11 Trimestre· 79
UMA REVISTA PARA OS ADULTOS
E;~1 CRISTO
I
EXPEDIENTE
IGREJA LUTERANA
Revista Teológica-Pastoral
da Igreja Evangélica Luterana do Brasil
"Uma revista para os adultos em Cristo"
Ano: 39
Número: 2.° trimestre
de 1979
Assnatura anual:
Cr$ 100,00 para 1979
No exterior use 9,50
Número avulso: Cr$ 30,00
REDAÇAO CENTRAL:
Re\!. Leopoldo Heimann, Dimtor
Caixa Postal 202, 93.000 São Leopoldo, RS e
Caixa Postal 3019, 90.000 Porto Alegre, RS,
Fones 92-18-22 e 92-18-23, a quem devem ser
remetidos os manuscritos, cartas, críticas e
sugestões.
CONSELHO REDATORIAL
Johannes Rottmann
Donaldo Schüler
Acir Raymann
Paulo Weirich
Leopo!do I-Ieimann
QUADRO DE COLABORADORES
Rudi Zimmer
Gerhard Gresal
Vilaon Schoiz
D2r!ei Günther
EXPEDiÇÃO E ENCOMENDAS:
Concórdia S.A.
Av. São Pedra 633/639
Cx. Postal 6150
90.000 Porto Alegre, RS
EDITORIAL
A IGREJA É UM
ORGANISMO DINÂMICO
o corpo humano é um organismo
maravilhoso.
Apesar de sua complexidade, há uma coordenação perfeita
neste mecanismo
de cabeça, membros, razão e sentidos.
Certo cientista, perplexo diante dos
mistérios do homem, afirmou: "Estou
certo de que nenhuma inteligência
humana poderia projetar um ser tão
grandioso como é o homem. O funcionamento desta máquina humana é
fabuloso demais. Só mesmo um Deus
sábio e poderoso é que podia idealizar e criar uma criatura tão fantástica."
APRESENTANDO
A Igreja Luterana está programada para
quatro edições anuais. A edição do primeiro
trimestre já está com os leitores, enquanto
que as outras três deverão surgir conforme
previstas no programa editorial.
Neste ano do 75.0 aniversário da Igreja
Evangélica Luterana do Brasil (IELB), a
Igreja Luterana terá como Destaques matéria relacionada com o Credo Apostólico.
Cada edição trará alguns estudos históricos
e doutrinários sobre esta importante confissão da igreja cristã.
Também os 450 anos do Catecismo Menor e Catecismo Maior de Lutera merecem
análise e reflexão. Nos estudos homi/éticos
os pastores e líderes congregaciona is rece·
bem subsídios para as suas mensagens. Em
Notícias Comentadas o leitor encontra informações sobre o que está acontecendo no
mundo e na igreja. Em "Você já leu?" são
apresentados livros que a igreja recomenda.
Toda a matéria desta edição, em suma,
quer levar o povo de Deus a viver mais intensamente as palavras que formam o lema
da IELB, neste ano de seu 75.0 aniversário:
Cresçamos em tudo naquele que é a
cabeça, Cristo.
L.
1
Os cristãos sabem que Deus é seu
Criador e, com Lutero, confessam esta verdade:
"Creio
que Deus me
criou a mim e a todas as criaturas e
me deu corpo e alma, olhos, ouvidos
e todos os membros, razão e todos os
sentidos."
E o salmista agradece a Deus, exclamando: "Graças te dou, visto que
por modo assombrosamente
maravilhoso me formaste."
*
Pois Paulo compara a igreja cristã a um corpo humano, do qual Cristo é a cabeça e os cristãos são os
membros. Com o emprego desta figura, o apóstolo quer facilitar a compreensão das verdades que pretende
transmitir aos fiéis sobre a existência,
funcionamento,
coordenação e objetivos
deste organismo vivo, que é a
igreja de Cristo.
1
Não, o homem não é nenhum fruto do acaso. É uma criação de Deus.
Não, a igreja cristã também não é
nenhuma invenção humana. Ela existe e subsiste porque a sua existência
vem de Deus. Na figura do santuário,
Cristo é apresentado como o fundamento da igreja cristã e os cristãos
como as pedras vivas. Na figura do
corpo, Cristo é apresentado como a
cabeça da igreja cristã, e os cristãos
como os membros vivos.
diabo, não com ouro ou prata, mas
com seu santo e precioso sangue e
com seu inocente
padecimento
e
morte, para que eu lhe pertença e
viva submisso a ele em seu reino e
o sirva em eterna justiça, inocência
e bem-aventurança,
assim como ele
ressurgiu dos mortos, vive e reina
para sempre. Fiel é esta palavra.
Logo, todas as igrejas, por mais
cristãs que possam parecer, se não
tiverem Cristo por fundameflto,
cabeça e Sen!lor, são mentiras, arapucas
e taperas de deuses e homens mortos. A nossa confissão é clara e permanece:
Não, nenhum pecador pode, por
livre e espontânea
iniciativa,
integrar a igreja cristã. Sendo espiritualmente cego, morto e inimigo
de
Deus, o homem não tem vontade
nem condição para converter-se a si
mesmo ou criar a fé em Cristo.
- Creio que o Espírito Saqto chama, congrega, ilumina e santifica toda a igreja cristã na terra, e em Jeus Cristo a conserva na fé verdadeira!
*
Não, nem todo, os homens são
membro,
de,te corpo de Cristo. A
igreja cristã - esta comunhão dos
santos, esta família de Deus - apenas é con,tituída
por aquele; pecadore; que foram c~lamados e iluminado'), regenerados e convertidos, transformados e lantificado,
pela ação do
Espírito Santo. São todos aqueles
que, em qualquer parte do mundo,
labem confes:ar
sua fé no Salvador:
- Creio que Jesus Cristo, verdadeiro Deus, gerado do Pai desde a
eternidade, e também verdadeiro homem, nascido da virgem Maria, é
meu Senhor, que me remiu a mim,
homem perdido
e condenado,
me
resgatou e me salvou de todos os
pecados, da morte e do poder do
2
*
A conversão é uma obra exclusiva do Espírito de Deus. E esta nOva vida espiritual em Cristo somente é realizada pelo Espírito Santo
através dos meios da graça - palavra
e sacramento. Esta verdade os cristãos reconhecem
e confessam
assim:
Creio que, por minha própria
rt:zão ou força, não posso crer em
Jesus Cristo, meu Senhor, nem vir
a ele, mas o Espírito Santo me chamou pelo evangelho, me iluminou com
seus dons, me santificou e me conservou na fé verdadeira;
assim como chama, congrega, ilumina e santifica toda a igreja cristã na terra, e
em Jesus Cristo a conserva na única fé verdadeira, perdoando, na mesma igreja, abundante e diariamente
todos os pecados, a mim e a todos
os crentes, e no dia derradeiro me
ressuscitará
a mim e a todos os
mortos e me dará, com todos os
crentes em Cristo, a vida eterna. Fiel
é esta palavra.
*
Ora, a igreja cristã, que tem Cristo como fundamento,
cabeça e Senhor, e os cristãos como pedras vivas, membros ativos e servos consagrados, existe aqui onde "se prega o evangelho puro e se administram os santos sacramentos de acordo com o evangelho".
Mesmo não sendo do mundo, a
a igreja cristã está neste mundo. E é
neste mundo que a igreja cristã precisa desenvolver a sua dinâmica missionária, buscando estes grandes ob·
jetivos:
adoração,
ensino,
serviço,
comunhão e testemunho.
Está certo aquele teólogo que disse: "A igreja que não tiver Cristo por
fundamento, cabeça e Senhor, e não
estiver adorando, ensinando, servindo, comungando
e testemunhando,
não pode ser chamada de igreja de
Jesus Cristo." Também está correta
a afirmação
de um outro teólogo
que assim definiu a igreja cristã: "A
igreja cristã é o povo de Deus. É o
povo que Deus chamou do mundo,
colocou no mundo, enviou ao mundo com a mensagem que pode salvar
o mundo."
As festividades em torno do 75.0
aniversário da Igreja Evangélica Luterana do Brasil querem levar o povo
de Deus a examinar as Sagradas Escrituras com maior seriedade,
expressar sua gratidão
a Deus com
maior alegria, servir ao semelhante
com maior amor, testemunhar sua fé
com maior convicção,
viver
com
maior btensidade
e consagração as
palavras do lema:
-
Cre.sçamos em tudo naquele que
é a cab~ça, Cristo.
L.
3
DESTAQUE
o
CREDO APOSTóLICO: FIEL TESTEMUNHO
DA VERDADE
Paulo
A Igreja Luterana sempre atribuiu
alto valor ao Credo Apostólico.
Isso
é especialmente verdadeiro em relação ao Sínodo de Missuri, cujos ministros, por ocasião da ordenação,
aceitam este juntamente com os outros dois credos ecumênicos "como
fiel testemunho da verdade escriturística".
O presente estudo, baseado em
grande parte nas conclusões de J.
Kelly em sua obra clássica Early
Christian
Creeds, pretende fornecer
uma visão geral sobre a origem e a
difusão inicial deste documento de
confissão de fé.
Desenvolvimento
Histórico
Até fins da Idade Média aceitou-se
pacificamente
que os doze apóstolos
elaboraram e autorizaram o primeiro
sumário da fé. O próprio título Credo Apostólico - que é ercontrado
pela primeira vez numa carla datada
do IV século, evidencia a a:1tude generalizada.
Uma boa ilustração da imagem que
se tinha acerca da origem dos credos é fornecida por RufinJ, por volta do ano 404. Ele relata que os
apóstolos, após o Pentecoste, foram
instruídos pelo Senhor a proclamarem
a palavra de Deus às di\iersas nações
do mundo:
4
Wil/e Buss
Quando eles, portanto, estavam
para se despedirem uns dos outros, eles primeiramente
estabeleceram uma norma comum para sua pregação futura, a fim de
que não se encontrassem,
distanciados como haveriam de estar, transmitindo
doutrinas diferentes às pessoas que convidassem para crer em Cristo. Dessa
forma eles se reuniram num lugar e, estando cheios do Espírito Santo, compilaram esse breve
sinal, como disse, de sua futura
pregação, cada um fazendo a
contribuição que julgava adequada; e. eles decretaram que ele
fosse difundido como ensino padrão para crentes. (ln: J. N. D.
Kel/y.
Early Christian
Creeds.
New York, David McKay Company, Inc., 1961. Pp. 1-2).
Não é possível determinar
desde
quando essa história assume a forma
aqui apresentada. Mais tarde, porém,
a afirmação de Rufino, no sentido de
que cada apóstolo fez sua contribuição pessoal para a fórmula, é elaborada com detalhe pitoresco, dividindo-se o credo em doze artigos e atribuindo cada um deles a um determinado apóstolo. Assim formulada,
a
lenda obteve aceitação quase universal na Idade Média.
o primeiro questionamento séria
dessa história ocorreu no Concíl io de
Florença (1438-45)
quando um representante da igreja grega declarou
que eles não possuíam e nunca tnham visto esse "credo dos apóstolos".
Depois disso houve seguidas críticas em relação à alegada origem
apostólica do credo.
Desde a Reforma a teoria de que
os apóstolos teriam elaborado um sumário oficial de fé foi rejeitada e considerada
lendária
por praticamente
todos os estudiosos. Os conservadores, porém, apontaram para o fato de
que a fórmula conhecida como o Credo Apostól ico reproduz autenticamente a doutrina apostólica.
No século passado a crítica foi levada muito mais longe ainda a ponte
de se questionar se afinal algum credo, algum corpo organizado de doutrina, poderia ter existido no período
do Novo Testamento.
Sem entrar no mérito da questão.
pode-se considerar como comprovado pelas pesquisas que, se por um ladado não há no Novo Testamento U0credo, confissão ou fórmula no sentido próprio do termo - com exceção
de expressões breves como Senhor
Jesus, 1Co 12.3; Rm 10.9 -, h3
contudo, um corpo de doutrina, UT;
padrão de ensino, definido e reconhecido por todos como pertencente à
igreja toda.
Havia na igreja apostólica diversas
situações que conduziam à produção
de confissões de fé semi-formais. Essas situações, que ocasionavam a e:,<pressão dos artigos principais da fé
de acordo com as necessidades do
momento, eram o batismo, o culto ..
a pregação, a instrução catequética,
2
polêmicas anti-heréticas
e o exorcismo.
e antipagãs,
O surgimento de um credo declaratório, no sentido técnico do termo,
é, geralmente, associado ao rito batisma!. Essa posição, porém, não é
inteiramente aceita por Kelly. Segundo 83te autor, dUíante os primeiro.:>
~éculos, o único ctedo - se credo é
a designação correta no ca:;o - diretamente relacionado com o batismo
era o assentimento do batizando às
perguntas do ministro
referente às
cuas crenças (Kelly, p. 50).
A.ntes do que na cerimônia batisma! propriamente
dita, Kelly prefere
,'sr a migem dessas breve:; declaraCÓS3 de fé colocadas
na primeira pessoa na instrução catequética que prec8c1'ô o batismo.
Foi com o objetivo
eie instrLir os convertidos
que foram
e!ôbo'ado:;
o:; credos declaratórios,
qL6 se constituíam em concisos su:-:,3; 'os da doutrina cristã. Não se de\8. po,'ém, esquecer que essa instruc::,o ca,equética tínha por alvo o ba,~mo, mantendo-se, assim, a íntima
conexão
dos credos
declaratórios
com o batismo.
De é1co,'do com I(elly, é após a me,êúe do terceiro século que os credos
C:sciai'a,órios são colocados em primeiro plano e o seu vocabulário tende a se estabilizar
(Kelly, p. 62).
J:..lé lá admite-se
a existência de um
"Ltsma
de dogma, ou regra de fé,
universalmente
aceito na igreja, mas
iião há credos declaratórios,
esteriotipados na forma e oficialmente
sancionados por autoridades
eclesiásticas locais. É importante lembrar aqui
que os credos são parte da liturgia
e, naturalmente, acompanham a evOlução desta.
O terceiro século foi uma época
crítica na história da igreja. Um dos
5
muitos problemas foi a entrada na
igreja de grandes contingentes
de
convertidos
do paganismo. Para impedir a penetração de heresias, era
necessário reorganizar e elaborar o
sistema catequético. Nesse processo,
deu-se grande importância, entre outros elementos, ao credo declarató,'ia que começou a adquirir um caráter sagrado. Deve ser salientado que,
nesse período, cada igreja local pos-cuía seu próprio credo, que podia
opresentar marcantes diferenças em
;'e!ação a03 das igrejas vizinhas. Essa situação persistiu ainda séculos
depois que o Concílio
de Nicéia
(325) inaugurara uma linha de credos conciliares
que reivindicavam
mais do que mero reconhecimento
local.
Um do:; primeiros credos locais a
tomar forma e ser canonizado dessa
maneira foi o da igreja romana. É
grande a importância desse credo romano (R) uma vez que ele se tornou
o ancestral direto de todos os demais credos locais do ocidente, além
de exercer marcada influência sobre
credos orientais.
O próprio
Credo
Apostólico
nada mais é do que um
entre os muitos credos derivados do
credo romano. Na verdade, ele se
con3titui no antigo credo romano enriquecido com material que se havia
tornado popu lar nas províncias.
Esse credo, assim surgido e tradicionalmente identificado
pela letra T
(textus receptus),
é citado em vários
manuscritos
dos séculos VII e VIII,
com algumas diferenças e variações.
É, porém, num tratado de São Primínio - fundador e primeiro abade do
mosteiro de Reichenau, perto do Lago de Constança - que aparece pela
primeira vez um texto idêntico a T.
São Primínio era um notável missio-
6
nário beneditino, que apareceu naquela região por volta de 724.
Cabe, diante disso, investigar o local em que T surgiu. A hipótese de
que esse lugar teria sido Roma já
não pode ser mantida em vista das
evidências contrárias.
Sendo assim, deve-se procurar o
ponto de origem e difusão desse credo em um dos centros provinciais.
Um método útil, nesse sentido, é examinar os diferentes tipos de credos
locais, na medida em que podem ser
determinados, e compará-I os ao "credo apostólico''''
T. Pois é bastante
plausível a hipótese de que ele tenha
surgido na região onde formulários
muito assemelhados a ele estivessem
em uso.
Seguindo
essa orientação,
Kelly
aponta para o fato de que é no sul da
Gália que, a partir do quinto século,
começam a aparecer credos praticamente idênticos a T (Kelly, pp. 413
ss.). E, a partir disso, ele considera
altamente provável que seu local de
origem tenha sido a região antigamente conhecida
como Septimania,
situada no sudoeste da França entre
os Pireneus e o Ródano, e que do
quinto ao oitavo séculos esteve sob
o domínio da Espanha visigótica.
É
ali que, no sétimo século, o Credo
Apostólico teria assumido sua forma
atual.
Quais foram, porém, os meios de
propagação deste credo? Ou então:
que fatores decidiram
sua escolha
como o único credo batismal da igreja ocidental?
Na verdade não é possível responder estas questões com detalhes preciosos.
Pode-se, contudo,
procurar
reconstruir
o quadro em traços gerais.
Um dos fatos a serem apontados
é a situação extremamente favorável
reinante no império franco no final
do oitavo e início do nono século para a seleção de um único texto do
credo batisma I. Os governantes francos da época, e especialmente Carlos
Magno, deram alta importância à uniformidade litúrgica em seu programa
de restauração cultural.
Ao mesmo
tempo, em vista da deplorável situação cultural, moral e religiosa existente em seus domínios, eles enfatizaram a aprendizagem do Credo e do
Pai Nosso como meio de impor um
mínimo de conhecimento.
importância foi mantida e mesmo aumentada. Não faz parte da liturgia da
igreja oriental mas, mesmo ali, já não
existe mais a antiga suspeição em
relação a ele. No século XX seu prestigio tem aumentado ainda mais graças ao destaque que lhe foi dado em
diversos encontros ecumênicos.
Assim, por exemplo,
na Conferência
Mundial sobre Fé e Ordem, reunida
em Lausanne em 1927, eclesiásticos
orientais e ocidentais o recitaram em
uníssono na sessão de abertura e se
uniram em aclamá-Io como uma expressão adequada da mensagem cris-
Essas circunstâncias,
sem dúvida,
tendiam ao estabelecimento
de um
único texto oficial do credo, eliminando a multiplicidade
de textos até
então existentes. O texto que já havia alcançado grande difusão e popularidade era o do Credo Apostólico
na sua forma atual (T). Por isso, não
surpreende que a escolha recaísse sobre ele.
É evidente
que o credo não faz
parte do cânone da Escritura.
A
constatação desse fato não lhe tira,
porém, sua autoridade na medida em
que ele é uma exposição e um sumário da verdade escriturística
e não
um padrão doutrinário
paralelo e independente.
Sua autoridade,
assim,
não é negada mas estabelecida sobre
seu fundamento autêntico.
De qualquer forma, argumenta KelIy (p. 425), foi no início do nono século que o Credo Apostólico
(T) começou a desfrutar o monopólio
na
Europa ocidental.
Sua inclusão nos
saltérios, no tempo de Carlos Magno,
ajuda a explicar a rápida difusão que
teve naquele século. Não é possível
determinar com precisão a data em
que ele foi adotado em Roma. De
qualquer forma, a partir do século
XII, T é o texto oficial do credo também em Roma.
Da mesma forma, o fato de ele ter
surgido
num determinado
contexto
histórico,
respondendo
necessidades
históricas,
como foi exposto,
não
anula sua pertinência em relação aO
cristianismo
atual. Essa é também a
opinião expressa por Alasdair Heron.
Suas palavras merecem uma reflexão:
Importânci.a
do Credo
O Credo Apostólico
é o formulário profissional
mais importante
da
cristandade após o Credo Constantinopol itano (N iceno). Na Reforma, sua
tã.
Apesar do passar do tempo, das
novas e importantes
questões
surgidas
e das mudanças em
nossos horizontes e modos de
comunicação,
a fé cristã não é
hoje diferente daquela da igreja
antiga. As principais
questões
que essa fé foi obrigada a esclarecer permanecem ainda hoje, e suas formulações cfássicas
constituem semáforos que é pe-
7
rigoso
ignorar.
Devemos,
evidentemente, fazer mais do que
simplesmente
repeti-Ias;
mas
não ousamos fazer menos, seja
em nosso culto seja em nossa
catequese.
Nessa base não será o Credo
Apostólico
nem considerado
o
compêndio final, exaustivo e definitivo
da fé, nem descartado
como uma expressão simplesmente antiquada da mesma. Será, ao contrário,
considerado
"histórico"
no duplo sentido de
ter sido forjado em circunstân-
8
das
particulares num determinado estágio da história da igreja
e de ter um papel permanente, a
desempenhar nessa história, hoje
e para o futuro. (Alasdair Heron. Condicionamento
histórico
do Credo Apostólico. Concilium,
(8): 31-32, 1978).
Sendo assim, cabe, sempre de novo, uma redescoberta do pleno alcance e profundidade
da fé que esse
credo formula e que, muitas vezes,
podem correr o risco de permanecer
ocultos sob uma mera repetição rotine Ira.
o
CRISTÃO ZELA PELA CRIAÇÃO DE DEUS
Gerhard
"No princípio criou Deus os céus
e a terra." Eis o magnífico tema com
o qual a Bíblia inicia. Toda criação
está vinculada com o Criador. O universo todo é criado conforme o piano e objetivo de Deus. AÜás desta
maravilhosa obra criadora está o Todo-Poderoso Deus Criador, que tem
poder para criar tudo do nada.
As Escrituras não pretendem dar
uma resposla satis[atória ao intelecto e curiosidade do homem ao "como" da criação. A mensagem da Bíblia é salvífica, não científica em si.
Portanto, o objetivo do relato bíblico
ela criação não está aí para ser analisado dentro de categorias geológicas ou arqueológicas, mas para ser a
mensagem de Deus sobre suas intenções primeiras.
Indubitavelmente.
vivemos
num
universo fantástico. O relato do Gênesis diz que "tudo era bom". Aliás,
nada do que Deus cria é mau em si.
Ao contrário
do que afirmam
religiões pagãs, o cristianismo
afirma
que o onipotente Deus não se envergonha de ter sido o Criador da matéria, do mundo, do universo. Antes
do pecado. tudo era bom (Gn 1.4;
1.10;
1.12;
1.18;
1.21;
1.25;
1.
31.).
A concepção expressa em Gênesis
1.31 não é aceita por todos os homens. Budistas, maometanos, espíritas encaram a criação com outros
olhos. Documentos das escolas filosóficas greco-romanas
falam de um
dualismo
que considera
o espírito
Grasel
bom e a matéria má. O gnosticismo,
estoicismo e atitudes de asceticismo
e fuga do mundo são demonstrações
dessa concepção negativa da criação,
da matéria.
E, até mesmo entre cristãos, tem
havido uma má compreensão de tudo aquilo que por Deus foi criado.
Exemplificando.
podemos citar a ênfase monástica do período que antecedeu a Reforma, quando o próprio
Lutem se "separou do mundo" para
vivenciar uma paz que não encontrava no mundo.
Mas, ainda hoje, podemos encontrar tendências em grupos religiosos
que afirmam categoricamente
que o
mundo é mau em si e por si. Não enxergam nada de bom nesse mundo
materia I. Em sua tendência pietista
identificam
o mal com coisas e não
com o abuso das coisas existentes.
A criação é boa. No entanto, todas
as coisas boas devem estar sob a
orientação divina e devem ser usadas para o fim planejado pelo Criador. Quando isso não acontece, a
bênção se torna uma maldição, e o
bem se torna mal.
A boa terra (criação) de Deus foi
entregue ao homem como um presente (Gn 1.29-30;
2.9; 2.18).
Deus
criou seu maravilhoso mundo conforme as necessidades
de seus filhos
(criatura
humanas) e, quando tudo
estava pronto, colocou o homem como herdeiro dessa obra.
Nem o mundo nem o homem ficaram separados de um cuidado e pre-
9
ocupação de Deus. O Criador continuou e continua interessado naquilo
que criou. Ele olha sobre sua criação,
a guarda, protege, preserva, ama e a
sustém. Portanto, o homem não precisa olhar para si como um filho acidental e isolado, procurando sozinho
seu rumo nessa terra. Deus caminha
com ele! Quando, portanto, ansiedades, preocupações e problemas perplexos ameaçam engulir o homem,
Deus quer ser o socorro "bem presente nas tribulações"
humanas. O
bem estar do universo, mesmo após
o pecado, não está preso a uma lei
do destino ou ao acaso. Deus, que
criou a terra, a governa. (Is 43.3-3;
S1 23; S1 46.1-3; S1 91.11-13;
S1
121; 1 Pe 5.7).
Deus deixa bem claro que ELE é
o proprietário de tudo que foi criado.
Nós, mortais administradores
desta
terra, mas conforme
os pronunciamentos de Deus, nenhum mortal pode dizer de algo recebido - "isso é
meu"!. A terra e tudo que nela há,
pertencem a Deus, Ele é o CRIADOR
e o PROPRIETÁRIO.
O próprio homem não é dono de si
mesmo. O homem pertence a Deus
(S1 24.1;
S1 87.11).
Somos propriedade de Deus.
Como criatura pertencente a Deus,
o homem não tem a liberdade de fazer com sua vida e das demais vidas
sobre a terra o que lhe agrada. Como
ser finito, como criatura, é chamado
à responsabilidade,
isto é, é colocado diante da necessidade de dar respostas, de prestar contas ao Criador.
Portanto, não tem uma liberdade sem
limites (Gn 2.16-17).
Com a queda
em pecado, Deus teve que dizer com
mais detalhes os limites dessa sua liberdade (Ex 20.1-17).
10
Toda mensagem de Deus ao homem, expressa nas Escrituras, deixa
bem claro que a vida nesSa terra só
pode ser com ordem e sentido na
medida em que houver um claro entendimento que Deus é soberano e o
homem está submisso ao criador.
Os homens têm tentado viver fora
e além dos limites de liberdade por
Deus estabelecidos, mas o inevitável
é que tal comportamento
leva fatalmente à escravidão.
Deus criou o homem à sua imagem (Gn 1.26-27; 5.1; 9.6).
O ser
humano é a criatura que pode apreciar tudo que foi criado. Gênesis 1
culmina com a maravilhosa verdade
de que a obra da criação culminou
com a criatura moldada na imagem
de seu autor.
Efetivamente, o homem foi criado
com uma capacidade emocional
de
amar e ser amado; com uma capacidade racional de dominar o que estava ao seu redor; com uma capacidade moral de responder a seu Criador; com uma mente, memória e vontade. As capacidades da criatura humana eram especiais. O homem é a
coroa da criação de Deus. Deu ao homem a capacidade de participar do
processo de criação, pois a criação
não é um mero fato estático.
A importância do homem tornou-se
de certa forma mais clara quando,
tendo desobedecido,
Deus lhe fala
de seu amor salvador no Descendente
que haveria de vir. Enfim, o homem
é a criatura sobre a qual Deus concentra sua atenção e preocupação. É
ele o trabalhador que ele chama para
repartir tarefas da continuação
do
processo criativo.
Conforme
Gn 1.28 o homem é
chamado a encher a terra e a par-
ticipar do poder de criar. De igual
modo é chamado a sujeitar ou subjugar a terra para que ela o sirva.
Deus o convida a pesquisar, a examinar, descobrir e utilizar tudo o que
a terra possui de riqueza. Eis porque
a sadia pesquisa científica é aprovada por Deus. Deus quer que o homem exerça o domínio sobre a criação.
O Criador, ao entregar o presente
da criação à criatura, deu-lhe também a responsabilidade
de a cultivar
e guardar (Gn 2.15).
O homem, portanto, como administrador responsável dessa terra, deve
preocupar-se com o seu uso. A ele
cabe o cuidado com o uso do solo.
A exploração dos recursos da terra
deveria ser racional. Ao homem cabe a tarefa de proteger e preservar
aquilo que é precioso para que as gerações futuras possam também usufruir a beleza da criação.
O texto de Gn 1 .28 nos fornece
ainda outra tarefa dada ao homem
como cooperador de Deus, a saber, a
de ter domínio "sobre os peixes do
mar, sobre as aves dos céus, e sobre
todo animal que rasteja pela terra".
Enfim, todas as cousas são colocadas
debaixo de seus pés. As demais formas de vida são inferiores e lhe devem submissão. Ele é o "guarda" do
jardim designado por Deus. Ele deve
dominar tudo que descobre e conhece. Não deve ser dominado pela criação. Ele é cooperador de Deus na sua
contínua atividade criativa.
Uma correta compreensão da doutrina da criação liberta o homem do
materialismo
(possuir pedaços do todo não é o objetivo e finalidade
da
vida) e do sem sentido (a vida é
mais do que ter).
Com a queda em pecado, os objetivos de Deus foram mutilad03. Pervertido por sua desobediência, o coração do homem tem idéias e planos
alheios à vontade de Deus. Separado
de Deus e do plano do Criador, o
homem faz seus próprios planos com
a criação. Ora tem uma atitude panteísta, compreendendo a criação não
no sentido cristão, mas como uma
"extensão da essência de Deus". Elimina, destarte, a existência de um
Deus pessoal que cria, cuja criação
foi fora de si mesmo. A essa altura
podemos dizer que no panteísmo o
homem louva e adora a criação misturada com o Criador.
O outro lado é uma atitude irresponsável, depredatória
e egoísta do
homem moderno que, em seu desrespeito e ganância, está alterando o
equilíbrio
da natureza. O desiquilíbrio ecológico não é um problema de
estética na sua essência e nem tampouco um problema do futuro, mas é,
acima de tudo, uma ameaça à qualidade de vida e ... "uma ameaça superior a uma guerra nuclear em escala mundial".
Há quem afirme que o cristianismo ensinou que o homem tinha poder sobre a natureza e, como conseqüência disso, o homem a tem tratado de maneira
destrutiva.
Essa
acusação é simplista e ignora a essência da doutrina da criação. Aliás,
deturpações
sobre os ensinamentos
da Bíblia não faltam.
Francis A. Schaeffer, em seu livro
POLUiÇÃO
E A MORTE DO HOMEM uma perspectiva
cristã da
ecologia, cita Lynn VVhite, que diz:
"A atitude das pessoas para com a ecologia depende do que pensam de si
mesmas em relação a tudo que as rodeia. A ecologia humana está pro-
11
fundamente condicionada ao que cremos acerca de nossa natureza e destino, isto é, pela religião"
(pg. 13).
as homens "agem de acordo com o
que crêem".
São Francisco de Assis substituiu
a idéia do pOder ilimitado do homem
sobre a criação pela idéia de igualdade entre todas as c,iaturas, inclusive o homem. Segundo Whi:e, tanto
nossa ciência como tecnologia atual,
estão marca das pela arrogância
do
homem em relação à natureza. A visão de domínio do homem sobre a
natUi'eza implica
numa exploração
ilimitada?
Como vimos, Gn 1.28 confere domínio ao homem sobre o resto da
criação, mas não podemos ignorar
que, com a de30bediência do homem,
a original harmonia entre homem e
criação foi quebíada (Gn 3.17-19),
e esse domínio passou a ser o domínio exercido por um homem em desarmonia com seu Criador, em desarmonia consigo mesmo e com seu semelhante. Resumindo: a causa última do desastre ecológico é o pecado
do homem. a homem foi além dos
limites estabelecidos
por Deus (Gn
3). Agora, sua atitude de administrador da terra, seu ato de encher a terra, de povoá-Ia, de subjugá-Ia, cultivá-Ia e guardá-Ia e de dominá-Ia está profundamente
marcado pelo pecado.
a relacionamento
do homem com
"o céu" afetou seu relacionamento
com a terra. Em vez de ele, o administrador, apenas usar as coisas, as
coisas podem usar o homem, transformando-o,
destarte,
num escravo
da criação. a homem fora designado
para herdar a terra, e não para que
fosse por ela tragado, subjugado.
12
Simone \Neil, atual ministro do governo francês, tem uma colocação
muito interessante
sobre isso. Diz
ela: "Não pelo que alguém fala de
Deus eu reconheço se a sua alma andou pelo fogo do amor divino, mas
em como ela fala sobre coisas terrestres." Definitivamente,
a grande opção do homem em sua vida é ou adorar, amar a Deus ou a criação.
Como cristãos
não adoramos
a
criação, mas a respeitamos e amamos como obra magnífica do noSSO
Criador.
a homem, com a desarmonia provocada pelo pecado, experimenta essa ruptura também no seu relacionamento com a natureza. Em Gn 3.1719, destacamos a afirmativa: "maldita é a terra por tua causa: em fadigas
obterás dela o sustento durante os
dias de tua vida. Ela produzirá cardos
e abrolhos ... ". A terra é amaldiçoada por causa da desobediência
do
homem. Aqui nos defrontamos com a
causa última do porquê o homem não
sabe usar as coisas para o fim para
que foram criadas. Aqui está a explicação dos problemas da humanidade
em subjugar e dominar a terra corretamente. Mais do que nunca o administrador homem necessita da sabedoria do Criador para executar sua
tarefa neste mundo.
Com sua "sabedoria própria" é que
o homem tem levado este mundo à
crise ecológica que hoje nos assusta
e ameaça fatalmente. Com o pecado
o homem perdeu a capacidade
de
usar corretamente
as coisas criadas
para ele próprio. as presentes dados
aos homens tornam-se ameaças e armas na mão do homem. a que tinha
sido criado para ser uma bênção,
acabou sendo uma carga, peso e maldição. Em resumo, em vez de sub-
jugar a terra, ele a explora irracional
e egoísticamente.
Panteístas não vêem a natureza, o
mundo, a criação sob esse ângulo
como acima exposto. O que foi dito
é uma perspectiva cristã, não tão
aceita e proclamada
nesse mundo
ocidental com rótulo de "cristão",
O cristianismo
não só se relaciona com as coisas celestiais.
Nosso
crer, ser e viver tem algo a ver, e
muito, com a natureza. Ela, a natureza, nos interessa e nos deveria interessar muito mais do que hoje vemos entre cristãos. Afinal, somos filhos do Criador. Somos seus cooperadores neste mundo que nos foi entregue para ser administrado.
Nosso "ser cristão no mundo" não
se limita à salvação da alma e à glória do céu (fora daqui). Não queremos ver na natureza apena3 a prova
acadêmica
da existência
de Deus,
com pouco valor em si mesma. Devemos nos interessar pela natureza tal
como ela é. No entanto, convém lembrar que "0 valor das coisas não está
nelas próprias autonomamente,
mas
reside no fato de que Deus as fez, e,
portanto, são dignas de serem trata·
das com todo o respeito."
O cristão é um homem que tem
uma forte razão para tratar as coisas
criadas dentro de um elevado conceito. Não concordamos com o platonísmo que crê que o material é inferior.
Insultamos a Deus quando consideramos "baixo" o que ele criou.
A forma egoísta com que o homem
moderno está tratando a criação volta-se contra ele mesmo. Parece que a
natureza é vista sob um ângulo meramente pragmático,
como uma "coisa", não como o elemento material
digno de todo respeito e cuidado por
3
ter sido criado por Deus do mesmo
modo que o homem.
Temos que confessar que cristãos
também têm dado péssimo exemplo
nessa esfera da vida. Não temos atuado de acordo com o que sabemos
ou deveríamos saber como cristãos.
Na problemática
ecológica a participação dos cristãos é indi:pensável
como em qualquer esfera da vida hu-
mana.
A encarnação de Cristo no, ensina
que o corpo do homem e a natureza
devem ser valorizados. Ao encarnar,
o Deus da criação adotou o corpo
humano. A ressurreição
confirma
e
completa o quadro.
Quando Deus fez uma aliança COm
Noé, após o dilúvio (Gn 9.8-17), vemos que esse pacto foi com a humanidade. No versículo 13 a promes~a
de Deus abrange toda a criação, deixando claro que Deus está interessado na criação.
Mais do que nunca é tempo de
nós cristãos participarmos
desse interesse de Deus pela criação, e conscientizar os que nos rodeiam do porquê de nosso zelo pela natureza e pela criação. Temos uma grande responsabilidade
neste mundo ameaçado pelas conseqüências da depredação, exploração egoísta e imediatista,
e destruição irresponsável. NOSSa atitude responsável diante da criação
traduzir-se-á
numa proclamação
de
louvor e honra ao Criador de tudo e
de todos. A destruição e poluição insultam o Criador. O zelo, o respeito,
o
cuidado, engrandecem seu santo
nome. É tempo de nos manifestarmos como cristão:; neste mundo que
carece de orientação, conselho e sabedoria do céu.
13
os
ANJOS E SEU MINISTÉRIO
Vílson Scholz
I. Introdução
o presente ensaio sobre a doutrina dos anjos de modo algum pretende ser exaustivo. Há todo um testemunho bíblico e uma tradição teológica antecedentes que exigem delimitação. Delimitando, serão omitidas
considerações relacionadas à história
do dogma, pretendendo-se ficar dentro do âmbito restrito da Escritura
Sagrada, de modo específico o Novo
Testamento.
Uma abordagem destas não é isenta de riscos. Especialmente pela restrição do estudo ao Novo Testamento. O Novo Testamento, de certa maneira, retoma conceito do Antigo
Testamento. É o que os estudos angelológicos
da perspectiva bíblica
deixam claro ao iniciarem o tratamento do tema dentro do Novo Testamento. Mesmo assim, não há incoerência em relação ao Antigo Testamento, nem tampouco conflito com
doutrinas expressas no Antigo Testamento. Se o Novo retoma concepções
do Antigo, então os dois Testamentos
concordam entre si.
Uma vez que se pretende um enfoque essencialmente bíblico, serão
evitados propositadamente esquemas
e formulações constantes nas dogmáticas luteranas. Não haveria porque
repetir aquilo que já está magistralmente expresso e a que se tem acesso fácil. Mesmo assim, procurar-se-á
nada afirmar que as possa contradizer.
14
O estudo divide-se em três tópicos, mais introdução e conclusão:
Alguns aspectos ligados à angelologia (perspectiva sistemática): 1.
angelologia; 2. anjos nas confissões;
3. anjos na Bíblia; 4. desvios e limites da angelologia; 5. o caráter secundário e dependente da angelolagia.
Anjos no Novo Testamento: 1. nome e conceito; 2. "angelos" no Novo
Testamento; 3. anjos e Jesus Cristo:
exame dos sinóticos; 4. anjos em
Atos dos Apóstolos; 5. epístolas pauIinas: anjos no tempo da igreja; 6.
Hebreus; 7. anjos no Apocalipse.
Anjos maus: 1. referências no Novo Testamento; 2. principados e potestades.
11. Alguns
aspectos
gelologia
(perspe.ctiva
ligados à ansistemática).
1. Angelologia. A doutrina dos anjos certamente não é a questão teológica mais discutida de hoje. O espírito científico, o materialismo e a
falta de experiência existenciais com
o mundo dos anjos desvalorizaram
um tal estudo no mundo moderno. A
princípio nada menos estusiasmante
e desprovido de sentido prático que
a angelologia. Parece que este estudo teve seu ocaso juntamente com a
Idade Média.
Não obstante, apareceram recentemente algumas obras sobre o assunto. Em 1975 o pregador Billy Graham escreve Angels: God's Secret
Agents, já traduzida para o português.
Em 1978 surge outro Iivreto da autoria de C. Leslie Miller, Tudo sobre
anjos.
Ao que tudo indica, o interesse
para esse campo tem sido despertado pela grande ênfase dada em nosso tempo ao satanismo e à demonologia, o lado negativo do mundo dos
espíritos. Billy Graham deixa claro
que esta é uma de suas motivações
para escrever a obra acima referida:
contrabalançar, apresentar o outro lado do mundo dos espíritos. Efetivamente, até mesmo um exame superficial revelará que a atividade de Satanás e seus anjos é muito mais percebida e reconhecida atualmente que a
ação dos anjos de Deus. Por isso, a
princípio é válido apresentar o outro
lado, eliminar a unilateralidade.Se
este todavia é o caminho, ou se a
Escritura indica um outro, é uma
questão que por enquanto fica em
aberto.
2. Anjos nas confissões
de fé. Os
credos ecumênicos não incluem nenhuma cláusula referente a anjos. As
Confissões Luteranas não se pronunciam em particular sobre anjos, não
dedicam nenhum artigo especial ao
assunto. Não era objeto de controvérsia na época. Uma análise por alto
revela duas referências: Artigo XXI
da Apologia da Confissão de Augsburgo e Artigo 11 da segunda parte
dos Artigos de Esmalcalde. Convém
notar que nestes artigos o assunto
em questão é a invocação dos santos. Afirma-se que os anjos no céu
intercedem pelos homens, sem que
isto implique uma invocação dos
mesmos, bem como dos santos. Portanto, a referência a anjos é incidental.
3. Anjos na Bíblia. O que ficou
estabelecido até aqui pode parecer
pretensão de escamotear a questão,
encerrá-Ia antes mesmo de seu início.
Mas não é esta a intenção. Há um
motivo que se impõe soberano e que
exige o estudo: A Bíblia nos apresenta anjos. Os anjos pertencem à fé
cristã. Não são elementos estranhos
ao testemunho escriturístico. Não temos liberdade de reinterpretar, negar
ou substituir sua realidade por outra
coisa. A igreja, no dizer de Karl
Barth, pode perfeitamente subsistir
sem esta dimensão da fé, embora
não sem dano e não sem a compreensão de que algo esteja faltando
(Church Dogmatics,
111,3, 380).
A angelologia nos interessa apenas
neste sentido. Não estamos preocupados com anjos de modo geral,
uma vez que não é só a Bíblia que
fala de anjos. Quase todas as religiões apresentam tais seres intermediários. Nossa preocupação, entretanto, volta-se única e exclusivamente
aos anjos descritos e apresentados na
Escritura.
Ao contrário do que possa parecer,
a Escritura destaca muito mais os anjos de Deus que os de Satanás, o que
não deveria surpreender. Diante disso, o estudo dos anjos maus necessariamente terá de ser breve.
4. Desvios
e limites
da angel%-
gia. f\!o transcurso da história do
dogma aconteceram muitos desvios
na angelologia. Isso é verdade de
modo especial na era da patrística e
durante a escolástica. Houve teólogos qv~ trataram textos escriturísticos com ingenuidade; aplicaram-se
indiscriminadamente idéias filosóficas; esqueceu-se o relacionamento da
doutrina dos anjos a tópicos mais
15
pertinentes.
(SEEMANN,
Sa!utis 11/4, p. 10).
Mysterium
Sempre há o risco de querer saber
demais, fugir a uma importante confissão - nescio, "não sei". A teologia não deve debandar para os domínios da filosofia. Não se pode confundir angelolagia
com filosofia
de
anjos. Em vista disso, questões relacionadas à natureza, número e hierarquia de anjo,> devem ser abordadas com muita reserva, guardando as
devidas
proporções.
A ange'ologia
não pode desviar o interesse de Deus
e Cristo, colocando um aspecto de
segunda ordem em primeiro
plano.
Por isso convém algumas considerações prévias sobre a posição da an981010gia dentro do todo da teologia.
5. O caráter secundário e dependente da angelo/agia. Os anjos não
deveriam ser objeto de uma discussão independente, à margem de doutrinas mais relevantes. Como o próprio nome anjo já indica, ou seja, anjo é igual a mensageiro, eles existem
e são importantes na medida em que
transmitem mensagens. Neste sentido
estão relacionados a Deus, à pessoa
e obra de Cristo, ou então ao homem.
São servo:; de Deus e do homem. São
essencialmente
figuras de moldura.
Aparecem na medida em que estão a
3Ef!·'-:ÇO.
(Nota:
Claus We:;termann
faz uma colocação relacionada a isto
que não deixa de zer signi ficativa:
o:; anjos da Bíblia não fazem história.
Sua palavra e ação limitam-se a instantes. Nunca são protagonista3
de
uma série temporal de eventos. Neste ponto o relato bíblico difere dos
mitos. Os mitos e sua:; figuras participam do proces:;o histórico-temporal. Os anjo' tocam o círculo de no:;sa existência
humana apenas num
ponto) .
Na Bíblia não há angelologia indepeildente, nenhuma definição absoluta de anjos. Não Tossem Deus, o homem, e a aliança entre eles - não
teríamos angelologia.
As referências
a anjos são incidentais e estão ligadas a verdades mais gerais. A ange1010g18não tem um sentido independente, absoluto, à parte do restante
da re,>'elação. Por isso os anjos são
estudados na sua relação com Deus
Pai, ou então com Cristo. Neste estudo optou-se pela segunda possibilidade.
Não se deve depreender do que
foi dito que não se pode ter um real
con118cimento dos anjos. A possibil idade da angelologia não fica excluída. Fica apenas estabelecido
que a
angeio!ogia não pode esquecer que
seu objeto são os anjos; obviamente
partilhará a condição destes, qual seja, .sisção e dependência. Uma angeiologia que ignore tal fato corre o
risco de enveredar pelo campo do in-
certo e do inútil.
!li. Anjos no Novo Testamento.
í. Nome e conceito. A palavra anjo traduz o vocábulo grego angelos
(doncis nos vem angelologia, estudo
ou doutrina dos anjos). Na linguagem cotidiana
entende-se por anjo
preponderantemente
um espírito não
terreno. Este significado
está ligado
a anjo desde os primórdios do cristianismo, mormente a Idade Média.
O Novo Testamento apresenta angelos no sentido de mensageiro. Muito antes que espírito ou outra noção,
anjo é mensageiro. É o mensageiro
de Deus, o representante do mundo
celeJtial. Sua manifestação representa urna irrupção do mundo de Deus
no nosso mundo.
n~lo descreve tanto a naturedeste ser quanto seu ofício. Agosenim officii
tinho escreve: angefus
nomen est, non naturae (Sermo VII,
3, apud MICHL, J. Anjo. In: BAUER,
Johannes B. Dicionário
de teologia
Anjo
Zl!I
bíblica. Vol. 1. São Paulo, Loyola,
1973, p. 68).
2. "Angelos" no Novo Testamento.
Um levantamento
das ocorrências de
livros do Norevela o seguinte qua-
angelos nos diferentes
1/0 Testamento
dro:
Sinóticos (Mt, Mc, Lc)
Escritos joaninos
Atos dos Apóstolos
Epístolas paulinas
Hebreus
Epístolas
católicas
(universais)
Apocalipse
52
4
21
14
12
6
67
Número total de citações .. 176
Destaca-se o grande número de
citações no Apocalipse, a quase ausência do termo nos textos joaninos
e o uso reduzido da parte de Paulo.
Ange/os,
segundo
ARNDT-GINGRICH, A Greek-English Lexicon of
the New Testament, p. 7, 8, pode designar mensageiro humano bem como, e especialmente, um mensageiro
sobrenatura I.
Como mensageiro
humano pode
partir de homens (Lc 9.52 - Jesus
envia mensageiros - angeloi - que
o antecedam na sua ida a Jerusalém;
Lc 7.24 - retiram-se os mensageiros - angeloi - enviados por João)
ou ser enviado por Deus {João Batista como mensageiro - ange/os de Deus: Mt 11.10; Me 1.2; Lc 7.
27}.
No caráter de mensageiro sobrenatural, angeJos relaciona-se quase que
exclusivamente
a Deus. O emprego
de angelos em relação a Satanás é
reduzido, como será visto oportuna-
mente.
São os seguintes os nomes dados
aos mensageiros de Deus no Novo
Testamento:
-
Anjo de Deus (Lc 12.8;
Lc 15.
10; Jo 1.51);
-
2.13;
Anjo
28.2;
do Senhor (Mt 1.20,
Lc 1.11; etc.);
- Anjos do céu (Lc 22.43;
8; Me 13.32);
-
Anjo
(Mt 4.11;
13.39;
24;
G1 1.
26.53;
ate.);
- Santos anjos (Me 8.38;
26; At 10.22; Ap 14 10);
-
ArJjos e:8:1:0S
Lc 9.
(1 Tm 5.21).
Convém atentar bem para essas
designações.
Dezenove vezes (de.
MOULTON, W. F. e GEDEN, A.S.
A
Concordance
to the Greek Testament. 4 ed. Edlnburgh, T. & T.
CLARK, 1963. p. 8-10) ocorrem angetos kyriou (anjo do Senhor) e angeIas theou {anjo de Deus). Além disso temos anjos do céu, santos anjo::-",
anjos eleitos. Fica assim evidenciado
que são seres procedentes do mundo
de Deus, seres relacionados
com
Deus. Existem na medida em que
Deus dispõe deles, na medida em
que se relacionam
com a aliança
Deus-homens.
Não cabe ao homem
cultuá-Ios ou invocá-Ios. Não são elos
de ligaçào entre Deus e homens, pois
este contato se dá em Cristo. São
anjos de Deus; quem determina sua
ação é Deus.
3. Anjos
e Jesus Cristo: exame
Em João as referências a anjos são mínimas. Nos sinóticos percebe-se a atividade dos an-
dos sinóticos.
17
jos relacionada bem de perto com a
história de Jesus. De modo especial
destaca-se sua participação nos eventos da natividade e da páscoa-ascensão.
Natal e páscoa são dois momentos
em que Deus intervém salvificamente. Num ele concede de modo especial luz - o natal; noutro, a páscoa,
vida. É altamente significativa a presença de anjos nestes eventos. Indica a teocentricidade de tais eventos
e dádivas que representam. Luz e vida estão fora dos limites das meras
possibilidades humanas. Em Jesus
Deus está presente (salva) e exerce
seu senhorio.
A tarefa dos anjos é anunciar fatos vindouros, ou, então, atestar o
que passou. Quando Jesus entra em
cena eles se retiram. Isso é verdadeiro de modo especial no relato do
evento da páscoa. A luz bruxuleante
da vela é sobrepujada pelo sol esplendoroso do meio-dia.
Não há nenhum indício da presença visível de anjos junto ao menino
em Belém, apesar de constarem na
moldura de quadros que representam a cena. No relato natalino, onde
efetivamente há grande concentração
de manifestações angélicas, destaca-se Gabriel (Lc 1.26 ss.), o anjo
do Senhor conhecido pelo Antigo
Testamento (Mt 1.20 ss.; 2.13; Lc
1.11 sS.; 2.9). Em Lucas 2.13 é
apresentada uma multidão da milícia
celestial. Não se entra em maiores
detalhes sobre estes anjos individualmente, tampouco há interesse numa
angelologia abstraída de Deus.
Nos relatos ligados à páscoa, os
anjos apresentam-se para confirmar a
realização da promessa de Jesus (Lc
24.6-8).
18
Além de sua presença nesses mOmentos marcantes (nascimento do Filho de Deus, ressurreição e também
ascensão - At 1.10 s.) o ministério
dos anjos aparece apenas em determinadas circunstâncias da vida de
Jesus: tentação (Mt 4.11) e agonia
no Getsêmani (Lc 22.43). Mesmo assim, sua entrada em ação era uma
possibilidade jamais descartada (Mt
26.53).
Segundo as Escrituras, os acontecimentos do tempo final reservam expressiva participação angélica. Acompanharão o Juiz em sua parusia, agindo a seu lado e a seu favor (Mt 13.
39,49; 16.27; Mc 8.38; Mt 25.31;
13.41; 24.31; Mc 13.27). (KITTEL,
Gerhard. angelos. In: Theological
Dictionary
of
the
New
Testament.
Gerhard Kittel, ed. VaI. 1. Grand Rapids, WM. B. Eerdmans Publishing
Company, 1965, p. 84). Paulo também alude a isso em 2 Ts 1.7 e 1 Ts
4.16.
4. Anjos
em Atos
dos Apóstolos.
Neste livro, onde estão marcados os
primeiros passos da igreja de Cristo
sob a orientação do Espírito Santo (o
Espírito do Cristo ressuscitado), os
anjos estão a serviço dos apóstolos e
discípulos de Cristo (At 5.19; 8.26;
10.3- 7é 12.7-11). Destaca-se neste
livro a atuação do angelos tou theou
(anjo de Deus) e angelos tou kyríou
(anjo do Senhor). Quando ocorre intervenção angélica, sempre está o anjo do Senhor agindo a favor do Senhor e seu povo.
5. Epístolas paulinas: os anjos no
tempo da igreja. O exame das cartas
de Paulo revela pouca ênfase na angelologia. Isto é assim do ponto de
vista do número de citações (et. 111,
2) bem como do desenvolvimento
doutrinário. O apóstolo não elabora
uma angelologia. Não manifesta interesse por anjos isoladamente. Suas
referências a anjos têm, em grande
parte, conotação negativa. O foco de
sua atenção volta-se preponderantemente para as forças e potências demoníacas que polemizam com Cristo.
Nas epístolas do cativeiro, especialmente Colossenses, Paulo combate a
angelologia gnóstica, marcada por
sua desvinculação de Deus e pelo
seu caráter mediador, que ofuscava o
papel de Cristo.
A preocupação central do apóstolo
Paulo é pregar a Cristo, crucificado
(1 Co 1.23; 2.2), ressuscitado, exaltado "acima de todo principado, e
potestade, e poder, e domínio, e de
todo nome que se possa referir não
só no presente século, mas também
no vindouro" (Ef 1.21). Esta realidade ofusca totalmente qualquer angelologia.
Examinemos algumas
passagens:
a) Romanos 8.38 - "Porque eu
estou bem certo de que nem morte,
nem vida, nem anjos, nem principados, nem cousas do presente. " poderá separar-nos do amor de Deus,
que está em Cristo Jesus nosso Senhor". Uma referência, diríamos, incidental. Paulo certamente tem em
mente forças demoníacas. Seu tema
é o amor de Deus. Nenhuma força
poderá separar-nos desse amor manifestado em Cristo.
b) 1 Coríntios 6.2,3 - "Ou não
sabeis que os santos hão de julgar o
mundo? ... Não sabeis que havemos
de julgar os próprios anjos; quanto
mais as cousas desta vida?" Segundo o dicionário ARNDT-GINGRICH,
não está claro se a referência é ape-
nas a anjos caídos ou não. De qualquer forma, estão subordinados ao
próprio cristão, em e por Cristo. Segundo 1 Pe 1.12, o que é revelado
ao homem anjos desejam ardentemente perscrutar.
c) Gálatas 3.19 - "Qual, pois, a
razão de ser da lei? Foi adicionada
por causa das transgressões, até que
viesse o descendente a quem se fez
a promessa, e foi promulgada por
meio de anjos, pela mão de um mediador". Paulo refere-se aqui à especial participação de anjos na outorga
da lei da antiga aliança. Essa mesma
noção e3tá expressa em At 7.53 e
Hb 2.2, originando-se na passagem
de Deuteronômio 33.2. Na tradução
portuguesa desta passagem lemos: "O
Senhor veio de Sinai ... e veio das
miríades de santos". "Santos" traduz
kodesh, palavra que pode conotar
"anjo". Na tradução grega do Antigo Testamento (LXX, ou, Septuaginta) emprega-se a palavra angelos, anjo. Desta forma tem-se a noção de
que anjos participaram na entrega da
lei no SinaL noção esta corrente na
tradição rabínica e judaica intertestamentária. Sua menção no Novo
Testamento atesta sua veracidade.
Entretanto Paulo não pretende com
isto assinalar a sublimidade da lei a exemplo do judeu que via nesta
participação angélica um sinal da
glória da lei, mas, isto sim, salientar
sua inferioridade. A lei foi dada através de anjos e de um mediador humano, Moisés. A promessa, Deus a
faz de modo imediato. Os anjos estão ligados à antiga aliança, de função preparatória. Na nova aliança
Deus age de mdo imediato, em Cristo, sem mediação humana nem angélica. A angelologia não pode ofuscar a central idade de Cristo.
19
d) Filipenses 2.9.11
- " ... Deus
o exaltou sobremaneira ...
para que
ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da
terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de
Deus Pai". Nenhum nome (nome encerra a pessoa, seu ser e seus feitos)
supera o nome de Jesus. Diante dele
se dobram também os joelhos de todos os seres celestes (anjos).
e) Colossenses 2.18,19
"Ninguém se faça árbitro contra vós outros, pretextando humildade e culto
dos anjos, baseando-se em visões,
enfatuado sem motivo algum na sua
mente carnal, e não retendo a Cabeça ... " - Paulo combate a angelologia gnóstica que implicava culto de
anjos divorciado da fé em Cristo.
Percebe-se novamente a subordinação e o relacionamento
da angelologia, de modo especial à cristologia.
Registramos, em conclusão a este tópico, os pareceres de Bouttier e Seemann: "O Novo Testamento parece
insinuar que o tempo da igr~a marca para os anjos um tempo de silêncio, uma interrupção de seu ministério terrestre. Pois interveio um evento notável, do qual ele3 não participam, a encarnação" (BOUTTIER, M.
Anjo. !n: Vocabulário bíblico. JeanJacques Von AlIman,
ed. Alfonso
Zimmermann, trad. São Paulo, ASTE,
p. 24-26).
"Pelo
testemunho
das
epístolas consta com efeito que pela
presença de Cristo e pela ação do
Espírito Santo ...
os anjos perdem
de importância,
enquanto que Satanás, destronado ... , intensifica
os
seus esforços, quanto mais se aproxima para ele o dia do juizo derradeiro" (SEEMANN,
Michael.
Angelolagia. ln: Mysterium
Salutis. Johannes
Feiner e Magnus Lõhrer, ed. VaI. 11/4.
20
Petrópolis,
Vozes Ltda., c. 1972,
p.
12).
6. Hebreus. Neste livro destaca-se
a superioridade
de Cristo frente aOs
anjos. Tudo indica que os destinatários sobrepunham os anjos e a lei a
Cristo e ao evangelho. Então o autor
apresenta Cristo, Filho de Deus, Senhor, Rei e Deus sobm toda criatura
(Hb 1). Aos anjos toca apenas a função ministerial
(1.7,14).
Na verdade, Cristo foi inferior a03
anjos em sua humilhação, pela encarnação e morte de cruz (Hb 2.7,9),
em tudo semelhante a03 irmãos (2.
17,11 s.); agora, porém, foi coroado
de glória e de honra (2.7b, 9). (SEEM.I\NN, p. 31).
7. Anjos no Apocafipse.
Mais do
que em qualquer outro livro neotestamentário, os anjos são citados largamente no Apocalipse.
Tal fato é
compreensível diante da natureza do
livro e das imagens escatológicas
que apresenta. Os anjos pertencem
ao domínio de Deus, estão voltados
para Deus e lhe circundam o trono
em incessante louvor
(cf. Ap. 5.6
s~.).
Quanto à concepção que se tem
de anjos, não apresenta o livro nada
de novo em relação às demais afirmações do Novo Testamento.
São
arautos (10.1; 10.6; 18.1,22); são
coordenadores e executores do evento derradeiro (Ap. 8.8,9; 10.7; 11.
15; 15.7; 16.1; 20.1-3).
Deus, porém, continua sendo Senhor da história e juiz do mundo.
IV. Anjos
maus
1. Referências
no Novo
Testamen-
to. São realmente poucas as referências a forças
espirituais
satânicas na
Escritura. São as seguintes: Mt 25.
o fogo eterno, preparado
41 (u ...
para o diabo e seus anjos); Apocalipfoi-me
se 12.7,9; 2 Co 12.7 (u ...
posto um espinho na carne, mensageiro - angelos - de Satanás, para
me esbofetear); 2 Pedro 2.4; Judas
6. Em quase todas as referências fica claro que estão sob juízo e condenação.
2. Principados
e potestades. Alguns textos do Novo Testamento, nOtadamente em Efésios e Colossenses,
mencionam principados
e potestades
(além de tronos, soberanias, etc.).
São os seguintes: Rm 8.38; 1 Co 15.
24; Ef 1.20 s.; Ef 2.2; Ef 3.10; Ef
6.12; CI 2.10; CI 2.15. Tais designações, aparentemente tão enigmáticas, talvez merecessem um estudo
individual mais minucioso. Mas, urna
vez que podem ser enquadrados no
tópico anjos maus, daremos algumas
informações, ainda que de modo sucinto.
A primtira questão que se impõe é
se Paulo -e somente Paulo refere-se
a tais forças -tem em vista apenas
anjos maus ou também anjos bons.
Sem dúvida, como já foi referido anteriormente,
seu interesse
volta-se
para as forças adversas a Deus, para
ressaltar sua sujeição a Jesus, o Senhor. Entretanto,
algumas de suas
afirmações, notadamente em Ef 1.20;
3.10; CI 1.16; 2.10, induzem a
pensar em forças benéficas. É praticamente impossível deduzir dos textos tratar-se dos mesmos anjos ou de
grupos diferentes. Para o presente estudo
interessam-nos
principados
e
potestades conquanto forças opostas
a Cristo. Assim elas são mais freqüentemente
apresentadas e este é
seu significado
fundamental.
4
Uma segunda questão: que se entende por principados
e potestades?
Para responder esta pergunta precisamos nos colocar no ambiente para
o qual Paulo escreve. No caso presente, a Ásia Menor, Colossos e Éfeso. Nesse ambiente imperavam doutrinas gnósticas,
cuja característica
era a crenÇa num plêroma (plenitude)
de seres intermediários
que faziam
a ligação entre a divindade
santa
e a matéria má. Dentro deste sistema, principados
e potestade3 eram
forças, poderes de natureza astrológica, forças cósmicas ou até mesmo
angélicas que ameaçavam e tiranizavam a mente daqueles que se supunham sob sua influência.
Taciano,
cristão do segundo século, escreve
que, ao entrar em contato com as Escrituras cristãs, ele, anteriormente pagão, foi libertado de dez mil tiranos.
(TACIANO, Discurso aos gregos, 29,
apud BRUCE, F. F. The message. of
lhe New Testament. Exeter, The Paternoster Press, c. 1972, p. 38.) Pareleias contemporâneos
são a astrologia, até certo ponto, e o plêroma de
orixás
dos cultos
affo-brasileiros.
Nestes, o orixá comanda todos 03
momentos da vida do adepto. Desde
o nascimento o indivíduo é dedicado
a um determinado orixá e se identii'ica com o mesmo, assumindo toda.:;
as suas amizades e inimizades.
Se
o orixá não gosta de ter convivência
com uma pessoa que seja de um outro determinado
orixá, ele também
não tem convivência com essa pessoa.
orixá não é bom nem mau,
mas exige uma obediência absoluta
do indivíduo. A genorosidade depende da obediência. Cada orixá tem sua
cor, sua comida predileta, seu metal
predileto, seu animal predileto e então o adepto fica obrigado a partici-
°
21
par de tudo isso, tanto daJ amizades
que significa
com::; das inimizades,
verdadeiramente
uma tirania sobre o
homem.
(Extratos
de CARNEIRO,
tdi.;on. A t8010gia do candomblé. In:
A1acumba: cultos afro-brasiJeiros. São
°
Paulo, Paulinas, 1976, p. 47-49).
Paulo deixa absolutamente
claro
que tai3 força:; não nos podem separar do amor de Deus em Cristo
Jec;u3 (Rm 8.38), serão destruídas
a
(1 Co 1 ij. 24), estão "ubjugadas
Cristo (Ef 1.20).
Em CI 2.15
o
ílpÓ.:;tO!o diz que Cristo "publicamente os expô' ao dee,p"8zo, triunfando
dele' na cruz".
Como fazer frente então aos podere:; satânicos? Invocando a presença
de anjos de Deus? Ressaltando a
ação dos anjos bons (e aqui estamos
reApondendo a questão levantada em
11.1)? Não. Estas forças são vencidas
ern Cristo, sem exceção. Estas forças
são venc:das recorrendo à armadura
de Deus (Ef 6).
V. Conclusão
o tema dominante deste estudo
foi, "em dúvida, o relacionamento
e
a dependência da angelologia. A própria natureza e o ministério dos anjos determinam
isto. Devido a isto,
indiretamente estudou-se
cris~ologia.
22
Destaca-se igualmente a pouca ênfase paulinaà
angelologia e sua sude Jesus
bord:nação
ao senhorio
Cristo.
Do mesmo modo, impressiona
o
quão pouco são mencionados
anjos
de S2tanás e a clareza com que se
evidencia sua condenação e sujeição
a Cristo.
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für
Níchttheologen.
Hans
Jürgen
Schultz, ed. Vol. 1. Stuttgart. KreuzVerlag GmbH, 1969.
o CASAMENTO ENTRE
OS FILHOS DE DEUS
E AS FILHAS DOS HOMENS
Acir
Introdução
Gênesis 6.1-4 está ligado ao contexto que o precede pela referência
à multiplicação
da raça humana resumida na frase "e gerou filhos e
filhas", que ocorre nove vezes no capítu!o 5 (4,7,10,13,16,19,22,26
e 30). Está ligado também ao contexto imediato
como ilustração
da
maldade que havia na terra e que culminou em juizo, com o dilúvio. O significado exato dos detalhes, entretanto, é bastante controvertido
e a passagem tem sofrido múltiplas interpretações. É sempre oportuno e sensato
buscar um posicionamento
entre as
diversas interpretações
por meio de
uma exegese do próprio texto. É objetivo deste estudo fazer uma breve
exegese do texto e, paralelamente,
uma análise e avaliação das interpretações mais aceitas desta perícope.
Versículo 1: Como se foram multiplicando os homens na terra, e
Ihes nasceram filhas
A bênção de fecundidade dada aos
homens na criação (Gn 1.28)
não
foi retirada em virtude da queda. O
poder e a responsabilidade
de procriar, outorgada por Deus, superam a
grande
desobediência
do homem.
Tanto assim que no tempo de Noé o
índice de crescimento
populacional
aumentou grandemente.
Os homens
não formavam mais uma pequena comunidade, mas tinham experimenta-
Raymann
do, talvez, a primeira explosão populaciona!. Mas não houve apenas aumento da densidade demográfica;
a
corrupção se alastrava e tomava conta do gênero humano. E conse:jüências vieram. Vejamo-Ias.
Versículo
2: vendo os filhos de
Deus que as filhas dos homens
eram formosas
"Homens"
(ha'adam)
no primeira
versículo obviamente significa a humanidade toda e não apenas Uma
parte dela.1 Contudo, há razões para
se considerar
o uso restrito desse
mesmo termo na expressão "filhas
dos homens" (benot ha adam). Como diz Green, é possível a um termo
de caráter universal ter sentido restrito num determinado
contexto.
Exemplos disso é o uso restrito do
termo "homem"
em Juizes 16.17,
Salmo 73.5, Jeremias 32.20.2 Como
veremos a seguir, aqueles que afirmam que"filhos de Deus" são os descendente:> de Sete, em contra partida
consideram "filhas dos homens" 01
que descendem de Caim. Por outro,
os que identificam
"fi lhos de Deus"
com príncipes ou nobres, afirmam
ser as "filhas dos homens" plebéia'3.
E, finalmente,
os que defendem "filhos de Deus" como sendo anjos, tomam "filhas dos homens" como sendo mulheres em geral. Mesmo assim, Kline afirma que, embora "filhos
de Deus" seja uma parte da humanidade, quer Setitas ou príncipes, o
23
termo "n1has dos homens" ainda se
refere a mulheres em geral, pois o
pecado não é casamento entre duas
classes de pessoas, mas casamento
com mulheres que "entre todas, mais
I:ies agradaram".~ Desde que a expressão "filhos de Deus", se tomada
como sendo um grupo separado da
humanidade,
não implica na limitação da expressão "filhas
dos homens"; e desde que o uso de ha' adam no primeiro versículo supõe o
mesmo uso no verísculo 2, parece ser
mais viável considerar
a expressão
"filhas do:; homens" como significando mulheres em geral. Restringir o
::;ignificado
da expressão só seria
plausível se o contexto o determinas8, causa que aqui não ocorre.
"Filhos de Deus"
o debate maior entre os estudioo' e3tá em torno do significado
da
expressão "filhos de Deus", Examina:'emos a seguir o mérito de cada interpretação possível dessa expressão.
A. Anjos
A posição de que "filho:; de Deus"
ignifica anjos é mantida por vários
estudiosos.4 O livro de Enoque, compilado por volta do ano 200 a. C.,
,lfi:-ma que 200 anjo::; de repente nota;'am a beleza das filhas dos homens, sentiram-se atraídos por elas e,
in,ontinenti,
as tomaram por esposas, resultando daí o surgimento de
pode,030s gigantes.5 Para fundamentar esta teoria dois argumentos são
apresentados. Um consiste na afirmação de que os livros de 2 Pedra e Juda-: aceitam a história relatada no livro de Enoque. O segundo é de que
o uso de "filhos de Deus" na Escritura favo;-ece esta interpretação.
Entremos no mérito da questão. 2
Pedro diz: "Ora, se Deus não poupou
a anjos quando pecaram ... " (2.4)
Judas afirma: "E a anjos, os que não
guardaram o seu estado original, mas
abandonaram o seu próprio domicílio, ele tem guardado sob trevas,_ em
algemas eternas, para o juízo do
grande dia; como Sodoma e Gomorra
e as cidades circunvizinhas
que, havendo-se entregue à prostituição
como aqueles"
[toutois]
(6.7)6
Delitzsch afirma que estes versículos em
Judas dão autoridade à interpretação
àe Enoque sobre o pecado dos anjos
relatado em Gn 6.1-4. Segundo Delitzsch toutois, que ocorre no versícu 10 7, se refere aos anjos mencionados no versículo 6.7 Keil, entretanto,
muito corretamente atesta, com respeito à passagem de Judas, que
"aqui não há nada a ver com casamentos com -filhas dos homens ou
nascimento de filhos mesmo se relacionarmos
a palavra toutois ...
nO
versículo 7 a anjos mencionados no
versículo 6" porque Judas fala de
fornicação,
enquanto Gn 6.1-4 fala
em casamento.8 Realmente toutois,
neste versículo, pode melhor se referir a Sodoma e Gomorra ou a seus
habitantes.9 Com relação à passagem
em 2 Pedra, Keil diz que "Pedra está
apenas fa lando de anjos transgressores em geral e a quem Deus não poupou, e não de um pequeno grupo de
anjos que cometeu
pecado
particular".lO Além disso, a Escritura não
fala senão em apenas uma deserção
por parte dos anjos, ocorrida antes da
queda do homem (Gn 3,1-6).
O segundo argumento empregado
para interpretar "filhos de Deus" como anjos é o uso desta expressão na
Antigo Testamento.
Estudiosos concordam em que ela ocorre três veze"
neste sentido em Já (1.6; 2.1 e 38.
24
,
7). A frase similar nos salmos 29.1
e 89.7 é geralmente interpretada como se referindo a anjos. Daniel 3.25
é também citada com tal interpretação. Aparentemente
é possível que
"anjos seja uma provável interpretação para a expressão
"filhos
de
Deus" em Gn 6.2a. Mas, vejamos as
objeções a essa teoria.
Uma objeção é a de que "toda concepção de vida sexual relacionada a
Deus ou a anjos é absolutamente estranha
ao
pensamento
hebreu".u
Green afirma que não há palavra hebraica para deusa, que o conceito de
as divindades possuírem funções sexuais é considerado uma noção pagã
inaceitável nas Escrituras e que nelas
não há analogia para a idéia de casamento entre anjos e homens.12 Keil
confirma este fato ao dizer que não
há outra referência a anjos no contexto e que Cristo especificamente
afirma que anjos não podem casar
([\/]t 22.30; Mc 12.25; cf. Lc 20.3435),13 A sugestão de Dei itzschde
que poderiam ser anjos atuando através de demãnios14 não alivia o problemas pois não encontra fundamento na Escritura. A ausência de qualquer analogia nas Escrituras para a
idéia de que anjos possam ter funções sexuais ou relações sexuais com
seres humanos torna esta interpretação inaceitável. Talvez uma maior objeção a este ponto de vista é que o
juízo recaiu sobre homens apenas,
enquanto que foram os "filhos
de
Deus" que imitaram o mal.15 Visto
que tal passagem fornece o pano de
fundo para o eminente extermínio da
raça humana para o dilúvio, e visto
que os "filhos de Deus" foram os
principais
imitadores
do mal, estes
devem ter sido, necessariamente,
integrantes da raça humana. Em suma,
a interpretação
de que "filhos
de
Deus" eram anjos deve ser considerada inaceitável por não ter apoio de
2 Pedro nem Judas; é contrária à posição bíblica quanto à natureza dos
anjos e, por útimo, o castigo pelo seu
crime sobreveio a homens apenas e
não a anjos.
B. Reis
Uma segunda interpretação dada à
expressão "filhos de Deus" é como
se ela se referisse a reis ou nobres.
Esta era a interpretação
judaica de
antanho exemplificada
no Targum Aramaico e na tradução grega de Símaco.16 Segundo Kline, há passagens
bíblicas que podem levar a tal interpretação. Em Êxodo 21.6; 22.8, 9,
28 os administradores
da justiça são
chamados 'e/ohim. Este mesmo termo
aparece no Salmo 82.1 e a expressão
benei
e/yion,
filhos do Altíssimo,
é
empregada ao se referir a magistrados no versículo 6 deste salmo não
obstante o fato de serem acusados de
julgar
injustamente
nos versículos
2-5 e 7,17
Um segundo fator reinvidicado para sustentar esta posição é o costume pagão de se referir aos reis como
filhos de vários deuses. Kline diz que
este uso pagão poderia ter sido aplicado a reis antediluvianos
para sugerir seu pano de fundo satânico.18
Engnell afirma que no Egito o rei era
tido como de origem divina e muitas
vezes filho de Re" o deus Sol.19 O rei
sumério-acádico
era considerado descendente da deusa e de um dos deuses e tal identificação
com a divindade remonta aos tempos mais antigoS.20 Rawlinson diz que numa das
inscrições o monarca é referido como o "rei, filho do seu deus".21 O rei
dos hititas era denominado "filho do
deus tempo" e o título de sua mãe
25
era Tawannannas, "mãe de deus".22
Na região noroeste o rei era diretamente cognominado o filho de deus
e este, por sua vez, progenitor do
monarca.23 O texto Krt de Ras Shamra refere-se ao deus como o pai do
rei e este como Krt bn i1, o filho do
deus el, ou o filho de deus.24 Desta
forma, com base no uso semítico, segundo esta interpretação,
a expressão "filhos de Deus" poderia se referir a governantes dinásticos em Gênesis 6.1-4.
C. Descendentes
de Sete
A posição mais comum dos intérpretes ortodoxos tem sido de que "filhos de Deus" eram os homens de
descendência
de Sete25 ou, nas palavras de Lutera, "os descendentes
masculinos dos patriarcas que receberam a promessa do bendito Salvador" .26 A transgressão seria, então,
que os descendentes de Sete estavam
se
casando,
indiscriminadamente,
com mulheres fossem elas crentes ou
não. Logo, a situação era de poligamia.
Há vários fatores que favorecem
fortemente esta interpretação de que
os "filhos de Deus" são homens de
descendência
teísta. Primeiro,
porque ela entende que todos os participantes nos casamentos pecaminosos
são seres humanos, o que mais se
aproxima do contexto imediato e do
ensino da Escritura como um todo.
Por outro, a descendência
de Sete
aparece como uma entidade distinta
no contexto desta secção em Gênesiso É no contexto da descendência
de Sete que se diz: "daí se começou
a invocar o nome do Senhor" (Gn 4.
25-26). E Enoque, de quem se afirma que "andou ...
com Deus" (Gn
5.24), era da descendência de Sete.
26
Dizer que "filhos de Deus" são participes da descendência teísta é também aproximar-se do conceito bíblico
de que Israel é filho de Deus e os
crentes, por Sua vez, são seus filhos. Tal conceito ocorre em Exodo
4.22; Dt 14.1; 32.5, 6, 18, 19; Os
1.10; Is 1.2; 11.1; 43.6; 45.11; Jr
31.20 3 S1 73.15.27 Muito embora
o termo exato "filhos de Deus" não
ocorra nas passagens mencionadas,
nelas transparece o conceito que caracteriza a relação entre Deus e o
seu povo. Delitzsch considera o uso
de "filhos de Deus" no Antigo Testamento como se aplicando apenas à
nação teocrática de Israel.28
Talvez o maior argumento que favorece esta interpretação
seja o de
que o alerta contra o casamento com
descrentes é um dos temas do Pentateuco, incluindo o livro de Gênesis.
Em Gênesis vemos a preocupação de
que Isaque não se case com uma das
canaanitas (24.3-4),
a preocupação
de que Jacó não se case com uma
das filhas de Hete em Canaã (27.46'
e 28.1-3),
a tristeza pelo casamento
de Esaú com duas mulheres de Canaã (26.34-35
e 28.6-8)
e o problema de Diná com os sequemitas
(Cap. 34) .29 Neste contexto Gênesis
6.1-4 apresenta casamento indiscriminado, sem levar em consideração o
status espiritual.
Além disso, se "filhos de Deus"
são os Setistas, podemos notar o progresso da corrupção que leva até o
dilúvio: a fonte da corrupção no capítulo 3 com a queda do homem, a
degeneração
da descendência
de
Caim no capítulo 4 e, finalmente, o
colapso moral da descendência
da
Sete em Gn 6.1-4.30 Isto resolve uma
questão que não foi respondida por
outras interpretações, isto é, como foi
que apenas Noé, de toda a descendência de Sete, roi salvo quando so7-8).
breveio o dilúvio(Gn
fornicação,
que eram
Deus.
Em resumo, a posição de que "filhos de Deus" eram homens teístas
da descendência de Sete é aceitável
visto que tal grupo já está discriminado no contexto, a expressão sintoniza com o conceito de fíliação espiritual
do Pentateuco, enfatiza em
tema em Gênesis que alerta contra
casamentos
indiscriminados
no que
respeita à religião e insere-se no propósito do contexto por demonstrar a
progressiva cOirupção do gênero humano.
A natureza da violação está expressa na frase "as que, entre toda" mai3
Ihes agradaram." Delitzch considera o
mi em mikol como generalizante, significando "qualquer que Ihes agradasse".34 Tal interpretação favoreceria a
posição de que o pecado consistia em
escolher mulheres sem tomar em consideração seu status sacia I ou espiritual. Entretanto não está afastada a
idéia de que o pecado incluía também poligamia.
Kline considera mikol como sendo explicativo,
significando "todas as que Ihes agradaram".35 Neste caso o pecado consistia em poligamia. Como diz Kraeling,
"uma situação de poligamia está implícita nestas palavras."36 A referência no primeiro versículo ao fato de
que a humanidade se tornara numerosa se enquadra bem com a idéia de
que o pecado fosse poligamia.37 Enfocando a transgressão como sendo
poligamia remove a tensão de se procurar ver nas "filhas dos homens"
uma divisão da humanidade diferenciada de "filhos de Deus", Esta posição também se encaixa no tema de
Gênesis de desencorajar a poligamia.
Por isto, em razão das observações
acima, gramática e exegeticamente, a
interpretação mais apropriada é a de
que o pecado consistia não em caSêlmento entre dois grupos, mas em poligamia.
Considerando
ser inaceitável
que
"filhos de Deus" significa anjos, como optamos entre a posição segundo
a qual a expressão significa
governantes e a posição que a identifica
como a descendência
de Sete 731
Considerando
a maneira de como
cada posição se enquadra no tema de
Gênesis, como se vincula ao contexto
anterior e de que forma lança as bases para o dilúvio parece não haver
diferença aparente entre elas. Entretanto, a última interpretação se torna
mais aceitável visto que mais se aproxima do contexto e da Escritura
como um todo.
Versículo
2b: "tomaram
para si
mulheres, as que, entre todas,
mais Ihes .agradaram"
A expressão "tomar uma mulher"
no Antigo Testamento
determina
a
"relação matrimonial estabelecida por
Deus na criação, e nunca se aplica a
pornea, ou o simples ato da relação
física".32 Logo, esta passagem "não
se refere a irregularidades
de adultério, mas uma união permanente".33 O
pecado, pois, não era uma questão de
mas tipos de casamentos
violação
à vontade
de
Versículo
3: MEntão disse o Senhor: o meu Espírito não agirá
para sempre no homem, pois este é carnal; e os seus dias serão
cento e vinte anos."
Delitzsch interpreta ruhi, meu Espírito, como sendo o fôlego de vida
27
pelo qual o homem se torna ser vivo
como em Gn 2.7. É chamado "meu
Espírito" em virtude de sua origem
ser divina. Quando for retirado do
homem, este morre.38
Basar, carne, pode ter aqui uma
conotação ética quando se penSa na
tendência crescente para a degradação que a presença do pecado trouxe
à natureza física do homem.39
"E os seus dias serão cento e vinte anos" pode se referir a um período limitado de vida ou o tempo
decorrido até o dilúvio.
Certamente
o último é o mais acertado visto que
os filhos de Noé e todos os patriarcas
viveram mais do que cento e vinte
anos.40
4: Ora naquele, tempo
Versículo
havia gigantes na terra; e também depois, quando os fí/hos
de Deus possuíram as fí/has dos
homens, as quais Ihes deram filhos. Estes foram valentes, varões de renome, na antigüidade."
Eram os nephilim contemporâneos
aos casamentos ou eram produtos
dos mesmos? Devemos traduzir hayiu
como "havia" ou "surgiram"?
Kline e
Delitzsch preferem "surgiram"41 em
vista da referência de as "filhas dos
homens" serem possuídas, concebendo filhos, sendo estes os nephílím.42
O sentido então seria de que os poderosos nephilim
são produtos dos
casamentos polígamos.
O problema
com esta interpretação, entretanto, é
de que ela deixa apenas 120 anos
para que os nephilim se tornem "varões de renome". Por outro, não explica a presença da frase "e também
depois", neste versículo quatro. Keil,
por sua vez, opta pela tradução "havia". Diz ele:
28
As palavras, como estão, representam os nephilim,
que viviam na
terra naquele tempo, como existindo antes da os filhos de Deus começarem a se casar com as filhas
dos homens, e claramente os distingue dos frutos daqueles casamentos. Hayiu não pode ser entendido "apareceram"
ou "surgiram",
nesta relação, mais do que hayiah
no capítulo 1.2. Wayihu seria a
pa lavra apropriada .43
Green mantém a mesma posição.44 E
Murro\, diz: "a conexão natural é de
que eles já viviam na terra quando
tais casamentos se deram ....
Não
há nenhuma sugestão de relação genética entre os nephilím e 03 casamentos em questão."45
Tanto a tradução "havia" quanto
"surgiram"
poderia ser considerada
com a exegese dos versículos
1-3.
Contudo, em razão da frase "e também depois" é preferível aceitar a
interpretação de que os nephílim já
estavam na terra durante este período
de corrupção e não apenas durante
os últimos 120 anos.
A palavra nephílim ocorre apenas
aqui em Gênesis e em Números 13.
33. Nesta passagem a palavra se refere aos enaquins, que eram de grande estatura. A Septuaginta traduz por
"gigantes"
e outras antigas versões
gregas por "homens violentos".46 Várias idéias têm sido extraídas da raiz
nãfal, cair. Por exemplo, cair dos
céus (anjos), cair sobre outros (tiranos)47, ser abortado (ser gerado por
anjos de maneira incomum)48. A etimologia do termo entretanto fornece
pouco subsídio. O contexto em Gênesis e a referência em Números parecem simplesmente sugerir que nephifim eram homens afamados pela sua
valentia.
Conclusão
Após uma tentativa
de fazermos
uma análise de Gênesis 6.1-4, podemos agora lançar um sumário das
conclusões. A expressão "filhas dos
homens" não devia ser tomada como
se opondo a "filhos de Deus" no sentido de que estes eram de natureza
biológica
diferente
daquelas;
as
"filhas dos homens" eram mulheres
em geral. Da mesma forma "filhos de
Deus" não eram seres angélicos mas
poderiam ser tanto governantes quanto descendentes
de Sete. É nossa
convicção pessoal de que "filhos de
Deus" são os descendentes de Sete
visto que tal posição se adequa mais
ao contexto e à Escritura como um
todo. O pecado que aqui foi cometido pelos "filhos de Deus" foi poligamia e o juízo para tal ato foi de que
o fôlego da vida seria tirado do homem dentro de 120 anos. Os nephilim não foram produtos de casamentos pecaminosos mas, sim, contemporâneos
dessa situação
malévola
diante do Senhor.
A história do casamento dos "fi_
lhos de Deus" com as "filhas dos
homens" e o conseqüente anúncio da
existência comprometida
são colocados aqui especificamente
para mostrar o resultado final do pecado - o
juízo - e servir como introdução ao
dilúvio onde apenas um homem, Noé
e sua família,
se salvou
porque
"achou graça diante do Senhor" (Gn
3 - KLlNE, Meredith G. Divine Kingship
and Genesis 6.1-4. The Wtstminster Theologicaf Journal, XXIV :189-190, may 1962.
4 - Por exemplo RAD, Gelharl von. Genesis: A Commentary. Philadelphia, The
Westminister
Press, 1961, pp. 109-110;
DODS, Marcus. The Book of Genesis. Edinburgh, T. & T. Clark, s.d" p. 31; SKINNER, John. A Critica I and Exegetical Commentary on Genesis. In: The International
Critica I Commentary. Edinburgh, T. & T.
Clark, 1963, p. 141.
5 - Apud MURRAY, John PrincipIes of
Conduct: Aspects of Biblical Ethics. Grand
Rapids, Wm. B. Eerdmans Publishing Co.,
1964, p. 243.
6 - A tradução de ambas as passagens
é conforme a tradução de João Ferreira de
Almeida, Edição Revista e Atualizada no
Brasil.
8 - KEIL e DELlTZSCH, op. cit., V. 1., p.
132.
9 - Id. pp. 132-133.
1
Id. Ibid. p. 132.
11 - GREEN, op. cit., p. 54.
12 - Id. Ibid.
°-
13 - KEIL e DELlTZSCH, op. cit., V. I,
pp. 130-131.
14 - DELlTZSCH, op. cit., V. I., p. 226.
15 - MURRAY, ip. cit., p. 245.
16 - KLlNE, op. cit., p. 194.
17 - Id. p. 193.
18 - Id. p. 192.
19 - ENGNELL, Ivan. Studies in Divine
Kingship in the Ancient Near East. Oxford,
Basil Blackwell, 1967, p. 4, passim.
20 - Id. pp. 16, passim.
21 - Apud ENGNELL, Ivan, op. cit.,
42, n. 3.
22 - Id. p. 58.
6.8).
22 - Id. p. 58.
NOTAS BIBLlOGRAFICAS
23 - Id. p. 80.
24 - Id. pp. 135-136,
1 - KEIL, C. F. e DELlTZSCH, The Pentateuch. Grand Rapids, William B. Eerdmans, s.d., V. J.. p. 127.
2 - GREEN, William Henry. The Unity of
the Book of Genesis. New York, Charles
Scribner's Sons, 1910, p. 58.
p.
153-154.
25 - LEUPOLD, H. C. Exposition of Genesis. Columbus. The Wartburg Press, 1942,
26 - LUTHER, Martin. Luther's Commentary on Genesis. Grand Rapids, Zondervan
Publishng House, V. 1., 19i58, p. 129.
27 - GREEN, op. cit., p. 245.
29
28 - DELITZSCH, op. cit., p. 224.
29
GREEN, op. cit., pp. 55-56.
30 - Id. p. 56.
31 - YLARRI, J. L. Cunchillos. Los Bene
ha'elohim en Gen. 6.1-4. In: Estudos Biblicos, XXVIII: 5-31, 1969, apresenta o que
parece ser uma outra interpretação para a
expressão "filhos de Dtus". Por meio de
uma crítica toda peculiar do texto, um paralelo com a literatura do Antigo Oriente
Próximo e uma análise filosófica
conclui
que os "filhos de Deus" são deuses inferiores a J:lVé, que é Senhor.
Este ponto de
vista, entretanto, parece não ter grande aceitação ontre os eruditos possivelmente
porque contradiz um dos temas mais importantes do Antigo Testamento, a saber,
o monoteísmo.
36 - KRAELING, Emil G. The Significance and Origin of Gen. 6.1-4. Journal of
Near Eastern Studies, VI: 197, October
1947.
37 - KLlNE, op. cit., p. 196.
38 - DELlTZSCH, op. cit., pp. 227, 229.
Ver também KEIL e DELlTZSCH, op cit., p.
135.
39 - Id. p. 229.
40 - Id. p. 230.
41 - I<L1NE, op. cit., p. 190, n. 11. DELiTZCH, op. cit., p. 232.
42 - I<L1NE, op. cit., p. 190.
43 - KEIL e DELlTZSCH, op. cit., p. 137.
44 - GREEN, op. cit., p. 58.
32 - KEIL e DELlTZSCH, V. I. p. 131-
45 - MURRAY, op. cit., p. 247.
33 - LEUPOLD, op. cit., p. 253.
34 - DELlTZSCH, op. cit., p 222.
35 - KLlNE, op. cit., p. 196, n. 8.
46 - GREEN, op. cit., p. 57.
30
47 - KEIL e DELlTZSCH, op. cit., p. 137.
48 - DELlTZSCH, op. cit., p
232.
450 ANOS DE CATECISMOS
Introdução
de Lutero ao Catecismo Menor
Para nos inteirar do espírito em
que foram escritos os Catecismo Menor e Maior, trazemos a introdução
que Lutera escreveu para o Catecismo Menor. Vale a pena que pastores,
professores,
professores
de escolas
dominicais e pais meditem nas palavras desta introdução.
Vivemos numa época em que o Catecismo está sendo colocado de lado.
Quase não é mais usado nos lares.
Pouco se prega sobre suas doutrinas.
Mesmo na instrução de confirmando;;
alguns já abandonam o texto do Catecismo Menor e não exigem mais de
seus confirmando;:} que o decorem.
Os resultados de tão funesta atitude
estão aí: decadência
em todos os
sentidos e abuso da liberdade cristã.
Por isso, rever a introdução de Lutera
ao Catecismo Menor, sem dúvida,
nos será uma bênção. Eis a introdução, numa tradução do Prof. Amaldo
Schüler. (H. K.)
Introdução
,.
Martinho Lutera a todos os pastores e pregadores fiéis e piedosos.
Graça, misericórdia
e paz em Jesus
Cristo, nosso Senhor.
A lamentável e mísera necessidade de experimentada
recentemente,
é
quando também eu fui visitador,
que me obrigou e impulsou a preparar este catecismo ou doutrina cristã
nesta forma breve, simples e singela.
Meu Deus, quanta miséria não vi! O
homem comum simplesmente não sa-
be nada da doutrina cristã, especialmente nas aldeias. E, infelizmente,
muitos pastores são de todo incompetentes e incapazes para a obra do
ensino. Não obstante, todos pretendem o nome de cristãos, estão batizados e fazem uso dos santos sacramentos. Não sabem nem o Pai-Nosso, nem o Credo, nem os Dez Mandamentos. Vão vivendo como os brutos
e os irracionais suínos. E agora que
veio o evangelho, é que aprenderam
bem a abusar magistralmente de toda
liberdade.
Ó bispos, como havereis
de responder perante Cristo pelo fato
de haverdes negligenciado tão vergonhosamente o povo e por não haverdes jamais cumprido por um momento o vosso ofício? Que não vos alcance a desgraça 1 Proibis uma das
espécies e insistis em vossas leis humanas, mas entrementes não nos tomais de nenhum cuidado sobre se
conhecem o Pai-Nosso, o Credo, os
Dez Mandamentos ou qualquer palavra de Deus. Ai de vós eternamente!
Por isso rogo a todos vós pelo
amor de Deus, meus queridos senhores e irmãos que sais pastores ou
pregadores, que vos devoteis de coração ao vosso ofício, vos apiedeis
do povo confiado a vós e nos ajudeis
a inculcar o catecismo às pessoas,
especia Imente à juventude. E aqueles
que não podem fazer melhor, tomem
estes livrinhos e formas e leiam-nos,
palavra por palavra, ao povo, fazendo com que esse repita as palavras,
da maneira seguinte:
31
----
Uso do mesmo
--
--
texto
Em primeiro lugar, tenha o pregador acima de tudo o cuidado de
evitar textos e formas diversos ou divergentes dos Dez Mandamentos, do
Pai-Nosso, do Credo, dos Sacramentos, etc. Tome, ao contrário,
uma
única forma e a ela se atenha e a incuta sempre, ano após ano. Porque
pessoas jovens e simples devem ser
ensinadas com um texto uniforme e
fixo, pois de outro modo facilmente
ficam embaralhadas, se hoje se ensina de um jeito e no ano seguinte de
outro, como se a gente quisesse emendar o texto. Perde-se com isso
todo o esforço e trabalho.
Bem viram isso também os queridos pais, que, todos, empregaram a
mesma forma do Pai-Nosso, do Credo, dos Dez Mandamentos. Por isso
também devemos ensinar essas partes às pessoas jovens e simples de
maneira tal, que não desloquemos
nem uma sílaba ou apresentemos ou
repitamos o texto diferentemente
de
um ano a outro. Escolhe, por isso, a
forma que queres e fica sempre com
ela.
Agora quando pregas aos doutos e
inteligentes, aí então podes mostrar a
tua erudição, tornando essas partes
tão multiformes e dando-Ihes torneios
tão magistrais quanto alcance o teu
engenho. Com as pessoas jovens, entretanto, atém-te a uma forma e maneira permanente e fixa, e ensinaIhes, primeiro que tudo, estas partes:
os Dez Mandamentos,
o Credo, o
Pai-Nosso, etc., segundo o texto, palavra por palavra, de forma que também o possam repetir assim e decorar.
Mas àqueles que não o querem
aprender, diga-se-Ihes como negam a
32
--------.~----~.~
-
..•.-- ....
--..-----
-
Cristo e que não são cristãos. Também não devem ser admitidos ao sacramento, não devem ser admitidos
como padrinhos em batismo, nem fazer uso de qualquer parte da liberdade cristã, senão que devem ser entregues ao papa e a seus oficiais, e
além disso ao próprio diabo. Ademais, devem negar-Ihes comida e bebida os pais e os amos e comunícarIhes que a tal gente rude o príncipe
expulsará de sua terra, etc.
Pois, ainda que a ninguém se pode
nem se deve obrigar à fé, todavia
importa insistir e urgir com o povo
para que saiba o que é justo e injusto entre aqueles com quem querem
morar,
alimentar-se
e viver.
Pois
quem quer morar em uma cidade tem
a obrigação de conhecer e observar
suas leis, cuja proteção deseja gozar, qualquer que seja o seu caso:
quer creia, quer seja no coração, em
particular,
um malvado ou patife.
Conhecer o sentido
Segundo.
Quando
já conhecem
bem o texto, ensina-Ihes também o
sentido, para que saibam o que significa, e toma de novo a explanação
deste livrinho ou alguma outra exposição breve e fixa a teu critério, e
permanece nela, não lhe modificando
nem uma sílaba, tal como se acabou
de dizer quanto ao texto. E toma tempo para isso. Pois não é preciso que
trates todas as partes de uma tirada,
mas uma após outra. Depois de entenderem bem o primeiro mandamento, toma o segundo, e assim por
diante.
Em caso contrário
ficarão
abarrotados, de sorte que não vão reter bem a nenhum.
Catecismo
Maior
Terceiro. Quando Ihes tiveres ensinado este breve catecismo, toma o
catecismo
maior e dá-Ihes também
conhecimento
mais rico e mais amplo. Aqui expõe cada mandamento,
petição e parte, com suas diversas
obras, proveitos, benefícios,
perigos
e danos, como encontras tudo isso
ricamente em tantos livrinhos escritos a respeito. E martela especialmente no mandamento e parte em que
haja maior negligência
entre o teu
povo. Por exemplo, o sétimo mandamento, do furtar, deve ser enfaticamente repisado entre artesãos e comerciantes, como também entre camponeses e servos. Porque entre tal
gente há grande cópia de toda espécie de infidelidade
e furto. Da mesma forma deves enfatizar o quarto
mandamento entre as crianças e pessoas comuns, para que sejam ordeiras, fiéis, obedientes, pacíficas, e importa
que sempre
aduzas muitos
exemplos da Escritura onde se mostre que Deus castigou e abençoou
tais pessoas.
Aqui também deves insistir particularmente com as autoridades e os
pais, para que governem bem e levem
os filhos à escola, mostrando-lhes
por que é sua obrigação fazê-Ia e que
pecado maldito cometem se não o
fazem. Pois com isso derrubam e assolam tanto o reino de Deus como o
reino do mundo, como os piores inimigos de Deus e dos homens. E frisa
bem que horrível dano causam se
não cooperam na educação de crianças para serem pastores, pregadores,
notários, etc., de sorte que por isso
Deus Ihes há de infligir
medonho
castigo. Pois é necessário pregar sobre essas coisas. Os pais e governan-
tes pecam nisso agora de maneira indizível. O diabo também leva de mira algo de cruel com isso.
Participação
da Santa Ceia
Finalmente, como a tirania do papa está removida agora, não mais
querem ir ao sacramento e o desprezam. Aqui de novo é preciso martelar, entendido,
porém, que a ninguém devemos coagir à fé ou ao sacramento, nem determinar lei, tempo
ou lugar. Cumpre, isto sim, que preguemos de tal maneira, que eles
mesmos, sem lei nossa, se impulsionem e como que obriguem a nós
pastores a que administremos
o sacramento. A maneira de fazer isto é
dizer-lhes:
Quem não procura nem
deseja o sacramento
pelo menos
um8S quatro vezes ao ano, deve temer-se que tal despreza o sacramento e que não é cristão, da mesma forma como não é cristão aquele que
não crê ou não ouve o evangelho.
Pois Cristo não disse: "Deixai isto",
ou: "Desprezai isto", porém: "Fazei
isto, todas as vezes que o beberdes",
etc. Ele quer, na verdade, que se faça
isto, não que seja inteiramente negligenciado e desprezado. "FAZEI isto",
diz ele.
Mas quando alguém não tem o sacramento em alta estima, isto é sinal
que esta pessoa não tem pecado, carne, diabo, mundo, morte, perigo, inferno, isto é, não acredita em nada
disso, ainda que está metido nisso
até às orelhas e é dobrada mente do
diabo. Por outro lado, também não
precisa de nenhuma graça, vida, paraíso, reino dos céus, Cristo, Deus,
nem de bem algum. Pois se cresse
que tinha tanto mal e necessitava de
tanto bem, não deixaria dessa ma-
33
neira o sacramento, no qual se remedeia esse mal e tantos bens são dados. Nem seria necessário coagi-Ia
ao sacramento com qualquer lei; aO
contrário, ele viria por si mesmo, apertando o passo e às carreiras, obrigaria a si mesmo e urgiria contigo
que lhe deverias administrar o sacramento.
Por conseguinte ,nenhuma lei deves fazer nesse assunto, como faz o
papa. Limita-te a apresentar bem a
utilidade e
dano, a necessidade e
os benefícios, o perigo e a bênção
ligados a esse sacramento, e então
de si mesmos virão, sem coação de
tua parte. Se, entretanto, não vierem,
deixa-os ir e dize-Ihes que são do
diabo os que não consideram
nem
sentem sua grande necessidade e a
°
34
graciosa ajuda de Deus. Se, porém,
não o inculcas, ou se transformas
isso em lei e veneno, nesse caso é
tua a culpa pelo fato de desprezarem
o sacramento.
Como não haveriam
de ser desmazelados se tu dormes e
calas? Portanto, atenta i nisso, pastores e pregadores. Nosso ofício agora
se tornou coisa diversa da que foi
sob o papa. Agora tornou-se sério e
salutar. Razão por que agora envolve
muita fadiga e trabalho, perigo e tentação, e, além disso, pouca retribuição e gratidão no mundo. Mas o próprio Cristo quer ser nossa recompensa, se tiabalharmos
com fidelidade.
Que no-lo conceda o Pai de todas as
graças, a quem seja louvor e gratidão
eternamente, por Cristo, Senhor nos-
so. Amém.
«Sou Doutor, mas Continuo Aluno do Catecismo»
Neste ano, as igrejas luteranas do
mundo comemoram os 450 anos dos
Catecismos Maior e Menor de Lutera, publicados
nos primeiros meses
do ano 1529 (até maio). É, sem dúvida, um acontecimento
que merece
destaque também em nossa igreja e
deve ser motivo para refletir sobre o
valor permanente, especialmente
do
Catecismo Menorí mas também do
Catecismo
Maior,
inexplicavelmente
pouco conhecido entre os luteranos,
para a fé e a vida dos luteranos no
pleno fim do século XX.
Os dois catecismos de Lutera são,
ao lado da Confissão de Augsburgo,
cujo 450.° aniversário será comemorado no próximo ano em todo o mundo, e da "Formula
de Concórdia",
cujos 400 anos celebramos no ano
1977, os ma is importantes dos Escritos Confessionais das igrejas lut'eranas em todo o mundo.
A seguir transcrevemos
um artigo
da autoria do rev. Bertholdo
Weber
(Jornal Evangélico, segunda quinzena de março de 1979) com algumas
pequenas modificações:
A Origem
de Lutero
dos Catecismos
Os catecismos de Lutera nasceram
das
visitações
nas
comunidades.
Poucos anos após o começo da Reforma, quando a estruturação da igreja já havia se solidificado,
foram realizadas visitações
eclesiásticas
aos
territórios
cujos habitantes eram, na
sua maioria, evangélicos. O objetivo
dessas visitações feitas às comunidades era, em primeiro lugar, o de verificar a situação da vida religiosa
nessas comunidades. Além disso, as
visitações também tinham o propósito de preparar o caminho para a mensagem do evangelho, que fora redescoberto pela Reforma. Lutero, juntamente com Melanchthon e outros, tomou parte ativa nessa tarefa, que se
realizou de 1527 a 1529, na região
de Wittenberg.
Dois fatos chamaram a atenção de
Lutera nessas viagens de visitações
às comunidades cristãs:
1. Na zona rural reinava uma ignorância quase total em termos de fé
cristã.
2. Grande parte dos pastores e párocos não tinham a devida formação
para transmitir
a verdade cristã às
comunidades,
quer fosse através da
pregação, quer fosse através do ensino. Eram, no entanto, dotados de
modestos conhecimentos
bíblicos.
Toda essa situação deplorável pesava na alma do Reformador. Lutero
não conseguia se conformar com tais
condições lastimáveis nas comunidades cristãs. Buscou, então, imediatamente, meios eficientes
para remediar essa grave situação religiosa e
moral, que era prejudicial para a obra
da Reforma.
Lutero não somente ficou aflito
por causa da precária situação espiritual das comunidades,
como também começou a proferir uma série
de sermões durante o ano de 1528,
na igreja de Wittenberg. Os sermões
de lutero versavam sobre as principais partes da fé cristã, e sempre
que houvesse oportun idade, Lutero
dava instruções e ensinamentos às comunidades. Após algum tempo, Lute-
35
---~ --~-~-----.--......
ro chegou à conclusão de que só a
palavra falada não seria o meio eficiente de prestar auxílio às comunidades e aos pastOies e obreiros.
o
Catecismo
Maior
Foi por esta razão que, em janeiro
de 1529, Lutera começou a escrever
um livro com o objetivo de prestar
auxílio aos pastores para que esses
cumprissem a sua missão de ministros, em conformidade com o evangelho. Em fins de abril foi publicada
a obra intitulada: Oeutscher Catechismus,
chamado hoje:
Catecismo
Maior, que é dirigido a todos os cristãos e, em especial, a todos os pastores e pregadores. O catecismo era
destinado ao estudo diário e ao ensino, porque continha o extrato da
Escritura Sagrada.
O Catecismo Maior, portanto, visava prestar um auxílio eficaz aos
pastores no preparo de suas prédicas
e no exercício de suas funções pastorais.
No prefácio, Lutera intitula esta
obra de "Doutrina para crianças e os
simples", e acrescenta: "Por essa razão se chama desde a antigüidade,
'Catecismo' na língua grega, que quer
dizer: doutrina para as crianças, contendo o necessário que todo o cristão
deve saber, de modo que aquele que
não sabe não deveria ser admitido
aos sacramentos. Por isso, todo pai
de família tem o dever de interrogar
e examinar ao menos uma vez por
semana o que os seus filhos sabem e
estudam no catecismo e, caso nada
sabem, o pai deve insistir na aprendizagem do mesmo. - Após este prefácio, tão enérgico e suplicante, Lutero trata, detalhadamente, das cinco
partes da fé cristã, que ele conside36
rava mais importantes: Dez mandamentos, o Credo Apostólico, os três
artigos da fé cristã, Pai Nosso, o Batismo e a Santa Ceia. Aquele que não
as conhecesse bem, não teria o direito de ser chamado cristão.
Catecismo
Menor
O Catecismo Menor de Lutera é
mais conhecido entre as nossas comunidades, porque a maioria dos
membros de nossa igreja tiveram a
oportunidade de familiarizar-se com
o seu conteúdo durante o ensino confirmatório.
Entre esses membros,
também há quem não gosta de se
lembrar daquele tempo, durante o
qual teve de decorar mecanicamente
as cinco partes principais, segundo o
método depositário de assimilação. A
intenção original de Lutera não era a
de judiar as crianças com as doutrinas difíceis, mas a sua intenção
era transmitir-Ihes o tesouro do evangelho para que edificassem a sua vivência na fé e na prestação de serviços cristãos.
O Catecismo Menor não é simplesmente um extrato do Catecismo
Maior; ele tem a sua importância própria. Ele nasceu dos apontamentos
que os ouvintes das prédicas de Lutero fizeram. O próprio Reformador
reconheceu que, ao lado de sua obra
mais volumosa e doutrinária, seria
necessário um livrinho mais modesto. Por isso, Lutera começou a escrever o Catecismo Menor, que em formas de perguntas e respostas inveterou-se na memória e nos corações
("de-cor-ar") de inúmeros cristãos
evangélicos em todo o mundo.
Segundo a intenção original de Lutera, o catecismo não serviria de livro escolar ou de "doutrina" no sen-
tido moderno. Lutera pensou não só
nos párocos e pregadores, mas também nos pais, a quem queria oferecer
um meio simples e oficiente de ensinar os filhos e os familiares em confO:Tnidade com o evangelho. Foi essa
uma da:> razões por que o livrinho
foi editado em janeiiQ de 1529 (as
três primeiras partes) e em março
(Batismo e Santa Ceia)em forma de
folhas avulsas (cartazes), e somente
em meados de mEdo, do mesmo ano,
em forma de livro. Desta vez, ampliado por um prefácio e por regras
que se destinavam a orientar a vida
doméstica.
No prefácio, o Reformador deplora, mais uma vez, francamente, a situação deficiente
que encontrou em
suas viagens de visitações às comunidades. Recomenda Lutera, agora, o
Catecismo Menor, destinado expressamente a todos os fiéis e piedosos
pastores ou preg3cores.
Lutera pede a estes para que exerçiJm o seu ministério
vindo ao encentro do povo e para que ajudem a
ensinar o catecismo
especialmente
aos jovens (- "uns behelfen, den Kathechisrnus in die Leuta, sonderlich
in das junge Volk bringen".)
·
-.
O catecismo se apresentava como
uma verdadeira Bíblia para leigos e
não lhe faltavam também os quadros
ilustrados. Lutera, entretanto, não intencionava criar uma nova Escritura
Sagrada ou coisa semelhante.
Pelo
contrário, lutera queria levar o povo
à mensagem central do evangelho: à
justificação
do pecador pela fé somente, ao "Cristo crucificado
e ressurreto em favor de nós", para que
oncontrássemos
em Cristo o fundamento firme num tempo agitado por
legal istas e entusiastas.
Porém, em
nossa condição de filhos do Pai, nós
também agradecemos e louvamos a
misericórditl
e a bondade de Deus
para conosco, e esse louvor e gratidão se manifestam na nossa disposição de servirmos ao nosso próximo.
O Catecismo Menor tratava unicamente de partes principais da verdade cristã, para que estas se tornassem realmene um tesouro e cabedal
de conhecimentos bem enraizados na
fé evangélica.
Da edição do Catecismo Menor,
lamentavelmente,
não se conservou
nenhum exemplar. Esta continha além
do prefácio (incluindo
a confissão),
também a oração matutina e vespertina de Lutera, orações à mesa, regras de conduta doméstica e o ritual
do casamento.
450 anos de Catecismo de Lutera.
Reconhecemos
com gratidão o elo
forte que constituía o "Pequeno Catecismo" (Kleiner Kathechismus)
para manter unidos os cristãos evangélicos provindos do país da Reforma.
lembramos
os primórdios das comunidades evangélicas na diáspora, que
se encontravam dispersas pelo país.
Comunidades essas que durante 150
anos chegaram a se unir em sínodos,
vindo, enfim, a constituir também a
Igreja Evangél ica de Confissão Luterana no Brasil.
O Catecismo Menor está incluido
nos Escritos Confessionais de nossa
igreja e ainda hoje continua em uso
em nossas comunidades.
Certamente
não seria a intenção de Lutera que
nos aferrássemos à sua doutrina ou
que repetíssemos
mecanicamente
a
terminologia
deste catecismo. A modéstia e a liberdade evangélicas estão
presentes nesta frase de Lutera: "Escolhe a forma que quiseres e continua com ela". A forma para nós
hoje difundirmos
a doutrina evangé-
37
lica cristã certamente será diferente
da forma que foi utilizada por Lutero, porque não é somente o ponto de
vista metodológico-didático que evoluiu, mas também o nosso contexto
de vida e o mundo mudaram desde então.
O evangelho, que é claramente
testemunhado no catecismo, continua
sendo o mesmo. É verdade o que alguém disse: "O Catecismo Menor
tornou-se para muitas gerações a
chave da fé cristã e do conhecimento sobre Deus. Ele é reconhecido por
todos os entendidos como sendo a
obra magistral do ensinamento cris-
tão".
O catecismo ainda hoje pode servir-nos de caminho para a fé, para o
convívio em comunidade, para a nossa jornada com Criso no discipulado
permanente.
38
Ouçamos, por fim, as palavras do
próprio Reformador, palavras simultaneamente orgulhosas e humildes:
"Isso digo a respeito de mim mesmo. Também eu sou doutor e pregador, sim, tão erudito e experimentado quanto sejam aqueles que se atrevem a vangloriar-se de sua seguridade. - Contudo faço-o como uma
criança à qual se ensina o catecismo, leio e repito palavra por palavra, de manhã ou quando me resta
tempo, os Dez Mandamentos, o Credo Apostólico, o Pai Nosso, os Salmos, etc. Ainda preciso ler e estudar
diariamente e contudo não sou tão
versado nele como gostaria de ser;
hei de continuar um aluno do catecismo - e continuo sendo com prazer,"
HOMILÊTICA
ESBOÇOS PARA SERMõES
Nota: Os estudantes dos cursos
de homílética traduziram os esboços de ·Concordia Theological
Quartely" 1971, como parte do
trabalho critico de estudo de estruturas de sermões.
'
A, J. Schmidt
1.0 Domingo
de Advento
-
Lc 21.25.36
Advento, no pensamento da maioria dos cristãos, faz parte do ciclo
natalino, que conduz à celebração do
Natal. Atualmente, alerta os cristãos
para estarem antes preparados para
a segunda vinda de Cristo, do que
para a celebração de sua primeira
vinda. Somente aqueles que estão
realmente preparados para a sua segunda vinda podem apreciar a celebração do Natal. Este texto é, por
isso, muito apropriado para o primeiro domingo de Advento. Ele aponta
para a necessidade de mais um ano
de graça, para a necessidade do constante advento de Cristo em nossos
corações e vidas.
Lucas nos diz que, quando o tempo dos gentios estiver esgotado, haverá sinais, sinais terríveis. Estes sinais anunciarão o último dia e o advento de Cristo, nosso Rei Salvador.
Quando ele chegar, exercerá o julgamento do mundo e receberá os santos, os vivos e aqueles que ressuscitarem dos mortos, nos céus. Então a
nossa redenção estará completa.
O
preço já foi pago, há muito tempo.
Cristo virá, brevemente.
Esta é
o maior tema de Advento. Para tornar isto possível, houve a necessidade de outros adventos de nosso Senhor. Sua vinda em carne, para morrer pelos pecados do mundo, e sua
vinda através da palavra e sacramentos, para distribuir
os frutos de sua
redenção a todos que, pelo Espírito,
são levados à fé salvadora. Lucas nos
relata, nas palavras do próprio Cristo, que será um dia terrível para todos que não conhecem a Cristo como Salvador. Com Deus não se brinca. - Mas, vós santos do Senhor, levantai as vossas cabeças. O fogo do
julgamento nos deixará intactos. As
amarras que nos ligam, atualmente,
cairão das nossas mãos e de nossos
pés, e nós todos iremos para o céu
que Deus preparou.
Somente os santos estarão lá. Somente aqueles que em Cristo são seus
santos. Esta é a advertência de Cristo para cada um de nós. Nunca devemos abandonar a Cristo. Mas o diabo, o mundo e a carne má tentarão
afastar muitos da fé salvadora, como já aconteceu no passado. Isto pode acontecer a qualquer um de nós.
Mas não acontecerá se nós permanecermos em comunhão constante com
Deus. Assim, permanecendo
sóbrios
neste tempo fel iz, permaneçamos ligados com ele que nos ama muito.
Obtenhamos assim a alegria real do
Natal, conhecida apenas pelos filhos
de Deus. Ele veio por nossa causa.
Ele voltará também para cada um de
nós.
39
A última
Salvador
vinda
de Cristo,
nosso
Segundo
dois
I. Não mais para procurar
var os perdidos.
e sal-
1.
isto ele fez: há muito tempo.
2.
Os perdidos, quando e!e vier
novamente,
experimentarão
a
sua ira para sempre.
ii.
Eie virá para nos dar os resultados completos de sua reden-
ção.
É necessário
nós também
quo cada um de
esteja esperando
por estas bênçãos e por Cristo,
por quem podemos alcançá-ias.
Os sinais do úitímo
mensagem para nós
dia têm uma
I. Eles nos relatam que os dias
da graça não sorão para sempre.
1.
Nós precisamos
desta advertência para vencermos a carne
2.
Nós necessitamos
dentro
de nós.
mensageiros
para aqueles
que
o perigo de serem con-
denados.
11. Eles nos relatam
promessas
de
cumpridas.
que todas as
Cristo
serão
1. Sua promessa de nos
do mundo mau.
2.
2.° Domingo
Lc 3.1-6
~·o
libertar
Sua promessa de nos dar todas
as bênçãos
versiculos
de sua redenção.
de Advento
-
Lenski,
dos primeiros
do capitulo
somente
três
com
de
o pro-
pÓsIto de datação, e não, como alguns julgam, com o propósito de descreve, 2 situação política e religiosa
de seu tempo.
Isto, no entanto,
não
parece 18zoável. Se apenas a datação
tivesso sido seu única interesse, a
refe~ência a Tibério César seria suficiente. Poderia um grande historiador corilO Lucas, o mais versado gen6ra
apostólica,
estar satisfeito
com uma mera datação do começo
do ministério de Cristo? Os historiaem afirmar
dores s50 os principais
que h3 urna mensagem para nós nas
vidas daqueles que nos antecederam.
CertaGiJnte
você
mais
a seus ouvintes
2}
di:8,
terá,
então,
algo
sobre o
ministério de João Batista e de sua
pregacso 20 povo, nos dias de per~
sona!jj::>des
corno
Pôncio
Pilatos,
Hereds::;, ,é\nés e Caifás. Precisamos
apenas pensar no impacto do governo nas 'lidas do povo de hoje e na
repercussão
que líderes da igreja
exercer:! sobre o povo em geral, hoje.
Eu consideraria,
desta adver-
tência para sermos verdadeiros
canem
comentarista
os dados
E'J3ngelho
tio da
1. Estão à nossa disposição.
2.
seu
o
ajunta
LUC33
por isso, de suma
importância o estudo de como era a
pregação nos dias de Pôncio Pilatos
e Caifas, para rnsncionar apenas alguns.
A mensagem de João Batista está
tão claramente afirmada, tanto pelos
profetas que anunciaram
sua vinda
como pelos evangelistas,
que não
requer nenhum comentário
especial
aqui.
,Li mensagem
de João é importante
para nossos dias
l. Quando, como jamais antes,
há tantos caminhos que afastam de Deus,
I!.
Quando, como jamais antes, a
igreja tem maior responsabilidé:c1e de denunciar caminhos
falsos e orientar para caminhos seguros.
ill.
o.uando, Gomo jamais antes, a
mensagem da salvação significará mais para o povo de
nossos dias do que agora.
Toda carne deve ver a salvação de
Deus
I. Não é apenas vontade
que assim seja
li.
Deus ainda mantém
nos que seja assim.
É a voz de Deus
ouvindo hoje
de Deus
seus pla-
que você está
I. Ele ainda
nos
chamZJ
para
abandonarmos
os pecados de
nossos di83.
li.
Ele ainda nos garante sua preocupação amorosa para conos-
eo.
1.
Preocupação
seu Fiiho.
por nossa fé em
2.
Preocupação por um3 vida que
é "reta e aplanada".
Você está pronto para a palavra de
Cristo, seu Senhor?
!.
Ele quer vir a você com a promessa
de perdão
e salvação.
Você está sempre pronto para
ouvir?
11. Você não precisa primeiro
a
condamação
do Batista para
tornar esta mensagem importante para você?
Note que no último esboço o evangelho parece preceder a lei. Em ver-
dade o evangelho deve estar presente na l. parte, e aplicação de lei e
ev::mge!ho para a pessoa seguirá na
!!. parte, onde o evangelho se deve
tornar mais significativo
para nós em
vista de nossa necessidade do mesmo. Assim Lutero se expressou: "Ele
me remiu a mim, homem perdido e
condenado ... "
3.° Domingo
Lc 3.7-18
de Advento
-
Já se foram os dias de se pregar
fogo e enxofre! Será isto verdade?
Você já pensou em ser um pregador
de fOf:Jo e enxofre? Você já desejou
despertar as consciências
das pessoas, como o fez João Batista? ~
muito
importante
perguntar
a nós
mesmos como podemos comparar as
congregações de hoje com os ouvintes de João Batista. Nos dias de
Anás e Cairás não so poderia esperar
que muitos tivessem o verdadeiro conhecimento
da saivação.
Na sua
maioria eram uma raça de víboras,
como João os descreve. Sua pregação teve um efeito sobre milhares,
mas deixou dezenas de milhares insensível. Cristo mais tarde veio para
os seus, e os seus não o receberam.
Completamente diferente é a situação para a maioria dos pastores luteranos.
Nossas congregações
são
compostas de pessoas que já aceitaram a Cristo. Foram alertadas a fugir da ira vindoura. Foram convidadas por Cristo a virem a ele. Aparentemente, parece que todos vieram.
Quando nos dirigimos a nossos paroquianos, certamente não os chamamos de raÇa de víboras. Entretanto,
nós devemos exortá-Ias para que examinem seus corações, mentes e vidas quanto ao risco de hipocrisia ou
41
indiferentismo.
Muitos se vangloriam
de serem luteranos toda sua vida.
Muitos também não vêem claramente a necessidade de mostrar em suas
vidas que eles possuem a verdadeira
fé salvadora. Muitos não estão seguros se são considerados
como joio
ou trigo por parte de Cristo, quando
depurar a sua eira.
Portanto, é necessária uma avaliação honesta dos que hoje vêm quando a palavra é pregada. O apelo ao
arrependimento
não pode ser negligenciado. Uma orientação clara deve
ser dada com respeito à vida que
agrada a Deus. Aqui é importante o
pregador lembrar-se que ele foi batizado com o Santo Espírito, que o capacitou a falar de Cristo, não com ira
carnal contra as pessoas, mas com
afeto amoroso para todos, e isso significa cada um individualmente.
Você está convencido?
I. Convencido
de seus pecados?
11. Convencido
de que você necessita de ser lembrado de seus pecados?
111. Convencido de que a sua vida
é julgada por Deus?
IV.
Cristo
Convencido
de
pode salvar?
que
apenas
V. Convencido de que você será
recolhido com os santos de Cristo
no último dia?
Nota: Ao expor cada pergunta acima, tenha o cuidado
de dirigir
seus ouvintes para o Espírito Santo que pode dar uma resposta honesta.
Arrependimento
verdadeiro
mostrar em nossas vidas.
42
quer se
I. Ao admitirmos
cadores.
que somos
li. No propósito
com Cristo.
de
pe-
permanecer
111. Por obras que são a prova de
termos sido batiza dos com o Espírito
Santo.
4.° Domingo
de Advento
-
Lc 1.39-45
Neste domingo antes do Natal, nossos ouvíntes têm o direito de esperar que deixemos os tópicos do Advento, que tratam da segunda vinda
de Cristo, e falemos palavras claras
a respeito da sua primeira vinda à
terra. Todos nós precisamos de ajuda na nossa preparação para o Natal. Como cristãos, queremos celebrar
o aniversário de nosso Salvador como deve ser festejado. Com este propósito o nosso texto nos conduz aos
vales e às montanhas do sul da Palestina, onde Elizabete, a esposa de
Zacarias,
cheia do Espírito
Santo,
exulta pela proximidade
do Natal
num hino de louvor, que foi exatamente aquele que Maria, a mãe de
Jesus, precisou e é precisamente este que nós precisamos hoje: a certeza
do Espírito Santo de Deus de que tudo o que aconteceu e estava por
acontecer a Maria fora planejado por
Deus mesmo.
Maria precisava dessa garantia. Até
então José ainda não soubera da gravidez de Maria. Ela não podia Informá-Io a respeito disso. Ele ainda não
fora instruído pelo anjo para recebêIa em sua casa como sua esposa. Ela,
naturalmente,
confiou na palavra do
anjo. Ela, igualmente, sabia desde o
início que, embora extraordinária
a
concepção, os sinais da mesma eram
evidentes.
Mas as outras pessoas?
Como iriam receber este fato? Ela
precisava conversar com alguém. E
Deus a dirigiu à pessoa certa.
O anjo que havia anunciado a Maria que ela seria a mãe do Cristo,
também lhe falou a respeito de sua
prima Elizabete, já no sexto mês de
gravidez, com o filho que seria o precursor de Cristo. Maria, aceitando a
indicação que o anjo lhe dera, seguiu
logo para a região montanhosa onde
Elizabete morava, e ali suas preocupações momentâneas estavam resolvidas e isto através da orientação
do Espírito Santo. Este é o ponto que
queremos acentuar nesta prédica sobre este texto. O Espírito Santo é
nosso guia e conselheiro que tem a
resposta para todas as nossas perguntas, a solução para todos os problemas.
Se você ou seu povo tem problemas com qualquer cousa ligada com
o primeiro Natal, ou com a preparação para uma agradável celebração
divina do nascimento de Cristo, com
o nascimento virginal, com a honra
outorgada a Maria tantas vezes
ignorada entre os luteranos por causa da forte reação à teologia romana - o Espfrito Santo quer ouvir e
atender suas súplicas. Ele quer fazer
isto também com seus ouvintes, se
você os dirigir a ele para pedir orientação e ajuda.
o mais fiel filho de Deus precisa
da orientação do Espírito Santo
I. Maria, honrada de ser a mãe
de Cristo, recebeu dele orientação e ajuda, como fez Elizabete, a mãe do precursor de
Cristo.
11. Aprenda, então, que nele tens
a resposta para suas pergun-
tas, a solução
blemas.
para seus pro-
111. Ouça especialmente o que ele
fala sobre Cristo, seu Salvador.
A alegria
partilhada
do Natal
deve ser com-
I. Que privilégio
foi para Maria
procurar
sua prima Elizabete
na sua alegria pela proximidade do nascimento do Cristo.
11. Deus está demonstrando
por
meio de tal narrativa que nós
também devemos compartilhar
alegrias:
1. A alegria que nós temos, conhecendo
Salvador.
a Cristo como nosso
2.
A alegria que nós temos, quando estamos
celebrando
seu
nascimento
como só os cristãos são capazes.
3.
A alegria que nós temos por
Deus usar pessoas semelhantes a nós para executar seus
feitos maravilhosos.
Natal -
Jo 1.1-18
Os versículos 1 a 5 representam
verdades
profundas
a respeito
da
pesSoa de Cristo. O Verbo Jesus é
um com o ser e o Espírito de Deus e
também a expressão da inteligência,
da vontade e do poder de Deus. Sua'
pessoa se identifica com Deus. Seu
ofício é de manifestar a Deus. Eternidade, personalidade e divindade de
Cristo são afirmadas.
"Trevas":
homens não são capazes de entender a
Cristo por sua própria razão ou for-
ça.
43
---
--:-----~~
João é chamado de "homem" (v.
6) Grn contraste a Cristo que é Deus.
"Tekna" (v. 12) é distinto do termo
"filhos",
geralmente usado por Paulo. Este último termo sugere posição
e direitos adquiridos
por adoção, o
primeiro aponta semelhança, natureza, vida, por nascimento. Crentes são
"nascidos"
(v. 13) por poder sobrenatural, divino. Vida cristã é comunicada pelo Espírito de Deus. "Unigênito" (v. 18) é completamente distinto de todos os outros que são chamados de "filhos de Deus" pela fé
nele.
O texto destaca a realidade da
carnação. O escopo do sermão é
os ouvintes aprendam melhor as
plicações de Deus ter-se tomado
mem.
!.
Que mistério
O infante desamparado que
se desenvolveu
e cresceu
em forma humana.
Através deste Verbo, que se "fez
carne, Deus tinha a!guma coisa de
importante e eterno para dizer a nós.
Nesta encarnação temos o próprio
testemunho de Deus.
I!.
Que testemunho
1.
Deus usa homens para levar
seu testemunho para o mundo.
a. Ele usa João Batista (6 e
peculiar.
8). - Foi uma testemunha
magnífica, mas muitos rejeitaram seu testemunho (9
e 11).
Não apenas um Deus Ou
uma emanação de Deus;
b.
b.
Quem revela a Deus, de
sorte que não se pode conhecer a Deus, senão através de Jesus (v. 18).
c.
(v. 3).
é Senhor do universo.
Jesus é também ho-
b. Amigo dos pecadores que
foi contado com os transgressores. Enfrentou tentações,
conheceu
tristeza.
Sofreu e morreu. Participou
da nossa humanidade
em
todo o sentido. Foi igua! a
nós, mas sem pecados. O
mistério consiste nisto: O
Verbo se fez carne.
é Deus (v. 1 e 2).
a" Sua sabedoria e poder comprovados: nas profundezas
dos mares, nas alturas do
espaço, na maneira como
44
a.
profundo.
é Criador
e vemos e pensa-
mem (v. 14).
a.
Jesus
Ele
Todavia
L'erbo se fez carne
1. Jesus
2.
b.
3.
enque
imho-
Pensamento introdutório:
Celebramos hoje um aniversário fora de série. Sem o nascimento de Jesus, nenhum aniversário poderia encerrar a
esperança de algo bom no futuro. O
texto fornece a razão da alegria de
todos os homens, cantada pelos anjos.
o
ouvimos
mos.
2.
Hoje
Deus usa pastores
bem como cristãos leigos.
Estão nossos ouvidos abertos
ao
testemunho
de
Deus?
O testemunho
Cristo é cheio
verdade.
a.
é que Jesus
de graça e de
Cheio de graça para mim
podemos
levar a ale
nossos pecados e pezares.
b.
3.
Cheio de verdade para mim
num mundo enganador
podemos
tranqüilamente
confiar nele.
Deus nos capacita para
ber o seu testemunho.
rece-
a.
Nenhum homem pode recebê-Ia por seu próprio poder (9 e 10).
b.
O Espírito cria a fé através
do testemunho
acerca de
Jesus (9 e 13).
c.
Crer em Jesus é ser nascido de Deus.
Pensamento final: Nada é tão singular e único como o Verbo que se
fez carne, pois no Filho de Deus, assumindo nossa humanidade, nós vemos um milagre e recebemos um testemunho salvador. Nosso nascimento
foi o prelúdio para o nosso renascimento pelo batismo, pelo qual nós
temos a alegria da salvação. Esta alegria é uma realidade porque o Verbo
se fez carne.
45
~=========~=======~~-----------_. __
..~"'----~._--
NOTíCIAS COMENTADAS
o
SUCESSO DO MOVIMENTO
Como explicar o sucesso do movimento
pentecostal? Não há como negar que, especialmente no Brasil, nos últimos anos,
este movimento cresceu vertiginosamente.
Diversas vezes já apontamos nesta revista
para este fenômeno. O movimento está incomodando também a igreja católí'ca. E é
do ponto de vista de um renomado teólogo
da igreja católica que hoje queremos, em
poucas linhas, tentar uma resposta à pergunta posta no início. É o conhecido frei
Boaventura
Kloppenburg,
que há alguns anos
escreveu para a Revista Eclesiástica
Brasi(REB) um artigo de estudo profundo
leira"
sobre "O problema das seitas no contexto
ecumênico" (vol. 33, fase. 132, Dez. de
1973). Neste artigo frei Boaventura procura
explicar também o crescimento extraordinário do pentecostalismo no Brasil. Seguimos a argumentação e as razões dadas
no artigo citado:
Sem dúvida, o pentecostalismo é a denominação que mais cresce hoje em dia entre o protestantismo brasileiro. Segundo estatísticas, os pentecostais constituiriam atualmente três quartos do protestantismo no
Brasil. Entre os grupos pentecostais mais
numerosos, frei Boaventura cita as Assembléias de Deus, a Congregação Cristã no
Brasil, O Brasil para Cristo, A Cruzada Nacional de Evangelização e a Igreja da Restauração. Mas contam-se no Brasil mais 30
outras igrejas pentecosta is independentes,
como as igrejas pentecostais ligadas a missões, entre as quais se destaca a do Evangolho Quadrangular.
A pergunta que muitos se fazem é: Como expl icar o sucesso desses movimentos
pentecostais? Por que tantas pessoas se
afastam das igrejas institucionais
e procuram os grupos religiosos autônomos?
Frei Boaventura se preocupou, no seu artigo, em apontar as razões desse sucesso
na América Latina, particularmente no Brasil. Como primeira e principal causa do
crescimento dos movimentos religiosos livres, sejam pentecostais, sejam espiritualistas, ele considera o abandono pastoral, especialmente também no trabalho da igreja
46
PENTECOSTAL
católica. "Imensas áreas estão pastoralmente abandonadas e entregues a si mesmas,
descambando facilmente para um tipo sincretista de pura religiosidade popular, misturada com superstições e crendices", observa o frei. Especialmente nessa área a
ação missionária ou proselitista dos grupos
religiosos autônomos encontra seu campo
de trabalho. Sobretudo os pentecostais organizam ali suas novas pequenas "comunidades de base", onde deixam seus improvisados ministros, tirados daquelas mesmas
comunidades.
Aqui o frei Boaventura deixa uma recomendação para a ação pastoral da igreja
entre os migrantes.
"Ao abandonar sua região de origem e passar do campo para a
cidade, o migrante perde o suporte e a
proteção social de sua religião. Isolado agora, colocado num ambiente social novo,
desconhecido e livre do controle social
ou das pressões ou imposições da família,
dos parentes, dos conhecidos, o migrante
se perde na imensidade anônima das paróquias suburbanas, não encontra o apoio
religioso dos 'irmãos' na fé, abandona a
prática e pode assim facilmente associar-se
a uma outra religião. Se então, nesta outra religião, ele encontra um clima de fraternidade, de animação e participação ativa
cria-se em seu derredor um novo suporte
social, ele deixa de ser anônimo, se entusiasma e se torna também ele propagandista da religião qua adotou. É esta a situação social e o contexto psicológico que
os pentecostais souberam explorar."
Outra causa importante do sucesso dos
movimentos pentecostais, que o frei cita,
das necessidades
religiosas
é a insatisfação
do povo. Muitas vezes as igrejas institucionais desconhecem as justas exigências da
religiosidade
popular.
Por isso, junto ao
povo simples, a sua pastoral é "demasiado
abstrata, intelectual, estil izada, sem suficiente atenção à parte sensível, emocional
e afetiva". "Necessitamos redescobrir a alma religiosa do povo e suas necessidades,
para então estudar o que lhe podemos e
devemos dar", recomenda o frei Boaventura. A adesão aos movimentos religiosos
livres prova que "há grande disponibilidade religiosa no povo, mas também profunda insatisfação com o estabelecido", Como
remédio ele sugere um "estudo antropológico, sério e científico, da alma e da religiosidade popular, para sair do empirismo
pastoral e encontrar respostas positivas,
concretas, adequadas e adaptadas às verdadeiras necessidades e exigências religiosas do povo, sem colonialismo espiritual".
Também os elementos positivos do pentacostalismo têm contribuído para seu sucesso popular. Frei Boaventura admite que
"nem tudo é condenável" nos movimentos
religiosos livres. Como alguns elementos
positivos ele cita uma estreita fraternidade
social e religiosa entre os membros, com
uma convivência calorosa e pessoal, em
pequenas comunidades de base; participação ativa de todos os fiéis na liturgia; orações, cânticos populares; prevalência da
adesão pessoal, do aspecto subjetivo e da
vivência
ou experiência religiosa,
como
aproveitamento da parte sensitiva e emocional da gente simples; cristocentrismo
da
vida cristã; ministério dos leigos.
Segundo frei Boaventura, o proselitismo
também deve ser enumerado entre as causas de difusão do pentecostalismo. Como
cristãos temos o dever de levar o Evangelho a todos os homens. Mas "quando este
zelo pela propagação da fé cristã degenera,
recorrendo a meios ou métodos não conforme o espirito do evangelho, temos o
proselitismo", diz o frei. O proselitismo dos
movimentos sectários é uma grande preocupação da "ação pastoral que deseja animar seus métodos" dentro da igreja católica durante os últimos anos.
Por ifm, o frei ainda fala em fatores psicológicos e patológicos, que também influem muitas vezes na difusão do pentecostalismo. Segundo ele, há tipos psicológicos que, por natureza, são apaixonados e
por isso facilmente sectários, fanáticos, divisionistas. E há também tipos patológicos,
tomados por um verdadeiro delírio de interpretação (paranóicos) ou pela mania de
projetar para a realidade suas próprias visões, sonhos e fantasias (mitômanos). É o
exército
de pseudoprofetas,
visionários,
pseudomessias, falsos santos, fundadores de
seitas. O paranóico e o mitômano, quando
seus temas tomam cores e conteúdo religioso, se tornam fanáticos. E o fanatismo é
contagiante. Assim então nascem e se multiplicam as seitas. "E contra ele não há remédio", comenta frei Boaventura. Porque a
paranóia e a mitomania são incuráveis. Portanto, "sempre haverá movimentos religiosos livres e dissidentes", conclui o frei.
Sobre o mesmo tema o "Jornal Evangélico", do qual adaptamos parte do texto acima, do seu número da primeira quinzena
de março de 1979, escreve ainda o seguinte:
O movimento pentecostal veio ao Brasil
em 1910, via Estados Unidos, onde surgiu
no fim do século 19, uma época de depressão econômica, que naturalmente favorecia
o aparecimento de movimentos religiosos,
com vários líderes, pregadores, missionários.
A sua entrada se deu por Belém do Pará.
E um ano depois, os pentecostais estavam
no sul, em São Paulo e no Paraná. Em Beiém começaram com a Assembléia de Deus.
Em São Paulo com a Congregação Cristã
do Brasil. Os dois grupos se espalharam
pelas cidades brasileiras, passando a conquistar adeptos principalmente entre os migrantes, as pessoas das camadas mais pobres, muitas vezes procedentes do meio rural.
Em entrevista ao "Jornal da Tarde", o
reverendo Luiz Boaventura, da Aliança das
Igrejas Reformadas do Brasil, diz que a razão
do crescimento vertiginoso dos grupos pentecostais é uma espécie de frustração que
existe em quase todos os grupos tradicionais e históricos com a sua própria igreja.
"Os movimentos pentecostais se alimentam
poderosamente desse desencanto que o homem sofre nos grupos tradicionais e mais
ou menos clássicos da igreja", afirma Boaventura. Mas ele admite que há outros fatores que explicam o crescimento dos pentecostais. Na sua opinião, "talvez a situação encontre explicação melhor num fenômeno puramente sociológico de que nós
estamos sendo parte: o movimento de urbanização e, especialmente, as grandes migrações que nós temos tido no país".
Nesse sentido, Douglas Teixeira Monteiro, professor da Universidade de São Paulo, afirma à revista "Isto é" que há "indicação de que o movimento pentecostal viceja
mais facilmente em áreas pioneiras, onde
as pessoas são desarraigadas e cortaram
os vinculos com a tradição religiosa anterior, escaparam das formas de controle
ideológico da sociedade tradicional".
Portanto, essas áreas são mais receptivas à
pregação pentecostal.
Para o professor Cândido Procópio Ferreira de Camargo, da Universidade de São
47
--
Paulo, falando
ao Jornal da Tarde, as religiões
pentecostais
desempenham
"funções
psieossociais
de importância,
fornecendo
a
seus fiéis um quadro
de interpretação
do
mundo
e norm3S de ação que substituem
um". tradição
eui ,ural insuficiente
para responder aos desafios
da vida moderna".
A
popu[açÜo
dos centros urbanos,
enl grande
parte prO'J8ni3nc'3 do maio rural, não dispõe de normas de conduta tradicionais
que
satiSY3ç2m as exigências
do novo mundo
em que vivem.
Os rentecos(ais
apEI.recem,
assÍln,
ligados
a var;sveis
como baixa escolaridada
e baixo ní'Je~ de renda.
Justamente
elementos
contriveniginoso
das
seitas. O pas'wr Roberto V. Themudo
Lessa
disse ao Jornal da TiJíde que o povo procura os pentecostais,
"como também
pode
procurar
outfRS igrejas,
de outros
credos,
nias cem a n18sma abertura,
onde S9 sente
à vontade, onde poda entrar com sua roupa
modesta e onde vai encontrar
homens simpies, falsndo
uma linguagem
simples".
buem
paíâ
esses
dois
o crescirnento
Mas seriam
essas igrejas
liberais
também no que se refere
à doutrina?
Nâo.
São igrejas extremamente
severas com seus
seguidores
na parte
doutrinária.
Mas por
que então
seu sucesso?
Themudo
Lessa
responde
que "o sujeito se precisa agarrar
a coisas
sól idas, bem determinadas,
que
dizem claramsnte
que isso e aquilo é pecado, distinguindo
ciaramente
o que se deve ou não deve fazer". As igrejas
liberais
estariam
perdendo
terreno
justamente
porque, quando começam
a mostrar
uma certa liberalidade,
fica difícil
aos fiéis escolherem o que é bom e mau.
Um dos ramos
pentecostais
que mais
cresce no Brasil é a "igreja
do Evangelho
Quadrangular".
Diz o missionário
Luís Evangelista Peixoto, da Igreja do Evangelho Quadrangular:
"As igrejas tradicionais
não conseguem penetrar
na classe média para baixo. Nós conseguimos
isso com mensagens
de fé, tranqüiidade
ao povo que está enfermo, tanto física
como espiritualmente."
A Igreja do Evangelho
Quadrangular
está
há 28 anos no Brasil e é da linha pentecostal.
Em 1970,
essa igreja tinha quatro
templos
em Porto Alegre,
capital
gaúcha.
Cinco anos depois já possuía 140.
Geralmente
inicia assim:
um missionário
começa a pregar em cima de um caixote,
prometendo
curar enfermidades
pela oração.
Depende
dele exclusivamente
juntar
o rebanho entre transeuntes
curiosos,
alugar um
48
galpão
e conseguir
os donativos
para erguer um templo.
Muitos templos
são construidos
com o dizimo de seus fiéis, que é
praxe na seita.
O jovem
missionário
Luis
Evangelista
Peixoto disse que as quatro verdades
básicas da religião
são: Cristo salva, Cristo é
o médico dos médicos,
Cristo é o batizador
e Cristo voltará à terra.
Ele garantiu
que seis anos de estudos
num seminário
em São Paulo são suficientes para receber a credencial
de ministro,
mas a pregação também pode começar antas de terminar
o curso,
que também
é
dado
por correspondência.
"Temos
pastores semi-analfabetos,
mas de palavra de fé.
com
uma maneira
expressiva
de atrair a
massa", disse Luis Evangelista.
Ele próprio
admitiu
que não se preocupa
muito
com
a teologia:
"Pregamos
a fé viva e vivemos
o que pregamos.
Pouca gente viria exclusivamente
por
interesse
na salvação.
A
maioria vem em estado de miséria em busca de cura".
O ministério
na greja do Evangelho
Quadrangular
não se restringe
somente aos homens. Luís Evangelista
afirmou
que as mulheres
podem
pregar
na sua
igreja
em
igualdade
de condições.
Todos
estes dados
e datas
fazem-nos
pensar seriamente
sobre as condições
em
nossa igreja, e nos devem levar a meditar
sobre
a tarefa
que está diante
de nós:
convictos
que a nossa igreja tem a plenitude do evangelho,
importa
divulgá-Io
a este
mundo do fim do século XX,
H. Rottmann
-:0:DINHEIRO
PARA
TERRORISTAS
Os jornais seculares
noticiaram,
em duas
épocas
diferentes,
nestes
últimos
tempos,
que o CONSELHO
MUNDIAL
DE IGREJAS,
que tem sua sede na Suiça e que pretende
representar
as igrejas evangél icas, fez doações em dinheiro
vultosas
somas a
vários "movimentos
de libertação
nacional",
especialmente
da África.
Ninguém
se dispôs a negar tais doações,
de modo que é
de se admitir
que sejam elas verdadeiras.
Numa dessas notícias se dizia que as doações tinham
como objetivo
projetos
educacionais
e de saúde daqueles
movimentos.
Ora, é sabido que os movimentos
que se
dizem de libertação nacional são compostos de terroristas, que se servem da violência para impor os seus planos de tomada de poder.
É curioso que um dos tais movimentos
relacionados no noticiário da imprensa como beneficiários da liberalidade do órgão
que diz representar as igrejas evangélicas é
o que pretende tomar o poder na Rodésia
E também os jornais noticiaram o massacre
de missionários protestantes e católicos,
praticado na fronteira da Rodésia por esse
mesmo grupo terrorista. Assim, o dinheiro
das igrejas evangél icas, por vias transversas, vai financiar o massacre, a morte violenta e estúpida de missionários idealistas.
De nada adianta o argumento de que o
dinheiro é para atender a projetos educaciom:is e de saúde. Os terrosistas não têm
base física (território) em que possam instalar hospitais e escolas, e despreza os conceitos da chamada "moral ocidental", de
modo que não têm nenhum escrúpulo em
usar o dinheiro que recebem conforme os
seus interesses, sem atentar para as intenções dos doadores.
E o CONSELHO MUNDIAL DE IGREJAS
não é composto de pessoas ingênuas, que
acreditem na honestidade de propósitos dos
terroristas. Do que se conclui que as doações são feitas exatamente para fornecer
recursos que possam financiar a guerrilha
É o dinheiro
de cristãos, possibilitando a
escalada da violência, a morte de vitimas
inocentes, crianças e velhos, missionários e
outros idealistas. A "Igreja Presbiteriana
Independente" há tempos decidiu não se
filiar a esse "conselho" e por isto deve estar tranqüila por não participar dessa atividade financiadora do terror. (Transcrito de
"O Estandarte" Rev. Laudelino de Abreu
Alvarenga) Já diversas vezes, também
nós apontamos para essa organização que
quase nada mais tem de "cristão", mas que
se tornou uma organização puramente sócio-pilítica. Tombém a nossa IELB, à base
da Escritura e das Confissões Luteranas,
nunca participou,
nem poderia participar
dessa organização "ecumênica".
Estamos,
portanto, de pleno acordo com as palavras
transcritas do jornal da Igreja Presbiteriana
Independente com seu autor, o rev. Laudelino de Abreu Alvanrenga. H. R.
-:0:-
PERGAMINHOS DO TEMPLO
Os últimos
completos pergamiforam finalmente publicados e fizeram revelações novas e importantes a respeito de doutrinas sobre o
sexo, o casamento e o divórcio naquela comunidade do Mar Morto na época do Novo
Testamento. Essas doutrinas parecem ter tido muito em comum com as doutrinas do
Novo Testamento. Esses documentos mui vado Temliosos, denominados "Pergaminhos
plo", foram descobertos quando Israel ocupou os territórios árabes, na guerra dos seis
dias, em 1967. Trata-se do mais longo rolo
de pergaminho até hoje encontrado, com 19
páginas e 8,53m de extensão. O Pergaminho do Templo não apenas traça os planos
para a reconstrução do templo de Jerusalém, mas, como constata o professor Jacob
Milgrom,
da Universidade de Caiifórnia,
"prescreve leis totalm2nt8 novas e dá interpretaçoes também novas sobre as leis antigas". Milgrom opina qua o "Pergaminho
vem lançar nova luz sobre as origens de
nhos
do
rnuHas
Mar
e mais
Morto
doutrinas
não podemos
cristãs".
aceitar
-
Se
bern
essa opinião,
que
visto
que as doutrinas cr"istãs se baseiam não em
ensinan1en1os de seii:3s, nlBS, sim, nas dou-
trinas reveladas no Antigo TeStamento e nos
de Jesus e dos apósioJos, reconhecemos, no entanto, a giande importância destes ach3dos para o nosso connecimento do mundo religioso na época do
H. R.
Novo Testamento. -
ensinanlsntos
-:0:PERGAMINHOS DO SINAl
Ovlros
achados
de manuscríLos valiosos
foram anunciados, há três 8"OS no mosteiro
de Santa C3tarina no Smai. Sabe-se agora
que 08 monges onodoxos gregos deste mosteiro, que se recusaram de entrcgar os manuscritos achados a especialistas do ocidente, agora estão registrando progressos na tarefa de cat310gar e preservar os manuscritos
encontrados.
Constatou-se que se trata
neste achado de uma parte de um dos mais
antigos textos da Biblia até haja conhecidos. Os monges do mosteim de Santa Catarina, onde, como sabemos, ·[01 achado entre os anos 1844 e 1859 pelo biblicista
Konstantin von Tischendorf o famoso "Codex Sinaiticus", ao derrubarem uma parede
em 1975, encontraram uma grande coleção
de documentos antigos. O novo achado in-
49
clui páginas dos livros de Gênesis, do Deuteronômio, dos Juizes e do Levítico que
mui provavelmente pertencem à mesma época do "Codex Sinaiticus", pois as páginas
são grafadas em caracteres que revelam
aos eruditos que foram escritos por volta
H.R.
do século IV. -
-:0:FUTURO SEM CRIANÇAS
Uma nação pode morrer gentilmente, não
como vítima de um processo de extermínio
cruel mas como resultado de uma deliberada política de redução da taxa de natalidade, menos por imposição governamental do
que por motivos sócio-econômicos.
Essa
possibilidade, de acordo com o semanário
britânico "The Economist". está preocupando seriamente os alemâes ocidentais, alarmados ante os dados estatísticos levantados
a partir de 1965. Nesse ano, o número de
crianças que nasceram ascendeu a mais de
1 milhâo e em 1977 o número de nascituros não chegou a meio milhão. Embora
as estatisticas devam ser consideradas com
certas
reservas, como nota a revista, já
que freqüentemente se prestam a toda espécie de manipulação, as compiladas pelo Governo da Alemanha Ocidental merecem sério estudo, dada a gravidade da situação
que refletem, em termos absolutos e incontestáveis. Assim, a população atual da
Alemanha Ocidental é de 57 milhões (mais
4 milhões de trabalhadores estrangeiros) e
tende a decrescer. A atual proporção de
nascimentos por grupo de cem mães, num
prazo determinado,
corresponde
a 145
crianças, mas há indícios de que, em futuro
próximo, decaia para 135 crianças. Em conseqüência, uma projeção indica que por
volta do fim do século a população da República Federal estará reduzida a 52 milhões e a 39 milhões no ano 2030. Os
grandes problemas práticos, sempre de acordo com a estatistica, surgirão nas primeiras décadas do próximo século, quando os aposentados representarão 23% da
população geral, em contraste aos atuais
15%. Tal fato poderá levar à insolvência o
atua I sistema de previdência e terá conseqüências sociais e politicas gravíssimas. O mesmo fenômeno, embora com menor
intensidade, já se registra em várias outras
nações altamente industrializadas do Ocidente na Europa, nos Estados Unidos e
no Canadá. Em nenhum deles, entretanto,
assumiu as proporções que se registram na
Alemanha. Consciente do perigo representado por tal situação, o Governo de Bonn
adotou uma série de medidas destinadas a
incentivar a natalidade. Uma delas é o auxilio pré-natal às mães nos últimos seis meses de gravidez e o outro é o salário-família aos pais de três filhos menores. Ainda
não se sabe se tais medidas produzirão resultados práticos, mas a gravidade da situação é perfeitamente ilustrada por um fato
que transcende interpretações: em 1977, o
último ano do qual se dispõem de estatísticas completas e tabuladas, o número de
óbitos registrados na República Federal excedeu de 125 mil o número de nascimentos
e a taxa de natalidade passou a ser 9,5%
para mil habitantes. O fator capital na determinação desta situação ainda não foi
perfeitsmente identificado, mas é certo que
essas más noticias chegam com os cumprimentos de um produto da moderna tecnologia cujos efeitos somente agora começam a se fazer sentir em escala global,
os anticoncepcionais reduzilos à dimensão
de pilulas e ao alcance de todos que tendem a reduzir a população infantil justamente no Ano Internacional da Criança.
("Visão" 05-03-79)
-:0:BlBLlA CONTINUA
BEST SELLER
Mais uma vez a Bíblia superou Marx, Lenin, Júlio Verne e Paulo Neruda na lista
mundial de traduções, atualmente editada
pela UNESCO. No catálogo intitulado "Index Translationum", a UNESCO chegou à
conclusão de que "as leituras da infância
alimentam o espírito dos adultos", destacando curiosamente que, como em outros tempos, os contos de fadas do alemão Guilherme Grilllm (1786-1859) e do dinamarquês
Christian Andersen (1805-1875) continuam
preferidos pelas crianças. Tal como nos
anos anteriores, a Biblia, cuja primeira tradução remonta ao século IV, manteve a liderança no catálogo universal, num total de
218 traduções, superando amplamente Lenin que, encabeçando a lista dos autores,
totalizou
210 versões em outros idiomas,
Marx, com 196 e o prêmio Nobel chileno
Pablo Neruda, com 35 traduções. A única
obra não européia que figura em lugar privilegiado na lista é "As Mil e Uma Noites",
traduzida 32 vezes. Os grandes escritores,
50
til
que pertencem hoje ao patrimônio mundial,
continuam sendo os mais traduzidos, figurando entre eles Shakespeare, com 96 versões, Tolstoi, com 74, Goethe, Com 35, Moliére, com 29 e Homero, com 42 traduções.
("Zero Hora". P. Alegre, 22-3-79)
-:0:CRIANÇAS E ANIMAIS
Lemos na revista "Chamada da Meia-Noite" as seguintes ponderações: "66% de todos os cidadãos, segundo uma pesquisa,
consideram-se 'amigos de crianças'; 81 %
'amigos de animais'. A Sociedade Protetora
dos Animais tem 500.000 membros , a Sociedade de Proteção às Crianças não chega
a 20.000. O 'código de edificações' concede 2,16 m2 para as crianças brincarem, a
Sociedade Protetora dos Animais
exige
16,00 m2 para os cães correrem. Na RFA
(Alemanha Ocidental) vivem atualmente 13
milhões de crianças, mas 14 milhões de
animais domésticos ... " O comentário
da revista conclui: "Isso faz parte da linha
geral de degeneração do caráter humano,
que está sob a influência cada vez mais
forte do espirito anticristão. Aqui lança
suas sombras diante de si o cristão sem
Cristo dos tempos finais, que é tão claramente descrito em 2 Timóteo 3.2-5, ou,
para expressá 10 com outra palavra bíblica: ' ... pois todos eles buscam o que é
seu próprio ... ' (Fp 2.21).
Armemo-nos,
portanto, sempre de novo com o pensamento oposto do Senhor Jesus Cristo (1 Pe
4 1), para que nós limpos do anti-espírito sejamos cada vez mais purificados
profundamente e estejamos preparados para
o breve encontro com o Senhor Jesus nas
nuvens do céu."
-:0:PESQUISAS CIENTIFICAS
O seguinte informe da imprensa confirma
mais uma vez que é totalmente errado ocupar-se com os chamados "resultados da
pesquisa científica" que estão em contradição com afirmações bíblicas. Pois, pouco
a pouco, também pesquisadores insinceros
admitem sempre mais: o esclarecimento final sobre problemas das ciências naturais
é dado pela própria Bíblia! E como pode
ser diferente, pois ela é a palavra ínfalível
de Deus, inspirada pelo Espíríto Santo:
"Somente através da argila tornou-se possível a vida na terra" E a Bíbl ia tinha razão. Em Gênesis 2.7
está escrito que o
homem foi feito de um pedaço de barro.
Cientistas americanos do centro de pesquisas da NASA, na Califórnia, chegaram agora
à conclusão de que somente a argila dá
condições para a vida. Segundo o professor James Lawless: "Os aminoácidos são os
niveis inferiores das proteínas, sem as
quais não existe vida." O professor James
Lawless da NASA descobriu, com base em
experiências biológicas, que a argila apresenta as melhores condições para que os
diversos aminoácidos se unam em estruturas de proteínas.
("Chamada da Meia-Noite", 1/79 - adapto
H.H.)
-:0:-
AS ELEiÇÕES E O DIVÓRCIO
Os eleitores católicos foram solicitados a
não dar os seus votos aos parlamentares
que favoreceram a introdução do divórcio
no Brasil. A revista "Ave Maria" chegou a
publicar, no número anterior às eleições de
15 de novembro, a relação completa dos
385 senadores e deputados do atual Congresso em duas listas: os que votaram
a favor do divórcio (226) e os que votaram
contra (159). Era possivel encontrar relação idêntica afixada em templos catól icos.
Dos 226 senadores e deputados divorcistas,
178 se candidataram e 137 foram reeleitos.
Entre os 159 antidivorcistas,
123 foram
candidatos e 90 se reelegeram. A percentagem dos divorcistas
eleitos
(77%) é
maior do que os antidivorcistas
(73%), o
que levou Dom Ivo Lorscheiter, secretáriogeral da Conferência Nacional dos Bispos
do Brasil, a declarar: "A pregação da igreja não é tão ouvida quanto deveria". O deputado Arlindo Kinzler (ARENA-RS), que
pretend ia apresentar uma emenda antid ivorcista na próxima legislatura, não se elegeu.
Dom Ivo disse também que a Igreja Católica não vai pressionar o novo Congresso
para derrubar a Lei do divórcio. ("Ultimato",
116,6).
-:0:-
REVISTA CIENTIFICA PUBLICA
ESTUDO SOBRE MARIOLOGIA
O número de setembro de 1978 da revista "Ciência e Cultura", da Socielade Bra-
51
sileira
para o Progresso
da Ciência,
publicou um artigo do sociólogo
Antônio
Carlos
Boa Nova, da Fundação para o Desenvolvimento
Tecnológico
da Engenharia,
com o
título
"Considerações
Sobre o Culto Católico da Maria",
que poderia
ser transcrito
p3ra qualquer
jornal evangélico.
Através de
pesquisa bibliográfica,
o autor "pretende
recapitular
os momentos
mais significativos
para o surgimento
e expansão do culto de
Maria e dai levantar
alguns problemas
de
interesse
para a sociologia
da religião".
Não se sabe bem S9 o trabalho
tem finalidade científica,
no caso sociológica,
ou religioS3. Nas conclusões
Boa Nova diz que
o culto de Maria começou
com as festas,
passando para o terreno das crenças populares,
para as especulações
teológicas
e,
por fim, para os dogmas.
O culto surgiu
de baixo
para cima e a igreja
aceitou-o
porque,
além de não ameaçar,
ajudava
a
conservar
o sistem3.
A igreja também
se
orientou
segundo o que S8 supunha ser razoável:
"Embora
o Novo Teslamento
nada
diga a respeito,
pareceu razoável ou adequado à dignidada
de Cristo que Maria tivesse sido preservada
do pecado original, levada em COrpo e alma para o céu
e principalmente
permanecido
sempre
virgem". "Mas, pergunta-se
continua
o sociólogo
"por que é mais 'razoável'
ser
sempre
virgem
do que ter outros
filhos?
Será a dignidade
de Deus incornpatível
com
a sexualidade
humana'!
Neste caso, a doutrina católica
estaria próxima
do dualismo
que ela mesmo condenou,"
É verdade,
o
que diz "Ultimato",
revista
da qual transcrevemos
isto: tais afirmações
do um sociólogo
"poderia
ser transcrito
para qualquer jornal evangélico",
o que fazemos aqui
especialmente
em vista das recentes reafirmações categóricas
do papa a respeito
da
veneração
da Maria. H.R.
-:0:NOVOS ACHADOS
SOLO SfBUCO
EM
Parece que alguns
arqueólogos
têm um
sexto sentido
a respeito da locação desconhecida de certos lugares bíblicos.
Pois no
MacMillan
Bible-Atlas
(Nova lorque,
1977)
encontramos
um mapa da batalha de Ebenézer (1 Sm 4. 1), no qua I Ebenézer é situada a leste de Afeque,
perto das fontes
do Yarqon
ou Nahr el-'Auja.
Os autores,
Aharoni
e Avi Yonah, escrevem:
"a localização exata do Ebenézer é desconhecida
e
52
só podemos
supor que a batalha
a leste de Afeque."
aconteceu
Depois de quatro anos de escavações
a
leste das fontes do Yarqon,
em Rosh Ha'
avin, arqueólogos
do Departamento
de Estudos de Eretz-!srael
da Universidade
BarIlan e do Instituto
Arqueológico
da Universidade
de Tel Aviv, sob a direção
dos
professores
Kochavi
e Ysrae!
Finkelstein,
acredi,am
ter identificado
Ebenézer no lugar indicado
no atlas de Aharoni e Avi Yonan, Deci,;:ou
Finkelstein
que foi descoberto, com surpresa,
como os lavradores
isras! itas '!ivi3Jn bom perto da grande e hostil cid2d2
de Afaque.
Os artefatos
descobertos mosuam
o avanço e retiro dos israel ;ta5 C8!lform::
as situações
políticas
e
rnPiL3res. Na. Dstalha de EbenÉzer, o local
'foi descrido"
mas os israelitas
mais tarde
expulsararn
os fillsteus
de Ebe:lézer e também de Afeque.
O povoado
israe! ita de Ebenézer foi cercado po~ 'em muro com casas simples
adjacentes,
No ce"'ro
foram descobertos
doze
silos de r:~'~\e:'ia] e, enl urn destes, um caco
de c2r3l~-; IC3 CGril itlSCl"jções
em preto-canaanila. O'_o-os s<:;:',seos nesta área, desta vez
na pie,:; ia cIdade de Afeque,
incluem
uma
ubuính"
de argiia dum certo Kukhlina
de
Ug3i it pc;a Ha,,!,:!3, o gove~nador egípcio em
Canaã
que
&-,F8
residia
os
em
afiaS
de 1240
e '1230 a. C.,
Afeque.
A tebu;"ha
tem 41 regras no escrito acadial10 cllne! 'orme e trata de uma transação
ileg3) de 250 medidas
de trigo.
Kukhlina
pede ao go Jsrnadoi
que faça justiça a fim
de que o tcigo seja restituído
ao pmprietário. Para apoÍ;:\r seu pedido,
eie mandou
ane;w
um pi'8sente
de 100 siclos
de lã
verms'>a
e '10 siclos de lã azul. Dos dois
negcclantiOs'
do trigo extraviado,
um tem
um nem3 semilico,
Aduya,
e o nome do
out;'o soa Tur Shima ti.
A ta bu inha encontrava-se
nos escombros
da fortaieza
egípcia,
construída
por Ramsés II (1301-1235
a.C.)
e destruída
peios
cham2cios
"po"'os
do mar".
~Jestes escombros foram descobertos
também
um colar,
brincos
de ouro e um grande
número
de
Cucos.
A descoberta
de Ebenézer,
no mês de
exatamente
um
agosto
de 1978, ocorreu
ano depois
da descoberta
espetacular
de
Timnata
no vale do Zorá
WilJem
-:0:-
C. van Hattem
AQUEDUTO
DO REI SALOMAO
O rei Ezequias, de Judá, não foi o primeiro a construir um aqueduto em Jerusalém, pois foi descoberto um outro túnel
muito mais antigo do que o famoso aqueduto de Ezequias. Dr. Yigal Shiloh da Universidade Hebraica é de opinião que o túnel recém descoberto pode ser datado do
século X antes de Cristo, provavelmente no
tempo do rei Salomão. O túnel foi descoberto durante a primeira estação de cinco
perfodos planejados de escavações em Jerusalém, principalmente na "Cidade de Da-
vi".
As escavações até aí resultaram em uma
riqueza de achados de períodos antigos,
restos de edifícios, fortificações, pesos, um
grande número de inscrições, objetos de
cerâmica e muitos outros objetos.
Em contraste com o aqueduto de Ezequias, construído para fins estratégicos e
escavado pelas rochas para levar a água
da fonte Giom para dentro dos muros da cidade ao reservatório Siloé, o aqueduto da
era salomõnica tinha fins mais utilitários.
O túnel seguia o lado leste do muro da
"Cidade de Davi" e tinha uma série de "ja_
nelas" oito dessas já foram encontradas
para desviar a água em canais de irrigação. Disse "Shiloh: "atingimos os perlodos antigos do povoado", isso quer dizer
a época antes do segundo templo. O objetivo principal das escavações é explorar a
época do primeiro templo e o período começado com o reino de Davi em Jerusalém.
Apesar deste objetivo, os arqueólogos não
têm nenhuma dificuldade para encontrar camadas mais antigas ainda. Já no ano de
1909, restos do período canaanita foram
descobertos num poço, mas o prof. Shiloh
tem esperança de encontrar camadas do povoado do terceiro milênio a. C. (Bronze Antigo I). Já foram encontrados restos do povoado mais antigo de Jerusalém, isso quer
dizer, o povoado mais antigo conhecido até
agora. É por isso que Shiloh e seus 120
cooperadores esperam encontrar uma verdadeira camada que dará uma impressão
da vida cotidiana da antiga época canaanita.
A primeira estação das escavações terminou em agosto de 1979, após quase dois
meses de trabalho. Terminou, contudo, uma
semana antes do que foi planejado por limitações financeiras. A operação é financiada, em grande parte, por um grupo de
sulafricanos liderado por Mendel Kaplan,
enquanto a Universidade Hebraica. The Israel Exploration Society e a Fundação Jerusalém são os co-patrocinadores.
Contrário aos vários arqueólogos que publicam seus achados com muita demora,
Dr. Shiloh anunciou uma entrevista coletiva para a imprensa com informações completas sobre os achados no decorrer do mês
de setembro de 1978,
Wil/em
C. van
Hattem
53
VOCÊ
BOAS NOVAS: Donald F. Ginkel Manual de Instrução - Tradução de Acir Raymann e Beatriz C. W. Raymann Departamento de Comunicação Concódia S.A.
Artes Gráficas e Embalagens, 1977 84 páginas.
Não vai longe o tempo em que o pastor
dispunha apenas de um único compêndio,
afora a Bíblia, para a instrução, tanto de
crianças como de adultos, em seu campo
de trabalho. Era o catecismo de Schwan,
como costumávamos chamá-Io, por ter sido
editado sob sua supervisão, em 1896, quando presidente da igreja-mãe. De base servia
o catecismo para escolas elementares de J.
C. Dietrich, autor de mais um catecismo,
de nível superior, "Institutiones Catechetica)
(1613), usado antigamente no nosso Préteologico, em língua alemã. O catecismo de
Schwan, também denominado catecismo sinodal, continuou inalterado em uso na igreja-mãe durante meio século, quando sofreu
uma revisão, em 1943, sob a direção do
professor Richard Neitzel, por razões de ordem didática.
Lamentavelmente o nosso
"sinodal" não se aproveitou dessa revisão,
razão por que continuamos com o "Shwan"
original.
Entrementes surgiram, lá e aqui, os mais
varíados compêndíos, que visam a idade,
o grau de escolaridade, o nível intelectual
e outras particularidades, de modo que se
torna mais fácil ao pastor escolher o livro
que lhe parece ser mais apropriado para
as condições em que trabalha. Mesmo assim conheço irmãos que elaboram seus próprios compêndios para instrução de confirmandos, procurando trabalhar "sob medida", isto é, adaptar programa e método às
necessidades do lugar. Notei também que
a preocupação mor girava em torno de dois
fatos. Uma vez a seqüência não é sempre
feliz no nosso Schwan, onde, por exemplo,
se fala em Deus durante os dez mandamentos, mas só se trata de Deus na segunda parte. O outro ponto seria uma motivação mais acentuada, um elemento agressivo e evangelizador nas lições, aliado a um
momento devocional. Toda aula um culto
em que a alma angustiada busca resposta
na palavra de Deus
A título de informação: os dois compêndios mais usados na instrução de confirmandos são, de acordo com uma enquete
54
LEU?
JÁ
em nosso meio, o catecismo de Schwan e
Crescendo em Cristo.
O Departamtnto de Comunicação acaba
de publ icar um novo compêndio para instrução de adultos, que também serve para
jovens, em determinadas
circunstâncias:
Boas
Novas.
De maneira sugestiva cada uma das iições leva o subtítulo: Tenho boas novas para ti seguindo então o título de cada
lição:
1 . Sobre um Deus que se preocupa contlgo
2. Sobre uma Bíblia que te guia e te
liberta
3. Sobre um Salvador que te salva
4.
5.
6.
7.
Sobre um Espirito que te converte
Sobre um lavar que te purifica
Sobre uma Ceia que te sustenta
Sobre uma vida devocional que te
abençoa
8. Sobre as chaves que abrem e fecham
9. Sobre uma mordomia que está totalmente compromissada
10. Sobre uma vida que nunca termina
Cada lição apresenta a matéria por meio
de perguntas que são respondidas de imediato
por versículos da Bíblia. Só no fim
de cada trecho há uma breve e simples exposição do assunto. A lição termina com
uma oração em conjunto, o canto de um
hino, um programa de leitura bíblica para os
próximos sete dias, e mais ou menos uma
página de tarefas por escrito, a serem executadas em casa.
Creio que este livrinho, já na sétima edição na igreja-mãe, e de ótima tradução para o nosso idioma, prestará bons serviços
no trabalho da missão. Podia até imaginá10 incluído no Projeto Filipe de nossa igreja.
I
Otto A. Goerl
-:0:QUERO CRESCER Programa anual de
estudos bíblicos para o 75.0 aniversário da
IELB, Departamento de Comunicação e Con-
córdia S.A. Artes Gráficas
gens, 1979, 251 páginas.
e Embala-
Quero Crescer é uma publicação festiva.
Faz parte do programa das comemorações
alusivas ao 75.0 aniversário da Igreja Evangélica Luterana do Brasil.
Quero Crescer é um título que pretende
traduzir o nosso desejo e objetivo como
cristão e como igreja. Nasceu do lema que
nossa igreja escolheu para festejar os 75
anos de atividade evangelizadora: uCresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo" Efésios 4.15.
Quero Crescer tem seus 52 estudos elaborados por uma equipe de pastores que,
examinando uma série de textos bíblicos
selecionados, tiveram a preocupação de
transmitir a mensagem cristã de maneira
clara e simples.
Quero Crescer procura transmitir a dinâmica da igreja. razão pela qual ressalta
e sublinha uma palavra crescimento I Em
cada um dos
doze temas mensais repete-se o verbo "creçamos": Cresçamos no
louvor, na comunhão, no ensino, no dever
civil, na unidade de Espírito, na consagração, no amor, na anunciação do evangelho,
no testemunho pessoal, nas funções sacerdotais, na adoração e na santificação da
vida familiar
Os quatro ou cinco estudos
semanais procuram enfocar alguns Bestaques especiais da temática do mês.
Quero Crescer precisa ser examinado
muitas vezes e em muitos momentos devocionais: no lar, com a família reunida em
devoção doméstica; nos estudos bíblicos
dos diversos departamentos da congregação; nos cultos de leitura das filiais e pontos de missão; nos cultos públicos, quando o pastor fará uma recapitulação dos
pontos altos de cada um dos estudos. Com
estas repetições, além de facilitar a gravação das verdades expostas, todos os fiéis
terão oportunidade de se inteirar destas
mensagens.
Quero Crescer tem seus estudos programados para o período em que acontecerão
as principais solenidades relativas aos 75
anos de nossa igreja, isto é, junho de 1979
até maio de 1980. Além destes estudos,
constam na programação: publicações especiais, ofertas de gratidão, cultos festivos nas congregações e concentrações públ icas nos conselhos distritais. Todos os
cristãos luteranos devem dizer ao Brasil o
que crê, ensina e confessa a Igreja Evangélica Luterana do Brasil.
Quero Crescer pretende ser mais um veículo nas mãos de Deus, através do qual o
seu povo examine as Sagradas Escrituras,
louve ao Senhor de igreja pelos 75 anos
de bênçãos, participe do crescimento e progresso da igreja do Deus vivo, e transforme
em vivência consciente e dinâmica as verdades do lema:
"Cresçamos em tudo naquele que é 8
cabeça, Cristo".
-:0:-
L.
CR6NICAS
DA IGREJA, C. H. Warth Departamento de Comunicação e Conc6rdia
S.A. Artes Gráficas e Embalagens, 1979,
403 páginas.
Crônicas da Igreja já deveria estar no
mercado há mais tempo. Contudo, apenas
recentemente o Departamento de Comunicação o pôde incluir em seu programa editorial. Agora, porém, a obra recebe um destaque bem especial, pois está fazendo parte
das publicações festivas que a Igreja Evangélica Luterana do Brasil está editando neste ano de seu 75.0 aniversário de fundação, quando todas as comemorações alusivas ao acontecimento histórico terão por
lema as palavras: "Cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo" (Ef 4.15).
Crônicas da Igreja apresenta fatos e comenta episódios que fizeram história na
Igreja Evangélica Luterana do Brasil. Posteriormente, como o livro não foi impresso
no tempo previsto, o autor e colaboradores
seus fizeram alguns acréscimos. Este volume traz rico subsídio para todo aquele
que pretende conhecer melhor a história e
a missão desta igreja que procura divulgar
"todos os desígnios de Deus" na terra do
Cruzeiro do Sul.
O autor que nasceu no início deste
século, em Sertão, RS, que concluiu seu
curso de teologia na Faculdade de Teologia do Seminário Concórdia, Porto Alegre,
RS, que exerceu seu ministério por mais de
meio século, dos quais dedicou a maior
parte à congregação de Novo Hamburgo,
RS, que foi diretor interino do Seminário
Concórdia, que integrou comissões da igreja, que já foi diretor de diversos periódicos,
que por mais de três décadas foi estatístico da Igreja Evangélica Luterana do Brasil
sempre demonstrou atenção muito especial pela história da igreja.
Sentimos que o Rev. Carlos H. Warth
não pôde ver a concretização de seu gran-
55
de sonho - a publicação de suas Crônicas
da Igreja, pois em 06.05.1976
Deus o
chamou ao descanso eterno.
É com alegria que registramos nossa gratidão às famílias Jensen e Busch, dos Estados Unidos, pela oferta que levantaram
em memória do Dr. John Busch que
muito colaborou com o autor na elaboração
do manuscrito e a destinaram em favor
da publicação de Crônicas da Igreja.
Que Deus faça repousar sua bênção sobre este volume e desperte outros historiadores que possam continuar registrando a
história do povo de Deus que integra a
Igreja Evangélica Luterana do Brasil.
L.
[N D I C E
Apresentando,
Editorial:
A Igreja é um Organismo Dinâmico.
Destaque: O Credo Apostólico:
1
Fiel Testemunho da Verdade, 4
O Cristão zela pela Criação de Deus, 9
Os Anjos e seu Ministério,
14
O casamento entre os Filhos de Deus e os Filhos dos Homens, 23
450 Anos de Catecismos: Introdução de Lutero ao Catecismo Menor. 31
"Sou Doutor, mas Continuo Aluno do Catecismo. 35
Homilética:
Esboço para Sermões, 39
Notícias Comentadas: O Sucesso do Movimento
Você
56
já
leu?,
54
Pentecostal, 46
Download

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