EMISSÕES DE GASES DE EFEITO ESTUFA NO SETOR DE CARVÃO MINERAL
Leandro Fagundes, Eng. Minas, P&D – Gerente, [email protected]
Cleber José Baldoni Gomes, Eng. Minas, SIECESC – Gerente
Luciane Garavaglia, Geóloga, CTCL/SATC – Colaboradora
Mirlene Meis Amboni, Eng. Civil, CTCL/SATC – Colaboradora
RESUMO
Este trabalho apresenta as estimativas das emissões de gases de efeito estufa (GEE) do setor
de carvão mineral no Brasil para os períodos de 1990 a 2005 (I e II Inventário Nacional), com
base nas diretrizes do painel intergovernamental sobre mudança do clima (IPCC).
O estudo foi elaborado em parceria pelo programa das Nações Unidas para o desenvolvimento
(PNUD), o fundo global para o meio ambiente (GEF), a Associação Brasileira de Carvão
Mineral (ABCM) e os sindicatos Nacional e de Santa Catarina da Indústria de Extração de
Carvão (SNIEC e SIECESC), no âmbito do Projeto BRA/95/G31, conforme solicitação da
Coordenação Geral de Mudanças Globais do Ministério da Ciência e Tecnologia.
As estimativas compreendem as emissões fugitivas de metano das minas a céu aberto e
subterrâneas, bem como as emissões de CO2 dos depósitos de carvão e pilhas de rejeitos.
Palavras-chave: Mineração; carvão mineral; mudanças climáticas; gases de efeito estufa
(GEE).
ABSTRACT
This report presents the estimates of greenhouse gas (GHG) emissions from the coal industry
in Brazil for the period 1990 to 2005 (I and II National Inventory), based on the Guidelines of
the Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC).
The present report has been developed in partnership by the United Nations Development
Program (UNDP), the Global Environment Facility (GEF), the Brazilian Coal Association
(ABCM) and the Brazilian Coal Industry Extraction Union (SNIEC and SIECESC), under the
Project BRA/95/G31 by request of the Ministry of Science and Technology through its
General Coordination on Global Changes.
The estimates include fugitive emissions of methane from open pit and underground mines as
well as CO2 emissions from coal deposits and waste piles.
Keywords: Mining; coal; climate change; greenhouse gas (GHG).
INTRODUÇÃO
A produção de carvão mineral no Brasil ocorre nos três estados do sul do país, Rio Grande do
Sul, Santa Catarina e Paraná. Considerando as reservas lavráveis, temos o seguinte quadro de
distribuição para o Brasil, conforme a tabela 1.
Tabela 1– Reservas minerais de carvão mineral no Brasil por estado.
RIO GRANDE DO SUL - RS
SANTA CATARINA - SC
PARANÁ - PR
6
6
5.375,6 x 10 ton.
81,5 %
1.213,6 x 10 ton.
18,4 %
6
6,6 x 10 ton.
0,1 %
BRASIL
6.595,8 x 106 ton.
100 %
Fonte: Anuário Mineral Brasileiro (2005). DNPM/MME.
Em relação aos municípios com jazidas minerais identificadas temos o quadro de 63,6% no
Rio Grande do Sul com um total de 28 municípios, 27,3% em Santa Catarina com um total de
12 municípios e 9,1% no Paraná com 4 municípios, totalizando 44 municípios com jazidas
minerais de carvão em território nacional. A figura 1 mostra a localização das principais
jazidas de carvão mineral do Brasil.
Jazidas do Paraná
Parana Coalfields
1
1.1. Sapopema
1.2. Cambui
PR
Jazidas de Santa Catarina
Santa Catarina Coalfields
SC
2
RS
2.1. Criciúma, Forquilhinha, Içara, Lauro Müller,
Morro da Fumaça, Nova Veneza, Siderópolis,
Treviso, Urussanga e Cocal do Sul
Jazidas do Rio Grande do Sul
4
5
6
3
Rio Grande do Sul Coalfields
3.1. Santa Terezinha
3.2. Morungava e Chico Lomã
3.3. Gravataí
4.1. Charqueadas e Guaíba
4.2. Arroio dos Ratos, Água Boa e Faxinal
4.3. Leão, Sul do Leão e Cerro do Roque
5.1. Pantâno Grande, Iruí
5.2. Capané e São Sepé
6.1. Candiota e Seival
Figura 1 – Localização das principais jazidas de carvão mineral no Brasil.
Fonte: SIG/P&D.
Conforme os dados disponíveis no Departamento Nacional de Produção Mineral – DNPM, no
período do I Inventário, a produção total de carvão run-of-mine (ROM) no Brasil foi de 10,3
MTPA (milhões de toneladas por ano) em 1990 e de 9,7 MTPA, em 1994. No período do II
Inventário, a produção total de carvão run-of-mine (ROM) no Brasil foi de 12,3 MTPA em
2000 e de 10,9 MTPA em 2005.
Produção de Carvão ROM no Brasil
14.000
12.000
mil toneladas
10.000
8.000
6.000
4.000
2.000
0
1990
Rio Grande do Sul
1994
2000
Santa Catarina
2005
Paraná
Figura 2 – Produção de carvão mineral run of mine (ROM) por estado.
A produção de carvão mineral é realizada em 41 minas subterrâneas (52,6%) e 37 minas a céu
aberto (47,4%) por 30 empresas. Sendo no período de 1990-2005, 5 minas estavam
localizadas no Rio Grande do Sul, 23 minas em Santa Catarina e 2 minas no Paraná. A figura
3 mostra um perfil esquemático dos principais métodos de lavra aplicados para o carvão para
as minas a céu aberto e minas subterrâneas.
A
B
Figura 3 – Perfil esquemático das operações de minas a céu-aberto e subterrâneas no Brasil. A) Corte e
Prenchimento. B) Câmaras e pilares.
Fonte: Empresas mineradoras, adaptado P&D.
O quadro de distribuição dos produtos das minas e usinas nacionais, no ano-base de 2005 é
apresentado na tabela 2, com a sua participação conforme os setores de aplicação.
Tabela 2 – Situação do mercado de carvão mineral no Brasil.
MERCADO CONSUMIDOR
MINAS – CARVÃO BRUTO
USINAS – CARVÃO LAVADO
Termoeletricidade
94,8 %
Carvão Mineral
Extração e Beneficiamento 100 %
Setor Industrial
5,2 %
Fonte: Anuário Mineral Brasileiro (2005). DNPM/MME.
Como o carvão metalúrgico possui 100% de seu consumo obtido por fontes importadas,
temos que o Brasil possui dependência em relação ao produto proveniente do exterior. O
Brasil se situa em posição de destaque como importador, com valores da ordem de US$ 1,6
bilhões, sendo que isto representa 30% da balança comercial de bens primários importados
pelo país.
O carvão mineral teve, em 2005, uma participação de 6,3% na matriz energética brasileira,
um decréscimo de 0,4% em relação a 2004, principalmente em razão da queda na produção de
ferro-gusa e aço. Dessa forma, o futuro do uso do carvão mineral está relacionado a geração
térmica de eletricidade, em projetos atuais como a UTE Candiota, ou futuros como a UTE
Seival (Figura 4).
Figura 4 – Exemplo de projetos térmicos com carvão mineral no Brasil.
Fonte: Empresas CGTEE e STEAG, adaptado P&D.
METODOLOGIA
A atividade de extração e manuseio de carvão mineral integra a matriz de potenciais fontes
para emissão de gases de efeito estufa, sendo o gás metano sua maior contribuição. A
quantificação da emissão segue a metodologia do IPCC (1996), baseada nos documentos
Revised 1996 IPCC Guidelines for National Greenhouse Gas Inventories e Good Practice
Guidance and Uncertainty Management on National Greenhouse Gas Inventories.
Os dados utilizados para o desenvolvimento deste trabalho e aplicação da metodologia do
IPCC (1996) foram obtidos junto a fontes oficiais dos órgãos nacionais de governo,
especificamente o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM).
As emissões totais oriundas da extração de carvão são calculadas e baseadas em quatro
categorias principais: mineração subterrânea, mineração a céu aberto, atividades de pósmineração e conversão térmica de gases coletados.
No período compreendido entre 1990 e 2005, não foram registrados no Brasil casos
envolvendo a recuperação de gases e conversão térmica em empresas de mineração de carvão,
sendo desconsiderada esta categoria para a aplicação da metodologia IPCC 1996 ¹ e ².
As informações disponíveis da atividade de extração de carvão mineral, dentro do referido
período, permitem a quantificação das emissões de metano dentro do enquadramento na “Tier
1” ou “Tier 2”, referidas na metodologia do IPCC (1996). Estas se baseiam na produção de
carvão mineral e em fatores de emissão estimados, de forma apropriada às informações
técnicas disponíveis sobre o carvão.
Os critérios para a definição dos fatores de emissão empregados na estimativa foram definidos
por especialistas, a partir de dados de caracterização dos carvões brutos e/ou ROM e dos
resultados encontrados experimentalmente, cuja finalidade específica era realizar medições de
metano em minas de carvão no Brasil. De uma forma genérica, o cálculo das emissões segue a
seguinte composição.
Emissão de Metano
= Produção de Carvão x Fator de Emissão x Fator de Conversão
(Gg Metano)
(106 ton Carvão)
(m3 Metano/ ton Carvão)
(Gg Metano/ 106 m3 Metano)
Para a elaboração do II Inventário Nacional (1990-2005) foram desenvolvidas atividades
experimentais, de forma a reduzir as incertezas relacionadas diretamente aos fatores de
emissão a serem aplicados, procurando-se atender especificamente a um critério de
nacionalização.
O desenvolvimento e validação da metodologia para a amostragem e coleta de metano,
oriundo da extração de carvão em minas brasileiras, foram realizados em parceria com a
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC/RS), através do laboratório de
química ambiental do instituto de química.
Atualmente no Brasil estão sendo realizados estudos referentes ao teor de metano no carvão,
principalmente visando à aplicação de tecnologias mais limpas para obtenção de energia a
partir do carvão mineral. Segundo a abordagem “Tier 1”, são apresentados os seguintes
valores como referencial para os fatores de emissão (Tabela 3).
Tabela 3 – Fatores de emissão para o setor, segundo Tier 1 do IPCC (1996).
NATUREZA DA ATIVIDADE
BAIXO NÍVEL DE EMISSÃO
ALTO NÍVEL DE EMISSÃO
(m3 CH4/ton Carvão)
(m3 CH4/ton Carvão)
Mineração Subterrânea
Pós-Mineração Subterrânea
Mineração a Céu Aberto
Pós-Mineração a Céu aberto
10
0,9
0,3
0
25
4,0
2,0
0,2
Teoricamente, o teor de metano presente no carvão está relacionado com fatores como rank,
porosidade, profundidade da camada, propriedades físico-químicas, entre outras (Day et al.
2008). Porém, existem fatores geológicos que apresentam extrema relevância, e que afetam o
equilíbrio dinâmico do metano presente nas camadas de carvão, como os processos de
carbonificação, uma vez que é o gás predominantemente gerado e/ou armazenado no carvão
(Levine, 1993; Rice, 1993).
As medições realizadas em minas com atividade de extração mineral indicaram que o carvão
brasileiro pode apresentar fatores de emissão significativamente inferiores aos indicados pelo
IPCC, para aplicação em situações de pós-mineração previstas pela “Tier 1”.
A seguir é apresentada a representação gráfica dos dados verificados para os carvões
nacionais. No eixo X são listados as medições realizadas nas minas nacionais e no eixo Y os
fatores de emissão previstos pelo IPCC (em segundo plano) e os obtidos nos trabalhos
realizados pelo Brasil (em primeiro plano).
1,00
0,90
0,80
0,70
0,60
0,50
Pós-Mineração Valores Mínimos de Referência
0,40
Fator Emissão IPCC - Mina Subterrânea
0,30
Fator de Emissão IPCC - Mina Céu Aberto
0,20
0,10
0,00
1 2
3 4
5 6
7
8
9 10
11 12
13 14
15 16
17 18
19 20
21 22
23 24
25
Fatores de Emissão Estimados através
de Amostragem e Medição de Metano
em Minas Brasileiras
Figura 5 – Fatores de emissão na pós-mineração, comparativo entre IPCC e medições realizadas.
Fonte: P&D.
Para o desenvolvimento e elaboração deste II Inventário Nacional (1990-2005) fica
estabelecida a utilização dos valores mínimos indicados para os fatores de emissão
preconizados pela metodologia do IPCC (1996), de acordo com a “Tier 1”.
Tal medida visa resguardar a confiabilidade dos valores a serem calculados, considerando-se
que a parte experimental apontou divergências entre o comportamento previsto
conceitualmente para as emissões de metano e os resultados efetivamente encontrados nas
minas amostradas.
Destacamos que na situação de pós-mineração a céu aberto, o valor mínimo de referência do
IPCC é nulo. No experimento realizado em laboratório, ficou comprovado que existe
emanação de metano oriunda da pós-mineração em amostras de carvão a céu aberto.
O desenvolvimento do experimento permitiu comprovar que o carvão brasileiro apresenta
baixo nível de emissão. Considera-se o erro, em generalizar e empregar o fator mínimo de
emissão, de menor magnitude frente ao erro envolvido na atribuição de diferentes valores com
base em aspectos teóricos (profundidade e grau de evolução). A justificativa reside no fato de
que estes não foram devidamente comprovados para o caso do carvão brasileiro. Dessa forma,
recomenda-se a continuidade dos estudos, com maior abrangência no número de amostras,
através de experimentos com a devida representatividade e reprodutibilidade.
Na tabela 4, são apresentados os valores para os fatores de emissão de metano utilizados para
a estimativa das emissões na mineração de carvão.
Tabela 4 – Fatores de emissão para o setor, segundo II Inventário Nacional.
Natureza da Atividade
Baixo Nível de Emissão
(m3 CH4/ton Carvão)
Mineração Subterrânea
Pós-Mineração Subterrânea
Mineração a Céu Aberto
Pós-Mineração a Céu aberto
10,0 *
0,90 *
0,30 *
0,05 **
Fonte: P&D; * Valor Mínimo IPCC (1996), **Valor arbitrado.
DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
EMISSÕES DE METANO NA MINERAÇÃO
As estimativas da emissão de metano foram realizadas a partir dos dados de extração e os
fatores de emissão apresentados.
Seguindo a recomendação técnica apresentada anteriormente, foram utilizados para os fatores
de emissão os valores mínimos de referência, como os que mostram a tabela 5.
Tabela 5 – Fatores de emissão para o setor, valores mínimos de referência.
FONTE
Tier 1 – IPCC 1996
ATIVIDADE MINERAÇÃO
FATOR DE EMISSÃO
Mina Subterrânea
Mineração Céu Aberto
ATIVIDADE PÓS-MINERAÇÃO
FATOR DE EMISSÃO
(m3 CH4/ton Carvão)
(m3 CH4/ton Carvão)
10
0,3
0,9
0,05*
* O fator de emissão mínimo sugerido é nulo, sendo arbitrado um valor de referência, com base nas características do carvão
brasileiro e utilizados no I Inventário de Emissões Fugitivas da Mineração de Carvão Mineral.
Na tabela 6 é apresentado o quadro-resumo das emissões de metano, estimadas segundo a
metodologia do IPCC (1996) e de acordo com as premissas técnicas abordadas.
Tabela 6 – Emissão de metano no setor de mineração de carvão mineral no Brasil.
FONTE: MINERAÇÃO SUBTERRÂNEA
(Unidade: Gg CH4/ano)
Ano Base
Rio Grande do Sul
Santa Catarina
1990
1,431
41,749
1994
0,745
35,212
2000
0,301
61,352
2005
42,213
TOTAL
8,077
607,904
(Gg CH4)
FONTE: MINERAÇÃO A CÉU ABERTO
Paraná
1,603
2,041
0,916
1,927
24,953
Brasil
44,783
37,997
62,569
44,140
640,933
(Unidade: Gg CH4/ano)
Ano Base
Rio Grande do Sul
Santa Catarina
Paraná
1990
0,719
0,004
1994
0,732
0,080
2000
0,893
0,111
2005
0,854
0,026
TOTAL
12,109
0,870
(Gg CH4)
FONTE: TOTAL ACUMULADO DA MINERAÇÃO DE CARVÃO MINERAL
Brasil
0,723
0,812
1,004
0,880
12,977
(Unidade: Gg CH4/ano)
Ano Base
1990
1994
2000
2005
TOTAL
(Gg CH4)
Rio Grande do Sul
2,150
1,477
1,194
0,854
20,186
Santa Catarina
41,753
35,292
61,463
42,239
608,774
Paraná
1,603
2,041
0,916
1,927
24,953
Brasil
45,506
38,809
63,573
45,020
653,912
Fonte: P&D.
EMISSÕES DE METANO NA PÓS-MINERAÇÃO
As estimativas para a emissão de metano na etapa de pós-mineração são apresentadas na
tabela 7.
Tabela 7 – Emissão de metano na pós-mineração de carvão mineral no Brasil.
FONTE: PÓS-MINERAÇÃO SUBTERRÂNEA
(Unidade: Gg CH4/ano)
Ano Base
Rio Grande do Sul
Santa Catarina
1990
0,129
3,757
1994
0,067
3,169
2000
0,027
5,522
2005
0,000
3,799
TOTAL
0,727
54,710
(Gg CH4)
FONTE: PÓS-MINERAÇÃO A CÉU ABERTO
Paraná
0,144
0,184
0,082
0,173
2,245
Brasil
4,030
3,420
5,631
3,973
57,682
(Unidade: Gg CH4/ano)
Ano Base
Rio Grande do Sul
Santa Catarina
Paraná
Brasil
1990
0,120
0,001
0,121
1994
0,122
0,013
0,135
2000
0,149
0,019
0,168
2005
0,142
0,004
0,146
TOTAL
2,018
0,145
2,163
(Gg CH4)
FONTES: TOTAL ACUMULADO NAS ATIVIDADES PÓS-MINERAÇÃO
(Unidade: Gg CH4/ano)
Ano Base
1990
1994
2000
2005
TOTAL
(Gg CH4)
Rio Grande do Sul
0,249
0,189
0,176
0,142
2,745
Santa Catarina
3,758
3,182
5,541
3,804
54,856
Paraná
0,144
0,184
0,082
0,173
2,245
Brasil
4,151
3,555
5,799
4,119
59,846
Fonte: P&D.
TOTALIZAÇÃO DAS EMISSÕES DE METANO PELO SETOR
Conforme a tipologia das atividades do setor de extração de carvão (mineração a céu aberto,
subterrânea e na pós-mineração) é apresentada a seguir as estimativas das emissões
acumuladas de metano (tabela 8 e figuras 6 e 7).
Tabela 8 – Totalização das emissões de metano no setor de carvão mineral do Brasil.
TOTAL ACUMULADO PELA EXTRAÇÃO – MINERAÇÃO E PÓS-MINERAÇÃO
(Unidade: Gg CH4/ano)
Ano Base
1990
1994
2000
2005
TOTAL
(Gg CH4)
Rio Grande do Sul
2,398
1,666
1,370
0,996
22,931
Santa Catarina
45,511
38,474
67,004
46,043
663,630
Paraná
1,747
2,225
0,998
2,100
27,198
Brasil
49,656
42,365
69,372
49,139
713,758
Estimativa/Elaboração: P&D.
Emissões fugitivas do carvão mineral
60
50
Gg CH4
40
30
20
10
0
1990
1994
Minas subterrâneas
2000
Minas a céu aberto
2005
Pós-mineração
Figura 6 – Emissões de metano da mineração e beneficiamento de carvão mineral por fonte.
Emissões fugitivas do carvão mineral
60
50
Gg CH4
40
30
20
10
0
1990
1994
Rio Grande do Sul
2000
Santa Catarina
2005
Paraná
Figura 7 – Emissões de metano da mineração e beneficiamento de carvão mineral por estado.
EMISSÕES DE CARBONO EM PILHAS
Destacamos o desenvolvimento técnico e gerencial da indústria de extração de carvão mineral
nos últimos anos. A sustentabilidade ambiental da extração deste bem mineral apresentou
significativos avanços, contribuindo para a minimização dos impactos decorrentes da
atividade.
Os rejeitos gerados pelo processo de beneficiamento do carvão bruto apresentam uma
deposição temporária considerada pequena, sendo encaminhados para destinação final. Tal
procedimento visa minimizar as drenagens ácidas no processo de extração de carvão mineral e
evitar a combustão espontânea em pilhas de rejeitos.
A combustão espontânea de carvão em pilhas de estocagem também pode ser considerada
praticamente nula, pois o tempo de estocagem é pequeno para ser iniciado o processo de
combustão.
A quantificação seguiu a metodologia do IPCC (1996), tal como no I Inventário Nacional
(1990-1994), considerando-se um fator de oxidação de 50% para os rejeitos.
Estas premissas inferem em um erro de maior, porém permitem a quantificação para o período
1990 a 2005. Importante lembrar, que os valores estão relacionados com o potencial de
liberação, não sendo a efetiva emissão de dióxido de carbono.
Tal fato se justifica pelo teor médio de carbono se referir à massa seca de carvão, enquanto
que os valores de produção são apresentados em base úmida, havendo a necessidade de se
conhecer a umidade média de cada produto para a correção em massa.
O beneficiamento de antigos depósitos de rejeitos foi incluído na estimativa da emissão, pois
este é utilizado como matéria-prima para a obtenção de produtos beneficiados, apresentados
na tabela 9.
Tabela 9 – Emissão de dióxido de carbono nos rejeitos da mineração de carvão do Brasil.
MINERAÇÃO SUBTERRÂNEA E A CÉU ABERTO
(Unidade: Gg CO2/ano)
Ano Base
1990
1994
2000
2005
TOTAL
(ton)
Rio Grande do Sul
194,0
196,0
599,5
0,00
1.856,0
Santa Catarina
1.147,7
1.132,4
690,3
891,5
8.017,8
Paraná
11,3
19,7
1,3
65,5
333,2
Brasil
1.353,0
1.348,0
1.291,1
957,0
10.170,3
Estimativa: SATC e P&D e Elaboração: MCT.
EMISSÕES DE ÓXIDO NITROSO – NO2
Salientamos que uma estimativa específica para as emissões contabilizadas em termo de
óxido nitroso (N2O), pela atividade não foi possível devido à falta de informações específicas
sobre o teor de nitrogênio presente no carvão minerado e beneficiado.
EMISSÕES DE DIÓXIDO DE CARBONO (CO2) POR EFEITO SO2 SCRUBBING
As emissões contabilizadas em termo de dióxido de carbono (CO2), pela atividade de remoção
do enxofre presente nos gases de combustão (SO2 scrubbing), não apresentou participação
significativa para o período inventariado.
Atualmente, esta é uma técnica de controle ambiental que está iniciando e encontra-se em
crescimento no Brasil, havendo a necessidade de um mapeamento destas unidades para
avaliação e possível inclusão em estimativas futuras.
CONCLUSÕES
O desenvolvimento da pesquisa aplicada sobre as emissões de gases de efeito estufa na
mineração do carvão mineral brasileiro, feita para o II Inventário (1990-2005), permitiu
comprovar que o carvão nacional apresenta baixo nível de emissão de GEE.
As estimativas apresentadas tiveram como base as diretrizes revisadas de 1996 do IPCC, ou
simplesmente Guidelines 1996. Os fatores de emissão sugeridos pelo IPCC foram
confrontados com medições realizadas em algumas camadas de carvão tanto do Rio Grande
do Sul quanto em Santa Catarina.
Foi feita uma correlação entre as características geológicas das minas/camadas amostradas,
com as suas características referentes à quantidade e qualidade do carvão ROM e também do
carvão energético produzidos no país. Com isso, foram adotados os fatores de emissão que
mais se aproximavam à realidade nacional.
Generalizar e empregar o fator mínimo de emissão dos Guidelines 1996, conforme foi feito no
II Inventário (1990-2005), foi considerado a abordagem mais precisa, do que a atribuição de
diferentes valores com base em aspectos teóricos (profundidade e grau de evolução),
conforme adotado no I Inventário (1990-1994). A justificativa reside no fato de que esses
aspectos não foram devidamente comprovados para o caso do carvão brasileiro.
AGRADECIMENTOS
Nosso agradecimento a ABCM na pessoa do Fernando Zancan, e ao MCT na pessoa do José
Miguez pelo suporte ao desenvolvimento do trabalho. Também o nosso muito obrigado as
equipes técnicas do MCT, SATC, PUC-RS, DNPM e P&D, além das empresas do setor.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
MCT – Ministério da Ciência e Tecnologia (2006). BRASIL. Primeiro Inventário
Brasileiro de Emissões Antrópicas de Gases de Efeito Estufa – Relatórios de Referência:
Emissões Fugitivas da Mineração e do Tratamento de Carvão Mineral – Ano-Base: 1990 a
1994. Disponível em: <http://www.mct.gov.br/upd_blob/0008/8850.pdf>. Acesso em: 28 abr.
2010.
MCT – Ministério da Ciência e Tecnologia (2010). BRASIL. Segundo Inventário Brasileiro
de Emissões Antrópicas de Gases de Efeito Estufa – Relatórios de Referência. Emissões
de Gases de Efeito Estufa no Setor Energético: Emissões Fugitivas da Mineração e
Beneficiamento do Carvão Mineral – Ano-Base: 1990 a 2005. Disponível em:
<http://www.mct.gov.br/upd_blob/0210/210144.pdf >. Acesso em: 28 abr. 2010.
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Emissões de gases de efeito estuda no setor de carvão mineral