Universidade de Brasília
HELIO FERREIRA LEITE
GESTÃO DO PROGRAMA FORÇAS NO ESPORTE: UMA FORMA DE
INCLUSÃO SOCIAL
Força Aérea Brasileira Uma Oportunidade a Mais
Rio de Janeiro
2007
ii
HELIO FERREIRA LEITE
GESTÃO DO PROGRAMA FORÇAS NO ESPORTE: UMA FORMA DE
INCLUSÃO SOCIAL
Força Aérea Brasileira Uma Oportunidade a Mais
Trabalho apresentado ao Curso de
Especialização em Esporte Escolar do
Centro de Educação à Distância da
Universidade de Brasília em parceria
com o Programa de Capacitação
Continuada em Esporte Escolar do
Ministério do Esporte para obtenção
do título de Especialista em Esporte
Escolar.
Orientador:
Prof° Ms. Elzir Martins de Oliveira
Rio de Janeiro
2007
iii
LEITE, Helio Ferreira
GESTÃO DO PROGRAMA FORÇAS NO ESPORTE: UMA FORMA DE INCLUSÃO SOCIAL. Rio de
Janeiro, 2007.
41 p.
TCC (Especialização) – Universidade de Brasília. Centro de Ensino a Distância, 2007.
1. Gestão do programa Forças no Esporte
3. Programa Forças no Esporte.
2. Força Aérea Brasileira Uma Oportunidade a Mais
iv
HELIO FERREIRA LEITE
GESTÃO DO PROGRAMA FORÇAS NO ESPORTE: UMA FORMA DE
INCLUSÃO SOCIAL
Força Aérea Brasileira Uma Oportunidade a Mais
Trabalho apresentado ao Curso de
Especialização em Esporte Escolar do
Centro de Educação à Distância da
Universidade de Brasília em parceria
com o Programa de Capacitação
Continuada em Esporte Escolar do
Ministério do Esporte para obtenção
do título de Especialista em Esporte
Escolar pela Comissão formada pelos
professores:
Presidente:
Membro:
Professor Mestre ELZIR MARTINS DE OLIVEIRA
Centro Universitário Augusto Motta.
Professora Claudia Santos
Universidade de Brasília
Rio de Janeiro (RJ), 04 de Abril de 2007.
v
A Deus, fonte de vida.
A minha esposa, filhos, nora,
genro e amigos, pelo incentivo,
ajuda e carinho constantes.
vi
AGRADECIMENTOS
Agradeço a todos aqueles que, direta ou indiretamente contribuíram para a
elaboração deste trabalho, ao Ministério do Esporte pela oportunidade de participar
de um curso de especialização à distância, a professora Anita Souto Mayor Rondon
tutora de Especialização do CEAD e, de modo especial ao professor Mestre Elzir
Martins de Oliveira, pelo incentivo constante e pela orientação.
vii
“Olhe para dentro de si antes
de julgar os atos de teu semelhante
e veja quão inferiores são teus
pensamentos, pensamentos estes
que subentendem carência de
ideais e o homem sem ideais
jamais sairá da lama em que vive e
morrerá putrefato pelo germe de
sua própria natureza”.
Autor desconhecido
viii
RESUMO
Este trabalho tem por objetivo retratar a experiência no convívio da Força
Aérea Brasileira com as comunidades carentes. Não só a carência financeira, mas a
de carinho, afeto, respeito aos seus direitos como cidadãos e de oportunidades, e ao
ser observada toda essa necessidade, através do Programa Segundo Tempo e com
o apoio da CDA e da UNIFA, foi desenvolvido o trabalho proposto pelo Programa
Forças no Esporte, que é a inclusão social através do esporte e que a Força Aérea
Brasileira também pode dar a sua contribuição na formação de cidadãos. Ao final de
cada ano letivo é claramente notada a mudança no comportamento de todos os
assistidos apesar de no ano seguinte, devido aos entraves burocráticos, termos que
recomeçar as atividades partindo do zero num processo de reintegração e
ressocialização. Para que fosse possível avaliar a credibilidade e a validade do
trabalho, foi seguido o perfil exigido pelo PFE núcleo CDA/UNIFA, que visa atender
os carentes, residentes em áreas de risco, com histórico problemático na escola e na
família e que esteja matriculado na rede pública de ensino. Dando a todos aqueles
que demonstrarem o interesse, a oportunidade de ingressarem na Força Aérea
Brasileira.
As respostas obtidas através de pesquisas feitas junto aos responsáveis
pelos alunos, nas escolas atendidas e com os próprios alunos, demonstram a
necessidade da continuação de programas como o Segundo Tempo e o Forças no
Esporte.
PALAVRAS CHAVES: Inclusão Através do Esporte - Força Aérea Brasileira Uma
Oportunidade a mais - Programa Forças no Esporte.
9
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Figura 1 – Distribuição da equipe de trabalho segundo a sua função ......................18
Tabela 1 – Distribuição de alunos no Projeto ...........................................................19
Tabela 2 – Cronograma das atividades .......................... .........................................19
Figura 2 – Distribuição das equipes ......................................................................... 20
Tabela 3 – Quadro de sugestões e alternativas viáveis ao PFE,nos quartéis, e ao
bom funcionamento do Núcleo CDA/UNIFA..............................................................31
10
LISTA DE SIGLAS
CDA Comissão de Desportos da Aeronáutica
UNIFA Universidade da Força Aérea
G-MAR Grupamento Marítimo
BMERJ Bombeiro Militar do Estado do Rio de Janeiro
CPI Curso de Preparação de Monitores
EEAR Escola de Especialistas de Aeronáutica
LDB Lei de Diretrizes e Bases
CIEAR Centro de Instrução Especializada da Aeronáutica
PFE Programa Forças no Esporte
11
SUMÁRIO
LISTA DE ILUSTRAÇÕES ....................................................................................... 9
LISTA DE SIGLAS ................................................................................................... 10
1 INTRODUÇÃO.................................................................................................... 12
1.1 Objetivos.........................................................................................................13
1.1.1 Objetivo Geral............................................................................................13
1.1.2 Objetivos Específicos................................................................................13
1.2 Metodologia....................................................................................................13
2 LEITURA DA REALIDADE GERAL ................................................................. 14
3 LEITURA DA REALIDADE ESPECÍFICA ........................................................ 17
4
ASPECTOS
RELEVANTES
DOS
TRABALHOS
DESENVOLVIDOS
NO
PROGRAMA FORÇAS NO ESPORTE NO NÚCLEO CDA/UNIFA ...................... 27
4.1 Aspectos Positivos.........................................................................................29
4.2 Aspectos Negativos.......................................................................................29
5 ANÁLISES, CRÍTICAS E SUGESTÕES ........................................................... 30
6 CONCLUSÃO .................................................................................................. 32
REFERÊNCIAS ................................................................................................ 33
APÊNDICES E ANEXOS ................................................................................. 35
12
1 INTRODUÇÃO
Considerar o homem como um ser biológico não aconteceu somente na
Educação Física, mas em outras áreas também, devido à grande influência das
ciências naturais.
No caso da Educação Física, essa influência mostrou-se determinante, por
considerar o corpo somente como entidade biológica, a Educação Física Escolar
atua homogeneamente, tendendo à universalização de seus procedimentos
metodológicos. O pressuposto é o de que o corpo, sendo um conjunto biológico,
responderá sempre da mesma forma, porque os homens possuem corpos muito
semelhantes.Nesse processo, a tarefa do professor será a de propiciar a todos as
mesmas oportunidades de acesso à cultura de movimento. Por um lado há uma
tradição cultural que faz com que a Educação Física seja biológica e universalizante,
excluindo muitos alunos. Mas, por outro lado, é justamente por ela ser assim que ela
é conhecida e valorizada. Nesse sentido, é proposto uma Educação Física Plural,
cuja condição mínima e primeira é que as aulas atinjam todos os alunos, sem
discriminação dos menos hábeis, ou das meninas.
Não se trata de ensinar a técnica tida como correta, mas de propiciar aos
alunos o desenvolvimento de uma série de relações com o espaço, com
implementos, com o colega, com o grupo, com o ritmo e com diferentes adversários.
A escolha das atividades vai depender do grupo, do bairro, da cidade e da própria
comunidade.
É de suma importância, ao elaborar a proposta pedagógica, saber “o que
ensinar”, “como ensinar” e “por que ensinar”. Esses processos pedagógicos deverão
ser sustentados em dois referenciais: o metodológico e o sócio-educativo. A
proposta pedagógica deverá proporcionar aos alunos o aprendizado, e o significado
educativo inerente à natureza do esporte ensinado. No contexto metodológico será
abordada a habilidade motora básica e específica da modalidade e no contexto
sócio-educativo a abordagem será no trato dos valores e dos modos de
comportamento, destacando-se a cooperação, a inclusão e a convivência.
A realização de exercício, brincadeiras e jogos têm o objetivo de proporcionar
ao aluno a oportunidade de conhecer seu corpo e algumas de suas possibilidades,
também promovem a aproximação dos alunos em aula: por exemplo, aqueles que
tem como resolução do problema abraçar um colega. A outra sugestão para a aula,
13
deve trabalhar com a auto-estima do seu aluno. Isso ocorre quando todos têm as
oportunidades iguais, independente da habilidade de cada um.
As brincadeiras e os jogos, levando em conta suas múltiplas funções,
contribuem de maneira significativa para o processo de ensino e aprendizagem dos
esportes e, principalmente, para a educação dos alunos em sala de aula.
Os relatos apresentados no anexo são atos espontâneos sobre as mudanças
sentidas pelos alunos e seus responsáveis, geradas pelo novo espaço, cada dia
mais harmonioso com colegas, professores, estagiários e com toda a comunidade
da Aeronáutica que justificam a continuidade do programa Segundo Tempo.
1.1 OBJETIVOS
1.1.1 OBJETIVO GERAL
Proporcionar aos alunos do programa forças no esporte condições de
aprendizado e convivência interpessoal através de uma estrutura
organizacional.
1.1.2 OBEJETIVOS ESPECÍFICOS
• Apresentar a estrutura organizacional do programa forças no esporte como
ferramenta de viabilização das atividades a serem desenvolvidas.
• Definir estratégias que valorizem o desenvolvimento coletivo através de
atividades lúdicas.
1.2 METODOLOGIA
- Revisão de literatura
- Leitura da realidade praticada no PFE.
- Foram instituídos questionários não validados metodológica e cientificamente
com o objetivo simples de evidenciar e balizar as manifestações de alunos e
responsáveis participantes do programa forças no esporte.
- Também foram incluídos depoimentos dos responsáveis e alunos no programa
que servem de instrumento verificador das opiniões. Esses instrumentos estão
colocados no trabalho em forma de anexos.
14
2 LEITURA DA REALIDADE GERAL
O Programa Segundo Tempo, na Força Aérea Brasileira é intitulado Programa
Forças no Esporte e o nosso núcleo é na Comissão de Desportos da Aeronáutica e
Universidade da Força Aérea (CDA/ UNIFA), que é desenvolvido no complexo
desportivo da Comissão de Desportos da Aeronáutica, provido de campos de
futebol, pista de atletismo, piscinas e quadras poliesportivas e contamos com
excelente apoio. Dispomos também de alojamentos pra 100 (cem) meninos e 50
(cinqüenta) meninas, refeitório para as 150 crianças, atendidas com exclusividade no
café da manhã e almoço, temos um corpo docente dotado de 7 professores
graduados em Educação Física, 14 estagiários de Educação Física e 1 Guardavidas do Grupamento Marítimo do Bombeiro Militar do Estado do Rio de Janeiro (GMar BMERJ) e uma equipe responsável pela manutenção e limpeza de todas as
áreas, dispomos também de material de apoio às instruções e uniformes dignos para
que os assistidos sintam-se os personagens principais do programa. No âmbito
externo, temos participado de competições, visitações a museus e Bases Aéreas e a
outras instituições. Assistimos às comunidades carentes mais próximas, para facilitar
o deslocamento dos alunos de casa para o núcleo e do núcleo para as escolas.
Contudo faz-se necessário o uso de transporte coletivo para os deslocamentos,
motivo pelo qual fornecemos o vale transporte a todos os alunos.
O que se tem observado, é que a mídia televisiva tem enfocado somente fatos
esportivos de interesses comerciais, o que leva as crianças a sonhar com ganhos
financeiros astronômicos, proporcionados pelos esportes mostrados, provocando
com isso dificuldades para os profissionais de Educação Física trabalharem somente
com as aulas de educação escolar sem se envolver pelos apelos das crianças em
aulas de educação esportiva. É importante frisar que o esporte educacional/escolar
quando tratado pela mídia, aparece como mola propulsora do esporte de
rendimento, vem dependente do esporte olímpico, o que para nós é um equívoco.
Devemos transmitir e aplicar os conhecimentos necessários à prática das
atividades propostas, para que possamos obter a confiança das crianças e tornar
atraentes as atividades, a fim de que todos participem com prazer, dessa forma não
excluir e tão pouco selecionar os alunos envolvidos. Com a participação de todos,
poderemos após longo período de observação, somar elementos suficientes que nos
dê a certeza de que desponta ali um futuro atleta em uma determinada modalidade
15
ou até em várias, sem com isso ter tirado dos outros o prazer de praticar atividades
esportivas pelo resto de suas vidas.
Não podemos negar a realidade de que quando uma criança vê a outra
participando como atleta de uma equipe de competição, desperta nela a vontade de
praticar esportes para que num futuro possa participar de uma equipe.
Após estar incluída no processo e ciente da importância da prática esportiva,
ela jamais deixará de praticar um esporte mesmo que não tenha participado de
nenhuma equipe de competição.
Como o núcleo CDA/UNIFA atende a cinco escolas da rede pública de ensino,
tenho tido a oportunidade de observá-las e concluir que, na maioria, não há uma
padronização, e o grau de interesse dos professores que ministram as aulas de
educação física é diferenciado. A maioria não cumpre a risca a programação,
deixando que os alunos optem pela atividade que melhor lhes convir sem que haja
um controle. Há carência de materiais esportivo e poucos são os professores que
usam de criatividade para supri-la.
Face ao exposto, creio estar cumprindo com eficácia o previsto na proposta do
programa Forças no Esporte Segundo Tempo. No nosso núcleo, damos aos nossos
alunos, na prática, a oportunidade de refletir, observar e necessariamente aprender
a conviver em sociedade, e a conhecer a si mesmo. A criança e o adolescente passa
por desequilíbrios e instabilidades extremas de acordo com o que vimos sobre ele.
(Psicopedagogia do Adolescente. CPI – EEAR – 2004 – p. 34)
A aquisição de novas habilidades está diretamente relacionada não apenas à
faixa etária da criança, mas também às interações vividas com os outros seres
humanos do seu grupo social. Assim, o processo de desenvolvimento e
aprendizagem ocorre dentro de relações onde a criança influencia e é influenciada
por aqueles que a circundam.
O desenvolvimento e a aprendizagem é o resultado das interações vividas com
os nossos semelhantes. Dentro desse contexto, é fundamental o conhecimento não
apenas da criança em questão, mas o contexto familiar e social onde a mesma
encontra-se inserida.
Sei que estou envolvido na construção de uma pedagogia do esporte, cujo
objetivo é ensinar esportes, ensinar bem os esportes e, ao mesmo tempo, ensinar
além dos esportes.
16
O esporte tem sofrido constantes mudanças, a partir dos novos contextos
sócio-econômicos globalizados, que acabam até por descaracterizá-los.
Hoje existe um forte elo entre o esporte e a sociedade capitalista,
compreendendo essa interdependência é possível antever as mazelas existentes no
mundo esportivo atual, onde a maioria só pensa em ganhar dinheiro.
Podemos afirmar que todos podem e devem jogar, mas o grau de exigência de
cada jogo deve ser adaptado ao nível de compreensão dos executantes, assim
como todas as demais atividades da cultura corporal.
Os jogos cooperativos possuem o objetivo de atenuar a competição,
promovendo a cooperação, principalmente sem a desagradável presença do conflito
financeiro.
17
3 LEITURA DA REALIDADE ESPECÍFICA
Com o intuito de dar o suporte necessário ao bom funcionamento do programa,
e como toda boa estrutura apóia-se num bom alicerce, formamos uma base sólida.
Essa afirmativa justifica-se lembrando que qualquer evento, por menor que
seja, é sempre administrado, e o planejamento, a organização, a direção e o
controle fazem parte da administração.
Utilizando a administração como referência, devemos observar as cinco
variáveis básicas da teoria geral da administração: As tarefas; as estruturas; as
relações pessoais; o ambiente e a tecnologia. De acordo com Davi Rodrigues Poit .
2006, p. 32).
A equipe de trabalho no Programa Forças no Esporte do programa Segundo
Tempo Núcleo CDA/UNIFA, seguindo as variáveis administrativas, tem a seguinte
formação e, estrutura de acordo com a Figura 1:
* Coordenador da Aeronáutica: Cel Int. Newton Pons Leite
* Coordenador do núcleo: Prof. Helio Ferreira Leite
* Adjunto da coordenação: Prof. João Mercês Filho
* Professores: Nilton Dantas Louza – Futebol
João Batista de Oliveira Castro – Voleibol
Adriana Lucas Louro – Natação
Rachel Gomes de Oliveira – Atletismo (corridas)
Nelson Egypto de Oliveira – Atletismo (arremessos)
* 1 (um) guarda-vidas do GMar. CBMRJ
* Estagiários: 9 (nove) estagiários da Universidade Castelo Branco
1 (um) estagiário da Sociedade Universitária Augusto Motta
18
Coordenador da Aeronáutica
Cel Int. Newton Pons Leite
Coordenador do Núcleo
Prof. Helio Ferreira Leite
Adjunto da Coordenação
Professor
Futebol
Professor
Voleibol
Professor
Natação
Professor
Atletismo
corridas
Professor
Atletismo
arremessos
2 Estagiários
2 Estagiários
2 Estagiários
2 Estagiários
2 Estagiários
Guarda-vidas
G-MAR
Figura 1 – Distribuição da Equipe de trabalho segundo a sua função
Adaptado de Mintzberg (2003, p.105)
Instituições Assistidas: Escola Municipal Luis da Câmara Cascudo
Escola Municipal Campo dos Afonsos
Escola Municipal Cel PM Flávio Martins de Albuquerque
Escola Municipal Visconde de Porto Seguro
CIEP Aracy de Almeida (cantora)
O Programa Forças no Esporte do Programa Segundo Tempo, núcleo
CDA/UNIFA, é desenvolvido na Universidade da Força Aérea sob a supervisão da
Comissão de Desportos da Aeronáutica. Onde dispomos de um complexo desportivo
dotado de um ginásio com quadra poliesportiva, 3 (três) campos de futebol, quadras
externas (poliesportivas) e de vôlei de areia, piscina semi-olímpica e uma pista de
atletismo, oficial, com áreas de saltos, arremessos e lançamento.
19
No núcleo CDA/UNIFA foi adotado um critério visando o melhor desempenho:
como temos 150 (cento e cinqüenta) crianças, sendo 100 meninos e 50 meninas, a
coordenação formou 3 turmas masculinas e 2 turmas femininas por faixa etária,
sendo:
Tabela 1 – Distribuição de alunos no Projeto
Meninos
Meninas
10 a 12 anos
10 a 13 anos
13 e 14 anos
14 a 17 anos
15 a 17 anos
Fonte: Estrutura do programa Forças no Esporte
Durante a semana todos participam da Educação Física proposta pelo núcleo,
num sistema de revezamento nas atividades [futebol, vôlei, natação e atletismo
(corrida/arremesso)], seguindo o seguinte cronograma:
Tabela 2 – Cronograma das atividades
Horário
Atividade
08:30 / 09:00 h
Conceitos e regras da atividade que praticará
09:05 / 09:50 h
Atividade prática
10:00 / 10:30 h
Recreação em uma atividade diferente da praticada no dia
10:30 / 11:00 h
Horário reservado para área sócio cultural (higiene,
hábitos alimentares, cinema, etc...)
Fonte: Estrutura do programa Forças no Esporte
Periodicamente é realizado passeio cultural (museu, corcovado, Pão-de-açúcar,
Bases aéreas, complexo esportivo do Maracanã, etc.).
20
Uma vez que o Programa Segundo Tempo (Núcleo CDA/UNIFA) atende a
crianças de 10 a 17 anos, primeiramente separamos por faixas-etárias e em seguida
elaborar uma programação de forma que todos participem de todas as modalidades.
As diferenças de habilidades, cor e gêneros são comuns, porém estas
diferenças não geram comportamentos discriminatórios se tratarmos a todos de
forma igual.
As meninas participam com meninos nos jogos em que não haja o corpo-acorpo (futebol), nas outras atividades, elas participam normalmente. Foi uma opção
da minha metodologia, porque julgo que no futebol as diferenças de habilidade e,
principalmente, física são muito grande e não vejo a necessidade de expor as
meninas ao risco. Como estratégia pedagógica, para que meninos e meninas atuem
juntos, adoto o sistema de equipes mistas, de vôlei, natação e atletismo (corridas),
dentro das faixas etárias:
Equipe Mista
1
Meninos
10 a 12 anos
Equipe Mista
2
Meninas
10 a 13 anos
Meninos
13 e 14 anos
Equipe Mista
3
Meninos
15 a 17 anos
Meninas
16 e 17 anos
Figura 2 – Distribuição das equipes
Adaptado de Mintzberg (2003, p.260)
Meninas
14 e 15 anos
21
Para
elaborar
um
planejamento
de
atividades
esportivas
para
o
desenvolvimento da criança e do adolescente no plano moral, social e motor, é
necessário adquirir determinados conhecimentos sobre alguns fenômenos, como
motricidade e corporeidade, conceitos de coordenações motoras, conceito de
habilidade e outros conceitos. Enfim, é de suma importância conhecer os
fundamentos básicos (teoria), seja qual for a atividade profissional, para poder
executá-la com a menor margem de erro e se possível, nenhum.
No Programa Forças no Esporte, Núcleo CDA/UNIFA do Programa Segundo
Tempo, tenho aplicado esses conhecimentos como coordenador, orientando os
professores e estagiários sobre a melhor maneira de ministrarem suas aulas, para
que possamos atingir os nossos objetivos, que é a inclusão social através do
esporte, deixando que os valores atlético-esportivo surjam de forma natural e
saudável. No Núcleo CDA/UNIFA desenvolvemos as seguintes atividades: vôlei,
futebol de campo, natação, atletismo (Corridas de 50m à 800m e, Arremessos de
peso e dardo) e corrida de orientação (com mapa e bússola) sempre de forma
lúdica. Uma vez que somos um núcleo de atividades esportivas e um seguimento da
escola, observando os alunos, decidi adotar como complemento das atividades,
aulas de higiene e boas maneiras, as quais, tem surtidos ótimos resultados.
A rotina diária das atividades segue o seguinte cronograma: às 7:30h as
crianças são recebidas e conduzidas aos alojamentos próprios, para as meninas e
meninos, onde trocam de roupa e são conduzidas ao refeitório para o café da
manhã; às 8:15h retornam aos alojamentos para a higiene bucal e em seguida,
separadas por turmas, sexo e faixas etárias (meninas de 10 a 13 anos e de 14 a 17
anos, e meninos de 10 a 12 anos de 13 e 14 anos e de 15 a 17 anos) vão para as
áreas esportivas para início das atividades a partir das 8:30h onde recebem noções
de higiene e boas maneiras, para em seguida iniciarem as atividades programadas
que se encerram às 10:30h. Ao término das atividades, retornam aos alojamentos
para o banho e troca de roupa, para a partir das 11:00h, almoçar, fazer a higiene
bucal e ir para a escola às 12:00h.
A pedagogia é um método, científico, de aplicar os conhecimentos a fim de
educar.
Uma ação pedagógica (intencional, consciente e organizada), transforma os
conhecimentos adquiridos em matéria de ensino. Para atingir seu fim é necessário
22
utilizar várias formas, meios e métodos, relativos ao como ensinar, o que ensinar,
para quem ensinar e porque ensinar.
O esporte e a pedagogia devem ser compreendidos pelo profissional de
Educação Física como meio facilitador no processo de educação de crianças e
jovens através de métodos cuidadosamente elaborados, em seu conteúdo de
ensino, preocupando-se com a parte social e a formação do cidadão. Cabendo aos
pedagogos do esporte, qualificados, responder pedagogicamente as questões
relativas à: como ensinar esportes; o que ensinar dos esportes; para quem ensinar e
porque ensinar esportes, sendo que esse esporte deve ser entendido como um
constructo cultural historicamente construído pela sociedade humana.
O Ensinar também na Educação Física em geral e no esporte específico, deve
ser entendido como uma prática pedagógica, criando possibilidades para a
construção de conhecimentos inserindo e fazendo interagir o que o aluno já sabe
com o novo. Ensinar não é, e nunca será, tarefa simples e desprovida de
responsabilidade. O saudoso mestre Paulo Freire (1996) destaca algumas
responsabilidades, obrigações e princípios, quando aponta certas exigências do
ensinar: O respeito devido à dignidade do educando não me permite subestimar,
pior ainda, zombar do saber que ele traz consigo para a escola. Paulo Freire (1996,
p.71) O ensinar exige:
* Rigorosidade metódica;
* Pesquisa;
* Respeitos aos saberes humanos;
* Criticidade;
* Estética e ética;
* Corporeificação das palavras.
* Risco, aceitação do novo e rejeição a qualquer forma de discriminação;
* Reflexão crítica sobre a prática;
* Respeito à autonomia do ser do educando;
* Bom senso;
* Reconhecimento e a assunção de identidade cultural;
* A convicção de que a mudança é possível.
23
O que ensinar do esporte? Devemos fazer do educando um agente
transformador do seu tempo, ensinando-lhe o esporte como profissão ou como lazer,
de acordo com a sua escolha.
Para quem ensinar esporte? O esporte deve ser ensinado a todos e com
igualdade de condições, sem descriminação de gênero, cor,...
Por que ensinar esporte na escola? A única via segura e educativa é
procurar, antes de tudo, uma vasta cultura geral, partindo das atividades corporais, o
que facilitará as adaptações bio-psicossociais.
Como ensinar esporte na escola? De forma lúdica desde que seja planejada,
proporcionando a todos a oportunidade de participar das atividades sem serem
descriminados ou excluídos. Agindo desta forma estará então o profissional da
Educação Física no seu papel efetivo de educador, utilizando os instrumentos da
formação corporal para forjar o caráter de seus educados.
Como ensinar esporte? É equívoco pedagógico priorizar o ensino da técnica,
por estar se distanciando do criativo, do imprevisível, do lúdico e do coletivo, pois a
estereotipação técnica é limitadora, repetitiva e individual.
A resposta motora apresentada por um jogador no momento da tomada de
decisão e da execução de uma ação no jogo será reflexo da organização, da
percepção e da compreensão do jogo que lhe foi apresentado, aliado ao seu
repertório motor.
Enfim, se o professor de Educação Física utilizar os quatro Princípios
Pedagógicos destacados por, João Batista Freire (2003): Ensinar esporte a todos;
Ensinar bem esporte a todos; Ensinar mais que esporte a todos e Ensinar a gostar
de esporte sem dúvida obterá ótimos resultados.
Como a didática é uma disciplina que auxilia o docente na elaboração de suas
tarefas, pode se afirmar que utilizando-se de métodos e técnicas de ensino, o
professor alcançará os objetivos propostos. Como é sabido, o tempo de experiência
ajuda no desempenho profissional, entretanto, o domínio das bases teóricocientíficas e técnicas, e suas articulações com suas exigências concretas do ensino,
permitem maior segurança profissional de modo que o docente ganhe base para
pensar sua prática e aprimore sempre mais a qualidade do seu trabalho.
É importante que o educador tenha um posicionamento crítico de suas ações,
pois a crítica é a capacidade de identificar os méritos e os deméritos, com o objetivo
de melhorar o desempenho futuro.
24
A aulas de Educação Física e o esporte escolar se resumem freqüentemente
às práticas dos fundamentos e a execução dos gestos técnicos esportivos, o que é
pior, só para alguns alunos, aqueles com habilidade. “Há, segundo Darido (2002),
uma variedade enorme de aprendizagens a serem conquistadas, bem como
diferentes formas de atuação do professor na condução do ensino, que devem
considerar todos os alunos e suas dificuldades.”
Às qualidades apresentadas por Perrenoud (2000, p.15) e Medeiros (2004) e
chamadas de competências pode-se acrescentar ainda outras de igual importância,
tais como: apresentação pessoal e a ética profissional.
Planejar é a arte de organizar uma tarefa a ser executada, e como processo
diário não deve ser sobrecarregada com procedimentos complexos. É necessário
segui-lo a risca, pois só assim poderemos comprovar a sua eficiência.
Quando se avalia o produto final, é avaliado se o seu objetivo foi atingido.
Finalmente, avalia-se se as condições do planejamento são as ideais para
prosseguir com o trabalho, observando o objetivo, o conteúdo e o método utilizado.
Como reflexão, considerando o aspecto do esporte, usarei como exemplo a
Corrida de Orientação, que é uma corrida através do campo realizada em área
desconhecida, onde o praticante deverá encontrar pontos estabelecidos e
identificados no mapa e no terreno. O praticante usará um mapa do local e uma
bússola para se orientar, será vencedor aquele que encontrar todos os pontos e
cumprir o percurso no menor tempo. Para que o praticante cumpra o seu objetivo,
terá que elaborar um planejamento estabelecendo nexos e respondendo para si as
seguintes perguntas:
Onde estou? Conteúdo;
Para onde vou? Objetivo;
Como vou? Método.
As respostas são as seguintes:
Onde estou? – Deverá localizar no mapa e no terreno o local exato onde está,
para iniciar a tarefa.
Para onde vou? – Após identificado, no mapa e no terreno, o local onde está,
deverá identificar também em ambos o local para onde ir.
25
Como vou? – Após ter identificado o local para onde ir, deverá observar os
prós e os contra que enfrentará, e a partir de então fazer um planejamento de sua
rota e do ritmo de corrida até o objetivo determinado.
A avaliação será o tempo de corrida, pois será o vencedor aquele que realizar o
percurso no menor tempo e esse, provavelmente, será quem elaborou o melhor
planejamento.
No caso específico da corrida de orientação, não se evidencia autoritarismo
nem autoridade pois o castigo é imposto pelo erro de um planejamento mal
elaborado.
Segundo Libâneo (1991, p.196), a avaliação é um componente do processo de
ensino que visa, através da verificação a qualidade dos resultados obtidos,
determinar a correspondência destes com os objetivo propostos e, daí, orientar a
tomada de decisões em relação às atividades didáticas seguintes.
O que se espera de um comportamento ético no esporte não é o que se tem
visto diariamente na mídia, como por exemplo, a troca de técnicos de futebol a cada
derrota do seu time, pois à porta de cada clube derrotado há sempre um técnico a
espera do cargo. Podemos também citar exemplos de jogadores que são formados
por um clube, e quando recebem uma proposta financeira que lhe agrade, não
pensam duas vezes para mudar.
Então, o que se espera? Espera-se que os praticantes sejam justos, solidários
e leais com seus colegas e dirigentes, com seu público e com eles próprios.
Com a nova LDB da educação, celebrou-se a iniciativa oficial de que as escolas
trabalhassem com vistas à inclusão. Com tal medida lançou-se um “novo olhar” para
as pessoas “portadoras de necessidades especiais”. É importante evidenciar que
não são apenas os portadores de necessidades especiais que motivam as
discussões sobre a inclusão. Também o fator econômico é de fundamental
importância quando falamos de exclusão, daí a preocupação do Ministério do
Esporte em promover a inclusão social a partir do esporte. Tudo que se vê não é
igual ao que a gente viu a um segundo tudo muda o tempo todo no mundo... (Nelson
Mota).
Ao longo desses quatro anos de atividade do Programa forças no Esporte,
tenho tido a oportunidade de constatar a importância dessa iniciativa, pois das
crianças assistidas pelo programa, são poucas que ainda não estão totalmente
incluídas no contexto social.
26
Através de pesquisas (questionários) feitas junto aos responsáveis pelos
alunos, na comunidade em que eles residem e a direção e professores das escolas
participantes do programa, tenho obtido respostas positivas sobre o comportamento
e o desempenho das crianças, o que concluo que o trabalho está sendo eficaz.
Ensinar é transmitir experiências vividas e aprender é adquirir conhecimentos.
Na busca de objetivos, adotam-se métodos, regras e meios através de atividades
variadas, as quais entendo como “jogo”.
Nos primeiros dias, após a chegada das crianças ao programa, realizamos
atividades em grupo, para que eles se conheçam, uma vez que são de escolas e
comunidades diferentes. Uma das atividades aplicadas é a apresentação pessoal
feita ao grupo, informando seu nome, idade, escola, esporte que pratica ou gostaria
de praticar e qual o seu objetivo ao participar do programa e, em seguida abre-se um
bate papo. Ao término dessa atividade nota-se, claramente, a integração total de
cada um com o grupo. Esse tipo de atividade tem sido aplicada, conforme meu
entendimento, como jogo. Segundo Schiller (1995), o homem só é verdadeiramente
homem quando joga.
Em função do programa lidar com a comunidade escolar, não há como
trabalhar o jogo sem relacioná-lo à cultura, mas podemos aplicá-lo de acordo com as
suas diferenças para atingir os objetivos propostos. Portanto para iniciar os trabalhos
o professor deverá, primeiramente, conhecer a comunidade que irá trabalhar, para
selecionar os conteúdos, de forma que atendam aos seus anseios e suas
necessidades, proporcionando a participação de todos os seguimentos sociais, no
planejamento. Deverá, também privilegiar a prática em que o coletivo sobreponha ao
individual.
O professor deverá orientar o ensino do esporte, essencial para o
desenvolvimento infantil, ensinar valores como cooperação e respeito, contribuir
para a interação familiar e para a inclusão social, diminuindo as diferenças étnicas e
culturais e fazer avaliações pois, avaliar significa, sobretudo, aprender sobre cada
aprendiz, relacionar-se com cada um, preocupar-se com cada um na prática
avaliativa, esse princípio ético sugere ao professor, por exemplo, fazer muitas
tarefas individuais, menores e investigativas, corrigi-las imediatamente e, a partir
delas, planejar atividades em grupo, de parceria individuais, dar explicações ao
grande grupo, acompanhando na seqüência, por meio de anotações feitas, os
avanços individuais que ocorreram a partir dessas atividades interativas. Respeitar
27
cada um e trabalhar no coletivo, tarefas individuais e ações educativas grupais. No
individual para o coletivo, do coletivo para o individual, sem perder o foco em cada
aluno e em sua evolução.
Para combater a frustração e o distanciamento de alguns alunos, devemos
adotar
uma
postura
pedagógica
mais
receptiva
e
amiga.
Dessa
forma,
contemplamos a individualidade humana, valorizando as diferenças, respeitando a
vida e formando cidadãos alegres.
4
ASPECTOS
RELEVANTES
DOS
TRABALHOS
DESENVOLVIDOS
NO
PROGRAMA FORÇAS NO ESPORTE NO NÚCLEO CDA/UNIFA
A Educação Física é uma atividade curricular como as demais matérias, por
isso a sua prática na escola é obrigatória e se propõe, através de uma forma simples
de
educação
esportiva,
desenvolver
na
criança
pela
sedimentação
de
condicionamento físico progressivo, as técnicas comuns aos vários esportes, dosar
criteriosamente o esforço despendido e iniciar o aluno na vida social e coletiva.
- O cumprimento aos horários estabelecidos para o início e término de aulas,
bem planejadas e bem executadas, desperta o gosto pela pontualidade.
- O uniforme asseado e completo, de acordo com as prescrições da escola, cria
o hábito da ordem e de asseio.
- A entrada do aluno em forma para a chamada motiva para a disciplina,
enquanto cultiva a correta formação óssea através da boa postura.
É fundamental estabelecer um perfeito equilíbrio entre as atividades físicas e
mentais procurando satisfazer as necessidades dos alunos, visar fins que eles
desejam atingir ou das capacidades que desejam possuir.
Um toque na rede de voleibol acusado pelo infrator é um excelente ingrediente,
se explorado com habilidade pelo professor, para valorizar a honestidade.
A freqüência às aulas, a vitória sobre os sacrifícios impostos pelos professores
e, a melhoria das aptidões ressaltadas pelo professor, inculca nos alunos a
importância da perseverança para a conquista dos objetivos.
28
A formação do caráter se processa na infância; os hábitos uma vez
incorporados à personalidade como os valores, sejam eles morais, éticos ou físicos,
passam a acompanhar o indivíduo pelo resto da vida e a nortear o seu
comportamento.
O desenvolvimento corporal e mental harmonioso; Uma perfeita sociabilidade;
A conservação da saúde; A implementação de hábitos sadios; O censo moral e
cívico; O fortalecimento da vontade; O estimulo às tendências de liderança; A
aquisição de novas habilidades; A melhoria da aptidão física e o despertar do
espírito comunitário; Além de outras que concorram para completar a formação
integral da personalidade.
O caráter só é moldável na infância.
É importante fazer a criança viver as experiências onde estão presentes os
valores estabelecidos pela sociedade, para que os mesmos sejam incorporados ao
seu caráter e servirão de base ao relacionamento social.
A honestidade, a lealdade, o equilíbrio emocional, a perseverança, a
humildade, a cooperação, a disciplina, a obediência, a confiança, o respeito ao
semelhante, a alegria e o amor ao próximo são o patrimônio ético que devem reger o
relacionamento social.
O capítulo 4, p.09 da apostila de Psicopedagogia do Adolescente, CPI do
CIEAR – 2004, afirma que pode-se dizer que o adolescente realiza três “lutos”
fundamentais: O luto pelo corpo infantil perdido, o luto pelo papel e a identidade
infantis, e o luto pelos pais da infância.
Esta situação do adolescente frente à sua realização evolutiva, leva-o à
instabilidade que o define com características essenciais, descritas como “Síndrome
da Adolescência Normal”. Esta síndrome, produto da própria situação evolutiva
surge, logicamente, da interação do indivíduo com o seu meio. (ABERASTRUY,
Arminda. ADOLESCÊNCIA NORMAL. Editora Artes Médicas, Porto Alegre)
Proporcionar a oportunidade de inclusão social com perspectivas de um futuro
promissor, através do esporte, àqueles que tenham ou não o interesse de integrar as
Forças Armadas, como uma alternativa de carreira profissional, além de contribuir
para a formação do cidadão e até de um campeão, tem sido o foco principal do
Núcleo CDA/UNIFA do Programa Forças no Esporte.
29
4.1 ASPECTOS POSITIVOS
A integração entre os coordenadores de capacitação, de convênio local, da
Aeronáutica e o de Núcleo é ampla e irrestrita, havendo uma interação de idéias
para o melhor desempenho e continuidade das atividades do Programa.
A interação do Núcleo com a direção das escolas envolvidas, a comunidade e
com os familiares das crianças que freqüentam as atividades é ótima.
A interação com os estagiários é o ponto alto do nosso programa, pois realizam
um trabalho sempre orientado e supervisionado, para que possamos manter a ótima
integração com as crianças e por conseqüência atingirmos os nossos objetivos. As
visitas de ex-alunos, já incluídos, tem nos mostrado o sucesso do programa.
4.2 ASPECTOS NEGATIVOS
Temos encontrado dificuldades na retomada do Programa devido aos entraves
burocráticos e negociações financeiras entre os Ministérios do Esporte, da Defesa e
o Comando da Aeronáutica.
A interação entre os núcleos não tem sido efetiva devido às dificuldades de
comunicação, de transporte para as atividades em conjunto e a distância entre os
núcleos.
A distribuição dos uniformes e materiais esportivos, não tem sido realizada em
um tempo ideal para o início das atividades.
A interrupção do ano letivo tem sido longa, proporcionando descontinuidade do
trabalho o que causa a volta das crianças aos seus maus hábitos anteriores.
Em virtude do núcleo CDA/UNIFA, estar cumprindo com eficácia o previsto na
proposta do programa Forças do Esporte Segundo Tempo. Nossa afirmação baseiase
em
pesquisas
(questionários
distribuídos
entre
alunos/
comunidades/
responsáveis e direção das escolas participantes) feitas junto às instituições
participantes, responsáveis por cada aluno do programa, alunos e as comunidades
nas quais os alunos residem. Cabe ressaltar, que no nosso núcleo, damos aos
nossos alunos na prática, a oportunidade de refletir, observar e necessariamente
aprender a conviver em sociedade, e a conhecer a si mesmo.
30
5 ANÁLISES, CRÍTICAS E SUGESTÕES
O objetivo principal do Programa é a inclusão social através da prática
desportiva, porém, com (4) quatro anos de atividades do programa, não
conseguimos aplica-lo de forma ininterrupta, uma vez que os órgãos responsáveis
pela implantação e manutenção, sempre atrasam no envio dos meios necessários
ao bom desenvolvimento do trabalho. Como exemplo, cito o ano de 2005, onde o
programa teve início no mês de agosto e término em dezembro, e em 2006 somente
reiniciando as atividades em outubro, provocando com isso, um distanciamento
aluno/programa, em conseqüência, havendo uma quebra do processo.
A prática nos mostra que só com a continuidade é que obteremos o êxito
esperado.
Sugiro que a verba seja disponibilizada diretamente para o Núcleo (do
Ministério dos Esportes para o Núcleo CDA/UNIFA).
As linhas de ações eleitas pelo núcleo, como prioritárias para serem cumpridas
de forma a dar continuidade ao Programa, são as seguintes:
Que o intervalo entre o término do ano letivo e o início do outro seja de 20 de
dezembro a 1 de março, para que não haja interrupção dos trabalhos realizados,
pois a interrupção muito longa acarreta um afastamento das crianças com o núcleo,
causando prejuízos aos objetivos propostos.
Que a distribuição de uniformes e materiais esportivos seja realizada antes do
início das atividades (até 1 de março).
Firmar acordos com a Companhia de Transportes Urbanos, local, para
promoverem a gratuidade no transporte das crianças participantes do programa no
horário previsto para início e término das atividades.
Firmar ou dar autonomia aos coordenadores de núcleo, de firmarem parcerias
com as instituições de ensino superior, facilitando com isso o emprego de estagiários
das áreas de Ed. Física, Serviço Social e Psicologia, durante as aulas do núcleo.
31
Tabela 3 – Quadro de sugestões e alternativas viáveis ao PFE, nos quartéis, e ao
bom funcionamento do Núcleo CDA/UNIFA.
O que é necessário?
O que dificulta?
Alternativa
- Área para prática - Alto custo para A
desportiva
e construção
alojamentos.
B
Facilidade
locomoção
ao - Parceria com empresas de
transporte coletivo.
odontológica e social.
Sala
atendimento
para - Parceria com sistema de
e saúde pública e uso do posto
equipamentos.
- Refeitório.
E
-
Área
médico.
para - Apoio dos órgãos de obras
construção.
-
Instalação
equipamentos
transportes (passe livre das
7:00h às 13:00h).
- Assistência médica, -
D
órgãos
suas áreas.
(transporte).
C
dos
e públicos para disponibilizarem
manutenção.
de -Acesso
Mobilização
públicas.
de - Alto custo para - Apoio dos órgãos públicos
de aquisição.
comunicação (telefone,
de comunicação. Usar central
telefônica do quartel.
fax e internet).
F
G
- Biblioteca.
- Acervo e mobília.
- Parceria com as editoras e
jornais.
- Sala de projeção e - Local, custo e - Parceria com as emissoras
auditório.
mobília.
de TV.
Fonte: Adaptado de Mintzberg (2003, p.37)
Observando o quadro acima identificamos as necessidades, as dificuldades e
as alternativas viáveis para que o PFE tenha o desempenho e os resultados
esperados.
32
6 CONCLUSÃO
Nestes 4 (quatro) anos participando ativamente do Programa Segundo Tempo.
Como professor e coordenador de núcleo, com certeza absoluta valeram mais que
os anos de atuação nas diversas áreas da educação física, pois não havia, até o
momento, tido a oportunidade de desenvolver um trabalho tão gratificante, que é
oportunizar aos menos favorecidos o direito de serem incluídos em uma sociedade
cada vez mais elitista, e o melhor é que essa inclusão se faz através de atividades
esportivas, porém de nada adiantariam essas atividades se não houvesse o apoio e
a assistência das autoridades governamentais, a competência e a dedicação dos
professores, o interesse e a vontade dos estagiários e a colaboração de muitos
voluntários que direta ou indiretamente atuam junto ao sistema.
No Programa ainda existe falha como o longo período de paralisação, a demora
na entrega do material necessário à execução das atividades, a liberação de verbas
necessárias à alimentação, transporte e pagamento de professores. Justifica-se
como falha os itens citados porque eles acarretam descontinuidade do trabalho
realizado, fazendo com que as crianças adquiram novos hábitos e nós, professores,
nos tornamos fruto de seu descrédito.
Mas com os atributos inerentes a cada um dos integrantes do sistema, os
problemas tornam-se quase que imperceptíveis.
Passageiros de nossa aeronave educativa, esses jovens, cheios de carência e,
ao mesmo tempo, de apelos ilícitos envolvidos em promessas financeiras, vivem no
Rio de Janeiro, uma cidade rotulada de violenta, urge, por tanto, a continuação
desse Programa para que, por meio do esporte, da educação e da cultura, valores
morais e éticos, tal qual sementes, espalham-se entre esses jovens em formação e
que deles nasça um mundo sem guerras, sem violência, sem drogas, sem fome,
com um sistema educacional, de saúde e de moradia mais digna para todos.
Os depoimentos, abaixo transcritos, autenticam o Programa com a avaliação da
rubrica de nossos alunos e dos responsáveis por eles. Protagonistas de um enredo
que há de mudar o curso de nosso país.
33
REFERÊNCIAS
Módulos Impressos do CEAD do curso de capacitação continuada em esporte
escolar ( Especialização ).
MINTZBERG, H. Criando organizações eficazes - 2 ed. SP: Atlas, 2003
OLIVEIRA, ELZIR MARTINS DE. O uso das tecnologias de Informação e
Comunicação na atuação do professor gestor de conhecimento / Elzir Martins
de Oliveira. – Niterói: UFF, 2005. 129 f., dissertação (Mestrado em sistema de
gestão) Universidade Federal Fluminense, 2005.
POIT, DAVI RODRIGUES. Organização de eventos esportivos – 4 ed. – São
Paulo: PHORTE, 2006.
DAOLIO, J. Da cultura do corpo. Campinas, Papirus, 1995.
_____. Educação física escolar: uma abordagem cultural. In: PICCOLO, V.L.N.,
org. Educação física escolar: ser...ou não ter? Campinas, UNICAMP, 1993.
GARGANTA, J. Para uma teoria dos jogos desportivos coletivos. In: GRAÇA, A.
OLIVEIRA, J., orgs. O ensino dos jogos desportivos. 2.ed. Porto, Universidade do
Porto, 1995.
PELLEGRINOTTI, I.L. Educação física no 2o. grau: novas perspectivas? In:
PICCOLO, V.L.N., org. Educação física escolar: ser...ou não ter? Campinas,
UNICAMP, 1993.
TANI, G.; MANOEL, E.J.; KOKUBUN, E.; PROENÇA, J.E. Educação física escolar:
fundamentos de uma abordagem desenvolvimentista. São Paulo, EPU/EDUSP,
1988.
VERENGUER, R.C.G. Educação física escolar: considerações sobre a formação
34
profissional do professor e o conteúdo do componente no 2o. grau. Revista
Paulista de Educação Física, v.9, n.1, p.69-74, 1995.
JUSSARA HOFFMANN – Revista Nós da Escola ( Educação Multirio) PMRJ
ROCHA, VICENTE LEITÃO DA. Iniciação Desportiva. RJ, 1975.
Revista Multieducação (Mídia e Educação) NCBM, RJ.
Almanaque do esportista, CENPEC, SP, 2000.
35
APÊNDICES E ANEXOS
Relatos
“Porque um projeto como o de vocês não pode acabar porque as crianças
perderiam o que vocês estão plantando com cuidado, gosto pelo esporte e caráter,
se acabar e se essa semente não for molhada não vai adiantar nada foi ter feito um
castelo na areia.”
( Responsável )
“Ajuda a orientar sobre droga e sobre outros crimes, ainda mais mãe que vive
só, que é mãe e pai no mesmo tempo. Vem ajudar a orientar sobre outras coisas
que eu não tenho experiência como um homem a educar. Vai me ajudar muito.”
( Responsável )
“Antes de eu vir para cá, não tinha nada para eu fazer. Só vivia vago, à toa.
Hoje, estou mais ativo, não estou mais de bobeira.”
( Aluno )
“Eu estou muito feliz, respeito mais as pessoas, não fico mais na rua, converso
mais com os meus pais e brinco mais com os meus parentes, primos e sobrinho.”
( Aluno )
“Tenho certeza de que crescer com a consciência limpa e tenho certeza de que
nunca vou entrar no mundo das drogas.”
( Aluno )
“Este Projeto me tirou das ruas. Eu passei a estudar mais e prestar atenção no
que os professores falam e em muitas outras coisas.”
( Aluno )
“Eu acho um trabalho muito importante porque os professores daqui nos
ensinam a conviver uns com os outros.”
( Aluno )
36
“Eu sinto que a minha vida está melhorando, quando estou aqui eu sinto que
vou conseguir ser alguém.”
( Aluna )
“Eu fiquei feliz porque o Projeto me fez trabalhar em grupo e me relacionar com
outras pessoas.”
( Aluno )
“Quando eu não era do projeto, eu dormia muito tarde, agora, durmo cedo para
acordar cedo.”
( Aluno )
“Teve uma época que houve um problema e eu fui até suspensa, mas depois
eu vi que os dois lados estavam errados. Os professores só estavam nos ajudando,
nos aconselhando a sempre que errarmos assumirmos nossos erros e eu aprendi
que sempre que eu errar devo pedir desculpa.”
( Aluna )
37
Fotos do Programa Forças no Esporte
Futebol
Vôlei de quadra
Atletismo – Corrida
Atividade Aquática - Natação
Vôlei de areia
Refeição diária
38
JORNAL DO BAIRRO
39
JORNAL DO BAIRRO
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O corpo do texto do relato de experiência pode ser