UNIÃO DINÂMICA DE FACULDADES CATARATAS FACULDADE DINÂMICA DAS CATARATAS CURSO ENGENHARIA AGRONÔMICA Missão: “Formar Profissionais capacitados, socialmente responsáveis e aptos a promoverem as transformações futuras” EFICIÊNCIA DO USO DE ENRAIZADORES NA CULTURA DO FEIJÃO MARLON HENRIQUE BUENO WEBER Foz do Iguaçu - PR 2012 MARLON HENRIQUE BUENO WEBER EFICIÊNCIA DO USO DE ENRAIZADORES NA CULTURA DO FEIJÃO Trabalho Final de Graduação apresentado à banca examinadora da Faculdade Dinâmica das Cataratas (UDC), como requisito para obtenção do grau de Engenheiro Agrônomo. Prof(a). orientador(a): Joselaine Viganó Prof. co-orientador(a): Herbert Nacke Foz do Iguaçu – PR 2012 TERMO DE APROVAÇÃO UNIÃO DINÂMICA DE FACULDADES CATARATAS EFICIÊNCIA DO USO DE ENRAIZADORES NA CULTURA DO FEIJÃO TRABALHO FINAL DE GRADUAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE ENGENHEIRO AGRÔNOMO Acadêmico(a): MARLON HENRIQUE BUENO WEBER Orientadora: Dra. Joselaine Viganó Nota Final Banca Examinadora: Prof(ª). Me. Angela Fuentes Fagundes Prof(ª). Me. Dangela Maria Fernandes Foz do Iguaçu, 30 de novembro de 2012. DEDICATÓRIA A Deus, em primeiro lugar, por estar sempre presente na minha vida, me mostrando o caminho correto. Aos meus pais, Ivan Weber e Vera Regina Basqueira Bueno, que me deram sempre toda a educação, carinho e suporte necessário para alcançar qualquer objetivo. A minha família que sempre colaborou, ensinou e cobrou quando necessário, contribuindo e muito na minha formação, a todos aqueles que aqui estão e também os que já se foram. Aos meus amigos que sempre estão presentes nas horas boas e ruins da minha vida, sempre me dando forças e não me deixando desistir. E a todos aqueles que mesmo que de forma sucinta, colaboraram para o meu crescimento profissional e pessoal. AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a instituição Faculdade Dinâmica das Cataratas, que por meio deste curso de graduação, pude aprender e ser quem hoje sou, pois contribuiu desde os meus primeiros passos da vida. E por estar me possibilitando sempre um maior acesso ao conhecimento. Ao coordenador do curso Martin Engler, que sempre esteve presente quando necessitei, a todo o corpo docente que se fez presente nessa caminhada, a minha orientadora Joselaine Viganó, pela paciência e por estar sempre disposta a passar o seu conhecimento. À casa de vegetação, instalada na Faculdade Dinâmica das Cataratas, onde pude realizar o meu experimento. Ao professor Herbert Nacke que contribuiu significativamente durante todo o desenvolvimento do trabalho. EPÍGRAFE “Determinação, coragem e autoconfiança são fatores decisivos para o sucesso. Se estamos possuídos por uma inabalável determinação conseguiremos superá-los. Independentemente das circunstâncias, devemos ser sempre humildes, recatados e despidos de orgulho...” Dalai Lama WEBER, Marlon Henrique Bueno. Eficiência do uso de enraizadores na cultura do feijão. Foz do Iguaçu, 2012. Projeto de Trabalho Final de Graduação - Faculdade Dinâmica de Cataratas. RESUMO O feijão (Phaseolus vulgaris) da família Fabaceae é um dos grãos mais consumidos no Brasil. É a base da comida do brasileiro, que consome uma média de 16,5 kg ao ano. Por isso, a grande procura por alternativas que possibilitem melhores condições de cultivo e maior resistência a doenças e pragas, para consequentemente maior produtividade. Neste aspecto, os enraizantes podem ser uma das formas para favorecer o desenvolvimento da planta. Assim, o presente trabalho teve como objetivo avaliar os efeitos de produtos enraizadores, via tratamento de sementes, sobre caracteres agronômicos da cultura do feijoeiro. Para o experimento realizado em casa de vegetação foram utilizadas sementes da cultivar BRS Esplendor e IPR Uirapuru tratadas com Always, Green Helper, Wellgro Amino e Macro Raiz Premium, e 4 repetições. O experimento foi conduzido em um delineamento inteiramente casualizado, sendo as plantas avaliadas inicialmente aos 20 DAE (Dias após a emergência), medindo-se altura de plantas e quantificando-se o número de folhas. Após 41 dias, foi avaliada a massa seca de parte aérea e raiz. De modo geral, o uso dos enraizadores não proporcionou diferenças significativas à cultura. Palavras-Chave: Phaseolus vulgaris - Emergência - Produtividade. WEBER, Marlon Henrique Bueno. Efficiency of the use of rooter at the bean culture. Foz do Iguaçu, 2012. Project to Completion of Course Work - Faculdade Dinâmica de Cataratas. ABSTRACT The common bean (Phaseolus vulgaris) of the family Fabaceae is one of the most consumed grain in Brazil. It is the basis of the Brazilian food, which consumes an average of 16.5 kg per year. Therefore, the high demand for alternatives that enable better growing conditions and more resistance to diseases and pests, consequently to increased productivity. In this regard, the rooter may be one way to encourage the growth of the plant. Thus, the present work had as objective evaluate the effects of rooter products, through seed treatment on agronomic characters of common bean. For the experiment in a greenhouse were used seeds of BRS Splendor and IPR Uirapuru treated with Always, Green Helper, Wellgro Amino and Macro Raíz Premium, and 4 repetitions. The experiment was conducted in a completely randomized design (CRD), and the plants were evaluated initially at 20 DAE (days after emergence), by measuring the plant height and quantifying the the number of leaves. Following 41 days, was evaluated the dry mass of the aerial part and roots. Generally speaking, the use of rooter not provide significant differences to the culture. Keywords: Phaseolus vulgaris L. – Emergence - Productivity. 9 SUMÁRIO RESUMO............................................................................................................ 7 ABSTRACT......................................................................................................... 8 1 INTRODUÇÃO................................................................................................ 11 2 REFERENCIAL TEÓRICO.............................................................................. 13 2.1 A IMPORTÂNCIA DA CULTURA DO FEIJÃO.............................................. 13 2.1.1 O feijão como fonte de cálcio................................................................. 14 2.1.2 O feijão como fonte de ferro................................................................... 14 2.2 O FEIJÃO NO BRASIL.................................................................................. 15 2.2.1 Caracteristicas botânicas........................................................................... 16 2.2.2 Feijão como alternativa para o inverno................................................. 19 2.2.3 O feijão no Estado do Paraná................................................................. 21 2.3 FATORES QUE AFETAM A CULTURA DO FEIJÃO.................................. 22 2.3.1 Calagem.................................................................................................... 22 2.3.2 Nitrogênio................................................................................................. 24 2.3.3 Adubação foliar........................................................................................ 27 2.3.4 Clima......................................................................................................... 27 2.3.4.1 Temperatura............................................................................................ 27 2.3.4.2 Umidade do solo..................................................................................... 28 2.3.4.3 Exigências hídricas................................................................................. 28 2.3.4.4 Excesso de água no solo........................................................................ 28 2.3.5 Solo........................................................................................................... 29 2.3.6 Irrigação.................................................................................................... 30 2.3.7 Principais Pragas..................................................................................... 31 2.3.8 Principais Doenças.................................................................................. 32 10 2.4 O USO DE ENRAIZADORES NA CULTURA DO FEIJÃO........................... 32 2.4.1 Enraizadores aplicados no solo............................................................. 33 2.4.2 Enraizador em estacas............................................................................ 34 2.2.3 Estimulantes Vegetais............................................................................. 35 3. MATERIAIS E MÉTODOS.............................................................................. 37 3.1 CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO.............................................. 37 3.2 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS..................................................... 38 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO....................................................................... 41 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS............................................................................. 44 6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS............................................................... 45 11 1 INTRODUÇÃO O feijão (Phaseolus vulgaris L.), pertencente à família Fabaceae, e é muito consumido no Brasil, sendo a base da alimentação do brasileiro, que consome uma média de 16,5 kg ao ano. Tipicamente um produto brasileiro, o feijão, vem sendo utilizado desde a colonização do país (BUZETTI et al., 1992). O Brasil é o maior produtor mundial de feijão, sendo a produção nacional de feijão em grão, estimada em 3.144,009 toneladas, indica uma redução de 2,1% frente à informação de abril de 2012. O decréscimo só não foi maior devido à contribuição positiva nas estimativas de produção do Paraná (1,4%), Minas Gerais (3,7%), Mato Grosso (21,1%) e Rondônia (3,2%). Este volume de produção é distribuído em 42,3% para a 1ª safra (1.329,148 t), 44,6% da 2ª safra (1.403,058 t) e 13,1% da 3ª safra de feijão (411.803 t) (IBGE, 2012). De toda a produtividade brasileira, uma média de 60% da produção, é oriunda da agricultura familiar, e muitas vezes, sem grandes investimentos e com mão de obra familiar; os outros 40% provém da produção empresarial de alta tecnologia. Porém, como acontece com outras culturas anuais, para incrementar a produtividade, é prioritária a melhoria do nível tecnológico, usando sementes de alta qualidade e produtividade, um bom manejo nutricional às plantas, incorporação de nutrientes ao solo com adubação adequada, manejo de pragas e monitoramento da lavoura, podendo resultar no aumento da produtividade (BUZETTI et al., 1992). O feijão comum apresenta componentes e características que tornam seu consumo vantajoso do ponto de vista nutricional. Este grão constitui, na dieta humana, uma importante fonte de proteína para grupos de baixa renda, substituindo em muitos casos a proteína animal, de alto custo, o que demonstra a necessidade de mais estudos sobre a qualidade nutricional em feijões, assim como os efeitos dos fatores antinutricionais e funcionais deste alimento na dieta humana (RAMIREZ, LEONEL e COSTA, 2008). Os Estados do Paraná e Santa Catarina são responsáveis por aproximadamente 35% da produção brasileira de feijão (FEIJÃO, 2010) e, portanto, têm importância estratégica na avaliação das linhagens. A produção desses Estados distribui-se em duas épocas tradicionais de semeadura, a das águas, também 12 chamada de safra, com semeadura de setembro a novembro, e a da seca ou safrinha, com semeadura de janeiro a fevereiro. A cultura de feijão é considerada bastante exigente em nutrientes, devido ao seu sistema radicular superficial e ciclo curto. O tratamento de sementes, utilizando enraizadores, dará o aporte necessário à planta, para que possa expressar todo o seu potencial aumentando o número de vagens e massa de grãos, que são determinantes na produção final da cultura do feijoeiro (INFORZATO et al., 1964). Dentre os produtos utilizados para auxiliar na elevação da produtividade do feijoeiro, estão os enraizadores, que ainda não são muito explorados por terem sido desenvolvidos há pouco. As empresas que o produzem, têm grande esperança de sucesso no produto, assim como alguns trabalhos já apontam considerável ganho de massa e produtividade pelo uso de enraizadores, que contribuirá no fornecimento de nutrientes exigidos pela planta durante todo seu processo vegetativo e reprodutivo. Assim, o presente trabalho teve como objetivo, avaliar o uso de enraizadores no tratamento de sementes de feijão com diversas variedades. 13 2 REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 A IMPORTÂNCIA DA CULTURA DO FEIJÃO O feijão tem grande importância econômica e social no Brasil. De acordo com os valores divulgados pela Companhia de Abastecimento (CONAB, 2010), na safra 2009/2010, o feijão representou o quinto granífero mais produzido, ficando atrás apenas da soja, do milho, do arroz e do trigo. Já na safra de 2011/2012, segundo a CONAB (2012), a menor safra dos últimos dez anos, ocasionando uma oferta bastante ajustada. O mercado está sendo abastecido com produto dos estoques da terceira safra e de uma pequena quantidade importada da Argentina, China e Bolívia. Segundo MAPA (2012), de cada dez brasileiros, sete consomem feijão diariamente. O grão é fonte de proteína vegetal, vitaminas do complexo B e sais minerais, ferro, cálcio e fósforo. O consumo do produto, em média, por pessoa chega a dezenove quilos por ano. Esta leguminosa tem grande importância na alimentação humana, em vista de suas características proteicas e energéticas. No Brasil, o feijão tem importância social e econômica, por ser responsável pelo suprimento de grande parte das necessidades alimentares da população carente, e que ainda tem apresentado taxas de crescimento relativamente altas e também pelo contingente de pequenos produtores que se dedicam à cultura (ABREU, 2005). O feijão representa uma fonte proteica efetiva na dieta humana dos países em desenvolvimento das regiões tropicais e subtropicais. De toda a produção mundial, 47% provêm das Américas e cerca de 10% do leste e sul da África (TEIXEIRA, 2000). De acordo com o MAPA (2012), o Brasil é o maior produtor mundial de feijão com produção média anual de 3,5 milhões de toneladas. É cultivado por pequenos e grandes produtores em todas as regiões, sendo que os maiores produtores são o Estado do Paraná, que colheu 298 mil toneladas na safra 14 2009/2010, e Minas Gerais com a produção de 214 mil toneladas no mesmo período. A safra tem taxa anual de crescimento projetada de 1,77%, de acordo com estudo da Assessoria de Gestão Estratégica do Ministério da Agricultura. Os dados também demonstram crescimento no consumo, cerca de 1,22% ao ano, no período 2009/2010 a 2019/2020, passando de 3,7 milhões de toneladas para 4,31 milhões de toneladas. As projeções indicam também a possibilidade de importação de feijão nos próximos anos. Porém, a taxa equivaleria a 161,3 mil toneladas em 2019/2020, quantidade pouco expressiva (MAPA, 2012). 2.1.1 Feijão como fonte de cálcio A deficiência de cálcio no organismo provoca danos na estrutura óssea, podendo causar osteoporose, osteomalacia e raquitismo (CZAJKA-NARINS, 1998). Isso porque a principal função do cálcio é a formação dos ossos e dos dentes. Além disso, exerce papel fundamental no crescimento, na contração muscular e também é um regulador de várias reações bioquímicas (FRANCO, 1999). O feijão comum apresenta uma quantidade elevada de minerais essenciais e de baixo teor de sódio (SGARBIERI, 1989). Porém, deve-se destacar que a composição mineral dos alimentos de origem vegetal está influenciada e controlada pela fertilidade do solo, características genéticas da planta e do ambiente no qual cresce (MILLER, 1996). O feijão é considerado uma das melhores opções como fonte de cálcio, a partir de um estudo realizado com várias espécies de origem vegetal (STEVENS, 1974). Quando confrontado com outras leguminosas, o feijão tem 50% a mais de cálcio que o grão-de-bico e, 100% a mais que a lentilha (SEBASTIÁ et al., 2001). Além disso, o cálcio presente nas vagens e nos grãos imaturos do feijão vagem é prontamente absorvido pelo ser humano (GRUSAK et al., 1996). O teor de cálcio nos grãos de feijão varia conforme a subespécie. No Brasil, valores entre 0,30 e 2,80 g de Ca kg-1 de Matéria Seca (MS) foram observados em 21 linhagens de feijão (MESQUITA et al., 2007). A variabilidade 15 genética de 0,24 a 0,72 g de Ca kg-1 de MS foi verificada em Burundi (BARAMPAMA e SIMARD, 1993), e de 1,7 a 4,0 g de Ca kg-1 de MS no México (GUZMÁNMALDONADO et al., 2000). 2.1.2 Feijão como fonte de ferro Estima-se que quase 40% da população mundial apresenta carência de ferro ou níveis baixos de hemoglobina, estabelecendo uma situação de risco que inclui indivíduos tanto dos estratos sociais mais privilegiados, como dos mais carentes, especialmente o grupo materno-infantil: lactentes, pré-escolares, escolares, gestantes e nutrizes (FAIRBANKS, 1994). Como pode existir deficiência de ferro sem a presença de anemia, a ocorrência de carência de ferro na população apresenta uma magnitude ainda maior, do que a prevalência da anemia ferropriva (BATISTA-FILHO e FERREIRA, 1996). A carência desse nutriente prejudica a nutrição e a saúde, o desenvolvimento físico e o aprendizado (HALLBERG et al., 1991). Bianchi et al.,(1992) ressaltam que embora a anemia seja um dos maiores problemas mundiais de saúde pública, paradoxalmente, a média de ferro total presente na dieta de diversas regiões encontra-se acima das recomendações diárias, necessárias para suprir o uso metabólico normal desse mineral. A anemia é decorrente da baixa biodisponibilidade do ferro nos alimentos, principalmente os de origem vegetal. O ácido ascórbico, como agente redutor, mantém o ferro dos alimentos no estado ferroso, que é mais solúvel. O ferro da alimentação contido nas frutas e vegetais, que são ricos em ácido ascórbico, normalmente, é 15% disponível. A absorção do ferro aumenta de 3,7% para 10,4% em refeições com pão, ovo e chá quando se adiciona de 40 a 50 mg de ácido ascórbico (BIANCHI, 1988). O feijão constitui a base alimentar da maioria dos brasileiros, sendo uma fonte de proteína de baixo valor biológico, porém apresenta elevado teor de lisina, carboidratos complexos, além da presença de vitaminas do complexo B e de ferro. Com relação à proteína, o feijão apresenta deficiência de aminoácidos sulfurados 16 metionina e cistina, ambos essenciais na alimentação (BATISTA-FILHO e FERREIRA, 1996). A quantidade de antinutricional do feijão exerce efeito inibitório sobre a disponibilidade de ferro do feijão, no entanto, com acréscimo simultâneo da cistina e do ácido ascórbico melhora a absorção do ferro do feijão, igualando-o à absorção do ferro da carne bovina (LYNCH, 1997). 2.2 FEIJÃO NO BRASIL No Brasil se cultiva essa leguminosa em três épocas. Na época das águas na região sul e sudeste; na época da seca, cultivada em todo Brasil e a “época de inverno”; sendo que o último corresponde a 10% da produção nacional, e ocupa 260 mil hectares (FEIJÃO, 2011). Segundo MAPA (2012), a safra do feijão é divida em três etapas, a primeira, conhecida como safra “das águas” é assim chamada porque o plantio e a colheita são beneficiados pelo alto índice de chuvas. O plantio dessa safra na região centro-sul vai de agosto a dezembro e no nordeste, de outubro a fevereiro. Realizada no período com o menor índice de chuva no país, a segunda safra é chamada de época “da seca”. O plantio nessa época acontece de dezembro a março. Já a terceira, a safra “de inverno” é assim conhecida por se referir à colheita do feijão irrigado, que têm a concentração do plantio na região centro-sul, de abril a junho. A espécie é cultivada no Brasil, praticamente durante o ano inteiro, sendo a primeira época de cultivo chamada feijão "das águas", responsável por aproximadamente 50% da área plantada, representando 45% da produção nacional e sua produtividade média é de 560 kg ha-1 (YOKOYAMA et al., 1996). O feijão é um dos alimentos básicos de várias etnias, principalmente do povo brasileiro, constituindo a sua principal fonte de proteína vegetal. Seu teor proteico pode chegar a 33% com valor energético de 341 cal 100 g -1 (POMPEU, 1987). O feijoeiro é uma espécie da família das leguminosas, apresentando ciclo de 90 a 100 dias e um sistema radicular superficial (INFORZATO et al., 1964). O 17 feijoeiro é considerado uma planta exigente em nutrientes em decorrência do sistema radicular superficial e ciclo curto (ROSOLEM e MARUBAYASHI, 1994), devendo os nutrientes serem mantidos à disposição da planta, em tempo e locais adequados. De acordo com o MAPA (2012), o feijoeiro é uma planta com raiz delicada, com sua maior parte concentrada na camada de até 20 cm de profundidade do solo, por isso, deve-se ter um cuidado especial na escolha da área a ser cultivada. Solos compactados, pesados, sujeitos a formar crosta na superfície ou ao encharcamento não são adequados para a cultura do feijoeiro. São recomendados solos com boa aeração, de textura areno-argilosa, ricos em matéria orgânica e elementos nutritivos. 2.2.1 Características botânicas Segundo Barbosa (2007), o feijão em conjunto com o arroz, é um prato quase obrigatório na dieta dos brasileiros, pois combinados, são considerados a principal fonte de proteínas de consumo diário e têm evidência por ser um produto de alta expressão socioeconômica. Com relação à aceitação e preferência pelos consumidores, deve-se levar em consideração aspectos relacionados à cor, ao tamanho e ao brilho dos grãos. De acordo com Collicchio et al. (1997) ocorreram importantes mudanças no sistema de produção do feijão, uma vez que está deixando de ser um cultivo exclusivamente de subsistência, para sistemas altamente tecnológicos. Diante disso, programas de melhoramento passaram a buscar não somente alta produtividade e resistência a pragas e doenças, mas também características de qualidade tecnológica, como porte ereto, coloração clara de grãos e grãos graúdos com peneiras acima de 12, constituindo em características que promovem uma melhor aceitação de mercado (MELO et al., 2007). Para Rosolem e Marubayashi (1994), apesar de esforços contínuos, o feijão ainda vem apresentando baixa produtividade, decorrente de problemas associados a doenças de difícil controle, ao alto custo dos defensivos e à precária 18 situação financeira do pequeno produtor (agricultura familiar), que é responsável por mais de 67% da produção nacional. Esta cultura possui ampla adaptação climática, o que permite seu cultivo durante todo o ano, em quase todos os estados brasileiros, porém apresenta baixa tolerância à deficiência hídrica e alta sensibilidade à diversas doenças, prejudicando o rendimento da cultura (DORNELLES, 2005). De acordo com Malavolta (1979), o nitrogênio é um dos nutrientes mais absorvidos pelo feijoeiro e quando aplicado na dose necessária promove rápido crescimento, aumento da folhagem, aumento no teor de proteína nas sementes, alimenta os micro-organismos do solo que decompõem a matéria orgânica - fungos, além de aumentar o teor de matéria seca. No entanto, quando fornecido em desequilíbrio, em relação aos outros elementos, pode atrasar o florescimento e a maturação e deixar as plantas suscetíveis ao ataque de doenças. Segundo Rosolem e Marubayashi (1994), a literatura é discordante quanto às quantidades de nutrientes absorvidas pelo feijoeiro. Pode-se estipular quantidades médias exigidas, para produção de 1000 kg de grãos de feijão: 35,5 kg de N (Nitrogênio), 4,0 kg de P (Fósforo), 15,3 kg de K (Potássio), 3,1 kg de Ca (Cálcio), 2,6 kg de Mg (Magnésio) e 5,4 kg de S (Enxofre). Bragantini (1996) e Yokoyama et al. (1996) relatam que, para se aumentar a produtividade é primordial a melhoria do nível tecnológico no plantio do feijão, sendo empregadas sementes de alta qualidade e um bom manejo nutricional das plantas. Por outro lado, a adubação foliar e a incorporação de macro e micronutrientes, via tratamento de sementes são algumas alternativas para o aumento da produtividade. O fornecimento adequado e equilibrado de nutrientes para o feijoeiro, pelo uso de adubos minerais, poderá contribuir não só para aumentar a produtividade, mas também para melhorar o valor nutricional do feijão (TEIXEIRA, 2000). Assim, o uso da calagem e da adubação equilibrada poderá fornecer nutrientes que não se encontram em quantidades suficientes no solo, promovendo maior produtividade e melhor qualidade organoléptica e nutricional. Para Teixeira et al. (2004), apesar da alta tecnologia adotada pelos produtores no cultivo do feijoeiro irrigado, a nutrição mineral, é muitas vezes, negligenciada, principalmente em relação aos micronutrientes. 19 Os fatores antinutricionais presentes no feijão, como os fitatos, polifenóis (taninos) e a própria fibra dietética, podem afetar a biodisponibilidade do ferro e outros minerais. Os grãos de feijão precisam ser cozidos para se tornarem palatáveis. Este processo inativa os compostos antinutricionais termolábeis e permite a digestão e assimilação de proteínas e amido (YOKOYAMA, 2000). Referindo-se às aplicações agrícolas dos biorreguladores, deve-se considerar que algumas plantas cultivadas já atingiram no Brasil estágios de evolução que exigem elevado nível técnico para alcançar melhor produtividade, estas já não se apresentam condicionadas por limitações de ordem nutricional e hídrica, além de serem protegidas adequadamente com defensivos (CASTRO, 2006). Segundo MAPA (2012) existem aproximadamente 40 tipos de feijão. O feijão preto, plantado em 21% da área produtora de feijão, tem maior consumo no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, sul e leste do Paraná, Rio de Janeiro, sudeste de Minas Gerais e sul do Espírito Santo. No restante do país este tipo de grão tem pouco ou quase nenhum valor comercial ou aceitação. Os tipos carioca são aceitos em praticamente todo o Brasil. Por isso, 52% da área cultivada é semeada com este tipo grão. O feijão caupi ou feijão de corda é o mais aceito na região norte e nordeste, com 9,5% da área cultivada. De acordo com a CONAB (2012), na temporada 2011/2012, a safra de feijão da primeira safra foi cultivada numa área de 1,25 milhão de hectares, 12% inferior ao observado na safra 2010/2011, fruto da concorrência estabelecida pelas lavouras de soja e milho. A produção, principalmente na região nordeste, em relação às mudanças climáticas ocorridas, atingiu 1,24 milhão de toneladas, representando uma diminuição de 26,2% comparando-se a safra passada (CONAB, 2012). Com relação à segunda safra do feijão, as estimativas apontam para uma área plantada de 1,45 milhão de hectares, cerca de 20% menor da observada na safra passada, contrariando o que se esperava após a redução observada no comportamento da lavoura na primeira safra (MAPA, 2012). 2.2.1 Feijão como alternativa para o inverno 20 Na região sul do Brasil, as culturas de soja, milho, arroz e feijão são importantes alternativas de uso de áreas agrícolas durante o período de clima mais ameno. Além dessas culturas graníferas, outras espécies, como o fumo, a batata e o tomate, também são cultivadas nesse período, ocupando grandes áreas. Porém, nos meses de maio a setembro, há carência de alternativas economicamente viáveis de uso do solo, sobretudo em pequenas propriedades rurais (CARNEIRO e PARRÉ, 2005). Essa situação estimula o pousio no inverno, o que pode se refletir em menor incorporação de carbono orgânico no sistema, gerando erosão e degradação física, química e biológica do solo ao longo dos anos, especialmente em situações de baixa cobertura do solo pela vegetação espontânea. As culturas de cobertura do solo de inverno podem melhorar a qualidade do solo (GIACOMINI et al., 2003). Além disso, a manutenção de elevada quantidade da palhada sobre o solo, por meio do cultivo dessas coberturas, é fundamental para a sustentabilidade do sistema plantio direto (CERETTA et al., 2002). De acordo com Balbinot Junior et al. (2008), a presença de palha sobre o solo reduz a infestação por plantas daninhas e a erosão hídrica. Todavia, o uso de culturas de cobertura do solo no inverno não trazem resultados econômicos imediatos, mas se constitui num investimento, cujo retorno ocorre nas culturas subsequentes. A cultura do feijoeiro destaca-se, portanto, por ser uma cultura que permite seu cultivo em diferentes épocas do ano, locais e cultivado desde a agricultura de subsistência até a agricultura empresarial de alta tecnologia; essa condição é favorável a uma acentuada interação genótipos x ambientes (ALLARD e BRADSHAW, 1964). O feijão possui uma vasta área de cultivo no território nacional, sendo esta uma espécie, cujo desempenho é altamente influenciado pelas condições ambientais, o que resulta em produtividade média instável ao longo dos anos. As oscilações observadas nos níveis de produtividade refletem, na sensibilidade dos genótipos às variações ambientais (COIMBRA et al., 2009). O efeito da interação genótipo x ambiente pode levar os diferentes genótipos a diversidade enorme de padrões e resultados. Porém, os pesquisadores ainda têm uma compreensão limitada das consequências dos tipos de 21 adaptabilidade e de estabilidade fenotípica, dificultando a sua aplicação como critério de recomendação regionalizada de cultivares superiores pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA, 2012). Recentemente, pesquisas sobre o tema revelaram uma notável inconstância na eficiência de diferentes métodos para obtenção de estimativas dos parâmetros de adaptabilidade e de estabilidade em feijão (OLIVEIRA et al., 2006). Para Vieira et al. (2001), as cultivares de feijão recentemente semeadas no Brasil apresentam uma base genética muito restrita, o que é comum entre variedades comerciais. Este grau reduzido de variabilidade genética estreita é imposto tanto pelo agricultor quanto pelo consumidor, representando assim, um gargalo na variabilidade genética da cultura. Na condição de variabilidade genética restrita, principalmente para o caráter rendimento de grãos, as estimativas dos efeitos dos valores genotípicos não seriam coerentes com qualquer variação entre constituições genotípicas. Portanto, a abordagem de modelos lineares mistos mostra-se coerente com a realidade e, por isso, é tida como conceitualmente mais completa e muito mais informativa (PIEPHO e MÖHRING, 2005; PIEPHO, 1999). De modo prático, conclui-se que, mesmo quando a variabilidade genética é restrita, a metodologia dos modelos lineares mistos pode gerar informações notadamente diferentes em relação às metodologias clássicas de avaliação da interação genótipo x ambiente, com base na regressão linear simples, por exemplo (COIMBRA, et al., 2009). Segundo Falconer e Mackay (1996), o caráter rendimento de grãos é governado por vários genes de pequeno efeito sobre o fenótipo, identificando este caráter como quantitativo. Para Coimbra et al. (1999), o rendimento de grãos é um caráter complexo, resultante dos efeitos multiplicativos de seus componentes tanto primários quanto secundários. Continuamente, os caracteres que são controlados por vários genes e são fortemente influenciados pela ação do ambiente apresentam valores de herdabilidade baixo (LI et al., 2003). De acordo com Falconer e Mackay (1996), os caracteres de herança complexa apresentam baixa herdabilidade e elevada interação com o ambiente, dificultando assim a restrição de genótipos superiores geneticamente. Assim, a seleção para o caráter rendimento de grãos pode ser dificultada em programas de melhoramento devido ao alto valor da contribuição da variância de ambiente 22 estimado em associação com o baixo coeficiente de herdabilidade observado, reduzindo a correlação entre o fenótipo x genótipo (PIEPHO e MÖHRING, 2005). 2.2.2 O feijão no Estado do Paraná A produtividade de feijão é baixa, tradicionalmente, nas regiões brasileiras. Segundo a Câmara Setorial do Feijão, um dos maiores problemas é a falta de assistência técnica e alta tecnologia. No Paraná, a situação encontrada é diferente. Em 1999, o Instituto Emater implantou o Projeto Centro-Sul de Milho e Feijão e desde então, os agricultores têm aumentado a produtividade e a rentabilidade em suas lavouras (CIF, 2012). Assim, o feijão ocupa lugar de destaque na agricultura paranaense. É a quarta cultura em área plantada, cultivado principalmente por pequenos e médios estabelecimentos, sendo uma das principais alternativas para o pequeno produtor e também uma grande demandadora de mão de obra tanto familiar como contratada (SEAB, 2011). A agricultura familiar é responsável por cerca de 60% do feijão produzido no Brasil. A região sul concentra a maior parte da produção deste grão no país. Na safra 2010, quando o Brasil produziu 3,3 milhões de toneladas, os agricultores paranaenses colheram 794 mil toneladas de feijão, mantendo o Paraná no posto de maior produtor nacional de feijão preto (CIF, 2012). A cultura do feijão sempre teve um papel importante para a economia paranaense como geradora de emprego e renda no campo. Segundo a SEAB (2011) a primeira safra é a mais importante, com plantio compreendido entre agosto e novembro, o que representa cerca de 60% da produção total paranaense de feijão; já a produção média da segunda safra estadual de feijão, com época de plantio recomendada para os meses de dezembro a fevereiro, representa cerca de 40% da produção total do estado. A terceira safra está concentrada na região norte e no noroeste do Estado e o plantio compreendido entre 11 de fevereiro e 10 de abril. É a menor safra, corresponde a aproximadamente 1% do total produzido no Estado conforme informa a análise da conjuntura agropecuária da SEAB (2011). 23 Segundo a CIF (2012), o Projeto Centro-Sul de Milho e Feijão, desenvolvido no Estado vem conseguindo aumentar significativamente a produtividade do feijão. Em média, a produtividade das áreas demonstrativas do projeto é 1,6 vezes superior à do Estado e 2,5 vezes superior à média nacional. O Paraná, que é o maior Estado produtor de feijão do país, tem nove municípios dentro desse ranking: Prudentópolis, Reserva, Castro, Irati, Lapa, Cruz Machado, São Mateus do Sul, Ivaí e Tibagi, os quais responderam por 5,2%, com uma produção de 200.400 toneladas (SEAB, 2011). 2.3 FATORES QUE AFETAM A CULTURA DO FEIJÃO 2.3.1 Calagem A calagem é uma etapa do preparo do solo para cultivo agrícola na qual se aplica calcário com os objetivos de elevar os teores de cálcio e magnésio, neutralizar o alumínio trivalente (elemento tóxico para as plantas) e corrigir o pH do solo, para um desenvolvimento satisfatório das culturas (BARBOSA FILHO et al., 1999). Agronomicamente, a necessidade de calagem é calculada por três métodos distintos, tomados como base à análise de solo, são eles: método da Embrapa, método do IAC e método pH-SMP (SALTON et al., 1998; ROSSA, 2006). A acidez no solo é um problema comum a quase todas as regiões brasileiras, e a tendência, se não for corrigida, é ampliar-se, sobretudo nas regiões de solos arenosos sujeitos a altas precipitações e cultivos intensivos (FAGERIA e STONE, 1999). Segundo Brady (1989), os dois componentes mais importantes existentes no calcário são a calcita, que é um carbonato de cálcio, dolomita, que é composto de carbonato de cálcio e de magnésio. O teor de magnésio e de cálcio de um calcário é uma característica importante a ser considerada no processo de escolha do mesmo (FURTINI NETO et al., 2004). 24 No mercado a maioria do calcário triturado existente é cálcico e dolomítico, embora haja disponibilidade de dolomita moída em certas localidades (BRADY,1989). De acordo com Furtini Neto et al., (2004), quando são necessários tanto o cálcio quanto o magnésio, deve-se usar materiais calcários que contenham ambos os nutrientes. O feijoeiro é uma das principais culturas de entressafra em sistemas irrigados, na região central e sudeste do Brasil (BARBOSA FILHO et al., 2001). Os solos da região central ou de cerrado são ácidos e apresentam deficiência ou toxidez de alguns elementos, que limitam a produtividade agrícola (FAGERIA, et al., 1999). Além de deficiência e toxidez nutricional, os solos da região de cerrado, apresentam baixa capacidade de retenção de água e baixa atividade dos microorganismos. No entanto, com a correção de acidez, é possível transformá-los em solos férteis, ou seja, capazes de proporcionarem produtividades mais elevadas. A calagem ainda é uma das práticas mais baratas e efetivas na correção da acidez do solo. No Brasil, existem vastas reservas de calcário distribuídas em todo o território nacional (BARBOSA FILHO et al., 1999). A deficiência de Zinco (Zn) é frequentemente observada em culturas anuais nos solos de cerrado e está relacionada com o baixo teor natural desse micronutriente no solo e quando são utilizadas doses elevadas de calcário na correção da acidez (FAGERIA, 2000). Devem-se ter preferências para o uso do calcário dolomítico (com magnésio), sendo que o mesmo deve ser aplicado ao solo, pelo menos, três meses antes do plantio, distribuindo-se em toda área (MELO, 2003). A degradação do solo tem sido uma preocupação da comunidade científica, em consequência da redução na produtividade das culturas, do aumento no custo de produção e dos danos ao meio ambiente. Uma das práticas mais efetivas e eficientes de conservação do solo é o uso do cultivo mínimo ou do plantio direito. Uma prática que reduz a erosão do solo aumenta a retenção de água do solo, controla a população de plantas daninhas e reduz o custo de produção. Permite ainda racionalizar os custos, o uso de equipamentos e o tempo, e melhorar a qualidade do solo (SALTON et al., 1998). O cultivo mínimo aliado à rotação das culturas promove a acumulação de carbono orgânico no solo e, desta maneira, sequestra CO2 que seria liberado na atmosfera (WEST e POST, 2002). 25 A calagem também melhora o aproveitamento dos fertilizantes e dos elementos já existentes no solo por corrigir o pH (ARAÚJO, 2006). Aplicar calcário quando a saturação por bases, indicada pela análise do solo, for inferior a 60%, usando o índice de 70% para cálculo da quantidade de corretivo a ser aplicada (IAPAR, 2003). No Paraná foi colhida a maior safra de grãos entre os estados brasileiros, de um modo geral esses solos são ácidos e requerem prática de calagem para melhora de sua fertilidade (ROSSA, 2006). A aplicação de calcário em solos ácidos, aliado a práticas de manejo do solo e melhoria da fertilidade, tem a função de elevar a capacidade produtiva do solo, aumento da disponibilidade de nutrientes e não solubilização de elementos tóxicos às plantas, que, se traduz em aumento de rendimento das culturas (WIETHÖLTER, 2000). No Estado do Paraná, o solo apresenta teores de alumínio (Al) em forma e níveis tóxicos às plantas que limitam o aumento do rendimento vegetal. Por isso, a calagem é uma prática agrícola recomendada para a correção da acidez em excesso, e que, na maioria das situações, proporciona benefícios econômicos e até ambientais (ROSSA, 2006). 2.3.2 Nitrogênio O nitrogênio é um nutriente fundamental para a cultura do feijão e é um elemento de alta mobilidade no sistema solo-planta-atmosfera, perdendo-se facilmente por volatilização (MORAES, 1988). Além disso, os adubos nitrogenados têm baixa eficiência e alto custo de produção, o que permite considerar que sua utilização sem critério, além de elevar o custo do produto final, pode contaminar o ambiente (BALOTA, 1997). A utilização do nitrogênio tem sido generalizada em todo o Brasil, tendose uma resposta positiva à aplicação desse nutriente. Estudos para reduzir o uso do nitrogênio na cultura (fixação simbiótica), têm sido realizados, porém, os resultados têm sido pouco satisfatórios em função da influência de fatores fisiológicos e nutricionais (ARF, 1991). 26 O rendimento de grãos e os componentes do rendimento são bons exemplos para demonstrar a instabilidade do efeito do nitrogênio em cobertura para a cultura do feijoeiro (MALAVOLTA, 1972). Nas culturas, o feijoeiro normalmente exibem nódulos nas raízes, demonstrando a presença de rizóbios no solo. Isso não significa, realmente, que a fixação simbiótica esteja resolvendo o problema de fornecimento de nitrogênio aos feijoeiros, tornando dispensável a adubação nitrogenada (DOURADO e FANCELLI, 2000). Na realidade, a experiências tem revelado que, em diversos casos, a aplicação do fertilizante nitrogenado é necessária quando busca-se alta produtividade na cultura, pela percepção da presença de rizóbios, comprovada pela nodulação. Vários fatores podem contribuir para essa situação como: condições química e física do solo, cultivar, estirpe de rizóbio, condições climáticas e rizóbios já existentes no solo (VIEIRA et al., 1998). O feijoeiro como outras leguminosas de interesse agrícola, pode utilizar nitrogênio atmosférico por intermédio da associação simbiótica com as bactérias dos nódulos radiculares – os rizóbios. No caso específico do feijão, a simbiose pode ocorrer com as seguintes espécies de bactéria: Rhizobium leguminosarum phaseoli, R tropici, R. gallicum e R. giardinii (MALAVOLTA, 1979). Sendo assim, a inoculação de bactérias do grupo dos rizóbios, capazes de fixar o nitrogênio atmosférico e fornecê-lo à planta, é uma alternativa que pode substituir parcialmente a adubação nitrogenada (TEIXEIRA, 2000). Resultados indicam que a cultura do feijão, em condições de campo, pode se beneficiar do processo da fixação biológica de nitrogênio alcançando altos níveis de produtividade (VIEIRA et al., 1998). Nos dias atuais, o inoculante comercial para o feijoeiro no Brasil é produzido com uma espécie de rizóbio adaptada aos solos tropicais, o Rhizobium tropici, resistente a altas temperaturas, acidez do solo e altamente competitiva (VIEIRA et al., 1998). A eficiência da Fixação Biológica do Nitrogênio (FBN) depende das condições fisiológicas da planta, que fornece a energia necessária para que a bactéria possa realizar eficientemente a fixação (MALAVOLTA, 1979). Apesar de o feijoeiro ser uma planta com grande capacidade de aproveitamento do nitrogênio disponível no solo, a aplicação de adubos nitrogenados tende a afetar negativamente este processo. Solos com maiores teores 27 de matéria orgânica, que liberam nitrogênio lentamente, podem beneficiar a planta do feijoeiro sem, contudo, reduzir a sua capacidade de fixação (VIEIRA et al., 1998). O fornecimento de fósforo tem efeito marcante sobre a atividade da nitrogenase, devido ao alto dispêndio energético promovido pela atividade de FBN (VIEIRA et al., 1998). O molibdênio é um micronutriente, que tem efeito expressivo sobre a eficiência da simbiose, sendo um componente estrutural da enzima nitrogenase, que executa a atividade de fixação biológica de nitrogênio. A aplicação foliar de molibdênio promove aumento de produtividade em feijoeiro inoculado (DOURADO e FANCELLI, 2000). Dentre os fatores ambientais mais importantes para o processo de FBN, a ocorrência de deficiências hídricas, durante o cultivo, tem efeito negativo em diferentes etapas do processo de nodulação e na atividade nodular, além de afetar a sobrevivência do rizóbio no solo. A ocorrência de altas temperaturas afeta, tanto, na sobrevivência do rizóbio no solo, quanto no processo de infecção, na formação dos nódulos e ainda na atividade de FBN (TEIXEIRA, 2000). Recomenda-se aplicar 15 a 20 kg há-1 de N no sulco de semeadura e de 30 a 60 kg ha-1 em cobertura aos 15 a 25 dias após a emergência das plantas. As doses maiores são recomendadas para solos com maiores probabilidades de resposta à adubação nitrogenada e lavouras que apresentem alto potencial produtivo. Para solos manejados sob condições que proporcionem adequado suprimento de N sugere-se as menores doses ou até mesmo a omissão da adubação em cobertura (IAPAR, 2003). Em condições de plantio direto na palha, em razão da presença mais intensa de matéria orgânica no solo, a cultura do feijoeiro deve ser menos exigente em adubação nitrogenada de cobertura (PIASKOWISKI et al., 2001). 2.3.3 Adubação foliar Com relação ao uso de macronutrientes, autores utilizando a fórmula NPKS, em aplicações foliares, com nitrato na concentração de 20%, em substituição à ureia, mostraram queima nas folhas e queda na produção de grãos (NEPTUNE e 28 MURAOKA, 1977). A absorção do N do fertilizante, aplicado no solo, pela variedade de feijoeiro, sistema radicular teve eficiência de utilização maior do que pelas folhas (IAPAR, 2003). A aplicação de metionina e Tiamina (vitamina B 1) não alteram o teor de S dos grãos (CASTRO e BOARETTO, 2002). Neumann e Giskin (1979) adicionaram Ca à fórmula NPKS, levando a um aumento na concentração de NPK nos grãos de feijão, entretanto, a produtividade foi bem menor. Estudando os efeitos da aplicação foliar de soluções de polifosfato de K, superfosfato triplo, uréia e yogen, foram encontrados aumentos nas produções, com exceção da uréia, no tratamento que não recebeu adubação básica de N (MURAOKA e NEPTUNE, 1981). As adubações foliares, durante o estádio de desenvolvimento do feijoeiro, não influenciam na qualidade e a produtividade da cultura, indicando ser injustificada a sua recomendação generalizada (CASTRO e BOARETTO, 2002). 2.3.4 Clima 2.3.4.1 Temperatura Para que o feijoeiro possa atingir seu rendimento máximo, torna-se necessário que a temperatura média do ar apresente valores mínimo, ótimo e máximo como sendo 12 ºC, 21 ºC e 29 ºC, respectivamente. Com relação à germinação do feijoeiro, valores de temperatura em torno de 28 °C são considerados ótimos (THUNG, 1998). Caso as baixas temperaturas ocorrerem logo após a semeadura, podem impedir, reduzir ou atrasar a germinação das sementes e a emergência das plântulas, geralmente resultando em baixa população de plantas e, consequentemente, baixa produtividade (TEIXEIRA, 2000). Durante o crescimento vegetativo, baixas temperaturas diminuem a altura da planta e o crescimento de 29 ramos, levando à produção de um menor número de vagens por planta (DOURADO e FANCELLI, 2000). As altas temperaturas devem ser o fator climático que mais exerce influência sobre o aborto de flores, desenvolvimento e a retenção final das vagens no feijoeiro, sendo responsável pela diminuição no número de sementes por vagem (THUNG, 1998). O rendimento de grãos do feijoeiro é bastante afetado quando a temperatura do ar, na floração, apresenta valores acima de 35 °C. Igualmente, temperaturas do ar abaixo de 12 °C podem provocar abortamento de flores, concorrendo para uma diminuição no rendimento do feijoeiro (VIEIRA et al., 1998). 2.3.4.2. Umidade do solo A cultura do feijão precisa de boa disponibilidade de água no solo durante todo o ciclo, principalmente nas etapas de germinação/emergência, floração e enchimento do grão, as que sofrem mais com relação a este aspecto (MALAVOLTA, 1979). 2.3.4.3. Exigências hídricas A cultura de feijão exige um mínimo de precipitação pluviométrica bem distribuída durante o ciclo, de 300 mm. A cultura é mais suscetível ao déficit hídrico durante a floração e no estádio inicial de formação das vagens (TEIXEIRA, 2000). O período crítico ocorre 15 dias antes da floração e se o déficit hídrico ocorrer neste período poderá causar redução do rendimento devido ao menor número de vagens/planta e, em menor escala, à diminuição do número de sementes/vagem (THUNG, 1998). O efeito negativo causado pela falta de água pode ser minimizado conhecendo-se as características pluviais de cada região e o comportamento das 30 culturas em suas fases fenológicas, ou seja, fazendo o plantio nos períodos em que a probabilidade de redução da pluviosidade é menor durante o florescimento e enchimento de grão (VIEIRA et al., 1998). 2.3.4.4. Excesso de água no solo Durante o período de estabelecimento da cultura, o excesso de água no solo prejudica a germinação e limita o desenvolvimento das raízes, tornando ainda mais superficial o já deficiente sistema radicular do feijão (THUNG, 1998). Além disso, pode favorecer a incidência de doenças radiculares, reduzindo a sobrevivência das plântulas. Se o excesso de umidade ocorrer durante o crescimento vegetativo, o solo com a superfície muito úmida pode também favorecer a ocorrência de algumas doenças da parte aérea (DOURADO e FANCELLI, 2000). A má aeração, do solo tem efeitos diretos nas etapas de florescimento e frutificação. A inundação no período de florescimento por dois, quatro ou seis dias pode ocasionar diminuições na produção da ordem de 48%, 57% ou 68%, respectivamente (VIEIRA et al., 1998). O excesso hídrico no solo na fase de maturação do feijão, pode prolongar o ciclo cultural e atrasar as operações da colheita, e ainda, provocar a brotação e o aparecimento de manchas no grão, principalmente em cultivares de hábito de crescimento semiprostrado ou prostrado, nos quais as vagens podem ficar em contato com o solo (TEIXEIRA, 2000). 2.3.5 Solo A exploração intensiva do solo tem propiciado a formação de camadas compactadas, comprometendo assim o desenvolvimento das raízes, infiltração de água, absorção de água e nutrientes pelas plantas e a produtividade das culturas (OLIVEIRA, 2007). 31 Apesar da compactação do solo ser minimizada com o uso de práticas mecânicas e biológicas atualmente, estão disponíveis no mercado produtos que visam estimular o crescimento das raízes, promovendo maior profundidade aumentando o volume de solo explorado pelas mesmas, possibilitando maior absorção de água e nutrientes pela planta, e conferindo maior tolerância ao déficit hídrico sem comprometer a produtividade (OLIVEIRA, 2007). Porém, pouco se sabe sobre o real efeito desses produtos na produtividade das culturas (FERREIRA, 2007). A cultura do feijão é relativamente exigente no que se refere às condições físicas e químicas do solo (TEIXEIRA, 2000). O feijoeiro pode ser cultivado em solos de textura variando de arenosa leve até argilosa. Solos muito argilosos e com problemas de drenagem devem ser evitados. Não tolera excesso contínuo de água no solo (THUNG, 1998). Devem ser evitados, também, solos argilosos que possuem tendência a formação de crosta superficial como também, aqueles sujeitos a formação de camada compacta subsuperfície que interfere no crescimento radicular do feijão e consequentemente na produtividade final (VIEIRA et al., 1998). O feijoeiro deve ser cultivado em solos sem impedimentos físicos, de pH 5,5 a 6,0; de boa disponibilidade de nutrientes e de água. Quanto menor o pH do solo, maior o efeito de íons tóxicos (Al+3, Mn+2, e H+) que limitam o crescimento radicular, o desenvolvimento da parte aérea e a produção, menor a disponibilidade de nutrientes para as plantas e menor FBN, resultando em diminuição do crescimento e rendimento de grãos (THUNG, 1998). A boa disponibilidade de nutrientes logo após a germinação é essencial para a manutenção da cultura. Qualquer limitação no suprimento de nutrientes neste período atrasa e diminui a formação de raízes, comprometendo o crescimento das plantas (DOURADO e FANCELLI, 2000). Deve se despender um cuidado especial com o controle da erosão nas lavouras, já que a cultura do feijão possui um crescimento inicial muito lento. O solo fica bastante exposto à erosão nesta fase, principalmente na semeadura na época das águas, quando chuvas fortes são mais frequentes (THUNG, 1998). Sempre que possível deve-se evitar áreas cultivadas recentemente com feijão, favorecer a rotação de cultura, que diminui os patógenos da cultura e ainda 32 descansa o solo. A semeadura de feijão na mesma área pode favorecer a incidência de doenças de solo e da parte aérea da cultura (DOURADO e FANCELLI, 2000). 2.3.6 Irrigação Em termos de eficiência, o feijão cultivado sob irrigação tem ligeira vantagem sobre os demais. Essa superioridade reflete apenas a maior produtividade do feijão irrigado (RICHETTI et al., 2011). A irrigação por aspersão, nos sistemas, convencional, autopropelido e pivô central, tem sido os mais utilizados na cultura do feijão. Em menor escala também têm sido utilizadas as irrigações por sulcos e a subirrigação em solos de várzeas (TEIXEIRA, 2000). Levando em conta o método de irrigação por aspersão, o sistema pivô central é o mais apropriado para irrigar grandes áreas individuais e, por isto, é o mais usado na cultura do feijão em terras altas na região dos cerrados, visto que a lucratividade final obtida com esta cultura depende, dentre outros fatores, do tamanho da área plantada (THUNG, 1998). A irrigação por sulcos é usada na cultura do feijoeiro, tanto em terras altas como em várzeas sistematizadas e drenadas. O espaçamento entre sulcos depende da textura do solo e do perfil de umedecimento. Para o feijoeiro, geralmente é utilizado o espaçamento de 0,9 a 1,2 m, com duas faixas de plantas entre os sulcos (VIEIRA et al., 1998). A subirrigação é mais apropriada para terras baixas ou solos de várzeas e, por isso, funciona como uma drenagem controlada. Neste sistema, a umidade atinge as raízes das plantas por meio da ascensão capilar (THUNG, 1998). Em várzeas, o lençol freático deve ser mantido a uma profundidade tal que permite obter a melhor combinação entre água e ar na zona radicular (TEIXEIRA, 2000). 33 2.3.7. Principais Pragas Dentre as principais pragas estão a mosca-branca (Bemisia tabaci); vaquinhas (Diabrotica speciosa); cigarrinha-verde (Empoasca kraemeri); ácaro branco (Polyphagotarsonemus latus); lagarta das vagens (Elasmopalpus lignosellus); larva minadora (Liriomyza spp.); tripes (Calyothrips spp) (VIEIRA et al., 1998). Tecnologias de manejo integrado de pragas do feijoeiro, se bem implementadas, podem reduzir, em média, 50% a aplicação de químicos, sem aumentar o risco de perdas de produção devido ao ataque de pragas (DOURADO et al., 2000). 2.3.8. Principais Doenças Dentre as doenças, pode-se citar as principais: Mofo branco (Sclerotinia sclerotiorum); antracnose (Colletotrichum lindemuthianum); mancha angular (Phaeoisariopsis griseola); ferrugem (Uromyces appendiculatus); mancha de alternaria (Alternaria sp); oídio (Erysiphe polygoni); crestamento bacteriano comum (Xanthomonas campestris); mosaico dourado que tem como vetor a mosca branca e o mosaico comum; carvão (Microbotryum phaseoli sp) (DOURADO e FANCELLI, 2000). Para o controle das doenças causadas por fungos, existem no mercado diversos produtos registrados, que unidos ao bom manejo da cultura do feijão apresentam bons resultados. Além disso, muitas cultivares também apresentam resistência a algumas doenças (TEIXEIRA, 2000). 2.4 USO DE ENRAIZADORES NA CULTURA DO FEIJÃO Para uma boa nutrição e um adequado desenvolvimento da planta, é de grande importância que exista um sistema radicular bem disposto e desenvolvido no 34 solo. Kluthcouski e Stone (2003) relatam que as raízes são as estruturas das plantas menos estudadas, pelo fato de não poderem ser visualizadas, porém são elas que servem de suporte à planta e atuam como a principal porta de entrada, absorvendo e translocando água e nutrientes. A utilização intensiva do solo tem contribuído na formação de camadas compactadas, comprometendo o desenvolvimento das raízes, a infiltração de água, a absorção de água e de nutrientes pelas plantas e a produtividade das culturas (OLIVEIRA, 2007). Apesar dessa compactação do solo ser minimizada com o uso de práticas mecânicas e biológica, atualmente, estão disponíveis produtos que ajudam no estímulo do crescimento das raízes, promovendo, além de maior crescimento em profundidade, um aumento considerável do volume de solo explorado pelas mesmas, o que possibilita uma melhoria na absorção de água e nutrientes pela planta, e conferindo a ela maior tolerância à falta de água, sem comprometer a produtividade (OLIVEIRA, 2007). Porém, pouco se sabe sobre o real efeito desses produtos na produtividade das culturas (FERREIRA, 2007). De acordo com Vieira e Castro (2002) apud VIEIRA et al,. (2004), a mistura de reguladores de crescimento, nutrientes, aminoácidos e vitaminas são designadas de bioestimulantes, que devido a sua composição, proporção e concentração das substâncias podem incrementar o crescimento e desenvolvimento vegetal, particularmente o sistema radicular. Objetivando maior produtividade, pode-se optar pelo uso de enraizadores, que aumentam e estimulam a formação de raízes, sendo que o sistema radicular é um importante aspecto da produtividade das plantas, especialmente nos ambientes caracterizados por falta de água e nutrientes, a estruturação do sistema radicular tem relação direta com o aumento da produção (VIEIRA e SANTOS, 2005). 2.4.1 Enraizadores aplicados no solo Para Klahold (2005) são inúmeras as pesquisas sobre a interferência de reguladores de crescimento na agricultura, tendo destaque nas áreas de floricultura, olericultura e fruticultura. Nos últimos anos também foram desenvolvidos estudos com a utilização de bioestimulantes apontando ganhos na produtividade nas 35 grandes culturas como soja, arroz, milho e feijão (VIEIRA, 2001 apud VIEIRA e CASTRO, 2004; KLAHOLD, 2005). Segundo Floss et al. (2007), a utilização de bioestimulantes aumenta sua importância na medida em que se busca atingir o potencial produtivo das culturas, principalmente na ausência de fatores limitantes de clima e solo. Os reguladores de crescimento e micronutrientes aplicados quando do uso de bioestimulantes, tem por função fornecer substâncias análogas aos fitohôrmonios produzidos pelas plantas (auxinas, citocininas e giberelinas), e ativar rotas metabólicas importantes nos processos de divisão, aumento no volume e diferenciação celular (TAIZ e ZEIGER, 2004). Para uma nutrição adequada e um bom desenvolvimento da planta, é de suma importância que exista um sistema radicular bem disposto e desenvolvido no solo. As raízes são a parte das plantas menos conhecidas, entendidas e apreciadas, pelo fato de não poderem ser vistas, porém, servem de suporte à planta e atuam muito bem, absorvendo e translocando água e nutrientes (KLUTHCOUSKI e STONE, 2003 apud IAPAR, 2010). Com a finalidade de se obter uma melhor formação da arquitetura radicular objetivando maiores produtividades, pode-se optar pelo uso de enraizadores. Estes produtos estimulam e aumentam a formação de raízes, sendo bastante evidente o fato de que a arquitetura radicular é um aspecto fundamental da produtividade das plantas, especialmente nos muitos ambientes caracterizados por uma baixa disponibilidade de água e nutrientes, a estruturação do sistema radicular tem relação direta com o aumento da produção (VIEIRA e SANTOS, 2005). O uso de enraizadores em feijão proporciona exploração mais eficiente dos nutrientes do solo pela planta e promovem um estímulo metabólico visando um incremento maior e mais rápido no sistema radicular da planta (KLUTHCOUSKI e STONE, 2003 apud IAPAR, 2010). Existem relatos na literatura sobre a utilização de bioestimulantes radiculares em espécies frutíferas, porém, estes produtos podem ser empregados também em culturas anuais. O maior benefício do enraizador na semente de feijão está na segurança do processo de consolidação da lavoura, na garantia do estande final adequado para níveis maiores de investimento, e sendo o estande o primeiro fator da equação de produtividade, os enraizadores ganham maior importância (VIERA e CASTRO, 2004). 36 Conceição et al. (2008) mencionam que, o uso de ácido húmico, que é um bioestimulante vegetal, pode trazer benefícios à planta. Seu efeito reflete no aumento do enraizamento da planta, promovendo também um maior crescimento da parte aérea do vegetal. Vários produtos são utilizados para enraizamento um deles é a Tiamina – Vitamina B1. Sua indicação é em estaquia e alporquia e na recuperação de raízes após poda radicular, e também para o auxílio na rizogênese (WILKINS, 1969). 2.4.2 Enraizador em estacas Segundo Alfenas et al. (2009), a formação de raízes em estacas é um processo anatômico e fisiológico complexo, associado a mecanismos para a formação de meristemas que darão origem a raízes adventícias. Em espécies de difícil enraizamento, além do balanço hormonal, outro fator que influencia na rizogênese é o estado fisiológico do propágulo vegetativo. De acordo com Leonel et al. (1995), o enraizamento de estacas é uma das alternativas para a propagação de certas espécies, uma vez que permite o início da produção de fruta em menor espaço de tempo. Para acelerar e promover o enraizamento de estacas, habitualmente são empregados hormônios do grupo das auxinas, os quais levam à maior porcentagem de formação de raízes, melhor qualidade das mesmas e uniformidade no enraizamento. Os reguladores vegetais que estimulam o desenvolvimento radicular são mais comumente usados no enraizamento de estacas. Assim, quanto mais juvenil for o material vegetativo, maior será o sucesso do enraizamento, quer expresso em percentagem, na rapidez de formação de raízes, na qualidade do sistema radicular e na capacidade de crescimento da nova planta (GOMES, 1987 apud ALFENAS et al., 2009). Para Alfenas et al. (2009), na macroestaquia (estacas semilenhosas), se observam maiores variações e um menor potencial de enraizamento. De acordo com Santos (2009) o período de coleta das estacas pode ter um papel importante na capacidade de enraizamento. As estacas coletadas em um período de crescimento vegetativo intenso (primavera/verão) apresentam-se mais herbáceas e as colhidas 37 em um período de repouso vegetativo (outono/inverno) apresentam-se mais lignificadas e por si tendem a enraizar menos. Hartmann et al. (1997) apud Rezende (2007), a temperatura do ar adequada para o enraizamento da maioria das plantas situa-se entre 21 °C e 27 °C nos períodos diurnos e próximos aos 15 °C no período noturno. 2.4.3 Estimulantes vegetais Objetivando aumento da produção, as pesquisas sobre os efeitos das substâncias reguladoras do crescimento de plantas cultivadas, e os benefícios promovidos por estas, tem se desenvolvido significativamente. A aplicação de reguladores e/ou estimulantes vegetais, visando elevar os padrões de produção e produtividade, tem apresentado resultados satisfatórios e significativos, principalmente, em regiões onde as culturas já atingiram um nível elevado de tecnologia (VIEIRA e CASTRO, 2004). Para Castro e Vieira (2001), os estimulantes vegetais referem-se às misturas de reguladores vegetais ou pela combinação destes com outros compostos (aminoácidos, micronutrientes, vitaminas). Segundo Casillas et al. (1986), essas substâncias são eficientes quando aplicadas em baixas doses favorecendo o desempenho dos processos vitais da planta, permitindo assim a obtenção de maior produtividade e qualidade nas colheitas, além de garantir rendimentos benéficos em condições ambientais adversas. As giberelinas agem de forma expressiva na germinação de sementes, tanto na quebra de dormência quanto no controle da hidrólise de reserva; também no desenvolvimento reprodutivo, bem como a indução da floração, determinação do sexo e o estabelecimento do fruto (TAIZ e ZEIGER, 2004). É um regulador que age desde a germinação até o crescimento da semente e pericarpo, além disso, são mediadoras dos estímulos ambientais (RODRIGUES e LEITE, 2004). As giberelinas têm apresentado resultados importantes no aumento do crescimento em várias espécies vegetais, tem sido utilizada para modificar o crescimento e desenvolvimento de plantas (TAKAHASHI et al., 1988 apud MODESTO et al. 1996). As citocininas diferentemente das giberelinas, possuem grande capacidade de 38 promover divisão celular, participando do processo de alongamento e diferenciação celular, principalmente quando agem em conjunto com auxinas (VIEIRA e CASTRO, 2001). As auxinas têm ação expressiva no crescimento celular, agindo diretamente no aumento da plasticidade da parede celular conferindo a esta, alongamento irreversível (VIEIRA e CASTRO, 2001). As substâncias reguladoras do crescimento devem ser aplicadas quando as plantas não estiverem em estresse hídrico e sem chuvas no momento da aplicação ou logo depois, pois pode interferir na absorção das mesmas e comprometer o proveito destas (SANTOS, 2004). O uso de estimulantes vegetais na cultura do feijão não é uma prática rotineira. Para Santos (2004), sabe-se que a utilização dessas substâncias interfere no crescimento das plantas, possibilitando uma relação mais equilibrada entre a parte reprodutiva e vegetativa. 39 3 MATERIAL E MÉTODOS 3.1 CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO O experimento foi conduzido no município de Foz do Iguaçu – PR, entre 19 de setembro e 10 de novembro de 2012, em casa de vegetação, na Faculdade Dinâmica das Cataratas – UDC (Figura 1), cujas coordenadas são, “25° 32’ 31.67” S e “54° 34' 20" O, com altitude média de 164 m. O clima é subtropical úmido mesotérmico, classificado por Köppen como Cfa. A cidade tem uma das maiores amplitudes térmicas anuais do estado, cerca de 11 °C de diferença média entre o inverno e o verão, isto deve-se a uma menor influência da maritimidade do que a que ocorre em outros municípios. Por isso os verões costumam ser muito quentes, com máximas médias em torno dos 35 °C, por vezes chegando a superar a marca dos 42 °C e os invernos apesar de, na média, serem considerados amenos, ainda sim propiciarem quedas bruscas de temperaturas que podem fazer a temperatura cair abaixo de zero. As chuvas costumam ser bem distribuídas durante o ano, com uma pequena redução no inverno, e a precipitação anual varia em torno dos 1800 mm. Figura 1: Casa de Vegetação da Faculdade Dinâmica das Cataratas em Foz do Iguaçu - PR. 40 O solo utilizado nos vasos foi classificado como Latossolo Vermelho eutrófico (LVe) (EMBRAPA, 2006), de textura argilosa argilosa, tipo 3 (627 g kg-1 de argila, 284,82 g kg-1 de silte e 88,18g kg-1 de areia). 3.2 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Na Tabela 1, encontram-se os resultados da análise química do solo antes da instalação do experimento. O experimento utilizou o Delineamento experimental utilizado foi o Inteiramente Casualizado (DIC), sendo os fatores constituídos por quatro diferentes produtos enraizadores, aplicados no tratamento de sementes na dose indicada, e a testemunha, totalizando 40 vasos. Tabela 1 – Análise química do solo utilizado no experimento + pH Amostra (CaCl2) K Ca 2+ 2+ Mg H+Al SB CTC P -3 0,14 0,78 2,39 3,99 3,31 7,30 Zn Fe Mn -3 --------------- cmolc dm --------------4,86 Cu ------------ mg dm ------------- V% % 2,49 4,50 1,00 67,60 52,00 45,34 H+Al – acidez potencial, SB – soma de bases, CTC – capacidade de troca catiônica, C – carbono orgânico, V% - saturação por bases; Cu, Zn, Fe e Mn extraídos por Mehlich-1. Os produtos enraizadores utilizados foram: Always (N – 144 g L-1 , K2O – 36 g L-1, Cu – 1,8 g L-1 , Fe – 1,2 g L-1 , Mn – 1,2 g L-1 , Zn – 42 g L-1 ). Green Helper ( K20 – 10%, S – 4%, Mg – 0,25%, Zn – 6%, Mo – 3%, Co – 0,3%, Mn – 0,4%, B – 0,25%, Cu – 0,17%, Fe – 0,1%). Wellgro Amino (8,8% N total, 8,5% N orgânico, 54% M.O. total e 10% de aminoácidos livres, sendo eles leucina 0,2; lisina 0,2; hidroxiprolina 0,6; prolina 0,7; serina 0,2; glicina 0,4; alanina 1,5; arginina 0,1; tirosina 0,6; valina 0,1; metionina 0,1; fenilanina 0,4; isoleucina 0,3; ácido aspártico 0,4 g 100 g -1 e ácido glutâmico 0,6 g 100 g-1 ). 41 Macro Raiz Premium (N – 13,1 g L-1 , Mn – 13,1 g L-1 , Mo – 65,5 g L-1 , Zn – 65,5 g L-1 , extrato de algas e aminoácidos). Deve-se salientar que, os produtos Always e Green Helper são na verdade fertilizantes foliares, contudo também são recomendados como enraizadores. Desta forma, neste trabalho foram avaliados apenas estes diferentes enraizadores. Quanto à fertilização e a calagem, assim como todos os demais procedimentos foram idênticos para todos os tratamentos. A condução do experimento foi realizada o mais próximo possível das condições ideais de campo, mas em casa de vegetação. Com irrigação adequada, monitoramento, temperatura, desbaste e correção de solo. A análise de solo (Tabela 1) indicou a necessidade da calagem, a qual foi realizada no dia 19 de setembro de 2012, diretamente nos vasos. Foi aplicado 5 g de calcário por vaso, o qual foi envolto por um saco plástico, para acelerar o processo de correção do solo até a data de semeadura. Para atingir a quantidade aplicada utilizou-se dos seguintes cálculos: NC= [(V2-V1) x CTC x f] f= 100/PRNT 100 V1= 45,34; PRNT= 80,3; CTC= 7,3; objetivo V2= 70 NC=2,23 ton. ha-1 1 ha= 2 000 000 kg ou dm³ 2,23 toneladas – 2 000 000 kg x toneladas – 5 kg x= 5 g (quantidade de calcário por vaso). A semeadura ocorreu no dia 22 de setembro de 2012, sendo utilizadas as cultivares, BRS Esplendor e IPR Uirapuru, com 6 sementes por vaso, sendo irrigadas até o solo atingir umidade ideal para germinação. Para melhorar as condições do solo foi aplicado fertilizante na base, com formulação NPK, 04-14-08, utilizando-se 2 gramas por unidade experimental. A partir de 20 Dias Após a Emergência (DAE), iniciou-se a coleta dos dados da cultura. Para altura de plantas – com uma régua, foram medidas as plantas a partir da base do solo, até o ápice da parte aérea -. Para o número de 42 folhas – realizado contagem total das folhas para cada tratamento -. Para essas variáveis, as avaliações foram realizadas semanalmente, durante 3 semanas seguidas. Na quarta semana, todo o material foi retirado dos vasos, separando a parte aérea da planta, da raiz e colocando-as em papel kraft foi levado até a estufa, a temperatura de 65ºC, durante 48 horas, para a secagem do material. Após este período, foi retirado todo o material da estufa e pesado individualmente, a parte aérea e raiz de cada planta. Os dados foram submetidos a Análise de Variância (ANOVA) após realizou-se teste de médias pela metodologia de Tukey, adotando um alfa de 5% de probabilidade. As variáveis coletadas foram analisadas, com o auxílio do pacote estatístico Assistat (SANTOS e SILVA, 2012). 43 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO Os resultados da análise de variância (Anova), para as variáveis, número de folhas 1, 2 e 3, assim como Altura de plantas 1, 2 e 3 mostraram que não ocorreram diferenças significativas entre as amostras (Tabela 2). Tabela 2 – Resumo da ANOVA e do teste de médias referentes ao experimento conduzido em casa de vegetação, com diferentes enraizadores na cultura do feijão. Variedade ALT1 NF1 ALT2 NF2 ALT3 NF3 MR MPA BRS 24,00 7,28 27,15 10,25 37,72 15,85 5,50 3,24 IPR 22,58 6,92 25,65 10,22 34,85 14,75 5,12 3,05 NS NS NS NS NS NS Fc Variedade (V) 0,82 1,37 0,99 2,98* 4,07* 1,59 0,73 2,64 Tratamento Macro 24,69 7,69 28,06 11,37 42,81 17,87 6,12 4,05 Amino 23,25 6,94 26,31 10,06 34,81 14,43 4,79 2,77 Green 23,06 7,31 25,75 9,93 34,0 14,06 5,50 2,95 Always 21,9 6,88 25,31 10,43 35,0 15,93 4,99 3,01 Testemunha 23,50 6,69 26,56 9,37 34,81 14,18 5,12 2,96 D.M.S. 6,33 1,98 6,13 2,50 10,62 7,50 3,57 1,83 Média geral 23,28 7,1 26,4 10,23 36,28 15,3 5,30 3,14 NS NS NS NS NS NS NS NS Fc Tratamento (T) 2,16 1,32 2,55 0,004 3,12 0,91 0,46 0,48 NS NS NS NS NS NS NS NS Fc V x T 1,49 0,14 1,09 1,28 1,99 1,17 0,45 0,88 C.V. (%) 13,17 13,55 11,24 11,85 14,16 23,76 32,61 28,23 ALT – altura de plantas; NF – número de folhas por planta; MR – massa de Raiz; MPA – massa da parte aérea; D.M.S. – diferença mínima significativa pelo teste de Tukey, a 5% de probabilidade; * significativo NS a 5% de probabilidade pelo teste F; não significativo pelo teste F. Tanto para altura de plantas, número de folhas por planta, massa de raiz, e massa de parte aérea, não houve diferença significativa, demonstrando que os diferentes produtos enraizadores, utilizados no tratamento de sementes não influenciaram estas variáveis. Em outros trabalhos relacionados à utilização de produtos enraizadores no tratamento de sementes na cultura do feijão, Evangelista et al. (2010), também não obtiveram diferença significativa quanto à altura de plantas, verificando que houve uma redução do tamanho das plantas devido ao uso de enraizadores. Quando não se utilizou o produto enraizador via tratamento de sementes, as plantas apresentaram maior altura, na testemunha, mas não diferindo estatisticamente aos que possuíam o tratamento de sementes com enraizadores. No entanto, Evangelista et al. (2010) mostraram em seus resultados que a associação do enraizador, 44 realizada com a adubação foliar, promoveu um aumento de produtividade na ausência de adubação no solo, mesmo que esses produtos reduzam a germinação e o vigor de sementes de feijão. Na média geral, para a variável, número de folhas por planta e altura de plantas, como ilustra a Figura 2 e Figura 3. Observa-se uma boa evolução na cultura, mesmo que não se tenha observado significância estatística. Figura 2: Número de folhas por planta, avaliado aos 20, 27 e 34 DAE. A altura de plantas, outra variável analisada, também nos mostra boa evolução, mesmo sem a significância. Figura 3: Altura de plantas, avaliado aos 20, 27 e 34 DAE. 45 Os diferentes tipos de enraizantes têm sido testados em diferentes culturas, a exemplo do milho. Evangelista et al. (2010) os quais observaram que o produto enraizador utilizado, reduziu o vigor das sementes de milho. Entretanto, em campo, o enraizante e a adubação foliar promoveram maior número de espigas por planta e maior produtividade na cultura do milho. Belançon (2007) observou que o comprimento e volume de raiz em plântulas de trigo, foram influenciados positivamente pela aplicação dos tratamentos contendo enraizadores, porém quanto ao rendimento de grãos, não houve diferença estatística significativa em nenhum tratamento, quando comparado à testemunha. No presente estudo, para os tratamentos utilizados nas cultivares testadas e, nas condições do ambiente em que o experimento foi implantado, não foram encontrados diferenças. No entanto, outros trabalhos em condições ambientais diferentes devem ser realizados, para maiores conclusões sobre a influência de produtos recomendados na maximização do desenvolvimento da cultura do feijão. Sugere-se a realização de novos testes, com diferentes produtos e, combinações entre produtos enraizadores, para o incremento nas características ligadas ao desempenho agronômico para a cultura do feijão, visto que, isto já foi obtido em outras culturas. Além disso, podem ser testadas novas metodologias de tratamento, por exemplo, em outras fases de desenvolvimento do feijão. O trabalho foi conduzido em casa de vegetação da instituição, em que há predominância de médias altas temperaturas, acima de 40 ºC durante boa parte do dia, e praticamente sem circulação de ar, o que pode ter ocasionado um estresse na cultura, o que pode ter levado a prejuízos como a morte de tecidos ou até mesmo de toda a planta, assim como a irrigação no local, que não foi constante, mais um agravante, que pode ser usado como uma das hipóteses para não ter obtido resultados significativos com a aplicação dos enraizadores. 46 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS O objetivo específico do trabalho foi avaliar a presença de diferentes produtos enraizadores no tratamento de sementes, demonstrando possivelmente que o uso de enraizadores possibilitaria incrementos à cultura do feijão, bem como para outras culturas. De acordo com trabalhos de outros autores, quando submetido a condições ideais de cultivo, como irrigação adequada e frequente, temperatura ideal, o que não ocorreu para as plantas testadas no presente trabalho, devido à alta temperatura da região, da estufa e da irrigação não frequente durante o ciclo do feijão. Os dados obtidos mostraram que não houve diferença significativa de uma maneira geral, e a única diferença notada e positiva, foi no número de folhas por planta na segunda avaliação, e na altura de plantas na terceira avaliação. Acredita-se, no entanto, que por ser um produto novo no mercado, ainda não possui todas as comprovações necessárias para uma maior credibilidade por parte dos agricultores, contudo, há expectativa de pesquisas possam evoluir acerca o tema, possibilitando a melhoria da cultura, da agricultura e consequentemente, da população, que é o consumidor final dos grãos produzidos. 47 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABREU, A.F.B. 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