MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ
CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE / DEPARTAMENTO DE ENFERMAGEM
PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO MESTRADO EM ENFERMAGEM
FERNANDA MARIA DE JESUS SOUSA PIRES DE MOURA
VIVÊNCIAS DE MULHERES SOBRE O PROCESSO PARTURITIVO:
Contribuições para a Assistência de Enfermagem
TERESINA (PI) 2008
FERNANDA MARIA DE JESUS SOUSA PIRES DE MOURA
VIVÊNCIAS DE MULHERES SOBRE O PROCESSO PARTURITIVO:
Contribuições para a Assistência de Enfermagem
Dissertação de Mestrado apresentada ao
Programa de Pós-graduação Mestrado em
Enfermagem da Universidade Federal do
Piauí,
como
parte
dos
requisitos
necessários à obtenção do título de Mestre
em Enfermagem.
Área de concentração: Enfermagem no contexto social brasileiro
Linha de Pesquisa: O processo de cuidar em Enfermagem e saúde
Orientadora: Profa Dra Inez Sampaio Nery.
TERESINA( PI), 2008
Fernanda Maria de Jesus Sousa Pires de Moura
VIVÊNCIAS DE MULHERES SOBRE O PROCESSO PARTURITIVO:
Contribuições para a Assistência de Enfermagem
Dissertação de Mestrado submetida à
Banca Examinadora do Programa de
Pós-Graduação
Mestrado
em
Enfermagem, da Universidade Federal do
Piauí, como parte dos requisitos
necessários à obtenção do título de
Mestre em Enfermagem.
Aprovada em ___/___/2008
____________________________________________
Profa Dra Inez Sampaio Nery - Presidente
Universidade Federal do Piauí — UFPI
_____________________________________________
Profa Dra Marli Villela Mamede - 1ª examinadora
Universidade de São Paulo – USP- Ribeirão Preto
_____________________________________________________
Profa Dra Benevina Maria Vilar Teixeira Nunes– 2ª examinadora
Universidade Federal do Piauí — UFPI
Suplente:
______________________________________
Profª Drª Maria Helena Barros Araújo Luz
Universidade Federal do Piauí - UFPI
FICHA CATALOGRÁFICA
M 929 r Moura, Fernanda Maria de Jesus S. P. de
VIVÊNCIAS DE MULHERES SOBRE O PROCESSO PARTURITIVO:
Contribuições para a assistência de enfermagem/ Fernanda Maria de Jesus S.P.
de Moura. - Teresina, 2008.
130 p.
Dissertação (Mestrado em Enfermagem) — Universidade Federal do Piauí,
2008.
Orientadora: Profª Drª. Inez Sampaio Nery.
1. Parto Normal-Assistência de Enfermagem. 2. Enfermagem. 3. Enfermagem
Obstétrica.
C.D.D: 618.45
610.7367
DEDICATÓRIA
Aos meus pais, Casimiro de Sousa (in memorian) e Palmira de Jesus,
pela minha criação pautada no amor e respeito ao próximo.
Ao pai dos meus filhos, Fernando Pires,
pelo incentivo permanente e amizade.
Aos meus filhos queridos, Lara, Igor e Nina,
pela compreensão e amor.
AGRADECIMENTOS
À minha querida orientadora, Inez Sampaio Nery pela dedicação, incentivo e
amizade.
À Coordenadora Profa. Dra. Claudete Ferreira de Souza Monteiro e professoras do
Mestrado, que nos ajudaram a trilhar essa jornada com força e determinação.
Às colegas, companheiras e amigas, do Curso de Mestrado que ao longo desses
anos demonstraram solidariedade e estímulo.
Às guerreiras depoentes, que contribuíram de forma decisiva para a realização da
pesquisa, ao exporem seus momentos mais íntimos.
Aos membros da Banca Examinadora, Profa Dra Marli Villela Mamede, Profa Dra
Benevina Maria Vilar Teixeira Nunes, Profª Drª Maria Helena Barros Araújo Luz, pela
honra que me deram ao participarem deste trabalho, Ao Departamento de
Enfermagem da UFPI, pela força e incentivo.
RESUMO
MOURA, Fernanda Maria de Jesus Sousa Pires de. VIVÊNCIAS DE MULHERES
SOBRE O PROCESSO PARTURITIVO: Contribuições para a Assistência de
Enfermagem. Teresina (PI), 2008. Dissertação (Mestrado em Enfermagem),
Universidade Federal do Piauí.
Este estudo tem como objeto a vivência de mulheres sobre o parto
normal em maternidade. Buscou-se descrever situações vivenciadas pelas mulheres
no que diz respeito ao processo parturitivo em maternidade e discutir as
perspectivas das mulheres sobre a parturição. Para tanto, foi utilizado o método
História de Vida, por meio da técnica de entrevista aberta. Os sujeitos da pesquisa
foram vinte e duas mulheres, as quais responderam ao seguinte questionamento:
“Fale a respeito de sua vida que tenha relação com sua vivência do parto normal”. A
partir dos depoimentos das mulheres, foi possível apreender as idéias principais das
categorias de análise, que foram três, com suas devidas subcategorias, a saber: 1 “Marcas que ficam no corpo e na alma” e as subcategorias “A gravidez como sonho
e pesadelo” e “O processo parturitivo e vivências traumáticas”; 2 - “As
intercorrências e a realidade do puerpério”; 3 - “A assistência na ótica da mulher” e
as subcategorias “Desumanização da assistência” e “vivência gratificante no parto”.
A maioria dos discursos mostrou que o excesso de intervenções durante o processo
parturitivo, sem prévio esclarecimento, leva as mulheres a experimentar momentos
estressantes, dolorosos, sem privacidade e ao mesmo tempo solitários, o que
compromete física, psicológica e emocionalmente à mulher, visto que ela, ao
procurar o serviço de saúde, espera ter seu filho com segurança. A violência
institucional ficou evidente durante os discursos, ao ser constatada a sua prática em
vários depoimentos. Dessa forma, não só a mulher, mas a criança também
permaneceu com seqüelas físicas e psicológicas após o parto, as quais, em alguns
casos, perduram até hoje e são relembradas como momentos de intensa angústia e
pavor. Neste contexto, à parturiente não é permitida outra opção que não assistir
passivamente ao controle sobre seu parto, o que expressa a submissão que ainda
caracteriza o papel da mulher na sociedade atual. As depoentes mencionaram mais
a atuação médica durante o parto, embora a enfermeira obstetra, que atua nas
instituições de saúde tenha competência técnica, legal e humana para acompanhar
a mulher em todo o processo gravídico puerperal. Cabe lembrar que as enfermeiras,
ao ocuparem o espaço institucional, costumam se dedicar mais à função
administrativa do que propriamente a assistencial. Houve relatos de mulheres que
vivenciaram o período gravídico puerperal com satisfação e conceituaram esse
momento de suas vidas como sublime e gratificante, ao serem assistidas de forma
mais humana. Essas são as recomendações do estudo: O profissional, ao
acompanhar a mulher durante a parturição, deve ser sensível às manifestações de
ansiedade e medo, comuns nessa fase, e oferecer apoio, segurança, compreensão
e responsabilidade, o que poderá refletir numa assistência mais humanizada, menos
intervencionista e com a participação da parturiente, influindo positivamente para
baixar os índices de morbimortalidade materna e perinatal, bem como incentivando o
resgate da autonomia da mulher na condução do próprio parto.
PALAVRAS-CHAVE: Enfermagem. Parto Normal. Assistência.
ABSTRACT
MOURA, Fernanda Maria de Jesus Sousa Pires de. EXPERIENCES OF WOMEN IN
CHILDBIRTH: Contribution for Nursing Assistance. Teresina (PI), 2008.
Dissertation (Master’s in Nursing), Universidade Federal do Piauí.
The objective of this study is to show the experiences of women who have
had a normal delivery during childbirth. It describes situations which women in
childbirth have undergone and discusses the perspectives of the women about
childbirth. The History of Life method was used by means of the open interview
technique. The subjects of the study were twenty two women who answered the
following inquiry: “Talk about your life in relation to your experience of having a normal
delivery”. From the statements of the women it was possible to learn the main ideas of
the analysis categories, of which there were three, and their subcategories. These
were: 1 – “Marks which stay on the body and the soul” and the subcategories
“Pregnancy as a dream and a nightmare” and “The childbirth process and traumatic
experiences”; 2 – “The happenings and the reality of postpartum”; 3 – Assistance in
the eye of the woman” and the subcategories “Dehumanization of the assistance” and
“Gratifying childbirth experience”. The majority of the statements show that there was
an excess of interventions without previous explanation during the childbirth process
causing the women to have painful, stressing moments without privacy and at the
same time feelings of loneliness which compromise the physical, psychological and
emotional state of the women since in seeking health services she hoped to have her
child safely. Institutional violence became evident during the talks as it was reported
in various statements. In this way, not only the woman but also the child has physical
and psychological effects after childbirth. In some cases, they remain until today and
are remembered as moments of intense anxiety and fear. In this context, the woman
in labor is not allowed another option but to comply passively with the control over her
delivery which characterizes the submissive role of women in today’s society. The
women mentioned the role of the obstetrician during delivery even though the obstetric
nurse who works in health institutions has the technical, legal and humane
competence to accompany a woman in all the phases of pregnancy and delivery. It is
important to point out that nurses, who occupy a position in an institution, usually work
in an administrative position instead of assisting the patient. There were reports of
women who had a satisfying pregnancy and delivery and defined this stage of their
lives as sublime and gratifying because they were assisted with a more humane
treatment. These are the study recommendations: the professional accompanying
the woman during labor should be sensitive to the manifestations of anxiety and fear,
common in this phase and offer support, security, understanding and responsibility
which could reflect in a more humane assistance, with less intervention and with the
participation of the woman thus influencing positively in lowering the maternal and
neonatal morbimortality rates as well as recover the autonomy of the woman in the
conduction of her own delivery.
Key Words: Nursing, Normal Delivery, Assistance.
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO......................................................................................... 10
1.1 Construção do objeto de estudo.............................................................................. 10
1.2 A problemática do estudo ....................................................................................... 17
1.3 Objetivos e questões norteadoras ........................................................................... 22
2 REFERENCIAL TEÓRICO ..................................................................... 23
2. 1Contexto histórico de assistência à mulher no Brasil .............................................. 23
2.2 Assistência Tecnocrática x Holística ...................................................................... 28
2.3 Assistência Humanizada ........................................................................................ 36
3
ABORDAGEM METODOLÓGICA .......................................................................... 40
3.1 Tipo de estudo e o método História de Vida............................................................ 40
3.2 Sujeitos do estudo .................................................................................................. 42
3.3 A produção dos dados e análise dos depoimentos ................................................. 44
4 VIVÊNCIAS DE MULHERES DURANTE PROCESSO PARTURITIVO
EM MATERNIDADE .................................................................................. 46
4.1 Marcas que ficam no corpo e na alma .................................................................... 46
4.1.1 A gravidez como sonho e pesadelo ..................................................................... 46
4.1.2 O processo parturitivo e vivências traumáticas ................................................... 52
4.2 As intercorrências e a realidade do puerpério ......................................................... 85
4.3 A assistência na ótica da mulher ............................................................................ 103
4.3.1 Desumanização da assistência ............................................................................ 103
4.3.2 Vivência gratificante no parto ............................................................................... 106
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ..................................................................... 115
REFERÊNCIAS .......................................................................................... 122
ANEXO ....................................................................................................... 128
APÊNDICE ................................................................................................. 130
Download

ministério da educação universidade federal do piauí centro de