Pró- Reitora de Graduação Curso de Enfermagem Trabalho de Conclusão de Curso AVALIAÇÃO DE RISCOS: PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM EXPOSTOS À RADIAÇÃO Autoras: Elizabete dos Santos Rodrigues Raissa de Sousa Mendonça Damásio Cunha Orientador: Prof.ª MSc. Fernanda Monteiro de C. Fernandes Brasília - DF 2011 1 ELIZABETE DOS SANTOS RODRIGUES RAISSA DE SOUSA MENDONÇA DAMASIO CUNHA AVALIAÇÃO DE RISCOS: PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM EXPOSTOS À RADIAÇÃO Monografia apresentada ao curso de graduação de Enfermagem da Universidade Católica de Brasília, como requisito parcial para a obtenção do Título de Bacharel em Enfermagem. Orientador: Prof.ª MSc. Fernanda Monteiro de C. Fernandes Brasília 2011 2 Monografia de autoria de Elizabete Dos Santos Rodrigues e Raíssa de Sousa Mendonça Damasio Cunha, intitulada “AVALIAÇÃO DE RISCOS: PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM EXPOSTOS À RADIAÇÃO”, apresentada como requisito para obtenção do grau de Bacharel em Enfermagem da Universidade Católica de Brasília, em 22 de novembro de 2011, defendida e aprovada pela banca examinadora abaixo assinada: ____________________________________________________ Profª MSc. Fernanda Monteiro de C. Fernandes Enfermagem- UCB _____________________________________________________ Profª Msc. Silene Ribeiro Miranda Barbosa Enfermagem- UCB _____________________________________________________ Profª Msc. Mauricio Enfermagem- UCB Brasília 2011 3 RESUMO RODRIGUES, Elizabete Dos Santos; CUNHA, Raíssa Sousa Mendonça Damasio. AVALIAÇÃO DE RISCOS: PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM EXPOSTOS À RADIAÇÃO. 2011. 50p. Enfermagem – Universidade Católica de Brasília, Brasília, 2011. Em termos de tecnologia, a radiação representou uma revolução no que se refere à área médica, sendo necessária normatização de segurança e o uso de equipamentos de proteção individual (EPI’s) para evitar danos à saúde do profissional. Trata- se de um estudo descritivo exploratório com aplicação de questionários semiabertos para 23 profissionais que trabalhavam na radiologia do Hospital Universitário de Brasília (HUB). Os entrevistados eram a maioria técnicos em radiologia e do sexo masculino. Foram verificados os riscos radiológicos relativos à exposição ocupacional, as condições de segurança no trabalho destes profissionais, falhas no preparo do paciente e um paralelo entre a atuação dos enfermeiros e técnicos de radiologia. Após a coleta dos dados observou-se que as mulheres apresentaram mais patologias do que os homens, que os técnicos em radiologia recebem adicional de periculosidade e os profissionais de enfermagem não, quem trabalha mais horas na semana desenvolvem mais patologias e que estas estão relacionadas com o uso de EPI’s. Conclui-se que a exposição às radiações iônicas podem trazer danos irreversíveis, tais como a esterilidade e canceres não aparentes, os quais só se manifestarão após anos de exposição. Palavras-chave: Radiação. Equipamentos de Proteção Individual. Profissionais. 4 RESUMEN RODRIGUES, Elizabete Dos Santos, Cunha, Sousa Raissa Mendonça Damasio. EVALUACIÓN DE RIESGOS: LOS PROFESIONALES DE ENFERMERÍA EXPUESTOS A LA RADIACIÓN. 2011. 50p. Enfermería - Universidade Católica de Brasília, Brasília, 2011. En términos de tecnología, la radiación representa una revolución en relación con el campo de la medicina, lo que requiere la estandarización de la seguridad y el uso de equipo de protección personal (PPE) para evitar daños a los profesionales de la salud. Este es un estudio exploratorio descriptivo, con entreabierta cuestionarios a 23 profesionales que trabajan en radiología en el Hospital Universitario de Brasilia (HUB). Los encuestados fueron la mayoría de los técnicos de radiología y masculino. Se verificaron los riesgos radiológicos relacionados con la exposición ocupacional, la situación de seguridad en el trabajo de estos profesionales, la falta de preparación del paciente y un paralelismo entre el papel de las enfermeras y los técnicos de radiología. Después de recoger los datos mostraron que las mujeres tienen más enfermedades que los hombres, los técnicos de radiología recibir más peligrosos y no profesionales de enfermería, que trabajan más horas por semana para desarrollar una enfermedad más y que están relacionados el uso del EPP. Se concluye que la exposición a la radiación iónica puede causar daños irreversibles, como infertilidad y cánceres no aparente, que sólo se manifiestan después de años de exposición. Palabras clave: Radiación. Equipo de protección personal. Profesionales. 5 LISTA DE ILUSTRAÇÕES Gráfico 1: Distribuição da amostra em relação ao cargo exercido. 27 Gráfico 2: Porcentagem da amostra em relação ao sexo. 27 Gráfico 3: Quantitativo de exames realizados anualmente em relação à amostra. Gráfico 4: Quantitativo da amostra que apresenta e não apresenta sintomas. Gráfico 5: Principais problemas de saúde relatados dentre à amostra que afirmou ter algum. 28 29 30 Gráfico 6: Distribuição da carga horária em relação à amostra. 30 Gráfico 7: Quantitativo de folgas semanais em relação à amostra. 31 Gráfico 8: Quantitativo de férias anuais em relação a amostra. 31 Gráfico 9: Adicional de Periculosidade distribuído em relação à amostra. 32 Gráfico 10: Relação das tarefas exercidas em relação à amostra. 33 Gráfico 11: Utilização dos Equipamentos de Proteção Individual em relação à amostra. 34 Gráfico 12: Problemas de saúde relatados em relação ao sexo. Gráfico 13: Problemas de saúde relatados em relação ao cargo. Gráfico 14: Problemas de saúde relatados em relação ao uso do Equipamento de Proteção Individual. Gráfico 15: Problemas de saúde relatados em relação à carga horária. 35 36 37 38 6 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 8 2. JUSTIFICATIVA .................................................................................................... 10 2.1 QUESTÕES NORTEADORAS .............................................................................. 10 2.2 2.3 2.4 HIPÓTESES ............................................................................................................. 10 OBJETIVO GERAL................................................................................................ 11 OBJETIVOS ESPECÍFICOS ................................................................................. 11 3 REVISÃO DE LITERATURA ............................................................................... 12 3.1 AS PRIMEIRAS APLICAÇÕES DOS RAIOS X NA ÁREA MÉDICA: ............... 12 3.2 OS PERIGOS RELACIONADOS AO RADIODIAGNOSTICO: ........................... 13 3.3 BENEFÍCIOS, PORTARIAS E O PROCESSO DE TRABALHO NA ÁREA RADIOLÓGICA ...................................................................................................................... 16 4 4.1 4.2 4.3 4.4 4.5 4.6 4.7 4.8 5 METODOLOGIA .................................................................................................... 19 DESENHO DO ESTUDO ........................................................................................ 19 LOCAL DA PESQUISA ........................................................................................... 20 POPULAÇÃO E AMOSTRA .................................................................................... 21 COLETA DE DADOS............................................................................................... 21 ANÁLISE DOS DADOS ........................................................................................... 23 CRITÉRIOS PARA SUSPENDER OU ENCERRAR A PESQUISA..................... 25 ANÁLISE DO RISCO E BENEFICIO .................................................................... 25 ASPECTOS ÉTICOS ................................................................................................ 25 APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS E DISCUSSÃO...................................26 6 CONCLUSÕES E CONSIDERAÇÕES FINAIS........................................................39 7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS................................................................ 41 APÊNDICE A – INSTRUMENTO PARA COLETA DE DADOS.................................... 43 APÊNDICE B – TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO ......... 435 ANEXO 1 - PARECER CONSUBSTANCIADO DE PROJETO DE PESQUISA .......... 46 7 1. INTRODUÇÃO Segundo Okuno (1988), o advento da radiação e sua evolução em termos de tecnologia representou uma revolução no que se refere à área médica: diagnose e terapia de doenças, esterilização de materiais cirúrgicos e médicos. É imperioso destacar que para a utilização adequada desse advento tecnológico, faz-se necessário o emprego de profissionais (médicos, técnicos, auxiliares) com capacitação na área para que possam operar os equipamentos radiológicos com segurança. Coimbra (2009) cita que os efeitos que surgiram, em decorrência da exposição à radiação ionizante, trouxeram um maior conhecimento, para a comunidade cientifica e a sociedade, sobre o material com o qual estavam lidando, impulsionando, dessa forma, avanços no que diz respeito à produção e uso desse recurso. Observou-se, com isto, a indispensabilidade de se sistematizar princípios de proteção radiológica, visando diminuir o grau de exposição à radiação, pois os efeitos biológicos produzidos pela mesma são de ordem cumulativa(OKUNO, 1988). Nesse contexto Souza e Soares (2008) descrevem que o campo radiológico representa riscos (tanto para os atuantes na área quanto aos pacientes), o que se torna essencial a implantação de uma normatização de segurança a fim de evitar danos à saúde do indivíduo exposto. Essa questão chama a atenção para a importância de se ter empregado nesse setor pessoal qualificado, isto é, conscientes quanto aos possíveis prejuízos à saúde e da relevância do uso de equipamentos específicos de proteção que minimizem estes prejuízos. Souza e Soares (2008) citam: Sabe-se que a falta de vestimentas de proteção individual e a ausência de um controle periódico são alguns dos exemplos que demonstram a desatenção dada às radiações ionizantes no Brasil, o que condiz com a necessidade de programas específicos de qualificação dos profissionais envolvidos nessas atividades, a fim, inclusive, de se garantir uma boa qualidade técnica do exame. (SOUZA; SOARES, 2008; p. 342) 8 “Os profissionais que não estiverem próximos ao feixe primário devem se proteger da radiação espalhada com equipamentos protetores com atenuação não inferior a 0,5 mm equivalentes de chumbo” (SOUZA; SOARES, 2008; p. 346). Esta reflexão culminou numa necessidade de se associar os princípios científicos a prática ocupacional, especialmente, de técnicos e auxiliares de enfermagem e técnicos de radiologia atuante na unidade radiológica do Hospital Universitário de Brasília, delineando um estudo metodológico e crítico sobre o processo de trabalho destes profissionais. 9 2. JUSTIFICATIVA Em revisão bibliográfica encontramos poucos estudos referentes à avaliação de riscos da exposição à radiação aos quais os profissionais de enfermagem estão submetidos em centros de diagnóstico por imagem de hospitais, e, nenhum estudo foi encontrado referente a esta mesma proposta no caso de hospitais de Brasília-DF. Diante da relevância desta problemática, a justificativa para o desenvolvimento dessa pesquisa reside no fato de que os seus resultados contribuirão como subsídios para a implementação de medidas e estratégias para minimizar os danos provenientes de práticas ocupacionais inseguras. Além disso, objetiva, também, estimular o desenvolvimento de possíveis projetos de qualificação especializada e a adição de gratificação adicional e benefícios extras para técnicos e auxiliares de enfermagem, com o intuito de promover a equidade entre trabalhadores da radiologia e intensificar o rendimento dos mesmos. 2.1 QUESTÕES NORTEADORAS 1- Quais os possíveis riscos e conseqüências derivados da exposição ocupacional de técnicos e auxiliares de enfermagem a radiação ionizante, encontrados, em um Centro de Diagnósticos por Imagem (CDI) de Brasília? 2- Os trabalhadores de enfermagem do HUB possuem orientação adequada para a prática segura da enfermagem radiológica? 3- Existem distinções entre os técnicos/auxiliares de enfermagem e técnicos de radiologia que propiciam benefícios aos segundos e não aos primeiros? 2.2 HIPÓTESES Os trabalhadores de enfermagem não recebem insalubridade por periculosidade, apesar de estarem expostos aos mesmos riscos que outros profissionais da área de radiologia, pois não são amparados por lei. 10 2.3 OBJETIVO GERAL Verificar/identificar os riscos radiológicos relativos à exposição ocupacional de profissionais de Enfermagem em Centro de Diagnóstico por Imagem do Hospital Universitário de Brasília. 2.4 OBJETIVOS ESPECÍFICOS 1- Traçar um perfil epidemiológico sobre a formação dos trabalhadores de radiologia; 2- Identificar as condições de segurança no trabalho destes profissionais; 3- Identificar situações errôneas desde o preparo do paciente até as intervenções necessárias realizadas pelos profissionais de Enfermagem; 4- Fazer um paralelo entre a atuação dos profissionais de enfermagem e técnicos de radiologia. 11 3 REVISÃO DE LITERATURA 3.1 AS PRIMEIRAS APLICAÇÕES DOS RAIOS X NA ÁREA MÉDICA: O pioneiro na implementação, num hospital, de serviços de radiologia foi o hospital de Birminghan (Inglaterra) em 1896 o que proporcionou um estudo mais detalhado das estruturas anatômicas internas, facilitando a localização destas, e contribuindo para o desenvolvimento de um manejo cirúrgico específico para cada tipo de agente (endógenos e exógenos), como, cálculos e corpos estranhos levando, também, a um aperfeiçoamento do conhecimento dos médicos e/ou operadores desse incremento (LIMA et al, 2009). “Os médicos também logo perceberam o potencial daquela radiação para a terapia, isto é, o tratamento de tumores malignos, e encontrar a solução de problemas que até então somente seria possível se o paciente fosse operado”(LIMA et al, 2009, p. 09). De certo a crença nos poderes milagrosos dos raios x contra algumas doenças era massificante. Lima et al (2009) cita que até por volta de 1920, tinha-se a idéia de que cerca de 100 doenças respondiam favoravelmente ao tratamento com raios X. “Pessoas foram expostas à radiação para tratamento de acnes e coceiras. Mulheres tiveram seus ovários irradiados para combater a depressão pós-parto. Crianças eram colocadas dentro de fluoroscópios para prevenir o aparecimento de doenças, às vezes mensalmente e no check-up anual. Milhares de crianças tiveram seus cabelos removidos por radiação maciça apenas para tratamento de infecções do couro cabeludo”(LIMA et al, 2009; p. 10). Em seguida, introduziu-se a técnica de contraste, que pela ingestão de substâncias radiopacas, possibilitava a exploração de órgãos como o estômago, os rins, etc. que praticamente não absorviam a radiação. A substância empregada é o sulfato de bário, pois não apresenta toxicidade significativa para o organismo. Anteriormente, chegou-se a utilizar o sulfeto de bário, mas, causou conseqüências incalculáveis devido ser extremamente tóxico para o ser humano, além deste, outro elemento marcante na história foi o dióxido de tório coloidal, o qual produzia imagens mais nítidas e consistentes. Este produto também foi empregado para contraste do sangue, o qual levou ao aparecimento de cânceres em muitos dos 12 milhões de seus usuários, 20-30 anos após tomarem o produto (o tório acumula-se no fígado e na medula óssea) (LIMA et al, 2009). 3.2 OS PERIGOS RELACIONADOS AO RADIODIAGNOSTICO: O risco à saúde humana pode ser definido como a possibilidade de um evento nocivo (morte, dano ou perda) ocorrer como resultado da exposição a agentes físicos ou químicos em condições específicas (UNEP/ IPCS, 1999 apud MICHELS et. al, 2004; p. 02). Os agravos à saúde decorrente da exposição humana desenfreada às tecnologias radioativas pós-descobertas foram inúmeras, isso porque as pessoas ficaram imensamente vislumbradas com o “avanço do século” ignorando as suspeitas quanto ao perigo representado por uma exposição sem proteção à radiação (LIMA et al, 2009). Não havia nenhuma experiência prévia com aquela radiação, a ponto de as queimaduras devidas a ela serem inicialmente descritas como de natureza “elétrica”, face ao equipamento gerador também ser utilizado na medicina eletroterapêutica (LIMA et al, 2009). Tanto os raios X como as radiações provenientes dos elementos radiativos possuem energia suficiente para ionizar os átomos. Por isso chamado de radiação ionizante. Estas são de origem nuclear, como as radiações x, b e y (alfa, beta e gama) ou de procedência atômica, ou seja, as que são produzidas pelas interações com os átomos, como também podem desencadear efeitos nocivos à saúde humana, entretanto, esse risco é menor quando comparado aos elementos radioativos (NAVARRO et al, 2008). Os efeitos indesejados dessa tecnologia iminente apareceram desde os primeiros tempos, quando foi observado que os indivíduos diretamente relacionados com as pesquisas da radiação foram acometidos por doenças como: ulceras, abscessos e queimaduras as quais se tornavam graves devido ao fato de terem uma cicatrização comprometida, debilitada o que levava a conseqüências irreversíveis como cirurgias desfigurantes, amputações e até a morte (LIMA et al, 2009). 13 Em um organismo vivo, as células passam por um contínuo processo de morte e substituição. Contudo, altas doses de radiação em um organismo levarão um grande número à morte celular. As células irradiadas poderão sofrer uma perda parcial de sua função biológica, uma morte clonogênica (tornando-as incapazes de reproduzirse), um atraso momentâneo no seu ciclo de divisões ou, simplesmente, sofrer uma morte celular. Em todo caso, um tecido específico se encontrará desprovido de um grande número de células, o que provocará, em um curto período de tempo, a perda total ou parcial de suas capacidades funcionais. Dessa forma, até mesmo uma eventual morte do organismo poderá acontecer como decorrência do dano acarretado (BIRAL, 2002, p. 121). As radiações ionizantes desencadeiam efeitos biológicos que podem ser divididos como determinísticos e estocásticos. Uma exposição a doses altas de radiação promovem conseqüências que estão em relação direta com a exposição, por exemplo, a morte de células malignas as quais foram submetidas à radioterapia, queimaduras de pele, entre outros, caracterizando os efeitos determinísticos (BIRAL, 2002). Biral (2002) cita: Entre os efeitos determinísticos resultantes da ação localizada das radiações ionizantes em seres humanos, temos a esterilidade (temporária ou permanente), a ocorrência de catarata, queimaduras na pele (eritema) e depilações. Vômitos (algumas horas após exposição severa), náusea, fadiga, anorexia, diarréia, infecções e sangramentos pelas gengivas, também são efeitos determinísticos associados à exposição a radiação (BIRAL, 2002, p. 122). Entretanto, os efeitos estocásticos relacionam-se com a exposição a baixas doses de radiação produzindo conseqüências derivadas do acúmulo dos efeitos da radiação no organismo, isto é, são latentes, se manifestam após meses ou anos da exposição à radiação (efeitos nocivos que abalam a saúde dos profissionais envolvidos). A prevalência do efeito estocástico decorre do grau de exposição ao agente nocivo em questão, o que poderá levar a mutação e a carcinogênese. Diferentemente do efeito determinístico, o estocástico denota maior dificuldade em se estabelecer, concretamente, o agente causador das alterações biológicas, isto porque o agente eficaz envolvido, neste sentido, é inconstante devido ao tempo decorrido entre o estímulo (exposição radiológica) e a resposta correspondente (anormalidades orgânicas) (IPPOLITO, 2005). Vale ressaltar que com os estudos de casos foi possível entender os mecanismos biológicos relativos a interação exposição radiológica e resposta orgânica, e, com isso, evitar 14 por meio de aperfeiçoamento do uso e produção das radiações ionizantes, os possíveis males desencadeados. “A resposta do organismo de um indivíduo a radiação depende de fatores como dose recebida, características orgânicas individuais, área irradiada e taxa de dose, entre outros” (NAVARRO et al, 2008, p. 1042). Os limites de dose para o trabalhador baseiam-se nas doses mínimas para a observação de efeitos determinísticos associados à exposição a radiações ionizantes, tomando como uma dose de 0,55v em um dado órgão ou tecido. Atualmente os limites recomendados pelos órgãos internacionais para exposições ocupacionais são: Uma dose efetiva de 20mSv ao ano, tomada como exposição média em um período de 5 anos consecutivos (100mSv em 5 anos); Uma dose efetiva não maior que 50mSv ao ano, em um único ano do período; Uma dose equivalente para o cristalino dos olhos de 150mSv ao ano; Uma dose equivalente para extremidades, no nível da pele, ou em um dado órgão ou tecido, não maior que 500mSv (0,55v) ao ano(BIRAL, 2002, pág.: 190). Segundo Navarro et al (2008) os efeitos das interações e das radiações ionizantes com as células podem acontecer de forma direta, danificando uma macromolécula (DNA, proteínas e enzimas, entre outras), ou de forma indireta, interagindo com o meio e produzindo radicais livres. Os danos sofridos pela célula neste processo ativa uma cadeia de cascatas, levando a ativação de enzimas reparadoras. A falha no processo de reparação leva a lesões bioquímicas causando danos como morte prematura, alteração no processo de divisão celular e alterações genéticas. Dentro deste contexto Guyton (2006) descreve que a “probabilidade de mutações pode ser aumentada muitas vezes quando o organismo é exposto a fatores químicos, físicos ou biológicos.” O autor ainda diz: É bem sabido que a radiação ionizante, como raios X, raios gama e radiação emitida por substâncias radioativas, e mesmo a luz ultravioleta, podem predispor um indivíduo ao câncer. Os íons formados nas células de tecidos sob a influência de tal radiação são altamente reativos e podem romper filamentos de DNA, causando diversas mutações (GUYTON, 2006, p. 41). Biral (2002) reforça: Os efeitos estocásticos se encontram associados a mutações genéticas nas células. Caso estas mutações se dêem nas células germinativas, estamos tratando de mudanças hereditárias, que podem levar gerações para aparecerem. No entanto, caso estejamos tratando de células somáticas do corpo, um dos efeitos estocásticos mais importantes é a ocorrência de um câncer. De fato (numa abordagem pessimista), considera-se que a interação de apenas um fóton possa provocar um dano grave a uma fita de DNA, resultando no surgimento de um câncer vários anos depois (BIRAL, 2002, p. 124). 15 3.3 BENEFÍCIOS, PORTARIAS E O PROCESSO DE TRABALHO NA ÁREA RADIOLÓGICA É sabido que o principal ambiente de trabalho de técnicos e auxiliares de enfermagem corresponde ao hospital e que este é um ambiente passivo de contaminações das mais variadas espécies no qual uma exposição diária, pode acarretar em consequências graves. Neste sentido, aplicando-se a radiologia, é notável a participação destes trabalhadores, visto que muitos, ao ingressarem no mercado de trabalho, desconhecem os cuidados apropriados para conter problemas de saúde advindos de suas práticas ocupacionais. Isto ocorre em virtude destes profissionais assumirem atribuições não condizentes com o treinamento que receberão enquanto técnicos/auxiliares de enfermagem (fato presente em centros de diagnóstico por imagem) (REZENDE, 2003). Nesse contexto, BIRAL, 2002 diz que: Tanto o supervisor de proteção radiológica como seus auxiliares (devidamente qualificados) devem se encontrar vinculados ao Serviço de Radioproteção (ou Serviço de Proteção Radiológica), cujos requisitos relativos à implantação e ao funcionamento encontram-se especificados na norma CNEN NE-3.02 (BIRAL, 2002, p. 190). Em um CDI há necessidade de uma equipe multidisciplinar. Por ser uma equipe especializada de atuação. Desde um simples posicionamento até uma injeção de contraste para um exame mais especializado. Para a realização de exames especializados com injeção de contraste iodado intravenoso, faz-se necessário uma avaliação sucinta de um acesso venoso de grande calibre, preferencialmente longe das articulações, pois, pode haver necessidade de movimentação do paciente durante o exame (JUCHEM, DALL’AGNOL, 2007). A equipe de enfermagem atuante nos serviços de tomografia computadorizada desenvolve importante papel na prevenção, detecção e tratamento dos eventos adversos causados pelo uso de contraste iodado. No hospital, onde se realizou a presente pesquisa, a enfermagem investiga a presença de fatores de risco para ocorrência dessas reações, providencia o acesso venoso e realiza a injeção do contraste. Além disso, identifica sinais de reações adversas sistêmicas ou locais, implementando o tratamento necessário para cada caso. Dessa forma, acredita-se que a monitoração dos eventos adversos decorrentes do exame tomográfico é uma ferramenta para a avaliação da assistência prestada nesse Serviço, constituindo importante indicador da qualidade assistencial (JUCHEM, DALL’AGNOL; 2007; p. 03). 16 Para a injeção mecânica de contraste iodado, utiliza-se uma bomba injetora que é acionada pelo médico ou técnico em radiologia quando se quer injetar o contraste endovenoso para contrastar uma determinada área a qual se quer estudar. Na ausência da bomba injetora quem realiza todo o processo é o profissional de enfermagem, o qual é importante, por exemplo, para a avaliação prévia da rede venosa evitando-se, com isso, o extravasamento do contraste, o que poderá levar a danos teciduais irreparáveis ao paciente (JUCHEM, DALL’AGNOL, 2007). A exposição à radiação ionizante nos atendentes de enfermagem bem orientados quanto aos procedimentos básicos de proteção radiológica é baixa (CALEGARO, TEIXEIRA; 2007; p. 266). Sabe-se que o Ministério da Saúde (MS), a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) estabeleceram portarias normativas em consenso com os princípios implementados pela International Commission on Radiological Protection (ICRP). Estas portarias compreende: A 518/2003 do MTE publicada no Diário Oficial da União de 7 de abril de 2003, a 453/98 do MS e a CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) A norma regulamentadora 16 (NR 16) faz a caracterização das atividades ou operações perigosas, enumeradas conforme as portarias respectivas aos agentes desencadeantes. Com relação a portaria 518/2003, esta norma traz um anexo onde considera a utilização de aparelhos de raio-x, entre outros focos de radiação ionizante, como arriscada. Já a portaria, considera que qualquer exposição do trabalhador a radiações ionizantes ou substâncias radioativas é potencialmente prejudicial à sua saúde, e, considera, ainda, que mesmo diante dos avanços da tecnologia nuclear (aparelhos de radiologia, EPIs) os riscos em potencial referentes à exposição a essa tecnologia ainda existirão(Diário Oficial da União, seção 1). Segundo o parágrafo 1° do artigo 193 da CLT, indivíduos empregados terão direito ao adicional de periculosidade de 30% sobre o salário, caso, estes, desempenhem atividades ou operações perigosas, isto é, que estejam submetidos a condições de risco acentuado. 17 A portaria 453/98 da Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde referese as “Diretrizes de Proteção Radiológica em Radiodiagnóstico Médico e Odontológico”, estabelecendo os requisitos básicos de proteção radiológica em radiodiagnóstico, ressaltando a disciplina como caráter imprescindível para a prática com os raios-x, além de objetivar a defesa da saúde dos pacientes, dos profissionais envolvidos e do público em geral. Além disso, preconiza os limites determinados para a restrição de dose de acordo com a CNEN NE 3.01 de 12/88: 5 mSv/ano para áreas controladas e 0,5 mSv/ano para as áreas livres. A lei 1234/50 de 14 de novembro de 1950 assegura certos benefícios aos servidores da União, civis e militares, e os empregados de entidades paraestatais de natureza autárquica, devido ao manuseio de equipamento de raios-X e exposição habitual a elementos radioativos, tais como: adicional de periculosidade de 40%, jornada especial de 24 horas, férias de 20 dias consecutivos por semestre, direito a remuneração das horas excedentes e das férias não gozadas, dentre outros. Isto se deve ao fato de que, estes profissionais, “operam diretamente com Raios X e substâncias radioativas, próximo às fontes de irradiação”(art. 1°, Lei 1234/50 | Lei no 1.234, de 14 de novembro de 1950). Em contrapartida, outros profissionais expostos aos mesmos riscos que os técnicos de radiologia não recebem o mesmo percentual que estes, pois os referidos técnicos recebem o adicional de 40 por cento de insalubridade visto que essa profissão dispõe de Lei própria: a 7394/85. Tanto é verdade que a própria CLT (a qual rege os trabalhadores de enfermagem), no artigo 192, preconiza outros índices (10, 20 ou 30 por cento) de acordo com o grau e tempo de exposição à radiação e com o nível de periculosidade associados ao agente, tendo como referência o ambiente de trabalho dos empregados. Contudo, deve-se considerar que apenas profissionais especializados serão capazes de avaliar a aplicabilidade de insalubridade ou periculosidade neste contexto (art. 192, CLT, de 22 de Dezembro de 1977; Lei 7394/85 | Lei no 7.394, de 29 de outubro de 1985). 18 4 METODOLOGIA 4.1 DESENHO DO ESTUDO Este estudo é de caráter exploratório, visto que o tema é pouco conhecido, e também descritivo, pois se almeja conhecer as peculiaridades do problema de pesquisa escolhido. Foram utilizadas abordagens quantitativas e qualitativas, pois se pretende mensurar o problema bem como obter um conhecimento mais amplo e profundo do objeto de estudo (Siqueira, 2005). Segundo Siqueira (2005), a pesquisa exploratória visa sondar o problema, deixando-o mais explícito. Além disso, ainda segundo a mesma autora, um trabalho é de natureza exploratória quando envolve levantamento bibliográfico, entrevistas com profissionais da área e análise de modelos que proporcione a compreensão do assunto. Já as pesquisas descritivas identificam a existência de relações entre variáveis e quando se pretende determinar a natureza dessa relação, a pesquisa deixa de ser somente descritiva, tornando-se exploratório-descritiva (GIL, 1991 apud SIQUEIRA, 2005). Neste sentido, o estudo utiliza técnicas padronizadas de coleta de dados e observação sistemática, para então relatar as características da amostra estudada e seu relacionamento com as variáveis. De acordo com Pope e Mays (2005), é comum definir pesquisa qualitativa como referência à pesquisa quantitativa. A pesquisa qualitativa é geralmente lida com falas ou palavras em vez de números. Porém, isso não significa que seja destituída de mensuração ou que não possa ser usada para explicar fenômenos sociais. Creswell (2007) define que “uma técnica quantitativa é aquela em que o investigador usa primariamente alegações pós-positivistas para desenvolvimento de conhecimento”, além de empregar instrumentos predeterminados que geram dados estatísticos. Por outro lado, segundo o autor supracitado, “uma técnica qualitativa é aquela em que o investigador sempre faz alegações de conhecimento com base principalmente ou em 19 perspectivas construtivistas (...) ou em perspectivas reivindicatórias/participatórias (...) ou em ambas”. Creswell (2007) acrescenta ainda que o pesquisador também possa empregar tanto práticas de pesquisa qualitativas como quantitativas simultaneamente. 4.2 LOCAL DA PESQUISA O Hospital da Universidade de Brasília (HUB) teve seu funcionamento autorizado pelo Decreto n.º 70.178 de 21 de fevereiro de 1972. Nessa fase inicial, era mantido pelo Instituto de Pensão e Aposentadoria dos Servidores do Estado (IPASE). Foi inaugurado, oficialmente, em agosto de 1972, pelo então Presidente da República, General Emílio Garrastazu Médici, recebendo o nome de Hospital dos Servidores da União (HSU). Em sua inauguração, já contava com 240 leitos e várias especialidades médicas como: Pediatria, Clínicas Cirúrgicas, Ginecologia, Clínica Médica, Terapia Intensiva, Unidade de Radiologia, Unidade de Medicina Física e de Reabilitação e Ambulatório com 34 salas. A área total construída, à época de sua inauguração, era de 16.000 m². Inicialmente conhecido como HSU, passou a se chamar, após sua inauguração, Hospital do Distrito Federal Presidente Médici (HDFPM). Ainda na década de 70, com a extinção do IPASE, o hospital passou a fazer parte do INAMPS. No início dos anos 80, passou a ser o Hospital de Ensino da Universidade de Brasília e recebeu o nome de Hospital Docente-Assistencial (HDA). Em 1990, foi cedido à UnB em ato assinado pelo Presidente Fernando Collor e passou a se chamar Hospital Universitário de Brasília (HUB). O HUB conta atualmente com 289 leitos, 121 salas de Ambulatório e 41.170 m² de área construída. Seu Corpo Clínico é formado por diversos profissionais da área de saúde: Professores da UnB, servidores do Ministério da Saúde e profissionais contratados. Atualmente, o quadro de funcionários do Centro de Diagnóstico por Imagem do hospital em estudo é composto por: 01 enfermeira, aproximadamente 15 técnicos em enfermagem e 26 técnicos em radiologia. 20 4.3 POPULAÇÃO E AMOSTRA O universo, ou também denominado população, consiste, de acordo com Marconi e Lakatos (2007), em um conjunto de seres animados ou inanimados que apresentam pelo menos uma característica em comum. Diante disso, o universo da investigação deste estudo foi constituído por toda a equipe de enfermagem – enfermeiros, técnicos e auxiliares – e toda a equipe técnica de radiologia que atuam no Centro de Diagnóstico por Imagem do HUB. A amostra, isto é, o subconjunto do universo, foi determinada de forma intencional não sendo aplicada uma forma aleatória de seleção. O critério de inclusão é: a) Todos os enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem e técnicos de radiologia, empregados pelos locais onde será realizado o estudo, que aceitarem participar deste. b) Assinarem o termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE). Os critérios de exclusão são: a) Técnicos e auxiliares de enfermagem e técnicos de radiologia que não desejarem participar da pesquisa. b) Todos que não assinarem o termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE). 4.4 COLETA DE DADOS Para se alcançar o objetivo proposto neste estudo foi empregado métodos qualitativos e quantitativos para a coleta de dados, através da aplicação de instrumento semi-estruturado aos integrantes da amostra. O instrumento (ver Anexo A) teve o objetivo de obter as seguintes informações: Dados demográficos; Informações sobre o perfil de cada componente da equipe de enfermagem e dos técnicos em radiologia que constituem a amostra; Características do setor onde trabalham, bem como as condições de segurança (equipamentos de proteção individual – EPI’s); 21 Informações sobre as principais conseqüências à saúde produzidas pela exposição aos agentes radioativos. Segundo Sampieri et al (2006; p. 325) um questionário consiste em um conjunto de questões com relação a uma ou mais variáveis a serem medidas. Foi utilizado um questionário composto por questões fechadas as quais contêm categorias ou alternativas de resposta que foram delimitadas, isto é, são apresentadas as possibilidades de resposta aos indivíduos e eles devem limitar-se a estas e, abertas, cujas questões não delimitam a priori as alternativas de resposta, porque o número de categorias de resposta é muito elevado; em teoria é infinito (SAMPIERI et al, 2006; p. 329). O instrumento de levantamento de dados foi constituído de 11 questões, sendo 09 fechadas e 02 abertas e foi aplicado a todos os técnicos/auxiliares de enfermagem e técnicos de radiologia disponíveis nos locais de estudo referidos neste artigo. As categorias abordadas visam identificar as tarefas realizadas no CDI; tarefas relacionadas à exposição direta a radiação ionizante e dentre estas as que são comuns das que não são; tempo gasto durante a realização de procedimentos; distância entre o técnico/auxiliar de enfermagem e o paciente durante a realização de intervenções; horas trabalhadas semanalmente; quantidade de folgas semanais; utilização de Equipamento de Proteção Individual (EPI); problemas de saúde que podem estar relacionados à exposição desorientada. Os itens fechados englobam alternativas que variam de três a sete afirmativas podendo-se escolher mais de uma resposta em cada questão. Para a realização do questionário, obteve a concordância dos (as) enfermeiros (as) e dos (as) técnicos/auxiliares de enfermagem e dos técnicos em radiologia que atuam no Centro de Diagnóstico por Imagem do HUB. Tal concordância foi manifestada por meio da assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), conforme resolução 196/96 que norteia a pesquisa em seres humanos no Brasil. 22 4.5 ANÁLISE DOS DADOS Segundo Berelson (1971 apud SAMPIERI, 2006, p. 343) – a análise de conteúdo é uma técnica para estudar e analisar a comunicação de uma maneira objetiva, sistemática e quantitativa. Com relação à realização da análise de conteúdo o autor Collado et al (2006; p. 344) descreve que esta “é feita por meio da codificação, isto é, o processo no qual as características relevantes do conteúdo de uma mensagem se transformam em unidades que permitam sua descrição e análise precisas.” As categorias de um item ou questão requerem ser codificadas com símbolos ou números. E devem ser codificadas porque, do contrário, não seria efetuada nenhuma análise ou apenas seria contado o número de respostas em cada categoria. Mas o pesquisador se interessa em realizar análise mais além do que uma contagem de casos por categoria (SAMPIERI et al, 2006; p. 364). Para a realização da análise dos dados qualitativos foram utilizados os 06 passos propostos por Creswell (2007): 1º passo: Organizar e preparar os dados para análise. Isso envolve transcrever o questionário, fazer leitura ótica do material, digitar notas de campo ou classificar e organizar os dados em diferentes tipos, dependendo das fontes de informações. 2º passo: Ler todos os dados. Um primeiro passo é obter um sentido geral das informações e refletir sobre seu sentido global. 3º passo: Começar a análise detalhada com um processo de codificação. Codificação é um processo de organizar materiais em “grupos”. Isso envolve tomar dados em textos, segmentar frase (ou parágrafos) em categorias e rotular essas categorias com um termo, geralmente baseado na linguagem real do participante (conhecido como in vivo). 4º passo: Usar o processo de codificação para gerar uma descrição do cenário ou das pessoas além das categorias ou dos temas para análise. Descrição envolve fornecimento de informações detalhadas sobre pessoas, locais ou fatos em um cenário. 23 5º passo: Prever como a descrição e os temas serão representados na narrativa qualitativa. 6º passo: O passo final na análise de dados envolve fazer uma interpretação ou extrair significado dos dados. Essa interpretação será feita de forma comparativa entre os resultados obtidos e as informações extraídas da literatura existente. Através da análise temática dos dados foi possível listar e organizar (tabular) os resultados colhidos (questionário) em categorias (níveis classificatórios) onde, com a leitura do conteúdo empírico, serão destacadas as seguintes temáticas: Tarefas executadas pelos técnicos e auxiliares de enfermagem e técnicos de radiologia; Distância entre esses trabalhadores e o paciente; Uso de EPIs; Problemas de saúde; Número de folgas e horas trabalhadas. Os dados obtidos através do questionário foram transcritos para uma base de dados do programa MICROSOFT OFFICE EXCEL – 2007 onde foram realizadas correlações entre a atuação das profissões envolvidas confirmando, ou não, a hipótese norteadora deste Projeto. Além disso, foi verificada porcentagens das variáveis demográficas, individuais, sociais e referentes ao setor de trabalho que foram categorizadas e analisadas conforme métodos e provas estatísticas apropriadas. 24 4.6 CRITÉRIOS PARA SUSPENDER OU ENCERRAR A PESQUISA A pesquisa será suspensa ou encerrada caso seja constatado qualquer risco ou conseqüência de ordem física ou psíquica decorrente da realização da mesma a algum sujeito participante, visto que não fora previsto no termo de consentimento. 4.7 ANÁLISE DO RISCO E BENEFICIO A pesquisa não representa risco à saúde e ou bem estar do indivíduo participante. 4.8 ASPECTOS ÉTICOS Foram respeitados, no transcorrer da pesquisa, todos os aspectos éticos e legais necessários para a preservação do anonimato dos sujeitos participantes da mesma, tais como: sigilo dos nomes ou de qualquer informação que possa levar à identificação do sujeito participante da pesquisa e sigilo quanto a qualquer advento que não esteja no contexto da pesquisa e que porventura o pesquisador venha a tomar conhecimento ou presenciar, conforme a resolução 196/96. Foi utilizado o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) (ver Anexo B) para todos os sujeitos que participaram do levantamento de dados. Os resultados da pesquisa subsidiaram a elaboração do trabalho de conclusão do curso de Enfermagem e poderão ser publicados em jornais e revistas científicas, apresentados em eventos científicos e para a comunidade acadêmica da Universidade Católica de Brasília e para equipes técnicas para que sirvam como subsídio para o planejamento, organização e adequação da assistência de enfermagem. Uma cópia do relatório final da pesquisa será encaminhada ao CEP-UCB e à unidade onde a coleta de dados foi realizada. a) Ressalta-se que a pesquisa só será iniciada após a aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UCB e do Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital da Universidade de Brasília (HUB) – Diretoria Adjunta de Apoio ao Ensino e à Pesquisa (DAEP). 25 5 APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS E DISCUSSÃO Os dados serão apresentados por meio de gráficos e discussões, feitas a partir da análise dos dados contidos nos questionários aplicados no período de 28/09 á 05/10. Para tal os dados serão apresentados em 4 categorias: o Perfil sócio demográfico da amostra; o Características administrativas do setor onde trabalham; o Problemas de saúde relatados; o Uso de EPI’s; o Relação entre os problemas de saúde listados com o perfil sócio demográficos e com as características administrativas do setor onde trabalham; 5.1 PERFIL SÓCIO-DEMOGRÁFICO DA AMOSTRA A coleta dos dados da pesquisa foi realizada com todos os profissionais envolvidos diretamente com o paciente e com a execução do trabalho. No setor há apenas uma enfermeira do sexo feminino. Dos 10 técnicos de enfermagem da pesquisa, 40% são do sexo masculino e 60% do sexo feminino. A média geral dos entrevistados se caracteriza por profissionais do sexo feminino. Dos 12 técnicos em radiologia entrevistados, 75% são do sexo masculino e 25% são do sexo feminino. A média geral é do sexo masculino, conforme demonstrado nos Gráficos 1 e 2. Todos foram selecionados dentre os critérios de inclusão e exclusão. 26 Gráfico 1: Distribuição da amostra em relação ao cargo exercido. Gráfico 2: Porcentagem da amostra em relação ao sexo. De acordo com Rita Cássia Flor (2005) a presença dos profissionais de enfermagem nos setores que empregam a radiação ionizante é indispensável, pois são indivíduos que a priori, trazem conhecimentos necessários para lidar com a radiação a qual serão expostos, possuem a capacidade de manipular os equipamentos de maneira segura e aplicar o princípio de proteção radiológica. Além disso, o trabalho exercido pelos técnicos de enfermagem se realiza numa perspectiva de cuidado e auxílio para com os pacientes que necessitam realizar o radiodiagnóstico, no tratamento de algumas patologias. Diante desse contexto, a exposição desses profissionais às radiações ionizantes é inevitável, uma vez que faz parte de sua rotina de trabalho, mas que podem ser minimizadas de acordo com a carga de trabalho imposta. De acordo com Facchini (1994), quanto maior tempo o profissional ficar exposto ao ambiente de trabalho maior a probabilidade de risco para a saúde. 27 A presença da maioria de profissionais do sexo feminino na área da saúde é visto como um fenômeno natural desde as primeiras formas de assistência, nos primórdios da civilização, em que eram as mulheres que realizavam os atendimentos domiciliares de doentes, utilizando-se de plantas curativas1. Hoje, no século XXI ainda se vê uma tendência feminina na área de enfermagem, porém, nas áreas radiológicas em que há maior exposição às ondas eletromagnéticas que podem trazer consequências lesivas à saúde, a presença dos homens é maior. Isso pode ser explicado pelo fato dos homens se predisporem mais as atividades que os colocam em risco. Embora nas últimas décadas a participação feminina tenha se equiparado em diversas profissões, tradicionalmente as mulheres mantem preferências por empregos que lhe deem mais segurança, inclusive na preservação de sua saúde.2 Traçando o perfil desses profissionais verificamos que 87% da amostra realizam exames pelo menos uma vez ao ano, 4% realiza 02 vezes ao ano e 9% nenhuma vez ao ano (Gráfico 03). De acordo com Pereira (2011), o fato desse profissional trabalhar num setor de radiologia e está exposto a um elevado nível de riscos, que ocorre tanto no manuseio dos equipamentos como na recepção das radiações ionizantes, traz a necessidade de lhe propiciar um ambiente seguro de trabalho, bem como estratégias preventivas na manutenção de sua saúde e bem estar. Gráfico 3: Quantitativo de exames realizados anualmente em relação à amostra. 1 HISTÓRIA DA ENFERMAGEM. Disponível em:<http://www.medicinaintensiva.com. br/enfermagemhistoria.htm#O>. Acesso em: 19 maio 2011. 2 IGUALDADE NO EMPREGO. Disponível em:< http://www.unicef.org/brazil/smi/cap3.htm>. Acesso em: 2 nov. 2011. 28 5.2 PROBLEMAS DE SAÚDE RELATADOS Dos 23 profissionais entrevistados, 35% apresentam problemas de saúde e 65% não apresentaram problemas de saúde, conforme Gráfico 5. Para D’Ippolito e Medeiros (2005) a exposição à radiação ocasiona a morte celular, queimaduras de pele, esterilidade, ocorrência de cataratas, ou pode trazer danos não aparentes que só se manifestarão após meses ou até anos de exposição, como o caso de alguns cânceres. Gráfico 4: Quantitativo da amostra que apresenta e não apresenta sintomas. Dentre os 35% da amostra, ou seja, 08 entrevistados, que apresentam algum problema de saúde 100% possuem nódulo na Tireoide, 75% referem Lombalgia, 50% estão com nódulos na pele e 37% sentem enxaqueca constantemente. Segundo Machado et al (2009) as consequências da constante exposição dos trabalhadores, resulta em duas categorias de efeitos biológicos, são eles: estocáticos e determinísticos. Na primeira categoria trata-se de efeitos probabilísticos em que os danos podem afetar as células germinativas ou somáticas. Como exemplo de efeito nas células somáticas cita-se a leucemia que é a principal doença ocupacional desses trabalhadores. Quanto aos efeitos determinísticos são produzidos por doses elevadas de radiação, como exemplo se tem as radiodermites, que ocorre em menor frequência, com exceção de procedimentos que se utilizam de fluoroscopia (MACHADO et al, 2009). 29 Gráfico 5: Principais problemas de saúde relatados dentre à amostra que afirmou ter algum. 5.3 CARACTERÍSTICAS ADMINISTRATIVAS DO SETOR ONDE TRABALHAM Dos 23 profissionais entrevistados, apenas 22% trabalham 36 horas semanais, 52% trabalham 24 horas semanais, 26% trabalham 30 horas semanais. Não foi entrevistado nenhum profissional que trabalhe 44 horas semanais. De acordo com a lei 1.234 de 14 de Novembro de 1950 que trata dos direitos e vantagens em servidores que operam com radiações, estabelece que carga horária dos profissionais que trabalham na área radiológica não pode ultrapassar vinte e quatro horas semanais. Gráfico 6: Distribuição da carga horária em relação à amostra. 30 Em relação às folgas 22% têm 01 folga por semana, 22% têm 02 folgas por semana, 56% têm folgas de acordo com a escala e não foi entrevistado nenhum profissional que tenha mais de 03 folgas semanais (Gráfico 8). Quanto às escalas de serviço na realização do trabalho, as folgas serão estabelecidas de acordo com a necessidade do setor, observando o limite de horas estabelecidas semanalmente pela legislação. Para Silva et al (2011), uma escala de serviço que sobrecarrega o profissional pode acarretar no desenvolvimento de doenças, devido a grande exposição e também aos acidentes no trabalho, devido ao cansaço do funcionário. Gráfico 7: Quantitativo de folgas semanais em relação à amostra. As férias anuais são divididas em uma por ano onde 40% às goza e 60% têm duas por ano. Não foi entrevistado nenhum profissional que tenha mais de 02 férias anuais (Gráfico 09). As férias dos profissionais da área radiológica devem ser de vinte dias consecutivos, a cada seis meses, não acumuláveis (LEI Nº 1.234/1950, art. 1º). Gráfico 8: Quantitativo de férias anuais em relação a amostra. 31 Dentre a amostra, 52% recebem adicional de periculosidade e 48% não recebem adicional de periculosidade (Gráfico 10). Quanto ao adicional dado aos profissionais devido à exposição às substâncias radioativas, a gratificação, segundo a lei 1.234/1950 determina a gratificação de 40% (quarenta por cento) do vencimento. Segundo o entendimento do Serviço Social da Indústria (SESI) no estudo intitulado “Legislação Comentada – NR 16: atividades e operações perigosas” o pagamento de adicional sobre as horas extras não pode incidir apenas sobre os acréscimos que resultam de prêmios, gratificações ou participação nos lucros da empresa. Na verdade o adicional da periculosidade deve fazer parte do cálculo de férias, horas extras, adicional noturno e outros valores que existirem nos cálculos rescisórios do Contrato de Trabalho. Esses pontos são obrigatórios e não depende da vontade do empregador. Gráfico 9: Adicional de Periculosidade distribuído em relação à amostra. Dos 23 profissionais entrevistados, 16% exercem a tarefa de circular, 9% administram medicação, 2% exercem a tarefa de acomodar lençóis, 12% avaliam o paciente, 7% aferem pressão arterial, 9% auxiliam o paciente na ida e volta ao sanitário, 18% posicionam o paciente, 5% realizam punção venosa, 9% aplicam injeção de contraste, 12% contêm o paciente, 1% soluciona problemas, conforme ilustrado no Gráfico 11. As atividades executadas pelo profissional no ambiente de Raio –X são realizadas em duas circunstâncias, na área de atendimento aos pacientes e na parte operacional da execução do exame. Podem-se sintetizar as atividades realizadas em: preparação dos pacientes e 32 execução de exames; revelação de radiografias na câmara escura - que inclui a preparação de soluções com produtos químicos; e interpretação dos exames e guarda dos laudos na câmara clara (PEREIRA, 2011). Gráfico 10: Relação das tarefas exercidas em relação à amostra. 5.4 USO DE EPI´S Foi analisada também a utilização dos Equipamentos de Proteção Individual, onde são oferecidos a todos os profissionais pela empresa, porém, muitas vezes ocorre um sub-uso ou mau uso desses equipamentos. Nas áreas radiológicas 100% da amostra utiliza o avental de chumbo padrão, 91% utiliza o protetor de Tireoide, 61% colocam o óculos pumblífero, apenas 39% usam o dosímetro, 13% utilizam as luvas pumblíferas e somente 4% usa o protetor de órgãos genitais (Gráfico 4). Nenhum profissional utiliza o avental de chumbo (tipo casaco). A utilização dos EPI’s são de fundamental importância para a proteção da saúde e integridade física do trabalhador, sendo de uso individual para garantir a segurança e a higiene. A utilização incorreta ou a ausência de algum desses equipamentos no dia a dia do profissional pode ocasionar sérios danos principalmente porque ficam expostos aos contaminantes. Esses agravantes ocorrem devido às condições inadequadas de manuseio, guarda e conservação (MASTROENI, 2006). 33 Gráfico 11: Utilização dos Equipamentos de Proteção Individual em relação à amostra. 5.5 RELAÇÃO ENTRE OS PROBLEMAS DE SAÚDE LISTADOS COM O PERFIL SÓCIO-DEMOGRÁFICOS E COM AS CARACTERÍSTICAS ADMINISTRATIVAS DO SETOR ONDE TRABALHAM Com os resultados obtidos podemos observar que dentre o quadro de funcionários o grupo que mais desenvolve problemas de saúde são as mulheres com 60% dos casos, enquanto o grupo masculino inclui apenas 15% (Gráfico 12). Os dados podem trazer a impressão de que as mulheres são mais propícias a desenvolver patologias, mas na verdade o que irá determinar os danos é quantidade de tempo que esse profissional –homem ou mulher - se expõe às emissões da radiação. De acordo com o estudo desenvolvido por Calegaro e Teixeira (2007), que avalia a exposição dos auxiliares de enfermagem na iodoterapia realizado num período de 11 anos, mostra que o controle das patologias provocadas nesses profissionais pela radiação ionizante se dá quando se reduz o tempo de exposição. Pode-se inferir que o fato das mulheres apresentarem um percentual maior de incidência de problemas de saúde não implica somente pelo fato de que elas sejam mais propícias, mas também pode ter ocorrido por outros fatores tais como: as enfermeiras que 34 trabalham com radiação ficam mais tempo expostas que os homens, ou porque os homens, por uma questão cultural, não tem o hábito de realizarem exames periódicos para averiguar seu estado de saúde, como o fazem as mulheres. Gráfico 12: Problemas de saúde relatados em relação ao sexo. Observamos também que nesse setor o grupo mais vulnerável a patologias são os técnicos de enfermagem com 62% dos casos, enquanto os técnicos em radiologia detêm 38%, conforme ilustrado no Gráfico 13. De acordo com Calegaro e Teixeira (2007) a ausência de alguns procedimentos de segurança rotineiros, bem como uma maior exposição às radiações é determinante para o desenvolvimento de algumas doenças. Assim, verifica-se que o fato dos técnicos de enfermagem apresentarem maior incidência de algum dano na saúde, pode estar relacionado a algum desses fatores, que são: situação de muita exposição e realização das atividades rotineiras sem as devidas medidas de segurança. Como mostrado no gráfico 4, existe uma incidência de profissionais que não se utilizam de algum tipo de EPI e isso pode ser um dos motivos para propiciar a contaminação. Além disso, a manipulação inadequada dos equipamentos, ou ausência de higienização adequada traz maiores riscos à saúde desse profissional (MASTROENI, 2006). 35 Gráfico 13: Problemas de saúde relatados em relação ao cargo. Foi verificado que dentre o grupo de pessoas que utilizam o avental de chumbo padrão 35% tem alguma patologia e 65% não tem nenhuma patologia; os que utilizam o protetor de tireoide 38% têm alguma patologia e 62% não tem nenhuma patologia; os que utilizam os óculos pumblífero 43% tem alguma patologia e 57% não tem nenhuma patologia; os que usam o dosímetro 27% tem alguma patologia e 73% não tem nenhuma patologia; os que utilizam as luvas pumblíferas 33% tem alguma patologia e 67% não tem nenhuma patologia e os que utilizam o protetor de órgãos genitais 100% tem alguma patologia (Gráfico 14). O ambiente laboratorial de Raio-X possui inúmeros contaminantes, além da exposição às radiações iônicas que colocam em risco a saúde dos profissionais envolvidos. Por esse motivo, as medidas de proteção se tornam imprescindíveis na minimização ou eliminação as exposições a agentes perigosos. Para garantir sua proteção, o profissional deve estar consciente da utilização dos EPI’s, selecionando-os corretamente como forma de garantir sua proteção. Além disso, a proteção contra os agentes infecciosos e químicos só é possível quando se associa o emprego correto dos EPI’s com uma boa técnica e execução das boas práticas laborais (MASTROENI, 2006). Verifica-se que o uso correto dos EPI’s constitui o meio mais simples para a prevenção de acidentes ocupacionais, além de evitar os riscos físicos e biológicos associados às radiações ionizantes (SILVA, 2011). 36 Verifica-se que as patologias associadas à falta do uso de EPI’s na área de enfermagem, geralmente ocasionam a transmissão de hepatite B e C que são transmitidos quando o controle de infecções não é eficaz, ou seja, quando o uso dos EPI’s não são realizados (Scheidt, 2006). De acordo com Mastroeni (2006), as normas de biossegurança precisam ser executadas por meio do uso dos Equipamentos de Proteção Individual EPI’s, e se for necessário o uso de Equipamento de Proteção Coletiva – EPC. Gráfico 14: Problemas de saúde relatados em relação ao uso do Equipamento de Proteção Individual. A relação entre a carga horária e o desenvolvimento de alguma patologia nos mostrou o resultado de que 62% das pessoas que trabalham 36 horas têm alguma patologia e 38% das pessoas que trabalham 24 horas tem alguma patologia (Gráfico 15). 37 No que se refere ao tempo de permanência que os profissionais se expõem a radiação, verifica-se que quanto maior o tempo de exposição do profissional maior a probabilidade de incidência de patologias, requerendo maior conscientização dos enfermeiros, técnicos de enfermagem e de todos os envolvidos no que tange aos procedimentos básicos de proteção radiológica (CALEGARO; TEIXEIRA, 2007). Gráfico 15: Problemas de saúde relatados em relação à carga horária. 38 6 CONCLUSÕES E CONSIDERAÇÕES FINAIS Um dos maiores desafios apresentados com relação aos profissionais que trabalham com as radiações iônicas é o fato do organismo não possuir um mecanismo sensorial para detectar as radiações ionizantes presentes, que nem sempre se manifestam no início, demorando meses e até anos para serem descobertas. A saúde deve ser um fator importante tanto para o paciente quanto para o profissional que presta o serviço de saúde. Assim, o conhecimento acerca dos mecanismos que minimizam ou neutralizam os riscos advindos da exposição diária as radiações se torna imprescindível. A exposição às radiações iônicas podem trazer danos irreversíveis, como é o caso da esterilidade e canceres não aparentes que só se manifestarão após anos de exposição. Para minimizar ou neutralizar os danos é preciso estar atento ao tempo de exposição às radiações ionizantes, não ultrapassando as horas determinadas por lei. De acordo com os dados obtidos e relacionando estes com a literatura conclui-se que a maioria dos técnicos que trabalham no setor radiológico é do sexo masculino e isso ocorre porque as mulheres não querem se expor aos riscos que a radiação ionizante traz para a saúde e por isso optam por outros setores na área de enfermagem. Quanto à utilização dos EPI’s a pesquisa constata que alguns profissionais não se preocupam em utilizar todo o equipamento recomendado, além de reutilizarem alguns desses equipamentos. Tal quadro aumenta os riscos no que diz respeito à proteção efetiva desses profissionais, requerendo dos empregadores maior fiscalização e treinamento contínuo dos trabalhadores quanto ao uso adequado dos EPI’s, bem como ao procedimento adequado à higienização e descarte dos mesmos. Recomenda-se o uso de todos os EPI’s, tais como: luvas, máscaras, aventais de látex nitrílico, protetor de tireóide, óculos pumblíferos, dosímetro, luvas pumblíferas e protetor de órgãos genitais. Durante a execução dos exames devem-se observar as instalações elétricas certificando-se que estas não estão com fios desencapados e se a manutenção/calibração periódica dos equipamentos está de acordo com as recomendações. É importante sempre se 39 utilizar da sinalização adequada para não expor inadvertidamente os colegas de trabalho à radiação. A utilização da máscara evita a retenção de impurezas ao se desinfectar materiais, que pode trazer infecções cruzadas. Quanto ao cuidado com os materiais utilizados deve-se mantêlos nas aplicações dos contrastes e fazer o descarte de seringas em local apropriado. Observa-se a necessidade de uma educação permanente, principalmente aos que trabalham com radiação ionizante, capacitando-os quanto à conscientização dos riscos aos quais estão constantemente expostos, dando-lhe condições para que evitem, na medida do possível, danos físicos e biológicos devido às características peculiares de sua profissão. A adoção de procedimentos adequados e o treinamento dos envolvidos minimizam os riscos e contribuem para um ambiente de trabalho mais seguro. 40 7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BIRAL, A. R. Radiações Ionizantes para Médicos, Físicos e Leigos. Florianópolis: Insular, 2002. BRASIL, Ministério da Saúde. Portaria 453, 1 jun. 1998. Diretrizes de proteção radiológica em radiodiagnóstico médico e odontológico. Brasília: Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Poder Executivo, 02 jun. 1998, seção 1, p. 29. BRASIL, Ministério do Trabalho e Emprego. Portaria 518, 7 abr. 2003. Atividades e operações perigosas com radiações ionizantes ou substâncias radioativas: atividades/áreas de risco. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 07 abr. 2003, seção 1, p. 104. BRASIL. Decreto Lei nº 5452 de 1º de Maio de 1943. Aprova a consolidação das leis do trabalho. Capitulo V secção XIII. Das Atividades Insalubres e perigosas. Getúlio Vargas. Rio de Janeiro, 1º de Maio de 1943. 122º da Independência e 55º da República. BRASIL. Decreto lei nº 7.394, de 29 de outubro de 1985. Regula o exercício da profissão de técnico em radiologia. José Sarney. Brasília, 29 de Outubro de 1985; 164 da Independência; e 97º da República. BRASIL. Lei 1234 de 14 de Novembro de 1950. Direitos e Vantagens em servidores que operam com Rx e substâncias radioativas. Eurico G. Dutra. Rio de Janeiro. 14 de Novembro de 1950. 129º da Independência; e 62º da República. CALEGARO, José Ulisses Manzzini; TEIXEIRA, Sandra Mara Pessano. 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Quantos exames periódicos durante o ano você faz? ________________________________________________________________________ 7. Quais meios, abaixo listados, você utiliza como medida de prevenção, para evitar a exposição à radiação ionizante durante os procedimentos? ( ) Avental de chumbo padrão ( ) Óculos de pumblífero ( ) Luvas pumblíferas ( ) Uso de dosímetro ( ) Protetor de tireóide 43 ( ) Protetor de órgãos genitais ( ) Avental de chumbo – proteção nas costas (tipo casaco) 8. Quais as tarefas que você desempenha? Obs.: É permitido a marcação de múltiplas alternativas! ( ) Circular ( ) Administrar medicação ( ) Acomodar lençóis no recipiente blindado ( ) Avaliar o paciente ( ) Medir a pressão ( ) Auxiliar para ir e voltar ao/do sanitário ( ) Posicionamento do paciente ( ) Punção venosa ( ) injeção de contraste ( ) Conter o paciente ( ) Solucionar problemas. Caso este seja marcado, cite exemplos: ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ 9. Você tem apresentado problemas de saúde? ( ) Sim ( ) Não 10. Em caso afirmativo, quais? _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ 11. Você recebe o adicional de periculosidade de 30% sobre o seu salário base? ( ) Sim ( ) Não 44 APÊNDICE B – TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO (TCLE) O (a) Senhor (a) está sendo convidado (a) a participar do projeto: “AVALIAÇÃO DE O nosso objetivo é verificar e identificar os riscos e anormalidades biológicas relativos à exposição ocupacional de profissionais de Enfermagem em um Centro de Diagnóstico por Imagen (CDI) de Brasília. A sua participação será por meio da concessão de questionário sobre o seu local de trabalho, bem como fatores predisponentes para o desenvolvimento de patologias. Não existe, obrigatoriamente, um tempo pré-determinado para responder o questionário. Será respeitado o tempo de cada um para respondê-lo. Esta pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Secretaria de Saúde do DF – SES/DF e lhe garantimos os direitos abaixo relacionados: RISCOS: PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM EXPOSTOS À RADIAÇÃO”. Solicitar, a qualquer momento, maiores esclarecimentos sobre esta pesquisa, através dos telefones: - CEP/SES/DF: (61) 3325-4955; Maria Liz Cunha de Oliveira: (61) 3226-7738 ou (61) 3356-9225; Elizabete dos Santos Rodrigues: (61) 35564379 ou (61) 84152477; Raissa de Sousa Mendonça Damasio Cunha, (61) 81224436; Segredo absoluto sobre nomes, local de trabalho, residência e quaisquer outras informações que possam levar à identificação pessoal e da instituição a qual pertence; Ampla possibilidade de negar-se a responder a quaisquer questões ou a fornecer informações que julgar prejudicial à sua integridade física, moral e social; Solicitar que parte das falas e/ou declarações não seja incluída em nenhum documento oficial, o que será prontamente atendido; Desistir, a qualquer tempo, de participar da pesquisa. Os resultados da pesquisa serão publicados em jornais e revistas científicas, apresentados em eventos científicos e para equipes técnicas e de gestores da SES-DF para que possam ser utilizados no planejamento, organização e adequação da assistência de enfermagem. Uma cópia deste termo permanecerá com o Sr. (a) e a outra ficará arquivada, juntamente com os demais documentos da pesquisa, com a pesquisadora responsável na sala 113, Bloco S, Direção do Curso de Enfermagem, Universidade Católica de Brasília – Campus I, Q.S 07, Lote 01, EPCT, Águas Claras, Taguatinga Sul/DF. ______________________________________________ Nome/assinatura ____________________________________________ Pesquisador Responsável Nome/assinatura Brasília, ___ de __________de _________ 45 ANEXO 1 - PARECER CONSUBSTANCIADO DE PROJETO DE PESQUISA Título do Projeto: Avaliação de Riscos: Profissionais de enfermagem expostos à radiação. Pesquisador Responsável Fernanda Monteiro de C. Fernandes Data da Versão 30/06/2011 Cadastro 116/2011 Data do Parecer 01/08/2011 Recomendação Aprovar Comentários Gerais sobre o Projeto Primeira análise: A proposta atende em parte às exigências da Resolução CNS 196/96 e para sua aprovação necessita apresentar resposta aos itens indicados no parecer. O pesquisador tem 60 dias para responder aos quesitos formulados pelo CEP em seu parecer. Após esse prazo o projeto será considerado retirado e posteriormente havendo interesse, deverá ser apresentado novo protocolo e reiniciado o processo de registro (Res. CNS 196/96). Segunda análise: A proposta atende em parte às exigências da Resolução CNS 196/96 e para sua aprovação necessita apresentar resposta aos itens indicados no parecer. O pesquisador tem 60 dias para responder aos quesitos formulados pelo CEP em seu parecer. Após esse prazo o projeto será considerado retirado e posteriormente havendo interesse, deverá ser apresentado novo protocolo e reiniciado o processo de registro (Res. CNS 196/96). Terceira análise: O documento apresentado em 16/09/11, responde às exigências feitas. O projeto atende aos requisitos fundamentais da Resolução CNS 196/96 e foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UCB. Após a conclusão da pesquisa é compromisso dos/das proponentes a entrega de relatório final ou versão final do trabalho 46