CENTRO DE CIENCIAS SOCIAIS APLICADAS FORMULAÇÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS ELZA DE LARA BEZERRA ABSENTEÍSMO INJUSTIFICADO NA ENFERMAGEM HOSPITALAR LONDRINA - PR 2008 ELZA DE LARA BEZERRA ABSENTEÍSMO INJUSTIFICADO NA ENFERMAGEM HOSPITALAR Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Universidade Estadual de Londrina-UEL: Requisito essencial para obtenção do título de Especialista em Formulação de Políticas Públicas. Orientador: Melatti Londrina - PR 2008 Profº. Gerson Antonio ELZA DE LARA BEZERRA ABSENTEÍSMO INJUSTIFICADO NA ENFERMAGEM HOSPITALAR Trabalho de Conclusão de Curso apresentado á Universidade Estadual de Londrina-UEL CENTRO DE CIENCIAS SOCIAIS APLICADAS; requisito essencial para obtenção do titulo de especialista em Formulação de Políticas Públicas, com nota final igual a _______ conferida pela Banca Examinadora formada pelos professores: Professor Professor Professor Londrina, 10 de abril de 2008 “A caridade é sofredora, é benigna: a caridade de não é invejosa: a caridade não trata com leviandade, não se ensoberbece”. Não se importa com indecência, não se irrita. Não suspeita mal; Não folga com a injustiça, mas, folga com a verdade; Tudo sofre, tudo crê, espera, tudo suporta”. tudo CORÍNTIOS 13, 4-7 AGRADECIMENTOS A Deus por ter me concedido, forças, saúde e sabedoria para concretizar mais esta etapa da minha vida profissional. Ao meu filho Guilherme, que em detrimento da minha ausência sofre calado, mas, certo de que se fazia necessário. Aos mestres professores o meu mais afetuoso apreço, pela confiança. Ao meu orientador Gerson, pelo auxílio, pela cobrança e por acreditar que seria possível. Á todos os profissionais colegas de turma que estiveram comigo nesta jornada árdua, Leia, Rosangela, Bonezi, Altair o meu sincero abraço e obrigada por existirem. A minha irmã Eva que mesmo quando ausente se faz presente nas minhas atividades. Aos diretores da Associação Norte Paranaense de Combate ao Câncer e do Roberto Frederico Kock e Ricardo Akira Yaedu, do Hospital Eulalino Ignácio de Andrade; Orides Lopes Pinheiro e Juranda Maia Miranda, por acreditarem que eu seria capaz. Ao grande amor da minha vida, por estar comigo em oração. “A capacidade definitiva de um homem não está nos momentos de conforto e convivência, mas nos períodos de desafios e controvérsias”. (Martin Luther King). BEZERRA, E.L. Absenteísmo injustificado na enfermagem hospitalar. Trabalho de conclusão de curso (Formulação em Políticas Públicas). Universidade Estadual de Londrina - Centro de Ciências Sociais Aplicadas. Londrina-Pr. 2008. RESUMO Considerando a importância da presença efetiva e diária dos profissionais de enfermagem frente às atividades do cuidar e assistir dos pacientes, no ambiente hospitalar em qualquer nível de atenção, a proposta do estudo foi identificar o grau de percepção dos profissionais que lideram a equipe de enfermagem frente ao absenteísmo injustificado. A ausência no trabalho do profissional de enfermagem, seja qual for o motivo, representa um indicador sério frente á qualidade da assistência prestada aos clientes, diminuição de produtividade dos profissionais que permanecem na ativa, bem como, nos custos operacionais da instituição. O método utilizado para desenvolver a pesquisa foi qualiquantitativo, explorativo e descritivo, sendo utilizado o questionário como forma de obtenção da coleta de dados. A análise do estudo nos revelou que em 39.2% dos entrevistados, listam como característica principal do absenteísmo injustificado a irresponsabilidade do profissional, seguida de falta de compromisso com colegas em 35% dos casos; quanto aos indicadores prováveis das causas que levam á falta injustificada, em 53.6% dos casos são por falta de compromisso, seguidas dos baixos salários, caracterizados por 42.8% dos entrevistados, as demais causas caracterizadas pela falta de motivação, desinteresse profissional, dupla jornada de trabalho, sobrecarga de atividades e o desconhecimento das implicações legais deste ato; existindo um consenso junto aos entrevistados frente a caracterização dos profissionais faltosos e as causas prováveis do absenteísmo. Quando da prevenção do absenteísmo 32.1% acreditam que as orientações sobre as implicações legais devam ser realizadas, 21% dos entrevistados enfatizam que a valorização profissional é fator importante, 3,57% não faz nada apesar de achar necessário. Valorizar, conscientizar, orientar e punir são ações administrativas que devam ser incorporadas no serviço de Recursos Humanos, tendo como meta prevenir, controlar e diminuir os índices de absenteísmo hospitalar. Palavras chaves: Absenteísmo, enfermagem, assistência, paciente/cliente. BEZERRA, E. L.. Hospitalar nursing injustified absenteeism. Comparative study, 2008. Leaves. Work of completion of course lato sensu (Wording in Public Policy). State University of Londrina. 2008. ABSTRACT Considering the importance of effective and daily presence of Nurses forward to the activities of care and assist patients in the hospital at any level of care, the proposal of the study is to assess and detect the degree of perception of professionals who lead the team nursing opposite unjustified absenteeism. The absence in the work of professional nursing, whatever the reason, is an indicator will face serious quality of care provided to clients, decreased productivity of the professionals who remain in active, as well as in operating costs of the institution. The analysis of the study showed that in 39.2% of respondents, list as a main characteristic of unjustified absenteeism the irresponsibility of training, followed by lack of commitment to colleagues in 35% of cases; on the indicators of probable causes that lead to lack unjustified, in 53.6% of cases are due to lack of commitment, followed by low wages, characterized by 42.8% of respondents, the other causes characterized by a lack of motivation, lack professional, double day of work, overload of activities and ignorance of the legal implications of this act ; there is a consensus among the interviewees before the characterization of professional failings and the probable causes of absenteeism. When the prevention of absenteeism 32.1% believe that the guidelines on the legal implications should be carried out, 21% of respondents emphasized that the recovery is professional important factor, 3.57% does nothing even though you see fit. Enhancing, awareness, guide and punish are administrative actions that should be incorporated in the service of Human Resources with a target prevent, control and reduce the rates of absenteeism hospital. Key-words: Absenteeism, nursing, care, patient / client. LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1: Total geral de profissionais lotados no departamento de enfermagem da instituição A, população inclusa e profissionais entrevistados ........ Gráfico 2: 48 Total geral de profissionais lotados no departamento de enfermagem da instituição B, população inclusa e profissionais entrevistados ........ 49 Gráfico 3: Sexo – Instituição A ............................................................................. 50 Gráfico 4: Sexo – Instituição B.............................................................................. 50 Gráfico 5: Faixa Etária – Instituição A .................................................................. 51 Gráfico 6: Faixa Etária – Instituição B .................................................................. 52 Gráfico 7: Grau de Instrução – Instituição A ......................................................... 53 Gráfico 8: Grau de Instrução – Instituição B ......................................................... 53 Gráfico 9: Função que Exerce – Instituição A ...................................................... 54 Gráfico 10: Função que Exerce – Instituição B..................................................... 54 Gráfico 11: Tempo Formado – Instituição A ......................................................... 55 Gráfico 12: Tempo Formado – Instituição B ......................................................... 55 Gráfico 13: Tempo que exerce função atual – Instituição A ................................. 56 Gráfico 14: Tempo que exerce função atual – Instituição B ................................. 57 Gráfico 15: Em quantas instituições já trabalhou – Instituição A .......................... 58 Gráfico 16: Em quantas instituições já trabalhou – Instituição B .......................... 58 Gráfico 17: Está estudando atualmente – Instituição A ........................................ 59 Gráfico 18: Está estudando atualmente – Instituição A ........................................ 59 LISTAS DE TABELAS Tabela 1: Classificação do profissional faltoso: visão do líder........................................... 61 Tabela 2: Indicadores de falta injustificada. ...................................................................... 62 Tabela 3: Efeitos negativos relacionados ao absenteísmo: paciente. ............................... 62 Tabela 4: Efeitos negativos relacionados ao absenteísmo: equipe................................... 63 Tabela 5: Efeitos negativos relacionados ao absenteísmo: instituição.............................. 64 Tabela 6: Efeitos negativos relacionados ao absenteísmo: profissional faltoso................ 65 Tabela 7: O que você faz para diminuir as faltas na sua unidade ..................................... 66 LISTA DE FIGURAS Figura 1: Inserção do profissional de enfermagem no circuito hospital ............................ 31 Figura 2: Organograma do departamento de enfermagem .............................................. 33 LISTA DE QUADROS Quadro 1: Definições de Líder x Gestor. Araújo, 2006, pg.335......................................... 39 Quadro 2: Características e habilidades........................................................................... 41 ANEXOS Anexo 1: Termo de consentimento livre e esclarecido...................................................... 74 Anexo 2: Instrumento de coleta de dados ........................................................................75 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................... 13 2 JUSTIFICATIVA ......................................................................................................... 17 3 OBJETIVO ................................................................................................................. 18 3.1 4 5 OBJETIVOS ESPECÍFICOS...................................................................................... 18 METODOLOGIA ........................................................................................................ 20 4.1 UNIVERSO DA PESQUISA ................................................................................ 20 4.2 PÚBLICO ALVO .................................................................................................. 21 4.3 MÉTODO............................................................................................................. 21 4.4 QUESTÃO ÉTICA E LEGAL................................................................................21 4.5 COLETA DE DADOS........................................................................................... 21 REFERENCIAL TEÓRICO......................................................................................... 23 5.1 O HOSPITAL ....................................................................................................... 23 5.2 ASPECTOS HISTÓRICOS NA ENFERMAGEM ................................................. 26 5.3 O SERVIÇO DE ENFERMAGEM. ....................................................................... 29 5.4 A ESTRUTURA ORGANIZACIONAL DO HOSPITAL: serviço de enfermagem ................................................................................................................... 31 5.5 GESTÃO DE PESSOAS NO AMBIENTE HOSPITALAR.................................... 33 5.6 PROGRAMA DE AMBIENTAÇÃO INTERNO E A GESTÃO DE PESSOAS........ 37 5.7 IMPORTÂNCIA DA GESTÃO DE PESSOAS ...................................................... 38 5.8 DIFERENÇAS ENTRE LÍDER DE GESTOR....................................................... 41 6 ABSENTEÍSMO ......................................................................................................... 42 7 ANÁLISE DOS DADOS ............................................................................................. 50 7.1 PERFIL DO PUBLICO ALVO...............................................................................50 7.2 QUESTÕES TEMÁTICAS ...................................................................................61 8 CONSIDERAÇÕES FINAIS ....................................................................................... 69 9 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICA ............................................................................ 71 ANEXOS ........................................................................................................................... 73 13 1 INTRODUÇÃO A ausência no trabalho na área da saúde tem sido cada vez mais freqüente nas instituições independente de característica privada ou pública, principalmente no serviço de enfermagem, fato este observado na vivência profissional, onde causas multifatoriais são observadas. Na análise do dimensionamento de recursos humanos o desenvolvimento socioeconômico e político do país têm influência direta nas instituições, tendo como finalidade atender as necessidades biopsicoemocional do indivíduo com eficiência e menor custo possível. Ferreira (1986) define a palavra absenteísmo como: ausência habitual no emprego. Chiavenato (1994), descreve como sendo uma expressão para designar “falta do empregado ao trabalho, não sendo a ausência caracterizada por desemprego, doença prolongada ou licença legal”. Através de leituras e discussões diárias no inicio deste século sobre esta temática, buscou-se levantar alguns indicadores que considerassem sobre as causas que desencadeiam o problema, dentre elas algumas hipóteses foram formuladas; dimensionamento insuficiente de profissional na área de enfermagem, dupla jornada de trabalho, baixos salários, desvalorização profissional, ingerência administrativa, liderança autoritária, sobrecarga das atividades profissionais e complementares, falta de motivação pessoal, baixa auto-estima, irresponsabilidade profissional, falta de compromisso ético, desamor pela profissão. O absenteísmo exacerbado no departamento de enfermagem na área hospitalar vem sendo estudado ao longo de muitos anos, estando estes vinculados a causas diversas: as legais e já muito discutidos são enumeradas por atestados médicos de curta, média e longa duração, as licenças maternidade, 14 paternidade, gala, férias, são previsíveis, logo, se bem gerenciadas não devem atrapalhar o processo de trabalho seja administrativo ou assistencial; existe ainda aquele que é inevitável administrativamente, como, licença funeral, acidentes de trabalho, além deste o absenteísmo injustificado, faltar por faltar. Couto (1987) descreve que o absenteísmo é decorrente de um ou mais fatores, tais como, fatores sociais, culturais, de personalidades e de doença. O autor relata que não parece existir uma relação precisa de causa e efeito, mas sim, um conjunto de variáveis que podem levar ao absenteísmo. As condições de trabalhos impostas hoje no mercado de trabalho na área da saúde, através das políticas governamentais e privativas, estão aquém do que se deseja e espera para melhorias das condições de trabalho do servidor público e/ou empregado na rede privada, bem como, da eficiência da assistência prestada aos clientes; aqui se pode citar: jornadas de trabalhos ininterruptas de segunda á segunda, jornadas com mais de 30hs semanais, solicitações de horas extras para um único servidor, pressão interna exercida decorrente da sobrecarga de atividades, devido a alta demanda de pacientes que necessitam de internações, a alta rotatividade de profissionais que após o período de adaptação e conhecimento geral sobre a unidade, se despede da instituição em busca de novos horizontes profissionais e salariais. Eboli, apud, Kurcgant (2006), descreve sobre, o “resgate do sujeito” como condição necessária para modernidade, situando o sujeito no centro das dimensões organizacionais, valorizando o ser humano e suas manifestações de desejo. A essa condição, inclui iniciativa e a responsabilidade individual, o estimulo á participação das pessoas no processo da organização, o favorecimento do alcance de objetivos pessoais, o auto desenvolvimento e a preocupação com a avaliação de 15 resultados, tanto das pessoas quanto da organização. Na prática percebe-se que embora as instituições saibam das necessidades de se investir no profissional, muitas ainda, mostram-se indiferentes em estabelecer uma política de valorização dos recursos humanos. Acredita-se que quando se investe em desenvolvimento de pessoal, o indicador da qualidade assistência denominado de alta rotatividade, que em muito compromete a avaliação do cliente externo se mantêm estático dento da empresa. Ribeiro (2006), relata que saber lidar com o absenteísmo é uma tarefa do supervisor imediato, que precisa motivar o funcionário para o trabalho, além de divulgar e aplicar as normas da empresa, de modo a evitar que funcionários não enquadrados sirvam de exemplo para outros. Ele tem que conscientizar os empregados para o trabalho em equipe e para a questão da produtividade. O supervisor acha que a tarefa de controlar os horários e as faltas cabe á área de Recursos humanos; e vice-versa. Contudo, há que se pensar que este deve ser um trabalho compartilhado e não restrito a um único departamento. Dentre os novos desafios frente á gestão de pessoas, o absenteísmo parece que irá permanecer ativo ainda nesta década, cabendo ao núcleo de gestão de pessoas buscar mecanismo que facilitem o controle e avaliação no processo de diminuição das faltas, sejam legais ou injustificadas, Gonçalves (2006), relata que o departamento de recursos humanos tem papel fundamental neste controle, além, de novos desafios administrativos, dentre eles: apoiar e assessorar os gerentes de linha; possuir aprofundado conhecimento da organização e de seus profissionais; consolidação da imagem da instituição; criação de mecanismos de escuta aos profissionais; facilitar o espaço intersetorial; desenvolver ações para melhoria do ambiente de trabalho; desenvolvimento de capacidades e de educação continuada; enfoque na motivação; gerenciamento por meio de indicadores e parâmetros 16 pactuados; humanização das relações e estruturas internas e a viabilização e oferecimento de benefícios não financeiros e subjetivos. Com base nestas primícias muito há que se fazer quando se trata de gerenciamento de recursos humanos. 17 2 JUSTIFICATIVA Toda pesquisa idealizada traduz num novo conhecimento a ser vivenciado, neste universo existem formas diferentes de contextualizar e com resultados distintos numa mesma pesquisa, não significando que possam existir inúmeras verdades, entendemos, no entanto que um mesmo tema possa ser tratado sobre olhares e análise diferentes. Partindo da premissa de que a presença do profissional no processo de trabalho da equipe de enfermagem e na sistematização da assistência é de fundamental importância, há que se pensar, que o absenteísmo pode comprometer em muito a qualidade da assistência e a essência do cuidado dos pacientes. O presente estudo busca identificar o pensar dos lideres frente á falta do profissional de enfermagem em hospitais de diferentes características estruturais e propor medidas que por ventura possam diminuir cada vez mais os índices de absenteísmo na área de enfermagem no ambiente hospitalar. 18 3 OBJETIVO Identificar sob o olhar dos lideres de enfermagem, as causas do absenteísmo injustificado na área hospitalar, analisando a situação em dois hospitais da região norte do Estado do Paraná. 3.1 OBJETIVOS ESPECÍFICOS a) Levantar as causas que levam o profissional de enfermagem a faltar de forma injustificada. b) Identificar as conseqüências que o absenteísmo traz para o profissional, cliente, equipe e instituição, na visão dos líderes de enfermagem. c) Sugerir mecanismos de prevenção e propor mudanças gerenciais nas diretrizes de controle do absenteísmo. 19 4 PROCESSO METODOLÓGICO 4.1 UNIVERSO DA PESQUISA A pesquisa foi realizada na região norte do Estado Paraná, abrangendo duas instituições; a primeira caracterizada por ser uma instituição privada de cunho filantrópico e conveniada ao sistema único de saúde - SUS que atende a população regional, sendo referência estadual e interestadual, nas especialidades de cirurgia cardiovascular, neurologia e traumatologia/ ortopédica, possui na sua estrutura física três unidades de terapia intensiva com 15 leitos cada, pronto socorro ativo 24hs, e 15 macas; centro cirúrgico composto de nove salas de operação; duas alas de convênios e particulares contando com 36 apartamentos, unidade de internação do SUS com 102 leitos, atualmente conta com 190 leitos, destes 160(76%) são destinados aos pacientes do SUS, atendendo uma população aproximada de 100.000 habitantes do município de Arapongas, mas todo vale do Ívai no Estado do Paraná, o seu quadro funcional de recursos humanos compreende um total de 340 profissionais com vínculos diretos com a instituição, e destes 155(45,58%) estão lotados no departamento de enfermagem na qual denominaremos de hospital A. A segunda instituição trata-se de um hospital público estatal, caracterizado por hospital secundário, conta com 41 leitos para internação, destes 15 são para clinica médica, 09 para clinica cirúrgica e 14 para pediatria, possui um pronto socorro com atendimento 24hs com 10 leitos de observação que na maioria das vezes estão com pacientes internados. O departamento de recursos humanos conta com um total de 104 servidores públicos e 98 funcionários do serviço terceirizados (CISMEPAR 70, POLISERFISE 08, ALTERNATIVA 19) 01 remanejado 20 do ministério da saúde; junto ao departamento de enfermagem 66 (32,67%) profissional, durante o estudo será identificada como instituição B. 4.2 PÚBLICO ALVO A amostra será composta por profissionais de nível superior e que compõe o departamento de enfermagem, o critério de exclusão ocorreu pela não participação do profissional. Na instituição A dos 23 profissionais existentes, a amostra foi composta de 20 entrevistados. Na instituição B, dos 09 profissionais, 08 responderam os questionários . Sendo que a exclusão se deu de forma espontânea. 4.3 MÉTODO A natureza do estudo se traduz por ser qualiquantitativo, explorativo e descritivo. O estudo qualiquantitativo, que segundo Dyniewicz, apud, Murta (2006), enfatiza que a pesquisa quantitativa deve salientar o raciocínio lógico, as regras da lógica e os atributos mensuráveis da experiência humana, a objetividade na coleta e análise dos dados numéricos através de procedimentos estatísticos, sobre a forma de questionários, teste, entrevistas, a pesquisa qualitativa salienta os aspectos dinâmicos, holístico e individual da experiência humana, requerendo abertura, flexibilidade, capacidade de observação e de interação com o grupo participante da pesquisa, analisa ainda as informações de forma estruturada, mas intuitiva; já Minayo (2000), descreve que a pesquisa deve trabalhar os motivos, aspirações, valores e atitudes, ao lado dos fenômenos que podem ser quantificados. Quanto á amplitude do estudo teórico, a forma exploratória busca a familiarização e 21 compreensão de uma situação da vida real, com intuito de aumentar o conhecimento do pesquisador sobre a situação que deseja investigar posteriormente; já a pesquisa descritiva apresenta-se, com ou sem hipóteses e características específicas de uma situação, tem enfoque na exatidão, num planejamento de pesquisa que amplie a precisão de resultados semelhantes se houver repetição na coleta de dados, estabelecendo relação entre as variáveis. Cervo e Brevian (1996), definiu a pesquisa descritiva como aquela que procura descobrir, com a precisão possível, a freqüência com que um fenômeno ocorre, sua relação e conexão com os outros, sua natureza e características, observando, registrando, analisando e correlacionando fatos sem manipulação dos mesmos. 4.4 QUESTÃO ÉTICA E LEGAL Atendendo as normas éticas e legais da pesquisa, adotou-se a autorização formal das instituições participantes da pesquisa. A pesquisa seguiu dentro da conformidade da Resolução 196/96, do Conselho Nacional do Comitê de Ética e Pesquisa em Seres Humanos, a fim de analisar e validar a proposta da pesquisa e poder divulgar os resultados; os participantes da pesquisa foram orientados quanto à natureza da pesquisa e seu objetivo, através do termo de livre consentimento (anexo 01). Para preservar a identidade das instituições e dos profissionais serão utilizados nomes fantasias sempre que se fizerem necessários. 4.5 COLETA DE DADOS A técnica utilizada para coleta de dados, foi realizada sobre a forma de questionário com perguntas semi - estruturadas, objetivas e abertas (anexo 02). 22 Primeiramente foi apresentado o projeto em reunião de serviço, explanado os objetivos da pesquisa e seu grau de relevância para comunidade em geral; orientado sobre o termo de livre consentimento, apresentado o instrumento da coleta de dados e entregue a cada um dos participantes, a devolução ficou sob a responsabilidade do pesquisador em realizar a busca ativa. 23 5 REFERENCIAL TEÓRICO 5.1 O HOSPITAL A história dos hospitais remonta as obras de caridades vivenciadas desde o século XV em Portugal, o que através deste surgiram no Brasil as Irmandades de Santa Casas. A palavra hospital é derivada do latin hosptiu, que quer dizer local onde se hospeda pessoal, Gonçalves (2006), retrata que: um modo de entender o hospital é vê-lo como uma organização de características próprias que o diferenciam de outras organizações ou instituições. “O hospital é uma organização humanitária, sendo até certo ponto burocrática e autoritária, com extensa divisão de trabalho especializado, coordenado hierarquicamente segundo princípios e métodos”. Segundo Ministério da Saúde, apud, Mozachi (2005), hospital é definido como: “estabelecimento destinado a prestar assistência sanitária em regime de internação a uma determinada clientela”. Com advento de novas tecnologias introduzidas na saúde a equipe de enfermagem começa a ser vista com novo olhar pelos administradores modernos, o conhecimento cada vez mais adquirido pela comunidade sobre o binômio saúde x doença tem aberto novos campos de atuação, fazendo com que a enfermagem conquiste novos espaços e passe a ter autonomia inclusive com diagnóstico e terapias próprios. A relação da equipe de enfermagem com paciente e família deve ser de forma integral, ou seja, é preciso tratar o individuo com um todo, não apenas os órgãos ou tecido lesado. Com isso as instituições, assim como, seus profissionais devem buscar indicadores que os qualifiquem para um funcionamento adequado e que os identifiquem na excelência e no grau de exigência do seu cliente alvo. Dentro dos limites de recursos humanos hoje nacionalmente falando, a equipe de 24 enfermagem na área de saúde seja pública ou privada é a que mais esta exposta aos riscos sejam administrativos ou assistenciais. Administrativos atuando nas áreas de recursos humanos, educação permanente, elaboração de protocolo e regimentos, gerenciamento de conflitos, aspectos estes que se mal gerenciados podem levar ao comprometimento na assistência prestada ao cliente além do prejuízo á saúde do próprio profissional, uma vez que suas atividades são desenvolvidas sob um alto nível de pressão e com sobre carga de atividades decorrente da falta de outros profissionais e da desvalorização, uma vez que no panorama da assistência á saúde a relação paciente-enfermagem ainda esta muito atrelada a preconceito onde o pseudo feudalismo estigmatizado por outras áreas da saúde ainda muito presente neste século e que durante décadas o profissional de enfermagem ficou subordinado á outros profissionais e sem valorização adequada. Uma instituição de saúde deve estar preparada para assistir seus clientes em todas as suas necessidades sejam elas biopsicoespiritual, em comum acordo com suas especificidades. Muitas vezes as instituições pagam um ônus financeiro muito grande na tentativa de aprimorar cada vez mais sua tecnologia, no entanto, acompanhar o desenvolvimento tecnológico implica em investir em recursos humanos adequados e cada vez mais capacitados, educação e investimento demandam de uma administração segura de seus objetivos e metas a serem alcançadas, pois sabe-se que não se investe em saúde sem investir em profissionais. A descentralização das ações de saúde em andamento no Brasil, faz com que as instituições de saúde sejam públicas ou privadas busquem novas possibilidades de gerenciamentos e desafios que devem ser vivenciados por todos de forma a se adequarem dentro das novas diretrizes. 25 Desde á década de 70, século XX, o Brasil vem sofrendo mudanças em toda sua estrutura, onde vários institutos foram se formando na tentativa de universalizar as ações integradas á saúde, dentre muitos, INAMPS (Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social); PIASS (Programa de Interiorização das Ações de Saúde e Saneamento); PAIS (Programa de Ações Integradas á Saúde); SUDS (Sistema Único Descentralizado de Saúde); até chegar no que temos hoje SUS (Sistema Único de Saúde), cujo objetivos são: universalidade no atendimento; eqüidade de acesso, integralização dos serviços e a descentralizações das ações em saúde. O hospital do século XXI é visto como uma empresa que necessita ter lucros para poder investir na alta resolutividade e no processo do atendimento do individuo adoentado. A busca de recursos financeiros é uma constante diária, onde muitas vezes o investimento na área humana se perde principalmente na área de enfermagem, pois quando há a necessidade de cortes de verbas é o primeiro setor a ser atingindo. Historicamente todo esforço de incentivo na educação permanente na saúde depende de financiamento, até a metade do século XX a internação, antes de mais nada, dependia da família ou responsável legal. A partir da constituição de 1988 com as diretrizes vinculadas pelos programas de investimentos do estado federal que preconiza que: a saúde é direito de todos e dever do estado, na qual, avalia-se como verídica esta afirmação, pois, muito tem se feito para que todos possam ter acesso de forma igualitária e justa, com isso, o perfil de atendimento e de clientes que buscam o atendimento via SUS (Sistema Único de Saúde), tem mudado, as exigências de profissionais cada vez mais capacitados também é uma realidade, independente do grau de complexidade da assistência á saúde do 26 individuo, cabendo as instituições o compromisso de investimento em profissionais habilitados e comprometidos com instituição e cliente. A educação permanente na área da saúde é um determinante essencial, prevenir e atenuar desnível de informações são fundamentais não apenas entre profissionais que atuam na área, mas também, entre equipe, paciente e família. Atividades de ensino, como treinamentos, capacitações, reciclagem, aperfeiçoamentos, lacto sensu e strito sensu devem ser incentivadas, para promoção no desenvolvimento do profissional e instituição. Necessita-se cada vez mais de profissionais capacitados nas diversas áreas, cabendo aos diretores institucionais criar mecanismo que possibilitem as ações de educação permanente. A OMS (Organização Mundial da Saúde) conceitua “educação continuada”, como o “processo que inclui as experiências posteriores ao adestramento inicial, que ajudam o pessoal a apreender competências importantes para o seu trabalho”, Kurcgant, (1991). Neste ínterim em quase 100% das instituições está evidenciado o enfermeiro como líder deste departamento. 5.2 ASPECTOS HISTÓRICOS NA ENFERMAGEM Muitos foram os precursores que influenciaram na construção do serviço de enfermagem, desde o cristianismo quando Verônica enxugou a fase de Cristo no caminho do calvário Segundo Oquisso (2005), as primeiras “damas da lâmpada” foram visitadoras domiciliares, verdadeiras precursoras da enfermagem de saúde pública, que surgiram no primeiro século do cristianismo... Essas mulheres incorporaram em seu cuidado a ação de abrigar os necessitados, argumenta o autor, dando-lhes calor e hospitalidade. No século IV e V surge em Roma surge um grupo 27 de mulheres denominadas de “matronas”, que abdicaram de sua própria vida para se dedicarem ao cuidado de pobres e doentes em seus próprios palácios, que serviam como abrigos Oquisso (2005). O tempo passa e a arte de cuidar vai se firmando século XIX Florence Nigthingale abre novo caminho para as mulheres, liberdade social e econômica, uma profissão de fato, tornando-se assim a percussora mais importante no desenvolvimento e crescimento da enfermagem a nível mundial. Surgem escolas com objetivos de treinar enfermeiras e multiplicar conhecimentos, o curso de enfermagem tinha duração de um ano e com número mínimo de quinze alunas apenas. No Brasil a enfermagem surge por volta de 1894 em São Paulo no Hospital Samaritano, através de uma comunidade de homens e mulheres evangélicos, no entanto o primeiro curso de enfermagem só se concretizou em 1923. A primeira escola é fundada em 1933, com o nome de Escola de Enfermagem Carlos Chagas, em Belo Horizonte, Minas Gerais, tendo como diretora a Lays Netto dos Reis, porém, esta escola só foi aprovada em 06/08/1949, através da Lei Nº. 775; Oquisso (2005). Atualmente centenas de escolas técnica e de nível superior se espalham por todo continente brasileiro. As atividades de enfermagem na área hospitalar são ininterruptas, ou seja, 24hs, de segunda a segunda, carga horária acima de 36hs na maioria das instituições brasileiras o que vem ocasionado sérios problemas físicos e psicoemocionais do trabalhador de enfermagem, por se tratar de atividades que demanda ações de necessidades básicas para com indivíduo até a alta complexidade, embora, seja uma profissão de suma importância no contesto nacional, é pouco reconhecida e muito pouco valorizada, principalmente em termos financeiros. Gonçalves, apud, Borba (2006), relata que “todo o trabalho direto de assistência ao doente comporta inúmeras funções manuais e são essas as primeiras 28 a se separarem subordinadamente do trabalho médico, constituindo assim o serviço de enfermagem”. Este fato se consolidou com bases claras oriundas de Florence Nigthingale que sempre pregou a importância técnica do assistir com qualidade, sem perder a visão humanística do cuidar do ser humano. Com bases nos dizeres de Gonçalves, na visão do hospital moderno a separação hierárquica se fez necessário, pois, um serviço eficaz e eficiente com dimensões que atendam o indivíduo de forma integral, mantém a qualidade da assistência prestada. 5.3 O SERVIÇO DE ENFERMAGEM O serviço de enfermagem na área hospitalar é composto por enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, além dos agentes saneantes, assim definidos através da legislação Decreto 94406 de 08/ 06/1987, além dos profissionais de apoio que auxiliam no controle e limpeza das unidades e materiais antes de serem encaminhados ao centro de material e esterilização. Algumas instituições ainda possuem em seu organograma as funções de auxiliares administrativos, conhecidos também como secretários de enfermagem, perfazendo assim um total de 60% dos funcionários de uma instituição de saúde. Quanto á inserção no organograma institucional, o departamento de enfermagem deve estar ligado diretamente á diretoria geral da instituição, como nota-se na (figura 02). O sistema hierárquico dos profissionais deve obedecer a uma escala de dimensionamento, sendo esta composta por no mínimo uma gerente de enfermagem, supervisor de departamento e enfermeiro assistencial, técnicos e auxiliares de enfermagem; além de contar com apoio logístico dos serviços da área médica, fisioterapia, nutrição, fonoaudiológia, serviço social, profissionais estes que 29 também prestam assistência direta ou indireta aos pacientes e toda área administrativa. O profissional de enfermagem ocupa hoje um importante papel no cuidar e assistir do ser humano; seja na área de prevenção, promoção, manutenção ou na reabilitação da saúde do individuo, devendo ainda proporcionar mecanismos que façam com que o individuo então doente, volte a se inserir na comunidade. Além das funções já mencionadas o enfermeiro (a), ocupa hoje um papel de suma importância, seja na área assistencial ou administrativa de toda instituição de saúde, sendo hoje o profissional que mais ocupa espaço dentro das instituições de saúde, sua presença é obrigatória nas maiorias das comissões que hoje são exigidas pelas leis do Ministério da saúde, a citar algumas: Comitê de Hemovigilância (RDC Nº. 153 de 14 de junho de 2004), farmacovigilância, tecnovigilância, Comissão de Infecção Hospitalar, Comissão Intrahospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos (Resolução COFEN 292/2004), além dos demais serviços que necessitam da avaliação e conhecimento de área de atuação onde estão envolvidos os procedimentos de enfermagem como: Serviços de Auditorias, compras, educação permanente, recursos humanos, hotelaria e lavanderia, sem falar nos cargos administrativos de ordem geral no âmbito da saúde assumindo cargos de suma relevância na rede pública. Por se tratar de cuidar de vidas humanas, o indivíduo que atua na área da saúde deve estar preparado para trabalhar diante de adversidades que a cultura milenar nos impõe, ou seja, á trajetória histórica, a tarefa de cuidar desde as mais remotas civilizações sempre foi delegada a mulheres, mesmo durante as guerras e epidemias a atividade de cuidar e assistir eram das mulheres, fato este 30 que se comprova pela vivência profissional e que perduram até os dias de hoje (OQUISSO, 2005). 5.4 A ESTRUTURA ORGANIZACIONAL DO HOSPITAL: serviço de enfermagem A organização do serviço hospital deve ser constituída por um grupo de profissionais, imbuídos num mesmo objetivo, Massarollo, apud, Kurcgant (1991), relata ser necessário estabelecer um acordo sobre a atuação de cada uma e definir as relações de trabalho que devem existir entre elas. A estrutura hierárquica do serviço hospitalar esta atrelada obrigatoriamente ao sistema político do país: Ministério da Saúde/Secretária da Saúde do Estado/Regional de Saúde e Secretária Municipal da Saúde. No que tange ao sistema organizacional interno o hospital se divide em diversas áreas; departamentos administrativos (recepção e internação), serviço médico, serviço de enfermagem, apoio diagnóstico, contas médicas, faturamento, recursos humanos, auditoria, hotelaria, lavanderia, manutenção, segurança, arquitetura e engenharia, departamento de internação (unidades de terapia intensiva, clinica médica e cirúrgica, materno-infantil), unidades de urgência e emergência (pronto socorro, centro cirúrgico e centro de material e esterilizarão), devendo ainda esta estrutura estar adaptada ás especificações de cada instituição, devendo ser considerado ainda, a filosofia e missão da empresa. O sistema organizacional nos dias de hoje deve ter uma estrutura formalizada, devendo determinar a todos, quem faz, o que faz e onde faz, evidenciando relações de autoridade e poder. Alguns aspectos são necessários dentro desta estrutura, dentre eles a divisão de trabalho, grau de complexidade desenvolvido pelas unidades, 31 autonomia decisória de supervisores, centralização e descentralização das ações a serem desenvolvidas. O serviço de enfermagem é um departamento de relevância máxima em qualquer instituição de saúde, atendo a uma filosofia e missão própria dentro da instituição, com regimento e normas definidas pelo Conselho Federal e Regional de Enfermagem, regulamentadas através da Lei nº.7498/86 (anexo 01). Por ser um departamento de importância vital, esta inserido no âmbito da saúde nos mais diversos departamentos e comissões, como mostra a figura 1. INSERÇÃO DO PROFISSIONAL DE ENFERMAGEM NO CIRCUITO HOSPITALAR Alta complexidade UTIs Pronto socorro Centro cirúrgico Hemodinãmica DEPARTAMETO Recursos humanos Compras Hotelaria Internamento Educação permanente SERVIÇO SECUDÁRIO Clinica médica Cirúrgica Materno infantil Traumatologia Centro de material e esterelização Departamento Enfermagem SERVIÇOS Apoio diagnóstico Ambulatórios Auditoria COMITÊS Ética Bioética Hemovigilãncia Humanização COMISSÕES CCIH CIHDOTT Suporte nutricional Prontuário Figura 1: Fonte: Autora 32 ORGANOGRAMA DO DEPARTAMENTO DE ENFERMAGEM O organograma do serviço de enfermagem vem representado pela estrutura gráfica (figura 02) adaptado a realidade vivenciada hoje pela pesquisadora, indicado através de retângulos os diversos departamentos e as linhas indicam as relações de subordinação. Borba (2006) relata que num organograma devem aparecer claramente os seguintes componentes: a. Estrutura hierárquica definida os diversos níveis; b. Os órgãos componentes da estrutura; c. Canais de ligações que ligam os órgãos entre si; d. Os nomes dos ocupantes dos cargos. O gráfico deve permitir uma visualização concreta da estrutura organizacional da instituição, devendo estar de forma clara, legível, simples e direta. Organograma com bases na referência de Borba (2006). 33 Direção geral/técnico Direção de enfermagem Direção administrativa Direção clinica Comitê de Ética em enfermagem Comissão Intrahospitalar Doação de Órgãos e tecidos Departamento Educação permanente Comitê de hemovigilância Auditiria de enfermagem Coordenador /supervisor departamento Enfermeiro assistencial Técnico de enfermagem Auxiliar de enfermagem Secretaria de enfermagem Auxiliar administrativo Serviço de hotelaria e lavanderia Figura 2: Fonte: Autora BEZERRA, E.L, Londrina. PR. 2008 5.5 GESTÃO DE PESSOAS NO AMBIENTE HOSPITALAR TARTHANG TULKU*, “Nosso sucesso ou fracasso – é o sucesso ou fracasso da empresa para a qual trabalhamos – depende, em última instância, da nossa disposição para sermos responsáveis como indivíduos”. Este provérbio deixa * fonte desconhecida 34 claro que o sucesso de tudo em nossa vida depende unicamente de nós, bem com, o sucesso da instituição na qual trabalhamos necessita do compromisso e da responsabilidade do profissional. Cherubin (1998), descreve que: os recursos humanos são os principais componentes do hospital em sua prestação de serviço. São eles que manifestam a imagem do hospital; esta afirmação retrata que a instituição deve exercer também, com compromisso no investimento e na responsabilidade de manter sua equipe em desenvolvimento pessoal e crescimento profissional. Os profissionais da área de enfermagem sentem falta de serem valorizados e reconhecidos com pessoas que realmente representam o cartão de visita de uma instituição de saúde, aquele que eleva o nome da instituição. Para o hospital do século XXI não basta apenas assistir o indivíduo em sua doença física, ele deve ir além, é preciso ver o ser humano num processo de cura integral, ou seja, biopsicoespiritual, para que no assistir e cuidar aconteça de fato o profissional deve estar em constante processo de motivação para desempenhar bem seu papel, muito se tem falado em humanizar o paciente, mas e o profissional que lida diretamente com vida e morte, sobrecarga de atividades, stress do paciente, família e da própria equipe e porque não citar o caos pela qual vive hoje o Sistema Único da Saúde (SUS), escassez de investimento adequado nos serviços secundários e terciários da saúde, falta de leitos disponíveis muitas vezes até para aqueles que trabalham na área e que há na própria instituição. Acredita-se que a nova era de gerenciar pessoas tem com bases, três pilares que visam edificar com eficácia, acima de tudo, com excelência o assistir do indivíduo de forma integral, são eles CONFIABILIDADE por parte do cliente interno e externo; BIOSSEGURANÇA, essencial na promoção, prevenção, restabelecimento e reintegração do individuo a sociedade; CONHECIMENTO PROFISSIONAL, que fará com que a instituição cresça e se 35 destaque no âmbito da sociedade hospital. Não se pode encarar a empresa como um local onde apenas se recebe salário no fim do mês. Cabe aos lideres fomentar meios que levem o profissional a se dedicar e se envolverem por inteiro na arte de ouvir, sentir e agir para com seus pacientes, de forma harmoniosa, transmitindo coisas boas e agradáveis, seja através da comunicação verbal ou não verbal, desenvolvendo ações simples como um toque, atendendo a campainha assim que seja acionada, auxiliar na refeição e em suas necessidades básicas. Aos lideres do alto escalão gerencial cabe, não apenas investir financeiramente na equipe, é preciso ouvir, acreditar, participar, compartilhar e estar junto. Informações compartilhadas, mudanças interpretadas como algo necessário para todos, é o inicio de uma instituição que tende a crescer e desenvolver no todo e não na parte, reinventar formas de gerenciar pessoas através do exercício da escutátoria. No desenvolvimento de recursos humanos na área de enfermagem ao longo das décadas pouco se investiu, ficando aos responsabilidade do investimento no crescimento profissional. profissionais a Apesar de ser indispensável para instituição, este grupo de profissionais sempre é tido como um profissional onde o investimento fique escalonado na última instância. Ribeiro (2006), disserta sobre a necessidade dos executivos estarem preparados para fazer: 1. Levantamentos de riscos; 2. Desenvolvimento de lideranças; 3. Planos de comunicação; 4. Alinhamento organizacional; 5. Transferência de conhecimento aos demais; 6. Educação e capacitação. 36 Contextualizando estes dizeres, para o investimento em recursos humanos de enfermagem, busca-se: prever a alta rotatividade de pessoas, número insuficiente de profissionais na linha operacional, buscar perfil de lideranças que estejam aptos a motivar e investir na equipe, desenvolver processo de comunicação claro, objetivo, transparente e cercando o todo, ou seja, uma comunicação efetiva na horizontal, vertical, diagonal e transversal; a linha hierárquica precisa e deve ser obedecida de cima para baixo e vice-versa o duplo mando gera conflitos e insegurança na equipe, quem seguir; formar, educar, treinar, reciclar e capacitar deve ser um processo contínuo e não pontual. O hospital moderno que busca eficiência e excelência nas suas atividades deve estar preparado para desenvolver estas atribuições no que tange a gestão de pessoas. Dutra (2002), desenha um modelo de gestão de pessoas, elegendo a balança (figura 03) como representação do contínuo equilíbrio este que deve ser perseguido entre empresa e pessoas, ambas têm papeis importantes nesse equilíbrio onde a razão e emoção estejam em harmonia. Para que este equilíbrio se estabeleça, o mesmo autor relata ser importante avaliar o papel de cada um neste circuito. 1. Papel das pessoas: cabem as pessoas a gestão de seu desenvolvimento, de sua competitividade profissional e de sua carreira. 2. Papel das empresas: criar espaços, estimular o desenvolvimento e oferecer o suporte e as condições para uma relação de alavancagem mútua das expectativas e necessidades. 37 3. Processo de gestão de pessoas: é interação entre as partes com um objetivo e dentro de sua natureza; 3.1. Movimentação que busca a captação, internalização, transferências e promoções idealizadas. 3.2. Desenvolvimento: visa capacitação, desempenho e carreira. 3.3. Valorização: estabelecer metas de valorização, premiação e serviços de facilidades. 4. Bases estruturais: estão vinculadas ao conjunto de compromisso mútuo estabelecidos entre a empresa e as pessoas. 5. Processos de apoio: estão centrados na informação, comunicação, relação sindical e nas relações com comunidade. 5.6 PROGRAMA DE AMBIENTAÇÃO INTERNO E A GESTÃO DE PESSOAS. O ambiente interno de qualquer instituição atrela-se á sua cultura, onde a equipe, as ações desenvolvidas e as decisões tomadas estejam vinculadas a cultura organizacional e pessoal de seus lideres maiores. Lacombe (2005), definiu alguns conceitos sobre cultura organizacional, entre eles cita-se como sendo: conjunto de crenças, costumes, sistemas de valores, normas de comportamento e forma de fazer negócios, que são peculiares a cada empresa, que definem um padrão geral para as atividades, decisões e ações da empresa e descrevem os 38 padrões explícitos e implícitos de comportamento e as emoções que caracteriza a vida na organização. O mesmo autor retrata que os executivos devem estar conscientes de que a cultura da organização pode ser administrada, como mudada. Com isso entende-se que os gestores de pessoas devem estar conscientes da filosofia e missão da instituição, devendo ainda estar preparada para aderir às mudanças quando necessário. Para tanto quando a mudança se fizer necessário seus líderes devem estar envolvidos em sua totalidade, sendo este um processo a médio e longo prazo, porque se a cultura interna mudou é porque os valores da sociedade também mudam com tempo e situação política, social e econômica do país. Araújo (2006) descreve que o programa de ambientação consiste em um esforço da organização para transmitir sua história cultura àquelas pessoas que ali exercerão suas atividades. Tendo como objetivo diminuir a inquietação dos recém-chegados, diminuir o turnover (rotatividade), facilitar tempo de adaptação da equipe frente às mudanças, desenvolver expectativas realísticas, para seu desempenho dentro da instituição, Chiavenato, apud, Araújo (2006) descreve que o ambiente organizacional engloba aspectos informais, tais como, sentimentos de pessoas e a maneira com elas interagem entre si, com clientes ou elementos externos. 5.7 IMPORTÂNCIA DA GESTÃO DE PESSOAS Decenzo (2001) escreve que historicamente na década de 60, o departamento pessoal nas organizações eram muitas vezes percebidos como a turma da “saúde e felicidade”. Suas atividades principais envolviam o planejamento 39 de piqueniques da companhia, programação de férias, registro de empregados para cobertura de seguro saúde e a realização de festas de aposentadoria. No entanto, percebe-se que ao longo das décadas no século XX e início do século XXI esta realidade mudou de forma drástica, seu papel atualmente é imprescindível em toda e qualquer empresa. Na atualidade, o gerente de recursos humanos deve ser um profissional pro ativo, parceiro ativo na administração estratégicas dos negócios, além de ser, representante oficial dos direitos e deveres dos empregados. Para melhor entender a importância do departamento de recursos humanos, atentamos ao quadro abaixo: Quadro 1: Definições de Líder x gestor. Araújo, 2006, pg.335. LÍDER Liderar é conectar as GESTOR pessoas organização ao seu negocio. da Gerenciar é colocar para trabalhar as pessoas da organização no seu negócio. Liderar é obter e manter as pessoas da Gerenciar é obter e manter as organização agindo e trabalhando como pessoas da organização agindo e proprietários. trabalhando como pessoas da organização. Liderança é a arte de fazer com que os Gerenciar é a arte de fazer com que outros tenham vontade de fazer algo que os outros façam algo de que você está você está convencido de que deva ser feito. convencido que deva ser feito. Liderança é a arte de mobilizar os outros a Gerenciar é a arte de mobilizar os batalhar por aspirações compartilhadas. outros a trabalhar. Liderança é a arte de obter resultados Gerenciar é a arte de obter resultados desejados, acordados e esperados através desejados, acordados e esperados de pessoas engajadas. através de pessoas. 40 5.8 DIFERENÇAS ENTRE LÍDER DE GESTOR. A prática de liderança em enfermagem não difere das demais áreas, a essência deve ser a mesma, liderar sob os olhos de Lacombre (2004), é “conduzir um grupo de pessoas, influenciar seus comportamentos e suas ações, para atingir objetivos e metas de interesse comum desse grupo, de acordo com uma visão do futuro baseada em um conjunto de idéias e princípios”.O primeiro trabalho realizado é datado de 1939, onde Lewin, Lippitt e White, mostra que o mesmo grupo comporta de diferentes formas quando interage com diferentes li deres Kucrgnat (1991). As características individuais devem ser levadas em conta ao se analisar este aspecto, os estilos de liderança podem variar de acordo com meio ambiente, relação do líder com seu liderado.no entanto estas relações podem ser trabalhadas quando o profissional compreender as diferenças; a aceitação se faz necessário conforme esta representada na (Quadro 01 e 02). As mudanças socioeconômicas e políticas do país, associados aos avanços tecnológicos, no que diz respeito ao sistema de saúde, faz com que os profissionais que optam por atuar no processo de gerenciar pessoas necessitam estar cada vez mais se atualizando frente ao mercado de trabalho. Inovar, reinventar, ousar, partilhar e atuar em equipe se faz necessário, compromisso e capacidade de interagir com as mudanças é hoje uma das principais qualidades que se buscar num profissional. A variedade de atividades desenvolvidas no contexto hospitalar traduz que as relações entre líder e liderado devem estar voltadas para o desenvolvimento da qualidade da assistência prestada, quando este binômio se encontrar em harmonia as relações profissionais tem maior chance de se consolidarem. 41 Quadro 2: Características e habilidades CARACTERISTICAS HABILIDADES Auto liderança Aceitar pessoas como são, não como gostaria que fosse. Compartilhamento Abordar relações e situações problemáticas no presente, sem analise do passado. Coragem Cordialidade com pessoas de contato direto e indireto, conhecidas ou estranhas. Capacidade de Confiar mesmos quando risco parece ser eminente. mudança Bom censo Agir sem aprovação e reconhecimento constante dos outros. Compromisso Interessar-se pelos problemas dos outros. Fonte: Autora BEZERRA,E.L.; Londrina; PR; 2007 Diante do pressuposto de que precisam ser desenvolvidas habilidades o quadro 02, revela algumas das especificidades quanto às características e habilidades que um líder necessita ter ou buscar meios de desenvolvê-las. 42 6 ABSENTEÍSMO A experiência de vida ao longo de toda trajetória histórica, o profissional da área de saúde tem mostrado que o absenteísmo dos profissionais aumentado significativamente e principalmente no serviço de enfermagem, independente da classe hierárquica. Em decorrência deste absenteísmo as conseqüências se tornam inevitáveis, dentre muitas que surgem, as mais freqüentes são: queda na qualidade da assistência sobrecarga de atividades, falta de motivação do profissional ativo, risco na saúde do trabalhador comprometido, aumento dos custos financeiros dependidos com horas extras empresariais. Com isto, há que se buscar medidas que visem prevenir e amenizar os índices cada vez mais alarmantes destas conseqüências. Milkovich e Boudreau (2000) definem absenteísmo como sendo; “a freqüência e/ou duração do tempo perdido de trabalho, quando os empregados não vêm trabalhar.Assistência, contrário de absenteísmo, diz respeito a quão freqüentemente um empregado está disponível para o trabalho”. O mesmo revela que o absenteísmo é mais comum nas grandes empresas e nas organizações sem fins lucrativos. Psicólogos estudiosos da temática descobriram que as ausências no trabalho dependem da motivação do empregado e de fatores intrínsecos e externo ao próprio trabalho. Os fatores externos a instituição podem estar relacionado com, problemas familiares, doença do próprio profissional, transporte, etc. Quando pensamos em indicadores internos estes podem estar relacionado com ausência de penalidades para faltosos, gerando insatisfação nos demais, falta de compensação para aqueles que mostram compromisso para instituição e seus clientes, cultura 43 organizacional e mesmo cientes do prejuízo, diretores indiferentes diante da problemática, valores pessoais, como objetivos do empregado e o mais importante acreditamos a questão de satisfação pessoal do profissional. Em estudo realizado pela Commerce Clearing House em 1995 e mostrado por Milkovick e Boudreau (2000), estimou que o custo por ano por empregado seria de 668 dólares; com base neste índice a necessidade de redução no número de faltosos é algo de extrema importância não podendo se tratado como apenas um indicador a mais nas perdas financeiras da instituição, além de, ser um indicador importante para ser analisado na alta rotatividade de pessoal, townover. Ruben, apud, Milcovich (2000), diretores da GM, relacionou benefício com absenteísmo, ou seja, todo empregado recém contratado que durante os primeiros seis meses de contrato apresenta-se ou obtivessem mais de 20% de ausência no trabalho deveria ser aconselhado; se nos seis meses seguintes o índice, os seus benefícios seriam cortados na mesma proporção; com isso estes índices baixaram em 11% no primeiro ano, 10% no segundo e 9% nos anos seguintes. O absenteísmo exacerbado e injustificado no departamento de enfermagem na área hospitalar vem sendo estudo ao longo de muitos anos, estando este vinculado a diversas causas: as legais e já muito discutidos são enumeradas por atestados médicos de curta, média e longa duração, as licenças maternidade, paternidade, gala, férias são previsíveis, logo, se bem gerenciadas não devem atrapalhar o processo de trabalho seja administrativo ou assistencial; percebe-se ainda aquela falta que é inevitável administrativamente, como, licença funeral, acidentes de trabalho, além deste, o absenteísmo injustificado, faltar por faltar, sendo este último nosso foco de atenção neste estudo alguns estudos tem mostrado indicadores como a falta de motivação, baixa da auto-estima, dupla jornada de 44 trabalho, autoritarismo gerencial, sobrecarga de atividade estresse no ambiente de trabalho, desinteresse profissional, comodismo, falta de conhecimentos das implicações legais deste ato, entre outros, sejam as causas mais comuns. Couto (1987), descreve que o absenteísmo é decorrente de um ou mais fatores, tais como, fatores sociais, culturais, de personalidades e de doença. O mesmo autor relata que não parece existir uma relação precisa de causa e efeito, mais sim, um conjunto de variáveis que podem levar ao absenteísmo. Vale lembrar, que a não adaptação no trabalho, turnos/horários e interesses secundários, como seguro desemprego hoje liberado pela Constituição Brasileira também devem ser levados em conta. Ribeiro (2006) descreve que a ausência no trabalho seja qual for o motivo, deve ser combatida, pois representa um fator importante nos custos e diminuição da produtividade, para combater o absenteísmo com eficiência a empresa pode aumentar as horas trabalhadas e com isso, a produtividade do seu colaborador. O mesmo autor, ainda, relata que a maior parte das faltas compreende a uma minoria da força de trabalho, e que vêm seguidas de folgas, fins de semana e feriado. As faltas estão definidas como legais e voluntárias/ injustificadas: Legais: licença maternidade/paternidade, licença gala (casamento), licença óbito (cônjuge, pai, mãe, filho, irmão e aqueles que comprovadamente estão sobre sua responsabilidade), doação de sangue, alistamento militar. Voluntárias/injustificadas: alegar doença sem atestado médico, problemas de transporte, alcoolismo, problemas domésticos e aquelas que simplesmente não comunicam e/ou não justificam. As condições de trabalho impostas hoje no mercado de trabalho na área da saúde, através das políticas governamentais e privativas, estão aquém, do que se deseja e espera para melhorias das condições de trabalho do servidor, bem 45 como, da eficiência da assistência prestada aos nossos clientes; aqui podemos citar: jornadas de trabalhos ininterruptas de segunda á segunda, jornadas com mais de 36hs semanais, solicitações de horas extras para um único servidor. O absenteísmo exacerbado no departamento de enfermagem na área hospitalar está vinculado as mais diversas causas, dentre elas podemos citar: desvalorização profissional, baixos salários, alta rotatividade de profissional, dupla jornada de trabalho, acúmulo de horas extras, autoritarismo, stress no ambiente de trabalho, descontrole administrativo, critérios de avaliação inadequada pela supervisão, irresponsabilidade profissional, número insuficiente de profissionais, redução da mão de obra de enfermagem em situação de crise financeira institucional, falta de motivação pelo trabalho, desamor pela profissão, falta de exigência administrativa, entre outras. De acordo com estes indicadores, muitos efeitos evoluem em cascatas negativas: sobrecarga de atividades, aumento de problemas na saúde do trabalhador, queda da produtividade e qualidade na assistência de enfermagem, riscos de iatrogênias provocada pelo excesso de atividades dos profissionais em exercício, marketing negativo dos profissionais e instituição, insatisfação geral por parte dos profissionais comprometidos levando-os a um baixo rendimento devido a falta de motivação e consequentemente as faltas injustificadas. Todos estes efeitos causam transtornos gerais ao departamento de enfermagem sejam eles, aumento do custo operacional financeiro, técnico e humano, comprometendo assim a qualidade da assistência prestada. Ribeiro (2006) relata que a tarefa de lidar e prevenir o absenteísmo é tarefa do supervisor imediato, que precisa motivar o funcionário para o trabalho, além de divulgar e aplicar as normas da empresa, de modo a evitar que funcionários não enquadrados sirvam de exemplo para os outros; a conscientização dos 46 profissionais para o trabalho em equipe e para questão da produtividade. Cabe ao chefe imediato a investigação do motivo pela qual seu colaborador esta faltando. Fatores que podem diminuir os índices de absenteísmo sob o olhar de (RIBEIRO, 2006). 1. Políticas empresariais. Abonar o atraso de quinze minutos pode vir a ser mais produtivo do que a falta do dia inteiro. 2. Interação da chefia imediata com recursos humanos. A responsabilidade legal no controle e orientação das sanções é do gerente de recursos humanos, mas, manter o profissional motivado, comprometido e orientado é tarefa que deve ser desenvolvida pelo chefe imediato e juntos orientar claramente quanto á assiduidade e aos riscos de implicação legais ao profissional. 3. Aplicação de sanções legais. Embora de racionalidade difícil, pode pra quem as aplica inibir as atitudes parecidas de outros profissionais, porém, nem sempre esta atitude é efetiva, acredita-se que cada caso é um caso e deve ser analisados. 4. Premiação aos profissionais comprometidos. 5. Criação de bancos de horas, quando estes necessitarem ausentar-se por faltas sem justificativas legais. 6. Preferência na escolha de mês de férias. 7. Porcentagem salarial como forma de prêmio assiduidade durante todo ano. Cabe aos gerentes/coordenadores e chefias imediatas prover e prever qualiquantitativamente recursos humanos necessários ao cumprimento dos objetivos da instituição quanto empresa, bem como, da qualidade de assistência 47 prestada, a ausência de um membro ou mais num mesmo turno ou dia poderá comprometer não somente os custos financeiros, mas também a imagem da instituição. Bittar, apud Parra, (2003); relata que o absenteísmo é um dos problemas administrativos mais onerosos para qualquer instituição. Tratando-se de prestação de serviço na área da saúde, torna-se além de oneroso, de difícil solução devido à complexidade dos variados fatores que o desencadeiam e da tomada de decisão da chefia, que pode estar voltada ou não para evitar o problema. Pode ser considerado um custo evitável e ser corrigido ou prevenido administrativamente, com significante mudança na prática operacional. O absenteísmo na área de enfermagem tem sido estudado cientificamente, dentro das temáticas relacionadas á saúde ocupacional do trabalhador. Chiavenato (1992), considera o absenteísmo a soma dos períodos em que os empregados se ausentam do trabalho, seja por falta ou atraso. O cálculo deve refletir a percentagem do tempo não trabalhado em decorrência das ausências em relação ao volume de atividade esperada ou planejada. A equação proposta leva em conta os homens/dia de ausência em relação aos homens/dias de trabalho. Índice de absenteísmo = (nº. de homens/dia perdidos por ausência ao trabalho) × 100 efetivo médio de empregados × número de dias trabalhado Observação: recomenda-se a substituição de dias por horas para a inclusão de número de horas: Índice de absenteísmo = (nº. de homens/horas perdidas) × 100 total de homens/horas trabalhadas 48 Bittar (1996) revela que os indicadores e índice de desempenho devem ser detalhados e monitorados periodicamente, onde o termo absenteísmo é definido com a seguinte fórmula: Índice de absenteísmo = = (nº. de homens - hora perdidos por faltas num determinado período) × 100 o produto do nº. médio de empregados na folha pelo nº. de hora - trabalho durante mesmo período O Conselho Regional de Enfermagem - PR com base no Parecer Técnico Nº.1/99 prevê que com base no número total de profissionais lotado no departamento e de comum acordo com a especificidade de cada unidade deve ser acrescido de 30%, no número total da unidade, no entanto, este índice ainda é muito discutido, pois cada instituição possui características próprias e que devem ser levadas em conta. Relação entre o número de homens-hora por faltas num determinado período (dividindo) e o produto do número médio de empregados na folha pelo número de horas-trabalho, durante o mesmo período (divisor). O resultado, em percentagem, é obtido multiplicando-se o quociente por 100. Entende-se por faltas o não comparecimento de um empregado ao trabalho, durante uma ou mais jornadas completas. Este indicador não inclui as horas perdidas por atrasos e, em geral é calculado mensal, semestral ou anualmente. Levantamentos por subgrupos de empregados (departamento, sexo, cargo, tempo de serviço, etc), São mais esclarecidos que os totais gerais”. (Resolução COFEN 293/2004). 49 7 ANÁLISE DOS DADOS A compilação dos dados obtidos está representada por gráficos e/ou tabelas. A análise tem ênfase na realidade vivenciada e contextualização pelo pesquisador, referenciada quando possível através de bibliográfica existente. Quanto aos dados numéricos esta disposta sobre número absoluto e percentil. Algumas das questões temáticas efetivadas junto ao público terão um ou mais indicadores em suas respostas, o que poderá fazer diferença no número total de entrevistados quando da apresentação das tabelas. 7.1 ANÁLISE QUANTITATIVA Instituição A 11% 13% 76% Total C/ Graduação Entrevistados Fonte: autora BEZERRA, E.L.; Londrina; PR. 2008 Gráfico 1: Total geral de profissionais lotados no departamento de enfermagem da instituição profissional entrevistados. A, população inclusa e 50 Instituição B 10% 10% 80% Total C/ Graduação Entrevistados Fonte: autora BEZERRA, E.L.; Londrina; PR. 2008 Gráfico 2: Total geral de profissionais lotados no departamento de enfermagem da instituição B, população inclusa e profissional entrevistados. Os gráficos acima demonstram as diferenças existentes entre as duas instituições, onde na instituição A 16,78% dos profissionais exercem de alguma forma a profissão de lideres e deste 14,59% participaram da pesquisa. Já na instituição B, 12,69% sendo que destes 100% responderam o questionário. De acordo com as normas do COREN/COFEN ambas as instituições estão com déficit de enfermeiros, estando preconizada as distribuições de profissional de acordo com a especificidade de cada instituição. 51 1. SEXO 15% 85% Feminino Masculino Fonte: autora BEZERRA, E.L.; Londrina; PR. 2008 Gráfico 3: Instituição A. Neste podemos observar que a maioria absoluta dos profissionais lideres na instituição A. corresponde ao sexo feminino, ou seja, 85% dos profissionais. 25% 75% Feminino Masculino Fonte: autora BEZERRA, E.L.; Londrina; PR. 2008 Gráfico 4: Instituição B 52 O gráfico acima também demonstra que na instituição B. 75% dos profissionais de enfermagem que exercem algum tipo liderança são do sexo feminino. Na verificação sobre a questão de gênero, observou-se que em ambas instituições a maioria absoluta de lideres são do sexo feminino, este fenômeno pode ser explicado analisando-se toda a história da enfermagem, uma vez que se trata, desde, os primórdios, como uma profissão composta por mulheres, tal afirmação encontra respaldado em Oquisso (2005), e nos dados através da pesquisa. 2. FAIXA ETÁRIA 15% 5% 5% 75% 20 - 30 anos 31 - 40 anos acima de 41 não respondeu Fonte: autora BEZERRA, E.L.; Londrina; PR. 2008 Gráfico 5: Instituição A 53 40% 53% 7% 20 - 30 anos 31 - 40 anos acima de 41 Fonte: autora BEZERRA, E.L.; Londrina; PR. 2008 Gráfico 6: instituição B Na questão que buscou levantar qual a faixa etária predominante entre os profissionais de enfermagem, constatou-se que no hospital A 75% possuem menos de 40 anos, enquanto no hospital B 40% estão acima de 40 na faixa etária caracterizada por excelência no auge produtivo, entre 20 e 40 anos; esta inversão pode ser analisadas pelas diferenças estruturais, organizacionais das instituições, uma pública-estadual e outra privada-filantrópica, técnica de seleção de candidatos aos cargos, filosofia e missão dos hospitais. 54 3. GRAU DE INSTRUÇÃO 5% 35% 60% Especialista Cursando Pós Graduação Graduado Fonte: autora BEZERRA, E.L.; Londrina; PR. 2008 Gráfico 7: Instituição A 9% 18% 73% Especialista Cursando Pós Graduação Graduado Fonte: autora BEZERRA, de Lara Elza, Lda. Pr. 2007 Gráfico 8: Instituição B Quanto ao grau de instrução dos entrevistados percebeu-se que, na instituição A 60% possuem titulo de especialista, enquanto na instituição B os 55 profissionais em curso de especialização atingem 73%, percebeu-se uma diferença mínima entre as duas instituição, o que revela independente da instituição que trabalham os profissionais envolvidos com á saúde estão em busca de aperfeiçoamento e do seu desenvolvimento profissional. 4. FUNÇÃO QUE EXERCE 35% 65% Supervisor Assistencial Fonte: autora BEZERRA, E.L.; Londrina; PR. 2008 Gráfico 9: Instituição A. 13% 25% 62% Supervisor Assistencial Gerente Fonte: autora BEZERRA, E.L.; Londrina; PR. 2008 Gráfico 10: Instituição B 56 O gráfico acima nos mostra que tanto na instituição A, quanto na B, mais de 62% dos entrevistados são lideres de ponta, ou seja, enfermeiros assistenciais. O que se pode entender serem estes profissionais de extrema importância no controle do absenteísmo, necessitando de conhecimentos e habilidades que possam auxiliá-los neste controle, assim como nas intervenções necessárias frente à prevenção e correção do absenteísmo. 5. TEMPO DE FORMADO 5% 5% 15% 35% 40% Menor que 1 ano 3 - 6 anos acima de 10 anos 01 - 3 anos 06 - 10 anos Fonte: autora BEZERRA, E.L.; Londrina; PR. 2008 Gráfico 11: Instituição A 13% 13% 74% 3 - 6 anos 06 - 10 anos acima de 10 anos Fonte: autora BEZERRA, E.L.; Londrina; PR. 2008 Gráfico 12: Instituição B 57 Quando perguntados quanto ao tempo de formação, constatou-se que 75% do grupo da instituição A possuem menos de três anos de formado, já na instituição B 74% dos profissionais compreende mais de 10 anos de formados, proporcionalidade inversa. Chamando a atenção quanto ao serviço publico com profissionais com mais experiência de vida e que teoricamente quando relacionados seu grau de habilidade e competência profissional a instituição B estariam em larga vantagem sobre a instituição A, ao que se acredita ser um indicador de maior habilidade no controle efetivo do absenteísmo dentro das instituições, no entanto parece não se perceber tal fato no dia a dia das instituições. 6. TEMPO QUE EXERCE A FUNÇÃO 5% 5% 45% 45% Menor que 1 ano 03 - 06 anos 01 - 03 anos maior que 06 anos Fonte: autora BEZERRA, E.L.; Londrina; PR. 2008 Gráfico 13: Instituição B 58 13% 13% 0% 74% 01 - 03 anos 03 - 06 anos maior que 06 anos não respondeu Fonte: autora BEZERRA, E.L.; Londrina; PR. 2008 Gráfico 14: Instituição B Quanto ao tempo de atividade na função na instituição A. 90% atuam a menos de 03 anos na função independente da escala hierárquica, na instituição B, 74% atuam há mais de dez anos. Quando comparado as duas instituição em se tratando de liderança o controle do absenteísmo torna-se mais comprometido uma vez que a experiência profissional auxilia em muito esta atividade, porém, percebe-se que em muitos casos, a liderança neste sentido é algo mais pessoal, podendo também estar agregado fatores múltiplos, do profissional que lida diretamente com esta temática dentro das organizações, entre eles, á própria responsabilidade do chefe imediato, falta de motivação e investimento das instituições neste profissional, que esta á frente de uma equipe de trabalho. 59 7. EM QUANTAS INSTITUIÇÕES DE SAÚDE JÁ TRABALHOU 5% 10% 85% Apenas Uma Duas Três Fonte: autora BEZERRA, E.L.; Londrina; PR. 2008 Gráfico 15: Instituição A 13% 49% 38% Apenas Uma Duas Mais que Três Fonte: autora BEZERRA, E.L.; Londrina; PR. 2008 Gráfico 16: Instituição B Nestes gráficos observa-se que a experiência na vivência profissional é baixa na instituição A sendo que do total geral dos entrevistados 85% não conhecem outra realidade, diferente da instituição B onde 49% destes já 60 experimentaram outras realidades profissionais; esta realidade na instituição A, apesar de ser um fator importante quanto ao absenteísmo, parece não auxiliar muito na diminuição dos índices de absenteísmo. 8. ESTA ESTUDANDO ATUALMENTE 35% 65% Sim Não Fonte: autora BEZERRA, E.L.; Londrina; PR. 2008 Gráfico 17: Instituição A 25% 75% Sim Não Fonte: autora BEZERRA, E.L.; Londrina; PR. 2008 Gráfico 18: Instituição B 61 Quando questionado sobre seu aperfeiçoamento profissional 65% dos profissionais enfermeiros da instituição A estão em fase de conclusão de uma pós-graduação; apenas 25% dos profissionais da instituição B. buscam seu desenvolvimento profissional no inicio deste século, podendo este fato estar relacionado com a estabilidade de emprego que o hospital público oferece. 7.2 ANÁLISE QUALITATIVAS Tabela 1 - Como você classifica o profissional que falta sem justificativa: visão do líder. Indicadores A (n=20) B (n=8) N % n % Irresponsabilidade 7 35 4 50 Falta de Compromisso 7 35 3 37,5 Desrespeito com colegas 4 20 1 12,5 Falta de Cooperativismo 2 10 0 - Desmotivação 2 10 0 - Sobrecarga 2 10 1 14,5 Prejuízo p/ empresa 0 - 1 12,5 Devem ser analisados 1 5 0 - Antiético 0 - 1 12,5 Pode ser Multiprofissional 1 5 0 - Fonte: autora BEZERRA, E.L.; Londrina; PR. 2008 Na tabela acima demonstra o grau de percepção dos profissionais que ocupam cargo de liderança nas instituições, onde um percentual de 35% e 50% respectivamente dos entrevistados acreditam que o indicador que mais caracteriza a falta injustificada é a irresponsabilidade profissional, neste questionamento foi solicitado que descrevesse uma ou mais característica em ordem de prioridade. Percebe-se na prática profissional, no entanto que muitos dos profissionais faltosos 62 no seu dia a dia se mostram comprometido com a assistência do paciente. Diante deste fato há que se buscar que leva as prováveis causas do ato faltar por faltar, uma vez que alguns autores colocam que não existe um único fator. O fator família, transporte, esgotamento físico, dentre outros tem chamado atenção para esta ocorrência e necessita ser avaliado pelos gestores e unidades de recursos humanos. Tabela 2 - Indicadores de falta injustificada. Causas A (n=20) B (n=8) N % n % Falta de Compromisso 9 45 6 75 Baixos Salários 8 40 4 50 Falta de Motivação 4 20 5 62,5 Sobrecarga 5 26 4 50 Dupla Jornada 5 25 3 37,5 Desconhece Leis Trabalhistas 3 25 4 50 Fonte: autora BEZERRA, E.L.; Londrina; PR. 2008 Percebe-se que os principais indicadores levantadas pelos lideres está associada principalmente á falta de compromisso dos profissionais sendo definida em 45% dos casos, já no serviço público este indicador é ainda maior 75% ; no entanto percebem-se também outras causas com índice altos, confirmando assim o que Couto (1987), definiu com o sendo uma ocorrência multifatorial, ou seja uma junção de fatos que faz com que o profissional se abstenha de suas atividades cotidianas sem que muitas das vezes perceba a gravidade desta ação, cabendo á chefia imediata junto com unidade de recursos humanos buscar definir diagnóstico para o evento de forma primeiramente individual e posteriormente do grupo, na tentativa de prevenir recidivas e auxiliar no tratamento das causas. Tabela 3 - Os efeitos negativos relacionados ao absenteísmo paciente. 63 A (n=20) B (n=8) N % n % Queda na qualidade da assistência 10 50 7 87,5 Demora no atendimento 6 30 3 37,5 Terapia ineficaz 2 10 0 - Risco aumentado p/ iatrogênias 2 10 1 12,5 Queda no processo de humanização 0 - 2 25 Efeitos Negativos Fonte: autora BEZERRA, E.L.; Londrina; PR. 2008 Quando analisarmos estes dados a amostra deixa claro que a queda da qualidade da assistência é o principal evento frente aos indicadores negativos de uma instituição, ou seja, nas duas instituições mais de 50% dos lideres tem consciência que o cuidado prestado ao cliente fica em muito comprometido. Poucas são ás instituições hospitalares que trabalham hoje com uma escala de dimensionamento que pessoal que possa suprir os índices cada vezes mais alarmantes de ausências no trabalho, sejam estes, legais ou ilegais, isto talvez possa ser atribuído aos encargos sociais decorrente da contratação de pessoal, escassez de mão de obra em algumas regiões do estado, contenção de despesas que infelizmente sempre o principal alvo de redução de custos esta centrado na área de recursos humanos. Tabela 4 – Equipe Efeitos A (n=20) B (n=8) N % n % Sobrecarga de trabalho 14 70 7 87,5 Stress da equipe 5 25 2 25 Descontentamento 2 10 2 25 Não respondeu 1 5 0 - Fonte: autora BEZERRA, E.L.; Londrina; PR. 2008 64 Evidencia-se nesta tabela que nas duas instituições mais de 70% dos lideres, definem a sobrecarga de trabalho como sendo um fator negativo junto aos demais profissionais, seguida do estresse em que dos 28 entrevistados 25% colocam o estresse como sendo um forte indicador desencadeante para outros profissionais aderirem á falta injustificada. Racionalmente analisando espera-se que um profissional busque desenvolver seu trabalho dentro de uma perspectiva não espelhada, onde venha seguir exemplos negativos de atitudes muitas vezes incorretas sob todos os aspectos, legais, morais e éticos. No entanto o efeito cascata é inevitável quando se trata de seres humanos, sobrecarregados de atividades profissionais no seu dia a dia, problemas familiares por vezes de difícil solução, baixos salários e desvalorização profissional. Como motivar um profissional tão comprometido intrinsicamente e extrisicamente no seu todo. Não há formulas mágicas que possam auxiliar gestores e lideres direto, há que se fazer um trabalho de ações constantes caso a caso, ações experimentadas por outras instituições que deram certa podem ser experimentadas, o trabalho deve ser em equipe num esforço triplo entre a unidade de recursos humanos, lideres ativo e profissional todos comprometidos com a questão. Tabela 5 – Instituição Efeitos Negativos A (n=20) B (n=8) N % n % Aumento custo de *HE 8 40 4 50 Queda qualidade 2 10 0 - Dificuldade de reposição 1 5 0 - Queda de credibilidade 4 20 3 37,5 Insatisfação do cliente 1 5 1 12,8 Aumento da infecção 1 5 0 - Não respondeu 3 15 0 - Fonte: autora BEZERRA, E.L.; Londrina; PR. 2008 65 Frente aos efetivos negativos que o absenteísmo injustificado provoca na instituição, 40% dos entrevistados relatam que o custo operacional despendido para suprir a ausência do profissional aumentou significativamente, outro indicador de extrema relevância foi elencado pelos entrevistados, este relacionado com a queda da credibilidade da instituição sendo apontado por 20% dos profissionais entrevistados. A difícil tarefa de diminuir os índices de absenteísmo, os custos financeiros com mão de obra qualificada, necessidade de prover o desenvolvimento profissional do todo na empresa denominada hospital, sem comprometer a qualidade da assistência prestada ao seu cliente, tem sido o grande desafio das instituições de saúde desde a constituição de 1988 onde “a saúde é direto de todos”, seja esta privada ou pública. Tabela 6 – Profissional faltoso EFEITOS NEGATIVOS A (n=20) B (n=8) N % n % Implicações éticas e legais 10 50 4 50 Auto desvalorização 1 5 1 12,5 Confiabilidade prejudicada 2 10 1 12,5 Preconceito dos colegas 1 5 1 12,5 Imagem profissional negativa 1 5 1 12,5 Não responderam 4 20 0 - Fonte: autora BEZERRA, E.L.; Londrina; PR. 2008 A tabela acima revela-nos que na instituição A e B, 50% dos entrevistados descrevem como sendo as implicações éticas e legais o principal efetivo negativo para o profissional, o que pode vir a interferir no seu futuro profissional. Nesta visão outros adjetivos que desqualificam o ser humano se agregam de forma natural, comprometendo cada vez mais o indivíduo e o 66 profissional. Os riscos inerentes da profissão por negligência também se associam, colocando em risco não somente o profissional, mas a própria família deste que irá sofrer as conseqüências de seus atos, além é claro do próprio cliente que sofre diretamente. Tabela 7 – O que você faz para diminuir as faltas na sua unidade? AÇÕES DESENCADEADAS A (n=20) B (n=8) N % n % Motivação através da valorização 6 30 0 - Oriento sobre implicações legais 5 25 4 50 Rodízios de funções 1 5 1 12,5 Reuniões e treinamento 2 10 0 - Viabilizo trocas 1 5 1 12,5 Favoreço troca de plantões 1 5 0 - Peço para avisar antecipadamente 1 5 1 12,5 Infelizmente 0 - 1 12,5 Não responderam 3 15 0 - Fonte: autora BEZERRA, E.L.; Londrina; PR. 2008 Observe-se que muito há que se fazer em termos de se combater o absenteísmo, 25% acreditam que as orientações sobre as implicações legais devam ser realizadas, 30% dos entrevistados enfatizam que a valorização profissional, é um fator importante, 3,57% não faz nada apesar de achar necessário; Milkovick (2000) descreve que psicólogos á muito vêm estudando o absenteísmo, eles descobriram que este ato depende da capacidade e da motivação do empregado em ir para o trabalho e de fatores intrínsecos e externos ao próprio trabalho; nota-se que a capacidade de ir ao trabalho pode ser reduzida por obstáculos, como doença ou 67 acidentes, responsabilidades familiares e transporte; a motivação para ir ao trabalho é influenciada por práticas organizacionais (penalidades e recompensas), culturas organizacionais (se o absenteísmo é aceito ou não), e valores e metas do empregado. 68 8 CONSIDERAÇÕES FINAIS Considerando a relevância da temática do absenteísmo injustificado com enfoque na enfermagem hospitalar, faz necessário entender que a qualidade da assistência de enfermagem prestada ao individuo doente está intimamente ligado com a presença do profissional dentro da instituição. É sabido, no entanto, que muitos fatores podem intervir neste processo, fatores estes desencadeados por problemas institucionais internos como: desvalorização do profissional, falta de profissionais habilitados para desencadear o processo de orientação, sobre a importância do profissional faltoso dentro do contexto geral da empresa chamada hospital, a sobrecarga de trabalho, ingerências administrativas e baixos salários, no entanto fatores externos também contribuem para o aumento do índice de absenteísmo, fatores estes desencadeados por problemas familiares, translado do profissional de casa para o trabalho e estado de espírito do próprio profissional, alguns até apresentando situações multifatoriais. O estudo nos possibilitou fazer uma análise comparativa duas instituições, embora com amostragens diferentes de público alvo, as lideranças no âmbito geral classificou o absenteísmo injustificado como sendo falta de responsabilidade e compromisso do profissional junto ao paciente, equipe e instituição, cabendo a cada líder buscar mecanismo que auxiliem na diminuição das taxas, dentre as principais causas citadas, a falta de compromisso profissional, baixos salários e falta de motivação foram destaques na instituição nas duas instituição A e B. Dentre as principais causas no que se refere ao paciente a queda na qualidade da assistência ficou em primeiro lugar atingindo um percentil de mais de 50% nas duas instituição, quanto ao prejuízo á equipe mais de 70% elencou 69 a sobrecarga de atividade para os profissionais que permanece na ativa, para instituição o custo de horas extras se elevam de forma bastante evidente, em se pensando no profissional faltoso as implicações legais e éticas sob visão dos entrevistados é a principal conseqüência. Diante dos objetivos específicos propostos de prevenção do absenteísmo acreditamos que a forma de melhor condução deve estar centrada na orientação, sensibilização e conscientização sobre a problemática junto a todos os profissionais inserindo nestes, a responsabilidade como profissional, e que o mesmo possa responder pelos seus atos, sobre os pontos de vista ético e legais, bem como, os riscos pelas quais passam o paciente e toda equipe de trabalho com esta ausência, uma vez que, esta ausência não pode ser programada. Quanto a proposta de mudanças é preciso buscar caminhos com objetivos comuns entre as lideranças, dialogo é a chave de muitos problemas, implementar ações que motive o funcionário a vir trabalhar, através de oficinas de relaxamento em horários de trabalhos de curta duração máximo de 30 min., no início ou final de expediente através da musicoterapia, promovendo assim bem estar físico e emocional do profissional; implantar eventos culturais que possibilite ao profissional conhecer outras realidades, exemplificado o programa telas que ensinam, filmes estes direcionados para avaliação da realidade do século XXI, encontros trimestrais com chefia de escala hierárquica mais ascendente; implantar o plano de cargos e salários, de acordo com realidade orçamentária da instituição; palestras de motivação, com enfoque nos processos de mudanças necessários, proporcionar um ambiente físico arejado, limpo, amplo, de cores vivas, com música suáveis, manutenção da escala de atividades complementar e assistencial proporcionada recursos humanos mínimo com intuito de desenvolver um cuidar e assistir digno e humano; criar uma ouvidoria não somente aos clientes externos mas também aos 70 internos, onde possa haver compromisso de mudanças de ambas partes, reinventar uma forma de participação deste profissional nas decisões e projetos desenvolvidos pela instituição, com isso a instituição tem a chance de favorecer e promover o desenvolvimento profissional e humano do indivíduo, buscando, com isso, a melhoria da qualidade da assistência prestada, diminuir os custos operacionalfinanceiros com horas extras e/ou despesas trabalhistas em caso de afastamentos espontânea ou não. As sugestões e comentários aqui contextualizados foram direcionados com base no desenvolvimento da pesquisa e apoiada nos referenciais teóricos encontrados sobre a temática. As propostas de prevenção e mudanças no gerenciamento do absenteísmo injustificado, partiram do princípio da experiência profissional vivenciada no dia-a-dia pesquisadora, discussões com outros profissionais da área tendo como complemento o apoio logístico encontrado nos referenciais teórico. Diante do exposto encontrado na pesquisa acreditamos que o resultado obtido deixa evidente todo o prejuízo pela qual paciente, instituição e equipe vivencia com o absenteísmo injustificado. 71 9 REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA ALVES, A.R. A. Avaliação diagnóstica dos índices de absenteísmo da equipe de enfermagem em um hospital de ensino. Fortaleza. 1995. ARAÚJO, L. C. G. Gestão de Pessoas: estratégias e integração organizacional. Ed. Atlas: São Paulo. 2006. BORBA, V. R.; LISBOA, T. C.. Teoria Geral da Administração Hospitalar. 1 ed., Ed. Qualitymark: Rio de Janeiro. 2006. CERVO, A. L.; BREVIAN, P. A. Metodologia Ciéntifica. 4 ed., Markron Books: São Paulo. 1996. CHIAVENATO, I. Recursos Humanos. ATLAS: São Paulo. 1985. DECENZO, R. Administração de Recursos Humanos. 6 ed.; Ed. LTC: Rio de Janeiro. 2001. DUTRA, J. S. Gestão de Pessoas: modelo, processos, tendências e perspectivas. Ed. Atlas: São Paulo. 2002. FELIPPO, E.B. Princípios de administração de pessoal. 2 ed, v. 01; Ed. Atlas: São Paulo. 1973. GONÇALVES, E. L.. Gestão Hospitalar: Administrando o Hospital Moderno. 1 ed., Ed. Saraiva: São Paulo. 2006. 72 JORGE, A.L. Motivos que levam os trabalhadores de enfermagem ao absenteísmo. ACTA Paulista de enfermagem, v. 08, n. 1, Jan./Abr. 1995. p. 3946. KURCGANT. P.. et al. Administração em enfermagem. 1 ed., Ed. E.P.U.: São Paulo. 1991. LACOMBE, F. Recursos Humanos: princípios e tendências. Ed. Saraiva: São Paulo. 2005. MILKOVICH, G. T.; BOUDREAU, J. W. Administração de Recursos Humanos. Ed. Atlas: São Paulo. 2000. MINAYO, M. C. S..O Desafio do Conhecimento: pesquisa quantitativa em saúde. 7 ed., HUTEC: São Paulo. 2000. MOZACHI, N.; O hospital: manual do ambiente hospitalar; 1ª ed.; Curitiba; Paraná; 2005. MURTA, G. F. Saberes e práticas. 1 ed., v.2, cap. 4, Ed. Difusão: São Caetano do Sul; São Paulo. 2006. p. 141. RIBEIRO, A. L. Gestão de Pessoas. 1 ed., Ed. Saraiva:São Paulo. 2006. ROBAZZI, M. L. C. C. et al. Serviço de enfermagem: estudo sobre absenteísmo. Rev. Bras. Saúde Ocupacional, v. 18, n. 69, Jan./Fev./Mar. São Paulo. 1990. p. 65-70. 73 ANEXOS 74 Anexo 1 TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO TÍTULO DA PESQUISA Absenteísmo justificado na enfermagem hospitalar. Ler cuidadosamente este termo é de suma importância e não tema em pedir explicação em qualquer momento. Vimos através solicitar sua colaboração com participante ativo desta pesquisa que tem como meta: Identificar sob o olhar dos lideres de enfermagem, o absenteísmo na área hospitalar, bem como propor medidas que possam amenizar os índices de faltas neste segmento. Ao participante desta pesquisa será garantido: anonimato, acesso ás informações sempre que necessário, direito de desistir da pesquisa em qualquer momento, sem prejuízo ou dano á sua pessoa. È assegurado ainda que os dados obtidos somente sejam usados para fins de pesquisa e em nenhum momento você e sua instituição serão identificados. Elza de Lara Bezerra Rg. 3102056-5 Estou disposto a participar da pesquisa, compreendendo claramente as condições e orientações proposta pelo pesquisador, voluntariamente concordo em participar deste estudo. Assinatura do voluntário Data_____/_____/ 2007 ___________________________________________________________________ Pesquisador e entrevistador Londrina _____/_____ 2007 75 Anexo 2 UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA Centro de Estudos Sociais Aplicado Escola do Governo do Paraná Especialização: Formulação de Gestões em Políticas Públicas Projeto de pesquisa :Trabalho de Conclusão de Curso Tema: Absenteísmo justificado na enfermagem hospitalar. Objetivo geral da pesquisa Identificar sob o olhar dos lideres de enfermagem, o absenteísmo na área hospitalar, bem como propor medidas que possam amenizar os índices de faltas neste segmento. 1-Identificação público alvo 1.1-Sexo ( ) masculino ( ) feminino 1.2-Idade_____________________ 1.3-Grau de instrução ( ) Enfermeiro assistencial ( ) enfermeiro supervisor ( ) gerente de enfermagem 1.4-Quanto tempo você tem de formado ( ) Menos de 01 ano ( ) Entre 01 e 03 anos ( ) Entre 03 e 06 anos ( ) Entre 06 e 10 anos ( ) Acima de 10 anos. 1.5- A quanto tempo atua na função atual? ( ) Menos de 01 ano ( ) Entre 01 e 03 anos ( ) Entre 03 e 06 anos ( ) Entre 06 e 10 anos ( ) Acima de 10 anos 1.6-Desde que atua na área da saúde em quantas instituições você já trabalhou? ( ) Uma ( ) Duas ( ) três ( ) Mais de três 1.7-Esta estudando atualmente ( ) Sim ( ) Não Que curso esta fazendo____________________________________________ 76 2-Questões temáticas 2.1-Como você classifica o profissional que falta sem justificativas? Resp._______________________________________________________________ ___________________________________________________________________ 2.2-Que causas podem levar um profissional a faltar sem justificativas legal? Assinale em ordem de prioridade a que você acredita ser de maior importância. ( ) Falta de compromisso com paciente colegas e instituição. ( ) Desinteresse pela profissão. ( ) Falta de motivação no trabalho. ( ) Desconhecimento das implicações éticas e legais do fato. ( ) Sobrecarga de trabalho. ( ) Baixos salários. ( ) Dupla jornada de trabalho. Outras cite qual___________________________________________________ 2.5- Cite pelo menos dois efeitos negativos relacionado ao absenteísmo Para: Paciente____________________________________________________________ ___________________________________________________________________ Equipe______________________________________________________________ ___________________________________________________________________ Instituição___________________________________________________________ ___________________________________________________________________ Profissional__________________________________________________________ ___________________________________________________________________ 2.6-O que você faz para diminuir as faltas na sua unidade ou departamento Resp_______________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ OBRIGADO !