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Documento produzido em 28.12.2014
A INTERAÇÃO SOCIAL COMO MUDANÇA DE CENÁRIO
NA SOCIEDADE DE RISCO
2014
Alyanne Vieira de Menezes
Darlan de Almeida Lima
Emanuelly Eudilene P.S. Silva
Fernanda S. Loiola
Geovana de Castro Rocha
Lizieh Florêncio Vale
Luiz Henrique Sampaio Martins
Rafaela Nery Sarah Domingues
Sarah Duarte da Costa
Zinnia de Fátima Lima Freitas
Estudantes de Psicologia - Estácio do Ceará Campus Corpvs (Brasil)
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RESUMO
Este artigo sugere uma reflexão teórica acerca da interação social como mudança de cenário
na sociedade de risco. Conforme os teóricos Jodelet (1986) e Moscovici (1978), Vala (1993),
Durkheim (1986), Bhaskar (1996), Rouanet (1996), Perrusi (1995), Alexander (1987), Motta P.R.
(2001), Maffesoli (1985), Marx (1963), Beck (1999, 2000), Giddens (1994, 1997) e Barbero
(2006) as representações do saber cotidiano são particularizações sobre comportamentos,
formando a consciência social. Os fatos sociais envolvem o poder no comportamento dos
membros da sociedade, pela socialização e internalização de valores, na formação social, numa
constituição e elaboração psicológica e social da realidade nos processos de interação e mudança
social, em intervenção social como projeção concreta cultural. Segundo os autores, o prazer, a
consciência e o medo, estão relacionados a mudanças de valores, tomadas de decisão pessoais ou
coletivas, que carecem de “filtragem” na imagem, idéia, discurso, prática criativa e no trabalho,
como possível realização pessoal. Fisk J. (1990), Mattelart, A. & Mattelart, M. (1999), Beltran
(1981), Simon (1979) e Robbins (2000), Goffman (apud Wolf, 2002), Santaella (1983), Penteado
(1993), Berger e Luckmann (1985), Charlot (2000), Sarti (1996, 1999), Chaves, Cabral, Ramos,
Alyanne Vieira de Menezes, Darlan de Almeida Lima, Emanuelly Eudilene
P.S. Silva, Fernanda S. Loiola, Geovana de Castro Rocha, Lizieh Florêncio
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Lordelo & Mascarenhas (2002), Oliveira & Bastos (2000), Cole M. e Cole S. (2004) e Devries et
al. (2004), Ferreira & Marturano (2002) e Lipovetsky (1989) buscam compreender a produção e
elaboração de significados, multiplicidades de sentidos, num processo de interação e
entendimento entre sociedade e indivíduos aonde a linguagem, significações simbólicas,
processos de significação, ocorrem numa construção de significados no processo de interação
social e de desenvolvimento das potencialidades, marcando a vida de cada indivíduo, aonde
traduzem o mundo social, como novas formas de coexistência; a socialização envolve
diversidade de interações pessoais, permite a construção de repertórios para lidar com
adversidades e problemas surgidos, possibilitando direitos a serem socialmente reconhecidos,
mediante superação de dificuldades. Wagner, Halpern & Bornholdt (1999), Piaget (1987),
Szymanski (2001), Kreppner (2000), Médici (1961), Petzold (1996), Kancyper (1999), Campos
(2000), Weiner (2000), Exner (2003), Vygotsky (2001, 2003), Bom Sucesso (2000) afirmam que
as mudanças envolvem assimilação de esquemas de nuances distintos, interações e contextos
diversificados, aonde a família é o sistema social responsável pela transmissão de valores,
crenças, idéias e significados presentes nas sociedades, possuindo um impacto significativo e
uma forte influência no comportamento dos indivíduos que aprendem as diferentes formas de
existir, de ver o mundo e construir suas relações sociais pela construção dos laços afetivos;
segundo os autores, as reações emocionais exercem uma influência essencial e absoluta em todas
as formas de comportamento, onde o afeto é um ingrediente necessário para se sentir seguro e
protegido, necessitando-se de estabelecer relações positivas no sistema familiar, sendo necessário
preservar a individualidade dos membros e concomitantemente, o sentimento coletivo; os estados
afetivos interferem na cognição, mutuamente, embora sejam de natureza distinta e indissociáveis;
dessa forma o aprendizado gerado em qualquer situação por vivências, embora não se possa
prever externamente situações de risco, confronta em relação aos riscos sociais, como os fatos
sociais são passíveis de coerção social e assim, a interação social pelo aprendizado afetivo gera
mudanças de cenário a nível individual e coletivo na sociedade aonde haja risco de haver
inconsciência social e medo individual.
Palavras-chave: Interação, comunicação, afeto.
1. INTRODUÇÃO
Desde há muito tempo, com o uso de símbolos, sinais, fala, linguagem e escrita, a
humanidade teve uma necessidade crescente de comunicar, compreender, controlar, propagar
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crenças e vínculos, procurando significar mudanças sociais, num processo de modelagem que
reflete as expectativas ou mudanças sociais.
As mudanças ocorrem em meio a representações sociais, que segundo Jodelet (1986) e
Moscovici (1978), são formas de conhecer o mundo, agrupando conjuntos de significados que
dão novos sentidos, a um saber compartilhado, generalizado e funcional para as pessoas,
chamado de senso comum ou explicações do cotidiano.
As representações são modalidades particularizadas sobre comportamentos e a
comunicação entre indivíduos; essas representações, segundo Vala (1993), alimentam teorias
científicas, eixos culturais, ideologias formalizadas, experiências e comunicações cotidianas,
como que formando uma consciência social, na qual Beck (1999, 2000) afirma que apesar da
sociedade denotar riscos ou carências, impossíveis de prever externamente as situações de perigo,
ela confronta consigo mesma em relação aos riscos sociais, como fatos sociais passíveis de
coerção social. Barbero (2006) afirma que a revolução tecnológica introduz em nossa sociedade
um novo modo de relação entre os processos simbólicos – que constituem o cultural – e as
formas de produção e distribuição dos bens e serviços: um novo modo de produzir, confusamente
associado a um novo modo de comunicar.
2. A REALIDADE E A REPRESENTAÇÃO DO RISCO SOCIAL
Durkheim (1986), afirma que os “fatos sociais exteriores e anteriores aos indivíduos”
exercem poder coercitivo na existência concreta da materialidade manifesta no comportamento
dos membros da sociedade, por meio da socialização e internalização de valores, na formação
social, originando mecanismos de controle social.
Bhaskar (1996) vai além da realidade, estendendo a produção, exteriorização e constituição
dessa consciência individual ou coletiva, envolvendo idéias, paixões e interesses sobre coisas
existentes no espaço/tempo, tratando de investigar a atividade humana, do ponto científico e
social, denominado de realidade, que Rouanet (1996) trata como uma falsa consciência porque na
representação social, se materializa acima dos ideais; os cientistas de diversas áreas afins, tentam
entender o fenômeno psíquico, social, individual e coletivo.
Perrusi (1995), fala sobre o desenvolvimento do pensamento social, as divergências teóricas
geradas que acabam constituindo as ciências sociais, conforme cita Alexander (1987).
Comparando as teorias de Moscovici e Durkheim, afirma Perrusi (1995) que Moscovici
apropriou-se do conceito de Durkheim: O significado de senso comum evoluiu para um conceito
mais abrangente envolvendo aspectos sociais e psicológicos, fazendo surgir a necessidade de
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uma consistente e acentuada cognição sobre a necessidade de delimitar o campo de ação do
cotidiano.
Para Moscovici, (1978), o senso comum é formado por imagens e símbolos, cuja realidade
é dominada pelo “porquê” (em vez do “como”), gerando uma pluralidade de pensamentos
naturais espontâneos, contextuais e sociais que dispersam a informação, que induzem a
personificação e figuração de imagens. O conceito social de Moscovici é, portanto, diferente do
conceito coletivo de Durkheim, ao designar uma dinâmica bilateral no processo de constituição,
elaboração e partilha da forma de conhecimento social, inserida numa realidade psicológica,
afetiva e semelhante ao comportamento individual. Isso denota que o senso comum passa a
interagir com a socialização. Jodelet (1986) defende que as representações são medidas sociais da
realidade, produto e processo de uma atividade de elaboração psicológica e social dessa realidade
nos processos de interação e mudança social, envolvendo ideologias, simbolismos, atitudes e
condutas comportamentais que influem nessas questões.
Motta (2001) afirma que as mudanças fazem parte da própria humanidade: o homem vive
em constantes mutações e em cada mudança ele passa por transformações que lhe conferem nova
valorização, novo sentido, novas maneiras de pensar e de agir / interagir com o mundo e com os
outros. Os fatos, as idéias, os fenômenos podem se alterar tanto de forma gradual e imperceptível
quanto global e estrondosa, fazendo com que a grande preocupação atual seja a possibilidade do
ser humano gerenciar o processo de mudança através da intervenção social. Concorda Michel
Maffesoli (1985),afirmando que o cotidiano é um estilo mais abrangente das relações sociais em
seu conjunto como projeção concreta de todas as atitudes emocionais, maneiras de pensar e agir,
de todas as relações com o outro, pelas quais se define uma cultura.
Marx (1963) defende a idéia de que o produto de alguém está relacionado com a
individualidade, envolvendo na vida, o prazer individual de sua capacidade e de estar satisfeito
de usufruir com consciência de ter mediante o trabalho, atendido as necessidades de outrem.
Contudo, Beck (1999, 2000) afirma que existe uma mudança nos cenários sociais que favorece à
“desregulamentação” do social em detrimento de um novo modelo de sociedade: a sociedade do
medo, como grande mercadoria para ser exibida no cotidiano. Giddens (1994, 1997) afirma que a
crise da modernidade está relacionada, sobretudo, a uma mudança de valores no momento de
tomadas de decisão, pessoais ou coletivas, aonde os fundamentalismos constituem uma ameaça
ao diálogo, como potencial ou cultura de violência. Giddens acredita que o indivíduo deve
selecionar e agir na vida cotidiana num processo de “filtragem”, cuja essência contrasta com o
conceito de Durkheim sobre a possibilidade do conhecimento se dar sobre uma realidade social
independente, já que, nessa prática, o indivíduo influencia a própria realidade, defendendo uma
reflexão social associada a uma autonomia individual pela comunicação, como um processo que
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viabiliza a troca de mensagens entre pessoas, sendo cada vez mais utilizada nas relações sociais
humanas modernas.
Dessa forma, podemos supor que as diversas relações têm várias formas de interação com
os diversos grupos sociais, onde, entre relação e interação existe o envolvimento, que gera uma
imagem como idéia do discurso e prática, cuja criatividade se insere na realização do interesse do
trabalho, como uma forma de buscar a realização.
3. O PAPEL DA COMUNICAÇÃO MUDANÇA DE CENÁRIO SOCIAL
Fisk J. (1990) analisa a tentativa de aproximação das ciências sociais, da psicologia e da
sociologia com o objetivo de compreender os atos da comunicação e a semiótica para
compreender a produção e elaboração e produção de significados, pois defende que a mensagem
é uma construção de signos que, pela interação com os receptores, produzem significados.
Segundo Mattelart, A. & Mattelart, M. (1999), a noção de comunicação recobre uma
multiplicidade de sentidos com a proliferação das tecnologias. Beltran (1981) propõe um modelo
de comunicação comunitária, num processo de interação social deomcrático baseado no
intercâmbio de símbolos livres. Conforme Simon (1979) e Robbins (2000), o objetivo da
comunicação é promover o entendimento entre os componentes de um grupo, permitindo que um
determinado pensamento consiga, por meio de estímulo adequado ao ser compartilhado, produzir
a ação desejada no receptor, alcançando os resultados desejados. Envolvendo a questão mental
com ação, Goffman (apud Wolf, 2002), sociedade, indivíduo e mente são três entidades
indissociáveis, que compõem o ato social, caracterizado como interacionismo simbólico.
Santaella (1983), opina sobre o fato de que toda forma de linguagem, traz a identificação do ato
comunicativo enquanto processo de significação, e não apenas como um fenômeno transmissivo.
Penteado (1993), concordando com Fisk, na questão da simbologia, analisando que
comunicação é o intercâmbio compreensivo de significações através de símbolos, considera uma
exigência de significação, de que toda comunicação humana torna-se um ato inteligente, que
depende da acuidade com que a mensagem é interpretada, com igual significado, pelo emissor e
pelo receptor. Berger e Luckmann (1985) concordando com Penteado e com Fisk, na questão da
simbolização, defendem que é possível afirmar que os processos simbólicos são processos de
significação, numa construção de significados como decorrência do processo de interação social.
Analisando esse processo de construção de relação social, Charlot (2000) adverte que o ser
que é igual a todos como espécie, igual a alguns como parte de um determinado grupo social e
diferente de todos como um ser singular, não sendo um mero dado, mas uma construção, um
processo de desenvolvimento das potencialidades que o caracterizam como espécie, cuja essência
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originária do indivíduo humano não está dentro dele, mas sim fora, nas relações sociais, sua
natureza social. Sarti (1996, 1999) afirma que as relações que estabelecem, a qualidade das
trocas, os conflitos, os arranjos existentes para garantir a sobrevivência e os valores
predominantes são dimensões que marcam a vida de cada um, constituindo um filtro por meio do
qual traduzem o mundo social, concordando com Giddens sobre o processo de “filtragem”. Sobre
esta busca de satisfação plena de realização de seus objetivos, Chaves, Cabral, Ramos, Lordelo &
Mascarenhas (2002) falam que os membros de famílias contemporâneas têm se deparado e
adaptado às novas formas de coexistência oriundas das mudanças nas sociedades, isto é, do
conflito entre os valores antigos e o estabelecimento de novas relações, aonde Oliveira & Bastos
(2000) complementam essa idéia, afirmando que os laços afetivos asseguram o apoio psicológico
e social entre os membros familiares, ajudando no enfrentamento do estresse provocado por
dificuldades do cotidiano. Cole M. e Cole S. (2004) e Devries et al. (2004) defendem que o
fenômeno da “socialização”, tradicionalmente definido como “aprender a conviver com as
pessoas”, envolvem processos na dinâmica da “socialização” consistem em processos básicos
que abrangem o desenvolvimento integral da pessoa no contexto das práticas diárias de interação
social.
Ferreira & Marturano (2002) consideram que as redes de apoio, constituídas pela
diversidade de interações entre as pessoas, permitem a construção de repertórios para lidar com
as adversidades e problemas surgidos, possibilitando sua superação com sucesso.
Concordando com Giddens, na questão da valorização do indivíduo, Lipovetsky (1989)
afirma que o que importa é que o indivíduo seja ele próprio, e tudo e todos tenham direito a
serem socialmente reconhecidos.
Dessa forma, no relacionamento entre indivíduos, influenciar a vida de outro, envolve a
busca de informações pelo processo de comunicação, na transmissão do saber, envolvendo
superação de dificuldades, aonde a experiência social constrói um exemplo, que pode demonstrar
o crescimento, como por exemplo, o familiar, na relação social.
4. O APRENDIZADO E A INTERAÇÃO SOCIAL
Wagner, Halpern & Bornholdt (1999) afirmam que os padrões familiares vão se
transformando e reabsorvendo as mudanças psicológicas, sociais, políticas, econômicas e
culturais, o que requer adaptações e acomodações às realidades enfrentadas para se aprender
desde cedo a administrar e resolver os conflitos, a controlar as emoções, a expressar os diferentes
sentimentos que constituem as relações interpessoais, a lidar com as diversidades e adversidades
da vida. Para Piaget (1987) esta adaptação é feita por assimilação de esquemas e por acomodação
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desses esquemas em novas estruturas mentais no processo de aprendizagem, aonde se assimila o
que possui uma base de conhecimentos suficientes anteriores.
Tomando por exemplo a escola e a família, Szymanski (2001) afirma que a ação apresenta
nuances distintos quanto aos objetivos, conteúdos, métodos e questões interligadas à afetividade,
bem como quanto às interações e contextos diversificados. De acordo com Kreppner (2000),
concordando com Berger e Luckmann na questão das redes de interações, as famílias asseguram
a continuidade biológica, as tradições, os modelos de vida, além dos significados culturais que
são atualizados e resgatados, cronologicamente; a família é como um sistema social responsável
pela transmissão de valores, crenças, idéias e significados presentes nas sociedades, possuindo
um impacto significativo e uma forte influência no comportamento dos indivíduos que aprendem
as diferentes formas de existir, de ver o mundo e construir as suas relações sociais.
Médici (1961) que disse que todo o progresso psicológico se realiza através das relações
com outrem, principalmente os pais. De acordo com a concepção proposta por Petzold (1996), a
combinação derivada do microssistema tem como base as relações diádicas, isto é, como os
genitores interagem, com destaque para o grau de intimidade. Concordando em parte com
Durkheim, Kancyper (1999) afirma que existe uma ordem simbólica, lógica que precede o
nascimento cronológico. Esta ordem é o lugar individual que estará determinado em relação com
o sistema da situação do meio familiar. Segundo Campos (2000), quando a pessoa não se satisfaz
com a forma como é e procura projetar seus desejos no outro, ela precisa do outro para ser feliz
porque não consegue ser feliz consigo mesma; para o sucesso e realização de qualquer pessoa, a
família é indispensável à garantia da sobrevivência, independentemente da sua estrutura, ou da
forma como vêm se estruturando.
É a família que propicia a construção dos laços afetivos e a satisfação das necessidades no
desenvolvimento da pessoa. Ela desempenha um papel decisivo na socialização e na educação. É
na família que são absorvidos os primeiros saberes, e onde se aprofundam os vínculos humanos.
De acordo com Weiner (2000), os relacionamentos interpessoais interagem com a percepção dos
estímulos vivenciados, elaboração e interpretação sobre os mesmos e de conceitualização dos
fatos. Por outro lado, o desajuste social inclui "desinteresse e desvínculo emocional, desconforto
no contato com o outro e com situações interpessoais, e, tendência ao distanciamento e
sentimento persecutório e/ou de ameaça pessoal frente à interação com o outro, o que denota a
questão da importância da afetividade.
Exner (2003) ressalta que o afeto abrange uma complexidade de emoções e sentimentos
relacionados às atividades interpessoais e sociais como percepção de si e do outro, capacidade de
julgamento e pensamento, decisão e de reação aos fatos vivenciados. Conforme Vygotsky
(2003), também conforme Wallon, seus seguidores e outros autores, a afetividade é vital em
todos os seres humanos, de todas as idades; está sempre presente nas experiências vividas no
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relacionamento com o “outro social”, por toda a sua vida, desde seu nascimento. Quando se entra
na escola, as reações emocionais exercem uma influência essencial e absoluta em todas as formas
de nosso comportamento e em todos os momentos do processo educativo, pois atividades
emocionalmente estimuladas, impregnadas de emoção serão recordadas de forma mais sólida,
firme e prolongada que algo indiferente.
Segundo Bom Sucesso (2000), o afeto é um ingrediente necessário para se sentir seguro e
protegido, necessitando-se de estabelecer relações positivas. Sisto (2002), afirma que é no
sistema familiar que são expressas as inquietações, as conquistas, os medos e as metas pessoais.
Para tanto, é necessário preservar a individualidade dos seus membros e, ao mesmo tempo, o
sentimento coletivo. Isso representa uma forma de apoio mútuo em família."[...] embora não
exista uma concordância quanto ao papel desempenhado pelos afetos no processo de conhecer, é
consenso o fato de que os estados afetivos interferem no cognitivo, aonde as funções afetivas e
cognitivas são de natureza distinta, embora indissociáveis. Vygotsky (2001) afirma que o
processo de formalização do conhecimento não é a única fonte que o sujeito possui para
aprender, isso está inato às capacidades humanas, conseguindo assim, aprender com qualquer
situação vivida.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A consciência social envolve os fatos sociais, o uso do poder no comportamento dos
membros da sociedade, a socialização e internalização de valores, na formação social, numa
constituição e elaboração psicológica e social da realidade nos processos de interação e mudança
social, através da intervenção social como projeção cultural.
Para que haja mudanças de valores, tomadas de decisão, pessoais ou coletivas, existe a
necessidade de um processo de interação, numa construção de significados como decorrência do
processo de construção, desenvolvimento de repertórios para lidar com as adversidades e
problemas surgidos, possibilitando direitos a serem socialmente reconhecidos, mediante
superação de dificuldades.
A família é o sistema social responsável pela forte influência no comportamento dos
indivíduos que aprendem as diferentes formas de existir, de ver o mundo e construir as suas
relações sociais pela construção dos laços afetivos, como algo vital em todos os seres humanos,
de todas as idades; sempre presente nas experiências vividas no relacionamento com o “outro
social”, por toda a sua vida, porque as reações emocionais exercem uma influência essencial e
absoluta em todas as formas de comportamento que impregnados de emoção serão recordados de
forma mais sólida, firme e prolongada que algo indiferente.
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Dessa forma, o afeto é um ingrediente necessário para se sentir seguro e protegido,
necessitando-se de estabelecer relações positivas no sistema familiar, aonde são expressas as
inquietações, as conquistas, os medos e as metas pessoais, sendo necessário preservar a
individualidade dos seus membros e, ao mesmo tempo, o sentimento coletivo, na forma de apoio
mútuo em família, pois os estados afetivos interferem no cognitivo, aonde as funções afetivas e
cognitivas são de natureza distinta, embora indissociáveis, gerando aprendizado em qualquer
situação vivida.
Sabemos que o presente artigo não esgota o assunto sobre as relações humanas, entendemos
que existem perspectivas, boas ou ruins, aonde o indivíduo não se sacia totalmente, numa idéia
de busca de realização e de falta, por causa das experiências com o diferente, sendo instrumento
de constante mudança, quebrando paradigmas, constituindo conceitos e mudando e criando
cenários.
Além disso, diante do medo do novo, da renovação, procura o conhecimento para a
mudança cultural, em sintonia com elo familiar para troca de experiências em motivação no
processo de desenvolvimento, elo de convivência e proximidade na relação entre o indivíduo e a
sociedade. Na idéia de defesa pessoal e de convívio social, surge o contraste entre o isolamento e
o desejo de se completar em obediência social, como a necessidade de conviver em comunidade
e o trabalho de equipe gera uma vivência amparada de apoio, disponibilidade.
Assim, o aprendizado gerado em qualquer situação por vivências, embora não se possa
prever externamente situações de risco, confronta em relação aos riscos sociais, como os fatos
sociais são passíveis de coerção social e assim, a interação social pelo aprendizado afetivo gera
mudanças de cenário a nível individual e coletivo na sociedade aonde haja risco de haver
inconsciência social e medo individual.
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