Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
FACULDADE DE CIÊNCIAS MÉDICAS DA PARAÍBA
CURSO DE GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM
Anais da IV Semana de Enfermagem da
Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
“Novas Perspectivas para o cuidado em Enfermagem”
Anais obtidos da realização da IV Semana de Enfermagem da
Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba realizado no Campus II
da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba-FCM/PB, no período
de 11, 14 e 15 de Maio de 2012.
Ideia
João Pessoa
Maio/2012
1
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
Todos os direitos reservados – Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
Editoração/Capa
Magno Nicolau
IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas (3.: 2012: João Pessoa,
PB)
A62
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da
Paraíba.Isabelle Cristinne Pinto Costa, Cristiani Garrido de Andrade,
Kamyla Félix Oliveira dos Santos (Orgs.). - João Pessoa: Ideia, 2012.
175p.
ISSN 2236-6113
1. Enfermagem. 2. Assistência Integral à Saúde. I. Costa, Isabelle Cristinne
Pinto. II. IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da
Paraíba.
CDU: 616-083
EDITORA
(83) 3222-5986
www.ideiaeditora.com.br
Impresso no Brasil
Feito o Depósito Legal
2
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
Anais da IV Semana de Enfermagem da
Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
PRESIDENTE DO EVENTO
OTHAMAR BATISTA GAMA
DIRETORIA ADMINISTRATIVO/FINANCEIRO
ANA RAQUEL BARBOSA GAMA
DIRETOR ACADÊMICO
JOSÉ LUÍZ PEREZ
COORDENAÇÃO GERAL DO EVENTO
ISABELLE CRISTINNE PINTO COSTA
COMISSÃO ORGANIZADORA
ANA GABRIELA PEREIRA GOMES
BRUNA ROCHELLE CALADO DANTAS
BRUNO EMMANUEL DE MEDEIROS PEREIRA
CRISTIANI GARRIDO DE ANDRADE
DANIEL GOMES NASCIMENTO
DANIELA MOREIRA FIGUEIREDO
GIORGIA NEVES SALES
INGRID VALÉRIO VIANA DE MENDONÇA
ISABELLE CRISTINNE PINTO COSTA
JACIANE HONÓRIO VERÍSSIMO
JONATHAN CORDEIRO DE MORAIS
JONATHAS DAVID MENDES LEÃO
KAMYLA FÉLIX OLIVEIRA DOS SANTOS
LUARA DA SILVA PEREIRA
MAHYRA MONTEIRO COUTINHO
NATHÁLIA VASCONCELOS BRAZILIANO
RAISSA LINS VIEIRA DA SILVA
SANDRA EUGÊNIA BARRETO PEREIRA ROJAS
SUÊNIA ISABEL LEITE DOS SANTOS
SUSAN DE ALENCAR SILVA
3
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
VILYANE TRIGUEIRO MARINHO
VINÃ-DEL-MAR DA SILVA MARTINS
COMISSÃO CIENTÍFICA
ALANA TAMAR OLIVEIRA DE SOUSA
CRISTIANI GARRIDO DE ANDRADE
DANIELA MOREIRA FIGUEIREDO
GILANNE DA SILVA FERREIRA
ISABELLE CRISTINNE PINTO COSTA
KAMYLA FÉLIX OLIVEIRA DOS SANTOS
KARLA MARIA DUARTE DA SILVA
4
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
SUMÁRIO
Trabalhos Completos
HANSENÍASE: PRODUÇÃO CIENTÍFICA EM PERIÓDICOS ONLINE NO
ÂMBITO DA ENFERMAGEM.....................................................................................
08
CUIDADOS PALIATIVOS EM UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA:
PRODUÇÃO CIENTÍFICA EM PERIÓDICOS BRASILEIROS.............................
19
EDUCAÇÃO NA FORMAÇÃO PROFISSIONAL DE ENFERMAGEM:
PRODUÇÃO CIENTÍFICA NO ÂMBITO DA EDUCAÇÃO...................................
28
CUIDADOS PALIATIVOS NO DOMICÍLIO: PRODUÇÃO CIENTÍFICA NO
ÂMBITO DA ENFERMAGEM.....................................................................................
40
DEPRESSÃO PUERPERAL: UM ENFOQUE LITERÁRIO....................................
49
PROPOSTA DE ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM PARA PACIENTES EM
HEMODIÁLISE...............................................................................................................
58
ENFERMAGEM E O INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO: REVISÃO
INTEGRATIVA DA LITERATURA.............................................................................
77
VÍNCULO AFETIVO MÃE E FILHO: UMA EXPERIÊNCIA NA
ADOLESCÊNCIA..........................................................................................................
89
INDICADORES DE QUALIDADE NAS UTI..............................................................
101
ADMINISTRAÇÃO DE CONFLITOS E A ENFERMAGEM...................................
110
ASSISTÊNCIA
DE
ENFERMAGEM
AO
TRAUMATISMO
CRANIOENCEFÁLICO: ESTUDO EXPLORATÓRIO............................................
120
5
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
Resumos Expandidos
LEISHMANIOSE TEGUMENTAR: MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS E
FORMAS DE PREVENÇÃO.......................................................................................
133
O CUIDADO DE ENFERMAGEM AO PORTADOR DE ALZHEIMER:
REVISÃO DE LITERATURA.....................................................................................
136
VIVENCIANDO UM GRUPO DE EDUCAÇÃO EM SAÚDE: EXPERIÊNCIAS
DE GESTANTES...........................................................................................................
140
ESPIRITUALIDADE NO APROXIMAR DA MORTE: ESTRATÉGIA
ADOTADA PARA HUMANIZAR O CUIDAR EM ENFERMAGEM...................
144
CUIDADOS PALIATIVOS NA TERCEIRA IDADE: PRODUÇÃO
CIENTÍFICA NO ÂMBITO DA SAÚDE....................................................................
146
AIDS NO IDOSO: UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA..........................................
150
CUIDADOS PALIATIVOS EM PACIENTES COM CÂNCER: UMA
REVISÃO DE LITERATURA.....................................................................................
154
CONDUTA DE ENFERMAGEM NAS SÍNDROMES HEMORRÁGICAS PÓSPARTO: PREVENINDO A MORTALIDADE MATERNA.....................................
158
ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM A CLIENTE COM ÚLCERA VENOSA
UTILIZANDO A NANDA.............................................................................................
162
TRATAMENTO DE ÚLCERA VENOSA EM PACIENTES DIABÉTICO: UM
ESTUDO CLÍNICO.......................................................................................................
166
COMUNICAÇÃO: VIVÊNCIA DE ENFERMEIROS COM O PACIENTE EM
FASE TERMINAL.........................................................................................................
171
6
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
IV SEMANA DE ENFERMAGEM DA FACULDADE DE
CIÊNCIAS MÉDICAS DA PARAÍBA
TRABALHOS COMPLETOS
7
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
HANSENÍASE: PRODUÇÃO CIENTÍFICA EM PERIÓDICOS ONLINE
NO ÂMBITO DA ENFERMAGEM
Fernanda Carla Guedes Cunha (relator)1
Cristiani Garrido de Andrade2
Carlos Eduardo Guedes da Silva3
Isabelle Cristinne Pinto Costa4
Ana Camila Garrido de Andrade5
Kamyla Félix Oliveira dos Santos6
RESUMO
A hanseníase é uma doença crônica, que pode originar diversas consequências para os seus
portadores, devido às lesões que os incapacitam física e psicologicamente. A Enfermagem
tem um papel essencial em relação aos portadores dessa enfermidade, por isso deve prestarlhes uma assistência integral e humanizada. O estudo teve como objetivo caracterizar a
produção científica acerca da hanseníase em periódicos online, no âmbito da Enfermagem, no
período de 1995 a 2010. Trata-se de uma revisão bibliográfica, consubstanciada na literatura
pertinente à temática Para tanto, realizou-se uma busca nas bases de dados da Biblioteca
Virtual em Saúde. A partir do descritor ―hanseníase and enfermagem‖ e dos critérios de
inclusão, a amostra foi constituída por treze publicações. Após o levantamento do material
empírico, constatou-se que o período de 2008 correspondeu ao maior número de publicações.
No que concerne às modalidades de publicação, observou-se que a maioria se apresentou
artigos originais (85%). Em relação aos enfoques contemplados no estudo, foram
identificadas duas categorias: a enfermagem e os aspectos clínicos epidemiológicos da
hanseníase; assistência de enfermagem ao paciente portador de hanseníase. Ficou constatado
que a produção científica acerca da hanseníase, no âmbito da enfermagem, necessita de uma
maior consolidação na pesquisa, haja vista o quantitativo ínfimo de publicações encontradas.
Diante desse contexto, ressalva-se a importância de o profissional de Enfermagem ampliar
através da maneira de atuar, através da prestação de uma assistência de qualidade.
Descritores: Hanseníase. Enfermagem. Saúde Pública
1
Graduanda em Enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. Técnica em Enfermagem do Setor
de Doenças Infecto Contagiosas do Hospital Universitário Lauro Wanderley – HULW. Faculdade de Ciências
Médicas da Paraíba. E-mail: [email protected]
2
Enfermeira. Fonoaudióloga. Especialista em Saúde Coletiva, com Ênfase na ESF-FASER. Mestranda em
Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba – UFPB. Docente em Enfermagem da Faculdade de Ciências
Médicas da Paraíba. Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. E-mail: [email protected].
3
Enfermeiro Intensivista. Graduando em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. Servidor
Público do Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena. Faculdade de Ciências Médicas da
Paraíba. E-mail: [email protected].
4
Enfermeira. Fonoaudióloga. Mestre em Enfermagem. Especialista em Saúde Coletiva, com Ênfase na ESFFASER. Doutoranda em Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba. Membro do Núcleo Gestor da
Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. E-mail:
[email protected].
5
Graduanda em Enfermagem pela Faculdade Santa Emília de Rodat. Faculdade Santa Emília de Rodat. E-mail:
[email protected].
6
Enfermeira. Mestranda em Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba – UFPB. Docente em
Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. E-mail:
[email protected].
8
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
INTRODUÇÃO
A hanseníase é uma doença crônico-granulomatosa, que representa um imperioso
problema de saúde pública, não somente pelo grande número de pessoas que acomete, como
também pelas incapacidades que produz, atingindo, sobretudo, a faixa etária economicamente
ativa (BRASIL, 2010).
A referida patologia ocorre de forma endêmica nos países do Terceiro Mundo, em
particular na Ásia, na África e nas Américas do Sul e Central, locais onde se encontram os
focos mais graves da doença no âmbito mundial. Entre esses, o Brasil ocupa lugar de
destaque, estando atrás apenas da Índia ao número de casos (BERNARDI; MACHADO,
2004). É importante mencionar que, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS),
o Brasil é considerado um país de alta endemicidade, devido ao seu coeficiente de prevalência
ser maior de 1,0 por mil habitantes, tendo cerca de 280.000 doentes registrados e prevalência
de 1,8%, o que configura a existência de 500 a 750.000 doentes (MARCHESE; MARCHESE;
RIVITTI, 2002).
Nesse prisma, a hanseníase requer medidas que devem ser compartilhadas por uma
equipe multidisciplinar, em todos os níveis de atenção de saúde. O diagnóstico, o tratamento e
a cura são prováveis, inicialmente, no âmbito da atenção básica (AB). As incapacidades
físicas podem ser evitadas ou reduzidas, se as pessoas afetadas forem identificadas e
diagnosticadas precocemente, tratadas com técnicas adequadas e com seguimento nos
serviços de saúde de AB (BRASIL., 2010).
Dessa forma, práticas de enfermagem são de grande relevância e estão particularmente
ligadas à promoção da saúde e à prevenção das incapacidades, concretizadas,
necessariamente, por meio de educação em saúde, no sentido de obter uma participação
consciente e constante do usuário nos programas. Um grande desafio para o enfermeiro é
trabalhar na garantia de adesão dos usuários do Sistema Único de Saúde ao tratamento, pois
se sabe que a hanseníase exige um tratamento e acompanhamento de longo prazo. Conhecemse, também, as diversas reações causadas pelas medicações, o que dificulta a adesão, razão
pela qual é pertinente tomar as práticas de atendimento de enfermagem como objeto de estudo
e análise (SILVA et al., 2009).
Diante das considerações abordadas, o interesse em realizar o presente estudo reportase à amplitude da temática para a prática assistencial de profissionais da área de Saúde. Nesse
contexto, considerando a relevância da temática, no campo da atenção básica, e o quantitativo
elementar de estudos na literatura nacional acerca da prática de Enfermagem na hanseníase,
verificou-se a necessidade em desenvolver um estudo que tem como objetivo caracterizar a
9
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
produção científica acerca da hanseníase, em periódicos online, no âmbito da Enfermagem, no
período de 1995 a 2010.
METODOLOGIA
Trata-se de uma pesquisa bibliográfica consubstanciada na literatura pertinente ao
tema em destaque. Segundo Gil (2002), a principal vantagem nesse tipo de pesquisa é propor
ao investigador a cobertura de uma gama de fenômenos muito mais amplos. Não há regras
fixas que determinem e concretizem a realização de uma pesquisa bibliográfica, porém há
fatores que demonstram serem importantes neste caso: exploração de fontes bibliográficas,
leitura do material e elaboração de fichas, ordenação e análise das fichas e conclusões.
As fontes de dados foram as publicações acerca da hanseníase, no âmbito da
Enfermagem, por meio de busca eletrônica na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), na base de
dados Scientific Eletronic Library Online  SciELO. O descritor em Ciências da Saúde
instituído para a coleta de dados foi ―hanseníase and Enfermagem‖.
Para eleger a amostra, foram estabelecidos os seguintes critérios de inclusão: artigos
que abordassem a temática de hanseníase e enfermagem, na língua portuguesa,
disponibilizados na íntegra na base de dados selecionada para a pesquisa no período de 1995 a
2010. Dessa maneira, a amostra foi composta por treze artigos, uma vez que estes se
enquadraram aos critérios antecipadamente elaborados.
A coleta de dados ocorreu no período de agosto a setembro de 2010 e obedeceu aos
seguintes passos: 1) Inicialmente, foi introduzida, no descritor de assunto, a expressão-chave:
hanseníase e enfermagem; 2) Em seguida, o método de busca foi por relevância, razão por que
aplicaram-se os critérios de inclusão expostos anteriormente.
Destaca-se que foram ponderadas as observâncias éticas observadas no Código de
Ética dos Profissionais de Enfermagem – Resolução 311/2007 do Conselho Federal de
Enfermagem, no que se refere à elaboração de trabalhos científicos.
ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Para melhor compreender a temática em questão, os dados obtidos nos artigos
contidos na investigação proposta, foram agrupados e, posteriormente, apresentados por meio
de representação gráfica. Desse modo, foi possível evidenciar os dados referentes ao ano e à
modalidade de publicação, área de atuação dos pesquisadores, assim como os enfoques
contemplados do material analisado.
10
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
No que tange aos anos de publicação, estes foram evidenciados por meio da figura
abaixo.
Figura 1: Distribuição dos artigos conforme o ano de publicação, 2010.
A figura 1 mostra que o período de 2008 correspondeu ao maior número de
publicações, com cinco artigos, seguido dos anos de 2007 e 2009, com três artigos para cada
ano. Já em relação aos anos de 1995 e 2004, observou-se um quantitativo incipiente de
produções, com cerca de um artigo para cada ano. Foi evidenciado que, no período de 1996 a
2003; de 2005 a 2006 e no ano de 2010, não houve nenhuma produção acerca do tema
proposto, nos periódicos pesquisados.
As modalidades de delineamento dos estudos foram apresentadas na figura 2.
Figura 2: Distribuição dos artigos conforme as modalidades de publicação, 2010.
No que concerne às modalidades de publicação abordadas, o estudo mostra que a
maioria foi artigo original, totalizando onze artigos (85%). A modalidade relato de
experiência foi constituída por dois artigos (15%). Com isso, fica claro que existe interesse
11
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
dos pesquisadores em apresentar estudos que enfatizam conhecimentos pioneiros acerca da
temática em estudo.
Em relação aos enfoques contemplados no estudo, foram identificadas duas categorias,
a saber: Categoria I: Enfermagem e os aspectos clínicos epidemiológicos da hanseníase,
sendo dividida em três subcategorias – manifestações clínicas, grau de incapacidades e
prevenção (Figura 3); e Categoria II: Assistência de enfermagem na hanseníase, subdividida
em consulta de enfermagem, diagnóstico de enfermagem e ações de enfermagem (Figura 4).
CATEGORIA I
SUBCATEGORIAS
Enfermagem e os aspectos clínicos
 Manifestações Clínicas
epidemiológicos da Hanseníase
 Grau de incapacidades
 Prevenção
Figura 3: Categoria e respectivas sub-categorias dos artigos que contemplam a temática
enfermagem e os aspectos clínicos epidemiológicos da hanseníase, 2010.
No que diz respeito à primeira subcategoria, que ressalta as ―manifestações clínicas da
hanseníase‖, constatou-se que esta é uma doença que se manifesta, principalmente, através de
sinais e sintomas dermatoneurológicos. Portanto, a principal característica clínica dos
portadores de hanseníase é o acometimento dermatoneurológico, que pode levar a
deformidades osteoarticulares e a outras sequelas (PEREIRA; SOUZA; VIEIRA, 2008).
Nesse contexto, a hanseníase manifesta-se através de lesões na pele, que se apresentam
com diminuição ou ausência de sensibilidade, nas quais as lesões mais comuns são: manchas
pigmentares ou discrômicas; placas individuais ou aglomerados de placas; infiltração;
vitropressão, na qual surge fundo de cor café com leite, resultando da presença de infiltrado
celular na derme, às vezes, com edema e vasodilatação e nódulo (BRASIL, 2002).
Sob esse prisma, reafirmamos que essa doença representa, ainda hoje, um grave
problema de saúde pública no Brasil. Além dos agravantes intrínsecos a qualquer doença de
procedência socioeconômica, constatamos a repercussão psicológica originada pelas sequelas
físicas da doença, que colabora para baixar a autoestima e para a autossegregação do paciente
portador dessa enfermidade.
No que tange à subcategoria ―grau de incapacidades‖, foi averiguado que a
incapacidade, nos pacientes portadores de tal patologia, é identificada a partir da avaliação
neurológica dos olhos, das mãos, dos pés e tem seu resultado expresso em valores que variam
12
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
de 0 (zero) a II (dois), devendo-se destacar que o grau 0 existe quando não há
comprometimento neural nos olhos, nas mãos ou nos pés; grau I, que corresponde à
diminuição ou perda de sensibilidade, e grau II, que indica a presença de incapacidades e
deformidades do tipo lagoftalmo, garras, reabsorção óssea, mãos e pés caídos, entre outros
(BRASIL, 2010).
Em um estudo realizado com o objetivo de averiguar o grau de incapacidade dos
portadores de hanseníase, verificou-se que 20,2% foram classificados com grau 0; 41,4%,
como grau I, e 38,4% ,como grau II de incapacidade física. Estavam com grau máximo de
incapacidade 34,4% das pessoas em tratamento e 44,7% das que já haviam obtido alta do
programa. Nesse estudo, destaca-se o fato de que, entre as 99 pessoas participantes da
pesquisa, 86 (87%) ainda não haviam sido avaliadas anteriormente (SILVA SOBRINHO et
al., 2007). Resultados semelhantes foram apreciados por alguns autores, em uma pesquisa
realizada em Buriticupu (MA), em que eles concluíram que, ao final do tratamento
preconizado pelo Ministério da Saúde, a maioria dos casos não tinha sido avaliada (AQUINO;
SANTOS; COSTA, 2003).
Outro estudo desenvolvido, opõe-se ao evento exposto, afirmando que 13 (35%) dos
pacientes portadores de hanseníase apresentavam algum grau de incapacidade física, sendo
que sete (19%) apresentavam maior grau de incapacidade grau I, e seis, (16%) grau II
(DUARTE; AYRES; SIMONETTI, 2009).
Essas ponderações indicam dificuldades do serviço na estratégia de controle da
hanseníase e suas complicações, demonstrando um diagnóstico tardio dos casos, devido à
presença de sequelas incapacitantes, posto que, uma conduta que pode prevenir e até reverter
sequelas físicas é a avaliação de incapacidades no início do tratamento. Se o paciente
apresentar nervos acometidos, os riscos de desenvolver incapacidades são maiores. Por
conseguinte, os programas de controle da hanseníase devem ser criteriosos na avaliação
inicial..
O Ministério da Saúde afirma que, quando diagnosticada tardiamente, a hanseníase
gera um grande número de portadores e ex-portadores com incapacidades físicas instaladas, o
que confere à capacitação dos profissionais uma prioridade, tornando-a objeto de esforços
contínuos (BRASIL, 2010).
É importante enfatizar que, atualmente, a Política Nacional de Controle da Hanseníase
prioriza a eliminação dessa patologia como um problema de saúde pública, sendo necessário
diminuir a prevalência para um ou menos de um caso para cada grupo de 10.000 habitantes.
Para que isso aconteça, é imprescindível a realização de diagnóstico precoce dos casos,
13
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
evitando, assim, além da transmissão, as incapacidades físicas. É também prioridade avaliar
as incapacidades físicas, atenção especial ao diagnóstico de casos em menores de 14 anos e a
capacitação dos trabalhadores de saúde, tomando como referência as necessidades de saúde
das populações, visando transformar as práticas profissionais.
Diante de tais ponderações, evidencia-se que é fundamental avaliar o grau de
incapacidade dos casos novos, através do exame dermatoneurológico, visto que o paciente
pode apresentar nervos periféricos afetados ou incapacidade física no momento do
diagnóstico. As atividades de promoção em saúde devem ser iniciadas no momento de
inserção do paciente no tratamento, e todos os profissionais da equipe devem estar aptos a
receber o portador de necessidades com uma visão global, holística, com linguagem
esclarecedora e que reforce ou reformule seus conhecimentos (PIMENTEL et al., 2003).
No que tange à subcategoria ―prevenção‖, observou-se que a mesma está relacionada
com atividades de mobilização social e promoção de saúde, tendo como referenciais teóricos
os princípios de integralidade e resolutividade em saúde.
Foi verificado que, o Ministério da Saúde coloca como atribuição de toda a equipe da
Estratégia de Saúde da Família (ESF) a mobilização social em torno das demandas e
necessidades em saúde, ações de promoção da saúde e ações educativas dirigidas à família e à
comunidade. A busca e o diagnóstico dos casos de hanseníase devem envolver práticas
relevantes que contribuam para que o enfermeiro consiga estabelecer uma relação efetiva com
os usuário (PEDRAZZANI, 1995).
A integração de ações preventivas, promocionais e assistenciais sugere a assimilação
do princípio da integralidade, em prol da reorientação de um modelo assistencial integral,
humanizado e compromissado com o atendimento de necessidades e com a garantia do direito
à saúde da população16.
Diante desses achados, destacamos que o enfermeiro está preocupado com a
prevenção e a promoção da saúde no âmbito da hanseníase, possibilitando o acesso da
comunidade às informações, ao diagnóstico precoce, interrompendo, por conseguinte, a
cadeia de transmissão da doença.
A categoria II, com as suas respectivas subcategorias, está contemplada no quadro a
seguir.
14
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
CATEGORIA II
Assistência de Enfermagem ao paciente
portador de hanseníase
SUBCATEGORIAS
 Consulta de Enfermagem
 Ações de enfermagem
Figura 4: Categoria e respectivas sub-categorias dos artigos que contemplam a temática
Enfermagem e os aspectos clínicos epidemiológicos da Hanseníase, 2010.
A primeira subcategoria exposta está relacionada à ―consulta de Enfermagem‖, a
temática mais evidenciada nos artigos apreciados, em que se observa uma preocupação
constante com o processo de Enfermagem.
No âmbito da Estratégia de Saúde da Família (ESF), a prática da consulta de
Enfermagem tem grande relevância no serviço de saúde, visto que, em sua realização, são
consideradas as informações trazidas pelas pessoas que buscam a unidade, numa tentativa de
considerá-las em suas múltiplas dimensões durante o atendimento (SILVA et al., 2009).
A forma de registro universal da consulta de enfermagem é o prontuário familiar,
sendo o mesmo a forma de registro que as enfermeiras utilizam. De acordo com as
recomendações do Ministério da Saúde, a documentação utilizada para o intercâmbio de
dados e informações deve ser a mais simples e objetiva possível. O prontuário deve conter:
ficha de notificação, ficha de acompanhamento, formulário para registro de incapacidade,
registro de cada atendimento médico e/ou enfermagem (BRASIL, 2002).
De acordo com Duarte, Ayres e Simon (2008) no instrumento consulta de enfermagem
ao cliente portador de hanseníase - o Histórico de Enfermagem - deve abranger os seguintes
aspectos: dados de identificação, aspectos do ambiente, queixas, antecedentes pessoais e
familiares, hábitos de vida, aspectos socioeconômicos e rede de apoio, conhecimentos sobre a
hanseníase, reações frente ao diagnóstico, aspectos do tratamento atual, exame físico geral e
específico para avaliação do grau de incapacidades dos olhos, mãos e pés, conforme
padronização do Ministério da Saúde.
É mister enfatizar que as dificuldades declaradas pelas enfermeiras perpassam a
questão da assistência e também estão relacionadas às condições de organização dos serviços
de saúde, principalmente, influenciadas pelo excesso de demanda. Além de outros aspectos,
tais como os procedimentos técnicos e registros de informações (FREITAS et al., 2008).
Outros achados nos artigos investigados referem-se à valorização, durante a consulta
de Enfermagem, dos aspectos que dizem respeito às orientações quanto à prevenção de
15
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
incapacidades e à atenção voltada na tentativa de minimizar o estigma social que essa
patologia ainda carrega, dando ênfase à criação de vínculo e de confiança com o cliente, com
o objetivo de prestar uma atenção de qualidade, humanizada e efetiva (ALVES, 2005).
Nessa linha de pensamento, a hanseníase é uma doença potencialmente incapacitante e
deformante, devido ao seu curso crônico e ao prolongado tempo de tratamento para a
erradicação do bacilo, levando a outra natureza de cronicidade e, pior, ao estigma, que é um
componente na abordagem da experiência dessa moléstia. Cumpre assinalar, que essa
patologia pode provocar deformidades e incapacitações, que geram também transtornos
psicológicos, principalmente, pelo fato de desenvolver o preconceito em detrimento das
deformidades.
À luz dessas informações, uma pesquisa realizada com o desígnio de conhecer a
história dos ex trabalhadores de Enfermagem que tiveram hanseníase, internados
compulsoriamente desde o início do Século XX, no Brasil, enfatiza o relato dos entrevistados,
a questão da "perda" de identidade e do confinamento compulsório nas Colônias como única
forma de tratamento da doença. Os doentes eram selecionados pelas irmãs de caridade para
trabalharem dentro das colônias, tornando-se cuidadores aqueles cujas condições físicas eram
mais favoráveis ao trabalho na Enfermagem. O preconceito contra a doença e contra os
atingidos pela hanseníase também é explicitado na fala dos entrevistados (GUSMÃO, 2009).
Diante de tais circunspecções, é notório destacar que a consulta de enfermagem é uma
atividade que proporciona ao enfermeiro, condições para atuar de forma direta e independente
com o cliente, o que caracteriza sua autonomia profissional. Essa atividade, por ser privativa
do enfermeiro, fornece subsídios para a determinação do diagnóstico de enfermagem e
elaboração do plano assistencial, servindo, como meio para documentar sua prática 21.
Com base em tal premissa, destaca-se a última subcategoria - ―ações de enfermagem‖,
na qual foi constatada que são primordiais as ações assistenciais, educativas, de vigilância
epidemiológica e administrativas, observando, ainda, a necessidade de revisão das práticas
desenvolvidas no novo modelo de assistência à saúde.
É essencial levar em consideração que a prática de Enfermagem não é apenas técnicocientífica, que vai produzindo, ao longo do tempo, um conhecimento sobre o cuidar, ou seja,
de como fazê-lo sempre cada vez melhor e de como organizá-lo e administrá-lo mais lógica e
racionalmente, porque se entende a prática de enfermagem como prática social e, portanto,
historicamente estruturada e socialmente articulada.
Diante do exposto, tais achados nos levam a refletir que é preciso estar claro que a
hanseníase é um evento real na vida dos indivíduos e traz para eles muitas consequências, às
16
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
vezes irreparáveis. Portanto, a enfermagem tem um papel essencial e deve prestar uma
assistência integral e de qualidade, reforçando a importância do autocuidado e da prevenção
de incapacidades.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A pesquisa revelou que os profissionais de Enfermagem evidenciaram que a
hanseníase constitui um grave problema de saúde pública no Brasil, devido aos fatores
intrínsecos de qualquer doença de procedência socioeconômica. Constata-se, ainda, a
repercussão psicológica ocasionada pelas sequelas físicas da doença, que contribui para baixar
a autoestima e para a autossegregação do paciente portador dessa patologia.
Dessa forma, a abordagem do paciente com hanseníase, de acordo com o estudo
proposto, deve incluir a integralidade de ações preventivas, promocionais e curativas, com a
finalidade de fomentar um modelo assistencial integral, humanizado e compromissado com o
atendimento das precisões de saúde da população. Por essa razão, mostra-se imperioso que os
estados e municípios capacitem profissionais de saúde e organizem serviços para a atenção
aos portadores de hanseníase, haja vista que os pacientes e seus familiares encontram-se
sobrecarregados e não sabem lidar com o desgaste físico e emocional enfrentados por eles.
Espera-se que tais resultados possam contribuir para se repensar a assistência de
enfermagem aos portadores de hanseníase, de forma a tornar os serviços de atenção
específicos, eficientes e efetivos, no que concerne à melhoria da qualidade de vida dos
portadores dessa enfermidade.
REFERÊNCIAS
ALVES, V.S. Um modelo de educação em saúde para o Programa Saúde da Família: pela
integralidade da atenção e reorientação do modelo assistencial. Rev Interface-Comun Saúde
Educ., v.9, n.16, p.39-52, 2005.
AQUINO, C.M.D; SANTOS, S.J; COSTA, L.M.J. Avaliação de programa de controle da
hanseníase em um município hiperendêmico do Estado do Maranhão Brasil. Cad Saúde
Pública, v.1, n.19, p.119-125, 2003.
BRASIL. Ministério da Saúde. Caderno de Atenção Básica. Vigilância em saúde: dengue,
esquitossomose, hanseníase, malária, tracoma e tuberculose. Disponível em:
<http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/abcad21.pdf.> Acesso em 10 de julho de 2010.
BRASIL. Ministério da Saúde (BR). Secretarias de Políticas Públicas. Departamento de
Atenção Básica. Guia pra o Controle da Hanseníase. Brasília: Ministério da Saúde, 2002.
17
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
BERNARDI, C.; MACHADO, A.R.L. Hanseníase. In: DUNCAN, D.B; SCHMIDT, M.I;
GIUGLIANI, E.R.J. Medicina ambulatorial: condutas de atenção primária baseadas em
evidencias. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2004.
DUARTE, M.T.C; AYRES, J.A.; SIMONETTI JP. Consulta de enfermagem: estratégia de
cuidado ao portador de hanseníase em atenção primária. Texto & contexto enferm., v.18,
n.1, p. 100-07, 2009.
FREITAS, C.A.S.L. et al. Consulta de enfermagem ao portador de hanseníase no território da
Estratégia da Saúde da Família: percepções de enfermeiro e pacientes. Rev. bras. Enferm,
v.61, p.757-63, 2008.
GUSMÃO, A.P.B.; ANTUNES, M.J.M. Ter hanseníase e trabalhar na enfermagem: história
de lutas e superação. Rev. bras. Enferm., v.62, n.6, p.820-4, 2009.
GIL, A.C. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2002.
MARCHESE, L.M.; MARCHESE, A.J.T.; RIVITTI, E.A. Hanseníase. In: VERONESI, R.;
FOCACCIA, R. Tratado de Infectologia. 2. ed. São Paulo (Brasil): Livraria Atheneu
Editora, 2002.
PEDRAZZANI, E.S. Levantamento sobre as ações de enfermagem no programa de controle
da hanseníase no Estado de São Paulo. Rev Latino-am Enfermagem., v.3, n.1, p.109-15,
1995.
PEREIRA, S.V.M.; SOUZA, A.G.C.; VIEIRA, S.M.S. Avaliação da Hanseníase: relato de
experiência de acadêmicos de enfermagem. Rev. bras. Enferm, v.61, p. 774-80, 2008.
PIMENTEL, M.I.F. et al. O exame neurológico inicial na hanseníase multibacilar: correlação
entre a presença de nervos afetados com incapacidades presentes no diagnóstico e com a
ocorrência de neurites francas. Anais Bras. Dermatol., v.78, n.5, p. 561-8, 2003.
SILVA, F.R.F. et al. Prática de enfermagem na condição crônica decorrente de hanseníase.
Texto & contexto enferm., v.18, n.2, p. 290-297, 2009.
SILVA SOBRINHO, R.A. et al. Avaliação do grau de incapacidade em hanseníase: uma
estratégia para sensibilização e capacitação da equipe de enfermagem. Rev Latino-am
Enfermagem, v.15, n.6, p. 1125 – 30, 2007.
18
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
CUIDADOS PALIATIVOS EM UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA:
PRODUÇÃO CIENTÍFICA EM PERIÓDICOS BRASILEIROS
Ana Paula Jacinto de Lima (relator)1
Luciano Albuquerque de Araújo2
Lúcio Fabio de Lima Ferreira3
Maria Angélica do Nascimento Barbosa4
Maria do Socorro Pedro da Silva5
Cristiani Garrido de Andrade6
RESUMO
Os cuidados paliativos são reconhecidos como uma abordagem que melhora a qualidade de
vida dos indivíduos e de sua família, diante de doenças terminais. Estes são proporcionados
por meio de programas introduzidos ou não em instituições hospitalares como em Unidades
de Terapia Intensiva (UTI), na qual a maioria dos pacientes nelas inseridos encontram-se em
estado terminal. Nesse contexto, o estudo objetivou caracterizar a produção científica acerca
dos cuidados paliativos em UTI, em periódicos online, no âmbito da saúde. Trata-se de um
estudo de natureza documental, que teve como fonte de dados publicações acerca da temática
disponibilizadas na Biblioteca Virtual em Saúde, no período de 2001 a 2010. Os descritores
utilizados para a busca dos dados foram ―Cuidados Paliativos and UTI.‖ A amostra foi
composta por 18 artigos. Através da análise dos resultados do estudo, foi possível vislumbrar
duas categorias. A Categoria I evidenciou que os cuidados paliativos emergem como uma
nova modalidade de cuidar, que tem como objetivo promover a melhoria da qualidade de vida
de pacientes internados na UTI, bem como de sua família, através da prevenção e do alívio do
sofrimento. Na Categoria II as publicações ratificaram que os profissionais necessitam ter o
conhecimento dos cuidados paliativos, uma vez que estes prestam o cuidado diretamente ao
paciente na sua finitude, necessitando utilizar estratégias para oferecer um tratamento digno.
Diante do exposto, verifica-se a necessidade premente da realização de estudos para
fundamentar a prática dos cuidados paliativos direcionados ao paciente terminal na UTI.
Descritores: Cuidados Paliativos. Terminalidade. Unidade de Terapia Intensiva.
INTRODUÇÃO
1
Graduanda em Enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba – FCMPB. E-mail: Faculdade de
Ciências Médicas da Paraíba. [email protected].
2
Graduando em Enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba – FCMPB. Faculdade de Ciências
Médicas da Paraíba. E-mail: [email protected].
3
Graduando em Enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba – FCMPB. Faculdade de Ciências
Médicas da Paraíba. E-mail: [email protected].
4
Graduanda em Enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba – FCMPB. Faculdade de Ciências
Médicas da Paraíba. E-mail: [email protected].
5
Graduanda em Enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba – FCMPB. Faculdade de Ciências
Médicas da Paraíba. E-mail: [email protected].
6
Enfermeira. Fonoaudióloga. Mestranda em Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba – UFPB.
Docente em Enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba – FCMPB. Membro e Pesquisadora do
Núcleo de Estudos e Pesquisas em Bioética –CCS/UFPB. Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. E-mail:
[email protected].
19
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
A medicina em todo o mundo passou por profundas transformações ao longo do
século XX. Os avanços tanto na prática médica, principalmente nas áreas cirúrgica,
terapêutica, de anestesia e de reanimação, como na tecnologia têm originado melhorias
expressivas na saúde, controle ou eliminação de doenças, tornando cada vez mais raros os
casos de morte natural (MACHADO; PESSINI; HOSSNE, 2007). Atualmente, verifica-se
uma maior prevalência de pessoas morrendo de doenças crônicas ou progressivas,
aumentando o percentual de doente em estado terminal nos hospitais ou em seus domicílios
(BARBOSA; VALLENTE; OKAY, 2001).
Nessa concepção, aprender a lidar com perdas numa circunstância de uma doença
crônica, é um desafio que poucos se propõem a discutir, e muito menos a enfrentar. Os
cuidados prestados a estes doentes deixam de ser curativos e passam a ser paliativos,
constituindo, para tanto, em uma atividade ou um modelo de atenção à saúde que vem sendo
denominada ―cuidados paliativos‖.
O termo paliativo deriva de pallium, palavra latina que significa capa, manto, que
simboliza, proteção e acolhimento ao ser humano, concomitante com a intenção de ocultar o
que está subjacente, nesse caso, os sintomas decorrentes da progressão da doença (SANTOS,
2011). Os cuidados paliativos são reconhecidos como uma abordagem que melhora a
qualidade de vida dos indivíduos e de sua família, diante de doenças que ameaçam a
continuidade da vida e caracterizam-se por um conjunto de atos profissionais que têm como
objetivo o controle dos sintomas do corpo, da mente, do espírito e do social que afligem o
homem em sua finitude (SILVA; HORTALE, 2006).
Silva e Hortale (2006) mencionam que os cuidados paliativos, comumente, são
proporcionados por meio de programas introduzidos ou não em instituições hospitalares como
em Unidades de Terapia Intensiva (UTI), na qual a maioria dos pacientes nelas inseridos
encontram-se em estado de terminalidade.
Carvalho e Arantes (2008) ratificam que a UTI é o setor do hospital para onde são
conduzidos os pacientes que apresentam doenças agudas ou complicações de doenças
crônicas que demandem atenção especial pelo alto risco de agravo ou mortalidade e/ou pela
necessidade de monitorização contínua de sinais e sintomas clínicos, além de variáveis
fisiológicas. Nesse sentido, os serviços de tratamento intensivo têm por objetivo promover
atendimento a pacientes graves e de risco que exigem uma assistência ininterrupta, além de
equipamentos e recursos humanos e especializados (CALDEIRA FILHO; WESTPHAL,
2008).
20
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
É importante mencionar que as Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) integradas ao
avanço da tecnologia médica, têm progredido de forma substancial. De um lado, estendem as
perspectivas terapêuticas em diversas situações clínicas, mas de outro, ensejam a
possibilidade de prolongamento da vida a qualquer custo, implicando muitas vezes em
tratamentos fúteis (MACHADO; PESSINI; HOSSNE, 2007), os quais podem ocorrer por
desconhecimento da equipe multidisciplinar sobre cuidados paliativos (AZULAY, 2001).
Portanto, o paciente internado na UTI necessita de cuidados de excelência, dirigidos
não apenas para os problemas fisiopatológicos, mas também para as questões psicossociais,
ambientais e familiares que se tornam intimamente interligadas doença física, no qual os
profissionais que operam nessa unidade devem estar baseados na sólida compreensão das
condições fisiológicas e psicológica do paciente (VILLA; ROSSI, 2002).
Para Moritz e Nassar (2004), os profissionais que atuam em UTI necessitam ter
conhecimento quanto à finitude de alguns tratamentos, evitando, de tal modo, as práticas que
levam à distanásia, a qual é considerada por Machado, Pessini e Hossne (2007) como uma
ação, intervenção ou procedimento que não atinge o objetivo de beneficiar a pessoa na fase
final de vida e que prolonga inútil e sofridamente o processo de morrer, procurando distanciar
a morte.
Dessa forma, na obstinação terapêutica, na busca da cura acaba-se por perder a noção
dos limites que devem ser observados para que a monitorização e o suporte à função de
órgãos vitais não se tornem, ao invés de uma luta pela vida, uma luta contra a morte. Nesse
contexto, desenvolveu-se o cenário atual, onde ações distanásicas e sofrimento físico, mental
e espiritual tanto do paciente como de seus familiares são parte integrante do dia-a-dia na
UTI.
Diante desses achados, o interesse em realizar o presunto estudo reporta-se a
relevância da temática para a prática assistencial de profissionais de saúde, assim como da
inexistência de disciplinas que explorem sobre os cuidados paliativos na UTI. Nesse contexto,
considerando o quantitativo incipiente de estudos na literatura nacional acerca de cuidados
paliativos em UTI, surge o interesse em desenvolver um estudo que tem como fio condutor o
seguinte questionamento: Qual a caracterização da produção científica acerca de cuidados
paliativos e dor em periódicos online no âmbito da saúde, no período de 2001 a 2010. Com
base nessa problemática e com a finalidade de responder tais questionamentos, o estudo
apresenta o seguinte objetivo: Caracterizar a produção científica acerca dos cuidados
paliativos em Unidade de Terapia Intensiva em periódicos online no âmbito da saúde.
21
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
METODOLOGIA
Para realização desta pesquisa optou-se por desenvolver uma investigação de
natureza documental. Para a seleção do material foi realizada uma busca eletrônica na
Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), nas bases de dados da Literatura Latino-americana e do
Caribe em Ciências da Saúde - LILACS e Scientific Eletronic Library Online - SciELO. A
fim de atender aos objetivos do estudo, os descritores em Ciências da Saúde utilizados para
a busca de dados foram ―Cuidados Paliativos and Unidade Terapia Intensiva‖.
A coleta de dados ocorreu no período de agosto a setembro de 2011, nas bases de
dados selecionadas para o estudo, utilizando-se para tanto um instrumento estruturado que
contemplavam as variáveis a serem analisadas. Para selecionar a amostra, foram instituídos os
seguintes critérios de inclusão: artigos que abordassem a temática cuidados paliativos em
UTI, na língua portuguesa, disponibilizados na íntegra na base de dados selecionada para a
pesquisa no período de 2001 a 2010. Contudo 18 artigos fizeram parte da amostra, uma vez
que atenderam aos critérios previamente elaborados.
Ao término da seleção das publicações, foi preenchido um instrumento para a coleta
de dados, contendo ano de publicação, modalidade de pesquisa, nome do periódico, título
do trabalho e a base de dados. Com a finalidade de realizar a exploração do texto, a segunda
parte do instrumento foi preenchida com os enfoques dados pelos autores.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Para melhor compreensão da temática em questão, os dados obtidos nos artigos
incluídos na investigação proposta, foram agrupados e em seguida exibidos através da
representação gráfica. Nesse prisma, foi possível demonstrar os dados relativos ao ano,
modalidades de publicação, área de atuação dos pesquisadores, bem como os enfoques
contemplados do material analisado.
No que diz respeito aos anos de publicação, estes foram evidenciados por meio do
gráfico abaixo.
22
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
Gráfico 1: Distribuição dos artigos conforme o ano de publicação.
Fonte: Material empírico do estudo, 2011.
O Gráfico 1 deixa transparecer que o período de 2010 correspondeu ao maior número
de publicações, com 6 (33%) artigos; seguido dos anos de 2009 com 3 (17%) artigos e 2008
(22%) com 4 (22%) publicações. Em relação ao ano de 2007, a produção foi equivalente a 2
(11%) artigos. Foi evidenciado que em 2001, 2002 e 2006 houve 1 publicação para cada ano.
Ficou evidenciado que nos anos de 2003, 2004 e 2005 não houve nenhuma produção acerca
do tema proposto, nos periódicos pesquisados
O Gráfico 2 diz respeito as modalidades de publicação dos estudos inseridos na
investigação proposta.
Gráfico 2: Distribuição dos artigos de acordo com as modalidades de estudo.
Fonte: Material empírico do estudo, 2011.
No que concerne às modalidades de publicação abordadas, observam-se que a maioria
foi do tipo de revisão, totalizando 10 artigos (56%), enquanto 8 (44%) artigos foram originais.
23
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
Com isso, fica claro que existe interesse dos pesquisadores em apresentar estudos enfatizando
conhecimentos pioneiros acerca da temática em estudo.
No que concerne aos enfoques contemplados no estudo, foram identificadas duas
categorias, tais como: Categoria I – Cuidados paliativos como uma abordagem que promove a
melhoria da qualidade de vida para paciente na UTI; Categoria II – Importância da equipe
interdisciplinar para o paciente terminal na UTI.
CATEGORIA I: Cuidados Paliativos como uma abordagem que promove a melhoria da
qualidade de vida para paciente na UTI.
No que diz respeito à categoria I: Cuidados Paliativos como uma abordagem que
promove a melhoria da qualidade de vida para paciente na UTI, evidenciou-se que os
Cuidados Paliativos emergem como uma nova modalidade de cuidar, que tem como objetivo
promover a melhoria da qualidade de vida de pacientes fora de possibilidades terapêuticas e
de sua família, através de um cuidado ativo e integral, utilizando-se de diversas modalidades
terapêuticas como instrumentos essenciais para a essa prática do cuidar, essencialmente no
ambiente da UTI, uma vez que esta recebe um grande quantitativo de pacientes na
terminalidade de vida.
De acordo com Fonseca e Fonseca (2010) os cuidados paliativos são medidas não
curativas, aplicadas em pacientes cuja progressão da enfermidade provoca sinais e sintomas
debilitantes e causadores de sofrimento. São intervenções na saúde global, através das quais
os profissionais das ciências da saúde, sociais e humanas atuam em diversas esferas,
geralmente, por meio de programas inseridos ou não em instituições hospitalares, como em
Unidades de Terapia Intensiva (UTI), na qual a maioria dos pacientes nelas inseridos
encontram-se em estado de terminalidade. Quando não inseridos em uma instituição
hospitalar, podem estar em asilos, casas de repouso, moradias assistidas, clínicas, domicílio,
entre outros.
O estudo de Moritz (2008) alude que a UTI é um cenário bastante típico da
terminalidade humana, onde se reúne um conjunto de competências para uma assistência de
fim da vida de, incluindo os cuidados paliativos. Em contrapartida Carvalho e Arantes (2008)
complementam que a UTI é o setor do hospital para onde são conduzidos os pacientes que
apresentam doenças agudas ou complicações de doenças crônicas que demandem atenção
especial pelo alto risco de agravo ou mortalidade e/ou pela necessidade de monitorização
contínua de sinais e sintomas clínicos, além de variáveis fisiológicas.
24
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
O estudo de Costa Filho (2008) ressalta que a equipe de cuidados paliativos envolve
várias especialidades, tais como: enfermeiras, psicólogos, psiquiatras, nutricionistas,
fisioterapeutas, fonoaudiólogos, assistentes sociais, farmacêuticos, conselheiros espirituais e
sacerdotes, sendo o trabalho dessa equipe regido por sete princípios: valoriza a vida e encara a
morte como um processo natural; não abrevia nem prolonga a vida; provê o alívio da dor e de
outros sintomas; integra os aspectos psicológicos e espirituais dos cuidados, permitindo
oportunidades para o crescimento; oferece uma equipe interdisciplinar e um sistema de
suporte para a família durante a doença do indivíduo e no período de enlutamento; e deve ser
iniciado o mais precocemente possível.
Logo, os cuidados paliativos têm como objetivo principal o controle dos sofrimentos
físico, emocional, espiritual e social, provovendo uma melhor qualidade de vida ao paciente
em fase terminal (SILVA; HORTALE, 2006; REMEDI et al., 2009).
A pesquisa de Sousa et al. (2010) contempla as questões bioéticas nos cuidados
paliativos, enfocando o cumprimento e o respeito ao princípio da autonomia no cuidado
paliativo com o ser. No que concerne ao conforto e a promoção do bem-estar ao doente
terminal, referem-se do cumprimento do princípio da beneficência em relação ao cuidado
paliativo com o doente terminal, ou seja, "o olhar voltado para a pessoa". Os autores tratam,
ainda, sobre questões inerentes as dificuldades no cumprimento desses princípios. Azulay
(2001) complementa que a aplicação dos princípios bioéticos são fundamentais para garantir
uma assistência adequada ao paciente sem possibilidades terapêuticas de cura.
CATEGORIA II: Importância da equipe interdisciplinar para o paciente terminal na UTI.
No que diz respeito à Categoria II, a mesma retrata acerca da importância da equipe
interdisciplinar para o cuidado com o paciente terminal. As publicações evidenciam que os
profissionais necessitam ter o conhecimento dos Cuidados Paliativos, uma vez que estes
prestam o cuidado diretamente ao paciente na sua finitude, por meio da prevenção e do alívio
dos sintomas decorrentes da fase avançada de uma doença, tratando-os com respeito,
dignidade, utilizando a ética para atingir esses objetivos.
A assistência, nessa etapa da vida, deve ser compreendida por todos os profissionais
de saúde. Saber interagir, encontrar-se com o paciente é primordial para que o cuidado
adquira um aspecto humanizado, que dignifique o ser doente (SOUSA, 2010). De acordo com
Santana (2009) um dos grandes objetivos dessa abordagem é acrescentar qualidade de vida
aos dias e não dias à vida, o que representa um grande desafio para a equipe, diretamente
25
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
presente nessa situação, uma vez que o objetivo de curar dá lugar às habilidades do cuidar,
relacionados ao sofrimento, a dignidade e o apoio.
Santos, Pagliuca e Fernandes (2007) relatam que o modelo dos cuidados paliativos
abrange dois aspectos importantes para: a abordagem holística e uma prática profissional
interdisciplinar. Assim, o cuidados paliativo é bastante propício por envolver a valorização do
ser humano no processo saúde-doença, no intuito de sempre beneficiar o paciente,
preservando sua autonomia e capacidade de tomar decisões.
Segundo Monteiro, Oliveira e Vall (2010) o cuidado paliativo é considerado uma
prática de extrema importância para o cuidar dos profissionais de saúde, onde os mesmos
atuam a fim de que estes possam ter uma melhor qualidade de vida, aliviando os sintomas da
doença e proporcionando uma morte mais digna, diminuindo assim os seus sofrimentos.
Farias et al. (2010) relatam que a enfermagem por ter em sua essência do cuidar,
precisa compreender o contexto de dor e sofrimento para buscar uma melhor assistência e
oferecê-las àqueles que mais necessitam. Villa e Rossi (2002) nos afirma que é de grande
esforço que os enfermeiros tentam prestar os cuidados em UTI, pois é uma tarefa difícil.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Embora os avanços científicos e tecnológicos no campo da Saúde, sejam crescentes a
temática ―cuidados paliativos e UTI‖ requer uma maior disseminação no campo da produção
científica, sob o olhar dos profissionais dessa área. Isso foi evidenciado mediante o quântico
ínfimo de artigos inclusos nesta pesquisa. Dessa forma, esse estudo evidencia a necessidade
de que sejam feitas novas investigações para respaldar a prática dos cuidados paliativos
direcionados ao paciente na fase terminal e aos seus familiares, no ambiente da UTI.
REFERÊNCIAS
AZULAY, T.A. Los principios bioéticos: se aplican en la situación de enfermedad terminal?
An. Med. Interna, v. 18, p. 650-54, 2001.
BARBOSA, S. M. M.; VALLENTE, M. T.; OKAY, Y. Medicina paliativa: a redefinição da
experiência humana no processo de adoecer. Revista da Sociedade Brasileira para o
estudo da dor, v.3, n. 2, p. 61-68, 2001.
CALDEIRA FILHO, M. C.; WESTPHAL, G. A. Manual Prática de Medicina Intensiva.
5. ed., Rio de Janeiro: Segmento Farma, 2008.
CARVALHO, R.T; ARANTES, A.C.L.Q. Cuidados paliativos. In: Conselho Regional de
Medicina do Estado de São Paulo. UTI. São Paulo: 2008.
26
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
COSTA FILHO, R. C. et al. Como Implementar cuidados paliativos de qualidade na
unidade de terapia intensiva. RBTI, v.20, n.1, p. 88-90, 2008.
FARIAS, G.M. et al. Publicações sobre dor oncológica no período de 2000 a 2008: estudo de
revisão sistemática de literatura. Rev Enferm UFPE On Line, v.4, n. 1, p. 368-74, 2010.
FONSECA, A. C.; FONSECA, M. de J. M. Cuidados paliativos para idosos na unidade de
terapia intensiva: realidade factível. Rev Enferm UFPE On Line, v. 4, n.1, p.368-74, 2010.
MACHADO, K.D.G.; PESSINI, L.; HOSSNE, W.S. A formação em cuidados paliativos da
equipe que atua em unidade de terapia intensiva: um olhar da bioética. Centro Universitário
São Camilo, v.1, n.1, p. 34-42, 2007.
MORITZ, R.D. et al. Terminalidade e cuidados Paliativos na unidade de terapia intensiva.
Rev. Bras. Terapia Intensiva, v. 20, n.4, p. 422-428, 2008.
MONTEIRO, F. F.; OLIVEIRA, M.; VALL, J, A. A importância dos cuidados paliativos na
enfermagem, Rer. Dor, v. 11, n. 3, p. 242-248, 2010.
REMEDI, P. P. et al. Cuidados paliativos para adolescentes com câncer: uma revisão da
literatura. Rev. Brasileira de Enfermagem, v. 62, n. 1, p. 107-12. 2009.
SANTANA J. C. B., et al. Cuidados paliativos aos pacientes terminais: percepção da equipe
de enfermagem. Centro Universitário, v. 3, n. 1, p.77-86. 2009.
SANTOS, F. S. O desenvolvimento histórico dos cuidados paliativos e a filosofia hospice. In:
SANTOS, F. S. (Org.). Cuidados paliativos – diretrizes, humanização e alívio dos sintomas.
São Paulo: Atheneu, 2011. Cap. 1, p. 3-15.
SANTOS, M. C. L., PAGLIUCA, L. M. F., FERNANDES, A. F. C. Cuidados Paliativos ao
Portador de Câncer: Reflexões Sob o Olhar de Paterson e Zderad. Rev. Latino-am
Enfermagem, v. 15, n. 2. p.183 – 188. 2007.
SILVA, R.C.F.; HORTALE, V.A. Cuidados paliativos oncológicos: elementos para o debate
de diretrizes nesta área. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 22, n.10, p. 2055-2066, 2006.
SOUSA , A.T.O. et al. Cuidados Paliativos: produção científica em periódicos online no
âmbito da saúde. Rev. Enfermagem UFPE online, v.4, n. 2, p. 395-404. 2010.
VILLA, V.S. C.; ROSSI, L. A. O significado cultural do cuidado humanizado em unidade
de terapia intensiva: ―muito falado e pouco vivido‖. Rev. Latino am. Enfermagem, v. 10,
n.2, p.137-44, 2002.
27
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
EDUCAÇÃO NA FORMAÇÃO PROFISSIONAL DE ENFERMAGEM:
PRODUÇÃO CIENTÍFICA NO ÂMBITO DA EDUCAÇÃO
Alexandro Paulino da Silva1
Cristiani Garrido de Andrade2
Suênia Isabel Leite dos Santos3
Flávio Evangelista da Silva4
Rayssa Marques Leite5
Natália Ferreira da Costa67
RESUMO
Este estudo foi realizado com o objetivo de caracterizar a produção científica acerca da
formação profissional em enfermagem, em periódicos online no âmbito da educação, no
período de 2006 a 2011.Trata-se de uma revisão bibliográfica, consubstanciada na literatura
pertinente à temática. As fontes de dados foram as publicações acerca da formação em
enfermagem, no âmbito da educação, por meio de busca eletrônica na Biblioteca Virtual em
Saúde (BVS), nos bancos de dados Scientific Eletronic Library Online – SciELO, Literatura
Latino Americana e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (LILACS) e Base de
Dados Brasileiras de Enfermagem – BDEnf . Os descritores utilizados foram: ―formação and
enfermagem‖ e ―educação and enfermagem‖. A amostra foi composta por 12 artigos. No que
diz respeito aos enfoques contemplados pelo estudo, foi possível vislumbrar duas categorias.
Na Categoria I – Estratégias de ensino na formação do enfermeiro – destacou-se a
importância de estabelecer métodos de ensino impactantes para promover melhorias na
formação acadêmica e na promoção da saúde. No que diz respeito à Categoria II – Diretrizes
Curriculares Nacionais em Enfermagem – evidenciou-se que as diretrizes curriculares
norteiam o planejamento acadêmico do curso de graduação para formação profissional.
Diante do exposto, verifica-se a necessidade premente da realização de estudos para
fundamentar a prática acerca da formação profissional dos enfermeiros.
Descritores: Educação. Enfermagem. Formação.
1
Graduando em enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba – FCMPB. E-mail:
[email protected]
2
Enfermeira. Fonoaudióloga. Especialista em Saúde Coletiva, com ênfase na ESF. Mestranda em Enfermagem
pela Universidade Federal da Paraíba – UFPB. Docente em Enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas
da Paraíba – FCMPB. Membro e Pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Bioética – CCS/UFPB.
Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. Email: [email protected].
3
Graduanda em enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. – FCM/PB. E-mail:
[email protected]
4
Graduando em enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. – FCM/PB. E-mail:
[email protected]
5
Graduanda em enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba – FCMPB. E-mail:
[email protected]
6
Graduanda em enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba – FCMPB. E-mail: [email protected]
28
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
INTRODUÇÃO
A formação de profissionais críticos e reflexivos é um dos avanços inscritos nas
Diretrizes Curriculares Nacionais para os cursos de graduação da área da Saúde. A educação
de enfermeiros com qualificação técnica e política, com capacidade de tomar decisões, de
empreender, de trabalhar em equipe, de lidar com incertezas e com a dinâmica da realidade,
implica nas relações institucionais entre os serviços de saúde e as universidades (TREZZA,
2004).
Dessa forma, destaca-se que em 2001, a formação na graduação em enfermagem
passou a ser orientada por uma nova legislação expressa na Resolução CNE-03/2001, a qual
instituiu as suas diretrizes curriculares. Em estudo sobre tal processo realizando uma
recuperação e registro histórico, identificando os princípios que orientaram tal reformulação
bem como os encaminhamentos que tendem a se manifestar a partir de então, sustentar
análises no contexto histórico (social, político, econômico) em que a legislação foi discutida e
aprovada (RODRIGUES, 2007).
A educação de enfermeiros com qualificação e com capacidade de tomar decisões, de
empreender, de trabalhar em equipe, de lidar com incertezas e com a dinâmica da realidade,
sugere inovação das estratégias pedagógicas (MANDÚ, 2003).Para tanto, a aprendizagem
necessita ser considerada como um processo contínuo e dinâmico, o qual requer do
enfermeiro a aquisição de novos conhecimentos científicos, o refinamento de suas habilidades
de pensar, de resolver problemas e de fazer julgamentos, tornando-se, assim, apto para fazer
suposições, para apresentar ideias e para validar as suas conclusões (POTTER, 1997).
Vale ressaltar que outra dificuldade refere-se à ênfase na capacidade do estudante em
reter informações, sobretudo de caráter técnico e procedimental, em conteúdos ministrados
em disciplinas fragmentadas e pouco articuladas. Além disso, o professor continua
exercendo o papel de transmissor do conhecimento e o estudante de receptor passivo
(PINHEL, 2006).
Nesse prisma, essas estratégias podem subsidiar a prática de enfermagem no
desenvolvimento do pensamento crítico, no processo de diagnóstico e na tomada de decisão
clínica. Acredita-se, desse modo, que é de fundamental importância o desenvolvimento de
estratégias inovadoras de ensino (CROSSETTI, 2008).
Com base em tal entendimento, considerando a relevância dessa temática para a
formação profissional dos enfermeiros, esse estudo apresenta a seguinte questões
norteadoras: Qual a caracterização da produção científica acerca da formação profissional
29
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
em enfermagem, em periódicos online, no âmbito da educação? Qual a contribuição das
produções científicas sobre educação na formação profissional da enfermagem para a
qualidade do ensino acadêmico?
Tendo em vista a problemática em foco, e para responder a tal questionamento, o
estudo apresenta o seguinte objetivo: Caracterizar a produção científica acerca da formação
profissional em enfermagem, em periódicos online no âmbito da educação, no período de
2006 a 2011.
METODOLOGIA
Trata-se de uma pesquisa bibliográfica consubstanciada na literatura pertinente ao
tema em destaque. Segundo Gil (2002), a principal vantagem nesse tipo de pesquisa é propor
ao investigador a cobertura de uma gama de fenômenos muito mais amplos. Não há regras
fixas que determinem e concretizem a realização de uma pesquisa bibliográfica, porém há
fatores que demonstram serem importantes neste caso: exploração de fontes bibliográficas,
leitura do material e elaboração de fichas, ordenação e análise das fichas e conclusões.
As fontes de dados foram as publicações acerca da formação profissional em
enfermagem em enfermagem, no âmbito da Enfermagem, por meio de busca eletrônica na
Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), nos bancos de dados Scientific Eletronic Library Online
– SciELO, Literatura Latino Americana e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde
(LILACS) e Base de Dados Brasileiras de Enfermagem – BDEnf.Os descritores em Ciências
da Saúde instituídos para a coleta de dados foram: ―formação and enfermagem‖ e ―educação
and enfermagem‖.
Para eleger a amostra, foram estabelecidos os seguintes critérios de inclusão: artigos
que abordassem a temática de educação em enfermagem, na língua portuguesa,
disponibilizados na íntegra na base de dados selecionada para a pesquisa no período de 2006 a
2011. Dessa maneira, a amostra foi composta por doze artigos, uma vez que estes se
enquadraram aos critérios antecipadamente elaborados.
Destaca-se que foram ponderadas as observâncias éticas observadas no Código de
Ética dos Profissionais de Enfermagem – Resolução 311/2007 do Conselho Federal de
Enfermagem, no que se refere à elaboração de trabalhos científicos.
30
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
RESULTADOS E DISCUSSÃO
O estudo foi constituído por doze publicações que versaram sobre a temática,
educação na formação profissional de enfermagem no âmbito da educação conforme
caracterização explicitada no Quadro 1, a seguir.
TÍTULO DO ARTIGO
BASES DE
DADOS
ANO DE
PUBLICAÇÃO/
PERIÓDICO
MODALIDADES
DE PESQUISA
Planejamento de ensino em enfermagem:
intenções educativas e as competências clínicas
(DELL''ACQUA et al., 2OO9).
LILACS/
SCIELO
2009
Revista da escola
de enfermagem da
USP
O ensino de conteúdos atitudinais na formação
inicial do enfermeiro (PUSSHEL; NOSOW;
ARAÚJO, 2009).
LILACS/
SCIELO
2009
Revista escola de
enfermagem
Artigo Original
Estratégias de ensino e habilidades do
pensamento crítico na enfermagem (CROSSETTI
et al., 2009).
LILACS
2009
Revista Gaúcha de
enfermagem
Artigo Original
A educação em saúde na perspectiva de
graduando enfermagem (COLOMÉ;OLIVEIRA,
2008).
LILACS
2008
Revista Gaúcha de
enfermagem
Artigo de Revisão
O sentido do trabalho em um projeto de formação
de profissionais de enfermagem (BARALDI;
CAR, 2006).
LILACS
SciELO
2006
Revista da escola
de enfermagem da
USP
Vivências de alunos de enfermagem em estágio
hospitalar: subsídios para refletir sobre a
humanização em saúde
(CASATE;CORRÊA,2006).
LILACS/
SCIELO
2006
Revista escola de
enfermagem da
USP
Formação em enfermagem: interface entre as
diretrizes curriculares e os conteúdos de atenção
básica (SILVA; SOUSA; FREITAS, 2011)
LILACS/
SCIELO
2011
Revista brasileira
de enfermagem
Formação na Graduação em Enfermagem no
Estado do Paraná. (RODRIGUES;CADEIRA,
2007).
LILACS/
SCIELO
2009
Revista brasileira
de enfermagem
Da USP
A enfermagem no Brasil no contexto da força de
trabalho em saúde: perfil e legislação.(PEREIRA
et al., 2009).
LILACS
SciELO
2009
Revista brasileira
de enfermagem
Diálogos entre a arte e a educação: uma
experiência no ensino da disciplina de
administração em saúde. (PIRES et al., 2009).
LILACS/
SCIELO
2009
Revista texto e
contexto em
enfermagem
Artigo Original
Artigo de Revisão
Artigo Original
Artigo de Revisão
Artigo de Revisão
Artigo de Revisão
Artigo de Revisão
31
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
Dimensão ética do fazer cotidiano no processo de
formação do enfermeiro. (FERNANDES et al.,
2008).
LILACS/
SCIELO
Integralidade do cuidado na Saúde: indicações a
partir da formação do enfermeiro (SILVA;
SENA, 2008).
LILACS/
SCIELO
2008
Revista escola da
enfermagem da
USP
2008
Revista da escola
de enfermagem da
USP
Artigo Revisão
Artigo Original
Quadro 1- Estudos publicados acerca da educação na formação profissional, no âmbito da educação
seguindo a base de dados, ano de publicação, periódico e modalidade de pesquisa- 2006 a 2011.
Por meio das análises dos doze artigos apresentados no Quadro 1, verificou-se que a
grande maioria dos artigos foram selecionados a partir da base de dados da LILACS.
Entretanto 10 (83,33%) estiveram presentes, também, na base de dados do SciELO. É
oportuno enfatizar que nenhum artigo foi encontrado na BDENF.
No que concerne ao ano de publicação, observou-se que o ano de 2009 correspondeu
ao período de maior número de artigos publicados com 6(50%), seguido do ano de 2008 com3
(25 % ). O ano de 2006 obteve 2 (16,66 %), já o ano de obteve 2011 obteve um quantitativo
incipiente de publicações com apenas 1 (8,33%). No que concerne ao ano de 2010, observouse que não houve nenhuma publicação demonstrando a necessidade que haja maior
consolidação da pesquisa.
Quanto aos periódicos, destacaram-se importantes revistas nacionais, dentre as quais
merece evidência à Revista da Escola de Enfermagem da USP, contemplando 6 (50%) das
publicações, incluídas nesta revisão. No que concerne às modalidades das publicações
inseridas nesse estudo, ressalta-se que, dos 12 artigos foram selecionados, 5 (41,66%) são
originais e 7(58,33%) são do tipo original.
Sendo assim foi possível, através desses resultados, categorizar, agrupar e interpretar
os dados. A partir desse agrupamento emergiram, dois temas: Tema I: As estratégias de
ensino como ferramentas importantes para formação do enfermeiro (Quadro 2); Tema II:
Diretrizes Curriculares Nacionais em Enfermagem
como promoção as novas prática de
ensino aprendizagem (Quadro 3).
32
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
TEMA I: As estratégias de ensino como modalidade importante
para formação do enfermeiro.
TITULO DO ARTIGO
OBJETIVOS DO ESTUDO
Planejamento de ensino em enfermagem: intenções
educativas
e
as
competências
clínicas
(DELL''ACQUA et al., 2OO9).
O ensino de conteúdos atitudinais na formação
inicial do enfermeiro (PUSSHEL; NOSOW;
ARAÚJO, 2009).
Caracterizar uma visão longitudinal a constituição das
competências assistências nos cursos de graduação em
enfermagem contidas no plano de ensino.
Investigar o ensino dos conteúdos atitudinais
ministrado por docentes de uma instituição pública na
formação inicial do enfermeiro
Estratégias de ensino e habilidades do pensamento
crítico na enfermagem (CROSSETTI et al., 2008).
Caracterizar estratégias de ensino utilizadas na
enfermagem para desenvolver habilidades do
pensamento crítico.
A educação em saúde na perspectiva de graduando
enfermagem (COLOMÉ;OLIVEIRA, 2008).
Identificar as concepções de educação em saúde dos
graduandos.
O sentido do trabalho em um projeto de formação de
profissionais de enfermagem (BARALDI, CAR;
2006).
Evidenciar o sentido do trabalho de supervisão de um
Projeto de profissionalização de trabalhadores para o
nível médio (Profae).
Quadro 2 – Distribuição dos artigos do Tema I, segundo o título e os objetivos das publicações
selecionadas para o estudo.
Conforme os estudos contemplados no Tema I, expressos no quadro acima, constatase a importância de estabelecer métodos de ensino impactantes para promover melhorias na
formação acadêmica e na promoção da saúde, evidenciando diversas estratégias para a
formação do enfermeiro.
A pesquisa deColomé e Oliveira (2008) assinala que forma de educar em saúde ―não
é apenas um estilo de comunicação e ensino, mas também um instrumento de gestão
participativa e ação social, a análise das concepções de educação em saúde sinaliza a
existência de experiências curriculares nas quais a educação em saúde é a estratégia para a
promoção da saúde, com potencial para renovar e transformar as práticas educativas
existentes.
O estudo de Pusshelet al. (2009), ressalta acerca da utilização de estratégias
mobilizadoras, bem como de atitudes, que favorecem a inserção do aluno em novas
práticas, dando-os a oportunidade de expressarem sua criatividade, compartilhando seu
conhecimento para o meio em que estão inseridos, assim como na realidade prática de cada
atividade por eles desenvolvidas.
No concernente às estratégias mobilizadoras, o estudo referido retrata a sua
importância, as quais são incrementos importantes que podem promover uma assessoria
adequada professor, que se transfiguram nas diversidades dos modelos de ensino, tais como:
33
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
a utilização de filmes, jogos, músicas, estudos de caso, vivências, dramatizações, leituras,
prévias de textos.
Quanto às técnicas expositivas, é notório relatar que estas contribuem gradativamente
no crescimento cognitivo de cada estudante, a partir da criação de novos meios de ensino que
têm como foco essa temática, tendo em vista que, os elementos que são usados nessas
avaliações permitem ao docente conhecer a capacidade aluno, sobre o que ele sabe e como as
realizam. Ainda assim, observa-se, primordialmente, o desenvolvimento de habilidades e
conceitos que são necessários à prática, ajudando-os a formulação de esquemas que buscam
a integralidade do processo ensino/aprendizagem (ACQUA; MIYADAHIRA; IDE, 2009).
O estudo de Crossetti et al. (2008) alude acerca das técnicas de ensino online. Esta é
descrita como uma prática interativa que é utilizada como estímulo para o surgimento de
discussões, bem como para formações de pequenos grupos.
Assim sendo, essa ferramenta de ensino promove uma maior aproximação entre
graduandos e professores, na qual os estudantes podem desenvolver novas habilidades na
utilização de vários softwares, da internet, de vídeos, do power point, explorando melhor sua
capacidade de aprendizagem. O autor referido alude, ainda, que esse meio de comunicação
pedagógica ajuda nas resoluções dos problemas e induzem as estudantes a desenvolverem
maiores habilidades críticas.
Outra estratégia que enfatiza a promoção do vínculo entre o aluno e o professor é a
educação pedagógica baseada na criação de uma oficina de trabalho estratégica, esta auxilia
na mobilização dos alunos coordenadores e professores promovendo o incentivo, a
mobilização e a transformação na qualificação profissional, além disso, ainda permitir que os
discentes realizem questionamentos, contemplando a dinamicidade durante o processo
ensino-aprendizagem, construindo um ambiente favorável à abertura que os permite elaborar
questões sobre a temática de interesse e auxiliando na resolução de problemas (BARALDI;
CAR, 2006).
Educar não é só um estilo de comunicação e ensino, mas que a sua principal
característica deve está acoplado a um instrumento de gestão que possibilite a participação
social. Nesse contexto, os aspectos considerados nas pesquisas analisadas são as formas de
educar em saúde (OLIVEIRA; COLOMÉ, 2008).
34
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
TEMA II: Diretrizes Curriculares Nacionais em Enfermagem como promoção das novas
práticas de ensino aprendizagem
Quadro 3-Distribuição dos artigos do tema II, segundo o título e os objetivos das publicações
TÍTULO DO ARTIGO
OBJETIVO DO ESTUDO
Vivências de alunos de enfermagem em estágio
hospitalar: subsídios para refletir sobre a
humanização
em
saúde
(CASATE;CORRÊA,2006).
Descrever as reações que os alunos de enfermagem
apresentaram quando do seu primeiro estágio curricular
Formação em enfermagem: interface entre as
diretrizes curriculares e os conteúdos de atenção
básica (SILVA; SOUSA; FREITAS, 2011).
Analisar Projetos Políticos Pedagógicos (PPP) dos três
Cursos de Enfermagem mais antigos do Ceará,
demonstrando como as Diretrizes Curriculares
Nacionais de Enfermagem se expressam neles, e as
transformações ocorridas na Enfermagem como
profissão no Brasil.
Abordamos a implementação das Diretrizes
Curriculares da graduação em enfermagem no Paraná
identificando
as
reformulações
curriculares
desencadeadas
Formação na Graduação em Enfermagem no
Estado do Paraná. (RODRIGUES;CADEIRA,
2007).
A enfermagem no Brasil no contexto da força de
trabalho em saúde: perfil e legislação. (PEREIRA
et al., 2009).
Abordar a força de trabalho em enfermagem no Brasil
regatando historicamente a conformação do seu perfil
vinculada à organização mais geral do setor saúde do
país.
Diálogos entre a arte e a educação: uma experiência
no ensino da disciplina de administração em saúde.
(PIRES et al., 2009).
Refletir sobre as possibilidades de aprendizagem a
partir das expressões da arte, bem como analisar a
experiência
do ensino da gestão do Sistema Único de Saúde em
diálogo com a arte e a educação
Dimensão ética do fazer cotidiano no processo de
formação do enfermeiro. (FERNANDES et al.,
2008).
Considerando a implementação das Diretrizes
Curriculares Nacionais dos Cursos de Enfermagem.
Integralidade do cuidado na Saúde: indicações a
partir da formação do enfermeiro (SILVA; SENA,
2008).
Compreender a formação do enfermeiro para a
integralidade do cuidado.
selecionadas para o estudo.
Os estudos do Tema II evidenciaram que as diretrizes curriculares podem ser
caracterizadas como diretrizes gerais que norteiam o planejamento acadêmico do curso de
graduação para formação profissional.
As diretrizes curriculares podem ser definidas como diretrizes gerais que orientam o
planejamento acadêmico do curso de graduação para formação profissional, podendo ser
entendida, também, como uma forma flexível no processo de ensino/aprendizagem. É
importante salientar que a sua base estar em observar a realidade, a formação, dando maior
35
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
enfoque aos diferentes saberes, com intuito de fazer emergir uma formação voltada e aplicada
à generalidade (PEREIRA et al.,2009).
No campo da enfermagem, as DCN preconizam ao profissional uma formação
generalista, crítica e reflexiva, capaz de possibilitar-lhe conhecer e intervir sobre os
problemas/situações de saúde-doença mais prevalentes no perfil epidemiológico identificando
as dimensões biopsicossociais de seus determinantes (SILVA; SOUSA; FREITAS, 2011).
Pereira et al.(2009) alude no seu estudo que a lei nº 9394/96 traz as bases da
educação nacional na apresentação das diretrizes Curriculares Nacionais, que apontam para a
flexibilização curricular, processo ensino-aprendizagem centrado na realidade, diálogo entre
os diferentes saberes, aberturas para processos inovadores, formação por competência,
integração das disciplinas da teoria/prática e do trabalho/academia, autonomia institucional.
No entanto, discorrer sobre as diretrizes curriculares como uma forma flexível no
processo de ensino, permitem ao profissional obter um olhar generalista. Para esse fim, o
trabalhador de enfermagem necessita de uma formação que contenha sua base nos
conhecimentos específicos da área, e ainda possua conhecimentos antropológicos,
sociológicos, psicológicos, filosóficos das políticas públicas de saúde entre outros como
mostra a pesquisa de (PEREIRA et al., 2009).
Outro artigo averiguado complementa as novas formas de ensino dos autores
supracitados, assinalando que as diretrizes curriculares de enfermagem, aprovadas pelo
Ministério da Educação, contemplam as competências e as habilidades a serem desenvolvidas
no processo de formação dos enfermeiros e destaca a construção de um projeto de ensino
aprendizagem que incorpora os conhecimentos das ciências biológicas e humanas, das
relações interpessoais, sociais e do meio ambiente, permitindo, dessa forma a construção e a
reconstrução de um atendimento em saúde que considera a diversidade, a imprevisibilidade e
a complexidade de cada indivíduo (SILVA; SENA, 2008).
É sobremaneira ressaltar que as diretrizes curriculares na graduação em enfermagem,
atualmente, são apontadas com o objetivo principal de garantir a capacitação dos profissionais
de saúde no que concerne à autonomia e ao discernimento para assegurar a integralidade da
atenção e a humanização do atendimento de indivíduos, famílias e comunidade (CASATE;
CORRÊA, 2006).
Ainda nessa mesma perspectiva de ensino, Fernandes et al.(2008) relatam que as
Diretrizes Curriculares em Enfermagem (DCENF) devem se constituir de princípios como a
ética social de cada sujeito envolvido no processo de formação em enfermagem, que denota
uma ação qualificada que tem como escopo a superação e a reconstrução do atual modelo do
36
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
pensar e do fazer educação em enfermagem. No entanto, pode-se perceber que os sujeitos
envolvidos nesse processo podem assumir uma nova proposta de ensino a serem
desenvolvidas nos meios acadêmicos, trazendo novos pensamentos, bem como uma nova
perspectiva em relação ao trabalho dos docentes frente às percepções e as dificuldades
cognitivas de cada aluno.
Foi possível analisar, ainda, estudos que trazem como marco principal na formação
profissional, a crítica e a flexibilidade, como avanços promovidos pela implantação das
Diretrizes Curriculares Nacionais no curso de graduação da área da saúde (PIRES et al.,
2009). A pesquisa de Rodrigues e Cadeira (2007) discorrem das Diretrizes Curriculares
Nacionais em enfermagem (DCENF) como uma formação centrada no aluno e o professor
como facilitador; a formação generalista, humanista, crítica e reflexiva; a pedagogia das
competências do aprender a aprende.
Com base em tal entendimento, outros importantes aspectos favorecem a formação
adequada que é a utilização de uma sistematização entre cursos e as instituições de ensinos
referentes ao tempo de formação e o enfoque metodológico de cada curso. SILVA; SOUSA;
FREITAS (2011)
relatam que na Enfermagem as Diretrizes Curriculares Nacionais, tem como
ideal básico a flexibilização curricular, com vistas a possibilitar uma sólida formação de
acordo com o estágio do conhecimento desenvolvido por cada área de ensino.
Percebe-se, assim, que o ato de organizar um sistema de ensino necessita do
desenvolvimento de uma relação entre dirigentes e os receptores desse conhecimento que são
os estudantes. Somente a partir desse contexto é possível voltar às práticas de enfermagem a
um contexto integrativo, ou seja, aplicá-lo ao modelo de humanização. Portanto, a
implantação desses métodos de ensino, produzirá um impacto direto no que se refere à
qualidade de cada assistência prestada.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
De acordo com a produção cientifica sobre a educação na formação profissional no
campo da enfermagem, verifica-se e a relevância do tema para o crescimento do ensino e da
qualificação na formação profissional.
Notoriamente, os dados expressados nesse estudo, mostram o empenho dos
pesquisadores em contribuir com uma forma norteadora do crescimento dos estudos acerca
das novas técnicas de ensino para formação dos futuros profissionais de enfermagem.
37
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
Reconhecendo que as novas técnicas de ensino têm sua relevância no processo
ensino/aprendizagem, e que são métodos impactantes para uma nova forma de fazer saúde em
enfermagem, percebe-se que os estudos que envolvem tal temática são desenvolvidos não
apenas em sala de aula, mas também em outros ambientes tais como, as unidades de saúde da
família, laboratórios acadêmicos, hospitais e a utilização de oficinas como estratégia de
ensino. A pesquisa demonstra, ainda, que apesar dos estudos por parte dos pesquisadores ter
progredido numericamente, ainda há necessidade de uma maior consolidação na pesquisa.
Por essa razão reafirmamos o quanto é imperioso que esses invistam em estudos que
contemplem prioridades de pesquisa acerca da educação na formação profissional, para o
crescimento da enfermagem no país. Tal qual, possibilitará uma nova construção no tocante a
ampliação do embasamento científico nos centros acadêmicos.
REFERÊNCIAS
BARDIN, L. Análise de conteúdo. 3. ed. Edições 70, 2008.
BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação
Superior. Resolução CNE/ CES, n. 3, de 7 de novembro de 2001.
BARALDI, S.; CAR, M. R. O sentido do trabalho em um projeto de formação de
profissionais de enfermagem. Rev. esc. enferm., v. 40, n.4, p. 555-62, 2006.
CROSSETTI, M. G. O. C. Processo diagnóstico na enfermagem: condições para a tomada de
decisão do enfermeiro. Enferm. Atual., v.8, n. 44, p. 45-50, 2008.
CROSSETTI, M. G.O et al. Estratégias de ensino das habilidades do pensamento crítico na
enfermagem. Rev. Gaúcha Enferm., v. 30, n.4, p. 732-41, 2008.
CASATE, J. C.; CORREIA, A. K. Vivências de alunos de enfermagem em estágio hospitalar:
subsídios para refletir sobre a humanização em saúde. Rev. esc. enferm., v.40, n.3, p. 321-28,
2006.
COLOMÉ, J. S.; OLIVEIRA, D. L. L. C. A educação em saúde na perspectiva de graduandos
de enfermagem. Rev. gaúch. enferm., v. 29, n. 3, p.347-53, 2008.
DELL'ACQUA et al . Planejamento de ensino em enfermagem: intenções educativas e as
competências clínicas.Rev. esc. enferm.,v. 43,n.2,p.264-71,2009.
FERNANDES et al. Dimensão ética do fazer cotidiano no processo de formação do
enfermeiro.Rev. esc. Enferm., v. 42, n. 2, p. 396-03, 2008.
38
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
GUINDANI, E. R. O Ensino universitário na perspectiva da complexidade: uma abordagem
Moriniana. Rev. Educ. PUC, v. 21, p.133-40,2006.
MANDÚ, E. N. T. Diretrizes curriculares e a potencializarão de condições para mudanças na
formação de enfermeiros. Rev. Bras. Enferm., v. 1, n.1, p.348-50, 2003.
PUSSHEL, N. V.; ARAÚJO, V. A. O ensino de conteúdos atitudinais na formação inicial do
enfermeiro.Rev. esc. enferm., v.43,n.2,p. 1232-37,2009.
PEREIRA, M. J. B. et al. A enfermagem no Brasil no contexto da força de trabalho em saúde:
perfil e legislação.Rev. bras. enferm.,v.62, n. 5, p. 771-77, 2009.
PIRES, M. R. G. M. et al. Diálogos entre a arte e a educação: uma experiência no ensino da
disciplina de administração em saúde.Texto contexto - enferm.,v.18, n. 3, p. 559-67,
2009.
POTTER, P. A.; PERRY A. G. Fundamentos de enfermagem: conceitos, processo e
prática. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1997.
PINHEL I. O desenvolvimento de competências para docência segundo a vivência de
docentes de um curso de graduação em enfermagem. 2006. 251f [tese] (Doutorado em
Enfermagem) - Escola de Enfermagem, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2006.
RODRIGUES, R. M.; CALDEIRA. S. Diretrizes curriculares para a graduação em
enfermagem no Brasil: contexto, conteúdo e possibilidades para a formação. 2007. 251f
[tese] (Doutorado em Enfermagem) - Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2007.
RODRIGUES, R. M.; CALDEIRA, S. Formação na graduação em enfermagem no estado do
Paraná.Rev. bras. enferm., v.62, n.3, p. 417-23, 2009.
SILVA, L. W. S. et al. A arte na enfermagem: iniciando um diálogo reflexivo. Texto
contexto Enferm.,v.1,n.14, p. 120-3, 2005.
SILVA, M. J.; SOUSA, E. M.; FREITAS, C. L. Formação em enfermagem: interface entre
as diretrizes curriculares e os conteúdos de atenção básica.Rev. bras. enferm., v. 64, n. 2, p.
315-21, 2011.
SILVA, K. L.; SENA, R. R. Integralidade do cuidado na saúde: indicações a partir da
formação do enfermeiro. Rev. esc. enferm., v. 42, n.1, p. 48-56, 2008.
TREZZA et al. A arte de educar em saúde: uma contribuição nascida do cotidiano da
enfermagem. Maceió: Edufal, 2004.
39
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
CUIDADOS PALIATIVOS NO DOMICÍLIO: PRODUÇÃO CIENTÍFICA
NO ÂMBITO DA ENFERMAGEM
Maria Ione de Andrade (relator)1
Herika Patrícia Gomes da Costa2
Cristiani Garrido de Andrade3
Ana Aline Lacet Zaccara4
Kamyla Félix Oliveira dos Santos5
Isabelle Cristinne P. Costa6
RESUMO
O avanço da ciência e da tecnologia na área da saúde vem proporcionar através dos cuidados
paliativos a prevenção e o alívio do sofrimento como uma abordagem que aprimora a
qualidade de vida dos pacientes e família, que enfrentam problemas associados a doenças
ameaçadoras da vida. Nesse contexto, a assistência domiciliar vem adquirindo cada vez mais
espaço no cuidado em enfermagem, dando ao paciente uma morte digna ao lado da sua
família, com conforto e uma assistência de qualidade. Este trabalho tem como objetivo
abordar aspectos relacionados aos cuidados paliativos na assistência domiciliar. Trata-se de
uma revisão bibliográfica, elaborada através da seleção e leitura de livros e artigos pertinentes
à temática. Para viabilizar a coleta de dados foram utilizados como descritores: ―Cuidados
Paliativos and Domicílio‖. Os resultados evidenciaram que os cuidados paliativos em
domicílio é uma especialização na área da saúde. Em contrapartida à assistência no hospital, o
cuidado domiciliar permite que o paciente seja tratado em casa pelos profissionais de saúde.
Este procedimento é apontado como um recurso valioso, utilizado principalmente em
pacientes que possuem enfermidades em escala elevada. Assim, a assistência em domicílio
possibilita que, além do paciente, a família sinta-se cuidada e amparada, ao serem tratados de
uma forma humanizada e holística em ambiente acolhedor.
Descritores: Cuidados Paliativos. Domicílio. Enfermagem.
1
Técnica em Enfermagem. Graduanda em Enfermagem pela Faculdade Ciências Medica da Paraíba – FCMPB.
E-mail: [email protected].
2
Técnica em Radiologia. Graduanda em Enfermagem pela Faculdade Ciências Medica da Paraíba – FCMPB. Email: [email protected].
3
Enfermeira. Fonoaudióloga. Especialista em Saúde Coletiva, com Ênfase na ESF-FASER. Mestranda em
Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba – UFPB. Pós-graduanda em Cuidados Paliativos. Docente em
Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. E-mail:
[email protected].
4
Enfermeira. Universidade Federal da Paraíba. E-mail: [email protected].
5
Enfermeira. Mestranda em Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba – UFPB. Docente em
Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. E-mail:
[email protected].
6
Enfermeira. Fonoaudióloga. Mestre em Enfermagem. Especialista em Saúde Coletiva, com Ênfase na ESFFASER. Doutoranda em Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba. Membro do Núcleo Gestor da
Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. E-mail:
[email protected].
40
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
INTRODUÇÃO
O avanço da ciência e da tecnologia, na área da saúde, tem proporcionado o aumento
da expectativa de vida da população, o que promove mais esperanças para a cura de diversas
doenças. Assim, os pacientes chegam com mais frequência a terminalidade da vida
(ANDRADE et al., 2012).
Desse modo, torna-se necessário o desenvolvimento de novas modalidades do
cuidado, razão pela qual emergem os cuidados paliativos. O conceito de cuidados paliativos
originou-se no Movimento Hospice, criado por Cecily Saunders e colaboradores, que foram
responsáveis pela disseminação de uma nova filosofia do cuidar, no mundo, a qual contém
dois elementos essenciais: o controle efetivo da dor e de outros sintomas decorrentes dos
tratamentos em fase avançada das doenças e os cuidados (que abrangem as dimensões
psicológicas, sociais e espirituais de pacientes e de sua família) (RONCARATI et al., 2003).
A Organização Mundial de Saúde define os cuidados paliativos como uma abordagem
que aprimora a qualidade de vida dos pacientes e de sua família, que enfrentam problemas
associados a doenças ameaçadoras da vida, através da prevenção e do alívio do sofrimento,
por meio da identificação precoce, de avaliação correta e do tratamento da dor e de outros
problemas de ordem física, psicossocial e espiritual (WHO, 2002).
É importante ressaltar que os cuidados paliativos apresentam como princípios básicos:
reafirmar vida e a morte como processos naturais; integrar os aspectos psicológicos, sociais e
espirituais ao aspecto clínico de cuidado do paciente; não apressar ou adiar a morte; oferecer
um sistema de apoio para ajudar a família a lidar com a doença do paciente, em seu próprio
ambiente; oferecer um sistema de suporte para ajudar os pacientes a viverem o mais
ativamente possível até sua morte; usar uma abordagem interdisciplinar para acessar
necessidades clínicas e psicossociais dos pacientes e suas famílias, incluindo aconselhamento
e suporte ao luto (SANTOS, 2011).
Os cuidados paliativos baseiam-se em conhecimentos básicos inerentes a várias
especialidades, sendo realizado por uma equipe multiprofissional capacitada, composta por:
enfermeiros, médicos, psicólogos, assistentes sociais, assistentes espirituais, fonoaudiólogos,
fisioterapeutas, dentre outros. Logo, o cuidado ao paciente sem possibilidades de cura é visto
como função da equipe de saúde que, usando da ética e da valorização do paciente e da sua
família, como instrumento importante do cuidar, proporciona e oferece uma assistência digna
(ANDRADE et al., 2012).
É notório destacar que esses cuidados são oferecidos por meio de programas inseridos
ou não em instituições hospitalares, quando não inseridos em uma instituição hospitalar,
41
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
podem estar em asilos, casas de repouso, clínicas, moradias assistidas, como também no
domicílio (RONCARATI et al., 2003). Nesse sentido, o cuidado paliativo pode ser prestado
no domicílio do paciente, por meio da assistência domiciliária.
A assistência domiciliar é uma particularidade de assistência que tem um proposito do
cuidado ao paciente que esta em casa. Esta demostrando ser a nova fronteira de serviço de
saúde. Embora exista há muitos anos atrás, este tipo de atenção à saúde esta se destacando
bastante, em especial nas duas últimas décadas, nos EUA e, mais recentemente, no Brasil,
conforme revelam (DUARTE; DIOGO, 2000).
De acordo com Rehen e Trad (2005) a assistência domiciliar consiste em estratégias
que tem em vista a diminuição da demanda por atendimento hospitalar ou à redução do
período de permanência dos pacientes internados. Assim, a Assistência Domiciliar (AD) tem
surgido como uma modalidade alternativa de atenção à saúde, já estando consolidada em
alguns países desenvolvidos.
O ponto que merece receber maior realce, em assistência domiciliar, é a tríade
paciente, família e equipe multiprofissional. A família, especialmente o cuidador, é o centro
das ações educativas, o paciente é o foco de atenção e vigilância, a equipe é o seguimento de
suporte às necessidades que irão surgir com a evolução da doença (REHEN; TRAD, 2005).
Dessa forma o serviço de assistência domiciliar em cuidados paliativos, não tem como
objetivo presumir a cura. Sua meta principal é proporcionar o máximo de conforto possível,
dentro da vida remanescente do paciente, dando ênfase ao controle adequado destes sintomas
e aos aspectos emocionais, espirituais, sociais e familiares do paciente (ALVARENGA,
2005). Assim, os objetivos primários do cuidado paliativo em domicílio são: melhorar a
qualidade de vida no final da existência, aliviar os sintomas, permitir que o paciente tenha
conforto perante finitude e oferecer dignidade respeitando seus anseios e desejos.
A atenção ao paciente e seus familiares no domicílio constitui um dos alvos
importantes de atuação dos cuidados paliativos. Com base em tal entendimento e
considerando a relevância dessa temática para prática assistencial dos profissionais de saúde,
este estudo teve como fio condutor os seguintes objetivos: abordar aspectos relacionados aos
cuidados paliativos na assistência domiciliar.
METODOLOGIA
Trata-se de uma pesquisa bibliográfica consubstanciada na literatura pertinente ao
tema em destaque. Segundo Gil (2002), a principal vantagem nesse tipo de pesquisa é propor
ao investigador a cobertura de uma gama de fenômenos muito mais amplos. Não há regras
42
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
fixas que determinem e concretizem a realização de uma pesquisa bibliográfica, porém há
fatores que demonstram serem importantes neste caso: exploração de fontes bibliográficas,
leitura do material e elaboração de fichas, ordenação e análise das fichas e conclusões.
A pesquisa bibliográfica de acordo com Martins e Lintz (2008, p. 29), tem por fito
analisar a produção científica relativa a um dado assunto, de forma a discutir um tema ou
problema fundamentando-se a partir da literatura técnica existente sobre o mesmo.
As fontes de dados foram publicações acerca da assistência domiciliar a pacientes sob
cuidados paliativos, no âmbito da Enfermagem, por meio de busca manual e eletrônica na
Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e na Biblioteca da Faculdade de Ciências Médicas da
Paraíba. O descritor em Ciências da Saúde instituído para a coleta de dados foi ―cuidados
paliativos and domicílio‖. A coleta de dados ocorreu no período de março a abril de 2012.
Para a realização da investigação proposta, seguiram-se as seguintes etapas
operacionais: Primeira Etapa – Levantamento da literatura sobre a temática; Segunda Etapa –
Seleção dos documentos relacionados com a temática investigada com ênfase na assistência
de enfermagem; Terceira Etapa – Elaboração do relatório final pautado na literatura pertinente
ao tema.
Destaca-se que foram ponderadas as observâncias éticas observadas no Código de
Ética dos Profissionais de Enfermagem – Resolução 311/2007 do Conselho Federal de
Enfermagem, no que se refere à elaboração de trabalhos científicos.
ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Cuidados Paliativos no Domicílio
O Cuidado Paliativo é um conjunto de atos multiprofissionais que têm por objetivo
efetuar o controle dos sintomas decorrente da fase avançada de uma doença, considerando os
aspectos físicos, da mente, do espírito e do social. Na maioria das vezes, a família é também
acompanhada pela equipe multiprofissional, pois ela compartilha do sofrimento do paciente.
Dentre as formas de se oferecer cuidados paliativos ao paciente sem possibilidade de cura, é
importante destacar a assistência paliativa em domicílio (SANTOS; PAGLIUCA;
FERNANDES, 2007).
O cuidado paliativo assiste o paciente em seu domicílio, e consiste em uma atividade
que remonta era Antes de Cristo. Tal atividade já era citada no Velho Testamento como uma
forma de prestar caridade. Entre os judeus, encontram-se declarações dos rabinos quanto à
43
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
incumbência dos primeiros de visitar os doentes para lhes demonstrar solidariedade e como
forma de auxiliá-los a sair do sofrimento (SANTOS, 2011).
No século XV, organizações militares e ordens religiosas iniciaram o desenvolvimento
de uma forma de atendimento domiciliário que muito se assemelha a um serviço
regionalizado de enfermagem. Em 1610, São Francisco de Sales fundou a ordem da Virgem
Maria, uma congregação feminina destinada a visitar a casa de doentes, diariamente,
desenvolvendo várias atividades. Estas atividades foram encerradas por determinação da
Igreja, que a passou exigir que as mulheres religiosas fossem enclausuradas. Posteriormente,
foi fundado o Instituto das Filhas de Caridade, mais tarde denominado Irmãs de Caridade, por
São Vicente de Paula, tendo como atividade principal à assistência aos doentes e os pobres em
seus domicílios. Foi elaborado então um manual, ―Manual das Filhas de Caridade‖, onde se
encontra um capítulo dedicado exclusivamente à visita domiciliária (SANTOS, 2011).
Nos EUA, esta atividade começou por volta de 1800, logo após a Guerra Civil, como o
interesse das mulheres em cuidar de seus doentes. Segundo Cunha (1991), o primeiro trabalho
domiciliário surgiu no início do século XIX, na Caroline do Sul, onde um grupo de 16
senhoras da comunidade prestavam cuidados domicílios (DUARTE; DIOGO, 2000).
Em 1912, já eram três mil enfermeiras visitadoras e atualmente existem
aproximadamente 18,5 mil serviços de atendimento domiciliário naquele país, englobando
assistência médica, de enfermagem, fisioterapia, nutrição, farmácia, serviço social e, ainda,
serviços de laboratório e fornecimento de equipamentos apropriados (DUARTE; DIOGO,
2000).
No Brasil, o desenvolvimento da assistência domiciliária também manteve estreita
relação com a enfermagem. Suas primeiras atividades são descritas, no começo deste século,
mais especificamente em 1919, com a criação do Serviço de Enfermeiras Visitadoras no Rio
de Janeiro, voltado às áreas de tisiologia e materno-infantil. Nesta época ocorreram várias
epidemias (febre amarela e peste). Assim, Carlos Chagas trouxe ao Brasil, enfermeiras
americanas com o objetivo principal de preparar profissionais para atuarem no combate ás
epidemias. Atualmente, este campo específico foi posto em segundo plano, restringindo-se ás
atividades relacionadas à vigilância epidemiológica e materno-infantil (DUARTE; DIOGO,
2000).
Esse cuidado se confunde historicamente com o termo hospice, que definia abrigos
(hospedarias) destinados a receber e cuidar de peregrinos e viajantes. O relato mais antigo
remonta ao século V, quando Fabíola, discípula de São Jerônimo, cuidava de viajantes vindos
da Ásia, da África e dos países do leste no Hospício do Porto de Roma. Várias instituições de
44
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
caridade surgiram na Europa no século XVII, abrigando pobres, órfãos e doentes. Essa prática
se propagou com organizações religiosas católicas e protestantes que, no século XIX,
passaram a ter características de hospitais. O Movimento Hospice Moderno foi introduzido
pela inglesa Cicely Saunders, com formação humanista e médica, que em 1967 fundou o St.
Christopher’s Hospice, cuja estrutura não só permitiu a assistência aos doentes, mas o
desenvolvimento de ensino e pesquisa, recebendo bolsistas de vários países. Na década de
1970, o encontro de Cicely Saunders com Elisabeth Klüber-Ross, nos Estados Unidos, fez
com que o Movimento Hospice também crescesse naquele país (SANTOS, 2011).
O termo cuidado paliativo é concebido como um tratamento que fornece alívio, de
duração variável. O termo ―palliare‖ era entendido como cobrir, proteger, acobertar, sendo um
termo constantemente compreendido em nossa cultura como algo sem muito valor.
Atualmente, o conceito de cuidados paliativos aborda intervenções que visam o controle da
dor e o alívio dos sintomas em busca de uma qualidade de vida melhor, com a perspectiva de
cuidar e não somente curar (MACHADO; PESSINI; HOSSNE, 2007). Destarte, os cuidados
paliativos em domicilio é uma modalidade fundamental na área da saúde, onde ao invés do
paciente ir até o hospital ser tratado, os profissionais de saúde vão até sua casa trata-lo. Este
procedimento é apontado como um recurso valioso, utilizado principalmente em pacientes
que possuem enfermidades em graves.
O atendimento domiciliar é uma modalidade de assistência à saúde desenvolvida na
residência do paciente, por um profissional ou equipe de saúde. A assistência deve ser
desenvolvida baseada numa sistematização através do histórico (entrevista e exame físico),
diagnóstico, prescrição e evolução, onde tudo que se realiza é registrado para fins de
reembolso e ético-legais. Os procedimentos realizados no domicílio são ações que buscam
promover a reabilitação e a manutenção da saúde do indivíduo (ALVARENGA, 2005).
Logo, o atendimento domiciliar compreende uma gama de serviços realizados no
domicílio e destinados ao suporte terapêutico e assistencial do paciente. Inclui os cuidados
íntimos, cuidados com a medicação, realização de curativos de feridas, cuidados com escaras
e ostomias e o uso de tecnologia hospitalar no domicílio: nutrição enteral/parenteral; diálise;
transfusão de hemoderivados; quimioterapia, antibioticoterapia e suporte respiratório.
Pressupõe, para tanto, serviço médico e de enfermagem e uma rede de apoio para diagnóstico
e para outras medidas terapêuticas (FLORIANI, 2010).
Os requisitos básicos para receber cuidados paliativos no domicílio se a maioria dos
pacientes prefere estar em sua residência e se as famílias desejam cuidá-los, devem-se pôr a
sua disposição, todas as condições possíveis para o alcance dos devidos objetivos.
45
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
Dessa forma, Moyano (1998) cita os requisitos necessários para a realização deste tipo
de assistência domiciliária: atenção integral realizada por uma equipe multidisciplinar,
concretizada através do controle de sintomas físicos e psíquicos, cuidados de enfermagem,
cobertura das necessidades sociais e espirituais; atenção durante vinte e quatro horas/dia, sete
dias por semana; contato permanente com os serviços oncológicos e de atenção primária;
sistema de comunicação aberto e fluente entre os integrantes da equipe oncológica, unidade
de cuidados paliativos domiciliários, atenção primária, atenção hospitalar, família e paciente;
a admissão no programa deve ser realizada em unidades de cuidados paliativos hospitalares
ou simplesmente na instituição hospitalar com pessoas especialmente preparadas para este
tipo de atendimento; planejamento dos cuidados, delimitação dos objetivos e avaliação dos
recursos físicos e psicológicos da família; educação da família; treinamento e/ou
potencialização dos recursos pessoais, através do psicólogo; visitas realizadas pelos membros
da equipe com a frequência necessária, segundo as necessidades e condições do paciente e da
família; é imprescindível um meio de comunicação rápida como o telefone.
É notório ressaltar que esses requisitos são de grande importância para que consiga
alcançar os objetivos em conjunto com o paciente/ família/ cuidador. Esses cuidados são
justificados por acreditar que, para o paciente oncológico fora de possibilidades terapêuticas
de cura, o tratamento paliativo deve ser realizado em seu domicilio, pois é lá que muitos deles
desejam estar e que por, falta de acesso ou comunicação com a equipe de saúde, não lhes é
oferecida esta alternativa de assistência.
A motivação dos pacientes tratados no lar se difere daqueles que se encontram
hospitalizados. Estes enfermos encontram maior apoio e se sentem mais fortes para enfrentar
a enfermidade. Esses cuidados tendem a proporcionar a família e ao doente a melhor
qualidade de vida possível, um cuidado humanizado e uma sobrevida digna mantendo o
doente longe dos hospitais e permitindo que ele possa viver este momento de finitude e num
ambiente familiar perto das pessoas e do lugar no qual ele se sente bem (SANTOS;
PAGLIUCA; FERNANDES, 2007).
No que concerne à enfermagem, é uma profissão que tem se preocupado, com o
cuidado holístico e humanizado, ao qual tem o objetivo de assistir o paciente em sua
totalidade bio-psico-social-espiritual. Demonstrando assim, total conexão com a filosofia do
cuidado paliativo, mesmo antes de ser reconhecido como modalidade terapêutica em saúde
(SANTOS; PAGLIUCA; FERNANDES, 2007).
46
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A atenção ao paciente e seus familiares no domicílio constitui um dos vértices de
atuação dos cuidados paliativos, e isto é especialmente importante quando se trata dos
cuidados de com doenças malignas. Isso leva muitos serviços a transferirem a estas famílias,
especialmente ao cuidador familiar, os cuidados diários, transformando-o em membro da
equipe.
O tratamento paliativo, expandido para o domicílio, pode transferir para o núcleo
familiar e para o cuidador significativo responsabilidades, nem sempre bem administradas, o
que torna o tratamento domiciliar particularmente propício a situações conflituosas,
especialmente se não houve possibilidade de criar um bom vínculo da equipe, e, em especial,
do médico com a família, com o cuidador ou com o paciente.
Este suporte domiciliar em cuidados paliativos exige uma rede de assistência
disponível e flexível, que possa oferecer um controle efetivo dos sintomas mais estressores e
uma morte digna ao paciente, em um ambiente onde, dentro do possível, suas preferências
sejam priorizadas. Além disso, maior facilidade de consultas com os serviços de cuidados
paliativos, mesmo à distância, e hospitalar, para suprir eventual necessidade de internação ou
para realização de determinados procedimentos técnicos de diagnóstico ou de tratamento, são
fundamentais. Logo, a contribuição deste trabalho consiste em apresentar as considerações
mais importantes acerca da assistência em domicílio, que possibilita ao paciente e seus
familiares uma assistência humanizada e holística em ambiente acolhedor.
REFERÊNCIAS
ALVARENGA, R. E. Cuidados paliativos domiciliares: percepções do paciente oncológico
e o seu cuidador. Porto Alegre: Moriá, 2005.
ANDRADE, C.G. de. et al. Cuidados paliativos e dor: produção científica em periódicos
online no âmbito da Saúde. Revista Temas em Saúde, v.10, p. 18-25, 2010.
DUARTE, Y. A. O.; DIOGO, M. J. D. Atendimento domiciliar: um enfoque gerontológico.
São Paulo: Atheneu, 2000.
FLORIANI, C. A. Cuidados paliativos no domicílio: desafios aos cuidados de crianças
dependentes de tecnologia. J. Pediatr., Rio de Janeiro, v.86, n.1, pp. 15-19, 2010.
GIL, A.C. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2002.
MACHADO, K. D. G.; PESSINI, L.; HOSSNE, W. S. A formação em cuidados paliativos da
equipe que atua em unidade de terapia intensiva: um olhar da bioética. Centro Universitário
São Camilo, v. 1, n. 1, p. 34-42, 2007.
47
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
MARTINS, G.; LINTZ, A. Guia para elaboração de monografias e trabalhos de
conclusão de curso. São Paulo: Atlas, 2008.
MOYANO, P. S. La Aténcion domiciliaria em cuidados paliativos. In: IMEDIO, E. L.
Enfermeria em cuidados paliativos. Madrid: Medica Panamericana, 1998. p. 377-382.
REHEM, T.C.M.S.B.; TRAD, L.A.B. Assistência domiciliar em saúde: subsídios para um
projeto de atenção básica brasileira. Ciência e saúde coletiva, sup. 10, pp. 231-242, 2005.
RONCARATI, R. Cuidados paliativos num hospital universitário de assistência terciária: uma
necessidade? Semina: Ciências Biológicas e da Saúde, v. 24, p. 37-48, 2003.
SANTOS, F. S. O desenvolvimento histórico dos cuidados paliativos e a filosofia hospice. In:
SANTOS, F. S. (Org.). Cuidados paliativos – diretrizes, humanização e alívio dos sintomas.
São Paulo: Atheneu, 2011. Cap. 1, p. 3-15.
SANTOS, M. C. L; PAGLIUCA, L. M. F; FERNANDES, A. M. C. Cuidados paliativos ao
portador de câncer: reflexões sob o olhar de Patterson e Zderad. Rev. Latino-am
Enfermagem, v.15, n.2, 2007.
WORLD HEALTH ORGANIZATION. National cancer control programmes: policies and
managerial guidelines. Geneva: WHO, 2002.
48
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
DEPRESSÃO PUERPERAL: UM ENFOQUE LITERÁRIO
Thaíza Ferreira da Costa (relator)1
Jedite Ferreira Freitas2
Américo Ferreira de Sá Filho3
RESUMO
No universo feminino, um dos principais desejos de realizações da mulher é ser mãe, mas
para algumas significa momento de tristeza, medo e até mesmo desespero, o que pode
ocasionar uma depressão puerperal. Existem três formas de transtorno depressivas puerperais:
tristeza maternal, depressão e psicoses puerperais, sendo assim, a depressão é um problema
muito sério que tem como principal característica à diminuição e queda da autoestima,
deixando o indivíduo deprimido altamente improdutivo. A etiologia da depressão pós-parto
permanece incerta. E o tratamento segue as linhas gerais das terapêuticas dos quadros
depressivos, constituindo-se fundamentalmente em uma abordagem multidimensional,
farmacológica e psicossocial. O presente estudo de natureza bibliográfica teve com objetivo:
abordar a depressão, depressão puerperal e as assistências de enfermagem à mulher com
depressão puerperal à luz da literatura. O levantamento bibliográfico para elaborar este estudo
foi em bibliotecas pública e particular, a partir de acervos encontrados em livros, periódicos,
monografias e em sites. Assim, a depressão puerperal é um fenômeno universal, ou seja,
acontece com qualquer mulher de qualquer cultura e/ou status social. Portanto, é importante a
união de forças entre os profissionais de saúde e os familiares que podem transformar este
momento difícil a qual a puérpera estar passando em uma fase em ela se sentirá mais firme e
confiante para expressar seus sentimentos, sentindo-se acolhida e ajudada.
Descritores: Puerperal. Depressão. Assistência.
INTRODUÇÃO
Antes de tratar especificamente da depressão puerperal é necessário definir bem, em
que consiste a depressão. Segundo Calil (2007), a depressão é uma doença da mente e
também do corpo. Espinosa (2002), explica que é uma doença que provoca alterações no
humor ou estado de ânimo, dimensão do psiquismo responsável pela nossa capacidade de
sentir prazer, tristeza, alegria e tantos outros. Portanto, sofrer de depressão significa não
conseguir desfrutar dos prazeres normais da vida, provocando assim pensamentos negativos e
pessimismo. O indivíduo acometido por depressão sente dificuldade de concentração,
raciocínio, organização de ideias, como também sensação de cansaço, fadiga, perturbações do
sono, entre outros.
1
Enfermeira Especialista em Terapia Intensiva pela Faculdade Integrada de Patos-FIP. Pesquisadora do Núcleo
de Estudos e Pesquisa em Bioética - NEPB/UFPB e Enfermeira Socorrista do Shopping Center Tambiá. E-mail:
[email protected].
2
Enfermeira Especialista em Programa de Saúde da Família pela FACISA. Acadêmica de medicina pela
FAMENE.
3
Enfermeiro pela faculdade FASER
49
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
Já a depressão puerperal pode ser vista como uma crise normal do desenvolvimento,
relacionada aos desajustes que estão em andamento com relação à nova função de ser mãe,
juntamente com as demais responsabilidades, além da fadiga e a excitação concomitante à
maternidade (NETTINA, 1999).
De acordo com o Ministério da Saúde (2001), o puerpério é o período do ciclo
gravídico em que as modificações locais e sistêmicas, provocadas pela gravidez e parto no
organismo da mulher, retornam à situação do estado pré-gravídico. Assim, é o período em que
a mulher fica mais vulnerável aos transtornos de humor, podendo com isso, desencadear uma
depressão puerperal.
Atualmente a depressão é um problema de saúde pública da maior importância onde,
dados epidemiológicos coletados em São Paulo indicam que aproximadamente 16% da
população apresentam pelo menos um episódio depressivo durante toda a vida (LAFER et al,
2000). A prevalência da depressão é estimada em 19%, o que significa que aproximadamente
uma em cada cinco pessoas no mundo apresenta problema em algum momento da vida
(BRASIL, 2001).
A depressão puerperal caracteriza-se segundo Smith (2004), como um grupo de
sintomas caracterizados por distúrbios do humor, perda do senso de controle, intensa angústia
mental, emocional e física, e perda da auto-estima associados ao nascimento da criança, com
prevalência de oito a dez por cento das gestantes. A idade predominante é a idade reprodutiva,
não havendo padrão genético, apesar de existir uma suposta tendência familiar.
A maioria dos sintomas da depressão puerperal para Fontes (2005) são devidos as
mudanças bioquímicas que se processam logo após o parto, tais como o aumento da secreção
de corticosteróide e a súbita queda dos níveis hormonais. Assim, a depressão pode acometer o
individuo em qualquer etapa do ciclo vital e, nas mulheres é comum surgir no período pósparto. Segundo Nunes; Bueno (2000), a depressão é evidenciada pelas alterações no humor
vital do individuo e que levam a perder a qualidade de suas funções afetivas, cognitivas e
intelectivas.
O problema em questão, não se limita apenas em compreender o processo lento e
gradual de mudanças psicológicas na puérpera, devendo ser considerado também o seu alto
poder de alcance, isto é, mudanças no comportamento materno que irão influenciar
negativamente o bebê, acarretando distúrbios no seu desenvolvimento, em diferentes níveis
educativos, na chegada à infância, a puberdade, a adolescência (SOFIER, 1980).
A relevância desse estudo foi de possibilitar um aprofundamento com respaldo
científico acerca desta temática, contribuindo assim para nossa atuação como profissionais de
50
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
saúde com intuito de prestar uma assistência qualificada e humanizada, de forma integral as
mulheres com depressão puerperal. Com esse estudo aprofundamos nossos conhecimentos
acerca da temática em apreço, nos capacitamos melhor na vida profissional e acreditamos que
o resultado deste estudo poderá servir de subsídios para outros profissionais de saúde.
As considerações acima nos oportunizaram elaborar a questão norteadora a seguir:
quais as abordagens da depressão, depressão puerperal e as assistências de enfermagem à
mulher com depressão puerperal à luz da literatura?
OBJETIVO:
 Abordar a depressão, depressão puerperal e as assistências de enfermagem à mulher
com depressão puerperal à luz da literatura.
METODOLOGIA
O presente estudo trata-se de uma pesquisa bibliográfica, que de acordo com Gil
(2002), este estudo tem como objetivo desenvolver pesquisas e referências encontradas em
livros, periódicos, monografias, dissertações, teses, entre outros.
O estudo foi realizado no período de dezembro a maio de 2007, nas bibliotecas pública
e particular, no município de João Pessoa – PB. As coletas de dados bibliográficos para
elaborar este estudo foram na biblioteca particular (FASER) e em biblioteca pública (UFPB),
a partir de materiais encontrados em livros e periódicos online pertinentes a temática.
Para alcançar o objetivo proposto deste estudo, inicialmente foram selecionados os
assuntos e compilados os dados em seguida. Tais dados foram descritos em forma textual,
com finalidade de expor ideias, fatos e uma melhor visão sobre o respectivo estudo.
REVISÃO DE LITERATURA
Depressão Puerperal
A depressão puerperal é definida segundo Ferrar (1992) como um abatimento do
humor que se torna triste associado à inibição e ao sofrimento moral. De acordo com Silva et
al (1998), a depressão puerperal é definida como um episódio depressivo não psicótico que se
instala nos primeiros meses após o parto.
Segundo Campos (2002), a depressão puerperal é um quadro delirante, freqüentemente
alucinatório, grave e agudo que aparece do segundo dia a três meses depois do parto.
Observa-se no livro de classificação internacional de doença (CID. 10) uma tendência a
51
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
considerá-la, assim como a depressão pós-parto, um tipo de transtorno do humor, iniciativa ou
precipitada pelo puerpério.
Para Sogorn (2001), a mudança do estado gravídico para o estado puerperal impõe á
mulher uma série de mudanças hormonais, sociais e psicológicas; onde as manifestações
psíquicas mais encontradas são quadros de baby blues e depressão puerperal. E acrescenta que
blues ou tristeza materna como uma forma de depressão de intensividade leve e alto limitado,
comum no puerpério. Este tipo de depressão é tipo como uma condição benigna que se inicia
nos primeiros dias após o parto, durante por volta de duas semanas, cedendo
espontaneamente.
Barbosa et al (2001), ressalta que o primeiro dia após o parto é carregado de emoções
intensas e variado. As primeiras vinte e quatro horas constituem períodos de recuperação da
fadiga do parto, estando a puérpera confusa, frágil, e ao mesmo tempo excitada pelo
nascimento do filho.
Segundo a OMS- Organização Mundial de Saúde (OMS, 2005) calcula-se que
trezentos e quarenta milhões de pessoas sofrem de depressão puerperal, essa população
feminina apresenta alguns sintomas dessa depressão. A depressão puerperal se apresenta de
duas maneiras: leve e grave. A depressão leve é diagnosticada quando menos de cinco
sintomas estão presentes por um período de duas semanas no mínimo. A depressão grave é
diagnosticada quando cinco ou mais dos sintomas estão presentes por um período de duas
semanas, no mínimo.
Manifestações Clínicas
A depressão puerperal pode começar logo após o parto ou seis meses a um ano depois
do mesmo. O período pós-parto traz um à série de sinais e sintomas físicos tais como:
alterações de peso e apetite, fadiga e insônia que também são característicos da depressão
puerperal. Mas a depressão puerperal está em primeira instancia, relacionada aos sentimentos
que a puérpera sente em relação a si mesma, à sua situação, às pessoas a sua volta, à sua vida.
É evidente que o sentimento mais constante é a tristeza. A depressão puerperal é uma doença
multifacetada e aqui há uma série de outras emoções que surgem junto e que podem fazer
parte de uma experiência (HARVEY, 2002).
Para Rocha (1991), as manifestações clínicas iniciam-se nos primeiros dias após o
parto. Há um aumento da sintomatologia entre o 5º e o 10º dia. A duração é variável,
estendendo-se de algumas horas a poucos dias até duas semanas. A sintomatologia também é
variada e caracterizam-se mais usualmente por crises de choro, nem sempre sinônimos de
52
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
tristezas, depressão, ansiedade, fadiga, cefaleia, preocupação excessivas com a lactação e
amamentação, distúrbios cognitivos como dificuldades de concentração e lentidão do
aprendizado.
Os sintomas da depressão puerperal moderada foram descritos como humor deprimido
variando de um dia para outro, com mais dias ruins que bons, tendendo ser pior à noite e
associado a, distúrbios do sono e perda da libido (TOWSEND, 2002). Stuart; Laraia (2001)
relatam que os sintomas de humor puerperal são divididos em três categorias, com base em
sua gravidade: tristeza, psicose e depressão.
Para Smith (2004), as características clínicas da depressão puerperal são: humor
depressivo na maior parte do tempo, diminuição do interesse em atividades normais ou
prazerosas; alteração involuntária do peso; insônia ou hipersônia; agitação ou retardo
psicomotor; fadiga ou perda de energia; sentimentos de desvalia ou culpa; diminuição da
capacidade de pensar ou concentrar-se; pensamentos recorrentes de morte. O início é de 2 –
12 meses após o nascimento com duração de 3 – 14 meses.
Diagnóstico
Harvey (2002) informa ainda que os critérios a seguir sejam internacionalmente
aceitos no diagnóstico de um distúrbio depressivo como a depressão pós-parto, tais como:
lamentações constantes, tremores, sudorese, boca seca, aperto no peito, dificuldade de
deglutir, perda ou ganho de peso, insônia ou dormir em excesso, cansaço e perda de energia,
incapacidade de concentrar-se ou de tomar decisões, sentir-se inútil ou culpada sem motivos,
pensar em morte e suicídio a ponto de planejá-lo.
Para diagnosticar uma depressão é necessário pelo menos cinco anos dos sintomas a
seguir: humor deprimido na maior parte do dia; perda acentuada de interesse ou situação em
todas ou quase todas as atividades normais; insônia ou hipersonia; retardamento ou agitação
psicomotora; diminuição da capacidade de pensar ou de concentrar, ou indecisão; fadiga ou
perda de energia; sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva ou inadequada; perda ou
ganho significado de peso sem dieta ou aumento ou diminuição do apetite e pensamento
recorrentes de morte, ideia suicida recorrente sem um plano específico ou tentativo de
suicídio (SILVA et al, 1998).
Ocorrem ainda certas dificuldades diagnósticas. Em primeiro lugar, há o fato de a
sintomatologia iniciar-se após a alta hospitalar, quando a puérpera já se encontra em casa e
distante dos cuidados obstétricos. Em seguida, há o fato de muitas mães deprimidas serem
―esmagadas‖ pelo reconhecimento da terrível disparidade entre seus sentimentos de tristeza e
53
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
estado de ânimo e a expectativa culturalmente sancionada de que as mães deveriam ser
contentes com os filhos e competentes em suas funções (ROCHA, 1991).
A possibilidade de depressão é frequentemente esquecida no momento do primeiro
atendimento após o parto. O não-diagnóstico de depressão é inadmissível, uma vez que pode
trazer prejuízos para o relacionamento mãe-filho podendo repercutir negativamente no
desenvolvimento emocional e cognitivo da criança. Para tanto, existe instrumento confiável
para este diagnóstico que é a Escala de Depressão Pós-natal de Edimburgh, de fácil aplicação
e de interpretação rápida e direta (BARBOSA et al, 2003).
O diagnóstico diferencial deve distinguir o distúrbio emocional auto-limitante da
compensação psicótica que requer uma terapia psiquiátrica de emergência (TABER, 1988).
Benzecry (2000), explica que o diagnóstico diferencial com o ―blues‖ puerperal; pelo fato de
costumar ter início um pouco mais tardes não nos primeiros dias pós-parto, quando a paciente
já teve alta hospitalar e esta em sua casa, estes quadros podem escapar da atenção do obstetra,
ficando para o pediatra a responsabilidade de observar, diagnosticar e tomar as providências
anteriormente referidas, de preferência comunicando ao seu colega obstetra.
Contudo existe a necessidade de um diagnóstico diferencial, que segundo Flaherty;
Clannon; Davis (1990) é o mesmo critério de diagnóstico que se aplica a qualquer distúrbio
psiquiátrico também se aplicam durante o período puerperal. Os distúrbios afetivos maiores
por definição, duram em torno de duas semanas, já a depressão puerperal é transitória e
relativamente leve.
Tratamento
Para Flaherty, Clannon e Davis (1990), o tratamento da depressão puerperal, pode
exigir medicação ou hospitalização, bem como intervenção psicossocial. Caso a mãe não
esteja amamentando no peito, as drogas podem ser prescritas quando necessárias (ver abaixo
os princípios de utilização de drogas psicotrópicas em mulheres que estão amamentando seus
filhos no peito). Às vezes, é possível que uma nova mãe que precise de hospitalização
psiquiátrica leve seu bebê junto, a fim de manter seu relacionamento com o recém-nascido. O
atendimento domiciliar, com apoios extras, incluindo enfermeiras particulares e se necessário
um tratamento alternativo.
Há vários tipos de medicamentos antidepressivos e eles funcionam de maneira
semelhante, afetando a produção de substâncias químicas chamadas neurotransmissoras. Há
evidências de que em alguns casos de depressão os níveis desses neurotransmissores
específicos circulando no cérebro (HARVEY, 2002).
54
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
Para Towsend (2002), o tratamento da depressão puerperal varia de acordo com a
gravidade da doença e conclui que a depressão moderada pode ser aliviada pela psicoterapia
de apoio e a assistência contínua no controle doméstico até que os sintomas remitam.
Segundo Guimarães (2002), a psicoterapia é um tratamento por meio de sugestão, um
relacionamento entre o psicoterapeuta, ou simplesmente terapeuta, e o paciente através de
encontros chamados sessões, para que o paciente possa entender seu mundo interno, muitas
vezes fontes de angústias e sofrimentos psíquicos, de modo diferente.
Winnicott (2000) ressalta que o tratamento em geral, é realizado basicamente com uso
de medicamentos antidepressivos. Porém, a escolha do tipo de fármaco e da dosagem
dependerá de fato se a mulher está ou não amamentando.
De acordo com Benzecry (2000), explica que o tratamento deverá ficar a cargo de um
psiquiatra clínico indicado pelo obstetra, que em conjunto orientarão a família sobre o que
esta se passando, bem como condutas que possam contribuir para a melhora do quadro ou
pelo menos para não piorá-lo. E o tratamento psiquiátrico clínico propriamente dito é feito à
base de neurolépticos, antidepressivos, ansiolíticos, etc., isolados ou combinados e adequados
a cada caso. A mesma contra-indicação de aleitamento natural é necessária, obviamente.
Os antidepressivos triciclos (ADTS) funcionam impedindo que as substâncias
químicas neurotransmissoras, serotonina e noradrenalina sejam reabsorvidas pelas células
cerebrais de modo que haja maior quantidade delas circulando pelo cérebro. Essas são as
substâncias químicas que melhoram nosso humor (TELLES, 1999). Conforme Coutinho;
Coutinho (1999), o tratamento de escolha na maioria dos casos de depressão pós-parto é o
aconselhamento psicológico.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A cabeça é um órgão muito propício a dores exatamente por ser uma região que
responde a várias atitudes orgânicas e também por ser ricamente inervada e vascularizada.
Assim sendo, o grande número de enxaquecas decorrente também variações em nível de
processos sistêmicos e que decorrem em alterações a nível craniano tais como dor de dente,
dor de ouvido, etc.
Embora exista uma ampla variação nos tipos de personalidade daqueles que estão
sujeitos a enxaqueca, existe alguma evidência de que a pessoa perfeccionista, pouco maleável
e algo compulsiva, seja a mais vulnerável a essa condição. É provável que as cefaleias
migranosas ocorram quando a pessoa está doente, excessivamente. As instruções sobre a
55
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
importância da dieta apropriada, repouso adequado e estratégias de aceitação podem lidar com
o estresse. Identificar as circunstâncias que precipitam as cefaleias e auxiliar o paciente no
desenvolvimento de meios alternativos para a aceitação, são medidas que devem fazer parte
do plano de ensino.
Os pacientes podem ser ajudados a desenvolver uma visão de seus sentimentos,
comportamento e conflitos, e a fazer as modificações necessárias no estilo de vida com base
em suas análises. São sugeridos períodos regulares de relaxamento e exercício, e quaisquer
fatores agressores ou provocadores (alérgenos, fadiga, alimentos etc.) são removidos ou
reduzidos para se obter alivio.
Diante do que foi visto no trabalho, vimos à importância para nós, como futuros
profissionais de saúde, adquirir o conhecimento a respeito desta patologia, principalmente da
enxaqueca, uma doença, atualmente tão abrangente e em crescimento na nossa sociedade
estressada.
REFERÊNCIAS
BARBOSA, F. S. et al. Episódio Depremissivo maior com início no pós-parto: Fatores de
Risco. FEMINA: Ver. Da Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia.
Janeiro/Fevereiro, 2003, v. 31, n.1, p. 73-76.
BENZECRY, Roberto. Tratado de obstetrícia da febrasgo. Rio de Janeiro: Revinter, 2000.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Área Técnica de Saúde da
Mulher. Parto, aborto e Puerpério: Assistência Humanizada à Mulher. Brasília:
Ministério da Saúde, 2001, p. 175.
CALIL, L. C. Depressão: Amante causadora de muitas separações. Disponível em:
<http://.nib.unicamp.br/svol/artigo11.htm> acesso em: 14/04/2007.
CAMPOS, R. Depressão, um estigma feminino. Revista Viver. São Paulo, nº 112, ano x,
p.24-29, maio, 2002.
COUTINHO, T: COUTINHO, C. M. Depressão pós-parto. Feminina, São Paulo, V. 1 nº 7.
1999, p. 571-577, set. 1999.
ESPINOSA, A. M. F. Guias Práticos de Enfermagem, Psiquiatria. Rio de Janeiro: Editora:
McGraw – Hull, 2002.
FERRAR, O. M. Psicopatologia Psiquiatria Puerperal e Psicose. Revista de atualização em
ginecologia e obstetrícia, São Paulo, V. 3, nº 6, p. 287 – 298 Nov/dez, 1992.
FLAHERTY, J. A., CHANNON, R. A.; DAVIS, J. M. Psiquiatria: diagnóstico e tratamento.
Porto Alegre: Artes Médicas, p. 273-278, 1990.
56
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
FONTES, H.A.F.Depressão pós-parto.Disponível em http:
//www.copacabanarunner.net/pos-parto.html, 2005. Acesso em julho de 2007.
GIL, A.C. Projetos de Pesquisa. 4ª ed. São Paulo: Atlas, 2002.
GUIMARÃES, D.T. Dicionário de termos médicos e de enfermagem. 1ª ed. São Paulo:
Rideel, 2002.
HARVEY, E. Depressão pós-parto: esclarecendo suas dúvidas. São Paulo: Agora Ltda,
2002.
LAFER, Beny et al. Depressão no ciclo da vida. Porto Alegre: Artes Médicas, 2000.
NETTINA, S. M. Prática de Enfermagem. 6ª ed. Vol. 3, Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,
1999, p. 909.
NUNES E. P; BUENO, R. Psiquiatria e saúde mental: conceitos clínicos e terapêuticos
fundamentais. 1. ed. São Paulo: Editora Atheneu, 2000, p. 112.
ROCHA, F. L. Depressão Puerperal. Rev. ABP – APAL, São Paulo: Redprint, v. 11, n. 4,
1991, p. 165 – 171.
SILVA, K. C. M. A intervenção do serviço social nos processos de depressão pós-parto.
1998, 54f. Trabalho de conclusão de cursos (Graduação em Serviço social), Universidade da
Amazônia. Belém: UNAMA, 1998.
SMITH, Roger P. Ginecologia e obstetrícia de netter. Trad.Rafael de Andrade Duarte. Porto
Alegre: Artmed, 2004.
SOFIER, R. Psicologia da Gravidez, do parto e do puerpério. Porto Alegre: Artes Médicas,
1980.
TABER, M.D. Manual de ginecologia e emergências em obstetrícia. 2. ed. São Paulo: ed.
Santos, 1988.
TOWSEND, M.C. Enfermagem psiquiátrica: conceitos de cuidados. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 2002.
WINNICOTT, D. Da pediatria à psicanálise. Rio de Janeiro: Imago, 2000.
57
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
PROPOSTA DE ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM
PARA PACIENTES EM HEMODIÁLISE
Luciano Albuquerque de Araújo1
Ariadne Pereira Pedroza2
Danielle Abrantes de Oliveira3
Marcos Francisco de Oliveira4
Daiane Medeiros da Silva5
RESUMO
A insuficiência renal resulta da incapacidade dos rins de remover produtos de degradação
metabólica do corpo ou de realizar as funções reguladoras. Diante do contato com a realidade
da unidade de hemodiálise, em que se observa a inexistência da sistematização da assistência
de enfermagem e dos dados numéricos referidos acima, dos quais se destaca a pequena
quantidade de enfermeiros atuante nas unidades de diálise no estado da Paraíba e o reduzido
número de publicações referentes à temática no Nordeste, este estudo teve como finalidade
construir, a partir da realidade observada em pacientes em tratamento hemodialítico, uma
proposta de plano assistencial para pacientes submetidos à hemodiálise. Os objetivos desta
pesquisa incluem também: identificar os diagnósticos de enfermagem em pacientes mantidos
em hemodiálise; e desenvolver uma proposta de assistência de enfermagem para pacientes
mantidos em hemodiálise. Utilizando-se de uma amostra de quatro pacientes que se
submetem à hemodiálise em uma unidade de diálise do Município de João Pessoa – PB. Os
resultados finais redundaram num plano assistencial geral, refletindo as necessidades de todos
os pacientes, um roteiro básico para orientação prática aos profissionais em atuação em
serviços de hemodiálise. De acordo com as necessidades afetadas identificadas, são vários os
diagnósticos encontrados, que requerem da equipe de enfermagem uma capacitação adequada.
Descritores: Enfermagem. Hemodiálise. Plano Assistencial.
INTRODUÇÃO
A insuficiência renal resulta da incapacidade dos rins de remover produtos de
degradação metabólica do corpo ou de realizar as funções reguladoras. Quando essa
incapacidade instala-se, as substâncias, normalmente eliminadas na urina, acumulam-se nos
líquidos corporais e levam a uma ruptura nas funções endócrinas e metabólicas, bem como, a
distúrbios hidro-eletrolíticos e ácido-básicos (SMELTZER; BARE, 2008). Pode ser
classificada em duas categorias: a insuficiência renal aguda e a insuficiência renal crônica.
1
Acadêmico de Enfermagem. 7º Período. Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. . João Pessoa – Paraíba – Brasil . Email: [email protected]
2
Enfermeira. Mestranda em Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba. Supervisora de Estágio da Faculdade de
Ciências médicas da Paraíba. E-mail: [email protected].
3
Enfermeira. Mestranda em Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba. Enfermeira da Estratégia Saúde da Família
de Campina Grande – PB e do HETSHL de João Pessoa – PB. E-mail: [email protected].
4
Enfermeiro. Mestre em Enfermagem pela UFPB. Enfermeiro da Estratégia Saúde da Família de Campina Grande – PB.
Campina Grande – Paraíba – Brasil. E-mail: [email protected]
5
Enfermeiro. Mestre em Enfermagem pela UFPB. Enfermeiro da Estratégia Saúde da Família de Campina Grande – PB.
Campina Grande – Paraíba – Brasil. E-mail: [email protected]
58
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
A diálise é o processo pelo qual a composição de solutos de uma solução (sangue) é
alterada por sua exposição a uma segunda solução (dialisado ou banho de diálise) por meio de
uma membrana semipermeável a partir do mecanismo de transporte chamado difusão
(BARROS, et al., 2006).
A diálise dá-se a partir do emprego de um sistema de membrana artificial que utiliza
sangue extracorpóreo (hemodiálise) ou membrana peritoneal (diálise peritoneal). As opções
terapêuticas disponíveis para os pacientes com IR dependem de sua natureza, aguda ou
crônica. Na IRA, as opções incluem hemodiálise, terapia de substituição renal contínua e
diálise peritoneal. Na IRC, as opções são a hemodiálise, a diálise peritoneal ou o transplante
renal.
A hemodiálise ocorre quando o sangue, com substâncias tóxicas, sai do organismo
por meio de uma punção arterial, é impulsionado por uma bomba, percorre um circuito
extracorpóreo por um equipo arterial e entra no dialisador instalado na máquina de
hemodiálise, passando a ter contato com o banho de diálise, uma solução que, devido a sua
concentração e composição, atrai as impurezas e água contida no sangue. Depois da filtração
sanguínea, essa solução sai da máquina e é desprezada em um sistema de esgotamento
sanitário. O sangue ―limpo‖ sai pelo outro lado da máquina, retornando ao paciente por um
equipo em punção venosa.
Dessa forma, apesar da perfeição desse mecanismo, a probabilidade de sobrevivência
de pacientes submetidos ao tratamento hemodialítico varia entre países e regiões também
devido às variáveis como sexo, idade, condição social, presença de doenças associadas,
condições estruturais e organizacionais dos serviços, suporte social e da família prestados ao
paciente e os recursos tecnológicos disponíveis (CHAVES, et al., 2002).
As estatísticas sociais e epidemiológicas apresentam realidade em que, segundo o
censo realizado pela Sociedade Brasileira de Nefrologia em 2002, o Brasil, com uma
população de 174.632.960 habitantes, apresenta 560 unidades de diálise, 48.874 pacientes
mantidos em hemodiálise e 1.419 enfermeiros trabalhando nessas unidades; o Nordeste, com
48.845.112 habitantes, apresenta 85 unidades de diálise, 9.534 pacientes mantidos em
hemodiálise e 264 enfermeiros trabalhando nessas unidades; e, finalmente, a Paraíba, com
3.494.893 habitantes, conta com sete unidades de diálise, 492 pacientes mantidos em
hemodiálise e 14 enfermeiros trabalhando nessas unidades (SBN, 2010).
Outro fato relevante é também o pequeno número de produções científicas na
enfermagem brasileira sobre nefrologia. Um exemplo ocorre no Nordeste, onde, no período
de 2001 a 2007, apenas quatro estudos foram publicados (CARVALHO, et al., 2010).
59
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
Diante do contato com a realidade da unidade de hemodiálise, em que se observa a
inexistência da sistematização da assistência de enfermagem e dos dados numéricos referidos
acima, dos quais se destaca a pequena quantidade de enfermeiros atuante nas unidades de
diálise no estado da Paraíba e o reduzido número de publicações referentes à temática no
Nordeste, concretizou-se o interesse em desenvolver este estudo para responder às seguintes
indagações: Quais os principais problemas ou necessidades que os pacientes mantidos em
hemodiálise costumam desenvolver? Qual seria a proposta de assistência de enfermagem mais
adequada a esses pacientes? Portanto tivemos como objetivos: identificar os diagnósticos de
enfermagem em pacientes mantidos em hemodiálise; e desenvolver uma proposta de
assistência de enfermagem para pacientes mantidos em hemodiálise.
METODOLOGIA
O presente estudo trata-se de uma pesquisa do tipo estudo de caso, com abordagem
qualitativa. Para seleção da amostra foram considerados os seguintes critérios: submeter-se à
hemodiálise na unidade referida, estar em tratamento durante o período da coleta de dados e
concordar em participar do estudo, por meio da assinatura de termo de consentimento livre e
esclarecido.
Portanto, foi constituída por quatro pacientes adultos, sendo três deles do sexo
masculino e um do sexo feminino, todos acometidos de insuficiência renal crônica e que são
submetidos ao processo de hemodiálise na Unidade de Doenças Renais - UNIRIM, localizada
no município de João Pessoa – PB, sem determinação prévia de níveis de evolução da
patologia ou das necessidades/frequência de processos dialíticos.
Para realização da coleta de dados, foram utilizados: um levantamento inicial de
dados, no qual constaram entrevista e exame físico; as técnicas de observação direta intensiva
durante a realização da hemodiálise e acompanhamento da evolução dos pacientes constantes
da amostra, utilizando-se como instrumento um formulário com questões fechadas de
identificação e questões abertas, que oportunizaram aos sujeitos discorrerem sobre suas
percepções acerca do tratamento hemodialítico.
O formulário proporcionou também condições para conferir consistência de dados
referentes à caracterização da amostra dos pacientes hemodialisados, por meio dos seguintes
itens: identificação, informações acerca da doença renal, fatores de risco, exame físico,
exames laboratoriais, diagnósticos, prescrições e evolução de enfermagem.
60
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
A análise dos dados foi, em primeiro momento, realizada de forma individualizada,
pelo agrupamento de necessidades afetadas e das definições das respectivas medidas
assistenciais a implementar, constituindo uma proposta de plano assistencial específica para
cada participante. Num segundo momento, foi realizada a condensação dos dados numa
proposta geral, na qual constam todos os aspectos dos planos individuais elaborados que
constituíram a proposta final do estudo.
Os dados analisados foram agrupados de acordo com a proximidade de interesse e sua
repercussão/relevância para a construção da proposta assistencial de enfermagem, a partir da
identificação dos sinais e sintomas apresentados pelos participantes da pesquisa e a definição
das medidas julgadas eficientes para a resolução das necessidades afetadas, com vista a
proporcionar o maior nível de bem estar e qualidade de vida aos pacientes.
Para realização desta pesquisa, obedeceu-se à Resolução 196/96 do Conselho Nacional
de Saúde e o projeto de pesquisa teve sua aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa das
Faculdades de Enfermagem e Medicina Nova Esperança, sob protocolo nº 0024/05 (BRASIL,
1996).
ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
O agrupamento dos problemas identificados foi condensado no relato da história
clínica de cada paciente para, em seguida, realizar a inferência dos diagnósticos de
enfermagem, construídos com base na North Americam Nursing Diagnoses Association
(NANDA-I) (NANDA, 2008), dispostos de forma prioritária, na tentativa de elaborar
estratégia de intervenção, por meio das ações de enfermagem a serem implementadas para
solucionar esses problemas, se possível, e quando não, proporcionar o maior bem estar e
conforto possíveis a esses pacientes (Quadro 1).
Quadro 1 – Distribuição dos diagnósticos de enfermagem identificados nos clientes da
amostra. João Pessoa, PB, Brasil, 2008.
Diagnósticos de Enfermagem
PI
PII PIII
PIV
Volume de líquido excessivo
X
X
X
X
Integridade da pele prejudicada
X
X
X
X
Risco para infecção relacionado a procedimentos invasivos e à
exposição à endotoxinas presentes no sistema de diálise
X
X
X
X
Risco para volume de líquido deficiente, durante as sessões de
X
X
X
X
61
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
hemodiálise, relacionado à perda ativa do volume de líquido
Risco para reação ao proxitane
X
X
X
X
Conhecimento deficiente relacionado à falta de exposição e de
familiaridade com os recursos de informação
X
X
X
X
Baixa autoestima situacional
X
X
X
X
Padrão de sexualidade ineficaz
X
-
X
-
Mobilidade física
-
-
-
X
Como forma de sintetizar o conteúdo das propostas individuais de intervenção, com
o objetivo de apresentar uma orientação generalizada de assistência, a partir das necessidades
identificadas nos pacientes componentes da amostra, passa-se então a compilar os
diagnósticos de enfermagem reais e de risco com suas respectivas intervenções de
enfermagem, que foram identificadas em todos os quatro pacientes, conforme Plano de
intervenção apresentado nos quadro a seguir (2 a 10).
Quadro 2 – Distribuição das intervenções de enfermagem propostas de acordo com os
diagnósticos de enfermagem reais. João Pessoa, PB, Brasil, 2008.
Volume de líquido excessivo N = 4
- Pesar o paciente regularmente para controle do peso;
- Medir circunferência abdominal para controle do peso, se não houver condições de pesar a
paciente;
- Monitorizar pulso e PA;
- Observar presença de edema periférico/sacral, creptações respiratórias, dispneia,
ortopneia, distensão de veias do pescoço, alterações de ECG indicativas de hipertrofia
ventricular, pois o excesso de volume de líquido pode exacerbar ou provocar insuficiência
cardíaca;
- Orientar o paciente quanto à importância da restrição hídrica e de sódio.
Integridade da pele prejudicada - N = 4
- Orientar o paciente quanto aos cuidados com a fístula arteriovenosa para realização dos
seguintes procedimentos:
- Preservar o braço da fístula, evitando coletas de sangue e verificação de pressão arterial;
- Evitar o uso de roupas apertadas, ou relógios e pulseiras apertadas, assim como deitar
sobre ou carregar peso com o braço da fístula;
- Verificar diariamente o funcionamento da fístula, por meio da palpação do frêmito;
62
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
- Procurar a equipe imediatamente no caso de observar qualquer anormalidade com a
fístula;
- Proteger a fístula de traumatismos;
- Lavar o braço da fístula com água e sabão neutro ou antisséptico, na unidade de
hemodiálise, imediatamente antes de sua punção;
- Retirar os curativos dos locais das punções após 4 a 6 horas do término da sessão de
hemodiálise;
- Em caso de sangramento, realizar curativo compressivo não circular somente no local do
sangramento;
- Aplicar compressas frias frequentes durante as 24 horas que sucedem a hemodiálise,
quando ocorrer à formação de hematomas, para reduzir o extravasamento de sangue;
- Aplicar compressas mornas frequentes após as 24 horas que sucedem a hemodiálise,
quando ocorrer à formação de hematomas, para auxiliar na absorção do mesmo.
Conhecimento deficiente relacionado à hemodiálise - N = 4
- Avaliar o nível de conhecimento do paciente ou da família a respeito da função renal,
patologia, motivos para hemodiálise;
- Avaliar a capacidade e facilidade para aprender;
- Identificar as barreiras para o aprendizado;
- Fornecer informações adequadas quanto à facilidade e capacidade para aprender,
incluindo principais funções dos rins; motivos para a perda da função renal; sinais e
sintomas relacionados com a perda da função renal; e objetivos do plano de tratamento
atual;
- Estimular a verbalização de perguntas, temores e ansiedade.
Baixa autoestima situacional - N = 4
- Discutir o sentido da perda/mudança para o paciente;
- Investigar relatos de sentimentos de despersonalização ou de desvalorização de qualidades
humanas em detrimento da máquina;
- Reconhecer a normalidade dos sentimentos;
- Encorajar a verbalização dos conflitos pessoais e de trabalho que podem surgir;
- Ouvir ativamente as preocupações;
- Auxiliar na determinação do papel do paciente no grupo familiar e a percepção do
paciente quanto à expectativa em relação a si próprio e aos outros;
- Recomendar a equipe e a família a tratar o paciente normalmente e não como inválido;
- Ajudar o paciente a incorporar o gerenciamento da doença no estilo de vida;
63
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
- Recomendar a participação de grupo de apoio local;
- Encaminhar para serviço social e aconselhamento vocacional;
- Estimular o paciente a desenvolver atividades manuais, que o faça se sentir útil e lhe
proporcione alguma ajuda financeira.
O diagnóstico de enfermagem Volume de líquido excessivo, relacionado à ingestão
excessiva de líquido e/ou sódio, evidenciado por ganho de peso em curto período (entre uma
sessão e outra), ingestão maior que o débito, hipertensão e distensão de veia julgular, foram
identificados em todos os quatro pacientes, apresentando algumas diferenças com relação às
características definidoras (as evidências, sinais apresentados). A outra diferença diz respeito
ao débito urinário, pois dois pacientes são anúricos e os outros dois apresentam diurese
satisfatória.
No período interdialítico é tolerado um aumento de peso de até 2 Kg, devendo-se
considerar as diferenças individuais como o peso, a tolerabilidade, a função cardiopulmonar e
a estrutura física do paciente (BARROS, et al., 2006).
Por alguns pacientes apresentarem anúria ou oligúria, o volume de líquido excessivo
por ele apresentado em um curto intervalo de tempo (entre uma sessão de hemodiálise e
outra), deve-se à ingestão líquida e de sódio realizada nesse período. Portanto, o paciente deve
ser pesado regularmente, antes e depois da hemodiálise, para que seja realizado um controle
rigoroso do seu peso, determinando o quanto de peso ele aumentou e o quanto ele precisará
perder naquela sessão.
A sobrecarga hídrica pode ser sugerida por achados como: elevação da pressão
arterial, frequência de pulso e respiração aumentada, aumento da pressão venosa central,
dispneia, estertores úmidos, tosse, edema, aumento excessivo de peso desde a última diálise e
antecedentes ou registros de ingestão líquida excessiva na ausência de perdas adequadas
(HUDAK; GALLO, 1997).
Portanto, para prevenção de hipervolemia é necessário monitorizar o pulso e a pressão
arterial do paciente, assim como observar presença de edema periférico/sacral, crepitações
respiratórias à ausculta pulmonar, dispneia, ortopnéia, distensão de veias do pescoço e
alterações de ECG indicativas de hipertrofia ventricular, pois o excesso de volume de líquido
pode exacerbar ou provocar insuficiência cardíaca; o paciente deve ser orientado quanto à
importância da restrição hídrica e de sódio, explicando-o que o excesso de sódio e de líquido
vai causar edema e aumento de peso e, consequentemente, o aumento da pressão arterial.
64
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
Pode-se enfatizar também que o trabalho que os rins dele realizavam só ocorre quando
o mesmo se submete à hemodiálise, apenas três vezes na semana, portanto, tudo que é
ingerido no intervalo compreendido entre uma sessão e outra só serão eliminado na sessão,
ficando no seu organismo e podendo até trazer complicações, quando ultrapassados os limites
permitidos.
A quantidade de líquido permitida para ser ingerida durante as 20 horas é de 500 a 600
ml a mais que o débito urinário nas 24 horas do dia anterior (SMELTZER; BARE, 2008). Por
sua vez recomenda-se 500 a 800 ml limite diário de líquido acrescido do volume de urina nas
24 horas anteriores (BARROS, et al., 2006). Portanto, para os pacientes anúricos, ou seja, que
não apresentam diurese, esse é o limite de líquido a ser ingerido (MALDANER, 2008).
Quanto à restrição de sódio, vai depender da presença de hipertensão, retenção de
líquido com alterações abruptas no peso e aparecimento de edemas, variando conforme o
paciente (BARROS, et al., 2006). Destarte, o uso abusivo de sal nos pacientes oligúricos
provoca mais sede e, consequentemente, ganho excessivo de líquidos entre as sessões de
hemodiálise.
Em estudo realizado, o cumprimento do controle de peso interdialítico, a obediência às
restrições hídricas e dietéticas, e a adoção do tratamento medicamentoso controlador dos
sintomas causados pelas doenças associadas a IRC estão incluídos nas dificuldades
enfrentadas por pacientes renais crônicos de aderir às terapêuticas do tratamento.
O diagnóstico Integridade da pele prejudicada relacionada às necessidades
específicas do tratamento da IRC, evidenciada por instalação de fístula arteriovenosa foi
identificado nos quatro pacientes da amostra. Esse prejuízo é causado desde o momento em
que é realizada a fístula arteriovenosa no paciente para realização da hemodiálise. A partir da
confecção do acesso vascular, muitos cuidados devem ser tomados para uma boa conservação
da fistula e para prevenção de infecções.
Os pacientes devem ser orientados quanto à preservação e ao cuidado deste acesso,
que se resume ao fato de não ocluir o fluxo e, consequentemente, fechar a anastomose. A
fístula funcionante sempre apresenta um frêmito acentuado à palpação e as veias encontramse dilatadas e com a parede mais espessa, devendo-se verificar diariamente o funcionamento
da mesma por meio da palpação.
Para que possa ser diminuído o risco de infecção o paciente é orientado a lavar o braço
da fistula com água e sabão neutro antisséptico, na unidade de hemodiálise, imediatamente
antes da sua punção. Por ter um fluxo de sangue maior, podem ocorrer sangramentos após a
retirada das agulhas de grosso calibre utilizadas para hemodiálise necessitando de um
65
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
intervalo maior para retirada dos curativos dos locais das punções, que convém ser de 4 a 6
horas do término de cada sessão de hemodiálise. Porém no caso de sangramento, pode-se
realizar curativo compressivo não-circular somente no local do sangramento; ou em caso de
formação de hematomas, aplicar compressas frias frequentes durante as 24 horas que sucedem
a sessão para reduzir o extravasamento de sangue e compressas mornas frequentes após essas
24 horas, para auxiliar na absorção do mesmo.
Um estudo desenvolvido sobre as necessidades de aprendizagem de profissionais de
enfermagem na assistência aos pacientes com fístula mostrou que 47,2% desses profissionais
que trabalham nas unidades de hemodiálise não realizam corretamente todos os cuidados com
a FAV (RIBEIRO, et al., 2009). Isso é preocupante, pois é prestada uma assistência
incompleta, por isso a equipe também deve ser alertada quanto a um cuidado importante que
se deve ter com a fístula no momento da punção, que é o fato das punções venosas
traumáticas ou das repetições no mesmo local. Esses procedimentos devem ser evitados
porque resultam em sangramentos excessivos, hematoma ou formação de escaras, podendo
ainda provocar o fechamento da fístula (HUDAK; GALLO, 1997).
O diagnóstico Conhecimento deficiente relacionado à falta de exposição e de
familiaridade com os recursos de informação, evidenciado por seguimento não acurado de
instruções (declaração de incompreensão acerca do tratamento, dos efeitos da medicação e
dos cuidados com a fístula arteriovenosa) foi identificado nos quatro pacientes. Ressalta-se
que o conhecimento deficiente é um aspecto que merece um destaque maior dentre os demais
diagnósticos, pois mostrou que os pacientes não conhecem a patologia pela qual são
acometidos, a Insuficiência Renal Crônica; sabem pouco sobre o tratamento a que são
submetidos (o funcionamento e os objetivos da hemodiálise); alguns não sabem o suficiente
sobre os efeitos das medicações que fazem uso; e o principal não tem conhecimento
satisfatório sobre os cuidados que devem ter com a fístula arteriovenosa.
Essa deficiência do conhecimento sobre a doença interfere diretamente na eficiência
do tratamento, fato comprovado por meio de um levantamento realizado sobre o perfil de
diagnósticos de enfermagem antes de iniciar o tratamento dialítico, em que um dos
diagnósticos identificados foi o controle ineficaz do regime terapêutico (54,8% dos
prontuários analisados) (BISCA; MARQUES, et al., 2010).
Portanto, o enfermeiro tem atuação contínua e direta com o paciente durante o
tratamento hemodialítico, possibilitando o planejamento de intervenções educacionais para
capacitá-lo a cuidar de sua fístula e torná-lo apto a compreender o funcionamento e o objetivo
das medidas de precaução para evitar a falência da FVA (MANIVAI; FREITAS, 2010).
66
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
Diante do conhecimento do nível de compreensão do paciente e família, devem-se
realizar atividades educativas com esses pacientes e seus familiares sobre a doença e seu
tratamento, as formas de terapia renal substitutiva e os riscos e benefícios de cada uma das
modalidades terapêuticas, sobre os acessos vasculares, dieta, restrição hídrica, uso de
medicamentos, controle de pressão arterial e de glicemia (RIBEIRO, et al., 2009). Após o
fornecimento de todas essas informações, estimula-se a verbalização de perguntas sobre
temores e ansiedade.
Uma ideia que se julga interessante para suprir o déficit da maioria dos pacientes
submetidos à hemodiálise é a realização de palestras educativas sobre todos esses assuntos,
durante a sessão de hemodiálise, intervalo em que o paciente costuma ficar sem desenvolver
nenhuma atividade. Isso tanto o tornará mais informado quanto ajudará a distraí-lo, fazendo
com que a duração da hemodiálise pareça ser menor. E quanto ao déficit da família, pode-se
realizar reuniões com os familiares e cuidadores para também informá-los e educá-los,
principalmente, com a finalidade de prevenir maiores complicações.
Quanto aos cuidados com a fístula arteriovenosa, uma série de providências deve ser
informada aos pacientes, para uma boa conservação da fistula e para prevenção de infecções.
Os cuidados são: preservar o braço da fístula, evitando coleta de sangue e verificação de
pressão arterial; evitar o uso de roupas apertadas, ou relógios e pulseiras apertadas, assim
como deitar sobre o braço ou carregar peso com o braço da fistula; verificar diariamente o
funcionamento da fístula por meio da palpação do frêmito, procurando a equipe
imediatamente no caso de observar qualquer anormalidade; lavar o braço da fistula com água
e sabão neutro antisséptico, na unidade de hemodiálise, imediatamente antes da sua punção.
Também deve ser informado o cuidado com os curativos: retirá-los dos locais das
punções após 4 a 6 horas do término de cada sessão de hemodiálise; em caso de sangramento,
realizar curativo compressivo não circular somente no local do sangramento; e em caso de
formação de hematomas, aplicar compressas frias frequentes durante as 24 horas que sucedem
a sessão para reduzir o extravasamento de sangue e compressas mornas frequentes após essas
24 horas, para auxiliar na absorção do mesmo.
Quanto ao déficit de conhecimento acerca dos efeitos dos medicamentos dos quais os
pacientes fazem uso, que são: anti-hipertensivos (metildopa, captopril, propanolol, inalapril,
atenolol, digoxina), calcitriol, eritropoetina (hemax), dicolofenaco, neuropurum (sonífero),
deve-se informá-los sobre as indicações e efeitos de cada medicamento, bem como, sobre os
efeitos adversos que podem ser apresentados durante o seu uso.
67
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
O diagnóstico Baixa autoestima situacional, relacionada às mudanças de papel
social e rejeições, evidenciada por avaliação de si mesmo como incapaz e expressões de
desamparo e de sentimento de inutilidade (não trabalha mais porque a sociedade o rejeita);
foi apresentado pelos quatro pacientes, devido à crise situacional em que vivem por sentirem
vontade e não poderem trabalhar, na maioria das vezes porque são rejeitados pela própria
sociedade.
A hemodiálise é percebida na maioria das vezes como uma esperança de vida, tendo
em vista que a patologia é irreversível (SANTOS, et al., 2011; SOUZA, et al., 2007). Porém o
impacto do diagnóstico de uma doença crônica como a IRC gera situações de adaptação no
cotidiano de vida do indivíduo devido à necessidade de se submeter ao tratamento longo com
pouca perspectiva de futuro e às limitações físicas que culminam na diminuição da vida social
(TEIXEIRA; RESCKZ, 2011).
Em estudo recente realizado por enfermeiros, doentes em hemodiálise entrevistados
mostram relevância significativa das dificuldades em manter suas condições de trabalho na
tentativa de ter qualidade de vida, tendo em vista que esse insucesso acorre devido ao tempo
dedicado ao tratamento e as condições físicas como fraqueza, cansaço, indisposição e malestar geral nos dias de hemodiálise (SANTOS, et al., 2010).
O que agrava essa baixa autoestima é o fato de tornar o tratamento em um subsídio de
obrigatoriedade quando, em estudo realizado, os sujeitos da pesquisa (doentes renais)
perceberam que a doença renal os coloca em um ―beco sem saída‖. Essa situação é colocada
pelos autores com um momento desorganizador na vida desses indivíduos (CAMPOS;
TURATO, 2010).
Outro aspecto relatado por clientes que contribui para a baixa da autoestima é a
mudança na estética corporal, provocada pela presença de cicatrizes e de aneurismas advindos
da confecção da fístula, pois favorece o surgimento de preconceitos advindos dele mesmo ou
de outras pessoas (FURTADO; LIMA, 2006).
Tentando contribuir para a melhoria da autoestima do paciente, deve-se auxiliar na
determinação do papel do paciente no grupo familiar e na sua percepção quanto à expectativa
em relação a si próprio e aos outros; recomendar a equipe e a família a tratar o paciente
normalmente e não como inválido, para que ele possa se sentir independente na realização das
suas atividades de vida diária; ajudar o paciente a incorporar o gerenciamento da doença no
seu estilo de vida.
Além de todas essas intervenções, precisa-se do apoio de outros profissionais para
uma melhor ajuda ao paciente, por isso o mesmo deve ser incentivado a participar de um
68
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
grupo de apoio local; deve ser encaminhado para o serviço social e aconselhamento
vocacional, se possível (se existir); e também se pode estimular o paciente a desenvolver
atividades manuais, que o faça se sentir útil e lhe proporcione alguma ajuda financeira.
Quadro 3 – Distribuição das intervenções de enfermagem propostas para os diagnóstico de
enfermagem de risco. João Pessoa, PB, Brasil, 2008.
Risco para infecção relacionado a procedimentos invasivos e à exposição de endotoxinas
presentes no sistema de diálise – reação pirogênica - N = 4
- Realizar limpeza e desinfecção do equipamento de diálise;
- Realizar controle microbiológico da água, concentrado de bicarbonato e outras soluções;
- Realizar reuso criterioso de dispositivos de hemodiálise;
- Tratar sintomas (antipiréticos, antieméticos, miorelaxantes);
- Realizar desinfecção ou troca de sistema foco de contaminação;
- Evitar punções repetidas no mesmo local;
- Realizar técnica rigorosa na anti-sepsia e assepsia do procedimento;
- Instruir o paciente a lavar bem o braço da FAV com água e sabão neutro antes da punção.
Risco para volume de líquido deficiente durante as sessões de hemodiálise - N = 4
- Observar se a prescrição está individualizada (peso, tipo de diálise, medicação);
- Monitorar sinais vitais e pressões do sistema frequentemente;
- Tratar causas da ultrafiltração;
- Realizar infusão rápida de solução salina conforme prescrição;
- Pesar o paciente antes e após a hemodiálise;
- Posicionar o paciente em posição de Trendelemburg para potencializar o retorno venoso;
- Reduzir a taxa de ultrafiltração conforme prescrito para reduzir a quantidade de água que
está sendo removida, podendo corrigir a hipotensão/hipovolemia.
- Atentar para os sinais de perda ativa de líquido como: perda da visão, dispneia, cãibra,
hipotensão, cefaleia, dor torácica, prurido.
Risco para reação ao proxitane - N = 4
- Lavar corretamente o sistema pré-diálise (externa e internamente);
- Realizar teste residual em vários seguimentos do sistema antes de iniciar a hemodiálise;
- Pesquisar antecedentes alérgicos do paciente;
- Interromper a HD e proceder à recirculação asséptica do sistema por 15 minutos;
69
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
- Desprezar o sangue se hemolisado;
- Administrar pequeno volume de solução fisiológica e de drogas prescritas;
- Atentar para sinais e sintomas dessa reação, como dor torácica, dispneia, bronco espasmo,
edema de face, edema de glote, parestesia perilabial e de extremidades, hipotensão e
hemólise, cefaleia, dor em queimação no acesso vascular.
O diagnóstico Risco para infecção relacionado a procedimentos invasivos e à
exposição ambiental a patógenos aumentada (exposição às endotoxinas presentes no sistema
de diálise – reação pirogênica), também foi identificado em todos os pacientes do estudo. É
definido como risco de infecção o fato de estar em risco aumentado de ser invadido por
organismos patogênicos (NANDA, 2008).
O tratamento hemodialítico representa alto risco de infecção porque é realizado por
meio de vias de acesso ao sistema vascular, expondo o paciente renal (imunodeprimido) ao
risco de contrair infecções e doenças transmitidas pelo sangue (como as hepatites) pelos
microorganismos que colonizam a pele, ou pelos que, eventualmente, contaminam o
equipamento e as soluções perfundidas (BARROS, et al., 2006).
A prevenção dessas infecções relacionadas ao cateter é possível, de acordo com
estudo realizado, quando o conjunto de medidas de prevenção é aplicado adequadamente,
desde a escolha adequada do local de inserção, realização de anti-sepsia no local,
paramentação apropriada da equipe, vigilância das infecções, cuidados na manutenção do
cateter, bem como a utilização de novas tecnologias (FRAM, et al., 2009).
Juntamente com o cuidado apresentado com a qualidade da água, com a solução de
bicarbonato e com outras soluções por meio da realização de controle microbiológico, devem
ser tomadas algumas providências, como realizar a limpeza e desinfecção do equipamento de
diálise; tratar sintomas antipiréticos, antieméticos e miorelaxantes se necessário; e realizar
desinfecção ou troca do sistema foco de contaminação.
A realização de reuso criterioso de dispositivos de hemodiálise também é uma
medida de controle e prevenção da infecção. A Portaria 2.042 de 1996 do Ministério da Saúde
do Brasil regulamenta o tratamento dialítico, determinando: que os dialisadores sejam
desprezados após o sexto uso, ou antes, disso, caso o volume interno das fibras seja menor
que 80% do original; que os pacientes vigiem e assinem a cada troca do conjunto de
dialisadores – linhas; que dialisadores de pacientes portadores do vírus da hepatite B ou C
sejam reprocessados isoladamente um dos outros assim como dos dialisadores dos pacientes
70
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
não-portadores dos referidos vírus; e que não se reutilize filtros de pacientes portadores do
vírus da imunodeficiência adquirida (BARROS, et al., 2006).
O diagnóstico Risco para volume de líquido deficiente relacionado à perda ativa do
volume de líquido (ultrafiltração, peso seco mal determinado, sódio baixo, solução
hiperaquecida, etc.); foi identificado nos quatro pacientes. Esse risco pode sofrer por vários
fatores como: a ultrafiltração, a má determinação do peso seco, a taxa de sódio baixa,
alterações na temperatura da solução, entre outros. Uma sudorese profunda, vômitos, diarreia,
queda da pressão arterial, frequência crescente do pulso e da respiração, perda da turgência
cutânea, boca seca, uma pressão venosa central em queda, um débito urinário decrescente e
aspiração gástrica com perda consequente de peso confirmarão, posteriormente, o diagnóstico
de enfermagem de deficiência de líquido (HUDAK; GALLO, 1997).
As intervenções dirigem-se para uma reposição de perdas anteriores e a profilaxia de
perdas posteriores durante a diálise. São elas: observar se a prescrição está individualizada
(peso, tipo de diálise e medicação); monitorizar sinais vitais e pressões dos sistemas
frequentemente; tratar as causas da ultrafiltração; reduzir a taxa de ultrafiltração conforme
prescrito para reduzir a quantidade de água que está sendo removida, podendo corrigir a
hipotensão / hipovolemia; realizar infusão rápida de solução salina conforme prescrição; pesar
o paciente antes e após a hemodiálise; posicionar o paciente em posição de Trendelemburg
para potencializar o retorno venoso; atentar para os sinais de perda de líquido, como os
descritos acima acrescidos de perda da visão, dispneia, cãibra, cefaleia dor torácica e prurido.
O diagnóstico Risco para reação ao proxitane, relacionada à presença de solução
no equipamento por lavagem insuficiente do circuito de hemodiálise ou falha no teste
residual foi criado a título de sugestão, pois como utilizamos a NANDA-I para a construção
dos mesmos, esse não é referenciado por ela. É válido ressaltar que essa foi uma dificuldade
encontrada, pois na referida Taxonomia ainda não existe uma abordagem satisfatória de
diagnósticos específicos para pacientes acometidos de insuficiência renal crônica e, mais
precisamente, submetidos à hemodiálise.
O Proxitane é uma solução esterilizante, que tem em sua composição ácido
peracético e peróxido de hidrogênio 0,2% (BARROS, et al., 2006). Esse diagnóstico foi
identificado em todos os pacientes, tendo em vista que o proxitante é a solução utilizada na
unidade onde foram realizados a coleta de dados e o relato de complicações (como dor
torácica, dispneia e cefaleia) apresentado por eles, o qual pode ter sido decorrente da presença
de resíduos de solução (proxitane) no equipamento (dialisador e linhas) por lavagem
insuficiente ou da existência de falha no teste residual.
71
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
As atividades que a Enfermagem pode desenvolver para prevenir que o paciente
desenvolva esta reação são: lavar corretamente o sistema pré-diálise (externa e internamente);
realizar teste residual em vários seguimentos do sistema antes de iniciar a hemodiálise;
pesquisar antecedentes alérgicos do paciente e atentar para sinais e sintomas dessa reação,
como dor torácica, dispneia, broncoespasmo, edema de face, edema de glote, parestesia
perilabial e de extremidades, hipotensão e hemólise, cefaleia, dor em queimação no acesso
vascular. No caso do desenvolvimento da reação ao proxitane: interromper a hemodiálise e
proceder à recirculação asséptica do sistema por 15 minutos; desprezar o sangue hemolisado;
administrar pequeno volume de solução fisiológica e de drogas prescritas.
Os diagnósticos de enfermagem Padrão de sexualidade ineficaz e Mobilidade física
prejudicada não foram identificados em todos os pacientes, mas serão apresentados e
discutidos como forma de contribuir com o planejamento da assistência de enfermagem ao
paciente em hemodiálise.
O diagnóstico Padrão de sexualidade ineficaz relacionado ao déficit de habilidade
sobre respostas alternativas a transições relacionadas à saúde, função ou estrutura corporal
alterada, doença ou tratamento médico; foi apresentado por dois dos quatro pacientes. Isso é
resultante da própria sintomatologia da doença renal crônica, pois de acordo com diversas
literaturas estudadas, algumas das alterações endócrino-metabólicas apresentadas pelo
paciente acometido de insuficiência renal incluem a infertilidade, a impotência e a diminuição
da libido sexual.
Estudo realizado comprova essa alteração na função sexual quando aponta que 45%
dos pacientes (50% do sexo feminino e 50% do sexo masculino) apresentaram os diagnósticos
padrão de sexualidade ineficaz e disfunção sexual (LATA, et al., 2008). Diante disso, deve-se
tentar aumentar a autoestima do paciente, realizando um esclarecimento de valores e ouvindoo ativamente quanto aos medos, angústias e dúvidas sobre a questão da sexualidade.
Por se tratar de uma alteração fisiopatológica em que sua resolução não se resume
apenas no âmbito psicológico, por meio de conversas, conselhos e reflexões, essa necessidade
é caracterizada com um problema interdependente, ou seja, sua resolução ou tentativa de
melhora, depende da atuação de uma equipe multidisciplinar e não somente da Enfermagem,
portanto, deve-se encaminhar o paciente a um terapeuta da sexualidade.
O diagnóstico Mobilidade física prejudicada relacionada à perda da integridade de
estruturas ósseas, evidenciada pela capacidade limitada para desempenhar habilidades
motoras grossas, como andar e pela dor, foi identificado em apenas uma paciente pelo fato
72
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
do relato de não deambular por apresentar problemas na calcificação óssea, acarretando
muitas dores articulares nos membros inferiores.
O distúrbio no metabolismo do cálcio e do fósforo é percebido na IRC (SMELTZER;
BARE, 2008). Os níveis séricos de cálcio e fosfato no organismo apresentam uma relação
inversa no corpo: quando um se eleva, o outro diminui. Portanto, com a filtração diminuída,
existe um aumento no nível sérico de fosfato e uma diminuição correspondente no nível
sérico de cálcio, o que provoca a secreção aumentada do paratormônio a partir das células
paratireóides. Na IRC, o corpo não responde normalmente a essa secreção aumentada e, em
decorrência disso, o cálcio sai do osso, produzindo com frequência, alterações e doenças
ósseas. A partir das complexas alterações no equilíbrio do cálcio, fosfato e paratormônio
desenvolvem a osteopatia urêmica, denominada de osteodistrofia renal.
As ações de enfermagem devem ser implementadas na tentativa de manter uma
ótima mobilidade/função e evitar complicações associadas como contraturas e úlceras de
decúbito. Para alcançar esses objetivos, devem-se avaliar as limitações da atividade,
observando a presença e o grau de restrição e habilidade para desenvolver os movimentos;
encorajar a troca de posição (mudança de decúbito) quando em repouso no leito ou na
poltrona para proporcionar o alívio das dores e evitar o desenvolvimento de úlceras de
pressão; apoiar as partes corporais ou articulares afetadas com travesseiros ou rolos, conforme
indicado; realizar massagens de conforto no intuito de ativar a circulação e prevenir a irritação
cutânea; e manter a pele sempre seca e limpa, assim como as roupas de cama sempre secas e
sem rugas.
Deve-se proporcionar diversão por meio de programação de rádio e televisão ou
livros, revistas e até mesmo uma simples conversa, em que é disponibilizado tempo para
interagir com o paciente, demonstrando interesse pela vida dele.
Os diagnósticos de enfermagem identificados foram agrupados e dispostos de forma
prioritários para então serem elaboradas essas intervenções de enfermagem descritas no plano
acima. Acredita-se que estas ações de enfermagem proporcionarão uma assistência de melhor
qualidade para o paciente que é submetido ao tratamento dialítico, tendo em vista que, para o
paciente, diante da necessidade de um tratamento que substitua a função renal, a hemodiálise
passa a ser uma das poucas opções, torna-o dependente de profissionais especificamente
treinados e representa a manutenção de sua vida.
Essas situações vivenciadas pelo paciente renal crônico, não só comprometem o
aspecto físico deste indivíduo, mas psicológico, com repercussões pessoais, familiares e
sociais. Esse fato mais uma vez destaca a necessidade e a importância da intervenção de
73
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
enfermagem em busca de soluções para essas limitações, auxiliando-o a ter uma vida mais
humana (CESARIO; CASAGRANDE, 1998).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O paciente com doença renal crônica em tratamento hemodialítico sofre as mais
variadas alterações e restrições, como as de ordem física, psíquica e social, necessitando, tanto
ele quanto sua família, do apoio e da assistência de enfermagem adequada, implementada da
forma mais humanizada possível, que responda de forma eficaz as suas necessidades.
A Enfermagem deve ocupar importante papel na vida dessas pessoas, pois passa a ser
parte integrante de uma vida transformada, que passou a ter novas carências de cuidados de
saúde, sendo fundamental a atuação da equipe no apoio e orientação aos pacientes, tendo a
possibilidade de conquistar a sua confiança e, a partir daí, obter um bom desempenho na
integração enfermeiro-paciente, como agente colaborador para a promoção da adaptação e
podendo, assim, enfrentar as modificações advindas da doença.
Dentro desse contexto analisado, considera-se o momento da hemodiálise oportuno
para um ensinamento contínuo ao paciente, podendo a Enfermagem utilizar esse tempo para
trabalhar a interação entre eles, bem como, oferecer um programa educativo. Esse momento
também é apropriado para o desenvolvimento de um diálogo com o paciente, no intuito de
ouvir suas angústias, seus medos, suas dúvidas, suas preocupações com relação ao sentimento
de inutilidade por não poderem trabalhar e de rejeição da própria sociedade.
Enfim, de acordo com as necessidades afetadas identificadas, são vários os
diagnósticos encontrados, que requerem da equipe de enfermagem uma capacitação adequada,
para lidar com o paciente diante de toda a maquinaria de uma unidade de hemodiálise, um
procedimento complexo, que traz inúmeros riscos de complicações ao paciente e, por isso,
necessita de uma equipe de profissionais capacitados para solução desses problemas ou, pelo
menos, para a promoção do conforto e bem estar desses pacientes.
Considerando as complexas implicações emocionais, físicas e espirituais que a
insuficiência renal crônica acarreta aos pacientes, aliadas às intensas repercussões sobre a
esperança de alcançar a cura, sempre desmentida pela convivência com os demais pacientes e
a evolução para o agravamento do seu estado de saúde, o interesse de construir a proposta de
intervenção resultante desse estudo foi direcionado pelo impulso de contribuir para a
promoção do maior nível de bem estar aos mesmos. Em decorrência disso, o resultado
esperado é que a vida dessas pessoas seja modificada, conforme seu organismo reage a esses
processos, pelo estímulo a enfrentar a doença, educação para o autocuidado e prevenção de
74
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
complicações, por meio da atuação comprometida e humanizada da equipe de enfermagem
que os assiste.
REFERÊNCIAS
BARROS, E. et al. Nefrologia: rotinas, diagnósticos e tratamento. 3. ed. Porto Alegre: Art
Med, 2006.
BISCA, M. M. MARQUES, I. R. Perfil de diagnósticos de enfermagem antes de iniciar o
tratamento hemodialítico. Rev. bras. enferm., v 63. n 3. 2011. Disponível em:
<http://www.scielo.br/pdf/reben/v63n3/a14v63n3.pdf>. Acesso em 15 Abr 2012.
BRASIL. Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Saúde. Comissão Nacional de Ética em
Pesquisa. Resolução Nº 196 de 10 de outubro de 1996: aprova as diretrizes e normas
regulamentadoras de pesquisa envolvendo seres humanos. Brasília (DF); 1996.
CAMPOS, C. J. G. TURATO, E. R. Tratamento hemodialítico sob a ótica do doente renal:
estudo clínico qualitativo. Rev. bras. enferm., v 63. n 5. 2010. Disponível em:
<http://www.scielo.br/pdf/reben/v63n5/17.pdf>. Acesso em 15 Abr 2012.
CARVALHO, G. M. C. et al. Estudos brasileiros sobre nefrologia nas teses e dissertações de
enfermagem. Rev. bras. enferm, v 63, n 6, 2010. Disponível em:
<http://www.scielo.br/pdf/reben/v63n6/28.pdf>. Acesso em 15 Abr 2012.
CESARINO, C. B. CASAGRANDE, L. D. R. Paciente com insuficiência renal crônica em
tratamento hemodialítico: atividade educativa do enfermeiro. Rev. Latino-Am.
Enfermagem. v 6. n 4. 1998. Disponível em:
<http://www.scielo.br/pdf/rlae/v6n4/13873.pdf>. Acesso em 15 Abr 2012.
CHAVES, L. D. P. et al. Estudo da sobrevida de pacientes submetidos a hemodiálise e
estimativa de gastos no município de Ribeirão Preto-SP. Rev. esc. enferm. USP, v 36, n 2,
2002. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v36n2/v36n2a12.pdf>. Acesso em 15
Abr 2012.
FRAM, D. S. et al. Prevenção de infecções de corrente sanguínea relacionadas a cateter em
pacientes em hemodiálise. Acta paul. Enferm, v 22 (spe1). 2006. Disponível em:
<http://www.scielo.br/pdf/ape/v22nspe1/24.pdf>. Acesso em 15 Abr 2012.
FURTADO, A. M. LIMA, F. E. T. Conhecimento dos clientes em tratamento de hemodiálise
sobre fístula arteriovenosa. Rev. RENE, v 3. n 7. 2006. Disponível em:
<http://www.revistarene.ufc.br/vol7n3_pdf/a03v07n3.pdf>. Acesso em 15 Abr 2012.
HUDAK, C. M. GALLO, B. M. Cuidados intensivos de enfermagem: uma abordagem
holística. 6 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 1997.
LATA, A. G. et al. Diagnósticos de enfermagem em adultos em tratamento de hemodiálise.
Acta Paul. Enferm, v 21 (spel), 2008. Disponível em:
<http://www.scielo.br/pdf/ape/v21nspe/a04v21ns.pdf>. Acesso em 15 Abr 2012.
75
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
MALDANER, C. R. et al. Fatores que influenciam a adesão ao tratamento na doença crônica:
o doente em terapia hemodialítica. Rev Gaúcha Enferm, v 28. n 4. 2008. Disponível em:
<http://seer.ufrgs.br/index.php/RevistaGauchadeEnfermagem/article/view/7638/4693>.
Acesso em 15 Abr 2012.
MANIVAI, S. J. C. F. FREITAS, C. H. A. O paciente em hemodiálise: autocuidado com a
fístula arteriovenosa. Rev. RENE, v 11. n 1. 2010. Disponível em:
<http://www.revistarene.ufc.br/vol11n1_pdf/a17v11n1.pdf>. Acesso em 15 Abr 2012.
NORTH AMERICAN NURSING ASSOCIATION. Diagnósticos de enfermagem da
NANDA: definições e classificação – 2007-2008. Porto Alegre: Artmed; 2008.
RIBEIRO, R. C. H. M. et al. Necessidades de aprendizagem de profissionais de enfermagem
na assistência aos pacientes com fístula arteriovenosa. Acta paul. Enferm, v 22 (spe1). 2009.
Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/ape/v22nspe1/12.pdf>. Acesso em 15 Abr 2012.
SANTOS I. et al. Necessidades de orientação de enfermagem para o autocuidado de clientes
em terapia de hemodiálise. Rev. bras. enferm., v 64. n 2. 2011. Disponível em:
<http://www.scielo.br/pdf/reben/v64n2/a18v64n2.pdf>. Acesso em 15 Abr 2012.
SANTOS I. et al. Qualidade de vida de clientes em hemodiálise e necessidades de orientação
em enfermagem para o autocuidado. Esc. Anna Nery, v 15. n 1. 2010. Disponível em:
<http://www.scielo.br/pdf/ean/v15n1/05.pdf>. Acesso em 15 Abr 2012.
SBN.org. [Homepage na Internet]. Sociedade Brasileira de Nefrologia 2001-2010.
Disponível em: <http://www.sbn.org.br/censo/DadosConsolidados.doc>. Acesso em 15 Abr
2012.
SMELTZER, S. C. BARE, B. G. Brunner & Suddarth: tratado de enfermagem médicocirúrgica. 10 ed. v. 2. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2008.
SOUZA, E. F. et al. Diagnósticos de enfermagem em pacientes com tratamento hemodialítico
utilizando o modelo teórico de Imogene King. Rev. esc. enferm. USP, v 41. n 4. 2007.
Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v41n4/12.pdf>. Acesso em 15 Abr 2012.
TEIXEIRA, R. B. RESCKZ, Z. M. R. Os sentimentos da clientela com atividades lúdicas
durante a sessão de hemodiálise. Rev. RENE, v 12. n 1. 2011. Disponível em:
<http://www.revistarene.ufc.br/vol12n1_pdf/a16v12n1.pdf>. Acesso em 15 Abr 2012.
76
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
ENFERMAGEM E O INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO: REVISÃO
INTEGRATIVA DA LITERATURA
Eric Alves Peixoto (relator)1
Daniel Pereira Francisco 2
Jonathas David Mendes Leão3
Cristiani Garrido de Andrade4
RESUMO
Este estudo objetivou caracterizar as produções científicas acerca da enfermagem diante do
Infarto Agudo do Miocárdio, em periódicos nacionais online, no período de 2000 a 2012, e
sintetizar a contribuição da produção científica sobre o Infarto Agudo do Miocárdio para
prática assistencial dos profissionais de Enfermagem. Trata-se de uma revisão integrativa da
literatura, realizada através dos bancos de dados da Literatura Latino Americana e do Caribe
de Informação em Ciências da Saúde (LILACS), da Scientific Electronic Library Online
(SciELO) e da Base de Dados Brasileira de Enfermagem (BDEnf). Para viabilizar a coleta de
dados foram utilizados como descritores: ―Infarto agudo and Enfermagem‖. Assim, a amostra
foi constituída por nove publicações. A análise do material permitiu a construção de duas
categorias: enfermagem diante do Infarto Agudo do Miocárdio e educação em saúde - ações
desenvolvidas pelos profissionais da saúde e instituições públicas. Nesse sentido, os
resultados evidenciaram que a enfermagem é de suma relevância para uma assistência
qualificada, no cuidado ao paciente acometido por Infarto Agudo do Miocárdio, uma vez
presta uma assistência direta e contínua. Dessa forma, diante do quantitativo ínfimo de
estudos acerca dessa temática, torna-se essencial a sua disseminação, bem como a realização
de pesquisas por profissionais e estudantes da área da saúde.
Descritores: Infarto. Enfermagem. Cardiovascular.
INTRODUÇÃO
Ao longo dos séculos, a expectativa de vida da população mundial aumentou
consideravelmente. Em contrapartida a esse aumento, houve uma considerável mudança nos
hábitos alimentares e no estilo de vida dos indivíduos, contribuindo, dessa forma, para o
aumento e prevalência de doenças cardiovasculares, com destaque para o infarto agudo do
miocárdio (IAM) (LIBBY, 2010; SAMPAIO; MUSSY, 2009).
1
Graduando em Enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba – FCMPM. E-mail:
[email protected].
2
Graduando em Enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba – FCMPM. E-mail:
[email protected].
3
Graduando em Enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba – FCMPM. E-mail:
[email protected].
4
Enfermeira. Fonoaudióloga. Especialista em Saúde Coletiva, com Ênfase na ESF-FASER. Mestranda em
Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba – UFPB. Pós-graduanda em Cuidados Paliativos. Docente em
Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. E-mail:
[email protected].
77
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
É notório destacar que, há pouco menos de um século, cerca de 10% das causas de
morte no mundo eram causadas pelas doenças cardiovasculares; atualmente, estas
representam 30% das causas de morte mundial, das quais 40% ocorrem em países
desenvolvidos e cerca de 28% em países subdesenvolvidos e em desenvolvimento
(SAMPAIO; MUSSY, 2009).
De acordo com os dados do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde
(DATASUS) e do Ministério de Saúde, no Brasil, as doenças cardiovasculares são a principal
causa de morte desde a década de 60, os quais mostram um total de 96.386 óbitos por Infarto
Agudo do Miocárdio, em 2009.
Segundo Nettina (2009), Smeltzer et al. (2009), Kumar (2010) e Libby (2010), o
infarto Agudo do Miocárdio (IAM), também conhecido como ―ataque cardíaco‖ consiste na
morte do músculo do coração, o qual é destruído de maneira permanente, resultante de
isquemia grave prolongada, cuja resulta da redução e/ou interrupção do fluxo sanguíneo em
uma artéria coronária devido à ruptura de uma placa aterosclerótica (acúmulo anormal de
substâncias lipídicas ou gorduras e tecido fibroso no revestimento das paredes vasculares
arteriais), à subsequente oclusão da artéria por um trombo, e ao vasoespasmo (estreitamento
ou constrição súbita) de uma artéria coronária.
Por se tratar de uma consequência de um processo de necrose (morte celular
patológica), e o fato de seus ataques acontecerem de forma súbita, levando em sua grande
maioria à morte antes mesmo da chegada do paciente ao hospital, o diagnóstico e o tratamento
precoce são imprescindíveis no salvamento e na mudança da qualidade de vida das pessoas
acometidas por este mal (KUMAR, 2010; LIBBY, 2010; NETTINA, 2009; SMELTZER et
al., 2009).
Nesse sentido, várias ações, que objetivam a diminuição do retardo pré-hospitalar, o
qual é caracterizado pelo período que se estende desde o início dos sintomas até a chegada do
paciente a um serviço médico de emergência, são necessárias para a redução da perda de
vidas fora do hospital como também a morte dentro deste. Para isso, pessoas acometidas pelo
infarto agudo do miocárdio e todos que as rodeiam precisam tomar decisões e ações que
venham diminuir, mudar e/ou acabar com o quadro da complicação, possibilitando garantir o
êxito do tratamento (SAMPAIO; MUSSI, 2009).
Dessa forma, a atuação da equipe de enfermagem, torna-se de suma relevância, já que
o cuidar é o enfoque principal da profissão de enfermagem, dotado de sentimentos e
fundamentado em conhecimentos prático-teórico-científicos, atrelados à educação em saúde
78
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
são de fundamental importância, e uma ferramenta poderosa e eficaz no tratamento, face aos
sintomas prodrômicos e agudos do IAM.
Libby (2010) afirma que, o governo, em suas três esferas nacional, estadual e
municipal, desempenha um papel importantíssimo com a formulação de políticas públicas
saudáveis, visando à melhoria da qualidade de vida de grupos populacionais específicos,
utilizando-se de atividades, educação e comunicação em saúde, desenvolvendo no indivíduo
capacidades que o levem a uma vida saudável e natural. Um dos principais objetivos é a
estimulação do auto-cuidado do indivíduo, capacitando-o, orientando-o a como agir diante de
um IAM, visando diminuir o tempo de chegada aos serviços de saúde.
No Brasil, não obstante a possibilidade de prevenção das doenças cardiovasculares,
programas incipientes têm sido implementados, fator que pode estar relacionado à escassez de
recursos humanos eficazes na área da saúde, à falta de priorização desta capacitação e das
autoridades governamentais para a criação e manutenção de programas preventivos;
diferentemente dos EUA, em que buscam envolver escolas, igrejas, empresas, associações
esportivas e grupos paramédicos em programas educativos sobre os sintomas do ataque
cardíaco e a importância da rapidez no atendimento médica nestas situações (AMERICAN
HEART ASSOCIATION, 2010).
Com base nessa realidade, o estudo parte da seguinte questão norteadora: Qual a
caracterização das publicações científicas acerca da atuação de enfermagem diante do Infarto
Agudo do Miocárdio, em periódicos nacionais, online, no período de 2000-2012? Qual a
contribuição da produção científica sobre o Infarto Agudo do Miocárdio para prática
assistencial dos profissionais de Enfermagem?
Diante do exposto, este estudo teve como objetivos: caracterizar as produções
científicas acerca da enfermagem diante do Infarto Agudo do Miocárdio, em periódicos
nacionais online, no período de 2000 a 2012, e sintetizar a contribuição da produção científica
sobre o Infarto Agudo do Miocárdio para prática assistencial dos profissionais de
Enfermagem.
METODOLOGIA
Para o alcance dos objetivos propostos, selecionou-se como método de pesquisa a
revisão integrativa da literatura. Esta é utilizada para a compreensão arraigada de um
fenômeno com base em estudos anteriores, o que permite a reunião de dados de distintas
79
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
modalidades de delineamento de pesquisas e possibilita a expansão das conclusões
(MENDES; SILVEIRA; GALVÃO, 2008).
Com a finalidade de efetivação dessa revisão, foram delimitadas as seguintes etapas
metodológicas: identificação do tema ou questão da pesquisa; realização da amostragem
(seleção dos artigos); categorização dos estudos; definição das informações extraídas das
publicações revisadas; avaliação dos estudos selecionados; interpretação dos resultados; e
apresentação dos resultados da pesquisa (FONSECA, 2008; MENDES; SILVEIRA;
GALVÃO, 2008).
Na primeira etapa, considerando-se que um estudo na modalidade de revisão
integrativa da literatura deve ser orientado por uma indagação ou hipótese, o presente trabalho
foi norteado pelas questões norteadoras já mencionadas na introdução. Para decorrer ao
levantamento do material bibliográfico sobre a temática sugerida para a condução desta
pesquisa, foram utilizadas três bases de dados: a Literatura Latino Americana e do Caribe de
Informação em Ciências da Saúde (LILACS) e a Scientific Electronic Library Online
(SciELO). A partir do levantamento realizado nas referidas bases de dados, utilizando-se os
descritores ―Infarto Agudo and Enfermagem‖, foram encontradas um total de 100
publicações.
Cumpre assinalar que foi adotado o seguinte critério de inclusão: que as publicações
sobre a atuação de enfermagem diante do Infarto Agudo do Miocárdio estivessem
disponibilizadas em artigos científicos online na íntegra no idioma português no período de
2000 a 2012. Foram excluídos os editoriais, cartas ao editor, estudos reflexivos, relatos de
experiência, publicações duplicadas, assim como estudos que não abordassem temática
relevante aos objetivos da revisão. A coleta de dados ocorreu durante o mês de fevereiro de
2012.
Posteriormente, foi selecionada, criteriosamente, toda a bibliografia relacionada aos
objetivos propostos para o estudo. Após a leitura minuciosa dos títulos e dos resumos, doze
estudos responderam aos critérios de inclusão estabelecidos, destes selecionados, três foram
excluídos por estarem citados em mais de uma base de dados ou por não estarem disponíveis
na íntegra. Portanto, a amostra do estudo compôs-se de nove publicações.
Os nove artigos selecionados foram lidos na íntegra e analisados, de acordo os
objetivos propostos para o estudo. No momento seguinte, os dados foram agrupados de
acordo com os enfoques dos títulos das publicações elegidas para o estudo.
80
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
O estudo foi constituído por nove publicações que versaram sobre a temática,
conforme caracterização explicitada no Quadro 1, a seguir:
TÍTULO DO ARTIGO
BASES DE
DADOS
ANO DE
PUBLICAÇÃO/
PERIÓDICO
MODALIDADES
DE ESTUDO
O infarto e a ruptura com o cotidiano:
possível atuação da enfermagem na
prevenção (MUSSI, 2004).
LILAC
SSCIE
LO
Perda da espontaneidade da ação: o
desconforto de homens que sofreram
infarto agudo do miocárdio (MUSSI et al.,
2002).
LILAC
SSCIE
LO
Intervenção nos hábitos de vida em
instituição pública (SCHERR et al., 2010).
LILACS
Diagnósticos de enfermagem de pacientes
hospitalizados
com
doenças
cardiovasculares (PEREIRA et al., 2011).
LILACS
SCIELO
Troca de gases prejudicada: análise em
pacientes com infarto agudo do miocárdio
(SOUSA et al., 2008)
LILACS
Desconforto, modelo biomédico e
enfermagem: reflexões com base na
experiência
de
homens
infartados
(MUSSI, 2003).
LILACS
2003
Acta Paulista de
Enfermagem
Artigo
Original
Tempo porta-eletrocardiograma (ECG):
um indicador de eficácia no tratamento do
infarto agudo do miocárdio (SOARES et
al., 2009).
Cuidado de enfermagem: evitando o
retardo pré-hospitalar face ao infarto
agudo do miocárdio (SAMPAIO; MUSSI,
2009).
LILACS
2009
Revista Gaúcha
de Enfermagem
Artigo
Original
LILACS
2009
Revista
Enfermagem
UERJ
Artigo de
Revisão
2005
Online
Brazilian
Journal of
Nursing
Artigo de
Relato de
Caso
Células-tronco: um novo caminho para a
humanidade e um novo cuidado para os LILACS
enfermeiros-um
estudo
de
caso
(SILVEIRA et al., 2005).
2004
Revista Latino
Americana de
Enfermagem
2002
Revista Escola
Enfermagem
USP
Artigo
Original
2010
Arquivo
Brasileiro de
Cardiologia
2011
Escola Anna
Nery
Artigo
Original
2008
Revista
Enfermagem
UERJ
Artigo
Original
Artigo
Original
Artigo
Original
Quadro 1: Estudos publicados acerca da enfermagem diante do infarto agudo do miocárdio (IAM),
segundo o periódico, ano de publicação, base de dados e modalidades de pesquisa – 2000
a 2012.
81
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
Por meio da análise dos 9 artigos apresentados no Quadro 1, verificou-se que todos os
estudos foram selecionados a partir da base de dados LILACS. Entretanto, 3 (33,33%)
publicações estiveram presentes, também, na base de dados SCIELO.
Em relação ao ano das publicações, observou-se que o de 2009 correspondeu ao
período com o maior número, 2 (22,22%) de artigos científicos publicados acerca da temática
investigada. Os demais anos obtiveram um quantitativo incipiente de estudos, com apenas
uma publicação, cada.
Quanto aos periódicos, destacaram-se importantes revistas nacionais, dentre as quais
merecem evidência a Revista Enfermagem UERJ, contemplando no total, 2 (22,22%) das
publicações incluídas nesta revisão.
No que concerne às modalidades das publicações, ressalta-se que, dos 9 artigos
selecionados, 7 (77,77%) são estudos originais, o que revela a preocupação dos pesquisadores
em contribuir com inovações teórico-científicas no campo de atuação da enfermagem,
possibilitando uma visão ampliada acerca dessa temática.
Nesse sentido, o método de análise da temática possibilitou categorizar, interpretar e
agrupar os dados semelhantes. Desse agrupamento emergiram duas categorias temáticas:
Tema I: A enfermagem diante do IAM (Quadro 2); Tema II: Educação em saúde: ações
desenvolvidas pelos profissionais da saúde e instituições públicas (Quadro 3). Estas
apresentaram a síntese do conhecimento contemplado na literatura.
TEMA I: A enfermagem diante do IAM
TÍTULO DO ARTIGO
OBJETIVOS
Células-tronco: um novo caminho para a Aprimorar os conhecimentos, enquanto
humanidade e um novo cuidado para os enfermeiros, acerca da referida terapia e seus
supostos benefícios.
enfermeiros – um estudo de caso.
Desconforto, modelo biomédico e Investigar a experiência de conforto e
enfermagem: reflexões com base na desconforto na perspectiva de homens que
sofreram infarto agudo do miocárdio (IAM),
experiência de homens infartados.
considerando a centralidade da promoção do
conforto para a enfermagem.
Troca de gases prejudicada: análise em Analisar a ocorrência do diagnóstico troca de
pacientes com infarto agudo do miocárdio. gases prejudicada em portadores de infarto
agudo do miocárdio, caracterizando o grau de
comprometimento do seu estado de saúde.
Perda da espontaneidade da ação: o Investigar os significados de conforto e
desconforto de homens que sofreram desconforto na perspectiva de homens que
sofreram infarto agudo do miocárdio (IAM).
infarto agudo do miocárdio.
Diagnósticos de enfermagem de pacientes Identificar a frequência dos diagnósticos de
82
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
hospitalizados
cardiovasculares.
com
doenças enfermagem e características definidoras de
pacientes com doenças cardiovasculares e
caracterizá-los
quanto
às
variáveis
sociodemográficas e clínicas.
Tempo porta-eletrocardiograma (ECG): Mensurar o tempo porta-eletrocardiograma
um indicador de eficácia no tratamento do (ECG) nos pacientes com infarto agudo do
miocárdio (IAM) atendidos na emergência de
infarto agudo do miocárdio.
um hospital geral.
Quadro 2: Distribuição dos artigos do Tema I, segundo o título e os objetivos das publicações selecionadas para
o estudo.
Os estudos mencionados no Quadro 2, consideram a necessidade emergente de
autonomia e garantia do exercício profissional da enfermagem, baseada em evidências,
associando os sintomas e sinais clínicos comumente conhecidos na prática clínica
cardiológica em fenômenos, ações e resultados de enfermagem, tornando-se, assim, essencial
compreender as respostas do indivíduo ao acometimento/doença cardiovascular (PEREIRA et
al., 2011).
Segundo Pereira et al. (2011), o diagnóstico de enfermagem é uma linguagem
padronizada, conceituado como o julgamento clínico das respostas do indivíduo, da família ou
da comunidade aos processos vitais ou aos problemas de saúde, que fornecem a base para a
seleção das intervenções de enfermagem e para atingir resultados, pelos quais o enfermeiro
seria o único responsável. Desse modo, torna-se útil para determinar clareza e assertividade na
conduta de cuidados pelo enfermeiro e equipe associar os fatores predisponentes e evidentes a
um diagnóstico de enfermagem, bem como auxilia o enfermeiro na comunicação aos demais
membros da equipe sobre sua atuação interdisciplinar, além de contribuir para a construção de
futuros protocolos de cuidados à população em estudos e comparativos entre as mesmas
populações em outros cenários.
A identificação e emprego dos diagnósticos de enfermagem são de fundamental
importância na prestação de uma assistência mais autônoma, qualificada e direcionada para as
necessidades específicas dos pacientes com IAM. Estes diagnósticos exigem do enfermeiro o
planejamento de intervenções e avaliação constante para a mensuração dos resultados,
havendo, assim, o apoio à implementação nas demais fases do processo de enfermagem
(PEREIRA et al., 2011; SOUSA et al.; 2008).
Soares et al. (2009) explicita que a enfermagem tem um papel relevante na
identificação e no reconhecimento do IAM em pacientes, podendo atuar na introdução de
medidas para otimizar o atendimento, prestando socorro e intervindo o mais rápido possível,
83
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
evitando posteriores agravos e complicações da doença nos pacientes. O tempo é um fator
bastante significativo na prestação desse atendimento.
O eletrocardiograma (ECG), dentro deste contexto, associado a uma boa história
clínica e exame físico, tem sido um elemento definidor no diagnóstico do IAM. Assim sendo,
deve ser realizado o mais breve possível, após a chegada do paciente no hospital. Porém,
estudos revelam que isto não ocorre efetivamente, pois, geralmente, o ECG somente é
solicitado após consulta médica, levando ao retardo do tempo porta-ECG (tempo desde a
chegada ao serviço até a realização do exame) (SOARES et al., 2009).
Diante de tal circunspecção, os enfermeiros, principalmente das unidades de
emergência, devem estar preparados para solicitar com segurança a realização do
eletrocardiograma, após avaliação rigorosa e criteriosa definidos, além disso, é de suma
importância que o profissional enfermeiro estabeleça comunicação adequada com o paciente e
a equipe multidisciplinar, pois a falta desta implica em inadequação do cuidado (SOARES et
al., 2009).
Um dos principais objetivos e conceito presente em toda a história da enfermagem, o
conforto, deve ser bastante enfatizado, pois é algo esperado pelo paciente no processo de
tratamento, mas que não deve apenas ser baseado na racionalidade funcional, econômica e
científica, como é descrito nas literaturas, mas também ser gerado na ótica do paciente. O
enfermeiro, em suas interações, não deve privilegiar apenas a técnica, mas valorize a
solidariedade e a humanidade nas trocas intersubjetivas, visto que o desconforto perpassa a
experiência do sujeito, desde a dor e o medo de morrer, passado pela própria vivência do
infarto e da condição do paciente, até o conforto com suas impossibilidades, no retorno à vida
cotidiana (MUSSI et al., 2002; MUSSI, 2003).
Silveira et al. (2005) afirma que, a presença do enfermeiro é fundamental em qualquer
tipo de tratamento estabelecido para paciente com IAM, haja vista que é a profissão que mais
compreende a individualidade de cada um dos pacientes, valorizando suas necessidades,
sintomas, dor e sofrimento, despertando para um cuidado mais humanizado.
84
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
TEMA II: Educação em saúde - ações desenvolvidas pelos profissionais da saúde e
instituições públicas
TÍTULO DO ARTIGO
OBJETIVOS
O infarto e a ruptura com o cotidiano: Descrever a primeira fase da experiência
possível atuação da enfermagem na vivenciada por homens que sofreram IAM,
prevenção.
compreendida como ―Tendo uma ruptura
com a vida cotidiana‖, examinando os focos
de intervenção da enfermagem na prevenção
da doença a partir das ações e desconfortos
desses homens, nesta fase.
Intervenção nos hábitos de vida em Testar a efetividade de u programa
multiprofissional que visa a modificar fatores
instituição pública.
de risco para aterosclerose no sistema
público.
Cuidados de enfermagem: evitando o Discutir a educação em saúde como parte
retardo pré-hospitalar face ao infarto integrante do cuidar/cuidado de enfermagem
e direcionada para a adoção de medidas de
agudo do miocárdio.
sobrevida, especialmente por pessoas que
sofreram IAM, visando a otimização dessas
ações até a chegada a um serviço de
emergência.
Quadro 3: Distribuição dos artigos do Tema II, segundo o título e os objetivos das publicações selecionadas
para o estudo.
Nas publicações inseridas no Quadro 3, foi evidenciado de acordo com Scherr et al.
(2009) que as admissões hospitalares são reduzidas quando há programas de controle dos
fatores de risco para o IAM, promovidos pelas instituições públicas, principalmente por parte
do governo, utilizando-se da educação em saúde nas propagandas exibidas na mídia e em
outros meios de comunicação e campanhas de conscientização da população, além de
melhorarem a qualidade de vida e a capacidade funcional de pacientes acometidos por este
mal, com grande impacto na sobrevida.
Nesse enfoque, surge uma maior aderência a uma dieta saudável, diminuição do
número de tabagistas, maior número de pacientes praticando atividades físicas regularmente e
diminuição do grau de estresse emocional, o que implica a diminuição dos valores de
colesterol total, LDL colesterol, triglicérides, índice de massa corpórea, circunferência
abdominal e dos índices de Castelli I e II, todos esses, fatores predisponentes para o Infarto
Agudo do Miocárdio.
Dessa forma, a educação é atividade integrante do cuidado em Enfermagem e
necessita ser desenvolvida em um processo integral de assistência à pessoa, tanto no âmbito
hospitalar, quanto no âmbito ambulatorial, domiciliar e da comunidade. Então, em diferentes
85
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
contextos sociais, o cuidar de enfermagem tem um papel na educação em saúde, visando,
especialmente, a redução do retardo pré-hospitalar, bem como capacitar os pacientes e
pessoas em seu entorno a desencadear imediatamente uma série de decisões e ações visando o
êxito do tratamento e a valorização da procura imediata por socorro médico, face aos sintomas
prodômicos do IAM (SAMPAIO; MUSSI, 2009).
Mussi (2004) destaca que o retardo pré-hospitalar implica em discussão, após o início
dos sintomas, por parte dos profissionais de saúde, sobre programas educativos que visem à
conscientização dos sinais e eventos cardiovasculares iminentes e a valorização da procura
imediata de atendimento médico por parte do indivíduo diante dos sinais e sintomas
prodômicos do IAM.
Como o infarto está associado a vários fatores de risco, implicando assim na mudança
do estilo de vida, visando o controle da progressão da doença, a única forma de evitar o
desconforto provocado pela ruptura com a vida cotidiana, papel bastante enfocado pela
enfermagem.
É prevenir o próprio infarto, não havendo outra estratégia, a qual pode incidir em
diversos níveis, tendo no processo educativo uma ferramenta fundamental, onde o enfermeiro
assume papel de sujeito ativo, podendo abranger a assistência direta ao indivíduo ou a grupos
de uma comunidade ou o gerenciamento desse processo de trabalho de enfermagem. A
formação de trabalhadores de enfermagem e a participação nos recursos humanos, também
podendo consistir em implementar programas visando a caracterização de fatores de risco
modificáveis (MUSSI, 2004).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Após a realização deste estudo, pudemos sintetizar que a contribuição dessas
publicações poderá oferecer aos profissionais de enfermagem que lidam com o IAM
(considerada, hoje, a maior causa de morte mundial) a convicção de sua importância enquanto
cuidadores e educadores da área da saúde para a população acometida por este mal.
Quanto aos achados, foram localizadas 12 publicações acerca da enfermagem e o
IAM. Através dos critérios de inclusão estabelecidos, foi identificada uma amostra de 9
estudos. Na base de dados LILACS foram encontrados 9 artigos (100%), destes, 3 (33,33%)
estiveram presentes também na base de dados SciELO. O ano de 2009 destacou-se com o
maior número de artigos científicos publicados sobre a temática investigada. Com relação aos
periódicos mereceu evidencia a Revista de Enfermagem da UERJ.
86
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
A análise dos artigos permitiu evidenciar que a utilização do processo de enfermagem
é de fundamental importância para uma assistência qualificada no cuidado ao paciente
acometido de IAM, e o enfermeiro, por ser um profissional intimamente ligado ao paciente,
deve estar habilitado para atuar diante do IAM. Apesar de não mencionar quais os cuidados e
orientações específicas que a enfermagem necessita transmitir ao paciente, a ideia e a intenção
em destacar que este cuidar é importante para o retardo pré-hospitalar e a melhoria da
qualidade de vida do paciente, foi bastante relevante. Porém, não houve um aprofundamento
ideal acerca da temática, o que não é admirável, pois a produção científica sobre o tema é
bastante escassa.
Dessa forma, é iminente a necessidade de um maior investimento e visibilidade das
pesquisas acerca da temática ora exposta. Isto porque o tema possibilita uma amplitude de
intervenções. Cabe, portanto, aos estudantes e profissionais da Saúde, o compromisso de
utilizar essa forma diferenciada de cuidar na sua prática clínica, dedicar-se à assistência
qualificada diante do IAM, capacitar-se e divulgar os resultados das pesquisas relacionadas a
esse cuidado.
REFERÊNCIAS
AMERICAN HEART ASSOCIATION. Destaque das diretrizes da american heart
association 2010 para RCP e ACE – Guidelines [versão em Português]. 2010. Disponível
em: http://www.heart.org/idc/groups/heart. Acesso em: 30 mar. 2012.
ATIK, F. A. et al. Resultados da implementação de modelo organizacional de um serviço de
cirurgia cardiovascular. Rev. Bras. Cir. Cardiovasc., v.24, n.2, p. 116-125, 2009.
FONSECA, R.M.P. Revisão integrativa da pesquisa em enfermagem em centro cirúrgico
no Brasil: trinta anos após o SAEP. 2008. Dissertação (Mestrado em Enfermagem) Universidade de São Paulo, 2008.
KUMAR, V. Robbins e contran: bases patológicas das doenças. 8. ed. Rio de Janeiro:
Elsevier, 2010.
LIBBY, Peter et al. Braunwald tratado de medicina cardiovascular. 8. ed. Rio de Janeiro:
Elsevier, 2010.
MENDES KDS; SILVEIRA, R.C.C.P.; GALVÃO, C.M. Revisão integrativa: método de
pesquisa para a incorporação de evidências na saúde e na enfermagem. Texto contexto enferm., v. 17, n. 4, p.758-64, 2008.
MUSSI, F.C. O infarto e a ruptura com o cotidiano: possível atuação da enfermagem na
prevenção. Rev. Latino-Am. Enfermagem, v.12, n.5, p. 751-759, 2004.
87
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
MUSSI, F. C.; KOIZUMI, M. S.; ANGELO, M. Perda da espontaneidade da ação: o
desconforto de homens que sofreram infarto agudo do miocárdio. Rev. esc. enferm. USP,
v.36, n.2, p. 115-124, 2002
NETTINA, S. M. Prática de Enfermagem. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2009.
PEREIRA, J. M. V. et al. Diagnósticos de enfermagem de pacientes hospitalizados com
doenças cardiovasculares. Esc. Anna Nery. v.15, n.4, p. 737-745, 2011.
SAMPAIO, E.S.; MUSSI, F.C. Cuidado de enfermagem: evitando o retardo pré-hospitalar
face ao infarto agudo do miocárdio. Rev. enferm. UERJ, v. 17, n. 3, p. 442-6, 2009.
SCHERR, C. et al. Intervenção nos hábitos de vida em instituição pública. Arq. Bras.
Cardiol, v. 94, n.6, p. 730-737, 2010.
SOUSA, V. E. C. et al. Troca de gases prejudicada: análise em pacientes com infarto agudo
do miocárdio. Rev. enferm. UERJ, v.16, n. 4, p. 545-549, 2008.
SMELTZER, S. C. et al. Tratado de enfermagem médico-cirúrgica. 11. ed. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 2009.
SILVEIRA, C.D. et al. Células-tronco: um novo caminho para a humanidade e um novo
cuidado para os enfermeiros-um estudo de caso. Online Braz J Nurs - OBJN, v. 4, n.1,
2005.
SOARES, T. et al. Tempo porta-eletrocardiograma (ECG): um indicador de eficácia no
tratamento do infarto agudo do miocárdio. Rev. Gaúcha Enferm., v. 30, n. 1, p. 120-6, 2009.
88
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
VÍNCULO AFETIVO MÃE E FILHO:
UMA EXPERIÊNCIA NA ADOLESCÊNCIA
Thaíza Ferreira da Costa (relator)1
Renata Saturno de Abrantes2
Jocerlania Maria Dias de Morais3
Carla Braz Evangelista4
RESUMO
Adolescência é considerada uma etapa de mudanças, adaptação ao novo corpo e de formação
de novas atitudes frente à vida. Somado a isso, a ocorrência da gravidez nessa etapa pode
acarretar ainda mais modificações na vida da adolescente. Nesse contexto, o significado que a
gravidez pode assumir, dos pontos de vista pessoal, social e familiar, é tema que merece ser
melhor abordada, pois, muitas vezes a gestação pode ser um evento difícil para a adolescente.
Levando em consideração tais aspectos, este estudo teve como objetivo analisar a vivência da
maternidade na adolescência, segundo relatos de mães adolescentes. Trata-se de uma pesquisa
qualitativa de caráter descritivo, na qual foram realizadas entrevistas com mães adolescentes
que frequentavam a Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro Cristo Rei, Cajazeiras - PB. A
coleta de dados ocorreu no mês de novembro e teve como instrumento a entrevista semiestruturada, que foi gravada, transcrita e analisada seguindo a técnica do Discurso do Sujeito
Coletivo (DSC) de Léfrevre. Diante dos relatos, percebeu-se que o exercício da maternidade é
tido como uma nova etapa de vida, dotada de responsabilidades, como também a realização
de um sonho. Apesar de dificuldades como a falta de recursos financeiros, habilidade em
cuidar da criança e criar o filho sem a presença do pai, pôde-se perceber que essa nova fase da
adolescente será a de maior aprendizado e de muito amor, pois dispensam seus melhores
cuidados aos filhos, fazendo perpetuar o amor materno.
Descritores: Mãe. Gravidez. Adolescência.
INTRODUÇÃO
Todo ser humano passa por transformações no decorrer da vida, independente da
idade, assim a criança, o jovem, o adulto e o idoso, experimentam mudanças. Há épocas em
que as modificações que ocorrem em nossos corpos e mentes, nos relacionamentos e
compromissos, são particularmente importantes e rápidas. Dentre estas modificações destacase a maternidade que hoje está sendo antecipada da fase adulta para adolescência, causando
grandes transtornos para essa população, principalmente as mais pobres.
1
Thaíza Ferreira da Costa. Enfermeira Especialista em Terapia Intensiva pela Faculdade Integrada de Patos-FIP.
Pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Bioética - NEPB/UFPB e Enfermeira Socorrista do Shopping
Center Tambiá. E-mail: [email protected].
2
Enfermeira Especialista em Programa Saúde da Família pela Faculdade Integrada de Patos-FIP.
3
Graduação em Enfermagem pela Faculdade de Enfermagem Nova Esperança (FACENE). Pesquisadora do
Núcleo de Estudos e Pesquisa em Bioética - NEPB/UFPB. Supervisora de Estágios da Faculdade de
Enfermagem Nova Esperança (FACENE). Enfermeira Socorrista do Shopping Center Tambiá.
4
Enfermeira pela UFPB. Pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Bioética - NEPB/UFPB. Email:
[email protected].
89
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
No Brasil a incidência da gravidez na adolescência vem aumentando. A Pesquisa
Nacional de Saúde e Demografia, de 1996, demonstrou que mesmo que a taxa de fecundidade
tenha baixado no Brasil, nos últimos anos, a fecundidade da população adolescente parece
estar aumentando: 18% das adolescentes de 15 a 18 anos já tiveram, pelo menos, uma
gravidez (GOMES et al, 2005).
Somando-se a isto Maia e Pérez-Ramos (2002) constatam, através de pesquisas,
estatísticas sobre o aumento dessa população no nordeste do país destacando algumas
circunstâncias que conduzem esse aumento como, por exemplo: abertura à sexualidade nos
programas de TV, a situação de risco social e pessoal, as mudanças comportamentais, o
prolongamento do período adolescente, entre outros.
Para Patrício (2000), o termo ―adolescência‖ vem do latim adolescer e significa
―crescer em maturidade‖, e é nesse período da vida, compreendido geralmente, entre 10 e 19
anos, que outros fenômenos começam a se diferenciar daqueles da infância. As mudanças
físicas existentes nessa fase são acompanhadas de mudanças de atitude e comportamento, pois
a criança passa agora a assumir uma identidade e um papel sexual, adaptando-se aos moldes
sociais de acordo com a cultura que vive. Então, são importante que o adolescente detenha o
conhecimento da fisiologia do seu corpo, conhecendo os órgãos genitais, suas funções e
entenda as mudanças que vão ocorrendo, para que o mesmo tenha uma vida sexual mais
tranqüila e sadia (COSTA, 2001 apud QUEIROZ, 1996).
Quando o adolescente torna-se consciente das mudanças em seu corpo, sofre emoções
que vão do orgulho à vergonha e ansiedade, e, frente à reação dos outras às suas mudanças,
começa a formular nova identidade própria. Soma-se a isto a argumentação de Bueno (2003,
p. 2) quando diz que não se pode descrever a adolescência ―como simples adaptação às
transformações corporais, mas como um importante período no ciclo existencial das
pessoas, uma tomada de posição social, familiar, sexual e entre o grupo‖.
O exercício da sexualidade tem sido analisado ao longo dos anos de forma
diferenciada e observa-se que nas últimas décadas houve consideráveis transformações nas
relações homem/mulher. Também Felipe (2006, p.9) observou que:
A idade vem caindo de forma bem acentuada em relação ao ingresso dos
adolescentes, na vida sexual ativa; trazendo consequências especialmente
para a população mais pobre; onde a mais destacada é a gravidez na
adolescência. Podendo-se dizer que hoje, no Brasil, a gravidez na
adolescência é uma espécie de epidemia; talvez sendo consequência do
grande apelo erótico a que são expostos.
90
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
A gravidez na adolescência é uma crise que se sobrepõe à crise da adolescência. Para a
adolescente, o evento da gravidez pode estar relacionado com uma tentativa de enfrentar
qualquer uma de suas tarefas evolutivas. Em muitos casos existe um desejo inconsciente, ou
mesmo consciente de engravidar. O desejo de ter um bebê pode estar ligado a determinados
fatores como: provar a fertilidade, solidificar o relacionamento com o parceiro, ter alguém
para amar e cuidar, mudar o status na família para adquirir independência ou libertar-se de um
ambiente familiar abusivo.
Ainda é altíssimo o número de gestação na adolescência, haja vista neste período a
utilização de métodos anticoncepcionais não ocorreu de modo eficaz. A negação da
possibilidade de engravidar e a eventual atividade sexual nesta fase têm sido, para muitas, a
justificativa para a falta de uso rotineiro de anticoncepcionais. Para Bueno (2003, p. 2) ―a
grande maioria delas também não assume diante da família a sua sexualidade, nem a posse de
anticoncepcional, que denuncia uma vida sexual ativa‖. Esses e outros impasses expõem cada
vez mais as adolescentes à maternidade precoce. Decorrentes desta maternidade vêm à criança
e todos os cuidados que a esta necessitam ser dispensados.
METODOLOGIA
Tipo de estudo
O estudo constitui-se em uma pesquisa qualitativa de caráter descritivo, pois visa
apreender dados da realidade e analisá-los sem se prender aos dados estatísticos.
Local de estudo
O local escolhido para o desenvolvimento do estudo foi a Unidade Básica de Saúde do
Bairro do Cristo Rei, na cidade de Cajazeiras - PB, onde se observou um índice elevado de
gravidez na adolescência.
População e amostra
A população foi constituída de mães adolescentes, na faixa etária de 12 a 19 anos. E,
para a amostra foram selecionadas dez mães que estavam inclusas nos seguintes critérios:
ainda encontravam-se na adolescência e aceitou participar do estudo, autorizando o uso de
gravador durante a entrevista.
91
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
Instrumento de coleta
O instrumento utilizado para a coleta de dados foi uma entrevista semiestruturada, que
se divide em dois momentos. Em um primeiro, visou-se coletar dados referentes a
identificação da adolescente, bem como a sua condição sócio-econômica. Em um segundo,
foram realizadas as entrevistas propriamente ditas, na qual as questões versavam sobre a
experiência da maternidade e do cuidado com o filho (APÊNDICE B).
Antes de iniciar a coleta de dados foi elaborado um ofício, solicitando à Secretaria
Municipal de Saúde a autorização para serem feitas entrevistas no PSF do Bairro do Cristo
Rei, com mães adolescentes; onde neste momento foram apresentados os objetivos da
pesquisa.
Foi mantido um contato com as participantes para convidá-las a fazer parte da
pesquisa e realizar a coleta de dados. Antes da realização de cada entrevista foram explicados
os objetivos de trabalho e garantido a privacidade da entrevista através do Termo de
Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), em concordância com a Resolução 196/96
(BRASIL, 1996), que trata de pesquisa envolvendo seres humanos (APÊNDICE A).
Finalmente, foram realizados os devidos agradecimentos.
Coleta de dados
A pesquisa foi realizada no período de novembro de 2006, na UBS acima citada, em
momentos que as mães procuravam os serviços da unidade. As entrevistas foram gravadas em
fita cassete, conforme aceitação das mães, e posteriormente, as falas foram transcritas para
serem analisadas.
Análise dos dados
A análise dos dados teve início com a transcrição na íntegra e a leitura das entrevistas,
utilizando em seguida à técnica do discurso do sujeito coletivo que segundo Lefrevre e
Lefrevre (2005), retratam as expressões chaves das falas dos pesquisadores, o que viabiliza o
pensamento em forma de síntese e possibilita a interpretação para a fundamentação dos
resultados.
ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Diante do exposto, o estudo objetivou analisar a vivência da maternidade, segundo
relato de mães adolescentes.
92
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
A descoberta da gravidez
Uma maneira de clarificar a experiência das entrevistadas é procurar elucidar o que os
acontecimentos significaram para elas. Os resultados a seguir caracterizaram o impacto da
descoberta da gravidez para as adolescentes entrevistadas. Onde foram evidenciados
sentimentos de medo, felicidade e indecisão; o medo, apresentando-se como um receio da
aceitação pelos pais ou namorado. A felicidade, por sua vez, foi bem relatada, apresentando a
maternidade como um sucesso, realização de um sonho. E em seguida a indecisão, que foi um
sentimento relatado por apenas uma mãe, na qual o espírito de decisão em outra oportunidade
levara a optar pelo aborto e agora resolveu se dar a oportunidade de conceber a vida. Nesse
contexto, após a análise foram elencadas três ideias centrais; o medo, a felicidade e a
indecisão que serão apresentadas a seguir.
O homem é definido como um ser social, que atua segundo normas: interage e
compartilha direitos e deveres na sociedade. Neste sentido, ele está sendo constantemente
questionado sobre sua conduta em relação aos demais e cobrados a apresentar
responsabilidades perante suas ações (GOUVEIA et al, 2005). Portanto, o medo e a ansiedade
são comuns, por esta situação fugir as regras da sociedade, como também não estar dentro dos
93
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
planos da família para a adolescente, que ainda encontra-se em fase de transição de menina
para mulher. O receio pela rejeição está presente no discurso das adolescentes: ―tive medo de
meu namorado me deixar‖; ―(...) tive medo de todo mundo descobrir (...)‖.
Em contrapartida, a confirmação do poder feminino de procriar, de gerar uma vida, ou
seja, o instinto materno e o amor desenvolvido pelo pequeno ser desde o ventre, faz com que
meninas adolescentes se sintam felizes e realizada pela nova e precoce etapa da vida a que
vivenciam. E ainda pelo fato de imaginarem que o amor entre o casal pode ser consolidado
através da chegada de um filho. Tudo isso é percebido através do discurso: ―foi bom demais,
esperei tanto‖; ―achei bom, meu namorado quis logo casar‖.
A maturidade das adolescentes e a falta de preparo desta levam ambigüidade entre o
querer e o não querer ser mãe, emerge quando a adolescente afirma: ‖fiquei muito indecisa‖.
O lado bom da maternidade está relacionado a satisfação pessoal de ser mulher, mãe, de fazer
perpetuar a espécie humana. No entanto, a maternidade na adolescência apresenta seu lado
ruim, quase sempre relacionado a limitação de possibilidades inerentes a essa fase.
O significado de ser mãe
A maternidade é inerente à condição feminina e demarca nitidamente a polaridade
homem-mulher, portanto cabe a mulher aproveitar essa oportunidade, deleitando-se com seu
destino de ser mãe. A mulher está fadada a ter filhos, restando a ela conformar-se e não relutar
contra seu destino, afirma Madeira e Tsunechiro (2003). É importante que se leve em
consideração a forma como uma sociedade constrói a figura feminina, influenciando,
portanto, no desejo inconsciente da adolescente de querer ser mãe.
O cuidar entrelaça-se ao prazer, um complementa o outro, essa relação dependente
possibilita as adolescentes cuidar do filho com desprendimento, amor, em uma entrega total;
tornando-se assim um momento prazeroso, de satisfação pessoal, porém de muita
responsabilidade. Assim a partir das análises, o significado de ser mãe pôde ser dividido em
duas idéias centrais, que é a felicidade e a responsabilidade.
94
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
Outra questão que também aborda o significado de ser mãe adolescente são as
dificuldades encontradas por estas, como a falta de recurso financeiro, a pouca habilidade em
cuidar de criança e criar o filho sem a companhia do pai.
95
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
Para Desser apud Madeira e Tsunechiro (2003), a maternidade precoce coloca um
ponto final na adolescência, período que outorga menor responsabilidade e maior liberdade ao
jovem. A responsabilidade é o véu que cobre a maternidade. Nas análises constatou-se essa
responsabilidade através das falas das entrevistadas: ―é responsabilidade demais, tem que
cuidar dele (...)‖; ―(...) eu não sei de onde tirei tanta responsabilidades‖.
No entanto, a felicidade de vivenciar esse momento é evidenciada por várias mães,
que em suas falas deixam bem clara essa satisfação: ―ser mãe é uma coisa muito linda‖; ―é a
melhor coisa do mundo, é a minha companhia‖; confirmando a idéia de Madeira e Tsunechiro
(2003), que diz que o fenômeno da maternidade na adolescência mostra em sua essência que a
situação na qual as adolescentes se encontravam antes de ter filho era demarcada por vazios e
que essas lacunas foram preenchidas com a presença do filho.
Além desses sentimentos, o significado de ser mãe é intensificado a partir das
dificuldades encontradas nesta nova etapa. As dissociações do apego originadas pela mãe,
dependem, também, das condições sócio-econômica e cultural da mesma,de sua fase de vida –
como a da adolescência – do grau de instrução, do estado civil, das manifestações emocionais
entre outras (MAIA; PÉREZ-RAMOS, 2002).
Portanto, do contrário do que se espera de uma mãe preparada para receber seu filho,
as adolescentes enfrentam diversas dificuldades, como: falta de recursos financeiros, pois na
maioria das vezes estas vêm de camadas sociais mais baixas, onde as mães destas, muitas
vezes também não contam com a ajuda do pai para criar os filhos, tornando-se um ciclo
vicioso, e ainda a falta de habilidade, devido à falta de destreza das mãos e movimentos, pois
esses na maioria das vezes foram pouco desenvolvidos anteriormente.
Sendo assim, a educação e a qualidade de vida que envolve a adolescente são fatores
determinantes para que o cuidado ao filho seja algo dotado de responsabilidade e ao mesmo
tempo de prazer, pois é a partir desses pressupostos que uma mulher se sente realizada e se
prepara para desenvolver seu papel de mãe.
O dia-a-dia de ser mãe
Para Luipjen apud Madeira e Tsunechiro (2003), o poder ser é sempre um poder ser a
partir de certa facticidade, de certa situação. Determinada situação fáctica inclui diversas
possibilidades e exclui outras. Significa que, sendo mãe, a adolescente tem os limites da
situação na qual está engajada, o que torna impossível vivenciar as mesmas coisas de antes.
Ela tem de abrir mão delas para dedicar-se a maternidade. Não poderá vivenciar, no presente,
na condição de ser mãe com responsabilidades e obrigações condizentes a ela, a liberdade do
96
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
passado. Assim algumas jovens poderão sentir-se deslocadas, vivendo em um mundo
diferente da sua realidade; e esses limites são colocados a ela de forma tão rápida que sofrerão
um choque na sua personalidade, tendo que encaixar-se na nova rotina a ela imposta. Para
algumas adolescentes essa nova fase foi esperada e vivenciada como um cercado de
novidades possibilitando o seu amadurecimento.
Após a análise foi possível verificar duas ideias centrais para caracterizá-la a mudança
na vida destas adolescentes: a responsabilidade junto ao trabalho, e a abdicação de saídas,
festas e outras mais.
Essas mudanças foram avaliadas por algumas mães como sendo boa, pois era um
sonho realizado e que estava sendo vivenciado com muito entusiasmo. Para outras, era uma
situação difícil, devido a pouca experiência no cuidado com um filho e também pela falta do
companheiro na criação e educação do filho.
97
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
Também, após a análise foram listadas as principais tarefas no cuidado da mãe no diaa-dia com o filho, como alimentação, higiene, lazer, levar o filho a creche, acompanhamento
do desenvolvimento e saúde.
Conforme relata Desser apud Madeira (2003), em certo momento é evidente o conflito
existencial vivido pela adolescente ao mesmo tempo em que adora o filho, gostaria de ter
mais tempo para si, de encontrar seus amigos, de executar projetos. Sente-se sufocada pela
maternidade. O trabalho como é citado por algumas adolescentes, significa o resgate da autoestima, a realização pessoal, o desejo de serem elas mesmas e de mostrar a sociedade que
conseguem conciliar trabalho, responsabilidade e maternidade.
Nas falas percebemos que a situação vivenciada por elas, no momento, o mundo da
maternidade, deixa claro que antes podiam tudo e agora é dependioso: ―não posso mais ir
para as festas como antes‖. Também é percebido que essa mudança trouxe a responsabilidade
como fator determinante: ―tenho que ter responsabilidade pra cuidar dele‖.
Essas mudanças são encaradas por algumas dessas jovens como uma experiência
difícil: ―ainda mais que eu não casei, ai fica mais difícil‖. Sendo evidenciadas pela
imaturidade, quando não está preparada para cuidar de um filho; e quando se encontra sem o
apoio do companheiro. Porém, a maioria encara como uma realização de um sonho.
Segundo Folle e Geib (2004), o cuidado materno engloba um conjunto de ações além
de biológicas e psicológicas, também socioambientais que permitem a criança
desenvolverem-se bem. Além de sentir-se rodeada de afeição, a criança precisa de um
potencial de cuidados e providências a serem tomadas: o sono tranquilo, a alimentação, a
higiene e outros. A criança busca continuamente a afeição e a comunicação com seus pais
Esta comunicação através dos cuidados higiênicos, alimentares adquire especial relevo
hoje em dia, quando sabemos que a mãe tem pouco tempo disponível ou que as crianças
vivem a maior parte do dia em coletividade (SCHMITZ, 2005): ―vou deixar e buscar ele na
creche, ele acha é bom lá‖; ―... passa o dia no berçário e só pego de tardezinha, porque tenho
que trabalhar‖.
Aqui também foi relatado cuidado de acompanhamento junto às equipes de PSF,
levando a criança mensalmente para o acompanhamento do desenvolvimento da criança, e
também o cuidado com vacinas em dia: ―sempre levo ele no posto pra enfermeira ver se tá
bem e vacinar‖; ―dou as vacinas bem direitinho ai peço para pesar pra ver se aumentou‖.
Desta forma, constatou-se que a maternidade na adolescência é dotada de dificuldades
e percausos, porém também é sinônimo de felicidade e alegria para as jovens mães, que
98
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
apesar de terem deixado suas vidas ―pela metade‖, são gratas pela singular experiência
proporcionada pela maternidade. O abandono do companheiro, a falta de recursos, de
maturidade e de instrução não constitui um motivo para que as meninas deixem de cuidar dos
seus filhos com muito amor e carinho, perpetuando assim o instinto materno.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Esse trabalho buscou refletir sobre a realidade das adolescentes entrevistadas que
optaram por assumir a maternidade. Logo observou-se que essa escolha alterou o curso de
suas vidas, acarretando dificuldades no que se refere aos aspectos escolar, profissional, afetivo
e social. Contudo, o fato de haver levado a gravidez a termo não foi suficiente para que essas
jovens alcançassem o status de uma pessoa adulta em todos os aspectos do desenvolvimento.
A maternidade na adolescência se agrava de forma intensa, especialmente nas últimas
décadas. Causando assim uma transformação profunda na vida da adolescente, o que contribui
para a antecipação da etapa da fase adulta, sem usufruir da adolescência de forma prazerosa e
produtiva, deixando uma perspectiva de vida futura de qualidade e deparando-se com
repercussões de uma gravidez precoce, que implicará em responsabilidades para o
desempenho de novos papéis no cuidado com o filho.
A adolescente ao tornar-se mãe encontra dificuldades que afetam diretamente a rotina
e o psicológico destas. Sendo assim, a conjugação do papel de mãe com o de adolescente
requer novos saberes, novos ajustes do ser e do pensar, contribuindo desta forma para
adaptações e desenvolvimentos, a medida que a menina precisa se constituir como em mulher.
Objetivando analisar a vivência da maternidade segundo relatos de mães adolescentes,
verificou-se que o significado de ser mãe é um passaporte para tornar-se responsável, como
também para a realização de um sonho. Passando rapidamente da pessoa cuidada para a
própria cuidadora, com obstáculos e vitórias inerentes a esse fato. Por ainda encontrarem-se
despreparadas e imaturas, as dificuldades são bem maiores, pois necessitam dispensar
cuidados a criança e algumas vezes não possuem habilidades, como também, a falta de
recurso financeiro é um fator agravante, que torna-se um dos inúmeros problemas sociais
causados por esse evento. E ainda, assumir essa responsabilidade sem a presença do
companheiro torna a situação mais polêmica.
Assim, espera-se que o estudo contribua para uma reflexão sobre o ser mãe
adolescente. Onde se podem compreender a partir de relatos as suas alegrias e dificuldades, e
o desempenho da maternidade precoce, possibilitando analisar as mudanças de vida para a
adolescente; como também a sua contribuição para aumentar a evasão escolar e elevar os
índices de pobreza e diminuir os índices de desenvolvimento humano em nosso país, pois é
99
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
sabido que a educação é base para que todos os segmentos da vida aconteçam no tempo
correto, como também para que se tenha saúde, e ainda para que se tenha subsídios para as
necessidades econômicas.
REFERÊNCIAS
BUENO, G. da M. Gravidez na adolescência: Net, São Paulo, 2003. Disponível em:
http://siter.uol.com.br/gballone/infantil/adolesc3.html. Acesso em: 20 nov. 2011.
BRASIL. Ministério da Saúde. Pesquisa Nacional sobre Demografia e saúde. Rio de Janeiro:
BENFAM, 1996.
FELIPE, J. A sexualidade desperta mais cedo. Revista Mundo Jovem, nº. 364, ano XLIV,
2006, p. 9.
FOLLE, E.; GEIB, L. T. C. Representações sociais das primíparas adolescentes sobre o
cuidado materno ao recém-nascido. Rev. Latino Americana de Enfermagem. Mar/abr. vol.
12, nº. 2, 2004, p. 183-190. Disponível em http://www.scielo.br/scielo.php. Acesso em 12 de
março de 2011.
GOMES, R.; FONSECA, E. M. G. O.; VEIGA, A. J. M. O. A visão da pediatria acerca
gravidez na adolescência: um estudo bibliográfico. Rev. Latino Americana de
Enfermagem, v. 10, n. 3, 2002, p. 408-414. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php.
Acesso em: 12 de abril de 2005.
GOUVEIA, V.V. et al. A dimensão social da responsabilidade pessoal. Estudo psicológico.
Julho, 2003, vol. 8, n°. 2, p. 123- 131. Disponível em: http//www.scielo.br.php. Acesso em:
12 ab. 2005
MADEIRA, A. M. F.; TSUNECHIRO, M.A. Crescer com o filho: a singularidade do
adolescer mãe. In : MERECHI,M. A. B.; PRAÇA,N. de S.(Orgs) et al: Abordagens TeóricoMetodológicas Qualitativas. A vivência da mulher no período reprodutivo. São Paulo: Editora
Guanabara Koogan S.A.,2003, p. 59-79.
MAIA, E. M. C.; PÉREZ-RAMOS, A. M. Q. Fortalecimento do apego entre a mãe
adolescente e seu bebê. In: ANGERAMI-CAMON, V. A. (Org) et al: Novos Rumos na
Psicologia da Saúde. 2ª ed. São Paulo: Pioneira Thonson Learning, 2002 p. 95-113.
PATRÍCIO, Z. M. O cuidado com a qualidade de vida dos adolescentes: um movimento
ético e estético de ―Koans e Tricksters‖. In: RAMOS, F. R. S.; MONTICELLI, M.;
NITSCHKE, R. G. (Orgs). Um encontro da enfermagem com o adolescente brasileiro.
Brasília: Ministério da Saúde /ABEN/, 2000. p. 121-143.
QUEIROZ, K. O. A. de. Gravidez na adolescência em Mossoró-RN: objetividades e
subjetividades que envolvem a problemática. 1996. p. 81. Monografia (Curso de Graduação
em Enfermagem), Programa Especial de Treinamento – PET, Mossoró, 1996.
100
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
INDICADORES DE QUALIDADE NAS UTI
Ingrid Claudino Ribeiro (relator)1
Jocerlania Maria Dias de Morais2
Américo Ferreira de Sá3
Jedite Ferreira Freitas4
Isabela Ferreira da Costa5
RESUMO
O hospital, como uma empresa prestadora de serviços, vem passando por uma rápida
evolução tecnológica e social que atinge diretamente a todos os seus usuários. Nesse
processo, surgiram os programas de gestão pela qualidade, que são sistemas estruturados de
forma a atender e superar as necessidades e expectativas dos clientes, através do controle e
aperfeiçoamento contínuo do seu processo de trabalho. O indicador em saúde é conceituado
como uma unidade de medida de uma atividade com a qual se está relacionado ou, ainda, uma
medida quantitativa que pode ser empregada como um guia para monitorar e avaliar a
qualidade dos cuidados providos ao usuário e as atividades dos serviços. Esse indicador é um
sinalizador que identifica ou dirige a atenção para assuntos específicos de resultados em uma
organização de saúde devendo, periodicamente, ser revisto. A monitoração de indicadores na
atualidade necessita de sistema informatizado, pois a enfermagem possui um grande e
complexo número de dados relativos à sua atividade, e só é possível monitorá-los se houver
sistema informatizado. Medir indicadores permite aos enfermeiros o processo de tomada de
decisão baseado em seus resultados. Desta forma torna-se possível modificar e aprimorar sua
prática, por meio de comparação e troca de informações entre as unidades do hospital. A
definição de dados mínimos e o estabelecimento de indicadores são fundamentais para o
reconhecimento da enfermagem enquanto uma profissão de valor.
INTRODUÇÃO
O hospital, como uma empresa prestadora de serviços, vem passando por uma rápida
evolução tecnológica e social que atinge diretamente a todos os seus usuários. Nesse
processo, surgiram os programas de gestão pela qualidade, que são sistemas estruturados de
forma a atender e superar as necessidades e expectativas dos clientes, através do controle e
aperfeiçoamento contínuo do seu processo de trabalho (MOURA, 2000).
Os estabelecimentos de saúde e os serviços de enfermagem, como parte integrante de
instituições complexas, vêm enfrentando inúmeros desafios no sentido de atender as
1
Enfermeira Especialista em Urgência e Emergência Intra e Extra Hospitalar pela Universidade FASP.
Jocerlania Maria Dias de Morais. Graduação em Enfermagem pela Faculdade de Enfermagem Nova
Esperança (FACENE). Pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Bioética - NEPB/UFPB.
Supervisora de Estágios da Faculdade de Enfermagem Nova Esperança (FACENE). Enfermeira
Socorrista do Shopping Center Tambiá.
3
Graduação em Enfermagem pela Faculdade Santa Emília de Rodat- FASER.
4
Enfermeira Especialista em Programa Saúde da Família pela FACISA.
5
Enfermeira e acadêmica de Medicina pela FAMENE.
2
101
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
demandas de seus clientes, de maneira eficiente e eficaz, visando a excelência da qualidade
assistencial.
Nesse cenário, a melhoria contínua da qualidade da assistência, no sentido de atingir a
excelência, é um processo dinâmico e exaustivo de identificação permanente dos fatores
intervenientes no processo de trabalho da equipe de enfermagem e requer do enfermeiro a
implementação de ações e a elaboração de instrumentos que possibilitem avaliar de maneira
sistemática os níveis de qualidade dos cuidados prestados (FONSECA, 2005).
O indicador em saúde é conceituado como uma unidade de medida de uma atividade
com a qual se está relacionado ou, ainda, uma medida quantitativa que pode ser empregada
como um guia para monitorar e avaliar a qualidade dos cuidados providos ao usuário e as
atividades dos serviços (KURGANCT, 2008).
Esse indicador é um sinalizador que identifica ou dirige a atenção para assuntos
específicos de resultados em uma organização de saúde devendo, periodicamente, ser revisto
(LIMA, 2009).
A busca pela qualidade assistencial vem sendo discutida e compartilhada entre os
profissionais de saúde, sobretudo os que atuam na esfera gerencial, uma vez que os usuários
dos estabelecimentos de saúde tornaram-se, nas ultimas décadas, mais conscientes de seus
direitos, exigindo assim um maior comprometimento dessas instituições (TRONCHIN, 2006).
Conforme Kurganct (2008) a qualidade como um conceito abstrato e subjetivo, carece
de subsídios concretos e consensuais para ser adotada como ferramenta de avaliação de
decisões e ações gerenciais.
No contexto da saúde, qualidade é um conceito considerado complexo, cujos
componentes podem ser agrupados em sete atributos ou pilares fundamentais: eficácia,
efetividade, eficiência, otimização, legitimidade, equidade e aceitabilidade. Os quatro
primeiros referem-se a atributos que guardam correlações positivas ou negativas, com
elementos inerentes à instituição e os três últimos guardam correlação com atributos inerentes
à instituição no que se refere à sua inserção no contexto político-social e econômico de uma
determinada sociedade (KURGANCT, 2008).
Pretendeu-se obter esclarecimentos sobre os indicadores de qualidade nas UTI para
reconhecer quais são estes indicadores, qual a qualidade que procuram identificar e para que a
identificar.
102
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
METODOLOGIA
A pesquisa bibliográfica é de fundamental importância, pois, é a base do
conhecimento prévio para o desenvolvimento da pesquisa, sendo desenvolvida com base em
materiais já elaborados, constituído principalmente de livros e artigos científicos. Para a
realização desse trabalho foi primeiramente realizado pesquisa bibliográfica em livros, artigos
científicos, revistas, além aos diversos sites do sistema eletrônico on-line para um melhor
entendimento acerca do assunto pesquisado, ou seja, referencias sobre os Indicadores de
qualidade nas UTI. (GIL, 2010). A pesquisa bibliográfica é a atividade de localização e
consulta de fontes diversas de informações escrita orientada pelo objetivo explícito de coletar
materiais mais genéricos ou mais específicos a respeito de um tema (LIMA, 2004).
Os livros constituem as fontes bibliográficas por excelência. A principal vantagem da
pesquisa bibliográfica reside no fato de permitir ao investigador a cobertura de uma gama de
fenômenos muito mais ampla do que aquela que poderia pesquisar diretamente. Essa
vantagem torna-se particularmente importante quando o problema de pesquisa requer dados
muito dispersos pelo espaço (GIL, 2002).
Portanto, a pesquisa bibliográfica proporciona ao pesquisador um contato direto com o
assunto, fazendo um apanhado geral sobre os principais trabalhos já realizados, revestidos de
importância, por serem capazes de fornecer dados atuais e relevantes relacionados com o
tema. O estudo da literatura pertinente pode ajudar a planificação do trabalho cientifico, evitar
publicações e certos erros, e representa uma fonte indispensável de informações, podendo até
orientar as indagações (LAKATOS, 2006).
O emprego de indicadores de qualidade nas UTI constitui-se num instrumento
eficiente para controle do nível de serviço oferecido e permite que a monitoração mantenha
um mesmo critério para comparabilidade ao longo do tempo (KNOBEL, 2006).
A referida pesquisa abrangeu como local de estudo as bibliotecas da Faculdade Santa
Emília de Rodat (FASER), Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Faculdade Ciências
Medicas (FCM), Institutos Paraibanos de Educação (UNIPÊ), Faculdade de Enfermagem
Nova Esperança (FACENE), Faculdade de Medicina Nova Esperança (FAMENE) e através
de sites indexados on-line, revistas e periódicos.
Os dados foram coletados e analisados durante os meses de setembro a outubro de
2010, a partir do acervo bibliográfico disponível em livros, periódico e referencias on-line,
por meio técnicas de leitura para a escolha do material, em especial aquele relacionado à
temática escolhida.
103
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
REVISÃO DE LITERATURA
Teixeira et al (2006) observam que organizações responsáveis pelo desenvolvimento
de programas e ações de saúde que atendam às exigências reais das diferentes situações dos
usuários procuram melhorar a qualidade dos serviços prestados. Esta busca por qualidade dos
serviços de saúde é antiga, inicia-se quando Nightingale adotou métodos e padrões sanitários
que reduziram a mortalidade.
E desde então a busca por qualidade passou a ser constantemente observada neste
setor. A qualidade da assistência deve observar padrões, estudo da estrutura, processo e
resultados (TEIXEIRA et al, 2006).
Com indicadores no serviço de enfermagem podem-se interpretar diferentes dados
quanto ao desempenho dos cuidados, tais como: perspectivas, dimensões, crescimento,
estratégia, conhecimento dos clientes, satisfação dos clientes, melhora dos clientes, qualidade
do serviço, relacionamento com clientes, imagem e reputação e processos internos
administrativos (BITTAR, 2001).
Indicadores de qualidade de assistência podem ser: incidência de quedas do paciente;
incidência de extubação acidental; incidência de perda de sonda nasogastrica enteral;
incidência de úlcera por pressão; incidência de não conformidade relacionada a não
administração de medicamentos pela enfermagem; incidência de flebite (MOTA et al, 2007).
Bittar (2001) e Teixeira et al (2006) expressam que as informações se dividem em
externas e internas. As externas atendem à demografia, geografia, economia, política, cultura,
educação, psicossocial, tecnologia, existência ou não de outras instituições de saúde e
epidemiológicas.
A análise de informações externas dos indicadores de saúde deve se fundamentar em
ouras análises para maior credibilidade das condições de promoção da saúde, prevenção da
doença, diagnóstico, tratamento e cura, enfim, dos fatores ou influências que formam o perfil
epidemiológico verificado. E as internas que são caracterizadas pelas estruturas de recursos,
distribuídos de acordo com Bittar (2001) e Teixeira et al (2006) em áreas e subáreas, de infraestrutura, ambulatório/ emergência, complementar de diagnóstico e terapêutica e internação.
Teixeira et al (2006) sobre as informações internas consideram importante formar
equipe multidisciplinar de auditoria de enfermagem, de prevenção e controle de infecções
hospitalares, de ética em pesquisa, de gerenciamento de riscos, de prevenção interna de
acidentes, serviço de educação continuada e de atendimento ao cliente.
104
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
Conforme Silva (2003), a qualidade na unidade intensivista pode ser avaliada através
de indicadores que são de ordem técnica, educacionais, ambientais – estruturais e os éticos.
Um exemplo de indicadores ambientais-estruturais pode ser observado a seguir: a UTI deve
contar com uma UTI móvel ou conveniada; contar com serviços de diálise própria ou
conveniada, com cirurgia própria e receber assessoria da CCIH, conforme o disposto pela Lei
943, de 01/99; oferecer no mínimo cinco leitos; contar com Banco de Sangue próprio ou
conveniado.
Um exemplo de indicadores educacionais na Unidade de Terapia Intensiva é o número
de treinamentos existentes para a equipe multiprofissional, os critérios de contratação, se há
ou não residentes e alunos de nível médio e/ou superior.
Em relação aos indicadores técnicos, eles são vários e será neles que nos deteremos.
De modo geral, espera-se que a UTI esteja sob uma metodologia de controle de infecção, que
a equipe médica utilize índices como Average severity of ilness score (ASIS). No entanto,
esses indicadores não falam diretamente do trabalho da enfermagem na dimensão do cuidar e
isto é o que iremos apresentar agora (SILVA, 2003).
O emprego de indicadores de qualidade na UTI constitui-se num instrumento eficiente
para controle do nível de serviço oferecido e permite que a monitorizarão mantenha um
mesmo critério para comparabilidade ao longo do tempo (KNOBEL, 2006).
Sistema de Classificação de Severidade de Doença têm como objetivo básico a
descrição quantitativa do grau de disfunção orgânica de pacientes gravemente enfermos,
expresso mediante índices prognósticos. Os índices prognósticos são calculados a partir do
somatório de escores numéricos que correspondem às alterações clínicas/laboratoriais do
paciente ou do tipo e/ou quantidade de procedimentos a que ele foi submetido (ANVISA,
2003).
Conforme Knobel (2006), os índices de gravidade têm como objetivo básico a
descrição quantitativa do grau de disfunção orgânica de pacientes gravemente enfermos. A
severidade de uma doença em um paciente é traduzida em um valor numérico, com base em
alterações clinicas e laboratoriais existentes ou do tipo/ numero de procedimentos utilizados.
Conforme a Anvisa (2003) os existem diversos tipos de sistemas de classificação de
prognóstico, porém [...] os mais consagrados pelo uso, para pacientes adultos (APACHE II),
crianças (PRISM II) e pacientes neonatais (PSI modificado). A aplicação destes Sistemas
permite:
 Estabelecer pré-requisitos mínimos que indiquem necessidades de internação
na UTI;
105
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
 Estratificar pacientes de acordo com a severidade da doença e o prognóstico;
 Acompanhar a evolução e resposta do paciente à terapêutica instituída;
 Avaliar o desempenho da UTI;
 Avaliar e comparar o desempenho de UTI's diversas;
 Comparar mortalidade hospitalar (ou de 30 dias) observada e esperada,
permitindo assim o cálculo da chamado índice de mortalidade estandartizado;
 Avaliar indiretamente o custo/benefício de determinados procedimentos para
pacientes, em várias etapas da doença.
O APACHE II (Acute Physiologic and Chronic Health Evaluation) têm o objetivo de
quantificar a severidade de uma condição clínica em pacientes adultos e a partir de um índice
estimar o risco de óbito (SZOSTAK).
Foi desenvolvido por Willian A. Knaus et al. Em 1981. Em 1985, após revisão e
simplificação, o índice passou a denominar-se de APACHE II. São utilizadas 12 variáveis
clínicas, fisiológicas e laboratoriais padronizadas que recebem pontos de 0 a 4, conforme o
grau de desvio da normalidade apresentado ( quanto mais alterado é o valor, maior será a
pontuação). Também são atribuídos pontos à idade, à presença de doença crônica e às
variáveis fisiológicas; sua soma fornece o índice APACHE II. Esse índice é habitualmente
utilizado nas primeiras 24 horas de internação na UTI (KNOBEL, 2006). A Anvisa (2003)
ratifica as características gerais do sistema APACHE II:
 Execução fácil e rápida, com avaliação de 12 variáveis medidas rotineiramente;
 Todas as variáveis são sinais vitais ou exames laboratoriais de rotina;
 Variáveis laboratoriais não aferidos são consideradas normais;
 Não necessita de métodos invasivos para a obtenção dos dados;
 Considera a interferência de uma condição cirúrgica;
 Corrige para a influência do diagnóstico;
Pela utilização de uma equação logística com valor do APACHE II, uma constante (0,
603 para pós-operatório de cirurgia de urgência) e um valor ponderal para categoria
diagnostica, é calculado o risco de óbito para um paciente com determinada patologia.
Conforme Knobel (2006) a versão mais recente, APACHE III, Foi desenvolvida
utilizando-se de 17 variáveis (foram acrescentadas novas variáveis: debito urinário, valores
séricos de uréia, albumina, bilirrubinas e glicose); com modificação da pontuação e peso
106
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
(faixa de variação mais ampla) para variáveis fisiológicas, idade e doença crônica, e
utilizando maior número de categorias diagnósticas.
A SAPS (Simplified Acute Physiologic Score) foi desenvolvida por J. R. Le Gall et al,
do Hôpital Henri Mondor De Creteil, na França, sendo bastante semelhante ao APACHE II e
utiliza de 13 variáveis fisiológicas, além da idade. Na sua segunda versão, diminuiu sua
variável fisiológica para 12, idade, tipo de admissão (cirurgia programada, não programada ou
internação clinica) e presença de doença crônica (imunodeficiência adquirida, neoplasia com
metástases e neoplasia hematológica). Sendo um dos índices mais fáceis para obter a
probabilidade de óbito no ambiente hospitalar (obtida pela regressão logística utilizando a
somatória dos pontos obtidos). Recentemente, em 2002 e 2004, foi desenvolvido o SAPS III
que acumula toda a experiência desde o início dos anos 80, sendo totalmente
computadorizado e tendo uma abordagem multidimensional da qualidade na UTI, podendo
assim avaliar quatro módulos (avaliação básica, avaliação de resultados, avaliação de
infecções e avaliação de recursos) de modo integrado a dois fatores: características dos
pacientes e características da UTI.
De acordo com Knobel (2006) o sistema MPM (Mortality Prediction Model)
desenvolvido por S. Lemeshow et al. do Baystate Medical Center de Massachussets em 1985.
O peso atribuído as variáveis é determinado por técnicas estatísticas e o resultado é expresso
como probabilidade, e não como escore. As variáveis utilizadas são: nível de consciência, tipo
de admissão, ocorrência da parada cardiorrespiratória previamente à internação na UTI,
presença de neoplasia, insuficiência renal crônica, patologia cirúrgica, infecção, idade,
internação previa na UTI, frequência cardíaca e pressão arterial sistólica a admissão. A cada
variável é atribuído um coeficiente logístico estimado que é multiplicado por 0 ou 1,
dependendo de sua ausência ou presença. A soma desses valores e de uma constante é
utilizada em uma equação logarítmica e fornece a probabilidade de mortalidade hospitalar do
paciente ao ser admitido na UTI.
Sobre o sistema TISS (Therapeutic Intervention Scoring System) desenvolvido por
Cullen et al. do Massachussets General Hospital de Boston em 1974, sendo revisado e
atualizado em 1983. Baseia-se em quanto mais terapia o paciente recebe, maior será a sua
gravidade. Seu sistema trabalha com um escore que quantifica 76 intervenções terapêuticas e
de monitorizarão atribuindo pontos que variam de 1 a 4, conforme a complexidade, o grau de
invasividade e o tempo despendido pela enfermagem e pelo medico para realizar determinado
procedimento.
107
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
Ratificado por Padilha (2005) o Therapeutic Intervention Scoring System (TISS) é um
sistema de medida de gravidade e de carga de trabalho de enfermagem UTI, criado em 1974 e
atualizado em 1983, que tem como base a quantificação das intervenções terapêuticas,
segundo a complexidade, grau de invasividade e tempo dispensado pela enfermagem para a
realização de determinados procedimentos no doente crítico.
Em janeiro de 1996, Miranda et al. do University Hospital of Groningen (Holanda)
publicaram uma simplificação desse índice, TISS – 28, reduzindo para 28 o numero de
intervenções analisadas, por meio de seus agrupamento em itens afins e modificado a
pontuação atribuída (KNOBEL, 2006).
Nessa nova estrutura o índice, além de sofrer redução do número de itens, teve
mudanças expressivas na sua configuração, com o agrupamento de itens afins. O sistema
passou a ser composto, então, por sete categorias de intervenções terapêuticas, assim
denominadas: atividades básicas, suporte ventilatório, cardiovascular, renal, neurológico,
metabólico e intervenções específicas. Com essa reestruturação, o escore TISS-28 permite não
só estimar as intervenções e, portanto, a gravidade indireta dos pacientes, como também
dimensionar a carga de trabalho de enfermagem na UTI, uma vez que cada ponto TISS-28
consome 10,6 minutos do tempo de trabalho de um profissional da equipe de enfermagem na
assistência ao doente crítico (PADILHA, 2005).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Indicadores são importantes para estabelecer parâmetros consistentes para a
comparação e padronização de condutas de enfermagem. Os dados que indicam o
atendimento ao paciente e família descrito através do processo de enfermagem possibilitam a
definição dos indicadores de enfermagem.
A monitoração de indicadores na atualidade necessita de sistema informatizado, pois a
enfermagem possui um grande e complexo número de dados relativos à sua atividade, e só é
possível monitorá-los se houver sistema informatizado.
Medir indicadores permite aos enfermeiros o processo de tomada de decisão baseado
em seus resultados. Desta forma torna-se possível modificar e aprimorar sua prática, por meio
de comparação e troca de informações entre as unidades do hospital. A definição de dados
mínimos e o estabelecimento de indicadores são fundamentais para o reconhecimento da
enfermagem enquanto uma profissão de valor.
108
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
REFERÊNCIAS
ANVISA. Portaria nº 466/MS/SVS. 2003. Disponível em:
http://www.anvisa.gov.br/legis/portarias/466_98.htm .
BITTAR, Olímpio J. Nogueira V. Indicadores de qualidade e quantidade em saúde RAS _
Vol. 3, Nº 12 – Jul-Set, 2001.
GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 5 ed. São Paulo: Atlas, 2010.
FONSECA, A. S., YAMANAKA, N. M. A., Et al .Auditoria e o uso de indicadores
assistenciais: uma relação mais que necessária para a gestão assistencial na atividade
hospitalar. Mundo da Saúde 2005; 29(2):161-8. Disponível em: http://www.saocamilosp.br/pdf/mundo_saude/35/indicadores_qualidade.pdf.
KNOBEL, E. Condutas no paciente grave. 3 ed. São Paulo: Atheneu, 2006.
KURGANCT, P. Indicadores para avaliação de qualidade do gerenciamento de recursos
humanos em enfermagem. Vol. 61, n. 5. Set-out. Rio de Janeiro: REBEN, 2008.
LAKATOS, E. M. ET. AL. Fundamentos de Metodologia Científica. 6 ed. São Paulo:
Atlas, 2006. p.160.
LIMA, M. C. Monografia: a engenharia da produção acadêmica. São Paulo: Saraiva,
2004.
LIMA, A. F. C.. Indicadores de qualidade no gerenciamento de recursos humanos em
enfermagem. Mar-abril. Brasília: REBEN, 2009.
MEDICINA INTENSIVA. APACHE II. Disponível em:
http://www.medicinaintensiva.com.br/ApacheScore.htm.Acessado em 25/10/2010 às 14:00.
MOURA, E. C. As sete ferramentas gerenciais da qualidade: implementando a melhoria
contínua com maior eficácia. São Paulo: Makcron Books, 2000.
MOTA, N. V.; MELLEIRO, M. M. A construção de indicadores de qualidade de
enfermagem: relato da experiência do programa de qualidade hospitalar. RAS. Vol.9, n.34
Jan-Mar, 2007. Disponível em:
http://www.cqh.org.br/files/RAS34_a%20constru%C3%A7%C3%A3o.pdf .
SILVA, L. D. Indicadores de qualidade do cuidado de enfermagem na terapia intensiva.
Revista de Enfermagem. UERJ. 2003; 11:111-6. Disponível em:
http://www.facenf.uerj.br/v11n1/v11n1a18.pdf .
SZOSTAK, M., DIAS, J.S., ALVES, F. C. Solução informatizada para medição de índices
prognósticos. PUCPR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná). Disponível em:
http://www.sbis.org.br/cbis9/arquivos/456.pdf.
109
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
ADMINISTRAÇÃO DE CONFLITOS E A ENFERMAGEM
Carla Braz Evangelista (relator)1
Amanda Maritsa de Magalhães Oliveira2
Hemmily Nóbrega Ventura3
Maria Emília Limeira Lopes4
RESUMO
Em todos os lugares existem conflitos, nesse sentido, as organizações que não conseguem
administrar os conflitos entre seu pessoal estão sujeitas a alguns contratempos. Nas
organizações de saúde não acontece de forma diferente, inclusive entre os profissionais da
enfermagem. Este trabalho teve como objetivo identificar o conceito, tipos e as causas dos
conflitos; os pontos negativos e positivos do conflito; as formas de se administrar os conflitos;
e investigar como o enfermeiro gerencia os conflitos. Assim entendemos que o conflito pode
ser entendido como qualquer situação de discordância e divergência de interesses, e objetivos
opostos entre as partes integrantes. As principais causas de conflito estão relacionadas à
personalidade, atitude, motivação, liderança, mudança organizacional estrutura da tarefa,
ameaças externas, insatisfação com o papel organizacional, comunicação inadequada e entre
os tipos de conflito podemos citar o conflito latente, o conflito percebido, o conflito sentido e
o conflito manifesto. Conflitos demasiados podem trazer consequências negativas, por
requerem tempo e recursos para lidar com eles, além de gastar-se uma energia que poderia ser
aplicada de outra forma, já poucos conflitos também podem ser negativos, por levar a
indiferença, com pouco estímulo de mudança. Para que ocorra uma boa negociação dos
conflitos é necessário que as partes envolvidas tenham capacidades de saber se comunicar,
ouvir e perguntar. Em suma lidar com os conflitos não é fácil, porém devemos buscar
maneiras coerentes para solucioná-los.
INTRODUÇÃO
Todas as pessoas são seres únicos e individuais. Pensamos diferente, temos gostos
diferentes, no entanto precisamos conviver em sociedade, mesmo com as nossas diferenças e
individualidade. Conviver é um desafio, pode trazer novos conhecimentos, ideias, e uma nova
maneira de enxergar os acontecimentos, porém, em um grupo homogêneo os conhecimentos,
as ideias podem tornar-se restritas e invariáveis. Com o convívio surgem discordâncias entre
os interesses dos membros do grupo, dessa maneira as pessoas se colocam de lados opostos, o
que gera situações conflitantes (CAVALCANTE, 2006).
1
Enfermeira. Aluna especial do programa de pós-graduação em Enfermagem pela UFPB. Membro e
pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Bioética da UFPB. E-mail: [email protected]
2
Enfermeira. Mestranda do Programa de pós-graduação em Enfermagem pela UFPB. Membro e pesquisadora
do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Bioética da UFPB. E-mail: [email protected]
3
Enfermeira da Maternidade Frei Damião. Especialista em Enfermagem do Trabalho. Membro e pesquisadora
do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Bioética da UFPB. E-mail: [email protected].
4
Professora Doutora do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal da Paraíba e do
Departamento de Enfermagem Médico Cirúrgica da UFPB. E-mail: [email protected].
110
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
Em todos os lugares existem conflitos, dessa maneira é um tema de grande relevância
para os sistemas organizacionais, gerando variadas consequências. As organizações são
caracterizadas pela hierarquia e divisão do trabalho, assim os sujeitos são submetidos à força
do grupo e a natureza da gestão, esta ultima diretamente relacionada com a eficiência da
organização. O gerente deve ter a capacidade de coordenar o trabalhador, a natureza do
trabalho e fornecer recursos matérias. Diante dessa necessidade, o gestor acaba encontrando
conflitos na administração seja de sua empresa ou de outras áreas (CAVALCANTE, 2006).
Nesse sentido, as organizações que não conseguem administrar os conflitos entre seu
pessoal estão sujeitas a alguns contratempos como: ter redução de sua participação no
mercado, não desenvolver novos produtos, ter sua imagem prejudicada perante o públicoalvo, e ter prejudicado as relações entre os participantes (FERNANDES-NETO, 2005).
Nas organizações de saúde não acontece de forma diferente, o tema administrações de
conflitos vem sendo um assunto polêmico e de interesse dos gestores. Os conflitos dentro da
equipe de saúde podem ser observados pelo aumento de críticas, discussões entre os
membros, levando a insatisfação no trabalho e diminuição da qualidade e quantidade dos
serviços, prejudicando não só as relações de trabalho como também a clientela, sendo
necessário saber lidar com as diferenças de forma eficiente (SALES; LIMA; FARIAS, 2007).
No que concerne o campo da Enfermagem, Corradi, Zgoda e Paul (2008) afirmam que
existe nesse campo uma necessidade do desenvolvimento continuado de competências e
habilidade para a ocorrência do trabalho em equipe, de maneira que os profissionais possam
conviver com as diversidades e esta necessidade de mudança leva os enfermeiros líderes a
buscar novos modelos de gerenciamento. Diante disto, em qualquer organização que existam
pessoas interagindo existe situações conflituosas, que necessita dos conhecimentos de um
gestor para tentar resolve-las.
Diante dessas considerações, justificamos a nossa motivação em realizar a presente
revisão, por estarmos particularmente interessadas no tema em questão, e por entendermos a
necessidade adquirir conhecimentos acerca das maneiras de se administrar os problemas para
a resolução de conflitos, principalmente nas relações de trabalho de enfermagem. Deste modo,
decidimos por desenvolver esta pesquisa, na busca de alcançar os seguintes objetivos:
investigar a luz da literatura o conceito do conflito, tipos e as suas causas; averiguar a luz da
literatura os pontos negativos e positivos dos conflitos; identificar à luz da literatura as formas
de se administrar os conflitos; investigar como gerenciar os conflitos da enfermagem.
111
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
METODOLOGIA
Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, de cunho exploratório com abordagem
descritiva. De acordo com Gil (1999), a pesquisa bibliográfica é aquela que se desenvolve a
partir da tentativa de resolução do problema, através das referencias teóricas encontradas em
livros, revistas e literaturas afins. O seu objetivo é de conhecer e analisar as principais
contribuições teóricas já existentes na literatura sobre um determinado assunto.
A pesquisa exploratória tem como principal objetivo proporcionar maiores
informações a cerca do assunto que vai ser investigado, na pesquisa descritiva observam-se,
registram-se, analisam-se, classificam-se e interpretam-se os fatos, em que o pesquisador lhe
faça qualquer inferência (PRESTES, 2003).
Para realização do trabalho se fez necessário um levantamento prévio da literatura,
durante o mês de setembro de 2011 e utilizaram-se dados dos acervos da Literatura Latinoamericana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Scientific Eletronic Library Online
(SciELO) e no Google Acadêmicos e livros que contemplassem a temática, cabendo aos
resultados uma reflexão dos documentos pesquisados. Os dados foram analisados e
interpretados a partir do referencial teórico, levando em consideração a temática a ser
abordada (administração de conflitos) de forma crítica e objetiva dos pontos principais.
REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
Os conflitos existem desde o início da humanidade e fazem parte do processo de
evolução dos seres, sendo de grande valia para que o sistema familiar, político e
organizacional consiga crescer e desenvolver-se. Devemos lembrar que até pouco tempo a
ausência dos conflitos era visto como expressão de bom ambiente, boas relações, e sinal de
competência, ou seja, o conflito era visto de maneira negativa, resultado da ação e do jeito de
pessoas indesejáveis, unidos à agressividade, confronto físico, verbal e a sentimentos
negativos, prejudiciais ao bom relacionamento e consequentemente ao funcionamento das
organizações (NASCIMENTO, 2002).
O conceito de conflito é amplo e pode ser entendido como qualquer situação de
discordância e divergência de interesses, e objetivos opostos entre as partes integrantes,
podendo variar desde níveis de desacordo leves até atos de violência (CAVALCANTE,
2006). Estes podem ser ignorados ou abafados, ou resolvidos e transformados num elemento
auxiliar na evolução de uma organização (NASCIMENTO, 2002).
112
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
Segundo Estevez (2002) é uma situação que resulta das diferentes opiniões, interesses,
objetivos, percepções, atitudes, comportamento, valores e necessidades, estabelecidas entre
dois participantes que interagem entre si, quando há uma interferência deliberada de uma das
partes em atingirem os objetivos da outra, e refere-se a confrontos e controvérsias
estabelecidos entre as organizações.
A palavra conflito vem do latim (conflictu) e significa embate dos que lutam;
discussão acompanhada de ameaças afronta desavenças, guerras. E normalmente
relacionamos as situações que são desagradáveis onde os envolvidos não acreditam numa
solução boa, principalmente quando os envolvidos sentem-se frustrados e prejudicados pelo
interesse do outro (FERNANDES; RIBEIRO; FERNANDES, 2004).
O conflito pode levar a discussões abertas sobre alguns assuntos, revelando-se
positivo, por permitir a expressão e exploração de diferentes pontos de vista. Em alguns
momentos o conflito pode ser considerado necessário, sendo assim os conflitos não são
necessariamente negativos. A administração de conflitos consiste na escolha e na
implementação das estratégias adequadas para lidar-se com cada tipo de situação conflitante
(NASCIMENTO, 2002).
O ponto de vista moderno descreve o conflito dentro das organizações como algo que
não é bom nem ruim. Conflitos demasiados podem trazer consequências negativas, por
requerem tempo e recursos para lidar com eles, além de gastar-se uma energia que poderia ser
aplicada de outra forma, já poucos conflitos também podem ser negativos, por levar a
indiferença, com pouco estímulo de mudança. Dado que o conflito é necessário nas
organizações, a questão que cada gerente deve levar em consideração é como reagir e
administrar os conflitos entre grupos organizacionais, de modo que os efeitos positivos sejam
aumentados e os negativos sejam diminuídos (ESTEVEZ, 2002).
Um conflito resolvido de maneira adequada pode oferecer benefícios para as partes
envolvidas, podendo ser positivo quando proporciona um desafio para buscar soluções,
aumenta a motivação no trabalho, motiva os trabalhadores a resolver os problemas juntos,
leva à descoberta de fatos e informações que são benéficas a empresa, aperfeiçoa a
criatividade, contribui para realização de um objetivo. Um conflito pode ser negativo quando
causa tensão, cria um ambiente não produtivo, gasta tempo, gera perda de poder, tende a
distorcer o comportamento de integrantes, e desgasta a confiança, forma alianças com
posturas polarizadas e paralisa a tomada de decisão (FERNANDES; RIBEIRO;
FERNANDES, 2004).
113
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
Os efeitos negativos do conflito surgem quando existem sinais de desmotivação entre
os participantes, quando o conflito se torna mais importante do que a missão da empresa ou se
torna algo destrutivo, quando os grupos deixam de ser cooperativos e se predomina o
desprezo pela negociação, falta de confiança e quando visão de um só se sobrepõe a visão do
grupo. Embora, aparentemente, os efeitos negativos pareçam sobrepor os positivos, devem
considerar que um dos efeitos benéficos é a oportunidade de melhorar o entendimento nas
diferentes posições de se analisar os problemas e isso só ocorrerão se houver disposição para
trabalhar os conflitos, tendo em vista uma posição mais eclética. Dessa maneira ocorrerá
mobilização tanto dos recursos como das energias envolvidas e assim a busca de soluções
alternativas (SALES; LIMA; FARIAS, 2007).
Os conflitos resultam de fatores que se originam ou fora do relacionamento lateral ou
que antecedem o mesmo. Cavalcante (2006) descreve as principais causas dos conflitos e de
que forma elas afetam o relacionamento e pela sua observação, os conflitos estão ligados às
percepções de desvantagem de um indivíduo. Assim aspectos relacionados às suas tarefas,
recompensas, interdependências para conseguir objetivos, características pessoais à qualidade
da comunicação e a circunstância a qual o indivíduo se encontra, são as principais causas de
conflito nas empresas.
Nascimento (2002) afirma que para a correta administração do conflito é importante
que sejam conhecidas as possíveis causas que levaram ao seu surgimento. Dentre elas o autor
aponta: a experiência de frustração de uma ou ambas as partes integrantes, devido a
incapacidade de atingir uma ou mais metas e de realizar e satisfazer os seus desejos, por
algum tipo de interferência ou limitação; diferenças de personalidade que são invocadas como
explicação para as desavenças tanto no ambiente familiar como no ambiente de trabalho e
reveladas no relacionamento diário através de algumas características indesejáveis na outra
parte envolvida; metas diferentes que nos leva à geração de tensões em busca de seu alcance;
diferenças em termos de informações e percepções: costumeiramente tendemos a obter
informações e analisá-las de acordo com nossos conhecimentos e referenciais, sem levar em
conta que isto ocorre isto também ocorre com a com quem conversamos ou apresentamos
nossas ideias, podendo a outra pessoa entender as coisas de maneira diferente.
O conflito interfere na dinâmica pessoal e organizacional, de maneira que inúmeros
profissionais buscam fórmulas e estratégias para trabalhar com eles. O importante é conhecer
o conflito, saber qual a sua amplitude e como estamos preparados para lidar com eles. Entre
os tipos de conflitos Nascimento (2002) descreve: o conflito latente (não é declarado e não há
uma clara consciência de sua existência, necessitam ser trabalhados); conflito percebido (os
114
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
envolvidos percebem a existência do mesmo, embora não haja ainda manifestações abertas);
conflito sentido (é aquele que já atinge ambas as partes, e em que há emoção e forma
consciente); conflito manifesto (trata-se do conflito que já atingiu ambas as partes, já é
percebido por terceiros e pode interferir na dinâmica da organização).
Para uma resolução eficaz dos conflitos é necessário compatibilizar alguns passos a
serem seguidos, conhecer e aplicar saberes, como também, definir o estilo a ser adotado.
Nascimento (2002) relata alguns passos importantes a serem seguidos: criar uma atmosfera
afetiva; esclarecer as percepções; focalizar em necessidades individuais e compartilhadas;
construir um poder positivo e compartilhado; olhar para o futuro e, em seguida, aprender com
o passado; gerar opções de ganhos mútuos; desenvolver passos para a ação a ser efetivada;
estabelecer acordos de benefícios mútuos.
Para administrar um conflito, é de suma importância que antes sejam tomadas as
decisões, sejam investigados os fatos ocorridos e o histórico das pessoas envolvidas. É
importante sentir o que o outro sente situação vivenciada e as possíveis circunstâncias, assim
devemos considerar os valores da organização, as pressões não usuais de trabalho, o período
que antecedeu a referida discussão e os funcionários tiveram sua jornada aumentada. Tudo
isto para que injustiças não sejam cometidas e o conflito tenha um final satisfatório para todos
os envolvidos (FERNANDES-NETO, 2005).
É relevante também identificar se os envolvidos trabalham em grupo ou em equipe.
Uma equipe tem um objetivo em comum, além de possuir um número reduzido de
componentes. Os integrantes devem possuir disposição para compartilhar oportunidades e
reconhecimento, devem se comunicar de forma aberta e direta. Para que tais qualidades sejam
incitadas numa organização, é necessário o estabelecimento de objetivos claros e métodos de
trabalho eficazes (FERNANDES-NETO, 2005).
Muitos gestores esquecem-se de tirar proveito das habilidades heterogêneas à favor da
empresa. Assim, as empresas que trabalham com equipes, aproveitam-se dessas diferenças,
maximizando ou otimizando as mesmas e utilizando da ferramenta denominada holismo, e
assim aproveitando as desigualdades para que a totalidade da organização represente mais do
que a soma das partes. Uma equipe vencedora possui a união entre seus integrantes, adquirem
organização própria, e apoio mútuo (FERNANDES-NETO, 2005).
Para uma boa negociação dos conflitos é necessário que ambas as partes tenham
capacidades de saber se comunicar, pois sem o diálogo não há solução possível para os
problemas além de poder gerar erros, omissões, irritações, atrasos e conflitos; saber ouvir,
pois a compreensão sempre leva a uma resolução de sucesso, portanto devem-se evitar críticas
115
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
ou tentar dirigir a conversa e adotar uma posição afirmativa, mostrando respeito com as outras
pessoas; saber perguntar. Saber perguntar, pois quem pergunta conduz a conversa quanto ao
estilo a ser adotado, é recomendável adotar um estilo que leve à solução do conflito da forma
mais pacífica possível, e o definir o seu estilo de administrar os conflitos está diretamente
relacionado a duas importantes características de comportamento: assertividade e cooperação
(NASCIMENTO, 2002).
Segundo Chiavenato (1999), para administrar um conflito organizacional, pode-se
empregar diferentes estilos: evitação, acomodação, competição, compromisso e colaboração.
O estilo de evitação: busca a fuga do conflito. É utilizado quando o problema é corriqueiro,
quando não há perspectiva de ganhar o conflito, quando se necessita de tempo para obter uma
informação ou quando um conflito pode ser desvantajoso. O estilo de acomodação: visa a
resolver os pontos de menor divergência e deixar os problemas maiores para depois; O estilo
competitivo: consiste no comando autoritário, é empregado quando se faz necessário tomar
uma decisão rapidamente ou uma decisão impopular; estilo de compromisso: ocorre quando
todos os envolvidas aceitam perdas e ganhos; estilo de colaboração: é empregado numa
situação ganha/ganha, onde todos os interesses podem ser reunidos numa solução mais ampla.
Qualquer que seja o estilo adotado, o enfoque deve ser sempre o da solução, ainda que
temporária do conflito. O ideal é manter sempre uma postura afirmativa ao invés da fuga dos
problemas, e uma situação pode exigir a aplicação de mais de uma técnica o que vai depender
do momento e do público alvo em que a situação ocorre (FERNANDES; RIBEIRO;
FERNANDES, 2004).
Os mesmos autores afirmam que: deve ser levado em consideração o fato de que tanto
a conduta quanto o desempenho dos seres humanos podem ser alterados em função da
emoção a qual ele está submetido, como estresse, pressão, podendo ele ser positivos ou
negativos, modificando o comportamento.
Ganhar/Perder (Competição ou Força): uma das partes utiliza o seu poder para
influenciar, convencer e impor uma opinião, solução e etc. Alguns gerentes entendem que
dominar os subordinados é a única maneira de serem bem sucedidos, uma vez que o cargo
que ocupam já confere um tipo de poder, e isto nem sempre é verdadeiro. Geralmente o
objetivo é vencer o conflito rapidamente fazendo com que todos tenham a mesma opinião,
uma vez que a técnica só terá efeito se o direito e poder esta na mão de quem a emprega. Esta
raramente é uma solução mais apropriada para resolução de um conflito, podendo o mesmo
voltar posteriormente. Esta técnica é utilizada em situações de emergência; quando existe
certeza de que se tem razão e a situação é de alto risco; quando os princípios importantes
116
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
estão em jogo; quando é preciso implementar ações impopulares; quando outros métodos já
foram utilizados e não surtiram efeito e etc.
Perder/ Ganhar (acomodação ou panos quente): uma das partes abre mão de sua
opinião, não resolvendo necessariamente o conflito, mas fazendo com que as partes se sejam
convencidas de que existem pontos a serem negociados e de possível solução, permitindo que
as diferenças entre as partes sejam eliminadas ou reduzidas para que se alcance um consenso.
Esta técnica pode ser usada quando não se está seguro em tomar uma decisão; quando o outro
lado ganharia de qualquer forma; para ganhar tempo para uma melhor analise; para incentivar
a outra parte a expressar seu ponto de vista criando uma atmosfera de boa vontade e
harmonia.
Perder/Perder (afastamento ou retirada estratégica): é utilizado quando nenhuma das
partes envolvidas consegue lidar bem com a situação, sendo empregada como solução
temporária para o conflito. Nesse contexto podem existir as seguintes situações: Quando é
necessário ganhar tempo para se encontrar uma solução mais eficaz; quando o tempo por si só
consegue resolver o problema; quando ambas as partes percebem que o assunto não é tão
importante; quando os impactos negativos podem ser muito grandes e quando se ganha tempo
com o atraso.
Ganha Perde/Ganha Perde (acordo ou negociação): é quando os envolvidos abrem
mão do interesse para que se possa chegar ao acordo quanto ao item de maior importância,
ambas as partes fazem concessões e ao mesmo tempo ganham algo em troca. É utilizada
quando os métodos falham e ao mesmo tempo ganham algo em troca. Pode-se obter êxito
quando: preservar o relacionamento é mais importante; não se tem certeza de que você está
com a razão; é necessário chegar a um consenso para atingir metas importantes e para evitar a
impressão de briga.
Ganhar/ Ganhar (colaboração ou confronto objetivo): é considerada a melhor técnica,
porém, não pode ser utilizada em todos os casos, uma vez que exige auto nível de confiança e
boa vontade entre as partes envolvidas, para que a solução do conflito seja alcançada. Quando
adotada os indivíduos buscam a troca de informações sobre o tema e posteriormente, realizam
um exame mais detalhado da causa inicial do conflito para finalmente encontrar a solução
mais aceitável para as partes. Os envolvidos são colocados frente a frente para que se obtenha
um consenso e comprometimento, partindo do princípio de avaliar as causas do problema,
analisar os interesses dos envolvidos e escolher as alternativas de soluções que parecem mais
objetivas. Essa técnica leva a descoberta de soluções para problemas bem mais complexos e
sua aplicação tem êxito quando os indivíduos fazem uma diferença entre as pessoas, no
117
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
entanto devem conviver de maneira saudável e com qualidade, respeitando assim, as
individualidades.
Desse modo, para administrar os conflitos, o enfermeiro deve elaborar soluções para
resolução dos conflitos, diminuir as diferenças de percepção entre os envolvidos, gerenciar as
diversidades, saber escutar e se expressar para tratar a todos com respeito e compreendendo
que as diferenças encontradas podem levar ao crescimento pessoal e profissional (MARQUIS;
HUSTON, 2010). O enfermeiro deve manter boas práticas de gerencia, sendo responsável,
respeitando seus colegas de trabalho, usando de honestidade e ajudando a sua equipe.
Também deve tentar ser flexível, mostrar-se a vontade de aprender e pedir ajuda se
necessário, como uma tentativa de desenvolver estratégias para identificar e solucionar os
conflitos que possam a vir da forma mais adequada e o mais rápido possível, para que exista
um crescimento da produtividade e uma convivência saudável e com harmonia, melhorando o
convívio entre a equipe e a qualidade da assistência prestada ao paciente (SEIXAS; SILVA;
SAUTHIER, 2006).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este estudo é suma importância para o enriquecimento do nosso aprendizado como
profissionais de saúde, enfermeiros, por termos a necessidade de conhecer a temática para
assim ter fundamentação teórica para poder resolver possíveis conflitos que possam ocorrer
entre os membros da equipe de saúde, que por ser bem diversificada pode levar a diversos
conflitos. Lidar com os conflitos não é fácil, porém devemos buscar maneiras coerentes para
solucioná-los, para isso, devemos assumir uma postura aberta ao entendimento, e as sugestões
dos outros envolvidos. Só assim conseguiremos juntos resolve-lo da melhor forma e trazer
benefícios para toda a equipe como um ambiente harmonizado, satisfatório e agradável, para
que cada um desenvolva da melhor forma as suas funções e melhore a qualidades do serviço.
Desse modo, entendemos que este estudo poderá contribuir para fortalecer as leituras
críticas a respeito da temática, uma vez que traz um conteúdo literário de grande importância
para resolução de conflitos entre profissionais de diversas áreas, inclusive da Saúde e que nos
leva a refletir sobre as maneiras de resolver os conflitos que surgirem ao longo do nosso diaa-dia, como por exemplo, no hospital. Assim, antes de tomarmos atitudes para resolver
conflitos, pensaremos antes nos métodos de resolução de conflitos.
118
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
REFERÊNCIAS
CAVALCANTE, A. C. R. O gestor e o seu papel na gestão de conflitos: um estudo de caso em
empresa de varejo de vestuário feminino. Dissertação (Mestrado em Administração) – Centro de
Pós-graduação e pesquisas em Administração, Faculdade de Ciências Econômicas, Belo
Horizonte, 2006.
CHIAVENATO, I. Gestão de pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organizações. Rio
de Janeiro: Campus, 1999.
EZIA MARIA CORRADI, EM; ZGODA, L.T.R.W; PAUL, M.F.B. O gerenciamento de conflitos
entre a equipe de enfermagem. Cogitare Enfermagem, v, 13, n.2, p. 184-193, 2008.
ESTEVEZ, A. E. F. Mediação e Arbitragem: Perspectivas na Administração dos
conflitos, em relacionamentos estratégicos interorganizacionais. 2002. 171f. Dissertação
(Mestrado Executivo) – Centro de Formação Acadêmica e pesquisa, Escola Brasileira de
Administração Pública, 2002.
FERNANDES-NETO, A. F. Gestão de conflitos. THESIS, v.4, p. 1-16, 2005.
FERNANDES, F. Q; RIBEIRO, F. S; FERNANDES, P. C. Técnicas da administação de
conflitos na gerência de projetos. 2004. 81f. Monografia (Pós- graduação de MBA em Gerência
de Projetos) – Programa FGV Management, Escola de Pós-graduação em Econômia, Rio de
Janeiro, 2004.
GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 5. ed.São Paulo:Atlas,1999.
MARQUIS, B. L.; HUSTON, C. J. Administração e Liderança em Enfermagem – teoria e
prática. Porto Alegre: Artmed, 2010.
NASCIMENTO, E. M. Administração de Conflitos. In:_____ Volume V - Gestão do Capital
Humano, Coleção Gestão Empresarial - FAE Business School, Curitiba, Editora Gazeta do Povo,
2002, Cap. 4, p.47-56.
PRESTES, M. L. de M. A pesquisa e a construção do conhecimento científico: do
planejamento aos textos, da escola à academia. 2. ed. Revista Atual e Ampliada. São Paulo:
Rêspel, 2003.
SALES, A. A. R. S.; LIMA, F. R. F.; FARIAS, F. S. A. B. Refletindo sobre a administração e
negociação de conflitos nas equipes de saúde. Revista Brasileira em promoção da saúde, v. 20,
n. 02, p-111-115, 2007.
SEIXAS, A.P.R; SILVA, E; SAUTHIER, M. A Importância do Enfermeiro no gerenciamento de
Conflitos entre a Equipe de Enfermagem no Centro de Terapia Intensiva. In: 9°. Congresso
Brasileiro dos Conselhos de Enfermagem, 2006, Porto Seguro. 9o. Congresso Brasileiro dos
Conselhos de Enfermagem, 2006.
119
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO TRAUMATISMO
CRANIOENCEFÁLICO: ESTUDO EXPLORATÓRIO
Amanda Maritsa de Magalhães Oliveira
Hemmily Nóbrega Ventura
Maria Emília Limeira Lopes
RESUMO
O traumatismo cranioencefálico (TCE) é uma agressão ao cérebro, não de natureza
degenerativa ou congênita, mas causada por uma força física externa, que pode produzir um
estado diminuído ou alterado de consciência, que resulta em diminuição das habilidades
cognitivas ou do funcionamento físico. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, de cunho
exploratório com abordagem descritiva. Trauma é uma das principais causas de morte na
infância e adolescência. No Brasil é a maior causa entre 10 e 29 anos e representa,
aproximadamente, 40% das mortes entre 5 e 9 anos e 18% entre 1 e 4 anos. Os mecanismos
do TCE provocam rupturas na barreira hemato-encefálica permitindo que os componentes
plasmáticos atravessem facilmente essa barreira para dentro do tecido neural (edema
vasogênico). Nas primeiras 48 horas a equipe de enfermagem deve estar atenta ao escore de
Glasgow, ao padrão respiratório e aos níveis da PIC (normal menor 10 mmHg) já que uma
―elevação da PIC a maior de 20 mmHg em um paciente em repouso, por mais do que alguns
minutos, está associada a um aumento significativo da mortalidade. Os profissionais de
enfermagem, principalmente aqueles que trabalham no ambiente de UTI devem utilizar técnicas
assépticas na higienização traqueal especialmente de pacientes com TCE; realizar mudanças de
decúbito, estar atentos aos monitores, estabilidade hidroeletrolitica e assepsias de modo geral.
Devem ainda, criar um ambiente acolhedor para a família que certamente se encontra angustiada e
apreensiva por ter um ente querido gravemente enfermo e ocupando um leito na UTI.
Palavras chaves: TCE. Assistência de Enfermagem. Unidades de Terapia Intensiva.
INTRODUÇÃO
Os acidentes constituem um problema de graves proporções para a sociedade
moderna, pois são responsáveis por índices alarmantes de morbidade, mortalidade e
incapacidades. No Brasil, os acidentes e a violência configuram um problema de saúde
pública de grande magnitude e transcendência, com forte impacto na morbidade e na
mortalidade da população. No conjunto das lesões decorrentes das causas externas, o Trauma
Cranioencefálico (TCE) destaca-se em termos de magnitude tanto entre mortos quanto
feridos, sendo uma das lesões mais frequentes (HORA, 2005).
Segundo Macedo (2006), traumatismo Cranioencefálico é qualquer agressão
traumática que tenha como consequência lesão anatômica, como fratura de crânio ou lesão do
couro cabeludo, ou ainda o comprometimento funcional das meninges, encéfalo ou seus
vasos, podendo ser classificado como leve, moderado e grave de acordo o escore da escala do
coma de Glasgow.
120
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
Para Peclat (2004) a mortalidade dos pacientes vítimas de TCE está em torno de 40%
e não se limita apenas aos países desenvolvidos, sendo bastante presente em todo o mundo.
Infelizmente, mais da metade das mortes por TCE ocorrem no local do trauma, sem tempo
hábil para reanimação. O TCE pode ser provocado por acidente de trânsito (60 a 70%),
quedas (20%) e outras causas mais raras como agressões e projétil de arma de fogo.
O presente trabalho teve por objetivo investigar na literatura existente a assistência de
enfermagem prestada a paciente acometidos por traumatismo crânio encefálicos. Para isso,
serão abordados os seguintes tópicos: conceito, incidência, fisiopatologia, classificação,
quadro clínico, complicações, diagnóstico, tratamentos, assistência de enfermagem.
METODOLOGIA
Tipo de estudo
Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, de cunho exploratório com abordagem
descritiva. De acordo com Gil (1999), a pesquisa bibliográfica é aquela que se desenvolve a
partir da tentativa de resolução do problema, através das referencias teóricas encontradas em
livros, revistas e literaturas afins. O seu objetivo é de conhecer e analisar as principais
contribuições teóricas já existentes na literatura sobre um determinado assunto.
Coleta de dados
Para realização do trabalho se fez necessário um levantamento prévio da literatura e
utilizaram-se dados dos acervos da Lilacs, Bireme, Medline, Scielo entre outros periódicos
online, e também foram utilizados livros sobre a temática, cabendo aos resultados uma
reflexão dos documentos pesquisados.
Análise de dados
Os dados foram analisados e interpretados a partir do referencial teórico levando em
consideração a temática a ser abordada (Traumatismo Cranioencefálico) de forma crítica e
objetiva dos pontos principais.
121
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Conceito
O traumatismo cranioencefálico constitui qualquer agressão que acarrete lesão
anatômica ou comprometimento funcional do couro cabeludo, crânio, meninges ou encéfalo.
É a causa de morte mais frequente entre os 2 e 42 anos de idade (NITRINI,1993).
O TCE é uma agressão ao cérebro, não de natureza degenerativa ou congênita, mas
causada por uma força física externa, que pode produzir um estado diminuído ou alterado de
consciência, que resulta em comprometimento das habilidades cognitivas ou do
funcionamento físico. Pode também resultar no distúrbio do funcionamento comportamental
ou emocional. Este pode ser temporário ou permanente e provocar comprometimento
funcional parcial ou total, ou mau ajustamento psicológico (SMITH,1994).
Incidência
Trauma é uma das principais causas de morte na infância e adolescência. No Brasil é a
maior causa entre 10 e 29 anos e representa, aproximadamente, 40% das mortes entre 5 e 9
anos e 18% entre 1 e 4 anos. Em todo o país são mais de 100.000 vítimas fatais por ano. O
TCE responde por 75 a 97% das mortes por trauma em crianças. Para cada paciente morto,
pelo menos 3 ficam gravemente sequelados (GUERRA,1999).
A incidência de TCE é maior para homens que para mulheres em mais de 2:1. Mais de
50% dos pacientes com TCE está entre as idades de 15 e 24 anos (SMITH, 1994). A
mortalidade relacionada à TCE pode ser reduzida não só com avanços no atendimento inicial
e com cuidados intensivos, mas, principalmente, com medidas preventivas.(GUERRA,1999)
O traumatismo cranioencefálico tem como principal causa os acidentes de trânsito,
principalmente acidentes de moto, mas pode ser causado por quedas, e outras causas menos
freqüentes como agressões e projétil de arma de fogo. As lesões causadas por TCE podem ser
classificadas quanto ao tempo em primárias e secundárias, e quanto à topografia em focais e
difusas.
Fisiopatologia
A fisiopatologia do TCE depende da relação entre a capacidade de complacência
cerebral e as alterações no fluxo sanguíneo cerebral. O tratamento clínico do TCE consiste na
otimização da oferta e diminuição do consumo cerebral de oxigênio (PECLAT, 2004).
122
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
O sistema nervoso (SN) consiste em agregação altamente complexa de células que
permitem ao organismo, interação com o seu meio ambiente, e esse meio inclui tanto o
ambiente externo como o ambiente interno. Os neurônios formam a rede de comunicações, e
as células da neuroglia desempenham funções de apoio, e juntas tem o papel de controlar as
várias atividades corporais. O SN é dividido em sistema nervoso central (SNC), e sistema
nervoso periférico (SNP), sendo que ambos possuem outras subdivisões. O SNP é constituído
pelos nervos cranianos e pelos nervos periféricos, representando a interface entre o SNC e o
ambiente ou as células excitatórias. O SNC é formado pelo encéfalo e medula espinhal, e
desempenha muitas funções, como o planejamento e execução das ações voluntárias e o
controle das ações involuntárias (BERNE, 2000).
Segundo Guyton e Hall (2002), o SNC pode ser dividido em três níveis principais com
atributos funcionais específicos: o nível da medula espinhal, o nível encefálico inferior ou
nível subcortical e o nível encefálico superior ou cortical. A medula espinhal além de ser o elo
de ligação entre os sinais da periferia do corpo para o encéfalo e do encéfalo para a periferia,
ela desempenha outras funções importantes como os movimentos da marcha, reflexos que
retiram porções do corpo dos objetos dolorosos, reflexos que estendem as pernas para
sustentar o corpo contra a gravidade e reflexos que controlam vasos sanguíneos locais,
movimentos gastrointestinais e reflexos que controlam a excreção urinária. O nível
subcortical é composto pelo bulbo, ponte, mesencéfalo, hipotálamo, tálamo, cerebelo e os
gânglios da base, e controla as atividades subconscientes do corpo como a respiração, pressão
arterial. O nível cortical, que corresponde ao córtex cerebral, é responsável pela memória,
recebimento e processamento das informações.
O traumatismo cranioencefálico pode ser definido como uma agressão ao cérebro, em
consequência de um trauma externo, resultando em alterações cerebrais momentâneas ou
permanentes, de natureza cognitiva ou de funcionamento físico. As lesões podem ser
primárias ou secundárias. As lesões primárias ocorrem segundo a biomecânica que determina
o trauma. As lesões secundárias ocorrem segundo alterações estruturais encefálicas
decorrentes da lesão primária bem como de alterações sistêmicas decorrentes do traumatismo.
O objetivo principal do tratamento é evitar ou minimizar as lesões cerebrais secundárias
(PECLAT, 2004).
Nos TCE dois tipos de fenômenos biomecânicos podem ocorrer: Impacto: certa
quantidade de energia é aplicada sobre uma área relativamente pequena, sendo dependente da
intensidade e do local do impacto; Inerciais: o cérebro sofre em condições de mudança
123
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
abrupta de movimento: aceleração ou desaceleração por absorver esta energia cinética
(OLIVEIRA; WIBERLINGER; LUCA, 2005).
Lesão cerebral primária
A lesão encefálica primária ocorre no momento do trauma e correspondem
principalmente as contusões cerebrais, as fraturas, lacerações da substância cinzenta e à lesão
axonal difusa (LAD). A lesão secundária é determinada por processos iniciados no momento
do trauma, mas evidenciada clinicamente algum tempo depois, que ocorrem devido a devido à
hipotensão, hipoxemia, hipoventilação, edema cerebral e formação de hematomas. São lesões
secundárias: os hematomas intracranianos, o edema cerebral, a lesão cerebral secundária à
hipertensão intracraniana e a lesão cerebral isquêmica (CAMBIER; MASSON; DEHEN,
2005; DANTAS FILHO ET AL, 2001).
As lesões axonais difusa são secundárias ao cisalhamento (forças aplicadas em
sentidos opostos) das fibras mielínicas com degeneração walleriana da bainha de mielina das
fibras seccionadas. Pequenas lesões petequiais são frequentes no corpo caloso e nos
pedúnculos cerebelares superiores e, mais tarde, surge dilatação ventricular por retração da
substância branca, em virtude do processo de degeneração o que é característico de lesão de
parênquima cerebral podendo ocorrer perda da consciência por alguns segundos ou existe o
surgimento de outros distúrbios como confusão, amnésia e vômitos (OLIVEIRA;
WIBERLINGER; LUCA, 2005).
Lesão cerebral secundária
As causas destas lesões podem surgir no momento do traumatismo ou após certo período
de tempo. Do ponto de vista clínico manifestam-se tardiamente. Do ponto de vista terapêutico,
sobre as lesões primárias não podemos agir, todavia nas secundárias, em muitos casos pode-se
atuar interrompendo o processo fisiopatológico de seu desenvolvimento, evitando o agravamento
da lesão (PECLAT, 2004).
Principais
lesões
secundárias
são
os
hematomas
intracranianos,
hipertensão
Intracraniana(HIC) e Lesão cerebral isquêmica. Os hematomas intracranianos classificam-se em:
meningeas.

Epidurais: (localizado entre a calota craniana e a membrana mais externa de revestimento
do cérebro) ocorre em quase todos os casos de fratura do crânio, não ocasionando
consequências graves em sua maioria.
124
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba

Subdurais: ocorre devido a sangramento entre a dura-máter e a aracnóide e podem de
acordo com a apresentação clinica serem classificados em: agudos; subagudos e os
crônicos.

Intraparenquimatosos: coleção compacta de sangue alojada dentro do parênquima
cerebral.
Mecanismos do TCE
Os mecanismos do TCE provocam rupturas na barreira hemato-encefálica permitindo
que os componentes plasmáticos atravessem facilmente essa barreira para dentro do tecido
neural (edema vasogênico). A hipóxia (injúria secundária) afeta a ATPase sódio/potássio da
membrana celular, promovendo acúmulo intracelular de sódio, e o subseqüente fluxo de água
para dentro da célula por gradiente osmótico. Logo, o edema citotóxico também ocorre,
porém em fase subaguda e/ou crônica. Portanto, o edema vasogênico, acrescido de possíveis
áreas localizadas de hemorragias com efeito de massa, são os principais responsáveis pelo
surgimento da hipertensão intracraniana. Tais mecanismos atingem o pico em torno de três a
cinco dias (TAVARES, 2006).
Mudanças no fluxo cerebral, inflamação e edema são componentes da patogênese das
alterações nos tecidos cerebrais. O cérebro fica contido por uma estrutura rígida, não
complacente, onde um grau relativamente pequeno de tecido edemaciado pode aumentar a
pressão intracraniana (PIC). Este também possui um sistema especial de auto regulação do
fluxo sanguíneo cerebral (FSC), que é mantido, em condições normais, mesmo com pressão
arterial média (PAM) variando entre 50 e 140 mmHg. A auto regulação do FSC é conseguida
pela rápida constricção e relaxamento das arteríolas cerebrais e vênulas, em resposta aos
fatores químicos e endoteliais e a liberação de neurotransmissores de neurônios adjacentes
(ZINK, 2001).
O fluxo sanguíneo cerebral depende da diferença da pressão arterial e a pressão venosa
cerebral, sendo inversamente proporcional a resistência vascular cerebral. A pressão parcial
cerebral (PPC) é calculada pela diferença entre a PAM e a PIC. A PPC de 60 mmHg é
comumente aceita como o valor mínimo necessário para uma adequada perfusão cerebral
(ZINK,2001).
Os problemas mais comuns subsequentes ao TCE são:
 Concussão: É um distúrbio fisiológico reversível das funções de um sistema nervoso,
com perda ou diminuição da consciência, ocorrendo amnésia provocada por um
movimento rotacional e súbito da cabeça.
125
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
 Confusão: pode ser resultado de traumatismo direto do cérebro no local do impacto,
deslocamentos violentos contra irregularidades ósseas, difragmentos ósseos sob
traumas ou lesões de contragolpe.
 Edema cerebral: ocorre devido ao aumento de líquido dentro do tecido cerebral, sendo
causa de deterioração neurológica progressiva, tendo o aumento da PIC, esse edema
trona-se praticamente incontrolável, e qualquer manuseio pode gerar o aumento dessa
pressão.
Quadro Clínico
Segundo Bennet; Goldman (2001), o paciente com traumatismo cranioencefálico pode
apresentar: alterações da consciência, choque cirúrgico, transtorno da função neuromuscular,
transtorno sensorial, transtorno de linguagem, alterações da personalidade, transtornos visuais
(diplopia, nistagmo, perda parcial ou total da visão), epilepsia, incontinência, complicações
por imobilização prolongada como exemplo de úlceras de decúbito, deformidades das
articulações, miosite ossificante, atrofias por desuso, paralisia de nervos cranianos, alterações
na função autonômica como a pressão arterial, e a temperatura, além de possuir posturas
anormais.
Para Rowland (1997) dentre as alterações de consciência, o coma pode ser mais
prolongado quando existirem tumefação, hemorragia, contusão ou laceração do córtex.
Segundo Peclat, 2004 Quando os pacientes saem do coma podem apresentar cefaleia
por mais de 12 horas, assim como confusão mental. Ainda podem apresentar esturpor,
sonolência (paciente dorme muito e quando acorda tem diminuição de respostas quando
submetido a testes), delírio, pode ocorrer falhas de memória e agitação. Em relação ao
transtorno da função neuromuscular podem ocorrer o aumento de tônus dos centros superiores
do encéfalo, tremor dos gânglios da base ou o cerebelo, hipotonia devido a transecção da
medula cervical, ataxia, perturbações das reações de endireitamento e equilíbrio devido a
lesão do tálamo.
No que diz respeito a alterações da função autonômica o pulso e frequência
respiratória encontram-se na maioria das vezes diminuídos e a temperatura elevada, há o
aumento da sudorese, a PA pode estar descontrolada e dentre as posturas anormais pode
ocorrer decorticação com o paciente apresentando respostas flexoras em membros superiores
e inferiores, desaceleração quando ocorrer respostas extensoras em membros superiores e
inferiores e flacidez devido à ocorrência de respostas extensoras nos membros superiores,
porém com fracas respostas em membros inferiores. (PECLAT, 2004). Quanto ao nível de
126
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
consciência o TCE esta dividido em baixo, moderado e grave de acordo com os sinais e
sintomas.
Assistência de enfermagem
A assistência de enfermagem ao paciente de Unidade de Terapia Intensiva (UTI),
dirige seus esforços no sentido de promover, manter e recuperar a saúde, de prevenir a
doença, de aliviar o sofrimento, procurando assegurar uma morte tranquila quando a vida não
pode mais ser mantida.
Nas primeiras 48 horas a equipe de enfermagem deve estar atenta ao escore de
Glasgow, ao padrão respiratório e aos níveis da PIC (normal menor 10 mmHg) já que uma
―elevação da PIC a maior de 20 mmHg em um paciente em repouso, por mais do que alguns
minutos, está associada a um aumento significativo da mortalidade; essa atenção da
enfermagem permite intervir rapidamente, evitando complicações. Quando o paciente estiver
adequadamente sedado e a PIC se manter estável, a mudança de decúbito deverá ser realizada
de duas em 2 horas, se a PIC apresentar oscilações, este procedimento deverá ser realizado
com cautela. O balanço hídrico deverá ser monitorizado atentando-se para o volume urinário e
as medidas da pressão venosa central (PVC).
Segundo Garciatr (2000) a nutrição enteral deve ser iniciada após 48 horas de
admissão na UTI, deve-se estar atento à presença de ruído hidroaéreos (RHA) e distensão
abdominal. Nos pacientes que apresentarem fraturas de base de crânio, a sondagem
nasogástrica ou enteral deve ser feita por via oral e não via nasal, pois podem provocar
infecções do tipo meningite e para as aspirações deve ser usado o mesmo critério, não realizar
aspirações nasal nestes pacientes. Deve-se estar atento à prescrição de soluções, visto que, a
127
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
infusão de soluções contendo dextrose, especialmente dextrose a 5% e água, é contraindicada
no tratamento agudo do paciente com TCE, pois favorece o aparecimento de edema cerebral.
Protocolo de avaliação neurológica nos cuidados de enfermagem:
1. Manter vias aéreas pérvias: quando necessário, aspiração orotraqueal para manter boa
oxigenação.
2. Manter acesso venoso calibroso ou cateter venoso central, para quantificação da volemia.
Realizar balanço hídrico de 1 em 1 hora.
3. Imobilização da coluna até descartar trauma raquimedular (colar cervical, prancha rígida e
mobilização em bloco).
4. Manutenção de pressão arterial média de 90mmHg.
5. Passagem de sonda nasogástrica para descompressão gástrica. Em caso de lesão facial ou
trauma de base de crânio (confirmado ou suspeita), é contraindicada a passagem nasogástrica,
devendo ser feita orogástrica.
6. Sonda vesical de demora para controle do balanço hídrico.
7. Controle de glicemia capilar na admissão e de 3/3 horas. Se necessidade de bomba de insulina,
glicemia capilar de 1/1 hora.
8. Manter cabeça alinhada e decúbito elevado a 30 º.
9. Controle da temperatura (manter normotérmico). Se necessário: utilizar antitérmicos ou
hipotermia.
11. Atentar para crise convulsiva e utilizar protetores nas laterais da cama.
13. Proteger os olhos entreabertos aplicando creme protetor ocular (Epitezan®) na pálpebra
inferior a cada oito horas.
14. Cuidados com a pele:
15. Profilaxia de trombose venosa profunda
O diagnóstico de enfermagem é de suma importância para a aplicabilidade da assistência
de forma eficaz e resolutiva, conforme elencado abaixo citamos os principais diagnósticos ao
paciente com TCE.
128
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
129
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os profissionais de enfermagem, principalmente aqueles que trabalham no ambiente de
UTI devem utilizar técnicas assépticas na higienização traqueal especialmente de pacientes com
TCE; realizar mudanças de decúbito, estar atentos aos monitores, estabilidade hidroeletrolitica e
assepsias de modo geral. Devem ainda, criar
um ambiente acolhedor para a família que
certamente se encontra angustiada e apreensiva por ter um ente querido gravemente enfermo e
ocupando um leito na UTI.
REFERÊNCIAS
BERNE; R.M; LEVY; M. N. Fisiologia. 4. ed, Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000. 77p.
CANETTI, M. D. et al. Manual básico de Socorro de emergência para técnicos em
emergências médicas e socorristas. São Paulo: Atheneu, 2° Ed., 2007.
DEEM, S. Management of acute brain injury and associated respiratory issues. Respir Care.
v.51, n.4, p.357-367, 2006.
GIUGNO, K.M; MAIA, T,R; KUNRATH, C.L; BIZZI, J.J. Tratamento da hipertensão
intracraniana. J Pediatr (Rio J). v.79, n.4, p 287-296. 2003.
Guanabara Koogan, Rio de Janeiro, RJ, 2001.
GUYTON, C. M.; HALL, John E.. Tratado de Fisiologia Médica. 10ª ed. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 2002. 478p.
MELO, J. R. T; SILVA, R. A.; MOREIRA JR, E. D. Características dos pacientes com trauma
cranioencefálico na cidade do Salvador, Bahia, Brasil. Arq. Neuro-Psiquiatr. v.62, n, 3 2004.
NASI, L. A. (Org). Rotinas em pronto-socorro. 2° Ed. Porto Alegre: Artmed, 2005.
PAROLIM, M. K. F.; TEIXEIRA JR, E. V.; OIIVEIRA, B. F. M. Trauma: atendimento préhospitalar. São Paulo: Ateneu, 2001.
130
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
PECLAT, Karine C. Traumatismo Cranioencefálico. Disponível em:
http://www.wgate.com.br/conteudo/medicinaesaude/fisioterapia/variedades/ trauma_cranio.htm
ROWLAND, Lewis P. Merritt: Tratado de Neurologia. 9. ed. Guanabara Koogan. Rio de Janeiro:
1997.
TAVARES MP. Tratamento clínico do traumatismo crânioencefálico [ Internet]. Disponível em:
<http://www.medstudents.com.br/neuroc/neuroc1.htm > Acesso em: 27 jul. 2006
ZINK, B.J. Traumatic brain injury outcome: concepts for emergency care. Ann Emerg Med.v.37,
n.3, p:318-322, 2001.
131
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
IV SEMANA DE ENFERMAGEM DA FACULDADE DE
CIÊNCIAS MÉDICAS DA PARAÍBA
RESUMOS EXPANDIDOS
132
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
LEISHMANIOSE TEGUMENTAR: MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS E
FORMAS DE PREVENÇÃO
Fernanda Carla Guedes Cunha (relator)1
Edson Gomes da Silva2
Esteffaní Silva Onofre3
Cristiani Garrido de Andrade4
Mônica Ferreira de Vasconcelos5
INTRODUÇÃO: A Leishmaniose Tegumentar Americana (LTA), também conhecida como
leishmaniose mucocutânea, úlcera de Bauru e ferida brava, é uma doença infecto-parasitária,
endêmica, não contagiosa, originada por protozoários do gênero Leishmania, que se manifesta
exclusivamente por lesões cutâneas e mucosas; é primariamente uma infecção zoonótica,
afetando outros animais que não o homem, o qual pode ser envolvido secundariamente. A
Leishmania é um protozoário que pertence à família Trypanosomatídae, com duas formas
principais: uma flagelada ou promastigota, localizada no tubo digestivo do inseto vetor e em
alguns meios de cultura artificiais, e outra aflagelada ou amastigota, como é encontrada nos
tecidos dos hospedeiros vertebrados (homem e outros animais superiores). Destarte, o homem
representa apenas um hospedeiro acidental, não tendo qualquer papel na manutenção ou na
disseminação dos parasitos na natureza. A LTA é causada por diversas espécies de
protozoários do gênero leishmania que são transmitidos através da picada do inseto vetor para
o homem. É importante ressaltar que os parasitas se multiplicam obrigatoriamente dentro das
células do organismo humano, na forma monócito fagocitário, e consequentemente ocorre o
rompimento da célula liberando parasitas que foram fagocitados pelos macrófagos. Dentre as
manifestações clínicas da LTA, destaca-se a úlcera típica indolor, localizando-se, geralmente,
em áreas expostas da pele, tendo formato arredondado ou ovalado e medindo desde alguns
milímetros até alguns centímetros; a base é eritematosa, infiltrada e de consistência firme; as
bordas são bem-delimitadas e elevadas, com fundo avermelhado e com granulações
grosseiras. É importante mencionar que as lesões iniciais costumam serem nodulares
localizadas profundamente na hipoderme, ou também em pequenas pápulas, semelhantes à
picada de um inseto, que evoluem aumentando em tamanho e profundidade, ulcerando no
vértice da lesão. A LTA distribui-se amplamente no continente americano, estendendo-se
desde o sul dos Estados Unidos até o norte da Argentina. No Brasil, tem sido apontada em
todos os estados, compondo, deste modo, uma das afecções dermatológicas que merece maior
atenção, devido à magnitude da doença, bem como pelo risco de acontecimento de
deformidades que pode produzir no homem, como também pelo envolvimento psicológico do
1
Graduanda em Enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. Técnica em Enfermagem do Setor
de Doenças Infecto Contagiosas do Hospital Universitário Lauro Wanderley – HULW. Faculdade de Ciências
Médicas da Paraíba. E-mail: [email protected].
2
Graduando em Enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. Faculdade de Ciências Médicas da
Paraíba. E-mail: [email protected].
3
Graduanda em Enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. Faculdade de Ciências Médicas da
Paraíba. E-mail: [email protected].
4
Enfermeira. Mestranda em Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba – UFPB. Docente em
Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. E-mail:
[email protected].
5
Enfermeira. Mestranda em Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba – UFPB. Especialista em Saúde
da
Família
e
Terapia
intensiva.
Universidade
Federal
da
Paraíba.
E-mail:
[email protected].
133
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
doente, com reflexos no campo social e econômico, uma vez que, na maioria dos casos, pode
ser considerada uma doença ocupacional. Nos últimos 20 anos, vem proporcionando
crescimento considerável, tanto em magnitude quanto em expansão geográfica, ressaltando-se
surtos epidêmicos nas regiões Sul, Sudeste, Centro Oeste, Nordeste e, mais recentemente, na
região Norte, relacionados ao processo predatório de colonização, requerendo dos
profissionais de saúde um conhecimento e preparo na tentativa de facilitar a identificação, o
diagnóstico e auxiliar no tratamento. A escolha do tema se deu a partir da experiência
profissional de uma das graduandas de enfermagem que trabalha em uma clínica de doenças
Infecto Contagiosa e pelo interesse no assunto dos demais autores desta pesquisa. Com base
em tal entendimento, e considerando a relevância dessa temática para prática assistencial dos
profissionais da Saúde, este estudo tem como objetivo: Identificar na literatura as
manifestações clínicas e as formas de prevenção da Leshmaniose Tegumentar.
METODOLOGIA: Trata-se de uma pesquisa bibliográfica consubstanciada na literatura
pertinente ao tema em questão. As fontes de dados foram às publicações acerca das formas de
prevenção da Leishmaniose Tegumentar Americana, no âmbito da Saúde, por meio de busca
eletrônica na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), no banco de dados Scientific Eletronic
Library Online SciELO e através de livros e manuais disponibilizados na Biblioteca da
Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. Os descritores instituídos para a coleta de dados
foram ―Leishmaniose Tegumentar Americana e Prevenção‖; ―Leishmaniose Tegumentar
Americana e Manifestações Clínicas‖. Para eleger a amostra, foram estabelecidos os seguintes
critérios de inclusão: artigos que abordassem a temática de Leishmaniose Tegumentar
Americana, na língua portuguesa, disponibilizados na íntegra na base de dados selecionada
para a pesquisa. Destaca-se que foram ponderadas as observâncias éticas observadas no
Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem – Resolução 311/2007, do Conselho
Federal de Enfermagem, no que se refere à elaboração de trabalhos científicos. ANÁLISE E
DISCUSSÃO DOS RESULTADOS: A LTA trata-se de uma doença infecciosa, não
contagiosa, causada por um protozoário transmitido pelo vetor que ira acometer pele e
mucosa em forma de ulcerações. Os resultados obtidos através de artigos evidenciaram que a
LTA mucocutânea na forma clinica acomete algumas regiões específicas do corpo, como
membros inferiores, boca e vias aéreas superiores, tornando a doença mais característica,
porém é uma doença de pouquíssima sintomatologias e manifestações clínicas. A
manifestação se dá através de úlceras de fundo granuloso, bordas infiltradas em forma de
moldura contornando toda a lesão podendo esta serem única e/ou múltiplas e a característica
de diferenciação é a ausência de dor no local acometido, entre outras sintomatologias
apresentadas. É importante ressaltar que estas manifestações são importantes instrumentos
para identificação da patologia por parte dos profissionais de saúde. Ainda de acordo com o
Manual de Vigilância da Leishmaniose Tegumentar, para os riscos de transmissão serem
evitados, algumas medidas preventivas de ambientes individuais ou coletivos devem ser
estimuladas, tais como: uso de repelentes quando exposto a ambientes, onde os vetores
habitualmente possam ser encontrados; evitar a exposição nos horários de atividades do vetor
(crepúsculo e noite), em áreas de ocorrência, evitando exposição durante o dia e a noite; uso
de mosquiteiros de malha fina (tamanho da malha 1.2 a 1.5 e denier 40 a 100), bem como a
telagem de portas e janelas; manejo ambiental por meio de limpeza de quintais e terrenos, a
fim de alterar as condições do meio que propiciem o estabelecimento de criadouros para
formas imaturas do vetor; poda de árvores, de modo a aumentar a insolação, a fim de diminuir
o sombreamento do solo e evitar as condições favoráveis (temperatura e umidade) ao
desenvolvimento de larvas de flebotomíneos; destino adequado do lixo orgânico, a fim de
impedir a aproximação de mamíferos comensais, como marsupiais e roedores, prováveis
fontes de infecção para os flebotomíneos; limpeza periódica dos abrigos de animais
domésticos; manutenção de animais domésticos distantes do intradomicílio durante a noite, de
134
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
modo a reduzir a atração dos flebotomíneos para este ambiente. É notório salientar que em
áreas potenciais de transmissão, sugere-se uma faixa de segurança de 400 a 500 metros entre
as residências e a mata. Entretanto, uma faixa dessa natureza terá que ser planejada para evitar
erosão e outros problemas ambientais. O aumento crescente dos número de casos de LTA
requer a compreensão dos profissionais acerca da Leishmaniose Tegumentar, exigindo um
conhecimento e preparo destes para facilitar a identificação, o diagnóstico e auxiliar no
tratamento. Propõe-se, dessa forma, a vigilância e o monitoramento em unidades territoriais,
definidas como áreas de maior produção da doença, bem como, suas características
ambientais, sociais e econômicas, buscando um conhecimento amplo e intersetorial.
Recomenda-se, ainda, que as ações estejam voltadas para o diagnóstico precoce e tratamento
adequado dos casos detectados e estratégias de controle flexíveis, distintas e adequadas a cada
padrão de transmissão. As ações para prevenção, diagnóstico precoce e tratamento adequado
hoje acontece de forma descentralização, havendo participação das secretarias municipais,
estaduais e do Ministério da Saúde tendo em vista que alguns casos podem ser acompanhados
na Atenção Básica e os que necessitarem de cuidados ambulatorial ou hospitalar, devem ser
destinados ao hospital de referência desta patologia, investigando desse modo todos os casos
suspeitos, confirmados e o mais importante se houve óbitos devido a esta patologia.
CONSIDERAÇÕES FINAIS: Através desta pesquisa, evidenciou-se que a LTA constitui-se
um grave problema de saúde pública no Brasil, devido aos fatores intrínsecos de qualquer
doença de procedência socioeconômica. Destarte, os profissionais de saúde devem identificar
as manifestações clínicas, auxiliar nas medidas preventivas e no tratamento destinado aos
portadores desta doença, tendo como finalidade diminuir a prevalência dessa patologia.
Descritores: Leishmaniose. Prevenção. Saúde.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Ministério da Saúde. Fundação Nacional de Saúde. Manual de controle da
leishmaniose tegumentar americana. 5. ed. Brasília, 2007.
BRASIL. Ministério da Saúde. Guia de bolso. Doença infecciosas e parasitárias, 7 ed.
Brasília, p.226-229, 2008.
GONTIJO, B; CARVALHO, M. L. R. Leishmaniose tegumentar americana. Revista da
Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, v. 1, n. 36, p. 71-80, 2003.
LIMA, M. V. N. et al. Atendimento de pacientes com leishmaniose tegumentar americana.
Cad. Saúde Pública, v.12, n.23, p.2938-2947, Rio de Janeiro, 2007.
ZANZARINI, P. D. et al. Leishmaniose tegumentar americana canina em municípios do norte
do Estado do Paraná, Brasil. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 21, n. 6, p. 109-118,
2005.
135
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
O CUIDADO DE ENFERMAGEM AO PORTADOR DE ALZHEIMER:
REVISÃO DE LITERATURA
Jonathan Cordeiro de Morais (relator)¹
Flaviana Ribeiro de Medeiros Batista Freire²
INTRODUÇÃO: Em muitas sociedades antigas, o idoso era valorizado pela sua experiência
e sabedoria, e os mais novos deviam obediência aos mais velhos; muitas decisões, inclusive
financeiras, eram tomadas pelos anciãos. Atualmente alteraram-se os valores e observa-se
certo desrespeito pela figura do ser envelhecido, seja porque não apresenta mais a beleza da
juventude, seja porque não possui vitalidade para a produção de trabalho, e ainda, porque as
pessoas julgam que ser idoso é não pensar mais, não conviver, sentir, reagir aos fatos da vida
diária e etc. Nos últimos anos a expectativa de vida aumentou de forma significativa, talvez
por consequência das melhorias das condições de vida e saúde da população. Algumas
pesquisas apontam que o Brasil ocupará o sexto lugar no ranking de maior número de idosos
do mundo. Hoje, a expectativa média de vida do brasileiro se amplia de tal forma que grande
parte da população atual alcançará a velhice. Entretanto, embora já apresentem um perfil
demográfico semelhante ao dos países do Primeiro Mundo, os grandes centros populacionais
brasileiros ainda não dispõem de infraestrutura de serviços que possam dar conta das
demandas decorrentes das transformações demográficas vigentes. Todo ano, 650 mil novos
idosos são incorporados à população brasileira, o número de idosos passou de três milhões,
em 1960, para sete milhões, em 1975, e dezessete milhões em 2006 – um aumento de 600%
em menos de cinquenta anos, estima-se que a população idosa aumentará para 25 milhões em
2025, o Brasil hoje é um jovem país de cabelos brancos. Em menos de 40 anos, passamos de
um cenário de mortalidade próprio de uma população jovem para um quadro de enfermidades
complexas, típicas da terceira idade, caracterizado por doenças crônicas e múltiplas, que
perduram por anos, com exigência de cuidados constantes, medicação contínua e exames
periódicos. Esse aumento da expectativa de vida leva a que os idosos permaneçam por mais
tempo no convívio familiar e precisem cada vez mais de suporte cuidados apropriados. Dentre
as doenças crônicas encontra-se a Doença de Alzheimer que é uma doença do cérebro que
afeta inicialmente a memória, o raciocínio e a comunicação das pessoas, é caracterizada por
declínio da memória recente, uma afecção neurodegenerativa progressiva e irreversível, de
aparecimento insidioso, podendo acarretar ainda diversos distúrbios cognitivos que são
caracterizados pela perda da memória seja ela frequente ou momentânea, A doença de
Alzheimer provoca mudanças nas áreas cerebrais que controlam a memória e o raciocínio. É
por este motivo que as pessoas portadoras da doença de Alzheimer têm dificuldade para viver
uma vida normal. As causas do desenvolvimento da doença ainda não são totalmente
conhecidas pela medicina, algumas pesquisas enfatizam um componente hereditário, outros
falam de alguma virose, outras trazem o efeito o alumínio no organismo, enfim, não se sabe
ainda ao certo qual seria a causa dessa doença. É importante saber que, atualmente, ela ainda
não tem cura, mas cuidados apropriados podem ajudar a pessoa com Alzheimer viver com
mais conforto. Essa doença foi descoberta pelo neuropatologista alemão Alois Alzheimer em
¹
Graduando em enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. E-mail:
[email protected]
²
Mestranda em Terapia Intensiva pela Sociedade Brasileira de Terapia Intensiva (SOBRATI). Especialista em
Saúde da Família. Docente em Enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. Diretora do
Centro de Atenção Integral à Saúde (CAIS CRISTO), do município de João Pessoa/PB. Email:[email protected]
136
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
1907, podendo ser de dois tipos: a de acometimento tardio, de incidência ao redor de 60 anos
de idade, ocorre de forma esporádica. Enquanto que a de acometimento precoce tem
incidência ao redor dos 40 anos, mostra recorrência familiar. Ambas se tratam da mesma
doença sem distinção na unidade clínica. Tem como principais características o progressivo
declínio da memória, do raciocínio, da compreensão, da capacidade de realizar cálculos, da
linguagem, da capacidade de aprendizagem e de julgamento que acabam por impedir o
afetado de realizar sem auxílio as suas atividades diárias. OBJETIVO: Diante das
considerações apresentadas nosso trabalho tem como objetivo, pesquisar na literatura quais os
desafios exercidos pelo profissional de enfermagem quando se refere ao paciente portador de
Alzheimer. METODOLOGIA: O caminho metodológico desta pesquisa foi consubstanciada
na revisão literária com abordagem qualitativa, adotando os descritores ―enfermagem e
Alzheimer‖, e o levantamento da produção científica foi realizado em fontes bibliográficas
impressas e online, como livros, revistas, manuais e artigos científicos de periódicos no
período de abril a maio de 2012. RESULTADOS: Como resultado, obtivemos doze
referências satisfatórias que subsidiaram a desenvolvimento do nosso trabalho. A partir disso
percebemos que é papel do enfermeiro oferecer cuidados e uma assistência adequada de
forma a promover a melhoria da condição de saúde do indivíduo. Como por exemplo, a
promoção de terapias prazerosas que estimulem a memória do paciente, podendo estimular ou
promover a prática de atividades espirituais para promoção do bem estar tanto do paciente
quanto da família ou mesmo do próprio cuidador, a espiritualidade e o bem estar espiritual são
fatores significativos na manutenção da saúde e enfrentamento das doenças crônicas e
terminais, além do papel de assistir e tratar o paciente com responsabilidade aos cuidados
físicos, psicológicos e sociais, a função do enfermeiro se torna de maior relevância à medida
que a doença progride e o paciente se torna dependente total de necessidades básicas. Dados
estatísticos de revistas da área revelam que muitas vezes os pacientes em estágios iniciais não
recebem nenhum tipo de cuidado específico e atencioso por parte da equipe de saúde, por não
procurarem o médico ou nem mesmo se internarem, preferem ficar em casa aos cuidados de
parentes ou amigos com suas devidas relações afetivas. A escolha da internação é totalmente
da família, contudo se tratando de doença neurológica crônico-degenerativa, traz consigo
dúvidas em relação ao manejo do doente, afetando aspectos de ordem pessoal, emocional,
financeiro e social do paciente e seus familiares. Sabe-se que existe um grande número de
profissionais da área da saúde e cuidadores sem esclarecimentos norteadores sobre tal
afecção, enfrentando nas diversas fases da doença, a dúvida do que fazer, bem como do tipo
de apoio que necessitam para enfrentar a doença em todo o seu longo curso. Dentre as 10
primeiras causas de óbitos nos Estados Unidos, a Doença de Alzheimer ocupa a 6ª posição no
ranking, sendo a única que não tem como ser curada sendo possível apenas a sua prevenção.
Além disso, a taxa de mortalidade das doenças que ocupam as primeiras posições, como as
cardiovasculares e cerebrovasculares tem diminuído, enquanto que a taxa de óbito por
Alzheimer tem aumentado. Embora a Doença de Alzheimer seja uma doença progressiva e
incurável, muito já se avançou em benefício e melhoria da qualidade de vida dos portadores e
cuidadores, com medicações que melhoram a cognição e diminuem as alterações
comportamentais durante seu uso, além da criação de bons instrumentos de avaliação, como
também na prevenção a doença, estudiosos afirmam que a ingestão alimentos antioxidantes
pode apresentar um papel na prevenção do desenvolvimento da Doença de A. Alzheimer. A
enfermagem busca maneiras opcionais de cuidar do paciente com Alzheimer, acompanhado
os estágios da doença e trabalhando de maneira terapêutica o déficit causado pela doença.
Podendo ser possível a sua divisão em três fases: Na Fase inicial o profissional pode usar
vocabulário simples, devagar, frases curtas e diretas com linguagem clara, deve-se utilizar de
outros meios como visão, olfato, audição, tato e gustação. A Paciência é indispensável ao
lidar com pacientes com Doença de Alzheimer em qualquer fase, deve-se utilizar de
137
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
instruções de compreensão simples, repetindo-as sempre e quantas vezes for preciso, falar
próximo ao paciente com contato visual, buscar conversas, fotos e álbum para estimular as
lembranças, usar diários, calendário e estabelecer rotinas diárias e etc. Na fase moderada
adiciona-se atividades prazerosas para estimular a comunicação e na fase final, usar toques,
contato visual, correlacionar o nome com o objeto, esta fase é descrita como fase das perdas
significativas, diminui-se vocabulário, apetite e peso, e aparecem descontrole urinário e fecal.
Há dependência progressiva do cuidador. Geralmente é nesse estágio que os enfermeiros
assistenciais têm contato com os pacientes, pois eles ficam mais debilitados e suscetíveis a
problemas que necessitem de internação hospitalar. Faz parte do profissional de enfermagem
assistir de forma holística e humanizada áreas afetivas do paciente, como carinho,
compreensão, solidariedade, respeitando e entendendo seus medos e tristezas. Alguns
estudiosos consideram que, se os idosos estiverem em boas condições de saúde e engajados
em atividades promotoras de suas potencialidades, apresentarão mudanças sutis no campo
cognitivo e no seu sentimento de auto eficácia. Nessa temática concluímos que diante do
aumento da população idosa e das doenças crônico degenerativas cabe ao enfermeiro oferecer
cuidados e uma assistência adequada de forma a promover a melhoria da condição de saúde
do idoso com Alzheimer bem como oferecer terapias prazerosas que estimulem a memória e o
desejo de viver do paciente, além de assistir e tratar o paciente, com responsabilidade aos
cuidados físicos, psicológicos e sociais, sua função se torna de maior relevância a medida que
a doença progride e o paciente torna-se dependente total de necessidades básicas. Faz-se
necessário além de um cuidado holístico e humanizado, a qualificação dos profissionais de
forma a garantir um melhor cuidado. É importante buscar o conhecimento acerca da Doença
de Alzheimer, pois só assim serão evitadas outras doenças mentais como, por exemplo, a
demência. O conhecimento garante ao profissional segurança ao agir, e segurança aos
familiares que confiarão em seu trabalho, bem como fornecer apoio e orientação à família ao
iniciar cuidado, assim o cliente se sentirá acolhido, amparado e incentivado a continuar a vida.
Descritores: Enfermagem. Cuidado. Alzheimer.
REFERÊNCIAS
CARAMELLI, P.; BARBOSA, M. T. Como Diagnosticar as quatro causas mais frequentes
de demência, Rev. Bras Psiquiatria; vol.24, p.7-10, 2002.
COSTA, S.M.C.L. et al. Importância das vitaminas, antioxidantes e ômega-3 na doença de
Alzheimer. Universidade do Porto: Dissertação de Monografia 2009
FROTA, N. A. F.; NITRINI, R.; DEMANESCENO, B. P.; DIAS-TOSTA, E.; SILVA, A. B.
da; JUNIOR, E. H.; MAGALDI, R. M.; Critérios para o diagnóstico de doença de
Alzheimer. Dement Neuropsychol, Jun. 5( 1):5-10, 2011.
LEMOS, C. E. S. de; LEAL, S. D. M.; PAZ, R. de; C. S.; Oficina de memória,
esquecimento e jogos lúdicos para terceira idade. Rio de Janeiro: Venlentrarte, 2011.
MOURA, M,A,P. et al, O cuidado prestado pela enfermagem aos portadores de alzheimer,
Disponível em :http://site.novafapi.com.br/eventos/2006..Acesso em:(11 abr. 2012)
NANDA; Diagnósticos de enfermagem: Definição e Classificação. São Paulo: Artmed,
2011.
138
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
NITRINI, R;et al, Diagnóstico de doença de Alzheimer no Brasil. São Paulo, Arq.
Neuropsiquiatr. 63(3-A), 2005;
POLTRONIERE,S; CECCHETTO, F.H; Souza,E.N. Doença de Alzheimer e demandas de
cuidados:o que os enfermeiros sabem? Rev Gaúcha Enferm, Porto Alegre, 32(2):2708,JUN.2011.
POTTER, P. A.; PERRY, A. G.; Fundamentos de Enfermagem. 7. ed. Rio de Janeiro:
Elsevier, 2009.
SANTIN, J. R.; COSTA, L. T. da; O envelhecimento humano e a violência intrafamiliar:
algumas reflexões. Rev. Justiça do Direito, V.22, n.1, p.96-108. Paraná: 2008.
VALE, F. A. C. do; NETO, Y. C.; BERTOLUCCI, P. H. F. B.; MACHADO, J. C. B.;
SILVA, D. J. da; ALLAM, N.; BALTHAZAR, M. L. F. Tratamento da doença de
Alzheimer. Dement Neuropsychol, Jun. 5(1):34-48,2011.
WINTER, da. Human balance and posture control during standing and walking. Gait
Posture. Ontario, Canadá, Vol.3, p.193-214, December.1995.
139
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
VIVENCIANDO UM GRUPO DE EDUCAÇÃO EM SAÚDE:
EXPERIÊNCIAS DE GESTANTES
Jaciane Honório Veríssimo1
Ana Gabriela Pereira Gomes2
Jacinta Júlia de Almeida Neta3
Luana Silva de Carvalho4
Cristiani Garrido de Andrade5
Kamyla Félix Oliveira dos Santos6
Atualmente, as ações de educação em saúde realizadas na maioria dos serviços e instituições
encontram-se centradas na responsabilização individual e na prevenção de doenças, pautadas
na transmissão de informações. Fato confirmado por alguns autores, ao referirem que os
projetos educativos em saúde permanecem inseridos na perspectiva da transmissão de um
conhecimento especializado, no qual para apreender o que o profissional repassa, o usuário
deverá desaprender ou descartar o que foi aprendido no cotidiano de uma vida. Dessa forma, a
educação em saúde pressupõe a expectativa de um trabalho com indivíduos e grupos,
acentuando a condição de sujeitos plenos e plurais, utilizando metodologias participativas e
fundamentando-se na compreensão das gestantes como protagonistas, como fonte de
iniciativa, de liberdade e compromisso, e dessa forma, valorizando a dignidade plena e a
possibilidade de uma construção coletiva do conhecimento em saúde. Nessa perspectiva se
inclui os grupos de educação em saúde para gestantes. Estudos apontam que a participação
em grupos, por parte dos profissionais de saúde envolvidos com o processo de gestar, tem se
manifestado com grande relevância. Os grupos são estruturados como ferramenta a serviço da
autonomia e do desenvolvimento ininterrupto do nível de saúde e das condições de vida. No
que concerne aos grupos de gestantes, esses oferecem suporte terapêutico a essas mulheres,
haja vista que, um grupo pode ajudar pessoas durante períodos de ajustamentos a mudanças,
no tratamento de crises ou ainda na manutenção ou adaptação a novas situações. Nesse
prisma, ressalva-se que o grupo de gestantes é um ambiente micro e dinâmico, que tem como
cerne proporcionar a saúde integral individual-coletiva das gestantes, mediada pelas
interações que acontecem nesse espaço. As interações geradas entre as participantes e os
profissionais de saúde originam um encadeamento que permite a promoção da saúde integral
com implicações desse processo no individual-coletivo. Destarte, a participação no grupo
consente à gestante ser multiplicadora de saúde na sociedade. Assim sendo, o grupo de
1
Graduanda em Enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. E-mail: [email protected]
Graduanda em Enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. E-mail: [email protected]
3
Graduanda em Enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. E-mail: [email protected]
4
Graduanda em Enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. E-mail: [email protected]
5
Enfermeira. Fonoaudióloga. Especialista em Saúde Coletiva, com ênfase na Estratégia da Saúde da Família. Mestranda em
Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba. Membro e Pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisa em BioéticaCCS/UFPB. Universidade Federal da Paraíba/UFPB. E-mail: [email protected]
6
Enfermeira. Especialista em Saúde da Família e Saúde Coletiva. Mestranda em Enfermagem pela Universidade Federal da
Paraíba. Membro e Pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Bioética da Universidade Federal da Paraíba CCS/UFPB. Universidade Federal da Paraíba/UFPB. E-mail: [email protected]
2
140
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
gestantes propaga-se através do compartilhar de experiências, de forma comunicativa,
estimando o saber popular e contribuindo para a promoção da saúde e para melhoria da
qualidade de vida. Diante das considerações apresentadas, a opção para estudar esta temática,
parte da nossa tentativa em obter respostas às reflexões e questionamentos acerca da vivência
das gestantes de um grupo de educação em saúde, considerando que esta é um método amplo
e importante para a construção, troca de conhecimentos e as práticas relacionadas aos modos
como cada cultura e cada cidadão concebem o viver de forma saudável e o processo
saúde/doença. Com base em tal entendimento, considerando a relevância dessa temática para
a prática assistencial dos profissionais de saúde, bem como para melhoria da qualidade de
vida das gestantes, esse estudo tem como fio condutor os seguintes questionamentos: Qual o
significado de participar de um grupo de educação em saúde, na percepção das gestantes?
Qual a contribuição dessa vivência na condução do período gestacional? Na busca de
respostas a tais questionamentos, estamos realizando esta pesquisa que tem como objetivos:
investigar qual o significado de participar de um grupo de educação em saúde, na percepção
das gestantes e verificar qual a contribuição dessa vivência na condução do período
gestacional. Trata-se de um estudo do tipo nota prévia que vem apresentar uma proposta de
trabalho, que segue o percurso metodológico de uma pesquisa de natureza descritiva com
abordagem qualitativa. O mesmo estar sendo realizado na Policlínica da Faculdade de
Ciências Médicas da Paraíba - FCMPB, no município de João Pessoa - PB.A população da
pesquisa é composta por 21 mulheres que realizam consultas de pré-natal na policlínica ora
citada e que participam do grupo de gestantes. Os dados estão sendo coletados mediante a
aplicação de um formulário com perguntas inerentes aos objetivos propostos pelo estudo. Os
dados obtidos estão sendo analisados qualitativamente, por meio do discurso do sujeito
coletivo proposto por Lefèvre e Lefèvre. No que diz respeito às diretrizes éticas, iremos zelar
pelo cumprimento da Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde, que preconiza que o
pesquisador deve compor salvaguardas seguras para a confidencialidade dos dados da
pesquisa, na qual os indivíduos participantes devem ser informados, através do Termo de
Consentimento Livre e Esclarecido, dos limites de destreza de pesquisa, em salvaguardar a
confidencialidade e as presumíveis consequências da quebra de confidencialidade. A análise
preliminar dos dados permitiu compreender que a convivência em um grupo de educação em
saúde por meio da troca de experiências mostrou-se bastante significativa, uma vez que,
nesses grupos desenvolve-se um espaço no qual as participantes podem relatar seus
problemas, bem como refletir sobre eles, conforme exemplificado no discurso do sujeito
coletivo extraído das entrevistas com as gestantes, elencados a seguir:[...] aprendi muita
coisa; [...] às vezes você tira as dúvidas; Tirar as dúvidas, adquirir novos conhecimentos;
Compartilhar conhecimentos e sentimentos; [...] melhor me orientar; [...] nós temos dúvidas
que não dar tempo de tirar nas consultas nem em casa; [...] aprendemos muito sobre a
gravidez, tiramos [...] dúvidas; [...] aprender mais sobre a saúde da mulher, do bebê e ter
uma gravidez tranquila; [...] tirar suas dúvidas e ajudar; [...] importante para esclarecer as
dúvidas; [...] a mulher precisa de orientação, apoio de alguém que tire suas dúvidas; É muito
bom, [...] aumenta os conhecimentos; [...] tenho a oportunidade de aprender coisas novas;
[...] é meu primeiro filho é muito importante saber como cuidar dele; [...] a gente aprende
muita coisa e também conversa; [...] nos deixa mais informada e tira muitas dúvidas, onde às
vezes não sabemos com quem tirá-la; [...] a gente fica sabendo mais; [...] informação e
141
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
conhecimento sempre são bem vindos [...]. No que diz respeito à contribuição na condução do
período gestacional, foi possível compreender que a convivência no grupo trouxe
contribuições para a vida destas na condução do seu período gestacional. Dentre os aspectos
necessários ressaltados foi possível vislumbrar o cuidar, a segurança, o amadurecimento, o
bem estar e o conhecimento, segundo os trechos contemplados no discurso apresentado, a
seguir: Sim, na relação sexual; [...] o meu bem estar; [...] um maior amadurecimento; Ouvir
as experiências vividas, contribuindo para decisões; [...] me orientar sempre para que o meu
bebê nasça com saúde e eu possa cuidar melhor [...]; [...] amadurecer mais como mãe e
mulher; Nos aspectos de tranquilidade, me sinto mais segura; [...] ficarei mais informada
[...] e poderei cuidar mais de mim e do bebê; [...] aprender a cuidar do meu bebê; [...] nos
grupos sempre podemos esclarecer as dúvidas; Comportamento, saúde e bem estar; [...]
sentir mais segurança na gravidez; Tudo; [...] tirar minhas dúvidas com as outras gestantes
[...]; [...] oportunidade de adquirir conhecimentos para cuidar do meu bebê; [...] é sempre
bom aprender coisas novas e dividir o que sei com as outras mulheres; [...] esclarecer
dúvidas; [...] aprende aqui diversas coisas, tanto para cuidar de mim quanto para o bebê;
[...] segurança para cuidar do meu bebê; [...] renovar meus conhecimentos para poder
cuidar bem dos meus filhos; [...] nas reuniões tem sido adquirido novos conhecimentos, e
compartilhar [...] o que eu sei. Dessa forma, destaca-se que os profissionais de saúde devem
assumir a postura de educadores que compartilham saberes, buscando devolver à mulher sua
autoconfiança para viver a gestação, o parto e o puerpério, considerando o pré-natal e
nascimento como momentos únicos para cada mulher e uma experiência especial no universo
feminino.O grupo de gestantes é um referencial importantíssimo no contexto educativo e
promotor da saúde da mulher, este reforça a promoção da saúde mediante a discussão sobre
alimentação, prática de exercícios, conhecimento teórico sobre o processo global de gestação
entre outros. Essa estratégia de ação educativa possibilita à mulher conhecer o seu corpo e
aumentar a segurança e tranquilidade durante a gestação e o parto. As atividades
participativas favorecem a interação entre as gestantes e proporcionam a aquisição de
informações sobre o processo de gestar, parir e ser mãe. Na maioria das vezes, a ansiedade
que permeia a gestação se relaciona com o desconhecimento do ―novo‖, das situações que
estão vivenciando e daquelas que ainda irão vivenciar enquanto mãe. Deste modo, os
profissionais de saúde possuem um papel importante no atendimento à gestante e seus
familiares, por meio de uma conduta clínica que estabeleça vínculo de acolhimento, confiança
e segurança para todos durante esse período desconhecido. Assim sendo, na convivência
grupal existe a possibilidade de geração de conhecimentos, uma vez que nela são expressos
saberes de cada um. A mobilização destas informações permite um melhor entendimento do
momento vivido pelo grupo e facilita a adesão aos conhecimentos revelados. Esta condição
ajuda a consolidar a capacidade de cada participante em acolher e cuidar maternalmente do
filho que está por vir. Diante das considerações apresentadas, acreditamos que os resultados
deste estudo poderão revelar-se como um recurso para as suas participantes, constituindo se
num espaço para compartilhar experiências, sentimentos e afetos e socialização de saberes
técnico-científico e popular. Poderá permitir, ainda, uma maior compreensão de si e do
mundo, bem como a busca das possibilidades e recursos para a saúde integral na dimensão
individual-coletiva. Por se tratar de uma nota prévia, cumpre destacar que a pesquisa
142
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
encontra-se na fase de obtenção do material empírico, novos dados estão sendo coletados e
analisados, com vistas a aprofundar a compreensão dessa vivência.
Descritores: Grupo. Gestantes. Educação em saúde.
REFERÊNCIAS
BATISTA, P.S.de S.; ALMEIDA, F. das C.A. de. Significado de participar de um trabalho
em grupo: visão de gestantes. Revista Nursing, v.14, n.157, p. 304-08, 2011.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção a Saúde. Departamento de Ações
programáticas e Estratégicas. Área Técnica de Saúde da Mulher. Pré-natal e puerpério:
atenção qualificada e humanizada – manual técnico. Brasília: Ministério da saúde, 2005.
DELFINO, M.R.R. et al. O processo de cuidar participante com um grupo de
gestantes:repercussões na saúde integral individual-coletiva. Ciência & Saúde Coletiva,
v.9, n.4, p. 1057-1066, 2004.
DIÓZ, M. Atenção à mulher grávida. In: MANDÚ, E.N.T., organizador. Saúde
reprodutiva: proposições práticas para o trabalho de enfermeiros em atenção básica.
Cuiabá: ed UFMT, 2006.
FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 33 ed. São
Paulo: Paz e Terra, 2006.
LEFÈVRE, F.; LEFÈVRE, A. M. C; TEIXEIRA, J. J. V. O discurso do sujeito coletivo:
uma nova abordagem metodológica em pesquisa qualitativa. Caxias doSul: EDUCS, 2005.
MANDÚ E.N.T. O cuidado individualizado em saúde reprodutiva na perspectiva da
integralidade. In: MANDÚ E.N.T., organizador. Saúde reprodutiva: abordagens para o
trabalho de enfermeiros em atenção básica. Cuiabá: Ed. UFMT, 2006.
MEYER, D. E. E. et al. Você aprende. A gente ensina? Interrogando relações entre educação
e saúde desde a perspectiva da vulnerabilidade. Cadernos de Saúde Pública, v.22, n. 6, p.
1335-42, jun. 2006.
MUNARI, B. D.; RODRIGUES, A. R. F. Enfermagem e grupos. Goiânia: AB, 1997.
PINHEIRO, R.; MATTOS, R. A. (Org.). Cuidado: as fronteiras da integralidade. Rio de
Janeiro, ABRASCO, 2003.
RAMOS, F. R. S. Bases para uma re-significação do trabalho de Enfermagem junto ao
adolescente. In: Associação Brasileira de Enfermagem – ABEn. Adolescer: compreender,
atuar, acolher. Brasília: Associação Brasileira de Enfermagem, 2001. p. 11-18.
SIMÕES, A.L.A.; RODRIGUES, F.R.; TAVARES, D.M.S.; RODRIGUES, L.R.
Humanização na saúde: enfoque na atenção primária. Texto Contexto de Enfermagem, v.
16. n. 3 . Florianópolis, 2007.
143
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
ESPIRITUALIDADE NO APROXIMAR DA MORTE: ESTRATÉGIA
ADOTADA PARA HUMANIZAR O CUIDAR EM ENFERMAGEM
Fabiana Medeiros de Brito(relator)1
Isabelle Cristinne Pinto Costa2
Cristiani Garrido de Andrade3
Kamyla Félix Oliveira de Lima4
A propensão humana pela busca do sentido pleno da vida, os valores que são inerentes ao ser
humano, à transcendência com o subjetivo, e a conectividade com o divino, consigo mesmo e
com o outro, corroboram para uma possível definição acerca da Espiritualidade. Evidências
crescentes de que o aspecto espiritual seja sinônimo de longevidade e de uma melhor
qualidade de vida, tem sido documentada na literatura. É importante ressaltar que a
Organização Mundial da Saúde (OMS), desde a realização da Assembléia Mundial de Saúde,
modificou o conceito clássico de saúde, incluindo a dimensão espiritual, o que suscitou certa
contribuição para questão do paradigma espiritual. Entendendo a relevância da
espiritualidade, com vistas a prestar uma assistência holística e humanizada, os autores (7)
destacam que a promoção do bem-estar é essencial, sendo, inclusive, de suma importância aos
pacientes que estão vivenciando a terminalidade da vida, os quais exigem um tratamento e um
cuidado especial diante da fase que estão vivendo. A espiritualidade está atrelada a
terminalidade, emergindo como um instrumento de extrema importância, visto que auxilia no
processo de enfrentamento, de ter esperança e de estar em paz diante de tais acontecimentos.
Vale ressaltar que a espiritualidade emerge como um instrumento fundamental ao processo do
cuidado humanizado e à assistência efetiva de Enfermagem. No momento em que o
enfermeiro detém o conhecimento acerca desta temática, terá concomitantemente recursos
para caminhar em direção à Humanização dos Cuidados em Saúde. Nesse contexto, o estudo
objetivou-se em averiguar a percepção dos enfermeiros no que concerne a definição de
espiritualidade, assim como a identificação das necessidades espirituais do paciente fora de
possibilidades terapêuticas de cura. Este estudo do tipo nota prévia vem apresentar a nossa
proposta de trabalho que segue o percurso metodológico de uma pesquisa de campo, com
abordagem qualitativa. O cenário da pesquisa foi a Unidade de Terapia Intensiva de um
hospital público, localizado na cidade de João Pessoa, Paraíba. O referido hospital é
considerado de referência no Estado da Paraíba, destinado ao atendimento de indivíduos
portadores de doenças infectocontagiosas. A amostra foi composta por sete enfermeiros
assistenciais que trabalham na unidade citada, adotando-se os seguintes critérios de inclusão:
1
Graduanda em Enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. Faculdade de Ciências
Médicas da Paraíba - FCMPB. João Pessoa (PB), Brasil. E-mail: [email protected].
2
Enfermeira. Fonoaudióloga. Doutoranda em Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba –
UFPB. Mestre em Enfermagem pela UFPB. Docente da Faculdade Ciências Médicas da Paraíba.
Membro e Pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Bioética–CCS/UFPB. UFPB. João
Pessoa (PB), Brasil. E-mail: [email protected].
3
Enfermeira. Fonoaudióloga. Mestranda em Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba –
UFPB. Docente da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. Membro e Pesquisadora do Núcleo de
Estudos e Pesquisas em Bioética – CCS/UFPB. UFPB. E-mail: [email protected]
4
Enfermeira. Mestranda em Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba – UFPB. Docente da
Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. Membro e Pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas
em Bioética – CCS/UFPB. UFPB. E-mail: [email protected]
144
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
que aceitasse participar do estudo de forma livre e esclarecida, que estivesse em atividade
profissional no momento da coleta de dados e que tivesse, no mínimo, um ano de atuação no
referido local. É imprescindível ressaltar que o estudo levou em consideração a Resolução
196/96 da Comissão Nacional de Saúde, no que concerne às normas e Diretrizes
regulamentadoras, sob aprovação no Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Ciências
Médicas da Paraíba, conforme protocolo nº 058/11. A coleta de dados foi realizada por meio
de entrevista semi estruturada utilizando-se o sistema de gravação. No que concerne a análise
dos dados, foi identificada uma categoria: ―Espiritualidade: aspectos conceituais e
necessidades espirituais em pacientes sem possibilidades terapêuticas de cura‖, com duas
subcategorias: ―Espiritualidade: uma visão do ponto de vista de enfermeiros e Necessidades
espirituais nos pacientes sem possibilidades terapêuticas de cura‖. Cumpre assinalar que a
análise e discussão dos dados qualitativos serão apresentadas de maneira discursiva, com
enfoque na compreensão e intepretação à luz da literatura pertinente, utilizando a técnica de
análise de conteúdo. É mister assinalar que por se tratar de uma nota prévia, a pesquisa
encontra-se na fase analítica do material empírico.
Descritores: Espiritualidade. Enfermagem. Paciente terminal. Humanização da assistência.
REFERÊNCIAS
BARDIN, L. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 2008.
DELGADO, C. A discussion of the concept of spirituality. Nurs Sci Q., v.18, n.2, p. 157-62,
2005.
FLECK, M. P.A. et al. Desenvolvimento do WHOQOL, modulo espiritualidade, religiosidade
e crenças pessoais. Revista Saúde Pública, v. 7, n. 4, p. 446-455, ago. 2003.
GREENSTREET, W. From spirituality to coping strategy: making sense of chronic illness.
British Journal of Nursing, v. 15, n. 17, p. 938-942, set., 2006.
PANZINI, R. G. et al. Espiritualidade/religiosidade e qualidade de vida. In. FLECK M. P. A.
A avaliação de qualidade de vida: guia de profissionais da saúde. Porto Alegre: Artmed,
2008. p. 177-9.
SCHARAMM, F. R.; PALACIOS, M.; REGO, S. O modelo bioético principialista para a
análise da moralidade da pesquisa científica envolvendo seres humanos ainda é satisfatório?.
Ciênc. Saúde Coletiva, v. 13, n. 2, p. 361-70, 2008.
145
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
CUIDADOS PALIATIVOS NA TERCEIRA IDADE: PRODUÇÃO
CIENTÍFICA NO ÂMBITO DA SAÚDE
Julliane Maria Delgado Barros (relator)1
Katiúcia Izidro da Silva2
Lígia Costa das Chagas3
Raissa Lins Vieira da Silva4
Cristiani Garrido de Andrade5
INTRODUÇÃO: A Organização Mundial da Saúde preconiza que idosos são os
indivíduos com 60 anos ou mais que residem em países em desenvolvimento, como no caso
do Brasil, e com 65 anos ou mais em países já desenvolvidos, como os EUA, Canadá, França,
entre outros. Portanto, não se pode ignorar, atualmente, a necessidade de se dar uma atenção
especializada a essa população. Em virtude da mudança do perfil demográfico, faz-se
necessário uma reestruturação global, uma vez que o idoso possui características e
peculiaridades que devem ser atendidas. Dentro desse quadro, o Brasil vem experimentando
um acentuado envelhecimento populacional. Se, em 1950, o Brasil era o 16º país do mundo
com o maior número de pessoas acima de 60 anos de idade, em 2025 projeções indicam que
ele terá a sexta ou quinta maior população acima dos 60 anos do planeta, observando-se,
assim, uma mudança drástica no perfil demográfico. Se há 100 anos a sobrevida de 70 anos
era um fator de ―sorte ou acaso‖, no século XXI esse fato é uma realidade constante. Esta
realidade veio acompanhada do aumento de doenças crônicas e avançada na população idosa,
haja vista que, devido aos avanços científicos e tecnológicos, associados ao desenvolvimento
da terapêutica, deixaram de ser agudas, contribuindo para a longevidade de seus portadores.
Dentre tais doenças, destaca-se o câncer e outras enfermidades crônicas. Outro fator relevante
nos idosos são as características próprias relacionadas ao envelhecimento, como o seu estado
catabólico, o qual é comum no envelhecimento, o mesmo faz com que o idoso seja portador
de comorbidades, apresentando problemas orgânicos de naturezas diversas. É importante
enfatizar que as doenças crônicas perduram por longos períodos de tempo, com múltiplos
problemas coexistentes, dependência progressiva e a necessidade de cuidados intensos, o que
aumenta o percentual da população idosa dependente de cuidados hospitalares ou em seus
domicílios. Assim, quando a cura não se mostra mais possível para o indivíduo que possui
uma doença crônica terminal, o mesmo necessitará de cuidados paliativos.O vocábulo
paliativo deriva de pallium, palavra latina que significa capa, manto ou coberta, ou seja, um
manto protetor e acolhedor, que ocultaria o que está subjacente; no caso, os sintomas que
emergem da progressão da doença. O conceito de cuidados paliativos surgiu no Movimento
1
Graduanda em Enfermagem na Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba . Cabedelo, Paraíba, Brasil. E-mail:
[email protected].
2
Graduanda em Enfermagem na Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. Cabedelo, Paraíba, Brasil. Email:[email protected].
3
Graduanda em Enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. Guarabira, Paraíba, Brasil. Email:[email protected].
4
Graduanda em Enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. Santa Rita, Paraíba, Brasil. Email:[email protected].
5
Enfermeira. Fonoaudióloga. Especialista em Saúde Coletiva, com Ênfase na ESF-FASER. Mestranda em
Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba – UFPB. Docente em Enfermagem da Faculdade de Ciências
Médicas da Paraíba. Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. E-mail: [email protected].
146
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
Hospice, fundado por Cecily Saunders e cooperadores, que foram responsáveis pela difusão
dessa nova filosofia do cuidar, no mundo, a qual contém dois elementos essenciais: o controle
efetivo da dor e de outros sintomas decorrentes dos tratamentos em fase avançada das doenças
e os cuidados de naturezas psicológicas, sociais e espirituais do paciente e de sua família. A
Organização Mundial de Saúde (OMS) em 2002 conceituou os cuidados paliativos como uma
abordagem que aperfeiçoa a qualidade de vida dos pacientes e de sua família, que encaram
problemas agregados a doenças ameaçadoras da vida, por meio da prevenção e do alívio do
sofrimento, através da identificação precoce, de avaliação correta e do tratamento da dor e de
outros problemas de ordem física, psicossocial e espiritual. Dessa forma, os cuidados
paliativos são aqueles que buscam manter a dignidade e a melhor qualidade de vida possível
para um paciente que vivencia a condição de portador de uma doença incurável. É importante
salientar que nessa modalidade de cuidar, é essencial proporcionar o máximo de conforto ao
doente e a sua família como ser único que, naquele momento, passa por aflições e angústias
relativas ao processo de terminalidade. OBJETIVO: Diante do exposto, e considerando a
relevância desse tema para a prática cotidiana dos profissionais da Saúde, esse estudo tem
como fio condutor o seguinte objetivo: caracterizar a produção científica acerca de cuidados
paliativos na terceira idade. METODOLOGIA: Trata-se de uma pesquisa bibliográfica
consubstanciada na literatura pertinente ao tema em destaque. As fontes de dados foram as
publicações acerca dos cuidados paliativos na terceira idade, no âmbito da Saúde, por meio de
busca eletrônica na Biblioteca Virtual de Saúde (BVS), na base de dados da Literatura Latino
Americana e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (LILACS) e na Biblioteca
Scientific Electronic Library Online (SciELO). Para viabilizar a coleta de dados, foram
utilizados como descritores: ―Cuidados Paliativos and Idosos‖; ―Cuidados Paliativos and
Geriatria‖; ―Cuidados Paliativos and Terceira Idade‖. Para eleger a amostra, foram
estabelecidos os seguintes critérios de inclusão: artigos que abordassem a temática de
Cuidados Paliativos na Terceira Idade, na língua portuguesa, disponibilizados na íntegra na
base de dados selecionada para a pesquisa. Destaca-se que foram observadas as observações
éticas do Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem - Resolução 311/2007, do
Conselho Federal de Enfermagem, no que diz respeito à elaboração de trabalhos científicos.
ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS: Os resultados revelaram que o
crescimento populacional e demográfico do idoso é atualmente um fenômeno mundial, e
consiste no principal determinante da maior prevalência de doenças crônicas não
transmissíveis. Assim, não se pode ignorar a necessidade de se dar atenção especializada ao
idoso, essencialmente, no âmbito institucional, político, econômico e da saúde. Portanto, para
que se possa realizar um planejamento adequado que supra as demandas biopsicossociais e
culturais da população idosa, se faz necessária a busca de determinantes das condições de
saúde e de vida dos idosos e de se conhecer as diversas facetas do processo de
envelhecimento. Assim, para suprir a tantas necessidades, torna-se necessário a formação de
uma equipe multidisciplinar, que considere o fenômeno do envelhecimento sob vários
ângulos, para que, dessa forma, se obtenha uma assistência global, com a criação de novos
espaços, novos produtos e serviços próprios a essa população, com objetivo fundamental de
garantir uma melhor qualidade de vida. Nesse contexto, inserem-se os cuidados paliativos
destinados aos pacientes idosos, como importante e nova modalidade de cuidar destinada a
essa população, necessariamente, devido às alterações sistêmicas dos idosos durante o
processo de envelhecimento. As publicações destacaram que os cuidados paliativos são
cuidados totais, ativos e integrais, que têm como foco primordial o controle da dor, e de
outros sintomas decorrentes da fase avançada de uma doença terminal. Os autores
acrescentam que tal filosofia baseia-se em conhecimento científico inerente a várias
especialidades e probabilidades de intervenção clínica e terapêutica, nas diversas áreas do
conhecimento da ciência médica. Contudo, o trabalho de uma equipe de cuidados paliativos é
147
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
regido por sete princípios: valoriza a vida e encara a morte como um processo natural; não
abrevia nem prolonga a vida; provê o alívio da dor e de outros sintomas; integra os aspectos
psicológicos e espirituais dos cuidados, consentindo ocasiões para o crescimento; proporciona
uma equipe interdisciplinar e um sistema de suporte para a família durante a doença do
indivíduo e no período de enlutamento; e deve ser iniciado o mais precocemente possível.
Para tanto, é importante a intervenção de uma equipe de profissionais adequadamente treinada
e experiente no controle da dor e dos sintomas de natureza biológica, psicológica, social e
espiritual, tendo como objetivo atingir a melhor qualidade de vida do paciente idoso, bem
como de sua família. É notório que os profissionais da saúde, atualmente, investem em
procedimentos sofisticados e na utilização de tecnologias de ponta, esquecendo-se da
unicidade do ser, acabando por tratar a doença e não o doente. Desse modo, o exercício dos
cuidados paliativos, exige dos profissionais não só um profundo conhecimento técnico, como
também uma enorme disponibilidade interna de doação e uma ótima capacidade de
comunicação. Ainda de acordo com estudos realizados, foi enfatizado que existe uma
evidência considerável de que as pessoas idosas sofrem desnecessariamente, devido à
ausência de um exame físico detalhado que o considere como um ser holístico, que possui
individualidades; do diagnóstico precoce; de tratamento de seus problemas, bem como por
dificuldade no acesso aos programas de cuidados paliativos. Tais fatos diminuem a
possibilidade terapêutica de cura. Dessa forma, a equipe hospitalar pode iniciar e desenvolver
planos de assistência focados nessas circunstâncias, discutindo-se, em seguida, sua
continuidade ao transferir o paciente para seu domicílio ou instituição de longa permanência,
pois essa modalidade de cuidar não se limita aos serviços hospitalares, mas se estende para
toda rede de atenção à saúde. Diante do exposto, considera-se que vários são os recursos
usados nos cuidados paliativos ao paciente idoso. Cabe aos profissionais da Saúde expandir
seus conhecimentos, a fim de que possam colaborar para a prevenção, para o alívio do
sofrimento e para a promoção de um cuidado mais humanizado. CONSIDERAÇÕES
FINAIS: É iminente a necessidade de maior investimento e visibilidade das pesquisas em
relação à temática ora exposta. Foi observado que ainda precisa-se avançar muito na
implantação de cuidados paliativos como uma ação de saúde voltada para a dignidade humana
e ainda na formação de profissionais paliativistas, os quais são extremamente escassos, tendo
que haver por parte desses profissionais, comprometimento ao traçar caminhos para o
envelhecimento digno e com qualidade de vida. Nesse sentido, considerando o quantitativo
incipiente de publicações, faz-se necessário que profissionais da Saúde, tenham o
compromisso de utilizar essa forma diferenciada de cuidar na sua prática clínica, dedicar-se à
assistência qualificada nos cuidados paliativos para os idosos, capacitar-se e divulgar os
resultados das pesquisas relacionadas a esse cuidado.
Descritores: Cuidados Paliativos. Idoso. Saúde.
REFERÊNCIAS
ANCP - ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE CUIDADOS PALIATIVOS. Formação de
enfermeiros em cuidados paliativos. 2007. Disponível em: <http://www.ancp.pt/uploads/
Recomendaçõesformaçãoemcuidadospaliativos.pdf.>. Acesso em: 20 abr. 2006.
ANDRADE,C.G et al. Cuidados paliativos e dor: produção científica em periódicos online no
âmbito da Saúde. Revista Temas em Saúde, v. 10, n.1, p. 18-25, 2010.
ARAÚJO, M.M.T. Quando uma palavra de carinho conforta mais que um medicamento:
necessidade e expectativas de pacientes sob cuidados paliativos. 2008. 153f. Dissertação
148
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
(Mestrado em Enfermagem). Programa de Pós-graduação, Escola de Enfermagem da
Universidade de São Paulo, São Paulo, 2006.
MACHADO, K.D.G.; PESSINI, L.; HOSSNE , W.S. A formação em cuidados paliativos
da equipe que atua em unidade de terapia intensiva: um olhar da bioética. Centro
Universitário São Camilo, v. 1, n.1, p. 34-42, 2007.
PEREIRA, A.M.V.B; SCHNEIDER, R.H; SCHWANKE, C.H.A. Geriatria ,uma
especialidade centenária. Scientia Medica, Porto Alegre, v. 19, n. 4, p. 154-161, out./dez.
2009.
PEREIRA,A.M.V.B; SCHNEIDER, R.H; SCHWANKE, C.H.A. Geriatria ,uma especialidade
centenária. Scientia Medica, Porto Alegre, v. 19, n. 4, p. 154-161, out./dez. 2009
PESSINI, L.; BERTACHINI, L. Novas perspectivas em cuidados paliativos: ética, geriatria,
gerontologia, comunicação e espiritualidade. In: PESSINI, L.; BARCHIFONTAINE, C.P.
(Orgs.). Bioética e Longevidade Humana. São Paulo: Loyola, 2006. p. 353-391.
REZENDE, V. L. Reflexões sobre a vida e a morte: abordagem interdisciplinar do paciente
terminal. Campinas: Editora UNICAMP, 2000.
SILVA, M.J.P. Comunicação com pacientes fora de possibilidades terapêuticas: reflexões. O
Mundo Saúde, v.27, n.1, p. 64-70, 2003.
SILVA, R.C.F.; HORTALE, V.A. Cuidados paliativos oncológicos: elementos para o debate
de diretrizes nesta área. Cad. Saúde Pública, v. 22, n.10, p. 2055-2066, 2006.
SOLANO, J.P.C.; SCAZUFCA,M.; MENEZES, P.R. Frequência de sintomas no último ano
de vida de idosos de baixa renda em São Paulo: estudo transversal com cuidadores informais.
Rev. bras. epidemiol.,v. 14, n.1, p. 75-85, 2011.
VERAS R. Envelhecimento populacional contemporâneo: demandas, desafios e inovações.
Rev. Saúde Pública, v. 43, n.3, p. 548-54, 2009.
149
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
AIDS NO IDOSO: UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
Yasmim Ingrid Pessoa Simões (relator)1
Bruna Rochelle Calado Dantas2
Kátia Christina P.S. Oliveira3
Luara da Silva Pereira4
Cristiani Garrido de Andrade5
INTRODUÇÃO: Conforme o censo demográfico realizado no Brasil, a população idosa
cresceu 35% nos últimos 10 anos e representava, no ano 2000, 8,56% da população do país,
sendo que essa realidade tende a aumentar, haja vista que a expectativa de vida dos
brasileiros, de 70,5 anos em 2000 passa a ser de 72,6 anos sem 2006, o Brasil será o sexto
país do mundo em número de idosos até 2025, o que corresponderá a 15% da população
brasileira, ou seja, aproximadamente 30 milhões de pessoas. Nesse sentido, averigua se que o
aumento da taxa de fecundidade a redução da mortalidade e os avanços tecnológicos na área
da saúde têm proporcionado melhores condições de saúde à população e consequentemente
contribuídas para a longevidade dos indivíduos. É importante destacar que outra característica
do envelhecimento da população é a tendência epidemiológica denominada feminizarão;
tendo o sexo feminino representado 55,34% da população idosa, no ano de2000.Logo, os
rápidos avanços da medicina e da tecnologia têm favorecido para que as pessoas envelheçam
de forma mais saudável e com melhor qualidade de vida, inclusive prolongando sua atividade
sexual, podendo favorecer o surgimento da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida
(AIDS).A AIDS surgiu no início da década de 1980, sendo diagnosticado o primeiro caso no
Brasil, na cidade de São Paulo tornando-se rapidamente uma epidemia mundial atingindo
atualmente a população em geral. Destaca-se que, no início da epidemia, os primeiros casos
aconteceram com homossexuais e indivíduos que receberam transfusão de sangue, seguidos
pelo aparecimento de casos em usuários de drogas injetáveis. Desse modo, pensava-se que
existiam grupos designadamente mais suscetíveis, ou de risco, para adquiri-la, como os
homossexuais, prostitutas e usuários de drogas. Nesse tempo, não se avaliava os idosos como
um grupo de risco, e as campanhas de prevenção direcionada a essa população eram escassas.
Logo, a população idosa, de início, praticamente não foi atingida pela AIDS, tendo nos
primeiros cinco anos de epidemia apenas quatro casos diagnosticados em pessoas com 60
anos ou mais, no Brasil. É importante enfatizar, ainda, que nesta época considerava-se que os
idosos tinham uma vida sexual inativa. Atualmente, houve uma mudança no padrão sexual
dos homens idosos em consequência dos medicamentos para tratamento de disfunção erétil,
disponíveis no mercado a partir da década de 90, proporcionando-lhes atividade sexual mais
intensa. Já em relação às mulheres, estudo aponta que apesar de terem a frequência de
relações sexuais diminuídas por ocasião da menopausa, elas continuaram com atividade
sexual ativa e têm dificuldade em negociar o uso do preservativo com os parceiros. No que
1
Acadêmica de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. Técnica em Enfermagem. E-mail:
[email protected]
2
Acadêmica de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. E-mail:
[email protected]
3
Acadêmica de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. Técnica em Enfermagem. E-mail:
[email protected]
4
Acadêmica de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. E-mail: [email protected]
5
Enfermeira. Fonoaudióloga. Especialista em Saúde Coletiva, com Ênfase na ESF-FASER. Mestranda em
Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba – UFPB. Docente em Enfermagem da Faculdade de Ciências
Médicas da Paraíba. Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. E-mail: [email protected].
150
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
concerne às questões fisiológicas, o idoso possui alterações de seu estado imunológico, o que
o predispõe a um maior risco de adquirir infecções e a ter problemas para responder aos
agentes agressores. Mesmo diante destas contestações, os profissionais da área da saúde ainda
possuem resistência em associar a AIDS aos idosos. Assim, diante da relevância dessa
temática para prática dos profissionais da Saúde, desenvolveu-se este estudo que apresenta
como objetivo caracterizar a produção científica acerca da AIDS no idoso, no âmbito da
saúde. OBJETIVO: Este trabalho tem como objetivo caracterizar a produção científica
acerca da AIDS no idoso, no âmbito da saúde. METODOLOGIA: Trata-se de uma pesquisa
bibliográfica, consubstanciada na literatura pertinente à temática. A coleta de dados foi
realizada no período de março a abril de 2012. As fontes de dados foram as publicações
acerca da AIDS na população idosa, no âmbito da Saúde, por meio de busca eletrônica na
Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), na base de dados Scientific Eletronic Library Online
SciELO, bem como através de livros, dissertações e teses. As palavras chave instituídas para a
coleta de dados foram ―Idoso, AIDS, Geriatria, HIV, SIDA, Terceira Idade‖. Destaca-se que
foram ponderadas as observâncias éticas observadas no Código de Ética dos Profissionais de
Enfermagem – Resolução 311/2007, do Conselho Federal de Enfermagem, no que se refere à
elaboração de trabalhos científicos. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS: Os
resultados evidenciaram que a AIDS é uma patologia não hereditária causada pelo vírus da
imunodeficiência humana (VIH ou HIV) que enfraquece o sistema imunitário do nosso
organismo. O VIH é um vírus devastador que, ao entrar no organismo, dirige-se ao sistema
sanguíneo, no qual inicia-se, de imediato, a replicar-se, atacando o sistema imunológico,
destruindo as células defensoras do organismo e deixando a pessoa infectada (soropositiva),
mais debilitada e sensível a outras doenças. A transmissão por via sexual nas relações
heterossexuais é mais comum do homem para a mulher, do que o contrário. A infecção com o
VIH caracteriza-se por quatro fases diferentes. Ocorre primeiro o período de infecção aguda,
até quatro semanas após o contágio, cuja causa, normalmente, passa despercebida a doentes e
médicos, por causa dos devidos sintomas. Segue-se um período que pode durar dez a quinze
anos - em alguns casos mais em outros menos, no qual, embora o vírus continue a se
multiplicar. Nesta fase, apesar do vírus continuar a matar as células CD4, o organismo
consegue repor quase a mesma quantidade de células que são destruídas diariamente. A
terceira fase da doença, em que o organismo já não consegue repor completamente a
quantidade de células CD4 destruídas pelo vírus, caracteriza-se por uma imunodepressão
moderada, com sintomas e sinais associados, como o emagrecimento, suores noturnos,
diarreia prolongada e febre quarta fase, em que o soropositivo passa a ter SIDA (Síndrome de
Imune Deficiência Adquirida ) ocorre quando a contagem de células CD4 torna-se muito
baixa ou quando a pessoa é afetada por outra doença, indicando, desse modo, um estado de
imunodeficiência grave. Nesse sentido, evidenciou-se que a duração do período entre a
entrada do vírus no organismo e o diagnóstico da SIDA depende, significativamente, dos
cuidados que o indivíduo possui, nomeadamente de comportamentos considerados saudáveis,
como uma boa higiene pessoal, boa nutrição, o não fumar e praticar esporte. Especificamente,
o aparecimento da SIDA pode ainda ser retardado pela correta utilização de medicamentos
que retardam a multiplicação do vírus e dos medicamentos que previnem as doenças
oportunistas - os medicamentos antirretrovirais. Logo, a literatura alude que na ausência de
uma vacina ou cura para a doença, a educação e a prevenção parecem constituir o meio mais
eficaz de controlar a transmissão.Com base em tal entendimento, é notório destacar que os
indivíduos soropositivos possuem um papel central na manutenção da epidemia, uma vez que
estes podem transmitir a patologia para outros indivíduos. Destaca-se que a maioria dos
indivíduos com AIDS não procuram o serviço de saúde próximo à sua residência, temendo
encontrar pessoas conhecidas que podem de alguma forma tomar conhecimento do seu
diagnóstico. Assim, com receio de serem discriminados e estigmatizados, terminam por se
151
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
isolar e consequentemente ficam sem acompanhamento e tratamento adequados. Acrescentase ainda que a ascensão das taxas de infecção pelo HIV entre gerações mais velhas pode ser
um sinal de uma lacuna nos esforços de prevenção com este grupo de idade. No Brasil, de
1980 a junho de 2005, foram registrados 31356 casos de AIDS empessoas com idade igual ou
superior a 50 anos de idade, observando-se um incremento proporcional para as pessoas com
maior idade. De 1993 a 2003 houve um aumento de130% entre os homens e de 396% entre as
mulheres dessa faixa etária. Destarte, estimam-se que das 40 milhões de pessoas vivendo com
HIV/AIDS no mundo, aproximadamente 2,8 milhões estão na faixa etária igual ou superior a
50 anos. Atualmente, o mundo passa por uma revolução no processo de envelhecimento, com
novos significados e perspectivas para homens e mulheres, e nesse contexto a sexualidade
permanece, apoiada nas tecnologias para tal. A preocupação, se deve ao fato, de que esses
indivíduos não foram orientadas quando jovens, sobre o uso do preservativo e não se veem
vulneráveis à infecção. Devido à baixa percepção de vulnerabilidade pelos mais velhos, temse por consequência, a pequena demanda pelo teste anti-HIV, ocasionando sub notificação e
indeterminação das taxas de infecção para este grupo, torna-as menos precisas, quando
comparada a grupos mais jovens. Outro problema grave é conduzido por muitos profissionais
de saúde, que, desconsiderando os mais velhos como sexualmente ativos, deixam escapar
oportunidades de detecção precoce do diagnóstico. Em outros aspectos o atraso no
diagnóstico, também é influenciado pelas manifestações clínicas da infecção em si, que são
confundidas com manifestações de doenças típicas nos pacientes desta faixa etária como, por
exemplo, a fadiga e a perda ponderal, que incide em ambos os casos. É sabido que os
pacientes nesta faixa etária apresentam progressão para a imunodepressão de forma mais
acelerada, observando-se, ainda, maior aparecimento de doenças oportunistas, acrescido de
maior probabilidade do advento de outras morbidades, o que contribui para o agravamento
das condições de saúde. Logo, por esses motivos, o diagnóstico do vírus HIV em idosos é,
frequentemente, adiado em mais de 10 meses. Logo, constatou-se, através da revisão
bibliográfica, que o aumento de caso de AIDS na terceira idade pode ser atribuído,
fundamentalmente, a dois aspectos: o primeiro está relacionado àqueles idosos que possuem,
entre outros fatores, melhores recursos financeiros, o que colabora para o acesso a prazeres e
serviços disponíveis, consentindo uma vida sexual mais ativa; e o segundo, à existência de
tabus sobre a sexualidade na terceira idade. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Verificou-se que
essa temática é de fundamental importância para a prática dos profissionais da área da Saúde,
uma vez que a AIDS no idoso não é comum para a sociedade, onde o avanço da patologia
atribui-se, de acordo com o estudo, a falta de informação, prevenção, diagnóstico precoce e
assistência qualificada.
Descritores: AIDS. Idoso. HIV.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Ministério da Saúde/ CEBRAP. Comportamento sexual da população brasileira
e percepções do HIV/Aids. Brasília: Ministério da Saúde, 2000.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção
Básica. Envelhecimento e saúde da pessoa idosa. Brasília: Ministério da Saúde, 2006.
FIGUEIREDO, M.L.F. et al. Educação em saúde e mulheres idosas: promoção de conquistas
políticas, sociais e em saúde. Escola Anna Nery Revista de Enfermagem, v.10, n.3, p. 458463, 2006.
152
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
FOCACCIA, R. Veronense: tratado de infectologia. 3.Ed.. SãoPaulo: Atheneu,2005.
GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
GIR, E. ; REIS, R. K. Vulnerabilidade do HIV/SIDA e a prevenção da transmissão sexual
entre casais soro discordantes.Disponível em:
<http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v43n3/a23v43n3.pdf >. Acesso em: 28 de março de 2012.
GOMES, S.F.; SILVA, C.M. Perfil dos idosos infectados pelo HIV/Aids: uma revisão.
VITTALLE – Revista de Ciências da Saúde, v.20, n. 1, p. 107-122, 2008.
153
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
CUIDADOS PALIATIVOS EM PACIENTES COM CÂNCER: UMA
REVISÃO DE LITERATURA
Emília Guilherme da Silva (relator)1
Rosângela Almeida Guedes Costa2
Tatiane Martiniano Andrade3
Ana Aline Lacet Zaccara4
Cristiani Garrido de Andrade5
Maria Andréa Fernandes6
A Medicina vem evoluindo profundamente em relação ao tratamento de doenças. O
desenvolvimento científico-tecnológico nas últimas décadas, fundamentalmente, na área de
oncologia, proporcionou considerável incremento no campo do diagnóstico e do tratamento,
tendo-se, recentemente, a cura como objetivo em cerca de 50% dos cânceres diagnosticados.
O câncer é uma patologia que está entre as principais causas de morte, constituindo, na
atualidade, no Brasil, a segunda causa de mortalidade, sendo superado apenas pelas doenças
cardiovasculares. A incidência, no Brasil, é de aproximadamente 400.000 novos casos por
ano, sendo que destes cerca de 127.000 evoluem a óbito. Tal patologia se reveste de estigmas,
estando quase sempre associada a uma sentença de morte, podendo ocorrer, de forma
inesperada, em algum momento da vida de uma pessoa que dificilmente encontra-se
preparada para receber um diagnóstico que venha a interferir em seus hábitos, costumes,
integridade física e ciclo biológico. Ainda hoje, o câncer induz aos pacientes uma visão de
morte. Assim, muitas vezes, o paciente demora a procurar um serviço especializado, capaz de
providenciar seu tratamento, retardando assim sua cura e tornando o seu pensamento uma
realidade. Nesse contexto, o câncer vem se sobressaindo entre as doenças crônicas, como uma
patologia que está entre as fundamentais causas de morte, constituindo atualmente no Brasil a
segunda causa de mortalidade. Apesar dos grandes avanços no tratamento oncológico, nem
sempre é possível obter a cura; com isso, muitos pacientes passam a necessitar de cuidados
que visam, além do controle da dor e de outros sintomas diversos, a assistência qualificada
nos aspectos psicológicos, sociais e espirituais. Os cuidados oferecidos a esses doentes
deixam de ser curativos e passam a ser paliativos. Dessa maneira, destacam-se os cuidados
paliativos que emergem como uma nova modalidade de atenção à Saúde. Os cuidados
paliativos desenvolvem a atenção aos pacientes sem possibilidades terapêuticas de cura
buscando controlar ou amenizar os sintomas e sinais físicos, psicológicos e espirituais destes.
A Organização Mundial de Saúde, em 2002, conceituou os cuidados paliativos como cuidados
ativos e totais, que promovem a melhoria da qualidade de vida do paciente e seus familiares,
diante de doenças que não respondem ao tratamento curativo, através da prevenção e do alívio
do sofrimento, por meio da identificação precoce, da avaliação correta e do tratamento da dor
1
Graduanda em Enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba – FCMPB. E-mail:
[email protected].
2
Graduanda em Enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba – FCMPB. E-mail:
[email protected]
3
Graduanda em Enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba – FCMPB. E-mail:
[email protected]
4
Enfermeira. Universidade Federal da Paraíba. E-mail: [email protected].
5
Enfermeira. Fonoaudióloga. Especialista em Saúde Coletiva, com Ênfase na ESF-FASER. Mestranda em
Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba – UFPB. Docente em Enfermagem da Faculdade de Ciências
Médicas da Paraíba. Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. E-mail: [email protected].
6
Enfermeira. Especialista em Saúde da Família e Saúde Coletiva. Universidade Federal da Paraíba.
154
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
e de outros sintomas decorrentes da fase avançada de uma doença, nos seus aspectos físicos,
psíquicos, sociais e espirituais. É notório destacar que muitos aspectos dos cuidados paliativos
são aplicáveis mais cedo, no curso da doença, em conjunto com o tratamento curativo. Os
cuidados paliativos baseiam-se em conhecimento científico próprio a várias especialidades de
intervenção clínica e terapêutica, nas várias áreas do conhecimento da ciência médica. No
entanto, o trabalho de uma equipe de cuidados paliativos é regido por sete princípios: valoriza
a vida e encara a morte como um processo natural; não abrevia nem prolonga a vida; provê o
alívio da dor e de outros sintomas; integra os aspectos psicológicos e espirituais dos cuidados,
permitindo oportunidades para o crescimento; oferece uma equipe interdisciplinar e um
sistema de suporte para a família durante a doença do indivíduo e no período de enlutamento;
e deve ser iniciado o mais precocemente possível. Nessa perspectiva, o cuidado ao paciente
com câncer, imprime peculiaridades na assistência em saúde, com objetivo de alcance da
integralidade, em prol do cuidado interativo e complexo. Assim sendo é inegável a
importância da aplicação dos cuidados paliativos para promover uma melhor qualidade de
vida ao paciente com câncer, uma vez que apresentam um enfoque diferenciado de
tratamento, que tem como objetivo principal a promoção do cuidar humanizado, observando o
alívio das necessidades físicas, psicológicas, sociais e espirituais do paciente, bem como de
seus familiares. É notório enfatizar que na literatura brasileira ainda são poucos os estudos
que abordam o tema sobre cuidados paliativos direcionados aos pacientes com câncer. Assim,
a necessidade de se caracterizar melhor este tipo de paciente, bem como o desconhecimento
de suas necessidades, sua qualidade de vida motivaram a realização deste trabalho.
OBJETIVO: Descrever a importância dos cuidados paliativos como uma nova modalidade
para o cuidado de pacientes com câncer; Averiguar a atuação da Enfermagem no cuidar do
paciente com câncer. METODOLOGIA: Trata-se de uma pesquisa bibliográfica embasada
na literatura pertinente à temática. As fontes de dados foram as publicações acerca dos
cuidados paliativos em pacientes com câncer, no âmbito da Saúde, por meio de busca
eletrônica na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), na base de dados Scientific Eletronic
Library Online SciELO. Os descritores utilizados para a busca de dados foram Cuidados
Paliativos and Oncologia e Cuidados Paliativos e Câncer. Para escolher a amostra, foram
colocados os seguintes critérios de inclusão: artigos que abordassem o tema, na língua
portuguesa, disponibilizados na íntegra na base de dados selecionada para a pesquisa.
Destaca-se que foram consideradas as observâncias éticas ressaltadas no Código de Ética dos
Profissionais de Enfermagem – Resolução 311/2007, do Conselho Federal de Enfermagem,
no que se diz respeito à elaboração de trabalhos científicos. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS
RESULTADOS: Os cuidados paliativos são um conjunto de ações que possibilitam uma
abordagem holística do paciente com doença incurável. A literatura analisada evidenciou que
a expansão dos cuidados paliativos no mundo é recente, tendo seu marco formal em 1967,
com a fundação do St. Christopher's Hospice, por Cicely Saunders e colaboradores, em
Londres, os quais espalharam, pelo mundo, essa nova filosofia do cuidar centrada no direito
do paciente de viver os dias que lhe restam e de morrer com dignidade, tendo em seu
arcabouço teórico - conhecido como filosofia do moderno movimento hospice - o cuidar de
um ser humano que está morrendo, e de sua família, com compaixão e empatia. Vale ressaltar
que, os Cuidados Paliativos têm por finalidade oferecer cuidados de suporte global, visando o
controle dos sintomas e a melhora da qualidade de vida dos pacientes e de seus familiares.
Assim sendo, desenvolvem a atenção aos pacientes observando não apenas o alívio de seu
sofrimento em sua fase terminal, mas o alívio de sintomas e do desconforto destes em
qualquer fase de sua doença. No Brasil, diante desse panorama, os Cuidados Paliativos
surgiram com a implementação de serviços de dor nos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo,
Rio Grande do Sul e Minas Gerais. No Rio de Janeiro, em 1989, no Instituto Nacional do
Câncer (INCA), foi criado o serviço de suporte terapêutico oncológico para consentir ao
155
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
paciente fora de possibilidade de cura no intra-hospitalar e no domicílio. Todavia, os cuidados
paliativos, como modalidade no Brasil, ainda são desconhecidos por muitos profissionais e
não são considerados na preparação das políticas públicas. Comumente, esses cuidados são
proporcionados através de programas inseridos ou não em instituições hospitalares. Quando
não inseridos em uma instituição hospitalar, podem estar em asilos, casas de repouso,
moradias assistidas, clínicas, domicílio, entre outros, com objetivo de ajudar os pacientes e os
seus familiares nos processo do cuidado. Destaca-se que esses cuidados são prestados desde o
processo do diagnóstico de uma doença incurável até o momento de sua morte, bem como no
período de enlutamento. Em cuidados paliativos, oferecer um sistema de apoio para ajudar os
pacientes a viver tão ativamente quanto possível, até o momento da sua morte é uma das
metas deste novo paradigma de assistência. Exige-se também uma abordagem em equipe,
buscando aprimorar a qualidade de vida, e devem ser aplicáveis no estágio inicial da doença,
concomitantemente com as modificações da doença e terapias que prolongam a vida. Nessa
equipe destaca-se a Enfermagem. Os autores evidenciaram que a atuação da equipe de
enfermagem é primordial e indispensável para proporcionar o máximo de conforto ao
paciente sob cuidados paliativos, ajudando-o a vivenciar o processo de morrer com dignidade,
para que utilize da melhor forma possível, o tempo que lhe resta. Isto significa ajudar o ser
humano a buscar qualidade de vida, quando não é mais possível acrescer quantidade. O
enfermeiro que atua nos cuidados paliativos direcionados ao paciente com câncer necessita
saber orientar tanto o paciente quanto sua família acerca dos cuidados a serem realizados.
Para isso é preciso que o enfermeiro saiba educar em saúde, de maneira clara e objetiva, e ser
prático em suas ações, visando sempre o bem-estar dos seus pacientes. Logo, a importância da
relação paciente, equipe de enfermagem e família, no processo de cuidar, inclui a maneira
como é dada a notícia, a clareza com que é abordado o assunto e a abertura que é dada ao
paciente e à sua família para que possam discorrer sobre o seu sofrimento, sentimentos e
dúvidas. A literatura enfatizou que o paciente com câncer precisa de ajuda da enfermagem na
identificação de seus problema, para que possa enfrentá-los de forma realista, participar
ativamente da experiência e, se possível, encontrar soluções para eles. Dessa forma, destacase que a aplicabilidade dos cuidados paliativos deve ser realizada cada vez mais precoce na
evolução das doenças crônicas, fundamentalmente do câncer, devendo muitas vezes ser
simultânea ao desenvolvimento do processo terapêutico curativo, enfocando a dignidade da
vida no processo de morte. CONSIDERAÇÕES FINAIS: A temática acerca de cuidados
paliativos em pacientes com câncer requer uma maior disseminação no campo da produção
científica, sob o olhar dos profissionais da área de Saúde, essencialmente da enfermagem.
Diante deste cenário, evidencia-se que essa modalidade diferenciada de tratar vem merecendo
atenção por parte de pesquisadores, gestores e profissionais da Saúde, sugerindo boas
perspectivas para a inserção das modalidades terapêuticas em cuidados paliativos em redes
assistenciais de Saúde e na formação acadêmica dos diversos profissionais dessa área.
Descritores: Cuidados paliativos. Câncer. Enfermagem.
REFERÊNCIAS
AMERICAN CANCER SOCIETY. CancerStatisticsPresentation 2004.Disponível em:
<http://www.cancer.org/downloads/PRO/Cancer%20Statistics%202004.ppt.>. Acesso em: 19
abr. 2012.
ARAÚJO, M. M. T.; SILVA, M. J. P. A comunicação com o paciente em cuidados paliativos:
valorizando a alegria e o otimismo. Rev. Esc. Enf. USP, v.41, n. 4, p. 668-674, dez. 2007.
156
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
BARBOSA, S. M. M.; VALLENTE, M. T.; OKAY, Y. Medicina paliativa: a redefinição da
experiência humana no processo de adoecer. Revista da Sociedade Brasileira para o estudo
da dor, v.3, n. 2, p. 61-68, 2007.
BIFULCO, V.A.; IOCHIDA, L.C. A formação na graduação dos profissionais de saúde e a
educação para o cuidado de pacientes fora de recursos terapêuticos de cura. Rev. bras. educ.
med., Rio de Janeiro, v. 33, n. 1, p. 92-100, 2009.
CORRÊA, P. H.; SHIBUYA, E. Administração da terapia nutricional em cuidados paliativos.
Rev. Bras. Cancerologia, v.53, n.3, p.317-323, 2007.
FONSECA, RMP. Revisão integrativa da pesquisa em enfermagem em centro cirúrgico
no Brasil: trinta anos após o SAEP. 2008. 132f. Dissertação (Mestrado em Enfermagem) Universidade de São Paulo, Programa de Pós-Graduação em Enfermagem, São Paulo, 2008.
GANONG, LH. Integrative reviews of nursing research. Res. Nurs. Health., v. 10, n.1, p.111, 1987.
INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER. Ministério da Saúde. Ações de enfermagem para
o controle do câncer: uma proposta de integração ensino-serviço. 2. ed.Rio de janeiro (RJ):
INCA, 2002.
MACCOUGHLAN, M. A necessidade de cuidados paliativos. In: PESSINI. L;
BERTACHINI. (Org.). Humanização e cuidados paliativos. 3.ed. São Paulo: Edições
Loyola, 2006. Cap. 11, p. 167- 180.
MELLO, A. G. C. de; FIGUEIREDO, M. T. A. Cuidados paliativos: conceitos básicos,
histórico e realizações da Associação Brasileira de Cuidados Paliativos e da Associação
Internacional de Hospice e Cuidados Paliativos. In: PIMENTA, C. A. de M.; MOTA, D. D.
C.F.; CRUZ, D. de A. L. M. da. Dor e cuidados paliativos: enfermagem, medicina e
psicologia. Barueri, SP: Manole, 2006. Cap. 2, p. 16-23.
PESSINI, L.; BERTACHINI. Humanização e cuidados paliativos. 3. ed. São Paulo: Loyola,
2006.
SANTOS, F.S. O desenvolvimento histórico dos cuidados paliativos e a filosofia hospice. In:
SANTOS, F.S. Cuidados paliativos: diretrizes, humanização e alívio de sintomas. São Paulo:
Atheneu, 2011.
WORLD HEALTH ORGANIZATION. National cancer control programmes: policies and
managerial guidelines. Geneva: WHO, 2002.
WRIGHT, M; et al. Mapping levels of palliative care development: a global view. J Pain
Symptom Manage, v. 35, n. 5, p. 469-485, 2008.
157
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
CONDUTA DE ENFERMAGEM NAS SÍNDROMES HEMORRÁGICAS
PÓS- PARTO: PREVENINDO A MORTALIDADE MATERNA
Morganna Guedes Batista(relator)1
Alyne da Silva Souza 2
Cintia Bezerra Almeida Costa 3
Flávia Christine Feitosa Nunes 4
Naracy Vieira de Carvalho5
Isolda Maria Barros Torquato6
INTRODUÇÃO: As síndromes hemorrágicas constituem uma das maiores responsáveis
pelos óbitos maternos em todo o mundo. De acordo com a Organização Mundial de Saúde,
estima-se que morrem 104.000 mil mulheres todos os anos vítimas desta condição clínica.
Fundamentalmente, esses óbitos decorrem da falta de detalhamento de padrões de risco para
Hemorragia Pós Parto, por falta de condição hospitalar adequada, dificuldade de aquisição de
hemoderivados, dificuldade de acesso a centros especializados e falta de uma assistência
adequada por parte dos profissionais médicos e de enfermagem. Muitas pacientes de risco
podem ser identificadas antes do parto, o que permite conduzir o parto dessas mulheres em
unidade hospitalares capacitadas com recursos técnicos e humanos, para rápida correção.
Caracteriza-se Hemorragia Pós Parto (HPP) a perda de sangue superior a 500 ml nas
primeiras 24 horas após o parto. As causas são variadas, sendo as principais: atonia uterina,
lacerações produzidas pelo parto e retenção de tecido placentário. Este estudo tem como
objetivo explanar sobre a importância da participação e assistência da equipe de enfermagem
nas Síndromes Hemorrágicas Pós Parto. METODOLOGIA: Trata-se de uma pesquisa
bibliográfica, de cunho descritivo, realizada em bibliotecas públicas e privadas de João
Pessoa- PB, revistas especializadas, periódicos e sites indexados, durante o período de
dezembro a janeiro de 2012. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA: De acordo com a literatura
consultada 80% das repercussões hemodinâmicas nas mulheres dependem da intensidade da
hemorragia e das condições da grávida antes do parto, daí, a importância da atuação da equipe
da enfermagem na conduta rápida e eficaz no atendimento a mulher, esta seria a melhor
maneira de reduzir as complicações e os óbitos decorrentes desta causa. A prevenção deve
iniciar-se na gravidez, por meio da identificação de mulheres com maior risco. Durante o
período de pós-parto imediato, é preciso monitorar atentamente os sinais vitais, contratilidade
uterina e o volume de perda sanguínea, a fim de prevenir o sangramento intenso e detectá-lo
1
Relatora. Discente do Curso de Graduação em Enfermagem da Faculdade de Enfermagem Nova Esperança. Email: [email protected].
2
Discente do Curso de Graduação em Enfermagem da Faculdade de Enfermagem Nova Esperança. E-mail:
[email protected].
3
Orientadora. Enfermeira. Docente do Departamento de Enfermagem em Saúde Pública e Psiquiatria da
Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e da Faculdade de Enfermagem Nova Esperança. Aluna do DINTER
UFPB∕UFPI∕Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (EERPUSP). E-mail:
[email protected].
4
Discente do Curso de Graduação em Enfermagem da Faculdade de Enfermagem Nova Esperança. E-mail:
[email protected].
5
Discente do Curso de Graduação em Enfermagem da Faculdade de Enfermagem Nova Esperança. E-mail:
[email protected].
6
Enfermeira. Fisioterapeuta. Mestre em Ciências da Nutrição pela UFPB. Docente do Curso de Enfermagem da
Universidade Federal de Campina Grande (UFPB). E-mail: [email protected].
158
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
precocemente. Idealmente, após os partos prolongados ou complicados, as puérperas
deveriam permanecer em ambiente de recuperação, com enfermagem seletiva para uma
melhor assistência durante este período. A maioria das literaturas pesquisadas traz que o
tratamento inicial da HPP consiste em massagem uterina em conjunto com uso de ocitócitos,
bem como a ocitocina, ergometrina e prostaglandinas. No insucesso de tais medidas, devemos
aplicar rapidamente outros métodos na tentativa de controlá-la, como a compressão uterina
bimanual, compressão da aorta abdominal e o tamponamento uterino. As maiores respostas
circulatórias iniciais com a perda sanguínea é a diminuição do suprimento sanguíneo nos rins,
coração e cérebro, aumento da frequência cardíaca para aumentar o débito cardíaco,
taquicardia como um sinal precoce de choque e o aumento da resistência vascular periférica.
O método mais efetivo para melhorar o débito cardíaco e a perfusão tecidual é a restauração
da anormalidade do retorno venoso, fazendo com que o profissional saiba dosar a hidratação
venosa, a assistência farmacológica e a propedêutica, preservando assim todos os órgãos,
mostrando métodos efetivos para melhorar e trazer a normalidade para a paciente.
Corroborando assim, alguns autores demonstraram que este desequilíbrio hemodinâmico pode
levar a paciente ao choque hipovolêmico onde é de fator decisivo o reconhecimento inicial
quanto aos sinais e sintomas. A enfermagem deve estabelecer oxigenação adequada, com uso
do cateter nasal ou máscara facial. É importante a realização do cateterismo vesical de
demora, para o monitoramento da diurese, e esvaziando a bexiga diminui a contratabilidade
uterina, providenciando acesso venoso, imediata coleta de sangue para tipagem sanguínea e
coleta de exames. As soluções utilizadas para o tratamento inicial, geralmente são isotônica,
por promover a expansão do volume infundido circulante. O ringer lactato é a solução de
escolha. A solução fisiológica, apesar de repor o volume, tem a possibilidade de causar
acidose hiperclorêmica, principalmente em pacientes com insuficiência renal. A reposição
deve ser realizada em bolus, administrando-se 1000 a 2000 ml de ringer lactato. Uma
estimativa para saber quanto repor o volume de cristaloides, é que devem ser repostos três ml
de solução para cada um ml de sangue perdido. Já a reposição sanguínea é indicada quando o
hematócrito se encontra abaixo de 30% a 35%%. Em pacientes jovens e saudáveis, os níveis
de hemoglobina em torno de 7,0g/dl são bem-tolerados, desde que se encontrem estáveis
hemodinamicamente e com hemorragia controlada. As soluções devem ser aquecidas antes de
serem infundidas para prevenir a hipotermia. Após os cuidados intensivos e esta mulher se
encontrar estável, deve-se proporcionar bem estar para ela e toda sua família.
CONCLUSÃO: Mediante ao exposto acima, pode-se concluir que a assistência de
enfermagem à puérpera, deve dar extrema prioridade a fase imediata, já que é nesse período,
nas primeiras duas horas, o momento de maior incidência de hemorragias pós-parto, o que
consequentemente leva ao diagnóstico precoce. A prevenção, nesses casos, além de proteger a
puérpera, evidencia a qualidade do atendimento, e são indispensáveis para minimizar os dados
estatísticos da mortalidade materna. Apesar de importante, sentimos dificuldade na literatura
de mais estudos, esperamos que este estudo desperte aos profissionais e estudantes de saúde
dá importância de estudar e aprofundar o assunto.
Descritores: Hemorragia Pós-Parto; Cuidados de Enfermagem; Mortalidade Materna.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Política Nacional de Humanização: a humanização como eixo norteador das
práticas de atenção e gestão em todas as Instâncias do SUS. Brasília. 2004.
BARROS, S. M. O. Enfermagem no Ciclo Gravídico-Puerperal. Barueri-SP: Manole,
2006.
159
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
BRANDEN, Pennier Sessler. Enfermagem Materno-infantil. 2 ed. Rio de Janeiro:
Reichamann e Affonso Editon, 2000.
BRASIL. Ministério da Saúde. Coordenação Materno-Infantil. Manual de assistência ao
recém-nascido. Brasília (DF); 1994.
BRUNNER e SUDDARTH et al. Tratado de enfermagem médico – cirúrgica. 11ºed. Rio
de Janeiro: Guanabara Koogan, 2009.
CAMANO, L. et al. Guia de medicina ambulatorial e hospitalar. Obstetrícia. Barueri SP:
ed Manole, 2003.
CORREA, M, D. et al. Noções Práticas de Obstetrícia. 13ºed, Belo Horizonte: Coopmed,
2004.
DOTTO, L. M. G. Atenção qualificada ao parto: a realidade da assistência de enfermagem
em Rio Branco - AC. 2006. Tese (Doutorado em Enfermagem) - Escola de Enfermagem de
Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2006.
FREGONIS, F.E; ZAPONI, R.E.E. B; Atenção a Puérpera acometida por Hemorragia
decorrente
da
Atonia
Uterina.
Disponível
em:<
http://www.uningareview.com.br/adm/uploads/369ba8510553197b72e3055f245c51c1.pdf >.
Acesso em 22 dez. 2011.
FREITAS, F. et al. Rotinas em Obstetrícia. 5. ed. São Paulo: ARTMED, 2006.
GIFFIN, K. et al. Fatores associados à realização de cesárea e qualidade da atenção ao parto
em duas maternidades do Rio de Janeiro: sumário de resultados. Núcleo de Gênero e Saúde.
ENSP-Fiocruz, 2000.
GIL. A. C. Métodos e Técnicas de Pesquisa Social. São Paulo: Atlas, 1995.
GOUVEIA, H. G.; LOPES, M. H. B. M. Diagnósticos de enfermagem e problemas
colaborativos mais comuns na gestação de risco. Rev. Latino-Am. Enfermagem, Ribeirão
Preto, v.12, n.2, abr., 2004
GREGORATTO, Z.D.A. et al. Manual de recomendações técnicas para equipe de
enfermagem em centro obstétrico. Disponível em:< http://www.saude.df.gov.br/sites> Acesso
em 23 dez. 2011.
LIMA, Y. M. S.; MOURA , M. A. V. Consulta de enfermagem pré-natal: a qualidade
centrada na satisfação da cliente. Rev Pesq Cuidado Fundamental. v.9, n1/2, p.93-9, 2005.
MINAYO, M. C. S. Ciência, técnica e arte: o desafio da pesquisa social. Pesquisa social:
teoria, método e criatividade. 11. ed. Petrópolis: Ed Vozes, 1999.
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Urgências e emergências maternas: guia para diagnóstico e
conduta em situações de risco de morte materna. 2. ed. Brasília. 2000.
MOURA, M. A. V. A qualidade da assistência à saúde da mulher gestante: possibilidades
e limites. 1997. Tese (Doutorado)—Escola de Enfermagem Anna Nery, Universidade Federal
do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1997.
160
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
NAGAHAMA, G. et al. O controle de hemorragia pós-parto com a técnica de sutura de
B-Lynch-Serie de casos. Disponível em: < http://www.Scielo.br/Scielo>. Acesso em 20 de
dez. 2011.
NEME, B. Obstetrícia básica. 3ºed. São Paulo: Sarvier, 2005.
REZENDE J, MONTENEGRO C. A. B. Obstetrícia fundamental. 12ª ed. Rio de Janeiro
(RJ): Guanabara Koogan. 2010.
SANTANA, A.M; ALMEIDA, S.M. C; PRADO, L.O.M. URGÊNCIAS/EMERGÊNCIAS X
ASSISTÊNCIA AO PRÉ-NATAL. Cadernos de Graduação. Ciências Biológicas e da
Saúde. v. 11, n. 11, 2010.
VALLADARES, D. P. Ações de contracepção e assistência ao parto: a experiência do Rio de
Janeiro Apud: Giffin K, Costa SH, organizadores. Questões de saúde reprodutiva. Rio de
Janeiro: Editora Fiocruz; 1999. p. 357-76.
161
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM A CLIENTE COM ÚLCERA
VENOSA UTILIZANDO A NANDA
Jonathan Cordeiro de Morais (relator)1
Sandra Regina Correa de Medeiros 2
Breno Bezerra da Silva Oliveira3
Alana Tamar Oliveira de Sousa4
INTRODUÇÃO: A úlcera venosa é a lesão crônica de perna mais comum, sendo responsável
por aproximadamente 70% a 90% das úlceras dos membros inferiores. Ocorre devido à
insuficiência venosa crônica que se caracteriza por hipertensão persistente nos membros
inferiores devido ao refluxo venoso, à oclusão venosa ou falha no músculo da panturrilha em
bombear o sangue (SIMKA, 2006). As úlceras venosas causam significante impacto social e
econômico devido à natureza recorrente e ao longo tempo decorrido entre sua abertura e
cicatrização. É uma doença que acomete indivíduos em diferentes faixas etárias e raças,
causando perda parcial da capacidade funcional do membro afetado, baixa auto-estima,
sentimento de inutilidade, isolamento social, aposentadoria precoce ou afastamento do
emprego, além de mudar totalmente sua rotina e hábitos de vida do indivíduo (SILVA, 2010).
Quando não manejadas adequadamente, cerca de 30% das úlceras venosas cicatrizadas
recorrem no primeiro ano, e essa taxa sobe para 78% após dois anos (ABBADE et al 2006).
Para que a úlcera venha a cicatrizar adequadamente é preciso que ocorra a abordagem correta,
que inclui dentre outros cuidados, a limpeza da ferida com a aplicação de uma cobertura
indicada, terapia compressiva, repouso e alimentação balanceada. As orientações de manejo
adequado para o autocuidado e para prevenção das complicações são imprescindíveis ao
cliente com úlcera venosa, para que este possa alcançar uma consciência transformadora e
descubra que tem a liberdade e potencial para ser dono e cuidar de si mesmo. Desse modo, o
cuidado ao ser doente não se delimita a uma parte do corpo como à ferida, mas precisa
envolvê-lo em sua totalidade e complexidade de modo organizado e sistematizado. A
Sistematização da Assistência de Enfermagem ou também conhecida como SAE é o modelo
metodológico ideal para o enfermeiro aplicar seus conhecimentos técnico-científicos na
prática assistencial, favorecendo o cuidado e a organização das condições necessárias para
que ele seja realizado. Na era do conhecimento torna-se importante a busca de novas
competências nos modos de organizar o trabalho, nas atitudes profissionais integradas aos
sistemas sociais de relações e interações múltiplas, em suas diversas dimensões, abrangências
e especificidades. Dessa forma, incorporar a SAE é uma forma de tornar a enfermagem mais
científica, promovendo um cuidar de enfermagem humanizado, contínuo, mais justo e com
qualidade para o cliente. Ela se caracteriza pelo aumento da velocidade de trocas de
informações, evolução teórica, qualidades assistenciais, aprimoramento das atividades, e pelo
aumento de recursos e diminuição dos custos (BITTAR et al, 2006). O presente trabalho se
justifica pela necessidade de buscar novos conhecimentos sobre o portador de úlcera venosa
1
Graduando em enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. E-mail:
[email protected]
2
Graduanda em enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. E-mail:
[email protected]
3
Graduando em enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. E-mail: [email protected]
4
Enfermeira. Doutoranda e Mestre em Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Docente do
Curso de Graduação em Enfermagem da Faculdade Ciências Médicas da Paraíba (FCM), Coordenadora do
Ambulatório de Curativo da Fundação Otacílio Gama, João Pessoa-PB. E-mail: [email protected].
162
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
em sua totalidade envolvendo seu dia a dia, suas fragilidades, suas expectativas, suas
complicações e avanços diante da doença. Esta investigação teve o objetivo de descrever a
assistência de enfermagem prestada a um cliente com úlcera venosa, utilizando a Taxonomia
da North American Nursing Diagnosis Association (Diagnósticos de Enfermagem da
NANDA). METODOLOGIA: Trata-se de um estudo de caso realizado com um cliente com
úlcera venosa em MIE, atendido no Ambulatório Ciências Médicas, pertencente à Fundação
Otacílio Gama no município de João Pessoa-PB. A referida investigação ocorreu durante a
inserção dos autores no campo de práticas do módulo ―O cuidar do indivíduo portador de
feridas‖ da Faculdade Ciências Médicas da Paraíba. Para a coleta de dados foi realizada a
anamnese e o exame físico. Posteriormente foi planejada a sistematização da assistência de
enfermagem, implementada e avaliada. Para a elaboração dos diagnósticos de enfermagem,
utilizou-se a NANDA 2009-2011. A sistematização ocorreu mediante quatro encontros
ocorridos semanalmente em abril de 2012. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em
Pesquisa sob protocolo nº 042/2011. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS: J. J.
da S., sexo masculino, 52 anos, portador de úlcera venosa em MIE, de caráter recidivante, há
cerca de vinte anos, que se iniciou após um trauma na perna esquerda que ocasionou o
rompimento de uma veia. A anamnese revelou que o cliente faz uso de medicação para asma,
hipertensão arterial e ativador da circulação de retorno em MMII. Não pratica atividade física,
faz pouco repouso e não segue dieta alimentar. Ao exame físico foram encontradas alterações
de sobrepeso e úlcera venosa em MID com bordas irregulares, tecido de granulação, exsudato
seroso em média quantidade, ausência de odor e/ou dor, acompanhada de edema sem cacifo
no membro afetado e lipodermatoesclerose. Para o plano de cuidados, foram elaborados três
diagnósticos, com os respectivos resultados esperados e intervenções implementadas,
conforme o que se segue: Integridade da pele prejudicada relacionada com circulação alterada
evidenciada por tecido lesado, tendo como resultado esperado o cliente apresentará redução
do tamanho da úlcera em três semanas, contemplando as seguintes intervenções: 1. Realizar o
curativo da lesão 1 x semana ou a cada saturação da cobertura secundária utilizando espuma
com prata e atadura elástica; 2. Avaliar a úlcera 1 x semana; 3. Orientar repouso 3 x dia
durante 30 minutos; 4. Orientar a elevar os pés da cama cerca de 15cm; 5. Orientar a amiga
(cuidadora) a trocar a atadura elástica conforme houver necessidade. A escolha pela cobertura
de espuma com prata se deve ao alto poder de absorção, associado ao controle da microbiota
pela presença da prata iônica, importantes para associar ao uso da atadura elástica (DEALEY,
2008). A terapia compressiva favorece à microcirculação, facilita o retorno venoso profundo,
diminuindo o refluxo patológico durante a deambulação e aumentando o volume de ejeção
durante a ativação dos músculos da panturrilha. Associado ao uso dessa terapia está a
elevação dos pés do leito e o repouso dos membros inferiores acima do nível do coração para
facilitar a drenagem venosa (ABBADE; LASTÓRIA, 2006). Além disso, a avaliação
sistemática da ferida crônica uma vez por semana fornece uma base para a implementação e
manutenção do plano terapêutico (MCNEES, 2006). O segundo diagnóstico foi Nutrição
desequilibrada: mais do que as necessidades corporais relacionada com ingestão excessiva em
relação às necessidades metabólicas, evidenciada por sobrepeso, sendo o resultado esperado o
cliente irá relatar em até três semanas a reeducação alimentar. Como intervenções: 1.
Encaminhar o cliente a nutricionista da Fundação Otacílio Gama; 2. Orientar quanto aos
benefícios que uma alimentação saudável trará para o seu tratamento; 3. Estimular caminhada
diária leve durante 15 minutos por dia. O controle do peso é importante porque a deposição
excessiva de gordura resulta em insuficiência de suporte sanguíneo aos tecidos para resistir à
infecção e supri-los de nutrientes e elementos celulares para cicatrização. Além disso, a
obesidade frequentemente está envolvida com úlceras venosas porque aumenta a pressão
intra-abdominal e dificulta o retorno venoso (ANAYA; DELLINGER, 2006). As caminhadas
breves também favorecem a drenagem venosa (ABBADE; LASTÓRIA, 2006). Quanto ao
163
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
terceiro diagnóstico Risco para infecção relacionado a defesas primárias inadequadas (pele
rompida), este teve como resultado esperado O cliente não apresentará infecção da úlcera em
quatro semanas e as intervenções de enfermagem foram: 1. Atentar para a higiene no
momento do curativo; 2. Ensinar o cliente a trocar o curativo secundário em domicílio; 3.
Orientar a trocar o curativo sempre que necessário. Vale ressaltar que a limpeza da ferida é o
primeiro cuidado para que o curativo possa auxiliar no processo de cicatrização, importante
para a remoção de corpo estranho, a exemplo de fragmentos e sujidades, remoção de tecidos
soltos na superfície, como tecido necrótico, remoção de bactérias e de restos de curativo
anterior e promoção do conforto ao doente e, desse modo, impedindo a infecção da ferida
(DEALEY, 2008). No que se refere a avaliação do plano de cuidados, esta ocorreu mediante o
último encontro e os resultados alcançados foram que: O cliente apresentou redução da área
da úlcera de 57,8cm2 para 46,14cm2 centímetros (mensuração realizada no programa Image
Tool 3.0); O cliente não apresentou mudança de hábitos alimentares, porém relatou que em
breve quer se dedicar para perder cerca de 20Kg; O cliente não apresentou infecção da úlcera
no período estipulado. Considerações Finais: A pesquisa possibilitou integrar a teoria à
prática na assistência de enfermagem a um cliente com úlcera venosa, e a utilização da
NANDA outorgou uma linguagem padronizada e organizada com desenvolvimento do
raciocínio crítico que trouxe resultados positivos para o cliente. Além disso, favoreceu a
cicatrização da úlcera e gerou um ambiente de educação que evolveu o cliente e sua
cuidadora, importante processo de participação para a independência para o autocuidado e
socialização. Não se alcançou a meta da educação alimentar, porém despertou no cliente o
interesse em reduzir o peso. Portanto a atuação do enfermeiro como educador e facilitador da
adaptação do cliente à situação vivenciada no momento é indispensável, uma vez que o
mesmo é responsável pelo tratamento físico e muitas vezes mental do cliente. Cabe a toda a
equipe de saúde assistir o cliente como um todo não só cuidando da doença, mas também
ouvindo suas necessidades, queixas medos e inseguranças, sem esquecer-se da participação da
família que deve ser estimulada a estar com o cliente, igualmente comprometida e atuante no
tratamento, o enfermeiro participará de maneira educativa, muitas vezes treinando um familiar
ou o próprio usuário para o autocuidado. A assistência ao cliente em estudo não termina aqui,
mas permite compreender que o processo de enfermagem deve ser dinâmico e acompanhar a
evolução do mesmo.
Descritores: Cuidados de Enfermagem. Úlcera varicosa. Enfermagem.
REFERÊNCIAS
ABBADE, L. P. F.; LASTÓRIA, S. Abordagem de pacientes com úlcera de etiologia venosa.
Anais Brasileiros de Dermatologia, v. 81, n. 6, p. 509-522, 2006.
ANAYA, D. A.; DELLINGER, E. P. The obese surgical patient: a susceptible host for
infection. Surgical Infections, v. 7, n. 5, p. 473-480, 2006.
BITAR, D. B.; PEREIRA, L. V.; LEMOS, R. C. A. Sistematização da Assistência de
enfermagem ao paciente crítico: proposta de instrumento de coleta de dados. Texto e
contexto, v. 15, n. 4, p. 617-628, 2006.
DEALEY, C. Cuidando de feridas: um guia para as enfermeiras. 3. ed. São Paulo: Atheneu,
2008.
164
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
McNEES, P. Skin and wound assessment and care in oncology. Seminars in Oncology
Nursing, v. 22, n. 3, p. 130–143, Aug. 2006.
NORTH AMERICAN NUSING ASSOCIATION. Diagnósticos de enfermagem da NANDA:
definições e classificação 2009-2011. Porto Alegre: Artmed, 2010.
SIMKA, M. Seasonal variation of onset of venous leg ulcers. EWMA Journal, v. 6, n. 2, p.
23-24, 2000.
165
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
TRATAMENTO DE ÚLCERA VENOSA EM PACIENTES DIABÉTICO:
UM ESTUDO CLÍNICO
Carliene Soares de Oliveira Lima (relator)1
Marília Loreuncio dos Santos2
Bruno Emmanuel de Medeiros Pereira3
Diego Henrique Clementino de Assis4
Alana Tamar Oliveira de Sousa5
Cristiani Garrido de Andrade6
INTRODUÇÃO: As úlceras venosas são comuns na população adulta, e sua prevalência
modifica-se bastante, dependendo dos distintos métodos aplicados nos estudos, idades das
populações estudadas. As úlceras venosas resultam da obstrução das válvulas venosas nas
pernas ou de refluxo através das válvulas, afetando as veias superficiais e profundas e que
podem ser desencadeadas por diversos fatores, tais como, insuficiência venosa crônica,
hipertensão venosa, obesidade, diabetes mellitus, traumatismo, gravidez, trombose venosa
profunda, fraqueza muscular secundária à paralisia e insuficiência cardíaca. A literatura é
unânime em considerar a úlcera de etiologia venosa como a mais comum das úlceras de
perna. As taxas variam de 42% a 90% e a história é marcada pela recorrência.
Aproximadamente 70% das úlceras abrem novamente após a cicatrização. No Brasil estima-se
que aproximadamente 3% da população são portadoras desse tipo de lesão, no caso dos
pacientes portadores de diabetes mellitus esse número se eleva para 10%. Segundo o
Ministério da Saúde o Diabetes Mellitus (DM) é uma síndrome metabólica de origem
múltipla, decorrente da falta de insulina e/ou da incapacidade de a insulina exercer
adequadamente seus efeitos. Em longo prazo, a Diabetes Mellitus descontrolada pode gerar
doenças cardiovasculares, retinopatia diabética, nefropatia diabética, neuropatia diabética,
problemas com a saúde bucal, e o pé diabético. Nesse sentido, a úlcera venosa associada a
diabetes mellitus, é um problema de saúde publica e juntos tem um poder devastador para a
saúde, pela degradação da sensibilidade à dor causada pelo aumento de glicose no organismo
(hiperglicemia) e por causar retardo a cicatrização, principalmente nas extremidades. O
referente estudo se justifica pela necessidade de investigar acerca de um problema evidente e
vigente na população, trazendo uma abordagem que busca incentivar a pesquisa técnica por
1
Graduanda em Enfermagem pela Faculdade Ciências Médicas da Paraíba- FCMPB. Extensionista do
Ambulatório de Curativo da Fundação Otacílio Gama. Monitora do Módulo o Cuidar do Individuo Portador de
Feridas. Faculdade Ciências Médicas da Paraíba E-mail: [email protected].
2
Graduanda em Enfermagem pela Faculdade Ciências Médicas da Paraíba- FCMPB. Extensionista do
Ambulatório de Curativo da Fundação Otacílio Gama. Monitora do Módulo de Práticas do Cuidar em Saúde da
Mulher. Faculdade Ciências Médicas da Paraíba. E-mail: [email protected].
3
Graduando em Enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba - FCMPB. Extensionista do
Ambulatório de Curativo da Fundação Otacílio Gama. Faculdade Ciências Médicas da Paraíba. E-mail: [email protected].
4
Graduando em Enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba - FCM/PB. Faculdade Ciências
Médicas da Paraíba. E-mail: [email protected].
5
Enfermeira. Doutoranda e Mestre em Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Docente do
Curso de Graduação em Enfermagem da Faculdade Ciências Médicas da Paraíba - FCMPB. Coordenadora do
Ambulatório de Curativo da Fundação Otacílio Gama. Faculdade Ciências Médicas da Paraíba. E-mail:
[email protected].
6
Enfermeira. Fonoaudióloga. Mestranda em Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba - UFPB.
Especialista em Saúde Coletiva com Ênfase na ESF. Membro e Pesquisadora no Núcleo de Estudos e Pesquisas
em Bioética – NEPB/UFPB. Faculdade Ciências Médicas da Paraíba. E-mail: [email protected].
166
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
tem um significativo valor em prestar uma assistência holística e humanizada. Este estudo
teve como objetivo relatar o caso clínico de um paciente portador de úlcera venosa e diabetes
mellitus. METODOLOGIA: Trata-se de uma pesquisa descritiva, com abordagem
qualitativa, na modalidade estudo de caso que foi realizada com um paciente portador de
diabetes mellitus e úlcera venosa em membro inferior esquerdo. A investigação foi
desenvolvida em um ambulatório de curativos de uma Instituição de Ensino Superior, no
Município de João Pessoa-PB, no período de 28.09.11 a 26.01.12. No primeiro contato com o
cliente foram realizados anamnese, o exame físico completo e o curativo. Os atendimentos
subsequentes foram direcionados ao cuidado com a lesão, incluindo o curativo, a avaliação
semanal, e as orientações para a saúde, de modo a obter uma resposta satisfatória ao
tratamento oferecido. Para a avaliação semanal da ferida, além do registro fotográfico digital,
foi utilizado um instrumento construído baseado na Pressure Ulcer Scale for Healing (PUSH)
e no Instrumento para avaliação da ferida Bates-Jensen. Para mensurar o tamanho da lesão,
usou-se uma régua descartável, medindo maior diâmetro no sentido céfalo-caudal x maior
largura da esquerda para a direita. Depois, as duas medidas foram multiplicadas para se obter
a área. É importante mencionar que, o instrumento de avaliação constava dos seguintes itens:
mensuração da ferida; aparência das bordas; quantidade de exsudato; odor; aspecto de
exsudato; sinais de infecção; nível de dor, avaliado através de uma escala com variação de 0 a
10; e o tipo de tecido (epitelização, granulação, esfacelo ou escara). Esses parâmetros eram
somados, seguindo padrões dos dois instrumentos já citados acima, gerando números que
determinaram piora ou regressão da lesão. Assim, quanto menor o valor melhor o estado da
úlcera quanto à cicatrização. Para a realização do curativo, inicialmente era realizada a
retirada do curativo anterior, logo após a limpeza de toda região perilesional com sabão
neutro. Em seguida o membro lesionado era seco e então era realizada a limpeza da lesão
irrigando com solução salina a 0,9% (SF), iniciando pelas bordas até o interior, respeitando o
sentido do menos para o mais contaminado. A irrigação foi realizada na forma de jato sob
pressão, por meio de seringa de 20cc com agulha 40x12mm. Na presença de tecido
desvitalizado, era realizada a fricção mecânica com gaze estéril. Após a limpeza, era realizada
a secagem das bordas da lesão e da área adjacente com gaze estéril, aplicação da cobertura
primária e oclusão com curativo secundário de gaze estéril e atadura de crepe. O estudo foi
aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa, sob protocolo nº 042/2011. Assim, o sujeito da
pesquisa foi orientado quanto à participação voluntária, ao anonimato, à desistência em
qualquer momento da pesquisa sem perda de seu tratamento, bem como à assinatura do termo
de consentimento livre e esclarecido. Os dados foram analisados por meio da avaliação das
evoluções e construção gráficos para leitura de frequência, analisados à luz da literatura
pertinente. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS: E. F. S, 48 anos, branco, sexo
masculino, cabeleireiro, residente na cidade de João Pessoa, com úlceras venosas no MIE que
começou com pequenas bolhas que se romperam há cerca de doze dias. Apresenta como
doenças concomitantes diabetes tipo II e hipertensão há mais ou menos dez anos e faz
tratamento, respectivamente, com glibenclamida, metformina, captopril e hidroclorotiazida.
Nos seus hábitos alimentares tem uma dieta hipossódica e hipoglicemiante. No exame da
peleperilesional apresenta sensibilidade diminuída, pele fina e brilhante, hiperpigmentação,
lipodermatoesclerose, eczema, cicatriz, e edema com cacifo (+++/4+). No início do
tratamento, em 28/09/11 o cliente apresentava duas úlceras no MIE, sendo F1 (ferida nº1)
localizada no maléolo medial e F2 (ferida nº 2) próxima à ferida 1, também na parte interna
do pé. Cerca de dois meses depois, em 24/11/11 surgiu a F3 (ferida nº3) acima do maléolo
lateral também no mesmo membro. Na primeira avaliação, em 28/09/11, a ferida 1
apresentava dimensão de 18cm², bordas bem definidas não aderidas ao leito da lesão com
descolamento, exsudato seroso e moderado, odor moderado e característico, esfacelo amarelo
firmemente aderido em 95% do leito da lesão, e dor (33 pontos na escala). Na mesma data, a
167
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
ferida 2 em apresentava dimensão de 2,52cm², bordas distintas, com pouco exsudato seroso,
odor discreto e característico, esfacelo amarelado em 55% da lesão, hiperemia/aumento da
temperatura/edema, sem dor (12 pontos). Neste momento foi realizado o desbridamento com
colagenase associado ao desbridamento cirúrgico. O cliente também fez uso de antibiótico
sistêmico (cefalexina) prescrito pela médica da Unidade de Saúde da Família. Com a retirada
do esfacelo, passou-se a se utilizar gel com Aloe vera ou Ácido Graxo Essencial (AGE)
associado com gaze com polyhexametil-biguanida (PHMB). Em 31/10/11, na segunda
avaliação, a ferida 1 apresentava dimensão 13,6cm², com pouco exsudato e odor discreto e
característico, com retirada total do esfacelo e surgimento de tecido de granulação em toda a
ferida (23 pontos). No mesmo dia, a ferida 2 estava com dimensão de 0,4 cm², bordas
indistintas e tecido de granulação (3 pontos), o que comprova a eficácia do desbridamento e
tratamento da infecção local. Assim, nesse momento, passou-se a se utilizar o creme barreira
na pele perilesional e hidrogel no leito da ferida. Em 24/11/11, na terceira avaliação da ferida
1 a dimensão foi de 5,6 cm², bordas indistintas, pouco exsudato seroso e tecido de granulação
(9 pontos). Na terceira avaliação da ferida 2 em 07/11/11, a lesão estava praticamente
epitelizada, a dimensão foi de 0,09cm², bordas distintas, com pouco exsudato e com tecido de
granulação, sem sinais de infecção e dor (3 pontos). Em 19/12/11 foi realizada a quarta
avaliação da ferida 1 a qual apresentou dimensão de 3,9 cm², bordas indistintas, pouco
exsudato e tecido de granulação (7 pontos). Em 26/01/12, na quinta avaliação da ferida 1, a
dimensão foi de 0,7cm², pouco exsudato, odor ausente, apresentando também tecido de
granulação e epitelização com contração de bordas (7 pontos), a ferida estava quase que
completamente coberta por tecido epitelial. A continuidade do tratamento foi mantida com
AGE na pele recém-formada. Quanto à ferida 3, na primeira avaliação, em 24/11/11, a mesma
apresentava dimensão de 0,4cm², bordas distintas, com exsudato moderado, purulento, odor
discreto e característico, tecido com presença de esfacelo, com sinais de infecção como
hiperemia e edema, com dor mínima (16 pontos). Nesse momento, o cliente também fez uso
de colagenase e antibiótico sistêmico (cefalexina). Na segunda avaliação da ferida 3, em
19/12/11, a ferida estava com dimensão 0,63cm², bordas distintas, pouco exsudato seroso e
tecido de granulação (6 pontos). Nesse período, também se instituiu o uso do gel com Aloe
vera ou Ácido Graxo Essencial (AGE) associado com gaze com Polihexametileno Biguanida
(PHMB) e com o controle da infecção, passou-se a usar o creme barreira nas bordas e
hidrogel no leito da lesão. Na terceira avaliação, em 10/01/12, a ferida 3 apresentava
dimensão de 0,35cm², bordas indistintas que significa evolução do processo cicatricial,
ausência de exsudato e presença de tecido de granulação (3 pontos). O AGE foi mantido na
tecido recém epitelizado. Nesse tipo de ferida o objetivo é identificar adequadamente a
presença ou não de infecção e promover o desbridamento dos tecidos desvitalizados e
combater a infecção, preferencialmente por meio de terapia sistêmica. Carmo (2006) enfatiza
que na presença de tecidos inviáveis há necessidade de desbridamento, uma vez que esses
tecidos além de favorecer infecções, não permitem a formação do tecido de granulação e
adequada reepitelização. A colagenase é uma enzima proteolítica que degrada o colágeno
nativo da ferida, e assim, realiza o desbridamento enzimático. As margens descoladas ou
desniveladas no leito da lesão são indicativas de insuficiência tecidual de base, para a
migração de células epiteliais. As margens viáveis e necessárias para uma retração cicatricial
eficiente devem ser perfundidas, livre de maceração ou queratose e planas no leito da lesão
para que as células epiteliais migrem eficientemente sobre o tecido conjuntivo neoformado.
Malagutti (2010) aborda que a maceração perilesional, atrapalha a migração dos
queratinócitos para o centro da lesão, evitando o surgimento do tecido de epitelização. Pode
ocorrer devido ao uso prolongado e/ou errôneo de curativos que estimulam a exsudação
excessiva das feridas. Dessa forma, utilizou-se a troca frequente do curativo, diante do
extravasamento do exsudato associado ao creme barreira que protegia a pele perilesional da
168
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
exsudação excessiva, mantendo o ambiente adequado a uma boa evolução cicatricial. O
PHMB é um forma polimerizada da clorexidina e desempenha um papel importante no
tratamento de feridas por ter evidenciado tanto boa compatibilidade com os tecidos quanto
ação contra lipídios da membrana de células bacterianas, com efeito mínimo sobre as células
humanas, sendo ativo contra um grande número de micro-organismos, incluindo
Staphylococcus aureus Methycilin resistente (MRSA), Enterococcus faecalis resistente a
vancomicina e Acinetobacter baumannii que causa infecções resistente a antibióticos. Quanto
ao AGE, este é um óleo vegetal composto por ácido linoléico, ácido caprílico, ácido cáprico,
vitamina A, E e lecitina de soja, tem como mecanismo de ação a quimiotaxia de células de
defesa, angiogênse, manutenção do meio úmido. Após o controle da infecção e diante da
necessidade da manutenção de um meio úmido e hidratado, passou-se a utilizar o hidrogel,
que é formado por água, carboximetilcelulose e propilenoglicol. Vale ressaltar que para o
sucesso do tratamento, este foi instituído por meio de orientações quanto ao uso correto da
medicação, dieta, repouso, higiene e cuidados com os pés. CONSIDERAÇÕES FINAIS: O
estudo mostra a relação entre úlcera venosa e Diabetes Mellitus, abordando sua interferência
no processo de cicatrização da ferida. Nesse sentido, é necessário explanar que para o
tratamento dessas lesões não somente é importante a utilização de produtos terapêuticos, mas
sim, a atenção e assistência as doenças de base, essenciais para a cicatrização das úlceras,
como Hipertensão e Diabetes Mellitus. Considerando tais implicações, torna-se essencial o
papel da enfermagem no compromisso de buscar uma assistência integral, focalizando, não
apenas, a doença, mas o ser biopsicossocial.
Descritores: Úlcera varicosa. Diabetes Mellitus. Enfermagem.
REFERÊNCIAS
ABBADE, L.P.F.; LASTORIA, S. Abordagem de pacientes com úlcera da perna de etiologia
venosa. Anais Brasileiros de Dermatologia, v.81, n.6, p. 509-522, 2006.
BARBOSA, J.A.G.; CAMPOS, L.M.N. Diretrizes para o tratamento da úlcera venosa.
Enferm. glob. , n.20, 2010.
BATES-JENSEN, B.; NYSTUL, S.R.; SCACHETTI, G.G. Prevenção da úlcera por pressão
por parte do cuidador domiciliar. In: MALAGUTTI, W.; KAKIHARA, C.T. Curativos,
estomias e dermatologia: uma abordagem multiprofissional. São Paulo: Martinari, 2010.
BORGES, E. L. Tratamento tópico de úlcera venosa: proposta de uma diretriz baseada em
evidência. Ribeirão Preto, 2005. 306f. Tese (Doutorado) – Universidade de São Paulo, 2005.
BRASIL. Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Saúde. Resolução nº 196. Aprova as
diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisas envolvendo seres humanos, de 10 de
outubro de 1996.
BRASIL. Ministério da Saúde. Projetos em Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Plano de
reorganização da atenção a hipertensão arterial e diabetes mellitus. Departamento de
ações programáticas estratégicas. Brasília: Ministério da Saúde, 2001.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção
Básica. Diabetes Mellitus. Brasília: Ministério da Saúde, 2006.
CARMO, S.S. et al. Atualidades na assistência de enfermagem a portadores de úlcera venosa.
Revista eletrônica de enfermagem., v.19, n.2, p.506-17, 2007. Disponível em:
<http://www.fen.ufg.br/revista>. Acesso em: 19 de maio de 2012.
169
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
CARMO, S.S.; CASTRO, C.D.; RIOS, V.S.; SARQUIS, M.G.A. Atualidades na assistência
de enfermagem a portadores de úlcera venosa. Rev.Eletr. Enf. [internet]. 2007. Disponível
em: <http://www.fen.ufg.br/revista/v9/n2/v9n2a17.htm.>. Acesso em: 30 de mar. de 2012.
CUERVO, F.M. La limpieza de la herida: paso imprescindible em el cuidado de las UPP.
Ulcus Clínica , v.3, p. 6-11, 2006.
CUZZEL, J.Z. The new RYB color code. American Journal of Nursing, v. 88, n.10, p.13421346, 1988.
DEALEY, C. Cuidando de feridas: um guia prático para as enfermeiras. 3. ed. São Paulo:
Atheneu, 2008.
MALAGUTTI, W.; KAKIHARA, C.T. Curativos, estomias e dermatologia: uma
abordagem multiprofissional. São Paulo: Martinari, 2010.
MARTINS, E.A.P. Avaliação de três técnicas de limpeza do sítio cirúrgico infectado
utilizando soro fisiológico para remoção de microrganismos. Dissertação (Mestrado).
2000. Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo, São Paulo, 2000.
PERUCHO, N.S. Limpieza y control de la carga bacteriana en heridas quirúrgicas y úlceras
de origen vascular. Ulcus Clínica, v.3, p.16-19, 2006.
POTTER, P.A.; PERRY, A.G. Fundamentos de enfermagem. 7ed. Rio de Janeiro: Ed.
Atheneu, 2010.
PRADINES, S.M.S. et al. Protocolo para tratamento de feridas. 5. ed. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 2004.
SANTOS, V.L.C.G. Avanços tecnológicos no tratamento de feridas e algumas aplicações
em domicílio. São Paulo: Atheneu, 2000.
SANTOS, V.L.C.G.; SELLMER, D.; MASSULO, M.M.E. Confiabilidade interobservadores
do PresureUlcerScale for Healing (PUSH), em pacientes com úlceras crônicas de perna.
Revista Latino Americana de Enfermagem. Disponível em: <http://www.scielo.br>.Acesso
em: 30 de mar. de 2012.
SCEMONS, D.; ELSTON, D. Nurse to nurse: cuidados com feridas em enfermagem. 1st Ed.
Porto Alegre: AMGH, 2011.
SILVA, R.C.L.; FIGUEIREDO, N.M.A.; MEIRELES, I.B. Feridas: Fundamentos e
Atualizações Em Enfermagem. 2. ed. São Caetano do Sul: Editora Yendis, 2008.
TORRES, G.V. Avaliação clínica da assistência aos portadores de úlceras vasculares de
membros inferiores no ambulatório do Hospital Universitário Onofre Lopes em
Natal/RN. Natal: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico, 2007.
170
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
COMUNICAÇÃO: VIVÊNCIA DE ENFERMEIROS
COM O PACIENTE EM FASE TERMINAL
Maria Amélia Mendes Vieira de Oliveira1
Cristiani Garrido de Andrade2
Isabelle Cristinne Pinto da Costa3
Kamyla Félix Oliveira dos Santos4
Carlos Eduardo Guedes da Silva5
Ana Camila de Andrade Garrido6
INTRODUÇÃO: A comunicação é intrínseca ao comportamento humano e permeia todas as
suas ações no desempenho de suas funções. Etimologicamente, a palavra comunicar originase do latim communicare, que significa pôr em comum. Assim, a comunicação pode ser
compreendida como uma técnica de troca e compreensão de mensagens emitidas e recebidas,
através das quais as pessoas se percebem, partilham o significado de ideias, pensamentos e
propósitos. Nesse sentido, a comunicação é um acontecimento interacional e interpretativo
das relações humanas. Dessa forma, a comunicação é um fator imprescindível na vivência dos
indivíduos, sendo de suma relevância nas relações de trabalho de enfermagem. Através de
uma comunicação efetiva, esse profissional pode prestar uma assistência de forma holística,
no intuito de possibilitar à sua clientela o entendimento e enfrentamento dos problemas, bem
como a percepção do seu papel como sujeito ativo no processo de restabelecimento e bemestar gera. É notório destacar que a comunicação vai muito além das palavras e do conteúdo,
pois contempla a escuta atenta, o olhar e a postura. Destarte, considera-se de essencial valor, o
cuidado integral e humanizado, para que se possa reconhecer e acolher, de maneira empática,
as necessidades do paciente, principalmente, os na terminalidade. Nessa fase, a comunicação
é considerada um instrumento primordial, na qual o referido cuidado torna-se perceptível
quando o profissional de enfermagem utiliza de diversas formas de comunicação para que se
perceba, se compreenda e se empregue o cuidado necessário ao ser paciente e, desse modo,
realizar um tratamento digno. Logo, a comunicação é caracterizada como uma modalidade
básica do cuidar em Enfermagem, uma vez que emerge como um instrumento fundamental de
suporte ao paciente na terminalidade, na qual se faz necessário que os profissionais de saúde,
1
Graduanda em Enfermagem pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba - FCMPB. Técnica em
Enfermagem do Hospital Clementino Fraga. FCMPB. E-mail: [email protected].
2
Enfermeira. Fonoaudióloga. Especialista em Saúde Coletiva, com Ênfase na ESF-FASER. Mestranda em
Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba – UFPB. Docente em Enfermagem da Faculdade de
Ciências
Médicas
da
Paraíba.
Faculdade
de
Ciências
Médicas
da
Paraíba.
E-mail:
[email protected].
3
Enfermeira. Fonoaudióloga. Mestre em Enfermagem. Especialista em Saúde Coletiva, com Ênfase na ESFFASER. Doutoranda em Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba. Membro do Núcleo Gestor da
Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. E-mail:
[email protected].
4
Enfermeira. Mestranda em Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba – UFPB. Docente em
Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. E-mail:
[email protected].
5
Enfermeiro Intensivista. Graduando em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba. Servidor
Público do Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena. Faculdade de Ciências Médicas da
Paraíba. E-mail: [email protected].
6
Graduanda em Enfermagem pela Faculdade Santa Emília de Rodat. Faculdade Santa Emília de Rodat. E-mail:
[email protected].
171
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
essencialmente, os enfermeiros utilizem a comunicação verbal e não verbal, para assim o
paciente participar ativamente do processo de cuidar. De tal modo, constata-se a importância
da qualidade da comunicação instituída, sob a qual é realizado o trabalho em saúde,
considerando as relações humanas, seja com pacientes ou com a equipe. Sob esse prisma, a
finalidade básica da comunicação é aperfeiçoar a percepção da realidade, as relações com os
indivíduos e transformar a si mesmo e aos fatos. Com isso, torna-se essencial que o
profissional compreenda que a maneira como o paciente apreende os fatos à sua volta,
influencia a sua conduta, mais do que a realidade da situação em si. Assim, o processo de
comunicação está completamente inserido nas ações da enfermagem. Sob esse prisma, a
finalidade básica da comunicação é aperfeiçoar a percepção da realidade, as relações com os
indivíduos e transformar a si mesmo e aos fatos. Com isso, torna-se essencial que o
profissional compreenda que a maneira como o paciente apreende os fatos à sua volta,
influencia a sua conduta, mais do que a realidade da situação em si. Com base em tal
entendimento, verifica-se a necessidade premente de se avançarem as pesquisas para
aprofundar esta temática, levando em consideração a relevância da comunicação como
instrumento propulsor do cuidado em enfermagem com o paciente em fase terminal, visto que
essa modalidade de cuidar reduz a aflição do paciente. Diante do exposto, este estudo tem
como fio condutor os seguintes questionamentos: Qual a compreensão de enfermeiros
assistenciais no que diz respeito à comunicação? Quais as dificuldades que os enfermeiros
enfrentam na comunicação com o paciente terminal? Quais as estratégias adotadas pelos
enfermeiros na comunicação com o paciente na terminalidade? Qual o significado da
comunicação para os enfermeiros ao cuidar do paciente terminal? Diante dessas questões, a
pesquisa visa aos seguintes objetivos: verificar a compreensão de enfermeiros assistenciais no
que diz respeito à comunicação; identificar as dificuldades que os enfermeiros enfrentam para
se comunicar com o paciente terminal; detectar as estratégias adotadas pelos enfermeiros para
se comunicar com o paciente na terminalidade; verificar o significado da comunicação para os
enfermeiros ao cuidar do paciente terminal. METODOLOGIA: Trata-se de um estudo do
tipo nota prévia que vem apresentar uma proposta de trabalho, que segue o percurso
metodológico de uma pesquisa de natureza descritiva com abordagem qualitativa. O mesmo
foi realizado em uma Unidade de Terapia Intensiva, de uma Instituição Hospitalar, da cidade
de João Pessoa, no estado da Paraíba, considerada referência no tratamento de doenças
infectocontagiosas. Vale ressalvar, que a escolha da referida unidade deve-se ao fato da
mesma abrigar um grande quantitativo de pacientes em fase terminal. A população do estudo
é composta por enfermeiros da referida Unidade que prestam cuidados direcionados ao
paciente terminal. Com base no exposto, foram adotados os seguintes critérios de inclusão:
estar em atividade durante o período de coleta de dados, ter, no mínimo, um ano de atuação na
instituição selecionada para a investigação proposta; ter disponibilidade; e aceitar participar
da pesquisa confirmando sua concordância através da assinatura do Termo de Consentimento
Livre e Esclarecido. Atenderam a esses critérios e compuseram a amostragem deste estudo, 07
(sete) enfermeiros. A coleta de dados ocorreu no mês de janeiro de 2012, por meio de um
formulário contendo questões pertinentes aos objetivos propostos para a pesquisa. Os dados
foram coletados no próprio serviço, em ambiente privativo, no horário de trabalho, em data
antecipadamente agendada e após exposição, elucidação dos objetivos da investigação e
obtenção do consentimento de cada participante. Os dados obtidos por meio do instrumento
proposto estão sendo agrupados e analisados mediante o Discurso do Sujeito Coletivo,
proposto por Lefèvre e Lefèvre (2005), nessa técnica, a fala de todos os participantes constitui
discurso de um único sujeito, denominado sujeito coletivo, visando tornar mais clara uma
dada representação social, bem como o conjunto das representações que conforma o dado
imaginário. Ressalta-se que a operacionalização desse procedimento obedecerá aos seguintes
passos: agrupamento dos discursos individuais relacionados a cada pergunta/tema; seleção das
172
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
expressões-chave (ECHs) de cada discurso particular; identificação da ideia central (IC) de
cada uma das ECHs; identificação das ideias centrais semelhantes ou complementares;
reunião das ECHs referentes às ideias centrais, semelhantes ou complementares, em um
discurso síntese, que é o DSC. É importante ressaltar que a pesquisa foi aprovada pelo Comitê
de Ética em Pesquisa, da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba (CEP/FCM-PB), em sua
23ª Reunião Ordinária, realizada em 09/11/2011, com base nas recomendações da Resolução
196/96 do Conselho Nacional de Saúde, sob o Protocolo N° 056/2011. RESULTADOS: A
análise preliminar dos dados permitiu compreender que os enfermeiros envolvidos no estudo
destacam a comunicação como parte central do processo de interação humana, estabelecendose como um dos instrumentos mais expressivos do agir humano, por permitir a emissão e
recepção de informações, haja vista que permeia toda a ação do ser humano, como um
processo de troca, compreensão e partilha de mensagens enviadas e recebidas conforme
exemplificado no discurso do sujeito coletivo extraído das entrevistas com os enfermeiros,
elencados a seguir: A comunicação dignifica e dá sentido a vida do paciente terminal [...].
Os pacientes graves em fase terminal ficam fragilizados, necessitando de uma conversa,
de troca de informações, de um ombro amigo. [...] necessitam de proteção, carinho e
atenção, como também devem expressar seus sentimentos e as suas necessidades. A
comunicação é uma forma de promover uma assistência digna com amor e humanização,
promovendo um vínculo. Para os pacientes conscientes é uma forma de motivação, de
compartilhar experiências e para os inconscientes provê o conforto para uma morte
digna. Diante do DSC descrito sobre a comunicação com o paciente sem possibilidade de
cura, destaca-se que esta modalidade de cuidar é considerada de fundamental importância
para a conjuntura do cuidado, onde o enfermeiro faz o uso da comunicação verbal e da não
verbal, com o paciente que vivencia o processo de morrer. No que concerne às estratégias de
comunicação utilizadas pelos enfermeiros com o paciente na terminalidade, destaca-se que os
mesmos utilizam a comunicação verbal e principalmente a comunicação não-verbal, conforme
elucidado no Discurso do Sujeito Coletivo, apresentado a seguir: Para determinados
pacientes utilizo a comunicação verbal [...] faço perguntas simples, pergunto de onde ele
é o que ele faz, se ele tem filhos [...]. Chego ao cliente me comunicando, falo da
importância de se ajudar para tentar sair deste quadro. Utilizo a verbalização. [...]
emprego a fala, o diálogo otimista, tais pontos auxiliam no relacionamento com o
paciente, muitas vezes consolando, reduzindo o sofrimento no momento final. Para aos
pacientes inconscientes utilizo o toque [...]. Emprego o toque, o olhar, os gestos,
ternura, afago, a mímica facial. Com os pacientes terminais sempre interajo de maneira
afetiva e respeitosa com ênfase nos cuidados assistenciais [...] visando este com um ser
holístico. Procuro interagir, tentando mostrar o sentido da vida, querendo que o paciente
aprenda a conviver com a terminalidade [...]. [...] assim, utilizando o toque, o olhar, um
aperto de mão, um gesto, eu estabeleço um relacionamento eficaz e dignifico o meu
paciente. Dentre os aspectos necessários ressaltados foi possível vislumbrar o cuidar, a
segurança, o amadurecimento, o bem estar, o conhecimento, o toque, os gestos, sendo estes
essenciais no momento do cuidar do paciente terminal. Por se tratar de uma nota prévia,
cumpre destacar que a pesquisa encontra-se na fase de análise do material empírico, novos
dados estão sendo analisados, com vistas a aprofundar a compreensão dessa vivência.
Descritores: Comunicação. Paciente terminal. Enfermagem.
REFERÊNCIAS
ARAÚJO, M.M.T; SILVA, M.J.P. A comunicação com o paciente em cuidados paliativos:
valorizando a alegria e o otimismo. Rev. Esc. Enferm. USP, v. 41, n. 4, p. 668-74, 2007.
173
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
BIFULCO, V. A.; IOCHIDA, L.C. A formação na graduação dos profissionais de saúde e a
educação para o cuidado de pacientes fora de recursos terapêuticos de cura. Rev. bras. educ.
med., v.33, n.1, p. 92-100, 2009.
CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM.Código de Ética dos Profissionais de
Enfermagem. Rio de Janeiro, 2007.
COSTA FILHO, R.C. et al. Como implementar cuidados paliativos de qualidade na unidade
de terapia intensiva. Rev. bras. ter. intensiva, São Paulo, v. 20, n. 1, p. 88-92, mar. 2008 .
COSTA, S. F. G. C.; VALLE, E. R. M. Ser ético na pesquisa em enfermagem. João Pessoa:
Ideia, 2000.
FIRMINO, F. Cuidados de enfermagem nas últimas 48 horas de vida. Prática Hospitalar, n.
61, p.135-140, 2009.
GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2007.
LEFÈVRE, F.; LEFÈVRE, A. M. C; TEIXEIRA, J. J. V. O discurso do sujeito coletivo: uma
nova abordagemmetodológica em pesquisa qualitativa. Caxias doSul: EDUCS, 2005.
MARCELINO, S. R.; MERCÊS, N. N. A das. Enfermagem oncológica: a representação
social do câncer e o cuidado paliativo no domicílio. Blumenau: Nova Letra, 2004.
MELO, A. G. C. Os cuidados paliativos no Brasil.O mundo da saúde, n. 27, p.58-62, 2007.
MINAYO, M. C. S. Técnicas de análise de material qualitativa. In: MINAYO, M. C. S. O
desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. São Paulo: Hucitec, 2006.
OLIVEIRA, A. C. et al. O posicionamento do enfermeiro frente a autonomia do paciente
terminal.Rev. Bras. de Enfermagem, v.60, n.3, p. 286-290, 2007.
PESSINI, L. Humanização da dor e do sofrimento humanos na área da saúde. In: PESSINI.
L.; BERTACHINI, L. (Org.). Humanização e cuidados paliativos. 3. ed. São Paulo: Edições
Loyola, 2006. Cap.1, p. 11-29.
POLIT, F. P.; BECK, C. T.; HUNGLER, B. P. Fundamentos da pesquisa em enfermagem:
métodos, avaliação e utilização. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2004.
RODRIGUES, I.G.; ZAGO, M.M.F.; CALIRI, M.H. Uma análise do conceito de cuidados
paliativos no Brasil: artigo de revisão. Mundo da Saúde, v. 29, n. 2, p.147-54, 2005.
RODRIGUES, M.V. de C.; FERREIRA, E.D.; MENEZES, T.M. de O. Comunicação da
enfermeira com pacientes portadores de câncer fora de possibilidade de cura. Rev. enferm.
UERJ, v.18, n.1, p. 86-91, 2010.
SANTOS, F.S. O desenvolvimento histórico dos cuidados paliativos e a filosofia hospice.
In:SANTOS, F.S. Cuidados paliativos: diretrizes, humanização e alívio de sintomas. São
Paulo: Atheneu, 2011.
174
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
SANTANA, J.C.B. et al. Cuidados paliativos aos pacientes terminais: percepção da equipe de
enfermagem. Centro Universitário São Camilo, v. 3, n. 1, p. 77-86, 2009.
WORLD HEALTH ORGANIZATION. National cancer control programmes: policies and
managerial guidelines. Geneva: WHO, 2002.
MATOS, R. E. et al. Dificuldades de comunicação verbal do cliente laringectomizado. Rev.
enferm. UERJ, v.17, n. 176, p.81, 2009.
175
Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
176
Download

Anais da IV Semana de Enfermagem da Faculdade de Ciências