Física Geral e Experimental II Prof. Cláudio Soares FÍSICA II Física Geral e Experimental II Prof. Cláudio Soares ASSUNTOS ABORDADOS ¾ Carga Elétrica e Estrutura Atômica ¾ Quantização da Carga Elétrica Aula 1 Eletrostática Prof. Cláudio Soares [email protected] ¾ Princípios da Eletrostática ¾ Condutores e Isolantes Elétricos ¾ Eletrização (atrito, contato e indução) ¾ Lei de Coulomb (força eletrostática) ¾ Campo Elétrico (linhas de força) ¾ Potencial Elétrico CIÊNCIA DA COMPUTAÇÃO ¾ Exercícios Física Geral e Experimental II Prof. Cláudio Soares Carga Elétrica e Estrutura Atômica Física Geral e Experimental II Prof. Cláudio Soares Quantização da Carga Elétrica Qualquer corpo eletrizado terá carga elétrica múltipla inteira do valor absoluto da carga do elétron. Próton: positiva Elétron: negativa Neutron: neutro Q = n.e Q = carga elétrica de um corpo qualquer Um corpo (ou átomo), inicialmente neutro, fica carregado positivamente ao perder elétrons e negativamente ao receber elétrons. Exercício 01: Física Geral e Experimental II Prof. Cláudio Soares Um corpo, inicialmente neutro, perdeu elétrons, ficando positivamente eletrizado com uma carga de 1C. Quantos elétrons ele perdeu? n = número inteiro de cargas e = carga elementar, que tem o mesmo módulo para o próton e elétron e = 1,6.10 −19 C Não existe fração de e !!! Física Geral e Experimental II Prof. Cláudio Soares Princípios da Eletrostática Princípio da Atração e Repulsão Cargas elétricas de mesmo sinal se repelem e de sinais opostos se atraem. Princípio da Conservação das Cargas Elétricas A soma algébrica das cargas positivas e negativas é constante num sistema eletricamente isolado (sem troca com o meio exterior). 1 Física Geral e Experimental II Prof. Cláudio Soares Física Geral e Experimental II Prof. Cláudio Soares Condutores e Isolantes Elétricos Condutores e Isolantes Elétricos Condutores Isolantes ou Dielétricos Materiais que não carga elétrica. permitem a passagem da Eles conservam as cargas elétricas na região onde elas surgem, pois não possuem elétrons livres (ou são poucos). Exemplos: borracha, plástico, vidro, isopor, porcelana, papel, madeira, água destilada, óleos minerais etc. Materiais que permitem a passagem da carga elétrica, pois não conservam as cargas elétricas na região onde elas surgem. Exemplos: corpo humano, metais, grafite, gases iônicos, soluções aquosas de ácidos, bases e sais. Na prática, não existe condutor ou isolante elétrico perfeito. Física Geral e Experimental II Prof. Cláudio Soares Física Geral e Experimental II Prof. Cláudio Soares Eletrização Eletrização por Atrito Processo no qual se torna um corpo carregado eletricamente. Ao se atritar dois corpos, inicial-mente A eletrização se elétrons ou íons. dá com o transporte de Tipos de Eletrização neutros, haverá uma troca de elétrons entre eles. Após a eletrização por atrito os corpos ¾ Atrito adquirem ¾ Contato cargas de mesmo módulo e de sinais contrários. Logo eles se atraem. ¾ Indução Física Geral e Experimental II Prof. Cláudio Soares Física Geral e Experimental II Prof. Cláudio Soares Eletrização por Atrito Exemplos de Eletrização por Atrito a) atrito entre o cabelo e o pente de madeira ou plástico. b) atrito entre os veículos com movimento (mais em climas secos). c) levamos choques determinadas roupas. ao o ar encostar em em Série Triboelétrica Pele de gato Vidro polido Marfim Lã Pena Madeira Papel Seda Goma-laca Vidro despolido + Exemplo: Ao se atritar um bastão de vidro polido com uma pano de seda, o vidro ficará eletrizado positi- - vamente e a seda ficará negativamente. 2 Física Geral e Experimental II Prof. Cláudio Soares Eletrização por Contato Ao se encostar (ou ligar por um condutor) dois corpos de mesmas dimensões, com cargas diferentes, haverá o movimento de elétrons de um para o outro, cujo sentido dependerá do sinal e do valor das cargas. Após a eletrização por contato os corpos (com mesmas dimensões) adquirem cargas iguais em módulo e sinal. Logo eles se repelem. Física Geral e Experimental II Prof. Cláudio Soares Cálculo da Carga Final na Eletrização por Contato + + +6 + + + + +1 Q= Q1 + Q2 2 - + condutor + + + + - + -+ + + + + + - + -+ C + + -- ++ ++ -+ + + + + B + + + + -- ++ ++ + -- ++ + + E + + -- ++-++ + -- ++-+ + F + + - + ++ + - D AFASTADOS Física Geral e Experimental II Prof. Cláudio Soares Atração de um Corpo Neutro + + + + + + + + + Frepulsão - + - + + - + - ++ + + ++ -+ + Fatração + + Frepulsão + A distância entre cargas de sinais contrários é menor. + Física Geral e Experimental II Prof. Cláudio Soares Eletrização por Indução Nesse tipo de eletrização o corpo é carregado sem o contato. Indutor: corpo que cargas no induzido. induz o movimento de Induzido: corpo cujas cargas se movem devido à presença do indutor. Após a eletrização por indução os corpos (inicialmente um neutro e outro eletrizado) adquirem cargas de sinais contrários. Logo eles se atraem. Física Geral e Experimental II Prof. Cláudio Soares Eletroscópio + Fatração > Frepulsão - + - A carga final é igual à média das cargas iniciais dos corpos (com dimensões iguais). Física Geral e Experimental II Prof. Cláudio Soares A - +1 condutor Eletrização por Indução + + - -4 Devido à indução, um corpo carregado atrai um neutro! Aparelho que verifica a existência ou não de carga elétrica nos corpos. Tipos de Eletroscópio ¾ Pêndulo Eletrostático ¾ Eletroscópio de Folhas 3 Física Geral e Experimental II Prof. Cláudio Soares Física Geral e Experimental II Prof. Cláudio Soares Pêndulo Eletrostático Eletroscópio de Folhas Após o contato (a) os corpos se repelem (b) Física Geral e Experimental II Prof. Cláudio Soares Física Geral e Experimental II Prof. Cláudio Soares Lei de Coulomb Balança de Torção de Coulomb (1785) A intensidade da força de ação mútua entre duas cargas elétricas puntiformes é diretamente proporcional ao produto das cargas e inversamente proporcional ao quadrado da distância que as separa. A força eletrostática de repulsão entre as esferas provoca uma torção no fio de prata. Carga Puntiforme: dimensão desprezível. F = k. Q1 .Q2 d2 N .m 2 ko = 9.10 (vácuo) C2 9 A F = força de atração ou repulsão (N) Q1 e Q2 = carga elétrica (C) d = distância entre as cargas elétricas (m) k = constante eletrostática do meio εo = permissividade elétrica do vácuo ko = 1 4πε o ε o = 8,85.10 −12 intensidade as mesmas permitiu o estabele- cimento da Lei de Coulomb. C2 N .m 2 Física Geral e Experimental II Prof. Cláudio Soares Gráfico F x q Q As forças eletrostáticas: 9 São de campo, ou seja, não é necessário o contato entre as cargas; 9 Podem ser de Atração ou Repulsão; F F d F F= 9 Formam um par de Ação e Reação; 9 Dependem do meio (na água a força é 80 vezes menor que no vácuo); que é diferentes cargas e distâncias entre Lei de Coulomb intensas força Medições do ângulo de torção para Física Geral e Experimental II Prof. Cláudio Soares 9 Geralmente são bem mais forças gravitacionais. dessa proporcional ao ângulo de torção. as k .Q d2 q .q Eq. do 1° grau q 4 Física Geral e Experimental II Prof. Cláudio Soares Física Geral e Experimental II Prof. Cláudio Soares Gráfico F x d Q F (se as cargas forem iguais) F d F Hipérbole F= Gráfico F x q q q F F d F k .Q.q d2 F= Função Inversa d2 q2 q Física Geral e Experimental II Prof. Cláudio Soares Física Geral e Experimental II Prof. Cláudio Soares Gráfico F x (1/d) Gráfico F x (1/d2) F F d F k Eq. do 2° Grau d Q q Q q 1 F = k.Q.q. 2 d F F d q F 1 F = k.Q.q. d Eq. do 1° Grau 2 Eq. do 2° Grau 1/d² 1/d Física Geral e Experimental II Prof. Cláudio Soares Física Geral e Experimental II Prof. Cláudio Soares Linhas de Força Campo Elétrico (E) São linhas que indicam a direção e o sentido do Campo Elétrico resultante, ou seja, da força elétrica resultante que atua sobre uma carga de prova positiva. É uma grandeza vetorial que desempenha o papel de transmissor de interações elétricas. Isso ocorre porque toda carga cria, ao seu redor, uma região de influência eletrostática, de tal forma que qualquer carga que estiver nessa região será atraída ou repelida pela mesma. Pequeno corpo eletrizado Placas eletrizadas com sinais contrários Cilindro metálico eletrizado 5 Física Geral e Experimental II Prof. Cláudio Soares Física Geral e Experimental II Prof. Cláudio Soares Propriedades das Linhas de Força Propriedades das Linhas de Força 9 Se a carga de prova for positiva, os vetores Força e Campo Elétrico têm o mesmo sentido. Caso contrário, os vetores têm sentidos opostos. 9 As LF são de afastamento nas cargas positivas e de aproximação nas cargas negativas. 9 Em qualquer caso, as Linhas de Força originam-se em cargas positivas (ou no infinito) e terminam em cargas negativas (ou no infinito). 9 O vetor Campo Elétrico é tangente às Linhas de Força. 9 Duas LF não podem se cruzar. Isso ocorre porque na interseção das mesmas teríamos mais de um vetor, contrariando o fato da LF estar relacionada com a resultante do Campo Elétrico. Física Geral e Experimental II Prof. Cláudio Soares Propriedades das Linhas de Força 9 A distância entre as LF está relacionada com a intensidade do Campo Elétrico, que é maior quanto menor a distância entre as LF. Geralmente isso ocorre mais próximo das cargas geradoras. Física Geral e Experimental II Prof. Cláudio Soares Relações Importantes r r r r F Q E = k. F = q.E E= d2 q N .m 2 (vácuo) C2 ko = 1 4πε o ε o = 8,85.10 −12 Física Geral e Experimental II Prof. Cláudio Soares Um estudante de física desenhou as linhas de força do campo elétrico criado por duas cargas puntuais (figura seguinte). Após um teste com um eletroscópio, o professor verificou que o estudante errou no sentido das flechas. Com base no enunciado, relacione as cargas em valor algébrico e absoluto. Física Geral e Experimental II Prof. Cláudio Soares Região de Campo Elétrico Uniforme É a região onde o módulo, a direção e o sentido do Campo Elétrico permanecem constantes. Nessa região, as Linhas de Força são paralelas. E = campo elétrico (N/C) F = força de atração ou repulsão (N) Q = carga elétrica (C) d = distância entre as cargas elétricas (m) k = constante eletrostática do meio εo = permissividade elétrica do vácuo ko = 9.10 9 Exercício: C2 N .m 2 Placas eletrizadas com sinais contrários Ao se mover uma carga de uma placa para outra a FR permanece constante, pois a força de atração aumenta e a de repulsão diminui. 6 Física Geral e Experimental II Prof. Cláudio Soares Campo Elétrico de Várias Cargas O Campo Elétrico criado por várias cargas puntiformes em um ponto P é a soma vetorial dos campos criados por cada carga isolada. Física Geral e Experimental II Prof. Cláudio Soares Distribuição da Carga em um Condutor Devido à força de repulsão existente entre as cargas de mesmo sinal, as cargas se distribuem na superfície de um corpo carregado, sendo nulo o campo elétrico no seu interior, seja ele maciço ou oco. ---- - - - - - Cilindro metálico eletrizado Física Geral e Experimental II Prof. Cláudio Soares Física Geral e Experimental II Prof. Cláudio Soares Blindagem Eletrostática O interior de um condutor fica blindado contra influências elétricas provenientes de cargas externas. O Poder das Pontas As cargas elétricas, que se distribuem na superfície do corpo eletrizado, se concentram nas pontas. Como conseqüência disso, o campo elétrico é mais intenso nessas regiões. Gaiola de Faraday Física Geral e Experimental II Prof. Cláudio Soares Gerador de Van de Graaff Ao girar a correia, devido o atrito com um objeto plástico, a mesma se eletriza, levando a carga até uma ponta metálica, que transfere a carga para a superfície externa da esfera oca. Exercício 02: Física Geral e Experimental II Prof. Cláudio Soares Um estudante coloca pequenos pedaços de papel sobre uma placa de isopor debaixo de uma peneira de plástico. Ele atrita um pente em seus cabelos, aproxima-o da peneira e repara que os papéis são atraídos pelo pente. Depois troca a peneira de plástico por outra peneira metálica e repete o experimento. Observa, então, que os papéis não são atraídos pelo pente. Explique esse fenômeno. 7 Física Geral e Experimental II Prof. Cláudio Soares Exercício 03: Observando-se três bolas metálicas verificamos que cada uma das bolas atrai as outras duas. Três hipóteses são apresentadas: I - apenas uma das bolas está carregada; II - duas das bolas estão carregadas; III - as três bolas estão carregadas. Física Geral e Experimental II Prof. Cláudio Soares Exercício 04: Duas esferas metálicas iguais, eletricamente carregadas com cargas de módulos q e 2q, estão a uma distância R uma da outra e se atraem, eletrostaticamente, com uma força de módulo F. São postas em contato uma com a outra e, a seguir, recolocadas nas posições iniciais. Qual o módulo da nova força eletrostática entre as esferas metálicas? Qual (ais) hipótese (s) explica o fenômeno? Justifique. Física Geral e Experimental II Prof. Cláudio Soares Física Geral e Experimental II Prof. Cláudio Soares Energia Potencial Elétrica Energia Potencial Elétrica Uma carga elétrica (q > 0), abandonada (Ec=0) no ponto A da placa positiva, estará sujeita a uma força elétrica (F=q.E). Ao atingir o ponto B da placa negativa, a carga possuirá certa velocidade e, consequentemente, energia cinética. Em A, a carga tem energia associada à sua posição, em relação a B, denominada energia potencial elétrica (Epe). Em A, a Ec da carga é nula, mas ela tem a capacidade potencial de vir a ter energia cinética, porque, ao ser abandonada, a força elétrica realizará trabalho, que é igual à variação da energia cinética da carga. Física Geral e Experimental II Prof. Cláudio Soares Energia Potencial Elétrica Ao se deslocar espontaneamente, a Epe se converte em Ec, de modo que a soma das mesmas permanece constante. Logo, a força elétrica, assim como o peso e a força elástica, pode ser considerada como força conservativa. Física Geral e Experimental II Prof. Cláudio Soares Energia Potencial Elétrica de Duas Cargas O trabalho realizado por forças conservativas independe da trajetória. Interessa apenas as posições inicial e final. Ao mover a carga de A para B, independentemente da trajetória, o trabalho realizado pela força elétrica é: WAB = F .d F = q.E W AB = q.E.d A Epe que uma carga q adquire ao ser colocada num ponto P do campo de uma carga Q fixa é calculada em relação a um certo ponto de referência R. O valor da Epe é igual ao trabalho realizado pela força elétrica que atua sobre q quando ela vai do ponto P até R. E pot = WP → R P 8 Física Geral e Experimental II Prof. Cláudio Soares Física Geral e Experimental II Prof. Cláudio Soares Energia Potencial Elétrica de Duas Cargas Potencial Elétrico (V) O ponto de referência adotado na Eletrostática se encontra no infinito. Utilizando recursos de matemática superior, chega-se na seguinte expressão para a Energia Potencial Elétrica: A Epe de uma carga é diretamente proporcional ao valor da carga. Define-se como Potencial Elétrico a razão entre Epe e q. Logo: E pot = WP → R P E pot P Qq = k. d Se as cargas têm mesmo sinal sua Epe é positiva e diminui à medida que elas se afastam. Se as cargas têm sinais opostos sua Epe é negativa e aumenta à medida que elas se afastam. Física Geral e Experimental II Prof. Cláudio Soares Potencial Elétrico de Várias Cargas V= E pe q E pe = q.V Unidade: [V ] = E pe = k . [ E pe ] [q ] Qq d [V ] = j V = k. Q d C O potencial elétrico é uma grandeza escalar que independe da carga q, colocada no ponto, depende da carga Q e do meio, variando de ponto para ponto. Física Geral e Experimental II Prof. Cláudio Soares Diferença de Potencial (ddp) O potencial elétrico em um ponto P de uma região é a soma algébrica dos potenciais que todas cargas originam separadamente nesse ponto. O trabalho realizado pela força elétrica no deslocamento da carga q de A para B é igual à diferença entre as energias pontenciais entre os pontos A e B. Então: WAB = q.(VA − VB ) O Potencial Elétrico é uma grandeza Escalar ! A diferença VA-VB é representada por U e denominada Diferença de Potencial Elétrico entre os pontos A e B, ou simplesmente ddp entre A e B. Física Geral e Experimental II Prof. Cláudio Soares O elétron-volt (eV) Corresponde ao trabalho da força elétrica ao deslocar um elétron entre dois pontos cuja ddp seja igual a 1V. É uma unidade de energia muito pequena e utilizada ao se analisar o movimento de partículas atômicas. W AB = q.(VA − VB ) W AB = −1,6.10 −19.(−1) 1eV = 1,6.10 −19 j 9