CONCURSO PÚBLICO DE CONCEPÇÃO PARA ELABORAÇÃO DO PROJECTO DO NOVO EDIFÍCIO PEDAGÓGICO DA ESCOLA SUPERIOR DE ENFERMAGEM DE LISBOA i) ESQUEMA GERAL DA CONCEPÇÃO PROPOSTA A presente memória descritiva refere-se à fase de Estudo Prévio do Projecto do Novo Edifício Pedagógico da Escola Superior de Enfermagem de Lisboa. O edifício projectado encontra-se inserido no Polo Calouste Gulbenkian, junto ao Hospital de Santa Maria na Cidade Universitária. O mencionado edifício, designado por Edifício Pedagógico, complementará os edifícios existentes - o Edifício Principal e o Edifício Residência. A solução proposta considerou o seu enquadramento com os edifícios existentes, com a dinâmica do local e com a envolvente arborizada existente. O projecto procura assim dar resposta a diferentes necessidades que se apresentam para o edifício, expressas no programa preliminar e no organograma funcional. Deste modo, o novo edifício contemplará espaços de ensino, espaços de apoio ao ensino, instalações para docentes, espaços de apoio social e de apoio técnico geral, uma central técnica e estacionamento coberto localizado em cave. Prevê ainda o tratamento de espaços exteriores, dos acessos ao edifício e da ligação do edifício projectado ao Edifício Residência. A implantação do edifício parte do polígono assinalado na planta de implantação fornecida e possui uma relação de proximidade com o Edifício Residência existente. O terreno, de declive pouco acentuado, é caracterizado pela presença de um número expressivo de árvores de grande dimensão, apesar da localização central no contexto da cidade de Lisboa, uma vez que a área de intervenção se encontra compreendida entre a Avenida Professor Egas Moniz e a Avenida dos Combatentes. A volumetria proposta procura uma distribuição equilibrada do programa funcional e a sua articulação como um todo, não descurando a relação dos diversos níveis com a cota original do terreno e com os arranjos exteriores, reforçando a relação do edifício com a paisagem. A volumetria parte assim de um polígono previamente fornecido, que “toca” o edifício existente numa posição de perpendicularidade e se posiciona paralelo a este. Possui quatro pisos acima da cota de soleira e um piso abaixo, em cave, onde se localizará o estacionamento automóvel. O edifício desenvolver-se-à ao logo de dois volumes perpendiculares entre si. O de maior dimensão possuirá quatro pisos acima da cota de soleira e aquele que se localiza numa posição de perpendicularidade relativamente a este possuirá menos um piso em altura. A cota de soleira é a 101.50 e esta permite uma relação 1 CONCURSO PÚBLICO DE CONCEPÇÃO PARA ELABORAÇÃO DO PROJECTO DO NOVO EDIFÍCIO PEDAGÓGICO DA ESCOLA SUPERIOR DE ENFERMAGEM DE LISBOA de proximidade com a plataforma de arranjos exteriores compreendida entre os dois edifícios. Procurou-se libertar o espaço exterior formado pelo edifício de residência e o edifício proposto, destacando assim a volumetria paralela ao primeiro e minimizando a altura da volumetria que os liga. Apesar do polígono de implantação se encostar literalmente ao edifício existente, a nossa opção foi a de afastar a nova volumetria neste ponto. Assim, a escada existente no topo do Edifício da Residência será mantida e será criada uma ligação exterior coberta entre os dois edifícios, que conduzirá os utilizadores do espaço até ao átrio principal do novo edifício pedagógico. Foi ainda intenção da proposta “abrir” o edifício sobre a paisagem a poente, por oposição ao uso do Edifício da Residência, para o qual se pretenderá algum recolhimento. O aproveitamento da exposição solar diária foi determinante na organização funcional do programa, como é exemplo a localização dos espaços de sala de leitura, cafetaria e esplanada exterior ao longo do alçado poente do edifício. A colocação do acesso principal na articulação entre as duas volumetrias permite uma distribuição mais eficaz dos espaços interiores e um relacionamento com a envolvente arborizada a Poente e com a praça criada pelos edifícios. Planta de implantação 2 CONCURSO PÚBLICO DE CONCEPÇÃO PARA ELABORAÇÃO DO PROJECTO DO NOVO EDIFÍCIO PEDAGÓGICO DA ESCOLA SUPERIOR DE ENFERMAGEM DE LISBOA O conceito que a proposta arquitectónica procura evidenciar é o da criação de uma “segunda pele” que envolve o edifício quase na sua totalidade. Este “filtro” ou grelha metálica potenciará o ensombramento dos vãos exteriores e os seus elementos de suporte, trarão a memória da verticalidade das árvores presentes no local. No que diz respeito à cor adoptada, o vermelho acastanhado, esta relaciona-se com os tons terra e com a madeira das árvores resultando de forma harmoniosa quando conjugada com os restantes materiais. A pedra calcária que revestirá o embasamento do edifício será de tonalidade clara e “agarrará” o edifício ao solo. Por contraste, as superfícies revestidas ao longo do piso térreo serão executadas em painéis metálicos de coloração cinzento escuro, o que permite soltar a parte superior do edifício. Esta opção pelo revestimento metálico no piso térreo surge numa procura de uniformização na leitura deste piso, lendo-se o vidro e as superfícies revestidas a painéis metálicos como um contínuo. Nos pisos superiores salientam-se as amplas superfícies envidraçadas e o reboco com pintura à cor branca, conjugada com a malha metálica, que forma a segunda pele. A composição geométrica que resulta do desenho dos vãos exteriores é variada e em certos casos liga diversos pisos. No conceito salientam-se assim a “regra”, a ortogonalidade, a pureza e a contemporaneidade de um volume branco que surge recortado e envolvido por uma estrutura metálica. A volumetria proposta possui ainda jogos de cheios e vazios, como é o caso da zona da entrada principal no edifício, em que a volumetria recua e simultaneamente acolhe o momento da entrada, também possuidora de uma pala. A galeria formada ao nível do piso térreo, proporcionará uma confortável ligação exterior do Edifício da Residência com o átrio do Edifício Pedagógico proposto. Na zona da biblioteca, o recuo do edifício proporciona uma extensão do espaço exterior até este espaço. No último piso, onde se localizarão as instalações para docentes, os vazios darão lugar a pátios exteriores, subtraídos à forma geral do edifício, que potenciarão uma interessante relação interior/exterior. 3 CONCURSO PÚBLICO DE CONCEPÇÃO PARA ELABORAÇÃO DO PROJECTO DO NOVO EDIFÍCIO PEDAGÓGICO DA ESCOLA SUPERIOR DE ENFERMAGEM DE LISBOA FILTRO . 2ª PELE . PARALELISMO . VERTICALIDADE . OPACIDADE/TRANSPARÊNCIA . CHEIO/VAZIO . PRÓXIMO/AFASTADO . LEVEZA/DENSIDADE ESPAÇOS EXTERIORES Actualmente o espaço localizado entre os dois edifícios é pavimentado e alberga uma zona de circulação e estacionamento automóvel. Este principal espaço da proposta de arranjos exteriores, assume o carácter de praça e dele é retirado o uso de estacionamento de superfície, dando o lugar ao peão que se desloca entre espelhos de água e zonas de estar, com bancos e com a presença de verde em zonas de canteiros, onde se integraram também algumas árvores. As árvores para além de permitirem a criação de algumas sombras, funcionam ainda como barreira visual entre os dois edifícios. A partir deste espaço é realizado o acesso ao átrio do edifício proposto. Este dará acesso também à envolvente arborizada e ao espaço exterior da cafetaria, através da passagem pela consola junto à biblioteca e por uma rede de percursos que acompanham o edifício. Após uma leitura atenta do terreno e da sua envolvente procurámos manter o seu aspecto e declive ao inserirmos uma volumetria de desenho depurado e ortogonal que se apoia no terreno. Ao longo do alçado sul o edifício dir-se-ia que se encaixa no terreno, pois aqui a linha do terreno natural sobe até à cota do piso 1. A presença do verde arbóreo será mantida, ou até acentuada. CARACTERIZAÇÃO DOS ESPAÇOS A articulação dos espaços interiores denuncia percursos fáceis e directos e ao localizaremse espaços como o centro de documentação/biblioteca, a cafetaria, a reprografia e os serviços de saúde, junto do átrio principal procurou-se reduzir o impacto do ruído e de tráfego acentuado, junto dos espaços de ensino. Pelas diferentes características que os espaços a contemplar na proposta apresentam, evidenciam-se diferenças ao longo dos alçados, como é o exemplo da biblioteca localizada no piso térreo. Aqui privilegiou-se o aproveitamento da luz natural e a sua relação visual com 4 CONCURSO PÚBLICO DE CONCEPÇÃO PARA ELABORAÇÃO DO PROJECTO DO NOVO EDIFÍCIO PEDAGÓGICO DA ESCOLA SUPERIOR DE ENFERMAGEM DE LISBOA o espaço exterior envolvente, em contraponto com os pisos que se seguem mais fechados sobre si, albergando os auditórios, os espaços de ensino e de apoio ao ensino e as instalações para docentes. Em síntese, o edifício proposto apresenta-se como um volume ritmado e depurado, no qual se destaca a textura dos materiais utilizados em oposição com o recobo pintado à cor branca. É marcado também pela presença, ou apontamento de uma cor subtil na “segunda pele”, que por sua vez envolve amplos vãos envidraçados. Imagem da malha metálica ou 2ª pele A cada uma das volumetrias é atribuído um diferente papel, pois enquanto que a volumetria de maior dimensão é mais transparente e relacionada com o exterior, o volume que possui menos um piso em altura dá lugar a espaços como a central técnica e espaços de apoio técnico geral. No piso superior, deste último, encontramos espaços de ensino em que a circulação se estende a espaços de estar e varandas. No encontro de ambos os volumes encontramos o átrio principal, com um amplo pé-direito e um envidraçado que acompanha diversos pisos, que o revestem de luz. A opção pelos materiais que o edifício apresenta na sua envolvente exterior, assenta no princípio do impacto desta volumetria como um objecto maciço e ritmado que busca uma harmonização com a morfologia do terreno e com o verde envolvente. RESUMO DE ÁREAS: ÁREA BRUTA DE CONSTRUÇÃO: PISO -1 2275 m² PISO 0 1920,7 m² PISO 1 2133 m² PISO 2 2146,1 m² PISO 3 1398,6 m² Área Bruta de Construção Total 9873,4 m² Área de Intervenção dos Arranjos Exteriores 2372,6 m² 5 CONCURSO PÚBLICO DE CONCEPÇÃO PARA ELABORAÇÃO DO PROJECTO DO NOVO EDIFÍCIO PEDAGÓGICO DA ESCOLA SUPERIOR DE ENFERMAGEM DE LISBOA ii) CIRCULAÇÕES INTERIORES Os acessos verticais são uma importante peça no âmbito das circulações interiores do edifício. A proposta prevê três núcleos verticais, todos dotados de escada e elevador, um dos quais se encontra localizado numa posição central, junto do átrio principal do edifício. Ao longo dos pisos, atendendo aos diferentes tipos de espaços, as circulações interiores poderão variar a sua posição, assim enquanto que nos dois pisos onde se localizam os espaços de ensino temos sobretudo circulações num eixo central relativamente à volumetria, no último piso, mais precisamente, naquele onde se localizam as instalações para docentes, os espaços de circulação assumem um papel mais variado. Partindo de igual modo de um eixo central, derivam em percursos ortogonais e perpendiculares às fachadas longitudinais. Junto aos compartimentos de maior dimensão, nomeadamente os auditórios, as circulações acompanham a fachada exterior do edifício e a sua dimensão e espacialidade permitem a criação de espaços de estar. No piso térreo a distribuição para os diferentes espaços surge clara a partir do átrio principal. Aqui as circulações são de igual modo denunciadas pelo jogo de transparências que também é utilizado no interior do edifício. O átrio principal, que se pretende que seja o principal espaço de distribuição, é o espaço que assume o maior pé-direito da proposta, revelando acontecimentos dos pisos superiores e denunciando no piso térreo os espaços acessíveis ao público em geral. Pretende-se ainda que este espaço possa ter uma utilização flexível e seja utilizado como espaço de socialização e de encontro para os utilizadores do espaço. O acesso vertical mais próximo do átrio possui uma parede transparente, característica que permite encaminhar os utilizadores do espaço para os pisos superiores. iii) DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL DOS DIVERSOS SERVIÇOS Pretendeu-se distribuir de forma funcional e clara as diversas áreas que compõem o edifício, privilegiando a localização no piso térreo dos espaços com necessidade de ligação ao exterior. É também intenção da proposta a clarificação dos tipos de utilização dos espaços, diferenciando os espaços destinados a áreas técnicas, os espaços destinados a docentes, os espaços de ensino e os espaços com uma utilização mais ampla, como por exemplo a biblioteca, o bar ou a reprografia. 6 CONCURSO PÚBLICO DE CONCEPÇÃO PARA ELABORAÇÃO DO PROJECTO DO NOVO EDIFÍCIO PEDAGÓGICO DA ESCOLA SUPERIOR DE ENFERMAGEM DE LISBOA ESPAÇOS DE ENSINO APOIO AO ENSINO INSTALAÇÕES PARA DOCENTES APOIO SOCIAL APOIO TÉCNICO GERAL CENTRAL TÉCNICA ESTACIONAMENTO COBERTO INSTALAÇÕES SANITÁRIAS ACESSOS ÁTRIO ESPAÇOS DE ESTAR EXTERIORES Os compartimentos em que esteja prevista a utilização por um maior número de pessoas, localizam-se no piso térreo ou em proximidade com este. Um exemplo disto é a localização dos quatro auditórios, no piso 1 ou a localização da biblioteca, do bar e da reprografia no piso térreo. No piso em cave, com acesso automóvel através de rampa exterior, localiza-se o estacionamento coberto, contando setenta e cinco lugares para ligeiros. O acesso automóvel a este espaço localiza-se no alçado norte onde o declive do terreno é mais favorável. Esta localização do acesso automóvel limita o seu percurso no exterior, valorizando a circulação pedonal junto ao edifício, ainda que seja possível o acesso a veículos de emergência junto às fachadas. No piso térreo concentram-se espaços de apoio ao ensino, como o centro de documentação e a reprografia, espaços de apoio social como a cafetaria e os serviços de saúde, um núcleo de instalações sanitárias, a central técnica (com acesso directo ao exterior) e espaços de apoio técnico geral como os gabinetes de serviços, a oficina de manutenção e um armazém geral. O piso 1 e o piso 2 são aqueles onde se localizam os espaços de ensino, como os diferentes laboratórios, salas de informática, auditórios e espaços de apoio ao ensino como o centro de informatização de dados, os espaços para equipamentos e os espaços para apoio aos estudantes, mais precisamente as salas de estudo em grupo e os vestiários. No piso 1 temos ainda três armazéns gerais com acesso por aquele que acaba por funcionar 7 CONCURSO PÚBLICO DE CONCEPÇÃO PARA ELABORAÇÃO DO PROJECTO DO NOVO EDIFÍCIO PEDAGÓGICO DA ESCOLA SUPERIOR DE ENFERMAGEM DE LISBOA como o acesso vertical de “serviço”. Ambos os pisos possuem núcleos de instalações sanitárias. O piso 3 é exclusivamente destinado às instalações para docentes, contemplando compartimentos como gabinetes individuais e duplos, salas de reuniões e secretariado, assim como um núcleo de instalações sanitárias. O mencionado piso não ocupa a totalidade do polígono de implantação, como acontece em todos os outros pisos, este ocupa apenas a volumetria paralela ao edifício existente de residência. iv) DESCRIÇÃO ESPECIALIDADES SUMÁRIA DAS INTERVENIENTES SOLUÇÕES NA PRECONIZADAS ELABORAÇÃO DO PELAS TRABALHO DE CONCEPÇÃO A estrutura do edifício será maioritariamente em betão armado e as paredes exteriores serão duplas, de alvenaria de tijolo incluindo isolamento térmico e caixa de ar, com um adequado desempenho às necessidades térmicas e acústicas pretendidas para o edifício. Os vãos exteriores serão em caixilharia de alumínio com vidro duplo e ensombramento pelo lado exterior e interior, proporcionando um adequado conforto térmico e a utilização da luz e da ventilação natural. Todos os espaços interiores terão um pé-direito adequado e serão revestidos com tecto suspenso, permitindo a passagem de infra-estruturas técnicas entre as lajes e o tecto falso. A central técnica solicitada pelo programa, estará localizada no piso térreo e com relação e acesso directo ao exterior. A proposta teve em consideração questões como a exequibilidade da estrutura do edifício, o cumprimento do Regulamento de Segurança Contra Risco de Incêndio em Edifícios, determinante na distribuição dos acessos verticais e no facto de se encontrar contemplado na proposta de arranjos exteriores um reservatório de água para combate a incêndio distribuído ao longo de diversos espelhos de água. Na concepção da proposta foi igualmente atendida a regulamentação em vigor para este tipo de edifícios, nomeadamente o Regulamento Geral das Edificações Urbanas (RGEU). 8 CONCURSO PÚBLICO DE CONCEPÇÃO PARA ELABORAÇÃO DO PROJECTO DO NOVO EDIFÍCIO PEDAGÓGICO DA ESCOLA SUPERIOR DE ENFERMAGEM DE LISBOA v) DESCRIÇÃO DAS SOLUÇÕES A ADOPTAR NA ÁREA DA EFICIÊNCIA ENERGÉTICA A eficiência energética deve ser tida em consideração no momento do planeamento da concepção do projecto. A proposta apresentada foi concebida, atendendo às condições climáticas da região, à orientação solar, às características do terreno, à utilização das melhores técnicas construtivas disponíveis e à escolha de materiais adequados. Estes aspectos contribuíram para a escolha das opções tomadas no desenho do edifício e dos espaços interiores, das quais se salientam: A utilização da grelha de ensombramento exterior – Esta grelha permite a utilização de superfícies de envidraçado amplas, reduzindo a incidência directa de raios solares . Ventilação e iluminação natural – Na concepção dos espaços interiores foi atendida a necessidade de existência de vãos de iluminação, permitindo também a ventilação natural. No piso superior, onde se localizam os gabinetes dos professores, que possuem áreas relativamente menores que as dos restantes compartimentos do edifício, foram projectados pátios que permitem o contacto directo dos compartimentos com o exterior. Materiais utilizados – A escolha dos materiais terá em consideração a sua adequabilidade ao tipo de edifício, a elevada durabilidade e a baixa manutenção. Sempre que possível serão utilizados materiais próprios da região, a envolvente exterior será isolada termicamente e o vidro a aplicar terá protecção solar. A escolha dos materiais terá influência nas cargas térmicas do edifício, que condicionará a solução de AVAC mais apropriada para este. Cores – Nos espaços exteriores e interiores serão privilegiadas as superfícies de cores claras, que possuem um melhor grau de reflexão da luz solar. Equipamentos – Serão utilizados equipamentos com um adequado grau de eficiência energética, de forma a proporcionar o conforto aos utilizadores, minimizando os consumos energéticos. A escolha destes equipamentos terá por base os caudais previstos para a renovação do ar e as cargas térmicas do edifício. Este será equipado com painéis solares para aquecimento de águas quentes sanitárias. Vegetação e arranjos exteriores - Os arranjos exteriores prevêem a colocação de espécies vegetais com baixa manutenção e características da zona. As espécies vegetais existentes na envolvente foram em grande parte preservadas e foi minimizado o impacto provocado pela construção do edifício, no que se refere ao declive e às características do solo. A presença do automóvel estará condicionada essencialmente ao piso -1, tendo sido 9 CONCURSO PÚBLICO DE CONCEPÇÃO PARA ELABORAÇÃO DO PROJECTO DO NOVO EDIFÍCIO PEDAGÓGICO DA ESCOLA SUPERIOR DE ENFERMAGEM DE LISBOA privilegiado sobretudo o peão no acesso ao átrio principal. Os acessos ao edifício serão praticamente planos, sem obstáculos, sendo também possível o seu acesso através de bicicleta. vi) EXPLICITAÇÃO CONSTRUTIVAS DA RACIONALIDADE ADOPTADAS, DAS NOMEADAMENTE SOLUÇÕES FACE ÀS TÉCNICAS E EXIGÊNCIAS FUNCIONAIS, DE SEGURANÇA, HABITABILIDADE E DURABILIDADE Os materiais e soluções construtivas adoptados procuram ser eficazes em aspectos como a térmica, a acústica, a durabilidade da construção e a facilidade de manutenção. Tomando como ponto de partida o número de pisos e o programa funcional definidos para a construção, grande parte do trabalho desenvolvido inicialmente incidiu sobre a distribuição equilibrada dos espaços. O facto de termos por exemplo espaços de grande dimensão como os auditórios, um número expressivo de salas de aula e diferentes laboratórios e um grande número de gabinetes de pequena dimensão nas instalações para docentes, determinou de igual modo a sua disposição ao longo da volumetria. Aqui tivemos de definir, a par da sua localização, o desenho das circulações interiores. No que diz respeito aos principais núcleos de instalações sanitárias, distribuídos pelos diferentes pisos, procurámos a sua sobreposição em altura para facilitar a passagem das redes de águas e esgotos. Relativamente às áreas técnicas, estas foram projectadas no edifício de forma a possuírem um fácil acesso ao exterior, a existência de ventilação e uma localização de proximidade entre si. Esta autonomia permite que a interferência com a dinâmica principal do edifício seja reduzida, nomeadamente quanto à segurança, à acústica, à térmica e aos acessos ao exterior. As infra-estruturas serão conduzidas através de áreas técnicas existentes em todo o edifício, localizadas entre as lajes dos pisos e o tecto falso. Os arranjos exteriores que conduzem ao interior do edifício serão planos, sem obstáculos, permitindo assim um fácil acesso a pessoas com mobilidade condicionada. Também o interior do edifício foi concebido de forma a poder ser acessível. 10 CONCURSO PÚBLICO DE CONCEPÇÃO PARA ELABORAÇÃO DO PROJECTO DO NOVO EDIFÍCIO PEDAGÓGICO DA ESCOLA SUPERIOR DE ENFERMAGEM DE LISBOA vii) EXPLICITAÇÃO DAS SOLUÇÕES ADOPTADAS CONSIDERANDO OS FUTUROS CUSTOS DE MANUTENÇÃO DO EDIFÍCIO PROPOSTO Os futuros custos de manutenção do edifício proposto prender-se-ão com a preservação e manutenção dos materiais de revestimento exterior e interior adoptados, assim como com os seus equipamentos e infra-estruturas. A opção pela colocação de um revestimento em pedra no embasamento do edifício e de painéis metálicos no piso térreo prende-se com uma maior protecção das superfícies mais próximas da cota do terreno natural, se compararmos com o revestimento em reboco pintado que é empregue nos restantes pisos. Nestes pisos é requerida uma maior protecção e capacidade para suportar melhor as lavagens, por estarem mais em contacto com elementos “agressores”. Os materiais a utilizar no edifício serão adaptados ao tipo de utilização prevista para os locais, tendo em consideração a sua eficácia, durabilidade e os custos/facilidade de manutenção. Na selecção dos materiais a empregar, na solução dos arranjos exteriores, procurámos utilizar materiais pouco exigentes ao nível da manutenção e com pouca rega. A uniformização dos materiais e soluções de revestimento de paredes, pavimentos e tectos permite racionalizar o número de intervenções e a dimensão das mesmas. Os equipamentos presentes no edifício devem ser utilizados de acordo com as indicações do fabricante, respeitando os períodos de manutenção aconselhados, tendo em vista a sua maior durabilidade. Após a construção do edifício, deverá existir planeamento nas operações de manutenção, dado que a manutenção não planeada poderá revelar-se consideravelmente mais dispendiosa. Deverá assim existir manutenção preventiva periódica e eventuais reparações pontuais. Será necessária a manutenção de carácter regulamentar, como a dos ascensores, instalações de gás, instalações de detecção e combate a incêndio e na rede de electricidade. Deverá ser efectuada uma correcta compatibilização dos projectos de especialidades e uma adequada escolha dos materiais a utilizar, tendo em vista uma maior durabilidade do edifício, das infra-estruturas e dos seus equipamentos. 11 CONCURSO PÚBLICO DE CONCEPÇÃO PARA ELABORAÇÃO DO PROJECTO DO NOVO EDIFÍCIO PEDAGÓGICO DA ESCOLA SUPERIOR DE ENFERMAGEM DE LISBOA ENQUADRAMENTO DA PROPOSTA NA LEGISLAÇÃO EM VIGOR Na concepção do edifício foi atendido o enquadramento no regulamento do PDM de Lisboa e no respectivo regulamento municipal, particularmente no que se refere ao estacionamento. Para além do enquadramento do edifício nestes regulamentos, foi ainda considerada a seguinte legislação: • DR9/2009 de 29 de Maio, no que se refere às definições urbanísticas; • DL163/2006 de 8 de Agosto, no que se refere às acessibilidades; • RGEU – Regulamento Geral das Edificações Urbanas; • DL220/2008 de 12 de Novembro e Portaria nº1532/2008 de 29 de Dezembro, referente à Segurança Contra Risco de Incêndio em Edifícios; Foram ainda considerados aspectos referentes à legislação em vigor, quanto à Estabilidade do edifício, às características do Comportamento Térmico, à Qualidade do Ar Interior, às Instalações Eléctricas, de Voz e de Dados, às Instalações de Gás, incluindo Gás Medicinal, às Instalações de AVAC, às Instalações Electro-Mecânicas, às Redes de Abastecimento de Água e de Drenagem de Águas Residuais e Pluviais e ao tratamento de Resíduos. No desenvolvimento da concepção será atendida a legislação em vigor e as boas normas de construção. Os materiais a utilizar terão marcação CE, sempre que aplicável. 12 CONCURSO PÚBLICO DE CONCEPÇÃO PARA ELABORAÇÃO DO PROJECTO DO NOVO EDIFÍCIO PEDAGÓGICO DA ESCOLA SUPERIOR DE ENFERMAGEM DE LISBOA NOTAS FINAIS A serenidade da paisagem e do lugar é mantida e preservada como elemento singular. Uma imagem de contemporaneidade marca o edifício que é inserido numa paisagem natural e eterna. A densidade espacial acentua a leveza da paisagem que o envolve e em cada espaço uma abertura para o exterior, para o verde e para a sua contemplação. A luz natural, filtrada e orientada de forma precisa, potencia uma vivência serena e concentrada dos espaços. Espaço de ensino onde a arquitectura desperta a intensidade do sentir e do lugar. Lisboa, 29 de Agosto de 2014 13 CONCURSO PÚBLICO DE CONCEPÇÃO PARA ELABORAÇÃO DO PROJECTO DO NOVO EDIFÍCIO PEDAGÓGICO DA ESCOLA SUPERIOR DE ENFERMAGEM DE LISBOA IMAGENS DA PROPOSTA 14