CADERNO DE TEMAS 2 0 1 2
Equipas de Jovens de Nossa Senhora
«FAZEI TUDO O QUE ELE VOS DISSER» Jo (2, 5)
ÍNDICE
Apresentação ...........................................................................................................................................03
Janeiro Jesus: a imagem de Deus ..........................................................................................................05
Fevereiro Jesus pobre e humilde ............................................................................................................11
Março As amizades de Jesus ..................................................................................................................17
Abril A Misericórdia de Deus ...................................................................................................................23
Maio “Fazei tudo o que Ele vos disser” ....................................................................................................29
Junho Jesus Ressuscitado ......................................................................................................................35
Julho Balanço .........................................................................................................................................41
Setembro A Liberdade de Jesus .............................................................................................................45
Outubro A Porta da Fé .............................................................................................................................51
Novembro Seguir Jesus ..........................................................................................................................57
Dezembro Jesus: o mistério revelado ......................................................................................................65
O QUE RECOMENDAMOS PARA ESTE ANO I Para este caderno foram utilizados diversos livros
para a realização dos temas. Destes, destacam-se os dois livros do Papa Bento XVI, Jesus de Nazaré. Recomendamos a sua leitura como complemento para as vossas reuniões.
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APRESENTAÇÃO
« F a z e i t u d o o q u e E l e v o s d i s s e r » (Jo, 2,5)
Bem-vindos a mais um ano e a mais um caderno de temas propostos para a vossa equipa!
Apesar de seguir a exigência dos anos anteriores, este é um ano diferente. Este ano, as Equipas de
Jovens de Nossa Senhora têm um tema anual – «Fazei tudo o que Ele vos disser» – que servirá de base
para os temas que vamos aprofundar este ano. Surgiu em EAI - Equipa de Animação Internacional - em
Sevilha para o Encontro Internacional de 2012 na Califórnia, e vai também ser o tema das ejNS em
Portugal que permitirá aprofundar a vida de Jesus. Este caminho indicado por Maria nas bodas de Caná
é uma proposta actual e que exige sairmos do nosso conforto e também de nós próprios.
O ano passado foi muito importante, marcado essencialmente por propostas vividas em
Igreja como foi o caso das JMJ em Madrid, onde o Papa nos convidou, como sucessor de Pedro, a
conhecer profundamente o mistério da Pessoa de Jesus Cristo. Com isto, diz-nos «A fé não se limita a
proporcionar alguma informação sobre a identidade de Cristo, mas supõe uma relação pessoal com Ele,
a adesão de toda a pessoa, com a sua inteligência, vontade e sentimentos, à manifestação que Deus
faz de Si mesmo». É isto que vos vimos propor, um encontro pessoal com Jesus afim de fortalecer a
relação com Ele.
A estrutura do ano e de cada tema segue uma metodologia um pouco diferente do que
estamos habituados: partimos de uma (ou mais) passagem da Bíblia que nos remete para a vida de
Jesus, e que serve também para podermos conhecer a fundo a Sagrada Escritura e a sua relação com as
nossas vidas; segue-se uma explicação do tema juntamente com pontos de discussão. Aconselhamos vivamente a que cada reunião seja preparada previamente para que possa ser ainda mais frutuosa
para a vida de cada um dos equipistas. Como complemento, sugerimos para cada mês uns pontos
de oração que permitem, através do Novo Testamento, aprofundar uma relação pessoal com Nosso
Senhor. Para além disto, sugerimos ainda, um ponto de esforço, que deve também ser exigente
e sério, de modo a que seja um desafio que possa ser cumprido em equipa. No fim de cada tema,
encontrarão uma referência ao «YouCat» relacionada com o tema. Por isso, pediamos que tivéssem
sempre convosco este catecismo jovem da Igreja Católica pensada para todos os jovens do Mundo e
que vos servirá sempre que surgirem dúvidas acerca da fé, da Igreja, do Papa...! Lá encontram tudo!
Este é um caminho longo e exigente mas acreditamos que esta é maneira de O seguirmos,
de fazermos «tudo o que Ele nos disser». Por isso, a primeira escolha que devemos fazer para nos
tornarmo-nos verdadeiros discípulos de Jesus é de segui-l’O. Segui-l’O através da Igreja; segui-l’O
através das Equipas de Jovens de Nossa Senhora; segui-l’O em Equipa; segui-l’O de forma a que a
nossa fé seja vivida de maneira diferente, encontrando em Jesus o centro, a verdade e o caminho.
O vosso secretariado deixa-vos um óptimo ano de crescimento na fé e de amizade com
Cristo! Estamos juntos nesta caminhada!
Secretariado Nacional 2011/2013
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j ane i ro
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JESUS: A IMAGEM DE DEUS
« Q u e m M e v ê , v ê o P a i » (Jo 14,8-9)
Este ano vamos centrar-nos em Jesus, vamos olhar para Ele. Começamos pedindo-Lhe a graça
de nos ensinar a Sua maneira de se relacionar com o Pai, a Sua maneira de ser, a Sua maneira de estar, o
Seu modo de proceder.
A relação de Jesus com o Pai é fonte e alicerce da Sua vida, das Suas relações, do Seu olhar…
do Seu imenso amor por cada um. À imagem de Jesus queremos aprofundar cada vez mais a nossa relação
com Deus, deixando crescer no coração um desejo cada vez maior de mais O amar e servir.
Todas as relações pressupõem, no mínimo, duas pessoas, duas partes. O mesmo acontece na
relação com Deus, em que os “intervenientes” somos cada um de nós e Deus. Esta relação está alicerçada
na imagem que tenho de mim, do que gosto e não gosto em mim e também na imagem que tenho de
Deus. Claro que nunca podemos definir Deus de uma maneira adequada porque será sempre maior do que
possamos pensar e imaginar. Nós somos constantemente tentados a fazer um Deus à nossa imagem e
semelhança e a divinizar a nossa estreiteza de vistas.
Para alguns, Deus é como um familiar de quem a nossa mãe e o nosso pai gostam muito e que
um dia nos levaram a visitar. Às tantas, ficamos sozinhos com esse tal amigo, que até era querido, mas que
nos diz: «A partir de agora, quero que me visitem todas as semanas, senão, castigo-vos.» Claro que esta
é uma caricatura muito exagerada, mas que de alguma maneira retrata a imagem que muitos de nós temos
de um Deus castigador e dominador. Um Deus que está nos Céus, que quando não fazemos o que Ele quer,
«envia-nos» algum castigo, alguma dificuldade.
Também alguns de nós temos a imagem de um «deus das bitolas impossíveis», que muitas
vezes tem origem em pais excessivamente exigentes. Quando o jogo de a-mãe-não-vai-ficar-contente
leva-nos a um «apenas o ideal é aceitável», mas o ideal acaba depois por vir a revelar-se impossível, a
vida torna-se uma busca vã para conseguir a aprovação de outros, e Deus transforma-se então no «Grande
Descontente», de olhar severo e com um dedo a apontar para nós.
Talvez a imagem mais subtil, mas muitas vezes não identificada, é a do superpoder invisível que
está algures lá em cima. Ligadas a esta imagem global há duas sub-imagens: o «deus das explicações», que
permanece uma força vaga mas distante, e com o qual a relação parece impossível. Também identificamos
Deus com um relojoeiro ou mesmo com um «manipulador de marionetas», ou seja, um deus que «mexe»
e «acerta» a nossa vida conforme lhe parece, retirando-nos toda a nossa liberdade e responsabilidade pela
nossa própria vida.
É um grande desafio libertar-nos das falsas imagens de Deus que fomos construindo ao longo
da nossa vida. São ideias como «Jesus não gosta de ti se não comeres a sopa»; «Deus não gosta que
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sejas assim», que subtilmente nos vão «ajudando» a encontrar mil motivos para não rezar (tenho muito
que fazer, encontro Deus no trabalho, na escola, nas pessoas) porque temos medo de nos encontrar com a
nossa imagem de Deus, por vezes distorcida. Mas temos que fazer um esforço na direcção contrária: rezar
mais e pedir-Lhe ajuda, pedir-Lhe que nos ensine como Ele é, pois ninguém fora d’Ele no-lo pode mostrar.
O Novo Testamento leva-nos até Deus através de Jesus. Jesus como a única e verdadeira
imagem de Deus. Antes de mais, Jesus é exegeta de Deus, ou seja, revelador do mistério. Assim Lhe
perguntamos, com Filipe: «Mostra-nos o Pai!». E Ele responde: «Há tanto tempo que estou convosco, e
não Me ficaste a conhecer, Filipe? Quem Me vê, vê o Pai.» (Jo 14,8-9). Moisés descobriu Yaveh na sarça
ardente, mas nós, os cristãos encontramos Deus como Pai na mensagem, vida e morte de Jesus. Por isso,
é normal que os antigos da Igreja apresentem Jesus como a nova sarça ardente, como diz Jo 1,18: «A Deus
ninguém O viu; o Filho Unigénito que é Deus e está no seio do Pai, foi Ele que O deu a conhecer». Deus vem
até nós, na pessoa de Jesus Cristo, desde as alturas do Seu reino, como Alguém que nos ama infinitamente
e convida-nos a ir ao Seu encontro, buscando e recebendo a Sua glória. Neste caminho do dia-a-dia, Deus
ajuda-nos, não como tirano opressor nem com uma lei imposta de um modo inflexível sobre o povo, mas
como uma garantia de Vida e de liberdade para os Homens, especialmente para os mais pobres.
Jesus mostra-nos o único caminho que nos pode levar em segurança até Deus. A única maneira
de saber algo sobre Deus, é através de Jesus. Quem vê e contempla Jesus, conhecerá e entenderá o que
pode entender de Deus neste mundo. «Ele é a imagem de Deus invisível.» (Col 1,15); o Único que com
toda a verdade pode dá-Lo a conhecer.
Em Jesus é-nos dada a manifestação plena e irrepetível de Deus. Se todo o homem é imagem
de Deus, Jesus é, de modo único, a imagem de Deus. Através d’Ele, Deus fez-se presente entre nós de um
modo único e novo. Em todas as Suas palavras e acções tomamos consciência de quem é Deus para nós:
amor e perdão, denúncia e exigência, doação e presença, eleição e envio, compromisso e força.
Jesus experimenta na Sua vida a proximidade e intimidade com o amor de Deus e comunica-o
com toda a simplicidade. Ele não multiplica as suas palavras e ideias de Deus, mas vive-O e dá-O a conhecer
com as suas atitudes concretas de amor e de perdão. A sua experiência é um contínuo permanecer no Amor
do Pai (cf. Jo 15,10). Jesus recebe do Pai uma participação plena da Sua vida, do Seu conhecimento e das
Suas obras. (cf. Jo 1,18; 5,19-20). Jesus converte-se em canal do amor compassivo de Deus por todos os
Homens e na Sua maneira de ser, de estar, de se relacionar podemos experimentar a proximidade concreta
e real de Deus.
O Deus que se revela em Jesus é um Deus que se comove com a miséria dos Homens. A
imagem inesquecível do Pai que Jesus nos deixou na Parábola do Filho Pródigo fala-nos deste Pai que
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se enternece e que se enche de compaixão diante do filho que regressa a casa. (cf. Lc 15,20). Jesus
mostra-nos este Coração de Deus, sensível à dor humana, ao sofrimento de cada um dos Seus filhos muito
amados. Diante da nossa pequenez, da nossa pobreza, Jesus não Se faz distante, nem superior. Antes pelo
contrário. Conhece e entra nos nossos corações, principalmente nos dos que mais sofrem. O Coração
de Jesus tem a clara inclinação para olhar para a melhor parte, para perdoar, para partilhar. Todos temos
oportunidade e ocasião para nos salvar.
Jesus é para nós imagem de um Deus que é serviço, preocupado com os outros, com os mais
pequenos. Jesus é o homem de Deus constituído no «Homem para os outros», pela força e pelo amor de
Deus que n’Ele habita, de um modo novo. Parece claro que Jesus experimenta a convicção que viver é viver
para os outros, servir os outros. Esta sua maneira de estar e de ser está bem patente nos Evangelhos e está
resumido na frase «passou fazendo o Bem».
A vida de Jesus nunca está centrada em si mesmo, mas sim no Pai. E justamente a sua
experiência tão forte e íntima com Deus Pai é que o converte em «servidor» incondicional dos filhos de
Deus, seus irmãos. Quando temos uma experiência tão profunda de Deus, como Jesus teve durante toda a
sua vida, então somos capazes de sair de nós, das nossas solidões, dos nossos egoísmos, abrindo-nos e
pondo-nos ao serviço dos outros, principalmente dos mais pobres.
«Ninguém pode ir até ao Pai senão por mim. Se ficastes a conhecer-me, conhecereis
também o meu Pai. E já o conheceis, pois estais a vê-lo.» (Jo 14, 6-7)
PONTOS PARA DISCUSSÃO
1. Mais ou menos clara, mais ou menos consciente, cada um de nós tem a sua imagem de
Deus. Até quem não acredita em Deus, tem a sua imagem de Deus. E é preciso ter consciência
dela, para podermos crescer e conhecer mais Jesus. Como é a minha imagem de Deus?
2. Deus revelou a Sua verdadeira e única imagem, Jesus. Mas hoje, continua a revelar-Se nas
nossas vidas, através da oração, mas também através das pessoas, dos acontecimentos, do
quotidiano. Acredito nisto? Onde percebo que Jesus mais se revela na minha vida?
3. O que me fascina mais na pessoa de Jesus? Com que faceta me identifico mais? E qual a
que desejo mais?
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PONTOS DE ORAÇÃO I PARA REZARES DURANTE O MÊS
1. Lc 9, 18-20 I «Um dia, quando orava em particular, estando com Ele apenas os
discípulos, perguntou-lhes: «Quem dizem as multidões que Eu sou?» Responderam-lhe:
«João Baptista; outros, Elias; outros, um dos antigos profetas ressuscitado.» Disse-lhes Ele:
«E vós, quem dizeis que Eu sou?”
Procuro um espaço e um tempo calmos e tranquilos, onde possa estar um bocadinho em
silêncio e coloco-me nesta cena. Imagino-me diante de Jesus… imagino a Sua fisionomia, o
Seu olhar, a Sua voz. E deixo que Ele me pergunte: «E tu, …, quem dizes que Eu sou?». O que
Lhe respondo?
2. Para aprofundar a minha relação com Jesus, é necessário que passe tempo com Ele. É
necessário que aprofunde a nossa amizade. Ninguém ama o que não conhece. Colocar-me
diante d’Ele diariamente é importante para que O possa mais amar e seguir. Dou-Lhe tempo?
Ele é prioridade na minha vida? Posso mudar algo na minha vida agitada para que Ele seja cada
vez mais o centro?
PONTO DE ESFORÇO I PROPOSTAS
Na reunião, propomos que escolham uma característica de Jesus que mais gostem/identifiquem
e escrevam num papel. Durante esse mês estar atento à característica escolhida – tentar
aprofundar, falar com alguém, tentar vivê-la.
Procurar ter uma conversa com um amigo/familiar/padre sobre Jesus. Por exemplo, dar
testemunho da minha fé a alguém que viva da mesma maneira que eu; tirar dúvidas de fé com
um Padre.
REFERÊNCIA YOUCAT I 9 ,10, 77 [mais informações em www.youcat.org]
ORAÇÃO FINAL
Senhor, meditando o nosso modo de proceder, percebi que o ideal de nosso modo de proceder
é o teu modo de proceder. Por isso fixo meus olhos em Ti, os olhos da fé, para contemplar
tua figura iluminada tal como aparece no Evangelho. Eu sou um daqueles de quem disse S.
Pedro: «A quem amais sem O ter visto, em quem acreditais ainda que de momento não O vejais
transbordando de alegria inefável e gloriosa.»
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Senhor, Tu mesmo nos disseste: «Dei-vos o exemplo para que me imiteis». Quero imitar-te até
o ponto que possa dizer aos demais: «Sede meus imitadores, como eu o tenho sido de Cristo».
Como não posso dizê-lo fisicamente como São João, ao menos gostaria de poder proclamar
com o ardor e sabedoria que me concedas, «o que vi com os meus olhos, o que toquei com
minhas mãos acerca da palavra da Vida; pois a Vida manifestou-se e eu via-a e dou testemunho».
Dá-me, sobretudo, o «sensus Christi» que Paulo possuía:
que eu possa sentir com os teus,
os sentimentos de teu Coração
com que amavas o Pai e aos homens.
Ninguém teve jamais maior caridade que Tu, que deste a vida pelos teus amigos,
culminando com tua morte na cruz em total despojamento.
Quero imitar-te nesta
disposição interna e suprema e também na tua vida de cada dia,
actuando no que é
possível, como tu procedeste.
Faça com que aprendamos de Ti, nas grandes e nas pequenas coisas, seguir o exemplo de total
entrega ao amor do Pai e aos homens, irmãos nossos, sentindo-nos bem próximos de Ti.
Dá-nos esta graça, dá-nos o «sensus Christi»
que vivifique toda nossa vida e nos ensine,
mesmo nas coisas exteriores – a proceder segundo o teu espírito.
Ensina-nos «teu modo»
para que seja «nosso modo» no dia-a-dia
e possamos realizar o ideal que Tu tens sonhado para nós,
teus colaboradores na obra da Redenção.
Pedimos a Maria, tua Mãe Santíssima,
de quem nasceste, com quem viveste 33 anos
e que tanto contribuiu para formar teu modo de ser e de proceder
que forme em nós, outros tantos Jesus como Tu.
[Excerto da oração do Pe. Pedro Arrupe]
PONTO DE ESFORÇO
PRÓXIMA RE U NI ÃO
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f e v e re i ro
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JESUS POBRE E HUMILDE
« F e l i z e s o s p o b r e s d e e s p í r i t o p o r q u e d e l e s é o R e i n o d o s C é u s » (Mt 5, 2-3)
Partimos para este tema sobre a pobreza e a humildade em Jesus a partir de um hino
cristológico da Carta aos Filipenses (Fil 2, 5-11). Vamos ver como a partir daqui se percebe a razão
desta vivência humilde e pobre que é própria não apenas de Jesus mas de todos aqueles que O
desejam seguir.
«Tende entre vós os mesmos sentimentos, que estão em Cristo Jesus: Ele, que é de condição
divina, não considerou como uma usurpação ser igual a Deus;
no entanto, esvaziou-se a si mesmo,
tomando a condição de servo.
Tornando-se semelhante aos homens
e sendo, ao manifestar-se, identificado como homem,
rebaixou-se a si mesmo,
tornando-se obediente até à morte
e morte de cruz.
Por isso mesmo é que Deus o elevou acima de tudo
e lhe concedeu o nome
que está acima de todo o nome,
para que, ao nome de Jesus,
se dobrem todos os joelhos,
os dos seres que estão no céu,
na terra e debaixo da terra;
e toda a língua proclame:
«Jesus Cristo é o Senhor!»,
para glória de Deus Pai.»
Se tentarmos fazer a experiência de exprimir graficamente este hino, podíamos desenhar um
V, que representa o percurso de Jesus. Começa por dizer que é de condição divina e, a partir daí, há
todo um abaixamento, que significa a encarnação do Verbo de Deus. De Deus, torna-se homem (não
deixando de ser Deus). E feito homem, torna-se servo e obedece até à morte, e morte de Cruz, ou seja,
a morte mais cruel e mais degradante que se podia ter. E é precisamente a partir daí, da sua morte na
Cruz, que Jesus Cristo Se volta a elevar (portanto aqui se percebe o esquema em V): «Por isso mesmo
é que Deus o elevou acima de tudo».
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Este é o ponto de partida que nos permite agora ver como, na sua vida, Jesus sempre
viveu numa atitude de pobreza e humildade. Mais do que ter este modo de vida por conveniência,
ou para dar um exemplo moralmente bonito, ser pobre e humilde são características do próprio ser
de Jesus, que são também fundamentais para os seus discípulos. Diz a Segunda Carta aos Coríntios:
«Conheceis bem a bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo que, sendo rico, se fez pobre por vós, para
vos enriquecer com a sua pobreza» (2Cor 8, 9). Esta pobreza é o abaixamento que vimos descrito no
hino. Por seu infinito amor, Deus enviou o Seu Filho para Se fazer homem e, por esse mesmo amor
que nos quer salvar, morreu na Cruz e ressuscitou, para nos dar a verdadeira vida e nos livrar da morte
que o pecado nos trouxe.
Na Bíblia são muitas as referências aos pobres (associando-se aos humildes), e vemos
como estes são sempre alvo especial da misericórdia e do amor de Deus. No Salmo 22 podemos ler:
«Os pobres comerão e serão saciados; louvarão o Senhor, os que o procuram. «Vivam para sempre os
vossos corações.» (Sl 22, 27). Os pobres são os humildes e os piedosos, convidados para o banquete
que se segue aos sacrifícios.
Também São Tiago diz: «Ouvi, meus amados irmãos: porventura não escolheu Deus os
pobres segundo o mundo para serem ricos na fé e herdeiros do reino que prometeu aos que o amam?»
(Tg 2, 5). Esta afirmação prova como o Senhor elege os pobres e é exactamente pela sua pobreza que
são aptos para serem herdeiros do Reino, ou seja, para receberem Jesus.
Noutro passo da Escritura, desta vez do Evangelho de São Mateus, é o próprio Jesus que
refere o lugar central dos pobres na sua vida: «Jesus respondeu-lhes: «Ide contar a João o que
vedes e ouvis: Os cegos vêem e os coxos andam, os leprosos ficam limpos e os surdos ouvem, os
mortos ressuscitam e a Boa-Nova é anunciada aos pobres» (Mt 11, 4). Jesus diz que esta é a sua
Missão, confirmando a intuição de Isaías. A Boa-Nova é anunciada aos Pobres, estes são os primeiros
destinatários do Evangelho, para quem Jesus veio. Esta é a preferência de Jesus pelos pobres, que é
como quem diz, os pobres são os filhos predilectos do amor de Deus.
Outro texto, dos mais conhecidos do Novo Testamento, são as Bem-Aventuranças, que
Jesus diz no contexto do Sermão da Montanha. Citamos só a primeira parte (Mt 5, 2-3), pela
referência que faz aos pobres.
«Então tomou a palavra e começou a ensiná-los, dizendo:
«Felizes os pobres em espírito,
porque deles é o Reino do Céu»
Jesus diz que estes serão felizes, ou seja aqueles que se encontram em condições mais
propícias de receberem o Reino de Deus. Os pobres em espírito ou pelo espírito são aqueles que,
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mediante as provações de ordem material e espiritual, aprenderam a confiar apenas em Deus, como
nos diz uma nota da Bíblia dos Capuchinhos. A pobreza interior é condição para entrar no Reino, e,
como já vimos, a evangelização dos pobres era, com os milagres, um dos sinais indicados por Jesus
aos discípulos do Baptista, pelos quais poderiam reconhecer n’Ele o Messias. Jesus manifestou muitas
vezes a sua predilecção pelos pobres, que são não apenas aqueles que não têm dinheiro mas também
os pequeninos e os humildes. Esta preferência de Jesus é sinal da liberdade de Deus, convidando à
solidariedade em favor dos infelizes.
Como sabemos, o Senhor Jesus identifica-se com os pobres. Afirma estar presente no mais
pequenino dos irmãos, quando estes tinham fome ou sede. Ser pobre é acima de tudo viver totalmente
dependente de Jesus. Se calhar não fazemos a experiência da pobreza material, a um nível extremo
como infelizmente fazem tantas pessoas no mundo inteiro. Mas podemos ao menos imaginar o que
será o medo de não ter nada para viver no dia seguinte, não ter o que comer, não ter onde viver,
não ter trabalho para nos sustentarmos. E mais aflitiva ainda deve ser a angústia de um pai que não
consegue sustentar a sua família, aqueles que dele dependem. Ora viver a pobreza de espírito é
viver abandonados à divina Providência. Viver cada dia deixando que Deus nos vá encaminhando.
Isto não significa perder a iniciativa ou a capacidade de ser criativo e trabalhador. Não significa viver
passivamente à espera que Deus faça tudo por nós. Antes, significa colaborar no projecto de Deus para
a nossa vida, acolhendo a missão que Deus nos confia e fazendo tudo como se dependesse de Deus,
sabendo que na verdade tudo depende de Deus.
Jesus é pobre e humilde. Humilde porque Se humilha. Se nos lembramos ainda do hino
do princípio deste texto, o Senhor Jesus Cristo humilhou-Se, ao assumir a condição de Servo. Ser
humilde é humilhar-se, tornar-se o mais pequeno. Diz Jesus: «Porque todo aquele que se exalta será
humilhado, e quem se humilha será exaltado» (Lc 18, 14). O dinamismo da vida cristã é este mesmo,
sobe-se descendo. O verdadeiro pobre e humilde é aquele que põe toda a sua segurança no Senhor,
que confia que o Senhor tem um plano de amor para si e que não deixará o homem morrer na solidão,
porque Deus está sempre presente e não deixa nunca de ser fiel.
Todos os grandes personagens da Bíblia e todos os Santos que conhecemos, cada um à
sua maneira e nos contextos em que aparecem, são estes homens e mulheres pobres e humildes.
Souberam viver de Deus, viver do amor de Deus, que preenche o coração do homem. Se o nosso
coração for pobre e humilde, aí haverá espaço para que o Senhor o encha do seu maior tesouro: o seu
amor, que é Ele próprio. Um coração pobre é um coração que pode enriquecer. Pelo contrário, se temos
o coração já cheio das riquezas deste mundo, que são sempre passageiras, não temos espaço para que
o Senhor verdadeiramente o enriqueça com um tesouro de valor inestimável e eterno. Se sou humilde,
estou no meu lugar, e assim consigo relacionar-me com Deus, como um filho obedece e respeita o seu
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pai. Se me ponho no lugar de Deus, se sou soberbo, não vou aceitar nunca a presença deste Deus que
é maior do que eu e a quem devo adorar de todo o coração.
Jesus é pobre e humilde e com a sua vida ensina-nos que o caminho para a santidade é um
caminho discreto e simples. O nosso amor a Deus, que nos ama primeiro, vê-se na vivência pobre e
humilde do dom da vida que Deus nos dá. Isso será para nós e para os outros sinal que, como Santa
Teresa dizia, «só Deus basta».
PONTOS DE DISCUSSÃO
1. Como vivo a pobreza evangélica? Percebo a diferença entre esta pobreza e a pobreza
material? Uma coisa não é sinónima da outra, mas onde há luxo pode haver esta pobreza?
2. Como lido eu com a humilhação? Que situações me humilham? Procuro fazer-me o mais
pequeno ou pelo contrário quero ser o centro e aparecer como o mais especial de entre
todos?
3. O serviço para faz parte da minha vida? Olhando para Jesus, vejo n’Ele Deus e, ao mesmo
tempo, o homem que Se fez servo de todos? Como configuro a minha pessoa com Jesus?
Desejo este abaixamento ou é para mim um peso que tenho de carregar e ao qual procuro
fugir?
PONTOS DE ORAÇÃO I PARA REZAR DURANTE O MÊS
1. Mt 5, 1-12 I Medito nas Bem-aventuranças. Principalmente os versículos 3-9, cujo
centro é a pobreza. Sou verdadeiramente feliz? Encontro-me ou já me encontrei em alguma
das situações descritas?
2. Lc 16, 19-31 I Rezo esta parábola do rico e Lázaro e procuro fazer um exame ao que tem
sido a minha vida e a relação que tenho para com os pobres. Ajudo-os, procuro servi-los e
vê-los como meus irmãos? Ou prefiro ignorar a sua existência. Rezo por eles?
3. Assim como no hino cristológico vimos que Jesus desceu e depois foi exaltado, procuro
rezar em que é que eu posso «morrer», em coisas concretas do meu dia, para assim ter a
vida eterna que Jesus me dá. Rezo situações em que saí de mim e amei os outros, no serviço
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aos que mais precisam, e dessa maneira senti que agradei a Deus.
PONTO DE ESFORÇO I PROPOSTA
Procuro viver a pobreza e a humildade durante este tempo. Dou esmola, por exemplo, ou
faço algumas acções de forma escondida, de modo a que ninguém saiba que eu a fiz. É importante
treinarmos a humildade de dar sem esperar recompensa.
REFERÊNCIA YOUCAT I 60 e 449 [mais informações em www.youcat.org]
ORAÇÃO FINAL
Sendo este o tema que fala da pobreza e humildade de Jesus, rezamos a Oração de Pobre,
em que cada diz (em alto) aquilo que está no seu coração. Pode ser um agradecimento, um pedido ou
uma partilha de algo que tenha tocado, especialmente nesta reunião.
PONTO DE ESFORÇO
PRÓXIMA RE U NI ÃO
15
març o
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AMIZADES DE JESUS
« S e n h o r , s e Tu c á e s t i v e s s e s , o m e u i r m ã o n ã o t e r i a m o r r i d o . » (Jo, 11, 21)
Conhecer bem uma pessoa implica conhecer a qualidade das suas relações. Ao contemplar
Jesus vemos como Ele se compadecia (padecia com) e comovia (deixava-se mover por) com a
miséria e a necessidade dos outros; como se envolvia com as pessoas e se deixava «tocar», física
e interiormente; como alegremente comia e bebia com pecadores, como tinha verdadeiros amigos e
amigas; como pegava nas crianças ao colo, enchendo-se de ternura; e como chorava pela morte de
um amigo.
Não podemos, pois, dizer que Jesus fosse uma pessoa distante. Pelo contrário, tudo n’Ele
fala de proximidade. Por outro lado, surpreende-nos a enorme liberdade de Jesus, que O leva a não
se deixar prender nem manipular, que não O torna dependente nem permite criar dependências nos
outros. Quando O querem agarrar para O fazer rei, ou para agradar à multidão que O procura, ou, pelo
contrário, quando as pessoas O rejeitam e mostram o seu desagrado, vemos Jesus a afastar-se, com
uma enorme liberdade interior; quando Maria Madalena O reconhece depois da ressurreição e O quer
agarrar, Jesus afasta-a e envia-a de volta aos seus, com uma missão.
Vemos, então, n’Ele essa liberdade de quem está centrado no único Absoluto e de quem,
para isso, sabe que precisa de momentos de solidão. N’Ele reconhecemos o que «é amar a Deus em
todos e a todos em Deus.» Em Jesus não é possível escolher entre ser próximo ou livre: Ele é próximo
e livre! Vive uma proximidade que liberta, e uma liberdade que cria uma verdadeira capacidade de
proximidade, sem dependências ou medos. Para nós é fácil ser próximo ou livre. O difícil é ser próximo
e livre.
Sabemos muito pouco da vida quotidiana de Jesus. Mas teve realmente uma vida quotidiana
ou viveu em perpétua tensão, como se tivesse Alguém lá no alto que O comandasse? De que falava nas
horas em que não anunciava o Reino dos Céus?
Na sua vida, Jesus também teve tempo para contemplar paisagens, tempos para a amizade
e o descanso, todos esses pequenos momentos e pessoas que nos tornam a vida mais cheia e plena.
Um dos recantos em que Jesus descansava era nas suas amizades. A Sagrada Escritura está
cheia de elogios à amizade. «O amigo fiel não tem preço» (cf. Ecl 6,15;7,18) porque «ama em todo
o tempo» (cf. Prov 17,17) e «torna a vida deliciosa» (cf. Sl 133). O próprio Deus apresenta-se como
amigo dos homens. Um pacto de amizade é selado com Abraão (cf. Gn 18,1), com Moisés (cf. Ex
33,11), com os profetas (cf. Am 3,7). Ao enviar Cristo mostrou-Se como «amigo dos homens» (cf. Tit
3,4) e o mesmo Jesus descreveu Deus como alguém que se deixa incomodar pelo amigo inoportuno
(cf. Lc 11,5-8). Jesus deu a esta amizade de Deus um rosto humano vindo a ser amigo dos homens,
de cada um de nós. Mas teve amigos mais próximos, como os seus doze apóstolos, a quem disse «Já
não vos chamo servos, mas amigos» (cf. Jo 15,15). No entanto, Jesus era na realidade para os seus
17
apóstolos mais um mestre do que um amigo. Eles olhavam para Ele com respeito e Ele tinha para com
eles uma relação de quem tem a missão de ensinar. Podemos dizer, portanto, que é Betânia, onde vivia
a família de Lázaro, o verdadeiro centro da amizade de Jesus. Ali não tem, pelo menos num primeiro
momento, uma função directamente messiânica. Pode retirar-Se para ali, para descansar, para estar
simplesmente, à vontade, entre pessoas queridas e que O estimam.
No capítulo 11 do Evangelho de João em que podemos contemplar a ressurreição de Lázaro,
damo-nos conta da intimidade que Jesus tinha com cada um dos três irmãos: Marta, Maria e Lázaro.
«Logo que Marta ouviu dizer que Jesus estava a chegar, saiu a recebê-lo, enquanto Maria
ficou sentada em casa. Marta disse, então, a Jesus: «Senhor, se Tu cá estivesses, o meu irmão não
teria morrido.»
Só uma relação de proximidade e de amizade profunda permite esta afirmação de Marta
a Jesus. Uma afirmação que revela esta fé que Marta tem em Jesus e na Ressurreição mas que, ao
mesmo tempo, revela a necessidade da presença, da companhia. E revela também o seu sofrimento,
a sua humanidade.
«Quando Maria chegou ao sítio onde estava Jesus, mal o viu caiu-lhe aos pés e disse-lhe:
«Senhor, se Tu cá estivesses, o meu irmão não teria morrido.» Ao vê-la a chorar e os judeus que a
acompanhavam a chorar também, Jesus suspirou profundamente e comoveu-se.»
Esta atitude de Maria é a de quem deseja descansar no colo de Jesus, é própria de alguém
que O conhece e O ama. Alguém que está com Ele e que reza ao Pai, através d’Ele. Como também nós
temos alguns amigos em quem podemos «descansar», com quem podemos partilhar o que está no
mais fundo do nosso coração, as alegrias e tristezas, anseios e vitórias… com quem podemos estar em
silêncio, com quem podemos rir e chorar. Esta é a amizade enraizada no amor puro e desinteressado
pelo outro.
É transformador contemplar este Jesus que não aparece nesta casa como um herói, mas
como Alguém que vive e se compadece com a dor destas mulheres. Jesus é Alguém que não fica de
fora, não fica à margem. Envolve-se totalmente, entrega-Se inteiro. E não tem medo de revelar os seus
sentimentos, não tem medo de mostrar que sofre, que é frágil, que é humano.
Pedro, a quem Jesus deu as chaves da sua Igreja (Mt 16,18) foi um dos homens que mais
O acompanhou na Sua missão e que viveu uma relação de profunda amizade com Ele. Pedro deixa
tudo para seguir Jesus: deixou a família, a sua profissão de pescador… sobretudo teve que sair de si
para seguir Jesus. Seguir Jesus é muito mais do que seguir um ideal ou uma maneira de viver a vida.
Seguir Alguém implica esta adesão de coração, este conhecimento e intimidade com o Outro, que me
vai transformando e me vai dando o desejo de ser cada vez mais Seu amigo.
Todas as passagens do Evangelho que nos falam desta amizade tão bonita de Jesus e Pedro são muito
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cheias de sentimentos, de fé, de «sim» e de «não»… como também é a nossa amizade com Jesus.
Mas podemos centrar-nos nos episódios que são chave na vida de Jesus: morte e ressurreição. Pedro
aparece nestes dois momentos como alguém que é próximo e íntimo, mas ao mesmo tempo muito
pequeno e débil.
Jo 13,36-37 I «Disse-lhe Simão Pedro: «Senhor, para onde vais?» Jesus respondeu-lhe:
«Para onde Eu vou, tu não me podes seguir por agora; hás-de seguir-me mais tarde.» 37Disse-lhe
Pedro: «Senhor, porque não posso seguir-te agora? Eu daria a vida por ti!» Pedro ama Jesus profundamente e quer segui-Lo agora. Andou com Ele, anunciou a Boa
Nova junto d’Ele, aprendeu com Ele e deseja ardentemente ser cada vez mais como Ele. Um amigo
de verdade e que ama desinteressadamente e que dá tudo para O acompanhar e estar próximo. Mas
Pedro, tal como cada um de nós, quer fazer as coisas à sua maneira, no seu tempo. Deixa-se levar pelo
impulso do momento.
Lc
22,
54-60
I
«Apoderando-se,
então,
de
Jesus,
levaram-no
e
introduziram-no em casa do Sumo Sacerdote. Pedro seguia de longe. Tendo acendido
uma
fogueira
no
meio
do
pátio,
sentaram-se
e
Pedro
sentou-se
no
meio
deles.
Ora, uma criada, ao vê-lo sentado ao lume, fitando-o, disse: «Este também estava com Ele.» Mas Pedro
negou-o, dizendo: «Não o conheço, mulher.» Pouco depois, disse outro, ao vê-lo: «Tu também és dos
tais.» Mas Pedro disse: «Homem, não sou.» Cerca de uma hora mais tarde, um outro afirmou com
insistência: «Com certeza este estava com Ele; além disso, é galileu.» Pedro respondeu: «Homem, não
sei o que dizes.» E, no mesmo instante, estando ele ainda a falar, cantou um galo. Pedro tinha afirmado pouco antes que dava a vida por Jesus, mas quando Ele mais precisou,
fugiu. Para onde terá ido? Ter-se-á afastado muito?
Apesar do medo, Pedro seguia-O de longe. Terá sentido uma enorme angústia e
incompreensão do que se estaria a passar. O seu grande amigo, Aquele por quem tinha largado tudo,
estava a ser condenado à morte e parecia que tudo iria ficar por ali.
Lc 22, 61-62 I «Voltando-se, o Senhor fixou os olhos em Pedro; e Pedro recordou-se da
palavra do Senhor, quando lhe disse: «Hoje, antes de o galo cantar, irás negar-me três vezes.» E, vindo
para fora, chorou amargamente.»
Jesus olha Pedro e vê-o na sua pequenez, na sua fragilidade. E naquela situação de medo e
contradição, Jesus vê o amor. É um olhar em que a misericórdia (miserere=miséria; cordis=coração;
Deus que se aproxima da miséria do Homem) é o verdadeiro acto de amar.
Nas verdadeiras amizades, naquelas que nos sustentam que nos fazem ser mais nós próprios
e mais de Deus, devemos ser transparentes: mostrar as riquezas e as pobrezas, o tesouro e o barro, as
19
fortalezas e as fragilidades.
Quando é que Pedro se reencontra consigo próprio? Quando Jesus Ressuscitado vem ter
com Ele e O volta a escolher, a renovar a Sua confiança nele e no seu amor.
Jo 21,15-17 I Depois de terem comido, Jesus perguntou a Simão Pedro: «Simão, filho de
João, tu amas-me mais do que estes?» Pedro respondeu: «Sim, Senhor, Tu sabes que eu sou deveras
teu amigo.» Jesus disse-lhe: «Apascenta os meus cordeiros.» Voltou a perguntar-lhe uma segunda vez:
«Simão, filho de João, tu amas-me?» Ele respondeu: «Sim, Senhor, Tu sabes que eu sou deveras teu
amigo.» Jesus disse-lhe: «Apascenta as minhas ovelhas.» E perguntou-lhe, pela terceira vez: «Simão,
filho de João, tu és deveras meu amigo?» Pedro ficou triste por Jesus lhe ter perguntado, à terceira
vez: Tu és deveras meu amigo?’ Mas respondeu-lhe: «Senhor, Tu sabes tudo; Tu bem sabes que eu sou
deveras teu amigo!» E Jesus disse-lhe: «Apascenta as minhas ovelhas». Por outras palavras, Jesus pergunta a Pedro se ele está disposto a dar a vida por Ele e pelo
Reino. Pedro afirma e confirma o seu sim e Jesus «responde»: «Então, não me prendas. Cuida de todos
e de cada um a quem eu tanto amo»
Jesus quer que a Sua relação com Pedro seja livre. Quer que Pedro aprenda a viver centrado
em Deus Pai, mas virado para fora, virado para a Missão. Jesus convida Pedro a viver as suas relações
em liberdade, tal como Ele viveu. Amando profundamente, mas não querendo prender, não querendo
guardar só para si.
Jesus assume-se como pastor e quer cuidar de nós. Confia a Pedro a Sua missão mais
querida, construir o Reino dos Céus aqui e agora.
PONTOS DE DISCUSSÃO
1. O que é a amizade para mim? Como vivo as minhas relações de amizade?
2. O que me marca mais em Jesus nesta Sua maneira de ser e de viver as relações: próxima
e íntima, mas livre e libertadora? Identifico-me?
3. Em equipa, cada um pode partilhar uma amizade que seja «descanso», que seja
libertadora, que me ajude a ser mais eu, mais de Deus e mais dos outros.
PONTOS DE ORAÇÃO I PARA REZAR DURANTE O MÊS
1. Jo 11,1-44 I Leio devagar e deixo-me tocar pela Palavra de Jesus. Coloco-me na cena
e deixo-me comover por Jesus e pelos seus amigos. Peço ajuda a Jesus como Marta, caio-
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Lhe aos pés como Maria, comovo-me…
2. Jo 21,15-17 I Coloco-me diante de Jesus e deixo que Ele me pergunte, como amigo
que é: «…, tu amas-Me?».
3. Levo as minhas amizades à oração, agradeço e peço ao Senhor que me ajude a vivê-las
mais para Ele e como Ele. Ajuda muito concretizar: numa conversa, numa decisão, numa
mudança.
PONTO DE ESFORÇO
Se tenho alguém com quem tenho uma relação de amizade que me prende, que me torne
uma pessoa fechada, posso tentar perceber, conversando e explicando, com essa pessoa o que
podemos fazer para crescer como amigos, a exemplo de Jesus.
REFERÊNCIA YOUCAT I 92 [mais informações em www.youcat.org]
ORAÇÃO FINAL
Querido Jesus,
Ensina-me a amar-Te como verdadeiro e grande amigo que és.
Ensina-me a olhar para Ti como amigo
E companheiro de caminho.
Ensina-me a ser Teu amigo.
Ensina-me a desejar-Te, a conhecer-Te,
A dar-me a conhecer, a ter tempo para Ti.
Obrigada por seres Presença de Amor
Senhor Jesus,
Através de cada pessoa que pões no caminho.
Peço-Te a graça de amar como Tu amas,
Ajuda-me a amar e a servir cada um,
De perdoar como Tu perdoas,
Ajuda-me a acompanhar e a partilhar,
De ser livre como Tu és,
Ajuda-me a ser próximo e livre,
A ser Pão que parte e reparte
Ajuda-me a ser Tua imagem,
Como Tu és em cada Eucaristia.
A ser Tua presença,
«Ninguém tem mais amor,
A ser Teu instrumento.
do que quem dá a vida pelos seus amigos».
PONTO DE ESFORÇO
PRÓXIMA RE U NI ÃO
21
abri l
22
A MISERICÓRDIA DE DEUS
« P e r d o a - l h e s , P a i , p o r q u e n ã o s a b e m o q u e f a z e m » (Lc 23, 33)
Uma das formas para melhor entender a plenitude/grandeza da misericórdia de Deus, tal
como ela foi narrada na história da nossa salvação, é através do mistério pascal. Aí encontra-se a
dimensão divina da redenção que nos coloca perante a profundidade do Amor de Deus pelos homens.
Esta misericórdia que se eleva a uma condição divina e se expressa através da humanidade de Jesus, é
fiel à vontade do Pai para com os homens, que nos criou à Sua imagem para recebermos a Sua Graça.
Na nossa vivência da fé cristã, o tríduo pascal proposto pela Igreja ajuda-nos a compreender
melhor o fundamento da missão de Cristo na terra. Se por um lado vemos um Jesus que «passou
fazendo o bem e curando a todos», agora, através da Paixão onde Jesus foi preso, humilhado,
condenado, flagelado e pregado numa cruz, mostra-Se Ele próprio, digno da maior misericórdia. Jesus
apresenta-se numa condição merecedora da misericórdia dos homens, porém, não a recebe. Pelo
contrário, é ainda mais humilhado e condenado por nós. Até os seus próprios amigos que O conheciam
e amavam, não têm coragem para O defender diante daqueles que o queriam condenar.
O Papa João Paulo II diz-nos, na Encíclia Dives in Misericordia, que a Redenção é a «última e
definitiva revelação da santidade de Deus». Um Deus que entrega o seu próprio Filho na cruz por cada
um de nós, por cada um dos nossos pecados. Esta «superabundância» de amor, própria de um Deus
misericordioso, revela-se na medida em que os pecados da humanidade são redimidos pela entrega
de Jesus na Cruz. Este é um Amor que vai para além dos nossos horizontes, que ultrapassa qualquer
expectativa, um Deus que Se dá a Si próprio, que perdoa toda Humanidade. Através da Redenção
foi realizada a justiça do pecado, dando novamente ao homem o acesso à plenitude do Amor e da
misericórdia de Deus. Com isto, Deus quer Se aproximar de cada um de nós e assim tornar-nos, com
toda a liberdade, participantes da Sua vida.
Assim, no mistério pascal, desde a Paixão de Jesus até à Sua morte, é revelada a plenitude
da misericórdia de Deus que nos vem interpelar, chamar-nos à conversão. Cristo que, ao sofrer por
cada um de nós, leva-nos a descobrir n’Ele a eloquência do Amor que se revela numa «harmoniosa
plenitude da dedicação desinteressada à causa do homem, à verdade e ao amor» (Encíclia Dives in
Misericordia, Papa João Paulo II).
O tema da Redenção e a sua relação com a nossa vida, principalmente na oração, ajuda-nos
a saber como nos devemos dirigir a Jesus. Conhecer Aquele em que cremos é essencial para saber
com que atitude devemos rezar e pedir perdão, não só a Deus como também aquele que está ao nosso
lado e a quem magoamos muitas vezes sem nos apercebermos. A Redenção – veio mudar a relação
de Deus com o homem. Por isso, é essencial compreendermos o que mudou - tal como foi explicado
anteriormente - e a partir daí estabelecer essa nova relação, a nova Aliança, a lei do Amor que Jesus
nos veio ensinar. Na Bíblia há muitas referências a esta relação de Jesus com o Pai, em que se Jesus
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intercede por nós, pedindo a Deus a Sua misericórdia, em que Cristo desempenha em si próprio a
missão pela qual tinha sido enviado até nós. No Evangelho de São Lucas (Lc 23, 33), Jesus enquanto
está a ser crucificado, pede ao Pai o perdão para aqueles que O estão a condenar:
«Quando chegaram ao lugar chamado Calvário, crucificaram-no a Ele e aos malfeitores, um
à direita e outro à esquerda. Jesus dizia: «Perdoa-lhes, Pai, porque não sabem o que fazem.»
Jesus no Calvário, num momento difícil, de sofrimento e dor, é quem nos repara e pede o
perdão por nós; e justifica o motivo: «Não sabem o que fazem». Esta ignorância daqueles homens que
não percebem o mal que estão a fazer é algo que também nos acontece inúmeras vezes, na relação
com Deus e com os outros.
Mas para Jesus o que importa realmente é motivo dessa ignorância, ou seja o que nos
impede de chegar até Ele. Muitas vezes tem a ver com o facto de estarmos ‘cegos’, ainda que nos
achemos possuidores da razão e da verdade. Ou então, quando sabemos tanto e isso nos impede de
chegar à Verdade com o coração, porque apenas damos valor ao pensamento racional. Ou até mesmo
quando conhecemos a verdade mas não somos capazes de lá chegar porque sabemos que isso nos
provocará uma imensa dor. O Papa Bento XVI no livro Jesus de Nazaré: da Entrada em Jerusalém até
à Ressurreição diz-nos a propósito da ignorância e do perdão: «A ignorância reduz a culpa, deixa a
estrada aberta para a conversão. Mas não se trata simplesmente de uma desculpa, porque ao mesmo
tempo revela uma insensibilidade do coração, uma insensibilidade que resiste ao apelo da verdade».
Ou seja, o facto da ignorância nos impedir de chegar ao Amor e à Verdade, pode-nos abrir à conversão,
ao Deus misericordioso que quer verdadeiramente o nosso Bem.
«Depois, deitaram sortes para dividirem entre si as suas vestes. O povo permanecia
ali, a observar; e os chefes zombavam, dizendo: «Salvou os outros; salve-se a si mesmo, se é o
Messias de Deus, o Eleito.» Os soldados também troçavam dele. Aproximando-se para lhe oferecerem
vinagre, diziam: «Se és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo!» E por cima dele havia uma inscrição:
«Este é o rei dos judeus.» Ora, um dos malfeitores que tinham sido crucificados insultava-o, dizendo:
«Não és Tu o Messias? Salva-te a ti mesmo e a nós também.»
As pessoas que troçam de Jesus exprimem deste modo o seu desprezo pelo impotente,
tentando fazer-Lhe sentir a impotência. Ao mesmo tempo querem induzi-l’O em tentação. Não percebem
que é através da morte na cruz que nos leva à ressurreição e à nossa salvação. Têm necessidade de
O pôr à prova porque não conseguem acreditar na divindade de Jesus. Querem provas de que aquilo
que ouviram falar d’Ele, é verdade. Para eles, não é possível que o próprio Deus morra numa cruz,
juntamente com outros dois condenados. Associam a Deus apenas a divindade e não concebem o facto
24
de Deus querer que o Homem participe na Sua vida, através do Seu Filho Jesus.
O género do crime de Jesus é diverso do crime nos outros dois, que participaram talvez
com Barrabás na sua insurreição. Por saber que Jesus não era «igual» aos dois condenados, Pilatos
define o «crime» de um modo particular e inscreve na cruz: «Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus» (Jo
19, 19). «Até esse momento, Jesus evitou o título de Messias ou o de rei, e agora, o título de rei pode
aparecer diante de todos. Agora Jesus é publicamente proclamado rei. Jesus foi «elevado». A cruz é o
Seu trono, de onde atraí o mundo a Si.» (in Papa Bento XVI, Jesus de Nazaré: da Entrada em Jerusalém
até à Ressurreição)
«Mas o outro, tomando a palavra, repreendeu-o: «Nem sequer temes a Deus, tu que sofres o mesmo
suplício? Quanto a nós, fez-se justiça, pois recebemos o castigo que as nossas acções mereciam; mas Ele
nada praticou de condenável.» E acrescentou: «Jesus, lembra-te de mim, quando estiveres no teu Reino.»
Ele respondeu-lhe: «Em verdade te digo: hoje estarás comigo no Paraíso.»
O outro crucificado, o bom ladrão, distingui-se porque intui o mistério de Jesus. Sabe e
reconhece que o género de «delito» é completamente diferente do seu, que Jesus não é violento. Por
estar na mesma situação, pregado numa cruz, sente injustiça, e dá-se conta de que aquele Homem
crucificado com eles, torna verdadeiramente visível o rosto de Deus, que é o próprio Filho de Deus.
E por isso pede-Lhe o perdão e pede para que Jesus se lembre dele quando estiver no Seu Reino.
De facto, perguntamo-nos como é que o bom ladrão sabia que Jesus era realmente o Messias, o
verdadeiro Rei, mas obviamente na cruz ele próprio compreendeu que aquele homem despojado de
todo o poder era o verdadeiro rei: aquele de quem ele quer estar ao lado, não só na cruz, mas também
na glória.
A resposta de Jesus vai para além do pedido realizado pelo bom ladrão. Quando Jesus diz
«hoje», torna-Se próximo de cada um de nós, não se distancia no tempo e no espaço. O tempo é
determinado e não indeterminado e longínquo. Ele, por saber que iria entrar em comunhão com o Pai,
podia prometer o «Paraíso» para «hoje». «Assim, deste modo, o bom ladrão tornou-se a imagem da
esperança, a consoladora certeza de que a misericória de Deus pode alcançar-nos mesmo no último
instante; mais: a certeza de que, depois de uma transviada, a oração que implora a Sua bondade não é
vã.» (in Papa Bento XVI, Jesus de Nazaré: da Entrada em Jerusalém até à Ressurreição)
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PONTOS DE DISCUSSÃO
1.
Olhando para a Paixão de Jesus consigo compreender a importância de pedir perdão a Deus
e deixar que Ele me perdoe? Apercebo-me na minha vida de que forma está presente esta
relação de misericórdia entre Jesus e o Pai, Jesus e os outros?
2.
Na minha vida será que percebo quando estou a ser «ignorante» na minha relação com
Deus? Ou seja, omito ou escondo a Verdade para que a minha consciência fique mais
«leve»?
3.
Quando faço troça de alguém, lembro-me de que posso estar a magoar essa pessoa? Será
que me lembro do que Jesus nos diz na Sagrada Escritura: «Sempre que fizestes isto a um
destes meus irmãos mais pequeninos, a mim mesmo o fizestes.» (Mt, 25, 40)?
4.
Em equipa, cada um pode escrever num papel alguma coisa que o incomode e que esteja
a perturbar a sua relação com Jesus. Que esta consciência do mal que causamos, a nós
próprios, a Deus ou aos outros, seja um ponto de partida para pedirmos perdão, para nos
reconciliarmos com Deus.
PONTOS DE ORAÇÃO I PARA REZAR DURANTE O MÊS
1. Lc 15, 11-32 I Medito na parábola do Filho Pródigo que é uma das mais belas de Jesus.
Coloco na pele do filho mais novo que parte «para um terra longínqua» e que esbanjou tudo
o que possuía. Como me sinto neste momento? Quero estar perto do Pai? Faço memória de
momentos em que me senti perdoado/a por Deus.
Agora, coloco-me na pele do filho mais velho. Fico contente com a conversão do meu
irmão...?
Agradeço a Deus, todas as oportunidades que Ele me dá para me converter.
2. Lc 7,36-50 I Coloco-me na pele da pecadora arrependida… Sinto a presença de Jesus
e choro sobre os seus pés… Sinto que estou a beijá-los e estou diante d’Ele, chorando,
arrependido. Neste tempo de conversão em que aproveitamos para aproximarmo-nos d’Ele,
ponho-me diante de Jesus, face a face, e revejo a minha vida, as alturas em que estive mais
afastado, os momentos em que O ignorei, e as alturas em que O recusei. Estou diante d’Ele
e a Verdade e o Amor que Ele tem por mim é maior. É maior que as minhas fraquezas e
limitações. Peço-Lhe perdão pelas vezes em que Ele não foi o centro, e me deixei dominar
pela minha glória e não pela d´Ele.
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PONTO DE ESFORÇO I PROPOSTAS
Propomos que cada um faça um exame de consciência profundo e sincero. Perceber o que
há na nossa vida que impeça de conhecer verdadeiramente melhor Jesus, pedir perdão e confessar.
Procurar viver na integridade o Tríduo Pascal que nos ajudará a compreender melhor o
mistério da Redenção.
REFERÊNCIA YOUCAT I 314, 337, 524 [mais informações em www.youcat.org]
ORAÇÃO FINAL
Deus, Pai clementíssimo,
como filho arrependido me dirijo a Vós e digo:
« Pequei contra Vós.
Já não mereço ser chamado vosso filho».
Cristo Jesus, Salvador do mundo,
peço-Vos como o ladrão arrependido
a quem abristes as portas do paraíso:
« Lembrai-Vos de mim, Senhor, no vosso reino».
Espírito Santo, fonte de amor,
eu vos invoco cheio de confiança:
«Purificai-me,
e concedei-me que viva como filho da luz»
Amen.
[Oração que se pode rezar depois da Confissão]
PONTO DE ESFORÇO
PRÓXIMA RE U NI ÃO
27
mai o
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“FAZEI TUDO O QUE ELE VOS DISSER”
(Jo, 2,5)
Esta instrução que Nossa Senhora deu naquele que foi o primeiro sinal de Jesus contém
das últimas palavras de Maria descritas no Evangelho, algo que nos foi deixado como um «testamento
espiritual». Neste testamento deixado para cada um de nós, contextualizado numa determinada
situação, como foram as bodas de Caná, podemos contemplar diversas características na relação de
Mãe-Filho que existia entre Maria e Jesus.
Esta atitude de Nossa Senhora leva-nos à intimidade de uma relação de confiança. Uma
confiança sem limites que a Mãe deposita em Jesus, Seu Filho. Uma confiança de alguém que conhece
e ama o Filho de Deus e que ultrapassa esta relação e que chega a toda a humanidade no momento
em que Maria diz: «Eis aqui a Escrava do Senhor, faça-se em Mim segundo a Vossa palavra». Este o
momento em que se inicia a história da Salvação.
A vida pública de Jesus começa com um casamento. Uma grande festa humana que na
época e no contexto em que Jesus viveu era um grande motivo de alegria não só para os amigos e
família, como para todos os habitantes da aldeia. A comida e a bebida em ocasiões tão importantes
como aquela, eram fundamentais. Principalmente o vinho. Era costume as famílias mais pobres irem
guardando o vinho para o dia da boda. O vinho era sinal de alegria, de festa. Nas Bodas de Caná, no
momento em que o vinho parece faltar, Maria antecipa-se e informa Jesus, dizenho: «Não têm vinho!».
Aqui vemos Maria no seu papel de mulher e mãe que se preocupa com o facto de não haver vinho
naquela festa.
Nesta cena, podemos também contemplar a gloria de Deus que se apresenta em Jesus. No
Evangelho de São João, no capítulo 2 podemos ver a narração desse episódio:
«Ao terceiro dia, celebrava-se uma boda em Caná da Galileia e a mãe de Jesus estava
lá. Jesus e os seus discípulos também foram convidados para a boda. Como viesse a faltar o vinho, a
mãe de Jesus disse-lhe: «Não têm vinho!»
Maria, como mulher e convidada daquela festa, está atenta. Atenta aos que estão à sua
volta; atenta às necessidades, à realidade; atenta ao bem que pode vir a fazer aos outros. Esta atitude
de Nossa Senhora demonstra uma enorme gratuidade e bondade em tudo o que fazia. Ocupava-se,
sobretudo, dos outros e das suas necessidades. Maria também se antecipa a um acontecimento. Ela
sabia que, se o vinho terminasse, a festa e a alegria daquele povo também iriam acabar. Assim, com
esta pequena atenção, Nossa Senhora vira-se para Jesus pois sabe que n’Ele está a Glória; Ele é a
abundância. Ele é o vinho da festa!
O mesmo se passa na vida de cada um de nós, quando sentimos falta de alguma coisa, ou
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precisamos de ajuda em algum momento difícil, viramo-nos para alguém em quem podemos confiar.
Alguém a quem possamos confiar mesmo aquilo que parece impossível resolver. Não confiar por saber
que essa «pessoa» vai resolver os meus problemas, mas confiar no sentido de alimentar essa relação
de amizade; deixar que essa pessoa entre na minha vida e eu na dela.
A nossa relação com Jesus é muitas vezes feita de agradecimentos, pedidos. Pedidos
realizados por um bem maior, por mim e pelos os outros. Pedidos que tenham sempre como finalidade
a vontade do Pai. Muitas vezes, é Nossa Senhora que intercede por nós, que nos faz aproximar mais do
Seu Filho. É isto que se passa neste casamento em Caná: Maria, com toda a humildade, intercede por
aqueles que necessitam. E na nossa oração, quantas vezes não é Maria a nossa intercessora?
«Jesus respondeu-lhe: «Mulher, que tem isso a ver contigo e comigo? Ainda não chegou a
minha hora.» Sua mãe disse aos serventes: «Fazei tudo o que Ele vos disser!»
Jesus fala a Maria, sua Mãe, da «hora» que ainda não tinha chegado. Esta hora significa,
primeiro lugar, que o tempo de Deus é diferente do nosso e que por isso não podemos saber ou julgar
qual a hora certa para a actuação de Deus na nossa vida. Significa, também, que Jesus não actua nem
decide apenas por Sua iniciativa, mas sim de acordo com a vontade do Pai. Contudo, Jesus, a pedido
da Mãe, antecipa a Sua hora. Diz-nos o Papa Bento XVI «(...)assim também sucede sempre de novo na
Eucaristia: acolhendo a oração da Igreja, o Senhor antecipa na Eucaristia o seu regresso, vem já agora,
celebra já agora as núpcias connosco, arrebantando-nos assim simultaneamente para fora do nosso
tempo e projectando-nos para aquela hora».
Quando Jesus responde dizendo que não era a Sua «hora», Maria, ainda assim, diz aos
serventes: «Fazei tudo o que Ele vos disser!». Esta frase assemelha-se ao momento da Anunciação
quando Anjo anuncia a Nossa Senhora que será a Mãe do Filho de Deus. E esta diz: «faça-se em
Mim segundo a Vossa palavra». Maria, por já ter concretizado o plano de Deus na sua vida, agora, em
segunda instância, diz ao «mundo» (neste caso, figurado pelos serventes) para fazer tudo o que Jesus
lhe disser. Nossa Senhora diz isto porque Ela própria aceitou o plano de Deus para a sua vida e teve
oportunidade de experimentar viver esta fé em Jesus Cristo.
Por outro lado, esta frase leva-nos a pensar o que é que realmente Jesus nos diz para fazer,
de forma a cumprir a Vontade de Deus. Na sagrada Escritura encontramos inúmeras ocasiões em que
Ele nos pede para o seguirmos. A passagem do jovem rico (cf. Mt 19, 16) mostra, de forma clara,
qual o caminho para entrarmos no Reino dos Céus. Não é um caminho fácil mas, como nos diz Jesus:
«Aos homens é impossível, mas a Deus tudo é possível.» E é através da Glória de Deus que podemos
continuar o nosso caminho, deixando-nos moldar por Ele.
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«Ora, havia ali seis vasilhas de pedra preparadas para os ritos de purificação dos judeus,
com capacidade de duas ou três medidas cada uma. Disse-lhes Jesus: «Enchei as vasilhas de
água.» Eles encheram-nas até cima. Então ordenou-lhes: «Tirai agora e levai ao chefe de mesa.» E eles assim fizeram. O chefe de mesa provou a água transformada em vinho, sem saber
de onde era - se bem que o soubessem os serventes que tinham tirado a água; chamou o noivo e
disse-lhe: «Toda a gente serve primeiro o vinho melhor e, depois de terem bebido bem, é que serve o
pior. Tu, porém, guardaste o melhor vinho até agora!»
Nesta passagem, podemos ver o sinal de Deus que se repete ao longo da Escritura: a
superabundância. Podemos vê-la na multiplicação do pão, mas sempre de novo o podemos verificar,
sobretudo no centro da história da salvação quando Ele se entregou na cruz por cada um de nós. Esta
superabundância é também sinal da Sua glória, em que o Seu Amor não tem medida. Por isso, a fartura
que aconteceu nas Bodas de Caná (cerca de 520 litros de água transformados em vinho!) é «sinal de
que a festa de Deus com a humanidade – o dom de Si mesmo pelos homens – começou» (in Jesus de
Nazaré, Papa Bento XVI).
Esta transformação da água em vinho foi realizada por Nosso Senhor porque os ‘serventes’
e o ‘chefe da mesa’ souberam confiar. Confiaram em Jesus e foi essa confiança que permitiu a
transformação, a mudança. A transformação da água em vinho, a mudança do ‘ritmo’ da festa – que a
partir desse momento poderia continuar durante mais tempo -, e a mudança do vinho, que agora era
muito melhor. Este ‘poder’ da transformação em algo abundante e muito melhor é própria de um Deus
glorioso, que não se limita, que ultrapassa todas as expectativas.
O mesmo se passa nas nossas vidas. Deus tem esta capacidade de nos transformar, de nos
tornar mais e melhores para os outros, desde que saibamos confiar n’Ele e na Sua Vontade. De fazer
com que saiamos de nós mesmos para ir ao encontro de quem mais precisa, dos mais pequeninos;
de não ter medo de nos entregarmos a Ele, sem medir todos os passos; de amar sem esperar nada em
troca; de amar o próximo como a nós mesmos; de saber levar o «vinho» melhor, aquele que Cristo dá
à Igreja e ao mundo.
PONTOS DE DISCUSSÃO
1. Que relações de confiança tenho na minha vida? Em que lugares ou pessoas coloco a
minha segurança?
2. Será que estou atento ao que Jesus tem para me dizer? Procuro ouvi-l’O na minha oração?
Que atitudes reconheço na minha vida que foram fruto da minha relação de confiança com
Jesus?
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3. Qual o «vinho» que me faz verdadeiramente feliz? (por exemplo: ajudar alguém, estar em
família, rezar, etc)
4. Que relação tem a minha vida e a oração? São coisas totalmente distintas ou, pelo
contrário, vão se unindo para que seja concretizado o plano de Deus?
PONTOS DE ORAÇÃO I PARA REZAR DURANTE O MÊS
1. Mt 19, 16 I Perguntar a Jesus: «Mestre, que hei-de fazer de bom, para alcançar a vida
eterna?» Pedir-Lhe para que seja feita a Sua vontade.
2. Jo 19, 25-27 I «Eis a tua mãe!» Coloco-me diante de Jesus e de Nossa Senhora e deixome tocar por estas palavras que me tornam filho/a de Nossa Senhora. Confio a minha vida a
Nossa Senhora? Deixo que Ela me guie...?
PONTO DE ESFORÇO I PROPOSTAS
Escrever num papel o que posso passar a confiar a Deus na minha vida. Alguma coisa a que
vivo agarrado e que era melhor para mim e para os outros se deixasse nas mãos de Deus.
Estar atento, durante o mês, àquilo que me vão pedindo, às necessidades daqueles que
estão à minha volta.
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REFERÊNCIA YOUCAT I 84, 85 [mais informações em www.youcat.org]
ORAÇÃO FINAL
A minha alma glorifica o Senhor
E o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador.
Porque pôs os olhos na humildade da sua Serva:
De hoje em diante me chamarão bem aventurada todas as gerações.
O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas:
Santo é o seu nome.
A sua misericórdia se estende de geração em geração
Sobre aqueles que o temem.
Manifestou o poder do seu braço
E dispersou os soberbos.
Derrubou os poderosos de seus tronos
E exaltou os humildes.
Aos famintos encheu de bens
E aos ricos despediu de mãos vazias.
Acolheu a Israel, seu servo,
Lembrado da sua misericórdia
Como tinha prometido a nossos pais,
A Abraão e à sua descendência para sempre
Glória ao Pai e ao Filho
E ao Espírito Santo,
Como era no princípio,
Agora e sempre. Amen.
[Magnificat, Oração Internacional das Equipas de Jovens de Nossa Senhora]
PONTO DE ESFORÇO
PRÓXIMA RE U NI ÃO
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j u nho
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JESUS RESSUSCITADO
«Não nos ardia o coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos
e x p l i c a v a a s E s c r i t u r a s ? » (Lc 24, 13-35)
O tempo Pascal é o tempo em que nos encontramos com Jesus ressuscitado, como nos
ensina e pede o Santo Padre, precisamos de fazer esta experiência de viver com Jesus, de modo
particular nos sacramentos e na Eucaristia como centro e cume da vida Cristã.
No caminho de Emaús I «Nesse mesmo dia, dois dos discípulos iam a caminho de uma
aldeia chamada Emaús, que ficava a cerca de duas léguas de Jerusalém; e conversavam entre si sobre
tudo o que acontecera. Enquanto conversavam e discutiam, aproximou-se deles o próprio Jesus e pôsse com eles a caminho; os seus olhos, porém, estavam impedidos de o reconhecer.
Disse-lhes Ele: «Que palavras são essas que trocais entre vós, enquanto caminhais?»
Pararam entristecidos. E um deles, chamado Cléofas, respondeu: «Tu és o único forasteiro em
Jerusalém a ignorar o que lá se passou nestes dias!» Perguntou-lhes Ele: «Que foi?» Responderamlhe: «O que se refere a Jesus de Nazaré, profeta poderoso em obras e palavras diante de Deus e de
todo o povo; como os sumos sacerdotes e os nossos chefes o entregaram, para ser condenado à morte
e crucificado. Nós esperávamos que fosse Ele o que viria redimir Israel, mas, com tudo isto, já lá vai
o terceiro dia desde que se deram estas coisas. É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos
deixaram perturbados, porque foram ao sepulcro de madrugada e, não achando o seu corpo, vieram
dizer que lhes apareceram uns anjos, que afirmavam que Ele vivia. Então, alguns dos nossos foram ao
sepulcro e encontraram tudo como as mulheres tinham dito. Mas, a Ele, não o viram.»
Jesus disse-lhes, então: «Ó homens sem inteligência e lentos de espírito para crer em tudo
quanto os profetas anunciaram! Não tinha o Messias de sofrer essas coisas para entrar na sua glória?»
E, começando por Moisés e seguindo por todos os Profetas, explicou-lhes, em todas as Escrituras,
tudo o que lhe dizia respeito.
Ao chegarem perto da aldeia para onde iam, fez menção de seguir para diante. Os outros,
porém, insistiam com Ele, dizendo: «Fica connosco, pois a noite vai caindo e o dia já está no ocaso.»
Entrou para ficar com eles. E, quando se pôs à mesa, tomou o pão, pronunciou a bênção e, depois de o
partir, entregou-lho. Então, os seus olhos abriram-se e reconheceram-no; mas Ele desapareceu da sua
presença. Disseram, então, um ao outro: «Não nos ardia o coração, quando Ele nos falava pelo caminho
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e nos explicava as Escrituras?»
Levantando-se, voltaram imediatamente para Jerusalém e encontraram reunidos os Onze e
os seus companheiros, que lhes disseram: «Realmente o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!» E
eles contaram o que lhes tinha acontecido pelo caminho e como Jesus se lhes dera a conhecer, ao
partir o pão.»
Olhando para Jesus percebemos que Ele não se não se revela logo, faz um caminho. Vai-
lhes explicando as escrituras a partir da realidade que eles conhecem e isso cria uma proximidade
com Ele. A partir daí, convidam-n’O para ficar porque está a ficar noite, e Jesus aceita esse convite.
Este caminho leva ao partir do pão, onde os discípulos O reconhecem. Este partir do pão é como
um clique que os leva a fazer o caminho inverso, que os faz perceber aquilo que Jesus lhes tinha
dito anteriormente, e depois disso, eles vão ter com os outros, partilhar a alegria recebida de Jesus,
contar o que lhes aconteceu. No fundo, como nos diz o Santo Padre: «O Evangelho dos discípulos
de Emaús (cf. Lc 24, 13-35), uma narração que nos faz admirar e comover sempre. Este episódio
mostra as consequências que Jesus ressuscitado realiza nos dois discípulos: conversão do desespero
em esperança; conversão da tristeza em alegria; e também conversão à vida comunitária. Por vezes,
quando se fala de conversão, pensa-se unicamente no seu aspecto cansativo, de desapego e renúncia.
Ao contrário, a conversão cristã é também e sobretudo fonte de alegria, de esperança e de amor. Ela é
sempre obra de Cristo ressuscitado, Senhor da vida, que nos obteve esta graça por meio da Sua paixão
e no-la comunica em virtude da sua ressurreição. (…)
Não obstante, hoje este «ser de Cristo» corre o risco de se esvaziar da sua verdade e dos
seus conteúdos mais profundos; arrisca tornar-se um horizonte que só superficialmente — e nos
aspectos mais sociais e culturais — abraça a vida; arrisca reduzir-se a um cristianismo no qual a
experiência de fé em Jesus crucificado e ressuscitado não ilumina o caminho da existência, como
lemos no Evangelho a propósito dos dois discípulos de Emaús, os quais, depois da crucifixão de Jesus,
regressavam a casa cheios de dúvidas, tristes e desiludidos. Infelizmente, esta atitude tende a difundirse também no nosso mundo: isto acontece quando os discípulos de hoje se afastam da Jerusalém
do Crucificado e do Ressuscitado, tendo perdido a crença no poder e na presença viva do Senhor. O
problema do mal, da dor e do sofrimento, o problema da injustiça e da subjugação, o medo dos outros,
dos alheios e dos distantes que chegam às nossas terras e parecem ameaçar aquilo que somos, levam
os cristãos de hoje a dizer com tristeza: nós esperávamos que o Senhor nos libertasse do mal, da dor,
do sofrimento, do medo, da injustiça. É então necessário, para cada um de nós, como aconteceu com
os dois discípulos de Emaús, deixar-se instruir por Jesus: antes de tudo, ouvindo-o e amando a Palavra
de Deus, lida à luz do Mistério Pascal, para que aqueça o nosso coração e ilumine a nossa mente, e
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nos ajude a interpretar os acontecimentos da vida e dar-lhes um sentido. Depois, é preciso sentar-se
à mesa com o Senhor, tornar-se seus comensais, para que a sua presença humilde no Sacramento
do seu Corpo e do seu Sangue nos restitua o olhar da fé, para vermos tudo e todos com os olhos de
Deus, na luz do seu amor. Estar com Jesus que permaneceu connosco, assimilar o seu estilo de vida
doada, escolher com ele a lógica da comunhão entre nós, da solidariedade e da partilha. A Eucaristia
é a máxima expressão da doação que Jesus faz de si mesmo e é um convite constante a viver a nossa
existência na lógica eucarística, como um dom a Deus e ao próximo.» (cf. Homília 8 de maio 2011,
Papa Bento XVI)
Compreendemos que este encontro com a pessoa de Jesus transforma a vida destes dois
discípulos e também pode transformar a nossa vida de forma a que isso baste para nos abrirmos ao
dom que nos é concedido e para que também nós sejamos capazes de reconhecer Jesus através da
Sua palavra e da Eucaristia que celebramos.
PONTOS DE DISCUSSÃO
1. Também nós, como os discípulos de Emaús, somos convidados a fazer este caminho
com o Senhor; será que nos deixamos guiar por Ele?
2. Na minha vida, que importância dou à comunidade, rezo melhor sozinho e isolado ou
faço parte de um corpo?
3. De que forma as equipas me ajudam a estar em comunhão com os outros?
4. Quando tenho uma boa notícia sou capaz de a partilhar com os que estão mais perto de
mim?
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PONTOS DE ORAÇÃO I PARA REZAR DURANTE O MÊS
1. «Jesus disse-lhes, então: «Ó homens sem inteligência e lentos de espírito para
crer em tudo quanto os profetas anunciaram! Não tinha o Messias de sofrer essas
coisas para entrar na sua glória?» E, começando por Moisés e seguindo por todos
os Profetas, explicou-lhes, em todas as Escrituras, tudo o que lhe dizia respeito.»
Jesus faz o mesmo caminho connosco, põe-se ao nosso lado e faz-se nosso companheiro
de caminho, será que o vemos?
2. «Não nos ardia o coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as
Escrituras?» O encontro com Jesus muda a nossa vida na medida em que, como acontece
com os discípulos de Emaús, deixamos que a palavra de Deus nos toque e faça “arder o
nosso Coração”. O que significa hoje a ressurreição de Cristo, é sinal e expressão de uma
vida nova que também quero viver?
PONTO DE ESFORÇO I PROPOSTA
Neste ano em que celebramos os cinquenta anos do Concílio Vaticano II, propomos que
os equipistas leiam um dos seus documentos. [ver em http://www.vatican.va/archive/hist_councils/
ii_vatican_council/index_po.htm]
REFERÊNCIA YOUCAT I 103, 104, 105, 106, 107, 108, 208 [mais informações em www.
youcat.org]
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ORAÇÃO FINAL
É quem anda sobre as águas
É quem multiplica o pão
Quem acalma com sua voz meu temporal
Quem me pede que encha as talhas
Para dar vinho a beber
É quem rema no mais fundo do meu ser
É palavra que alimenta
É a brisa que me alenta
É a vida, é o caminho, é a verdade
É o Senhor
Não arde acaso o nosso coração
É o Senhor
É quem me chama, é quem me ama
É o Senhor
Quem não vê as minhas faltas
Mas minha fidelidade
Quem constrói com a minha fragilidade
Aquele que tudo sabe
Mas que volta a perguntar
Quem faz uma festa ao ver-me regressar
É o fogo que me queima
A alegria que me enche
É a força que eu não sei explicar
[Paula Willumsen]
PONTO DE ESFORÇO
PRÓXIMA RE U NI ÃO
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j u l ho
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BALANÇO
Tal como os anos anteriores, achamos importante que esta reunião antes das férias do verão
seja dedicada ao balanço do último ano. É muito importante parar e olhar para o ano que passou, a fim
de que a equipa possa evoluir nos próximos anos.
À semelhança das outras reuniões, nesta também é preciso preparar bem, avaliando com
verdade todos os pontos propostos. E, no fim, não nos podemos esquecer daquilo que nos traz aqui
todos os meses: conhecer e amar Jesus Cristo, que se torna presente na minha vida e nos outros à
minha volta.
Avalio se as reuniões foram úteis vendo os frutos que dão na minha vida: se aumentaram o
meu amor a Jesus e à Igreja; se eu participo mais no Movimento e dou algo em troca do que recebo. Se
estimulam a dar testemunho de Jesus àqueles que estão à minha volta e me ajudam a dar uma resposta
de fé às questões que me são postas na vida do dia-a-dia.
Vejamos então, como nos anos anteriores, os quatro pontos essenciais das reuniões.
Tema
Este ano o Caderno oferecia temas que aprofundavam a vida de Jesus e da sua relação com
a nossa vida, exigindo assim mais oração e reflexão. Foi muito difícil ‘entrar’ em cada tema e achei
que aquilo não tinha nada haver comigo? Ou, pelo contrário,, aprendi e procurei saber ainda mais sobre
aquilo que me estava a ser proposto, dedicando assim mais estudo e tempo aos temas?.
Oração
Em cada tema havia sempre pontos de oração para o mês. Ajudou-me a aprofundar a minha
relação com Jesus?
Rezámos sempre nas reuniões? Rezei pela Equipa durante o ano?
Aproveitei a Bíblia para fazer orações? Pedimos a intercessão de Nossa Senhora nas ora-
ções?
Partilha
Preparo a minha partilha? Limito-me a relatar o mês ou vou ao fundo da questão que me traz
ali?
Como é que a encaro? Como um parte importante para toda a Equipa ou apenas como a parte
de saber as curiosidades de cada um? Levei a minha partilha a sério, ou ainda me custa partilhar com
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os outros, porque não me sinto à vontade? Todos partilharam e ouviram os outros com interesse ou
deixámos sempre a partilha para o fim e eram mais os que estavam a dormir do que os acordados?
Ponto de Esforço
Esforcei-me por definir pontos de esforço exigentes mas possíveis? Empenhei-me para
os cumprir, ou esqueci-me? Partilhei sempre se cumpri ou não? O ponto de esforço serviu-me para
aplicar os conhecimentos que ganhei ao debater algum dos temas, fazendo-me crescer como cristão,
no amor a Deus e aos outros?
PONTO DE ESFORÇO I PROPOSTAS
Sabendo que o período de Verão corresponde a quase dois meses sem estarem em equipa,
propomo-vos estarem pelo menos uma vez todos juntos, para assim fortalecerem os laços de amizade existentes entre todos.
Rezar pela equipa e pelas Equipas de Jovens de Nossa Senhora que estarão reunidas
internacionalmente na Califórnia.
Cultivar uma leitura espiritual, ou seja, ler um livro que aprofunde alguns temas da fé, uma
carta do Papa para os jovens, o evangelho do dia, etc.
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ORAÇÃO FINAL
O que te peço, Senhor, é a graça de ser.
Não te peço mapas, peço-te caminhos.
O gosto dos caminhos recomeçados,
com suas surpresas, suas mudanças, sua beleza.
Não te peço coisas para segurar,
mas que as minhas mãos vazias
se entusiasmem na construção da vida.
Não te peço que pares o tempo na minha imagem predilecta,
mas que ensines meus olhos a encarar cada tempo
como uma nova oportunidade.
Afasta de mim as palavras
que servem apenas para evocar cansaços, desânimos, distâncias.
Que eu não pense saber já tudo acerca mim e dos outros.
Mesmo quando eu não posso ou quando não tenho,
sei que posso ser, ser simplesmente.
É isso que te peço, Senhor:
a graça de ser nova.
[José Tolentino Mendonça]
PONTO DE ESFORÇO
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se t e mbro
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A LIBERDADE DE JESUS
« N ã o p e n s e i s q u e v i m r e v o g a r a L e i o u o s P r o f e t a s » (Mt 5,17-19)
Os Judeus tinham muito orgulho na Lei. Segundo a tradição, o próprio Deus deu-nos «a Sua
Lei», através de Moisés. Era a melhor herança que tinham recebido de Deus. Em todas as sinagogas
guardava-se com veneração os rolos de papiro que continham a Lei, dentro de um cofre. Não a sentiam
como um jugo pesado ou uma carga fastidiosa. A Lei era o seu orgulho e a sua alegria, um bem
precioso para Israel, garantia e caminho de salvação. Nessa Lei estava escrita a vontade do único Deus
verdadeiro. Aí podiam encontrar tudo o que necessitavam para viver em fidelidade ao Deus da Aliança.
Jesus também era judeu e também cresceu a amar a Lei e a desejar vivê-la. No entanto,
totalmente seduzido pelo reino de Deus, Jesus não se concentra na Lei. Para além disso, fala de Deus
sem se basear nela. Não vive dependente da Lei, pois esta, para ele, não era o fundamental, apesar de
não entrar, por iniciativa própria, em discussões sobre a interpretação correcta das normas e preceitos.
Jesus procura a vontade de Deus a partir de uma experiência diferente.
O que será que Jesus pensava da Lei? É difícil dizê-lo. Segundo Mateus, Jesus afirma:
«Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas. Não vim revogá-los, mas levá-los à
perfeição. Porque em verdade vos digo: Até que passem o céu e a terra, não passará um só jota ou
um só ápice da Lei, sem que tudo se cumpra. Portanto, se alguém violar um destes preceitos mais
pequenos, e ensinar assim aos homens, será o menor no Reino do Céu. Mas aquele que os praticar e
ensinar, esse será grande no Reino do Céu. Porque Eu vos digo: Se a vossa justiça não superar a dos
doutores da Lei e dos fariseus, não entrareis no Reino do Céu.» (Mt 5,17-19).
Normalmente, Jesus não nos oferece uma doutrina sistemática sobre a Lei, mas vai tomando
posição em cada caso, partindo da sua própria experiência de Deus. Também Ele encontra em muitos
aspectos da Lei a expressão válida da vontade de Deus. (cf. Mc 10,17-22). Mas a Lei não ocupa um
lugar central. Está a chegar o Reino de Deus e isso muda tudo. A Lei pode regular muitas áreas da
nossa vida, mas já não é o mais decisivo para descobrir a vontade do Senhor das nossas vidas. Não
basta que o povo se pergunte o que é ser leal à Lei, mas agora é necessário que se pergunte como ser
leal ao Deus da compaixão.
Jesus confronta o mundo não com aquelas leis que falam os escribas, mas sim com um
Deus compassivo. O importante no Reino de Deus não é contar com pessoas cumpridoras da Lei, mas
sim com filhos e filhas que se pareçam cada vez mais com o Senhor e que desejem e ponham os
meios para ser bons e misericordiosos como Ele. Aquele que não mata, cumpre a Lei e isso é muito
importante e necessário. Mas se não arranca a agressividade do seu coração, não se assemelha a
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Deus. Aquele que ama apenas os seus amigos, mas alimenta no seu interior ódio pelos inimigos não
vive um coração aberto e compassivo como o Coração de Deus. Nestas pessoas, reina a lei, mas não
reina Deus.
Jesus procura a verdadeira vontade de Deus com uma liberdade surpreendente. Não se
preocupa em discutir questões de moral, mas busca directamente o que pode fazer bem aos outros.
Critica, corrige e rectifica determinadas interpretações da lei quando as encontra em contradição com
a vontade de Deus, que não quer mais nada senão a compaixão e justiça para os débeis e necessitados
de amor.
Jesus supreendeu muitos com a sua liberdade diante de um conjunto de normas e prescrições
em torno da pureza ritual, pois neste tempo quem não estivesse puro não podia entrar no Templo e
tomar parte no culto. Porém Jesus, relaciona-se com total liberdade com gente considerada impura,
sem se importar com as críticas. Come com pecadores e publicanos, toca nos leprosos e mexe-se
entre gente «indesejável». Jesus vem anunciar que o Reino de Deus, na sua verdadeira identidade,
consiste em não excluir ninguém, acolhendo a todos e, de maneira preferencial, os mais pobres e que
vivem à margem.
O critério que Jesus tem em conta é viver uma lei que faz bem aos outros e que ajuda a
que a compaixão de Deus vá entrando no mundo. É muito iluminadora a Sua maneira de actuar diante
da Lei do sábado, a festa semanal considerada por todos como um presente de Deus. Segundo as
tradições mais antigas, era dia santo, instituído por Deus para descanso das suas criaturas. Todos
deviam descansar, incluindo os animais que trabalhavam no campo. Neste dia, até os escravos ficavam
dispensados do seu trabalho. Nos tempos de Jesus, o sábado não era apenas uma lei exigida por
fidelidade à Aliança, mas tinha-se convertido num sinal e distintivo da identidade do povo judeu.
Por ser uma marca importante da sua identidade, existia um verdadeiro debate sobre a maneira mais
perfeita de viver o descanso semanal.
Jesus nunca pensou em suprimir a lei do sábado, uma vez que era demasiado importante
para o povo que precisava de descansar dos seus trabalhos. Mas pelo contrário, o que Jesus faz é
devolver o sentido mais genuíno: o sábado, como tudo o que vem de Deus, é sempre para o bem,
descanso e vida das suas criaturas. Desde a sua experiência de Deus, Jesus não aceita que uma lei
impeça as pessoas de experimentar a bondade do Pai. Por isso, atreve-se a curar doentes ao sábado,
o que provocou reacções dos fariseus e Jesus aproveita para explicar a razão da sua atitude. O sábado
é um presente de Deus.
Mt 2, 23-28 I «Ora num dia de sábado, indo Jesus através das searas, os discípulos
puseram-se a colher espigas pelo caminho. Os fariseus diziam-lhe: «Repara! Porque fazem eles ao
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sábado o que não é permitido?» Ele disse: «Nunca lestes o que fez David, quando teve necessidade
e sentiu fome, ele e os que estavam com ele? 26Como entrou na casa de Deus, ao tempo do Sumo
Sacerdote Abiatar, e comeu os pães da oferenda, que apenas aos sacerdotes era permitido comer, e
também os deu aos que estavam com ele?» E disse-lhes: «O sábado foi feito para o homem e não o
homem para o sábado. O Filho do Homem até do sábado é Senhor.»
Deus não criou o sábado para impor ao povo uma carga nem para o fazer viver agarrado a
um conjunto de normas. O que Deus quer é o Bem das pessoas. Essa é a verdadeira intenção de toda
a lei que vem d’Ele. Como não curar ao sábado? Se o sábado é para celebrar a libertação do trabalho
e da escravidão, não é o dia mais apropriado para libertar dos doentes do seu sofrimento e fazê-los
experimentar o amor libertador de Deus? O Seu Reino está a nascer, porque não viver desde já a festa
semanal como uma antecipação do descanso final?
Jesus não espera que passe o sábado para curar os que mais precisam. È insuportável para
Ele ver alguém a sofrer e não actuar de imediato.
A única resposta adequada à chegada do reino de Deus é o Amor. Jesus não tem dúvidas.
O modo de ser e de actuar de Deus é assim: a amar. Um Deus compassivo pede aos seus filhos e
filhas uma vida enraizada na compaixão, na misericórdia. Construir a vida tal como Deus a deseja só é
possível se fizermos do amor um imperativo absoluto, o nosso critério, a nossa opção fundamental.
Com Jesus e com este desejo de ser e de viver como Ele, tomamos consciência que
esta opção pelo Reino, pelo Amor, pela Misericórdia, é o que nos liberta e ao mesmo tempo nos
compromete. Compromete-nos com o Senhor, com os outros e connosco próprios. E a liberdade de
Jesus é uma liberdade centrada no Amor (Deus) e virada para fora. Uma liberdade que vem do fundo
e que não se cansa de anunciar que o Senhor nos ama verdadeiramente. Um Jesus totalmente livre
e centrado do Pai e que nos convida a viver como Ele e assim, levar-nos à plenitude, à felicidade
verdadeira. Uma felicidade que começa, aqui e agora, hoje.
PONTOS DE DISCUSSÃO
1. O que é a liberdade, segundo Jesus?
2. Como se pode viver livremente, mas comprometido com a Missão (estudos, trabalho,
…), com as pessoas que estão à nossa volta? Liberdade é fazer o que me apetece ou o que
quero? Vivo escravizado pelas emoções, sentimentos… «Hoje não me apetece fazer a cama/
limpar o quarto/ir às aulas/estudar…?»
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3. O que é para nós, hoje, o sábado e a lei? Aquilo que nos prende e não nos deixa centrar
na Lei do Amor, na Lei de Jesus?
Por exemplo:
- A competição na faculdade ou no trabalho;
- Trabalhar de mais para alimentar uma imagem de “bom trabalhador”, mas que me impede
de estar com a família e os amigos?
- Gastar muito na minha imagem para que me aceitem e gostem de mim?
- etc…
PONTO DE ESFORÇO I PROPOSTA
Pensar e concretizar o que preciso de cortar para ser mais livre, para ser mais como Jesus?
Pode ser algo material (dinheiro, roupa, telemóvel…), pode ser alguma atitude que mude a nossa
maneira de estar na faculdade/trabalho, pode ser uma relação de amizade ou trabalho que me prende,
etc.
PONTOS DE ORAÇÃO I PARA REZARES DURANTE O MÊS
1. Mt 5,17-20 I Peço a graça ao Senhor de contemplar a liberdade de Jesus. Viajo até
Jerusalém, imagino o Templo, os escribas, Jesus… e deixo que Jesus me diga a mim hoje: «Não vim
revogar a lei, mas sim levá-la à perfeição.» À perfeição do amor. Do amor infinito e absolutamente
misericordioso do Pai por cada um de nós.
Jesus não revoga nem suaviza a lei: leva-a até aos seus limites, até à loucura, até à entrega
total. Jesus vive a lei mas para Ele o centro é claro: o Amor do Pai e a vinda do Reino. E convida a cada
um a cortar correntes, a derrubar barreiras, a desatar nós que nos atam e que não nos permitem ser
mais de Deus e mais nós próprios. O que preciso de largar para conseguir ser mais COMO Jesus, livre
e centrado em Deus?
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REFERÊNCIA YOUCAT – 285, 286, 287, 348 [mais informações em www.youcat.org]
ORAÇÃO FINAL
Senhor Jesus,
Concede-nos um coração livre e humilde como o Teu.
Um coração totalmente centrado e enraizado no Amor de Deus.
Um coração totalmente entregue aos outros.
Um coração livre que se comprometa,
Um coração humilde que viva ao serviço,
Um coração entregue ao Pai e ao Reino.
Ensina-nos a ser e a viver como Tu,
Sem medo do que possam pensar,
Sem medo do que possam imaginar.
Sem medo porque Tu és o centro,
Porque Tu estás sempre connosco,
Porque Tu, és o Cristo Vivo, Filho de Deus.
PONTO DE ESFORÇO
PRÓXIMA RE U NI ÃO
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ou t ubro
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A PORTA DA FÉ
«D e qu e ap ro ve ita, ir m ã o s , q u e a l g u é m d i g a q u e t e m fé, s e n ão t i ver obr as de fé?
Ac a s o e s s a f é p o d e r á s a l v á - l o ? » (Tg 2, 14-17)
Como todos sabemos, o Papa Bento XVI convocou há uns meses o Ano da Fé. Este terá
início a 11 de Outubro de 2012, no cinquentenário da abertura do Concílio Vaticano II, e terminará na
Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo, a 24 de Novembro de 2013. Sendo um
tema que, a seu devido tempo, será abordado pelas Equipas, achámos que podia ser importante e do
interesse de todos falarmos já sobre este tema da fé como preparação que o Santo Padre nos pede
para o Ano da Fé.
A Carta Apostólica na qual o Papa convoca este ano chama-se Porta Fidei, precisamente
porque começa por falar da Porta da Fé. Diz-nos o Santo Padre:
«A PORTA DA FÉ (cf. Act 14, 27), que introduz na vida de comunhão
com Deus e permite a entrada na sua Igreja, está sempre aberta para
nós. É possível cruzar este limiar, quando a Palavra de Deus é anunciada
e o coração se deixa plasmar pela graça que transforma. Atravessar
esta porta implica embrenhar-se num caminho que dura a vida inteira.
Este caminho tem início no Baptismo (cf. Rm 6, 4), pelo qual
podemos dirigir-nos a Deus com o nome de Pai, e está concluído com
a passagem através da morte para a vida eterna, fruto da ressurreição
do Senhor Jesus, que, com o dom do Espírito Santo, quis fazer
participantes da sua própria glória quantos crêem n’Ele (cf. Jo 17, 22).
Professar a fé na Trindade – Pai, Filho e Espírito Santo – equivale a
crer num só Deus que é Amor (cf. 1 Jo 4, 8): o Pai, que na plenitude dos tempos
enviou seu Filho para a nossa salvação; Jesus Cristo, que redimiu o mundo
no mistério da sua morte e ressurreição; o Espírito Santo, que guia a Igreja
através dos séculos enquanto aguarda o regresso glorioso do Senhor» (PF, 1).
Em primeiro lugar, fica a pergunta: o que é a fé? Sobre isto diz-nos o Catecismo da Igreja
Católica: «(…) A fé é a resposta do homem a Deus que Se revela e a ele Se doa, trazendo ao mesmo
tempo uma luz superabundante ao homem em busca do sentido último da sua vida» (nº 26). É a
resposta que o homem dá ao convite de Deus que quer receber o homem na sua comunhão.
«A fé é primeiramente uma adesão pessoal do homem a Deus; é, ao mesmo tempo e
inseparavelmente, o assentimento livre a toda a verdade que Deus revelou. Como adesão pessoal a
Deus e assentimento à verdade que Ele revelou, a fé cristã é diferente da fé numa pessoa humana. É
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justo e bom entregar-se totalmente a Deus e crer absolutamente no que Ele diz. Seria vão e falso pôr
tal fé numa criatura» (nº 150).
A fé, enquanto resposta a Deus, manifesta também uma busca da verdade. Assim, a fé é a
virtude pela qual se acredita em Deus revelado, bem como em tudo o que a Igreja nos propõe para
ser acreditado, sabendo que ela, em matéria de fé, é infalível. Todo aquele que tem fé entrega-se
livremente a Deus e procura fazer a Sua vontade porque Ele é a própria verdade.
Depois desta breve definição dogmática da fé, vamos ver por alto o que é que o Papa Bento
XVI nos diz na Carta Apostólica Porta Fidei.
Começamos por algo de que todos nos vamos apercebendo, mas do qual muitas vezes não
retiramos todas as conclusões necessárias. Diz o Santo Padre no nº 2: a fé, hoje em dia, já não pode
ser entendida como algo pressuposto, que exista à partida (para quem não se lembra, vale a pena
reler a sua Homilia no Terreiro do Paço, que o Papa cita nesta Carta precisamente sobre este tema).
Não chega apenas ensinar algumas «coisas», algumas orações, algumas fórmulas, etc. Não que o
saber das orações e das fórmulas doutrinais não seja importante; mas, antes disso, devemos procurar
mostrar que a fé é importante, ou melhor, essencial, porque quando falamos de fé estamos a falar de
salvação, de vida eterna.
Outro ponto de importância fulcral é aquele que encontramos no nº 7, quando o Santo Padre,
citando Santo Agostinho, diz que «os crentes ‘fortificam-se acreditando’». Isto significa que não é
possível crescer e consolidar-se na fé sem o acto de acreditar, sem o alimentar e fortalecer.
Sobre este ponto, o Papa oferece algumas pistas essenciais sobre quais os meios pelos
quais se pode alimentar a fé. Diz, no nº 8: «deverá intensificar-se a reflexão da fé», e continua sobre
a oportunidade que haverá de professar publicamente o Credo. Mas podemo-nos questionar sobre o
porquê do Santo Padre convidar à intensificação da reflexão da fé. Ele próprio di-lo mais adiante: «o
conhecimento dos conteúdos de fé é essencial para se dar o próprio assentimento». Isto significa que
para acreditarmos temos de compreender, existe uma racionalidade própria que faz parte do acto de
crer. Caso contrário, seria uma «fesada», apenas uma suposição e não algo que provém do sacrário do
homem – o coração – e que envolve toda a sua existência!
Isto leva-nos a concluir que é necessário pensarmos sobre as razões da nossa fé e de
como as devemos transmitir. Certamente que temos dúvidas, algumas partes do Credo parecem-nos
obscuras, não compreendemos muitas posições da Igreja sobre diversos temas, sobretudo os morais.
Este Ano da Fé pode ser uma óptima oportunidade para fazermos também um caminho de descoberta
e aprofundamento das razões da nossa fé.
Ainda dentro da busca dos meios de aprofundar e crescer na fé, o Santo Padre realça a
importância da liturgia, sobretudo a celebração da Missa, que é «a meta para a qual se encaminha
a acção da Igreja e a fonte de onde promana toda a sua força» (nº 9). A vida de oração e a vida
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sacramental aparecem-nos como um dos caminhos, senão o mais excelente, onde podemos avaliar a
verdade da fé, bem como o seu principal alimento. Sem fé a celebração dos sacramentos e a oração
parecem um teatro; por outro lado, sem a Graça que recebemos pelos sacramentos, a fé não pode
subsistir. Por isso o Santo Padre chama a atenção para a celebração da fé, sobretudo na Eucaristia,
que é o mistério da fé.
O Papa Bento realça a importância de readquirir o gosto por tomarmos parte na Missa: aí
somos alimentados da Palavra de Deus, transmitida fielmente pela Igreja, e do Pão da Vida, «oferecidos
como sustento de quantos são seus discípulos» (nº 3). Provavelmente, pode acontecer várias vezes
não termos vontade de ir à Missa dominical. Mas será que estamos conscientes do mistério que aí se
celebra? Na Eucaristia é o Senhor Jesus que se oferece por mim como outrora o fez na cruz.
Talvez este Ano da Fé seja uma boa oportunidade para aprofundar o mistério da Eucaristia:
visitas à igreja, com explicação dos diversos lugares sagrados, a visita ao Santíssimo Sacramento
conservado e adorado no sacrário, a prática da oração na capela, etc.
Por fim, o Santo Padre realça outra importante dimensão da vida de fé. E começa citando
a Epístola de S. Tiago: «De que aproveita, irmãos, que alguém diga que tem fé, se não tiver obras de
fé? Acaso essa fé poderá salvá-lo? Se um irmão ou uma irmã estiverem nus e precisarem de alimento
quotidiano, e um de vós lhes disser: «Ide em paz, tratai de vos aquecer e de matar a fome», mas não
lhes dais o que é necessário ao corpo, de que lhes aproveitará? Assim também a fé: se ela não tiver
obras, está completamente morta. Mais ainda! Poderá alguém alegar sensatamente: «Tu tens a fé, e
eu tenho as obras; mostra-me então a tua fé sem obras, que eu, pelas minhas obras, te mostrarei a
minha fé». Em resumo, o Santo Padre convida-nos, durante o Ano da Fé, a «intensificar o testemunho
da caridade», sabendo que uma fé que não reverta em boas obras não poder ser uma boa fé. A caridade
apresenta-se como manifestação da verdadeira fé, na medida em que ela acontece quando, pela fé,
conseguimos encontrar no outro o rosto de Cristo. Mais ainda, o testemunho da caridade manifesta o
cumprimento do Mandamento Novo do Amor, que Cristo nos deixou: amai-vos uns aos outros, como
eu vos amei.
O Santo Padre aprofunda esta relação entre fé e caridade de uma forma muito interessante.
Diz ele: «A fé sem a caridade não dá fruto, e a caridade sem a fé seria um sentimento constantemente
à mercê da dúvida.» (nº 14). É interessante a forma como o Santo Padre introduz a questão da dúvida,
relacionando-a com a ausência de caridade. De facto, pela caridade, enquanto martírio, enquanto
testemunho (testemunho é o significado originário de martírio), é um caminho privilegiado de
crescimento na fé. Quem não concretiza a fé na caridade, quem não experimenta que o Evangelho é
vivo, que este produz frutos, que não é uma mera teoria, rapidamente é cercado de dúvidas e incertezas.
Quem sabe se este Ano da Fé não é uma boa oportunidade para revisitar, como dissemos,
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as obras de misericórdia. Elas são a tradução concreta do Evangelho no quotidiano da nossa vida;
conhecer o Evangelho é praticá-las, pois também o nosso Mestre – Jesus Cristo – as praticou como
sinal do seu amor por cada um de nós.
PONTOS DE DISCUSSÃO
1.
Procuro ter uma fé fortalecida, ou seja, tenho consciência daquilo (ou d’Aquele) em
quem acredito? Sei dar as razões da minha fé?
2.
Acredito naquilo que a Igreja me propõe e ensina? Como costumo lidar com o dogma,
ou seja, aqueles ensinamentos que a Igreja proclama como verdadeiros?
3.
Faço esta ligação entre a fé e a caridade, a fé e as obras? Digo-me uma pessoa de
fé mas isso depois no concreto manifesta-se como? Confio em Deus, na Sua divina
providência, ou confio mais em mim próprio e nas seguranças humanas?
4.
Quais são os meios que conhecemos que permitem um alimentar da fé?
PONTOS DE ORAÇÃO I PARA REZAR DURANTE O MÊS
1.
Tg 2, 14-26 I São Tiago é taxativo a afirmar que a fé sem obras é morta. Medito nesta
dupla dimensão de relação com Deus e os frutos que isso dará na relação com os
outros. Leio também 1Jo 4, 20-21: «Se alguém disser: «Eu amo a Deus», mas tiver
ódio ao seu irmão, esse é um mentiroso; pois aquele que não ama o seu irmão, a quem
vê, não pode amar a Deus, a quem não vê. E nós recebemos dele este mandamento:
quem ama a Deus, ame também o seu irmão».
2.
Temos várias passagens no Novo Testamento nas quais Jesus opera curas, centrando
o essencial na fé daqueles que lhas pediam. Jesus afirma sempre que foi a sua fé que
os salvou. Como é que o ter fé me tem ajudado na minha vida? Sinto que alguma vez a
minha fé me salvou de algum mal? (Ver: Mt 9, 19-26, a mulher com hemorragia; Mt
15, 21-27, a fé de uma cananeia; Mc 10, 46-52, a cura do cego de Jericó; Lc 17,
11-19, a cura de dez leprosos)
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PONTO DE ESFORÇO I PROPOSTA
Ler a Carta do Papa na qual convoca o Ano da Fé [Procurar em Carta Apostólica sob forma
de Motu Proprio Porta Fidei do Sumo Pontífice Bento XVI com a qual se proclama o Ano da Fé]
REFERÊNCIA YOUCAT I 11, 12, 13, 21, 22, 23, 24 (mais informações em www.youcat.
org)
ORAÇÃO FINAL
Ainda dentro da oração, talvez seja importante realçar o Credo não apenas como resumo
das verdades fundamentais da fé, mas como oração propriamente dita. Uma ideia para a oração é rezar
o Credo, de forma faseada (1. Creio no Pai. 2. Creio no Filho. 3. Creio no Espírito Santo. 4. Creio na
Igreja), meditando em cada uma destas verdades.
Isto pode ser uma ajuda a tomá-lo como norma de vida e como tesouro, por quem muitos
deram a sua vida ao longo de séculos.
PONTO DE ESFORÇO
PRÓXIMA RE U NI ÃO
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nov e mbro
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SEGUIR JESUS
« S e g u e - m e ! » (Jo 1, 43)
Jo 1, 43 I «No dia seguinte, Jesus resolveu sair para a Galileia. Encontrou Filipe, e disse-
lhe: «Segue-me!» Filipe era de Betsaida, a cidade de André e de Pedro. Esta cena é desconcertante. Quem é o tipo que, no seu perfeito juízo, segue um estranho? As
nossas mães dizem-nos para nem aceitarmos rebuçados de um desconhecido, quanto mais segui-lo.
O que levou Filipe a seguir Jesus? O que nos leva a seguir Jesus hoje? Esta é a opção fundamental da
nossa vida e, se é verdadeira e consciente, deve ser a base para todas as outras decisões que tomamos,
desde a decisão de casar ou ser padre à maneira como estudamos para um exame. Vamos então tentar
compreender o que está aqui em causa. Vejamos a continuação da passagem:
Jo 1, 45 I «Filipe encontrou Natanael e disse-lhe: «Encontrámos aquele sobre quem
escreveram Moisés, na Lei, e os Profetas: Jesus, filho de José de Nazaré.» Então disse-lhe Natanael:
«De Nazaré pode vir alguma coisa boa?» Filipe respondeu-lhe: «Vem e verás!» Jesus viu Natanael, que
vinha ao seu encontro, e disse dele: «Aí vem um verdadeiro israelita, em quem não há fingimento.»
Disse-lhe Natanael: «Donde me conheces?» Respondeu-lhe Jesus: «Antes de Filipe te chamar, Eu vi-te
quando estavas debaixo da figueira!» Respondeu Natanael: «Rabi, Tu és o Filho de Deus! Tu és o Rei de
Israel!» Retorquiu-lhe Jesus: «Tu crês por Eu te ter dito: ‘Vi-te debaixo da figueira’? Hás-de ver coisas
maiores do que estas!» E acrescentou: «Em verdade, em verdade vos digo: vereis o Céu aberto e os
anjos de Deus subindo e descendo por meio do Filho do Homem.»
Vamos dividir este tema em 6 pontos, interligados entre si:
1 I Seguir Jesus é, antes de mais, iniciativa de Deus
Nesta passagem vemos dois apóstolos – Filipe e Natanael (também chamado Bartolomeu)
– a serem desafiados por Jesus a segui-Lo. A decisão de seguir Jesus surge como resposta a um
convite d’Ele («Segue-me») e à promessa («Hás-de ver coisas maiores do que estas!»). É sempre de
Deus a iniciativa, é Deus que Se revela, que foi enviando profetas até enviar o Seu próprio Filho para
Se dar a conhecer e chamar cada um de nós, prometendo que receberemos muito mais. A decisão de
ser cristão, de seguir Jesus, é assim resposta a uma «concessão» de Deus, a uma possibilidade de
Deus: «Na Verdade, é justo e necessário, é nosso dever e salvação dar-Vos graças, sempre e em todo
o lugar, Senhor, Pai santo, Deus eterno e todo-poderoso. Ainda que nossos louvores não Vos sejam
necessários, Vós nos concedeis o dom de Vos louvar. Eles nada acrescentam ao que sois, mas nos
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aproximam de Vós por Jesus Cristo, Vosso Filho e Senhor nosso.» (Prefácio Comum IV da Missa)
2 I Seguir Jesus é seguir Quem nos conhece
Nesta cena, Jesus mostra conhecer Natanael – um verdadeiro israelita, em quem não há
fingimento – e este mostra-se espantado por Jesus o conhecer. Recorda-nos o Salmo 138/139:
«Senhor, Tu examinaste-me e conheces-me, sabes quando me sento e quando me levanto. (...)Tu
modelaste as entranhas do meu ser e formaste-me no seio de minha mãe. Dou-te graças por tão
espantosas maravilhas; admiráveis são as tuas obras. Quando os meus ossos estavam a ser formados,
e eu, em segredo, me desenvolvia, tecido nas profundezas da terra, nada disso te era oculto. (...)».
Natanael não teme seguir Jesus, ao saber que Ele o conhece.
Todos temos medo de ser rejeitados. Temos medo que alguém, conhecendo-nos melhor,
já não queira ser nosso/a amigo/a, namorado/a, etc. Com Jesus, não há esse risco. Quem segue
Jesus, não corre risco de ser rejeitado. Aliás, Ele é que corre esse risco, tal como aconteceu com
os apóstolos: na hora da Sua Paixão, apenas João permaneceu junto d’Ele, todos os outros fugiram.
Sabemos, já à partida, que Jesus é o Fiel, Aquele que permanece e ama até ao fim, enquanto nós, por
natureza pecadores e débeis, nem sempre seremos fiéis. E, no entanto, Deus quer que sigamos o Seu
Filho e O amemos, mesmo assim. Sabendo que não vamos ser fiéis, continua a contar connosco. Num
mundo onde há tanta desconfiança, saber que Deus nos conhece e confia em nós, apesar de sermos
como somos, enche-nos de esperança.
3 I Seguir Jesus não é coisa do passado
Disse Jesus a Tomé: Jo 20, 29: «Porque me vistes, acreditastes. Felizes os que acreditam
sem terem visto.»
Muitos dirão: «Ah, mas era mais fácil seguir Jesus há 2000 anos do que agora; ah, se
O víssemos ao vivo, como os primeiros apóstolos». Não necessariamente. A adesão a Jesus,
reconhecendo-O como Messias, também naquele tempo, exigia a fé. Não era algo óbvio! Além disso,
no tempo de Jesus, no século I (e também hoje em dia), surgiram vários falsos profetas, anunciando
ser o aguardado e prometido Messias, como líderes militares e políticos, prometendo a libertação
de Israel. O sábio Gamaliel faz-lhes referência, ao recomendar prudentemente aos fariseus que não
matassem os verdadeiros apóstolos que anunciavam a ressurreição de Jesus e a Sua divindade:
Act 5, 34-39 I «Ergueu-se, então, um homem no Sinédrio, um fariseu chamado Gamaliel,
doutor da Lei, respeitado por todo o povo. Mandou sair os acusados [os apóstolos] por alguns
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momentos e, tomando a palavra, disse: «Homens de Israel, tende cuidado com o que ides fazer a
esses homens! Nos últimos tempos, apareceu Teudas, que se dizia alguém e ao qual seguiram cerca
de quatrocentos homens. Ele foi liquidado e todos os seus partidários foram destroçados e reduzidos a
nada. Depois dele, apareceu também Judas, o galileu, nos dias do recenseamento, e arrastou o povo
atrás dele. Morreu, igualmente, e todos os seus adeptos foram dispersos. E, agora, digo-vos: não vos
metais com esses homens, deixai-os. Se o seu empreendimento é dos homens, esta obra acabará por
si própria; mas, se vem de Deus, não conseguireis destruí-los, sem correrdes o risco de entrardes em
guerra contra Deus.»
Sabemos que esta obra, a Igreja que vem de Deus, não acabou nem foi destruída, nestes
2000 anos de história. Ainda assim, causa confusão a muita gente esta ideia de seguir Jesus. Mas
afinal, que sentido faz seguir hoje alguém que viveu há 2000 anos e morreu crucificado? Seguimos
Jesus hoje porque mantemos uma relação com Ele, vivo e ressuscitado. Seguimos Jesus porque
fazemos esta experiência que os apóstolos fizeram de Jesus vivo e ressuscitado, que confirma tudo o
que Ele tinha anunciado antes de sofrer a Paixão. Seguimos Jesus porque compreendemos que Deus
Se fez verdadeiro homem e morreu por nós na cruz por Amor, de uma vez para sempre, para nos salvar.
Seguimos Jesus porque Ele é a resposta aos nossos anseios, porque Ele tem palavras de vida eterna.
4 I Seguir Jesus exige adesão pessoal
«Ah mas porquê que Deus não nos põe a todos a segui-l’O e pronto? Resolviam-se imensos
males duma só vez.» O amor não funciona assim. Seríamos meros fantoches nas mãos de Deus,
obrigados a amá-Lo. Felizmente, somos livres e Deus respeita a nossa liberdade e espera que nós,
livremente, nos disponhamos a segui-l’O.
«De facto, Cristo convidou à fé e à conversão, mas de modo nenhum constrangeu alguém.
«Deu testemunho da verdade, mas não a impôs pela força aos seus contraditores. O seu Reino [...]
dilata-se graças ao amor, pelo qual, levantado na cruz, Cristo atrai a Si todos os homens.» (CIC 160)
Dispormo-nos a segui-l’O implica que esta decisão seja pessoal: não podemos seguir
Jesus só porque os nossos pais nos educaram como cristãos, ou porque todos os nossos amigos são
cristãos, etc. Seguimos Jesus porque O vamos conhecendo, embora seja um conhecimento imperfeito:
1 Cor 13, 12 I «Agora, vemos como num espelho,de maneira confusa; depois, veremos
face a face. Agora, conheço de modo imperfeito; depois, conhecerei como sou conhecido.» Este é um
dado importante: não devemos ter a pretensão de dominar Jesus, de compreender Deus totalmente e
«tê-l’O na nossa mão» (ou não seria Deus). Será uma descoberta gradual («vem e vê») que só ficará
totalmente realizada no Céu.
«Mas esta opção por Jesus Cristo não pode deixar de ser simultaneamente incondicional
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e realista. Incondicional, porque diante de Deus, Criador e Senhor, não tem qualquer sentido pôr
condições, «ses» e «mas»…; Realista, por outro lado, pois este seguimento encontra necessariamente
«resistências», oposições, envolve mudanças, tem o seu «preço»… fora de nós, no mundo e ambiente
em que vivemos e, o que é ainda mais difícil, encontra resistências dentro de nós mesmos, nos nossos
egoísmos, medos, apegos…; Por outro lado, é uma opção que só pode arrancar da nossa humildade
radical e da nossa confiança n’Aquele que nos convida e desafia. Opção humilde, portanto, porque
não assenta nas nossas virtudes, méritos ou obras; pelo contrário, parte do reconhecimento da nossa
debilidade e mais ainda, da nossa condição pecadora. Mas, confiante, porque assenta exclusivamente
no amor gratuito e imenso de Deus, que ao nosso encontro no Seu Filho Jesus e que por isso mesmo
não pode deixar de conter a promessa de graça abundantemente para a poder cumprir.» (Padre António
Vaz Pinto, sj, in Fé e Existência Cristã)
5 I Seguir Jesus exige adesão na Igreja
Simultaneamente, porém, não basta a adesão pessoal: vamos conhecendo Jesus na Igreja e
através do testemunho d’Ela e da Sagrada Escritura, pelo que seguir Jesus implica caminhar na Igreja.
«Ninguém pode ter a Deus por Pai, se não tiver a Igreja por Mãe», como dizia S. Cipriano. É perigosa
a ideia de «seguir Jesus à minha maneira», isolado, sem recorrer aos sacramentos confiados à Igreja,
esquecendo o que Jesus disse: Mt 18, 18 I «Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra
será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra será desligado no céu.» Como o Papa Bento dizia
a cada um de nós durante a sua visita a Portugal: «Cristo está sempre connosco e caminha sempre com
a sua Igreja, acompanha-a e guarda-a, como Ele nos disse: «Eu estou sempre convosco, até ao fim dos
tempos». Nunca duvideis da sua presença! Procurai sempre o Senhor Jesus, crescei na amizade com
Ele, comungai-O. (...)»
O Papa refere-se ao papel da Igreja no seguimento de Jesus igualmente na sua homilia
de início do pontificado: «Quem crê, nunca está sozinho nem na vida nem na morte. (...). Não estou
sozinho. Não devo carregar sozinho o que na realidade nunca poderia carregar sozinho. Os numerosos
santos de Deus protegem-me, amparam-me e guiam-me. E a vossa oração, queridos amigos, a vossa
indulgência, o vosso amor, a vossa fé e a vossa esperança acompanham-me. De facto, à comunidade
dos santos não pertencem só as grandes figuras que nos precederam e das quais conhecemos os
nomes. Todos nós somos a comunidade dos santos, nós baptizados em nome do Pai, do Filho e do
Espírito Santo, nós que vivemos do dom da carne e do sangue de Cristo, por meio do qual ele nos quer
transformar e tornar-nos semelhantes a si mesmo».
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6 I Seguir Jesus tem consequências arriscadas
Seguir Jesus tem consequências práticas na nossa vida: não é apenas um conjunto estéril
de normas morais a cumprir, mas também passa por integrá-las na nossa vida; não é apenas um
conjunto de rituais ou cerimónias, mas passa por mergulhar no que eles significam! Seguir Jesus é
deixar «que Ele cresça e eu diminua», é deixá-l’O viver em mim, deixar-me guiar pelo Espírito Santo. E
vivendo Jesus em mim, quero viver o que Ele viveu, dar importância ao que Ele dá, interessar-me pelo
que Ele se interessou, tratar as pessoas como Ele as tratou, olhar a vida como Ele olhava, rezar como
Ele rezou, contagiar esperança como Ele contagiava, ter os mesmos sentimentos que Ele.
Depois, este seguir Jesus tem diferentes expressões, manifestações concretas que exigem
uma unidade de vida: na radicalidade da pobreza, na radicalidade da entrega na vida consagrada,
na radicalidade da experiência missionária, na radicalidade da santificação do trabalho diário, na
radicalidade da vida matrimonial, na radicalidade da vida comunitária, na radicalidade do martírio, na
radicalidade das pequenas coisas, etc. Em qualquer caso, seguir Jesus não é um mar de rosas, e Jesus
nunca disse que seria o caminho mais fácil: Mc 10, 29: «Em verdade vos digo: Todo aquele que tiver
deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos ou terras, por minha causa e por causa do Evangelho,
receberá cem vezes mais, já neste mundo, em casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e terras, juntamente
com perseguições (...)». Mas é neste caminho que descobrimos a verdadeira Vida!
PONTOS DE DISCUSSÃO
1. Quem é Jesus para mim? Como oiço hoje concretamente a Sua voz que me chama a
segui-l’O?
2. O que me leva a seguir Jesus?
3. Em equipa partilhamos um momento particular em que tenhamos sentido a exigência
de ser cristãos: seja naquele exame que estava a correr mal e mesmo assim não copiámos
pelo outro ao nosso lado, seja até no sacrifício que fizemos para ir à Missa noutro dia, etc.
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PONTOS DE ORAÇÃO I PARA REZARES DURANTE O MÊS
1. Jo 20, 24-29 I Leio devagar e deixo-me tocar pela Palavra de Jesus. Coloco-me na cena,
sou como Tomé e faço a minha profissão de fé…
2. Sal 138/139 I Coloco-me diante de Jesus e faço um exercício de auto-reconhecimento.
Como é que Jesus olha para mim? E como é que eu olho para mim? Tenho confiança em
mim?
3. Jo 6, 66-69 I Leio devagar e deixo-me tocar pela Palavra de Jesus. Coloco-me na cena e
deixo que Jesus me questione: e eu, também quero ir embora? Como é que Jesus me chama
a segui-Lo hoje na minha vida?
PONTO DE ESFORÇO I PROPOSTA
Para seguir Jesus não é preciso inventar coisas fantásticas. Basta por os olhos no concreto
que somos chamados a viver. Como proposta diária para este mês, sugerimos que faças um exame de
consciência todas as noites (se quiseres, podes até escrever), em que dês graças a Deus por aqueles
momentos em que agiste como Jesus agiria e peças perdão por aqueles momentos em que não deste
espaço à acção de Jesus em ti.
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REFERÊNCIA YOUCAT I 92, 121 [mais informações em www.youcat.org]
ORAÇÃO FINAL
Não digas sou demasiado pobre!
Dá o que tens.
Não digas: sou demasiado fraco!
Lança-te para diante.
Não digas: sou demasiado ignorante!
Diz o que sabes.
Não digas: sou demasiado velho!
Dá as tuas forças e a tua experiência.
Não digas: isso matar-me-ia!
Se morreres, tu reviverás e farás viver.
Se o fardo te é pesado, pensa nos outros.
Se atrasas o passo, eles param.
Se te sentas, eles deitam-se.
Se te deitas, eles adormecem.
Se fraquejas, eles fogem.
Se duvidas, eles desesperam.
Se hesitas, eles recuam.
Mas se tu andas, eles correm.
Se corres , eles voam.
Se lhes estendes a mão,
eles sustentam-te e ajudam-te.
Reza por eles e serás exaltado.
Arrisca a tua vida e viverás
[Proper Monier]
PONTO DE ESFORÇO
PRÓXIMA RE U NI ÃO
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de ze mbro
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JESUS: O MISTÉRIO REVELADO
« V i e m o s a d o r á - l ’ O » (Mt, 2, 1-12)
O tempo do Natal tem duas celebrações que se completam: o nascimento de Jesus
e a Epifania. A primeira contempla a entrada na nossa História de Jesus, Filho de Deus, Filho da
Virgem Maria. A segunda convida-nos a tomar consciência de que Ele veio para contactar com todos
os homens, para nos manifestar o amor de Deus («epifania» significa manifestação). Partimos do
Evangelho para compreender este caminho percorrido e com a ajuda do Santo Padre, vamos também
adorar o mistério que se nos revela.
Os Magos do Oriente I «Tendo Jesus nascido em Belém da Judeia, no tempo do rei
Herodes, chegaram a Jerusalém uns magos vindos do Oriente. E perguntaram: «Onde está o rei dos
judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo.» Ao ouvir tal notícia,
o rei Herodes perturbou-se e toda a Jerusalém com ele. E, reunindo todos os sumos sacerdotes e
escribas do povo, perguntou-lhes onde devia nascer o Messias. Eles responderam: «Em Belém da
Judeia, pois assim foi escrito pelo profeta:
«E tu, Belém, terra de Judá,
de modo nenhum és a menor entre
as principais cidades da Judeia;
porque de ti vai sair o Príncipe
que há-de apascentar o meu povo de Israel.»
Então Herodes mandou chamar secretamente os magos e pediu-lhes informações exactas
sobre a data em que a estrela lhes tinha aparecido. E, enviando-os a Belém, disse-lhes: «Ide e informaivos cuidadosamente acerca do menino; e, depois de o encontrardes, vinde comunicar-mo para eu ir
também prestar-lhe homenagem.» Depois de ter ouvido o rei, os magos puseram-se a caminho. E a
estrela que tinham visto no Oriente ia adiante deles, até que, chegando ao lugar onde estava o menino,
parou. Ao ver a estrela, sentiram imensa alegria; e, entrando na casa, viram o menino com Maria, sua
mãe. Prostrando-se, adoraram-no; e, abrindo os cofres, ofereceram-lhe presentes: ouro, incenso e
mirra. Avisados em sonhos para não voltarem junto de Herodes, regressaram ao seu país por outro
caminho.» (Mt, 2, 1-12)
Celebramos Cristo, Luz do mundo, e a sua manifestação às nações. No dia de Natal a
mensagem da liturgia ressoava assim: «Hodie descendit lux magna super terra», que quer dizer, «hoje
uma grande luz desce sobre a terra» (Missal Romano). Em Belém, esta «grande luz» apareceu a um
pequeno grupo de pessoas, um minúsculo «resto de Israel»: a Virgem Maria, o seu esposo José e
alguns pastores. Uma luz humilde, como faz parte do estilo do Deus verdadeiro; uma chama pequena
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acendida na noite: um frágil recém-nascido, que geme no silêncio do mundo... Mas aquele nascimento
escondido e desconhecido era acompanhado pelo hino de louvor pelas multidões celestes, que
cantavam glória e paz (cf. Lc 2, 13-14).
Assim aquela luz, mesmo que modesta ao aparecer sobre a terra, projectava-se com poder
no céu: o nascimento do Rei dos Judeus tinha sido anunciado com o surgir de uma estrela, visível
de muito longe. Foi este o testemunho de «alguns Magos», que do oriente foram a Jerusalém pouco
depois do nascimento de Jesus, no tempo do rei Herodes (cf. Mt 2, 1-2). Mais uma vez se reevocam
e se respondem o céu e a terra, a criação e a história. As antigas profecias encontram confirmação
na linguagem dos astros. «Uma estrela sai de Jacob, e um ceptro flamejante surge do seio de Israel»
(Nm 24, 17), tinha anunciado o vidente pagão Balaão, chamado a amaldiçoar o povo de Israel, e que
ao contrário o abençoou porque revelou-lhe Deus «aquele povo é abençoado» (Nm 22, 12). Cromácio
de Aquileia, no seu Comentário ao Evangelho de Mateus, pondo em relação Balaão com os Magos,
escreve: «Aquele profetizou que Cristo teria vindo; estes viram-no com os olhos da fé». E acrescenta
uma observação importante: «A estrela era vista por todos, mas nem todos a receberam» (ibid., 4, 1-2).
Sobressai aqui o significado na perspectiva histórica, do símbolo da luz aplicado ao nascimento de
Cristo: ele expressa a bênção especial de Deus sobre a descendência de Abraão, destinada a alargar-se
a todos os povos da terra.
O acontecimento evangélico que recordamos na Epifania, a visita dos Magos ao Menino
Jesus em Belém remete-nos assim para as origens da história do povo de Deus, isto é, para a chamada
de Abraão. Estamos no capítulo 12 do Livro do Génesis. Os primeiros onze capítulos são como
grandes quadros que respondem a algumas perguntas fundamentais da humanidade: qual é a origem
do universo e do género humano? De onde vem o mal? Por que há diversas línguas e civilizações?
Entre as narrações iniciais da Bíblia, encontra-se uma primeira «aliança», estabelecida por Deus com
Noé, depois do dilúvio. Trata-se de uma aliança universal, que se refere a toda a humanidade: o novo
pacto com a família de Noé é ao mesmo tempo pacto com «toda a carne». Depois, antes da chamada
de Abraão encontra-se outro quadro muito importante para compreender o sentido da Epifania: o da
torre de Babel. O texto sagrado afirma que na origem em «toda a terra havia somente uma língua e
empregavam-se as mesmas palavras» (Gn 11, 1). Depois os homens disseram: «Vamos construir uma
cidade e uma torre cuja extremidade atinja os céus. Assim, tornar-nos-emos famosos para evitar que
nos dispersemos por toda a face da terra» (Gn 11, 4). A consequência desta culpa de orgulho, análoga
à de Adão e Eva, foi a confusão das línguas e a dispersão da humanidade sobre toda a terra (cf. Gn
11, 7-8). Isto significa «Babel», e foi uma espécie de maldição, semelhante à expulsão do paraíso
terrestre.
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A este ponto tem início a história da bênção, com a chamada de Abraão: começa o grande
desígnio de Deus para fazer da humanidade uma família, mediante a aliança com um povo novo, por
Ele escolhido para que seja uma bênção entre todas as nações (cf. Gn 12, 1-3). Este plano divino ainda
está a decorrer e teve o seu momento culminante no mistério de Cristo. A partir de então, iniciaram
os «últimos tempos», no sentido em que o desígnio foi plenamente revelado e realizado em Cristo,
e que pede para ser acolhido pela história humana, permanecendo sempre na história de fidelidade
da parte de Deus, e, infelizmente, também de infidelidades da parte dos homens. A mesma Igreja,
depositária da bênção, é santa e composta por pecadores, marcada pela tensão entre o «já» e o «ainda
não». Na plenitude dos tempos Jesus Cristo veio para cumprir a aliança: Ele mesmo, verdadeiro Deus
e verdadeiro homem, é o Sacramento da fidelidade de Deus ao seu desígnio de salvação para a inteira
humanidade, para todos nós.
A chegada dos Magos do Oriente a Belém, para adorar o recém-nascido Messias, é o sinal
de manifestação do Rei universal aos povos e a todos os homens que procuram a verdade. É o início
de um movimento oposto ao de Babel: da confusão à compreensão, da dispersão à reconciliação.
Percebemos assim um vínculo entre a Epifania e o Pentecostes: se o Natal de Cristo, que é a Cabeça,
é também o Natal da Igreja, seu corpo, nós vemos nos Magos os povos que se agregam ao resto de
Israel, prenunciando o grande sinal da «Igreja poliglota», realizado pelo Espírito Santo cinquenta dias
depois da Páscoa.
O amor fiel e tenaz de Deus, que nunca falta à sua aliança de geração em geração, é o
«mistério» do qual fala São Paulo nas suas Cartas, também no trecho da Carta aos Efésios há pouco
proclamado: o Apóstolo afirma que «por revelação me foi dado conhecer o mistério que acabo de
vos expor» (Ef 3, 3) e ele está encarregado de o dar a conhecer. Este «mistério» da fidelidade de
Deus constitui a esperança da história. Sem dúvida, ele é contrastado por impulsos de divisão e de
subjugação, que dilaceram a humanidade por causa do pecado e do conflito de egoísmos. A Igreja
está, na história, ao serviço deste «mistério» de bênção pela humanidade inteira. Neste mistério da
fidelidade de Deus, a Igreja desempenha plenamente a sua missão unicamente quando reflecte em si
mesma a luz de Cristo Senhor, e assim ajuda os povos do mundo no caminho da paz e do progresso
autêntico. De facto, permanece sempre válida a palavra de Deus revelada por meio do profeta Isaías:
«... a noite cobre a terra e a escuridão os povos; mas sobre ti levantar-se-á o Senhor, a sua glória te
iluminará» (Is 60, 2). Aquilo que o profeta anuncia a Jerusalém, realiza-se na Igreja de Cristo: «As
nações caminharão à tua luz, os reis, ao resplandecer da tua aurora» (Is 60, 3).
Esta boa nova do nascimento do Menino Jesus que se alargou a todos os povos, à humanidade
inteira, leva-nos à esperança. «Esta grande esperança só pode ser Deus... não um deus qualquer,
mas aquele Deus que possui um rosto humano» (Spe salvi, n. 31): o Deus que se manifestou no
Menino de Belém e no Crucificado-Ressuscitado. Esta esperança deve ser preservada na sobriedade.
Quando esta não existe, o homem tem tendência a procurar a felicidade no êxtase, no supérfluo, nos
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excessos, e arruína-se a si mesmo e ao mundo. A moderação não é então só uma regra ascética, mas
também um caminho de salvação para a humanidade. Já é evidente que só adoptando um estilo de
vida sóbrio, acompanhado do compromisso sério por uma distribuição equitativa das riquezas, será
possível instaurar uma ordem de desenvolvimento justo e sustentável.
A coragem do Magos, que empreenderam uma longa viagem seguindo uma estrela, e que
souberam ajoelhar-se diante de um Menino e oferecer-lhe os seus dons preciosos, é aquela que todos
temos necessidade, que esta seja ancorada numa esperança firme. (cf. Papa Bento XVI, Homília 6
Janeiro 2008)
PONTOS DE DISCUSSÃO
1.
Os Magos seguiram a estrela que os levou até Jesus… E eu? No meio de tantas luzes sou
capaz de reconhecer a Estrela que indicou o caminho?
2.
Quem, na minha vida, me indica o caminho? O que é que me ajuda a avançar, a sair de mim
e desejar encontrar-me com Jesus? Faço memória agradecida de todas as pessoas que, ao
longo da minha, vida foram sinal e presença de Deus para mim…
3.
O que é realmente importante para mim neste Natal? Fico centrado no essencial (O
Nascimento de Jesus Cristo) ou limito-me ao acessório (presentes, luzes e festas)?
PONTOS DE ORAÇÃO I PARA REZAR DURANTE O MÊS
1. «Prostraram-se e adoraram-No»… como me situo diante deste mistério? O que digo?
O que faço? Atrevo-me a entrar na intimidade com Jesus? Que presente ofereço a Jesus?
Que lhe quero dar hoje? Que quero pôr hoje a seus pés para conseguir abrir o coração e
fazer espaço para que Jesus possa nascer? Que lhe ofereço de mim? Como posso ser mais
presente no mundo, «presente» para o mundo?
2. «Depois de ter ouvido o rei, os magos puseram-se a caminho. E a estrela que
tinham visto no Oriente ia adiante deles, até que, chegando ao lugar onde estava
o menino, parou. Ao ver a estrela, sentiram imensa alegria; e, entrando na casa,
viram o menino com Maria, sua mãe.» Os Magos percorreram o caminho que os levou
a Jesus, Aquele que é o Caminho! Para isso tiveram que decidir partir, deixar as suas terras,
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seguranças… mas a razão que os fazia sair de casa era maior que todas as incertezas
e inseguranças… Quantas vezes na minha vida não me atrevo a deixar de desistir…
Reconheço, na minha vida, os sinais que me dão alento? … as pessoas que são referência
na minha vida?as minhas seguranças e comodidades e partir? Como diz o Pe. António Vieira:
«Queremos ir ao Céu, mas não queremos ir por onde se vai para o Céu.» Por que caminho
vou ter com Jesus? Sigo o Seu caminho? Tenho consciência que é Ele o Caminho, a Verdade
e a Vida? Ou procuro outros caminhos… atalhos… versões rápidas mas não portadoras
de «imensa alegria»? A estrela foi a confirmação que lhes deu alento… foi reconfortante
sentirem-se guiados no meio de do cansaço, de dúvida, da vontade
PONTO DE ESFORÇO I PROPOSTA
Neste tempo de Natal podemos fazer um esforço de ter mais tempo para os outros, muitas
vezes na correria de todos os dias, esquecemo-nos dos que estão mais sós e precisam de uma palavra
de alento e conforto, este é um tempo privilegiado para fazermos isso. Podemos visitar um doente,
algum familiar mais esquecido, um amigo que não vemos há muito tempo.
REFERÊNCIA YOUCAT I 9, 76 [mais informações em www.youcat.org]
ORAÇÃO FINAL
Hoje um astro surgiu no firmamento
E nos conduz, Senhor, ao vosso encontro.
Hoje a Igreja de Cristo iluminou-se
Na presença do seu eterno Esposo.
Hoje vieram Magos do Oriente
Hoje nas águas santas do Jordão
E ofereceram dons ao Rei celeste.
Cristo purificou nossos pecados.
Hoje mudou Jesus a água em vinho
Hoje o Verbo divino feito homem
E o nosso sofrimento em alegria.
Revela ao mundo inteiro a sua glória.
PONTO DE ESFORÇO
PRÓXIMA RE U NI ÃO
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not as
70
agrade c i me nt o s
Este caderno de temas 2012 não teria sido feito se não tivesse tido a colaboração de tantas
pessoas que o fizeram a pensar em cada uma das equipas, com o intuito de crescerem na fé e na sua
relação pessoal com Jesus. Fizeram-no também por amor ao Movimento, onde também eles aprenderam muito, à Igreja, pelo o serviço, mas, sobretudo pelo imenso amor que têm a Jesus.
Agradecemos ao Padre Valter, Assistente Espiritual das Equipas de Jovens de Nossa Sen-
hora, pela amizade e entrega que tem demonstrado;
À Maria Alarcão, que durante este ano rezará pelas Equipas na Casa de Oração de Santa
Rafaela Maria em Palmela, onde completa o seu primeiro ano de noviciado;
Ao Diácono Duarte Andrade e Sousa e ao seminarista Tiago Fonseca, equipistas, que através
da sua sabedoria também colaboraram na realização dos temas;
Ao João Schedel que pensou e realizou cada um dos desenhos deste caderno;
À Ana e ao Henrique Mota, Casal Assistente Nacional que já nos acompanham desde 2008
e que têm sido um exemplo de entrega e dedicação;
À Helena Alarcão, pela dedicação e exigência na realização e coordenação deste grande
projecto;
À Marta Figueiredo, responsável nacional, pela sua motivação e empenho neste Movimento;
A Jesus, a quem tudo entregamos, e agradecemos o facto de estar nas ejNS!
Secretariado Nacional 2011/2013
Qualquer dúvida podem escrever para: [email protected]
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«Tendes de saber em que credes. Tendes de conhecer a vossa fé como um
especialista em tecnologia domina o sistema funcional de computador.
Tendes de a compreender como um bom músico entende uma par titura.»
Carta do Papa Bento XVI aos jovens, «YouCat»
« F a z e i t u d o o q u e E l e v o s d i s s e r » , C a d e r n o d e Te m a s 2 0 1 2
Este caderno de temas é parte integrante do Jornal «Partilha», nº 271
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CADERNO DE TEMAS 2012 - Equipas de Jovens de Nossa Senhora