Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba FACULDADE DE CIÊNCIAS MÉDICAS DA PARAÍBA CURSO DE GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba “Novas Perspectivas para o cuidado em Enfermagem” Anais obtidos da realização da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba realizado no Campus II da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba-FCM/PB, no período de 11, 14 e 15 de Maio de 2012. Ideia João Pessoa Maio/2012 1 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba Todos os direitos reservados – Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba Editoração/Capa Magno Nicolau IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas (3.: 2012: João Pessoa, PB) A62 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba.Isabelle Cristinne Pinto Costa, Cristiani Garrido de Andrade, Kamyla Félix Oliveira dos Santos (Orgs.). - João Pessoa: Ideia, 2012. 175p. ISSN 2236-6113 1. Enfermagem. 2. Assistência Integral à Saúde. I. Costa, Isabelle Cristinne Pinto. II. IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. CDU: 616-083 EDITORA (83) 3222-5986 www.ideiaeditora.com.br Impresso no Brasil Feito o Depósito Legal 2 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba PRESIDENTE DO EVENTO OTHAMAR BATISTA GAMA DIRETORIA ADMINISTRATIVO/FINANCEIRO ANA RAQUEL BARBOSA GAMA DIRETOR ACADÊMICO JOSÉ LUÍZ PEREZ COORDENAÇÃO GERAL DO EVENTO ISABELLE CRISTINNE PINTO COSTA COMISSÃO ORGANIZADORA ANA GABRIELA PEREIRA GOMES BRUNA ROCHELLE CALADO DANTAS BRUNO EMMANUEL DE MEDEIROS PEREIRA CRISTIANI GARRIDO DE ANDRADE DANIEL GOMES NASCIMENTO DANIELA MOREIRA FIGUEIREDO GIORGIA NEVES SALES INGRID VALÉRIO VIANA DE MENDONÇA ISABELLE CRISTINNE PINTO COSTA JACIANE HONÓRIO VERÍSSIMO JONATHAN CORDEIRO DE MORAIS JONATHAS DAVID MENDES LEÃO KAMYLA FÉLIX OLIVEIRA DOS SANTOS LUARA DA SILVA PEREIRA MAHYRA MONTEIRO COUTINHO NATHÁLIA VASCONCELOS BRAZILIANO RAISSA LINS VIEIRA DA SILVA SANDRA EUGÊNIA BARRETO PEREIRA ROJAS SUÊNIA ISABEL LEITE DOS SANTOS SUSAN DE ALENCAR SILVA 3 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba VILYANE TRIGUEIRO MARINHO VINÃ-DEL-MAR DA SILVA MARTINS COMISSÃO CIENTÍFICA ALANA TAMAR OLIVEIRA DE SOUSA CRISTIANI GARRIDO DE ANDRADE DANIELA MOREIRA FIGUEIREDO GILANNE DA SILVA FERREIRA ISABELLE CRISTINNE PINTO COSTA KAMYLA FÉLIX OLIVEIRA DOS SANTOS KARLA MARIA DUARTE DA SILVA 4 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba SUMÁRIO Trabalhos Completos HANSENÍASE: PRODUÇÃO CIENTÍFICA EM PERIÓDICOS ONLINE NO ÂMBITO DA ENFERMAGEM..................................................................................... 08 CUIDADOS PALIATIVOS EM UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA: PRODUÇÃO CIENTÍFICA EM PERIÓDICOS BRASILEIROS............................. 19 EDUCAÇÃO NA FORMAÇÃO PROFISSIONAL DE ENFERMAGEM: PRODUÇÃO CIENTÍFICA NO ÂMBITO DA EDUCAÇÃO................................... 28 CUIDADOS PALIATIVOS NO DOMICÍLIO: PRODUÇÃO CIENTÍFICA NO ÂMBITO DA ENFERMAGEM..................................................................................... 40 DEPRESSÃO PUERPERAL: UM ENFOQUE LITERÁRIO.................................... 49 PROPOSTA DE ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM PARA PACIENTES EM HEMODIÁLISE............................................................................................................... 58 ENFERMAGEM E O INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO: REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA............................................................................. 77 VÍNCULO AFETIVO MÃE E FILHO: UMA EXPERIÊNCIA NA ADOLESCÊNCIA.......................................................................................................... 89 INDICADORES DE QUALIDADE NAS UTI.............................................................. 101 ADMINISTRAÇÃO DE CONFLITOS E A ENFERMAGEM................................... 110 ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO TRAUMATISMO CRANIOENCEFÁLICO: ESTUDO EXPLORATÓRIO............................................ 120 5 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba Resumos Expandidos LEISHMANIOSE TEGUMENTAR: MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS E FORMAS DE PREVENÇÃO....................................................................................... 133 O CUIDADO DE ENFERMAGEM AO PORTADOR DE ALZHEIMER: REVISÃO DE LITERATURA..................................................................................... 136 VIVENCIANDO UM GRUPO DE EDUCAÇÃO EM SAÚDE: EXPERIÊNCIAS DE GESTANTES........................................................................................................... 140 ESPIRITUALIDADE NO APROXIMAR DA MORTE: ESTRATÉGIA ADOTADA PARA HUMANIZAR O CUIDAR EM ENFERMAGEM................... 144 CUIDADOS PALIATIVOS NA TERCEIRA IDADE: PRODUÇÃO CIENTÍFICA NO ÂMBITO DA SAÚDE.................................................................... 146 AIDS NO IDOSO: UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA.......................................... 150 CUIDADOS PALIATIVOS EM PACIENTES COM CÂNCER: UMA REVISÃO DE LITERATURA..................................................................................... 154 CONDUTA DE ENFERMAGEM NAS SÍNDROMES HEMORRÁGICAS PÓSPARTO: PREVENINDO A MORTALIDADE MATERNA..................................... 158 ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM A CLIENTE COM ÚLCERA VENOSA UTILIZANDO A NANDA............................................................................................. 162 TRATAMENTO DE ÚLCERA VENOSA EM PACIENTES DIABÉTICO: UM ESTUDO CLÍNICO....................................................................................................... 166 COMUNICAÇÃO: VIVÊNCIA DE ENFERMEIROS COM O PACIENTE EM FASE TERMINAL......................................................................................................... 171 6 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba IV SEMANA DE ENFERMAGEM DA FACULDADE DE CIÊNCIAS MÉDICAS DA PARAÍBA TRABALHOS COMPLETOS 7 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba HANSENÍASE: PRODUÇÃO CIENTÍFICA EM PERIÓDICOS ONLINE NO ÂMBITO DA ENFERMAGEM Fernanda Carla Guedes Cunha (relator)1 Cristiani Garrido de Andrade2 Carlos Eduardo Guedes da Silva3 Isabelle Cristinne Pinto Costa4 Ana Camila Garrido de Andrade5 Kamyla Félix Oliveira dos Santos6 RESUMO A hanseníase é uma doença crônica, que pode originar diversas consequências para os seus portadores, devido às lesões que os incapacitam física e psicologicamente. A Enfermagem tem um papel essencial em relação aos portadores dessa enfermidade, por isso deve prestarlhes uma assistência integral e humanizada. O estudo teve como objetivo caracterizar a produção científica acerca da hanseníase em periódicos online, no âmbito da Enfermagem, no período de 1995 a 2010. Trata-se de uma revisão bibliográfica, consubstanciada na literatura pertinente à temática Para tanto, realizou-se uma busca nas bases de dados da Biblioteca Virtual em Saúde. A partir do descritor ―hanseníase and enfermagem‖ e dos critérios de inclusão, a amostra foi constituída por treze publicações. Após o levantamento do material empírico, constatou-se que o período de 2008 correspondeu ao maior número de publicações. No que concerne às modalidades de publicação, observou-se que a maioria se apresentou artigos originais (85%). Em relação aos enfoques contemplados no estudo, foram identificadas duas categorias: a enfermagem e os aspectos clínicos epidemiológicos da hanseníase; assistência de enfermagem ao paciente portador de hanseníase. Ficou constatado que a produção científica acerca da hanseníase, no âmbito da enfermagem, necessita de uma maior consolidação na pesquisa, haja vista o quantitativo ínfimo de publicações encontradas. Diante desse contexto, ressalva-se a importância de o profissional de Enfermagem ampliar através da maneira de atuar, através da prestação de uma assistência de qualidade. Descritores: Hanseníase. Enfermagem. Saúde Pública 1 Graduanda em Enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. Técnica em Enfermagem do Setor de Doenças Infecto Contagiosas do Hospital Universitário Lauro Wanderley – HULW. Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. E-mail: [email protected] 2 Enfermeira. Fonoaudióloga. Especialista em Saúde Coletiva, com Ênfase na ESF-FASER. Mestranda em Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba – UFPB. Docente em Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. E-mail: [email protected]. 3 Enfermeiro Intensivista. Graduando em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. Servidor Público do Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena. Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. E-mail: [email protected]. 4 Enfermeira. Fonoaudióloga. Mestre em Enfermagem. Especialista em Saúde Coletiva, com Ênfase na ESFFASER. Doutoranda em Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba. Membro do Núcleo Gestor da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. E-mail: [email protected]. 5 Graduanda em Enfermagem pela Faculdade Santa Emília de Rodat. Faculdade Santa Emília de Rodat. E-mail: [email protected]. 6 Enfermeira. Mestranda em Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba – UFPB. Docente em Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. E-mail: [email protected]. 8 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba INTRODUÇÃO A hanseníase é uma doença crônico-granulomatosa, que representa um imperioso problema de saúde pública, não somente pelo grande número de pessoas que acomete, como também pelas incapacidades que produz, atingindo, sobretudo, a faixa etária economicamente ativa (BRASIL, 2010). A referida patologia ocorre de forma endêmica nos países do Terceiro Mundo, em particular na Ásia, na África e nas Américas do Sul e Central, locais onde se encontram os focos mais graves da doença no âmbito mundial. Entre esses, o Brasil ocupa lugar de destaque, estando atrás apenas da Índia ao número de casos (BERNARDI; MACHADO, 2004). É importante mencionar que, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil é considerado um país de alta endemicidade, devido ao seu coeficiente de prevalência ser maior de 1,0 por mil habitantes, tendo cerca de 280.000 doentes registrados e prevalência de 1,8%, o que configura a existência de 500 a 750.000 doentes (MARCHESE; MARCHESE; RIVITTI, 2002). Nesse prisma, a hanseníase requer medidas que devem ser compartilhadas por uma equipe multidisciplinar, em todos os níveis de atenção de saúde. O diagnóstico, o tratamento e a cura são prováveis, inicialmente, no âmbito da atenção básica (AB). As incapacidades físicas podem ser evitadas ou reduzidas, se as pessoas afetadas forem identificadas e diagnosticadas precocemente, tratadas com técnicas adequadas e com seguimento nos serviços de saúde de AB (BRASIL., 2010). Dessa forma, práticas de enfermagem são de grande relevância e estão particularmente ligadas à promoção da saúde e à prevenção das incapacidades, concretizadas, necessariamente, por meio de educação em saúde, no sentido de obter uma participação consciente e constante do usuário nos programas. Um grande desafio para o enfermeiro é trabalhar na garantia de adesão dos usuários do Sistema Único de Saúde ao tratamento, pois se sabe que a hanseníase exige um tratamento e acompanhamento de longo prazo. Conhecemse, também, as diversas reações causadas pelas medicações, o que dificulta a adesão, razão pela qual é pertinente tomar as práticas de atendimento de enfermagem como objeto de estudo e análise (SILVA et al., 2009). Diante das considerações abordadas, o interesse em realizar o presente estudo reportase à amplitude da temática para a prática assistencial de profissionais da área de Saúde. Nesse contexto, considerando a relevância da temática, no campo da atenção básica, e o quantitativo elementar de estudos na literatura nacional acerca da prática de Enfermagem na hanseníase, verificou-se a necessidade em desenvolver um estudo que tem como objetivo caracterizar a 9 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba produção científica acerca da hanseníase, em periódicos online, no âmbito da Enfermagem, no período de 1995 a 2010. METODOLOGIA Trata-se de uma pesquisa bibliográfica consubstanciada na literatura pertinente ao tema em destaque. Segundo Gil (2002), a principal vantagem nesse tipo de pesquisa é propor ao investigador a cobertura de uma gama de fenômenos muito mais amplos. Não há regras fixas que determinem e concretizem a realização de uma pesquisa bibliográfica, porém há fatores que demonstram serem importantes neste caso: exploração de fontes bibliográficas, leitura do material e elaboração de fichas, ordenação e análise das fichas e conclusões. As fontes de dados foram as publicações acerca da hanseníase, no âmbito da Enfermagem, por meio de busca eletrônica na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), na base de dados Scientific Eletronic Library Online SciELO. O descritor em Ciências da Saúde instituído para a coleta de dados foi ―hanseníase and Enfermagem‖. Para eleger a amostra, foram estabelecidos os seguintes critérios de inclusão: artigos que abordassem a temática de hanseníase e enfermagem, na língua portuguesa, disponibilizados na íntegra na base de dados selecionada para a pesquisa no período de 1995 a 2010. Dessa maneira, a amostra foi composta por treze artigos, uma vez que estes se enquadraram aos critérios antecipadamente elaborados. A coleta de dados ocorreu no período de agosto a setembro de 2010 e obedeceu aos seguintes passos: 1) Inicialmente, foi introduzida, no descritor de assunto, a expressão-chave: hanseníase e enfermagem; 2) Em seguida, o método de busca foi por relevância, razão por que aplicaram-se os critérios de inclusão expostos anteriormente. Destaca-se que foram ponderadas as observâncias éticas observadas no Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem – Resolução 311/2007 do Conselho Federal de Enfermagem, no que se refere à elaboração de trabalhos científicos. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS Para melhor compreender a temática em questão, os dados obtidos nos artigos contidos na investigação proposta, foram agrupados e, posteriormente, apresentados por meio de representação gráfica. Desse modo, foi possível evidenciar os dados referentes ao ano e à modalidade de publicação, área de atuação dos pesquisadores, assim como os enfoques contemplados do material analisado. 10 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba No que tange aos anos de publicação, estes foram evidenciados por meio da figura abaixo. Figura 1: Distribuição dos artigos conforme o ano de publicação, 2010. A figura 1 mostra que o período de 2008 correspondeu ao maior número de publicações, com cinco artigos, seguido dos anos de 2007 e 2009, com três artigos para cada ano. Já em relação aos anos de 1995 e 2004, observou-se um quantitativo incipiente de produções, com cerca de um artigo para cada ano. Foi evidenciado que, no período de 1996 a 2003; de 2005 a 2006 e no ano de 2010, não houve nenhuma produção acerca do tema proposto, nos periódicos pesquisados. As modalidades de delineamento dos estudos foram apresentadas na figura 2. Figura 2: Distribuição dos artigos conforme as modalidades de publicação, 2010. No que concerne às modalidades de publicação abordadas, o estudo mostra que a maioria foi artigo original, totalizando onze artigos (85%). A modalidade relato de experiência foi constituída por dois artigos (15%). Com isso, fica claro que existe interesse 11 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba dos pesquisadores em apresentar estudos que enfatizam conhecimentos pioneiros acerca da temática em estudo. Em relação aos enfoques contemplados no estudo, foram identificadas duas categorias, a saber: Categoria I: Enfermagem e os aspectos clínicos epidemiológicos da hanseníase, sendo dividida em três subcategorias – manifestações clínicas, grau de incapacidades e prevenção (Figura 3); e Categoria II: Assistência de enfermagem na hanseníase, subdividida em consulta de enfermagem, diagnóstico de enfermagem e ações de enfermagem (Figura 4). CATEGORIA I SUBCATEGORIAS Enfermagem e os aspectos clínicos Manifestações Clínicas epidemiológicos da Hanseníase Grau de incapacidades Prevenção Figura 3: Categoria e respectivas sub-categorias dos artigos que contemplam a temática enfermagem e os aspectos clínicos epidemiológicos da hanseníase, 2010. No que diz respeito à primeira subcategoria, que ressalta as ―manifestações clínicas da hanseníase‖, constatou-se que esta é uma doença que se manifesta, principalmente, através de sinais e sintomas dermatoneurológicos. Portanto, a principal característica clínica dos portadores de hanseníase é o acometimento dermatoneurológico, que pode levar a deformidades osteoarticulares e a outras sequelas (PEREIRA; SOUZA; VIEIRA, 2008). Nesse contexto, a hanseníase manifesta-se através de lesões na pele, que se apresentam com diminuição ou ausência de sensibilidade, nas quais as lesões mais comuns são: manchas pigmentares ou discrômicas; placas individuais ou aglomerados de placas; infiltração; vitropressão, na qual surge fundo de cor café com leite, resultando da presença de infiltrado celular na derme, às vezes, com edema e vasodilatação e nódulo (BRASIL, 2002). Sob esse prisma, reafirmamos que essa doença representa, ainda hoje, um grave problema de saúde pública no Brasil. Além dos agravantes intrínsecos a qualquer doença de procedência socioeconômica, constatamos a repercussão psicológica originada pelas sequelas físicas da doença, que colabora para baixar a autoestima e para a autossegregação do paciente portador dessa enfermidade. No que tange à subcategoria ―grau de incapacidades‖, foi averiguado que a incapacidade, nos pacientes portadores de tal patologia, é identificada a partir da avaliação neurológica dos olhos, das mãos, dos pés e tem seu resultado expresso em valores que variam 12 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba de 0 (zero) a II (dois), devendo-se destacar que o grau 0 existe quando não há comprometimento neural nos olhos, nas mãos ou nos pés; grau I, que corresponde à diminuição ou perda de sensibilidade, e grau II, que indica a presença de incapacidades e deformidades do tipo lagoftalmo, garras, reabsorção óssea, mãos e pés caídos, entre outros (BRASIL, 2010). Em um estudo realizado com o objetivo de averiguar o grau de incapacidade dos portadores de hanseníase, verificou-se que 20,2% foram classificados com grau 0; 41,4%, como grau I, e 38,4% ,como grau II de incapacidade física. Estavam com grau máximo de incapacidade 34,4% das pessoas em tratamento e 44,7% das que já haviam obtido alta do programa. Nesse estudo, destaca-se o fato de que, entre as 99 pessoas participantes da pesquisa, 86 (87%) ainda não haviam sido avaliadas anteriormente (SILVA SOBRINHO et al., 2007). Resultados semelhantes foram apreciados por alguns autores, em uma pesquisa realizada em Buriticupu (MA), em que eles concluíram que, ao final do tratamento preconizado pelo Ministério da Saúde, a maioria dos casos não tinha sido avaliada (AQUINO; SANTOS; COSTA, 2003). Outro estudo desenvolvido, opõe-se ao evento exposto, afirmando que 13 (35%) dos pacientes portadores de hanseníase apresentavam algum grau de incapacidade física, sendo que sete (19%) apresentavam maior grau de incapacidade grau I, e seis, (16%) grau II (DUARTE; AYRES; SIMONETTI, 2009). Essas ponderações indicam dificuldades do serviço na estratégia de controle da hanseníase e suas complicações, demonstrando um diagnóstico tardio dos casos, devido à presença de sequelas incapacitantes, posto que, uma conduta que pode prevenir e até reverter sequelas físicas é a avaliação de incapacidades no início do tratamento. Se o paciente apresentar nervos acometidos, os riscos de desenvolver incapacidades são maiores. Por conseguinte, os programas de controle da hanseníase devem ser criteriosos na avaliação inicial.. O Ministério da Saúde afirma que, quando diagnosticada tardiamente, a hanseníase gera um grande número de portadores e ex-portadores com incapacidades físicas instaladas, o que confere à capacitação dos profissionais uma prioridade, tornando-a objeto de esforços contínuos (BRASIL, 2010). É importante enfatizar que, atualmente, a Política Nacional de Controle da Hanseníase prioriza a eliminação dessa patologia como um problema de saúde pública, sendo necessário diminuir a prevalência para um ou menos de um caso para cada grupo de 10.000 habitantes. Para que isso aconteça, é imprescindível a realização de diagnóstico precoce dos casos, 13 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba evitando, assim, além da transmissão, as incapacidades físicas. É também prioridade avaliar as incapacidades físicas, atenção especial ao diagnóstico de casos em menores de 14 anos e a capacitação dos trabalhadores de saúde, tomando como referência as necessidades de saúde das populações, visando transformar as práticas profissionais. Diante de tais ponderações, evidencia-se que é fundamental avaliar o grau de incapacidade dos casos novos, através do exame dermatoneurológico, visto que o paciente pode apresentar nervos periféricos afetados ou incapacidade física no momento do diagnóstico. As atividades de promoção em saúde devem ser iniciadas no momento de inserção do paciente no tratamento, e todos os profissionais da equipe devem estar aptos a receber o portador de necessidades com uma visão global, holística, com linguagem esclarecedora e que reforce ou reformule seus conhecimentos (PIMENTEL et al., 2003). No que tange à subcategoria ―prevenção‖, observou-se que a mesma está relacionada com atividades de mobilização social e promoção de saúde, tendo como referenciais teóricos os princípios de integralidade e resolutividade em saúde. Foi verificado que, o Ministério da Saúde coloca como atribuição de toda a equipe da Estratégia de Saúde da Família (ESF) a mobilização social em torno das demandas e necessidades em saúde, ações de promoção da saúde e ações educativas dirigidas à família e à comunidade. A busca e o diagnóstico dos casos de hanseníase devem envolver práticas relevantes que contribuam para que o enfermeiro consiga estabelecer uma relação efetiva com os usuário (PEDRAZZANI, 1995). A integração de ações preventivas, promocionais e assistenciais sugere a assimilação do princípio da integralidade, em prol da reorientação de um modelo assistencial integral, humanizado e compromissado com o atendimento de necessidades e com a garantia do direito à saúde da população16. Diante desses achados, destacamos que o enfermeiro está preocupado com a prevenção e a promoção da saúde no âmbito da hanseníase, possibilitando o acesso da comunidade às informações, ao diagnóstico precoce, interrompendo, por conseguinte, a cadeia de transmissão da doença. A categoria II, com as suas respectivas subcategorias, está contemplada no quadro a seguir. 14 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba CATEGORIA II Assistência de Enfermagem ao paciente portador de hanseníase SUBCATEGORIAS Consulta de Enfermagem Ações de enfermagem Figura 4: Categoria e respectivas sub-categorias dos artigos que contemplam a temática Enfermagem e os aspectos clínicos epidemiológicos da Hanseníase, 2010. A primeira subcategoria exposta está relacionada à ―consulta de Enfermagem‖, a temática mais evidenciada nos artigos apreciados, em que se observa uma preocupação constante com o processo de Enfermagem. No âmbito da Estratégia de Saúde da Família (ESF), a prática da consulta de Enfermagem tem grande relevância no serviço de saúde, visto que, em sua realização, são consideradas as informações trazidas pelas pessoas que buscam a unidade, numa tentativa de considerá-las em suas múltiplas dimensões durante o atendimento (SILVA et al., 2009). A forma de registro universal da consulta de enfermagem é o prontuário familiar, sendo o mesmo a forma de registro que as enfermeiras utilizam. De acordo com as recomendações do Ministério da Saúde, a documentação utilizada para o intercâmbio de dados e informações deve ser a mais simples e objetiva possível. O prontuário deve conter: ficha de notificação, ficha de acompanhamento, formulário para registro de incapacidade, registro de cada atendimento médico e/ou enfermagem (BRASIL, 2002). De acordo com Duarte, Ayres e Simon (2008) no instrumento consulta de enfermagem ao cliente portador de hanseníase - o Histórico de Enfermagem - deve abranger os seguintes aspectos: dados de identificação, aspectos do ambiente, queixas, antecedentes pessoais e familiares, hábitos de vida, aspectos socioeconômicos e rede de apoio, conhecimentos sobre a hanseníase, reações frente ao diagnóstico, aspectos do tratamento atual, exame físico geral e específico para avaliação do grau de incapacidades dos olhos, mãos e pés, conforme padronização do Ministério da Saúde. É mister enfatizar que as dificuldades declaradas pelas enfermeiras perpassam a questão da assistência e também estão relacionadas às condições de organização dos serviços de saúde, principalmente, influenciadas pelo excesso de demanda. Além de outros aspectos, tais como os procedimentos técnicos e registros de informações (FREITAS et al., 2008). Outros achados nos artigos investigados referem-se à valorização, durante a consulta de Enfermagem, dos aspectos que dizem respeito às orientações quanto à prevenção de 15 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba incapacidades e à atenção voltada na tentativa de minimizar o estigma social que essa patologia ainda carrega, dando ênfase à criação de vínculo e de confiança com o cliente, com o objetivo de prestar uma atenção de qualidade, humanizada e efetiva (ALVES, 2005). Nessa linha de pensamento, a hanseníase é uma doença potencialmente incapacitante e deformante, devido ao seu curso crônico e ao prolongado tempo de tratamento para a erradicação do bacilo, levando a outra natureza de cronicidade e, pior, ao estigma, que é um componente na abordagem da experiência dessa moléstia. Cumpre assinalar, que essa patologia pode provocar deformidades e incapacitações, que geram também transtornos psicológicos, principalmente, pelo fato de desenvolver o preconceito em detrimento das deformidades. À luz dessas informações, uma pesquisa realizada com o desígnio de conhecer a história dos ex trabalhadores de Enfermagem que tiveram hanseníase, internados compulsoriamente desde o início do Século XX, no Brasil, enfatiza o relato dos entrevistados, a questão da "perda" de identidade e do confinamento compulsório nas Colônias como única forma de tratamento da doença. Os doentes eram selecionados pelas irmãs de caridade para trabalharem dentro das colônias, tornando-se cuidadores aqueles cujas condições físicas eram mais favoráveis ao trabalho na Enfermagem. O preconceito contra a doença e contra os atingidos pela hanseníase também é explicitado na fala dos entrevistados (GUSMÃO, 2009). Diante de tais circunspecções, é notório destacar que a consulta de enfermagem é uma atividade que proporciona ao enfermeiro, condições para atuar de forma direta e independente com o cliente, o que caracteriza sua autonomia profissional. Essa atividade, por ser privativa do enfermeiro, fornece subsídios para a determinação do diagnóstico de enfermagem e elaboração do plano assistencial, servindo, como meio para documentar sua prática 21. Com base em tal premissa, destaca-se a última subcategoria - ―ações de enfermagem‖, na qual foi constatada que são primordiais as ações assistenciais, educativas, de vigilância epidemiológica e administrativas, observando, ainda, a necessidade de revisão das práticas desenvolvidas no novo modelo de assistência à saúde. É essencial levar em consideração que a prática de Enfermagem não é apenas técnicocientífica, que vai produzindo, ao longo do tempo, um conhecimento sobre o cuidar, ou seja, de como fazê-lo sempre cada vez melhor e de como organizá-lo e administrá-lo mais lógica e racionalmente, porque se entende a prática de enfermagem como prática social e, portanto, historicamente estruturada e socialmente articulada. Diante do exposto, tais achados nos levam a refletir que é preciso estar claro que a hanseníase é um evento real na vida dos indivíduos e traz para eles muitas consequências, às 16 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba vezes irreparáveis. Portanto, a enfermagem tem um papel essencial e deve prestar uma assistência integral e de qualidade, reforçando a importância do autocuidado e da prevenção de incapacidades. CONSIDERAÇÕES FINAIS A pesquisa revelou que os profissionais de Enfermagem evidenciaram que a hanseníase constitui um grave problema de saúde pública no Brasil, devido aos fatores intrínsecos de qualquer doença de procedência socioeconômica. Constata-se, ainda, a repercussão psicológica ocasionada pelas sequelas físicas da doença, que contribui para baixar a autoestima e para a autossegregação do paciente portador dessa patologia. Dessa forma, a abordagem do paciente com hanseníase, de acordo com o estudo proposto, deve incluir a integralidade de ações preventivas, promocionais e curativas, com a finalidade de fomentar um modelo assistencial integral, humanizado e compromissado com o atendimento das precisões de saúde da população. Por essa razão, mostra-se imperioso que os estados e municípios capacitem profissionais de saúde e organizem serviços para a atenção aos portadores de hanseníase, haja vista que os pacientes e seus familiares encontram-se sobrecarregados e não sabem lidar com o desgaste físico e emocional enfrentados por eles. Espera-se que tais resultados possam contribuir para se repensar a assistência de enfermagem aos portadores de hanseníase, de forma a tornar os serviços de atenção específicos, eficientes e efetivos, no que concerne à melhoria da qualidade de vida dos portadores dessa enfermidade. REFERÊNCIAS ALVES, V.S. Um modelo de educação em saúde para o Programa Saúde da Família: pela integralidade da atenção e reorientação do modelo assistencial. Rev Interface-Comun Saúde Educ., v.9, n.16, p.39-52, 2005. AQUINO, C.M.D; SANTOS, S.J; COSTA, L.M.J. Avaliação de programa de controle da hanseníase em um município hiperendêmico do Estado do Maranhão Brasil. 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Rev Latino-am Enfermagem, v.15, n.6, p. 1125 – 30, 2007. 18 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba CUIDADOS PALIATIVOS EM UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA: PRODUÇÃO CIENTÍFICA EM PERIÓDICOS BRASILEIROS Ana Paula Jacinto de Lima (relator)1 Luciano Albuquerque de Araújo2 Lúcio Fabio de Lima Ferreira3 Maria Angélica do Nascimento Barbosa4 Maria do Socorro Pedro da Silva5 Cristiani Garrido de Andrade6 RESUMO Os cuidados paliativos são reconhecidos como uma abordagem que melhora a qualidade de vida dos indivíduos e de sua família, diante de doenças terminais. Estes são proporcionados por meio de programas introduzidos ou não em instituições hospitalares como em Unidades de Terapia Intensiva (UTI), na qual a maioria dos pacientes nelas inseridos encontram-se em estado terminal. Nesse contexto, o estudo objetivou caracterizar a produção científica acerca dos cuidados paliativos em UTI, em periódicos online, no âmbito da saúde. Trata-se de um estudo de natureza documental, que teve como fonte de dados publicações acerca da temática disponibilizadas na Biblioteca Virtual em Saúde, no período de 2001 a 2010. Os descritores utilizados para a busca dos dados foram ―Cuidados Paliativos and UTI.‖ A amostra foi composta por 18 artigos. Através da análise dos resultados do estudo, foi possível vislumbrar duas categorias. A Categoria I evidenciou que os cuidados paliativos emergem como uma nova modalidade de cuidar, que tem como objetivo promover a melhoria da qualidade de vida de pacientes internados na UTI, bem como de sua família, através da prevenção e do alívio do sofrimento. Na Categoria II as publicações ratificaram que os profissionais necessitam ter o conhecimento dos cuidados paliativos, uma vez que estes prestam o cuidado diretamente ao paciente na sua finitude, necessitando utilizar estratégias para oferecer um tratamento digno. Diante do exposto, verifica-se a necessidade premente da realização de estudos para fundamentar a prática dos cuidados paliativos direcionados ao paciente terminal na UTI. Descritores: Cuidados Paliativos. Terminalidade. Unidade de Terapia Intensiva. INTRODUÇÃO 1 Graduanda em Enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba – FCMPB. E-mail: Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. [email protected]. 2 Graduando em Enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba – FCMPB. Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. E-mail: [email protected]. 3 Graduando em Enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba – FCMPB. Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. E-mail: [email protected]. 4 Graduanda em Enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba – FCMPB. Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. E-mail: [email protected]. 5 Graduanda em Enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba – FCMPB. Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. E-mail: [email protected]. 6 Enfermeira. Fonoaudióloga. Mestranda em Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba – UFPB. Docente em Enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba – FCMPB. Membro e Pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Bioética –CCS/UFPB. Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. E-mail: [email protected]. 19 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba A medicina em todo o mundo passou por profundas transformações ao longo do século XX. Os avanços tanto na prática médica, principalmente nas áreas cirúrgica, terapêutica, de anestesia e de reanimação, como na tecnologia têm originado melhorias expressivas na saúde, controle ou eliminação de doenças, tornando cada vez mais raros os casos de morte natural (MACHADO; PESSINI; HOSSNE, 2007). Atualmente, verifica-se uma maior prevalência de pessoas morrendo de doenças crônicas ou progressivas, aumentando o percentual de doente em estado terminal nos hospitais ou em seus domicílios (BARBOSA; VALLENTE; OKAY, 2001). Nessa concepção, aprender a lidar com perdas numa circunstância de uma doença crônica, é um desafio que poucos se propõem a discutir, e muito menos a enfrentar. Os cuidados prestados a estes doentes deixam de ser curativos e passam a ser paliativos, constituindo, para tanto, em uma atividade ou um modelo de atenção à saúde que vem sendo denominada ―cuidados paliativos‖. O termo paliativo deriva de pallium, palavra latina que significa capa, manto, que simboliza, proteção e acolhimento ao ser humano, concomitante com a intenção de ocultar o que está subjacente, nesse caso, os sintomas decorrentes da progressão da doença (SANTOS, 2011). Os cuidados paliativos são reconhecidos como uma abordagem que melhora a qualidade de vida dos indivíduos e de sua família, diante de doenças que ameaçam a continuidade da vida e caracterizam-se por um conjunto de atos profissionais que têm como objetivo o controle dos sintomas do corpo, da mente, do espírito e do social que afligem o homem em sua finitude (SILVA; HORTALE, 2006). Silva e Hortale (2006) mencionam que os cuidados paliativos, comumente, são proporcionados por meio de programas introduzidos ou não em instituições hospitalares como em Unidades de Terapia Intensiva (UTI), na qual a maioria dos pacientes nelas inseridos encontram-se em estado de terminalidade. Carvalho e Arantes (2008) ratificam que a UTI é o setor do hospital para onde são conduzidos os pacientes que apresentam doenças agudas ou complicações de doenças crônicas que demandem atenção especial pelo alto risco de agravo ou mortalidade e/ou pela necessidade de monitorização contínua de sinais e sintomas clínicos, além de variáveis fisiológicas. Nesse sentido, os serviços de tratamento intensivo têm por objetivo promover atendimento a pacientes graves e de risco que exigem uma assistência ininterrupta, além de equipamentos e recursos humanos e especializados (CALDEIRA FILHO; WESTPHAL, 2008). 20 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba É importante mencionar que as Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) integradas ao avanço da tecnologia médica, têm progredido de forma substancial. De um lado, estendem as perspectivas terapêuticas em diversas situações clínicas, mas de outro, ensejam a possibilidade de prolongamento da vida a qualquer custo, implicando muitas vezes em tratamentos fúteis (MACHADO; PESSINI; HOSSNE, 2007), os quais podem ocorrer por desconhecimento da equipe multidisciplinar sobre cuidados paliativos (AZULAY, 2001). Portanto, o paciente internado na UTI necessita de cuidados de excelência, dirigidos não apenas para os problemas fisiopatológicos, mas também para as questões psicossociais, ambientais e familiares que se tornam intimamente interligadas doença física, no qual os profissionais que operam nessa unidade devem estar baseados na sólida compreensão das condições fisiológicas e psicológica do paciente (VILLA; ROSSI, 2002). Para Moritz e Nassar (2004), os profissionais que atuam em UTI necessitam ter conhecimento quanto à finitude de alguns tratamentos, evitando, de tal modo, as práticas que levam à distanásia, a qual é considerada por Machado, Pessini e Hossne (2007) como uma ação, intervenção ou procedimento que não atinge o objetivo de beneficiar a pessoa na fase final de vida e que prolonga inútil e sofridamente o processo de morrer, procurando distanciar a morte. Dessa forma, na obstinação terapêutica, na busca da cura acaba-se por perder a noção dos limites que devem ser observados para que a monitorização e o suporte à função de órgãos vitais não se tornem, ao invés de uma luta pela vida, uma luta contra a morte. Nesse contexto, desenvolveu-se o cenário atual, onde ações distanásicas e sofrimento físico, mental e espiritual tanto do paciente como de seus familiares são parte integrante do dia-a-dia na UTI. Diante desses achados, o interesse em realizar o presunto estudo reporta-se a relevância da temática para a prática assistencial de profissionais de saúde, assim como da inexistência de disciplinas que explorem sobre os cuidados paliativos na UTI. Nesse contexto, considerando o quantitativo incipiente de estudos na literatura nacional acerca de cuidados paliativos em UTI, surge o interesse em desenvolver um estudo que tem como fio condutor o seguinte questionamento: Qual a caracterização da produção científica acerca de cuidados paliativos e dor em periódicos online no âmbito da saúde, no período de 2001 a 2010. Com base nessa problemática e com a finalidade de responder tais questionamentos, o estudo apresenta o seguinte objetivo: Caracterizar a produção científica acerca dos cuidados paliativos em Unidade de Terapia Intensiva em periódicos online no âmbito da saúde. 21 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba METODOLOGIA Para realização desta pesquisa optou-se por desenvolver uma investigação de natureza documental. Para a seleção do material foi realizada uma busca eletrônica na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), nas bases de dados da Literatura Latino-americana e do Caribe em Ciências da Saúde - LILACS e Scientific Eletronic Library Online - SciELO. A fim de atender aos objetivos do estudo, os descritores em Ciências da Saúde utilizados para a busca de dados foram ―Cuidados Paliativos and Unidade Terapia Intensiva‖. A coleta de dados ocorreu no período de agosto a setembro de 2011, nas bases de dados selecionadas para o estudo, utilizando-se para tanto um instrumento estruturado que contemplavam as variáveis a serem analisadas. Para selecionar a amostra, foram instituídos os seguintes critérios de inclusão: artigos que abordassem a temática cuidados paliativos em UTI, na língua portuguesa, disponibilizados na íntegra na base de dados selecionada para a pesquisa no período de 2001 a 2010. Contudo 18 artigos fizeram parte da amostra, uma vez que atenderam aos critérios previamente elaborados. Ao término da seleção das publicações, foi preenchido um instrumento para a coleta de dados, contendo ano de publicação, modalidade de pesquisa, nome do periódico, título do trabalho e a base de dados. Com a finalidade de realizar a exploração do texto, a segunda parte do instrumento foi preenchida com os enfoques dados pelos autores. RESULTADOS E DISCUSSÃO Para melhor compreensão da temática em questão, os dados obtidos nos artigos incluídos na investigação proposta, foram agrupados e em seguida exibidos através da representação gráfica. Nesse prisma, foi possível demonstrar os dados relativos ao ano, modalidades de publicação, área de atuação dos pesquisadores, bem como os enfoques contemplados do material analisado. No que diz respeito aos anos de publicação, estes foram evidenciados por meio do gráfico abaixo. 22 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba Gráfico 1: Distribuição dos artigos conforme o ano de publicação. Fonte: Material empírico do estudo, 2011. O Gráfico 1 deixa transparecer que o período de 2010 correspondeu ao maior número de publicações, com 6 (33%) artigos; seguido dos anos de 2009 com 3 (17%) artigos e 2008 (22%) com 4 (22%) publicações. Em relação ao ano de 2007, a produção foi equivalente a 2 (11%) artigos. Foi evidenciado que em 2001, 2002 e 2006 houve 1 publicação para cada ano. Ficou evidenciado que nos anos de 2003, 2004 e 2005 não houve nenhuma produção acerca do tema proposto, nos periódicos pesquisados O Gráfico 2 diz respeito as modalidades de publicação dos estudos inseridos na investigação proposta. Gráfico 2: Distribuição dos artigos de acordo com as modalidades de estudo. Fonte: Material empírico do estudo, 2011. No que concerne às modalidades de publicação abordadas, observam-se que a maioria foi do tipo de revisão, totalizando 10 artigos (56%), enquanto 8 (44%) artigos foram originais. 23 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba Com isso, fica claro que existe interesse dos pesquisadores em apresentar estudos enfatizando conhecimentos pioneiros acerca da temática em estudo. No que concerne aos enfoques contemplados no estudo, foram identificadas duas categorias, tais como: Categoria I – Cuidados paliativos como uma abordagem que promove a melhoria da qualidade de vida para paciente na UTI; Categoria II – Importância da equipe interdisciplinar para o paciente terminal na UTI. CATEGORIA I: Cuidados Paliativos como uma abordagem que promove a melhoria da qualidade de vida para paciente na UTI. No que diz respeito à categoria I: Cuidados Paliativos como uma abordagem que promove a melhoria da qualidade de vida para paciente na UTI, evidenciou-se que os Cuidados Paliativos emergem como uma nova modalidade de cuidar, que tem como objetivo promover a melhoria da qualidade de vida de pacientes fora de possibilidades terapêuticas e de sua família, através de um cuidado ativo e integral, utilizando-se de diversas modalidades terapêuticas como instrumentos essenciais para a essa prática do cuidar, essencialmente no ambiente da UTI, uma vez que esta recebe um grande quantitativo de pacientes na terminalidade de vida. De acordo com Fonseca e Fonseca (2010) os cuidados paliativos são medidas não curativas, aplicadas em pacientes cuja progressão da enfermidade provoca sinais e sintomas debilitantes e causadores de sofrimento. São intervenções na saúde global, através das quais os profissionais das ciências da saúde, sociais e humanas atuam em diversas esferas, geralmente, por meio de programas inseridos ou não em instituições hospitalares, como em Unidades de Terapia Intensiva (UTI), na qual a maioria dos pacientes nelas inseridos encontram-se em estado de terminalidade. Quando não inseridos em uma instituição hospitalar, podem estar em asilos, casas de repouso, moradias assistidas, clínicas, domicílio, entre outros. O estudo de Moritz (2008) alude que a UTI é um cenário bastante típico da terminalidade humana, onde se reúne um conjunto de competências para uma assistência de fim da vida de, incluindo os cuidados paliativos. Em contrapartida Carvalho e Arantes (2008) complementam que a UTI é o setor do hospital para onde são conduzidos os pacientes que apresentam doenças agudas ou complicações de doenças crônicas que demandem atenção especial pelo alto risco de agravo ou mortalidade e/ou pela necessidade de monitorização contínua de sinais e sintomas clínicos, além de variáveis fisiológicas. 24 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba O estudo de Costa Filho (2008) ressalta que a equipe de cuidados paliativos envolve várias especialidades, tais como: enfermeiras, psicólogos, psiquiatras, nutricionistas, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, assistentes sociais, farmacêuticos, conselheiros espirituais e sacerdotes, sendo o trabalho dessa equipe regido por sete princípios: valoriza a vida e encara a morte como um processo natural; não abrevia nem prolonga a vida; provê o alívio da dor e de outros sintomas; integra os aspectos psicológicos e espirituais dos cuidados, permitindo oportunidades para o crescimento; oferece uma equipe interdisciplinar e um sistema de suporte para a família durante a doença do indivíduo e no período de enlutamento; e deve ser iniciado o mais precocemente possível. Logo, os cuidados paliativos têm como objetivo principal o controle dos sofrimentos físico, emocional, espiritual e social, provovendo uma melhor qualidade de vida ao paciente em fase terminal (SILVA; HORTALE, 2006; REMEDI et al., 2009). A pesquisa de Sousa et al. (2010) contempla as questões bioéticas nos cuidados paliativos, enfocando o cumprimento e o respeito ao princípio da autonomia no cuidado paliativo com o ser. No que concerne ao conforto e a promoção do bem-estar ao doente terminal, referem-se do cumprimento do princípio da beneficência em relação ao cuidado paliativo com o doente terminal, ou seja, "o olhar voltado para a pessoa". Os autores tratam, ainda, sobre questões inerentes as dificuldades no cumprimento desses princípios. Azulay (2001) complementa que a aplicação dos princípios bioéticos são fundamentais para garantir uma assistência adequada ao paciente sem possibilidades terapêuticas de cura. CATEGORIA II: Importância da equipe interdisciplinar para o paciente terminal na UTI. No que diz respeito à Categoria II, a mesma retrata acerca da importância da equipe interdisciplinar para o cuidado com o paciente terminal. As publicações evidenciam que os profissionais necessitam ter o conhecimento dos Cuidados Paliativos, uma vez que estes prestam o cuidado diretamente ao paciente na sua finitude, por meio da prevenção e do alívio dos sintomas decorrentes da fase avançada de uma doença, tratando-os com respeito, dignidade, utilizando a ética para atingir esses objetivos. A assistência, nessa etapa da vida, deve ser compreendida por todos os profissionais de saúde. Saber interagir, encontrar-se com o paciente é primordial para que o cuidado adquira um aspecto humanizado, que dignifique o ser doente (SOUSA, 2010). De acordo com Santana (2009) um dos grandes objetivos dessa abordagem é acrescentar qualidade de vida aos dias e não dias à vida, o que representa um grande desafio para a equipe, diretamente 25 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba presente nessa situação, uma vez que o objetivo de curar dá lugar às habilidades do cuidar, relacionados ao sofrimento, a dignidade e o apoio. Santos, Pagliuca e Fernandes (2007) relatam que o modelo dos cuidados paliativos abrange dois aspectos importantes para: a abordagem holística e uma prática profissional interdisciplinar. Assim, o cuidados paliativo é bastante propício por envolver a valorização do ser humano no processo saúde-doença, no intuito de sempre beneficiar o paciente, preservando sua autonomia e capacidade de tomar decisões. Segundo Monteiro, Oliveira e Vall (2010) o cuidado paliativo é considerado uma prática de extrema importância para o cuidar dos profissionais de saúde, onde os mesmos atuam a fim de que estes possam ter uma melhor qualidade de vida, aliviando os sintomas da doença e proporcionando uma morte mais digna, diminuindo assim os seus sofrimentos. Farias et al. (2010) relatam que a enfermagem por ter em sua essência do cuidar, precisa compreender o contexto de dor e sofrimento para buscar uma melhor assistência e oferecê-las àqueles que mais necessitam. Villa e Rossi (2002) nos afirma que é de grande esforço que os enfermeiros tentam prestar os cuidados em UTI, pois é uma tarefa difícil. CONSIDERAÇÕES FINAIS Embora os avanços científicos e tecnológicos no campo da Saúde, sejam crescentes a temática ―cuidados paliativos e UTI‖ requer uma maior disseminação no campo da produção científica, sob o olhar dos profissionais dessa área. Isso foi evidenciado mediante o quântico ínfimo de artigos inclusos nesta pesquisa. Dessa forma, esse estudo evidencia a necessidade de que sejam feitas novas investigações para respaldar a prática dos cuidados paliativos direcionados ao paciente na fase terminal e aos seus familiares, no ambiente da UTI. REFERÊNCIAS AZULAY, T.A. Los principios bioéticos: se aplican en la situación de enfermedad terminal? An. Med. Interna, v. 18, p. 650-54, 2001. BARBOSA, S. M. M.; VALLENTE, M. T.; OKAY, Y. Medicina paliativa: a redefinição da experiência humana no processo de adoecer. Revista da Sociedade Brasileira para o estudo da dor, v.3, n. 2, p. 61-68, 2001. CALDEIRA FILHO, M. C.; WESTPHAL, G. A. Manual Prática de Medicina Intensiva. 5. ed., Rio de Janeiro: Segmento Farma, 2008. CARVALHO, R.T; ARANTES, A.C.L.Q. Cuidados paliativos. In: Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo. UTI. 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As fontes de dados foram as publicações acerca da formação em enfermagem, no âmbito da educação, por meio de busca eletrônica na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), nos bancos de dados Scientific Eletronic Library Online – SciELO, Literatura Latino Americana e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (LILACS) e Base de Dados Brasileiras de Enfermagem – BDEnf . Os descritores utilizados foram: ―formação and enfermagem‖ e ―educação and enfermagem‖. A amostra foi composta por 12 artigos. No que diz respeito aos enfoques contemplados pelo estudo, foi possível vislumbrar duas categorias. Na Categoria I – Estratégias de ensino na formação do enfermeiro – destacou-se a importância de estabelecer métodos de ensino impactantes para promover melhorias na formação acadêmica e na promoção da saúde. No que diz respeito à Categoria II – Diretrizes Curriculares Nacionais em Enfermagem – evidenciou-se que as diretrizes curriculares norteiam o planejamento acadêmico do curso de graduação para formação profissional. Diante do exposto, verifica-se a necessidade premente da realização de estudos para fundamentar a prática acerca da formação profissional dos enfermeiros. Descritores: Educação. Enfermagem. Formação. 1 Graduando em enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba – FCMPB. E-mail: [email protected] 2 Enfermeira. Fonoaudióloga. Especialista em Saúde Coletiva, com ênfase na ESF. Mestranda em Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba – UFPB. Docente em Enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba – FCMPB. Membro e Pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Bioética – CCS/UFPB. Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. Email: [email protected]. 3 Graduanda em enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. – FCM/PB. E-mail: [email protected] 4 Graduando em enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. – FCM/PB. E-mail: [email protected] 5 Graduanda em enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba – FCMPB. E-mail: [email protected] 6 Graduanda em enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba – FCMPB. E-mail: [email protected] 28 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba INTRODUÇÃO A formação de profissionais críticos e reflexivos é um dos avanços inscritos nas Diretrizes Curriculares Nacionais para os cursos de graduação da área da Saúde. A educação de enfermeiros com qualificação técnica e política, com capacidade de tomar decisões, de empreender, de trabalhar em equipe, de lidar com incertezas e com a dinâmica da realidade, implica nas relações institucionais entre os serviços de saúde e as universidades (TREZZA, 2004). Dessa forma, destaca-se que em 2001, a formação na graduação em enfermagem passou a ser orientada por uma nova legislação expressa na Resolução CNE-03/2001, a qual instituiu as suas diretrizes curriculares. Em estudo sobre tal processo realizando uma recuperação e registro histórico, identificando os princípios que orientaram tal reformulação bem como os encaminhamentos que tendem a se manifestar a partir de então, sustentar análises no contexto histórico (social, político, econômico) em que a legislação foi discutida e aprovada (RODRIGUES, 2007). A educação de enfermeiros com qualificação e com capacidade de tomar decisões, de empreender, de trabalhar em equipe, de lidar com incertezas e com a dinâmica da realidade, sugere inovação das estratégias pedagógicas (MANDÚ, 2003).Para tanto, a aprendizagem necessita ser considerada como um processo contínuo e dinâmico, o qual requer do enfermeiro a aquisição de novos conhecimentos científicos, o refinamento de suas habilidades de pensar, de resolver problemas e de fazer julgamentos, tornando-se, assim, apto para fazer suposições, para apresentar ideias e para validar as suas conclusões (POTTER, 1997). Vale ressaltar que outra dificuldade refere-se à ênfase na capacidade do estudante em reter informações, sobretudo de caráter técnico e procedimental, em conteúdos ministrados em disciplinas fragmentadas e pouco articuladas. Além disso, o professor continua exercendo o papel de transmissor do conhecimento e o estudante de receptor passivo (PINHEL, 2006). Nesse prisma, essas estratégias podem subsidiar a prática de enfermagem no desenvolvimento do pensamento crítico, no processo de diagnóstico e na tomada de decisão clínica. Acredita-se, desse modo, que é de fundamental importância o desenvolvimento de estratégias inovadoras de ensino (CROSSETTI, 2008). Com base em tal entendimento, considerando a relevância dessa temática para a formação profissional dos enfermeiros, esse estudo apresenta a seguinte questões norteadoras: Qual a caracterização da produção científica acerca da formação profissional 29 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba em enfermagem, em periódicos online, no âmbito da educação? Qual a contribuição das produções científicas sobre educação na formação profissional da enfermagem para a qualidade do ensino acadêmico? Tendo em vista a problemática em foco, e para responder a tal questionamento, o estudo apresenta o seguinte objetivo: Caracterizar a produção científica acerca da formação profissional em enfermagem, em periódicos online no âmbito da educação, no período de 2006 a 2011. METODOLOGIA Trata-se de uma pesquisa bibliográfica consubstanciada na literatura pertinente ao tema em destaque. Segundo Gil (2002), a principal vantagem nesse tipo de pesquisa é propor ao investigador a cobertura de uma gama de fenômenos muito mais amplos. Não há regras fixas que determinem e concretizem a realização de uma pesquisa bibliográfica, porém há fatores que demonstram serem importantes neste caso: exploração de fontes bibliográficas, leitura do material e elaboração de fichas, ordenação e análise das fichas e conclusões. As fontes de dados foram as publicações acerca da formação profissional em enfermagem em enfermagem, no âmbito da Enfermagem, por meio de busca eletrônica na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), nos bancos de dados Scientific Eletronic Library Online – SciELO, Literatura Latino Americana e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (LILACS) e Base de Dados Brasileiras de Enfermagem – BDEnf.Os descritores em Ciências da Saúde instituídos para a coleta de dados foram: ―formação and enfermagem‖ e ―educação and enfermagem‖. Para eleger a amostra, foram estabelecidos os seguintes critérios de inclusão: artigos que abordassem a temática de educação em enfermagem, na língua portuguesa, disponibilizados na íntegra na base de dados selecionada para a pesquisa no período de 2006 a 2011. Dessa maneira, a amostra foi composta por doze artigos, uma vez que estes se enquadraram aos critérios antecipadamente elaborados. Destaca-se que foram ponderadas as observâncias éticas observadas no Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem – Resolução 311/2007 do Conselho Federal de Enfermagem, no que se refere à elaboração de trabalhos científicos. 30 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba RESULTADOS E DISCUSSÃO O estudo foi constituído por doze publicações que versaram sobre a temática, educação na formação profissional de enfermagem no âmbito da educação conforme caracterização explicitada no Quadro 1, a seguir. TÍTULO DO ARTIGO BASES DE DADOS ANO DE PUBLICAÇÃO/ PERIÓDICO MODALIDADES DE PESQUISA Planejamento de ensino em enfermagem: intenções educativas e as competências clínicas (DELL''ACQUA et al., 2OO9). LILACS/ SCIELO 2009 Revista da escola de enfermagem da USP O ensino de conteúdos atitudinais na formação inicial do enfermeiro (PUSSHEL; NOSOW; ARAÚJO, 2009). LILACS/ SCIELO 2009 Revista escola de enfermagem Artigo Original Estratégias de ensino e habilidades do pensamento crítico na enfermagem (CROSSETTI et al., 2009). LILACS 2009 Revista Gaúcha de enfermagem Artigo Original A educação em saúde na perspectiva de graduando enfermagem (COLOMÉ;OLIVEIRA, 2008). LILACS 2008 Revista Gaúcha de enfermagem Artigo de Revisão O sentido do trabalho em um projeto de formação de profissionais de enfermagem (BARALDI; CAR, 2006). LILACS SciELO 2006 Revista da escola de enfermagem da USP Vivências de alunos de enfermagem em estágio hospitalar: subsídios para refletir sobre a humanização em saúde (CASATE;CORRÊA,2006). LILACS/ SCIELO 2006 Revista escola de enfermagem da USP Formação em enfermagem: interface entre as diretrizes curriculares e os conteúdos de atenção básica (SILVA; SOUSA; FREITAS, 2011) LILACS/ SCIELO 2011 Revista brasileira de enfermagem Formação na Graduação em Enfermagem no Estado do Paraná. (RODRIGUES;CADEIRA, 2007). LILACS/ SCIELO 2009 Revista brasileira de enfermagem Da USP A enfermagem no Brasil no contexto da força de trabalho em saúde: perfil e legislação.(PEREIRA et al., 2009). LILACS SciELO 2009 Revista brasileira de enfermagem Diálogos entre a arte e a educação: uma experiência no ensino da disciplina de administração em saúde. (PIRES et al., 2009). LILACS/ SCIELO 2009 Revista texto e contexto em enfermagem Artigo Original Artigo de Revisão Artigo Original Artigo de Revisão Artigo de Revisão Artigo de Revisão Artigo de Revisão 31 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba Dimensão ética do fazer cotidiano no processo de formação do enfermeiro. (FERNANDES et al., 2008). LILACS/ SCIELO Integralidade do cuidado na Saúde: indicações a partir da formação do enfermeiro (SILVA; SENA, 2008). LILACS/ SCIELO 2008 Revista escola da enfermagem da USP 2008 Revista da escola de enfermagem da USP Artigo Revisão Artigo Original Quadro 1- Estudos publicados acerca da educação na formação profissional, no âmbito da educação seguindo a base de dados, ano de publicação, periódico e modalidade de pesquisa- 2006 a 2011. Por meio das análises dos doze artigos apresentados no Quadro 1, verificou-se que a grande maioria dos artigos foram selecionados a partir da base de dados da LILACS. Entretanto 10 (83,33%) estiveram presentes, também, na base de dados do SciELO. É oportuno enfatizar que nenhum artigo foi encontrado na BDENF. No que concerne ao ano de publicação, observou-se que o ano de 2009 correspondeu ao período de maior número de artigos publicados com 6(50%), seguido do ano de 2008 com3 (25 % ). O ano de 2006 obteve 2 (16,66 %), já o ano de obteve 2011 obteve um quantitativo incipiente de publicações com apenas 1 (8,33%). No que concerne ao ano de 2010, observouse que não houve nenhuma publicação demonstrando a necessidade que haja maior consolidação da pesquisa. Quanto aos periódicos, destacaram-se importantes revistas nacionais, dentre as quais merece evidência à Revista da Escola de Enfermagem da USP, contemplando 6 (50%) das publicações, incluídas nesta revisão. No que concerne às modalidades das publicações inseridas nesse estudo, ressalta-se que, dos 12 artigos foram selecionados, 5 (41,66%) são originais e 7(58,33%) são do tipo original. Sendo assim foi possível, através desses resultados, categorizar, agrupar e interpretar os dados. A partir desse agrupamento emergiram, dois temas: Tema I: As estratégias de ensino como ferramentas importantes para formação do enfermeiro (Quadro 2); Tema II: Diretrizes Curriculares Nacionais em Enfermagem como promoção as novas prática de ensino aprendizagem (Quadro 3). 32 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba TEMA I: As estratégias de ensino como modalidade importante para formação do enfermeiro. TITULO DO ARTIGO OBJETIVOS DO ESTUDO Planejamento de ensino em enfermagem: intenções educativas e as competências clínicas (DELL''ACQUA et al., 2OO9). O ensino de conteúdos atitudinais na formação inicial do enfermeiro (PUSSHEL; NOSOW; ARAÚJO, 2009). Caracterizar uma visão longitudinal a constituição das competências assistências nos cursos de graduação em enfermagem contidas no plano de ensino. Investigar o ensino dos conteúdos atitudinais ministrado por docentes de uma instituição pública na formação inicial do enfermeiro Estratégias de ensino e habilidades do pensamento crítico na enfermagem (CROSSETTI et al., 2008). Caracterizar estratégias de ensino utilizadas na enfermagem para desenvolver habilidades do pensamento crítico. A educação em saúde na perspectiva de graduando enfermagem (COLOMÉ;OLIVEIRA, 2008). Identificar as concepções de educação em saúde dos graduandos. O sentido do trabalho em um projeto de formação de profissionais de enfermagem (BARALDI, CAR; 2006). Evidenciar o sentido do trabalho de supervisão de um Projeto de profissionalização de trabalhadores para o nível médio (Profae). Quadro 2 – Distribuição dos artigos do Tema I, segundo o título e os objetivos das publicações selecionadas para o estudo. Conforme os estudos contemplados no Tema I, expressos no quadro acima, constatase a importância de estabelecer métodos de ensino impactantes para promover melhorias na formação acadêmica e na promoção da saúde, evidenciando diversas estratégias para a formação do enfermeiro. A pesquisa deColomé e Oliveira (2008) assinala que forma de educar em saúde ―não é apenas um estilo de comunicação e ensino, mas também um instrumento de gestão participativa e ação social, a análise das concepções de educação em saúde sinaliza a existência de experiências curriculares nas quais a educação em saúde é a estratégia para a promoção da saúde, com potencial para renovar e transformar as práticas educativas existentes. O estudo de Pusshelet al. (2009), ressalta acerca da utilização de estratégias mobilizadoras, bem como de atitudes, que favorecem a inserção do aluno em novas práticas, dando-os a oportunidade de expressarem sua criatividade, compartilhando seu conhecimento para o meio em que estão inseridos, assim como na realidade prática de cada atividade por eles desenvolvidas. No concernente às estratégias mobilizadoras, o estudo referido retrata a sua importância, as quais são incrementos importantes que podem promover uma assessoria adequada professor, que se transfiguram nas diversidades dos modelos de ensino, tais como: 33 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba a utilização de filmes, jogos, músicas, estudos de caso, vivências, dramatizações, leituras, prévias de textos. Quanto às técnicas expositivas, é notório relatar que estas contribuem gradativamente no crescimento cognitivo de cada estudante, a partir da criação de novos meios de ensino que têm como foco essa temática, tendo em vista que, os elementos que são usados nessas avaliações permitem ao docente conhecer a capacidade aluno, sobre o que ele sabe e como as realizam. Ainda assim, observa-se, primordialmente, o desenvolvimento de habilidades e conceitos que são necessários à prática, ajudando-os a formulação de esquemas que buscam a integralidade do processo ensino/aprendizagem (ACQUA; MIYADAHIRA; IDE, 2009). O estudo de Crossetti et al. (2008) alude acerca das técnicas de ensino online. Esta é descrita como uma prática interativa que é utilizada como estímulo para o surgimento de discussões, bem como para formações de pequenos grupos. Assim sendo, essa ferramenta de ensino promove uma maior aproximação entre graduandos e professores, na qual os estudantes podem desenvolver novas habilidades na utilização de vários softwares, da internet, de vídeos, do power point, explorando melhor sua capacidade de aprendizagem. O autor referido alude, ainda, que esse meio de comunicação pedagógica ajuda nas resoluções dos problemas e induzem as estudantes a desenvolverem maiores habilidades críticas. Outra estratégia que enfatiza a promoção do vínculo entre o aluno e o professor é a educação pedagógica baseada na criação de uma oficina de trabalho estratégica, esta auxilia na mobilização dos alunos coordenadores e professores promovendo o incentivo, a mobilização e a transformação na qualificação profissional, além disso, ainda permitir que os discentes realizem questionamentos, contemplando a dinamicidade durante o processo ensino-aprendizagem, construindo um ambiente favorável à abertura que os permite elaborar questões sobre a temática de interesse e auxiliando na resolução de problemas (BARALDI; CAR, 2006). Educar não é só um estilo de comunicação e ensino, mas que a sua principal característica deve está acoplado a um instrumento de gestão que possibilite a participação social. Nesse contexto, os aspectos considerados nas pesquisas analisadas são as formas de educar em saúde (OLIVEIRA; COLOMÉ, 2008). 34 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba TEMA II: Diretrizes Curriculares Nacionais em Enfermagem como promoção das novas práticas de ensino aprendizagem Quadro 3-Distribuição dos artigos do tema II, segundo o título e os objetivos das publicações TÍTULO DO ARTIGO OBJETIVO DO ESTUDO Vivências de alunos de enfermagem em estágio hospitalar: subsídios para refletir sobre a humanização em saúde (CASATE;CORRÊA,2006). Descrever as reações que os alunos de enfermagem apresentaram quando do seu primeiro estágio curricular Formação em enfermagem: interface entre as diretrizes curriculares e os conteúdos de atenção básica (SILVA; SOUSA; FREITAS, 2011). Analisar Projetos Políticos Pedagógicos (PPP) dos três Cursos de Enfermagem mais antigos do Ceará, demonstrando como as Diretrizes Curriculares Nacionais de Enfermagem se expressam neles, e as transformações ocorridas na Enfermagem como profissão no Brasil. Abordamos a implementação das Diretrizes Curriculares da graduação em enfermagem no Paraná identificando as reformulações curriculares desencadeadas Formação na Graduação em Enfermagem no Estado do Paraná. (RODRIGUES;CADEIRA, 2007). A enfermagem no Brasil no contexto da força de trabalho em saúde: perfil e legislação. (PEREIRA et al., 2009). Abordar a força de trabalho em enfermagem no Brasil regatando historicamente a conformação do seu perfil vinculada à organização mais geral do setor saúde do país. Diálogos entre a arte e a educação: uma experiência no ensino da disciplina de administração em saúde. (PIRES et al., 2009). Refletir sobre as possibilidades de aprendizagem a partir das expressões da arte, bem como analisar a experiência do ensino da gestão do Sistema Único de Saúde em diálogo com a arte e a educação Dimensão ética do fazer cotidiano no processo de formação do enfermeiro. (FERNANDES et al., 2008). Considerando a implementação das Diretrizes Curriculares Nacionais dos Cursos de Enfermagem. Integralidade do cuidado na Saúde: indicações a partir da formação do enfermeiro (SILVA; SENA, 2008). Compreender a formação do enfermeiro para a integralidade do cuidado. selecionadas para o estudo. Os estudos do Tema II evidenciaram que as diretrizes curriculares podem ser caracterizadas como diretrizes gerais que norteiam o planejamento acadêmico do curso de graduação para formação profissional. As diretrizes curriculares podem ser definidas como diretrizes gerais que orientam o planejamento acadêmico do curso de graduação para formação profissional, podendo ser entendida, também, como uma forma flexível no processo de ensino/aprendizagem. É importante salientar que a sua base estar em observar a realidade, a formação, dando maior 35 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba enfoque aos diferentes saberes, com intuito de fazer emergir uma formação voltada e aplicada à generalidade (PEREIRA et al.,2009). No campo da enfermagem, as DCN preconizam ao profissional uma formação generalista, crítica e reflexiva, capaz de possibilitar-lhe conhecer e intervir sobre os problemas/situações de saúde-doença mais prevalentes no perfil epidemiológico identificando as dimensões biopsicossociais de seus determinantes (SILVA; SOUSA; FREITAS, 2011). Pereira et al.(2009) alude no seu estudo que a lei nº 9394/96 traz as bases da educação nacional na apresentação das diretrizes Curriculares Nacionais, que apontam para a flexibilização curricular, processo ensino-aprendizagem centrado na realidade, diálogo entre os diferentes saberes, aberturas para processos inovadores, formação por competência, integração das disciplinas da teoria/prática e do trabalho/academia, autonomia institucional. No entanto, discorrer sobre as diretrizes curriculares como uma forma flexível no processo de ensino, permitem ao profissional obter um olhar generalista. Para esse fim, o trabalhador de enfermagem necessita de uma formação que contenha sua base nos conhecimentos específicos da área, e ainda possua conhecimentos antropológicos, sociológicos, psicológicos, filosóficos das políticas públicas de saúde entre outros como mostra a pesquisa de (PEREIRA et al., 2009). Outro artigo averiguado complementa as novas formas de ensino dos autores supracitados, assinalando que as diretrizes curriculares de enfermagem, aprovadas pelo Ministério da Educação, contemplam as competências e as habilidades a serem desenvolvidas no processo de formação dos enfermeiros e destaca a construção de um projeto de ensino aprendizagem que incorpora os conhecimentos das ciências biológicas e humanas, das relações interpessoais, sociais e do meio ambiente, permitindo, dessa forma a construção e a reconstrução de um atendimento em saúde que considera a diversidade, a imprevisibilidade e a complexidade de cada indivíduo (SILVA; SENA, 2008). É sobremaneira ressaltar que as diretrizes curriculares na graduação em enfermagem, atualmente, são apontadas com o objetivo principal de garantir a capacitação dos profissionais de saúde no que concerne à autonomia e ao discernimento para assegurar a integralidade da atenção e a humanização do atendimento de indivíduos, famílias e comunidade (CASATE; CORRÊA, 2006). Ainda nessa mesma perspectiva de ensino, Fernandes et al.(2008) relatam que as Diretrizes Curriculares em Enfermagem (DCENF) devem se constituir de princípios como a ética social de cada sujeito envolvido no processo de formação em enfermagem, que denota uma ação qualificada que tem como escopo a superação e a reconstrução do atual modelo do 36 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba pensar e do fazer educação em enfermagem. No entanto, pode-se perceber que os sujeitos envolvidos nesse processo podem assumir uma nova proposta de ensino a serem desenvolvidas nos meios acadêmicos, trazendo novos pensamentos, bem como uma nova perspectiva em relação ao trabalho dos docentes frente às percepções e as dificuldades cognitivas de cada aluno. Foi possível analisar, ainda, estudos que trazem como marco principal na formação profissional, a crítica e a flexibilidade, como avanços promovidos pela implantação das Diretrizes Curriculares Nacionais no curso de graduação da área da saúde (PIRES et al., 2009). A pesquisa de Rodrigues e Cadeira (2007) discorrem das Diretrizes Curriculares Nacionais em enfermagem (DCENF) como uma formação centrada no aluno e o professor como facilitador; a formação generalista, humanista, crítica e reflexiva; a pedagogia das competências do aprender a aprende. Com base em tal entendimento, outros importantes aspectos favorecem a formação adequada que é a utilização de uma sistematização entre cursos e as instituições de ensinos referentes ao tempo de formação e o enfoque metodológico de cada curso. SILVA; SOUSA; FREITAS (2011) relatam que na Enfermagem as Diretrizes Curriculares Nacionais, tem como ideal básico a flexibilização curricular, com vistas a possibilitar uma sólida formação de acordo com o estágio do conhecimento desenvolvido por cada área de ensino. Percebe-se, assim, que o ato de organizar um sistema de ensino necessita do desenvolvimento de uma relação entre dirigentes e os receptores desse conhecimento que são os estudantes. Somente a partir desse contexto é possível voltar às práticas de enfermagem a um contexto integrativo, ou seja, aplicá-lo ao modelo de humanização. Portanto, a implantação desses métodos de ensino, produzirá um impacto direto no que se refere à qualidade de cada assistência prestada. CONSIDERAÇÕES FINAIS De acordo com a produção cientifica sobre a educação na formação profissional no campo da enfermagem, verifica-se e a relevância do tema para o crescimento do ensino e da qualificação na formação profissional. Notoriamente, os dados expressados nesse estudo, mostram o empenho dos pesquisadores em contribuir com uma forma norteadora do crescimento dos estudos acerca das novas técnicas de ensino para formação dos futuros profissionais de enfermagem. 37 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba Reconhecendo que as novas técnicas de ensino têm sua relevância no processo ensino/aprendizagem, e que são métodos impactantes para uma nova forma de fazer saúde em enfermagem, percebe-se que os estudos que envolvem tal temática são desenvolvidos não apenas em sala de aula, mas também em outros ambientes tais como, as unidades de saúde da família, laboratórios acadêmicos, hospitais e a utilização de oficinas como estratégia de ensino. A pesquisa demonstra, ainda, que apesar dos estudos por parte dos pesquisadores ter progredido numericamente, ainda há necessidade de uma maior consolidação na pesquisa. Por essa razão reafirmamos o quanto é imperioso que esses invistam em estudos que contemplem prioridades de pesquisa acerca da educação na formação profissional, para o crescimento da enfermagem no país. Tal qual, possibilitará uma nova construção no tocante a ampliação do embasamento científico nos centros acadêmicos. REFERÊNCIAS BARDIN, L. Análise de conteúdo. 3. ed. Edições 70, 2008. BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Superior. Resolução CNE/ CES, n. 3, de 7 de novembro de 2001. BARALDI, S.; CAR, M. R. O sentido do trabalho em um projeto de formação de profissionais de enfermagem. Rev. esc. enferm., v. 40, n.4, p. 555-62, 2006. CROSSETTI, M. G. O. C. Processo diagnóstico na enfermagem: condições para a tomada de decisão do enfermeiro. Enferm. Atual., v.8, n. 44, p. 45-50, 2008. CROSSETTI, M. G.O et al. Estratégias de ensino das habilidades do pensamento crítico na enfermagem. Rev. Gaúcha Enferm., v. 30, n.4, p. 732-41, 2008. CASATE, J. C.; CORREIA, A. K. Vivências de alunos de enfermagem em estágio hospitalar: subsídios para refletir sobre a humanização em saúde. Rev. esc. enferm., v.40, n.3, p. 321-28, 2006. COLOMÉ, J. S.; OLIVEIRA, D. L. L. C. A educação em saúde na perspectiva de graduandos de enfermagem. Rev. gaúch. enferm., v. 29, n. 3, p.347-53, 2008. DELL'ACQUA et al . Planejamento de ensino em enfermagem: intenções educativas e as competências clínicas.Rev. esc. enferm.,v. 43,n.2,p.264-71,2009. FERNANDES et al. Dimensão ética do fazer cotidiano no processo de formação do enfermeiro.Rev. esc. Enferm., v. 42, n. 2, p. 396-03, 2008. 38 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba GUINDANI, E. R. O Ensino universitário na perspectiva da complexidade: uma abordagem Moriniana. Rev. Educ. PUC, v. 21, p.133-40,2006. MANDÚ, E. N. T. Diretrizes curriculares e a potencializarão de condições para mudanças na formação de enfermeiros. Rev. Bras. Enferm., v. 1, n.1, p.348-50, 2003. PUSSHEL, N. V.; ARAÚJO, V. A. O ensino de conteúdos atitudinais na formação inicial do enfermeiro.Rev. esc. enferm., v.43,n.2,p. 1232-37,2009. PEREIRA, M. J. B. et al. A enfermagem no Brasil no contexto da força de trabalho em saúde: perfil e legislação.Rev. bras. enferm.,v.62, n. 5, p. 771-77, 2009. PIRES, M. R. G. M. et al. Diálogos entre a arte e a educação: uma experiência no ensino da disciplina de administração em saúde.Texto contexto - enferm.,v.18, n. 3, p. 559-67, 2009. POTTER, P. A.; PERRY A. G. Fundamentos de enfermagem: conceitos, processo e prática. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1997. PINHEL I. O desenvolvimento de competências para docência segundo a vivência de docentes de um curso de graduação em enfermagem. 2006. 251f [tese] (Doutorado em Enfermagem) - Escola de Enfermagem, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2006. RODRIGUES, R. M.; CALDEIRA. S. Diretrizes curriculares para a graduação em enfermagem no Brasil: contexto, conteúdo e possibilidades para a formação. 2007. 251f [tese] (Doutorado em Enfermagem) - Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2007. RODRIGUES, R. M.; CALDEIRA, S. Formação na graduação em enfermagem no estado do Paraná.Rev. bras. enferm., v.62, n.3, p. 417-23, 2009. SILVA, L. W. S. et al. A arte na enfermagem: iniciando um diálogo reflexivo. Texto contexto Enferm.,v.1,n.14, p. 120-3, 2005. SILVA, M. J.; SOUSA, E. M.; FREITAS, C. L. Formação em enfermagem: interface entre as diretrizes curriculares e os conteúdos de atenção básica.Rev. bras. enferm., v. 64, n. 2, p. 315-21, 2011. SILVA, K. L.; SENA, R. R. Integralidade do cuidado na saúde: indicações a partir da formação do enfermeiro. Rev. esc. enferm., v. 42, n.1, p. 48-56, 2008. TREZZA et al. A arte de educar em saúde: uma contribuição nascida do cotidiano da enfermagem. Maceió: Edufal, 2004. 39 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba CUIDADOS PALIATIVOS NO DOMICÍLIO: PRODUÇÃO CIENTÍFICA NO ÂMBITO DA ENFERMAGEM Maria Ione de Andrade (relator)1 Herika Patrícia Gomes da Costa2 Cristiani Garrido de Andrade3 Ana Aline Lacet Zaccara4 Kamyla Félix Oliveira dos Santos5 Isabelle Cristinne P. Costa6 RESUMO O avanço da ciência e da tecnologia na área da saúde vem proporcionar através dos cuidados paliativos a prevenção e o alívio do sofrimento como uma abordagem que aprimora a qualidade de vida dos pacientes e família, que enfrentam problemas associados a doenças ameaçadoras da vida. Nesse contexto, a assistência domiciliar vem adquirindo cada vez mais espaço no cuidado em enfermagem, dando ao paciente uma morte digna ao lado da sua família, com conforto e uma assistência de qualidade. Este trabalho tem como objetivo abordar aspectos relacionados aos cuidados paliativos na assistência domiciliar. Trata-se de uma revisão bibliográfica, elaborada através da seleção e leitura de livros e artigos pertinentes à temática. Para viabilizar a coleta de dados foram utilizados como descritores: ―Cuidados Paliativos and Domicílio‖. Os resultados evidenciaram que os cuidados paliativos em domicílio é uma especialização na área da saúde. Em contrapartida à assistência no hospital, o cuidado domiciliar permite que o paciente seja tratado em casa pelos profissionais de saúde. Este procedimento é apontado como um recurso valioso, utilizado principalmente em pacientes que possuem enfermidades em escala elevada. Assim, a assistência em domicílio possibilita que, além do paciente, a família sinta-se cuidada e amparada, ao serem tratados de uma forma humanizada e holística em ambiente acolhedor. Descritores: Cuidados Paliativos. Domicílio. Enfermagem. 1 Técnica em Enfermagem. Graduanda em Enfermagem pela Faculdade Ciências Medica da Paraíba – FCMPB. E-mail: [email protected]. 2 Técnica em Radiologia. Graduanda em Enfermagem pela Faculdade Ciências Medica da Paraíba – FCMPB. Email: [email protected]. 3 Enfermeira. Fonoaudióloga. Especialista em Saúde Coletiva, com Ênfase na ESF-FASER. Mestranda em Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba – UFPB. Pós-graduanda em Cuidados Paliativos. Docente em Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. E-mail: [email protected]. 4 Enfermeira. Universidade Federal da Paraíba. E-mail: [email protected]. 5 Enfermeira. Mestranda em Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba – UFPB. Docente em Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. E-mail: [email protected]. 6 Enfermeira. Fonoaudióloga. Mestre em Enfermagem. Especialista em Saúde Coletiva, com Ênfase na ESFFASER. Doutoranda em Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba. Membro do Núcleo Gestor da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. E-mail: [email protected]. 40 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba INTRODUÇÃO O avanço da ciência e da tecnologia, na área da saúde, tem proporcionado o aumento da expectativa de vida da população, o que promove mais esperanças para a cura de diversas doenças. Assim, os pacientes chegam com mais frequência a terminalidade da vida (ANDRADE et al., 2012). Desse modo, torna-se necessário o desenvolvimento de novas modalidades do cuidado, razão pela qual emergem os cuidados paliativos. O conceito de cuidados paliativos originou-se no Movimento Hospice, criado por Cecily Saunders e colaboradores, que foram responsáveis pela disseminação de uma nova filosofia do cuidar, no mundo, a qual contém dois elementos essenciais: o controle efetivo da dor e de outros sintomas decorrentes dos tratamentos em fase avançada das doenças e os cuidados (que abrangem as dimensões psicológicas, sociais e espirituais de pacientes e de sua família) (RONCARATI et al., 2003). A Organização Mundial de Saúde define os cuidados paliativos como uma abordagem que aprimora a qualidade de vida dos pacientes e de sua família, que enfrentam problemas associados a doenças ameaçadoras da vida, através da prevenção e do alívio do sofrimento, por meio da identificação precoce, de avaliação correta e do tratamento da dor e de outros problemas de ordem física, psicossocial e espiritual (WHO, 2002). É importante ressaltar que os cuidados paliativos apresentam como princípios básicos: reafirmar vida e a morte como processos naturais; integrar os aspectos psicológicos, sociais e espirituais ao aspecto clínico de cuidado do paciente; não apressar ou adiar a morte; oferecer um sistema de apoio para ajudar a família a lidar com a doença do paciente, em seu próprio ambiente; oferecer um sistema de suporte para ajudar os pacientes a viverem o mais ativamente possível até sua morte; usar uma abordagem interdisciplinar para acessar necessidades clínicas e psicossociais dos pacientes e suas famílias, incluindo aconselhamento e suporte ao luto (SANTOS, 2011). Os cuidados paliativos baseiam-se em conhecimentos básicos inerentes a várias especialidades, sendo realizado por uma equipe multiprofissional capacitada, composta por: enfermeiros, médicos, psicólogos, assistentes sociais, assistentes espirituais, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, dentre outros. Logo, o cuidado ao paciente sem possibilidades de cura é visto como função da equipe de saúde que, usando da ética e da valorização do paciente e da sua família, como instrumento importante do cuidar, proporciona e oferece uma assistência digna (ANDRADE et al., 2012). É notório destacar que esses cuidados são oferecidos por meio de programas inseridos ou não em instituições hospitalares, quando não inseridos em uma instituição hospitalar, 41 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba podem estar em asilos, casas de repouso, clínicas, moradias assistidas, como também no domicílio (RONCARATI et al., 2003). Nesse sentido, o cuidado paliativo pode ser prestado no domicílio do paciente, por meio da assistência domiciliária. A assistência domiciliar é uma particularidade de assistência que tem um proposito do cuidado ao paciente que esta em casa. Esta demostrando ser a nova fronteira de serviço de saúde. Embora exista há muitos anos atrás, este tipo de atenção à saúde esta se destacando bastante, em especial nas duas últimas décadas, nos EUA e, mais recentemente, no Brasil, conforme revelam (DUARTE; DIOGO, 2000). De acordo com Rehen e Trad (2005) a assistência domiciliar consiste em estratégias que tem em vista a diminuição da demanda por atendimento hospitalar ou à redução do período de permanência dos pacientes internados. Assim, a Assistência Domiciliar (AD) tem surgido como uma modalidade alternativa de atenção à saúde, já estando consolidada em alguns países desenvolvidos. O ponto que merece receber maior realce, em assistência domiciliar, é a tríade paciente, família e equipe multiprofissional. A família, especialmente o cuidador, é o centro das ações educativas, o paciente é o foco de atenção e vigilância, a equipe é o seguimento de suporte às necessidades que irão surgir com a evolução da doença (REHEN; TRAD, 2005). Dessa forma o serviço de assistência domiciliar em cuidados paliativos, não tem como objetivo presumir a cura. Sua meta principal é proporcionar o máximo de conforto possível, dentro da vida remanescente do paciente, dando ênfase ao controle adequado destes sintomas e aos aspectos emocionais, espirituais, sociais e familiares do paciente (ALVARENGA, 2005). Assim, os objetivos primários do cuidado paliativo em domicílio são: melhorar a qualidade de vida no final da existência, aliviar os sintomas, permitir que o paciente tenha conforto perante finitude e oferecer dignidade respeitando seus anseios e desejos. A atenção ao paciente e seus familiares no domicílio constitui um dos alvos importantes de atuação dos cuidados paliativos. Com base em tal entendimento e considerando a relevância dessa temática para prática assistencial dos profissionais de saúde, este estudo teve como fio condutor os seguintes objetivos: abordar aspectos relacionados aos cuidados paliativos na assistência domiciliar. METODOLOGIA Trata-se de uma pesquisa bibliográfica consubstanciada na literatura pertinente ao tema em destaque. Segundo Gil (2002), a principal vantagem nesse tipo de pesquisa é propor ao investigador a cobertura de uma gama de fenômenos muito mais amplos. Não há regras 42 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba fixas que determinem e concretizem a realização de uma pesquisa bibliográfica, porém há fatores que demonstram serem importantes neste caso: exploração de fontes bibliográficas, leitura do material e elaboração de fichas, ordenação e análise das fichas e conclusões. A pesquisa bibliográfica de acordo com Martins e Lintz (2008, p. 29), tem por fito analisar a produção científica relativa a um dado assunto, de forma a discutir um tema ou problema fundamentando-se a partir da literatura técnica existente sobre o mesmo. As fontes de dados foram publicações acerca da assistência domiciliar a pacientes sob cuidados paliativos, no âmbito da Enfermagem, por meio de busca manual e eletrônica na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e na Biblioteca da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. O descritor em Ciências da Saúde instituído para a coleta de dados foi ―cuidados paliativos and domicílio‖. A coleta de dados ocorreu no período de março a abril de 2012. Para a realização da investigação proposta, seguiram-se as seguintes etapas operacionais: Primeira Etapa – Levantamento da literatura sobre a temática; Segunda Etapa – Seleção dos documentos relacionados com a temática investigada com ênfase na assistência de enfermagem; Terceira Etapa – Elaboração do relatório final pautado na literatura pertinente ao tema. Destaca-se que foram ponderadas as observâncias éticas observadas no Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem – Resolução 311/2007 do Conselho Federal de Enfermagem, no que se refere à elaboração de trabalhos científicos. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS Cuidados Paliativos no Domicílio O Cuidado Paliativo é um conjunto de atos multiprofissionais que têm por objetivo efetuar o controle dos sintomas decorrente da fase avançada de uma doença, considerando os aspectos físicos, da mente, do espírito e do social. Na maioria das vezes, a família é também acompanhada pela equipe multiprofissional, pois ela compartilha do sofrimento do paciente. Dentre as formas de se oferecer cuidados paliativos ao paciente sem possibilidade de cura, é importante destacar a assistência paliativa em domicílio (SANTOS; PAGLIUCA; FERNANDES, 2007). O cuidado paliativo assiste o paciente em seu domicílio, e consiste em uma atividade que remonta era Antes de Cristo. Tal atividade já era citada no Velho Testamento como uma forma de prestar caridade. Entre os judeus, encontram-se declarações dos rabinos quanto à 43 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba incumbência dos primeiros de visitar os doentes para lhes demonstrar solidariedade e como forma de auxiliá-los a sair do sofrimento (SANTOS, 2011). No século XV, organizações militares e ordens religiosas iniciaram o desenvolvimento de uma forma de atendimento domiciliário que muito se assemelha a um serviço regionalizado de enfermagem. Em 1610, São Francisco de Sales fundou a ordem da Virgem Maria, uma congregação feminina destinada a visitar a casa de doentes, diariamente, desenvolvendo várias atividades. Estas atividades foram encerradas por determinação da Igreja, que a passou exigir que as mulheres religiosas fossem enclausuradas. Posteriormente, foi fundado o Instituto das Filhas de Caridade, mais tarde denominado Irmãs de Caridade, por São Vicente de Paula, tendo como atividade principal à assistência aos doentes e os pobres em seus domicílios. Foi elaborado então um manual, ―Manual das Filhas de Caridade‖, onde se encontra um capítulo dedicado exclusivamente à visita domiciliária (SANTOS, 2011). Nos EUA, esta atividade começou por volta de 1800, logo após a Guerra Civil, como o interesse das mulheres em cuidar de seus doentes. Segundo Cunha (1991), o primeiro trabalho domiciliário surgiu no início do século XIX, na Caroline do Sul, onde um grupo de 16 senhoras da comunidade prestavam cuidados domicílios (DUARTE; DIOGO, 2000). Em 1912, já eram três mil enfermeiras visitadoras e atualmente existem aproximadamente 18,5 mil serviços de atendimento domiciliário naquele país, englobando assistência médica, de enfermagem, fisioterapia, nutrição, farmácia, serviço social e, ainda, serviços de laboratório e fornecimento de equipamentos apropriados (DUARTE; DIOGO, 2000). No Brasil, o desenvolvimento da assistência domiciliária também manteve estreita relação com a enfermagem. Suas primeiras atividades são descritas, no começo deste século, mais especificamente em 1919, com a criação do Serviço de Enfermeiras Visitadoras no Rio de Janeiro, voltado às áreas de tisiologia e materno-infantil. Nesta época ocorreram várias epidemias (febre amarela e peste). Assim, Carlos Chagas trouxe ao Brasil, enfermeiras americanas com o objetivo principal de preparar profissionais para atuarem no combate ás epidemias. Atualmente, este campo específico foi posto em segundo plano, restringindo-se ás atividades relacionadas à vigilância epidemiológica e materno-infantil (DUARTE; DIOGO, 2000). Esse cuidado se confunde historicamente com o termo hospice, que definia abrigos (hospedarias) destinados a receber e cuidar de peregrinos e viajantes. O relato mais antigo remonta ao século V, quando Fabíola, discípula de São Jerônimo, cuidava de viajantes vindos da Ásia, da África e dos países do leste no Hospício do Porto de Roma. Várias instituições de 44 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba caridade surgiram na Europa no século XVII, abrigando pobres, órfãos e doentes. Essa prática se propagou com organizações religiosas católicas e protestantes que, no século XIX, passaram a ter características de hospitais. O Movimento Hospice Moderno foi introduzido pela inglesa Cicely Saunders, com formação humanista e médica, que em 1967 fundou o St. Christopher’s Hospice, cuja estrutura não só permitiu a assistência aos doentes, mas o desenvolvimento de ensino e pesquisa, recebendo bolsistas de vários países. Na década de 1970, o encontro de Cicely Saunders com Elisabeth Klüber-Ross, nos Estados Unidos, fez com que o Movimento Hospice também crescesse naquele país (SANTOS, 2011). O termo cuidado paliativo é concebido como um tratamento que fornece alívio, de duração variável. O termo ―palliare‖ era entendido como cobrir, proteger, acobertar, sendo um termo constantemente compreendido em nossa cultura como algo sem muito valor. Atualmente, o conceito de cuidados paliativos aborda intervenções que visam o controle da dor e o alívio dos sintomas em busca de uma qualidade de vida melhor, com a perspectiva de cuidar e não somente curar (MACHADO; PESSINI; HOSSNE, 2007). Destarte, os cuidados paliativos em domicilio é uma modalidade fundamental na área da saúde, onde ao invés do paciente ir até o hospital ser tratado, os profissionais de saúde vão até sua casa trata-lo. Este procedimento é apontado como um recurso valioso, utilizado principalmente em pacientes que possuem enfermidades em graves. O atendimento domiciliar é uma modalidade de assistência à saúde desenvolvida na residência do paciente, por um profissional ou equipe de saúde. A assistência deve ser desenvolvida baseada numa sistematização através do histórico (entrevista e exame físico), diagnóstico, prescrição e evolução, onde tudo que se realiza é registrado para fins de reembolso e ético-legais. Os procedimentos realizados no domicílio são ações que buscam promover a reabilitação e a manutenção da saúde do indivíduo (ALVARENGA, 2005). Logo, o atendimento domiciliar compreende uma gama de serviços realizados no domicílio e destinados ao suporte terapêutico e assistencial do paciente. Inclui os cuidados íntimos, cuidados com a medicação, realização de curativos de feridas, cuidados com escaras e ostomias e o uso de tecnologia hospitalar no domicílio: nutrição enteral/parenteral; diálise; transfusão de hemoderivados; quimioterapia, antibioticoterapia e suporte respiratório. Pressupõe, para tanto, serviço médico e de enfermagem e uma rede de apoio para diagnóstico e para outras medidas terapêuticas (FLORIANI, 2010). Os requisitos básicos para receber cuidados paliativos no domicílio se a maioria dos pacientes prefere estar em sua residência e se as famílias desejam cuidá-los, devem-se pôr a sua disposição, todas as condições possíveis para o alcance dos devidos objetivos. 45 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba Dessa forma, Moyano (1998) cita os requisitos necessários para a realização deste tipo de assistência domiciliária: atenção integral realizada por uma equipe multidisciplinar, concretizada através do controle de sintomas físicos e psíquicos, cuidados de enfermagem, cobertura das necessidades sociais e espirituais; atenção durante vinte e quatro horas/dia, sete dias por semana; contato permanente com os serviços oncológicos e de atenção primária; sistema de comunicação aberto e fluente entre os integrantes da equipe oncológica, unidade de cuidados paliativos domiciliários, atenção primária, atenção hospitalar, família e paciente; a admissão no programa deve ser realizada em unidades de cuidados paliativos hospitalares ou simplesmente na instituição hospitalar com pessoas especialmente preparadas para este tipo de atendimento; planejamento dos cuidados, delimitação dos objetivos e avaliação dos recursos físicos e psicológicos da família; educação da família; treinamento e/ou potencialização dos recursos pessoais, através do psicólogo; visitas realizadas pelos membros da equipe com a frequência necessária, segundo as necessidades e condições do paciente e da família; é imprescindível um meio de comunicação rápida como o telefone. É notório ressaltar que esses requisitos são de grande importância para que consiga alcançar os objetivos em conjunto com o paciente/ família/ cuidador. Esses cuidados são justificados por acreditar que, para o paciente oncológico fora de possibilidades terapêuticas de cura, o tratamento paliativo deve ser realizado em seu domicilio, pois é lá que muitos deles desejam estar e que por, falta de acesso ou comunicação com a equipe de saúde, não lhes é oferecida esta alternativa de assistência. A motivação dos pacientes tratados no lar se difere daqueles que se encontram hospitalizados. Estes enfermos encontram maior apoio e se sentem mais fortes para enfrentar a enfermidade. Esses cuidados tendem a proporcionar a família e ao doente a melhor qualidade de vida possível, um cuidado humanizado e uma sobrevida digna mantendo o doente longe dos hospitais e permitindo que ele possa viver este momento de finitude e num ambiente familiar perto das pessoas e do lugar no qual ele se sente bem (SANTOS; PAGLIUCA; FERNANDES, 2007). No que concerne à enfermagem, é uma profissão que tem se preocupado, com o cuidado holístico e humanizado, ao qual tem o objetivo de assistir o paciente em sua totalidade bio-psico-social-espiritual. Demonstrando assim, total conexão com a filosofia do cuidado paliativo, mesmo antes de ser reconhecido como modalidade terapêutica em saúde (SANTOS; PAGLIUCA; FERNANDES, 2007). 46 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba CONSIDERAÇÕES FINAIS A atenção ao paciente e seus familiares no domicílio constitui um dos vértices de atuação dos cuidados paliativos, e isto é especialmente importante quando se trata dos cuidados de com doenças malignas. Isso leva muitos serviços a transferirem a estas famílias, especialmente ao cuidador familiar, os cuidados diários, transformando-o em membro da equipe. O tratamento paliativo, expandido para o domicílio, pode transferir para o núcleo familiar e para o cuidador significativo responsabilidades, nem sempre bem administradas, o que torna o tratamento domiciliar particularmente propício a situações conflituosas, especialmente se não houve possibilidade de criar um bom vínculo da equipe, e, em especial, do médico com a família, com o cuidador ou com o paciente. Este suporte domiciliar em cuidados paliativos exige uma rede de assistência disponível e flexível, que possa oferecer um controle efetivo dos sintomas mais estressores e uma morte digna ao paciente, em um ambiente onde, dentro do possível, suas preferências sejam priorizadas. Além disso, maior facilidade de consultas com os serviços de cuidados paliativos, mesmo à distância, e hospitalar, para suprir eventual necessidade de internação ou para realização de determinados procedimentos técnicos de diagnóstico ou de tratamento, são fundamentais. Logo, a contribuição deste trabalho consiste em apresentar as considerações mais importantes acerca da assistência em domicílio, que possibilita ao paciente e seus familiares uma assistência humanizada e holística em ambiente acolhedor. REFERÊNCIAS ALVARENGA, R. E. Cuidados paliativos domiciliares: percepções do paciente oncológico e o seu cuidador. Porto Alegre: Moriá, 2005. ANDRADE, C.G. de. et al. Cuidados paliativos e dor: produção científica em periódicos online no âmbito da Saúde. Revista Temas em Saúde, v.10, p. 18-25, 2010. DUARTE, Y. A. O.; DIOGO, M. J. D. Atendimento domiciliar: um enfoque gerontológico. São Paulo: Atheneu, 2000. FLORIANI, C. A. Cuidados paliativos no domicílio: desafios aos cuidados de crianças dependentes de tecnologia. J. Pediatr., Rio de Janeiro, v.86, n.1, pp. 15-19, 2010. GIL, A.C. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2002. MACHADO, K. D. G.; PESSINI, L.; HOSSNE, W. S. A formação em cuidados paliativos da equipe que atua em unidade de terapia intensiva: um olhar da bioética. Centro Universitário São Camilo, v. 1, n. 1, p. 34-42, 2007. 47 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba MARTINS, G.; LINTZ, A. Guia para elaboração de monografias e trabalhos de conclusão de curso. São Paulo: Atlas, 2008. MOYANO, P. S. La Aténcion domiciliaria em cuidados paliativos. In: IMEDIO, E. L. Enfermeria em cuidados paliativos. Madrid: Medica Panamericana, 1998. p. 377-382. REHEM, T.C.M.S.B.; TRAD, L.A.B. Assistência domiciliar em saúde: subsídios para um projeto de atenção básica brasileira. Ciência e saúde coletiva, sup. 10, pp. 231-242, 2005. RONCARATI, R. Cuidados paliativos num hospital universitário de assistência terciária: uma necessidade? Semina: Ciências Biológicas e da Saúde, v. 24, p. 37-48, 2003. SANTOS, F. S. O desenvolvimento histórico dos cuidados paliativos e a filosofia hospice. In: SANTOS, F. S. (Org.). Cuidados paliativos – diretrizes, humanização e alívio dos sintomas. São Paulo: Atheneu, 2011. Cap. 1, p. 3-15. SANTOS, M. C. L; PAGLIUCA, L. M. F; FERNANDES, A. M. C. Cuidados paliativos ao portador de câncer: reflexões sob o olhar de Patterson e Zderad. Rev. Latino-am Enfermagem, v.15, n.2, 2007. WORLD HEALTH ORGANIZATION. National cancer control programmes: policies and managerial guidelines. Geneva: WHO, 2002. 48 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba DEPRESSÃO PUERPERAL: UM ENFOQUE LITERÁRIO Thaíza Ferreira da Costa (relator)1 Jedite Ferreira Freitas2 Américo Ferreira de Sá Filho3 RESUMO No universo feminino, um dos principais desejos de realizações da mulher é ser mãe, mas para algumas significa momento de tristeza, medo e até mesmo desespero, o que pode ocasionar uma depressão puerperal. Existem três formas de transtorno depressivas puerperais: tristeza maternal, depressão e psicoses puerperais, sendo assim, a depressão é um problema muito sério que tem como principal característica à diminuição e queda da autoestima, deixando o indivíduo deprimido altamente improdutivo. A etiologia da depressão pós-parto permanece incerta. E o tratamento segue as linhas gerais das terapêuticas dos quadros depressivos, constituindo-se fundamentalmente em uma abordagem multidimensional, farmacológica e psicossocial. O presente estudo de natureza bibliográfica teve com objetivo: abordar a depressão, depressão puerperal e as assistências de enfermagem à mulher com depressão puerperal à luz da literatura. O levantamento bibliográfico para elaborar este estudo foi em bibliotecas pública e particular, a partir de acervos encontrados em livros, periódicos, monografias e em sites. Assim, a depressão puerperal é um fenômeno universal, ou seja, acontece com qualquer mulher de qualquer cultura e/ou status social. Portanto, é importante a união de forças entre os profissionais de saúde e os familiares que podem transformar este momento difícil a qual a puérpera estar passando em uma fase em ela se sentirá mais firme e confiante para expressar seus sentimentos, sentindo-se acolhida e ajudada. Descritores: Puerperal. Depressão. Assistência. INTRODUÇÃO Antes de tratar especificamente da depressão puerperal é necessário definir bem, em que consiste a depressão. Segundo Calil (2007), a depressão é uma doença da mente e também do corpo. Espinosa (2002), explica que é uma doença que provoca alterações no humor ou estado de ânimo, dimensão do psiquismo responsável pela nossa capacidade de sentir prazer, tristeza, alegria e tantos outros. Portanto, sofrer de depressão significa não conseguir desfrutar dos prazeres normais da vida, provocando assim pensamentos negativos e pessimismo. O indivíduo acometido por depressão sente dificuldade de concentração, raciocínio, organização de ideias, como também sensação de cansaço, fadiga, perturbações do sono, entre outros. 1 Enfermeira Especialista em Terapia Intensiva pela Faculdade Integrada de Patos-FIP. Pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Bioética - NEPB/UFPB e Enfermeira Socorrista do Shopping Center Tambiá. E-mail: [email protected]. 2 Enfermeira Especialista em Programa de Saúde da Família pela FACISA. Acadêmica de medicina pela FAMENE. 3 Enfermeiro pela faculdade FASER 49 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba Já a depressão puerperal pode ser vista como uma crise normal do desenvolvimento, relacionada aos desajustes que estão em andamento com relação à nova função de ser mãe, juntamente com as demais responsabilidades, além da fadiga e a excitação concomitante à maternidade (NETTINA, 1999). De acordo com o Ministério da Saúde (2001), o puerpério é o período do ciclo gravídico em que as modificações locais e sistêmicas, provocadas pela gravidez e parto no organismo da mulher, retornam à situação do estado pré-gravídico. Assim, é o período em que a mulher fica mais vulnerável aos transtornos de humor, podendo com isso, desencadear uma depressão puerperal. Atualmente a depressão é um problema de saúde pública da maior importância onde, dados epidemiológicos coletados em São Paulo indicam que aproximadamente 16% da população apresentam pelo menos um episódio depressivo durante toda a vida (LAFER et al, 2000). A prevalência da depressão é estimada em 19%, o que significa que aproximadamente uma em cada cinco pessoas no mundo apresenta problema em algum momento da vida (BRASIL, 2001). A depressão puerperal caracteriza-se segundo Smith (2004), como um grupo de sintomas caracterizados por distúrbios do humor, perda do senso de controle, intensa angústia mental, emocional e física, e perda da auto-estima associados ao nascimento da criança, com prevalência de oito a dez por cento das gestantes. A idade predominante é a idade reprodutiva, não havendo padrão genético, apesar de existir uma suposta tendência familiar. A maioria dos sintomas da depressão puerperal para Fontes (2005) são devidos as mudanças bioquímicas que se processam logo após o parto, tais como o aumento da secreção de corticosteróide e a súbita queda dos níveis hormonais. Assim, a depressão pode acometer o individuo em qualquer etapa do ciclo vital e, nas mulheres é comum surgir no período pósparto. Segundo Nunes; Bueno (2000), a depressão é evidenciada pelas alterações no humor vital do individuo e que levam a perder a qualidade de suas funções afetivas, cognitivas e intelectivas. O problema em questão, não se limita apenas em compreender o processo lento e gradual de mudanças psicológicas na puérpera, devendo ser considerado também o seu alto poder de alcance, isto é, mudanças no comportamento materno que irão influenciar negativamente o bebê, acarretando distúrbios no seu desenvolvimento, em diferentes níveis educativos, na chegada à infância, a puberdade, a adolescência (SOFIER, 1980). A relevância desse estudo foi de possibilitar um aprofundamento com respaldo científico acerca desta temática, contribuindo assim para nossa atuação como profissionais de 50 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba saúde com intuito de prestar uma assistência qualificada e humanizada, de forma integral as mulheres com depressão puerperal. Com esse estudo aprofundamos nossos conhecimentos acerca da temática em apreço, nos capacitamos melhor na vida profissional e acreditamos que o resultado deste estudo poderá servir de subsídios para outros profissionais de saúde. As considerações acima nos oportunizaram elaborar a questão norteadora a seguir: quais as abordagens da depressão, depressão puerperal e as assistências de enfermagem à mulher com depressão puerperal à luz da literatura? OBJETIVO: Abordar a depressão, depressão puerperal e as assistências de enfermagem à mulher com depressão puerperal à luz da literatura. METODOLOGIA O presente estudo trata-se de uma pesquisa bibliográfica, que de acordo com Gil (2002), este estudo tem como objetivo desenvolver pesquisas e referências encontradas em livros, periódicos, monografias, dissertações, teses, entre outros. O estudo foi realizado no período de dezembro a maio de 2007, nas bibliotecas pública e particular, no município de João Pessoa – PB. As coletas de dados bibliográficos para elaborar este estudo foram na biblioteca particular (FASER) e em biblioteca pública (UFPB), a partir de materiais encontrados em livros e periódicos online pertinentes a temática. Para alcançar o objetivo proposto deste estudo, inicialmente foram selecionados os assuntos e compilados os dados em seguida. Tais dados foram descritos em forma textual, com finalidade de expor ideias, fatos e uma melhor visão sobre o respectivo estudo. REVISÃO DE LITERATURA Depressão Puerperal A depressão puerperal é definida segundo Ferrar (1992) como um abatimento do humor que se torna triste associado à inibição e ao sofrimento moral. De acordo com Silva et al (1998), a depressão puerperal é definida como um episódio depressivo não psicótico que se instala nos primeiros meses após o parto. Segundo Campos (2002), a depressão puerperal é um quadro delirante, freqüentemente alucinatório, grave e agudo que aparece do segundo dia a três meses depois do parto. Observa-se no livro de classificação internacional de doença (CID. 10) uma tendência a 51 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba considerá-la, assim como a depressão pós-parto, um tipo de transtorno do humor, iniciativa ou precipitada pelo puerpério. Para Sogorn (2001), a mudança do estado gravídico para o estado puerperal impõe á mulher uma série de mudanças hormonais, sociais e psicológicas; onde as manifestações psíquicas mais encontradas são quadros de baby blues e depressão puerperal. E acrescenta que blues ou tristeza materna como uma forma de depressão de intensividade leve e alto limitado, comum no puerpério. Este tipo de depressão é tipo como uma condição benigna que se inicia nos primeiros dias após o parto, durante por volta de duas semanas, cedendo espontaneamente. Barbosa et al (2001), ressalta que o primeiro dia após o parto é carregado de emoções intensas e variado. As primeiras vinte e quatro horas constituem períodos de recuperação da fadiga do parto, estando a puérpera confusa, frágil, e ao mesmo tempo excitada pelo nascimento do filho. Segundo a OMS- Organização Mundial de Saúde (OMS, 2005) calcula-se que trezentos e quarenta milhões de pessoas sofrem de depressão puerperal, essa população feminina apresenta alguns sintomas dessa depressão. A depressão puerperal se apresenta de duas maneiras: leve e grave. A depressão leve é diagnosticada quando menos de cinco sintomas estão presentes por um período de duas semanas no mínimo. A depressão grave é diagnosticada quando cinco ou mais dos sintomas estão presentes por um período de duas semanas, no mínimo. Manifestações Clínicas A depressão puerperal pode começar logo após o parto ou seis meses a um ano depois do mesmo. O período pós-parto traz um à série de sinais e sintomas físicos tais como: alterações de peso e apetite, fadiga e insônia que também são característicos da depressão puerperal. Mas a depressão puerperal está em primeira instancia, relacionada aos sentimentos que a puérpera sente em relação a si mesma, à sua situação, às pessoas a sua volta, à sua vida. É evidente que o sentimento mais constante é a tristeza. A depressão puerperal é uma doença multifacetada e aqui há uma série de outras emoções que surgem junto e que podem fazer parte de uma experiência (HARVEY, 2002). Para Rocha (1991), as manifestações clínicas iniciam-se nos primeiros dias após o parto. Há um aumento da sintomatologia entre o 5º e o 10º dia. A duração é variável, estendendo-se de algumas horas a poucos dias até duas semanas. A sintomatologia também é variada e caracterizam-se mais usualmente por crises de choro, nem sempre sinônimos de 52 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba tristezas, depressão, ansiedade, fadiga, cefaleia, preocupação excessivas com a lactação e amamentação, distúrbios cognitivos como dificuldades de concentração e lentidão do aprendizado. Os sintomas da depressão puerperal moderada foram descritos como humor deprimido variando de um dia para outro, com mais dias ruins que bons, tendendo ser pior à noite e associado a, distúrbios do sono e perda da libido (TOWSEND, 2002). Stuart; Laraia (2001) relatam que os sintomas de humor puerperal são divididos em três categorias, com base em sua gravidade: tristeza, psicose e depressão. Para Smith (2004), as características clínicas da depressão puerperal são: humor depressivo na maior parte do tempo, diminuição do interesse em atividades normais ou prazerosas; alteração involuntária do peso; insônia ou hipersônia; agitação ou retardo psicomotor; fadiga ou perda de energia; sentimentos de desvalia ou culpa; diminuição da capacidade de pensar ou concentrar-se; pensamentos recorrentes de morte. O início é de 2 – 12 meses após o nascimento com duração de 3 – 14 meses. Diagnóstico Harvey (2002) informa ainda que os critérios a seguir sejam internacionalmente aceitos no diagnóstico de um distúrbio depressivo como a depressão pós-parto, tais como: lamentações constantes, tremores, sudorese, boca seca, aperto no peito, dificuldade de deglutir, perda ou ganho de peso, insônia ou dormir em excesso, cansaço e perda de energia, incapacidade de concentrar-se ou de tomar decisões, sentir-se inútil ou culpada sem motivos, pensar em morte e suicídio a ponto de planejá-lo. Para diagnosticar uma depressão é necessário pelo menos cinco anos dos sintomas a seguir: humor deprimido na maior parte do dia; perda acentuada de interesse ou situação em todas ou quase todas as atividades normais; insônia ou hipersonia; retardamento ou agitação psicomotora; diminuição da capacidade de pensar ou de concentrar, ou indecisão; fadiga ou perda de energia; sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva ou inadequada; perda ou ganho significado de peso sem dieta ou aumento ou diminuição do apetite e pensamento recorrentes de morte, ideia suicida recorrente sem um plano específico ou tentativo de suicídio (SILVA et al, 1998). Ocorrem ainda certas dificuldades diagnósticas. Em primeiro lugar, há o fato de a sintomatologia iniciar-se após a alta hospitalar, quando a puérpera já se encontra em casa e distante dos cuidados obstétricos. Em seguida, há o fato de muitas mães deprimidas serem ―esmagadas‖ pelo reconhecimento da terrível disparidade entre seus sentimentos de tristeza e 53 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba estado de ânimo e a expectativa culturalmente sancionada de que as mães deveriam ser contentes com os filhos e competentes em suas funções (ROCHA, 1991). A possibilidade de depressão é frequentemente esquecida no momento do primeiro atendimento após o parto. O não-diagnóstico de depressão é inadmissível, uma vez que pode trazer prejuízos para o relacionamento mãe-filho podendo repercutir negativamente no desenvolvimento emocional e cognitivo da criança. Para tanto, existe instrumento confiável para este diagnóstico que é a Escala de Depressão Pós-natal de Edimburgh, de fácil aplicação e de interpretação rápida e direta (BARBOSA et al, 2003). O diagnóstico diferencial deve distinguir o distúrbio emocional auto-limitante da compensação psicótica que requer uma terapia psiquiátrica de emergência (TABER, 1988). Benzecry (2000), explica que o diagnóstico diferencial com o ―blues‖ puerperal; pelo fato de costumar ter início um pouco mais tardes não nos primeiros dias pós-parto, quando a paciente já teve alta hospitalar e esta em sua casa, estes quadros podem escapar da atenção do obstetra, ficando para o pediatra a responsabilidade de observar, diagnosticar e tomar as providências anteriormente referidas, de preferência comunicando ao seu colega obstetra. Contudo existe a necessidade de um diagnóstico diferencial, que segundo Flaherty; Clannon; Davis (1990) é o mesmo critério de diagnóstico que se aplica a qualquer distúrbio psiquiátrico também se aplicam durante o período puerperal. Os distúrbios afetivos maiores por definição, duram em torno de duas semanas, já a depressão puerperal é transitória e relativamente leve. Tratamento Para Flaherty, Clannon e Davis (1990), o tratamento da depressão puerperal, pode exigir medicação ou hospitalização, bem como intervenção psicossocial. Caso a mãe não esteja amamentando no peito, as drogas podem ser prescritas quando necessárias (ver abaixo os princípios de utilização de drogas psicotrópicas em mulheres que estão amamentando seus filhos no peito). Às vezes, é possível que uma nova mãe que precise de hospitalização psiquiátrica leve seu bebê junto, a fim de manter seu relacionamento com o recém-nascido. O atendimento domiciliar, com apoios extras, incluindo enfermeiras particulares e se necessário um tratamento alternativo. Há vários tipos de medicamentos antidepressivos e eles funcionam de maneira semelhante, afetando a produção de substâncias químicas chamadas neurotransmissoras. Há evidências de que em alguns casos de depressão os níveis desses neurotransmissores específicos circulando no cérebro (HARVEY, 2002). 54 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba Para Towsend (2002), o tratamento da depressão puerperal varia de acordo com a gravidade da doença e conclui que a depressão moderada pode ser aliviada pela psicoterapia de apoio e a assistência contínua no controle doméstico até que os sintomas remitam. Segundo Guimarães (2002), a psicoterapia é um tratamento por meio de sugestão, um relacionamento entre o psicoterapeuta, ou simplesmente terapeuta, e o paciente através de encontros chamados sessões, para que o paciente possa entender seu mundo interno, muitas vezes fontes de angústias e sofrimentos psíquicos, de modo diferente. Winnicott (2000) ressalta que o tratamento em geral, é realizado basicamente com uso de medicamentos antidepressivos. Porém, a escolha do tipo de fármaco e da dosagem dependerá de fato se a mulher está ou não amamentando. De acordo com Benzecry (2000), explica que o tratamento deverá ficar a cargo de um psiquiatra clínico indicado pelo obstetra, que em conjunto orientarão a família sobre o que esta se passando, bem como condutas que possam contribuir para a melhora do quadro ou pelo menos para não piorá-lo. E o tratamento psiquiátrico clínico propriamente dito é feito à base de neurolépticos, antidepressivos, ansiolíticos, etc., isolados ou combinados e adequados a cada caso. A mesma contra-indicação de aleitamento natural é necessária, obviamente. Os antidepressivos triciclos (ADTS) funcionam impedindo que as substâncias químicas neurotransmissoras, serotonina e noradrenalina sejam reabsorvidas pelas células cerebrais de modo que haja maior quantidade delas circulando pelo cérebro. Essas são as substâncias químicas que melhoram nosso humor (TELLES, 1999). Conforme Coutinho; Coutinho (1999), o tratamento de escolha na maioria dos casos de depressão pós-parto é o aconselhamento psicológico. CONSIDERAÇÕES FINAIS A cabeça é um órgão muito propício a dores exatamente por ser uma região que responde a várias atitudes orgânicas e também por ser ricamente inervada e vascularizada. Assim sendo, o grande número de enxaquecas decorrente também variações em nível de processos sistêmicos e que decorrem em alterações a nível craniano tais como dor de dente, dor de ouvido, etc. Embora exista uma ampla variação nos tipos de personalidade daqueles que estão sujeitos a enxaqueca, existe alguma evidência de que a pessoa perfeccionista, pouco maleável e algo compulsiva, seja a mais vulnerável a essa condição. É provável que as cefaleias migranosas ocorram quando a pessoa está doente, excessivamente. As instruções sobre a 55 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba importância da dieta apropriada, repouso adequado e estratégias de aceitação podem lidar com o estresse. Identificar as circunstâncias que precipitam as cefaleias e auxiliar o paciente no desenvolvimento de meios alternativos para a aceitação, são medidas que devem fazer parte do plano de ensino. Os pacientes podem ser ajudados a desenvolver uma visão de seus sentimentos, comportamento e conflitos, e a fazer as modificações necessárias no estilo de vida com base em suas análises. São sugeridos períodos regulares de relaxamento e exercício, e quaisquer fatores agressores ou provocadores (alérgenos, fadiga, alimentos etc.) são removidos ou reduzidos para se obter alivio. Diante do que foi visto no trabalho, vimos à importância para nós, como futuros profissionais de saúde, adquirir o conhecimento a respeito desta patologia, principalmente da enxaqueca, uma doença, atualmente tão abrangente e em crescimento na nossa sociedade estressada. REFERÊNCIAS BARBOSA, F. S. et al. Episódio Depremissivo maior com início no pós-parto: Fatores de Risco. FEMINA: Ver. Da Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia. Janeiro/Fevereiro, 2003, v. 31, n.1, p. 73-76. BENZECRY, Roberto. Tratado de obstetrícia da febrasgo. Rio de Janeiro: Revinter, 2000. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Área Técnica de Saúde da Mulher. Parto, aborto e Puerpério: Assistência Humanizada à Mulher. Brasília: Ministério da Saúde, 2001, p. 175. CALIL, L. C. Depressão: Amante causadora de muitas separações. Disponível em: <http://.nib.unicamp.br/svol/artigo11.htm> acesso em: 14/04/2007. CAMPOS, R. Depressão, um estigma feminino. Revista Viver. 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Diante do contato com a realidade da unidade de hemodiálise, em que se observa a inexistência da sistematização da assistência de enfermagem e dos dados numéricos referidos acima, dos quais se destaca a pequena quantidade de enfermeiros atuante nas unidades de diálise no estado da Paraíba e o reduzido número de publicações referentes à temática no Nordeste, este estudo teve como finalidade construir, a partir da realidade observada em pacientes em tratamento hemodialítico, uma proposta de plano assistencial para pacientes submetidos à hemodiálise. Os objetivos desta pesquisa incluem também: identificar os diagnósticos de enfermagem em pacientes mantidos em hemodiálise; e desenvolver uma proposta de assistência de enfermagem para pacientes mantidos em hemodiálise. Utilizando-se de uma amostra de quatro pacientes que se submetem à hemodiálise em uma unidade de diálise do Município de João Pessoa – PB. Os resultados finais redundaram num plano assistencial geral, refletindo as necessidades de todos os pacientes, um roteiro básico para orientação prática aos profissionais em atuação em serviços de hemodiálise. De acordo com as necessidades afetadas identificadas, são vários os diagnósticos encontrados, que requerem da equipe de enfermagem uma capacitação adequada. Descritores: Enfermagem. Hemodiálise. Plano Assistencial. INTRODUÇÃO A insuficiência renal resulta da incapacidade dos rins de remover produtos de degradação metabólica do corpo ou de realizar as funções reguladoras. Quando essa incapacidade instala-se, as substâncias, normalmente eliminadas na urina, acumulam-se nos líquidos corporais e levam a uma ruptura nas funções endócrinas e metabólicas, bem como, a distúrbios hidro-eletrolíticos e ácido-básicos (SMELTZER; BARE, 2008). Pode ser classificada em duas categorias: a insuficiência renal aguda e a insuficiência renal crônica. 1 Acadêmico de Enfermagem. 7º Período. Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. . João Pessoa – Paraíba – Brasil . Email: [email protected] 2 Enfermeira. Mestranda em Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba. Supervisora de Estágio da Faculdade de Ciências médicas da Paraíba. E-mail: [email protected]. 3 Enfermeira. Mestranda em Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba. Enfermeira da Estratégia Saúde da Família de Campina Grande – PB e do HETSHL de João Pessoa – PB. E-mail: [email protected]. 4 Enfermeiro. Mestre em Enfermagem pela UFPB. Enfermeiro da Estratégia Saúde da Família de Campina Grande – PB. Campina Grande – Paraíba – Brasil. E-mail: [email protected] 5 Enfermeiro. Mestre em Enfermagem pela UFPB. Enfermeiro da Estratégia Saúde da Família de Campina Grande – PB. Campina Grande – Paraíba – Brasil. E-mail: [email protected] 58 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba A diálise é o processo pelo qual a composição de solutos de uma solução (sangue) é alterada por sua exposição a uma segunda solução (dialisado ou banho de diálise) por meio de uma membrana semipermeável a partir do mecanismo de transporte chamado difusão (BARROS, et al., 2006). A diálise dá-se a partir do emprego de um sistema de membrana artificial que utiliza sangue extracorpóreo (hemodiálise) ou membrana peritoneal (diálise peritoneal). As opções terapêuticas disponíveis para os pacientes com IR dependem de sua natureza, aguda ou crônica. Na IRA, as opções incluem hemodiálise, terapia de substituição renal contínua e diálise peritoneal. Na IRC, as opções são a hemodiálise, a diálise peritoneal ou o transplante renal. A hemodiálise ocorre quando o sangue, com substâncias tóxicas, sai do organismo por meio de uma punção arterial, é impulsionado por uma bomba, percorre um circuito extracorpóreo por um equipo arterial e entra no dialisador instalado na máquina de hemodiálise, passando a ter contato com o banho de diálise, uma solução que, devido a sua concentração e composição, atrai as impurezas e água contida no sangue. Depois da filtração sanguínea, essa solução sai da máquina e é desprezada em um sistema de esgotamento sanitário. O sangue ―limpo‖ sai pelo outro lado da máquina, retornando ao paciente por um equipo em punção venosa. Dessa forma, apesar da perfeição desse mecanismo, a probabilidade de sobrevivência de pacientes submetidos ao tratamento hemodialítico varia entre países e regiões também devido às variáveis como sexo, idade, condição social, presença de doenças associadas, condições estruturais e organizacionais dos serviços, suporte social e da família prestados ao paciente e os recursos tecnológicos disponíveis (CHAVES, et al., 2002). As estatísticas sociais e epidemiológicas apresentam realidade em que, segundo o censo realizado pela Sociedade Brasileira de Nefrologia em 2002, o Brasil, com uma população de 174.632.960 habitantes, apresenta 560 unidades de diálise, 48.874 pacientes mantidos em hemodiálise e 1.419 enfermeiros trabalhando nessas unidades; o Nordeste, com 48.845.112 habitantes, apresenta 85 unidades de diálise, 9.534 pacientes mantidos em hemodiálise e 264 enfermeiros trabalhando nessas unidades; e, finalmente, a Paraíba, com 3.494.893 habitantes, conta com sete unidades de diálise, 492 pacientes mantidos em hemodiálise e 14 enfermeiros trabalhando nessas unidades (SBN, 2010). Outro fato relevante é também o pequeno número de produções científicas na enfermagem brasileira sobre nefrologia. Um exemplo ocorre no Nordeste, onde, no período de 2001 a 2007, apenas quatro estudos foram publicados (CARVALHO, et al., 2010). 59 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba Diante do contato com a realidade da unidade de hemodiálise, em que se observa a inexistência da sistematização da assistência de enfermagem e dos dados numéricos referidos acima, dos quais se destaca a pequena quantidade de enfermeiros atuante nas unidades de diálise no estado da Paraíba e o reduzido número de publicações referentes à temática no Nordeste, concretizou-se o interesse em desenvolver este estudo para responder às seguintes indagações: Quais os principais problemas ou necessidades que os pacientes mantidos em hemodiálise costumam desenvolver? Qual seria a proposta de assistência de enfermagem mais adequada a esses pacientes? Portanto tivemos como objetivos: identificar os diagnósticos de enfermagem em pacientes mantidos em hemodiálise; e desenvolver uma proposta de assistência de enfermagem para pacientes mantidos em hemodiálise. METODOLOGIA O presente estudo trata-se de uma pesquisa do tipo estudo de caso, com abordagem qualitativa. Para seleção da amostra foram considerados os seguintes critérios: submeter-se à hemodiálise na unidade referida, estar em tratamento durante o período da coleta de dados e concordar em participar do estudo, por meio da assinatura de termo de consentimento livre e esclarecido. Portanto, foi constituída por quatro pacientes adultos, sendo três deles do sexo masculino e um do sexo feminino, todos acometidos de insuficiência renal crônica e que são submetidos ao processo de hemodiálise na Unidade de Doenças Renais - UNIRIM, localizada no município de João Pessoa – PB, sem determinação prévia de níveis de evolução da patologia ou das necessidades/frequência de processos dialíticos. Para realização da coleta de dados, foram utilizados: um levantamento inicial de dados, no qual constaram entrevista e exame físico; as técnicas de observação direta intensiva durante a realização da hemodiálise e acompanhamento da evolução dos pacientes constantes da amostra, utilizando-se como instrumento um formulário com questões fechadas de identificação e questões abertas, que oportunizaram aos sujeitos discorrerem sobre suas percepções acerca do tratamento hemodialítico. O formulário proporcionou também condições para conferir consistência de dados referentes à caracterização da amostra dos pacientes hemodialisados, por meio dos seguintes itens: identificação, informações acerca da doença renal, fatores de risco, exame físico, exames laboratoriais, diagnósticos, prescrições e evolução de enfermagem. 60 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba A análise dos dados foi, em primeiro momento, realizada de forma individualizada, pelo agrupamento de necessidades afetadas e das definições das respectivas medidas assistenciais a implementar, constituindo uma proposta de plano assistencial específica para cada participante. Num segundo momento, foi realizada a condensação dos dados numa proposta geral, na qual constam todos os aspectos dos planos individuais elaborados que constituíram a proposta final do estudo. Os dados analisados foram agrupados de acordo com a proximidade de interesse e sua repercussão/relevância para a construção da proposta assistencial de enfermagem, a partir da identificação dos sinais e sintomas apresentados pelos participantes da pesquisa e a definição das medidas julgadas eficientes para a resolução das necessidades afetadas, com vista a proporcionar o maior nível de bem estar e qualidade de vida aos pacientes. Para realização desta pesquisa, obedeceu-se à Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde e o projeto de pesquisa teve sua aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa das Faculdades de Enfermagem e Medicina Nova Esperança, sob protocolo nº 0024/05 (BRASIL, 1996). ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS O agrupamento dos problemas identificados foi condensado no relato da história clínica de cada paciente para, em seguida, realizar a inferência dos diagnósticos de enfermagem, construídos com base na North Americam Nursing Diagnoses Association (NANDA-I) (NANDA, 2008), dispostos de forma prioritária, na tentativa de elaborar estratégia de intervenção, por meio das ações de enfermagem a serem implementadas para solucionar esses problemas, se possível, e quando não, proporcionar o maior bem estar e conforto possíveis a esses pacientes (Quadro 1). Quadro 1 – Distribuição dos diagnósticos de enfermagem identificados nos clientes da amostra. João Pessoa, PB, Brasil, 2008. Diagnósticos de Enfermagem PI PII PIII PIV Volume de líquido excessivo X X X X Integridade da pele prejudicada X X X X Risco para infecção relacionado a procedimentos invasivos e à exposição à endotoxinas presentes no sistema de diálise X X X X Risco para volume de líquido deficiente, durante as sessões de X X X X 61 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba hemodiálise, relacionado à perda ativa do volume de líquido Risco para reação ao proxitane X X X X Conhecimento deficiente relacionado à falta de exposição e de familiaridade com os recursos de informação X X X X Baixa autoestima situacional X X X X Padrão de sexualidade ineficaz X - X - Mobilidade física - - - X Como forma de sintetizar o conteúdo das propostas individuais de intervenção, com o objetivo de apresentar uma orientação generalizada de assistência, a partir das necessidades identificadas nos pacientes componentes da amostra, passa-se então a compilar os diagnósticos de enfermagem reais e de risco com suas respectivas intervenções de enfermagem, que foram identificadas em todos os quatro pacientes, conforme Plano de intervenção apresentado nos quadro a seguir (2 a 10). Quadro 2 – Distribuição das intervenções de enfermagem propostas de acordo com os diagnósticos de enfermagem reais. João Pessoa, PB, Brasil, 2008. Volume de líquido excessivo N = 4 - Pesar o paciente regularmente para controle do peso; - Medir circunferência abdominal para controle do peso, se não houver condições de pesar a paciente; - Monitorizar pulso e PA; - Observar presença de edema periférico/sacral, creptações respiratórias, dispneia, ortopneia, distensão de veias do pescoço, alterações de ECG indicativas de hipertrofia ventricular, pois o excesso de volume de líquido pode exacerbar ou provocar insuficiência cardíaca; - Orientar o paciente quanto à importância da restrição hídrica e de sódio. Integridade da pele prejudicada - N = 4 - Orientar o paciente quanto aos cuidados com a fístula arteriovenosa para realização dos seguintes procedimentos: - Preservar o braço da fístula, evitando coletas de sangue e verificação de pressão arterial; - Evitar o uso de roupas apertadas, ou relógios e pulseiras apertadas, assim como deitar sobre ou carregar peso com o braço da fístula; - Verificar diariamente o funcionamento da fístula, por meio da palpação do frêmito; 62 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba - Procurar a equipe imediatamente no caso de observar qualquer anormalidade com a fístula; - Proteger a fístula de traumatismos; - Lavar o braço da fístula com água e sabão neutro ou antisséptico, na unidade de hemodiálise, imediatamente antes de sua punção; - Retirar os curativos dos locais das punções após 4 a 6 horas do término da sessão de hemodiálise; - Em caso de sangramento, realizar curativo compressivo não circular somente no local do sangramento; - Aplicar compressas frias frequentes durante as 24 horas que sucedem a hemodiálise, quando ocorrer à formação de hematomas, para reduzir o extravasamento de sangue; - Aplicar compressas mornas frequentes após as 24 horas que sucedem a hemodiálise, quando ocorrer à formação de hematomas, para auxiliar na absorção do mesmo. Conhecimento deficiente relacionado à hemodiálise - N = 4 - Avaliar o nível de conhecimento do paciente ou da família a respeito da função renal, patologia, motivos para hemodiálise; - Avaliar a capacidade e facilidade para aprender; - Identificar as barreiras para o aprendizado; - Fornecer informações adequadas quanto à facilidade e capacidade para aprender, incluindo principais funções dos rins; motivos para a perda da função renal; sinais e sintomas relacionados com a perda da função renal; e objetivos do plano de tratamento atual; - Estimular a verbalização de perguntas, temores e ansiedade. Baixa autoestima situacional - N = 4 - Discutir o sentido da perda/mudança para o paciente; - Investigar relatos de sentimentos de despersonalização ou de desvalorização de qualidades humanas em detrimento da máquina; - Reconhecer a normalidade dos sentimentos; - Encorajar a verbalização dos conflitos pessoais e de trabalho que podem surgir; - Ouvir ativamente as preocupações; - Auxiliar na determinação do papel do paciente no grupo familiar e a percepção do paciente quanto à expectativa em relação a si próprio e aos outros; - Recomendar a equipe e a família a tratar o paciente normalmente e não como inválido; - Ajudar o paciente a incorporar o gerenciamento da doença no estilo de vida; 63 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba - Recomendar a participação de grupo de apoio local; - Encaminhar para serviço social e aconselhamento vocacional; - Estimular o paciente a desenvolver atividades manuais, que o faça se sentir útil e lhe proporcione alguma ajuda financeira. O diagnóstico de enfermagem Volume de líquido excessivo, relacionado à ingestão excessiva de líquido e/ou sódio, evidenciado por ganho de peso em curto período (entre uma sessão e outra), ingestão maior que o débito, hipertensão e distensão de veia julgular, foram identificados em todos os quatro pacientes, apresentando algumas diferenças com relação às características definidoras (as evidências, sinais apresentados). A outra diferença diz respeito ao débito urinário, pois dois pacientes são anúricos e os outros dois apresentam diurese satisfatória. No período interdialítico é tolerado um aumento de peso de até 2 Kg, devendo-se considerar as diferenças individuais como o peso, a tolerabilidade, a função cardiopulmonar e a estrutura física do paciente (BARROS, et al., 2006). Por alguns pacientes apresentarem anúria ou oligúria, o volume de líquido excessivo por ele apresentado em um curto intervalo de tempo (entre uma sessão de hemodiálise e outra), deve-se à ingestão líquida e de sódio realizada nesse período. Portanto, o paciente deve ser pesado regularmente, antes e depois da hemodiálise, para que seja realizado um controle rigoroso do seu peso, determinando o quanto de peso ele aumentou e o quanto ele precisará perder naquela sessão. A sobrecarga hídrica pode ser sugerida por achados como: elevação da pressão arterial, frequência de pulso e respiração aumentada, aumento da pressão venosa central, dispneia, estertores úmidos, tosse, edema, aumento excessivo de peso desde a última diálise e antecedentes ou registros de ingestão líquida excessiva na ausência de perdas adequadas (HUDAK; GALLO, 1997). Portanto, para prevenção de hipervolemia é necessário monitorizar o pulso e a pressão arterial do paciente, assim como observar presença de edema periférico/sacral, crepitações respiratórias à ausculta pulmonar, dispneia, ortopnéia, distensão de veias do pescoço e alterações de ECG indicativas de hipertrofia ventricular, pois o excesso de volume de líquido pode exacerbar ou provocar insuficiência cardíaca; o paciente deve ser orientado quanto à importância da restrição hídrica e de sódio, explicando-o que o excesso de sódio e de líquido vai causar edema e aumento de peso e, consequentemente, o aumento da pressão arterial. 64 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba Pode-se enfatizar também que o trabalho que os rins dele realizavam só ocorre quando o mesmo se submete à hemodiálise, apenas três vezes na semana, portanto, tudo que é ingerido no intervalo compreendido entre uma sessão e outra só serão eliminado na sessão, ficando no seu organismo e podendo até trazer complicações, quando ultrapassados os limites permitidos. A quantidade de líquido permitida para ser ingerida durante as 20 horas é de 500 a 600 ml a mais que o débito urinário nas 24 horas do dia anterior (SMELTZER; BARE, 2008). Por sua vez recomenda-se 500 a 800 ml limite diário de líquido acrescido do volume de urina nas 24 horas anteriores (BARROS, et al., 2006). Portanto, para os pacientes anúricos, ou seja, que não apresentam diurese, esse é o limite de líquido a ser ingerido (MALDANER, 2008). Quanto à restrição de sódio, vai depender da presença de hipertensão, retenção de líquido com alterações abruptas no peso e aparecimento de edemas, variando conforme o paciente (BARROS, et al., 2006). Destarte, o uso abusivo de sal nos pacientes oligúricos provoca mais sede e, consequentemente, ganho excessivo de líquidos entre as sessões de hemodiálise. Em estudo realizado, o cumprimento do controle de peso interdialítico, a obediência às restrições hídricas e dietéticas, e a adoção do tratamento medicamentoso controlador dos sintomas causados pelas doenças associadas a IRC estão incluídos nas dificuldades enfrentadas por pacientes renais crônicos de aderir às terapêuticas do tratamento. O diagnóstico Integridade da pele prejudicada relacionada às necessidades específicas do tratamento da IRC, evidenciada por instalação de fístula arteriovenosa foi identificado nos quatro pacientes da amostra. Esse prejuízo é causado desde o momento em que é realizada a fístula arteriovenosa no paciente para realização da hemodiálise. A partir da confecção do acesso vascular, muitos cuidados devem ser tomados para uma boa conservação da fistula e para prevenção de infecções. Os pacientes devem ser orientados quanto à preservação e ao cuidado deste acesso, que se resume ao fato de não ocluir o fluxo e, consequentemente, fechar a anastomose. A fístula funcionante sempre apresenta um frêmito acentuado à palpação e as veias encontramse dilatadas e com a parede mais espessa, devendo-se verificar diariamente o funcionamento da mesma por meio da palpação. Para que possa ser diminuído o risco de infecção o paciente é orientado a lavar o braço da fistula com água e sabão neutro antisséptico, na unidade de hemodiálise, imediatamente antes da sua punção. Por ter um fluxo de sangue maior, podem ocorrer sangramentos após a retirada das agulhas de grosso calibre utilizadas para hemodiálise necessitando de um 65 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba intervalo maior para retirada dos curativos dos locais das punções, que convém ser de 4 a 6 horas do término de cada sessão de hemodiálise. Porém no caso de sangramento, pode-se realizar curativo compressivo não-circular somente no local do sangramento; ou em caso de formação de hematomas, aplicar compressas frias frequentes durante as 24 horas que sucedem a sessão para reduzir o extravasamento de sangue e compressas mornas frequentes após essas 24 horas, para auxiliar na absorção do mesmo. Um estudo desenvolvido sobre as necessidades de aprendizagem de profissionais de enfermagem na assistência aos pacientes com fístula mostrou que 47,2% desses profissionais que trabalham nas unidades de hemodiálise não realizam corretamente todos os cuidados com a FAV (RIBEIRO, et al., 2009). Isso é preocupante, pois é prestada uma assistência incompleta, por isso a equipe também deve ser alertada quanto a um cuidado importante que se deve ter com a fístula no momento da punção, que é o fato das punções venosas traumáticas ou das repetições no mesmo local. Esses procedimentos devem ser evitados porque resultam em sangramentos excessivos, hematoma ou formação de escaras, podendo ainda provocar o fechamento da fístula (HUDAK; GALLO, 1997). O diagnóstico Conhecimento deficiente relacionado à falta de exposição e de familiaridade com os recursos de informação, evidenciado por seguimento não acurado de instruções (declaração de incompreensão acerca do tratamento, dos efeitos da medicação e dos cuidados com a fístula arteriovenosa) foi identificado nos quatro pacientes. Ressalta-se que o conhecimento deficiente é um aspecto que merece um destaque maior dentre os demais diagnósticos, pois mostrou que os pacientes não conhecem a patologia pela qual são acometidos, a Insuficiência Renal Crônica; sabem pouco sobre o tratamento a que são submetidos (o funcionamento e os objetivos da hemodiálise); alguns não sabem o suficiente sobre os efeitos das medicações que fazem uso; e o principal não tem conhecimento satisfatório sobre os cuidados que devem ter com a fístula arteriovenosa. Essa deficiência do conhecimento sobre a doença interfere diretamente na eficiência do tratamento, fato comprovado por meio de um levantamento realizado sobre o perfil de diagnósticos de enfermagem antes de iniciar o tratamento dialítico, em que um dos diagnósticos identificados foi o controle ineficaz do regime terapêutico (54,8% dos prontuários analisados) (BISCA; MARQUES, et al., 2010). Portanto, o enfermeiro tem atuação contínua e direta com o paciente durante o tratamento hemodialítico, possibilitando o planejamento de intervenções educacionais para capacitá-lo a cuidar de sua fístula e torná-lo apto a compreender o funcionamento e o objetivo das medidas de precaução para evitar a falência da FVA (MANIVAI; FREITAS, 2010). 66 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba Diante do conhecimento do nível de compreensão do paciente e família, devem-se realizar atividades educativas com esses pacientes e seus familiares sobre a doença e seu tratamento, as formas de terapia renal substitutiva e os riscos e benefícios de cada uma das modalidades terapêuticas, sobre os acessos vasculares, dieta, restrição hídrica, uso de medicamentos, controle de pressão arterial e de glicemia (RIBEIRO, et al., 2009). Após o fornecimento de todas essas informações, estimula-se a verbalização de perguntas sobre temores e ansiedade. Uma ideia que se julga interessante para suprir o déficit da maioria dos pacientes submetidos à hemodiálise é a realização de palestras educativas sobre todos esses assuntos, durante a sessão de hemodiálise, intervalo em que o paciente costuma ficar sem desenvolver nenhuma atividade. Isso tanto o tornará mais informado quanto ajudará a distraí-lo, fazendo com que a duração da hemodiálise pareça ser menor. E quanto ao déficit da família, pode-se realizar reuniões com os familiares e cuidadores para também informá-los e educá-los, principalmente, com a finalidade de prevenir maiores complicações. Quanto aos cuidados com a fístula arteriovenosa, uma série de providências deve ser informada aos pacientes, para uma boa conservação da fistula e para prevenção de infecções. Os cuidados são: preservar o braço da fístula, evitando coleta de sangue e verificação de pressão arterial; evitar o uso de roupas apertadas, ou relógios e pulseiras apertadas, assim como deitar sobre o braço ou carregar peso com o braço da fistula; verificar diariamente o funcionamento da fístula por meio da palpação do frêmito, procurando a equipe imediatamente no caso de observar qualquer anormalidade; lavar o braço da fistula com água e sabão neutro antisséptico, na unidade de hemodiálise, imediatamente antes da sua punção. Também deve ser informado o cuidado com os curativos: retirá-los dos locais das punções após 4 a 6 horas do término de cada sessão de hemodiálise; em caso de sangramento, realizar curativo compressivo não circular somente no local do sangramento; e em caso de formação de hematomas, aplicar compressas frias frequentes durante as 24 horas que sucedem a sessão para reduzir o extravasamento de sangue e compressas mornas frequentes após essas 24 horas, para auxiliar na absorção do mesmo. Quanto ao déficit de conhecimento acerca dos efeitos dos medicamentos dos quais os pacientes fazem uso, que são: anti-hipertensivos (metildopa, captopril, propanolol, inalapril, atenolol, digoxina), calcitriol, eritropoetina (hemax), dicolofenaco, neuropurum (sonífero), deve-se informá-los sobre as indicações e efeitos de cada medicamento, bem como, sobre os efeitos adversos que podem ser apresentados durante o seu uso. 67 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba O diagnóstico Baixa autoestima situacional, relacionada às mudanças de papel social e rejeições, evidenciada por avaliação de si mesmo como incapaz e expressões de desamparo e de sentimento de inutilidade (não trabalha mais porque a sociedade o rejeita); foi apresentado pelos quatro pacientes, devido à crise situacional em que vivem por sentirem vontade e não poderem trabalhar, na maioria das vezes porque são rejeitados pela própria sociedade. A hemodiálise é percebida na maioria das vezes como uma esperança de vida, tendo em vista que a patologia é irreversível (SANTOS, et al., 2011; SOUZA, et al., 2007). Porém o impacto do diagnóstico de uma doença crônica como a IRC gera situações de adaptação no cotidiano de vida do indivíduo devido à necessidade de se submeter ao tratamento longo com pouca perspectiva de futuro e às limitações físicas que culminam na diminuição da vida social (TEIXEIRA; RESCKZ, 2011). Em estudo recente realizado por enfermeiros, doentes em hemodiálise entrevistados mostram relevância significativa das dificuldades em manter suas condições de trabalho na tentativa de ter qualidade de vida, tendo em vista que esse insucesso acorre devido ao tempo dedicado ao tratamento e as condições físicas como fraqueza, cansaço, indisposição e malestar geral nos dias de hemodiálise (SANTOS, et al., 2010). O que agrava essa baixa autoestima é o fato de tornar o tratamento em um subsídio de obrigatoriedade quando, em estudo realizado, os sujeitos da pesquisa (doentes renais) perceberam que a doença renal os coloca em um ―beco sem saída‖. Essa situação é colocada pelos autores com um momento desorganizador na vida desses indivíduos (CAMPOS; TURATO, 2010). Outro aspecto relatado por clientes que contribui para a baixa da autoestima é a mudança na estética corporal, provocada pela presença de cicatrizes e de aneurismas advindos da confecção da fístula, pois favorece o surgimento de preconceitos advindos dele mesmo ou de outras pessoas (FURTADO; LIMA, 2006). Tentando contribuir para a melhoria da autoestima do paciente, deve-se auxiliar na determinação do papel do paciente no grupo familiar e na sua percepção quanto à expectativa em relação a si próprio e aos outros; recomendar a equipe e a família a tratar o paciente normalmente e não como inválido, para que ele possa se sentir independente na realização das suas atividades de vida diária; ajudar o paciente a incorporar o gerenciamento da doença no seu estilo de vida. Além de todas essas intervenções, precisa-se do apoio de outros profissionais para uma melhor ajuda ao paciente, por isso o mesmo deve ser incentivado a participar de um 68 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba grupo de apoio local; deve ser encaminhado para o serviço social e aconselhamento vocacional, se possível (se existir); e também se pode estimular o paciente a desenvolver atividades manuais, que o faça se sentir útil e lhe proporcione alguma ajuda financeira. Quadro 3 – Distribuição das intervenções de enfermagem propostas para os diagnóstico de enfermagem de risco. João Pessoa, PB, Brasil, 2008. Risco para infecção relacionado a procedimentos invasivos e à exposição de endotoxinas presentes no sistema de diálise – reação pirogênica - N = 4 - Realizar limpeza e desinfecção do equipamento de diálise; - Realizar controle microbiológico da água, concentrado de bicarbonato e outras soluções; - Realizar reuso criterioso de dispositivos de hemodiálise; - Tratar sintomas (antipiréticos, antieméticos, miorelaxantes); - Realizar desinfecção ou troca de sistema foco de contaminação; - Evitar punções repetidas no mesmo local; - Realizar técnica rigorosa na anti-sepsia e assepsia do procedimento; - Instruir o paciente a lavar bem o braço da FAV com água e sabão neutro antes da punção. Risco para volume de líquido deficiente durante as sessões de hemodiálise - N = 4 - Observar se a prescrição está individualizada (peso, tipo de diálise, medicação); - Monitorar sinais vitais e pressões do sistema frequentemente; - Tratar causas da ultrafiltração; - Realizar infusão rápida de solução salina conforme prescrição; - Pesar o paciente antes e após a hemodiálise; - Posicionar o paciente em posição de Trendelemburg para potencializar o retorno venoso; - Reduzir a taxa de ultrafiltração conforme prescrito para reduzir a quantidade de água que está sendo removida, podendo corrigir a hipotensão/hipovolemia. - Atentar para os sinais de perda ativa de líquido como: perda da visão, dispneia, cãibra, hipotensão, cefaleia, dor torácica, prurido. Risco para reação ao proxitane - N = 4 - Lavar corretamente o sistema pré-diálise (externa e internamente); - Realizar teste residual em vários seguimentos do sistema antes de iniciar a hemodiálise; - Pesquisar antecedentes alérgicos do paciente; - Interromper a HD e proceder à recirculação asséptica do sistema por 15 minutos; 69 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba - Desprezar o sangue se hemolisado; - Administrar pequeno volume de solução fisiológica e de drogas prescritas; - Atentar para sinais e sintomas dessa reação, como dor torácica, dispneia, bronco espasmo, edema de face, edema de glote, parestesia perilabial e de extremidades, hipotensão e hemólise, cefaleia, dor em queimação no acesso vascular. O diagnóstico Risco para infecção relacionado a procedimentos invasivos e à exposição ambiental a patógenos aumentada (exposição às endotoxinas presentes no sistema de diálise – reação pirogênica), também foi identificado em todos os pacientes do estudo. É definido como risco de infecção o fato de estar em risco aumentado de ser invadido por organismos patogênicos (NANDA, 2008). O tratamento hemodialítico representa alto risco de infecção porque é realizado por meio de vias de acesso ao sistema vascular, expondo o paciente renal (imunodeprimido) ao risco de contrair infecções e doenças transmitidas pelo sangue (como as hepatites) pelos microorganismos que colonizam a pele, ou pelos que, eventualmente, contaminam o equipamento e as soluções perfundidas (BARROS, et al., 2006). A prevenção dessas infecções relacionadas ao cateter é possível, de acordo com estudo realizado, quando o conjunto de medidas de prevenção é aplicado adequadamente, desde a escolha adequada do local de inserção, realização de anti-sepsia no local, paramentação apropriada da equipe, vigilância das infecções, cuidados na manutenção do cateter, bem como a utilização de novas tecnologias (FRAM, et al., 2009). Juntamente com o cuidado apresentado com a qualidade da água, com a solução de bicarbonato e com outras soluções por meio da realização de controle microbiológico, devem ser tomadas algumas providências, como realizar a limpeza e desinfecção do equipamento de diálise; tratar sintomas antipiréticos, antieméticos e miorelaxantes se necessário; e realizar desinfecção ou troca do sistema foco de contaminação. A realização de reuso criterioso de dispositivos de hemodiálise também é uma medida de controle e prevenção da infecção. A Portaria 2.042 de 1996 do Ministério da Saúde do Brasil regulamenta o tratamento dialítico, determinando: que os dialisadores sejam desprezados após o sexto uso, ou antes, disso, caso o volume interno das fibras seja menor que 80% do original; que os pacientes vigiem e assinem a cada troca do conjunto de dialisadores – linhas; que dialisadores de pacientes portadores do vírus da hepatite B ou C sejam reprocessados isoladamente um dos outros assim como dos dialisadores dos pacientes 70 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba não-portadores dos referidos vírus; e que não se reutilize filtros de pacientes portadores do vírus da imunodeficiência adquirida (BARROS, et al., 2006). O diagnóstico Risco para volume de líquido deficiente relacionado à perda ativa do volume de líquido (ultrafiltração, peso seco mal determinado, sódio baixo, solução hiperaquecida, etc.); foi identificado nos quatro pacientes. Esse risco pode sofrer por vários fatores como: a ultrafiltração, a má determinação do peso seco, a taxa de sódio baixa, alterações na temperatura da solução, entre outros. Uma sudorese profunda, vômitos, diarreia, queda da pressão arterial, frequência crescente do pulso e da respiração, perda da turgência cutânea, boca seca, uma pressão venosa central em queda, um débito urinário decrescente e aspiração gástrica com perda consequente de peso confirmarão, posteriormente, o diagnóstico de enfermagem de deficiência de líquido (HUDAK; GALLO, 1997). As intervenções dirigem-se para uma reposição de perdas anteriores e a profilaxia de perdas posteriores durante a diálise. São elas: observar se a prescrição está individualizada (peso, tipo de diálise e medicação); monitorizar sinais vitais e pressões dos sistemas frequentemente; tratar as causas da ultrafiltração; reduzir a taxa de ultrafiltração conforme prescrito para reduzir a quantidade de água que está sendo removida, podendo corrigir a hipotensão / hipovolemia; realizar infusão rápida de solução salina conforme prescrição; pesar o paciente antes e após a hemodiálise; posicionar o paciente em posição de Trendelemburg para potencializar o retorno venoso; atentar para os sinais de perda de líquido, como os descritos acima acrescidos de perda da visão, dispneia, cãibra, cefaleia dor torácica e prurido. O diagnóstico Risco para reação ao proxitane, relacionada à presença de solução no equipamento por lavagem insuficiente do circuito de hemodiálise ou falha no teste residual foi criado a título de sugestão, pois como utilizamos a NANDA-I para a construção dos mesmos, esse não é referenciado por ela. É válido ressaltar que essa foi uma dificuldade encontrada, pois na referida Taxonomia ainda não existe uma abordagem satisfatória de diagnósticos específicos para pacientes acometidos de insuficiência renal crônica e, mais precisamente, submetidos à hemodiálise. O Proxitane é uma solução esterilizante, que tem em sua composição ácido peracético e peróxido de hidrogênio 0,2% (BARROS, et al., 2006). Esse diagnóstico foi identificado em todos os pacientes, tendo em vista que o proxitante é a solução utilizada na unidade onde foram realizados a coleta de dados e o relato de complicações (como dor torácica, dispneia e cefaleia) apresentado por eles, o qual pode ter sido decorrente da presença de resíduos de solução (proxitane) no equipamento (dialisador e linhas) por lavagem insuficiente ou da existência de falha no teste residual. 71 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba As atividades que a Enfermagem pode desenvolver para prevenir que o paciente desenvolva esta reação são: lavar corretamente o sistema pré-diálise (externa e internamente); realizar teste residual em vários seguimentos do sistema antes de iniciar a hemodiálise; pesquisar antecedentes alérgicos do paciente e atentar para sinais e sintomas dessa reação, como dor torácica, dispneia, broncoespasmo, edema de face, edema de glote, parestesia perilabial e de extremidades, hipotensão e hemólise, cefaleia, dor em queimação no acesso vascular. No caso do desenvolvimento da reação ao proxitane: interromper a hemodiálise e proceder à recirculação asséptica do sistema por 15 minutos; desprezar o sangue hemolisado; administrar pequeno volume de solução fisiológica e de drogas prescritas. Os diagnósticos de enfermagem Padrão de sexualidade ineficaz e Mobilidade física prejudicada não foram identificados em todos os pacientes, mas serão apresentados e discutidos como forma de contribuir com o planejamento da assistência de enfermagem ao paciente em hemodiálise. O diagnóstico Padrão de sexualidade ineficaz relacionado ao déficit de habilidade sobre respostas alternativas a transições relacionadas à saúde, função ou estrutura corporal alterada, doença ou tratamento médico; foi apresentado por dois dos quatro pacientes. Isso é resultante da própria sintomatologia da doença renal crônica, pois de acordo com diversas literaturas estudadas, algumas das alterações endócrino-metabólicas apresentadas pelo paciente acometido de insuficiência renal incluem a infertilidade, a impotência e a diminuição da libido sexual. Estudo realizado comprova essa alteração na função sexual quando aponta que 45% dos pacientes (50% do sexo feminino e 50% do sexo masculino) apresentaram os diagnósticos padrão de sexualidade ineficaz e disfunção sexual (LATA, et al., 2008). Diante disso, deve-se tentar aumentar a autoestima do paciente, realizando um esclarecimento de valores e ouvindoo ativamente quanto aos medos, angústias e dúvidas sobre a questão da sexualidade. Por se tratar de uma alteração fisiopatológica em que sua resolução não se resume apenas no âmbito psicológico, por meio de conversas, conselhos e reflexões, essa necessidade é caracterizada com um problema interdependente, ou seja, sua resolução ou tentativa de melhora, depende da atuação de uma equipe multidisciplinar e não somente da Enfermagem, portanto, deve-se encaminhar o paciente a um terapeuta da sexualidade. O diagnóstico Mobilidade física prejudicada relacionada à perda da integridade de estruturas ósseas, evidenciada pela capacidade limitada para desempenhar habilidades motoras grossas, como andar e pela dor, foi identificado em apenas uma paciente pelo fato 72 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba do relato de não deambular por apresentar problemas na calcificação óssea, acarretando muitas dores articulares nos membros inferiores. O distúrbio no metabolismo do cálcio e do fósforo é percebido na IRC (SMELTZER; BARE, 2008). Os níveis séricos de cálcio e fosfato no organismo apresentam uma relação inversa no corpo: quando um se eleva, o outro diminui. Portanto, com a filtração diminuída, existe um aumento no nível sérico de fosfato e uma diminuição correspondente no nível sérico de cálcio, o que provoca a secreção aumentada do paratormônio a partir das células paratireóides. Na IRC, o corpo não responde normalmente a essa secreção aumentada e, em decorrência disso, o cálcio sai do osso, produzindo com frequência, alterações e doenças ósseas. A partir das complexas alterações no equilíbrio do cálcio, fosfato e paratormônio desenvolvem a osteopatia urêmica, denominada de osteodistrofia renal. As ações de enfermagem devem ser implementadas na tentativa de manter uma ótima mobilidade/função e evitar complicações associadas como contraturas e úlceras de decúbito. Para alcançar esses objetivos, devem-se avaliar as limitações da atividade, observando a presença e o grau de restrição e habilidade para desenvolver os movimentos; encorajar a troca de posição (mudança de decúbito) quando em repouso no leito ou na poltrona para proporcionar o alívio das dores e evitar o desenvolvimento de úlceras de pressão; apoiar as partes corporais ou articulares afetadas com travesseiros ou rolos, conforme indicado; realizar massagens de conforto no intuito de ativar a circulação e prevenir a irritação cutânea; e manter a pele sempre seca e limpa, assim como as roupas de cama sempre secas e sem rugas. Deve-se proporcionar diversão por meio de programação de rádio e televisão ou livros, revistas e até mesmo uma simples conversa, em que é disponibilizado tempo para interagir com o paciente, demonstrando interesse pela vida dele. Os diagnósticos de enfermagem identificados foram agrupados e dispostos de forma prioritários para então serem elaboradas essas intervenções de enfermagem descritas no plano acima. Acredita-se que estas ações de enfermagem proporcionarão uma assistência de melhor qualidade para o paciente que é submetido ao tratamento dialítico, tendo em vista que, para o paciente, diante da necessidade de um tratamento que substitua a função renal, a hemodiálise passa a ser uma das poucas opções, torna-o dependente de profissionais especificamente treinados e representa a manutenção de sua vida. Essas situações vivenciadas pelo paciente renal crônico, não só comprometem o aspecto físico deste indivíduo, mas psicológico, com repercussões pessoais, familiares e sociais. Esse fato mais uma vez destaca a necessidade e a importância da intervenção de 73 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba enfermagem em busca de soluções para essas limitações, auxiliando-o a ter uma vida mais humana (CESARIO; CASAGRANDE, 1998). CONSIDERAÇÕES FINAIS O paciente com doença renal crônica em tratamento hemodialítico sofre as mais variadas alterações e restrições, como as de ordem física, psíquica e social, necessitando, tanto ele quanto sua família, do apoio e da assistência de enfermagem adequada, implementada da forma mais humanizada possível, que responda de forma eficaz as suas necessidades. A Enfermagem deve ocupar importante papel na vida dessas pessoas, pois passa a ser parte integrante de uma vida transformada, que passou a ter novas carências de cuidados de saúde, sendo fundamental a atuação da equipe no apoio e orientação aos pacientes, tendo a possibilidade de conquistar a sua confiança e, a partir daí, obter um bom desempenho na integração enfermeiro-paciente, como agente colaborador para a promoção da adaptação e podendo, assim, enfrentar as modificações advindas da doença. Dentro desse contexto analisado, considera-se o momento da hemodiálise oportuno para um ensinamento contínuo ao paciente, podendo a Enfermagem utilizar esse tempo para trabalhar a interação entre eles, bem como, oferecer um programa educativo. Esse momento também é apropriado para o desenvolvimento de um diálogo com o paciente, no intuito de ouvir suas angústias, seus medos, suas dúvidas, suas preocupações com relação ao sentimento de inutilidade por não poderem trabalhar e de rejeição da própria sociedade. Enfim, de acordo com as necessidades afetadas identificadas, são vários os diagnósticos encontrados, que requerem da equipe de enfermagem uma capacitação adequada, para lidar com o paciente diante de toda a maquinaria de uma unidade de hemodiálise, um procedimento complexo, que traz inúmeros riscos de complicações ao paciente e, por isso, necessita de uma equipe de profissionais capacitados para solução desses problemas ou, pelo menos, para a promoção do conforto e bem estar desses pacientes. Considerando as complexas implicações emocionais, físicas e espirituais que a insuficiência renal crônica acarreta aos pacientes, aliadas às intensas repercussões sobre a esperança de alcançar a cura, sempre desmentida pela convivência com os demais pacientes e a evolução para o agravamento do seu estado de saúde, o interesse de construir a proposta de intervenção resultante desse estudo foi direcionado pelo impulso de contribuir para a promoção do maior nível de bem estar aos mesmos. Em decorrência disso, o resultado esperado é que a vida dessas pessoas seja modificada, conforme seu organismo reage a esses processos, pelo estímulo a enfrentar a doença, educação para o autocuidado e prevenção de 74 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba complicações, por meio da atuação comprometida e humanizada da equipe de enfermagem que os assiste. REFERÊNCIAS BARROS, E. et al. Nefrologia: rotinas, diagnósticos e tratamento. 3. ed. Porto Alegre: Art Med, 2006. 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Acesso em 15 Abr 2012. 76 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba ENFERMAGEM E O INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO: REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA Eric Alves Peixoto (relator)1 Daniel Pereira Francisco 2 Jonathas David Mendes Leão3 Cristiani Garrido de Andrade4 RESUMO Este estudo objetivou caracterizar as produções científicas acerca da enfermagem diante do Infarto Agudo do Miocárdio, em periódicos nacionais online, no período de 2000 a 2012, e sintetizar a contribuição da produção científica sobre o Infarto Agudo do Miocárdio para prática assistencial dos profissionais de Enfermagem. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, realizada através dos bancos de dados da Literatura Latino Americana e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (LILACS), da Scientific Electronic Library Online (SciELO) e da Base de Dados Brasileira de Enfermagem (BDEnf). Para viabilizar a coleta de dados foram utilizados como descritores: ―Infarto agudo and Enfermagem‖. Assim, a amostra foi constituída por nove publicações. A análise do material permitiu a construção de duas categorias: enfermagem diante do Infarto Agudo do Miocárdio e educação em saúde - ações desenvolvidas pelos profissionais da saúde e instituições públicas. Nesse sentido, os resultados evidenciaram que a enfermagem é de suma relevância para uma assistência qualificada, no cuidado ao paciente acometido por Infarto Agudo do Miocárdio, uma vez presta uma assistência direta e contínua. Dessa forma, diante do quantitativo ínfimo de estudos acerca dessa temática, torna-se essencial a sua disseminação, bem como a realização de pesquisas por profissionais e estudantes da área da saúde. Descritores: Infarto. Enfermagem. Cardiovascular. INTRODUÇÃO Ao longo dos séculos, a expectativa de vida da população mundial aumentou consideravelmente. Em contrapartida a esse aumento, houve uma considerável mudança nos hábitos alimentares e no estilo de vida dos indivíduos, contribuindo, dessa forma, para o aumento e prevalência de doenças cardiovasculares, com destaque para o infarto agudo do miocárdio (IAM) (LIBBY, 2010; SAMPAIO; MUSSY, 2009). 1 Graduando em Enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba – FCMPM. E-mail: [email protected]. 2 Graduando em Enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba – FCMPM. E-mail: [email protected]. 3 Graduando em Enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba – FCMPM. E-mail: [email protected]. 4 Enfermeira. Fonoaudióloga. Especialista em Saúde Coletiva, com Ênfase na ESF-FASER. Mestranda em Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba – UFPB. Pós-graduanda em Cuidados Paliativos. Docente em Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. E-mail: [email protected]. 77 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba É notório destacar que, há pouco menos de um século, cerca de 10% das causas de morte no mundo eram causadas pelas doenças cardiovasculares; atualmente, estas representam 30% das causas de morte mundial, das quais 40% ocorrem em países desenvolvidos e cerca de 28% em países subdesenvolvidos e em desenvolvimento (SAMPAIO; MUSSY, 2009). De acordo com os dados do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS) e do Ministério de Saúde, no Brasil, as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte desde a década de 60, os quais mostram um total de 96.386 óbitos por Infarto Agudo do Miocárdio, em 2009. Segundo Nettina (2009), Smeltzer et al. (2009), Kumar (2010) e Libby (2010), o infarto Agudo do Miocárdio (IAM), também conhecido como ―ataque cardíaco‖ consiste na morte do músculo do coração, o qual é destruído de maneira permanente, resultante de isquemia grave prolongada, cuja resulta da redução e/ou interrupção do fluxo sanguíneo em uma artéria coronária devido à ruptura de uma placa aterosclerótica (acúmulo anormal de substâncias lipídicas ou gorduras e tecido fibroso no revestimento das paredes vasculares arteriais), à subsequente oclusão da artéria por um trombo, e ao vasoespasmo (estreitamento ou constrição súbita) de uma artéria coronária. Por se tratar de uma consequência de um processo de necrose (morte celular patológica), e o fato de seus ataques acontecerem de forma súbita, levando em sua grande maioria à morte antes mesmo da chegada do paciente ao hospital, o diagnóstico e o tratamento precoce são imprescindíveis no salvamento e na mudança da qualidade de vida das pessoas acometidas por este mal (KUMAR, 2010; LIBBY, 2010; NETTINA, 2009; SMELTZER et al., 2009). Nesse sentido, várias ações, que objetivam a diminuição do retardo pré-hospitalar, o qual é caracterizado pelo período que se estende desde o início dos sintomas até a chegada do paciente a um serviço médico de emergência, são necessárias para a redução da perda de vidas fora do hospital como também a morte dentro deste. Para isso, pessoas acometidas pelo infarto agudo do miocárdio e todos que as rodeiam precisam tomar decisões e ações que venham diminuir, mudar e/ou acabar com o quadro da complicação, possibilitando garantir o êxito do tratamento (SAMPAIO; MUSSI, 2009). Dessa forma, a atuação da equipe de enfermagem, torna-se de suma relevância, já que o cuidar é o enfoque principal da profissão de enfermagem, dotado de sentimentos e fundamentado em conhecimentos prático-teórico-científicos, atrelados à educação em saúde 78 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba são de fundamental importância, e uma ferramenta poderosa e eficaz no tratamento, face aos sintomas prodrômicos e agudos do IAM. Libby (2010) afirma que, o governo, em suas três esferas nacional, estadual e municipal, desempenha um papel importantíssimo com a formulação de políticas públicas saudáveis, visando à melhoria da qualidade de vida de grupos populacionais específicos, utilizando-se de atividades, educação e comunicação em saúde, desenvolvendo no indivíduo capacidades que o levem a uma vida saudável e natural. Um dos principais objetivos é a estimulação do auto-cuidado do indivíduo, capacitando-o, orientando-o a como agir diante de um IAM, visando diminuir o tempo de chegada aos serviços de saúde. No Brasil, não obstante a possibilidade de prevenção das doenças cardiovasculares, programas incipientes têm sido implementados, fator que pode estar relacionado à escassez de recursos humanos eficazes na área da saúde, à falta de priorização desta capacitação e das autoridades governamentais para a criação e manutenção de programas preventivos; diferentemente dos EUA, em que buscam envolver escolas, igrejas, empresas, associações esportivas e grupos paramédicos em programas educativos sobre os sintomas do ataque cardíaco e a importância da rapidez no atendimento médica nestas situações (AMERICAN HEART ASSOCIATION, 2010). Com base nessa realidade, o estudo parte da seguinte questão norteadora: Qual a caracterização das publicações científicas acerca da atuação de enfermagem diante do Infarto Agudo do Miocárdio, em periódicos nacionais, online, no período de 2000-2012? Qual a contribuição da produção científica sobre o Infarto Agudo do Miocárdio para prática assistencial dos profissionais de Enfermagem? Diante do exposto, este estudo teve como objetivos: caracterizar as produções científicas acerca da enfermagem diante do Infarto Agudo do Miocárdio, em periódicos nacionais online, no período de 2000 a 2012, e sintetizar a contribuição da produção científica sobre o Infarto Agudo do Miocárdio para prática assistencial dos profissionais de Enfermagem. METODOLOGIA Para o alcance dos objetivos propostos, selecionou-se como método de pesquisa a revisão integrativa da literatura. Esta é utilizada para a compreensão arraigada de um fenômeno com base em estudos anteriores, o que permite a reunião de dados de distintas 79 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba modalidades de delineamento de pesquisas e possibilita a expansão das conclusões (MENDES; SILVEIRA; GALVÃO, 2008). Com a finalidade de efetivação dessa revisão, foram delimitadas as seguintes etapas metodológicas: identificação do tema ou questão da pesquisa; realização da amostragem (seleção dos artigos); categorização dos estudos; definição das informações extraídas das publicações revisadas; avaliação dos estudos selecionados; interpretação dos resultados; e apresentação dos resultados da pesquisa (FONSECA, 2008; MENDES; SILVEIRA; GALVÃO, 2008). Na primeira etapa, considerando-se que um estudo na modalidade de revisão integrativa da literatura deve ser orientado por uma indagação ou hipótese, o presente trabalho foi norteado pelas questões norteadoras já mencionadas na introdução. Para decorrer ao levantamento do material bibliográfico sobre a temática sugerida para a condução desta pesquisa, foram utilizadas três bases de dados: a Literatura Latino Americana e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (LILACS) e a Scientific Electronic Library Online (SciELO). A partir do levantamento realizado nas referidas bases de dados, utilizando-se os descritores ―Infarto Agudo and Enfermagem‖, foram encontradas um total de 100 publicações. Cumpre assinalar que foi adotado o seguinte critério de inclusão: que as publicações sobre a atuação de enfermagem diante do Infarto Agudo do Miocárdio estivessem disponibilizadas em artigos científicos online na íntegra no idioma português no período de 2000 a 2012. Foram excluídos os editoriais, cartas ao editor, estudos reflexivos, relatos de experiência, publicações duplicadas, assim como estudos que não abordassem temática relevante aos objetivos da revisão. A coleta de dados ocorreu durante o mês de fevereiro de 2012. Posteriormente, foi selecionada, criteriosamente, toda a bibliografia relacionada aos objetivos propostos para o estudo. Após a leitura minuciosa dos títulos e dos resumos, doze estudos responderam aos critérios de inclusão estabelecidos, destes selecionados, três foram excluídos por estarem citados em mais de uma base de dados ou por não estarem disponíveis na íntegra. Portanto, a amostra do estudo compôs-se de nove publicações. Os nove artigos selecionados foram lidos na íntegra e analisados, de acordo os objetivos propostos para o estudo. No momento seguinte, os dados foram agrupados de acordo com os enfoques dos títulos das publicações elegidas para o estudo. 80 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS O estudo foi constituído por nove publicações que versaram sobre a temática, conforme caracterização explicitada no Quadro 1, a seguir: TÍTULO DO ARTIGO BASES DE DADOS ANO DE PUBLICAÇÃO/ PERIÓDICO MODALIDADES DE ESTUDO O infarto e a ruptura com o cotidiano: possível atuação da enfermagem na prevenção (MUSSI, 2004). LILAC SSCIE LO Perda da espontaneidade da ação: o desconforto de homens que sofreram infarto agudo do miocárdio (MUSSI et al., 2002). LILAC SSCIE LO Intervenção nos hábitos de vida em instituição pública (SCHERR et al., 2010). LILACS Diagnósticos de enfermagem de pacientes hospitalizados com doenças cardiovasculares (PEREIRA et al., 2011). LILACS SCIELO Troca de gases prejudicada: análise em pacientes com infarto agudo do miocárdio (SOUSA et al., 2008) LILACS Desconforto, modelo biomédico e enfermagem: reflexões com base na experiência de homens infartados (MUSSI, 2003). LILACS 2003 Acta Paulista de Enfermagem Artigo Original Tempo porta-eletrocardiograma (ECG): um indicador de eficácia no tratamento do infarto agudo do miocárdio (SOARES et al., 2009). Cuidado de enfermagem: evitando o retardo pré-hospitalar face ao infarto agudo do miocárdio (SAMPAIO; MUSSI, 2009). LILACS 2009 Revista Gaúcha de Enfermagem Artigo Original LILACS 2009 Revista Enfermagem UERJ Artigo de Revisão 2005 Online Brazilian Journal of Nursing Artigo de Relato de Caso Células-tronco: um novo caminho para a humanidade e um novo cuidado para os LILACS enfermeiros-um estudo de caso (SILVEIRA et al., 2005). 2004 Revista Latino Americana de Enfermagem 2002 Revista Escola Enfermagem USP Artigo Original 2010 Arquivo Brasileiro de Cardiologia 2011 Escola Anna Nery Artigo Original 2008 Revista Enfermagem UERJ Artigo Original Artigo Original Artigo Original Quadro 1: Estudos publicados acerca da enfermagem diante do infarto agudo do miocárdio (IAM), segundo o periódico, ano de publicação, base de dados e modalidades de pesquisa – 2000 a 2012. 81 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba Por meio da análise dos 9 artigos apresentados no Quadro 1, verificou-se que todos os estudos foram selecionados a partir da base de dados LILACS. Entretanto, 3 (33,33%) publicações estiveram presentes, também, na base de dados SCIELO. Em relação ao ano das publicações, observou-se que o de 2009 correspondeu ao período com o maior número, 2 (22,22%) de artigos científicos publicados acerca da temática investigada. Os demais anos obtiveram um quantitativo incipiente de estudos, com apenas uma publicação, cada. Quanto aos periódicos, destacaram-se importantes revistas nacionais, dentre as quais merecem evidência a Revista Enfermagem UERJ, contemplando no total, 2 (22,22%) das publicações incluídas nesta revisão. No que concerne às modalidades das publicações, ressalta-se que, dos 9 artigos selecionados, 7 (77,77%) são estudos originais, o que revela a preocupação dos pesquisadores em contribuir com inovações teórico-científicas no campo de atuação da enfermagem, possibilitando uma visão ampliada acerca dessa temática. Nesse sentido, o método de análise da temática possibilitou categorizar, interpretar e agrupar os dados semelhantes. Desse agrupamento emergiram duas categorias temáticas: Tema I: A enfermagem diante do IAM (Quadro 2); Tema II: Educação em saúde: ações desenvolvidas pelos profissionais da saúde e instituições públicas (Quadro 3). Estas apresentaram a síntese do conhecimento contemplado na literatura. TEMA I: A enfermagem diante do IAM TÍTULO DO ARTIGO OBJETIVOS Células-tronco: um novo caminho para a Aprimorar os conhecimentos, enquanto humanidade e um novo cuidado para os enfermeiros, acerca da referida terapia e seus supostos benefícios. enfermeiros – um estudo de caso. Desconforto, modelo biomédico e Investigar a experiência de conforto e enfermagem: reflexões com base na desconforto na perspectiva de homens que sofreram infarto agudo do miocárdio (IAM), experiência de homens infartados. considerando a centralidade da promoção do conforto para a enfermagem. Troca de gases prejudicada: análise em Analisar a ocorrência do diagnóstico troca de pacientes com infarto agudo do miocárdio. gases prejudicada em portadores de infarto agudo do miocárdio, caracterizando o grau de comprometimento do seu estado de saúde. Perda da espontaneidade da ação: o Investigar os significados de conforto e desconforto de homens que sofreram desconforto na perspectiva de homens que sofreram infarto agudo do miocárdio (IAM). infarto agudo do miocárdio. Diagnósticos de enfermagem de pacientes Identificar a frequência dos diagnósticos de 82 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba hospitalizados cardiovasculares. com doenças enfermagem e características definidoras de pacientes com doenças cardiovasculares e caracterizá-los quanto às variáveis sociodemográficas e clínicas. Tempo porta-eletrocardiograma (ECG): Mensurar o tempo porta-eletrocardiograma um indicador de eficácia no tratamento do (ECG) nos pacientes com infarto agudo do miocárdio (IAM) atendidos na emergência de infarto agudo do miocárdio. um hospital geral. Quadro 2: Distribuição dos artigos do Tema I, segundo o título e os objetivos das publicações selecionadas para o estudo. Os estudos mencionados no Quadro 2, consideram a necessidade emergente de autonomia e garantia do exercício profissional da enfermagem, baseada em evidências, associando os sintomas e sinais clínicos comumente conhecidos na prática clínica cardiológica em fenômenos, ações e resultados de enfermagem, tornando-se, assim, essencial compreender as respostas do indivíduo ao acometimento/doença cardiovascular (PEREIRA et al., 2011). Segundo Pereira et al. (2011), o diagnóstico de enfermagem é uma linguagem padronizada, conceituado como o julgamento clínico das respostas do indivíduo, da família ou da comunidade aos processos vitais ou aos problemas de saúde, que fornecem a base para a seleção das intervenções de enfermagem e para atingir resultados, pelos quais o enfermeiro seria o único responsável. Desse modo, torna-se útil para determinar clareza e assertividade na conduta de cuidados pelo enfermeiro e equipe associar os fatores predisponentes e evidentes a um diagnóstico de enfermagem, bem como auxilia o enfermeiro na comunicação aos demais membros da equipe sobre sua atuação interdisciplinar, além de contribuir para a construção de futuros protocolos de cuidados à população em estudos e comparativos entre as mesmas populações em outros cenários. A identificação e emprego dos diagnósticos de enfermagem são de fundamental importância na prestação de uma assistência mais autônoma, qualificada e direcionada para as necessidades específicas dos pacientes com IAM. Estes diagnósticos exigem do enfermeiro o planejamento de intervenções e avaliação constante para a mensuração dos resultados, havendo, assim, o apoio à implementação nas demais fases do processo de enfermagem (PEREIRA et al., 2011; SOUSA et al.; 2008). Soares et al. (2009) explicita que a enfermagem tem um papel relevante na identificação e no reconhecimento do IAM em pacientes, podendo atuar na introdução de medidas para otimizar o atendimento, prestando socorro e intervindo o mais rápido possível, 83 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba evitando posteriores agravos e complicações da doença nos pacientes. O tempo é um fator bastante significativo na prestação desse atendimento. O eletrocardiograma (ECG), dentro deste contexto, associado a uma boa história clínica e exame físico, tem sido um elemento definidor no diagnóstico do IAM. Assim sendo, deve ser realizado o mais breve possível, após a chegada do paciente no hospital. Porém, estudos revelam que isto não ocorre efetivamente, pois, geralmente, o ECG somente é solicitado após consulta médica, levando ao retardo do tempo porta-ECG (tempo desde a chegada ao serviço até a realização do exame) (SOARES et al., 2009). Diante de tal circunspecção, os enfermeiros, principalmente das unidades de emergência, devem estar preparados para solicitar com segurança a realização do eletrocardiograma, após avaliação rigorosa e criteriosa definidos, além disso, é de suma importância que o profissional enfermeiro estabeleça comunicação adequada com o paciente e a equipe multidisciplinar, pois a falta desta implica em inadequação do cuidado (SOARES et al., 2009). Um dos principais objetivos e conceito presente em toda a história da enfermagem, o conforto, deve ser bastante enfatizado, pois é algo esperado pelo paciente no processo de tratamento, mas que não deve apenas ser baseado na racionalidade funcional, econômica e científica, como é descrito nas literaturas, mas também ser gerado na ótica do paciente. O enfermeiro, em suas interações, não deve privilegiar apenas a técnica, mas valorize a solidariedade e a humanidade nas trocas intersubjetivas, visto que o desconforto perpassa a experiência do sujeito, desde a dor e o medo de morrer, passado pela própria vivência do infarto e da condição do paciente, até o conforto com suas impossibilidades, no retorno à vida cotidiana (MUSSI et al., 2002; MUSSI, 2003). Silveira et al. (2005) afirma que, a presença do enfermeiro é fundamental em qualquer tipo de tratamento estabelecido para paciente com IAM, haja vista que é a profissão que mais compreende a individualidade de cada um dos pacientes, valorizando suas necessidades, sintomas, dor e sofrimento, despertando para um cuidado mais humanizado. 84 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba TEMA II: Educação em saúde - ações desenvolvidas pelos profissionais da saúde e instituições públicas TÍTULO DO ARTIGO OBJETIVOS O infarto e a ruptura com o cotidiano: Descrever a primeira fase da experiência possível atuação da enfermagem na vivenciada por homens que sofreram IAM, prevenção. compreendida como ―Tendo uma ruptura com a vida cotidiana‖, examinando os focos de intervenção da enfermagem na prevenção da doença a partir das ações e desconfortos desses homens, nesta fase. Intervenção nos hábitos de vida em Testar a efetividade de u programa multiprofissional que visa a modificar fatores instituição pública. de risco para aterosclerose no sistema público. Cuidados de enfermagem: evitando o Discutir a educação em saúde como parte retardo pré-hospitalar face ao infarto integrante do cuidar/cuidado de enfermagem e direcionada para a adoção de medidas de agudo do miocárdio. sobrevida, especialmente por pessoas que sofreram IAM, visando a otimização dessas ações até a chegada a um serviço de emergência. Quadro 3: Distribuição dos artigos do Tema II, segundo o título e os objetivos das publicações selecionadas para o estudo. Nas publicações inseridas no Quadro 3, foi evidenciado de acordo com Scherr et al. (2009) que as admissões hospitalares são reduzidas quando há programas de controle dos fatores de risco para o IAM, promovidos pelas instituições públicas, principalmente por parte do governo, utilizando-se da educação em saúde nas propagandas exibidas na mídia e em outros meios de comunicação e campanhas de conscientização da população, além de melhorarem a qualidade de vida e a capacidade funcional de pacientes acometidos por este mal, com grande impacto na sobrevida. Nesse enfoque, surge uma maior aderência a uma dieta saudável, diminuição do número de tabagistas, maior número de pacientes praticando atividades físicas regularmente e diminuição do grau de estresse emocional, o que implica a diminuição dos valores de colesterol total, LDL colesterol, triglicérides, índice de massa corpórea, circunferência abdominal e dos índices de Castelli I e II, todos esses, fatores predisponentes para o Infarto Agudo do Miocárdio. Dessa forma, a educação é atividade integrante do cuidado em Enfermagem e necessita ser desenvolvida em um processo integral de assistência à pessoa, tanto no âmbito hospitalar, quanto no âmbito ambulatorial, domiciliar e da comunidade. Então, em diferentes 85 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba contextos sociais, o cuidar de enfermagem tem um papel na educação em saúde, visando, especialmente, a redução do retardo pré-hospitalar, bem como capacitar os pacientes e pessoas em seu entorno a desencadear imediatamente uma série de decisões e ações visando o êxito do tratamento e a valorização da procura imediata por socorro médico, face aos sintomas prodômicos do IAM (SAMPAIO; MUSSI, 2009). Mussi (2004) destaca que o retardo pré-hospitalar implica em discussão, após o início dos sintomas, por parte dos profissionais de saúde, sobre programas educativos que visem à conscientização dos sinais e eventos cardiovasculares iminentes e a valorização da procura imediata de atendimento médico por parte do indivíduo diante dos sinais e sintomas prodômicos do IAM. Como o infarto está associado a vários fatores de risco, implicando assim na mudança do estilo de vida, visando o controle da progressão da doença, a única forma de evitar o desconforto provocado pela ruptura com a vida cotidiana, papel bastante enfocado pela enfermagem. É prevenir o próprio infarto, não havendo outra estratégia, a qual pode incidir em diversos níveis, tendo no processo educativo uma ferramenta fundamental, onde o enfermeiro assume papel de sujeito ativo, podendo abranger a assistência direta ao indivíduo ou a grupos de uma comunidade ou o gerenciamento desse processo de trabalho de enfermagem. A formação de trabalhadores de enfermagem e a participação nos recursos humanos, também podendo consistir em implementar programas visando a caracterização de fatores de risco modificáveis (MUSSI, 2004). CONSIDERAÇÕES FINAIS Após a realização deste estudo, pudemos sintetizar que a contribuição dessas publicações poderá oferecer aos profissionais de enfermagem que lidam com o IAM (considerada, hoje, a maior causa de morte mundial) a convicção de sua importância enquanto cuidadores e educadores da área da saúde para a população acometida por este mal. Quanto aos achados, foram localizadas 12 publicações acerca da enfermagem e o IAM. Através dos critérios de inclusão estabelecidos, foi identificada uma amostra de 9 estudos. Na base de dados LILACS foram encontrados 9 artigos (100%), destes, 3 (33,33%) estiveram presentes também na base de dados SciELO. O ano de 2009 destacou-se com o maior número de artigos científicos publicados sobre a temática investigada. Com relação aos periódicos mereceu evidencia a Revista de Enfermagem da UERJ. 86 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba A análise dos artigos permitiu evidenciar que a utilização do processo de enfermagem é de fundamental importância para uma assistência qualificada no cuidado ao paciente acometido de IAM, e o enfermeiro, por ser um profissional intimamente ligado ao paciente, deve estar habilitado para atuar diante do IAM. Apesar de não mencionar quais os cuidados e orientações específicas que a enfermagem necessita transmitir ao paciente, a ideia e a intenção em destacar que este cuidar é importante para o retardo pré-hospitalar e a melhoria da qualidade de vida do paciente, foi bastante relevante. Porém, não houve um aprofundamento ideal acerca da temática, o que não é admirável, pois a produção científica sobre o tema é bastante escassa. Dessa forma, é iminente a necessidade de um maior investimento e visibilidade das pesquisas acerca da temática ora exposta. Isto porque o tema possibilita uma amplitude de intervenções. Cabe, portanto, aos estudantes e profissionais da Saúde, o compromisso de utilizar essa forma diferenciada de cuidar na sua prática clínica, dedicar-se à assistência qualificada diante do IAM, capacitar-se e divulgar os resultados das pesquisas relacionadas a esse cuidado. REFERÊNCIAS AMERICAN HEART ASSOCIATION. Destaque das diretrizes da american heart association 2010 para RCP e ACE – Guidelines [versão em Português]. 2010. Disponível em: http://www.heart.org/idc/groups/heart. Acesso em: 30 mar. 2012. ATIK, F. A. et al. Resultados da implementação de modelo organizacional de um serviço de cirurgia cardiovascular. Rev. Bras. Cir. Cardiovasc., v.24, n.2, p. 116-125, 2009. FONSECA, R.M.P. Revisão integrativa da pesquisa em enfermagem em centro cirúrgico no Brasil: trinta anos após o SAEP. 2008. Dissertação (Mestrado em Enfermagem) Universidade de São Paulo, 2008. KUMAR, V. Robbins e contran: bases patológicas das doenças. 8. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010. LIBBY, Peter et al. Braunwald tratado de medicina cardiovascular. 8. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010. MENDES KDS; SILVEIRA, R.C.C.P.; GALVÃO, C.M. Revisão integrativa: método de pesquisa para a incorporação de evidências na saúde e na enfermagem. Texto contexto enferm., v. 17, n. 4, p.758-64, 2008. MUSSI, F.C. O infarto e a ruptura com o cotidiano: possível atuação da enfermagem na prevenção. Rev. Latino-Am. Enfermagem, v.12, n.5, p. 751-759, 2004. 87 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba MUSSI, F. C.; KOIZUMI, M. S.; ANGELO, M. Perda da espontaneidade da ação: o desconforto de homens que sofreram infarto agudo do miocárdio. Rev. esc. enferm. USP, v.36, n.2, p. 115-124, 2002 NETTINA, S. M. Prática de Enfermagem. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2009. PEREIRA, J. M. V. et al. Diagnósticos de enfermagem de pacientes hospitalizados com doenças cardiovasculares. Esc. Anna Nery. v.15, n.4, p. 737-745, 2011. SAMPAIO, E.S.; MUSSI, F.C. Cuidado de enfermagem: evitando o retardo pré-hospitalar face ao infarto agudo do miocárdio. Rev. enferm. UERJ, v. 17, n. 3, p. 442-6, 2009. SCHERR, C. et al. Intervenção nos hábitos de vida em instituição pública. Arq. Bras. Cardiol, v. 94, n.6, p. 730-737, 2010. SOUSA, V. E. C. et al. Troca de gases prejudicada: análise em pacientes com infarto agudo do miocárdio. Rev. enferm. UERJ, v.16, n. 4, p. 545-549, 2008. SMELTZER, S. C. et al. Tratado de enfermagem médico-cirúrgica. 11. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2009. SILVEIRA, C.D. et al. Células-tronco: um novo caminho para a humanidade e um novo cuidado para os enfermeiros-um estudo de caso. Online Braz J Nurs - OBJN, v. 4, n.1, 2005. SOARES, T. et al. Tempo porta-eletrocardiograma (ECG): um indicador de eficácia no tratamento do infarto agudo do miocárdio. Rev. Gaúcha Enferm., v. 30, n. 1, p. 120-6, 2009. 88 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba VÍNCULO AFETIVO MÃE E FILHO: UMA EXPERIÊNCIA NA ADOLESCÊNCIA Thaíza Ferreira da Costa (relator)1 Renata Saturno de Abrantes2 Jocerlania Maria Dias de Morais3 Carla Braz Evangelista4 RESUMO Adolescência é considerada uma etapa de mudanças, adaptação ao novo corpo e de formação de novas atitudes frente à vida. Somado a isso, a ocorrência da gravidez nessa etapa pode acarretar ainda mais modificações na vida da adolescente. Nesse contexto, o significado que a gravidez pode assumir, dos pontos de vista pessoal, social e familiar, é tema que merece ser melhor abordada, pois, muitas vezes a gestação pode ser um evento difícil para a adolescente. Levando em consideração tais aspectos, este estudo teve como objetivo analisar a vivência da maternidade na adolescência, segundo relatos de mães adolescentes. Trata-se de uma pesquisa qualitativa de caráter descritivo, na qual foram realizadas entrevistas com mães adolescentes que frequentavam a Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro Cristo Rei, Cajazeiras - PB. A coleta de dados ocorreu no mês de novembro e teve como instrumento a entrevista semiestruturada, que foi gravada, transcrita e analisada seguindo a técnica do Discurso do Sujeito Coletivo (DSC) de Léfrevre. Diante dos relatos, percebeu-se que o exercício da maternidade é tido como uma nova etapa de vida, dotada de responsabilidades, como também a realização de um sonho. Apesar de dificuldades como a falta de recursos financeiros, habilidade em cuidar da criança e criar o filho sem a presença do pai, pôde-se perceber que essa nova fase da adolescente será a de maior aprendizado e de muito amor, pois dispensam seus melhores cuidados aos filhos, fazendo perpetuar o amor materno. Descritores: Mãe. Gravidez. Adolescência. INTRODUÇÃO Todo ser humano passa por transformações no decorrer da vida, independente da idade, assim a criança, o jovem, o adulto e o idoso, experimentam mudanças. Há épocas em que as modificações que ocorrem em nossos corpos e mentes, nos relacionamentos e compromissos, são particularmente importantes e rápidas. Dentre estas modificações destacase a maternidade que hoje está sendo antecipada da fase adulta para adolescência, causando grandes transtornos para essa população, principalmente as mais pobres. 1 Thaíza Ferreira da Costa. Enfermeira Especialista em Terapia Intensiva pela Faculdade Integrada de Patos-FIP. Pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Bioética - NEPB/UFPB e Enfermeira Socorrista do Shopping Center Tambiá. E-mail: [email protected]. 2 Enfermeira Especialista em Programa Saúde da Família pela Faculdade Integrada de Patos-FIP. 3 Graduação em Enfermagem pela Faculdade de Enfermagem Nova Esperança (FACENE). Pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Bioética - NEPB/UFPB. Supervisora de Estágios da Faculdade de Enfermagem Nova Esperança (FACENE). Enfermeira Socorrista do Shopping Center Tambiá. 4 Enfermeira pela UFPB. Pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Bioética - NEPB/UFPB. Email: [email protected]. 89 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba No Brasil a incidência da gravidez na adolescência vem aumentando. A Pesquisa Nacional de Saúde e Demografia, de 1996, demonstrou que mesmo que a taxa de fecundidade tenha baixado no Brasil, nos últimos anos, a fecundidade da população adolescente parece estar aumentando: 18% das adolescentes de 15 a 18 anos já tiveram, pelo menos, uma gravidez (GOMES et al, 2005). Somando-se a isto Maia e Pérez-Ramos (2002) constatam, através de pesquisas, estatísticas sobre o aumento dessa população no nordeste do país destacando algumas circunstâncias que conduzem esse aumento como, por exemplo: abertura à sexualidade nos programas de TV, a situação de risco social e pessoal, as mudanças comportamentais, o prolongamento do período adolescente, entre outros. Para Patrício (2000), o termo ―adolescência‖ vem do latim adolescer e significa ―crescer em maturidade‖, e é nesse período da vida, compreendido geralmente, entre 10 e 19 anos, que outros fenômenos começam a se diferenciar daqueles da infância. As mudanças físicas existentes nessa fase são acompanhadas de mudanças de atitude e comportamento, pois a criança passa agora a assumir uma identidade e um papel sexual, adaptando-se aos moldes sociais de acordo com a cultura que vive. Então, são importante que o adolescente detenha o conhecimento da fisiologia do seu corpo, conhecendo os órgãos genitais, suas funções e entenda as mudanças que vão ocorrendo, para que o mesmo tenha uma vida sexual mais tranqüila e sadia (COSTA, 2001 apud QUEIROZ, 1996). Quando o adolescente torna-se consciente das mudanças em seu corpo, sofre emoções que vão do orgulho à vergonha e ansiedade, e, frente à reação dos outras às suas mudanças, começa a formular nova identidade própria. Soma-se a isto a argumentação de Bueno (2003, p. 2) quando diz que não se pode descrever a adolescência ―como simples adaptação às transformações corporais, mas como um importante período no ciclo existencial das pessoas, uma tomada de posição social, familiar, sexual e entre o grupo‖. O exercício da sexualidade tem sido analisado ao longo dos anos de forma diferenciada e observa-se que nas últimas décadas houve consideráveis transformações nas relações homem/mulher. Também Felipe (2006, p.9) observou que: A idade vem caindo de forma bem acentuada em relação ao ingresso dos adolescentes, na vida sexual ativa; trazendo consequências especialmente para a população mais pobre; onde a mais destacada é a gravidez na adolescência. Podendo-se dizer que hoje, no Brasil, a gravidez na adolescência é uma espécie de epidemia; talvez sendo consequência do grande apelo erótico a que são expostos. 90 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba A gravidez na adolescência é uma crise que se sobrepõe à crise da adolescência. Para a adolescente, o evento da gravidez pode estar relacionado com uma tentativa de enfrentar qualquer uma de suas tarefas evolutivas. Em muitos casos existe um desejo inconsciente, ou mesmo consciente de engravidar. O desejo de ter um bebê pode estar ligado a determinados fatores como: provar a fertilidade, solidificar o relacionamento com o parceiro, ter alguém para amar e cuidar, mudar o status na família para adquirir independência ou libertar-se de um ambiente familiar abusivo. Ainda é altíssimo o número de gestação na adolescência, haja vista neste período a utilização de métodos anticoncepcionais não ocorreu de modo eficaz. A negação da possibilidade de engravidar e a eventual atividade sexual nesta fase têm sido, para muitas, a justificativa para a falta de uso rotineiro de anticoncepcionais. Para Bueno (2003, p. 2) ―a grande maioria delas também não assume diante da família a sua sexualidade, nem a posse de anticoncepcional, que denuncia uma vida sexual ativa‖. Esses e outros impasses expõem cada vez mais as adolescentes à maternidade precoce. Decorrentes desta maternidade vêm à criança e todos os cuidados que a esta necessitam ser dispensados. METODOLOGIA Tipo de estudo O estudo constitui-se em uma pesquisa qualitativa de caráter descritivo, pois visa apreender dados da realidade e analisá-los sem se prender aos dados estatísticos. Local de estudo O local escolhido para o desenvolvimento do estudo foi a Unidade Básica de Saúde do Bairro do Cristo Rei, na cidade de Cajazeiras - PB, onde se observou um índice elevado de gravidez na adolescência. População e amostra A população foi constituída de mães adolescentes, na faixa etária de 12 a 19 anos. E, para a amostra foram selecionadas dez mães que estavam inclusas nos seguintes critérios: ainda encontravam-se na adolescência e aceitou participar do estudo, autorizando o uso de gravador durante a entrevista. 91 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba Instrumento de coleta O instrumento utilizado para a coleta de dados foi uma entrevista semiestruturada, que se divide em dois momentos. Em um primeiro, visou-se coletar dados referentes a identificação da adolescente, bem como a sua condição sócio-econômica. Em um segundo, foram realizadas as entrevistas propriamente ditas, na qual as questões versavam sobre a experiência da maternidade e do cuidado com o filho (APÊNDICE B). Antes de iniciar a coleta de dados foi elaborado um ofício, solicitando à Secretaria Municipal de Saúde a autorização para serem feitas entrevistas no PSF do Bairro do Cristo Rei, com mães adolescentes; onde neste momento foram apresentados os objetivos da pesquisa. Foi mantido um contato com as participantes para convidá-las a fazer parte da pesquisa e realizar a coleta de dados. Antes da realização de cada entrevista foram explicados os objetivos de trabalho e garantido a privacidade da entrevista através do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), em concordância com a Resolução 196/96 (BRASIL, 1996), que trata de pesquisa envolvendo seres humanos (APÊNDICE A). Finalmente, foram realizados os devidos agradecimentos. Coleta de dados A pesquisa foi realizada no período de novembro de 2006, na UBS acima citada, em momentos que as mães procuravam os serviços da unidade. As entrevistas foram gravadas em fita cassete, conforme aceitação das mães, e posteriormente, as falas foram transcritas para serem analisadas. Análise dos dados A análise dos dados teve início com a transcrição na íntegra e a leitura das entrevistas, utilizando em seguida à técnica do discurso do sujeito coletivo que segundo Lefrevre e Lefrevre (2005), retratam as expressões chaves das falas dos pesquisadores, o que viabiliza o pensamento em forma de síntese e possibilita a interpretação para a fundamentação dos resultados. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS Diante do exposto, o estudo objetivou analisar a vivência da maternidade, segundo relato de mães adolescentes. 92 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba A descoberta da gravidez Uma maneira de clarificar a experiência das entrevistadas é procurar elucidar o que os acontecimentos significaram para elas. Os resultados a seguir caracterizaram o impacto da descoberta da gravidez para as adolescentes entrevistadas. Onde foram evidenciados sentimentos de medo, felicidade e indecisão; o medo, apresentando-se como um receio da aceitação pelos pais ou namorado. A felicidade, por sua vez, foi bem relatada, apresentando a maternidade como um sucesso, realização de um sonho. E em seguida a indecisão, que foi um sentimento relatado por apenas uma mãe, na qual o espírito de decisão em outra oportunidade levara a optar pelo aborto e agora resolveu se dar a oportunidade de conceber a vida. Nesse contexto, após a análise foram elencadas três ideias centrais; o medo, a felicidade e a indecisão que serão apresentadas a seguir. O homem é definido como um ser social, que atua segundo normas: interage e compartilha direitos e deveres na sociedade. Neste sentido, ele está sendo constantemente questionado sobre sua conduta em relação aos demais e cobrados a apresentar responsabilidades perante suas ações (GOUVEIA et al, 2005). Portanto, o medo e a ansiedade são comuns, por esta situação fugir as regras da sociedade, como também não estar dentro dos 93 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba planos da família para a adolescente, que ainda encontra-se em fase de transição de menina para mulher. O receio pela rejeição está presente no discurso das adolescentes: ―tive medo de meu namorado me deixar‖; ―(...) tive medo de todo mundo descobrir (...)‖. Em contrapartida, a confirmação do poder feminino de procriar, de gerar uma vida, ou seja, o instinto materno e o amor desenvolvido pelo pequeno ser desde o ventre, faz com que meninas adolescentes se sintam felizes e realizada pela nova e precoce etapa da vida a que vivenciam. E ainda pelo fato de imaginarem que o amor entre o casal pode ser consolidado através da chegada de um filho. Tudo isso é percebido através do discurso: ―foi bom demais, esperei tanto‖; ―achei bom, meu namorado quis logo casar‖. A maturidade das adolescentes e a falta de preparo desta levam ambigüidade entre o querer e o não querer ser mãe, emerge quando a adolescente afirma: ‖fiquei muito indecisa‖. O lado bom da maternidade está relacionado a satisfação pessoal de ser mulher, mãe, de fazer perpetuar a espécie humana. No entanto, a maternidade na adolescência apresenta seu lado ruim, quase sempre relacionado a limitação de possibilidades inerentes a essa fase. O significado de ser mãe A maternidade é inerente à condição feminina e demarca nitidamente a polaridade homem-mulher, portanto cabe a mulher aproveitar essa oportunidade, deleitando-se com seu destino de ser mãe. A mulher está fadada a ter filhos, restando a ela conformar-se e não relutar contra seu destino, afirma Madeira e Tsunechiro (2003). É importante que se leve em consideração a forma como uma sociedade constrói a figura feminina, influenciando, portanto, no desejo inconsciente da adolescente de querer ser mãe. O cuidar entrelaça-se ao prazer, um complementa o outro, essa relação dependente possibilita as adolescentes cuidar do filho com desprendimento, amor, em uma entrega total; tornando-se assim um momento prazeroso, de satisfação pessoal, porém de muita responsabilidade. Assim a partir das análises, o significado de ser mãe pôde ser dividido em duas idéias centrais, que é a felicidade e a responsabilidade. 94 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba Outra questão que também aborda o significado de ser mãe adolescente são as dificuldades encontradas por estas, como a falta de recurso financeiro, a pouca habilidade em cuidar de criança e criar o filho sem a companhia do pai. 95 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba Para Desser apud Madeira e Tsunechiro (2003), a maternidade precoce coloca um ponto final na adolescência, período que outorga menor responsabilidade e maior liberdade ao jovem. A responsabilidade é o véu que cobre a maternidade. Nas análises constatou-se essa responsabilidade através das falas das entrevistadas: ―é responsabilidade demais, tem que cuidar dele (...)‖; ―(...) eu não sei de onde tirei tanta responsabilidades‖. No entanto, a felicidade de vivenciar esse momento é evidenciada por várias mães, que em suas falas deixam bem clara essa satisfação: ―ser mãe é uma coisa muito linda‖; ―é a melhor coisa do mundo, é a minha companhia‖; confirmando a idéia de Madeira e Tsunechiro (2003), que diz que o fenômeno da maternidade na adolescência mostra em sua essência que a situação na qual as adolescentes se encontravam antes de ter filho era demarcada por vazios e que essas lacunas foram preenchidas com a presença do filho. Além desses sentimentos, o significado de ser mãe é intensificado a partir das dificuldades encontradas nesta nova etapa. As dissociações do apego originadas pela mãe, dependem, também, das condições sócio-econômica e cultural da mesma,de sua fase de vida – como a da adolescência – do grau de instrução, do estado civil, das manifestações emocionais entre outras (MAIA; PÉREZ-RAMOS, 2002). Portanto, do contrário do que se espera de uma mãe preparada para receber seu filho, as adolescentes enfrentam diversas dificuldades, como: falta de recursos financeiros, pois na maioria das vezes estas vêm de camadas sociais mais baixas, onde as mães destas, muitas vezes também não contam com a ajuda do pai para criar os filhos, tornando-se um ciclo vicioso, e ainda a falta de habilidade, devido à falta de destreza das mãos e movimentos, pois esses na maioria das vezes foram pouco desenvolvidos anteriormente. Sendo assim, a educação e a qualidade de vida que envolve a adolescente são fatores determinantes para que o cuidado ao filho seja algo dotado de responsabilidade e ao mesmo tempo de prazer, pois é a partir desses pressupostos que uma mulher se sente realizada e se prepara para desenvolver seu papel de mãe. O dia-a-dia de ser mãe Para Luipjen apud Madeira e Tsunechiro (2003), o poder ser é sempre um poder ser a partir de certa facticidade, de certa situação. Determinada situação fáctica inclui diversas possibilidades e exclui outras. Significa que, sendo mãe, a adolescente tem os limites da situação na qual está engajada, o que torna impossível vivenciar as mesmas coisas de antes. Ela tem de abrir mão delas para dedicar-se a maternidade. Não poderá vivenciar, no presente, na condição de ser mãe com responsabilidades e obrigações condizentes a ela, a liberdade do 96 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba passado. Assim algumas jovens poderão sentir-se deslocadas, vivendo em um mundo diferente da sua realidade; e esses limites são colocados a ela de forma tão rápida que sofrerão um choque na sua personalidade, tendo que encaixar-se na nova rotina a ela imposta. Para algumas adolescentes essa nova fase foi esperada e vivenciada como um cercado de novidades possibilitando o seu amadurecimento. Após a análise foi possível verificar duas ideias centrais para caracterizá-la a mudança na vida destas adolescentes: a responsabilidade junto ao trabalho, e a abdicação de saídas, festas e outras mais. Essas mudanças foram avaliadas por algumas mães como sendo boa, pois era um sonho realizado e que estava sendo vivenciado com muito entusiasmo. Para outras, era uma situação difícil, devido a pouca experiência no cuidado com um filho e também pela falta do companheiro na criação e educação do filho. 97 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba Também, após a análise foram listadas as principais tarefas no cuidado da mãe no diaa-dia com o filho, como alimentação, higiene, lazer, levar o filho a creche, acompanhamento do desenvolvimento e saúde. Conforme relata Desser apud Madeira (2003), em certo momento é evidente o conflito existencial vivido pela adolescente ao mesmo tempo em que adora o filho, gostaria de ter mais tempo para si, de encontrar seus amigos, de executar projetos. Sente-se sufocada pela maternidade. O trabalho como é citado por algumas adolescentes, significa o resgate da autoestima, a realização pessoal, o desejo de serem elas mesmas e de mostrar a sociedade que conseguem conciliar trabalho, responsabilidade e maternidade. Nas falas percebemos que a situação vivenciada por elas, no momento, o mundo da maternidade, deixa claro que antes podiam tudo e agora é dependioso: ―não posso mais ir para as festas como antes‖. Também é percebido que essa mudança trouxe a responsabilidade como fator determinante: ―tenho que ter responsabilidade pra cuidar dele‖. Essas mudanças são encaradas por algumas dessas jovens como uma experiência difícil: ―ainda mais que eu não casei, ai fica mais difícil‖. Sendo evidenciadas pela imaturidade, quando não está preparada para cuidar de um filho; e quando se encontra sem o apoio do companheiro. Porém, a maioria encara como uma realização de um sonho. Segundo Folle e Geib (2004), o cuidado materno engloba um conjunto de ações além de biológicas e psicológicas, também socioambientais que permitem a criança desenvolverem-se bem. Além de sentir-se rodeada de afeição, a criança precisa de um potencial de cuidados e providências a serem tomadas: o sono tranquilo, a alimentação, a higiene e outros. A criança busca continuamente a afeição e a comunicação com seus pais Esta comunicação através dos cuidados higiênicos, alimentares adquire especial relevo hoje em dia, quando sabemos que a mãe tem pouco tempo disponível ou que as crianças vivem a maior parte do dia em coletividade (SCHMITZ, 2005): ―vou deixar e buscar ele na creche, ele acha é bom lá‖; ―... passa o dia no berçário e só pego de tardezinha, porque tenho que trabalhar‖. Aqui também foi relatado cuidado de acompanhamento junto às equipes de PSF, levando a criança mensalmente para o acompanhamento do desenvolvimento da criança, e também o cuidado com vacinas em dia: ―sempre levo ele no posto pra enfermeira ver se tá bem e vacinar‖; ―dou as vacinas bem direitinho ai peço para pesar pra ver se aumentou‖. Desta forma, constatou-se que a maternidade na adolescência é dotada de dificuldades e percausos, porém também é sinônimo de felicidade e alegria para as jovens mães, que 98 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba apesar de terem deixado suas vidas ―pela metade‖, são gratas pela singular experiência proporcionada pela maternidade. O abandono do companheiro, a falta de recursos, de maturidade e de instrução não constitui um motivo para que as meninas deixem de cuidar dos seus filhos com muito amor e carinho, perpetuando assim o instinto materno. CONSIDERAÇÕES FINAIS Esse trabalho buscou refletir sobre a realidade das adolescentes entrevistadas que optaram por assumir a maternidade. Logo observou-se que essa escolha alterou o curso de suas vidas, acarretando dificuldades no que se refere aos aspectos escolar, profissional, afetivo e social. Contudo, o fato de haver levado a gravidez a termo não foi suficiente para que essas jovens alcançassem o status de uma pessoa adulta em todos os aspectos do desenvolvimento. A maternidade na adolescência se agrava de forma intensa, especialmente nas últimas décadas. Causando assim uma transformação profunda na vida da adolescente, o que contribui para a antecipação da etapa da fase adulta, sem usufruir da adolescência de forma prazerosa e produtiva, deixando uma perspectiva de vida futura de qualidade e deparando-se com repercussões de uma gravidez precoce, que implicará em responsabilidades para o desempenho de novos papéis no cuidado com o filho. A adolescente ao tornar-se mãe encontra dificuldades que afetam diretamente a rotina e o psicológico destas. Sendo assim, a conjugação do papel de mãe com o de adolescente requer novos saberes, novos ajustes do ser e do pensar, contribuindo desta forma para adaptações e desenvolvimentos, a medida que a menina precisa se constituir como em mulher. Objetivando analisar a vivência da maternidade segundo relatos de mães adolescentes, verificou-se que o significado de ser mãe é um passaporte para tornar-se responsável, como também para a realização de um sonho. Passando rapidamente da pessoa cuidada para a própria cuidadora, com obstáculos e vitórias inerentes a esse fato. Por ainda encontrarem-se despreparadas e imaturas, as dificuldades são bem maiores, pois necessitam dispensar cuidados a criança e algumas vezes não possuem habilidades, como também, a falta de recurso financeiro é um fator agravante, que torna-se um dos inúmeros problemas sociais causados por esse evento. E ainda, assumir essa responsabilidade sem a presença do companheiro torna a situação mais polêmica. Assim, espera-se que o estudo contribua para uma reflexão sobre o ser mãe adolescente. Onde se podem compreender a partir de relatos as suas alegrias e dificuldades, e o desempenho da maternidade precoce, possibilitando analisar as mudanças de vida para a adolescente; como também a sua contribuição para aumentar a evasão escolar e elevar os índices de pobreza e diminuir os índices de desenvolvimento humano em nosso país, pois é 99 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba sabido que a educação é base para que todos os segmentos da vida aconteçam no tempo correto, como também para que se tenha saúde, e ainda para que se tenha subsídios para as necessidades econômicas. REFERÊNCIAS BUENO, G. da M. Gravidez na adolescência: Net, São Paulo, 2003. Disponível em: http://siter.uol.com.br/gballone/infantil/adolesc3.html. Acesso em: 20 nov. 2011. BRASIL. 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Monografia (Curso de Graduação em Enfermagem), Programa Especial de Treinamento – PET, Mossoró, 1996. 100 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba INDICADORES DE QUALIDADE NAS UTI Ingrid Claudino Ribeiro (relator)1 Jocerlania Maria Dias de Morais2 Américo Ferreira de Sá3 Jedite Ferreira Freitas4 Isabela Ferreira da Costa5 RESUMO O hospital, como uma empresa prestadora de serviços, vem passando por uma rápida evolução tecnológica e social que atinge diretamente a todos os seus usuários. Nesse processo, surgiram os programas de gestão pela qualidade, que são sistemas estruturados de forma a atender e superar as necessidades e expectativas dos clientes, através do controle e aperfeiçoamento contínuo do seu processo de trabalho. O indicador em saúde é conceituado como uma unidade de medida de uma atividade com a qual se está relacionado ou, ainda, uma medida quantitativa que pode ser empregada como um guia para monitorar e avaliar a qualidade dos cuidados providos ao usuário e as atividades dos serviços. Esse indicador é um sinalizador que identifica ou dirige a atenção para assuntos específicos de resultados em uma organização de saúde devendo, periodicamente, ser revisto. A monitoração de indicadores na atualidade necessita de sistema informatizado, pois a enfermagem possui um grande e complexo número de dados relativos à sua atividade, e só é possível monitorá-los se houver sistema informatizado. Medir indicadores permite aos enfermeiros o processo de tomada de decisão baseado em seus resultados. Desta forma torna-se possível modificar e aprimorar sua prática, por meio de comparação e troca de informações entre as unidades do hospital. A definição de dados mínimos e o estabelecimento de indicadores são fundamentais para o reconhecimento da enfermagem enquanto uma profissão de valor. INTRODUÇÃO O hospital, como uma empresa prestadora de serviços, vem passando por uma rápida evolução tecnológica e social que atinge diretamente a todos os seus usuários. Nesse processo, surgiram os programas de gestão pela qualidade, que são sistemas estruturados de forma a atender e superar as necessidades e expectativas dos clientes, através do controle e aperfeiçoamento contínuo do seu processo de trabalho (MOURA, 2000). Os estabelecimentos de saúde e os serviços de enfermagem, como parte integrante de instituições complexas, vêm enfrentando inúmeros desafios no sentido de atender as 1 Enfermeira Especialista em Urgência e Emergência Intra e Extra Hospitalar pela Universidade FASP. Jocerlania Maria Dias de Morais. Graduação em Enfermagem pela Faculdade de Enfermagem Nova Esperança (FACENE). Pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Bioética - NEPB/UFPB. Supervisora de Estágios da Faculdade de Enfermagem Nova Esperança (FACENE). Enfermeira Socorrista do Shopping Center Tambiá. 3 Graduação em Enfermagem pela Faculdade Santa Emília de Rodat- FASER. 4 Enfermeira Especialista em Programa Saúde da Família pela FACISA. 5 Enfermeira e acadêmica de Medicina pela FAMENE. 2 101 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba demandas de seus clientes, de maneira eficiente e eficaz, visando a excelência da qualidade assistencial. Nesse cenário, a melhoria contínua da qualidade da assistência, no sentido de atingir a excelência, é um processo dinâmico e exaustivo de identificação permanente dos fatores intervenientes no processo de trabalho da equipe de enfermagem e requer do enfermeiro a implementação de ações e a elaboração de instrumentos que possibilitem avaliar de maneira sistemática os níveis de qualidade dos cuidados prestados (FONSECA, 2005). O indicador em saúde é conceituado como uma unidade de medida de uma atividade com a qual se está relacionado ou, ainda, uma medida quantitativa que pode ser empregada como um guia para monitorar e avaliar a qualidade dos cuidados providos ao usuário e as atividades dos serviços (KURGANCT, 2008). Esse indicador é um sinalizador que identifica ou dirige a atenção para assuntos específicos de resultados em uma organização de saúde devendo, periodicamente, ser revisto (LIMA, 2009). A busca pela qualidade assistencial vem sendo discutida e compartilhada entre os profissionais de saúde, sobretudo os que atuam na esfera gerencial, uma vez que os usuários dos estabelecimentos de saúde tornaram-se, nas ultimas décadas, mais conscientes de seus direitos, exigindo assim um maior comprometimento dessas instituições (TRONCHIN, 2006). Conforme Kurganct (2008) a qualidade como um conceito abstrato e subjetivo, carece de subsídios concretos e consensuais para ser adotada como ferramenta de avaliação de decisões e ações gerenciais. No contexto da saúde, qualidade é um conceito considerado complexo, cujos componentes podem ser agrupados em sete atributos ou pilares fundamentais: eficácia, efetividade, eficiência, otimização, legitimidade, equidade e aceitabilidade. Os quatro primeiros referem-se a atributos que guardam correlações positivas ou negativas, com elementos inerentes à instituição e os três últimos guardam correlação com atributos inerentes à instituição no que se refere à sua inserção no contexto político-social e econômico de uma determinada sociedade (KURGANCT, 2008). Pretendeu-se obter esclarecimentos sobre os indicadores de qualidade nas UTI para reconhecer quais são estes indicadores, qual a qualidade que procuram identificar e para que a identificar. 102 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba METODOLOGIA A pesquisa bibliográfica é de fundamental importância, pois, é a base do conhecimento prévio para o desenvolvimento da pesquisa, sendo desenvolvida com base em materiais já elaborados, constituído principalmente de livros e artigos científicos. Para a realização desse trabalho foi primeiramente realizado pesquisa bibliográfica em livros, artigos científicos, revistas, além aos diversos sites do sistema eletrônico on-line para um melhor entendimento acerca do assunto pesquisado, ou seja, referencias sobre os Indicadores de qualidade nas UTI. (GIL, 2010). A pesquisa bibliográfica é a atividade de localização e consulta de fontes diversas de informações escrita orientada pelo objetivo explícito de coletar materiais mais genéricos ou mais específicos a respeito de um tema (LIMA, 2004). Os livros constituem as fontes bibliográficas por excelência. A principal vantagem da pesquisa bibliográfica reside no fato de permitir ao investigador a cobertura de uma gama de fenômenos muito mais ampla do que aquela que poderia pesquisar diretamente. Essa vantagem torna-se particularmente importante quando o problema de pesquisa requer dados muito dispersos pelo espaço (GIL, 2002). Portanto, a pesquisa bibliográfica proporciona ao pesquisador um contato direto com o assunto, fazendo um apanhado geral sobre os principais trabalhos já realizados, revestidos de importância, por serem capazes de fornecer dados atuais e relevantes relacionados com o tema. O estudo da literatura pertinente pode ajudar a planificação do trabalho cientifico, evitar publicações e certos erros, e representa uma fonte indispensável de informações, podendo até orientar as indagações (LAKATOS, 2006). O emprego de indicadores de qualidade nas UTI constitui-se num instrumento eficiente para controle do nível de serviço oferecido e permite que a monitoração mantenha um mesmo critério para comparabilidade ao longo do tempo (KNOBEL, 2006). A referida pesquisa abrangeu como local de estudo as bibliotecas da Faculdade Santa Emília de Rodat (FASER), Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Faculdade Ciências Medicas (FCM), Institutos Paraibanos de Educação (UNIPÊ), Faculdade de Enfermagem Nova Esperança (FACENE), Faculdade de Medicina Nova Esperança (FAMENE) e através de sites indexados on-line, revistas e periódicos. Os dados foram coletados e analisados durante os meses de setembro a outubro de 2010, a partir do acervo bibliográfico disponível em livros, periódico e referencias on-line, por meio técnicas de leitura para a escolha do material, em especial aquele relacionado à temática escolhida. 103 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba REVISÃO DE LITERATURA Teixeira et al (2006) observam que organizações responsáveis pelo desenvolvimento de programas e ações de saúde que atendam às exigências reais das diferentes situações dos usuários procuram melhorar a qualidade dos serviços prestados. Esta busca por qualidade dos serviços de saúde é antiga, inicia-se quando Nightingale adotou métodos e padrões sanitários que reduziram a mortalidade. E desde então a busca por qualidade passou a ser constantemente observada neste setor. A qualidade da assistência deve observar padrões, estudo da estrutura, processo e resultados (TEIXEIRA et al, 2006). Com indicadores no serviço de enfermagem podem-se interpretar diferentes dados quanto ao desempenho dos cuidados, tais como: perspectivas, dimensões, crescimento, estratégia, conhecimento dos clientes, satisfação dos clientes, melhora dos clientes, qualidade do serviço, relacionamento com clientes, imagem e reputação e processos internos administrativos (BITTAR, 2001). Indicadores de qualidade de assistência podem ser: incidência de quedas do paciente; incidência de extubação acidental; incidência de perda de sonda nasogastrica enteral; incidência de úlcera por pressão; incidência de não conformidade relacionada a não administração de medicamentos pela enfermagem; incidência de flebite (MOTA et al, 2007). Bittar (2001) e Teixeira et al (2006) expressam que as informações se dividem em externas e internas. As externas atendem à demografia, geografia, economia, política, cultura, educação, psicossocial, tecnologia, existência ou não de outras instituições de saúde e epidemiológicas. A análise de informações externas dos indicadores de saúde deve se fundamentar em ouras análises para maior credibilidade das condições de promoção da saúde, prevenção da doença, diagnóstico, tratamento e cura, enfim, dos fatores ou influências que formam o perfil epidemiológico verificado. E as internas que são caracterizadas pelas estruturas de recursos, distribuídos de acordo com Bittar (2001) e Teixeira et al (2006) em áreas e subáreas, de infraestrutura, ambulatório/ emergência, complementar de diagnóstico e terapêutica e internação. Teixeira et al (2006) sobre as informações internas consideram importante formar equipe multidisciplinar de auditoria de enfermagem, de prevenção e controle de infecções hospitalares, de ética em pesquisa, de gerenciamento de riscos, de prevenção interna de acidentes, serviço de educação continuada e de atendimento ao cliente. 104 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba Conforme Silva (2003), a qualidade na unidade intensivista pode ser avaliada através de indicadores que são de ordem técnica, educacionais, ambientais – estruturais e os éticos. Um exemplo de indicadores ambientais-estruturais pode ser observado a seguir: a UTI deve contar com uma UTI móvel ou conveniada; contar com serviços de diálise própria ou conveniada, com cirurgia própria e receber assessoria da CCIH, conforme o disposto pela Lei 943, de 01/99; oferecer no mínimo cinco leitos; contar com Banco de Sangue próprio ou conveniado. Um exemplo de indicadores educacionais na Unidade de Terapia Intensiva é o número de treinamentos existentes para a equipe multiprofissional, os critérios de contratação, se há ou não residentes e alunos de nível médio e/ou superior. Em relação aos indicadores técnicos, eles são vários e será neles que nos deteremos. De modo geral, espera-se que a UTI esteja sob uma metodologia de controle de infecção, que a equipe médica utilize índices como Average severity of ilness score (ASIS). No entanto, esses indicadores não falam diretamente do trabalho da enfermagem na dimensão do cuidar e isto é o que iremos apresentar agora (SILVA, 2003). O emprego de indicadores de qualidade na UTI constitui-se num instrumento eficiente para controle do nível de serviço oferecido e permite que a monitorizarão mantenha um mesmo critério para comparabilidade ao longo do tempo (KNOBEL, 2006). Sistema de Classificação de Severidade de Doença têm como objetivo básico a descrição quantitativa do grau de disfunção orgânica de pacientes gravemente enfermos, expresso mediante índices prognósticos. Os índices prognósticos são calculados a partir do somatório de escores numéricos que correspondem às alterações clínicas/laboratoriais do paciente ou do tipo e/ou quantidade de procedimentos a que ele foi submetido (ANVISA, 2003). Conforme Knobel (2006), os índices de gravidade têm como objetivo básico a descrição quantitativa do grau de disfunção orgânica de pacientes gravemente enfermos. A severidade de uma doença em um paciente é traduzida em um valor numérico, com base em alterações clinicas e laboratoriais existentes ou do tipo/ numero de procedimentos utilizados. Conforme a Anvisa (2003) os existem diversos tipos de sistemas de classificação de prognóstico, porém [...] os mais consagrados pelo uso, para pacientes adultos (APACHE II), crianças (PRISM II) e pacientes neonatais (PSI modificado). A aplicação destes Sistemas permite: Estabelecer pré-requisitos mínimos que indiquem necessidades de internação na UTI; 105 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba Estratificar pacientes de acordo com a severidade da doença e o prognóstico; Acompanhar a evolução e resposta do paciente à terapêutica instituída; Avaliar o desempenho da UTI; Avaliar e comparar o desempenho de UTI's diversas; Comparar mortalidade hospitalar (ou de 30 dias) observada e esperada, permitindo assim o cálculo da chamado índice de mortalidade estandartizado; Avaliar indiretamente o custo/benefício de determinados procedimentos para pacientes, em várias etapas da doença. O APACHE II (Acute Physiologic and Chronic Health Evaluation) têm o objetivo de quantificar a severidade de uma condição clínica em pacientes adultos e a partir de um índice estimar o risco de óbito (SZOSTAK). Foi desenvolvido por Willian A. Knaus et al. Em 1981. Em 1985, após revisão e simplificação, o índice passou a denominar-se de APACHE II. São utilizadas 12 variáveis clínicas, fisiológicas e laboratoriais padronizadas que recebem pontos de 0 a 4, conforme o grau de desvio da normalidade apresentado ( quanto mais alterado é o valor, maior será a pontuação). Também são atribuídos pontos à idade, à presença de doença crônica e às variáveis fisiológicas; sua soma fornece o índice APACHE II. Esse índice é habitualmente utilizado nas primeiras 24 horas de internação na UTI (KNOBEL, 2006). A Anvisa (2003) ratifica as características gerais do sistema APACHE II: Execução fácil e rápida, com avaliação de 12 variáveis medidas rotineiramente; Todas as variáveis são sinais vitais ou exames laboratoriais de rotina; Variáveis laboratoriais não aferidos são consideradas normais; Não necessita de métodos invasivos para a obtenção dos dados; Considera a interferência de uma condição cirúrgica; Corrige para a influência do diagnóstico; Pela utilização de uma equação logística com valor do APACHE II, uma constante (0, 603 para pós-operatório de cirurgia de urgência) e um valor ponderal para categoria diagnostica, é calculado o risco de óbito para um paciente com determinada patologia. Conforme Knobel (2006) a versão mais recente, APACHE III, Foi desenvolvida utilizando-se de 17 variáveis (foram acrescentadas novas variáveis: debito urinário, valores séricos de uréia, albumina, bilirrubinas e glicose); com modificação da pontuação e peso 106 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba (faixa de variação mais ampla) para variáveis fisiológicas, idade e doença crônica, e utilizando maior número de categorias diagnósticas. A SAPS (Simplified Acute Physiologic Score) foi desenvolvida por J. R. Le Gall et al, do Hôpital Henri Mondor De Creteil, na França, sendo bastante semelhante ao APACHE II e utiliza de 13 variáveis fisiológicas, além da idade. Na sua segunda versão, diminuiu sua variável fisiológica para 12, idade, tipo de admissão (cirurgia programada, não programada ou internação clinica) e presença de doença crônica (imunodeficiência adquirida, neoplasia com metástases e neoplasia hematológica). Sendo um dos índices mais fáceis para obter a probabilidade de óbito no ambiente hospitalar (obtida pela regressão logística utilizando a somatória dos pontos obtidos). Recentemente, em 2002 e 2004, foi desenvolvido o SAPS III que acumula toda a experiência desde o início dos anos 80, sendo totalmente computadorizado e tendo uma abordagem multidimensional da qualidade na UTI, podendo assim avaliar quatro módulos (avaliação básica, avaliação de resultados, avaliação de infecções e avaliação de recursos) de modo integrado a dois fatores: características dos pacientes e características da UTI. De acordo com Knobel (2006) o sistema MPM (Mortality Prediction Model) desenvolvido por S. Lemeshow et al. do Baystate Medical Center de Massachussets em 1985. O peso atribuído as variáveis é determinado por técnicas estatísticas e o resultado é expresso como probabilidade, e não como escore. As variáveis utilizadas são: nível de consciência, tipo de admissão, ocorrência da parada cardiorrespiratória previamente à internação na UTI, presença de neoplasia, insuficiência renal crônica, patologia cirúrgica, infecção, idade, internação previa na UTI, frequência cardíaca e pressão arterial sistólica a admissão. A cada variável é atribuído um coeficiente logístico estimado que é multiplicado por 0 ou 1, dependendo de sua ausência ou presença. A soma desses valores e de uma constante é utilizada em uma equação logarítmica e fornece a probabilidade de mortalidade hospitalar do paciente ao ser admitido na UTI. Sobre o sistema TISS (Therapeutic Intervention Scoring System) desenvolvido por Cullen et al. do Massachussets General Hospital de Boston em 1974, sendo revisado e atualizado em 1983. Baseia-se em quanto mais terapia o paciente recebe, maior será a sua gravidade. Seu sistema trabalha com um escore que quantifica 76 intervenções terapêuticas e de monitorizarão atribuindo pontos que variam de 1 a 4, conforme a complexidade, o grau de invasividade e o tempo despendido pela enfermagem e pelo medico para realizar determinado procedimento. 107 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba Ratificado por Padilha (2005) o Therapeutic Intervention Scoring System (TISS) é um sistema de medida de gravidade e de carga de trabalho de enfermagem UTI, criado em 1974 e atualizado em 1983, que tem como base a quantificação das intervenções terapêuticas, segundo a complexidade, grau de invasividade e tempo dispensado pela enfermagem para a realização de determinados procedimentos no doente crítico. Em janeiro de 1996, Miranda et al. do University Hospital of Groningen (Holanda) publicaram uma simplificação desse índice, TISS – 28, reduzindo para 28 o numero de intervenções analisadas, por meio de seus agrupamento em itens afins e modificado a pontuação atribuída (KNOBEL, 2006). Nessa nova estrutura o índice, além de sofrer redução do número de itens, teve mudanças expressivas na sua configuração, com o agrupamento de itens afins. O sistema passou a ser composto, então, por sete categorias de intervenções terapêuticas, assim denominadas: atividades básicas, suporte ventilatório, cardiovascular, renal, neurológico, metabólico e intervenções específicas. Com essa reestruturação, o escore TISS-28 permite não só estimar as intervenções e, portanto, a gravidade indireta dos pacientes, como também dimensionar a carga de trabalho de enfermagem na UTI, uma vez que cada ponto TISS-28 consome 10,6 minutos do tempo de trabalho de um profissional da equipe de enfermagem na assistência ao doente crítico (PADILHA, 2005). CONSIDERAÇÕES FINAIS Indicadores são importantes para estabelecer parâmetros consistentes para a comparação e padronização de condutas de enfermagem. Os dados que indicam o atendimento ao paciente e família descrito através do processo de enfermagem possibilitam a definição dos indicadores de enfermagem. A monitoração de indicadores na atualidade necessita de sistema informatizado, pois a enfermagem possui um grande e complexo número de dados relativos à sua atividade, e só é possível monitorá-los se houver sistema informatizado. Medir indicadores permite aos enfermeiros o processo de tomada de decisão baseado em seus resultados. Desta forma torna-se possível modificar e aprimorar sua prática, por meio de comparação e troca de informações entre as unidades do hospital. A definição de dados mínimos e o estabelecimento de indicadores são fundamentais para o reconhecimento da enfermagem enquanto uma profissão de valor. 108 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba REFERÊNCIAS ANVISA. Portaria nº 466/MS/SVS. 2003. Disponível em: http://www.anvisa.gov.br/legis/portarias/466_98.htm . BITTAR, Olímpio J. Nogueira V. Indicadores de qualidade e quantidade em saúde RAS _ Vol. 3, Nº 12 – Jul-Set, 2001. GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 5 ed. São Paulo: Atlas, 2010. FONSECA, A. S., YAMANAKA, N. M. A., Et al .Auditoria e o uso de indicadores assistenciais: uma relação mais que necessária para a gestão assistencial na atividade hospitalar. Mundo da Saúde 2005; 29(2):161-8. Disponível em: http://www.saocamilosp.br/pdf/mundo_saude/35/indicadores_qualidade.pdf. KNOBEL, E. 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Nas organizações de saúde não acontece de forma diferente, inclusive entre os profissionais da enfermagem. Este trabalho teve como objetivo identificar o conceito, tipos e as causas dos conflitos; os pontos negativos e positivos do conflito; as formas de se administrar os conflitos; e investigar como o enfermeiro gerencia os conflitos. Assim entendemos que o conflito pode ser entendido como qualquer situação de discordância e divergência de interesses, e objetivos opostos entre as partes integrantes. As principais causas de conflito estão relacionadas à personalidade, atitude, motivação, liderança, mudança organizacional estrutura da tarefa, ameaças externas, insatisfação com o papel organizacional, comunicação inadequada e entre os tipos de conflito podemos citar o conflito latente, o conflito percebido, o conflito sentido e o conflito manifesto. Conflitos demasiados podem trazer consequências negativas, por requerem tempo e recursos para lidar com eles, além de gastar-se uma energia que poderia ser aplicada de outra forma, já poucos conflitos também podem ser negativos, por levar a indiferença, com pouco estímulo de mudança. Para que ocorra uma boa negociação dos conflitos é necessário que as partes envolvidas tenham capacidades de saber se comunicar, ouvir e perguntar. Em suma lidar com os conflitos não é fácil, porém devemos buscar maneiras coerentes para solucioná-los. INTRODUÇÃO Todas as pessoas são seres únicos e individuais. Pensamos diferente, temos gostos diferentes, no entanto precisamos conviver em sociedade, mesmo com as nossas diferenças e individualidade. Conviver é um desafio, pode trazer novos conhecimentos, ideias, e uma nova maneira de enxergar os acontecimentos, porém, em um grupo homogêneo os conhecimentos, as ideias podem tornar-se restritas e invariáveis. Com o convívio surgem discordâncias entre os interesses dos membros do grupo, dessa maneira as pessoas se colocam de lados opostos, o que gera situações conflitantes (CAVALCANTE, 2006). 1 Enfermeira. Aluna especial do programa de pós-graduação em Enfermagem pela UFPB. Membro e pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Bioética da UFPB. E-mail: [email protected] 2 Enfermeira. Mestranda do Programa de pós-graduação em Enfermagem pela UFPB. Membro e pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Bioética da UFPB. E-mail: [email protected] 3 Enfermeira da Maternidade Frei Damião. Especialista em Enfermagem do Trabalho. Membro e pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Bioética da UFPB. E-mail: [email protected]. 4 Professora Doutora do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal da Paraíba e do Departamento de Enfermagem Médico Cirúrgica da UFPB. E-mail: [email protected]. 110 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba Em todos os lugares existem conflitos, dessa maneira é um tema de grande relevância para os sistemas organizacionais, gerando variadas consequências. As organizações são caracterizadas pela hierarquia e divisão do trabalho, assim os sujeitos são submetidos à força do grupo e a natureza da gestão, esta ultima diretamente relacionada com a eficiência da organização. O gerente deve ter a capacidade de coordenar o trabalhador, a natureza do trabalho e fornecer recursos matérias. Diante dessa necessidade, o gestor acaba encontrando conflitos na administração seja de sua empresa ou de outras áreas (CAVALCANTE, 2006). Nesse sentido, as organizações que não conseguem administrar os conflitos entre seu pessoal estão sujeitas a alguns contratempos como: ter redução de sua participação no mercado, não desenvolver novos produtos, ter sua imagem prejudicada perante o públicoalvo, e ter prejudicado as relações entre os participantes (FERNANDES-NETO, 2005). Nas organizações de saúde não acontece de forma diferente, o tema administrações de conflitos vem sendo um assunto polêmico e de interesse dos gestores. Os conflitos dentro da equipe de saúde podem ser observados pelo aumento de críticas, discussões entre os membros, levando a insatisfação no trabalho e diminuição da qualidade e quantidade dos serviços, prejudicando não só as relações de trabalho como também a clientela, sendo necessário saber lidar com as diferenças de forma eficiente (SALES; LIMA; FARIAS, 2007). No que concerne o campo da Enfermagem, Corradi, Zgoda e Paul (2008) afirmam que existe nesse campo uma necessidade do desenvolvimento continuado de competências e habilidade para a ocorrência do trabalho em equipe, de maneira que os profissionais possam conviver com as diversidades e esta necessidade de mudança leva os enfermeiros líderes a buscar novos modelos de gerenciamento. Diante disto, em qualquer organização que existam pessoas interagindo existe situações conflituosas, que necessita dos conhecimentos de um gestor para tentar resolve-las. Diante dessas considerações, justificamos a nossa motivação em realizar a presente revisão, por estarmos particularmente interessadas no tema em questão, e por entendermos a necessidade adquirir conhecimentos acerca das maneiras de se administrar os problemas para a resolução de conflitos, principalmente nas relações de trabalho de enfermagem. Deste modo, decidimos por desenvolver esta pesquisa, na busca de alcançar os seguintes objetivos: investigar a luz da literatura o conceito do conflito, tipos e as suas causas; averiguar a luz da literatura os pontos negativos e positivos dos conflitos; identificar à luz da literatura as formas de se administrar os conflitos; investigar como gerenciar os conflitos da enfermagem. 111 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba METODOLOGIA Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, de cunho exploratório com abordagem descritiva. De acordo com Gil (1999), a pesquisa bibliográfica é aquela que se desenvolve a partir da tentativa de resolução do problema, através das referencias teóricas encontradas em livros, revistas e literaturas afins. O seu objetivo é de conhecer e analisar as principais contribuições teóricas já existentes na literatura sobre um determinado assunto. A pesquisa exploratória tem como principal objetivo proporcionar maiores informações a cerca do assunto que vai ser investigado, na pesquisa descritiva observam-se, registram-se, analisam-se, classificam-se e interpretam-se os fatos, em que o pesquisador lhe faça qualquer inferência (PRESTES, 2003). Para realização do trabalho se fez necessário um levantamento prévio da literatura, durante o mês de setembro de 2011 e utilizaram-se dados dos acervos da Literatura Latinoamericana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Scientific Eletronic Library Online (SciELO) e no Google Acadêmicos e livros que contemplassem a temática, cabendo aos resultados uma reflexão dos documentos pesquisados. Os dados foram analisados e interpretados a partir do referencial teórico, levando em consideração a temática a ser abordada (administração de conflitos) de forma crítica e objetiva dos pontos principais. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA Os conflitos existem desde o início da humanidade e fazem parte do processo de evolução dos seres, sendo de grande valia para que o sistema familiar, político e organizacional consiga crescer e desenvolver-se. Devemos lembrar que até pouco tempo a ausência dos conflitos era visto como expressão de bom ambiente, boas relações, e sinal de competência, ou seja, o conflito era visto de maneira negativa, resultado da ação e do jeito de pessoas indesejáveis, unidos à agressividade, confronto físico, verbal e a sentimentos negativos, prejudiciais ao bom relacionamento e consequentemente ao funcionamento das organizações (NASCIMENTO, 2002). O conceito de conflito é amplo e pode ser entendido como qualquer situação de discordância e divergência de interesses, e objetivos opostos entre as partes integrantes, podendo variar desde níveis de desacordo leves até atos de violência (CAVALCANTE, 2006). Estes podem ser ignorados ou abafados, ou resolvidos e transformados num elemento auxiliar na evolução de uma organização (NASCIMENTO, 2002). 112 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba Segundo Estevez (2002) é uma situação que resulta das diferentes opiniões, interesses, objetivos, percepções, atitudes, comportamento, valores e necessidades, estabelecidas entre dois participantes que interagem entre si, quando há uma interferência deliberada de uma das partes em atingirem os objetivos da outra, e refere-se a confrontos e controvérsias estabelecidos entre as organizações. A palavra conflito vem do latim (conflictu) e significa embate dos que lutam; discussão acompanhada de ameaças afronta desavenças, guerras. E normalmente relacionamos as situações que são desagradáveis onde os envolvidos não acreditam numa solução boa, principalmente quando os envolvidos sentem-se frustrados e prejudicados pelo interesse do outro (FERNANDES; RIBEIRO; FERNANDES, 2004). O conflito pode levar a discussões abertas sobre alguns assuntos, revelando-se positivo, por permitir a expressão e exploração de diferentes pontos de vista. Em alguns momentos o conflito pode ser considerado necessário, sendo assim os conflitos não são necessariamente negativos. A administração de conflitos consiste na escolha e na implementação das estratégias adequadas para lidar-se com cada tipo de situação conflitante (NASCIMENTO, 2002). O ponto de vista moderno descreve o conflito dentro das organizações como algo que não é bom nem ruim. Conflitos demasiados podem trazer consequências negativas, por requerem tempo e recursos para lidar com eles, além de gastar-se uma energia que poderia ser aplicada de outra forma, já poucos conflitos também podem ser negativos, por levar a indiferença, com pouco estímulo de mudança. Dado que o conflito é necessário nas organizações, a questão que cada gerente deve levar em consideração é como reagir e administrar os conflitos entre grupos organizacionais, de modo que os efeitos positivos sejam aumentados e os negativos sejam diminuídos (ESTEVEZ, 2002). Um conflito resolvido de maneira adequada pode oferecer benefícios para as partes envolvidas, podendo ser positivo quando proporciona um desafio para buscar soluções, aumenta a motivação no trabalho, motiva os trabalhadores a resolver os problemas juntos, leva à descoberta de fatos e informações que são benéficas a empresa, aperfeiçoa a criatividade, contribui para realização de um objetivo. Um conflito pode ser negativo quando causa tensão, cria um ambiente não produtivo, gasta tempo, gera perda de poder, tende a distorcer o comportamento de integrantes, e desgasta a confiança, forma alianças com posturas polarizadas e paralisa a tomada de decisão (FERNANDES; RIBEIRO; FERNANDES, 2004). 113 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba Os efeitos negativos do conflito surgem quando existem sinais de desmotivação entre os participantes, quando o conflito se torna mais importante do que a missão da empresa ou se torna algo destrutivo, quando os grupos deixam de ser cooperativos e se predomina o desprezo pela negociação, falta de confiança e quando visão de um só se sobrepõe a visão do grupo. Embora, aparentemente, os efeitos negativos pareçam sobrepor os positivos, devem considerar que um dos efeitos benéficos é a oportunidade de melhorar o entendimento nas diferentes posições de se analisar os problemas e isso só ocorrerão se houver disposição para trabalhar os conflitos, tendo em vista uma posição mais eclética. Dessa maneira ocorrerá mobilização tanto dos recursos como das energias envolvidas e assim a busca de soluções alternativas (SALES; LIMA; FARIAS, 2007). Os conflitos resultam de fatores que se originam ou fora do relacionamento lateral ou que antecedem o mesmo. Cavalcante (2006) descreve as principais causas dos conflitos e de que forma elas afetam o relacionamento e pela sua observação, os conflitos estão ligados às percepções de desvantagem de um indivíduo. Assim aspectos relacionados às suas tarefas, recompensas, interdependências para conseguir objetivos, características pessoais à qualidade da comunicação e a circunstância a qual o indivíduo se encontra, são as principais causas de conflito nas empresas. Nascimento (2002) afirma que para a correta administração do conflito é importante que sejam conhecidas as possíveis causas que levaram ao seu surgimento. Dentre elas o autor aponta: a experiência de frustração de uma ou ambas as partes integrantes, devido a incapacidade de atingir uma ou mais metas e de realizar e satisfazer os seus desejos, por algum tipo de interferência ou limitação; diferenças de personalidade que são invocadas como explicação para as desavenças tanto no ambiente familiar como no ambiente de trabalho e reveladas no relacionamento diário através de algumas características indesejáveis na outra parte envolvida; metas diferentes que nos leva à geração de tensões em busca de seu alcance; diferenças em termos de informações e percepções: costumeiramente tendemos a obter informações e analisá-las de acordo com nossos conhecimentos e referenciais, sem levar em conta que isto ocorre isto também ocorre com a com quem conversamos ou apresentamos nossas ideias, podendo a outra pessoa entender as coisas de maneira diferente. O conflito interfere na dinâmica pessoal e organizacional, de maneira que inúmeros profissionais buscam fórmulas e estratégias para trabalhar com eles. O importante é conhecer o conflito, saber qual a sua amplitude e como estamos preparados para lidar com eles. Entre os tipos de conflitos Nascimento (2002) descreve: o conflito latente (não é declarado e não há uma clara consciência de sua existência, necessitam ser trabalhados); conflito percebido (os 114 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba envolvidos percebem a existência do mesmo, embora não haja ainda manifestações abertas); conflito sentido (é aquele que já atinge ambas as partes, e em que há emoção e forma consciente); conflito manifesto (trata-se do conflito que já atingiu ambas as partes, já é percebido por terceiros e pode interferir na dinâmica da organização). Para uma resolução eficaz dos conflitos é necessário compatibilizar alguns passos a serem seguidos, conhecer e aplicar saberes, como também, definir o estilo a ser adotado. Nascimento (2002) relata alguns passos importantes a serem seguidos: criar uma atmosfera afetiva; esclarecer as percepções; focalizar em necessidades individuais e compartilhadas; construir um poder positivo e compartilhado; olhar para o futuro e, em seguida, aprender com o passado; gerar opções de ganhos mútuos; desenvolver passos para a ação a ser efetivada; estabelecer acordos de benefícios mútuos. Para administrar um conflito, é de suma importância que antes sejam tomadas as decisões, sejam investigados os fatos ocorridos e o histórico das pessoas envolvidas. É importante sentir o que o outro sente situação vivenciada e as possíveis circunstâncias, assim devemos considerar os valores da organização, as pressões não usuais de trabalho, o período que antecedeu a referida discussão e os funcionários tiveram sua jornada aumentada. Tudo isto para que injustiças não sejam cometidas e o conflito tenha um final satisfatório para todos os envolvidos (FERNANDES-NETO, 2005). É relevante também identificar se os envolvidos trabalham em grupo ou em equipe. Uma equipe tem um objetivo em comum, além de possuir um número reduzido de componentes. Os integrantes devem possuir disposição para compartilhar oportunidades e reconhecimento, devem se comunicar de forma aberta e direta. Para que tais qualidades sejam incitadas numa organização, é necessário o estabelecimento de objetivos claros e métodos de trabalho eficazes (FERNANDES-NETO, 2005). Muitos gestores esquecem-se de tirar proveito das habilidades heterogêneas à favor da empresa. Assim, as empresas que trabalham com equipes, aproveitam-se dessas diferenças, maximizando ou otimizando as mesmas e utilizando da ferramenta denominada holismo, e assim aproveitando as desigualdades para que a totalidade da organização represente mais do que a soma das partes. Uma equipe vencedora possui a união entre seus integrantes, adquirem organização própria, e apoio mútuo (FERNANDES-NETO, 2005). Para uma boa negociação dos conflitos é necessário que ambas as partes tenham capacidades de saber se comunicar, pois sem o diálogo não há solução possível para os problemas além de poder gerar erros, omissões, irritações, atrasos e conflitos; saber ouvir, pois a compreensão sempre leva a uma resolução de sucesso, portanto devem-se evitar críticas 115 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba ou tentar dirigir a conversa e adotar uma posição afirmativa, mostrando respeito com as outras pessoas; saber perguntar. Saber perguntar, pois quem pergunta conduz a conversa quanto ao estilo a ser adotado, é recomendável adotar um estilo que leve à solução do conflito da forma mais pacífica possível, e o definir o seu estilo de administrar os conflitos está diretamente relacionado a duas importantes características de comportamento: assertividade e cooperação (NASCIMENTO, 2002). Segundo Chiavenato (1999), para administrar um conflito organizacional, pode-se empregar diferentes estilos: evitação, acomodação, competição, compromisso e colaboração. O estilo de evitação: busca a fuga do conflito. É utilizado quando o problema é corriqueiro, quando não há perspectiva de ganhar o conflito, quando se necessita de tempo para obter uma informação ou quando um conflito pode ser desvantajoso. O estilo de acomodação: visa a resolver os pontos de menor divergência e deixar os problemas maiores para depois; O estilo competitivo: consiste no comando autoritário, é empregado quando se faz necessário tomar uma decisão rapidamente ou uma decisão impopular; estilo de compromisso: ocorre quando todos os envolvidas aceitam perdas e ganhos; estilo de colaboração: é empregado numa situação ganha/ganha, onde todos os interesses podem ser reunidos numa solução mais ampla. Qualquer que seja o estilo adotado, o enfoque deve ser sempre o da solução, ainda que temporária do conflito. O ideal é manter sempre uma postura afirmativa ao invés da fuga dos problemas, e uma situação pode exigir a aplicação de mais de uma técnica o que vai depender do momento e do público alvo em que a situação ocorre (FERNANDES; RIBEIRO; FERNANDES, 2004). Os mesmos autores afirmam que: deve ser levado em consideração o fato de que tanto a conduta quanto o desempenho dos seres humanos podem ser alterados em função da emoção a qual ele está submetido, como estresse, pressão, podendo ele ser positivos ou negativos, modificando o comportamento. Ganhar/Perder (Competição ou Força): uma das partes utiliza o seu poder para influenciar, convencer e impor uma opinião, solução e etc. Alguns gerentes entendem que dominar os subordinados é a única maneira de serem bem sucedidos, uma vez que o cargo que ocupam já confere um tipo de poder, e isto nem sempre é verdadeiro. Geralmente o objetivo é vencer o conflito rapidamente fazendo com que todos tenham a mesma opinião, uma vez que a técnica só terá efeito se o direito e poder esta na mão de quem a emprega. Esta raramente é uma solução mais apropriada para resolução de um conflito, podendo o mesmo voltar posteriormente. Esta técnica é utilizada em situações de emergência; quando existe certeza de que se tem razão e a situação é de alto risco; quando os princípios importantes 116 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba estão em jogo; quando é preciso implementar ações impopulares; quando outros métodos já foram utilizados e não surtiram efeito e etc. Perder/ Ganhar (acomodação ou panos quente): uma das partes abre mão de sua opinião, não resolvendo necessariamente o conflito, mas fazendo com que as partes se sejam convencidas de que existem pontos a serem negociados e de possível solução, permitindo que as diferenças entre as partes sejam eliminadas ou reduzidas para que se alcance um consenso. Esta técnica pode ser usada quando não se está seguro em tomar uma decisão; quando o outro lado ganharia de qualquer forma; para ganhar tempo para uma melhor analise; para incentivar a outra parte a expressar seu ponto de vista criando uma atmosfera de boa vontade e harmonia. Perder/Perder (afastamento ou retirada estratégica): é utilizado quando nenhuma das partes envolvidas consegue lidar bem com a situação, sendo empregada como solução temporária para o conflito. Nesse contexto podem existir as seguintes situações: Quando é necessário ganhar tempo para se encontrar uma solução mais eficaz; quando o tempo por si só consegue resolver o problema; quando ambas as partes percebem que o assunto não é tão importante; quando os impactos negativos podem ser muito grandes e quando se ganha tempo com o atraso. Ganha Perde/Ganha Perde (acordo ou negociação): é quando os envolvidos abrem mão do interesse para que se possa chegar ao acordo quanto ao item de maior importância, ambas as partes fazem concessões e ao mesmo tempo ganham algo em troca. É utilizada quando os métodos falham e ao mesmo tempo ganham algo em troca. Pode-se obter êxito quando: preservar o relacionamento é mais importante; não se tem certeza de que você está com a razão; é necessário chegar a um consenso para atingir metas importantes e para evitar a impressão de briga. Ganhar/ Ganhar (colaboração ou confronto objetivo): é considerada a melhor técnica, porém, não pode ser utilizada em todos os casos, uma vez que exige auto nível de confiança e boa vontade entre as partes envolvidas, para que a solução do conflito seja alcançada. Quando adotada os indivíduos buscam a troca de informações sobre o tema e posteriormente, realizam um exame mais detalhado da causa inicial do conflito para finalmente encontrar a solução mais aceitável para as partes. Os envolvidos são colocados frente a frente para que se obtenha um consenso e comprometimento, partindo do princípio de avaliar as causas do problema, analisar os interesses dos envolvidos e escolher as alternativas de soluções que parecem mais objetivas. Essa técnica leva a descoberta de soluções para problemas bem mais complexos e sua aplicação tem êxito quando os indivíduos fazem uma diferença entre as pessoas, no 117 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba entanto devem conviver de maneira saudável e com qualidade, respeitando assim, as individualidades. Desse modo, para administrar os conflitos, o enfermeiro deve elaborar soluções para resolução dos conflitos, diminuir as diferenças de percepção entre os envolvidos, gerenciar as diversidades, saber escutar e se expressar para tratar a todos com respeito e compreendendo que as diferenças encontradas podem levar ao crescimento pessoal e profissional (MARQUIS; HUSTON, 2010). O enfermeiro deve manter boas práticas de gerencia, sendo responsável, respeitando seus colegas de trabalho, usando de honestidade e ajudando a sua equipe. Também deve tentar ser flexível, mostrar-se a vontade de aprender e pedir ajuda se necessário, como uma tentativa de desenvolver estratégias para identificar e solucionar os conflitos que possam a vir da forma mais adequada e o mais rápido possível, para que exista um crescimento da produtividade e uma convivência saudável e com harmonia, melhorando o convívio entre a equipe e a qualidade da assistência prestada ao paciente (SEIXAS; SILVA; SAUTHIER, 2006). CONSIDERAÇÕES FINAIS Este estudo é suma importância para o enriquecimento do nosso aprendizado como profissionais de saúde, enfermeiros, por termos a necessidade de conhecer a temática para assim ter fundamentação teórica para poder resolver possíveis conflitos que possam ocorrer entre os membros da equipe de saúde, que por ser bem diversificada pode levar a diversos conflitos. Lidar com os conflitos não é fácil, porém devemos buscar maneiras coerentes para solucioná-los, para isso, devemos assumir uma postura aberta ao entendimento, e as sugestões dos outros envolvidos. Só assim conseguiremos juntos resolve-lo da melhor forma e trazer benefícios para toda a equipe como um ambiente harmonizado, satisfatório e agradável, para que cada um desenvolva da melhor forma as suas funções e melhore a qualidades do serviço. Desse modo, entendemos que este estudo poderá contribuir para fortalecer as leituras críticas a respeito da temática, uma vez que traz um conteúdo literário de grande importância para resolução de conflitos entre profissionais de diversas áreas, inclusive da Saúde e que nos leva a refletir sobre as maneiras de resolver os conflitos que surgirem ao longo do nosso diaa-dia, como por exemplo, no hospital. Assim, antes de tomarmos atitudes para resolver conflitos, pensaremos antes nos métodos de resolução de conflitos. 118 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba REFERÊNCIAS CAVALCANTE, A. C. R. O gestor e o seu papel na gestão de conflitos: um estudo de caso em empresa de varejo de vestuário feminino. Dissertação (Mestrado em Administração) – Centro de Pós-graduação e pesquisas em Administração, Faculdade de Ciências Econômicas, Belo Horizonte, 2006. CHIAVENATO, I. Gestão de pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organizações. 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Congresso Brasileiro dos Conselhos de Enfermagem, 2006. 119 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO TRAUMATISMO CRANIOENCEFÁLICO: ESTUDO EXPLORATÓRIO Amanda Maritsa de Magalhães Oliveira Hemmily Nóbrega Ventura Maria Emília Limeira Lopes RESUMO O traumatismo cranioencefálico (TCE) é uma agressão ao cérebro, não de natureza degenerativa ou congênita, mas causada por uma força física externa, que pode produzir um estado diminuído ou alterado de consciência, que resulta em diminuição das habilidades cognitivas ou do funcionamento físico. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, de cunho exploratório com abordagem descritiva. Trauma é uma das principais causas de morte na infância e adolescência. No Brasil é a maior causa entre 10 e 29 anos e representa, aproximadamente, 40% das mortes entre 5 e 9 anos e 18% entre 1 e 4 anos. Os mecanismos do TCE provocam rupturas na barreira hemato-encefálica permitindo que os componentes plasmáticos atravessem facilmente essa barreira para dentro do tecido neural (edema vasogênico). Nas primeiras 48 horas a equipe de enfermagem deve estar atenta ao escore de Glasgow, ao padrão respiratório e aos níveis da PIC (normal menor 10 mmHg) já que uma ―elevação da PIC a maior de 20 mmHg em um paciente em repouso, por mais do que alguns minutos, está associada a um aumento significativo da mortalidade. Os profissionais de enfermagem, principalmente aqueles que trabalham no ambiente de UTI devem utilizar técnicas assépticas na higienização traqueal especialmente de pacientes com TCE; realizar mudanças de decúbito, estar atentos aos monitores, estabilidade hidroeletrolitica e assepsias de modo geral. Devem ainda, criar um ambiente acolhedor para a família que certamente se encontra angustiada e apreensiva por ter um ente querido gravemente enfermo e ocupando um leito na UTI. Palavras chaves: TCE. Assistência de Enfermagem. Unidades de Terapia Intensiva. INTRODUÇÃO Os acidentes constituem um problema de graves proporções para a sociedade moderna, pois são responsáveis por índices alarmantes de morbidade, mortalidade e incapacidades. No Brasil, os acidentes e a violência configuram um problema de saúde pública de grande magnitude e transcendência, com forte impacto na morbidade e na mortalidade da população. No conjunto das lesões decorrentes das causas externas, o Trauma Cranioencefálico (TCE) destaca-se em termos de magnitude tanto entre mortos quanto feridos, sendo uma das lesões mais frequentes (HORA, 2005). Segundo Macedo (2006), traumatismo Cranioencefálico é qualquer agressão traumática que tenha como consequência lesão anatômica, como fratura de crânio ou lesão do couro cabeludo, ou ainda o comprometimento funcional das meninges, encéfalo ou seus vasos, podendo ser classificado como leve, moderado e grave de acordo o escore da escala do coma de Glasgow. 120 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba Para Peclat (2004) a mortalidade dos pacientes vítimas de TCE está em torno de 40% e não se limita apenas aos países desenvolvidos, sendo bastante presente em todo o mundo. Infelizmente, mais da metade das mortes por TCE ocorrem no local do trauma, sem tempo hábil para reanimação. O TCE pode ser provocado por acidente de trânsito (60 a 70%), quedas (20%) e outras causas mais raras como agressões e projétil de arma de fogo. O presente trabalho teve por objetivo investigar na literatura existente a assistência de enfermagem prestada a paciente acometidos por traumatismo crânio encefálicos. Para isso, serão abordados os seguintes tópicos: conceito, incidência, fisiopatologia, classificação, quadro clínico, complicações, diagnóstico, tratamentos, assistência de enfermagem. METODOLOGIA Tipo de estudo Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, de cunho exploratório com abordagem descritiva. De acordo com Gil (1999), a pesquisa bibliográfica é aquela que se desenvolve a partir da tentativa de resolução do problema, através das referencias teóricas encontradas em livros, revistas e literaturas afins. O seu objetivo é de conhecer e analisar as principais contribuições teóricas já existentes na literatura sobre um determinado assunto. Coleta de dados Para realização do trabalho se fez necessário um levantamento prévio da literatura e utilizaram-se dados dos acervos da Lilacs, Bireme, Medline, Scielo entre outros periódicos online, e também foram utilizados livros sobre a temática, cabendo aos resultados uma reflexão dos documentos pesquisados. Análise de dados Os dados foram analisados e interpretados a partir do referencial teórico levando em consideração a temática a ser abordada (Traumatismo Cranioencefálico) de forma crítica e objetiva dos pontos principais. 121 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba RESULTADOS E DISCUSSÃO Conceito O traumatismo cranioencefálico constitui qualquer agressão que acarrete lesão anatômica ou comprometimento funcional do couro cabeludo, crânio, meninges ou encéfalo. É a causa de morte mais frequente entre os 2 e 42 anos de idade (NITRINI,1993). O TCE é uma agressão ao cérebro, não de natureza degenerativa ou congênita, mas causada por uma força física externa, que pode produzir um estado diminuído ou alterado de consciência, que resulta em comprometimento das habilidades cognitivas ou do funcionamento físico. Pode também resultar no distúrbio do funcionamento comportamental ou emocional. Este pode ser temporário ou permanente e provocar comprometimento funcional parcial ou total, ou mau ajustamento psicológico (SMITH,1994). Incidência Trauma é uma das principais causas de morte na infância e adolescência. No Brasil é a maior causa entre 10 e 29 anos e representa, aproximadamente, 40% das mortes entre 5 e 9 anos e 18% entre 1 e 4 anos. Em todo o país são mais de 100.000 vítimas fatais por ano. O TCE responde por 75 a 97% das mortes por trauma em crianças. Para cada paciente morto, pelo menos 3 ficam gravemente sequelados (GUERRA,1999). A incidência de TCE é maior para homens que para mulheres em mais de 2:1. Mais de 50% dos pacientes com TCE está entre as idades de 15 e 24 anos (SMITH, 1994). A mortalidade relacionada à TCE pode ser reduzida não só com avanços no atendimento inicial e com cuidados intensivos, mas, principalmente, com medidas preventivas.(GUERRA,1999) O traumatismo cranioencefálico tem como principal causa os acidentes de trânsito, principalmente acidentes de moto, mas pode ser causado por quedas, e outras causas menos freqüentes como agressões e projétil de arma de fogo. As lesões causadas por TCE podem ser classificadas quanto ao tempo em primárias e secundárias, e quanto à topografia em focais e difusas. Fisiopatologia A fisiopatologia do TCE depende da relação entre a capacidade de complacência cerebral e as alterações no fluxo sanguíneo cerebral. O tratamento clínico do TCE consiste na otimização da oferta e diminuição do consumo cerebral de oxigênio (PECLAT, 2004). 122 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba O sistema nervoso (SN) consiste em agregação altamente complexa de células que permitem ao organismo, interação com o seu meio ambiente, e esse meio inclui tanto o ambiente externo como o ambiente interno. Os neurônios formam a rede de comunicações, e as células da neuroglia desempenham funções de apoio, e juntas tem o papel de controlar as várias atividades corporais. O SN é dividido em sistema nervoso central (SNC), e sistema nervoso periférico (SNP), sendo que ambos possuem outras subdivisões. O SNP é constituído pelos nervos cranianos e pelos nervos periféricos, representando a interface entre o SNC e o ambiente ou as células excitatórias. O SNC é formado pelo encéfalo e medula espinhal, e desempenha muitas funções, como o planejamento e execução das ações voluntárias e o controle das ações involuntárias (BERNE, 2000). Segundo Guyton e Hall (2002), o SNC pode ser dividido em três níveis principais com atributos funcionais específicos: o nível da medula espinhal, o nível encefálico inferior ou nível subcortical e o nível encefálico superior ou cortical. A medula espinhal além de ser o elo de ligação entre os sinais da periferia do corpo para o encéfalo e do encéfalo para a periferia, ela desempenha outras funções importantes como os movimentos da marcha, reflexos que retiram porções do corpo dos objetos dolorosos, reflexos que estendem as pernas para sustentar o corpo contra a gravidade e reflexos que controlam vasos sanguíneos locais, movimentos gastrointestinais e reflexos que controlam a excreção urinária. O nível subcortical é composto pelo bulbo, ponte, mesencéfalo, hipotálamo, tálamo, cerebelo e os gânglios da base, e controla as atividades subconscientes do corpo como a respiração, pressão arterial. O nível cortical, que corresponde ao córtex cerebral, é responsável pela memória, recebimento e processamento das informações. O traumatismo cranioencefálico pode ser definido como uma agressão ao cérebro, em consequência de um trauma externo, resultando em alterações cerebrais momentâneas ou permanentes, de natureza cognitiva ou de funcionamento físico. As lesões podem ser primárias ou secundárias. As lesões primárias ocorrem segundo a biomecânica que determina o trauma. As lesões secundárias ocorrem segundo alterações estruturais encefálicas decorrentes da lesão primária bem como de alterações sistêmicas decorrentes do traumatismo. O objetivo principal do tratamento é evitar ou minimizar as lesões cerebrais secundárias (PECLAT, 2004). Nos TCE dois tipos de fenômenos biomecânicos podem ocorrer: Impacto: certa quantidade de energia é aplicada sobre uma área relativamente pequena, sendo dependente da intensidade e do local do impacto; Inerciais: o cérebro sofre em condições de mudança 123 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba abrupta de movimento: aceleração ou desaceleração por absorver esta energia cinética (OLIVEIRA; WIBERLINGER; LUCA, 2005). Lesão cerebral primária A lesão encefálica primária ocorre no momento do trauma e correspondem principalmente as contusões cerebrais, as fraturas, lacerações da substância cinzenta e à lesão axonal difusa (LAD). A lesão secundária é determinada por processos iniciados no momento do trauma, mas evidenciada clinicamente algum tempo depois, que ocorrem devido a devido à hipotensão, hipoxemia, hipoventilação, edema cerebral e formação de hematomas. São lesões secundárias: os hematomas intracranianos, o edema cerebral, a lesão cerebral secundária à hipertensão intracraniana e a lesão cerebral isquêmica (CAMBIER; MASSON; DEHEN, 2005; DANTAS FILHO ET AL, 2001). As lesões axonais difusa são secundárias ao cisalhamento (forças aplicadas em sentidos opostos) das fibras mielínicas com degeneração walleriana da bainha de mielina das fibras seccionadas. Pequenas lesões petequiais são frequentes no corpo caloso e nos pedúnculos cerebelares superiores e, mais tarde, surge dilatação ventricular por retração da substância branca, em virtude do processo de degeneração o que é característico de lesão de parênquima cerebral podendo ocorrer perda da consciência por alguns segundos ou existe o surgimento de outros distúrbios como confusão, amnésia e vômitos (OLIVEIRA; WIBERLINGER; LUCA, 2005). Lesão cerebral secundária As causas destas lesões podem surgir no momento do traumatismo ou após certo período de tempo. Do ponto de vista clínico manifestam-se tardiamente. Do ponto de vista terapêutico, sobre as lesões primárias não podemos agir, todavia nas secundárias, em muitos casos pode-se atuar interrompendo o processo fisiopatológico de seu desenvolvimento, evitando o agravamento da lesão (PECLAT, 2004). Principais lesões secundárias são os hematomas intracranianos, hipertensão Intracraniana(HIC) e Lesão cerebral isquêmica. Os hematomas intracranianos classificam-se em: meningeas. Epidurais: (localizado entre a calota craniana e a membrana mais externa de revestimento do cérebro) ocorre em quase todos os casos de fratura do crânio, não ocasionando consequências graves em sua maioria. 124 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba Subdurais: ocorre devido a sangramento entre a dura-máter e a aracnóide e podem de acordo com a apresentação clinica serem classificados em: agudos; subagudos e os crônicos. Intraparenquimatosos: coleção compacta de sangue alojada dentro do parênquima cerebral. Mecanismos do TCE Os mecanismos do TCE provocam rupturas na barreira hemato-encefálica permitindo que os componentes plasmáticos atravessem facilmente essa barreira para dentro do tecido neural (edema vasogênico). A hipóxia (injúria secundária) afeta a ATPase sódio/potássio da membrana celular, promovendo acúmulo intracelular de sódio, e o subseqüente fluxo de água para dentro da célula por gradiente osmótico. Logo, o edema citotóxico também ocorre, porém em fase subaguda e/ou crônica. Portanto, o edema vasogênico, acrescido de possíveis áreas localizadas de hemorragias com efeito de massa, são os principais responsáveis pelo surgimento da hipertensão intracraniana. Tais mecanismos atingem o pico em torno de três a cinco dias (TAVARES, 2006). Mudanças no fluxo cerebral, inflamação e edema são componentes da patogênese das alterações nos tecidos cerebrais. O cérebro fica contido por uma estrutura rígida, não complacente, onde um grau relativamente pequeno de tecido edemaciado pode aumentar a pressão intracraniana (PIC). Este também possui um sistema especial de auto regulação do fluxo sanguíneo cerebral (FSC), que é mantido, em condições normais, mesmo com pressão arterial média (PAM) variando entre 50 e 140 mmHg. A auto regulação do FSC é conseguida pela rápida constricção e relaxamento das arteríolas cerebrais e vênulas, em resposta aos fatores químicos e endoteliais e a liberação de neurotransmissores de neurônios adjacentes (ZINK, 2001). O fluxo sanguíneo cerebral depende da diferença da pressão arterial e a pressão venosa cerebral, sendo inversamente proporcional a resistência vascular cerebral. A pressão parcial cerebral (PPC) é calculada pela diferença entre a PAM e a PIC. A PPC de 60 mmHg é comumente aceita como o valor mínimo necessário para uma adequada perfusão cerebral (ZINK,2001). Os problemas mais comuns subsequentes ao TCE são: Concussão: É um distúrbio fisiológico reversível das funções de um sistema nervoso, com perda ou diminuição da consciência, ocorrendo amnésia provocada por um movimento rotacional e súbito da cabeça. 125 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba Confusão: pode ser resultado de traumatismo direto do cérebro no local do impacto, deslocamentos violentos contra irregularidades ósseas, difragmentos ósseos sob traumas ou lesões de contragolpe. Edema cerebral: ocorre devido ao aumento de líquido dentro do tecido cerebral, sendo causa de deterioração neurológica progressiva, tendo o aumento da PIC, esse edema trona-se praticamente incontrolável, e qualquer manuseio pode gerar o aumento dessa pressão. Quadro Clínico Segundo Bennet; Goldman (2001), o paciente com traumatismo cranioencefálico pode apresentar: alterações da consciência, choque cirúrgico, transtorno da função neuromuscular, transtorno sensorial, transtorno de linguagem, alterações da personalidade, transtornos visuais (diplopia, nistagmo, perda parcial ou total da visão), epilepsia, incontinência, complicações por imobilização prolongada como exemplo de úlceras de decúbito, deformidades das articulações, miosite ossificante, atrofias por desuso, paralisia de nervos cranianos, alterações na função autonômica como a pressão arterial, e a temperatura, além de possuir posturas anormais. Para Rowland (1997) dentre as alterações de consciência, o coma pode ser mais prolongado quando existirem tumefação, hemorragia, contusão ou laceração do córtex. Segundo Peclat, 2004 Quando os pacientes saem do coma podem apresentar cefaleia por mais de 12 horas, assim como confusão mental. Ainda podem apresentar esturpor, sonolência (paciente dorme muito e quando acorda tem diminuição de respostas quando submetido a testes), delírio, pode ocorrer falhas de memória e agitação. Em relação ao transtorno da função neuromuscular podem ocorrer o aumento de tônus dos centros superiores do encéfalo, tremor dos gânglios da base ou o cerebelo, hipotonia devido a transecção da medula cervical, ataxia, perturbações das reações de endireitamento e equilíbrio devido a lesão do tálamo. No que diz respeito a alterações da função autonômica o pulso e frequência respiratória encontram-se na maioria das vezes diminuídos e a temperatura elevada, há o aumento da sudorese, a PA pode estar descontrolada e dentre as posturas anormais pode ocorrer decorticação com o paciente apresentando respostas flexoras em membros superiores e inferiores, desaceleração quando ocorrer respostas extensoras em membros superiores e inferiores e flacidez devido à ocorrência de respostas extensoras nos membros superiores, porém com fracas respostas em membros inferiores. (PECLAT, 2004). Quanto ao nível de 126 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba consciência o TCE esta dividido em baixo, moderado e grave de acordo com os sinais e sintomas. Assistência de enfermagem A assistência de enfermagem ao paciente de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), dirige seus esforços no sentido de promover, manter e recuperar a saúde, de prevenir a doença, de aliviar o sofrimento, procurando assegurar uma morte tranquila quando a vida não pode mais ser mantida. Nas primeiras 48 horas a equipe de enfermagem deve estar atenta ao escore de Glasgow, ao padrão respiratório e aos níveis da PIC (normal menor 10 mmHg) já que uma ―elevação da PIC a maior de 20 mmHg em um paciente em repouso, por mais do que alguns minutos, está associada a um aumento significativo da mortalidade; essa atenção da enfermagem permite intervir rapidamente, evitando complicações. Quando o paciente estiver adequadamente sedado e a PIC se manter estável, a mudança de decúbito deverá ser realizada de duas em 2 horas, se a PIC apresentar oscilações, este procedimento deverá ser realizado com cautela. O balanço hídrico deverá ser monitorizado atentando-se para o volume urinário e as medidas da pressão venosa central (PVC). Segundo Garciatr (2000) a nutrição enteral deve ser iniciada após 48 horas de admissão na UTI, deve-se estar atento à presença de ruído hidroaéreos (RHA) e distensão abdominal. Nos pacientes que apresentarem fraturas de base de crânio, a sondagem nasogástrica ou enteral deve ser feita por via oral e não via nasal, pois podem provocar infecções do tipo meningite e para as aspirações deve ser usado o mesmo critério, não realizar aspirações nasal nestes pacientes. Deve-se estar atento à prescrição de soluções, visto que, a 127 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba infusão de soluções contendo dextrose, especialmente dextrose a 5% e água, é contraindicada no tratamento agudo do paciente com TCE, pois favorece o aparecimento de edema cerebral. Protocolo de avaliação neurológica nos cuidados de enfermagem: 1. Manter vias aéreas pérvias: quando necessário, aspiração orotraqueal para manter boa oxigenação. 2. Manter acesso venoso calibroso ou cateter venoso central, para quantificação da volemia. Realizar balanço hídrico de 1 em 1 hora. 3. Imobilização da coluna até descartar trauma raquimedular (colar cervical, prancha rígida e mobilização em bloco). 4. Manutenção de pressão arterial média de 90mmHg. 5. Passagem de sonda nasogástrica para descompressão gástrica. Em caso de lesão facial ou trauma de base de crânio (confirmado ou suspeita), é contraindicada a passagem nasogástrica, devendo ser feita orogástrica. 6. Sonda vesical de demora para controle do balanço hídrico. 7. Controle de glicemia capilar na admissão e de 3/3 horas. Se necessidade de bomba de insulina, glicemia capilar de 1/1 hora. 8. Manter cabeça alinhada e decúbito elevado a 30 º. 9. Controle da temperatura (manter normotérmico). Se necessário: utilizar antitérmicos ou hipotermia. 11. Atentar para crise convulsiva e utilizar protetores nas laterais da cama. 13. Proteger os olhos entreabertos aplicando creme protetor ocular (Epitezan®) na pálpebra inferior a cada oito horas. 14. Cuidados com a pele: 15. Profilaxia de trombose venosa profunda O diagnóstico de enfermagem é de suma importância para a aplicabilidade da assistência de forma eficaz e resolutiva, conforme elencado abaixo citamos os principais diagnósticos ao paciente com TCE. 128 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba 129 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba CONSIDERAÇÕES FINAIS Os profissionais de enfermagem, principalmente aqueles que trabalham no ambiente de UTI devem utilizar técnicas assépticas na higienização traqueal especialmente de pacientes com TCE; realizar mudanças de decúbito, estar atentos aos monitores, estabilidade hidroeletrolitica e assepsias de modo geral. Devem ainda, criar um ambiente acolhedor para a família que certamente se encontra angustiada e apreensiva por ter um ente querido gravemente enfermo e ocupando um leito na UTI. REFERÊNCIAS BERNE; R.M; LEVY; M. N. Fisiologia. 4. ed, Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000. 77p. CANETTI, M. D. et al. Manual básico de Socorro de emergência para técnicos em emergências médicas e socorristas. São Paulo: Atheneu, 2° Ed., 2007. DEEM, S. Management of acute brain injury and associated respiratory issues. Respir Care. v.51, n.4, p.357-367, 2006. GIUGNO, K.M; MAIA, T,R; KUNRATH, C.L; BIZZI, J.J. Tratamento da hipertensão intracraniana. J Pediatr (Rio J). v.79, n.4, p 287-296. 2003. Guanabara Koogan, Rio de Janeiro, RJ, 2001. GUYTON, C. M.; HALL, John E.. Tratado de Fisiologia Médica. 10ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002. 478p. MELO, J. R. T; SILVA, R. A.; MOREIRA JR, E. D. Características dos pacientes com trauma cranioencefálico na cidade do Salvador, Bahia, Brasil. Arq. 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A Leishmania é um protozoário que pertence à família Trypanosomatídae, com duas formas principais: uma flagelada ou promastigota, localizada no tubo digestivo do inseto vetor e em alguns meios de cultura artificiais, e outra aflagelada ou amastigota, como é encontrada nos tecidos dos hospedeiros vertebrados (homem e outros animais superiores). Destarte, o homem representa apenas um hospedeiro acidental, não tendo qualquer papel na manutenção ou na disseminação dos parasitos na natureza. A LTA é causada por diversas espécies de protozoários do gênero leishmania que são transmitidos através da picada do inseto vetor para o homem. É importante ressaltar que os parasitas se multiplicam obrigatoriamente dentro das células do organismo humano, na forma monócito fagocitário, e consequentemente ocorre o rompimento da célula liberando parasitas que foram fagocitados pelos macrófagos. Dentre as manifestações clínicas da LTA, destaca-se a úlcera típica indolor, localizando-se, geralmente, em áreas expostas da pele, tendo formato arredondado ou ovalado e medindo desde alguns milímetros até alguns centímetros; a base é eritematosa, infiltrada e de consistência firme; as bordas são bem-delimitadas e elevadas, com fundo avermelhado e com granulações grosseiras. É importante mencionar que as lesões iniciais costumam serem nodulares localizadas profundamente na hipoderme, ou também em pequenas pápulas, semelhantes à picada de um inseto, que evoluem aumentando em tamanho e profundidade, ulcerando no vértice da lesão. A LTA distribui-se amplamente no continente americano, estendendo-se desde o sul dos Estados Unidos até o norte da Argentina. No Brasil, tem sido apontada em todos os estados, compondo, deste modo, uma das afecções dermatológicas que merece maior atenção, devido à magnitude da doença, bem como pelo risco de acontecimento de deformidades que pode produzir no homem, como também pelo envolvimento psicológico do 1 Graduanda em Enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. Técnica em Enfermagem do Setor de Doenças Infecto Contagiosas do Hospital Universitário Lauro Wanderley – HULW. Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. E-mail: [email protected]. 2 Graduando em Enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. E-mail: [email protected]. 3 Graduanda em Enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. E-mail: [email protected]. 4 Enfermeira. Mestranda em Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba – UFPB. Docente em Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. E-mail: [email protected]. 5 Enfermeira. Mestranda em Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba – UFPB. Especialista em Saúde da Família e Terapia intensiva. Universidade Federal da Paraíba. E-mail: [email protected]. 133 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba doente, com reflexos no campo social e econômico, uma vez que, na maioria dos casos, pode ser considerada uma doença ocupacional. Nos últimos 20 anos, vem proporcionando crescimento considerável, tanto em magnitude quanto em expansão geográfica, ressaltando-se surtos epidêmicos nas regiões Sul, Sudeste, Centro Oeste, Nordeste e, mais recentemente, na região Norte, relacionados ao processo predatório de colonização, requerendo dos profissionais de saúde um conhecimento e preparo na tentativa de facilitar a identificação, o diagnóstico e auxiliar no tratamento. A escolha do tema se deu a partir da experiência profissional de uma das graduandas de enfermagem que trabalha em uma clínica de doenças Infecto Contagiosa e pelo interesse no assunto dos demais autores desta pesquisa. Com base em tal entendimento, e considerando a relevância dessa temática para prática assistencial dos profissionais da Saúde, este estudo tem como objetivo: Identificar na literatura as manifestações clínicas e as formas de prevenção da Leshmaniose Tegumentar. METODOLOGIA: Trata-se de uma pesquisa bibliográfica consubstanciada na literatura pertinente ao tema em questão. As fontes de dados foram às publicações acerca das formas de prevenção da Leishmaniose Tegumentar Americana, no âmbito da Saúde, por meio de busca eletrônica na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), no banco de dados Scientific Eletronic Library Online SciELO e através de livros e manuais disponibilizados na Biblioteca da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. Os descritores instituídos para a coleta de dados foram ―Leishmaniose Tegumentar Americana e Prevenção‖; ―Leishmaniose Tegumentar Americana e Manifestações Clínicas‖. Para eleger a amostra, foram estabelecidos os seguintes critérios de inclusão: artigos que abordassem a temática de Leishmaniose Tegumentar Americana, na língua portuguesa, disponibilizados na íntegra na base de dados selecionada para a pesquisa. Destaca-se que foram ponderadas as observâncias éticas observadas no Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem – Resolução 311/2007, do Conselho Federal de Enfermagem, no que se refere à elaboração de trabalhos científicos. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS: A LTA trata-se de uma doença infecciosa, não contagiosa, causada por um protozoário transmitido pelo vetor que ira acometer pele e mucosa em forma de ulcerações. Os resultados obtidos através de artigos evidenciaram que a LTA mucocutânea na forma clinica acomete algumas regiões específicas do corpo, como membros inferiores, boca e vias aéreas superiores, tornando a doença mais característica, porém é uma doença de pouquíssima sintomatologias e manifestações clínicas. A manifestação se dá através de úlceras de fundo granuloso, bordas infiltradas em forma de moldura contornando toda a lesão podendo esta serem única e/ou múltiplas e a característica de diferenciação é a ausência de dor no local acometido, entre outras sintomatologias apresentadas. É importante ressaltar que estas manifestações são importantes instrumentos para identificação da patologia por parte dos profissionais de saúde. Ainda de acordo com o Manual de Vigilância da Leishmaniose Tegumentar, para os riscos de transmissão serem evitados, algumas medidas preventivas de ambientes individuais ou coletivos devem ser estimuladas, tais como: uso de repelentes quando exposto a ambientes, onde os vetores habitualmente possam ser encontrados; evitar a exposição nos horários de atividades do vetor (crepúsculo e noite), em áreas de ocorrência, evitando exposição durante o dia e a noite; uso de mosquiteiros de malha fina (tamanho da malha 1.2 a 1.5 e denier 40 a 100), bem como a telagem de portas e janelas; manejo ambiental por meio de limpeza de quintais e terrenos, a fim de alterar as condições do meio que propiciem o estabelecimento de criadouros para formas imaturas do vetor; poda de árvores, de modo a aumentar a insolação, a fim de diminuir o sombreamento do solo e evitar as condições favoráveis (temperatura e umidade) ao desenvolvimento de larvas de flebotomíneos; destino adequado do lixo orgânico, a fim de impedir a aproximação de mamíferos comensais, como marsupiais e roedores, prováveis fontes de infecção para os flebotomíneos; limpeza periódica dos abrigos de animais domésticos; manutenção de animais domésticos distantes do intradomicílio durante a noite, de 134 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba modo a reduzir a atração dos flebotomíneos para este ambiente. É notório salientar que em áreas potenciais de transmissão, sugere-se uma faixa de segurança de 400 a 500 metros entre as residências e a mata. Entretanto, uma faixa dessa natureza terá que ser planejada para evitar erosão e outros problemas ambientais. O aumento crescente dos número de casos de LTA requer a compreensão dos profissionais acerca da Leishmaniose Tegumentar, exigindo um conhecimento e preparo destes para facilitar a identificação, o diagnóstico e auxiliar no tratamento. Propõe-se, dessa forma, a vigilância e o monitoramento em unidades territoriais, definidas como áreas de maior produção da doença, bem como, suas características ambientais, sociais e econômicas, buscando um conhecimento amplo e intersetorial. Recomenda-se, ainda, que as ações estejam voltadas para o diagnóstico precoce e tratamento adequado dos casos detectados e estratégias de controle flexíveis, distintas e adequadas a cada padrão de transmissão. As ações para prevenção, diagnóstico precoce e tratamento adequado hoje acontece de forma descentralização, havendo participação das secretarias municipais, estaduais e do Ministério da Saúde tendo em vista que alguns casos podem ser acompanhados na Atenção Básica e os que necessitarem de cuidados ambulatorial ou hospitalar, devem ser destinados ao hospital de referência desta patologia, investigando desse modo todos os casos suspeitos, confirmados e o mais importante se houve óbitos devido a esta patologia. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Através desta pesquisa, evidenciou-se que a LTA constitui-se um grave problema de saúde pública no Brasil, devido aos fatores intrínsecos de qualquer doença de procedência socioeconômica. Destarte, os profissionais de saúde devem identificar as manifestações clínicas, auxiliar nas medidas preventivas e no tratamento destinado aos portadores desta doença, tendo como finalidade diminuir a prevalência dessa patologia. Descritores: Leishmaniose. Prevenção. Saúde. REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério da Saúde. Fundação Nacional de Saúde. Manual de controle da leishmaniose tegumentar americana. 5. ed. Brasília, 2007. BRASIL. Ministério da Saúde. Guia de bolso. Doença infecciosas e parasitárias, 7 ed. Brasília, p.226-229, 2008. GONTIJO, B; CARVALHO, M. L. R. Leishmaniose tegumentar americana. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, v. 1, n. 36, p. 71-80, 2003. LIMA, M. V. N. et al. Atendimento de pacientes com leishmaniose tegumentar americana. Cad. Saúde Pública, v.12, n.23, p.2938-2947, Rio de Janeiro, 2007. ZANZARINI, P. D. et al. Leishmaniose tegumentar americana canina em municípios do norte do Estado do Paraná, Brasil. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 21, n. 6, p. 109-118, 2005. 135 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba O CUIDADO DE ENFERMAGEM AO PORTADOR DE ALZHEIMER: REVISÃO DE LITERATURA Jonathan Cordeiro de Morais (relator)¹ Flaviana Ribeiro de Medeiros Batista Freire² INTRODUÇÃO: Em muitas sociedades antigas, o idoso era valorizado pela sua experiência e sabedoria, e os mais novos deviam obediência aos mais velhos; muitas decisões, inclusive financeiras, eram tomadas pelos anciãos. Atualmente alteraram-se os valores e observa-se certo desrespeito pela figura do ser envelhecido, seja porque não apresenta mais a beleza da juventude, seja porque não possui vitalidade para a produção de trabalho, e ainda, porque as pessoas julgam que ser idoso é não pensar mais, não conviver, sentir, reagir aos fatos da vida diária e etc. Nos últimos anos a expectativa de vida aumentou de forma significativa, talvez por consequência das melhorias das condições de vida e saúde da população. Algumas pesquisas apontam que o Brasil ocupará o sexto lugar no ranking de maior número de idosos do mundo. Hoje, a expectativa média de vida do brasileiro se amplia de tal forma que grande parte da população atual alcançará a velhice. Entretanto, embora já apresentem um perfil demográfico semelhante ao dos países do Primeiro Mundo, os grandes centros populacionais brasileiros ainda não dispõem de infraestrutura de serviços que possam dar conta das demandas decorrentes das transformações demográficas vigentes. Todo ano, 650 mil novos idosos são incorporados à população brasileira, o número de idosos passou de três milhões, em 1960, para sete milhões, em 1975, e dezessete milhões em 2006 – um aumento de 600% em menos de cinquenta anos, estima-se que a população idosa aumentará para 25 milhões em 2025, o Brasil hoje é um jovem país de cabelos brancos. Em menos de 40 anos, passamos de um cenário de mortalidade próprio de uma população jovem para um quadro de enfermidades complexas, típicas da terceira idade, caracterizado por doenças crônicas e múltiplas, que perduram por anos, com exigência de cuidados constantes, medicação contínua e exames periódicos. Esse aumento da expectativa de vida leva a que os idosos permaneçam por mais tempo no convívio familiar e precisem cada vez mais de suporte cuidados apropriados. Dentre as doenças crônicas encontra-se a Doença de Alzheimer que é uma doença do cérebro que afeta inicialmente a memória, o raciocínio e a comunicação das pessoas, é caracterizada por declínio da memória recente, uma afecção neurodegenerativa progressiva e irreversível, de aparecimento insidioso, podendo acarretar ainda diversos distúrbios cognitivos que são caracterizados pela perda da memória seja ela frequente ou momentânea, A doença de Alzheimer provoca mudanças nas áreas cerebrais que controlam a memória e o raciocínio. É por este motivo que as pessoas portadoras da doença de Alzheimer têm dificuldade para viver uma vida normal. As causas do desenvolvimento da doença ainda não são totalmente conhecidas pela medicina, algumas pesquisas enfatizam um componente hereditário, outros falam de alguma virose, outras trazem o efeito o alumínio no organismo, enfim, não se sabe ainda ao certo qual seria a causa dessa doença. É importante saber que, atualmente, ela ainda não tem cura, mas cuidados apropriados podem ajudar a pessoa com Alzheimer viver com mais conforto. Essa doença foi descoberta pelo neuropatologista alemão Alois Alzheimer em ¹ Graduando em enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. E-mail: [email protected] ² Mestranda em Terapia Intensiva pela Sociedade Brasileira de Terapia Intensiva (SOBRATI). Especialista em Saúde da Família. Docente em Enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. Diretora do Centro de Atenção Integral à Saúde (CAIS CRISTO), do município de João Pessoa/PB. Email:[email protected] 136 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba 1907, podendo ser de dois tipos: a de acometimento tardio, de incidência ao redor de 60 anos de idade, ocorre de forma esporádica. Enquanto que a de acometimento precoce tem incidência ao redor dos 40 anos, mostra recorrência familiar. Ambas se tratam da mesma doença sem distinção na unidade clínica. Tem como principais características o progressivo declínio da memória, do raciocínio, da compreensão, da capacidade de realizar cálculos, da linguagem, da capacidade de aprendizagem e de julgamento que acabam por impedir o afetado de realizar sem auxílio as suas atividades diárias. OBJETIVO: Diante das considerações apresentadas nosso trabalho tem como objetivo, pesquisar na literatura quais os desafios exercidos pelo profissional de enfermagem quando se refere ao paciente portador de Alzheimer. METODOLOGIA: O caminho metodológico desta pesquisa foi consubstanciada na revisão literária com abordagem qualitativa, adotando os descritores ―enfermagem e Alzheimer‖, e o levantamento da produção científica foi realizado em fontes bibliográficas impressas e online, como livros, revistas, manuais e artigos científicos de periódicos no período de abril a maio de 2012. RESULTADOS: Como resultado, obtivemos doze referências satisfatórias que subsidiaram a desenvolvimento do nosso trabalho. A partir disso percebemos que é papel do enfermeiro oferecer cuidados e uma assistência adequada de forma a promover a melhoria da condição de saúde do indivíduo. Como por exemplo, a promoção de terapias prazerosas que estimulem a memória do paciente, podendo estimular ou promover a prática de atividades espirituais para promoção do bem estar tanto do paciente quanto da família ou mesmo do próprio cuidador, a espiritualidade e o bem estar espiritual são fatores significativos na manutenção da saúde e enfrentamento das doenças crônicas e terminais, além do papel de assistir e tratar o paciente com responsabilidade aos cuidados físicos, psicológicos e sociais, a função do enfermeiro se torna de maior relevância à medida que a doença progride e o paciente se torna dependente total de necessidades básicas. Dados estatísticos de revistas da área revelam que muitas vezes os pacientes em estágios iniciais não recebem nenhum tipo de cuidado específico e atencioso por parte da equipe de saúde, por não procurarem o médico ou nem mesmo se internarem, preferem ficar em casa aos cuidados de parentes ou amigos com suas devidas relações afetivas. A escolha da internação é totalmente da família, contudo se tratando de doença neurológica crônico-degenerativa, traz consigo dúvidas em relação ao manejo do doente, afetando aspectos de ordem pessoal, emocional, financeiro e social do paciente e seus familiares. Sabe-se que existe um grande número de profissionais da área da saúde e cuidadores sem esclarecimentos norteadores sobre tal afecção, enfrentando nas diversas fases da doença, a dúvida do que fazer, bem como do tipo de apoio que necessitam para enfrentar a doença em todo o seu longo curso. Dentre as 10 primeiras causas de óbitos nos Estados Unidos, a Doença de Alzheimer ocupa a 6ª posição no ranking, sendo a única que não tem como ser curada sendo possível apenas a sua prevenção. Além disso, a taxa de mortalidade das doenças que ocupam as primeiras posições, como as cardiovasculares e cerebrovasculares tem diminuído, enquanto que a taxa de óbito por Alzheimer tem aumentado. Embora a Doença de Alzheimer seja uma doença progressiva e incurável, muito já se avançou em benefício e melhoria da qualidade de vida dos portadores e cuidadores, com medicações que melhoram a cognição e diminuem as alterações comportamentais durante seu uso, além da criação de bons instrumentos de avaliação, como também na prevenção a doença, estudiosos afirmam que a ingestão alimentos antioxidantes pode apresentar um papel na prevenção do desenvolvimento da Doença de A. Alzheimer. A enfermagem busca maneiras opcionais de cuidar do paciente com Alzheimer, acompanhado os estágios da doença e trabalhando de maneira terapêutica o déficit causado pela doença. Podendo ser possível a sua divisão em três fases: Na Fase inicial o profissional pode usar vocabulário simples, devagar, frases curtas e diretas com linguagem clara, deve-se utilizar de outros meios como visão, olfato, audição, tato e gustação. A Paciência é indispensável ao lidar com pacientes com Doença de Alzheimer em qualquer fase, deve-se utilizar de 137 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba instruções de compreensão simples, repetindo-as sempre e quantas vezes for preciso, falar próximo ao paciente com contato visual, buscar conversas, fotos e álbum para estimular as lembranças, usar diários, calendário e estabelecer rotinas diárias e etc. Na fase moderada adiciona-se atividades prazerosas para estimular a comunicação e na fase final, usar toques, contato visual, correlacionar o nome com o objeto, esta fase é descrita como fase das perdas significativas, diminui-se vocabulário, apetite e peso, e aparecem descontrole urinário e fecal. Há dependência progressiva do cuidador. Geralmente é nesse estágio que os enfermeiros assistenciais têm contato com os pacientes, pois eles ficam mais debilitados e suscetíveis a problemas que necessitem de internação hospitalar. Faz parte do profissional de enfermagem assistir de forma holística e humanizada áreas afetivas do paciente, como carinho, compreensão, solidariedade, respeitando e entendendo seus medos e tristezas. Alguns estudiosos consideram que, se os idosos estiverem em boas condições de saúde e engajados em atividades promotoras de suas potencialidades, apresentarão mudanças sutis no campo cognitivo e no seu sentimento de auto eficácia. Nessa temática concluímos que diante do aumento da população idosa e das doenças crônico degenerativas cabe ao enfermeiro oferecer cuidados e uma assistência adequada de forma a promover a melhoria da condição de saúde do idoso com Alzheimer bem como oferecer terapias prazerosas que estimulem a memória e o desejo de viver do paciente, além de assistir e tratar o paciente, com responsabilidade aos cuidados físicos, psicológicos e sociais, sua função se torna de maior relevância a medida que a doença progride e o paciente torna-se dependente total de necessidades básicas. Faz-se necessário além de um cuidado holístico e humanizado, a qualificação dos profissionais de forma a garantir um melhor cuidado. É importante buscar o conhecimento acerca da Doença de Alzheimer, pois só assim serão evitadas outras doenças mentais como, por exemplo, a demência. O conhecimento garante ao profissional segurança ao agir, e segurança aos familiares que confiarão em seu trabalho, bem como fornecer apoio e orientação à família ao iniciar cuidado, assim o cliente se sentirá acolhido, amparado e incentivado a continuar a vida. Descritores: Enfermagem. Cuidado. Alzheimer. REFERÊNCIAS CARAMELLI, P.; BARBOSA, M. T. Como Diagnosticar as quatro causas mais frequentes de demência, Rev. Bras Psiquiatria; vol.24, p.7-10, 2002. COSTA, S.M.C.L. et al. Importância das vitaminas, antioxidantes e ômega-3 na doença de Alzheimer. Universidade do Porto: Dissertação de Monografia 2009 FROTA, N. A. F.; NITRINI, R.; DEMANESCENO, B. P.; DIAS-TOSTA, E.; SILVA, A. B. da; JUNIOR, E. H.; MAGALDI, R. M.; Critérios para o diagnóstico de doença de Alzheimer. Dement Neuropsychol, Jun. 5( 1):5-10, 2011. LEMOS, C. E. S. de; LEAL, S. D. M.; PAZ, R. de; C. S.; Oficina de memória, esquecimento e jogos lúdicos para terceira idade. Rio de Janeiro: Venlentrarte, 2011. 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Tratamento da doença de Alzheimer. Dement Neuropsychol, Jun. 5(1):34-48,2011. WINTER, da. Human balance and posture control during standing and walking. Gait Posture. Ontario, Canadá, Vol.3, p.193-214, December.1995. 139 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba VIVENCIANDO UM GRUPO DE EDUCAÇÃO EM SAÚDE: EXPERIÊNCIAS DE GESTANTES Jaciane Honório Veríssimo1 Ana Gabriela Pereira Gomes2 Jacinta Júlia de Almeida Neta3 Luana Silva de Carvalho4 Cristiani Garrido de Andrade5 Kamyla Félix Oliveira dos Santos6 Atualmente, as ações de educação em saúde realizadas na maioria dos serviços e instituições encontram-se centradas na responsabilização individual e na prevenção de doenças, pautadas na transmissão de informações. Fato confirmado por alguns autores, ao referirem que os projetos educativos em saúde permanecem inseridos na perspectiva da transmissão de um conhecimento especializado, no qual para apreender o que o profissional repassa, o usuário deverá desaprender ou descartar o que foi aprendido no cotidiano de uma vida. Dessa forma, a educação em saúde pressupõe a expectativa de um trabalho com indivíduos e grupos, acentuando a condição de sujeitos plenos e plurais, utilizando metodologias participativas e fundamentando-se na compreensão das gestantes como protagonistas, como fonte de iniciativa, de liberdade e compromisso, e dessa forma, valorizando a dignidade plena e a possibilidade de uma construção coletiva do conhecimento em saúde. Nessa perspectiva se inclui os grupos de educação em saúde para gestantes. Estudos apontam que a participação em grupos, por parte dos profissionais de saúde envolvidos com o processo de gestar, tem se manifestado com grande relevância. Os grupos são estruturados como ferramenta a serviço da autonomia e do desenvolvimento ininterrupto do nível de saúde e das condições de vida. No que concerne aos grupos de gestantes, esses oferecem suporte terapêutico a essas mulheres, haja vista que, um grupo pode ajudar pessoas durante períodos de ajustamentos a mudanças, no tratamento de crises ou ainda na manutenção ou adaptação a novas situações. Nesse prisma, ressalva-se que o grupo de gestantes é um ambiente micro e dinâmico, que tem como cerne proporcionar a saúde integral individual-coletiva das gestantes, mediada pelas interações que acontecem nesse espaço. As interações geradas entre as participantes e os profissionais de saúde originam um encadeamento que permite a promoção da saúde integral com implicações desse processo no individual-coletivo. Destarte, a participação no grupo consente à gestante ser multiplicadora de saúde na sociedade. Assim sendo, o grupo de 1 Graduanda em Enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. E-mail: [email protected] Graduanda em Enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. E-mail: [email protected] 3 Graduanda em Enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. E-mail: [email protected] 4 Graduanda em Enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. E-mail: [email protected] 5 Enfermeira. Fonoaudióloga. Especialista em Saúde Coletiva, com ênfase na Estratégia da Saúde da Família. Mestranda em Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba. Membro e Pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisa em BioéticaCCS/UFPB. Universidade Federal da Paraíba/UFPB. E-mail: [email protected] 6 Enfermeira. Especialista em Saúde da Família e Saúde Coletiva. Mestranda em Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba. Membro e Pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Bioética da Universidade Federal da Paraíba CCS/UFPB. Universidade Federal da Paraíba/UFPB. E-mail: [email protected] 2 140 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba gestantes propaga-se através do compartilhar de experiências, de forma comunicativa, estimando o saber popular e contribuindo para a promoção da saúde e para melhoria da qualidade de vida. Diante das considerações apresentadas, a opção para estudar esta temática, parte da nossa tentativa em obter respostas às reflexões e questionamentos acerca da vivência das gestantes de um grupo de educação em saúde, considerando que esta é um método amplo e importante para a construção, troca de conhecimentos e as práticas relacionadas aos modos como cada cultura e cada cidadão concebem o viver de forma saudável e o processo saúde/doença. Com base em tal entendimento, considerando a relevância dessa temática para a prática assistencial dos profissionais de saúde, bem como para melhoria da qualidade de vida das gestantes, esse estudo tem como fio condutor os seguintes questionamentos: Qual o significado de participar de um grupo de educação em saúde, na percepção das gestantes? Qual a contribuição dessa vivência na condução do período gestacional? Na busca de respostas a tais questionamentos, estamos realizando esta pesquisa que tem como objetivos: investigar qual o significado de participar de um grupo de educação em saúde, na percepção das gestantes e verificar qual a contribuição dessa vivência na condução do período gestacional. Trata-se de um estudo do tipo nota prévia que vem apresentar uma proposta de trabalho, que segue o percurso metodológico de uma pesquisa de natureza descritiva com abordagem qualitativa. O mesmo estar sendo realizado na Policlínica da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba - FCMPB, no município de João Pessoa - PB.A população da pesquisa é composta por 21 mulheres que realizam consultas de pré-natal na policlínica ora citada e que participam do grupo de gestantes. Os dados estão sendo coletados mediante a aplicação de um formulário com perguntas inerentes aos objetivos propostos pelo estudo. Os dados obtidos estão sendo analisados qualitativamente, por meio do discurso do sujeito coletivo proposto por Lefèvre e Lefèvre. No que diz respeito às diretrizes éticas, iremos zelar pelo cumprimento da Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde, que preconiza que o pesquisador deve compor salvaguardas seguras para a confidencialidade dos dados da pesquisa, na qual os indivíduos participantes devem ser informados, através do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, dos limites de destreza de pesquisa, em salvaguardar a confidencialidade e as presumíveis consequências da quebra de confidencialidade. A análise preliminar dos dados permitiu compreender que a convivência em um grupo de educação em saúde por meio da troca de experiências mostrou-se bastante significativa, uma vez que, nesses grupos desenvolve-se um espaço no qual as participantes podem relatar seus problemas, bem como refletir sobre eles, conforme exemplificado no discurso do sujeito coletivo extraído das entrevistas com as gestantes, elencados a seguir:[...] aprendi muita coisa; [...] às vezes você tira as dúvidas; Tirar as dúvidas, adquirir novos conhecimentos; Compartilhar conhecimentos e sentimentos; [...] melhor me orientar; [...] nós temos dúvidas que não dar tempo de tirar nas consultas nem em casa; [...] aprendemos muito sobre a gravidez, tiramos [...] dúvidas; [...] aprender mais sobre a saúde da mulher, do bebê e ter uma gravidez tranquila; [...] tirar suas dúvidas e ajudar; [...] importante para esclarecer as dúvidas; [...] a mulher precisa de orientação, apoio de alguém que tire suas dúvidas; É muito bom, [...] aumenta os conhecimentos; [...] tenho a oportunidade de aprender coisas novas; [...] é meu primeiro filho é muito importante saber como cuidar dele; [...] a gente aprende muita coisa e também conversa; [...] nos deixa mais informada e tira muitas dúvidas, onde às vezes não sabemos com quem tirá-la; [...] a gente fica sabendo mais; [...] informação e 141 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba conhecimento sempre são bem vindos [...]. No que diz respeito à contribuição na condução do período gestacional, foi possível compreender que a convivência no grupo trouxe contribuições para a vida destas na condução do seu período gestacional. Dentre os aspectos necessários ressaltados foi possível vislumbrar o cuidar, a segurança, o amadurecimento, o bem estar e o conhecimento, segundo os trechos contemplados no discurso apresentado, a seguir: Sim, na relação sexual; [...] o meu bem estar; [...] um maior amadurecimento; Ouvir as experiências vividas, contribuindo para decisões; [...] me orientar sempre para que o meu bebê nasça com saúde e eu possa cuidar melhor [...]; [...] amadurecer mais como mãe e mulher; Nos aspectos de tranquilidade, me sinto mais segura; [...] ficarei mais informada [...] e poderei cuidar mais de mim e do bebê; [...] aprender a cuidar do meu bebê; [...] nos grupos sempre podemos esclarecer as dúvidas; Comportamento, saúde e bem estar; [...] sentir mais segurança na gravidez; Tudo; [...] tirar minhas dúvidas com as outras gestantes [...]; [...] oportunidade de adquirir conhecimentos para cuidar do meu bebê; [...] é sempre bom aprender coisas novas e dividir o que sei com as outras mulheres; [...] esclarecer dúvidas; [...] aprende aqui diversas coisas, tanto para cuidar de mim quanto para o bebê; [...] segurança para cuidar do meu bebê; [...] renovar meus conhecimentos para poder cuidar bem dos meus filhos; [...] nas reuniões tem sido adquirido novos conhecimentos, e compartilhar [...] o que eu sei. Dessa forma, destaca-se que os profissionais de saúde devem assumir a postura de educadores que compartilham saberes, buscando devolver à mulher sua autoconfiança para viver a gestação, o parto e o puerpério, considerando o pré-natal e nascimento como momentos únicos para cada mulher e uma experiência especial no universo feminino.O grupo de gestantes é um referencial importantíssimo no contexto educativo e promotor da saúde da mulher, este reforça a promoção da saúde mediante a discussão sobre alimentação, prática de exercícios, conhecimento teórico sobre o processo global de gestação entre outros. Essa estratégia de ação educativa possibilita à mulher conhecer o seu corpo e aumentar a segurança e tranquilidade durante a gestação e o parto. As atividades participativas favorecem a interação entre as gestantes e proporcionam a aquisição de informações sobre o processo de gestar, parir e ser mãe. Na maioria das vezes, a ansiedade que permeia a gestação se relaciona com o desconhecimento do ―novo‖, das situações que estão vivenciando e daquelas que ainda irão vivenciar enquanto mãe. Deste modo, os profissionais de saúde possuem um papel importante no atendimento à gestante e seus familiares, por meio de uma conduta clínica que estabeleça vínculo de acolhimento, confiança e segurança para todos durante esse período desconhecido. Assim sendo, na convivência grupal existe a possibilidade de geração de conhecimentos, uma vez que nela são expressos saberes de cada um. A mobilização destas informações permite um melhor entendimento do momento vivido pelo grupo e facilita a adesão aos conhecimentos revelados. Esta condição ajuda a consolidar a capacidade de cada participante em acolher e cuidar maternalmente do filho que está por vir. Diante das considerações apresentadas, acreditamos que os resultados deste estudo poderão revelar-se como um recurso para as suas participantes, constituindo se num espaço para compartilhar experiências, sentimentos e afetos e socialização de saberes técnico-científico e popular. Poderá permitir, ainda, uma maior compreensão de si e do mundo, bem como a busca das possibilidades e recursos para a saúde integral na dimensão individual-coletiva. Por se tratar de uma nota prévia, cumpre destacar que a pesquisa 142 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba encontra-se na fase de obtenção do material empírico, novos dados estão sendo coletados e analisados, com vistas a aprofundar a compreensão dessa vivência. Descritores: Grupo. Gestantes. Educação em saúde. REFERÊNCIAS BATISTA, P.S.de S.; ALMEIDA, F. das C.A. de. Significado de participar de um trabalho em grupo: visão de gestantes. Revista Nursing, v.14, n.157, p. 304-08, 2011. BRASIL. 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Florianópolis, 2007. 143 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba ESPIRITUALIDADE NO APROXIMAR DA MORTE: ESTRATÉGIA ADOTADA PARA HUMANIZAR O CUIDAR EM ENFERMAGEM Fabiana Medeiros de Brito(relator)1 Isabelle Cristinne Pinto Costa2 Cristiani Garrido de Andrade3 Kamyla Félix Oliveira de Lima4 A propensão humana pela busca do sentido pleno da vida, os valores que são inerentes ao ser humano, à transcendência com o subjetivo, e a conectividade com o divino, consigo mesmo e com o outro, corroboram para uma possível definição acerca da Espiritualidade. Evidências crescentes de que o aspecto espiritual seja sinônimo de longevidade e de uma melhor qualidade de vida, tem sido documentada na literatura. É importante ressaltar que a Organização Mundial da Saúde (OMS), desde a realização da Assembléia Mundial de Saúde, modificou o conceito clássico de saúde, incluindo a dimensão espiritual, o que suscitou certa contribuição para questão do paradigma espiritual. Entendendo a relevância da espiritualidade, com vistas a prestar uma assistência holística e humanizada, os autores (7) destacam que a promoção do bem-estar é essencial, sendo, inclusive, de suma importância aos pacientes que estão vivenciando a terminalidade da vida, os quais exigem um tratamento e um cuidado especial diante da fase que estão vivendo. A espiritualidade está atrelada a terminalidade, emergindo como um instrumento de extrema importância, visto que auxilia no processo de enfrentamento, de ter esperança e de estar em paz diante de tais acontecimentos. Vale ressaltar que a espiritualidade emerge como um instrumento fundamental ao processo do cuidado humanizado e à assistência efetiva de Enfermagem. No momento em que o enfermeiro detém o conhecimento acerca desta temática, terá concomitantemente recursos para caminhar em direção à Humanização dos Cuidados em Saúde. Nesse contexto, o estudo objetivou-se em averiguar a percepção dos enfermeiros no que concerne a definição de espiritualidade, assim como a identificação das necessidades espirituais do paciente fora de possibilidades terapêuticas de cura. Este estudo do tipo nota prévia vem apresentar a nossa proposta de trabalho que segue o percurso metodológico de uma pesquisa de campo, com abordagem qualitativa. O cenário da pesquisa foi a Unidade de Terapia Intensiva de um hospital público, localizado na cidade de João Pessoa, Paraíba. O referido hospital é considerado de referência no Estado da Paraíba, destinado ao atendimento de indivíduos portadores de doenças infectocontagiosas. A amostra foi composta por sete enfermeiros assistenciais que trabalham na unidade citada, adotando-se os seguintes critérios de inclusão: 1 Graduanda em Enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba - FCMPB. João Pessoa (PB), Brasil. E-mail: [email protected]. 2 Enfermeira. Fonoaudióloga. Doutoranda em Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba – UFPB. Mestre em Enfermagem pela UFPB. Docente da Faculdade Ciências Médicas da Paraíba. Membro e Pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Bioética–CCS/UFPB. UFPB. João Pessoa (PB), Brasil. E-mail: [email protected]. 3 Enfermeira. Fonoaudióloga. Mestranda em Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba – UFPB. Docente da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. Membro e Pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Bioética – CCS/UFPB. UFPB. E-mail: [email protected] 4 Enfermeira. Mestranda em Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba – UFPB. Docente da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. Membro e Pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Bioética – CCS/UFPB. UFPB. E-mail: [email protected] 144 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba que aceitasse participar do estudo de forma livre e esclarecida, que estivesse em atividade profissional no momento da coleta de dados e que tivesse, no mínimo, um ano de atuação no referido local. É imprescindível ressaltar que o estudo levou em consideração a Resolução 196/96 da Comissão Nacional de Saúde, no que concerne às normas e Diretrizes regulamentadoras, sob aprovação no Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba, conforme protocolo nº 058/11. A coleta de dados foi realizada por meio de entrevista semi estruturada utilizando-se o sistema de gravação. No que concerne a análise dos dados, foi identificada uma categoria: ―Espiritualidade: aspectos conceituais e necessidades espirituais em pacientes sem possibilidades terapêuticas de cura‖, com duas subcategorias: ―Espiritualidade: uma visão do ponto de vista de enfermeiros e Necessidades espirituais nos pacientes sem possibilidades terapêuticas de cura‖. Cumpre assinalar que a análise e discussão dos dados qualitativos serão apresentadas de maneira discursiva, com enfoque na compreensão e intepretação à luz da literatura pertinente, utilizando a técnica de análise de conteúdo. É mister assinalar que por se tratar de uma nota prévia, a pesquisa encontra-se na fase analítica do material empírico. Descritores: Espiritualidade. Enfermagem. Paciente terminal. Humanização da assistência. REFERÊNCIAS BARDIN, L. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 2008. DELGADO, C. A discussion of the concept of spirituality. Nurs Sci Q., v.18, n.2, p. 157-62, 2005. FLECK, M. P.A. et al. Desenvolvimento do WHOQOL, modulo espiritualidade, religiosidade e crenças pessoais. Revista Saúde Pública, v. 7, n. 4, p. 446-455, ago. 2003. GREENSTREET, W. From spirituality to coping strategy: making sense of chronic illness. British Journal of Nursing, v. 15, n. 17, p. 938-942, set., 2006. PANZINI, R. G. et al. Espiritualidade/religiosidade e qualidade de vida. In. FLECK M. P. A. A avaliação de qualidade de vida: guia de profissionais da saúde. Porto Alegre: Artmed, 2008. p. 177-9. SCHARAMM, F. R.; PALACIOS, M.; REGO, S. O modelo bioético principialista para a análise da moralidade da pesquisa científica envolvendo seres humanos ainda é satisfatório?. Ciênc. Saúde Coletiva, v. 13, n. 2, p. 361-70, 2008. 145 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba CUIDADOS PALIATIVOS NA TERCEIRA IDADE: PRODUÇÃO CIENTÍFICA NO ÂMBITO DA SAÚDE Julliane Maria Delgado Barros (relator)1 Katiúcia Izidro da Silva2 Lígia Costa das Chagas3 Raissa Lins Vieira da Silva4 Cristiani Garrido de Andrade5 INTRODUÇÃO: A Organização Mundial da Saúde preconiza que idosos são os indivíduos com 60 anos ou mais que residem em países em desenvolvimento, como no caso do Brasil, e com 65 anos ou mais em países já desenvolvidos, como os EUA, Canadá, França, entre outros. Portanto, não se pode ignorar, atualmente, a necessidade de se dar uma atenção especializada a essa população. Em virtude da mudança do perfil demográfico, faz-se necessário uma reestruturação global, uma vez que o idoso possui características e peculiaridades que devem ser atendidas. Dentro desse quadro, o Brasil vem experimentando um acentuado envelhecimento populacional. Se, em 1950, o Brasil era o 16º país do mundo com o maior número de pessoas acima de 60 anos de idade, em 2025 projeções indicam que ele terá a sexta ou quinta maior população acima dos 60 anos do planeta, observando-se, assim, uma mudança drástica no perfil demográfico. Se há 100 anos a sobrevida de 70 anos era um fator de ―sorte ou acaso‖, no século XXI esse fato é uma realidade constante. Esta realidade veio acompanhada do aumento de doenças crônicas e avançada na população idosa, haja vista que, devido aos avanços científicos e tecnológicos, associados ao desenvolvimento da terapêutica, deixaram de ser agudas, contribuindo para a longevidade de seus portadores. Dentre tais doenças, destaca-se o câncer e outras enfermidades crônicas. Outro fator relevante nos idosos são as características próprias relacionadas ao envelhecimento, como o seu estado catabólico, o qual é comum no envelhecimento, o mesmo faz com que o idoso seja portador de comorbidades, apresentando problemas orgânicos de naturezas diversas. É importante enfatizar que as doenças crônicas perduram por longos períodos de tempo, com múltiplos problemas coexistentes, dependência progressiva e a necessidade de cuidados intensos, o que aumenta o percentual da população idosa dependente de cuidados hospitalares ou em seus domicílios. Assim, quando a cura não se mostra mais possível para o indivíduo que possui uma doença crônica terminal, o mesmo necessitará de cuidados paliativos.O vocábulo paliativo deriva de pallium, palavra latina que significa capa, manto ou coberta, ou seja, um manto protetor e acolhedor, que ocultaria o que está subjacente; no caso, os sintomas que emergem da progressão da doença. O conceito de cuidados paliativos surgiu no Movimento 1 Graduanda em Enfermagem na Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba . Cabedelo, Paraíba, Brasil. E-mail: [email protected]. 2 Graduanda em Enfermagem na Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. Cabedelo, Paraíba, Brasil. Email:[email protected]. 3 Graduanda em Enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. Guarabira, Paraíba, Brasil. Email:[email protected]. 4 Graduanda em Enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. Santa Rita, Paraíba, Brasil. Email:[email protected]. 5 Enfermeira. Fonoaudióloga. Especialista em Saúde Coletiva, com Ênfase na ESF-FASER. Mestranda em Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba – UFPB. Docente em Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. E-mail: [email protected]. 146 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba Hospice, fundado por Cecily Saunders e cooperadores, que foram responsáveis pela difusão dessa nova filosofia do cuidar, no mundo, a qual contém dois elementos essenciais: o controle efetivo da dor e de outros sintomas decorrentes dos tratamentos em fase avançada das doenças e os cuidados de naturezas psicológicas, sociais e espirituais do paciente e de sua família. A Organização Mundial de Saúde (OMS) em 2002 conceituou os cuidados paliativos como uma abordagem que aperfeiçoa a qualidade de vida dos pacientes e de sua família, que encaram problemas agregados a doenças ameaçadoras da vida, por meio da prevenção e do alívio do sofrimento, através da identificação precoce, de avaliação correta e do tratamento da dor e de outros problemas de ordem física, psicossocial e espiritual. Dessa forma, os cuidados paliativos são aqueles que buscam manter a dignidade e a melhor qualidade de vida possível para um paciente que vivencia a condição de portador de uma doença incurável. É importante salientar que nessa modalidade de cuidar, é essencial proporcionar o máximo de conforto ao doente e a sua família como ser único que, naquele momento, passa por aflições e angústias relativas ao processo de terminalidade. OBJETIVO: Diante do exposto, e considerando a relevância desse tema para a prática cotidiana dos profissionais da Saúde, esse estudo tem como fio condutor o seguinte objetivo: caracterizar a produção científica acerca de cuidados paliativos na terceira idade. METODOLOGIA: Trata-se de uma pesquisa bibliográfica consubstanciada na literatura pertinente ao tema em destaque. As fontes de dados foram as publicações acerca dos cuidados paliativos na terceira idade, no âmbito da Saúde, por meio de busca eletrônica na Biblioteca Virtual de Saúde (BVS), na base de dados da Literatura Latino Americana e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (LILACS) e na Biblioteca Scientific Electronic Library Online (SciELO). Para viabilizar a coleta de dados, foram utilizados como descritores: ―Cuidados Paliativos and Idosos‖; ―Cuidados Paliativos and Geriatria‖; ―Cuidados Paliativos and Terceira Idade‖. Para eleger a amostra, foram estabelecidos os seguintes critérios de inclusão: artigos que abordassem a temática de Cuidados Paliativos na Terceira Idade, na língua portuguesa, disponibilizados na íntegra na base de dados selecionada para a pesquisa. Destaca-se que foram observadas as observações éticas do Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem - Resolução 311/2007, do Conselho Federal de Enfermagem, no que diz respeito à elaboração de trabalhos científicos. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS: Os resultados revelaram que o crescimento populacional e demográfico do idoso é atualmente um fenômeno mundial, e consiste no principal determinante da maior prevalência de doenças crônicas não transmissíveis. Assim, não se pode ignorar a necessidade de se dar atenção especializada ao idoso, essencialmente, no âmbito institucional, político, econômico e da saúde. Portanto, para que se possa realizar um planejamento adequado que supra as demandas biopsicossociais e culturais da população idosa, se faz necessária a busca de determinantes das condições de saúde e de vida dos idosos e de se conhecer as diversas facetas do processo de envelhecimento. Assim, para suprir a tantas necessidades, torna-se necessário a formação de uma equipe multidisciplinar, que considere o fenômeno do envelhecimento sob vários ângulos, para que, dessa forma, se obtenha uma assistência global, com a criação de novos espaços, novos produtos e serviços próprios a essa população, com objetivo fundamental de garantir uma melhor qualidade de vida. Nesse contexto, inserem-se os cuidados paliativos destinados aos pacientes idosos, como importante e nova modalidade de cuidar destinada a essa população, necessariamente, devido às alterações sistêmicas dos idosos durante o processo de envelhecimento. As publicações destacaram que os cuidados paliativos são cuidados totais, ativos e integrais, que têm como foco primordial o controle da dor, e de outros sintomas decorrentes da fase avançada de uma doença terminal. Os autores acrescentam que tal filosofia baseia-se em conhecimento científico inerente a várias especialidades e probabilidades de intervenção clínica e terapêutica, nas diversas áreas do conhecimento da ciência médica. Contudo, o trabalho de uma equipe de cuidados paliativos é 147 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba regido por sete princípios: valoriza a vida e encara a morte como um processo natural; não abrevia nem prolonga a vida; provê o alívio da dor e de outros sintomas; integra os aspectos psicológicos e espirituais dos cuidados, consentindo ocasiões para o crescimento; proporciona uma equipe interdisciplinar e um sistema de suporte para a família durante a doença do indivíduo e no período de enlutamento; e deve ser iniciado o mais precocemente possível. Para tanto, é importante a intervenção de uma equipe de profissionais adequadamente treinada e experiente no controle da dor e dos sintomas de natureza biológica, psicológica, social e espiritual, tendo como objetivo atingir a melhor qualidade de vida do paciente idoso, bem como de sua família. É notório que os profissionais da saúde, atualmente, investem em procedimentos sofisticados e na utilização de tecnologias de ponta, esquecendo-se da unicidade do ser, acabando por tratar a doença e não o doente. Desse modo, o exercício dos cuidados paliativos, exige dos profissionais não só um profundo conhecimento técnico, como também uma enorme disponibilidade interna de doação e uma ótima capacidade de comunicação. Ainda de acordo com estudos realizados, foi enfatizado que existe uma evidência considerável de que as pessoas idosas sofrem desnecessariamente, devido à ausência de um exame físico detalhado que o considere como um ser holístico, que possui individualidades; do diagnóstico precoce; de tratamento de seus problemas, bem como por dificuldade no acesso aos programas de cuidados paliativos. Tais fatos diminuem a possibilidade terapêutica de cura. Dessa forma, a equipe hospitalar pode iniciar e desenvolver planos de assistência focados nessas circunstâncias, discutindo-se, em seguida, sua continuidade ao transferir o paciente para seu domicílio ou instituição de longa permanência, pois essa modalidade de cuidar não se limita aos serviços hospitalares, mas se estende para toda rede de atenção à saúde. Diante do exposto, considera-se que vários são os recursos usados nos cuidados paliativos ao paciente idoso. Cabe aos profissionais da Saúde expandir seus conhecimentos, a fim de que possam colaborar para a prevenção, para o alívio do sofrimento e para a promoção de um cuidado mais humanizado. CONSIDERAÇÕES FINAIS: É iminente a necessidade de maior investimento e visibilidade das pesquisas em relação à temática ora exposta. Foi observado que ainda precisa-se avançar muito na implantação de cuidados paliativos como uma ação de saúde voltada para a dignidade humana e ainda na formação de profissionais paliativistas, os quais são extremamente escassos, tendo que haver por parte desses profissionais, comprometimento ao traçar caminhos para o envelhecimento digno e com qualidade de vida. Nesse sentido, considerando o quantitativo incipiente de publicações, faz-se necessário que profissionais da Saúde, tenham o compromisso de utilizar essa forma diferenciada de cuidar na sua prática clínica, dedicar-se à assistência qualificada nos cuidados paliativos para os idosos, capacitar-se e divulgar os resultados das pesquisas relacionadas a esse cuidado. Descritores: Cuidados Paliativos. Idoso. Saúde. REFERÊNCIAS ANCP - ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE CUIDADOS PALIATIVOS. Formação de enfermeiros em cuidados paliativos. 2007. Disponível em: <http://www.ancp.pt/uploads/ Recomendaçõesformaçãoemcuidadospaliativos.pdf.>. Acesso em: 20 abr. 2006. ANDRADE,C.G et al. Cuidados paliativos e dor: produção científica em periódicos online no âmbito da Saúde. Revista Temas em Saúde, v. 10, n.1, p. 18-25, 2010. ARAÚJO, M.M.T. Quando uma palavra de carinho conforta mais que um medicamento: necessidade e expectativas de pacientes sob cuidados paliativos. 2008. 153f. 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Saúde Pública, v. 43, n.3, p. 548-54, 2009. 149 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba AIDS NO IDOSO: UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA Yasmim Ingrid Pessoa Simões (relator)1 Bruna Rochelle Calado Dantas2 Kátia Christina P.S. Oliveira3 Luara da Silva Pereira4 Cristiani Garrido de Andrade5 INTRODUÇÃO: Conforme o censo demográfico realizado no Brasil, a população idosa cresceu 35% nos últimos 10 anos e representava, no ano 2000, 8,56% da população do país, sendo que essa realidade tende a aumentar, haja vista que a expectativa de vida dos brasileiros, de 70,5 anos em 2000 passa a ser de 72,6 anos sem 2006, o Brasil será o sexto país do mundo em número de idosos até 2025, o que corresponderá a 15% da população brasileira, ou seja, aproximadamente 30 milhões de pessoas. Nesse sentido, averigua se que o aumento da taxa de fecundidade a redução da mortalidade e os avanços tecnológicos na área da saúde têm proporcionado melhores condições de saúde à população e consequentemente contribuídas para a longevidade dos indivíduos. É importante destacar que outra característica do envelhecimento da população é a tendência epidemiológica denominada feminizarão; tendo o sexo feminino representado 55,34% da população idosa, no ano de2000.Logo, os rápidos avanços da medicina e da tecnologia têm favorecido para que as pessoas envelheçam de forma mais saudável e com melhor qualidade de vida, inclusive prolongando sua atividade sexual, podendo favorecer o surgimento da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS).A AIDS surgiu no início da década de 1980, sendo diagnosticado o primeiro caso no Brasil, na cidade de São Paulo tornando-se rapidamente uma epidemia mundial atingindo atualmente a população em geral. Destaca-se que, no início da epidemia, os primeiros casos aconteceram com homossexuais e indivíduos que receberam transfusão de sangue, seguidos pelo aparecimento de casos em usuários de drogas injetáveis. Desse modo, pensava-se que existiam grupos designadamente mais suscetíveis, ou de risco, para adquiri-la, como os homossexuais, prostitutas e usuários de drogas. Nesse tempo, não se avaliava os idosos como um grupo de risco, e as campanhas de prevenção direcionada a essa população eram escassas. Logo, a população idosa, de início, praticamente não foi atingida pela AIDS, tendo nos primeiros cinco anos de epidemia apenas quatro casos diagnosticados em pessoas com 60 anos ou mais, no Brasil. É importante enfatizar, ainda, que nesta época considerava-se que os idosos tinham uma vida sexual inativa. Atualmente, houve uma mudança no padrão sexual dos homens idosos em consequência dos medicamentos para tratamento de disfunção erétil, disponíveis no mercado a partir da década de 90, proporcionando-lhes atividade sexual mais intensa. Já em relação às mulheres, estudo aponta que apesar de terem a frequência de relações sexuais diminuídas por ocasião da menopausa, elas continuaram com atividade sexual ativa e têm dificuldade em negociar o uso do preservativo com os parceiros. No que 1 Acadêmica de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. Técnica em Enfermagem. E-mail: [email protected] 2 Acadêmica de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. E-mail: [email protected] 3 Acadêmica de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. Técnica em Enfermagem. E-mail: [email protected] 4 Acadêmica de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. E-mail: [email protected] 5 Enfermeira. Fonoaudióloga. Especialista em Saúde Coletiva, com Ênfase na ESF-FASER. Mestranda em Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba – UFPB. Docente em Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. E-mail: [email protected]. 150 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba concerne às questões fisiológicas, o idoso possui alterações de seu estado imunológico, o que o predispõe a um maior risco de adquirir infecções e a ter problemas para responder aos agentes agressores. Mesmo diante destas contestações, os profissionais da área da saúde ainda possuem resistência em associar a AIDS aos idosos. Assim, diante da relevância dessa temática para prática dos profissionais da Saúde, desenvolveu-se este estudo que apresenta como objetivo caracterizar a produção científica acerca da AIDS no idoso, no âmbito da saúde. OBJETIVO: Este trabalho tem como objetivo caracterizar a produção científica acerca da AIDS no idoso, no âmbito da saúde. METODOLOGIA: Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, consubstanciada na literatura pertinente à temática. A coleta de dados foi realizada no período de março a abril de 2012. As fontes de dados foram as publicações acerca da AIDS na população idosa, no âmbito da Saúde, por meio de busca eletrônica na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), na base de dados Scientific Eletronic Library Online SciELO, bem como através de livros, dissertações e teses. As palavras chave instituídas para a coleta de dados foram ―Idoso, AIDS, Geriatria, HIV, SIDA, Terceira Idade‖. Destaca-se que foram ponderadas as observâncias éticas observadas no Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem – Resolução 311/2007, do Conselho Federal de Enfermagem, no que se refere à elaboração de trabalhos científicos. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS: Os resultados evidenciaram que a AIDS é uma patologia não hereditária causada pelo vírus da imunodeficiência humana (VIH ou HIV) que enfraquece o sistema imunitário do nosso organismo. O VIH é um vírus devastador que, ao entrar no organismo, dirige-se ao sistema sanguíneo, no qual inicia-se, de imediato, a replicar-se, atacando o sistema imunológico, destruindo as células defensoras do organismo e deixando a pessoa infectada (soropositiva), mais debilitada e sensível a outras doenças. A transmissão por via sexual nas relações heterossexuais é mais comum do homem para a mulher, do que o contrário. A infecção com o VIH caracteriza-se por quatro fases diferentes. Ocorre primeiro o período de infecção aguda, até quatro semanas após o contágio, cuja causa, normalmente, passa despercebida a doentes e médicos, por causa dos devidos sintomas. Segue-se um período que pode durar dez a quinze anos - em alguns casos mais em outros menos, no qual, embora o vírus continue a se multiplicar. Nesta fase, apesar do vírus continuar a matar as células CD4, o organismo consegue repor quase a mesma quantidade de células que são destruídas diariamente. A terceira fase da doença, em que o organismo já não consegue repor completamente a quantidade de células CD4 destruídas pelo vírus, caracteriza-se por uma imunodepressão moderada, com sintomas e sinais associados, como o emagrecimento, suores noturnos, diarreia prolongada e febre quarta fase, em que o soropositivo passa a ter SIDA (Síndrome de Imune Deficiência Adquirida ) ocorre quando a contagem de células CD4 torna-se muito baixa ou quando a pessoa é afetada por outra doença, indicando, desse modo, um estado de imunodeficiência grave. Nesse sentido, evidenciou-se que a duração do período entre a entrada do vírus no organismo e o diagnóstico da SIDA depende, significativamente, dos cuidados que o indivíduo possui, nomeadamente de comportamentos considerados saudáveis, como uma boa higiene pessoal, boa nutrição, o não fumar e praticar esporte. Especificamente, o aparecimento da SIDA pode ainda ser retardado pela correta utilização de medicamentos que retardam a multiplicação do vírus e dos medicamentos que previnem as doenças oportunistas - os medicamentos antirretrovirais. Logo, a literatura alude que na ausência de uma vacina ou cura para a doença, a educação e a prevenção parecem constituir o meio mais eficaz de controlar a transmissão.Com base em tal entendimento, é notório destacar que os indivíduos soropositivos possuem um papel central na manutenção da epidemia, uma vez que estes podem transmitir a patologia para outros indivíduos. Destaca-se que a maioria dos indivíduos com AIDS não procuram o serviço de saúde próximo à sua residência, temendo encontrar pessoas conhecidas que podem de alguma forma tomar conhecimento do seu diagnóstico. Assim, com receio de serem discriminados e estigmatizados, terminam por se 151 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba isolar e consequentemente ficam sem acompanhamento e tratamento adequados. Acrescentase ainda que a ascensão das taxas de infecção pelo HIV entre gerações mais velhas pode ser um sinal de uma lacuna nos esforços de prevenção com este grupo de idade. No Brasil, de 1980 a junho de 2005, foram registrados 31356 casos de AIDS empessoas com idade igual ou superior a 50 anos de idade, observando-se um incremento proporcional para as pessoas com maior idade. De 1993 a 2003 houve um aumento de130% entre os homens e de 396% entre as mulheres dessa faixa etária. Destarte, estimam-se que das 40 milhões de pessoas vivendo com HIV/AIDS no mundo, aproximadamente 2,8 milhões estão na faixa etária igual ou superior a 50 anos. Atualmente, o mundo passa por uma revolução no processo de envelhecimento, com novos significados e perspectivas para homens e mulheres, e nesse contexto a sexualidade permanece, apoiada nas tecnologias para tal. A preocupação, se deve ao fato, de que esses indivíduos não foram orientadas quando jovens, sobre o uso do preservativo e não se veem vulneráveis à infecção. Devido à baixa percepção de vulnerabilidade pelos mais velhos, temse por consequência, a pequena demanda pelo teste anti-HIV, ocasionando sub notificação e indeterminação das taxas de infecção para este grupo, torna-as menos precisas, quando comparada a grupos mais jovens. Outro problema grave é conduzido por muitos profissionais de saúde, que, desconsiderando os mais velhos como sexualmente ativos, deixam escapar oportunidades de detecção precoce do diagnóstico. Em outros aspectos o atraso no diagnóstico, também é influenciado pelas manifestações clínicas da infecção em si, que são confundidas com manifestações de doenças típicas nos pacientes desta faixa etária como, por exemplo, a fadiga e a perda ponderal, que incide em ambos os casos. É sabido que os pacientes nesta faixa etária apresentam progressão para a imunodepressão de forma mais acelerada, observando-se, ainda, maior aparecimento de doenças oportunistas, acrescido de maior probabilidade do advento de outras morbidades, o que contribui para o agravamento das condições de saúde. Logo, por esses motivos, o diagnóstico do vírus HIV em idosos é, frequentemente, adiado em mais de 10 meses. Logo, constatou-se, através da revisão bibliográfica, que o aumento de caso de AIDS na terceira idade pode ser atribuído, fundamentalmente, a dois aspectos: o primeiro está relacionado àqueles idosos que possuem, entre outros fatores, melhores recursos financeiros, o que colabora para o acesso a prazeres e serviços disponíveis, consentindo uma vida sexual mais ativa; e o segundo, à existência de tabus sobre a sexualidade na terceira idade. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Verificou-se que essa temática é de fundamental importância para a prática dos profissionais da área da Saúde, uma vez que a AIDS no idoso não é comum para a sociedade, onde o avanço da patologia atribui-se, de acordo com o estudo, a falta de informação, prevenção, diagnóstico precoce e assistência qualificada. Descritores: AIDS. Idoso. HIV. REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério da Saúde/ CEBRAP. Comportamento sexual da população brasileira e percepções do HIV/Aids. Brasília: Ministério da Saúde, 2000. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Envelhecimento e saúde da pessoa idosa. Brasília: Ministério da Saúde, 2006. FIGUEIREDO, M.L.F. et al. Educação em saúde e mulheres idosas: promoção de conquistas políticas, sociais e em saúde. Escola Anna Nery Revista de Enfermagem, v.10, n.3, p. 458463, 2006. 152 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba FOCACCIA, R. Veronense: tratado de infectologia. 3.Ed.. SãoPaulo: Atheneu,2005. GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2010. GIR, E. ; REIS, R. K. Vulnerabilidade do HIV/SIDA e a prevenção da transmissão sexual entre casais soro discordantes.Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v43n3/a23v43n3.pdf >. Acesso em: 28 de março de 2012. GOMES, S.F.; SILVA, C.M. Perfil dos idosos infectados pelo HIV/Aids: uma revisão. VITTALLE – Revista de Ciências da Saúde, v.20, n. 1, p. 107-122, 2008. 153 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba CUIDADOS PALIATIVOS EM PACIENTES COM CÂNCER: UMA REVISÃO DE LITERATURA Emília Guilherme da Silva (relator)1 Rosângela Almeida Guedes Costa2 Tatiane Martiniano Andrade3 Ana Aline Lacet Zaccara4 Cristiani Garrido de Andrade5 Maria Andréa Fernandes6 A Medicina vem evoluindo profundamente em relação ao tratamento de doenças. O desenvolvimento científico-tecnológico nas últimas décadas, fundamentalmente, na área de oncologia, proporcionou considerável incremento no campo do diagnóstico e do tratamento, tendo-se, recentemente, a cura como objetivo em cerca de 50% dos cânceres diagnosticados. O câncer é uma patologia que está entre as principais causas de morte, constituindo, na atualidade, no Brasil, a segunda causa de mortalidade, sendo superado apenas pelas doenças cardiovasculares. A incidência, no Brasil, é de aproximadamente 400.000 novos casos por ano, sendo que destes cerca de 127.000 evoluem a óbito. Tal patologia se reveste de estigmas, estando quase sempre associada a uma sentença de morte, podendo ocorrer, de forma inesperada, em algum momento da vida de uma pessoa que dificilmente encontra-se preparada para receber um diagnóstico que venha a interferir em seus hábitos, costumes, integridade física e ciclo biológico. Ainda hoje, o câncer induz aos pacientes uma visão de morte. Assim, muitas vezes, o paciente demora a procurar um serviço especializado, capaz de providenciar seu tratamento, retardando assim sua cura e tornando o seu pensamento uma realidade. Nesse contexto, o câncer vem se sobressaindo entre as doenças crônicas, como uma patologia que está entre as fundamentais causas de morte, constituindo atualmente no Brasil a segunda causa de mortalidade. Apesar dos grandes avanços no tratamento oncológico, nem sempre é possível obter a cura; com isso, muitos pacientes passam a necessitar de cuidados que visam, além do controle da dor e de outros sintomas diversos, a assistência qualificada nos aspectos psicológicos, sociais e espirituais. Os cuidados oferecidos a esses doentes deixam de ser curativos e passam a ser paliativos. Dessa maneira, destacam-se os cuidados paliativos que emergem como uma nova modalidade de atenção à Saúde. Os cuidados paliativos desenvolvem a atenção aos pacientes sem possibilidades terapêuticas de cura buscando controlar ou amenizar os sintomas e sinais físicos, psicológicos e espirituais destes. A Organização Mundial de Saúde, em 2002, conceituou os cuidados paliativos como cuidados ativos e totais, que promovem a melhoria da qualidade de vida do paciente e seus familiares, diante de doenças que não respondem ao tratamento curativo, através da prevenção e do alívio do sofrimento, por meio da identificação precoce, da avaliação correta e do tratamento da dor 1 Graduanda em Enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba – FCMPB. E-mail: [email protected]. 2 Graduanda em Enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba – FCMPB. E-mail: [email protected] 3 Graduanda em Enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba – FCMPB. E-mail: [email protected] 4 Enfermeira. Universidade Federal da Paraíba. E-mail: [email protected]. 5 Enfermeira. Fonoaudióloga. Especialista em Saúde Coletiva, com Ênfase na ESF-FASER. Mestranda em Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba – UFPB. Docente em Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. E-mail: [email protected]. 6 Enfermeira. Especialista em Saúde da Família e Saúde Coletiva. Universidade Federal da Paraíba. 154 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba e de outros sintomas decorrentes da fase avançada de uma doença, nos seus aspectos físicos, psíquicos, sociais e espirituais. É notório destacar que muitos aspectos dos cuidados paliativos são aplicáveis mais cedo, no curso da doença, em conjunto com o tratamento curativo. Os cuidados paliativos baseiam-se em conhecimento científico próprio a várias especialidades de intervenção clínica e terapêutica, nas várias áreas do conhecimento da ciência médica. No entanto, o trabalho de uma equipe de cuidados paliativos é regido por sete princípios: valoriza a vida e encara a morte como um processo natural; não abrevia nem prolonga a vida; provê o alívio da dor e de outros sintomas; integra os aspectos psicológicos e espirituais dos cuidados, permitindo oportunidades para o crescimento; oferece uma equipe interdisciplinar e um sistema de suporte para a família durante a doença do indivíduo e no período de enlutamento; e deve ser iniciado o mais precocemente possível. Nessa perspectiva, o cuidado ao paciente com câncer, imprime peculiaridades na assistência em saúde, com objetivo de alcance da integralidade, em prol do cuidado interativo e complexo. Assim sendo é inegável a importância da aplicação dos cuidados paliativos para promover uma melhor qualidade de vida ao paciente com câncer, uma vez que apresentam um enfoque diferenciado de tratamento, que tem como objetivo principal a promoção do cuidar humanizado, observando o alívio das necessidades físicas, psicológicas, sociais e espirituais do paciente, bem como de seus familiares. É notório enfatizar que na literatura brasileira ainda são poucos os estudos que abordam o tema sobre cuidados paliativos direcionados aos pacientes com câncer. Assim, a necessidade de se caracterizar melhor este tipo de paciente, bem como o desconhecimento de suas necessidades, sua qualidade de vida motivaram a realização deste trabalho. OBJETIVO: Descrever a importância dos cuidados paliativos como uma nova modalidade para o cuidado de pacientes com câncer; Averiguar a atuação da Enfermagem no cuidar do paciente com câncer. METODOLOGIA: Trata-se de uma pesquisa bibliográfica embasada na literatura pertinente à temática. As fontes de dados foram as publicações acerca dos cuidados paliativos em pacientes com câncer, no âmbito da Saúde, por meio de busca eletrônica na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), na base de dados Scientific Eletronic Library Online SciELO. Os descritores utilizados para a busca de dados foram Cuidados Paliativos and Oncologia e Cuidados Paliativos e Câncer. Para escolher a amostra, foram colocados os seguintes critérios de inclusão: artigos que abordassem o tema, na língua portuguesa, disponibilizados na íntegra na base de dados selecionada para a pesquisa. Destaca-se que foram consideradas as observâncias éticas ressaltadas no Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem – Resolução 311/2007, do Conselho Federal de Enfermagem, no que se diz respeito à elaboração de trabalhos científicos. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS: Os cuidados paliativos são um conjunto de ações que possibilitam uma abordagem holística do paciente com doença incurável. A literatura analisada evidenciou que a expansão dos cuidados paliativos no mundo é recente, tendo seu marco formal em 1967, com a fundação do St. Christopher's Hospice, por Cicely Saunders e colaboradores, em Londres, os quais espalharam, pelo mundo, essa nova filosofia do cuidar centrada no direito do paciente de viver os dias que lhe restam e de morrer com dignidade, tendo em seu arcabouço teórico - conhecido como filosofia do moderno movimento hospice - o cuidar de um ser humano que está morrendo, e de sua família, com compaixão e empatia. Vale ressaltar que, os Cuidados Paliativos têm por finalidade oferecer cuidados de suporte global, visando o controle dos sintomas e a melhora da qualidade de vida dos pacientes e de seus familiares. Assim sendo, desenvolvem a atenção aos pacientes observando não apenas o alívio de seu sofrimento em sua fase terminal, mas o alívio de sintomas e do desconforto destes em qualquer fase de sua doença. No Brasil, diante desse panorama, os Cuidados Paliativos surgiram com a implementação de serviços de dor nos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. No Rio de Janeiro, em 1989, no Instituto Nacional do Câncer (INCA), foi criado o serviço de suporte terapêutico oncológico para consentir ao 155 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba paciente fora de possibilidade de cura no intra-hospitalar e no domicílio. Todavia, os cuidados paliativos, como modalidade no Brasil, ainda são desconhecidos por muitos profissionais e não são considerados na preparação das políticas públicas. Comumente, esses cuidados são proporcionados através de programas inseridos ou não em instituições hospitalares. Quando não inseridos em uma instituição hospitalar, podem estar em asilos, casas de repouso, moradias assistidas, clínicas, domicílio, entre outros, com objetivo de ajudar os pacientes e os seus familiares nos processo do cuidado. Destaca-se que esses cuidados são prestados desde o processo do diagnóstico de uma doença incurável até o momento de sua morte, bem como no período de enlutamento. Em cuidados paliativos, oferecer um sistema de apoio para ajudar os pacientes a viver tão ativamente quanto possível, até o momento da sua morte é uma das metas deste novo paradigma de assistência. Exige-se também uma abordagem em equipe, buscando aprimorar a qualidade de vida, e devem ser aplicáveis no estágio inicial da doença, concomitantemente com as modificações da doença e terapias que prolongam a vida. Nessa equipe destaca-se a Enfermagem. Os autores evidenciaram que a atuação da equipe de enfermagem é primordial e indispensável para proporcionar o máximo de conforto ao paciente sob cuidados paliativos, ajudando-o a vivenciar o processo de morrer com dignidade, para que utilize da melhor forma possível, o tempo que lhe resta. Isto significa ajudar o ser humano a buscar qualidade de vida, quando não é mais possível acrescer quantidade. O enfermeiro que atua nos cuidados paliativos direcionados ao paciente com câncer necessita saber orientar tanto o paciente quanto sua família acerca dos cuidados a serem realizados. Para isso é preciso que o enfermeiro saiba educar em saúde, de maneira clara e objetiva, e ser prático em suas ações, visando sempre o bem-estar dos seus pacientes. Logo, a importância da relação paciente, equipe de enfermagem e família, no processo de cuidar, inclui a maneira como é dada a notícia, a clareza com que é abordado o assunto e a abertura que é dada ao paciente e à sua família para que possam discorrer sobre o seu sofrimento, sentimentos e dúvidas. A literatura enfatizou que o paciente com câncer precisa de ajuda da enfermagem na identificação de seus problema, para que possa enfrentá-los de forma realista, participar ativamente da experiência e, se possível, encontrar soluções para eles. Dessa forma, destacase que a aplicabilidade dos cuidados paliativos deve ser realizada cada vez mais precoce na evolução das doenças crônicas, fundamentalmente do câncer, devendo muitas vezes ser simultânea ao desenvolvimento do processo terapêutico curativo, enfocando a dignidade da vida no processo de morte. CONSIDERAÇÕES FINAIS: A temática acerca de cuidados paliativos em pacientes com câncer requer uma maior disseminação no campo da produção científica, sob o olhar dos profissionais da área de Saúde, essencialmente da enfermagem. Diante deste cenário, evidencia-se que essa modalidade diferenciada de tratar vem merecendo atenção por parte de pesquisadores, gestores e profissionais da Saúde, sugerindo boas perspectivas para a inserção das modalidades terapêuticas em cuidados paliativos em redes assistenciais de Saúde e na formação acadêmica dos diversos profissionais dessa área. Descritores: Cuidados paliativos. Câncer. Enfermagem. REFERÊNCIAS AMERICAN CANCER SOCIETY. CancerStatisticsPresentation 2004.Disponível em: <http://www.cancer.org/downloads/PRO/Cancer%20Statistics%202004.ppt.>. Acesso em: 19 abr. 2012. ARAÚJO, M. M. T.; SILVA, M. J. P. A comunicação com o paciente em cuidados paliativos: valorizando a alegria e o otimismo. Rev. Esc. Enf. 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Fundamentalmente, esses óbitos decorrem da falta de detalhamento de padrões de risco para Hemorragia Pós Parto, por falta de condição hospitalar adequada, dificuldade de aquisição de hemoderivados, dificuldade de acesso a centros especializados e falta de uma assistência adequada por parte dos profissionais médicos e de enfermagem. Muitas pacientes de risco podem ser identificadas antes do parto, o que permite conduzir o parto dessas mulheres em unidade hospitalares capacitadas com recursos técnicos e humanos, para rápida correção. Caracteriza-se Hemorragia Pós Parto (HPP) a perda de sangue superior a 500 ml nas primeiras 24 horas após o parto. As causas são variadas, sendo as principais: atonia uterina, lacerações produzidas pelo parto e retenção de tecido placentário. Este estudo tem como objetivo explanar sobre a importância da participação e assistência da equipe de enfermagem nas Síndromes Hemorrágicas Pós Parto. METODOLOGIA: Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, de cunho descritivo, realizada em bibliotecas públicas e privadas de João Pessoa- PB, revistas especializadas, periódicos e sites indexados, durante o período de dezembro a janeiro de 2012. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA: De acordo com a literatura consultada 80% das repercussões hemodinâmicas nas mulheres dependem da intensidade da hemorragia e das condições da grávida antes do parto, daí, a importância da atuação da equipe da enfermagem na conduta rápida e eficaz no atendimento a mulher, esta seria a melhor maneira de reduzir as complicações e os óbitos decorrentes desta causa. A prevenção deve iniciar-se na gravidez, por meio da identificação de mulheres com maior risco. Durante o período de pós-parto imediato, é preciso monitorar atentamente os sinais vitais, contratilidade uterina e o volume de perda sanguínea, a fim de prevenir o sangramento intenso e detectá-lo 1 Relatora. Discente do Curso de Graduação em Enfermagem da Faculdade de Enfermagem Nova Esperança. Email: [email protected]. 2 Discente do Curso de Graduação em Enfermagem da Faculdade de Enfermagem Nova Esperança. E-mail: [email protected]. 3 Orientadora. Enfermeira. Docente do Departamento de Enfermagem em Saúde Pública e Psiquiatria da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e da Faculdade de Enfermagem Nova Esperança. Aluna do DINTER UFPB∕UFPI∕Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (EERPUSP). E-mail: [email protected]. 4 Discente do Curso de Graduação em Enfermagem da Faculdade de Enfermagem Nova Esperança. E-mail: [email protected]. 5 Discente do Curso de Graduação em Enfermagem da Faculdade de Enfermagem Nova Esperança. E-mail: [email protected]. 6 Enfermeira. Fisioterapeuta. Mestre em Ciências da Nutrição pela UFPB. Docente do Curso de Enfermagem da Universidade Federal de Campina Grande (UFPB). E-mail: [email protected]. 158 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba precocemente. Idealmente, após os partos prolongados ou complicados, as puérperas deveriam permanecer em ambiente de recuperação, com enfermagem seletiva para uma melhor assistência durante este período. A maioria das literaturas pesquisadas traz que o tratamento inicial da HPP consiste em massagem uterina em conjunto com uso de ocitócitos, bem como a ocitocina, ergometrina e prostaglandinas. No insucesso de tais medidas, devemos aplicar rapidamente outros métodos na tentativa de controlá-la, como a compressão uterina bimanual, compressão da aorta abdominal e o tamponamento uterino. As maiores respostas circulatórias iniciais com a perda sanguínea é a diminuição do suprimento sanguíneo nos rins, coração e cérebro, aumento da frequência cardíaca para aumentar o débito cardíaco, taquicardia como um sinal precoce de choque e o aumento da resistência vascular periférica. O método mais efetivo para melhorar o débito cardíaco e a perfusão tecidual é a restauração da anormalidade do retorno venoso, fazendo com que o profissional saiba dosar a hidratação venosa, a assistência farmacológica e a propedêutica, preservando assim todos os órgãos, mostrando métodos efetivos para melhorar e trazer a normalidade para a paciente. Corroborando assim, alguns autores demonstraram que este desequilíbrio hemodinâmico pode levar a paciente ao choque hipovolêmico onde é de fator decisivo o reconhecimento inicial quanto aos sinais e sintomas. A enfermagem deve estabelecer oxigenação adequada, com uso do cateter nasal ou máscara facial. É importante a realização do cateterismo vesical de demora, para o monitoramento da diurese, e esvaziando a bexiga diminui a contratabilidade uterina, providenciando acesso venoso, imediata coleta de sangue para tipagem sanguínea e coleta de exames. As soluções utilizadas para o tratamento inicial, geralmente são isotônica, por promover a expansão do volume infundido circulante. O ringer lactato é a solução de escolha. A solução fisiológica, apesar de repor o volume, tem a possibilidade de causar acidose hiperclorêmica, principalmente em pacientes com insuficiência renal. A reposição deve ser realizada em bolus, administrando-se 1000 a 2000 ml de ringer lactato. Uma estimativa para saber quanto repor o volume de cristaloides, é que devem ser repostos três ml de solução para cada um ml de sangue perdido. Já a reposição sanguínea é indicada quando o hematócrito se encontra abaixo de 30% a 35%%. Em pacientes jovens e saudáveis, os níveis de hemoglobina em torno de 7,0g/dl são bem-tolerados, desde que se encontrem estáveis hemodinamicamente e com hemorragia controlada. As soluções devem ser aquecidas antes de serem infundidas para prevenir a hipotermia. Após os cuidados intensivos e esta mulher se encontrar estável, deve-se proporcionar bem estar para ela e toda sua família. CONCLUSÃO: Mediante ao exposto acima, pode-se concluir que a assistência de enfermagem à puérpera, deve dar extrema prioridade a fase imediata, já que é nesse período, nas primeiras duas horas, o momento de maior incidência de hemorragias pós-parto, o que consequentemente leva ao diagnóstico precoce. A prevenção, nesses casos, além de proteger a puérpera, evidencia a qualidade do atendimento, e são indispensáveis para minimizar os dados estatísticos da mortalidade materna. Apesar de importante, sentimos dificuldade na literatura de mais estudos, esperamos que este estudo desperte aos profissionais e estudantes de saúde dá importância de estudar e aprofundar o assunto. Descritores: Hemorragia Pós-Parto; Cuidados de Enfermagem; Mortalidade Materna. REFERÊNCIAS BRASIL. 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Rio de Janeiro: Editora Fiocruz; 1999. p. 357-76. 161 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM A CLIENTE COM ÚLCERA VENOSA UTILIZANDO A NANDA Jonathan Cordeiro de Morais (relator)1 Sandra Regina Correa de Medeiros 2 Breno Bezerra da Silva Oliveira3 Alana Tamar Oliveira de Sousa4 INTRODUÇÃO: A úlcera venosa é a lesão crônica de perna mais comum, sendo responsável por aproximadamente 70% a 90% das úlceras dos membros inferiores. Ocorre devido à insuficiência venosa crônica que se caracteriza por hipertensão persistente nos membros inferiores devido ao refluxo venoso, à oclusão venosa ou falha no músculo da panturrilha em bombear o sangue (SIMKA, 2006). As úlceras venosas causam significante impacto social e econômico devido à natureza recorrente e ao longo tempo decorrido entre sua abertura e cicatrização. É uma doença que acomete indivíduos em diferentes faixas etárias e raças, causando perda parcial da capacidade funcional do membro afetado, baixa auto-estima, sentimento de inutilidade, isolamento social, aposentadoria precoce ou afastamento do emprego, além de mudar totalmente sua rotina e hábitos de vida do indivíduo (SILVA, 2010). Quando não manejadas adequadamente, cerca de 30% das úlceras venosas cicatrizadas recorrem no primeiro ano, e essa taxa sobe para 78% após dois anos (ABBADE et al 2006). Para que a úlcera venha a cicatrizar adequadamente é preciso que ocorra a abordagem correta, que inclui dentre outros cuidados, a limpeza da ferida com a aplicação de uma cobertura indicada, terapia compressiva, repouso e alimentação balanceada. As orientações de manejo adequado para o autocuidado e para prevenção das complicações são imprescindíveis ao cliente com úlcera venosa, para que este possa alcançar uma consciência transformadora e descubra que tem a liberdade e potencial para ser dono e cuidar de si mesmo. Desse modo, o cuidado ao ser doente não se delimita a uma parte do corpo como à ferida, mas precisa envolvê-lo em sua totalidade e complexidade de modo organizado e sistematizado. A Sistematização da Assistência de Enfermagem ou também conhecida como SAE é o modelo metodológico ideal para o enfermeiro aplicar seus conhecimentos técnico-científicos na prática assistencial, favorecendo o cuidado e a organização das condições necessárias para que ele seja realizado. Na era do conhecimento torna-se importante a busca de novas competências nos modos de organizar o trabalho, nas atitudes profissionais integradas aos sistemas sociais de relações e interações múltiplas, em suas diversas dimensões, abrangências e especificidades. Dessa forma, incorporar a SAE é uma forma de tornar a enfermagem mais científica, promovendo um cuidar de enfermagem humanizado, contínuo, mais justo e com qualidade para o cliente. Ela se caracteriza pelo aumento da velocidade de trocas de informações, evolução teórica, qualidades assistenciais, aprimoramento das atividades, e pelo aumento de recursos e diminuição dos custos (BITTAR et al, 2006). O presente trabalho se justifica pela necessidade de buscar novos conhecimentos sobre o portador de úlcera venosa 1 Graduando em enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. E-mail: [email protected] 2 Graduanda em enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. E-mail: [email protected] 3 Graduando em enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. E-mail: [email protected] 4 Enfermeira. Doutoranda e Mestre em Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Docente do Curso de Graduação em Enfermagem da Faculdade Ciências Médicas da Paraíba (FCM), Coordenadora do Ambulatório de Curativo da Fundação Otacílio Gama, João Pessoa-PB. E-mail: [email protected]. 162 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba em sua totalidade envolvendo seu dia a dia, suas fragilidades, suas expectativas, suas complicações e avanços diante da doença. Esta investigação teve o objetivo de descrever a assistência de enfermagem prestada a um cliente com úlcera venosa, utilizando a Taxonomia da North American Nursing Diagnosis Association (Diagnósticos de Enfermagem da NANDA). METODOLOGIA: Trata-se de um estudo de caso realizado com um cliente com úlcera venosa em MIE, atendido no Ambulatório Ciências Médicas, pertencente à Fundação Otacílio Gama no município de João Pessoa-PB. A referida investigação ocorreu durante a inserção dos autores no campo de práticas do módulo ―O cuidar do indivíduo portador de feridas‖ da Faculdade Ciências Médicas da Paraíba. Para a coleta de dados foi realizada a anamnese e o exame físico. Posteriormente foi planejada a sistematização da assistência de enfermagem, implementada e avaliada. Para a elaboração dos diagnósticos de enfermagem, utilizou-se a NANDA 2009-2011. A sistematização ocorreu mediante quatro encontros ocorridos semanalmente em abril de 2012. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob protocolo nº 042/2011. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS: J. J. da S., sexo masculino, 52 anos, portador de úlcera venosa em MIE, de caráter recidivante, há cerca de vinte anos, que se iniciou após um trauma na perna esquerda que ocasionou o rompimento de uma veia. A anamnese revelou que o cliente faz uso de medicação para asma, hipertensão arterial e ativador da circulação de retorno em MMII. Não pratica atividade física, faz pouco repouso e não segue dieta alimentar. Ao exame físico foram encontradas alterações de sobrepeso e úlcera venosa em MID com bordas irregulares, tecido de granulação, exsudato seroso em média quantidade, ausência de odor e/ou dor, acompanhada de edema sem cacifo no membro afetado e lipodermatoesclerose. Para o plano de cuidados, foram elaborados três diagnósticos, com os respectivos resultados esperados e intervenções implementadas, conforme o que se segue: Integridade da pele prejudicada relacionada com circulação alterada evidenciada por tecido lesado, tendo como resultado esperado o cliente apresentará redução do tamanho da úlcera em três semanas, contemplando as seguintes intervenções: 1. Realizar o curativo da lesão 1 x semana ou a cada saturação da cobertura secundária utilizando espuma com prata e atadura elástica; 2. Avaliar a úlcera 1 x semana; 3. Orientar repouso 3 x dia durante 30 minutos; 4. Orientar a elevar os pés da cama cerca de 15cm; 5. Orientar a amiga (cuidadora) a trocar a atadura elástica conforme houver necessidade. A escolha pela cobertura de espuma com prata se deve ao alto poder de absorção, associado ao controle da microbiota pela presença da prata iônica, importantes para associar ao uso da atadura elástica (DEALEY, 2008). A terapia compressiva favorece à microcirculação, facilita o retorno venoso profundo, diminuindo o refluxo patológico durante a deambulação e aumentando o volume de ejeção durante a ativação dos músculos da panturrilha. Associado ao uso dessa terapia está a elevação dos pés do leito e o repouso dos membros inferiores acima do nível do coração para facilitar a drenagem venosa (ABBADE; LASTÓRIA, 2006). Além disso, a avaliação sistemática da ferida crônica uma vez por semana fornece uma base para a implementação e manutenção do plano terapêutico (MCNEES, 2006). O segundo diagnóstico foi Nutrição desequilibrada: mais do que as necessidades corporais relacionada com ingestão excessiva em relação às necessidades metabólicas, evidenciada por sobrepeso, sendo o resultado esperado o cliente irá relatar em até três semanas a reeducação alimentar. Como intervenções: 1. Encaminhar o cliente a nutricionista da Fundação Otacílio Gama; 2. Orientar quanto aos benefícios que uma alimentação saudável trará para o seu tratamento; 3. Estimular caminhada diária leve durante 15 minutos por dia. O controle do peso é importante porque a deposição excessiva de gordura resulta em insuficiência de suporte sanguíneo aos tecidos para resistir à infecção e supri-los de nutrientes e elementos celulares para cicatrização. Além disso, a obesidade frequentemente está envolvida com úlceras venosas porque aumenta a pressão intra-abdominal e dificulta o retorno venoso (ANAYA; DELLINGER, 2006). As caminhadas breves também favorecem a drenagem venosa (ABBADE; LASTÓRIA, 2006). Quanto ao 163 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba terceiro diagnóstico Risco para infecção relacionado a defesas primárias inadequadas (pele rompida), este teve como resultado esperado O cliente não apresentará infecção da úlcera em quatro semanas e as intervenções de enfermagem foram: 1. Atentar para a higiene no momento do curativo; 2. Ensinar o cliente a trocar o curativo secundário em domicílio; 3. Orientar a trocar o curativo sempre que necessário. Vale ressaltar que a limpeza da ferida é o primeiro cuidado para que o curativo possa auxiliar no processo de cicatrização, importante para a remoção de corpo estranho, a exemplo de fragmentos e sujidades, remoção de tecidos soltos na superfície, como tecido necrótico, remoção de bactérias e de restos de curativo anterior e promoção do conforto ao doente e, desse modo, impedindo a infecção da ferida (DEALEY, 2008). No que se refere a avaliação do plano de cuidados, esta ocorreu mediante o último encontro e os resultados alcançados foram que: O cliente apresentou redução da área da úlcera de 57,8cm2 para 46,14cm2 centímetros (mensuração realizada no programa Image Tool 3.0); O cliente não apresentou mudança de hábitos alimentares, porém relatou que em breve quer se dedicar para perder cerca de 20Kg; O cliente não apresentou infecção da úlcera no período estipulado. Considerações Finais: A pesquisa possibilitou integrar a teoria à prática na assistência de enfermagem a um cliente com úlcera venosa, e a utilização da NANDA outorgou uma linguagem padronizada e organizada com desenvolvimento do raciocínio crítico que trouxe resultados positivos para o cliente. Além disso, favoreceu a cicatrização da úlcera e gerou um ambiente de educação que evolveu o cliente e sua cuidadora, importante processo de participação para a independência para o autocuidado e socialização. Não se alcançou a meta da educação alimentar, porém despertou no cliente o interesse em reduzir o peso. Portanto a atuação do enfermeiro como educador e facilitador da adaptação do cliente à situação vivenciada no momento é indispensável, uma vez que o mesmo é responsável pelo tratamento físico e muitas vezes mental do cliente. Cabe a toda a equipe de saúde assistir o cliente como um todo não só cuidando da doença, mas também ouvindo suas necessidades, queixas medos e inseguranças, sem esquecer-se da participação da família que deve ser estimulada a estar com o cliente, igualmente comprometida e atuante no tratamento, o enfermeiro participará de maneira educativa, muitas vezes treinando um familiar ou o próprio usuário para o autocuidado. A assistência ao cliente em estudo não termina aqui, mas permite compreender que o processo de enfermagem deve ser dinâmico e acompanhar a evolução do mesmo. Descritores: Cuidados de Enfermagem. Úlcera varicosa. Enfermagem. REFERÊNCIAS ABBADE, L. P. F.; LASTÓRIA, S. Abordagem de pacientes com úlcera de etiologia venosa. Anais Brasileiros de Dermatologia, v. 81, n. 6, p. 509-522, 2006. ANAYA, D. A.; DELLINGER, E. P. The obese surgical patient: a susceptible host for infection. Surgical Infections, v. 7, n. 5, p. 473-480, 2006. BITAR, D. B.; PEREIRA, L. V.; LEMOS, R. C. A. Sistematização da Assistência de enfermagem ao paciente crítico: proposta de instrumento de coleta de dados. Texto e contexto, v. 15, n. 4, p. 617-628, 2006. DEALEY, C. Cuidando de feridas: um guia para as enfermeiras. 3. ed. São Paulo: Atheneu, 2008. 164 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba McNEES, P. Skin and wound assessment and care in oncology. Seminars in Oncology Nursing, v. 22, n. 3, p. 130–143, Aug. 2006. NORTH AMERICAN NUSING ASSOCIATION. Diagnósticos de enfermagem da NANDA: definições e classificação 2009-2011. Porto Alegre: Artmed, 2010. SIMKA, M. Seasonal variation of onset of venous leg ulcers. EWMA Journal, v. 6, n. 2, p. 23-24, 2000. 165 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba TRATAMENTO DE ÚLCERA VENOSA EM PACIENTES DIABÉTICO: UM ESTUDO CLÍNICO Carliene Soares de Oliveira Lima (relator)1 Marília Loreuncio dos Santos2 Bruno Emmanuel de Medeiros Pereira3 Diego Henrique Clementino de Assis4 Alana Tamar Oliveira de Sousa5 Cristiani Garrido de Andrade6 INTRODUÇÃO: As úlceras venosas são comuns na população adulta, e sua prevalência modifica-se bastante, dependendo dos distintos métodos aplicados nos estudos, idades das populações estudadas. As úlceras venosas resultam da obstrução das válvulas venosas nas pernas ou de refluxo através das válvulas, afetando as veias superficiais e profundas e que podem ser desencadeadas por diversos fatores, tais como, insuficiência venosa crônica, hipertensão venosa, obesidade, diabetes mellitus, traumatismo, gravidez, trombose venosa profunda, fraqueza muscular secundária à paralisia e insuficiência cardíaca. A literatura é unânime em considerar a úlcera de etiologia venosa como a mais comum das úlceras de perna. As taxas variam de 42% a 90% e a história é marcada pela recorrência. Aproximadamente 70% das úlceras abrem novamente após a cicatrização. No Brasil estima-se que aproximadamente 3% da população são portadoras desse tipo de lesão, no caso dos pacientes portadores de diabetes mellitus esse número se eleva para 10%. Segundo o Ministério da Saúde o Diabetes Mellitus (DM) é uma síndrome metabólica de origem múltipla, decorrente da falta de insulina e/ou da incapacidade de a insulina exercer adequadamente seus efeitos. Em longo prazo, a Diabetes Mellitus descontrolada pode gerar doenças cardiovasculares, retinopatia diabética, nefropatia diabética, neuropatia diabética, problemas com a saúde bucal, e o pé diabético. Nesse sentido, a úlcera venosa associada a diabetes mellitus, é um problema de saúde publica e juntos tem um poder devastador para a saúde, pela degradação da sensibilidade à dor causada pelo aumento de glicose no organismo (hiperglicemia) e por causar retardo a cicatrização, principalmente nas extremidades. O referente estudo se justifica pela necessidade de investigar acerca de um problema evidente e vigente na população, trazendo uma abordagem que busca incentivar a pesquisa técnica por 1 Graduanda em Enfermagem pela Faculdade Ciências Médicas da Paraíba- FCMPB. Extensionista do Ambulatório de Curativo da Fundação Otacílio Gama. Monitora do Módulo o Cuidar do Individuo Portador de Feridas. Faculdade Ciências Médicas da Paraíba E-mail: [email protected]. 2 Graduanda em Enfermagem pela Faculdade Ciências Médicas da Paraíba- FCMPB. Extensionista do Ambulatório de Curativo da Fundação Otacílio Gama. Monitora do Módulo de Práticas do Cuidar em Saúde da Mulher. Faculdade Ciências Médicas da Paraíba. E-mail: [email protected]. 3 Graduando em Enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba - FCMPB. Extensionista do Ambulatório de Curativo da Fundação Otacílio Gama. Faculdade Ciências Médicas da Paraíba. E-mail: [email protected]. 4 Graduando em Enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba - FCM/PB. Faculdade Ciências Médicas da Paraíba. E-mail: [email protected]. 5 Enfermeira. Doutoranda e Mestre em Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Docente do Curso de Graduação em Enfermagem da Faculdade Ciências Médicas da Paraíba - FCMPB. Coordenadora do Ambulatório de Curativo da Fundação Otacílio Gama. Faculdade Ciências Médicas da Paraíba. E-mail: [email protected]. 6 Enfermeira. Fonoaudióloga. Mestranda em Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba - UFPB. Especialista em Saúde Coletiva com Ênfase na ESF. Membro e Pesquisadora no Núcleo de Estudos e Pesquisas em Bioética – NEPB/UFPB. Faculdade Ciências Médicas da Paraíba. E-mail: [email protected]. 166 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba tem um significativo valor em prestar uma assistência holística e humanizada. Este estudo teve como objetivo relatar o caso clínico de um paciente portador de úlcera venosa e diabetes mellitus. METODOLOGIA: Trata-se de uma pesquisa descritiva, com abordagem qualitativa, na modalidade estudo de caso que foi realizada com um paciente portador de diabetes mellitus e úlcera venosa em membro inferior esquerdo. A investigação foi desenvolvida em um ambulatório de curativos de uma Instituição de Ensino Superior, no Município de João Pessoa-PB, no período de 28.09.11 a 26.01.12. No primeiro contato com o cliente foram realizados anamnese, o exame físico completo e o curativo. Os atendimentos subsequentes foram direcionados ao cuidado com a lesão, incluindo o curativo, a avaliação semanal, e as orientações para a saúde, de modo a obter uma resposta satisfatória ao tratamento oferecido. Para a avaliação semanal da ferida, além do registro fotográfico digital, foi utilizado um instrumento construído baseado na Pressure Ulcer Scale for Healing (PUSH) e no Instrumento para avaliação da ferida Bates-Jensen. Para mensurar o tamanho da lesão, usou-se uma régua descartável, medindo maior diâmetro no sentido céfalo-caudal x maior largura da esquerda para a direita. Depois, as duas medidas foram multiplicadas para se obter a área. É importante mencionar que, o instrumento de avaliação constava dos seguintes itens: mensuração da ferida; aparência das bordas; quantidade de exsudato; odor; aspecto de exsudato; sinais de infecção; nível de dor, avaliado através de uma escala com variação de 0 a 10; e o tipo de tecido (epitelização, granulação, esfacelo ou escara). Esses parâmetros eram somados, seguindo padrões dos dois instrumentos já citados acima, gerando números que determinaram piora ou regressão da lesão. Assim, quanto menor o valor melhor o estado da úlcera quanto à cicatrização. Para a realização do curativo, inicialmente era realizada a retirada do curativo anterior, logo após a limpeza de toda região perilesional com sabão neutro. Em seguida o membro lesionado era seco e então era realizada a limpeza da lesão irrigando com solução salina a 0,9% (SF), iniciando pelas bordas até o interior, respeitando o sentido do menos para o mais contaminado. A irrigação foi realizada na forma de jato sob pressão, por meio de seringa de 20cc com agulha 40x12mm. Na presença de tecido desvitalizado, era realizada a fricção mecânica com gaze estéril. Após a limpeza, era realizada a secagem das bordas da lesão e da área adjacente com gaze estéril, aplicação da cobertura primária e oclusão com curativo secundário de gaze estéril e atadura de crepe. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa, sob protocolo nº 042/2011. Assim, o sujeito da pesquisa foi orientado quanto à participação voluntária, ao anonimato, à desistência em qualquer momento da pesquisa sem perda de seu tratamento, bem como à assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido. Os dados foram analisados por meio da avaliação das evoluções e construção gráficos para leitura de frequência, analisados à luz da literatura pertinente. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS: E. F. S, 48 anos, branco, sexo masculino, cabeleireiro, residente na cidade de João Pessoa, com úlceras venosas no MIE que começou com pequenas bolhas que se romperam há cerca de doze dias. Apresenta como doenças concomitantes diabetes tipo II e hipertensão há mais ou menos dez anos e faz tratamento, respectivamente, com glibenclamida, metformina, captopril e hidroclorotiazida. Nos seus hábitos alimentares tem uma dieta hipossódica e hipoglicemiante. No exame da peleperilesional apresenta sensibilidade diminuída, pele fina e brilhante, hiperpigmentação, lipodermatoesclerose, eczema, cicatriz, e edema com cacifo (+++/4+). No início do tratamento, em 28/09/11 o cliente apresentava duas úlceras no MIE, sendo F1 (ferida nº1) localizada no maléolo medial e F2 (ferida nº 2) próxima à ferida 1, também na parte interna do pé. Cerca de dois meses depois, em 24/11/11 surgiu a F3 (ferida nº3) acima do maléolo lateral também no mesmo membro. Na primeira avaliação, em 28/09/11, a ferida 1 apresentava dimensão de 18cm², bordas bem definidas não aderidas ao leito da lesão com descolamento, exsudato seroso e moderado, odor moderado e característico, esfacelo amarelo firmemente aderido em 95% do leito da lesão, e dor (33 pontos na escala). Na mesma data, a 167 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba ferida 2 em apresentava dimensão de 2,52cm², bordas distintas, com pouco exsudato seroso, odor discreto e característico, esfacelo amarelado em 55% da lesão, hiperemia/aumento da temperatura/edema, sem dor (12 pontos). Neste momento foi realizado o desbridamento com colagenase associado ao desbridamento cirúrgico. O cliente também fez uso de antibiótico sistêmico (cefalexina) prescrito pela médica da Unidade de Saúde da Família. Com a retirada do esfacelo, passou-se a se utilizar gel com Aloe vera ou Ácido Graxo Essencial (AGE) associado com gaze com polyhexametil-biguanida (PHMB). Em 31/10/11, na segunda avaliação, a ferida 1 apresentava dimensão 13,6cm², com pouco exsudato e odor discreto e característico, com retirada total do esfacelo e surgimento de tecido de granulação em toda a ferida (23 pontos). No mesmo dia, a ferida 2 estava com dimensão de 0,4 cm², bordas indistintas e tecido de granulação (3 pontos), o que comprova a eficácia do desbridamento e tratamento da infecção local. Assim, nesse momento, passou-se a se utilizar o creme barreira na pele perilesional e hidrogel no leito da ferida. Em 24/11/11, na terceira avaliação da ferida 1 a dimensão foi de 5,6 cm², bordas indistintas, pouco exsudato seroso e tecido de granulação (9 pontos). Na terceira avaliação da ferida 2 em 07/11/11, a lesão estava praticamente epitelizada, a dimensão foi de 0,09cm², bordas distintas, com pouco exsudato e com tecido de granulação, sem sinais de infecção e dor (3 pontos). Em 19/12/11 foi realizada a quarta avaliação da ferida 1 a qual apresentou dimensão de 3,9 cm², bordas indistintas, pouco exsudato e tecido de granulação (7 pontos). Em 26/01/12, na quinta avaliação da ferida 1, a dimensão foi de 0,7cm², pouco exsudato, odor ausente, apresentando também tecido de granulação e epitelização com contração de bordas (7 pontos), a ferida estava quase que completamente coberta por tecido epitelial. A continuidade do tratamento foi mantida com AGE na pele recém-formada. Quanto à ferida 3, na primeira avaliação, em 24/11/11, a mesma apresentava dimensão de 0,4cm², bordas distintas, com exsudato moderado, purulento, odor discreto e característico, tecido com presença de esfacelo, com sinais de infecção como hiperemia e edema, com dor mínima (16 pontos). Nesse momento, o cliente também fez uso de colagenase e antibiótico sistêmico (cefalexina). Na segunda avaliação da ferida 3, em 19/12/11, a ferida estava com dimensão 0,63cm², bordas distintas, pouco exsudato seroso e tecido de granulação (6 pontos). Nesse período, também se instituiu o uso do gel com Aloe vera ou Ácido Graxo Essencial (AGE) associado com gaze com Polihexametileno Biguanida (PHMB) e com o controle da infecção, passou-se a usar o creme barreira nas bordas e hidrogel no leito da lesão. Na terceira avaliação, em 10/01/12, a ferida 3 apresentava dimensão de 0,35cm², bordas indistintas que significa evolução do processo cicatricial, ausência de exsudato e presença de tecido de granulação (3 pontos). O AGE foi mantido na tecido recém epitelizado. Nesse tipo de ferida o objetivo é identificar adequadamente a presença ou não de infecção e promover o desbridamento dos tecidos desvitalizados e combater a infecção, preferencialmente por meio de terapia sistêmica. Carmo (2006) enfatiza que na presença de tecidos inviáveis há necessidade de desbridamento, uma vez que esses tecidos além de favorecer infecções, não permitem a formação do tecido de granulação e adequada reepitelização. A colagenase é uma enzima proteolítica que degrada o colágeno nativo da ferida, e assim, realiza o desbridamento enzimático. As margens descoladas ou desniveladas no leito da lesão são indicativas de insuficiência tecidual de base, para a migração de células epiteliais. As margens viáveis e necessárias para uma retração cicatricial eficiente devem ser perfundidas, livre de maceração ou queratose e planas no leito da lesão para que as células epiteliais migrem eficientemente sobre o tecido conjuntivo neoformado. Malagutti (2010) aborda que a maceração perilesional, atrapalha a migração dos queratinócitos para o centro da lesão, evitando o surgimento do tecido de epitelização. Pode ocorrer devido ao uso prolongado e/ou errôneo de curativos que estimulam a exsudação excessiva das feridas. Dessa forma, utilizou-se a troca frequente do curativo, diante do extravasamento do exsudato associado ao creme barreira que protegia a pele perilesional da 168 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba exsudação excessiva, mantendo o ambiente adequado a uma boa evolução cicatricial. O PHMB é um forma polimerizada da clorexidina e desempenha um papel importante no tratamento de feridas por ter evidenciado tanto boa compatibilidade com os tecidos quanto ação contra lipídios da membrana de células bacterianas, com efeito mínimo sobre as células humanas, sendo ativo contra um grande número de micro-organismos, incluindo Staphylococcus aureus Methycilin resistente (MRSA), Enterococcus faecalis resistente a vancomicina e Acinetobacter baumannii que causa infecções resistente a antibióticos. Quanto ao AGE, este é um óleo vegetal composto por ácido linoléico, ácido caprílico, ácido cáprico, vitamina A, E e lecitina de soja, tem como mecanismo de ação a quimiotaxia de células de defesa, angiogênse, manutenção do meio úmido. Após o controle da infecção e diante da necessidade da manutenção de um meio úmido e hidratado, passou-se a utilizar o hidrogel, que é formado por água, carboximetilcelulose e propilenoglicol. Vale ressaltar que para o sucesso do tratamento, este foi instituído por meio de orientações quanto ao uso correto da medicação, dieta, repouso, higiene e cuidados com os pés. CONSIDERAÇÕES FINAIS: O estudo mostra a relação entre úlcera venosa e Diabetes Mellitus, abordando sua interferência no processo de cicatrização da ferida. Nesse sentido, é necessário explanar que para o tratamento dessas lesões não somente é importante a utilização de produtos terapêuticos, mas sim, a atenção e assistência as doenças de base, essenciais para a cicatrização das úlceras, como Hipertensão e Diabetes Mellitus. Considerando tais implicações, torna-se essencial o papel da enfermagem no compromisso de buscar uma assistência integral, focalizando, não apenas, a doença, mas o ser biopsicossocial. Descritores: Úlcera varicosa. Diabetes Mellitus. Enfermagem. REFERÊNCIAS ABBADE, L.P.F.; LASTORIA, S. Abordagem de pacientes com úlcera da perna de etiologia venosa. Anais Brasileiros de Dermatologia, v.81, n.6, p. 509-522, 2006. BARBOSA, J.A.G.; CAMPOS, L.M.N. Diretrizes para o tratamento da úlcera venosa. Enferm. glob. , n.20, 2010. BATES-JENSEN, B.; NYSTUL, S.R.; SCACHETTI, G.G. Prevenção da úlcera por pressão por parte do cuidador domiciliar. In: MALAGUTTI, W.; KAKIHARA, C.T. Curativos, estomias e dermatologia: uma abordagem multiprofissional. São Paulo: Martinari, 2010. BORGES, E. L. Tratamento tópico de úlcera venosa: proposta de uma diretriz baseada em evidência. Ribeirão Preto, 2005. 306f. Tese (Doutorado) – Universidade de São Paulo, 2005. BRASIL. Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Saúde. Resolução nº 196. Aprova as diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisas envolvendo seres humanos, de 10 de outubro de 1996. BRASIL. Ministério da Saúde. Projetos em Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Plano de reorganização da atenção a hipertensão arterial e diabetes mellitus. Departamento de ações programáticas estratégicas. 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Natal: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico, 2007. 170 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba COMUNICAÇÃO: VIVÊNCIA DE ENFERMEIROS COM O PACIENTE EM FASE TERMINAL Maria Amélia Mendes Vieira de Oliveira1 Cristiani Garrido de Andrade2 Isabelle Cristinne Pinto da Costa3 Kamyla Félix Oliveira dos Santos4 Carlos Eduardo Guedes da Silva5 Ana Camila de Andrade Garrido6 INTRODUÇÃO: A comunicação é intrínseca ao comportamento humano e permeia todas as suas ações no desempenho de suas funções. Etimologicamente, a palavra comunicar originase do latim communicare, que significa pôr em comum. Assim, a comunicação pode ser compreendida como uma técnica de troca e compreensão de mensagens emitidas e recebidas, através das quais as pessoas se percebem, partilham o significado de ideias, pensamentos e propósitos. Nesse sentido, a comunicação é um acontecimento interacional e interpretativo das relações humanas. Dessa forma, a comunicação é um fator imprescindível na vivência dos indivíduos, sendo de suma relevância nas relações de trabalho de enfermagem. Através de uma comunicação efetiva, esse profissional pode prestar uma assistência de forma holística, no intuito de possibilitar à sua clientela o entendimento e enfrentamento dos problemas, bem como a percepção do seu papel como sujeito ativo no processo de restabelecimento e bemestar gera. É notório destacar que a comunicação vai muito além das palavras e do conteúdo, pois contempla a escuta atenta, o olhar e a postura. Destarte, considera-se de essencial valor, o cuidado integral e humanizado, para que se possa reconhecer e acolher, de maneira empática, as necessidades do paciente, principalmente, os na terminalidade. Nessa fase, a comunicação é considerada um instrumento primordial, na qual o referido cuidado torna-se perceptível quando o profissional de enfermagem utiliza de diversas formas de comunicação para que se perceba, se compreenda e se empregue o cuidado necessário ao ser paciente e, desse modo, realizar um tratamento digno. Logo, a comunicação é caracterizada como uma modalidade básica do cuidar em Enfermagem, uma vez que emerge como um instrumento fundamental de suporte ao paciente na terminalidade, na qual se faz necessário que os profissionais de saúde, 1 Graduanda em Enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba - FCMPB. Técnica em Enfermagem do Hospital Clementino Fraga. FCMPB. E-mail: [email protected]. 2 Enfermeira. Fonoaudióloga. Especialista em Saúde Coletiva, com Ênfase na ESF-FASER. Mestranda em Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba – UFPB. Docente em Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. E-mail: [email protected]. 3 Enfermeira. Fonoaudióloga. Mestre em Enfermagem. Especialista em Saúde Coletiva, com Ênfase na ESFFASER. Doutoranda em Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba. Membro do Núcleo Gestor da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. E-mail: [email protected]. 4 Enfermeira. Mestranda em Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba – UFPB. Docente em Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. E-mail: [email protected]. 5 Enfermeiro Intensivista. Graduando em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. Servidor Público do Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena. Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. E-mail: [email protected]. 6 Graduanda em Enfermagem pela Faculdade Santa Emília de Rodat. Faculdade Santa Emília de Rodat. E-mail: [email protected]. 171 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba essencialmente, os enfermeiros utilizem a comunicação verbal e não verbal, para assim o paciente participar ativamente do processo de cuidar. De tal modo, constata-se a importância da qualidade da comunicação instituída, sob a qual é realizado o trabalho em saúde, considerando as relações humanas, seja com pacientes ou com a equipe. Sob esse prisma, a finalidade básica da comunicação é aperfeiçoar a percepção da realidade, as relações com os indivíduos e transformar a si mesmo e aos fatos. Com isso, torna-se essencial que o profissional compreenda que a maneira como o paciente apreende os fatos à sua volta, influencia a sua conduta, mais do que a realidade da situação em si. Assim, o processo de comunicação está completamente inserido nas ações da enfermagem. Sob esse prisma, a finalidade básica da comunicação é aperfeiçoar a percepção da realidade, as relações com os indivíduos e transformar a si mesmo e aos fatos. Com isso, torna-se essencial que o profissional compreenda que a maneira como o paciente apreende os fatos à sua volta, influencia a sua conduta, mais do que a realidade da situação em si. Com base em tal entendimento, verifica-se a necessidade premente de se avançarem as pesquisas para aprofundar esta temática, levando em consideração a relevância da comunicação como instrumento propulsor do cuidado em enfermagem com o paciente em fase terminal, visto que essa modalidade de cuidar reduz a aflição do paciente. Diante do exposto, este estudo tem como fio condutor os seguintes questionamentos: Qual a compreensão de enfermeiros assistenciais no que diz respeito à comunicação? Quais as dificuldades que os enfermeiros enfrentam na comunicação com o paciente terminal? Quais as estratégias adotadas pelos enfermeiros na comunicação com o paciente na terminalidade? Qual o significado da comunicação para os enfermeiros ao cuidar do paciente terminal? Diante dessas questões, a pesquisa visa aos seguintes objetivos: verificar a compreensão de enfermeiros assistenciais no que diz respeito à comunicação; identificar as dificuldades que os enfermeiros enfrentam para se comunicar com o paciente terminal; detectar as estratégias adotadas pelos enfermeiros para se comunicar com o paciente na terminalidade; verificar o significado da comunicação para os enfermeiros ao cuidar do paciente terminal. METODOLOGIA: Trata-se de um estudo do tipo nota prévia que vem apresentar uma proposta de trabalho, que segue o percurso metodológico de uma pesquisa de natureza descritiva com abordagem qualitativa. O mesmo foi realizado em uma Unidade de Terapia Intensiva, de uma Instituição Hospitalar, da cidade de João Pessoa, no estado da Paraíba, considerada referência no tratamento de doenças infectocontagiosas. Vale ressalvar, que a escolha da referida unidade deve-se ao fato da mesma abrigar um grande quantitativo de pacientes em fase terminal. A população do estudo é composta por enfermeiros da referida Unidade que prestam cuidados direcionados ao paciente terminal. Com base no exposto, foram adotados os seguintes critérios de inclusão: estar em atividade durante o período de coleta de dados, ter, no mínimo, um ano de atuação na instituição selecionada para a investigação proposta; ter disponibilidade; e aceitar participar da pesquisa confirmando sua concordância através da assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Atenderam a esses critérios e compuseram a amostragem deste estudo, 07 (sete) enfermeiros. A coleta de dados ocorreu no mês de janeiro de 2012, por meio de um formulário contendo questões pertinentes aos objetivos propostos para a pesquisa. Os dados foram coletados no próprio serviço, em ambiente privativo, no horário de trabalho, em data antecipadamente agendada e após exposição, elucidação dos objetivos da investigação e obtenção do consentimento de cada participante. Os dados obtidos por meio do instrumento proposto estão sendo agrupados e analisados mediante o Discurso do Sujeito Coletivo, proposto por Lefèvre e Lefèvre (2005), nessa técnica, a fala de todos os participantes constitui discurso de um único sujeito, denominado sujeito coletivo, visando tornar mais clara uma dada representação social, bem como o conjunto das representações que conforma o dado imaginário. Ressalta-se que a operacionalização desse procedimento obedecerá aos seguintes passos: agrupamento dos discursos individuais relacionados a cada pergunta/tema; seleção das 172 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba expressões-chave (ECHs) de cada discurso particular; identificação da ideia central (IC) de cada uma das ECHs; identificação das ideias centrais semelhantes ou complementares; reunião das ECHs referentes às ideias centrais, semelhantes ou complementares, em um discurso síntese, que é o DSC. É importante ressaltar que a pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa, da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba (CEP/FCM-PB), em sua 23ª Reunião Ordinária, realizada em 09/11/2011, com base nas recomendações da Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde, sob o Protocolo N° 056/2011. RESULTADOS: A análise preliminar dos dados permitiu compreender que os enfermeiros envolvidos no estudo destacam a comunicação como parte central do processo de interação humana, estabelecendose como um dos instrumentos mais expressivos do agir humano, por permitir a emissão e recepção de informações, haja vista que permeia toda a ação do ser humano, como um processo de troca, compreensão e partilha de mensagens enviadas e recebidas conforme exemplificado no discurso do sujeito coletivo extraído das entrevistas com os enfermeiros, elencados a seguir: A comunicação dignifica e dá sentido a vida do paciente terminal [...]. Os pacientes graves em fase terminal ficam fragilizados, necessitando de uma conversa, de troca de informações, de um ombro amigo. [...] necessitam de proteção, carinho e atenção, como também devem expressar seus sentimentos e as suas necessidades. A comunicação é uma forma de promover uma assistência digna com amor e humanização, promovendo um vínculo. Para os pacientes conscientes é uma forma de motivação, de compartilhar experiências e para os inconscientes provê o conforto para uma morte digna. Diante do DSC descrito sobre a comunicação com o paciente sem possibilidade de cura, destaca-se que esta modalidade de cuidar é considerada de fundamental importância para a conjuntura do cuidado, onde o enfermeiro faz o uso da comunicação verbal e da não verbal, com o paciente que vivencia o processo de morrer. No que concerne às estratégias de comunicação utilizadas pelos enfermeiros com o paciente na terminalidade, destaca-se que os mesmos utilizam a comunicação verbal e principalmente a comunicação não-verbal, conforme elucidado no Discurso do Sujeito Coletivo, apresentado a seguir: Para determinados pacientes utilizo a comunicação verbal [...] faço perguntas simples, pergunto de onde ele é o que ele faz, se ele tem filhos [...]. Chego ao cliente me comunicando, falo da importância de se ajudar para tentar sair deste quadro. Utilizo a verbalização. [...] emprego a fala, o diálogo otimista, tais pontos auxiliam no relacionamento com o paciente, muitas vezes consolando, reduzindo o sofrimento no momento final. Para aos pacientes inconscientes utilizo o toque [...]. Emprego o toque, o olhar, os gestos, ternura, afago, a mímica facial. Com os pacientes terminais sempre interajo de maneira afetiva e respeitosa com ênfase nos cuidados assistenciais [...] visando este com um ser holístico. Procuro interagir, tentando mostrar o sentido da vida, querendo que o paciente aprenda a conviver com a terminalidade [...]. [...] assim, utilizando o toque, o olhar, um aperto de mão, um gesto, eu estabeleço um relacionamento eficaz e dignifico o meu paciente. Dentre os aspectos necessários ressaltados foi possível vislumbrar o cuidar, a segurança, o amadurecimento, o bem estar, o conhecimento, o toque, os gestos, sendo estes essenciais no momento do cuidar do paciente terminal. Por se tratar de uma nota prévia, cumpre destacar que a pesquisa encontra-se na fase de análise do material empírico, novos dados estão sendo analisados, com vistas a aprofundar a compreensão dessa vivência. Descritores: Comunicação. Paciente terminal. Enfermagem. REFERÊNCIAS ARAÚJO, M.M.T; SILVA, M.J.P. A comunicação com o paciente em cuidados paliativos: valorizando a alegria e o otimismo. Rev. Esc. Enferm. USP, v. 41, n. 4, p. 668-74, 2007. 173 Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba BIFULCO, V. A.; IOCHIDA, L.C. A formação na graduação dos profissionais de saúde e a educação para o cuidado de pacientes fora de recursos terapêuticos de cura. Rev. bras. educ. med., v.33, n.1, p. 92-100, 2009. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM.Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem. Rio de Janeiro, 2007. COSTA FILHO, R.C. et al. Como implementar cuidados paliativos de qualidade na unidade de terapia intensiva. 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