5
Projeções para as Emissões de CO2 e Análise dos
Resultados
Neste capítulo, baseado nas projeções da demanda de energia da Matriz
Energética do Estado do Rio de Janeiro, são apresentadas as estimativas de
emissões de CO2 para o Estado do Rio de Janeiro, no período 2008/2020,
levando-se em conta as projeções realizada pela Matriz para o consumo de
energia neste período, para cada um dos cenários, desagregado por energético
nos setores da economia residencial, transporte, comercial e serviços, estatal,
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industrial, agropecuário e energético, além de geração de energia elétrica.
As tabelas com as projeções da demanda de energia para os diversos
setores de consumo, utilizadas para os cálculos das emissões, são
apresentadas no Anexo 8.1. Os fatores de emissão de carbono de cada
energético utilizado foram apresentados na Tabela 2, na Seção 3.2.1.
No ano base de 2008, a estimativa de emissão total de CO2 proveniente da
queima de combustíveis fósseis no Estado do Rio de Janeiro, baseado nos
dados do Balanço Energético do Estado do Rio de Janeiro – BEERJ, foi de
47.492,4 bilhões de gCO2, sendo o gás natural a principal fonte de emissão
(tanto o GN consumido para geração de energia elétrica, quanto para outros
fins), seguido do óleo diesel, coque de carvão mineral e gasolina A, de acordo
com as Tabelas 26 e 32.
Todas as tabelas com as previsões das emissões de CO2 para os diversos
setores de consumo são apresentadas no Anexo 8.2.
59
5.1.
Estimativa das Emissões de Dióxido de Carbono (CO2) provenientes
do Setor de Energia por Subsetor
Estão compreendidas dentro do setor de Energia as emissões de CO2
referentes ao uso da energia, subdivididas pelos setores da economia,
correspondendo a 92,5% do total emitido por este setor, e as emissões fugitivas,
especificamente as emissões de flare nas plataformas, correspondendo a 7,5%,
conforme definido na Seção 3.
Devido à falta de dados, não foi possível a divisão dos modais de
transporte aéreo e marítimo em nacionais e internacionais. Sendo assim, as
emissões referentes ao consumo de combustíveis de Bunker não puderam ser
contabilizada separadamente, conforme recomendação do IPCC20. Entretanto,
segundo o Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Estado do Rio
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de Janeiro 2007, estas emissões atingiram 1,4% do total das emissões de CO2
no setor de Energia em 2005. Assim, concluímos que a contabilização destas
emissões não reflete em aumento significativo no resultado final do trabalho.
Como se pode observar no gráfico da Figura 13, o setor que mais
contribuiu para as emissões de CO2 em 2008 foi o de transportes, com 28,5%,
seguido da geração de energia elétrica, com 24,1%. Em terceiro lugar está o
setor industrial que contabilizou 23,6% e em quarto lugar está o setor energético,
com 11,6%. A seguir vêm as emissões fugitivas, com 7,5% e, somando-se as
emissões dos setores residencial, comercial e de serviços, estatal e
agropecuário estes contabilizaram 4,7%.
As projeções das emissões totais de CO2 no estado do Rio de Janeiro, por
setores de consumo de energia, nos três cenários propostos, estão
apresentadas nos gráficos das Figuras 14, 15 e 16, e nas Tabelas do Anexo 8.2,
para o período de 2008 a 2020.
20
2006 IPCC Guidelines for National Greenhouse Gas Inventories.
60
100
90
80
Setor Residencial
70
Setor de Transportes
60
%
Setor Comercial e Serviços
50
Setor Estatal
40
Setor Industrial
30
Setor Agropecuário
20
Setor Energético
10
Centrais Elétricas
Emissões Fugitivas
0
2008
2020
2020
2020
Cenário Referência I e II
2020
Otimista I e II
2020
2020
Alternativo I e II
Figura 13 – Participação (%) nas Emissões de CO2 por Setor da
30.000
25.000
20.000
Setor de Transportes - I
Gg CO2
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Economia e Cenários
15.000
Setor de Transportes - II
Setor Industrial
10.000
Setor Energético
Emissões Fugitivas
5.000
Outros Setores
0
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015
2016
2017
2018
2019
2020
Figura 14 – Projeção das Emissões de CO2 por Setor da Economia –
Cenário de Referência I e II (Gg CO2)
61
35.000
30.000
Gg CO2
25.000
Setor de Transportes - I
20.000
Setor de Transportes - II
15.000
Setor Industrial
10.000
Setor Energético
Emissões Fugitivas
5.000
Outros Setores
0
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015
2016
2017
2018
2019
2020
Figura 15 – Projeção das Emissões de CO2 por Setor da Economia –
25.000
20.000
15.000
Setor de Transportes - I
Gg CO2
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Cenário Otimista I e II (Gg CO2)
Setor de Transportes - II
10.000
Setor Industrial
Setor Energético
5.000
Emissões Fugitivas
Outros Setores
0
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015
2016
2017
2018
2019
2020
Figura 16 – Projeção das Emissões de CO2 por Setor da Economia –
Cenário Alternativo I e II (Gg CO2)
Observa-se nos gráficos da Figura 17 que, no setor de transporte, o modal
que mais contribuiu para as emissões de CO2 no Estado foi o rodoviário,
com 72,1% das emissões deste setor em 2008, tendo como principal energético
o óleo diesel, e totalizando 158.262,3 bilhões de gCO2 em todo o horizonte da
Matriz para o cenário de referência I, conforme Tabela 29 do Anexo 8.2.
62
Comparando as duas variações de cada cenário, que diferem apenas no
percentual de escolha entre o uso de etanol hidratado ou gasolina C nos
veículos flex-fuel, conforme descrito na seção 2.3, podemos observar, também, o
aumento da parcela das emissões do modal rodoviário em 2020 que variou de
68,9% para 72,3%, nos cenários de referência, 62,9% para 66,4%, nos cenários
otimistas, e 67,4% para 68,8%, nos cenários alternativos, consequência do
aumento do uso da gasolina C nos veículos flex-fuel nos cenários tipo II.
Em segundo lugar, temos o modal aéreo, responsável por 14,4% das
emissões em 2008, e 18,3% e 24,4%, respectivamente, nos cenários de
referência I e otimista I no ano de 2020. Esse aumento na participação se deve à
grande expansão esperada para o transporte aéreo no Estado, conforme
apresentado na seção 2.4 sobre Cenários.
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As emissões do transporte rodoviário crescerão a uma taxa de 4% e
5,4% a.a., respectivamente para os cenários de referência I e II, 4,7% e 6% a.a.,
respectivamente para os cenários otimistas I e II, e 3,4% e 4% a.a.
respectivamente para os cenários de alternativos I e II. Por sua vez, as emissões
do transporte aéreo crescerão a uma taxa de 6,5% a.a. e 10,6% a.a.,
respectivamente para o cenário de referência e otimista.
Isto reflete as previsões de crescimento do aumento da demanda de
energia para o setor transporte, com forte expansão no horizonte da Matriz
decorrente das boas expectativas para o desempenho da economia do Estado
no período, com taxas projetadas de crescimento da demanda de 6,0% a.a. no
cenário de referência e 7,0% a.a. no cenário otimista, conforme descrito na
Seção 4. De acordo com as projeções realizadas pela Matriz Energética do
Estado do Rio de Janeiro 2008/2020, o consumo do setor transporte crescerá de
5.326 mil tep em 2008 para 10.717 mil tep e 10.536 mil tep em 2020, nos
cenários de referência I e II respectivamente, 12.109 mil tep e 11.929 mil tep,
nos cenários otimistas, e 9.054 mil tep e 8.987 mil tep, nos cenários alternativos,
conforme Tabelas 5, 6 e 7 do Anexo 8.1.
Entretanto, o indicador ambiental que descreve a relação entre as
emissões de CO2 e o consumo final energético (tCO2/tep) diminui de 2,54 em
2008 para 2,12, 2,21 e 2,4 em 2020, respectivamente no cenário tipo I de
referência, otimista e alternativo, o que equivale dizer que a eficiência ambiental
63
no setor transporte aumentará no período, para os três cenários, ou seja, com a
mesma quantidade de energia consumida se emitirá uma menor quantidade de
CO2.
Por outro lado, analisando o comportamento da variação deste indicador
ambiental nos dois tipos de um mesmo cenário, observa-se que a relação
tCO2/tep aumenta em 2020 de 2,12 no cenário de referência I para 2,42, no
cenário de referência II, de 2,21 para 2,48, no cenário otimista I e II, e de
2,40 para 2,53, no cenário alternativo I e II, o que equivale dizer que nos
cenários tipo II a eficiência ambiental irá diminuir em relação aos cenário tipo I,
isso se deve devido ao aumento do consumo da gasolina C no segundo cenário.
Além disto, haverá um aumento da participação dos energéticos
renováveis de 12% em 2008, para 26% e 16% em 2020, nos cenários de
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referência tipo I e II respectivamente, 24% e 15%, nos cenários otimistas, e 17%
e 13%, nos cenários alternativos, conforme podemos observar nas Tabelas 5, 6
e 7 do Anexo 8.1. Isto se deve, principalmente, devido ao crescimento do
consumo do etanol seguindo o aumento da frota de veículos flex-fuel, a variação
do percentual de uso de etanol nos veículos flex-fuel e ao aumento da parcela do
biodiesel no óleo diesel, associado ao crescimento do consumo de óleo diesel no
setor.
64
Emissões do Setor Transporte - 2008
Ferroviário
0,4%
Aéreo
14,4%
Rodoviário
72,1%
Hidroviário
10,9%
Emissões do Setor Transporte - 2020
Cenário de Referência I
Emissões do Setor Transporte - 2020
Cenário de Referência II
Ferroviário
2,3%
Ferroviário
2,6%
Aéreo
18,3%
Aéreo
16,3%
Rodoviário
72,3%
Rodoviário
68,9%
Hidroviário
9,1%
Hidroviário
10,2%
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Emissões do Setor Transporte - 2020
Cenário Otimista I
Ferroviário
2,6%
Emissões do Setor Transporte - 2020
Cenário Otimista II
Ferroviário
2,3%
Aéreo
24,4%
Aéreo
22,1%
Rodoviário
66,4%
Rodoviário
62,9%
Hidroviário
10,1%
Emissões do Setor Transporte - 2020
Cenário Alternativo I
Hidroviário
9,2%
Emissões do Setor Transporte - 2020
Cenário Alternativo II
Ferroviário
2,6%
Ferroviário
2,7%
Aéreo
19,2%
Aéreo
18,3%
Rodoviário
68,8%
Rodoviário
67,4%
Hidroviário
10,7%
Hidroviário
10,2%
Figura 17 – Participação (%) nas Emissões de CO2 do Setor
Transporte por Modal
Para o setor industrial, conforme pode ser observado nos gráficos da
Figura 18 a seguir, o subsetor que mais contribuiu para as emissões de CO2 foi o
metalúrgico, com 76,3% das emissões deste setor em 2008, e 78,9% das
emissões em 2020, para os cenários de referência e otimista, totalizando
148.241,4 bilhões de gCO2 e 157.840,5 bilhões de gCO2, em todo o horizonte da
Matriz, para os cenários de referência e otimista, respectivamente, conforme
Tabelas 29 e 30 do Anexo 8.2.
65
De acordo com as projeções realizadas pela Matriz Energética do Estado
do Rio de Janeiro 2008/2020, conforme apresentado na Seção 4, o consumo do
setor metalúrgico crescerá de 2.908 mil tep em 2008 para 5.109 mil tep em 2020,
no cenário de referência, e 5.937 mil tep, no cenário otimista, o que se reflete em
um crescimento das emissões de CO2 deste setor de 8.513,2 bilhões de gCO2
em 2008 para 14.976,3 bilhões de gCO2 em 2020, no cenário de referência,
indicando um crescimento a uma taxa de 4,8% a.a., e para 17.404,2 bilhões de
gCO2 em 2020 no cenário otimista, indicando um crescimento a uma taxa de
6,1% a.a.
Emissões da Indústria - 2008
Emissões da Indústria - 2020
Metalúrgica
76,3%
Metalúrgica
78,9%
Papel e Celulose
0,9%
Papel e Celulose
0,6%
PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0711112/CA
Química
7,6%
Química
7,3%
Têxtil
0,3%
Produtos de
Minerais Não
Metálicos
7,4%
Extração e
Tratamento de
Minerais
0,4%
Têxtil
0,2%
Produtos
Alimentícios
Bebidas
1,8%
2,4%
Produtos de
Minerais Não
Metálicos
6,6%
Outras Indústrias
3,0%
Extração e
Tratamento de
Minerais
0,5%
Bebidas
2,0%
Outras Indústrias
2,7%
Figura 18 – Participação (%) nas Emissões de CO2 do Setor Industrial
por Subsetor
Os gráficos da Figura 19 apresentam as projeções das emissões de CO2
no Estado do Rio de Janeiro provenientes do setor industrial, para os cenários
de Referência e Otimista, onde observa-se um crescimento das emissões de
CO2 de aproximadamente 70% para o cenário de referencia, e um crescimento
de quase 100% para o cenário otimista, no horizonte da Matriz. Isto reflete as
previsões de crescimento do setor apresentadas na Seção 4, com taxas
projetadas de crescimento da demanda de 4,2% a.a. no cenário de referência e
5,6% a.a. no cenário otimista.
Com base nas projeções de demanda realizadas pela Matriz Energética do
Estado do Rio de Janeiro 2008/2020, apresentadas nas Tabelas 14 e 15 do
Anexo 8.1, e nas suas conseqüentes emissões de CO2, apresentadas nas
Tabelas
43
e
44
do
Anexo
8.2,
obtemos
o
indicador
ambiental
tCO2 emitido / tep consumido para o setor industrial, que sofreu um leve
aumento entre o período de 2008 a 2020, de 2,39 para 2,47, nos dois cenários.
Produtos
Alimentícios
1,2%
66
Isso se deve, principalmente, como conseqüência da intensificação do uso
de algumas fontes não renováveis como, por exemplo, o coque de carvão
mineral e o gás natural, cujas participações aumentaram no horizonte da Matriz,
e da redução ou discreto aumento do uso de fontes renováveis, com exceção do
biodiesel que aumenta na mesma proporção do óleo diesel, além de ter a sua
parcela no óleo diesel aumentada até 2020.
Vale destacar que, em termos energéticos, as projeções do consumo de
energia apresentadas pela Matriz Energética do Estado do Rio de Janeiro
2008/2020, não levaram em conta cenários de políticas de substituições de
fontes, considerando apenas que a evolução da participação das diversas fontes
Extração e Tratamento de Minerais
Produtos de Minerais Não Metálicos
Metalúrgica
Papel e Celulose
Química
Têxtil
Produtos Alimentícios
Bebidas
2020
2019
2018
2017
2016
2015
2014
2013
2012
2011
2010
2009
Outras Indústrias
2008
Gg CO2
19.000
18.000
17.000
16.000
15.000
14.000
13.000
12.000
11.000
10.000
9.000
8.000
7.000
6.000
5.000
4.000
3.000
2.000
1.000
0
22.000
20.000
18.000
16.000
Extração e Tratamento de Minerais
14.000
Produtos de Minerais Não Metálicos
12.000
Metalúrgica
10.000
Papel e Celulose
Química
8.000
Têxtil
6.000
Produtos Alimentícios
4.000
Bebidas
2.000
Outras Indústrias
2020
2019
2018
2017
2016
2015
2014
2013
2012
2011
2010
2009
0
2008
Gg CO2
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de energia manterá a tendência observada na última década.
Figura 19 – Projeção das Emissões de CO2 na Indústria por Subsetor
– Cenário de Referência e Otimista (Gg CO2)
67
As emissões provenientes das centrais elétricas corresponderam a 24% de
todas as emissões do setor de Energia em 2008, e 23,8% e 23,1% das emissões
em 2020, para os cenários de referência e otimista respectivamente. No ano de
2008 foram emitidos 11.411,2 bilhões de gCO2, com projeção de um crescimento
anual destas emissões de 3,8% e 4,8%, respectivamente nos cenários de
referência e otimista, conforme apresentado nas Tabelas 26 e 27 do Anexo 8.2.
Conforme dito anteriormente, as emissões fugitivas correspondem a 7,5%
de todas as emissões do setor de Energia. No ano de 2008 foram emitidos
3.555,2 bilhões de gCO2 por queima em flare, e a projeção é de um crescimento
anual destas emissões de 3,1% e 4,5%, respectivamente nos cenários de
referência e otimista, o que corresponde a 5.156,6 bilhões de gCO2 em 2020, no
cenário de referência, e 6.005,4 bilhões de gCO2 em 2020, no cenário otimista,
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conforme apresentado nas Tabelas 26 e 27 do Anexo 8.2.
Estas projeções são apenas estimativas baseadas no crescimento
econômico do setor energético, e não consideram um aumento na parcela de
gás queimado em relação à produção de petróleo. A evolução da queima do gás
produzido depende não somente do efetivo crescimento econômico deste setor,
mas também da aplicação de políticas energéticas e desenvolvimento de
infraestrutura de escoamento do gás produzido.
Analisando o histórico do crescimento da produção de gás natural no Rio
de Janeiro de 2000 a 2009, segundo o BEERJ 2009, verificamos que a produção
do gás natural aumentou a uma taxa de 7% a.a. neste período, enquanto que a
queima aumentou 4% a.a., o que está de acordo com a taxa utilizada no
trabalho, podendo esta estar um pouco subdimencionada.
5.2.
Estimativa das Emissões de Dióxido de Carbono (CO2) provenientes
do Setor de Energia por Energético
Os gráficos das Figuras 20 e 21 apresentam estimativas e projeções das
emissões de CO2 no estado do Rio de Janeiro, decorrentes do consumo de
energia, por setor da economia e por energético, para 2008 e 2020 nos cenários
de referência, otimista e alternativo.
68
Como se pode observar nos gráficos da Figura 20a e 20b, o energético
que mais contribuiu para as emissões de CO2 em 2008 foi o gás natural, seco e
úmido, contabilizando 13.402 bilhões de gCO2 em 2008, seguido do óleo diesel,
que contabilizou 6.922 bilhões de gCO2 em 2008.
Seguindo as projeções realizadas pela Matriz Energética do Estado do Rio
de Janeiro 2008/2020, em 2020 o gás natural, seco e úmido, continuará a ser o
energético que mais contribui para as emissões de CO2, responsável pelas
emissões em 2020 de 21.030 bilhões de gCO2 e 23.893 bilhões de gCO2,
respectivamente no cenário de referência e otimista, seguido pelo coque de
carvão mineral, responsável por 11.344 bilhões de gCO2 e 13.183 bilhões de
gCO2 em 2020, respectivamente no cenário de referência e otimista, e pelo óleo
diesel, responsável por 10.262 bilhões de gCO2 e 11.793 bilhões de gCO2 em
Cenário de Referência I e II (Gg CO2)
12.000
Coque de Carvao Mineral
11.000
Gas Natural Seco
10.000
Gg CO2
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2020, respectivamente no cenário de referência e otimista.
Oleo Diesel
9.000
Gás Natural Úmido
8.000
Gasolina A (Cenário Ref. II )
7.000
Gasolina A (Cenário Ref. I )
Querosene de Aviacao
6.000
Oleo Combustivel
5.000
GLP
4.000
Outras Secundárias de Petróleo
3.000
Outras Secundárias Carvão Mineral
2.000
Carvao Vapor
1.000
Gasolina de Aviacao
Querosene Iluminante
0
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015
2016
2017
2018
2019
2020
Figura 20a – Projeção das Emissões de CO2 por Energético (Gg CO2) –
Cenário de Referência21
21
Não considera geração de energia elétrica.
69
Cenário Otimista I e II (Gg CO2)
14.000
Coque de Carvao Mineral
13.000
Gas Natural Seco
12.000
Oleo Diesel
11.000
Gás Natural Úmido
10.000
Gasolina A (Cenário Otim. II )
9.000
Gg CO2
Gasolina A (Cenário Otim. I )
8.000
Querosene de Aviacao
7.000
Oleo Combustivel
6.000
GLP
5.000
Outras Secundárias de Petróleo
4.000
Outras Secundárias Carvão Mineral
3.000
Carvao Vapor
2.000
Gasolina de Aviacao
1.000
Querosene Iluminante
0
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015
2016
2017
2018
2019
2020
Cenário Alternativo I e II (Gg CO2)
12.000
Coque de Carvao Mineral
Gas Natural Seco
10.000
Oleo Diesel
9.000
Gás Natural Úmido
8.000
Gg CO2
PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0711112/CA
11.000
Gasolina A (Cenário Alt. II )
7.000
Gasolina A (Cenário Alt. I )
6.000
Querosene de Aviacao
5.000
Oleo Combustivel
GLP
4.000
Outras Secundárias de Petróleo
3.000
Outras Secundárias Carvão Mineral
2.000
Carvao Vapor
1.000
Gasolina de Aviacao
Querosene Iluminante
0
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014
2015
2016
2017
2018
2019
2020
Figura 20b – Projeção das Emissões de CO2 por Energético (Gg CO2)22
– Cenário Otimista e Alternativo
Podemos observar nas Figuras 21 e 22 que o energético de maior emissão
no setor transporte, setor que mais emite CO2 devido à queima, é o óleo diesel,
com 5.846 bilhões de gCO2 em 2008, seguido da gasolina A, com 2.679 e
bilhões de gCO2. Projeta-se que em 2020 o óleo diesel seja responsável pelas
emissões de 9.097 bilhões de gCO2 e 10.436 bilhões de gCO2, respectivamente
no cenário de referência e otimista, e a gasolina A seja responsável pelas
22
Não considera geração de energia elétrica.
70
emissões de 4.580 bilhões de gCO2 e 7.352 bilhões de gCO2, respectivamente
nos cenários de referência tipo I e II, 4.650 bilhões de gCO2 e 7.422
bilhões de gCO2, respectivamente nos cenários otimistas tipo I e II, e
3528 bilhões de gCO2 e 4.547 bilhões de gCO2, respectivamente nos cenários
alternativos tipo I e II. Esse aumento entre os tipos I e II de um mesmo cenário
demonstra a sensibilidade das emissões de CO2 do setor quanto à parcela de
etanol hidratado utilizada pelos veículos flex-fuel, que em um cenário de
crescimento da frota mais otimista pode representar um aumento de 60% nas
emissões e num cenário mais conservador um aumento de 30% nas emissões.
É importante lembrar que percentual de etanol anidro na gasolina C não variou
em nenhum destes cenários, mantendo-se em 25%, conforme definido na
seção 2.4 sobre cenários.
Já no setor industrial o energético de maior emissão de CO2 é o coque de
carvão mineral seguido do gás natural seco, responsáveis por respectivamente
PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0711112/CA
6.458 bilhões de gCO2 e 3.411 bilhões de gCO2 em 2008, 11.344 bilhões
de gCO2 e 5.696 bilhões de gCO2 em 2020, no cenário de referência, e
13.183 bilhões de gCO2 e 6.626 bilhões de gCO2 em 2020, no cenário otimista.
Emissões por Setor (Gg CO2) - 2008
14.000
12.000
Querosene Iluminante
Gás Natural Úmido
10.000
Gasolina de Aviacao
Oleo Combustivel
8.000
Gg CO2
Querosene de Aviacao
Gasolina A
Carvao Vapor
6.000
GLP
Oleo Diesel
4.000
Outras Secundárias de Petróleo
Outras Secundárias Carvão Mineral
2.000
Gas Natural Seco
Coque de Carvao Mineral
0
Residencial
Transportes
Comercial e
Serviços
Estatal
Industrial
Agropecuário
Energético
Emissões
Fugitivas
Centrais
Elétricas
Figura 21 – Emissões de CO2 por Setor e Energético (Gg CO2) – 2008
71
Cenário de Referência I e II (Gg CO2) - 2020
26.000
24.000
Gg CO2
22.000
Querosene Iluminante
20.000
Gás Natural Úmido
18.000
Gasolina de Aviacao
16.000
Oleo Combustivel
Querosene de Aviacao
14.000
Gasolina A
12.000
Carvao Vapor
10.000
GLP
8.000
Oleo Diesel
6.000
Outras Secundárias de Petróleo
Outras Secundárias Carvão Mineral
4.000
Gas Natural Seco
2.000
Coque de Carvao Mineral
0
Residencial
Transportes I Transportes II
Comercial e
Serviços
Estatal
Industrial
Agropecuário
Energético
Emissões
Fugitivas
Centrais
Elétricas
Cenário de Otimista I e II (Gg CO2) - 2020
30.000
28.000
Querosene Iluminante
24.000
Gás Natural Úmido
22.000
Gasolina de Aviacao
20.000
Oleo Combustivel
Gg CO2
18.000
Gasolina A
16.000
Querosene de Aviacao
14.000
Carvao Vapor
12.000
GLP
10.000
Oleo Diesel
8.000
Outras Secundárias de Petróleo
6.000
Outras Secundárias Carvão Mineral
4.000
Gas Natural Seco
2.000
Coque de Carvao Mineral
0
Residencial
Transportes I Transportes II
Comercial e
Serviços
Estatal
Industrial
Agropecuário
Energético
Emissões
Fugitivas
Centrais
Elétricas
Cenário Alternativo I e II (Gg CO2) - 2020
24.000
22.000
20.000
Querosene Iluminante
18.000
Gás Natural Úmido
Gasolina de Aviacao
16.000
Oleo Combustivel
14.000
Gg CO2
PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0711112/CA
26.000
Gasolina A
Querosene de Aviacao
12.000
Carvao Vapor
10.000
GLP
8.000
Oleo Diesel
6.000
Outras Secundárias de Petróleo
4.000
Outras Secundárias Carvão Mineral
Gas Natural Seco
2.000
Coque de Carvao Mineral
0
Residencial
Transportes I Transportes II
Comercial e
Serviços
Estatal
Industrial
Agropecuário
Energético
Emissões
Fugitivas
Centrais
Elétricas
Figura 22 – Emissões de CO2 por Setor e Energético (Gg CO2) – 2020
72
Os gráficos da Figura 23 apresentam as participações de cada energético
nas emissões de CO2, em 2008 e 2020 para os três cenários, onde se pode
observar, entre outros, o aumento da parcela do querosene de aviação,
gasolina A e coque de carvão mineral e a queda do GLP, óleo combustível e
carvão vapor.
Emissões de CO2 por Energético - 2008
Gás Natural
Úmido
18,0%
Gasolina A
5,6%
Gas Natural Seco
31,3%
GLP
3,2%
Oleo Diesel
15,6%
Coque de Carvao
Mineral
13,6%
Carvao Vapor
0,1%
Outras
Secundárias
Carvão Mineral
3,1%
Querosene de
Aviacao
4,1%
PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0711112/CA
Emissões de CO2 por Energético - 20020
Cenário de Referência I
Gás Natural
Úmido
16,8%
Gasolina A
6,1%
GLP
2,3%
Outras
Secundárias de
Petróleo
1,7%
Gasolina A
5,3%
GLP
2,1%
Outras
Secundárias
Carvão Mineral
5,4%
Coque de Carvao
Mineral
15,1%
Carvao Vapor
0,0%
Carvao Vapor
0,0%
Gás Natural
Úmido
16,8%
Gasolina A
4,7%
GLP
2,3%
Oleo Combustivel
2,9%
Outras
Secundárias
Carvão Mineral
6,1%
Coque de Carvao
Mineral
15,3%
Carvao Vapor
0,0%
Querosene de
Aviacao
5,6%
GLP
2,3%
Oleo Combustivel
2,8%
Oleo Diesel
14,5%
Outras
Secundárias
Carvão Mineral
6,0%
Carvao Vapor
0,0%
Querosene de
Aviacao
5,5%
Outras
Secundárias de
Petróleo
1,7%
Emissões de CO2 por Energético - 2020
Cenário Alternativo II
Oleo Diesel
14,7%
Gas Natural Seco
29,6%
Outras
Secundárias de
Petróleo
1,6%
Querosene de
Aviacao
5,3%
Coque de Carvao
Mineral
15,1%
Emissões de CO2 por Energético - 2020
Cenário Alternativo I
Gás Natural
Úmido
17,1%
Gasolina A
6,0%
Gas Natural Seco
29,2%
Outras
Secundárias de
Petróleo
1,7%
Querosene de
Aviacao
7,5%
Outras
Secundárias
Carvão Mineral
5,8%
Emissões de CO2 por Energético - 2020
Cenário Otimista II
Oleo Combustivel
2,8%
Oleo Diesel
14,4%
Gas Natural Seco
29,2%
Oleo Combustivel
2,7%
Oleo Diesel
14,0%
Coque de Carvao
Mineral
14,5%
Emissões de CO2 por Energético - 2020
Cenário Otimista I
Gás Natural
Úmido
16,4%
GLP
2,2%
Oleo Combustivel
2,8%
Outras
Secundárias
Carvão Mineral
6,0%
Querosene de
Aviacao
5,5%
Gasolina A
9,4%
Gás Natural
Úmido
16,2%
Gas Natural Seco
28,2%
Coque de Carvao
Mineral
15,0%
Carvao Vapor
0,0%
Outras
Secundárias de
Petróleo
1,7%
Emissões de CO2 por Energético - 20020
Cenário de Referência II
Oleo Diesel
14,5%
Gas Natural Seco
29,2%
Oleo Combustivel
3,7%
Gás Natural
Úmido
15,9%
Gasolina A
8,3%
Oleo Diesel
13,9%
Gas Natural Seco
28,3%
Outras
Secundárias de
Petróleo
1,7%
GLP
2,0%
Coque de Carvao
Mineral
14,7%
Carvao Vapor
0,0%
Querosene de
Aviacao
7,3%
Figura 23 – Participação (%) dos Energéticos não-renováveis nas
Emissões Totais de CO2
Oleo Combustivel
2,8%
Outras
Secundárias
Carvão Mineral
5,2%
Outras
Secundárias de
Petróleo
1,6%
73
5.3.
Comparação dos Resultados com Documentos de Referência
A IEA – Agencia Internacional de Energia - estabelece alguns indicadores
técnicos, econômicos e ambientais, estes utilizados para comparações das
emissões entre as nações e avaliação da eficiência ambiental do consumo de
energia.
Para possibilitar a comparação dos dados projetados para o Rio de Janeiro
com dados nacionais e internacionais, e auxiliar no planejamento de metas e
políticas de redução de emissões, utilizou-se os indicadores de emissões de
CO2 per capita (tCO2/habitante), que mede as emissões de CO2 devido ao uso
de energia em unidade per capita, e tCO2/tep, que reflete as emissões devido à
produção e consumo de energia.
PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0711112/CA
As emissões de CO2 por consumo final energético (tCO2/tep) diminuirão
-0,2% a.a. e -0,07% a.a., respectivamente no cenário de referência e otimista, o
que equivale dizer que a eficiência ambiental aumentará no período, ou seja,
com a mesma quantidade de energia consumida se emitirá uma menor
quantidade de CO2.
Entretanto, considerando que as emissões per capita de CO2 no Estado do
Rio de Janeiro crescerão 3% a.a. e 4,3% a.a., nos cenários de referência e
otimista respectivamente, torna-se fundamental o estudo e aplicação de medidas
para aumento da eficiência ambiental per capita no Estado.
A Tabela 3 apresenta as emissões do Estado do Rio de Janeiro e de
outros locais do mundo em termos de emissões de CO2 per capita. A população
do Rio de Janeiro em 2008 utilizada para o cálculo foi de 15,68 milhões de
habitantes.
74
Local
Emissões
(Mt CO2)
Emissões
per Capita
% Emissões
per Capita
% Emissões
(t CO2/habitante) (t CO2/habitante)
OBS
(Mt CO2)
Desconsiderando queima no
flare - 2,80 tCO2/hab.
Período das Variações %
2008-2020.
Desconsiderando queima no
flare - 2,45 tCO2/hab
Estado do Rio de Janeiro
2008
47,5
3,03
43,2%
58,7%
Estado do Rio de Janeiro (a)
2005
41,5
2,69
-
-
Estado de São Paulo (b)
2007
71,9
1,74
-
-
Sem informação.
2005
299,9
1,67
40,0%
74,0%
Não considera queima no flare .
Período das Variações %
1990-2005
2006
148,7
3,80
23,4%
48,2%
2006
59,8
3,64
50,2%
87,3%
França (d)
2006
377,5
5,97
-1,3%
7,2%
Alemanha (d)
2006
823,4
10,00
-16,5%
-13,4%
Japão (d)
2006
1.212,7
9,49
9,4%
13,2%
(d)
2006
5.648,5
4,28
117,8%
151,7%
2006
41,9
6,11
5,5%
26,8%
2006
538,8
16,52
5,8%
24,7%
(d)
2006
5.696,8
19,00
-2,3%
17,1%
União Européia (d)
2006
3.983,0
8,07
-6,1%
-2,0%
2006
28.002,7
4,28
7,4%
33,4%
Brasil
(c)
Argentina
Chile
(d)
(d)
China
Hong Kong (China)
PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0711112/CA
Ano
Canada
(d)
Estados Unidos
Mundo
(d)
(d)
Não considera queima no flare.
Período das Variações %
1990-2006
(a)
Fonte: Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Estado do Rio de Janeiro 2005 (CentroClima/COPPE/UFRJ)
(b)
Fonte: Projeção de Consumo de Energia e Energéticos e de Emissões de CO 2, São Paulo, 2008-2020 (Secret. de Saneamento e Energia de SP)
(c)
Fonte: Segunda Comunicação Nacional do Brasil à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (MCT 2010)
(d)
Fonte: IEA Statistics - CO2 Emissions from fuel combustion - Edition 2008
Tabela 3 – Estimativas de Emissões de CO2 per capita no Mundo23
Podemos observar que as estimativas de emissões de CO2 per capita para
o Estado do Rio de Janeiro, provenientes do setor de Energia, são maiores do
que as estimativas per capitas do Brasil, para o mesmo setor, devido,
principalmente, à grande população brasileira em comparação com o Rio de
Janeiro e à característica das emissões de CO2 nacionais, cuja maior parcela é
proveniente da mudança do uso da terra, especificamente da conversão de
florestas em uso agropecuário, em contraponto com as emissões de CO 2 no
Estado, cuja maior parcela é proveniente do uso de Energia, estando a
agricultura e mudanças no uso da terra em 3º lugar.
23
Os dados de emissões têm como base o cenário de referência.
75
O Estado de São Paulo apresenta estimativas de emissões per capita
menores que o Estado do Rio de Janeiro, entre outros fatores, devido ao grande
contingente populacional de São Paulo, que representa, aproximadamente, duas
vezes e meia a população do Rio de Janeiro.
Conforme observa-se na Tabela 3, o Estado do Rio de Janeiro, assim
como o Brasil, apresenta estimativas de emissões per capita bem menores que
outros países.
Entretanto, alguns os países desenvolvidos apresentam uma variação
negativa entre 1990 e 2006, em contrapartida com as estimativas do Brasil, no
período 1990-2005, e com as projeções das emissões per capita do Rio de
Janeiro, que prevêem um crescimento de aproximadamente 43% para o cenário
PUC-Rio - Certificação Digital Nº 0711112/CA
de referência.
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5 Projeções para as Emissões de CO2 e Análise dos