Instituto Politécnico de Coimbra Instituto Superior de Engenharia MANUTENÇÃO E GESTÃO DE INSTALAÇÕES Bloco Central dos H. U. C. Eduardo Belo Gordo COIMBRA Dezembro 2010 Instituto Politécnico de Coimbra Instituto Superior de Engenharia MANUTENÇÃO E GESTÃO DE INSTALAÇÕES Bloco Central dos H. U. C. Orientadores: António Lopes de Campos Professor Adjunto, ISEC Rui Gonçalves Ribeiro Eng.º Electrotécnico, HUC Eduardo Belo Gordo Relatório de Estágio para obtenção do Grau de Mestre em Automação e Comunicações em Sistemas de Energia COIMBRA Dezembro 2010 i ii Dedico este trabalho a todos os meus amigos iii iv Agradecimentos Este trabalho é acima de tudo, o corolário de um grande esforço e dedicação pessoal, ao longo dos anos em que durou o curso. Porém, a sua obtenção deve ser partilhada com todos os que contribuíram para a sua concretização, quer de uma forma directa e indirecta ou que ficaram omitidos. A todos o meu muito obrigado. Agradeço também: À minha família e amigos, pela compreensão da minha ausência em momentos importantes. Aos elementos do Conselho de Administração dos H. U. C., o meu obrigado pela autorização concedida. A todos os colegas do curso, sem a sua participação e entreajuda teria sido impossível ter chegado até aqui. Ao meu orientador, Sr. Mestre Eng.º António Campos pelo seu cuidado em me estimular e à Sr.ª. Mestre Eng.ª Dulce Coelho pela ajuda e orientação. Aos meus colegas dos HUC, orientador Eng.º Rui Ribeiro, Eng.º Álvaro Lapa e Eng.º Victor Pais obrigado por toda a ajuda e disponibilidade. v vi Resumo Ouvi dizer que “Engenharia é a arte de conceber, executar e manter instalações e equipamentos, dentro dos parâmetros de segurança, numa perspectiva de optimização de custos e benefícios”. Pois então mãos à obra… A Engenharia tem um papel relevante na busca da eficiência energética. São necessárias novas tecnologias, mais eficientes, capazes de oferecer novos e diversificados meios de gestão das necessidades energéticas. Na Europa, o consumo de energia, nos edifícios dos serviços, é responsável por cerca de 40% da energia consumida. A tendência é para aumentar, devido à crescente exigência dos hábitos de vida e de conforto, que estão directamente relacionados com o consumo de energia. Estes consumos assumem particular importância, quando se trata de edifícios públicos de grande dimensão, ficando muito difíceis de controlar. Da análise dos resultados obtidos com a implementação das medidas de racionalização dos consumos no Bloco Central, concluí-se que “vale a pena” levar a efeito acções tendentes a reduzir os consumos de energia, pois delas dependerá sem dúvida o meio ambiente, a qualidade de vida futura na terra e por conseguinte a das gerações vindouras. Consideramos também que estes resultados devem ser amplamente divulgados. Por vezes, é com a experiência relatada dos outros que tomamos as decisões para avançar com aquilo em que estávamos duvidosos. Face ao exposto devem, os responsáveis, continuar a apostar nas medidas tendentes a reduzir a dependência de toda a forma de energia que não tenha origem em energias renováveis, contribuindo assim para aumentar a eficiência energética dos edifícios. Ao longo deste trabalho foram usados alguns dados e caracterizações adaptados de anteriores auditorias e outros ou documentos devidamente referenciados. Palavras-chave: Edifícios Públicos, Manutenção de Instalações, Unidade Hospitalar, Eficiência Energética, Medidas de Racionalização de Consumos, Gestão de Energia. vii viii Abstract I once heard that “Engineering is the art of conceiving, implementing and maintaining facilities and equipment within safety parameters, in order to optimize its costs and benefits”. Well then let’s get to work... Engineering has an important role in the quest for energy efficiency. More and more, we need new technologies, more efficient, able to offer new and different methods for managing the energy needs. In Europe, the energy consumption in buildings is accounts for around 40% of all the energy consumed. The trend is to increase that number, due to the outstanding demand of life style and comfort, which are directly related to energy use. These consumptions are particularly important when related with large public buildings, becoming very difficult to control. From the results obtained with the implementation of energy reducing measures in the healthcare unit we can conclude that it’s worthwhile to carry out actions aimed to decrease energy consumption, because the environment, the quality of life on earth and therefore the future generations depend on it. We also believe that this work should be widely disseminated. Sometimes when in doubt, decisions can be made on reported experiences. From all this, leaderships should continue to invest in measures to reduce energy dependence on non-renewable resources, helping to increase the energy efficiency of buildings. Throughout this study, data and characterizations adapted from previous audits were used, as well as other documents, properly referenced. Keywords: Public Buildings, Hospital, Facilities Maintenance, Energy Efficiency, Reduce Energy Measures, Energy Management. ix x Índice Agradecimentos v Resumo vii Abstract ix Índice xi Lista de Figuras xiii Lista de Tabelas xv Nomenclatura 1 2 Introdução 1 1.2 Objectivos do Trabalho 3 1.3 Estrutura do Documento 4 Caracterização do Bloco Central dos HUC 5 2.1 Caracterização histórica e física das instalações 5 2.2 Caracterização Técnica das Instalações e dos Equipamentos. 8 Caracterização Energética dos H. U. C. 11 16 3.1 Alimentação Eléctrica 16 3.2 Armazenamento e distribuição do Thick Fuel Oil 17 3.3 Geradores de Vapor 18 3.4 Análise dos Consumos Energéticos 19 3.5 Indicadores Energéticos 25 3.5.1 Cálculo do Índice de Eficiência Energética 4 1 1.1 Enquadramento do Trabalho 2.3 Serviço de Instalações e Equipamentos 3 xvii Medidas de Melhoria da Eficiência Energética 4.1 Medidas ainda não implementadas. 4.1.1 Unidades de AVAC 4.1.2 Sistema de Cogeração 27 33 33 33 35 xi 4.1.3 Implementação de um Sistema de Gestão de Energia (SGE) 4.1.4 Conversão de Combustíveis na Central Térmica 4.2 Medidas já executadas ou em fase de obra. 37 38 39 4.2.1 Ascensores 4.2.1.1 Generalidades 4.2.1.2 Características Básicas do Caderno de Encargos 4.2.1.3 Vantagens dos novos sistemas: 4.2.1.4 Determinação do Tempo de Retorno do Investimento 4.2.2 Chiller 4.2.2.1 Generalidades 4.2.2.2 Características Básicas do Caderno de Encargos 4.2.2.3 Determinação do tempo de retorno do Investimento 4.2.3 Iluminação 4.2.3.1 Generalidades 4.2.3.2 Características Básicas do Caderno de Encargos 4.2.3.3 Cálculo do tempo de retorno do investimento 4.2.4 Caixilharias 4.2.4.1 Generalidades 4.2.4.2 Valores verificados 4.2.4.3 Cálculo do retorno do investimento. 4.3 Resultados da implementação das Medidas 39 39 40 43 45 46 46 48 49 52 52 56 57 58 58 60 64 67 4.4 Quadro Resumo das Medidas 71 4.5 Cronograma da Implementação das Medidas 71 4.6 Projecção de possíveis resultados a obter 72 5 Conclusões Referências xii 75 79 Lista de Figuras Fig. 2. 1 – A Rainha Santa Isabel tratando os leprosos............................................................ 5 Fig. 2. 2 – Vista aérea do Edifício Central dos H. U. C. .......................................................... 6 Fig. 2. 3 - Perspectiva dos H.U.C. .......................................................................................... 7 Fig. 2. 4 - Gerador de Emergência nº 3 ................................................................................... 8 Fig. 2. 5 - Organigrama funcional dos S.I.E.......................................................................... 12 Fig. 2. 6 – Repartição dos custos totais de manutenção de 2009 ........................................... 13 Fig. 2. 7 - Evolução dos Pedidos de Reparação..................................................................... 14 Fig. 3. 1 - Posto de Transformação nº 1 ................................................................................ 16 Fig. 3. 2 - Esquema da distribuição por P. T.s....................................................................... 17 Fig. 3. 3 - Depósitos de Nafta ............................................................................................... 18 Fig. 3. 4 – Caldeiras da Central Térmica .............................................................................. 19 Fig. 3. 5 – Consumos de nafta por semestres ........................................................................ 20 Fig. 3. 6 – Consumos de electricidade por semestres ............................................................ 21 Fig. 3. 7 – Consumos totais de energia ................................................................................. 21 Fig. 3. 8 – Consumos mensais de nafta de 2006 a 2010 ........................................................ 22 Fig. 3. 9 – Consumos mensais de electricidade de 2006 a 2010 ............................................ 23 Fig. 3. 10 – Consumos anuais de energia desagregados por fonte (2006 a 2010)................... 23 Fig. 3. 11 – Evolução das emissões de CO2 de 2006 a 2010.................................................. 27 Fig. 3. 12 – IEE ano 2008..................................................................................................... 30 Fig. 3. 13 – IEE ano 2009..................................................................................................... 30 Fig. 3. 14 – IEE ano 2010..................................................................................................... 31 Fig. 3. 15 – Gráfico do IEE dos anos 2008, 2009 e 2010 ...................................................... 32 Fig. 4. 1- Unidades de Climatização do Bloco Operatório .................................................... 33 Fig. 4. 2 - Esquema de transferência de informação .............................................................. 35 Fig. 4. 3 – Vista da casa máquinas e quadro antigo ............................................................... 41 Fig. 4. 4 – Vista da casa máquinas antigas ............................................................................ 42 Fig. 4. 5 – Casa das máquinas - antiga e nova ....................................................................... 42 Fig. 4. 6 – Chapa de características do motor novo e corpo da Máquina ............................... 42 Fig. 4. 7 – Quadros antigos em remodelação e quadro de comando novo MXGC ................. 43 Fig. 4. 8 – Variador electrónico de velocidade ...................................................................... 44 Fig. 4. 9 – Curva de arranque dos motores dos elevadores .................................................... 46 Fig. 4. 10 - Chiller Antigo .................................................................................................... 46 Fig. 4. 11 - Horas de funcionamento anuais dos chiller......................................................... 49 Fig. 4. 12 - Consumo/custos dos consumos dos chiller ......................................................... 50 Fig. 4. 13 – Chiller antigos e novos ...................................................................................... 51 Fig. 4. 14 – Pormenores dos compressores dos chiller novos ................................................ 51 Fig. 4. 15 – Vista lateral dos chiller novos............................................................................ 52 Fig. 4. 16 – Luminária antiga com e sem difusor acrílico...................................................... 53 Fig. 4. 17 – Luminária com led com e sem difusor ............................................................... 54 Fig. 4. 18 – Lâmpada Fluorescente clássica e lâmpada com led ............................................ 54 Fig. 4. 19 - Lâmpada de led .................................................................................................. 54 Fig. 4. 20 – Imagens da iluminação dos corredores do Edifício ............................................ 55 Fig. 4. 21 - Luminária 3x18 W que passou a 3x9 W - Hall central........................................ 55 Fig. 4. 22 - Driver primeira geração e Driver segunda geração ............................................. 56 xiii Fig. 4. 23 – Levantamento termográfico do corpo A............................................................. 59 Fig. 4. 24 - Balanço energético da envolvente exterior ......................................................... 61 Fig. 4. 25 – Necessidades de aquecimento ............................................................................ 61 Fig. 4. 26 – Necessidades de arrefecimento .......................................................................... 62 Fig. 4. 27 – Fachadas AW e BN do Bloco Central ................................................................ 63 Fig. 4. 28 – Janelas da fachada AW ...................................................................................... 63 Fig. 4. 29 – Imagem de uma janela de quarto de internamento.............................................. 64 Fig. 4. 30 - Necessidades energéticas de aquecimento .......................................................... 65 Fig. 4. 31 - Necessidades energéticas de arrefecimento......................................................... 65 Fig. 4. 32 - Necessidades energéticas de aquecimento .......................................................... 65 Fig. 4. 33- Necessidades energéticas de arrefecimento.......................................................... 65 Fig. 4. 34 - Necessidades energéticas de aquecimento, devida à correcção térmica das caixas de estore............................................................................................................................... 66 Fig. 4. 35 - Necessidades energéticas de arrefecimento, devida à correcção térmica das caixas de estore............................................................................................................................... 66 Fig. 4. 36 – Gráfico dos valores de consumo de energia eléctrica (Jan-Maio) ....................... 68 Fig. 4. 37 – Gráfico dos valores de consumo de energia eléctrica (Jun-Set) .......................... 69 Fig. 4. 38– Consumo de energia eléctrica (2009-2010) ......................................................... 70 Fig. 4. 39 – Gráfico da evolução do IEE de 2006 a 2012 ...................................................... 73 Fig. 4. 40 - Gráfico da evolução das emissões de CO2 de 2006 a 2012.................................. 73 xiv Lista de Tabelas Tabela 2. 1 - Caracterização Física dos H.U.C........................................................................ 6 Tabela 2. 2 – Valores de manutenção de 2005 a 2009........................................................... 13 Tabela 2. 3 - Custos totais de manutenção de 2009............................................................... 13 Tabela 3. 1– Caracterização dos Postos de Transformação ................................................... 16 Tabela 3. 2 - Caracterização dos Geradores de Vapor ........................................................... 18 Tabela 3. 3 – Consumos anuais de nafta e electricidade (2006-2010).................................... 20 Tabela 3. 4 - Consumos totais de energia 2008 ..................................................................... 24 Tabela 3. 5 - Consumos totais de energia 2009 ..................................................................... 24 Tabela 3. 6 - Consumos totais de energia 2010 ..................................................................... 24 Tabela 3. 7 – Indicadores Energéticos 2008, 2009, 2010 ...................................................... 26 Tabela 3. 8 – Tipos de IEE e sua caracterização ................................................................... 28 Tabela 4. 1 – Redução de consumos por tipo de energia e respectivos custos........................ 35 Tabela 4. 2 – Valores anuais de base para o sistema de cogeração ........................................ 36 Tabela 4. 3 – Determinação do Payback para o sistema de cogeração................................... 36 Tabela 4. 4 – Nº de chamadas dos elevadores ....................................................................... 45 Tabela 4. 5 – Características dos motores dos elevadores ..................................................... 45 Tabela 4. 6 – Tempos de funcionamento dos chiller ............................................................. 50 Tabela 4. 7 – Chiller - Consumos e custos anuais ................................................................. 50 Tabela 4. 8 – Parâmetros referentes à iluminação ................................................................. 57 Tabela 4. 9 – Valores de consumo de energia eléctrica (Jan-Maio) ....................................... 67 Tabela 4. 10 - Valores de consumo de energia eléctrica (Jun-Set)......................................... 68 Tabela 4. 11 – Valores de consumo e custos de energia eléctrica (2009-2010) ...................... 69 Tabela 4. 12 – Valores das medidas implementadas ............................................................. 70 Tabela 4. 13 – Quadro resumo das medidas de eficiência energética .................................... 71 Tabela 4. 14– Cronograma da implementação das medidas .................................................. 72 Tabela 4. 15 - Evolução e projecção do consumo global de energia ...................................... 72 xv xvi Nomenclatura Abreviaturas ADENE Agência Para a Energia AVAC Aquecimento, Ventilação e Ar Condicionado CO2 Dióxido de Carbono CTCV Centro Tecnológico da Cerâmica e do Vidro ERSE Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos GEE Gases de Efeito de Estufa H. U. C. Hospitais da Universidade de Coimbra IEE Indicador de Eficiência Energética ITeCons Instituto de Investigação e Desenvolvimento Tecnológico em Ciências da Construção ORC Oportunidade de Racionalização de Consumo RCCTE Regulamento das Características de Comportamento Térmico dos Edifícios RSECE Regulamento dos Sistemas Energéticos e Climatização em Edifícios S. I. E. Serviço de Instalações e Equipamentos UE União Europeia Letras e símbolos A Ampére Hz Hertz I Corrente eléctrica (A - Ampére) lx Lux kCal/h Quilocaloria por Hora kgep Quilograma equivalente de petróleo kg/cm2 Quilograma por centímetro quadrado kg/h Quilograma por hora km Quilómetro xvii kV Quilovolt kVA Quilovolt-Ampére kW Quilowatt kWe Quilowatt-eléctrico kWh Quilowatt-hora kWt Quilowatt-térmico m2 Metro quadrado m3 Metro cúbico MWh Megawatt-hora S Área de uma superfície (m2) tep tonelada equivalente de petróleo V Potencial eléctrico ou tensão eléctrica (Volt) W Watt € Euro ºC Grau centígrado xviii 1 Introdução 1.1 Enquadramento do Trabalho A evolução do mundo sempre esteve associada à energia e esta está presente em quase todos os nossos gestos do dia-a-dia. A sociedade actual não consegue viver sem energia. A energia está presente em necessidades tão simples como beber um copo de água, ou ouvir música num merecido momento de descanso após um dia de trabalho. A energia está intimamente ligada à produtividade, à sustentabilidade e/ou à necessidade de fazer mais com menos energia. Nos grandes consumidores de energia e, em particular, nos Edifícios Públicos no Sector de Serviços, as políticas energéticas e ambientais obrigam os responsáveis pela manutenção de instalações e equipamentos, à melhor gestão destes edifícios e a assumirem a implementação de medidas nesse sentido. Pilares básicos dessas medidas são, sem dúvida, uma melhor gestão e optimização dos recursos e a segurança dos utentes. Em termos energéticos os hospitais são tradicionalmente grandes consumidores. Estes consumos devem-se à utilização contínua dos edifícios, aos elevados níveis de conforto térmico requeridos para os pacientes, aos exigentes padrões de qualidade do ar interior e às utilizações específicas existentes neste tipo de instalações. A Gestão de Energia reveste-se de grande importância, apresentando um enorme potencial ao nível da redução dos custos de exploração e do incremento das condições de conforto. O Decreto-Lei 78/2006 cria o Sistema Nacional de Certificação Energética e de Qualidade do Ar Interior dos Edifícios [DL78, 2006], que visa garantir: a) O aumento da eficiência energética nos edifícios, responsáveis por cerca de 30 % do consumo de energia em Portugal [DGEG-2010] e de cerca de 40% a nível mundial [BCSD Portugal - 2010]; b) A redução da dependência energética nacional externa, em relação à União Europeia (UE), que foi de 82,9% em 2007 [DGEG-2010]; 1 c) A redução das emissões de Gases de Efeito de Estufa (GEE), de acordo com o Protocolo de Quioto; d) A protecção dos interesses e a melhoria da informação dos cidadãos. As medidas de racionalização energéticas implementadas nos Hospitais da Universidade de Coimbra, Entidade Pública Empresarial (H.U.C., E.P.E.), foram enquadradas por um protocolo assinado entre o Estado português e os H.U.C.1, em Abril de 2009, ao abrigo da iniciativa para o investimento e o emprego. Estas medidas estão também abrangidos pela comparticipação do Estado em obras a realizar com vista à Melhoria da Eficiência Energética dos Edifícios Públicos, de cuja relação constavam os edifícios dos H.U.C. O Decreto-Lei nº 34/2009 de 6 de Fevereiro, Iniciativa para o Investimento e o Emprego [DL34, 2009], estabeleceu as medidas excepcionais de contratação pública, a vigorar entre 2009 e 2010, aplicáveis a contratos de empreitadas de obras públicas, locação ou aquisição de bens móveis e de aquisição de serviços. A Iniciativa para o Investimento e o Emprego visa, entre outros aspectos, a promoção das energias renováveis, da eficiência energética e das redes de transporte de energia, com vista à melhoria do desempenho energético de um conjunto de edifícios públicos considerados prioritários e seleccionados para o efeito. Pelo Despacho nº 10.223/2009, de 17 de Abril, o Sr. Ministro do Estado e das Finanças e o Sr. Ministro da Economia e da Inovação incluíram os edifícios que compõem o complexo hospitalar dos H.U.C. na lista dos investimentos considerados prioritários, para efeitos da aplicação do regime excepcional de contratação pública. De entre as obras a considerar constavam, designadamente, as seguintes: - Implementação de sensores de movimento para automatização da iluminação interior (valor estimado de 159.650 €); - Substituição das lâmpadas incandescentes por lâmpadas de baixo consumo na iluminação interior (valor estimado de 330.000 €); - Correcção de pontos de perda de energia Chiller, (valor estimado de 480.000 €); - Instalação de motores com travagem regenerativa e velocidade variável nos elevadores (valor estimado de 420.000 €); - Melhoramento das características térmicas das envolventes exteriores, com substituição das caixilharias e envidraçados (obra orçamentada em cerca de 750.000 euros); 1 2 Anexo I Entidades - Melhoramento das cerca de 100 unidades de tratamento de ar existentes (valor estimado de 6.500.000 €); - Reconversão de queima de combustíveis para a central térmica, tendo já sido executado o troço principal da rede de abastecimento Gás Natural (investimento de cerca de 200.000 euros). Comprometeram-se os H.U.C., como se pode comprovar na acta que se encontra em anexo (Anexo I Entidades), a realizar as Obras de Melhoria da Eficiência Energética, - de acordo com o sugerido nos relatórios da Auditoria à Qualidade do Ar Interior e da Auditoria Energética -, e de acordo com os Cadernos de Encargos, a desenvolver posteriormente. Em Abril de 2010, foi assinado um protocolo de cooperação entre O Instituto Politécnico de Coimbra / Instituto Superior de Engenharia de Coimbra e os Hospitais da Universidade de Coimbra, tendo por objectivo o intercâmbio científico e tecnológico2. Foi também celebrado nessa data, entre estas entidades, um acordo de realização de Estágio do Mestrado em Automação e Comunicação em Sistemas de Energia3. 1.2 Objectivos do Trabalho No campo da Manutenção e Gestão de Instalações, enquadram-se os objectivos do presente trabalho, que envolvem a descrição e a avaliação das medidas tomadas para a “Melhoria da Eficiência Energética e Modernização dos Sistemas de Energia”, no Edifício do Bloco Central dos Hospitais da Universidade de Coimbra. Para esse fim, a caracterização actual dos sistemas no edifício, as auditorias e os estudos elaborados, vão permitir a análise e a concretização dos trabalhos. As soluções encontradas, algumas ainda em implementação, foram orientadas para a optimização dos recursos energéticos, tendo em vista a redução dos consumos de energia e garantindo as condições de conforto e qualidade existentes no edifício. As etapas a levar a efeito poderão ser designadas como: - Observação dos equipamentos e soluções propostas; - Análise da estimativa de economia de energia, com verificação dos valores actuais do consumo e da facturação. As conclusões do trabalho irão ainda realçar as soluções encontradas e a sua forma de implementação, de modo a maximizar a eficiência energética do Bloco Central dos H.U.C.. 2 3 Anexo II Entidades Anexo III Entidades 3 Os trabalhos vão ainda procurar descrever as medidas relacionadas com: - A caracterização do estado actual da instalação de cerca de 100 unidades de tratamento de ar existentes e os posteriores melhoramentos a realizar; - O sistema de Cogeração; - A implementação de um Sistema de Gestão de Energia; - A reconversão da Queima de Combustíveis na Central Térmica; - A substituição dos motores e sistemas de comando dos 15 ascensores existentes; - A substituição dos 3 Chiller com a potência total de 3300kW térmicos, actualmente existentes, por outros de melhor rendimento; - A substituição das cerca de 4 500 luminárias fluorescentes e incandescentes clássicas, por lâmpadas de led com aplicação de sensores de movimento; - A substituição de caixilharia do corpo A - alas nascente e poente - bem como das fachadas norte dos corpos B e C. Estima-se que este investimento, a decorrer até ao fim de 2010, muito contribuirá para o reforço da política de eficiência energética. 1.3 Estrutura do Documento Este documento encontra-se dividido em cinco capítulos. No presente capítulo, “Introdução”, são apresentados o enquadramento e os objectivos do trabalho, bem como um pequeno resumo de cada um dos capítulos que constituem o documento. No segundo capítulo, “Caracterização do Edifício”, é feita uma breve resenha histórica e técnica do edifício, seguida de uma caracterização funcional dos Serviços de Instalações e Equipamentos do Edifício que constitui o Bloco Central do H. U. C. No capítulo terceiro, “Caracterização Energética dos H. U. C.”, para além desta, são apresentados os consumos de energia e a sua desagregação por tipo de energia. No que respeita ao capítulo quarto, “Obras de Melhoria de Eficiência Energética”, são referidas e analisadas algumas das soluções propostas e em estudo e outras já executadas. No quinto e último capítulo “Conclusões”, são apresentadas as principais conclusões deste trabalho, relativamente às medidas de racionalização de consumos de energia executadas e/ou em curso - e são referidos alguns dos trabalhos a levar a efeito num futuro próximo. 4 2 Caracterização do Bloco Central dos HUC 2.1 Caracterização histórica e física das instalações Sabemos que a 22 de Outubro de 1508, através de Carta Régia, o rei de Portugal, D. Manuel I, fundou o primeiro Hospital Geral de Coimbra, pela fusão de pequenas albergarias, hospitais, irmandades e confrarias existentes na cidade, por estarem desactualizados, serem pequenos e terem administrações indisciplinadas. Este hospital tinha na altura 17 camas, sem contar com as da albergaria, destinadas a pousada de viajantes pobres. Fig. 2. 1 – A Rainha Santa Isabel tratando os leprosos A designação “Hospitais da Universidade de Coimbra” surge pela primeira vez em 1772, ano que marca o início da actividade do Hospital Universitário, num conjunto de edifícios que funcionavam sob a administração e orientação médica e científica da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. Nesta data, os Hospitais passaram a ocupar os três edifícios da alta da cidade: “São Jerónimo”, “Colégio das Artes” e “Castelo” ou ”Lázaros”, tendo aí permanecido até 1987, altura em que se mudaram para as actuais instalações. 5 Hoje, os Hospitais da Universidade de Coimbra repartem-se por três estabelecimentos hospitalares, podendo-se caracterizar a sua dimensão física pela Tabela 2. 1. Tabela 2. 1 - Caracterização Física dos H.U.C. Edifícios N.º pisos N.º camas Área coberta m2 Área de pavimentos m2 Campus Hospitalar ha 1.072 31.000 140.000 16 7 16 (interligado) (máximo) Histocompatibilidade / Edifício S. Jerónimo/Cirurgia Cardiotorácica 2 4 64 3.900 12.600 --- Bloco Celas 11 1a3 265 11.059 26.213 7,3 Maternidade 1 6 205 1.560 7.140 0,85 1.551 47.519 185.953 24,15 H.U.C. – Central Total O Edifício Central dos H. U. C., onde se decorreu o presente trabalho de estágio, situa-se na Praceta Mota Pinto em Coimbra. Na Fig. 2. 2, é apresentada uma vista aérea do Edifício Central dos H. U. C.. Fig. 2. 2 – Vista aérea do Edifício Central dos H. U. C. O actual Edifício Central dos HUC possui as coordenadas de GPS: Latitude: 40º 13’ 05,11” N - Longitude: 8º 24’ 50,87” W e encontra-se dividido em diferentes corpos, verificando-se que os corpos A, B, C e D têm uma disposição cruciforme, conforme se pode observar pela Fig. 2. 2. 6 Na orientação a Norte (corpo A) existem as zonas de ensino e gabinetes de consultas externas; a Sul (corpo D), Nascente (corpo C) e Poente (Corpo B) localizam-se as zonas de internamento e apoios. Nos corpos B e C os quartos de internamento estão situados apenas nas fachadas orientadas a Sul. Os quatro corpos (A B C e D) estão interligados por um núcleo central, onde se situa a comunicação vertical (escadas e elevadores). Os restantes corpos (E, F, G, H, I, J) são corpos onde não há internamento, sendo respectivamente: E – Bloco Operatório F – Auditórios G – Laboratórios H – Morgue I – Central de Gases e Lavandaria J – Central Térmica Existe ainda uma continuação do corpo I, onde se situa a Cirurgia Cardiotorácica e, no seguimento, em perpendicular, fica o edifício de S. Jerónimo, conforme se pode observar pela Fig. 2. 3. Fig. 2. 3 - Perspectiva dos H.U.C. Para termos uma noção mais precisa da diversidade, valor e dimensão das instalações técnicas e equipamentos disponíveis nos H.U.C., referenciam-se alguns indicadores 7 existentes, entre muitos outros de mais difícil quantificação. O valor da área total de construção, de todos os edifícios que constituem o património dos H.U.C., a preços actuais, ascenderia a valores superiores a 205.000.000 €. Para o Bloco Central, com uma área construída de 152.600 m2, o valor actual de construção seria de cerca de 167.860.000 €.[A (152.600 m2) x 1.100 €/m2 167.860.000 €] Na altura em que foi construído – (1987) – custou 45.000.000 euros. É deste património, que exige mil cuidados diários a prestar e mil acções de vigilância e optimização a exercer, que se passam a referenciar algumas características técnicas e construtivas. 2.2 Caracterização Técnica das Instalações e dos Equipamentos. Nos H.U.C. - Bloco Central - existem actualmente os seguintes equipamentos: -Três postos de transformação com o total de 8000 kVA (8x1000kVA) e três geradores de emergência com as potências de 825+825+1100 (kVA). Na Fig. 2. 4 apresenta-se uma imagem de um dos geradores de emergência; - Três caldeiras geradoras de vapor com 11.000 kW térmicos cada; - Três chiller de 3.300 kW térmicos totais; - Doze permutadores de calor com potências variáveis de 189 960 kCal/h a 2 640 000 kCal/h para a produção de água quente. Fig. 2. 4 - Gerador de Emergência nº 3 8 A seguir é apresentada uma descrição sucinta das diversas instalações e equipamentos existentes no bloco central. INSTALAÇÕES TÉCNICAS ESPECIAIS ENERGIA Potência eléctrica instalada Bloco Central Nº de Postos de transformação Pot. dos Geradores (825+825+1100) Consumo de energia (anual) 8.000 kVA 3 2.750 kVA 21.000 MWh TELECOMUNICAÇÕES Nº de Linhas de telefone instaladas N.º de telefones instalados 200 1.800 TRANSPORTES VERTICAIS E OUTROS Nº de Ascensores e monta-cargas 40 EQUIPAMENTO TÉRMICO Potência térmica instalada (produção vapor) Geradores de água fria (3 chiller) N.º de unidades de climatização 45 ton./h (33.000 kW) 3.300 kW 150 EQUIPAMENTO DE ESTERILIZAÇÃO N.º de autoclaves a vapor N.º de autoclaves a óxido de etileno 54 3 EQUIPAMENTO DE COZINHA Modo distribuição Volume de câmaras frigoríficas Produção diária do equipamento cadeia a frio 900 m3 5.500 refeições EQUIPAMENTO DE LAVANDARIA Túnel de lavagem Lavadoras extractoras Calandras com introdutora e dobradora Produção diária do equipamento 1 3 2 1.400 kg/h FLUIDOS MÉDICOS E CRIOGÉNICOS Nº de Centrais de oxigénio líquido/gás Nº de Centrais de oxigénio gasoso Nº de Centrais de azoto líquido Nº de Centrais de protóxido de azoto Nº de Centrais de ar comprimido medicinal Nº de Centrais de vácuo Nº de Tomadas de gases medicinais 3 8 3 9 9 8 3.000 ÁGUAS POTÁVEIS E DESIONIZADAS Rede de distribuição de água quente e fria Capacidade dos depósitos de água Consumo de água/ano 46 km 2.500 m3 443.135 m3 9 Produção anual de água desionizada PARQUE MÉDICO – TÉCNICO Equipamento de imagiologia N.º de salas de exames gerais N.º de salas de angiografia digital N.º de TAC N.º de equipamentos RM (1,5 T) N.º de equipamentos de radiologia móvel N.º de equipamentos de ecografia N.º de câmaras de cintigrafia N.º de câmaras gama 7.000 m3 12 3 3 1 5 20 4 7 Equipamento de intervenção e tratamento N.º de ventiladores N.º de aparelhos de diálise N.º de litotritores Nº de incubadoras de neonatalogia Nº de desfibrilhadores bifásicos Nº de Aceleradores lineares (radioterapia) Nº de Simuladores (radioterapia) Nº de Equip. de Braquiterapia (radioterapia) N.º de salas de operações 85 15 2 15 21 2 1 3 42 21 Equipamento laboratorial N.º de analisadores multiparamétricos Nº de câmaras de fluxo laminar 10 31 SEGURANÇA DE DETECÇÃO E COMBATE A INCÊNDIOS (BLOCO CENTRAL) Nº de Botoneiras manuais Nº de Detectores térmicos e iónicos Nº de Portas corta-fogo Nº de Registos corta-fogo nas condutas de ventilação Rede interior de incêndios Bocas-de-incêndio Rede exterior de hidratantes 230 1.400 254 680 5.800 m 490 2.000 m Naturalmente que a estes indicadores - que podemos considerar de natureza funcional, facilmente quantificáveis - podemos juntar muitos outros, de carácter mais genérico, na área do conforto e da segurança. Uns e outros assumem uma elevada importância no bem-estar dos doentes e do pessoal, numa óptica convergente, contribuindo para salvaguardar os bens materiais e humanos entregues aos cuidados da instituição hospitalar. A satisfação destes, e de muitos outros parâmetros, implicam uma vasta gama de estruturas técnicas (centrais de transformação de energia eléctrica e térmica, centrais de ar 10 condicionado, redes de cabos eléctricos, de fluidos e de condutas) que, dissimuladas por todo o edifício em tectos falsos, galerias, courettes e áreas estratégicas passam despercebidas ao comum dos utentes, formando no seu todo uma complexa teia de instalações industriais, como poucas empresas no país possuem. 2.3 Serviço de Instalações e Equipamentos Apesar de não se encontrarem definidas em termos legais as funções, as competências e atribuições (nem sempre devidamente delimitadas), é nesta área das Instalações e Equipamentos que intervém o Serviço de Instalações e Equipamentos (S.I.E.) dos H.U.C., respondendo civil e criminalmente pelo bom ou mau funcionamento das instalações, equipamentos e tecnologias instaladas. A Engenharia da Saúde intervém em áreas de âmbito tão vasto como o planeamento, programação, normalização e projecto - numa fase anterior à existência física de todas as unidades de saúde - passando pela investigação, desenvolvimento e concepção (na área de engenharia biomédica) e, numa fase posterior, em áreas como a gestão, exploração e manutenção dos edifícios, instalações técnicas e equipamentos especiais. A manutenção hospitalar intervém na globalidade do hospital, pois o capital imobilizado num hospital é formado por um elevado conjunto de bens em instalações e equipamentos, que exigem permanentes cuidados de manutenção, de forma a poderem executar a sua função correctamente. Efectuar inúmeras operações de manutenção indispensáveis, sem afectar a funcionalidade e a tranquilidade dos serviços, é uma tarefa delicada e por vezes complexa que, para além do conhecimento técnico em várias áreas de engenharia, exige sensibilidade e sensatez nas decisões a tomar, num edifício a funcionar ininterruptamente 24 sobre 24 horas, 365 dias por ano. Tal implica garantir, sem sobressaltos, o funcionamento contínuo de centrais fundamentais do hospital. As áreas mais críticas são os gases medicinais, a energia e a água. Nestes casos, avarias prolongadas de equipamento poderiam pôr em causa, de modo particularmente grave, a qualidade do serviço prestado. Isto corresponde, na prática, a um regime sem erros, na condução das instalações. Para poder satisfazer este tipo de tarefas, o S.I.E. encontra-se organizado em secções funcionais que podem ser vistas no organigrama da Fig. 2. 5, que se conjuga, na secção inferior, com os recursos humanos existentes. 11 SERVIÇO DE INSTALAÇÕES EQUIPAMENTOS CONSTRUÇÃO CIVIL BIOMÉDICA MECÂNICA ENERGIA E TELECOM SERVIÇOS ADMINISTRATI EQUIPAMENTO ELECTRÓNICA CENTRAL. TÉRMICA CENTRAIS EMERGÊNCIA SECRETARIADO EDIFÍCIOS MECÂNICA PRECISÃO A.V.A.C. POSTOS TRANSFORM. FACTURAÇÃO SANEAMENTO EQUIPAMENTO. INDUST. DIST. FLUIDOS DIST. ENERGIA DOCUMENTOS/ EQUIPAMENTO. AQUECIMENTO. CENTRAL SIST. SINALIZAÇÃO DIST. ÁGUAS SOM E TELECOM. GASES MEDIC. CONTROLO CENTRALIZADO EQUIPAMENTO. INDUST. ELEVADORES EQUIPAMENTO. EQUIPAMENTO. DIVERSO DIVERSO 23 43 66 15 27 42 ETAR DIVERSO H.U.C. SUCH Total 19 -19 13 -13 GAB. PREP. TRAB. DESENHO ARQUIVOS DIVERSOS 5 -5 2 77 -- 70 2 147 Fig. 2. 5 - Organigrama funcional dos S.I.E. Tem-se vindo, contudo, a verificar uma contínua tendência para a diminuição de efectivos, motivada pelo não descongelamento de lugares existentes nos quadros, levando as Administrações, por vontade própria ou como solução de recurso, a recorrerem à contratação de serviços externos. Mantêm-se, desde a abertura do Novo Hospital no Bloco Central, contratos diversos com o Serviço de Utilização Comum dos Hospitais (S.U.C.H.) e outras entidades, de modo a se poder satisfazer, em algumas áreas, a manutenção e a conservação de instalações e equipamentos, para além de outros contratos mais específicos de equipamentos biomédicos e outros. Para se ter ideia de alguns dos valores envolvidos na manutenção das instalações e equipamentos, apresentam-se na Tabela 2. 2, valores respeitantes ao período de 2005 a 2009. 12 Tabela 2. 2 – Valores de manutenção de 2005 a 2009 Nº de Pedidos de Reparação N.º Notas de Encomendas Valor total - Notas Encomenda N.º Cad. Encargos N.º Contratos Realizados Valor Total Contratos 2005 20.044 2006 20.097 2007 20.540 2008 25.797 2009 23.831 2.950 3.262 3.344 9.069 3.549 2.030.582 € 2.321.456 € 2.238.224 € 2.780.126 € 2.919.538 € 132 42 107 41 139 43 158 43 152 43 3.467.713 € 3.884.690 € 4.150.806 € 4.308.904 € 4.511.808 € Por exemplo, os custos totais de manutenção no ano de 2009 ascenderam a 10.582.110 €, representando cerca de 3,58 % da despesa dos H.U.C.. A repartição destes custos é apresentada na Tabela 2. 3 e também na Fig. 2. 6. Tabela 2. 3 - Custos totais de manutenção de 2009 2009 Contratos de manutenção 4.511.808 € Notas de encomenda de reparações ao exterior 2.919.538 € Encargos com pessoal dos S.I.E. 1.091.792 € Materiais de manutenção e conservação Total 2.058.972 € 10.582.110€ Previsão Total Orçamental dos HUC Percentagem 295.329.000 € 3.58 % Ano 2009 Reparações ao Exterior 28% Encargos com Pessoal dos SIE 10% Contratos de Manutenção 43% Materiais de Manutenção e Conservação 19% Fig. 2. 6 – Repartição dos custos totais de manutenção de 2009 13 Tem-se verificado um aumento gradual das despesas de manutenção e do número de pedidos de reparação, designados por Pedidos de Assistência Técnica (PAT). O aumento do valor e do volume de contratos de manutenção realizados com firmas do exterior, relaciona-se mais com a incapacidade interna do S.I.E., do que por racionalidade económica. É contudo de notar que a manutenção não planeada ou correctiva absorve grande parte dos esforços e intervenções solicitadas pelos serviços. Estas duas vertentes deverão continuar a aumentar, uma vez que cada vez há mais instalações e os equipamentos estão cada vez mais sujeitos a desgaste e a degradação. No ano de 2009 foram recebidas 23.831 requisições, correspondentes a pedidos de reparação, solicitadas pelos diversos serviços utilizadores dos H.U.C. Isto equivale a mais de 87 ordens de trabalho emitidas por dia útil de serviço. No gráfico da Fig. 2. 7 é apresentada a evolução dos (PAT) pedidos de reparação do período de 2005 a 2010. Pedidos de Reparação 31500 29500 Nº de P. A. T.(s) 27500 25500 23500 21500 19500 17500 15500 13500 11500 2005 2006 2007 2008 2009 2010 Fig. 2. 7 - Evolução dos Pedidos de Reparação Conforme se verifica pelos valores do gráfico da Fig. 2. 7, no ano de 2010 foram recebidos cerca de 29 900 pedidos de assistência técnica4. Este facto terá com certeza muito a ver com o volume de pequenas obras e/ou necessidades de assistência técnica, mas também terá algo a ver com a familiarização dos hábitos com o “novo” sistema informático de 4 No valor de pedidos do ano de 2010, o valor do mês de Dezembro foi estimado. 14 elaboração dos pedidos de assistência técnica (PAT), que passou de manual para informático em inicio em Setembro de 2008. Quando se tratar da aquisição de um novo equipamento, todo o processo terá o acompanhamento do Serviço de Instalações e Equipamentos, desde a elaboração de um caderno de encargos à sua recepção e acompanhamento durante o seu período de vida, até à sua retirada de funcionamento. De igual forma, compete ao corpo de engenharia do SIE a execução de projectos de construção, remodelação ou ampliação e o seu acompanhamento e fiscalização. Passados que são 23 anos de funcionamento desta grande unidade hospitalar, manter e ter como preocupação constante a melhoria dos padrões de funcionalidade, qualidade, segurança e conforto que nos são solicitados, diariamente, por mais de 7.500 pessoas (utentes e trabalhadores) são os objectivos de todos aqueles que na área das instalações e equipamentos se dedicam em exclusividade a esta tarefa. 15 3 Caracterização Energética dos H. U. C. 3.1 Alimentação Eléctrica O Edifício Central dos H.U.C. é alimentado pela EDP Distribuição e Energia SA e possui três Postos de Transformação. A entrada é feita em média tensão (15 kV) e a distribuição de energia eléctrica dentro do hospital é realizada a 400V. Na Fig. 3. 1 é apresentada uma imagem com os quatro transformadores do posto de transformação nº 1. Fig. 3. 1 - Posto de Transformação nº 1 Tabela 3. 1– Caracterização dos Postos de Transformação Postos de Transformação PT 1 Transformador PT 2 PT3 A B C D A B C A Marca Motra Motra Motra Motra Motra Motra Motra France Transf Tensão Primário 15 kV 15 kV 15 kV 15 kV 15 kV 15 kV 15 kV 15 kV Tensão Secundário 400 V 400 V 400 V 400 V 400 V 400 V 400 V 400 V Ano de Fabrico 1982 1982 1982 1982 1982 1982 1982 1999 Potência (kVA) 1000 1000 1000 1000 1000 1000 1000 1000 Pot. Tot. (kVA) Pot. Tot. (kVA) 16 4000 3000 8000 1000 A Tabela 3. 1 apresenta a caracterização dos transformadores, cuja potência total instalada é de 8000 kVA. O diagrama esquemático da Fig. 3. 2 pretende dar uma ideia da distribuição dos transformadores existentes. Fig. 3. 2 - Esquema da distribuição por P. T.s Existe correcção dispersa do factor de potência, efectuada por vários conjuntos de baterias de condensadores e também, de forma global, junto ao quadro geral de cada PT. 3.2 Armazenamento e distribuição do Thick Fuel Oil O Thick Fuel Oil (Nafta), combustível para ser consumido nas caldeiras da central térmica, é armazenado em dois depósitos cilíndricos verticais, localizados no exterior, perto da central térmica e com capacidades de 300 m3 cada. O aquecimento da Nafta é efectuado através de um permutador de vapor/fuel, com tubos colocados na parte inferior do depósito cilíndrico. Este fuel circula pelo sistema de alimentação, a cerca de 60ºC, até aos reaquecedores, com resistências eléctricas, instalados junto às caldeiras, onde é aquecida à 17 temperatura de injecção nos queimadores (110ºC). O excesso de combustível retorna ao depósito de Nafta. Os depósitos de Nafta não têm isolamento e estão instalados ao ar livre, em recinto próprio, junto da central térmica, como se pode observar pela imagem da Fig. 3. 3. Fig. 3. 3 - Depósitos de Nafta 3.3 Geradores de Vapor Na Central Térmica estão instaladas três caldeiras de vapor saturado que produzem vapor para alimentar diversos sectores. Em períodos normais de laboração, as caldeiras funcionam em regime de três turnos, alternadamente, sendo necessário na maior parte do tempo estar apenas uma caldeira em funcionamento. Os três geradores de vapor são idênticos. As suas principais características encontram-se resumidas na Tabela 3. 2. Tabela 3. 2 - Caracterização dos Geradores de Vapor Características Nº Combustível Marca Pressão máxima Capacidade Produção de Vapor kg/h Tipo Superfície de Aquecimento 18 1 2 3 Thick fuel oil 1% Thick fuel oil 1% Thick fuel oil 1% Termec Termec Termec 13 kg/cm 2 13 kg/cm 2 13 kg/cm2 27 250 Litros 27 250 Litros 27 250 Litros 15 000kg/h (13 MW) 15 000kg/h (13 MW) 15 000kg/h (13 MW) Vapor saturado Vapor saturado Vapor saturado 325 m2 325 m2 325 m2 Fig. 3. 4 – Caldeiras da Central Térmica As caldeiras da central térmica, cuja imagem se apresenta na Fig. 3. 4 possuem um rendimento térmico de cerca de 85% cada. 3.4 Análise dos Consumos Energéticos Foram analisados os valores dos consumos mensais de nafta e de electricidade, relativos ao periodo de 2006 a 2010, os quais se apresentam a seguir. No respeitante ao Thick Fuel Oil, os dados aqui utilizados foram em volume de consumo (m3) medido na linha de nafta que alimenta as caldeiras, por serem mais precisos e constantes no tempo, pois os dados disponíveis das entregas do fornecedor são muito inconstantes. Tomou-se a densidade volúmica [kg/m3] de 940,5 kg/m3 e o poder calorífico [kJ/kg] da nafta de 40 195 kJ/kg, para fazer a conversão para energia [kWh], e assim fazer uma comparação directa com a potência eléctrica [kWh]. A Tabela 3. 3 mostra os consumos totais anuais de nafta e de electricidade no período de 2005 a 2010. Estes valores estão apresentados em separado, por semestres. Nos valores do ano de 2010, foi estimado o mês de Dezembro. 19 Tabela 3. 3 – Consumos anuais de nafta e electricidade (2006-2010) Consumo de Nafta (kWh) Consumo de Electricidade (kWh) Total (kWh) 1º Semestre 20 119 000 9 756 689 29 875 689 2º Semestre 17 517 055 11 184 639 28 701 694 Total 37 636 054 20 941 328 58 577 382 1º Semestre 20 191 656 10 075 466 30 267 122 2º Semestre 17 464 813 10 646 895 28 111 708 Total 37 656 468 20 722 361 58 378 829 1º Semestre 19 027 448 10 386 400 29 413 848 2º Semestre 17 726 864 11 005 873 28 732 737 Total 36 754 311 21 392 273 58 146 584 1º Semestre 19 888 535 10 337 738 30 226 273 2º Semestre 16 985 024 9 996 114 26 981 138 Total 36 873 560 20 333 852 57 207 412 1º Semestre 20 988 362 9 354 503 30 342 865 2º Semestre 17 015 414 9 712 971 26 728 385 Total 38 003 776 19 067 474 57 071 250 Anos 2006 2007 2008 2009 2010 Observando os valores da Tabela 3. 3 e o gráfico da Fig. 3. 5, verifica-se que o consumo de nafta desde 2006 é sempre menor nos segundos semestres dos vários anos. Estes mantiveram um valor total anual regular em 2006 e 2007, baixou nos anos de 2008 e 2009 e em 2010 verificou-se uma subida significativa. Consumo de nafta/semestre 40000000 37500000 35000000 Consumo em kWh 32500000 30000000 27500000 Nafta 1º S 25000000 Nafta 2º S 22500000 Nafta Tot 20000000 17500000 15000000 12500000 10000000 2006 2007 2008 2009 Fig. 3. 5 – Consumos de nafta por semestres 20 2010 O consumo de energia eléctrica é maior nos segundos semestres de 2006 até 2008 (Tabela 3. 3 e Fig. 3. 6), tendo diminuido significativamente em 2009 (altura em que foi implementada a primeira medida de redução energética) e mantida essa descida em 2010. O valor do consumo total anual de energia eléctrica tem sido inconstante, vindo a aumentar e a diminuir ao longo dos anos. Observou-se um decréscimo no ano de 2007, um aumento considerável em 2008 e um abaixamento em 2009 e em 20105. Consumo de electricidade/semestres 22500000 Consumo em kWh 20000000 17500000 15000000 Elect 1º 12500000 Elect 2º Elect Tot 10000000 7500000 5000000 2006 2007 2008 2009 2010 Fig. 3. 6 – Consumos de electricidade por semestres Consumo emkWh Consumos totais de energia 40000000 37500000 35000000 32500000 30000000 27500000 25000000 22500000 20000000 17500000 15000000 12500000 10000000 Naf Tot Elec Tot 2006 2007 2008 2009 2010 Fig. 3. 7 – Consumos totais de energia 5 Os valores do mês de Dezembro de 2010 foram estimados com base na média do mesmo mês nos últimos anos. 21 Verifica-se também que, sempre que há uma diminuição ou aumento do consumo de nafta, há uma correspondência inversa do consumo de energia eléctrica. Isto significa que a época foi mais, ou menos, fria ou quente. Por outras palavras, se o consumo de nafta aumentar significa que houve um arrefecimento; se diminuir, aumentará o consumo de energia eléctrica e terá havido um aquecimento, conforme se observa pelo gráfico da Fig. 3. 7. Pelo gráfico da Fig. 3. 8, referente ao consumo de nafta ao longo do ano, também chegamos à conclusão que este é maior nos meses de Inverno, o que se deve às maiores necessidades de aquecimento no edificio. Os dados do gráfico correspondem a contagens reais de consumo, efectuadas em contadores localizados à entrada das caldeiras. 500000 450000 400000 350000 2006 dm3 300000 2007 250000 2008 200000 2009 150000 2010 100000 50000 0 Jan Fev Mar Abril Maio Junho Julho Ago Set Out Nov Dez Fig. 3. 8 – Consumos mensais de nafta de 2006 a 2010 Quanto à variação dos consumos de energia eléctrica, apresentados na Fig. 3. 9, verificase um consumo um pouco superior nos meses de Verão. Esta alteração tem a ver com as necessidades de arrefecimento. Porém, a diferença entre Inverno e Verão não é muito acentuada, devendo-se, sem dúvida, este facto aos elevados rendimentos dos ciclos frigoríficos dos sistemas de arrefecimento, que possuem eficiências elevadas; e ao consumo de electricidade para outros fins que não a climatização (luz, outros equipamentos) que ocorre durante todo o ano, de uma forma pouco sistemática. 22 2500000 2000000 2006 1500000 kWh 2007 2008 1000000 2009 2010 500000 0 Jan Fev Mar Abril Maio Junho Julho Ago Set Out Nov Dez Fig. 3. 9 – Consumos mensais de electricidade de 2006 a 2010 No gráfico da Fig. 3. 10, são apresentados os consumos totais anuais de energia, desagregados pelas duas fontes de energia utilizadas nos H.U.C.. Total de Energia Consumida 60.000.000 55.000.000 50.000.000 Consumo em kWh 45.000.000 40.000.000 35.000.000 30.000.000 25.000.000 20.000.000 15.000.000 10.000.000 5.000.000 0 2006 2007 Energia Total (kWh) Fuel 2008 2009 2010 Energia Total (kWh) Electrica Fig. 3. 10 – Consumos anuais de energia desagregados por fonte (2006 a 2010) 23 Como se pode ver no gráfico da Fig. 3. 10, é pouca a variação da energia consumida ao longo dos anos. Houve alguma diminuição a partir de 2009, devido às medidas já implementadas. Em seguida são elaboradas algumas tabelas (Tabela 3. 4, Tabela 3. 5 e a Tabela 3. 6), com alguns valores indicativos dos consumos globais anuais. Tabela 3. 4 - Consumos totais de energia 2008 Consumos totais anuais 2008 – Globais Tipo Unid. Quantidade Energia Custo Med. Anual Tep % € % Energ. Eléctr. kWh 21 392 273 6 203,76 36,76 1 842 168,87 54,45 Fuel t 3 291 3 188,98 63,24 1 547 042,43 45,55 Total --- --- 9 392,74 100,00 3 389 211,30 100,00 Tabela 3. 5 - Consumos totais de energia 2009 Consumos totais anuais 2009 – Globais Tipo Unid. Quantidade Energia Med. Anual Tep % € % Energ. Eléctr. kWh 20 333 852 5 896,82 35,55 1 864 900,22 60,21 Fuel t 3 302 3 199,64 64,45 1 232 519,65 39,79 Total --- --- 100,00 3 097 419,87 100,00 9 096,46 Custo Tabela 3. 6 - Consumos totais de energia 20106 Consumos totais anuais 2010 – Globais Tipo Unid. Quantidade Energia Custo Med. Anual Tep % € % Energ. Eléctr. kWh 19 067 474 5 529,57 33,41 1 823 182,00 55,84 Fuel t 3 403 3 297,51 66,59 1 441 992,82 44,16 Total --- --- 8 826,08 100,00 3 265 174,82 100,00 Uma caracterização mais detalhada dos consumos energéticos apenas seria possível com base numa auditoria energética, em que se procedesse ao levantamento exaustivo dos sistemas 6 Os valores do mês de Dezembro de 2010 foram estimados com base na média do mesmo mês nos últimos anos. 24 consumidores de energia, incluindo a sua monitorização, de modo a permitir efectuar a repartição dos consumos e a associá-los aos diferentes sistemas utilizados. 3.5 Indicadores Energéticos A utilização de indicadores energéticos pode servir como ferramenta de dimensionamento e de gestão, em edifícios ou sistemas produtivos. Pode ainda servir para tomadas de decisão ou intervenções directas que visem o uso racional e eficiente de energia. No caso dos H.U.C., trata-se de uma unidade hospitalar, classificada como sendo um Hospital Geral Central Universitário (ensino). Na cidade em que está inserido, serve próximo de 135.314 (2008) habitantes numa área de 319,41 km2 [Estatísticas da Saúde ARS – Centro]. De acordo com o estabelecido no acesso à rede nacional de prestação de cuidados de saúde, não estará muito longe da verdade se considerarmos que serve um concelho com uma população de cerca de 350.000 habitantes. Na área de influência em que se insere, referenciada como Coimbra Norte, contempla vários concelhos e ainda alguns distritos adjacentes. Abrangendo 6 distritos, com 101 concelhos e uma área de 27.472 km2 (30,9 % do território nacional), poderá ser referida uma população de 2.416.270 habitantes (22,9 % da população de Portugal) [INE de 2006]. O Edifício Central dos H. U. C. possui 1208 camas e tem uma área útil de 122.558 metros quadrados, onde trabalham actualmente cerca de 3.900 funcionários. Anualmente, os números de consultas e de cirurgias rondam, respectivamente, 350.000/ano e 19.500/ano. Os tratamentos em ambulatório andam por volta dos 13.000/ano e os internamentos 50.000/ano. Nas urgências o registo de entradas é de cerca de 155 000/ano [Relatório do Movimento Assistencial dos HUC/2008], estimando-se que por dia circulam pelas instalações cerca de 7.500 pessoas. Os consumos de energia na região (cidade) são de 859 879 542 kWh/ano [DGEG, 2008], pelo que a influência dos H.U.C. nos consumos da cidade é de 2,39%. Na Tabela 3. 7, a par dos consumos totais anuais de energia, são apresentados alguns indicadores calculados para o Bloco Central dos H.U.C., para os anos de 2008, 2009, 2010: CAp - Consumo de energia por área; CCama - Consumo de energia por Cama; CCons Consumo de energia por Consulta; CCir - Consumo de energia por Cirurgia; CFunc – Consumo de Energia por Funcionário e IC – Intensidade Carbónica. 25 Para o cálculo deste último indicador (IC – Intensidade Carbónica) foi necessário determinar o montante anual de emissões de GEE, com base nos consumos desagregados por fonte de energia e no índice de emissão de cada fonte de energia. Utilizaram-se os factores de emissão publicados pelo Despacho nº 17313/2008 DR 2ª Série nº 122 de 26 de Junho de 2006 [Despacho 17313, 2008]. Estes cálculos foram elaborados para o efeito, em folha de cálculo, estando os resultados demonstrados na tabela que a seguir se apresenta. Tabela 3. 7 – Indicadores Energéticos 2008, 2009, 2010 Cap E GEE (kg CO2 ) C (kgep) IC kgCO2 e/tep kgep/m 2008 20.284.210 9.364.630 2,17 76,41 7.752,18 26,76 480,24 2.411,70 2009 19.819.942 9.067.943 2,19 73,99 7.506,58 25,91 465,02 2.335,29 2010 19.539.319 8.797.892 2,22 71,79 7.283,02 25,14 451,17 2.265,75 2 Ccama Ccons Ccir Cfunc kgep/cama kgep/Cons kgep/Cir kgep/Func Como se pode observar pelos valores da Tabela 3. 7, quase todos os indicadores calculados apresentam uma diminuição a partir de 2009 face aos correspondentes valores obtidos em 2008. Estes estão de acordo com a variação do consumo anual de energia, (20089.365 tep; 2009-9.068 tep; 2010- 8.798 tep) e com a não alteração dos valores de base de cálculo dos indicadores. A excepção verifica-se nos valores obtidos para a Intensidade Carbónica (IC). Sendo IC=Emissões anuais de GEE/Consumo anual de energia, apesar da diminuição verificada no valor das emissões de GEE, a diminuição do consumo total de energia foi superior, conduzindo a um aumento deste indicador. O gráfico da Fig. 3. 11 mostra a evolução das emissões de CO2, desde 2008 a 2010. Apesar do aumento do consumo de nafta, a diminuição das emissões devesse à forte diminuição de energia eléctrica. 26 Emissões de CO2/ano 25040 ton CO2/ano 20040 15040 10040 5040 40 2008 2009 2010 Fig. 3. 11 – Evolução das emissões de CO2 de 2006 a 2010 3.5.1 Cálculo do Índice de Eficiência Energética Um dos objectivos do Regulamento dos Sistemas Energéticos para Climatização em Edifícios (RSECE) é limitar o consumo energético global dos edifícios, de acordo com o seu tipo: Serviços, Residencial, Novo ou Existente, Pequeno ou Grande. Em termos dos limites impostos para os consumos energéticos, estes podem ser obtidos através de um Índice ou Indicador de Eficiência Energética (IEE). O IEE representa o consumo de energia primária de um edifício, por metro quadrado e por ano, sendo calculado a partir dos consumos nominais ou reais de energia (durante um ano), englobando a totalidade dos consumos de climatização, iluminação, equipamentos, AQS (água quente sanitária), etc, convertidos para energia primária. Na Tabela 3. 8 é dada uma descrição simples do significado de cada um dos tipos de IEE. 27 Tabela 3. 8 – Tipos de IEE e sua caracterização Tipo de IEE Designação Como se determina? Para que serve? IEE real-facturas IEE real para Por análise simples das facturas Verificação simplificada do cumprimento do edifícios energéticas (últimos três anos) sem requisito energético em edifícios existentes e existentes correcção climática da necessidade ou não de um PRE IEE real Por simulação dinâmica, utilizando - Para efeitos da 1ª audit. de edifícios novos obtido por os perfis reais ou previstos ou det. (ao fim do 3º ano de funcionamento). simulação em audit. com correcção climática. - Para efeitos das audit. Periód. Edif. Exist.. Por simulação dinâmica, utilizando - Verificação do cumprimento do requisito os perfis padrão do Anexo XV do energético com edifícios novos. RSECE, com a correcção climática - Classif. Energét. do edif. (novos e existent.) IEE real-simulação IEE nom IEE nominal IEE ref-novo IEE de refª limite para - Verificação do cumprimento do requisito Definido no anexo XI do RSECE edifícios energético em edifícios novos. - Referência para classificação energética novos IEE ref-exist IEE de refª limite para Verificação simplificada do cumprimento do Definido no anexo X do RSECE edifícios exist. requisito energético em edif. exist. e da necessidade ou não de um PRE O Edifício dos H.U.C. está abrangido pelo RSECE, visto que a potência térmica utilizada para climatização é superior a 25KW e a sua área é superior a 1000 m2, conforme apresentado nos dados gerais do edifício (Artigo 27º do RSECE). O estudo energético do edifício, nomeadamente a determinação do IEE, pode ser efectuado, segundo o artigo 7º do RSECE, com base nas seguintes metodologias: - Abordagem Simplificada – Análise de facturas energéticas; - Auditoria Energética – Simulação e análise. Na primeira metodologia, “Abordagem Simplificada”, é possível calcular o IEE sem correcção climática, calculando-se o consumo anual global do edifício através das facturas energéticas (electricidade e combustíveis), após a sua conversão para energia primária com base nos factores de conversão definidos. Para isso é utilizada a seguinte expressão: IEE real = Qglobal/Ap (Kgep/m2.ano) A segunda metodologia, chamada de “Auditoria Energética”, é o exame detalhado das condições de utilização de energia do edifício de modo a: 28 - Identificar e quantificar os fluxos de energia no edifício (electricidade, combustíveis fosseis, etc.); - Caracterizar os sistemas energéticos existentes (para a conversão destas formas de energia em energia final), o seu estado de conservação, rendimentos de conversão e respectivos planos de manutenção; - Verificar se estão satisfeitas as condições de conforto térmico pretendidas; - Avaliar consumos energéticos específicos de cada utilização final e/ou sector do edifício (iluminação, climatização, ventilação, cozinha, etc.); - Calcular o IEE do edifício; - Identificar medidas de racionalização energética, de forma a melhorar o seu desempenho energético. Esta metodologia não foi objecto de estudo neste trabalho. Para calcular o índice de eficiência energética do edifício, utilizou-se um simulador [P3E,2003] que, através da aplicação do método simplificado, permite obter o Consumo Específico de Energia do Edifício (Cei) e o seu índice de eficiência energética (IEE). Foi também necessário indicar a tipologia do edifício e a identificação das zonas climáticas de Inverno e Verão em que este se encontra. Segundo o Regulamento das Características de Comportamento Térmico em Edifícios (RCCTE), os valores previstos, referentes às temperaturas exteriores de projecto para o concelho de Coimbra são: Zona climática de Inverno (I1) e Zona climática de Verão (V2N). No consumo de energia primária só foram considerados os consumos de energia eléctrica e de nafta, pois são as únicas fontes de energia utilizadas. A área útil do edifício é de 122 558 m2. Nas, Fig. 3. 12, Fig. 3. 13 e Fig. 3. 14 estão os resultados obtidos com o simulador referido. 29 Fig. 3. 12 – IEE ano 2008 Fig. 3. 13 – IEE ano 2009 30 Fig. 3. 14 – IEE ano 2010 Como esperado, atendendo à aplicação das medidas de eficiência energética a partir de meados de 2009, verifica-se, a partir deste ano, uma diminuição do IEE. No entanto, este valor encontra-se muito acima do valor limite definido pelo RSECE para o IEE dos consumos globais específicos dos edifícios de serviços existentes, onde este se insere, que é de 40 kgep/m2.ano - para a tipologia de edifícios de saúde com esta classificação7. O gráfico da Fig. 3. 15 representa o IEE calculado para os anos de 2008, 2009, e 2010. Nas barras do gráfico da figura, a zona a verde representa o valor limite dos consumos globais específicos IEE para estabelecimentos de saúde existentes, com internamento, e a zona a vermelho representa o montante que excede o valor limite regulamentar definido pelo RSECE. 7 O RSECE, DL 79/2006 estabelece como valor limite dos consumos globais específicos IEE o valor de 40 kgep/m2.ano para estabelecimentos de saúde existentes, com internamento, ou em alternativa o valor de 8,5 kgep/ por cama ocupada .ano, Anexos X e XII. 31 IEE (Método Simplificado) 80 70 kgep/m2/ano 60 50 40 30 20 10 0 2008 2009 2010 Fig. 3. 15 – Gráfico do IEE dos anos 2008, 2009 e 2010 Tendo sido o IEE calculado através de um método simplificado e tratando-se de um grande consumidor de energia, seria desejável obter este indicador através de um método mais detalhado. No entanto, atendendo à diferença entre o valor do IE obtido e o recomendado pelo RSECE, é espectável a necessidade de implementação de novas medidas de racionalização energética. 32 4 Medidas de Melhoria da Eficiência Energética 4.1 Medidas ainda não implementadas. Para além do estudo/projecto de reconversão da queima das caldeiras a nafta (Thick Fuel Óleo a 1%) para Gás Natural, em fase de adjudicação, e o troço da linha de alimentação, já executada, existem outras Oportunidades de Racionalização de Consumos (ORC´s) propostas e que se encontram em estudo. 4.1.1 Unidades de AVAC Os HUC entenderam iniciar estudos para a Modernização dos Sistemas de Aquecimento Ventilação e Ar Condicionado (AVAC) e para a Gestão Técnica Centralizada, com vista a uma melhor Eficiência Energética. A Fig. 4. 1 mostra uma imagem da central de ar condicionado do Bloco Operatório. Fig. 4. 1- Unidades de Climatização do Bloco Operatório A situação actual das unidades de climatização, que possuem cerca de 23 anos de funcionamento, pode ser resumida do seguinte modo: 33 - O sistema de arranque e paragem é conseguido com um controlo horário simples; - O sistema de controlo e de actuação de temperatura faz-se através de válvulas pneumáticas; - O funcionamento do controlo de temperatura é feito localmente (junto de cada máquina); - Cada unidade climatiza zonas muito grandes e a temperatura é controlada na insuflação, tornando-se assim difícil fazer um acerto perfeito da temperatura. Foram visitadas as diferentes centrais existentes, para observação, recolha de medições e de outras características. Foram elaboradas tabelas das características dos equipamentos e do registo dessas medições. Um dos aspectos a modificar com a obra será, sem dúvida, a separação das unidades muito grandes em unidades ou zonas mais pequenas e a realização do controlo de temperatura, na extracção. A substituição dos controladores de temperatura pneumáticos por controladores electrónicos (autómatos) possibilitará o controlo de temperatura através de um sistema de controlo e gestão. Será também necessária a existência de vários pressostatos por máquina, para possibilitar a leitura de pressão a montante e a jusante dos filtros de ar, sendo assim dada indicação da sua colmatação. O sistema a propor no projecto de execução terá uma configuração de acções a implementar, tais como: - Optimização do Sistema de Gestão Técnica Centralizada de Energia (SGTCE) baseado em Web, possibilitando o acesso e a aquisição de dados do estado de todos os equipamentos; - Possibilidade de, a nível da Automação, controlar os equipamentos - em função de vários factores (exteriores e interiores) - e optimizar o funcionamento das máquinas. Os equipamentos a utilizar nessa obra de alteração serão: - (Nível 1) - Utilização de diversos sensores para controlo de pressões de ar, temperatura, humidade e dos motores com variadores de velocidade; - (Nível 2) - Montagem de módulos de microprocessadores e subestações de controlo distribuído, a fim de atender parte da instalação a controlar, mas integrado na rede de transmissão de dados do sistema; - (Nível 3) - Operação de Gestão Técnica Centralizada, através de Consola de Operação e Comando, com as diversas interligações e routers Ethernet. A partir daí, o PC do SGTC 34 será ligado à internet, para que os dados sejam transferidos, de acordo com o seguinte processo: Fig. 4. 2 - Esquema de transferência de informação Para estes trabalhos estão previstos custos de cerca de 6.468.645,75 € [Siemens – 2010]. Tabela 4. 1 – Redução de consumos por tipo de energia e respectivos custos Tipo de energia Economia de energia e seu valor/ano Electricidade 4 126 088,96 kWh 453 869,78 € Térmica Aquecimento 3 369 731,00 kWh 168 486,65 € Térmica Arrefecimento 1 684 865,50 kWh 185 335,15 € Total 9 180 685,46 kWh 807.691,58 € Neste tipo de projectos, está estimada uma redução dos consumos de energia que poderá ir até cerca de 25 a 30% [Siemens – 2010]. No caso concreto do Bloco Central dos H.U.C., a concretização deste projecto representaria, em termos de estimativa dos consumos, uma redução de 9.180.685,46 kWh/ano, correspondente a uma redução de aproximadamente 16%, face aos valores de consumo de 2010. Esta redução de consumo equivale a uma poupança anual de 807.691,58 €, considerando o custo do kW de electricidade a 0,11 € e o da nafta a 0,04 €. Deste modo, o período de retorno do investimento, se considerarmos o investimento total da medida, seria de 8 anos. Este projecto está ainda em fase de estudo, dado o elevado montante de investimento que acarreta. 4.1.2 Sistema de Cogeração De entre todas as medidas propostas para a melhoria do Índice de Eficiência Energética (IEE) dos HUC, é de salientar a instalação de um sistema de cogeração. 35 Uma das medidas, sugerida pelo Centro Técnológico da Cerâmica e do Vidro (CTCV), foi a instalação de dois geradores de 2 MWe para produzir energia eléctrica, parte do vapor utilizado nos HUC e também água quente para climatização. Esta medida permitirá obter resultados financeiros interessantes, como se ilustra nos quadros e figuras seguintes. Tabela 4. 2 – Valores anuais de base para o sistema de cogeração Valores anuais Periodo de operação média estimado 6150 h/ano Energia eléctrica produzida 23 001 000 kWhe Energia térmica produzida 23 739 000 kwht Consumo anual est. p/ os motores 64 821 000 kwh Este sistema seria alimentado a gás natural, através de uma linha de alimentação já existente, comum à queima das caldeiras, e produziria energia eléctrica que seria na totalidade vendida à rede pública ,originando uma receita. Em simultâneo, seriam produzidos vapor e água quente. Na Tabela 4. 3 apresenta-se o cálculo do payback do sistema de cogeração. Foi considerado que o investimento rondaria os 3 000 000 € [CTCV – 2010], o preço do gás natural seria de 0.35 €/m3(n), o preço da energia fornecida à rede 0,12€/kWh, o consumo de óleo 1g/kWh a 1,6€/kg e o custo unitário de manutenção de 0,030€/kWh. Tabela 4. 3 – Determinação do Payback para o sistema de cogeração Receitas do projecto Valor € Energia fornecida à rede 2 760 120 Recuperação térmica 789 046 Total das receitas 3 549 166 Encargos de exploração 3 Consumo de Gás (m (n)) 2 154 544 Total 2 154 544 Consumo anual de óleo 36 802 Custo/ kWh 690 030 Total dos encargos 2 881 376 Resultados do projecto 667 790 Investimento 3 000 000 Payback Simples 36 Valor €/ano 4,49 anos Esta medida está ainda em fase de elaboração de caderno de encargos pelos H.U.C.. Este será levado a concurso, para posterior execução. 4.1.3 Implementação de um Sistema de Gestão de Energia (SGE) Um Sistema de Gestão de Energia pode definir-se como um sistema tecnológicamente apto a monitorizar, comandar e controlar todas as instalações e equipamentos que constituem a rede energética de um edificio. De forma sistemática recolhe dados e permite obter relatórios, necessários à gestão de energia. Oferece ainda uma preciosa ajuda o gestor de energia na tomada das decisões. A função de um Sistema de Gestão de Energia seria dar uma visão global e centralizada do estado de funcionamento de toda a instalação do hospital e, ao mesmo tempo, possibilitar diversas actuações. A automação do equipamento é uma grande contribuição para a economia de energia, quer por meio de sistemas de controlo de ponta e deslastre de cargas quer de paragem e arranque de sistemas. A existência de um Sistema (global) de Gestão de Energia nos H.U.C. possibilitaria: A aquisição e análise de dados, que permitiria ao hospital verificar a eficiência de um sector ou equipamento, por comparação a outros com funcionamento semelhante; O histórico de dados, que possibilitaria a constituição de uma base de dados de consumos de energia a fim de realizar um planeamento de intervenções, optmizando a utilização de recursos existentes e reduzindo consumos e respectivos custos; A análise de consumos de energia por centro de custo, que permitiria quantificar o consumo de energia de um sector do hospital e a imputação dos respectivos encargos financeiros a esse centro de custos ou àreas de gestão; A detecção de consumos anómalos de energia,que permitiria eliminar ou minimizar as situações de gastos excessivos de energia (por avaria, desconhecimento ou má utilização de recursos); 37 O benchmarking, que se traduziria na comparação de consumos, custos e resultados com outras unidades hospitalares. Permitiria identificar, em tempo útil, as boas práticas que se podem adoptar num mesmo sector. A utilização de equipamentos automáticos de controlo introduz vantagens no conforto e segurança dos ocupantes e dos operadores e é amortizada através da economia de energia que proporciona. Na maior parte das aplicações, o tempo de retorno do investimento destes equipamentos é baixo, pelo que seria uma medida de racionalização de consuno de energia a considerar. Esta medida está a ser apreciada e será muito provável que venha a ser equacionada em conjunto com a medida do AVAC. 4.1.4 Conversão de Combustíveis na Central Térmica Esta medida, devido à particularidade de a rede de bastecimento de Gás Natural já se encontrar executada, envolve apenas duas componentes: a) Substituição de Queimadores; b) Modificações mecânicas. Para o desencadeamento desta medida foi elaborado um caderno de encargos no qual se referia sucintamente o seguinte: 1)- Pretendem os H. U. C. substituir a queima de Thick Fuel Oil de 1% de Enxofre, em duas das suas caldeiras de vapor e alterá-las melhorando, o seu rendimento térmico. Os queimadores a fornecer e a montar serão para dual queima, permitindo assim a queima de gás e de light fuel oil (gasóleo); 2)- Para proceder às modificações mecânicas, decorrentes das alterações descritas no parágrafo anterior, e com vista a melhorar o rendimento térmico das caldeiras, necessitam os H.U.C. de proceder a alterações ao nível dos tanques de combustível, dos economizadores, dos multiciclones e dos reaquecedores. Esta medida, que envolve os materiais descritos no Anexo III Caldeiras, foi adjudicada à firma Ambitermo 8, após um segundo concurso, em virtude de ter sido contestado o primeiro, que previa o aproveitamento dos queimadores. O período de retorno do investimento pode ser determinado tomando por base os valores de uma economia de 174 060 kg/ano de Nafta ou seja de 167 968 kgep/ano, num valor de 77 599 €/ano. A quantidade de gases não emitida será de 544 tCO2/ano [CTCV -2010]. 8 Anexos I e II Caldeiras 38 Estima-se que esta medida terá um retorno do investimento de cerca de três anos e meio. Porém os ganhos em termos de Gases de Efeito de Estufa e de Manutenção vão ser importantes. 4.2 Medidas já executadas ou em fase de obra. 4.2.1 Ascensores 4.2.1.1 Generalidades É sabido que os elevadores consomem energia eléctrica mesmo quando estão parados. Segundo alguns estudos, estes consumos podem traduzir-se em cerca de 50% do consumo total de energia, se forem elevadores de poucas viagens diárias (caso do sector residencial). Este consumo é atribuído a equipamentos que estão permanentemente ligados. Salientamse os sistemas de controlo, iluminação, ventilação, mostradores e consolas operacionais dos pisos e dentro da cabina. Das tecnologias energeticamente eficientes, susceptíveis de serem aplicadas a elevadores, salientam-se a iluminação, o deslastre de equipamentos, os motores de indução de alta eficiência (possuem menores perdas e são fabricados com materiais magnéticos superiores), os controladores avançados que ajustam a velocidade e por fim os sistemas gestores de tráfego. Quando pensamos no motor eléctrico e nas suas componentes, a Potência, o Rendimento e as Perdas são os pilares básicos para qualquer trabalho de dimensionamento. Estas podem ter valores diferentes, em função do tipo de tecnologia e/ou dos materiais associados. As soluções mais evoluídas são caracterizadas pela composição dos seguintes elementos ou órgãos distintos: - Controlo de velocidade, Motor eléctrico, Transmissão mecânica. Poderemos complementar a definição dos elementos referidos, dizendo que o Controlo de velocidade é o sistema electrónico que vai regular a velocidade do motor eléctrico. O motor é o elemento que converte a Potência Eléctrica em Potência Mecânica. Por fim a transmissão mecânica é o dispositivo de uso final onde essa potência mecânica é aplicada. Os treze ascensores existentes desde a abertura dos HUC, são da marca Schindler, do tipo monta camas, tracção, cabina suspensa com a casa das máquinas no topo do poço. Os motores 39 eram do tipo com redutor (geared), utilizando uma caixa de velocidades com um factor de redução de 1:40, para reduzir a velocidade da caixa de cabina. O sistema convencional instalado nos H.U.C. era baseado na tecnologia de relés e encontrava-se completamente ultrapassado. As avarias sucediam-se, a maior parte das vezes tinham origem nos relés cujas palhetas vão perdendo flexão ou partem ou têm os contactos gastos. As características dos motores originais dos Elevadores 1 a 13eram: - Potência - 22,1 kW; Tensão - 400V; Corrente nominal - 58 A; Corrente de arranque 120 A; Frequência - 50 Hz; Factor de potência - 0,85; Redutor do tipo TIP W58 e Factor de redução 1/42; Capacidade do cárter 22 L: Cabina – Carga até 1.500 kg; Velocidade de deslocamento de 1,6 m/s. 4.2.1.2 Características Básicas do Caderno de Encargos Foi pensado que se deveria substituir o sistema de comando e os motores eléctricos de accionamento. Para esse fim, foram encetados contactos com a actual empresa concessionária, Schindler. Por fim, foi assinado um procedimento de aquisição directa de empreitada entre os H. U. C. e a Schindler9, cujos materiais estão descritos no Anexo III, precedido de um caderno de encargos que referia sucintamente as seguintes características básicas: 1) Objectivos - Pretendem os HUC, EPE, por obrigatoriedade da Norma Europeia EN 81/80 cláusula 5.9.4, proceder à substituição das máquinas de 13 ascensores, de forma a garantir a segurança e fiabilidade do seu funcionamento. 2) Considerações técnicas - Fornecimento e montagem de 7 grupos motores e respectivos quadros de comando com sistema MICONIC MX – GC , elevadores nº s 1, 2, 3, 4, 5, 6, e 7. Fornecimento e montagem de 6 grupos motores nos elevadores nº s 8, 9, 10, 11, 12 e 13. As características dos novos motores dos Elevadores 1 a 13 deverão ser as seguintes: - Potências - 20,7kW; Tensão - 400 V; Corrente nominal - 47 A 10. Os elevadores dos HUC nos quais se propõe a alteração do sistema, podem ser considerados como sendo: - 7 Elevadores principais com 15 pisos cada; - 4 Elevadores com 12 pisos cada; - 2 Elevadores com 5 pisos cada. 9 Anexo I Elevadores Anexo III Elevadores 10 40 A tipologia dos elevadores é a dos edifícios de serviços, tendo os elevadores de 1 a 7, 15 pisos e os de 8 a 11, 12 pisos; e os elevadores 12 e 13 de 5 pisos. As principais características serão: - Versão Eléctrico com casa das máquinas; Carga útil 1500 kg/kg/Pessoas; Velocidade 1,6 m/s; Cursos 20 a 70 metros; Nº de Paragem/Acessos 15 Para a substituição dos antigos grupos motores, foram realizados os seguintes trabalhos: - Transporte para a casa das máquinas dos novos grupos motores; - Suspensão da cabine e do contrapeso; - Desmontagem e remoção dos grupos de motores existentes; - Montagem dos novos grupos de motores, realizando para o efeito um alinhamento e equilíbrio do conjunto, durante o seu assentamento definitivo, por intermédio dos elementos anti-vibracionais; - Execução de todas as ligações eléctricas ao respectivo comando; - Execução de provas de funcionamento do novo conjunto, submetendo o elevador aos ensaios de carga; - Fornecimento e montagem de cabos de aço de suspensão; - Fornecimento e montagem de tirantes de amarração dos cabos de suspensão, do lado da cabine/contrapeso. As figuras seguintes mostram imagens das instalações e equipamentos dos ascensores. Fig. 4. 3 – Vista da casa máquinas e quadro antigo 41 Fig. 4. 4 – Vista da casa máquinas antigas Fig. 4. 5 – Casa das máquinas - antiga e nova Fig. 4. 6 – Chapa de características do motor novo e corpo da Máquina 42 Fig. 4. 7 – Quadros antigos em remodelação e quadro de comando novo MXGC 4.2.1.3 Vantagens dos novos sistemas: Como vantagens para os novos sistemas instalados referimos as seguintes: - Maior duração e fiabilidade, devido aos elevados coeficientes de segurança utilizados na fase de projecto dos componentes; - Mais-valias, em termos ecológicos, pois na sua composição os freios não utilizam amianto e os motores não utilizam óleo; - Valor acrescentado, modernizando uma parte vital do elevador; - Motores com sistema de tracção por variação de frequência, que permitem: Maior conforto e funcionamento suave, nos arranques e paragens; Poupança energética; Maior vida nos elementos do ascensor; Elevado factor de rendimento. O sistema de comando instalado, o MICONIC MX-GC com o sistema de controlo de tráfego MICONIC 10, inclui um sistema de alerta para prevenir eventuais problemas, o que significa que estes podem ser eliminados antes que ocorram. Completamente operado por microprocessadores, proporciona uma gestão mais racional da capacidade do sistema de transporte, que se traduz em menores tempos de espera, redução dos consumos de energia e viagens mais rápidas para os destinos. Como a maior parte dos componentes são estáticos, anulam os problemas próprios dos relés, prolongando a longevidade do equipamento. 43 A Fig. 4. 8, mostra uma imagem e as características do variador electrónico de velocidade. Fig. 4. 8 – Variador electrónico de velocidade O quadro de comando agora instalado, incorpora uma unidade conversora de frequência. Esta unidade de comando, (VEV) Variador Electrónico de Velocidade e as suas características, estão indicadas na Fig. 4. 8. Este equipamento permite uma acentuada precisão do nivelamento, da cabina aos pisos, contemplando uma das exigências do Decreto-Lei 163/2006. Em termos de segurança, os VEV possibilitarão a protecção do motor contra sobretensões, sobrecargas, controlo de temperaturas e de fenómenos transitórios, bem como a falta de fase. A Instalação de cartas de comunicação permite que todos os dados disponíveis possam ser monitorizados e controlados à distância. As vantagens do sistema de tracção com variação de frequência são: - Maior conforto e funcionamento suave nos arranques e paragens e as acelerações e desacelerações são totalmente independentes e reguláveis; - Há uma significativa poupança de energia, o consumo eléctrico fica consideravelmente reduzido, pois os arranques fazem-se de forma progressiva; - Menor ruído, devido à diminuição da velocidade, factor de primordial importância para o edifício; - Menor dissipação de calor (as características de construção dos actuais motores permitem uma diminuição ou redução das perdas e a consequente diminuição da dissipação de calor); 44 - Maior vida dos elementos do ascensor (mecanicamente a máquina sofre menos ao serem empregues potências de forma progressiva, desta forma o motor os contactores e os travões são sujeitos a menores solicitações, sendo por isso poupados). Sabendo que, em parte, a poupança de energia conseguida depende do volante de inércia da máquina, utilizando volantes cuja inércia é mínima vão conseguir-se menores consumos energéticos. As botoneiras, que no sistema convencional estavam localizadas nas cabinas, passaram a estar nos patamares. Através do controlo de destinos explícitos, o MICONIC 10 vai agrupar os utentes registados aos elevadores de modo a servi-los mais eficientemente. O resultado é a rápida libertação dos ascensores, aumentando assim a capacidade de transporte e a diminuição do tempo de espera nos patamares. O controlador de tráfego vai garantir que os elevadores sejam devidamente expedidos. As portas abrem e fecham na altura certa. Os controladores de todos os elevadores estão interligados, permitindo optimizar o seu funcionamento e distribuir os passageiros de um modo eficiente, com um menor número de viagens, arranques e paragens, bem como um número inferior de elevadores utilizados, dando origem a uma redução significativa da energia consumida. 4.2.1.4 Determinação do Tempo de Retorno do Investimento Não sendo possível, em tempo útil, proceder à monitorização dos consumos dos novos equipamentos, fez-se uma estimativa do tempo de retorno do investimento, tendo em consideração o regime de funcionamento dos elevadores e as características dos motores. A Tabela 4. 4 apresenta o número de chamadas dos elevadores, registado no seu painel de comando e a Tabela 4. 5, apresenta as características nominais dos elevadores (antigos/novos) Tabela 4. 4 – Nº de chamadas dos elevadores Elevadores Nº de Viagens/Dia/cada Elevadores 1 a 7 240/hx8h=1920 cada Elevadores 8 a 13 120/hx8h=960 cada Tabela 4. 5 – Características dos motores dos elevadores Antigos Novos Potência Nominal 22,1 kW 20,7 kW Corrente Nominal In 58 A 47 A 45 Considerando que a corrente de arranque é nula, desprezando a diferença de consumo nos dois motores antigo/novo teremos os cálculos da energia consumida durante o arranque: I(A) Ip120 In58 0 1 2 3 4 5 t(s) Fig. 4. 9 – Curva de arranque dos motores dos elevadores O gráfico da Fig. 4. 9 mostra a curva típica de um motor sem VEV (curva a vermelho) e desse mesmo motor com VEV (curva a verde). Podemos ver que a curva a verde (motor com VEV), não tem à esquerda a parte da curva a vermelho que corresponderia à corrente durante o período de arranque. Tendo em consideração as características dos motores existentes e as dos novos, as características de arranque, o regime de funcionamento de cada um dos 13 elevadores e o custo do kWh (0,11 €), estima-se que o retorno do investimento desta medida (373 974 €) verificar-se-á ao final de 5 anos. Esta obra foi adjudicada e executada por 373.974,00 € + IVA11, conforme o previsto. 4.2.2 Chiller 4.2.2.1 Generalidades Sabemos que uma das instalações que mais energia consome é a produção de água refrigerada – chiller. 11 Anexo I Elevadores 46 Fig. 4. 10 - Chiller Antigo Os HUC estavam equipados com 3 chiller TRANE de 375 kWe com um “Coeficent of Performance” - COP de 2.53, i.e.12, como mostrado na Fig. 4. 10. Os chiller antigos foram adquiridos em 1985, tendo por isso mais de 24 anos de serviço, o que representa mais do que o tempo de vida previsto. Usavam gás R12 e entre 2000 e 2003 foram reconvertidos para R134A. Os condensadores refrigerados a ar apresentavam já alguma degradação por estarem sujeitos às intempéries. Isto tinha implicações na sua produtividade pelo facto de esta parte do sistema (condensador) penalizar o COP original (2.53). Os novos chiller, já instalados, têm uma eficiência de 3 (por cada kW de energia eléctrica consumida conseguem produzir 3 kW de frio), sendo pois bem superiores aos antigos. A actual instalação é composta por três chiller do tipo centrífugo, condensados a ar e ligados em paralelo. Cada chiller é alimentado pela respectiva bomba de água gelada, havendo uma segunda bomba de reserva. O sistema funciona a caudal constante, com válvulas de três vias nos climatizadores. As potências dos novos equipamentos são idênticas às dos anteriores mas possuem maior rendimento13. Os chiller instalados e representados na Fig. 4. 13 (lado direito), são da marca Carrier – (França)14 . São do tipo ar/água, R134 A, cada um com 3 compressores de parafuso, 3 circuitos independentes, com ventiladores de alta eficiência, painéis laterais com serpentinas de alumínio e um posto de monitorização de controlo e gestão. Cada chiller possui a potência de 1246,2 kWt; a temperatura da água à entrada e saída do evaporador varia entre 7ºC-12ºC; o caudal de água através do evaporador é de 59,42 lt/s; a perda de carga no evaporador é de 44,2 kPa; a temperatura do ar à entrada do condensador é de 35ºC; o caudal de ar através do condensador é de 90,278 m3/s; o tipo de fluido frigorigénio é o R134A; a potência eléctrica absorvida pelo motor é de 355,4 kW – 512 A; a potência eléctrica absorvida pelo motor dos ventiladores do condensador é de 32.6 kW; a potência eléctrica máxima total absorvida é de 387,9 kW; o peso é de 10880 kg, e as dimensões são de 11962x2253x2297 mm. Esta obra foi adjudicada e executada por 346.420,00 €, ligeiramente abaixo do valor previsto inicialmente. Foi previamente assinado um procedimento de aquisição directa de 12 Por cada kW de energia eléctrica que consome na globalidade dos seus sistemas (kWe) (compressores, ventiladores, acessórios de comando, etc) produz 2.53 kW térmicos (kWt) de água gelada a cerca de 7ºC, para climatização do hospital. 13 Para a mesma potência de frio produzida, dado o seu elevado “cop”(coeficient of performance) (chiller 1 kW eléctrico=3 kwt) 14 Anexos IV e V Chiller 47 empreitada entre os H. U. C. e a empresa Climacer15, com a lista dos equipamentos descrita no Anexo III, precedido de um caderno de encargos que referia as características básicas, descritas no parágrafo 4.2.2.2. 4.2.2.2 Características Básicas do Caderno de Encargos Foi elaborado um caderno de encargos onde se referia a pretensão de adquirir, três chiller e o respectivo sistema de gestão, de modo a remodelar a produção de água gelada do sistema de climatização dos H.U.C.. Segue-se a síntese dos seus aspectos principais: 1) Os chiller a instalar deverão manter a solução existente, sendo do tipo água/ar, próprios para montagem no exterior e deverão utilizar como fluido refrigerante o HFC-134a. Deverão ser certificados energeticamente (Eurovent ou equivalente) com classe A, tendo um EER superior a 3; uma potência de refrigeração de aproximadamente 1200 kW térmicos (1 kW = 3,0 kW térmicos); temperaturas de água refrigerada entre 7ºC – 12ºC; um caudal de água (aproximado) de 57 l/s e um caudal de ar no condensador (aproximado) de 100 m3/s. 2) Cada chiller terá vários compressores de alta eficiência. O seu arranque deverá ser feito em vazio, deverão ter pressostato diferencial, de protecção contra a falta de lubrificante, e ser equipados com válvulas de corte na descarga. 3) O evaporador deverá ser de alta eficiência. O invólucro do evaporador deverá ser isolado termicamente e protegido, pelo exterior, com uma barreira de vapor. 4) O condensador deverá ser um permutador de elevada eficiência, com ventiladores do tipo axial, devidamente balanceados. 5) A caixa do quadro eléctrico (sistema de comando e controlo) de cada unidade deverá possuir um painel para alimentação de energia eléctrica ao motor (sistema de arranque do motor) e um outro para controlo da unidade, do tipo microprocessador. Deverá igualmente possuir uma interface alfanumérica para comunicação com o operador. Este sistema deverá ser acessível, sem que seja necessária a abertura das portas da caixa do quadro eléctrico. O automatismo de controlo e comando do ciclo frigorífico deverá conter os seguintes equipamentos principais: - Pressóstato de baixa pressão; pressóstato de alta pressão; manómetro do circuito de aspiração; manómetro do circuito de compressão; manómetro de pressão de óleo; termóstato anti-gelo; termóstato para controlo da temperatura da água através da modulação de capacidade da unidade e sistema de regulação da pressão de condensação. 15 Anexo II Chiller 48 O microprocessador da central de controlo deverá permitir controlar os parâmetros acima referidos, bem como: - o arranque e paragem automática do chiller; a modulação da potência de cada um dos compressores; o controlo sequencial do arranque e paragem dos compressores, montados no mesmo circuito hidráulico; a rotação automática de compressores, em função do número de horas de trabalho e deverá possuir uma porta para comunicar com o BUS do GTC (Gestão Técnica Centralizada) do edifício. Este BUS deverá obedecer ao protocolo LON Talk LCI-C interface. 6) Ensaios - Deverá ser considerado o arranque do sistema, com ensaios, afinações e verificações do funcionamento da instalação. Deverá ser considerada a desmontagem e retirada dos chiller existentes, de acordo com as normas e a legislação em vigor. 4.2.2.3 Determinação do tempo de retorno do Investimento O gráfico da Fig. 4. 11 mostra a estimativa das horas de funcionamento anuais dos chiller. Considerou-se que 8% (720 horas – 1 mês) é o tempo de funcionamento simultâneo de 3 chiller, 34% (2880 horas – 4 meses) será o tempo de funcionamento de 1 chiller e 58% (5040 – 7 meses) o tempo de funcionamento simultâneo de 2 chiller. Funciomamento de 1 chiller 34% Funciomamento de 2 chiller 58% Funciomamento de 3 chiller 8% Fig. 4. 11 - Horas de funcionamento anuais dos chiller 49 A tabela Tabela 4. 6 mostra o tempo de funcionamento estimado: Tabela 4. 6 – Tempos de funcionamento dos chiller Nº Chiller Nº Horas Meses 1 2880 4 2 5040 7 3 720 1 Com base no consumo de funcionamento de cada chiller, teremos 5.760.000 kWh/ano de consumo, ou seja um custo de 623.000 €/ano. Para os mesmos valores de necessidade de produção de frio, como no caso dos equipamentos novos (mais eficientes) teremos uma potência de 317 kW por chiller e, com o mesmo perfil de funcionamento, obtemos um consumo total de 4.793.040 kWh/ano o que se traduz em 527.234 €/ano. A Tabela 4. 7 e a Fig. 4. 12 mostram a diferença entre os consumos de energia dos chiller antigos e dos novos, para as mesmas condições de funcionamento. Tabela 4. 7 – Chiller - Consumos e custos anuais Antigos Novos 5.670.000 4.793.040 Custo € 623.000 527.234 Ganho € --- 95.766 Energia kWh 6.000.000 Consumos kWh 5.000.000 4.000.000 3.000.000 Novos Antigos 2.000.000 1.000.000 0 527.234 623.000 Custo dos consumos € Fig. 4. 12 - Consumo/custos dos consumos dos chiller 50 Temos assim um ganho superior a 95.766/ano €, o que daria um período de retorno do investimento de cerca de três anos e meio. Optimizando ainda estes cálculos, se considerarmos uma perda de eficiência dos equipamentos antigos da ordem dos 20%, com os novos chiller resultaria um ganho total que se aproximaria dos 200.000 € por ano. Considerando ainda, nesse pressuposto, um total de investimento de 360.000 € (120.000 € por chiller), consideramos que o investimento poderá ter um retorno inferior ao atrás calculado e que seria de menos de dois anos. Foi com estes pressupostos que foi pensada esta substituição (por equipamento capaz de produzir o mesmo efeito mas com um menor consumo de energia). As imagens das Fig. 4. 13, Fig. 4. 14 e Fig. 4. 15, mostram os chiller antigos, os novos e alguns equipamentos dos novos. Fig. 4. 13 – Chiller antigos e novos Fig. 4. 14 – Pormenores dos compressores dos chiller novos 51 Fig. 4. 15 – Vista lateral dos chiller novos 4.2.3 Iluminação 4.2.3.1 Generalidades Sabemos que, segundo a I. E. A. (International Energy Agency), a iluminação nos edifícios representa cerca de 8 a 10 % dos consumos totais de energia eléctrica. Em particular nos edifícios comerciais poderá até representar cerca de 40% [Legrand, 2010]. Através de um adequado sistema de gestão de iluminação, poder-se-ão conseguir economias de energia da ordem dos 30%, dando origem a uma redução dos custos, no consumo total de energia, em cerca de 10% [Legrand, 2010]. Em face da análise feita às instalações de iluminação dos H. U. C., foi decidido substituir as lâmpadas de baixa eficiência por outras de alta eficiência16. Esta obra acabou por ser adjudicada à firma POPICEL. O suporte de fabrico do equipamento e o suporte técnico esteve a cargo da ARQUILED [ARQUILED - 2010]. A adjudicação dos trabalhos, pela quantia de 386.492,00 €, sem IVA; efectuada através da assinatura de um procedimento de aquisição directa de empreitada entre os H. U. C. e a empresa Popicel17, com a listagem de equipamentos descrita no Anexo III, foi precedida de um caderno de encargos que referia as características básicas, descritas no parágrafo 4.2.3.2. A maioria das luminárias era do tipo fluorescente clássica com lâmpada T8 de 36 W ou 18W, com arrancador e balastro ferromagnético. 16 17 Portaria 54 - 2008 Anexo I Luminárias 52 Em ensaios feitos em oficina da especialidade, foram obtidos os seguintes resultados: - Os valores de iluminação de uma luminária com lâmpada T8de 36 W convencional, com difusor opalino, medidos a 1 m de distância eram de 180 Lux e o consumo de 0,450 A. A Fig. 4. 16, mostra o aspecto da luminária antiga com e sem difusor acrílico. - A mesma armadura com um balastro electrónico baixou o consumo para 0,146 A e manteve os mesmos valores de iluminação. - Alterada esta mesma armadura para lâmpada de led 18 W e com driver, ficou o valor de iluminação em 200 Lux e o consumo de 0,1 A18. Fig. 4. 16 – Luminária antiga com e sem difusor acrílico Apesar de ter havido a introdução do indesejável efeito de ofuscamento directo provocado pelo brilho dos led, conforme se pode observar pela Fig. 4. 17 (o difusor opalino quebra um pouco esse efeito). Os valores da iluminação total da luminária mantiveram-se ou subiram um pouco, estando dentro dos limites aconselhados pelas tabelas para as diferentes zonas em que se inserem19. 18 19 Foram usados um Luximetro Digital Lux Tester – YFE YF-1065 e um multímetro BETA 1760/RMS [EN 12464 – 2001] – (Table 5.7 — Health care premises) 53 Fig. 4. 17 – Luminária com led com e sem difusor Nas figuras seguintes apresentam imagens relativas ao trabalho desenvolvido na iluminação interior. Fig. 4. 18 – Lâmpada Fluorescente clássica e lâmpada com led Fig. 4. 19 - Lâmpada de led 54 Fig. 4. 20 – Imagens da iluminação dos corredores do Edifício Fig. 4. 21 - Luminária 3x18 W que passou a 3x9 W - Hall central 55 Fig. 4. 22 - Driver primeira geração e Driver segunda geração 4.2.3.2 Características Básicas do Caderno de Encargos Após a decisão de contratar a transformação das luminárias existentes de modo a tornálas mais eficientes, foram definidas as características dos trabalhos a levar a efeito, conforme o texto que a seguir se transcreve: 1) Pretendem os Hospitais da Universidade de Coimbra, EPE, no seu edifício do Bloco Central, instalar 597 sensores de iluminação nas instalações sanitárias públicas e corredores e também substituir parte das lâmpadas fluorescentes T8 de 36W ou 18W, por lâmpadas com leds do mesmo comprimento20 e lâmpadas incandescentes por economizadoras ou de led21, a fim de reduzir o consumo de energia eléctrica na iluminação do edifício. 2) Fornecimento e montagem de sensores22 de controlo de iluminação, para comandar lâmpadas led de 36 W e 18 W, sendo necessária a divisão de circuitos, nos corredores com comprimento aproximado de 50 metros: - 379 sensores de corredor IS 345 da Steinel ou equivalente; 218 sensores de tecto, de 360º, IS3360 da Steinel ou equivalente; 597 caixas de derivação, com placa de bornes;12.800 metros de cabo V V 3x1,5 mm.2. 3) Lâmpadas com led - Para aplicação em infra-estrutura da fluorescente T8, composta por módulo de led, aplicado em placa de circuito impresso Metalcore, com uma resistência dieléctrica de 4 KV e um dissipador para arrefecimento em alumínio; temperatura de cor 4 000º K; feixe de abertura 170º, uma vida útil estimada 50 000 horas, uma eficácia luminosa de 50% e uma potência lumínica de 130 lm/W. 20 Anexos IV e V Luminárias Anexo III Luminárias 22 Anexos VI e VII Luminárias 21 56 4) Fornecimento e montagem de lâmpadas com led, em armaduras de iluminação existentes, com substituição dos suportes de lâmpadas, localizadas nos corredores do bloco central, no serviço de urgência, no de esterilização, no bar e em outras zonas interiores. - 3 500 lâmpadas de 18 led de 1 W cada, de 230 V e G13 e comprimento de 1200 mm; - 500 lâmpadas de 9 led de 1,2 W cada, de 230 V e G13, com comprimento de 600 mm; - 5 000 suportes de lâmpadas T8. 5) Fornecimento e montagem de 200 lâmpadas com 12 led, par 38, E27, nas salas de operações. 6) Fornecimento e colocação de lâmpadas economizadoras, a colocar nas instalações sanitárias e nos tectos das enfermarias: - 300 lâmpadas economizadoras 8W E27 230 V; - 250 lâmpadas economizadoras 11W E27, 230 V. 4.2.3.3 Cálculo do tempo de retorno do investimento Na Tabela 4. 8, são indicados os vários parâmetros, necessários para o cálculo do tempo de retorno do investimento desta medida: Tecnologia existente, tecnologia nova, nº de substituições e localização no edifício. Tabela 4. 8 – Parâmetros referentes à iluminação Local Qtd Pot.Existente Pot.Nova Corredores 3500 36 W 18 W Corred. Hall 500 18 W 9W Sanit./Tecto 300 40 W 8W Sanit./Tecto 250 60 W 11 W Bloco Operat. 200 60 W 12 W Tendo em consideração que cada lâmpada estaria acesa 12 horas por dia e que o custo do kW é de 0,11 €, que o investimento foi de 386 492 €, o tempo de retorno do investimento desta medida será de cerca de 8 anos. Para o cálculo deste valor não foram considerados os custos em consumíveis e em manutenção. Também não foi considerada a redução de consumos (esperada com a colocação dos sensores de movimento). É previsível que o tempo de retorno diminua se estes factores forem considerados. 57 4.2.4 Caixilharias 4.2.4.1 Generalidades Este subcapítulo do relatório respeita à medida de melhoria térmica das fachadas. Está também relacionado com uma solicitação por parte dos H.U.C. (ao Instituto de Investigação e Desenvolvimento Tecnológico em Ciências da Construção - ITeCons ) de uma auditoria energética e da elaboração de um caderno de encargos, com vista à implementação de melhorias da eficiência energética, nomeadamente através do reforço dos envidraçados. Para o efeito, técnicos do ITeCons, com a colaboração de técnicos do Serviço de Instalações e Equipamentos dos H.U.C., efectuaram um estudo que consistiu no/a: - levantamento da caixilharia e de tipo de vidro existentes; - dimensionamento dos vãos envidraçados, tendo-se identificado os que possuem sistema de sombreamento móvel; - análise dos consumos energéticos; - verificação do estado de conservação das soluções existentes; - avaliação das condicionantes da acção de intervenção; - avaliação do desempenho das diferentes tipologias de vãos envidraçados, em termos de transmissão térmica; - simulação térmica e balanço energético da envolvente vertical opaca e envidraçada dos corpos A, B, C e D. À partida, já se supunha que o corpo mais crítico seria o corpo A pois, estando situado a Norte, tem fachadas orientadas a Norte, Nascente e a Poente (gabinetes de consultas externas). As paredes são compostas por parede dupla, de alvenaria de tijolo cerâmico furado. Os envidraçados orientados a Norte são em caixilharia de alumínio simples, com vidro simples e incolor, com uma persiana exterior. Os envidraçados orientados a Este são em caixilharia de alumínio com vidro simples e incolor, sem dispositivo de oclusão/protecção solar na sala de espera e com persiana exterior nas restantes salas. A Poente, os envidraçados são em caixilharia de alumínio com vidro colorido, sem dispositivo de oclusão/protecção solar na sala de espera e com persiana exterior nas restantes salas. A imagem da Fig. 4. 23 mostra um levantamento termográfico da envolvente exterior dos edifícios [CTCV- 2009]. 58 Fig. 4. 23 – Levantamento termográfico do corpo A Verificou-se que uma grande parte da energia térmica se dissipava na zona dos envidraçados. Para minimizar estas perdas de calor, através dos envidraçados, foi proposta a instalação de envidraçados duplos. Relativamente ao estado de conservação dos vãos envidraçados, salientaram-se as seguintes deficiências: - Deformação de alguns perfis das caixilharias; - Fissuração de ligações entre algumas caixilharias e respectivas vergas e ombreiras; - Dispositivos de fechos danificados, com alguma dificuldade na operacionalidade; - Acumulação de impurezas no perfil das calhas das caixilharias, prejudicando o seu normal funcionamento. Verificou-se que as fachadas orientadas a Norte dos corpos B e C, bem como todas as fachadas do corpo A, são as que têm associadas as maiores necessidades de aquecimento. Todas as zonas de internamento (corpos B e C a Sul e todo o corpo D) apresentam necessidades energéticas inferiores, garantindo maior conforto aos utentes. Isto resulta da concepção do próprio edifício em termos de arquitectura, da distribuição dos espaços, das soluções aplicadas (parede dupla com Ytong e caixilharia com vidros duplos), e das orientações das fachadas (Sul, Sudeste e Sudoeste) que privilegiaram as zonas de internamento, em fase de obra, na construção inicial. 59 Para avaliar os níveis de qualidade do ambiente interior, procedeu-se às medições e ao registo da temperatura e da humidade de um conjunto de espaços. Durante o período em que se efectuou a recolha de dados não se registaram grandes variações de temperatura entre os diferentes espaços e a amplitude térmica ao longo do dia, no interior, foi reduzida. Os valores médios da temperatura, obtidos nos diferentes espaços, foram sempre superiores a 20ºC e inferiores a 25ºC, estando dentro do intervalo das temperaturas de conforto e humidade estabelecido no Regulamento das Características de Comportamento Térmico dos Edifícios [DL 80, 2006]. A análise do comportamento térmico das várias zonas, com base nas trocas de calor que ocorrem pela envolvente exterior, consistiu na quantificação das necessidades energéticas associadas à envolvente, na estação de aquecimento e de arrefecimento. As necessidades de aquecimento foram determinadas considerando que, ao longo de seis meses, na região da cidade de Coimbra, a diferença média entre a temperatura exterior e a temperatura interior (referência de conforto 25ºC) é de aproximadamente nove graus centígrados. Os ganhos térmicos verificam-se por radiação solar incidente nos vãos envidraçados e as perdas de calor por condução ocorrem nas paredes e nos vãos envidraçados exteriores. As necessidades de arrefecimento calcularam-se considerando que, de Junho a Setembro, ocorrem ganhos térmicos por radiação solar por meio da envolvente exterior (opaca e envidraçada) e que, devido à diferença entre a temperatura interior e a temperatura média exterior (19ºC), se verificam perdas térmicas por condução, através da envolvente exterior (opaca e envidraçada). 4.2.4.2 Valores verificados Para obter uma análise comparativa das várias fachadas do edifício, consoante a orientação e o corpo a que pertencem, foram estimados, para a estação de aquecimento e arrefecimento, os ganhos globais e as perdas globais associadas à envolvente exterior e fez-se um balanço energético para um metro quadrado de fachada. A Fig. 4. 24, apresenta um diagrama da envolvente exterior do Bloco Central dos H.U.C., com a identificação das necessidades de aquecimento e arrefecimento de cada fachada. Estes valores foram retirados do estudo levado a efeito pelo ITeCons [ITeCons, 2010]. 60 63,30 0,07 60,14 7,68 65,37 2,18 Necessidades de Aquecimento (kWh/ano)/m2 Necessidades de Arrefecimento (kWh/ano)/m2 32,45 0,26 57,80 4,15 26,30 0,96 66,58 2,36 14,93 0,50 32,45 0,26 26,30 0,96 Fig. 4. 24 - Balanço energético da envolvente exterior Estes valores traduzem a energia necessária para manter uma temperatura de conforto de 20ºC na estação de aquecimento e de 25ºC na estação de arrefecimento, de modo a compensar as perdas que ocorrem através da envolvente e tendo por base as condições climáticas da zona. Podemos observar nas Fig. 4. 25 e Fig. 4. 26, uma representação gráfica dos valores registados na Fig. 4. 24 para as necessidades de aquecimento e de arrefecimento: 70 60 kWh/ano/m2 50 40 30 20 10 0 AN AE AW BN BS CN CS DE DW DS Fig. 4. 25 – Necessidades de aquecimento 61 9 8 kWh/ano/m2 7 6 5 4 3 2 1 0 AN AE AW BN BS CN CS DE DW DS Fig. 4. 26 – Necessidades de arrefecimento Pela análise dos gráficos das Fig. 4. 25 e Fig. 4. 26, podemos concluir que as fachadas orientadas a Norte dos corpos B e C, assim como todas as fachadas do corpo A, são as que têm as maiores necessidades de aquecimento. Por sua vez, as zonas de internamento (corpos B e C a Sul e todo o corpo D) têm necessidades energéticas muito inferiores, garantindo maior conforto aos utentes. As fachadas do corpo A (E e W) são aquelas que apresentam maiores necessidades de arrefecimento. O Edifício dos HUC tem ocupação permanente e climatização contínua. Tendo ainda em conta a comunicação existente entre os diferentes espaços, conclui-se que se deve privilegiar a melhoria da envolvente exterior com um balanço energético mais desfavorável, de forma a reduzir as necessidades energéticas. A intervenção, numa melhoria da envolvente exterior do Edifício Central dos H.U.C., deverá permitir o cumprimento dos seguintes objectivos: - Diminuição das necessidades de aquecimento em todo o corpo A e nos corpos B e C (do lado Norte); - Diminuição das necessidades de arrefecimento das zonas a Nascente e a Poente do corpo A. Para o efeito foi proposto o seguinte: Vãos envidraçados - Substituição de todas as janelas das fachadas orientadas a Norte, (corpo A, B e C) e das janelas orientadas a Nascente e Poente, do corpo A. 62 Fig. 4. 27 – Fachadas AW e BN do Bloco Central Nas janelas a Nascente e Poente do corpo A, ilustradas nas Fig. 4. 27 e Fig. 4. 28, justificase uma solução com um coeficiente de transmissão térmica reduzido e uma diminuição dos ganhos solares, reduzindo a necessidade de arrefecimento no Verão. Será montada uma janela em caixilharia de alumínio, com corte térmico, com vidro duplo (6mm + lâmina de 90% de Árgon de 12mm + 8mm). Fig. 4. 28 – Janelas da fachada AW 63 Caixas de Estores - Substituição das tampas das caixas de estore. Sabemos que as caixas de estores são uma zona da envolvente exterior do edifício termicamente frágil. Devido ao número elevado de tampas e à sua influência no desempenho térmico da fachada, recomenda-se a substituição das tampas das caixas de estores existentes, executadas em termolaminado de madeira, por outras em chapa de alumínio lacado forradas com 3cm de isolamento térmico, conforme se pode observar pela Fig. 4. 29. Fig. 4. 29 – Imagem de uma janela de quarto de internamento A adjudicação dos trabalhos foi objecto de assinatura de um procedimento de aquisição directa de empreitada entre os H. U. C. e a empresa Ramos Catarino por cerca de 750.000 €23. 4.2.4.3 Cálculo do retorno do investimento. Os gráficos que a seguir se mostram demonstram as reduções das necessidades de aquecimento e de arrefecimento do Edifício, determinadas de corpo em corpo e de fachada em fachada, consoante o tipo de envolvente ou o caso em análise (caixilharia ou tampas de estore). 23 Anexo I Caixilharia 64 9 60 8 7 50 40 Antes 30 Depois kWh/m2/ano kWh/m2/ano 70 20 6 5 Antes 4 Depois 3 2 10 1 0 0 AE AW AE Fig. 4. 30 - Necessidades energéticas de aquecimento AW Fig. 4. 31 - Necessidades energéticas de arrefecimento Dos gráficos das Fig. 4. 30 e Fig. 4. 31 verifica-se uma potencial redução das necessidades de aquecimento associadas à envolvente exterior, em cerca de 16%; e uma redução das necessidades de arrefecimento próxima dos 50%. 70 2,5 60 2 40 Antes 30 Depois kWh/m2/nao kWh/m2/ano 50 1,5 Antes 1 Depois 20 0,5 10 0 0 AN BN CN Fig. 4. 32 - Necessidades energéticas de aquecimento AN BN CN Fig. 4. 33- Necessidades energéticas de arrefecimento O gráfico da Fig. 4. 32 mostra a potencial redução das necessidades de aquecimento associadas ao desempenho térmico da envolvente exterior, e que se estima ser de 25%. No gráfico da Fig. 4. 33 apresenta-se uma estimativa superior a 50% na redução da necessidade de arrefecimento. 65 70 60 kWh/m2/ano 50 40 Antes 30 Depois 20 10 0 AN AE AW BN BS CN CS DE DW DS Fig. 4. 34 - Necessidades energéticas de aquecimento, devida à correcção térmica das caixas de estore A correcção térmica, através das tampas das caixas de estore, vai certamente introduzir uma melhoria generalizada do comportamento térmico em algumas das fachadas da envolvente exterior, como mostrado no gráfico da Fig. 4. 34. Porém, não se verificam melhorias nas fachadas que não possuem caixas de estore (corpo B, lado Norte e corpo C, lado Norte), pois representará uma diminuição acrescida das necessidades de aquecimento, sem que no Verão isso se traduza num aumento significativo das necessidades de arrefecimento como se pode verificar pelo gráfico da Fig. 4. 35. 9 8 kWh/m2/ano 7 6 5 4 3 2 1 0 AN AE AW BN BS CN CS DE DW DS Fig. 4. 35 - Necessidades energéticas de arrefecimento, devida à correcção térmica das caixas de estore 66 Para os cálculos do retorno do investimento devemos considerar as medições de redução de perdas de energia, conforme os gráficos anteriormente mostrados e a redução de perdas associadas à ventilação, efectuada com a obra. Da análise dos materiais constantes da lista da obra, os que se afiguram poder contribuir para o melhoramento do comportamento térmico do edifício, são os seguintes: - Substituição integral das janelas - 494 117,76 € - Tratamento de caixas de estore - 122 541,80 € Total 616 659,56 € O pressuposto da determinação do período de retorno, colocando o pior cenário (em termos do sistema de eficiência energética), seria o sistema baseado unicamente na energia eléctrica - o que daria um retorno do investimento de 21 anos. Porém, utilizando os sistemas actuais de alto rendimento (ex: caldeiras e chiller), um investimento como este terá sempre um período de payback mais elevado. É evidente que este valor poderá parecer um pouco alto, mas há que levar em conta outros ganhos não mensurados, como a melhoria do conforto acústico e a redução na emissão de gases de efeito de estufa. 4.3 Resultados da implementação das Medidas Para uma análise dos resultados obtidos/esperados com as medidas que envolvem energia eléctrica, torna-se conveniente uma análise comparativa, de 2008 a 2010, dos valores dos consumos para os meses mais frios, Tabela 4. 9 e gráfico da Fig. 4. 36, e para os meses mais quentes, Tabela 4. 10 e Fig. 4. 37. Tabela 4. 9 – Valores de consumo de energia eléctrica (Jan-Maio) Janeiro Fevereiro Março Abril Maio kWh kWh kWh kWh kWh 2008 1 702 551 1 620 488 1 714 898 1 743 411 1 794 297 2009 1 758 738 1 586 283 1 759 398 1 677 077 1 756 073 2010 1 602 098 1 439 953 1 592 423 1 555 009 1 578 958 Verifica-se que houve sempre um decréscimo dos consumos de energia eléctrica, mês após mês, relativamente ao mesmo mês do ano anterior, sendo essa diminuição mais acentuada de 2009 para 2010. 67 Consumo de electricidade nos meses Frios kWh 2000000 1500000 1000000 2008 2009 500000 2010 0 Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Fig. 4. 36 – Gráfico dos valores de consumo de energia eléctrica (Jan-Maio) Como podemos observar na Tabela 4. 10 e na Fig. 4. 37, os Verões destes últimos dois anos já apresentaram valores de consumo de energia bastante inferiores. Tabela 4. 10 - Valores de consumo de energia eléctrica (Jun-Set) Junho Julho Agosto Setembro kWh kWh kWh kWh 2008 1 810 755 1 981 010 1 937 892 1 894 983 2009 1 800 169 1 821 467 1 744 513 1 615 821 2010 1 586 062 1 750 113 1 711 326 1 576 694 Se analisarmos os consumos de energia eléctrica que ocorreram antes e após a montagem dos chiller, observamos que os consumos do Verão de 2008 (com os chiller antigos em funcionamento, ou seja sem nenhuma das medidas implementadas) foram bastante mais elevados que a partir de Setembro de 2009 (com os novos chiller). Por outro lado, em início de 2010, também já com os elevadores e as luminárias em fase de instalação, podemos observar uma ainda maior redução nos consumos e o quanto estas medidas significaram em termos de economia de energia. 68 Consumo de electricidade nos meses quentes kWh 2000000 1800000 1600000 1400000 1200000 1000000 800000 600000 400000 200000 0 2008 2009 2010 Junho Julho Agosto Setembro Fig. 4. 37 – Gráfico dos valores de consumo de energia eléctrica (Jun-Set) Na Tabela 4. 11 encontra-se o quadro comparativo do consumo de energia eléctrica entre o 1º semestre de 2009 e o 1º semestre de 2010. Tabela 4. 11 – Valores de consumo e custos de energia eléctrica (2009-2010) Quadro Comparativo de consumos de Energia Eléctrica - Bloco Central Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Totais % 1 758 738 1 586 283 1 759 398 1 756 073 1 756 073 1 800 169 10 337 738 160 200,26 145 648,92 160 884,18 155 940,83 161 325,82 164 779,23 948 779,14 1 602 098 1 439 953 1 592 423 1 555 009 1 578 958 1 586 062 9 354 503 -9,51 149 110,60 136 249,68 151 303,70 150 478,84 152 004,29 151 452,50 890 599,61 -6,13 156 640 146 330 166 975 122 068 177 115 214 107 983 235 11 089,56 9 399,24 9 580,48 5 461,99 9 321,53 13 326,73 58 179,53 EElec kWh 2009 Custo € EElec kWh 2010 Custo € Poup kWh ança € O gráfico da Fig. 4. 38, apresenta os valores da energia eléctrica consumidos nos primeiros semestres de 2009 e 2010. 69 Comparando também os consumos totais de energia no primeiro semestre do ano de 2009 (altura em que ainda não estavam executadas nenhumas das medidas de poupança de energia), com o primeiro semestre do ano de 2010 (quando já se encontravam em funcionamento os novos chiller e/ou em fase de conclusão os novos elevadores e o sistema de iluminação), verificamos que existe uma diminuição substancial dos consumos. Cons. Energia Eléct. 1º Semestre kWh 2000000 1800000 1600000 1400000 1200000 1000000 800000 600000 400000 200000 0 2009 2010 Jan Fev Mar Abr Mai Jun Fig. 4. 38– Consumo de energia eléctrica (2009-2010) Os valores totais dos custos das alterações feitas às instalações que actualmente estão a contribuir para uma diminuição dos consumos de energia encontram-se indicados na Tabela 4. 12: Tabela 4. 12 – Valores das medidas implementadas Medidas Investimento (euros) Ascensores 373 974 Chiller 346 420 Iluminação 386 492 TOTAL 1 106 886 Considerando que existe uma economia de cerca de 10.000 € por mês, em termos globais podemos dizer que o retorno do investimento total será de 9,2 anos. É de esperar, que com a obra dos envidraçados, os consumos de energia eléctrica e de nafta venham para valores muito inferiores. A verificação da redução destes consumos só deverá ser feita decorrido algum tempo após a implementação da medida. 70 4.4 Quadro Resumo das Medidas O resumo de todas as medidas de eficiência energética analisadas e implementadas ou a implementar no Bloco Central dos H.U.C. é apresentado na Tabela 4. 13. Para além da identificação das medidas, a tabela indica também os valores de alguns indicadores considerados: reduções anuais de consumo, de emissões de GEE, de custos e de tempo de retorno do investimento. Tabela 4. 13 – Quadro resumo das medidas de eficiência energética Medida T ipo de Energia Economia Unidades Economia (kgep/ano) Economia (tCO2 /ano) Economia (€)/ano Investimento (€) Payback (anos) Central de Cogeração Primária 28% 1.767.147 3.332 667.790 3.000.000 4,49 Sbst elevadores Energia Electrica 688 025 kWh/ano 199.527 94 75.683 373.974 5 Conversão caldeiras Nafta T hick 1% 174 060 kg/ano 167.968 544 77.599 235.000 3,35 Subst Lampadas e Sensores Energia Eléctrica 420 000 kWh/ano 121.800 58 46.200 346.420 7,5 Chiller Energia Eléctrica 966 960 kWh/ano 280.418 132 106.366 360.000 3,4 Caixilharia Energia Eléctrica+ T hick 265 861 kWh/ano 22.864 74 29.225 616.659 21,1 Totais ---- ---- 2.559.724 4.234 1.002.863 4.932.053 ---- 4.5 Cronograma da Implementação das Medidas Foi possível elaborar um cronograma da implementação de todas as medidas de eficiência energética analisadas, que se apresenta na Tabela 4. 14. Como se pode verificar, algumas das medidas estão totalmente executadas, (Chiller; Elevadores; Iluminação), outras estão em fase de execução (Caixilharia) e a implementação das restantes está prevista para os próximos dois anos. 71 Tabela 4. 14– Cronograma da implementação das medidas Medida Chiller 2009 «==» 2010 Elevadores «==» Subst Lamp . Sensores «==» Caixilharias «= 2011 2012 =» Conversão Caldeiras «==» Cogeração «= =» 4.6 Projecção de possíveis resultados a obter Considerando uma projecção dos consumos ao longo dos anos, após a aplicação das medidas, perspectiva-se que os valores dos consumos, dos índices de eficiência energética e da quantidade de gases de efeito de estufa emitidos serão os indicados na Tabela 4. 15 Tabela 4. 15 - Evolução e projecção do consumo global de energia Anos Apav(m 2) C(kgep/ano) IEE(kgep/m 2) CO2 (t) 2006 122.558 9 309 685,80 74,68 20 317,68 2007 122.558 9 247 940,96 74,20 20 220,45 2008 122.558 9 364 629,94 75,12 20 284.21 2009 122.558 9 067 943,23 72,75 19 819,94 2010 122.558 8.797.892,24 70,59 19.539,32 2011 122.558 8.607.060,24 19.115,49 2012 122.558 6.839.913,24 ≈65 ≈56 15.190,82 Nas Fig. 4. 39 e Fig. 4. 40, a parte a tracejado da linha destes gráficos, corresponderá aos valores de IEE e de emissões de GEE perspectivados para os anos de 2011 e 2012. 72 IEE 80 75 kgep/m2.ano 70 65 60 55 50 45 40 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 Fig. 4. 39 – Gráfico da evolução do IEE de 2006 a 2012 Emissões de CO2 22500 20000 t CO2 17500 15000 12500 10000 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 Fig. 4. 40 - Gráfico da evolução das emissões de CO2 de 2006 a 2012 73 5 Conclusões O objectivo principal do presente trabalho de estágio, enquadrado no campo da Manutenção e Gestão de Instalações, consistiu na análise e na avaliação das medidas propostas para a Melhoria da Eficiência Energética e a Modernização dos Sistemas de Energia do Bloco Central dos Hospitais da Universidade de Coimbra. A caracterização dos actuais sistemas de energia existentes no Edifício realizada durante o estágio, os resultados da Auditoria Energética (realizada em 2008) e do Estudo do Comportamento Térmico da Envolvente (realizado em 2009), permitiram o estudo detalhado das várias medidas propostas para o incremento da eficiência energética do Bloco Central dos H.U.C.. As medidas de eficiência energética propostas, já executadas, envolveram a substituição dos motores e sistemas de comando dos 13 ascensores existentes no edifício; a substituição dos 3 Chiller por novos equipamentos com melhor rendimento; a instalação de tecnologias eficientes em iluminação interior. Estão previstas, ou em fase de execução, outras medidas que envolvem a substituição de caixilharias nas fachadas com maiores necessidades energéticas; a reconversão do sistema de queima das caldeiras e a instalação de uma central de cogeração com motor a gás natural. As várias medidas analisadas apresentam diferentes custos de investimento, diferentes tempos de retorno do investimento e diferentes impactos nos consumos de energia e de emissões de GEE. Os principais resultados obtidos na avaliação de cada uma das medidas consideradas estão apresentados na Tabela 4. 13. Foi decidido proceder à substituição dos Chiller durante o ano de 2009 e actuar nas cargas de iluminação, nos elevadores e caixilharias em 2010. Em nosso entender, as prioridades destas decisões tiveram por base os montantes dos investimentos necessários e as previsões dos payback. O impacto da implementação das primeiras três medidas foi notório, conforme nos mostram os valores das facturas de energia eléctrica do primeiro semestre de 2010. 75 A esse propósito, e em colaboração com os serviços técnicos S.I.E., através do Boletim da Direcção H.U.C. do dia 13 de Julho de 201024, foi recentemente divulgado pelo Conselho de Administração ao universo dos funcionários o seguinte: “Eficiência Energética O Conselho de Administração informa que no âmbito do projecto “Hospital Amigo do Ambiente” e fruto dos investimentos feitos no quadro da melhoria da eficiência energética do edifício do Bloco Central, com a automatização da iluminação e substituição de lâmpadas fluorescentes por leds, a substituição de 3 unidades de produção de frio (Chiller) e a substituição de 13 motores de elevadores e quadros de gestão de chamada, verificou-se uma baixa significativa de consumo de energia eléctrica, (-9.51%), que se traduziu numa poupança mensal de cerca de 10.000€ (120.000€/ano). Durante o mês de Agosto de 2010 vai também proceder-se à execução da obra de substituição de caixilharia do Bloco Central, investimento que muito contribuirá para o reforço da política de eficiência energética.”. A reconversão do sistema de queima das caldeiras está prevista para o ano de 2011 e a instalação da central de cogeração prevê-se concluída em 2012. De acordo com a avaliação feita para cada uma das medidas consideradas prevê-se que, quando todas as medidas estiverem implementadas, se obterá uma redução de consumo de 2 559 754 kgep/ano, uma redução de despesas no valor de 1 002 863 €/ano e uma redução de 4 234 tCO2/ano, como se pode verificar pelos dados da já referida Tabela 4. 13. Foram identificadas outras medidas com elevado potencial de redução de consumos de energia e consequente redução dos custos e de GEE. A Modernização dos Sistemas de AVAC e da sua Gestão Técnica Centralizada e o Sistema de Gestão de Energia, dado o seu elevado custo de investimento e por não possuírem acordo de financiamento, estão ainda em fase de estudo. Tal como em qualquer local de consumo, a eficiência energética do Bloco Central dos HUC pode obter-se por duas formas: com o recurso a consumos de energia proveniente de “melhores” fontes ou através da redução dos consumos. A primeira forma consiste na utilização de fontes de energia renováveis ou menos poluentes. 24 Anexo IV Entidades 76 A segunda consegue-se através de acções de redução de consumos, com base na utilização de tecnologias mais eficientes e no recurso a medidas passivas, tal como a eliminação de consumos supérfluos e a construção de edifícios mais eficientes. Sabemos todos que as questões relacionadas com a energia (a sua produção, o transporte e o consumo), a segurança e o impacte ambiental, estão na ponta de lança das preocupações geopoliticas no planeta. Ao pensarmos em economia de energia, não devemos deixar as soluções dos problemas só para as estratégias geopoliticas ou para os avanços tecnológicos. Cada um de nós, no respeito pelas gerações vindouras, pelo ambiente e pela sua diversidade, deve agir no dia a dia, com atitudes que permitam reduzir gastos desnecessários de energia. Se assim for, estarão reunidas as condições para a procura de um futuro melhor. Assumamos as nossas responsabilidades!. 77 78 Referências [ARQUILED, 2010] - Arquiled Projectos de Iluminação, S.A., http://www.arquiled.com [BCSD, 2010] - “Eficiência Energética em Edifícios. 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[SCHINDLER, 2010] - SchindlerAscensores e Escadas Rolantes, S.A., http://www.schindler.pt 79 [STEINEL, 2010] - Steinel, http://www.steinel.net [TRANE, 2010] - Trane Air Conditions, http://www.trane.com 80 Anexos Anexos I Entidades Anexo I Entidades Anexo I Entidades Anexo I Entidades Anexo I Entidades Anexo I Entidades Anexo I Entidades Anexo I Entidades Anexo I Entidades Anexo II Entidades Anexo II Entidades Anexo II Entidades Anexo III Entidades Anexo III Entidades Anexo IV Entidades Anexos I Elevadores Anexos II Elevadores Anexos III Elevadores Anexos I CHILLER Anexos II CHILLER Anexos III CHILLER Anexos IVCHILLER Anexos V CHILLER Anexos I Luminárias Anexos II Luminárias Anexos III Luminárias Anexos IV Luminárias Anexos V Luminárias Anexos VI Luminárias Anexos VII Luminárias Anexos I Caixilharias Anexos II Caixilharias Anexos II Caixilharias Anexo I Caldeiras Anexo I Caldeiras Anexo II Caldeiras Anexo III Caldeiras Anexo III Caldeiras Anexo III Caldeiras