MAURÍCIO PEREIRA LEITE
A QUÍMICA DO COTIDIANO NO APRENDIZADO DOS
CONTEÚDOS DA PRIMEIRA SÉRIE DO ENSINO MÉDIO
Monografia
apresentada
ao
professor
Antônio Fernando Vieira Ney, do curso
de
Pós-Graduação
Ensino
Superior
em
Docência
da
Cândido Mendes.
Rio de Janeiro, março de 2004
do
Universidade
2
UNIVERSIDADE CÂNDIDO MENDES
PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSO” EM DOCÊNCIA DO
ENSINO SUPERIOR
A QUÍMICA DO COTIDIANO NO APRENDIZADO DOS
CONTEÚDOS DA PRIMEIRA SÉRIE DO ENSINO MÉDIO
OBJETIVOS:
FORMULAR
UMA PESQUISA DE COMO ESTÁ SE REALIZANDO
O ENSINO DE QUÍMICA NO PRIMEIRO ANO DO ENSINO
MÉDIO E APONTAR SOLUÇÕES PARA OS PROBLEMAS QUE
FOREM
NOVO
EVIDENCIADOS.
PROJETO
DE
OBJETIVA-SE
ENSINO
SÉRIE DO ENSINO MÉDIO.
DE
DESENVOLVER
QUÍMICA
NA
UM
PRIMEIRA
3
AGRADECIMENTOS
A
todos
os
professores,
corpo
docente
do
projeto “A vez do mestre”. Aos professores e
amigos Jorge Luiz Tavares, João Batista dos
Anjos, Maria Helena Martins, Nilza Ribeiro e
Antônio
apoio.
Carlos
Aos
contribuíram
acadêmico.
Álvares,
colegas
na
de
pelo
sala
confecção
material
de
deste
aula,
de
que
trabalho
4
DEDICATÓRIA
Dedico
este
trabalho
a
minha
mulher
Norma
Leite, que de forma compreensiva e companheira
me incentivou na confecção deste trabalho. Às
minhas filhas Flávia e Talita Leite, que tanto
me
ajudaram,
também
à
minha
falecida
mãe
Alayde Carvalho leite, que me criou e ajudou
na formação de toda essa vontade de fazer o
melhor nas mínimas coisas.
5
RESUMO
A falta de recursos para aulas experimentais, entre
outros problemas, leva o professor de química do primeiro
ano do ensino médio a ministrar aulas expositivas. Tal fato
limita a criatividade do professor em ensinar a disciplina,
e faz com que o aluno
mostre, na maioria das vezes,
desinteresse em aprender química.
Esta situação tem como resultado o fato de o aluno
ter a falsa impressão de que a química não passa de uma
cansativa
memorização
de
símbolos,
fórmulas,
equações
e
nomes complicados. Desta forma, ele não consegue assimilar
a idéia de que a química está presente em seu cotidiano, o
que é de extrema importância para que ele consiga interagir
criticamente em relação ao meio ambiente.
Uma
interagir
mudança
de
neste
forma
cenário
mais
pode
produtiva
levar
com
as
o
aluno
aulas
a
e,
conseqüentemente, melhorar o seu rendimento na disciplina.
Tal
fato
não
apenas
repercutirá
beneficamente
em
seu
aprendizado, como também o seu resultado poderá ser visto
pela sociedade.
6
METODOLOGIA
A metodologia utilizada destina a construir uma base
teórica
que
apresentada.
ofereça
Através
uma
de
sustentação
uma
pesquisa
à
de
proposição
bibliografia
pertinente ao tema, com buscas na internet, observação de
revistas, livros e entrevistas com professores de química
do
primeiro
ano
do
ensino
médio,
serão
levantados
questionamentos e afirmações a respeito de como é o ensino
de química no primeiro ano do ensino médio e de como ele
deveria ser.
A
apenas
análise
em
dados
contida
neste
estudo
bibliográficos,
mesmo
não
será
estes
baseada
sendo
de
bastante importância. As visões pessoais do autor serão
imprescindíveis para a elaboração de tal argumentação, por
ser ele professor de química do primeiro ano do ensino
médio e conviver com alunos e professores desta série, que
é justamente o objeto de análise desta monografia.
7
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO .............................................
08
CAPÍTULO I .............................................
10
A HISTÓRIA DA QUÍMICA ..................................
11
CAPÍTULO II ............................................
22
COMO É O ENSINO DE QUÍMICA NO PRIMEIRO ANO DO ENSINO
MÉDIO ..................................................
23
CAPÍTULO III ...........................................
28
COMO DEVERIA SER O ENSINO DE QUÍMICA DO PRIMEIRO ANO DO
ENSINO MÉDIO ...........................................
29
CONCLUSÃO ..............................................
38
BIBLIOGRAFIA............................................
41
ÍNDICE .................................................
42
8
INTRODUÇÃO
O ensino de química no primeiro ano do ensino médio é
o
assunto
escolhido
para
esta
monografia.
Esta
aborda
conhecimentos relativos à história da química e ao programa
proposto para os alunos da primeira série do ensino médio.
Trata-se de um assunto que pode ser percebido e vivido no
cotidiano das escolas
e que tem implicações diretas na
sociedade e no meio ambiente.
Primeiramente,
será
analisado
o
processo
de
implementação da química como ciência e as implicações da
descoberta da química no dia a dia do homem. A partir da
história da química, que é de fundamental importância como
base teórica da tese a ser desenvolvida, o conteúdo do
currículo de química do primeiro ano do ensino médio será
mostrado.
A
alternativas
partir
para
dele
aumentar
serão
o
apontadas
incentivo
dos
algumas
alunos
do
primeiro ano do ensino médio em aprender química.
O desenvolvimento do ensino da química se dá no ensino
médio
pelo
método
método,
grande
estimulação
do
experimental-dedutivo.
parte
dos
pensamento
alunos
não
lógico,
Com
base
neste
tem
suficiente
não
conseguem
contextualizar o conteúdo aprendido com outras disciplinas
e nem visualizar em seu cotidiano as matérias aprendidas,
ora
por
falta
de
base
teórica,
ora
por
falta
de
experimentação prática. Tais fatos dificultam a compreensão
da química ministrada pelo professor e, ainda, desestimula
os alunos a aprenderem a matéria ensinada.
9
Na tentativa de mostrar a importância das mudanças do
currículo
de
química
do
primeiro
ano
do
ensino
médio,
desenvolve-se este trabalho. Este visa também a salientar
que a química está presente na realidade dos alunos e que,
portanto,
o
aprendizado
fundamental na vida destes.
desta
matéria
exerce
papel
10
CAPÍTULO I
A HISTÓRIA DA QUÍMICA
11
1.1
A História da Química
È possível que os futuros historiadores designem como
“A
idade
científica”
os
anos
em
que
estamos
vivendo.
Durante a última metade do século passado, os cientistas
fizeram mais progresso do que a humanidade produzira em
todos
os
séculos
conhecimentos
conduziu
a
anteriores.
adquiridos
um
aumento
através
E
a
da
aplicação
pesquisa
impressionante
da
dos
científica
capacidade
de
utilização dos recursos naturais.
A
humanidade
quantidade
história.
e
produz
variedade
O
nos
de
dias
utilidade
desenvolvimento
aceleradamente,
a
fim
de
obter
atuais
de
toda
científico
melhores
a
maior
a
sua
continua
produtos,
para
complementar as condições de vida. A energia atômica, a
propulsão a jato e os satélites artificiais trouxeram a
aurora
de
uma
desenvolvimentos
preocupam-se
nova
idade
científica,
surpreendentes.
com
as
suas
As
farta
cabeças
conseqüências
em
pensantes
benéficas
ou
destruidoras para a raça humana, mas nada disso impede o
avanço científico, que parece ilimitado.
1.2 A
ciência
natural:
o
seu
âmbito
e
as
suas
limitações
A expressão “ciência natural” significa uma área de
investigação relacionada aos fenômenos do mundo. Da mesma
maneira
que
o
conjunto
de
conhecimentos
correlatos
que
emergiram dessa investigação e estão em expansão contínua,
12
tais conhecimentos desenvolveram-se pela observação, pela
experimentação e pelo pensamento. A finalidade da ciência
natural não é somente observar e descrever os fenômenos,
cabe a ela interpretá-los à luz das teorias e leis.
O
conhecimento
do
homem
e
suas
experiências
classificam-se em dois grupos bem distintos. No primeiro,
ele adquire, pelo contato físico, a consciência das coisas
naturais à sua volta. No segundo, por um tratamento mental
desse conhecimento experimental, ele acumula conhecimentos
da natureza
Os
imaterial ou intangível.
cientistas
sabem
que,
além
dos
limites
da
sua
capacidade de observação do mundo físico, eles conduzem
experiências
científicos
subjetivas
objetivos
para
não
os
podem
quais
ser
os
métodos
aplicados.
Nestes
casos, os fatos científicos e as teorias são independentes.
Os fatos científicos objetivos, portanto, não podem ser
aplicados. Nestes casos, os fatos científicos e as teorias
devem ser julgados objetivamente.
1.3 O método científico
Método
descoberta
científico
de
uma
é
qualquer
verdade
geral,
processo
a
partir
lógico
de
de
muitas
observações individuais. Este processo de raciocínio que
parte
do
particular
para
o
geral
é
conhecido
como
raciocínio indutivo. A ênfase proposta por Lord Francis
Bacon (1561-1626) no raciocínio indutivo aplicado ao estudo
dos
fenômenos
naturais
foi
ponderável
para
o
desenvolvimento
da
ciência
moderna.
O
método
13
científico
envolve três etapas:
1. A primeira etapa é a coleta de dados relativos
a
um fenômeno particular. Estes dados devem estar
tão livres quanto possível de erros de observação
e
medida,
e
também
conseqüências
dos
devem
estar
preconceitos
livres
pessoais.
de
Uma
experiência ou uma observação deve ser repetida a
fim de garantir
2. A
segunda
a sua reprodutibilidade.
etapa
é
a
análise
dos
fatos
colecionados, para a verificação da possibilidade
de
um
correlacionamento
significativo,
a
formulação de hipóteses e teorias que comprovem
estes
fenômenos
e
seus
semelhantes.
Tais
correlacionamentos serão mais úteis quando for
possível dar-lhes uma expressão matemática.
3. A
última
hipóteses
etapa
e
experiências
envolve
das
que
a
teorias
tenham
verificação
através
sido
das
de
novas
sugeridas
pelas
próprias hipóteses e teorias. Com efeito, ambas
constituem um meio para a finalidade em vista. Se
uma hipótese ou teoria se torna insustentável à
luz de novos dados experimentais, ela deve ser
descartada
ou
modificada
para
atender
à
nova
informação. Por sua vez, as novas hipóteses e
teorias
modificadas
podem
sugerir
experimentos
futuros. Desse modo, num processo, às vezes longo
14
e difícil, de reelaboração, chega-se a uma teoria
que
satisfaz
e
correlaciona
todos
os
fatos
conhecidos, concernentes ao fenômeno de estudo.
Nem
sempre
as
teorias
incorretas
são
inúteis.
Elas passam a ser consideradas úteis sempre que
sugiram investigações ulteriores.
1.4 A ciência da química
A química é o estudo das propriedades da composição e
da estrutura da matéria, de mudanças que ocorrem na matéria
e
da
energia
liberada
ou
absorvida
durante
estas
modificações. A química, como todas as ciências naturais,
tem natureza experimental.
O objetivo geral da química é a descoberta de todas as
coisas
possíveis
matéria.
acerca
Naturalmente,
de
todas
então,
a
as
características
química
vem
da
sofrendo
expansão e refinamento constantes. É remota a possibilidade
de
se
atingir
o
conhecimento
completo
de
qualquer
dos
aspectos da química.
O objetivo imediato da química é a utilização de todo
o conhecimento já obtido acerca da matéria, ampliando os
dados presentes por meio de novas observações e de teorias
aperfeiçoadas.
conhecimento
O
dos
processo
fatos
e
pelo
das
qual
teorias
ampliamos
é
o
conhecido
nosso
como
pesquisa. Em termos gerais, a pesquisa é a descoberta de
todo e qualquer fato ou teoria desconhecida ou ainda não
aplicada.
15
1.4.1 Fato e teoria em química
Em
química,
o
fato
relacionados.
A
observação,
tabulação
a
parte
e
da
e
a
teoria
química
a
são
intimamente
relacionada
correlação
de
fatos
com
a
é,
às
vezes, teórica em seu papel no desenvolvimento da teoria
concernente.
A
química
descritiva
e
a
teórica
devem
caminhar lado a lado, porque o trabalho experimental exato
é, sempre, uma base sólida da teoria.
A previsão do comportamento da matéria não deve ser
feita
somente
verificar
à
as
base
do
previsões
raciocínio,
teóricas
deve-se
pelas
nortear
e
observações
experimentais. A expansão ininterrupta do conhecimento da
química depende diretamente de um esforço constante por
parte dos cientistas em pesquisas experimentais e teóricas.
1.5 A evolução da química
1.5.1. Do período pré-histórico até o ano 500
A elucidação das propriedades da matéria é considerada
como
o
objetivo
principal
da
química.
Neste
contexto,
qualquer informação que tenha vindo do homem pré-histórico
constitui uma contribuição ao conhecimento dessa ciência.
Desta forma, a transmissão da primeira informação de que a
madeira era combustível e a pedra não o era, constituiu uma
etapa na aquisição de conhecimento da química.
Na
bíblia,
encontramos
e
em
inúmeras
outros
evidências
escritos
de
16
antiguidade,
da
informações
sobre
as
propriedades da matéria, que datam dos primeiros tempos do
homem
na
terra.
Gradualmente,
ele
aprendeu
a
extrair
minerais como o ouro, a prata e o cobre diretamente da
terra e a processá-los em artigos úteis. Descobriu como
produzir
o
vidro
a
partir
da
areia
e
da
cal,
e
como
empregar remédios, óleos e corantes de plantas. No entanto,
não havia uma tentativa de sucesso para a classificação e a
correlação
do
conhecimento
recém-descoberto,
apenas
um
progresso mínimo no sentido da química como ciência.
1.5.2. O período da Alquimia, anos 500-1600
Durante a idade média, e mesmo durante a renascença,
muitos
homens
alquimistas,
capazes
voltaram
e
suas
investigadores
atenções
para
a
chamados
investigação
direta da matéria.
Os alquimistas estiveram empenhados em muito trabalho
experimental, mas a manutenção do segredo limitou-lhes o
valor
potencial
pensaram,
sem
de
suas
sucesso,
descobertas.
em
descobrir
Alguns
um
alquimistas
método
para
a
transformação dos metais básicos, como o chumbo, em metais
nobres, como o ouro, e em descobrir um “elixir da vida”,
que eles acreditavam que prolongaria a vida e curaria as
doenças. No entanto, eles tiveram sucesso na preparação de
muitos novos elementos: o arsênico, o antimônio, o bismuto
e alguns de seus compostos. Também inventaram dezenas de
aparelhos,
como,
por
exemplo,
frascos
de
destilação
e
17
fornos de aquecimento. Além disso, aperfeiçoaram cada vez
mais a sua capacidade experimental.
1.5.3. O período médico-químico, anos 1600-1750
Este período, de certa forma, foi semelhante ao da
alquimia.
Na
procura
de
medicamentos
efetivos,
o
homem
preparou e purificou muitas substâncias químicas novas. Foi
nesses
anos
de
trabalho
experimental
que
começaram
a
germinar os enfoques teóricos.
Francis Bacon enfatizou a necessidade de associar uma
interpretação teórica ao estudo experimental da natureza.
Nesse período, Galileu e Bacon aplicaram, com sucesso, o
tratamento matemático aos fenômenos naturais. Outros sábios
vieram a adotar esse tratamento científico e, gradualmente,
o progresso científico foi acelerado.
1.5.4. O período da teoria do Flógiston, 1700-1777
Os
cientistas
especialmente
pelo
do
século
processo
XVIII
da
interessaram-se
queima;
estudaram-no
intensivamente e desenvolveram diversas teorias a respeito.
Em 1720, Georg Ernest Stahl, químico alemão propôs que na
realidade alguma substância seria liberada durante a queima
da
matéria
combustível.
Essa
substância
foi
nomeada
“flógston”, do grego phlogistos, que significa inflamável.
A teoria de Stahl foi aceita amplamente durante 75
anos. Uma das razões para a sua aceitação foi a falta de
conhecimento da utilidade na determinação da massa exata
18
dos materiais, antes e após a queima. Este é um bom exemplo
de teoria aparentemente certa e coerente com um grande
número de fatos observados, que, no entanto, o trabalho
experimental quantitativo demonstrou ser inverídica.
1.5.5. O período Moderno, 1777 até
os dias atuais
A maioria dos historiadores da ciência situa o início
da
química
moderna
no
período
de
trabalho
do
químico
francês Antoine Lavoisier (1743-1794). Lavoisier nasceu em
Paris
e,
com
23
anos,
recebeu
a
medalha
de
ouro
da
Academia de Ciências de Paris, como reconhecimento pelo seu
relatório sobre o problema da iluminação da cidade. Passou
a maior parte da sua vida naquela cidade, e quase toda a
sua pesquisa foi conduzida em Sobonne.
Deve-se a Lavoisier o desenvolvimento de uma teoria
de ácidos que, embora errônea, constituiu um avanço sobre
idéias mais antigas. Ele também criou uma nomenclatura das
substâncias químicas semelhante à que ainda era em uso.
Além das suas atividades científicas, assessorou inúmeras
comissões públicas nacionais e municipais. Este tipo de
atividade durante a Revolução Francesa levou-o à morte na
guilhotina, em 1794.
Lavoisier
fez
uso
dos
primeiros
instrumentos
de
pesagem (balanças) em estudos químicos, o que o levou à
descoberta da importância fundamental da massa da matéria
em estudos do âmbito da química. Foi assim que se passou a
medir
exatamente
produzida
em
a
quantidade
reações
químicas.
de
matéria
À
base
utilizada
desses
e
dados
19
experimentais exatos, pôde-se prosseguir no desenvolvimento
de teorias aceitáveis e leis químicas precisas. Essa foi
uma inovação relevante, que constituiu a primeira etapa na
passagem da química à ciência exata.
1.6 Química como ciência
1.6.1. Do início do século XIX até nosso tempo
O princípio do século XIX coincidiu, de vários modos,
com o nascimento da química como ciência exata, e esse
século
representa,
descobertas
e
todo
de
ele,
um
crescimento
período
excitante
vigoroso.
Os
de
grandes
cientistas do século XIX estabeleceram fundamentos para o
avanço tecnológico dos nossos dias. Foram homens de nações
diversas
e
de
passados
vários,
mas
todos
eles
com
os
atributos do cientista, como a capacidade de observação, de
pensamento,
desses
de
últimos
planejamento
conclusões
de
experimentos,
corretas
e
de,
de
extrair
finalmente,
transmitir tais descobertas e teorias a outros, por meio
dos seus ensinamentos e de seus escritos.
Entre os cientistas destacados da primeira metade do
século XIX estão o inglês Dalton, que desenvolveu a teoria
atômica da matéria, e o sueco Berzelius, a quem devemos os
símbolos químicos que usamos. A propósito, Berzelius também
determinou,
atômicos
de
com
uma
muitos
exatidão
elementos,
impressionante,
alguns
descobertos por seus contemporâneos.
dos
os
quais
pesos
recém-
20
Outros cientistas eminentes deste tempo foram o inglês
Sir
Humphry
Davy,
que
descobriu
os
metais
alcalinos
e
demonstrou o cloro e o bromo como elementos químicos, e seu
discípulo,
Michael
Faraday,
que
explorou
o
efeito
da
eletricidade sobre soluções e descobriu as leis designadas
pelo seu nome.
Por volta de 1850, a química tinha-se desenvolvido a
ponto de começar a ficar clara uma divisão em dois ramos. A
um deles, a química inorgânica, competia o tratamento da
“matéria
inanimada”;
ao
outro,
a
química
orgânica,
as
formas de matéria associadas com a vida animal e vegetal.
Acreditava-se,
requeriam
até
alguma
então,
que
espécie
de
as
substâncias
“força
vital”
orgânicas
para
a
sua
formação, e que não poderiam ser preparadas em laboratório.
Foi o brilhante químico alemão, Wöhler, o primeiro a
demonstrar
tipicamente
que
se
poderia
orgânica,
a
sintetizar
uréia,
a
uma
partir
de
substância
materiais
puramente inorgânicos. Esta descoberta de Wöhler abriu um
novo e interessante campo, o da síntese orgânica. Logo se
associaram
ao
nome
de
Wöhler,
os
de
outros
cientistas
eminentes, como Liebig, Kolbe, Cannizzarro e Pasteur.
Na última metade do século XIX, começou a emergir,
como área independente de investigação, um outro ramo da
química, a química física. Pode-se citar como exemplos o
estudo do comportamento das soluções por Van´t Hoff, Raoult
e
Ostwald,
formulação
das
das
soluções
regras
eletrolíticas
que
governam
a
por
Arrhenius,
transformação
a
dos
sólidos em líquidos e em gases, e vice e versa, por Gibbs,
e do conceito do equilíbrio químico por Guldeberg e Waage,
as investigações dos fatores que causam a liberação de
energia
térmica
durante
as
reações
químicas,
por
21
Hesse
Andrews. Estes são alguns dos avanços mais significativos
que ocorreram durante o período e constituem os fundamentos
de
grande
parte
das
nossas
interpretações
atuais
dos
fenômenos químicos.
No decorrer deste período, enquanto novos elementos e
compostos
eram
descobertos,
foram
feitos
esforços
constantes para encontrar alguma ordem entre essas pedras
fundamentais
da
química,
os
elementos
químicos.
Os
primeiros trabalhos de Dobereiner, Lothar Meyer e Newlands
vieram a culminar, em 1869, na classificação periódica dos
elementos
pelo
russo
Mendeleef.
Esta
classificação
constitui a forma básica da química descritiva sistemática.
O advento do século XX viu descobertas impressionantes
na física, muitas das quais tiveram um efeito profundo no
desenvolvimento da química. Entre as mais significativas,
conta-se
a
descoberta
da
radioatividade
por
Becquerel,
Pierre e Marie Curie, em 1897, a exploração da estrutura
atômica por Thomson, Rutherford e Bohr, e a identificação e
separação
dos
isótopos
por
Aston.
Essas
descobertas
conduziam a uma compreensão do comportamento da matéria
que, por sua vez, abriu caminho a investigações da natureza
da ligação química por A.E.Werner, G.N.Lewis, I. Langmuir,
L. Pauling e R.S. Mulliken.
A
química
é
uma
ciência
em
evolução
e
expansão
constantes, e o seu conhecimento, embora baseado num grau
considerável
de
investigação
passada,
é
alimentado
constantemente pelos esforços e contribuições originais dos
cientistas da atualidade.
22
CAPÍTULO II
COMO É O ENSINO DE QUÍMICA NO
PRIMEIRO ANO DO ENSINO MÉDIO
23
2.1 Como é o ensino de química no primeiro ano do
ensino médio.
A primeira série do ensino médio é desenvolvida na
parte
de
química,
de
uma
maneira
geral,
baseado
nos
seguintes conteúdos:
1. Átomo, Molécula e substância.
2.Substâncias simples e substâncias compostas.
3.Misturas homogêneas e heterogêneas.
4.Modelos atômicos (Evolução e números quânticos).
5.Ligações intermoleculares.
6.Polaridade de ligações.
7.Número de oxidação.
8.Funções inorgânicas (Formulação e Nomenclatura).
Com base no conteúdo exposto acima, observa-se que
muitos
deles
necessitam
de
demonstração
em
laboratório,
onde o aluno teria uma noção mais real da química que
acontece por trás das explicações dadas em sala de aula a
respeito
da
matéria.
A
forma
como
estes
conteúdos
são
ensinados em sala acaba tornando o aluno desinteressado,
por não poder visualizar, na prática, as transformações
químicas que ocorrem envolvendo tais conteúdos.
Algumas
destas
matérias,
como,
por
exemplo,
os
“números quânticos”, não deveriam constar no currículo do
primeiro ano do ensino médio e nem nas outras séries, por
carecer de base teórica, que só será adquirida caso o aluno
ingresse em uma faculdade da área médica ou tecnológica.
24
Para que os alunos entendam o conteúdo da matéria
“números quânticos”, é necessário o conhecimento de uma
parte da física quântica que foi desenvolvida no século
XIX. Trata-se, portanto, de um assunto complexo, que tem em
sua origem uma matemática de ensino superior e, ainda, é
desenvolvido em sala de aula de uma
totalmente
de
sua
base
forma que se distancia
teórica.
Pelos
motivos
citados
anteriormente, este conteúdo não deveria ser ministrado no
primeiro
ano
do
ensino
médio.
Contudo,
o
ensino
desta
matéria é cobrado dos alunos nas provas e, inclusive, no
vestibular.
Outro exemplo de conteúdo ministrado no ensino médio
que parece desinteressante, mas, desta vez, por falta de
demonstração
prática,
é
a
matéria
“separação
dos
componentes de uma mistura”. Este assunto é ministrado em
sala de aula de forma basicamente expositiva e teórica. Tal
fato ocorre principalmente devido ao excesso de matérias a
serem
ensinadas
extraclasse.
A
e
à
partir
falta
dos
de
tempo
fatores
para
mencionados
atividades
acima,
o
aluno sente dificuldades em entender o conteúdo ensinado, o
que seria facilitado se este fosse baseado em demonstrações
práticas, através de experimentos feitos em sala de aula ou
no laboratório, local provido de maiores recursos. Some-se
a isso o fato de que quanto mais os professores conseguirem
demonstrar os fenômenos químicos para o aluno através de
reações, simulações e utilizando-se também de um poderoso
aliado do mundo contemporâneo, o computador, ficará mais
fácil de transmitir a ele o aprendizado que o professor
deseja. Não existe hoje, a capacidade de abstração por
parte dos estudantes, que estão muito ligados apenas ao que
possa lhes trazer respostas rápidas, como o computador, a
internet, a televisão, o vídeo, entre outros objetos.
25
A química ensinada na primeira série do ensino médio
ainda está totalmente de acordo com o que é cobrado no
vestibular,
que
apresenta
um
planejamento
completamente
inadequado à realidade do aluno, pois não está relacionado
ao seu cotidiano. Contudo, a maioria dos alunos deseja
prestar
o
exame
do
vestibular
e
se
matriculam
nas
instituições que os preparam para ele. Deste fato decorre o
ensino aos alunos de matérias que não são necessários ao
seu
aprendizado.
Elas
são
ensinadas
apenas
porque
são
matérias cobradas nos exames de vestibular na maioria das
faculdades
do
país.
Com
isso,
os
professores
se
vêem
obrigados a ensinar simbologias e reações, presentes no
vestibular, não restando espaço para o ensino daquilo que
ocorre na vida e na realidade cotidiana do aluno.
A obrigatoriedade do ensino destas matérias torna a
demonstração prática pouco motivadora ao estudante, que, na
maioria das vezes, só se interessa em aprender o que está
no programa do vestibular. Na maior parte do tempo o ensino
da química é baseado em uma seqüência
levam o aluno
de simbologias que
a decorá-las. Não há tempo para projetos
temáticos
que
levem
o
maneira
completamente
aluno
a
estudar
diferente
da
química
de
uma
tradicional,
predominantemente simbólica. Indubitavelmente, esta parte
teórica fluiria de forma mais natural se fosse antecedida
do princípio onde a vida e o contexto da existência do ser
fossem a principal referência.
A melhor maneira de resolver este problema é retirar
conteúdos que não são necessários ao aprendizado do aluno,
ensinados no ensino médio apenas porque são cobrados no
vestibular. A grande dificuldade dos professores do ensino
26
médio é não conseguir fazer a utilização do cotidiano do
estudante em seu aprendizado. Caso a química ensinada nesta
série
partisse
do
cotidiano
do
aluno
através
de
experiências práticas, ele seria levado, alongo prazo, a um
conhecimento teórico maior. A prioridade, quando se fala em
obter
um
quanto
ensino
ao
de
química
professor
é
estimulante
ter
um
tanto
programa
de
ao
aluno
conteúdos
totalmente adequados à realidade do aluno.
As amarras dos professores do primeiro ano do ensino
médio devem ser retiradas do vestibular, para que possa ser
implantado um novo programa de química que se adeqüe
necessidades
do
aluno.
O
laboratório,
neste
às
contexto,
exerce papel fundamental no aprendizado de química. Não há,
inclusive,
a
necessidade
de
sair
do
laboratório
para
estudar química, pois a questão prática precisa se sobrepor
à teórica guiando todo o ensino.
Existe um outro fator de grande relevância no que diz
respeito ao ensino de química nas escolas de ensino médio:
o
papel
da
mídia.
A
imagem
que
os
alunos
possuem
da
disciplina é muito influenciada pelo que eles assistem na
tv, o que é, na maioria das vezes, pouco motivador ao
aprendizado de química. Esta disciplina pode, inclusive,
chegar
a
causar
terror
nos
alunos
que
assistem
na
tv
propagandas negativas a respeito da disciplina. Músicas que
criticam a química ensinada nas escolas e anúncios que
possuem conceitos químicos errôneos transmitem uma falta
impressão
ao
aluno
de
que
a
disciplina
oferece
grande
dificuldade de aprendizado.
Outro
primeiro
problema
ano
do
enfrentado
ensino
médio
pelos
é
a
professores
do
dificuldade
de
27
contextualização das disciplinas por parte dos alunos. Esta
é
uma
dificuldade
estudante,
ao
que
longo
precisa
de
toda
ser
a
contextualização das matérias se
sua
trabalhada
vida
com
o
estudantil.
A
apresenta como uma grande
dificuldade dos alunos, mas é de fundamental importância
para uma interpretação adequada dos conteúdos ensinados e
um
aprendizado
disciplinas
mais
entre
si
sólido.
e
nem
O
aluno
aplica
não
liga
conceitos
que
as
ele
aprendeu em química, por exemplo, às outras disciplinas
ensinadas
a
ele.
Tal
fato
acarreta
até
mesmo
uma
dificuldade de o aluno contextualizar uma situação do seu
cotidiano.
Os alunos do ensino médio também apresentam, de uma
maneira
geral,
dificuldade
de
interpretar
e
entender
jornais e revistas. Tal fato pode dificultar, inclusive, a
interpretação
de
textos
entre outras disciplinas.
de
química,
física,
matemática,
28
CAPÍTULO III
COMO DEVERIA SER O ENSINO DE
QUÍMICA NA PRIMEIRA SÉRIE DO
ENSINO MÉDIO
3.1 Como
deveria
ser
o
ensino
de
química
no
primeiro ano do ensino médio
O conteúdo programático da primeira série do ensino
médio, como já mencionado anteriormente,
está totalmente
de acordo com o conteúdo do vestibular. Grande parte dos
professores
concorda
que
algumas
matérias
devem
ser
retiradas do programa do vestibular. Só assim as escolas
conseguirão dedicar mais tempo a atividades extraclasse,
que possibilitarão ao aluno que ele relacione a matéria
aprendida com o seu cotidiano.
Não apenas atividades extraclasse possibilitarão ao
aluno
que
ele
contextualize
a
química
com
outras
disciplinas e que passe a entender a disciplina como parte
integrante do seu cotidiano. O professor deve, ao máximo
possível,
procurar
laboratório,
e
fazer
também
trabalhos
construir
demonstrativos
gráficos
e
em
tabelas,
auxiliando os alunos na leitura destes.
Trabalhos de campo, visitas a laboratórios, indústrias
e até mesmo a áreas de plantio de diferentes cultivos,
entre outras atividades, podem levar o aluno a entender a
química de forma bastante motivadora. Tal fato só será
conseguido quando o aluno perceber que para se aprender
química não é necessário que se decorem símbolos, nomes,
seqüências e tabelas.
Uma boa forma de se aprender química é, antes de tudo,
aprender o conceito e, a partir disso, saber aplicá-lo em
qualquer situação proposta. Há casos em que a motivação do
aluno
está
justamente
em
aprender
o
conceito,
mas
visualizando
o
“manuseando”
a
fenômeno
acontecer
experiência.
Tal
e,
fato,
30
possível,
se
indubitavelmente,
motiva mais o aluno e ao professor, além de dar
mais
dinamicidade à aula. Tal fato se torna, inclusive, inovador
sob o ponto de vista do professor, que já está acostumado
com
aulas
expositivas
e
sem
grandes
espaços
para
a
criatividade.
O
número de aulas em laboratório igual ao número de
aulas ministradas
à
informática
em sala de aula, podendo aliar este fato
educativa
na
área
de
química
poderão
transformar o ensino de química no primeiro ano do ensino
médio.
Este
tripé
ajudará
disciplina e, ainda,
na
melhoria
do
ensino
da
auxiliará a desmistificar a química,
que carrega grande carga negativa por parte dos alunos.
3.2 Proposta de um novo currículo de química para
a primeira série do ensino médio
O ensino da química geral e da química inorgânica na
primeira
série
do
ensino
médio
deveria
ser
baseado
em
experimentos que enriquecem as aulas teóricas. Some-se a
isso um número máximo de vinte e cinco alunos por turma.
Apresenta-se
currículo
do
abaixo
primeiro
apresentar-se-ão
os
o
ano
objetivos
conteúdo
do
de
sugerido
ensino
cada
médio.
unidade
para
o
Depois,
ensinada,
seguidos por proposições de trabalhos a serem realizados
com os alunos.
31
1.
Unidade I- Introdução ao Estudo da Química.
2.
Unidade II- A Matéria
3.
Unidade III- A Estrutura do átomo
4.
Unidade IV- A Tabela Periódica
5.
Unidade V- Ligações Químicas
6.
Unidade VI- Funções inorgânicas
3.2.1 Unidade I: Introdução ao estudo da química
Esta Unidade tem por objetivo principal mostrar aos
alunos que a química é uma ciência experimental. Através de
pesquisas em internet, livros, revistas científicas, entre
outras fontes,
os alunos, divididos em grupos, fariam uma
pesquisa sobre o que é a química e suas aplicações e,
inclusive, sobre a história da química, que poderá ser
encontrada neste trabalho no capítulo I. Uma pesquisa sobre
a
química
do
cotidiano
também
seria
de
fundamental
importância, pois daria aos alunos uma visão inicial da
química como sendo parte integrante do cotidiano deles.
No final do processo de pesquisa, os alunos fariam uma
exposição
do
principais
e
material
as
pesquisado,
conclusões
expondo
retiradas
a
as
partir
idéias
dele.
A
introdução ao estudo da disciplina química visa, sobretudo,
a proporcionar ao aluno uma visão geral da disciplina e
torná-lo
ciente
de
que
a
experimental.
3.2.2
Unidade II: A matéria
química
é
uma
ciência
Esta
Unidade
tem
por
objetivo
fazer
32
aluno
o
compreender a relação entre “matéria” e “energia”. Através
da exposição dos conceitos de “matéria” e “energia”, o
aluno aprenderá a relacionar esses conteúdos, estudando os
fenômenos de transformação da matéria em energia. Através
deste aprendizado, o aluno aprenderá a fazer uma relação
entre
as
diversas
formas
de
energia,
como
a
eólica,
a
elétrica, a mecânica, a química, entre outras. Visitas a
lugares onde estes energias são produzidas seriam de grande
contribuição ao aprendizado do aluno.
Nesta Unidade, os alunos ainda teriam contato com as
definições de massa, volume, pressão, e densidade. Através
disso, seriam introduzidos ao estudo das relações entre a
massa de ar e a pressão atmosférica, e suas respectivas
altitudes.
Pressão
é
perpendicular,
definida
sobre
uma
como
a
relação
superfície,
entre
e
a
a
força
área
dessa
superfície. A terra está envolvida por uma camada de ar que
tem
espessura
aproximada
de
800
Km.
Essa
camada
de
ar
exerce pressão sobre os corpos: a pressão atmosférica. A
pressão atmosférica varia com a altitude. Em regiões de
grande altitude, há menor quantidade de partículas do ar
por unidade de volume, portanto, a pressão também é menor.
Densidade é a relação (razão) entre a massa de um
material e o volume por ele ocupado. Um bom exemplo de
densidade
é
ser
mostrado
é
polares é comum a presença de
o
fato
de
que
nas
regiões
grandes blocos de gelo (água
pura), os icebergs, flutuando na água do mar (água e outros
materiais). Isso ocorre porque a densidade do gelo é menor
que a densidade da água do mar. Experiências com água e
gelo
em
alunos,
sala
de
de
aula
forma
a
podem
que
ilustrar
eles
este
fenômeno
compreendam
o
33
aos
conteúdo
“matéria”.
Massa é a dificuldade de um corpo tem de variar a sua
velocidade. O volume é a extensão de espaço ocupado por um
corpo. A partir destas definições, seriam introduzidos os
conceitos de “densidade”, que é a razão da massa de um
corpo
dividido
pelo
volume
que
ele
ocupa.
Diversos
materiais com massas iguais poderiam ser levados à sala de
aula, como a madeira, o chumbo, o alumínio e o isopor. A
partir
destes
diferenças
materiais,
entre
os
os
volumes
alunos
poderiam
ocupados
no
notar
espaço
as
pelos
materiais apresentados.
Outro exemplo interessante a ser mostrado aos alunos
seria a comparação entre a densidade da água e do gelo. A
partir disso, seria estudado o motivo pelo qual a o gelo
flutua na água e, ainda, o aumento da densidade da água
quando é acrescentado o sal.
A compreensão da diferença entre massa e volume é de
fundamental importância para o ensino de outras matérias de
química lecionadas em outras séries do ensino médio. A
partir
disso,
a
definição
dos
conceitos,
além
da
demonstração prática deles pode, indubitavelmente, dar uma
base sólida de aprendizado ao aluno, para que ele, mais
tarde,
possa
aprender
com
facilidade
matérias
complexas.
3.2.3
Unidade III: A estrutura do átomo
mais
34
A idéia de átomo é foco de ensino desta Unidade, que
visa, sobretudo, a mostrar a evolução do conceito de átomo
e como ele é definido hoje.
Filósofos gregos como Demócrito foram os primeiros a
formular teorias a respeito do átomo, mas a comprovação
científica
século
de
XIX
existência
através
de
dele
John
só
ocorreu
Dalton.
A
no
início
partir
do
disso,
o
conceito de átomo evoluiu com a explicação de fenômenos que
foram surgindo.
Depois de uma introdução à história da evolução do
átomo, os modelos atômicos apresentados ao longo dos tempos
seriam apresentados, de forma a que os alunos pudessem
apontar falhas nestes modelos. Vale a pena salientar que os
cientistas faziam progressos nos modelos atômicos baseandose em modelos atômicos anteriores.
Após a proposição de um modelo atômico por Rutherford,
os cientistas direcionaram seus estudos para a distribuição
dos
elétrons
na
eletrosfera.
Fizeram
grandes
progressos
levando em conta o modelo de Rutherford. Em 1855, Robert
Bunsen verificou que diferentes elementos, submetidos a uma
chama,
produziam
cores
diferentes.
A
cada
cor
destes
espectros foi associada certa quantidade de energia. Tais
evoluções no átomo podem ser observadas pelos alunos em
laboratório,
com
experimentos
que
mostrem
as
cores
produzidas pelos elementos, quando eles são submetidos a
uma chama.
Os
novos
modelos
atômicos
também
seriam
mostrados,
como, por exemplo, o de Nicls-Bohr que, em 1913, relacionou
a
distribuição
dos
elétrons
na
eletrosfera
com
a
sua
35
quantidade de energia. Tal modelo ainda é aceito pelos
cientistas.
3.2.4 Unidade IV: Tabela periódica
Nesta Unidade, a tabela periódica é o foco. A partir
de um histórico da evolução da necessidade de se agrupar os
elementos
químicos
propriedades
dos
em
uma
tabela,
elementos.
Os
seriam
alunos
mostradas
perceberiam
as
uma
lógica no agrupamento dos elementos na ordem apresentada na
tabela, o que facilitaria a utilização da mesma ao longo de
todo o ensino médio. O agrupamento dos elementos em uma
tabela aconteceu justamente para facilitar o estudo dos
elementos pelos cientistas.
3.2.5
O
Unidade V: ligações Químicas
objetivo
deste
tópico
é
relacionar
as
diversas
forças interatômicas, a iônica, a covalente e a metálica.
Tais ligações dependem do tipo de átomo que formam. As
ligações
iônicas
são
aquelas
formadas
entre
metais
e
ametais, sendo muito intensas, acarretam para a substância
correspondente altos pontos de fusão e ebulição. Já as
ligações covalentes são aquelas que ocorrem entre ametais,
que são formados por um metal mais um ametal. Esta ligação
é menos intensa do que a ligação iônica, resultando para a
substância
formada,
chamada
de
molecular
ou
covalente,
baixos pontos de fusão e ebulição, ao serem comparadas com
as substâncias iônicas.
36
As ligações metálicas, aquelas que ocorrem entre dois
metais,
são
tão
ligação
muito
intensas
bem
quanto
entendida.
as
iônicas.
Acredita-se
em
Não
é
uma
nuvens
de
elétrons, que são elétrons livres, que se soltam do átomo
indo para a superfície do metal, ocasionando, entre outras
reações, o brilho.
A
importância
do
aprendizado
deste
conteúdo
pelos
alunos é que eles possam, ao final do curso, relacionar, a
partir
de
uma
certa
lógica,
as
diversas
substâncias
moleculares com os prováveis pontos de fusão e ebulição.
Devem
observar
anômalo
em
que
se
a
água
comparado
possui
às
um
ponto
substâncias
de
ebulição
de
massas
moleculares próximas. Ele deve concluir que as “ligações”
por
pontes
de
hidrogênio
são
mais
intensas
que
as
“ligações” chamadas “dipolo-dipolo induzido” e do que as
ligações
“dipolo-dipolo
permanente”.
O
estudante
deve
concluir que as moléculas ditas apolares ligam-se através
de “dipolo-dipolo permanente” ou por pontes de hidrogênio,
sendo que esta última ligação ocorre quando o hidrogênio,
“H”, de uma molécula atrai fortemente o Oxigênio, o Flúor
ou o Nitrogênio de outra molécula.
3.2.6 Unidade VI: Funções inorgânicas
Os
alunos,
ao
final
do
curso,
deverão
saber
diferenciar e classificar as funções inorgânicas: ácido,
base, sal e óxido. Através de práticas de laboratório, ele
deve
identificar
as
funções
através
de
suas
reações
específicas e através de indicadores ácido-base. A partir
de observações experimentais, o aluno deve concluir que o
sal
poderá,
ao
ser
colocado
em
água,
37
adquirir
características alcalinas, se for um sal de reação básica,
características ácidas, se for um sal de reação ácida, ou
neutras, sal de reação neutra.
38
CONCLUSÃO
Os educadores que lecionam química devem direcionar o
aluno não apenas ao conhecimento químico especializado, mas
à descoberta da química como parte importante do fazer
humano
que
leva
ao
crescimento
da
ciência
e,
conseqüentemente da sociedade.
A química procura descrever a atuação do homem sobre o
seu meio. Conhecê-la e desmitificá-la é um
pressuposto
básico para o alcance de uma maior qualidade de vida para o
homem,
o
que
preservação
consiste,
pode
do
ser
meio
então,
em
conseguido,
ambiente.
dar-lhe
por
exemplo,
Desmistificar
novo
sentido
a
num
com
a
química
processo
dinâmico, presente na vida do homem, fruto de sua interação
com o meio.
O Processo de Aprendizagem de Química deve propiciar
ao aluno compreensão da realidade a que está sujeito para
que,
efetivamente,
ele
possa
desenvolver
ações
bem
direcionadas que permitam interferir de forma correta em
seu
meio.
ciência
Desta
da
forma,
natureza,
possibilitar
aos
compreende-se
e
alunos
o
a
seu
a
química
aprendizado
contextualização
da
como
deverá
matéria
aprendida em sala de aula com o cotidiano.
Sob a ótica do aluno, o professor deverá promover nele
a apropriação do conhecimento cientificamente elaborado,
através
de
competências
indispensáveis
no
âmbito
e
habilidades,
dos
conceitos
definidas
como
essenciais
da
química. Mas, é necessário, acima de tudo, aprofundar estes
conhecimentos,
estabelecendo
relações
com
o
mundo,
39
contextualizando e atuando, transformando e interferindo,
aprendendo
e
ensinando,
possibilitando,
desta
integrando
forma,
uma
currículo
formação
e
vida,
científica,
moral, filosófica, antropológica e social do aluno.
Estes fatores podem ser conseguidos quando a
teoria e
a prática são integradas em um movimento multidimensional,
de onde aflora a compreensão dos fenômenos químicos do
cotidiano do aluno. Tal fato torna o estudante um
sujeito
autônomo
e
e
crítico,
com
capacidade
de
julgar
agir
criticamente sobre o meio em que ele vive.
Para que o indivíduo atue corretamente sobre o seu
meio, é preciso que seja detentor de conhecimento. Nesta
perspectiva, o professor de química é o mediador nessa
construção de conhecimento do aluno.
Urge que se atribua novo significado ao ensino da
química, para o desfilamento das potencialidades do aluno
como
pessoa,
dimensão,
transformadora
torna-se
da
fundamental
realidade
um
novo
social.
olhar,
uma
Nessa
nova
compreensão, um novo fazer pedagógico, conjugando o ensino
dado em sala de aula com práticas que direcionem o aluno
aperceber que o que
ele aprende, na forma de teoria, é sim
parte de seu cotidiano.
A
presença
de
aulas
extraclasses,
assim
como
atividades em laboratório tornam-se imprescindíveis para
estimular o aluno a aprender a química e a entendê-la como
parte importante de seu dia-a-dia. A informática educativa
na área de química, neste contexto, torna-se uma aliada
muito importante para o ensino de química no primeiro ano
do
ensino
médio.
Este
tripé,
sala
de
aula-laboratório-
informática
poderá
transformar
o
ensino
de
química
40
na
primeira série do ensino médio.
Nesse sentido, torna-se imprescindível a reconstrução
do projeto pedagógico do ensino de química para que o ele
se torne mais dinâmico.
A
Interdisciplinaridade
e,
acima
de
tudo,
a
contextualização, devem ser os eixos norteadores do ensino
de química no ensino médio. Este deve envolver conceitos
científicos essenciais com fundamentação prática, que além
de reforçar a teoria, tornem o ensino de química, aos olhos
do aluno e do professor, provido de sentido.
Desta
forma,
expressar
o
fazer
pedagógico
contextualização,
de
química
deverá
interatividade
e
interdisciplinaridade. Tal fato levará o aluno a obter um
conhecimento
crítico
da
química,
o
que
conduzirá
professores e alunos envolvidos pela emoção e o prazer do
"fazer
química",
sociedade.
à
discussão
e
à
transformação
da
41
BIBLIOGRAFIA
FELTRE, Ricardo. FUNDAMENTOS DA QUÍMICA. 2a. ed.São Paulo:
Moderna, 1996.
CUNHA, F.M. A evolução da química. Revista Química Nova, 7
(2), Abril, 1984.
LAROSA,
produzir
Antônio
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Marco
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monografia
AYRES,
passo
Fernando
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Arduini.
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passo.2 .
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Como
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NEWCOMB, et alli. Da alquimia ao átomo. Editora Fundo de
Cultura Brasil-Portugal.
REIS, Marta.Química Integral. 1a. ed. Rio de Janeiro: FTD,
1993.
SADONE, J. O tesouro dos alquimistas. Hemus livraria Eldorado Ltda. 1970, São Paulo.
QUAGLIANO, James Vincent e VALLARINO, L.M. Química.3a. ed.
Rio de janeiro: Guanabara Dois, 1979.
USBERCO, João e SAlVADOR, Edgard.Química. 5a. ed.São Paulo:
Saraiva, 2002.
42
INDICE
INTRODUÇÃO ........................................... 08
CAPÍTULO I ........................................... 10
1.1 A HISTÓRIA DA QUÍMICA ............................ 11
1.2 A CIÊNCIA NATURAL: SEU ÂMBITO E SUAS LIMITAÇÕES .. 11
1.3 O MÉTODO CIENTÍFICO .............................. 12
1.4 A CIÊNCIA DA QUÍMICA ............................. 14
1.4.1 FATO E TEORIA EM QUÍMICA ................... 14
1.5 A EVOLUÇÃO DA QUÍMICA ............................ 15
1.5.1 DO PERÍODO PRÉ-HISTÓRICO ATÉ O ANO DE 500 .. 15
1.5.2 O PERÍODO DA ALQUIMIA, ANOS 500-1600 ....... 16
1.5.3 O PERÍODO MÉDICO-QUÍMICO ................... 16
1.5.4 O PERÍODO DA TEORIA DO FLÓGSTON, 1700-1777 . 17
1.5.5 O PERÍODO MODERNO ATÉ OS DIAS ATUAIS ....... 17
1.6 A QUÍMICA COMO CIÊNCIA ........................... 18
1.6.1 DO INÍCIO DO SÉCULO XIX ATÉ NOSSO TEMPO .... 18
CAPÍTULO II .......................................... 22
2.1 COMO É O ENSINO DE QUÍMICA NO PRIMEIRO ANO DO
ENSINO MÉDIO ......................................... 23
CAPÍTULO III ......................................... 28
3.1 COMO DEVERIA SER O ENSINO DE QUÍMICA NO PRIMEIRO
ANO DO ENSINO MÉDIO .................................. 29
3.2 PROPOSTA DE UM NOVO CURRÍCULO PARA O PRIMEIRO ANO
DO ENSINO MÉDIO ...................................... 30
3.2.1 UNIDADE I: INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA QUÍMICA . 31
3.2.2 UNIDADE II: A MATÉRIA ...................... 31
3.2.3 UNIDADE III: A ESTRUTURA DO ÁTOMO .......... 33
3.2.4 UNIDADE IV: TABELA PERIÓDICA ............... 34
3.2.5 UNIDADE V: LIGAÇÕES QUÍMICAS ............... 35
3.2.6 UNIDADE VI: FUNÇÕES INORGÂNICAS ............ 36
43
CONCLUSÃO ............................................ 38
BIBLIOGRAFIA ......................................... 41
ÍNDICE ............................................... 42
FOLHA DE AVALIAÇÃO ................................... 44
ANEXOS ............................................... 45
44
FOLHA DE AVALIAÇÃO
UNIVERSIDADE CÂNDIDO MENDES
PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSO” EM DOCÊNCIA DO ENSINO
SUPERIOR
Título
da
monografia:
“A
aprendizado dos conteúdos da
química
do
cotidiano
no
primeira série do ensino
médio.”
Data da entrega:___________________________________________
Avaliação da Monografia:
___________________________________________________________
___________________________________________________________
___________________________________________________________
___________________________________________________________
___________________________________________________________
___________________________________________________________
___________________________________________________________
___________________________________________________________
Avaliado por:_________________________ Grau:_______________
________________, _____ de ___________________ de _________
45
ANEXOS
Download

a química do cotidiano no aprendizado dos conteúdos da primeira