RESTAURAÇÃO E REVITALIZAÇÃO DO MUSEU DE ARTE DA PAMPULHA
UMA AÇÃO DE COMUNICAÇÃO INTEGRADA E MARKETING
José Coelho de Andrade Albino1
Poliana Duarte Braga e Bragança2
INTRODUÇÃO
O mundo passa por um processo de grandes transformações causadas por fenômenos como
a globalização, o surgimento de novas tecnologias, o enfraquecimento do estado-nação,
dentre outros. Surge um consumidor-cidadão: mais exigente, consciente e ávido por mais
informações. E a resposta encontrada pelas organizações é a segmentação de produtos e
mensagens, viabilizados pela diferenciação e diversificação das linhas de produção e
utilização de uma comunicação integrada e dirigida.
Atenta a esse cenário, Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, no ano de seu primeiro
centenário, procura promover seu desenvolvimento econômico e sócio-cultural através da
internacionalização da Cidade, tendo como eixo o binômio turismo de negócios e cultura.
Eventos como o Fórum das Américas, lançamento do Palio- carro mundial da Fiat-,
realização de festivais internacionais de teatro, dança e música, restauração e revitalização
de patrimônios histórico-culturais passam a integrar o cotidiano da Cidade e a criar grandes
desafios para as assessorias de imprensa de empresas e instituições.
O Museu de Arte da Pampulha(MAP), consciente do papel catalisador que pode e deve
desempenhar no crescimento da Cidade, decide elaborar um projeto de recuperação e
revitalização de seus espaços e atividades. Para isso buscou soluções junto à iniciativa
privada no sentido de restaurar seu prédio-sede e jardins. Para a revitalização, o MAP
estruturou uma equipe técnica multidisciplinar, que tem como um de seus pilares a
assessoria de comunicação, que é composta por profissionais de jornalismo, relações
públicas e marketing.
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José Coelho de Andrade Albino é especialista em organizações, recursos humanos, marketing e
planejamento estratégico (curso de mestrado em administração da UFMG). Especialista em semiótica e teorias
do discurso (PUC-MG). Professor do Departamento de Comunicação Social e do Instituto de Educação
Continuada da PUC-MG. Analista de Planejamento e Desenvolvimento de Canais de Distribuição da Telemig
Celular.
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Poliana Duarte Braga e Bragança é Jornalista e Relações Públicas. Coordena a Assessoria de Comunicação
do Museu de Arte da Pampulha.
Em sintonia com as demais áreas técnicas, cabe a assessoria de comunicação do MAP atrair
e integrar ao dia-a-dia do museu públicos bastante diversificados, que desejam e exigem
tratamento personalizado.
Desenvolver projetos de comunicação dirigida com o objetivo de captar recursos;
estabelecer parcerias com representantes das classes artísticas e demais instituições
congêneres; estimular a visitação de alunos de 1º e 2º graus, pesquisadores, grupos de 3ª
idade, deficientes físicos; facilitar e promover o acesso da mídia aos eventos e projetos;
envolver a comunidade com as questões relacionadas ao Museu e a Cidade; manter contato
permanente com os filiados da Associação Cultural de Amigos do MAP e conseguir a
adesão de novos sócios; difundir e posicionar a instituição nos níveis nacional e
internacional através de recursos como home-page e site na Internet, CD Rom, vídeos
documentários e institucional, quiosque multimídia
etc são alguns dos desafios
enfrentados.
Neste contexto, é objetivo desta comunicação discutir, através do case MUSEU DE ARTE
DA PAMPULHA, as transformações que as tradicionais assessorias de imprensa precisam
passar para se adaptarem ao novo ambiente-tarefa em que atuam.
CULTURA E TURISMO: PILARES DO CRESCIMENTO ECONÔMICO DE B.H.
Belo Horizonte foi a primeira Cidade brasileira cuja construção foi planejada. Sofrendo
grande influência da arquitetura francesa, a moderna capital de Minas Gerais cria um
contraste com o restante do estado, conhecido pela predominância do barroco em suas
Cidades históricas (Ouro Preto, Mariana, Congonhas, Tiradentes etc.) pela extração de
minérios, principal atividade econômica do Estado no início do século.
Hoje, a Cidade é considerada pelo Population Crisis Comitee, órgão que se dedica à
preservação ambiental, situado em Washington (EUA), como a melhor Cidade em termos
de qualidade de vida. Baixo índice de criminalidade; alta média de renda percapita, em
comparação com outras capitais brasileiras; existência de muitas áreas verdes; patrimônio
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histórico de relevante expressão no cenário nacional; intensa vida cultural e localização
geográfica estratégica fazem de Belo Horizonte “a capital do século” e lhe conferem
excelentes oportunidades para seu crescimento, tendo como pilar o setor de serviços,
especialmente o turismo de negócios e a cultura.
Com reduzida capacidade de expansão industrial e escassez de belezas naturais, Belo
Horizonte procura promover seu desenvolvimento econômico, num mercado em fase de
globalização, destacando suas potencialidades e criando o seu diferencial: qualidade de
vida, infra-estrutura, localização e cultura.
É nesta perspectiva que foi desenvolvido o projeto “B.H.- Conexão Internacional”,
elaborado pela Fundação Dom Cabral em 1994 e coordenado pela Prefeitura Municipal de
Belo Horizonte (PBH) desde 1995, contando ainda com a participação da iniciativa privada
e ONGS- Organizações Não Governamentais. Seu objetivo é implementar ações que
aprimorem a infra-estrutura, despertem uma mentalidade turística na Cidade e
resgate/dinamize sua memória e produção cultural.
Melhoria da limpeza das vias públicas; implantação de um novo sistema de sinalização
urbana; organização do tráfego; ampliação dos sistemas de transporte; atração de serviços
consulares; criação de centros para congressos; feiras e convenções; incentivo à expansão
da rede hoteleira; internacionalização do Aeroporto Tancredo Neves (Confins); restauração
e revitalização de seu patrimônio histórico, artístico e cultural; divulgação da Cidade e seus
atrativos; ativação dos espaços públicos ligados à cultura, lazer e esporte; realização de
eventos de porte nacional e internacional, dentre outras ações, têm movimentado o
cotidiano da Cidade.
Na área cultural, Belo Horizonte tem se posicionado como palco de inovações, em termos
de linguagem e expressão artística, além de criar espaços para a formação e aprimoramento
dos artistas locais, através de cursos, oficinas, workshops, seminários etc. com expoentes
das diversas manifestações da arte do Brasil e do exterior.
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A formação de público é a outra face deste trabalho, que é realizado através de grandes
investimentos com crianças e adolescentes, democratização do acesso aos bens culturais,
diversificação e ampliação das programações, organização de eventos e atividades em
locais públicos não convencionais como praças, estações de metrô e ônibus, ruas, parques
etc.
Como vanguarda e memória nunca estão dissociados, a Cidade centenária preocupa-se com
a preservação do seu patrimônio cultural, que não se restringe apenas a edificações. Resgate
da memória de bairros e regiões, revitalização de ruas e centros urbanos, despoluição
visual, realização de tombamentos de edificações e manchas urbanas, restauração de
monumentos, praças, parques e conjuntos arquitetônicos e paisagísticos são algumas das
atividades que estão sendo desenvolvidas.
É neste contexto que a região da Pampulha passa a receber uma atenção especial, tendo em
vista sua importância ecológica, paisagística, turística, histórica, arquitetônica e cultural.
PAMPULHA: UM MARCO DA MODERNIDADE
Imigrantes portugueses e italianos foram os primeiros moradores da região, batizando-a
“Santo Antônio da Pampulha”, homenagem a um bairro de Lisboa. Isolada a princípio pela
carência de meios de transporte, a Pampulha começa o seu desenvolvimento na década de
30, atingindo o seu apogeu na administração do Prefeito Juscelino Kubitscheck, em 1940.
Na Pampulha vivem hoje cerca de 320 mil moradores (Censo Demográfico de 1991),
distribuídos em 98 bairros, havendo grandes desníveis sociais, problemas oriundos da falta
de planejamento urbano e da degradação ambiental
A Bacia Hidrográfica da Pampulha, com área de 97,6 Km², é formada por cerca de 40
córregos, dos quais 11 são tributários diretos da represa, que possui uma área de 24 Km².
Possui rica flora e fauna, com 20 espécies de peixes e 132 espécies de pássaros
identificados, além de ser possível encontrar mamíferos como capivaras, raposas, sagüis e
micos-estrela. Trata-se, portanto, de um dos maiores patrimônios de Belo Horizonte.
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Hoje, essa importante área verde sofre as consequências dos erros e do desinteresse tanto de
governantes quanto da população. Apenas 27 dos 60 km dos cursos de afluentes são
canalizados, o restante recebe todo o esgoto gerado pelos habitantes e pelo Centro Industrial
de Contagem (Cidade vizinha à B.H.), agravando o assoreamento da lagoa. A grande
quantidade de material arenoso, lodo, lixo e detritos vegetais que hoje se encontram no
fundo da lagoa alteraram o espelho d’água que, dos 3km originais, foi reduzido a 2,4km.
Para reverter esta situação, estão sendo realizadas várias obras que objetivam a remoção dos
sedimentos, a contenção da entrada de esgotos, o tratamento do aterro sanitário, a correção
da deposição e reciclagem de resíduos da construção civil, a limpeza em vilas e favelas da
região, o controle de endemias (raiva, dengue, febre amarela, esquitosomose e
leishmaniose...) e tratamento dos fundos de vale.
Entusiasmado com as potencialidades turísticas da região, Juscelino convida o urbanista
francês Agache para fazer um projeto para o local, o arquiteto Oscar Niemeyer para
coordenar o plano de urbanização da lagoa e Roberto Burle Max para elaborar o projeto
paisagístico. Pensando na expressão artística, foram convidados o pintor Cândido Portinari,
autor dos murais e afrescos da Igreja de São Francisco de Assis, e o escultor Alfredo
Ceschiatti, criador dos painéis em baixo relevo da Igreja e também da escultura “O Abraço”
instalada nos jardins do MAP, para contribuir com o seu trabalho para o embelezamento
das edificações construídas nas margens da lagoa.
O Conjunto Arquitetônico da Pampulha, composto pelo Museu de Arte da Pampulhaantigo Cassino, a Casa do Baile, Igreja de São Francisco e Iate Tênis clube, representa um
rompimento com o funcionalismo de Le Corbusier. No Iate, o teto-terraço é substituído por
tetos inclinado; na Igreja, as caixas abobadadas que compõem a cobertura nascem
diretamente no chão; no Cassino, o corpo prismático é contrastado pelas formas livres da
marquise e do corpo destinado ao “grill-room”; na Casa do Baile, a pérgula flui livremente,
acompanhando a margem sinuosa da lagoa. Construídos em pontos estratégicos Do entorno
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da lagoa, os monumentos do Conjunto Arquitetônico dialogam entre si. Inaugura-se, assim,
o caminho peculiar para um arquitetura endógena, e, todavia, universal.
O edifício principal do Conjunto, o Iate Clube, projeta-se para a lagoa, remetendo-se ao
iates que navegavam a sua volta. Cercado de muros e remodelado com anexos, o clube é
hoje a mais descaracterizada das edificações do Conjunto da Pampulha. A Igreja de São
Francisco foi o último dos prédios a ser erguido. A ousadia de sua forma e, mais ainda, a
completa inovação dos painéis de Portinari e das obras de Ceschiatti chocaram a sociedade
da época. Por esta razão, a Igreja ficou fechada por seis anos. Com o tempo tornou-se o
mais famoso cartão postal da cidade.
Projetada em 1942, a Casa do Baile era a versão modernista dos quiosques campestres,
onde, em convívio com a natureza, jantava-se e dançava-se. Possui salão com 300 m²,
sendo que uma parte das paredes é de vidro, o que permite ampla visão da lagoa e do
paisagismo de Burle Max. Situada num ilha artificial e ligada à avenida por uma ponte com
11 metros de vão, a Casa do Baile possui ainda paredes externas revestidas de azulejos com
desenhos nas cores azul e branca, especialmente feitos para a obra.
Desativada por volta de 1946/47, a Casa do Baile foi abandonada depois de servir a
diversos e eventuais usos, inclusive o de abrigo de mendigos e depósito. Atualmente, a
Casa do Baile é um anexo do Museu de Arte e encontra-se fechada para reforma.
O prédio do antigo Cassino foi a primeira edificação do Conjunto Arquitetônico da
Pampulha a ser construída. Trata-se de uma edificação de grande interação plástica,
possuindo superfícies retas e curvas, integradas pela contraposição de materiais como
concreto, vidro, azulejos, espelhos e pilotis de aço inox. Seu interior interpreta de forma
criativa os elementos essenciais do barroco mineiro, através da composição de espaços
livres e cenográficos, do uso de perspectivas ilusórias nas paredes espelhadas e do jogo
sensível de curvas e rampas.
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Com a proibição do jogo no Brasil, o Cassino foi fechado em 1946, e o prédio foi
transformado em Museu de Arte no ano de 1957. Seu acervo é composto por pinturas,
gravuras, desenhos, objetos e tapeçarias de artistas nacionais e internacionais, como
Guignard, Di Cavalcanti, Manabu Mabe, Ivan Serpa, Tomie Ohtake, Ianelli, Maria Helena
Andrés, Franz Weissman, GTO, Maurino, entre outros.
A ação do tempo e o descaso dos governantes fizeram com que o prédio e o acervo
sofressem diversos danos: infiltrações de água provocaram rachaduras na construção; na
parte hidráulica, o antigo encanamento enferrujou; na parte elétrica, os fios ainda eram de
tecido; azulejos e mármores caíram; espelhos manchados e quebrados comprometiam a
beleza dos salões; o jardim não obedecia mais o seu traçado original e espécies de
vegetação estrangeira foram introduzidas; o local destinado a guardar as obras de arte
acumulava poeira, detritos, mofo e cupins, o que acabou comprometendo o estado dos
trabalhos.
Através de uma parceria firmada entre a Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, Fundação
Roberto Marinho e Banco Real, deu-se início em 1995 às obras de restauração e
revitalização do Museu envolvendo recursos da ordem de US$ 2 milhões. Assim, o MAP se
preparava para desempenhar um importante papel no crescimento da Cidade, tornando-se
um importante pólo cultural e atrativo turístico.
DE CASSINO A MUSEU DE ARTE
Após quase dois anos de reforma e restauração (fev.95 a set.96), o Museu de Arte da
Pampulha tem suas instalações finalmente adaptadas às reais demandas museológicas. Os
antigos camarins do Cassino foram transformados em reserva técnica (local onde se
acondicionam obras de arte) com climatização, trainéis para suporte das pinturas,
higrômetro (para medição da umidade), termoygrógrafo (para medição da temperatura),
desumidificadores, além de estantes para objetos e esculturas de pequeno e médio portes,
mapotecas para armazenagem de obras em papel, iluminação apropriada, dentre outros
equipamentos indispensáveis à preservação das cerca de 1.100 obras que compõem o
acervo artístico do MAP.
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Na área das antigas cozinhas e câmaras frigoríficas, foi instalada a área administrativa do
Museu e o Centro de Documentação e Referência, onde está todo o acervo bibliográfico e
documental sobre o Conjunto Arquitetônico e Paisagístico da Pampulha, as atividades do
Museu de Arte desde a sua fundação, e a arte moderna e contemporânea mineira e
brasileira.
O espaço do restaurante do Cassino foi adaptado para abrigar a Sala Multiuso -espaço com
140m2, destinado a atividades diversas (exposições paralelas, vídeo-instalações, oficinas e
atividades do projeto arte-educação), e o Café-Bar e Loja de Souvenirs (inauguração
prevista para o fim de 1997).
Já o “grill-room” foi transformado em auditório com capacidade para acomodar 270
pessoas, estando aberto à realização de espetáculos artísticos (música, dança, teatro, vídeo,
cinema...), cursos, seminários e palestras. No mezanino, a caixa-forte do Cassino foi
transformada numa sala de memória, que resgata o primeiro uso da edificação, através da
exposição de fotografias, vídeo-documentário e objetos como roleta, fichas, taças e tapete.
Os jardins que contornam o prédio foram reconstituídos a partir de uma elaborada pesquisa
iconográfica e documental. Como resultado, foram replantadas 41.506 mudas de plantas de
59 espécies diferentes, bem como foram suprimidas espécies de origem estrangeira, que não
pertenciam ao projeto original.
Todas estas intervenções no espaço físico do prédio e jardins procuraram respeitar os
projetos de Oscar Niemeyer e Burle Max e seguiram instruções dos Institutos Federal e
Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico.
Também fizeram parte do projeto reformas na rede elétrica e hidráulica; reorganização
museológica; criação da Associação Cultural de Amigos do Museu- AMAP; reformulação
de suas atividades permanentes -tanto de pesquisa quanto de exposições-; estreitamento do
intercâmbio com a comunidade; formulação e implementação de uma política de marketing
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e comunicação integrada, que abrange desde a captação de patrocínios; contatos
permanentes com a imprensa; elaboração de instrumentos de comunicação interna a
produção de veículos multimídias e eletrônicos -site na Internet, CD Rom e vídeodocumentário.
O acervo artístico recebeu atenção especial, pois parte dele encontrava-se em estágio
avançado de deterioração: ataque de fungos e insetos, craquelês, despigmentação,
destacamento da camada pictórica, danos causados pelo manuseio incorreto (rasgos, furos,
quebra de chassis e partes de esculturas etc). Para sanar tais problemas, foram
implementadas duas ações simultâneas (a) criação de um Ateliê de Restauro e Conservação
próprio, com profissionais especializados e equipamentos básicos para reparos simples e (b)
estabelecimento de parcerias com entidades afins (CECOR- Centro de Conservação e
Restauro da UFMG/ Oficina de Restauro) para recuperar e restaurar obras com danos
graves.
Para maior proteção do acervo, foi instalado um sistema de segurança composto por
circuito interno de TVs, alarmes contra roubo e incêndio, além de um reforço policial
realizado pela Polícia Militar de Minas Gerais e empresas de segurança contratadas para
esse fim.
Em sintonia com as mudanças tecnológicas deste final de milênio, o MAP deu início a
informatização dos dados sobre seu acervo artístico, documental e bibliográfico, para
posterior disponibilização ao grande público. Foi criado um programa de software para
armazenar e facilitar o acesso às informações contidas nas fichas museográficas,
anteriormente manuscritas. Esse banco de dados inclui imagens digitalizadas de todas as
obras do acervo.
Outra ação nesse sentido foi a produção e comercialização de um CD Rom que conta a
história da arte moderna e contemporânea mineira e brasileira, história do museu e seu
acervo. São 500 fotos históricas e reproduções de obras de arte, 120 laudas de texto em
português e inglês, 30 min. de vídeo e 5 min. de áudio da época da construção do Cassino.
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Envolvendo uma equipe de 20 profissionais, composta por historiadores, diretores de arte,
designers, fotógrafos, vídeomakers, tradutores, dentre outros, o CD Rom do MAP prova
que é possível fazer arte com a informática.
Ainda dentro do projeto de divulgação eletrônica do museu, foi produzido um vídeodocumentário em betacam, com duração de 15 min., mesclando a história e imagens do
Cassino com a vida do Museu na atualidade.
DA
ASSESSORIA
DE
IMPRENSA
AO
MARKETING
CULTURAL
E
COMUNICAÇÃO INTEGRADA
Seguindo uma visão contemporânea do marketing cultural, o Museu de Arte da Pampulha
decidiu, primeiramente, definir sua missão a partir da seguinte contradição: ser uma
instituição cultural pública e, portanto, destinada a todos os cidadãos, e sua realidade
mercadológica, restrita a uma minoria sócio-economicamente privilegiada e expoentes das
artes plásticas. Ou seja: ser popular e não popularesco, ser de vanguarda sem perder a
memória, ser acessível sem perder a qualidade, ser referência cultural a baixo custo.
Diante deste impasse, o MAP convocou representantes da comunidade que, após muitas
discussões,
propuseram
a seguinte conceituação: Museu de Arte Moderna e
Contemporânea, com vistas em guardar, colecionar, preservar, estudar e difundir obras de
arte de destaque regional, nacional e até mesmo internacional, tendo como enfoque
principal a arte mineira e funcionando como um centro cultural integrado às diversas
manifestações artísticas.
A partir desta conceituação e das limitações imposta pela edificação e recursos financeiros,
foram definidas as políticas de acervo, programação, comunicação e de pesquisa.
Tendo como âncora exposições de longa duração do seu acervo artístico e exposições
temporárias resultantes de elaboradas pesquisas realizadas pela própria equipe do Museu ou
terceiros, o MAP decide implantar uma agenda de espetáculos de música, dança, teatro;
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exibições de cinema e vídeo; cursos, oficinas, workshops para ampliar e diversificar seu
público. Essa programação paralela priorizará temáticas relacionadas às exposições.
Cada uma destas apresentações será apresentada de forma diferenciada aos diversos
segmentos de públicos visados pelo Museu. Assim, na abertura de exposições e pré-estréias
estarão presentes artistas, políticos, empresários, críticos de arte, jornalistas e
personalidades da sociedade. No decorrer das programações, monitores especializados
acompanharão grupos de crianças, idosos e deficientes, procurando despertá-los para o fato
artístico, através de apelo ao lúdico, à estética e à criatividade. Já museólogos,
restauradores, historiadores da arte, estudantes universitários poderão discutir novos
conceitos e propostas de trabalho durante as oficinas, seminários e palestras. Inserido no
cotidiano do Museu, o turista viverá momentos de estranhamento e familiaridade que só
podem ser proporcionados pelo contato direto com os diferentes fazeres culturais.
Diferenciando e diversificando sua linha de serviços, o Museu de Arte alcança uma maior
espectro de público sem, contudo, desconsiderar a pluralidade de interesses, sem
neglicenciar a qualidade ou impor apenas sua leitura da produção artística exibida.
Definido o quê fazer, tornou-se necessário viabilizar os recursos humanos e financeiros.
Situação esta agravada pela exiguidade das verbas públicas, pela magnitude dos problemas
sociais da Cidade e complexidade dos trâmites administrativos relacionados à gestão de
recursos humanos e financeiros na área pública.
Com o objetivo de formar uma equipe técnica especializada e multidisciplinar, sem contudo
inchar o quadro de pessoal da instituição, partiu-se para a busca destes profissionais dentro
da
própria Prefeitura, pois, muitas vezes, encontram-se no serviço público pessoas
altamente qualificadas, criativas e dinâmicas realizando serviços ou ocupando cargos não
compatíveis com a sua capacidade ou interesse profissional. Após o recrutamento, interno
investiu-se em qualificação da mão-de-obra. Já a terceirização e a contratação de estagiários
foi a solução encontrada para os cargos não preenchidos. Outra solução foi a realização de
parcerias com a Polícia Militar, para reforço da segurança; com a Secretaria Municipal de
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Meio Ambiente e Companhia Energética do Estado de Minas Gerais- CEMIG, para a
manutenção dos jardins e sua iluminação, respectivamente; com a Escola de Belas Artes da
UFMG para obtenção de monitores para o projeto Arte-Educação.
Para obtenção de recursos financeiros e equipamentos foram utilizados vários expedientes.
O primeiro deles foi a redução de custos, através da estruturação de um banco de dados de
fornecedores; eliminação de desperdício; reaproveitamento e racionalização do uso de
materiais e equipamentos. Para busca de novos recursos, foi criada a Associação Cultural de
Amigos do Museu de Arte da Pampulha; elaboração de projetos para captação de patrocínio
e aprovação dos mesmo nas leis de incentivo federal e municipal; contratação de
agenciadores de patrocínio; aluguel dos espaços disponíveis do Museu para a realização de
eventos; comercialização de produtos produzidos ou que levam a marca do Museu (livros,
folders, camisas, vídeos, CD Rom etc) e apresentação de projetos para fundações e
instituições financiadoras
de projetos educativos e culturais (Fundação Vitae, CNPq,
FAPEMIG etc).
Uma importante forma de obter recursos para projetos especiais foi o estabelecimento de
parcerias e convênios. Com o Departamento de Ciências Biológicas- setor de Botânica da
Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais/PUC-MG, por exemplo, será
desenvolvido um projeto de identificação taxonômica das plantas dos jardins, bem como a
produção de um herbário, controle de pragas e desenvolvimento de um trabalho de
educação ambiental. Já com a Federação de Corais de M.G. será estabelecida uma
programação mensal de apresentações, sem ônus para o Museu, tendo como contrapartida
os serviços de Assessoria de Comunicação e associação do nome dos diferentes grupos de
corais à marca do MAP.
Não sendo a cultura prioridade dos governos, os recursos destinados à área são sempre
muito escassos, enquanto a produção e difusão cultural sempre requerem grandes
investimentos. Para contornar esta situação, o Museu de Arte procurou se integrar às demais
políticas públicas, obtendo, assim, parte dos recursos a elas destinados. Este é o caso da
implantação do projeto de coleta seletiva de lixo e educação ambiental no Museu. Também,
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neste sentido, o projeto Arte-Educação prioriza crianças de 7 a 12 anos da rede pública
municipal e estadual de educação, visando o resgate da cidadania e uma maior frequência
ao Museu no futuro. Ao associar cultura com esporte, lazer e turismo, o Museu de Arte da
Pampulha desmistifica a cultura como algo restrito a eruditos, como também canaliza
recursos dessas áreas vistas como sendo fundamentais para o crescimento econômico da
Cidade.
Atrair público e torná-lo fiel sempre foi um problema para todos os espaços culturais. O
MAP não era uma exceção. Segundo o Iº Diagnóstico da Área Cultural de Belo Horizonte,
realizado no período de agosto de 1995 a maio de 1996, através da parceria entre o Instituto
de Pesquisa Vox Populi e a Secretaria Municipal de Cultura, 34% das pessoas que não
frequentam museus justificam seu comportamento por não gostar/ não se interessarem pelos
mesmos, 33% porque não os conhecem e 22,5% alegam não ter tempo. Entre aqueles que
frequentam museus, 34,8% afirmam que a razão dessa visita foi a programação de
exposições, 32,8% os trabalhos solicitados pelas escolas e universidades e 20% por convite
de parentes e amigos.
Quando perguntados sobre o que deveria ser feito para que a sua frequência a museus
aumentasse, 32% dos entrevistados sugerem maior divulgação, 23,3% demandam mais
tempo livre, 19% reivindicam mostras mais interessantes e 17,4% afirmam que nada
poderia ser feito no sentido de aumenta sua frequência a museus.
Além desses aspectos problemáticos comuns a todos os museus, o MAP se encontra
localizado em uma região de pouco fluxo de público, mal sinalizada e de difícil acesso
através de transportes coletivos, o que torna o desinteresse do público ainda maior. Na
tentativa de reverter esta situação, o Museu de Arte envidou grandes esforços no sentido de
alterar e implantar nova sinalização; modificar a rota de algumas linhas de ônibus; afixar
placas “via MAP” nos vidros dianteiros dos coletivos; divulgação junto a taxistas sobre a
localização e importância turística do Museu; busca do envolvimento da comunidade da sua
zona geográfica de influência e desportivas com as atividades do Museu.
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A criação de espaços de convivência como o Café-Bar; a qualidade e a diversificação e
diferenciação da sua programação; a conceituação e museografia das exposições, associadas
à utilização de textos e publicações de cunho didático e que empregam uma linguagem
acessível a pessoas com diferentes níveis de instrução e a abertura de espaço para o diálogo
com os visitantes são estratégias que dinamizam a atuação do Museu, atraem o público e o
torna fiel.
Visando aumentar e qualificar a divulgação do MAP junto aos seus diversos segmentos de
público, decidiu-se conjugar veículos tradicionais de comunicação de massa com mídias
alternativas e interativas, sendo as mensagens estruturadas a partir do perfil do público e das
características específicas de cada mídia. Desta forma, facilita-se o acesso às informações e
a compreensão das mesmas, além de promover um envolvimento maior dos receptores com
a mensagem.
Na relação com a imprensa, o Museu de Arte da Pampulha tem procurado pautar sua
atuação no profissionalismo e não em relações de amizade. Facilitar o acesso da imprensa
às informações e aos responsáveis pelos projetos e atividades é um compromisso da
Assessoria de Comunicação. Organizar “kits press” específicos para cada veículo e linhas
editoriais envolve conhecer as mídias, suas linguagens e políticas, além de ser necessário
preparar materiais promocionais diversificados: releases para rádio, TV e impressos; fotos
p&b e coloridas; slides; fitas de vídeo em betacam; convites; catálogos; CD Rom; folders,
dentre outros. Outro importante fator é despertar editores de cadernos como Cidade, Meio
Ambiente, Informática, Política e Economia para o fato de que um espaço cultural também
produz notícias de repercussão junto aos leitores destes cadernos. Incentivar e promover a
participação da equipe técnica do Museu, seja como participante ou palestrante, em
congressos, seminários e palestras com temáticas afins às atividades do MAP, também se
constituem numa importante forma de divulgação.
Sinalização das áreas externa e interna do prédio, organização de um painel-mural com
informações sobre as atrações do Museu e outras instituições culturais locais, nacionais e
internacionais; envio mensal da programação do Museu; treinamento dos funcionários
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sobre as técnicas de bom atendimento, habilitando-os a dar informações precisas sobre a
instituição, a região da Pampulha, demais órgãos da Secretaria Municipal de Cultura, além
de cuidados com a segurança e preservação são algumas das ações de comunicação que
também estão sendo implementadas, gradativamente, com o objetivo de melhor atender ao
público.
CONCLUSÃO
Através do case Museu de Arte da Pampulha é possível verificar que, devido às
significativas mudanças do mercado e seus impactos sobre a estrutura e funcionamento das
organizações, torna-se indispensável o questionamento sobre o papel e amplitude de área de
atuação dos profissionais de comunicação dentro das instituições.
Conhecer em profundidade as tendências do mercado, o comportamento do consumidor e
da concorrência, para posicionar a instituição em que trabalha, tendo como base um
diagnóstico dos seus pontos fortes e fracos, são pré-requisitos para uma atuação eficiente e
eficaz da área de comunicação em prol do atingimento dos objetivos organizacionais.
Sendo assim, o perfil do novo assessor de comunicação é o de um profissional que pensa
estrategicamente e age localmente. Trata-se de um especialista em comunicação,
conhecedor das diferentes mídias e linguagens, mas com uma visão generalista de
marketing e administração.
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