Impresso Especial TRT/MG 9912231135/09 DR/MG CORREIOS no 8 - setembro/outubro de 2O11 - TRT-MG VARA DO TRABALHO, O CORAÇÃO DO TRT Um dia na 6ª VT/BH EDITORIAL no 8 - setembro/outubro de 2O11 - TRT-MG O calendário sinaliza que 28 de outubro é o Dia do Servidor Público. Sabemos a dor e a delícia de ser o que somos. Vale comemorar! Para a matéria de capa da interativa 8, o Walter Sales, jornalista aqui da ACS, com muitos anos de tribunal, passou um dia na 6ª VT de Belo Horizonte para saber, segundo ele, onde bate o coração do TRT. Lá, a exemplo das outras 136 varas da 3ª Região, o bicho pega! Quem acompanhou o Walter foi o Guto, que não economizou nas fotos. Na impossibilidade de estampar todas na revista, elas estão disponíveis na intranet. Não deixe de ver a cara boa dos servidores que, mesmo com tanto trabalho, nos receberam muito bem. Obrigado! Queremos também agradecer à Maria Fernanda Ratton, que respondeu à Rosane na coluna Cadê você?, e à Dorinha, da 4ª VT de Cel. Fabriciano, que documentou a chegada da primavera na região: uma sapucaia florida. Que beleza! E tem mais: em uma pesquisa rápida, alguns servidores nos contaram onde está a felicidade. Se você às vezes se sente infeliz, vale ouvir as dicas de nossos colegas. Quem sabe ser feliz é mais simples do que imaginamos? Não deixe de ler esta revista porque ela foi produzida pensando em você. Um abraço. *Junto com esta edição, está circulando um encarte. Leia o texto “A vida é feita de estratégias”, e depois siga a “estratégia” sugerida para fazer um origami. Que a estrela feita com dobraduras lhe traga sorte. EXPEDIENTE SUMÁRIO Administração TRT-MG Desembargadora Deoclecia Amorelli Dias Presidente Desembargadora Emília Facchini Vice-Presidente Judicial Desembargadora Cleube de Freitas Pereira Vice-Presidente Administrativo Desembargador Luiz Otávio Linhares Renault Corregedor Edição Redação Projeto Gráfico Diagramação Arte Revisão Fotografia Impressão Periodicidade Tiragem Adriana Spinelli Assessora de Comunicação Social Divina Dias Divina Dias, Ruth Vasseur, Solange Kierulff, Walter Sales Imaculada Lima Imaculada Lima Evaristo Barbosa Anya Karina Campos Augusto Ferreira, Leonardo Andrade, Madson Morais, Noemi Luz, Solange Kierulff Gráfica Triunfal Bimestral 4.200 exemplares Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região Assessoria de Comunicação Social Rua Desembargador Drummond, 41 - 13º andar 31-3215-7053 - [email protected] 2 setembro/outubro de 2011 - revista interativa Entrevista . . . . . . . . Onde está a felicidade? . . . Um dia na 6ª Vara do Trabalho . 3/4 . 5 6/7 A história de Vareta, um cachorro de sorte . . . . . . . . . 8 9 Você já tentou assoviar e chupar cana? . . . . . . Um olhar sobre a cidade . . . . 10 Cadê você? . . . . . . . . . 10 Opinião . . . . . . . . . 11 . . . . . ENTREVISTA Psicóloga Magda Santos Costa COMPETIÇÃO COOPERAÇÃO no trabalho Competir é da natureza humana. Nos primórdios da civilização, a competição era pela sobrevivência, como a disputa por comida, água, abrigo e pares para se reproduzir. Definida pelo dicionário como pretender algo que outro também quer, será que vale a pena competir com colegas para conquistar um objetivo profissional? Essa e outras questões quem responde é Magda Santos Costa, especialista em Gestão Estratégica de Recursos Humanos com mestrado em Administração. Atualmente, ela é Diretora da ABRH/MG – Associação Brasileira de Recursos Humanos – Seccional Minas Gerais e Superintendente de Gestão de Pessoas do Banco Bonsucesso. A realização do homem moderno depende muito da sua vinculação ao trabalho por se tratar de fator de sobrevivência, de humanização, de integração social, de autoestima e de utilidade social. A quem cabe criar um bom ambiente de trabalho nas instituições? Sempre temos a tendência de atribuir a responsabilidade pelo bom ambiente de trabalho à alta administração e aos gestores de maneira geral, mas, na realidade, essa é uma responsabilidade de todos os personagens envolvidos no cenário corporativo: desde o nível mais operacional até o mais estratégico. Ser ético, solidário, comprometido com os resultados individuais e da equipe, negociar intra e entre áreas, esclarecer e solucionar conflitos com maturidade, receber remuneração justa e ter boas condições físicas de trabalho são alguns dos fatores importantes para a construção e manutenção do bom ambiente de trabalho. O que prejudica o ambiente de trabalho? Quais são os problemas mais comuns? Se pensarmos que ética, solidariedade, comprometimento, administração adequada de conflitos são fatores que contribuem para um bom clima de trabalho, a ausência desses fatores poderá gerar grande impacto negativo. Assim, além dos já citados, pesquisas em gestão de pessoas mostram que a inexistência de canais de comunicação interna ágeis e eficazes, relação entre chefias e subordinados pautadas na cultura da ameaça e do medo, competição predatória, ausência de parcerias entre colegas de trabalho, falta de reconhecimento, desrespeito, desvalorização das pessoas e falta de perspectivas de desenvolvimento e crescimento são aspectos que prejudicam o bom ambiente de trabalho. Assessoria de Comunicação Social - TRT-MG 3 ENTREVISTA Psicóloga Magda Santos Costa O homem é competitivo por natureza. Quando é que a competição no trabalho é saudável? Alguns estudiosos defendem a ideia de que uma das razões da evolução do mundo é a competição. Historicamente, podemos perceber que onde houve competição houve progresso, evolução, aprendizado e trocas, mas, quando se fala em competição, muitas pessoas reagem como se ela apresentasse apenas aspectos danosos. Quando a competição é estabelecida com regras claras e condições de equidade, pode gerar novas metas, novos paradigmas, novos modelos de referência, novas possibilidades e provocar novas estratégias. Temos a sensação de que somente a cooperação é saudável, mas existem pactos de cooperação que podem trazer muitos danos. Já a ausência de competição pode levar à estagnação, estabelecer a “zona de conforto” e a passividade, gerando atraso e até retrocesso. No trabalho, a competição pode gerar possibilidades de se criar indicadores reais de melhoria na performance de equipes, pode estimular o desenvolvimento de qualidades e o desejo de autossuperação. O que traz mais benefícios: a cooperação ou a competição? Não podemos negar que a competição faz parte da vida. Nossos filhos já começam a competir com outras crianças aos 4 ou 5 anos de idade, quando se submetem a processos seletivos para iniciar a vida escolar ou sempre que queremos transferi-los para escolas que ofereçam maiores recursos pedagógicos. E avançarão pela vida competindo nos vestibulares, pelas melhores vagas de estágio, melhores oportunidades de trabalho...O servidor público já passa por intensa competição antes de ser aprovado em um concurso. Provavelmente, se não houvesse competição, os Jogos Olímpicos não teriam a mesma importância para os para-atletas (mesmo sabendo que eles contam com a cooperação de muitas pessoas em seu entorno). A competição realça as qualidades e o preparo do competidor. Podemos nos arriscar a pensar que, se o foco fosse somente a cooperação, será que eles se sentiriam estimulados a superar as próprias limitações? Quebrar os próprios recordes? Vou finalizar utilizando como referência um texto de Rubem Alves, que poderá ser lido no site 4 setembro/outubro de 2011 - revista interativa http://www.rubemalves.com.br/tenisfrescobol.htm. Ele utiliza o jogo de tênis e o de frescobol como metáforas para falar da relação afetiva. Aqui, nós a utilizaremos para falar da competição e da cooperação. Uma das leituras que se pode fazer do texto, é que o tênis se pauta na competição, de maneira que, para um jogador ganhar, o outro tem que perder. Os competidores precisam de muita disciplina e atenção, preparo físico e mental, as regras são claras, bem definidas, o local do jogo deve ser bem demarcado e plano. O objetivo final do jogo é derrotar o adversário. A vitória de um se consagra a partir do erro do outro. E, conforme o texto, o bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do seu adversário e é justamente para aí que ele vai dirigir a sua cortada. O frescobol se parece muito com o tênis, mas, para que o jogo seja bom, é preciso que nenhum dos jogadores perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvêla gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la. Pode-se jogá-lo em inúmeros lugares: na areia da praia, no clube, na praça, no quintal de casa... Não existe adversário, nem vencedor, porque ninguém sai derrotado. No frescobol, o jogo só é interessante quando ninguém erra, o que pressupõe contínua cooperação. Qual é melhor: tênis ou frescobol? Ambientes competitivos ou cooperativos? Isto dependerá do perfil de cada um dos personagens envolvidos, da motivação e das crenças pessoais, do segmento de mercado em que nossa empresa está inserida: se vamos jogar para nos divertir ou nos profissionalizar, se vamos fazer do jogo a fonte de receita para a sobrevivência, ou se jogaremos por lazer, prazer, pelos benefícios que traz à saúde etc. Ambos são importantes, fazem parte da vida. Muitas vezes o nosso maior adversário está dentro de nós mesmos, o monstro que criamos e cultivamos e que não nos deixa avançar, competir, vencer e crescer. Cooperação ou competição? O que precisamos avaliar são os critérios, as regras, as condições, a motivação ética para competir ou cooperar. Não existe receita para ser feliz. Ou melhor, talvez exista, mas você tem que encontrar a sua U Lais, filha do Sérgio, feliz da vida Um emprego público, uma tarde de compras, filhos, muito dinheiro no banco, Prozac, chocolate, viagens... Onde está a sua felicidade? Essa é a questão vivida pela atriz Bruna Lombardi no filme “Onde está a felicidade?”, em cartaz nos cinemas. Desempregada e desapontada com o marido, ela vai em busca da felicidade no Caminho de Santiago de Compostela, acreditando que, terminada a viagem, terá uma recompensa. E você já parou para responder à pergunta? Já sentiu alguma vez uma sensação de incompletude e partiu em busca da felicidade com a certeza de que não é feliz? Para o diretor do filme, Carlos Alberto Riccelli, ao fim do caminho, a personagem descobre que a felicidade está mesmo é dentro de cada um. É o que pensa também Dilma Ferreira, da Diretoria-Geral: encontrar a felicidade no outro é pura perda de tempo. Não dá para transferir essa responsabilidade, afirma ela com sabedoria. Já para a desembargadora Deoclecia Amorelli Dias, recém-empossada no cargo de presidente do TRTMG, a felicidade está nas pequenas e grandes coisas da vida, desde que feitas com o coração. Para quem quer ser feliz, uma simples caminhada pelas ruas do bairro, numa manhã de sol, é um bom motivo. Outra coisa que a deixa feliz é reconhecer, ao final de qualquer trabalho, que ele foi realizado conforme o programado. Isso também dá uma sensação de bem-estar, de felicidade muito grande! Opiniões que vêm comprovar que a felicidade está em nossos pensamentos, na maneira de ver o mundo, no nosso coração. Impossível defini-la. O que podemos é vivê-la no instante em que ocorre e, aí, convém levar em conta as palavras de Guimarães Rosa, que não se sabe se foi feliz, mas fez muita gente feliz: Felicidade a gente acha é em horas de descuido. Cláudia e a equipe da RH Da VT/Januária, a 600 Km de Belo Horizonte, Sérgio Bispo Rodrigues, um barranqueiro nascido e criado às margens do Rio São Francisco, como ele se identifica, manda dizer que a sua felicidade está no convívio com a família lá onde vive, no norte do estado: a mulher Keitty e o casal de filhos Lucas e Laís. Na verdade, não existem demarcações geográficas para a tal da felicidade. Cláudia Rejane Moreira, da DSDRH, na contramão de muitas opiniões, fica muito feliz é quando chega ao trabalho. Na RH sou muito bem acolhida. Lá somos uma família. Então, para tornar a vida mais fácil, é preciso reconhecer o que nos faz feliz e cultivar isso. Mas, como somos todos diferentes, precisamos também de diferentes motivos para sermos felizes. Uns ficam felizes com o almoço farto e sem pressa dos domingos, outros, com vitória do seu time de futebol, alegria difícil para os torcedores mineiros neste Brasileirão, e outros, ainda, com um pé de jabuticaba carregado. Guardada a ética, o respeito e o querer dos outros, vale tudo para ser feliz. O que não vale é a busca por um ideal de felicidade como a vida perfeita exibida nos comerciais de margarina, cujo padrão nem sempre corresponde aos nossos. Então, cuidado, porque a busca obstinada pela felicidade costuma mais aprisionar do que libertar, costuma prometer mais do que cumprir. Ter a felicidade como único alvo é o mesmo que buscar o impossível. Pensando assim, merece respeito o entendimento do Beethoven Nascimento de Souza (1ª VT/Uberaba) que encontra a felicidade mesmo é no seu dia a dia. É isso aí Beethoven! Beethoven Sérgio e família Sim, aqui pulsa o coração da Justiça do Trabalho. Gente, muita gente! Sobe e desce, entra e sai. Pressa, muita pressa! porque os prazos são peremptórios, apesar de insuficientes para a execução de tanto serviço, que não para de aumentar. O serviço aumenta, a exigência cresce, mas a hora continua com 60 minutos, o dia permanece com 24 horas, e o número de servidores é o mesmo, ainda que a pauta seja dupla. Meu Deus! Parece que os processos se reproduzem em profusão. Aí, o ritmo fica mais acelerado, frenético, a jornada mais prolongada. Na casa de Athena, sua espada não é de pau apenas porque as jornadas de nove, dez, doze horas não são executadas para atingir metas, mas por comprometimento e respeito aos cidadãos. Às 6h30 de segunda-feira, 26 de setembro, ainda com sono, a cidade recomeça seu movimento. Na 6ª VT de BH, as portas estão fechadas. O saguão do 7º andar começa a receber a luz do dia, mas as cadeiras estão vazias. Reina absoluto o silêncio. Daqui a pouco, tudo se agita, a pressão chega ao cume. Gente que já esteve ombro-a-ombro entreolha-se de esguelha. Quem sabe vão sair em animada prosa, depois do possível milagre da conciliação? Antes das 7h, chega o Mário, trazendo pães para o lanche. Abre a Secretaria, entra, liga equipamentos e põe a água do café para ferver - porque ninguém é de ferro! Volta, acessa o site do Tribunal, imprime mensagens de serviço, puxa os e-DOCs e inicia a redação de despachos. Nisto, chegam Agnaldo, Augusto, Péricles e Eliane (Lili). Enquanto Lili retira dos malotes cartas precatórias e processos que retornam do TRT, PRT e Contadoria, dá baixa e os distribui para despachos, Agnaldo guarda os 96 processos com despachos do dia anterior e procura os 90 que receberam petições, sendo 12 e-DOC, e os repassa para despacho, e junta as guias quitadas de acordos, execuções e honorários. Ao mesmo tempo em que Augusto faz consultas ao Infojud, Renajud e Jucemg, e redige alvarás, autorizações, mandados etc, Péricles elabora notificações e publicações, e faz o cadastramento das partes e dos pedidos lançados nas iniciais. Mais um tempinho e surge o Nilson, diretor da Secretaria. Estudante de Educação Física, quando ingressou no TRT, em 1984, depois cursou Direito. É preciso mesmo muito preparo físico (e mental) para encarar uma jornada que vai terminar depois das 21h! Nilson supervisiona os serviços e redige despachos, auxiliado por Mário e Raquel. Antes das 9h chegam Pulcra e Vanessa, assistentes Um dia na 6ª Vara do Trabalho de Belo Horizonte onde, a exemplo das demais varas, o serviço não acaba do juiz Fernando César Fonseca. Os cumprimentos são breves porque os processos são muitos. Às 9h começa o atendimento ao público. Dizem que segunda é o dia de menor movimento! Ufa! Será mesmo? Das 9 às 12h foram atendidos 48 advogados, 12 partes e um perito. Lá dentro, as máquinas não param. Sorte de Nilson que na segunda as audiências começam às 13h10. Ele localiza, ordena e confere os processos da pauta, presta apoio em audiências e no atendimento de balcão, supervisiona tudo e continua redigindo minutas de despachos. Quando chega Cristina, datilógrafa de audiência, arrastando o pé direito que está lesionado. Nilson demonstra preocupação com ela. Cris responde com um afetuoso abraço, um largo sorriso e a advertência de que ele quer mesmo é ficar livre dela. Brincadeira, ela confidencia baixinho. Agnaldo é o rei do balcão. Na função há cinco anos, se dá muito bem com todos. Em contrapartida, todo mundo procura ajudá-lo na hora do aperto. Andréia e Naiara, a estagiária, executam a mesma função. Ambas são muito simpáticas. Nayara vai fazer falta quando deixar o TRT, no final do ano, confirmando a afirmação do juiz Fernando César Fonseca de que a dificuldade da Vara é formar uma equipe. Ele chega trazendo nas mãos os três processos julgados pela manhã. Mais quatro o aguardam à noite, depois das 16 audiências do dia, com saldo, às 19h40, de quatro conciliações, uma sentença proferida, três a proferir; um incidente, uma exceção de incompetência, um adiamento e uma designação de prosseguimentos. O dia chega ao fim com todos extenuados. No balcão, foram atendidos 106 advogados, 37 partes e 7 peritos. Alguns, que iniciaram a jornada às 7h, já saíram há algum tempo, sem poder disfarçar o cansaço. Pulcra não conseguia pensar. Vanessa e Nilson ainda resistem. Para ela, “o grande desafio é manter a qualidade trabalhando tanto”. Aliás, a queixa quanto ao excesso de trabalho é comum a todos. Segundo Raquel, o estresse só é minimizado um pouco pelo ótimo ambiente proporcionado pelo Nilson e o juiz titular Fernando César. O número de servidores é realmente pequeno! Este ano a Vara já recebeu 1883 processos, contra 1754 em 2010. São 20h20. Apenas o Nilson trabalha. Cansado, ainda tem de assinar sentenças e decisões de embargos, elaborar 10 minutas e conferir os lançamentos no Sistema. Somente as lentes do Guto, fotógrafo da ACS, registram sua saída, o apagar das luzes. Amanhã começa tudo de novo, com comprometimento, amizade e alegria... A história de Vareta, um cachorro de sorte, e o futuro dos outros cachorros Servidores da JT se mobilizam para salvar ANIMAIS ABANDONADOS Se colocarmos na ponta do lápis, dá para constatar facilmente que alguns animais de estimação recebem muito mais cuidados do que muita criança carente! Mas o outro lado da moeda também existe e é cruel: as cidades sofrem com a superpopulação de animais de rua, na maioria das vezes, abandonados por seus donos. Após passar muitos anos tentando amparar essa população deixada na “sarjeta”, Adimar Damasceno Breder, da Vara do Trabalho de Manhuaçu, cidade da Zona da Mata mineira situada a 280 km de Belo Horizonte, partiu para uma ação mais efetiva e fundou a Bicho Vivo, uma ONG que defende a esterilização em massa de cães e gatos abandonados, proposta no Projeto de Lei 1376/2003. A superpopulação de animais de rua é um dos grandes desafios das administrações municipais. O problema, infelizmente, é colocado em último lugar na fila de prioridades e, se não houver uma ação do poder público, a situação tende a se agravar, afirma. Criada em 2004, a associação possui cerca de 100 voluntários e realiza periodicamente campanhas educativas em 36 cidades vizinhas ao município na tentativa de conscientizar as pessoas para os problemas trazidos pelos bichos nessa situação. Sabemos que eles são transmissores de várias doenças, causam acidentes de trânsito e os cães mais violentos acabam colocando em risco a vida das pessoas, diz Adimar. Porém, ele discorda daqueles que pensam no extermínio dos animais como solução: é um crime que não soluciona o problema. Se você também defende a proposta, manifeste-se e acompanhe a tramitação do projeto, que aguarda parecer na Comissão de Seguridade Social e Família (CSSF) em Brasília. 8 setembro/outubro Adimar, que defende uma ação efetiva do poder público, sobretudo da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), dos centros de controle de zoonoses municipais e um trabalho de conscientização das pessoas. Vareta, o mascote da VT de Santa Rita do Sapucai Vareta, o mascote da VT de Santa Rita do Sapucai Mas nem todos o cachorros de rua têm a mesmo destino. Na Vara do Trabalho de Santa Rita do Sapucaí, cidade da região Sul de Minas, distante 406 quilômetros da capital do estado, aconteceu um caso curioso. Há pouco tempo, chegou na vara um cachorro que amoleceu os corações dos servidores e, principalmente, o da juíza Camila Guimarães Zeidler, titular da vara. Ele foi chegando sorrateiro, e, antes que eu dissesse não, se instalou feito um posseiro, dentro dos nossos corações, canta a juíza, parodiando Teresinha, música de autoria de Chico Buarque. E foi assim mesmo que o mirrado cachorro chegou: com fome, frio e mancando da pata dianteira. As servidoras, sensibilizadas, começaram a alimentá-lo e, como uma coisa leva a outra, ele começou a bater ponto todo dia às 8 horas da manhã, tão pontual quanto um servidor dedicado. Sem nome, magro de fazer dó e por ter aparecido onde apareceu, virou Vareta, conquistando o coração de todos, como um posseiro mesmo, diz a juíza. Como o cachorro não engordava, foi levado ao veterinário, que constatou uma pneumonia. Após 12 dias de antibiótico e muita dedicação, Vareta reagiu e, como pode se ver na foto, tirada em 16 de setembro último, dia em que Dra Camila comemorou 30 anos de serviço prestado à Justiça do Trabalho – 8 como servidora do TRT2 e 22 como juíza do TRT3 – até participou da festa. VOCÊ JÁ TENTOU ASSOVIAR E CHUPAR CANA ? Há quem consiga assoviar e chupar cana porque acredita que a vida é cheia de possibilidades e acha uma delícia o doce da cana. Há os que insistem até conseguir e os que desistem antes mesmo de tentar. Esses dão uma preguiça na gente, né? Kémerson Lisboa Macedo, por exemplo, é dentista. No TRT trabalha na Informática. Áreas tão diferentes de atuação que, segundo ele, lhe dão muito prazer, cada uma ao seu tempo. Mas vamos à história: em 1990, ele prestou vestibular para odontologia, mesmo contrariando um teste vocacional que sinalizava que suas aptidões estavam mais ligadas às ciências exatas. Já na faculdade, como queria se bancar, fez o concurso do TRT e, aprovado, assumiu o cargo de técnico judiciário. Dentista, montou um consultório, mas não deixou o emprego público. Se o tempo era corrido para se dividir entre as duas atividades, Kemerson ainda conseguiu esticar mais um pouco o seu dia. Encantado com as novidades da Informática, prestou outro vestibular. Dessa vez para análise de sistemas, com direito até a uma pósgraduação em segurança de rede de computadores, área em que, desde então, trabalha no TRT atendendo à 2ª Instância, sem esquecer a odontologia. Atendo pacientes no consultório três manhãs por semana, quase como um hobby, diz ele, provando que é possível mesmo assoviar e chupar cana. E ainda sobra tempo para praticar esportes, outra de suas paixões. Falta dizer que a diabetes o obriga a se aplicar insulina seis vezes ao dia, mas não o impede de fazer nada. Outro bom exemplo, é o de Kátia Vieira de Oliveira, diretora da 1ª VT/Juiz de Fora, que durante um bom tempo precisou “assoviar e chupar cana” para dar conta do recado. E que recado! Graduada em letras e direito, ela achava que tinha tudo para se sair bem no cargo quando assumiu a diretoria em 2006. Mas, como gestora, enfrentou tempos difíceis, a exemplo de muitos diretores: servidores desmotivados e infelizes. Ambiente muito ruim de trabalho. E aí letras e direito não foram suficientes. O que lhe ajudou foram os vários cursos que precisou fazer na área de gestão de pessoas, com o apoio da Diretoria de Recursos Humanos. Resgatar a autoestima de cada um e estabelecer uma boa convivência entre os colegas passaram a ser desafios. Foram muitas reuniões, muitas mensagens motivacionais e uma proposta nova de trabalho, que, com apoio e a boa vontade da equipe, a quem ela credita todos os méritos da ação, hoje faz da vara uma referência: o rodízio quinzenal de atividades entre os servidores que têm a mesma qualificação. O rodízio, além de tornar o trabalho menos monótono, faz com que todos valorizem a atividade do colega porque todos sabem, por exemplo, que um alvará é mais difícil que um mandado, demanda mais tempo... Assim, conclui a “especialista em RH”, nenhum servidor e nenhuma atividade é mais valorizado que outro porque existe uma equipe que, para bem desempenhar seu trabalho, precisa funcionar como uma engrenagem. Na Bilblioteca Pública, Olegário Alfredo declama seus cordéis para os alunos da rede municipal de ensino de Belo Horizonte Na 1ª VT/JF, o juiz titular José Nilton Ferreira Pandelot preparou uma galinhada para comemorar, além do seu aniversário, também o dos aniversariantes de setembro. Parabéns ao ilustre cozinheiro! Outro servidor que também prova diariamente a sua versatilidade é Olegário Alfredo, do Controle Interno. Quando não está no TRT, tem quase como missão divulgar a literatura de cordel. Membro da Academia Brasileira de Cordel, ele é escritor, poeta, haicaista (poesia japosesa), mestre em capoeira e contador de história. Como cordelista, tem mais de 100 títulos publicados. Natural de Teófilo Otoni, Olegário é também professor de literatura portuguesa, formado em letras e pós-graduado em gestão pública. Para melhor conhecê-lo acesse o seu site www.olegarioalfredo.com.br e saiba um pouco mais da sua história, das suas obras e das suas andanças. Assessoria de Comunicação Social - TRT-MG 9 UM OLHAR SOBRE A CIDADE A primavera é um milagre de Deus que enobrece a vida e purifica o ser! Uma sapucaia florida na Avenida Cláudio Moura, em Ipatinga Catedral Metropolitana de Juiz de Fora vista da janela da Turma Recursal Noemi Luz - Foro Trabalhista de Juiz de Fora Dorotéa Reiter de Araújo – 4ª VT/Coronel Fabriciano Fale com o editor CADÊ VOCÊ ? Alguma coisa chamou a atenção na sua cidade, que mereça ser compartilhada com os colegas da JT? Faça como a Dorinha e mande a foto, que vamos publicar neste espaço ([email protected]) Resposta da Fernanda Ratton para Rosane Arquivo pessoal Olá Rosane! Estou em São João Del Rei, também com saudades e lembrando sempre dessa nossa época tão boa na Diretoria-Geral. A viagem à Argentina então que você bem lembrou foi mesmo uma delícia... Espero agora uma visita dos colegas da DG, nesta “terrinha” que é ótima. Um beijo para todos e um especial para a Rosane. Ah! Adorei sair na revista, fiz o maior sucesso por aqui! Maria Fernanda Ratton, da VT de São João Del Rei, na foto com a filha Gabriela e o marido Cléber Se você quer ter notícias de alguém com quem trabalhou, mas perdeu o contato, fale conosco que vamos ajudá-lo na busca. 10 setembro/outubro de 2011 - revista interativa OPINIÃO Mônica de Moura Gonçalves Faria* A (DIFÍCIL?) DECISÃO DE SE APOSENTAR Perguntam-me sobre aposentadoria, como me decidi, como me preparei, qual é a sensação agora, como me sinto. Na verdade ainda estou experimentando várias sensações. Tinha como certo em minha vida que no dia em que tivesse o “tempo,” iria me afastar. Sabia disso, não tive dúvidas. Gosto de minha profissão, adorei trabalhar no TRT como odontopediatra, trabalhei muito, muito mesmo. Tenho o maior respeito pelo serviço público e nunca admiti chacotas sobre funcionário público. Sei que dei o meu melhor. Não me preparei propriamente para esse momento da aposentadoria, mas sempre tive outras atividades, outros interesses, cursos, estudos, leituras e, paralelamente, mantinha o magistério na PUC. Minha vida sempre foi muito corrida, horários apertados. Então, embora me realizando no exercício da profissão, foi relativamente tranquilo confirmar minha opção pela aposentadoria. Confesso que me surpreendi com um friozinho na barriga: será mesmo? E o dinheiro, vai dar? Como veio, de que forma chegou essa leve brisa de dúvida, medo mesmo? O incômodo dizia assim: Quem eu sou ou serei se não for mais a dentista dos meus meninos do TRT? Foi então que me dei conta de que a dificuldade não é simplesmente gostar ou não do serviço, da profissão, do emprego. De tanto fazer, trabalhar, me envolver durante todos esses anos, eu incorporei esse papel, essa personagem à minha identidade. A dificuldade, e ao mesmo tempo a chave, foi tomar consciência e abrir mão dessa identificação do meu ego. Quem eu sou? “Ser” a dentista do TRT era só uma parte, um fragmento do SER Mônica, que não ia se perder, não ia deixar de SER. Ajudou-me ter essa consciência, procurar em mim tantas outras possibilidades de realização, de preenchimento e ver que a função que exercia tinha mesmo um ciclo, um tempo programado, tanto eu precisava me desligar e buscar meus outros recursos como o serviço precisava se renovar, receber outros colaboradores, com outras experiências, outras ideias. E outra pessoa precisava ocupar esse espaço pois é a vez dela também se realizar e aproveitar a oportunidade. Tudo é cíclico mesmo, está em movimento, em contínua renovação. Penso que se nos apegarmos à crença de que aposentado é velho, está no fim da linha, já não serve mais para o sistema, não é produtivo, então ficamos em casa, deprimidos, esperando a morte chegar. Mas, se ela vai chegar mesmo, quero estar é bem ocupada e feliz. Sinto-me recomeçando outro ciclo e não finalizando minha vida. Estudo muito, tenho sede de aprender coisas novas e um sério compromisso com meu crescimento espiritual. Tudo isso me nutre profundamente. Outra coisa interessante que constatei ser pura verdade: não tenho tempo. Achei que ia ter, achei mesmo. E minha família também teve essa expectativa. Continuo fazendo tudo correndo, atrasada. Acontece que me desorganizei (espero melhorar) e expandi minhas atividades. Continuo dando aulas e não sei como eu dava conta de fazer tantas coisas e ainda conseguia trabalhar no TRT. Em compensação, hoje é segunda-feira (3 de outubro) e estou em casa à tarde. Cheguei pela manhã cedo de João Pessoa, para onde fui na quintafeira participar de um workshop. Direito adquirido! Tá ruim? Se este texto tivesse uma trilha sonora, tocaria Gonzaguinha: “... é a vida, e é bonita e é bonita...” E estou feliz. * Mônica de Moura Gonçalves Faria, recém-aposentada, foi odontopediatra do TRT, é professora na PUC e continua inventando moda Assessoria de Comunicação Social - TRT-MG 11 Empossada como presidente do TRT da 3ª Região no último dia 1º de setembro, a desembargadora Deoclecia Amorelli Dias, primeira mulher a presidir a instituição, citou Clarice Lispector em seu discurso Destaque este encarte >>>>>>>>>>>>>>>>>>>>> Encarte - setembro/outubro de 2011 - revista interativa A VIDA É FEITA DE Responda rápido: O que têm em comum a invasão do Complexo do Alemão, no Rio, a vitória da candidatura carioca para sediar as Olimpíadas de 2016 e a recuperação de processos perdidos por um certo assistente da JT? Se você respondeu que todos contaram com uma estratégia bem-sucedida, acertou! Sobre os dois primeiros, muito se comentou à época em que ocorreram. Das táticas de invasão adotadas pela polícia carioca e das chamadas “estratégias de influência” usadas pelo Comitê Olímpico Brasileiro para convencer as autoridades olímpicas internacionais de que o Rio pode sediar, sim, um evento desse porte. Mas a estratégia usada por nosso assistente para recuperar alguns processos, essa vale a pena contar aqui. Walter era assistente de desembargador. Certo dia, como de costume, desceu as escadas do prédio em que morava carregando 12 volumes relativos a oito processos e levando pela mão o filho Gabriel, de dois anos, para deixálo na escolinha antes de seguir para o Tribunal. O filho correu na frente e, ao chegar à garagem gritou, o que fez com que Walter deixasse os processos em cima de um muro para socorrer o filho. E aí fica fácil deduzir que ele foi embora e deixou os processos para trás. Só quando chegou ao Tribunal, Walter se deu conta de que estava sem os processos. Naquele tempo pouca gente tinha telefone celular e ele não costumava andar com fichas ou cartão de telefone público. Assim, pensou que seria melhor voltar rápido para casa. De certa forma, ele estava tranquilo, pois naquela hora, ainda muito cedo, somente a empregada e a faxineira estavam no prédio, e ele já havia alertado ambas de que os processos eram intocáveis. Acontece que, de volta a sua casa, atônito, Walter descobriu que a faxineira tinha jogado todos os processos na lixeira da rua. A única coisa que lhe veio à cabeça foi encontrar uma maneira de recuperar os processos o mais rápido possível. E, apesar da tensão, Walter foi capaz de montar uma estratégia que deu certo. Veja só o que ele armou, passo a passo: 1 Perguntou aos lavadores de carro daquele trecho da rua se haviam visto quem recolhera o lixo. A resposta foi negativa, mas eles informaram que haviam passado por ali vários catadores de papel. 2 Fez a mesma pergunta na oficina da vizinhança. Lá, ficou sabendo que, por ser segunda-feira, três caminhões da SLU passavam pela manhã para recolher o lixo. 3 Pediu à faxineira que fosse ao supermercado próximo conversar com todos os catadores de papel que ela avistasse pedindo a eles que ficassem esperando ali até segunda ordem. 4 Convocou um dos lavadores de carro para ir à Feira dos Produtores, que também ficava nas proximidades, com a mesma recomendação de interpelar os catadores de papel. 5 Ligou para a SLU e pediu que o lixo recolhido no bairro Cidade Nova ficasse reservado até ordem contrária. 6 Correu ao depósito de papel mais próximo e solicitou ao responsável que entrasse em contato com todos os demais depósitos da região para que interrompessem o processamento do papel recolhido naquela manhã. Vale contar que para garantir que tudo fosse cumprido à risca, Walter afirmou que se tratava de uma “ordem judicial” que precisava ser cumprida. Logo no primeiro depósito de papel em que entrou, Walter pulou dentro de uma caçamba e, após iniciar sua busca, avistou, no fundo do que era uma montanha de papel, um metal redondo que podia ser um grampo de processos. De olhos fechados, levou a mão devagar, com muita fé, e puxou o documento de uma vez. Era um dos processos. A busca continuou nessa e em outra caçamba e um a um, todos os processos foram sendo recuperados. Depois de pagar, no quilo, pelo papel que estava levando do depósito, Walter, todo sujo de fuligem, mal teve tempo de liberar os catadores de papel do supermercado e da Feira dos Produtores, telefonar para a SLU para liberar o lixo do Cidade Nova, tomar um banho e correr para o Tribunal levando os processos, a tempo de despachar com o desembargador. Estrela de Natal 1 3 2 6 5 4 8 7 8 Assim como o Walter, todos nós podemos passar por uma situação que requer uma boa estratégia para ser solucionada. Se você já vivenciou uma situação assim, conte pra gente. SUA HISTÓRIA PODERÁ SER ESCOLHIDA E PUBLICADA NA PRÓXIMA interativa. 9 10 repetir o mesmo processo (89) na par te de trás 11 10 12 puxar 12 DICAS Para fazer a estrela, siga o diagrama. Ao fazer as dobras, tente unir bem as pontas e faça vincos fortes onde há linhas tracejadas. Não desista facilmente. Tente construir o origami com outros papeis. Na internet você encontra muitos outros modelos, com diagramas e instruções em vídeo. Boa sorte!