a parte do acetábulo não era intervencionada (Honda et al., 2004). Sir John Charnley em 1958, foi considerado o grande mentor da artroplastia moderna, abordou o problema do design da articulação do quadril artificial, utilizando os princípios biomecânicos da função da articulação da anca, idealizou o uso do polimetilmetacrilato para fixação dos componentes protésicos ao osso e também da interface articular metal-polietileno, ainda hoje universalmente usados (prótese tipo Charnley). A história da artroplastia tem, pois, sido dinâmica e a pesquisa continua na premissa contínua da melhoria dos resultados (Honda, Polesello, Ono, Guimarães & Aristide, 2004; Harkess, 2006). 16 Enquadramento Teórico Originalmente, a principal indicação para a artroplastia da anca era aliviar a dor incapacitante em indivíduos com mais de 65 anos de idade, em consequência da falência do tratamento por meios não cirúrgicos e que tinham como única alternativa cirúrgica a recessão da articulação da anca (artroplastia de recessão de Girdlestone). O objetivo secundário era a melhoria da função da articulação coxofemoral. Componente acetabular Colo do fémur Componente femoral Figura 3. Componentes de próteses da anca (http://www.bbraun.pt) Após a ATA ter sido reconhecida como bem-sucedida em doentes com artrite reumatóide, OA, necrose avascular da cabeça femoral e pseudartrose do colo femoral, este tipo de cirurgia teve um aumento significativo (Harkess, 2006). Com o desenvolvimento e aparecimento de novas próteses e novas técnicas, a artroplastia tornou-se no método largamente difundido no tratamento da coxartrose que, por sua vez, pode ser dividida em artroplastia de resseção ou de substituição. A artroplastia de resseção consiste na exérese da cabeça femoral, permitindo que o fémur proximal se apoie no tecido adjacente. Foi inicialmente utilizada para tratar tuberculose em crianças e é também conhecida na comunidade médica como cirurgia de Girdlestone. Esta apresenta desvantagens das quais se destaca o encurtamento do membro afetado, porém compatível com a deambulação. A ATA consiste na substituição da cavidade do ilíaco (acetábulo) por um componente acetabular, e da extremidade proximal do fémur (colo e cabeça do fémur) por duas peças (prótese) que se articulam entre si, restabelecendo a articulação. 17 Enquadramento Teórico Articulação normal da anca Osteoartrite da articulação da anca Colocação do acetabulo e da haste femoral Osteotomia da cabeça do fémur e preparação do acetábulo Antes e Depois Figura 4. Artroplastia da anca (http://www.adamimages.com) Atualmente, existem inúmeros modelos de próteses, sendo que, na sua maioria, estes utilizam uma liga metálica (titânio ou cromo-cobalto), o polietileno e a cerâmica. A fixação da prótese ao osso pode ser realizada com recurso a cimento acrílico (prótese cimentada) ou outros mecanismos de fixação (não cimentada) e ainda Híbrida que consiste em dois métodos de fixação diferentes, em que a parte femoral é cimentada e o componente acetabular é aparafusada ao osso. A indicação do uso de um determinado modelo depende basicamente de fatores como a idade, a doença que levou à destruição da articulação coxofemoral, a qualidade do osso e a experiência do cirurgião (Bates & Hanson, 1998). Parcial (Moore Thompson) Não cimentada Artroplastia Total da Anca (Moore e Thompson Total Cimentada Híbrida Figura 5. Artroplastias de anca – Artroplastia total e Artroplastia parcial Nas próteses cimentadas, comummente utiliza-se o polimetilmetacrilato (PMMA) para estabilizar a prótese ao tecido ósseo, tanto do componente acetabular que é feita de polietileno 18 Enquadramento Teórico de elevado peso molecular (UHMWPE – Ultra high molecular weight polyetylene), e da componente femoral, normalmente metálica ou em material cerâmico. O polimetilmetacrilato faz de interface entre a prótese e o osso. Esta técnica é a que apresenta melhores resultados em doentes com idades mais avançadas (Mirza et al., 2010). Nas próteses não cimentadas, o material que constitui o seu revestimento permite o crescimento do osso sobre a prótese. Este material possui microporos de profundidade variada, de modo a que o osso cortical possa crescer e formar uma interface rígida. Este tipo de prótese é mais indicado para doentes jovens, segundo revelam alguns estudos (Mirza et al., 2010). Devido ao surgimento de novas técnicas de cirurgia, o aparecimento de novos materiais, os resultados pós cirúrgicos têm vindo constantemente a melhorar desde o início do aparecimento da ATA. Os resultados favoráveis são verificados a longo prazo, tendo em conta o crescimento constante da prevalência da OA da anca (Röder, Vogel, Burri, Dietrich & Staub, 2012). Palma (1996), referido por Floro (2007), é de opinião que a ATA é uma técnica que promove o alívio da dor, ao mesmo tempo que proporciona uma recuperação mais rápida e possibilita que o doente inicie deambulação precoce, possibilitando, ao fim de alguns dias, alguma independência nas atividades de vida. Figura 6. Radiografia de ATA A artroplastia manteve-se em desenvolvimento até aos dias de hoje, mas também como referem Honda e cols. (2004), “a artroplastia total da anca tem-se mostrado um procedimento extremamente bem-sucedido para pacientes adultos com afeções da anca, porém permanece 19 Enquadramento Teórico sendo uma solução não biológica” (p.141), o que implica determinadas complicações e incertezas quanto à duração da prótese, do seu desgaste, da biocompatibilidade e da resposta do osso que recebe o implante (Weinstein & Buckwalter, 2000). A ATA é hoje considerada o tratamento que oferece uma grande percentagem de bons resultados (cerca de 98% dos casos) a curto e médio prazo, altura em que podem aparecer algumas complicações, o que torna necessária a sua revisão. Espera-se hoje maior longevidade da prótese devido às novas técnicas cirúrgicas e às novas características do material. Para Loures e Leite (2012), à medida que a expectativa de vida da população cresce, o número de substituições articulares segue a mesma tendência e, apesar de seu alto custo, estão entre os procedimentos mais efetivos em termos de benefícios. Em Portugal, segundo dados referentes ao período 2009-2011, a população com idade superior a 65 anos ascendia aos 1 916 305 indivíduos, com uma esperança média de vida de 18,7 anos após esta idade, e correspondendo o Índice de dependência de idosos a 29 (INE, 2012). Para a DGS (2004b), em virtude das alterações demográficas verificadas nas últimas décadas, existindo uma variação levando à inversão das pirâmides etárias, novos desafios são colocados em saúde, revelando a importância de envelhecimento saudável, autonomia e independência nas AVDs, durante o máximo de tempo possível. Este é um desafio de responsabilidade individual e coletiva, com implicações significativas no desenvolvimento económico dos países. Historicamente, doentes entre 60 e 75 anos de idade foram considerados os candidatos mais apropriados para ATA, mas no decorrer da última década esta faixa etária foi expandida (Harkess, 2006). As próteses utilizadas atualmente têm uma durabilidade aproximada de 20 anos, pelo que está indicada em indivíduos com mais de 60 anos. Doentes mais jovens podem efetuar o tratamento cirúrgico quando o seu estado funcional está severamente afetado (Pratt & Gray, 2003). A ATA melhora a função articular e reduz a dor. Segundo Prat e Gray (2003): …a satisfação do paciente (com uma taxa de muito bom ou excelente) a respeito do alívio da dor e a melhora da função têm sido medidas em 98% até dois anos após 20 Enquadramento Teórico ATQ. A taxa de sobrevivência a longo prazo tem sido relatada como de 87,3% a 96,5% por um período de 15 anos. (p.167) Também Melo (2009) diz que a artroplastia da anca visa minimizar ou mesmo eliminar a dor e possibilitar o retorno às AVDs, às atividades desportivas e de lazer (ADL). No seu estudo, Matos (2006) refere que existem diferenças significativas entre as avaliações pré e pós operatórias em vários domínios, como a dor, o aspeto físico e a capacidade funcional, mas nos domínios saúde mental e estado de saúde não existem alterações significativas entre as duas avaliações. A influência da ATA no estado funcional e na QV dos sujeitos verifica-se a nível da diminuição da dor e da limitação de movimento das articulações. A diminuição da dor pode ser conseguida em mais de 95% dos indivíduos após ATA (Hall, 2001). Um ano após a cirurgia, há uma redução de 29% nos níveis de dor, 45% de diminuição da rigidez e ainda um aumento da função física de 68%, relativamente aos valores relatados durante o período pré operatório. É nos primeiros três meses após a cirurgia que estes progressos são mais marcados (Bachmeier et al., 2001). Também no equilíbrio há ganhos significativos (Majewski, Bischoff-Ferrari, Grüneberg, Dick & Allum, 2005). A marcha apresenta uma melhoria significativa na simetria na fase de apoio, distribuição da carga nos membros, aumento da velocidade e aumento da amplitude de movimento da anca (Madsen et al., 2004; Sliwinski & Sisto, 2006). Além da redução da dor, existe melhoria da função física, da QV e do desempenho na marcha, em comparação com o pré operatório (Sliwinski & Sisto, 2006). No entanto, e apesar destas melhorias, as características da marcha estão alteradas relativamente à população em geral (Madsen et al., 2004). Também Guimarães e cols. (2010) referem que os doentes mais jovens submetidos a ATA conseguem restaurar a QV, incluindo atividades de grande solicitação física. 1.2.2. Complicações A ATA é uma cirurgia invasiva que envolve riscos, nomeadamente a possibilidade de complicações no pós-operatório imediato ou tardio. Segundo Padilha (2002), a cirurgia de artroplastia total de quadril (ATQ) é geralmente bem-sucedida e as complicações são raras. 21 Enquadramento Teórico As possibilidades são que em 95% das vezes não ocorra nenhum problema sério. As complicações mais frequentes são a infeção, a luxação e o tromboembolismo. Infeção A infeção pós operatória da ATA apresenta resultados catastróficos para o indivíduo. Esta é dolorosa, incapacitante, apresenta custos económicos elevados e, na maioria das vezes, acaba na extração de ambos os componentes da prótese. Algumas infeções podem ocorrer muito precocemente, antes mesmo do utente sair do hospital, outras podem manifestar-se após vários meses, ou mesmo anos, após a cirurgia. Pode ocorrer em 2% dos casos (Ribeiro, 2011). Destes, apenas um terço se manifesta nos primeiros dois meses após a cirurgia. As infeções podem ser fatais, estando associada uma mortalidade de 7% a 62% (Harkess, 2006). Esta é mais incidente em indivíduos de risco, sendo fatores acrescidos: diabetes, artrite reumatoide, corticoterapias, cirurgias prévias da anca, infeção local antiga, tabagismo, focos infeciosos potenciais não tratados (dentes, infeções urinárias, úlceras crónicas) e doentes a tomar imunossupressores ou esteroides (Harkess, 2006; Ribeiro, 2011). Fatores adicionais são o internamento prolongado pré e pósoperatório. O tratamento consiste essencialmente nos seguintes procedimentos: i) Terapia antibiótica; ii) Incisão para drenagem da anca; iii) Desbridamento e artroplastia de recessão de Girdlestone; iv) Revisão em um ou dois tempos, para ATA. Luxação A luxação da prótese (Figura 7) é a principal complicação a longo prazo. Esta consiste na exteriorização da componente femoral da prótese do componente acetabular. A durabilidade da prótese é determinada por três fatores: i) A habilidade do cirurgião: se a operação for bem executada, a prótese irá durar mais, na medida em que se encontra bem alinhada com os eixos articulares; ii) Stresse imposto sobre a prótese: depende da atividade que o doente exerce, posicionamentos inadequados ou exercícios vigorosos como correr ou levantar objetos pesados podem causar grandes esforços sobre a anca, podendo mesmo levar a luxação. Pessoas com excesso de peso podem causar problemas na prótese mesmo em 22 Enquadramento Teórico atividades normais; iii) Estado do osso do doente: osteoporose, deformidades, ou cirurgias prévias podem comprometer a qualidade da fixação da prótese ao osso. Figura 7. Imagem de uma luxação de uma prótese total da anca Esta ocorre em média em 3% a 7% dos utentes submetidos a ATA (Harkess, 2006; Ribeiro, 2011). A reincidência pode implicar cirurgia de revisão precoce. São fatores de risco acrescido: idade avançada, sexo feminino, cirurgia prévia ou fratura da anca, doenças neuromusculares, estados demenciais, alcoolismo. Durante as primeiras semanas após a cirurgia antes que se forme uma cicatrização firme em volta da prótese e os músculos ainda estão fracos, a prótese está mais sujeita a luxações. Tromboembolismo venoso A doença tromboembólica é a complicação séria mais recorrente na ATA. Esta é a causa mais comum de morte, ocorrendo geralmente nos primeiros três meses após a cirurgia e é responsável por mais de 50% dos casos de mortalidade pós operatória (Harkess, 2006). A Trombose Venosa Profunda (TVP) pode ocorrer entre 40% a 70% dos utentes. A fatalidade da sua forma mais grave, a embolia pulmonar (1% a 6%), justifica a adoção de medidas preventivas como a administração de anticoagulantes ou o desencadear de medidas, tais como o levante precoce, a marcha com apoio e os períodos de repouso com os pés elevados. São fatores de risco acrescido: varizes, desidratação, sexo feminino, antecedentes de flebites (Harkess, 2006; Ribeiro, 2011). 23 Enquadramento Teórico Vários fatores aumentam o risco de tromboembolismo: i) Episódio prévio de tromboembolismo; ii) Cirurgia venosa prévia e a presença de varizes; iii) Presença de doença maligna; iv) Insuficiência cardíaca congestiva; v) Imobilidade; vi) Obesidade. O diagnóstico clínico da TVP ainda é de difícil realização. O diagnóstico clínico da TVP é feito com base na presença de sintomas como dor espontânea, cianose do membro, edema e calor local, eritema unilateral e sinal de homans positivo. Cassone e cols. (2002), relatam que a incidência de falso-positivos e falso-negativos com TVP é bastante elevada, estimando-se que 50% a 90% dos exames clínicos falham, por outro lado, referem que quanto ao sinal de Homans, este apenas é detetável quando ocorre a oclusão vascular completa e, mesmo assim, está presente em apenas 70% dos casos. Segundo Rubin e Farber (2002), a TVP está associada a repouso prolongado no leito ou a débito cardíaco baixo e, com frequência, afeta as veias profundas das pernas, podendo levar a embolia pulmonar e tornar-se assim uma grave ameaça à vida A sua complicação mais temida e responsável por uma grande morbimortalidade, é a embolia pulmonar, que é a maior causa de morte nos três primeiros meses após a operação, representando mais de 50% da mortalidade pós operatória (O’Reilly, Burgess & Zicat, 2005), que pode ser evitada com o diagnóstico precoce e a instituição do tratamento anticoagulante. Outra complicação não letal, mas de forte impacto socioeconómico, é a síndrome pós trombótica, que pode ocorrer a despeito do tratamento adequado da TVP, mas este, quando instituído precocemente, tende a minimizar os seus efeitos (Fortes et al., 2007). A profilaxia farmacológica é por consenso usada em quase todos os utentes submetidos a ATA. A profilaxia mais comumente usada é a heparina de baixo peso molecular por via subcutânea, existindo no entanto medicação por via oral. A doença crónica artrósica, nomeadamente a coxartrose, altera em múltiplos fatores o dia-adia dos indivíduos, sendo que o tratamento cirúrgico, após determinado estádio da AO, é a melhor forma de melhorar a QV dos doentes com OA. 1.2.3. Alterações no autocuidado Em idades mais avançadas, a dependência tem tendência a ampliar-se e a multiplicar-se e a avançar para um estado permanente. Quando a exigência para a realização do autocuidado é 24 Enquadramento Teórico superior à capacidade que o indivíduo demonstra na sua realização, surge um desequilíbrio ou défice na execução e a dependência de outrem para a sua realização. O Decreto-Lei nº 101/2006, de 6 de junho, utiliza o conceito dependência como a situação em que: …uma pessoa por falta ou perda de autonomia física, psíquica ou intelectual, resultante ou agravada por doença crónica, demência orgânica, sequelas póstraumáticas, deficiências, doença severa e ou incurável em fase avançada, ausência ou escassez de apoio familiar ou de outra natureza, não consegue por si só, realizar as actividades de vida diárias. (p.3857) Sidani (2011), corroborado por Januário (2013), refere que “o autocuidado é o princípio fundamental subjacente às intervenções autónomas desenvolvidas por enfermeiros ou em colaboração com outros profissionais de saúde; é a principal preocupação e objetivo, é um componente na reabilitação de doenças crónicas ou em programas de autogestão” (p.6). Em 1991, Orem desenvolveu uma teoria que se baseia na premissa que os doentes podem e desejam cuidar de si próprios. Sobre o autocuidado, Orem elaborou uma teoria do défice de autocuidado em enfermagem constituída por três categorias: 1) Teoria do autocuidado; 2) Teoria do défice do autocuidado: 3) Teoria dos sistemas de enfermagem. Estas três teorias estão interrelacionadas, como se observa na Figura 8, tendo como foco principal o autocuidado (Foster & Bennett, 2000). Taylor (2004), baseando-se na teoria de Orem, define autocuidado como “uma função humana reguladora que os indivíduos têm, deliberadamente, de desempenhar por si próprios ou que alguém a execute por eles para preservar a vida, a saúde, o desenvolvimento e o bemestar” (p.218). Define igualmente défice no autocuidado como “a relação entre as capacidades de acção dos indivíduos e as suas necessidades de cuidado” (p.218). A teoria do défice de autocuidado refere-se ao défice de autocuidado que ocorre quando o indivíduo está limitado para promover autocuidado sistemático, necessitando para tal da ajuda de outrem, nomeadamente a ajuda de enfermagem. O enfermeiro pode ajudar o indivíduo, utilizando um ou todos os métodos, de modo de oferecer assistência na concretização do autocuidado. A realização do autocuidado por parte do indivíduo pode ser afetada, como refere Foster e Bennett (2000), por fatores como a idade, o sexo, o nível de desenvolvimento, o nível de saúde, a orientação sociocultural, os fatores de atendimento de saúde (modalidade de 25 Enquadramento Teórico diagnósticos e de tratamento) os fatores do sistema familiar, os padrões de vida, os fatores ambientais e a adaptação e a disponibilidade de recursos. Para compensar os défices de autocuidado manifestados pelo indivíduo, Orem criou uma teoria designada Teoria do Sistema de Enfermagem. Este sistema não é mais que um conjunto de intervenções de enfermagem, que vão desde o planeamento e execução, visando o cuidar do indivíduo mediante os seus graus de dependência e a promoção do seu autocuidado (Cunha, Cardoso & Oliveira, 2005). Teoria do Sistema de Enfermagem, relaciona-se com o facto de a pessoa estar em situação de défice de autocuidado, e para compensá-lo necessita do cuidado de enfermagem. Logo, esta teoria limita-se a explicar a maneira pela qual as pessoas são ajudadas pela enfermagem. O sistema de enfermagem é classificado em: i) Totalmente compensatório; ii) Parcialmente compensatório; iii) Apoio e educação. Estas três teorias integram-se de forma inclusiva, como se observa na Figura 8. Sistemas de Enfermagem Sistema totalmente compensatório Sistema parcialmente compensatório Sistema de apoio e educação O indivíduo requer que a enfermagem o substitua em todas as atividades O indivíduo é capaz de realizar algumas atividades de forma autónoma. A enfermagem surge para ajudá-lo naquilo que ele não é capaz de realizar por si só O indivíduo é capaz de realizar o autocuidado embora necessite de ajuda da enfermagem para o ensinar e supervisionar na realização das suas ações de forma adequada Figura 8. Sistemas de enfermagem (Cunha et al., 2005, p.38) Relativamente ao défice de autocuidado, Orem identifica cinco métodos de ajuda: 1) Agir ou fazer para outra pessoa; 2) Guiar e orientar; 3) Proporcionar apoio fisico e psicológico; 4) 26 Enquadramento Teórico Proporcionar e manter um ambiente de apoio e desenvolvimento pessoal; 5) Ensinar o outro (Foster & Bennett, 2000). A EpS efetuada através da VD constitui-se em uma ferramenta que os profissionais de saúde, nomeadamente os enfermeiros, devem adotar com vistas ao atendimento integral do indivíduo submetido a ATA após o seu regresso ao domicílio. Os indivíduos apresentam défice de autocuidado quando não são capazes de cuidar de si próprios, sendo que podem beneficiar do apoio da VD de enfermagem. Nesta visita, o enfermeiro deve utilizar as suas competências, nomeadamente prescrever, planear e proporcionar ao utente os cuidados necessários e executar EpS, que possibilitem a autonomia do mesmo na execução dos seus autocuidados. As alterações ao nível da mobilidade são encontradas no dia-a-dia dos enfermeiros. Estas podem resultar de uma limitação física do movimento pela inatividade, até à imobilização total por problemas de saúde graves, nomeadamente nas articulações, quer por fraturas quer por doença degenerativa ou por procedimentos cirúrgicos. A ATA é o exemplo de cirurgia que provoca no indivíduo, nos primeiros tempos após a cirurgia, uma limitação física que origina défices na execução do autocuidado. Neste subcapítulo, abordaremos a ATA como potenciadora da dependência da pessoa na realização dos autocuidados. A ATA, nomeadamente nos primeiros meses, é uma situação bastante incapacitante, sobretudo na limitação dos movimentos da anca. Após a ATA, a maior parte dos utentes tem significativamente alteradas as suas atividades diárias, como por exemplo, os hábitos de higiene, o cuidado pessoal, a marcha, as tarefas domésticas, o desempenho sexual, profissional e social (Matos & Araújo, 2009). Segundo a Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem (CIPE), a dependência significa “estar dependente de alguém ou alguma coisa para ajuda e apoio” (Conselho Internacional de Enfermeiras [CIE], 2005, p.107). Lage (2007), diz que a dependência funcional é referida por metade dos doentes dependentes, em pelo menos uma AVD ou Atividade Instrumental de Vida Diária (AIVD). As AVDs são necessárias para o autocuidado pessoal e permitem a uma pessoa depender de si própria. São, por esta ordem: tomar banho, vestir-se, usar o sanitário, movimentar-se, ser continente e alimentar-se. As AIVD são necessárias para viver na comunidade e para poder relacionar-se 27 Enquadramento Teórico com os outros. São mais complexas que as anteriores e geralmente perdem-se antes das AVDs. As mais habituais são usar o telefone, cuidar da casa, preparar comida, fazer compras, tratar dos assuntos económicos e usar os meios de transporte. Para melhor compreensão da importância da VD ao indivíduo dependente nos autocuidados após ATA, importa definir, à luz da CIPE, autocuidado como sendo uma “atividade exercida pelo próprio: Tratar do que é necessário para se manter, manter-se operacional e lidar com as necessidades individuais básicas e íntimas e as necessidades de vida diária” (CIE, 2011, p.41). Os autocuidados mais afetados no indivíduo submetido a ATA, são: “andar com auxiliar de marcha”, “Mobilidade”, “Sentar-se” “Tomar banho”, “Vestir-se ou despir-se”, “Usar o sanitário”, ”Erguer-se”, nos termos descritos na CIPE (CIE, 2011). Seguidamente, com base na CIPE, descrevem-se os diagnósticos de enfermagem mais alterados e relacionados com a problemática em estudo: Diagnóstico de enfermagem: Mobilidade comprometida Segundo a CIPE, mobilidade é uma “…Capacidade com as características específicas: Movimento voluntário e psicomotor do corpo, incluindo a coordenação dos movimentos musculares e articulares, bem como o desempenho do equilíbrio, o posicionamento corporal e o deslocamento” (CIE, 2005, p.93). Diagnóstico de enfermagem: Andar com auxiliar de marcha comprometido Segundo a CIPE, andar com auxiliar de marcha é uma ação de andar com características específicas: …movimento do corpo de um lugar para outro, movendo as pernas passo a passo, capacidade de sustentar o peso do corpo e andar com uma marcha eficaz, utilizando um ou mais auxiliares de marcha como calçado de correção, membro artificial, bengala, tala, canadianas ou andarilho, com velocidades que vão do lento ao moderado e rápido, subir e descer escadas e rampas. (CIE, 2011, p.39) Diagnóstico de Enfermagem: Erguer-se comprometido Segundo a CIPE, é uma atividade executada pelo próprio com as características específicas: “Mover-se, modificando a posição do corpo para a vertical” (CIE, 2011, p.52). 28 Enquadramento Teórico Diagnóstico de Enfermagem: Sentar-se comprometido Segundo a CIPE, sentar-se é um tipo de atividade executada pelo próprio com características específicas: “Mover-se, modificando a posição do corpo partindo da posição de deitado ou de pé para a de sentado” (CIE, 2011, p.74). Diagnóstico de Enfermagem: Capacidade para tomar banho comprometido Segundo a CIPE, é a “Capacidade para cuidar da higiene pessoal com as seguintes características específicas: enxaguar o corpo, ou partes dele em água por exemplo entrando ou saindo da banheira, providenciando todo o material necessário ao banho, obtendo ou abrindo a água, lavando e secando o corpo” (CIE, 2005, p.92). Diagnóstico de Enfermagem: Capacidade para vestir-se/despir-se e arranjar-se comprometida Segundo a CIPE, consiste na “capacidade para vestir-se/despir-se e arranjar-se adequada, (CIE, 2011, p.123). Diagnóstico de Enfermagem: Capacidade para usar o sanitário comprometido Segundo a CIPE, é a capacidade de desempenho com as seguintes características específicas: “Realizar actividades de usar o sanitário para urinar e defecar” (CIE, 2011, p.43). Diagnóstico de Enfermagem: Capacidade de desempenhar atividade de lazer comprometida Segundo a CIPE, é um tipo de autocuidado com as características específicas: “executar actividades de lazer” (CIE, 2011, p.122). Os enfermeiros têm na base do seu trabalho como metodologia o Processo de Enfermagem, tido como um método dinâmico e sistematizado, facilitador da resolução de problemas, direcionando as intervenções de enfermagem para a obtenção de resultados concretos. Após a avaliação inicial levada a cabo aquando da VD, e tendo em conta os défices no autocuidado, o enfermeiro encontra-se preparado para executar um plano de promoção do autocuidado individualizado, de forma a responder às necessidades do utente e família. As intervenções devem ser planeadas em conjunto com o doente, familiares e a opinião de outros técnicos, promovendo assim a maior independência possível deste doente. As intervenções terapêuticas para o autocuidado implicam o ensino ao utente e família do processo de resolução de problemas, para suplantar as dificuldades sentidas pela incapacidade 29 Enquadramento Teórico e proporcionando dispositivos auxiliares ou adaptativos quando necessário, educando o utente e família no desempenho seguro e eficaz das capacidades do autocuidado. A enfermagem, na prestação de cuidados procurando dar enfoque à “qualidade de vida”, deve ressaltar a importância do desenvolvimento do autocuidado no indivíduo dependente, pretendendo incrementar a sua QV, através das mudanças de hábito e adoção de novos padrões de comportamento. Na Carta de Ottawa (OMS, 1986), a promoção da saúde é vista como uma atitude global, que visa promover condições de desenvolvimento que permitam que a vida das pessoas seja saudável durante todo o seu percurso. Esta pressupõe o desenvolvimento pessoal e social, através da melhoria da informação, EpS e reforço das competências que habilitem para uma vida saudável. Por vezes, confundem-se os conceitos de EpS e de promoção da saúde, no entanto, a promoção da saúde é um processo mais amplo que integra várias estratégias, entre as quais a EpS. A maior parte das definições para EpS salienta que se trata de processos e experiências educacionais com a finalidade de influenciar positivamente a saúde. É, pois, neste sentido que a continuidade de cuidados e a implementação de programas de intervenção é um terreno propício ao desenvolvimento da EpS. O Enfermeiro Comunitário tem hoje um papel e um lugar de excelência na prestação de cuidados no domicílio, nomeadamente, aos utentes submetidos a ATA. No próximo capítulo vamos proceder à concetualização da QV. 2. QUALIDADE DE VIDA Contemporaneamente, a QV é uma expressão divulgada nos vários quadrantes da sociedade, nomeadamente no meio científico, na área da comunicação social e mesmo no dia-a-dia, no chamado senso comum, embora continue a ser um termo ambíguo e de difícil concetualização e definição. Para Ribeiro (2009), “o estudo da QV (ou a boa qualidade da vida humana) é, portanto, tema corrente do último quarto do século XX, embora na área da Psicologia o interesse por ele tenha surgido mais tarde” (p.32). 30 Enquadramento Teórico A QV é um assunto que vem sendo bastante abordado nos últimos 20 anos, tendo em vista a expectativa de vida mais prolongada. Esta refere-se ao bem-estar físico, mental e social na vida de um indivíduo doente ou sadio. É um conceito holístico, que abrange múltiplos significados, refletindo conhecimentos, experiências e valores, individuais e coletivos. Este conceito começou por estar ligado aos bens materiais, no entanto, hoje circula nas sociedades modernas relacionado com as áreas científicas, nomeadamente, a enfermagem, a medicina, a educação, a sociologia, entre outras. Para Nunes, Amaral e Gonçalves (2005), referindo-se ao regulamento do exercício profissional do enfermeiro, o objetivo da enfermagem é prestar cuidados de enfermagem ao ser humano durante o seu ciclo vital, sendo que as intervenções em enfermagem são uma “atividade-fim” (p.106), cujo objetivo é contribuir para o bem-estar e bem-viver por forma a manter e melhorar a sua saúde, intervindo para que estes recuperem ao máximo as suas capacidades funcionais para melhoria da QV, sendo estes cuidados um direito dos doentes. Nos países desenvolvidos, com o progresso da medicina e consequente aumento dos cuidados de saúde, as expectativas de vida e o aumento da esperança de vida tiveram um incremento considerável. Os serviços de saúde dispõem hoje de um conjunto de cuidados (tratamentos médicos e de enfermagem) que podem não curar, mas proporcionam um controlo dos sintomas e a diminuição das dependências dos doentes. A QV adquiriu, pois, grande importância, nomeadamente quando aplicada aos cuidados de saúde, especificamente à enfermagem, pelo facto do desenvolvimento da medicina contribuir para o aumento da longevidade, o aumento significativo da esperança média de vida, mesmo para indivíduos portadores de doenças crónicas, com implicações no bem-estar destes (Floro, 2007). O termo “qualidade de vida” tem recebido uma variedade de definições ao longo dos anos. Ela pode ser baseada em três princípios fundamentais: capacidade funcional, nível socioeconómico e satisfação. Mas também pode estar relacionada com os seguintes componentes: capacidade física, estado emocional, interação social, atividade intelectual, situação económica e autoproteção de saúde (Santos, Santos, Fernandes & Henriques, 2002). Na realidade, o conceito de QV varia de acordo com a visão de cada indivíduo. Para alguns, ela é considerada como unidimensional, para outros, multidimensional. 31 Enquadramento Teórico A melhoria da QV passou a ser um resultado esperado, no domínio das práticas de cuidar em saúde, implicando a adoção de um estilo de vida adequado à doença e à promoção da saúde (Grelha, 2009). Para este autor: A evolução do conceito de Qualidade de Vida também está associado a diversos referenciais teóricos que refletem conceitos como: satisfação com a vida, felicidade, existência com significado e bem-estar subjetivo. No entanto ainda que relacionadas, estas designações são estruturalmente diferentes do conceito de Qualidade de Vida. (p.63) Associado ao conceito de QV estão conceitos de saúde, uma vez que ao ver o indivíduo de uma forma holística, em que este é visto como um todo, a QV vai depender de vários fatores como trabalho, recursos económicos, família, entre outros. A melhoria da QV passa a ser vista como um resultado da prática do cuidar em saúde, promovendo a adoção de estilos de vida adequados à doença e à promoção da saúde. Durante muito tempo utilizou-se como definição de saúde o conceito definido pela OMS em 1946, em que “saúde é um status de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença ou enfermidade” (Fleck, 2008, p.21). Este conceito está no entanto já algo ultrapassado, um pouco pelo conceito utópico de completo bem-estar, considerado um conceito subjetivo. Ao longo dos anos foram surgindo novos conceitos como o de Déjours (1993), que conceitualiza saúde como “a capacidade de cada homem, mulher ou criança criar e lutar pelo seu projecto de vida, pessoal e original, em direcção ao bem-estar” (Carvalho & Carvalho, 2006, p.9). Em anos mais recentes, a este conceito foram associados novos fatores como a QV. Segundo Minayo, Hartz e Buss (2000), “saúde não é doença. Saúde é qualidade de vida” e QV quando relacionada com cuidados de saúde é “Qualidade de vida em saúde” (p.8). O QVRS, do inglês Health Related Quality of Life (HRQOL) é um termo que, como conceito, é mais abrangente, o que obrigou ao desenvolvimento de diversos instrumentos numa perspetiva funcionalista. Patrick e cols. (1995), como refere Fleck (2008), definiram HRQOL como a “capacidade de um indivíduo de desempenhar as atividades da vida diária, considerando sua idade e papel social” (p.22). A OMS (1985), refere que os estilos de vida contribuem para uma boa saúde e aumento da QV, ao afirmar: 32 Enquadramento Teórico Ainda há muito que avançar para conseguir compreender as relações entre a saúde e as componentes de estilos de vida específicos. Numerosos estilos de vida favorecem a saúde, desenvolvem o bem-estar físico e mental e protegem o indivíduo do stresse. Outros englobam comportamentos que podem ser prejudiciais à saúde. (p.14) Ainda para o WHOQOL Group, QV refere-se à “perceção das pessoas da sua posição na vida, dentro do contexto de cultura e sistema de valores nos quais elas vivem e em relação a suas metas, expectativas e padrões sociais” (p.1405). QV é também “a percepção do indivíduo de sua posição na vida, no contexto da sua cultura e no sistema de valores em que vive e em relação a suas expectativas, seus padrões e suas preocupações” (WHOQOL Group, 1995, cit. por Fleck, 2008, p.25). Esta está de acordo com o que a OMS (2002), corroborado por Pinho, Simões, Costa e Pereira (2009), preconiza como sendo hoje o conceito de saúde a: …medida em que um indivíduo ou grupo é capaz, por um lado, de realizar aspirações e satisfazer necessidades e, por outro, de lidar com o meio ambiente. A saúde é, portanto, vista como um recurso para a vida diária, não o objectivo dela; abranger os recursos sociais e pessoais, bem como as capacidades físicas, é um conceito positivo. (p.136) Para Lawton (1991), a QV é um conjunto de dimensões objetivas e subjetivas, que interagem entre si, pois é algo experimentado pelas próprias pessoas. No entanto, a ênfase na experiência pessoal levou muitos a supor que a QV seria meramente subjetiva. Ribeiro (2002), refere que “Qualidade de vida e qualidade de vida relacionada com a saúde estão interligadas mas a primeira tem um sentido mais amplo, enquanto a segunda se refere aos aspetos diretamente relacionados com os sintomas da doença e com o tratamento” (p.77). QVRS não é mais que uma referência à QV que está dependente da doença (Ribeiro, 2002). Para este autor, referindo-se a Hermann (1995), QVRS é definida como “o impacto da doença e do tratamento no doente” (p.77). Estes conceitos estão intimamente interligados relativamente à presença de sintomas da doença e o seu tratamento. Comparando os conceitos QV e QVRS, pode dizer-se que o primeiro é mais genérico, está relacionado e aplica-se a todos os indivíduos saudáveis ou não, enquanto a segunda é um conceito mais específico e está relacionado com a presença da doença, e só pode ser relacionada com os indivíduos que possuem essa doença (Ribeiro, 2002). Para este autor, a QVRS refere que esta privilegia “os aspectos que são únicos dessa doença (sintomas, características do tratamento, efeitos do tratamento, etc)” (p.78). 33 Enquadramento Teórico Para Etghen, Bruyère, Richy, Dardennes e Reginster (2004) e Resnick e cols. (2005), QVRS é um conceito muito vasto que representa as respostas que o indivíduo apresenta relativamente aos efeitos físico, mental, e social da doença no dia a dia, que influenciam a satisfação pessoal e que pode ser conseguida nos vários contextos da vida de cada um. Loures e Leite (2012), referem que “diversas variáveis influenciam os scores de qualidade de vida relacionados com a saúde e também as expectativas dos indivíduos quanto ao procedimento médico e seus resultados” (p.499). Já Santos e Ribeiro (2001), após aprofundada revisão bibliográfica, referem que na QVRS a avaliação deve ter em consideração os seguintes domínios: Estado funcional, que se refere à capacidade de executar uma gama de atividades que são normais para a maioria das pessoas. Nelas se inclui geralmente o auto cuidado, a mobilidade e a capacidade de desempenho do papel social. Sintomas físicos, relacionados com a doença e o tratamento. Neles pode-se incluir a dor, o mau funcionamento urinário, etc. Funcionamento psicológico, como o stresse psicológico, sobretudo a ansiedade e a depressão. Funcionamento social, como o transtorno muito comum nos doentes crónicos. Nele inclui-se as relações com a família e o meio social mais alargado, bem como a frequência de participação em atividades sociais. Avaliação global, dado que a qualidade de vida não é mais do que a soma das suas partes componentes, é útil a inclusão de uma avaliação global como suplemento das mais específicas, Esta avaliação global deveria limitar-se a áreas relacionadas com a saúde. (p.8) Os conceitos de “saúde”, “qualidade de vida” e “estado funcional” aparecem muitas vezes, na bibliografia consultada, como sinónimos. Deste facto decorre que em contextos de saúde e doença, a QV pode ser considerada como um indicador de saúde, e que a QVRS se refere ao conceito de QV quando a sua aplicação é feita a populações portadoras de doença nos seus diversos domínios (físico, funcional, psicológico e social), (Santos, Martins & Ferreira, 2009). A QV é também uma ferramenta útil na investigação em enfermagem, podendo ser utilizada para medir a influência das intervenções de enfermagem ao nível dos sintomas, do tratamento ou da recuperação funcional, entre outras, uma vez que as ações de enfermagem devem promover alterações no bem-estar global dos indivíduos (Santos et al., 2009). Torna-se, pois, difícil definir QV, o que implica que a sua medida também o seja. Esta é influenciada por valores culturais, éticos e religiosos, bem como por valores e perceções pessoais. Esse caráter de subjetividade do conceito de QV baseia-se na realidade individual, 34 Enquadramento Teórico tornando-se, assim, num conceito complexo e de difícil avaliação, sendo objeto de estudo de vários investigadores e existindo hoje várias escalas de avaliação. Estes conceitos têm vindo a ser estudados por vários autores, existindo um consenso alargado sobre a importância de estudos na área, pois este é um campo amplo de debate. Alguns autores reconhecem a complexidade e a impossibilidade de conceituar de forma adequada a QV, tratando-a como uma variável “emergente”. Segundo Grelha (2009), embora subsistam algumas indefinições e incertezas sobre a QV, existem já alguns consensos, sobre: Definição – é um conceito multidimensional, que traduz o bem-estar subjectivo do doente, nas vertentes físicas, psicológicas e sociais; Medida – existem instrumentos de medida validados e que permitem a sua avaliação de forma normalizada; Necessidade – deve ser considerada como o objectivo principal, nas doenças crónicas e incuráveis. (p.64) Atendendo à complexidade da noção de QV, e tendo em conta a sua relatividade referente às diferentes culturas e realidades sociais, diversos instrumentos têm vindo a ser construídos, no sentido da avaliação. Ao procurar conceitualizar ou mesmo definir QV, depara-se com um problema que é a busca da operacionalização desse construto, e desenvolvimento de instrumentos capazes de medi-lo vem exigindo empenho considerável em vários níveis: conceitual, metodológico, psicométrico e estatístico. No entanto, a ausência de consenso relativamente a um determinado conceito, no campo do conhecimento é algo comum e plenamente compreensível, embora este crie alguns problemas por vezes irresolúveis. Na área de pesquisa sobre a QV, existem vários instrumentos para avaliar a QV que se têm multiplicado exponencialmente, criando uma enorme quantidade de dados, que podem mesmo influenciar políticas de saúde. Nos cuidados de saúde e nas suas políticas, a importância da avaliação da QV tem sido crescente, tornando-se uma questão pertinente na elaboração de programas e projetos e na avaliação dos resultados das intervenções em saúde, sendo desde há alguns anos a esta parte estudada em quase todas as doenças crónicas. Para Matos (2006), “no caso das doenças crónicas, a avaliação da QV tem como objetivo analisar o impacto subjetivo e funcional dessas doenças no indivíduo, assim como os efeitos 35 Enquadramento Teórico do tratamento, o que é um grande esforço, pois a mesma patologia pode provocar diferentes efeitos” (p.30). Ainda, segundo Naugthon e Shumaker (1997) e Matos (2006), em utentes com doenças crónicas do foro ortopédico, devem utilizar-se medidas de QV que permitam avaliar a efetividade do tratamento, quer este seja conservador ou cirúrgico, complementando estes dados com os índices de mortalidade/morbilidade anteriormente utilizados. Neste tipo de patologia, normalmente o objetivo pode não ser a cura e, como tal, torna-se importante determinar de que forma a vida e a QV são influenciadas pela patologia e pelo tratamento. Rampazo e D’Elboux (2010), referem que na realidade da ATA a redução da dor e a melhoria da funcionalidade da anca em utentes com OA acarreta benefícios consideráveis na sua QVRS percebida como uma abordagem multidimensional que engloba tanto os aspetos físicos, como mentais e sociais relacionados com a presença de sintomas, incapacidades e limitações causadas pela doença. Para Ribeiro (2009), é comumente aceite que a QV possui várias propriedades: “é multifactorial, ou seja, o seu estudo deve considerar várias dimensões; é uma variável baseada na percepção pessoal; varia com o tempo; é subjectiva (soft), ou seja, baseia-se em aspectos imateriais” (p.32). Acrescenta ainda que o conceito de QV não é inequívoco, pois estamos ainda longe de: “a) chegar a uma definição clara do conceito; b) de identificar os componentes essenciais de QV; c) de diferenciar a QV propriamente dita daquilo que a determina; d) de possuir instrumentos consensuais que a avaliem” (p.33). 2.1. Avaliação da qualidade de vida A avaliação das intervenções em saúde no que diz respeito à QV assume cada vez mais importância na atualidade. No entanto, a avaliação da QV é complementar às avaliações epidemiológicas ou clínicas no que se refere à eficácia de programas de saúde, fornecendo estimativas e cálculos de ganhos em saúde (Fonseca et al., 2009). Avaliar a QV porquê? Durante muito tempo, o nível de saúde de uma população era avaliado através das taxas de mortalidade e morbilidade, sendo que atualmente se considera que essas variáveis são insuficientes. Assim, foram desenvolvidos ao longo do tempo mecanismos que avaliassem a QV, nomeadamente instrumentos de avaliação como entrevistas ou 36 Enquadramento Teórico questionários com o objetivo de obter dados fidedignos e onde o indivíduo é a fonte de informação onde está integrada a sua interpretação da QV. Durante os últimos anos surge uma crescente prevalência de doenças , muitas delas incapacitantes, nomeadamente, a OA e ainda com o aumento da esperança de vida a sua prevalência tem tendência a aumentar. Esta acarreta um enorme impacto social e económico, e na procura de uma resposta à sua implicação na QV resulta a importância da sua avaliação. Pela subjetividade, complexidade e multiplicidade de domínios ou elementos que interferem na QV, esta torna-se extremamente difícil de avaliar. Os investigadores deparam-se com várias questões quanto à melhor forma de avaliar a QV, sendo que a principal relaciona-se com o facto de ser necessário apenas um ou vários instrumentos para capturar os domínios de interesse da QV. Para Fonseca e cols. (2009), pela sua importância, o construto QV assume nos dias de hoje enorme destaque na consciencialização dos profissionais de saúde de que “curar” uma doença não é o único e o mais importante resultado das intervenções de saúde. Tal facto acarreta a importância e a necessidade da existência de um ou vários instrumentos de avaliação da QV com características psicométricas, que permitam a avaliação do impacto de programas de intervenção na área da saúde. Na atualidade, é crescente a importância da avaliação da QV, o que está patente pelo número de instrumentos de avaliação que foram já construídos e validados para as diversas populações. Existe uma grande variedade de escalas e testes desenvolvidos para medir a QV. Estes variam na sua conceção, nos seus construtos e conteúdo, demonstrando que não há acordo quanto àquilo que é uma medida da QV. Para o efeito, recorreu-se ao desenvolvimento de instrumentos que avaliassem a QV, permitindo que as pessoas fossem as fontes de informação, incluindo assim a perceção na avaliação da sua própria QV. Na atualidade, as várias disciplinas em saúde utilizam as avaliações relatadas pelos indivíduos ou populações para determinar se os cuidados que lhes foram efetuados resultaram ou não em ganhos de saúde e QV. Se definir QV não é tarefa fácil, a sua operacionalização e mensuração torna-se ainda mais difícil, pois a sua avaliação deve ser rigorosa e quantificar a realidade. Os instrumentos de 37 Enquadramento Teórico avaliação devem reunir critérios rigorosos, como fiabilidade e validade para a população em estudo, além de serem precisos e operativos. Na avaliação, a utilização de instrumentos de medição deve ter por objetivos quantificar a eficácia de um determinado tipo de cuidado ou tratamento através da quantificação dos progressos do doente. Esta permite o conhecimento, por parte do investigador, da satisfação do utente relativamente ao tratamento. Esta avaliação permite igualmente a monitorização dos resultados do tratamento durante um determinado período de tempo. A maioria dos instrumentos desenhados e orientados para a medição do estado de saúde e QV é capaz de avaliar a perceção que cada indivíduo tem de momentos anteriores da sua vida (Bowling, 2001). Perante a falta deste tipo de instrumentos para avaliar a QV, a OMS, no âmbito do projeto World Health Organization Quality of Life (WHOQOL), desenvolveu em 1995, o WHOQOL100 e o WHOQOL-bref, dois instrumentos disponíveis em mais de 40 idiomas, incluindo Portugal (Serra et al., 2006). Ao longo dos anos foram surgindo outros instrumentos de avaliação, sendo o mais conhecido o SF-36 que avalia a perceção do estado de saúde de uma população, que pode estar doente ou saudável (Ferreira & Santana, 2003). Um instrumento de avaliação de QV estima principalmente o modo como as manifestações de uma doença e/ou o seu tratamento são experimentados pelo próprio indivíduo, baseando-se na autoavaliação acerca de sentimentos, atitudes e comportamentos (Amorim, 1999, 2009). Para Esteve e Rocca (1997), como refere Amorim (2009), um bom instrumento de medida deve ter as seguintes características: i) Fiável à questão de saúde que se pretende avaliar; ii) Válido, no sentido de ser capaz de medir aquelas características que se pretende medir, e não outras; iii) Específico, permitindo um mínimo erro de medida; iv) Sensível, na medida em que deverá ser capaz de detetar mudanças tanto em indivíduos diferentes, como em relação à resposta de um mesmo individuo ao longo do tempo; v) Basear-se em dados fornecidos pelos próprios indivíduos; vi) Adequar-se aos doentes, profissionais de saúde e investigadores. Segundo Pires (2009), os instrumentos têm evoluído para avaliar o impacto da doença, efeitos de tratamento, entre outras variáveis que afetam a vida das pessoas, fornecendo dados para uma avaliação da vivência que a pessoa possui dos seus problemas de saúde nas diferentes 38 Enquadramento Teórico áreas (função física, social, emocional, desempenho de papéis, dor e fadiga), e assim poderem avaliar a QVRS. Com o incremento da investigação sobre a QVRS, vários têm sido instrumentos desenvolvidos para qualificar e quantificar as condições de saúde dos indivíduos, sendo estes divididos em dois grupos: genéricos e específicos. De acordo com a literatura, tanto os instrumentos genéricos como os específicos devem ser incluídos na avaliação da QVRS, como descrito por Rampazo e D’Elboux (2010). Os questionários genéricos medem o estado geral de saúde dos indivíduos, não sendo específicos para qualquer idade, doença ou tipo de tratamento, o que possibilita a sua aplicabilidade a uma variedade de populações, estudando múltiplas dimensões e categorias. Já os específicos, focalizam a sua atenção na avaliação específica de domínios, condições de saúde, sinais e sintomas e região. Dos questionários genéricos, podemos referir o WHOQOL e o Short Form-36 Health Survey, quanto aos específicos eles são vários dependendo do domínio a estudar. Os instrumentos específicos avaliam uma doença específica e quantificam os ganhos em saúde após um tratamento. Existem vários instrumentos capazes de medir diferentes dimensões do estado de saúde dos utentes com OA. Entre estes, o mais utilizado é O Westerm Ontario and McMaster Universities (WOMAC), recomendado pela Sociedade de Pesquisa Osteoartrite que pode ser utilizado para avaliar tanto utentes com OA da anca ou do joelho, e foi validado por Belamy e cols. em 1998. Em 2003, foi desenvolvido o questionário HOOS que é uma extensão do WOMAC LK 3.0, uma vez que este não avaliava todos os domínios, principalmente, em utentes jovens e ativos. Ao WOMAC LK 3.0 foram acrescentadas dimensões relativas ao desporto e lazer e, ainda, QV relacionada com a ATA (Klässbo, Larsson & Mannevik, 2003; Nilsdotter, Lohmander, Klässbo & Roos, 2003; Ornetti et al., 2009). De referir que em utentes com coxartrose, a QV é influenciada pela própria doença e pelo tipo de terapia, seja ela conservadora ou cirúrgica. Estudos anteriores sugerem que as características pré intervenção, associadas aos resultados depois de uma ATA, podem influenciar a QV. Entre estas estão variáveis como a idade, o género, a obesidade, a dor, a 39 Enquadramento Teórico incapacidade funcional, o apoio social, o número de comorbilidades, a intervenção unilateral ou bilateral (Quintana, Escobar, Aguirre, Lafuente & Arenaza, 2009). Loures e Leite (2012), referem que “diversas variáveis influenciam os escores de qualidade de vida relacionados com a saúde e também as expectativas dos indivíduos quanto ao procedimento médico e seus resultados” (p.498), sendo que “as características físicas e funcionais de cada indivíduo tratado por substituição total do quadril necessitam medidas efetivas e por instrumentos validados, capazes de fornecer dados confiáveis ao observador” (p.499). É com base nestes prossupostos que, no âmbito desta investigação, se optou pela utilização de um instrumento específico de região, como é o Hip Disability and Osteoarthritis Outcome Score, LK 2.0, que mede o impacto dos cuidados de saúde efetuados por problemas na anca ou artroplastia, como é o caso do programa de VD do presente estudo. Face à importância dos cuidados prestados ao doente submetido a ATA para a sua QV, a VD de enfermagem no pós-operatório aquando da alta, pode ser vista como um meio para a promoção da saúde e melhoria da QV. Na alta, é elaborada e enviada aos enfermeiros dos cuidados de saúde primários, uma carta de alta de enfermagem, em que estão descritos os focos de atenção e as dependências do utente, visando uma melhoria da articulação. 2.2. Fatores influenciadores da qualidade de vida A QV, pela sua multidimensionalidade, é influenciada por fatores físicos, psicológicos e sociais. Abrange domínios de funcionamento, como condições físicas e capacidade funcional, condições psicológicas e bem-estar, interações sociais, condições ou fatores económicos e/ou vocacionais e condições religiosas e/ou espirituais. Com o aumento da esperança de vida, o aumento das doenças crónicas, entre elas a coxartrose, aumentam os impactos económicos e sociais. Estes, no entanto, não incluem parâmetros como dor, sofrimento, efeitos psicossociais, perda de produtividade, diminuição da saúde em geral do indivíduo, bem como repercussões sobre os familiares, visto que os cuidados exigem o envolvimento e participação destes pela dependência que a coxartrose acarreta. 40 Enquadramento Teórico A progressão da OA e as implicações que afetam o indivíduo, bem como o tratamento a que possa ser sujeito, resultam inevitavelmente no aparecimento de algum grau de alteração emocional, não podendo esquecer as limitações físicas e funcionais constantes que levam a alterações do funcionamento e rotinas diárias, interferindo com a vários aspetos como a capacidade para trabalhar, desempenhar papéis familiares e sociais. Em consequência do diagnóstico, dos seus tratamentos por vezes prolongados e muitas vezes agressivos, a doença crónica osteoartrítica torna-se um fator de risco para a QV do indivíduo. Uma doença crónica como a coxartrose, como doença incapacitante que é, apresenta vários fatores que acarretam imensas implicações ao nível físico do indivíduo, influenciando igualmente os aspetos psicológico e social, conduzindo a uma dependência de outrem na satisfação das suas AVDs e atividades sociais, comprometendo seriamente a QV dos doentes com esta patologia (Floro, 2007). A dor ao subir e descer escadas e ao deambular, associada à rigidez matinal, são as principais queixas com repercussões no estilo de vida e nas características psicossociais de indivíduos com diagnóstico de coxartrose. Este fenómeno no indivíduo com coxartrose provoca alterações na sua segurança, autonomia e independência, impedindo muitas vezes sua capacidade de realizar as AVDs, limitando igualmente a sua capacidade de interação e convívio social, situações essas que diminuem a sua QV. Com a diminuição da mobilidade aumenta a diminuição funcional que, por sua vez, limita as AVDs, os autocuidados, as atividades vigorosas, moderadas e de lazer, a atividade profissional e a independência individual, necessitando muitas vezes dos cuidados de terceiros. O tratamento, seja ele médico ou cirúrgico, tem repercussões quer sobre a doença quer sobre o indivíduo. Para Ribeiro (2002): …as acções do sistema de saúde e os efeitos do tratamento, mais ou menos, filtrados pelos valores, atitudes, crenças, julgamentos do doente e influenciarão a sua acção, nomeadamente, através da influência sobre o seu estado físico e capacidades, o bemestar psicológico, a vida social e o seu estado económico e profissional. (p.77) Relativamente aos fatores físicos, a sua influência na QV pode ser modificado pelo tratamento e por uma alteração na mobilidade. Esta alteração influencia posteriormente as outras duas, 41 Enquadramento Teórico motivadas por um aumento da autoestima do indivíduo e pelo seu regresso à vida social e muitas vezes laboral. O tipo de tratamento tem impacto na QV, pois como referem Loures e Leite (2012) e Matos e Araújo (2009), nos seus estudos concluíram que o tratamento da OA com recurso à ATA tem um impacto significativo no aumento da QV. Sendo a coxartrose a mais comum das doenças osteoarticulares, torna-se facilmente percetível a sua grande influência a nível físico, psicológico, familiar, social e económico, relacionado com o aumento da sua incapacidade funcional, que se reflete na realização das atividades diárias do utente. É sobre a VD que nos vamos debruçar de seguida. 3. VISITA DOMICILIÁRIA DE ENFERMAGEM A VD constitui uma atividade de assistência em saúde exercida junto do indivíduo e da família em contexto comunitário. O seu objetivo é contribuir para o incremento das premissas da promoção de saúde definidas pela OMS, promovendo e maximizando na sua prática ganhos em saúde. Na bibliografia consultada, encontrou-se um variado conjunto de termos usados para a sua designação: “home health care”, “domiciliary care”, enfermagem domiciliar, VD, “nursing home”, “nursingcare”, “home care nursing”, cuidados de saúde no domicílio, entre outros. Esta pode ser vista como o conjunto de cuidados de saúde proporcionados no domicílio a utentes com problemas de saúde e suas famílias com a finalidade de promover, manter ou minimizar o impacto da doença (Grelha, 2009). A importância da continuidade da prestação de cuidados na qualidade dos cuidados prestados ao utente, nos ganhos em saúde e na diminuição das taxas de internamento, está consagrado no artigo 83, alínea d), do Código Deontológico do Enfermeiro – do direito ao cuidado onde o enfermeiro tem o dever de “assegurar a continuidade dos cuidados, registando fielmente as observações e intervenções realizadas … entre instituições e níveis de cuidados” (Nunes et al. 2005, p.107) e artigo 84 alínea d), onde se diz que o enfermeiro tem o dever de “informar sobre os recursos a que a pessoa pode ter acesso, bem como sobre a maneira de os obter” (Nunes et al. 2005, p.113). 42 Enquadramento Teórico A VD pode ser vista como um continuum dos cuidados de saúde prestados ao indivíduo ou famílias, pois estes são proporcionados em contexto domiciliário e têm como objetivo, promover, manter ou restaurar a saúde, procurando maximizar a independência e minimizar o efeito da doença ou da incapacidade sobre o indivíduo, promovendo em regresso mais precoce ao domicílio, reduzindo por isso o tempo de internamente, diminuindo igualmente o rico de comorbilidades como é o caso da infeção. Esta pode ser efetuada através da realização de atividades programadas desenvolvidas no domicílio. O Plano Nacional de Saúde 2012-2016, segundo Escoval e Fernandes (2010), refere que os serviços de saúde devem estar acessíveis a todos os cidadãos, de forma a prestar, em tempo útil, todos os cuidados técnicos e científicos que garantam a melhoria da condição de saúde do doente e uma resposta pronta e eficiente, suscetível de proporcionar o necessário acompanhamento até à sua completa recuperação. A VD pode ser considerada como um recurso por meio do qual o conhecimento cientificamente produzido no campo da saúde, nomeadamente no que respeita a ATA e colocado à disposição dos enfermeiros, possibilita que este conhecimento chegue à vida quotidiana das pessoas, proporcionando um incremento na sua QV. Os utentes submetidos a ATA não necessitam de uma intervenção dirigida apenas ao tratamento curativo relacionado com uma situação aguda, mas sim de uma abordagem direcionada para as necessidades de apoio nas AVD e nos cuidados de reabilitação. O regresso ao domicílio constitui um momento determinante na vida dos utentes submetidos a ATA, e o enfermeiro pode adotar ações que promovam um potencial de autonomia face ao autocuidado. Lacerda (2010), refere ser esta estratégia do cuidar uma oportunidade para o incentivo à autonomia do indivíduo e da família, uma vez que é o momento em que a/o enfermeira(o) vivencia com estes “situações de saúde-doença em seu locus de habitação, de relações e de significado de vida” (p.2622). Ainda segundo este autor, o cuidar do utente no domicílio torna-se mais abrangente do que assistir o indivíduo isoladamente, já que tem em conta as relações familiares e de vizinhança, bem como a personalização dos cuidados de acordo com os recursos, as crenças e os valores de cada um. Os cuidados prestados no domicílio representam a componente do cuidado de saúde global continuado. Os cuidados prestados aos indivíduos e às famílias, nos seus locais de residência, 43 Enquadramento Teórico têm por objetivo promover, manter ou recuperar a saúde, maximizando o nível de independência ou minimizando os efeitos da deficiência (Stanhope, 1999). De acordo com Rice (2004), os objetivos da VD são “fornecer ao utente (e família) a compreensão, o apoio, o tratamento, as informações e os cuidados que necessitam para gerir com sucesso as necessidades de saúde no domicílio” (p.23). Ainda segundo Rice (2004), os cuidados domiciliários são preferíveis em relação à hospitalização, pois permitem uma maior humanização e uma visão holística do utente/família e apresentam um custo mais baixo. A prestação de cuidados no domicílio através da implementação de programas de intervenção é uma oportunidade para o enfermeiro, através das suas intervenções, aconselhar, orientar e capacitar os indivíduos, contribuindo assim para a sua autonomia. A VD é pois um meio importante na operacionalização de um programa ou de uma política de assistência ao indivíduo ou família, e pode ser vista como um conjunto de ações de saúde, como a EpS ao nível assistencial, que possibilita uma interação de proximidade mais efetiva entre os membros da equipa de saúde, na medida em que possibilita o convívio destes com a realidade vivenciada pelo indivíduo/família. Esta pode ser caracterizada pelo desenvolvimento de ações de educação, promoção, prevenção e reabilitação da saúde do indivíduo e família (Santos & Morais, 2011). Devido à complexidade da ATA, a recuperação não está dependente apenas do carácter cirúrgico do tratamento, mas sim das limitações que o utente vivencia, inerentes à fase inicial pós cirurgia. Assim, após a cirurgia, o utente apresenta um conjunto de limitações nas suas atividades de vida que lhe são “impostas”, para o sucesso da artroplastia e, consequentemente, para a sua plena recuperação. A maioria dos utentes ainda apresenta alguma limitação de movimento, dor, hipotrofia muscular significativa, fraqueza do membro afetado e alterações na marcha. Em consequência, a pessoa passa involuntariamente a necessitar do apoio de outrem, para satisfazer as suas necessidades. Para Oliveira, Jansen e Almeida (2007), “frente à relevância do cuidado prestado ao paciente submetido a artroplastia do quadril, incorpora-se a prática da visita domiciliária como ferramenta para a promoção da saúde” (p.75). Devido aos novos conceitos de racionalização dos cuidados de saúde, muitos doentes têm tido alta mais precocemente, sendo que, na maioria das altas, grande parte dos utentes recupera da sua doença no domicílio, com a ajuda da família ou do cuidador. 44 Enquadramento Teórico A reestruturação do Serviço Nacional de Saúde com a constituição das Unidades Funcionais, especificamente com a Unidade de Cuidados na Comunidade é uma medida política que procura dar resposta “especialmente às pessoas, famílias e grupos mais vulneráveis, em situação de maior risco ou dependência física e funcional ou doença que requeira acompanhamento próximo, e actua ainda na educação para a saúde, na integração em redes de apoio à família“ (Decreto-Lei nº 28/2008, de 22 de fevereiro, p.1184). A continuidade de cuidados é considerada, pois, um processo essencial para assegurar bons resultados de saúde aos utentes e respetivas famílias. Após a alta, o utente, a família ou o cuidador poderão enfrentar no domicílio, um problema com o qual não se depararam no hospital – a necessidade de adaptação a novas realidades. Perante esta situação, os enfermeiros têm um papel fundamental no ensino ao doente e família, com o objetivo de os ajudar a ultrapassar os obstáculos e dificuldades, respondendo às necessidades e dúvidas que podem surgir no domicílio. A obtenção da capacidade funcional do doente submetido a ATA assume-se de primordial importância para a sua independência, para conseguir realizar as suas AVDs, tais como tomar banho, vestir-se, calçar-se, entre outras. Surge então a necessidade da existência de cuidados de enfermagem domiciliária para responder às necessidades do doente, enquanto se encontra temporariamente dependente, e poder colaborar na recuperação da sua autonomia. A VD, através do uso de recursos apropriados e da EpS, procura restabelecer ao máximo a independência e reabilitação do indivíduo, permitindo-lhe voltar ao seu dia-a-dia normal o mais rapidamente possível, aumentando-lhe a QV. A ausência de vigilância após a alta hospitalar dos utentes submetidos a ATA, é ainda hoje uma realidade, tornando-se necessário a utilização de um método de vigilância alternativo que seria a VD. Como já referido anteriormente, o período de internamento é cada vez mais reduzido, ocorrendo no domicílio grande parte da convalescença cirúrgica. Esta pode igualmente ser considerada, um método de vigilância epidemiológica, pois o risco de comorbilidades existe, sendo a infeção da ferida cirúrgica e o tromboembolismo algumas das principais comorbilidades da ATA. As pesquisas trazem, sistematicamente, conceitos que traduzem as formas de organização da assistência profissional no domicílio. Williams e Stanhope (2011) são de opinião que na área da saúde pública, na prestação de cuidados, a generalidade dos enfermeiros comunitários e dos enfermeiros generalistas centra-se essencialmente nos cuidados pessoais e diretos, onde se 45 Enquadramento Teórico inclui a EpS a pessoas ou famílias, fora dos contextos institucionais, como por exemplo, o domicílio do utente, como representado no quadrante superior direito (secção B), da Figura 9. A especialização em enfermagem de saúde pública tem o seu conteúdo funcional orientado para a comunidade e focada na população (Secção A), da Figura 9. Foco da prática Localização do cliente Foco no indivíduo e/ou família Foco na população A B Clientes não institucionalizados Especialização em enfermagem de saúde pública Especialização em enfermagem de saúde comunitária Enfermagem orientada para a comunidade agem orientada para a comunidade Clientes em contextos institucionais (hospital, lar) C D Figura 9. Âmbitos da prática dos cuidados de saúde (Williams & Stanhope, 2011, p.14) As secções C e D (Figura 9), representam populações institucionalizadas. Nestes casos, os enfermeiros prestam cuidados diretos a clientes hospitalizados e pertencem à secção D. Na secção C, intervêm os enfermeiros que têm responsabilidades de gestão dos serviços de enfermagem. Destacam-se os conceitos de VD, entendida como atendimento realizado por profissional e/ou equipa de saúde na residência do cliente, com o objetivo de avaliar suas necessidades, dos seus familiares e do ambiente para construir um plano de cuidados de enfermagem domiciliários, os quais compreendem as atividades assistenciais exercidas pelo profissional na residência do doente, podendo ser entendida como a execução de atividades especializadas, com a oferta de recursos humanos, materiais e medicamentos, podendo por vezes assemelharse ao cuidado oferecido nos cuidados diferenciados. A diferença entre o contexto domiciliário e a instituição de saúde difere no atendimento e na prestação dos cuidados, na medida em que, na instituição de saúde, os cuidados são prestados de uma forma mais individualizada, enquanto os cuidados em contexto domiciliário, são 46 Enquadramento Teórico centrados no doente, no cuidador e no meio que o rodeia. O domicílio é o local onde os profissionais diagnosticam a realidade em que o utente está inserido, por forma a melhor poder atuar na promoção, manutenção ou restauração da sua saúde, envolvendo também o utente e família na prestação dos cuidados, permitindo o desenvolvimento de atividades que indiquem ao utente o papel importante de participação que tem no seu processo saúde-doença (Lacerda, Giacomozzi, Olinski & Truppel, 2006; Oliveira et al., 2007; Santos & Morais, 2011). 3.1. Tipos de visita domiciliária A VD dá cobertura às necessidades dos indivíduos durante todo o ciclo vital, tendo em vista os níveis de prevenção, especialmente em situações em que o local onde melhor se presta o cuidado necessário é o domicílio. A VD constitui por parte dos enfermeiros e enfermeiros comunitários uma das estratégias básicas de intervenção e esta deve ser incrementada e incentivada nas equipas dos centros de saúde, pois cada vez se torna mais premente desinstitucionalizar os indivíduos, cuidando-os no seu meio familiar e social. A VD de enfermagem visa prestar cuidados a indivíduos saudáveis ou indivíduos doentes, onde se podem destacar os cuidados a utentes com doenças crónicas. Os cuidados domiciliários realizam-se através da realização de VD. As VD são constituídas por consultas que devem conter atividades de avaliação e deteção de necessidades/problemas do doente, da família, que devem contemplar uma a resposta às mesmas através de um plano integrado de intervenção, segundo a Missão para os Cuidados de Saúde Primários (2007). A VD pode desenvolver-se em dois tipos: o primeiro, diz respeito à VD solicitada pelo utente/família ou no acompanhamento após a alta hospitalar para continuidade do tratamento; o segundo, envolve a realização de várias visitas que podem ir da mera continuidade de tratamento ou integrar um programa de promoção da saúde, tendo em vista a recuperação do utente submetido a um tratamento ortopédico. Esta pode obedecer a um programa estruturado de VD que pode ser semanal, quinzenal, ou outro, dependendo do programa a implementar. Estas podem ainda ser programadas ou desencadeadas por intercorrências relacionadas diretamente com o problema de base ou outra qualquer necessidade do utente. 47 Enquadramento Teórico O segundo tipo de VD possibilita proporcionar assistência, mas tem um objetivo eminentemente educativo. Os cuidados prestados pelo enfermeiro na VD têm como objetivo criar segurança e independência. Este tipo de VD permite orientar, instruir, treinar e fornecer os meios para que o indivíduo, a família e a comunidade tenham condições de se tornarem independentes. Para Navalhas (1997), a VD tem como objetivo a prestação de cuidados de enfermagem diretamente ao indivíduo e família inseridos no seu ambiente próprio, e como objetivos específicos: i) “Atender as necessidades em matéria de saúde, orientando o indivíduo e/ou família a utilizar os seus próprios recursos e os da comunidade, preparando-a para receber e cooperar com os serviços de saúde”; ii) “Detectar factores que influenciam a saúde, desenvolvendo-se desta forma um trabalho aos três níveis de prevenção”; iii) “Observar a dinâmica da família”; iv) “Prestar cuidados directos” (p.7). A VD não deve ser algo improvisado, mas antes obedecer a determinadas regras e várias fases, que vão desde o planeamento, a intervenção, o registo de dados e a avaliação, e deve efetuar-se de forma regular. 3.2. A educação para a saúde em contexto de domicílio É neste contexto de VD que surge a EpS, hoje considerada como uma prática da maior parte dos profissionais de saúde. Esta é um processo dinâmico que tem como objetivos desenvolver competências em indivíduos ou grupos, pretendendo ajudar na obtenção de ganhos em saúde, formulando estratégias que permitam ao indivíduo encontrar os caminhos que possibilitem a concretização dos referidos objetivos. Para Tones e Tilford (1994), EpS “…é toda a actividade intencional conducente a aprendizagens relacionadas com a saúde e doença …, produzindo mudanças no conhecimento e compreensão e nas formas de pensar” (p.11). Carvalho e Carvalho (2006), referem que “… o papel do enfermeiro na comunidade consiste em possibilitar a autonomia, criar oportunidades, reforçar convicções e competências, respeitando as decisões e os ritmos de aprendizagem, num processo de crescimento e desenvolvimento” (p.40). Acrescentam ainda que a EpS: 48 Enquadramento Teórico …constitui um componente essencial aos cuidados de enfermagem, voltada para a promoção, manutenção e restauração da saúde e adaptação aos efeitos residuais das doenças. Os enfermeiros estão actualmente a assumir papéis vitais na promoção da saúde, estando envolvidos no desenvolvimento de programas e liderança de equipas de serviços para a melhoria da saúde das pessoas (p.40). Para os mesmos autores, “os enfermeiros já não se satisfazem com a ausência de doença como meta para os cuidados que prestam. Uma vez que 80% dos doentes são portadores de doenças crónicas, torna-se cada vez mais apropriado que adotem o papel de educadores para a saúde” (p.40). Pela sua importância, a EpS não deve ser apenas um mero veículo de transmissão de informação, esta deve promover a aquisição de comportamentos saudáveis, pelo que na sua execução, a EpS requer todo um processo prévio de planeamento à sua concretização (Osuna & Moral, 2000). Deste pressuposto, resulta a necessidade de delinear um projeto de intervenção adequadamente planeado em que se dê resposta às necessidades educativas do grupo alvo, se definam os objetivos a atingir, se prevejam os recursos e metodologias mais adequados, para se alcançarem de forma efetiva os objetivos anteriormente delineados. Ribeiro, Nunes e Valido (2006), referem que “a Visitação Domiciliária visa a prestação de cuidados de Enfermagem no domicílio, quando esta for conveniente para o utente, para a família e para o serviço de saúde quer sobre o aspecto económico, social ou psicológico” (p.36). Stanhope (1999), é de opinião que relativamente a esta questão é “ no domicílio, que os clientes têm maior controlo e capacidade para determinar as suas necessidades de saúde” (p.889). Ornega e Devers (2011), referem que o processo educativo dos utentes pode ser realizado aos três níveis de prevenção: primário, secundário e terciário. Na sua atuação, o enfermeiro capacita o utente para atingir níveis elevados de saúde, atuando como formador. Na sua atuação como formador, o enfermeiro começa por identificar as necessidades de aprendizagem do indivíduo ou população, verificar como se processa a aprendizagem, analisar os problemas educativos, desenhar e implementar um programa educativo e, por último, fazer a sua avaliação relativamente à aprendizagem e ao comportamento (Ornega & Devers, 2011), como se pode verificar pela figura 10. 49 Enquadramento Teórico Identificar uma necessidade de aprendizagem de uma população específica Ter em consideração como uma população aprende Analisar os problemas educativos Desenhar e implementar um programa educativo Avaliar os efeitos do programa educativo na aprendizagem e no comportamento Figura 10. Sequência de ações que um enfermeiro segue quando desenvolve um programa educativo (Ornega & Devers, 2011, p.304) Para Rice (2004), são objetivos da VD “fornecer ao utente (e família) a compreensão, o apoio, o tratamento, as informações e os cuidados que necessitam para gerir com sucesso as necessidades de saúde no domicílio” (p.23), que acrescenta que os cuidados domiciliários podem vir a tornar-se o meio preferido dos utentes e o mais rentável na gestão dos cuidados de saúde, que só a investigação na área pode demonstrar. A VD, através da implementação de estratégias de promoção da saúde e atuando como promotora de modificações nos comportamentos dos indivíduos, apoia-os no desenvolvimento de competências, construção da sua autonomia e do seu empowerment, no regresso ao seu dia-a-dia e na melhoria da sua QV. A VD, inserida num programa de EpS, deve obedecer a alguns princípios, nomeadamente à estruturação de um programa de atividades. Estes programas, como referem Osuna e Moral (2000), devem ser constituídos por várias etapas: análise da situação, determinando as necessidades educativas dos indivíduos; justificação da necessidade do delineamento do programa; definição de objetivos; esboço dos assuntos a abordar no processo educativo; definir estratégias de intervenção; atividades a desenvolver e metodologia educativa; previsão de recursos a utilizar e por último o plano de avaliação do programa. 50 Enquadramento Teórico A VD de enfermagem permite ao enfermeiro desenvolver uma intervenção contextualizada com o objetivo duma prestação de cuidados global, no âmbito do tratamento, reabilitação, prevenção de complicações, educação e promoção da saúde, como forma de promover a QV. Para Campos e Ercole (2008), “a VD realizada por enfermeiros de forma sistematizada é legitimada como uma prática capaz de avaliar eficazmente a evolução do paciente após a cirurgia e identificar as possíveis complicações” (p.414). Ainda para os mesmos autores, hoje em dia, “…o período de internação do paciente ortopédico no pós-operatório tem sido bastante reduzido, ocorrendo no ambiente doméstico grande parte da convalescença cirúrgica…. a visita domiciliar pode ser um recurso (método “padrão ouro”) utilizado pela instituição de saúde para prestar assistência de qualidade” (p.414). Ao trabalhar-se com o indivíduo no seu ambiente familiar após a ATA, a ação educativa por parte do enfermeiro é fundamental. A VD é um dos métodos de atuação que proporciona, por parte da enfermagem, uma ação preventiva de complicações com a prótese, pois esta permite envolver quer o indivíduo quer a família no tratamento (Oliveira et al., 2007; Paskulin et al., 2004). Pode considerar-se objetivo da VD de enfermagem proporcionar o atendimento no domicílio, favorecendo o convívio familiar. Em casos de pós-operatório, por exemplo, reduz-se o tempo de internamento e diminui-se o risco de infeção. O processo de reabilitação no pós-operatório de ortopedia define o grau de resultado do ato cirúrgico, diminuindo o risco de luxação da prótese. Da mesma forma, os cuidados à ferida cirúrgica reduzem igualmente a incidência de infeção, que é um dos maiores responsáveis das comorbilidades relacionadas com a ATA. A VD de enfermagem a utentes submetidos a ATA, deve ser orientada para as necessidades dos utentes e planeada conforme essas necessidades. Para a realização da VD e aplicação de um programa assistencial, o enfermeiro deve desenvolver um protocolo assistencial baseado nas evidências científicas, nas guidelines e na opinião de especialistas. Este tipo de programa deve estar baseado num processo ensino/aprendizagem. Estes conceitos são definidos pela CIPE, em que ensinar significa “dar informação sistematizada a alguém sobre temas relacionados com a saúde” (CIE, 2005, p.137), e aprendizagem “processo de adquirir conhecimentos ou competências por meio de estudo sistemático, instrução, prática, treino ou experiência” (p.84). Estudos realizados por Padilha, Carvalho, Silva e Pinto, em 1994, revelaram o papel que representa a VD na identificação das condições socias e sanitárias do doente. 51 Enquadramento Teórico A recapacitação do indivíduo para as suas AVDs no domicílio vem ao longo dos tempos a desenvolver-se, pois esta responde às necessidades indivíduo doente e, ao mesmo tempo, implica a família no processo de cuidar e reabilitar. A finalidade do processo de EpS em contexto domiciliário é eliminar ou diminuir os problemas incapacitantes, tendo como objetivo a reintegração do indivíduo doente, no contexto social e familiar (Garcia Ameijeiras & Montagut Martinez, 1999). A VD proporciona inúmeras repercussões no indivíduo, principalmente na redução do sentimento de perda da autonomia, no aumento da autoestima e diminuição dos níveis de ansiedade. Na VD, o enfermeiro deverá ter em atenção os fatores que podem condicionar a recuperação do indivíduo doente, que vão desde fatores intrínsecos aos extrínsecos. Nos fatores intrínsecos, podemos incluir os problemas inerentes à deambulação e realização das AVDs, e nos fatores extrínsecos, os aspetos ergonómicos do domicílio, bem como a existência de escadas, obstáculos, ergonomia do WC e a própria localização da cama. Segundo Garcia Ameijeiras e Montagut Martinez (1999), “as recomendações de ajuda que se podem transmitir aos cuidadores são múltiplas e são estruturadas em função da patologia do paciente, no ambiente familiar e das barreiras arquitetónicas intradomiciliárias” (p.238). Ainda no contexto da VD, o enfermeiro deve estar atento à necessidade que o utente tem em relação à necessidade de ajudas técnicas que, no caso concreto dos doentes submetidos a ATA, vão desde os auxiliadores de marcha, os dispositivos elevadores de sanita, as cadeiras altas e de braços, bem como auxiliadores para o doente se vestir e calçar. Friedlanger e Lage (2003), referem que metade dos doentes do seu estudo precisa da VD de enfermagem para tirar dúvidas e receber mais informações quanto à realização dos autocuidados. Durante a VD, o enfermeiro deve efetuar uma avaliação das intervenções de EpS, que deve ocorrer ao longo do processo educativo, em intervalos periódicos, para verificar se as metas propostas estão ou não a ser alcançadas, sendo que por vezes se torna necessário o reforço ou novo ensino (Grelha, 2009). Em contrapartida, familiares e cuidadores indicaram nas pesquisas aspetos positivos resultantes da interação com os profissionais nos domicílios. Dentre estes, a visualização do trabalho de enfermagem, a garantia de tranquilidade e segurança com a presença dos enfermeiros, ser auxiliado em momentos de urgência e ser ensinado a cuidar. 52 Enquadramento Teórico Apesar da existência de bibliografia sobre ATA, QV e VD, é evidente o número limitado ou mesmo inexistente de estudos que versam especificamente estes temas. A avaliação da QV é imprescindível nos nossos dias, daí a importância da implementação de estratégias de intervenção e EpS que permitam ao indivíduo percecionar esse aumento de QV no seu dia-adia. Devido à cada vez mais precoce alta hospitalar, muitos utentes regressam ao domicílio quase imediatamente após a cirurgia ou a partir do momento em que se podem mobilizar, necessitando pois de um apoio especializado no seu domicílio, que permita uma continuidade do tratamento e recuperação. Perante tais factos, cabe ao enfermeiro comunitário um papel fundamental na EpS dirigida aos utentes e suas famílias, para os ajudar a ultrapassar os obstáculos e dificuldades sentidas, respondendo igualmente às necessidades e receios que poderão surgir após o regresso ao domicílio e assim diminuir a ansiedade sentida. O grande investimento em cuidados de saúde, quer a nível da prevenção primária, secundária, terciária ou de reabilitação, requer uma congregação de esforços não apenas dos centros de saúde e dos hospitais, mas também de todos os interlocutores dos serviços de saúde (DGS, 2004c). Para a Ordem dos Enfermeiros (2003), com a prestação dos cuidados de enfermagem: …procura-se, ao longo de todo o ciclo vital, … promover os processos de readaptação à doença. Procura-se, também, a satisfação das necessidades humanas fundamentais e a máxima independência na realização das actividades de vida diária, bem como se procura a adaptação funcional aos défices e a adaptação a múltiplos factores, frequentemente através de processos de aprendizagem do cliente/família. (p.5) Após a alta hospitalar e à medida que os dias vão passando, consoante indicação médica, o utente submetido a ATA vai poder começar a executar algumas atividades, tais como levantar-se, andar com apoio externo, sentar-se, auto cuidar-se, iniciando progressivamente o regresso à autonomia. Durante os primeiros dois a três meses após a alta hospitalar, o utente irá manter-se relativamente limitado, necessitando de apoio no domicílio, nomeadamente nas AVDs. Além disso, existirá a possibilidade de ocorrência de complicações que conduzirão a um prolongamento acentuado da situação de dependência. A partir do momento da alta, torna-se, pois, importante uma articulação com os serviços de enfermagem dos cuidados de saúde primários, que possam aconselhar e orientar o utente e 53 Enquadramento Teórico família, de modo a maximizar os recursos pessoais e gestão da sua reabilitação, bem como identificar as necessidades de ajudas técnicas, entre outras. O trabalho desenvolvido pelos enfermeiros torna-se assim importante, no sentido de ajudar quer o utente quer a família a ultrapassar a fase mais crítica da recuperação: a transferência de cuidados do hospital para o domicílio. O enfermeiro comunitário tem assim um papel fundamental no período de recuperação após a alta hospitalar, intervindo a nível da recuperação funcional, na realização das AVDs, na reintegração social, dando o seu contributo para a melhoria da QV do utente submetido a ATA. O enfermeiro deve promover o envolvimento do utente e família no planeamento e implementação do programa de recuperação, cuja principal finalidade é dinamizar a independência do utente, o mais precocemente possível. No regresso a casa, o utente deve procurar seguir as recomendações recebidas nas sessões de EpS, realizadas durante o internamento hospitalar e no domicílio pelo enfermeiro, durante vários meses. Após a cirurgia, estes utentes necessitam manter várias precauções e uma vigilância atenta (Hoeman, 2000). O programa de intervenção do enfermeiro comunitário, neste âmbito, deve incluir ações como instruir, ensinar, treinar, assistir, supervisionar sobre temas, como: andar com auxiliar de marcha (andarilho ou canadianas); posicionar-se; sentar-se; autocuidado higiene; vestir-se ou despir-se; uso sanitário; deitar-se e levantar-se; e sobre a existência de ajudas técnicas. Devem ser transmitidos conhecimentos e desenvolvidas habilidades e competências nas vertentes: A) Andar, subir e descer escadas Caminhe com auxílio de apoio externo (andarilho ou canadianas) diariamente e, se possível, em piso plano e ao ar livre, até indicação médica; Ao subir escadas começar com o membro não operado, depois o operado, e finalmente as canadianas (pode substituir uma das canadianas pelo corrimão); Ao descer escadas começar com a bengala ou canadianas, o membro operado e finalmente o não operado. - Evitar: 54 Transportar pesos ou executar atividades que sobrecarreguem a anca; Enquadramento Teórico Marcha rápida, caminhadas longas, posição de pé e posição de sentado por tempo prolongado; Rotação interna e externa da anca; Uso de sapatos de salto alto. - Proibido: Fazer flexão da anca além dos 90o, para se sentar ou apanhar objetos do chão; Fazer carga superior à indicada pelos profissionais de saúde; Ter dores por excesso de marcha. B) Sentar na cadeira ou WC Sente-se numa cadeira alta com apoio de braços (evitar a flexão excessiva da anca), joelhos e pés ligeiramente afastados, por períodos não superiores a 30 minutos; Encostar as pernas à cadeira, colocar as mãos nos braços da cadeira, esticar a perna operada e sentar-se lentamente. Após pode fletir a perna; Levante-se periodicamente para dar alguns passos; O mesmo deve realizar quando utiliza a sanita (utilizar elevadores de sanita) - Proibido: Cruzar as pernas; Inclinar-se em demasia para a frente (flexão excessiva da anca); Sentar-se em cadeiras baixas. C) Levantar e deitar Coloque-se na posição de sentado na lateral da cama do lado operado. Com a perna operada esticada rode o corpo e deslize na cama até se por em pé. Quando em pé utilize o andarilho ou as canadianas. Para deitar deve fazer o movimento inverso entrando pelo outro lado da cama. - Permitido: Deitar-se de costas com as pernas abertas e uma almofada entre estas; Deitar-se para o lado não operado com duas almofadas entre os joelhos. - Proibido: Deitar-se sobre o lado operado; Fazer a adução da anca. 55 Enquadramento Teórico D) Vestir e despir Não se vista de pé, sente-se numa cadeira; Utilização de pinças de cabo longo, enfiadores ou suspensórios, fixados ao vestuário que permitam deslizar os membros inferiores com o mínimo de flexão. Deste modo pode vestir calças, cuecas e meias; Para vestir a roupa interior e as calças, vista primeiro a perna operada, e para despir efetue o inverso; Para se calçar, a melhor forma é arranjar uma calçadeira de cabo longo ou utilizar uma cadeira. - Proibido: Fletir a anca mais de 90o. E) Utilizar a Banheira Para entrar na banheira sente-se num assento fixo e de seguida passe as pernas para dentro uma de cada vez. Para sair executar os passos ao contrário; No chuveiro utilize um banco alto e um fundo antiderrapante. - Permitido: Tomar banho na banheira ou chuveiro. - Proibido: Nunca sentar no fundo da banheira; Agachar; Não fletir a anca para se secar. F) Entrar ou sair do carro Uso de almofada e banco recuado o mais possível; Para entrar estenda a perna operada e baixe-se até se sentar. Com a ajuda das mãos e da perna não operada, chegue-se bem para trás, mantendo a perna esticada. Encostese e rode sobre o assento, deslizando as pernas para dentro. Para sair fazer o movimento inverso. - Proibido 56 Fazer viagens longas; Enquadramento Teórico Viagens em piso muito irregular; Bancos baixos. A altura ideal para que o utente possa realizar todas as AVDs depende de cada caso em particular e da opinião do cirurgião, pelo que se torna importante seguir todas as recomendações quer do médico quer do enfermeiro, para que o utente possa recuperar a sua autonomia o mais rapidamente possível, evitando ao mesmo tempo complicações e contratempos. Em regra, como refere Cunha (2008), ao fim de 8 a 10 semanas após a cirurgia o utente pode ou deve fazer determinadas atividades: i) Retomar passatempos como jardinagem, dança, natação (evitar mergulhos); ii) Executar tarefas domésticas, evitando permanecer em pé durante muito tempo; iii) Conduzir (com autorização médica); iv) Fazer caminhadas curtas; v) As relações sexuais podem ser reiniciadas após as 8 semanas da cirurgia, evitando posições de risco de luxação. Pela necessidade de um acompanhamento dos utentes submetidos a ATA, surge como necessidade a VD de enfermagem como promotora da QV, através da implementação de programas de educação pré estabelecidos para que se poder diminuir o tempo de internamento e prevenir o aparecimento de complicações que possam interferir com a QV. Em Portugal, não foram encontrados estudos que relacionem a VD de enfermagem com a ATA, pelo que se considerou importante abordar este tema. 57 PARTE II ESTUDO EMPÍRICO Este capítulo aborda a opção metodológica realizada e constitui um importante instrumento de trabalho, do qual depende, em grande parte, o êxito da investigação. Quando se propõe desenvolver um trabalho de investigação, é imperioso definir etapas, sendo que estas estão interligadas e cada uma tem a sua importância. Para Gauthier (2003), na procura do conhecimento sobre matérias factuais, torna-se imperativo a existência de um método para a prossecução de um estudo de investigação. Fortin e cols. (2009), referem que as opções metodológicas correspondem à fase que define como “fase metodológica”, e que corresponde à segunda fase de todo o processo de investigação. 1. METODOLOGIA O enquadramento metodológico torna-se imprescindível a qualquer trabalho de pesquisa, nele se descreve e se explica todas as etapas que se vão processar. A investigação científica é constituída por todo um conjunto de procedimentos sistematizados e rigorosos, permitindo a aquisição de novos conhecimentos (Fortin et al., 2009). Gil (2008), define método como o caminho para se chegar a determinado fim e método científico como o conjunto de procedimentos intelectuais e técnicos adaptados para se atingir o conhecimento. Este autor realça a importância da metodologia utilizada, dizendo que é fundamental “…indicar minuciosamente os procedimentos adotados na investigação” (p.182). A definição de um método para a realização de um estudo é sempre importante, porque ao defini-lo, o investigador terá uma linha de orientação, o que lhe facilita a recolha de informação e a sua respetiva análise e interpretação. Fortin e cols. (2009), referem que “a fase 59 Estudo Empírico metodológica consiste em definir os meios de realizar a investigação” (p.53). Acrescenta ainda que é no decurso desta que “o investigador determina a sua maneira de proceder para obter as respostas às questões de investigação ou verificar hipóteses” (p.53). A fase metodológica, reporta-se aos métodos e instrumentos do estudo, abordando todos os aspetos inerentes à investigação, de forma a garantir uma melhor perceção de todo o estudo efetuado (Polit, Beck & Hungler, 2004). É na fase metodológica que o investigador dirige a sua atenção para o desenho da investigação, escolhe o tipo de estudo, a sua população e amostra, bem como os métodos de medida e recolha dos dados. No propósito desta investigação poder ser replicada, descreve-se e fundamentam-se neste capítulo as opções metodológicas adotadas na sua execução, nomeadamente, o tipo de estudo, a população e amostra, as variáveis, as questões de investigação e hipóteses, os instrumentos de recolha de dados, o procedimento de recolha de dados e respetivas considerações éticas, assim comoo tratamento de dados. 1.1. Desenho do estudo A opção pelo método de estudo e técnica de pesquisa dependem da natureza do problema definido pelos investigadores ou das características do objeto que se pretende conhecer ou estudar. Para a realização da pesquisa e tendo em conta o objeto de estudo, realizou-se um estudo quase-experimental. O objetivo deste estudo é avaliar o efeito de um programa de intervenção, aplicado durante a VD (intervenção) sobre a variável QV de utentes submetidos a ATA. A tipologia desta investigação tem uma abordagem interventiva, pelo que assenta num desenho de estudo quase-experimental, em que se definiu uma variável independente que é manipulada para avaliar o seu efeito sobre a variável dependente (Fortin et al., 2009). A variável independente, que é manipulada, é um programa de intervenção comunitária e a variável dependente ou critério é a QV, sobre a qual se exercem os efeitos da variável independente. A mensuração da QV foi efetuada através da aplicação de uma escala. 60 Estudo Empírico O estudo envolve a comparação de dois grupos de sujeitos equivalentes. O GE (Grupo A), que foi objeto do programa de intervenção comunitária, durante a VD e o GC (Grupo B), que serviu de ponto de comparação, no que concerne ao efeito produzido na variável dependente, que apenas sofreu uma VD rotineira, que não envolveu a execução do programa de intervenção comunitária. Na implementação deste estudo, foram efetuadas duas recolhas de dados, antes e após a intervenção, ou seja, a implementação do programa de intervenção comunitária, em dois momentos, que o seguinte desenho de estudo esquematiza. Grupo Pré Operatório A (n=21) Experimental B (n=25) Controlo O1 4º ao 8º dia após Alta Hospitalar Xvd 28º ao 35º dia após Alta Hospitalar Xvd O1 3º Mês O2 O2 Figura 11. Desenho do estudo (Fortin et al., 2009, p.266) Legenda: O1 – 1º momento de recolha de dados (Questionário HOOS); Xvd – VD; O2 – 2º momento de recolha de dados (Questionário HOOS). O GE, sujeito a intervenção, foi constituído por utentes submetidos a ATA, abrangidos pelo Centro de Saúde de Vila Real 1 e 2, Sabrosa, Vila Pouca, e o GC, não sujeito a intervenção, foi constituído por todos os outros utentes submetidos a ATA, pertencentes aos outros centros de saúde, do Agrupamento de Centros de Saúde (ACeS) Douro I, Marão Douro Norte. Esta opção de amostragem foi planeada no sentido de facilitar e conciliar a implementação do programa com a disponibilidade dos centros de saúde na implementação do mesmo. Os utentes dos centros de saúde, a cuja equipa de enfermagem foi efetuado um pedido de colaboração e se disponibilizou a participar na aplicação do programa de intervenção, integraram o GE. Por seu lado, os restantes utentes dos centros de saúde, foram alocados ao GC, tendo sido objeto de VD, mas sem aplicação do programa de intervenção. Foi efetuada avaliação no pré-operatório e 3 meses após a alta hospitalar. O referido programa de intervenção comunitária possui uma abordagem interventiva constituída por duas fases, que consistiu em visitas de enfermagem entre o 4º e o 8º dias e entre o 28º e o 35º dias após a alta, com intervenções dirigidas ao utente no âmbito do Instruir, 61 Estudo Empírico Ensinar, Treinar, Assistir e Supervisionar sobre comportamentos e técnicas, que o utente deve ter presentes para a promoção da sua autonomia e prevenção de complicações pós cirurgia. Após a seleção da amostra, foi efetuada a explicação do estudo e foi dado a assinar o consentimento livre e esclarecido aos utentes, sendo aplicado o questionário HOOS (Avaliação Inicial - O1). Após a alta para o domicílio, o grupo A recebeu a visita de enfermagem e foi aplicado o programa de intervenção. O grupo B, não foi sujeito a qualquer programa de intervenção. Ao 3º mês pós cirurgia, foi aplicado novamente o questionário HOOS a ambos os grupos (Avaliação Final - O2). A Figura 12 ilustra as diversas fases do estudo: Internamento no serviço de ortopedia (pré-operatório) Explicação dos objetivos Consentimento informado Aplicação questionário n = 44 Utentes Qualidade de Vida Questionário HOOS Avaliação (O1) Grupo B (n=23): Sem programa de intervenção Grupo A (n=21): Programa de intervenção 1ª visita 4º ao 8º dias 4º 2ª visita 28º ao 35º dias Qualidade de Vida Questionário HOOS Avaliação 2 (O2) Figura 12. Plano de análise das variáveis em estudo 62 Estudo Empírico A consecução deste estudo suportou-se na pesquisa aprofundada efetuada sobre a temática e no conhecimento que o investigador tem dos contextos clínicos e dos cuidados usualmente prestados aos utentes submetidos a ATA. Tendo em conta o plano de análise anterior, esperava-se conseguir mensurar o efeito da intervenção de EpS na QV dos utentes submetidos a ATA, fornecendo conhecimentos significativos para melhorar a sua QV e os cuidados de enfermagem prestados. 1.1.1. Programa de intervenção de enfermagem O programa de intervenção de enfermagem que se elaborou para implementação no GE foi desenhado pelo investigador e obedeceu a aprofundada pesquisa bibliográfica realizada para o efeito, tendo sido reunidos os recursos materiais e humanos disponíveis para a sua implementação. Este teve na base da sua construção a CIPE, para a definição das intervenções de enfermagem a realizar na VD. A sua construção foi realizada após audição de alguns peritos, foram seguidas algumas guidelines, nomeadamente as necessidades dos indivíduos na promoção da sua autonomia e a prevenção de complicações após a ATA. A utilização da CIPE® 2 (CIE, 2011) prende-se com o facto de ser a taxonomia em uso no Sistema de Apoio à Prática de Enfermagem (SAPE), suporte eletrónico para os registos de enfermagem. Desta forma, o programa de intervenção integra conceitos dos diferentes domínios da referida taxonomia. Para a implementação do programa, foi pedida a colaboração dos Centros de Saúde através de contacto com as Enfermeiras Chefes. Para tal, em alguns casos efetuou-se uma reunião com os enfermeiros dos Centros Saúde, onde se abordou a intenção de aplicar um programa de intervenção de enfermagem junto dos utentes submetidos a ATA no domicílio, após a alta hospitalar. Foram explicados os objetivos do estudo, apresentado o programa de intervenção, as suas etapas, tendo sido entregue um panfleto sobre os cuidados a ter no domicílio com a Prótese da Anca e um flyer sobre ajudas técnicas, construídos pelo investigador para complementar o programa de intervenção. Para a sua implementação, foi pedida a participação e colaboração de todos, que constou da implementação do programa durante as VD aos utentes participantes no estudo. 63 Estudo Empírico Este programa de intervenção contemplou duas VD agendadas previamente com o utente de acordo com a sua disponibilidade e as suas necessidades, como por exemplo, a execução de tratamentos à ferida cirúrgica. O primeiro contacto foi realizado entre o 4º e o 8º dias após o regresso a casa e o segundo entre o 28º e o 35ºdias, sendo que ambas as intervenções obedeceram ao programa previamente desenhado. A concretização destas visitas durante aqueles períodos temporais prende-se com o facto de ser nessa altura que se dá o processo de transição do hospital para o domicílio, onde se torna necessário uma readaptação ao mesmo e onde a autonomia destes utentes continua a ser limitada, sendo o papel dos profissionais de saúde, através da EpS, disponibilizar informação, instruir e treinar os utentes no sentido de minimizar receios, para garantir a continuidade do favorecimento do processo de autonomia. Acresce a tudo isto, que cada vez mais os internamentos são mais curtos, as altas cada vez mais precoces e o utente regressa ao domicílio ainda algo debilitado na execução das suas AVDs. A realização da primeira visita, nos primeiros dias após a alta, permitiu ao utente identificar as dificuldades com que se deparou no seu processo adaptativo ao domicílio e na realização das suas AVDs (Deambular com auxiliar de marcha; sentar/levantar; deitar/levantar; vestir; calçar; cuidados de higiene; utilização do sanita, etc.). A segunda visita iniciou-se pela avaliação de conhecimentos do utente e do cuidador, pela identificação de condições habitacionais (barreiras arquitetónicas, localização da cama, condições do WC, etc.), seguida da avaliação das dificuldades nas AVDs. No sentido de identificar ou corrigir dificuldades e défices de conhecimento, foi pedido ao utente que realizasse, na presença do profissional de saúde, as atividades inerentes ao programa de intervenção, momento a partir do qual se procedia ao ensino e treino das atividades que o utente ainda não tinha realizado e à correção das que poderiam colocar em risco a integridade da prótese (possibilidade de luxação). Ambas as visitas se iniciaram com uma avaliação dos conhecimentos e habilidades dos indivíduos. A implementação do programa, nomeadamente das intervenções, atendeu à individualidade e especificidade de cada pessoa, tendo em conta as necessidades identificadas, os recursos, o contexto social e as características individuais. As Tabelas 1 e 2 apresentam a programação de cada uma das VD a aplicar ao GE. 64 Estudo Empírico Tabela 1. Primeira visita domiciliária de enfermagem 1ª Visita Domiciliária de Enfermagem Entre o 4º e o 8º dia após a alta hospitalar Objetivos – Dar continuidade ao processo de autonomia 1ª Etapa 1. Avaliação de conhecimentos do utente e cuidador 2. Identificação de condições habitacionais (barreiras arquitetónicas, localização da cama, condições do WC, etc.) 3. Vigilância complicações pós-operatórias 2ª Etapa – Intervenções no âmbito do: 1. Instruir 2. Ensinar 3. Treinar 4. Assistir 5. Supervisionar Ensinar - Deambulação com canadianas Andar com auxiliar de Instruir - Deambulação com canadianas marcha: Treinar - Deambulação com canadianas canadianas Supervisionar - Deambulação com canadianas Ensinar - Uso de equipamento adaptativo (almofadas) para posicionamento Instruir -Técnica de posicionamento Treinar - Posicionar em decúbito dorsal e em decúbito lateral para o lado não afetado Posicionar-se - Posicionar a anca operada em abdução e em alinhamento Assistir - No posicionamento Ensinar - Sobre o uso de cadeiras altas e duras Sentar-se Instruir - Técnica de sentar-se Treinar - Técnica de sentar-se Ensinar - O doente sobre equipamento adaptativo - Os familiares/cuidador sobre todos estes cuidados Autocuidado higiene Instruir - O doente para tomar banho - Sobre equipamento adaptativo (suportes de parede e cadeira no duche) - Sobre o uso de equipamento adaptativo Treinar - Entrada e saída da banheira Ensinar - Equipamento adaptativo (calcadeira de cabo longo para os sapatos e meias, alcançador de objetos, etc.) Vestir-se ou Instruir - Sobre técnica do vestir-se despir-se - Sobre técnica do despir-se - Técnica do calçar Treinar - Sobre técnica do vestir-se - Sobre técnica do despir-se - Técnica do calçar Ensinar - Sobre uso de equipamento adaptativo (elevador de sanita; suportes de parede) Instruir - Sentar e levantar da sanita Uso sanitário Treinar - Sentar e levantar da sanita - Uso de equipamento adaptativo (elevador de sanita) Ensinar - Uso de equipamento adaptativo (suporte de cama) Instruir -Técnica de deitar Deitar-se e - Técnica de levantar levantar-se Treinar - Técnica de ditar - Técnica de levantar Assistir - Deitar - Levantar Ensinar - Técnica de entrar e sair do carro Instruir - Técnica de entrar e sair do carro Entrar e sair do Treinar - Técnica de entrar e sair do carro carro Assistir - Entrar no carro - Sair do carro - Sobre ajudas técnicas Ajudas técnicas Ensinar - Mostrar imagens de alguns equipamentos adaptativos 3ª Etapa: - Esclarecer dúvidas do utente e cuidador - Fornecer panfleto sobre cuidados com a Prótese 65 Estudo Empírico Tabela 2. Segunda visita domiciliária de enfermagem 2ª Visita Domiciliária de Enfermagem Entre o 28º e o 35º dias após a alta hospitalar Objetivos – Dar continuidade ao processo de autonomia 1ª Etapa 1. Vigilância complicações pós-operatórias 2. Avaliação de conhecimentos utente e do cuidador 3. Corrigir aspetos não assimilados 4. Elogiar competências adquiridas 2ª Etapa – Reforço da EpS efetuada na 1ª visita com intervenções no âmbito do: 1. Instruir 2. Ensinar 3. Treinar 4. Assistir 5. Supervisionar Ensinar Deambulação com canadianas Andar com auxiliar de Instruir Deambulação com canadianas marcha: canadianas Treinar Deambulação com canadianas Supervisionar Deambulação com canadianas Ensinar - Uso de equipamento adaptativo (almofadas) para posicionamento Instruir -Técnica de posicionamento Posicionar-se Treinar - Posicionar em decúbito dorsal e em decúbito lateral para o lado não afetado - Posicionar a anca operada em abdução e em alinhamento Assistir - No posicionamento Ensinar - Sobre o uso de cadeiras altas e duras Sentar-se Instruir - Técnica de sentar-se Treinar - Técnica de sentar-se Ensinar - O doente sobre equipamento adaptativo - Os familiares/cuidador sobre todos estes cuidados. Instruir - O doente para tomar banho Autocuidado higiene - Sobre equipamento adaptativo (barras e cadeira no duche) - Sobre o uso de equipamento adaptativo Treinar - Entrar e sair da banheira Ensinar - Equipamento adaptativo (calçadeira de cabo longo para os sapatos e meias, alcançador de objetos, etc.) Instruir - Sobre técnica do vestir-se Vestir-se ou despir-se - Sobre técnica do despir-se - Técnica do calçar Treinar - Sobre técnica do vestir-se - Sobre técnica do despir-se - Técnica do calçar Ensinar - Sobre uso de equipamento adaptativo (elevador de sanita) Instruir - Sentar e levantar da sanita Uso sanitário Treinar - Sentar e levantar da sanita - Uso de equipamento adaptativo (elevador de sanita) Ensinar - Uso de equipamento adaptativo (suporte de cama) Instruir - Técnica de deitar - Técnica de levantar Deitar-se e levantar-se Treinar - Técnica de ditar - Técnica de levantar Assistir - Deitar - Levantar Ensinar - Técnica de entrar e sair do carro Instruir - Técnica de entrar e sair do carro Entrar e sair do carro Treinar - Técnica de entrar e sair do carro Assistir - Entrar no carro - Sair do carro 3ª Etapa: - Orientar para a 1ª consulta pós-operatória (confirmação da data e hora) - Esclarecer dúvidas do utente e cuidador 66 Estudo Empírico Segundo a CIPE, intervenções de enfermagem são uma “ação tomada em resposta a um diagnóstico de enfermagem de modo a produzir um resultado de enfermagem” (CIE, 2011, p.16). Partindo deste pressuposto, foram utilizadas no programa de intervenção as seguintes ações: i) Ensinar (transmitir conhecimento a alguém sobre alguma coisa); ii) Instruir (fornecer informação sistematizada a alguém, sobre como fazer alguma coisa); iii) Treinar (desenvolver as capacidades de alguém ou o funcionamento de alguma coisa); iv) Supervisionar (inspecionar o progresso de alguém ou alguma coisa); v) Assistir (ajudar alguém a começar ou a progredir nalguma coisa). No intuito de auxiliar o utente na realização das suas AVDs e favorecer a sua independência, foi elaborado um folheto (Apêndice A) e um flyer informativo (Apêndice B) sobre equipamentos adaptativos auxiliadores na realização das AVDs. No Decreto-Lei nº 93/2009, de 16 de abril, são definidos equipamentos adaptativos como “Produtos de apoio (anteriormente designados de ajudas técnicas) qualquer produto, instrumento, equipamento ou sistema técnico usado por uma pessoa com deficiência, especialmente produzido ou disponível que previne, compensa, atenua ou neutraliza a limitação funcional ou de participação” (pp. 2275-2277). 1.2. Tipo de estudo A opção pelo método de estudo e técnica de pesquisa dependem da natureza do problema definido pelos investigadores ou das características do objeto que se pretende conhecer ou estudar. De acordo com Fortin e cols. (2009), o tipo de estudo depende do que se pretende investigar, seja descrever variáveis ou grupos de indivíduos, estudar relações de associação entre variáveis ou predizer relações de casualidade entre variáveis dependentes e independentes. Trata-se de um estudo quase-experimental, antes-após (pré-teste–pós-teste), com grupo testemunho equivalente, mas não randomizado. Por isso, classifica-se como quaseexperimental, uma vez que não houve distribuição aleatória dos indivíduos que pertencem ao GE e ao GC (Fortin et al., 2009). É ainda um estudo prospetivo, longitudinal, com a duração de 9 meses. Foi escolhido este tipo de estudo, pois tendo em conta a bibliografia consultada, este é o que mais se adequa à obtenção das respostas que procuramos. 67 Estudo Empírico Para Polit e cols. (2004), o desenho quase-experimental aproxima-se do experimental, uma vez que envolve a manipulação de uma variável independente que pode ser uma terapia ou uma estratégia de intervenção. Todavia, afasta-se do desenho experimental pelo facto de não lhe poder ser aplicada uma distribuição aleatória dos participantes (Sampieri, Collado & Lucio, 2006). A intervenção é a variável independente, manipulada pelo investigador, que no presente estudo é o Programa de intervenção de enfermagem. Por sua vez, a variável dependente, sobre a qual se exercem os efeitos da variável independente (intervenção), neste estudo é a QV dos utentes submetidos a ATA. A variável independente é manipulada pelo investigador e procura-se medir os seus efeitos sobre a variável dependente, que é medida através de uma escala (HOOS LK 2.0). Este estudo será prospetivo, na medida em que serão rejeitados os doentes previamente existentes, seguindo-se apenas os que surgirem após o início do trabalho, ou seja, a amostra é reunida no presente e acompanhada até ao final do estudo. Segundo Friedman, corroborado por Duhamel e Fortin (2003), “no estudo prospetivo as observações são colhidas a partir do momento em que a investigação começa, enquanto nos retrospetivos as observações foram já registadas no passado” (p.170). Longitudinal, pois pode avaliar as alterações ou mudanças que surgem num determinado período de tempo, ou seja, na altura da aplicação do instrumento de recolha de dados, e comparativo pela existência de uma avaliação inicial e de uma segunda avaliação, depois da intervenção de enfermagem no âmbito da EpS. Ainda segundo Fortin e cols. (2009), “o método quantitativo que coloca a tónica na explicação e na predição, assenta na medida dos fenómenos e na análise dos números numéricos” (p.27). Reconhecem-se algumas limitações a este estudo, sobretudo, no que se relaciona com a utilização de uma amostra não-probabilística e de conveniência, o que limita a generalização dos seus resultados. Na região onde se desenvolveu a investigação e mesmo a nível nacional, desconhece-se a existência de muitos estudos desta natureza, o que nos possibilitou explorar as características dessa realidade e conferir um caráter inovador ao estudo. 68 Estudo Empírico 1.3. População e amostra Fortin e cols. (2009), definem população como o “conjunto de elementos (indivíduos, espécies, processos) que têm características comuns. O que se visa obter é que todos os elementos apresentam as mesmas características” (p.311). Para Ribeiro (2010), as pessoas ou objetos das quais se pretende produzir conclusões designam-se por população. Pode também dizer-se que amostra “…é a fração de uma população sobre a qual se faz o estudo. Esta deve ser representativa desta população, isto é, que certas características da população devem estar presentes em todos os elementos da população” (Fortin et al. 2009, p.312). Para estes autores, a representatividade de uma amostra é uma qualidade que deve estar presente, ou seja, uma amostra só é representativa se dependendo das suas características pode substituir a população alvo. A forma como se define a amostra reveste-se de grande importância num estudo de investigação, pois é nesta etapa em que se procede à escolha dos sujeitos a partir de uma determinada população, que pretendemos incluir na pesquisa enquanto fontes de recolha de dados. Tendo em conta que a população em estudo é o universo de todos os utentes submetidos a ATA durante o espaço de tempo em que decorre o estudo, e atendendo a que segundo os dados recolhidos no CHTMAD, EPE dos anos anteriores, em média são submetidos a ATA 18 utentes por mês, optou-se por uma amostra acidental, não aleatória, incluindo todos os doentes que respeitassem os critérios de inclusão no estudo. Os critérios de inclusão definem as características principais da população-alvo relacionadas com a questão de pesquisa, ou seja, os atributos que a pessoa selecionada tem de possuir para colaborar no estudo. Para se definir os participantes no estudo foram formulados os seguintes critérios de inclusão: 1) Utentes com idade superior a 42 anos; 2) Utentes com diagnóstico de coxartrose uni ou bilateral; 3) Utentes submetidos a ATA primária; 4) Utentes com ausência de défices cognitivos (Mini-Mental State Examination [MMSE] ≥ 22 pontos); 5) Utentes que não sofram de doenças que possam intercorrer com a ATA (exemplo: cancro, doenças neurológicas, etç.); 6) Utentes que mostrem disponibilidade em participar no estudo. 69 Estudo Empírico Para estes critérios de inclusão contribuiu o facto de o questionário HOOS LK 2.0 ter sido utilizado em utentes com idades compreendidas entre os 42 e os 89 anos (Hoos User's Guide, 2003). Também a possibilidade de o utente já ter sido intervencionado a outra coxartrose e/ou revisão de ATA, poderiam enviesar o resultado pelo facto de poder influenciar as respostas, bem como utentes com défice cognitivo e doenças que possam intercorrer com a ATA, poderiam igualmente influenciar as respostas ao questionário e assim influenciar os resultados. Assim sendo, a população alvo do estudo constou de 50 utentes submetidos a ATA no Serviço de Ortopedia do CHTMAD, EPE, unidade de Vila Real, no período julho 2012 a dezembro de 2012, dos quais 44 participantes preenchiam os critérios de inclusão e deram o seu consentimento informado favorável, sendo que 4 recusaram participar, 1 apresentava baixo défice cognitivo e 1 desistiu a meio da investigação. A expectativa inicial previa um maior número de indivíduos, que foi no entanto comprometida pela diminuição da atividade cirúrgica. A amostra foi selecionada através de amostragem não aleatória, por escolha racional, em função de terem sido submetidos a ATA nesse período temporal e respeitarem os critérios de inclusão, ficando constituída por 44 utentes, cerca de 90% do universo de utentes submetidos a ATA, nesse período. Dos 44 utentes elegíveis que aceitaram participar no estudo, 21 foram sujeitos a programa de intervenção em enfermagem e 23 não o foram, os quais constituem o GC. No que diz respeito ao nível cognitivo, todos os intervenientes no estudo obedeceram ao critério de inclusão, apresentando um mínimo de 22 e um máximo de 30 pontos no teste MMSE (Guerreiro et al., 1994). É uma amostra não aleatória (cada elemento da população não teve a mesma probabilidade de ser escolhido para integrar cada um dos grupos), acidental (constituída por utentes que se encontravam no local quando foi realizada a recolha de dados) e intencional (respondem aos critérios de inclusão e exclusão), pois como referem Fortin e cols. (2009), esta amostragem “é constituída por indivíduos facilmente acessíveis e que respondem a critérios de inclusão precisos”, uma vez que os indivíduos “estão no local certo no momento certo” (p.321), ou seja, sujeitos serão incluídos no estudo à medida que se apresentem ao investigador e até a amostra atingir o tamanho desejado. A escolha por este tipo de amostra é frequentemente utilizada em contexto de saúde (Martins, 2006; Ribeiro, 2010). 70 Estudo Empírico 1.4. Variáveis Variável é definida por Fortin e cols. (2009) como “as unidades de base da investigação. Elas são qualidades, propriedades ou características de pessoas, objectos de situações susceptíveis de mudar ou variar no tempo” (p.171). Ainda segundo estes autores, variável dependente é “a que sofre o efeito da variável independente; é o resultado predito pelo investigador” (p.171), referindo que pode ser designada por variável crítica ou variável explicada, e variável independente é “o elemento que é introduzido e manipulado numa situação de investigação com vista a exercer um efeito sobre uma outra variável” (pp.171-172). Variáveis de atributo são “as características pré-existentes dos participantes num estudo” que servem para caracterizar a amostra, relativamente a dados sociodemográficos como o sexo, a idade e o género (Fortin et al., pp.171-172). Na realização de um estudo de investigação, é fundamental fazer-se a distinção entre as variáveis dependente e independente, pelo que neste estudo foram definidas as seguintes variáveis: Variáveis dependentes: QV do utente e outras variáveis com ela relacionadas, como os sintomas relacionadas com a anca, o grau de rigidez na anca e a intensidade da dor; grau de dificuldade nas AVD´s e grau de dificuldade nas ADL avaliadas pelo questionário HOOS LK 2.0. Variáveis independentes: variáveis de atributo (sexo, idade, estado civil, habilitações académicas, profissão e local de residência) variáveis antropométricas (peso, altura, IMC), o programa de intervenção de VD de enfermagem, que constitui a variável independente principal. 1.4.1. Operacionalização e categorização das variáveis A identificação e a seleção das variáveis consideradas relevantes para este estudo tiveram por base a pesquisa bibliográfica e estudos já realizados na área, que permitiram identificar um conjunto de variáveis, identificando as suas diferentes dimensões e os itens a ter em conta na construção do questionário. 71 Estudo Empírico Fortin e cols. (2009), são de opinião que a operacionalização das variáveis “enuncia os procedimentos a aplicar para medir a variável. Esta dá indicações sobre a forma como as observações devem ser efectuadas” (p.173), ou seja, a operacionalização e categorização das variáveis devem ser realizadas para que, no decurso da investigação, estas possam ser medidas ou manipuladas. De seguida, ir-se-á proceder à operacionalização das variáveis como apresentado na Tabela 3, tendo em conta a revisão concetual realizada. Tabela 3. Operacionalização e categorização das variáveis Operacionalização das variáveis Variável Operacionalização/ Definição Sexo Diferença biológica entre masculino e feminino (INE, 2011) A idade é entendida como o “intervalo de tempo que decorre entre a data do nascimento (dia, mês e ano) até às 0 horas da data de referência (INE, 2011) Situação jurídica da pessoa composta pelo conjunto das qualidades definidoras do seu estado pessoal face às relações familiares, que constam obrigatoriamente do registo civil. Compreende as seguintes situações (INE, 2011) Nível ou grau de ensino mais elevado que o individuo concluiu ou para o qual obteve equivalência, e em relação ao qual tem direito ao respetivo certificado ou diploma (INE, 2011) Situação do indivíduo perante a atividade económica no período de referência podendo ser considerado ativo ou inativo (INE, 2012) Profissão de um indivíduo ou ofício ou modalidade de trabalho remunerado ou não, a que corresponde um determinado titulo ou designação profissional (INE, 2012) Idade Estado civil Habilitações Literárias Condição perante o trabalho Profissão Residência IMC MMSE Exame do estado mental (MMSE; Folstein, Folstein, & McHugh, 1975; versão portuguesa: Guerreiro et al., 1994) DOR A avaliação da intensidade da Dor pode efetuar-se com recurso a qualquer das escalas propostas (DGS, 2003) “A percepção do indivíduo da sua posição na vida, no contexto da cultura e sistema de valores nos quais ele vive e em relação aos seus objectivos, expectativas, padrões e preocupações” (WHOQOL Group, 1994 p.28) QV 72 Local onde os indivíduos tenham vivido a maior parte do ano (INE, 2011) Definido como o peso em kg dividido pelo quadrado da altura em metros (kg/m 2) (DGS, 2005) Categorização - Masculino - Feminino - 45-64 - ≥65 - Solteiro - Casado - Viúvo - Divorciado - Não sabe ler e escrever - Sabe ler e ou escrever - 1º e 2º Ciclo/Ciclo preparatório - População Ativa - População Inativa - Profissões das Forças Armadas - Representantes do poder legislativo e órgãos executivos, dirigentes, diretores e gestores executivos - Especialistas das atividades intelectuais e científicas - Técnicos e profissões de nível intermédio - Pessoal administrativo - Trabalhadores dos serviços pessoais, de proteção e segurança e vendedores - Agricultores e trabalhadores qualificados da agricultura, da pesca e da floresta - Trabalhadores qualificados da indústria, construção e artífices - Operadores de instalações e máquinas e trabalhadores da montagem - Trabalhadores não qualificados - Urbano> 2000 habitantes - Rural <2000 habitantes - Baixo peso <18.5 - Variação normal 18.5 – 24.9 - Pré-obesidade 25.0 – 29.9 - Obesidade Classe I 30.0 – 34.9 - Obesidade Classe II 35.0 – 39.9 - Obesidade Classe III ≥ 40.0 - 22, Literacia de 0 a 2 anos; - 24, Literacia de 3 a 6 anos; - 7, Literacia superior a 7 anos (Morgado, Rocha, Maruta, Guerreiro & Martins, 2009) - Escala numérica – 0 a 10 1. Sintomas: questões S 1-5 2. Dor: questões D 1-10 3. AVDs: questões A 1-17 4. ADL: questões SP 1-4 5. QV: questões Q 1-4 Estudo Empírico 1.5. Hipóteses Uma hipótese é uma solução provisória, proposta pelo investigador, para o problema em estudo. Marconi e Lakatos (1990) consideram-na como “…uma preposição que se faz na tentativa de verificar a validade de resposta existente para um problema” (p.26). Também para Fortin e cols. (2009), “a hipótese toma em conta as variáveis e a população alvo. A hipótese é um enunciado que antecipa relações entre variáveis e que necessita de uma verificação empírica” (p.165). As hipóteses gerais traduzem-se normalmente numa interrogação e não numa afirmação. Um estudo pode conter várias hipóteses, sendo que estas influenciam o desenho do estudo. Podem ser descritas em quatro categorias: não direcional ou direcional, de associação ou causal, simples ou complexa e de investigação ou nula (Fortin et al., 2009). Mediante estes pressupostos, formularam-se as seguintes hipóteses: H1. Existe diferença entre a média da pontuação das subescalas do HOOS das diferentes categorias da variável sexo, classe etária, residência, situação conjugal, situação profissional e escolaridade dos participantes no estudo. H2. Os utentes submetidos ao programa de intervenção (GE) têm scores mais elevados nas subescalas do que os utentes que não sofreram essa intervenção (GC) do primeiro para o 2º momento de recolha de dados. H3. Existe relação entre a intensidade da dor sentida pelos participantes e a pontuação dos diferentes domínios do HOOS na O1 e O2. H4. Existe relação entre a idade dos participantes e a pontuação dos diferentes domínios do HOOS na O1 e O2. H5. Existe relação entre a pontuação dos diferentes domínios da escala HOOS nos dois momentos de avaliação. 1.6. Instrumento de recolha de dados Na realização de uma investigação, os instrumentos de recolha de dados devem ser concebidos pelos investigadores seguindo linhas orientadoras e a bibliografia consultada, 73 Estudo Empírico tendo em atenção os objetivos traçados e as questões de investigação formuladas. No entanto, cabe sempre ao pesquisador a escolha do instrumento que melhor se adequa ao estudo (Fortin et al., 2009; Polit et al., 2004). No dizer de Fortin e cols. (2009), “a colheita de dados consiste em recolher metodicamente a informação juntos dos participantes com a ajuda dos instrumentos de medida escolhidos para este fim” (p.403). O método de recolha de dados depende da natureza do tipo de problema, das variáveis em estudo e respetiva operacionalização, bem como da estratégia de tratamento de dados planeada, pelo que a seleção do instrumento de recolha de dados deve ser feita em função dos objetivos do estudo, nível de conhecimentos que o investigador possui sobre as variáveis, possibilidade de obtenção de medidas adequadas às definições concetuais e da fiabilidade e validade dos instrumentos de medida (Fortin et al., 2009). Para estes autores, “no momento da escolha do método de colheita de dados, é preciso procurar um instrumento de medida que esteja em concordância com as definições conceptuais das variáveis que fazem parte do quadro conceptual ou teórico” (p.369). Assim, neste estudo, e atendendo a estes princípios, utilizou-se para a recolha de dados um questionário-entrevista, também conhecido por formulário, que é um instrumento de investigação que visa recolher informações baseando-se, geralmente, na inquisição de um grupo representativo da população em estudo. Fortin e cols. (2009), referem que o questionário é o método de recolha de dados mais utilizado na investigação, sendo de grande flexibilidade no que se refere à estrutura. Referem também que os questionários podem ser “preenchidos pelo assistente de investigação em presença do participante como no caso do questionário-entrevista, ou pelo telefone” (p.380). Ainda segundo Gil (2008), existem autores que designam este método como questionário por contacto direto, sendo que outros, por sua vez, vêm neste procedimento uma técnica distinta do questionário e da entrevista, e o designam como formulário. Para otimização e rentabilização dos tempos, os questionários foram preenchidos pelo investigador em presença do participante como no caso do questionário-entrevista, conforme refere Fortin e cols. (2009). O questionário administrado pelo investigador, o designado questionário-entrevista, permite aplicar o questionário a indivíduos de baixa escolaridade, verificar as respostas dadas em tempo real e esclarecer dúvidas, obtendo uma boa qualidade das respostas, razões que levaram 74 Estudo Empírico à seleção deste instrumento, para aplicar neste estudo, tendo em conta as características da amostra, como a sua baixa escolaridade. O investigador preenche o questionário com as respostas às perguntas que vai fazendo ao questionado, há um contacto pessoal e direto entre o investigador e o questionado. Ao contrário dos outros tipos de questionário, o entrevistador tem a oportunidade de se certificar que o questionado quer dizer é mesmo o que disse. Como desvantagens, podemos referenciar a presença do entrevistador e, como tal, a ausência de anonimato, sendo que a presença deste pode influenciar as respostas. No entanto, no decorrer do estudo, estas desvantagens não se verificaram. O instrumento de recolha de dados utilizado no presente estudo (Apêndice C) é constituído por três partes: a primeira parte consta da caracterização da amostra em termos sociodemográficos, do MMSE para avaliação do estado mental dos participantes no estudo, dos dados antropométricos e ainda da escala numérica para avaliação da dor, que foi elaborada pelo autor de acordo com a literatura existente e as questões orientadoras do estudo; a segunda parte deste instrumento é composta pela escala de Hip Disability and Osteoarthritis Outcome Score (HOOS LK 2.0), instrumento validado para a população portuguesa, que foi utilizado para avaliação da intensidade da dor e da capacidade funcional dos indivíduos, que participaram neste estudo. A terceira parte é constituída por questões relativas ao programa de intervenção, após a alta hospitalar e a sua implicação na QV do utente (Versão provisória). O MMSE (Apêndice D) é um dos instrumentos mais utilizados para avaliação do estado cognitivo dos sujeitos em estudos epidemiológicos, permitindo apreciar as condições cognitivas em grupos cujo nível de perda passa a afetar o desempenho na vida quotidiana (Farinatti, 2008; Trzepacz & Baker, 2001). A sua simplicidade e poder discriminativo tornaram-no o mais amplamente utilizado para este fim. Este foi chamado de mini pelo facto de não abordar aspetos como a motivação, estado de espírito ou problemas complexos de elaboração de raciocínio (Farinatti, 2008). Este instrumento foi criado por Folstein (1975), e em 1994 foi publicado o estudo de adaptação à população portuguesa por Guerreiro e cols., onde determinaram valores de coorte de 15 pontos para indivíduos analfabetos, 22 pontos para indivíduos com 1 a 11 anos de literacia e 27 pontos no caso de indivíduos com literacia superior a 11 anos. O MMSE avalia as funções cognitivas de uma forma global, pode ser realizado em 5-10 minutos, inclui itens sobre a orientação temporal e espacial, o registo de informação, a atenção, o cálculo, a memória, a linguagem e a construção. Cada item tem uma pontuação de 0 a 1, até a um total de 30 pontos. 75 Estudo Empírico Morgado e cols. (2009), levaram a efeito um estudo em que atualizaram os valores normativos para a população portuguesa atual, determinando os seguintes valores de coorte: 22 para literacia de 0 a 2 anos, 24 para literacia de 3 a 6 anos e 27 para literacia superior a 7 anos. Neste estudo, optou-se pelos pontos de coorte de Morgado e cols. (2009). Dada a relevância da problemática da dor no doente com OA, foi utilizada para a sua avaliação a Escala Numérica. Em 14 de junho de 2003, a DGS publicou a Circular Normativa N.º 9/DGCG que estabeleceu a Dor como 5º Sinal Vital e, tal como a Ordem dos Enfermeiros, determinam a obrigatoriedade de se efetuar, sistematicamente, a avaliação, o registo da sua intensidade, com recurso a escalas de avaliação. Vários métodos têm sido utilizados para mensurar a sensação de dor. Alguns métodos consideram a dor como uma qualidade simples, única e unidimensional que varia apenas em intensidade, mas outros, consideram-na como uma experiência multidimensional composta também por fatores afetivo-emocionais. Foram criados então dois instrumentos de avaliação da dor, os unidimensionais e os multidimensionais. Os unidimensionais são designados para quantificar apenas a severidade ou a intensidade da dor e são usados frequentemente em hospitais e/ou clínicas para se obterem informações rápidas, não invasivas e válidas sobre a dor e a analgesia, normalmente na avaliação da dor aguda. São exemplo de instrumentos unidimensionais, as escalas de autoavaliação: Escala Visual Analógica (EVA) e a Escala Numérica Verbal ou Visual. A Escala Numérica com graduação de 0 a 10, sendo possível perguntar ao doente em que nível de dor se situa (Escala Verbal), ou mostrar-lhe a escala impressa para que ele assinale a intensidade da sua dor com uma marca (Escala Visual). A escolha de um instrumento para medir a dor deve, antes de mais, ser de fácil aplicabilidade, adequar-se ao nível de compreensão do doente e ao contexto de dor que lhe está associado. Para o profissional que o aplica revela-se útil que a intensidade corresponda qualitativamente a um determinado grau de dor. A escala de HOOS LK 2.0 sobre a Anca, é um questionário específico de doença e de região (funções músculo-esqueléticas) e tem como objetivo medir e avaliar a incapacidade gerada por problemas na anca, bem como o impacto dos cuidados de saúde efetuados por problemas 76 Estudo Empírico na anca ou artroplastia da anca. A escala foi desenvolvida por Maria Klässbo, Eva Larsson e Eva Mannevik em 2003. O instrumento pode ser preenchido pelo doente ou por entrevista, sendo o tempo de preenchimento de 15 minutos. Avalia as dimensões Sintomas, Dor, AVDs, ADL e QV. Para a sua utilização, foi pedida autorização aos autores (Apêndice E). O questionário HOOS LK 2.0 estrutura o conceito de QV em 5 domínios fundamentais, cada um deles constituído por várias questões: 1) Sintomas: questões S 1-5; 2) Dor: questões D 110; 3) AVDs: questões A 1-17; 4) ADL: questões SP 1-4; 5) QV: questões Q 1-4 Estas questões utilizam escalas tipo likert com 5 categorias, com escalas de frequência (nunca a sempre ou nunca a constantemente), escalas de intensidade (nenhuma a muitíssimo), escalas de dificuldade (nenhuma a muitíssima) e escalas de avaliação (nenhuma a muitíssima), e cada item recebe uma pontuação de 0 (sem problemas) a 4 (problema máximo). As pontuações por dimensão são depois transformadas numa escala de orientação positiva de 0 (problemas extremos na anca) a 100 (ausência de problemas na anca). O manual de instruções (Apêndice F), pode ser obtido através do site http://www.koos.nu. Este instrumento foi validado para população portuguesa por Nunes, Cabri e Gil (2009), tendo sido aplicada a 11 indivíduos com OA. Os resultados desta validação indicam que a confiabilidade foi aceitável, com coeficientes alpha Cronbach’s entre 0,77 e 0,96 (HOOS total) e coeficientes de correlação intra-classe (ICC) variando de 0,79 (QV) a 0,95 (AVD). A validade de construto apresentou valores r entre 0,25 e 0,59 com a EVA da dor, incapacidade, desconforto e perceção do grau de recuperação (Nunes, 2012). Segundo esta autora, o HOOS é um instrumento válido, fiável e detentor de poder de resposta em populações com OA da anca ou artroplastia da anca, e o seu uso está recomendado na prática clínica ou na investigação. 1.6.1. Pré-este Para Polit e cols. (2004), o pré-teste é um “ensaio para determinar se o instrumento foi formulado com clareza, sem parcialidade e se é útil para a geração das informações desejadas” (p.254). Já Fortin e cols. (2009), referem que o pré-teste “consiste em verificar a eficácia e o valor do questionário junto de uma amostra reduzida da população alvo” (p.386). 77 Estudo Empírico Esta é uma etapa fundamental na deteção de erros no intuito destes serem corrigidos em tempo útil. Como este questionário é composto por três partes, uma em que se utiliza um instrumento já validado para a população portuguesa e outra parte composta por questões elaboradas pelo investigador, torna-se necessário a aplicação de um pré-teste. Neste pretende-se verificar se o instrumento tem uma sequência lógica, é percetível e se as questões são pertinentes para o estudo. Nesse sentido, foi aplicado o pré-teste a 4 utentes não intervenientes no estudo e que não apresentaram dúvidas quanto às perguntas do questionário, pelo que a versão provisória passou a definitiva (Apêndice C). 1.7. Procedimento de recolha de dados Na investigação científica, a responsabilidade ética está presente desde a seleção do problema até à publicação dos resultados, o investigador deve estar atento a todos os aspetos inerentes à investigação. Fortin e cols. (2009), relativamente à investigação nas disciplinas científicas, referem que: …a investigação envolve um ou outro aspecto da actividade humana: comportamentos ou estado de saúde dos indivíduos de todas as idades, modo de vida das famílias, grupos e comunidades, prestação de cuidados, etc. Quaisquer que sejam os aspectos estudados, a investigação deve ser conduzida no respeito dos direitos das pessoas. (p.180) Na aquisição de conhecimentos e dados, existe um limite que não pode ser ultrapassado que é a dignidade e integridade do ser humano. “Sem um código de ética que aponte limites, oriente os passos da investigação é a própria investigação que fica em causa” (Ribeiro, 2010, p.155). O código de ética e deontologia profissional que rege a profissão de Enfermagem é centrado nos aspetos comportamentais e nas implicações legais de uma prática de risco, dando assim as orientações adequadas para a prática de enfermagem. Com o objetivo de elaborar uma pesquisa que respeite todos os princípios éticos, foram considerados e respeitados os oito princípios ou direitos fundamentais aplicáveis ao ser humano, determinados pelo código de ética: o direito à autodeterminação, à intimidade, ao anonimato e à confidencialidade, à proteção contra o desconforto e o prejuízo, a um tratamento justo e equitativo, à justiça, à proteção dos cuidadores contra qualquer espécie de 78 Estudo Empírico danos e ao consentimento livre e informado. Num estudo experimental salienta-se a importância do consentimento informado evitar os possíveis danos e a legitimidade da não aplicação da intervenção ao GC. Para realização deste estudo, foi pedida autorização ao Conselho de Administração do CHTMAD, EPE (Apêndice G). O projeto de pesquisa foi submetido à Comissão de Ética, tendo obtido parecer favorável (Apêndice H). Todos os utentes que participaram no estudo assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, após terem sido informados dos objetivos do estudo (Apêndice I). A aplicação do instrumento de recolha de dados decorreu de julho a dezembro de 2012, tendo sido realizada pelo próprio investigador. O primeiro momento de avaliação foi efetuado no pré operatório com o utente internado, sendo o segundo realizado em regime de ambulatório ao 3º mês pós operatório, na consulta externa de ortopedia. A aplicação do instrumento de recolha de dados foi efetuada por entrevista, pelo facto de se prever que a população em estudo fosse constituída por indivíduos com baixa escolaridade e de o questionário de avaliação da QV apresentar questões que poderiam provocar dúvidas, podendo assim influenciar as respostas. 1.8. Tratamento de dados Uma vez recolhidos os dados, é preciso proceder à sua organização para que estes possam ser depois analisados. Recorre-se a técnicas estatísticas para descrever a amostra, assim como todas as variáveis (Fortin et al., 2009). Para o tratamento estatístico dos dados recorreu-se ao programa Statistical Package for the Social Sciences (SPSS), versão 20 e à folha de cálculo Excel 2010, elaborando-se uma base de dados informatizada onde os mesmos foram editados. Iniciou-se a análise pela estatística descritiva e pela verificação dos pressupostos para aplicação dos testes paramétricos, para verificar a normalidade e a homogeneidade de variâncias, respetivamente, Teste de Shapiro Wilk e de Levene, realizando-se de seguida a análise exploratória dos dados, como as medidas de tendência central e de dispersão. 79 Estudo Empírico Para posterior análise estatística mais eficiente, e para uma melhor organização dos dados, procedeu-se ainda à recodificação da variável idade em duas classes, local de residência em duas classes e habilitações literárias em 3 classes. De seguida foi efetuada a análise inferencial com recurso aos testes estatísticos paramétricos t de Student, ANOVA, t de Student para amostras emparelhadas e MANOVA e, em alternativa, os testes não paramétricos Mann-Whitney (MW) e Kruskal-Wallis (KW), e de Wilcoxon quando não se cumprirem os pressupostos. Foi também aplicado o teste χ2, não paramétrico, para averiguar se existiam diferenças estatísticas significativas entre o GC e GE quanto às variáveis sociodemográficas. Considerou-se o nível de significância de 5%. Foi realizado o teste Shapiro-Wilk para verificar se as variáveis dependentes apresentavam distribuição normal, sendo que as variáveis respeitantes à pontuação das subescalas do HOOS não apresentavam uma distribuição normal. Perante estes resultados, utilizou-se uma análise estatística não paramétrica na presente investigação. Foi efetuada uma análise de comparação entre o GC e GE, com recurso aos testes não paramétricos de Wilcoxon para amostras emparelhadas e o teste de Mann-Whitney para amostras independentes. Estes testes são utilizados como alternativa ao teste t de Student, para identificar possíveis diferenças entre as médias das subescalas do HOOS antes e após o programa de intervenção. Na análise estatística dos dados recorremos aos procedimentos indicados por Marôco (2007) e Pestana e Gageiro (2008). 2. APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS Neste capítulo, faz-se a apresentação dos resultados obtidos com a aplicação do formulário, tendo em conta os objetivos definidos e aferindo a aceitação ou rejeição das hipóteses levantadas. Em primeiro lugar, far-se-á a apresentação da estatística descritiva, seguida da estatística inferencial. Serão realizadas uma caracterização da amostra, seguida de uma descrição da comparação entre os grupos (controlo e experimental), para averiguar a existência de diferenças entre os grupos nas observações O1 (aplicação dos questionários no dia do internamento) e O2 (aplicação dos formulários três meses após a alta), que permitirá apurar de forma objetiva os efeitos do programa de VD, em ambos os grupos. 80 Estudo Empírico Para apresentação dos resultados recorreu-se a tabelas, onde constam os dados mais relevantes. A fonte será omissa, pois os dados resultam todos da aplicação do instrumento de recolha de dados. Na descrição e análise dos dados procurou-se obedecer à ordem pela qual foi elaborado o referido instrumento. 2.1. Caracterização sociodemográfica da amostra De seguida, procede-se à caracterização da amostra quanto ao Género, Classe etária, Habilitações literárias, Situação conjugal, Residência e Condição perante o trabalho de cada um dos grupos, recorrendo à estatística descritiva e ao teste estatístico de 2, para avaliar a diferença entre as proporções dos dois grupos, como se verifica na Tabela 4. Tabela 4. Caracterização sociodemográfica de ambos os grupos (%) Variáveis Género Masculino Feminino Classe etária 45 a 64 anos 65 e mais anos Habilitações Literárias Não sabe ler e escrever Sabe ler e escrever 1º e 2º Ciclo Situação Conjugal Solteiro Casado Viúvo Residência Rural Urbano Condição perante o trabalho Ativo Não ativo Teste 2 p Grupo controlo Grupo experimental Total 60,9 39,1 61,9 38,1 61,4 38,6 1,0 39,1 60,9 28,6 71,4 34,1 65,9 0,535 26,1 17,4 56,15 4,8 28,6 66,7 15,9 22,7 61,4 0,140 4,3 78,3 14,4 14,3 61,9 23,8 9,1 70,5 20,5 0,400 82,6 17,4 71,4 28,6 77,3 22,7 0,481 26,1 73,9 14,3 85,7 20,5 79,5 0,462 Legenda : χ2 – Qui-quadrado; p – Probabilidade. Pela análise da Tabela 4, verifica-se que, do total da amostra, a maioria dos utentes era do género masculino (61,4%), pertencia à classe etária dos 65 e mais anos (65,9%), tinha entre o 1º e 2º ciclos (61,4%), possuía a situação conjugal de casado (70,5%), residia predominantemente em meio rural (77,3%) e enquadrava-se na população não ativa (79,5%). A média da idade era de 68,3±10,503 anos, o mínimo 47 e o máximo os 85 anos. No que diz respeito à representatividade das categorias das variáveis, em ambos os grupos, constata-se 81 Estudo Empírico que o quadro do total da amostra repete-se nos dois grupos em análise, em todas as variáveis, mas as proporções são mais expressivas no GE, para a categoria masculino (61,9%), 65 e mais anos (71,4%), escolaridade entre o 1º e 2º ciclos (66,7%) e população não ativa (85,7%). Por sua vez, no GC, as proporções apenas são mais elevadas nas categorias residência rural (82,6%) e situação conjugal de casado (78,3%). A média da idade do GE é de 70,76±9,371 anos e do GC é de 66,04±10,882 anos, sendo os utentes mais novos neste grupo. Cruzou-se as variáveis atributo de ambos os grupos para teste χ2, sendo que não foram encontradas diferenças significativas entre o GE e o GC, no que se refere às características sociodemográficas (p>0,05), ou seja, a representatividade de cada uma das categorias das diferentes variáveis é semelhante nos dois grupos. 2.2. Classificação do índice de massa corporal e da intensidade da dor Pelos dados obtidos, apurou-se que, do total da amostra relativamente ao peso, a média era de 78,45±13,176 Kg, com um mínimo de 52Kg e um máximo de 106 Kg, enquanto para a altura a média era de 1,62±9,259 m, o mínimo de 1,37 m e o máximo de 1,78 m. No que concerne ao IMC, a amostra apresentava uma média de 29,41±4,692 kg/m2, o mínimo de 21,19 e o máximo de 46,92, valor que de acordo com a DGS (2005) corresponde a um estádio de obesidade. De seguida, na Tabela 5, procede-se à caracterização da amostra quanto às classes do IMC e da Intensidade da dor, na O1. Tabela 5. Distribuição das classes do IMC e da Intensidade da dor nos dois grupos em análise e total da amostra na O1 (%) Variáveis Classes do IMC Baixo peso Peso normal Excesso de peso Obesidade Intensidade da dor Sem dor Dor ligeira Dor moderada Dor intensa Dor máxima 82 Grupo controlo Grupo experimental Total 0 21,7 39,1 39,1 0 19 33,3 47,6 0 20,5 36,4 43,2 4,3 13 34,8 43,5 4,3 4,8 14,3 28,6 52,4 0 4,5 13,6 31,8 47,7 2,3 Valor z p 221,50 -0,506 0,613 240 -0,038 0,970 Estudo Empírico Para melhor compreensão, recodificou-se a variável IMC em classes. Pela análise da tabela pode observar-se que, no total da amostra, não se verificou a existência de utentes com baixo peso e que a maioria destes utentes apresentava obesidade (43,2%), seguindo-se o excesso de peso (36,4%). No que diz respeito à representatividade da variável, em ambos os grupos, constata-se que a proporção de obesidade é mais expressiva no GE, no qual 47,6% é obesa contra 39,1% no GC. No entanto, salienta-se que estas diferenças não são estatisticamente significativas (MW: p>0,05). Para melhor compreensão dos resultados obtidos, recodificou-se igualmente a variável Intensidade da dor em classes, medida pela escala numérica, referenciada pelos indivíduos, tendo-se constatado que, no total da amostra, a maioria dos utentes apresentava dor intensa (47,7%), seguindo-se a dor moderada (31,8%). Salienta-se que 2,3% dos utentes referiu dor máxima. O mesmo sucede quer no GC, em que a proporção de utentes que refere dor intensa é de 43,5%, seguindo-se a dor moderada com 34,8%, quer no GE, em que a proporção de utentes com dor intensa é de 52,4% e com dor moderada é de 26,6%. No entanto, a dor máxima só se verifica no GC (4,3%). A repetição deste quadro talvez esteja na origem de não se constatarem diferenças estatísticas significativas entre os dois grupos (MW: p>0,05). De seguida, para verificar se existiam diferenças entre as médias de posição das classes do IMC e da Intensidade da dor, nos dois grupos em estudo na O1, recorreu-se ao teste estatístico de MW. Não se obtiveram diferenças estatísticas significativas tanto no caso do IMC (p=0,613), como no caso da Intensidade da dor (p=0,970), resultados que levam a afirmar que não existem diferenças estatisticamente significativas entre as médias de posição do IMC e da Intensidade da dor nos dois grupos (Tabela 6. De seguida, na Tabela 6, procede-se à caracterização da amostra quanto às classes do IMC e da Intensidade da dor, na O2. 83 Estudo Empírico Tabela 6. Distribuição das classes do IMC e da Intensidade da dor nos dois grupos em análise e total da amostra na O2 (%) Variáveis Classes do IMC Baixo peso Peso normal Excesso de peso Obesidade Intensidade da dor Sem dor Dor ligeira Dor moderada Dor intensa Dor máxima Grupo Controlo Grupo Experimental Total 0 21,8 39,1 39,1 0 14,3 38,1 47,6 0 18,2 38,6 43,2 65,2 30,5 0 4,3 0 72,2 23,8 0 0 0 70,5 27,3 0 2,2 0 Valor z p 214,5 -0,686 0,493 215,5 -0,858 0,391 Pela análise da Tabela 6, no total da amostra relativamente à O2, verifica-se que continuam a não existir utentes com baixo peso e que a maioria destes utentes apresentava obesidade (43,2%), seguindo-se o excesso de peso (38,6%). No que diz respeito à representatividade da variável, em ambos os grupos, continua a ser a maior proporção no GE, mas tem o mesmo valor percentual do excesso de peso no GC. Relativamente à Intensidade da dor recodificada para a O2, pode observar-se que se registaram alterações em relação à O1. Os utentes, na sua maioria, não apresentavam dor (70,5%), seguindo-se a dor ligeira (27,3%). Não existem utentes a referir dor máxima e referem dor intensa apenas 2,2% dos utentes. O mesmo sucede quer no GC, em que utentes que referem não apresentar dor é de 62,5% e dor ligeira 30,5%, quer no GE, em que a proporção de utente sem dor é de 72,2% e de dor ligeira 23,8%, mas 4,3% dos utentes do GC ainda refere dor intensa o que representa uma diferença apreciável entre os grupos. Verificou-se também se existiam diferenças estatísticas significativas entre as médias de posição da variável IMC e Intensidade da dor, dos dois grupos em estudo, na O2. Tal como sucedeu na O1, também não se obtiveram diferenças estatísticas significativas tanto no caso do IMC (p=0,493), como no caso da Intensidade da dor (p=0,391), resultados que nos levam a afirmar que não existem diferenças estatisticamente significativas entre as médias de posição do IMC e da Intensidade da dor nos dois grupos. 2.3. Satisfação com a visita domiciliária de enfermagem Na Tabela 7, apresenta-se a estatística descritiva relativa à opinião dos utentes do GE quanto à VD e EpS realizada neste contexto. 84 Estudo Empírico Tabela 7. Distribuição das respostas do GE quanto à VD e EpS Variáveis Como considera enfermeiros a informação fornecida Muito má (%) Má (%) Razoável (%) Boa (%) Muito Boa (%) 0 0 4,8 47,6 47,6 0 0 0 23,8 76,2 Muito pouco (%) Pouco (%) Médio (%) Muito (%) Bastante (%) 0 0 14,2 42,9 42,9 pelos De uma forma geral, como avalia a VD de enfermagem Variáveis De uma forma geral, em que medida a VD de enfermagem contribui para a melhoria da sua QV Relativamente à parte do questionário elaborado pelo investigador sobre a satisfação com a VD, que foi aplicado ao GE (n=21), verificou-se que todos estes utentes (100%) consideram importante a existência de VD de enfermagem, sendo que nenhum deles apresentou complicações pós operatórias até aos 3 meses pós cirurgia. A todos eles foi efetuada EpS com a aplicação do Programa de intervenção, tendo o maior grupo destes utentes considerado a informação recebida como Boa e Muito boa, ambas as categorias com o mesmo percentual (47,6%), que foi avaliada pela maioria (76,2%) dos mesmos como Muito boa, sendo que 42,9% considera que a VD contribui Muito ou Bastante para a melhoria da QV. 2.4. Efeito do programa de intervenção sobre os domínios do questionário HOOS Na Tabela 8, estão descritas as médias, o mínimo e o máximo dos 5 domínios do questionário HOOS, para ambos os grupos (controlo e experimental), nas duas avaliações (O1 e O2). Tabela 8. Distribuição das médias, mínimo e máximo dos domínios do HOOS por grupo e por observação Grupo controlo HOOS Dor Sintomas AVD’s ADL QV Grupo experimental Total Média Mínimo Máximo Média Mínimo Máximo Média Mínimo Máximo 01 29,89 17,50 52,50 35,48 0,00 80,00 32,55 17,50 80,00 02 80,33 10,00 100 90,00 62,50 100 84,94 40,00 100 01 35,87 20,00 65,00 37,62 5,00 85,00 36,70 5,00 85,00 02 79,13 40,00 100 85,95 70,00 100 82,38 5,88 98,53 01 25,80 2,94 48,44 31,30 11,76 62,50 28,43 2,94 62,50 02 70,01 5,88 98,53 77,35 45,59 95,59 73,51 0,00 100 01 8,97 0,00 25,00 18,15 6,25 43,75 13,35 0,00 33,75 02 43,48 0,00 100 49,40 18,75 68,75 46,31 0,00 100 01 11,68 0,00 31,25 12,50 0,00 31,25 12,07 0,00 31,25 02 45,38 0,00 100 52,98 18,75 75,00 49,01 10,00 100 85 Estudo Empírico Pela leitura da Tabela 8, verifica-se no total da amostra um aumento das médias, relativamente a todos os domínios, da O1 para a O2. No que diz respeito à comparação entre grupos, verifica-se igualmente um aumento em todas as médias, mas comparando individualmente cada um dos grupos, verifica-se que o desvio padrão do GC é superior em todos os domínios, relativamente ao GE, o que significa uma menor dispersão da pontuação dos domínios no GE, comparativamente ao GC, e onde se verifica também que a média dos scores dos domínios do HOOS é igualmente superior no GE, na O2, o que representa melhor QV. Para testar a H1, cruzou-se a pontuação dos domínios do questionário HOOS com as variáveis Género, Classe etária, Situação conjugal, Escolaridade, Residência e Condição perante o trabalho. Uma vez que a maioria das variáveis dos domínios do HOOS não cumpria o pressuposto da normalidade, optou-se pelos testes não paramétricos alternativos ao teste t de Student e ANOVA, ou seja, respetivamente, o teste MW e KW. Procedeu-se à realização de análise multivariada através do teste MANOVA a 2 fatores fixos, entre o compósito da média da pontuação de cada um dos domínios, nas duas observações, em que foram colocados sucessivamente como fatores, o Programa de intervenção (GC e GE), com outro fator (variável independente), entre os quais, o Género, Classe etária, Situação conjugal, Escolaridade, Residência, Condição perante o trabalho e as Classes do IMC. Não estavam satisfeitos os pressupostos para a utilização da MANOVA, especificamente, a esfericidade avaliada através do teste M de Box, tendo obtido uma probabilidade <0,05, o que levou à rejeição deste pressuposto, no caso do cruzamento do domínio Dor com as variáveis Género, Classe Etária, Situação Conjugal e IMC, do domínio AVD com a variável Género e Residência, e do domínio ADL com a variável Residência. Os resultados respeitantes ao cruzamento do domínio Dor com as variáveis de atributo constam da Tabela 9. 86 Estudo Empírico Tabela 9. Resultado dos testes estatísticos entre o domínio Dor do HOOS e as variáveis sociodemográficas nas duas observações Variáveis Dor O1 X Género Masculino Feminino Dor O2 X Género Masculino Feminino Dor O1 X Classe etária 45 – 64 anos ≥ 65 anos Dor O2 X Classe etária 45 – 64 anos ≥ 65 anos Dor O1 X Situação conjugal Solteiro Casado Viúvo Dor O2 X Situação conjugal Solteiro Casado Viúvo Dor O1 X Escolaridade Não sabe ler e escrever Sabe ler e escrever 1º e 2º ciclos Dor O2 X Escolaridade Não sabe ler e escrever Sabe ler e escrever 1º e 2º ciclos Dor O1 X Residência Urbano Rural Dor O2 X Residência Urbano Rural Dor O1 X Condição perante o trabalho População ativa População não ativa Dor O2 X Condição perante o trabalho População ativa População não ativa N Média de posição Valor teste df p 27 17 25,63 17,53 MW = 45,00 _ 0,041 27 17 24,96 18,59 MW = 16,30 _ 0,100 15 29 23,17 22,16 MW = 207,50 _ 0,804 14 30 23,43 22,07 MW = 197,00 _ 0,737 4 31 9 18,63 22,69 23,56 KW = 0,435 2 0,804 4 31 9 22,13 22,02 24,33 KW = 0,243 2 0,886 7 10 27 22,64 23,70 22,02 KW = 0,127 2 0,938 7 10 27 23,43 19,95 23,20 KW = 0,539 2 0,764 10 34 16,10 24,30 MW = 106 _ 0,072 10 34 23,30 22,16 MW = 162 _ 0,818 9 35 23,18 23,70 MW = 146 _ 0,937 9 35 18,56 23,51 MW = 122 _ 0,289 Relativamente ao domínio Dor, na O1 não se observaram diferenças estatísticas significativas, exceto quanto à variável Género (p=0,041), e na O2 também não se observaram diferenças estatísticas significativas (Tabela 9). Na O1, no cruzamento do domínio Dor com a variável Género, obtiveram-se diferenças estatísticas significativas, em que o género masculino obteve a média de posição mais elevada (25,63 contra 17,53 do género feminino), ou seja, o género masculino referiu menos problemas relacionados com a dor da anca nesta observação. 87 Estudo Empírico Os resultados respeitantes ao compósito da média da pontuação do domínio Dor, em que foram colocados sucessivamente como fatores, o Programa de intervenção (GC e GE) e os fatores Escolaridade, Residência e Condição perante o trabalho, nos quais foi possível a utilização da MANOVA, podem ser consultados na Tabela 10. Tabela 10. Estatística da MANOVA a 2 fatores entre a variável experimental e uma variável independente sobre o compósito Dor Variáveis N Teste M.de Box (sig.) Estatística F p Potência TP =0,091 (2,37) = 1,849 0,172 0,361 TP= 0,037 (4,76) = 0,358 0,837 0,127 TP = 0,034 TP = 0,053 (4,76) = 0,325 (2,39) = 1,086 0,860 0,347 0,119 0,227 TP = 0,089 (2,39) = 1,987 0,164 0,370 TP = 0,020 TP =0,022 (2,39) = 0,397 (2,39) = 0,441 0,675 0,646 0,110 0,117 TP = 0,023 (2,39) = 0,031 0, 970 0,054 TP = 0,002 (2,39) = 0,807 Condição perante o trabalho x PI Legenda: N – número de casos; TP – Traço de Pilai; F – F de Snecdor ; p – probabilidade 0,453 0,178 Programa de Intervenção (PI) Escolaridade Não sabe ler e escrever Sabe ler e escrever 1º e 2º ciclos 7 10 27 0,057 Escolaridade x PI Programa de Intervenção Residência Urbano Rural 4 19 0,324 Residência x PI Programa de Intervenção Condição perante o trabalho População ativa População não ativa 9 35 0,084 Na aplicação da MANOVA no cruzamento entre o compósito Dor com o Programa de intervenção e os fatores Escolaridade, Residência e Condição perante o trabalho não se averiguou um efeito estatisticamente significativo (p>0,05). Os resultados relativos ao cruzamento do domínio Sintomas com as variáveis de atributo podem ser consultados na Tabela 11. 88 Estudo Empírico Tabela 11. Cruzamento do domínio Sintomas do HOOS com as variáveis sociodemográficas Variáveis Sintomas O1 X Género Masculino Feminino Sintomas O2 X Género Masculino Feminino Sintomas O1 X Classe etária 45 – 64 anos ≥ 65 anos SintomasO2 X Classe etária 45 – 64 anos ≥ 65 anos Sintomas O1 X Situação conjugal Solteiro Casado Viúvo Sintomas O2 X Situação conjugal Solteiro Casado Viúvo Sintomas O1 X Escolaridade Não sabe ler e escrever Sabe ler e escrever 1º e 2º ciclos Sintomas O2 X Escolaridade Não sabe ler e escrever Sabe ler e escrever 1º e 2º ciclos Sintomas O1 X Residência Urbano Rural Sintomas O2 X Residência Urbano Rural Sintomas O1 X Condição perante o trabalho População ativa População não ativa Sintomas O1 X Condição perante o trabalho População ativa População não ativa N Média de posição Valor teste df p _ 27 17 25,00 18,53 MW = 162 0,101 27 17 25,72 17,38 MW = 142,50 15 29 23,17 22,16 MW = 207,50 14 30 21,30 23,12 MW = 199,50 4 31 9 22,63 22,10 23,88 KW = 0,130 2 0,937 4 31 9 17,50 23,29 22,00 KW = 0,750 2 0,687 7 10 27 19,64 24,65 22,44 KW = 0,635 2 0,728 7 10 27 21,43 22,50 22,78 KW = 0,062 2 0,968 10 34 18,10 23,79 MW = 126 _ 0,215 10 34 25,55 21,60 MW = 139,50 _ 0,389 9 35 22,83 22,41 MW = 154,50 _ 0,930 9 35 19,50 23,27 MW = 130,50 _ 0,428 _ 0,034 _ 0,803 _ 0,653 Relativamente ao domínio Sintomas, na O1 não se observaram diferenças estatísticas significativas (p>0,005), e na O2 observaram-se diferenças estatísticas significativas quanto à variável Género (p=0,034), não se tendo verificado qualquer diferença estatística nas restantes variáveis (Tabela 11). Na O2, no cruzamento do domínio Sintomas com a variável Género, obtiveram-se diferenças estatísticas significativas, em que o género masculino obteve a média de posição mais elevada (25,72 contra 17,38 do género feminino), ou seja, o género masculino referiu menos sintomatologia relativamente aos problemas relacionados com a anca, nesta observação. Os resultados respeitantes ao compósito da média da pontuação do domínio Sintomas, em que foram colocados sucessivamente como fatores, o Programa de intervenção (GC e GE) e os 89 Estudo Empírico fatores Género, Classe etária, Situação conjugal, Escolaridade, Residência e Condição perante o trabalho e IMC, podem ser consultados na Tabela 12. Tabela 12. Estatística da MANOVA a 2 fatores entre a variável experimental e uma variável independente sobre o compósito Sintomas Variáveis N Teste M.de Box (sig.) Programa de Intervenção (PI) Género Masculino Feminino 27 17 0,537 Género x PI Programa de Intervenção Classe etária 45 -64 anos 65 e mais anos 15 29 0,402 Idade x PI Programa de Intervenção Situação conjugal Solteiro Casado Viúvo 4 31 9 0,814 Situação conjugal x PI Programa de Intervenção Escolaridade Não sabe ler e escrever Sabe ler e escrever 1º e 2º ciclos 7 10 27 0,077 Escolaridade x PI Programa de Intervenção Residência Urbano Rural 4 19 0,584 Residência x PI Programa de Intervenção Condição perante o trabalho População Ativa População não ativa 9 35 0,811 Condição perante o trabalho x PI Programa de Intervenção IMC kgm2 Peso Normal - 18,50-24,99 Excesso de peso - 25,0-29,99 Obesidade ≥ 30 IMC x PI 9 16 19 0,875 Estatística F P Potência TP = 0,089 (2,39) =1,907 0,520 0,154 TP= 0,151 (2,39) =3,478 0,041 0,616 TP= 0,033 TP = 0,051 (2,39) = 0,665 (2,39) = 1,037 0,162 0,364 0,372 0,218 TP = 0,001 (2,39) = 0,015 0,985 0,052 TP= 0,068 TP = 0,054 (2,39) = 1,427 (2,37) =1,050 0,252 0,360 0,287 0,220 TP = 0,031 (4,76) =0,296 0,880 0,112 TP = 0.092 TP = 0,021 (4,76) =0,919 (2,27) = 0,371 0,458 0,692 0,279 0,105 TP= 0,008 (4,76) = 0,072 0,990 0,064 TP = 0,008 TP = 0,052 (4,76) = 0,078 (2,39) = 1,075 0,589 0.351 0,065 0,225 TP =0,110 (2,39) = 2,403 0,104 0,456 TP = 0,013 TP = 0,079 (2,39) = 0,250 (2,39) = 1,671 0,780 0,201 0,087 0,331 TP = 0,012 (2,39) = 0,229 0,796 0,083 TP = 0,865 TP = 0,077 (2,39) = 3,037 (2,37) = 1,545 0,059 0,227 0,555 0,307 TP = 0,779 (4,76) = 0,770 0,542 0,239 TP = 0,079 (4,76) = 0,092 0,985 0,068 Legenda: N – número de casos; TP – Traço de Pilai; F – F de Snecdor p – probabilidade No cruzamento entre o domínio Sintomas e os fatores Programa de intervenção e o Género, o fator género teve um efeito significativo de média dimensão (2p=0,151) sobre o compósito multivariado (Sintomas O1 e Sintomas O2) (TP=0,151; F[2,39]=3,478; p=0,041; 90 Estudo Empírico Potência=0,616), sendo que a média do género masculino (85,95) é superior à do feminino (76,76), na O2. Contudo, a potência é baixa. Para as restantes variáveis sociodemográficas e IMC não se obtiveram diferenças estatísticas significativas entre as médias do compósito (Sintomas O1 e Sintomas O2) (p>0,05). Os resultados respeitantes ao cruzamento do domínio AVD com as variáveis de atributo constam da Tabela 13. Tabela 13. Cruzamento do Domínio AVD do HOOS com as variáveis sociodemográficas Variáveis AVD O1 X Género Masculino Feminino AVD O2 X Género Masculino Feminino AVD O1 X Classe etária 45 – 64 anos ≥ 65 anos AVD O2 X Classe etária 45 – 64 anos ≥ 65 anos AVD O1 X Situação conjugal Solteiro Casado Viúvo AVD O2 X Situação conjugal Solteiro Casado Viúvo AVD O1 X Escolaridade Não sabe ler e escrever Sabe ler e escrever 1º e 2º ciclos AVD O2 X Escolaridade Não sabe ler e escrever Sabe ler e escrever 1º e 2º ciclos AVD O1 X Residência Urbano Rural AVD O2 X Residência Urbano Rural AVD O1 X Condição perante o trabalho População ativa População não ativa AVD O1 X Condição perante o trabalho População ativa População não ativa N Média de posição Valor teste df p _ 27 17 15,00 18,53 MW = 162 0,103 27 17 25,78 17,29 MW = 141 15 29 24,33 21,55 MW = 190 14 30 19,89 23,72 MW = 173,50 4 31 9 17,75 22,19 25,67 KW = 1,113 2 0,573 4 31 9 27,13 21,60 23,56 KW = 0,733 2 0,693 7 10 27 15,00 27,85 22,46 KW = 4,127 2 0,127 7 10 27 20,21 23,80 22,61 KW = 0,326 2 0,849 10 34 17,70 23,91 MW = 122 _ 0,179 10 34 25,95 21,49 MW = 135,50 _ 0,334 9 35 24,44 22,00 MW = 140 _ 0,610 9 35 19,06 23,89 MW = 126,50 _ 0,367 _ 0,033 _ 0,496 _ 0,357 Relativamente ao domínio AVD, na O1 não se observaram diferenças estatísticas significativas, e na O2 também não se observaram diferenças estatísticas significativas, exceto quanto à variável Género (p=0,033), (Tabela 13). 91 Estudo Empírico Na O2, no cruzamento do domínio AVD com a variável Género, obtiveram-se diferenças estatísticas significativas, em que os indivíduos do género masculino obtiveram média de posição mais elevada (25,78 contra 17,29 do género feminino), ou seja, o género masculino referiu menos dificuldades relacionadas com a anca na realização das AVD’s. Os resultados relativos ao compósito da média da pontuação do domínio AVD, nos dois momentos avaliativos, em que foram colocados sucessivamente como fatores, o Programa de intervenção (GC e GE) e os fatores Classe etária, Situação conjugal, Escolaridade, Condição perante o trabalho e IMC, podem ser consultados na Tabela 14. Tabela 14. Estatística da MANOVA a 2 fatores entre a variável experimental e uma variável independente sobre o compósito AVD Variáveis N Teste M.de Box (sig.) Programa de Intervenção (PI) Classe etária 45 -64 anos 65 e mais anos 15 29 0,162 Idade x PI Programa de Intervenção Situação conjugal Solteiro Casado Viúvo 4 31 9 0,146 Situação conjugal x PI Programa de Intervenção Escolaridade Não sabe ler e escrever Sabe ler e escrever 1º e 2º ciclos 7 10 27 0,078 Escolaridade x PI Programa de Intervenção Condição perante o trabalho População ativa População não ativa 9 35 0,255 Condição perante o trabalho x PI Programa de Intervenção IMC <18.5 18.5 – 24.9 25.0 – 29.9 30.0 – 34.9 35.0 – 39.9 ≥ 40.0 IMC x PI 0 9 16 10 9 0 0,172 Estatística F P Potência TP = 0,037 (2,39) = 0,751 0,479 0,168 TP = 0,001 (2,39) = 0,027 0,973 0,054 TP=0,1116 TP = 0,092 (2,39) = 2,568 (2,37) = 1,865 0,090 0,169 0,483 0,363 TP = 0,076 (2,39) = 0,748 0,562 0,230 TP = 0,251 TP = 0,096 (2,39) = 2,732 (2,37) = 1,960 0,035 0,155 0,729 0,380 TP= 0,076 (4,76) = 0,750 0,561 0,231 TP = 0,021 TP =0,016 (4,76) = 0,205 (2,39) = 0,319 0,935 0,729 0,092 0,097 TP = 0,004 (2,39) = 0,069 0,934 0,060 TP = 0,094 TP = 0,084 (2,39) = 2,019 (2,37) = 1,700 0,146 0,197 0,391 0,335 TP =0,115 (4,76) = 1,157 0,336 0,347 TP =0,010 (4,76) = 0,094 0,984 0,068 Legenda: N – número de casos; TP – Traço de Pilai; F – F de Snecdor; p – probabilidade No cruzamento entre o domínio AVD e os fatores Programa de intervenção e a situação conjugal, verificou-se um efeito significativo de média dimensão (2p=0,126) na interação do Programa de intervenção com a variável Situação conjugal sobre o compósito multivariado 92 Estudo Empírico (AVD O1 e AVD O2) (TP=0,0,251; F[2,39]=2,732; p=0,035; Potência=0,729). A potência apurada é no entanto média. Para as restantes variáveis sociodemográficas e IMC, não se obtiveram diferenças estatísticas significativas entre as médias do compósito (AVD O1 e AVD O2) (p>0,05). Os resultados respeitantes ao cruzamento do domínio ADL com as variáveis de atributo constam da Tabela 15. Tabela 15. Cruzamento do domínio ADL do HOOS com as variáveis sociodemográficas Variáveis ADL O1 X Género Masculino Feminino ADL O2 X Género Masculino Feminino ADL O1 X Classe etária 45 – 64 anos ≥ 65 anos ADL O2 X Classe etária 45 – 64 anos ≥ 65 anos ADL O1 X Situação conjugal Solteiro Casado Viúvo ADL O2 X Situação conjugal Solteiro Casado Viúvo ADL O1 X Escolaridade Não sabe ler e escrever Sabe ler e escrever 1º e 2º ciclos ADL O2 X Escolaridade Não sabe ler e escrever Sabe ler e escrever 1º e 2º ciclos ADL O1 X Residência Urbano Rural ADL O2 X Residência Urbano Rural ADL O1 X Condição perante o trabalho População ativa População não ativa ADL O2 X Condição perante o trabalho População ativa População não ativa N Média de posição Valor teste Df p _ 27 17 22,98 21,74 MW = 216,50 0,746 27 17 25,49 17,76 MW = 149 15 29 18,80 24,41 MW = 162 14 30 21,21 23,10 MW = 192 4 31 9 19,63 21,13 28,50 KW = 2,692 2 0,260 4 31 9 23,63 22,35 22,50 KW = 0,035 2 0,982 7 10 27 17,93 29,00 21,28 KW = 3,984 2 0,139 7 10 27 20,79 20,20 23,80 KW = 0,738 2 0,692 10 34 19,45 23,40 MW = 139,50 10 34 26,05 21,46 MW = 134,50 9 35 20,50 23,01 MW = 139,50 _ 0,588 9 35 20,17 23,10 MW = 136,50 _ 0,536 _ 0,050 _ 0,155 _ 0,646 _ 0,377 _ 0,314 No que diz respeito ao domínio ADL, na O1 não se observaram diferenças estatísticas significativas, o mesmo sucedendo na O2 (Tabela 15). Os resultados respeitantes ao compósito da média da pontuação do domínio ADL, em que foram colocados sucessivamente como fatores, o Programa de intervenção (GC e GE) e os 93 Estudo Empírico fatores Género, Classe etária, Situação conjugal, Escolaridade, Residência e Condição perante o trabalho e IMC, podem ser consultados na Tabela 16. Tabela 16. Estatística da MANOVA a 2 fatores entre a variável experimental e uma variável independente sobre o compósito ADL Variáveis N Teste M.de Box (sig.) Programa de Intervenção (PI) Género Masculino Feminino 27 17 0,210 Género x PI Programa de Intervenção Classe etária 45 -64 anos 65 e mais anos 15 29 0,110 Idade x PI Programa de Intervenção Situação conjugal Solteiro Casado Viúvo 4 31 9 0,298 Situação conjugal x PI Programa de Intervenção Escolaridade Não sabe ler e escrever Sabe ler e escrever 1º e 2º ciclos 7 10 27 0,078 Escolaridade x PI Programa de Intervenção Condição perante o trabalho População ativa População não ativa 9 35 0,102 Condição perante o trabalho x PI Programa de intervenção IMC <18.5 18.5 – 24.9 25.0 – 29.9 30.0 – 34.9 35.0 – 39.9 ≥ 40.0 IMC x PI 0 9 16 10 9 0 0,061 Estatística F P Potência TP = 0,281 (2,39) = 7,605 0,002 0,929 (2,39) = 2,461 0,98 0,465 TP= 0,102 TP = 0,163 (2,39) = 2,219 (2,39) = 3,792 0,122 0,031 0,425 0,657 TP = 0,062 (2,39) = 1,284 0,288 0,262 TP= 0,037 TP = 0,227 (2,39) = 0,753 (2,37) = 5,448 0,478 0,008 0,169 0,817 TP = 0,163 (4,76) = 1,690 0,161 0,495 TP = 0,195 TP = 0,096 (4,76) = 2,050 (2,37) = 1,960 0,096 0,155 0,586 0,380 TP= 0,076 (4,76) = 0,750 0,561 0,231 TP = 0,021 TP = 0,061 (4,76) = 0,205 (2,39) = 1,272 0,935 0,292 0,092 0,260 TP = 0,021 (2,39) = 0,412 0,665 0,112 TP = 0,078 TP = 0,211 (2,39) = 1,640 (2,37) = 4,492 0,207 0,013 0,325 0,776 TP = 0,154 (4,76) = 1,586 0,187 0,467 TP =0,012 (4,76) = 0,112 0,978 0,072 TP = 0,112 Legenda: N – número de casos; TP – Traço de Pilai; F – F de Snecdor; p – probabilidade O cruzamento entre o domínio ADL com os fatores Programa de intervenção e a Situação conjugal revelou um efeito significativo de média dimensão (2p=0,211) do Programa de intervenção sobre o compósito multivariado (ADL O1 e ADL O2) (TP=0,227; F[2,37]=5,448; p=0,008; Potência=0,817). A potência é alta. A média dos indivíduos solteiros do GE apresentam a média mais elevada (54,1667) e os indivíduos viúvos do GC apresentam a média mais baixa (29,6870). 94 Estudo Empírico No caso das variáveis Género, Classe etária e IMC, o teste revelou diferenças estatísticas significativas relativamente ao fator Programa de intervenção, tendo-se obtido, respetivamente, uma p=0,002, uma p=0,031 e uma p=0,033 e de potência elevada (>0,900). No entanto, as diferenças estatísticas significativas registadas dizem respeito apenas à O1, deixando de ter interesse uma vez que neste momento avaliativo ainda não tinha sido desenvolvido o Programa de intervenção, existindo as diferenças à partida. Para as variáveis Escolaridade e Condição perante o trabalho não se obtiveram diferenças estatísticas significativas entre as médias do compósito (ADL O1 e ADL O2) (p>0,05). Os resultados respeitantes ao cruzamento do domínio QV com as variáveis de atributo constam da Tabela 17. Tabela 17. Cruzamento do domínio QV do HOOS com as variáveis sociodemográficas Variáveis QV O1 X Género Masculino Feminino QV O2 X Género Masculino Feminino QV O1 X Classe etária 45 – 64 anos ≥ 65 anos QV O2 X Classe etária 45 – 64 anos ≥ 65 anos QV O1 X Situação conjugal Solteiro Casado Viúvo QV O2 X Situação conjugal Solteiro Casado Viúvo QV O1 X Escolaridade Não sabe ler e escrever Sabe ler e escrever 1º e 2º ciclos QV O2 X Escolaridade Não sabe ler e escrever Sabe ler e escrever 1º e 2º ciclos QV O1 X Residência Urbano Rural QV O2 X Residência Urbano Rural QV O1 X Condição perante o trabalho População ativa População não ativa QV O1 X Condição perante o trabalho População ativa População não ativa N Média de posição Valor teste Df p 27 17 24,09 19,97 MW = 186,50 _ 0,289 27 17 23,52 20,88 MW = 202 _ 0,501 15 29 25,80 20,79 MW = 168 _ 0,210 14 30 20,21 23,57 MW = 178 _ 0,413 4 31 9 17,50 22,37 25,17 KW = 1,044 2 0,593 4 31 9 22,50 21,66 25,39 KW = 0,605 2 0,739 7 10 27 20,07 27,25 21,37 KW = 1,912 2 0,384 7 10 27 19,29 21,50 23,70 KW = 0,758 2 0,684 10 34 22,40 22,53 MW = 169 10 34 23,85 22,10 MW = 156,50 _ 0,701 9 35 26,06 21,59 MW = 125,50 _ 0,341 9 35 19,78 23,20 MW = 133 _ 0,469 _ 0,977 95 Estudo Empírico No que diz respeito ao domínio QV, quer na O1 quer na O2 não se observaram diferenças estatísticas significativas (p>0,05), (Tabela 17). Os resultados respeitantes ao compósito da média da pontuação do domínio QV, em que foram colocados sucessivamente como fatores, o Programa de intervenção (GC e GE) e os fatores Género, Classe etária, Situação conjugal, Escolaridade, Residência e Condição perante o trabalho e o IMC, podem ser consultados na Tabela 18. Tabela 18. Estatística da MANOVA a 2 fatores entre a variável experimental e uma variável independente sobre o compósito QV Variáveis N Teste M.de Box (sig.) Programa de Intervenção (PI) Género Masculino Feminino 27 17 0,997 Género x PI Programa de intervenção Classe etária 45 – 64 anos 65 e mais anos 15 29 0,091 Idade x PI Programa de Intervenção Situação conjugal Solteiro Casado Viúvo 4 31 9 0,701 Situação conjugal x PI Programa de Intervenção Escolaridade Não sabe ler e escrever Sabe ler e escrever 1º e 2º ciclos 7 10 27 0,209 Escolaridade x PI Programa de Intervenção Residência Urbano Rural 4 19 0,874 Residência x PI Programa de Intervenção Condição perante o trabalho População ativa População não ativa 9 35 0,157 Condição perante o trabalho x PI Programa de Intervenção IMC <18.5 18.5 – 24.9 25.0 – 29.9 30.0 – 34.9 35.0 – 39.9 ≥ 40.0 IMC x PI 0 9 16 10 9 0 0,157 Estatística F P Potência TP =0,097 (2,39) =2,102 0,136 0,406 TP = 0,046 (2,39) = 0,951 0,395 0,203 TP =0,106 TP =0,038 (2,39) = 2,321 (2,39) = 0,778 0,112 0,467 0,442 0,173 TP =0,969 (2,39) = 0,614 0,547 0,145 TP =0,010 TP = 0,083 (2,39) = 0,190 (2,37) = 1,666 0,827 0,203 0,078 0,329 TP = 0,028 (4,76) = 0,266 0,899 0,106 TP = 0,155 TP = 0,009 (4,76) = 1,595 (2,37) = 0,177 0,184 0,838 0,470 0,075 TP= 0,49 (4,76) = 0,049 0,750 0,158 TP = 0,036 TP = 0,034 (4,76) = 0,375 (2,39) = 0,679 0,87 0,513 0,124 0,156 TP = 0,003 (2,39) = 0,051 0,950 0,057 TP = 0,043 TP =0,019 (2,39) = 0,866 (2,39) =0,373 0,428 0,691 0,188 0,106 TP =0,986 (2,39) = 0,276 0,760 0,091 TP =0,990 TP= 0,019 (2,39) = 0,196 (2,39) =0,373 0,823 0,691 0,078 0,106 TP =0,968 (2,39) = 0,196 0,760 0,091 TP=0,010 (2,39) = 0,196 0,823 0,078 Legenda: n – número de casos; TP – Traço de Pilai; F – F de Snecdor; p – probabilidade; 96 Estudo Empírico No cruzamento entre o compósito do domínio (QV O1 e QV O2) e o fator Programa de intervenção, com as variáveis sociodemográficas e IMC, o teste não revelou diferenças estatísticas significativas entre as médias do compósito (p>0,05). No sentido de avaliar o efeito do Programa de intervenção sobre os diferentes domínios do HOOS, procedeu-se à subtração entre a média da O2 e da O1, de cada um dos domínios, e de seguida realizou-se o teste t de Student e o teste MW entre essas diferenças, nos dois grupos em estudo (GC e GE). Optou-se pelo teste MW quando a variável da diferença entre a O1 e O2 do domínio não cumpria os pressupostos da normalidade. Os resultados dos testes constam da Tabela 19. Tabela 19. Resultados dos testes estatísticos entre a variável O2 – O1 nos dois grupos em estudo N Média de posição GC GE 23 21 21,09 24,05 MW = 209 GC GE 23 21 43,2609 48,3333 t = 0,081 42 0,384 GC GE 23 21 44,2016 46,0478 t = 0,378 42 0,707 GC GE 23 21 22,59 22,40 MW = 239,50 GC GE 23 21 33,6957 40,4762 t = 1,220 Variáveis Valor teste Dor O2 – O1 Df p _ 0,444 Sintomas O2 – O1 AVD O2 – O1 ADL O2 – O1 _ 0,962 QV O2 – O1 42 0,229 Não se observaram diferenças estatísticas significativas no cruzamento das diferenças entre a média da pontuação da O2 - O1, em todos os domínios dos HOOS (p>0,05), (Tabela 19). No entanto, a média de cada um dos domínios aumenta da O1 para a O2, sendo sempre mais elevada no GE do que no GC, exceto no domínio ADL. Isto significa que o programa de intervenção teve algum efeito na melhoria da média relativamente a cada um dos domínios, exceto na ADL mas sem diferenças estatísticas significativas. Para testar a H3 e H4, procedeu-se à realização do teste de correlação de Pearson entre a Idade, Intensidade da dor e a pontuação dos diferentes domínios do HOOS, nas duas observações (Tabela 20). 97 Estudo Empírico Tabela 20. Resultados das correlações entre a Idade e a Intensidade da dor com os diferentes domínios do HOOS nas duas observações N sig r N sig r HOOS Dor O1 44 0,768 0,046 44 0,065 -0,281 HOOS Sintomas O1 44 0,991 0,002 44 0,004 -0,430** HOOS AVD O1 44 0,769 -0,045 44 0,093 -0,256 HOOS ADL O1 44 0,106 0,247 44 0,309 -0,157 HOOS QV O1 44 0,292 -0,162 44 0,737 -0,052 N sig r N sig r HOOS Dor O2 44 0,417 -0,125 44 0,000 -0,559** HOOS Sintomas O2 44 0,842 0,031 44 0,008 -0,393** HOOS AVD O2 44 0,763 0,047 44 0,006 -0,405** HOOS ADL O2 44 0,555 0,091 44 0,038 -0,313* HOOS QV O2 44 0,566 0,089 44 0,047 -0,301* Variáveis Idade O1 Intensidade da Dor O1 Variáveis Idade O2 Intensidade da Dor O2 r – Coeficiente Correlação Pearson *. A correlação é significativa no nível 0,05 (2 extremidades) **. A correlação é significativa no nível 0,01 (2 extremidades) Não se observou existirem correlações entre a Idade nos momentos O1 e O2 e os domínios do HOOS (p>0,05). Não se constatou existirem correlações entre a Intensidade da dor e os domínios do HOOS na O1, exceto com o domínio Sintomas (p>0,05). Verificou-se existir correlação negativa entre a Intensidade da dor e o domínio Sintomas (p=0,004), de Intensidade moderada (r=-0, 430). Ou seja, à medida que aumenta a Intensidade da dor, diminui a pontuação do domínio Sintomas, o que significa que o sujeito referiu mais sintomas relacionados com a anca. Se se tiver em conta o coeficiente de determinação, verifica-se que a variável Intensidade da dor explica 18,49% da variância dos sintomas relacionados com os problemas da anca. Na O2 observou-se a existência de correlações negativas (p<0,005) entre a Intensidade da dor e todos os domínios do HOOS, sendo que para os domínios Dor, Sintomas e AVD verifica-se uma Intensidade elevada e para os domínios ADL e QV uma Intensidade baixa (r=-0,312; r= 0,301), ou seja, com o aumento da Intensidade da dor diminui a pontuação em todos os domínios do HOOS, o que quer dizer mais dor, mais sintomas relacionados com os problemas da anca, menor capacidade para as AVD’s e ADL e diminuição da QV. Se se tiver em conta o coeficiente de determinação, verifica-se que a variável Intensidade da dor explica 31,24% da variância da Dor referenciada pelos utentes relativamente à anca, 15,44% dos sintomas relacionados com os problemas da anca, 16,40% da dificuldade sentida na realização das AVD’s, 9,79% do impedimento na execução das ADL e 9,06% da QV sentida pelos utentes. 98 Estudo Empírico Os resultados do teste de correlação de Pearson entre os diferentes domínios do HOOS, nas duas observações, estão representados nas Tabelas 21 e 22. Tabela 21. Correlações entre os domínios da HOOS na O1 Variáveis HOOS Sintomas O1 44 ,002 ,455** N Sig r N HOOS Sintomas O1 Sig r N HOOS AVD O1 Sig r N HOOS ADL O1 Sig r *. A correlação é significativa no nível 0,05 (2 extremidades) **. A correlação é significativa no nível 0,01 (2 extremidades) HOOS Dor O1 HOOS AVD O1 44 ,000 ,616** 44 ,002 ,450** HOOS ADL O1 HOOS QV O1 44 ,001 ,467** 44 ,011 ,380* 44 ,000 ,751** 44 ,036 ,317* 44 ,296 ,161 44 ,003 ,438** 44 ,151 ,220 Constatou-se existir correlação (p<0,05) entre todos os domínios do HOOS, sendo todas positivas, exceto entre o domínio Sintomas1/QV1 e o domínio ADL1/QV1. A correlação de Intensidade mais elevada é entre a AVD1 e ADL1 (r=0,751), que é alta, e a menos elevada diz respeito ao cruzamento entre a Dor1 e a QV1 (r=0,317), classificando-se como baixa. Isto significa que quando aumenta a pontuação de um domínio, aumenta a pontuação do outro, sendo que a pontuação da AVD1 explica 56,4% da variação da pontuação das ADL. Tabela 22. Correlações entre os domínios da HOOS na O2 Variáveis HOOS Sintomas 02 44 ,000 ,715** N Sig r N HOOS Sintomas 02 Sig r N HOOS AVD O2 Sig r N HOOS ADL O2 Sig r *. A correlação é significativa no nível 0,05 (2 extremidades) **. A correlação é significativa no nível 0,01 (2 extremidades) HOOS Dor O2 HOOS AVDO2 HOOS ADL O2 44 ,000 ,810** 44 ,000 ,761** 44 ,000 ,687** 44 ,000 ,718** 44 ,000 ,800** HOOS QV O2 44 ,000 ,618** 44 ,000 ,669** 44 ,000 ,769** 44 ,000 ,762** 99 Estudo Empírico Pela leitura da tabela verifica-se que existem correlações positivas entre todos os domínios, sendo que as correlações são mais elevadas na O2 relativamente à O1. Na O2, a correlação de Intensidade mais elevada é entre a Dor2 e a AVD2 (r=0,810), que se classifica como alta, e a menos elevada acontece no cruzamento entre a Dor2 e QV2 (r=0,618), que se classifica como moderada (Pestana & Gageiro, 2007). Estes resultados significam que quando aumenta a pontuação de um domínio, aumenta a pontuação do outro, sendo que a Dor explica 65,6% da variação da pontuação das AVD’s e 38,2% da variação da QV. 3. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS Após a apresentação dos resultados realizada anteriormente, são discutidos os resultados enquadrados na evidência atualmente disponível realizada na área. Analisa-se a caracterização da amostra, seguida da discussão dos resultados globais obtidos e discussão da rejeição ou não das hipóteses, baseados nos resultados dos testes. A discussão, sempre que possível será efetuada com recurso a estudos feitos em Portugal, e que utilizem a mesma escala de QV. A interpretação dos resultados obtidos é uma fase importante, pois como refere Fortin e cols. (2009), “…é uma etapa difícil que exige um pensamento crítico da parte do investigador” (p.329). 3.1. Discussão das características da amostra No que diz respeito à caracterização da amostra, os indivíduos eram maioritariamente do género masculino (60,09%), em ambos os grupos, o que difere da maior parte da bibliografia consultada, que diz que a osteoartrite é mais prevalente no género feminino, tal como referem Ornetti e cols. (2009), no seu estudo realizado em França, cujo objetivo era traduzir e adaptar a escala HOOS para o francês (n=88), tendo encontrado 70% de mulheres, e Nunes (2012), num estudo realizado em Portugal, cujo objetivo foi adaptar e validar a escala HOOS LK2.0 para a população portuguesa, em indivíduos com OA e artroplastia da anca, no qual 56% dos participantes eram mulheres. No entanto, estes resultados estão de acordo com os obtidos no estudo de Floro (2007), também realizado em Portugal, e cujo objetivo foi analisar o impacto do suporte social e estratégias de coping sobre a perceção subjetiva de bem-estar e QV dos doentes com coxartrose e ATA (n=74), no qual 54,05% de sujeitos era do sexo masculino, e no estudo de Loures e Leite (2011), realizado em Portugal, cujo objetivo era avaliar a QVRS 100 Estudo Empírico em doentes afetados por OA do quadril e tratados por ATA (n=87), e que encontrou 55,3% de indivíduos do sexo masculino. Uma possível explicação para estas diferenças poderá estar relacionada com o facto de esta ser uma amostra reduzida e de se tratar de uma população de uma região bastante diferente, tendo os participantes características também diferentes. Relativamente à variável Idade, verificou-se que, em ambos os grupos, a classe etária predominante era a dos 65 e mais anos (65,9%), o que corrobora a bibliografia que refere que a coxartrose é predominante na segunda metade de vida e que as alterações degenerativas artrósicas são mais patentes entre os 55 e os 65 anos e mais de idade. Ornetti e cols. (2009) e Nunes (2012), nos seus estudos encontram médias de idade de 61,80 e 68,79 anos, respetivamente, e está igualmente de acordo com o relatório de gestão e contas do exercício de 2012 do CHTMAD, EPE, que refere que 25,2% dos utentes tem 65 ou mais anos, o que significa que um grande grupo de utentes, desta classe etária, recorre a este centro hospitalar. Quanto às Habilitações académicas dos indivíduos, no total da amostra constatou-se que 61,4% tinha o 1º e 2º ciclos, mas 15,9% não sabia ler nem escrever, o que está de acordo com o último censos da população portuguesa (INE, 2012), em que na zona norte dos país, 15,62% dos indivíduos não possui nível de escolaridade completo e 54,89% possui o 1º ou 2º ciclos de escolaridade, e está ainda em consonância com os estudos de Floro (2007) e Nunes (2012), que afirmam que os sujeitos dos seus estudos possuíam como habilitações literárias o ensino básico ou inferior, sendo que na população de Floro, 70,27% possuía o ensino primário, e Nunes (2012) encontrou uma população em que 63,3% sabia ler e escrever e 22,2% possuía o 1º ciclo, ou seja, tratava-se de populações com baixa escolaridade. No que diz respeito à Situação conjugal, os indivíduos eram em ambos os grupos maioritariamente casados (70,05%), o que vai de encontro aos estudos realizados por Floro (2007) e Nunes (2012), cujos sujeitos dos seus estudos eram maioritariamente casados, tendo obtido as percentagens de 70,27% e 64,0%, respetivamente, resultados que podem estar relacionados com a classe etária dos sujeitos em estudo. Relativamente à Residência, verificou-se que a maioria da amostra (77,3%) vive em meio rural, resultados que se coadunam com o meio em que o estudo se desenvolveu (interior norte de Portugal). Quanto à Condição dos sujeitos do estudo perante o trabalho, a maioria dos participantes enquadrava-se na população não ativa (79,5%), que vai de encontro aos dados obtidos por 101 Estudo Empírico Nunes (2012), que apontam para uma maioria de indivíduos em situação de reforma (79,3%), o que poderá ser explicado pela classe etária em que se encontra a maioria dos sujeitos do estudo. Pela análise dos resultados relativos aos testes estatísticos, que comparam as características sociodemográficas entre os dois grupos, o facto de não terem revelado diferenças estatísticas significativas, é indiciador que as referidas características não influenciaram os resultados, referentes ao efeito do Programa de intervenção de VD, entre estes dois grupos. No estudo de Utrilla, Muños e Calvo (2002), realizado Espanha, cujo objetivo foi analisar em indivíduos com AO da anca e joelho (Anca n=50; Joelho n=50), o que era mais incapacitante do ponto de vista do doente e como variava a QV percebida após a artroplastia, as variáveis género e idade também não diferiam significativamente, nos dois momentos de avaliação. 3.2. Discussão acerca da classificação do índice de massa corporal e intensidade da dor Relativamente ao IMC, a maioria (43,2%) dos utentes apresentava obesidade em ambas as observações, o que vai de encontro ao estudo de Hodt-Billington, Helbostad, Vervaat, Rognsvåg e Moe-Nilssen (2011), realizado na Noruega, cujo objetivo era investigar a magnitude da mudança em diferentes momentos nas medidas de simetria da marcha, velocidade da marcha e função auto-relatada, após a substituição total da anca, em que os sujeitos (n=41) apresentavam uma média de IMC de 27,6, e ao estudo de Carneiro (2012), realizado em Portugal, cujo objetivo era destacar as alterações na marcha e padrões de ativação muscular dos doentes após ATA, em que os intervenientes no estudo (n=20) apresentavam média de IMC de 26,1, ou seja, a maioria dos utentes apresentava excesso de peso ou eram obesos, tal como no presente estudo. Não se verificaram, no entanto, diferenças estatisticamente significativas (p>0,05) entre o GC e GE, no que concerne à média do IMC, tal como relatado por Rampazo e D’Elboux (2010), num estudo realizado no Brasil (n=132), cujo objetivo foi avaliar a QVRS de idosos com ATQ e investigar a relação e a influência de variáveis sociodemográficas, clínicas e funcionais nesses sujeitos. Por sua vez, Vincent e cols. (2012), num estudo realizado nos Estados Unidos da América, cujo objetivo foi recolher dados disponíveis acerca dos efeitos da obesidade, sobre os resultados funcionais a longo prazo após a ATA, referem que a QV dos utentes submetidos a ATA melhora 102 Estudo Empírico independentemente do IMC, ou seja, estes investigadores não encontraram diferenças significativas entre o IMC e os resultados de QV obtidos após ATA. Relativamente à Intensidade da dor, verificou-se no total da amostra que 31,8% e 47,7% dos utentes apresentavam dor moderada e dor intensa, respetivamente. Entre o pré operatório e três meses após a ATA, verificou-se uma diminuição das médias avaliadas pela escala da dor, sendo que da O1 para a O2, no GC, a média passou de 5,87 para 0,73, e no GE, de 6,19 para 0,52, o que permite afirmar que existiu uma diminuição substancial da dor em ambos os grupos nos três meses subsequentes à ATA. A diminuição da dor está descrita na bibliografia como uma das indicações para ATA, sendo encontrada igualmente no estudo de Nunes (2012), que nas duas observações efetuadas encontrou uma diminuição das médias de intensidade da dor, após tratamento fisiátrico. 3.3. Discussão acerca da satisfação com a visita domiciliária de enfermagem Pela avaliação da VD, por parte dos utentes submetidos a Programa de intervenção, verificouse que os utentes lhe atribuíram grande importância, nomeadamente pela contribuição para a melhoria da QV, o que demonstra a importância da sua implementação e da existência de protocolos e programas de intervenção que, como referem Paskulin e cols. (2004), num estudo observacional realizado no Brasil (n=23), com o objetivo de investigar como os utentes submetidos a ATA perceberam os cuidados recebidos no pré e pós-operatório pelos enfermeiros, estes utentes atribuíram à VD importância pelo facto de durante esta atividade o enfermeiro poder promover orientações adequadas ao desenvolvimento de competências, quer do utente quer da família. 3.4. Discussão do efeito do programa de intervenção sobre os domínios do HOOS De seguida faremos a discussão do efeito do programa de intervenção sobre os domínios do HOOS, sendo que em Portugal apenas existe um estudo com a aplicação deste questionário (Nunes, 2012), não tendo sido possível também comparar os resultados obtidos com outros estudos, pois não foram encontradas investigações, quer a nível nacional quer internacional, 103 Estudo Empírico com intervenção na área da VD de enfermagem, a utentes submetidos a ATA com a aplicação deste questionário. Relativamente aos domínios do HOOS, as médias apuradas são mais elevadas na O2 que na O1, tendo-se verificado igualmente que estas são mais elevadas no GE do que no GC. Verificou-se, igualmente, um menor aumento das médias relativamente aos domínios ADL e QV, em ambos os grupos, mais significativa no GC. Este facto pode ficar a dever-se, no caso do domínio ADL, à restrição de movimentos nos primeiros meses após a ATA, a que estes utentes são sujeitos e pelo facto da maioria dos utentes ser idosa e já antes da ATA não praticar qualquer tipo de atividade física. No caso da QV, o menor aumento da média poderá estar relacionado com a existência ainda de alguma limitação de movimentos, com a dificuldade na realização das AVD’s e, ainda, com o tempo decorrido desde a cirurgia. O mesmo sucedeu no estudo de Nilsdotter e cols. (2003), realizado na Suécia (n=90), cujo objetivo foi a avaliação da QV de utentes submetidos a ATA, e nos estudos de Groot e cols. (2007) (n=65) e Wei e cols. (2012) (n=131), que pretendiam validar a escala HOOS para a população alemã e chinesa, respetivamente, em que verificaram a existência de um aumento da média da pontuação em todos os domínios, da O1 para a O2, após ATA, verificando-se também um menor aumento das médias, no que diz respeito aos domínios ADL e QV. No entanto, nestas investigações não existiu a aplicação de nenhuma intervenção do investigador. Salienta-se que o maior aumento das médias dos diferentes domínios do GE face ao GC não teve relevância estatística significativa, tal como no presente estudo. O aumento generalizado das médias em todos os domínios pode explicar-se pela ATA a que todos os sujeitos participantes foram submetidos. Por sua vez, o aumento mais substancial verificado, no GE, pode ficar a dever-se à aplicação do programa de VD, a que este grupo foi sujeito. Pela análise estatística, pode verificar-se que no cruzamento da pontuação dos domínios do questionário HOOS com as variáveis Género, Classe etária, Situação conjugal, Escolaridade, Residência, e Condição perante o trabalho, apenas se verificaram diferenças estatísticas significativas, no caso do cruzamento entre o domínio Dor e a variável Género, na O1, e nos casos do domínio Sintomas e AVD, na O2, com a mesma variável sociodemográfica, sendo as médias sempre superiores no género masculino. Na O1, pode dizer-se que as diferenças existiam à partida do estudo. Estas diferenças entre os dois géneros poderão explicar-se pelo facto de o homem ter uma melhor autoperceção do estado de saúde, como refere Vintém 104 Estudo Empírico (2008), num estudo realizado em Portugal (n=56000), com o objetivo de apresentar os resultados dos Inquéritos Nacionais de Saúde realizados em 1995/6, 1998/9 e 2005/6 (4º INS), sobre a autoperceção do estado de saúde, e também Praça (2012), num estudo realizado em Portugal, com o objetivo de avaliar a perceção da QVRS (n=1111 utentes, maiores de 18 anos, inscritos nos Centros de Saúde do ACeS Trás-os-Montes I – Nordeste), em que se verificou que os valores médios da QV eram maiores no sexo masculino, tal como no presente estudo. O facto de não se terem observado diferenças estatísticas significativas entre a diferença das médias, da O2 para a O1, é um indicador de que as alterações ocorridas nas médias dos diferentes domínios não foram substanciais, a ponto de provocar diferenças significativas entre os dois grupos em estudo. Através da análise multivariada efetuada, verificou-se um efeito estatístico significativo no cruzamento entre o compósito Sintomas O1/O2, com o Programa de intervenção e a variável Género, apenas relativo à variável Género (p=0,041), e no cruzamento entre o compósito AVD, com o Programa de intervenção e a variável situação conjugal, sendo este resultado relativo à interação Situação conjugal com o Programa de intervenção (p=0,035). No que diz respeito ao domínio Sintomas, este resultado vem corroborar o referido anteriormente relativamente ao género. No que concerne ao domínio AVD, este resultado pode ser atribuído ao Programa de intervenção de VD. No teste de correlação de Pearson encontraram-se correlações entre os vários domínios, sendo que a Dor apresentou correlação significativa com todos os outros domínios do HOOS, na O1, e onde o domínio QV apenas apresentou correlação com a Dor e as AVD, tendo-se verificado um valor de correlação r mínimo entre a Dor e a QV (r=3,17) e máximo entre as AVD e as ADL (r=7,51). Na O2, verificou-se a existência de correlações entre todos os domínios, de intensidade alta (r>0,600) em todos eles, sendo menos elevada (r=0,618) entre os domínios Dor e QV e mais elevada (r=0,800) entre os domínios AVD e ADL, significando que todos os domínios se correlacionam com maior intensidade na O2, indo de encontro aos estudos de Nilsdotter e cols. (2003), Grot e cols. (2007) e Nunes (2012), que encontraram correlações entre os domínios do HOOS e a escala MOS-SF-36. A Intensidade da dor apresentou uma correlação significativa com o domínio Sintomas (Pearson: p=0,004), na O1, e com todos os domínios, na O2. Estes resultados vão de encontro 105 Estudo Empírico aos obtidos por Ornetti e cols. (2010), que constataram que a Intensidade da dor se correlacionava com o domínio Dor (r=-0,67) e o domínio AVD (r=-0,71), e por Nunes (2012), que encontrou correlações entre a Intensidade da dor e todos os domínios do HOOS (r entre 0,245 e -0,404), na O1, e na O2 (r entre 0,341 e 0,458), exceto no domínio ADL em ambas as observações, cujos coeficientes de correlação são semelhantes aos do presente estudo. 106 CONCLUSÃO Após uma análise atenta à apresentação dos resultados e respetiva discussão, tendo em conta os objetivos delineados para o estudo e as hipóteses formuladas, vai-se elencar de seguida um conjunto de conclusões consideradas pertinentes. O principal objetivo deste estudo era avaliar o efeito de um Programa de Intervenção de Enfermagem no Domicílio a utentes submetidos a ATA, no CHTMAD, EPE. Pode afirmar-se que o perfil do utente submetido a ATA neste estudo é uma pessoa do sexo masculino, pertence à classe etária de 65 e mais anos, tem entre o 1º e 2º ciclos de escolaridade, é casada, reside em meio rural e pertence à população não ativa. A Intensidade da dor diminui da O1 para a O2 e a QV aumentou, sendo esse aumento mais acentuado no GE do que no GC. A média da pontuação dos domínios HOOS aumentou da O1 para a O2 nos dois grupos, de forma mais substancial no GE, sendo menos acentuado no caso dos domínios ADL e QV. A variável Género parece influenciar o domínio Sintomas e o domínio AVD. As variáveis Classe etária, Situação conjugal, Escolaridade, Residência, Condição perante o trabalho e o IMC não se mostraram discriminatórias no presente estudo. Parece existir relação entre a Intensidade da dor e os domínios do HOOS. Não se confirmou existir relação entre a idade e os domínios do HOOS. Confirmou-se existir relação entre os diferentes domínios do HOOS, o que significa que todos estão interligados. O programa de VD teve um ligeiro efeito sobre os domínios do HOOS e especificamente sobre a QV, que não foi estatisticamente significativo, concluindo-se que terá tido um efeito reduzido. 107 Conclusão Apesar do reduzido efeito que o Programa de VD teve na melhoria da QV e atendendo à importância que os utentes atribuíram ao Programa de intervenção na melhoria da sua QV, parece que esta é uma boa estratégia, sendo importante a sua implementação a todos os utentes, uma vez que estes referem benefícios para a sua QV. O estudo aqui exposto pretende ser um contributo para a melhoria da qualidade dos cuidados de enfermagem neste âmbito e para o aumento efetivo da QV dos utentes submetidos a ATA. A diminuição do tempo de internamento do utente gera a necessidade de maior acompanhamento, após a alta, que pode ser assegurado pela VD de enfermagem. Esta visita contribui para a qualidade dos cuidados, promove a autonomia do utente e fomenta a participação da família nos cuidados. Reconhecem-se algumas limitações a este estudo, sobretudo no que se relaciona com a utilização de uma amostra não-probabilística, de conveniência, e a dimensão da mesma, o que limita a generalização dos dados, sendo que estes devem ser apreciados com algum cuidado. Fica a convicção de que a realização de novos estudos na área poderão revelar-se importantes no contributo para a relação terapêutica entre a enfermagem comunitária e o indivíduo submetido a ATA, sendo que este estudo pode servir como ponto de partida para investigações futuras, mais prolongadas no tempo, com uma maior amostragem e aleatoriedade, que permitam corroborar ou não as presentes conclusões. 108 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Amorim, M.I.S.P.L. (1999). Qualidade de vida e coping na doença crónica: Um estudo em diabéticos não insulinodependentes. 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Loures: Lusodidacta. 120 APÊNDICES 121 Apêndice A Folheto “Cuidados a ter no domicílio com a prótese da anca” 123 125 126 Apêndice B Flyer informativo sobre “Equipamentos adaptativos” 127 129 Apêndice C Questionário 131 133 134 135 136 137 138 139 140 141 Apêndice D Mini Mental State Examination 143 145 146 Apêndice E Autorização dos autores para utilização do questionário HOOS LK 2.0 147 Coimbra, 4 de Janeiro de 2014 Ex.mo Senhor Professor: Em resposta ao pedido que me formalizou é com todo o prazer que envio a versão portuguesa do instrumento de medição HOOS (Hip Dysfunction and Osteoarthritis Outcome Score, LK 2.0) para aplicar no âmbito do trabalho de investigação que pretende realizar. Este instrumento permite (i) medir e avaliar a incapacidade gerada por problemas na anca e (ii) medir o impacto dos cuidados de saúde efetuados por problemas na anca ou artroplastia da anca. Mais informação sobre as características desta medida poderá encontrar em http://www.uc.pt/org/ceisuc/RIMAS/Lista/Instrumentos/HOOS Desejo-lhe o melhor êxito para o seu trabalho. Com os meus melhores cumprimentos. Prof. Doutor Pedro Lopes Ferreira Carta enviada por correio electrónico 149 Apêndice F Manual de Utilização do HOOS LK 2.0 151 153 154 Apêndice G Pedido de autorização à Comissão de Ética do CHTMAD, EPE 155 Exmo. Senhor Presidente do Conselho de Administração Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro, EPE Vila Real Assunto: Pedido de autorização para aplicação de um inquérito António Manuel da Rocha Fonseca Pinto, Enfermeiro Graduado do Centro Hospitalar de Trás-osMontes e Alto Douro EPE, encontrando-se a desenvolver um trabalho sobre “A importância da artroplastia total da anca e da visita domiciliária de enfermagem para a qualidade de vida dos doentes com coxartrose” no âmbito da Dissertação de Mestrado em Enfermagem Comunitária da Escola Superior de Enfermagem/Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, sob a orientação do Professor Doutor Amâncio António de Sousa Carvalho, Professor Adjunto na ESEnfVR da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, vem por este meio solicitar a V. Ex.ª, que se digne autorizar a realização do estudo nos Serviços de Ortopedia e Consulta Externa. Os objetivos que delineamos para o presente estudo são: Caraterizar os utentes submetidos a Artroplastia Total da Anca do serviço de ortopedia e de consulta externa do CHTMAD, EPE; Comparar as dimensões da Qualidade de Vida dos doentes no pré e pós-operatório; Identificar quais os domínios da qualidade de vida mais afetados no pré e pós-operatório. A razão inerente à escolha dos serviços Ortopedia e Consulta Externa reside no facto de desenvolver a minha atividade profissional no Serviço de Ortopedia, e numa lógica da melhoria da qualidade dos cuidados de enfermagem prestados. Trata-se de um estudo prospetivo longitudinal antes e após Artroplastia, O universo será constituído por todos os utentes que sejam submetidas a Artroplastia Total da Anca no referido serviço e 3 meses após na Consulta Externa durante a consulta dos três meses e decorrerá de Julho a Dezembro de 2012, sendo a amostra constituída por todos os utentes submetidos a Artroplastia Total da Anca que decidam livremente acerca da participação no mesmo. Ressalvo que conscientes das implicações éticas de um trabalho desta natureza, os dados colhidos se destinam exclusivamente ao estudo em causa e são confidenciais. 157 Na expectativa que o nosso pedido obtenha de V. Exª. o melhor acolhimento e agradecendo antecipadamente a vossa atenção, apresento os meus sinceros cumprimentos, colocando-nos à inteira disposição de V.ª Ex.ª para eventuais esclarecimentos. Junto se anexa um exemplar do formulário. Atenciosamente pede deferimento António Manuel da Rocha Fonseca Pinto Vila Real, 15 de Junho de 2012 158 Apêndice H Parecer da Comissão de Ética do CHTMAD, EPE 159 161 Apêndice I Termo de Consentimento Informado 163 CONSENTIMENTO INFORMADO, LIVRE E ESCLARECIDO PARA PARTICIPAÇÃO EM INVESTIGAÇÃO de acordo com a Declaração de Helsínquia1 e a Convenção de Oviedo2 Eu, António Manuel da Rocha Fonseca Pinto, aluno do Mestrado em Enfermagem Comunitária da Escola Superior de Enfermagem/Universidade de Trás os Montes e Alto Douro, pretendo a sua colaboração no estudo abaixo descriminado, através d respostas a um questionário. Agradeço antecipadamente a sua disponibilidade. Por favor, leia com atenção a seguinte informação. Se achar que algo está incorreto ou que não está claro, não hesite em solicitar mais informações. Se concorda com a proposta que lhe foi feita, queira assinar este documento. Título do estudo: A importância da artroplastia total da anca e da visita domiciliária de enfermagem para a qualidade de vida dos doentes com coxartrose Enquadramento: O estudo decorrerá no CHTMAD, EPE Serviço de Ortopedia da Unidade de Vila Real, de Julho 2012 a Janeiro de 2013, no âmbito do Mestrado em Enfermagem Comunitária da Escola Superior de enfermagem/Universidade de Trás os Montes e Alto Douro, orientado pelo Professor Doutor Amâncio António Sousa Carvalho. Explicação do estudo: Este estudo é pertinente, visto que se torna importante saber de que forma a Artroplastia Total da Anca e a Visita Domiciliária de Enfermagem são importantes para a qualidade de vida dos utentes com coxartrose. Neste estudo para a recolha de dados será utilizado um questionário a aplicar em dois tempos distintos, no préoperatório e três meses após a alta clinica, constituído por 3 partes distintas: I – Recolha de dados sociodemográficos II – Questionário HOOS (Hip Dysfunction and Osteoarthristis Ouctome Score) sobre a anca, que pretende saber como vê a sua anca III – Questionário sobre a importância da visita Domiciliária de Enfermagem Este questionário será aplicado em dois diferentes momentos, no pré-operatório e na consulta dos 3 meses. A sua aplicação terá a duração média de 20 minutos. Condições e financiamento: Este estudo não comporta qualquer financiamento, tendo merecido parecer favorável da comissão de ética do CHTMAD. Confidencialidade e anonimato: Neste procedimento serão sempre garantidos aos utentes o anonimato, confidencialidade dos dados e uso exclusivo dos mesmos para fins académicos comprometendo-nos a facilitar o acesso aos resultados deste estudo. Será também possibilitada a facilidade de desistência em qualquer momento do preenchimento do questionário. Assinatura: … … … … … … … … … ... … … … …... … … … … … … … … … … … … -o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o-o- Declaro ter lido e compreendido este documento, bem como as informações verbais que me foram fornecidas pela/s pessoa/s que acima assina/m. Foi-me garantida a possibilidade de, em qualquer altura, recusar participar neste estudo sem qualquer tipo de consequências. Desta forma, aceito participar neste estudo e permito a utilização dos dados que de forma voluntária forneço, confiando em que apenas serão utilizados para esta investigação e nas garantias de confidencialidade e anonimato que me são dadas pelo/a investigador/a. Nome: … … … … … … … …... … … … …... … … … … … … … … … … … … 1 http://portal.arsnorte.min-saude.pt/portal/page/portal/ARSNorte/Comiss%C3%A3o%20de%20%C3%89tica/Ficheiros/Declaracao_Helsinquia_2008.pdf 2 http://dre.pt/pdf1sdip/2001/01/002A00/00140036.pdf 165