Universidade de Brasília HELIO FERREIRA LEITE GESTÃO DO PROGRAMA FORÇAS NO ESPORTE: UMA FORMA DE INCLUSÃO SOCIAL Força Aérea Brasileira Uma Oportunidade a Mais Rio de Janeiro 2007 ii HELIO FERREIRA LEITE GESTÃO DO PROGRAMA FORÇAS NO ESPORTE: UMA FORMA DE INCLUSÃO SOCIAL Força Aérea Brasileira Uma Oportunidade a Mais Trabalho apresentado ao Curso de Especialização em Esporte Escolar do Centro de Educação à Distância da Universidade de Brasília em parceria com o Programa de Capacitação Continuada em Esporte Escolar do Ministério do Esporte para obtenção do título de Especialista em Esporte Escolar. Orientador: Prof° Ms. Elzir Martins de Oliveira Rio de Janeiro 2007 iii LEITE, Helio Ferreira GESTÃO DO PROGRAMA FORÇAS NO ESPORTE: UMA FORMA DE INCLUSÃO SOCIAL. Rio de Janeiro, 2007. 41 p. TCC (Especialização) – Universidade de Brasília. Centro de Ensino a Distância, 2007. 1. Gestão do programa Forças no Esporte 3. Programa Forças no Esporte. 2. Força Aérea Brasileira Uma Oportunidade a Mais iv HELIO FERREIRA LEITE GESTÃO DO PROGRAMA FORÇAS NO ESPORTE: UMA FORMA DE INCLUSÃO SOCIAL Força Aérea Brasileira Uma Oportunidade a Mais Trabalho apresentado ao Curso de Especialização em Esporte Escolar do Centro de Educação à Distância da Universidade de Brasília em parceria com o Programa de Capacitação Continuada em Esporte Escolar do Ministério do Esporte para obtenção do título de Especialista em Esporte Escolar pela Comissão formada pelos professores: Presidente: Membro: Professor Mestre ELZIR MARTINS DE OLIVEIRA Centro Universitário Augusto Motta. Professora Claudia Santos Universidade de Brasília Rio de Janeiro (RJ), 04 de Abril de 2007. v A Deus, fonte de vida. A minha esposa, filhos, nora, genro e amigos, pelo incentivo, ajuda e carinho constantes. vi AGRADECIMENTOS Agradeço a todos aqueles que, direta ou indiretamente contribuíram para a elaboração deste trabalho, ao Ministério do Esporte pela oportunidade de participar de um curso de especialização à distância, a professora Anita Souto Mayor Rondon tutora de Especialização do CEAD e, de modo especial ao professor Mestre Elzir Martins de Oliveira, pelo incentivo constante e pela orientação. vii “Olhe para dentro de si antes de julgar os atos de teu semelhante e veja quão inferiores são teus pensamentos, pensamentos estes que subentendem carência de ideais e o homem sem ideais jamais sairá da lama em que vive e morrerá putrefato pelo germe de sua própria natureza”. Autor desconhecido viii RESUMO Este trabalho tem por objetivo retratar a experiência no convívio da Força Aérea Brasileira com as comunidades carentes. Não só a carência financeira, mas a de carinho, afeto, respeito aos seus direitos como cidadãos e de oportunidades, e ao ser observada toda essa necessidade, através do Programa Segundo Tempo e com o apoio da CDA e da UNIFA, foi desenvolvido o trabalho proposto pelo Programa Forças no Esporte, que é a inclusão social através do esporte e que a Força Aérea Brasileira também pode dar a sua contribuição na formação de cidadãos. Ao final de cada ano letivo é claramente notada a mudança no comportamento de todos os assistidos apesar de no ano seguinte, devido aos entraves burocráticos, termos que recomeçar as atividades partindo do zero num processo de reintegração e ressocialização. Para que fosse possível avaliar a credibilidade e a validade do trabalho, foi seguido o perfil exigido pelo PFE núcleo CDA/UNIFA, que visa atender os carentes, residentes em áreas de risco, com histórico problemático na escola e na família e que esteja matriculado na rede pública de ensino. Dando a todos aqueles que demonstrarem o interesse, a oportunidade de ingressarem na Força Aérea Brasileira. As respostas obtidas através de pesquisas feitas junto aos responsáveis pelos alunos, nas escolas atendidas e com os próprios alunos, demonstram a necessidade da continuação de programas como o Segundo Tempo e o Forças no Esporte. PALAVRAS CHAVES: Inclusão Através do Esporte - Força Aérea Brasileira Uma Oportunidade a mais - Programa Forças no Esporte. 9 LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1 – Distribuição da equipe de trabalho segundo a sua função ......................18 Tabela 1 – Distribuição de alunos no Projeto ...........................................................19 Tabela 2 – Cronograma das atividades .......................... .........................................19 Figura 2 – Distribuição das equipes ......................................................................... 20 Tabela 3 – Quadro de sugestões e alternativas viáveis ao PFE,nos quartéis, e ao bom funcionamento do Núcleo CDA/UNIFA..............................................................31 10 LISTA DE SIGLAS CDA Comissão de Desportos da Aeronáutica UNIFA Universidade da Força Aérea G-MAR Grupamento Marítimo BMERJ Bombeiro Militar do Estado do Rio de Janeiro CPI Curso de Preparação de Monitores EEAR Escola de Especialistas de Aeronáutica LDB Lei de Diretrizes e Bases CIEAR Centro de Instrução Especializada da Aeronáutica PFE Programa Forças no Esporte 11 SUMÁRIO LISTA DE ILUSTRAÇÕES ....................................................................................... 9 LISTA DE SIGLAS ................................................................................................... 10 1 INTRODUÇÃO.................................................................................................... 12 1.1 Objetivos.........................................................................................................13 1.1.1 Objetivo Geral............................................................................................13 1.1.2 Objetivos Específicos................................................................................13 1.2 Metodologia....................................................................................................13 2 LEITURA DA REALIDADE GERAL ................................................................. 14 3 LEITURA DA REALIDADE ESPECÍFICA ........................................................ 17 4 ASPECTOS RELEVANTES DOS TRABALHOS DESENVOLVIDOS NO PROGRAMA FORÇAS NO ESPORTE NO NÚCLEO CDA/UNIFA ...................... 27 4.1 Aspectos Positivos.........................................................................................29 4.2 Aspectos Negativos.......................................................................................29 5 ANÁLISES, CRÍTICAS E SUGESTÕES ........................................................... 30 6 CONCLUSÃO .................................................................................................. 32 REFERÊNCIAS ................................................................................................ 33 APÊNDICES E ANEXOS ................................................................................. 35 12 1 INTRODUÇÃO Considerar o homem como um ser biológico não aconteceu somente na Educação Física, mas em outras áreas também, devido à grande influência das ciências naturais. No caso da Educação Física, essa influência mostrou-se determinante, por considerar o corpo somente como entidade biológica, a Educação Física Escolar atua homogeneamente, tendendo à universalização de seus procedimentos metodológicos. O pressuposto é o de que o corpo, sendo um conjunto biológico, responderá sempre da mesma forma, porque os homens possuem corpos muito semelhantes.Nesse processo, a tarefa do professor será a de propiciar a todos as mesmas oportunidades de acesso à cultura de movimento. Por um lado há uma tradição cultural que faz com que a Educação Física seja biológica e universalizante, excluindo muitos alunos. Mas, por outro lado, é justamente por ela ser assim que ela é conhecida e valorizada. Nesse sentido, é proposto uma Educação Física Plural, cuja condição mínima e primeira é que as aulas atinjam todos os alunos, sem discriminação dos menos hábeis, ou das meninas. Não se trata de ensinar a técnica tida como correta, mas de propiciar aos alunos o desenvolvimento de uma série de relações com o espaço, com implementos, com o colega, com o grupo, com o ritmo e com diferentes adversários. A escolha das atividades vai depender do grupo, do bairro, da cidade e da própria comunidade. É de suma importância, ao elaborar a proposta pedagógica, saber “o que ensinar”, “como ensinar” e “por que ensinar”. Esses processos pedagógicos deverão ser sustentados em dois referenciais: o metodológico e o sócio-educativo. A proposta pedagógica deverá proporcionar aos alunos o aprendizado, e o significado educativo inerente à natureza do esporte ensinado. No contexto metodológico será abordada a habilidade motora básica e específica da modalidade e no contexto sócio-educativo a abordagem será no trato dos valores e dos modos de comportamento, destacando-se a cooperação, a inclusão e a convivência. A realização de exercício, brincadeiras e jogos têm o objetivo de proporcionar ao aluno a oportunidade de conhecer seu corpo e algumas de suas possibilidades, também promovem a aproximação dos alunos em aula: por exemplo, aqueles que tem como resolução do problema abraçar um colega. A outra sugestão para a aula, 13 deve trabalhar com a auto-estima do seu aluno. Isso ocorre quando todos têm as oportunidades iguais, independente da habilidade de cada um. As brincadeiras e os jogos, levando em conta suas múltiplas funções, contribuem de maneira significativa para o processo de ensino e aprendizagem dos esportes e, principalmente, para a educação dos alunos em sala de aula. Os relatos apresentados no anexo são atos espontâneos sobre as mudanças sentidas pelos alunos e seus responsáveis, geradas pelo novo espaço, cada dia mais harmonioso com colegas, professores, estagiários e com toda a comunidade da Aeronáutica que justificam a continuidade do programa Segundo Tempo. 1.1 OBJETIVOS 1.1.1 OBJETIVO GERAL Proporcionar aos alunos do programa forças no esporte condições de aprendizado e convivência interpessoal através de uma estrutura organizacional. 1.1.2 OBEJETIVOS ESPECÍFICOS • Apresentar a estrutura organizacional do programa forças no esporte como ferramenta de viabilização das atividades a serem desenvolvidas. • Definir estratégias que valorizem o desenvolvimento coletivo através de atividades lúdicas. 1.2 METODOLOGIA - Revisão de literatura - Leitura da realidade praticada no PFE. - Foram instituídos questionários não validados metodológica e cientificamente com o objetivo simples de evidenciar e balizar as manifestações de alunos e responsáveis participantes do programa forças no esporte. - Também foram incluídos depoimentos dos responsáveis e alunos no programa que servem de instrumento verificador das opiniões. Esses instrumentos estão colocados no trabalho em forma de anexos. 14 2 LEITURA DA REALIDADE GERAL O Programa Segundo Tempo, na Força Aérea Brasileira é intitulado Programa Forças no Esporte e o nosso núcleo é na Comissão de Desportos da Aeronáutica e Universidade da Força Aérea (CDA/ UNIFA), que é desenvolvido no complexo desportivo da Comissão de Desportos da Aeronáutica, provido de campos de futebol, pista de atletismo, piscinas e quadras poliesportivas e contamos com excelente apoio. Dispomos também de alojamentos pra 100 (cem) meninos e 50 (cinqüenta) meninas, refeitório para as 150 crianças, atendidas com exclusividade no café da manhã e almoço, temos um corpo docente dotado de 7 professores graduados em Educação Física, 14 estagiários de Educação Física e 1 Guardavidas do Grupamento Marítimo do Bombeiro Militar do Estado do Rio de Janeiro (GMar BMERJ) e uma equipe responsável pela manutenção e limpeza de todas as áreas, dispomos também de material de apoio às instruções e uniformes dignos para que os assistidos sintam-se os personagens principais do programa. No âmbito externo, temos participado de competições, visitações a museus e Bases Aéreas e a outras instituições. Assistimos às comunidades carentes mais próximas, para facilitar o deslocamento dos alunos de casa para o núcleo e do núcleo para as escolas. Contudo faz-se necessário o uso de transporte coletivo para os deslocamentos, motivo pelo qual fornecemos o vale transporte a todos os alunos. O que se tem observado, é que a mídia televisiva tem enfocado somente fatos esportivos de interesses comerciais, o que leva as crianças a sonhar com ganhos financeiros astronômicos, proporcionados pelos esportes mostrados, provocando com isso dificuldades para os profissionais de Educação Física trabalharem somente com as aulas de educação escolar sem se envolver pelos apelos das crianças em aulas de educação esportiva. É importante frisar que o esporte educacional/escolar quando tratado pela mídia, aparece como mola propulsora do esporte de rendimento, vem dependente do esporte olímpico, o que para nós é um equívoco. Devemos transmitir e aplicar os conhecimentos necessários à prática das atividades propostas, para que possamos obter a confiança das crianças e tornar atraentes as atividades, a fim de que todos participem com prazer, dessa forma não excluir e tão pouco selecionar os alunos envolvidos. Com a participação de todos, poderemos após longo período de observação, somar elementos suficientes que nos dê a certeza de que desponta ali um futuro atleta em uma determinada modalidade 15 ou até em várias, sem com isso ter tirado dos outros o prazer de praticar atividades esportivas pelo resto de suas vidas. Não podemos negar a realidade de que quando uma criança vê a outra participando como atleta de uma equipe de competição, desperta nela a vontade de praticar esportes para que num futuro possa participar de uma equipe. Após estar incluída no processo e ciente da importância da prática esportiva, ela jamais deixará de praticar um esporte mesmo que não tenha participado de nenhuma equipe de competição. Como o núcleo CDA/UNIFA atende a cinco escolas da rede pública de ensino, tenho tido a oportunidade de observá-las e concluir que, na maioria, não há uma padronização, e o grau de interesse dos professores que ministram as aulas de educação física é diferenciado. A maioria não cumpre a risca a programação, deixando que os alunos optem pela atividade que melhor lhes convir sem que haja um controle. Há carência de materiais esportivo e poucos são os professores que usam de criatividade para supri-la. Face ao exposto, creio estar cumprindo com eficácia o previsto na proposta do programa Forças no Esporte Segundo Tempo. No nosso núcleo, damos aos nossos alunos, na prática, a oportunidade de refletir, observar e necessariamente aprender a conviver em sociedade, e a conhecer a si mesmo. A criança e o adolescente passa por desequilíbrios e instabilidades extremas de acordo com o que vimos sobre ele. (Psicopedagogia do Adolescente. CPI – EEAR – 2004 – p. 34) A aquisição de novas habilidades está diretamente relacionada não apenas à faixa etária da criança, mas também às interações vividas com os outros seres humanos do seu grupo social. Assim, o processo de desenvolvimento e aprendizagem ocorre dentro de relações onde a criança influencia e é influenciada por aqueles que a circundam. O desenvolvimento e a aprendizagem é o resultado das interações vividas com os nossos semelhantes. Dentro desse contexto, é fundamental o conhecimento não apenas da criança em questão, mas o contexto familiar e social onde a mesma encontra-se inserida. Sei que estou envolvido na construção de uma pedagogia do esporte, cujo objetivo é ensinar esportes, ensinar bem os esportes e, ao mesmo tempo, ensinar além dos esportes. 16 O esporte tem sofrido constantes mudanças, a partir dos novos contextos sócio-econômicos globalizados, que acabam até por descaracterizá-los. Hoje existe um forte elo entre o esporte e a sociedade capitalista, compreendendo essa interdependência é possível antever as mazelas existentes no mundo esportivo atual, onde a maioria só pensa em ganhar dinheiro. Podemos afirmar que todos podem e devem jogar, mas o grau de exigência de cada jogo deve ser adaptado ao nível de compreensão dos executantes, assim como todas as demais atividades da cultura corporal. Os jogos cooperativos possuem o objetivo de atenuar a competição, promovendo a cooperação, principalmente sem a desagradável presença do conflito financeiro. 17 3 LEITURA DA REALIDADE ESPECÍFICA Com o intuito de dar o suporte necessário ao bom funcionamento do programa, e como toda boa estrutura apóia-se num bom alicerce, formamos uma base sólida. Essa afirmativa justifica-se lembrando que qualquer evento, por menor que seja, é sempre administrado, e o planejamento, a organização, a direção e o controle fazem parte da administração. Utilizando a administração como referência, devemos observar as cinco variáveis básicas da teoria geral da administração: As tarefas; as estruturas; as relações pessoais; o ambiente e a tecnologia. De acordo com Davi Rodrigues Poit . 2006, p. 32). A equipe de trabalho no Programa Forças no Esporte do programa Segundo Tempo Núcleo CDA/UNIFA, seguindo as variáveis administrativas, tem a seguinte formação e, estrutura de acordo com a Figura 1: * Coordenador da Aeronáutica: Cel Int. Newton Pons Leite * Coordenador do núcleo: Prof. Helio Ferreira Leite * Adjunto da coordenação: Prof. João Mercês Filho * Professores: Nilton Dantas Louza – Futebol João Batista de Oliveira Castro – Voleibol Adriana Lucas Louro – Natação Rachel Gomes de Oliveira – Atletismo (corridas) Nelson Egypto de Oliveira – Atletismo (arremessos) * 1 (um) guarda-vidas do GMar. CBMRJ * Estagiários: 9 (nove) estagiários da Universidade Castelo Branco 1 (um) estagiário da Sociedade Universitária Augusto Motta 18 Coordenador da Aeronáutica Cel Int. Newton Pons Leite Coordenador do Núcleo Prof. Helio Ferreira Leite Adjunto da Coordenação Professor Futebol Professor Voleibol Professor Natação Professor Atletismo corridas Professor Atletismo arremessos 2 Estagiários 2 Estagiários 2 Estagiários 2 Estagiários 2 Estagiários Guarda-vidas G-MAR Figura 1 – Distribuição da Equipe de trabalho segundo a sua função Adaptado de Mintzberg (2003, p.105) Instituições Assistidas: Escola Municipal Luis da Câmara Cascudo Escola Municipal Campo dos Afonsos Escola Municipal Cel PM Flávio Martins de Albuquerque Escola Municipal Visconde de Porto Seguro CIEP Aracy de Almeida (cantora) O Programa Forças no Esporte do Programa Segundo Tempo, núcleo CDA/UNIFA, é desenvolvido na Universidade da Força Aérea sob a supervisão da Comissão de Desportos da Aeronáutica. Onde dispomos de um complexo desportivo dotado de um ginásio com quadra poliesportiva, 3 (três) campos de futebol, quadras externas (poliesportivas) e de vôlei de areia, piscina semi-olímpica e uma pista de atletismo, oficial, com áreas de saltos, arremessos e lançamento. 19 No núcleo CDA/UNIFA foi adotado um critério visando o melhor desempenho: como temos 150 (cento e cinqüenta) crianças, sendo 100 meninos e 50 meninas, a coordenação formou 3 turmas masculinas e 2 turmas femininas por faixa etária, sendo: Tabela 1 – Distribuição de alunos no Projeto Meninos Meninas 10 a 12 anos 10 a 13 anos 13 e 14 anos 14 a 17 anos 15 a 17 anos Fonte: Estrutura do programa Forças no Esporte Durante a semana todos participam da Educação Física proposta pelo núcleo, num sistema de revezamento nas atividades [futebol, vôlei, natação e atletismo (corrida/arremesso)], seguindo o seguinte cronograma: Tabela 2 – Cronograma das atividades Horário Atividade 08:30 / 09:00 h Conceitos e regras da atividade que praticará 09:05 / 09:50 h Atividade prática 10:00 / 10:30 h Recreação em uma atividade diferente da praticada no dia 10:30 / 11:00 h Horário reservado para área sócio cultural (higiene, hábitos alimentares, cinema, etc...) Fonte: Estrutura do programa Forças no Esporte Periodicamente é realizado passeio cultural (museu, corcovado, Pão-de-açúcar, Bases aéreas, complexo esportivo do Maracanã, etc.). 20 Uma vez que o Programa Segundo Tempo (Núcleo CDA/UNIFA) atende a crianças de 10 a 17 anos, primeiramente separamos por faixas-etárias e em seguida elaborar uma programação de forma que todos participem de todas as modalidades. As diferenças de habilidades, cor e gêneros são comuns, porém estas diferenças não geram comportamentos discriminatórios se tratarmos a todos de forma igual. As meninas participam com meninos nos jogos em que não haja o corpo-acorpo (futebol), nas outras atividades, elas participam normalmente. Foi uma opção da minha metodologia, porque julgo que no futebol as diferenças de habilidade e, principalmente, física são muito grande e não vejo a necessidade de expor as meninas ao risco. Como estratégia pedagógica, para que meninos e meninas atuem juntos, adoto o sistema de equipes mistas, de vôlei, natação e atletismo (corridas), dentro das faixas etárias: Equipe Mista 1 Meninos 10 a 12 anos Equipe Mista 2 Meninas 10 a 13 anos Meninos 13 e 14 anos Equipe Mista 3 Meninos 15 a 17 anos Meninas 16 e 17 anos Figura 2 – Distribuição das equipes Adaptado de Mintzberg (2003, p.260) Meninas 14 e 15 anos 21 Para elaborar um planejamento de atividades esportivas para o desenvolvimento da criança e do adolescente no plano moral, social e motor, é necessário adquirir determinados conhecimentos sobre alguns fenômenos, como motricidade e corporeidade, conceitos de coordenações motoras, conceito de habilidade e outros conceitos. Enfim, é de suma importância conhecer os fundamentos básicos (teoria), seja qual for a atividade profissional, para poder executá-la com a menor margem de erro e se possível, nenhum. No Programa Forças no Esporte, Núcleo CDA/UNIFA do Programa Segundo Tempo, tenho aplicado esses conhecimentos como coordenador, orientando os professores e estagiários sobre a melhor maneira de ministrarem suas aulas, para que possamos atingir os nossos objetivos, que é a inclusão social através do esporte, deixando que os valores atlético-esportivo surjam de forma natural e saudável. No Núcleo CDA/UNIFA desenvolvemos as seguintes atividades: vôlei, futebol de campo, natação, atletismo (Corridas de 50m à 800m e, Arremessos de peso e dardo) e corrida de orientação (com mapa e bússola) sempre de forma lúdica. Uma vez que somos um núcleo de atividades esportivas e um seguimento da escola, observando os alunos, decidi adotar como complemento das atividades, aulas de higiene e boas maneiras, as quais, tem surtidos ótimos resultados. A rotina diária das atividades segue o seguinte cronograma: às 7:30h as crianças são recebidas e conduzidas aos alojamentos próprios, para as meninas e meninos, onde trocam de roupa e são conduzidas ao refeitório para o café da manhã; às 8:15h retornam aos alojamentos para a higiene bucal e em seguida, separadas por turmas, sexo e faixas etárias (meninas de 10 a 13 anos e de 14 a 17 anos, e meninos de 10 a 12 anos de 13 e 14 anos e de 15 a 17 anos) vão para as áreas esportivas para início das atividades a partir das 8:30h onde recebem noções de higiene e boas maneiras, para em seguida iniciarem as atividades programadas que se encerram às 10:30h. Ao término das atividades, retornam aos alojamentos para o banho e troca de roupa, para a partir das 11:00h, almoçar, fazer a higiene bucal e ir para a escola às 12:00h. A pedagogia é um método, científico, de aplicar os conhecimentos a fim de educar. Uma ação pedagógica (intencional, consciente e organizada), transforma os conhecimentos adquiridos em matéria de ensino. Para atingir seu fim é necessário 22 utilizar várias formas, meios e métodos, relativos ao como ensinar, o que ensinar, para quem ensinar e porque ensinar. O esporte e a pedagogia devem ser compreendidos pelo profissional de Educação Física como meio facilitador no processo de educação de crianças e jovens através de métodos cuidadosamente elaborados, em seu conteúdo de ensino, preocupando-se com a parte social e a formação do cidadão. Cabendo aos pedagogos do esporte, qualificados, responder pedagogicamente as questões relativas à: como ensinar esportes; o que ensinar dos esportes; para quem ensinar e porque ensinar esportes, sendo que esse esporte deve ser entendido como um constructo cultural historicamente construído pela sociedade humana. O Ensinar também na Educação Física em geral e no esporte específico, deve ser entendido como uma prática pedagógica, criando possibilidades para a construção de conhecimentos inserindo e fazendo interagir o que o aluno já sabe com o novo. Ensinar não é, e nunca será, tarefa simples e desprovida de responsabilidade. O saudoso mestre Paulo Freire (1996) destaca algumas responsabilidades, obrigações e princípios, quando aponta certas exigências do ensinar: O respeito devido à dignidade do educando não me permite subestimar, pior ainda, zombar do saber que ele traz consigo para a escola. Paulo Freire (1996, p.71) O ensinar exige: * Rigorosidade metódica; * Pesquisa; * Respeitos aos saberes humanos; * Criticidade; * Estética e ética; * Corporeificação das palavras. * Risco, aceitação do novo e rejeição a qualquer forma de discriminação; * Reflexão crítica sobre a prática; * Respeito à autonomia do ser do educando; * Bom senso; * Reconhecimento e a assunção de identidade cultural; * A convicção de que a mudança é possível. 23 O que ensinar do esporte? Devemos fazer do educando um agente transformador do seu tempo, ensinando-lhe o esporte como profissão ou como lazer, de acordo com a sua escolha. Para quem ensinar esporte? O esporte deve ser ensinado a todos e com igualdade de condições, sem descriminação de gênero, cor,... Por que ensinar esporte na escola? A única via segura e educativa é procurar, antes de tudo, uma vasta cultura geral, partindo das atividades corporais, o que facilitará as adaptações bio-psicossociais. Como ensinar esporte na escola? De forma lúdica desde que seja planejada, proporcionando a todos a oportunidade de participar das atividades sem serem descriminados ou excluídos. Agindo desta forma estará então o profissional da Educação Física no seu papel efetivo de educador, utilizando os instrumentos da formação corporal para forjar o caráter de seus educados. Como ensinar esporte? É equívoco pedagógico priorizar o ensino da técnica, por estar se distanciando do criativo, do imprevisível, do lúdico e do coletivo, pois a estereotipação técnica é limitadora, repetitiva e individual. A resposta motora apresentada por um jogador no momento da tomada de decisão e da execução de uma ação no jogo será reflexo da organização, da percepção e da compreensão do jogo que lhe foi apresentado, aliado ao seu repertório motor. Enfim, se o professor de Educação Física utilizar os quatro Princípios Pedagógicos destacados por, João Batista Freire (2003): Ensinar esporte a todos; Ensinar bem esporte a todos; Ensinar mais que esporte a todos e Ensinar a gostar de esporte sem dúvida obterá ótimos resultados. Como a didática é uma disciplina que auxilia o docente na elaboração de suas tarefas, pode se afirmar que utilizando-se de métodos e técnicas de ensino, o professor alcançará os objetivos propostos. Como é sabido, o tempo de experiência ajuda no desempenho profissional, entretanto, o domínio das bases teóricocientíficas e técnicas, e suas articulações com suas exigências concretas do ensino, permitem maior segurança profissional de modo que o docente ganhe base para pensar sua prática e aprimore sempre mais a qualidade do seu trabalho. É importante que o educador tenha um posicionamento crítico de suas ações, pois a crítica é a capacidade de identificar os méritos e os deméritos, com o objetivo de melhorar o desempenho futuro. 24 A aulas de Educação Física e o esporte escolar se resumem freqüentemente às práticas dos fundamentos e a execução dos gestos técnicos esportivos, o que é pior, só para alguns alunos, aqueles com habilidade. “Há, segundo Darido (2002), uma variedade enorme de aprendizagens a serem conquistadas, bem como diferentes formas de atuação do professor na condução do ensino, que devem considerar todos os alunos e suas dificuldades.” Às qualidades apresentadas por Perrenoud (2000, p.15) e Medeiros (2004) e chamadas de competências pode-se acrescentar ainda outras de igual importância, tais como: apresentação pessoal e a ética profissional. Planejar é a arte de organizar uma tarefa a ser executada, e como processo diário não deve ser sobrecarregada com procedimentos complexos. É necessário segui-lo a risca, pois só assim poderemos comprovar a sua eficiência. Quando se avalia o produto final, é avaliado se o seu objetivo foi atingido. Finalmente, avalia-se se as condições do planejamento são as ideais para prosseguir com o trabalho, observando o objetivo, o conteúdo e o método utilizado. Como reflexão, considerando o aspecto do esporte, usarei como exemplo a Corrida de Orientação, que é uma corrida através do campo realizada em área desconhecida, onde o praticante deverá encontrar pontos estabelecidos e identificados no mapa e no terreno. O praticante usará um mapa do local e uma bússola para se orientar, será vencedor aquele que encontrar todos os pontos e cumprir o percurso no menor tempo. Para que o praticante cumpra o seu objetivo, terá que elaborar um planejamento estabelecendo nexos e respondendo para si as seguintes perguntas: Onde estou? Conteúdo; Para onde vou? Objetivo; Como vou? Método. As respostas são as seguintes: Onde estou? – Deverá localizar no mapa e no terreno o local exato onde está, para iniciar a tarefa. Para onde vou? – Após identificado, no mapa e no terreno, o local onde está, deverá identificar também em ambos o local para onde ir. 25 Como vou? – Após ter identificado o local para onde ir, deverá observar os prós e os contra que enfrentará, e a partir de então fazer um planejamento de sua rota e do ritmo de corrida até o objetivo determinado. A avaliação será o tempo de corrida, pois será o vencedor aquele que realizar o percurso no menor tempo e esse, provavelmente, será quem elaborou o melhor planejamento. No caso específico da corrida de orientação, não se evidencia autoritarismo nem autoridade pois o castigo é imposto pelo erro de um planejamento mal elaborado. Segundo Libâneo (1991, p.196), a avaliação é um componente do processo de ensino que visa, através da verificação a qualidade dos resultados obtidos, determinar a correspondência destes com os objetivo propostos e, daí, orientar a tomada de decisões em relação às atividades didáticas seguintes. O que se espera de um comportamento ético no esporte não é o que se tem visto diariamente na mídia, como por exemplo, a troca de técnicos de futebol a cada derrota do seu time, pois à porta de cada clube derrotado há sempre um técnico a espera do cargo. Podemos também citar exemplos de jogadores que são formados por um clube, e quando recebem uma proposta financeira que lhe agrade, não pensam duas vezes para mudar. Então, o que se espera? Espera-se que os praticantes sejam justos, solidários e leais com seus colegas e dirigentes, com seu público e com eles próprios. Com a nova LDB da educação, celebrou-se a iniciativa oficial de que as escolas trabalhassem com vistas à inclusão. Com tal medida lançou-se um “novo olhar” para as pessoas “portadoras de necessidades especiais”. É importante evidenciar que não são apenas os portadores de necessidades especiais que motivam as discussões sobre a inclusão. Também o fator econômico é de fundamental importância quando falamos de exclusão, daí a preocupação do Ministério do Esporte em promover a inclusão social a partir do esporte. Tudo que se vê não é igual ao que a gente viu a um segundo tudo muda o tempo todo no mundo... (Nelson Mota). Ao longo desses quatro anos de atividade do Programa forças no Esporte, tenho tido a oportunidade de constatar a importância dessa iniciativa, pois das crianças assistidas pelo programa, são poucas que ainda não estão totalmente incluídas no contexto social. 26 Através de pesquisas (questionários) feitas junto aos responsáveis pelos alunos, na comunidade em que eles residem e a direção e professores das escolas participantes do programa, tenho obtido respostas positivas sobre o comportamento e o desempenho das crianças, o que concluo que o trabalho está sendo eficaz. Ensinar é transmitir experiências vividas e aprender é adquirir conhecimentos. Na busca de objetivos, adotam-se métodos, regras e meios através de atividades variadas, as quais entendo como “jogo”. Nos primeiros dias, após a chegada das crianças ao programa, realizamos atividades em grupo, para que eles se conheçam, uma vez que são de escolas e comunidades diferentes. Uma das atividades aplicadas é a apresentação pessoal feita ao grupo, informando seu nome, idade, escola, esporte que pratica ou gostaria de praticar e qual o seu objetivo ao participar do programa e, em seguida abre-se um bate papo. Ao término dessa atividade nota-se, claramente, a integração total de cada um com o grupo. Esse tipo de atividade tem sido aplicada, conforme meu entendimento, como jogo. Segundo Schiller (1995), o homem só é verdadeiramente homem quando joga. Em função do programa lidar com a comunidade escolar, não há como trabalhar o jogo sem relacioná-lo à cultura, mas podemos aplicá-lo de acordo com as suas diferenças para atingir os objetivos propostos. Portanto para iniciar os trabalhos o professor deverá, primeiramente, conhecer a comunidade que irá trabalhar, para selecionar os conteúdos, de forma que atendam aos seus anseios e suas necessidades, proporcionando a participação de todos os seguimentos sociais, no planejamento. Deverá, também privilegiar a prática em que o coletivo sobreponha ao individual. O professor deverá orientar o ensino do esporte, essencial para o desenvolvimento infantil, ensinar valores como cooperação e respeito, contribuir para a interação familiar e para a inclusão social, diminuindo as diferenças étnicas e culturais e fazer avaliações pois, avaliar significa, sobretudo, aprender sobre cada aprendiz, relacionar-se com cada um, preocupar-se com cada um na prática avaliativa, esse princípio ético sugere ao professor, por exemplo, fazer muitas tarefas individuais, menores e investigativas, corrigi-las imediatamente e, a partir delas, planejar atividades em grupo, de parceria individuais, dar explicações ao grande grupo, acompanhando na seqüência, por meio de anotações feitas, os avanços individuais que ocorreram a partir dessas atividades interativas. Respeitar 27 cada um e trabalhar no coletivo, tarefas individuais e ações educativas grupais. No individual para o coletivo, do coletivo para o individual, sem perder o foco em cada aluno e em sua evolução. Para combater a frustração e o distanciamento de alguns alunos, devemos adotar uma postura pedagógica mais receptiva e amiga. Dessa forma, contemplamos a individualidade humana, valorizando as diferenças, respeitando a vida e formando cidadãos alegres. 4 ASPECTOS RELEVANTES DOS TRABALHOS DESENVOLVIDOS NO PROGRAMA FORÇAS NO ESPORTE NO NÚCLEO CDA/UNIFA A Educação Física é uma atividade curricular como as demais matérias, por isso a sua prática na escola é obrigatória e se propõe, através de uma forma simples de educação esportiva, desenvolver na criança pela sedimentação de condicionamento físico progressivo, as técnicas comuns aos vários esportes, dosar criteriosamente o esforço despendido e iniciar o aluno na vida social e coletiva. - O cumprimento aos horários estabelecidos para o início e término de aulas, bem planejadas e bem executadas, desperta o gosto pela pontualidade. - O uniforme asseado e completo, de acordo com as prescrições da escola, cria o hábito da ordem e de asseio. - A entrada do aluno em forma para a chamada motiva para a disciplina, enquanto cultiva a correta formação óssea através da boa postura. É fundamental estabelecer um perfeito equilíbrio entre as atividades físicas e mentais procurando satisfazer as necessidades dos alunos, visar fins que eles desejam atingir ou das capacidades que desejam possuir. Um toque na rede de voleibol acusado pelo infrator é um excelente ingrediente, se explorado com habilidade pelo professor, para valorizar a honestidade. A freqüência às aulas, a vitória sobre os sacrifícios impostos pelos professores e, a melhoria das aptidões ressaltadas pelo professor, inculca nos alunos a importância da perseverança para a conquista dos objetivos. 28 A formação do caráter se processa na infância; os hábitos uma vez incorporados à personalidade como os valores, sejam eles morais, éticos ou físicos, passam a acompanhar o indivíduo pelo resto da vida e a nortear o seu comportamento. O desenvolvimento corporal e mental harmonioso; Uma perfeita sociabilidade; A conservação da saúde; A implementação de hábitos sadios; O censo moral e cívico; O fortalecimento da vontade; O estimulo às tendências de liderança; A aquisição de novas habilidades; A melhoria da aptidão física e o despertar do espírito comunitário; Além de outras que concorram para completar a formação integral da personalidade. O caráter só é moldável na infância. É importante fazer a criança viver as experiências onde estão presentes os valores estabelecidos pela sociedade, para que os mesmos sejam incorporados ao seu caráter e servirão de base ao relacionamento social. A honestidade, a lealdade, o equilíbrio emocional, a perseverança, a humildade, a cooperação, a disciplina, a obediência, a confiança, o respeito ao semelhante, a alegria e o amor ao próximo são o patrimônio ético que devem reger o relacionamento social. O capítulo 4, p.09 da apostila de Psicopedagogia do Adolescente, CPI do CIEAR – 2004, afirma que pode-se dizer que o adolescente realiza três “lutos” fundamentais: O luto pelo corpo infantil perdido, o luto pelo papel e a identidade infantis, e o luto pelos pais da infância. Esta situação do adolescente frente à sua realização evolutiva, leva-o à instabilidade que o define com características essenciais, descritas como “Síndrome da Adolescência Normal”. Esta síndrome, produto da própria situação evolutiva surge, logicamente, da interação do indivíduo com o seu meio. (ABERASTRUY, Arminda. ADOLESCÊNCIA NORMAL. Editora Artes Médicas, Porto Alegre) Proporcionar a oportunidade de inclusão social com perspectivas de um futuro promissor, através do esporte, àqueles que tenham ou não o interesse de integrar as Forças Armadas, como uma alternativa de carreira profissional, além de contribuir para a formação do cidadão e até de um campeão, tem sido o foco principal do Núcleo CDA/UNIFA do Programa Forças no Esporte. 29 4.1 ASPECTOS POSITIVOS A integração entre os coordenadores de capacitação, de convênio local, da Aeronáutica e o de Núcleo é ampla e irrestrita, havendo uma interação de idéias para o melhor desempenho e continuidade das atividades do Programa. A interação do Núcleo com a direção das escolas envolvidas, a comunidade e com os familiares das crianças que freqüentam as atividades é ótima. A interação com os estagiários é o ponto alto do nosso programa, pois realizam um trabalho sempre orientado e supervisionado, para que possamos manter a ótima integração com as crianças e por conseqüência atingirmos os nossos objetivos. As visitas de ex-alunos, já incluídos, tem nos mostrado o sucesso do programa. 4.2 ASPECTOS NEGATIVOS Temos encontrado dificuldades na retomada do Programa devido aos entraves burocráticos e negociações financeiras entre os Ministérios do Esporte, da Defesa e o Comando da Aeronáutica. A interação entre os núcleos não tem sido efetiva devido às dificuldades de comunicação, de transporte para as atividades em conjunto e a distância entre os núcleos. A distribuição dos uniformes e materiais esportivos, não tem sido realizada em um tempo ideal para o início das atividades. A interrupção do ano letivo tem sido longa, proporcionando descontinuidade do trabalho o que causa a volta das crianças aos seus maus hábitos anteriores. Em virtude do núcleo CDA/UNIFA, estar cumprindo com eficácia o previsto na proposta do programa Forças do Esporte Segundo Tempo. Nossa afirmação baseiase em pesquisas (questionários distribuídos entre alunos/ comunidades/ responsáveis e direção das escolas participantes) feitas junto às instituições participantes, responsáveis por cada aluno do programa, alunos e as comunidades nas quais os alunos residem. Cabe ressaltar, que no nosso núcleo, damos aos nossos alunos na prática, a oportunidade de refletir, observar e necessariamente aprender a conviver em sociedade, e a conhecer a si mesmo. 30 5 ANÁLISES, CRÍTICAS E SUGESTÕES O objetivo principal do Programa é a inclusão social através da prática desportiva, porém, com (4) quatro anos de atividades do programa, não conseguimos aplica-lo de forma ininterrupta, uma vez que os órgãos responsáveis pela implantação e manutenção, sempre atrasam no envio dos meios necessários ao bom desenvolvimento do trabalho. Como exemplo, cito o ano de 2005, onde o programa teve início no mês de agosto e término em dezembro, e em 2006 somente reiniciando as atividades em outubro, provocando com isso, um distanciamento aluno/programa, em conseqüência, havendo uma quebra do processo. A prática nos mostra que só com a continuidade é que obteremos o êxito esperado. Sugiro que a verba seja disponibilizada diretamente para o Núcleo (do Ministério dos Esportes para o Núcleo CDA/UNIFA). As linhas de ações eleitas pelo núcleo, como prioritárias para serem cumpridas de forma a dar continuidade ao Programa, são as seguintes: Que o intervalo entre o término do ano letivo e o início do outro seja de 20 de dezembro a 1 de março, para que não haja interrupção dos trabalhos realizados, pois a interrupção muito longa acarreta um afastamento das crianças com o núcleo, causando prejuízos aos objetivos propostos. Que a distribuição de uniformes e materiais esportivos seja realizada antes do início das atividades (até 1 de março). Firmar acordos com a Companhia de Transportes Urbanos, local, para promoverem a gratuidade no transporte das crianças participantes do programa no horário previsto para início e término das atividades. Firmar ou dar autonomia aos coordenadores de núcleo, de firmarem parcerias com as instituições de ensino superior, facilitando com isso o emprego de estagiários das áreas de Ed. Física, Serviço Social e Psicologia, durante as aulas do núcleo. 31 Tabela 3 – Quadro de sugestões e alternativas viáveis ao PFE, nos quartéis, e ao bom funcionamento do Núcleo CDA/UNIFA. O que é necessário? O que dificulta? Alternativa - Área para prática - Alto custo para A desportiva e construção alojamentos. B Facilidade locomoção ao - Parceria com empresas de transporte coletivo. odontológica e social. Sala atendimento para - Parceria com sistema de e saúde pública e uso do posto equipamentos. - Refeitório. E - Área médico. para - Apoio dos órgãos de obras construção. - Instalação equipamentos transportes (passe livre das 7:00h às 13:00h). - Assistência médica, - D órgãos suas áreas. (transporte). C dos e públicos para disponibilizarem manutenção. de -Acesso Mobilização públicas. de - Alto custo para - Apoio dos órgãos públicos de aquisição. comunicação (telefone, de comunicação. Usar central telefônica do quartel. fax e internet). F G - Biblioteca. - Acervo e mobília. - Parceria com as editoras e jornais. - Sala de projeção e - Local, custo e - Parceria com as emissoras auditório. mobília. de TV. Fonte: Adaptado de Mintzberg (2003, p.37) Observando o quadro acima identificamos as necessidades, as dificuldades e as alternativas viáveis para que o PFE tenha o desempenho e os resultados esperados. 32 6 CONCLUSÃO Nestes 4 (quatro) anos participando ativamente do Programa Segundo Tempo. Como professor e coordenador de núcleo, com certeza absoluta valeram mais que os anos de atuação nas diversas áreas da educação física, pois não havia, até o momento, tido a oportunidade de desenvolver um trabalho tão gratificante, que é oportunizar aos menos favorecidos o direito de serem incluídos em uma sociedade cada vez mais elitista, e o melhor é que essa inclusão se faz através de atividades esportivas, porém de nada adiantariam essas atividades se não houvesse o apoio e a assistência das autoridades governamentais, a competência e a dedicação dos professores, o interesse e a vontade dos estagiários e a colaboração de muitos voluntários que direta ou indiretamente atuam junto ao sistema. No Programa ainda existe falha como o longo período de paralisação, a demora na entrega do material necessário à execução das atividades, a liberação de verbas necessárias à alimentação, transporte e pagamento de professores. Justifica-se como falha os itens citados porque eles acarretam descontinuidade do trabalho realizado, fazendo com que as crianças adquiram novos hábitos e nós, professores, nos tornamos fruto de seu descrédito. Mas com os atributos inerentes a cada um dos integrantes do sistema, os problemas tornam-se quase que imperceptíveis. Passageiros de nossa aeronave educativa, esses jovens, cheios de carência e, ao mesmo tempo, de apelos ilícitos envolvidos em promessas financeiras, vivem no Rio de Janeiro, uma cidade rotulada de violenta, urge, por tanto, a continuação desse Programa para que, por meio do esporte, da educação e da cultura, valores morais e éticos, tal qual sementes, espalham-se entre esses jovens em formação e que deles nasça um mundo sem guerras, sem violência, sem drogas, sem fome, com um sistema educacional, de saúde e de moradia mais digna para todos. Os depoimentos, abaixo transcritos, autenticam o Programa com a avaliação da rubrica de nossos alunos e dos responsáveis por eles. Protagonistas de um enredo que há de mudar o curso de nosso país. 33 REFERÊNCIAS Módulos Impressos do CEAD do curso de capacitação continuada em esporte escolar ( Especialização ). MINTZBERG, H. Criando organizações eficazes - 2 ed. SP: Atlas, 2003 OLIVEIRA, ELZIR MARTINS DE. O uso das tecnologias de Informação e Comunicação na atuação do professor gestor de conhecimento / Elzir Martins de Oliveira. – Niterói: UFF, 2005. 129 f., dissertação (Mestrado em sistema de gestão) Universidade Federal Fluminense, 2005. POIT, DAVI RODRIGUES. Organização de eventos esportivos – 4 ed. – São Paulo: PHORTE, 2006. DAOLIO, J. Da cultura do corpo. Campinas, Papirus, 1995. _____. Educação física escolar: uma abordagem cultural. In: PICCOLO, V.L.N., org. Educação física escolar: ser...ou não ter? Campinas, UNICAMP, 1993. GARGANTA, J. Para uma teoria dos jogos desportivos coletivos. In: GRAÇA, A. OLIVEIRA, J., orgs. O ensino dos jogos desportivos. 2.ed. Porto, Universidade do Porto, 1995. PELLEGRINOTTI, I.L. Educação física no 2o. grau: novas perspectivas? In: PICCOLO, V.L.N., org. Educação física escolar: ser...ou não ter? Campinas, UNICAMP, 1993. TANI, G.; MANOEL, E.J.; KOKUBUN, E.; PROENÇA, J.E. Educação física escolar: fundamentos de uma abordagem desenvolvimentista. São Paulo, EPU/EDUSP, 1988. VERENGUER, R.C.G. Educação física escolar: considerações sobre a formação 34 profissional do professor e o conteúdo do componente no 2o. grau. Revista Paulista de Educação Física, v.9, n.1, p.69-74, 1995. JUSSARA HOFFMANN – Revista Nós da Escola ( Educação Multirio) PMRJ ROCHA, VICENTE LEITÃO DA. Iniciação Desportiva. RJ, 1975. Revista Multieducação (Mídia e Educação) NCBM, RJ. Almanaque do esportista, CENPEC, SP, 2000. 35 APÊNDICES E ANEXOS Relatos “Porque um projeto como o de vocês não pode acabar porque as crianças perderiam o que vocês estão plantando com cuidado, gosto pelo esporte e caráter, se acabar e se essa semente não for molhada não vai adiantar nada foi ter feito um castelo na areia.” ( Responsável ) “Ajuda a orientar sobre droga e sobre outros crimes, ainda mais mãe que vive só, que é mãe e pai no mesmo tempo. Vem ajudar a orientar sobre outras coisas que eu não tenho experiência como um homem a educar. Vai me ajudar muito.” ( Responsável ) “Antes de eu vir para cá, não tinha nada para eu fazer. Só vivia vago, à toa. Hoje, estou mais ativo, não estou mais de bobeira.” ( Aluno ) “Eu estou muito feliz, respeito mais as pessoas, não fico mais na rua, converso mais com os meus pais e brinco mais com os meus parentes, primos e sobrinho.” ( Aluno ) “Tenho certeza de que crescer com a consciência limpa e tenho certeza de que nunca vou entrar no mundo das drogas.” ( Aluno ) “Este Projeto me tirou das ruas. Eu passei a estudar mais e prestar atenção no que os professores falam e em muitas outras coisas.” ( Aluno ) “Eu acho um trabalho muito importante porque os professores daqui nos ensinam a conviver uns com os outros.” ( Aluno ) 36 “Eu sinto que a minha vida está melhorando, quando estou aqui eu sinto que vou conseguir ser alguém.” ( Aluna ) “Eu fiquei feliz porque o Projeto me fez trabalhar em grupo e me relacionar com outras pessoas.” ( Aluno ) “Quando eu não era do projeto, eu dormia muito tarde, agora, durmo cedo para acordar cedo.” ( Aluno ) “Teve uma época que houve um problema e eu fui até suspensa, mas depois eu vi que os dois lados estavam errados. Os professores só estavam nos ajudando, nos aconselhando a sempre que errarmos assumirmos nossos erros e eu aprendi que sempre que eu errar devo pedir desculpa.” ( Aluna ) 37 Fotos do Programa Forças no Esporte Futebol Vôlei de quadra Atletismo – Corrida Atividade Aquática - Natação Vôlei de areia Refeição diária 38 JORNAL DO BAIRRO 39 JORNAL DO BAIRRO