AGOSTINHO TOFFOLI TAVOLARO . 1 O BRASIL E O SÉCULO 21 DESAFIOS E PERSPECTIVAS A VIOLÊNCIA NAS METRÓPOLES E O PAPEL DAS ONGs 1 - INTRODUÇÃO 2 - O OBSERVADOR 3 - AS CAUSAS REMOTAS DO AUMENTO DA CRIMINALIDADE – EDUCAÇÃO E INSTRUÇÃO 4 - O PAPEL DO ESTADO E O TRINÔMIO SAÚDE – EDUCAÇÃO E SEGURANÇA 5 - OS FATORES INDUTORES DA VIOLÊNCIA 5.1 – A EXCLUSÃO SOCIAL 5.2 – A OCUPAÇÃO URBANA DESORDENADA 5.3 – AS DROGAS 5.4 – A DESCRENÇA NAS INSTITUIÇÕES 5.5 – A INCITAÇÃO À VIOLÊNCIA – PAPEL DA MÍDIA 5.6 – A LEGISLAÇÃO PENAL E PENITENCIÁRIA Av. Hermas Braga, nº 379, Nova Campinas - 13092-330 - CAMPINAS – SP Fone: (19) 3251-8237 - Fax: (19) 3251-2432 AGOSTINHO TOFFOLI TAVOLARO 2 5.7 – DIREITOS HUMANOS : DE QUEM ? 6 - ESTUDO DE UM CASO : CAMPINAS 6.1 – CAMPINAS NO INÍCIO DA DÉCADA DE 90 6.2 – AS INVASÕES 6.3 – O DESCASO DAS AUTORIDADES 6.3.1 – RAZÕES POLÍTICO/PARTIDÁRIAS 6.3.2 – OS NÚMEROS DA OUVIDORIA DA POLÍCIA 6.4 – A PRECIPITAÇÃO DA CRISE 6.4.1 – 11 DE SETEMBRO – O ASSASSINATO DO PREFEITO ANTONIO DA COSTA SANTOS 6.4.2 – DEZEMBRO – A ENTREVISTA DE ANDINHO 6.4.3 – JANEIRO – O BLOQUEIO DO CONDOMÍNIO FECHADO 6.4.4 – A EXECUÇÃO DA SRA. MELLOTTI 6.5 – A MOBILIZAÇÃO DA SOCIEDADE 6.5.1 – A CRIAÇÃO DAS ONGs CONTRA A VIOLÊNCIA Av. Hermas Braga, nº 379, Nova Campinas - 13092-330 - CAMPINAS – SP Fone: (19) 3251-8237 - Fax: (19) 3251-2432 AGOSTINHO TOFFOLI TAVOLARO 3 6.5.2 – A VIVA CAMPINAS E O PEDIDO DE DECRETAÇÃO DO ESTADO DE DEFESA – 47 MIL ASSINATURAS EM CINCO DIAS 6.5.3 – OS RESULTADOS JÁ ATINGIDOS 6.5.4 – OS PROJETOS DA ONG PARA O FUTURO 7 - O PAPEL DA SOCIEDADE E DAS SUAS ORGANIZAÇÕES NÃO GOVERNAMENTAIS 8 - ONGs : RISCOS E PRECAUÇÕES 9 - MULTIPLICIDADE DE ONGs COM OBJETIVOS SIMILARES 10 - AS ONGs COMO ENTIDADES ASSISTENCIAIS 11 - CONCLUSÕES Av. Hermas Braga, nº 379, Nova Campinas - 13092-330 - CAMPINAS – SP Fone: (19) 3251-8237 - Fax: (19) 3251-2432 AGOSTINHO TOFFOLI TAVOLARO 4 O BRASIL E O SÉCULO 21 DESAFIOS E PERSPECTIVAS A VIOLÊNCIA NAS METRÓPOLES E O PAPEL DAS ONGs Agostinho Toffoli Tavolaro * 1 - INTRODUÇÃO Nos albores do século 21, o olhar do observador dos fatos sociais destaca que um problema se impõe no Brasil : o da segurança nas metrópoles, vindo as atividades criminais em um crescendo que não encontra limites geográficos senão aqueles que os próprios delinqüentes se impõem, dando origem a sua ultrapassagem , para o homem comum e desavisado, à aplicação de pena de morte e, aos bandos organizados de facínoras, às guerras de bandos e quadrilhas, por áreas de influência e controle do trafico de drogas. Não estamos falando da Chicago dos anos vinte, com seu Al Capone, mas sim do Rio de Janeiro, com seu piscinão de Ramos e seu Fernandinho Beira-mar, da favela do Pantanal em São Paulo, da minha Campinas e seu bandido Andinho, e com certeza de similares aqui no Recife, e na maior partes da grandes cidades de nosso país. * - Advogado Sócio Diretor de TAVOLARO E TAVOLARO - ADVOGADOS - Campinas, São Paulo. - Membro do Comitê Permanente Científico da IFA - INTERNATIONAL FISCAL ASSOCIATION - Ex-Presidente da ABDF - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE DIREITO FINANCEIRO . Acadêmico da Cadeira nº 14 da ABDT - ACADEMIA BRASILEIRA DE DIREITO TRIBUTÁRIO . Professor de Direito Comercial na Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, São Paulo, Brasil . Palestra proferida em Recife – PE, Seminário de Tropicologia, promovido pela Fundação Joaquim Nabuco – Instituto de Tropicologia. - E-mail : [email protected] Av. Hermas Braga, nº 379, Nova Campinas - 13092-330 - CAMPINAS – SP Fone: (19) 3251-8237 - Fax: (19) 3251-2432 AGOSTINHO TOFFOLI TAVOLARO 5 2 – O OBSERVADOR Desde logo cabe esclarecer que o observador dos fatos sociais que ora escreve não é sociólogo, mas sim testemunha e partícipe dos fatos. Formado em direito, dirigiu-se para o direito tributário internacional e para o direito das empresas, passando ao largo do direito penal. Assim, nossos olhos sempre se voltaram para os fatos sociais vendo-os sob a ótica jurídica, buscando avaliar sua conforme ao direito . No entanto, os eventos conduziram-nos a não somente observar os fatos, mas a atuar ativamente buscando inclusive a sua reorientação dentro de um empirismo guiado pelo bom senso do homem comum. Porém, se como adverte SEBASTIÃO VILA NOVA, “nem tudo o que apresenta interesse social é, por si mesmo, sociológico”, sociológico sendo, no entanto “o modo como se encara a realidade dos fenômenos sociais” como escreveu ele no prefácio da primeira edição de sua reputada “Introdução à Sociologia” (São Paulo : Atlas, 2000, 5ª ed. , p. 19), os fatos ou a sucessão deles podem trazer aos estudiosos da realidade brasileira valiosos subsídios para o equacionamento dos problemas a ser solvidos no milênio que se inicia. Destarte o que trazemos é a realidade e atualidade de fenômenos sociais que encaramos em sua realidade e dos quais participamos. Fenômenos esses que , a nosso ver, se inserem no quadro dos desafios a serem enfrentados e solucionados pelo Brasil no século 21. Eis o repto e a luva que lançamos. Que levantem a luva os doutos e os homens de boa vontade. Av. Hermas Braga, nº 379, Nova Campinas - 13092-330 - CAMPINAS – SP Fone: (19) 3251-8237 - Fax: (19) 3251-2432 AGOSTINHO TOFFOLI TAVOLARO 6 3 – AS CAUSAS REMOTAS DO AUMENTO DA CRIMINALIDADE : EDUCAÇÃO E INSTRUÇÃO O problema da violência nas metrópoles é hoje problema emergente, tumor que veio a furo na maior parte da grandes cidades e que espalha seu pus e mal olor por todas a regiões em que elas se situam, chamadas metropolitanas. Não nos iremos ocupar aqui das causas remotas da criminalidade, apontadas geralmente na insuficiência da educação e instrução que caracterizam os nossos tempos. Na verdade, tais deficiências constituem-se , por si mesmas, desafio que ao nosso país se apresentam como de imperativa solução. No entanto, aqui falamos de solução a longo prazo, enquanto que o problema emergencial que se põe é o imediato, da violência, que , se não resolvido a curto e médio prazo comprometerá a própria sobrevivência de todos nós, negando-se às crianças e adolescentes de hoje a promessa de um futuro. 4 – O PAPEL DO ESTADO E O TRINÔMIO SAÚDE – EDUCAÇÃO E SEGURANÇA Não obstante o papel do Estado tenha sofrido no século passado alterações significativas, as suas funções básicas, contidas no trinômio saúde – educação e segurança mantém-se, sendo apenas questão política que a determinação das sua prioridades. 5 – OS FATORES INDUTORES DA VIOLÊNCIA - QUADRO I O exame desapaixonado da realidade social das metrópoles demonstra que a violência tem se manifestado com a presença, geralmente conjunta e interativa de circunstâncias que a propiciam e ensejam, como: Av. Hermas Braga, nº 379, Nova Campinas - 13092-330 - CAMPINAS – SP Fone: (19) 3251-8237 - Fax: (19) 3251-2432 AGOSTINHO TOFFOLI TAVOLARO 7 a) A exclusão social; b) A ocupação urbana desordenada; c) A disseminação das drogas; d) A descrença nas instituições; e) A incitação à violência pela mídia; f) A leniente legislação penal e carcerária. Merecedores, cada um desses fatores, de estudos aprofundados, que aliás, não faltam, cabe aqui, além de sua listagem , sobre eles brevemente tecer as considerações que se seguem, reveladoras de nosso posicionamento. 5.1 – A EXCLUSÃO SOCIAL A exclusão social, exacerbada, a nosso ver, na última década do século passado, pela chamada globalização da economia, que fez com que importássemos problemas econômicos e sociais de outros países, apresentase como fator que, aliado aos demais, conduz à violência nas metrópoles, onde as diferenças de condição econômica se fazem mais sensíveis, gerando distinções sociais e culturais. Uma afirmação se impõe: pobreza não significa criminalidade. Na verdade, o que dá origem à criminalidade, a nosso ver, é justamente o temor da falta de oportunidade de subir na vida, ou ainda melhor, o medo de condenação a uma vida subumana. Medo esse que não se percebe conscientemente, mas que jaz à raiz de ações delituosas. 5.2 – A OCUPAÇÃO URBANA DESORDENADA O êxodo rural com a transferência maciça das populações para os centros urbanos, que foram ocupados de forma desordenada, gerando verdadeiro caos que se traduz na violência, pela ausência dos serviços e equipamentos urbanos mínimos, encontra a sua culminância nas invasões de “sem terra” e “sem teto”, ensinando à criança, desde a tenra idade, que seu pai invadiu ou tomou algo porque não tinha. E como educação começa em casa, de se esperar que o filho do invasor tenha como certo que pode invadir ou tomar um carro ou os bens de outrem. Av. Hermas Braga, nº 379, Nova Campinas - 13092-330 - CAMPINAS – SP Fone: (19) 3251-8237 - Fax: (19) 3251-2432 AGOSTINHO TOFFOLI TAVOLARO 8 5.3 – AS DROGAS A disseminação do uso das drogas e a criação de um mercado ativo que estimula o tráfico e que se apresenta ao viciado como meio de fuga da realidade e ao traficante como fonte de renda fácil estimulam a violência, ditada pela compulsão ao uso da droga, de um lado, e pelas “leis” severas do tráfico, que determinam a pena de morte de quantos não se pautam pelas normas de conduta dos traficantes , bem como os conflitos entre os mesmos pela posse de territórios. A massa de dinheiro envolvida atrai criminosos e potencializa a corrupção. Problema, pois, que se põe, é o de se saber se a descriminalização do comercio de drogas poderia trazer benefícios, ou se aumentaria a gravidade das conseqüências de seu uso. Para nós essa descriminalização teria a virtude de retirar das organizações criminosas o seu principal suporte, qual seja o financeiro, delas subtraindo o seu poder maior; concomitantemente, possibilitar-se-ia ao viciado a possibilidade de maior acesso ao tratamento, vez que seria reduzida a execração social a que está exposto, suprimindo-se a inibição de procura desse tratamento, pelo temor de denúncia e exposição à investigação policial. Além disso, deixaria de existir a coação que hoje pesa a favor do traficante, que obriga sua vitima a mergulhar mais e mais no vício e a buscar, no crime, meios de satisfazer ao traficante e ao vício, muitas vezes para poupar a si próprio e aos seus de ameaças à sua integridade física e moral. 5.4 – A DESCRENÇA NAS INSTITUIÇÕES Sem dúvida nenhuma , de um modo geral perdeu-se o respeito e a crença nas autoridades e nas instituições que representam. Av. Hermas Braga, nº 379, Nova Campinas - 13092-330 - CAMPINAS – SP Fone: (19) 3251-8237 - Fax: (19) 3251-2432 AGOSTINHO TOFFOLI TAVOLARO 9 Se à classe política se lhe dava pouco credito, atingindo assim tanto o poder executivo quanto o legislativo, estendeu-se essa descrença às instituições de todo o gênero, inclusive e principalmente aos órgãos encarregados da segurança pública, polícias civil e militar. Pior de tudo, o ultimo bastião em que pode o cidadão encontrar guarida, antes de recorrer a seus próprios meios para solução de conflitos, o judiciário, passou a sofrer do mesmo mal. Não acreditando nas instituições, reputando ineficaz e mera perda de tempo a simples denúncia à polícia dos crimes de que é vítima costumeira e suspeitando de corrupção no aparato de segurança, afasta-se o cidadão da legalidade, deixando, de um lado, de recorrer às instituições, em atitude de resignação e desesperança, e de outro lado, muitas vezes, buscando fazer justiça com as próprias mãos, numa luta injusta da qual quase sempre sai perdedor, por não estar preparado nem possuir o desprezo pela vida alheia que tem o meliante. Essa descrença manifesta-se ainda na sub-denúncia dos delitos ocorridos. QUADRO II O Instituto Latino-Americano das Nações Unidas para Prevenção do Delito e Tratamento do Delinqüente (Ilanud), instituição ligada às Organização das Nações Unidas (ONU), em pesquisa realizada pelo pesquisador Túlio Kanh, afirma que de 1.500.000 de crimes por trimestre no Estado de São Paulo, somente 400.000 são registrados em Boletins de Ocorrência; desses apenas 80.000 passam a ser inquéritos policiais, sendo que 29.000 se transforma em mandados de prisão e destes somente 3.000 são cumpridos (Jornal “Correio Popular” de 17.03.2002). 5.5 – A INCITAÇÃO À VIOLÊNCIA - PAPEL DA MÍDIA A incitação à violência é outra razão para a sua existência, atribuível aos meios de comunicação. Av. Hermas Braga, nº 379, Nova Campinas - 13092-330 - CAMPINAS – SP Fone: (19) 3251-8237 - Fax: (19) 3251-2432 AGOSTINHO TOFFOLI TAVOLARO 10 Com efeito, a mídia, em todos os seus meios de expressão, glorifica e mitifica a pessoa do bandido, não poucas vezes exaltando-o e dando-lhe uma aura de herói. Anote-se, como exemplo, que o traficante carioca Fernandinho Beiramar teve sua biografia editada em forma de história em quadrinhos, e que jornais dos mais respeitáveis do país dedicaram e dedicam páginas inteiras a delinqüentes que são transformados em personalidades e fatos jornalísticos, quando não de reportagens televisadas em que chegam a ser apresentados como verdadeiros heróis. Se pensarmos que em uma sociedade ávida de exposição e de posição financeira, as alternativas que se apresentam aos jovens de obtê-las limitamse, de um modo geral a quatro, quais: QUADRO III a) através do esporte: tornando-se o jovem um atleta reconhecido – o que exige talento, esforço, dedicação e sacrifício; b) através das artes : tornando-se o jovem um artista reconhecido – novamente talento, esforço, dedicação e sacrifício são exigidos; c) através do exercício profissional : exigidos os mesmos requisitos e talvez um a mais, o decurso do tempo: ou, finalmente d) através do crime : que transmite uma falsa sensação de poder, em mais breve tempo, sem os requisitos acima. Destarte, cabe à mídia reconhecer que os cinco minutos de celebridade que pode proporcionar são também, um incentivo à atuação contra a lei. Av. Hermas Braga, nº 379, Nova Campinas - 13092-330 - CAMPINAS – SP Fone: (19) 3251-8237 - Fax: (19) 3251-2432 AGOSTINHO TOFFOLI TAVOLARO 11 5.6 – A LEGISLAÇÃO PENAL E PENITENCIÁRIA Não partilhamos do pensamento que as leis resolvem os problemas da sociedade: ao contrário, nos as vemos como seguindo , quase sempre com atraso, os fatos sociais, de tal modo que JEAN CRUET denominou, no início do século passado , seu livro A Vida do Direito e a Inutilidade das Leis, inscrevendo no seu frontispício “Vê-se todos os dias a sociedade reformar a lei; nunca se viu a lei reformar a sociedade”. Reconhecemos, contudo, que podem as normas legais favorecer a prática de condutas desejadas pela sociedade, ensejando assim mudanças de comportamento. No entanto, temos também que reconhecer que muitas tem efeito contrário, gerando efeitos exatamente antípodas aos pretendidos pelo legislador. É o caso, parece-nos, de leis que editadas tendo em vista a recuperação social do delinqüente possibilitam a redução das penas , ou das normas carcerárias que asseguram aos presos banhos de sol e visitas íntimas, muitas vezes transformando em bordel o estabelecimento penal. Na realidade, parece-nos seja chegado, neste limiar deste milênio, a própria recuperação dos presos e sua reintegração na sociedade, falido o sistema carcerário, muito distante de atender a esses objetivos, funcionando as prisões como verdadeiras escolas do crime e quartéis generais das organizações criminosas que crescem e florescem penitenciária onde tem a sua sede. garantidas pela própria 5.7 – DIREITOS HUMANOS: DE QUEM? Fala-se muito e se defende com fervor os direitos humanos dos delinqüentes, pobres vitimas da injustiça social e de seus familiares. Dos direitos humanos das vítimas do crime, no entanto, quem deles fala ou os defende? Av. Hermas Braga, nº 379, Nova Campinas - 13092-330 - CAMPINAS – SP Fone: (19) 3251-8237 - Fax: (19) 3251-2432 AGOSTINHO TOFFOLI TAVOLARO 12 Esquece-se, como muita facilidade, que a vitima de um assalto guarda consigo um trauma por toda sua existência, tenha havido ou não violência física, pois a dor moral sempre se faz presente e o receio de que o fato venha a se repetir. E o temor pelos familiares? E o medo estampado pelas crianças que em seu lar viram seu pai, sua mãe ou sua avó ameaçados por desconhecidos a quem sabem que os seus jamais fizeram algum mal? Casos conhecemos de pessoas, como o de uma psicóloga, que já foi objeto dessa violência por 11 vezes; ou do fundador em Campinas da ONG AVV – Associação das Vitimas da Violência , que teve sua pequena empresa roubada por 8 vezes e que, em sua residência, foi assaltado por duas vezes em 48 horas, tendo de exibir, aos assaltantes da Segunda vez (não os mesmos, mas outros) prova do assalto anterior, mostrando-lhes cópia do boletim de ocorrência (BO) lavrado na polícia. As vítimas e seus familiares, estes sim , são merecedores da atenção das autoridades, pois nada fizeram para se tornarem vítimas. Seus direitos humanos, seus traumas, sua mudança compulsória de comportamento, de residência , de cidade, é que hão de ter prioridade. O ergástulo existe, desde as mais priscas eras, antes de mais nada, para a punição do delinqüente, verdade histórica que parece olvidada em nossos dias. 6 – ESTUDO DE UM CASO : CAMPINAS Aqui vimos para testemunhar caso de violência e mobilização da sociedade contra ela, que vivenciamos e do qual somos partícipes : o caso de CAMPINAS. CAMPINAS, no Estado de São Paulo, é a segunda maior cidade do estado, sede da região metropolitana que leva seu nome. Av. Hermas Braga, nº 379, Nova Campinas - 13092-330 - CAMPINAS – SP Fone: (19) 3251-8237 - Fax: (19) 3251-2432 AGOSTINHO TOFFOLI TAVOLARO 13 6.1 – CAMPINAS NO INÍCIO DA DÉCADA DE 90 Centro cultural de maior expressão, contando com várias universidades, dentre elas a UNICAMP – Universidade Estadual de Campinas e a PUCC – Pontifícia Universidade Católica de Campinas, centro médico da maior expressão no país, entroncamento de eixos viários de importância, município que conta com um milhão de habitantes e centro de uma região de mais de três milhões de habitantes, polo industrial e exportador de primeiro plano na economia nacional, com o mais movimentado aeroporto internacional de cargas da América do Sul, CAMPINAS, uma das maiores rendas “per capita” do país, foi, até o inicio da década de 90, cidade da melhor qualidade de vida do Brasil. QUADRO IV No entanto, ao fim do século, e ao fim do ano de 2001, mais precisamente, revelou-se, aos seus habitantes e ao Brasil, como portadora de um dos maiores , senão o maior, índices de criminalidade do país, 600 assassinatos por ano e um seqüestro a cada 15 horas. Verificar o que a trouxe a essa situação caótica e aprender como evitála, e quais as medidas que pode a sociedade tomar ou sugerir buscando reverter esse quadro, eis a lição a se haurir dessa triste experiência. As causas dessa situação radicam-se, a nosso ver, em dois fatos ou sequencias de fato que foram sucedendo ao longo da década: as invasões e o descaso das autoridades encarregadas da segurança. 6.2 - AS INVASÕES - QUADRO V A atitude condescendente e mesmo incentivadora da Prefeitura Municipal no caso das invasões por “sem terra” e “sem teto”, havendo a Prefeitura permitido a invasão de áreas e próprios públicos, reconhecendo posteriormente título e dando material de construção , serviço de água e fornecimento de energia elétrica sem custo, além de obras de terraplanagem e arruamento é, para nós, uma das causas do caos urbanos que se instalou em CAMPINAS, onde , dentre outras, se destaca a do PARQUE OZIEL , a maior invasão da América do Sul, com cerca de 8.000 famílias, e onde a polícia somente entra com grande aparato, pois a lei que impera é a ditada pelos “xerifes” do Parque. Av. Hermas Braga, nº 379, Nova Campinas - 13092-330 - CAMPINAS – SP Fone: (19) 3251-8237 - Fax: (19) 3251-2432 AGOSTINHO TOFFOLI TAVOLARO 14 Some-se a isto a atitude contemporizadora do Judiciário e da direção da polícia, buscando evitar conflitos ao custo de sua desmoralização, que a tanto leva a decisão judicial não cumprida. 6.3 – O DESCASO DAS AUTORIDADES O descaso das autoridades encarregadas da segurança pública para com a cidade , prejudicou em muito a atividade policial, permitindo que progressivamente se instalassem os criminosos e tivessem uma sensação de impunidade e segurança que não gozavam em outros centros. 6.3.1 – RAZÕES POLÍTICO – PARTIDÁRIAS Sem sermos políticos, nem estarmos ligados a qualquer partido, nem termos qualquer ambição política, sentimo-nos à vontade para estarmos convictos para afirmar que o descaso das autoridades se deu principalmente em função de razões político-partidárias, o que se revelou ao longo dos anos, por haverem sido eleitos prefeitos de partidos (PPB e PT) contrários aos governos estadual e federal (PSDB). 6.3.2 – OS NÚMEROS DA OUVIDORIA DA POLÍCIA - QUADRO VI Este descaso se espelha, com clareza, em relatório da Ouvidoria da Polícia do próprio estado de São Paulo, publicado no jornal “ CORREIO POPULAR”, diário de CAMPINAS, datado de 31/01/2002, que indica que a média de policiais militares no estado de São Paulo é de 136,40/100.000 habitantes, e na cidade de São Paulo é de 163,74/100.000 habitantes, e que a média de CAMPINAS é de 97,40/100.000 habitantes, sendo esses números, no que se refere à polícia civil, de 59,63 na capital do estado, 67,00 no estado e 55,80 em Campinas. Av. Hermas Braga, nº 379, Nova Campinas - 13092-330 - CAMPINAS – SP Fone: (19) 3251-8237 - Fax: (19) 3251-2432 AGOSTINHO TOFFOLI TAVOLARO 15 6.4 – A PRECIPITAÇÃO DA CRISE Vivia já a população de CAMPINAS em sobressalto, dado o aumento dos seqüestros, assaltos e roubos, quando, no último trimestre do ano de 2001 e nos primeiros dias de janeiro deste anos sucederam-se 4 fatos que exacerbaram os ânimos e deram lugar a uma movimentação e mobilização da sociedade de repulsa e pressão sobre as autoridades . Tais fatos foram, em ordem cronológica: QUADRO VII a) O assassinato do prefeito municipal ANTONIO DA COSTA SANTOS; b) A entrevista do bandido Andinho a uma emissora de televisão, lançada ao ar na rede regional e em seguida na rede nacional; c) O bloqueio, por uma quadrilha, da entrada de um condomínio fechado, de classe media alta, onde moram também oficiais superiores da polícia militar e delegados da policia civil; d) A bárbara execução de uma senhora sequestrada, frente à sua residência, para exemplo de outros sequestrados e suas famílias, a fim de que não se delongue o pagamento dos resgates pedidos. 6.4.1 – 11 SETEMBRO : O ASSASSINATO DO PREFEITO ANTONIO DA COSTA SANTOS Assassinado o prefeito da cidade na noite de 11 de setembro, em crime até hoje não desvendado, era de se esperar que os delinqüentes se abstivessem de ações criminosas outras em CAMPINAS. No entanto, isto não foi o que aconteceu. Ao contrário, parece que sentiram-se os facínoras, de um modo geral, com a mãos e espaço livres para cometer outros crimes, sob o raciocínio de que se nem com o assassinato do prefeito tomou a polícia medidas eficazes, muito menos ainda tomaria medidas eficientes quanto aos demais cidadãos. Av. Hermas Braga, nº 379, Nova Campinas - 13092-330 - CAMPINAS – SP Fone: (19) 3251-8237 - Fax: (19) 3251-2432 AGOSTINHO TOFFOLI TAVOLARO 16 Com isso recrudesceu o crime em geral, com assaltos, sequestros relâmpago e assassinatos em um crescendo. 6.4.2 – DEZEMBRO – A ENTREVISTA DE ANDINHO Encapuzado, fortemente armados com várias armas de alto poder e cadencia de tiro ( metralhadoras, fuzil AK 47 com mira laser, etc.) o facínora Andinho, acolitado por dois de seus comparsas , dá nos fins de dezembro entrevista exclusiva à televisão, afirmando inclusive contar com proteção policial e receber, de elementos da própria policia , informações e dados que lhe permitiam selecionar as vítimas de futuros seqüestros. Alcança, com isso, notoriedade nacional, recebendo seus atos ou atos a ele atribuídos tratamento dispensado a artistas e atletas de projeção. 6.4.3 – JANEIRO : O BLOQUEIO DO CONDOMÍNIO FECHADO Nos primeiros dias de janeiro efetuam os bandidos o bloqueio da entrada de um condomínio fechado de classe média alta, onde residem empresários, profissionais liberais de sucesso e juizes, delegados e oficiais superiores da policia militar, fechando o acesso ao mesmo por mais de uma hora, fortemente armados, numa clara demonstração de força. 6.4.4 – A EXECUÇÃO DA SRA. MELLOTTI No dia seguinte ao bloqueio, a população de CAMPINAS, estarrecida, toma conhecimento da execução de uma dona de casa, com um tiro de fuzil na cabeça, ajoelhada frente à sua casa, para onde fora trazida do cativeiro, juntamente com outra refém, especialmente para ser executada, levando os assassinos de volta ao cativeiro essa outra refém. Av. Hermas Braga, nº 379, Nova Campinas - 13092-330 - CAMPINAS – SP Fone: (19) 3251-8237 - Fax: (19) 3251-2432 AGOSTINHO TOFFOLI TAVOLARO 17 6.5 – A MOBILIZAÇÃO DA SOCIEDADE Revoltada, apreensiva e apavorada a população se voltou então para todos os meios que lhe permitissem expor seu temor e a necessidade de medidas urgentes por parte das autoridades. 6.5.1 – A CRIAÇÃO DAS ONGs CONTRA A VIOLÊNCIA - QUADRO VIII Mesmo antes do assassinato do prefeito já vinham sendo feitos movimentos contra a violência, os quais, a partir de então buscaram se organizar em ONGs ou associações congêneres. Assim aparecem no cenário : a ORGANIZAÇÃO NÃO GOVERNAMENTAL VIVA CAMPINAS, o movimento CAMPINAS REAGE, a ORGANIZAÇÃO GOVERNAMENTAL QUERO VIVER, o movimento VIVER CAMPINAS, o movimento VIVER MELHOR, a ASSOCIAÇÃO ÀS VÍTIMAS DA VIOLÊNCIA, todos com o mesmo objetivo de combate à violência, pelos mais diversos meios. 6.5.2 – A VIVA CAMPINAS E O PEDIDO DE DECRETAÇÃO DO ESTADO DE DEFESA : 47 MIL ASSINATURAS EM CINCO DIAS - QUADRO IX Pressionada pela população que buscava uma saída para a situação de pânico que se instalou, reclamando medidas enérgicas, e não mais meras sugestões às autoridades, que ao que parece estavam em estado letárgico, a ONG VIVA CAMPINAS, por sua própria formação de empresários e profissionais liberais, inclusive de direito, buscou na CONSTITUIÇÃO FEDERAL última trincheira do cidadão, remédio que lhe permitisse atender aos reclamos. Esse remédio pareceu-lhe ser o pedido ao Presidente da República de decretação do ESTADO DE DEFESA, previsto no art. 136 da Lei Magna, a ser decretado para preservar ou prontamente restabelecer, em locais restritos e determinados, a ordem pública ou a paz social gravemente ameaçadas por grave e iminente instabilidade institucional. Av. Hermas Braga, nº 379, Nova Campinas - 13092-330 - CAMPINAS – SP Fone: (19) 3251-8237 - Fax: (19) 3251-2432 AGOSTINHO TOFFOLI TAVOLARO 18 Iniciada a coleta de assinaturas em um abaixo-assinado a ser dirigido ao ser Presidente da República, no prazo de 5 dias, dada a urgência da matéria e premente necessidade de medidas, teve a iniciativa receptividade fora do comum, sendo colhidas aproximadamente 47 mil assinaturas. Além disso, alçou-se a crise a dimensões nacionais, com exposição na mídia de todo o país, de modo a suscitar na áreas federal, estadual e municipal reações e movimentação até então pálidas e inexpressivas. Popularmente difundida como pedido de intervenção federal na cidade e utilização de tropas do exercito, despertou a iniciativa polêmica , havendo atingido seu objetivo primeiro de atenção prioritária para o problema. 6.5.3 – OS RESULTADOS JÁ ATINGIDOS Embora ainda não decidido o pedido feito à Presidência da República e tendo , realistas dentro de uma conjuntura de ano eleitoral, expectativa de sua negação, pelo fato de ser o governo do estado do mesmo partido do Presidente parece-nos que o movimento teve resultados. Em primeiro lugar, deu à sociedade a satisfação de ver que conta com voz e ação quando as autoridades constituídas deixam de cumprir o papel que lhes cabe. Em segundo lugar mostrou a essa mesma sociedade que o direito de petição que a CONSTITUIÇÃO consagra existe e pode ser exercido. No plano concreto, medidas foram tomadas de reforço do policiamento, operações anti-crime, dotações de homens e equipamento foram direcionadas para a região, alterações na estrutura da policia civil e a substituição do Secretário Estadual de Segurança Pública tornam palpável o sentimento de amparo pelas autoridades, restabelecendo agora uma sensação de segurança que havia desaparecido. Av. Hermas Braga, nº 379, Nova Campinas - 13092-330 - CAMPINAS – SP Fone: (19) 3251-8237 - Fax: (19) 3251-2432 AGOSTINHO TOFFOLI TAVOLARO 19 Longe do ideal, nota-se, no entanto, ao menos, o esforço e a boa vontade para atingi-lo. 6.5.4 – OS PROJETOS DA ONG PARA O FUTURO - QUADRO X Buscando atender seu objetivo, ONG VIVA CAMPINAS tem ainda em mira concretizar os seguintes projetos: 1 – Câmara Municipal – Projeto de Lei – Câmeras de Televisão nos Caixas Automáticos. 2 – Projeto de informatização das Polícias Civil e Militar em parceria com Laboratório de Computação da Unicamp – Prof. Vanini. 3 – Realização de Seminário sobre teleconferência para oitiva de réus presos. 4 – Sugestão de utilização de estagiários voluntários estudantes nas Faculdades de Direito e Jornalismo, nos serviços burocráticos da Polícia Civil (DP) e Militar. 5 – Projeto de Lei para abatimento das perdas em virtude de crimes contra o patrimônio e despesas com segurança da renda bruta das pessoas físicas e jurídicas – a ser subscrito pelos Deputados Federais de Campinas, em conjunto. 6 – Projeto “Meu Quarteirão Minha Vida” - troca de informações entre vizinhos. 7 – Projeto de Cidadania – em conjunto com a OAB – Campinas. 8 – Pleitear a criação de mais um batalhão da Polícia Militar em Campinas. 9 – Realização de Seminário sobre Segurança Pública. Av. Hermas Braga, nº 379, Nova Campinas - 13092-330 - CAMPINAS – SP Fone: (19) 3251-8237 - Fax: (19) 3251-2432 AGOSTINHO TOFFOLI TAVOLARO 20 Seu projeto último, no entanto, é a sua extinção, quando alcançada a meta de redução da violência a níveis aceitáveis, fixados estes como os índices de criminalidade do início dos anos 90. 7 – O PAPEL DA SOCIEDADE CIVIL E DAS SUAS ORGANIZAÇÕES NÃO GOVERNAMENTAIS Nascem as ONGs para preencher o vácuo deixado pelo Estado, no cumprimento de suas obrigações. QUADRO XI A segurança pública, preceitua a Constituição Federal em seu art. 144, é dever do Estado, mas também direito e responsabilidade de todos. Paga a sociedade seus impostos e os quer ver bem aplicados. Policiamento é tarefa especializada que não pode ser exercida por milícias. No entanto, em quadro alarmante, temos o crescimento de empresas de segurança patrimonial e pessoal. Somente em CAMPINAS, fala-se em 16000 seguranças particulares. Há que se temer, ainda, que a população , se sentindo desprotegida, busque armar-se, em igualdade de condições com os bandidos , ou seja, com armas clandestinas e ilegais. Qual então o seu papel? A nosso ver fiscalizar e colaborar com as autoridades, apresentando queixas, sugestões, números e críticas, em um diálogo aberto que as autoridades tem de reconhecer necessário e útil. Isto vem se conseguindo em CAMPINAS, havendo as autoridades sentido a força da mobilização da sociedade. Av. Hermas Braga, nº 379, Nova Campinas - 13092-330 - CAMPINAS – SP Fone: (19) 3251-8237 - Fax: (19) 3251-2432 AGOSTINHO TOFFOLI TAVOLARO 21 8 – ONGs : RISCOS E PRECAUÇÕES - QUADRO XII A fim de bem desempenhar suas funções e atingir as sua finalidades, cabe às ONGs de um modo geral fugir a uma conotação político-partidária, pois somente a independência pode lhes assegurar a credibilidade junto à população e a representatividade junto às autoridades. Devem ainda as ONGs conhecer seus limites de competência, operando em campo de seu conhecimento e evitando imiscuir-se em questões técnicas. A advertência de Velásques “sapateiro , não vá além dos sapatos” encontra aqui a mais ampla aplicação, quando se vêem membros de ONGs levados pelo entusiasmo a deitar falação sobre assuntos que não dominam. Finalmente uma advertência útil : CUIDADO com pessoas que alardeando interesse, conhecimento, boa vontade e disposição, na verdade buscam solução para situações pessoais de busca de uma situação financeira estável, através de emprego . 9 – MULTIPLICIDADE DE ONGs COM OBJETIVOS SIMILARES Mais de uma vez ouvimos críticas sobre a existência de várias ONGs com o mesmo objetivo de combate à violência, e a sugestão de sua união. Ocorre, no entanto, que há de se respeitar a individualidade dos componentes das ONGs, bem como se direcionar seu trabalho nas áreas que dizem respeito de perto a seus integrantes. QUADRO XIII Assim, por exemplo em Campinas, o movimento CAMPINAS REAGE fortemente integrado por pessoas ligadas à mídia e à publicidade, coloca-se em uma posição de crítica incisiva das mazelas da segurança; a Campinas VIVA MELHOR que tem como figura preponderante psicólogos, procura atentar aos aspectos concernentes às vítimas, e a ONG VIVER MELHOR cuida do Disque Denúncia em virtude de sua integração por empresários de grande poder financeiro; finalmente a ONG VIVA CAMPINAS, em razão de seus integrantes, direcionou-se para os aspectos legais a serem abordados. Av. Hermas Braga, nº 379, Nova Campinas - 13092-330 - CAMPINAS – SP Fone: (19) 3251-8237 - Fax: (19) 3251-2432 AGOSTINHO TOFFOLI TAVOLARO 22 10 – AS ONGs COMO ENTIDADES ASSISTENCIAIS Não é papel primordial das ONGs contra violência o desempenho de atividades assistenciais. Em Campinas, ligadas à FEAC (Federação das Entidades Assistenciais Campinas) existe mais de uma centena dessas entidades, ocupando-se dos menores desde a mais tenra idade, dos adolescentes, dos drogados, dos deficientes físicos e mentais, etc. Assim, caberá às ONGs contra a violência, no momento em que sentirem haver atingido a consecução de seus objetivos, retirar-se do cenário, ou optar pela assistência social, seja em seu próprio nome, seja pela fusão com outras entidades. 11 - CONCLUSÕES Esperamos haver dado um depoimento sobre um caso concreto envolvendo fatos sociais cuja apreciação poderá auxiliar na solução do desafio que se nos antepõe nesse início de século. Superar o problema da violência nas metrópoles apresenta-se como imperativo, a fim de se assegurar os valores fundamentais da sociedade livre, justa e solidária, que é um dos objetivos da Constituição Federal e que contribuirá para inserir com destaque o Brasil no contexto internacional. Uma análise final do trabalho das ONGs até o momento, mostra que a sociedade mobilizada pode ter papel de destaque no combate com resultados tangíveis. Av. Hermas Braga, nº 379, Nova Campinas - 13092-330 - CAMPINAS – SP Fone: (19) 3251-8237 - Fax: (19) 3251-2432 AGOSTINHO TOFFOLI TAVOLARO 23 Na Campinas de hoje, isso se traduz inclusive na criação de um Núcleo de Gestão Emergencial da Segurança, a quem caberá um gerenciamento de uma Central de Inteligência das Polícias, integrado por elas e pelas ONGs. Iniciativas sobre segurança não mais se tomam sem se auscultar os vários segmentos da sociedade, principalmente as ONGs. É árduo o trabalho das ONGs. Consome tempo, dinheiro, disposição e vontade, mas como no Dom Quixote de La Mancha, “ lutamos a boa luta”. Abril/2002 cs350 Av. Hermas Braga, nº 379, Nova Campinas - 13092-330 - CAMPINAS – SP Fone: (19) 3251-8237 - Fax: (19) 3251-2432