O ensino de geriatria e gerontologia nos cursos de nível médio de Enfermagem: um
estudo de caso.
RIBEIRO, Adriani Geralda
RESUMO
Este trabalho é descritivo, de abordagem qualitativa, caracterizado como estudo de caso,
com objetivos de identificar a percepção do processo de envelhecer, através da opinião dos
alunos do curso Técnico de Enfermagem, identificar os fatores que contribuem para o
aprendizado da disciplina de Enfermagem Geriátrica e Gerontológica, e ainda descrever a
inclusão desta disciplina nos cursos de nível médio de Enfermagem. Aplicou-se um
formulário semi-estruturado aos alunos do curso Técnico de Enfermagem, dos turnos
matutino e noturno, que estavam na Escola Técnica de Saúde do Espírito Santo, e que já
haviam cursado a disciplina teórica. Os resultados permitem inferir que, para os sujeitos
deste estudo, a assistência de Enfermagem prestada à pessoa idosa é idêntica àquela
prestada ao adulto, sem considerar a singularidade do idoso. Os sujeitos investigados
sugerem a inclusão da disciplina de Geriatria e Gerontologia nos diversos níveis de ensino,
visando melhorar a qualidade de vida dos idosos, prevenindo, promovendo, protegendo e
recuperando a saúde desses indivíduos.
Palavras chave: geriatria, gerontologia, ensino.
Adriani Geralda Ribeiro
Enfermeira Coren-ES 73.505
Especializando em Gerontologia Social
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THE EDUCATION OF GERIATRIA AND GERONTOLOGIA IN THE COURSES
OF AVERAGE LEVEL OF NURSING: A CASE STUDY.
ABSTRACT
This work is descriptive, of qualitative boarding, characterized as case study, with
objectives to identify the perception of the process to age, through the opinion of the pupils
of the course Technician of Nursing, to identify the factors that contribute for the learning
of discipline of Nursing Geriátrica and Gerontológica, and still to describe the inclusion of
this disciplines in the courses of average level of Nursing. A form half-structuralized to the
pupils of the course was applied Technician of Nursing, of the turns matutino and
nocturnal, that were in the School Technique of Health of the Espirito Santo, and that
already they had attended a course it disciplines it theoretician. The results allow to infer
that, for the citizens of this study, the assistance of Nursing given to the elderly is identical
to that one given to the adult, without considering the singularity of the aged one. The
investigated citizens suggest the inclusion of discipline of Geriatria and Gerontologia in the
diverse levels of education, aiming at to improve the quality of life of the aged ones,
preventing, promoting, protecting and recouping the health of these individuals.
Keywords: geriatria, gerontologia, education.
Adriani Geralda Ribeiro
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1ª Parte
I.
Caminhos percorridos
Enquanto graduanda do curso de Enfermagem e Obstetrícia, da Universidade
Federal do Espírito Santo (UFES), tive a oportunidade de cursar a disciplina optativa de
Enfermagem Geriátrica, oferecida pelo Departamento de Enfermagem – Centro Biomédico
– UFES aos alunos da graduação do curso de Enfermagem. A partir dessa disciplina o
interesse pelo envelhecimento se tornou ainda maior.
Em 1.996 fui convidada pela docente que ministrava a disciplina, a participar,
junto com outros colegas graduandos, da formação e desenvolvimento do Projeto de
Extensão “Contribuindo com a qualidade de vida do idoso – QUALIVIDA”.
O Qualivida teve início a partir das atividades desenvolvidas nos grupos de
Convivência, e através do projeto passamos a desenvolver palestras no projeto “Conviver”
da Prefeitura Municipal de Vitória, nos grupos de Eucalipto, Jucutuquara, Resistência e
outros. O Qualivida ainda teve por objetivo oferecer “Oficinas de Criatividade” para os
alunos de graduação dos diversos cursos, incluindo os alunos da disciplina de Enfermagem
Geriátrica. No curso de Especialização em Gerontologia Social também tivemos a
oportunidade de trocar experiências e o trabalho desenvolvido junto aos idosos.
Logo após a graduação fui contratada, por dois períodos letivos, como
Professora Substituta da UFES para algumas disciplinas, inclusive para a disciplina de
Enfermagem Geriátrica.
Além de trabalhar com disciplina específica sobre o envelhecimento,
supervisionei também alguns alunos em estágios de disciplinas como Introdução à
Enfermagem, Enfermagem em Clínica Médica, Enfermagem em Clínica Cirúrgica. Ainda
tive a oportunidade de avaliar e desenvolver e monitorizar curativos em alguns hospitais
gerais da grande Vitória, como Enfermeira Interventora de Marketing em Tratamento de
Feridas. Assim tive a oportunidade de prestar assistência de Enfermagem às pessoas de
diferentes faixas etárias, inclusive idosos.
Na rotina de trabalho nas instituições, comecei a perceber o número de idosos
necessitando de cuidados durante a internação, ou mesmo em domicílio. Percebi ainda que
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não havia nenhum Enfermeiro desenvolvendo atividades voltadas a esta clientela. Observei
também que no atendimento realizado não havia nenhuma preocupação em diferenciar a
assistência prestada ao adulto e ao idoso.
Tive a oportunidade então de adquirir uma experiência profissional que me foi
permitido questionar o preparo dos colegas Enfermeiros e da equipe de Enfermagem com
relação à assistência prestada à pessoa idosa.
Por já ter uma experiência em disciplinas afins com o processo de
envelhecimento e por estar iniciando o curso de Especialização em Gerontologia Social,
fui convidada a organizar, junto com outra Enfermeira, na escola onde trabalho, Escola
Técnica de Saúde do Espírito Santo, a inclusão no currículo dos cursos de Auxiliar de
Enfermagem e Técnico de Enfermagem, a disciplina de Enfermagem Geriátrica e
Gerontológica, tendo o caráter de ser obrigatória, com carga horária de 30 e 40 horas de
aulas teóricas, respectivamente para cada curso, e carga horária de 40 horas para as aulas
práticas de ambos os cursos, sendo ainda responsável, junto com outra Enfermeira, a
ministrar as aulas. As aulas práticas da disciplina foram programadas para serem
desenvolvidas na Sociedade de Assistência à Velhice Desamparada e em unidades de
internação de alguns hospitais.
II.
Objetivos:
• Identificar a percepção sobre o envelhecimento, através da opinião dos
alunos do curso Técnico em Enfermagem.
• Identificar os fatores que contribuem para o aprendizado do aluno, quanto à
disciplina de Enfermagem Geriátrica e Gerontológica.
• Descrever
a inclusão
da disciplina de Enfermagem Geriátrica e
Gerontológica nos cursos de nível médio de Enfermagem.
III.
Contribuição do estudo:
A partir deste estudo, acredito que possa contribuir para a formação de
recursos, para melhorar a assistência ao idoso, e para a produção de conhecimentos.
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Para formação profissional, acredito que possa trazer discussão quanto a
mudanças curriculares, em nível de graduação e em nível médio de Enfermagem, no
sentido de atualização de conhecimentos e aquisição de habilidades gerais básicas, voltadas
para o cliente idoso.
Acredito que as discussões sobre o processo de envelhecimento precisam ser
incluídas, não somente nos cursos da área de saúde, mas em cursos de humanas, inclusive
exatas.
Ilustrando como exemplo a arquitetura, visto haver a necessidade de que sejam
discutidos e desenvolvidos projetos arquitetônicos, os quais sejam direcionados para o
idoso e suas diversidades.
Acredito também que possa contribuir para a assistência, pois as instituições
precisam estabelecer os objetivos e o modo de atuação com relação ao idoso, a fim de
favorecer uma adequada assistência, bem como uma sensibilização dos profissionais de
saúde quanto à importância de treinamentos e/ou qualificações, para prestarem uma
assistência direcionada às necessidades da pessoa idosa, principalmente os profissionais da
Enfermagem.
Acredito ainda, que a partir deste trabalho, bem como através do aluno que
cursou ou está cursando a disciplina, ao estar na sua rotina de atividades, na prática,
mantenha atitudes profissionais fundamentais, principalmente na área hospitalar, onde a
busca pela cura, pelo cuidado e pela assistência física e psico-espiritual caminham juntas.
E através do exercício diário de suas atividades de cuidar de pessoas e famílias,
o então profissional seja capaz de ser elemento que estimule a criação, e que contagie os
profissionais de Enfermagem para o cuidado à pessoa idosa, exercendo a profissão com
atitudes que norteiem o diferente na assistência.
Outra possibilidade deste trabalho, e que não seja apenas um desejo ou um
sonho, mas que permita que os resultados possam subsidiar discussões para implementação
de outros estudos, tornando real a troca de experiências, pois percebo que precisamos
explorar novos métodos de ensino e de formação profissional e do assistir à pessoa idosa.
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2ª Parte
I.
Dados epidemiológicos
Custos com a assistência ao idoso
Atualmente as pessoas têm mais possibilidades de viverem até os 60 anos ou
mais, visto que hoje o conhecimento sobre o processo de envelhecimento é mais estudado,
permitindo o entendimento de sua complexidade, direcionando as necessidades de
intervenções profissionais, e ainda podemos referir à melhoria da qualidade de vida das
pessoas.
A Organização Pan-Americana de Saúde, OPAS, cita que “o envelhecimento é
reconhecido como uma das mais importantes modificações na estrutura da população
mundial”. Para os países ricos esse envelhecimento populacional se dá de forma mais
planejada socialmente, porém para os países sem recursos financeiros como o Brasil, tal
situação pode se tornar problemática... conforme Jacob in Duarte, (2.000). Segundo a
World Health Statistics, em 1.950, o país ocupava o 16º lugar em população com idade
igual ou superior a 60 anos, com 2,1 milhões de idosos. Em 2.025 estima-se que este
contingente de idosos se elevará a 31,8 milhões, ou seja 1.514%, deixando o Brasil
ocupando o 6º lugar, Jacob in Duarte (2.000).
A Enfermeira Gerontóloga Yeda Aparecida de Oliveira Duarte (2.000), ainda
cita que a população idosa entre os 60 e os 85 anos tende a duplicar, e a faixa acima dos 85
anos tende a triplicar, estimando-se assim para 2.025 uma população idosa de
aproximadamente 32 a 33 milhões de idosos com mais de 60 anos vivendo em nosso meio,
reforçando o já citado por Jacob.
A Política Nacional do Idoso, através da Lei nº 8.842 de 4 de Janeiro de 1.994,
considera idosa a pessoa com mais de 60 anos, e “garante ao idoso a assistência à saúde,
nos diversos níveis de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS), bem como a
prevenção, promoção, proteção e recuperação da saúde do idoso mediante programas e
medidas profissionais”.
Segundo Gonçalves (1.994), a Organização Mundial de Saúde (OMS)
classifica como idosas as pessoas com 60 anos ou mais, e ainda faz categorizações, “idosos
são os indivíduos de 60 a 74 anos, os velhos os de 75 a 90 anos, e os grandes velhos os de
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mais de 90 anos”. Ainda a OMS identifica como 3ª idade as pessoas entre 45 a 75 anos, e
de 4ª idade as pessoas entre 75 anos ou mais, Gonçalves (1.994). E Papaléo (1.996),
classifica os de 90 anos ou mais de longevos.
Porém Gonçalves (1.994), traz classificações mais amistosas, mostrando que a
primavera da velhice seria para os indivíduos entre 60 a 70 anos; a verde velhice estaria
para os de 70 a 75 anos; a verdadeira velhice para os de 75 a 80 anos, e a última velhice
para os de 80 a 90 anos.
Mais amistoso ainda é o Ziraldo in Gonçalves (1.994), que ao invés de
envelhecer prefere “sazonar”, afirmando que sazonar significa estar pronto, amadurecer,
dizendo então “o cara sazonou, dá um ar de sensacional”, e, ainda citando Ziraldo in
Gonçalves (1.994), “antipiegusticamente cria o clube dos sazões, no qual os sazões têm
por função serem respeitados e amados por todos”. Então nesse clube de sazões teriam os
aspirantes ou lobinhos representados pelo grupo de indivíduos entre 65 a 70 anos, os
sócios-mirins com 70 a 80 anos, e os sócios jubilados com 80 anos ou mais.
Independente de qual classificação o idoso esteja inserido, ele está na
sociedade e é cidadão como todos os outros indivíduos, com direitos e deveres, porém
precisa de uma atenção mais diferenciada de acordo com o ciclo vital no qual se encontra.
Chaimowicz (1.998), refere que em 1.989, nos Estados Unidos 1/3 dos recursos
destinados aos cuidados individuais com a saúde , foram gastos pelos 12% de idosos.
No Brasil a demanda começa a se tornar semelhante. No Rio de Janeiro quase
5% da população com 60 anos ou mais que participaram de uma entrevista citada por
Chaimowicz (1.998), relataram terem sido internados nos três meses que antecederam a
entrevista.
Em Belo Horizonte no primeiro trimestre de 1.990, os maiores de 60 anos
representavam quase 1/4 do total das internações, apesar de constituírem cerca de 6% da
população total.
Em São Paulo 4,2% dos adultos foram hospitalizados uma vez no ano de 1.981,
a proporção quadriplica dentre os maiores de 70 anos. Enquanto 5,8% dos adultos foram
reinternados três vezes ou mais, a proporção triplica entre os idosos. Entre os adultos as
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internações com duração de mais ou menos sete dias representa 1/4 do total, dentre os
idosos representam mais da metade.
Outro dado que se pode acrescentar, ainda citado por Chaimowicz (1.998), é
que no Brasil o custo médio de internação se elevou de US$ 83,4 em 1.984 para US$ 268,0
em 1.987, sendo os maiores valores referentes à faixa etária de 60 a 69 anos, sendo um
valor de US$ 350,0 por internação. E ainda, o grupo entre 60 anos ou mais representando
menos de 8% da população, foi o que absorveu 21% dos recursos hospitalares do SUS em
março de 1.997.
Mais um dado a analisar é o tempo médio de internação. Em 1.995 os jovens e
os adultos ficavam internados uma média de 5 dias, e os maiores de 59 anos 7,1 dias,
ocorrendo que se um idoso debilitado fica internado por mais tempo, ou se precisa de
medicamentos mais onerosos, estarão superando as verbas repassadas para o hospital pelo
Sistema Único de Saúde, daí, as altas precoces e as reinternações por ano são maiores
dentre os idosos, devido à probabilidade maior de complicações e agravos que o idoso
apresenta, tornando menos interessante para o hospital oferecer tais serviços. No estudo de
Anderson in Prado (1.998), dentre os idosos que foram internados em 1.998, 85% recebeu
alta nos 10 primeiros dias e eram homens, e as mulheres ficaram internadas cerca de 11 e
20 dias.
Compreendemos mais uma vez que o serviço de saúde continua a ser problema
para a população que atinge a velhez (termo citado por Gonçalves (1.994), em o “direito e
o avesso da velhice” referindo-se à pessoa que chega à velhice), e a assistência de
Enfermagem pode contribuir para aumentar ou diminuir esses números, seja o número de
dias de internações ou de reinternações, de agravos que complicam ou de necessidade de
outros recursos.
Montesanti et al. (1.999), relatam uma pesquisa desenvolvida com idosos
internados em enfermaria de clínica médica, durante dois meses, e demonstra que a idade
média de internados é de mais ou menos 70 anos, predominando mulheres, com 73,1%. As
causas de internação mais freqüentes são insuficiência cardíaca, representando 14,9% das
internações, e as neoplasias, os acidentes vasculares cerebral e a broncopneumonia com
10,4% cada uma. Os internados com idade senil que apresentam doenças associadas
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representaram 64,1% com déficit visual, 44,7% apresentaram incontinência urinária,
41,9% apresentavam comprometimento da função cognitiva, 35,6% com enfermidades do
sistema circulatório, 29,8% com tremores e 13,3% possuindo doenças endocrinológicas,
distúrbios nutritivos, e imunológicos. Cada idoso possuía além da causa de internação uma
média de duas doenças associadas. Interessante citar também, sobre tal pesquisa, que
83,5% dos internados apresentaram edema, 70,1% alterações de perfusão periféricas, e
35,8% possuíam alterações de pulsos periféricos, e 20,8% com lesões de pele. Está claro
mais uma vez que o número de idosos internados está aumentando gradativamente, e pelos
agravos que apresentam a hospitalização de indivíduos dessa faixa etária é dispendiosa
para o sistema de saúde.
Veras (1.997), afirma que em 1.993, no Rio de Janeiro foram registrados
348.858 formulários de Autorização de Internação Hospitalar (AIH), sendo 69.383 (19,9%)
referentes aos indivíduos acima de 60 anos, com as seguintes representações: 34,3% de
doenças do sistema circulatório, 12,7% de neoplasias, 9,1% de doenças do sistema
nervoso, 8,6% do sistema respiratório e demais representando as doenças do sistema
digestório, geniturinário e outras.
A utilização dos serviços de saúde tem uma demanda maior de idosos do que
de adultos entre 40 e 59 anos, e as idosas prevalecem sobre os idosos, conforme Anderson
in Prado (1.998), relata ainda que a procura pelo atendimento representava 40% dos idosos
com problemas de peso (obesidade ou desnutrição) e 57% da modalidade de atendimento
era o ambulatorial, através de consulta médica particular ou em ambulatórios da rede
pública. Cerca de 20% dos idosos procuraram a farmácia para “resolver os problemas de
saúde”, prevalecendo os homens.
II.
O cuidar
Aprendi na escola, há algum tempo, lá na 5ª ou na 7ª série que cuidar é um
verbo transitivo indireto e que precisa de um objeto indireto, ou seja, que precisa de um
sujeito que pratique a ação e de um objeto que sofra a ação. Claro que tal verbo necessita
de toda uma situação que envolva tanto o sujeito quanto o objeto. O sujeito deve criar
abordagens psicodinâmicas para desenvolver o cuidado, envolvendo o objeto para aceitar,
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receber e colaborar com o cuidado. Nessas abordagens psicodinâmicas devemos considerar
aspectos importantes como a responsabilidade, atitudes, respeito, participação e até a
emoção dos indivíduos envolvidos, e claro que um ambiente físico deve ser propício.
Podemos desenvolver o cuidado por diferentes intenções, porém sempre na
tentativa de preservar a vida. Desenvolvemos o cuidado por instinto, para sobrevivência da
espécie, assim, cuidamos de algum necessitado, em casos de calamidades, etc. esse tipo de
cuidado ocorre em um curto intervalo de tempo, e não envolve emoções de afeto entre o
sujeito e o objeto.
Cuidamos por vontade de satisfazer as emoções que existem entre o agente e o
objeto. O tempo do cuidado é indeterminado, ocorrendo entre familiares, parentes, entre
mãe e filho, sem conhecimento teórico-científico prévio, o cuidado pode ser orientado
culturalmente. Segundo Boff (1.999), “sem o cuidado desde o nascimento até a morte, o
ser humano desestrutura-se, definha, perde o sentido e morre”.
O cuidado por capacidade envolve o sujeito dotado de saber técnico-científico,
e é um profissional quem presta o cuidado em vários níveis.
Os tipos de cuidados acima comentados e citados por Menezes (1.994), podem
ser observados no coletivismo e nas instituições, e são observáveis em todo o ser humano.
O cuidado visa preservar a espécie. “Cuidar é mais que um ato, é uma atitude [...] atitude
de ocupação, preocupação, de responsabilização e de envolvimento afetivo com o outro”,
Boff (1.999).
Sendo assim pode ser manifestado em níveis diferentes. O primeiro nível
estaria relacionado à possibilidade de sobrevivência, como por exemplo os mecanismos
homeostáticos, sendo suficiente para garantir a existência e se manifestando numa
“interdependência biológica” associada a fenômenos como a cadeia alimentar, o ciclo da
água,...
O segundo nível estaria também ligado à sobrevivência, porém com
“independência biológica”, estando voltado para a capacidade de defender-se de agentes
agressores como se locomover para longe dos predadores, abrigar-se das chuvas,...
O terceiro nível, além da independência surge a possibilidade de “autonomia
biológica” com o desenvolvimento do raciocínio, oferecendo a capacidade de o indivíduo
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interferir sobre o meio, planejando e decidindo suas ações. Assim, segundo Boff, (1.999) o
cuidado entra na natureza e constituição do ser humano.
Diante das colocações anteriores, podemos concluir então, que cuidar é
investimento na vida, é evitar a morte, é prevenir...
O Enfermeiro trabalha com o cuidar. A Enfermeira Ivana Viteck, (1.994),
baseada em pressupostos teóricos, afirma ser
“impossível analisarmos o idoso isoladamente do seu contexto biopsicossocial,
inserindo-o ainda numa visão mais ampla, como elemento ativo dentro do macro
sistema geo-político-econômico” p.177
e ainda enfatizando as teorias holísticas norteando a assistência de Enfermagem ao idoso,
coloca o geronte como “indivíduo centrado no Universo, parte de um todo indivisível,
onde o seu poder decisório é elemento modificador essencial”, assim sendo, nossa
assistência
de
Enfermagem
às
pessoas
de
3ª
idade
deve
ser
caracterizada
fundamentalmente na individualização, centrada no paciente/cliente, e interagindo com a
equipe, a família e a comunidade.
A assistência de Enfermagem ao idoso deve considerá-lo em sua totalidade
biopsicossocial, preparando-o e incentivando-o para o autocuidado, preparando a família
para aceitar o idoso, e cuidar dele de forma adequada, mantendo a equipe de Enfermagem
qualitativamente orientada e preparada para prestar a assistência, respeitando o ser
holístico do geronte. E ainda deve devolver esse indivíduo à comunidade com o mínimo
possível de seqüelas, reduzindo a incidência de hospitalização e reinternações,
restabelecendo assim a dignidade do idoso.
A equipe de Enfermagem principalmente na figura do Enfermeiro é
responsável pelo atendimento das necessidades humanas básicas e de prestar cuidados à
saúde do indivíduo. Os Enfermeiros possuem habilidades que podem identificar
problemas, norteando assim sua assistência.
Dentre as habilidades usadas pelo Enfermeiro em sua consulta de Enfermagem
estão a entrevista, com uma coleta de dados importantes referentes ao cliente, o exame
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físico através da inspeção, palpação, percussão e ausculta, a avaliação nutricional através
do exame clínico, de medidas antropométricas, avaliação bioquímica e avaliação da ingesta
alimentar, além de uma avaliação comportamental quanto em nível de estresse, de saúde
mental.
Para Boff (1.999), vários pensadores contemporâneos ensinam que a essência
humana não se encontra na inteligência ou na criatividade, mas basicamente no cuidado, e
ainda dizem que o cuidado é na verdade o suporte real da criatividade, da liberdade e da
inteligência.
III.
A Assistência de Enfermagem ao idoso
O Enfermeiro ao assistir um cliente, precisa de um saber científico baseado em
referencial teórico que lhe dê suporte para adequar a assistência.
Percebemos que a população está envelhecendo e que os leitos de hospitais
cada vez mais estão sendo ocupados por idosos. Será que os Enfermeiros e toda a equipe
de saúde estão buscando fundamentos científicos para nortear-lhes a assistência? Será que
a equipe de Enfermagem está se preparando para assistir à clientela que está aumentando?
Será que estão preparados para cuidar de pessoas idosas?
Minha experiência profissional me leva a crer que não. Acredito ser de total
importância que sejam criados meios para que os profissionais de Enfermagem possam ter
acesso a conhecimentos científicos os quais possibilitem a otimização de sua assistência.
Percebo também que ocorrem dificuldades em encontrar cursos, treinamentos,
seminários e textos específicos na área de geriatria e gerontologia para profissionais de
nível médio e superior de Enfermagem, visto que os textos disponíveis são, na maioria das
vezes, genéricos, sem a especificidade da área de Enfermagem.
Wanda Horta (1.979), diz que a ciência da Enfermagem compreende o estudo
das necessidades humanas básicas, as quais direcionam a assistência. Para identificar e
entender essas necessidades, o Enfermeiro deve possuir um saber específico para cada
etapa do ciclo vital, podendo compreender melhor o indivíduo durante a fase vital em que
se encontra, e direcionar sua assistência de acordo com as necessidades de cada etapa da
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vida, identificando os problemas de Enfermagem e atuando da melhor forma para
solucioná-los.
A Enfermeira Professora-Assistente-Doutora do Departamento de Prática de
Saúde Pública da Faculdade de Saúde da Universidade de São Paulo, Ernestine M. Bastian,
já em 1.979 relatava a importância da Enfermagem Geriática e Gerontológica...
“...a enfermagem geriátrica preocupa-se com a detecção das necessidades de
enfermagem de pessoas idosas, com o planejamento e a implementação da
assistência de enfermagem a fim de atender a estas necessidades e com a
avaliação da eficácia e eficiência desta assistência em conseguir manter em nível
de bem-estar consistente com as limitações impostas pelo processo de
envelhecimento...” p. 17
E diz ainda, que a Enfermagem Geriátrica adapta processos comuns de
assistência às necessidades específicas da pessoa idosa, pois a enfermeira sabe que há
fatores implicados na idade avançada que fazem com que o idoso seja diferente dos outros.
Fatores como a idade cronológica, efeitos do processo de envelhecimento, a multiplicidade
de perdas que o idoso sofre, as diferentes formas das doenças na idade avançada, o efeito
cumulativo de múltiplas incapacidades e/ou processos degenerativos, inclusive valores
culturais associados ao geronte. Bastian (1.979) ainda cita como competência da
Enfermeira Gerontóloga:
“...a utilização do conhecimento dos processos de envelhecimento para o
planejamento da assistência de enfermagem e dos serviços para melhor atenderem
à promoção da saúde, longevidade, à independência e ao nível mais alto do
funcionamento
da pessoa idosa... utilização do conhecimento sobre o
envelhecimento para aumentar e tornar mais satisfatória a vida, incluindo a
promoção, a manutenção e reabilitação da saúde do idoso.” p. 18
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Percebo nas citações de Bastian, há mais de 20 anos, a preocupação em
diferenciar a assistência de Enfermagem às pessoas idosas. Segundo Néri citada por Maciel
(1.999), identificar as virtudes da idade madura é questão existencial.
Papaléo (1.996), declara que ocorre uma diminuição da capacidade de
manutenção do equilíbrio homeostático, tal diminuição de capacidade em condições basais
não é suficiente para produzir distúrbio funcional, porém este declínio tende a crescer com
o passar do tempo, e será suficiente para colocar o idoso e principalmente o longevo mais
próximos a distúrbios homeostáticos, com redução severa das diversas funções orgânicas, e
assim, aumentando a probabilidade de morbidade se ocorrerem problemas patológicos
nesses órgãos.
Entendo que o processo de envelhecimento não significa adoecer, mas deixa o
geronte mais fragilizado, com limitações e maiores probabilidades de adoecer, visto que
todo o seu organismo apresenta uma redução na capacidade funcional. Assim, qualquer
agravo que acometa o idoso, pode deixar seqüelas maiores do que se ocorresse em uma
outra etapa de sua vida. Nesse sentido, compreendo que a assistência diferenciada de
Enfermagem é um fator importante. Citando como exemplo a filtração glomerular reduzida
em cerca de 35% a 50%, alterando a capacidade de concentração e diluição urinária,
Carvalho Filho in Papaléo Netto (1.996), condições de sobrecarga de medicamentos podem
levar a uma descompensação volêmica e cardíaca, podendo inclusive ser risco para uma
insuficiência renal aguda.
Tais fatores associados a uma “economia” feita durante todo o processo vital,
contribuem negativa ou positivamente para o envelhecimento e pode privar o idoso de uma
“margem de segurança”, aumentando a susceptibilidade às doenças e às incapacidades,
agravando o prognóstico, e aumentando o número de idosos com condições que foram
denominadas por Chaimowicz (1.998), de “Gigantes da Geriatria”.
Todo profissional de saúde, não só o da equipe de Enfermagem, que irá atender
ao indivíduo que necessita de cuidados de saúde ou até de internação, deve conhecer
premissas pertinentes ao processo de envelhecimento, identificar a diferença entre o
envelhecimento biológico e a doença, e ainda conhecer a ação do envelhecer sobre os
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mecanismos fisiológicos e farmacocinéticos, entender as peculiaridades das patologias
nessa faixa etária e prestar uma assistência correta.
Anderson in Prado (1.998), enfatiza que os serviços básicos de saúde para os
idosos deveriam estar aptos a diagnosticar e tratar problemas, e ainda reforça a necessidade
de
uma
equipe
multi-interdisciplinar.
Sugere
a
necessidade
de
orientação
e
acompanhamento do idoso e de sua família visando melhorar as condições de vida,
adaptando o ambiente, oferecendo maior conforto domiciliário. Dessa forma estariam
prevenindo agravos como acidentes em domicílio, aumentos exorbitantes de pressão
arterial, descompensação de diabetes, obesidade ou desnutrição, e tantos outros agravos
que podem ser evitados, levando-nos a entender que uma orientação adequada e um bom
acompanhamento desses indivíduos estariam sanando vários agravos e até controlando o
peso e sobrepeso, e fatores emocionais, já que são predisponentes e ou agravantes a vários
tipos de doenças.
IV.
O ensino médio de Enfermagem
è
Currículo em vigor
Segundo Horr (1.997: p. 87-89), o ensino de nível médio de enfermagem é
orientado pelos instrumentos normativos Lei nº 5.962/71 (art 4º e 3º), Parecer/Conselho
Federal de Educação (CFE) nº 45/72, Parecer/CFE nº 3.814/76 e Resoluções CFE nº 07 e
08/77, ou enquanto o Ministro da Educação não se pronunciar , visto que regulamentou a
implantação de diretrizes por meio do Parecer 45/72. A formação dos Auxiliares de
Enfermagem e Técnicos de Enfermagem conduz-se ainda, pela Resolução nº 7/77 do
extinto Conselho Federal de Educação que determina “as modalidades de ensino, a carga
horária dos cursos e as disciplinas obrigatórias”.
Para o desenvolvimento dos cursos os alunos devem cursar disciplinas
instrumentais e disciplinas profissionalizantes. As disciplinas instrumentais, ou seja, que
são pre-requisitos para as disciplinas profissionalizantes.
As disciplinas instrumentais são:
• Higiene e Profilaxia;
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• Estudos Regionais;
• Anatomia e Fisiologia Humanas;
• Microbiologia e Parasitologia;
• Nutrição e Dietética.
As disciplinas profissionais são:
• Introdução à Enfermagem,;
• Noções de Administração de Unidades de Enfermagem;
• Enfermagem Médica;
• Enfermagem Cirúrgica;
• Enfermagem Materno-Infantil;
• Enfermagem Neuropsiquiátrica;
• Enfermagem em Saúde Pública;
• Psicologia Aplicada e Ética Profissional.
O decreto, no art 7º, estabelece ainda, segundo Horr (1.997), que estudos
devem ser realizados para o estabelecimento de diretrizes curriculares e para a
identificação do perfil e competências, com a participação dos setores interessados,
inclusive de trabalhadores e empregados.
O profissional de nível médio de Enfermagem deve ter como perfil:
• uma concepção crítica, conhecer a realidade social na qual está inserido, e
estar comprometido com as necessidades de saúde da população;
• possuir conhecimento e habilidades que o possibilitem executar, sob a
supervisão do enfermeiro, cuidados de enfermagem prestados ao ser humano e à
coletividade, atuar na promoção, proteção, recuperação da saúde e na reabilitação do
indivíduo ou grupos sociais, nas diferentes fases do ciclo de vida;
• desempenhar suas atividades profissionais com responsabilidade, justiça e
competência, demonstrando atitudes de responsabilidade e valorização como pessoa
humana;
• contribuir para a consolidação dos próprios direitos à cidadania e os alheios;
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• integrar a equipe multi-interdisciplinar, sendo solidário e participativo.
Além de concluir o curso de nível médio de Enfermagem, o recém profissional
dever ser inscrito no referido conselho conforme a Lei 7.498 de 25 de junho de 1.986,
regulamentada pelo Decreto nº 94.406, normatiza o exercício profissional de Enfermagem.
Assim, só podem exercer a Enfermagem as pessoas legalmente habilitadas, e inscritas no
Conselho Regional de Enfermagem, Coren, podendo ser exercida, privativamente pelo
Enfermeiro, pelo Técnico em Enfermagem e pelo Auxiliar de Enfermagem, respeitando o
grau de habilitação de cada um.
O Auxiliar de Enfermagem, sob a supervisão do Enfermeiro, tem como
competências:
• desempenhar ações de Enfermagem nos níveis de promoção, proteção,
recuperação e reabilitação da saúde do indivíduo ou grupo social, exceto os cuidados
requeridos por pacientes graves e com risco de vida;
• participar de atividades de educação para a saúde;
• participar dos processos de pesquisa em Enfermagem.
O Técnico de Enfermagem, sob a supervisão do Enfermeiro, tem como
competências:
• desenvolver ações de Enfermagem, inclusive a pacientes em estado grave,
nos níveis de promoção, proteção, recuperação e reabilitação do indivíduo e grupo social,
exceto os cuidados requeridos por pacientes com risco de vida;
• assistir ao Enfermeiro no planejamento, programação, orientação e
supervisão das atividades de assistência de Enfermagem;
• participar dos programas de prevenção e controle das doenças em geral e
em programas de vigilância epidemiológica;
• participar das atividades de educação em saúde;
• participar dos processos de pesquisa em Enfermagem.
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è
Mudança incluída no currículo:
A proposta geral dos parâmetros curriculares em Enfermagem, tem uma função
tão importante quanto a de outros conhecimentos no processo de ensino e aprendizagem.
O aluno poderá compreender a relatividade dos valores que estão engajados
nos seus modos de pensar e agir, que pode criar um campo de sentido para a valorização do
que lhe é próprio, bem como favorecer abertura à riqueza e à diversidade da realidade na
qual estamos vivendo, no exercício de uma observação crítica do que existe na cultura,
podendo criar conduções para a dimensão social, também possibilita articular significados
e valores que governam os diferentes tipos de relações entre os indivíduos na sociedade.
Reconhecendo que está havendo um aumento no número de idosos, e que
consequentemente haverá uma contingência na demanda e presença maciça dos indivíduos
idosos nos serviços de saúde. E considerando, ainda, uma necessidade do aluno em
vivenciar situações de assistência ao idoso dentro da instituição hospitalar, bem como fora
dela, possibilitando a apreensão de um cuidado diferenciado, de respeito e valorização à
pessoa idosa, pensou-se em incluir uma disciplina, incorporando o idoso como mais uma
fase de desenvolvimento natural do ser humano.
Se as demais etapas de vida do homem (concepção, nascimento, infância, ...)
ou situações de vida (gestação, acidentes, doenças, ....) são necessárias tantas horas de
conteúdo para qualificar o futuro profissional para o cuidado, porque a 3ª idade não merece
a mesma atenção para alcançar direito a uma assistência de acordo com as suas
especificidades?
Pensando nestas transformações, a disciplina de Enfermagem Geriátrica e
Gerontológica foi incluída no currículo dos cursos de nível médio, dentro do elenco das
disciplinas profissionalizantes, com caráter
obrigatório. A disciplina tem carga horária
teórica e carga horária prática.
Essas mudanças já são previstas no Decreto que propõe a estruturação do
currículo dos cursos de nível médio de Enfermagem, promovendo uma articulação entre o
ensino médio e a formação do cidadão, capacitando-o tecnicamente e politicamente,
situando-o com as novas realidades demográficas.
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Em 13 de março de 1.997 saiu publicado, em edital no Diário Oficial, a
aprovação pelo Conselho Estadual de Educação do Espírito Santo, para o funcionamento
da Escola Técnica de Saúde do Espírito Santo (ETESES), localizada em Vitória,
ministrando os cursos de Auxiliar de Enfermagem, Técnico de Enfermagem e
Complementação para Técnico de Enfermagem, cuja autorização de funcionamento é
CEE/ES nº 54/97.
Atualmente a escola oferece cursos de Auxiliar de Enfermagem com duração
de 10 meses, e como pré-requisito, o aluno deve ter concluído o primeiro grau; o curso
Técnico de Enfermagem tem duração de 15 meses, com pré-requisito de o aluno ter
concluído o segundo grau, e para o curso de Complementação para Técnico de
Enfermagem com duração de 6 meses, o aluno deverá ter concluído o segundo grau e o
curso Auxiliar de Enfermagem. As aulas teóricas desses cursos são oferecidas nos horários
matutino, vespertino e noturno, de segunda a sexta-feira, e as aulas práticas são oferecidas
durante a semana fora do horário da aula teórica ou em finais de semana, conforme a
disponibilidade do aluno.
A primeira turma de Auxiliar de Enfermagem iniciou em 14 de abril de 1.997 e
atualmente estamos com a décima terceira turma. A primeira turma de Técnico de
Enfermagem teve início em 1º de fevereiro de 1.999 e estamos com a sexta turma. E ainda
já formaram duas turmas de Complementação para Técnico de Enfermagem.
A grade curricular foi mudada a partir da oitava turma de Auxiliar de
Enfermagem, da primeira de Técnico de Enfermagem e de Complementação para Técnico
de Enfermagem, quando foi acrescentada ao currículo a disciplina de Enfermagem
Geriátrica e Gerontológica.
Ainda a inclusão da disciplina se justifica visto que está ocorrendo toda uma
transformação social, segundo os dados estatísticos, e a necessidade de assistência
diferenciada ao idoso, conforme já abordado anteriormente.
Dada a realidade do cuidado fragmentado à saúde do idoso, incluindo-o numa abordagem
do cuidado ao adulto, a educação para instrumentalização dos profissionais, tanto se torna
importante para assistência formal ou informal e a formação de recursos humanos, torna-se
extremamente importante, tornando a assistência diferenciada ao idoso, com cuidados
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específicos conforme a etapa do ciclo vital, pois têm maior fragilidade para maiores
complicações dos agravos à saúde, bem como suas dependências aumentadas devido à
quantidade de fármacos usados.
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3ª Parte
I.
Aspectos metodológicos:
Este trabalho é descritivo, de abordagem qualitativa, caracterizado como
estudo de caso, que usa aspectos quantitativos apenas para informações básicas. Triviños
(1.992) relata que nesse estudo o tratamento estatístico apenas serve de apoio para a análise
qualitativa.
Segundo Triviños (1.992) existem vários estudos sobre estudos de casos, sendo
um deles o estudo de caso histórico ou organizacional, cujo interesse do pesquisador recai
sobre a vida de uma instituição, a qual pode ser uma escola, uma universidade ou um
clube, e não se presta a generalizações.
O presente trabalho monográfico foi realizado em uma escola de nível médio
de Enfermagem de Vitória, durante o período de Junho/Julho de 2.000.
•
Cenário da pesquisa:
Foi utilizada a Escola Técnica de Saúde do Espírito Santo, ETESES, situada no
município de Vitória, no Espírito Santo.
•
Sujeito da pesquisa:
Para desenvolvimento deste trabalho, abordei somente os alunos de nível
médio do curso Técnico de Enfermagem, dos turnos matutino e noturno, que estavam na
escola, e já haviam concluído a disciplina teórica de Enfermagem Geriátrica e
Gerontológica, totalizando 64 alunos. Foram escolhidos os alunos do curso Técnico de
Enfermagem pois a exigência para matricular-se neste curso é ter concluído o segundo
grau. Dessa forma acredito que tais alunos apresentam uma formação escolar mais
aprofundada e uma bagagem de conhecimentos maior, parecendo estar mais bem
preparados e com maior maturidade.
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•
Coleta de dados:
O instrumento utilizado para a coleta de dados foi um formulário semi-
estruturado (ANEXO B), distribuído durante o desenvolvimento do curso. Neste período
de coleta de dados, os alunos já haviam concluído a disciplina teórica de Enfermagem
Geriátrica e Gerontológica, e alguns alunos já haviam concluído, inclusive a parte prática,
porém cursando outras disciplinas
Todos os instrumentos foram devolvidos, porém apenas 60 foram aproveitados,
pois os demais não estavam com todos os itens preenchidos com clareza.
•
Aspectos éticos:
Confidencialidade:
Em nenhum momento da coleta de dados houve o objetivo de identificar o
nome do aluno no instrumento de coleta, porém era necessário que se fizesse uma
caracterização dos alunos com relação ao processo de envelhecimento e à disciplina. A não
identificação dos nomes ainda ficou clara no convite distribuído junto com o instrumento
de coleta de dados (ANEXO A), podendo o aluno expressar-se, sem receios, sobre a
disciplina.
Ao serem feitas as fotografias durante as aulas práticas, os alunos foram
questionados quanto à publicação dessas fotos, sendo algumas feitas pelos próprios alunos
e doados à professora. Alguns idosos foram fotografados e também permitiram a
publicação das fotos, e ainda consta um termo de consentimento (ANEXO D), assinado
pela administração da instituição asilar, permitindo nossas atividades e publicação das
referidas fotos.
Termo de consentimento:
O estudo foi desenvolvido em uma escola de nível médio de Enfermagem,
estando todos os diretores da escola cientes da elaboração deste estudo, conforme o termo
de consentimento (ANEXO C).
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Ainda consta no termo de consentimento a autorização para publicação deste
estudo.
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4ª Parte
I.
Apresentação e discussão dos dados:
Os dados coletados serão discutidos e apresentados em tabelas, apenas para
facilitar a caracterização dos sujeitos e possibilitar as discussões. Para melhor compreensão
do estudo, separei o instrumento em 3 categorias: a caracterização dos alunos; a
expectativa quanto ao processo de envelhecimento , e a assistência ao idoso.
è
Caracterização dos alunos
TABELA 1
Distribuição dos alunos do curso Técnico de Enfermagem
conforme a idade e o sexo.
Faixa etária
Feminino
Masculino
Nº de alunos
15 – 20
13
01
14
21 – 25
17
04
21
26 – 30
13
02
15
31 – 35
06
-
06
36 – 40
02
-
02
+ 41
01
01
02
Total
52
08
60
Segundo Silva citada por Prado (1.997), no Brasil o processo de
profissionalização, na área de Enfermagem, efetuou-se através da arregimentação, de
parcelas diversificadas da população feminina, com vinculações de classes diversas.
Atualmente, apesar de ter havido uma abertura à participação masculina, ainda
ocorre uma predominância da força feminina.
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A TABELA 1 mostra que, das 60 pessoas que participaram da pesquisa, 52 são
do sexo feminino. Situação que podemos considerar como verdadeira na Enfermagem, pois
o quantitativo de mulheres ainda é maior na força de trabalho.
TABELA 2
Experiência de trabalho
Faixa
Experiência
Apenas no
Fora do estágio, no
Fora do estágio,
estágio
hospital
outros
15 – 20
14
07
-
21 – 25
11
05
03
26 – 30
10
02
-
31 – 35
04
-
-
36 – 40
02
-
-
+ 41
02
-
-
Total
43
14
03
etária
Esta tabela objetiva mostrar apenas a experiência do aluno do curso de Técnico
de Enfermagem relacionando-o com a vida profissional. Como se pode observar,
(TABELA 2), 43 respostas foram referentes às experiências apenas no estágio, ou seja, a
maior parte das pessoas só possui experiências de Enfermagem obtidas durante os estágios.
Além do estágio oferecido durante o curso de Técnico de Enfermagem, 3 pessoas
trabalham em outras atividades que não seja a Enfermagem. Outras 14 pessoas trabalham
em setores hospitalares, e tais setores foram assim distribuídos: pronto atendimento,
unidade de terapia intensiva, patologia clínica, endoscopia digestiva, 2 em clínica médica,
2 em clínica cirúrgica, banco de leite, unidade de terapia intensiva neonatal, farmácia, e 2
respostas na central de materiais esterilizados, isto significa que as pessoas além da
experiência de estágio, já trabalham nesses setores.
Podemos observar que poucas pessoas possuem experiência de trabalho, este
fato pode estar relacionado com a faixa etária da maioria dos alunos, entre os 15 e 25 anos,
refletindo que esses indivíduos jovens buscam uma profissão, ou que não conseguem
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conciliar a escola e o trabalho. Ainda um fato importante é que as aulas práticas são
oferecidas simultaneamente com as aulas teóricas, assim dificulta ainda mais ao aluno
conciliar escola com trabalho.
Outro fato interessante para reflexão é a procura pelos cursos de Enfermagem.
A atuação da Enfermagem abrange um campo bem amplo, além do crescente número de
hospitais que estão sendo abertos na Grande Vitória, a implementação dos programas de
atenção à família e a assistência domiciliária, são fatos que parecem justificar este estímulo
à procura dos cursos de Enfermagem.
TABELA 3
Contato com pessoas idosas
Contato\fx etária
15-20
21-25
26-30
31-35
36-40
+ 41
Na vida diária
11
18
13
05
02
01
No trabalho
03
08
01
03
-
01
No estágio
14
21
15
06
02
02
Acompanhante
-
-
01
-
-
-
Colegas idosos
-
05
01
01
01
-
Durante o curso Técnico de Enfermagem os alunos desenvolvem várias
disciplinas, como será explanado em outro momento, tendo então a oportunidade de
cuidarem de idosos durante os estágios, uma vez que o número de idosos nas unidades de
internação é significativo.
Gostaria, porém de identificar se na vida cotidiana esse contato se faz de modo
abrangente, visto que a população idosa tem aumentado cada vez mais. A tabela acima
parece mostrar que alguns alunos têm a chance de lidarem com pessoas idosas no trabalho
ou até como acompanhante de idosos.
Nas clínicas médicas e cirúrgicas os alunos encontram maior número de
pessoas idosas, aumentando assim a oportunidade de contato durante os estágios como será
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abordado posteriormente. Além do contato durante os estágios, 48 respostas foram
referentes a contatos na vida diária, considerando que essas respostas referem-se a
convívio com familiares, avós, pais, tios, e outros, e o que parece é que as pessoas que
mais têm contato com os idosos são as pessoas entre 15 e 25 anos.
Na maioria das vezes as pessoas dessa faixa etária têm avós morando com a
família. 16 respostas foram referentes ao contato no trabalho e 8 pessoas têm amigos
idosos. Esses amigos idosos podem fazer parte do convívio social, ou seja, são amigos que
moram no bairro, na mesma rua, são vizinhos, ou moradores do mesmo prédio, ou ainda
amigos da família.
Parece-me que todas as pessoas de uma forma ou de outra convivem com
pessoas idosas. Os idosos estão ocupando mais espaço, estão presentes nos ônibus,
cinemas, clubes, teatros, nas praias, igrejas, nos supermercados, enfim em todos os locais,
visto que a população idosa está aumentando.
è
A expectativa quanto ao processo de envelhecimento
Quando somos jovens o envelhecimento parece-nos algo tão distante... Nossos
pais e avós estão sempre nos dizendo: “você é tão jovem...” ou “você tem uma vida inteira
pela frente...” E realmente as atividades do dia-a-dia são tão absorventes, que consomem
todo o nosso tempo, e dificilmente paramos para pensar em um plano de aposentadoria, ou
o que estamos fazendo para envelhecermos com saúde.
Durante a disciplina teórica de Enfermagem Geriátrica e Gerontológica,
desenvolvo uma dinâmica na qual os alunos devem responder e ilustrar a resposta da
seguinte pergunta: “o que eu vou ser e/ou fazer quando envelhecer?” A resposta parece ser
fácil, mas não é. A maioria dos alunos tem dificuldades em responder à pergunta. Situação
que não é tão diferente do demonstrado abaixo (TABELA 4).
TABELA 4
Sobre o processo de envelhecimento
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Sexo
Envelhecimento
Feminino
Masculino
Total
Sim
30
05
35
Não
21
03
24
Não respondeu
01
-
01
Total
52
08
60
Alguns alunos já haviam pensado sobre o próprio processo de envelhecimento.
Podemos refletir se esse pensamento veio em decorrência do contato com os idosos
durante os estágios, ou se porque a presença do idoso está mais freqüente no dia-a-dia, ou
ainda porque eles já cursaram a disciplina de Enfermagem Geriátrica e Gerontológica...
mas o que mais estimula a minha reflexão sobre o próprio processo de envelhecimento, é o
fato das pessoas pensarem no envelhecimento como aspecto positivo, ou pensarem nos
aspectos negativos que esse envelhecimento pode trazer.
Acredito que o contato com idosos e o fato de já terem cursado a disciplina de
Enfermagem Geriátrica e Gerontológica pode ter interferido nas respostas, pois a maioria
dos alunos já pensou sobre o envelhecimento e os fatores que desencadearam esse
pensamento foram, na maioria das respostas, com pensamento de aceitação da velhice
como parte da vida, seguido pelo medo de envelhecer, perder os direitos de cidadão, medo
da solidão e de maus tratos. Abaixo algumas respostas dos alunos para ilustrar tal situação,
sendo que para cada resposta se pode abrir um leque de discussões:
“penso como coisa natural, não me estresso com isso, pois aprendi muito e
aprendo com pessoas idosas.”
“o envelhecimento é coisa natural.”
“sempre me imaginei como um idoso independente, mas depois da disciplina,
aprendi que para ser um idoso independente você tem que ter um plano de vida
saudável a partir de agora.”
Adriani Geralda Ribeiro
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“quando me olho no espelho e percebo que algo em minha fisionomia vai
mudando”.
”envelhecer é uma das certezas da vida.”
“trabalhando nesse setor, paro e penso que posso ser um deles amanhã, portanto
temos que saber viver saudavelmente, para não termos complicações, por não nos
cuidar enquanto jovens!”
“envelhecimento saudável, cercada pelo amor e carinho dos filhos.”
“confesso que tenho medo de não ser bem tratado, como trato os idosos que
conheço.”
“antes da disciplina não tinha pensado, mas agora tenho outra visão, começo a me
preparar para a velhice.”
“tenho medo de envelhecer sozinha, sem filhos.”
“pensei bem melhor quando estudei Enfermagem Geriátrica e Gerontológica.”
“até mesmo pelo convívio com diferentes idosos, às vezes me colocava no lugar
deles.”
“pensava como seria o processo de envelhecimento, hoje eu penso: será que
quando eu for idosa, o preconceito ainda vai existir?... e eu?...serei respeitada?”
O velho sofre várias perdas, as quais na maioria das vezes é maior e mais
intensa do que em outras fases da vida. Assim como as crianças fazem suas descobertas e
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sentem-se inseguras, os adolescentes com suas crises de criança-adulto, o adulto com todas
as responsabilidades da vida adulta, o idoso também sente a angústia, o medo do novo, e o
desejo de manter uma situação semelhante à antiga, a iminência da morte, a fragilidade
perante doenças, são fatores que podem levar o idoso a ser um pouco inseguro, ou até
mesmo a um ponto de negação da própria idade.
Claro que cada indivíduo pensa de forma única, pois sendo único e especial,
cada um desenvolve seu próprio processo de envelhecer. E mesmo que apontem pontos
negativos para o envelhecimento, sempre se pode indicar um avô alegre, participativo, um
idoso, admirável, seguro, afável, ou até que cause inveja a muitos.
Sendo assim, enquanto alguns pensam na velhice, outros ainda continuam,
talvez com receios, e as respostas negativas tiveram como justificativas também o medo de
envelhecer, levando a pessoa a não pensar no processo, além da preocupação com o
presente ser mais importante. Assim, vejamos algumas respostas:
“não parei para pensar no meu envelhecimento.”
“deixo para pensar nisso quando morrer...”
“pelo motivo de estar muito jovem.”
“porque tenho medo só de pensar, então prefiro deixar acontecer e não ficar
imaginando.”
“espero pensar no futuro, na hora dos acontecimentos, assim eu vou me
habituando aos poucos.”
“nunca me preocupei com isso...”
“achava que seria triste, sem opções.”
Ainda se considerarmos Atkinson (1.985), o sim para o pensamento no próprio
processo de envelhecimento pode estar relacionado ao convívio desses alunos com os
idosos, ou ainda por estarem vendo na mídia o descaso com que são tratados os idosos, ou
ainda pelo próprio processo de transformação e do envelhecimento populacional, leva o
indivíduo a planejar a velhice, principalmente com relação à aposentadoria.
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Os alunos demonstram durante a disciplina que possuíam uma visão totalmente
deturpada do idoso. Antes de cursarem Enfermagem Geriátrica e Gerontológica os alunos
relacionam o idoso com palavras taxativas, na maioria das vezes pejorativas. Tais palavras
relatam uma “visão” relacionada a aspectos biológicos e psicossociais, conforme destaque
feito nas classificação de Atkinson (1.985), para melhor ilustração:
Aspectos biológicos:
• doença
• discriminação
• frágil e incapaz
• assexuado
• frágil e incapaz
• lento
• com limitações físicas
A situação da velhice, com certeza, está muito relacionada com os aspectos
biológicos, mas que sozinhos não definem esse estado vital, a dimensão social e
psicológica do indivíduo que envelhece também são importantes, e podem até ser fontes de
influências. Papaléo (1.996), relata as várias alterações ocorridas em cada sistema
orgânico, mas essas alterações, não necessariamente estão relacionando o idoso com
doenças. As limitações existem, porém não fazem do idoso um inválido.
Nas últimas décadas a medicina tem contribuído com o aumento demográfico,
disponibilizando recursos que ampliam o tempo de vida de uma pessoa, aumentando
inclusive o tempo de vida das pessoas idosas, que, assim, permanecem por mais tempo na
sociedade.
Este pode ser um aspecto a ser pesquisado, visto que na maioria das vezes, as
pessoas “taxam” os idosos, não através dos aspectos biológicos do envelhecimento, mas
dos aspectos psicossociais.
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31
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Conforme Fraiman, (1.988), o envelhecer é um processo de modificação, tanto
na área biofisiológica como psicossocial. E a maioria das pessoas relacionam o idoso aos
aspectos psicossociais, e, pior, aspectos psicossociais negativos. Esses aspectos negativos,
muitas vezes, podem estar demonstrando que as pessoas, independente de qual faixa etária
se encontrem, fazem manobras para despertar a atenção dos outros. Todos, neuroticamente,
agimos para obter a atenção especial de alguém, Fraiman, (1.988). Quando crianças fazem
birra, jogam-se no chão, choram sem lágrimas. Os adolescentes adotam modas estranhas
para serem aceitos nos grupos. As mulheres lançam charme, e os homens “compram”
amizades. E os idosos?
Muitas vezes co-habitam com a família, ou seja, estão simplesmente ali. E o
diálogo fica no “oi vó...”, ou “tudo legal aí, né vô...”, os filhos adultos chegam e só se
preocupam em perguntar “tomou o remédio hoje?”, ou “vai lá fora pegar um solzinho...”,
ou ainda, “está sentindo alguma coisa?...”. Frases, algumas vezes, acompanhadas de um
afago rápido.
Mesmo com boas intenções tais comportamentos acabam por deixar a sensação
de que o idoso é apenas um corpo, e que se estiver com problemas chamará atenção, então
começa a aparecer a “senilidade como estratégia”, como bem coloca Fraiman (1.988),
para atender melhor às dores, o mal-estar, às dificuldades respiratórias, às idas ao médico,
às dificuldades de locomoção, e outras.
Assim os idosos despertam a atenção dos demais. Claro que os problemas
podem ser reais, mas também podem estar associados à falta de atenção.
Aspectos psicossociais:
• ranzinzas
• inútil
• solidão
• incapaz
• espera a morte
• frágil e incapaz
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• pessoa que dá trabalho, complicada
• indiferença
• discriminação
• desrespeito
• vida sem expectativa
• desorientado
• chato
• carente
• criança
• desnecessário ao meio social
• só servem para serem avós
• experiente
• sábio
• pessoa normal
• pessoa com história de vida
Parece que às vezes fazemos confusões entre a necessidade de atenção,
carinho, amor, e a “senilidade como estratégia” usada pelos idosos, mascarando assim os
aspectos psicossociais do envelhecimento, conforme destaque acima.
Claro que problemas senis são reais e devem ser considerados. Alguns idosos
porém, podem estar usando uma “estratégia”, e assim, o velho através da rabugice ou do
mutismo, protesta contra a morte em vida, principalmente àquela imposta pela falta de
contato e diálogo, o que não pode ser uma generalização.
TABELA 5
O que conheciam sobre o envelhecimento
Assunto
Nº de respostas
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Teorias do envelhecimento
08
Fisiologia do envelhecimento
10
Política Nacional do Idoso
08
Não sabe
38
Estudiosos como Papaléo e Borgonovi in Papaléo (1.996), tentam explicar
como e porque ocorre o processo de envelhecimento.
Embora sempre tenha existido pessoa idosa através dos tempos, somente a
partir dos anos 70 a questão do idoso passou a chamar a atenção do mundo. Várias
estratégias vinham sendo desenvolvidas pelo governo, culminando com a Política Nacional
do Idoso.
As discussões sobre a velhice vêm aparecendo na mídia... discussões e
abordagens quase sempre associadas a maus tratos que ocorrem nas instituições que
cuidam dos idosos. Pouco tem sido relacionado a assuntos que venham esclarecer a
população, quanto ao processo de envelhecimento.
Numa multiplicidade de opiniões, chegamos a vários conceitos sobre a velhice.
Conceitos que podem estar associados a aspectos sociais, biológicos e psicológicos, e
ainda, a idade cronológica, a qual foi a opção nas discussões governamentais, colocando os
60 anos como limite para a velhice, facilitando assim as discussões políticas e sociais.
Envelhecer então, não é somente um momento na vida de um indivíduo, mas
um processo extremamente complexo, com implicações tanto para a pessoa que envelhece
quanto para a sociedade, e para os que o assiste.
Muito ainda há que ser discutido e pesquisado. A própria Política Nacional do
Idoso, Lei nº 8.842, é muito recente. A lei foi regulamentada em 3 de Julho de 1.996, tendo
menos de 5 anos, sendo que a elaboração da Política Nacional de Saúde do Idoso teve
início em Outubro de 1.998, Gordilho et al (2.000).
Em âmbito estadual, o Conselho Estadual do Idoso que poderia melhor
auxiliar nas discussões com relação ao idoso, encontra-se ainda em fase de organização, e
sua posse ocorreu neste ano de 2.000.
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Assim, tem-se a impressão mais uma vez, de estarmos abordando um assunto
recente.
Percebe-se (TABELA 5) que das 64 respostas obtidas, 38 respostas foram
negativas, levando-me a pensar que a maioria das pessoas não conhece os aspectos
fisiológicos do envelhecer, desconhecem a existência de uma política social própria para o
idoso, determinando aspectos político-sociais e econômicos direcionados à pessoa idosa, e
tampouco conhecem as teorias que justificam o processo de envelhecimento. Assim, o
envelhecer se torna um processo penoso, e as pessoas sentem receios quando pensam no
próprio envelhecimento. Também fica difícil o envelhecimento saudável, pois ainda não
são tomados os cuidados adequados para envelhecerem com saúde.
Essa situação ainda parece reforçar o que já foi comentado anteriormente,
quando os alunos estavam nos estágios, antes de cursarem a disciplina de Enfermagem
Geriátrica e Gerontológica, eles apenas prestavam cuidados aos idosos, e não possuíam
conhecimentos sobre o envelhecimento, a assistência era igual, tanto para o adulto quanto
para o idoso, os alunos não diferenciavam a assistência que deveria ser prestada conforme
as diferentes etapas de vida, pois não tinham a “visão” direcionada para a assistência
diferenciada ao idoso.
è
Assistência ao idoso
Relação com outras disciplinas
Neste ponto do trabalho monográfico, senti a necessidade de verificar em quais
disciplinas os alunos teriam oportunidade de utilizar o conhecimento adquirido na
disciplina de Enfermagem Geriátrica e Gerontológica.
As disciplinas práticas de Introdução à enfermagem, Enfermagem em clínica
médica e Enfermagem em clínica cirúrgica do curso de Técnico de Enfermagem são
realizadas nas unidades de internação dos hospitais. Os alunos são agrupados conforme a
disponibilidade de horário e de campo de estágio, sempre supervisionados pela
Enfermeira-Professora.
Primeiramente é desenvolvido um bloco teórico contendo tais disciplinas:
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• Introdução à enfermagem,
• Matemática aplicada,
• Enfermagem em clínica médica, e
• Enfermagem em clínica cirúrgica,
• Enfermagem Geriátrica e Gerontológica,
E começam os estágios... agora o aluno terá aulas teóricas e práticas no mesmo
período, porém em horários diferentes. Assim, quando o aluno está fazendo a teórica de
Enfermagem Geriátrica e Gerontológica, ele já terá feito a prática de Introdução à
Enfermagem, Enfermagem em clínica médica e começando o estágio da disciplina de
Enfermagem em clínica cirúrgica.
A seguir relaciono cada disciplina dando destaque para as principais atividades
desenvolvidas pelos alunos durante o estágio:
TABELA 6
Oportunidade de atuação com idosos em outras disciplinas
Disciplinas
Nº de respostas
Introdução à enfermagem
43
Enfermagem em clínica médica
35
Enfermagem em clínica cirúrgica
20
Enfermagem psiquiátrica
06
Enfermagem saúde pública
17
Estágio extra-curricular
02
Acompanhante de idoso
01
• Na disciplina de Introdução à enfermagem: os alunos aprendem técnicas
básicas de enfermagem, como por exemplo administração de medicamento,
técnicas de curativos, balneoterapia, cateterismo naso-gástrico e vesical, e
outras técnicas básicas da profissão. Tais técnicas são desenvolvidas em
setores como clínica médica e clínica cirúrgica.
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.
• Na disciplina de Enfermagem em clínica médica: os alunos aprendem
cuidados básicos de Enfermagem que devem ser prestados aos portadores
de várias patologias. Essa disciplina é desenvolvida na unidade de
internação de clínica médica.
• Na disciplina de Enfermagem em clínica cirúrgica: os alunos aprendem
cuidados básicos de Enfermagem a serem prestados a clientes no préoperatório, trans-operatório e pós-operatório, e o estágio é desenvolvido
nas unidades de clínica cirúrgica.
Cursando essas disciplinas, os alunos ainda não têm conhecimentos sobre
geriatria e/ou gerontologia, porém já encontram idosos nas diferentes unidades de
internação das clínicas nas quais estagiam.
É importante relatar que nem todos os alunos estagiam no mesmo local, e
durante o mesmo período. Assim o contato com idosos pode ficar diferenciado para cada
grupo em determinado período. Alguns alunos tiveram contato com os idosos durante o
estágio de Introdução à Enfermagem, enquanto que para outros, esse contato foi em
Enfermagem em clínica médica, ou em outros estágios. Outros alunos tiveram ainda a
oportunidade de cuidarem de idosos em diversos estágios.
Outro aspecto importante a ser esclarecido é que os alunos prestam cuidados
sem direcionar a assistência para cada indivíduo conforme a fase do ciclo vital no qual se
encontra. A assistência prestada ao idoso é a mesma que a assistência prestada ao adulto,
até porque o aluno ainda não tem conhecimento sobre o processo de envelhecimento, pois
ainda não cursou a disciplina de Enfermagem Geriátrica e Gerontológica.
Conforme já observamos anteriormente, parece-me que todos os alunos
tiveram contato com pessoas idosas durante os estágios. Porém, em algumas disciplinas, tal
contato foi mais freqüente, como parece demonstrar a tabela abaixo (TABELA 6), sendo
assim, 43 respostas apontaram contato com idosos na disciplina de Introdução à
Enfermagem, 35 em Enfermagem em clínica médica, e 20 em Enfermagem em clínica
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cirúrgica. Podemos então perceber que nesses setores o número de idosos está aumentando
cada vez mais, conforme já abordamos os dados epidemiológicos anteriormente.
• Na disciplina de Enfermagem em saúde pública: os alunos aprendem
sobre a lei orgânica da saúde, o funcionamento das unidades de saúde, o
atendimento ambulatorial de enfermagem, e no estágio desenvolvem
atividades nas salas de vacina, de curativos, fazem triagem, visitas
domiciliárias, enfim, têm contato com pessoas supostamente saudáveis.
As unidades de saúde também parecem representar um local muito freqüentado
pelos idosos, pois eles buscam atendimento médico e de enfermagem ambulatorial, às
vezes verificam a pressão arterial, trocam curativos na unidade, ou precisam de
medicamentos, alguns fazem controle de diabetes, de hipertensão, ou ainda fazem
fisioterapia ou participam de algum programa de saúde.
Podemos citar também o investimento dos governantes na prevenção de
algumas doenças através de campanhas de vacinação para os idosos, disponibilizando
vacinas contra gripe, pneumonia, tétano e difteria.
Assim as unidades de saúde justificam as 17 respostas positivas pela
oportunidade dos alunos prestarem assistência de enfermagem ao idoso, tanto na unidade
quanto nas visitas domiciliárias.
è
A disciplina de Enfermagem Geriátrica e Gerontológica
A disciplina de Enfermagem Geriátrica e Gerontológica foi incluída no
currículo dos cursos de nível médio de Enfermagem da Escola Técnica de Saúde do
Espírito Santo, com caráter obrigatório, com uma carga horária teórica e uma carga horária
prática, como disciplina profissionalizante.
A parte teórica da disciplina é ministrada por duas Enfermeiras que estão se
especializando em Gerontologia Social, porém o estágio nem sempre é supervisionado
pelas mesmas professoras, devido ao número grande de grupos de alunos e horários
incompatíveis, impossibilitando a supervisão das mesmas Enfermeiras.
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As aulas teóricas são desenvolvidas com recursos audio-visuais (músicas,
filmes), audio-motores (músicas, movimentos físicos, dinâmicas de grupo), e visuais
(revistas, ilustrações, gravuras, transparências, textos), bem como reflexões...
As aulas são sempre dinâmicas, nas quais o aluno está sempre participando de
alguma atividade em grupo, vivência, seminários, assistindo a filmes, ou até encenando
alguma situação. Nesse sentido as aulas são muito ativas e alegres, quebrando a impressão
do aluno, de que aprender sobre o envelhecimento seja “chato demais”.
A seguir emprego os verbos na terceira pessoa do plural, pois considero o
trabalho desenvolvido em conjunto com a outra Enfermeira facilitadora das aulas teóricas...
Abordamos os seguintes assuntos destacados abaixo:
•
Epidemiologia do envelhecimento
•
Teorias e fisiologia do envelhecimento
•
Envelhecimento saudável
•
Legislação
•
Principais patologias associadas ao processo de envelhecimento
•
Finitude
•
Mecanoterapia
Iniciamos a disciplina demonstrando dados epidemiológicos com relação às
pirâmides populacionais de idade, gastos com internações, e levando o aluno a perceber o
aumento da população idosa.
São usados recursos visuais e dinâmicas de grupo para levar o aluno a perceber
o aumento do número de idosos, inclusive situando para o aluno quem é considerado idoso.
Durante a explanação dos assuntos sobre as teorias do envelhecimento,
abordamos várias teorias que justificam o processo do envelhecimento, principalmente a
teoria dos radicais livres, pois esta possibilita ao aluno associar as alterações celulares com
o envelhecimento. Assim o aluno pode identificar os fatores que predispõem o
envelhecimento precoce, e podem utilizar medidas para prevenir tal processo.
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Ao referirmos à fisiologia, aplicamos uma dinâmica, na qual cada aluno tem a
oportunidade de vivenciar as dificuldades audio-visuais, e o “peso” do envelhecimento
sobre o corpo. Logo após tal dinâmica, usamos várias gravuras de diferentes órgãos e
sistemas, demonstrando as principais alterações que ocorrem em cada órgão-sistema em
decorrência do avançar da idade, e associando essas alterações com a realidade de cada
idoso, justificando o porquê de alguns comportamentos, e as complicações e agravos que
cada alteração pode causar.
Sempre de forma bastante dinâmica, os alunos após tais informações relatam o
seguinte:
“passei a ter mais interesse pelo processo de envelhecimento, e mais compreensão do
desenvolvimento fisiológico...”
“entendi melhor o processo fisiológico...”
“melhorou a forma de tratamento, com mais atenção.”
“envelhecer não é adoecer.”
“como cuidar melhor...”
Para o envelhecimento saudável enfatizamos aspectos importantes para a
prevenção de doenças, e para prevenir o envelhecimento precoce, e como envelhecer com
saúde. Aspectos como a atividade física, alimentação, atividades de saúde mental,
participação de grupos, e outros.
Com relação à legislação discutimos vários aspectos legais relacionados às
pessoas idosas, já previstos na Constituição, no Código Penal, e abordamos também a
Política Nacional do Idoso. Conhecendo os direitos dos idosos, preconizados nas leis, os
alunos citam suas próprias opiniões, e muitos chegam a relatar:
“não são só avós , mas sim pessoas...”
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“exemplos de dignidade na sociedade, peça importante na vida.”
“direito de viver e sonhar como qualquer um”.
Referindo aos aspectos psico-sociais abordamos assuntos como trabalho,
sexualidade, os grupos de convivência , as universidades abertas, os paradigmas sociais
impostos para os idosos, e como eles se comportam quando conhecem seus direitos, e tais
observações são tecidas pelos alunos:
“o velho não é um ser insignificante , podemos aprender com ele.”
“pessoas carinhosas que não gostam da solidão.”
“necessidade de carinho.”
“atenção e respeito.”
“carinho”
“não morde... e precisa de estímulo.”
“compreensão do comportamento.”
“mais respeito e não super proteção.”
“entendi melhor a sexualidade do idoso.”
“visão quanto à necessidade de carinho de atenção.”
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“mais paciência.”
“experiência do idoso e ele nos ensina a viver.”
“idoso mais útil e qualidade de vida melhor.”
“cheio de vida e alegre.”
“compreensão.”
“que o idoso pode ser útil.”
“melhores informações.”
Ao trabalharmos assuntos que tocam muito na sensibilidade das pessoas, como
a finitude, enfocamos o atendimento domiciliário, os cuidados ao paciente idoso terminal,
levando os alunos a refletirem sobre essa fase da vida que é tão misteriosa. O morrer é
“trabalhado” de forma suave, com uma postura digna e certa para todos, e o aluno pelo
menos teoricamente, aprende a se portar diante da morte, dando apoio à família e buscando
equilíbrio para si próprio.
As principais patologias associadas ao processo de envelhecimento são
estudadas de forma simples e de fácil compreensão, possibilitando ao aluno reconhecer as
causas, sinais e sintomas, podendo assim prestar cuidados de Enfermagem aos portadores
dos agravos, e principalmente podendo prestar cuidados de Enfermagem que objetivam a
prevenção de patologias, de agravos ou seqüelas decorrentes de cada patologia.
As aulas de mecanoterapia são sempre sucesso. Os alunos aprendem e
desenvolvem atividades de relaxamento, de estímulos para reabilitação, exercícios
respiratórios, exercícios ativos e passivos, o emprego de mecanoterápicos que podem
auxiliar nas atividades, e outras atividades de estimulação mecano-motora e visual. Essas
aulas são desenvolvidas fora da sala de aula, na maioria das vezes em um parque.
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Após uma disciplina dinâmica, na qual todos os alunos participam ativamente,
a visão de cada aluno com relação à pessoa idosa parece mudar consideravelmente, pois
eles demostram compreender melhor o processo de envelhecimento e parece que passam a
entender vários comportamentos dos idosos, bem como suas necessidades e limitações.
TABELA 7
A disciplina de Enfermagem Geriatria e Gerontológica
mudando a visão do aluno com relação ao idoso:
Mudou
Nº de alunos
Sim
52
Não
08
Total
60 alunos
Na TABELA 7 obtive 8 respostas dizendo não ter mudado a visão que tinha do
idoso... isso pode ser preocupante, porém a justificativa deixou-me menos apreensiva, visto
que esses 8 alunos relatavam uma visão boa do idoso, como pessoas participativas, cheias
de experiências de vida, e importantes para a sociedade, conforme citado anteriormente. E
assim a disciplina também veio confirmar o pensamento que esses alunos já faziam do
idoso.
As aulas da disciplina de Enfermagem Geriátrica e Gerontológica são
ministradas, conforme já relatado anteriormente, com muitas dinâmicas de grupo, diversas
atividades lúdicas e catarses, para que o aluno não se sinta estático, cansado,
desmotivado...
Diante da tarefa de ser facilitadora de um processo ensino-aprendizagem da
disciplina de Enfermagem Geriátrica e Gerontológica, confesso estar na iminência de um
enorme desafio a ser cumprido.
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Procurando desenvolver a disciplina com técnicas e materiais diversificados
para melhor compreensão do processo de envelhecer por parte do aluno, e ao mesmo
tempo incentivá-lo à participação, ministramos a disciplina de forma mais informal, assim,
a parte teórica tem sido abordada conforme já relatado. Por outro lado, a dinâmica da
disciplina propõe o estudo do idoso em seu aspecto global (bio-pisico-social), a fim de
direcionar a assistência de Enfermagem.
De um modo geral as demais disciplinas do currículo são ministradas de forma
mais formal, com ênfase maior nas técnicas básicas da profissão.
Então, o “clima” ameno traduzido na avaliação do aluno com relação à
disciplina de Enfermagem Geriátrica e Gerontológica, parece refletir sua motivação ao
modo como a disciplina é desenvolvida.
As avaliações foram colocadas mais como sugestões do que como pontos de
críticas. E para melhor visualização dessas sugestões elas foram organizadas assim:
• quanto às dinâmicas:
“continuar o empenho na disciplina”
“mostrar mais filmes”
• quanto à carga horária:
“aumentar a carga horária, e mais aulas práticas”
“aumentar a carga horária para as aulas extra-classe”
“aulas teóricas e práticas paralelas”
“aumentar a carga horária”
• quanto à ampliação do assunto:
“informar à população”
“incluir a disciplina em outras escolas”
“incluir a disciplina nos cursos de ensino fundamental”
• quanto às experiências:
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“oportunidade de estágio voluntário no asilo”
“trocar experiências com outros profissionais”
“palestras feitas por idosos”
“depoimentos com idosos”
“visitar outros asilos”
“assuntos mais polêmicos, e mais contatos com os idosos’”.
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5ª Parte
Considerações finais:
O que significa a introdução da disciplina de Enfermagem Geriátrica e
Gerontológica no currículo dos cursos de nível médio de Enfermagem?
Significa a melhoria da qualidade dos serviços prestados ao idoso, pois a
qualidade dos serviços de saúde está nas mãos de trabalhadores que efetivamente estarão
comprometidos com uma relação terapêutica humana. É necessário assegurar as chances de
uma aproximação de pessoas tecnicamente preparadas e envolvidas na manutenção da
dignidade, senso crítico, e consciência ética no trabalho, aspectos fundamentais para uma
verdadeira construção da cidadania, uma vez que ela não se resume à perspectiva dos
direitos, mas inclui a aceitação dos deveres.
Também significa a qualificação do trabalhador, podendo gerar um
compromisso com a melhoria da qualidade de assistência e promoção da vida, pois tem
como premissa à saúde.
É buscar uma alternativa em aliar técnica, competência, ação política e ética. É
acreditar que a educação pode e deve conduzir as mudanças.
Ainda a inclusão da disciplina de Enfermagem Geriátrica e Gerontológica nos
currículos dos cursos de nível médio de Enfermagem, para mim, representa cumprir, em
parte, o que preconiza a Política Nacional do Idoso:
“garantir ao idoso a assistência à saúde nos diversos níveis de atendimento do
SUS;”
“prevenir, promover, proteger e recuperar a saúde do idoso, mediante
programas e medidas profiláticas;”
“incluir a geriatria como especialidade clínica para efeito de concursos
públicos federais, estaduais, do Distrito Federal e municipais;”
“adequar currículos, metodologias e material didático aos programas
educacionais destinados ao idoso;”
“inserir nos currículos mínimos, nos diversos níveis de ensino formal,
conteúdos voltados para o processo de envelhecimento, de forma a eliminar preconceito e a
produzir conhecimentos sobre o assunto;”
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Significa preparar profissionais de Enfermagem mais capacitados para
atenderem a essa clientela, que está aumentando e que precisa de uma assistência
diferenciada.
É crescimento profissional. E principalmente crescimento pessoal enquanto ser
humano, por sentir que estou tomando uma atitude, e mesmo que indiretamente,
desenvolvendo um trabalho que visa melhorar a qualidade de vida das pessoas idosas.
Inovar inclui, logicamente, oportunidades e desafios. As oportunidades
ocorrem na chance de criar, por conta das possibilidades emergidas de ampliar
conhecimentos e da expectativa gerada com a disciplina.
Inúmeros questionamentos podem surgir, porém devem se adequar às
necessidades de cada área do saber, direcionando os objetivos e facilitando a viabilização
das disciplinas de geriatria e gerontologia., alguns tais como:
•Quais experiências seriam melhores para que fosse viabilizado o conhecimento?
•Quanto à reserva de tempo global é necessária para a teoria e a prática?
•Como, quando e onde desenvolver a prática, para que o aluno incorpore a
importância do serviço prestado ao idoso e suas diversidades?
•Como acertar o ritmo e as oportunidades entre as disciplinas cursadas e a atenção
sistematizada ao idoso?
•Como se integrar com os alunos que já têm experiência, com os que têm pouca e
com os que não têm nenhuma experiência na área de Enfermagem e com a
assistência ao idoso?
•Quais recursos didáticos podem ser utilizados? Onde encontrar tais recursos?
•O que fazer para não ser uma disciplina estática, cansativa, e que venha a inovar, e
mudar a visão negativa e pejorativa que as pessoas, na maioria das vezes, têm a
respeito do idoso?
•Como abordar cada assunto relacionado ao processo de envelhecimento, e como
atuar para melhorar a qualidade de vida das pessoas idosas?
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Questionamentos como os citados acima podem subsidiar possíveis inclusões
de disciplinas de geriatria e gerontologia nos diversos níveis de ensino, porém devem ser
adaptados ao tipo de assistência que será prestada ao indivíduo idoso.
Um dos objetivos deste trabalho, foi descrever a inclusão da disciplina de
Enfermagem Geriátrica e Gerontológica nos cursos de nível médio de Enfermagem. Em
pesquisas futuras, possivelmente, poderão ser abordados vários questionamentos sobre a
assistência de Enfermagem às pessoas idosas, inclusive o impacto na assistência prestada
por profissionais que cursaram a disciplina de Enfermagem Geriátrica e Gerontológica.
Não poderia deixar de enfocar o ponto mais marcante durante toda essa
vivência com a disciplina de Enfermagem Geriátrica e Gerontológica. Não consigo
descrever a emoção e o brilho nos olhos de cada idoso, quando conseguem participar, de
alguma forma, das atividades propostas.
A princípio alguns relatam não estar com vontade de participar, ou de não
saber ler ou escrever, ou qualquer situação que o deixe incapaz. Mas a insistência na
participação com frases como “eu te ajudo...”, “você consegue...”, “vamos tentar...”, são
sempre seguidas da vontade de o idoso desenvolver alguma atividade, porém o que faltava
era o estímulo....
Após o término da atividade, os trabalhos ficam lindos, perfeitos, e a satisfação
então surge nos olhos de cada um, idoso e aluno, que desenvolveram a atividade, e o brilho
do “eu consegui...”, “fui eu quem fiz...” é o prêmio maior que qualquer pessoa pode
ganhar... principalmente por saber que com um mínimo de material, simples e barato,
podemos tirar um idoso da inércia, fazê-lo sentir-se útil, capaz e participativo.
E com relação ao aluno é muito recompensador
poder oportunizar essa
vivência de participação, oferecendo-lhe a chance de visualizar as possibilidades de cada
idoso, mudando a visão pejorativa da incapacidade da pessoa idosa... da rabugice, da
chatice. É maravilhoso visualizar nos olhos do aluno essa mudança de conceitos, e
principalmente quando eles comentam “olha... foi o senhor fulano quem fez... e eu só
estimulei...”.
Nesse momento a integração entre diferentes etapas de vida é muito grande... e
importante tanto para o idoso quanto para o mais jovem... Para o idoso por descobrir que é
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capaz de desenvolver alguma atividade, por sentir-se útil. E para o aluno por descobrir que
pode estimular e fazer a grande diferença para o idoso que está na inércia.
E ainda é gratificante, recompensador e importante, enquanto pessoa e
profissional, poder vivenciar tudo isso. Saber que está sendo feito algo, que ainda não é o
ideal, e não é para todos os idosos e/ou alunos, mas que de alguma forma estamos, eu e a
outra colega Enfermeira, fazendo um mínimo para melhorar a qualidade de vida de todos.
Estamos fazendo a diferença.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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saúde e sociedade. Belo Horizonte: Postgraduate Brasil, 1.998.
COLODETE, Paulo et al. Código de ética e outras legislações de enfermagem.
Espírito Santo: COREN, 1.999.
DUARTE, Yeda A. de O. DIOGO, Maria J. D’Elboux. Atendimento domiciliar:
um enfoque gerontológico. São Paulo: Atheneu, 2.000.
FRAIMAN, Ana Perwin. Coisas da idade. São Paulo: Hermes, 1.988.
Adriani Geralda Ribeiro
Enfermeira Coren-ES 73.505
Especializando em Gerontologia Social
51
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GONÇALVES, Paiva. O direito e o avesso da velhice. 2. ed. São Paulo: Atheneu
Cultura, 1.994.
GORDILHO, Adriano et al. Desafios a serem enfrentados no terceiro milênio pelo
setor saúde na atenção integral ao idoso. Rio de Janeiro: UNATI, 2.000.
GRINBERG, Abrahão e GRINBERG, Bertha. A arte de envelhecer com sabedoria.
São Paulo: Nobel, 1.999.
HORTA, Wanda de A. Processo de enfermagem. São Paulo: EPU, 1.979.
HORR, Lidvina et al. Educação profissional de nível médio em enfermagem:
necessidades e perspectivas. Texto e contexto enfermagem, Florianópolis, v.6, n.
esp., p. 85-112, 1.997.
MACIEL, Paulete M. A. O idoso no universo jovem. Vitória: UFES, 1.997. (Trabalho
mimeografado)
MENEZES, Ariana K. Cuidados à pessoa idosa, reflexões teóricas gerais. SBGG, In
Caminhos do envelhecer. Rio de Janeiro: Revinter, 1.994. p. 45-56.
MONTESSANTI, L. de T. et al. Anamnese clínica e geriátrica. Gerontologia, São
Paulo, v. 7, n. 1, p. 8 – 16, mar. 1.999.
PAPALÉO NETTO, Matheus. Gerontologia. São Paulo: Atheneu, 1.996.
PRADO, Marta Denise. A força de trabalho em enfermagem no estado de Santa
Catarina: uma aproximação da realidade. Texto e contexto, Florianópolis, 1.977.
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Especializando em Gerontologia Social
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TRIVIÑOS, Augusto N. S. Introdução à pesquisa em ciências sociais. A pesquisa
qualitativa em educação. São Paulo: Atlas, 1.992.
VERAS, R., COUTINHO E., COELI, C. M. Transtornos mentais em idosos: a
contribuição da epidemiologia. In VERAS, R. (Org.). Terceira idade: desafios para o
terceiro milênio. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 1.997. p. 15.
VITECK, Ivana. Assistência de enfermagem ao paciente idoso em longa permanência.
SBGG, In Caminhos do envelhecer. Rio de Janeiro: Revinter,1.994. p. 177-188.
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ANEXO A
convite
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ANEXO B
Instrumento para coleta de dados
I.
Identificação dos alunos:
a Idade: ________Sexo: () feminino () masculino
b Experiência de trabalho:
• () apenas no estágio
• () fora do estágio
c Tem contato com pessoas idosas:
• () na vida diária, em casa com parentes idosos
• () no trabalho, atendendo pessoas idosas
• () no estágio
• () como acompanhante de idosos
• () alguns colegas são idosos
• () não tenho contato
II. Processo de envelhecimento
a Você já havia pensado no seu processo de envelhecimento?
• () sim () não
• Justifique___________________________________________________
___________________________________________________________
b Que idéia você fazia do idoso antes do disciplina de Enfermagem Geriátrica e
Gerontológica?
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
c Antes da disciplina de Enf. Geriátrica e Gerontológica você sabia sobre:
() as teorias do envelhecimento
() a fisiologia do envelhecimento
() a política nacional do idoso
() não sabia
III.
Situando o ensino e a assistência ao idoso:
d Em qual (ais) das disciplinas abaixo você teve a oportunidade de utilizar o
conhecimento adquirido em Enf. Geriátrica e Gerontológica?
• () Introdução à Enfermagem
• () Enfermagem em clínica médica
• () Enfermagem em clínica cirúrgica
• () Enfermagem psiquiátrica
• () Enfermagem em saúde pública
• () Outras, qual (is)___________________________________________
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______________________________________________________________
e
A disciplina de Enf. Geriátrica e Gerontológica mudou a “visão” que você tinha
do idoso?
• () não
• () sim, o que mudou? ___________________________________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
________________________________
f Quais críticas ou sugestões você faria para melhorar a disciplina?
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
_________________________________
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ANEXO C
Termo de consentimento
Título: O ensino de geriatria e gerontologia nos cursos de nível médio de Enfermagem: um
estudo de caso.
Autora: Enfermeira Adriani Geralda Ribeiro.
Orientadora: Enfermeira Doutoranda Profª Paulete M. A. Maciel.
Objetivo do estudo: elaboração de trabalho monográfico apresentado como pré-requisito
do curso de Especialização em Gerontologia Social, oferecido pelo Departamento de
Serviço Social da Universidade Federal do Espírito Santo, a ser defendido em Agosto de
2.000.
Objetivo do trabalho monográfico: relatar a inclusão da disciplina de Enfermagem
Geriátrica e Gerontológica nos cursos de nível médio de Enfermagem.
Benefícios para a instituição:
• Compromisso profissional:
A direção da escola, consciente do envelhecimento da população, demonstra-se
comprometida com a formação de profissionais de nível médio de
Enfermagem, preparados a atenderem à demanda que começa a crescer,
prestando assistência de Enfermagem específica para tal fase do ciclo vital. Os
profissionais de nível médio de Enfermagem, formados nesta escola, baseados
em suporte técnico-científico, estão mais bem preparados para atuar em nível
institucional e domiciliário, atendendo às necessidades da pessoa idosa, sob a
supervisão do Enfermeiro Gerontólogo.
• Benefício social:
Ainda percebendo o envelhecimento populacional, a escola demonstra também
uma preocupação com a população, pois a escola está consciente da
necessidade de profissionais competentes para prestarem assistência de
Enfermagem adequada aos idosos, em nível hospitalar, evitando que agravos e
complicações possam surgir, reduzindo, assim, o tempo de internação do idoso
e os gastos elevados de verbas; e em nível domiciliário estará contribuindo para
a saúde do idoso, prevenindo agravos, seqüelas e motivos de internações, que
também colaboram para o aumento dos gastos na área de saúde.
Outro aspecto importante , além da formação de profissionais mais preparados,
a escola torna-se inovadora com a inclusão da disciplina de Enfermagem
Geriátrica e Gerontológica no currículo dos cursos de nível médio de
Enfermagem, além de cumprir o que preconiza a Política Nacional do Idoso.
Confidencialidade: este trabalho monográfico tem caráter e propósito científico, sendo
assim, de fácil acesso para estudos e pesquisas. Ainda durante a coleta de dados não foi
possível identificar os nomes dos alunos, ficando as informações colhidas em total sigilo.
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As fotografias feitas durante as aulas foram feitas com a permissão de cada aluno, dando
permissão inclusive para publicação com caráter técnico-científico.
De acordo com todos os aspectos abordados acima, a Escola Técnica de Saúde do
Espírito Santo, ETESES, concorda que seja identificado seu nome no trabalho
monográfico citado anteriormente, e concorda também que o referido trabalho seja
publicado em quaisquer eventos técnicos e/ou científicos, revistas, e outros meios de
comunicação, dos quais a autora queira participar, sem nenhum tipo de ressarcimento
financeiro para a escola, ou restrição de publicação.
______________________
Enfª Adriani Geralda Ribeiro
Autora do trabalho monográfico
__________________
Antonio José Coutinho
Diretor financeiro da ETESES
Sócio-gerente
_____________________
Maria da Penha de J. Cáo
Diretora pedagógica da ETESES
Sócia-gerente
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ANEXO D
Termo de consentimento
Título: O ensino de geriatria e gerontologia nos cursos de nível médio de Enfermagem: um
estudo de caso.
Autora: Enfermeira Adriani Geralda Ribeiro.
Orientadora: Enfermeira Doutoranda Profª Paulete M. A. Maciel.
Objetivo do estudo: elaboração de trabalho monográfico apresentado como pré-requisito
do curso de Especialização em Gerontologia Social, oferecido pelo Departamento de
Serviço Social da Universidade Federal do Espírito Santo, a ser defendido em Agosto de
2.000.
Objetivo do trabalho monográfico: relatar a inclusão da disciplina de Enfermagem
Geriátrica e Gerontológica nos cursos de nível médio de Enfermagem.
Confidencialidade: este trabalho monográfico tem caráter e propósito científico, sendo
assim, de fácil acesso para estudos e pesquisas.
Conhecendo todos os aspectos abordados acima, e conhecendo as fotografias,
os filmes e os trabalhos manuais feitos com os idosos, no período de Junho a Julho de
2.000, nas dependências da Sociedade de Assistência à Velhice Desamparada, cujas
atividades foram desenvolvidas junto com os alunos da Escola Técnica de Saúde do
Espírito Santo, e supervisionadas pela Enfermeira Especializando em Gerontologia Social
Adriani Geralda Ribeiro, a Sociedade de Assistência à Velhice Desamparada concorda que
seja identificado seu nome no trabalho monográfico citado acima, e concorda também que
o referido trabalho seja publicado nos eventos científicos que a autora julgar importante,
assim como as fotografias, os filmes, e os trabalhos manuais desenvolvidos com os idosos,
sem nenhum tipo de ressarcimento financeiro para a instituição.
Adriani Geralda Ribeiro
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