UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM TECNOLOGIA AVALIAÇÃO DE EMISSÕES DE CO2 NA CONSTRUÇÃO CIVIL: UM ESTUDO DE CASO DA HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL NO PARANÁ THEODOZIO STACHERA JÚNIOR Dissertação apresentada como requisito parcial para a obtenção do grau de Mestre em Tecnologia. Programa de PósGraduação em Tecnologia, Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Orientador: Prof. Casagrande Jr. CURITIBA 2006 PhD Eloy Fassi THEODOZIO STACHERA JÚNIOR AVALIAÇÃO DE EMISSÕES DE CO2 NA CONSTRUÇÃO CIVIL: UM ESTUDO DE CASO DA HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL NO PARANÁ Dissertação apresentada como requisito parcial para a obtenção do grau de Mestre em Tecnologia. Programa de PósGraduação em Tecnologia, Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Orientador: Prof. Casagrande Jr. CURITIBA 2006 PhD Eloy Fassi Em memória de Dona Edith, minha querida mãe. iv AGRADECIMENTOS À Ymembui, minha querida esposa, pela grande paciência e compreensão. Ao Prof. Eloy Fassi Casagrande Jr. pela valiosa orientação para a realização desse trabalho. Aos Professores Aguinaldo, Décio e Cerri pelas correções e sugestões para conclusão dessa pesquisa. Aos Professores do PPGTE/UTFPR pela dedicação. À Companhia da Habitação do Paraná, em especial ao Sr. Aparecido Tassi pelo apoio e incentivo. Aos meus amigos, em especial ao Sérgio Graboswi pelos conselhos e pela grande ajuda. À Ana Carolina, pois tudo tem sua importância. Aos meus familiares que sempre me incentivaram e acreditaram nas minhas iniciativas. A Deus, pois sem ele nada seria possível. v “...que importância tem se a eletricidade dos letreiros em néon devora os combustíveis fósseis arrancados do coração da Terra para irem, queimados, saturar a atmosfera com gás carbônico, com compostos sulfurados, com metano e óxido de nitrogênio! Que importância tem se as centrais nucleares acumulam em seu centro resíduos radioativos que não interessam às gerações futuras – e isso se daqui até lá essas centrais não explodirem...a dívida ecológica será paga em dia, eis as chuvas ácidas que matam as florestas, eis que se cava o buraco na camada de ozônio, eis que os gases de combustão, num efeito estufa, aquecem a atmosfera, alargando os desertos, condenando Veneza e Bangladesh” (LIPIETZ, 1991, p.80). vi SUMÁRIO LISTA DE FIGURAS............................................................................................. xii LISTA DE TABELAS............................................................................................ xiv RESUMO.............................................................................................................. xviii ABSTRACT.......................................................................................................... xix 1 INTRODUÇÃO............................................................................................... 20 1.1 O MEIO AMBIENTE NO CENÁRIO ATUAL........................................... 20 1.2 PROBLEMÁTICA DE PESQUISA......................................................... 23 1.3 PROBLEMA DE PESQUISA................................................................. 24 1.4 OBJETIVO GERAL............................................................................... 25 1.5 OBJETIVOS ESPECÍFICOS................................................................. 25 1.6 JUSTIFICATIVA.................................................................................... 26 1.7 ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO........................................................ 26 2 O PENSAMENTO SISTÊMICO X PENSAMENTO CARTESIANO. O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL, A CRISE AMBIENTAL, O AQUECIMENTO GLOBAL E O PROTOCOLO DE KIOTO......................... 28 2.1 O PENSAMENTO SISTÊMICO X O PENSAMENTO CARTESIANO....................................................................................... 28 2.2 A EVOLUÇÃO DO HOMEM E A UTILIZAÇÃO DE RECURSOS NATURAIS .......................................................................................... 31 2.3 O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL........................................... 34 2.3.1 O Desenvolvimento Econômico e o Meio Ambiente....................... 36 2.3.2 O Equilíbrio Ambiental e as Indústrias............................................ 38 vii 2.3.3 A Poluição do Ar........................................................................... 44 2.4 2.3.3.1 História da poluição do ar..................................................... 46 2.3.3.2 Os principais poluentes do ar............................................ 47 2.3.3.3 Efeitos da poluição............................................................... 49 2.3.3.4 Classificação física dos poluentes atmosféricos.................. 49 A MUDANÇA CLIMÁTICA COM O AQUECIMENTO GLOBAL E O PROTOCOLO DE KIOTO............................................................... 50 2.4.1 Aquecimento Global..................................................................... 50 2.4.2 O Efeito Estufa............................................................................. 53 2.4.2.1 Os gases do efeito estufa........................................................ 56 2.4.2.1.1 Dióxido de Carbono - CO2.............................................. 58 2.4.3 Prováveis Conseqüências do Aumento da Temperatura.............. 62 2.4.4 O Protocolo de Kioto..................................................................... 63 2.5 3 CONCLUSÃO DO CAPÍTULO............................................................ 67 TECNOLOGIAS APROPRIADAS, A PRODUÇÃO MAIS LIMPA E A INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO CIVIL E AS EMISSÕES DOS GASES DO EFEITO ESTUFA ................................................................................. 69 3.1 TECNOLOGIAS APROPRIADAS ..................................................... 69 3.1.1 Tecnologias Apropriadas na Construção Civil............................. 72 3.2 A PRODUÇÃO MAIS LIMPA............................................................. 3.3 A INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO CIVIL E A PRODUÇÃO DE 74 SEUS PRINCIPAIS PRODUTOS - A EMISSÃO DE CO2 NA FABRICAÇÃO E NO TRANSPORTE ..................................................... 75 3.3.1 A Indústria da Construção Civil no Cenário Atual ........................ 75 3.3.2 Impactos Ambientais dos Materiais de Construção ..................... 77 3.3.2.1 Os produtos básicos mais utilizados na indústria da construção civil ............................................................................. 78 3.3.3 Produção de Resíduos e a Emissão de Gases na Indústria da Construção Civil ................................................................................. 80 viii 3.3.3.1 Cimento ...................................................................................... 82 3.3.3.1.1 Processo de fabricação do cimento.................................... 85 3.3.3.2 Cal............................................................................................... 88 3.3.3.2.1 Fabricação do cal................................................................ 90 3.3.3.3 Tijolos cerâmicos........................................................................ 91 3.3.3.3.1 Perfil da indústria de cerâmica vermelha............................. 91 3.3.3.3.2 O processo de produção..................................................... 92 3.3.3.3.3 As matérias primas mais utilizadas no processo produtivo 93 3.3.3.4 PVC ............................................................................................ 96 3.3.3.5 Agregados: areia e brita.............................................................. 98 3.3.3.6 O aço........................................................................................... 99 3.3.3.6.1 A produção do aço.............................................................. 100 3.3.3.6.2 A produção do aço e a indústria do carvão vegetal............ 100 3.3.3.6.3 O uso da lenha e o desmatamento .................................... 102 3.3.4 Emissão dos Gases do Efeito Estufa no Transporte................... 104 3.3.4.1 Metodologia para o cálculo de emissões de CO2 no transporte........................................................................................... 106 3.3.4.2 Adição de álcool ao diesel..................................................... 109 3.4 REFERÊNCIAS PESQUISADAS PARA CÁLCULO DE EMISSÕES DE GASES DO EFEITO ESTUFA......................................................... 110 3.4.1 Emissões de Gases do Efeito Estufa Calculadas Segundo Cybis e Santos (2000) .......................................................................... 111 3.4.2 Emissões de Gases do Efeito Estufa Calculados Segundo Cruz et al (2003).................................................................................... 112 3.4.3 Emissões de Gases do Efeito Estufa Calculados Segundo o IDD - Institut Wallon – VITO (2001).................................................... 112 3.4.4 Emissões de Gases do Efeito Estufa Calculados Segundo Isaia e Gastaldini (2004)....................................................................... 114 3.5 CONCLUSÃO DO CAPÍTULO............................................................ 115 ix 4 METODOLOGIA DA PESQUISA............................................................... 116 4.1 CARACTERÍSTICAS DA PESQUISA................................................... 116 4.2 MÉTODO DE PESQUISA .................................................................... 116 4.3 COLETA DE DADOS ............................................................................ 117 4.4 A ANÁLISE DA PESQUISA .................................................................. 118 5 ESTUDO DE CASO: O MODELO DE CONSTRUÇÃO PÚBLICA DE INTERESSE SOCIAL MAIS DESENVOLVIDO NO ESTADO DO PARANÁ E A EMISSÃO DE GASES DO EFEITO ESTUFA .................... 119 5.1 A COMPANHIA DE HABITAÇÃO DO PARANÁ.................................... 119 5.1.1 Missão da Companhia da Habitação do Paraná .......................... 119 5.1.2 Metas da Empresa......................................................................... 119 5.1.3 O Déficit Habitacional no Estado do Paraná.................................. 120 5.2 AS UNIDADES HABITACIONAIS CONSTRUÍDAS PELA ESTATAL PARANAENSE...................................................................... 122 5.3 DISTÂNCIAS PERCORRIDAS PARA O TRANSPORTE DOS PRINCIPAIS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO UTILIZADOS NOS EMPREENDIMENTOS POPULARES DESENVOLVIDOS PELA COHAPAR NO ESTADO DO PARANÁ.............................................. 126 5.4 EMISSÕES DE GASES DO EFEITO ESTUFA NO MODELO DE HABITAÇÃO PÚBLICA DE INTERESSE SOCIAL MAIS CONSTRUÍDO NO ESTADO DO PARANÁ.......................................... 130 5.4.1 Emissões de Gases do Efeito Estufa no Processo de Produção de Materiais de Construção Utilizados na Construção Pública de Casas de Interesse Social no Estado do Paraná................................................. 130 5.4.2 Emissões de CO2 Devido ao Transporte Rodoviário de Materiais de Construção para Execução Pública das Casas no Interior do Estado do Paraná............................................................... 135 5.5 ANÁLISES E CONSIDERAÇÕES SOBRE OS RESULTADOS.......... 137 5.5.1 Relação entre os Materiais mais Utilizados na Execução Pública de Casas com Interesse Social e a Emissão de CO2.............. 139 x 5.5.2 Cálculo da Quantidade Total de CO2 que está sendo Emitido e que Poderá ser Emitido na Construção Pública da Habitação de Interesse Social no Estado do Paraná.................. 140 RECOMENDAÇÕES E CONCLUSÕES ................................................... 143 6.1 LIMITAÇÕES DO ESTUDO.................................................................. 146 6.2 PESQUISAS FUTURAS....................................................................... 147 REFERÊNCIAS................................................................................................ 148 ANEXOS........................................................................................................... 165 A PRODUÇÃO HISTÓRICA DE HABITAÇÕES DA COHAPAR.............. 165 6 B RELAÇÃO DE MATERIAIS DA CASA PADRÃO 40 – CASA MAIS UTILIZADA NAS CONSTRUÇÕES DA COHAPAR.............................. 166 C RELAÇÃO DOS MUNICÍPIOS COM CASAS EM OBRAS E O NÚMERO DE UNIDADES EM CONSTRUÇÃO EM 08/08/2005........... xi 169 LISTA DE FIGURAS FIGURA 1 - HISTÓRIA DA POLUIÇÃO DO AR ................................................. 47 FIGURA 2 – PRODUÇÃO INDUSTRIAL GLOBAL DE CO2................................ 55 FIGURA 3 – GRÁFICO DA CONTRIBUIÇÃO DOS GASES DO EFEITO ESTUFA PARA O AQUECIMENTO GLOBAL.............................................. 59 FIGURA 4 - EMISSÕES GLOBAIS DE CO2 RESULTANTE DAS ATIVIDADES HUMANAS (bilhão de toneladas de carbono por ano)................................. 61 FIGURA 5 - GRÁFICO DO PRINCIPAIS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO NO QUE SE REFERE AS EMISSÕES DE GASES DO EFEITO ESTUFA......... 79 FIGURA 6 – ESQUEMA DE PRODUÇÃO DOS PRINCIPAIS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO...................................................................................... 81 FIGURA 7 – ESQUEMA REPRESENTANDO O PROCESSO DE FABRICAÇÃO DO CIMENTO ..................................................................... 87 FIGURA 8 – PROCESSO PRODUTIVO BÁSICO DE PRODUTOS DE CERÂMICA VERMELHA ............................................................................. 92 FIGURA 9 – EXTRAÇÃO DA MATÉRIA PRIMA (ARGILA) NA REGIÃO DE CURITIBA.................................................................................................... 93 FIGURA 10 – RECEBIMENTO DE MADEIRAS PARA QUEIMA EM UMA OLARIA DA REGIÃO METROPOLITANA DE CURITIBA............................ 94 FIGURA 11 – ESQUEMA DE EMISSÕES DE CO2 NO PROCESSO DE PRODUÇÃO DA INDÚSTRIA DE CERÂMICA VERMELHA........................ 95 FIGURA 12 – GRÁFICO DO CONSUMO X PLANTIO DE ÁRVORES PARA MADEIRA .................................................................................................... 102 FIGURA 13 – FOTOS DO TRANSPORTE DE BARRAS DE AÇO.................... 109 FIGURA 14 - EMISSÕES TOTAIS DE CO2 POR ÁREA CONSTRUÍDA........... 113 FIGURA 15 - ESCRITÓRIOS REGIONAIS DA COMPANHIA DA HABITAÇÃO DO PARANÁ ......................................................................... xii 122 FIGURA 16 – PROJETO ARQUITETÔNICO DA CASA PADRÃO 40M² .......... 124 FIGURA 17 – FOTOS DAS ETAPAS DE CONSTRUÇÃO DA CASA DE 40 M² ........................................................................................................... 126 FIGURA 18 - MAPA DO PARANÁ COM ESQUEMA DE TRANSPORTE DE MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO ................................................................ 129 FIGURA 19 - EMISSÕES TOTAIS DE CO2 POR CASA (MATERIAIS + TRANSPORTE) .......................................................................................... 138 xiii LISTA DE TABELAS TABELA 1 – CARTESIANO X SUSTENTÁVEL ................................................ 30 TABELA 2 – PROBLEMAS AMBIENTAIS E SUAS PRINCIPAIS CAUSAS...... 33 TABELA 3 – PRINCÍPIOS QUE REGEM AS ATUAIS CONDUTAS NA SOCIEDADE DE CONSUMO...................................................................... 38 TABELA 4 – PARADIGMAS NAS RELAÇÕES ENTRE EMPRESAS E O MEIO-AMBIENTE........................................................................................ 41 TABELA 5 – ATIVIDADES E SEUS IMPACTOS AMBIENTAIS......................... 43 TABELA 6 – CONCENTRAÇÃO DE CO2 E A TEMPERATURA DA TERRA SEGUNDO ALGUNS PESQUISADORES.................................................... 56 TABELA 7 – CONCENTRAÇÃO DE GASES DO EFEITO ESTUFA NA ATMOSFERA................................................................................................ 57 TABELA 8 – VARIAÇÃO NAS CONCENTRAÇÕES DOS GASES DO EFEITO ESTUFA NA ATMOSFERA........................................................................... 58 TABELA 9 – EMISSÕES NOS PAÍSES DESENVOLVIDOS POR SETOR ........ 60 TABELA10 – INDICADORES DE EMISSÕES DE CO2 NOS PAÍSES DESENVOLVIDOS E EM DESENVOLVIMENTO........................................ 62 TABELA 11 - COMPARAÇÃO ENTRE TECNOLOGIA APROPRIADA E TECNOLOGIA DE GRANDE ESCALA.......................................................... 71 TABELA 12 – TÉCNICAS TRADICIONAIS X TECNOLOGIAS MODERNAS X TECNOLOGIAS APROPRIADAS ................................................................. 73 TABELA13 - EMISSÕES DE CO2 NA INDÚSTRIA DO REINO UNIDO EM 1998.............................................................................................................. 80 TABELA14 – EMISSÕES DE GASES NA INDÚSTRIA DE CIMENTO DA TURQUIA .................................................................................................... xiv 83 TABELA 15 – EMISSÕES DE CO2 NA PRODUÇÃO DE CIMENTO.................. 84 TABELA 16 – PRODUÇÃO DE CIMENTO NO BRASIL (1990 A 1994).............. 84 TABELA 17 – PRODUÇÃO DE CAL NO BRASIL (1990 – 1994)....................... 89 TABELA 18 – EMISSÕES DE CO2 NA PRODUÇÃO DE CAL BRASILEIRA.... 89 TABELA 19 – EMISSÕES DE CO2 DA PRODUÇÃO DE CAL CALCÍTICA, MAGNESIANA E DOLOMÍTICA.................................................................. 90 TABELA 20 – EMISSÕES DE CO2 POR DESTINAÇÃO DE TRANSPORTE DE 1990 A 1998 NA CIDADE DO RIO DE JANEIRO.................................. 107 TABELA 21 - PROJEÇÃO DE EMISSÕES DE CO2 REFERENTE AOS COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS (Gg/ano)............................................................ 108 TABELA 22 – EMISSÕES DE GASES DO EFEITO ESTUFA POR METRO QUADRADO DE ALVENARIA SEGUNDO CYBIS E SANTOS (2000)......... 111 TABELA 23 – ESTIMATIVA DE EMISSÕES DE CO2 POR METRO QUADRADO DE CONSTRUÇÃO SEGUNDO CRUZ ET AL (2003)............ 112 TABELA 24 – VALORES REFERENCIAIS DE EMISSÕES DE CO2 POR PRODUTO NA INDÚSTRIA DE CONSTRUÇÃO CIVIL DA BÉLGICA......... 113 TABELA 25 – VALORES REFERENCIAIS DE EMISSÕES DE CO2 POR PRODUTO NA INDÚSTRIA DE CONSTRUÇÃO CIVIL SEGUNDO ISAIA E GASTALDINI (2004).................................................................................. 114 TABELA 26 - NÚMERO DE FAMÍLIAS SEM HABITAÇÃO NO ESTADO DO PARANÁ POR FAIXA DE RENDA MÉDIA.................................................... 120 TABELA 27 – QUANTIDADES TOTAIS DE EMPREENDIMENTOS E UNIDADES EM OBRAS DA COHAPAR........................................................ 121 TABELA 28 – DADOS SOBRE A CASA PADRÃO UTILIZADA PELA COHAPAR NO ESTADO DO PARANÁ....................................................... 123 TABELA 29 – QUANTIDADE DOS PRINCIPAIS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO DA CASA PADRÃO 40.. .................................................... 123 TABELA 30 – FASES E ETAPAS DA CONSTRUÇÃO DE UM EMPREENDIMENTO HABITACIONAL.......................................................... 125 xv TABELA 31 – DISTÂNCIAS MÉDIAS PERCORRIDAS PARA O TRANSPORTE DE MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO (INDÚSTRIA/ CURITIBA ATÉ O LOCAL DA OBRA DA COHAPAR)................................. 128 TABELA 32 – QUANTIDADE DE EMISSÕES DEVIDO AO PROCESSO DE TRANSFORMAÇÃO DO CALCÁRIO EM CAL UTILIZADO NA EXECUÇÃO PÚBLICA DE CASAS DE INTERESSE SOCIAL NO ESTADO DO PARANÁ.............................................................. 130 TABELA 33 - QUANTIDADES UNITÁRIAS DE EMISSÕES DE CO2 PRODUZIDAS NA FABRICAÇÃO E EXTRAÇÃO DOS PRINCIPAIS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO UTILIZADOS NA EXECUÇÃO PÚBLICA DE CASAS DE INTERESSE SOCIAL, SEGUNDO VALORES DE REFERENCIA DE CYBIS E SANTOS (2000) ....................... 131 TABELA 34 – QUANTIDADES UNITÁRIAS DE EMISSÕES DE CO2 PRODUZIDAS NA FABRICAÇÃO E EXTRAÇÃO DOS PRINCIPAIS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO UTILIZADOS NA EXECUÇÃO PÚBLICA DE CASAS DE INTERESSE SOCIAL, SEGUNDO VALORES DE REFERENCIA DE CRUZ ET AL (2003) ............................... 132 TABELA 35 – QUANTIDADES UNITÁRIAS DE EMISSÕES DE CO2 PRODUZIDAS NA FABRICAÇÃO E EXTRAÇÃO DOS PRINCIPAIS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO UTILIZADOS NA EXECUÇÃO PÚBLICA DE CASAS DE INTERESSE SOCIAL, SEGUNDO VALORES DE REFERÊNCIA DE IDD – INSTITUT WALON - VITO (2001) ............... 133 TABELA 36 – QUANTIDADES UNITÁRIAS DE EMISSÕES DE CO2 PRODUZIDAS NA FABRICAÇÃO E EXTRAÇÃO DOS PRINCIPAIS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO UTILIZADOS NA EXECUÇÃO PÚBLICA DE CASAS DE INTERESSE SOCIAL, SEGUNDO VALORES DE REFERÊNCIA DE ISAIA E GASTALDINI (2004).................. 133 TABELA 37 – EMISSÕES TOTAIS DE CO2 POR CASA (SEGUNDO OS VALORES REFERENCIAIS DOS AUTORES PESQUISADOS)................... 134 xvi TABELA 38 – QUANTIDADES UNITÁRIAS E TOTAIS DE EMISSÕES DE CO2 REFERENTES AO TRANSPORTE DE MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO UTILIZADOS NA EXECUÇÃO DE CASAS PADRÃO DA COHAPAR, SEGUNDO VALORES DE REFERÊNCIA DE CYBIS E SANTOS (2000), IDD - INSTITUT WALLON VITO (2001) E IPCC........... 135 TABELA 39 – EMISSÕES POR PRODUTO (PADRÃO COMERCIAL DE COMPRA) .................................................................................................... 139 TABELA 40 – EMISSÕES TOTAIS APROXIMADAS DE CO2 NA EXECUÇÃO PÚBLICA DE CASAS DE INTERESSE SOCIAL EM CONSTRUÇÃO NO ESTADO DO PARANÁ ................................................................................. 140 TABELA 41 – PROVÁVEIS EMISSÕES TOTAIS APROXIMADAS DE CO2 NAS CASAS DE INTERESSE SOCIAL NECESSÁRIAS PARA ZERAR DO DÉFICIT HABITACIONAL NO ESTADO DO PARANÁ........................... 141 TABELA 42 - EMISSÕES DE CO2 POR SETOR (Gg/ano).................................. 142 xvii RESUMO A indústria da construção civil é uma das mais importantes do cenário brasileiro, não só pela grande quantidade de recursos financeiros que movimenta e geração de empregos, mas pelo enorme volume de recursos naturais e energéticos que utiliza. Discutem-se atualmente, em nível mundial, ações em prol do desenvolvimento sustentável, como o Protocolo de Kioto que pretende reduzir os níveis de emissões dos gases causadores do efeito estufa. O setor da construção civil, com raras exceções, está “a margem” desse processo de redução dos gases que provocam o aquecimento global. Nesta pesquisa se analisa como a construção de habitações de interesse social desenvolvida no Estado do Paraná, tão importante e necessária diante do grande número de famílias sem casa, tem contribuído para a emissão de gases do efeito estufa, seja na utilização de materiais com altos índices de emissões no seu processo de produção, seja no sistema de logística que utiliza o transporte rodoviário com grandes distâncias percorridas para distribuição dos materiais nas obras. Através da revisão da literatura dos sistemas de produção dos principais materiais de construção utilizados no modelo padrão de habitação popular mais utilizado no Estado, foi possível quantificar o CO2, principal gás causador do efeito estufa e lançado na atmosfera pelo setor. Por fim, concluí-se que há necessidade de uma mudança gradativa no modelo construtivo e de distribuição de materiais através de ações sistêmicas visando a redução do impacto ambiental desse importante setor. Palavras-chaves: Materiais de Construção; Transporte; Efeito Estufa; CO2; Habitação de Interesse Social. Áreas de conhecimento: Edificações, Multidisciplinar, Desenvolvimento e Meio Ambiente. xviii ABSTRACT The civil construction industry is one of the more important in the Brazilian scenery, not only by the big quantity of financial resources that move and generation jobs, but by the great energy volume and natural resources that utilize. Actually it’s discuss, in global level, actions for the sustainable development as The Kioto Protocol that aspire to reduce the emissions levels of the greenhouse gases. The civil construction sector, with rare exceptions in The Brazil, is in “the margin” of process to reduction the gases emission that provoke the global warm. In this researches is analyzed how the social construction developed in The Paraná State, so important and necessary faced with the great number of families without home, has contributed to the greenhouse gases emission, using building materials with high indices of emissions in its production process and in the material transportation system that use the road transport to do the houses in different places in The Paraná State. Through bibliographical revision of the main building material process systems utilized in a popular project model more use in that State, was possible quantify the CO2, main greenhouse gas that provoke the global warm. Finally concluded that is necessary a gradual change in the construction and logistic model through systematic action look for the reduction of the environmental impact of that important sector. Key words: Construction Building Material; Transportation; Global Warm; CO2; Social Knowledge Areas: Construction, Multidisciplinary, Development and Environment xix 20 1 1.1 INTRODUÇÃO O MEIO AMBIENTE NO CENÁRIO ATUAL O crescimento econômico a qualquer custo, voltado para o desenvolvimento imediato, têm comprometido o meio ambiente e as vidas futuras. A exploração não racional dos recursos naturais reduziram suas reservas de uma forma nunca antes vista na história. Conseqüentemente a essa demanda por matérias-primas, maior produtividade e bens materiais por parte do mundo industrializado, tem provocado sérios impactos sobre o meio ambiente: desastres ambientais, uma série de acidentes graves, derrames de quantidades consideráveis de petróleo no mar, extinção de espécies animais e vegetais além dos problemas globais como o efeito estufa e a destruição da camada de ozônio. Quando o planeta foi visto do espaço pela primeira vez, observou-se que a Terra é dominada, não pela ação e pela obra do homem, mas por um conjunto ordenado de nuvens, oceanos, vegetação e solos. O fato da humanidade ser incapaz de agir conforme essa ordenação natural, está alterando fundamentalmente o planeta Terra. Muitas dessas alterações acarretam ameaças à vida e esta realidade nova, da qual não há como fugir, tem de ser reconhecida e enfrentada. Em um passado próximo as atividades humanas e seus efeitos estavam nitidamente confinados em nações, setores (energia, agricultura, comércio) e amplas áreas de interesse (ambiental, econômico, social). Esses compartimentos começaram a se diluir. Isto se aplica em particular às várias “crises” globais que preocuparam a todos, sobretudo nos últimos 10 anos. A Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento - CMMAD (1988) afirma que não são crises isoladas: crise ambiental, crise do desenvolvimento, crise energética são uma só. O meio ambiente sempre foi considerado um recurso abundante e classificado na categoria de bens livres, ou seja, daqueles bens para os quais não há necessidade de trabalho para sua obtenção. Isto dificultou a possibilidade de estabelecimento de critérios em sua utilização e tornou disseminada a poluição ambiental, passando a afetar a totalidade da população, através de uma apropriação socialmente indevida do ar, da água e do solo. (DONAIRE, 1999, p.39). 21 Como conseqüência da poluição vê-se o aquecimento global causado pela grande quantidade de emissões de gases lançados na atmosfera, que tem preocupado muitos países e que gera, também, muita discussão quanto à sua real existência. A comunidade internacional assinou em 1997 o Protocolo de Kioto1 (exceto os Estados Unidos), que tem como intenção diminuir a emissão dos gases lançados na atmosfera. Esse acordo propõe a redução gradativa das emissões de gases, principalmente o dióxido de carbono - CO2. No entanto, há dúvidas quanto a sua eficácia, para que haja uma redução significativa a ponto de reverter a atual situação. As indústrias, as queimadas, a utilização de combustíveis fósseis nos sistemas de transporte e na geração de energia, são os grandes emissores de gases causadores do efeito estufa que provocam o aquecimento global. Lacasta (2005) afirma que somente o transporte aumentará as emissões dos gases causadores do efeito estufa em 140% no período entre os anos de 1990 a 2010 nos países da União Européia. Já no ano de 1988 a CMMAD alertava que a queima de combustíveis fósseis espalharia CO2 na atmosfera, o que provocaria um gradual aquecimento do planeta. Ainda o aquecimento global deve diminuir significativamente a oferta de alimentos em muitos países e aumentar o número de famintos no mundo, segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação - FAO (2005). A FAO afirma ainda que o aquecimento global aumentará a proporção das terras considerada áridas ou semi-áridas nos países subdesenvolvidos. Acredita-se que o aumento da temperatura global contribuiu para a ocorrência de mais de 600 inundações mundiais nos últimos dois anos e meio, que mataram cerca de 19 mil pessoas e provocaram prejuízos de US$ 25 bilhões - sem contar o tsunami de dezembro/2004 na Ásia, que matou mais de 180 mil pessoas. A organização não governamental Fundo Mundial para a Natureza - WWF (2005), alertou que os cinco principais países emergentes - Brasil, China, Índia, México e África do Sul - também "aumentarão a emissão de gases de efeito estufa à medida que suas economias crescerem". O WWF (2005) afirma ainda que as emissões de CO2 aumentaram 8,4% desde 1990 nos países industrializados e as mudanças climáticas e fatores meteorológicos ocorridos na Europa, como a 1 O Protocolo de Kioto será explicado no item 2.4.4 22 abundância de desastres dos últimos anos no continente, colaboram para as previsões científicas mais pessimistas sobre as conseqüências do aquecimento global. Emanuel (2005) afirma que o aquecimento global também aumenta a quantidade de furacões. Pela primeira vez as maiores tempestades registradas no Atlântico e no Pacífico, desde 1970, aumentaram sua duração e intensidade em cerca de 50%. Para Emanuel (2005) este dado está diretamente ligado ao aumento das temperaturas médias da superfície do oceano e também corresponde ao aumento da temperatura atmosférica no mesmo período. Este cenário que se observa hoje não é recente, já no ano de 1992 se discutia os problemas ambientais na ECO92, Conferência realizada na Cidade do Rio de Janeiro. Nessa Conferência foram discutidas ações para minimizar os problemas ambientais que estavam ocorrendo e comprometendo as vidas futuras. Como um dos principais resultados dessa Conferência, foi divulgado a Carta do Rio ou Declaração do Rio sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (apud VALLE, 2002, p. 157) que, em seu princípio número um está escrito: Os seres humanos são o ponto focal dos esforços pelo desenvolvimento sustentável. Têm direito a uma vida saudável e produtiva e em harmonia com a natureza. Até que ponto se estamos deixando um mundo saudável para as futuras gerações diante dos desastres ambientais que são vistos quase todos os dias? No Princípio Oito está escrito: Para alcançar o desenvolvimento sustentável e uma qualidade de vida mais elevada para todos os indivíduos, os Estados devem reduzir e eliminar padrões insustentáveis de produção e consumo e promover políticas demográficas adequadas. Até que ponto são eliminados sistemas industriais ou modelos tradicionais que causam malefícios à vida atual e futura? 23 1.2 PROBLEMÁTICA DE PESQUISA A ameaça à sobrevivência humana e a procura de uma melhor imagem para a sociedade fez com que alguns setores se mobilizassem procurando alternativas. Destacam-se algumas organizações como a Empresa Natura (MAIA e VIEIRA, 2004) do setor de cosméticos, que analisa e se preocupa com as questões ambientais e sustentáveis, mas, em outros setores muito importantes da economia como o da construção civil, pouco se faz ou a responsabilidade é transmitida para os Governos, seja no desenvolvimento de novos produtos ambientalmente mais corretos, seja no processo produtivo, seja na utilização do produto ou no seu aproveitamento pós-vida-útil. (MAIA e VIEIRA, 2004). A indústria da construção civil, também chamada de construbusiness, tem grande parcela de contribuição na situação atual, apontada como um dos setores da economia que maior impacto gera sobre o ambiente natural. (GRIGOLETTI e SATTLER, 2003). Ela consome algo em torno de 50% dos recursos naturais disponíveis no planeta, segundo John (2000), ou até 75%, segundo Agopyan et al (2005) e é responsável por grande parte dos resíduos, consumo de energia e emissões atmosféricas produzidas. Somente o setor de produção de cimento que integra a indústria da construção civil é responsável por 2% de todas as emissões de CO2. (SOARES, 1998). Já Toledo Filho e Rego (2002) afirmam que 7% das emissões de CO2 são provenientes das indústrias cimenteiras. O concreto como exemplo, já é o material mais utilizado nas obras civis, é o segundo material mais consumido pela humanidade após a água. (ISAIA e GASTALDINI, 2004). Nas cidades européias, segundo estudos de Presco (1999, apud BARBOSA et al, 2003), as emissões de CO2 da indústria da construção correspondem, aproximadamente, a 30% do total das emissões. Nesse contexto observa-se alguma mobilização para tentar reduzir, ou pelo menos minimizar este grande problema; mas, aliado a esta mobilização, as questões econômicas ditam as mudanças e ou interesses. A construção civil no modelo atual, além de consumir uma enorme quantidade de recursos naturais não renováveis, 24 produz resíduos e desperdiça grande parte desses recursos no seu processo de produção. Estima-se que os resíduos de construção e demolição representam mais de 50% da massa dos resíduos sólidos urbanos. (JOHN, 2000). A grande quantidade de materiais desperdiçados na obra também causa poluição além da necessidade de grandes áreas para depósitos desses materiais. As emissões atmosféricas causadas pela fabricação e transporte desses materiais também é um grande agente de poluição para nosso habitat. No Brasil, Grigoletti e Sattler (2003) afirmaram que existem poucos estudos que avaliam os impactos ambientais relacionados à produção e transporte de materiais de construção. No que se refere às emissões provenientes da operação/funcionamento das edificações, há menos estudos ainda. Como exemplo, no Japão, as emissões de CO2 na operação/funcionamento das edificações são três vezes maior do que as emissões provenientes das construções. (SHUZO et al, 2005). Neste contexto, esta pesquisa faz uma análise do paradoxo entre a grande quantidade de emissões de gases causadores do efeito estufa emitidos na produção e no transporte dos principais materiais de construção utilizados na construção pública de habitação pública de interesse social, desenvolvida no Estado do Paraná, e a necessidade de mais habitações, principalmente para as famílias mais carentes. A motivação para este estudo está no fato de que no Brasil estima-se um déficit habitacional em torno de 5,3 a 13 milhões, sem considerar as moradias inadequadas. (IPEA2, 1996 e Rede de Mobilização pela Moradia, 2000). Segundo a Companhia de Habitação do Paraná – COHAPAR, em números absolutos em 2005 este déficit era mais de 167.000 moradias no Estado do Paraná. 1.3 PROBLEMA DE PESQUISA A indústria da construção civil é de grande importância para o Brasil diante da necessidade da construção de habitações e infra-estrutura, contudo, até que ponto a indústria da construção civil, no setor de produção e transporte de materiais de 2 Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada 25 construção, está emitindo gases causadores do efeito estufa na construção pública da habitação de interesse social no Estado do Paraná? Havendo a emissão de gases do efeito estufa na construção pública de habitação de interesse social no Estado do Paraná, quais as quantidades desses gases lançados na atmosfera? É possível aumentar a oferta de habitação de interesse social sem aumentar as emissões de CO2 na mesma proporção? 1.4 OBJETIVO GERAL Avaliar o principal modelo de habitação de interesse social desenvolvido no Estado do Paraná pela COHAPAR, no que se refere a emissões dos gases que contribuem para o efeito estufa relacionados com os materiais de construção utilizados e no transporte desses materiais até as obras. 1.5 OBJETIVOS ESPECÍFICOS 1) Apresentar índices de emissões de gases seja: - na fabricação dos principais materiais de construção; - no sistema de distribuição desses materiais para execução dos empreendimentos da COHAPAR. 2) Criar um modelo matemático que possa auxiliar a quantificar a emissão de CO2 na construção pública de habitação de interesse social. 3) Discutir estratégias para construção de habitação, principalmente para famílias mais carentes no Estado do Paraná, contudo sem poluir o meio ambiente num modelo de habitação mais ecologicamente adequada e com uma produção mais limpa. 26 1.6 JUSTIFICATIVA No Brasil convive-se com grandes problemas e desigualdades sociais e a construção de casas com fins sociais firma-se como uma ação e possibilidade de inclusão social às famílias mais carentes. A construção civil é importante, não só pela possibilidade de propiciar cidadania às famílias mais carentes, mas para propiciar ainda, a criação de empregos a trabalhadores, em grande parte, sem formação. A indústria da construção civil é uma das indústrias que mais utilizam materiais não-renováveis e energia nos seus processos de produção. No modelo construtivo mais utilizado e tradicional, a grande maioria dos materiais de construção são transportados via transporte rodoviário. Vive-se em um período de transformações climáticas e iniciativas para a redução das emissões de gases, principalmente o CO2, que contribui sensivelmente para o aquecimento global e a indústria da construção civil deve apresentar sua contribuição para essas ações. A necessidade da construção de habitações, principalmente para as famílias mais carentes, a necessidade de materiais de construção e sistemas de transportes para esses materiais e a emissão dos gases causadores do efeito estufa, torna necessária uma reflexão desse paradigma sobre as reais necessidades e possibilidades de uma intervenção imediata. 1.7 ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO Esta pesquisa apresenta conceitos da literatura e faz um estudo de caso sobre o principal modelo público de habitação de interesse social desenvolvido no Estado do Paraná. Foram feitas revisões na literatura, pesquisas e entrevistas com técnicos da Companhia de Habitação do Paraná. Foram desenvolvidos estudos envolvendo a produção e o transporte de cimento, cal, tijolos, aço, PVC, areia e 27 brita, calculando as emissões de gases causadas através do principal modelo público de habitação de interesse social desenvolvido no Estado do Paraná. A pesquisa está subdividida em 6 capítulos que apresentam o tema da seguinte forma: No Capítulo 1 são apresentados a introdução dessa pesquisa, bem como o problema de pesquisa, objetivos, justificativa e estrutura da pesquisa. Os Capítulos 2 e 3 são destinados às revisões da literatura objetivando apresentar conceitos da literatura: - No Capítulo 2 sobre o pensamento sistêmico, a utilização de recursos naturais, o desenvolvimento sustentável, sobre as mudanças climáticas ocasionadas pela grande quantidade de emissões atmosféricas e ações como o Protocolo de Kioto, que pretende obrigar a redução da quantidade de gases lançados na atmosfera. - No Capítulo 3 sobre tecnologia e técnica e suas relações com alguns conceitos de Tecnologias Apropriadas, inclusive para a construção civil. Conceitos de Produção Mais Limpa. A indústria da construção civil e o modelo de produção dos principais materiais de construção utilizados na construção tradicional e a geração de resíduos gasosos. No Capítulo 4 é apresentada a metodologia de pesquisa. O Capítulo 5 é destinado ao estudo de caso sobre o principal modelo de construção pública de habitação de interesse social desenvolvido pela COHAPAR no Estado do Paraná e as emissão dos Gases do Efeito Estufa - GEE. Neste capítulo é feita também uma análise desse modelo. No Capítulo 6 são apresentadas as recomendações, conclusões, limitações dessa pesquisa e pesquisas futuras. 28 2 PENSAMENTO SISTÊMICO DESENVOLVIMENTO X PENSAMENTO SUSTENTÁVEL, A CRISE CARTESIANO. O AMBIENTAL, O AQUECIMENTO GLOBAL E O PROTOCOLO DE KIOTO Quanto mais estudamos os principais problemas de nossa época, mais somos levados a perceber que eles não podem se entendidos isoladamente. (CAPRA, 1996, p.23). 2.1 O PENSAMENTO SISTÊMICO X O PENSAMENTO CARTESIANO A racionalidade instrumental tem se consolidado como premissa em favor do cálculo racional e do "utilitarismo", a partir dos séculos XVII e XVIII. Faz parte da cultura moderna, do culto à razão acima de todas as coisas e tudo leva aos processos e padrões. O mecanicismo e a simplificação das coisas leva a uma análise errônea do todo e de suas inter-relações; a vida não pode ser isolada e entendida como um fato isolado e divisível. Rene Descartes em seu Discurso do Método apregoava o pensamento cartesiano e reducionista, que consiste em quatro regras. (SILVA, 1993, p. 31): a) Clareza e distinção: só devo acolher como verdadeiro o que se apresenta ao meu espírito de forma tão clara e distinta que eu não tenha como duvidar. b) Análise: em presença de dificuldades no conhecimento, devo dividi-las em tantas parcelas quantas forem necessárias para chegar às partes claras e distintas e, assim, solucionar o problema. c) Ordem: devo conduzir meus pensamentos por ordem, começando pelos mais simples e prosseguindo na direção dos mais complexos ou compostos. Devo estabelecer uma ordem entre as idéias quando elas não se apresentam naturalmente ordenadas. d) Enumeração: proceder a revisões e enumerações completas, para ter a certeza de que todos os elementos foram considerados. 29 Das características que o Método de Descartes impõe ao conhecimento verdadeiro decorre, como conseqüência, que tudo aquilo que a razão não reconhece como portador de tais características deve ser colocado em dúvida. Aquele que busca a verdade na evidência, só pode aceitar o que aparece como claro e distinto, usando única e exclusivamente a razão para determinar, dessa forma, o conhecimento. (SILVA, 1993). Quando se muda a forma de pensar do pensamento mecanicista para o pensamento sistêmico, a relação entre as partes e o todo é invertida. A ciência cartesiana de Descartes acreditava que em qualquer sistema complexo o comportamento do todo podia ser analisado em termos das propriedades de suas partes. A ciência sistêmica mostra que os sistemas vivos não podem ser compreendidos por meio da análise. As propriedades das partes não são propriedades intrínsecas, mas só podem ser entendidas dentro do todo maior. Podese dizer que o pensamento sistêmico é pensamento ambientalista. (CAPRA, 1996). O antigo paradigma que dominou a cultura por várias centenas de anos consiste em várias idéias e valores entrincheirados, entre os quais, a visão do universo como um sistema mecânico composto de blocos de construção elementar, a visão do corpo humano como uma máquina, a visão da vida em sociedade como uma luta competitiva pela existência, a crença no progresso material ilimitado, a ser obtido por intermédio de crescimento econômico e tecnológico. O novo paradigma pode ser chamado de uma visão de mundo holística, que concebe o mundo como um todo integrado, e não como uma coleção de partes dissociadas. (SEQUINEL, 2002). Capra (1996) afirma que também pode ser denominado visão ecológica e reconhece a interdependência fundamental de todos os fenômenos, e o fato de que, enquanto indivíduos e sociedade, estão todos encaixados nos processos cíclicos da natureza. Segundo o entendimento do pensamento sistêmico, um sistema não pode ser caracterizado apenas pelas partes que o compõem, mas, principalmente, pelas interrelações entre elas. A dinâmica de sistemas procura, justamente, elucidar as características gerais dos sistemas, partindo dos padrões de comportamento entre as partes, e das estruturas determinantes destes padrões, tomando por base a teoria de feedback e dos servomecanismos. (SENGE, 1990). “A mudança de paradigmas 30 requer uma expansão não apenas de nossas percepções e maneiras de pensar, mas também de nossos valores”. (CAPRA, 1996, p. 27). Almeida (2002) propõem a idéia de integração e interação, uma nova maneira de olhar e transformar o mundo, baseada no diálogo entre saberes e conhecimentos diversos. No mundo sustentável, uma atividade não pode ser pensada ou praticada em separado, porque tudo está inter-relacionado, em permanente diálogo. Na TABELA 1, Almeida (2002) apresenta algumas considerações sobre diferença entre o velho e os novos paradigmas. TABELA 1 – CARTESIANO X SUSTENTÁVEL CARTESIANO SUSTENTÁVEL Reducionista, mecanicista, tecnocêntrico Orgânico, holístico, participativo. Fatos e valores não relacionados Fatos e valores fortemente relacionados Preceitos éticos desconectados das práticas Ética integrada ao cotidiano cotidianas Separação entre o objetivo e o subjetivo Interação entre o objetivo e o subjetivo Seres humanos e ecossistemas separados, em Seres humanos inseparáveis dos ecossistemas, uma relação de dominação em uma relação de sinergia Conhecimento compartimentado e empírico Conhecimento indivisível, empírico e intuitivo. Relação linear de causa e efeito Relação não linear de causa e efeito Natureza entendida como descontínua, o todo Natureza entendida como um conjunto de formado pela soma das partes sistemas inter-relacionados; o todo maior que a soma das partes Bem-estar avaliado por relação de poder Bem-estar avaliado pela qualidade das inter(dinheiro, influência, recursos) relações entre os sistemas ambientais e sociais Ênfase na quantidade (renda per capita) Ênfase na qualidade (qualidade de vida) Análise Síntese Centralização do poder Descentralização do poder Especialização Transdisciplinaridade Ênfase na competição Ênfase na cooperação Pouco ou nenhum limite tecnológico Limite tecnológico definido pela sustentabilidade Fonte: Almeida (2002). Na TABELA 1, Almeida (2002) apresenta contrapontos entre o pensamento cartesiano e o sustentável. Torna-se necessário afirmar que um não é melhor ou 31 superior ao outro. Os problemas podem ser analisados por ambos sistemas e a solução pode se ampla e complexa, porém, adequada. Para Senge (1990) o pensamento sistêmico é uma técnica prática para a compreensão de questões complexas, para a ação e aprendizado, que vem preencher esta lacuna. No entanto, o autor adverte que o pensamento sistêmico precisa ser considerado em três diferentes aspectos: a prática, os princípios e a essência. Todos estes aspectos devem ser considerados simultaneamente, além de um conjunto de atividades e ferramentas, são também um conjunto de princípios teóricos que ajudam a entender os seus fundamentos lógicos. Para Senge (1990), a essência é diferente. Esforços empreendidos na essência proporcionariam novas visões de mundo. No caso do pensamento sistêmico, a experiência de vivenciar interligações ajudaria a perceber a importância do todo. Ainda, segundo Senge (1990), a essência da disciplina do pensamento sistêmico reside numa mudança de mentalidade: - ver inter-relacionamentos, em vez de cadeias lineares de causa-efeito; - ver os processos de mudança, em vez de simples fatos instantâneos. Um novo tipo de pensamento apresenta-se como necessário, pois a maioria das estratégias de ação são resultado de uma visão-de-mundo. Uma visão-demundo é construída a partir de modelos mentais, que são crenças e pressupostos dos indivíduos a respeito da realidade. Assim, uma nova forma de pensamento deveria ajudar a mapear, desafiar e melhorar os modelos mentais, visando ações mais efetivas na realidade organizacional a partir de uma nova visão-de-mundo. (SENGE e STERMAN, 1994, apud ANDRADE, 1998). 2.2 A EVOLUÇÃO DO HOMEM E A UTILIZAÇÃO DE RECURSOS NATURAIS O modelo de desenvolvimento imposto ao mundo pela cultura ocidental moderna, cartesiana e imediatista, tem sido responsável por uma avalanche de problemas sócio-ambientais. 32 Ao longo da sua história, segmentos das sociedades humanas apropriaramse cada vez mais da natureza, transformando-a. (HELENE e BICUDO, 1994, p. 03). O crescimento da população humana na Terra é, por si só, uma causa muito importante para a transformação das relações homem/homem e homem/natureza. Com o crescimento populacional humano, especialmente a partir do final do século XVII, se conheceu uma transformação radical no âmbito da cultura e da tecnologia. Nessa fase, ajudada pelos avanços médicos e pela Revolução Industrial, a população humana explodiu, alcançando 1 bilhão de pessoas em 1850, 2 bilhões por volta de 1930, 4 bilhões em 1975 e 5,3 bilhões em 1990. (HELENE e BICUDO, 1994) e atualmente conta com mais de 6 bilhões de pessoas. No meio ambiente no qual vivemos sempre ocorreram mudanças. As estações do ano são as mais evidentes mudanças, principalmente nas regiões de grandes latitudes. A vida sobre a Terra tem mostrado uma resistência surpreendente em suportar as variações e a humanidade, em particular, tem-se adaptado bem às mudanças do clima após a última glaciação. (GOLDEMBERG e VILLANUEVA, 2003, p. 71). No entanto, apesar das mudanças antropogênicas3 terem sido insignificantes no passado, com a Revolução Industrial no final do século XIX e, particularmente no século XX, as agressões ao meio ambiente tornaram-se mais evidentes devido à esse aumento populacional e ao grande aumento no consumo per capita. Atualmente não apenas alteramos o meio ambiente mas o degradamos, por vezes, de maneira irreversível, destruindo os nossos próprios habitats e provocando a extinção maciça de plantas e animais. (HELENE e BICUDO, 1994). Na TABELA 2, Goldemberg e Villanueva (2003, p. 72) apresentam novos tipos de problemas ou áreas de interesse no campo ambiental que se tornaram objeto de estudo e de muita preocupação. 3 Mudanças causadas pela ação do homem 33 TABELA 2 – PROBLEMAS AMBIENTAIS E SUAS PRINCIPAIS CAUSAS PROBLEMA LOCAL REGIONAL GLOBAL Poluição urbana do ar. PRINCIPAL CAUSA Uso dos combustíveis fósseis para transporte. Poluição do ar em ambientes Uso de combustíveis sólidos fechados. (biomassa e carvão) para aquecimento e cocção. Chuva ácida. Emissões de enxofre e nitrogênio, matéria particulada, e ozônio na queima de combustível fóssil principalmente no transporte. Efeito Estufa. Emissões de CO2 na queima de combustíveis fósseis. Desmatamento. Produção de lenha e carvão vegetal e expansão da fronteira agrícola. Degradação costeira e marinha Transporte fósseis. Fonte: Goldemberg e Villanueva (2003). de combustíveis Na TABELA 2 se pode observar uma divisão entre problemas locais, regionais e globais segundo estudos de Goldemberg e Villanueva (2003). Esta separação entre os problemas é discutível e, para um mundo sustentável, o ideal é que os problemas sejam discutidos e sofram intervenções de modo amplo. No contexto dos problemas ambientais globais, prepondera o papel das grandes cidades industriais, precisamente em função do enorme impacto que exercem sobre os diversos ecossistemas, não apenas no próprio espaço que ocupam, mas também nos lugares de onde importam recursos (energia, alimentos e bem de consumo) ou para onde exportam seus dejetos. Dados preliminares para cidades industriais sugerem que a terra “consumida” por regiões urbanas é, de forma geral, pelo menos dez vezes maior do que aquela contida dentro das fronteiras políticas, ou associadas à sua área construída. (HELENE e BICUDO, 1994). Senge (1990) ressalta que a maioria dos problemas verificados hoje no mundo, está ligada à incapacidade do homem de entender e controlar os sistemas cada vez mais complexos. O autor contribuiu para a divulgação do "pensamento sistêmico" como 34 um método para compreensão, diagnóstico e melhoria em diferentes áreas, como administração, educação, saúde e política, entre outras. 2.3 O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Araujo (2002) afirma que a busca por um mundo mais equilibrado do ponto de vista social, ambiental e econômico fez surgir à idéia de que, as questões ambientais, bem como as questões sociais deveriam ser incorporadas aos princípios do crescimento econômico como uma saída para a manutenção da qualidade de vida. A preocupação com o meio ambiente, juntamente com a melhoria das condições socioeconômicas ecodesenvolvimento, da depois população, chamado de fez surgir o desenvolvimento conceito de sustentável. (MONTIBELLER FILHO, 2001). A Organização das Nações Unidas – ONU, criava em 1983, a Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento como um organismo independente. Em 1987, a Comissão sob a presidência de Gro Harlem Brundtland, primeira-ministra da Noruega, materializa um dos mais importantes documentos do nosso tempo, o relatório “Nosso Futuro Comum” (1988), responsável pelos primeiros conceitos oficiais sobre o desenvolvimento sustentável. Nesse relatório o desenvolvimento sustentável é definido como sendo aquele que atende às necessidades do presente, sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem às suas próprias necessidades. O desenvolvimento sustentável também é um processo de transformação no qual a exploração dos recursos, a direção dos investimentos, a orientação do desenvolvimento tecnológico e a mudança institucional, se harmonizam e reforçam o potencial presente e futuro, a fim de atender às necessidades e aspirações humanas. (CMMAD, 1988, p. 49). Em 1992, no Rio de Janeiro, na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, reconheceu-se à importância de assumir a idéia de sustentabilidade em qualquer programa ou atividade de desenvolvimento. Donaire (1999) afirma que o desenvolvimento sustentável, além de equidade social e equilíbrio ecológico, apresenta, como terceira vertente principal, a questão do 35 desenvolvimento econômico. Nesse sentido o desenvolvimento da tecnologia deverá ser orientado para metas de equilíbrio com a natureza e de incremento da capacidade de inovação dos países em desenvolvimento. O progresso será entendido como fruto de maior riqueza, maior benefício social eqüitativo e equilíbrio ecológico. (KRAEMER, 2003). Dentre os conceitos de sustentabilidade mais difundidos está a “manutenção da base da qualidade de vida”, o que compreende a prevenção da poluição, a redução do lixo e das emissões. Além disso, cumpre tomar medidas a fim de garantir os habitats dos homens, animais e plantas, o que demanda a proteção da biodiversidade e a conservação de um espaço vivo onde o homem possa gozar de bem-estar físico e mental. A sustentabilidade do desenvolvimento está diretamente ligada à dinâmica do crescimento populacional. (CMMAD, 1988, p. 60). O desenvolvimento sustentável é mais que crescimento, ele exige uma mudança no teor do crescimento, a fim de torná-lo menos intensivo de matériasprimas e energia, e mais eqüitativo em seu impacto. Tais mudanças precisam ocorrer em todos os países, como parte de um pacote de medidas para manter a reserva de capital ecológica, melhorar a distribuição de renda e reduzir o grau de vulnerabilidade às crises econômicas. (CMMAD, 1988). O tema comum à estratégia do desenvolvimento sustentável é a necessidade de incluir considerações econômicas e ecológicas no processo de tomada de decisões. Afinal, economia e ecologia estão integradas nas atitudes do mundo real. Para tanto será preciso mudar atitudes e objetivos e chegar a novas disposições institucionais em todos os níveis. (CMMAD, 1988). “O desenvolvimento sustentável deve conciliar, por longos períodos, o crescimento econômico e a conservação dos recursos naturais”. (EHLERS, 1999, p.103, apud GOMES, 2004). Segundo Sachs (apud, GRIGOLETTI e SATTLER, 2003), o desenvolvimento sustentável é multidimensional, e questões de sustentabilidade podem ser abordadas em cinco possíveis dimensões: a social, a econômica, a ecológica ou ambiental, a espacial e a cultural. Sachs (2000) preconiza que apenas por meio da modificação do paradigma social, econômico, ambiental, espacial e cultural da atual sociedade, o desenvolvimento sustentável poderá ser implantado com êxito. Dependendo do contexto da sociedade que se propõe a seguir o novo paradigma, algumas das dimensões terão maior prioridade sobre outras. Para 36 países desenvolvidos, questões sociais, em geral, estão bem resolvidas e não são obstáculos à adoção de paradigmas ambientais, por exemplo. Já em países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, a dimensão social não poderá ser secundária. (GRIGOLETTI e SATTLER, 2003). O significado de sustentabilidade pode também ser entendido sob o termo “Capital Natural” que foi cunhado por economistas ecológicos. Para Helene e Bicudo (1994) são três as propriedades do Capital Natural a serem preservadas: - os recursos não renováveis, como minérios e combustíveis fósseis; - a capacidade finita dos sistemas naturais de produzir “recursos renováveis” (colheita de alimentos, produtos florestais e suprimento de água); - a capacidade dos sistemas naturais de absorver as emissões e os poluentes advindos das atividades humanas, sem que seus efeitos colaterais possam impor pesados ônus sobre as gerações futuras, como o buraco na camada de ozônio ou o efeito estufa. 2.3.1 O Desenvolvimento Econômico e o Meio Ambiente A cada ano aumenta o número de seres humanos, mas permanece finita a quantidade de recursos naturais destinados ao sustento dessa população, à melhoria da qualidade de vida humana e à eliminação da pobreza generalizada. (CMMAD, 1988). A demanda de matérias-primas, maior produtividade e bens de materiais, por parte do mundo industrializado, tiveram sério impacto sobre o meio ambiente, contudo se observam grandes avanços ocorridos na área ambiental, principalmente no que se refere aos instrumentos técnicos, políticos e legais. As leis e as diretrizes foram e estão sendo discutidas pela sociedade, que tenta sistematizar a questão ambiental como se fosse uma questão numérica racional. Kraemer (2003) afirma que o desenvolvimento da tecnologia deverá ser orientado para metas de equilíbrio com a natureza e de incremento da capacidade de inovação dos países em desenvolvimento. Será atendido como fruto de maior riqueza, maior benefício social e eqüitativo, e equilíbrio ecológico. Donaire (1999) afirma que o retorno do investimento, antes entendido simplesmente como lucro e 37 enriquecimento de seus acionistas, passa atualmente, pela contribuição e criação de um mundo sustentável. As questões ambientais não devem ser tratadas apenas como forma de promoção e melhora da imagem externa das empresas, mas, num sentido mais amplo, como uma forma de manutenção da vida futura. Mais do que procurar brechas nas leis, como afirma Donaire (1999), nas quais algumas empresas podem ganhar dinheiro e proteger o meio ambiente, mesmo não sendo uma organização que atua no chamado “mercado verde”, desde que as empresas possuam certa dose de criatividade e condições internas, podem transformar as restrições e ameaças ambientais em oportunidades de negócio. Para se ter um ambiente sustentável é necessário um comprometimento maior de todos, sejam instituições, empresas e sociedade para se transpor a visão de lucro que a grande maioria tem. Apenas a inclusão da proteção do ambiente entre os objetivos das organizações modernas amplia conceitos de administração, mas não propicia uma sociedade sustentável. Administradores, executivos e empresários introduzem em suas empresas programas de reciclagem, medidas para poupar energia, e mais recentemente, programas para negociação de seqüestro de carbono, desde que tenham retorno financeiro, o que acaba restringindo ações ambientais somente ao que dá lucro e retorno financeiro. A TABELA 3 apresenta o conjunto de princípios que regem as atuais condutas verificadas na sociedade de consumo (sociedades não sustentáveis), em contraposição ao conjunto de princípios observados pelas comunidades tradicionais (sociedades sustentáveis). 38 TABELA 3 – PRINCÍPIOS QUE REGEM AS ATUAIS CONDUTAS NA SOCIEDADE DE CONSUMO SOCIEDADES NÃO SUSTENTÁVEIS SOCIEDADES SUSTENTÁVEIS Domínio sobre a natureza. Harmonia com a natureza. Meio ambiente como recurso. Natureza constituída por seres vivos com direito à vida, independentemente de seu valor de uso. Objetivos materiais / crescimento econômico. Objetivos não ecológica. Recursos naturais ilimitados. Recursos finitos. Soluções baseadas exclusivamente tecnologia avançada / consumismo. Centralização / grande escala. Autoritarismo / desigualdade. estruturas materiais / sustentabilidade na Soluções adaptadas a cada situação e ecossistema / satisfação das necessidades básicas / reciclagem. Descentralização / pequena escala. / repressivas / Estruturas democráticas / participação social / igualdade. Fonte: Helene e Bicudo (1994). O gerenciamento tradicional, focalizado apenas na produção, no consumo e na eficiência é limitado na sua aplicação em questões ambientais, podendo obscurecer a compreensão da complexa interface entre organização e meio ambiente. (SHRIVASTAVA, 1995, apud NARDELLI e GRIFFITH, 2003). 2.3.2 O Equilíbrio Ambiental e as Indústrias. As primeiras indústrias materializaram as necessidades humanas com seus produtos distribuídos em larga escala. Elas surgiram numa época em que os problemas ambientais eram de pequena expressão, principalmente pelas reduzidas escalas de produção se comparadas aos dias atuais. As exigências ambientais eram poucas e a fumaça ainda era vista como um sinal de progresso e desenvolvimento, sendo inclusive utilizada como símbolo em propagandas de inúmeras indústrias. (DONAIRE, 1999). A indústria é fundamental nas economias das sociedades modernas e fator indispensável ao crescimento. É essencial nos países em desenvolvimento, a fim de ampliar a base de seu desenvolvimento e atender às suas crescentes necessidades. (CMMAD, 1988, p. 230). 39 A busca frenética por parte da indústria no desenvolvimento de novos produtos, expressa na criação de novas necessidades, fez surgir uma corrida desenfreada para se ganhar o mercado consumidor. O sucesso das empresas é medido pelo tempo de desenvolvimento de novos produtos e processos de produção. A concepção de novos produtos no que se refere às implicações ambientais e sustentáveis, na maior parte dos casos, não são consideradas quando se projeta um novo produto. Contudo, há um grande movimento, principalmente a partir da Agenda 214, para mudar essa visão consumista e focada no lucro. A poluição causada em grande parte pela produção gigantesca, tem provocado grandes desastres que são vistos constantemente nos jornais, como resultado de alguma falha no processo de produção, também como resultado de sistemas industriais conservadores, como o utilizado na indústria de material de construção. As conseqüências mais importantes da poluição, em longo prazo, são os impactos ambientais de produtos que não podem ser reciclados e processos que consomem grande quantidade de energia, da mesma forma, ambos são parte das responsabilidades mais amplas da produção. (SLACK et al, 2002). A resposta das empresas às questões ambientais não podem estar condicionadas as pressões da legislação, órgãos fiscalizadores, consumidor e comunidade, mas sim, a uma preocupação ambiental mais ampla e que vise a manutenção sustentável de todos os ecossistemas. Segundo Slack et al (2002), atingir a sustentabilidade significa reduzir, ou pelo menos, estabilizar a carga ambiental. A Carga Ambiental (CA) que mede a totalidade das atividades de produção, considera a multiplicação entre o tamanho da população X afluência da população (consumo) X tecnologia (no sentido mais amplo, a maneira com que produtos e serviços são feitos e entregues; em outras palavras, administração da produção). 4 Foi realizada no Rio de Janeiro em 1992 a Conferência Mundial sobre Gestão Ambiental e Desenvolvimento Sustentável, denominada “Eco 92” ou “Rio 92”, com representantes governamentais de todo o mundo e seus principais resultados foram: A Carta da Terra (rebatizada de Declaração do Rio) e a Agenda 21. (OLIVEIRA FILHO, 2004). 40 A diminuição da Carga Ambiental pode ser conseguida com a diminuição da população humana, ou diminuição do consumo, ou mudando a tecnologia usada para se criar produtos e serviços. Diminuir a população não é possível, diminuir o consumo é uma medida muito impopular como também causaria outros problemas. Portanto, a maneira com que são criados produtos e serviços parece ser a melhor opção para se diminuir a Carga Ambiental. Como exemplo de mudança dos padrões de serviços para o consumidor, têmse iniciativas onde o consumidor utiliza um bem por um determinado período, sem contudo, ser proprietário desse bem. Essas iniciativas do mercado são uma grande possibilidade para se reduzir a Carga Ambiental já que o bem/produto pode ser utilizado por muitas pessoas sem a necessidade da produção desse bem de modo individual ou para atender a todos os interessados. Entretanto, Casagrande Júnior (2003) ressalta que investimentos em design, inovação e marketing (uso intensivo da mídia falada e escrita) tem como objetivo principal o aumento de vendas de produtos, ou o estímulo ao consumo, baseado, muitas vezes, naquilo que não nos serve. Pessoas compram coisas, sem as quais viviam muito bem, induzidas por intensas e sofisticadas campanhas de publicidade para aumentar o lucro daqueles que monopolizam o capital. A busca por induzir o consumo fez, em alguns casos, as tecnologias de processo serem eficientes do ponto de vista operacional, mas grandes causadoras de poluição. Esse custo ambiental e social, reflexo do sistema consumista, é pago pela sociedade ou protelado para ser pago no futuro. Os conflitos que surgem desse sistema são, normalmente, resolvidos mediante leis e regulamentos. Entretanto, esses mecanismos não são sempre eficientes – há evidências de que os princípios consagrados pelo sistema industrial como just in time5, o qual, ao mesmo tempo produziram significativos ganhos econômicos para as empresas japonesas que os adotaram, causaram índices crescentes de congestionamento e poluição no sistema rodoviário do Japão. (SLACK et al, 2002). 5 Fabricar e entregar produto apenas a tempo de ser vendido, submontá-los apenas a tempo de montá-los nos produtos acabados, para fazer peças a tempo de entrar nas sub-montagens e, finalmente adquirir materiais apenas a tempo de serem transformados em peças fabricadas. (SCHOENBERGER, 1992, p. 13). 41 Slack et al (2002) apontam ainda a prevenção como uma abordagem mais barata e, fundamentalmente, mais rigorosa para a administração ambiental, ao invés da contenção. O conceito é interromper qualquer poluição na fonte por medidas de prevenção, como: • Reformulação de produto: usando diferentes matérias-primas para reduzir o efeito poluente dos produtos. • Modificações de processos: mudando fisicamente a tecnologia de processos de produção para reduzir a criação de subprodutos e poluentes. • Redesign de equipamentos: mudando o design de ferramentas e equipamentos para que possam ser operados mais eficazmente sob as condições específicas de produção em que são usadas. • Recuperação de recursos: reciclando resíduos e subprodutos, vendendoos para outras organizações ou usando-os nos produtos da própria empresa. Algumas mudanças de paradigma nas relações empresa e meio ambiente podem ser melhor entendidas através das informações da TABELA 4. TABELA 4 – PARADIGMAS NAS RELAÇÕES ENTRE EMPRESAS E O MEIO AMBIENTE OS VELHOS PARADIGMAS A responsabilidade competitividade ambiental corrói O AMBIENTALMENTE CORRETO a A Ecoestratégia empresarial oportunidades de negócio gera novas Gestão ambiental é coisa apenas para grandes A pequena empresa é até mais flexível para empresas introduzir programas ambientais O movimento ambientalista age completamente As ONG’s consolidam-se tecnicamente e fora da realidade participam da maioria das comissões de certificação ambiental A função ambiental na empresa é exclusiva do A função ambiental está em diversos setores do setor de produção planejamento estratégico da empresa. Fonte: Gazeta Mercantil 1996, apud ARAUJO (2002). Não deve existir dicotomia entre o ecossistema natural e o ecossistema industrial, as atividades industriais não devem se opor à natureza. Preservar a 42 natureza é tão importante quanto administrá-la de maneira responsável e, a partir daí, introduzir nela a gestão responsável da empresa. Numa empresa, há uma distinção muito sutil quando se compara este ecossistema com o ecossistema natural. Trata-se de um ecossistema inerte, enquanto o ecossistema natural é vivo. O setor de maior crescimento industrial é o de biotecnologia, cuja primeira técnica é a fermentação, que é um exemplo de um ecossistema natural. Não se pode negar que os ecossistemas industriais devem ser tratados de maneira especialmente responsável. O grande embate entre indústrias poluidoras e ambientalistas, provavelmente continuará durante muito tempo, o que levará os empresários a incluir o fator ambiental em suas empresas. (SILVA, 2005). Como um todo, a produção industrial é responsável por, aproximadamente, 20% da poluição total do ar. Nos países industrializados da Organization for Economic Co-operation and Development - OECD, as últimas duas décadas viram uma queda marcante nas quantidades absolutas e na fração percentual de quase todos os poluentes do ar produzidos pela indústria. (GOLDEMBERG e VILLANUEVA, 2003, p. 119). Goldemberg e Villanueva (2003) apresentam em seus estudos, os principais sistemas que causam grande impacto em nosso meio ambiente os quais estão relacionados no TABELA 5. Na TABELA 5, abaixo, se pode verificar que as atividades com grande impacto ambiental estão relacionadas à mineração, à obtenção de energia e à produção industrial. Com as informações da TABELA 5 pode-se afirmar que a indústria da construção tem grande parcela de contribuição na degradação ambiental porque utiliza produtos das principais atividades com maior impacto ambiental. 43 TABELA 5 – ATIVIDADES E SEUS IMPACTOS AMBIENTAIS ATIVIDADE DE MAIOR POTENCIAL DE IMPACTO AMBIENTAL Garimpo de ouro Mineração industrial, Ferro, Cassiterita, Cobre, Bauxita, etc. TIPO DE DEGRADAÇÃO Assoreamento e erosão nos cursos d’água. Poluição das águas, aumento da turbidez e metais pesados. Formação de núcleos populacionais com grandes problemas sociais. Degradação da paisagem. Degradação da vida aquática com conseqüências diretas sobre a pesca e a população. Manganês, Degradação da paisagem. Poluição e assoreamento dos cursos de água. Esterilização de grandes áreas. Impactos sócio-econômicos. Agricultura e pecuária extensivas (grandes Incêndios florestais, destruição da fauna e flora. projetos agropecuários) Contaminação dos cursos de água por agrotóxicos. Erosão e assoreamento dos cursos de água. Destruição de áreas de produtividade natural. Reservas extrativistas . Grandes Usinas Hidrelétricas Impacto cultural. Impacto sócio-econômico. Inundação de áreas florestais, agrícolas, vilas, etc. Impacto sobre a flora, fauna e ecossistemas adjacentes. Pólos industriais e/ou grandes indústrias Poluição do ar, água e solo. Geração de resíduos tóxicos. Conflitos com o meio ambiente. Caça e pesca predatória Extinção de mamíferos aquáticos e diminuição de peixes. Drástica redução de econômicos e ecológicos. Crescimento populacional (migração interna) animais de vertiginoso Problemas sociais graves, chegando em alguns casos, a um aumento de 40% da população entre 1970 e 1980. Ocupação desordenada do solo com conseqüências sobre os recursos naturais. Indústrias de Alumínio valores sérias Poluição atmosférica. Poluição marinha. Impactos indiretos pela enorme demanda de energia elétrica. Fonte: Adaptado de Goldemberg e Villanueva (2003). 44 2.3.3 A Poluição do Ar Há poucos anos atrás a poluição do ar era relegada a um segundo plano, entre as preocupações da sociedade e tratada como um tema pouco importante. Havia até uma correlação entre progresso e fuligem, sendo as chaminés os símbolos mais expressivos para caracterizar o desenvolvimento de uma região ou país. (VALLE, 2002, p. 64). O problema geral da ação humana, prejudicial à atmosfera, tornou-se marcante a partir da industrialização, quando esta trouxe um ar mais sujo, assim como doenças para as populações a ela submetidas. Num primeiro momento, cada país procurou estabelecer legislações próprias para enfrentar os efeitos negativos que a poluição atmosférica, provocada por suas indústrias, trouxe ao seu território. Entretanto, o problema de poluição do meio ambiente não é limitado por fronteiras e no final da década de 1970, foi estabelecida a Convenção sobre Poluição Transfronteiriça a Longa Distância (IBAMA, 2005), como um documento internacional voltado para controlar os problemas afetos à poluição atmosférica. Dentre as causas de poluição do ar e seus efeitos nocivos, têm-se as chamadas “emissões”, que significam as liberações de gases de efeito estufa e/ou seus precursores na atmosfera numa área específica e num período determinado, sendo “gases de efeito estufa” os constituintes gasosos da atmosfera, naturais e antrópicos que absorvem e reemitem radiação infravermelha. (MMA, 2005). Esses gases têm suas fontes, sumidouros e reservatórios6 sendo fundamentalmente em torno dessas questões, aparentemente simples em sua explicação, que gira a Convenção-Quadro e a complexidade que tornou-se a solução do problema. (SCARPINELLA, 2002). O ar que se respira é composto basicamente de nitrogênio (78%), oxigênio (20,95%), argônio (0,93%), gás carbônico (0,03%) e outros compostos (0,09%) 6 “Reservatórios” significa um componente ou componentes do sistema climático no qual fica armazenado um gás de efeito estufa ou um precursor de um gás de efeito estufa. “Sumidouro” significa qualquer processo, atividade ou mecanismo que remova um gás de Efeito Estufa, um Aerossol ou um precursor de um gás de efeito estufa da atmosfera. (Informações extraídos da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima. (Ministério da Ciência e Tecnologia, 2005). 45 (HERNANDES E KAMINSKI, 2004). As constantes emissões provenientes de diversos processos de combustão vêm aumentando os teores de alguns componentes da atmosfera, como o gás carbônico (CO2), e diminuindo os teores de Oxigênio na sua forma pura (O2), além de gerar outros compostos poluentes, dentre os mais comuns, material particulado, Dióxido de Enxofre (SO2), Óxidos de Nitrogênio (NOx), Hidrocarbonetos e Ozônio. Estas emissões provocam desequilíbrio e contribuem para o aparecimento de diversos problemas ambientais em âmbito global, tais como: chuva ácida, efeito estufa, inversão térmica, entre outros, e em âmbito local, como: doenças respiratórias, alergias e outras. (HERNANDES e KAMINSKI, 2004). Segundo estudos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE (2005), embora a industrialização tenha um peso forte na poluição das grandes metrópoles, as causas mais apontadas foram: queimadas (64%), vias não pavimentadas (41%), atividade industrial (38%), atividade agropecuária, com poeira, pulverização de agrotóxicos (31%) e veículos (26%). O estudo do IBGE (2005) analisou as respostas dos 5.560 municípios brasileiros sendo que a poluição do ar atinge 22% dos municípios. As localidades que enfrentam o problema concentram quase metade da população (85 milhões) e 54% dos municípios afetados estão localizados no Sudeste. (IBGE, 2005). Ainda, segundo o estudo do IBGE (2005), na maioria dos casos, a poluição do ar é resultado de fatores múltiplos. Em 70% dos municípios, o problema é causado por dois ou mais fatores, a média é de 2,5 razões que contribuem para a poluição do ar. No Brasil as queimadas predominam entre as cidades menores, poluem o ar e atingem 61% das localidades com até 20 mil habitantes. Entre os municípios de 20 mil a 100 mil moradores, este percentual sobe para 69%. Entre os municípios com mais de 100 mil habitantes, as queimadas ficam em terceiro lugar no ranking de causas, atrás da atividade industrial e dos veículos automotores. A poluição do ar é ainda mais freqüente entre as grandes cidades e atinge 75% dos 33 municípios com mais de 500 mil moradores. (IBGE, 2005). 46 2.3.3.1 História da poluição do ar A poluição do ar com as emissões de gases é um fato muito anterior à Revolução Industrial. (BOUBEL et al, apud ROSA et al, 2001). A fabricação de peças cerâmicas datam de 4000 A.C. e já eliminavam CO2 através da queima de lenha e carvão. A maior parte das técnicas metalúrgicas já eram conhecidas antes de Cristo e usavam muito mais o carvão vegetal do que o carvão mineral ou coque. A história antiga registra que em Roma, há 2 mil anos, surgiram as primeiras reclamações a respeito do assunto. No século XIII (1273), o Rei Eduardo da Inglaterra assinou as primeiras leis de qualidade do ar, proibindo o uso de carvão com alto teor de enxofre. Além disso, ele proibiu a queima de carvão em Londres durante as sessões do Parlamento, devido à fumaça e ao odor produzidos. Em 1300, o Rei Ricardo III fixou taxas para permitir o uso do carvão. (BRAGA et al, 2002). Devido à intensa queima de madeira, as florestas inglesas reduziram-se rapidamente. A despeito dos esforços do reinado, o consumo de carvão aumentou. Nos séculos XVII e XVIII, surgiram os primeiros planos para transferir as indústrias de Londres. Os problemas continuaram crescendo até que, em 1911, ocorreu o primeiro grande desastre decorrente de poluição atmosférica em Londres: mil cento e cinqüenta mortes devido à fumaça produzida pelo carvão. Nesse ano, o Dr. Harold Dês Voeux propôs o uso da palavra “smog” para designar a composição de “smoke” e “fog” (fumaça e neblina). Smog é hoje uma palavra que designa episódios críticos de poluição do ar. (BRAGA et al, 2002). No ano 1952 morreram em Londres, aproximadamente, 4 mil pessoas devido à poluição do ar. Merecem ainda destaque outros eventos: em 1956, 1957 e 1962, morreram aproximadamente 2500 pessoas em Londres. Em 1948, nos Estados Unidos na cidade de Donora, Pensilvânia, morreram 30 pessoas e cerca de 6 mil internadas com problemas respiratórios. Em 1963, na cidade de Nova York, 300 pessoas morreram e milhares ficaram adoecidas pela poluição do ar. Em certas cidades, como Los Angeles, São Paulo e Cidade do México, são conhecidos os eventos críticos de poluição do ar provocados pelos gases emitidos por veículos. (BRAGA et al, 2002). 47 Na FIGURA 1 se pode observar que apesar do desenvolvimento industrial, como o apresentado na figura (no lado direito) o princípio básico da queima e emissão de gases atmosféricos ainda é o mesmo se comparado a figura do lado esquerdo. FIGURA 1 - HISTÓRIA DA POLUIÇÃO DO AR Fonte: UNFCCC (2004) 2.3.3.2 Os principais poluentes do ar Para Braga et al (2002), os principais poluentes do ar são os apresentados a seguir: - Monóxido de Carbono (CO) - composto geralmente nos processos de combustão incompleta de combustíveis fósseis e outros materiais que contenham carbono em sua composição. 48 - Dióxido de carbono (CO2) - o dióxido de carbono é o principal composto resultante da combustão completa de combustível e de outros materiais combustíveis que contenham carbono, além de ser gerado no processo de respiração aeróbica dos seres vivos, que utilizam o oxigênio para poder liberar a energia presente nos alimentos que são ingeridos. - Óxidos de Enxofre (SO2 e SO3) - Os óxidos de enxofre são produzidos pela queima de combustível que contenham enxofre em sua composição, além de serem gerados em processos biogênicos naturais, tanto no solo quanto na água. - Oxido de nitrogênio (NOX) - Considerando-se que a maior parte dos processos de combustão ocorre na presença de oxigênio, que o mais comum é utilizar o oxigênio presente no ar para realizar esses processos e que no ar o composto mais abundante é o nitrogênio, então verifica-se que a principal fonte dos óxidos de nitrogênio são os processos de combustão, além de ele poder ser gerado por processos de descargas elétricas na atmosfera. - Hidrocarbonetos - Os hidrocarbonetos são resultantes da queima incompleta dos combustíveis, bem como da evaporação desses combustíveis e de outros materiais como, por exemplo, os solventes orgânicos. - Oxidantes fotoquímicos. - Material Particulado. - Asbestos. - Metais. - Gás fluorídrico. - Amônia. - Gás sulfidrico. - Pesticidas e herbicidas. - Substancias radioativas. - Calor. - Som. 49 2.3.3.3 Efeitos da poluição Os principais problemas globais da poluição do ar são: - o efeito estufa; - a destruição da camada de ozônio na estratosfera; - a chuva ácida. Nesse estudo, o efeito estufa e o que provoca este efeito, serão os assuntos mais citados, entretanto, a poluição do ar provoca outros problemas com grandes impactos ambientais. 2.3.3.4 Classificação física dos poluentes atmosféricos Segundo Costa et al (2005), os agentes poluentes atmosféricos, segundo o seu estado físico, podem apresentar sob várias formas: sólidas, líquidas ou gasosas, das seguintes maneiras: a) Poeiras - São pequenas partículas sólidas, com diâmetro de 0,1 a mais de 100 microns, originada de parcelas maiores, por processos mecânicos de desintegração, como lixamento, moagem, etc., ou poeiras naturais como o pólen, esporos, etc. Exemplos: partículas de rochas, de metais, de cimento, etc. Pode também ser definido como um aerosol de partículas sólidas b) Fumos - São partículas sólidas com diâmetro inferiores a um mícron, formadas pela condensação de vapores de materiais sólidos, geralmente metais, e conseqüentemente, solidificação. Normalmente este mecanismo é acompanhado de oxidação. Os fumos são inorgânicos. Exemplo: fumos de óxidos de chumbo, de zinco, etc. c) Fumaça - São partículas, geralmente mas não obrigatoriamente, sólidas em suspensão no ar, e oriundas da combustão incompleta de materiais orgânicos. As fumaças industriais de importância são formadas por partículas com diâmetros inferiores a meio mícron. 50 d) Neblina - A neblina é constituída de partículas líquidas de pequeníssimas dimensões, em suspensão no ar, originada de um processo mecânico de subdivisão, como a nebulização. e) Nevoeiro - São também partículas líquidas de pequeníssimas dimensões, em suspensão no ar, mas resultante da condensação de vapores. f) Vapores - É a forma gasosa de substâncias que se encontram sob a forma líquida ou sólida, a 25ºC de temperatura e a uma atmosfera de pressão. g) Gases - São substâncias que se encontram em estado gasoso à temperatura de 25ºC e sob uma atmosfera de pressão. Os gases são fluidos sem forma própria e que possuem a tendência de ocupar qualquer espaço inteira e uniformemente. h) Aerossol - São substâncias sólidas ou liquidas de tamanho microscópico, em suspensão no meio gasoso, sob forma particulada. i) Névoa Fotoquímica - São produtos de reação fotoquímicas, geralmente combinados com água. As partículas são geralmente menores que 1,5 micrômetros. 2.4 A MUDANÇA CLIMÁTICA COM O AQUECIMENTO GLOBAL E O PROTOCOLO DE KIOTO 2.4.1 O Aquecimento Global O aquecimento global é um fenômeno causado pela retenção de calor acima do nível considerado normal pela atmosfera, sem que ele se dissipe adequadamente, algo semelhante com a ação de tampar uma panela para manter o alimento quente. Esse fenômeno acontece, principalmente, por causa de uma elevação nos níveis de CO2 na atmosfera, que aumentam devido a queima de combustível fóssil, além do crescimento progressivo na emissão de gases e outros produtos químicos produzidos pelo homem durante os últimos cem anos. Isso alterou as características da atmosfera, fazendo com que o calor ficasse concentrado como numa estufa. 51 Cientistas do mundo todo pesquisam os efeitos e as conseqüências dessas alterações na atmosfera. No começo do ano de 2005, segundo Black (2004) cientistas da Agência Espacial Norte-Americana - NASA, confirmaram mais uma vez que o mundo está esquentando. Utilizando satélites, os pesquisadores constataram que a temperatura média global aumentou 0,43ºC por década, entre os anos de 1981 e 1998. Dados obtidos anteriormente por estações terrestres haviam mostrado um aumento inferior, de 0,34ºC por década - uma diferença de 26%. (BUENO, 2005). Para Helene e Bicudo (1994) esse aumento de temperatura média – de 2º C a 5º C ocorreria dentro de 30 a 90 anos e provocaria grandes alterações climáticas. Já estudos apresentados no Third Assessment Report do Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas - IPCC (apud CHANG, 2004) afirmam que a temperatura média global da superfície ao longo do século XX, aumentou 0,6ºC, e o nível global indica que 1990 foi a década mais quente, sendo 1998 o ano mais quente. Chang (2004) afirma ainda, baseado no Third Assessment Report do IPCC (2005), que os impactos da mudança climática recaem de forma desproporcional sobre os países em desenvolvimento e as populações mais pobres de todos os países, por serem estes mais vulneráveis, em função de sua capacidade mais limitada de adaptação, acentuando a iniqüidade na situação de saúde e no acesso a alimentos adequados, água limpa e outros recursos. Mudanças climáticas sempre ocorreram no planeta, considerando as escalas de tempo de milhares de anos. Entretanto, a velocidade e intensidade com que estão ocorrendo as alterações no sistema climático do planeta Terra, a partir da Revolução Industrial é que tem sido objeto de preocupação de cientistas e líderes mundiais, principalmente nas duas últimas décadas. (CHANG, 2004). Vive-se a inquietação causada pelo grande desequilíbrio ambiental que vem provocando evidentes mudanças climáticas. O terceiro relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas – IPCC (2001, apud GOLDEMBERG, VILLANUEVA, 2003, p. 86) apresenta as seguintes conclusões: - A temperatura média de superfície terrestre aumentou desde o fim do século XIX: 52 • A temperatura média subiu de 0,4 a 0,8º C a partir de 1860. • Globalmente, as temperaturas mínimas cresceram, a partir de 1950, com o dobro da velocidade com que cresceram até 1950. - O aumento da temperatura média da superfície da Terra deverá se situar entre 1,5 e 4,5ºC, quando a concentração de CO2 dobrar. - O nível dos oceanos continua a subir: • O nível dos oceanos subiu de 10 a 20 centímetros no século XX, devido à expansão da água. O aumento foi maior no século XX do que no século XIX. • O aumento do nível dos oceanos deverá se situar entre 0,14 a 0,70 metros até o ano de 2100, com um valor médio de 0,47 metros. - A precipitação de chuvas continua a aumentar em muitas regiões. - A cobertura de neve e gelo sobre os continentes continua a decrescer. - Está havendo mudanças nos padrões de circulação da atmosfera bem como o aumento do número de eventos climáticos extremos. - Os dados da temperatura média da superfície terrestre e das temperaturas da atmosfera a alguns quilômetros de altura, obtidos por satélite, são consistentes. O relatório do IPCC estabeleceu ainda que em 2001, existiam evidências mais fortes da influência humana no clima global, do que na ocasião na qual o segundo relatório do IPCC (1995) foi publicado, sendo muito provável (de 90 a 99%) que o aumento das concentrações de “gases do efeito estufa” contribuam substancialmente para o aquecimento global nos últimos anos. (GOLDEMBERG, VILLANUEVA, 2003, p. 87). Segundo publicação do Banco Nacional de Desenvolvimento Social e o Ministério da Ciência e Tecnologia (apud ROSA et al, 2001), nos últimos 70 anos, registrou-se um aumento médio de 0,6 graus Celsius na temperatura da superfície da terra e projeta-se um aumento entre 1 e 3,5 graus Celsius para os próximos 100 anos. 53 As mudanças climáticas estão ocorrendo, conforme se pode observar nos desastres ambientais que acontecem constantemente. Muitos órgãos governamentais e não governamentais alertam que esse problema é provocado, em grande parte, pela elevação dos níveis de CO2 na atmosfera. 2.4.2 O Efeito Estufa A atmosfera do planeta Terra é quase totalmente transparente à radiação solar incidente, uma pequena fração dessa radiação (principalmente luz visível) é refletida de volta para o espaço, mas a maior parte dela atinge a superfície da Terra, onde é absorvida e reemitida em todas as direções como radiação térmica (raios infravermelhos). A radiação ultravioleta, conhecida como UV7, faz parte da luz solar que atinge o nosso planeta e é essencial para a preservação do calor e a existência da vida. No entanto, em função dos buracos na camada de ozônio provocados pela nossa civilização, estamos expostos a esta radiação sem qualquer proteção. (LIMA, 2004). A atmosfera contém também gases que não são transparentes à radiação térmica. Como conseqüência disso, ela fica mais quente do que ficaria na ausência desses “gases do efeito estufa”. Eles atuam como um “cobertor” ao redor da Terra e a aquecem, da mesma forma que uma estufa permanece suficientemente quente no inverno para permitir o crescimento de vegetais e flores das estações. (GOLDEMBERG e VILLANUEVA, 2003, p. 85). O efeito estufa é determinado por quantidades muito pequenas de certos gases normalmente presentes na atmosfera. O homem, entretanto, vem alterando esse quadro nas últimas décadas, ao despejar na atmosfera enormes quantidades desses gases, o que poderá agravar o efeito estufa e aquecer o planeta além do normal. 7 A radiação UV que atinge a Terra se divide em radiação UVA e UVB, embora haja também os raios UVC, que não chegam até o nosso planeta 54 O efeito estufa também é responsável por manter a temperatura média do planeta próximo dos 15ºC e se transformou em um assunto muito discutido pela comunidade científica, principalmente pelos efeitos catastróficos previstos para a ecosfera, se não forem tomadas medidas urgentes para evitar sua intensificação. (BRAGA et al, 2002). Ainda segundo Braga et al (2002), a concentração de CO2 na atmosfera de 1958 a 1984 aumentou de 315 ppmv (partes por milhão em volume) para 343 ppmv. Estima-se que o aumento absoluto de CO2, desde a Revolução Industrial até o momento, seja de aproximadamente 25 por cento. Na FIGURA 2 pode-se observar o aumento do CO2 segundo o Ministério da Ciência e Tecnologia (2002). O aquecimento causado pelo efeito estufa e as mudanças climáticas estão relacionados à queima, principalmente, dos combustíveis fósseis. A forte industrialização, o desmatamento e a degradação do solo também influenciam o aquecimento global. (GOLDEMBERG e VILLANUEVA, 2003, p. 73). Segundo Christianson (apud ROSA et al, 2001), o efeito estufa foi observado pela primeira vez por Fourier8 durante a Revolução Francesa. Para o autor, Fourier foi o primeiro a conceber o planeta Terra como uma estufa gigante viabilizando a vida de plantas e animais na superfície do planeta. 8 Filósofo natural Jean-Baptiste-Joseph Fourier. Tornou-se mais popular pela invenção da guilhotina. 55 FIGURA 2 – PRODUÇÃO INDUSTRIAL GLOBAL DE CO2 Fonte: Ministério da Ciência e Tecnologia – MCT (2002). A TABELA 6 apresenta a relação entre a concentração de CO2 e a temperatura da Terra para diferentes modelos matemáticos. (apud BRAGA et al, 2002, p. 176). 56 TABELA 6 – CONCENTRAÇÃO DE CO2 E A TEMPERATURA DA TERRA SEGUNDO ALGUNS PESQUISADORES ESTUDO PROJEÇÃO FUTURA PARA CONCENTRAÇÃO DE CO2 FÓSSIL (10^9 t CARBONO/ANO) ALTERAÇÃO DE CONSUMO DE COMBUSTÍVEL PREVISTA (ppmv) ALTERAÇÃO DE TEMPERATURA (ºC) WCP (1981) 13,6 em 2025 450 em 2025 1,5 – 3,50 CDAC (1983) 10,0 em 2025 428 em 2025 1,5 – 4,50 EPA (1983) 10,0 em 2025 440 em 2025 1,5 – 4,50 CLARK (1982) 2% até 2030 371 – 657 em 2030 2,0 – 3,00 JULICH (1983) 1 – 16 em 2030 400 em 2030 1,0 – 3,00 UNEP (1985) 2 – 20 em 2050 380 – 470 em 2025 1,5 – 5,50 Fonte:Braga et al (2002) WCP – Word Climate Programme CDAC – Carbon Dioxide Assessment Committee EPA – US Environmental Protection Agency UNEP – United Nations Environmental Program ppmv – partes por milhão volume Para a United Nations Framework Convention on Climate Change - UNFCCC (2005), a temperatura média da superfície da Terra elevou-se em 0,6 graus Celsius deste o século XIX e é esperado um aumento entre 1,4 a 5,8 Celsius até o ano de 2100. Este aumento, ainda que mínimo, será o maior dos últimos 10.000 anos e trará muitas conseqüências, algumas delas citadas no item 2.4.3. 2.4.2.1 Os gases do efeito estufa. A atmosfera é composta, como já citado, de oxigênio (21%) e nitrogênio (78%). Os principais gases do efeito estufa são o vapor de água, o dióxido de carbono - CO2, o metano (CH4) e o óxido nitroso (N2O). O vapor de água é o “Gás do Efeito Estufa – GEE” mais volumoso, no qual as atividades humanas têm pouca interferência direta. Os GEEs, que se concentram naturalmente na atmosfera, representam menos de um milésimo da atmosfera total. Sem esses gases a 57 superfície do planeta seria atualmente 33°C mais fria do que é hoje (CHANG, 2004), e, na ausência do GEE, impossibilitaria a existência de vida humana no planeta. Nas TABELAS 7 e 8 são apresentadas as concentrações dos gases do efeito estufa na atmosfera, segundo estudos de Rosa et al (2001) e o IPCC (2003). TABELA 7 – CONCENTRAÇÃO DE GASES DO EFEITO ESTUFA NA ATMOSFERA. CO2 CH4 Cerca de 270 ppb Cerca de 700 ppb 314 ppb 1745 ppb Taxa de mudança 1.5 ppm/ano na concentração 0,8 ppb/ano 7.0 ppb/ano Tempo de vida na 5 para 200 anos atmosfera 114 anos 12 anos Concentração industrial Concentração 1998 pré- Cerca de 280 ppm N2O em 365 ppm Fonte: ROSA et al (2001) Obs.: Os gases do efeito estufa N2O – óxido nitroso CH4 – gás metano CO2- dióxido de carbono Os valores apresentados na TABELA 7 demonstram que desde o período préindustrial está havendo um gradativo aumento nas concentrações dos gases causadores do efeito estufa. 58 TABELA 8 – VARIAÇÃO NAS CONCENTRAÇÕES DOS GASES DO EFEITO ESTUFA NA ATMOSFERA CO2 CH4 N2O CFC-11 HCF-22 CF4 Concentração préindustrial 280 ppm 700 ppbv 275 ppbv Zero Zero 40 pptv Concentração em 1992 365 ppm 1745 ppbv 3114 ppbv 268 pptv 14 pptv 80 pptv Taxa de variação da concentração por ano 1,5 ppmv 8,4 ppbv 0,8 ppbv -1,4 pptv 0,5 pptv 1 pptv Variação por ano (ao longo da década de 1980) 0,4% 0,8% 0,25% 4% 7% 2% Tempo de vida na atmosfera (anos) (50 – 2000) 12 114 45 257 50.000 6,0 + ou – 1,5 Gt (combustível fósseis) 1,6 + ou – 1,0 Gt (desmatamento) 215-255 Tg 3-4 Tg Emissões antropogênicas anuais Fonte: Climate Change, The IPCC Scientific Assessment, Cambridge University Press, Cambridge, UK (apud GOLDEMBERG, VILLANUEVA, 2003, p. 90) Nota: Ppmv = partes por milhão por volume Ppbv = partes por bilhão por volume Pptv = partes por trilhão por volume Gton = gigatoneladas Tg = teragramas (1012 gramas) 2.4.2.1.1 Dióxido de carbono - CO2 O dióxido de carbono ou gás carbônico é o gás mais importante no sentido de regulação do efeito estufa, além de ser o gás mais liberado dentre as emissões de origem antrópica. Os volumes despejados de CO2 na atmosfera provindos das atividades humanas representam de 6 a 12 vezes superior aos volumes de CH4 e N2O. (ROSA et al, 2001). Na FIGURA 3 são apresentadas as contribuições percentuais dos gases do efeito estufa para o aquecimento global, adaptado de estudos de Goldemberg e Villanueva (2003). 59 FIGURA 3 – GRÁFICO DA CONTRIBUIÇÃO DOS GASES DO EFEITO ESTUFA PARA O AQUECIMENTO GLOBAL 60% 60% 50% 40% CO2 CH4 30% 20% 20% HALONS 14% N20 10% 6% 0% CONTRIBUIÇÃO Fonte: Goldemberg e Villanueva (2003) Já para o IPCC (apud ALVARES JUNIOR e LINKE, 1999), o CO2 é responsável por mais de 97% das emissões totais de gases do efeito estufa de fontes móveis. Os especialistas do IPCC julgam que a incerteza dos cálculos para esse gás é da ordem de 5%, oriunda principalmente da operação, mais do que das imprecisões nos fatores de emissão. Por sua vez, o N2O e o CH4 contribuem com cerca de até 3% e 1%, e as incertezas são de cerca de 50% e 40%, respectivamente, devidas principalmente aos fatores de emissão. O dióxido de carbono (CO2), circula entre quatro principais estoques de carbono: a atmosfera, os oceanos, os depósitos de combustível fóssil e a biomassa terrestre e solo. No balanço global de carbono na atmosfera do planeta, dos 6,3 Gt C/ano emitidos no período de 1989 a 1998, 3,3Gt C permanecem na atmosfera, provocando o aumento do efeito estufa. O restante é reabsorvido pelos oceanos e pela biota terrestre, aproximadamente em partes iguais. (CHANG, 2004). A queima de combustível fóssil e, em menor grau, a perda de cobertura vegetal, sobretudo de florestas, devido ao crescimento urbano-industrial, aumenta o acúmulo de CO2 na atmosfera. (CMMAD, 1988). Para Rosa et al (2001), o CO2 está 60 presente na maioria das atividades humanas e é emitido através de processos industriais como a queima de combustíveis renováveis (álcool, bagaço de cana, óleos vegetais e outros), por processos de produção (cimento, cal, pedra calcária, produção e uso de carbonato de sódio, amônia, carboretos, aço e ferro, alumínio, magnésio, etc) e mudança do uso do solo e silvicultura. Atualmente as atividades do homem estão acentuando as concentrações desses gases na atmosfera, ampliando assim, a capacidade que possuem de absorver energia. A concentração pré-industrial era de cerca de 280 partes de dióxido de carbono por 1 milhão de partes de ar por volume. Essa concentração chegou a 340 ppm em 1980. Os cientistas calculam que, mantidas as tendências atuais, a concentração de CO2 e dos outros gases do efeito estufa na atmosfera, possivelmente já na década de 2030, será o dobro dos níveis de CO2 da era préindustrial, o que poderia ocasionar aumento das temperaturas médias globais maior do que qualquer outro já verificado na história da humanidade. (CMMAD, 1988). Na TABELA 9 são apresentados os percentuais de Emissões dos GEE nos países desenvolvidos em cada setor segundo estudos de Rosa et al (2001). TABELA 9 – EMISSÕES NOS PAÍSES DESENVOLVIDOS POR SETOR Consumo total de combustíveis fósseis 83% Totais de mudança do uso de solo e silvicultura 12% Totais de processos industriais 3% 9 Total dos Bunkers internacionais 2% Totais de emissões fugitivas dos combustíveis fósseis 0,49% Totais de resíduos 0,18% Totais de agricultura 0,05% Totais dos solventes e uso de outros produtos 0,04% Outros 0,01% Fonte: ROSA et al (2001). 9 Consumo de querosene, de gasolina e de óleo combustível usados para aviação e navegação internacional, interestadual e intermunicipal. 61 Na TABELA 9 pode-se observar que o consumo de combustíveis fósseis é o maior emissor dos GEE nos países industrializados. Esta emissão está relacionada ao modelo de geração de energia que utiliza os combustíveis fósseis, principalmente nos países europeus. Os níveis de gás carbônico emitidos para a atmosfera tem atingido grandes quantidades de concentração. Na FIGURA 4 pode-se observar as concentrações deste o ano de 1850 até o ano 2000. FIGURA 4 - EMISSÕES GLOBAIS DE CO2 RESULTANTE DAS ATIVIDADES HUMANAS (bilhão de toneladas de carbono por ano). Fonte: Sterman e Sweeney (2000) Pode-se observar na FIGURA 4 que as concentrações de CO2 vêm aumentando de modo contínuo desde o ano de 1850 o que contribui para o agravamento do efeito estufa. Segundo Braga et al (2002), o controle do efeito estufa passa necessariamente pelo controle da emissão do CO2 e os principais emissores de carbono são os países industrializados: Estados Unidos, China, países integrantes da ex-União Soviética, Japão, Índia, Alemanha entre outros. (GOLDEMBERG, VILLANUEVA, 2003, p.92). Na TABELA 10 são apresentados indicadores de emissões de CO2 por países no ano de 1993 conforme estudos de Ferreira (2005). 62 TABELA 10 – INDICADORES DE EMISSÕES DE CO2 NOS PAÍSES DESENVOLVIDOS E EM DESENVOLVIMENTO INDICADORES DE EMISSÃO DE CO2 - Ano de referência: 1993 ESPECIFICAÇÃO BRASIL USA JAPÃO AMÉRICA* EUROPA** t CO2 / hab 1,5 19,6 8,9 4,0 9,3 t CO2 / tempo de oferta interna de energia 1,6 2,4 2,3 2,3 2,6 t CO2 / 10³ US$(85) de PIB 0,88 1,04 0,62 1,72 1,07 t CO2 / km² de superfície 27 539 2918 131 1522 * Chile, México e Venezuela Fonte: Ferreira (2005) **Alemanha, Inglaterra, Espanha e Itália Na TABELA 10 pode-se verificar que os Estados Unidos são os maiores emissores de CO2. Ao se comparar os valores americanos com os valores do Brasil, observa-se que a contribuição nacional é bem menor no que se refere aos índices de emissões. 2.4.3 Prováveis Conseqüências do Aumento da Temperatura De acordo com o World Meteorological Organization10 (apud BRAGA et al, 2002), temperaturas de inverno, em altas e médias latitudes, poderão crescer mais que duas vezes a média mundial, enquanto as temperaturas de verão não irão se alterar muito. Esse aumento de temperatura pode induzir a uma elevação dos níveis dos mares, numa faixa que varia de 20 a 165 cm, trazendo problemas de erosão litorânea, inundação, danificação de portos e estruturas costeiras, enchentes, destruição de charcos, elevação de lençóis de água e intrusão salina em aqüíferos de abastecimento. Locais como as Ilhas Malvinas poderão desaparecer. Além disso, 70% das costas marítimas do mundo estarão sofrendo processos de erosão. 10 Em 1988, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente - PNUMA e a Organização Mundial de Meteorologia - OMM (ou WMO) constituíram o IPCC - Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima, encarregado de apoiar com trabalhos científicos as negociações da Convenção (Ministério da Ciência e Tecnologia, 2005). 63 Em contraste com os desastres anteriormente referidos, o aumento de teor de CO2, poderá proporcionar um maior rendimento de determinadas culturas como: o milho, o sorgo e a cana-de-açúcar (10%); arroz, trigo, soja e batata (em aproximadamente 50%). Por outro lado, as mudanças climáticas serão intensas, alterando regimes de chuvas e secas. Essas mudanças poderão influenciar muitos processos biológicos como pragas de insetos, multiplicação de organismos patogênicos, entre outros. (BRAGA et al, 2002). Já para o Ministério da Ciência e Tecnologia (2005), como conseqüência do aumento das temperaturas, extensas regiões do planeta ficam mais secas e os desertos se alastram. Em outras áreas, o aumento do índice de chuvas provoca enchentes. Os oceanos esquentam e se expandem, inundando ilhas e litorais. Tempestades violentas acontecem onde nunca antes haviam acontecido. Colheitas são perdidas e comunidades vulneráveis abandonam suas casas, migrando para outro lugar. O Ministério da Ciência e Tecnologia (2005) afirma ainda, que à medida em que o clima muda mais rápido do que em qualquer outra época da história da humanidade, um mundo super populoso e atormentado luta para adaptar-se. Embora o clima tenha sempre variado naturalmente, na atualidade, os cientistas acreditam que as emissões agrícolas e industriais de dióxido de carbono e outros gases podem provocar uma mudança permanente e irreversível no clima. As concentrações atmosféricas desses gases aumentaram drasticamente o que pode gerar temperaturas mais altas e novos padrões climáticos nas próximas décadas e séculos. (Ministério da Ciência de Tecnologia, 2005). 2.4.4 O Protocolo de Kioto O Protocolo de Kioto é um tratado que estabelece compromissos mais rígidos para a redução da emissão dos gases que provocam o efeito estufa. É o resultado da reunião da Conferência das Partes no Japão, em 1997. O compromisso do Protocolo estabelece que os países desenvolvidos terão a obrigação de reduzir a quantidade de gases efeito estufa em pelo menos 5,2%, em relação aos níveis de 1990. A partir de do ano de 2015, países em desenvolvimento também poderão ser obrigados a reduzir suas emissões de gases causadores do efeito estufa. 64 Os países têm que colocar em prática o plano para reduzir os gases entre 2008 e 2012. As reduções das emissões dos gases vão acontecer em várias atividades econômicas. Segundo o Ministério da Ciência e Tecnologia (2005), o Protocolo estimula os países a cooperarem entre si através de algumas ações básicas, como: - reformar os setores de energia e transportes; - promover o uso de fontes energéticas renováveis; - eliminar mecanismos financeiros e de mercado inapropriados aos fins da Convenção; - limitar as emissões de metano no gerenciamento de resíduos e dos sistemas energéticos; - proteger florestas e outros sumidouros de carbono. Mais de 150 Estados assinaram a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima em Junho de 1992 na "Cúpula da Terra", no Rio. Esses países reconheceram, assim, a mudança do clima como "uma preocupação comum da humanidade". Eles se propuseram a elaborar uma estratégia global "para proteger o sistema climático para gerações presentes e futuras" e o Protocolo de Kioto é conseqüência da Convenção de 1992. Os Governos que se tornaram Partes da Convenção tentarão atingir o objetivo final de estabilizar "as concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera num nível que impeça uma interferência antrópica perigosa no sistema climático". (Ministério da Ciência e Tecnologia, 2005). Ao tornarem-se Partes da Convenção, tanto os países desenvolvidos quanto os em desenvolvimento, assumiram um certo número de compromissos. Entre eles: - Submeter para apreciação informações sobre as quantidades de gases de efeito estufa que eles emitem, por fontes, e sobre seus "sumidouros" nacionais (processos e atividades que absorvem gases de efeito estufa da atmosfera, em especial, florestas e oceanos). - Desenvolver programas nacionais para a mitigação da mudança do clima e adaptação a seus efeitos. - Fortalecer a pesquisa científica e tecnológica, estabelecer a observação sistemática do sistema climático e promover o desenvolvimento e a difusão de tecnologias relevantes. 65 - Promover programas educativos e de conscientização pública sobre mudança do clima e seus efeitos prováveis. Os países desenvolvidos assumem um certo número de compromissos adicionais que cabem somente a eles. Os mais importantes são: - Adotar políticas destinadas a limitar suas emissões de gases de efeito estufa, proteger e aumentar seus "sumidouros" e "reservatórios" de gases de efeito estufa. Eles se comprometeram a retornar suas emissões aos níveis de 1990 até o final desta década e também submeterão informações detalhadas sobre seu progresso. A Conferência das Partes revisará a implementação geral e a adequação desse compromisso pelo menos duas vezes durante a década de 90. - Transferir recursos tecnológicos e financeiros para países em desenvolvimento, além da assistência que já seja por eles oferecida, e apoiar os esforços desses países no cumprimento de suas obrigações sob a Convenção. - Ajudar países em desenvolvimento que sejam particularmente vulneráveis aos efeitos adversos da mudança do clima, para fazer frente aos custos de adaptação. Em 23 de julho de 2002, o Brasil ratificou o Protocolo de Kioto. Antes dele, diversos outras Nações também se comprometeram com os compromissos nele previstos. Em 31 de maio de 2002, a União Européia, congregando seus 15 (quinze) Estados-membros, ratificou, na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), o referido Protocolo. Tais fatos foram também noticiados pela mídia com um maior isolamento dos Estados Unidos da América (EUA), frente à sua postura de não aderir ao referido Protocolo. Os EUA são responsáveis, sozinhos, por cerca de 25% das referidas emissões globais – e cerca de 36,1% das emissões dos países industrializados – daí a importância desse Estado em aderir aos compromissos do documento internacional. (MUYLAERT, 2000). Durante a terceira Conferência dos países signatários da Convenção Internacional sobre Melhoria Climática (elaborada durante a ECO-92) que foi realizada em Kioto, em 1997, foi desenvolvido o chamado Clean Development 66 Mechanism (CDM), ou Mecanismo de Desenvolvimento Limpo – MDL, visando uma nova abordagem para reduzir a concentração de gases causadores do efeito estufa, principalmente o CO2. Essa nova proposta leva em conta o elevado nível de emissões de gases dos países industrializados e a capacidade de os países em desenvolvimento absorvê-los por meio de processos naturais. (BRAGA et al, 2002). O Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, estabelecido no artigo 12 do Protocolo de Kioto, consiste na possibilidade de um país que tenha compromisso de redução contido no Anexo I do Protocolo, em adquirir certificados de redução de emissões de gases de efeito estufa em projetos gerados em outros países de forma a cumprir parte de seus compromissos. A idéia consiste em que um projeto gere certificados de reduções de emissões. Tais projetos devem implicar reduções de emissões adicionais àquelas que ocorreriam na ausência do projeto, garantindo benefícios reais, mensuráveis e de longo prazo para a mitigação da mudança do clima. (Ministério da Ciência e Tecnologia, 2005). Contudo, Casagrande Júnior (2003) afirma que o Protocolo de Kioto com o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo - MDL retarda a implementação de tecnologias limpas e investimentos em energias renováveis por parte das empresas, tornando o ar limpo numa commodity que pode ser negociado em Bolsas de Valores como qualquer outra mercadoria. Ao ratificar a Convenção, o Brasil aceitou algumas obrigações iniciais, entre elas de identificar qual sua contribuição geral para os problemas de alteração climática. Desta forma, está em fase de elaboração o seu “Comunicado Nacional” para a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima. Trata-se de um documento técnico contendo o inventário das emissões produzidas por ação humana, por fontes, e das remoções, por sumidouros, de todos os gases de efeito estufa não controlados pelo Protocolo de Montreal11. Também traz uma descrição geral das providências, tomadas ou previstas, para a implementação da Convenção no País. Para tanto, foi criado, através de Decreto Presidencial de 7 de julho de 1999, a Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima, com a finalidade de articular as ações de governo 11 O Protocolo de Montreal exigia cortes nas substâncias que destroem a Camada de Ozônio, adotado em Montreal em 16 de setembro de 1987 e com os ajustes e emendas adotados posteriormente (ONU, 2005). 67 decorrentes da Convenção-Quadro da Nações Unidas sobre Mudança do Clima e seus instrumentos subsidiários de que o Brasil seja parte. (Ministério da Ciência e Tecnologia, 2005). O Protocolo de Kioto entrou em vigor no ano de 2005 com a inclusão da Rússia e, finalmente, as metas estabelecidas no Tratado terão que ser cumpridas. No momento, 141 nações confirmaram a adesão ao Tratado, sendo que elas representam 61.6% de toda a emissão de gases do efeito estufa do planeta. Entretanto, o grande emissor, os Estados Unidos, omitiu-se da ratificação e não segue as regras impostas pelo Protocolo. (Ministério da Ciência e Tecnologia, 2005). 2.5 CONCLUSÃO DO CAPÍTULO Os padrões e modelos mentais têm contribuído para uma visão cartesiana do mundo, envoltos por paradigmas tradicionais onde todas as situações têm respostas objetivas e racionais. A clareza, a análise e a ordem parecem suplantar a complexidade das interrelações, o que torna tudo parte indissociável de um todo - a razão está acima de tudo. O desenvolvimento sustentável parece ser o conceito que impera, mais do que pela necessidade de uma visão abrangente dos sistemas, e sim por uma melhoria na imagem externa das instituições. Nesse cenário, a poluição atmosférica, com a intensa industrialização, é vista como necessária para o desenvolvimento, onde a legislação ou a possibilidade de retorno financeiro é mais importante do que “mudanças estruturais” ou de conciliação das necessidades reais com a conservação ambiental. O aquecimento global é uma realidade, apontada por instituições nacionais e internacionais como um fato que está ocorrendo e que trás grandes influências à vida do planeta. 68 O Protocolo de Kioto aparece como uma possibilidade de diminuir os efeitos das altas concentrações de gases que provocam o efeito estufa, principalmente o CO2, contudo, sem a adesão dos Estados Unidos o Protocolo perde muito sua importância. Diante do quadro atual, o futuro da vida na Terra torna-se incerto, as reações de adaptação á esta era de mudanças são imprevisíveis. Muitos sistemas vivos (animais e vegetais) devem desaparecer e outros sistemas podem se desenvolver alterando o equilíbrio ambiental existente. 69 3 AS TECNOLOGIAS APROPRIADAS, A PRODUÇÃO MAIS LIMPA E A INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO CIVIL E AS EMISSÕES DOS GASES DO EFEITO ESTUFA 3.1 TECNOLOGIAS APROPRIADAS Para melhor entender os conceitos de Tecnologia Apropriada é necessário uma visão do que é tecnologia e o que é técnica: • Tecnologia é a disciplina que descreve e ordena os ofícios e as indústrias existentes. De modo amplo, pode-se dizer que tecnologia é a maneira pela qual as pessoas fazem as coisas. A Tecnologia não reconhece fronteiras cronológicas nem geográficas. (GAMA,1985). Charles Laboulaye, citado por Gama (1985), definiu tecnologia como a ciência dos processos segundo os quais o homem emprega forças e age sobre as matériasprimas fornecidas pela natureza para, utilizando essas forças, obter das matérias-primas o que convém à satisfação de suas necessidades e de seus desejos. • Técnica é uma habilidade humana de fabricar, construir e utilizar instrumentos. A técnica é tão antiga como a humanidade e surgiu, provavelmente, com o surgimento do homem e a linguagem. (VARGAS, 1994). As técnicas modernas, nas quais já são incorporados os conhecimentos de origem científica, apareceram durante o Renascimento, quando homens, como Leonardo da Vinci, não as distinguem das Belas Artes e nem hesitam em ampliar, na solução de seus problemas, alguns conhecimentos científicos obtidos das experiências diretas. (VARGAS, 1994). O conceito “Tecnologia Apropriada” nasceu na década de 60 com a obra “Small is Beautiful” do economista E.F. Schumacher na qual se definia uma tecnologia “com uma face humana”. (KRUGER, 2000). Abiko (2003) afirma que Schumacher introduziu o termo “Tecnologia Apropriada” a partir de seu interesse e 70 identificação com as obras de Ghandi na Índia e enfatiza quatro critérios para esta tecnologia: • Pequeno – a Tecnologia Apropriada não precisa ser necessariamente grande para resolver todos os problemas. Precisa ser adequada à realidade local e seus recursos. • Simples – a Tecnologia Apropriada deve ser de fácil acesso e passível de ser replicada/transmitida de modo simples. • Barato – a Tecnologia Apropriada é facilmente obtida e utiliza insumos abundantes e locais. • Pacífico – a Tecnologia Apropriada não visa à dominação tecnológica, mas a sinergia entre as pessoas tentando resolver ou minimizar os conflitos. A Tecnologia Apropriada deve ser aplicada localmente. Sua utilização em determinada região pode não ser a mais adequada para um outro local. Entende-se ainda como Tecnologia Apropriada àquela que é mais adequada as necessidade e aspirações, e que seja eficaz, engenhosa e utilize os recursos naturais disponíveis, levando em consideração os fatores sociais e culturais. (SHAFA et al, 2000). A tecnologia tem tido uma importância cada vez maior nas sociedades e o conceito de Tecnologia Apropriada traz uma visão particular e estimulante de como esta tecnologia pode ser pensada de outra forma que não a convencional ou a chamada “high technology”. Tecnologia Apropriada é um termo que representa um ponto de vista particular acerca da sociedade e da tecnologia. Assim conceituada, a tecnologia traz em si uma grande carga ideológica, demonstrando que a Tecnologia Apropriada está definitivamente atrelada a um determinado modelo de desenvolvimento que se almeja. Este modelo de desenvolvimento está atrelado, por sua vez, a um determinado modelo de desenvolvimento político e econômico. (ABIKO, 2003). A Tecnologia Apropriada se coloca em alguma posição entre a mais primitiva técnica da idade da pedra e a mais sofisticada tecnologia da informática. Schumacher (1977) afirma ainda que a Tecnologia Apropriada deve ser compatível 71 com as leis da ecologia sensível no uso de recursos escassos e planejada para servir à pessoa humana. Na TABELA 11 pode-se observar comparações entre Tecnologias Apropriadas e Tecnologias de Grande Escala segundo Shafa et al (2000). TABELA 11 - COMPARAÇÃO ENTRE TECNOLOGIA APROPRIADA E TECNOLOGIA DE GRANDE ESCALA TECNOLOGIA PELAS MASSAS; (Apropriada, Adequada) TECNOLOGIA PARA AS MASSAS; (Moderna, Ocidental) Mobiliza preciosos recursos do homem, seu Auto-destruidora em termos de recursos nãocérebro e suas mãos. renováveis, desprestigia o ser humano. Faz uso de potenciais criativos, conduzindo à Age como um corpo estranho, com claros sinais autonomia e descentralização. de rejeição. Compatível com as leis da ecologia. Ecologicamente destruidora. Destinada a servir a pessoa humana. Torna o homem servo das máquinas. È superior às tecnologias primitivas, mas ao Nos últimos 200 anos (Revolução Industrial) mesmo tempo simples, mais barata e mais livre gerou mais problemas (sócio-econômicos e do que a alta tecnologia. ambientais) do que resolveu. Tecnologia com rosto humano. Tecnologia inerentemente violenta. Fonte: SHAFA et al, 2000. As Tecnologias pelas massas (Apropriadas) apresentadas na TABELA 11, devem ser analisadas com muito critério. Afirmações como “destinada a servir a pessoa humana” em contraponto com “torna o homem servo das máquinas” não devem ser entendidas de forma linear ou absoluta. Afirmações como a “tecnologia inerentemente violenta” tem sentido de sua aplicação e intensidade de mudanças, na qual, o resultado final é o mais importante. As tecnologias para as massas tem sua importância para o desenvolvimento, principalmente no que se refere à melhoria na qualidade e expectativa de vida, como no desenvolvimento da indústria farmacêutica. A tecnologia para as massas também não é só utilizada pelos países ocidentais, a China, como exemplo, é um país oriental que utiliza a tecnologia moderna de forma muito intensa. 72 A Tecnologia Apropriada pode atender grandes massas, porém, o homem e o meio ambiente são o centro e utilizam as máquinas como instrumento de auxílio. 3.1.1 Tecnologias Apropriadas na Construção Civil A técnica tradicional da construção civil continua sendo largamente utilizada, principalmente nas habitações unifamiliares desenvolvidas no interior do Brasil, onde se emprega mão-de-obra com pouca qualificação e utiliza-se materiais de construção de forma indiscriminada, sem critérios e com baixa eficiência. A Tecnologia Apropriada na construção não visa o retorno às velhas tradições do construir e também não se apóia na construção em escala, que tem produzido empreendimentos monótonos, com uma qualidade projetual duvidosa, pouco agradável de se ver e de se conviver (ABIKO, 2003). O processo apropriado utiliza recursos existentes nas comunidades e, com os mesmos, capital, materiais e mãode-obra, procuram criar uma forma construída que esteja ao alcance desta comunidade e que haja em sua elaboração uma efetiva participação dos elementos desta mesma comunidade. Na TABELA 12 estão apresentadas características das Técnicas Tradicionais, da Tecnologia Moderna e da Tecnologia Apropriada na construção civil, segundo estudos de Abiko (2003). 73 TABELA 12 – TÉCNICAS TRADICIONAIS X TECNOLOGIAS MODERNAS X TECNOLOGIAS APROPRIADAS MODERNO APROPRIADO MATERIAIS Simples. Matérias primas locais. Retirados ou produzidos no local. Utilização de poucos componentes TRADICIONAL Sofisticados. Matérias primas de diversos locais. Produzidos fora do canteiro. Freqüente a pré-fabricação de componentes Simples ou sofisticados. Matérias primas locais. Produzido de forma racionalizada no canteiro. Pré-fabricados que não necessitam de equipamento pesado PRODUÇÃO Escala muito pequena. Entendida, controlada e mantida pelo usuário. Decisões individuais Intensiva. Usuário ou pequenos construtores Grande escala. Entendida e controlada por especialistas. Decisões centralizadas Escala pequena. Entendida, controlada e mantida pelo usuário. Decisões individuais ou coletivas Intensiva. Usuário ou pequenos construtores MÃO-DE-OBRA ENERGIA EQUIPAMENTOS CAPITAL ORGANIZAÇÃO TRANSPORTES Pouca. Não comercializada e local Ferramentas simples Pouco ou nenhum Simples Parcialmente substituída por equipamentos. Empregada e terceirizada Muita . Comercializada Equipamentos especializados Intensivo Complexa, só parcialmente, no canteiro Máquinas especializadas Homem e animais Pouca. Comercializada e local Ferramentas simples Pouco Complexa, na maioria no canteiro Máquinas leves Fonte: Abiko (2003) As afirmações apresentadas na TABELA 12 devem ser entendidas de forma ampla e geral. Contudo, há situações onde a intervenção “apropriada” e melhor pode ser uma intervenção em “grande escala”, característica de uma tecnologia considerada “moderna”. Tecnologias Apropriadas também podem ser em escala muito pequena (características das técnicas tradicionais), entendida por especialistas (características das tecnologias modernas) e decididas de forma coletiva (Tecnologias Apropriadas). Cabe reafirmar ainda que a Tecnologia é Apropriada a um determinado modelo de desenvolvimento que se espera de uma sociedade. Na TABELA 12, a tecnologia apropriada pressupõe um desenvolvimento baseado na ampliação das oportunidades para a maioria da população dos países em desenvolvimento, 74 contemplando aspectos de geração de emprego, melhoria da qualidade de vida, otimização de recursos naturais e sustentabilidade ambiental. (ABIKO, 2003). Outro conceito muito importante que auxiliar o desenvolvimento das Tecnologias Apropriadas é a Produção mais Limpa. 3.2 A PRODUÇÃO MAIS LIMPA Para Furtado (1983), a Produção Mais Limpa representa o estágio de excelência para a indústria que deseja aumentar seu grau de responsabilidade econômico/competitivo, social e ambiental, a partir da adoção de quatro grandes princípios: - Precaução (melhor estar seguro, prevendo possíveis problemas e suas conseqüências); - Prevenção do resíduo na fonte (não produzir resíduos ou minimizar os mesmos – ganhos econômicos); - Integração total da produção (visão holística), com base na avaliação do ciclo-de-vida (ACV); - Participação democrática, traduzida pelo direito de acesso público às informações sobre os riscos de produtos e processos para o homem e o ambiente. Para a organização não governamental Greenpeace (2005), a Produção Mais Limpa implementa o Princípio Precautório - uma nova abordagem holística e integrada para questões ambientais centradas no produto. Essa abordagem assume como pressuposto o referencial que a maioria de nossos problemas ambientais - por exemplo: aquecimento global, poluição tóxica, perda de biodiversidade - é causada pela forma e ritmo no qual são produzidos e consumidos os recursos. Também considera a necessidade da participação popular na tomada de decisões políticas e econômicas. Segundo Phillip e Erdmann (2005), a Produção Mais Limpa é um instrumento dos conceitos e dos objetivos do Desenvolvimento Sustentável e é uma forma de 75 conceber a produção. A Produção Mais Limpa busca evidenciar as dimensões social e ecológica e em segundo plano as econômicas. Os benefícios decorrentes da Produção Mais Limpa são destacados por Lora (2000) focando a minimização de resíduos na fonte: - controle de resíduos na fonte leva à diminuição radical da quantidade gerada. Conseqüentemente, se reduz o custo de produção devido à utilização mais eficiente das matérias-primas e da energia, bem como custos de tratamento; - a prevenção de resíduos, diferentemente do tratamento de resíduos, implica em benefício econômico, tornando-a mais atrativa para as empresas; - melhoria da imagem ambiental; - maior facilidade em cumprir as novas leis e regulamentos ambientais, o que implica em um novo segmento de mercado. 3.3 A INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO CIVIL E A PRODUÇÃO DE SEUS PRINCIPAIS PRODUTOS – A EMISSÃO DE CO2 NA FABRICAÇÃO E NO TRANSPORTE 3.3.1 A Indústria da Construção Civil no Cenário Atual A construção civil desempenha um papel importante no crescimento das economias industriais e no desenvolvimento dos países. Constitui-se em um dos elementos-chave na geração de emprego e na articulação de diferentes setores industriais que produzem insumos, equipamentos e serviços para seus diferentes subsetores. Convenciona-se sua divisão nos três grandes campos de atuação, a saber: a) Edificações; b) Construção Pesada; c) Montagem Industrial. 76 Apesar do sucesso obtido em outras áreas do conhecimento, não houve muito sucesso na tecnologia da construção civil. (SPENCE et al, 1993, apud ABIKO, 2005). Existem várias razões para estas dificuldades. Em primeiro lugar deve-se considerar a dificuldade de introduzir qualquer inovação tecnológica na construção civil, quer seja ela de um novo processo ou produto, pois este setor é refratário às mudanças. A razão deste fato, principalmente no setor habitacional, pode estar relacionada com hábitos culturais de apego a uma determinada forma de morar, que evolui muito lentamente ao longo dos séculos. (ABIKO, 2005). Diante do quadro tradicionalista e imediatista da indústria da construção civil, a exploração exagerada dos recursos naturais reduziu em grande quantidade as reservas de materiais e de água potável. O setor também tem sido foco constante de críticas da mídia, especialmente com relação aos desperdícios de matéria-prima e insumos (ARAUJO, 2002). Em publicação da Caixa Econômica Federal (2001, apud ARAUJO, 2002), estima-se que o setor seja responsável por cerca de 40% dos resíduos gerados na economia. Apesar da maior consciência e preocupação ambiental verificados atualmente em muitos setores industriais, há setores tradicionais da economia que estão longe do que seria um processo de uma Produção Mais Limpa (observar item 3.2) que desenvolva produtos ecologicamente corretos. A indústria da construção civil enquadra-se nesse setor, tradicional e reticente às necessidades de uma maior conservação ecológica. A indústria da construção civil com a forte industrialização do país no início do século XX proporcionou a aceleração do êxodo rural, conseqüentemente aumentando sua necessidade e importância sendo responsável por algo em torno de 14,5% do PIB brasileiro. (JOHN, 2000). O setor de construção civil, diante de sua participação na economia, também é de extrema importância para o meio ambiente, pois: retira/utiliza recursos naturais, emite resíduos (sólidos e gasosos) nos seus processos de produção, gasta energia (construção e funcionamento das edificações) e contribui com grandes volumes de materiais pós-vida útil. 77 3.3.2 Impactos Ambientais dos Materiais de Construção Civil A Agenda 21 para a Construção Sustentável (CIB, 1999, apud, GRIGOLETTI e SATTLER, 2003) aponta diretrizes que devem ser perseguidas pelo setor da construção civil para reduzir os impactos ambientais e sociais relacionados às suas atividades. Entre as que dizem respeito à produção de materiais de construção estão: - redução do consumo de energia no processo de produção; - eliminação ou redução de emissões aéreas; (grifo do autor) - redução do consumo de recursos naturais e de geração de resíduos; - geração de empregos; - possibilidades de aperfeiçoamento; - qualidade do ambiente de trabalho; - promoção da economia local. No que se refere às emissões dos gases causadores do efeito estufa na indústria da construção civil e na produção de materiais de construção, os impactos ambientais são problemas, tanto em países desenvolvidos como em desenvolvimento. No Japão as emissões de CO2 referente às construções residenciais e não residenciais correspondem a 7,8% do total daquele país. (SHUZO et al, 2005). No Reino Unido as emissões de CO2 da indústria da construção civil representavam 4% de toda atividade econômica em 1998 (SMITH et al, 2002). Já na Índia o setor de construção é responsável por 17% do total das emissões de CO2 . (TIWARI et al, 1996). No Brasil não se têm estudos específicos sobre os impactos e quantidades de emissões dos gases causadores do efeito estufa da indústria da construção civil. 78 3.3.2.1 Os produtos básicos mais utilizados na indústria da construção civil Segundo John (1999) o setor de construção civil consome, aproximadamente, 50% dos recursos naturais e apresentam grande quantidade de emissões de gases do efeito estufa, principalmente o CO2, seja na fabricação ou na retirada do material da natureza, nesse sentido foram pesquisados as indústrias de: - Cimento; - Cal; - Aço (ferro); - Areia e brita (retirada e transporte); - Cerâmica vermelha; - PVC. Esta consideração sobre os materiais de construção que apresentam maiores índices de emissões dos gases causadores do efeito estufa podem ser confirmados em trabalhos apresentados nos trabalhos de John (2005) e do Instituto IDD – Institut Wallon – VITO (2001), (FIGURA 5). Ainda segundo John (2005), a contribuição da Indústria da Construção Civil para a emissão dos gases do efeito estufa está na: - - Queima de combustíveis fósseis: • Produção de materiais: aço, cerâmica, cimento...; • Transporte de materiais; • Uso de edifícios. Decomposição de calcário: • 1000kg de calcário = 440 kg de CO2 • Cimento, cal, aço. 79 FIGURA 5 - GRÁFICO DO PRINCIPAIS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO NO QUE SE REFERE AS EMISSÕES DE GASES DO EFEITO ESTUFA EMISSÕES DE CO2 POR MATERIAIS 22% 33% concreto 5% aço plásticos tijolo outros 20% 20% Fonte: IDD – Institut Wallon – VITO (2001) Obs: o concreto é o material de construção proveniente, na grande maioria das vezes, da adição de um agregado graúdo (brita), um agregado miúdo (areia), cimento e água. Na FIGURA 5 se pode observar que, segundo estudos do IDD – Institut Wallon – VITO (2001) que estuda a indústria da construção da Bélgica, o concreto apresenta a maior quantidade de emissões de CO2 para os principais materiais de construção utilizados em uma casa. Nos estudos desenvolvidos no Reino Unido por Smith et al (2002), se pode observar na TABELA 13 as quantidades totais de emissões dos principais produtos utilizados na indústria da construção civil daquele país. 80 TABELA 13 - EMISSÕES DE CO2 NA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO CIVIL DO REINO UNIDO EM 1998 CO2 (k t) % 513 3,22 PRODUTOS PLÁSTICOS 1.023 6,43 PRODUTOS CERÂMICOS 700 4,39 PRODUTOS BÁSICOS DE BARRO 995 6,24 12.033 75,55 664 4,17 15928 100,00 PRODUTOS DE PEDREIRA / EXTRAÇÃO MINERAL CIMENTO E CONCRETO FABRICAÇÃO DE MATERIAIS TOTAL Fonte: adaptado de Smith et al (2002) Na TABELA 13 se pode observar que as indústrias de cimento e concreto no Reino Unido apresentam os maiores índices de emissões de CO2. 3.3.3 Produção de Resíduos e a Emissão de Gases na Indústria da Construção Civil. Na FIGURA 6 é apresentado um esquema que procura demonstrar onde ocorre a emissão dos gases que provocam o efeito estufa na produção dos principais materiais de construção civil, segundo estudos do autor dessa dissertação. 81 FIGURA 6 – ESQUEMA DE PRODUÇÃO DOS PRINCIPAIS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO AREIA NATURAL (LEITO DE RIOS) CIMENTO TIJOLOS E TELHAS CERÂMICAS RETIRADA DA AREIA COM BALSAS, SISTEMAS DE SUCÇÃO, ETC. RETIRADA DOS INSUMOS NATURAIS PARA FABRICAÇÃO DO CIMENTO RETIRADA DA ARGILA COM USO DE TRATORES E CAMINHÕES TRANSPORTE DA AREIA ATÉ O LOCAL DA OBRA PRODUÇÃO DO CIMENTO: MISTURA, ALTO FORNOS, MOAGEM PROCESSO DE FABRICAÇÃO DOS TIJOLOS E TELHAS TRANSPORTE DO CIMENTO ATÉ O LOCAL DA OBRA* TRANSPORTE DOS TIJOLOS E TELHAS ATÉ O LOCAL DA OBRA UTILIZAÇÃO DA AREIA COM BETONEIRA UTILIZAÇÃO DO CIMENTO ATRAVÉS USO DE BETONEIRAS AÇO E ESQUADRIAS RETIRADA DOS MINÉRIOS PARA PRODUÇÃO DO AÇO PROCESSO DE FABRIÇÃO DO AÇO PROCESSO DE PRODUÇÃO DE AÇO EM BARRAS E JANELAS TRANSPORTE DAS PEÇAS ACABADAS ATÉ A OBRA Fonte: Autor Obs.: (*) Há casos em que o concreto é feito em usinas específicas, contudo, no estudo de caso dessa pesquisa esta situação não é comum. 82 3.3.3.1 Cimento A produção de cimento é um processo energo intensivo. O consumo de energia pela indústria de cimento é calculado em aproximadamente 2% do consumo primário global de energia, ou quase 5% do consumo industrial global total de energia. (WORRELL et al, 2003). Em 1995 a produção global de cimento foi calculada em 1453 milhões de toneladas (Mt). Por causa da importância de cimento como um material de construção, e por causa da abundância geográfica das matérias-primas principais, o cimento é produzido em praticamente todos países. A produção global de cimento cresceu de 594 Mt em 1970 a 1453 Mt em 1995 num índice anual médio de 3,6%. A produção de cimento na China aumentou dramaticamente entre 1970 e 1995, crescendo de 27 Mt a 475 Mt, numa taxa de crescimento anual média de 12,2%. (WORRELL et al, 2003). A intensidade mundial média de emissões de carbono na produção de cimento é 222 kg de C/t. Embora a China seja o maior emissor, a região com maior intensidade de emissões de carbono por tonelada produzido é a Índia (253 kgC/t), seguido por América do Norte (242 kgC/t), e então China (240 kgC/t). (WORRELL et al, 2003). As emissões de CO2 estão presentes em todas as indústrias cimenteiras mundias, o que altera a quantidade de emissões é o tipo de combustível utilizado (carvão, óleo combustível, gás natural, coque de petróleo, combustíveis de alternativa). Em 1994, o Brasil ocupava a 11ª posição na produção de cimento no mundo, com 1,9% da produção mundial. (Ministério da Ciência e Tecnologia, 2002). A fabricação do cimento envolve uma série de atividades estendendo muito o acompanhamento de toda a sua produção. Para isso esta pesquisa restringiu este acompanhamento a apenas alguns dados, tais como o consumo de energia elétrica onde se relaciona que para a produção de uma tonelada de cimento são consumidos 5,8GJ de energia. (UNEP IE, 1996, apud CYBIS e SANTOS, 2000), e a quantidade de poluentes emitidos para a atmosfera tais como materiais particulados, SOx, NOx e CO2. Conforme já citado anteriormente, a poluição do ar tem sido um sério problema com o incremento do desenvolvimento do setor industrial, principalmente 83 nas últimas décadas do século passado e início deste século. Nesse contexto, a indústria do cimento é considerada como uma das mais potencialmente poluentes. (CANPOLAT et al, 2001). Somente a indústria do cimento é responsável por 10% de todas as emissões de CO2 no Brasil (JOHN, 2005), já para Isaia e Gastaldini (2004) o cimento consome 5,5 GJ de energia e libera, aproximadamente, 1 t de CO2 por tonelada de clinquer correspondendo entre 5 e 8% do total emitido anualmente para atmosfera. Para Soares (1998) a indústria do cimento consumiu cerca de 4,4% da energia do setor industrial e constitui-se num dos grandes contribuintes às emissões de CO2. Para o CNPq (2005) a indústria do cimento responde por cerca de 7% da emissão anual de gás carbônico (CO2). Somente o Brasil, com uma produção anual de 38 milhões de toneladas de cimento Portland (comum), libera para a atmosfera aproximadamente 22,8 milhões de toneladas/ano de gás carbônico. (CNPq, 2005). O Brasil e México dominam a produção de cimento na América Latina, sendo responsáveis por 54% da produção do continente. O Brasil experimentou um crescimento rápido em produção de cimento entre 1970 e 1980, ao passo que na década seguinte devido à crise econômica, houve uma redução da produção de 27 Mt em 1980 para 19,5 Mt em 1984, subindo lentamente para 28 Mt em 1995 (SOARES, 1998). A produção mexicana de cimento cresceu de 7 Mt em 1970 a 24 Mt em 1995, num índice anual médio de 5,0%. (WORRELL et al, 2003). Para comparação com os valores da indústria cimenteira brasileira, na TABELA 14 são apresentados os valores referenciais das emissões dos gases causadores do efeito estufa na indústria de cimento da Turquia segundo estudos de Canpolat et al (2001). TABELA 14 – EMISSÕES DE GASES NA INDÚSTRIA DE CIMENTO DA TURQUIA Emissões em t/t(cimento) Dióxido de carbono (CO2) 1.609 Dióxido de Nitrogênio (NO2) 0.596 Dióxido de Enxofre (SO2) Fonte: Canpolat et al (2001) 0.060 84 Segundo informações da TABELA 14 a indústria de cimento da Turquia emite 1,609 t de CO2 por tonelada de cimento produzido. Esta valor é bem superior aos citados pelo CNPq para o Brasil que são de 0,6 t CO2 /t cimento. Contudo, ao se comparar as emissões de CO2 na indústria cimenteira dos vários autores pesquisados, se verifica que a quantidade varia muito. Para Santi e Sevá Filho (2004) a indústria de cimento apresenta elevado potencial poluidor. Em todas as etapas do processo produtivo do cimento há fontes de poluição e os níveis e as características das emissões dos poluidores dependem das características tecnológicas e operacionais do processo industrial. No processo de calcinação do calcário em um dos componentes do clínquer, ocorre a emissão de CO2. Essas emissões foram estimadas com base nos dados de produção anual de clínquer, fornecidos pelo Sindicato Nacional das Indústrias de Cimento – SNIC, e são apresentadas na TABELA 15 e 16. (apud Ministério da Ciência e Tecnologia, 2002) TABELA 15 – EMISSÕES DE CO2 NA PRODUÇÃO DE CIMENTO 1990 1991 1992 1993 1994 10224 10881 9000 9334 9337 Unidade: Gg Fonte: Primeiro Inventário Brasileiro de Emissões Antrópicas de Gases de Efeito Estufa - Ministério da Ciência e Tecnologia (2002) TABELA 16 – PRODUÇÃO DE CIMENTO NO BRASIL (1990 a 1994). ANO PRODUÇÃO DE CIMENTO PRODUÇÃO DE CLÍNQUER CLÍNQUER/CIMENTO 1990 25.848.359 20.161.401 78,0% 1991 27.490.090 21.458.207 78,1% 1992 23.902.730 17.747.749 74,2% 1993 24.842.915 18.407.115 74,1% 1994 25.229.609 18.412.262 73,0% Unidade: t Fonte: Primeiro Inventário Brasileiro de Emissões Antrópicas de Gases de Efeito Estufa - Ministério da Ciência e Tecnologia (2002) 85 Existem vários tipos de cimento, o Portland é o mais comum e é basicamente uma mistura de clínquer e gesso. O clínquer, por sua vez, é uma mistura de óxidos de silício, alumínio, ferro e cálcio. O cimento Portland é um dos mais importantes materiais de construção a serviço da engenharia, com um vastíssimo campo de aplicação. As matérias-primas para fabricação do cimento são: - Calcário; - argila; - minério de ferro; - gesso. 3.3.3.1.1 Processo de fabricação do cimento A) Preparação da mistura crua: Os componentes que mais interessam na fabricação do cimento são: CaO, SiO2, Fe2O3, Al2O3. O calcário e argila são misturados e moídos a fim de se obter uma mistura crua para descarbonatação e clinquerização. No processo de moagem o material entra no moinho encontrando em contra corrente o ar ou gás quente (~220°C), propiciando a secagem do material. O material que entra com umidade em torno de 5% sai com umidade em torno de 0,9% a uma temperatura de final de 80 graus. O processo de fabricação de cimento, caracteriza-se pelo elevado consumo de energia térmica e elétrica, que atualmente gira em torno de 700 kcal e 100 kWh por tonelada de cimento produzida. (HERNANDES e KAMINSKI, 2004). O atual estágio tecnológico do processo de fabricação de cimento permite que se produzam os mais variados tipos de cimento, respeitando as exigências de qualidade dos consumidores, com um elevado aproveitamento de recursos, tanto naturais quanto residuais, derivados de outros processos através do coprocessamento, também chamados de co-incineração. (HERNANDES e KAMINSKI, 2004). 86 Ainda no processo de produção do cimento há a emissão de poluentes como: material particulado, dióxido de carbono (CO2), óxidos e enxofre de nitrogênio e, nitrogênio. Segundo o Code Federal Regulations – Protection of Environment, o órgão ambiental norte-americano, as plantas de fabricação de cimento estão entre as maiores fontes de emissão de poluentes atmosféricos perigosos, dos quais destacam-se as dioxinas e furanos; os metais tóxicos como mercúrio, chumbo, cádmio, arsênio, antimônio e cromo; os produtos de combustão incompleta e os ácidos halogenados. (USA, 1991; USEPA, 1996, apud SANTI e SEVÁ FILHO, 2004). B) Processo de clinquerização: No processo de clinquerização, os combustíveis mais utilizados para elevar a temperatura de clinquerização (~1400°C) são: óleo pesado, coque de petróleo, carvão mineral ou vegetal. Para que ocorra o aquecimento do material cru, o mesmo é lançado numa torre de ciclones onde em fluxo contrário, corre os gases quentes da combustão. Nos ciclones ocorrem as separações dos gases e material sólido. Os gases são lançados na atmosfera após passarem por um filtro eletrostático onde as partículas, ainda presentes dos gases são precipitadas e voltam ao processo. Após passagem pelos ciclones o material entra no forno rotativo onde ocorrem as reações de clinquerização. Após a clinquerização o clínquer formado é bruscamente resfriado com ar frio em contra corrente. O clínquer daí é estocado em silos para a produção do cimento. C) Etapas do processo de clinquerização: (a) Evaporação da água livre; (b) Decomposição do carbonato de magnésio; (c) Decomposição do carbonato de cálcio; Esta reação tem início em temperatura acima de 805°C, sendo 894°C a temperatura crítica de dissociação do carbonato de cálcio puro a 1 atm de pressão. (d) CaCO3 (sólido) → CaO (sólido) + CO2 (gás) - 393 cal/g 87 (e) Desidroxilação das argilas; (f) Formação do 2CaO.SiO2; (g) Formação do 3CaO.SiO2; (h) Primeiro resfriamento; (i) Segundo resfriamento; (j) Termoquímica da calcinação; Na FIGURA 7 é apresentado um esquema de como é o processo de fabricação do cimento. FIGURA 7 – ESQUEMA REPRESENTANDO O PROCESSO DE FABRICAÇÃO DO CIMENTO Fonte: DCMM – PUC RIO 88 3.3.3.2 Cal O óxido de cálcio, mais conhecido como cal, é produzido a partir da calcinação do calcário (processo em que o calcário é submetido a altas temperaturas, em fornos), gerando emissões de CO2, como mostra a equação abaixo (Ministério de Ciência e Tecnologia, 2002): CaCO3 + aquecimento = CaO + CO2 O calcário (CaCO3 ) é a matéria prima que se emprega na fabricação da cal. A sílica, os óxidos de ferro, óxidos de alumínio e óxidos de magnésio são impurezas mais freqüentes das rochas calcáreas. A calcinação da cal é feita entre 850º a 900º C, quando todo o CO2 deverá estar eliminado, ficando o óxido de cálcio. A reação que se passa é a seguinte (ALVES,1987): CaCO 3 + calor 100 CaO + CO2 56 44 Pela equação acima se verifica que teoricamente a perda do calcário é de 44% em peso. Ocorre também uma perda de volume de 12 a 20% (ALVES,1987). Pode-se afirmar então que 1000 kg de calcário = 440 kg de CO2 (JOHN, 2005) considerando apenas a transformação química. Em 1994, o Brasil era o sétimo maior produtor mundial de cal, antecedido pela ex-URSS, China, Estados Unidos, Japão, Alemanha e México, nessa ordem. No ano de 1994, a produção de cal no Brasil estava localizada, principalmente, nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Sergipe, Rio Grande do Sul e Bahia. (Primeiro inventário brasileiro de emissões antrópicas de gases de efeito estufa - Ministério de Ciência e Tecnologia, 2002). Na TABELA 17 são apresentados os valores referente a produção de cal no Brasil entre os anos de 1990 até 1994. 89 TABELA 17 – PRODUÇÃO DE CAL NO BRASIL (1990 – 1994) ANO PRODUÇÃO TOTAL PTSM (t) CAL VIRGEM CAL (t) HIDRATADA (t) TOTAL DE CAL (t) % DA PT – SM 1990 4.900.000 2.383.194 978.765 3.361.959 69% 1991 5.000.000 2.366.658 1.067.414 3.434.072 69% 1992 5.240.000 2.587.157 1.012.741 3.599.898 69% 1993 5.634.000 2.702.451 1.051.399 3.753.850 67% 1994 5.425.267 2.875.532 1.122.159 3.997.691 74% ABPC= 65% do mercado Fonte: Primeiro Inventário Brasileiro de Emissões Antrópicas de Gases de Efeito Estufa - Ministério da Ciência e Tecnologia (2002) Obs.: no inventário do MCT de 2002, são apresentado somente valores para os anos de 1990 a 1994. No processo produtivo da cal, ocorre a calcinação de calcário, gerando, como na produção de cimento, emissões de CO2. Essas emissões foram estimadas a partir dos valores anuais de produção de cal fornecidos pela Associação Brasileira de Produtores de Cal – ABPC, que reúne a maioria das grandes e médias indústrias do setor, complementada por informações do Sumário Mineral do Ministério das Minas e Energia (DNPM12, 1995 e 1997). As estimativas das emissões são apresentadas na TABELA 18 (Ministério da Ciência e Tecnologia, 2002). TABELA 18 – EMISSÕES DE CO2/ANO NA PRODUÇÃO DE CAL BRASILEIRA 1990 1991 1992 1993 1994 3.743 3.807 4.009 4.312 4.152 Unidade: Gg Fonte: Primeiro Inventário Brasileiro de Emissões Antrópicas de Gases de Efeito Estufa - Ministério da Ciência e Tecnologia (2002) 12 Departamento Nacional de Produção Mineral. 90 Na TABELA 19 são apresentados os valores de emissões de CO2 na produção de cal calcítica, magnesiana e dolomítica entre os anos de 1990 até 1994. TABELA 19 – EMISSÕES DE CO2/ANO DA PRODUÇÃO DE CAL CALCÍTICA, MAGNESIANA E DOLOMÍTICA ANO CALCÍTICA MAGNESIANA DOLOMÍTICA EMISSÕES TOTAIS 1990 2.960 480 304 3.743 1991 2.954 522 331 3.807 1992 3.200 496 314 4.009 1993 3.445 530 336 4.312 1994 3.315 512 325 4.152 Unidade: Gg Fonte: Primeiro Inventário Brasileiro de Emissões Antrópicas de Gases de Efeito Estufa - Ministério da Ciência e Tecnologia (2002) Na TABELA 19 pode-se observar que no processo de produção da cal, ocorre emissões de CO2. 3.3.3.2.1 Fabricação do cal O calcário é fragmentado em blocos de 6 a 8 cm para cozimento em forno vertical. Quando o cozimento for em forno rotativo, a rocha deve ser britada até a dimensão de 1 cm. Os fornos verticais empregados para fabricação de cal são de forma variada, com diâmetro máximo de 2 m e altura de 8 m, podendo existir fornos maiores. Os fornos podem ser constituídos de uma capa cilíndrica de chapa de ferro, revestida interiormente com material refratário resistente a abrasão e a corrosão. Os refratários magnesianos são os mais indicados para estes fornos. A carga do forno é feita intercalando as camadas de calcários e as de combustível. O consumo de combustível é da ordem de 150 kg de carvão vegetal por tonelada de cal. (ALVES,1987). Para Gulin (2005) as indústrias de cal do Paraná produzem cerca de um milhão de toneladas de cal por ano, o que representa o consumo de 40 milhões de 91 árvores (aproximadamente 4 milhões de metro cúbicos). Para produzir 1,0 t de cal usam-se 2 m³ de lenha, o que equivale a 20 árvores bracatinga com sete anos. Com o objetivo de reverter este quadro de depredação da mata nativa e buscar uma nova fonte de energia para os fornos de cal, o Sindicato das Indústrias de Cal (Sindical) começou a buscar alternativas. Após vários testes, descobriu-se que a serragem seca tem alto poder calorífico. Com este estudo, a indústria produz, com 275 mil t de serragem beneficiada, a mesma quantidade anual de cal, sem necessitar cortar árvores. Dez mil hectares de floresta que são preservados."Hoje, todas as indústrias de cal do Paraná estão utilizando a serragem em seus fornos, por se tratar de uma vantajosa fonte de energia à disposição das empresas", afirma Gulin (2005). Contudo, apesar da utilização da serragem, que em muitos casos é proveniente de madeira nativa, o processo de queima utilizada nos fornos de cal, continuam ocorrendo, provocando emissões de CO2 e outros gases. 3.3.3.3 Tijolos cerâmicos O tijolo cerâmico é um material de construção tradicional e sua utilização data de muitos séculos atrás. Os tijolos e telhas cerâmicas são utilizados em larga escala nas obras civis principalmente por existirem em quase todas as localidades. 3.3.3.3.1 Perfil da Indústria de cerâmica vermelha A indústria cerâmica no Brasil constitui um importante setor industrial e, segundo a Associação Brasileira de Cerâmica - ABC (2005) o segmento da cerâmica vermelha conta com aproximadamente 7.000 empresas, em sua maioria micro ou de pequeno porte com estrutura simples e familiar. No Estado do Paraná existem, aproximadamente, 1.300 estabelecimentos que trabalham na transformação da argila, sejam devidamente registrados ou os considerados clandestinos (BOICO e SCHIMIDT, 2004). A principal matéria-prima utilizada na cerâmica vermelha é a argila. A argila é um material natural de textura terrosa, baixa granulometria e que adquire, quando umedecida, grau de plasticidade suficiente para ser moldada. Esta 92 característica é perdida temporariamente pela secagem, e permanentemente pela queima adquirindo resistência mecânica. 3.3.3.3.2 O processo de produção Após o recebimento da argila nas olarias, as etapas do processo de fabricação de blocos são os seguintes: a) mistura de diferentes tipos de argila para se obter a plasticidade necessária; b) laminação; c) extrusão da argila; d) corte; e) secagem; f) queima. Na FIGURA 8 é apresentado um esquema de como é o processo de produção da grande maioria das indústrias cerâmicas no Brasil FIGURA 8 – PROCESSO PRODUTIVO BÁSICO DE PRODUTOS DE CERÂMICA VERMELHA Fonte: SECTME13, apud do Relatório Parcial I/IV (2002). 13 SECTME – Secretaria de Estado da Ciência e Tecnologia, das Minas e Energia do Governo do Estado de Santa Catarina. 93 Na FIGURA 9 é apresentado uma foto da extração de areia inicialmente, depois é retirado a argila utilizada nas indústrias de cerâmica vermelha de Curitiba/PR. Na FIGURA 9 é possível observar o que representa o termo “bem livre” citado nessa pesquisa, onde os recursos naturais são explorados indiscriminadamente por alguns setores causando degradação do meio ambiente. FIGURA 9 – EXTRAÇÃO DA MATÉRIA PRIMA (ARGILA) NA REGIÃO DE CURITIBA Fonte: Autor 3.3.3.3.3 As matérias-primas mais utilizadas no processo produtivo O combustível para a queima dos tijolos também é uma importante matériaprima e é proveniente da biomassa (lenha de árvores, cascas de árvores e serragem) e da energia elétrica. Segundo Cybis e Santos (2000) na queima da lenha utilizada para produção de tijolos são eliminados os seguintes gases: CO2, CO, NOx e o SOx. 94 Na FIGURA 10 é apresentada uma foto do recebimento de madeira que será utilizado como combustível para a queima de tijolos em Curitiba ou na R.M.C. FIGURA 10 – RECEBIMENTO DE MADEIRAS PARA QUEIMA EM UMA OLARIA DA REGIÃO METROPOLITANA DE CURITIBA. Foto: Autor Grigoletti e Sattler (2003), afirmam que em todo o processo de produção e transporte da cerâmica vermelha existem a emissão de gases causadores do efeito estufa, principalmente o CO2 . Na FIGURA 11 pode-se observar um esquema representando o processo de produção da indústria de cerâmica vermelha e a emissão de CO2. 95 FIGURA 11 – ESQUEMA DE EMISSÕES DE CO2 NO PROCESSO DE PRODUÇÃO DA INDÚSTRIA DE CERÂMICA VERMELHA Fonte: GRIGOLETTI e SATTLER (2003) As emissões geradas no processo de produção da indústria de cerâmica vermelha são devidas principalmente à queima. Segundo Grigoletti e Sattler (2003), em relação à queima da lenha e do refil, o CO2 gerado na combustão é absorvido pela própria biomassa cultivada para produzir a madeira. Nesse sentido, o uso da lenha como energético apresenta um melhor desempenho do ponto de vista ambiental quando a própria indústria produz sua lenha. Segundo estudos de Grigoletti e Sattler (2003) o uso da lenha como principal energético pode ser um fator positivo para a indústria cerâmica se ela se utiliza dessa fonte de energia, uma vez que esse recurso é renovável, pode ser produzido localmente e colabora na assimilação de CO2. Além disso, a plantação de árvores no local favorece a economia dos municípios e gera empregos. Em Curitiba e R.M.C o combustível utilizado para a queima nas olarias provém da biomassa, sendo 50% de mata nativa e 50% de serragem. (STACHERA JR, 2005). Cabe afirmar então que nenhuma olaria nessa região possui reflorestamento para cultivo e posterior queima da lenha em olarias segundo esse autor. 96 Manfredini e Sattler (2004) afirmam que há um grande consumo de energia no processo de produção da indústria de cerâmica vermelha no Brasil, algo em torno de 21% a menos que a indústria do cimento, considerada uma das indústrias com maior consumo energético do setor industrial. No Estado do Rio Grande do Sul que tem a produção similar ao Estado do Paraná, mais de 90% da energia consumida nas olarias provêm de biomassa (lenha, serragem, cascas de árvore, etc). No Estado de Santa Catarina, segundo Relatório Parcial I/IV (2002) realizado sobre o setor, a produção de cerâmica teve um consumo de lenha estimado em torno de 1.400.000 m³/ano, o que eqüivale a 8.000 ha de Eucaliptos. Deste total, 78% da lenha é oriunda de mata nativa e apenas 22% de mata implantada. Dentre os energéticos consumidos pelo setor de Cerâmica Vermelha no Estado de Santa Catarina, o que tem maior evidência em todas as regiões é a lenha. 3.3.3.4 PVC Nesta pesquisa inicialmente se pretendia fazer uma análise da indústria do PVC já que esse material é largamente utilizado na construção civil, contudo não foram encontradas muitas informações que pudessem ser referenciadas e somente são apresentadas as que estavam disponíveis. A indústria brasileira consumiu mais de 600 mil toneladas de resina de PVC no ano de 1998 (PIVA, 2004). PVC é um polímero14 utilizado em uma grande quantidade de produtos na indústria. Na indústria de construção civil, o PVC é utilizado nas tubulações e conexões de água fria e de esgoto, instalação elétrica, esquadrias, forros e acabamentos. O PVC contém, em peso, 57% de cloro (derivado do cloreto de sódio - sal de cozinha) e 43% de eteno (derivado do petróleo). O petróleo, que representa 43% desta resina é uma destilação do óleo cru, obtendo-se aí a nafta leve. Esta passa, então pelo processo de craqueamento catalítico (quebra de moléculas grandes em moléculas menores com a ação de catalisadores para aceleração do processo), 14 Polímeros: Os polímeros são materiais com moléculas de cadeia longa. 97 gerando-se o eteno. Tanto o cloro como o eteno estão na fase gasosa e eles reagem produzindo o DCE (dicloro etano). A partir do DCE, obtém-se o MVC (mono cloreto de vinila, unidade básica do polímero. O polímero é formado pela repetição da estrutura monomérica). As moléculas de MVC são submetidas ao processo de polimeração, ou seja, elas vão se ligando formando uma molécula muito maior, conhecida como PVC (policloreto de vinila), que é um pó muito fino, de cor branca, e totalmente inerte. (Instituto do PVC, 2005). Na União Européia, aproximadamente, 12% de toda a produção de PVC é utilizada em tubulações e conecções de água e esgoto, 57% do PVC produzido na Europa é utilizado em construções. Nos estudos e pesquisas desenvolvidos pela União Européia é demonstrado que em todo ciclo de vida do PVC há emissões dos gases causadores do efeito estuda como o CO, CO2, SO2, NOx e hidrocarbonetos .(COMISSÃO EUROPÉIA, 2004). A Organização não Governamental Greenpeace (2000), afirma que o PVC cria problemas ambientais em todo o seu ciclo de vida. Afirma ainda que produção do plástico PVC são gerados resíduos perigosos como as dioxinas15, que podem causar câncer e problemas nos sistemas nervoso e reprodutivo e que essa poluição química não pode ser remediada: uma vez liberada no meio ambiente, torna-se uma ameaça constante e sem fronteiras. (GREENPEACE, 2000). Os gases que contêm o cloro e são utilizados na fabricação do PVC são potentes gases causadores do efeito estufa como afirma Santamarta (2001). Somente da Europa, 40% do cloro é destinado à produção de PVC e com a redução do consumo de cloro para a fabricação de produtos perigosos como o DDT, o Lindano, as PCBs e os CFCs que também destroem a camada de Ozônio, o PVC se converteu no sumidouro para os excedentes de cloro. (SANTAMARTA, 2001). 15 Dioxina refere-se a uma família de 75 compostos químicos, cuja toxidade está determinada pela quantidade e posição do cloro; a 2,3,7,8–tetraclorobibenzeno–p– dioxina (TCDD) é o composto químico mais tóxico de quantos tenham sido sintetizados pelo homem. 98 3.3.3.5 Agregados: areia e brita A areia16 é utilizada na maioria das obras de construção civis no Estado do Paraná e é proveniente dos leitos dos rios. A areia artificial é pouco utilizada nas obras paranaenses visto que na maior parte dos municípios existem rios de onde são retiradas a areia utilizando dragas17 movidas á óleo diesel. Em estudos desenvolvidos por Cybis e Santos (2000) os quais efetuaram visitas a empresas fornecedoras de areia na Região de Porto Alegre - RS, verificou que o motor a diesel utilizado na balsa (movimentação e sucção) tem um consumo calculado em torno de 1km/l onde se percorre em média 120km em uma viagem completa. A brita18 é retirada de pedreiras e as principais etapas da exploração, segundo Alves (1987) são: - Perfuração da rocha – a perfuração é feita mecanicamente com emprego de perfuradores de brocas ou martelos pneumáticos. - Estabelecimento das linhas de fogo. - Fogo – após a colocação dos explosivos. - Transporte – través de caminhões, vagonetes e ou esteiras. - Britagem. - Transporte até a obra. Os principais impactos relacionados ao uso de areia e brita dizem respeito: à degradação das áreas de extração da matéria-prima, ao esgotamento do recurso uma vez que não é renovável, à geração de rejeitos lançados ao solo ou corpos d’água, contaminando-os ou degradando-os e as emissões de gases provenientes 16 Areia – segundo a NBR-7211 (ABNT): agregado miúdo é a areia natural quartzosa ou artificial resultante do britamento de rochas estáveis, de diâmetro máximo igual ou inferior a 4,8mm. 17 18 Draga – aparelho com que se tira areia, lodo, entulho, etc. do fundo de rios ou do mar. Brita – segundo a NBR 7217 (ABNT), brita é um agregado graúdo, produto da fragmentação de rochas estáveis, de diâmetro superior a 4,8mm. 99 dos equipamentos para atirada e britagem que, na maioria das vezes é feito com motores de combustão. Segundo estudos de Knijinik (apud CYBIS e SANTOS, 2000) verificou-se que as emissões de poluentes geradas pelo óleo diesel são os materiais particulados, o CO2 , o CO, o NOx e o SOx e serão estudados no item 3.3.4 – Transportes. Todas as obras civis utilizam desse tipo de agregado em maior ou menor quantidade. Há regiões no Brasil que já apresentam falta desses materiais e os mesmos são substituídos por produtos sintéticos ou subprodutos da própria indústria de agregados. 3.3.3.6 O Aço O aço é utilizado na construção civil, principalmente como barras para as armaduras das estruturas, nas portas e nas esquadrias. Todas as construções utilizam aço em maior ou menor quantidade. O aço é obtido através de processo siderúrgico em que o minério de ferro é reduzido na presença de coque (carvão mineral ou vegetal). O aço é uma liga metálica que utiliza o minério de ferro e o carbono. O ferro é encontrado na natureza em forma de óxido. A magnetita, Fe3O4, é o óxido com maior teor de ferro, 72% de ferro, a seguir vem a hematita, Fe2O3, com 70% de ferro. A hematita é o minério mais empregado no Brasil (ALVES,1987) e as principais jazidas se localizam no Estado de Minas Gerais. A extração do ferro é uma fusão do minérios nos altos fornos. O combustível empregado é o coque ou carvão de madeira. O produto da primeira fusão é o ferro gusa com teor de carbono de 4% e 2 a 3% de silício. A combustão do coque fornece calor e CO2 que, ao encontrar um excesso de carvão nas camadas superiores, se transforma em CO que efetua a redução do minério de ferro. A reação química que se passa é a seguinte: Fe2O3 + 3CO = 2Fe + 3CO2 100 3.3.3.6.1 A produção do aço Na produção do aço utiliza-se o minério de ferro e o carvão vegetal e/ ou mineral. O uso do carvão vegetal na siderurgia está intimamente relacionado ao processo de industrialização do Brasil. Na época em que a estrutura viária não permitia o emprego do carvão mineral, importado ou produzido no país, o carvão vegetal, de fácil produção e de baixo custo, viabilizou a implantação de usinas de pequena capacidade de produção, compatíveis com o nascente mercado de aço. Na década de 50, com a instalação da Companhia Siderúrgica Nacional em Volta Redonda, consumindo coque de carvão mineral importado, iniciou-se um período de competição entre os dois combustíveis-redutores, observando-se, nos últimos anos, o declínio acentuado do uso do carvão vegetal. (FERREIRA, 2001). 3.3.3.6.2 A produção do aço e a indústria do carvão vegetal. O setor siderúrgico é o principal consumidor de carvão vegetal. No setor siderúrgico, além de melhorias nos processos de coqueificação do carvão e de redução do minério de ferro, desenvolve-se a reciclagem do aço em fornos elétricos a arco, usando sucata de aço e uma carga adicional de até 40% de metal virgem. As fontes de metal virgem serão o ferro gusa e os pré-reduzidos produzidos por redução direta utilizando o gás natural ou o carvão vapor. Ferreira (2001) estima que a emissão de CO2 na produção em forno elétrico reciclando 40% de sucata corresponda a 25% da emissão observada na produção tradicional (alto-forno e forno básico a oxigênio). Especialistas do setor siderúrgico identificam oportunidade para o ferro-gusa produzido em fornos a carvão vegetal, cujas propriedades seriam superiores às de fontes de metal primário concorrentes. Análise elaborada a partir do balanço de massa indica que o déficit de metal primário poderá atingir 63 milhões de toneladas em 2010. (FERREIRA, 2000). 101 A madeira usada na produção de carvão, no início da indústria siderúrgica, provinha exclusivamente de matas nativas. Madeiras nobres, como o jacarandá e o angico, eram carbonizadas segundo a tecnologia da época, com baixo rendimento em carvão. Na década de 40, iniciaram-se, em Minas Gerais, as práticas de plantio de eucalipto destinadas ao suprimento de carvão das usinas siderúrgicas do Estado que já produziam cerca de meio milhão de toneladas de aço por ano. (FERREIRA, 2000). O carvão vegetal pode representar sumidouro importante para o CO2, depende obviamente de sua competitividade em face dos concorrentes produzidos com combustíveis fósseis, visto que o critério econômico ainda é o prioritário na maioria das análises. Assim, as vantagens ecológicas e sociais da produção e do uso do carvão vegetal, como absorvedor de CO2 dentre todos os combustíveisredutores usados na indústria siderúrgica e como empregador de mão-de-obra de menor qualificação, deverão ser exploradas pelas empresas e governos interessados. (FERREIRA, 2000). Contudo, para se usar o carvão vegetal têm-se, atualmente, um déficit de reflorestamento em relação ao consumo de madeira, como mostra a FIGURA 12, elaborado a partir de dados do Anuário ABRACAVE19 (FERREIRA, 2000) para o ano de 1999. A descompensação entre consumo e plantio iniciou-se em meados da década de 80, podendo estar relacionada com a queda do preço do petróleo e a conseqüente queda do preço de exportação do carvão metalúrgico que, entre 88 e 97, passou de cerca de 50 para cerca de 32 dólares por tonelada. A vinculação entre os preços desses dois combustíveis fósseis observada até a poucos anos parece estar sendo quebrada pela entrada do gás natural, inclusive no setor siderúrgico através da redução direta com CO2 gerado externamente ao forno de redução. (FERREIRA, 2000). 19 Associação Brasileira de Florestas Renováveis 102 FIGURA 12 – GRÁFICO DO CONSUMO X PLANTIO DE ÁRVORES P/ MADEIRA Fonte: Ferreira (2000) 3.3.3.6.3 O uso de lenha e o desmatamento O desmatamento contribui de modo significativo para as emissões de gases do efeito estufa em alguns países e principalmente no Brasil. As emissões provenientes do desmatamento e queima das florestas da Amazônia correspondem a mais do dobro das emissões resultantes do uso de combustíveis fósseis. O Brasil é o 17º país em emissões de carbono provenientes da queima de combustíveis fósseis. Quando as emissões de carbono resultantes da variação da cobertura florestas são adicionadas, o Brasil passa a ser o 7º maior emissor. (GOLDEMBERG, VILLANUEVA, 2003, p. 94). Rosa et al (2001) afirma que a questão do desmatamento também é um motivo de discussões sobre sua contribuição para o efeito estufa. Segundo o autor, estudos mostram que o Brasil ocupa o primeiro lugar, com 20% em termos de emissão de CO2, relativos ao desmatamento de suas florestas resultando em 103 pressões políticas para que o Brasil venha e se comprometer com as metas do Protocolo de Kioto. Castro (2004) afirma que além da perda de biodiversidade, a derrubada das florestas (principalmente árvores novas em crescimento) leva a uma perda da reservas de carbono seqüestrado, sobretudo nas plantas e árvores vivas, liberado em forma de CO2, através da decomposição das árvores derrubadas não aproveitadas ou das queimadas. O Brasil produz entre 4% a 5% das emissões globais de gases de efeito estufa, sendo dois terços desse número proveniente do setor florestal. Caso fosse feito um esforço de diminuição do ritmo dos desmatamentos, o país poderia dar importante contribuição na redução das emissões globais desses gases. O uso da lenha não é a principal causa do desmatamento e da conseqüente desertificação nos países em desenvolvimento. A informação obtida por meio de estudos específicos indica que a coleta de lenha é responsável por apenas, aproximadamente, 30% da desertificação da China com exemplo. (GOLDEMBERG, VILLANUEVA, 2003). A causa mais importante do corte de árvores e do conseqüente desaparecimento das florestas, levando a degradação da terra e à desertificação é a necessidade de tornar acessível uma maior quantidade de terra para a agricultura e pastagens, seguida por outros usos das árvores, incluindo o consumo comercial de lenha pelos usuários urbanos e industrias como a de cerâmica vermelha, cal e siderurgia. (GOLDEMBERG, VILLANUEVA, 2003). O desmatamento e a desertificação são causados por uma combinação da intensa exploração humana e da fragilidade ecológica da fonte (terra ou floresta). Para Goldemberg e Villanueva (2003, p. 123), as causas do desmatamento e da desertificação podem ser resumidas em: - aumento populacional; - substituição de cultivos (estima-se que isso explica 45% da perda de floresta tropical de 1976 e 1980); - estratégia de desenvolvimento nacional que priorizam excessivamente a produção de colheitas e de carne para exportação; - problemas políticos (principalmente na África) que impedem a migração sazonal dos criadores de gado pelas fronteiras provinciais e nacionais; 104 - esquemas frustrados para promover a relocação de populações (reforma agrária), porque as condições do solo e outras eram inapropriadas (a principal causa do desmatamento na Amazônia brasileira). A produção de carvão vegetal também pode causar a degradação de vastas áreas de florestas, como ocorreu no Estado de Minas Gerais, que produz carvão vegetal para a indústria do aço (GOLDEMBERG, VILLANUEVA, 2003). Além da desertificação, o desmatamento contribui significativamente para o aquecimento global pela emissão de CO2 como afirma o mesmo autor. 3.3.4 Emissão dos Gases do Efeito Estufa no Transporte Os problemas ambientais em grande parte estão relacionados diretamente com a obtenção de energia: poluição do ar (urbana e em ambientes fechados), chuva ácida e aquecimento pelo efeito estufa que se origina na queima de combustível fósseis (ou da biomassa) seja para cozinhar, nos processos industriais, na geração de eletricidade ou no transporte. O transporte de petróleo causa a degradação costeira e marinha e o desmatamento leva não apenas a emissões de CO2, mas também à degradação da Terra e à desertificação. (GOLDEMBERG, VILLANUEVA, 2003, p. 101). Um dos problemas ambientais de maior relevância é o crescimento das emissões de CO2 provenientes do setor de transportes. Essas emissões cresceram de 19,3% para 22,7% na década de 1990, e as previsões são que sua participação deverá se expandir nas próximas duas décadas a 26% do total das emissões. (GOLDEMBERG, VILLANUEVA, 2003). Para Costa et al (2005), a emissão de gases tóxicos por veículos automotores é a maior fonte de poluição atmosférica, nas cidades, esses veículos são responsáveis por 40% da poluição do ar. Em 1999, o setor de transporte era a fonte de, aproximadamente, 24% das emissões globais de gás carbônico relacionados a fontes de energia (IEA20 2001, apud GOLDEMBERG, VILLANUEVA, 2003), isso representa um aumento total de 1,17 milhão de toneladas de gás carbônico e um aumento de 2,4% desde 1990. Mundialmente, projeta-se que emissões de gás carbônico no setor de transporte crescerão à taxa de 2,5% a cada ano até 2020. O crescimento da taxa de 20 Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo. 105 emissões de carbono no setor de transporte nos países em desenvolvimento e em economias em transição foi projetada para ser até mais alto, 4% por ano e 3,3% por ano, respectivamente. (IEA, apud GOLDEMBERG, VILLANUEVA, 2003). Além das emissões de gases, os sistemas de transporte podem afetar desfavoravelmente o meio ambiente de outras formas, tais como desfigurando a paisagem e gerando poluição sonora. No entanto, o impacto mais sério é a sua grande contribuição à poluição atmosférica. Como resultado da combustão interna nos motores, os veículos automotores geram durante o seu funcionamento diferentes gases poluidores, sendo os mais representativos CO2, NOx, CO, HC, benzeno e o chumbo. Assim podemos atribuir ao transporte (GOLDEMBERG, VILLANUEVA, 2003, p.117): - Mais de 70% das emissões mundiais de monóxido de carbono (CO). - Mais de 40% das emissões mundiais de óxidos de nitrogênio (NOx). - Quase 50% dos hidrocarbonetos totais (HCs). - Em torno de 80% de todas as emissões de benzeno. - Pelo menos 50% das emissões atmosféricas de chumbo. Ainda segundo Goldemberg e Villanueva (2003, p. 117), os impactos das emissões dos automóveis e caminhões podem ser: - impactos locais principalmente em grandes cidades (ex.: Cidade do México, Bangcoc, Los Angeles, etc.). Durante o período de pico de tráfego a poluição do ar pode atingir proporções de crise e afetar seriamente a população local. O problema é agravado algumas vezes por uma combinação de condições topográficas e meteorológicas locais que aprisionam os poluentes ao solo por longos períodos de tempo. - impactos regionais devido, principalmente, à chuva ácida que é causada pelas emissões de óxido de nitrogênio. - Impactos globais causados devido principalmente as frotas de veículos motorizados que são responsáveis atualmente por entre 14% e 16% das emissões mundiais de CO2. 106 Como já informado o CO2 é emitido em grande escala pelo setor de transporte através da queima de combustíveis fósseis como a gasolina e o óleo diesel21. Para Ribeiro e Mattos (2005) a queima de combustíveis fósseis em todo o mundo é a principal causa das emissões de CO2. Para Moura (1999), em Portugal os transportes são responsáveis por 30% das emissões nacionais daquele país. Apesar das grandes emissões, o transporte rodoviário é de extrema importância para a construção civil. Com exceção de água e energia elétrica todos os insumos necessários para a execução de uma obra são transportados por via rodoviária. 3.3.4.1 Metodologia para o cálculo de emissões de CO2 no transporte Segundo Alvares e Linke (1999), uma vez que não existem fatores de emissão levantados localmente, a estimativa das emissões de gases do efeito estufa da frota diesel de ônibus, microônibus e caminhões em circulação no Brasil deve ser feita preferencialmente a partir dos fatores de emissão de CO2 para veículos europeus pesados com autonomia/consumo assumido de 3,3 km/l ou 29,9 l/100km, conforme apresentados pelo IPCC (1996) uma vez que a tecnologia de motorização utilizada no Brasil se assemelha mais à dos veículos que circulam na Europa do que a dos veículos americanos. - Fator de emissão de CO2 para pesados a diesel: 770 g/km; - Fator de emissão de CO2 para pesados a diesel: 3140 g/kg de combustível; - Fator de emissão de CO2 para pesados a diesel: 74 g/MJ. Para fins de conversão dos fatores de emissão acima em base de volume de combustível consumido, a densidade do diesel comercial no Brasil está na faixa de 0,82 a 0,88 kg/l. A menos que exista informação precisa sobre a densidade média 21 O combustível diesel é uma mistura de hidrocarbonetos de moléculas mais pesadas do que as dos hidrocarbonetos da gasolina e, em conseqüência, de menor razão de massas hidrogênio/carbono, o que determina elevada emissão de compostos de carbono por unidade de Energia Final entregue ao motor. (Parâmetros de Emissão de Gases de Efeito Estufa por Veículos Pesados no Brasil, 2001). 107 do lotes de diesel consumidos, sugere-se a adoção do valor central da faixa, a saber, 0,85 kg/l. (ALVARES e LINKE, 1999). Cybis e Santos (2000) em seus estudos consideraram para todos os transportes rodoviários um consumo médio de diesel igual a 3,0 km/l. Para Ribeiro e Mattos (2005), as emissões de CO2 também podem ser calculadas de acordo com a metodologia do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas) apresentada nas Diretrizes para Inventários Nacionais de Gases de Efeito Estufa de 1996 e oficialmente adotada pelo governo brasileiro para a elaboração do inventário nacional de gases de efeito estufa. (RIBEIRO e MATTOS, 2005). A quantidade de carbono é calculada levando-se em conta o consumo de combustível em unidade de energia e o fator de emissão: QCO2 = CC x FE QCO2: quantidade de carbono (tC) CC: consumo de combustível (TJ) FE: Fator de emissão (tC/TJ) Para um melhor entendimento referente a quantidade de CO2 lançados devido ao transporte em cidades brasileiras, na TABELA 20 são apresentadas emissões do uso de combustíveis fósseis para a cidade do Rio de Janeiro. TABELA 20 – EMISSÕES DE CO2 POR DESTINAÇÃO DE TRANSPORTE DE 1990 a 1998 NA CIDADE DO RIO DE JANEIRO. Percentual que representa do mercado de CO2 (ano de 1998 na Cidade do Rio de Janeiro). Transporte Individual 32,0% Transporte coletivo e de cargas 28,6% Geração de Energia 16,5% Industrial 12,6% Residencial + comercial + serviços 9,5% Refinaria da Marquinhos 0,7% Outros <0,1% Fonte: Ribeiro e Mattos (2005) 108 Na TABELA 20 pode-se observar que o transporte coletivo e de cargas emitem, aproximadamente 28,6% e a indústria, 12,6%. Esses valores somados representam mais de 40% das emissões totais de CO2 na cidade do Rio de Janeiro. Na TABELA 21, são apresentados valores estudados por Ferreira (2001) sobre projeção de emissões de CO2 por ano. TABELA 21 - PROJEÇÃO DE EMISSÕES DE CO2 REFERENTE AOS COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS (Gg/ano) 2000 2005 2010 2015 2020 GÁS NATURAL 324 377 604 830 1.037 TOTAL PRIMAR 324 377 604 830 1.037 ÓLEO DIESEL 72.996 83.675 96.182 111.968 137.137 ÓLEO COMBUSTÍVEL 2.292 2.787 3.821 4.357 4.800 GASOLINA 48.032 58.132 69.629 83.143 105.564 QUEROSENE 8.876 10.151 12.067 14.638 18.434 0 0 0 0 0 ÁLCOOL ETÍLICO* 13.285 11.921 13.150 14.707 18.006 TOTAL SECUNDÁRIA 145.481 166.666 194.850 228.812 283.941 Total Sem Biomassa 132.520 155.123 182.303 214.936 266.971 TOTAL 145.805 167.044 195.453 229.643 284.978 ELETRICIDADE (*) Valores não contabilizáveis por se tratar de combustível renovável (biomassa) Fonte: Ferreira (2001) Na TABELA 21 pode-se ter uma estimativa para projeção das emissões de CO2 até o ano de 2020. Observa-se que o óleo diesel, combustível mais utilizado nos caminhões que transportam cargas, aumentarão entre os anos de 2000 até 2020 em, aproximadamente 87,89%. Na FIGURA 13 são apresentados fotos de barras de aço sendo transportadas na região de Curitiba. Como exemplo, o aço utilizado nas obras da COHAPAR são distribuídos para o Estado do Paraná via transporte rodoviário. 109 FIGURA 13 – FOTOS DO TRANSPORTE DE BARRAS DE AÇO Fonte: Autor 3.3.4.2 Adição de álcool ao diesel De particular interesse para o Brasil, é a adição de álcool ao diesel que poderia atuar como substituto de derivados de petróleo para o sistema de suprimento de combustível automotivo. O Ministério de Ciência e Tecnologia coordena o Programa Álcool-Diesel que considera duas modalidades de adição: álcool hidratado em emulsão (emulsificante importado) e álcool anidro em solução. O álcool anidro em solução apresenta os melhores resultados com co-solvente derivado do óleo de soja, produzido no Brasil. A versão emulsificada foi abandonada principalmente pela ocorrência de carbonização na bomba injetora. Ensaios realizados no Instituto de Pesquisas Tecnológicas – IPT, mostraram que para a mistura com 10% de álcool anidro há redução significativa de cerca de 20% de fumaça (índice Bosch), de 12% em CO e 6-7 % em HC hidrocarbonetos. (Parâmetros de Emissão de Gases de Efeito Estufa por Veículos Pesados no Brasil, 2001). Além dos gases de efeito estufa, o motor Diesel emite material particulado que consiste em partículas de carbono e hidrocarbonetos. A massa de particulados emitida por um motor típico é da ordem de 0,1% da massa de CO2 . Assim, como a legislação não exige a análise do material particulado e como a proporção é pequena, consideramos esse material como incorporado ao CO2 para os fins de 110 balanço. (Parâmetros de Emissão de Gases de Efeito Estufa por Veículos Pesados no Brasil, 2001). A importância dos combustíveis a partir da biomassa para o abatimento do carbono lançado na atmosfera como CO2, CO e CH4 é reconhecida pelas nações que participam das reuniões internacionais relativas ao clima. Propostas de modalidades de incentivo ao uso da biomassa nos países em desenvolvimento, com compensações a cargo dos países industrializados, têm sido apresentadas, mas ainda não se chegou a consenso sobre a questão, apesar do reconhecimento geral do agravamento do efeito estufa. Os combustíveis fósseis tem sido muito utilizados, principalmente a partir da queda do preço do petróleo em meados da década de 80. Isto vem favorecendo o transporte internacional de mercadorias e contribuiu fortemente para o aumento da emissão dos gases de efeito estufa em todos os setores da atividade produtiva, tanto pela emissão por veículos de transporte quanto pelo consumo de combustíveis fósseis na indústria (FERREIRA, 2001). Atualmente, apesar dos combustíveis fósseis terem um valor elevado, a dependência da economia desse modelo de transporte fez com que o consumo não sofresse grandes alterações. 3.4 REFERÊNCIAS PESQUISADAS PARA CÁLCULO DE EMISSÕES DE GASES DOS EFEITO ESTUFA Foram realizadas revisões na literatura com o objetivo de se obter valores referenciais para o cálculo das emissões de gases do efeito estufa provenientes dos processos de produção dos principais materiais de construção. Chegou-se aos seguinte autores pesquisadores: - Cybis e Santos (2000). - Cruz et al (2003). - IDD – Institut Wallon – VITO (2001). - Isaia e Gastaldini (2004) 111 3.4.1 Emissões de Gases do Efeito Estufa Calculadas Segundo Cybis e Santos (2000) Nos estudos desenvolvidos por Cybis e Santos (2000), a fabricação de tijolos responde pelo maior consumo de energia, bem como pela maior emissão atmosférica de poluentes e pela maior quantidade de resíduos sólidos. Na TABELA 22 são apresentados os valores referenciais dos estudos desenvolvidos por Cybis e Santos (2000). TABELA 22 – EMISSÕES DE GASES DO EFEITO ESTUFA POR METRO QUADRADO DE ALVENARIA SEGUNDO CYBIS E SANTOS (2000) FABRICAÇÃO EXTRAÇÃO FABRICAÇÃO TRANSPORTE TOTAL DE CIMENTO DE AREIA DE TIJOLOS RODOVIÁRIO Energia ENERGIA GJ 0,10885 0,00234 0,24348 0,01857 0,37324 Emissões para o ar CO2 kg CO 9,3874 0,1750 136,4360 1,3922 147,3906 kg 0,0024 1,1933 0,0199 1,2156 HIDROCARBO kg NETOS 0,0004 1,3922 0,0032 1,3958 NOx kg 0,0597 0,0020 0,3978 0,0135 0,4730 SOx kg 0,0251 0,0008 0,0621 0,0064 0,0943 kg MATERIAL PARTICULADO 0,0159 0,0004 0,3978 0,0012 0,4153 Fonte: Cybis e Santos (2000) Segundo Cybis e Santos (2000) a emissão dos gases acima referidos contribui para a formação de seis principais impactos ambientais. Destes, o NOx interage juntamente com o SOx para a formação da chuva ácida; o CO, NOx e SOx contribuem para a toxicidade ao ser humano; o NOx atua também no aumento dos níveis de nutrientes; as grandes quantidades de CO2 produzido são responsáveis 112 pelo efeito estufa; os hidrocarbonetos atuam para a formação do ozônio a baixas altitudes e as diversas fontes energéticas utilizadas causam a depleção energética. 3.4.2 Emissões de Gases do Efeito Estufa Calculados Segundo Cruz et al (2003) Nos estudos de Cruz et al (2003) as emissões de gases do efeito estufa foram calculadas considerando a área total da edificação em projeção, chegando-se aos valores apresentados na TABELA 23. TABELA 23 – ESTIMATIVA DE EMISSÕES DE CO2 POR METRO QUADRADO DE CONSTRUÇÃO SEGUNDO CRUZ ET AL (2003) MATERIAIS EMISSÕES DE CO2. tCO2/m² Tijolo cerâmico 0,029 Cimento 0,059 Agregados 0,019 Aço 0,004 Telha 0,016 Fonte: Cruz et al (2003). 3.4.3 Emissões de Gases do Efeito Estufa Calculados Segundo o IDD – Institut Wallon – VITO (2001) O IDD – Institut Wallon – VITO (2001), que estuda as emissões na construção de casas na Bélgica, considera as emissões por tonelada de produto produzido, conforme pode-se observar na TABELA 24. 113 TABELA 24 – VALORES REFERENCIAIS DE EMISSÕES DE CO2 POR PRODUTO NA INDÚSTRIA DE CONSTRUÇÃO CIVIL DA BÉLGICA MATERIAIS EMISSÃO DE CO2 t/t Aço 1,7 Cimento 1,07 Tijolo 0,16 Fonte: O IDD- Institut Wallon – VITO (2001) Nos estudos desenvolvidos pelo IDD são apresentados relações entre a área construída e as emissões de CO2 que correspondem a 235 kg de CO2/m² de construção (FIGURA 14). FIGURA 14 - EMISSÕES TOTAIS DE CO2 POR ÁREA CONSTRUÍDA Fonte: IDD – Institut Wallon – VITO (2001) Nos estudos desenvolvidos pelo IDD (2001), foram estimadas emissões entre 0,02 a 0,07 t CO2 por tonelada transportada de materiais de construção. 114 3.4.4 Emissões de Gases do Efeito Estufa Calculados Segundo Isaia e Gastaldini (2004). A TABELA 25 apresenta os valores estudados por Isaia e Gastaldini (2004) e refere-se ao consumo de energia (MJ/t) e emissões de CO2 (kg/t). A distância de transporte dos materiais foi arbitrada para cidade de porte médio, para simular uma obra realizada em centro urbano. Todos os valores de energia e emissão de CO2 incluem frete na distância indicada, ida e volta. TABELA 25 – VALORES REFERENCIAIS DE EMISSÕES DE CO2 POR PRODUTO NA INDÚSTRIA DE CONSTRUÇÃO CIVIL SEGUNDO ISAIA E GASTALDINI (2004) MATERIAIS TRANSPORTE (km) CONSUMO ENERGIA – MJ/t DE EMISSÃO DE CO2 – kg/t Cimento 200 5780 1090 + 574 Areia 60 90 3 Brita 60 140 4 Fonte: Isaia e Gastaldini (2004) Ainda segundo Isaia e Gastaldini (2004), para o cimento, o consumo médio de energia é a média para fornos via seca e úmida, a emissão média de CO2 é proveniente do calcário, do combustível e da eletricidade quando produzidas por termoelétricas. Para a areia e a brita foram considerados somente os consumos de energia de extração tendo sido arbitrado o valor de 0,1 kg de CO2/h para a extração de ambas. 115 3.5 CONCLUSÃO DO CAPÍTULO A busca pela mais adequada tecnologia para a utilização dos recursos naturais, principalmente às não renováveis, deve ser constante. As Tecnologias Apropriadas podem e devem ser voltadas para as soluções dos problemas locais, a interferência muitas vezes pode ser distinta para problemas similares, contudo o resultado final deve ser o melhor para a conservação da vida. A economia ambiental pode ser obtida com a utilização adequada dos recursos naturais e da tecnologia devem estar disponível como ferramenta de auxílio sem qualquer restrição. A Indústria da Construção Civil é de extrema importância, principalmente em países em desenvolvimento como o Brasil que necessita muitas edificações (casas, rodovias, escolas, etc.). Contudo, a utilização por parte dessa Indústria de novas tecnologias e novos materiais ainda é tímida diante de um modelo mais tradicionalista de construir. Materiais como o cimento, cal, aço, tijolo, PVC, areia e brita são largamente utilizados no Brasil e sem substitutos em muitos casos. Os impactos dos processos da fabricação desses materiais, principalmente no que se refere as emissões de gases, são relegados em segundo plano. O desmatamento contribui para a desertificação e também aumenta as concentrações dos gases causadores do efeito estufa. Este aumento está relacionado a utilização de madeira como combustível nos fornos de siderúrgicas, olarias, indústrias cimenteiras e outras. O desmatamento, diante das necessidades econômicas de mais áreas para a agricultura e pastagens, acaba sendo mais importante que suas conseqüências para os sistemas vivos. O transporte, num modelo de economia onde quase tudo é transportado através de rodovias, principalmente as cargas industriais, também agride o meio ambiente e contribui para o agravamento do aquecimento global. 116 4 METODOLOGIA DE PESQUISA Neste capítulo são apresentados os procedimentos metodológicos para a realização dessa pesquisa 4.1 CARACTERÍSTICAS DA PESQUISA Segundo Gil (1999) a pesquisa pode ser definida como o processo formal e sistemático de desenvolvimento do método científico com o objetivo fundamental de descobrir respostas para problemas mediante o emprego de procedimentos científicos. Nesse sentido, esta pesquisa utiliza-se da abordagem qualitativa já que é a mais adequada para atingir seu objetivo sendo o estudo exploratório e descritivo. Esta pesquisa também é exploratória, já que o problema é pouco conhecido e as hipóteses ainda não foram claramente definidas, e uma pesquisa teórica, já que tem por objetivo ampliar generalizações, definir conceitos mais amplos, estruturar sistemas e modelos teóricos, relacionar e reunir hipóteses, numa visão mais unitária dos sistemas, além de gerar novas hipóteses por força de dedução lógica. (RUIZ, 2002). Esta pesquisa utiliza literatura já elaborada, constituída principalmente de livros e artigos científicos. 4.2 MÉTODO DE PESQUISA No presente trabalho, utilizou-se o método de Estudo de Caso. Segundo Gil (1999, p. 72) o estudo de caso é caracterizado pelo estudo profundo e exaustivo de um ou de poucos objetivos, de maneira a permitir o seu conhecimento amplo e detalhado, tarefa praticamente impossível mediante outros tipos de delineamentos considerados. O estudo de caso escolhido para desenvolvimento dessa pesquisa foi analisar as construções de casas populares desenvolvido pela Companhia de Habitação do 117 Paraná – COHAPAR. O setor de construção civil de casas com fins sociais desenvolvido no Estado do Paraná tem um modelo particular e limitado onde às casas são desenvolvidas em vários locais do Estado utilizando um mesmo projeto arquitetônico. Essas casas são “replicadas” várias vezes o que possibilita generalizar as emissões para todas as casas construídas, ou seja, a emissão de gases do efeito estufa que ocorre em uma casa podem ser considerada iguais a emissão que ocorrem em uma mesma casa construída em outro local. 4.3 COLETA DE DADOS Na coleta de dados para o estudo de caso, foram utilizados: - informações documentais da unidade analisada; - pesquisa juntos aos responsáveis técnicos da COHAPAR As informações documentais foram obtidas junto A COHAPAR e referem-se: - informações sobre a COHAPAR, suas características e atuação; - informações sobre os projetos mais desenvolvidos; - informações sobre as características da casa mais desenvolvida; - informações sobre os locais/Municípios onde são desenvolvidos as obras; - produção histórica da COHAPAR; - déficit habitacional segundo cadastro da COHAPAR; A pesquisa realizada junto aos Técnicos responsáveis pelas obras nos vários municípios teve o caráter de uma simples coleta de dados onde foi perguntada ao responsável regional da COHAPAR a distância percorrida para o transporte de materiais de construção (cal, cimento, PVC, areia, brita, tijolos e telhas, aço) desde seu local de produção até o local da obra. 118 4.4 A ANÁLISE DA PESQUISA A análise foi feita através da utilização dos dados referencias obtidos dos autores pesquisados, onde foram calculadas as emissões utilizando o modelo de casa mais executado pela COHAPAR. Foram comparados os valores encontrados com outros setores da economia, feitas generalizações sobre a produção atual de futura de casas conforme déficit habitacional do Estado do Paraná. Também são apresentados uma relação das emissões por produto conforme são comercializados no Brasil e uma fórmula que auxilia na quantificação das emissões de CO2 conforme a quantidade de materiais de construção e a distância da obra. 119 5 ESTUDO DE CASO: O MODELO DE CONSTRUÇÃO PÚBLICA DE INTERESSE SOCIAL MAIS DESENVOLVIDO NO ESTADO DO PARANA E A EMISSÃO DE GASES DO EFEITO ESTUFA 5.1 A COMPANHIA DE HABITAÇÃO DO PARANÁ A Companhia de Habitação do Paraná – COHAPAR é a empresa Estatal paranaense responsável pela maior parte de construção pública de habitação com interesse social no Estado do Paraná. A COHAPAR tem sua sede na cidade de Curitiba – PR e conta com 13 escritórios regionais nas principais cidades paranaenses. A COHAPAR atua na construção de habitação, principalmente para famílias mais carentes e constrói, desde casas unifamiliares até edifícios multifamiliares. 5.1.1 Missão da Companhia da Habitação do Paraná - COHAPAR Atuar de forma ampla no âmbito da habitação 5.1.2 Metas da Empresa: - Equacionar e resolver o déficit habitacional do Estado, prioritariamente à população de baixa renda, contudo buscando soluções para toda a sociedade; - Buscar a auto-sustentação, como empresa, gerando suas receitas para cobrir o custo operacional, e o lucro, para reinvestimento no setor; - Manter atendimento as moradias já entregues, definindo e coordenando todas as atividades necessárias para manter o nível de moradia adequado ao mutuário e sua integração à cidade. 120 5.1.3 O Déficit Habitacional no Estado do Paraná A Companhia da Habitação do Paraná - COHAPAR tem construído diversos empreendimentos em mais de 40 anos de existência. No Anexo A são apresentadas as produções anuais de habitação da COHAPAR deste a sua criação. O déficit habitacional, apesar da produção apresentada no Anexo A, ainda é muito grande com, aproximadamente, 177 mil famílias sem moradia segundo a COHAPAR (2005), TABELA 26. Este número considera apenas as famílias interessadas em adquirir uma moradia e que estão inscritas no cadastro da referida Empresa, contudo há famílias que não fazem parte desse cadastro e que têm a necessidade de uma casa. TABELA 26 - NÚMERO DE FAMÍLIAS SEM HABITAÇÃO NO ESTADO DO PARANÁ POR FAIXA DE RENDA MÉDIA RENDA FAMILIAR Nº DE FAMÍLIAS PERCENTUAL (%) até 1 s.m. com lote 1.141 0,64 até 1 s.m. sem lote 25.906 14,58 1,01 a 2,00 s.m. com lote 1.641 0,92 1,01 a 2,00 s.m. sem lote 57.649 32,44 2,01 a 3,00 s.m. com lote 1.503 0,85 2,01 a 3,00 s.m. sem lote 38.823 21,85 3,01 a 5,00 s.m. com lote 1.680 0,95 3,01 a 5,00 s.m. sem lote 32.851 18,49 5,01 a 10,00 s.m. com lote 1.204 0,68 5,01 a 10,00 s.m. sem lote 13.534 7,62 Acima de 10 s.m. com lote 237 0,13 Acima de 10 s.m. sem lote 1.548 0,85 177.717 100,00 TOTAL Fonte: Companhia da Habitação do Paraná (2005) Observações: a) s.m. = salário mínimo. b) Com lote = a família possui lote urbano necessitando financiar/construir a casa. Sem lote = a família necessita da casa juntamente com o lote. 121 Atualmente a estatal paranaense esta construindo diversos empreendimentos em vários locais, conforme apresentado no Anexo C. Na TABELA 27 são apresentadas de forma resumida, as quantidades totais de empreendimentos e unidades em construção. TABELA 27 – QUANTIDADES TOTAIS DE EMPREENDIMENTOS E UNIDADES EM OBRAS DA COHAPAR Nº EMPREENDIMENTOS EM OBRA Nº DE UNIDADES EM OBRA 281 7503 Fonte: Companhia da Habitação do Paraná (2005) Número de unidades habitacionais em obra em 08/08/2005 Para um melhor gerenciamento dos empreendimentos em obras, a COHAPAR possui 13 Escritórios Regionais e cada município do Estado do Paraná pertence a um Escritório Regional. Na FIGURA 15 é apresentada a divisão dos Escritórios Regionais e seus respectivos municípios. 122 FIGURA 15 - ESCRITÓRIOS REGIONAIS DA COMPANHIA DA HABITAÇÃO DO PARANÁ Fonte: Companhia de Habitação do Paraná (2005) 5.2 AS UNIDADES HABITACIONAIS CONSTRUÍDAS PELA ESTATAL PARANAENSE A COHAPAR tem construído diversas unidades habitacionais (casas) de diversos tamanhos e formas. Atualmente a unidade habitacional mais construída pela estatal no Estado do Paraná, com aproximadamente 70% de todas as construções, é a casa Padrão 40 com 40m² de área construída. Na TABELA 28 são 123 apresentadas as principais características arquitetônicas dessa casa e na TABELA 29 são apresentadas as quantidades dos principais materiais de construção. TABELA 28 – DADOS SOBRE A CASA PADRÃO MAIS UTILIZADA PELA COHAPAR NO ESTADO DO PARANÁ CASA POPULAR PADRÃO ÁREA DE PROJEÇÃO = 40m² ÁREA DE PAREDE 83m² NÚMERO DE QUARTOS 2 BANHEIRO 1 Fonte: Companhia de Habitação do Paraná (2005) TABELA 29 – QUANTIDADE DOS PRINCIPAIS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO DA CASA PADRÃO 40 DESCRIÇÃO UNIDADE QUANTIDADE UNITÁRIA/CASA CIMENTO saca (50kg) 55 CAL saca (20kg) 45 TIJOLO und 4.200 TELHA und 1.150 AÇO/FERRO kg 135 AREIA m³ 13,5 BRITA m³ 7,0 ESQUADRIA und 10 PCV und * Fonte: Companhia de Habitação do Paraná (2005) Obs: no Anexo B estão relacionado todos os materiais necessários para construção da Casa Padrão 40 Na FIGURA 16 pode-se observar o projeto arquitetônico básico da casa com 40m² que é a mais executada no Estado. 124 FIGURA 16 – PROJETO ARQUITETÔNICO DA CASA PADRÃO 40m² 125 Fonte: Companhia da Habitação do Paraná (2005). A TABELA 30 apresenta as fases e etapas do desenvolvimento de um empreendimento Habitacional (conjunto de casas). Via de regra, os empreendimentos habitacionais seguem as fases da TABELA 30. TABELA 30 – FASES E ETAPAS DA CONSTRUÇÃO DE UM EMPREENDIMENTO HABITACIONAL FASES ETAPAS Identificação da demanda Planejamento Seleção da área Projeto Terraplanagem Construção Edificação e demais obras Bota-fora Paisagismo Ocupação Uso (manutenção) Ampliação Fonte: Freitas et al, apud Florim e Quelhas (2002). 126 Na FIGURA 17 estão representadas fotos de todas as fases de execução de uma casa desenvolvida pela Companhia da Habitação do Paraná, desde sua fundação, alvenaria de elevação, cobertura, acabamentos e as casa acabadas. FIGURA 17 – FOTOS DAS ETAPAS DE CONSTRUÇÃO DA CASA DE 40 m² Fonte: Autor 5.3 DISTÂNCIAS PERCORRIDAS PARA O TRANSPORTE DOS PRINCIPAIS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO UTILIZADOS NOS EMPREENDIMENTOS POPULARES DESENVOLVIDOS PELA COHAPAR NO ESTADO DO PARANÁ As obras realizadas pela COHAPAR são desenvolvidas em vários locais no Estado, conforme já informado e indicado no Anexo C. Para se obter as distâncias 127 percorridas para a distribuição dos materiais de construção, foi elaborado coleta de dados através de pesquisa com os técnicos executores dos empreendimentos no interior do Estado/Escritórios Regionais e os dados obtidos estão indicados na TABELA 31. As distâncias obtidas nas entrevistas com os técnicos da COHAPAR dizem respeito às distâncias de transporte somente no Estado do Paraná. Há materiais de construção utilizados nas obras da COHAPAR, que são fabricados em outros Estados como o PVC e as barras de aço. Essas distâncias do local de sua fabricação (quando feito em outros Estados) até Curitiba (local de onde são distribuídos esses materiais) não são consideradas nesse estudo devido, principalmente, a diversidade de local de fabricação, diversidade de obras e a dificuldade em rastear esses locais. Há outros materiais que são transportados através de transporte rodoviário como a madeira de cobertura, materiais elétricos e de pintura, contudo, esta pesquisa não faz a análise das emissões resultante desses transportes. 128 TABELA 31 – DISTÂNCIAS MÉDIAS PERCORRIDAS PARA O TRANSPORTE DE MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO (indústria/Curitiba até o local da obra da COHAPAR) DISTÂNCIAS MÉDIAS PERCORRIDAS PARA O TRANSPORTE DOS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO (INDÚSTRIA/CURITIBA X OBRA) (km) ESCRITÓRIOS AREIA BRITA CAL CIMENTO AÇO PVC (ELÉTRICO / HIDRÁULICO) TIJOLOS E TELHAS Escr. Reg. De Cornélio Procópio 50 60 300 250 150 150 90 Escr. Reg. De Cascavel Escr. Reg. De Apucarana Escr. Reg. De Maringá Escr. Reg. De Londrina Escr. Reg. De Umuavama Esc. Reg. de União da Vitória Esc. Reg. De Paranavaí Escr. Reg. De Francisco Beltrão Esc. Reg. De Guarapuava Esc. Reg. de Ponta Grossa Esc. Reg. de Campo Mourão Esc. Reg. Curitiba 170 50 500 500 500 500 165 50 20 20 20 20 20 100 20 600 600 600 600 20 20 80 350 280 280 280 80 100 20 600 600 120 150 20 500 500 500 500 20 100 20 250 250 250 250 20 20 20 120 120 120 120 20 20 40 20 40 100 100 100 150 40 Valor adotado (km) 20 20 250 250 250 250 25 10 Fonte: Pesquisa junto aos Engenheiros dos Escritórios Regionais da COHAPAR Observações: 1. Os campos em branco da tabela acima devem-se à falta de resposta ou desconhecimento do responsável pelo Escritório Regional. 2. O “valor adotado (km)” refere-se ao valor mais comum das distâncias percorridas para o transporte dos materiais de construção nas obras da Companhia da Habitação do Paraná. Na FIGURA 18 está representado do Estado do Paraná, os Escritórios Regionais da COHAPAR e desenhos representando, esquematicamente, de onde partem os materiais de construção para execução das obras da COHAPAR. 129 FIGURA 18 - MAPA DO PARANA COM ESQUEMA DE TRANSPORTE DE MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO Fonte: Companhia de Habitação do Paraná (2005) 130 5.4 EMISSÕES DE GASES DO EFEITO ESTUFA NO MODELO DE HABITAÇÃO PÚBLICA DE INTERESSE SOCIAL MAIS CONSTRUÍDO NO ESTADO DO PARANÁ 5.4.1 Emissões de Gases do Efeito Estufa no Processo de Produção de Materiais de Construção Utilizados na Construção Pública de Casas de Interesse Social no Estado do Paraná Nessa pesquisa, foram calculadas as emissões de gases do efeito estufa, baseados nos estudos desenvolvidos por: - CYBIS e SANTOS (2000) – TABELA 33, - CRUZ et al (2003) – TABELA 34, - IDD INSTITUT WALLON VITO (2001) – TABELA 35, - ISAIA e GASTALDINI (2004) – TABELA 36. Na TABELA 32 são apresentados os valores unitários por casa para a emissão de CO2 no processo de fabricação do cal. Apesar de haver consumo de combustível (madeira/lenha) no processo de transformação do calcário em cal, esse trabalho não referencia essa quantidade de energia e suas emissões atmosféricas. TABELA 32 – QUANTIDADE DE EMISSÕES DEVIDO AO PROCESSO DE TRANSFORMAÇÃO DO CALCÁRIO EM CAL UTILIZADO NA EXECUÇÃO PÚBLICA DE CASAS DE INTERESSE SOCIAL NO ESTADO DO PARANÁ. 1 kg de cal 56% DO VOLUME DE CALCÁRIO 1 kg de CO2 44% DO VOLUME DE CALCÁRIO SENDO ASSIM PARA 1 kg DE CAL EMITE-SE 0,786 kg DE CO2 PARA EXECUÇÃO DE UMA CASA UTILÍZA-SE 900 kg DE CAL Fonte: Autor 707,14 kg de CO2 131 Na TABELA 33 são apresentados valores sobre as emissões dos principais gases do efeito estufa na execução de paredes de alvenaria de cerâmica segundo estudos e referências de Cybis e Santos (2000). A pesquisa desses autores é bem detalhada e considera todo o processo de fabricação, contudo só refere-se a execução das paredes. Apesar das paredes representarem o maior volume de uma construção, não são o único elemento construtivo que utilizam materiais com emissões de gases causadores do efeito estufa. Cybis e Santos (2000) apresentam valores não só para o CO2, mas para os demais gases causadores do efeito estufa. Esses demais gases não foram consideramos nesse estudo, principalmente devido ao fato de que não se tem referências desses gases nos demais pesquisadores apresentados. TABELA 33 - QUANTIDADES UNITÁRIAS DE EMISSÕES DE CO2 PRODUZIDAS NA FABRICAÇÃO E EXTRAÇÃO DOS PRINCIPAIS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO UTILIZADOS NA EXECUÇÃO PÚBLICA DE CASAS DE INTERESSE SOCIAL, SEGUNDO VALORES DE REFERÊNCIA DE CYBIS E SANTOS (2000) CONSUMO CO2 (kg) CO (kg) / CASA CIMENTO 2750 (kg) 779,1542 CAL 900 (kg) 707,14 AÇO 135 (kg) TIJOLOS/ Hidrocarbonetos (kg) NOx (kg) 4,9551 SOx (kg) mat. Particulado (kg) 2,0833 1,3197 3,30174 5,1543 33,0174 5350 (und) 11324,52 99,0439 115,5526 13,5 (m³) 14,525 0,1992 0,0332 0,166 0,0664 0,0332 1,6517 0,2656 1,1205 0,5312 0,0996 100,89 115,85 9,54 7,84 34,47 TELHAS EXTRAÇÃO DE AREIA TRANSPORTE TOTAIS CASA POR 12.825,34 Fonte: Autor Obs: os campos em branco devem-se a falta de referência sobre essas emissões de gases ou devido não haver a emissão desses respectivos gases. 132 No cálculo das emissões segundo Cruz et al (2003), chegou-se aos resultados apresentados na TABELA 34. Esses autores calculam as emissões de CO2 por área de construção que pode levar a valores incorretos conforme o estudo que esteja sendo feito. Contudo, são valores que podem ser utilizados nessa pesquisa, principalmente por serem valores similares aos apresentados por outros pesquisadores. TABELA 34 – QUANTIDADES UNITÁRIAS DE EMISSÕES DE CO2 PRODUZIDAS NA FABRICAÇÃO E EXTRAÇÃO DOS PRINCIPAIS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO UTILIZADOS NA EXECUÇÃO PÚBLICA DE CASAS DE INTERESSE SOCIAL, SEGUNDO VALORES DE REFERÊNCIA DE CRUZ ET AL (2003) CONSUMO / CASA CO2 (kg) CIMENTO 2750 (kg) 2360 CAL 900 (kg) 707,14 AÇO 135 (kg) 160 5350 (und) 1800 13,5 (m³) 760 TIJOLOS/TELHAS EXTRAÇÃO DE AREIA TOTAIS POR CASA 5787,14 Fonte: Autor Na TABELA 35 são apresentados valores calculados através das pesquisas do IDD – Institut Wallon – VITO (2001) para a indústria de materiais de construção da Bélgica. Os estudos desse Instituto foram feitos para casas com mais de 200 metros quadrados de área, onde as emissões provenientes dos materiais de construção são calculadas por tonelada produzida. 133 TABELA 35 – QUANTIDADES UNITÁRIAS DE EMISSÕES DE CO2 PRODUZIDAS NA FABRICAÇÃO E EXTRAÇÃO DOS PRINCIPAIS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO UTILIZADOS NA EXECUÇÃO PÚBLICA DE CASAS DE INTERESSE SOCIAL, SEGUNDO VALORES DE REFERÊNCIA DE IDD – INSTITUT WALON – VITO (2001) CONSUMO / CASA CO2(kg) CIMENTO 2750 (kg) 2942,5 CAL 900 (kg) 707,14 AÇO 135 (kg) 229,5 5350 (und) 2140 TIJOLOS/TELHAS EXTRAÇÃO DE AREIA 13,5 (m³) TOTAIS POR CASA 6019,14 RELAÇÃO PELA AREA* 9400 Fonte: Autor Na TABELA 36 são apresentados os valores pesquisados por Isaia e Gastaldini (2004) que calculam os valores para o cimento, areia e brita e são valores que podem ser considerados como referencial em nosso estudo. TABELA 36 – QUANTIDADES UNITÁRIAS DE EMISSÕES DE CO2 PRODUZIDAS NA FABRICAÇÃO E ESTRAÇÃO DOS PRINCIPAIS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO UTILIZADOS NA EXECUÇÃO PÚBLICA DE CASAS DE INTERESSE SOCIAL, SEGUNDO VALORES DE REFERÊNCIA DE ISAIA E GASTALDINI (2004) CONSUMO / CASA CO2 (kg) CIMENTO 2750 (kg) 4576 CAL 900 (kg) 707,14 AÇO 135 (kg) TIJOLOS/TELHAS EXTRAÇÃO DE AREIA TOTAIS POR CASA Fonte: Autor 5350 (und) 13,5 (m³) 141,75 5424,89 134 Na TABELA 37 estão apresentados todos os valores calculados pelos autores pesquisados. Se compararmos os valores pesquisados por Cybis e Santos (2000) e os valores apresentados por IDD – Institut Wallon - VITO (2001) se observa, inicialmente, que os valores brasileiros são superiores aos da Bélgica. Contudo, como em uma construção são muitos itens e materiais empregados, não podemos afirmar com certeza que a indústria brasileira de materiais de construção é mais poluidora que a indústria belga no que se refere a emissão de CO2. TABELA 37 – EMISSÕES TOTAIS DE CO2 POR CASA (segundo os valores referenciais dos autores pesquisados) CYBIS e SANTOS (2000) CIMENTO 779,1542 CAL 707,14 AÇO TIJOLOS/ 11324,52 TELHAS EXTRAÇÃO 14,525 DE AREIA TOTAIS 12.825,34 (kg) CRUZ et al (2003) 2360 707,14 160 1800 IDD – ISAIA e CO2 CO2 INSTITUT GASTALDINI (MÉDIA/CASA) (MÉDIA/m²) WALLON – (2004) VITO (2001) 2942,5 707,14 229,5 2140 760 5787,14 6019,14 4576 707,14 2664,41 707,14 194,75 5088,17 66,61 17,68 4,87 127,20 141,75 305,43 7,64 5424,89 8959,90 224,00 Fonte: Autor Obs.: os valores médios são calculados somente onde hajam valores referências de pesquisa e não pela média do número de autores. Analisando os valores unitários da TABELA 37, observa-se que para os valores calculados através de Cybis e Santos (2000), a fabricação dos tijolos e telhas emitem mais CO2 que na fabricação do cimento. Esta consideração é contrária aos demais autores pesquisados que apontam o cimento como o maior emissor de CO2. O valor total calculado através dos índices referencias de Cybis e Santos (12.825,34 kg de CO2) também são bem superiores aos apresentados e calculados através dos demais autores pesquisados. Cabe ressaltar que os valores referencias 135 estudados por Cybis e Santos (2000) são criteriosos assim como os valores dos demais pesquisadores, motivo pelo qual são utilizados e considerados nessa pesquisa. 5.4.2 Emissões de CO2 devido ao Transporte Rodoviário de Materiais de Construção para Execução Pública das Casas no Interior do Estado do Paraná Na TABELA 38, estão apresentados de forma resumida os valores calculados das emissões de CO2 para o transporte através dos autores pesquisados. TABELA 38 – QUANTIDADES UNITÁRIAS E TOTAIS DE EMISSÕES DE CO2 REFERENTES AO TRANSPORTE CONSTRUÇÃO UTILIZADOS NA DE MATERIAIS EXECUÇÃO DE DE CASAS PADRÃO DA COHAPAR, SEGUNDO VALORES DE REFERÊNCIA DE CYBIS E SANTOS (2000), IDD - INSTITUT WALLON VITO (2001) E IPCC EMISSÕES DE CO2 NO TRANSPORTE EMISSÕES DE CO2/TOTAL POR CASA EM CONSTRUÇÃO CYBIS e SANTOS (2000) IDD – INSTITUT WALLON - VITO (2001) IPCC 1,3920 kg de CO2 por metro quadrado de parede construída 0,1155 t 20 a 70 kg de CO2 por tonelada transportada(*) 0,770 kg de CO2 por km 0,045(**) x 54,77 = 2,464t Fonte: Autor * Considerando os seguintes materiais transportados: Materiais Areia Brita Cimento Cal Tijolo e telha Total/casa Fonte: Autor Tonelada por casa 20,25 17,5 2,75 0,9 13,375 54,775 0,870(***) t 136 ** *** Valor médio (20 para 70 kg dividido por 1000) Considerando os seguintes materiais e distâncias (TABELA 31): Materiais Distância km (ida/volta) Areia Brita Cimento Cal Tijolo e telha Total/casa 40 40 500 500 50 1130 Qtidade. CO2 (IPCC) 30,8 30,8 385 385 38,5 870,1 Fonte: Autor Os valores apresentados na TABELA 38 para as emissões devido ao transporte de materiais de construção por casa, para Cybis e Santos (2000) são de 0,1155 t de CO2 enquanto que para o IDD - Institut Wallon – VITO (2001) aproximadamente 2,464 t e para o ICPP de 0,870 t. Os valores de Cybis e Santos referem-se ao transporte de materiais somente para construção das paredes, enquanto que os valores do IDD – Institut Wallon – VITO são calculados por tonelada transportada. Para o ICPP os valores são calculados por quilômetro rodado para veículo pesado. Os materiais Aço e PVC, utilizados nas obras desenvolvidas pela COHAPAR, não foram considerados nesse estudo para o cálculo das emissões referente ao transporte. Esses materiais foram desconsiderados por não serem fabricados no Estado do Paraná e assim, para cálculo das distâncias reais, seria necessário conhecer todos os locais e distâncias desde seu local de fabricação até a obra. Considerando que Cybis e Santos (2000) calculam os valores de emissões para o transporte apenas para os materiais para execução das paredes de uma casa, esses valores forem desconsiderados para a composição do valor médio das emissões referente ao transporte para execução dos empreendimentos da COHAPAR no Estado do Paraná. Utilizando os valores obtidos através de valores referenciais do IDD (2001) e do IPCC, chega-se a um valor médio de 1,667 t de CO2 emitido por casa construída. 137 Como os valores apresentam muita diferença é prematuro fazer uma análise dos resultados. Contudo, observa-se inicialmente, que o transporte na indústria Belga polui mais a atmosfera no que se refere à emissão de CO2 do que o transporte no Brasil, talvez, um dos motivos seria a adição de álcool no diesel. O Ministério de Ciência e Tecnologia coordenou o Programa Álcool-Diesel (principal combustível utilizado no Brasil para o transporte rodoviário comercial) onde pesquisas22 mostraram que para a mistura com 10% de álcool anidro há uma redução significativa de cerca de 20% de fumaça (índice Bosch) já citado nessa pesquisa, conseqüente a redução dos gases do efeito estufa segundo estudos apresentados nos Parâmetros de Emissão de Gases de Efeito Estufa por Veículos pesados no Brasil (2001). A adição de álcool ao diesel pode contribuir de modo positivo para a redução das emissões, mas as péssimas condições dos veículos e das rodovias brasileiras contribuem desfavoravelmente para o aumento das emissões dos gases causadores do efeito estufa, contudo, são necessários mais estudos para uma análise mais precisa. 5.5 ANÁLISES E CONSIDERAÇÕES SOBRE OS RESULTADOS Na FIGURA 19 estão apresentados os valores totais e médio para as emissões de CO2, seja no processo de fabricação dos principais materiais de construção somados aos valores e emissões do transporte dos mesmos até o local da obra. 22 Ver item 3.3.4.2 - Adição de álcool ao diesel 138 FIGURA 19 - EMISSÕES TOTAIS DE CO2 POR CASA (MATERIAIS + TRANSPORTE) EMISSÕES TOTAIS DE CO2 POR CASA (materiais + transporte) VALORES EM t DE CO2 CYBIS E SANTOS 16,000 14,000 12,000 10,000 8,000 6,000 4,000 2,000 0,000 14,492 CRUZ ET AL 7,454 7,686 7,091 9,181 IDD - INSTITUT WALON ISAIA E GASTALDINI VALOR MÉDIO 1 PESQUISADORES Fonte: Autor O valor médio de 9,181 toneladas de CO2 lançadas na atmosfera por casa de interesse social construída pela COHAPAR no Estado do Paraná que eqüivale a 229 kg CO2/m², deve ser entendido com algumas ressalvas. Inicialmente neste valor não estão inclusos todos os materiais de construção utilizados para a execução de uma casa com 40m² (modelo mais utilizado pela COHAPAR) e também o transporte de todos os materiais de construção utilizados em uma casa não estão considerados. Outro fator que deve ser considerado é que a produção dos materiais de construção não é homogênea, exceto para o cimento. Como exemplo uma olaria pode gastar mais energia do que a outra para fazer um produto similar. Também no transporte de um determinado material pode-se emitir mais ou menos CO2 dependendo da rodovia, do caminhão, do motorista etc. Contudo, em todos os resultados apresentados, procura-se demonstrar que está havendo emissões de CO2. 139 5.5.1 Relação Entre os Materiais Mais Utilizados na Execução Pública de Casas com Interesse Social e a Emissão de CO2 Na TABELA 39 são apresentados de forma resumida, as emissões de CO2 dos principais materiais de construção pesquisados. Abaixo da tabela é apresentado uma fórmula para o cálculo de emissões por casa, considerando também a distância de transporte. Esta fórmula pode ser útil na elaboração de um projeto para se quantificar as emissões de CO2 dos principais materiais necessários para execução dessa casa. TABELA 39 – EMISSÕES POR PRODUTO (PADRÃO COMERCIAL DE COMPRA) EMISSÃO DE CO2 POR SACA DE CIMENTO (50 kg): 48,44kg EMISSÃO DE CO2 POR SACA DE CAL (20kg) 15,71kg EMISSÃO DE CO2 POR kg DE AÇO 1,45kg EMISSÃO DE CO2 POR TIJOLO (unidade) 0,95kg EMISSÃO DE CO2 POR m³ DE ÁREIA 22,62kg Fonte: autor Fórmula para cálculo das emissões de CO2 por casa: EMISSÃO TOTAL DE CO2/CASA (kg) = (CIMENTO (nº de sacas) X 48,44) + (CAL (número de sacas) X 15,71) + (AÇO (kg) X 1,45) + (TIJOLOS (número) X 0,95) + (AREIA (volume em m³) X 22,62) + (NÚMERO DE VIAGENS23 X DISTÂNCIA DA OBRA (ida+volta em km) X 0,770) Fonte: autor Obs: 23 Cimento = CPII 32 Cal = cal virgem Tijolo = 6 furos (9 x 14 x 19 cm) Areia = média natural de rio Transporte – caminhão pesado movido a diesel Número de viagens para transportar todos os materiais necessários para execução de uma casa 140 5.5.2 Cálculo da Quantidade Total de CO2 que está Sendo Emitido e que Poderá ser Emitido na Construção Pública da Habitação de Interesse Social no Estado do Paraná Baseados no número de unidades atualmente em construção, que estão relacionados no Anexo C, e nos valores médios apresentados na FIGURA 19, chegamos à quantidade total aproximada de emissões de CO2, conforme apresentado na TABELA 40. TABELA 40 – EMISSÕES TOTAIS APROXIMADAS DE CO2 NA EXECUÇÃO PÚBLICA DE CASAS DE INTERESSE SOCIAL EM CONSTRUÇÃO NO ESTADO DO PARANÁ EMISSÕES DE CO2 POR CASA 9,181 t (média) NÚMERO DE UNIDADES EM OBRA 7503 EMISSÕES TOTAIS DE CO2 68.885,03 t Fonte: Autor Na TABELA 41 são apresentadas as prováveis quantidades que seriam emitidas de CO2 se forem construídos todas as unidades habitacionais necessárias para zerar o déficit habitacional no Estado do Paraná. Estes números são baseados no cadastro de déficit habitacional apresentado na TABELA 26 e na quantidade de emissões por unidade construída, FIGURA 19. 141 TABELA 41 – PROVÁVEIS EMISSÕES TOTAIS APROXIMADAS DE CO2 NAS CASAS DE INTERESSE SOCIAL NECESSÁRIAS PARA ZERAR DO DÉFICIT HABITACIONAL NO ESTADO DO PARANÁ EMISSÕES DE CO2 POR CASA 9,181 t (média) NÚMERO DE UNIDADES NECESSÁRIAS 177.717 EMISSÕES TOTAIS DE CO2 1.631.620,00 t Fonte: Autor O valor de 1.631.620 t de CO2, representa um valor aproximado que poderia ser lançado na atmosfera para construção de casas com 40 m². Contudo a intenção desse estudo não é apresentar um número definitivo para as emissões de gases causadores do efeito estufa, principalmente o CO2, na fabricação e no transporte de materiais de construção. Conforme se pode ver na TABELA 40, na construção atual de todas as casas de interesse social no Estado do Paraná tem-se uma emissão de CO2 de, aproximadamente 68.885,03 toneladas. Este número representa, na opinião do pesquisador, a quantidade mínima de CO2 lançada na atmosfera já que não considera todos os processos de fabricação de materiais de construção e todos os transportes realizados para distribuição dos materiais no Estado do Paraná, o que torna necessário uma reflexão sobre esse modelo de construção e transporte. Para um resultado mais apurado, seriam necessária a comprovação das emissões apresentadas. O valor de 68.885,03 t de CO2 (TABELA 40) pode ser comparado aos demais setores da economia brasileira através da TABELA 42, adaptada do MCT (2003). Como exemplo, pode-se observar que o valor emitido na construção pública de interesse social no Estado do Paraná é 335% superior ao emitido no setor agropecuário no ano de 2002. 142 TABELA 42 EMISSÕES DE CO2 POR SETOR (Gg/ano) 1995 2000 2002 SETOR ENERGÉTICO 12,6 15,9 17,1 RESIDENCIAL 15,9 17,0 17,1 COMERCIAL 1,6 2,1 2,2 PÚBLICO 2,1 2,1 2,6 AGROPECUÁRIO 13,4 14,1 15,8 TRANSPORTES (TOTAL) 103,2 125,1 131,1 INDUSTRIAL (TOTAL) 78,3 95,5 96,1 Fonte: MCT (2003) Obs: sem CO2 da biomassa O valor médio de 229 kg CO2/ m² emitido no processo de produção e transporte dos principais produtos (ver FIGURA 19) utilizados na construção pública de habitação de interesse social desenvolvido no Estado do Paraná é bem próximo dos valores apresentados pelo IDD – Institut Walon – VITO (2001) que é de 235 kg de CO2 (FIGURA 14). Pode-se concluir então que, num primeiro momento, a indústria brasileira de materiais de construção emite tanto quanto a indústria da Bélgica. 143 6 RECOMENDAÇÕES E CONCLUSÕES Uma das características fortes da indústria do futuro estará na “Produção Mais Limpa”. Esta produção propõe o uso de conceitos que aumentem a eficiência e previnam a poluição na fonte, reduzindo ou evitando riscos para a população humana, em especial, e o ambiente em geral. Ambas propõem que o sistema de produção industrial adote o estudo do produto e processo do berço-à-cova, com o emprego de técnicas de avaliação do ciclo-de-vida. Assim, poderão ser introduzidos melhoramentos ambientais expressivos. O setor de materiais de construção da indústria da construção civil está longe do que seria uma indústria com Produção Mais Limpa já que emite uma grande quantidade de gases. Esta pesquisa chegou a conclusão que o modelo mais utilizado na construção pública de habitação social no Estado do Paraná e desenvolvido pela COHAPAR, contribui para a emissão dos gases causadores do efeito estufa, principalmente o CO2, gás mais referenciado nessa pesquisa. Na construção de uma casa com 40m² emite-se, aproximadamente, 9,181 toneladas de CO2, equivalente a 229 kg CO2/ m², isto quer dizer que estavam sendo emitidos, aproximadamente, 68.885,03 toneladas de gás carbônico se somarmos todas as construções que estavam em execução durante a coleta de dados para essa pesquisa. É necessário utilizar tecnologias adequadas para uma Produção Mais Limpa para o setor da indústria de materiais de construção. A pergunta é: existe tecnologia disponível para inovar com processos de produção e produtos que agridam menos o meio ambiente? Se não existe, ou se são muito caras, é preciso criar mecanismos para o desenvolvimento de pesquisas neste setor onde as universidades teriam seu papel. Nos processos de produção de materiais de construção são emitidos poluentes aéreos como foi demonstrado nesta pesquisa. Esses poluentes aéreos geram impactos como o efeito estufa, a destruição da camada de ozônio e a chuva ácida. Essas poluentes estão relacionados às emissões nos transportes, fontes de energia que utilizam combustíveis fósseis e à liberação de gases durante o processo produtivo desses materiais. A redução de emissões passa, portanto, pelo uso de Tecnologias Apropriadas, ou seja: 144 • redução das distâncias a serem percorridas no transporte, através do uso e consumo de insumos gerados localmente; • uso de fontes de energia não poluentes, ou cuja emissão seja controlada; • alteração dos processos produtivos e escolha de produtos que minimizem tais impactos; • mudança nos projetos de habitação popular com estudos aprofundados sobre as questões acústicas, térmicas, análise do ciclo-de-vida e a utilização de materiais ecológicos e locais com análise do ciclo de vida. A resposta da indústria à poluição e à deterioração dos recursos não tem sido nem deve ser limitada ao cumprimento das regulamentações. A reação da indústria deve comportar um amplo senso de responsabilidade social e garantir a conscientização das questões ambientais em todos os níveis. A captura e a remoção de CO2 na própria fonte, antes de ele ser lançado na atmosfera, é uma grande opção técnica a ser considerada quando a principal preocupação é o efeito estufa. Os custos com a implantação de Tecnologias Apropriadas como esta, serão mínimos, diante dos benefícios de tornar esse setor mais ambientalmente correto. Esta captura propicia uma menor quantidade de emissões atmosféricas que, em curto prazo, podem ser benéficas, contudo, a grande mudança deve ser no sistema de produção dos materiais utilizados atualmente. O meio ambiente não deve ser visto apenas como uma “oportunidade econômica” e atrelado ao retorno de investimentos. As questões ambientais devem ser contabilizadas nos custos de produção e a sociedade não pode ter receio de mudar seus sistemas produtivos e prol da vida. Com isto o controle das emissões de gases do efeito estufa não devem ficar atrelados apenas a remuneração através de mecanismos como o de Desenvolvimento Limpo previsto no Protocolo de Kioto. A busca por novas tecnologias de Produção Mais Limpa deve ser uma constante, independente dos lucros com crédito de carbono ou de iniciativas atrelados ao retorno de investimentos. Melhorar o sistema de logística para a distribuição de materiais também é uma opção que deve ser levado em conta para minimizar as quantidades de 145 emissões provenientes do transporte de materiais de construção. A utilização de centros de distribuição em determinados locais estratégicos no Estado do Paraná pode diminuir as distâncias de transporte e proporcionar uma racionalização dessa importante ferramenta. A indústria de cimento é um grande contribuinte das emissões globais CO2. O CO2 emitido no seu processo de produção do cimento não pode ser freado? O cimento é um dos materiais mais utilizados no planeta, mas ele pode ser substituído ou pelo menos ter seu consumo reduzido? A resposta para esta pergunta é afirmativa, o cimento pode ser substituído ou ter seu consumo reduzido com a utilização de materiais menos agressores ao meio ambiente como a utilização de solo-cimento para a execução de paredes onde o cimento é utilizado em quantidades reduzidas e acrescido à argila utilizando Tecnologias Apropriadas. Muitos dos autores pesquisados afirmaram que a principal causa dos problemas de aquecimento através do efeito estufa é o uso de combustíveis fósseis. Apesar de indústria de materiais da construção civil não ser o principal ator quanto à responsabilidade pelas emissões, isso não justifica a inércia desse setor diante de questões como o aquecimento global. O problema não deve ser analisado de forma pontual cartesiana, mas com um enfoque global. A forma utilizada para a análise do problema dessa pesquisa foi cartesiana para se chegar aos números de quantidades emissões, contudo, a interpretação dos resultados que envolvem o aquecimento global, a contribuição da Indústria da Construção Civil e as prováveis soluções para este problema devem ser feitas de modo amplo - holístico, não atrelado à pré-conceitos ou paradigmas tradicionais. A indústria da construção civil, no modelo apresentado e utilizado no Estado do Paraná na construção pública de interesse social, não tem usado Tecnologias Apropriadas. As indústrias de cimento, cal, cerâmica vermelha, aço e brita/areia são agressoras do meio ambiente e, apesar do entendimento de muitos setores da sociedade sobre os malefícios que esses setores provocam a vida do planeta, pouco se faz ou se discute o assunto. Os modelos apresentados onde são percorridos mais de 600 Km de distância para transportar o cimento como exemplo, também é uma forma pouco sustentável e contrária ao que seria uma Tecnologia Apropriada. Hoje, o pensamento sistêmico é mais necessário do que nunca diante da complexidade existente. Hoje, talvez, pela primeira vez na história, a humanidade 146 tenha a capacidade de criar mais informações do que o homem pode absorver, de gerar uma interdependência muito maior do que o homem pode administrar e de acelerar as mudanças com uma velocidade muito maior do que o homem pode acompanhar. Certamente a escala de complexidade é sem precedentes. Tudo à nossa volta é exemplo de “colapsos sistêmicos” – problemas como o aquecimento global, a diminuição da camada de ozônio, o tráfico internacional de drogas e o déficit comercial e orçamentário – problemas que não possuem uma simples causa local. Somos forçados a tomar decisões e, de modo geral, sempre se procura simplificar e dividir os problemas como se as coisas pudessem ser resolvidas separadamente. Os problemas que envolvem a indústria da construção civil no Brasil não são simples, essa indústria tem ramificações em muitos outros setores e envolve muitos interesses, contudo, a busca por propiciar uma indústria menos agressora e que atue na conservação ambiental deve ser uma constante. Como afirma Lipietz (1991, p. 80): Que ninguém me acuse de afirmar que qualquer progresso é hoje impossível, que a “maravilha do universo” atingiu um muro, um obstáculo intransponível à extensão de seu gênero criativo. Pelo contrário. O desafio que o homem se propõem hoje é assumir o destino do planeta todo, em vez de construir seu futuro como espécie, sobre o saque do resto do universo. Hoje a humanidade é chamada a um progresso “em profundidade”: a um acréscimo de organização, de reflexão, de humanização da natureza. 6.1 LIMITAÇÕES DO ESTUDO O estudo ficou limitado nos seguintes pontos: - Necessidade de comprovação dos valores obtidos das emissões de CO2 por casa construída; - Rastear todas as distâncias percorridas para o transporte dos materiais de construção utilizados nas casas da COHAPAR; - Incluir no estudo, todos os materiais de construção utilizados nas obras da COHAPAR e suas respectivas emissões dos gases causadores do efeito estufa, se houver; - Não falar do ciclo de vida da habitação; 147 - Calcular as emissões dos gases causadores do efeito estufa provenientes da utilização e manutenção das casas; - 6.2 A falta de mais referências bibliográficas para validar os valores obtidos. PESQUISAS FUTURAS A questão primordial para novos estudos está em se confirmar e validar os valores e quantidades obtidas nessa pesquisa, com isto é possível um aprofundamento das informações podendo propor ações específicas que propiciem ganhos ambientais como: - Substituição dos materiais utilizados por outros, como exemplo por solocimento, bambu, telhas ecológicas de fibras vegetais, cimento ecológico e outros; - Mudança nos projetos e concepções utilizadas atualmente; - Interferências nos sistemas de distribuição dos materiais; - Definição de quais seriam as tecnologias mais apropriadas para a construção de habitação de interesse social no Paraná. - Aprimoração da equação para cálculos das quantidades de CO2 lançados na atmosfera. 148 REFERÊNCIAS ABC - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CERÂMICA. 2005. Cerâmica do Brasil. Disponível em: <http://www.abceram.org.br/asp/abc_283.asp> Acesso em 18 fev. 2005. ABIKO, A.K. Tecnologias apropriadas em construção civil. 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Go. - 3/4" - bruto registro de pressão - Fo. Go. -3/4" - bruto reservatório de fibro-cimento, com tampa - 500 litros tampo de pia, em mármore sintético - (110 x 53) cm tanque de concreto, sem esfregador - 30 litros torneira de bóia - PVC - 3/4" torneira metálica - cromada - 1/2" - (para lavatório) torneira metálica - cromada - 3/4" - longa - (parede) ACESSÓRIOS GERAIS: caixa estampada - 4" x 2" condutor de cobre - 1,5 mm2 - 750 V condutor de cobre - 10,0 mm2 - 750 V condutor de cobre - 2,5 mm2 - 750 V condutor de cobre - 6,0 mm2 - 750 V conector em barra, com parafusos imperdíveis, para fio 10 mm2 curva - PVC - 90º - 3/4" disjuntor termomagnético - quick leg - 15A monopolar disjuntor termomagnético - quick leg - 20A monopolar disjuntor termomagnético - quick leg - 40A monopolar eletroduto de PVC rígido - roscável - anti-chama 3/4" espelho com furo central - 4" x 2" fita isolante - 3/4 " interruptor de 1 T.S - 4" x 2" interruptor de 1 T.S., conjugado com tomada - 4" x 2" interruptor de 2 T.S - 4" x 2" un un un 1,0 1,0 1,0 un un 1,0 1,0 un un un un un un un un un un un un un un un un un un 1,0 1,0 1,0 1,0 2,0 1,0 1,0 1,0 1,0 6,0 1,0 1,0 1,0 1,0 1,0 1,0 1,0 2,0 un m m m m un 15,0 90,0 35,0 90,0 10,0 2,0 un un 2,0 1,0 un 1,0 un 1,0 m 12,0 un m un un un 1,0 40,0 4,0 1,0 2,0 169 17 18 19 20 21 22 isolador roldana - PVC - (30 x 30), com prego luva - PVC - 3/4" mangueira preta - 1/2" quadro de luz para 4 disjuntores soquete de porcelana ou PVC, com parafuso tomada de corrente monofásica e espelho - 4" x 2" un un m un un un 45,0 7,0 25,0 1,0 8,0 7,0 C - RELAÇÃO DOS MUNICÍPIOS COM CASAS EM OBRAS E O NÚMERO DE UNIDADES EM CONSTRUÇÃO EM 08/08/2005. ESCRITÓRIO REGIONAL MUNICÍPIO NOME DO EMPREENDIMENTO Nº UDS APUCARANA APUCARANA - ERAP APUCARANA APUCARANA - ERAP APUCARANA APUCARANA - ERAP APUCARANA ARAPONGAS - ERAP APUCARANA ARAPONGAS - ERAP APUCARANA ARAPUÃ - ERAP MORADIAS PARQUE DAS CEREJEIRAS RESIDENCIAL CIDADE NOVA I MÓDULO 3 RESIDENCIAL- AFONSO ALVES CAMARGO III MORADIAS ALTO DA BOA VISTA MÓDULO 10 (R.T/L.C) RESIDENCIAL ARAPONGAS I SANTA EFIGÊNIA ARAPUÃ RURAL I APUCARANA ARIRANHA DO IVAÍ - ERAP ARIRANHA DO IVAÍ RURAL I 12 APUCARANA ARIRANHA DO IVAÍ - ERAP RESIDENCIAL ARIRANHA DO IVAÍ I 27 APUCARANA ARIRANHA DO IVAÍ - ERAP 4 14 213 20 9 73 213 14 APUCARANA ARIRANHA DO IVAÍ - ERAP RESIDENCIAL ARIRANHA DO IVAÍ I ALECRIM RESIDENCIAL ARIRANHA DO IVAÍ II APUCARANA BOM SUCESSO - ERAP RESIDENCIAL BOM SUCESSO II 20 APUCARANA BORRAZÓPOLIS - ERAP BORRAZÓPOLIS 29 APUCARANA GODOY MOREIRA - ERAP GODOY MOREIRA RURAL I 15 APUCARANA IVAIPORÃ - ERAP MORADIAS JACUTINGA 33 APUCARANA LIDIANÓPOLIS - ERAP RESIDENCIAL LIDIANÓPOLIS I 19 APUCARANA LUNARDELLI - ERAP LUNARDELLI RURAL I 13 APUCARANA MARILÂNDIA DO SUL - ERAP MARILÂNDIA DO SUL RURAL I 14 APUCARANA RIO BOM - ERAP RESIDENCIAL RIO BOM I 26 APUCARANA RIO BOM - ERAP 8 13 APUCARANA RIO BRANCO DO IVAÍ - ERAP RESIDENCIAL RIO BOM I - STO ANTONIO DO PALMITAL RIO BRANCO DO IVAÍ RURAL I APUCARANA ROSÁRIO DO IVAÍ - ERAP ROSÁRIO DO IVAÍ RURAL I 14 APUCARANA SÃO PEDRO DO IVAÍ - ERAP RESIDENCIAL SÃO PEDRO DO IVAÍ I 80 SÃO PEDRO DO IVAÍ RURAL I 23 9 892 ESCRITÓRIO REGIONAL MUNICÍPIO NOME DO EMPREENDIMENTO Nº UDS CAMPO MOURÃO BARBOSA FERRAZ - ERCM MORADIAS OURO PRETO 12 CAMPO MOURÃO BARBOSA FERRAZ - ERCM MORADIAS PERDIZES II 22 CAMPO MOURÃO RESIDENCIAL DOMINGOS MACHADO DE OLIVEIRA MARILUZ RURAL I 82 CAMPO MOURÃO ENGENHEIRO BELTRÃO ERCM MARILUZ - ERCM CAMPO MOURÃO NOVA CANTU - ERCM NOVA CANTU RURAL I 11 CAMPO MOURÃO PEABIRU - ERCM PEABIRU RURAL I 20 CAMPO MOURÃO RONCADOR - ERCM RESIDENCIAL RONCADOR I 65 CAMPO MOURÃO RONCADOR - ERCM RONCADOR RURAL I 51 5 170 8 581 ESCRITÓRIO REGIONAL MUNICÍPIO NOME DO EMPREENDIMENTO CASCAVEL ANAHY - ERCA C.E. JOSÉ BONIFÁCIO (CZ) 1 CASCAVEL ANAHY - ERCA RESIDENCIAL ANAHY II 16 CASCAVEL ASSIS CHATEAUBRIAND - ERCA C.E. SEN. TEOTONIO VILELA (CZ) 1 CASCAVEL CAFELÂNDIA - ERCA 1 CASCAVEL 21 CASCAVEL CAPITÃO LEÔNIDAS MARQUES RESIDENCIAL CAP. LEÔNIDAS - ERCA MARQUES I CASCAVEL - ERCA C.E. CARMELO PERRONE CASCAVEL CASCAVEL - ERCA C.E. JARDIM SANTA CRUZ (CZ) 1 CASCAVEL CASCAVEL - ERCA C.E. JARDIM SANTA FELICIDADE 1 CASCAVEL CASCAVEL - ERCA C.E. JOSÉ ÂNGELO B. ORSO 1 CASCAVEL CASCAVEL - ERCA C.E. MARCOS SCHUSTER (CZ) 1 CASCAVEL CASCAVEL - ERCA C.E. OLINDA T. DE CARVALHO (CZ) 1 CASCAVEL CASCAVEL - ERCA C.E. OLÍVIO FRACARO (CZ) 1 CASCAVEL CASCAVEL - ERCA C.E. VICTÓRIO E . ABROZINO 1 CASCAVEL CASCAVEL - ERCA E.E. SÃO JOÃO 1 CASCAVEL CATANDUVAS - ERCA C.E. JOÃO F. NEVES (CZ) 1 CASCAVEL CATANDUVAS - ERCA 1 CASCAVEL CATANDUVAS - ERCA C.E. PROFª MARIA L.V. ANDRADE(CZ) C.E. THOMAS P. DOS SANTOS (CZ) 1 CASCAVEL CATANDUVAS - ERCA CATANDUVAS RURAL I 23 53 C.E. ALBERTO SANTOS DUMONT Nº UDS 1 CASCAVEL CATANDUVAS - ERCA RESIDENCIAL CATANDUVAS I CASCAVEL CORBÉLIA - ERCA C.E. AMANCIO MORO (CZ) 1 CASCAVEL CORBÉLIA - ERCA RESIDENCIAL CORBÉLIA I 39 CASCAVEL DIAMANTE DO OESTE - ERCA TECOAHA AÑETETE /GUARANI 21 CASCAVEL DIAMANTE DO OESTE - ERCA TEKOHÁ-ANETETE / GUARANI 5 CASCAVEL DIAMANTE DO SUL - ERCA MPA 22 CASCAVEL FOZ DO IGUAÇU - ERCA C.E. ARNALDO BUSATO (CZ) 1 CASCAVEL FOZ DO IGUAÇU - ERCA C.E. DOM PEDRO II (CZ) 1 CASCAVEL FOZ DO IGUAÇU - ERCA C.E. JORGE SCHIMMELPFENG (CZ) 1 CASCAVEL FOZ DO IGUAÇU - ERCA 1 CASCAVEL FOZ DO IGUAÇU - ERCA C.E. JUSCELINO K. DE OLIVEIRA (CZ) C.E. PAULO FREIRE (CZ) CASCAVEL FOZ DO IGUAÇU - ERCA C.E. PROF. FLAVIO WARKEN (CZ) 1 CASCAVEL FOZ DO IGUAÇU - ERCA FOZ DO IGUAÇU 92 CASCAVEL GUARANIAÇU - ERCA GUARANIAÇU RURAL I 28 CASCAVEL LINDOESTE - ERCA LINDOESTE RURAL I 12 CASCAVEL C.E. FRENTINO SACKSER (CZ) 1 MORADIAS BRITÂNIA 26 MORADIAS PARQUE DOS CIPRESTES C.E. CASTRO ALVES (CZ) 125 CASCAVEL MARECHAL CÂNDIDO RONDON - ERCA MARECHAL CÂNDIDO RONDON - ERCA MARECHAL CÂNDIDO RONDON - ERCA MARIPÁ - ERCA CASCAVEL MATELÂNDIA - ERCA MATELÂNDIA 39 CASCAVEL MERCEDES - ERCA C.E. LEONILDA PAPEM (CZ) 1 CASCAVEL C.E. DE OURO VERDE (CZ) 1 CASCAVEL OURO VERDE DO OESTE ERCA PALOTINA - ERCA C.E. DOMINGOS F. ZARDO (CZ) 1 CASCAVEL QUATRO PONTES - ERCA C.E. QUATRO PONTES (CZ) 1 CASCAVEL SANTA TEREZINHA DE ITAIPU - C.E. CARLOS ZEWE COIMBRA(CZ) ERCA SANTA TEREZINHA DE ITAIPU - RESIDENCIAL SANTA TEREZINHA ERCA DE ITAIPU I CASCAVEL CASCAVEL CASCAVEL 1 1 1 119 171 ERCA DE ITAIPU I OCOÍ / GUARANI 10 OCOÍ / GUARANI 20 CASCAVEL SÃO MIGUEL DO IGUAÇU ERCA SÃO MIGUEL DO IGUAÇU ERCA TERRA ROXA - ERCA RESIDENCIAL TERRA ROXA I 15 CASCAVEL TERRA ROXA - ERCA RESIDENCIAL TERRA ROXA II 20 CASCAVEL TOLEDO - ERCA C.E. ANTONIO JOSÉ REIS (CZ) 1 CASCAVEL TOLEDO - ERCA C.E. JARDIM EUROPA (CZ) 1 CASCAVEL TOLEDO - ERCA C.E. JARDIM MARACANÃ (CZ) 1 CASCAVEL TOLEDO - ERCA C.E. SEN. ATTILIO FONTANA (CZ) 1 CASCAVEL TOLEDO - ERCA MORADIAS NOVO PANORAMA I 6 37 CASCAVEL CASCAVEL CASCAVEL TOLEDO - ERCA RESIDENCIAL UNIVERSITÁRIO CASCAVEL TOLEDO - ERCA TOLEDO - JACUTINGA CASCAVEL TRÊS BARRAS DO PARANÁ TRÊS BARRAS DO PARANÁ RURAL I ERCA VERA CRUZ DO OESTE - ERCA C.E. VITAL BRASIL (CZ) CASCAVEL 57 ESCRITÓRIO REGIONAL MUNICÍPIO NOME DO EMPREENDIMENTO 22 43 1 2.683 Nº UDS CORNÉLIO PROCÓPIO ANDIRÁ - ERCP C.E. BARBOSA FERRAZ (CZ) CORNÉLIO PROCÓPIO ANDIRÁ - ERCP RESIDENCIAL ANDIRÁ I 110 1 CORNÉLIO PROCÓPIO BANDEIRANTES - ERCP MORADIAS PARQUE DAS DÁLIAS 172 CORNÉLIO PROCÓPIO BANDEIRANTES - ERCP RESIDENCIAL BANDEIRANTES I 102 CORNÉLIO PROCÓPIO CAMBARÁ - ERCP CAMBARÁ RURAL I 27 CORNÉLIO PROCÓPIO CAMBARÁ - ERCP RESIDENCIAL CAMBARÁ I 182 CORNÉLIO PROCÓPIO CARLÓPOLIS - ERCP CARLÓPOLIS RURAL I 23 CORNÉLIO PROCÓPIO CARLÓPOLIS - ERCP RESIDENCIAL CARLÓPOLIS I 106 CORNÉLIO PROCÓPIO CORNÉLIO PROCÓPIO - ERCP 216 CORNÉLIO PROCÓPIO GUAPIRAMA - ERCP RESIDENCIAL PIONEIRO JOÃO ROCHA RESIDENCIAL GUAPIRAMA I CORNÉLIO PROCÓPIO IBAITI - ERCP RESIDENCIAL IBAITI II - CARVALHO 170 CORNÉLIO PROCÓPIO ITAMBARACÁ - ERCP RESIDENCIAL ITAMBARACÁ I 95 CORNÉLIO PROCÓPIO JACAREZINHO - ERCP C.E. ANESIO DE ª LEITE (CZ) 1 CORNÉLIO PROCÓPIO JACAREZINHO - ERCP C.E. LUIZ SETTI 1 CORNÉLIO PROCÓPIO JACAREZINHO - ERCP E.E. PADRE MAGNO (CZ) 1 CORNÉLIO PROCÓPIO 72 CORNÉLIO PROCÓPIO NOVA SANTA BÁRBARA - ERCP RESIDENCIAL NOVA SANTA BÁRBARA II RIBEIRÃO CLARO - ERCP C.E. SEBASTIÃO L. DA SILVA (CZ) CORNÉLIO PROCÓPIO RIBEIRÃO DO PINHAL - ERCP 18 RIBEIRÃO DO PINHAL RURAL I 70 1 CORNÉLIO PROCÓPIO SANTA AMÉLIA - ERCP LARANJINHA / GUARANI 25 CORNÉLIO PROCÓPIO SANTA CECÍLIA DO PAVÃO – ERCP SANTA CECÍLIA DO PAVÃO – ERCP SÃO JERÔNIMO DA SERRA – ERCP SÃO JERÔNIMO DA SERRA – ERCP SÃO JERÔNIMO DA SERRA – ERCP SÃO JERÔNIMO DA SERRA – ERCP SÃO JERÔNIMO DA SERRA – ERCP SÃO JERÔNIMO DA SERRA – ERCP RESIDENCIAL SANTA CECÍLIA DO PAVÃO I RESIDENCIAL SANTA CECÍLIA DO PAVÃO II BARÃO DE ANTONINA / KAINGANG 58 CORNÉLIO PROCÓPIO CORNÉLIO PROCÓPIO CORNÉLIO PROCÓPIO CORNÉLIO PROCÓPIO CORNÉLIO PROCÓPIO CORNÉLIO PROCÓPIO CORNÉLIO PROCÓPIO 13 20 RESERVA BARÃO DE ANTONINAALD. PEDRINHAS /KAIGANG RESIDENCIAL SÃO JERÔNIMO DA SERRA 4 RESIDENCIAL TERRA NOVA I 20 146 SÃO JERÔNIMO / GUARANI 10 SÃO JERÔNIMO / KAINGANG 10 16 172 CORNÉLIO PROCÓPIO CORNÉLIO PROCÓPIO SÃO JERÔNIMO DA SERRA – ERCP SERTANEJA - ERCP SÃO JERÔNIMO / KAINGANG 10/GUARANI 10 RESIDENCIAL SERTANEJA I 20 CORNÉLIO PROCÓPIO SIQUEIRA CAMPOS - ERCP CORNÉLIO PROCÓPIO TOMAZINA - ERCP E.E. MARIA APARECIDA C. SALCEDO (CZ) PINHALZINHO / GUARANI 10 31 1.905 63 1 ESCRITÓRIO REGIONAL MUNICÍPIO NOME DO EMPREENDIMENTO CURITIBA AGUDOS DO SUL - ERCT AGUDOS DO SUL RURAL I 7 CURITIBA E.E. ROSA F. JOHNSON (CZ) 1 CURITIBA ALMIRANTE TAMANDARÉ – ERCT COLOMBO - ERCT C.E. JARDIM MONZA (CZ) 1 CURITIBA COLOMBO - ERCT C.E. JULIA CAVASSIN (CZ) 1 CURITIBA CURITIBA - ERCT C.E. JOSÉ FRESSATTO (CZ) 1 CURITIBA CURITIBA - ERCT C.E. MILTON CARNEIRO (CZ) 1 CURITIBA CURITIBA - ERCT C.E. PROF. CLETO (CZ) 1 CURITIBA 221 CURITIBA FAZENDA RIO GRANDE - ERCT RESIDENCIAL FAZENDA RIO GRANDE I LAPA - ERCT C.E. JUVENAL B. DA SILVEIRA (CZ) CURITIBA MORRETES - ERCT MORRETES RURAL I 21 CURITIBA PARANAGUÁ - ERCT C.E. HELENA V. SUNDIN (CZ) 1 CURITIBA PIRAQUARA - ERCT C.E. VILA MACEDO (CZ) 1 CURITIBA QUATRO BARRAS - ERCT C.E. ANDRE ANDREATTA (CZ) 1 CURITIBA RIO NEGRO - ERCT RESIDENCIAL RIO NEGRO I 60 CURITIBA SÃO JOSÉ DOS PINHAIS - ERCT C.E. JUSCELINO .K. OLIVEIRA C.E. PROF. LINDAURA R. LUCAS 16 Nº UDS 1 1 1 728 ESCRITÓRIO REGIONAL MUNICÍPIO NOME DO EMPREENDIMENTO FRANCISCO BELTRÃO BARRACÃO - ERFB FRANCISCO BELTRÃO BARRACÃO - ERFB FRANCISCO BELTRÃO BOM JESUS DO SUL - ERFB C.E. DR. MARIO A.T. DE FREITAS (CZ) E.E. PROF. LEONOR CASTELLANO (CZ) C.E. BOM JESUS (CZ) Nº UDS FRANCISCO BELTRÃO BOM SUCESSO DO SUL - ERFB C.E. CASTELO BRANCO (CZ) 1 FRANCISCO BELTRÃO CAPANEMA - ERFB 46 FRANCISCO BELTRÃO CHOPINZINHO - ERFB MORADIAS PARQUE DOS JACARANDÁ ALDEIA PALM IGUAÇU /GUARANI FRANCISCO BELTRÃO CHOPINZINHO - ERFB CHOPINZINHO RURAL I 24 FRANCISCO BELTRÃO CHOPINZINHO - ERFB 3 FRANCISCO BELTRÃO CHOPINZINHO - ERFB FRANCISCO BELTRÃO CHOPINZINHO - ERFB FRANCISCO BELTRÃO CHOPINZINHO - ERFB FRANCISCO BELTRÃO CLEVELÂNDIA - ERFB RESERVA MANGUEIRINHA ALDEIA MATO BRANCO - KAINGA RESERVA MANGUEIRINHA ALDEIA PALM. DO IGUAÇU/GUARAN RESERVA MANGUEIRINHA ALDEIA PASSO LISO / KAIGANG RESERVA MANGUEIRINHA/PASSO LISO/KAIGANG C.E. CASTELO BRANCO (CZ) 1 FRANCISCO BELTRÃO CORONEL VIVIDA - ERFB C.E. ARNALDO BUSATO (CZ) 1 FRANCISCO BELTRÃO CORONEL VIVIDA - ERFB C.E. TANCREDO NEVES (CZ) 1 FRANCISCO BELTRÃO CORONEL VIVIDA - ERFB CORONEL VIVIDA RURAL I 44 FRANCISCO BELTRÃO CORONEL VIVIDA - ERFB RESERVA MANGUEIRINHA/KAIGANG 5 FRANCISCO BELTRÃO DOIS VIZINHOS - ERFB C.E. DOIS VIZINHOS (CZ) 1 FRANCISCO BELTRÃO ENÉAS MARQUES - ERFB C.E. CASTRO ALVES (CZ) 1 FRANCISCO BELTRÃO FLOR DA SERRA DO SUL ERFB C.E. BAR DO RIO BRANCO (CZ) 1 1 1 1 7 7 9 7 173 FRANCISCO BELTRÃO FLOR DA SERRA DO SUL RURAL I 24 RESIDENCIAL FLOR DA SERRA DO SUL I C.E. ARNALDO FAIVRO BUSATO(CZ) 27 FRANCISCO BELTRÃO FLOR DA SERRA DO SUL ERFB FLOR DA SERRA DO SUL ERFB FRANCISCO BELTRÃO - ERFB FRANCISCO BELTRÃO FRANCISCO BELTRÃO - ERFB C.E. DA CANGO (CZ) 1 FRANCISCO BELTRÃO FRANCISCO BELTRÃO - ERFB C.E. TANCREDO NEVES (CZ) 1 FRANCISCO BELTRÃO FRANCISCO BELTRÃO - ERFB 82 FRANCISCO BELTRÃO HONÓRIO SERPA - ERFB RESIDENCIAL FRANCISCO BELTRÃO I C.E. PROJETO RONDON (CZ) FRANCISCO BELTRÃO MANGUEIRINHA - ERFB ALDEIA ÁGUA SANTA/KAIGANG 2 FRANCISCO BELTRÃO MANGUEIRINHA - ERFB ALDEIA PAIOL QUEIMADO/KAIGANG 4 FRANCISCO BELTRÃO MANGUEIRINHA - ERFB RES.MANGUEIRINHA/SEDEKAIGANG 16 FRANCISCO BELTRÃO MANGUEIRINHA - ERFB 1 FRANCISCO BELTRÃO MANGUEIRINHA - ERFB FRANCISCO BELTRÃO MANGUEIRINHA - ERFB FRANCISCO BELTRÃO MARMELEIRO - ERFB RESERVA MANGUEIRINHA ALDEIA ÁGUA SANTA / KAINGANG RESERVA MANGUEIRINHA ALDEIA CAMPINAKAIGANG RESIDENCIAL MANGUEIRINHA I COVÓ C.E. TELMO OCTAVIO MULLER (CZ) FRANCISCO BELTRÃO FRANCISCO BELTRÃO NOVA PRATA DO IGUAÇU ERFB NOVA PRATA DO IGUAÇU ERFB PATO BRANCO - ERFB FRANCISCO BELTRÃO PATO BRANCO - ERFB FRANCISCO BELTRÃO FRANCISCO BELTRÃO FRANCISCO BELTRÃO 1 1 12 29 1 NOVA PRATA DO IGUAÇU RURAL I 17 RESIDENCIAL NOVA PRATA DO IGUAÇU I E.E CRISTO REI (CZ) 51 31 PATO BRANCO - ERFB MORADIAS PARQUE DAS QUARESMEIRAS RESIDENCIAL PATO BRANCO I 54 PÉROLA DO OESTE - ERFB PÉROLA DO OESTE RURAL I 13 FRANCISCO BELTRÃO PÉROLA DO OESTE - ERFB RESIDENCIAL PÉROLA DO OESTE I 47 FRANCISCO BELTRÃO PLANALTO - ERFB RESIDENCIAL PLANALTO I 40 FRANCISCO BELTRÃO PRANCHITA - ERFB PRANCHITA RURAL I 14 FRANCISCO BELTRÃO RENASCENÇA - ERFB C.E. RENASCENÇA (CZ) 1 FRANCISCO BELTRÃO SALGADO FILHO - ERFB C.E. PE. ANCHIETA (CZ) 1 FRANCISCO BELTRÃO 1 FRANCISCO BELTRÃO SALTO DO LONTRA - ERFB C.E. IRMÃ MARIA MARGARIDA (CZ) 1 FRANCISCO BELTRÃO SALTO DO LONTRA - ERFB E.E. BARRA DO LONTRA (CZ) 1 FRANCISCO BELTRÃO SÃO JOÃO - ERFB C.E. TANCREDO NEVES (CZ) FRANCISCO BELTRÃO SÃO JORGE DO OESTE - ERFB SÃO JORGE DO OESTE RURAL I 16 FRANCISCO BELTRÃO SAUDADE DO IGUAÇU - ERFB SAUDADE DO IGUAÇU RURAL I 10 FRANCISCO BELTRÃO SULINA - ERFB C.E. NESTOR DE CASTRO (CZ) 1 FRANCISCO BELTRÃO VERÊ - ERFB C.E. ARNALDO BUSATO (CZ) 1 FRANCISCO BELTRÃO VITORINO - ERFB RESIDENCIAL VITORINO I 35 52 1 2.678 ESCRITÓRIO REGIONAL MUNICÍPIO NOME DO EMPREENDIMENTO GUARAPUAVA CÂNDIDO DE ABREU - ERGP CÂNDIDO DE ABREU RURAL I 30 GUARAPUAVA CÂNDIDO DE ABREU - ERGP FAXINAL / KAIGANG 20 GUARAPUAVA CÂNDIDO DE ABREU - ERGP FAXINAL / KAINGANG 10 GUARAPUAVA CÂNDIDO DE ABREU - ERGP MORADIAS COSTA AZUL III 11 GUARAPUAVA CANTAGALO - ERGP MPA 40 GUARAPUAVA RESERVA RIO DAS COBRAS-ALD.DO PINHAL/GUARANI RESIDENCIAL ESPIGÃO ALTO DO IGUAÇU I MPA 5 GUARAPUAVA ESPIGÃO ALTO DO IGUAÇU ERGP ESPIGÃO ALTO DO IGUAÇU ERGP GOIOXIM - ERGP 14 GUARAPUAVA INÁCIO MARTINS - ERGP RIO DÁREIA / GUARANI 14 GUARAPUAVA Nº UDS 74 174 GUARAPUAVA IRATI - ERGP IRATI - ERGP MORADIAS PARQUE DOS FLAMBOYANTS MORADIAS SÃO JOÃO - MÓDULO III GUARAPUAVA GUARAPUAVA 21 17 LARANJEIRAS DO SUL - ERGP LARANJEIRAS DO SUL RURAL I 14 GUARAPUAVA LARANJEIRAS DO SUL - ERGP MPA 17 GUARAPUAVA LARANJEIRAS DO SUL - ERGP 57 GUARAPUAVA MANOEL RIBAS - ERGP RESIDENCIAL LARANJEIRAS DO SUL I IVAÍ / KAINGANG 24 GUARAPUAVA MARQUINHO - ERGP MPA 15 GUARAPUAVA NOVA LARANJEIRAS - ERGP ALDEIA AGUA SANTA/GUARANI 5 GUARAPUAVA NOVA LARANJEIRAS - ERGP ALDEIA CAMPO DO DIA/KAIGANG 7 GUARAPUAVA NOVA LARANJEIRAS - ERGP ALDEIA LEBRE/GUARANI 6 GUARAPUAVA NOVA LARANJEIRAS - ERGP ALDEIA SEDE/KAIGANG 8 GUARAPUAVA NOVA LARANJEIRAS - ERGP ALDEIA TAQUARA/KAIGANG 6 GUARAPUAVA NOVA LARANJEIRAS - ERGP ALDEIA TREVO/KAIGANG 8 GUARAPUAVA NOVA LARANJEIRAS - ERGP 5 5 GUARAPUAVA NOVA LARANJEIRAS - ERGP ALDEIA VILA ENCRUZILHADA/KAIGANG ALDEIA VILA NOVA/KAIGANG GUARAPUAVA NOVA LARANJEIRAS - ERGP MPA 41 GUARAPUAVA NOVA LARANJEIRAS - ERGP NOVA LARANJEIRAS RURAL I 32 GUARAPUAVA NOVA TEBAS - ERGP NOVA TEBAS RURAL I 20 GUARAPUAVA NOVA TEBAS - ERGP 21 21 GUARAPUAVA NOVA TEBAS - ERGP RESIDENCIAL NOVA TEBAS I CATUPORANGA RESIDENCIAL NOVA TEBAS II GUARAPUAVA PALMITAL - ERGP MORADIAS BOCAIUVA 16 GUARAPUAVA PALMITAL - ERGP PALMITAL RURAL I 16 GUARAPUAVA PINHÃO - ERGP PINHÃO RURAL I 13 GUARAPUAVA PORTO BARREIRO - ERGP PORTO BARREIRO I 12 GUARAPUAVA PRUDENTÓPOLIS - ERGP MORADIAS CASTRO ALVES II 48 GUARAPUAVA QUEDAS DO IGUAÇU - ERGP 57 GUARAPUAVA SANTA MARIA DO OESTE RURAL I 17 GUARAPUAVA RIO BONITO DO IGUAÇU ERGP SANTA MARIA DO OESTE ERGP TURVO - ERGP MORADIAS PARQUE DOS GERÂNIOS MPA 20 GUARAPUAVA TURVO - ERGP MARRECAS / KAINGANG 15GUARANI 5 MARRECAS/ GUARANI GUARAPUAVA TURVO - ERGP MARRECAS/ KAINGANG 14 GUARAPUAVA VIRMOND - ERGP MORADIAS COLINA VERDE 12 GUARAPUAVA 41 32 5 2.633 ESCRITÓRIO REGIONAL MUNICÍPIO NOME DO EMPREENDIMENTO LONDRINA ALVORADA DO SUL - ERLD RESIDENCIAL ALVORADA DO SUL I Nº UDS LONDRINA ALVORADA DO SUL - ERLD RESIDENCIAL ALVORADA DO SUL I 46 LONDRINA ASSAÍ - ERLD RESIDENCIAL ASSAÍ I 286 LONDRINA FLORESTÓPOLIS - ERLD MORADIAS ALECRIM III 38 LONDRINA IBIPORÃ - ERLD C.E THEOTHONIO VILELA 1 LONDRINA JATAIZINHO - ERLD C.E.ADÉLIA ANTUNES (CZ) 1 LONDRINA LONDRINA - ERLD 1 1 45 LONDRINA LONDRINA - ERLD C.E. ANTONIO DE MORAES BARROS (CZ) E.E. TIRADENTES (CZ) LONDRINA LONDRINA - ERLD V.R - LONDRINA III-IRERÊ 2 LONDRINA LONDRINA - ERLD V.R - LONDRINA IV-GUARAVERA 1 LONDRINA PITANGUEIRAS - ERLD PITANGUEIRAS RURAL I 9 175 LONDRINA PITANGUEIRAS - ERLD RESIDENCIAL PITANGUEIRAS I 65 LONDRINA PRIMEIRO DE MAIO - ERLD 39 LONDRINA PRIMEIRO DE MAIO - ERLD RESIDENCIAL PRIMEIRO DE MAIO I IBIACI RESIDENCIAL PRIMEIRO DE MAIO II 133 LONDRINA ROLÂNDIA - ERLD RESIDENCIAL ITÁLIA 30 LONDRINA ROLÂNDIA - ERLD ROLÂNDIA RURAL I 14 LONDRINA SANTO INÁCIO - ERLD RESIDENCIAL SANTO INÁCIO I 41 LONDRINA TAMARANA - ERLD APUCARANINHA / KAINGANG 40 LONDRINA TAMARANA - ERLD RESIDENCIAL TAMARANA I 38 19 776 ESCRITÓRIO REGIONAL MUNICÍPIO NOME DO EMPREENDIMENTO MARINGÁ DOUTOR CAMARGO - ERMA DOUTOR CAMARGO RURAL I Nº UDS 8 MARINGÁ MARIALVA - ERMA 68 MARINGÁ MARINGÁ - ERMA RESIDENCIAL MARIALVA I (NOSSA CAIXA) ITEPA MARINGÁ MARINGÁ - ERMA LOTE ISOLADO 1 MARINGÁ MARINGÁ - ERMA MORADIAS JARDIM UNIVERSO 19 MARINGÁ PARANACITY - ERMA PARANACITY RURAL I 15 6 ESCRITÓRIO REGIONAL MUNICÍPIO NOME DO EMPREENDIMENTO PARANAVAI NOVA LONDRINA - ERPV NOVA LONDRINA RURAL I PARANAVAI NOVA LONDRINA - ERPV RESIDENCIAL NOVA LONDRINA I 10 542 Nº UDS 6 120 PARANAVAI PARAÍSO DO NORTE - ERPV PARAÍSO DO NORTE RURAL I 7 PARANAVAI PARANAVAÍ - ERPV 11 PARANAVAI PARANAVAÍ - ERPV MORADIAS SANTOS DUMONT MÓDULO 3 MORADIAS SANTOS DUMONT MÓDULO 4 5 ESCRITÓRIO REGIONAL MUNICÍPIO PONTA GROSSA NOME DO EMPREENDIMENTO CASTRO - ERPG 6 528 Nº UDS PONTA GROSSA MORADIAS PARQUE DAS GREVÍLEAS FERNANDES PINHEIRO - ERPG FERNANDES PINHEIRO RURAL I 12 PONTA GROSSA PALMEIRA - ERPG 113 MORADIAS PARQUE DOS PAPIROS 20 PONTA GROSSA PONTA GROSSA - ERPG COMUNIDADE SUTIL 27 PONTA GROSSA SÃO JOSÉ DA BOA VISTA RURAL I 20 PONTA GROSSA SÃO JOSÉ DA BOA VISTA ERPG TEIXEIRA SOARES - ERPG TEIXEIRA SOARES RURAL I 12 PONTA GROSSA WENCESLAU BRAZ - ERPG WENCESLAU BRAZ RURAL I 19 7 554 ESCRITÓRIO REGIONAL MUNICÍPIO NOME DO EMPREENDIMENTO UMUARAMA 73 30 CRUZEIRO DO OESTE - ERUM Nº UDS UMUARAMA DOURADINA - ERUM RESIDENCIAL CRUZEIRO DO OESTE I DOURADINA RURAL I UMUARAMA IPORÃ - ERUM RESIDENCIAL IPORÃ I UMUARAMA JAPURÁ - ERUM JARDIM PUGIN II 8 UMUARAMA JARURÂ PARQUE OURO VERDE 59 UMUARAMA NOVA OLÍMPIA - ERUM 27 UMUARAMA PÉROLA - ERUM RESIDENCIAL NOVA OLÍMPIA I-7ª ETAPA PÉROLA RURAL I 19 UMUARAMA PÉROLA - ERUM RESIDENCIAL PÉROLA I 15 8 176 UMUARAMA TAPEJARA - ERUM MORADIAS FRATERNIDADE UMUARAMA TAPIRA - ERUM TAPIRA RURAL I 61 21 UMUARAMA UMUARAMA - ERUM UMUARAMA 126 UMUARAMA XAMBRÊ - ERUM RESIDENCIAL CASA BRANCA I 16 12 ESCRITÓRIO REGIONAL MUNICÍPIO UNIÃO DA VITÓRIA 648 NOME DO EMPREENDIMENTO Nº UDS UNIÃO DA VITÓRIA CORONEL DOMINGOS SOARES C.E. SANTA CATARINA (CZ) - ERUV CRUZ MACHADO - ERUV CRUZ MACHADO RURAL I 1 15 UNIÃO DA VITÓRIA MALLET - ERUV RESIDENCIAL MALLET I 35 UNIÃO DA VITÓRIA PALMAS - ERUV PALMAS / KAINGANG 25 4 TOTAL DE EMPREENDIMENTOS TOTAL DE UNIDADES HABITACIONAIS 315 281 7503